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Numero do processo: 10280.003873/91-49
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - LANÇAMENTO - É de ser afastado o relativo a exercícios em que o contribuinte comprova a quitação do tributo em nome do outro proprietário do imóvel. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 202-07618
Nome do relator: Antônio Carlos Bueno Ribeiro
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Numero do processo: 10480.015144/92-97
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - MULTA - Suspensão da exigibilidade. Inaplicabilidade da multa moratória. Legitimidade da cobrança de juros de mora e correção monetária (Decreto-Lei nr. 1.736/79, art. 5). Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 202-07788
Nome do relator: DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO
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Inaplicabilidade da multa moratória. Legitimidade da cobrança de juros de mora e correção monetária (Decreto - Lei n° 1.736/79, art. 5°). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOEL ALBUQUERQUE QUEIROZ FILHO. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a multa aplicada, nos termos do voto do relator. Sala das Sessões, em 25 de maio de 1995 Helvio E o edo Bar elÇlos Preside , te Daniel Corrêa Homem de Carvalho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elio Rothe, Antônio Carlos Bueno Ribeiro, Oswaldo Tancredo de Oliveira, José de Almeida Coelho, Tarásio Campelo Borges e José Cabral Garofano. I MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo n° : 10480.015144/92-97 Acórdão n° : 202-07.788 Recurso n° : 97.561 Recorrente : JOEL ALBUQUERQUE QUEIROZ FILHO RELATÓRIO A recorrente impugnou o lançamento do ITR192 em razão de o lançamento não considerar a isenção da Contribuição Parafiscal, e o seu enquadramento como Empresa Rural, além do não-reconhecimento total do direito ao FRE, estipulado em 12,2%, quando o percentual correto seria 38,6%. A autoridade recorrida deferiu parcialmente o pleito do recorrente para calcular os valores em função dos dados declarados pelo contribuinte na Declaração do ITR/92. Em seu recurso, o contribuinte alega que: "O Serviço de Arrecadação da DRF-PE, ao processar a emissão de nova notificação/comprovante de pagamento do ITR/92 optou por consignar nesta e no respectivo DARF a data de 4.12.92, como sendo a data de vencimento para pagamento das incidências tributárias recalculadas, expedindo a intimação de nr. 199/94, datada de 25/04/94 e só recebida pela recorrente em 2/5/94, na qual insere-se instruções que no pagamento do débito originário incidiria acréscimos de MULTA DE MORA (20%) e Juros de Mora: 16% = 80,95 UFIRs". Não se conformando com essa exigência, o recorrente procedeu, tão-somente, ao pagamento do débito originário na quantia correspondente ao número de UFIRs (506,21) estabelecido na intimação da recorrida, por entender não se aplicar, ao caso, a incidência de multa de mora e juros, pois, assim ocorrendo, estaria sendo penalizado a pagar encargos adicionais sobre tributos, cuja data para pagamento é vencida. Requer, finalmente, a extinção do crédito tributário, em face do pagamento efetuado nos termos acima descritos. É o relatório. 2 9 S • MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES • Processo n° : 10480.015144/92-97 Acórdão n° : 202-07.788 • VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO O contribuinte insurge-se contra a pretensão da repartição fiscal de exigir-lhe os encargos moratórios relativos ao ITR/92 e acessórios incidentes sobre o imóvel. ' É descabida a multa moratória, conforme se conclui pela leitura do art. 33 do Decreto n° 72.106/73 que reza: 1 "Art. 33. Do lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, 1 Contribuições e Taxas, poderá o contribuinte reclamar ao Instituto de Colonização e Reforma Agrária - INCRA, até o final do prazo de pagamento sem multa dos tributos". Em relação aos juros de mora e correção monetária sobre débitos para com a Fazenda Nacional, inclusive durante o período em que a cobrança estava suspensa, são devidos em razão do artigo 50 do Decreto - Lei n° 1.736/79. Assim sendo, dou provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa moratória. Sala das Sessões, em 25 de maio de 1995 1 2_%\ DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO 3
score : 1.0
Numero do processo: 10880.007975/00-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 1997
FÉRIAS E LICENÇA PRÊMIO NÃO GOZADAS INDENIZADAS. NÃO INCIDÊNCIA.
Em tema de férias e licença prêmio não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse
no entendimento enunciado pelas Súmulas 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça, que colocam aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto de renda. Assim, os pagamentos efetuados sob as rubricas de férias não gozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, de abono pecuniário, e
de adicional de um terço constitucional quando agregado a pagamento de férias e licença prêmio não gozada, não estão sujeitas a incidência do imposto de renda.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2202-000.996
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório do imposto de renda retido na fonte, conforme o pedido de retificação da declaração do imposto de renda, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 FÉRIAS E LICENÇA PRÊMIO NÃO GOZADAS INDENIZADAS. NÃO INCIDÊNCIA. Em tema de férias e licença prêmio não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pelas Súmulas 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça, que colocam aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto de renda. Assim, os pagamentos efetuados sob as rubricas de férias não gozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, de abono pecuniário, e de adicional de um terço constitucional quando agregado a pagamento de férias e licença prêmio não gozada, não estão sujeitas a incidência do imposto de renda. Recurso provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório do imposto de renda retido na fonte, conforme o pedido de retificação da declaração do imposto de renda, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1689; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.007975/0073 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 220200.996 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de fevereiro de 2011 Matéria IRPF Recorrente DALVA DE SOUZA CRUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1997 FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO NÃO GOZADAS INDENIZADAS. NÃO INCIDÊNCIA. Em tema de férias e licença prêmio não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pelas Súmulas 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça, que colocam aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto de renda. Assim, os pagamentos efetuados sob as rubricas de férias nãogozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, de abono pecuniário, e de adicional de um terço constitucional quando agregado a pagamento de férias e licençaprêmio não gozada, não estão sujeitas a incidência do imposto de renda. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório do imposto de renda retido na fonte, conforme o pedido de retificação da declaração do imposto de renda, nos termos do voto do Relator. Votou pelas conclusões a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 2 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, João Carlos Cassuli Junior, Antônio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Relatório Fl. 151DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 2 3 DALVA DE SOUZA CRUZ, contribuinte inscrita no CPF/MF sob o n. º 159.390.22804, com domicílio fiscal na cidade de São Paulo, Estado de São Paulo, à Rua Acutiranha, nº 45, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 128/131, prolatada pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 134/141. A requerente apresentou, em 10/05/2000, Pedido de Retificação de Declaração de Ajuste Anual relativo ao exercício de 1996, cumulado com Pedido de Restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre valores pagos por pessoa jurídica (Caixa Econômica Federal), no ano de 1996 sob o entendimento que os mesmos foram pagos a título de incentivo à adesão a Programa de Desligamento Voluntário (PDV) e a título de verbas rescisórias não sujeitas a incidência de imposto de renda. Em 21 de novembro de 2005, cuja ciência foi em 17 de janeiro de 2006, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, através da Divisão de Orientação e Análise Tributária — Equipe de Análise de Processos de Imposto de Renda – PF exarou o Despacho Decisório nº 1073/05 (fls. 59/60), reconhecendo de forma parcial o pedido de restituição, amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: que se trata de pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos pela interessada no ano calendário 1996, sob a alegação de que seriam verbas indenizatórias relativas às férias e licenças não gozadas, e a título de incentivo à adesão a Programa de Demissão Voluntária (PDV), que teria sido instituído pela CAIXA ECONÔMICA FEDERAL nos termos da Instrução Normativa SRF n.° 165/98, Ato Declaratório SRF n.° 03/99, Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 07/99, e Norma de Execução 10ª RF/COTEC/COSIT/COSAR/COFIS n.° 02/99; que, inicialmente, cabe esclarecer que, por força do artigo 39XX do Decreto n° 3.000, de 26/03/1999 (Regulamento do Imposto de Renda — RIR), não compõem o rendimento bruto a indenização paga por rescisão do contrato de trabalho, até o limite garantido pela lei trabalhista ou por dissídio coletivo e convenções trabalhistas homologadas pela Justiça do Trabalho. Excetuamse a esse comando as férias e a licença prêmio não gozadas — por necessidade do serviço — pelo servidor público, em face dos Pareceres PGFN/CRJ/N° 921/99 e PGFN/CRJ/N° 1.458/99, respectivamente; que se observa, portanto, que a exceção à regra geral trata apenas das férias e licençaprêmio não gozadas exclusivamente na situação "por necessidade do serviço", e não de forma genérica como pretende a interessada; que com relação ao PDV verificase que os autos contêm termo de rescisão de contrato de trabalho (fl. 38), comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte (fl. 16), declaração retificadora (fls. 26/28), recibo de entrega da declaração de ajuste anual do IRPF/97 (fl. 17), cópias do termo de adesão e do plano de PDV adotado pelo exempregador (fls. 06/11), declaração da fonte pagadora (fl. 12) e declaração de que o (a) interessado (a) não acorreu ao Poder Judiciário pelo mesmo motivo do presente (fl. 37); Fl. 152DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 4 que estando, portanto, o processo devidamente instruído com relação ao PDV, excluise somente a indenização paga a título de PDV no valor de R$ 34.272,16 (fl. 12), por estar amparada pelo disposto na Instrução Normativa SRF n.° 165/98, do total dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, sendo alterado de R$ 96.477,57 (fl. 54) para R$ 62.205,41 (fl. 58); que diante do exposto, PROPONHO, s.m.j., a revisão de ofício do Lançamento espelhado à fl. 54, conforme a Minuta de Cálculo à fl. 58, bem como, o reconhecimento em favor da interessada do direito creditório contra a Fazenda Nacional na importância discriminada como saldo de imposto de renda a restituir no demonstrativo que segue: Imposto de Renda a Restituir Calculado 10.125,87 () Imposto de Renda já restituído 1.557 83 = Saldo de Imposto de Renda a Restituir 8.568,04. Irresignada com a decisão da autoridade administrativa singular, a requerente apresenta, tempestivamente, em 31/01/06, a sua manifestação de incoformidade de fls. 78/85, solicitando que seja revista à decisão para que seja declarado procedente a totalidade o pedido de restituição com base em síntese, nos seguintes argumentos: que todas as vantagens recebidas pelo contribuinte estão vinculadas à dispensa "sem justa causa", as quais se inserem no computo geral da indenização do "PDV Programa de Demissão Voluntária", cujo programa criou as "verbas especiais indenizatórias recebidas a título de adesão ao 'Programa de Demissão Voluntária" (PDV) e não poderia ser de diferente, mesmo por que os pagamentos efetuados por pessoa jurídica, a título de incentivo à adesão ao "Programa de Demissão Voluntária" — PDV, não se sujeitam à incidência do imposto de renda na fonte nem na declaração de ajuste anual; que face às reiteradas decisões judiciais e administrativas, o Fisco acabou por reconhecer a isenção na fonte e na declaração de ajuste anual dos valores recebidos como indenização pela participação de empregados nos Programas de Demissão Voluntária, conforme Ato Declaratório SRF n° 3/99, Instrução Normativa SRF n° 165/98 e Instrução Normativa SRF n° 4/99, além das "decisões judiciais e administrativas a seguir transcritas"; que não se permite, portanto, interpretação restritiva com base em pareceres da PGFNProcuradoria da Fazenda Nacional que "não dizem respeito à matéria versada nos presentes autos", pois é mansa e pacífica a jurisprudência dos tribunais judiciais e administrativos de que "todas as verbas recebidas no Programa de Demissão Voluntária PDV" não sofrem a incidência do Imposto de Renda da Pessoa Física, seja na Fonte seja na Declaração de Ajuste Anual, as quais, portanto, se inserem no âmbito do chamado "efeito vinculante administrativo". Após resumir os fatos constantes do pedido de restituição e as razões de inconformidade apresentadas pela requerente, a Quinta Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP II resolveu julgar improcedente a reclamação apresentada contra a DIORT da DERAT em São Paulo SP, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que a alegação formulada pela interessada de que as verbas relativas a férias e licença prêmio não gozadas são isentas, não pode ser acolhida, uma vez que elas integram o montante de rendimentos tributáveis. Tais verbas somente estariam abrangidas com o beneficio da isenção se as referidas rubricas estivessem comprovadas nos autos de que ocorram por necessidade do serviço, nos termos exigidos nos Pareceres PGFN/CRJ/N° 921/99 e PGFN/CRJ/N° 1.458/99, consubstanciados no Despacho Decisório prolatado (fls. 59/60). Além Fl. 153DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 3 5 do mais, a própria fonte pagadora não demonstrou se as verbas rescisórias foram recebidas por necessidade de serviço, conforme se verifica da rescisão contratual, sem justa causa (fl. 38); que, nesse sentido, é o entendimento do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 5 de 27.04.2005, publicado no DOU de 28/04/2005, que dispõe sobre a revisão de crédito tributário relativo ao imposto sobre a renda incidente sobre os valores pagos (em pecúnia) a título de licençaprêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço, a trabalhadores em geral ou a servidores públicos quando tal exigência estiver comprovada nos autos, o que não ocorreu na presente situação; que, no caso em tela, depreendese dos documentos constantes dos autos, notadamente dos valores discriminados pelas fontes pagadoras às fls. 35 e 38, corroboradas pelas informações prestadas em DIRFs (fls. 1241125), que os rendimentos tributáveis perfazem o montante de R$ 96.477,57, resultado do importe de R$ 89.363,64 (R$ 64.123,11 proveniente da rescisão contratual e R$ 25.240,53 correspondente a salários recebidos), ambos oriundos da Caixa Econômica Federal S/A, além do valor de R$ 7.112.93 proveniente da FUNCEP Fundação dos Economiários Federais. Ademais, a própria Caixa Econômica Federal e forneceu a declaração de fl. 12, afirmando textualmente que foi pago a interessada "a título de incentivo o valor bruto de R$ 34.274,16". Portanto, esta quantia coincide exatamente com a exclusão já reconhecida pelo Despacho Decisório prolatado às fls. 59/60; que, conforme se verifica, as indenizações isentas são aquelas decorrentes de acidente de trabalho e aquelas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho, mais especificamente nos artigos 477 (aviso prévio, não trabalhado, pago com base na maior remuneração recebida pelo empregado na empresa) e 499 (indenização proporcional ao tempo de serviço a empregado despedido sem justa causa, que só tenha exercido cargo de confiança em mais de dez anos), no art. 9° da Lei n° 7.238, de 29 de outubro de 1984 (indenização equivalente a um salário mensal, ao empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 dias que antecede à data de sua correção salarial), e na legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, Lei n° 5.107, de 13 de setembro de 1966, alterada pela Lei n° 8.036, de 11 de maio de 1990; que, assim sendo, quaisquer outros rendimentos, mesmo remunerados a título de verbas indenizatórias, devem compor o rendimento bruto para efeito de tributação, uma que, sendo a isenção uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, deve ser sempre decorrente de lei e de interpretação literal e restritiva, nos termos do art. 111 do CIN; que, dessa forma, as verbas recebidas a título de licençaprêmio ainda que denominadas de indenizações pela fonte pagadora, não está literalmente alcançadas pelo beneficio fiscal da isenção, devendo, portanto, sujeitarse à incidência do imposto, não havendo nenhum reparo ser feito na decisão prolatada. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1996 VERBAS INDENIZATÓRIAS. PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA. Fl. 154DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 6 Estão incluídas do conceito de Programa de Demissão Voluntária (PDV), as verbas rescisórias obtidas em decorrência de férias e licençaprêmio recebidas em pecúnia, por não restarem comprovadas se foram recebidas por necessidade de serviço, sujeitandose, pois, à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual. Solicitação Indeferida Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 15/04/2008, conforme Termo constante às fls. 132/133, a recorrente interpôs, tempestivamente (22/04/2008), o recurso voluntário de fls. 134/141, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória. É o relatório Voto Fl. 155DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 4 7 Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Não há arguição de qualquer preliminar. A matéria em discussão, conforme visto do relatório, versa sobre pedido de restituição de imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos recebidos pela interessada no ano calendário 1996, sob a alegação de que seriam verbas indenizatórias relativas às férias e licenças não gozadas e razão do Programa de Demissão Voluntária (PDV), que teria sido instituído pela Caixa Econômica Federal. Observase, que o pedido, inicialmente, foi apreciado pela autoridade competente da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (SP), que proferiu o Despacho Decisório de fls. 59/60, deferindo, parcialmente, o pleito por considerar que "Estando, portanto, o processo devidamente instruído com relação ao PDV, excluise somente a indenização paga a título de PDV no valor de R$ 34.272,16 (fl. 12), por estar amparada pelo disposto na Instrução Normativa SRF n° 165/98, do total dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, sendo alterado de R$ 96.477,57 (fl. 54) para R$ 62.205,41 (fl. 58)". Sendo que a decisão de Primeira Instância indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela requerente. Por seu turno, alega a recorrente, que o gozo de férias, ou de licença, tem finalidade específica no campo do Direito do Trabalho, qual seja, a recuperação física e psicológica do empregado, proporcionandolhe melhor rendimento laborativo após o seu retorno. Por isso a jurisprudência judiciária tem entendido que férias e licenças de trabalho constituem um bem da vida, insuscetível de ser suprimido da classe trabalhadora e suscetível de reparação, ou indenização, no caso de não serem concedidas, nas rescisões de contratos de trabalho. Da análise preliminar da matéria em litígio como um todo, observase que a discussão está centrada na diferença de verbas recebidas quando da realização do PDV, por esta razão é que a recorrente retificou a sua Declaração de Juste Anual relativo ao exercício de 1997, posto que na Declaração de Ajuste Anual original (fls. 17/21) declarou rendimentos tributáveis na ordem de R$ 96.477,57 e da Declaração de Ajuste Anual retificadora (fls. 25/28) declarou rendimentos tributáveis na ordem de R$ 32.353,66, gerando uma discussão de tributação sobre a diferença de R$ 64.123,91, que é o valor bruto da totalidade das verbas rescisórias mais o PDV realizado em junho/1996 (fls. 124). Sendo que deste valor de R$ 64.123,91, a autoridade administrativa reconheceu de ofício o valor de R$ 34.272,16, relativo ao valor do PDV, conforme Despacho decisório (fls. 59/60), restando a discussão, nesta fase recursal, do valor de R$ 29.851,75, relativo as seguintes verbas: Indenização de Licença Prêmio: 182 dias 23.103,20; 13° salário indenizado 6/12 avos: 1.904,11; Férias vencidas indenizadas 30 dias: 3.808,22 e 1/3 salário sobre férias: 1.273,88. Desta forma, para que haja melhor compreensão no julgamento deste feito, será adotada uma metodologia didática para a apreciação das contestações interpostas pela Recorrente, cuja abordagem será desenvolvida em função dos prismas a seguir descritos: Fl. 156DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 8 – da não tributação da licença prêmio indenizada; e (b) da não tributação dos valores recebidos, através de acordo judicial trabalhista, a título de indenização de férias em dobro, simples, proporcionais e 1/3 constitucional. Quanto passivos trabalhistas recebidos pela recorrente, é de se observar, que o art. 39, incisos XVI a XXIV, do RIR/99 discrimina quais verbas não entram no cômputo do rendimento bruto, e lá se encontram listadas as seguintes indenizações: reparatória por danos físicos, ou por bem material danificado ou destruído, em decorrência de acidente; por acidente de trabalho; destinada a reparar danos patrimoniais em virtude de rescisão de contrato; por desligamento voluntário de servidores públicos civis; por rescisão de contrato de trabalho e FGTS; em virtude de desapropriação para fins de reforma agrária; recebida por liquidação de sinistro, furto ou roubo, relativa ao objeto segurado; reparatória a desaparecidos políticos, paga a seus beneficiários diretos; e de transporte a servidor publico da União. Sendo, que as indenizações salariais isentas são aquelas previstas na Consolidação das Leis do Trabalho, mais especificamente nos arts 477 (aviso prévio, não trabalhado, pago com base na maior remuneração recebida pelo empregado na empresa) e 499 (indenização proporcional ao tempo de serviço a empregado despedido sem justa causa, que só tenha exercido cargo de confiança em mais de dez anos), no art. 9º da Lei nº 7.238, de 1984 (indenização equivalente a um salário mensal, ao empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 dias que antecede à data de sua correção salarial), e na legislação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, Lei nº 5.107, de 1966, alterada pela Lei nº 8.036, de 1990. De conformidade com o prescrito no art. 176 do Código Tributário Nacional, a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão e, a lei, deve ser interpretada literalmente. Neste processo se faz necessário fazer uma ressalva no que se refere as verbas pagas a título de férias em dobro, férias simples, férias proporcionais e o 1/3 de férias e licençaprêmio não gozada transformada em pecúnia. Inicialmente, se faz necessário responder, o que seria, para o Direito do Trabalho, verba indenizatória? E verba remuneratória? A grosso modo, pelos estudos desenvolvidos, é de se observar, que verba remuneratória, para efeitos trabalhistas, é todo título jurídico com característica de contraprestação pelos serviços. Tratase do pagamento pelo trabalho executado. Exemplos: salário, horas extras, adicional de insalubridade e verba indenizatória, por sua vez, tem o condão de compensar dano, contratual ou extracontratual, sofrido pela trabalhador. Exemplos clássicos: indenização por danos morais e multa de 40% sobre o montante do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (art. 10, I, do ADCT, c/c Lei 8.036/90). No caso do FGTS, o dano é a demissão sem justa causa. Como visto, a princípio, as verbas pagas a título de indenização por férias não gozadas não seria uma verba indenizatória clássica, entretanto, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil reconhece que em certos casos estas verbas estariam isentas do imposto de renda, conforme se verifica nas soluções de consultas e pareceres de divergências editadas, abaixo transcritas. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 4, DE 7 DE FEVEREIRO DE 2007 Fl. 157DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 5 9 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF EMENTA: FÉRIAS NÃO GOZADAS Os valores pagos a título de férias integrais não gozadas por necessidade do serviço, quando ocorrerem na rescisão de contrato de trabalho ou exoneração, não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, permanecendo as demais formas de pagamento em pecúnia a título de férias não gozadas sujeitas à incidência do imposto. ABONO ASSIDUIDADE.Os valores pagos a título de abono assiduidade não estão sujeitos à incidência do imposto de renda. DISPOSITIVOS LEGAIS: ADI SRF n° 5, de 2005; ADISRF nº 14, de 2005; ADU SRF n° 9, de 2004. NELSON KLAUTAU GUERREIRO DA SILVA.Chefe. Parecer da Receita Federal Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 14/205 DOU 02.12.2005 Dispõe sobre as hipóteses em que se aplica o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 27 de abril de 2005, no caso de revisão de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda incidente sobre os valores pagos (em pecúnia) a título de férias integrais e de licençaprêmio não gozadas por necessidade do serviço, a trabalhadores em geral ou a servidores públicos O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e o que consta no processo nº 10168.004133/200519, declara: Art. 1º O Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 27 de abril de 2005, editado em decorrência do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1905/2004, de 29 de novembro de 2004, tratou da não incidência do imposto de renda somente nas hipóteses de pagamento de valores a título de férias integrais e de licençaprêmio não gozadas por necessidade do serviço quando da aposentadoria, rescisão de contrato de trabalho ou exoneração, previstas nas Súmulas nos 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a trabalhadores em geral ou a servidores públicos. Art. 2º Sofrem a incidência do imposto de renda, prevista no art. 3º, §§ 1º e 4º, da Lei nº 7.713, de 1988, e no art. 43, inciso III, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), as demais formas de pagamento em pecúnia a título de férias e de licençaprêmio não gozadas. Contudo a legislação estabelece que deverá haver a obrigação do desconto conforme na RIR/99, art. 43: Art.43.São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, Fl. 158DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 10 e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): II férias, inclusive as pagas em dobro, transformadas em pecúnia ou indenizadas, acrescidas dos respectivos abonos; Parecer PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL PGFN nº 1905 de 12.08.2004 D.O.U.: 18.02.2005 I Tributário. Não incidência de imposto de renda sobre as verbas recebidas por trabalhadores em geral a título de férias e licença prêmio não gozadas por necessidade do serviço. Extensão a estes do mesmo tratamento dispensado aos recursos judiciais atinentes aos servidores públicos. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. O escopo do presente Parecer é analisar a possibilidade de se promover, com base no inciso II do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19/07/2002, e no Decreto nº 2.346, de 10.10.1997, a dispensa de interposição de recursos ou o requerimento de desistência dos já interpostos, com relação às decisões que afastaram a incidência do imposto de renda das pessoas físicas sobre as verbas recebidas em face da conversão em pecúnia de licença prêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço, na hipótese do empregado não ser servidor público. 2. Este estudo é feito em razão da existência de decisões reiteradas da Primeira e da Segunda Turmas do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no sentido de considerar que a conversão em dinheiro das referidas rubricas têm caráter indenizatório, a impedir a incidência do imposto de renda. 3. De se notar que com relação aos servidores públicos já há atos declaratórios do Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e despachos do Senhor Ministro de Estado da Fazenda, dispensando a interposição de recursos e permitindo a desistência dos já interpostos, acerca dessas matérias. São eles o Ato Declaratório nº 4, de 12/08/2002, aprovando o Parecer PGFN/CRJ/Nº 921/99, e o respectivo despacho do Senhor Ministro de Estado da Fazenda, publicado no D.O.U. de 06/08/1999 Seção I pág 36, no que tange às férias, e o Ato Declaratório nº 8, de 12/08/2002, aprovando o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1458/99, e o respectivo despacho do Senhor Ministro de Estado da Fazenda, publicado no D.O.U. de 31/03/2000 Seção I pág. 13, no que tange à licençaprêmio. 4. Assim, nesse momento, devese verificar se o mesmo tratamento deve ser dispensado aos recursos judiciais atinentes aos trabalhadores em geral que se encontram na mesma situação dos servidores públicos, a qual foi objeto dos aludidos Pareceres. II Fl. 159DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 6 11 5. Várias ações foram propostas por pessoas físicas, servidores públicos e empregados, contra a União (Fazenda Nacional), com o objetivo de que o Poder Judiciário declarasse a não incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas a título de férias e licençaprêmio, não gozadas por necessidade do serviço. 6. Nas instâncias inferiores sucederamse as decisões favoráveis às pessoas físicas, até que essas questões chegaram ao Egrégio Superior Tribunal de Justiça, onde concluiuse pelo caráter indenizatório dos valores recebidos a título de férias e licença prêmio não gozadas por necessidade do serviço, não devendo, ao ver daquela Egrégia Casa, ser exigido o imposto de renda. 7. Com efeito, relativamente à licençaprêmio e às férias, foram editadas, respectivamente, as Súmulas nºs 136 e 125 do Superior Tribunal de Justiça, assim vazadas: Súmula nº 125: "O pagamento de férias não gozadas por necessidade do serviço não está sujeito à incidência do imposto de renda." Súmula nº 136: "O pagamento de licençaprêmio não gozada por necessidade do serviço não está sujeito ao imposto de renda." 8. O entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que é de natureza indenizatória os valores relativos ao não gozo das férias e da licençaprêmio, e como tal, violaria o art. 43 do Código Tributário Nacional a incidência do imposto de renda. 9. Tal entendimento é aplicado por aquele Egrégio Tribunal Superior indistintamente, seja para servidor público, seja para empregado ou trabalhador. 10. Assim, a restrição feita anteriormente aos servidores públicos nos Pareceres citados desta CoordenaçãoGeral, não encontra respaldo na jurisprudência pacífica das Turmas de direito público do STJ. 11. Vejase as seguintes decisões colegiadas proferidas na Primeira e Segunda Turmas do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, acerca da não incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas a título de férias e licençaprêmio não gozadas por necessidade do serviço: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PROGRAMA DE INCENTIVO À APOSENTADORIA. VERBAS INDENIZATÓRIAS (13º SALÁRIO). IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULAS NºS 125 E 136/STJ. PRECEDENTES. 1. Agravo regimental contra decisão que proveu o recurso especial da parte agravada. 2. O imposto sobre a renda tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda (produto do Fl. 160DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 12 capital, do trabalho ou da combinação de ambos) e de proventos de qualquer natureza (art. 43, do CTN). 3. As verbas rescisórias especiais recebidas pelo trabalhador quando da extinção do contrato de trabalho, em face de plano de incentivo à aposentadoria voluntária, não ensejam acréscimo patrimonial de qualquer natureza ou renda. Disso decorre a impossibilidade da incidência do imposto de renda sobre as mesmas, incluídos o 13º salário e as férias nãogozadas. Incidência das Súmulas nºs 125, 136 e 215/STJ. 4. A indenização especial, o 13º salário, as férias e o abono pecuniário nãogozados não configuram acréscimo patrimonial de qualquer natureza ou renda e, portanto, não são fatos imponíveis à hipótese de incidência do IR, tipificada pelo art. 43, do CTN. A referida indenização não é renda nem proventos. 5. Inteligência das Súmulas nºs 125 e 136/STJ. Vastidão de precedentes desta Corte Superior. 6. Paradigmas dissonantes citados, não obstante o respeito a eles reverenciado, que não transmitem a posição deste Relator. A convicção sobre o assunto continua a mesma e intensa. 7. Agravo regimental não provido." (STJ, AGRESP Nº 611984/RS, Primeira Turma, rel. Min. José Delgado, DJ 31/05/2004, p. 233). "TRIBUTÁRIO. IRPF. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. VERBAS INDENIZATÓRIAS. NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO. SÚMULAS 125 E 136 DO STJ. 1. As verbas pagas pelo empregador a título de abono antiguidade, férias e licençasprêmio, quando da aposentadoria do empregado por tempo de serviço, que não usufruiu desses benefícios, têm natureza indenizatória não incidindo sobre elas o imposto de renda. Jurisprudência consolidada da Corte. 2. Recurso especial conhecido e provido." (STJ, RESP nº 296597/SP, Segunda Turma, rel. Min. Francisco Peçanha Matins, DJ 02/09/2003, p. 293). "TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. VERBAS INDENIZATÓRIAS. FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO NÃO GOZADAS. DISPENSA INCENTIVADA. 1. As verbas rescisórias percebidas a título de férias e licença prêmio não gozadas, bem como pela dispensa incentivada, não estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda. Aplicação das Súmulas 125, 136 e 215 do STJ. 2. O fato de as fériasprêmio não terem sido usufruídas por opção do servidor, não lhes retira o caráter indenizatório, razão pela qual não incide, sobre elas, o imposto de renda. (Precedentes) 3. No mesmo sentido, a incidência do Enunciado 136 da Corte não depende da comprovação da necessidade de serviço, Fl. 161DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 7 13 porquanto o nãousufruto de tal benefício estabelece uma presunção em favor do empregado. 4. Agravo regimental a que se nega provimento." (STJ, AGA nº 468683/MG, Primeira Turma, rel. Min. Luiz Fux, DJ 29/09/2003, p. 152). "TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO PAGAMENTO EM DECORRÊNCIA DE ADESÃO A PROGRAMA DE APOSENTADORIA INCENTIVADA. 1. O décimo terceiro salário, ao contrário das férias, abonos assiduidade e licençasprêmio quando indenizadas, tem natureza salarial e representa acréscimo patrimonial para o trabalhador, sendo, portanto, passível de incidência do Imposto de Renda. 2. Recurso especial improvido." (STJ, RESP nº 476178/RS, Segunda Turma, rel. Min. Eliana Calmon, DJ 02/06/2003, p. 286). "TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA DEMISSÃO VOLUNTÁRIA INDENIZAÇÃO ESPECIAL LICENÇA PRÊMIO E FÉRIAS CONVERSÃO EM PECÚNIA PRESUNÇÃO DE QUE NÃO FORAM GOZADAS POR NECESSIDADE DO SERVIÇO CARÁTER INDENIZATÓRIO SÚMULAS 125, 136 E 215 STJ PRECEDENTES. A eg. 1ª Seção deste Tribunal pacificou entendimento no sentido de que a indenização recebida pela adesão a programa de incentivo à demissão voluntária, assim como a licençaprêmio e as férias não gozadas não estão sujeitas à incidência do imposto de renda, seguindo a orientação de não constituírem tais verbas, acréscimos patrimoniais subsumidos na hipótese do art. 43 do CTN. A aplicação do enunciado nº 136 STJ não depende da comprovação da necessidade do serviço, por isso que o não usufruto de tais benefícios estabelece uma presunção em favor do empregado. Recurso especial conhecido e provido." (STJ, RESP nº 286750/SP, Segunda Turma, rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ 26/05/2003, p. 304). 12. Constatase que as decisões fazem expressa referência a empregados, trabalhadores e servidores, a comprovar a igualdade de tratamento que o Egrégio STJ tem dado a todos, independente de se tratar de contrato de trabalho ou de regime jurídico. III 13. Dimana da leitura das decisões acima transcritas a firme posição do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, contrárias ao Fl. 162DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 14 entendimento da Fazenda Nacional acerca da matéria, que é pela incidência do imposto de renda sobre as verbas aludidas, sejam as pessoas físicas servidores públicos ou trabalhadores em geral. 14. De se notar que a questão é exclusivamente de índole infraconstitucional, não cabendo ao Egrégio Supremo Tribunal Federal manifestarse sobre a mesma. Nesse sentido os seguintes julgados do Pretório Excelso: 1. RECURSO. Extraordinário. Inadmissibilidade. Férias e licença prêmio pagos em pecúnia. de renda. Não incidência. Matéria infraconstitucional. Agravo regimental não provido. Precedentes. Não cabe RE que teria por objeto alegação de ofensa que, irradiandose de má interpretação, aplicação, ou até, inobservância de legislação subalterna, seria apenas indireta à Constituição da República." (STF, AI 239378 AgR/MG, Primeira Turma, rel. Min. Cezar Peluso, DJ 05/03/2004, p. 16). "RECURSO EXTRAORDINÁRIO INTERPOSTO CONTRA ACÓRDÃO QUE DEFERIU PRETENSÃO DE DEVOLUÇÃO DE VALORES RETIDOS A TÍTULO DE FÉRIAS E LICENÇA PRÊMIO PAGOS EM PECÚNIA. ALEGAÇÃO DE AFRONTA AOS ARTS. 150, I; 153, III, e § 2º, II, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. Questão insuscetível de ser apreciada senão por via da legislação infraconstitucional reguladora da matéria, procedimento inviável em sede de recurso extraordinário, onde não tem guarida alegação de afronta reflexa e indireta à Constituição Federal. Inexistência, ademais, de ofensa ao princípio relativo à competência tributária da União, em face da norma inserta no art. 157, I, da CF. Recurso extraordinário não conhecido." (STF, RE nº 229461/SP, Primeira Turma, rel. Min. Ilmar Galvão, DJ 16/04/99, p. 27). 15. Por essa razão, impõese reconhecer que todos os argumentos que poderiam ser levantados em defesa dos interesses da União vem sendo reiteradamente afastados pelas decisões do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, circunstância que conduz à conclusão acerca da impossibilidade de modificação do seu entendimento, sejam as pessoas físicas servidores públicos ou trabalhadores em geral. 16. Nesses termos, não há dúvida de que futuros recursos que versem sobre o mesmo tema, apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário, sem nenhuma perspectiva de sucesso para a Fazenda Nacional. Portanto, continuar insistindo nessa tese significará apenas alocar os recursos colocados à disposição da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em causas nas quais, previsivelmente, não se terá êxito. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 8 15 17. Cumpre, pois, perquirir se, em face do sobredito, e tendo por fundamento o disposto no art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, e no art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, é o caso de ser dispensada a interposição de recursos e a desistência dos já interpostos. Ora, os artigos citados têm o seguinte teor: "Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre:... II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, ou do Superior Tribunal de Justiça, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. " "Art. 5º. Nas causas em que a representação da União competir à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional havendo manifestação jurisprudencial reiterada e uniforme e decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em suas respectivas áreas de competência, fica o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional autorizado a declarar, mediante parecer fundamentado, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, as matérias em relação às quais é de ser dispensada a apresentação de recursos. " 18. Decorre dos dispositivos legais acima reproduzidos que a possibilidade de ser dispensada a interposição de recurso ou a desistência do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, pode ser exercida pelo Procurador Geral da Fazenda Nacional, mediante ato declaratório, a ser aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, observados os seguintes requisitos: a) a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional tenha competência para representar, judicialmente, a União, nas respectivas causas; e b) haja decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em suas respectivas áreas de competência. 19. Examinandose a hipótese vertente, desde logo, conclui se que: I) nas causas em que se discute a incidência do imposto de renda, como nas hipóteses objeto deste Parecer, a competência para representar a União é da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, já que se trata de matéria fiscal; e II) os acórdãos, citados exemplificativamente ao longo deste Parecer, manifestam a reiterada Jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no sentido de que não incide imposto de renda sobre os valores recebidos a título de férias e licença prêmio, não gozados por necessidade do serviço, sejam por servidores públicos, hipótese em que já existe Parecer desta Fl. 164DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 16 CoordenaçãoGeral, Ato Declaratório do Senhor Procurador Geral da Fazenda Nacional e Despacho do Senhor Ministro de Estado da Fazenda, sejam por trabalhadores em geral. 20. Destarte, há base legal para a edição de ato declaratório do Senhor ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, a ser aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, que dispense a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional da interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, acerca da matéria ora abordada. 21. Por fim, duas questões merecem ser ressaltadas. A primeira de que o presente Parecer não implica, em hipótese nenhuma, no reconhecimento da correção da tese adotada pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. O que se reconhece é a pacífica jurisprudência desse Tribunal Superior, a recomendar a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, eis que os mesmos se mostrarão inúteis e apenas sobrecarregarão o Poder Judiciário e a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. 22. A outra questão diz respeito à desnecessidade de se fazer referência no presente Parecer aos valores convertidos em pecúnia a título de abonoassiduidade e ausências permitidas ao trabalho para trato de interesse particular APIP, eis que o PARECER PGFN/CRJ/Nº 1643/2003, que trata dos mesmos, não se restringe aos servidores públicos, abrangendo todos os trabalhadores em geral. IV 23. Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, II, da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10.10.97, recomendase sejam autorizadas pelo Senhor Procurador Geral da Fazenda Nacional a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais que versem acerca da incidência do imposto de renda sobre as verbas recebidas a título de conversão em pecúnia de férias e licença prêmio não gozadas por necessidade do serviço, por quaisquer trabalhadores, não só por servidores públicos. É o parecer. À consideração superior. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em 12 de agosto de 2004. FABRÍCIO DA SOLLER CoordenadorGeral da Representação Judicial da Fazenda Nacional De acordo. Submetase à apreciação do Sr. ProcuradorGeral da Fazenda Nacional ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em 16 de novembro de 2004. FRANCISCO TADEU BARBOSA DE ALENCAR Fl. 165DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 9 17 ProcuradorGeral Adjunto da Fazenda Nacional Aprovo. Submetase à apreciação do Senhor Ministro de Estado da Fazenda para os fins da Lei nº 10.522, de 19.07.2002, e do Decreto nº 2.346, de 10.10.97. Após, publiquese. Com a publicação, dêse ciência do presente Parecer ao Senhor Secretário da Receita Federal, para a finalidade prevista no § 4º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19.07.2002. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em 29 de novembro de 2004. MANOEL FELIPE RÊGO BRANDÃO ProcuradorGeral da Fazenda Nacional DESPACHO DO MINISTRO Em 14 de fevereiro de 2005 ASSUNTO: Tributário. Não incidência de imposto de renda sobre as verbas recebidas por trabalhadores em geral a título de férias e licença prêmio não gozadas por necessidade do serviço. Extensão a estes do mesmo tratamento dispensado aos recursos judiciais atinentes aos servidores públicos. Jurisprudência pacífica do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Aplicação da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997. ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não interpor recursos e a desistir dos já interpostos. DESPACHO: Aprovo o Parecer/PGFN/CRJ nº 1905/2004, de 29 de novembro de 2004, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que concluiu pela dispensa de interposição de recursos ou o requerimento de desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às decisões que afastaram a incidência do imposto de renda das pessoas físicas sobre as verbas recebidas em face da conversão em pecúnia de licençaprêmio e férias não gozadas por necessidade do serviço, na hipótese do empregado não ser servidor público. Diante de entendimentos contrários, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu a Solução de Divergência nº 01, de 02 de janeiro de 2009, verbis: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF EMENTA: FÉRIAS NÃOGOZADAS CONVERTIDAS EM PECÚNIA Rescisão do contrato de trabalho, aposentadoria ou exoneração. As verbas referentes a férias integrais, proporcionais ou em dobro, ao adicional de um terço constitucional, e à conversão de férias em abono pecuniário compõem a base de cálculo do Fl. 166DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 18 Imposto de Renda. Por força do § 4º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos aos pagamentos efetuados por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, aposentadoria, ou exoneração, sob as rubricas de férias nãogozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, de abono pecuniário, e de adicional de um terço constitucional quando agregado a pagamento de férias, observados os termos dos atos declaratórios editados pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em relação a essas matérias. A edição de ato declaratório pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, desobriga a fonte pagadora de reter o tributo devido pelo contribuinte relativamente às matérias tratadas nesse ato declaratório. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 19, II, e § 4º, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Arts. 43, II, e 625 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999; Atos Declaratórios Interpretativos SRF nº 5, de 27 de abril de 2005 e nº 14, de 1º de dezembro de 2005; Atos Declaratórios PGFN nºs 4 e 8, ambos de 12 de agosto de 2002, nº 1, de 18 de fevereiro de 2005, nºs 5 e 6, ambos de 16 de novembro de 2006, nº 6, de 1º de dezembro de 2008, e nº 14, de 2 de dezembro de 2008; e Parecer PGFN/PGA/Nº 2683/2008, de 28 de novembro de 2008. Conforme podemos observar nesta solução de divergência, é entendimento pacífico de que não há incidência do imposto de renda, desde que os pagamentos sejam efetuados por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, aposentadoria, ou exoneração, sobre os seguintes rendimentos: férias nãogozadas integrais (mais um terço constitucional); férias nãogozadas proporcionais (mais um terço constitucional); férias nãogozadas em dobro (mais um terço constitucional) e abono pecuniário (mais um terço constitucional). Assim, de acordo com os entendimentos acima expostos, não tenho dúvidas de que as empresas estão desobrigadas da retenção do imposto de renda sobre os rendimentos acima citados, bem como o beneficiário de tais verbas deverá declarálas como isentas e não tributáveis, tãosomente, quando pagos por ocasião da rescisão contratual, aposentadoria ou exoneração. No entanto, mesmo após a publicação destes entendimentos, ainda restou dúvidas quanto a incidência do imposto sobre o pagamento destas verbas, quando efetuados na vigência do contrato de trabalho e em acordos trabalhistas, já que estes entendimentos, limita, em contraponto ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que a não incidência seria somente quando da rescisão contratual e, portanto, não se estenderia ao pagamento dos respectivos rendimentos durante a vigência do contrato ou em acordo trabalhista. Ora, com as devidas vênias, é de se observar, que quando a empresa pagar as férias do empregado que não a gozou, por acordo trabalhista ou não, assim o faz por meio de uma indenização, já que há a presunção de que o empregado foi prejudicado no seu direito de gozo. Assim, este pagamento deve ser tratado como indenização tanto na vigência do contrato quanto na rescisão contratual, pois em qualquer situação, houve o prejuízo ao empregado e por isso, está sendo indenizado. É entendimento, que as férias nãogozadas integrais, por exemplo, não deve incidir imposto de renda por não ser considerada fato gerador do tributo, não importa se este Fl. 167DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 10 19 rendimento é pago no ato da rescisão de contrato de trabalho, no acordo trabalhista ou se durante a vigência do contrato, ou seja, em qualquer situação o desconto do imposto é indevido. Na esteira dos diversos entendimentos sobre a matéria (férias indenizadas), se faz necessário transcrever alguns julgados do Superior Tribunal de Justiça, verbis: Tributário. Funcionário público. Férias não gozadas. Indenização. Incidência do imposto de renda. Impossibilidade. Consoante entendimento que se cristalizou, na jurisprudência, o pagamento (in pecunia) de férias não gozadas por necessidade do serviço ao servidor público, tem a natureza jurídica de indenização, não constituindo espécie de remuneração, mas, mera reparação do dano econômico sofrido pelo funcionário. Erigindose em reparação, a conversão, em pecúnia, das férias a que a conveniência da Administração impediu o auferimento, visa, apenas, a restabelecer a integridade patrimonial desfalcada pelo dano. A percepção dessa quantia indenizatória não induz em acréscimo patrimonial e nem em renda tributável, na definição da legislação pertinente. O tributo, na disciplina da lei, só deve incidir sobre ganhos que causem aumento de patrimônio, ou, em outras palavras: sobre numerário que se venha a somar àquele que já seja propriedade do contribuinte. Recurso a que se nega provimento, por maioria. REsp52208 / SP RECURSO ESPECIAL 1994/00239696. Data da Publicação/Fonte DJ 10/10/1994. Relator(a) Ministro DEMÓCRITO REINALDO. TRIBUTARIO. IMPOSTO DE RENDA. FERIAS INDENIZADAS. NÃO INCIDÊNCIA. I O IMPOSTO DE RENDA NÃO INCIDE SOBRE O PAGAMENTO DE FERIAS NÃO GOZADAS, EM RAZÃO DO SEU CARÁTER INDENIZATÓRIO. PRECEDENTES. II RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. AgR no Ag 46146 / SP AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO 1993/00332074. Ministro ANTÔNIO DE PÁDUA RIBEIRO. Data da Publicação/Fonte DJ 22/08/1994. IMPOSTO DE RENDA FERIAS NÃO GOZADAS INDENIZADAS NÃO INCIDÊNCIA. O PAGAMENTO EM DINHEIRO DAS FERIAS NÃO GOZADAS, PORQUE INDEFERIDAS POR NECESSIDADE DO SERVIÇO, NÃO E PRODUTO DO CAPITAL, DO TRABALHO OU DA COMBINAÇÃO DE AMBOS E TAMBÉM NÃO REPRESENTA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL, NÃO ESTANDO, PORTANTO, SUJEITAS A INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. RECURSO IMPROVIDO. REsp 34988 / SP RECURSO ESPECIAL 1993/00131826. Relator(a) Ministro GARCIA VIEIRA. Data da Publicação/Fonte DJ 08/11/1993. Por fim, neste processo em especial, é de se ressaltar que o PDV é um procedimento de corte de empregos adotado pelas empresas para ajustar seu quadro de pessoal às necessidades provocadas por inovações tecnológicas, queda de produção ou mudanças estruturais. A todos os empregados ou a um grupo representativo destes são oferecidas Fl. 168DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 20 vantagens financeiras, adicionais às percebidas em caso de despedida segundo o figurino legal, para que adiram ao programa. Essas vantagens financeiras adicionais, que em outro contexto poderiam ser entendidas como liberalidade do empregador, a jurisprudência dos tribunais federais, seguida por este Conselho, enquadrou no conceito de indenização pela perda do emprego, isenta nos termos da disposição legal antes referida. A dicotomia conceitual indenização/liberalidade está bem presente nos acórdãos do Superior Tribunal de Justiça relatados pelo Ministro ARI PARGENDLER que se curva ao entendimento dominante (pela indenização) com ressalva de seu entendimento pessoal (pela liberalidade). Nesse sentido, é paradigmático o acórdão proferido em 18.12.97 no Recurso Especial 151.122SP, verbis: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. RESCISÃO, INCENTIVADA, DO CONTRATO DE TRABALHO. A jurisprudência da Turma se fixou no sentido de que todo e qualquer valor recebido pelo empregado na chamada demissão voluntária está a salvo do imposto de renda. Ressalva do entendimento pessoal do relator, para quem a indenização trabalhista que está isenta do imposto de renda é aquela que compensa o empregado pela perda do emprego, e corresponde aos valores que ele pode exigir em Juízo, como direito seu, se a verba não for paga pelo empregador no momento da despedida indireta, tal como expressamente disposto no artigo 6°, V, da Lei n° 7.713, de 1988, que deixou de ser aplicado sem declaração formal de inconstitucionalidade. Recurso especial não conhecido.” Em tema de férias e licença prêmio não gozadas e indenizadas em pecúnia, a jurisprudência dos tribunais federais pacificouse no entendimento enunciado pelas Súmulas 125 e 136 do Superior Tribunal de Justiça, que colocam aquelas verbas fora do campo de incidência do imposto de renda. Os acórdãos que embasam estas súmulas não vislumbram, na percepção daquelas verbas, acréscimo patrimonial e, por conseguinte, teriam elas caráter nitidamente indenizatório. Da pletora de julgados, que seguem tal linha de argumentação, destaco o seguinte voto do Ministro MILTON LUIZ PEREIRA, no acórdão prolatado no REsp nº 37.9652SP, verbis: A questão tem sido examinada nesta Corte, assentando os julgados que o pagamento de licençaprêmio não gozada, a tempo e modo requerida, por submissão ao interesse público, motivo do indeferimento, tecnicamente, não constitui acréscimo patrimonial. Deveras, guardase, isto sim, direito com a moldura de indenização Fl. 169DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Processo nº 10880.007975/0073 Acórdão n.º 220200.996 S2C2T2 Fl. 11 21 pecuniária paga ao servidor público para compensálo pelo trabalho desempenhado sem a usufruição do benefício assegurado pela lei. Esse lineamento, ao derredor de que a licençaprêmio indenizada constitui salário ou vencimento, tem o precioso apoio do pranteado Orlando Gomes a dizer: “qualquer remuneração paga ao empregado sem trabalho não é tecnicamente salário (O salário no Direito Brasileiro, p. 353, ed. 1957). Diante disso, firmo o meu posicionamento, que os pagamentos efetuados, por ocasião de acordo judicial trabalhista ou por PDV, sob as rubricas de férias nãogozadas integrais, proporcionais ou em dobro convertidas em pecúnia, de abono pecuniário; de adicional de um terço constitucional quando agregado a pagamento de férias e licençaprêmio não gozada, não estão sujeitas a incidência do imposto de renda. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório do imposto de renda retido na fonte, conforme o pedido de retificação da declaração do imposto de renda, sendo que o valor a ser restituído será calculado pela autoridade executora do presente acórdão. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 170DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN 22 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220200.993 Brasília/DF, 10 fevereiro de 2011 (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente da 2ª Turma Ordinária Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador (a) da Fazenda Nacional Fl. 171DF CARF MF Emitido em 25/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN Assinado digitalmente em 18/02/2011 por NELSON MALLMANN
score : 1.0
Numero do processo: 10283.006690/90-29
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 1991
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 1991
Ementa: INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTACÕES. Anexo
discriminativo à GI Genérica apresentado após esgotado o prazo
previsto no subitem 4.1.6.4 do Com. CACEX n.204/88. Multa do inciso
VII do artigo 526 do RA. Recurso desprovido.
Numero da decisão: 303-26858
Nome do relator: ROSA MARTA MAGALHÃES DE OLIVEIRA
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Anexo discriminativo à GI Genérica apresentada após esgo tado o prazo previsto no subitem 4.1.6.4 do Com. CACEX n Q 204/88. Multa do inciso VII do art. 526 do RA. Recurso desprovido. V ISTOS, relatadosediscutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provi mento ao recurso, na forma do relatório e voto, que passam a inte - grar o presente julgado. Brasília - DF,Af em 24 de outubro de 1991 • JOÃO HOLA n l . COSTA - Presidente / • ROSA ':AL 'E 0E O IVEI'A - R,e412, 'OSA ARIA SA ' DA CARVALHEIRA-Proc.da Faz.Nacional VISTO EM SESSÃO DE: 31 JAN 1992 Participaram,ainda, do presente julgamento,os seguintes Conselheiros: PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JUNIOR, HUMBERTO ESMERALDO BARRETO FI LHO, MILTON DE SOUZA COELHO, SÉRGIO DE CASTRO NEVES, MALVINA CORUJO DE AZEVEDO LOPES, SANDRA MARIA FARONI. fls. 02 svonco muco FEDERAL -------MEFF—w—TERCEIRO CONSELHO -DE- CONTRIBUINTES - TERCEIRA -CÂMARA - RECURSO ). '- 113.103 ACÓRDÃO - 303 - 26.858 RECORRENTE - LION AMAZÔNIA S/A RECORRIDA IRF / PORTO MANAUS - AM. RELATORA - ROSA MARTA MAGALHÃES DE OLIVEIRA RELATÓRIO Lion Amazônia S/A submeteu a despacho partes/ , pe- ças, equipamentos e material de reposição, e, ao amparo de . Guia Genérica de Importação. Em 03 de agosto de 1990 apresentou o anexo à Guia Genérica, considerando-se extemporâneo. Em decorrência foi lavrado o Auto de Infração im pondo à autuada a penalidade administrativa prevista no artigo 526, inciso VII do Regulamento Aduaneiro. Impugnando o feito a interessada, suscitamente, a lega não se beneficiar, em hipótese alguma ao deixar de apresentar o anexo fora do prazo, e, havendo, impossibilidade para tal, provi denciara sua prorrogação. Alega, ainda que o regrido anexo "foi apresenta - do no prazo pedido na prorrogação, de a'té 01 (um) ano (DL 1223/72 111 § 32). Considerando que no processo não consta nenhum documento autorizando a prorrogação do prazo mencionado, e não es-- tando caracterizado . a protocolização do pedido de emissão do anexo em tempo hábil, a autoridade monocrática julgou procedente a ação fiscal. Inconformada a empresa interpõe recurso voluntá - rio a este colegiado reiterando as alegações expendidas na fase impugnatória, citando, instruções normativas n 9 40/74 e n? 96: - aos importadores que não tenham concorrido para o atraso na apresentação de anexos, não lhes será aplicada a multa . do inciso VII art. 526 do RA. É o Relat6rio.00- 1~~~~ • SER VICO PUBLICO FEDERAL • Fls.03 cRecurs-O.119.103 VOTO Ac. 303 -26.858 • A recorrente deixou esgotar-se o prazo de noventa (90) dias, contado do . registro da DI, concedido para a apresentação do a nexo discriminativo à GI genérica (subitem 4.1.4.4 do Com.CACEX n2 133/85, a que corresponde o subitem 4.1.6.4 do Com. Cacex 208/88). Não ha sequer como aplicar, retroativamente, em prol da recorrente, a faculdade criada com a IN-SRF n 2 96/89, para o caso de ter regue rido o anexo à CACEX dentro do prazo de oito (8) dias a partir do registro da D.I. No caso, o registro ocorreu em 25.04.90 ao passo que só após 68 dias - 02.07.90 - é que o pedido do anexo foi dirigi do à CACEX. Quanto ao pedido de mais prazo, além dos noventa dias, não existe tal possibilidade, uma vez que, como bem explicado em primeira instância, o prazo de 90 dias já é uma •exceção.A regra ge ral é que, para que a GI genérica tenha validade para o desembaraço aduaneiro seja ela apresentada conjuntamente com Anexo discrimina- tivo, sendo de notar que a própria GI genérica é documento excepcio nal que a CACEX concede para os casos enumerados no subitem 4.1.6.1 do Comunicado Cacex n 2 204/88. Entende-se assim que o prazo de •no venta dias é único e exclusivamente para as hipóteses de exceção e numeradas nas alíneas "a" e "b" do subitem 4.1.6.4. De notar que a lém de inexistir previsão de ampliação desse prazo, caso fosse preVh4,,,a a prorrogação, não seria a Receita Federal o órgão com a • tribuição para faze-lo. Não é difícil entender que prorrogar prazo deve ser competância de quem tenha o poder original de o conceder salvo disposição expressa em lei em sentido contrário. Por todo o exposto, forçoso é concluir que nada há na decisão singular suscetível de alteração e bem assim que a recorren te não conseguiu ilidir a infração de que é acusada. Voto para negar provimento ao recurso. Sala das Sessaes, em 24 outubro de 1991 )QÁ. ROSA MART Ult'49-&-tee:U";u-- A MAGALHÃES D OLIVEIRA - Relatora imprensa Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10245.000464/95-31
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Wed Jul 02 00:00:00 UTC 1997
Ementa: ITR - VTNm - Seu questionamento requer laudo técnico hábil. RESERVA LEGAL - Exercício de isenção independe da prova de registro de imóveis. CONTRIBUIÇÕES - Lançamento nos termos da legislação de regência.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 203-03.250
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Suplente), Francisco Sérgio Nalini e Renato Scalco Isquierdo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Ricardo Leite Rodrigues e Mauro Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO
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O. U. O 2— 1 19 34 D e ..... .. ... ............... SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES C L5C/I;W2? .--. Rubrica Processo : 10245.000464/95-31 Acórdão : 203-03.250 Sessão 02 de julho de 1997 22 RECORRI DEST DECISÃO Recurso : 101.108 RECURSO N 4*. Recorrente : JOSÉ MENDES DE SOUZA .de is Recorrida : DRJ em Manaus - AM C Procurador de F-, Naclonal ITR - VTNm - Seu questionamento requer laudo técnico hábil. RESERVA LEGAL - Exercício de isenção independe da prova de registro de imóveis. CONTRIBUIÇÕES - Lançamento nos termos da legislação de regência. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: JOSÉ MENDES DE SOUZA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Suplente), Francisco Sérgio Nalini e Renato Scalco Isquierdo. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Ricardo Leite Rodrigues e Mauro Wasilewski. Sala das Sessões, em 02 de julho de 1997 datX\ S. \\I Otacílio Ot;4 9i ,:i. Cartaxo Presidente L--%1 Daniel Corrêa Homem de Carvalho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros F. Maurício R. de Albuquerque Silva, Sebastião Borges Taquary e Roberto Vãos° (Suplente). eaal/AC/RS 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA 'e SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES •Jtiii;":// • Processo : 10245.000464/95-31 Acórdão : 203-03.250 Recurso : 101.108 Recorrente : JOSÉ MENDES DE SOUZA RELATÓRIO Adoto e transcrevo o relatório da decisão recorrida: "A exigência referida, cf. Notificação de fls. 02, refere-se ao exercício de 1994, com vencimento para 31/08/95 e tem a seguinte constituição: a)- Imposto (ITR) 298,44 Ufir b)- Contribuição CONTAG 5,73 c)- Contribuição CNA 85,49 d)- Contribuição SENAR 8.59 e)- Valor Total 398,25 A exigência foi impugnada, no prazo legal, e tem as seguintes argumentações: a)- que é um absurdo a cobrança do ITR/94, e embora nunca tenha deixado de pagar os seus impostos, dessa vez não tem como fazê-lo; b)- o imóvel em causa é um castanhal nativo cultivado e floresta natural, que vive sob rígida fiscalização do IBAMA; c)- que, mantém algumas pessoas na área que produzem para sustento próprio; d)- está anexando os comprovantes de exercícios anteriores e do VTN praticado pelo INCRA; e)- que aguarda uma revisão do imposto, pois do contrário suas terras estarão à disposição do governo para aquilo que desejar." A autoridade recorrida fundamentou sua decisão nos seguintes termos: 1 - não houve declaração da área isenta como reserva legal, de preservação permanente ou qualquer outra; " 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA AO' 40, SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10245.000464/95-31 Acórdão : 203-03.250 2 - o VTNm de 124,19 UFIR é maior que o declarado, devendo o questionamento daquele parâmetro ser feito por laudo técnico emitido por entidade de reconhecida capacidade técnica ou por profissional devidamente habilitado; 3 - entende inválido o oficio do INCRA n° 102/95 que informa l o VTN para a área, visto que a entidade emitiu parecer favorável à fixação dos valores contidos na IN/SRF n° 16/95; 4 - houve oportunidade de o contribuinte juntar registro da áreà como reserva legal, sem que a tenha aproveitado; 5 - a aliquota e a base de cálculo foram enquadradas corretamente. As Contribuições sindicais para a CNA, para a CONTAG e para o SENAR foram feitas nos termos da legislação de regência. O recurso não aduz qualquer argumento, limitando-se a pedir o encaminhamento do processo a esta Corte. A Fazenda Nacional requer a manutenção. É o relatório. 3 04 • • MINISTÉRIO DA FAZENDA 11. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10245.000464/95-31 Acórdão : 203-03.250 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO A discussão do presente processo resume-se a: 1 - VTN declarado menor que o fixado pelo Fisco. Tal questionamento requeria laudo hábil, que pudesse tornar o valor fixado pela Receita inaproveitável. Esse é o requisito da Lei n° 8.847/94. Tendo em vista que o contribuinte não satisfez as exigências legais referidas, não é de se dar provimento ao recurso nesse aspecto; 2 - No que concerne à exigência de registro da área de preservação permanente, tenho me posicionado que tal exigência legal não se constitui requisito para o exercício da isenção. Trata-se de isenção incondicionada, não sendo exigível, para o seu exercício, o registro da área. Entendo que a exigência do registro dirige-se a outros fins, comO, por exemplo, informar e obrigar sucessores ou eventuais adquirentes. Deve-se ressaltar que, registrado ou não, o contribuinte tem o uso de sua propriedade restringido. Portanto, nesse aspecto, entendo deva ser dado provimento ao recurso. Quanto às contribuições impugnadas, embora com meras comparações a outros exercícios, as mesmas foram lançadas nos termos da legislação aplicável. Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para que seja considerada, no lançamento, a área de reserva legal, por se tratar de obrigação emanada de lei e pelo fato de o contribuinte, independentemente de registro, sofrer as restrições quanto à sua exploração. Sala das Sessões, em 02 de julho de 1997 ji_j\ DANIEL CORRÊA HOMEM DE CARVALHO 4
score : 1.0
Numero do processo: 10380.000939/2006-02
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003
IPI. CRÉDITO-PRÊMIO. EXTINÇÃO EM 30/06/1983.
