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Numero do processo: 10880.915903/2008-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/1999
COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
Numero da decisão: 9303-007.769
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/1999 COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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ISENÇÃO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Embargante SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/1999 COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 03 /2 00 8- 48 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 9303007.769 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados contra o Acórdão nº 9303 006.410, de 13 de março de 2018, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, relativamente ao reconhecimento de direito creditório de COFINS, negou provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/06/1999 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67." A embargante alega que ocorreu omissão no acórdão embargado, relativamente a ponto (normas) sobre os quais a Turma deveria ter se pronunciado. Consoante seu entendimento, o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1.743, de 1º de dezembro de 2016, e no Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017, ambos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), deveria ter sido levado em conta no julgamento. Os embargos foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.768, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915902/200801, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.768): Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 9303007.769 CSRFT3 Fl. 4 3 "O acórdão embargado negou provimento ao recurso especial do contribuinte sob o fundamento de que, até julho de 2004, não existia norma que desonerasse as receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus da contribuição para o PIS. No entanto, na análise e julgamento do recurso especial do contribuinte, o relator não levou em consideração o entendimento da Procuradoria da Geral da Fazenda Nacional exarado no Parecer nº PGFN/CRJ/Nº 20166 e a autorização dada pelo Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017. O referido Parecer tratou da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas sediadas na ZFM e, tendo em vista decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), nele citadas e as respectivas ementas transcritas, concluiu literalmente: "Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase que o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional expeça ato declaratório que autorize a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais pautadas no entendimento de que não há incidência de PIS/COFINS sobre receita decorrente de vendas de mercadorias de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por oportuno, propõese, ainda, a seguinte nova redação para o item constante da Lista de Dispensa: 1.31 PIS/COFINS l) Venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus Precedentes: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. Resumo: Ao apreciar a cautelar na ADI 2.3489/DF, o STF, por unanimidade, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, constante do art. 14, § 2º, I, da MP nº 2.03724/00 (que afastava da isenção de PIS/COFINS na exportação para o exterior a receita de vendas efetuadas a empresa estabelecida na ZFM), por violação ao art. 40 do ADCT (que teria estabilizado o art. 4º do DL nº 288/67. A partir de então, ou seja, na MP nº 2.03725/00, editada em dezembro/2000 (hoje art. 14 da MP nº 215835/01), a ressalva à Zona Franca de Manaus foi suprimida. Nesse cenário, o STF firmou, em sede de RE, o entendimento de que a controvérsia acerca da incidência do PIS/COFINS sobre a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus se restringe ao âmbito infraconstitucional, enquanto o STJ e os TRF’s firmaram o entendimento de que, por força dos arts. 5º da Lei nº 7.714/88, 7º da Lei complementar nº 70/91 e 14 da MP nº 215835/01, c/c art. 4º do DL nº 288/67, não incide PIS/COFINS sobre a receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoa jurídica sediada na Zona Franca de Manaus, pois se trataria de operação equiparada a exportação (art. 4º do DL nº 288/67). O STJ também firmou o entendimento de que o benefício fiscal se aplica ainda que a vendedora (e não apenas a adquirente) seja sediada na ZFM (chamadas “vendas internas”). OBSERVAÇÃO: a dispensa não se aplica quando se tratar de: (i) venda de mercadoria por Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 9303007.769 CSRFT3 Fl. 5 4 empresa sediada na ZFM a outras regiões do país; (ii) operação envolvendo pessoa física (vendedor ou adquirente); (iii) venda de mercadoria que não tenha origem nacional; e (iv) receita decorrente de serviços (e não venda de mercadorias) prestados a empresas sediadas na ZFM." Por sua vez o Ato Declaratório, assim dispõe: “DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade'.”. A luz do exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado acolheu os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 474DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18019.720544/2014-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PREVIDÊNCIA PRIVADA - PERÍODO 01/01/1989 A 31/12/1995 - ISENÇÃO - IN 1.343/2013
A Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa RFB nº 1.343/13 para auxiliar o contribuinte que tem direito a restituição do valor do imposto de renda retido na fonte sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/89 a 31/12/1995 e eventual saldo pode ser aproveitado, na forma de dedução, nas DAA dos exercícios seguintes, até o exaurimento.
Numero da decisão: 2002-000.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 PREVIDÊNCIA PRIVADA - PERÍODO 01/01/1989 A 31/12/1995 - ISENÇÃO - IN 1.343/2013 A Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa RFB nº 1.343/13 para auxiliar o contribuinte que tem direito a restituição do valor do imposto de renda retido na fonte sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/89 a 31/12/1995 e eventual saldo pode ser aproveitado, na forma de dedução, nas DAA dos exercícios seguintes, até o exaurimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 01 9. 72 05 44 /2 01 4- 61 Fl. 202DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 17 a 21), relativa a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Desta forma, implicou na autuação de imposto suplementar no valor de R$ 2.271,83. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 13 dos autos. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/BSB que por unanimidade, em 26/02/2017, no acórdão 0372.680, às efls. 37 a 46, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 56 a 95, no qual alega, em resumo, que os rendimentos não devem ser tributados por tratarse de resgate de contribuições efetuadas junto a entidades de previdência privada no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, conforme Instrução Normativa nº 1.343/2013 da Receita Federal do Brasil. Diligência Em sessão realizada em 24/05/2018, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 2002000.012 (efls.141/143), para que a RFB informe a real data de ciência do contribuinte quanto a decisão da DRJ e se o contribuinte se valeu de eventuais créditos em anos de outros anos, conforme aplicação da IN nº 1.343/13 Em atendimento, foram anexadas as informações de fls.145/198. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Como já pontuado, o contribuinte foi autuado pela suposta omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, implicando na autuação de imposto suplementar no valor de R$ 2.271,83. Em sua defesa, o contribuinte alega que tais rendimentos gozam de isenção, já que oriundos de resgate de contribuições efetuadas junto a entidades de previdência privada no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, conforme Instrução Normativa nº 1.343/2013 da Receita Federal do Brasil. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 18019.720544/201461 Acórdão n.º 2002000.800 S2C0T2 Fl. 86 3 O Poder Judiciário, após provocado por inúmeros contribuintes, pacificou a matéria reconhecendo a isenção tanto aos valores resgatados quanto aos valores aportados pelas pessoas físicas no período de 1/1/89 a 31/12/95. Segue excerto do julgamento proferido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso repetitivo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. LEI 7.713/88 (ART. 6º, VII, B), LEI 9.250/95 (ART. 33). 1. Pacificouse a jurisprudência da 1ª Seção do STJ no sentido de que, por força da isenção concedida pelo art. 6º, VII, b, da Lei 7.713/88, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei 9.250/95, é indevida a cobrança de imposto de renda sobre o valor da complementação de aposentadoria e o do resgate de contribuições correspondentes a recolhimentos para entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º.01.1989 a 31.12.1995 (...) (Resp nº 1.012.903/RJ, DJe 13/10/2008) Ainda, restou pacificado pelo tribunal superior que eventual apuração de valor recolhido no período de isenção, devidamente atualizados, teria o condão de gerar créditos a serem abatidos da base de cálculo do imposto de renda. Para normatizar o entendimento do STJ, a Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa RFB nº 1.343/13. Desta forma, o contribuinte tem direito a restituição do valor do imposto de renda retido na fonte sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/89 a 31/12/1995 e eventual saldo pode ser aproveitado, na forma de dedução, nas DAA dos exercícios seguintes, até o exaurimento. Logo, a isenção das contribuições para previdência complementar vigeu apenas no período de 1º/01/89 a 31/12/1995. Como o processo trata do anocalendário de 2010, a referida Instrução Normativa dispôs sobre o tratamento tributário relativo à apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) aplicável aos valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio, correspondente às contribuições efetuadas, exclusivamente pelo beneficiário, no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Conforme a diligência realizada, às efls. 2009, o contribuinte poderia valer se da isenção sobre o valor de R$ 32.758,79. No entanto, declarou como isento o valor de R$44.365,01, motivo pelo qual se deu a autuação. Logo, mantenho a decisão de piso: Em sua DIRPF retificadora relativa ao mesmo anocalendário, entregue em 19/08/2014, o contribuinte excluiu este valor do campo relativo aos rendimentos tributáveis e o incluiu no campo relativo a rendimentos isentos e não tributáveis. Ou Fl. 204DF CARF MF 4 seja, não ofereceu à tributação o montante declarado em Dirf pela fonte pagadora acima mencionada. Conforme extrato das contribuições previdenciárias efetuadas pelo interessado à Fundação Atlântico de Seguridade Social, anexado às fls. 3 a 12, verificase que o interessado, de fato, efetuou contribuições no período de 01/1989 a 12/1995, cujo valor, atualizado até 31/12/2009, corresponde a R$32.758,79. Inicialmente, cumpre ressaltar que apenas o valor acima referido (R$32.758,79) poderia ser considerado isento e, portanto, excluído dos rendimentos tributáveis do contribuinte na retificação autorizada pela IN RFB nº 1.343/2013. O referido extrato informa, também, a data de início do pagamento do benefício relacionado ao plano acima referido, qual seja, 29/09/2009, razão pela qual o valor das contribuições foi atualizado até 31/12/2009, nos termos da IN RFB nº 1.343/2013. Quanto a questão de alocação dos valores eventualmente aproveitados durante o período, cabe ao contribuinte diligenciar junto a unidade de origem Receita Federal para maiores explicações, vez que situação alheia ao processo administrativo. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996936/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.781
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde argumenta que os créditos compensados foram gerados pela percepção da ocorrência de equívoco na apuração original do débito que, uma vez corrigido, permitiu a identificação de valores recolhidos a maior. Ou seja, quando apurou os valores corretos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 96 93 6/ 20 12 -6 7 Fl. 14290DF CARF MF Processo nº 10880.996936/201267 Resolução nº 3401001.781 S3C4T1 Fl. 3 2 percebeu que o DARF pago, referente ao período de apuração, foi recolhido em valor maior do que o devido. Explica ainda que os procedimentos de correção da referida situação foram cumpridos por meio de DCTF retificadora e, ao que tudo indica, a análise da fiscalização não observou a referida retificação. Afirma que, após o recolhimento original, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo, quando o deveriam ser pelo regime cumulativo. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 06052.955. Regularmente cientificada do teor desta decisão, apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização me momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.775, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.959884/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.775): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, emitido em 04/09/2012 (com ciência da contribuinte em 13/09/2012), não Fl. 14291DF CARF MF Processo nº 10880.996936/201267 Resolução nº 3401001.781 S3C4T1 Fl. 4 3 homologou a compensação declarada na Dcomp em análise (cujo crédito original na data da transmissão era de R$ 259.137,00), devido à inexistência do crédito declarado para quitar os débitos informados no PER/Dcomp. O DARF discriminado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009. Sustenta a recorrente que parte de suas receitas estavam tributadas pelo regime não cumulativo, quando, na verdade, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo, por se tratar de receita decorrentes da prestação de serviços de concretagem, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, de forma que a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS não cumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Por sua vez, o crédito apurado foi utilizado para pagamento do PIS, apurado no regime cumulativo, de novembro de 2009, e da Cofins cumulativa de janeiro de 2012. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não hajam dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Fl. 14292DF CARF MF Processo nº 10880.996936/201267 Resolução nº 3401001.781 S3C4T1 Fl. 5 4 Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 11/2009 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 14293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.721868/2011-76
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. BASE DE CÁLCULO É A RECEITA AUFERIDA.
Os valores auferidos pela contribuinte tem caráter de subvenção de custeio, categoria que se inclui dentre os rendimentos tributáveis.
