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Numero do processo: 15374.970008/2009-19
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-007.973
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem.
Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UNIVERSAL MUSIC LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 DO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas consideradas nos acórdãos indicados como paradigmas são distintas da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos referenciados, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que conheceram do recurso com retorno dos autos ao colegiado de origem. Em primeira votação, os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello conheceram do recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 00 08 /2 00 9- 19 Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 15374.970008/200919 Acórdão n.º 9303007.973 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3801003.636, 24 de julho de 2014, decisão que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem na Declaração de Compensação transmitida pelo contribuinte, lastreada em crédito oriundo de recolhimento indevido ou maior que o devido de PIS. O despacho decisório exarado não reconheceu o direito creditório informado no PER/DCOMP, sob o fundamento de que o pagamento relacionado havia sido localizado, mas fora integralmente utilizado para quitação de débitos anteriormente declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese que: apurou valor devido menor que o recolhido, utilizando o crédito resultante para a presente compensação, retificando a DCTF e o DACON correspondentes; a decisão questionada foi proferida juntamente com 82 outras, tornando evidente que a impugnante não teve tempo hábil para exercer de forma ampla seu direito de defesa; as despesas que geraram os créditos objeto da compensação são decorrentes dos custos com gravação e dos pagamentos de direitos autorais, conforme já manifestado por meio da Solução de Consulta nº 33/05, da 2ª Região Fiscal; sobre a questão tratam ainda as Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2004. A DRJ no Rio de Janeiro/RJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão de primeiro grau contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado a quo deu provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório referente apenas aos gastos com serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes, afinação de instrumentos; efetuados junto a pessoas jurídicas domiciliadas no país, cujas aquisições tenham se submetido ao pagamento da contribuição, com base nos documentos acostados aos autos, resguardandose à RFB a apuração da idoneidade destes documentos. O Acórdão 3801003.636 possui a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. DIREITOS AUTORAIS. Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 15374.970008/200919 Acórdão n.º 9303007.973 CSRFT3 Fl. 4 3 Os direitos autorais pagos pela indústria fonográfica só dão direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativas se tiverem se sujeitado ao pagamento da Cofins importação e da Contribuição para o PIS/Pasep importação. NÃO CUMULATIVIDADE. INDÚSTRIA FONOGRÁFICA. CUSTOS DE GRAVAÇÃO. INSUMO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Custos de gravação da indústria fonográfica que não se caracterizem gastos com bens e serviços efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de obras fonográficas destinadas à venda, na prestação de serviços fonográficos ou que não estejam amparados por expressa disposição legal não dão direito a créditos da contribuição para a Cofins ou PIS/Pasep não cumulativas. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO NÃOCOMPROVADO DOCUMENTALMENTE. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de comprovar documentalmente o direito de crédito informado em declaração de compensação, o que não se limita a simplesmente, juntar documentos aos autos, no caso em que há inúmeros registros associados a inúmeros documentos. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA CONTÁBIL. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Devem ser indeferidos os pedidos de perícia e de diligência, quando formulados como meio de suprir o ônus probatório não cumprido pela parte. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência suscitando dissenso em relação ao conceito de insumo adotado no acórdão recorrido. Para comprovar a divergência apontou os acórdãos de nºs. 20312.448 e 20400.795. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, sob o argumento que no acórdão paradigma n.º 20312.448 foi julgado caso de empresa industrial, sendo analisados o direito de crédito de diversos tipos de aquisições de bens e serviços, cujas glosas foram mantidas pelo colegiado, que adotou o conceito de insumo próprio da legislação do IPI para analisar o direito de crédito da contribuição nãocumulativa. Por sua vez, na decisão recorrida adotouse um conceito mais amplo, que resultou em admitirse direito de crédito da contribuição em relação aos serviços de captação de imagens, mixagem, gravação e edição; locação de equipamentos; transporte de instrumentos musicais e equipamentos; serviços prestados por empresas de músicos instrumentistas, vocalistas e regentes e de afinação de instrumentos. O Contribuinte também interpôs Recurso Especial de Divergência, mas foi lhe negado seguimento, por ser intempestivo. Contrarrazões foram apresentadas pelo Contribuinte, manifestandose pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório em síntese. Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 15374.970008/200919 Acórdão n.º 9303007.973 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.943, de 22/01/2019, proferido no julgamento do processo 15374.951434/200945, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.943): "Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisar o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matérias enfrentadas pela Fazenda em sede de apelo especial é referente à aplicação do conceito de insumos. O Contribuinte dedicase à produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos, conforme se depreende do seu objeto social. E no exercício de suas atividades, entende que incorre em dispêndios diretamente relacionados ao seu objeto social: 1 o pagamento de royalties relativos a cessão de direitos autorais; e 2 custos de gravação. No acórdão paradigma n.º 20312.448 apresentado pela Fazenda Nacional traz a seguinte ementa: Ementa(s) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2003 IPI. CRÉDITOS. Geram o direito ao crédito, bem como compõem a base cálculo do crédito presumido, além dos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, stricto sensu, e material de embalagem), e os artigos que se consumam durante o processo produtivo e que não faça parte do ativo permanente, mas que nesse consumo continue guardando uma relação intrinsica com o conceito stricto sensu de matériaprima ou produto intermediário: exercer na operação de industrialização um contato físico tanto entre uma matériaprima e outra, quanto da matériaprima com o produto final que se forma. Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 15374.970008/200919 Acórdão n.º 9303007.973 CSRFT3 Fl. 6 5 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. GLOSA PARCIAL O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições especificas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias, cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, manutenção predial. Recurso negado. Argumentos contidos no acórdão paradigma não guardam relação com o presente caso concreto, pois trata de uma industria de tecidos que tem peculiaridade totalmente diferente de uma industria da produção e comercialização de discos fonográficos e videofonográficos, fitas e fios gravados ou preparados para gravação, edição e comercialização de obras musicais, literárias ou líteromusicais, bem como a prestação de serviços de distribuição de produtos fonográficos e videofonográficos. Já no acórdão paradigma n.º 20400.795, verificase que a questão destinase a uma indústria de calçados. Vejase: "Decorrente de diligência na empresa, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal de fls. 724/733 propondo a glosa dos insumos adquiridos por pessoas físicas e cooperativas, uma vez que nesses casos não há incidência de PIS e COFINS. Também foi proposta a glosa de combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes sob fundamento que tais produtos, embora possam ser usados no processo produtivo, não são matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem." E verificase que no acórdão paradigma que questão destinase a outro caso, que não o presente. Vejase: "Os bens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido não atendem a esses requisitos. Com efeito, os materiais auxiliares de limpeza, por exemplo, não sofrem alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Outrossim, as embalagens dos produtos de limpeza não guardam qualquer identidade com os insumos diretamente utilizados na fabricação do produto industrializado. Percebase: as embalagens em questão não acondicionam o produto final da recorrida (calçados), mas os materiais de limpeza, daí o descabimento de enquadrálos como insumos." (grifouse) Como informado acima a Contribuinte não produz calçados e nem tecido e sim é uma indústria de fonográfica e videofonográfica e os custos reconhecidos pelo v. acórdão recorrido como passíveis de creditamento não são de produtos de limpeza ou embalagens de produtos de limpeza, combustíveis, lubrificantes, energia elétrica e de produtos usados no tratamento de água e efluentes como se observa pelos autos. Sendo assim, em face da completa dissociação entre o quanto discutido nos presentes autos, o entendimento consagrado pela Turma Recorrida e as alegações contidas no Especial Fazendário, evidenciase que este não poderia sequer ser admitido. Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 15374.970008/200919 Acórdão n.º 9303007.973 CSRFT3 Fl. 7 6 Diante do exposto, entendo que não ficou comprovada a divergência, não há semelhança fática entre o acórdão recorrido e o paradigma. Não há como afirmar que se as situações fáticas fossem iguais, se o colegiado paradigmático daria o mesmo entendimento . Em vista de todo o exposto, voto por não conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1675DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721798/2015-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.760
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 79 8/ 20 15 -2 0 Fl. 298DF CARF MF Processo nº 16682.721798/201520 Resolução nº 3201001.760 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 16682.721798/201520 Resolução nº 3201001.760 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 300DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.967297/2012-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.001
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Deroulede - Presidente
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede - Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Presidente (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Relatório Transcrevo e adoto como parte de meu relato o relatório do acórdão da DRJ/RPO nº 1458.793, da 4ª Turma, proferido na sessão de 28 de maio de 2015: Trata o presente de Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Cofins, referente ao fato gerador de janeiro/2012. A DeratSP, por meio do despacho decisório de fl. 8, indeferiu o pedido porquanto o Darf relativo ao crédito indicado no PER/DCOMP já RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 67 29 7/ 20 12 -2 2 Fl. 453DF CARF MF Processo nº 10880.967297/201222 Resolução nº 3302001.001 S3C3T2 Fl. 3 2 havia sido utilizado para extinguir o próprio tributo, não restando crédito a restituir. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, de fls. 13/15, alegando, em resumo, que, relativamente ao mês de janeiro de 2012, o valor da contribuição devida era de R$ 1.059.338,98, mas que realizou pagamentos de R$ 2.391,21, R$ 12.406,87 e R$ 1.318.940,29, no total de R$ 1.333.738,37, resultando assim em um indébito no valor original de R$ 274.399,39, que utilizou para compensar com a própria Cofins referente a abril e maio de 2012, por meio dos PER/DCOMP finais 5152 e 4905, este último em análise pelo presente, conforme cópia da Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) do período. Esclarece que, de acordo com a legislação de regência, teria direito de utilizar esse crédito para compensação com débitos de tributos federais.. Em sua manifestação de inconformidade a recorrente alegou que a não homologação da compensação solicitada não poderia prosperar, pois o crédito já existia quando do protocolo do pedido, pois teria recolhido valor a maior do que efetivamente era devido, sem alegar qualquer nulidade relacionada do despacho, alegando que o crédito apontado como devido estaria quitado, tendo em vista a compensação informada, não havendo em sua peça de inconformismo pedido de diligência. Com a manifestação de inconformidade, trouxe aos autos (efls. 40/99), documentos que supostamente comprovariam suas alegações. A decisão da DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, por entender não ter havido a comprovação da veracidade do crédito objeto da compensação, não sendo possível a aferição da certeza e liquidez dos mesmo, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 24/02/2012 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LIQUIDEZ E CERTEZA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimada da decisão acima, a recorrente interpôs o presente recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, traz novos argumentos não observados na peça de inconformismo, como pedido de diligência, juntando documentos que não foram juntados quando do protocolo da manifestação de inconformidade. Passo seguinte o processo foi enviado ao E. CARF para julgamento, sendo distribuído para a relatoria desse Conselheiro É o relatório. Voto Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10880.967297/201222 Resolução nº 3302001.001 S3C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator: O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria de competência dessa Turma, merecendo ser conhecido e analisado em seu mérito. I Preliminares Nulidades Segundo a recorrente haveria a necessidade de decretação de nulidade da r. decisão de piso por supostamente ter havido mudança do critério jurídico para a manutenção de indeferimento do direito creditório e, por não ter sido intimada para apresentar documentação que comprovasse a existência de seus suposto direito. Para a recorrente a autoridade julgadora teria promovido a mudança de critério jurídico para a manutenção da não homologação do pedido de compensação, pois diferentemente do que fora constatado no despacho decisório, teria fundamentado sua decisão na falta de apresentação de documentos hábeis que comprovariam o direito. Entretanto, entendo não assistir razão à recorrente. As verificações feitas anteriores ao despacho decisório com relação a existência ou não dos créditos pleiteados, são feitas com base em informações localizadas no sistema da RFB, e são realizadas de forma eletrônica, vale dizer, não há interferência humana nessa fase. Indeferido o pleito, abrese a possibilidade do contribuinte, por meio da manifestação de inconformidade, demonstrar por documentos válidos (fiscais e contábeis) a existência do crédito solicitado. A partir desse momento é que os documentos são analisados pelo julgador de primeira instância, que verificará a existência do direito ou a manutenção da do despacho decisório. Foi exatamente esse procedimento que foi observado na presente demanda. Os documentos apresentados pela recorrente em manifestação de inconformidade foram analisados pela autoridade julgadora e considerados insuficientes para a demonstração de existência do crédito, não havendo qualquer alteração de critério jurídico para a prolação de decisão recorrida. Quanto à suposta nulidade por não ter sido intimada a apresentar documentos que comprovassem seus direito, entendo que as alegações trazidas pela recorrente encontram se totalmente fora do plano fático da presente demanda, tendo em vista que estarmos diante de um procedimento promovido pela própria contribuinte em busca de crédito tributário que lhe seria garantido. Em situações tais como essa, é de ciência de todos que o ônus da prova da existência, certeza e liquidez do crédito pleiteado, é de total e irrestrita responsabilidade do contribuinte requerente, que deve trazer ao processo todas as provas que embasem seu direito. Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por Fl. 455DF CARF MF Processo nº 10880.967297/201222 Resolução nº 3302001.001 S3C3T2 Fl. 5 4 parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)1 Destarte, deve ser afastada a nulidade alegada pela recorrente no que tange a falta de intimação para a apresentação de documentos comprobatórios de seus crédito. II Do Mérito O inconformismo contra a r. decisão de piso, cingise na falta de prova da liquidez e certeza do crédito da recorrente. Segundo o despacho decisório, que utiliza o sistema da RFB para consultar as informações declaradas pelo contribuinte, não houve homologação porque os dados lançados na PER/DCOMP não correspondiam com aqueles lançados em DCTF, sendo certo que os valores do DARF já haviam sido consumidos para a quitação de outros débitos da contribuinte. Em que pese ter havido a retificação da DCTF e DACON, juntadas com a manifestação de inconformidade, segundo a decisão de piso os valores declarados eram ainda maiores do que aqueles lançados na declaração original, e não teriam sido trazidos documentos ficais e contábeis aptos a comprovar a existência, certeza e liquidez dos créditos pleiteados. 1 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10880.967297/201222 Resolução nº 3302001.001 S3C3T2 Fl. 6 5 Esclarecese que a retificação das declarações pode ser feita antes ou depois do despacho decisório, pois o critério temporal é irrelevante para fins de conhecimento do crédito. No entanto, somente a retificação das declarações não se presta a demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pela contribuinte, havendo a necessidade de apresentação de provas idôneas, como demonstrativos contábeis e documentos fiscais, que demonstrem a existência do crédito. Vale dizer, é necessário que o contribuinte demonstre por meio de provas o suposto equivoco no preenchimento das declarações originais. Devemos ressaltar que esse é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, representada nesse momento no acórdão nº 9303005.520, conforme ementa colacionada abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004 DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. Recurso Especial do Contribuinte negado. Assim, é obrigação do contribuinte demonstrar por documentação hábil e idônea, contábil e fiscal, a origem e liquidez do crédito pleiteado, o que no meu sentir, não foi feito na manifestação de inconformidade, momento oportuno para que referidas alegações viessem aos autos. A escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20112. Pois bem. No âmbito deste Colegiado prevalece o entendimento de que, nos pedidos de restituição e compensação, o ônus da prova da existência do direito creditório é do contribuinte, conforme exemplificam os acórdãos trazidos abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. 2 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). Fl. 457DF CARF MF Processo nº 10880.967297/201222 Resolução nº 3302001.001 S3C3T2 Fl. 7 6 Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. (Número do Processo 10880.674831/200954. Relatora LARISSA NUNES GIRARD. Data da Sessão 13/06/2018. Nº Acórdão 3002000.234) PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (Acórdão 3401005.408. Relatora Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Data da Sessão 24/10/2018.) Entendo que os documentos apresentados pela recorrente, ainda que de forma indiciária, são aptos a demonstrar do direito alegado. Os documentos efls. 40/99, comprovariam o alegado, e a inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. III Conclusão Por todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (efls. 40/99) apresentada corresponde efetivamente os lançamentos e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos, e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 458DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10074.001733/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2006
EXPORTAÇÃO FICTÍCIA. PERDIMENTO. REGULAMENTO ADUANEIRO DE 2002.
O art. 618, do Decreto nº 4.543/2002, não arrolava a "exportação fictícia" como infração sujeita à pena de perdimento.
PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. INAPLICABILIDADE NA EXPORTAÇÃO ANTES DA MP 497/2010.
A multa substitutiva do perdimento, prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto-Lei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por trazer base imponível relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). A multa substitutiva do perdimento passa a ser devida, na exportação, somente a partir de 28/07/2010, inclusive, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º.
Numero da decisão: 3302-006.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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PERDIMENTO. REGULAMENTO ADUANEIRO DE 2002. O art. 618, do Decreto nº 4.543/2002, não arrolava a "exportação fictícia" como infração sujeita à pena de perdimento. PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. INAPLICABILIDADE NA EXPORTAÇÃO ANTES DA MP 497/2010. A multa substitutiva do perdimento, prevista no § 3º do artigo 23 do Decreto Lei nº 1.455/1976, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, é inaplicável à exportação, por trazer base imponível relacionada estritamente à importação (valor aduaneiro). A multa substitutiva do perdimento passa a ser devida, na exportação, somente a partir de 28/07/2010, inclusive, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que dá nova redação ao citado § 3º. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 4. 00 17 33 /2 01 0- 31 Fl. 1909DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 144 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Tratase de auto de infração (fls.777 a 785), protocolado em 03/11/2010, notificado aos sujeitos passivos conforme tabela abaixo, com vistas à constituição da multa de CONVERSÃO do perdimento, em virtude de ocultação de pessoas em operações de EXPORTAÇÃO, no valor total igual a R$ 36.482.795,07, com fundamento no art.23 §2º, do DecretoLei nº 1.455/76, c/c arts. 602, 604, inciso IV, 618 XXII1 e §1º, do Decreto nº 4.543/02, e arts. 73, §§1º e 2º, 77 81 III, da Lei nº 10.833/03. Segundo se depreende do quadro "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO(S) LEGAL(IS)" (fls.781), foi considerado o "valor aduaneiro" constante dos Registros de Exportação do período fiscalizado (fls.825 a 838), para que fosse possível a aplicação da "multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria pela impossibilidade de sua apreensão, face a ocorrência de exportação fictícia em que não se logrou localizar as mesmas". O relato fiscal sobre os fatos encontrase no Termo de Verificação (fls.786 a 795), que apontou a ocorrência de duas "infrações" (fls.786, segundo parágrafo): a) Exportação fictícia (fls.788 a 792, item "3.1") Essa foi a razão do procedimento fiscal, em virtude de demanda da Vara Federal Única de Cáceres/MT (fls.796), considerando os fatos apurados nos autos da Ação Penal nº 20083601 0043395, dos quais foram extraídas algumas de suas peças, "para serem utilizados como elementos de prova visando à instrução dos competentes procedimentos administrativos fiscais a serem instaurados" (fls.787, segundo parágrafo). A empresa constante do p.p. era uma, de um total de três7, ligadas à pessoa do senhor ROBERTO LUIS RAMOS FONTES LOPES, que também foi indicado como responsável solidário, na autuação vestibular. As investigações preliminares ao ajuizamento dessa ação penal indicaram a existência de um "esquema promovido por um grupo de empresas com vistas, de uma forma geral, a sonegar impostos e a viabilizar ingressos irregulares de recursos do exterior, posto que não havia contrapartida de saída de mercadorias, provenientes provavelmente de remessas anteriores de divisas de origem irregular." (fls.787, quarto parágrafo) (Grifouse) Fl. 1910DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 145 3 Segundo relatado pelas autoridades fiscais, com base nos documentos remetidos pela Justiça Federal, a FOCO adquiria mercadorias da empresa PRAIAMAR INDÚSTRIA, COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO (PRAIAMAR), promovendo "exportações simuladas ou fictícias" para as empresas RASA e MAPRICE, localizadas na Bolívia, cujo transporte também era feito pela PRAIAMAR, valendo notar que se noticiou que houve desembaraços aduaneiros no REDEX de Cáceres/MT, sendo estes questionados no Judiciário (fls.789, quinto e sexto parágrafos). Em resposta a ofício enviado (fls.850 a 851) pela Aduana Brasileira à Boliviana, esta respondeu (fls.852) que, para o período entre janeiro de 2006 e dezembro de 2008, as empresas RASA e MAPRICE não tinham realizado nenhuma importação (fls.790, quarto parágrafo), o que concretizou o entendimento da fiscalização de que teria havido simulação nas exportações, pois as mercadorias não teriam ingressado no território boliviano (fls.790, último parágrafo). Nesse sentido, vale destacar a seguinte passagem lavrada pelas autoridades fiscais, reconhecendo a supremacia da decisão exarada pelo Judiciário nacional, acerca dessa matéria (fls.792, primeiro parágrafo): "Vale ressaltar, mais uma vez, o cometimento da avaliação da validade das provas de exportação (RE e MIC/DTA) ao Poder Judiciário, o que obstrui qualquer juízo de valor pelas autoridades administrativas, pois a validade destes documentos, ao final, estará imunizada pela coisa julgada material, de uma forma ou de outra." Foi descartada a hipótese de extravio das mercadorias, após início do Trânsito Aduaneiro, pelo fato de que nem a exportadora (brasileira), nem as importadoras (bolivianas) sinalizaram qualquer problema nas operações. Outrossim, a fiscalização também interpretou como simulação a circunstância de ter havido a mesma descrição das mercadorias que foram, em tese, utilizadas para integralização do capital social, nas exportações. b) Interposição fraudulenta, na exportação (fls. 792/793, item "3.2") A conclusão pela ocorrência dessa infração se deu com base no encerramento sumário de procedimento fiscal conduzido nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228/2002, cujo art.10 prescrevia tanto a representação pela inaptidão no CNPJ (processo 12749.000011/201013), quanto a aplicação da pena de perdimento. Consta no documento de fls.865 (primeiro parágrafo): "...está sendo encerrada sumariamente, na forma do art. 10 da mencionada IN, em razão, de um lado, do não comparecimento do administrador à entrevista disciplinada no art. 4º, I, da IN n° 228/2002, e, de outro lado, por não ter sido apresentado o acervo documental exigido no Termo de Início e reexigidos nos Fl. 1911DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 146 4 Termos de Reintimação e Recibo de Documentos n° 01 e 02, conforme abaixo pormenorizado." Com o Ato Declaratório Executivo nº 23/2010 (fls.1.013), publicado em 24/03/2010 (fls.1.015), declarouse a inaptidão no CNPJ do contribuinte e a ineficácia, para fins tributários, dos documentos expedidos por ele a partir de 31/01/2006. Em 07/12/2010, houve apresentação de impugnação (fls.1.040 a 1.056) pela responsável solidária (TERCÍLIA COVRE FERREIRA), representada por advogado, tendo alegado, em síntese: a) que a fiscalização deveria ter aferido a situação do andamento da ação penal, antes da lavratura do auto de infração; b) que os Auditores Fiscais da RFB não teriam competência para arrolar sujeito passivo na qualidade de responsável tributário, já que isso somente poderia ocorrer com a inscrição em dívida ativa, nos termos do art.142 c/c art.202 caput, do CTN, bem como dos arts.2º e 3º I, da Lei nº 6.830/80; c) que, uma vez atestada, pela fiscalização aduaneira, a inexistência da mercadoria, já que as exportações teriam sido simuladas, não seria possível aplicarlhe o perdimento e, consequentemente, a multa pelo seu equivalente em dinheiro; d) que, segundo extratos bancários e registros contábeis (Livro Diário) que apresentava, a impugnante efetivamente integralizou suas quotas sociais; e) que a fiscalização se utilizou de provas emprestadas da ação penal nº 2008.36.01041480, sendo que o Habeas Corpus nº 2009.01.00.472580, impetrado perante o TRF da 1ª Região, decidiu, com trânsito em julgado, pela ilicitude das provas utilizadas pelo Ministério Público, o que nulificaria suas derivações. "Resulta, destarte, que toda a prova obtida em decorrência da quebra do sigilo telefônico a partir de 12/07/2006 é total e absolutamente nula, sendo certo que a decisão referida atinge e beneficia direta e logicamente a Impugnante." (fls.1.049) No caso, as provas documentais foram obtidas a partir das "escutas telefônicas", devendo ser consideradas nulas, por derivação, com fundamento no art.157 caput e §1º, do CPP, bem assim no art.30, da Lei nº 9.784/99, e no art.5º LVI, da CF/88; f) que teria havido cerceamento do direito de defesa da impugnante, já que a fiscalização mencionou que não se utilizou de todos os documentos expedidos pela Justiça Federal, mas somente aqueles que considerou suficientes para o lançamento. No caso, não foi franqueado ao impugnante a íntegra dos documentos enviados pelo Judiciário; g) que os documentos expedidos pela Aduana brasileira, embora analisados pelo Judiciário, preservam sua validade até que Fl. 1912DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 147 5 fossem invalidados por decisão judicial. Nas palavras da impugnante: "O que não podem os AFRB é emitir o auto como se a simples denúncia criminal alegando esse fato fosse a prova definitiva de que as exportações foram simuladas." (fls.1.053, último parágrafo); h) que não há provas de que a impugnante havia cedido seu exercício social de gestora da sociedade a terceira pessoa, somente suposições; i) que a imputação de responsabilidade solidária se fundou no art.134, do CTN, mas não restou provada a "impossibilidade de cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte"; Nos pedidos formulados, demandou pela declaração de nulidade do auto de infração; pela produção de provas admitidas em Direito; realização de perícias. Em 09/12/2010, houve apresentação de impugnação conjunta (fls.1.087 a 1.175) pelo contribuinte (COMERCIAL EXPORTADORA E IMPORTADORA DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS FOCO), representado pelo seu sócio administrador, e por responsável solidário (ARNALDO KARDEC DA COSTA), tendo alegado, em síntese: a) que foi equivocada a atribuição de responsabilidade solidária, com base no art.134 III, do CTN, uma vez que o apontado como responsável não fazia parte do quadro societário da contribuinte no período das exportações que integraram o p.p. (2006), já que ingressou na sociedade somente em 22/01/2009. À época dos fatos, figurava somente na qualidade de administrador da contribuinte, sendo sócio de outra empresa, esta, sim, sócia da contribuinte (exportadora); b) que, ainda que fosse possível a atribuição de responsabilidade, nos termos do art.134, do CTN, seu §único atribui ao imputado, em matéria de penalidades, somente as de caráter moratório. Assim, não poderia haver extensão desse tipo de responsabilização às multas de caráter sancionatório, como é o caso do perdimento e de sua conversão; c) que os Auditores Fiscais da RFB não teriam competência para arrolar sujeito passivo na qualidade de responsável tributário, já que isso somente poderia ocorrer com a inscrição em dívida ativa, nos termos do art.2º §5º, da Lei nº 6.830/80, sendo aplicável, então, o disposto no art.59 I, do Decreto nº 