O crédito-prêmio do IPI, incentivo à exportação instituído pelo art. 1º do Decreto-Lei nº 491/69, só vigorou até 30/06/1983.
Recurso negado.
Numero da decisão: 203-13618
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Emanuel Carlos Dantas de Assis
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Recorrida DRJ - Belém-PA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 IPI. CRÉDITO-PRÊMIO. EXTINÇÃO EM 30/06/1983. O crédito-prêmio do IPI, incentivo à exportação instituído pelo art. 1° do Decreto-Lei n° 491/69, só vigorou até 30/06/1983. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conse eiro Eric Mora- se Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fernando Marques Cle arte e Da • ,r Cor eiro de Miranda. 1 44 1 • I • . ; '4p ' 0 ENBU • G‘"---* 'residente E A. .• ar2"--0 • N S DE ASSIS Relator Participaram, ainda, do prpsente julgamento, os Conselheiros Odassi Guerzoni Filho e José Adão Vitorino de Moraes. 1 NIF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES OON ERE COM O ORIGINAL, O Brasília, / o51 • 1 Marilde Cu. ino de Oliveira Mat. S age 91650 —t. c. t I . Processo n° 10380.000939/2006-02 CCO2/CO3.. Acórdão o.° 203-13.618 Fls. 122 Relatório • Trata-se de Recurso Voluntário contra o indeferimento de pedido de ressarcimento do Crédito-Prêmio do IPI de que trata o art. 10 do Decreto-Lei n° 491/69, relativo - ao 10 trimestre de 2003, no total de R$ 14.479.860,67. O pedido foi indeferido pelo órgão de origem, que considerou o Crédito-Prêmio extinto em 30/06/1983, pelo Decreto-Lei n° 1.658/79, art. 1 0, § 2°. Observou, a unidade de origem, que o contribuinte é patrono do processo judicial n° 2003.81.00.031567-6, no qual cuidaria da mesma demanda deste processo administrativo. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, referindo-se à . Resolução do Senado n° 71/2005 e defendendo, em síntese, que o beneficio ainda está em vigor. Requer, ao final, que o valor lhe seja ressarcido, com incidência dos juros Selic. Quanto à ação judicial mencionada pelo órgão de origem, argúi que não implica em renúncia à esfera administrativa porque impetrada antes da Resolução Senatorial, "a qual é o fundamento para o deferimento do presente pedido de ressarcimento em razão dos seus efeitos erga omnes". A 3' Turma da DRJ, levando em conta a IN SRF n° 600/2005, art. 31, § 1 0, II, -- "W;--considerou-o-Pedido-rrão-formulado,-não---tomando-conhecimento-da-Manifestação-dc . Inconformidade. A ementa da decisão recorrida é a seguinte: "Por se encontrar extinto o beneficio do crédito-prêmio do IPI, não será apreciado o pedido apresentado." _ O Recurso Voluntário, tempestivo, i siste no ressarcimento. 1 É o relatório. s ...,.........._________,._ MF-St_,JUNI:0 CON:;ELHO DE CONTRIBUiNTES CONI:ERL COM O ORÈGENAL. . BrasfliaICL_N / c77 Mariide C . no de Oltveira10Z Mat. Slape 91650 1 .. 2 , ,t . 1 11 Processo n° 10380.000939/2006-02 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Fls. 123 CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, I I Marilde Cursino de Oliveira Mat, Slape 91650 - Voto Conselheiro EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos no Decreto n° 70.235/72, pelo que dele conheço. Diferentemente da interpretação da DRJ, amparada na IN SRF n° 600/2005, art. 31, § 1 0, II, "b", entendo que cabe adentrar no mérito do litígio porque os autos dão conta apenas do Pedido de Ressarcimento (desacompanhado de compensação), enquanto o dispositivo legal mencionado manda considerar não declarada a compensação baseada no direito ao Crédito-Prêmio. Como os autos não noticiam a existência de qualquer declaração de compensação, convém limitar a lide ao ressarcimento e analisar o mérito da solicitação. Apesar das posições contrárias, e ressaltando as divergências em torno do tema, entendo que o incentivo à exportação denominado crédito-prêmio do IPI está extinto desde 30/06/1983. Para o deslinde da questão, importa observar a seguinte legislação: - Decreto-Lei n° 491, de 05/03/1969, cujo art. 10 estabelece que "As empresas fabricantes de produtos manufaturados poderão se creditar, em sua escrita fiscal, como ressarcimento de tributos, da importância correspondente ao imposto sobre produtos i ndustri al i 7a dos ralem 1 a do,_como_ se_devid o fosse,s obr_e_o_val or_F ._0_ 11em_rno eda_naci °nal, de suas vendas para o exterior..."; - Decreto-Lei n° 1.658, de 24/01/1979, que extingue, de forma gradual, o crédito-prêmio, estabelecendo no seu art. 1° um cronograma de redução, que começa com 10% em 24/01/1979, continua com 5% em 31/03/1979, 5% em 30/06/1979, 5% em 30/09/1979 e 5% em 31/12/1979 (somando 30% no decorrer de 1979), e a partir de então 5% a cada final de trimestre, de que forma que em 30/06/1983 o beneficio é totalmente extinto; I - Decreto-Lei n° 1.722, de 03/12/1979, que altera a forma de utilização dos I estímulos fiscais às exportações de manufaturados previstos nos arts. 1° e 50 do Decreto-Lei n° 491/69, e no seu art. 3° altera o cronograma de redução do crédito-prêmio para os anos de 1980 a 1983, fixando-a em vinte por cento nos três primeiros desses anos (redução por ano, em vez de por trimestre, como estava previsto no § 2° do art. 1° do Decreto-Lei n° 1.658/79) e em dez por cento no primeiro semestre do último, de forma que a data final do incentivo permanece a mesma: 30/06/1983; - Decreto-Lei n° 1.724, de 07/12/1979, que autorizava o Ministro da Fazenda a aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir, os estímulos fiscais de que tratam os artigos 1° e 5° do Decreto-lei n° 491/69; e - Decreto-Lei n° 1.894, de 16/12/1981, que institui incentivos fiscais para empresas exportadoras de produtos manufaturados e no seu art. 2° altera o art. 3° do Decreto-lei 1 n° 1.248/1972, de forma a assegurar ao produtor-vendedor, nas operações decorrentes de I compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora para o fim específico de exportação, os beneficios fiscais concedi 4 o s por lei para incentivo à exportação, à exceção do crédito-prêmio previsto no artigo 1° d o i ecreto-lei n° ...5?491/1969, ao qual passa a fazer jus apenas a empresa co r 'al exportadora. "44. .- 3 • -" MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .. CONFERE COM O ORIGINAL 3 Processo n° 10380.000939/2006-02 Brasília 11/0 / i2_.3 1 09 CCO2/CO3, Acórdão n.° 203-13.618 j1)( Fls. 124 Marilde Cursin do Oliveira Mat. &ove 91650 O artigo 3°, I, do Decreto-Lei n° 1.894/81, também conferiu nova delegação de poderes ao Ministro da Fazenda, que assim como aquela conferida pelo Decreto-Lei n° 1.724/79, foi posteriormente julgada inconstitucional pelo STF. Após o Decreto-Lei n° 1.658/79, nenhuma das alterações legislativas posteriores modificou a data de extinção definitiva do crédito-prêmio, fixada em 30/06/1983. Pelo contrário: o Decreto-Lei n° 1.722, de 03/12/1979 corroborou-a expressamente, embora tenha alterado o . I cronograma de redução fixando-o por períodos anuais para os anos de 1980 a 1983, em vez de por I trimestre, como fizera inicialmente o Decreto-Lei n° 1.658/79. Permaneceu a mesma data de vigência do beneficio, com a delegação de competência ao Ministro da Fazenda para graduar, ao longo do ano e conforme a conveniência da 1 política econômica, os pontos percentuais de extinção do crédito-prêmio correspondentes ao período (20% ao ano). A legislação primária posterior ao Decreto-Lei n° 1.722/79 também não trouxe revogação, nem derrogação, das normas que aprazaram a extinção do crédito-prêmio para o dia 30/06/1983. O Decreto-Lei n° 1.724, de 07/12/1979, ao autorizar em seu art. 1° o Ministro de Estado da Fazenda a deliberar sobre o crédito-prêmio, não modificou a data final da extinção do beneficio. Observe-se a redação do Decreto n° 1.724/79: Art. 1° - O Ministro de Estado da Fazenda fica autorizado a aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os estímulos fiscais de que tratam os artigos 10 e 5° do Decreto-Lei n.° 491, de 5 de março de 1969. - Art. 2° - Este Decreto-Lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contra—rio. Com base nessa delegação de competência o cronograma de redução do crédito- prêmio foi alterado por Portarias Ministeriais, dentre elas as Portarias n's 252/82 e 176/84, do Ministério da Fazenda, segundo as quais o referido beneficio teve seu prazo de extinção prorrogado para 30/04/85. O Supremo Tribunal Federal, todavia, declarou inconstitucionais as delegações de competência estabelecidas pelos Decretos-Leis n's 1.724/79 e 1.894/81 para o Ministro da Fazenda. Veja-se: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO- PRÊMIO: SUSPENSÃO MEDIANTE PORTARIA. DELEGAÇÃO INCONSTITUCIONAL. D.L. 491, de 1969, arts. 1' e 5°. D.L. 1.724, de 1979, art. I; D.L. 1.894, de 1981, art. 3", inc. I. C.F. 1967. I- É inconstitucional o artigo 1° do D.L. 1.724 de 7.12.79, bem assim o inc. Ido art. 3° do D.L. 1.894 de 16.12.81, que autorizaram o Ministro de Estado da Fazenda a aumentar ou reduzir, temporária ou r definitivamente, ou restringir os estímulos fiscais concedidos pelos artigos 1° e 5° do D.L. n°491, de 05.3.69. Caso em que tem-se delegação proibida: CF/67, art. 6°. Ademais, as matérias reservadas à lei não podem ser revogadas por ato normativo secundário. II — R.E. conhecido, porém não provido (letra b). (RE n° 186.623-3/RS, Min. CARLOS VELL O, DJ de 12.04.2002)9 1111..._ ! 4 , MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL 3Brasília, 10 / C2-3 / 09 Processo n° 10380.000939/2006-02 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 125 Madide Curs o de Oliveira Mat. Siape 91650 TRIBUTO - BENEFÍCIO - PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. Surgem inconstitucionais o artigo 1° do Decreto-lei n° 1.724, de 7 de dezembro de 1979, e o inciso Ido artigo 3° do Decreto-lei n° 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que implicaram a autorização ao Ministro de Estado da Fazenda para suspender, aumentar, reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os incentivos fiscais previstos nos artigos 1° e 5 0 do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969. (RE I 86359/RS, Pleno, j. 14/3/2002, Rel. Min. Marco Aurélio, DJ 10/5/2002, p. 53). Mais recentemente, em 16/12/2004, o STF concluiu o julgamento do Recurso Extraordinário n° 208.260-RS, Acórdão publicado em 28/10/2005, e, por maioria, vencido o Min. Mauricio Corrêa (relator original), declarou a inconstitucionalidade do art. 1° do Decreto n° 1.724/79, no que delegava ao Ministro da Fazenda poderes para tratar do crédito-prêmio. Referido julgamento foi iniciado 20/11/1997, quando o Min. Mauricio Corrêa proferiu o seu voto, afastando a inconstitucionalidade afinal declarada pelo Tribunal. Naquela ocasião foi acompanhado pelo Min. Nelson Jobim, que na sessão final, em 16/12/2004, reviu a sua posição anterior e acompanhou a maioria, que seguiu o voto do Min. Marco Aurélio, designado relator para o acórdão. O STF entendeu que a delegação de competência em questão implica em ofensa ao principio da legalidade - haja vista ter-se disposto, por meio de Portaria, sobre crédito tributário -, bem como ao parágrafo único do art. 6° da Constituição de 1969, que proibia a delegação de atribuições ("Salvo as exceções previstas nesta Constituição, é vedado a qualquer dos Poderes delegar atribuições;"). Em conseqüência das declarações de inconstitucionalidades, todos os atos normativos secundários decorrentes das delegações de competência conferidas pelos Decretos- Leis nos 1.724/79 e 1.894/81 perderam, com eficácia ex tunc, as validades. Tanto os atos normativos que extinguiram o subsidio antes do prazo legal dos Decretos-leis n's 1.658/79 e 1.722/79, quanto, com maior razão, as Portarias Ministeriais n's 252/82 e 176/84, que tentaram prorrogar o prazo de vigência do subsidio até 30/04/85. Destarte, o crédito restou definitivamente extinto em 30/06/83. Os Decretos-Leis nos 1.658/79 e 1.722/79, no que determinam a extinção do crédito-prêmio em 30/06/1983, permanecem em pleno vigor. Quanto ao Decreto-Lei n° 1.894, de 16/12/81, em seu art. 1° estendeu às empresas exportadoras o estimulo fiscal em questão, nos seguintes termos: Art. 1° - As empresas que exportarem, contra pagamento em moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno, fica assegurado: I - O crédito do imposto sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos mesmos; 11 -O crédito do imposto de que trata o art. 1°d 1 n° 491, de 5 de março de 1969. (negrito ausente no original). ffl n14) 5 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, 70 / (23 ) Processo n° 10380.000939/2006 -02 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 126 Marilde Cursino de Oliveira Mat. Sino° 91650 A fim de evitar duplicidade de utilização do crédito-prêmio, o art. 2° Decreto- Lei n° 1.894/81, a seguir transcrito, restringiu a sua concessão às empresas produtoras- vendedoras, quando o referido beneficio fosse utilizado pelas empresas comerciais exportadoras: Art. 2° - O artigo 3 0 do DL n° 1.248, de 29.11.72, passa a vigorar com a seguinte redação: 'Art. 3°. São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que • trata o artigo 1° deste DL, os beneficios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação, à exceção do previsto no artigo 10 do DL n° 491, de 05 de março de 1969, ao qual fará jus apenas a empresa comercial exportadora'. (negrito ausente no original). Se admitida a tese de que o beneficio não fora extinto em 30/06/1983, a extinção teria se dado, de todo, em 05/10/90 - dois anos após a data da promulgação da Constituição Federal em 1988, face à ausência de confirmação expressa por lei. É que, como se sabe, o art. 41 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) prevê, em seu § 1°, a necessidade de os incentivos fiscais de natureza setorial, anteriores à nova Carta, serem confirmados por lei. Do contrário consideram-se revogados após dois anos a contar da data da promulgação da Constituição. Assim dispõe o referido artigo do ADCT: Art. 41. Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. § 1° Considerar-se-ão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos que não forem confirmados por lei. O crédito-prêmio do IPI é, indiscutivelmente, incentivo fiscal de natureza setorial, porque tem como objetivo primordial fomentar o setor de exportação, cujo universo é facilmente determinável. Inclusive, a Lei n° 8.402/92, mencionada como norma que teria convalidado-o, confirmou outros incentivos fiscais, mas não o crédito-prêmio. Observe-se a sua redação: Art. 1° São restabelecidos os seguintes incentivos fiscais: (.) II - manutenção e utilização do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados relativo aos insumos empregados na industrialização de produtos exportados, de que trata o art. 5° do Decreto-Lei n° 491, de 5 de março de 1969; (.) § 1° É igualmente restabelecida a garantia de concessão dos incentivos fiscais à exportação de que trata o art. 3° do Decreto-Lei n°1.248, d- 29 de novembro de 1972, ao produtor dedor que efetue vendas dip /014 6 • SEGUNDO CONSELHODE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, ir) (23 o9 Processo n° 10380.000939/2006-02 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 127 Medida CursW ff, de Oliveira Mat. Sapo 91650 mercadorias a empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação, na forma prevista pelo art. 1° do mesmo diploma legal. O inciso II do art. 1° da Lei n° 8.402/92 trata do beneficio à exportação inserto no art. 5° do Decreto-Lei n° 491/69, relativo à manutenção e utilização do crédito do IPI incidente sobre matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem efetivamente utilizados na industrialização dos produtos exportados, nada tendo a ver com o crédito-prêmio instituído no art. 1°. O § 1° do art. 1° da Lei n° 8.402/92, por sua vez, reporta-se ao art. 3° do Decreto-Lei n° 1.248/72, cuja redação é a seguinte: "São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que trata o artigo 1° deste Decreto-lei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação." Claramente o referido § 1° não se refere expressamente ao crédito-prêmio. A corroborar a extinção do crédito-prêmio em 30/06/83, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça já decidira, em 08/06/2004, negar, por três votos a um (o voto vencido foi do ilustre Min. José Delgado), o pedido de crédito-prêmio de IPI da empresa gaúcha Icotron S/A Indústria de Componentes Eletrônicos, Recurso Especial n° 591.708-RS (2003/0162540-6). A ementa deste Acórdão é a seguinte: TRIBUTÁRIO. IPL CRÉDITO-PRÊMIO. DECRETO-LEI 491/69 (ART. 19. INCONSTITUCIONALIDADE DA DELEGAÇÃO DE COMPETÊNCIA AO MINISTRO DA FAZENDA PARA ALTERAR A VIGÊNCIA DO INCENTIVO. EFICÁCIA DECLARA TÓRIA E EX T-UNG-MANUTENÇÃO DO PRAZO-EXTINTIV-0- -FIXADO-PELOS DECRETOS-LEIS 1.658? 79 E 1.722?79 (30 DE JUNHO DE 1983). I. O art. 1 0 do Decreto-lei 1.658? 79, modificado pelo Decreto-lei 1.722? 79, fixou em 30.06.1983 a data da extinção do incentivo fiscal previsto no art. 1 0 do Decreto-lei 491 ?69 (crédito-prêmio de relativos à exportação de produtos manufaturados). 