Numero da decisão: 1003-000.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. BASE DE CÁLCULO É A RECEITA AUFERIDA. Os valores auferidos pela contribuinte tem caráter de subvenção de custeio, categoria que se inclui dentre os rendimentos tributáveis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1425; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11618.721868/201176 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.451 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 13 de fevereiro de 2019 Matéria OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Recorrente EMPRESA PARAIBANA DE TURISMO S/APBTUR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. BASE DE CÁLCULO É A RECEITA AUFERIDA. Os valores auferidos pela contribuinte tem caráter de subvenção de custeio, categoria que se inclui dentre os rendimentos tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 72 18 68 /2 01 1- 76 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 09 48.674 da 2ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e manteve a multa por atraso na entrega de DIPJ. Por economia processual e por concordar com as informações contidas no Relatório da DRJ, transcrevoo abaixo: Tratase de processo de exigência de multa por atraso na entrega da DIPJ, anocalendário 2010, no valor total de R$ 30.908,51. A interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: (...) para se chegar ao valor da multa, a Receita Federal usou como base de cálculo a quantia de R$ 772.712,89 (setecentos e setenta e dois mil e setecentos e doze reais e oitenta e nove centavos), a qual, com toda licença, e conforme será demonstrado abaixo, não deveria ter sido utilizada, primeiro, devido a sua natureza de subvenção econômica, bem como não por não configurar “o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ. (...) verificase que a PBTUR é sociedade dependente do Governo do Estado da Paraíba e, por conseqüência disso, a sua receita operacional é oriunda de subvenções econômicas, as quais totalizaram, no exercício base para apuração da multa, o percentual de 99,17% (noventa e nove inteiros e dezessete por cento) dos recursos financeiros da referida sociedade, conforme documentação anexa. Afora isso, no DIPJ/2011 informado pela PBTUR não fora apresentado nenhum custo de bens e serviços vendidos, conforme a ficha 04A, o que, necessariamente, nos leva a dicção de que inexistiu lucro, ou mesmo receita oriunda de venda de bens e serviços. Por outro lado, como apresentado na ficha 06A Demonstração de Resultado, no item 73 (lucro líquido do período de apuração), o resultado obtido, ou seja, R$ 772.712,89 (setecentos e setenta e dois mil e setecentos e doze reais e oitenta e nove centavos), não passa de um superávit financeiro. Nobre Julgador, o valor de R$ 772.712,89 (setecentos e setenta e dois mil e setecentos e doze reais e oitenta e nove centavos), além de tratarse de um superávit financeiro, é oriundo de subvenções econômicas conforme orçamento da PBTUR. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 4 3 Discorre sobre a impossibilidade do cômputo das subvenções econômicas na determinação do lucro real e acata a aplicação de multa por atraso no importe de R$ 500,00 (multa mínima). A DRJ/JFA julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO DE ENTREGA. DIPJ Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação da DIPJ, o atraso no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário defendendo que: (i) A empresa Recorrente é uma sociedade de economia mista controlada e criada pelo Governo do Estado da Paraíba para fomentar o turismo. O Estado da Paraíba é acionista majoritária da PBTUR S/A e detentor de 99,94% do capital social; (ii) Aduz que a Recorrente é totalmente vinculada à Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico do Estado da Paraíba, conforme Decreto nº 26.186/2005. Em razão disso, afirma ser uma empresa controlada e dependente do Governo da Paraíba, uma vez que recebe do ente controlador recursos financeiros para a consecução de seus fins, sendo, por conseguinte, a receita operacional oriunda de subvenções econômicas; (iii) Que na DIPJ/2011 apresentada pela empresa não foi informado nenhum custo de bens e serviços vendidos, levando, segundo defende, a inexistência de lucro, ou mesmo receita oriunda de venda de bens e serviços; (iv) Que o Resultado demonstrado na ficha 06 da DIPJ/2011, no valor de R$ 772.712,89 é apenas um superávit financeiro, oriundo de subvenções econômicas, conforme orçamento da Recorrente anexo a este processo. (v) As subvenções são espécie de repasse, não sendo possível a multa incidir sobre parcela que não é o montante do imposto de renda da pessoa jurídica. Por fim, requereu que fosse reconhecida ser incorreta a base de cálculo utilizada para o lançamento da multa e julgar improcedente o lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 5 4 Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Antes de analisar o mérito do recurso voluntário, é imprescindível verificar se o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Antes de analisarmos as alegações recursais, importante tecer alguns comentários acerca do tratamento fiscal a ser conferido às subvenções para investimento, inscritos no art. 30, da Lei nº 12.973/2014 transcrito abaixo: Seção XI Subvenções Para Investimento Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1o Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2o As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1o ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3o Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela Fl. 79DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 6 5 decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. Vêse que a norma impõe determinado tratamento específico para aquelas subvenções passíveis de classificação como subvenções para investimento. A subvenção é uma ferramenta à disposição do Poder Público utilizada para incentivar algumas atividades ou empreendimentos vinculados ao interesse público. Objetiva promover o estímulo de alguns setores econômicos. A Recorrente não sustenta o caráter de subvenção para investimento, em relação aos valores por ela auferidos, que indica se constituírem em recursos subvencionados do Governo do Estado cujo recebimento se deu em razão da criação da Recorrente para fomentar o turismo e cuja transferência de valores ocorreu para fazer face a despesas decorrentes de projetos voltados ao turismo. Dessa forma, entendese que a subvenção tratada neste processo não é de investimento, mas sim uma subvenção corrente ou para custeio, categoria que se inclui dentre os rendimentos tributáveis. Subvenções correntes para custeio são transferências de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas, nas suas operações. Tanto é assim que a própria Recorrente afirma ser ela controlada e dependente do ente Estatal. O inciso IV, do art. 44, da Lei nº 4.506/1964 determina o tratamento fiscal que incide sobre os valores auferidos, por pessoa jurídica, a título de subvenções para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais A regra da Lei nº 4.506, de 1964 é a base legal do art. 392, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcrito: Subseção V Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 7 6 Subvenções e Recuperações de Custo Art.392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); III as importâncias levantadas das contas vinculadas a que se refere a legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (Lei nº 8.036, de 1990, art. 29). No caso das subvenções de investimento incidem determinadas exigências de natureza contábil, de modo a que o valor subvencionado permaneça no patrimônio da entidade obrigada à implantação ou expansão de empreendimento Solução de Consulta n.º 497 Cosit Fls. 5 5 econômico. A base legal encontrase no § 2º, do art. 38, do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, transposta para o art. 443, do RIR/99: Seção IV Subvenções para Investimento e Doações Art.443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. A situação apresentada pela Recorrente neste processo é uma subvenção voltada para a concessão de recursos com o fim de subsidiar despesas correntes ou operacionais da empresa criada, não se enquadrando, portanto, como subvenção para investimento. No Decreto nº 3.779/1975 do Estado da Paraíba, que autoriza a criação da PBTUR (Recorrente) tal questão também se encontra demonstrada no §4º do art. 3º , quando destaca que o Poder Executivo poderá transferir à PBTUR dotações orçamentárias destinadas à restauração e conservação dos bens integralizados ao capital da empresa. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 8 7 Essa conclusão também é possível extrair com base nas declarações da Recorrente em seu recurso voluntário, que informa ser dependente do Ente Público e que, na DIPJ/2011 apresentada pela empresa, não foi informado nenhum valor referente a bens e serviços vendidos, levando, segundo defende a Recorrente, a inexistência de lucro, ou mesmo receita oriunda de venda de bens e serviços. Ora se a empresa não possui receita oriunda do seu objeto social, o recebimento dos valores enviados pelo Estado são para seu custeio. Em razão de todo o exposto, o tratamento dos valores auferidos a título de subvenção não enquadrada como subvenção para investimento é aquele que incide sobre os rendimentos em geral auferidos pela pessoa jurídica, devendo, portanto, tais rendimentos, integrar o resultado. É sabido tratarse de empresa de economia mista cujo objeto é o fomento do turismo no Estado e, por conseguinte, estaria exercendo uma atividade pública. Contudo, o objeto deste processo não está relacionado à eventual imunidade tributária, mas a descumprimento de obrigação acessória a que todas as empresas estão obrigadas. Digno ainda registrar que a Recorrente não contesta a autuação, ela não nega ter atrasado no envio da DIPJ, apenas se opõe quanto ao valor da base de cálculo. Diante do exposto, e das provas constantes no processo, entendo que está correta a base de cálculo utilizada pela fiscalização, por ser fruto de subvenção de custeio ou operacional. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.920108/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-006.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.901416/2009-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.901416/2009-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
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INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.901416/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 01 08 /2 00 9- 17 Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10680.920108/200917 Acórdão n.º 2401006.045 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário. O contribuinte apresentou Declaração de Compensação Eletrônica (DCOMP) para a compensação de crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) com débito de IRRF. Segundo o despacho, foi localizado o pagamento correspondente ao crédito alegado, mas este já havia sido parcialmente usado para a quitação de outros débitos, havendo reduzido saldo disponível para a compensação analisada. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte sustentou: a) Correta a compensação do débito efetuada, tendo havido engano no preenchimento da DCTF. b) Após o recebimento do despacho decisório, a impugnante verificou equívoco na DCTF. Esse foi solucionado mediante a entrega de DCTF retificadora. c) Como a compensação de fato ocorreu dentro do prazo legal, data da transmissão da Dcomp, bem como de sua vinculação aos débitos por meio da DCTF pertinente, resta demonstrada a procedência da compensação. Do Acórdão de piso, em síntese, extraemse os seguintes fundamentos: a) Diante do despacho decisório, a DCTF foi retificada reduzindose o débito de IRRF do código 0561 originalmente declarado de tal forma que a diferença a menor entre o novo débito informado e o original é igual ao crédito alegado na declaração de compensação em causa. b) As declarações oportunamente apresentadas presumemse verdadeiras em relação ao declarante (art. 131 do CC e art. 368 do CPC). A presunção de veracidade obriga o declarante a provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento original. c) Em se tratando de IRRF do código 0561, deviam ter sido trazidos aos autos elementos da escrituração contábil e/ou outros documentos fiscais, trabalhistas e previdenciários a comprovar a remuneração efetivamente paga a seus empregados e quanto de fato lhes foi retido ou não de IRRF. Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10680.920108/200917 Acórdão n.º 2401006.045 S2C4T1 Fl. 4 3 d) Não provado o erro, a retificadora não tem nenhuma força de convencimento, sobretudo porque apresentada após a ciência de despacho decisório. As normas da Receita Federal categoricamente estabelecem que a DCTF retificadora não produz efeito, tendo por objeto a alteração de débitos relativos à contribuições e a impostos, quando apresentada após a pessoa jurídica tiver sido intimada de início de procedimento fiscal (IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §§ 1° e 2°; em vigor na data de apresentação da DCTF retificadora). Intimada em 28/03/2011, a empresa interpôs em 04/05/2011 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Não se conformando com o Acórdão, apresenta, no prazo legal, sua manifestação ao CARF 1ª Seção. b) A empresa apresentou DARF e DCTF retificadora como prova por crer serem suficientes para comprovar a existência do crédito. c) Para a comprovação, anexa documentos. Acrescenta que, para fins de baixa, encerrou totalmente seu quadro de funcionários no ano de 2003, tendo em 2004/2005 acertado com seus fornecedores e paralisado suas atividades em 2006 para sanar débitos com órgãos públicos. d) Pede o acolhimento e a conclusão do processo de compensação. O órgão preparador ressaltou que o recurso interposto em 04/05/2011 e veicula preliminar de tempestividade. É o relatório." Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10680.920108/200917 Acórdão n.º 2401006.045 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira MIRIAM DENISE XAVIER Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "A empresa sustenta a apresentação do recurso voluntário no prazo legal. Considerandose a intimação postal em 28/03/2011 e a interposição em 04/05/2011, o recurso voluntário é intempestivo por extrapolar o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator" Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.900517/2009-25
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL.
A DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário, nos termos no art. 170 do CTN. O reconhecimento de direito credito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência.
Numero da decisão: 1003-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL. A DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário, nos termos no art. 170 do CTN. O reconhecimento de direito credito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 2 1 1 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.900517/200925 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.526 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 13 de março de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SAUERDANFOSS HIDRÁULICA MOBIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL. A DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário, nos termos no art. 170 do CTN. O reconhecimento de direito credito creditório dáse por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 05 17 /2 00 9- 25 Fl. 73DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão de 1237.492, proferido pela 9ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não homologando a compensação declarada. Analisando os autos, verificase que a Recorrente efetuou a transmissão do PER/DCOMP de nº 17537.96488.310105.1.045326 (fls. 01 a 06) em que informou possuir crédito oriundo de pagamento indevido de IRPJ (lucro presumido), relativo ao 3º trimestre de 2003, no montante de R$ 8.841, 78, que fora utilizado na compensação de débito fiscal próprio. As informações relativas ao suposto direito creditório foram analisadas e concluiuse pelo indeferimento do pedido inexistência do crédito, mediante o Despacho exarado eletronicamente, (fls. 07), em que constou: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 8.841,78 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade, fls. 09/10, procurando demonstrar a origem do crédito (8.841,78). Alegou que o IRPJ recolhido em 31/10/2003, no valor de R$ 195.687,73, foi a maior (conforme consta na DCTF), já que o imposto efetivamente devido era de R$ 186.845,94, conforme, supostamente, demonstrado pela juntada DIPJ correspondente (DIPJ 2004 Anocalendário 2003 ficha 14A. Por sua vez, a 9ª Turma da DRJ/DRJ/RJ1, ao apreciar a dita Manifestação de Inconformidade, entendeu por bem julgála improcedente e manter o despacho decisório Referido acórdão da DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. PAGAMENTO INDEVIDO. Dispensado de ementa consoante a Portaria SRF nº1.364, de 10/11/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11020.900517/200925 Acórdão n.º 1003000.526 S1C0T3 Fl. 3 3 Inconformada, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário, reproduzindo os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade outrora ofertada no sentido de supostamente estaria demonstrada a ocorrência de pagamento a maior de IRPJ (no valor de R$ 8.841,78 decorrente da diferença entre o valor pago (R$ 195.687,73) e aquele efetivamente devido constante na DIPJ 2004 (IRPJ 3º TRIM/03: 186.845,94), conforme DARF juntado, cujo pagamento se deu em 31/10/2003. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, reproduziu os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade na tentativa frustrada de comprovar o suposto direito creditório. Como bem consta no acórdão recorrido, o qual não merece reforma, do exame dos argumentos delineados e das cópias acostadas aos autos, a Recorrente não logrou êxito em comprovar documentalmente o direito creditório alegado, já incumbelhe o ônus probatório. Contudo, alega a Recorrente que a DIPJ 2004, mais precisamente na sua ficha 14A, demonstra que o imposto a pagar, relativamente ao 3º trimestre/2003, foi de R$ 186.845,94, enquanto o efetivamente devido seria de R$ 195.687,73, conforme DCTF. Fl. 75DF CARF MF 4 Em seu favor, a Recorrente argumenta, que a DIPJ consolida os valores apurados e serve como prova do ora alegado, ou seja, da origem do crédito utilizado para compensação no PER/DCOMP. Discordo da Recorrente e ressalto que a DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo (Súmula CARF nº 92) e que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF é que, de fato, tem o caráter de confissão de dívida. Esse, inclusive, há muito é o entendimento deste Tribunal: DIPJ EFEITOS. A DIPJ é meramente informativa, não constituindo confissão de divida, nem instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário que, não sendo declarado em DCTF, deve ser constituído por lançamento de ofício. DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO. Incabível a retificação de valores declarados, quando não são trazidos a colação elementos que permitam a sua apuração. Recurso improvido." (Acórdão 10322990, de 25/04/2007 Publicado no D.O. U. no 167 de 29/08/2007) (destacouse) Claro está que a Recorrente não juntou aos autos documentos hábeis e idôneos suficientes para comprovar o suposto crédito utilizado na compensação declarada. Perfilho, pois, o entendimento da DRJ de que a Recorrente não demonstrou, documentalmente, a existência do suposto direito creditório, a quem cabe o ônus da prova e cuja comprovação poderia ter sido efetuada durante todo litígio administrativo. Ratificase o antes noticiado: é do contribuinte o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações e não apenas juntar aos autos cópia da declaração retificada. Nesse sentido também vale destacar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11020.900517/200925 Acórdão n.º 1003000.526 S1C0T3 Fl. 4 5 Ora, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN1), concluise que não deve Secretaria da Receita Federal homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Em suma, o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP, ou seja, o crédito deve ser líquido e certo naquele momento, fato que não se deu no presente caso, pois, de acordo com os documentos que instruem os autos, não é possível a comprovação do crédito pleiteado, nem tampouco homologação da declaração de compensação efetuada. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13986.000025/2006-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. VINCULAÇÃO.