70.235/72; d) que a fiscalização se utilizou de provas emprestadas da ação penal nº 2008.36.01041480, sendo que o Habeas Corpus nº 2009.01.00.472580, impetrado perante o TRF da 1ª Região, decidiu, com trânsito em julgado, pela ilicitude das provas utilizadas pelo Ministério Público, o que nulificaria suas derivações. No caso, as provas documentais foram obtidas a partir das "escutas telefônicas", devendo ser consideradas nulas, por derivação, com fundamento no art.157 caput e §1º, do Fl. 1913DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 148 6 CPP, bem assim no art.30, da Lei nº 9.784/99, e no art.5º LVI, da CF/88; e) que haveria soberania das decisões emanadas pelo Judiciário, mormente quando se trata da esfera penal, nos termos do art.65, do CPP, c/c art.935, do CC; f) que teria havido cerceamento do direito de defesa do contribuinte, já que a fiscalização mencionou que não se utilizou de todos os documentos expedidos pela Justiça Federal, mas somente aqueles que considerou suficientes para o lançamento. No caso, não foi franqueado ao impugnante a íntegra dos documentos enviados pelo Judiciário; g) que não haveria texto de lei que outorgasse à RFB atividades ligadas à inteligência, sendo que o resultado das pesquisas realizadas pela ESPEI não foi apresentado aos impugnantes, para exercerem o contraditório, o que invalidaria, inclusive, sua utilização como prova emprestada. Tais investigações, providenciadas sem Mandado de Procedimento Fiscal, se deram com base somente na Portaria MF nº 125/2009, especificamente pelo seu art.46, que teria outorgado à RFB a atribuição de investigações criminais, especialmente para combate aos crimes contra a ordem tributária, afrontando o disposto no art.144 §§1º e 4º, da CF, que atribui tal competência (poder de investigação) às polícias judiciárias e, excepcionalmente, ao Ministério Público, bem como o relativo ao exercício do poder de polícia, conforme preceituado pelo art.78, do CTN (poder de fiscalização). Ademais, a Lei nº 9.883/99, que dispõe sobre o sistema brasileiro de inteligência, não tem relação com as atividades da RFB, não podendo, em sua opinião, haver órgão da Administração Pública que venha a criar seus próprios setores de inteligência, principalmente com vistas à constituição de créditos tributários; h) que não se poderia ter a presunção absoluta de ocorrência de interposição fraudulenta devido ao encerramento sumário previsto no art.10, da IN SRF nº 228/2002, já que o art.148, do CTN, garante "avaliação contraditória, administrativa ou judicial". i) que não poderia ser feita a "conversão automática da pena de perdimento em multa", se a fiscalização não realizou qualquer apuração no recinto alfandegado, nem na sede da empresa, já que isso desconsiderou o art.73, da Lei nº 10.833/2003. "Somente após a efetiva realização de uma busca da mercadoria empreendida pela fiscalização tributária na sede da empresa ou em recinto alfandegário, ou até mesmo depois de feita a intimação do contribuinte para apresentála caso se encontre em sua posse, é que se poderia falar em conversão da pena de perdimento em multa na hipótese de nãolocalização da mercadoria." (fls.1.139, último parágrafo) j) que seria ilegal a utilização de documento estrangeiro, de origem boliviana, sem tradução juramentada, afrontando o disposto no art.13, da CF, c/c arts.156 e 157, do CPC/73, Fl. 1914DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 149 7 art.224, do CC, art.129, da Lei nº 6.015/73, art.18, do Decreto nº 13.609/43. "Portanto, não resta a menor dúvida quanto à ineficácia jurídica e à inutilidade como meio de prova da declaração da Aduana Nacional da Bolívia que a autoridade lançadora do auto de infração impugnado utilizou para "comprovar" a realização de exportações fictícias." (fls.1.147, penúltimo parágrafo); l) que a fiscalização não buscou qualquer outro elemento de prova para demonstrar que as mercadorias não ingressaram no território boliviano, tendo sido utilizado, somente, a declaração da Aduana da Bolívia; m) que teria ultrapassado o prazo para anular a compra e venda internacional, por força do disposto no art.178 II, do CC. No caso, a declaração de nulidade deveria ter sido demandada perante o Judiciário (art.168 §único, do CC); n) que não tinha sido disciplinada em lei ordinária a desconsideração de atos ou negócios jurídicos dissimulados, nos termos previstos no art.116 §único, do CTN, razão pela qual a fiscalização não poderia desconsiderar a compra e venda internacional; o) que não se poderia aplicar o perdimento sobre mercadoria declarada inexistente, segundo a própria fiscalização. Isso porque "tanto Decretolei n° 37/66, quanto o Decretolei n° 1.455/76 — e nem mesmo o art. 73 da Lei n° 10.833/03 — não contêm qualquer disposição explícita ou implícita sobre a possibilidade de aplicação da pena de perdimento da mercadoria aos casos em que a própria fiscalização tributária afirme se tratar de bens inexistentes, isto é, de importações ou exportações fictícias". Citouse, ainda, o Acórdão nº 074168, de 11 de junho de 2004, exarado por essa DRJ Florianópolis/SC, e o Acórdão nº 20216146 (Processo nº 10855.003806/9901), da 2ª Câmara, do 2º Conselho de Contribuintes; p) que seria nulo, por vício formal, a declaração de inaptidão no CNPJ (12749.000011/201013); q) que vários dos documentos (DDE, RE, MIC/DTA, notas fiscais, dentre outros) requeridos pela fiscalização tinham sido objeto de apreensão pela Polícia Federal e, portanto, não poderiam ser apresentados pelo sujeito passivo. Dessa forma, deveria ser aplicado o disposto no art.37, da Lei nº 9.784/99. Nos pedidos formulados, demandou pela declaração de nulidade do auto de infração, pela juntada de documentos que acompanhavam (fls.1.176) a impugnação e pela utilização de todos os meios de prova admitidos em Direito. Em 03/01/2011, houve apresentação de impugnação (fls.1.453 a 1.486) pelo responsável solidário (ROBERTO LUIS RAMOS FONTES LOPES), representada por advogado, tendo alegado, em síntese: Fl. 1915DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 150 8 a) que não teria havido acesso aos autos, por parte do responsável solidário, razão em face da qual ocorreu cerceamento de seu direito de defesa, nulificando a autuação, quanto a ele. Afirmou, ainda, que, no dia 27/12/2010, seu representante legal tentou obter cópias dos autos na IRFRJO, mas estes, segundo alegou, tinham sido encaminhados para julgamento, em Santa Catarina, no dia 23/12/2010; b) que seria ilegítimo para figurar no pólo passivo da autuação, já que a fiscalização se baseou na notícia de que ele figurava como administrador de fato, consoante a denúncia apresentada na Ação Penal nº 200843395, sem que fosse feita consulta sobre o andamento do processo penal em questão. No seu entender (fls.1.459, penúltimo parágrafo): "O processo penal, tão utilizado pelos auditores fiscais, encontrase suspenso, tendo em vista inúmeras irregularidades apontadas, dentre elas a nulidade das interceptações telefônicas declaradas judicialmente (com trânsito em julgado), o trancamento da ação em relação a um dos enquadramentos legais e a contaminação de todas as demais provas." Ou seja, sem uma decisão judicial definitiva sobre a participação do impugnante no contexto em que foi denunciado pelo Ministério Público. "Não conseguem as autoridades fiscais comprovar a alegação de que o Impugnante é "administrador de fato" da empresa ora sujeito passivo do Auto. Aliás, essa alegação não está comprovada, sequer, no processo mencionado como base legal para a autuação, que ainda pende de instrução e julgamento, face às inúmeras irregularidades cometidas pelo inquisidor Ministério Público." (fls.1.462, penúltimo parágrafo). Um pouco mais à frente (fls.1.479, primeiro parágrafo do item "III.3"), o impugnante afirmou que a denúncia do MP, imputandolhe a qualidade de "administrador de fato" da FOCO, estava baseada "tão somente em diálogos de terceiros, obtidos a partir de interceptações telefônicas, anuladas posteriormente via judicial". Por fim, ainda se destaca (fls.1.484, último parágrafo antes do item "IV"): "Importante frisar, ainda, que o Impugnante só foi incluído como sujeito passivo no Auto de Infração atacado por causa da informação do Ministério Público na Denúncia, o que não é informação suficiente para que a autoridade fiscal aplique penalidade, uma vez verificada a insuficiência de provas." c) que a fundamentação legal para responsabilização solidária, utilizada pela fiscalização, foi o art.134, do CTN, que demanda, preliminarmente, a configuração da impossibilidade de cumprimento da obrigação tributária principal pelo contribuinte. Acrescese a isso, que tal dispositivo também requer que a pessoa responsabilizada tenha atuado nos atos tributados ou tenha cometido omissões ao arrepio da lei. Mas isso não está provado nos autos; d) que haveria vício formal na autuação, já que não foi informada qual a conduta especificamente praticada pelo impugnante. Foi citado o art.23, do DecretoLei nº 1.455/76, sem ter indicação do inciso específico; Fl. 1916DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 151 9 e) que, dentro das bases legais da autuação, estava o art.73 §§1º e 2º, da Lei nº 10.833/2003, sendo que tal regime jurídico demandava dois procedimentos administrativos: "o primeiro, para verificar a existência de infração capitulada como dano ao Erário e a hipótese de aplicação da pena de perdimento; o segundo, tendente a fundamentar a conversão da pena de perdimento em multa." (fls.1.474, primeiro parágrafo) Para a conversão do perdimento, não bastaria a simples alegação de que era impossível sua apreensão, devendo ser provado, pela fiscalização, a existência do bem e que sua localização, efetivamente, não era possível. Entretanto, "não houve qualquer diligência da autoridade coatora a fim de localizar a mercadoria exportada." (fls.1.476, segundo parágrafo); f) que a pena de perdimento não sendo decretada em processo administrativo próprio, antes de sua conversão em multa pecuniária em outro processo administrativo (art.73 §2º, da Lei nº 10.833/2003) , teria ocorrido infringência ao disposto no art.27, do mesmo DecretoLei nº 1.455/76. Assim, não foi observado o devido processo legal para o caso constante do presente processo; g) que a nulidade das escutas telefônicas tornava nulas todas as provas produzidas a partir delas, o que também abrangeria a determinação judicial no processo 2008.36.01.0040619 para que a Receita Federal iniciasse a ação fiscal nas empresas mencionadas nas ligações telefônicas; Nos pedidos formulados, demandou pela procedência de suas alegações, declarandose a nulidade do auto de infração e/ou sua exclusão do pólo passivo, bem como protestou pela produção de provas admitidas em Direito. Em sessão de julgamento realizada em 01/04/2011, a 1ª Turma, dessa DRJ Florianópolis/SC, exarou, por decisão unânime, o Acórdão nº 0723749 (fls.1.545 a 1.553), que considerou procedente a impugnação, exonerando a íntegra do valor constituído, tendo restado assim ementado: INFRAÇÃO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À NORMA. PENALIDADE. A caracterização da infração depende da subsunção dos fatos à norma legal, sem o que fica impossibilitada a aplicação da penalidade prevista. Analisandose o voto condutor do Acórdão, percebese a existência das seguintes linhas de raciocínio, que compõem a ratio decidendi daquele julgamento, onde cada uma, de forma independente, já seria suficiente para a conclusão pela procedência da impugnação: (I). inexistência da infração "exportação fictícia", dentre as regulamentadas pelo art.618, do Decreto nº 4.543/2002 (fls.1.550, terceiro parágrafo do "voto"); Fl. 1917DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 152 10 (II). inexistência de completo "enquadramento legal" da infração, já que a peça acusatória somente apontou a incidência do art.618, do Decreto nº 4.543/2002, sem mencionar o inciso específico para o caso apurado, tendo afirmando, apenas, que seria devida a conversão em multa (art.23 §3º, do DecretoLei nº 1.455/76) (fls.1.550, quarto e quinto parágrafos do "voto"); (III). inaplicabilidade, à época dos fatos, da multa de conversão do perdimento sobre o "valor aduaneiro" nas exportações, o que teria sido corrigido somente com o art.41, da Lei nº 12.350/2010, que alterou a redação do §3º, do art.23, do DecretoLei nº 1.455/76 (fls.1.551, a partir do segundo parágrafo); (IV). impossibilidade de aplicação da pena de perdimento sobre mercadorias inexistentes e, consequentemente, incabível a conversão do perdimento em multa, pois a não localização ou o consumo pressupõem que o bem exista (fls.1.552, terceiro a quinto parágrafos); (V). inexistência de provas cabais acerca da "exportação fictícia", já que não se apurou se as mercadorias atravessaram a fronteira, mas somente que não houve registro de declaração de importação no país de localização do comprador (Bolívia) (fls.1.552 a partir do sétimo parágrafo; fls.1.553 primeiro parágrafo). Essas foram as razões centrais para decisão tomada no referido Acórdão de primeira instância, tendo levado ao entendimento de que não havia conexão entre os fatos apurados e a sanção indicada no auto de infração, ou seja, não havia perfeita subsunção dos fatos às normas aplicáveis. Vale destacar, ainda, que os itens II a IV, acima, conduziram o raciocínio tanto em face das alegadas "exportações fictícias", quanto da "interposição fraudulenta", decorrente de encerramento sumário das análises (arts.10 e 11, da Instrução Normativa SRF nº 228/2002). Dessa decisão, recorreuse de ofício (fls.1.546), nos termos do art.1º, da Portaria MF nº 03/2008, c/c art.34, do Decreto nº 70.235/72. Houve julgamento do Recurso de Ofício em 25/04/2012, pela 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, gerando o Acórdão nº 320100966 (fls.1.583 a 1.590), que, pelo voto de qualidade, proveu o Recurso dessa 1ª Turma, da DRJ Florianópolis/SC, "para restabelecer o Auto de Infração e retornar os autos à DRJ para análise das questões não debatidas quando do julgamento da impugnação" (fls.1.583), tendo restado assim ementado: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AUTO DE INFRAÇÃO. ENQUADRAMENTO LEGAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Fl. 1918DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 153 11 A inexatidão ou falta de completude da capitulação legal não produz nulidade do auto de infração, se o sujeito passivo demonstra conhecer perfeitamente o motivo em razão do qual foi apenado. Processo Anulado. Analisandose os fundamentos do voto da relatora, podemse extrair as seguintes razões da conclusão, que somente apontou dois fundamentos da decisão recorrida de primeira instância: (I). não teria ocorrido cerceamento do direito de defesa, pela incompletude ou pela inexatidão do enquadramento legal da autuação, uma vez que o sujeito passivo demonstrou "conhecer perfeitamente o motivo em razão do qual foi apenado". (fls.1.589, a partir do quinto parágrafo da transcrição do voto; fls.1.590, primeiro parágrafo, da transcrição); (II). não se poderia interpretar literalmente a questão relativa à conversão do perdimento em multa, no que tange a uma mercadoria inexistente. Seria desnecessário comprovar a materialidade das mercadorias importadas ou exportadas, para aplicação do art.618, do Decreto nº 4.543/2002. (fls.1.590, do segundo até o quinto parágrafos, da transcrição). Ao final da transcrição do voto, foi pontuado (fls.1.590, sexto parágrafo da transcrição): "Deixo de enfrentar os argumentos trazidos na impugnação e que não foram analisados pela DRJ uma vez que em minha avaliação não há de se reconhecer qualquer direito dos impugnantes." Com tais fundamentos, a segunda instância acolheu o entendimento pela anulação do processo, a partir da decisão recorrida, para que fossem analisadas as demais questões ventiladas nas impugnações. O contribuinte (exportadora FOCO) interpôs, em 02/06/2014, Embargos de Declaração (fls.1.604 a 1.610), contra a decisão prolatada pela segunda instância, escorada no argumento de que teria havido omissão (fls.1.606, último parágrafo) quanto a "questões essenciais ao desenlace do litígio", nos seguintes pontos: 1). a inexatidão do enquadramento legal, ao contrário do que fora entendido no Acórdão embargado, era tida pela jurisprudência do CARF como motivo de nulidade do lançamento, tendo citado alguns acórdãos como exemplos; 2). a existência da mercadoria era essencial para aplicação da pena de perdimento e sua eventual conversão em multa, tendo lembrado que a própria fiscalização alegou a inexistência dos bens. Apontouse que o disposto no art.23 §4º11, do Decreto Lei nº 1.455/76, confirmava esse entendimento, uma vez que a multa lançada não impedia a apreensão da mercadoria. Citouse Fl. 1919DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 154 12 o Acórdão nº 3101001269, da 1ª Turma, da 1ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, datado de 23/10/2012. O Despacho nº 3201S/Nº (fls.1.703 a 1.707), da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 3ª Seção do CARF, de 06/02/2017, apreciando a admissibilidade dos Embargos de Declaração interpostos pelo sujeito passivo, pontuou que somente a manifestação recursal do contribuinte tinha sido tempestiva, sendo que as manifestações dos responsáveis solidários (Tercília Covre Ferreira fls.1666/1.667 e Roberto Luís Ramos Fortes Lopes fls.1.675), que demandaram, em essência, pela remessa para julgamento dos Embargos, foram apresentadas fora do prazo. Na construção dos fundamentos pela inadmissibilidade dos Embargos Declaratórios do sujeito passivo, que tinha lastreado suas razões em omissão ocorrida no Acórdão exarado pela segunda instância, asseverouse que o recurso do interessado veiculava, de fato, irresignação contra o voto condutor do Acórdão embargado, sem omissão efetiva, tendo mostrado, então, inadequação no manejo desse recurso. Ademais, é de se destacar, pois há vinculação desse tópico com parte do voto a ser proferido mais à frente: "Impõese destacar que encontrando o julgador fundamentos suficientes para justificar seu convencimento, despicienda torna se a abordagem de outras alegações, ainda que destas tenha a parte se utilizado, porque já então inócuas frente ao julgado, não estando, assim, o julgador jungido às minúcias de todos os argumentos lançados pela parte." (fls.1.705, penúltimo parágrafo) Assim, em despacho irrecorrível (art.65 §3º, do RICARF, com redação dada pela Portaria MF nº 39/2016), os Embargos de Declaração foram rejeitados, pelo Presidente da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. O processo retornou à Primeira Turma da DRJ Florianópolis que julgou a impugnação procedente, nos termos do Acórdão nº 0740.861, de 25 de outubro de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006 DECLARAÇÃO DE NULIDADE FORA DO ART.59, DO DECRETO Nº70.235/72, E RAZÕES NÃO APRECIADAS NA DECISÃORECORRIDA. A declaração de nulidade de decisão de primeira instância deve estar pautada no art.59 II, do Decreto nº 70.235/72, por força, também, do previsto no art.60, do mesmo diploma, não se podendo confundir a eventual preterição do direito de defesa nessa decisão com aquela presente, em tese, no lançamento. Na Fl. 1920DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 155 13 circunstância de anulação da decisão da DRJ "fora do art.59 II", deve ser proferido novo julgamento, contendo as razões de decidir que não foram apreciadas quando do julgamento em segunda instância, uma vez que o art.1.008, da Lei nº 13.105/2015, outorga qualidade substitutiva ao Acórdão proferido por instância superior, o que deve ser visto como abrangente, apenas, daqueles tópicos ventilados na decisão recorrida e que foram adequadamente apreciados. Quanto às demais razões apresentadas na decisão de primeira instância, desde que suficientes para manter a mesma conclusão, devem ser novamente levados à apreciação do CARF, para evitar a "supressão de instância no recurso de ofício". EXPORTAÇÃO FICTÍCIA. PERDIMENTO. REGULAMENTO ADUANEIRO DE 2002. O art.618, do Decreto nº 4.543/2002, não arrolava a "exportação fictícia" como infração sujeita à pena de perdimento. IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DO PERDIMENTO NA EXPORTAÇÃO ANTES DE 28/07/2010. INEXISTÊNCIA DE VALOR ADUANEIRO NA EXPORTAÇÃO. A conversão da pena de perdimento em multa pecuniária (art.23 §1º a 3º, do DecretoLei nº 1.455/76), no contexto de uma operação de exportação, somente foi possível com a redação dada pela Medida Provisória nº 497/2010, publicada em 28/07/2010, convertida na Lei nº 12.350/2010. Aplicase ao lançamento a legislação vigente à época do fato gerador (art.144 caput, do CTN) O valor aduaneiro atrelase a uma operação de importação (Decreto nº 1.355/94; art.149 §2º III "a", da CF/88), não a uma exportação. PROVAS NO AUTO DE INFRAÇÃO. A lavratura de auto de infração deve estar acompanhada das provas dos ilícitos alegadamente ocorridos, consoante disposto no art.9º caput, do Decreto nº 70.235/72, principalmente aqueles que podem ser obtidos diretamente nos bancos de dados da Administração Pública (art.37, da Lei nº 9.784/99). Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado. O acórdão foi submetido ao recurso necessário em vista do valor exonerado, nos termos do art. 34 do Decreto nº 70.235/72, em conformidade com o disposto na Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. É o breve relatório. Fl. 1921DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 156 14 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator O recurso de ofício foi apresentado com observância dos requisitos de admissibilidade, de forma que passo a análise Pelo Termo de Verificação Fiscal, o auto de infração foi lavrado para lançar a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, prevista no § 1° do art. 618, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.245/02 (RA/02), em face de conversão da pena de perdimento da mercadoria, prevista no inc. XXII, do referido dispositivo, em razão da impossibilidade da apreensão das mesmas. A pena de perdimento teve como fundamento jurídico a ocorrência de exportação fictícia. Delegacia de Julgamento em Florianópolis cancelou o auto de infração sob três fundamentos: a) Falta de previsão da exportação fictícia como infração sujeita ao perdimento, previsto no art. 618, XXII, do Regulamento Aduaneiro de 2002; b) Impossibilidade de conversão do perdimento sobre o "valor aduaneiro" nas exportações; e c) Falta de conjunto probatório capaz de comprovar a infração descrita no auto de infração. Sendo essas as matérias do recurso de ofício a ser analisado por esta turma. Falta de previsão da exportação fictícia como infração sujeita ao perdimento, previsto no art. 618, XXII, do Regulamento Aduaneiro de 2002. A Autoridade Fiscal alegou que o recorrente efetuou exportações simuladas e aplicou a pena de perdimento prevista no art. 618, XXII, do Regulamento Aduaneiro de 2002. Acontece que o inciso XXII, do art. 618, do RA 2002, não trata de operações tidas como exportações fictícias. O cânone legal disciplina a hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou responsável pela operação de importação ou exportação. Busca disciplinar o elemento subjetivo da infração. Importante ressaltar que a conduta que imputada ao sujeito passivo pela Autoridade Fiscal não se amolda a nenhuma das infrações previstas nos vinte e dois incisos do art. 618 do RA 2002. Sabemos que o direito tributário é regido pela princípio da tipicidade fechada. Trago à baila breves considerações sobre o tema elaboradas pelo professor Alberto Xavier, verbis: "A partir de então, formouse a noção de que, no direito tributário, prevaleceria a tipicidade fechada ou legalidade estrita, segundo a qual todos os elementos da hipótese de Fl. 1922DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 157 15 incidência e consequência jurídica deveriam estar minuciosamente previsto em lei, sem que exista nenhuma margem de escolha para a Administração. O espaço para o poder regulamentar seria ínfimo, devendo se limitar a dar execução aos dispositivos legais, e não seria possível a utilização de conceitos jurídicos indeterminados e cláusulas gerais no direito tributário. Neste sentido se posicionou a maioria da doutrina brasileira. Ainda para Alberto Xavier, a tipicidade identificase com a reserva de lei absoluta. O princípio da tipicidade diz respeito ao conteúdo da norma. Em nome da segurança jurídica, passouse a requerer que o fato gerador e o dever tributário passassem a ser rigorosamente previstos e descritos pelo legislador. A tipificação não deve aterse somente ao fato jurídicotributário, mas também ao dever jurídico decorrente". Os fatos narrados pela Autoridade Fiscal foram no sentido de que as exportações declaradas pelo sujeito passivo eram fictícias, ou seja, havia ingresso de divisas para o recorrente, contudo, não havia contrapartida de saída de mercadoria para o exterior. Contudo, a conduta imputada pela fiscalização não se subsume a nenhum dos incisos do art. 618 do Regulamento Aduaneiro de 2002. Portanto, resta evidente que a decisão da primeira instância deve ser mantida, sendo negado esse capítulo do recurso de ofício. Impossibilidade de conversão do perdimento sobre o "valor aduaneiro" nas exportações. Quanto a essa matéria, a instância a quo consignou que não era possível a conversão do perdimento em multa pecuniária, pois os fatos ocorreram no segundo semestre de 2006, período em que não havia a previsão de conversão. Sobre o tema, peço vênia para utilizar como razões de decidir o teor do Acórdão nº 3401003.243, da lavra do conselheiro Rosaldo Trevisan, que o abordou de forma didática e precisa, verbis: "Da multa substitutiva do perdimento e sua base de cálculo, na exportação No presente processo, discutese o cabimento da aplicação de multa de "conversão"/substituição da pena de perdimento, pela impossibilidade de apreensão de mercadoria exportada irregularmente entre junho de 2009 e maio de 2011, com enquadramento no artigo 23, V e §§ 1º a § 3º do DecretoLei nº 1.455/1976: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 1923DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 158 16 (...) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei n o 10.637, de 30.12.2002) § 2º Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei no 10.637, de 30.12.2002, na redação vigente à data da prática de parte das infrações)". Tendo em vista alteração posterior efetuada no § 3º do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/1976, pela Lei nº 12.350/2010, cabe indagar de início se tal questão eventualmente afeta o presente processo. A previsão de multa, como "conversão" da pena de perdimento, no caso de impossibilidade de aplicação de tal pena, surgiu, no Brasil, na Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei no 10.637/2002. A leitura das alterações promovidas pela Lei no 10.637/2002 ao art. 23 do DecretoLei nº 1.455/1976 deixa clara sua inserção em um contexto de combate à interposição fraudulenta. Contudo, o texto da redação dada ao § 3º do DecretoLei nº 1.455/1976 apresentou algumas imperfeições, materiais e processuais. As imperfeições processuais acabaram sanadas tanto no artigo 73 da Lei nº 10.833/2003 quanto no artigo 41 da Lei nº 12.350/2010, dirimindo dúvidas acerca do rito e da competência para apreciação dos processos referentes à matéria. A imperfeição material, que apresenta impacto direto no presente processo, também foi sanada no artigo 41 da Lei nº 12.350/2010, e se refere à base de cálculo da multa, que, por certo, nada tem de processual ou formal. Vejase que o texto do § 3º dispõe que a pena de perdimento se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada. A expressão “valor aduaneiro” tem um significado próprio na legislação aduaneira (nacional e internacional). Internacionalmente, corresponde à base de cálculo do imposto de importação, conforme acordado no Acordo para Implementação do Artigo VII do GATT conhecido como “Acordo de Valoração Aduaneira do GATT AVA/GATT”, resultante da Rodada Uruguai do GATT. Tal acordo foi incorporado a nosso ordenamento jurídico mediante aprovação pelo Decreto Fl. 1924DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 159 17 Legislativo nº 30, de 15/12/1994, e promulgação pelo Decreto no 1.355, de 30/12/1994. No Brasil, igualmente, a expressão “valor aduaneiro” se refere à base de cálculo do imposto de importação, conforme se extrai do artigo 2º, II do DecretoLei nº 37/1966, e dos artigos 75 a 89 do Regulamento Aduaneiro (Decreto no 6.759/2009). Quando se está a tratar de exportação, incabível falar em “valor aduaneiro”, sendo a base de cálculo do imposto de exportação “o preço normal que o produto, ou seu similar, alcançaria, ao tempo da exportação, em uma venda em condições de livre concorrência no mercado internacional, observadas as normas expedidas pelo Poder Executivo, mediante ato da CAMEX” (conforme artigo 2º do DecretoLei nº 1.578/1977, com a redação dada pela MP nº 2.15835/2001). Vejase que o próprio Regulamento Aduaneiro, ao classificar multas incidentes sobre o “valor aduaneiro”, as insere no Capítulo de “Multas na Importação” (artigos 702 a 717), não havendo nenhuma multa que tenha por base o "valor aduaneiro" no capítulos referentes a "Multas na Exportação" (artigos 718 a 724) e a "Multas Comuns à Importação e à Exportação" (artigos 725 a 731). Endossando tudo o que foi aqui exposto, o legislador alterou o § 3º do DecretoLei nº 1.455/1976, em 2010, abolindo o termo “conversão”, e possibilitando a aplicação da multa às exportações. O texto originalmente constante do art. 19 da Medida Provisória nº 497, de 27/07/2010, hoje consta na lei de conversão, Lei nº 12.350/2010, em seu art. 41: “Art. 41. Os arts. 23, 28, 29 e 30 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, passam a vigorar com a seguinte redação: " Art. 23. (...) (...) § 3º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. (...)” Assim, a partir de 28/07/2010, data de publicação da Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, passou a ser possível exigir, na impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita à pena de perdimento, na exportação, uma multa equivalente ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente. Fl. 1925DF CARF MF Processo nº 10074.001733/201031 Acórdão n.º 3302006.547 S3C3T2 Fl. 160 18 Sendo assim, só é aplicável a multa na exportação, a partir de 28/07/2010, inclusive, data de publicação da Medida Provisória no 497/2010, posteriormente convertida na Lei no 12.350/2010". Retornando aos autos, os fatos ocorreram no segundo semestre de 2006. Logo, inaplicável a conversão da pena de perdimento em multa pecuniária prevista. Nesta linha de raciocínio, mantenho a decisão de primeira instância sobre a matéria e nego o recurso de ofício. Por derradeiro, a primeira instância afirmou que não havia documentos probatórios suficientes para comprovar a infração imputada pela Autoridade Fiscal. Entendo que a matéria resta prejudicada, pois os capítulos anteriores enfrentados foram suficientes para manter o cancelamento do auto de infração, sendo desnecessária a análise do conjunto probatório, pois em nada melhorará a situação do sujeito passivo. Neste norte, nego provimento ao recurso de ofício. É como voto. Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 1926DF CARF MF
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Numero do processo: 13639.000357/2003-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998
CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998
INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado pela sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, decidiu que o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, conforme determina o art.150, § 4º do CTN, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento. Entretanto, o prazo se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso em que houver ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação conforme disposto pelo artigo 173, I do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO SÚMULA CARF No 2
Não compete aos membros do CARF a análise de inconstitucionalidade de norma tributária vigente conforme determinado pela Súmula CARF no 2.