2. Os Decretos-leis 1.724?79 (art. 1°) e 1.894?81 (art. 39, conferindo ao Ministro da Fazenda delegação legislativa para alterar as condições de vigência do incentivo, poderiam, se fossem constitucionais, ter operado, implicitamente, a revogação daquele prazo fatal. Todavia, os tribunais, inclusive o STF, reconheceram e declararam a inconstitucionalidade daqueles preceitos normativos de delegação. 3. Em nosso sistema, a inconstitucionalidade acarreta a nulidade ex tunc das normas viciadas, que, em conseqüência, não estão aptas a produzir qualquer efeito jurídico legítimo, muito menos o de revogar , legislação anterior. Assim, por serem inconstitucionais, o art. 1° do Decreto-lei 1.724/79 e o art. 3° do Decreto-lei 1.894/81 não revogaramz os preceitos normativos dos Decretos-leis 1.658/79 e 1.722/79, ficando mantida, portanto, a data de extinção do incentivo fiscal. 4. Por outro lado, em controle de constitucionalidade, o Judiciário atua como legislador negativo, e não como legislador positivo. Não pode, assim, a pretexto de declarar a inconstitucionalidade parcial de uma norma, inovar no plano do direito positivo, permitindo que surja, kfllk com a parte remanescente da nor 'nconstitucional, um novo !IN 7 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL r23 0,9 Processo n° 10380.000939/2006-02 Brasília CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 1 Fls. 128 Matilde Cursin de Oliveira Mat. Siape 91650 comando normativo, não previsto e nem desejado pelo legislador. Ora, o legislador jamais assegurou a vigência do crédito-prêmio do IPI por prazo indeterminado, para além de 30.06.1983. O que existiu foi apenas a possibilidade de isso vir a ocorrer, se assim o decidisse o Ministro da Fazenda, com base na delegação de competência que lhe fora atribuída. Declarando inconstitucional a outorga de tais poderes ao Ministro, é certo que a decisão do Judiciário não poderia acarretar a conseqüência de conferir ao beneficio fiscal uma vigência indeterminada, não prevista e não querida pelo legislador, e não estabelecida nem mesmo pelo Ministro da Fazenda, no uso de sua inconstitucional competência delegada. 5. Finalmente, ainda que se pudesse superar a fundamentação alinhada, a vigência do beneficio em questão teria, de qualquer modo, sido encerrada, na melhor das hipóteses para os beneficiários, em 05 • de outubro de 1990, por força do art. 41, § 1°, do ADC7', já que o referido incentivo fiscal setorial não foi confirmado por lei superveniente. 6. Recurso especial a que se nega provimento. (Negritos não-originais) No voto vencedor do Recurso Especial n° 591.708-RS, o ilustre Relator, Ministro Teori Albino Zavascki, inicia a sua argumentação a partir da seguinte indagação: 'foi ou não revogada a norma prevista no DL 1.658/79 (art. 1°, sç 2°) e reafirmada no Dr I.722779- (art. r), segun—diFiz quãrõ-at7rnütõjEsc-a7 do crédito-prêmio seria definitivamente extinto em 30.06.83?" A resposta a essa indagação foi dada nos seguintes termos: "o beneficio fiscal previsto no art. 1° do DL 491/69 ficou extinto em 30.06.83, tal como estabelecido pelo legislador." No seu voto - que transcrevo porque esclarece toda a controvérsia, historiando-a, e porque está sem consonância com o entendimento aqui exposto -, o Ministro Teori Albino Zavascki assim se manifesta: 1. A hipótese é daqueles situadas em domínios não muito bem demarcados entre a matéria constitucional (de competência do STF) e infraconstitucional (atribuída ao STJ). É que não se questiona, propriamente, a constitucionalidade ou não dos preceitos normativos aplicáveis ao caso. No particular, as partes estão acordes no sentido de que há normas inconstitucionais, assim reconhecidas inclusive pelo STF. O que se questiona é se a norma inconstitucional teria ou não revogado as anteriores e se, reconhecida a sua inconstitucionalidade, teria ou não havido repristinação daquelas. Do modo como posta - de saber se determinada norma foi ou não revogada por norma superveniente, se vige ou não e em que limites -, é matéria que, embora suponha, eventualmente, juízo a respeito das conseqüências decorrentes da inconstitucionalidade das normas, comporta apreciação em recurso especial. Aliás, o tema já foi enfrentado no STJ em outros casos, tanto que há, no recurso, demonstração de dissídio jurisprudencial que tem como paradigmas acórdãos deste Tribunal 8 .c-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL •e Processo n° 10380.000939/2006-02 Brasília, /0 / (23 03 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 129 Matilde Curs de Oliveira Mat. Siape 91650 Assim, preenchidos que estão os demais requisitos de admissibilidade, • conheço do recurso. 2. Para adequado exame do mérito convém rememorar os principais • episódios da evolução legislativa do chamado "crédito-prêmio à exportação". Trata-se de incentivo fiscal criado pelo art. 1° do Decreto- Lei 491/69, a saber: "Art. 1°. As empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados gozarão, a titulo de estímulo fiscal, créditos tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento de tributos pagos internamente. § I° - Os créditos tributários acima mencionados serão deduzidos do valor do Imposto sobre Produtos Industrializados incidente sobre as operações no mercado interno. § 2°- Feita a dedução, e havendo excedente de crédito, poderá o mesmo ser compensado no pagamento de outros impostos federais, ou aproveitados nas formas indicadas por regulamento" Sobreveio o Decreto-Lei 1.658/79, estabelecendo um cronograma de redução gradual do incentivo, até sua total extinção, prevista para a data de 30.06.83, conforme dispunha o artigo 1 0 e seus parágrafos: "Art. 1° - O estímulo fiscal de que trata o artigo 1 0 do Decreto-Lei n° 491, de 5 de março de 1969, será reduzido gradualmente, até sua definitiva extinção. § 1 0 - Durante o exercício financeiro de 1979, o estímulo será reduzido: a)a 24 de janeiro, em 10% (dez por cento); b)a 31 de março, em 5% (cinco por cento); c)a 30 de junho, em 5% (cinco por cento); d)a 30 de setembro, em 5% (cinco por cento); e)a 31 de dezembro, em 5% (cinco por cento). § 2° - A partir de 1980, o estímulo será reduzido em 5% (cinco por cento) a 31 de março, a 30 de junho, a 30 de setembro e a 31 de dezembro, de cada exercício financeiro, até sua total extinção a 30 de junho de 1983." O cronograma foi alterado pelo Decreto-Lei 1.722/79, cujo art. 3 0 assim dispôs: • "Art. 3' - O parágrafo 2° do artigo I' do Decreto-lei n°1.658, de 24 de janeiro de 1979, passa a vigorar com a seguinte redação: "2° O estímulo será reduzido de vinte por cento em 1980, vinte por cento em 1981, vinte por cento em 1982 e de dez por cento até 30 de j ho de 1983, de acordo com ato do Ministro de Estado da Fazenda." Editou-se, depois, o Decreto-Lei 1.724/79, • dois artigos: P41& • %lá 4.10 111, 9 MF-SEGUNDO CONSEEHO DE éT5RfizlIBUINTES CONFERE COM O ORIGiNAL. Brasília / Processo n° 10380.000939/2006-02 O CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 130 Marilde Cursino de Oliveira Mat. Slape 91650 "Art. 100 Ministro de Estado da Fazenda fica autorizado a aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os estímulos fiscais de que tratam os artigos 1 0 e 5° do Decreto-lei n° 491, de 5 de março de 1969. "Art. 20 Este Decreto-lei entrará em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário. Finalmente, foi editado o Decreto-Lei 1.894/81, estendendo beneficios fiscais à exportação, inclusive o crédito-prêmio do DL 491/69, art. 1°, a certas empresas exportadoras que originalmente não estavam contempladas, isto é, "às empresas que exportarem, contra pagamento de moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno" (art. 1°, II). O art. 3° desse Decreto-Lei • dispôs o seguinte: "Art. 3 0 - O Ministro da Fazenda fica autorizado, com referência aos incentivos fiscais à exportação, a: I - estabelecer prazo, forma e condições, para sua fruição, bem como reduzi-los, majorá-los, suspendê-los ou extingui-los, em caráter geral ou setorial; II - estendê-los, total ou parcialmente, a operações de venda de produtos manufaturados nacionais, no mercado interno, contra pagamento em moeda de livre conversibilidade; _ _ Iii - determinar sua aplicação, nos termos, limites e condições q_ue estipular, às exportações efetuadas por intermédio de empresas exportadoras, cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes". Com base na delegação conferida pelos Decretos-Leis 1.724/79 e 1.894/81, o Ministro da Fazenda editou correspondentes atos administrativos, nomeadamente as Portarias 252/82 e 176/84, prorrogando a vigência do incentivo fiscal para 10/05/85. 3. Ocorre que os Tribunais, provocados por contribuintes, declararam a inconstitucionalidade do artigo 1° do DL 1.724/79 e do artigo 3' do DL 1.894/81, ao fundamento básico de que a delegação de competência ao Ministro da Fazenda, para a prática dos atos neles mencionados, era incompatível com o princípio constitucional da legalidade estrita, incidente na espécie. Assim o fez o antigo Tribunal Federal de Recursos, ao julgar a Argüição de Inconstitucionalidade na AC 109.896/DF (DJ de 22.10.87, relator Min. Pádua Ribeiro). Assim o fez também (aliás com meu voto à época) o TRF da 4" Região, de onde provém o recurso ora em exame (Argüição de Inconstitucionalidade na AC 90.04.111 76-0/PR, relator Juiz Paim Falcão, DJ de 10.06.92). E assim o fez o STF, em precedentes ementados nos seguintes termos: "CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. INCENTIVO FISCAL. CRÉDITO- PRÊMIO: SUSPENSÃO MEDIANTE PORTARIA. DELEGAÇÃO INCONSTITUCIONAL. D.L. 491, de 1969, arts. 1° e 5°. D.L. 1.724, de 1979, art. 1; D.L. 1.894, de 1981, art. 3°, inc. 1. C.F. 1967. I- É inconstitucional o artigo 10 do D.L. 1.724, de 7.12.79, bem assim o inc. Ido art. 3° do D.L. 1.894, de 16.12.81, que autorizaram o MinistreYo -111 10 1 MF-SEGUNDO CONSELHO DE EçiiinRinUiNTES , CONFERE COM O CRiGiNAL, ,. • 1 Processo n° 10380.000939/2006-02 Brasília, /0 / E23 / 0_9 CCO2/CO3 ' Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 131 .1MarNde Curs' de Oliveira Mat. Siape 91650 de Estado da Fazenda a aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou restringir os estímulos fiscais concedidos pelos artigos 1° e 5° do D.L. n°491, de 05.3.69. Caso em que tem-se delegação proibida: CF/67, art. 6°. Ademais, as matérias reservadas à lei não podem ser revogadas por ato normativo secundário. II — R.E. conhecido, porém não provido (letra b)" (RE 186.623-3/RS, Min. Carlos Velloso, DJ de I2.04.2002)" TRIBUTÁRIO — BENEFÍCIO — PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA. Surgem inconstitucionais o artigo 1° do Decreto-lei n° 1.724, • de 07 de dezembro de 1979, e o inciso I do artigo 3° do Decreto-lei 1.894, de 16 de dezembro de 1981, no que implicaram a autorização do Ministro de Estado da Fazenda para suspender, aumentar, reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir os incentivos fiscais previstos nos artigos I° e 5° do Deceto-lei n° 491, de 05 de março de 1969" (RE 186.359-5/RS, Min. Marco Aurélio, DJ de 10.05.2002). 4.Reconhecida e declarada a inconstitucionalidade das normas de delegação previstas no art. 1° do DL 1.724/79 e no art. 3° do DL 1.894/81, surgiu a controvérsia, aqui também reproduzida nos autos, que pôs em lados opostos a Fazenda Pública e os contribuintes exportadores, e que consiste, em suma, em saber se foi extinto ou não o incentivo fiscal previsto no art. 1° do DL 491/69. No entender dos contribuintes, a resposta é negativa, já que, não tendo sido legítima a delegação outorgada ao Ministro da Fazenda para alterar o prazo de vigência ou extinguir o beneficio, este passou a vigorar com prazo indeterminado. No entenderci-Fe."----31zena, a ?aposta é poltrAwporque-as=nas—que- estabeleciam o prazo de 30.06.83 como termo final para a outorga do incentivo, não foram revogadas, nem expressa e nem implicitamente, por qualquer norma superveniente. Em suma, a pergunta que tem de ser respondida é esta: foi ou não revogada a norma prevista no DL 1.658/79 (art. 1°, § 2°) e reafirmada no DL 1.722/79 (art. 3°), segunda a qual o estímulo fiscal do crédito-prêmio seria definitivamente extinto em 30.06.83? 5.Ncio procede, no meu entender, o argumento da Fazenda, nos termos em que foi posto. Se é certo que nenhuma norma posterior revogou expressamente o prazo fatal de 30 de junho de 1983, previsto no parágrafo 2° do art. 1° do DL 13 658/79 e no art. 3° do DL 1.722/79, também é certo que, ao outorgar ao Ministro da Fazenda poderes para "aumentar ou reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir" o incentivo, conforme estabelecido no art. 1° do DL 1.724/79 e no art. 3' do DL 1.894/81, o legislador deixou latente a possibilidade de sua prorrogação para além da data fatal antes referida. Conseqüentemente, sob este aspecto, não se pode acolher a tese de que, mesmo com a delegação dada ao Ministro da Fazenda, o beneficio deveria necessariamente ser extinto em 30 de junho de 1983. Portanto, a se considerar legítima a delegação outorgada ao Ministro da Fazenda, não haveria como negar que o legislador admitiu a possível vigência do beneficio por outro prazo (maior ou menor), que não o do Decreto-lei. 4 Assim, implicitamente, a delegação de competência, nos termos em que conferida, importou a revogação da fatalidade do prazo para a extinç - • do beneficio. II MF•SEGUNDO CONSELHO DE CON7RIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Brasília, it / (23 Processo n° 10380.000939/2006-02 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 132 Marikie Cu de Oliveira Mat. Siape 91650 Observe-se, no particular, que também não procede a afirmação dos contribuintes segundo a qual o Decreto-Lei 1.894/81 teria restaurado o beneficio fiscal do crédito prêmio, agora sem prazo determinado. Nada, no citado normativo, autoriza tal conclusão. Muito pelo contrário, a tese padece de insuperável vício lógico: não se poderia restaurar em 1981 um beneficio que estava em plena vigência e que somente seria extinto em 1983. Portanto, repita-se: o que ocorreu foi uma hipótese de revogação implícita, por incompatibilidade, como prevê o ,f 1° do art. 2° da Lei de Introdução ao Código Civil: ao conferir ao Ministro da Fazenda a • faculdade de manter, reduzir ou dilatar a vigência do beneficio fiscal do crédito-prêmio, o legislador, implicitamente, admitiu a possibilidade de vir a ser modificada, por ato do Poder Executivo, a data de sua extinção, prevista para 30.06.83. 6.Mas a Fazenda têm razão, segundo penso, por duas outras circunstâncias. Primeiro, porque as normas de delegação de competência ao Ministro da Fazenda - que, como se disse, importaram a revogação implícita da fatalidade do prazo do beneficio - foram declaradas inconstitucionais pelo Poder Judiciário, inclusive pelo STF e, em razão disso, não produziram o efeito revocatório da legislação anterior. E em segundo lugar porque o legislador jamais assegurou a concessão do beneficio por prazo indeterminado. O que ele fez, ao editar a norma de delegação, foi conferir ao Ministro da Fazenda a faculdade de modifiCar o p-T-afo—dê-vigacia do incentivo. M42 nem o tegisladtimern o Ministro da Fazenda, em seus atos normativos secundários, conferiram ao beneficio um prazo indeterminado. O máximo que fez o Ministro foi, mediante Portarias, prorrogar o incentivo até 1' de maio de 1985. Ora, se a indeterminação de prazo não foi querida e nem chegou e ser instituída pelo legislador ou pelo Executivo, é certo que ela não poderia ser, simplesmente, suposta como decorrência do ato jurisdicional que reconheceu a inconstitucionalidade da norma. O Judiciário, com efeito, não é legislador. Convém detalhar esses fundamentos. 7.Em nosso sistema, de Constituição rígida e de supremacia das normas constitucionais, a inconstitucionalidade de um preceito normativo acarreta a sua nulidade desde a origem, razão pela qual o reconhecimento jurisdicional da inconstitucionalidade tem efeito meramente declaratório, e não constitutivo, operando ex tunc, a significar que o preceito normativo inconstitucional jamais produziu efeitos jurídicos legítimos, muito menos o efeito revocatório da legislação anterior com ele incompatível. Essa é orientação firmemente assentada no Supremo Tribunal Federal, como se verifica, v.g., no RE 259.339, Min. Sepúlveda Pertence, Dl de 16.06.2000 e na ADIn 652/MA, Min. Celso de Mello, RTJ 146:461, em cuja ementa a doutrina foi assim sumariada pelo relator: "O repúdio ao ato inconstitucional decorre, em essência, do princípio que, fundado na necessidade de preservar a unidade da ordem jurídica nacional, consagra a supremacia ' á Constituição. Esse postula(' •orff yp 1littff 12 , MF-SEGUNDO CONSELHO DE C:T/NTR:SUiNTES , CONFERE COM O ORK.,,N.4,L c; • _.,... • Processo n° 10380.000939/2006-02 Brasília, /0 / 0,3_ / (), CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 133 1 Martide Cur i o de Oliveira Mal. Siape 91:550 , fundamental do nosso ordenamento normativo impõe que preceitos revestidos de 'menor' grau de positividade jurídica guardem, 'necessariamente', relação de conformidade vertical com as regras inscritas na Carta Política, sob pena de ineficácia e de conseqüente inaplicabilidade. Atos inconstitucionais são, por isso mesmo, nulos e • destituídos, em conseqüência, de qualquer carga de eficácia jurídica.