Conforme decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, de caráter vinculante para o CARF, na aplicação da legislação de PIS/Cofins o conceito de insumo deve ser aferido à luz do critério da: i) essencialidade, por se constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo, cuja subtração importa na impossibilidade de produção do bem ou, ao menos, em substancial perda da sua qualidade; e ii) relevância, por sua importância na cadeia produtiva ou por imposição legal.
CONCEITO DE INSUMO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE, PLÁSTICO BOLHA, ETIQUETAS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO.
As despesas na aquisição de embalagem, plástico bolha, etiqueta e outros itens semelhantes utilizados como embalagem para transporte do produto acabado não se enquadram no conceito de insumo.
CONCEITO DE INSUMO. PNEUS PARA TRATORES E MÁQUINAS AGRÍCOLAS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento com as despesas de aquisição de pneus de tratores e/ou outros tipos de máquinas agrícolas por empresa que tenha por atividade a produção agrícola.
DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS E DOCUMENTOS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO.
As despesas com transporte de funcionários, de documentos, de equipamentos para conserto não são passíveis de serem creditadas por não se enquadrarem nem no conceito de insumo, nem no conceito de frete em operação de venda.
DESPESAS COM TRANSPORTE DE MAÇÃ DO POMAR PARA A SEDE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento das despesas de transporte de maçã do pomar até a sede, onde será armazenada, por empresa que tenha por atividade a produção agrícola.
RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia ressarcimento, restituição ou compensação.
Numero da decisão: 3002-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas a: frete no transporte de maçã dos pomares para a sede da empresa em Videira/SC; nota fiscal nº 586, de transporte de material de irrigação; e aquisição de pneus de tratores e/ou de outras máquinas agrícolas Deram provimento em maior extensão a conselheira Maria Eduarda Câmara Simões, para reverter as glosas de embalagens de transporte, e o conselheiro Alan Tavora Nem, para reverter as glosas de embalagens de transporte, excetuando-se os pallets.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. VINCULAÇÃO. Conforme decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, de caráter vinculante para o CARF, na aplicação da legislação de PIS/Cofins o conceito de insumo deve ser aferido à luz do critério da: i) essencialidade, por se constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo, cuja subtração importa na impossibilidade de produção do bem ou, ao menos, em substancial perda da sua qualidade; e ii) relevância, por sua importância na cadeia produtiva ou por imposição legal. CONCEITO DE INSUMO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE, PLÁSTICO BOLHA, ETIQUETAS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO. As despesas na aquisição de embalagem, plástico bolha, etiqueta e outros itens semelhantes utilizados como embalagem para transporte do produto acabado não se enquadram no conceito de insumo. CONCEITO DE INSUMO. PNEUS PARA TRATORES E MÁQUINAS AGRÍCOLAS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento com as despesas de aquisição de pneus de tratores e/ou outros tipos de máquinas agrícolas por empresa que tenha por atividade a produção agrícola. DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS E DOCUMENTOS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO. As despesas com transporte de funcionários, de documentos, de equipamentos para conserto não são passíveis de serem creditadas por não se enquadrarem nem no conceito de insumo, nem no conceito de frete em operação de venda. DESPESAS COM TRANSPORTE DE MAÇÃ DO POMAR PARA A SEDE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento das despesas de transporte de maçã do pomar até a sede, onde será armazenada, por empresa que tenha por atividade a produção agrícola. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia ressarcimento, restituição ou compensação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas a: frete no transporte de maçã dos pomares para a sede da empresa em Videira/SC; nota fiscal nº 586, de transporte de material de irrigação; e aquisição de pneus de tratores e/ou de outras máquinas agrícolas Deram provimento em maior extensão a conselheira Maria Eduarda Câmara Simões, para reverter as glosas de embalagens de transporte, e o conselheiro Alan Tavora Nem, para reverter as glosas de embalagens de transporte, excetuando-se os pallets. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1991; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 1.224 1 1.223 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13986.000025/200611 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.624 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. Recorrente AGRÍCOLA FRAIBURGO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. VINCULAÇÃO. Conforme decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, de caráter vinculante para o CARF, na aplicação da legislação de PIS/Cofins o conceito de insumo deve ser aferido à luz do critério da: i) essencialidade, por se constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo, cuja subtração importa na impossibilidade de produção do bem ou, ao menos, em substancial perda da sua qualidade; e ii) relevância, por sua importância na cadeia produtiva ou por imposição legal. CONCEITO DE INSUMO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE, PLÁSTICO BOLHA, ETIQUETAS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO. As despesas na aquisição de embalagem, plástico bolha, etiqueta e outros itens semelhantes utilizados como embalagem para transporte do produto acabado não se enquadram no conceito de insumo. CONCEITO DE INSUMO. PNEUS PARA TRATORES E MÁQUINAS AGRÍCOLAS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento com as despesas de aquisição de pneus de tratores e/ou outros tipos de máquinas agrícolas por empresa que tenha por atividade a produção agrícola. DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS E DOCUMENTOS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO. As despesas com transporte de funcionários, de documentos, de equipamentos para conserto não são passíveis de serem creditadas por não se enquadrarem nem no conceito de insumo, nem no conceito de frete em operação de venda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 00 25 /2 00 6- 11 Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.225 2 DESPESAS COM TRANSPORTE DE MAÇÃ DO POMAR PARA A SEDE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento das despesas de transporte de maçã do pomar até a sede, onde será armazenada, por empresa que tenha por atividade a produção agrícola. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia ressarcimento, restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas a: frete no transporte de maçã dos pomares para a sede da empresa em Videira/SC; nota fiscal nº 586, de transporte de material de irrigação; e aquisição de pneus de tratores e/ou de outras máquinas agrícolas Deram provimento em maior extensão a conselheira Maria Eduarda Câmara Simões, para reverter as glosas de embalagens de transporte, e o conselheiro Alan Tavora Nem, para reverter as glosas de embalagens de transporte, excetuandose os pallets. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente). Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento de PIS/Pasep – Mercado Interno, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2005, no valor de R$ 19.530,15, relativo ao 4º trimestre/2005, apresentado por meio de formulário e instruído com planilha de cálculo do crédito de PIS/Pasep, cópias de notas fiscais de entrada e de saída, do livros registro de entradas, registro de saídas, diário e razão, do Dacon e da DCTF (fls. 3 a 822). Informou que se enquadrava como pessoa jurídica com receita de exportação e utilizava o método de rateio proporcional para apropriar os créditos relativos à exportação e ao mercado interno. Por meio de Despacho Decisório e Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal às fls. 835 a 862, a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba decidiu pelo deferimento parcial, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 8.770,00, em decorrência da glosa dos gastos relacionados com a) embalagens destinadas somente ao transporte de produtos industrializados; b) fretes na aquisição de produtos e no transporte de funcionários, documentos e produtos entre matriz e filial, entre outros; c) aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes; d) encargos com depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.226 3 A partir deste ponto transcrevo o relatório da Resolução nº 3801000.741, por bem descrever os fatos: 2.1. A Recorrente defendese alegando que esses serviços são insumo de seu produto final destinado à venda, se referindo assim ao inciso IX do artigo 3° da Lei n.° 10.833/2003: O que podemos extrair desse inciso, é que também, quando o vendedor suportar o ônus do frete, quando da venda de seus produtos, também poderá apropriar o crédito, porém, essa é mais uma opção de crédito, e não pode ser entendido como uma restrição em relação aos serviço utilizados como insumos. Assim, se para aquisição de determinado insumo para a fabricação/produção do produto é necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito. Da mesma forma, se para a fabricação / produção do produto, é necessário a utilização de serviços correspondentes esse também está amparado pelo direito ao crédito, entre eles: fretes pagos com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã. fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros. Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda. Alega, além disso, que existem inúmeras soluções de consulta da RFB que dão suporte ao seu entendimento. 3. aquisição de combustíveis e lubrificantes não caracterizados como insumos no processo produtivo, com o argumento de que os lubrificantes consumidos por diversos automóveis da contribuinte, bem como às aquisições de tintas, tinner, pneus e remédios, só dariam direito ao creditamento se fossem aplicados diretamente no cultivo da maçã: Conforme os dispositivos regulamentares citados, no que interessa a este processo, porquanto o contribuinte é pessoa jurídica que tem como atividade' o "cultivo de maçã", obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no cultivo (fabricação) dos mesmos. 3.1. A Recorrente aponta em defesa que esses também são insumos de sua produção: Mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/ contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros Equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.227 4 4. da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, por entenderem que esses ativos não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã", assim se expressando: No período, a partir de 01/08/2004, somente geram direito a crédito os encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços adquiridos a partir de 01/05/2004 , conforme art. 31, da lei n° 10.865/2004. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º, do art. 3°, da lei n° 10.833/2003, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. Todavia, foi verificado o creditamento e encargos de depreciação/amortização sobre máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã, neste caso são outros bens incorporados ao ativo imobilizado não ligados diretamente a produção, razão pela qual efetuouse a glosa dos bens relacionados no anexo I. Conforme consta do referido anexo os referidos bens são carretão c/ rolete para transporte de maçãs, registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, bombas, condicionadores de ar, máquinas e equipamentos de escritório (computadores e calculadoras), e seladoras, entre outros. 4.1. A Recorrente defende que esses bens fazem parte de seu processo produtivo, sendo legalmente autorizada a aproveitar esses créditos. A DRJ de Florianópolis/SC julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte com base na seguinte ementa: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As diligências, passíveis de serem promovidas em sede de Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.228 5 julgamento administrativo, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a quem tal ônus incumbia, mas apenas à dirimição de dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o materiais de embalagem e quaisquer outros bens que sofrem., alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda. de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.229 6 Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto para a apuração de créditos da contribuição referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da nãocumulatividade e da cumulatividade. Solicitação Indeferida. A Recorrente apresenta o presente recurso voluntário apontando como argumentos, além dos ante apontados, que o rateio proporcional não foi objeto da manifestação de inconformidade, e que não se quedou a apresentar documentos que comprovassem seu crédito, apenas não foi instada a fazêlo nos termos da IN n.º 600/2005, que quando regularmente intimada, a contribuinte apresentou composição de todos os créditos apurados.nota a nota, tanto é que o auditor fiscal em sua análise, pôde quantificar o que iria deferir e o que não seria deferido. Salientase que a intimação enviada pela Delegacia da Receita Federal em Joaçaba ao contribuinte foi totalmente cumprida pelo contribuinte. tanto é que no Despacho Decisório o auditor fiscal não se decidiu pelo indeferimento parcial por falta de documentos ou provas, muito pelo contrário, com os documentos e provas apresentados o auditor fiscal quantificou conforme o entendimento do mesmo do que seria ou não de direito de crédito ao contribuinte. No julgamento em segunda instância resolveuse pela diligência, determinada por meio da Resolução nº 3801000.741 nos seguintes termos (fls. 1.005 a 1.017): 1. Intime a Recorrente para que, no prazo de 60 dias: 1.1. Apresente pormenorizadamente uma descrição do seu processo produtivo apontado justificativa para o aproveitamento de cada um dos insumos que foram glosados. 