Numero da decisão: 3001-000.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da parte da compensação devido à concomitância. No mérito, na parte conhecida, acordam, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 CONCOMITÂNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado pela sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil de 1973, decidiu que o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, conforme determina o art.150, § 4º do CTN, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento. Entretanto, o prazo se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso em que houver ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação conforme disposto pelo artigo 173, I do CTN. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO SÚMULA CARF No 2 Não compete aos membros do CARF a análise de inconstitucionalidade de norma tributária vigente conforme determinado pela Súmula CARF no 2.
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APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1998 a 30/06/1998 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado pela sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil de 1973, decidiu que o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, conforme determina o art.150, § 4º do CTN, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento. Entretanto, o prazo se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso em que houver ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação conforme disposto pelo artigo 173, I do CTN. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO SÚMULA CARF No 2 Não compete aos membros do CARF a análise de inconstitucionalidade de norma tributária vigente conforme determinado pela Súmula CARF no 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 63 9. 00 03 57 /2 00 3- 94 Fl. 119DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da parte da compensação devido à concomitância. No mérito, na parte conhecida, acordam, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Marcos Roberto da Silva (Presidente) e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Trata o presente processo de auto de infração relativamente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1998, sendo que a Contribuição para o PIS objeto do lançamento foi de R$7.345,00, mais juros e multa. O lançamento é decorrente da falta de pagamento da contribuição, uma parte relativa ao 1° trimestre do anocalendário 1998, motivada por informação em DCTF de compensação cuja vinculação não restou confirmada. A outra parte referese a competência 06/1998 e decorre da falta de recolhimento cujo pagamento não foi localizado. Inconformada com a imposição, a contribuinte ingressou com impugnação, alegando, em síntese: 1) é plena a aplicabilidade da regra prevista no parágrafo único do art. 6° da LC 07/70, a denominada semestralidade do PIS; 2) que impetrou mandado de segurança, pleiteando a declaração do direito de compensar o excesso recolhido a título de PIS, quando teve reconhecida a inconstitucionalidade dos DecretosLei 2445 e 2449 de 1988 e declarado o direito à compensação. A DRJ de Juiz de Fora julgou procedente em parte a impugnação, conforme Acórdão no 0929.275 a seguir transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Anocalendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada falta de recolhimento deve persistir o lançamento efetuado. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. Não se conhece da impugnação na parte em que o pedido e seus fundamentos forem idênticos àqueles formulados pelo contribuinte em ação judicial, devendo a autoridade preparadora cumprir a decisão transitada em julgado. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13639.000357/200394 Acórdão n.º 3001000.743 S3C0T1 Fl. 326 3 SEMESTRALIDADE. O Parecer PGFN/CRJ/N° 2.143/2006, com base no qual foi editado o Ato Declaratório PGFN n° 8, de 16/11/2006, implica no reconhecimento administrativo da semestralidade na vigência dos Decretoslei 2.445 e 2.449/88. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendose a decadência pelos ditames do art. 173 do CTN, com inicio do lapso temporal no primeiro dia do exercício seguinte Aquae em que o lançamento poderia ser efetuado. Ademais, tratandose de débitos declarados em DCTF, descabe discutir o prazo para formalização da exigência, se o crédito tributário subsistiria constituído pelo contribuinte, mediante formalização em declaração. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de oficio em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os argumentos apresentados na impugnação, que em síntese alega o seguinte: (i) decadência para constituir o crédito tributário; (ii) a permissividade para efetuar a compensação tributária; (iii) do caráter confiscatório da multa; (iv) da inconstitucionalidade da taxa Selic. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Fl. 121DF CARF MF 4 Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento Apesar de o recurso voluntário ser tempestivo, dele se toma conhecimento parcialmente conforme será exposto a seguir. A discussão objeto da presente demanda versa sobre o auto de infração lavrado contra a recorrente referente a Contribuição para o PIS no período de janeiro a junho/1998. A recorrente alega em seu Recurso Voluntário que possui direito a compensação conforme estabelecido pela legislação pátria e também contra argumenta o fato de que apresentou o pedido de compensação à Receita Federal conforme fez juntar cópia da mesma ao presente recurso. Ademais afirma que anexou cópia da decisão transitada em julgado na qual deferiu a compensação requerida e que, por isso, deve ser acolhido o presente recurso. Destaquese que, apesar de argumentar que foram apresentados os requerimentos de compensação, os documentos juntados aos autos pela recorrente não versam sobre a Contribuição para o PIS mas sim sobre a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS conforme pode ser observado nas efls 105 e seguintes. A decisão de piso não conheceu os argumentos da Recorrente no que se refere ao direito à compensação tendo em vista a identidade entre o pedido e a causa de pedir objeto da ação judicial e o presente processo. Reproduzo a seguir os termos da decisão: Não se deve conhecer da impugnação na parte em que contenha idênticos pedido e causa de pedir constantes de ação judicial em que é parte a contribuinte. E o que reza o Ato Declaratório (Normativo) n° 03/96, expedido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal: "a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de a ção judicial – por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente a autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia as instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto;" A petição inicial constante do Mandado de Segurança, quando confrontada com os elementos constantes destes autos, demonstra a concomitância entre a matéria tratada nos processos administrativo e judicial, no que toca ao direito à compensação. Portanto, a matéria objeto do lançamento, relativa ao direito compensação dos valores pagos a maior ou indevidamente de PIS, em função dos DecretosLei 2445 e 2449 de 1988 com o próprio PIS, encontrase sub judice e não cabe aqui sua Fl. 122DF CARF MF Processo nº 13639.000357/200394 Acórdão n.º 3001000.743 S3C0T1 Fl. 327 5 apreciação, devendo a autoridade preparadora cumprir a decisão transitada em julgado. Outro não é o entendimento da segunda instância administrativa — o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF — sobre a situação em foco: Súmula CARF n°1: Importa renúncia as instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em face do exposto acima, não conheço da impugnação apresentada, declarando definitivo, na esfera administrativa, o crédito tributário constituído. Para fins de cobrança devem ser observadas as ocorrências havidas ao longo do processo judicial, principalmente no que se refere a decisões prolatadas, efeitos de recursos interpostos e existência de depósitos do montante integral. Destarte, não há que se apreciar as manifestações produzidas pelo sujeito passivo, devido à prevalência, constitucionalmente definida, do Poder Judiciário em relação a algum julgado administrativo sobre a mesma matéria, o que, forçosamente, leva ao desconhecimento da impugnação. Corroboro com o entendimento esposado pelo Acórdão Recorrido tendo em vista a aplicação da Súmula CARF no 1 acima reproduzida. Portanto, não conheço parcialmente do Recurso Voluntário referente à compensação. Preliminar Preliminarmente a recorrente alega em seu Recurso Voluntário que já decaiu o direito de a Fazenda Pública de constituir o crédito tributário relativamente ao período objeto do presente lançamento, qual seja, janeiro a junho/1998, tendo em vista que o crédito foi tacitamente homologado após o transcurso do prazo de cinco anos conforme disposto no art. 150, §4º do CTN. O art. 62, §2º do Regimento Interno do CARF estabelece que as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo, sob pena de perda de mandato. Nesse sentido, a presente questão preliminar encontrase alinhada com o decidido pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, que versa sobre a decadência para constituição de créditos tributários nos casos de lançamento por homologação. Ficou decidido que o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, conforme determina o art.150, § 4º do CTN, contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento. Entretanto, o prazo iniciarseá a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso em que houver ausência de antecipação de pagamento ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação conforme disposto pelo artigo 173, I do CTN. Reproduzse a seguir a decisão do STJ: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Fl. 123DF CARF MF 6 INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173,I do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009)". Portanto, necessário verificar a ocorrência de quaisquer recolhimentos da Contribuição para o PIS no período objeto do presente lançamento para que se aplique o Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13639.000357/200394 Acórdão n.º 3001000.743 S3C0T1 Fl. 328 7 estabelecido no citado art. 150, §4º, do contrário aplicarseá o disposto no art. 173, I do mesmo CTN para fins de apuração do instituto da decadência na análise da constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública. Na análise meticulosa dos autos, não foi localizado nenhum recolhimento que corroborasse os argumentos apresentados pela Recorrente. Portanto, aplicase a regra estabelecida no art. 173, I do CTN. Portanto, voto por rejeitar a preliminar de decadência suscitada. Mérito Conforme descrito no relatório e na análise do conhecimento do recurso, a discussão objeto da presente demanda versa sobre o auto de infração lavrado contra a recorrente referente a Contribuição para o PIS no período de janeiro a junho/1998. Apesar de não ter sido conhecida a parte do Recurso Voluntário que versa sobre a compensação pretendida, passase a análise dos argumentos que não foram objeto da ação judicial, quais sejam, o caráter confiscatório da multa e da inaplicabilidade da taxa Selic. A Recorrente argumenta que a aplicação da multa de ofício ao patamar de 75% além de imoral é inconstitucional com efeitos confiscatórios. Afirma ainda que se deve cumprir o disposto na Lei no 9.298/96 na qual estabelece que a multa não pode exceder 2% nos casos de não cumprimento de obrigação. Alega também que, para fins de aplicação dos juros sobre o valor principal, deve ser aplicada a taxa de juros de 1% prevista no art. 59 da Lei no 8383, afirmando ser a taxa Selic inconstitucional. Destaquese que não compete a este tribunal administrativo a apreciação da constitucionalidade das disposições de ato legal vigente, qual seja, a Lei no 9.430/96. Esta determinação encontrase disposta na Súmula CARF no 2 abaixo reproduzida: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 125DF CARF MF 8 Fl. 126DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.940183/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 30/06/2002
REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO.
Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.
Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal.
A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis.
PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO.
Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno.
Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.283
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do Fato Gerador: 30/06/2002 REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543-C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendo-se à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2185; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.940183/201126 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402006.283 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria PIS/COFINS Recorrente BALAROTI COMERCIO DE MATERIAIS DE CONSTRUCAO S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 30/06/2002 REPERCUSSÃO GERAL. ART. 15 DO CPC/2015. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. NÃO CABIMENTO. Só há uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador no subsistema especial do processo administrativo fiscal com a aplicação por analogia de instituto do CPC, nos termos do seu art. 15, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema. Não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto do CPC para o processo administrativo fiscal. A vinculação dos julgadores do CARF é unicamente às decisões definitivas de mérito referidas no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade e da presunção de constitucionalidade das leis. PIS/COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. RECURSO REPETITIVO. STJ. TRÂNSITO EM JULGADO. CARF. REGIMENTO INTERNO. Em 13.03.2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR, proferido pelo STJ sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", a qual deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF a teor do seu Regimento Interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 94 01 83 /2 01 1- 26 Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 3 2 Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido em sentido contrário no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da decisão definitiva a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de aplicação obrigatória desse precedente ao caso concreto. Recurso Voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em rejeitar a proposta de sobrestamento do processo até julgamento do RE 574.706. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos e Thais de Laurentiis Galkowicz. No mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Cynthia Elena de Campos. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes, Cynthia Elena de Campos e Larissa Nunes Girard (Suplente convocada em substituição ao Conselheiro Pedro de Sousa Bispo). Ausente o Conselheiro Pedro de Sousa Bispo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 06047.498, através do qual o colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta, mantendo as razões contidas no Despacho Decisório que instrui os autos, indeferindo o pleito da requerente. Cientificada desta decisão, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora em apreço, através do qual pede a reforma da decisão de primeira instância, o que fez com os seguintes argumentos: i) Pleiteou administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente a título de PIS e/ou COFINS em razão da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição, o qual foi indeferido, sob alegação de inexistência de crédito; ii) O ICMS não integra o faturamento (receita bruta) da empresa, piis tratase de receita do Erário Estadual (artigo 155, inciso II da Constituição Federal), sendo, portanto, inconstitucional a inclusão do referido imosto na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 4 3 iii) O Recurso Extraordinário nº 240.7852/MG, reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e/ou PIS; iv) O Supremo Tribunal Federal reconheceu a Repercussão Geral da matéria no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, motivo pelo qual deve o julgamento ser sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.257, de 26 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.940170/201157, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.257) 1: "Na sessão de julgamento, divergi do Voto da Conselheira Relatora, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando esse posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo meus fundamentos de decidir. Preliminar de sobrestamento: Entendo que não cabe o sobrestamento do processo até aguardar decisão definitiva sob repercussão geral, pelos mesmos argumentos deduzidos em meu Voto no processo nº 16327.720780/201631, abaixo transcrito: Processo nº 16327.720780/201631 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.854– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 (...) Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada 1 Transcrito apenas o entendimento que prevaleceu no julgamento (voto vencedor). Íntegra (com voto vencido) pode ser consultada no processo paradigma nº 10980.940170/201157). Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 5 4 Na sessão de julgamento do presente processo, divergi parcialmente do Voto do Ilustre Conselheiro Relator, relativamente à proposta de sobrestamento do presente processo até haja ulterior e definitiva decisão no RE nº 609.096, no que fui acompanhada por outros membros do Colegiado, restando o meu posicionamento vencedor pelo voto de qualidade, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir. Embora na doutrina e na jurisprudência já se utilizasse o direito processual civil como fonte subsidiária do processo administrativo fiscal, o Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 15, inovando em relação ao CPC anterior, trouxe determinação expressa de que: "Na ausência de normas que regulem processos eleitorais, trabalhistas ou administrativos, as disposições deste Código lhes serão aplicadas supletiva e subsidiariamente". Esta Redatora teve a oportunidade de analisar a aplicação do CPC no processo administrativo fiscal em monografia acerca do tema2, na linha de entendimento parcialmente transcrita abaixo: (...) Há um regime jurídico aplicável especialmente ao subsistema processual administrativo fiscal federal, composto pelas normas processuais e princípios contidos, utilizandose da linguagem de James Marins3, nos seguintes quadrantes: constitucional (especialmente o art. 5º, LV e LXXVIII da CF), complementar geral (CTN), ordinário geral do processo administrativo federal (Lei nº 9.784/99) e ordinário federal (Decreto nº 70.235/72), bem como num quadrante infralegal, integrado por um regulamento (Decreto nº 7.574/2011), regimentos internos dos órgãos julgadores (especialmente o Regimento Interno do Carf) e outros atos normativos que veiculem regras processuais. (...) No subsistema processual administrativo fiscal, a Lei nº 9.784/99 tem a função de lei geral do processo administrativo fiscal federal, em cujas normas o intérprete deve se valer na ausência de normas específicas no Decreto nº 70.235/72, antes de, eventualmente, se socorrer de normas de outros subsistemas processuais. (...) 2 PAULA, Maria Aparecida Martins de. Aplicação do Código de Processo Civil no Processo Administrativo fiscal. Monografia (Especialização em Direito Processual Civil) Faculdade Damásio. São Paulo. 2018. 3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro: administrativo e judicial. 11. ed. rev. e atual. São Paulo, RT, 2018, p. 111. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 6 5 A determinação do conteúdo e alcance do art. 15 do CPC envolve a matéria atinente às lacunas e às antinomias, que são defeitos formais do sistema de normas, que devem ser corrigidos em face da unidade e coerência da ordem jurídica. A antinomia jurídica é o conflito entre normas, ou seja, a incompatibilidade que ocorre na aplicação de duas normas vigentes. (...) (...) A lacuna é a incompletude insatisfatória dentro do ordenamento. Sua existência é expressamente reconhecida no ordenamento brasileiro pelo art. 4º da LInDB, que também dispõe sobre a forma de sua colmatação, nestes termos: "Art. 4o Quando a lei for omissa, o juiz decidirá o caso de acordo com a analogia, os costumes e os princípios gerais de direito". Na integração por analogia, partese da solução prevista em lei para outro caso concreto, concluindose pela validade dessa regra para outro caso semelhante, para o qual inexiste previsão legal. (...) (...) Na proposição antecedente da norma do art. 15 do CPC (hipótese), assim considerada a descrição de um possível evento no mundo social, está a identificação da lacuna no caso concreto; e no consequente da norma está o prescritor de conduta ao juiz ou julgador acerca da forma que tal lacuna deverá ser colmatada. Essa descrição é coerente com o fato de que a lacuna deve ser identificada e colmatada para cada caso concreto, com a criação da norma jurídica individual pelo juiz ou pelo julgador administrativo. Portanto, o que está o art. 15 do CPC a determinar é que o método de integração a ser utilizado para colmatar a lacuna é a analogia, de forma que, a um caso concreto não regulado integral ou parcialmente no subsistema processual especial será aplicada uma norma do Código de Processo Civil, prevista para uma situação distinta mas semelhante ao caso não contemplado. Verificase, na doutrina e na jurisprudência, a tentativa de utilização de uma interpretação literal do art. 15 do CPC, de cabimento da aplicação subsidiária ou supletiva do CPC em todas as situações de ausências ou incompletudes das normas processuais especiais, o que não se coaduna com o melhor direito. Vale dizer que só haverá lacuna no subsistema processual especial quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória de acordo com as diretrizes adotadas por Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 7 6 esse subsistema processual. É certo que haverá omissões propositais nas normas do processo administrativo, decorrentes da própria vontade do legislador ordinário de não incorporar determinados institutos processuais civis em nome de princípios e de outras regras tutelados para o subsistema processual especial, tais como a informalidade e a celeridade. (...) Como dito, no subsistema especial do processo administrativo fiscal só haverá uma lacuna de ordem processual a ser colmatada pelo julgador pela analogia, com a aplicação do instituto do CPC, quando houver uma incompletude indesejável ou insatisfatória no referido subsistema.4 Dessa forma, no que interessa ao presente caso, não é porque inexiste disposição normativa que determine o sobrestamento no âmbito do processo administrativo fiscal que se pode dizer que há uma lacuna a ser preenchida com o traslado de tal instituto processual do CPC para o PAF. Aliás, o fato de ter sido revogada disposição anterior do Regimento Interno do Carf que determinava o sobrestamento5, está a revelar que tal omissão no atual Regimento não é indesejável ou insatisfatória para o subsistema processual especial na esfera do CARF. 4 Como esclarece Tercio Sampaio Ferraz Júnior, a lacuna é uma "incompletude insatisfatória dentro da totalidade jurídica", ou seja, é algo incompleto dentro de um limite e, além disso, é também insatisfatório, no sentido de que exprime uma falta ou insuficiência que não deveria ocorrer. FERRAZ JR., Tercio Sampaio. Introdução ao estudo do direito: técnica, decisão, dominação. 2. ed.São Paulo: Atlas, 1994, p. 218. 5 PORTARIA Nº 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. GUIDO MANTEGA Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 atualmente revogada Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (Incluído(a) pelo(a) Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) (Revogado(a) pelo(a) Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 8 7 Não se pode também olvidar que a vinculação com algumas modalidades de acórdãos e enunciados de súmulas judiciais dáse de forma diversa para a Administração Pública e para os juízes e tribunais. Não se pode impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública, como bem explicam Oliveira, Souza e Barbosa6: Essa norma constitucional evidencia o intuito do constituinte de atribuir eficácia vinculante para a Administração Pública apenas a algumas decisões do STF (proferidas após reiteradas decisões e mediante aprovação de no mínimo dois terços dos seus membros) e em determinadas circunstâncias (quando haja controvérsias interpretativas que acarretem grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica). Somamse à hipótese das súmulas vinculantes também (art. 103A da CF) as decisões proferidas pelo STF em controle concentrado de constitucionalidade, que, por força do art. 102, §2°, da CF, também são vinculantes para a Administração Pública. Por expressa opção do constituinte, as demais decisões proferidas pelo Poder Judiciário não irradiam qualquer eficácia vinculante para a Administração Pública.(...) (...) Contudo, não se nega a possibilidade de as leis especiais que regem os processos administrativos preverem tal vinculação. É o que se observa, por exemplo, do art. 62 do Regimento Interno do CARF, que adiciona às hipóteses constitucionais a necessidade de observância dos recursos repetitivos do STJ e do STF. (...) No entanto, diante da omissão do texto constitucional, tratase de medida que se encontra no âmbito da política legislativa de cada entre tributante, não podendo o intérprete conferir tamanha abrangência ao art. 927, a ponto de impor ao julgador administrativo a observância de decisões que não possuem eficácia vinculante para a Administração Pública. Inclusive, no âmbito da própria União, a questão de vinculação aos recursos repetitivos ou proferidos sob repercussão geral dáse de maneira diferente entre o CARF7 e a própria Receita Federal8, eis que, para o 6 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de; SOUZA, Henrique Coutinho de; BARBOSA, Marcos Engel Vieira. O Processo Tributário e o Código de Processo Civil/2015. In: MACHADO, Hugo de Brito (Org.). O processo tributário e o Código de Processo Civil/2015. São Paulo: Malheiros, 2017, p. 352394. 7 Art. 62, §2º do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF nº 343/2005, na alteração dada pela Portaria MF nº 152/2016. 8 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 9 8 CARF, basta que a decisão judicial de mérito seja definitiva, enquanto para a Receita Federal a vinculação só existe após a manifestação da PGFN. Com efeito, no caso do CARF, se a vinculação do seu julgador só ocorre após o trânsito em julgado das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ sob a sistemática dos arts. 543B e 543C do CPC/73 ou dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/2015, antes disso o processo deve ter seu seguimento normal, não havendo que se falar em sobrestamento para aguardar a decisão definitiva de mérito do STF ou STJ, mesmo porque, para a Administração Pública, prevalece a constitucionalidade e a legitimidade de todas as leis vigentes enquanto tais atributos não sejam afastados pelo órgão competente. Melhor dizendo, a vinculação dos julgadores do CARF é unicamente à decisão definitiva de mérito de tais processos judiciais, de forma que, enquanto ela não sobrevenha, o processo administrativo deve ser julgado normalmente, em conformidade com a livre convicção do julgador e com os princípios da oficialidade da Administração Pública e da presunção de constitucionalidade das leis. O disposto no art. 1035, §5º do CPC, no sentido de que o relator no Supremo Tribunal Federal, após reconhecida a Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 10 9 repercussão geral, determinará a suspensão do processamento de todos os processos pendentes que versem sobre a questão e tramitem no território nacional restringese aos processos judiciais, que têm caráter jurisdicional e para os quais há todo um procedimento específico regulado no CPC em face do sobrestamento. Em síntese, embora tenha havido a opção da Administração Pública no âmbito do CARF por vincular seus acórdãos às decisões definitivas de mérito em temas sob repercussão geral, conforme determinado em seu Regimento Interno, não há nele atualmente nenhuma determinação restringindo as condutas dos julgadores até que sobrevenha o julgamento definitivo da questão pelo STF, razão pela qual o procedimento em relação a esses processos é idêntico ao dos demais processos para os quais não há questão controversa envolvendo processos sob repercussão geral. Esse posicionamento tem prevalecido na jurisprudência do CARF, conforme demonstram as ementas abaixo: Acórdão nº 2301005.156 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de outubro de 2017 Relator: João Maurício Vital (...) REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PRINCÍPIO DA OFICIALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE SOBRESTAMENTO. O processo administrativo é regido pelo princípio da oficialidade. Não há lei ou norma regimental que autorize o sobrestamento do julgamento em razão do reconhecimento, pelo STF, de repercussão geral de matéria ainda pendente da decisão judicial. Suspensão do julgamento indeferida. (...) Acórdão nº 3401003.636 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Relator: Rosaldo Trevisan (...) Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 11 10 REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. (...) Assim, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento do presente processo. (...) Dessa forma, também no presente processo há de ser rejeitada ao proposta de sobrestamento do feito até o julgamento definitivo do tema sob repercussão geral. ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins: Em relação à inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais, como esclarecido pelo Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no Acórdão 3402003.317, de 28 de setembro de 2016, que negou provimento ao recurso voluntário em votação unânime do Colegiado, "O recolhimento efetuado pelo contribuinte, incluindo o ICMS na base de cálculo da contribuição, está calcado em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/779 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978". Dessa forma, "o valor do ICMS integra o preço da mercadoria, sendo tal valor deduzido contabilmente como despesa operacional". A Lei nº 9.718/98 define a incidência das contribuições sociais sobre o faturamento, correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, prevendo a exclusão das suas bases de cálculo somente do IPI e do ICMS, este apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Também as Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que instituíram a não cumulatividade na apuração 9 Art. 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. §1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 12 11 dessas contribuições, definem que a base dessas contribuições é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida e a classificação contábil adotada, sendo que, quanto ao ICMS, apenas preveem que as receitas decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes de créditos de ICMS originados de operações de exportação não integram a base de cálculo das contribuições. Ademais, em 13/03/2017 transitou em julgado o Recurso Especial nº 1144469/PR10, sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, que firmou, para efeito de recurso repetitivo a seguinte tese: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", conforme ementa abaixo: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, § 2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 10 O SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, com base nos seus registros processuais eletrônicos, acessados no dia e hora abaixo referidos CERTIFICA que, sobre o(a) RECURSO ESPECIAL nº 1144469/PR, do(a) qual é Relator o Excelentíssimo Senhor Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO e no qual figuram, como RECORRENTE, FAZENDA NACIONAL, (...) em 10 de Agosto de 2016, PROCLAMAÇÃO FINAL DE JULGAMENTO: "PROSSEGUINDO NO JULGAMENTO, A SEÇÃO, POR UNANIMIDADE, DEU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL E, POR MAIORIA, VENCIDOS OS SRS. MINISTROS RELATOR E REGINA HELENA COSTA, NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA EMPRESA RECORRENTE, NOS TERMOS DO VOTO DO SR. MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, QUE LAVRARÁ O ACÓRDÃO."; em 10 de Agosto de 2016, CONHECIDO O RECURSO DE FAZENDA NACIONAL E PROVIDO,POR UNANIMIDADE, PELA PRIMEIRA SEÇÃO RELATOR PARA ACÓRDÃO: MAURO CAMPBELL MARQUES; em 01 de Dezembro de 2016, ATO ORDINATÓRIO PRATICADO ACÓRDÃO ENCAMINHADO(A) À PUBLICAÇÃO PREVISTA PARA 02/12/2016; em 01 de Dezembro de 2016, DISPONIBILIZADO NO DJ ELETRÔNICO EMENTA / ACORDÃO; em 02 de Dezembro de 2016, PUBLICADO EMENTA / ACORDÃO EM 02/12/2016; (...)TRANSITADO EM JULGADO EM 10/03/2017; em 13 de Março de 2017, BAIXA DEFINITIVA PARA TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 4ª REGIÃO; em 07 de Abril de 2017, ENTREGA DE ARQUIVO DIGITAL DOS AUTOS AO DR. WAGNER MUNDIM RIBEIRO OAB/DF 14.760. Certifica, por fim, que o assunto tratado no mencionado processo é: Base de Cálculo. Certidão gerada via internet com validade de 30 dias corridos. Esta certidão pode ser validada no site do STJ com os seguintes dados: Número da Certidão: 2015397 Código de Segurança: 6250.8B72.58DF.245E Data de geração: 17 de Outubro de 2017, às 08:48:06 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 13 12 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e § 1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMSST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 14 13 surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 15 14 PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: (...) 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (STJ REsp: 1144469 PR 2009/01124142, Redator: MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES, Relator: Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Data de Julgamento: 10/08/2016, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 02/12/2016) Como se sabe, nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, na redação dada pela Portaria MF nº 152/2016, "As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Assim, aqui deve ser obrigatoriamente adotado o entendimento acima do STJ, proferido no Recurso Especial nº 1144469/PR, transitado em julgado em 13/03/2017 sob a sistemática do art. 543C do CPC/73, rejeitandose a argumentação da recorrente em sentido contrário. Em que pese o Supremo Tribunal Federal ter decidido de forma favorável à tese da ora recorrente no Recurso Extraordinário nº 574.706 com repercussão geral, publicado no DJE em 02.10.2017, como ainda não se trata da "decisão definitiva" a que se refere o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, não é o caso de sua reprodução no presente julgamento. Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 16 15 Nesse mesmo sentido foi decidido recentemente pelo CARF nos julgados abaixo: Processo nº 19515.000094/200720 Acórdão nº 3201003.084– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de agosto de 2017 Relator: Marcelo Giovani Vieira (...) VOTO (...) Pelo contrário, o STJ, no Resp 114469/PR decidiu, no regime de recursos repetitivos, com trânsito em julgado em 13/03/2017, que o ICMS integra as bases de cálculo do Pis e da Cofins. O STF decidiu de forma diferente, no RE 574.706, em repercussão geral, porém o processo ainda não é definitivo, não sendo vinculante para os colegiados do Carf, nos termos do §2º do art. 625 do Ricarf. Com efeito, é possível que o STF module os efeitos da decisão. Pelo exposto, voto pelo desprovimento do recurso voluntário quanto aos ajustes na base de cálculo. (...) Processo nº 10980.900996/201183 Acórdão nº 3302004.500 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Lenisa Prado Redator designado: Walker Araújo (...) VOTO VENCEDOR (...) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente, no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10980.940183/201126 Acórdão n.º 3402006.283 S3C4T2 Fl. 17 16 em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. (...) Assim, pelo exposto, voto no sentido de rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por rejeitar a proposta de sobrestamento e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.904017/2015-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.863
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 04 01 7/ 20 15 -3 7 Fl. 528DF CARF MF Processo nº 13896.904017/201537 Resolução nº 3201001.863 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 529DF CARF MF Processo nº 13896.904017/201537 Resolução nº 3201001.863 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 530DF CARF MF Processo nº 13896.904017/201537 Resolução nº 3201001.863 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 13896.904017/201537 Resolução nº 3201001.863 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 532DF CARF MF Processo nº 13896.904017/201537 Resolução nº 3201001.863 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 533DF CARF MF Processo nº 13896.904017/201537 Resolução nº 3201001.863 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 534DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720049/2013-62
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DECRETO-LEI 4.657/1942, LINDB, ART. 24. INAPLICABILIDADE AO CASO.
