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Numero do processo: 10865.000445/2008-39
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/06/2007
NORMAS GERAIS. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, deve-se comparar as penalidades sofridas, as antigas em comparação com as determinadas pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso.
Numero da decisão: 9202-003.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. NATUREZA JURÍDICA. PENALIDADE. IDENTIDADE. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN), a lei aplica se a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso, para aplicação da regra expressa no CTN, devese comparar as penalidades sofridas, as antigas em comparação com as determinadas pela nova legislação, o que não ocorreu, motivo do provimento do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por maioria votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 04 45 /2 00 8- 39 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em exercício), Gustavo Lian Haddad, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10865.000445/200839 Acórdão n.º 9202003.200 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), contra acórdão que decidiu dar provimento parcial a recurso voluntário do sujeito passivo, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/06/2007 PREVIDENCIÁRIO. NULIDADE DA NFLD. NÃO OCORRÊNCIA. ALUGUEL PAGO AO PRESIDENTE DO SINDICATO. MULTA DE MORA. Não há que se falar em nulidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, quando não houver qualquer tipo de vício. Carece de previsão legal a não inclusão dos valores pagos a título de salário de contribuição. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Esclarecendo, o litígio em questão versa sobre a forma de aplicação da retroatividade benigna, determinada pelo Art. 106 do CTN. Em seu recurso especial a PGFN alega, em síntese, que há divergência na interpretação da legislação, expressa pelo acórdão paradigma, e que deve ser dado total provimento a seu recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35 A da Lei nº 8.212/91. Por despacho, deuse seguimento ao recurso especial. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 O sujeito passivo apresentou suas contra razões, argumentando, em síntese, que a decisão recorrida está perfeita e deve ser mantida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10865.000445/200839 Acórdão n.º 9202003.200 CSRFT2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade – recurso tempestivo e divergência confirmada e não reformada conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Na análise do processo, verificamos que assiste razão ao pleito da recorrente. Concordo com a decisão a quo a respeito da aplicabilidade do Art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: ... c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. A Lei 8.212/1991 trazia a seguinte redação quando tratava de multas: Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 249DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de Fl. 250DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10865.000445/200839 Acórdão n.º 9202003.200 CSRFT2 Fl. 5 7 competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo.(Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009) Com a edição da Medida Provisória 449/2008 ocorreram mudanças na legislação que trata sobre multas, com o surgimento de dois artigos: Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamentos de ofício, com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora. Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 251DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: ... II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Esclarecemos aqui que a multas em lançamento de ofício, como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício. É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício. Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não têm caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter determinado a comparação entre as penalidades que poderia sofrer o sujeito passivo antes da alteração legislativa (multas em lançamentos de ofício, em descumprimento de obrigações acessórias e principais) com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício, em descumprimento de obrigações acessórias e principais). Fl. 252DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10865.000445/200839 Acórdão n.º 9202003.200 CSRFT2 Fl. 6 9 Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas, e dou provimento ao recurso nos termos solicitados. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em dar provimento ao recurso da PGFN, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 253DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10425.720035/2010-10
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2005 a 30/06/2005
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ICMS. INCLUSÃO. O valor do ICMS compõe a estrutura de preço da mercadoria ou produto, que corresponde ao faturamento, não podendo ser excluído na apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins sem expressa disposição legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2005 a 30/06/2005 APRECIAÇÃO DE ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE NA ESFERA ADMINISTRATIVA. A discussão sobre a constitucionalidade ou inconstitucionalidade de lei não cabe na esfera administrativa, ressalvadas as exceções à regra. (Súmula CARF nº 2). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2005 a 30/06/2005 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa devidamente fundamentada, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 00 35 /2 01 0- 10 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito, que convertiam o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta Contribuinte transmitiu Declaração de Compensação (DComp) em que utiliza crédito decorrente de ressarcimento de Cofins apurada no regime não cumulativo, cujo saldo corresponde ao segundo trimestre de 2005. Despacho Decisório do DRF/Campina Grande/PB indeferiu a DComp, tendo em vista que a partir das características do DARF discriminado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Contribuinte alegou que: a) a DComp referese a crédito decorrente de pagamento a maior da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos do PIS e da Cofins; b) os arts. 2º e 3º, da Lei nº 9.718/98, e o art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, apenas admitem como base de cálculo de supraditas contribuições a receita ou o faturamento, não autorizando a inclusão do ICMS em citada base de cálculo, pois o valor deste imposto constitui ônus fiscal – e não faturamento; c) o valor do ICMS está embutido no preço das mercadorias por força da legislação deste imposto1, a qual determina que sua base de cálculo seja composta do próprio tributo, constituindo o destaque mera indicação para fins de controle; d) o faturamento “é decorrente, em essência, de um negócio jurídico, de uma operação, importando, por isso mesmo, o que é recebido por aquele que a realiza, considerada a venda de mercadoria ou mesmo a prestação de serviço” e que “a base de cálculo não pode extravasar, desse modo, sob o ângulo do faturamento, o valor do negócio, ou seja, a parcela recebida com a operação mercantil ou similar”; Pugnou, ainda, que se atentasse “para o princípio da razoabilidade, pressupondose que o texto constitucional se mostre fiel, no emprego dos institutos, de Expressões e vocábulos, ao sentido próprio que eles possuem, não merecendo outras interpretações” e transcreve o art. 110, do CTN. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720035/201010 Acórdão n.º 3803006.157 S3TE03 Fl. 213 3 Em julgamento da lide a DRJ/Recife fez menção à regramatriz da base de cálculo das contribuições, disposta na norma dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98 e de outras disposições legais e concluiu não haver previsão para a exclusão do ICMS do faturamento. Buscou reforço em decisões do STJ e de tribunais regionais. Demais, mencionou a falta de anexação de provas da alegado indébito. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 30/06/2005 ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO. O valor incidente a título de ICMS, que compõe o preço da mercadoria, integra a base de cálculo da Cofins. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 13 de agosto 2012 irresignada, apresentou recurso voluntário em 24 de agosto de 2012, em que reiterou os termos da manifestação de inconformidade, acrescentando o pedido de sobrestamento do julgamento, por aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF, em razão de a matéria se encontrar em apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. A presente controvérsia cingese à inclusão dos valores de ICMS no faturamento como base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep. Destaco, inicialmente, que não se pode perder de vista que a carga valorativa a se aplicar na interpretação da legislação tributária relativa a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no exercício da competência que cabe ao CARF , deve ser dosada no âmbito do controle de legalidade a que se limitam as decisões administrativas. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, em apreciação da matéria aqui sob exame, sobresteve o julgamento do RE 240.785/MG, em 13/08/2008, em face da superveniência e da precedência da ADC nº 18/DF[1]. A propositura desta ação é do Presidente 1 Decisão: O Tribunal sobrestou o julgamento do recurso, tendo em vista a decisão proferida na ADC 185/DF. Ausente, justificadamente, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidência do Senhor Ministro Gilmar Mendes. Plenário, 13.08.2008. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 da República e o seu objeto é obter a declaração de legitimidade da inclusão na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep dos valores pagos título de ICMS e repassados aos consumidores no preço dos produtos ou serviços, pressuposta no art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718, de 27 de novembro de 1998[2]. Com a perda da eficácia da Medida Cautelar na dita ADC, em 21/9/2010, nada obsta o julgamento da matéria pelo CARF, razão porque não pode ser atendido o pedido de sobrestamento do presente processo. A instituição da Cofins pela LC 70/91[3] inaugurou a delimitação da palavra faturamento afirmando que o IPI não o integra, quando destacado em separado no documento fiscal. A alteração do PIS/Pasep pela MP nº 1.212/96, convertida na Lei nº 9.715/98[4], também o fez estabelecendo que nele não se incluem o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. A Lei nº 9.718/98[5] unificou a base de cálculo das contribuições e o fez destacando as grandezas que devem ser excluídas da receita bruta, a teor do seu o parágrafo segundo, entre estas o IPI e o ICMS retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Sabese que o ICMS é imposto que via de regra incide na entrega de mercadorias e serviços e compõe a sua estrutura de preços. Ao definirem faturamento, a LC 70/91 informa que não o integra o IPI; a Lei nº 9.715/98 informa que não o integra o IPI e o ICMS do substituto tributário; a Lei nº 9.718/98 informa que se excluem da receita bruta o IPI e o ICMS do substituto tributário. Ora, se o ICMS normal está fora desse rol de não integração/exclusão da base de cálculo, o faturamento, não há como não se considerar que ficou definido implícitamente 2 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; 3 Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. 4 Art. 3o Para os efeitos do inciso I do artigo anterior considerase faturamento a receita bruta, como definida pela legislação do imposto de renda, proveniente da venda de bens nas operações de conta própria, do preço dos serviços prestados e do resultado auferido nas operações de conta alheia. Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem as vendas de bens e serviços canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, e o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias ICMS, retido pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. 5 § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; Fl. 215DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720035/201010 Acórdão n.º 3803006.157 S3TE03 Fl. 214 5 que ele (o ICMS) integra o faturamento. Aditese que o seu histórico cálculo “por dentro”, segundo o ditame do DecretoLei nº 406/686 reiterado pela LC Nº 87/96[7][8].endossam esta conclusão. Exemplificando: · ICMS por dentro Tenhase, por hipótese o valor de: Mercadorias em estoque = R$ 830,00 Alíquota do ICMS = 17% Cálculo do preço de venda cujo montante final resultará no faturamento = R$ 830,00/83 % (100% 17%) = R$ 1.000,00 Valor do ICMS incluso no faturamento = 170,00 · Se o cálculo do ICMS fosse por fora O preço de venda seria o valor da mercadoria em estoque, que corresponderia ao faturamento Valor do ICMS: 830,00 x 17% = R$ 141,10; Na conformidade da formulação legal acima demonstrada o ICMS faz parte do preço da mercadoria como custo. E este é o desenho constitucional deste imposto após a declaração da constitucionalidade da LC 87/96 na decisão no RE nº 212.209/RJ, ementada na forma do transcrito abaixo: TRIBUTÁRIO. ICMS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO VALOR DO IMPOSTO COMO ELEMENTO INTEGRATIVO DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE JURÍDICA. A base de cálculo dos tributos e a metodologia de sua determinação, porque constituem elementos de conhecimento indispensáveis para a definição do quantum debeatur, necessariamente, devem ser estabelecidas por lei, em obediência ao princípio da legalidade (CF, arts. 146, III, “a”, 150, I, e CTN, art. 97, IV). Inexiste inconstitucionalidade ou ilegalidade, 6 Art 2º A base de cálculo do impôsto é: § 7º O montante do impôsto de circulação de mercadorias integra a base de cálculo a que se refere êste artigo, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de contrôle. 7 Art. 13. A base de cálculo do imposto é: § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. 8 A LC nº 87/96, distintamente da LC nº 406/67, dispõe que integra a base de cálculo do ICMS além do próprio imposto o montante do IPI, exceto quando a operação, realizado entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 se a própria lei complementar e a lei local permitem que entre os elementos componentes e formativos da base de cálculo do ICMS se inclua o valor do próprio imposto. É demais sabido que a ampliação do conceito de faturamento pelo § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 foi foco da disputa que resultou na declaração da sua inconstitucionalidade pelo STF, prevalecendo a definição abrangente apenas das receitas provenientes das vendas de mercadorias e serviços pertinentes ao objeto social da atividade da pessoa jurídica. Em vista de subsistir uma definição legal de faturamento que permite considerar nele contido o ICMS normal segundo os dispositivos acima destrinçados , o Supremo Tribunal Federal ao fixar o seu conteúdo com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98, poderia ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do § 2º do mesmo artigo, por deixar de inserir no rol das exclusões da receita bruta o ICMS normal. Se aquela Corte tinha a prerrogativa de fazêlo e não o fez, para tornar livres de mais questionamentos os seus contornos, o juízo que proferiu, tendo como alvo apenas o art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, ao contrário de se reputálo omisso, endossa o entendimento de inclusão do ICMS no faturamento. Entender diferente está a depender de novo posicionamento daquele Tribunal. A idéia sobre a qual se funda o grito pela exclusão do ICMS do faturamento é a de que o imposto é ‘cobrado’ do comprador pelo vendedor, e, assim, representa um ônus tributário que é repassado ao Estado; logo, por não configurar circulação de riqueza, não ingressa no patrimônio do alienante, não podendo ser considerado receita do vendedor. Esta é a suma da tese que sustenta o voto do Min. Marco Aurélio no RE nº 240.785/MG. A tese já foi contraposta com sólido argumento por Hugo de Brito Machado[9], ao qual me filio. Defende ele que o entendimento segundo o qual o valor do ICMS componente do preço é receita do Estado é um equívoco conceitual relacionado à sujeição passiva do ICMS. O vendedor é o contribuinte de direito, não atua como um intermediário entre o comprador e o Estado, e os custos com o pagamento do imposto são custos seus e não do adquirente. O ônus correspondente ao valor do imposto é suportado pelo adquirente somente por meio do pagamento do preço, que é a contrapartida do fornecimento de mercadorias e serviços. Resultante dessa continência, tal valor ingressa no patrimônio do alienante e compõe o seu faturamento[10]. Apesar de ser voto minoritário no julgamento do RE 240.785/MG o Ministro Eros Grau manifestouse nesse mesmo sentido, verbis: O Min. Eros Grau, em divergência, negou provimento ao recurso por considerar que o montante do ICMS integra a base de cálculo da COFINS, porque está incluído no faturamento, haja vista que é imposto indireto que se agrega ao preço da mercadoria. 9 Citado por Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, in A inclusão do ICMS na Base de Cálculo da COFINS, disponível em http://jus.com.br/artigos/9674/ainclusaodoicmsnabasedecalculodacofins/2; data de acesso: 22.12.2013. 10 No ICMSST o empresário que promove a saída do produto é o contribuinte de direito. No entanto, a Lei de Normas Gerais do ICMS, LC 87/96, ao manter na relação jurídica tributária o adquirente, por legitimálo para repetir indébito ou pagamento a maior do imposto recolhido pelo substituto, subverte a lógica própria desse regime e faz com que o vendedor atue como intermediário entre o comprador e o Estado e torna de terceiro os custos com o pagamento do imposto e de natureza tributária o ônus correspondente ao valor do imposto suportado pelo adquirente. Penso que daí a sua legitimação para não integrar o faturamento o ICMS retido pelo vendedor. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10425.720035/201010 Acórdão n.º 3803006.157 S3TE03 Fl. 215 7 Ser o ICMS custo que se adere à estrutura do preço do produto ou de certos serviços e, via de consequência, integra o faturamento, e não um ônus tributário do adquirente do qual se desincumbe perante o Estado por intermédio do repasse a este feito pelo vendedor, é demonstrado por implicações de ordem sancionatória, segundo as hipóteses abaixo: a) a falta de inclusão do ICMS no valor da operação, com a subsequente falta de destaque do imposto e de posterior recolhimento, não afeta a relação jurídica de sujeição passiva tributária, havendo de ser exigido do vendedor o imposto e seus consectários; b) a inclusão do ICMS no valor da operação e a subsequente falta de emissão da nota fiscal não configura o crime de apropriação indébita, mas o de sonegação fiscal, previsto art. 1º, V, da Lei nº 8.137/90 e no art. 71, I, da Lei nº 4.502/65, cujo procedimento fiscal tem como sujeito passivo o vendedor. Ademais, nesta segunda fase recursal, a Recorrente nenhum elemento anexa referente às provas. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 218DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.911127/2012-70
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2003
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.
Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2003 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
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Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 27 /2 01 2- 70 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 3 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (DRJ/BHE), referente ao processo administrativo, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou os autos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento emitido eletronicamente, referente ao PER/DCOMP. O PerDcomp foi transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 8109, no valor original de, decorrente de recolhimento com Darf efetuado. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se segue: que o PerDcomp referese a crédito decorrente de pagamento a maior de PIS/Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculos dessas contribuições; que em relação à base de cálculo da Cofins, a Lei Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição, dispõe em seu art. 2º "que a contribuição incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar 07/70, que instituiu a cobrança da contribuição dispõe em seu art. 3º que o Fundo de Participação será constituído por duas parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 5 4 PIS e a Cofins passaram a ser disciplinadas pela Lei 9718/98 que dispõe em seu art. 2º, parágrafo 1º que "entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas"; que a Constituição Federal em seu art. 195, I, b, dispõe que "A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, Estados, DF e dos Municípios e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidente sobre: (...) b) a receita ou o faturamento”; que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder seia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a receita ou o faturamento, não possuindo autorização para incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. Requer a reavaliação do Despacho Decisório. Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de inconformada apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade. Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu a DRJ/BHE por indeferir a solicitação, ratificando a decisão da DRF de origem, não reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O referido julgado contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte apresentou Recurso Voluntário, postulando a reforma da decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo. Em sua fundamentação, fez a colação de trecho do voto proferido pelo Ministro Marco Aurélio, relator do RE 240.7852/MG, onde ele conclui que o valor correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na base de cálculo do PIS e da COFINS. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 6 5 Por fim, refere a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tanto na manifestação de inconformidade apresentada, quanto no recurso voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Primeiramente, necessário destacar se há necessidade ou não de sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria, medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos em trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, I, da Lei 9.718/1998, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF. (MCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008) Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do relator. (QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito) Por fim, em sessão plenária do dia 25.03.2010, o Tribunal, por maioria, resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e oitenta) dias, a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. (3ª QOMCADC 18/DF, rel. Min. Celso de Mello) Deste modo, entendese que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de 25.03.2010, perdeu a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Assim, entendese que não deve haver o sobrestamento da matéria. Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62A do Regimento Interno do CARF que faz referência a contribuinte no presente Recurso Voluntário (interposto em 19/12/2013), estava inclusive já revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Cumpre ressaltar inclusive que a presente Turma ao apreciar a mesma matéria já se manifestou no sentido de não sobrestar o processo. Tal decisão ocorreu por unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/201071, de Relatoria do Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido: Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 8 7 “Acordam os membros do colegiado: (I) Por unanimidade de votos, não sobrestar o processo; (II) Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso em relação às preliminares de cerceamento de defesa e de que o crédito tributário já sido constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso em relação à preliminar de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no mérito, negar provimento ao recurso.” (grifouse) Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo. Analisando o mérito, verificase que a recorrente alega que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS promovida pela Lei n° 9.718/98 violou dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei tributária. Portanto, pretendendo a contribuinte a inconstitucionalidade de lei tributária, necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: SÚMULA Nº 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por se tratar de matéria constitucional, não sendo competência deste Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. Sendo a base de cálculo da Cofins o faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem, deve o ICMS integrála. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula CARF nº 2. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. (Acórdão n° 3302 000.745, julgado em 10/12/2010, grifouse) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005, 2006, 2007 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas são incompetentes para apreciar argüições de inconstitucionalidade de lei regularmente editada, tarefa privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 9 8 novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de oficio de 150%. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2005, 2006, 2007 PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÃO DO ISS E TPT. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos que podem ser excluídos da receita bruta são o IPI e o ICMS, quando cobrados pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. (Acórdão 1102 000.519, julgado em 03/10/2011, grifouse) Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário, em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF). É necessário igualmente analisar o mérito do recurso, em que pese as considerações acima trazidas. Apesar de entendimento diverso desse relator, o pedido do contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ. Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor: STJ Súmula nº 68 15/12/1992 DJ 04.02.1993 ICM Base de Cálculo do PIS A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS. Em igual sentido o Tribunal Regional Federal da 4ª. Região assim tem se manifestado: EMENTA: PIS. COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. INADMISSIBILIDADE. Os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Por isso, são receitas próprias da contribuinte, não podendo ser excluídos do cálculo do PIS/COFINS, que têm, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos termos do art. 3º, §2º, I, da Lei 9.718/98. (TRF4, AC 5008959 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013) Deste modo, entendese que os encargos tributários integram a receita bruta e o faturamento da empresa. Assim, seus valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final da prestação do serviço. Diante disso, são receitas próprias da contribuinte, não Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911127/201270 Acórdão n.º 3801003.324 S3TE01 Fl. 10 9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita bruta/faturamento como sua base de cálculo. Assim, incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 10880.915844/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/03/1999
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 10/03/1999 COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
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LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 44 /2 00 8- 16 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915844/200816 Acórdão n.º 3302002.608 S3C3T2 Fl. 3 2 WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 12/02/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 049082), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 767.599,61, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 10/03/1999, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA 02/99. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. No dia 16/09/2006, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Retificador (final nº 044407), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 767.599,61 para R$ 8.376.934,09, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de restituição/compensação (R$ 767.599,61). Na DCTF Original entregue em março de 1999, a Empresa Recorrente vinculou referido DARF de pagamento, no valor de R$ 8.376.934,09 (além de outros dois DARFs), ao débito declarado de COFINS do PA de 02/99. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou o pagamento e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 05/12/2003 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 1º Trimestre de 1999, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 02/99, no valor de R$ 8.815.272,82. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 1.297.739,99 por compensação com parte do pagamento da COFINS do PA 03/94, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 7.517.532,83 com a utilização parcial do referido pagamento de R$ 8.815.272,82, efetuado no dia 10/03/99. Com a utilização parcial do pagamento de R$ 8.815.272,82, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 1.297.739,90 passível de restituição ou compensação e é exatamente parte desse o crédito (R$ 767.599,61) que está sendo pleiteado neste processo. Por meio do Despacho Decisório nº 783792366, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte declarado na DCTF original, não restando saldo credor disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915844/200816 Acórdão n.º 3302002.608 S3C3T2 Fl. 4 3 Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 1.446.848,50, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 28/02/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em fevereiro de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 7.517.532,83, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 8.376.934,09, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Menciona que procedeu à entrega da PER/DCOMP 22167.23270.120204.1.3.049082, que foi intimada sob o argumento de que o DARF aí indicado não teria sido localizado no sistema da RFB, e que, em atenção a esta intimação, apresentou PER/DCOMP retificadora. Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado, teriam sido localizados um ou mais pagamentos, mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de seus débitos, não restando créditos disponíveis para a compensação do débito informado na PER/DCOMP. Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915844/200816 Acórdão n.º 3302002.608 S3C3T2 Fl. 5 4 podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1636.075, de 07/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 10/03/1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) original, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP (Declaração de Compensação), se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação aí declarada pelo contribuinte. INSERÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM DCTF RETIFICADORA. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerase não declarada a compensação, simplesmente informada em DCTF retificadora, que não atenda aos requisitos estabelecidos na legislação então vigente à época formalização mediante o uso do programa PER/DCOMP ou, nos casos de impossibilidade de sua utilização, mediante a entrega de formulário específico Instruções Normativas SRF nº 210/2002 e nº 323/2003. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 03/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 31/05/2013, com Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915844/200816 Acórdão n.º 3302002.608 S3C3T2 Fl. 6 5 recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos de que a DCTF retificadora prova que ocorreu pagamento a maior da Cofins de 02/99, restando legítimo seu direito ao crédito no valor original de R$ 859.401,26. Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação da DCTF para efetivar a compensação da Cofins de fevereiro/1999, com créditos pretéritos e legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do Conselho de contribuintes que tratam de erro de fato no preenchimento de declaração e sustentando que a compensação realizada e declarada da DCTF retificadora foi efetuada tal como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina. Concluindo que a decisão recorrida “entende como um empecilho ao reconhecimento do crédito, o fato de a DCTF retificadora, com a finalidade de desvincular parte o DARF recolhido, ter sido transmitida tão somente em 05/12/2003” passa a discorrer sobre o prazo para pleitear a restituição do crédito da Cofins de 03/94, informado na DCTF Retificadora de 05/12/2003, que entende contarse após a homologação (tácita ou expressa) e as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 atinge apenas os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de fevereiro de 1999. O pagamento ocorreu no dia 10/03/1999. O crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 05/12/2003 (data da apresentação da DCTF Retificadora), de pagamentos feitos no dia 10/03/1999. Até a data da apresentação da DCTF Retificadora, referidos pagamentos estavam integralmente declarados e alocados ao débito, de mesmo valor, da COFINS do PA 02/99. Em síntese, a Recorrente defende que a DCTF Original continha erro posto que o débito da COFINS do PA 02/99 foi liquidado parte por compensação e parte por pagamento e que a retificação da DCTF se fez necessário para corrigir o erro cometido. Além disso, que mesmo tendo cometido erro na forma de retificar a DCTF, não pode tal erro prejudicar seu direito à repetição do indébito. Por seu turno, a decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915844/200816 Acórdão n.º 3302002.608 S3C3T2 Fl. 7 6 Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. É de se ressaltar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa. Cabe observar, aqui, também, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, quando da entrega da DCTF original, relativa ao período de apuração em tela, o crédito informado pela empresa na presente DCOMP não existia, estando o pagamento realizado por meio do DARF aí discriminado integralmente alocado ao débito declarado pela empresa, na referida DCTF, referente a COFINS Db: cód 2172 PA 28/02/1999. Merece destaque, ainda, o fato, constatado mediante consulta ao sistema informatizado da RFB, de que a inserção de dados, pela empresa, como “Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior”, em DCTF, visando desvincular o DARF em tela parcialmente do débito de COFINS do período de apuração 28/02/1999, por ela apurado e aí declarado, no valor de R$ 8.815.272,82, de modo a originar o crédito informado na DCOMP, se deu somente em 05/12/2003, em DCTF retificadora. Cumpre registrar, aqui, que a empresa não comprova, nos autos, mediante documentação idônea, como o registro na contabilidade, que os créditos informados na DCTF retificadora eram, de fato, decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e que tal compensação tinha sido feita, efetivamente, à época da transmissão da DCTF original, e que, por um lapso, não teria sido informada nesta DCTF. E, assim, considerando que a compensação informada na DCTF retificadora ocorreu efetivamente somente na data de sua entrega à RFB, ou seja, em 05/12/2003, temse que não observou a legislação então vigente à época referente ao assunto Instruções Normativas (IN) da Secretaria da Receita Federal (SRF) n.º 210, de 30/09/2002, e n.º 323, de 24/04/2003, transcritas parcialmente a seguir que estabeleciam a necessidade de apresentação de uma declaração de compensação, seja em formulário ou mediante utilização do programa PER/DCOMP sendo que consta, na referida DCTF, a informação de compensação “sem processo”, no campo “formalização do pedido [...] Portanto, as normas que disciplinavam o exercício da compensação, à época, obrigavam que fosse formalizada primordialmente mediante o uso do programa PER/DCOMP, Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915844/200816 Acórdão n.º 3302002.608 S3C3T2 Fl. 8 7 disponibilizado para tal finalidade, admitindose, excepcionalmente, nos casos de impossibilidade de utilização desse programa, que fosse formalizada mediante a entrega de formulário específico aprovado pela legislação. Não se admite, pois, em nenhuma hipótese, a formalização de declarações de compensação – bem assim de reconhecimento de compensação praticada, de direito a compensação ou outra pretensão equivalente – em qualquer outro meio diverso dos estabelecidos nas Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003 (como a sua mera inclusão em DCTF retificadora), sendo o parágrafo único do artigo 3º desta última taxativo ao prescrever que, ocorrendo tais situações (não utilização do programa PER/DCOMP ou do formulário aprovado pela IN SRF nº 210/2002), deveria ser considerada não declarada a compensação. [...] Ademais, cabe destacar que a simples apresentação de DCTF retificadora não é suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado, no presente processo administrativo, perante esta autoridade julgadora, sendo imprescindível a sua comprovação por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados. Ou seja, nesta fase do processo, tal declaração – a DCTF retificadora – deveria estar acompanhada de documentos comprobatórios de erro no preenchimento da DCTF que já havia sido entregue antes dela, a fim de conferir liquidez e certeza ao crédito. E, no caso, a empresa não acostou aos autos documentos, como cópias da sua escrituração contábil, objetivando respaldar a retificação efetuada em sua DCTF. Vêse claramente que, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”, como bem disse a decisão Recorrida. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em março de 1999. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 10/03/1999 (data do vencimento da COFINS do PA 02/99), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915844/200816 Acórdão n.º 3302002.608 S3C3T2 Fl. 9 8 compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS de 03/94 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 02/99. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de março de 1999, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. O mesmo vale para o aproveitamento parcial do pagamento de COFINS realizado no dia 10/03/1999. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS de 03/94, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 02/99. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 02/99 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915844/200816 Acórdão n.º 3302002.608 S3C3T2 Fl. 10 9 [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.915844/200816 Acórdão n.º 3302002.608 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10768.720021/2007-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
ÔNUS DA PROVA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
É ônus do sujeito passivo, na condição de autor do feito, provar o direito creditório que alega possuir nos processos que envolvem restituição ou compensação de tributos.
PROVAS. DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PEÇA EXPLANATÓRIA. INUTILIDADE.
É inútil a juntada de documentação sem que seja fornecida uma peça explanatória contendo um mínimo de sentido na finalidade probatória que se pretende.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Os débitos declarados em pedidos de compensação protocolados após as alterações legislativas promovidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, as quais incluíram no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 os §§ 4º a 6º, possuem o efeito de confissão de dívida.
Numero da decisão: 1102-001.109
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 2.100.495,87, concernente ao saldo negativo da CSLL do ano-calendário de 2004, e, nesta conformidade, homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO DA FORMAÇÃO DO CRÉDITO. Nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendoo por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado. DÉBITOS DECLARADOS NA CONDIÇÃO DE EXIGIBILIDADE SUSPENSA. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos declarados em DCTF vinculados na condição de exigibilidade suspensa que se referem a fatos geradores posteriores à alteração legislativa efetuada pela Medida Provisória nº 135/2003 possuem o efeito de confissão de dívida. DÉBITOS DECLARADOS EM PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Os débitos declarados em pedidos de compensação protocolados após as alterações legislativas promovidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, as quais incluíram no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 os §§ 4º a 6º, possuem o efeito de confissão de dívida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO DE ESTIMATIVAS NA APURAÇÃO ANUAL. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONTRIBUIÇÃO PAGA. O conceito de contribuição paga na forma de estimativa, que pode ser deduzida da contribuição devida na apuração anual, pode ser estendido ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 72 00 21 /2 00 7- 10 Fl. 875DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 874 2 que foi garantido por intermédio de declaração regulamente informada em DCTF ou compensação que possua efeito de confissão de dívida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 ÔNUS DA PROVA. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. É ônus do sujeito passivo, na condição de autor do feito, provar o direito creditório que alega possuir nos processos que envolvem restituição ou compensação de tributos. PROVAS. DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PEÇA EXPLANATÓRIA. INUTILIDADE. É inútil a juntada de documentação sem que seja fornecida uma peça explanatória contendo um mínimo de sentido na finalidade probatória que se pretende. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 2.100.495,87, concernente ao saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2004, e, nesta conformidade, homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, Antonio Carlos Guidoni Filho, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Fl. 876DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 875 3 Inicialmente, esclareço que todas as indicações de folhas inseridas neste relatório e no subsequente voto dizem respeito à numeração digital do sistema eProcesso, ressalvo, entretanto, as eventuais indicações contidas nos trechos transcritos. Tratase recurso voluntário interposto por TELEMAR NORTE LESTE S/A contra acórdão proferido pela DRJ/Rio de Janeiro I que concluiu pela não procedência de pedido de compensação (PER/DCOMP anexada de fls. 3 a 55) de débito de CSLL referente a novembro de 2005 com o crédito de R$ 3.215.130,56 decorrente do saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 2004. A Demac/RJ, mediante Despacho Decisório (fls. 589 a 615), não reconheceu a existência do direito creditório alegado e, por conseguinte, não homologou a compensação pleiteada. Tal decisão foi motivada pelos seguintes fundamentos relatados pela decisão recorrida: i) Não podem ser computadas no cálculo da CSLL anual a pagar as estimativas mensais não recolhidas, cuja exigibilidade figurava como suspensa por medida judicial nas DCTF (DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS), considerando que a suspensão foi cassada desde 11.06.2008; ii) Das estimativas compensadas, também não se consideram extintas as parcelas cuja compensação não foi homologada, incluídas as que estão inscritas na PFN e as que ainda se encontram sob litígio administrativo; iii) As parcelas de estimativas compensadas nas sete declarações de compensação indicadas, cuja análise estava suspensa, também não podem ser deduzidas da CSLL a pagar, porque elas utilizaram o mesmo crédito que já foi analisado e indeferido no processo administrativo nº 13708.000823/200371; iv) Com relação às retenções na fonte, os documentos de controle da própria empresa, referentes à contabilização das receitas e das retenções, trazidos pelo interessado, no lugar dos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras, não são hábeis para confirmar as retenções; v) Em virtude da ausência desses comprovantes, só foram admitidos como retenções os valores constantes das DIRF (DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE) apresentadas pelas fontes pagadoras, limitados aos valores informados na dcomp; vi) Diante disso, há que ser retificado o cálculo da CSLL anual, indicado pelo interessado na ficha 17A da DIPJ (DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA), como segue: valor declarado valor retificado total da CSLL 92.118.617,90 92.118.617,90 () CSLL paga por estimativa 92.118.617,90 76.218.785,55 () CSLL retida na fonte 3.215.130,56 1.147.375,32 CSLL a pagar (3.215.130,56) 14.752.457,03 Fl. 877DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 876 4 vii) Em face do exposto, não há qualquer valor a restituir. Diante dessa decisão, a empresa interpôs manifestação de inconformidade (fls. 622 a 641) na qual reuniu os seguintes argumentos (novamente conforme relatados pela decisão recorrida): a) Em dezembro de 2010, época da ciência do despacho, já havia decaído o direito de o Fisco reapurar o saldo negativo de CSLL de 2004, declarado em DIPJ, por força do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN; b) Por isso, também não estava mais obrigado a guardar documentos fiscais, já que não houve lançamento tendente a desconstituir as informações declaradas; c) O despacho não podia desconsiderar as estimativas cuja compensação não foi homologada, tendo em vista que a manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade e que a compensação extingue o débito até que venha decisão administrativa definitiva não a homologando; d) Se a compensação das estimativas vier a ser homologada elas estarão quitadas e, se não, elas serão cobradas em execução fiscal, assim sendo, elas devem compor o saldo negativo de qualquer forma; e) Pior ainda foi a glosa das estimativas cuja compensação não foi sequer analisada; f) As estimativas com a exigibilidade suspensa por medida judicial também têm que compor o saldo negativo, pois em caso de decisão final favorável elas estarão quitadas e, caso contrário, a fazenda dispõe de meios para a cobrança; g) O direito à dedução das retenções não depende do comprovante emitido pela fonte pagadora nem da DIRF, já que sua existência está comprovada por meio da contabilização em consonância com as declarações apresentadas pelo interessado; assim, as retenções só poderiam ser desconsideradas se o Fisco demonstrasse, documentalmente, sua inexistência; e h) Em conclusão, “com a entrega do perdcomp e a prova da existência do crédito conforme informado em DIPJ, e na própria contabilização da empresa, desincumbiuse a Requerente de comprovar a existência dos créditos, já que os mesmos estão devidamente registrados em seus documentos fiscais”. A 1ª Turma da já mencionada DRJ/Rio de Janeiro I proferiu, então, o Acórdão nº 1237.164 (fls. 725 a 732), de 12 de maio de 2011, por meio do qual não reconheceu o direito creditório e, por isso, não homologou a compensação pleiteada. Em sua decisão, a instância a quo foi motivada pelas seguintes razões: Quanto à glosa de estimativas que estavam com a exigibilidade suspensa, uma vez que não tinham sido até então extintas, elas não poderiam ser deduzidas na apuração do ajuste. Isso porque se a decisão final for favorável à empresa, esta, se ainda houver tempo, Fl. 878DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 877 5 poderá pleitear o aproveitamento; mas, se a decisão final não lhe for favorável, a empresa terá a chance de resistir à cobrança da estimativa sob o argumento que ela já foi expurgada do ajuste. Justifica tal pensamento no fato de que, afinal, foi da empresa a opção de ir à justiça, ao invés de pagar a estimativa. Quanto à glosa de estimativas que haviam sido incluídas em outros pedidos de compensação, uma vez sobrevindo decisão que não as homologue, ainda que em caráter não definitivo, elas também não poderiam ser deduzidas na apuração do ajuste. Seu entendimento é baseado no fato de que a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória. E, pelo mesmo motivo, no caso das compensações que não tinham sido sequer analisadas, concordou com a empresa em relação ao seu direito deduzilas no ajuste. Neste aspecto, portanto, alterou a apuração promovida no despacho decisório da unidade de origem para permitir a dedução de R$ 454.471,36. Quanto à glosa das retenções na fonte, manteve a opinião contida no despacho decisório segundo a qual os registros contábeis e as declarações apresentadas não seriam suficientes para demonstrar a efetiva retenção da contribuição. Porém, reformou a decisão da unidade de origem no que tange às deduções correspondentes aos valores confirmados pelas DIRF acima dos limites informados nas DCOMP. Legitimou tal atitude argumentando que a apuração deve prestigiar a verdade material em detrimento da formalidade. Com isso, alterou mais uma vez a apuração promovida no despacho decisório da unidade de origem para permitir a dedução adicional de R$ 953.120,55. Assim, depois de efetuadas as citadas alterações, o novo saldo de CSLL apurado para o anocalendário de 2004 foi retificado como segue: CSLL a pagar apurada no Despacho Decisório 14.752.457,03 () retenções reconhecidas no Acórdão da DRJ 953.120,55 () estimativa reconhecida no Acórdão da DRJ 454.471,36 CSLL a pagar apurada no Acórdão da DRJ 13.344.865,12 Como continuou não existindo saldo negativo a restituir, a DRJ, no dispositivo, não reformou a decisão que não reconhecia o direito creditório e não homologava a compensação. Assim figurou a ementa daquele julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO L Í Q U I D O CSLL Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS MENSAIS. Não podem ser deduzidos do tributo a pagar, no ajuste anual, os valores de estimativas mensais não pagos, mesmo que sejam discutidos na justiça ou sejam objeto de compensação não homologada. Contudo, a estimativa compensada ainda não apreciada está extinta e compõe o saldo anual. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 878 6 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. RETENÇÃO NA FONTE. O direito de dedução do tributo retido, no ajuste anual, depende da comprovação da retenção, que deve ser feita pelo documento da fonte pagadora ou pela DIRF. O valor assim confirmado é dedutível mesmo que exceda o que foi informado na dcomp. Inconformada, a empresa apresentou recurso voluntário (fls. 741 a 765) onde, essencialmente, repete os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade. Destaquese, entretanto, que, relativamente à glosa das retenções na fonte, alega que havia se desincumbido de comprovar a existência de créditos porque os mesmos estavam devidamente registrados em seus documentos fiscais. Por isso, entendia que era o Fisco quem deveria demonstrar documentalmente, e de modo inequívoco, a inexistência das retenções. Nada obstante, com o recurso, anexou documentação (fls. 779 a 867) para a qual informa que seria “a prova das retenções de CSLL sofridas em 2004, a partir da sua escrituração contábil em diversas contas de seu livro razão, conforme documentação que ora se junta aos autos, extraída do sistema SAP contendo a apuração dos valores retidos”. Em face disso, solicita pedido diligência para que se analise as retenções sofridas. Ao final, requer que seja reconhecido integralmente o saldo negativo, bem como homologada a compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que diz respeito ao direito de o Fisco rever o saldo negativo da CSLL e a não obrigatoriedade de a empresa guardar os documentos fiscais, não assiste razão à recorrente. Não há que se confundir a impossibilidade da constituição do crédito tributário por haver decaído o direito de lançar com a possibilidade de verificação das circunstâncias que influenciaram na apuração de um direito creditório pleiteado, ainda que tais elementos estejam vinculados a períodos cujo direito de lançar tenha sido atingido pela decadência. Nesse sentido, por demais esclarecedor, reproduzo trecho de voto já pronunciado neste mesmo Colegiado: Fl. 880DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 879 7 Quando se trata de compensação, não se está a tratar de lançamento, e tampouco é o crédito tributário o foco. Ao contrário, o foco é o crédito que venha a ser alegado pelo sujeito passivo, sendo certo, portanto, que é a este que cabe fazer a prova do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Assim, o prazo decadencial apropriado à espécie a ser considerado é, antes de mais nada, o do artigo 168 do CTN, que versa sobre o direito do sujeito passivo de pleitear a restituição do tributo pago a maior ou indevidamente. Uma vez formalizada em tempo hábil a compensação, deve o sujeito passivo ter instrumentos hábeis a comprovar a regularidade do direito invocado, cabendo ao Fisco verificar a consistência das informações necessárias ao procedimento de homologação da compensação. Aliás, o artigo 170 do CTN é expresso ao atribuir à lei o poder de autorizar a compensação tão somente com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda pública, e sob as condições e garantias que a própria lei vier a estipular. Assim, é somente a partir da formalização da compensação que há sentido em se falar em prazo para que a autoridade administrativa se pronuncie acerca do direito alegado. Neste sentido, cumpre observar que o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.833/03, veio a suprir lacuna antes existente na legislação, no sentido de que não havia um prazo estabelecido em lei para a análise do pleito. E o prazo que foi estabelecido pela lei para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430/96). (Acórdão nº 110200.432, Relator: João Otávio Oppermann Thomé, Proferido na Sessão de 25/05/11) De fato, nada impede que o Fisco perscrute, a qualquer tempo, os elementos formadores de um crédito reclamado por um contribuinte. O limite temporal está fixado no prazo para o contribuinte pleitear seu direito de repetição e, exercendoo por meio da compensação, no prazo para o Fisco homologar a correspondente declaração. Desde que dentro deste último prazo, o Fisco pode exigir a comprovação dos elementos formadores do crédito indicado. Tratase de aplicar, para o caso da compensação, a exegese contida no artigo 37 da Lei nº 9.430/96: Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. Com efeito, pleiteada a compensação, esta constitui um fato permutativo entre elementos do patrimônio da pessoa jurídica. Mesmo sujeito à posterior homologação, a Fl. 881DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 880 8 teoria contábil exige o lançamento deste fato administrativo quando de sua constituição. Enquanto não decair o direito de o Fisco lançar os créditos tributários referentes ao exercício financeiro em que ocorreu ou deveria ter ocorrido o mencionado lançamento, a pessoa jurídica tem o dever de manter os comprovantes da escrituração dos elementos que repercutiram na criação do crédito alegado na compensação. Quanto à glosa de estimativas que estavam com a exigibilidade suspensa, inicialmente, devese registrar que a empresa discute judicialmente o direito de não se submeter ao limite da trava de 30% na compensação de prejuízos e bases negativas da CSLL (fls. 68 a 77) e que a unidade de origem motivou sua postura no fato de as correspondentes estimativas não terem sido extintas por pagamento. Com efeito, assim se manifestou a autoridade fiscal no parecer que fundamentou o despacho decisório (fls. 592 e 593): A.1) estimativas com exigibilidade suspensa quanto às as estimativas de janeiro, fevereiro, março e parte da de abril, cuja exigibilidade figurava como suspensa por liminar em mandado de segurança nas correspondentes DCTF, foi feita consulta à Dicat desta Demac (fl. 78) sobre a situação atual da ação, bem como se havia depósito judicial, conforme declarava o contribuinte na DCTF (fls. 62/66). A referida Divisão informou que o provimento judicial que concedeu a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em discussão deixou de surtir efeito em 11/06/2008, quando da decisão que negou seguimento ao Agravo de Instrumento n° 99.02.165001, e que não há qualquer informação sobre depósitos judiciais identificados no sistema Sinal07 (fls. 87/88). Portanto, não há como considerar como extintas por pagamento tais estimativas; Todavia, a autoridade fiscal reconheceu que esses mesmos valores já estavam declarados em DCTF com exigibilidade suspensa. E, de fato, constato tal circunstância nos extratos das Declarações nº 1000.000.2007.1720486930 (referente ao 1º trimestre de 2004) e nº 1000.000.2008.1720502528 (referente ao 2º trimestre de 2004) juntados aos autos (fls. 63 a 67). A questão, então, é saber se a declaração de débitos nessas DCTF, vinculados na condição de exigibilidade suspensa, possui o efeito de confissão de dívida e é instrumento hábil e suficiente para eventual exigência dos valores antecipados. Nesse sentido, pela clareza da narrativa, peço vênia para reproduzir trecho de recente voto proferido neste mesmo Colegiado pelo Conselheiro José Evande Carvalho Araújo (Acórdão nº 1102000.922): O outro fundamento para o provimento do recurso é o de que não é possível o lançamento de ofício de valores declarados em DCTF desde a alteração legislativa efetuada pela Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 19 de dezembro de 2003, no alcance do art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 881 9 Recordese que a possibilidade de se instituir declarações com função de confissão de dívida surgiu com o Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, nos seguintes termos: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. (...) A atual Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF foi criada pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30 de outubro de 1998, e possuía a função de confissão de dívida. Mas aquele ato legal só permitia a inscrição em Dívida Ativa da União dos saldos a pagar declarados, sendo que os demais débitos deveriam ser lançados de ofício (art. 7o, §4o). Após longa discussão de se todo o valor declarado em DCTF poderia ser considerado confissão de dívida, ou apenas os saldos a pagar, adveio o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, com a seguinte redação: art.90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Assim, apenas os saldos a pagar declarados seriam considerados confessados. Caso se comprovasse que qualquer vinculação aos débitos fosse indevida, como pagamentos, parcelamentos, compensação ou suspensão de exigibilidade, deverse iam cobrar as diferenças por lançamento de ofício. Mesmo com a alteração legislativa, continuou a discussão da desnecessidade de lançamento para os débitos declarados em DCTF, posição que acabou por prevalecer com a Medida Provisória nº 135, de 2003, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 19 de dezembro de 2003, nos seguintes termos: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 882 10 (...) Isto é, só passou a ser cabível o lançamento de oficio para a exigência de multa isolada em casos específicos de compensação indevida, e não mais do tributo. Logo em seguida, foi publicada a Instrução Normativa SRF nº 482, de 21 de dezembro de 2004, que passou a determinar, em seu art. 9o, que seriam enviados para inscrição em Dívida Ativa da União tanto os saldos a pagar relativos a cada imposto ou contribuição, quanto os valores das diferenças apuradas em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade. Disposições semelhantes estão contidas em todas as instruções normativas posteriores sobre a matéria. Dessa forma, a partir de 30 de outubro de 2003, não é possível se exigir de ofício débitos que tenham sido tempestivamente informados em DCTF, mesmo se com a exigibilidade suspensa. Caso a medida judicial perca a eficácia, devese simplesmente enviar os débitos para cobrança e posterior inscrição em Dívida Ativa da União. É esse o entendimento deste CARF, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo transcritas: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR MEDIDA LIMINAR. INFORMAÇÃO EM DCTF. Tendo sido comprovada nos autos a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários pela medida judicial interposta, devidamente informados em DCTF, não mais subsiste a causa do lançamento. CSLL. ESTIMATIVA. EXIGÊNCIA APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. Não subsiste o lançamento de ofício da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL devida por estimativa após o encerramento do anocalendário. (Acórdão nº 130200.907, 2ª Turma Ordinária/3ª Câmara/1a SJ, sessão de 10/5/2012, relator Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado) RECURSO "EX OFFICIO" DÉBITO DE ESTIMATIVA DECLARADO NA DCTF COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. FALTA DE RECOLHIMENTO. Improcede o lançamento, ante a comprovação da propositura pelo interessado de ação judicial visando ao não recolhimento de débito, que se encontra declarado na DCTF e com a exigibilidade suspensa. Além disso, tratandose de débitos apurados por estimativa, a sua exigência deixa de ter eficácia depois de encerrado o período de apuração anual do tributo, uma vez que eventuais diferenças nos recolhimentos mensais estão contidas no saldo apurado na declaração de ajuste. (Acórdão nº 110100.197, 1ª Turma Ordinária/1ª Câmara/1a SJ, sessão de 29/9/2009, relator Conselheiro Jose Ricardo da Silva) Fl. 884DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 883 11 Portanto, mesmo os débitos vinculados na condição de exigibilidade suspensa, por se referirem a fatos geradores posteriores à alteração legislativa efetuada pela Medida Provisória nº 135/2003, possuem o efeito de confissão de dívida. Destarte, não restam dúvidas de que os valores discutidos no âmbito do mandado de segurança já estavam formalizados mediante instrumento hábil e suficiente para sua eventual exigência. E não há que se falar em impossibilidade de inscrição desses débitos em dívida ativa por se tratarem de estimativas. Isso porque a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, recentemente, por intermédio do Parecer PGFN/CAT/Nª 88/2014, reconheceu que quando as estimativas são computadas no ajuste anual os correspondentes valores declarados como confissão de dívida passam a ter a natureza de tributo e não mais de mera antecipação. É pertinente, então, verificar se, uma vez formalizados os valores referentes às estimativas mediante confissão em DCTF, seria correto proceder às glosas das deduções efetuadas nas apurações anuais. Para isso, vamos supor as duas hipóteses: (i) se a recorrente não for bem sucedida ao final da ação judicial; ou (ii) se, pelo contrário, for bem sucedida. (i) Se a empresa for mal sucedida, os valores correspondentes às estimativas, já vinculados às DCTF, poderão ser exigidos mediante regular procedimento de cobrança. Sendo assim, é de se concluir que a empresa tinha direito às deduções que efetuou nas apurações anuais. Alguém poderia objetar que não se sabe de antemão se a empresa efetivamente pagará os valores que serão cobrados e, com isso, podese estar concedendo um crédito sobre algo que não será pago. Impõese, então, a pergunta: e qual será a consequência de se manter a glosa? A presente compensação não será homologada e o débito informado na DCOMP, por ser confissão de dívida, será igualmente submetido a um procedimento de cobrança. Ou seja, da mesma forma, não se saberá de antemão se será pago. Portanto, não há razão para se manter a glosa efetuada. Por sua vez, (ii) se a empresa for bem sucedida, os valores de estimativa, vinculados às DCTF, serão desconsiderados. Contudo, na apuração anual, será necessário que esteja refletida a compensação sem a limitação da trava na base de cálculo da CSLL. Afinal, a premissa dessa hipótese é que a empresa adquiriu judicialmente o direito a essa compensação. Como os valores discutidos equivalem justamente às parcelas dos tributos devidos calculados considerando essa compensação, é também de se concluir que empresa tinha direito às deduções (dos tributos devidos) que efetuou nas apurações anuais. Novamente, não vejo razão para se manter a glosa efetuada. Como se vê, essa solução é muito mais adequada do que aquela proferida na instância a quo, que propugnava por providências de eficácia duvidosa, por parte da empresa recorrente, quando fosse concluída a demanda judicial. Num cenário como este, impõese uma interpretação sistemática do conceito aberto de pagamento insculpido no artigo 2º, § 4º, IV, c/c o artigo 28 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Lei nº 9.430/96: Fl. 885DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 884 12 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, (...) (...) §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (grifei) (...) Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71 Contribuição paga, neste caso, pode ser estendida ao que foi garantido por intermédio de declaração regulamente informada em DCTF que possua efeito de confissão de dívida. Consequentemente, entendo que deva ser restabelecida a dedução das estimativas que estavam com a exigibilidade suspensa na apuração anual da CSLL. Quanto à glosa de estimativas que haviam sido incluídas em outros pedidos de compensação, a unidade de origem fundamenta sua atitude no mesmo raciocínio que restringe o conceito de pagamento. Para ela, não poderiam ser consideradas pagas as estimativas que não estivessem efetivamente homologadas (fls. 593 e 594). A DRJ, contudo, amenizou um pouco essa restrição ao lembrar que a compensação extingue o crédito tributário sob condição resolutória. Neste sentido, elas poderiam ser deduzidas enquanto não sobrevenha decisão que não as homologue. Por isso, até, alterou a apuração promovida pela unidade de origem para considerar as estimativas incluídas em compensações que não tinham sido sequer analisadas. Percebase a insegurança gerada se forem mantidos os entendimentos propostos por aquelas instâncias. A decisão de deduzir ou não na apuração anual as estimativas incluídas em outros pedidos de compensação muda ao sabor do que será decidido em outros processos. Não se sabe ao certo quando virá a decisão definitiva. Não se dá à empresa a certeza de que ela terá tempo hábil para repetir eventual indébito que surja com a possibilidade de as deduções serem autorizadas. Importa registrar que os pedidos de compensação contidos nos outros processos, por incluírem os débitos de estimativa apurados durante o anocalendário de 2004, foram todos protocolados após as alterações legislativas promovidas pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, as quais incluíram no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 os §§ 4º a 6º com as seguintes redações: Fl. 886DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 885 13 § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Essa assertiva pode ser confirmada pelas numerações dos processos e DCOMP indicadas pela autoridade fiscal no parecer que fundamentou o despacho decisório (fls. 594 a 603). Todos foram protocolados no ano de 2004. Portanto, todos os débitos incluídos nos processos e DCOMP concernentes às estimativas objeto da glosa que aqui se trata consubstanciam pedidos que são considerados declarações de compensação e possuem o efeito de confissão de dívida. Destarte, não restam dúvidas de que já estavam formalizados mediante instrumento hábil e suficiente para sua eventual exigência. E, novamente, não há que se falar em impossibilidade de inscrição desses débitos em dívida ativa por se tratarem de estimativas. Isso porque a própria Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, recentemente, por intermédio do Parecer PGFN/CAT/Nª 88/2014, reconheceu que quando as estimativas são computadas no ajuste anual os correspondentes valores declarados como confissão de dívida passam a ter a natureza de tributo e não mais de mera antecipação. Assim, da mesma forma que se fez para as estimativas que estavam com a exigibilidade suspensa, é possível argumentar que uma vez formalizados os valores referentes às estimativas, mediante confissão em declarações de compensação, não é correto proceder às glosas das deduções efetuadas nas apurações anuais. Reformulando as duas hipóteses para a presente situação, teríamos: (i) se as compensações não forem homologadas; ou (ii) se, pelo contrário, forem homologadas. (i) Se as compensações não forem homologadas, os valores correspondentes às estimativas, informados nas declarações de compensação, poderão serão ser exigidos mediante regular procedimento de cobrança. Sendo assim, é de se concluir que a empresa tinha direito às deduções que efetuou nas apurações anuais. Alguém poderia objetar que não se sabe de antemão se a empresa efetivamente pagará os valores que serão cobrados e, com isso, pode se estar concedendo um crédito sobre algo que não será pago. Impõese, então, a pergunta: e qual será a consequência de se manter a glosa? A presente compensação não será homologada e o débito informado na declaração de compensação, por ser confissão de dívida, será igualmente submetido a um procedimento de cobrança. Ou seja, da mesma forma, não se saberá de antemão se será pago. Portanto, não há razão para se manter a glosa efetuada. Fl. 887DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 886 14 Por sua vez, (ii) se as compensações forem homologadas, os valores de estimativas, informados nas declarações de compensação, serão extintos. Contudo, na apuração anual, será necessário que esteja refletida a respectiva dedução da base de cálculo da CSLL. Afinal, a premissa dessa hipótese é que a empresa efetivamente compensou as estimativas. Novamente, não vejo razão para se manter a glosa efetuada. Outrossim, temse uma solução muito mais adequada do que aquelas proferidas nas instâncias antecedentes, que não davam à empresa a certeza de que ela terá tempo hábil para repetir o eventual indébito. Tratase, mais uma vez, de empreender uma interpretação sistemática do conceito aberto de pagamento insculpido no artigo 2º, § 4º, IV, c/c o artigo 28 da Lei nº 9.430/96. Contribuição paga, neste caso, pode ser estendida ao que foi garantido por intermédio de declaração regulamente informada em compensação que possua efeito de confissão de dívida. Ademais, sobre a possibilidade de estimativas incluídas em pedidos de compensação, que se caracterizem como confissão de dívida, serem deduzidas na apuração de ajuste anual do tributo, cumpre informar que esta mesma Turma Julgadora, posto que com outra formação, já havia tomado a seguinte decisão: IRPJ. PERD/COMP. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS. POSSIBILIDADE DE CÔMPUTO NO SALDO NEGATIVO Comprovadas compensações através de PER/DCOMP’s – declaração com caráter de confissão de dívida – as estimativas compensadas devem ser utilizadas para o cômputo do saldo negativo de IRPJ. (Acórdão nº 110200.375, 2ª Turma Ordinária/1ª Câmara/1ª Seção, sessão de 27/01/2011, relatora Conselheira Silvana Rescigno Guerra Barretto) Consequentemente, entendo que deva ser também restabelecida a dedução das estimativas que haviam sido incluídas em outros pedidos de compensação na apuração anual da CSLL. Quanto à glosa das retenções na fonte, a DRJ manteve a opinião contida no despacho decisório da unidade de origem segundo a qual os registros contábeis e as declarações apresentadas não seriam suficientes para demonstrar a efetiva retenção da contribuição. A recorrente, entretanto, alega que seria o Fisco quem deveria demonstrar documentalmente, e de modo inequívoco, a inexistência das retenções. Isso porque, no seu entendimento, o prazo de guarda dos documentos que sustentaram seus registros contábeis já foi extinto. Haveria que se considerar, no caso, a presunção de veracidade das informações prestadas em sua contabilidade e declarações apresentadas. Argumenta, ainda, que a autoridade fiscal confirmou a coerência das receitas oferecidas à tributação com os valores declarados como retidos. Acrescenta também que as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras são tão Fl. 888DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 887 15 passíveis de erro quanto sua contabilidade e, por isso, não faz sentido só aceitar as retenções que foram confirmadas por aquelas. A fiscalização estaria invertendo o ônus da prova. Nada obstante, sobre o dever de manter a guarda dos documentos que repercutiram na criação do crédito alegado na compensação, já me pronunciei linhas acima. E esse dever faz todo o sentido. É que nos processos que envolvem restituição ou compensação de tributos, diferentemente do que sustenta a recorrente, é ônus do sujeito passivo, na condição de autor do feito, provar o direito creditório que alega possuir. Mas, ainda assim, com o recurso voluntário, a empresa anexou documentação para a qual informa que seria “a prova das retenções de CSLL sofridas em 2004, a partir da sua escrituração contábil em diversas contas de seu livro razão, conforme documentação que ora se junta aos autos, extraída do sistema SAP contendo a apuração dos valores retidos”. Em face disso, solicita pedido diligência para que se analise as retenções sofridas. Assim, há que se recorrer ao que dispõem os enunciados normativos veiculados no Decreto nº 70.235/72, o qual disciplina o processo administrativo fiscal, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Portanto, em consonância com o ônus de provar o seu direito creditório, a recorrente teria que ter apresentado os elementos demandados pela fiscalização com a interposição da impugnação, apoiada na faculdade contida no inciso III do artigo 16 do Decreto Fl. 889DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 888 16 nº 70.235/72. Não o fez na ocasião apropriada, mas, em sede de recurso, inclui a documentação supramencionada com a qual pretende motivar a diligência, agora, solicitada. Sem embargo, verifico que a documentação apresentada (fls. 779 a 867) caracterizase por sessenta e oito páginas daquilo que, possivelmente, seria um relatório do razão de uma conta da contabilidade da empresa. Entretanto, no recurso, não há maiores referências a essa documentação. Não é possível constatar sua utilidade como meio de prova sem que seja fornecida uma peça explanatória contendo um mínimo de sentido na finalidade probatória que se pretende. Não obstante as oportunidades que teve, utilizandose da outra faculdade prevista no inciso IV, do mesmo artigo, a recorrente pretende devolver ao Fisco o ônus da prova com a solicitação de diligências que substancialmente implicariam na reprodução das iniciativas já intentadas pela fiscalização. Destarte, refuto a necessidade da diligência solicitada e mantenho a glosa das retenções na fonte no mesmo nível que foi estabelecido pela instância a quo. Por conseguinte, a partir da mesma tabela utilizada no parecer que fundamentou o despacho decisório da unidade de origem, é possível retificar, conforme segue, a apuração anual da CSLL, já considerando as glosas restabelecidas pela autoridade julgadora de primeira instância. valor declarado retificado Demac retificado DRJ retificado CARF total da CSLL 92.118.617,90 92.118.617,90 92.118.617,90 92.118.617,90 () CSLL paga por estimativa 92.118.617,90 76.218.785,55 76.673.256,91 92.118.617,90 () CSLL retida na fonte 3.215.130,56 1.147.375,32 2.100.495,87 2.100.495,87 CSLL a pagar (3.215.130,56) 14.752.457,03 13.344.865,12 (2.100.495,87) Revertese, então, a apuração para o saldo negativo de R$ 2.100.495,87. Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de R$ 2.100.495,87, concernente ao saldo negativo da CSLL do ano calendário de 2004, e, nesta conformidade, homologar a compensação declarada até o limite do crédito reconhecido. É como voto. Documento assinado digitalmente. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 10768.720021/200710 Acórdão n.º 1102001.109 S1C1T2 Fl. 889 17 Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 891DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 29/05/ 2014 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 10980.017951/2008-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara
que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta
após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto da Conselheira Relatora. Após a formalização da Resolução o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º, da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga - Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Eivanice Canário da Silva, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10980.017951/2008-41 Resolução n.º 2202-00.214 S2-C2T2 Fl. 2 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 21 a 24, pela qual se exige a importância de R$4.234,97, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, referente aos anos-calendário 2005. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido no Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 22 e 23, no qual o autuante esclarece que: • o total dos rendimentos referentes à ação judicial RT 7993/1997 movida contra BANCO BANDEIRANTES, recebidos pelo contribuinte, totalizam R$ 70.722,17, sendo R$59.963,90, valor retirado pelo autor em 02/09/2005, R$10.509,70, total de Imposto de Renda, conforme DARF recolhido em 13/09/2005 e R$248,57, referente a parcela devida pelo empregado ao INSS recolhido em GPS; • para efeito de cálculo do rendimento sujeito ao ajuste anual os rendimentos, totais recebidos da ação, devem ser separados entre rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, rendimentos sujeitos à tributação exclusiva, e rendimentos isentos e não-tributáveis. Os honorários advocatícios são dedutiveis na proporção dos rendimentos tributáveis da ação, devendo a parcela proporcional aos rendimentos tributáveis ser rateada entre os rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e os rendimentos de tributação exclusiva na fonte. O Imposto de Renda pago deve ser distribuído entre rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual e rendimentos tributáveis com tributação exclusiva na fonte, sendo o valor deste calculado pela aplicação da tabela progressiva do mês de recebimento dos rendimentos e o restante imputado aos rendimentos sujeitos ao ajuste anual. • com base nos cálculos periciais constantes do processo trabalhista, constatou-se que 6% dos rendimentos são isentos (aviso prévio e reflexos, FGTS e multa proporcional), que 4,83% dos rendimentos são de tributação exclusiva na fonte (13o salário) e que 89,17% são tributáveis no ajuste anual; • apurou-se como rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual o valor total de R$63.064,40, que deduzido da despesa proporcional com advogados (R$ 5.528,67, resultou na importância de R$57.535,73, que deveria ter sido declarada na DIRPF; • por fim, foi apurada a omissão de R$18.201,03, recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista e efetuada a glosa do IRRF, no valor de R$391,25, referente ao imposto incidente sobre o 13o salário, rendimento sujeito a tributação exclusiva e não compensável na DIRPF. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10980.017951/2008-41 Resolução n.º 2202-00.214 S2-C2T2 Fl. 3 3 DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 17, instruída com os documentos de fls. 18 a 58, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 69 - verso e 70): Cientificado, por via postal, em 01/12/2008 (fl. 68), o interessado, por intermédio de procurador (fl. 18), apresentou, tempestivamente, em 22/12/2008, a impugnação de fls. 01/17, instruída, ainda, com os documentos de fls. 19/58, a seguir sintetizada. Em descrição aos fatos, suscita nulidade, acusa a falta de consideração do disposto no inciso III do art. 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, aduz ser improcedente a omissão imputada e diz que foi considerado valor sobre o qual não incide imposto de renda, por não se tratar renda, mas de recomposição do patrimônio que fora solapado pelo seu ex-empregador. Nesse sentido, em preliminar, argúi nulidade, transcrevendo o art. 11 do Decreto no 70.235, de 1972, e argumentando que a notificação não foi expedida eletronicamente, sendo imprescindível a assinatura do chefe do órgão expedidor ou outro servidor autorizado. Ressalva a possibilidade de se decidir no mérito a favor de quem a declaração de nulidade aproveita, consoante § 3o do art. 59 do Decreto no 70.235, de 1972. Suscita ausência de competência legal do Auditor Fiscal para decidir conflito de atribuições entre autoridade administrativa e judiciária, defendendo, com base na Súmula 368 do Tribunal Superior do Trabalho, que a Justiça do Trabalho é competente para determinar o recolhimento "das contribuições fiscais". Cita o Provimento 01/96 da Corregedoria da Justiça do Trabalho, sustentando que foi determinado o cálculo do imposto de renda "mês a mês”, tendo sido expressamente homologados os cálculos apresentados. Ante a lavratura da notificação de lançamento, diz haver conflito de atribuições a ser dirimido pelo Superior Tribunal de Justiça, fundamentando-se no art. 105,1, "g", da Constituição Federal, o que requer seja suscitado por esta "repartição fiscal". No mérito, refuta a omissão de rendimentos apontada, alegando não se tratar de isenção do inciso XX do art. 39 do Decreto n° 3.000, de 1999, mas do inciso XVIII do mesmo dispositivo (''XVIII - a indenização destinada a reparar danos patrimoniais em virtude de rescisão de contrato''). Aduz que a "devolução de desconto" não é renda e não constitui vantagem econômica, sendo reposição, devolução, restituição de valores descontados indevidamente do empregado no decurso do cumprimento do contrato de trabalho. Compara a hipótese à devolução do imposto de renda retido a maior, indagando se não teria sido um dano patrimonial suportado pelo empregado, que sofria descontos considerados ilegais, destacando a literalidade do § 5o do art. 70 da Lei n° 9.430, de 1996. Na seqüência, efetua demonstrativos de cálculos proporcionais das parcelas integrantes da reclamatória trabalhista, apontando como isentas e não tributáveis as "Férias indenizadas", o "FGTS", a "Devolução de Desconto" e o "Aviso Prévio Indenizado", totalizando 25,8609%, e como de tributação exclusiva na fonte o "13° Salário", correspondente a 4,8276%. Apura, também, o desconto de honorários advocatícios proporcionais aos rendimentos, concluindo ser de R$44.689,34 os rendimentos a serem oferecidos à tributação em face da ação trabalhista e de R$10.118,89 o imposto de renda retido na fonte a ser compensado no ajuste anual. Dos Fl. 104DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10980.017951/2008-41 Resolução n.º 2202-00.214 S2-C2T2 Fl. 4 4 valores calculados, apura, à fl. 14, saldo de imposto de renda a pagar de R$1.044,99, acrescido dos encargos legais, que reconhece, caso aceita a impugnação. Ao final, acrescenta que, na notificação de lançamento, procedeu-se à "tributação por analogia", o que critica, à luz do art. 108, § 1o , do CTN. Requer, pelo exposto, em sede preliminar, o cancelamento da notificação, por lhe faltar requisito de validade, devolvendo-lhe a espontaneidade para recolher o tributo demonstrado; o cancelamento da notificação, por ausência de competência legal do autuante para dirimir conflito de atribuições, sobre o qual deve ser suscitado o STJ, devolvendo a espontaneidade para recolher o tributo demonstrado; no mérito, o acolhimento dos demonstrativos, autorizando o recolhimento de R$1.044,99 de imposto, sem multa, em face da espontaneidade readquirida, em homenagem aos princípios constitucionais da legalidade, eficiência e correlatos, e mediante o acolhimento da impugnação como pedido de retificação da declaração; ou, o acolhimento das razões de mérito, de ter havido tributação por analogia, cancelando-se o lançamento e, em conseqüência, procedendo-se ao processamento da declaração com as retificações demonstradas; por fim, a apresentação de quaisquer outros esclarecimentos que porventura forem necessários e o julgamento extra petita "peculiar à natureza do feito de que se cuida". DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba (PR) julgou parcialmente procedente o lançamento, proferindo o Acórdão no 06-30.228 (fls. 69 a 73), de 08/02/2011, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2005 NOTIFICAÇÃO ELETRÔNICA. ASSINATURA. DESNECESSIDADE. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. ADIANTAMENTO. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos recebidos acumuladamente constitui mero adiantamento, passível de compensação na declaração de ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE ISENÇÃO. VINCULAÇÃO À LEI. A aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou de proventos de qualquer natureza constitui fato gerador do IRPF, considerando-se isentos apenas os rendimentos expressamente previstos em lei A decisão a quo, refazendo os cálculos proporcionais dos rendimentos tributáveis, isentos e do 13o salário, excluiu da base de cálculo o valor de R$565,69 e restabeleceu a compensação do IRRF de R$0,02. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10980.017951/2008-41 Resolução n.º 2202-00.214 S2-C2T2 Fl. 5 5 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Notificado do Acórdão de primeira instância, em 10/03/2011 (vide AR de fl. 76), o contribuinte interpôs, em 11/04/2011, tempestivamente, o recurso de fls. 78 a 88, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 18), expondo as razões de sua irresignação, que não serão aqui minudentemente relatadas em razão do que se prolatará no voto desta Resolução. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 14, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 28/11/2011, veio digitalizado até à fl. 1011. 1 Processo digital. Numeração do e-processo. O processo físico foi numerado até a fl. 90 (fl. 100 da digitalização). Fl. 106DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10980.017951/2008-41 Resolução n.º 2202-00.214 S2-C2T2 Fl. 6 6 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. A apreciação do presente recurso encontra-se prejudicada por uma questão preliminar, suscitada de ofício por esta relatora com fulcro no art. 62-A, §1o, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pela Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010). Com o advento da Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009), os julgados no âmbito deste Tribunal deverão observar o disposto nas decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, devido a inclusão do art. 62-A, in verbis: Art. 62-A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543- C da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1o Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543- B. §2o O sobrestamento de que trata o §1o será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Trata-se de lançamento de rendimentos recebidos acumuladamente, por pessoa física, em virtude de decisão judicial, a título de diferenças salariais recebidas no ano- calendário 2005, conforme consignado na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 22 e 23. Sobre o assunto, importa trazer à colação o julgamento dos Recursos Especiais nos 614.232/RS e 614.406/RS, de 20/10/2010, em que o Superior Tribunal Federal - STF reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543-A do Código de Processo Civil, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que trata dos rendimentos recebidos acumuladamente. O mérito da questão não foi ainda julgado e, portanto, os demais processos que versam sobre a mesma matéria encontram- se sobrestados até o pronunciamento definitivo daquele Tribunal, de acordo com o disposto no art. 543-B, §1o, do Código de Processo Civil. Conclui-se, assim, que parte da discussão no presente processo refere-se à matéria reconhecida como de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, pendente de decisão definitiva daquele tribunal. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA Processo nº 10980.017951/2008-41 Resolução n.º 2202-00.214 S2-C2T2 Fl. 7 7 Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme previsto no art. 62, §1o e 2o, do RICARF. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 108DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 11/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARIA LUCIA MO NIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
score : 1.0
Numero do processo: 10768.003072/2003-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF.
A competência para julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado. Competência que se declina a Primeira Seção deste CARF.
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 3201-001.029
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar
competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF. A competência para julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado. Competência que se declina a Primeira Seção deste CARF. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D’Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Marcelo Nogueira, Octávio Silva Carneiro Correa e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Daniel Mariz Gudiño. Relatório Fl. 468DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Rio de Janeiro II/RJ. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir “Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica – nãohomologada de débito de Cofins (cód. 2172), relativo ao período de apuração de mar/03, com crédito solicitado em outro processo administrativo (nº 10768.002006/200354), conforme se verifica na cópia da PerdComp constante dos autos, à fl. 01, que fora retificada por meio da PerdComp às fls. 44/47. A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu que o direito creditório declarado já havia sido analisado e não reconhecido nos autos do processo administrativo nº 10768.002006/200354 (fl. 52). Cientificada da decisão (fl. 57), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 61/71), alegando em resumo que: o recurso suspende a exigibilidade do débito em cobrança até decisão final; o crédito utilizado para a compensação está sendo discutido no processo administrativo nº 10768.002006/200354, mas não percorreu todas as instâncias administrativas; não pode ter o indeferimento da Delegacia qualquer efeito, pois homologada tacitamente a compensação; a multa de mora tem natureza punitiva aplicandose a ela a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Assim, com base nesse arrazoado, com citações da doutrina e da jurisprudência administrativa, a contribuinte requer a homologação da compensação declarada.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/RJ2 no 1333.839, de 17/03/2011, proferida pelos membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro II/RJ, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 Declaração de Compensação. Retificadora. Homologação tácita. Termo inicial. O termo inicial da contagem do prazo de cinco anos para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é a data da apresentação da Declaração de Compensação retificadora, exceto quando inadmitida pela Administração. Pedido de Restituição. Declaração de Compensação. Processos Conexos. Homologação tácita. O indeferimento do pedido de restituição repercute imediatamente na declaração de compensação que tenha por base o mesmo crédito, ainda que os processos tenham sido formalizados em datas distintas e equivocadamente não tenham sido anexados. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10768.003072/200341 Acórdão n.º 3201001.029 S3C2T1 Fl. 2 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” Voto Conselheiro Mércia Helena Trajano DAmorim O presente processo discute a não homologação da compensação de COFINS pretendida, relativo ao período de apuração de março/2003, com crédito solicitado nos autos do processo 10768.002006/200354. Entretanto, da análise dos autos, observei que o processo referido tratase de IRPJ e outros. Em assim sendo, o recurso em exame referese a compensação, cujo alegado crédito é IRPJ, matéria esta que não se encontra na competência deste Colegiado, mas da Primeira Seção deste CARF, na forma do artigo 7º, § 1°, inc. I, Anexo II do seu Regimento Interno (Portaria n° 256, de 22/06/2009), verbis: Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. ............................ I Da Primeira Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais.” Assim, VOTO por não conhecer do recurso e declinar a competência para seu julgamento a uma das Câmaras da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Mércia Helena Trajano DAmorim Relator Fl. 470DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 4/08/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 17/09/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000996/2008-89
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIA. INADEQUAÇÃO.
A realização de diligências e perícias não se presta à produção de provas cujo ônus compete ao recorrente.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA SEGUNDO REGRAS DO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO.
O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regem-se conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerando-se ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano. Não procede a alegação de decadência mensal.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO DE CAIXA. SAQUES, TRANSFERÊNCIAS E CHEQUES COMPENSADOS SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO OU EFETIVIDADE DA DESPESA. IMPROCEDÊNCIA NA INCLUSÃO DOS VALORES NO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 67
Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. IMPOSSIBILIDADE DE HAVER DÚVIDA SOBRE A MATERIALIDADE DOS DISPÊNDIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos pela pessoa física com lastro em acréscimos patrimoniais a descoberto somente pode ser aceita se o respectivo levantamento for analítico e mensal, de maneira a identificar o momento dos dispêndios valores correspondentes. Sobre a materialidade do fato presuntivo não poderá haver dúvida.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL APRESENTADA TEMPESTIVA E ESPONTANEAMENTE.
Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano- calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Saldo positivo apurado em Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto não supre a falta de informação tempestiva na Declaração de Ajuste Anual.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO PRESUMIDO. PREVISÃO LEGAL QUE NÃO SE APLICA RETROATIVAMENTE PARA ALCANÇAR O ANO-CALENDÁRIO 2003.
Sem base legal não se pode presumir dispêndio para demonstrar Acréscimo Patrimonial a Descoberto. A previsão legal que considera o desconto simplificado como rendimento consumido surge com a medida provisória 232/2004, que não pode ser aplicada retroativamente para alcançar o ano-calendário 2003.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS EFETUADOS POR CONTA CONJUNTA EM QUE A AUTORIDADE FISCAL NÃO INTIMOU UM DOS CO-TITULARES E PRESUMIU DISPÊNDIOS EXCLUSIVO DOS OUTROS DOIS CO-TITULARES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DO DISPÊNDIO IMPEDE COMPUTÁ-LOS NO DEMONSTRATIVO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
No lançamento por Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve ser comprovada a titularidade dos dispêndios, quanto a dispêndios realizados por saques e transferências de conta conjunta, a autoridade fiscal não se desincumbe do dever comprobatório quando não intima um dos co-titulares e presume como dispêndio exclusivo dos demais.
PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ACOLHIMENTO PARCIAL DAS ALEGAÇÃO RECURSAIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL COMPROVADO. RECURSO PROVIDO.
No julgamento de recurso voluntário relativo a Acréscimo Patrimonial a Descoberto, quando o acolhimento parcial das alegações recursais é suficiente para justificar o acréscimo patrimonial, deve-se dar provimento ao recurso voluntário.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/07/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003, 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIA. INADEQUAÇÃO. A realização de diligências e perícias não se presta à produção de provas cujo ônus compete ao recorrente. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA SEGUNDO REGRAS DO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regem-se conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerando-se ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano. Não procede a alegação de decadência mensal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO DE CAIXA. SAQUES, TRANSFERÊNCIAS E CHEQUES COMPENSADOS SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO OU EFETIVIDADE DA DESPESA. IMPROCEDÊNCIA NA INCLUSÃO DOS VALORES NO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 67 Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. IMPOSSIBILIDADE DE HAVER DÚVIDA SOBRE A MATERIALIDADE DOS DISPÊNDIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos pela pessoa física com lastro em acréscimos patrimoniais a descoberto somente pode ser aceita se o respectivo levantamento for analítico e mensal, de maneira a identificar o momento dos dispêndios valores correspondentes. Sobre a materialidade do fato presuntivo não poderá haver dúvida. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL APRESENTADA TEMPESTIVA E ESPONTANEAMENTE. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano- calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Saldo positivo apurado em Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto não supre a falta de informação tempestiva na Declaração de Ajuste Anual. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO PRESUMIDO. PREVISÃO LEGAL QUE NÃO SE APLICA RETROATIVAMENTE PARA ALCANÇAR O ANO-CALENDÁRIO 2003. Sem base legal não se pode presumir dispêndio para demonstrar Acréscimo Patrimonial a Descoberto. A previsão legal que considera o desconto simplificado como rendimento consumido surge com a medida provisória 232/2004, que não pode ser aplicada retroativamente para alcançar o ano-calendário 2003. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS EFETUADOS POR CONTA CONJUNTA EM QUE A AUTORIDADE FISCAL NÃO INTIMOU UM DOS CO-TITULARES E PRESUMIU DISPÊNDIOS EXCLUSIVO DOS OUTROS DOIS CO-TITULARES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DO DISPÊNDIO IMPEDE COMPUTÁ-LOS NO DEMONSTRATIVO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. No lançamento por Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve ser comprovada a titularidade dos dispêndios, quanto a dispêndios realizados por saques e transferências de conta conjunta, a autoridade fiscal não se desincumbe do dever comprobatório quando não intima um dos co-titulares e presume como dispêndio exclusivo dos demais. PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ACOLHIMENTO PARCIAL DAS ALEGAÇÃO RECURSAIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL COMPROVADO. RECURSO PROVIDO. No julgamento de recurso voluntário relativo a Acréscimo Patrimonial a Descoberto, quando o acolhimento parcial das alegações recursais é suficiente para justificar o acréscimo patrimonial, deve-se dar provimento ao recurso voluntário. Recurso provido.
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ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. DILIGÊNCIA. INADEQUAÇÃO. A realização de diligências e perícias não se presta à produção de provas cujo ônus compete ao recorrente. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA SEGUNDO REGRAS DO AJUSTE ANUAL. FATO GERADOR EM 31 DE DEZEMBRO. O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regemse conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerandose ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano. Não procede a alegação de decadência mensal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. FLUXO DE CAIXA. SAQUES, TRANSFERÊNCIAS E CHEQUES COMPENSADOS SEM COMPROVAÇÃO DA DESTINAÇÃO OU EFETIVIDADE DA DESPESA. IMPROCEDÊNCIA NA INCLUSÃO DOS VALORES NO LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 67 Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. IMPOSSIBILIDADE DE HAVER DÚVIDA SOBRE A MATERIALIDADE DOS DISPÊNDIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos pela pessoa física com lastro em acréscimos patrimoniais a descoberto somente pode ser aceita se o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 09 96 /2 00 8- 89 Fl. 680DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 respectivo levantamento for analítico e mensal, de maneira a identificar o momento dos dispêndios valores correspondentes. Sobre a materialidade do fato presuntivo não poderá haver dúvida. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. NECESSIDADE DE INFORMAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL APRESENTADA TEMPESTIVA E ESPONTANEAMENTE. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Saldo positivo apurado em Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto não supre a falta de informação tempestiva na Declaração de Ajuste Anual. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DESCONTO SIMPLIFICADO. DISPÊNDIO PRESUMIDO. PREVISÃO LEGAL QUE NÃO SE APLICA RETROATIVAMENTE PARA ALCANÇAR O ANO CALENDÁRIO 2003. Sem base legal não se pode presumir dispêndio para demonstrar Acréscimo Patrimonial a Descoberto. A previsão legal que considera o desconto simplificado como rendimento consumido surge com a medida provisória 232/2004, que não pode ser aplicada retroativamente para alcançar o ano calendário 2003. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS EFETUADOS POR CONTA CONJUNTA EM QUE A AUTORIDADE FISCAL NÃO INTIMOU UM DOS COTITULARES E PRESUMIU DISPÊNDIOS EXCLUSIVO DOS OUTROS DOIS COTITULARES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA TITULARIDADE DO DISPÊNDIO IMPEDE COMPUTÁLOS NO DEMONSTRATIVO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. No lançamento por Acréscimo Patrimonial a Descoberto deve ser comprovada a titularidade dos dispêndios, quanto a dispêndios realizados por saques e transferências de conta conjunta, a autoridade fiscal não se desincumbe do dever comprobatório quando não intima um dos cotitulares e presume como dispêndio exclusivo dos demais. PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. ACOLHIMENTO PARCIAL DAS ALEGAÇÃO RECURSAIS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL COMPROVADO. RECURSO PROVIDO. No julgamento de recurso voluntário relativo a Acréscimo Patrimonial a Descoberto, quando o acolhimento parcial das alegações recursais é suficiente para justificar o acréscimo patrimonial, devese dar provimento ao recurso voluntário. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000996/200889 Acórdão n.º 2802002.921 S2TE02 Fl. 681 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2003 e 2004, anocalendário 2002 e 2003, decorrente de apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto (fls. 342/343) decorrente de bens comuns e respectivos origens e dispêndios, rateado na proporção de 50% do que foi apurado com esse mesmo título para a recorrente e seu cônjuge, casados em comunhão universal de bens que apresentaram declaração em separado, bem originados de origens e aplicações de recursos específicos da recorrente. Houve aplicação de multa qualificada, no anocalendário 2002, e elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais, em decorrência dos fatos relativos a apuração de ganho de capital registrados no item 3 do Termo de Verificação Fiscal às fls. 292 e seguintes, entretanto, o crédito tributário do anocalendário 2002 foi declarado extinto por decadência, em primeira instância de julgamento. O Termo de Verificação Fiscal encontrase a partir das fls. 289. As informações alusivas à fiscalização do casal consta do "Relatório de Informação Fiscal Comum ao Casal 085/2008" (fls. 302/341) e as informações específicas da recorrente foram descritas no Relatório de Informação Fiscal Especifico 087/2008 (fls. 344/349). O Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto alusivo ao casal foi acostado às fls. 301, nele consta o rateio de 50% para cada um dos cônjuges, cujos valores foram transportados para o Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto específico da recorrente (fls. 343) no item 13. A impugnação baseouse nas seguintes alegações: a) decadência do anocalendário 2002; Fl. 682DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 b) inexistência de dolo, fraude ou simulação; c) impossibilidade de tributação por presunção, não se pode presumir que a existência de dispêndios superiores aos recursos corresponda a renda não oferecida à tributação; d) improcedência da autuação por não intimação de cotitular de conta corrente, Sr. Paulo Moreira (sogro) que é titular de recursos que foram computados pela fiscalização como da impugnante e seu marido; e) ausência de demonstração dos dispêndios, pois a autoridade fiscal considerou como dispêndios todos os cheques, débitos, pagamentos, etc que não coincidiam com valores e despesas informadas; f) dispêndios computados em duplicidade; computar o desconto padrão como dispêndio é considerar despesas em duplicidade; g) não há base legal para adotar a distribuição mensal presumida em relação aos pagamentos referentes à aquisição do imóvel na Rua Almirante Cochrane, 123, ap 123; h) incorreção na alocação de pagamentos efetuados em 2002; i) foram considerados em duplicidade os dispêndios de despesas médicas da linha 3.6 do Demonstrativo 082/2008, pois também computados nas linhas 10.1 e 10.2.; j) duplicidade de dispêndios com aquisição dos veículos Scenic 03/03 e Jeep Ford linhas 11.1 e 11.2 e 10.1 e 10.2; k) erro na alocação dos valores (R$10.000,00 e R$1.000,00) repassados a pessoas físicas em aplicações de renda variável, pois havendo 3 co titulares, no máximo deveria ser rateado em 2/3; l) o dinheiro em espécie justificado pelo marido em resposta ao Termo de Intimação Fiscal 066/2008 (R$30.000,00 e R$7.000,00); m) aproveitamento do saldo positivo do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto para o anocalendário seguinte; n) exclusão dos saldos credores e devedores mensais das contas correntes que causaram distorções na apuração (itens 4.1, 4.2, 7.1 e 7.2); o) foram aceitos dois recibos de R$8.000,00 acerca de intermediação de transação imobiliária sem comprovação de pagamento; p) os débitos com ações e aplicações de renda variável na Corretora Theca, embora formalmente seja de titularidade de seu marido, nela transitaram recursos da impugnante e do Sr. Paulo Moreira; q) a conta poupança dos dependentes foram abertas por seus pais e irmã (declarações anexas), os quais depositavam, geralmente em dinheiro, a maior parte dos recursos, não se podendo presumir a totalidade dos depósitos à impugnante; Fl. 683DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000996/200889 Acórdão n.º 2802002.921 S2TE02 Fl. 682 5 r) o dispêndio referente ao cheque de R$10.500,00 foi devolvido em 16/08/2002 pois foi pagamento para o pai do marido da impugnante; s) requereu diligências para demonstrar suas alegações. A impugnação foi parcialmente deferida com o cancelamento do lançamento no anocalendário 2002 por decadência e manutenção da autuação em relação ao ano calendário 2003 assentada na fundamentação resumida abaixo: a) não procede a alegação de que o lançamento baseouse em presunção, pois a tributação dos Acréscimos Patrimoniais a Descoberto é prevista em lei e ocorre quando as aplicações de recursos superam as origens, conforme planilhas de fls. 298/301 e 342/343; b) não procede a alegação de que a falta de intimação do cotitular da conta corrente, Sr. Paulo Moreira, invalidaria o lançamento, pois este não se amparou o art. 42 da Lei 9.430/1996, logo não foram consideradas como receitas omitidas os depósitos de origens não comprovadas, os depósitos que não foram comprovados como sendo de titularidade da impugnante não foram considerados como origem de recursos; além dos mais, a impugnante teve oportunidade de se manifestar sobre os valores na fase de fiscalização (fls. 176/177); cabia à impugnante provar os depósitos seus os de seu marido ou quais se referem a terceira pessoa; c) a indicação de depósitos como sendo de titularidade do Sr. Paulo Moreira (fls. 232/235) foi objeto de apontamentos da autoridade lançadora: não podem ser acatado sem qualquer comprovação (cópia de cheque do emitente, cópia do extrato bancário do emitente, coincidente em data e valor, etc); somente os crédito bancários cuja origem e finalidade se pode identificar, bem como os rendimentos declarados pelo contribuinte são considerados origens (fls. 220/221); a impugnante não carreou aos autos elementos de prova capazes de demonstrar que a fiscalização tenha deixado de considerar origens de recursos que seriam suas ou de seu marido, ou que teria considerado valores de titularidade de terceira pessoa; d) não procede a alegação de que a quase totalidade dos valores lançados a título de dispêndios teriam sido colhidos de extratos bancários sem a efetiva comprovação, pois a impugnante não aponta quais valores seriam inconsistentes e/ou não faz a devida prova dessa inconsistência; refutase o exemplo mencionado pela impugnante de que saque de R$351,40 (20/06/2002) poderia ter sido empregado no pagamento da despesa médica em 24/06/2002 de R$150,00 por falta de prova robusta e porque só há como concluir que o valor sacado 4 dias antes foi utilizado para pagamento de uma despesas bem específica que não a despesa invocada; e) a impugnante não trouxe provas de que determinados dispêndios considerados pela fiscalização como alheios às contas bancárias já estariam inclusos nos dispêndios da conta bancária; f) o valor da dedução como desconto simplificado é considerado rendimentos consumido e não pode ser utilizado para comprovação de acréscimo patrimonial, conforme previsão no parágrafo único do art. 10 da Lei n° 9.250, de 1995 g) quanto aos dispêndios com a aquisição do apartamento 123 na Rua Almirante Cóchrane, não há óbice legal para a apropriação dos dispêndios mensalmente e o lançamento, devidamente motivado, é ato administrativo que goza do atributo de presunção relativa de legalidade e veracidade, cabe ao impugnante o ônus de afastar essa presunção, Fl. 684DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 mediante prova robusta e inequívoca em contrário, o que no caso não ocorreu; não há prova da alegação de que a aquisição se deu com recursos do casal disponível em dinheiro e no banco; h) a falta de comprovação e divergência de valores entre o cheque de R$1.365,00 e o dispêndio com o terreno em águas de Lindóia impede a vinculação intentada pela impugnante; i) a impugnante não carreou aos autos documentos que permitam considerar que os pagamentos referentes à casa préfabricada no terreno em Águas de Lindóia ocorrem de forma diversa como considerado pela fiscalização; j) quanto ao imóvel construído na Rua Henrique Dias, não se pode acatar que a construção foi concluída até 2002 e que houve um erro do seu marido ao informar o dispêndio de R$30.000,00 na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2002, pois, tendo finalidade de construção para aluguel de unidades e comprovado que somente uma unidade estava alugada, não há como assumir que o conjunto estivesse totalmente concluído já em 2002 e que não se fizeram obras adicionais nesse período; l) a autoridade fiscal não computou dispêndios de despesas médicas para a impugnante (fls. 243), mas apenas para seu marido; o uso do desconto simplificado exclui as demais deduções; m) a impugnante não comprovou que os dispêndios com os veículos Scenic e Jeep Ford foram feitos com saques realizados, não procede a alegação de que a fiscalização poderia ter obtido informações diretamente com a revendedora de veículos, pois a documentação apresentada foi suficiente ao convencimento da autoridade fiscal; n) rejeitase a alegação de que os repasses (aplicações de renda variável) de R$10.000,00 e R$1.000,00 a Paulo Castelhari Filho e Queila Batista Carvalho não deveria ter sido imputados integralmente ao deu marido e sim proporcionalmente aos três cotitulares (o marido, a impugnante e o sogro), pois a operação foi informada na Declaração de Ajuste Anual do marido, conforme Relatório de Informação Fiscal Específico 083/2008, constante do processo 11631.000994/200892, fls. 533 (citado pela impugnante), a participação deste e de seu sogro nas operação não foi evidenciada durante o procedimentos de fiscalização, o TED (fls.558) emitido pela impugnante não é conclusivo quanto a sua participação nas operações; o) não obstante a comprovação de saques em 27/12 e 30/12/2002 somando R$7.500,00, não se pode computar o valor alegado de R$7.000,00 como origem em 2003, devido à ausência de declaração de dinheiro em espécie na Declaração de Ajuste Anual (R$7.000,00) e de falta de prova de que o recurso sacado não foi gasto; p) quanto ao aproveitamento do saldo de 2002 para 2003, a autoridade fiscal adotou critério mais favorável à contribuinte, pois aproveitou o saldo de dezembro de 2002 do marido em dezembro de 2002 para a impugnante, não restando saldo para qualquer um dos dois ao final do ano de 2002 (fls. 342), uma vez que esse saldo presumirseia consumido ao final do anocalendário, sem transporte para o ano seguinte; q) foi correto o procedimento da fiscalização de considerar como dispêndios de recursos o saldo credor em cada conta bancária, ao final de cada mês, sendo tal valor apropriado no mês seguinte como origem de recursos, de forma que o saldo credor de dezembro de 2003 é origem em janeiro de 2004, o que está de acordo com a periodicidade do IRPF; Fl. 685DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000996/200889 Acórdão n.