1.2. Junte aos autos notas fiscais representativas das aquisições de embalagens informando se as mesmas tem natureza “oneway” (não retornáveis). 1.3. Aponte, com base no processo produtivo apresentado e com base nas glosas realizadas nos itens 2, 3 e 4 do relatório supra, em que situação são utilizados os equipamentos, serviços e combustíveis e lubrificantes ali informados. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.230 7 2. Proceda a autoridade o exame dos elementos apresentados pela Recorrente, inclusive mediante diligência aos locais de produção, se necessário, para confirmar a veracidade das informações prestadas. 3. Havendo alguma divergência intimar a Contribuinte para se manifestar no prazo de 15 dias. 4. Retornar esse processo para o CARF para julgamento. A recorrente atendeu à intimação, apresentando esclarecimentos e os documentos que se encontram às fls. 1.029 a 1.170. A DRF/Joaçaba emitiu a Informação Fiscal nº 100/2018 (fls. 1.173 a 1.189), por meio da qual apresentou o resultado do exame da nova documentação acostada aos autos, que não resultou, entretanto, em alteração da posição em que direito creditório no montante de R$ R$ 8.770,00. Na sequência, deuse ciência ao contribuinte, que apresentou manifestação tempestiva sobre a Informação Fiscal nº 100/2018, ressalvando seu direito de vir a apresentar Recurso Especial (fls. 1.197 a 1.220). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão que chega a este Colegiado diz respeito à definição das despesas que podem ser consideradas insumo, para fins de creditamento na apuração do PIS/Pasep no regime nãocumulativo. A partir da decisão prolatada pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, fica este Conselho vinculado à aplicação do conceito de insumo ali definido, uma vez tratarse de decisão definitiva em julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos. Assim, no tratamento da matéria deve ser adotado o seguinte entendimento, na forma como expresso na ementa: b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (grifado) Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.231 8 Entretanto, para viabilizar a aplicação desse conceito, que carece de alguma objetividade, fazse necessário trazer as razões de decidir, extraídas do voto da Ministra Regina Helena Costa e adotadas pelo Ministro Relator como suas: Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. ........................................................................................................ Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa.(grifado) Ainda nesta busca de um contorno mais preciso dos parâmetros a serem adotados na análise da matéria, trago a idéia da subtração, na forma como posta no julgamento do REsp nº 1.246.317/MG pelo Ministro Mauro Campbell Marques, como método para se testar o critério da essencialidade no caso concreto, já que no trecho acima é abordada de passagem. A ver: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (grifado) Um outro aspecto que deve ser apontado neste preâmbulo diz respeito aos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, que já tiveram o provimento negado pelo Tribunal Superior, por não ter sido a questão suscitada anteriormente. Tais Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.232 9 embargos visavam ao esclarecimento sobre a possibilidade de se tratar como insumos as despesas cujo creditamento é expressamente vedado pela legislação. Diante da não manifestação do STJ sobre esse aspecto, devo externar a minha interpretação. Cabe ressaltar, inicialmente, que toda a discussão sobre o conceito de insumo restringese à hipótese prevista no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Como decorrência, nos casos em que o creditamento foi tratado de forma apartada, em inciso específico, como energia elétrica ou transporte, por exemplo, não cabe discutilos como se insumos fossem nem, menos ainda, trazer os aspectos de essencialidade e relevância para fins de sua definição. Da mesma forma, naqueles casos em que é expressamente vedado em lei o desconto de créditos, não cabe a tentativa de introduzilo por meio de argumentos que demonstrem sua essencialidade ou relevância, como se insumos fossem. Essencialidade e relevância são critérios para insumo, apenas. Dessa forma, podemos resumir que o conceito de insumo a ser adotado neste voto será aferido a partir dos critérios de i) essencialidade, assim considerada pela sua imprescindibilidade, por constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo e cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção do bem ou, ao menos, em substancial perda de qualidade do produto ou serviço; e ii) relevância, assim considerada por sua importância ou, mesmo quando não seja essencial, por integrar o processo de produção pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. Para além desses dois critérios, temos as hipóteses expressas de permissão ou de vedação ao creditamento, situações em que determinada despesa não pode ser tratada como insumo, ainda que eventualmente se enquadrasse no conceito. Nesses casos, o legislador destacou um tratamento específico, seja porque não se trata de insumo, mas é possível o creditamento sob determinadas condições (a ver, por exemplo, os demais incisos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002), seja porque é vedado o creditamento, ainda que a despesa se enquadre no conceito de insumo (por exemplo, as hipóteses dos §§ 2º e 3º do art. 3º). Por fim, a aferição do atendimento à condição para ser considerado insumo deve ser feita casuisticamente, a partir da análise do processo produtivo ou da atividade desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que, em respeito ao texto legal, entendo que somente pode ser considerado insumo o que foi utilizado para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços, sendo inapropriado enquadrar neste inciso II os itens utilizados após concluído o processo produtivo, ou após concluída a prestação do serviço. Esclarecidas as premissas adotadas, partese para a análise do caso concreto. Relembremos que o contribuinte é um produtor de maçãs. Segundo o dossiê por ele apresentado, seu processo produtivo consistiria, grosso modo, de três etapas: implantação das macieiras (formação da muda, condução do terreno e outros), safra (cultivo, tratamento, poda e colheita) e packing house (armazenamento, classificação, embalagem e expedição). Ele destaca que a fase de packing house é o principal objeto do dossiê, em vista das maiores glosas terem ocorrido em relação a essa fase. 1. Embalagens destinadas somente ao transporte dos produtos Segundo o Termo de Verificação (fl. 840), esta glosa contempla tampa de papelão exportação, fundo de papelão, plástico bolha, palete de madeira, saco plástico, bandeja plástica, cola e fita, entre outros, utilizados para o mero transporte da maçã colhida, hipótese Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.233 10 em que uma embalagem não pode ser considerada insumo, em contraposição à embalagem de apresentação, que seria permitida pela legislação do IPI, pois é incorporada ao produto durante o processo de fabricação, entendimento ratificado no julgamento de primeira instância. Ainda sobre este item, de acordo com a Informação Fiscal nº 100/2018 (fls. 1.173 a 1.189), produzida a partir da diligência determinada pelo Carf, a demonstração de que parte das embalagens glosadas são do tipo oneway, ou seja, não retornáveis, não alterou o entendimento da unidade de origem em relação à impossibilidade de apropriação do crédito. A recorrente, por sua vez, defende inicialmente que tais embalagens têm objetivo promocional, além de visar à proteção da fruta, pois comercializam produto conhecido tanto no mercado interno como externo. Além disso, a própria legislação trata a embalagem como insumo, seja por meio da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, sem fazer qualquer diferenciação entre tipo de embalagem, seja pelo Regulamento do IPI. No Dossiê apresentado por solicitação na diligência (fls. 1.060 a 1.170), o contribuinte informa, em síntese, que, após a préclassificação, os frutos ficam armazenados para posterior embalagem para venda; que o encaixotamento é parte do processo de produção; e que a linha de embalagem é o processo final de classificação e aperfeiçoamento do fruto, fase em que os produtos serão colocados nas bandejas de papelão, as bandejas em caixas, aplicado o plástico bolha, tampas, etiquetagem, paletização, amarração com cantoneiras, fitas e novamente levados para câmaras frias, onde vão aguardar a expedição. Destaca que as caixas de papelão, que geram o maior crédito de PIS/Cofins, foram glosadas e que todo o processo é essencial para a separação do produto por categoria e por mercado. Entendo que não cabe razão à recorrente neste ponto, mas não pela fundamentação utilizada anteriormente, com a qual também não concordo. Considero que na conceituação de insumo pelo STJ adotouse um caminho, similar ao que prepondera no Carf, de que este conceito deve ser encontrado à luz da legislação própria de PIS e de Cofins, sem transpor definições e características do IPI ou do IRPJ. Se assim é definido, tal conduta deve ser adotada integralmente, não cabendo descartar a parte da legislação que não interessa (a exigência do contato entre a matériaprima e o produto final no IPI), para manter apenas o que convém (dar à embalagem o tratamento de matériaprima). Insumo, no sentido mais simples e básico, seria aquilo que é necessário para produzir um bem. Tendo isso em mente, tratar a aplicação de embalagem como processo de industrialização e, por decorrência, considerar embalagem como equivalente a uma matéria prima ou a um produto intermediário é uma liberalidade possível para o legislador, que entendeu conveniente fazêlo para os propósitos do IPI – mas não é um entendimento razoável ou lógico fora da tributação. Portanto, tenho que essa criação legislativa é específica para esse imposto e não pode ser transplantada para PIS/Cofins, cabendo ao julgador encontrar o sentido de insumo com base no disposto na legislação específica das Contribuições e no que foi decidido pelo STJ. Nosso produto final é a maçã. Diante desse fato, e sem recorrer à legislação de IPI, não vejo como seria possível considerar uma tampa de papelão ou um plástico bolha como insumo de uma maçã. Não há dúvida de que os itens glosados neste tópico são relevantes para a proteção e o transporte do produto, assim como úteis para a classificação e separação da mercadoria, mas não compõem o processo produtivo, pois incorporados após a maçã estar Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.234 11 produzida. Para ser considerado insumo, deve o item atender simultaneamente aos critérios de relevância e de participação no processo produtivo. Por esses motivos, entendo que a glosa às embalagens deve ser mantida. 2. Fretes na aquisição de produtos e no transporte de funcionários, documentos e produtos entre matriz e filial, entre outros Segundo a fiscalização (fls. 842 a 845), cabe o creditamento para o frete desde que suportado pelo vendedor em operação de venda (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, aplicada ao PIS) ou quando seja insumo (inciso II do art. 3º), não gerando crédito qualquer despesa de transporte, ainda que necessária para a atividade da empresa. Dessa forma, foram glosados as despesas com fretes na aquisição de produtos, transporte de funcionários, transporte de documentos, transporte de produtos entre matriz e filial, entre outros. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte defende, basicamente, que os gastos com transporte devem ser tratados como insumo (inciso II do art. 3º), e não como frete, inciso IX (fls. 874 a 880). A DRJ apontou inicialmente que concordava parcialmente com as glosas, tendo por base que fretes com transporte de funcionários e de documentos não geravam direito a crédito porque não vinculados ao processo produtivo, mas que o frete na aquisição de produtos e de transporte de produtos entre matriz e filial permitiriam descontar créditos, em tese. Todavia, negou provimento também neste ponto porque o contribuinte incluiu nessa rubrica diversos fretes cujo creditamento não seria cabível, como transportes diversos (genérico), fretes de envelopes/documentos/malote, transporte de impressora para conserto, transporte de equipamentos diversos (genérico), entre outros, sendo que, após intimado a apresentar a listagem de notas fiscais com as devidas explicações, não providenciou a informação demandada. Em suma, neste quesito a DRJ manteve a glosa porque as informações eram inconclusivas ou porque apontavam para fretes não aptos à geração de créditos. Da diligência não vieram muitos esclarecimentos a respeito deste tópico. Transcrevo dois trechos da Informação Fiscal nº 100/2018 que entendo relevantes: Um dos pontos mais controversos em relação a apropriação de crédito de PIS/COFINS não cumulativo, diz respeito, ao frete entre estabelecimentos da mesma empresa, em virtude do processo produtivo, por exemplo, o envio da maçã de um ponto de coleta para unidade de processamento e resfriamento. Tal vedação decorre do fato que referidas despesas não se constituem em insumos utilizados na produção de bens destinados à venda e nem tampouco a fretes na operação de venda de mercadorias. ........................................................................................................ Conforme arquivo digital apresentado, a descrição do transporte foi genérica e imprecisa, como: transportes diversos. Neste sentido, a correta relação/identificação do transporte com o produto/insumo adquirido e, por consequência, a pertinência com a apropriação do crédito, não foi apresentada, quando da fiscalização e, nem tampouco, em resposta a presente Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.235 12 diligência. Por esse motivo, não houve alteração em relação aos valores glosados. Já em relação a outros transportes identificados como: Transporte de documentos (compra de frutas), transporte de documentos (Vacaria), frete Vacaria a Fraiburgo, transporte