O artigo 24, do Decreto-Lei nº 4.657/1942 (LINDB), incluído pela Lei nº 13.655/2018, não se aplica, em tese, ao caso dos autos.
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. PROCURADORIA. DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA
Não há norma expressa, no RICARF (Portaria MF 343/2015), que imponha a exigência de prequestionamento à Procuradoria.
Tendo sido demonstrada, analiticamente, a divergência, é conhecido o recurso especial.
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL E SUBSTRATO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE.
Devida a glosa de amortização de ágio quando identificadas reorganizações societárias que visam exclusivamente a economia fiscal, sem cumprir todos os requisitos exigidos para a devida dedução da amortização do ágio, sem comprovar propósito negocial e substrato econômico em suas operações.
CSLL. IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. LIMITES DE EQUIVALÊNCIA ENTRE AS BASES DE CÁLCULO
Como não há previsão legal de exclusão da despesa de amortização com ágio da base de cálculo da CSLL, ela deve ser mantida na referida base de cálculo, uma vez que a legislação em mais de uma oportunidade determina que para a apuração da base de cálculo da CSLL, deve ser observada a legislação aplicável ao IRPJ.
Numero da decisão: 9101-004.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do art. 24 da LINDB, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que não conheceram. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, quanto ao mérito do art. 24 da LINDB, em negar-lhe provimento. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto quanto à preliminar de conhecimento do Art. 24 da LINDB o conselheiro André Mendes de Moura.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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INAPLICABILIDADE AO CASO. O artigo 24, do DecretoLei nº 4.657/1942 (LINDB), incluído pela Lei nº 13.655/2018, não se aplica, em tese, ao caso dos autos. CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. PROCURADORIA. DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA Não há norma expressa, no RICARF (Portaria MF 343/2015), que imponha a exigência de prequestionamento à Procuradoria. Tendo sido demonstrada, analiticamente, a divergência, é conhecido o recurso especial. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. EMPRESA VEÍCULO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL E SUBSTRATO ECONÔMICO. INDEDUTIBILIDADE. Devida a glosa de amortização de ágio quando identificadas reorganizações societárias que visam exclusivamente a economia fiscal, sem cumprir todos os requisitos exigidos para a devida dedução da amortização do ágio, sem comprovar propósito negocial e substrato econômico em suas operações. CSLL. IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. LIMITES DE EQUIVALÊNCIA ENTRE AS BASES DE CÁLCULO Como não há previsão legal de exclusão da despesa de amortização com ágio da base de cálculo da CSLL, ela deve ser mantida na referida base de cálculo, uma vez que a legislação em mais de uma oportunidade determina que para a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 00 49 /2 01 3- 62 Fl. 7184DF CARF MF 2 apuração da base de cálculo da CSLL, deve ser observada a legislação aplicável ao IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do art. 24 da LINDB, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que não conheceram. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, quanto ao mérito do art. 24 da LINDB, em negarlhe provimento. Por unanimidade de votos, acordam em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luis Fabiano Alves Penteado e Lívia De Carli Germano, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Demetrius Nichele Macei. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto quanto à preliminar de conhecimento do Art. 24 da LINDB o conselheiro André Mendes de Moura. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Fl. 7185DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.185 3 Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Autos de Infração quanto ao ano de 2008, de IRPJ e CSLL, com imposição de multa de 75% sobre o crédito tributário, relacionada às seguintes infrações: (i) amortização indedutível de ágio; (ii) perda no recebimento de crédito, indevidamente deduzida, por inobservância de requisitos legais; (iii) omissão de receita referente a cessão definitiva de direitos creditórios. Ressaltese trecho do Termo de Verificação que acompanha os autos de infração, tratando dos fatos apurados pelo auditor fiscal (fls. 4750): O Bradesco pretendeu desde o início, obter o incentivo fiscal presente nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, e, para alcançar este objetivo, promoveu indevidamente a antecipação da amortização do ágio previsto na referida norma mediante reorganizações societárias. O benefício fiscal pretendido consiste em computar como despesa o valor do ágio na aquisição de participação societária antes que ocorra a alienação ou liquidação do investimento por incorporação, fusão ou cisão. Assim, tal benefício só poderia ser alcançado se ocorresse uma das hipóteses das operações citadas. (...) O incentivo fiscal referido permite que uma empresa “A” (incorporadora) que incorporar outra empresa “B” (incorporada) da qual detenha a propriedade de participação societária na empresa “A” (incorporadora) adquirida com ágio cujo fundamento seja a expectativa de rentabilidade futura, amortize o valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados após a incorporação, à razão de 1/60 avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Também é admitida a incorporação da empresa “A” pela empresa “b” No caso concreto a empresa “A” (incorporadora) é o BRADESCO e a empresa “B” (incorporada) é o BMC. (...) Se assim não proceder fica o contribuinte enquadrado no artigo 391, do RIR/99 (..) Diante do exposto, é fácil perceber que a MILÃO foi usada como empresa veículo, assim chamada por ser uma sociedade que existiu apenas com finalidade de figurar na titularidade das participações societárias por curto período de tempo, servindo apenas para transportar o ágio e antecipar a sua amortização. Caso o ágio permanecesse assim registrado na empresa veículo não poderia alcançar a eficácia da norma jurídica instituidora do incentivo fiscal. Fezse necessário que este estágio fosse transportado para a empresa geradora de lucros suficientes à Fl. 7186DF CARF MF 4 amortização do ágio no caso para o Banco FINASA. Estando o ágio na incorporadora iniciase a fruição do incentivo fiscal. Com a incorporação da MILÃO, o FINASA tornouse controladora do BMC. Posteriormente o BMC incorporou o FINASA continuando a amortizar o ágio de si próprio. Sendo assim, podemos concluir que o FINASA também serviu de empresa veículo para a amortização do ágio. A MILÃO, na sua curta existência, permaneceu “inativa” e apresentou a Declaração de Informação EconomicoFiscais da Pessoa Jurídica do anocalendário de 2007 com esse status. No DIPJ do anocalendário de 2008 consta apenas a uma operação: o recebimento do patrimônio do Banco BMC, em trânsito para o Banco FINASA, com ágio fundamentado em rentabilidade futura. Sua existência se justifica apenas para ser usada como veículo na realização de um planejamento tributário, aqui mediante reorganizações societárias em sequencia preordenadas, desaparecendo em seguida por incorporação. No jargão do planejamento tributário, a MILÃO é conhecida como sociedade fictícia: “a pessoa jurídica é apenas de papel, não materializa nenhum empreendimento que a lastreie, é mera sociedade de papel”. (...) Em resumo, o único papel da MILÃO em todo o processo foi: a) receber o patrimônio do BMC do BRADESCO em 30/05/2007, seis dias após a realização da AGE do BMC que aprovou a sua aquisição pelo BRADESCO em 24/08/27, carregando consigo o ágio apurado; b) ser incorporada pelo FINASA em 29/04/2008 desaparecendo oito meses após receber o patrimônio do BMC e; c) tornar possível amortização do ágio. O contribuinte apresentou Impugnação Administrativa (fls. 4.782), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro pela manutenção parcial dos lançamentos, conforme acórdão do qual se destaca ementa (fls. 5.387): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 MPF. ORDEM ESCRITA. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DE EXERCÍCIO. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. O Mandato de Procedimento Fiscal é instrumento que consubstancia a própria autorização, por se tratar de ordem escrita para exame do exercício. A SSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 7187DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.186 5 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte, devendo ser mantida a autuação. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. A amortização do ágio, como regra geral, é indedutível para a apuração do lucro real, bem como da base de cálculo da CSLL. A possibilidade de deduzila prevista no art. 386, III, do RIR/99 (art. 7º, III, da Lei 9.532/97 e art. 10 da Lei 9.718/98) referese à hipótese em que a pessoa jurídica absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio fundamentado em rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, caso em que a amortização poderá ser feita à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Não configurada tal hipótese, mantémse a glosa da amortização. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA SEM PROPÓSITO NEGOCIAL Nas operações estruturadas em sequência, o fato de cada uma delas, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto das operações, quando restar comprovado que os atos foram praticados sem propósito negocial. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não produzem efeitos perante o Fisco as operações realizadas, sem propósito negocial, com utilização de empresa veículo para transferir ativo de uma empresa para outra, com o único intuito de reduzir tributação. FRAUDE À LEI. A ocorrência de fraude à lei torna inválido o planejamento tributário, devendo ser aplicada a norma de tributação que o contribuinte pretendeu evitar. OMISSÃO DE RECEITA. CESSÃO DEFINITIVA DE DIREITO CREDITÓRIO. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO. NÃO COMPROVADO. Uma vez que não restou demonstrado nos autos que a fiscalização aprofundou a investigação nos períodos subsequentes, em que vigoraram os contratos de cessão de crédito, para verificar se houve o reconhecimento de receita em exercício posterior ao de sua competência, hipótese que configuraria postergação e não omissão de receita, não há como manter o lançamento, em razão de insuficiência probatória e incerteza da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 CSLL. DECORRÊNCIA. Fl. 7188DF CARF MF 6 Aplicase ao lançamento tido como decorrente as mesmas razões de decidir do lançamento matriz, em razão de sua íntima relação de causa e efeito, na medida em que não há fatos ou elementos novos a ensejar conclusões diversas. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSORA MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA INCORPORADORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como pela multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. JUROS DE MORA JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora. Além do recurso de ofício, os autos foram remetidos ao CARF pela apresentação de recurso voluntário. Em recurso voluntário (fls. 5.475), o contribuinte alega: ((i) legitimidade da amortização do ágio; (ii) subsidiariamente, sustenta a impossibilidade de fundamentar glosa de ágio com base na teoria do propósito negocial; (iii) impossibilidade de adição da parcela amortizada como ágio na base de cálculo da CSLL, sustentando existir propósito negocial; (iv) impossibilidade de aplicação da multa à sucessora; (v) nulidade do auto de infração, diante do reexame do período fiscalizado sem autorização do superior hierárquico; (vi) não incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Pronunciouse, ainda, a respeito da matéria objeto de recurso de ofício (omissão de receitas), pleiteando a manutenção da decisão da DRJ. A Turma Ordinária, em Resolução nº 1302000.365, converteu o julgamento em diligência (fls. 5.669). Após o resultado de diligência, a 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso voluntário e negou provimento ao recurso de ofício, em acórdão cuja ementa se reproduz a seguir (acórdão nº 1301002.111): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 OMISSÃO DE RECEITA. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. APROPRIAÇÃO AO RESULTADO DE PERÍODOS SUBSEQUENTES. POSTERGAÇÃO. LANÇAMENTO INSUBSISTENTE. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Ao restar demonstrado, inclusive mediante a realização de diligência, que as receitas objeto de autuação foram apropriadas ao resultado em períodos subsequentes, nos quais a interessada apurou lucro e imposto devido, a hipótese não seria de redução indevida do lucro líquido, e sim de postergação de pagamento. Desde que o lançamento não foi feito desta forma, incabível a exigência. Correta a decisão de primeira instância que afastou essa parcela do lançamento. Fl. 7189DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.187 7 ÁGIO. AJUSTES DE DUE DILIGENCE EM DATA POSTERIOR À AQUISIÇÃO. REDUÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. MAJORAÇÃO DO VALOR DO ÁGIO. PARCELA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEDUTÍVEL. Ao se constatar que os ajustes de due diligence que reduziram o patrimônio líquido da empresa investida foram feitos em data posterior à da incorporação de ações (operação mediante a qual foi adquirido o investimento), tais ajustes não podem ter o condão de influir sobre o cálculo do ágio na aquisição do investimento. A parcela do ágio decorrente dessa redução do patrimônio líquido não foi calculada nos termos da lei, não pode ser tida como decorrente de expectativa de rentabilidade futura e sua amortização é indedutível, para fins fiscais. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si sós, não invalidam as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2009 MPF. ORDEM ESCRITA. AUTORIZAÇÃO PARA REEXAME DE EXERCÍCIO. Em relação ao mesmo exercício, é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal. O Mandato de Procedimento Fiscal é instrumento que consubstancia a própria autorização, por se tratar de ordem escrita para exame do exercício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2009 ÁGIO. AJUSTES DE DUE DILIGENCE EM DATA POSTERIOR À AQUISIÇÃO. REDUÇÃO DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. MAJORAÇÃO DO VALOR DO ÁGIO. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. PARCELA DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO INDEDUTÍVEL. Ao se constatar que os ajustes de due diligence que reduziram o patrimônio líquido da empresa investida foram feitos em data posterior à da incorporação de ações (operação mediante a qual foi adquirido o investimento), tais ajustes não podem ter o condão de influir sobre o cálculo do ágio na aquisição do investimento. A parcela do ágio decorrente dessa redução do patrimônio líquido não foi calculada nos termos da lei, e sua Fl. 7190DF CARF MF 8 amortização constitui redução indevida do lucro líquido. Correta a glosa dessa parcela que reduziu a base de cálculo da CSLL. CSLL. ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. DEDUTIBILIDADE. Não restando evidenciado que as despesas com amortização de ágio seriam inexistentes ou que, por outra via, teriam reduzido indevidamente o lucro líquido do exercício por desatendimento à legislação comercial/contábil, não existe norma que determine sua indedutibilidade para fins de apuração da CSLL. As bases de cálculo da CSLL e do IRPJ são distintas, descabendo invocar dispositivos exclusivamente aplicáveis ao segundo para a glosa de despesas da primeira. Havendo parcela do ágio para a qual existe um outro fundamento distinto para a glosa, somente subsiste a autuação sobre a amortização daquela outra parcela. (...) Em síntese, o recurso voluntário foi acolhido, pela Turma a quo, para “afastar parcela correspondente a 75,27023% dos valores amortizados e glosados de IRPJ e CSLL” (dispositivo do julgamento). A despeito disso, a Turma a quo, negou provimento quanto aos pedidos para (a) afastar responsabilidade tributária; (b) nulidade do lançamento; (c) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 19/08/2016 (fls. 6.328), que interpôs recurso especial em 24/07/2017 (fls. 4030), no qual alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito dos seguintes temas (fls. 6.329): (i) Ágio, constando como paradigmas os acórdãos 9101002.188 e 9101 002.213; (ii) Indedubitilidade do ágio com relação à CSLL, sendo indicado como paradigmas os acórdãos 1402001.786 A então Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso especial, em decisão da qual se reproduz trecho a seguir (fls. 6.609): 1ª Divergência: impossibilidade de amortização de ágio transferido, porquanto não houve a necessária confusão patrimonial entre a investida e a real investidor (...) Nessas condições, o colegiado a quo, aceitou a tese de que, no caso, houve confusão patrimonial, ainda que o investidor inicial, Bradesco, tenha transferido o investimento para outras empresas veículos, a Milão e depois o Finasa, antes de ocorrer a incorporação final do Finasa, pelo BMC. Para o colegiado, o investimento inicial feito pelo Bradesco, no BMC, é o mesmo, do início ao fim de todo o processo e houve a confusão patrimonial entre o Bradesco e o BMC Todavia, para os colegiados que proferiram os paradigmas, a transferência do investimento adquirido com ágio para outras empresas distintas da investidora, impossibilitaria sua a amortização, porque não se daria a confusão patrimonial entre a real investidora e a investida. (...) Vêse, portanto, que, para o colegiado a quo, há confusão patrimonial ainda que o ágio seja transferido por meio de Fl. 7191DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.188 9 empresas veículos, para a investida final, enquanto que para os paradigmas, se há transferência do ágio para empresas veículos, não se tem a necessária confusão patrimonial entre o real investidor e a investida. Assim, nesta matéria, diante das decisões dissonantes antes cotejadas, resta plenamente caracterizada a divergência suscitada, devendo ter seguimento o Recurso Especial neste tema. 2ª Divergência: nos termos do art. 57 da Lei nº 8.981/95, estendese à CSLL, o mesmo tratamento dispensado pela legislação do IRPJ à amortização do ágio. (...) Portanto, resta nítida a divergência no que toca à interpretação do art. 57 da Lei nº 8.981/95. O colegiado a quo entende que não se aplicam à CSLL as regras de indedutibilidade do ágio, enquanto que para o colegiado que proferiu o paradigma, as regras que determinam a indedutibilidade do ágio para o IRPJ, também se aplicam à CSLL, por força do que dispõe o art. 57, da Lei nº 8.981/95. (...) Tendo em vista o que foi acima exposto e examinado, e nos termos da competência que me foi atribuída pelo art. 68, § 1º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº. 343, de 09/06/2015, e alterações posteriores, decido DAR SEGUIMENTO ao recurso, em face da caracterização de divergência jurisprudencial Em 13/02/2017, o contribuinte foi intimado quanto ao acórdão do recurso voluntário e recurso de ofício, recurso especial e sua admissibilidade (fls. 6.632), apresentando contrarrazões ao recurso, em 17/01/2017 (fls. 6.634), alegando que: (i) Não haveria indicação da matéria prequestionada, na forma do artigo 67, §5º, do RICARF (Portaria MF 343/2015); (ii) Não teria sido demonstrada analiticamente a divergência, como exigido pelo artigo 67, §8º, do RICARF; (iii) O recurso especial pretenderia rediscutir questões de fato, além de pretender manter o auto de infração por outras premissas; (iv) No mérito, reitera as razões sustentadas ao longo do processo, a respeito da legitimidade da amortização do ágio quanto ao IRPJ e à CSLL. O contribuinte também interpôs recurso especial (fls. 6.961), alegando divergência na interpretação da lei tributária a respeito da parcela de de ajuste do PL, advinda de due diligence, com acórdão paradigma 1201001.438 e 1201001.507 O recurso do contribuinte teve conhecimento negado pela Presidente de Câmara (fls. 7.111), interpondo agravo (fls. 7.128). O Presidente da CSRF confirmou a decisão do Presidente de Câmara, negando seguimento ao recurso especial do contribuinte (fls. 7.137). O contribuinte foi intimado, em 24/04/2017, quanto a estas decisões. Fl. 7192DF CARF MF 10 Consta dos autos, ainda, petição do contribuinte (fls. 7157) à DEINF, pedindo a “retificação da cobrança efetivada por meio de Termo de Intimação nº 309/2017”. Assim, foi emitida carta cobrança nº 84 (fls. 7.158), da qual o contribuinte teve ciência em 09/06/2017 (fls. 7.164). Ademais, consta dos autos transferência de parte do débito para o processo 16327.720629/201783 (fls. 7.169) Por fim, o contribuinte apresenta petição na data do julgamento, pleiteando a aplicação do artigo 24, da LINDB. É o relatório. Fl. 7193DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.189 11 Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Art. 24, da LINDB Conheço da alegação de possível aplicação do artigo 24, da LINDB, considerando que a Lei nº 13.655/2018 foi publicada depois da apresentação de contrarrazões ao recurso. Não obstante, não aplico citada lei na forma da jurisprudência desta Turma da CSRF (9101003.745, 9101003.839, dentre outros. Conhecimento O recurso especial da Procuradoria é tempestivo, tendo sido admitido pelo Presidente de Câmara quanto às duas matérias. O contribuinte questiona o conhecimento do recurso especial por 3 razões principais: (a) Não haveria indicação da matéria prequestionada, na forma do artigo 67, §5º, do RICARF (Portaria MF 343/2015); (b) Não teria sido demonstrada analiticamente a divergência, como exigido pelo artigo 67, §8º, do RICARF; e (c) O recurso especial pretenderia rediscutir questões de fato, além de pretender manter o auto de infração por outras premissas. Passo a tratar do conhecimento quanto às alegações do contribuinte. Conhecimento: Prequestionamento da matéria O RICARF (Portaria nº 343/2015) não é expresso para a exigência de prequestionamento quanto à Procuradoria da Fazenda Nacional, a despeito da expressa exigência quanto aos contribuintes, verbis: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. A despeito da omissão do RICARF em referir tal exigência quanto à Procuradoria, não cabe recurso especial para inovação do quanto decidido ao longo do processo. A restrição pode ser tecnicamente denominada prequestionamento – como o Fl. 7194DF CARF MF 12 RICARF procede quanto ao contribuinte – mas pode também ser vislumbrada com relação à demonstração analítica da divergência na interpretação da lei tributária. A esse respeito, prescreve o artigo 67, §8º, do RICARF (Portaria MF 343/2015): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Com efeito, a efetiva demonstração da divergência só é possível em razões do recurso especial, como exige o RICARF (Portaria MF 343/2015), se houver pronunciamento da Turma prolatora do acórdão recorrido a respeito do tema objeto do recurso especial. Diante do RICARF, portanto, rejeito o pedido para não conhecimento do recurso por falta de prequestionamento. Conhecimento: Demonstração analítica da divergência A alegação do contribuinte de falta de demonstração analítica da divergência também não merece acolhida. A Procuradoria discorreu longamente sobre as razões pelas quais entende existente divergência na interpretação da lei tributária, reputandose cumprido o requisito regimental. Não há mera reprodução de ementa, mas reprodução de trechos da íntegra dos acórdãos (paradigmas e recorrido), como também razões a respeito da divergência apontada quanto à similitude dos casos e divergência nas normas que fundamentaram o recurso especial (fls. 8 a 16 do seu recurso). Portanto, rejeito pedido do contribuinte para não conhecimento do recurso, reconhecendo o cumprimento do requisito do artigo 67, §8º, do RICARF Conhecimento: Discussão de fato e premissas do lançamento Finalmente, o contribuinte sustenta que a Recorrente pretende rediscutir premissa fática (existência de confusão patrimonial) e que as alegações recursais pretendem, assim, manter o auto sob outra premissa (confusão patrimonial). A preliminar também é rejeitada, eis que a análise do recurso especial independe de análise de fatos, mas apenas da valoração jurídica dos fatos tratados nos autos. Com efeito, a operação (fato) descrita no lançamento tributário (TVF) e acórdão recorrido não será revisitada, mas os efeitos tributários destas