º 2802002.921 S2TE02 Fl. 683 7 r) os dois recibos de R$8.000,00 contestados, referemse ao anocalendário 2002 alcançado pela decadência; s) quanto aos supostos valores debitados da conta no Branco do Brasil por Paulo Moreira (sogro) (listados no TIF 066/2008), a falta de prova documental impede considerálos como dispêndios de seu sogro e excluídos do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto da impugnante; t) quanto aos valores supostamente repassados referentes à conta mantida na corretora Theca, que a impugnante pleiteia que não sejam imputados integralmente a seu marido e sim proporcionalmente ao marido, impugnante e sogro, a conta está formalmente em nome do marido e não há prova documental de que parte dos débitos referemse a Paulo Moreira (sogro), os TED e DOC citados na impugnação não são prova suficiente da co titularidade; u) os dispêndios com previdência privada dos filhos estão vinculados ao CPF do marido, o qual as declarou como dedução na Declaração de Ajuste Anual (fls. 41), de forma que está correto o procedimento fiscal que imputou dispêndio do marido; v) o pagamento do veículo Palio referese ao anocalendário 2002, excluído por decadência; x) a diligência é prescindível. A ciência do acórdão ocorreu em 08/10/2011 e recurso voluntário foi interposto no dia 08/11/2011 Em síntese, a peça recursal possui as alegações abaixo: Preliminarmente 1. o reconhecimento da conexão e julgamento simultâneo deste processo com o de nº 11634.000994/200890, relativo ao marido da recorrente, pois ambas autuações referemse ao mesmo objeto (apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto do casal), aproveitandose as provas de ambos os processos. Preliminar de mérito 2. o Acréscimo Patrimonial a Descoberto tem fato gerador exclusivo e deve ser tributado mensalmente (art. 2º e 25 da Lei nº 7.713, de 1988) e a contagem do prazo de decadência previsto no §4º do art. 150 do CTN de forma mensal implica reconhecer a decadência dos valores lançados, exceto unicamente os de dezembro de 2003, pois a notificação somente ocorreu em 11/12/2008; Do mérito 3. discorreu sobre lições doutrinárias acerca do acréscimo patrimonial como fato gerador do imposto de renda e afirmou que a autoridade fiscal não demonstrou a existência de acréscimo patrimonial e fundamentou o lançamento em presunções com base em Fl. 686DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 levantamento de dispêndios em conta corrente sem comprovar a utilização, o que, por si só, não corresponde a Acréscimo Patrimonial, cita precedentes do CARF, sustenta que a autoridade fiscal sequer juntou as Declaração de Ajuste Anual que seriam imprescindíveis para comprovar o acréscimo patrimonial, conforme precedente judicial; sustenta que o acórdão recorrido em apenas um parágrafo (item n° 39) entendeu ocorrida a demonstração do Acréscimo Patrimonial a Descoberto, a análise deste parágrafo permite concluir a procedência das alegações da impugnação; 4. o acórdão recorrido não fez qualquer anotação quanto à individualização dos dispêndios colhidos da conta corrente conjunta em que há uma terceira pessoa como co titular, a qual não foi intimada, não obstante, quando a fiscalização não conseguiu individualizar os registros apropriou como dispêndio do casal, conforme consignado às fls. 302; ainda que não se trate de tributação com base no art. 42 da Lei 9.430, de 1996, por analogia, devese empregar o enunciado da Súmula CARF nº 29; o número de lançamentos alusivos a esta conta é expressivo no lançamento, constando nas rubricas 2.6, 3.2, 3.6, 4.2, 5.2, 6.4 e 7.2 (origens) e 4.6, 5.2, 6.2, 6.8, 7.2, 8.2, 9.2 e 10.2 (dispêndios), conforme demonstrativos fls. 298/301 e 342/343; é da autoridade fiscal o ônus de demonstrar e comprovar o Acréscimo Patrimonial a Descoberto, o que neste caso não ocorrer, cita precedentes deste Conselho; 5. a quase totalidade de dispêndios considerados pela fiscalização foram colhidos de extratos de contas correntes sem a efetiva comprovação pela autoridade fiscal se os valores foram efetivamente consumidos (de 339 registros apenas 15 tiveram o dispêndio identificado pela autoridade fiscal), contrariamente à jurisprudência deste Conselho e em violação à regra disposta na Súmula CARF 67 do CARF; 6. sustenta que o saldo de dezembro, apurado no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, deve ser aproveitado no ano seguinte, pois não se pode presumir que tenha sido consumido; por esta razão, contesta o demonstrativo do anocalendário 2002, mesmo que o lançamento respectivo já tenha sido cancelado por decadência; alega que o lançamento computou os mesmos dispêndios por mais de uma vez, em razão da errônea técnica apurada pela autoridade fiscal, que de um total de 339 lançamentos a débitos, a autoridade fiscal somente identificou 15, ao mesmo tempo, considerou dispêndios pagos com recursos estranhos às contas bancárias todas as despesas identificadas por documentos e na Declaração de Ajuste Anual; desta forma, sustenta que se deve excluir do lançamento todos os dispêndios classificados pela autoridade fiscal como “dispêndios efetuados de forma alheia às contas correntes” e indicados no quadro constante da peça recursal (fls. 647/648); da mesma forma, devem ser excluídos os valores dos DARF de R$4.822,50 e R$7.490,52, pagos em 31/07/2002 e 21/11/2003, respectivamente, lançados na linha 4.9 do demonstrativo 080/2008, pois foram pagos por meio de débitos bancários e já computados na linha 10.1/10.2; a fiscalização não verificou o somatório dos saques bancários realizados em 31/07/2002 e 21/11/2003 (quadro 1 do atendimento ao TIF 066/2008) e além disso a recorrente não transferia todos seus rendimentos para alguma das contas bancárias; 7. o valor do desconto simplificado deve ser excluído do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, conforme precedentes deste Conselho indicados, pois não se trata de dispêndios efetivos e porque já foram computadas as despesas com dependentes, inclusive as com previdência privada dos filhos que foram suportadas por seus pais; 8. a autoridade fiscal não pode presumir o momento de ocorrência das despesas para rateálas mensalmente, cita precedentes do CARF; Fl. 687DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000996/200889 Acórdão n.º 2802002.921 S2TE02 Fl. 684 9 9. os pagamentos pela aquisição do apartamento 123 na Rua Almirante Cochrane ocorreram diversamente do contratado originalmente,pois houve uma repactuação, porém não teve sucesso na tentativa de obter com a construtora os documentos alusivos aos pagamentos e acréscimos moratórios, os saldos devedores informados nas Declaração de Ajuste Anual estão corretos, entretanto a autoridade fiscal os desconsiderou, não buscou averiguar, presumiu o momento dos pagamentos e computou em duplicidade, uma vez que esses pagamentos foram feitos com recursos em espécie e da conta corrente; portanto devem ser excluídos os respectivos valores das linhas 11.1 e mantidos os mesmos valores nas linhas 10.1 e 10.2, onde se encontram os débitos efetivamente suportados; estranhamente alguns documentos apresentados em atendimento ao TIF nº 42/2008 não foram anexados aos autos; 10. pleiteia a exclusão do valor de R$1.365,00 da linha 11.2 do demonstrativo 080/2008, devido à duplicidade com o dispêndio registrado na linha 10.1 correspondente ao cheque 190618, referente à aquisição do terreno em Águas de Lindóia, esclarece que a diferença de valor (R$1.146,20 e 1.365,00) devese a inclusão de despesas acessória cobrada ou pelo cartório ou pela empresa vendedora relativamente a preparo de documentação e envios pelos correios; nesse terreno foi construída casa préfabricada cujos gatos com fundação (R$2.000,00) não ocorreram conforme considerou a autoridade fiscal, não possui os documentos porque passados mais de cinco anos, além do mais esses valores foram computados em duplicidade na linha 11.3 (setembro a dezembro/2002) e linhas 10.1 e 10.2 (agosto a dezembro/2002); 11. erro na Declaração de Ajuste Anual consistente na informação de gasto de R$30.000,00 com construção do imóvel na Rua Henrique Dias, tanto que na mesma declaração o valor do imóvel não é alterado quer seja em 31/12/2002 ou em 31/12/2003; a recorrente não suportou gastos com a referida construção e sim o Sr. Paulo Moreira, conforme atesta o engenheiro projetista e construtor, vários documentos (fls. 375/376 e 396/404) comprovam que no início de 2002 o imóvel já estava concluído e suas quatro unidade locadas a estudantes de faculdades; a própria autoridade fiscal reconheceu que as provas são robustas, porém não as aceitou pois dependeriam de confirmações de terceiros (página 38 do Relatório 081/2008 (fls. 525 dos autos conexos); a autoridade fiscal não carreou aos autos prova de ter realizado circularizações aos locatários, fiadores, engenheiro ou outras pessoas indicadas pela recorrente e seu marido; é normal que os pagamentos de aluguéis não constem de Declaração de Ajuste Anual dos locatários, porém eram estudantes de faculdades que normalmente não são obrigado a apresentálas; estes valores devem ser excluídos da linha 11.4; 12. não houve tempo suficiente para reunir a documentação referente à aquisição dos veículos Scenic e Jeep Ford, a autoridade fiscal não diligenciou perante a financeira ou revendedora e considerou esses pagamentos em duplicidade (linhas 11.1 e 11.2 e 10.1/10.2); 13. os valores das transferências de R$10.000,00 por TED de 10/07/2003 (fls. 275 dos autos conexos) e R$1.000,00 por DOC de 29/08/2003 foram indevidamente alocados exclusivamente a seu marido, entretanto os documentos apresentados, cuja autenticidade não foi contestada pela autoridade fiscal, demonstram que a recorrente é citada como remetente de ambas as transferências; outro fato relevante é que esses valores foram transferidos da conta no Itaú em que há três titulares, de forma que o valor deve ser excluído, alternativamente protesta para que se atribua ao casal 2/3 desse dispêndio; Fl. 688DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 14. o acórdão recorrido não se manifestou sobre a disponibilidade R$30.000,00 no início de 2002, apenas tratou dos R$7.000,00 do início de 2003, que não aceitou como origem de recursos porque não estava informado na Declaração de Ajuste Anual da recorrente, entretanto não há base legal para presumir que os recursos sacados em 27 e 30/12/2002 foram consumidos; precedentes deste Conselho reconhecem a inexistência de previsão legal para a presunção de que o saldo foi consumido integralmente, bem como reconhecem a possibilidade de aproveitamento dos valores quando demonstrado; 15. cita precedente deste Conselho que admite o aproveitamento do saldo de dezembro para o ano seguinte; 16. o demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto é distorcido pelo cômputo dos saldos credores e devedores nas linhas 4.1, 4.2, 7.1 e 7.2; 18. é incorreto exigir rigor na comprovação das origens e aceitar dispêndios representados por dois recibos de R$8.000,00 sem assinaturas; 19. não se pode apurar acréscimo patrimonial do casal sem levar em contra a vinculação com os negócios do Sr. Paulo Moreira (participação na titularidade da conta no Itaú, depósitos realizados nas contas de poupança dos filhos do casal, aquisição de bens para si com cheques emitidos pela recorrente e posterior restituição por meio de depósitos na conta mantida no Itaú, envio de recursos para aplicação de renda variável na corretora Theca e Itautrade, depósitos de alugueres de imóveis locados); 20. impossibilidade de tributar como dispêndios recursos da conta conjunta que são de titularidade do Sr. Paulo Moreira que sequer foi intimado, alternativamente deveria ter sido feito rateio de 1/3 desses dispêndios; 21. também é do Sr. Paulo Moreira a titularidade dos débitos com ações, a conta no Itaú era mantida por acordo entre a recorrente, o marido e o sogro para aplicação em renda variável, não há base legal para exigir coincidência de datas e valores e por envolver pessoas da mesma família não havia contrato escrito entre as partes; no que for pertinente, as mesmas alegações se aplicam à conta no Banco do Brasil, caso não se aceita a titularidade de Paulo Moreira em relação a todos os débitos e créditos identificados nos quadros 07, 09 e 10 apresentados em atendimento ao TIF 066/2008 (fls. 374/375 dos autos conexos), há de se considerar todos os depósitos efetuados nas contas do Itaú como origem de recursos (cita precedentes); 22. a conta mantida na corretora Theca era formalmente de titularidade exclusiva do seu marido pois, conforme informação da funcionária da corretora, não é permitida conta conjunta para aplicações de renda variável, entretanto os recursos transitados por essa conta que foram transferidos por DOC e TED do Banco do Brasil são do casal, ao passo que os provenientes do Itaú são da recorrente e/ou do Sr. Paulo Moreira, se não for julgada procedente essa parte da autuação, ao menos se espera o rateio na proporção de 1/3 para cada recorrente; somente uma verificação nos extratos de transferência a ser solicitado ao Banco Itaú e à Theca poderá determinar individualmente a titularidade nas remessas de valores para aplicação em renda variável, providência que se requer; caso julgada dispensável, que se refaça o fluxo financeiro na proporção de 1/3 para cada um dos envolvidos nas operações; erroneamente informou que a movimentação da conta no Banco do Brasil era feita pelo casal e o Sr. Paulo Moreira, entretanto a recorrente e seu marido são os únicos titulares da conta do Banco do Brasil, de forma que a proporção de 1/3 não se aplica a essa conta; Fl. 689DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000996/200889 Acórdão n.º 2802002.921 S2TE02 Fl. 685 11 23. a conta de poupança mantida na Caixa Econômica Federal CEF em nome dos filhos foi aberta como um presente dos sogros aos netos e os depósitos nessa conta, foram efetuados nessa conta, pelos sogros e pela cunhada e , esporadicamente pela recorrente e seu marido o plano de previdência privada foi aberto para os filhos com autorização de débitos mensais na referida conta de poupança; quando a recorrente contribuía o fazia em dinheiro com recursos sacados das contas correntes, em valores entre R$200,00 e R$500,00; o fiscal obteve extratos das contas de poupança mantidas em nome dos filhos da recorrente, diretamente da CEF, por meio de Requisição de Informação Financeira – RMF, porém a autoridade fiscal não continuou a investigação no sentido de verificar a origem dos depósitos nas contas de poupança, resolvendo atribuílos na totalidade à recorrente, se o fizesse constataria que há depósitos realizados na própria agência em datas em que o casal não poderia estar presente, pois a agência localizase em Paraguaçu Paulista, a cerca de 560 Km de Santos onde o casal residia; os depósitos eram realizados pela irmã de seu marido, funcionária da agência da CEF e parte destes depósitos foram com recursos do Sr. Paulo Moreira; 24. foi comprovado documentalmente que o pagamento do veículo Pálio foi em favor do Sr. Paulo Moreira e que o valores foi restituído, cita precedentes e pleiteia a exclusão do dispêndio de R$10.500,00 em agosto de 2002; 25. a planilha alternativa apresentada juntamente com a impugnação demonstra inexistir Acréscimo Patrimonial a Descoberto; 26. o indeferimento do pedido de diligências cerceou seu direito de defesa, razão pela qual requer diligência, nos termos do art. 16 do Decreto n°70.235/1972 para expedição de ofício ao Banco Itaú; Intimação ao engenheiro José Aguinaldo Crispin; aos locatários do imóvel na Rua Henrique Dias, n º 225; juntada das informações das Declaração de Ajuste Anual de Paulo Moreira; intimação aos médicos constantes dos recibos de fls. 87/94, 115*125 e 424/430; intimação ao Banco do Barsil e à Corretora Theca (fls. 673, itens “a” a “g”); 27. por fim requer o julgamento em sessão presencial, pois pretende realizar sustentação oral, e requer a intimação do procurador da data da sessão, por via postal . É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Segundo as norma aplicáveis ao julgamento no CARF, a intimação da sessão de julgamento se dá com a publicação no Diário Oficial da União, e não de forma postal na pessoa do procurador como requer o recorrente. Pedido indeferido. Preliminarmente, a recorrente requer que se reconheça a conexão e se realize o julgamento simultâneo deste processo com o de nº 11634.000994/200890, relativo ao Fl. 690DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 marido da recorrente, pois ambas autuações referemse ao mesmo objeto (apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto do casal), aproveitandose as provas de ambos os processos. No processo administrativo fiscal federal, não há norma cogente que imponha o julgamento simultâneo na situação aventada e tem se prestigiado no âmbito desta 2ª Câmara o processamento do recurso voluntário conforme a distribuição por sorteio. Pedido indeferido. Como preliminar de mérito, a recorrente sustenta que o Acréscimo Patrimonial a Descoberto tem fato gerador exclusivo e deve ser tributado mensalmente (art. 2º e 25 da Lei nº 7.713, de 1988), com a contagem do prazo de decadência previsto no §4º do art. 150 do CTN de forma mensal o que implicaria reconhecer a decadência dos valores lançados, exceto unicamente os de dezembro de 2003, pois a notificação somente ocorreu em 11/12/2008. Desde a Lei 8.134/1990 vigora o regime atual em que o IRPF é devido à medida em que os rendimentos e ganhos de capital são percebidos, sujeitandose ao ajuste anual. Somente quando houver previsão legal específica é que a tributação será definitiva (ex.: ganho de capital) ou exclusivamente na fonte (ex.: 13º salário), pondo fim à obrigação tributária e os respectivos rendimentos são classificados como de tributação definitiva ou exclusivamente na fonte. Rejeitase a alegação de decadência mensal, pois o Acréscimo Patrimonial a Descoberto é apurado mensalmente sem prejuízo do ajuste anual. Do mérito propriamente dito Da interpretação da legislação sobre tributação do Acréscimo Patrimonial a Descoberto A tributação de Acréscimo Patrimonial a Descoberto tem fundamento no §1º do art. 3º da Lei 7.713/1988, consolidado no inciso XIII do art. 55 do RIR1999 da seguinte forma: Art. 55. São também tributáveis (...) XIII as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; De outro giro, saques em contas mantidas em instituições financeira e os cheques compensados, por si só, não representam acréscimo patrimonial. Em relação à utilização de saques como prova de acréscimo ao patrimônio há os precedentes a seguir: IRPF — ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO — SINAIS EXTERIORES DE RIQUEZA — Na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, mediante confronto mensal de 'origens" e 'aplicações" imprescindível a comprovação efetiva de gastos, não subsistindo valores lançados como aplicações baseados exclusivamente em saque bancário pois não constituem, por si só, prova de gasto, sendo necessária a Fl. 691DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000996/200889 Acórdão n.º 2802002.921 S2TE02 Fl. 686 13 aprofundação investigatória.(acórdão 10417.538, de 13/07/2000) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL MENSAL. FLUXO DE RECURSOS E APLICAÇÕES. SAQUES BANCÁRIOS Incabível o lançamento fiscal formalizado em mera presunção de que saques bancários constituemse em aplicação de recursos quando não vinculados efetivamente a uma despesa, ou seja, quando não comprovada sua destinação, aplicação ou consumo.(acórdão 10615.820, de 20/09/2006) Tratase de entendimento sumulado. Súmula CARF nº 67: Em apuração de acréscimo patrimonial a descoberto a partir de fluxo de caixa que confronta origens e aplicações de recursos, os saques ou transferências bancárias, quando não comprovada a destinação, efetividade da despesa, aplicação ou consumo, não podem lastrear lançamento fiscal. Embora o Acréscimo Patrimonial a Descoberto seja hipótese de presunção legal de omissão de rendimentos que inverte a ordinária atribuição de ônus probatório, não se pode ignorar que cabe ao Fisco comprovar que houve um acréscimo no patrimônio do contribuinte que supera o valor dos rendimentos comprovadamente recebidos. Somente após ter o Fisco se desincumbido desse dever é que passa a ser do contribuinte o ônus de provar a inexistência da omissão de rendimentos, do contrário a exação carece de amparo em lei. No mesmo sentido, colhese o seguinte precedente deste Conselho: O lançamento apenas com base em valores de depósitos bancários, sem a comprovação efetiva da renda consumida, retorna à situação anterior, a qual foi amplamente rechaçada pelo Poder Judiciário, levando o legislador ordinário a determinar o cancelamento dos lançamentos tributários assim constituídos, conforme DL. 2.471. Aliás, essa é a orientação emanada do extinto C. Tribunal Federal de Recursos, através da Súmula n° 182. Podese, pois, concluir que, até a edição da Lei n° 9.430/1996, depósitos bancários ou aplicações realizadas pelo contribuinte em instituição financeira podem constituir valiosos indícios, mas não prova de omissão de rendimentos e não caracterizam, por si só, disponibilidade econômica de renda e proventos, sendo nulo o lançamento assim constituído, por falta de amparo legal. A colenda Câmara Superior de Recursos Fiscais, em diversas oportunidades já se manifestou a respeito, tendo firmado pacífica jurisprudência —acórdãos CSRF/011.898 e 011.911. No que tange ao acréscimo patrimonial a descoberto (...), o órgão lançador não observou as determinações do artigo 3°, § 2°, da Lei n° 7.713, de 1988. O acréscimo patrimonial a descoberto deve resultar, necessariamente, do • confronto entre investimentos/dispêndios realizados e rendimentos declarados, recursos poupados ou alienações efetuadas. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 14 A presunção legal de omissão de rendimentos pela pessoa física com lastro em acréscimos patrimoniais a descoberto somente pode ser aceita se o respectivo levantamento for analítico e mensal, de maneira a identificar o momento da percepção dos valores correspondentes. Sobre a materialidade do fato presuntivo não poderá haver dúvida. (Voto vencedor no Acórdão 102.47338, de 26/01/2006). Em sentido idêntico: Acórdão 10242996, de 08/10/2008 e 2802002.445, de 13/08/2013. Como a apuração é mensal, em cada mês pode haver apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto ou saldo positivo, este último deve ser aproveitado como origem de recursos nos meses subseqüentes dentro do mesmo anocalendário. Não é correto aproveitar de um ano para outro o saldo positivo porventura apurado em dezembro, pois o saldo que se utiliza no início de cada anocalendário é o que constar da Declaração de Ajuste Anual apresentada tempestivamente pelo contribuinte. Se não há recursos disponíveis declarados pelo contribuinte, cabe ao contribuinte comprovar sua existência. Não se pode presumir que exista saldo no início do ano com base em saldo em demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto de ano anterior, pois este demonstrativo tem finalidade própria. É um ônus imposto ao Fisco: comprovar que as aplicações de recursos – que representaram o aumento patrimonial – não foram acobertados pelo rendimentos comprovados. O saldo positivo somente permite concluir que o Fisco não comprovou Acréscimo Patrimonial a Descoberto em dezembro. Não é correto deduzir a contrario senso que o saldo esteve disponível ao contribuinte no ano seguinte, quando este não o incluiu em sua Declaração de Ajuste Anual. O aproveitamento de um mês para outro, dentro do mesmo anocalendário, justificase pela falta de informações de disponibilidades mensais na Declaração de Ajuste Anual, de forma que a situação distinta afasta a aplicação do raciocínio analógico para acolher a tese de aproveitamento para o ano subsequente. Nesse sentido, constam os precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais cujos excertos de ementas são transcritos a seguir: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1998 (...) VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO SALDO DE RECURSOS DE EXERCÍCIO ANTERIOR. Somente podem ser considerados como saldo de recursos de um ano calendário para o subseqüente os valores consignados na declaração de bens apresentada antes do início do procedimento fiscal e/ou com existência comprovada pelo contribuinte. Recurso especial provido em parte.(Acórdãos n° 9202002.057, sessão de 21/03/2012 e n° 9202002.057, sessão de 22/03/2012) Quanto ao aproveitamento do valor de dinheiro declarado na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário anterior, ressaltase que, embora existam decisões desse Conselho no sentido de aceitála como prova da origem dos recursos nos casos de auto de infração por acréscimo patrimonial a descoberto, é certo que esse Conselho possui Fl. 693DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000996/200889 Acórdão n.º 2802002.921 S2TE02 Fl. 687 15 jurisprudência pacífica no sentido de não acatar como comprovação da origem de recursos a disponibilidade de dinheiro em espécie que se fundamenta unicamente em Declaração de Ajuste Anual apresentada intempestivamente e sob procedimento de fiscalização. Ilustro essa assertiva com alguns excertos de ementas de acórdãos: (...) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Não tendo o contribuinte logrado comprovar a origem dos recursos aptos a justificar o acréscimo patrimonial, lícito é o lançamento de ofício, mediante arbitramento com base na renda presumida. DINHEIRO EM ESPÉCIE Valor declarado a título de dinheiro em espécie, quando a declaração é entregue a destempo e após intimação nesse sentido, só poderá ser aceito para acobertar acréscimo patrimonial a descoberto, se houver prova de sua real existência no anocalendário em que foi declarado. (...)(acórdão nº 10418710, de 18/4/2002, do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) José Pereira do Nascimento) (...)IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Tributase o valor correspondente ao acréscimo do patrimônio da pessoa física, quando este acréscimo não for justificado por rendimentos tributáveis, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte.(...) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DINHEIRO EM ESPÉCIE Os recursos disponíveis no final do ano calendário só podem ser aproveitados no ano seguinte mediante prova inconteste de sua existência. O dinheiro em espécie, portanto, segue esta mesma regra, nada provando pelo simples fato de constar de Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física retificadora, agravado pelo fato de ter sido esta apresentada quando o contribuinte já estava sob procedimento de fiscalização. (...) (acórdão nº 10612604, de 19/3/2002, da 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Thaisa Jansen Pereira) IRPF DINHEIRO EM ESPÉCIE Valores declarados, especialmente quando sob procedimento fiscal, como “dinheiro em mãos” não podem ser aceitos para justificar acréscimo patrimonial, a menos que haja prova suficiente de sua existência na data informada. ORIGEM DOS RECURSOS Mantémse o lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto se o contribuinte não prova que o incremento teve origem em rendimentos já tributados, não tributáveis, já tributados definitivamente ou exclusivamente na fonte.Recurso negado.(acórdão nº 10610999, de 19/10/1999, da 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Thaísa Jansen Pereira) Fl. 694DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 16 VARIAÇÃO PATRIMONIAL COMPROVAÇÃO DINHEIRO EM ESPÉCIE MÚTUO ENTRE DESCENDENTES DECLARAÇÃO RETIFICADORA Valores declarados, a título de dinheiro em espécie e de mútuo entre ascendentes/descendentes, informados em declaração retificadora apresentada após o início do procedimento fiscal, só podem ser aceitos para acobertar acréscimo patrimonial a descoberto se acompanhado de provas de sua real existência, ao final do anocalendário e da efetiva entrega dos recursos objeto do mútuo.(acórdão nº 10420102, de 11/8/2004, da 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, conselheiro(a) relator(a) Pedro Paulo Pereira Barbosa) Passase a aplicar o entendimento acima na apreciação das alegações recursais. Alegação de que a autoridade fiscal não demonstrou a existência de acréscimo patrimonial e fundamentou o lançamento em presunções com base em levantamento de dispêndios em conta corrente sem comprovar que os valores foram efetivamente consumidos e alegação acerca da falta de intimação do Sr. Paulo Moreira, um dos cotitulares da conta no Itaú A recorrente indica o item n° 39 do voto condutor do acórdão recorrido como reconhecendo a correção do seu pleito, porém esse parágrafo não soluciona a questão completamente, é necessário uma análise do momento anterior à elaboração do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto para aferir se a autoridade fiscal desincumbiuse do dever de comprovar os dispêndios que implicaram acréscimo patrimonial. No item 10.1 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 324 e ss.), referente ao Banco do Brasil, a autoridade fiscal registrou que todos os débitos em conta corrente em relação aos quais não foi possível identificar o titular responsável ou a espécie de despesas foram agrupados no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto no item 10.1. Esse procedimentos foi assim anotado pela autoridade fiscal: Quando passível de identificação quanto à sua origem, por exemplo, débito para investimento, débito para pagamento pela aquisição de algum bem ou direito, pagamento de tributos, pagamento de despesas médicas, etc, especialmente em razão do consignado em seu histórico, data e/ou valor, tal débito foi considerado na linha própria daquele dispêndio especifico, no presente Demonstrativo, para fins de avaliação da evolução patrimonial comum ao casal. Quando passível de imputação a um dos titulares da conta corrente, de mesmo modo foi levado à linha própria do Demonstrativo de Evolução Patrimonial especifico àquele contribuinte. Entretanto, quando a identificação do titular responsável pelo débito, ou a classificação deste débito em quaisquer dos demais itens do presente Demonstrativo não foram possíveis de ser realizadas, agrupouse todos estes demais débitos verificados na conta corrente conjunta no banco do Brasil S/A neste item 10. São assim cheques, pagamentos e débitos diversos que, por óbvio, constituemse dispêndios de recursos. Agrupados deste modo em uma única rubrica, estão abaixo relacionados: Fl. 695DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000996/200889 Acórdão n.º 2802002.921 S2TE02 Fl. 688 17 O mesmo ocorreu em relação ao item 10.2, relativamente à conta no Itaú. Esse grupo de dispêndios é extenso e a soma mensal em 2003 foi a seguinte: Item 10.1 Item 10.2 Soma Janeiro 4.522,20 2.911,72 7.433,92 Fevereiro 3.182,08 3.493,10 6.675,18 Março 3.656,62 4.141,81 7.798,43 Abril 4.155,60 5.376,47 9.532,07 Maio 4.318,23 2.029,30 6.347,53 Junho 5.544,55 5.146,60 10.691,15 Julho 14.539,13 4.998,60 19.537,73 Agosto 6.016,79 5.712,03 11.728,82 Setembro 7.498,89 4.977,33 12.476,22 Outubro 7.979,24 1.974,64 9.953,88 Novembro 5.837,39 1.998,68 7.836,07 Dezembro 6.480,31 5.363,95 11.844,26 Ainda no item 10.1, a autoridade fiscal computou R$10.000,00 em novembro e 100,00 em dezembro como parte de valores sacados que superaram as despesas identificadas. Valores que devem ter o mesmo tratamento dos listados no quadro acima. Apropriar como dispêndios do casal (fls. 301) os valores do item 10.1 e 10.2 sem comprovar a titularidade ou a quais despesas se referem contraria o correto entendimento da tributação por Acréscimo Patrimonial a Descoberto descrita no início desse voto, pois a autoridade fiscal não se desincumbiu do dever de comprovar que os saques e cheques compensados representaram acréscimo ao patrimônio da recorrente. O documento de fls. 542 comprova que a conta 68267,5, agência 0447, mantida no Itaú tinha como cotitulares a recorrente, seu marido e o Sr. Paulo Moreira (sogro) de forma que na impossibilidade de identificar a titularidade dos débitos não autoriza presumir que sejam apenas do casal. Ainda que não se trate de tributação com base no art. 42 da Lei 9.430/1996, a falta de intimação do terceiro cotitular é relevante pois demonstra que a autoridade fiscal não usou dos instrumentos de que dispunha para averiguar e comprovar o fato que lhe autorizaria utilizarse da presunção legal. Desta maneira, impõese a exclusão dos itens 10.1 e 10.2 do cômputo do Acréscimo Patrimonial a Descoberto do casal para que se exclua os valores correspondentes (50%) considerados como dispêndio no cálculo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto da recorrente. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 18 Da alegação acerca do aproveitamento do saldo de dezembro no ano seguinte. Conforme exposto no início deste voto, o saldo positivo do demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto não pode ser aproveitado de um ano para outro. A improcedência dessa alegação torna dispensável a análise das demais alegações referentes ao anocalendário 2002, uma vez que este já foi objeto de decadência e não há proveito em corrigir o respectivo demonstrativo. Da alegação de duplicidade dos dispêndios classificados pela autoridade fiscal como “efetuados de forma alheia às contas correntes” e os DARF de R$4.822,50 e R$7.490,52. Nesse tópico o recorrente almeja excluir valores dos itens 10.1 e 10.2, os quais já foram excluídos em item precedente. Alegação de impossibilidade de computar o desconto simplificado no demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto como dispêndio. A autoridade fiscal considerou o desconto simplificado como rendimento consumido com amparo no então §2° do art. 10 da Lei 9.250/1995, que, atualmente, corresponde ao parágrafo único do mesmo artigo incluído pela Lei n° 11.482/2007. Entretanto, esse regra que presume o desconto simplificado como rendimento consumido surge somente com a medida provisória n 232/2004, que não pode ser aplicada ao anocalendário 2003, por força do art. 144 do CTN. Outrossim, sem previsão legal não se pode presumir dispêndio para fins de demonstrar presunção legal de omissão de rendimentos. Neste sentido citamse os precedentes abaixo: IRPF PROVENTOS DE QUALQUER NATUREZA Eventuais acréscimos patrimoniais a descoberto, apurados em fluxo de caixa que leve em conta todas as disponibilidade do contribuinte até o mês da data do evento, conceituamse como rendimento a serem acrescidos à renda líquida apurada na declaração anual de ajuste. DESCONTO SIMPLIFICADO O desconto simplificado constitui alternativa de apuração de base de cálculo do tributo devido na declaração anual de ajuste, não havendo previsão legal a que seja considerado como dispêndio mensal. AUMENTO PATRIMONIAL A DESCOBERTO DISPÊNDIOS COMPROVAÇÃO Na apuração de eventual aumento patrimonial a descoberto, os dispêndios a serem considerados são os efetivamente constatados pela fiscalização, não podendo ser presumidos. Eventuais deduções, como dependente, legalmente admissíveis para efeito de apuração de base de cálculo do tributo mensal ou anual, não traduzem gasto efetivo, se não comprovado pela autoridade administrativa. (...). Recurso parcialmente provido. (acórdão n° 10418214, sessão de 21/08/2001) ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Caracteriza o acréscimo patrimonial a descoberto, o excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos Fl. 697DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000996/200889 Acórdão n.º 2802002.921 S2TE02 Fl. 689 19 declarados/comprovados. DESCONTO SIMPLIFICADO Em levantamento de Acréscimo Patrimonial, é inadequado alocar o desconto simplificado ou padrão como dispêndio, vez que pagamento não se presume. (...) Recurso parcialmente provido.(acórdão 10422021, de 08/11/2006). Desta feita, deve ser excluído do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto o valor do desconto simplificado, o que torna desnecessário analisar o respectivo rateio mensal. Alegação de que os dispêndios com o apartamento 123 na Rua Almirante Cochrane não podem ser rateados mensalmente e que devem ser excluídos das linhas 11.1, pois já constam das linhas 10.1 e 10.2. Diante dos que já foi exposto neste voto, somente interessa ao litígio a análise dos pagamentos computados no anocalendário 2003, que a autoridade fiscal rateou na proporção de 1/12 em todos os meses com base na informação da Declaração de Ajuste Anual alusiva ao aumento do valor do bem de 31/12/2002 para 31/12/2003. Esse procedimento foi registrado nos seguintes termos: Já para o ano de 2003, segundo Declaração de Ajuste Anual retificadora — DAA anocalendário 2003, quadro 9 (bens e direitos), linha 01 (cópia parcial à fl. 27), apresentada pelo seu cônjuge Paulo R.D.Moreira (enviada em 06/07/2007 ás 22:21:51 hs), consta situação em 31/12/2002 R$ 173.535,00 e situação em 31112/2003 R$ 202.125,00, configurando aplicação de recursos no ano 2003 de R$ 28.590,00 no imóvel em tela. De igual modo, à ausência de outros elementos, atribuiuse a cada um dos meses do ano de 2003 um pagamento igual da fração de 1/12 avos do valor declarado como aplicado no imóvel em R$ 28.590,00, o que resulta num valor mensal de R$ 2.382,50, conforme demonstrado na Planilha como dispêndio na aquisição de bens e direitos. É mais um exemplo de errônea adoção de presunção sem previsão legal para construir demonstrativo que serve de prova para adotar presunção legal. Com base nos elementos coletados, não se pode presumir o pagamento linear, mas tão só o pagamento no final do ano, pois o arbitramento deve pautarse por critério menos gravoso ao contribuinte. O contribuinte intimado pela fiscalização tem o ônus de provar suas alegações, consequentemente a falta de prova impede acatar suas alegações; diligências não se prestam a produzir provas cujo ônus compete ao recorrente. Portanto, o Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto comum ao casal dever ser alterado para que os valores rateados mensalmente de janeiro a novembro sejam computados somente em dezembro do mesmo ano, o que implicará em modificação também no item 13 do Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto Específico, onde os valores de R$1.191,25 (correspondente a 50% do item 11.1 do demonstrativo comum Fl. 698DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 20 ao casal; fls. 301) alocados mensalmente de janeiro a novembro, devem ser transferidos para o mês de dezembro do mesmo ano. Alegações acerca do imóvel em Águas de Lindóia e gastos com casa pré fabricada construída nesse terreno e construção do imóvel na Rua Henrique Dias e sua destinação a aluguel. Diante do exposto, as análises ficaram prejudicadas porque todos os dispêndios foram computados em 2002. Alegações referentes ao pagamento dos veículos Scenic 03/03 e Jeep Ford, valores computados pela autoridade fiscal em abril e fevereiro de 2003, nos valores de R$29.000,00 e R$5.500,00, respectivamente. Não procede a alegação de que foram computados em duplicidade, pois: (a) esse dispêndio não constou do lançamento, uma vez que não foi incluído no demonstrativo mensal de evolução patrimonial comum 080/2008 (fls. 301) ou específico 086/2008 (fls. 343), alusivo à recorrente; foi computado tão somente no demonstrativo específico de seu marido (fls. 500, fls. digital 513); e (b) os itens 10.1 e 10.2 já foram excluídos nesse voto. Alegação de que as transferências de R$10.000,00 por TED de 10/07/2003 (fls. 275 dos autos conexos) e R$1.000,00 por DOC de 29/08/2003 foram indevidamente alocados exclusivamente a seu marido. A recorrente almeja alterar a tributação ocorrida contra seu marido e que deve ser contestada no processo correspondente. Não cabe analisar alegações que não integram o litígio tratado nestes autos e que, em sendo acatadas representariam agravamento da exigência contra a recorrente. Alegação de que o acórdão recorrido não se manifestou sobre a disponibilidade R$30.000,00 no início de 2002 (31/12/2001), apenas tratou dos R$7.000,00 do início de 2003 e que não há base legal para presumir que os recursos sacados em 27 e 30/12/2002 foram consumidos. Como ficou prejudicada a análise do ano de 2002, é desnecessário aferir se o acórdão recorrido foi ou não omisso em relação ao saldo de numerário em espécie existente em 31/12/2001. Este relator não compartilha do entendimento externados nos precedentes mencionados pela recorrente, cujos efeitos são restritos aos processos em que foram proferidos. Não se trata de presumir o consumo dos valores sacados em 27 e 30/12/2002. A questão é outra: a contribuinte não declarou a disponibilidade do dinheiro em espécie na Declaração de Ajuste Anual e por essa razão não se pode presumir que o dinheiro estivesse disponível em espécie. A alegação de aproveitamento do saldo positivo de um ano para o ano seguinte já foi rejeitada no desenvolvimento deste voto. Alegação de que o demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto é distorcido pelo cômputo dos saldos credores e devedores (linhas 4.1, 4.2, 7.1 e 7.2). Fl. 699DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000996/200889 Acórdão n.º 2802002.921 S2TE02 Fl. 690 21 Esta alegação não procede. O procedimento adotado no lançamento decorre da própria sistemática de apuração mensal, na qual os saldos mensais (credores ou devedores) fazem parte do fluxo financeiro. Alegação de que é incorreto exigir rigor na comprovação das origens e aceitar dispêndios representados por dois recibos de R$8.000,00 sem assinaturas. Não há reparo ao acórdão recorrido, a exigência de comprovação das origens é decorrência lógica da forma de investigar o Acréscimo Patrimonial a Descoberto e do ônus imposto ao contribuinte por força da presunção legal. Por outro lado, não há razão para o Fisco exigir idêntico rigor na comprovação de dispêndio informado pelo próprio contribuinte. Alegação de que não se pode apurar acréscimo patrimonial do casal sem levar em contra a vinculação com os negócios do Sr. Paulo Moreira (participação na titularidade da conta no Itaú, depósitos realizados nas contas de poupança dos filhos do casal, aquisição de bens para si com cheques emitidos pela recorrente e posterior restituição por meio de depósitos na conta mantida no Itaú, envio de recursos para aplicação de renda variável na corretora Theca e Itautrade, depósitos de alugueres de imóveis locados). As vinculações comprovadas foram consideradas, entretanto é da recorrente o ônus de comprovar os fatos que alega em sua defesa. Na falta de comprovação, não se pode atribuir a terceiros responsabilidade por fatos documentados em contas em nome da recorrente e de seu marido. Ratificase que não é neste processo que se deve pleitear alteração do rateio que vise a favorecer o marido da recorrente. Das alegações acerca da cotitularidade do Sr. Paulo Moreira na conta do Itaú Os débitos e saques nessa conta cuja individualização da responsabilidade entre os cotitulares não foi feita pela autoridade fiscal já foram excluídos nesse voto, os demais dispêndios que a autoridade fiscal considerou no Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto, portanto, foram os que são de responsabilidade da recorrente ou do casal e não procede o pleito para ratear na proporção de 2/3 para o casal. Neste ponto do recurso, a recorrente não especifica quais seriam as “demais transações vinculadas” à conta do Itaú, o que impede analisar sob este tópico o pleito da recorrente. Das alegações referentes à prova de que os recursos depositados na conta do Itaú foram feitos pelo Sr. Paulo Moreira (cotitular) para aplicação em renda variável e que as alegações da contribuinte foram comprovadas e não podem ser refutadas por falta de coincidência de datas e valores, caberia ao AuditorFiscal realizar diligências que achasse convenientes para eliminar dúvidas que tivesse. Não se pode considerar como origem de recursos todos os depósitos efetuados em conta corrente independente de comprovação. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 22 Se de um lado, não pode a autoridade fiscal presumir que os saques e débitos correspondem a consumo ou aumento de patrimônio; de outro, para que se considere os créditos como origem de recursos cabe ao contribuinte comprovar a que título foram depositados . A recorrente alega que identificou os movimentos de titularidade de Paulo Moreira (sogro) e do casal nos quadro 7, 9 e 10 em atendimento à intimação fiscal (fls. 238/239). Não há nesses quadros qualquer operação atribuída exclusivamente a Paulo Moreira no anocalendário 2003, tão só indicações de titularidade conjunta ou do casal. Como já foram excluídos os valores sem a individualização da titularidade ou sem identificação da natureza, não há razão para excluir outros valores sob as premissas analisadas neste tópico ou mesmo alterar o critério de rateio adotado (50% para cada um dos cônjuges), mormente quando alegação da recorrente não se fazem acompanhar por documentos comprobatórios. Das alegações referentes à conta mantida na corretora Theca. A autoridade fiscal anotou que valores de dispêndios em conta corrente em corretora de investimentos em renda variável (THECA CTVM) “mereciam da contribuinte, comprovação específica e pontual, não genérica, com uma disponibilidade global de recursos” (fls. 303) e que as alegação da contribuinte alusivas às aplicações em renda variável no Banco Itaú (Itautrade) – como sendo de seu sogro – (fls. 236/237) não foram acompanhadas de documentação, além de haver divergência de datas e valores (fls. 322). Estes valores foram computados como dispêndios do casal R$2.758,2 em janeiro/2003, R$31.591,23 em abril/2003 e R$1.992,05 em maio/2003 (item 6.2, fls. 301), partindo da premissa que a conta era conjunta do casal, que não era possível individualizar a aplicação e que as alegações da contribuinte eram desacompanhadas de documentação e havia divergência de datas em valores. Ocorre que a conta era de titularidade também do Sr. Paulo Moreira, cuja falta de intimação demonstra que a autoridade fiscal não adotou as providências necessárias a individualizar a responsabilidade e rateou somente entre o casal de forma presumida sem amparo legal. Esses valores devem ser excluídos do “demonstrativo de acréscimo patrimonial comum ao casal”, com igual efeito sobre a quantia rateada na proporção de 50% que foi computada como dispêndios no item “metade variação patrimonial a descoberto comum” do Acréscimo Patrimonial a Descoberto do recorrente (fls. 343), nos valores de: R$1.379,10 em janeiro/2003, R$15.795,61 em abril/2003 e R$996,02 em maio/2003. Das alegações inerentes à conta de poupança mantida na Caixa Econômica Federal CEF em nome dos filhos aos quais se vinculavam as contribuições para previdência privada. A recorrente argumenta que as contribuições em geral eram efetuadas pelos sogros e cunhada e que somente esporadicamente contribua juntamente com seu marido em dinheiro com recursos sacados das contas correntes, em valores entre R$200,00 e R$500,00 Conforme constou do “Relatório de Informação Fiscal Específico 083/2008” relativo ao marido da recorrente (fls. 501 e seguintes – numeração digital 514 em dante), a Fl. 701DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11634.000996/200889 Acórdão n.º 2802002.921 S2TE02 Fl. 691 23 autoridade fiscal obteve diretamente da CEF, por meio de Requisição de Informação Financeira – RMF, informações acerca do pagamento vinculado ao CPF do marido da recorrente e constatou que o mesmo deduziu os valores na relação de bens e direitos da Declaração de Ajuste Anual, além de ter entregue declaração retificadora onde fez constar que as contribuições eram feitas por ela e pelo casal (fls.26 e 58). A autoridade fiscal anotou (fls. 512 – numeração digital 525): De fato, o próprio contribuinte se utiliza das deduções destas aplicações em previdência privada em nome de seus dependentes, como dedução da base de cálculo de seu imposto de renda, no ajuste anual. Se os recursos aplicados em tais previdências não lhe pertencessem, como então valerse deles para dedução no cálculo de IR?. No lançamento o que se considerou como dispêndios foram os depósitos na conta de poupança da CEF e não as contribuições à previdência privada. Considerase em sua avaliação especifica, em detrimento da avaliação comum ao casal, por constar em suas DAA os dependentes titulares das contas poupanças verificadas, e por valerse das deduções de previdência, principal fim destas contas poupança, conforme verificado.(fls. 511 – numeração digital 524) Concluise que esse item não foi computado na apuração de Acréscimo Patrimonial a Descoberto comum ao casal e sim no demonstrativo específico do marido da recorrente , de maneira que é matéria que não integra o litígio a ser solucionado neste processo. Da alegação em torno da exclusão do dispêndio de R$10.500,00 em agosto de 2002 referente ao veículo Palio Análise prejudicada porque referese exclusivamente ao anocalendário 2002. Do pedido de diligência A realização de diligências e perícias não se presta à produção de provas cujo ônus compete ao recorrente. A desnecessidade de realização da medida foi uma legítima decisão tomada pelo órgão julgador de primeira instância no exercício do juízo de valor sobre as provas juntadas aos autos e amparada no princípio do livre convencimento. Na fase recursal o pedido de diligência deve ser indeferido, pois objetiva sanar deficiência de prova cujo ônus de produzir é da recorrente e , adicionalmente, quanto aos fatos já excluídos do lançamento, na primeira instância ou neste voto, o pedido fica prejudicado. Conclusão: 1. O Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto Comum ao Casal deve ser ajustado com a exclusão dos itens 10.1, 10.2 e 6.2; e a transferência dos valores rateados mensalmente de janeiro a novembro de 2003, no item 11.1, para o mês de dezembro de 2003; Fl. 702DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 24 2. O Demonstrativo de Acréscimo Patrimonial a Descoberto específico da recorrente deve ser refeito com as alterações seguintes: 2.1. atualizar o item 19 das origens (metade do saldo positivo disponível ao casal) em razão da alteração do Demonstrativo Comum ao casal; 2.2. atualizar o item 19 das aplicações (metade da variação patrimonial a descoberto comum ao casal) em razão da alteração do Demonstrativo Comum ao casal; 2.3. Incluir no item 20 das origens de recursos, o saldo positivo do mês anterior decorrente do refazimento do Demonstrativo Específico tal como apontado acima; 2.4. excluir o item 2 das aplicações, referente ao desconto simplificado. As alterações acima são o suficiente para eliminar o Acréscimo Patrimonial a Descoberto como demonstram os anexos a este acórdão (Novo Demonstrativo Comum ao Casal; e Demonstrativo Específico Ajustado). Diante do exposto voto por REJEITAR as preliminares e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 703DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 11030.902237/2012-38
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2002
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/10/2002 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 22 37 /2 01 2- 38 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902237/201238 Acórdão n.º 3801003.169 S3TE01 Fl. 66 2 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902237/201238 Acórdão n.º 3801003.169 S3TE01 Fl. 67 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de análise de Pedido Eletrônico de Restituição, transmitido em 27/02/2007, sendo o crédito pretendido correspondente à Contribuição para o PIS/Pasep cujo pagamento ocorreu em 14/11/2002, relativo ao período 01/10/2002 a 31/10/2002. De acordo com o Despacho Decisório emitido eletronicamente, o crédito pleiteado pelo interessada não foi reconhecido, uma vez que o pagamento indicado já estava totalmente alocado para quitação de débito do contribuinte. A ciência do Despacho Decisório ocorreu mediante AR em 15/08/2012. A interessada por sua vez, alega basicamente a existência de direito creditório oriundos de pagamentos de Pis e Cofins, apurados com a inclusão do ICMS na base de cálculo, parcela esta incluída indevidamente quando do cálculo do pagamento do tributo em questão. Aduz argumentação em favor de sua tese. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/10/2002 Ementa: RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo da Cofins e do Pis por se tratar de tributo que integra o preço de venda de mercadorias e serviços e por não haver previsão legal para a sua exclusão. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902237/201238 Acórdão n.º 3801003.169 S3TE01 Fl. 68 4 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902237/201238 Acórdão n.º 3801003.169 S3TE01 Fl. 69 5 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.902237/201238 Acórdão n.º 3801003.169 S3TE01 Fl. 70 6 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
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Numero do processo: 10880.944100/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/12/1999
DCOMP. COMPENSAÇÃO. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO.
Tendo o contribuinte informado DARF inexistente e, intimado pela RFB, não atende à intimação, há que se ratificar a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada.
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/12/1999 DCOMP. COMPENSAÇÃO. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo o contribuinte informado DARF inexistente e, intimado pela RFB, não atende à intimação, há que se ratificar a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado.
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COMPENSAÇÃO. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Tendo o contribuinte informado DARF inexistente e, intimado pela RFB, não atende à intimação, há que se ratificar a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 94 41 00 /2 00 8- 09 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944100/200809 Acórdão n.º 3302002.631 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 15/06/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 049015), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 1.339.754,18, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 15/12/1999, através de DARF no valor de R$ 1.390.254,64, relativo ao PA 11/99. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. Em conseqüência, no dia 28/03/2008, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO foi intimada a sanar a irregularidade, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO nº 754679727. A empresa Recorrente não atendeu à intimação. Na DCTF Original entregue à RFB, a Empresa Recorrente vinculou ao débito da Cofins do PA 11/99 um único DARF de mesmo valor do débito (R$ 10.654.955,50), pago no dia 15/12/99. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou o pagamento e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 05/12/2003 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 4º Trimestre de 1999, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 11/99, no valor de R$ 10.654.955,50. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 1.556.523,20 por compensação com parte do pagamento da COFINS do PA 05/96, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 9.098.432,31 com a utilização parcial do pagamento de R$ 10.654.955,50, efetuado no dia 15/12/99. Com a utilização parcial do pagamento de R$ 10.654.955,50, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 1.556.523,20 passível de restituição ou compensação e é exatamente parte desse o crédito (R$ 1.339.754,18) que está sendo pleiteado neste processo. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944100/200809 Acórdão n.º 3302002.631 S3C3T2 Fl. 4 3 Por meio do Despacho Decisório nº 795093980, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o DARF indicado no PER/DCOMP não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 2.224.083,49, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 30/11/1999, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em novembro de 1999, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 9.098.432,31, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 10.654.955,50, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Declara que, efetuada compensação de parte deste crédito por meio de outras PER/DCOMP’s, lhe teria restado saldo no valor de R$ 1.390.254,65. Menciona, ainda, que, a fim de operacionalizar a compensação do débito ora exigido, procedeu à entrega da PER/DCOMP 30588.20365.220704.1.3.040950, demonstrando o referido crédito e sua utilização parcial. Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que não teria sido localizado o DARF no valor de R$ 1.390.254,65, e concluindo que não restariam créditos disponíveis para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944100/200809 Acórdão n.º 3302002.631 S3C3T2 Fl. 5 4 compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1635.992, de 02/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/12/1999 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF INEXISTENTE. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. Diante da confirmação da inexistência do DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) informado na declaração de compensação, impõese ratificar os termos da decisão administrativa que não reconheceu direito creditório tipificado na qualidade de pagamento indevido ou a maior, bem como manter os efeitos legais decorrentes da nãohomologação da compensação declarada. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 09/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 05/06/2013, com recurso voluntário, no qual defende que o DARF informado no PER/DCOMP é o mesmo utilizado para quitar o débito do PA 11/99 apurado na DCTF Original, posto que o valor do principal coincide com o informado no PER/DCOMP, tendo ocorrido erro no preenchimento do PER/DCOMP, passível de retificação. Cita decisões do 1º Conselho de Contribuintes e da CSRF. Por entender importante, a Recorrente tece comentários sobre o prazo prescricional para pleitear restituição, posto que a DCTF retificadora do 4º trimestre de 1999, transmitida em 2003, se utilizou de créditos de períodos compreendidos entre 1994 e 1996, Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944100/200809 Acórdão n.º 3302002.631 S3C3T2 Fl. 6 5 para concluir que o prazo para a propositura de ação de repetição de indébito é de 10 (dez) anos a contar do fato gerador e que a Lei Complementar nº 118/2005 aplicase unicamente os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de novembro de 1999. O pagamento informado no PER/DCOMP ocorreu no dia 15/12/1999, no valor original de R$ 1.390.254,64. O DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB, razão pela qual o pedido foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada. Pelas alegações da Recorrente, o crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 05/12/2003 (data da apresentação da DCTF Retificadora), do pagamento feito no dia 15/12/1999, no valor original de R$ 10.654.955,50, existindo R$ 1.556.523,20 passível de restituição ou compensação. A decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a não confirmação da existência do crédito informado, tendo em vista a não localização, nos sistemas da Receita Federal, do DARF discriminado na DCOMP. Ressaltese que o sucesso da empresa em ver homologada a compensação declarada, nesta instância administrativa, se condiciona à comprovação da liquidez e certeza do crédito, nos termos do artigo 170, caput do Código Tributário Nacional (CTN), a seguir transcrito, devendo estar demonstrado que este tem apoio não só legal como documental. Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifos nossos) Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944100/200809 Acórdão n.º 3302002.631 S3C3T2 Fl. 7 6 Cabe observar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a conseqüente extinção dos débitos vinculados. E, invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso em tela, temse que o contribuinte declarou débitos de COFINS e apontou um documento de arrecadação como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão, que aponta como causa da não homologação da compensação o fato de não ter sido localizado o pagamento indicado na DCOMP como origem do crédito. É de se destacar, ainda, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, antes da emissão do referido Despacho Decisório, de 07/10/2008, o contribuinte, por meio do Termo de Intimação com n.º de rastreamento 754679727, foi informado da não localização do DARF discriminado na DCOMP 26782.48307.150604.1.3.049015 e intimado, em 04/04/2008, a verificar e conferir os dados da ficha DARF informados na DCOMP com os dados do DARF original, bem como a sanar as irregularidades apontadas, tendolhe sido informado, na mesma oportunidade, que a conseqüência da falta de saneamento no prazo concedido poderia acarretar o indeferimento/não homologação da DCOMP. Cumpre registrar, aqui, que a DCOMP 30588.20365.220704.1.3.040950, citada pela empresa, em sua manifestação de inconformidade, não é objeto deste processo administrativo. Cabe salientar, também, que a cópia do DARF que a empresa anexa, em sua manifestação de inconformidade, no valor total de R$ 10.654.955,50, não corresponde àquele informado na DCOMP objeto do Despacho Decisório. Ressaltese, assim, que a empresa não trouxe aos autos nada que conseguisse demonstrar a existência do DARF indicado em sua DCOMP. Deste modo, temse que o contribuinte não conseguiu comprovar, aqui, a existência de indébito tributário, sendo que o DARF informado na DCOMP, que poderia, eventualmente, demonstrar a ocorrência do pagamento indevido ou a maior, gerandolhe crédito, não foi localizado, e ele, quando intimado a sanar tal irregularidade, não o fez, daí decorrendo a não homologação da compensação declarada. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944100/200809 Acórdão n.º 3302002.631 S3C3T2 Fl. 8 7 Ao contrário do alegado, aqui não se trata de erro material porque a Recorrente, intimada da não localização do DARF informado no PER/DCOMP poderia ter retificadoo. Se não atendeu à intimação do Fisco, é porque entendeu que tinha razão e, nesta hipótese, correta a decisão da Autoridade da RFB de indeferir o pleito. Pelo modus operandi constante dos outros processos em julgamento nesta Sessão de Julgamento (P. ex. 10880.915845/200852), também de interesse da Recorrente, mesmo que este Colegiado admita a existência de erro material, passível de retificação, ainda assim não merece prosperar o recurso em julgamento. Isto porque, ao contrário do argüido pela Recorrente, o caso em tela não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte, escriturada em sua contabilidade e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em dezembro de 1999. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 15/12/1999 (data do vencimento da COFINS do PA 11/99), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu aqui também foi mero erro de forma. É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS de 05/96 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 11/99. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de dezembro de 1999, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS de 05/96, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 11/99. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 11/99 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944100/200809 Acórdão n.º 3302002.631 S3C3T2 Fl. 9 8 Portanto, o DARF estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.944100/200809 Acórdão n.º 3302002.631 S3C3T2 Fl. 10 9 Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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