aéreo, caminhão para transportar produtos e materiais dvs, caminhão para transporte de rolo compactador da FI, serviço malote (diretoria), entre outros, não atendem aos requisitos da legislação para apropriação do crédito, não ensejando, portanto, direito ao crédito de PIS/COFINS não cumulativo. Transcrevo a manifestação do contribuinte na diligência (fl. 1.164): Nesse sentido quando assumese o custo do frete, que está vinculado aos insumos que serão aplicados na produção, gera se a possibilidade de aproveitamento dos Créditos de PIS e COFINS além dos referidos insumos, também o do frete necessário para o transporte do insumo até as dependências da empresa. Portanto, os insumos como fretes estão em várias fases do processo produtivo, desde as compras para produção da fruta no campo, compras para manutenções no Packing House, compras de embalagens, compras de imobilizados, compras de combustíveis e lubrificantes, compras de materiais diversos e outros, transferência da produção de maçã do pomar até o local de armazenagem, onde devido a estarem vinculados aos insumos principais possibilitam os créditos de PIS e COFINS, e sem o serviço de transporte contratado, não há como a empresa receber em seu estabelecimento os insumos ou produtos. Pelo exposto, requerse a manutenção dos créditos apropriados pela Recorrente. (grifado) Como bem apontado pela DRJ e pela fiscalização, diante de uma explicação genérica, à base de exemplos, e não de esclarecimento e demonstração sobre cada nota fiscal glosada, fica difícil dar razão ao contribuinte. A consulta à tabela constante às fls. 843 a 845 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal nos mostra que o item mais frequente são os “transportes diversos”. Entretanto, tenho uma divergência, em tese, quanto ao transporte da maçã do pomar para a armazenagem pois, dadas as características desta atividade produtiva, que se dá ao ar livre, levar a fruta do campo para dentro de uma edificação me pareceria o mínimo para se entender o produto como “finalizado”, “entregue”. E me parece que há esclarecimentos sobre este ponto trazidas na diligência, embora em outro tópico (depreciação do ativo imobilizado). Lá se explica que o contribuinte possui 4 pólos produtivos (pomares) e 1 pólo de processamento de frutas, que é a sede da empresa. Assim, os transportes realizados de Vacaria/RS, Urupema/SC, Àgua Doce/SC e Fraiburgo/SC para a sede, em Videira/SC, seriam passíveis de desconto, se as notas permitirem a identificação dessas operações. Além disso, a leitura da tabela juntada ao TVF, mostra a existência de uma nota fiscal que entendo estar inequivocamente relacionada com o processo produtivo e ser relevante, que é o transporte do material de irrigação. Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.236 13 Por esse motivo, afasto a glosa apenas em relação aos transportes de maçã dos pomares até a sede em Videira/SC e em relação à nota abaixo, mantendo as demais por ausência de demonstração do direito. CFOP Data Emissão NF Nome Fornecedor Descrição Mercadoria Valor 1352 07/12/2005 586 Cineara Transportes Ltda Transporte de material completo de irrigação de V 1.300,00 3. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Quanto a este item, a DRF/Joaçaba reconhece a possibilidade de creditamento de gastos com combustíveis e/ou lubrificantes utilizados como insumo no cultivo de maçã, mas em duas situações efetuou glosa: a) despesas com gasolina e lubrificantes utilizados em automóveis (não utilizados no processo produtivo); e b) outros produtos colocados na rubrica “despesas com combustíveis e/ou lubrificantes”, mas que não correspondem ao título, como pneus, autopeças, serviço de manutenção de ônibus, serviço de mecânica, remédios, glicerina, tinta, tinner, cola plástica, cimento e botijões de gás. Tal entendimento foi confirmado pela DRJ, na primeira situação, pelo fato de a quase totalidade das aquisições de gasolina ter sido efetuada nos postos da cidade para o abastecimento de automóveis e, na segunda, por não se tratar sequer de combustível ou lubrificante. Transcrevo do acórdão recorrido o seguinte trecho: O que importa ressaltar é que a contribuinte, regularmente intimada a apresentar listagem das notas fiscais relativas aos créditoss e cópias de seus registros contábeis, o fez não ofertando elementos suficientes à minudente identificação da natureza de cada operação. A descrição das aquisições de combustiveis e lubrificantes, constante dos documentos encaminhados pela contribuinte e transcrita as planilhas às folhas 851 a 856, é, no mais das vezes, excessivamente genérica; de outro lado, quando há uma melhor identificação da operação, a impossibilidade do creditamento fica demonstrada em face da falta de previsão legal. (grifado) Argumentou o contribuinte que a atividade por ele desempenhada requer a preparação do solo, drenagem, entre outros, para os quais necessita utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes. Argumenta ainda que entende ter provado o direito com os documentos já apresentados. Do dossiê apresentado pelo contribuinte em resposta à diligência, extraio (fls. 1.165 a 1.168): Para logística interna e externa da empresa são necessários tratores, empilhadeiras, máquinas e implementos agrícolas, que demandam consumos de combustíveis e lubrificantes. No prosseguimento do processo produtivo, as máquinas como tratores e empilhadeiras são essenciais para carregar e descarregar os insumos que são utilizados no Packing House, como embalagens, produtos para conservação da fruta, defensivos agrícolas, bins vazios, outros equipamentos, e ainda necessários para expedição do produto final (venda), e inclusive para a locomoção das maçãs de um local para o outro. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.237 14 A empresa dispõe de 09 (nove) empilhadeiras, dentre locadas e próprias, 3 (três) tratores, 3 (três) ônibus para transporte de seus funcionários, além de outros veículos que fazem o transporte de insumos e outros na área produtiva. Todos esses veículos demandam consumo significativo de combustíveis, lubrificantes, pneus, graxas e outros. Ainda fazse necessário destacar que a empresa tem uma grande demanda de energia elétrica no processo produtivo, na sua sede, onde é feito o processamento de maçã. A empresa conta com uma sala de máquinas, com um conjunto de motores geradores de energia, que são ligados no horário de ponta, visando a não utilização de energia elétrica da rede da CELESC (Centrais Elétricas de Santa Catarina), em virtude do alto custo da Energia entre os horários das 18:00 hrs até as 22:00 hrs. O conjunto tem dois geradores com motores de 750 CV (cavalos de potência) cada um, gerando 400 kWh (quilowatthora) cada motor, onde, quando ligados temse um significativo consumo de combustíveis e lubrificantes, sendo em média, por hora, o consumo de combustível de cada gerador é de 150 litros. Sendo nesses geradores, juntamente com os tratores, empilhadeiras e veículos, o maior consumo de combustíveis e lubrificantes da empresa. Pelo o que se vê acima, a explanação da recorrente não guarda muita relação com os problemas apontados pela fiscalização. Não se discorda do aproveitamento do combustível utilizado por máquinas utilizadas no plantio da maçã, mas não é a esse gasto que se referem as glosas. Novamente temos uma defesa genérica. Todavia, da análise da tabela de notas fiscais glosadas constante às fls. 846 a 851, tendo em vista o critério de relevância, entendo que seria cabível o creditamento das despesas com a compra de pneus de tratores e outras máquinas agrícolas, pois constatei não há apenas notas de compra de pneus de automóveis, mas também de pneus de grande porte (tratores e outras máquinas). Concluo pela reversão da glosa em relação às notas fiscais de aquisição de pneus de tratores e/ou de outros tipos de máquinas agrícolas, apenas. 4. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 855 a 860), as glosas foram efetuadas em relação ao aproveitamento de encargos com depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado, mas que não estavam ligados diretamente à produção de maçã, tais como retifica motor empilhadeira, carretão com rolete, registrador eletrônico de temperatura, automóvel, esmirilhadeira, bomba, conversor de frequência, balança, aparelho de ar condicionado, microcomputador, impressora, calculadora, câmera fotográfica, entre outros. A explicação do contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade consistiu fundamentalmente em: Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.238 15 Conforme consta em relatórios inseridos no processo administrativo em exame, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtivo, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), seladoras (embalagens), marcas utilizadas no produto da venda, registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Ao que a DRJ negou provimento seja pelas máquinas e equipamentos não guardarem qualquer relação com o processo produtivo, seja porque os bens foram descritos de forma genérica e/ou sem identificação dos locais e/ou sistemas onde estão locados/aplicados (falta de comprovação da forma de utilização). Da diligência, transcrevo a resposta do contribuinte na íntegra (fls. 1.168 a 1.169): A Agrícola Fraiburgo possui 4 (quatro) polos produtivos pomares e 1 (um) polo de processamento de frutas que é a sede da empresa. Nos polos produtivos a empresa tem 485,13 (quatrocentos e oitenta e cinco virgula treze) Hectares (cada hectare corresponde a 10.000,00 m²) de Pomares de Maçã, sendo dividido um polo produtivo em VacariaRS, um em UrupemaSC, um em Àgua DoceSC e outro em FraiburgoSC. Na sede da empresa em Videira SC, onde é feito o processamento da maçã, esta conta com uma área construída de 40.164,00 (quarenta mil, cento e sessenta e quatro) m², sendo 1.100,00 (hum mil e cem) m² destinados a escritório, e o restante para áreas produtivas. Dentro da área produtiva existem muitas máquinas e equipamentos para manter todo o conjunto de processamento e armazenagem funcionando, sendo: ‐ Conjunto com 44 (quarenta e quatro) Câmaras Frias com capacidade para armazenar 33.322 (Trinta e três mil, trezentas e vinte e duas) toneladas de frutas, que são ligadas a uma série de equipamentos como compressores de ar, inversores de frequência, tanques de refrigeração, tanques diversos, analisadores de gás, conjuntos adsorvedores, além de uma série de outros equipamentos, tais como: ‐ Conjunto de motores geradores de energia; ‐ Máquinas para processamento da Fruta; ‐ Diversos Tratores e Empilhadeiras; ‐ Carretões para transporte da fruta; ‐ Carrinhos Trans‐pallets; ‐ Computadores e periféricos; ‐ Mesas, cadeiras; ‐ Além de uma série de outros imobilizados. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.239 16 Todos os imobilizados que são ligados a produção, como já descrito no processo produtivo (Anexo I), e esses aqui relacionados, nos possibilitam creditarmos de PIS e COFINS de acordo com a sua depreciação. Pelo exposto, requer‐se a manutenção dos créditos apropriados pela Recorrente. Não prospera a tese de que tudo o que existe relacionase ao processo produtivo. Por certo que aquilo que encontramos dentro das edificações ou das propriedades que compõem a empresa relacionamse com a sua atividade econômica, em sentido amplo, mas com certeza inúmeros bens, como mesa e cadeira, não pertencem ao conjunto dos insumos utilizados na produção de maçã e não se relacionam com o processo produtivo no sentido aplicado na legislação de PIS/Cofins. Cabe lembrar da explanação contida no votovista da Ministra Regina Helena Costa, adotado como razão de decidir no REsp nº 1.221.170/PR, na parte em que faz o exercício de aplicação dos critérios de essencialidade e relevância ao caso concreto. Lá tínhamos um fabricante de ração animal e, nesse contexto, a ministra entendeu, em princípio e a depender da instrução probatória, que poderiam ser considerado insumo a despesa relacionada a água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual. Por outro lado, excluiu veículos, seguros, viagens, conduções e despesas gerais comerciais, aí incluído comissão de vendas, fretes, promoção, propaganda e telefone. Trago o exemplo para apontar que não é cabível pretender que tudo se relaciona com o processo produtivo. E o inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 é claríssimo quanto a este aspecto, a ver: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ....................................................................................................... VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; ......................................................................................................... § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: ......................................................................................................... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (grifado) Dada a resposta genérica à diligência, ainda que houvesse alguma glosa que, em tese, pudesse ser revertida, diante das incertezas que permanecem quanto a alguns itens (leitor portátil, bomba, proc. 826795684 mista festivalclasse 32) e a certeza de deve ser Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.240 17 mantida a glosa em relação a outros (ônibus, impressora laser, aparelho celular), nego provimento neste quesito. Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso voluntário em relação aos seguintes itens do voto: item 2) fretes, para afastar as glosas em relação aos transportes de maçã dos pomares até a sede em Videira/SC e em relação à nota nº 586, de transporte de material de irrigação; item 3) combustíveis e lubrificantes, para afastar as glosas às notas fiscais de aquisição de pneus de tratores e/ou de outros tipos de máquinas agrícolas. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 1240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000447/2004-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2002
IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE.
SÚMULA CARF Nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto se extingue, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.
Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.Exercício: 2002.