operações. Assim, esta Turma analisará o regramento tributário vigente e a aplicação pela Turma Ordinária ao caso concreto. Fl. 7195DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.190 13 Ao contrário do que sustenta o Recorrido, o julgamento a respeito da possível “confusão patrimonial” não mudará as premissas do lançamento, a que estamos vinculados por força do artigo 146, do Código Tributário Nacional. Isto porque o próprio auditor fiscal autuante menciona – em diversas oportunidades – “empresa veículo”, como também a necessidade de incorporação pela adquirente (Bradesco). Nesse sentido, transcrevese trechos do TVF: O resultado final destas sequencias de operações de reorganização societária é o retorno à situação fática vivida no momento da aquisição do BMC pelo BRADESCO, ou seja, o BRADESCO continua controlador do BMC, sendo que não ocorreu a alienação ou liquidação do investimento por incorporação, na forma do disposto o art. 386 do RIR/99, e o BMC prossegue com a amortização do ágio gerado pela sua própria aquisição. Assim, concluise que este ágio não é passível de dedução considerando que foi objeto de aquisição direta de ações e não passou ao patrimônio do BRADESCO por evento de incorporação. (..) O incentivo fiscal referido permite que uma empresa “A” (incorporadora) que incorporar outra empresa “B” (incorporada) da qual detenha a propriedade de participação societária na empresa “A” (incorporadora) adquirida com ágio cujo fundamento seja a expectativa de rentabilidade futura, amortize o valor do ágio nos balanços correspondentes à apuração do lucro real, levantados após a incorporação, à razão de 1/60 avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. Também é admitida a incorporação da empresa “A” pela empresa “b” No caso concreto a empresa “A” (incorporadora) é o BRADESCO e a empresa “B” (incorporada) é o BMC. (...) Se assim não proceder fica o contribuinte enquadrado no artigo 391, do RIR/99 (..) Diante do exposto, é fácil perceber que a MILÃO foi usada como empresa veículo, assim chamada por ser uma sociedade que existiu apenas com finalidade de figurar na titularidade das participações societárias por curto período de tempo, servindo apenas para transportar o ágio e antecipar a sua amortização. Caso o ágio permanecesse assim registrado na empresa veículo não poderia alcançar a eficácia da norma jurídica instituidora do incentivo fiscal. Fezse necessário que este estágio fosse transportado para a empresa geradora de lucros suficientes à amortização do ágio no caso para o Banco FINASA. Estando o ágio na incorporadora iniciase a fruição do incentivo fiscal. Não é necessário o emprego da expressão “confusão patrimonial” para se verificar que o lançamento tributário teve por fundamento a necessidade de incorporação direta pelo adquirente. Assim, rejeito pedidos do contribuinte para não conhecimento do recurso especial da Procuradoria. Fl. 7196DF CARF MF 14 Concluo, assim, por conhecer o recurso especial da Procuradoria. Dedutibilidade do ágio A operação é descrita no acórdão da DRJ, reproduzido no acórdão recorrido (fls. 6276 e seguintes): "O ágio aqui tratado teve origem na aquisição do BMC pelo BRADESCO conforme "Instrumento Particular de Compromisso de Incorporação de Ações e Outras Avenças", celebrado em 23/01/2007, para aquisição de 100% das ações de emissão do BMC pelo BRADESCO, objeto de Fato Relevante publicado em 25 e 26/01/2007, em atendimento ao disposto na Instrução CVM n° 358, de 01/01/2002. (...) A efetivação do investimento (aquisição) se deu em 24.08.2007, conforme Ata da AGE do Banco BMC, mediante critérios de relação de substituição de ações previamente definidos no "Instrumento de Protocolo e Justificação de Incorporação da Totalidade das Ações Representativas do Capital Social do Banco BMC S/A", a saber: (...) Com vistas a antecipar os efeitos tributários da amortização do ágio, o BRADESCO, após a aquisição do BMC, desencadeou um processo de reorganização societária ocorrida no período de agosto de 2007 a abril de 2008, envolvendo a empresa Milão Holdings Ltda, o Banco FINASA S/A e o Banco BMC S/A (BMC, Bradesco Financiamento, contribuinte). Inicialmente, em 30/08/2007, o BRADESCO transferiu o investimento no BMC para a MILÃO, mediante aumento de capital e passou a deter cem por cento do capital social da MILÃO. Posteriormente, a MILÃO foi incorporada pelo Banco FINASA que era subsidiária integral do BRADESCO, e finalmente o Banco FINASA foi incorporado pelo próprio BMC que passou a ser subsidiária integral do BRADESCO, voltando a situação fática inicial, ou seja, o BRADESCO como detentor de cem por cento do Capital do BMC. Nesta reorganização societária o ágio, que inicialmente deveria ser amortizado pelo BRADESCO, passou a ser amortizado pela MILÃO, posteriormente pelo Banco FINASA que incorporou a MILÃO, e, finalmente, pelo próprio BMC que incorporou o Banco FINASA. O Termo de Verificação Fiscal, em síntese, efetuou a glosa da despesa com amortização do ágio pelas razões seguintes: Diante do exposto, é fácil perceber que a MILÃO foi usada como empresa veículo, assim chamada por ser uma sociedade que existiu apenas com finalidade de figurar na titularidade das participações societárias por curto período de tempo, servindo apenas para transportar o ágio e antecipar a sua amortização. Caso o ágio permanecesse assim registrado na empresa veículo não poderia alcançar a eficácia da norma jurídica instituidora do incentivo fiscal. Fezse necessário que este estágio fosse Fl. 7197DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.191 15 transportado para a empresa geradora de lucros suficientes à amortização do ágio no caso para o Banco FINASA. Estando o ágio na incorporadora iniciase a fruição do incentivo fiscal. A fundamentação do auto de infração, portanto, é a utilização e “empresa veículo”. Diante disso, tratarei no presente voto da possibilidade de surgimento de ágio com a utilização de "empresa veículo" para transferência do ágio. O lançamento tributário e o acórdão recorrido tratam da interpretação do s artigos artigo 7º e 8º, da Lei nº 9.532/1997. Lembro o teor do artigo 7º, da Lei nº 9.532/1997: Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: (Vide Medida Provisória nº 135, de 30.10.2003) I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) (...) § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; Fl. 7198DF CARF MF 16 b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. E a previsão do artigo 8º, da Lei nº 9.532/1997, verbis: Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Em comentários aos citados dispositivos legais, Marcos Vinicius Neder e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira tratam da possibilidade de holding e incorporação reversa, sem prejuízo do reconhecimento do ágio dedutível: A Lei nº 9.532/1997 expressamente veio a permitir a dedução do ágio, no caso da "incorporação reversa", algo que não estava claro na legislação anterior. Ou seja, o ágio passou a ser dedutível também no momento em que a investida incorpora a investidora. Tratase, claramente, da incorporação da investidora direta. Essa permissão expressa que autoriza deduzir o ágio na "incorporação reversa" teve como objetivo estimular o interesse da iniciativa privada na aquisição de participação societária em empresas públicas em fase de privatização. (...)" A Lei não proibiu o aproveitamento do ágio no caso de incorporação de empresas holdings, constituídas pelos controladores indiretos com o propósito de adquirir, consolidar e gerir a participação na empresa investida. Não apenas isso não foi proibido como foi expressamente autorizado, na medida em que a Lei permitiu a dedução do ágio no caso da incorporação reversa pela empresa investida na empresa que nela detém a participação acionária e estimulou os processos de privatização (...) A norma tributária, ao conceder o incentivo tributário de aproveitamento do ágio na Lei 9.532/1997, não fez restrição ao uso de holdings, muito pelo contrário as incentivou, como comentamos anteriormente, inclusive ao permitir a dedução do ágio na incorporação reversa. Assim, a mera existência da Instrução CVM 349/2001, que dispõe sobre o tratamento contábil do ágio na incorporação reversa de holdings em empresas de capital aberto, e a existência dos procedimentos Fl. 7199DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.192 17 contábeis nela sugeridos não afetam em nada a possibilidade de dedução do ágio na incorporação reversa da holding. (...) A Lei não restringiu a apuração ou a dedução fiscal de ágio quando a empresa incorporada, adquirente do investimento, fosse empresa pura de holding, ou quando a empresa tivesse recebido recursos de seu sócio ou acionista em aumento de capital, ou ainda quando tivesse recebido a participação acionária em subscrição de ações de sua emissão. Logo, o tratamento de todas essas hipóteses, quando da incorporação reversa da holding Y, é alcançado, de forma equivalente, pela Lei" (Análise do Tratamento Contábil e Fiscal do Ágio em Estrutura de Aquisição ou Titularidade de Sociedades quanto há a Interposição de Holding, in Controvérsias JurídicoContábeis, 4ª Volume, São Paulo, Dialética, 2013, fls. 161, 162 e 179). Destaco, ainda, trecho do voto da exConselheiro Relator do acórdão recorrido, ex Conselheiro Waldir Veiga Rocha, cujas razões adoto para decidir: Penso, assim, que andou bem o Fisco ao afirmar a existência de uma parcela do ágio calculada a maior. E, pelo exposto, essa parcela a maior pode ser calculada como sendo R$ 160.368.573,23 (= R$ 623.281.520,81 – R$ 462.912.947,58). Ou, em termos percentuais, podese afirmar que, do ágio contabilizado, 25,729717% ( = R$ 160.368.573,23 / R$ 623.281.520,81) o foram em excesso. (...) Mas o Fisco prossegue em sua análise das operações societárias, para concluir pela total indedutibilidade do ágio amortizado, agora sob outro fundamento. Vejamos, então, as etapas seguintes. Os aspectos controversos prosseguem no momento (Etapa 2) em que a Milão aumenta seu capital e esse aumento é subscrito pelo Bradesco e integralizado mediante a entrega do investimento no BMC. O ágio, até então registrado na contabilidade do Bradesco, passa a integrar a contabilidade da Milão, visto que essa empresa é que, agora, detém o investimento no BMC. O Bradesco é controlador integral da Milão. No momento seguinte (Etapa 3), o Banco Finasa (também controlado integralmente pelo Bradesco) incorpora a Milão, e o investimento no BMC, com o ágio, passa para o patrimônio do Banco Finasa. Finalmente (Etapa 4), a investida BMC incorpora a investidora Banco Finasa. O ágio passa a ser amortizado pela empresa remanescente BMC, com efeitos fiscais. O Bradesco volta a controlar diretamente o BMC. O principal questionamento do Fisco é quanto ao uso da Milão como empresa veículo, empregada para permitir a transferência do ágio daquele tido como real investidor, o Bradesco, para a investida BMC. No mesmo sentido, o papel do Banco Finasa na reorganização societária. Esse questionamento se insere na alegação, por parte do Fisco, da falta de propósito negocial na Fl. 7200DF CARF MF 18 reorganização societária, que teria por objetivo único a economia de tributos mediante o aproveitamento fiscal do ágio. Ainda, não teria ocorrido a confusão patrimonial entre o “real investidor” e a investida, que seria requisito para que se pudesse admitir a dedutibilidade do ágio, para fins fiscais. Observese, inicialmente, que tanto a Milão quanto o Banco Finasa desempenharam papeis semelhantes no conjunto das operações societárias. Ou bem ambas devem ser tidas como “empresas veículo” ou nenhuma das duas. Da descrição simplificada por etapas, anteriormente feita neste voto, podese concluir que uma ou outra (mas não ambas) seriam dispensáveis para que se atingisse a situação final. A partir da Etapa 1, o investimento no BMC poderia ter sido entregue pelo Bradesco ao Banco Finasa como integralização de aumento de capital neste último. Com isso, se atingiria diretamente a Etapa 3, sem a presença da Milão. Ou, por outro caminho, na Etapa 2 o BMC poderia ter incorporado a Milão (embora, nesta hipótese, o Banco Finasa ficaria de fora da estrutura). Esses caminhos alternativos servem, a meu ver, para conferir validade às alegações da recorrente de que o conjunto das operações se revestia, sim, de um propósito negocial ou, em outras palavras, que havia uma estratégia empresarial além da mera economia tributária. Penso não restar dúvidas de que o objetivo do grupo empresarial era reunir, em uma única estrutura, os negócios geridos pelo Banco Finasa (que já integrava o grupo) e aqueles do BMC (recém adquirido). Faz sentido, também, que isso não pudesse ser feito imediatamente após a aquisição do BMC, em face da necessidade de autorização do Banco Central e de providências de caráter administrativo que permitissem a reunião do Banco Finasa e do BMC. De se observar que a situação de uma “empresa veículo”, criada especialmente para permitir a aquisição de um investimento, é facilmente verificada nas operações de privatização. Há mesmo consenso de que os arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 foram editados com o objetivo de facilitar o processo de privatização de empresas estatais, permitindo às empresas investidoras recuperar parte do investimento mediante a redução da carga tributária, o que, como contrapartida, permitiria que os valores oferecidos ao Estado na aquisição das empresas estatais fossem maiores. Isso, sem prejuízo dos ativos intangíveis das estatais privatizadas. Vários foram os casos de amortização de ágio no processo de privatização analisados por este CARF, sendo as conclusões no sentido de sua legitimidade, não obstante o uso de “empresas veículo”. O pressuposto para a permissão de amortização fiscal do ágio é a confusão patrimonial entre investidora e investida, e nesse contexto se encaixa a expressa admissão da incorporação reversa ou às avessas pelo art. 8º da Lei nº 9.532/1997. (...) Ainda a propósito da necessidade de confusão patrimonial entre investidora e investida, vem à baila o argumento de que não haveria a confusão patrimonial entre o real investidor (no caso, o Bradesco) e a investida (BMC), visto que, ao final da reorganização societária, ambos continuaram a existir. Com a Fl. 7201DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.193 19 devida vênia, devo divergir. Em outras oportunidades, tenho me manifestado no sentido de que não se questiona que, a princípio, o “real investidor” é a empresa (Bradesco) que originalmente arcou com os recursos financeiros para a aquisição da participação societária (BMC). No entanto, considero legítima sua opção de valerse de outra empresa no bojo das operações, ainda que essa outra empresa venha a ter duração efêmera. Nessa situação, aquele antes denominado “real investidor” deve passar a ser identificado como “investidor inicial”, posto que o investimento terá sido legitimamente transferido para um novo investidor (no caso, Milão e, a seguir, Banco Finasa). E é aí que ocorre a confusão patrimonial entre investidor e investida, exigida pela lei para a amortização fiscal do ágio. Observese que o conceito de”real investidor” não consta expressamente da lei, e somente surge diante de uma linha interpretativa que não é a única possível e, com a devida vênia dos que pensam diferente, nem a mais adequada. (...) Quanto a este ponto do recurso, portanto, permanece tão somente a indedutibilidade (pelo primeiro fundamento, relacionado à due diligence) de 25,729717% dos valores amortizados e glosados. Assim, meu voto é pelo provimento parcial do recurso, para afastar 74,270283% dos valores amortizados e glosados, no lançamento de IRPJ. Também adotando as razões do acórdão recorrido, acima colacionado, para confirmar a legitimidade da parcela do ágio mencionada no acórdão recorrido (74,270283%). Acrescento que é legítima a transferência de ágio em operação societária, fundamentandose a hipótese no artigo 248, da Lei nº 6.404/1976 e no artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. Desde a original redação, a Lei nº 6.404/1976 obrigava que o investimento adquirido fosse avaliado pelo método de equivalência patrimonial. O artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976, em redação vigente ao tempo dos fatos em discussão, regulava o desdobramento do custo de aquisição em ágio por rentabilidade futura: Art. 20 – O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I – valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: Fl. 7202DF CARF MF 20 a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Consta do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) reprodução da disposição legal em seu artigo 385, verbis: Art. 385. O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20): I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo seguinte; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o inciso anterior. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 1º). § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 20, § 2º): I valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; II valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; III fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. Ao tratar do ágio sobre expectativa de rentabilidade futura, o artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976 como também sua reprodução no RIR/99 trata indistintamente das hipóteses de aquisição da participação, sem qualquer restrição. Portanto, a exigência da aplicação do método de equivalência patrimonial decorre da própria lógica do artigo 248, da Lei nº 6.404/1976, como também do conceito adotado pelo artigo 20, do Decreto nº 1.598/1976. A transferência de ágio por meio de operações societárias devidamente registradas , portanto, decorre da regular transferência de investimento em observância a estas normas. Ressalto que o artigo 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997, ao tratar da confusão patrimonial como condição da amortização do ágio não tem qualquer referência ao "investidor original". A exigência legal é de investimento adquirido com ágio, que poderá ser deduzido Fl. 7203DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.194 21 quando houver a confusão patrimonial pela empresa que detenha o investimento adquirido, ou mesmo pela própria investida caso ocorra incorporação reversa. Tenho manifestado neste Colegiado a minha posição sobre a dispensabilidade de confusão patrimonial (fundada pelos artigos 7º e 8º, acima citados) entre investidora original e investida original, na medida em que a legislação não atribui interpretação restritiva nesse sentido. Afinal, há que se ponderar se a origem do ágio é legítima (com a existência de partes independentes, pagamento, demonstração da rentabilidade futura, etc.). Nesse contexto, uma vez demonstrada a legítima origem do ágio, não há restrição legal à sua transferência juntamente com o investimento a ele relacionado. Diante disso, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria, adotando razões de decidir do acórdão recorrido acima reproduzido. CSLL O Auto de Infração de CSLL fundamentouse nos seguintes dispositivos legais (fls. 4.771): Art. 2º da Lei nº 7.689/88 com alterações introduzidas pelo art. 2º da Lei nº 8.034/90 Art. 57 da Lei nº 8.981/95, com alterações do art. 1º da Lei nº 9.065/95 Art. 2º da Lei nº 9.249/95 Art. 1º da Lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 Art. 3º da Lei 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08 A Constituição Federal, em seu artigo 195, I, c, definiu a competência para a cobrança da CSLL ao prescrever: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Em consonância com a competência outorgada constitucionalmente, a Lei nº 7.689/1988 estabeleceu a incidência da CSLL, dispondo seu artigo 1º que a contribuição incidirá sobre o lucro das pessoas jurídicas: Fl. 7204DF CARF MF 22 Art. 1º Fica instituída contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas, destinada ao financiamento da seguridade social. O artigo 2º, da mesma Lei, define a base de cálculo da contribuição, isto é, o "valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda": Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de participações societárias em pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) § 2º No caso de pessoa jurídica desobrigada de escrituração contábil, a base de cálculo da contribuição corresponderá a dez por cento da receita bruta auferida no período de 1º janeiro a 31 de dezembro de cada ano, ressalvado o disposto na alínea b do parágrafo anterior. O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica tem base de cálculo distinta, em observância ao artigo 153, da Constituição Federal e à legislação federal aplicável a este imposto. Fl. 7205DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.195 23 A falta de identidade entre a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é evidenciada pelo artigo 57, da Lei n. 8.981/1995, in fine, que dispõe que são mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, verbis: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.065, de 1995) O artigo 57 apenas unificou os regimes de apuração dos tributos, para que a apuração do IRPJ por um dos regimes (lucro real, arbitrado ou presumido) tivesse por consequência a obrigatória apuração da CSLL no mesmo regime. Mas tal previsão não altera a base de cálculo da CSLL, e nem poderia diante da previsão constitucional e legal específica para sua exigência. Ressaltese que a base de cálculo do IRPJ é definida pelo Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999), conforme artigos 219 e 247, vigente ao tempo dos fatos em discussão nos autos: Art. 219. A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV) ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único. Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 199, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele Fl. 7206DF CARF MF 24 adicionados, respectivamente, observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º). § 3º Os valores controlados na parte "B" do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). Nesse sentido, a regra geral de dedutibilidade prevista pelo artigo 299, do RIR/1999, com matriz legal no artigo 47, da Lei nº 4.506/1964 não se aplica à CSLL diante da ausência de previsão expressa para tanto. Aliás, o artigo 47 sequer consta como fundamento do Auto de Infração de CSLL¸ não sendo possível alterar o critério jurídico do lançamento por decisão administrativa, em respeito ao artigo 146, do Código Tributário Nacional. Acrescento que não há norma específica determinando a adição, à base de cálculo da CSLL, da despesa com a amortização do ágio. Adoto, ainda como razão de decidir o voto do exConselheiro Waldir Veiga Rocha, relator no acórdão recorrido: Ao estender à CSLL as “mesmas normas de apuração e de pagamento” estabelecidas para o IRPJ, por certo que o legislador aí não incluiu a determinação da base de cálculo da contribuição, bastando ler a continuação do dispositivo legal, que afirma que ficam “mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor”. A melhor exegese, portanto, é de que, ao se referir a “apuração”, quis o legislador se referir às profundas alterações introduzidas por aquela mesma lei, em artigos anteriores, no que se refere à apuração mensal, estimativas, levantamento de balanços ou balancetes de suspensão ou redução para fins dos pagamentos mensais, entre outras. A forma de apuração e pagamento adotada para o imposto de renda deveria ser a mesma adotada para a CSLL, o que não significa, em absoluto, que as bases de cálculo tenham sido unificadas. A conclusão que se impõe é que, para fins da CSLL, seria necessário demonstrar que o lucro líquido do exercício teria sido apurado incorretamente, de acordo com as normas da legislação comercial. Em outras palavras, que a despesa com a amortização do ágio teria sido apropriada ao resultado contábil (LLE) em desacordo com a legislação comercial, reduzindoo indevidamente. Com essa redução indevida, por consequência, restaria indevidamente reduzida a base de cálculo da CSLL, e a autuação estaria correta. E aqui fazse necessário dividir a análise. Para o IRPJ, deixei claro meu entendimento de que os ajustes de due diligence provocaram aumento indevido no valor do ágio originalmente registrado por ocasião da aquisição do BMC pelo Bradesco. Isso provoca reflexo direto para a CSLL, visto que o ágio amortizado contabilmente possui em si uma parcela majorada, reduzindo indevidamente o lucro líquido, ponto de Fl. 7207DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.196 25 partida para a determinação tanto do IRPJ quanto da CSLL. Até aqui, já é possível afirmar que deve ser mantida parcela dos valores amortizados e glosados correspondente a 25,729717%. Quanto ao segundo fundamento invocado pelo Fisco, ou seja, a impossibilidade de dedutibilidade da totalidade do ágio, para fins fiscais, por desatendimento aos requisitos dos arts. 385 e 386 do RIR/99, meu voto, para o IRPJ, foi de que esse fundamento não pode ser aceito, e as mesmas conclusões seriam aplicáveis à CSLL, afastando também aqui 74,270283% das glosas. Não obstante, ainda que o Colegiado venha a concluir de modo diferente, apresento um segundo aspecto que, a meu ver, é capaz de afastar a incidência tributária neste caso. Para fins fiscais, a legislação de regência é clara: (i) ao reconhecer que o ágio, qualquer que seja seu fundamento (art. 385 do RIR/99), pode ser objeto de amortização contábil (o que depende apenas da legislação societária/contábil), desde que sua contrapartida não influa na apuração do lucro real (art. 391 do RIR/99); e (ii) que a hipótese de dedutibilidade (art. 386, III, do RIR/99) é exclusiva para os balanços correspondentes à apuração do lucro real. (...) Em assim sendo, tenho que os questionamentos acerca da dedutibilidade (efeitos fiscais) da contrapartida da amortização de ágio, com fundamento em expectativa de rentabilidade futura da investida, como é o presente caso, somente podem ser feitos no que toca ao IRPJ. Ao contrário também do que sustenta a D. PGFN, com todo o respeito que lhe é devido, a regra é da dedutibilidade das despesas, sendo exceção a indedutibilidade. Toda despesa incorrida e devidamente comprovada é, a princípio, dedutível, e deve integrar o lucro líquido do exercício, sem a necessidade de qualquer ajuste. Em havendo lei que vede sua dedutibilidade, impõese a adição, para fins de determinação da base de cálculo do tributo. Para fins do IRPJ, a legislação supratranscrita é clara ao vedar expressamente o cômputo da amortização do ágio para fins do lucro real (art. 391), com as duas únicas exceções do art. 426 e do art. 386, III. Não se verificando alguma das exceções, a amortização feita contabilmente deve ser adicionada à base de cálculo. Para fins da CSLL não encontro determinação semelhante. Em assim sendo, também por esse fundamento a parcela correspondente a 74,270283% dos valores amortizados e glosados não pode subsistir. Em conclusão, quanto à CSLL, meu voto é pelo provimento parcial do recurso voluntário para afastar 74,270283% dos valores amortizados e glosados. Fl. 7208DF CARF MF 26 Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria quanto à CSLL, mantendo o acórdão da Turma a quo. Conclusão Diante de tais razões, conheço da alegação a respeito do artigo 24, da LINDB, afastando sua aplicação. Ademais, voto por conhecer o recurso especial da Procuradoria. No mérito, voto por negar provimento ao recurso especial, mantendo o acórdão recorrido. Caso vencida no mérito, esclareço que não há matéria a ser julgada pela Turma Ordinária, que já se pronunciou sobre todos os temas do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 7209DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.197 27 Voto Vencedor Conselheiro Demetrius Nichele Macei, Redator Designado Com todo o respeito ao brilhante voto da i.Conselheira Relatora, entendo que no presente caso a dedutibilidade da amortização do ágio praticada pela recorrida é indevida, uma vez também ter sido indevido o emprego da empresa veículo Milão Holdings Ltda. (“Milão”), na operação societária que visava usufruir do incentivo fiscal previsto nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97. A dedução da amortização do ágio gerado na aquisição de participações societárias depende basicamente da satisfação de três requisitos previstos nos artigos 385 e 386, do RIR/99 (sendo que este último dispositivo repete o conteúdo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997); são eles: a) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; b) a realização de operações originais entre partes não ligadas e; c) lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Pois bem. No caso sob análise, como bem apontou a recorrente, a união patrimonial, ou seja, a confusão patrimonial, entre o Banco Bradesco e o Banco BMC não ocorreu. Notese que, a operação que balizou a dedutibilidade do ágio foi a incorporação da Milão pelo Banco Finasa e, posteriormente, a incorporação do Banco Finasa pelo Banco BMC. Isto é relevante porque significa que no final das contas o Banco Bradesco continuou sendo o detentor das ações do Banco BMC e, como também atentamente apontou a recorrente, o patrimônio do Banco Bradesco permaneceu intocável, “só que travestido em ações de outro controlada, não mais como o ágio da compra do BMC em si.” À efolha 4.747, o TVF clarifica os efeitos de tais operações: “Nesta reorganização societária o ágio que inicialmente deveria ser amortizado pelo BRADESCO passou a ser amortizado pela MILÃO, posteriormente pelo FINASA que incorporou a MILÃO, e finalmente pelo próprio BMC que incorporou o FINASA.” É patente, no presente caso, a ausência de uma motivação extratributária que fosse capaz de justificar a necessidade da reorganização societária realizada. Ademais, outros pontos, como o fato de a empresa Milão ter apresentado em 2007, DIPJ com status de inativa e de na DIPJ do anocalendário de 2008 haver somente uma operação realizada, qual seja, o recebimento do patrimônio do Banco BMC, em trânsito para o Banco FINASA, com ágio fundamentado em rentabilidade futura, acabam por atestar, nitidamente, seu papel como uma empresa veículo. (TVF – efl. 4.751) Já tive oportunidade de tratar de razões extrafiscais, que justificam a utilização de holdings para fins de transferência de ágio como, por exemplo, nos casos decorrentes de privatizações no setor elétrico como o caso CTEEP (julgado e mantido por esta Fl. 7210DF CARF MF 28 CSRF em junho de 2018 Ac. 9101003.609) e, também, o caso TIM NORDESTE (Acórdão 9101003.972 – julgado em 17/01/2018). Vejase que naqueles casos, as agências reguladoras (no caso CTEEP, a ANEEL e no caso TIM NORDESTE, a ANATEL), à vista da legislação aplicável, no intuito de manter a concorrência, protegendo dividendos de acionistas minoritários, tinham a incumbência de analisar toda e qualquer movimentação de natureza societária nas empresas a ela subordinadas para fins de fiscalização regulatória. Tanto que no caso da TIM NORDESTE, na minha opinião, evidenciada no respectivo acórdão publicado, havia vedação de natureza societária perpetrada pela Instrução CVM 19, que impossibilitou que a Bitel incorporasse diretamente a TNC, ou viceversa, o que garantiria a amortização do ágio sem quaisquer questionamentos de natureza fiscal. Neste sentido seria então aceitável que, devido à restrição por atuação de terceiros, ainda que no exercício de seu poder de regulação e fiscalização, havia fundamento extrafiscal para a criação da holding, não se resumindo a questões meramente fiscais. Infelizmente, não é o que ocorre no presente caso. O caso ora em análise se amolda perfeitamente a descrição de “operações estruturadas em sequência” ou “step transactions”, oferecida pelo professor Marco Aurélio Greco, trazida pelo TVF (efl. 4.752); compreendase: “aquelas sequências de etapas em que cada uma corresponde a um tipo de ato ou deliberação societária ou negocial encadeado com o subsequente para obter determinado efeito fiscal mais vantajoso. Neste caso, cada etapa só tem sentido se existir a que lhe antecede e se for deflagrada a que lhe sucede. Uma operação estruturada indica a existência de um único objetivo, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica que informa todo o conjunto. Nestes casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas.” Ainda, no tocante a justificativa para a transferência, pelo BRADESCO, do patrimônio do BMC para a Milão, o TVF (efl. 4.752) informa que quando intimado o contribuinte para apresentar cópia do Ato Societário que justificasse tal transação, tal documento não foi fornecido e tampouco foram esclarecidos os motivos da transferência em comento. Consta, ainda, que em resposta o contribuinte apenas reapresentou a Ata da AGE do BMC de 24/08/2007 que aprovou a incorporação das ações. É bem verdade que até final do século passado vigorava o Principio da Estrita Legalidade sobre as operações societárias perpretadas com o objetivo de economia fiscal, baseado na livre iniciativa e liberdade de organização de negocios. Reconheço que a economia fiscal pode ser visto como um dos objetivos da classe empresarial. Contudo, recentemente o entendimento deste Conselho, na minha visão, embasada na melhor doutrina (já citada), entende que a mera utilização de instrumentos legais, sem um motivo comercial/societário/contratual, revela abuso das formas juridicas, abuso de direito, que enseja desconsideração da operação sob o ponto jurídico para a consideração da finalidade da operação, quando esta for essencialmente com objetivo tributário injustificável. Fl. 7211DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.198 29 Em suma, restou caracterizado o exclusivo intuito de economia fiscal durante todo o processo de reorganização societária operada pela contribuinte, motivo pelo qual a glosa de amortização de ágio deve ser mantida. Por fim, passando agora a questão relativa a CSLL, entendo novamente caber razão a recorrente. Discutese se há impedimento à dedução da despesa com amortização do ágio da base de cálculo da CSLL. Entendo que não. Esclareço. Vejamos, inicialmente, o quanto disposto no caput do art. 57, da Lei 8.981/95, parte final, quanto à definição da base de cálculo da referida contribuição. Vejase: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Grifos Nossos) A CSLL, instituída com a edição da Lei 7.689/88, tem como base de cálculo, nos termos do art. 2º da referida lei, “o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda”, acrescentandose, através da letra ‘c’, do § 1º, do mesmo art. 2º, que o resultado do períodobase será apurado com a observância da legislação comercial, ajustado por adições e exclusões. A Lei nº 8.981/95 trouxe inovações na apuração da base de cálculo do IRPJ e, no já transcrito art. 57, estende, textualmente, a aplicação, para a CSLL, das mesmas normas de apuração do IRPJ, mantida a base de cálculo prevista na legislação em vigor, que é o resultado do períodobase apurado com a observância da legislação comercial ajustado ou, a teor do contido no § 3º, do citado art. 57, “o lucro líquido ajustado”. A Lei nº 9.430/96, por sua vez, especificamente em seu art. 28, na redação original, garante que “aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71 desta Lei.” Especificamente o art. 2º da Lei nº 9.430/96 reforça a observância das alterações introduzidas pela Lei nº 8.981/95 na apuração da base de cálculo do IRPJ, extensível para a CSLL. Desta forma, a legislação fiscal aplicável na apuração da base de cálculo do IRPJ é, em mais de uma oportunidade, estendida por lei para a apuração da base de cálculo da CSLL, as quais partem do mesmo lucro líquido apurado na forma da legislação comercial e diferem, ao final, tão somente pelos expressas adições e exclusões a que estão legalmente sujeitas. Ou seja, se não há previsão legal de exclusão da despesa de amortização com ágio da base de cálculo da CSLL, ela deve ser mantida na referida base de cálculo, uma vez que a legislação, como acima demonstrado, determina que para a apuração da base de cálculo da CSLL deve ser observada a legislação aplicável ao IRPJ. Ante o exposto, voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Procuradoria. Fl. 7212DF CARF MF 30 É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 7213DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.199 31 Declaração de Voto Conselheiro André Mendes de Moura. Foram empreendidos debates bastante substanciosos a respeito da aplicação do art. 24, do DecretoLei nº 4.657, de 1942 (LINDB), com redação dada pela Lei nº 13.655, de 2018), ao processo administrativo tributário, na esfera federal. Transcrevo o dispositivo em questão: Art. 24. A revisão, nas esferas administrativa, controladora ou judicial, quanto à validade de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa cuja produção já se houver completado levará em conta as orientações gerais da época, sendo vedado que, com base em mudança posterior de orientação geral, se declarem inválidas situações plenamente constituídas. Parágrafo único. Consideramse orientações gerais as interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral ou em jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, e ainda as adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. A tese seria no sentido de que a validade do ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa (cuja produção estiver completada) deve levar em conta as orientações gerais da época em que se concretizou o fato com repercussão administrativa/jurídica. As orientações gerais abrangem (1) interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral, ou (2) jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, ou (3) aquelas adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público. Assim, não caberia eventual revisão do ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, caso não atendidos os requisitos expostos. Nesse contexto, no âmbito do CARF, no julgamento dos processos administrativos tributários federais, o Colegiado estaria vinculado ao art. 24 da LINDB, ao apreciar as matérias devolvidas em sede recursal. Caso a matéria em litígio trate de discutir sobre validade de ato/contrato/ajuste/processo/norma, e a interpretação da legislação tributária empregada pela parte processual esteja em consonância com as orientações gerais (interpretações e especificações contidas em atos públicos de caráter geral, ou jurisprudência judicial ou administrativa majoritária, ou aquelas adotadas por prática administrativa reiterada e de amplo conhecimento público) vigentes à época em que se deu a construção do suporte fático que teve como consequência jurídica o lançamento fiscal, estaria o CARF submetido estritamente ao dispositivo da LINDB. Tal entendimento não encontra sustentação no contencioso administrativo tributário federal. Isso porque o art. 24 da LINDB trata da revisão do ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa. Fl. 7214DF CARF MF 32 Ocorre que a atividade judicante, ao exercer a missão de resolver o litígio posto pela parte, não realiza a revisão, mas sim o reexame da matéria apresentada para discussão. A revisão envolve cognição ampla e sem restrições da matéria, seja qual for a sua natureza (ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa). A título de exemplo, no âmbito tributário, o Código Tributário Nacional (CTN) trata da revisão de ofício do ato de lançamento, no art. 149: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. O que se observa é que, para a revisão do ato, não se fala em limites apresentados pela parte, no sentido de delimitar a análise. A revisão pode dispor sobre o ato em sua plenitude. Pode envolver em um refazimento completo do ato, ou um refazimento parcial. A revisão pode ser de ordem quantitativa ou qualitativa. O ato original realizado pela parte (por exemplo, lançamento por homologação), pode ser revisado pelo Estado, por meio do lançamento de ofício, em sua integralidade. O ato de lançamento original, por homologação, Fl. 7215DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.200 33 efetuado pela parte, pode ter previsto uma hipótese de incidência, e o ato da lançamento revisional pode dispor sobre várias hipóteses de incidência. A revisão é ampla, e uma vez atendidos requisitos normativos (como os dispostos nos incisos I a IX do art. 149 do CTN), passa a encontrar limites apenas de ordem temporal, nos prazos extintivos de direito previstos na legislação. Não é o que ocorre a partir do momento em que se instaura a fase contenciosa, disposta no art. 25 do DecretoLei nº 70.235, de 1972 (PAF): Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (...) (Grifei) O julgamento submetese a normas próprias de direito processual. Assim, deparase o julgador com limites de cognição para apreciar o litígio. Só se encontra sob a competência da atividade judicante a matéria que é devolvida para apreciação por uma das partes, que se encontra irresignada com a situação apresentada e busca satisfazer sua pretensão resistida. Não cabe a revisão integral de todo o auto de infração, mas apenas a apreciação das matérias que foram contestadas pela parte. Se o lançamento de ofício, objeto de contestação pela parte, tipifica as infrações A, B e C, e a impugnação apresentada protesta apenas sobre a infração A, a apreciação do juiz fica restrita à infração A. Caso a atividade judicante exercesse a atividade de revisão, poderia o juiz se debruçar sobre todo o lançamento de ofício, para apreciar as infrações A, B e C, independente da manifestação da parte irresignada sobre as infrações B e C. Mas não é o caso. Foram estabelecidas normas próprias de natureza processual, precisamente para delimitar com precisão a insatisfação da parte e buscar a solução do litígio com a maior celeridade possível, e evitar discussões fora do contexto do objeto da contenda. Foram construídos institutos de ordem processual, para dispor com clareza sobre a atividade de decidir e seu escopo. Nesse contexto, o julgamento operase em face da matéria devolvida, ou seja, apenas sobre matéria que foi objeto de protesto pela parte. Assim, não se pode dizer que se concretiza uma revisão do ato, que envolve uma apreciação ampla e irrestrita. O que se produz é o reexame, que consiste na apreciação sobre a matéria devolvida. Nesse contexto, no âmbito do contencioso administrativo tributário federal, o PAF tratou de dispor sobre a abrangência do litígio, para delimitar com precisão as fronteiras do reexame na atividade judicante exercida no âmbito administrativo. Transcrevo os arts. 17 e 21: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (...) Fl. 7216DF CARF MF 34 Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. Ora, caso o contencioso administrativo do PAF entendesse que o contencioso administrativo fiscal exerceria a atividade de revisão, não teria razão a existência dos dispositivos. Bastaria a parte apresentar impugnação protestando sobre matéria A, para que o julgador pudesse se pronunciar sobre matéria B e C, situação no qual estaria realizando a revisão do lançamento de ofício, ato que não encontra limites na apreciação. Contudo, permitese ao julgador apenas a apreciação da matéria devolvida em impugnação. Inclusive, dispõe o art. 21 do PAF que, em relação à matéria não impugnada, será providenciada a cobrança da parte não contestada. Tratase de matéria preclusa. Ou seja, matéria que não pode ser mais objeto de reexame. Por sua vez, dispõe o PAF que o julgamento em sede recursal é realizado, inicialmente, pelas Turmas Ordinárias do CARF, mediante apreciação de recurso de ofício (reexame necessário, submetido a limite de alçada de exoneração de crédito tributário, art. 34 1) e voluntário, nos termos do art. 25, inciso II 2. E, na mesma medida que na primeira instância, a apreciação dos recursos em sede recursal também é restrita à matéria devolvida, conforme dispõe sobre o recurso voluntário, o art. 33 do PAF: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (Grifei) Sendo a interposição de recurso voluntário parcial, a apreciação em sede recursal versará apenas sobre a matéria devolvida para discussão. A interposição de recurso especial, para a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), também encontra limites processuais específicos, devendo restar demonstrada a divergência na interpretação da legislação tributária entre decisões de diferentes turmas de 1 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. (...) 2 Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (...) II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (...) Fl. 7217DF CARF MF Processo nº 16327.720049/201362 Acórdão n.º 9101004.009 CSRFT1 Fl. 7.201 35 julgamento, conforme disposto no art. 37 do PAF e no regimento interno do órgão, e delimitando estritamente os limites da apreciação por parte do Colegiado: Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (...) § 2º Caberá recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, no prazo de 15 (quinze) dias da ciência do acórdão ao interessado: I – (VETADO) (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) II – de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de Câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda há o requisito do prequestionamento, previsto no Regimento Interno do CARF 3 (RICARF), Anexo II: Art. 67 (...) § 5º O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Sobre o assunto já se manifestou o presente Colegiado, ocasião em que não foi apreciada questão relativa a decadência porque não foi prequestionada, nos termos do Acórdão nº 9101003.439, da sessão de 7 de fevereiro de 20184, assim ementado: AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE. REQUISITO PARA ADMISSIBILIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. Requisito de admissibilidade previsto no Regimento Interno do CARF, tanto no vigente (Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Anexo II, art. 67, § 5º) quanto no anterior (Portaria nº 256, de 3 O RICARF tem amparo no art. 37 do PAF: Art. 37. O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. 4 Decisão proferida por maioria de votos, conforme resultado: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio, que conheceram do recurso. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa. (...) Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. Fl. 7218DF CARF MF 36 22/06/2009, Anexo II, art. 67, § 3º). Precedentes no STJ no sentido de que o prequestionamento é necessário inclusive no caso de matéria de ordem pública (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.553.221 SP, AgInt nos EDcl no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 932.947 SP e RCD no AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL Nº 938.531 SP). Recurso não conhecido. Como se pode observar, para que a matéria tenha seguimento deve atender aos requisitos de admissibilidade previstos na norma processual. Não se admite ressuscitar matérias que já se encontram preclusas. Caso se entendesse que o julgamento exerceria a atividade de revisão, restariam esvaziados os institutos construídos no sentido de se delimitar o objeto de exame na fase litigiosa. Não haveria que se falar em preclusão, matéria não impugnada, cobrança de matéria não contestada, devolução parcial, divergência, prequestionamento, dentre outros institutos. Ora, resta evidente que a atividade exercida pelos órgãos do contencioso administrativo tributário federal, consiste em reexaminar a matéria devolvida, e não efetuar uma revisão no lançamento de ofício em sua integralidade. Nesse contexto, o art. 25 do PAF, ao dispor sobre o julgamento, trata do exercício de reexame, e não de revisão o processo. Portanto, considerando que a atividade judicante, inclusive no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, consiste em efetuar o reexame da matéria devolvida, e não a revisão de ato, contrato, ajuste, processo ou norma administrativa, firmo inapelável convicção no sentido da inaplicabilidade do art. 24 da LINDB aos julgamentos realizados pelo CARF. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 7219DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.725133/2014-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2012
CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA - INEXISTÊNCIA
A matéria de fato está devidamente revelada no lançamento tributário com o devido enquadramento legal contra o qual o sujeito passivo apresentou substanciosa oposição em sua Impugnação implicando na constatação de inexistência de cerceamento ao seu direito de defesa.
ILEGITIMIDADE PASSIVA - INEXISTÊNCIA
Contribuinte do IPI é o industrial ou equiparado a industrial por imperativo legal. A argumentação de que o lançamento tributário deveria recair em comercial atacadista interdependente não encontra suporte jurídico.
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - INOBSERVÂNCIA
As saídas de produtos do estabelecimento industrial para comercial atacadista interdependente deve observar o valor tributável mínimo para fins de incidência de IPI nos termos do Art. 136, I do RIPI.
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - COMPOSIÇÃO
Provado nos autos que os produtos da Impugnante, em virtude de suas características próprias, constituem produtos únicos a ensejar a exclusão dos produtos de seus concorrentes, somente os preços de seu estabelecimento comercial atacadista se mostra apto a compor o valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I do RIPI.