(.) A declaração de inconstitucionalidade em tese encerra um juízo de exclusão, que, fundado numa competência de rejeição deferida ao Supremo Tribunal Federal, consiste em remover do ordenamento positivo a manifestação estatal inválida e desconforme ao modelo plasmado na Carta Política, com todas as conseqüências daí decorrentes, inclusive a plena restauração de eficácia das leis e das normas afetadas pelo ato declarado inconstitucional" (op.cit., p. 461). Daí a acertada conclusão de Clèmerson Merlin Clève (A Fiscalização Abstrata da Constitucionalidade no Direito Brasileiro, RT; 2000, p. 249): "Porque o ato inconstitucional, no Brasil, é nulo (e não, simplesmente, anulável), a decisão que o declara produz efeitos repristinatórios. Sendo nulo, do ato inconstitucional não decorre eficácia derrogatória das leis anteriores. A decisão judicial que decreta (rectius, que declara) a inconstitucionalidade atinge todos 'os possíveis efeitos que uma lei constitucional é capaz de gerar' [José Celso de Mello Filho, Constituição Federal Anotada, SP, Saraiva, 1986, p. 349] inclusive a cláusula expressa ou implícita de revogação. Sendo nula a lei declarada inconstitucional, diz o Ministro Moreira Alves, 'permanece vigente a legislação anterior a ela e que teria sido revogada não houvesse a nulidade' [Rp 1.077/RJ, Pleno, DJ em 28.09.1984]". , Alerta esse autor, ainda, para a inadequação do termo "repristinação", reservado às hipóteses de reentrada em vigor de norma efetivamente revogada (e que, salvo expressa previsão legislativa, inocorre no direito brasileiro), afirmando ser preferível, para designar o fenômeno do revigoramento de lei apenas aparentemente revogada por norma posteriormente declarada inconstitucional, falar-se em efeito , repristinatório (op. cit., p. 250). , Não foi outra a orientação adotada por esta 1" Turma do STJ, no julgamento do RESP 587.518, julgado em 04.03.2004, de que fui relator, onde ficou anotado: "1. O vício da inconstitucionalidade acarreta a nulidade da norma, conforme orientação assentada há muito tempo no STF e abonada pela doutrina dominante. Assim, a afirmação da constitucionalidade ou da inconstitucionalidade da norma, tem efeitos puramente declaratórios. Nada constitui nem desconstitui. Sendo declaratória a sentença, a sua eficácia temporal, no que se refere à validade ou à nulidade do preceito normativo, é ex tunc. 2. A revogação, contrariamente, tendo por objeto norma válida, produz seus efeitos para o futuro (ex nunc), evitando, a partir de sua ocorrência, que a norma continue incidindo, mas não afetando de forma alguma as ,situações decorrentes de sua (regular) incidência, no intervalo situad_a e I, •. entre o momento da edição e o da revo -ggao.)5iLz, Wi' 13 MF-SECUNDO UINIIESCONFERE COM O 61JINARt, uè • ° 1 Brasília á Processo n 10380.000939/2006-02 . CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 II Fls. 134 __Marikie n;z050liveira Mat. Sia 3. A não-repristinação é regra aplicável aos casos de revogação de lei, e não aos casos de inconstitucionalidade. É que a norma inconstitucional, porque nula ex tunc, não teve aptidão para revogar a legislação anterior, que, por isso, permaneceu vigente." Fundada nesse raciocínio, a Turma, na oportunidade considerou que, reconhecida a inconstitucionalidade do aumento da contribuição para o PIS operado pelos Decretos-leis 2.445/88 e 2.449/88, ficou repristinada, isto é, mantida, a sistemática de recolhimento estabelecida na lei anterior (Lei Complementar 7/70). Ora, no caso concreto, o fenômeno é exatamente o mesmo. Declarada a inconstitucionalidade do art. I° do DL 1.724/79 e do art. 3 0 do DL 1.894/81, é imperioso reconhecer que deles não surgiu qualquer efeito jurídico legitimo, muito menos aquele, antes referido, de produzir a revogação implícita do prazo de vigência do beneficio fiscal até 30 de junho de 1983. Com a inconstitucionalidade da norma revogadora (ainda mais em se tratando de revogação implícita, por incompatibilidade, como é o caso) ficou inteiramente mantido, ex tunc, o preceito normativo que se tinha por revogado. A conseqüência necessária é a da restauração, da repristinação ou, melhor dizendo, da • manutenção, plena e intocada, da norma que estabeleceu como sendo em 30 de junho de 1983 o prazo fatal de vigência do incentivo previsto no art. 1° do DL 491/69. 8.Há, ademais, outro fundamento a demonstrar a extinção do crédito- prêmio na data prevista na lei. A função jurisdicional, no domínio do controle de constaucionandadé—dos preceitos normativos, -fa-----do Judiciário uma espécie de legislador negativo, pois lhe confere poder para declarar excluída do mundo jurídico a norma inconstitucional. Todavia, jamais o investe na função de legislador positivo, isto é, jamais autoriza que, a pretexto de declarar a inconstitucionalidade parcial de uma norma, possa o Judiciário inovar no plano do direito positivo, permitindo que se estabeleça, com a parte remanescente da norma inconstitucional, o surgimento de uma norma nova, não prevista e nem desejada pelo legislador. Essa é orientação pacífica do STF. "O Poder Judiciário, no controle de constitucionalidade dos atos normativos, só atua como legislador negativo e não como legislador positivo", afirmou o relator da Adin I.822-4/DF, Min. Moreira Alves (DJ de 10.12.99), razão pela qual é verdadeiro "dogma", na expressão do voto Ministro Sepúlveda Pertence, "...que não se declara a inconstitucionalidade parcial quando haja inversão clara do sentido da lei". No mesmo sentido, entre muitos outros, os seguintes precedentes: Rp 1.379-1, Min. Moreira Alves, DJ de 11.09.87; Rp I.451/DF, Min. Moreira Alves, RTJ 127/789). É também nesse sentido a orientação doutrinária brasileira, a clássica (como, v.g, a de Lúcio Bittencourt, em "Controle Jurisdicional de Constitucionalidade das Leis", 1968, p. 168) e a atual (como, v.g., a de Gilmar Ferreira Mendes, em "Jurisdição Constitucional", Saraiva, 1996, p. 264). Ora, conforme antes se fez ver da evolução legislativa do incentivo fiscal em exame, não há norma alguma que tenha assegurado a vigência do • beneficio para além de 30.06.83. O que existia era apenas a possibilidade de isso vir a ocorrer, se assim o decidisse o Ministro da 1 . ., A Fazenda, com base na delegação de c tência que lhe fora atribuída. (Mu 15.! 14 1 . MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1SU7NTES CONFERE COM O OR1G1,N!Al. Processo n° 10380.000939/2006-02 13radia /0 /_(23 / 0 1 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 135 atRUM° Cure Ofiveirn Mat. Siape 91050 Pois bem, declarando inconstitucional a outorga de tais poderes ao Ministro, é certo que a decisão do Judiciário não poderia acarretar a conseqüência de produzir uma norma nova, conferindo ao beneficio fiscal uma vigência indeterminada, não prevista e não querida pelo legislador, e não estabelecida nem mesmo pelo Ministro da Fazenda, no uso de sua inconstitucional competência delegada. Não há como negar, portanto, também por este fundamento, que o beneficio fiscal previsto no art. 1 0 do DL 491/69 ficou extinto em 30.06.83, tal como estabelecido pelo legislador. 9.Finalmente, ainda que se pudesse superar a fundamentação alinhada, a vigência do beneficio em questão teria, de qualquer modo, sido extinta por força do disposto no art. 41, e seu ,f 1° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias - ADC7, da Constituição Federal. Diz o dispositivo: "Art. 41 - Os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis. sç I° Considerar-se-ão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei" Ora, o incentivo previsto no art. 1° do DL 491/69 era um típico incentivo fiscal setorial, direcionado que estava ao chamado "setor exportador", ---e;-coino tal,-se-an-vigariz época, dewriu ter-sido-corrfirma-dcrpor-lei. Isso, no entanto, não ocorreu e, por isso mesmo sua vigência foi encerrada, na melhor das hipóteses para os beneficiários, em 05 de outubro de 1990, dois anos após a promulgação da Constituição. Aliás, a Lei 8.402 de 08.01.92, destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o "do crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados relativo aos insumos empregados na • industrialização de produtos exportados, de que trata o art. 50 do Decreto-Lei 491, de 5 de março de 1969" (art. 1°, II). Nenhuma palavra sobre o incentivo aqui em exame, previsto no art. 1° do mesmo Decreto- 1 1 Lei. Convém anotar que esses dois incentivos são inconfundíveis, tendo o 1 legislador dado a eles tratamento autônomo. Assim, o regime de • delegação ao Ministro da Fazenda para aumentar, reduzir, temporária ou definitivamente, ou extinguir, dizia respeito a ambos, ou seja, aos "estímulos fiscais de que tratam os artigos 1° e 5° do Decreto-Lei 491, de 5 de março de 1969 ", segundo disposição expressa do art. 1° do DL 1.724/69; todavia, apenas o crédito-prêmio previsto no art. I°, e não o . incentivo do art. 5°, teve seu prazo de vigência limitado a 30.06.83, conforme se vê do art. 1° do DL 1.658/79 e art. 3° do DL 1.722/79, todos acima transcritos. Da mesma forma ocorreu com a Lei 8.402/92, que faz menção apenas ao restabelecimento do incentivo do art. 5 0, e não ao outro, do art. I°, que já se encontrava extinto. 10.Ante o exposto, nego provimento. É o voto. Contrário ao entendimento acima, o Min . José Delgado, na . eu voto-vista, manteve o seu entendimento anterior acerca da matéria pelas razões seguintes: r , 9 A. i15 MF-SECUNDO CONSELHO DE CONTRLEWINTES CONFERE COM O ORICtr:AL u. • • Processo n° 10380.00093912006-02 Brasília, /r) / CCO2/CO3 Acórdão n.° 20313.618 Fls. 136 Medido Cul... o de (Aceira Mat. Sapo 91U(. Em síntese, o que me apresenta convincente é que: a) o legislador pretendeu, inicialmente, extinguir o crédito-prêmio do IPI em junho de 1983; b)porém, por ter resolvido adotar em 1981 a continuidade de incentivos às empresas exportadoras com o referido crédito-prêmio, resolveu torná-lo sem prazo certo de extinção, delegando, contudo, ao Ministro da Fazenda autorização para extingui-lo quando, por questões de política fiscal, entendesse conveniente; c) tendo a referida delegação sido considerada inconstitucional, o incentivo em questão só pode ser extinto por lei posterior ao DL 1.894, de 16.12.1981, de modo expresso ou que contenha regra incompatível com o alcance do discutido beneficio fiscal. Após o voto do Min. José Delgado, que restou vencido, o Min. Teori Albino Zavascki, relator do Acórdão 591.708—RS, reconheceu o equívoco em que incorreu nos votos anteriores sobre o tema e refutou o argumento de que o Decreto-Lei n° 1.894/81 teria "confirmado" o incentivo em questão, assim se pronunciando: Senhor Presidente, peço a palavra para tecer algumas considerações em face do voto que acaba de ser proferido pelo Ministro Delgado, em que refere a existência de precedente desta Turma, no sentido de sua tese, precedente que teve inclusive meu voto de adesão. Realmente, naquela ocasião votei naquele sentido, e o fiz, na condição de vogal, _ _ levado pela invocação, constante do voto do relator — que, salvo melhorWzo,—fõi o pro—prro Ministro Dergadõ =de juri-sprúdênEiã—dõ- STJ e do próprio STF sobre a matéria. Todavia, ao estudar o presente caso, verifiquei que a invocada jurisprudência do STF dizia respeito apenas à inconstitucionalidade das normas de delegação constantes nos Decretos-Leis 1.724/79 e 1.894/81, e não à questão ora em foco, que é a alegada vigência, por prazo indeterminado, do crédito-prêmio instituído pelo DL 491/69. Daí a razão porque, agora, estou votando em sentido diferente, lamentando o equívoco em que incorri quando acompanhei o relator na votação anterior. Faço estas observações em face da relevância do caso que estamos julgando, com repercussões importantes nas finanças públicas, caso venha a ser reconhecido que o referido incentivo está, até hoje, em vigor. Sensibiliza-me a conseqüência de nossos julgados, até porque, no mister de juiz, julgamos fatos sociais e não podemos afastar o direito da realidade do mundo. Quanto ao mérito da questão, reafirmo os termos do meu voto. Conforme lá se afirmou, o DL 1.894/81 nada mais fez do que ampliar o rol das empresas beneficiadas com o incentivo do art. 1° do DL 491/69. É que, originalmente, faziam jus ao beneficio apenas e tão somente as "empresas fabricantes e exportadoras" (art. 1° do DL 491/69); com o DL de 1981, passaram a ser beneficiadas também as empresas comerciantes que exportassem produtos nacionais por elas adquiridos internamente ("empresas que exportarem, contra pagamento de moeda estrangeira conversível, produtos de fabricação nacional, adquiridos no mercado interno" — art. 1° do DL 1.894/81. Não procede, assinz, o argumento segundo o qual esse DL teria tido a glor intenção de "confirmar" a existên • do incentivo previsto em lei rilir (44/9 16 • 1,1F-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL • Brasília, ID a3 09 Processo n° 10380.000939/2006-02 CCO2/CO3 Acórdão n.° 20313.618 Marikle CurÉ 137 de 011veira Fls. Mat. Slape 91650 anterior (desiderato que seria muito estranho para um preceito normativo), e muito menos o de "recriar" o beneficio por prazo indeterminado. O que houve foi, na verdade, uma extensão do beneficio a outras empresas. Isso, contudo, em nada alterou a natureza do incentivo, nem o prazo de sua vigência - que, na época, não era indeterminado, mas, sim, determinado, podendo ser modificado a critério do Ministro da Fazenda. No art. 3° do DL 1.894/81, aliás, foi reafirmada a delegação de poderes àquele Ministro. Reafirmo, outrossim, que, na melhor das hipóteses, o incentivo fiscal foi extinto em 05/10/90, por força do art. 41, § 1°, do ADCT. O argumento de que o crédito-prêmio beneficiava, genericamente, a todos os exportadores ou a todos os produtos exportados (e que, por isso, não tinha natureza setorial), não corresponde à realidade. Conforme fiz ver em meu voto, o beneficio, além de atingir apenas um setor da economia (o setor exportador), beneficiava apenas certas empresas, exportadoras de certos produtos (os sujeitos a IPI), e não a todo e qualquer produto exportado. Aliás, como salientou o Ministro Delgado, o próprio impetrante, ao formular o pedido (transcrito no relatório), reconheceu isso, tanto que o limitou "até o termo final de vigência do mencionado incentivo fiscal, conforme disposto no art. 41, § 1° do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT)". (Negritos ausentes no original). Cabe transcrever, ainda, excertos do voto do Min. Francisco Falcão no Acórdão 591.708—RS, na parte em que contraaiz o voto do Min. José Wergado: O eminente Ministro José Delgado, em judicioso voto, divergiu do Ministro Relator defendendo os precedentes deste Colendo Superior Tribunal de Justiça. Assim o fez, por entender que o Decreto-Lei n° 1.894/1981, efetivamente revogou o Decreto n° 1.658/79, que havia determinado a extinção do beneficio em 30 de junho de 1983. Sustenta que o Decreto-Lei n°1.894, de 16.12.1981, em seu artigo 1°, II, não fixou prazo de vigência do incentivo em comento, razão pela qual deveria vigorar por prazo indeterminado. Enumera diversos precedentes da Primeira e Segunda Turmas desta Corte de Justiça, com a mesma posição suso manifestada. Após análise ampla da quaestio em tela e a despeito dos precedentes favoráveis à tese do contribuinte, tenho que melhor razão pertence à Fazenda Pública. Por primeiro, faz-se oportuno visualizar o fim ontológico e teleológico dos diplomas legais inerentes ao beneficio. O crédito-prêmio nasceu para incentivar as exportações, enfitando dotar Al o exportador de instrumento privilegiado para competir no mercad, internacional. !l7 1 iv1F-SC:3UREC3-a5NSELHO DE CONIRQUINTE$ CONFERE COM O ORIGINAL :41 • Processo n° 10380.000939/2006-02 Brasília, / Qg CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 138 Markt° Cuet de Oliveira Mat. Stape 910.50 Fatores internos e internacionais impuseram a edição do Decreto-Lei n° 1.658/79, que em seu artigo 1°, dispôs: (.) Assim, ficou definida a extinção do mencionado incentivo para o prazo certo de 30 de junho de 1983. O Decreto-Lei n°1.722/79 alterou os percentuais do estímulo, no entanto ratificou a extinção na data acima prevista. Posteriormente, veio o Decreto-Lei n° 1.724/79, que conferiu ao Ministro de Estado da Fazenda autorização para aumentar ou reduzir o multicitado incentivo. Finalmente, o Decreto-Lei n°1.894/81, assim prescreveu, verbis: (-) Conforme observei no início deste voto, o Decreto acima citado dilatou o âmbito de incidência do incentivo às empresas aqui mencionadas, no entanto, em nenhum momento pode-se afirmar que o regramento encimado apagou a previsão para a extinção do incentivo, permanecendo intacto tal prognóstico. Frise-se, por oportuno, assim como o fez o Ministro Relator, que o diploma supra transcrito iniciou sua vigência em 1981, ou seja, no âmbito de validade dos Decretos-Leis n° 491/69 e 1.658/79, não remanescendo quill-q-uer alteração quanro ao