Numero da decisão: 2301-005.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antônio Savio Nastureles - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto se extingue, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.Exercício: 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antônio Savio Nastureles Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 04 47 /2 00 4- 41 Fl. 266DF CARF MF 2 Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 254/260) interposto em face da decisão da DRJ (fls. 244/248) proferida pela 1ª Turma da DRJ/JFA, Acórdão 0922.024 de 18/12/2008, que indeferiu a Impugnação e determinou a procedência do lançamento, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Mantémse o valor dos rendimentos tributáveis constantes do lançamento, quando o contribuinte não lograr carrear aos autos, documentos que comprovem estarem incorretos. IRRF. COMPENSAÇÃO. O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Lançamento Procedente Conforme consta do Auto de Infração lavrado em 10/10/2003, contra o Contribuinte foi lançado o recolhimento de IRPF suplementar no valor de R$5.762,24, acrescido de multa de ofício (R$4.321,68) e juros de mora, proveniente da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual IRPF/2001, diante da alteração dos valores de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas para R$47.228,54 e R$705,63. O Contribuinte apresentou Impugnação (fl. 2/8), afirmando que no ano calendário 2000, recebeu como corretor autônomo da ÉGIDE CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS o valor líquido de R$ 47.228,64 (quarenta e sete mil, duzentos e vinte e oito reais e sessenta e quatro centavos), sendo os pagamentos efetuados com retenção do Imposto de Renda na Fonte no valor de R$ 14.934,99. Afirma que a Fonte pagadora deveria ter efetuado as retenções, entretanto desconhece se de fato ocorreram. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10070.000447/200441 Acórdão n.º 2301005.940 S2C3T1 Fl. 267 3 Afirma que se desligou da Fonte Pagadora em 18/08/2000, sendo que esta se negou em apresentar os recibos de pagamentos efetuados ao Contribuinte, referentes aos meses de fevereiro a junho do ano de 2000, razão pela qual propôs contra a mesma ação Cautelar de Exibição de Documentos c/c Busca e Apreensão, no TJRJ, que tramitou perante a 28ª Vara Cível (autos n° 2000.001.1145716). Quando da emissão, em 12/03/2001, do comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte e da elaboração da DIRF enviada a SRF referentes ao anocalendário 2000, a Fonte Pagadora somente considerou como rendimento tributável e o Imposto de Renda Retido correspondente ao mês de janeiro/2000, omitindo os valores de fevereiro a junho, o que causou o lançamento. Diante da alegação que a ação Cautelar de Exibição de Documentos c/c Busca e Apreensão foi julgada procedente ao Contribuinte, no qual o poder judiciário considerou como verdadeira suas alegações diante da não apresentação dos documentos exigidos pela Fonte Pagadora, o mesmo requereu o cancelamento do lançamento. Nas fls. 18/ 148 houve a juntada de cópia da ação Cautelar de Exibição de Documentos c/c Busca e Apreensão, cuja sentença determinou: "Assim sendo, não podendo ser acatado os frágeis argumentos apresentados pela defesa e não provados, diante dos documentos acostados pelo autor, julgo procedente o pedido para determinar ao requerido que exiba os documentos referenciados na inicial no prazo de 05 dias, em Cartório, e, caso não o faça, sejam admitidos como verdadeiros os fatos apresentado pelo autor para que surta seus efeitos legais". Sentença foi mantida em segundo grau de jurisdição. Nas fls. 152 constata a DIRF da empresa Fonte Pagadora, referente ao ano calendário de apuração, na qual se verifica que houve o pagamento de R$3.875,00 em janeiro, sendo retido e recolhido o IRPF no valor de R$705,63, não havendo o pagamento de qualquer outro valor neste ano calendário. Nas fls. 206, a DRJ JFA analisou as provas e converteu o julgamento em diligência, para que fosse verificado junto à Égide CTVM quais os reais valores pagos ao autuado no Ano Calendário em análise e os correspondentes valores retidos para IRPF. Na resposta apresentada nas fls.220 a Fonte Pagadora informa à autoridade fiscal que apenas efetuou o pagamento de R$3.875,00 ao Contribuinte, e de IRRF o valor de R$ 705,63, efetuado em janeiro do anocalendário 2000. Na fl. 236 o Contribuinte se manifesta afirmando que a informação prestada pela Fonte Pagadora era incorreta e que a mesma já havia confirmado em processo judicial que a declaração de ajuste anual prestada pelo mesmo estava correto. A DRJ entendeu pela procedência do lançamento, visto que: 1. Muito embora tenha o juiz determinado que caso a empresa Égide CTVM não apresentasse os documentos que se considerasse como verdadeiros os fatos apresentados pelo Contribuinte, constatase que foram apresentados apenas os valores dos cheques que afirma ter recebido, não se tendo detalhado os valores do IRRF devido, não havendo julgado judicial sobre este fato; Fl. 268DF CARF MF 4 2. A Fonte Pagadora, quando intimada da diligencia fiscal, não apresentou os documentos solicitados e o autuado afirma que a já citada empresa confirmou na justiça os pagamentos dos valores e as respectivas retenções, entretanto tal fato não ocorreu, pois, a confirmação foi apenas dos valores pagos e não das respectivas retenções; 3. Portanto, temse assim, como verdadeiros, em consonância com o mandamento judicial, apenas os valores recebidos, afirmados pelo autuado e assim considerado pela autoridade revisora, e não os valores do IRRF, razão pela qual o feito é procedente; No Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte nas fls. 254/260, requer se: · Que os valores do IRRF não foram detalhados na inicial do processo judicial, porque eles só seriam conhecidos quando a Fonte Pagadora exibisse em juízo os documentos solicitados e não se imaginava que a Fonte Pagadora se recusaria a fornecer tais informações; · Que na diligencia prestada pela Fonte Pagadora, apesar de atender às solicitações, mais uma vez houve a apresentação de dados incorretos (informou como Rendimentos R$ 3.875 ,00 e IRRF R$ 705,63, os mesmos valores informados declarados na DIRF, anocalendário 2000 e no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Tais valores referemse apenas ao mês de jan/2000, mas os valores líquidos (R$ 44.059,27) referentes aos meses de fev /2000 a jun/2000, confirmados por ela em juízo em sua contestação, não foram informados; · Restou demonstrado que a Fonte Pagadora cometeu graves irregularidades contábeis, fiscais e tributárias, ao efetuar as retenções do Imposto de Renda na Fonte e não as recolher aos cofres do Tesouro, bem como, prestar informações incorretas à SRF, sendo que deve ser a responsável pelo recolhimento ora exigido; Este é o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10070.000447/200441 Acórdão n.º 2301005.940 S2C3T1 Fl. 268 5 Conforme consta da fl. 250, o Contribuinte tomou ciência da decisão em 15/01/2009, apresentando Recurso Voluntário em 02/02/2009 (fls.254), portanto tempestivo e preenchido os requisitos de admissibilidade. Passase, então, à análise de seu mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento da impugnação apresentada pelo Contribuinte referente à revisão do Imposto de Renda do mesmo, durante o período apurado, diante da omissão de recebimento de rendimentos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício que culminou no lançamento de crédito tributário correspondente a R$ 13.037,88, sendo R$5.762,24 de imposto a pagar, R$2.947,96 de juros e R$4.321,69 de multa de ofício. O lançamento do imposto suplementar teve origem valores recebidos pelo Contribuinte, declarados em sua DAA no ano calendário 2000 como IR retido na fonte, entretanto não declarados na DIRF da Fonte Paga, à título de Comissão pela corretagem na CVM prestado pelo Contribuinte, durante o período de fevereiro/2000 a junho/2000. Alega o Contribuinte que o Lançamento deve ser cancelado ou o valor exigido da Fonte Pagadora, pois o mesmo declarou corretamente os valores recebidos e que a empresa deveria ter feito o recolhimento do IRPF que foi retido na fonte. Não há nos autos a comprovação de que houve de fato a retenção do IRPF. Pelo contrário, na DIRF da Fonte Pagadora, fls. 152, há expressa informação que o único valor pago e efetuado a retenção de IRPF foi a referente de janeiro (R$3.875,00 pago em janeiro, sendo retido e recolhido o IRPF no valor de R$705,63), não havendo o pagamento de qualquer outro valor neste ano calendário. Há, entretanto, a prova de rendimentos, de que o Contribuinte recebeu outros valores da Fonte Pagadora, nos meses subsequentes, pagos através de cheques, conforme o mesmo afirma expressamente que recebeu. Importante ressaltar, repisa, que sobre estes valores recebidos nos meses subsequentes não há qualquer comprovação de que houve de fato a retenção pela Fonte Pagadora, há apenas a confirmação de que o contribuinte recebeu rendimentos. Para haver a compensação do IRPF retido na fonte, necessária a prova do recolhimento pela Fonte Pagadora. Sem a prova do recolhimento do valor retido, há o fato gerador, entretanto não há o pagamento do tributo, o que justifica o lançamento. O Imposto de Renda e sua Declaração são obrigações personalíssimas do Contribuinte, sendo sua responsabilidade única as informações prestadas quando do preenchimento de sua declaração anual de ajuste. Art. 787. As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 7º). Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na Fl. 270DF CARF MF 6 pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. A responsabilidade pela exatidão/inexatidão do conteúdo consignado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecêlos e deixar de oferecêlos à tributação. As provas carreadas aos autos, inclusive o processo judicial juntado, apenas comprovam que o Contribuinte de fato recebeu os rendimentos declarados, entretanto não há a prova de que houve a retenção e/ou o recolhimento de IRPF, razão pela qual se justifica o lançamento. A Fonte pagadora se responsabiliza perante o Fisco até o momento em que é apresentada a Declaração de Ajuste Anual. Depois de apresentada, a responsabilidade é do beneficiário, ou seja, do próprio Contribuinte, conforme se constata a jurisprudência consolidada deste Conselho: FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O oferecimento dos rendimentos à tributação pelo beneficiário, combinado com o recolhimento de multa de mora pela fonte pagadora, não caracteriza denúncia espontânea, relativamente à obrigação desta última, de reter e recolher o imposto. (Acórdão nº 9202003.580 03/03/2015) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. FALTA DE RETENÇÃO. LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO ANOCALENDÁRIO, PORÉM ANTES DA DATA FINAL PARA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. Findo o anocalendário em que se deu o pagamento sem que tenha havido a retenção, até a data final para apresentação da Declaração de Ajuste do Imposto de Renda da Pessoa Física, há de ser mantida a responsabilidade atribuída à fonte pagadora pelo tributo não retido. Isto porque o cumprimento da obrigação pela fonte pagadora deve permanecer até o momento em que essa obrigação passa a ser exigida da pessoa física beneficiária do rendimento. (Acórdão nº 9202003.534 27 de janeiro de 2015) A alegação de que o FISCO poderia proceder buscas perante o livro caixa da Fonte Pagadora e demais documentos fiscais da mesma para aferir se de fato houve a retenção ou não do IRPF não se justifica, visto que tais documentos não conseguiriam elidir o fato de Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10070.000447/200441 Acórdão n.º 2301005.940 S2C3T1 Fl. 269 7 que inexiste o recolhimento de IRPF dos fatos geradores expressamente confirmados por ambas as partes (contribuinte e fonte pagadora). Assim como os Autos de Exibição de Documentos não são capazes de elidir a exigência do recolhimento do imposto, apenas confirmam que os fatos geradores existem, ou seja, de que houve pagamento de valores – rendimentos – ao Contribuinte sem a devida retenção ou recolhimento do IRPF, permanecendo a responsabilidade pelo recolhimento do Contribuinte. Diante do exposto, voto por negar provimento ao pedido. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar provimento. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora (assinado digitalmente) Fl. 272DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.721981/2011-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PRELIMINAR. NULIDADE.
Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado.
ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. COTAS ADQUIRIDAS ATÉ 31.12.1983. DL 1.510/1976.
E isento do Imposto de Renda o acréscimo patrimonial decorrente da alienação das participações societárias adquiridas sob a égide do DL n° 1510 /76, que foram mantidas por cinco anos ou mais, no patrimônio do investidor durante a sua vigência, ainda que tal alienação ocorra após a vigência da Lei n° 7.713/88.
O mesmo entendimento não se aplica às participações bonificadas e subscrições particulares de novas quotas emitidas, após 31.12.83, tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL n°1.510/76.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO
Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento
MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE.
Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de 75% sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei. cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. A redução da multa de ofício somente é concedida se cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária.
JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL.
Os juros de mora incidem sobre o imposto apurado no lançamento fiscal por expressa disposição legal.
INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO.
O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores.
Numero da decisão: 2202-005.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que acatava a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação das cotas adquiridas até 31.12.83, não extensivo as subscrições/aquisições de novas quotas após 31.12.83, reduzindo a base de cálculo do ganho de capital de R$ 7.984.050,00 para R$ 7.648.488,15; vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e José Alfredo Duarte Filho, que deram provimento integral ao recurso. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Martin da Silva Gesto. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7°, do art. 63, do anexo II, da Portaria MF n° 343/2015 (RICARF).