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - EXCLUSÃO DE PREÇOS
Tendo em vista que os preços praticados nas saídas de produtos da Impugnante para sua comercial atacadista interdependente não correspondem ao preço de mercado atacadista, impõe-se sua exclusão na composição do valor tributável mínimo do Art. 136, I do RIPI/02, conforme orientações do Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, PN CST nº 44/81
Numero da decisão: 3301-005.708
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior e Semírames de Oliveira Duro, que deram provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2012 CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA - INEXISTÊNCIA A matéria de fato está devidamente revelada no lançamento tributário com o devido enquadramento legal contra o qual o sujeito passivo apresentou substanciosa oposição em sua Impugnação implicando na constatação de inexistência de cerceamento ao seu direito de defesa. ILEGITIMIDADE PASSIVA - INEXISTÊNCIA Contribuinte do IPI é o industrial ou equiparado a industrial por imperativo legal. A argumentação de que o lançamento tributário deveria recair em comercial atacadista interdependente não encontra suporte jurídico. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - INOBSERVÂNCIA As saídas de produtos do estabelecimento industrial para comercial atacadista interdependente deve observar o valor tributável mínimo para fins de incidência de IPI nos termos do Art. 136, I do RIPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - COMPOSIÇÃO Provado nos autos que os produtos da Impugnante, em virtude de suas características próprias, constituem produtos únicos a ensejar a exclusão dos produtos de seus concorrentes, somente os preços de seu estabelecimento comercial atacadista se mostra apto a compor o valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I do RIPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - EXCLUSÃO DE PREÇOS Tendo em vista que os preços praticados nas saídas de produtos da Impugnante para sua comercial atacadista interdependente não correspondem ao preço de mercado atacadista, impõe-se sua exclusão na composição do valor tributável mínimo do Art. 136, I do RIPI/02, conforme orientações do Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, PN CST nº 44/81
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ILEGITIMIDADE PASSIVA INEXISTÊNCIA Contribuinte do IPI é o industrial ou equiparado a industrial por imperativo legal. A argumentação de que o lançamento tributário deveria recair em comercial atacadista interdependente não encontra suporte jurídico. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO INOBSERVÂNCIA As saídas de produtos do estabelecimento industrial para comercial atacadista interdependente deve observar o valor tributável mínimo para fins de incidência de IPI nos termos do Art. 136, I do RIPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO COMPOSIÇÃO Provado nos autos que os produtos da Impugnante, em virtude de suas características próprias, constituem produtos únicos a ensejar a exclusão dos produtos de seus concorrentes, somente os preços de seu estabelecimento comercial atacadista se mostra apto a compor o valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I do RIPI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 51 33 /2 01 4- 70 Fl. 6717DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.718 2 VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO EXCLUSÃO DE PREÇOS Tendo em vista que os preços praticados nas saídas de produtos da Impugnante para sua comercial atacadista interdependente não correspondem ao preço de mercado atacadista, impõese sua exclusão na composição do valor tributável mínimo do Art. 136, I do RIPI/02, conforme orientações do Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, PN CST nº 44/81 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior e Semírames de Oliveira Duro, que deram provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão no. 1455.357 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 6546/6567): Trata o presente processo de impugnação a Auto de Infração de Imposto sobre Produto Industrializado – IPI, no valor total de R$ 16.736.753,37, lavrado em virtude de a Autoridade Fiscal entender que a Interessada deu saída de produto industrializado sem observância do Valor Tributável Mínimo, conforme art. 136, I, RIPI/2002 e 195, inciso I, do RIPI/2010. A Interessada tomou ciência do Auto de Infração em 14/02/2014 e, irresignada, apresentou sua Impugnação em 13/03/2014, fls. 1073, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: Fl. 6718DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.719 3 1. vício de constituição do Auto de Infração – informação não provada, consistente na afirmação da Autoridade Fiscal de que “inexistiam estabelecimentos pertencentes a terceiros sem relação de interdependência com Menphis que comercializassem produtos cujos preços pudessem ser utilizados na apuração do valor mínimo dos produtos fabricados por Menphis...” 2. como preliminar, faz alegação de ilegitimidade passiva, pois entende que o responsável pelo tributo é a empresa interdependente, nos termos do Art. 7º, da Lei nº 7.798/89; 3. que a Instrução Normativa SRF nº 87, de 21/08/1989, não tem vinculação com a operação da impugnante; 4. que as deficiências de informações do Auto de Infração são atentatórias ao direito constitucional de ampla defesa; 5. que há erro na sistemática de apuração do preço mínimo tributável utilizado pelo Sr. Agente Fiscal, por não incluir outros atacadistas para levantamento de preços de produtos similares, e, que a Autoridade Fiscal não se esforçou para tal; 6. que não cabe qualquer presunção para a formação do valor mínimo tributável e que o afastamento da existência de outros estabelecimentos atacadistas caracteriza uma presunção; 7. que a Autoridade Fiscal reconhece a existência de vendas no atacado por empresas atacadistas não interdependentes, mas que não incluiu os respectivos valores na apuração, o que nulifica o Auto de Infração; 8. Que para a apuração do Valor Tributável Mínimo, a Autoridade Fiscal utilizouse de preços de distribuidora estabelecida na praça da Impugnante e distribuidora estabelecida em outra praça; 9. Que não dá para saber “o que foi utilizado pelo fiscal para fins de apuração do preço mínimo tributável, situação atentatória ao direito de defesa”; 10. Que não foi observado o conceito de praça e que o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981 define praça como sinônimo de cidade, juntando Parecer do Ilustre Professor Doutor Fábio Ulhoa Coelho; 8. que excluiu da apuração do valor mínimo tributável, as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, Amazônia Ocidental e Áreas de Livre Comércio; 9. que, “não há razão para considerar que apenas parte das vendas da Impugnante deve fazer base para cálculo do ‘preço corrente da praça do remetente”; 10. que o cálculo da média ponderada não leva em consideração os preços de outros atacadistas; Fl. 6719DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.720 4 11. que o Agente Fiscal não buscou conhecer a condição de pagamento entre os preços cotejados, desconsiderando estudo do prazo de pagamento concedido e que tal, distorce a média ponderada; 12. que o Agente Fiscal, ao apurar o preço de venda da distribuidora deveria excluir o IPI embutido no respectivo preço; 13. que “o trabalho fiscal é falho, pois inclui operações que não se concretizaram, distorcendo a “média ponderada do preço de cada produto”, conforme notas fiscais 42482, 42640, 43152, 43612, 43613, 45344, 41178, 41447, dentre outras (notas fiscais de devolução da Distribuidora Menphis Ltda para Menphis S/A Industrial); 14. que “DEIXOU de incluir no seu levantamento várias notas fiscais de exportação”, mencionando uma única nota fiscal 166963 de março de 2009; 15. que é “necessário excluir o PIS e COFINS que foi gerado na operação de venda da impugnante”, nos casos de incidência monofásica; 16 que a base de cálculo correta, no caso, seria o artigo 137, § único, II do RIPI então vigente; 17. que a não inclusão das vendas da impugnante para a Menphis Distribuidora, interdependente, fere o artigo 112 do CTN; 18. que a estrutura negocial e o planejamento fiscal adotado são lícitos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto considerou improcedente a impugnação, sob a seguinte ementa (fl. 6546): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2012 CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA A matéria de fato está devidamente revelada no lançamento tributário com o devido enquadramento legal contra o qual o sujeito passivo apresentou substanciosa oposição em sua Impugnação implicando na constatação de inexistência de cerceamento ao seu direito de defesa. ILEGITIMIDADE PASSIVA INEXISTÊNCIA Contribuinte do IPI é o industrial ou equiparado a industrial por imperativo legal. A argumentação de que o lançamento tributário deveria recair em comercial atacadista interdependente não encontra suporte jurídico. Fl. 6720DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.721 5 VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO INOBSERVÂNCIA As saídas de produtos do estabelecimento industrial para comercial atacadista interdependente deve observar o valor tributável mínimo para fins de incidência de IPI nos termos do Art. 136, I do RIPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO COMPOSIÇÃO Provado nos autos que os produtos da Impugnante, em virtude de suas características próprias, constituem produtos únicos a ensejar a exclusão dos produtos de seus concorrentes, somente os preços de seu estabelecimento comercial atacadista se mostra apto a compor o valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I do RIPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO EXCLUSÃO DE PREÇOS Tendo em vista que os preços praticados nas saídas de produtos da Impugnante para sua comercial atacadista interdependente não correspondem ao preço de mercado atacadista, impõese sua exclusão na composição do valor tributável mínimo do Art. 136, I do RIPI/02, conforme orientações do Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, PN CST nº 44/81 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 6584/6683), no qual repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto será abordado cada um dos argumentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário com as seguintes alegações: 1. NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA CÓPIA MAL FEITA DE OUTRO ACÓRDÃO 2 NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA NÃO APRECIAÇÃO DAS MATÉRIAS ARGUIDAS Fl. 6721DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.722 6 3. DO MÉRITO SUBSIDIÁRIO UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DO IPI HOJE VIGENTE 4. VÍCIO DE CONSTITUIÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO INFORMAÇÃO NÃO PROVADA 5. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA 6 . PRELIMINAR VÁRIOS FATOS DISTINTOS: LEGISLAÇÕES DISTINTAS E: IMPRECISÃO NA FORMAÇÃO DO PREÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL 7. ARGUMENTO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA MOTIVAÇÃO INQUISITORA DO JULGADOR FALSO JUÍZO DE VALORES PARCIALIDADE 8. VALOR MÍNIMO TRIBUTÁVEL E PRAÇA 8.1 MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÕES CORRENTES 8.2 MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÃO ACADÊMICA 8.3 MÉRITO DA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DO PREÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL UTILIZADO PELO SR. AGENTE FISCAL 8.4 DO MÉRITO CORRETO PEÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL USO DO CUSTO DA MERCADORIA, ACRESCIDO DOS ENCARGOS 8.5 DO MÉRITO INTERPRETAÇÃO FISCAL MAIS BENÉFICA 8.6 DO MÉRITO EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO ENTRE A RECORRENTE E A DISTRIBUIDORA INDEPENDENTE 9. DO MÉRITO SUBSIDIÁRIO UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DO IPI HOJE VIGENTE 10. DA NORMA ANTIELISIVA A seguir, passamos a tratar cada um dos pontos levantados pela Recorrente: 1. NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA CÓPIA MAL FEITA DE OUTRO ACÓRDÃO Alega a Recorrente que, apesar de citar várias vezes o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello, o Julgador não aplicou corretamente o pensamento do ilustre jurista, não considerou em seu acórdão outros ensinamentos do Professor (fl. 6585): Fl. 6722DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.723 7 Acusa a Recorrente, a decisão guerreada de ser uma cópia malfeita de decisão exarada no Processo 11080.721410/201475, o qual teria base de formação muito diferente. Afirma que o julgado usou datas de recepção e defesa de outro processo, incorretas. Segue comparação constante do Recurso Voluntário (fl. 6586): Defende também que a ementa da decisão de piso é igual à do outro processo mencionado, apesar da questão em pauta neste processo ser mais ampla. Inicialmente, cabe mencionar que a citação de trechos de um jurista, por mais renomado que seja, não implica o dever de se seguir integralmente o pensamento desse autor. Ademais, sabese que no Direito há incontáveis interpretações para os mesmos textos. Portanto, não cabe considerar uma decisão preliminarmente nula em razão do uso de trechos da doutrina e mesmo da interpretação destes trechos realizada pelo julgador. Quanto ao fato de uma decisão administrativa se respaldar em outra, isso não é em si uma prática criticável, ao contrário, quanto mais uniformização houver nas decisões, mais coerente será a posição da Administração Pública. Ademais, apesar dos equívocos alegados pela Recorrente, verificase que ela entendeu integralmente os fatos e circunstâncias que levaram à autuação e teve plenas condições de exercer seu direito de defesa. 2 NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA NÃO APRECIAÇÃO DAS MATÉRIAS ARGUIDAS Neste ponto, a Recorrente volta a mencionar o suposto mal uso das lições de Celso Antônio Bandeira de Mello e afirma que as questões seguintes não foram devidamente abordas na decisão recorrida. Colacionamos as asseverações da Recorrente (fl. 6588/6589): Fl. 6723DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.724 8 Verificamos, a seguir, as questões levantadas pela Recorrente (fls. 5726/5805) e a análise da DRJ sobre cada um delas. Sobre o subitem (2.b), necessário observar que a decisão recorrida tratou extensivamente dos critérios estabelecidos pela fiscalização e os indica expressamente, utilizando a SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA Nº 8/2012 COSIT, transcrevemos trecho: No levantamento do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, há de se recrutar um número tal de atacadistas, colhendo os preços dos produtos similares, mas somente aqueles que possibilitem tal comparação e utilidade. Contudo, como os produtos da Impugnante são perfeitamente caracterizados e identificados por marca, tipo, modelo, espécie e qualidade, e não encontrando produto similar apto a servir de parâmetro na formação do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente/impugnante, junto aos seus concorrentes, esse mercado atacadista da praça do remetente é composto pelos vendedores, que atuam nesse mercado, qual seja, a sua própria Comercial Interdependente, posto que é a distribuidora dos produtos da Impugnante. Assim, são os preços desse atacadista, Comercial Interdependente, a conformar o preço corrente no mercado atacadista do remetente/impugnante sobre o qual deverá incidir o IPI, conforme Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982 e Parecer Normativo CST nº 44/1981. Fl. 6724DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.725 9 Ora, essa é exatamente a orientação emanada da Solução de Consulta Interna n° 08/2012 – COSIT, nos seguintes termos: SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA Nº 8/2012 COSIT DATA: 13 DE JUNHO DE 2012 ORIGEM: SRRF10/DISIT ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI O valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento distribuidor interdependente do estabelecimento industrial fabricante. O valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial fabricante, e que tenha na sua praça um único estabelecimento distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. Dispositivos Legais: Decreto n° 7.212, de 15 de junho de 2010 – Regulamento do IPI; Parecer Normativo CST nº 44, de 1981. Relatório A Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 10ª Região Fiscal (SRRF10/Disit), por meio da Consulta Interna no 4, de 2 de agosto de 2011, solicita a esta CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) orientação sobre a situação a seguir descrita. 2. Tratase de pedido de orientação relativo à possibilidade de aplicação da regra de fixação de valor tributável mínimo vazada no inciso I do art. 195 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/2010), quando no mercado atacadista a que essa regra se refere existir um único distribuidor, sendo este interdependente do estabelecimento industrial fabricante do produto cujo valor tributável mínimo se pretenda determinar. 3. A dúvida exsurge em razão do Parecer Normativo CST nº 44, de 30 de novembro de 1981, o qual dispõe que, quando a determinação do valor tributável para efeito de cálculo do IPI for efetuada através dos preços praticados no mercado atacadista da praça do remetente, devese considerar o universo de vendas realizadas naquela localidade, e não somente àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 4. Deste modo, com o intuito de sanar a dúvida suscitada internamente e visando uniformizar a interpretação a ser dada à regra de determinação de valor tributável mínimo, a SRRF10/Disit solicitou a esta Cosit que se manifestasse sobre a questão, indagando textualmente: Fl. 6725DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.726 10 (...) quando uma distribuidora é a única vendedora no mercado atacadista do país ou da região do fabricante, os preços por ela praticados devem ser utilizados para determinação do valor tributável mínimo referido no artigo 195, inciso I, do RIPI/2010? Ou, em função do que consta no trecho acima transcrito do Parecer Normativo CST nº 44/81, deve se entender que a regra do artigo 195, inciso I, do RIPI/2010 só pode ser aplicada nos casos em que o mercado atacadista seja composto por mais de um vendedor? Fundamentos 5. O inciso I do art. 195 do RIPI/2010 assim dispõe sobre a matéria, in verbis: Art.195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência; 6. Observase que o dispositivo legal acima não faz qualquer referência ao número mínimo de ofertantes que devem atuar no mercado para que este seja caracterizado como um “mercado atacadista”. Tampouco faz qualquer distinção entre mercados monopolizados, oligopolizados, livre concorrência ou monopsônio. 7. Desse modo, não havendo base legal para se estabelecer o número mínimo de ofertantes, nem distinções entre os tipos de mercado, deve ser aplicada a regra prevista no inciso I do art. 195 do RIPI/2010 sempre que o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. 8. Já o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, ao tratar do valor tributável para efeito de cálculo do IPI, assim dispôs sobre “mercado atacadista”, in verbis: 6.1. Isto significando, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 7. Por isso, os preços praticados por outros estabelecimentos da mesma praça que a do contribuinte interessado em encontrar o valor tributável do IPI através do preço corrente do mercado atacadista devem ser considerados para o cálculo da média ponderada de que trata o§ 5º do artigo 46 do RIPI/79. 9. Ou seja, existindo diversos estabelecimentos atuantes no mercado atacadista, não será válida a determinação do valor Fl. 6726DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.727 11 tributável mínimo tomando por base o preço praticado por apenas um estabelecimento, isoladamente considerado. Devese levar em conta “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”. 9.1. Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. 9.2. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. 10. Dessa forma, as operações realizadas por este estabelecimento corresponderão ao “universo das vendas” a que se refere o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, e tais operações de compra e venda configurarão o “mercado atacadista” de que trata o inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Conclusão 11. Diante do exposto, na hipótese de existir no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 195 do RIPI/2010 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto (sem similar para efeito de comparação de preços), o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. Despiciendo dizer que o comando normativo do artigo 195, I do RIPI/2010, corresponde exatamente ao comando normativo do artigo 136, I do RIPI/02. Portanto, entender que os preços dos produtos da Impugnante no mercado atacadista consistem nos mesmos preços praticados pela sua comercial atacadista encontra respaldo no Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, PN CST nº 44/1981, na Solução de Consulta Interna nº 08/2012 – Cosit e na interpretação do artigo 136, I do Regulamento do IPI, apontado no lançamento tributário. Convém ressaltar, ainda, que para identificação do preço no mercado atacadista na praça da Impugnante, nos termos do inciso I do artigo 136 do RIPI, haverá de se levar em consideração os preços praticados pelos estabelecimentos da Comercial Interdependente, como distribuidora da Industrial, posto que atua nesta praça, conforme os atos acima citados. Fl. 6727DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.728 12 Desta forma, como se trata de produtos perfeitamente caracterizados e identificados por marca, tipo, modelo, espécie e qualidade, e não encontrando produto similar apto a servir de parâmetro na formação do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente/impugnante junto aos concorrentes da Impugnante, somente os preços da Comercial Interdependente podem ser utilizados para se determinar o preço atacadista na praça do Remetente/Impugnante. A Impugnante, embora conhecendo os preços no mercado atacadista praticados pelo Grupo Empresarial, não observou referidos comandos e utilizou, indevidamente, para definir sua base de cálculo o artigo 137, II do RIPI/02. Assim, recolheu valor de imposto muito abaixo do Valor Mínimo previsto pelo art. 136, I do RIPI/02. Prova disso é que a Impugnante praticava preços superiores nas operações com a Zona Franca de Manaus, Amazônia Ocidental, Área de Livre Comércio e Exportação, nas quais não há incidência de IPI, ao que praticava com suas próprias comerciais interdependentes. Para umas operações conhece o preço, para outras não? Evidente que a mensuração da base de cálculo pela Impugnante nas saídas para sua comercial interdependente não corresponde ao preço do mercado atacadista, pois inferior ao que ela próprio pratica. Assim, a Autoridade Fiscal ao quantificar o valor tributável mínimo não agiu por presunção e sim com observância às normas que regem a matéria, inclusive adotando sistemática mais favorável à Impugnante, excluindo os preços praticados por outros atacadistas não interdependentes que revenderam seus produtos adquiridos de sua comercial interdependente por evidenciarem um preço maior e que não é o praticado pela Impugnante. O art. 136, I do RIPI é uma verdadeira norma antielisiva, que visa aproximar, ao máximo, o valor tributável mínimo aos valores efetivos praticados pelo sujeito passivo. Inegável a justeza do trabalho fiscal. Considerando o excerto colacionado e também as discussões sobre praça, tratadas no item 8 adiante, verificase que, ainda que não tenha utilizado mesmos termos constantes da impugnação, a decisão a quo tratou com muita clareza os fundamentos, a base legal e a hipótese de adoção dos valores tributáveis mínimos e também trouxe minuciosa explicação sobre o conceito de praça adotado. Dessarte, não merece acolhida o Recurso Voluntário neste ponto. Em relação ao item (2.c) apresentado pela Recorrente, cumpre anotar que realmente não há referência direta na decisão recorrida. Mas se trata da mesma questão: os Fl. 6728DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.729 13 critérios adotados para de apuração do valor tributável mínimo e também o conceito de praça, conforme se discorreu no subitem anterior. De acordo com o item 11 do Auto de Infração, citado pela Recorrente, as vendas para Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio foram contabilizadas para estabelecer a média ponderada dos preços (o cálculo pode ser verifico às fls. 1.133/1347). Contudo, conforme explicitado expressamente no Auto de Infração, foram utilizados na apuração do valor tributável as vendas pelo próprio remetente e pelos interdependentes situados na mesma praça. Vejamos os itens 20/21 do Auto de Infração: Portanto, a sistemática adotada fica clara se houver leitura dos itens na forma sequenciada e não de excertos. Assim, tanto a Recorrente entendeu esse ponto na decisão de piso, que ela mesma critica no item anterior essa possibilidade, o que denomina de "duas teses da acusação". Outrossim, em relação à alegação de nulidade por erro na apuração da base de cálculo, decorrente do uso indevido de presunções e de utilização de critérios equivocados para levantamento do VTM, é preciso destacar que a questão se confunde com a matéria de mérito deduzida pela autuada, não merecendo, por si só, análise preliminar. Fl. 6729DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.730 14 Diante do exposto, concluise que o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado, por meio do qual contesta a incidência do tributo. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais tem firmado o entendimento de que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Nesse sentido: Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo (CSRF/0202.301). Encontramos amparo ainda na jurisprudência do STF, estampada no acórdão proferido no RE nº 463.139 AgR/RJ, no julgamento de 29/11/2005: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. OFENSA AO ART. 93, IX, DA CF/88. INEXISTÊNCIA. Acórdão recorrido que se encontra devidamente fundamentado, ainda que com sua fundamentação não concorde o ora agravante. O órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento. Agravo regimental a que se nega provimento. Portanto, concluise que não assiste razão à Recorrente quanto às preliminares. 3. DO MÉRITO SUBSIDIÁRIO UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DO IPI HOJE VIGENTE Alega a Recorrente, de forma bastante sucinta, que deveria se utilizar a alíquota de IPI atualmente vigente, nos seguintes termos: Contudo, a Recorrente repete este ponto adiante em seu Recurso Voluntário. Trataremos dessa questão no item 9 deste voto. Fl. 6730DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.731 15 4. VÍCIO DE CONSTITUIÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO INFORMAÇÃO NÃO PROVADA Vejamos as alegações da Recorrente: Fl. 6731DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.732 16 Verificase que a Recorrente se utiliza novamente de trechos do Auto de Infração para demonstrar supostas contradições, no entanto, a leitura integral afasta as dúvidas. Vejamos os trechos que completam o raciocínio. No item 18, afirmase que inexistiam estabelecimentos pertencentes a terceiro, não interdependentes que comercializassem produtos cujos preços pudessem ser utilizados, contudo o contexto, especialmente o item 19.4, indica que a referência aqui é a estabelecimentos industriais, vejamos (fls. 5703 e 5706)): (...) O item 20, por sua vez, referese a atacadistas não interdependentes. Lendo o item 20 de forma completa, a questão se elucida melhor: Fl. 6732DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.733 17 Portanto, não se verifica a contradição apontada pela Recorrente. Ademais, as afirmações do Auto de Infração são baseadas em extenso trabalho de fiscalização e análise dos produtos da Recorrente, que constam do presente processo e constituem o Auto de Infração, conforme consta do próprio auto, nos seguintes termos (fl. 5694): Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Dessa forma, a Recorrente carece de razão também neste ponto. 5. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA Vejamos os argumentos da Recorrente: Fl. 6733DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.734 18 Segue o entendimento constante da decisão de piso: A Impugnante entende que o lançamento é nulo por ilegitimidade passiva, pois entende que o responsável pelo tributo seriam as empresas interdependentes, nos termos do Art. 7º, da Lei nº 7.798/89, citado pelo item 4 da Instrução Normativa SRF nº 87, de 1989, nos seguintes termos. “Art. 7o Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III, de estabelecimentos industriais ou dos seguintes estabelecimentos equiparados a industrial: I estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira; II filiais e demais estabelecimentos que exerçam o comércio de produtos importados ou industrializados por outro estabelecimento da mesma firma; III estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, mediante a remessa, por eles efetuadas, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos; e IV estabelecimentos comerciais de produtos do capítulo 22 da TIPI, cuja industrialização tenha sido encomendada a estabelecimento industrial, sob marca ou nome de fantasia de propriedade do encomendante, de terceiro ou do próprio executor da encomenda. § 1o O disposto neste artigo aplicase nas hipóteses em que adquirente e remetente sejam empresas interdependentes, controladoras, controladas ou coligadas (Lei no 6.404, art. 243, §§ 1o e 2o) ou interligadas (DecretoLei no 1.950, art. 10, § 2o). § 2o O regime previsto neste artigo será aplicado a partir de 1o de julho de 1989.” (destacado na transcrição) O Anexo III mencionado no art. 7º da Lei nº 7.798, de 1989, está assim redigido: “Produtos a que se refere o artigo 7o, identificados segundo os respectivos códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 97.410, de 23 de dezembro de 1988: Fl. 6734DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.735 19 2106.90.01, 2202, 2203, 2204, 2205, 2206, 2208, 3301.90.03, 3303, 3304, 3305, 3306, 3307, 4011, 4012, 4013, 9612 (exceto 9612.20) e 9613.” Vêse, portanto, que referemse a produtos fabricados pela Impugnante. Contudo, o art. 8º do mesmo diploma legal facultou ao Poder Executivo excluir produto ou grupo de produtos, do estabelecido regime jurídico o que fora feito pelo Decreto nº 1.217, de 11 de agosto de 1994, que em seu art. 1º versa: Art. 1o Ficam excluídos do Anexo III à Lei no 7.798, de 10 de julho de 1989, os produtos classificados nos códigos 3301.90.03, 3303, 3304, 3305, 3306 e 3307, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovada pelo Decreto no 97.410, de 23 de dezembro de 1988. Desta forma, ressalta cristalino o fato de que os produtos da Impugnante não estão alcançados pelo artigo 7º da Lei nº 7.798, de 1989, atribuindo correção ao lançamento tributário efetuado. Assim, resta claro na decisão de piso que, conforme as determinações do Decreto nº 1.217, de 11 de agosto de 1994, com respaldo no art. 8º da Lei nº 7.798/89, a razão não assiste à Recorrente. Ademais, não cabe a este CARF se manifestar sobre a hierarquia das normas ou eventual inconstitucionalidade, conforme a Súmula no. 2 do CARF. 6 . PRELIMINAR VÁRIOS FATOS DISTINTOS: LEGISLAÇÕES DISTINTAS E: IMPRECISÃO NA FORMAÇÃO DO PREÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL Nesta matéria, a Recorrente apresenta seu Recurso dividido nos seguintes itens (fls. 6593 e seguintes) Fl. 6735DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.736 20 Transcrevemos trecho da decisão de piso (fl. 6550 e 6559): Preliminar de Cerceamento de Defesa Os fatos descritos no Termo de Constatação Fiscal estão, claros, precisos e devidamente enquadrados o que permitiu ao Impugnante elaborar ampla defesa, inclusive, com peça impugnatória extensa e exaustiva cujo exercício do direito de defesa se mostra com todo vigor. Embora sejam citados dois dispositivos regulamentares – Art. 136, I RIPI/2002 e 195, I, RIPI/2010, nenhum problema trás à defesa, pois se tratam de mesma situação fática, sendo desnecessária autuação em separado. Ademais, ainda que a matéria fosse diversa não se exigiria autuação em separado por falta de imposição legal. (...) Despiciendo dizer que o comando normativo do artigo 195, I do RIPI/2010, corresponde exatamente ao comando normativo do artigo 136, I do RIPI/02. A leitura do Auto de Infração nos indica que os fundamentos legais foram perfeitamente indicados e, de forma absolutamente correta. Tendo em conta que o presente processo se refere aos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, é absolutamente correto indicar que o RIPI/2002 e o RIPI/2010 devem ser aplicados, naturalmente, nos períodos de suas respectivas vigências. Ademais, o texto dos artigos indicados é exatamente o mesmo, o que afasta absolutamente a possibilidade de qualquer dúvida. Realmente, como afirma a Recorrente, parte da impugnação está sendo discutida com base em um diploma, e o restante, com base em outra. Assim, deve ser, tendo em conta que a atuação engloba períodos de vigências das duas normas. Fl. 6736DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.737 21 Transcrevese trecho do Auto de Infração, para que se verifique a clareza do enquadramento legal: Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2009 e 31/05/2010: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Arts. 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, caput e parágrafo único, 130, 200, inciso IV, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso I, 137, caput, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 8º da Lei nº 11.774/08; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 11.933/09; (...) Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2010 e 30/06/2010: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Arts. 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, caput e parágrafo único, 130, 200, inciso IV, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso I, 137, caput, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 8º da Lei nº 11.774/08; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 11.933/09; Art. 24, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Arts. 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 186, §§ 2º e 3º, 189, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso I, 196, caput, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2010 e 31/12/2012: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Arts. 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 186, §§ 2º e 3º, 189, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso I, 196, caput, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Fl. 6737DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.738 22 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Assim, verificase que o Auto de Infração está perfeito, em consonância com o art. 142 do Código Tributário Nacional e, dessa forma, permitiu a intelecção e efetiva defesa pela Recorrente. Verificase também, conforme trecho transcrito, que a matéria foi objeto da decisão de piso. Dessarte, não assiste razão à Recorrente em suas alegações constantes do item 6. 