prazo—de extmçcid—do beneficio. Sobre as declarações de inconstitucionalidade proferidas pelo STF, delimita-se sua incidência a dirigir-se para erronia consistente na extrapolação da delegação implementada pelos Decretos-Leis n° 1.722/79, 1.724/79 e 1.894/81, não emitindo, aquela Suprema Corte, qualquer pronunciamento afeito à subsistência ou não do crédito- prêmio. (.) Os normativos em evidência, conforme supra-observado, tinham o desiderato de reduzir, extinguir ou suspender a isenção do crédito- prêmio/IPI Por consectá rio lógico deduz-se que a inconstitucionalidade de tais normas, na parte referente à delegação supracitada, não teve o condão de restaurar o teor do Decreto-Lei n°491/69, na sua formulação original, visto que a declaração referida não maculou, em nenhum momento, o teor do Decreto-Lei n° 1.658/79, permanecendo higida a regra de extinção do crédito-prêmio. Aqui cumpre rememorar que o artigo 3° do Decreto-Lei n°1.722/79, ao alterar a redação do sf 2' do artigo 1° do Decreto-Lei n° 1658/79, manteve a previsão de extinguir o incentivo em junho de 1983. Com tais assertivas, reconheço que os precedentes citados pelo contribuinte e ainda, no voto do eminente Ministro José Delgado, dentre os quais um aresto de minha lavra, estabelecem certa contradição no ponto em que se afir jrfil • DL 1.894/91 restabeleceu IV 41n1121P. 110M 18 .. --j-E-GUNi.."70 CONSELHO DE COI;n RIIAJINTES v CONFERE COM O ORIGINAL 11 • Brasília, 1 C.") I 0 :23 I r":"9A -- Processo n° 10380.000939/2006-02 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 i / Fls. 139 Marlde C ' 4, • de aiveca Mat. Stape 91650 o incentivo fiscal sub oculi, não considerando que da mesma forma que o Decreto Lei n° 1.724/79 foi tido como inconstitucional, em face da erronia na delegação de poderes, assim deveria ser considerado o Decreto-Lei n° 1.894/91, que em seu artigo 30 também concede ao • Ministro da Fazenda as atribuições para alterar as regras atinentes ao multicitado incentivo fiscal. (-) A despeito da extinção do incentivo fiscal, conforme determinado pelo Decreto-Lei n° 1.658/79, endosso também a observação de que a previsão do artigo 41 do ADCT teria revogado todos os incentivos que não tivessem sido confirmados após dois anos de vigência da Constituição de 1988, sendo certo que inexiste qualquer norma superveniente positivadora do incentivo em exame, o que sepultaria definitivamente a pretensão ao mencionado crédito. Por fim, insubsistente a alegação de que o crédito-prêmio teria sido restaurado pela Lei n° 8.402/92, visto que, embora tenha feito menção expressa ao Decreto-Lei n°1.894/81, a Lei em comento apenas se referiu ao benefício previsto no inciso I do art. 1° daquele diploma legal, ou seja, "o crédito do imposto sobre produtos industrializados que haja incidido na aquisição dos mesmos", não se voltando ao incentivo previsto no inciso lido mesmo Decreto-Lei n° 1.894/81, que consiste no "crédito de que trata o artigo 1° do Decreto-lei n°491, de 5 de março de 1969". (.) Frise-se, por oportuno, que se o legislador objetivasse restaurar o crédito-prêmio teria incluído o inciso II do art. 1° do Decreto-Lei n° 1.894/81 quando redigiu o dispositivo acima transcrito, entretanto não o fez, não havendo qualquer referência ao crédito-prêmio. Tais as razões expendidas, acompanhando integralmente o voto do Ministro Relator, NEGO PROVIMENTO ao recurso. (Negritos não originais) Neste ponto cabe mencionar que esta Terceira Câmara também já decidiu conforme o exposto acima, como demonstram os Acórdãos IN 203-09.801, Recurso Voluntário n° 123.954, relatora Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, e 203-09.802, Recurso Voluntário n° 125.836, relatora Conselheira Luciana Pato Peçanha Martins, ambos julgados em 20/10/2004. Menciono, também que a Resolução do Senado n° 71/2005 não pode • ser empregada para alterar o deslinde da questão, como bem interpretou o Min. Teori Albino Zavascki, na relatoria do REsp n° 652379/RS, julgado pela P Seção do STJ em 08/03/2006, publicação no DJ 01.08.2006 p. 360. Na oportunidade, assim se pronunciou o Ministro: 2. Cumpre assinalar que, pela Resolução 71, de 20.12.2005, o Senado Federal, utilizando a faculdade prevista no art. 52, X da Constituição, )111 suspendeu a execução das expressões que oSTF declarou Of inconstitucional, constantes do art. 1° do DL 1.724/79 e do inciso I d ' art. .3° do DL 1.894/91. Diz o art. 1° 'tyda Resolução: V' ‘,4 ! 19 s -9 F-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES n CONFERE COMO ORIGINAL*ty, a Processo n° 10380.000939/2006-02 Brasília, /0 / 03 / 09 CCO2/CO3, Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 140 Matilde diO da Oliveira Mat. Slape 91650 "Art. 1 0 É suspensa a execução, no art. 1° do Decreto-Lei n°1.724, de 7 de dezembro de 1979, da expressão 'ou reduzir temporária ou definitivamente, ou extinguir', e, no inciso Ido art. 3° do Decreto-Lei n° 1.894, de 16 de dezembro de 1981, das expressões 'reduzi-los' e • 'supendê-los ou extingui-los', preservada a vigência do que remanesce do art. 1° do Decreto-Lei n°491, de 5 de março de 1969". A parte final do dispositivo ("...preservada a vigência do que remanesce do art. 1° do Decreto-Lei n° 491, de 5 de março de 1969") serviu de mote para provocar a renovação da discussão a respeito do tema objeto do processo. À toda evidência, a Resolução do Senado não tem o condão de alterar nem os fundamentos e nem as conclusões acima alinhadas. Em primeiro lugar, porque o exercício da competência atribuída ao Senado, de suspender a execução de normas declaradas inconstitucionais pelo STF (art. 52, X da CF), é fruto de juízo político, que - é elementar enfatizar - não tem, nem poderia ter, efeito vinculante para o Judiciário. Tal suspensão, na verdade, limita-se, única e exclusivamente, a dar eficácia erga omnes à decisão do STF. Não é meio próprio para questionar o mérito dessas decisões, e muito menos para fazer juízo sobre a respeito dos seus efeitos no plano normativo remanescente, atividade essa de natureza tipicamente jurisdicional. O Senado suspende se quiser, segundo juízo político de conveniência ou oportunidade. Se decidir que não deve suspender a execução de determinado dispositivo (vale dizer, que não deve outorgar efeito erga omnes à decisão do STF), nem por isso o Judiciário estará inibido de continuar reconhecendo a sua inconstitucionalidade. E se o Senado, indo além da atribuição prevista no art.52, X da CF e da própria decisão do STF, emite juízo sobre a vigência ou não de outros dispositivos legais não alcançados pela inconstitucionalidade, é certo que a Resolução, no particular, não compromete e nem limita o âmbito da atividade jurisdicional. É o que decorre do princípio da autonomia e independência dos Poderes. Em segundo lugar, porque a Resolução 71 de 2005 do Senado Federal, bem interpretada, não é, de modo algum, incompatível com os fundamentos adotados pela jurisprudência da Seção. Esclareça-se que o art. 1° da citada Resolução contém evidente impropriedade material quando,em sua parte final, alude que fica "preservada a vigência do que remanesce do art. 1° do Decreto-Lei n° 491, de 5 de março de 1969". É que a declaração parcial de inconstitucionalidade, conforme faz claro a própria Resolução, não teve por objeto o art.1° DL 491/69, dispositivo esse cuja constitucionalidade jamais foi questionada. Portanto, ao se referir à parte "remanescente" cuja vigência ficou preservada, a Resolução do Senado não poderia, logicamente, estar se referindo àquele normativo, mas sim ao remanescente dos próprios dispositivos parcialmente declarados inconstitucionais pelo STF, a saber, o art. 1° do DL da 1.724/79 e do inciso Ido art. 3° do DL 1.894/91. De qualquer modo, ainda que se interprete o aludido "remanescente"4 como se referindo ao próprio art. 1° do DL 491/69, a Resolução nada der . 4 • mais estaria fazendo do que evide .a.o que comumente ocorrewlne 40 ) 20 MP• SEGUNDO CONSELHO DE—CO-Yr, RIBUINTES, UI I° CONFERE COM O ORIGINAL1 Processo n° 10380.000939/2006-02 Brastlia,_11 09 CCO2/CO3Acórdão n.° 203-13.618 • Fls. 141 . Matilde Co de Oliveira 1 L_, _ ui siape 91650 Sempre que há declaração de inconstitucioná- lidade parcial de certos dispositivos com redução de texto, como ocorreu no caso, o seu alcance é, obviamente, restrito à parte objeto da declaração, não produzindo o efeito de comprometer qualquer outro dispositivo. No caso concreto, portanto, a decisão tomada pelo STF não comprometeu nem o art. 1 , ', nem qualquer outro dos demais artigos do referido do DL 491/69. Não comprometeu, igualmente,nenhum dos .. , demais dispositivos legais supervenientes que tratam da matéria, nomeadamente os "remanescentes" dos Decretos-leis 1.724/79 e 1.894/81 e os do Decreto-lei 1.658/79, modificado pelo Decreto-lei 1.722/79. Ora, é exatamente nesse pressuposto que está assentado o fundamento do voto ao início transcrito: a inconstitucionalidade parcial, declarada pelo STF, não comprometeu a legitimidade dos demais dispositivos sobre crédito-prêmio do IPI, entre os quais o art. I° do Decreto-lei 1.658/79, modificado pelo Decreto-lei 1.722/79, que fixou em 30.06.1983 a data da extinção do referido incentivo fiscal, previsto no art. 1 0 do Decreto-lei 491/69. Esse entendimento, confirmado em precedente da Seção (Resp 541239/DF, Min. Luiz Fux, julgado em 09.11.2005), contou também de obter dictum em precedente do próprio STF (RE 208.260), constando, no voto do Min. Gilmar Mendes, o seguinte: "Em face da declaração de inconstitucionalidade, entendo, apenas como obter dictum, que os dispositivos do DL 1.658/79 e do DL _ —1:722779 se marifiveram plenamente efi-Eazes e vigentes. -Assim, a .. extinção do crédito-prêmio de IPI deu-se, gradativamente, tal como se pode verificar: em 1979, redução de 30% (10% em 24 de janeiro, 5% em 31 de março, 5% em 30 de junho, 5% em 30 de setembro de 5% em 31 de dezembro); em 1980, redução de 20%; em 1982, redução de 20% e 10% até 30 de junho de 1983". O importante é que, seja qual seja a interpretação que se possa dar à Resolução 71/2005, é certo que ela não tem eficácia vinculativa ao Judiciário e muito menos o efeito revogatório de decisões judiciais. Não se pode supor, em face do disposto na parte final do seu art. 1' - porque aí a sua inconstitucionalidade atingiria patamares assustadores - que a sua edição tenha tido o propósito de se contrapor ou de alterar as decisões do STJ relativas ao incentivo fiscal em questão, como se o Senado Federal fosse uma espécie de instância superior de controle da atividade jurisdicional. Não foi esse, certamente, o objetivo do Senado e o STJ não se sujeitaria a tão flagrante violação da sua independência. Em recente episódio, a 1" Seção, por unanimidade, negou aplicação a certos dispositivos da Lei Complementar 118/05 que, sob o manto de norma interpretativa, importavam modificação da jurisprudência que - bem ou mal - se formara na Seção, relativa a prazo prescricional na ação de repetição de indébito (ERESP 327.043/DF, Min. João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005). A Se, como se decidiu naquela oportunidade, nem Lei Complementar )1111 ipode impor ao STJ uma interpretação das normas, com maiores razõe . se há de entender que uma Resolução do Senado não poderia fazê-lo. Ir ,' . 3. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial. É o voto. 51#' Ti 44;111;411111 i 21 Mf-SEGUNDO CONSELHO DE CON7RIBUINTIES CONFERE COM O ORIGINAL 4.) Processo n° 10380.000939/2006-02 ãrrAgea ./t9 e29 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 142 Marido c oU! t de 0:tveira Mat. Siape 91650 No REsp n° 6523791RS, a 1' Seção do STJ, por maioria, decidiu conforme a ementa seguinte: TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITO-PRÊMIO. DECRETO-LEI 491/69 (ART. 1°). VIGÊNCIA. PRAZO. EXTINÇÃO. 1. Relativamente ao prazo de vigência do estímulo fiscal previsto no art. 1° do DL 491/69 (crédito-prêmio de IPI), três orientações foram defendidas na Seção. A primeira, no sentido de que o referido beneficio foi extinto em 30.06.83, por força do art. 1° do Decreto-lei 1.658/79, modificado pelo Decreto-lei 1.722/79. Entendeu-se que tal dispositivo, que estabeleceu prazo para a extinção do beneficio, não foi revogado por norma posterior e nem foi atingido pela declaração de inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do art. 1° do DL 1.724/79 e do art. 3 0 do DL 1.894/81, na parte em que conferiram ao Ministro da Fazenda poderes para alterar as condições e o prazo de vigência do incentivo fiscal. 2. A segunda orientação sustenta que o art. 1° do DL 491/69 continua em vigor, subsistindo incólume o beneficio fiscal nele previsto. Entendeu-se que tal incentivo, previsto para ser extinto em 30.06.83, foi restaurado sem por prazo determinado pelo DL 1.894/81, e que, por não se caracterizar como incentivo de natureza setorial, não foi atingido pela norma de extinção do art. 41, § 1° do ADCT. 3. A-tefee-ira-orientaçã o-é-no---sent-ido-de-que-o-benefieio-fiscal-fei extinto em 04.10.1990, por força do art. 41 e § 1° do ADCI, segundo os quais "os Poderes Executivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor, propondo aos Poderes Legislativos respectivos as medidas cabíveis", sendo que "considerar-se-ão revogados após dois anos, a partir da data da promulgação da Constituição, os incentivos fiscais que não forem confirmados por lei". Entendeu-se que a Lei 8.402/92, destinada a restabelecer incentivos fiscais, confirmou, entre vários outros, o beneficio do art. 5° do Decreto-Lei 491/69, mas não o do seu artigo 1 0. Assim, tratando-se de incentivo de natureza setorial Cá que beneficia apenas o setor exportador e apenas determinados produtos de exportação) e não tendo sido confirmado por lei, o crédito-prêmio em questão extinguiu- se no prazo previsto no ADCT. 4. Prevalência do entendimento segundo o qual o crédito-prêmio do IPI, previsto no art. 1° do DL 491/69, não se aplica às vendas para o exterior realizadas após 04.10.90. 5. No caso concreto, a pretensão da inicial diz respeito a exportações realizadas após 04.10.90, o que, nos termos do entendimento majoritário, determina a sua improcedência. 6. Recurso especial a que se nega provimento. O julgado do REsp n° 6523791RS, de todo modo, não ampara recorrente, posto que na situação destes autos o período é p -'or o 04/10/1990. tiF4.4114 22 • 9 ' " • Processo n° 10380.000939/2006 -02 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.618 Fls. 143 Pelo exposto, nego provimento ao Recurso. Sala das Sessões, em 02 de • - - •• • • de 2008. 1- .4~ EMA •• n 1111"r-- Lí- 4,11,>010,DE ASSIS e0 .4 ... MF-SEGUNDO CONSI:11-166E <:-.0R;L:131Nrit.,S CONFERE COM O ORIGtN/31 ?dom, / af / Marido C • de Cheta Met Slape 91650 - - - - - 23 Page 1 _0007100.PDF Page 1 _0007200.PDF Page 1 _0007300.PDF Page 1 _0007400.PDF Page 1 _0007500.PDF Page 1 _0007600.PDF Page 1 _0007700.PDF Page 1 _0007800.PDF Page 1 _0007900.PDF Page 1 _0008000.PDF Page 1 _0008100.PDF Page 1 _0008200.PDF Page 1 _0008300.PDF Page 1 _0008400.PDF Page 1 _0008500.PDF Page 1 _0008600.PDF Page 1 _0008700.PDF Page 1 _0008800.PDF Page 1 _0008900.PDF Page 1 _0009000.PDF Page 1 _0009100.PDF Page 1 _0009200.PDF Page 1
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Numero do processo: 10435.001054/2004-78
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO LEGAL. RECEITA BRUTA SUPERIOR À PERMITIDA. APLICAÇÃO DO ART. 9º, INC. II, DA LEI Nº 9.317/96. IMPOSSIBILIDADE DE PERMANECER NO REGIME SIMPLIFICADO.
A superação de receita bruta, nos termos definidos em lei, é causa de exclusão do regime simplificado, que se dá a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nos termos do inciso II do art. 9º e do inciso IV do art. 15, todos da especialíssima e derrogatória Lei nº 9.317/96.
PIS. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
Quando apurados, através de procedimento de ofício, valores devidos da contribuição para o PIS, que não haviam sido declarados ou confessados pelo contribuinte, é procedente a autuação, com a aplicação de multa de ofício.
TAXA REFERENCIAL. SELIC. LEGALIDADE.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. (Súmula nº 3, do 2º CC).
Recurso negado.
Numero da decisão: 202-18769
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO LEGAL. RECEITA BRUTA SUPERIOR À PERMITIDA. APLICAÇÃO DO ART. 9º, INC. II, DA LEI Nº 9.317/96. IMPOSSIBILIDADE DE PERMANECER NO REGIME SIMPLIFICADO. A superação de receita bruta, nos termos definidos em lei, é causa de exclusão do regime simplificado, que se dá a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nos termos do inciso II do art. 9º e do inciso IV do art. 15, todos da especialíssima e derrogatória Lei nº 9.317/96. PIS. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Quando apurados, através de procedimento de ofício, valores devidos da contribuição para o PIS, que não haviam sido declarados ou confessados pelo contribuinte, é procedente a autuação, com a aplicação de multa de ofício. TAXA REFERENCIAL. SELIC. LEGALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. (Súmula nº 3, do 2º CC). Recurso negado.