7. ARGUMENTO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA MOTIVAÇÃO INQUISITORA DO JULGADOR FALSO JUÍZO DE VALORES PARCIALIDADE Neste item, a Recorrente apresenta críticas à abordagem, aos fundamentos e aos termos utilizados pelo julgador de primeira instância, vejamos: Fl. 6738DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.739 23 Fl. 6739DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.740 24 Verificase, neste item, severas críticas ao julgado de primeira instância, contudo o âmago da questão é concernente ao conceito de praça e a base de cálculo do IPI, temas que serão tratados no item seguinte. 8 VALOR MÍNIMO TRIBUTÁVEL E PRAÇA A Recorrente apresenta essa questão subdividida nos seguintes itens 8.1 MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÕES CORRENTES Fl. 6740DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.741 25 8.2 MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÃO ACADÊMICA 8.3 MÉRITO DA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DO PREÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL UTILIZADO PELO SR. AGENTE FISCAL 8.4 DO MÉRITO CORRETO PEÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL USO DO CUSTO DA MERCADORIA, ACRESCIDO DOS ENCARGOS 8.5 DO MÉRITO INTERPRETAÇÃO FISCAL MAIS BENÉFICA 8.6 DO MÉRITO EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO ENTRE A RECORRENTE E A DISTRIBUIDORA INDEPENDENTE No item 8.1 (MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÕES CORRENTES), a Recorrente critica o conceito de praça adotado pelo AuditorFiscal autuante e pela decisão de piso. Assevera que o entendimento de praça adotado pelo Fisco "é algo que extrapola cidades, estados, regiões e mesmo o país" (fl. 6600). Segundo a Recorrente esse entendimento é divorciado da legislação: Fl. 6741DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.742 26 Apresenta a Recorrente algumas decisões do antigo Conselho de Contribuintes, as quais acredita que lhe socorrem. No item 8.2 (MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÃO ACADÊMICA), a Recorrente apresenta explicações doutrinárias de praça e, então, apresenta a conclusão do ilustre professor Fábio Ulhoa Coelho de que "PRAÇA É UM CONCEITO QUE SE EQUIVALE À CIDADE". Em seguida, traz explicações para esse entendimento. Concluiu a Recorrente que: Fl. 6742DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.743 27 No item 8.3 (MÉRITO DA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DO PREÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL UTILIZADO PELO SR. AGENTE FISCAL), assevera a Recorrente que o Auditor Fiscal não demonstrou que a autuada não aplica o preço mínimo correto: Segundo a Recorrente, o trabalho fiscal está eivado dos seguintes erros: Fl. 6743DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.744 28 No item 8.4 (DO MÉRITO CORRETO PEÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL USO DO CUSTO DA MERCADORIA, ACRESCIDO DOS ENCARGOS), a Recorrente defende que não é possível apurar o preço mínimo tributável. Defende que, em uma cidade grande como Porto Alegre, o Fiscal teria que intimar todas as empresas que efetivaram venda por atacado, o que não é factível. Segundo a Recorrente: Assevera a Recorrente que, diante da dificuldade de apuração na forma da regra do art. 137, II, do RIPI/2002, deve ser aplicado o custo de fabricação acrescido de todos os encargos. Fl. 6744DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.745 29 No item 8.5 (DO MÉRITO INTERPRETAÇÃO FISCAL MAIS BENÉFICA), a Recorrente afirma que a prática do Auditor Fiscal é atentatória contra a regra "in dubio pro contribuinte", segundo a qual a interpretação deve ser mais favorável ao contribuinte e cita o art. 112 do CTN. No item 8.6 (DO MÉRITO EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO ENTRE A RECORRENTE E A DISTRIBUIDORA INTERDEPENDENTE), a Recorrente afirma que o julgador de primeira instância colocou em dúvida a efetividade da operação de venda entre a Recorrente e a Distribuidora Interdependente (Memphis Distribuibora), especificamente quando afirma que a Recorrente está fazendo uma manobra com o objetivo de diminuir a base tributável de IPI. Defende a Recorrente a efetividade de suas operações, apresentando as seguintes questões: Contudo, o extenso arrazoado apresentado pela Recorrente não afasta a retidão do Auto de Infração, corroborada pela decisão de piso e muito bem apontada pelas Contrarazões, apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim, considerando as questões levantadas pela Recorrente, mas escorandose na decisão recorrida e principalmente nas contrarazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentamos nossa análise. O valor tributável mínimo está previsto nos arts. 136 e 137 do RIPI/02 (correspondentes aos arts. 195 e 196 do RIPI/10), in verbis: Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a Fl. 6745DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.746 30 estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência II a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo III ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso III, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 28); IV a setenta por cento do preço da venda a consumidor no estabelecimento moageiro, nas remessas de café torrado a comerciante varejista que possua atividade acessória de moagem (Decretolei nº 400, de 1968, art. 8º). § 1º No caso do inciso II, sempre que o estabelecimento varejista vender o produto por preço superior ao que haja servido à determinação do valor tributável, será este reajustado com base no preço real de venda, o qual, acompanhado da respectiva demonstração, será comunicado ao remetente, até o último dia do período de apuração subseqüente ao da ocorrência do fato, para efeito de lançamento e recolhimento do imposto sobre a diferença verificada. § 2º No caso do inciso III, o preço de revenda do produto pelo comerciante autônomo, ambulante ou não, indicado pelo estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, não poderá ser superior ao preço de aquisição acrescido dos tributos incidentes por ocasião da aquisição e da revenda do produto, e da margem de lucro normal nas operações de revenda. Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e Fl. 6746DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.747 31 II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Cumpre observar que a interdependência de duas empresas, nos termos do art. 520, I, do RIPI/02 verificase sempre que uma delas tiver participação no capital social da outra de quinze por cento ou mais, exatamente como se dá no presente caso, segundo demonstrado pela fiscalização, em que Memphis S.A. Industrial tem participação superior a 99% do capital social de Distribuidora Memphis, fato este, aliás, que não foi sequer contestado pela autuada. Verificada a interdependência entre as empresas envolvidas na operação fiscalizada, a recorrente deveria ter aplicado, nas vendas realizadas para sua interdependente, o valor tributável mínimo. Contudo, a empresa Memphis S/A Industrial organizou suas operações de modo que as vendas com lançamento do IPI fossem efetuadas para estabelecimentos de firma interdependente, não equiparada a industrial e por valor tributável significativamente inferior aos preços praticados pela firma interdependente nas saídas para terceiros, ocorridas por meio de notas fiscais sem lançamento do IPI. O preço unitário nas notas com lançamento do IPI também é inferior ao praticado pelo próprio fabricante nas saídas para o mercado nacional nas vendas com amparo em suspensão do imposto. O simples fato de estabelecimentos interdependentes praticarem entre si preços diferentes daqueles negociados no mercado, quando da comercialização entre partes não relacionadas, indica o favorecimento entre elas o que já autoriza a conclusão de que a recorrente, de fato, praticou a infração que lhe foi imputada1. Desse modo, o preço do produto negociado entre as empresas ligadas deveria corresponder ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, calculado com base na média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês antecedente ao da saída do estabelecimento remetente ou ao mês imediatamente anterior. Ressaltese que, ainda que o mercado atacadista de determinado produto, com suas especificações e características próprias, possua um único vendedor, responsável pela primeira distribuição das mercadorias, esse fato não descaracteriza a existência de “mercado atacadista” e a consequente aplicação do art. 136, I do RIPI/02 (art. 195, I do RIPI/10). Nesses casos, em que uma empresa tem suas mercadorias especificadas por marca, tipo, modelo, espécie, quantidade e número, sendo os produtos diferenciados no mercado, ou seja, em que se comercializam produtos que não podem ser comparados com os produzidos por outras indústrias, e estando a primeira distribuição destes bens restrita às empresas comerciais interdependentes, não alcançando pessoas jurídicas independentes, como na hipótese dos autos, há mercado atacadista e o VTM será determinado a partir das vendas efetuadas pelo interdependente, nos termos, aliás, do que definido pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 08/2012, cujo trecho relevante segue transcrito: Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado Fl. 6747DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.748 32 atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. A fim de corroborar esse entendimento, chamase atenção para o que determina o PN CST 89/70: Produto destinado a estabelecimento de firma interdependente: o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente (RIPI, art. 21, inciso I). Estabelecimento que vende seus produtos a terceiros atacadistas e, além destes, para uma empresa, também atacadista, com a qual mantém relação de interdependência. Neste último caso, o valor tributável "não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", conforme dispõe o inciso I do art. 21 do Decreto n.° 61.514/67. O "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente" é, evidentemente, o preço de venda por atacado feita pelo mencionado estabelecimento, a terceiros, não interdependentes. Na falta de outros adquirentes, ou melhor, na remessa para estabelecimento que seja o único comprador do produto (firma interdependente), o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda do adquirente, salvo se este operar, exclusivamente, na venda a varejo, devendo, neste caso, ser observado o disposto no inciso II e §§ 4.° e 5.° do art. 21 do RIPI.” (grifamos) Desse modo, verificado que os estabelecimentos interdependentes da autuada eram os únicos responsáveis pela primeira distribuição no atacado dos produtos, o que foi feito pela fiscalização, e levandose em conta que o “universo das vendas” representa as vendas de produtos perfeitamente identificáveis, praticadas pelos estabelecimentos atacadistas de uma mesma firma, localizados na praça da remetente; portanto, correto o lançamento. Conformou informou a Procuradoria da Fazenda Nacional, esse entendimento foi adotado pelo CARF no Acórdão nº 20204.484 e também no Acórdão nº 3301001.847. Nestas decisões, concluise que, no caso de não haver outros atacadistas que comercializem os produtos especificados, o VTM deve ser preço praticado na venda a terceiros pelo próprio estabelecimento interdependente, quando único na praça. Ainda no mesmo sentido foi proferido o a Mais recentemente, conforme também informa a Procuradoria da Fazenda Nacional, no acórdão 3201001204, em que a interessada era também a empresa MEMPHIS S.A. INDUSTRIAL, negouse provimento ao recurso voluntário do contribuinte sob o fundamento de que existe, sim, preço corrente no mercado atacadista da remetente, ainda que se trate de um mercado monopolista, quando então, o preço praticado pela distribuidora interdependente nas vendas para terceiros independentes, equivale ao preço de mercado, por abranger os custos do produto. Fl. 6748DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.749 33 O relator designado para elaborar o voto vencedor concluiu que, no caso do estabelecimento matriz de Memphis Industrial, considerouse, corretamente, o mercado atacadista em relação às vendas efetuadas pelo estabelecimento de Distribuidora Memphis da mesma praça, para empresas que não fossem interdependentes, com os seguintes fundamentos (acórdão 3201 001204): i) Em momento algum a fiscalização desconsiderou atos e negócios jurídicos; ii) O sujeito passivo foi autuado por não ter observado o Valor Tributável Mínimo (VTM); iii) Existe preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. O fato de ser um mercado monopolista ou oligopolista não impede o seu uso; iv) Os preços praticados pela Memphis S/A Industrial e Distribuidora Memphis Ltda., atacadista interdependente, além de serem suficientes para o cálculo do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, equivalem ao preço de mercado, porque abrangem o custo de fabricação, demais custos financeiros, de vendas, administrativos e de publicidade, lucro normal e demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação; v) Conforme Parecer Normativo CST nº 89/1970, o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente é o preço de venda por atacado feita pelo mencionado estabelecimento a terceiros não interdependentes; A expressão "praça" ou "praça do remetente" é derivada do direito comercial, mais precisamente do art. 32 do Código Comercial de 1850 (ainda que revogado), o qual definia: “Art. 32. Praça do comércio é não só o local, mas também a reunião dos comerciantes, capitães e mestres dos navios, corretores e mais pessoas empregadas no comércio”. (grifei) Uma breve interpretação do dispositivo do código comercial, conduz à alusão a termos que se aplicavam, creio que exclusivamente, aos locais próximos aos portos, mas nem por isso se restringia a lugar, localidade; ao contrário, transcendia o ambiente econômico daquele século. Não se pode conjeturar que uma expressão cunhada nas primeiras e rudimentares transações comerciais, dos precários mercados à época organizados, e utilizadas a mais de 160 anos no direito pátrio, conceba hoje um sentido e conteúdo mais restrito frente a evolução comercial, tecnológica e globalização dos mercados. Apenas como exercício de reflexão, no passado, mercado era o ponto físico de encontro para a realização de trocas, na verdade escambos, e posteriormente evoluindose para compra e venda. Davase nos poucos centros de comércio existente, em especial em portos e cidades de passagem. Assim, a abrangência geográfica era restrita e também significativa, dado Fl. 6749DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.750 34 ao distanciamento de outros mercados. Quanto às praças, inimaginável estendêlas para além das localidades habitadas. Definitivamente, a evolução em todas as áreas da civilização permite afirmar que hodiernamente não se tem fronteiras e limites às atividades financeiras e comerciais. Daí que, sem receio de cometer desatinos, para determinados ramos de atividade comerciais, em especial os mercados atacadistas e a praça, do menor comerciante à maior das corporações, é o próprio planeta (veja por exemplo, vendas de manufaturas asiáticos por intermédio da internet). Não se pode ignorar a interpretação da Recorrente ao conteúdo do Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, que entende ter delimitado o conteúdo semântico do termo "praça do remetente", restringido o significado à localidade ou cidade onde está localizado o remetente. Portanto, a interpretação deve ser dada segundo a premissa ali estabelecida, qual seja, apontou o Parecer que "o mercado atacadista de determinado produto como um todo deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas (vendas) efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada". Ora, o caso dos autos é distinto, exatamente porque não há o "universo das vendas", assim considerado múltiplos atacadistas destinatários dos produtos do industrial remetente. E tais exclusividades produto e negócio estendemse a todo o território nacional, este sim, a real praça do remetente. É certo que o mercado atacadista de determinado produto, com suas especificações e características próprias, possua um único vendedor, responsável pela primeira distribuição das mercadorias, esse fato não descaracteriza a existência de “mercado atacadista” e a consequente aplicação do art. 195, I do RIPI. No presente caso, tratase de produto fabricado pela Recorrente, possuindo características específicas, identificados por códigos próprios, de forma a distinguilos de produtos de marcas industrializadas por outras empresas do mesmo setor. Neste caso, estando a primeira distribuição destes bens restrita à empresa comercial interdependente, não alcançando pessoas jurídicas independentes, há mercado atacadista e o Valor Tributável Mínimo será determinado a partir das vendas efetuadas pelo interdependente, nos termos do que definido pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 08/2012, conforme excerto transcrito: Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. Fl. 6750DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.751 35 Portanto, o atual sentido para a expressão "praça do remetente" é o local físico, geográfico, até onde se estende o campo de atuação de comercial atacadista da empresa. Dito de outra forma, compreende a área geográfica em que é permitido à empresa atuar, respeitados os limites legais e contratuais, quando exigidos. Visto isso, e partindo do pressuposto de que o RIPI/02, nos seus arts. 136 e 137 (arts. 195 e 196 do RIPI/10), traz normas que, claramente, visam impedir que os fabricantes se utilizem de firmas interdependentes para reduzir a base de cálculo do imposto, restanos demonstrar, ainda, que considerar o termo “praça”, previsto na legislação tributária, como sendo limitado ao espaço geográfico de um único município, como defendido pela recorrente, afastaria da incidência do tributo os contribuintes que elegessem uma estrutura entre interdependentes que se situam em cidades distintas, exatamente para se livrarem da tributação (como a grande maioria dos grupos econômicos). Entender que praça é o mesmo que município permitiria que, com a singela decisão de separar apenas formalmente as atividades de uma empresa e instalar um estabelecimento distribuidor em outra cidade diversa de onde localizado o estabelecimento industrial – decisão esta que caberia unicamente ao contribuinte – pudesse se adotar, como base imponível do IPI, valores significativamente inferiores aos efetivamente cobrados pela distribuidora e pagos pelos clientes independentes, contribuintes de fato do imposto, o que, sem dúvida, ofenderia a finalidade da norma. Dessa forma, concluise que o conceito de praça adotado na autuação está correto e adequado. Conforme destacou a Procuradoria da Fazenda Nacional e consta do Auto de Infração, o fato de duas cidades serem municípios vizinhos não pode afastar a noção de praça, ainda mais no caso de Porto Alegre e Cachoeirinha, por exemplo, tratado nos autos, que são municípios limítrofes (a Fiscalização informa, nesse contexto, que a distância entre a sede da recorrente e das distribuidoras é de 10 km) e que compõem uma mesma região metropolitana, de modo que as vendas realizadas pela Memphis em Cachoeirinha não podem ser ignoradas. Nesse contexto, foi que a fiscalização, com fulcro no art. 137 caput do RIPI/02 (art. 196 do RIPI/10), determinou a “média ponderada” com base nas vendas realizadas pelo único atacadista adquirente das mercadorias da recorrente (Distribuidora Memphis). Mister consignar que a regra prevista no art. 137, parágrafo único, II do RIPI não teria aplicação ao caso, já que seria utilizada, unicamente, na hipótese de inexistir mercado atacadista, o que se daria, por exemplo, quando somente houvesse vendas feitas no varejo. Todavia, essa não é situação dos autos, já que devidamente demonstrada a existência do mercado atacadista na praça do remetente. Além disso, verificase, conforme asseverou a Procuradoria da Fazenda Nacional, a correção do lançamento se confirma em razão de não fazer o menor sentido a inclusão, segundo pleiteado pela recorrente, na apuração do VTM, do valor de suas vendas para a interdependente, já que se o VTM é para ser aplicado justamente nestas vendas (entre interdependentes) e se na sua apuração considerase o preço corrente no mercado atacadista do remetente, por óbvio que não se considera o preço erroneamente praticado na venda para a interdependente, mas sim o preço da venda para estabelecimentos independentes. Outrossim, a alegação de que o cálculo do tributo estaria equivocado porque não teriam sido levadas em conta as condições de preço, devoluções, descontos concedidos bem como Fl. 6751DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.752 36 os tributos embutidos nos preços foi explicitada pela DRJ, nos seguintes termos: que “a questão de a Autoridade Fiscal não ter levado em consideração na apuração dos preços, questões econômicas e práticas comerciais dáse pelo fato de não estarem previstas no ordenamento jurídico, idêntico motivo pelo que não excluiu o ICMS, o PIS, o IPI e a COFINS de tais valores, independentemente de sua incidência monofásica.” Adotase aqui também esse entendimento. Anotese ainda que a Recorrente argumenta que não foram computadas as notas fiscais canceladas, mas informou, na Impugnação, que juntou apenas algumas de modo exemplificativo (fl. 5.780). Contudo, observase no Auto de Infração que foram consideradas devoluções de vendas, conforme podemos observar nas fls. fl. 322 (itens 4 e 9): Naturalmente, para que esse pleito fosse considerado, a Recorrente teria que indicar as notas fiscais que especificamente foram consideradas, ou seja, teria que indicar o substrato de seu direito de modo a colimar um lançamento que considerou incorreto, conforme trecho colacionado, as devoluções de compras. Fl. 6752DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.753 37 Quanto à alegação de que o Fiscal não teria aplicado a lei mais benéfica, cumpre anotar que se afirmou que se estava aplicando uma regra que favorecia a Recorrente, mas se tratava da regra adequada para aquele caso, segundo a lei regente. Quanto à alegação de que o julgador de primeira instância teria colocado em dúvida a efetividade da operação de venda entre a Recorrente e a Distribuidora Interdependente (Memphis Distribuibora), item 8.6 (DO MÉRITO EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO ENTRE A RECORRENTE E A DISTRIBUIDORA INDEPENDENTE), cumpre afirmar que não se sustenta, a base da autuação e da decisão de primeira instância é que as operações ocorreram, mas não foi utilizada a base de cálculo correta para o IPI. Dessarte, concluise que, em relação ao item 8 e seus subitens, não assiste razão à Recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida. 9. DO MÉRITO SUBSIDIÁRIO UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DO IPI HOJE VIGENTE Defende a Recorrente que, caso seu pleito não seja reconhecido e se considere devido o IPI, deve ser aplicada a alíquota atual, a qual é zero para sabonetes, e não a vigente no tempo do fato gerador. Ancorase no entendimento de que "a legislação penal é um ramo irmão do direito tributário, assim, as máximas e princípios aplicados a aquele , devem ser reproduzidos expressamente para a questão tributária. Esse pleito afronta toda a sistemática tradicionalmente estabelecida e baseada no Código Tributário Nacional que determina que a lei aplicável ao tributo é a vigente no tempo do fato gerador. Valemonos das ponderações apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional: Além disso, também não se sustenta o pleito da recorrente, de que seja aplicada na apuração do tributo devido a alíquota hoje vigente, que para os sabonetes seria zero. De fato, com a edição do Decreto 7947/13 – que juntamente com a da MP 609/13 buscou a desoneração de produtos essenciais componentes da cesta básica – a alíquota de IPI para os sabonetes foi reduzida de 5% para zero. Todavia, isso não garante ao contribuinte a retroatividade pretendida. Ora, sabese que o Código Tributário Nacional, em seu art. 106, II, estipula três casos de retroatividade da lei mais benigna aos contribuintes e responsáveis, quais sejam: a) quando a lei nova deixa de definir uma conduta como infração o que não é o caso dos autos; b) quando deixa de tratála como contrária a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo – situação que também não se amolda aos autos; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática – o que, mais uma vez, não se subsume à presente situação, que trata da redução de alíquota e não da imposição de multa menos severa. Sendo assim, e considerandose que a regra de direito intertemporal é a de que o fato deve ser regido pela lei em vigor na data de sua ocorrência, a lei nova somente se aplicaria a fatos ocorridos antes do início de sua vigência se pela natureza da Fl. 6753DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.754 38 situação regulada assim devesse ser ou quando o próprio legislador assim determine expressamente, situações que, novamente, não se verificam no presente caso, razão pela qual não há como se deferir o pleito da recorrente. 10. DA NORMA ANTIELISIVA Afirma a Recorrente que a edição do Decreto no. 8.393/2015, impõe que à Distribuidora Interdependente a condição de equiparada a industrial quanto às aquisições junto aos industriais, importadores, encomendantes e arrematante. Defende que essa mudança neutraliza a elisão fiscal identificada no presente caso e o Auto de infração perde seu objeto. Na trilha da decisão recorrida, entendemos que também não se sustenta a alegação de que o Auto de Infração teria perdido seu objeto com a publicação do Decreto 8393/15, valenos das argutas considerações da Procuradoria da Fazenda Nacional: Em primeiro lugar porque o Decreto incluiu, dentre os produtos do Anexo III da Lei 7789/89 – que nos termos do art. 7º permitem a equiparação a estabelecimento industrial dos estabelecimentos atacadistas que os adquirem – os de código: 3303.00.10 (perfumes) 3304.10.00 (maquiagem para lábio), 3304.20 (maquiagem para olhos), 3304.30.00 (preparação para manicure e pedicure), 3304.9 (outros), 3305.20.00, 3305.30.00 e 3305.90.00 (todos referentes a preparações capilares), 307.10.00 (preparação para barbear), 3307.30.00 (sais para banho), 3307.4 (preparação para perfumar ambiente) e 3307.90.00 (outras preparações). Com isso, concluiuse que a norma em questão não tem efeitos para a o presente lançamento, em que se autuou a recorrente em relação à saída de desodorantes (3307.20.10) e sabonetes (3401.11.90). Além disso, mais uma vez aplicandose as regras de direito intertemporal, referido Decreto não teria mesmo o condão de anular o presente lançamento, já que nos termos do seu art. 2º, ele somente entra em vigor na data de sua publicação (29/01/2015), produzindo efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente. Ou seja, ao tempo dos fatos geradores e da própria autuação, norma nenhuma havia que justificasse a conduta da empresa. Fl. 6754DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.755 39 Aliás, ao contrário do que defende a recorrente, a sua prática comercial até então não era viável e nem aceita, seja porque já se havia, no RIPI/02, a norma antielisiva que fundamentou o presente lançamento e por meio da qual sempre se buscou impedir que empresas interdependentes praticassem entre si preços inferiores aos de mercado, seja ainda porque o Decreto 8393/15, longe de confirmar a validade da conduta da autuada, na verdade corrobora a sua ilicitude e, por meio da equiparação prevista, busca reduzir a prática daquelas condutas há tempos levadas a efeito para impedir a incidência da norma tributária e a correta atuação do Fisco. Por fim, ainda que se aplicasse o Decreto ao presente processo, o que se admite apenas para argumentar, o fato é isso não levaria à perda do objeto da autuação. Isto porque, o Decreto não exclui a tributação incidente nos contribuintes industriai, mas determina, também, a tributação das comerciais atacadistas, que passam a ser equiparadas a industriais nos casos de que trata o Decreto. CONCLUSÕES Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 6755DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907489/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 11/01/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE.
Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito.
INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE.
A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado.
Numero da decisão: 2201-005.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 11/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE. A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 74 89 /2 00 9- 46 Fl. 80DF CARF MF 2 Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário de fls. 44/50 apresentado em face da decisão de primeiro grau (fls. 31/36) que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido, a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. Dado o didatismo do relatório produzido pela DRJ, transcrevoo: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/Dcomp nº 26342.74717.180106.1.3.04.4113, formulada para extinguir débito de IRRF de R$ 1.478,08, código 5299, com vencimento em 11/01/2006, com crédito decorrente de pagamento indevido de IRRF de R$ 1.726,14, código 5299, realizado por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), com data de arrecadação de 11/01/2006 e valor de R$ 1.726,14. O crédito apontado pela interessada não foi reconhecido porque ele teria sido integralmente utilizado em um ou mais pagamentos anteriores, não restando valor disponível para compensação do débito informado no PER/Dcomp, conforme consignado na decisão recorrida de fls. 11. A referida decisão aponta que existiram dois pagamentos de R$ 1.726,14 no mesmo dia 11/01/2006, porém ambos já estavam alocados para respectivos débitos, código 5299. Notificada da decisão por via postal em 26/06/2009, conforme informado em fls. 28, a contribuinte manifestou seu inconformismo em 27/07/2009, fls. 2, alegando que a divergência apontada no despacho decisório seria decorrente de uma falta de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de jan/06, omissão que já teria sido sanada em 27/07/2009 para regularizar a pendência apontada. Teria ocorrido pagamento em duplicidade do valor de R$ 1.726,14, sendo que o segundo pagamento foi utilizado em duas compensações, sendo a presente uma delas. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 31/36) cuja ementa se transcreve (fl. 31): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 81DF CARF MF Processo nº 16327.907489/200946 Acórdão n.º 2201005.039 S2C2T1 Fl. 72 3 Data do fato gerador: 11/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A insuficiência de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior das contribuições retidas na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a não homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE. Constituise ineficaz, para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, a DCTF retificadora transmitida após a ciência dos termos do despacho decisório que não homologou a compensação declarada por intermédio da respectiva DCOMP eletrônica, sobretudo quando a alteração levada a efeito pelo sujeito passivo apresentase desacompanhada de material probatório competente que demonstre a existência e disponibilidade do direito creditório reclamado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada desta decisão (fl. 41), apresentou Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário de fls. 44/50 em que praticamente repete os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. No caso em tela, a Recorrente alega: Fl. 82DF CARF MF 4 Ainda, para manter o despacho decisório no 842653291 que indeferiu a compensação de que trata a PER/Dcomp no 26342.74717.180106.1.3.044113, o v. acórdão partiu da premissa de que com a mera retificação da DCTF para redução extemporânea do débito originalmente confessado no valor de R$ 3.452,28, o Recorrente não poderia reduzir o valor de R$ 1.478,08 sob alegação de erro de preenchimento do montante do débito confessado na DCTF. Ora, conforme acima mencionado, a retificação na DCTF somente veio a espelhar a realidade da inexistência do débito de IRRF, tendo em vista que houve o recolhimento em duplicidade. Essa retificação somente foi efetuada após o despacho decisório porque somente após essa decisão é que o Recorrente percebeu que não tinha efetuado essa retificação no prazo correto. No entanto, esse mero equívoco do Recorrente em sua DCTF jamais poderia ensejar o não reconhecimento do direito de/cédito do IRRF, tendo em vista a comprovação de que o Recorrente recolheu em duplicidade, no dia 11/01/2006, o valor de R$ 1.726,14, passando a ter o seu direito em fazer a compensação por recolhimento a maior do que o devido, sendo que o não reconhecimento desse direito viola o principio da verdade material. A simples retificação da DCTF não tem o condão de reduzir tributo, pelo menos para o fim a que se pretende nos presentes autos. Ela deve estar lastreada com documentação contábil e fiscal, além disso, deveria ter sido trazida aos autos, de forma didática. Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a Fl. 83DF CARF MF Processo nº 16327.907489/200946 Acórdão n.º 2201005.039 S2C2T1 Fl. 73 5 valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário provalo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Fl. 84DF CARF MF 6 Conforme ressaltado na decisão recorrida, caberia ao Recorrente demonstrar, com base em documentação, a liquidez e certeza do direito creditório para que fosse possível aferir que os valores pagos à título de Imposto de Renda Retido na Fonte é o correto e, por consequência, o direito ao crédito também é o que alega ter direito, conforme preceitua o disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Nos termos do disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, acima transcrito, verificase a possibilidade de se compensar os valores desde que seja administrado pela Secretaria da Receita Federal e devidamente comprovados. Além disso, nos termos do disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, o qual atribui ao interessado o ônus de demonstrar a veracidade de suas alegações. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Conforme resta dos documentos juntados aos autos, não é possível comprovar, com elementos de prova o direito que a Recorrente alega ter, face à carência de elementos de prova. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 85DF CARF MF Processo nº 16327.907489/200946 Acórdão n.º 2201005.039 S2C2T1 Fl. 74 7 Fl. 86DF CARF MF
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