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CCO2/CO2 Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 10435.001054/2004-78 Recurso n° 130.205 Voluntário x),Bntos Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS „Ao cons8" 1",-94c:dc a- to_segu-,;- no pit:,1 Acórdão n° 202-18.769 Pel2V0) I — de ••n w.00‘cs •n••• Sessão de 13 de fevereiro de 2008 Recorrente INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA KREP LTDA. Recorrida DRJ em Recife - PE Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO LEGAL. RECEITA BRUTA SUPERIOR À PERMITIDA. APLICAÇÃO DO ART. 92, INC. II, DA LEI N2 9.317/96. IMPOSSIBILIDADE DE PERMANECER NO REGIME SIMPLIFICADO. A superação de receita bruta, nos termos definidos em lei, é causa de exclusão do regime simplificado, que se dá a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nos termos do inciso II do art. 9 2 e do inciso IV do art. 15, todos da especialíssima e derrogatória Lei n 2 9.317/96. PIS. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Quando apurados, através de procedimento de ofício, valores devidos da contribuição para o PIS, que não haviam sido declarados ou confessados pelo contribuinte, é procedente a autuação, com a aplicação de multa de oficio. TAXA REFERENCIAL. SELIC. LEGALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. (Súmula n 2 3, do 22 CC). Recurso negado. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . CONFERE COMO ORIGINAL Bretallia, Ã4. 03 / I Andrezza Nascimento Schmei 1 / Mat. Sia e 1377389 ' Processo n.° 10435.001054/2004-78 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.769 Fls. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBU TES, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. n MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brasília, 441 03 2007 • Andrezza Nascimento SchmeiZa Mat. Siape 1377389 L AN ONIO CARLOS A'UM Presidente )11P111 • - • -TONI LISBO • C • PT O Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Maria Cristina Roza da Costa, Gustavo Kelly Alencar, Nadja Rodrigues Romero, Antonio Zomer, Ivan Allegretti (Suplente) e Maria Teresa Martinez López. Processo n.° 10435.001054/2004-78 MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.769 CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 3 Brami I Ia , _A/ (2.3 / ioof Andresza Nascimento Schmelirc.:!,»L Mat. Slave 1377389 Relatório Em razão da clareza e objetividade adoto o relatório de fls. 111/113, nos seguintes termos: "Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o Auto de Infração, às fls. 04/05, para exigência do crédito tributário, referente aos meses do ano calendário de 2003, adiante especificado: CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM REAL NATUREZA VALOR EM REAL PIS 19.785,33 Juros de Mora (até 30/07/2004) 2.996,51 Multa Proporcional 14.838,96 - TOTAL 37.620,80 O referido auto de infração é decorrente do procedimento de fiscalização efetuada junto à contribuinte, na qual a fiscalização constatou os seguintes fatos: 1) Com base no Livro de Apuração do ICMS, cópias anexas às fis.68 a 85 do processo n.° 10435.001053/2004-23, relativo ao lançamento do SIMPLES, a fiscalização apurando as receitas brutas mensais do ano calendário de 2002, constatou que a empresa havia ultrapassado, o limite de receita bruta para permanência no SIMPLES, pois obteve receita bruta total de R$ 1.375.420,80, quando o limite para permanência do sistema integrado é R$ 1.200.000,00, estabelecido no inciso II do art. 9.° da Lei n.° 9.317/96. 2) Como a pessoa jurídica não efetuou a exclusão do SIMPLES, foi expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal em Recife o Ato Declaratório Executivo n° 10 de 10/08/2004 (DOU de 13/08/2004, efetuando a exclusão da empresa do sistema integrado, com efeitos a partir de 01/01/2003, constante do processo n.° 10435.000849/2004- 69, cujo Acórdão n.° 11.317 manteve a sua exclusão do SIMPLES por unanimidade de . votos. 3) De acordo com o art. 16 da Lei n° 9.317/1996 a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão as normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. 4) Também decorrente da exclusão da empresa a partir de 01/01/2003 a contribuinte ficou sujeita aos recolhimentos da COFINS e da Contribuição para o PIS como as demais pessoas jurídicas. A fiscalização constatou a falta de recolhimento destas contribuições e constituiu os autos de infração da COFINS — PROCESSO N° 1435.001052/2004-89 e da CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS — PROCESSO N°1435.001054/2004-78. • MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTR1BUR4TES CONFERE COMO ORIGINAL Processo n.° 10435.001054/2004-78 Brogalia, 04-5 ZOO S" CO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.769 Andrezza Nascimento Schmitelx, Fls. 4 Mat. Siape 1377389 • Devidamente notificada, e não se conformando com o procedimento fiscal, a contribuinte apresentou, tempestivamente, as suas razões de defesa, às fls. 75/85, na qual questiona integralmente o auto de infração, alegando em síntese o seguinte: Inicialmente discorre sobre os fatos narrados nos autos de infração decorrentes da mesma ação fiscal, inclusive no que se refere à sua exclusão do SIMPLES, às fls. 75/77, relativamente ao lançamento do PIS a impugnante traz os seguintes argumentos: Que a fiscalização deixou de demonstrar com precisão e clareza as divergências apuradas entre os valores declarados e valores apurados do PIS, ensejando o cerceamento do direito de defesa da contribuinte, e um lançamento descumprindo os ditames contidos no art. 142 do CI7V, pois a autoridade fiscal tem o dever de determinar com precisão a base de cálculo da exigência fiscal. Conclui a impugnante requerendo como preliminar, a nulidade do lançamento alegando que o mesmo foi procedido desrespeitando o princípio da legalidade, em face de o fisco ter deixado de demonstrar e provar a pertinência da obrigação fiscal. Em sua peça impugnató ria, também se insurgiu contra o prazo exíguo da ação fiscal procedida em sua empresa ensejando em tributação de forma precipitada, sem o necessário cumprimento das etapas de auditoria em busca da efetiva prova dos fatos que ensejassem o lançamento fiscal em lide. A impugnante discorre às fls. 81/82 acerca das presunções fiscais citando o Tributarista UlMa Canto. Também se insurge, às fls. 82 contra os juros moratórios com base na Taxa SELIC citando o entendimento do Ministro Franciulli Netto. A impugnante afirma reconhecer a possibilidade de resíduos do PIS a serem recolhidos, porém não concorda com os valores apontados pelo Fisco alegando apenas serem absurdos, por partirem de dados inconsistentes e aleatórios. Alega também que enquanto não se tornar definitiva a decisão de possível exclusão da empresa no SIMPLES a fiscalização estará impedida, da mesma forma que em processo de consulta, de lavrar qualquer auto de infração contra possíveis diferenças de tributos, sob pena de nulidade do respectivo auto de infração. Também discorre a respeito da valorização do pequeno empreendedor, através do art. 179 da CF que atribui à lei o tratamento jurídico diferenciado para microempresas e empresas de pequeno porte, desta forma, assevera que o administrador fiscal tendo este conhecimento deverá resguardar a contribuinte agindo com justiça fiscal. Do Pedido. Diante das razões apontadas a impugnante requer seja julgada a preliminar de nulidade do lançamento fiscal pela inobservância dos MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL • Processo n.° 10435.001054/2004-78 Acórdão n.° 202-18.769 Brasília, 4 4- 03 W CCO2/CO2 Andrezza Nascimento Schmeilial Fls. 5 Mat. Siam 1377389 requisitos formais, nos termos do inciso II do art. 59 do Decreto n.° 70.235/72. Caso superadas as preliminares argüidas a impugnante requer a improcedência do lançamento: .a) haja vista que a fiscalização formalizou o auto de infração do PIS de forma ilegal e abusiva, deixando de considerar a possibilidade de apurar o tributo de forma mais usual e menos gravosa, opção esta negligenciada pelo fisco na execução do lançamento em lide. b) Em face de ter impugnado o ADE referente à exclusão da empresa no SIMPLES a fiscalização estará impedida, de lavrar qualquer auto de infração contra possíveis diferenças de tributos, sob pena de nulidade do respectivo auto de infração, nos termos do art. 59 inciso II do Decreto n.° 70.235/72; c) que não restou comprovada a recusa ou falta de apresentação de elementos fiscais obrigatórios, visto que tal hipótese não pode ser presumida, e que não foi formalmente intimado, nos termos do art. 23 do Decreto n.° 70.235/72, para apresentá-los; e) caso ultrapassadas as argumentações anteriores, requer a realização de diligência fiscal nos termos do art. 16, inciso IV do Decreto n.° 70.235/72, considerando os questionamentos anteriormente suscitados, para que seja manifestada a verdade material do evento fiscal em lide." A ementa do acórdão da 45 Turma da DRJ em Recife - PE (Acórdão n2 11.698/2005) é assim ementado: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 Ementa: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não é cabível a alegação de cerceamento ao legítimo direito de defesa quando as infrações apuradas estiverem perfeitamente identificadas e os elementos dos autos demonstrarem, inequivocamente, a que se refere a autuação, dando suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar a sua defesa e também para que o julgador possa formar livremente a sua convicção e proferir a decisão do feito. Estando o lançamento revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto n.° 70.235/72, sem preterição do direito de defesa, não há que se falar em nulidade do procedimento fiscal. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFíCIO.A empresa que na condição de empresa de pequeno porte, tenha auferido, no ano- calendário, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) será excluída do SIMPLES a partir do ano calendário subseqüente. MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Processo n." 10435.001054/2004-78CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.769 Bressilies, 4 4/ zoai, Fls. 6 Andrezza Nascimento Schmeikal •Mat. Siape 1377389 A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS. Apurados, através de procedimento de oficio, valores devidos da Contribuição para o PIS, que não haviam sido declarados ou confessados pela contribuinte é procedente a autuação, com a aplicação da multa de ofício. Lançamento Procedente." É o Relatório. # MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL • Processo n.° 10435.001054/2004-78 Braollia, 44, 0,3 zoof CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.769 Andrezza Nascimento SchmeilAot Fls. 7 Mat. Siape 1377389 , Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade, razão pela qual, dele tomo conhecimento. Conforme consta dos autos, a contribuinte foi cientificada que no ano calendário de 2002 a fiscalização apurou receita bruta superior ao limite estabelecido pela legislação para permanência no Simples. Foi emitido o Ato Declaratório Executivo n 2 10/2004, publicado em 13/08/2004, procedendo-se a exclusão da sistemática Simples com efeitos a partir de 01/01/2003 (fl. 87). Em relação ao processo próprio referente à EXCLUSÃO DO SIMPLES, de n2 10435.000849/2004-69, foi objeto de litígio, sendo prolatado o Acórdão n2 11.317, em 28/02/2005, pela 4R Turma de Julgamento, mantida a sua exclusão, "a partir do ano calendário subseqüente" (fl. 101). A decisão da 45-1 Turma de Julgamento está baseada no inciso IV do art. 15 da Lei n2 9.317/96, onde consta que a exclusão do Simples nas condições previstas nos arts. 13 e 14, surtirá efeitos, "a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, ...". Assim sendo, no presente caso, entendo não prosperar o recurso da recorrente, porquanto a exigência da contribuição ao PIS é referente ao ano-calendário 2003, quando a mesma já havia sido excluída do Regime Integrado. Neste sentido é uníssona a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, conforme se depreende da ementa do Acórdão n 2 301-33.831, verbis: "Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2001 Ementa: EXCLUSÃO DO SIMPLES. EXISTÊNCIA DE IMPEDIMENTO LEGAL — RECEITA BRUTA SUPERIOR A PERMITIDA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 9°, INCISO II, DA LEI 9317/96. IMPOSSIBILIDADE DE PERMANECER NO REGIME SIMPLIFICADO. A superação de receita bruta nos termos definidos em lei é causa de exclusão do regime simplificado, que se dá a partir do ano-calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nos termos do inciso II do artigo 9° e do inciso IV do artigo 15, todos da especialissima e derrogatória lei n°9317/96. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO." Em outra ocasião, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes também manteve o entendimento por meio do Acórdão n2 301-31.169, cuja ementa tem a seguinte redação: MF - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . CONFERE COMO ORIGINAL Processo n.° 10435.001054/2004-78 Braallia, If/ 02 12291 CCO2/CO2 Acórdão n.° 202-18.769 Andrezza Nascimento Schmeik4 Fls. 8 Mat. Sia pe 1377389 . "SIMPLES — EXCLUSÃO A exclusão do sistema SIMPLES somente surte efeitos a partir do ano calendário subseqüente, não havendo precisão legal para considerá-la com efeitos retroativos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO." Ainda, o Acórdão n2 105-15.286, prolatado pela 5 5 Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES - DE OFÍCIO - A empresa que na condição de Empresa de Pequeno Porte - EPP, tenha auferido, no ano-calendário, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais) será excluída do SIMPLES a partir do ano-calendário subseqüente." Também não deve prosperar a contrariedade manifestada no recurso quanto à manutenção da taxa Selic, a título de juros de mora, pois sua cobrança foi considerada legal pela Súmula n2 3 deste Segundo Conselho de Contribuintes: "É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais." (DOU, Seção I, de 26/09/2007, pág. 20, n5186). Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sal. das Sessões, em 13 de fev -reiro de 2008. I/ 1111 1 , ( wl dr • O 10 LISB *A *A • JSO Page 1 _0043800.PDF Page 1 _0043900.PDF Page 1 _0044000.PDF Page 1 _0044100.PDF Page 1 _0044200.PDF Page 1 _0044300.PDF Page 1 _0044400.PDF Page 1
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Numero do processo: 10070.002568/90-70
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 1992
Data da publicação: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 1992
Ementa: FINSOCIAL/FATURAMENTO - Omissão de receita operacional, por falta de registro de compras, resultando, por conseguinte insuficiência na determinação da base de cálculo da contribuição.
Recurso negado.
Numero da decisão: 201-67.809
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Cãmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: Antônio Martins Castelo Branco
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Ll e 2,.• rinsuckee /4 D. O (15 01 ,iM.?", ep. I 11 n _1441 r. , '"':.•..:!3;3 , ‘ MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo N.° 10.070-002.568/90-70 mias Sowode2 6 de fevereiro de 192 2 ACORDA° N. 201-67.809 Recurso nf 86.734 ReconeM4 CABRAL E CALVANO COMÉRCIO DE FRUTAS LTDA. Recorrida DRF NO RIO DE JANEIRO - RJ. FINSCCIAL/FATURAMENTO- Omissão de receita operacional, por falta de registro de compras, resultando, por con seguinte insuficiência na determinação da base de cár culo da contribuição. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CABRAL E CALVANO COMÉRCIO DE FRUTAS.LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Cãmara do Segundo Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provi- mento ao recurso. . 1 Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 1992. i I 7/ • ROBERTO B*RD 4, OSA DE CASTRO - PRESIDENTE /7 ANTO O • 11 • I ier'STELO BRANCO - RELATOR ANTO I 'Vis Alik ni " ' • rRGO - PROCURADOR-REPRESEN- TANTE DA FAZENDA NA- CIONAL VISTA EM SESSA0 DE 2 7 MAR 1992 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Li- NO DE AZEVEDO MESQUITA, HENRIQUE NEVES DA SILVA, SELMA SANTOS SA LOMAO WOLSZCZAK, DOMINGOS ALFEU COLENCI DA SILVA NETO, ARISTOFA NES FONTOURA DE HOLANDA e SÉRGIO GOMES VELLOSO. -02- L(?' '.*%'-g=tm MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo Ng 10.070-002.568190-70 Recurso Nz: 86.734 Acordão NP; 201-67.809 Recorrente: CABRAL E CALVANO COMÉRCIO DE FRUTAS LTDA. RELATÓRIO Contra a recorrente foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 05, com base na fiscalização do IRPJ, que apurou omis- são de receita operacional, face a falta de registro de compras resultando, por conseguinte, a insuficiência na determinação da base de cálculo da contribuição para o FINSOCIAL/FATURAMENTO. Em sua impugnação, em 19 instãncia, diz desconhecer a existência de notas fiscais de compras, relacionadas em termo de diligência efetuado pelo AFTN autuante, já que, tais supostas com pras de mercadorias, não foram efetuadas pela autuada. Diz que o termo de encerramento da ação fiscal e su- perficial, não apresentando nenhum elemento de convicção, não tra zendo no sem bojo nenhuma prova substancial, de qualquer ti- po de irregularidade. A autoridade de 19 instância, considerou o processo como reflexo o IRPJ, baseando-se na decisão do IRPJ de fls. 12 a 16, para julgar procedente a ação fiscal. Em seu recurso, utili- -segue- -03- _5-727 SFRviC0 PURLiCO FEDERAL Processo ;IQ 10.070-002.568/90-70 Acórdão n0 201-67.809 za-se do mesmo feito ao 10 CC, reafirmando, que não há provas da recepção das mercadorias pela autuada, inexistem provas de paga- mentos da citadas notas fiscais; inexistem provas de encomendas e/ou pedidos das referidas mercadorias. Reafirma, ainda que tais compras não existiram. É o relatório. -segue- -04- 5-1 SFRVICO PUBLICO FBPERAL Processo n4 10.070-002.568/90-70 Acórdão n4 201-67.809 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ANTONIO MARTINS CASTELO BRANCO O cuidado da fiscalização em procurar propiciar ao re ferido processo, dados que permitissem um julgamento sólido, nos dá a clara visão de que o recurso é meramente protelatório. Afirma o contribuinte que a fiscalização não provou em nenhum momento a efetividade da compra efetuada, mas consta do processo cOpia de correspondência do fornecedor que reafirma a compra alegada pela fiscalização, ainda, assim o contribuinte não demonstra em nenhum momento que as demais compras efetuadas, e re gistradas, tiveram procedimento de recebimento das mercadorias e de pagamento das mesmas, de forma diferente das que não foram re- gistradas. Face a documentação constante do processo e a tudo mais que se apresenta. - Nego provimento ao recurso. Brasilia-DF, em 26 de fevereiro de 1992. / ANTONIO MARTI /. • TELO BRANCO
score : 1.0
Numero do processo: 10540.000722/93-92
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 1996
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 1996
Ementa: ITR - CONTRIBUIÇÃO SINDICAL DOS EMPREGADORES RURAIS - CNA - É devida a contribuição sindical dos empregados rurais, conforme estabelece a lei que regula matéria, aplicando-se as percentagens previstas no art. 580, letra "c" da CLT - Recurso negado.
Numero da decisão: 202-08574
Nome do relator: JOSÉ DE ALMEIDA COELHO
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MINISTÉRIO DA FAZENDA •S SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Rubrica4Y-fl. Processo : 10540.000722/93-92 Sessão : 27 de agosto de 1996 Acórdão : 202-08.574 Recurso : 98.729 Recorrente : PLANATEC S/A AGROPECUÁRIA PLANEJ. ASSISTÊNCIA Recorrida : DRI em Salvador - BA 1TR - CONTRIBUIÇÃO SINDICAL DOS EMPREGADORES RURAIS - CNA - É devida a contribuição sindical dos empregadores rurais, conforme estabelece a lei que regula matéria, aplicando-se as percentagens previstas no art. 580, letra "c" da CLT - Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: PLANA'TEC S/A AGROPECUÁRIA PLANEI. ASSISTÊNCIA. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de agosto de 1996 - /V mye • "- José aar. erirns o Vice-P • *dente no exercício da Presidência Jo é de i C- ole. lho Ráator --- Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Antônio Carlos Buena Ribeiro, Daniel Corrêa Homem de Carvalho, Oswaldo Tancredo de Oliveira, Tarásio Campeio Borges, Antônio Sinhiti IVIyasava, Luiz José de Souza (Suplente). jm/hr-rs ff,S 4.2át,?S. MINISTÉRIO DA FAZENDA :C3(tyr.,,32 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10540.000722/93-92 Acórdão 202-08.574 Recurso : 98.729 Recorrente : PLANATEC S/A AGROPECUÁRIA PLANEI. ASSISTÊNCIA RELATÓRIO Conforme Notificação/Comprovante de Pagamento de fls.02, exige-se da empresa acima identificada o recolhimento de CR$ 38.065,69, relativos ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - 1TR, Taxa de Serviços Cadastrais e Contribuição Sindical Rural - CNA-CONTAG, correspondente ao exercício de 1992, do imóvel denominado "Fazenda Maravilha", cadastrado no INCRA sob o Código 314 102 002 22411, localizado no Município de Iequié - BA. Impugnando o feito, tempestivamente, às fls. 01, a interessada alega que o valor cobrado na Notificação do ITR192 está elevado. A autoridade julgadora de primeira instância, às fls. 13/14, julgou procedente em parte o lançamento e, para corrigir erro da digitação que provocou distorção no cálculo da contribuição CNA, determinou a retificação do valor do capital social, de acordo com o declarado pelo contribuinte na DIRT/92. Esclarece, ainda, que os demais itens da notificação estão corretos e que, conforme art.4°, parágrafo 30, do Decreto-Lei n° 1.166/71 e o art. 580, inciso II, da CLT, a contribuição à CONTAG é calculada sobre o somatório dos trabalhadores permanentes e eventuais. Quanto à redução do ITR, argumenta que o imóvel não tem direito em face da existência de débito do exercício de 1989. Inconformada, a empresa recorre, em tempo hábil, a este Conselho de Contribuintes, apresentando os seguintes fatos e argumentos de defesa (li5.17): "a) No quadro (08), referente a mão de obra da declaração anual de 1992, por se tratar de uma propriedade deixada por morte do seu proprietário, portanto um "INVENTÁRIO INDIVISO" em andamento, e por total falta de conhecimento no preenchimento da "DECLARAÇÃO ANUAL" declaramos como trabalhadores existentes os herdeiros que moram e laboram no Imóvel. Não são portanto trabalhadores devidamente contratados por esta Empresa, e sim os herdeiros que eventualmente prestam trabalhos para a PLANATEC S/A, que também é proprietária de parte da Fazenda. Equivocamos-nos portanto no preenchimento do formulário e aqui esclarecemos a reformulação." 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA 5i;S41 SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10540.000722193-92 Acórdão : 202-08.574 Aduz ainda que: a) depois do esclarecimento do item anterior, por conseqüência, a contribuição CNA seria um engano; e b) a crise por que passa a lavoura cacaueira não permite que seus proprietários arquem com este ou "... qualquer outro imposto sobre a lavoura que no momento já se encontra super taxada" Intimado, conforme dispõe o art. 1° da Portaria - MF n° 260, de 24/10/95, o Procurador da Fazenda Nacional Andrei Schramm de Rocha apresenta, às fls. 21/23, suas contra-razões, concordando inteiramente com a Decisão de Primeiro Grau. Afirma, ainda, que o recurso é meramente protelatório, e que a distorção provocada pela digitação já foi devidamente eliminada. Ao final, requer seja negado provimento ao Recurso. É o relatório. 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : 10540.000722/93-92 Acórdão : 202-08.574 VOTO DO CONSELHEIRO - RELATOR JOSÉ DE ALMEIDA COELHO Conheço do presente recurso pela sua tempestividade. É certo que o erro que houvera, foi detectado e corrigido no momento próprio, como se verifica na decisão a quo de fls. 13 e 14. Já quanto ao Recurso de fls. 17, é mais uma lamúria do que propriamente razões de recurso, que, a nosso ver, nada traz que possa modificar a decisão a quo. As contra-razões do douto Procurador da Fazenda Nacional de fls. 22 e 23 bem enfoca o caso presente, e, com a sua sinteticidade, espanca todas as argumentações expedidas. Não resta dúvida de que a decisão a quo é incensurável e que, a nosso ver, fez justiça. Ante o acima exposto e o que mais dos autos consta, nego provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de agosto de 1996 JOSÉ DE 1D • COELHO — 4
score : 1.0
Numero do processo: 10140.000035/92-71
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 1995
Data da publicação: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 1995
Ementa: ITR - PAGAMENTO INDEVIDO - RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. Reconhecido o direito creditório contra a Fazenda Nacional, é cabível a restituição do valor recolhido indevidamente. Recurso de ofício a que se nega provimento.
Numero da decisão: 203-02069
Nome do relator: MARIA THEREZA VASCONCELLOS DE ALMEIDA
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score : 1.0