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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NULIDADE. Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando os valores lançados são obtidos em documentos elaborados pela própria empresa, e os relatórios integrantes do Auto de Infração oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa contra o lançamento fiscal efetuado. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. COTAS ADQUIRIDAS ATÉ 31.12.1983. DL 1.510/1976. E isento do Imposto de Renda o acréscimo patrimonial decorrente da alienação das participações societárias adquiridas sob a égide do DL n° 1510 /76, que foram mantidas por cinco anos ou mais, no patrimônio do investidor durante a sua vigência, ainda que tal alienação ocorra após a vigência da Lei n° 7.713/88. O mesmo entendimento não se aplica às participações bonificadas e subscrições particulares de novas quotas emitidas, após 31.12.83, tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL n°1.510/76. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CONFIGURAÇÃO Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 19 81 /2 01 1- 74 Fl. 1484DF CARF MF 2 Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de 75% sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei. cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. A redução da multa de ofício somente é concedida se cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora incidem sobre o imposto apurado no lançamento fiscal por expressa disposição legal. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO ADVOGADO. O domicílio tributário do sujeito passivo é o endereço postal, fornecido pelo contribuinte à Secretaria da Receita Federal do Brasil para fins cadastrais, ou o eletrônico por ele autorizado. Inexiste previsão legal para encaminhamento das intimações ao endereço dos procuradores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o conselheiro José Alfredo Duarte Filho, que acatava a preliminar de nulidade do lançamento. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a isenção do imposto de renda sobre o ganho de capital na alienação das cotas adquiridas até 31.12.83, não extensivo as subscrições/aquisições de novas quotas após 31.12.83, reduzindo a base de cálculo do ganho de capital de R$ 7.984.050,00 para R$ 7.648.488,15; vencidos os conselheiros Martin da Silva Gesto e José Alfredo Duarte Filho, que deram provimento integral ao recurso. Manifestou interesse em apresentar declaração de voto o conselheiro Martin da Silva Gesto. Entretanto, findo o prazo regimental, o Conselheiro não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7°, do art. 63, do anexo II, da Portaria MF n° 343/2015 (RICARF). (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator), Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Rorildo Barbosa Correia e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.479 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0264.315 proferido pela 9a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), que julgou improcedente a impugnação, mantendo a cobrança do crédito tributário. Foi lançado o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, decorrente de omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, relativo ao ano calendário 2008, no montante de R$ 2.400.723,98, incluídos multa de ofício e juros de mora. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte relativa ao procedimento fiscal: Do Procedimento Fiscal De acordo com o TVF a ação fiscal teve origem depois de analisada a Declaração de Ajuste Anual do exercício 2009, na qual a contribuinte informou ter recebido no anocalendário 2008 como rendimentos isentos e não tributáveis a importância de R$8.925.000,00. Procedeuse então à intimação da contribuinte em 28/01/2010, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, fls. 26 e 27, para apresentar diversos documentos relacionados aos rendimentos declarados. Em 19/2/2010 a interessada protocolou na DRF/Campinas o documento de fls. 28 a 41no qual esclarece que os rendimentos declarados como isentos na DAA/2009 são originários da venda de participações societárias nas sociedades Comercial Guilherme Mamprim Ltda (posteriormente denominada Comercial Frango Assado), Centro de Serviços Frango Assado Norte Ltda, Centro de Serviços Frango Assado Suleste Ltda, Centro de Serviços Frango Assado Sudoeste Ltda e Carvalho Pinto Automotivos e Conveniências Ltda. Para fins de melhor entendimento as referidas empresas serão aqui tratadas respectivamente como: "COMERCIAL", "FRANGO ASSADO NORTE", "FRANGO ASSADO SUDOESTE", "FRANGO ASSADO SULESTE" e "CARVALHO PINTO". Na resposta discorreu sobre o histórico da participação na COMERCIAL e sua cisão parcial, com reversão de parte do capital social para criação da Frango Assado Empreendimentos e Participações S/A (FASPAR), do ingresso nas outras quatro sociedades e da alienação das participações nas empresas. Juntou contratos, alterações contratuais e asseverou que o ganho de capital obtido na alienação está protegido pelo manto da isenção prevista no artigo 4o, alínea "d" do DecretoLei 1510/76 e nem mesmo com a revogação do dispositivo pela Lei 7.713/88 ele teria perdido o direito alegado. Nos itens 10 a 40 do TVF a autoridade lançadora tece considerações acerca da inexistência de direito adquirido e conclui que o ganho de capital auferido corresponde a rendimento que deveria ter sido oferecido à tributação. Fl. 1486DF CARF MF 4 Ainda que fosse possível cogitar que a contribuinte fizesse jus ao benefício fiscal, a fiscalização, valendose das mutações havidas na participação societária, demonstrou que somente pequena parcela das quotas alienadas, admitida a tese do direito adquirido, estaria isenta da tributação do imposto de renda sobre o ganho de capital. Registra o TVF que a fiscalizada ingressou na COMERCIAL em 8/8/1983 e que não se considerou a existência de transferência de titularidade de quotas em virtude de cisões ocorridas, conforme entendimento administrativo expresso no Parecer Normativo CST n° 39/1981. Conforme o exame das alterações contratuais da COMERCIAL firmadas entre 1/1/1966 a 11/8/2008 informa a autoridade lançadora que a pessoa jurídica procedia à correção monetária de seu capital social Até 31/12/1995, a fim de se reconhecer a inflação do período, havia correção monetária das demonstrações contábeis e, assim, a atualização monetária do capital social era contabilizada numa conta de reserva de capital. A partir de 1/1/1996 vedouse a utilização social de qualquer sistema de correção monetária, nos termos do artigo 4o da Lei 9.245/1995. As reservas de capital de correção monetária, por refletirem apenas os efeitos da inflação, não representam subscrições/aquisições de novas quotas de capital social. Prossegue a autoridade autuante afirmando que de acordo com a 26a alteração contratual, firmada em 25/9/1996, o capital social da COMERCIAL, passou de R$17.454,56 para R$3.480.000,00. A elevação de R$3.822.545,45 compunhase de reversão de Reserva de Capital Correção Monetária do Capital Social, no montante de R$1.693.619,33 e pela reversão de lucros acumulados, de R$2.128.926,12, sendo que esta última reversão representa subscrição/aquisição de novas quotas. Em benefício da contribuinte foi considerado que o valor de R$17.545,55 referese a quotas subscritas até 1/1/1984. Tal valor, acrescido da reserva de correção monetária perfaz R$1.711.073,88 e, corresponde, portanto, à totalidade do capital social subscrito na COMERCIAL em 1/1/1984, atualizado até 1/1/1996. De acordo com o anexo I, fls. 22 e 23, a fiscalização demonstrou o histórico das quotas da COMERCIAL, com as respectivas datas de subscrição/aquisição de novas quotas. Às fls. 17 e 18 apresentou um resumo do referido anexo e demonstra que da leitura do referido quadro é possível concluir que apenas 0,6186% ou 94.708 das quotas/participação social da COMERCIAL de um total de 15.310.000 alienadas em 2008 foram subscritas/adquiridas antes de 1/1/84 e estariam, se fosse o caso, sujeitas à isenção prevista no DecretoLei 1.510/76. Por considerar que a contribuinte ingressou na COMERCIAL em 8/8/1983 e que sempre deteve o mesmo percentual de 5% do total do capital social, temse que, de sua participação societária alienada em 2008 apenas 4.735 quotas do total que detinha Fl. 1487DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.480 5 (765.500) estiveram em sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do decreto. Cita o artigo 16, § 2o da Instrução Normativa SRF n° 84/2001 para informar que no tocante à integralização de capital mediante incorporação de lucros ou suas reservas, afora a subscrição particular de novas quotas, verificase que foram distribuídas à contribuinte novas quotas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros (quotas recebidas em bonificação). A partir do item 58 do TVF a fiscalização relata que em 09/10/98 o capital social da COMERCIAL foi reduzido de R$848.000,00 para R$400.000,00 (32a alteração vide anexo I). Houve então uma cisão parcial da COMERCIAL e o capital de R$448.000,00 foi simultaneamente transferido para a constituição de três novas sociedades: FRANGO ASSADO NORTE. FRANGO ASSADO SULESTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE. Conforme quadro integrante do item 59 do TVF, o capital de R$448.000,00 foi vertido proporcionalmente às três novas empresas, sendo consideradas três oportunidades: até 1/1/84, em 25/9/96 e em 5/10/98, sendo certo que apenas 20,1778% da totalidade da participação nestas empresas teria sido subscrita/adquirida antes de 1/1/84 e estaria, se fosse o caso, amparada pela isenção. Considerando que a fiscalizada ingressou na COMERCIAL em 8/8/1983 com participação de 5% do capital social, que em 9/10/98 houve uma cisão parcial do capital desta empresa, verificouse que da participação societária alienada em 2008 apenas 4.520 quotas do total que detinha naquelas três empresas (22.400) estiveram em sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do decreto. Do exame do contrato de constituição da CARVALHO PINTO, firmado em 1/2/99 a autoridade lançadora constatou que empresa foi constituída em 01/02/1999. Os sócios fundadores da pessoa jurídica foram Gabriel Alfio Tomaselli, CPF 365.992.55868, e Márcia Galucci Tomaselli, CPF 258.301.718 26, e seu capital social, de R$12.000,00, foi integralizado em moeda corrente por tais sócios. Apenas em 29/11/2005 a empresa foi adquirida pela FASPAR, não havendo alteração do capital social até a data da alienação. Neste contexto, considerou não se poder cogitar que a alienação de qualquer participação societária nesta empresa esteja amparada pelo benefício fiscal previsto no DecretoLei 1.510/76. O quadro abaixo demonstra as quotas que permaneceram sob a titularidade da contribuinte pelo período de cinco anos contados anteriormente a 1/1/1989. Pessoa Jurídica Quotas alienadas pela contribuinte Quotas que estiveram sob titularidade da contribuinte entre 1/1/84 Fl. 1488DF CARF MF 6 e 1/1/89 COMERCIAL 765.500 4.735 FRANGO ASSADO SULESTE 8.100 1.634 FRANGO ASSADO NORTE 8.350 1.685 FRANGO ASSADO SUDOESTE 5.950 1.201 CARVALHO PINTO 600 TOTAL 788.500 9.255 Conforme Contrato de Compra e Venda de Quotas e outras Avenças, firmado em 23 de setembro de 2008 entre a contribuinte e os demais sócios, de um lado, e Yami Comércio de Alimentos Ltda, CNPJ 07.757.091/000153, de outro, onde constam os valores da operação, a corretagem paga pela intermediação do negócio e o montante recebido pela fiscalizada, na proporção de sua participação societária, foi apurado o ganho de capital obtido na operação. Cientificada da autuação, IZILDINHA ROVERE CHIQUETTO apresentou impugnação (efls. 1219/1297 e Anexos), que foi julgada improcedente pela DRJ/BHE, cuja decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 PRELIMINAR. NULIDADE. Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade. PRAZO PARA CONCLUSÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. Não há na legislação tributária qualquer norma que fixe prazo para a conclusão do procedimento fiscal tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo, bastando que a constituição do crédito tributário se dê antes do decurso do prazo decadencial. Pessoa Quotas Preço de Custo de Comissão Ganho de Jurídica Alienadas Alienação (R$) Aquisição (R$) (R$) Capital (R$) Comercial Frango Assado 765.500 6.967.000,00 765.500,00 119.004,95 6.082.495,05 Frango Assado Norte 8.350 596.500,00 8.350,00 10.186,96 577.961,04 Frango Assado Sudoeste 5.950 586.000,00 5.950,00 10.009,60 570.040,40 Frango Assado Suleste 8.100 342.500,00 8.100,00 5.850,32 205.343,05 Carvalho Pinto 600 433.000,00 600,00 7.396,17 425.003,83 Total 788.500 8.925.000,00 788.500,00 152.450,00 7.984.050,00 Fl. 1489DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.481 7 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA DO SERVIDOR. O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento interno de controle administrativo que não interfere na competência do AuditorFiscal para proceder ações fiscais ou constituir créditos tributários, porquanto essa competência é instituída por lei. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NECESSIDADE DE SER ACOMPANHADA DE PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO. O instituto da denúncia espontânea está previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional e exige que esta seja acompanhada, se for o caso, do pagamento devido e dos juros de mora. Na ausência do pagamento do tributo devido fica descaracterizada a denúncia espontânea. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GANHO DE CAPITAL. PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. ALIENAÇÃO. ISENÇÃO. DIREITO ADQUIRIDO. A isenção, salvo se concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, nos termos do art. 178 do Código Tributário Nacional, pode ser revogada ou modificada a qualquer tempo, sem que gere direito adquirido ao contribuinte. As vendas de ações efetuadas por pessoas físicas após 1o de janeiro de 1989 estão sujeitas ao imposto de renda sobre o lucro auferido, ainda que, na data da alienação, a participação societária já conte com mais de cinco anos no domínio do alienante. Inaplicável a isenção contida no artigo 4o do Decreto lei n° 1.510, de 1976, por se encontrar revogada no momento da ocorrência do fato gerador. MOMENTO DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. APLICAÇÃO DE LEI VIGENTE. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada CUSTO DE AQUISIÇÃO. QUOTAS RECEBIDAS EM BONIFICAÇÃO. No caso de quotas distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio. MULTA DE OFÍCIO. PREVISÃO LEGAL. REDUÇÃO IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1490DF CARF MF 8 Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa de 75% sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. A redução da multa de ofício somente é concedida se cumpridos os requisitos previstos na legislação tributária. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Os juros de mora incidem sobre o imposto apurado no lançamento fiscal por expressa disposição legal. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade de leis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte interpôs recurso voluntário em 14/04/2015 (fls. 1379/1425), repisando em grande parte os termos da impugnação, em apertada síntese: 1 DAS PRELIMINARES 1.1 Cerceamento do direito de defesa impossibilidade de conferência e reconstituição dos cálculos 1.1.1 Dos confusos, equivocados e fantasiosos quadros/demonstrativos constantes do termo de verificação fiscal · desde de agosto de 1983, não ocorreram quaisquer alienações ou aquisições de novas quotas por parte do Contribuinte, mantendose a todo tempo, sob sua exclusiva titularidade, o mesmo quinhão societário recebido de sua genitora, no montante equivalente a 5% do capital social das sociedades integrantes do Grupo "Frango Assado", o que perdurou por mais de 20 (vinte) anos, inexistindo mutações patrimoniais que justificassem a produção de planilhas ou quadros demonstrativos; · restou claramente evidenciado que as 788.500 quotas alienadas pelo Contribuinte em setembro de 2008 ("quotas alienadas") referemse às mesmas 192.000 quotas por ele detidas em 25 de setembro de 1996 e que, por sua vez, estão referenciadas legalmente às 1.500.000 quotas por ele detidas em Agosto de 1983, afigurando desnecessária a produção de planilhas ou quadros para demonstrar tal constatação óbvia; · a COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA nunca foi incorporada pela FASPAR S/A, tanto que a COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA denominase atualmente "COMERCIAL FRANGO ASSADO LTDA", inscrita no CNPJ (MF) sob n° 72.908.353/000103; Fl. 1491DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.482 9 · por sua vez, a FASPAR S/A nunca foi incorporada pela COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA, tanto que subsiste até hoje, sendo portadora do CNPJ (MF) sob n° 01.590.442/000106. · ao contrário do afirmado pelo Ilustre Julgador a quo, às fls. 1.369/1370 dos Autos, em momento algum, o Contribuinte conseguiu entender o que o Ilustre Auditor Fiscal fez para se chegar à conclusão de que apenas 4.735 quotas do total de 765.500 quotas da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM alienadas pelo Contribuinte estariam sujeitas à isenção tributária prevista no art. 4o, alínea "d", do DecretoLei n° 1.510, de 1976. · De igual forma, em momento algum, o Contribuinte conseguiu entender o que o Ilustre Auditor Fiscal fez para se chegar à conclusão de que apenas 4.520 quotas do total de 22.400 quotas das sociedades empresárias FRANGO ASSADO SULESTE, FRANGO ASSADO NORTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE alienadas pelo Contribuinte estariam sujeitas à isenção tributária prevista no art. 4o, alínea "d", do DecretoLei n° 1.510, de 1976. · As alegações apresentadas pelo Ilustre Julgador de primeira instância, às fls. 1.369/1.370 dos Autos, mormente relacionadas aos quadros/demonstrativos, e respectivos Anexos I e II, produzidos pela fiscalização, em nada explicam ou esclarecem; · Não é possível entender de onde o Auditor Fiscal extraiu a conclusão de que, até 01/01/1984, o Capital Social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA era de R$ 79.312.04 (capital subscrito valores em Reais), representados por 79.312 quotas. · Alega a Recorrente que fica ainda mais difícil entender o procedimento, quando se constata que, o valor de R$ 79.312,04, considerado às fls. 10/11 do TVR como sendo o Capital Social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA, em 01/01/1984, não coincide com o valor mencionado no Anexo I. Com efeito, no referido Anexo I, o capital social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA até 01/01/1984, ou seja, antes da cisão, é de R$ 1.711.073,88 (valor em Reais). · Como pôde afirmar que os lucros acumulados em 25/9/1996, no valor de R$ 2.128.926,12, devidamente corrigido e atualizado até setembro de 2008 (data de alienação das quotas), na proporção do número de quotas do Contribuinte, teriam sido computados no cálculo do valor do custo de aquisição das participações/quotas alienadas. · Como pôde considerar corretos os referidos quadros/demonstrativos se, a partir de 30/09/1996, o Contribuinte retirouse da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA, não realizando, a partir desta data, qualquer subscrição/aquisição de novas quotas. Fl. 1492DF CARF MF 10 · o Auditor Fiscal considerou valores em reais como representativos de quantitativos de quotas, o que é inadmissível. Ou seja, para cada um real de capital o Auditor Fiscal atribuiu uma quota o que não coincide com o número de quotas detido pelos sócios das sociedades empresárias. · não bastasse isso, o Auditor Fiscal fez uma verdadeira miscelânea entre quotas/participações societárias de propriedade da pessoa física do Contribuinte com quotas/participações societárias de propriedade da pessoa Jurídica FASPAR S/A, emergentes da subscrição/aquisição de quotas e capitalização de lucros/créditos; · a fiscalização atribuiu ao contribuinte participações societárias/quotas e bonificações decorrentes de lucros e créditos detidos exclusivamente pela pessoa jurídica da FASPAR S/A, e capitalizados quando o contribuinte já não era mais sócio da Comercial Guilherme Mamprim; · não se consegue reconstituir ou revisar os cálculos feitos pelo Auditor Fiscal, haja vista que o valor das participações societárias/quotas havidas originariamente pelo Contribuinte se fundiu com os valores das participações societárias/quotas emergentes de subscrições/aquisições e bonificações feitas ou recebidas recentemente pela pessoa jurídica FASPAR S/A, ou seja, quando o Contribuinte já não era mais sócio da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM; · em razão do princípio da autonomia patrimonial, ou seja, da personalização da sociedade anônima FASPAR, as quotas/participações societárias subscritas/adquiridas ou as bonificações recebidas pela pessoa jurídica FASPAR S/A não se confundem e não se comunicam com as participações societárias/quotas subscritas/adquiridas ou as bonificações recebidas pela pessoa física de seus acionistas, aqui designados Contribuintes. 1.1.2. Da Preterição do direito de defesa · os quadros/demonstrativos de fls. 10, 11 e 12 do Termo de Verificação Fiscal e respectivos Anexos I e II, acabaram por deixar o Contribuinte sem saber as razões pela qual as únicas quotas por ele subscritas ou adquiridas desde Agosto de 1983 até Setembro de 2008 data da alienação), havidas por doação de sua genitora, D. LUIZA MAMPRIM ROVERE, a título de adiantamento de legítimas, não estariam enquadradas na condição prevista no art. 4o, alínea "d", do DecretoLei 1.510/76, para não pagamento do imposto de renda; · a forma como foram elaborados e apresentados pelo Auditor Fiscal os quadros/demonstrativos de evolução patrimonial das quotas detidas pelo Contribuinte, tornam inviável a conferência dos cálculos elaborados, afigurandose impossível ao Contribuinte entender qual o motivo da autuação e, muito menos, entender qual a razão de apenas uma insignificante parcela das participações societárias/quotas alienadas em 2008 terem sido enquadradas na isenção prevista no art. Fl. 1493DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.483 11 4o, "d", do Decretolei n° 1.510, de 1976, prejudicando de maneira irremediável o exercício ao contraditório e à ampla defesa por parte do Contribuinte; · restou patente que, a matéria fática que ensejou a autuação, consubstanciada na conclusão de que, do total de quotas alienadas pelo Contribuinte, apenas 4.735 quotas da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM e apenas 4.520 quotas das empresas FRANGO ASSADO NORTE, FRANGO ASSADO SULESTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE, estariam enquadradas na condição prevista no art. 4o, alínea "d", do DecretoLei 1.510/76, incompreensível e equivocada, impedindo ao Contribuinte de conferir a regularidade dos cálculos e de formular com precisão suas razões de inconformismo, restando claro o cerceamento de defesa, devendo o Auto de Infração ser anulado por evidente prejuízo ao Contribuinte. 1.2 Da preliminar que versa sobre o instituto jurídico da denúncia espontânea e da exclusão da responsabilidade do contribuinte por infrações eventualmente praticadas · sem qualquer máfé não efetuou o recolhimento do IRPF sobre o ganho de capital obtido por entender tratarse de direito adquirido à isenção com embasamento legal na norma contida no DecretoLei n° 1.510/76; · não pode ser severamente penalizado com a aplicação de multas confiscatória e juros de mora, simplesmente porque optou pelo não pagamento de imposto que entende indevido e que espontaneamente denunciou e declarou à autoridade fazendária, antes do início de qualquer procedimento fiscal. Aduz não ser possível a punição pelo exercício do direito de não pagar imposto; · não se admite a não aplicação dos efeitos da denúncia espontânea, pois procedida a declaração e não recolhido o tributo com base em benefício fiscal contido em expressa disposição legal. Por mais que o não pagamento do tributo possa representar mora ou atraso, a denúncia espontânea realizada antes do início de qualquer procedimento fiscal afasta a responsabilidade decorrente da infração, porque o fato de a declaração vir desacompanhada do pagamento do tributo não desnatura o instituto previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional CTN; · o fato da declaração vir desacompanhada do pagamento correspondente do tributo não possui o condão de desnaturar o instituto da denúncia espontânea a ponto de retirarlhe os efeitos legais imputados pelo artigo 138 do CTN. 1.3 Da Preliminar que versa sobre a anulação integral do lançamento fiscal em caso de reconhecimento do "direito adquirido" ao não pagamento do IRPF, afastando qualquer possibilidade de nulidade parcial Fl. 1494DF CARF MF 12 · entende que caso haja o reconhecimento do direito adquirido todo o lançamento deve ser anulado devendo ser afastada qualquer possibilidade de nulidade parcial e prejudicada a análise do questionamento relativo à forma de apuração dos valores lançados; · baseado na premissa de descabimento do "direito adquirido", o Auditor Fiscal tributou o ganho de capital auferido na alienação da totalidade das 788.500 quotas, à alíquota de 15%, independentemente de tais participações societárias estarem ou não albergadas pela isenção; · mesmo considerando a existência de uma pequena parcela de quotas albergadas pela isenção, o Auditor Fiscal realizou o lançamento tributando todo o ganho de capital auferido na alienação da totalidade das quotas de titularidade do Contribuinte; · no cálculo do imposto objeto do lançamento tributário, o Auditor Fiscal considerou também as referidas participações societárias/quotas que, no seu dizer, teriam direito ao benefício fiscal instituído pelo art. 4o, "d", do DL 1.510/76, de sorte que, caso seja reconhecida a isenção, ainda que parcial, estará comprometido todo o lançamento tributário realizado pelo Auditor Fiscal, tornandoo nulo de pleno direito. 2 DO MÉRITO 2.1 Do Direito Adquirido à Isenção · quanto ao direito adquirido à isenção (ou não pagamento) do IRPF sobre o ganho de capital auferido na alienação das participações societárias, restando claramente evidenciado tratarse "in casu" de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, a qual não pode ser revogada, tendo em vista o disposto no Art. 178 do CTN, além da incidência do enunciado na Súmula 544 do STF; · para reforçar posição de que a discussão gira em torno de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, cita diversas jurisprudências do STJ e de Tribunais Federais, além de julgados do CARF. 2.2 Das bonificações e filhotes adquiridas a custo zero, e que se referem às aquisições · Quanto a este tópico, não procede a alegação do D. Julgador "a quo" de que as disposições do Parecer Normativo CST n° 68/77 não se aplicam às bonificações emergentes das aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983, mesmo que se tratem de bonificações decorrentes de aumento de capital ocorrido após a vigência da Lei revogadora, ou seja, após a vigência da Lei n° 7.713/88. Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.484 13 · Com efeito, se o recebimento das bonificações relativas às aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983 está isento do imposto nada mais racional tenha o DecretoLei n° 1.510/76 disposto que elas só podem ser computadas a custo zero, ou seja, tais bonificações não podem ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas. 2.2.1 Dos aumentos de capital e das aquisições e subscrições e respectivas bonificações ocorridas a partir de 25/09/1996 · não há que se falar em aquisições e/ou subscrições de novas quotas a partir de 25/09/1996; · a partir de 30/12/1996, a Recorrente retirouse da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM; · a partir de 30/12/1996, a Recorrente não recebeu qualquer bonificação nos aumentos de capital realizados pela COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM, e sequer realizou qualquer subscrição/aquisição de novas quotas, a qual nunca promoveu qualquer aporte ou injeção de recursos na COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM e, muito menos, possuiu créditos ou Adiantamentos para aumento de capital junto à referida sociedade empresária COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM; · os aumentos de capital ocorridos na COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM, a partir de 30/12/1996, seja por incorporação de lucros ou reservas, seja em decorrência de emissão e subscrição particular de novas quotas, representam subscrições/aquisições e bonificações de exclusiva titularidade da sócia controladora FASPAR S/A, os quais não se confundem com as mutações acorridas no patrimônio da pessoa física da Recorrente; · entre o período de 25/09/1996 até 11/08/2008, as únicas quotas recebidas em bonificações, oriundas de lucros acumulados, foram decorrentes do aumento de capital social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM; · afirma que o valor de R$2.128.926,12 oriundo da capitalização de lucros acumulados não representa em hipótese alguma quaisquer outras subscrições ou aquisições de novas quotas, tratandose de filhotes ou bonificações adquiridas a custo zero; · caso prevaleça a tese da fiscalização de que as quotas recebidas em bonificação decorrentes de aumento de capital por incorporação ou de reservas constituídas com esses lucros, constituem subscrição de novas quotas, então, esse mesmo valor deve ser computado no custo de aquisição das participações alienadas de modo que o aumento do valor das quotas subscritas seja anulado pelo correspondente aumento no valor do custo de aquisição. Fl. 1496DF CARF MF 14 2.2.2 Das mutações ocorridas no quinhão societário do contribuinte no período de 25/09/1996 a 11/08/2008 · não ocorreram quaisquer atos ou eventos que implicassem aquisição ou subscrição de novas quotas, pois manteve sua posição de detentora das participações por mais de vinte anos, preservando o seu percentual de 5% na participação das sociedades integrantes do grupo FRANGO ASSADO. Também ressalta que não ocorreram quaisquer atos considerados cessão ou transferência de dinheiro ou bens para fins de integralização ou subscrição de capital, ou de novas quotas, nas sociedades; · as quotas alienadas em 2008, em sua totalidade, teriam cumprido todos os requisitos necessários para o cabal enquadramento nas condições exigidas pelo Decretolei n° 1.510/1976, de forma a usufruir do benefício instituído pelo referido diploma legal, uma vez que, já compunham seu patrimônio desde dezembro de 1975; · a partir de 30/12/1996, a Recorrente retirouse da Comercial Guilherme Mamprim Ltda; · os aumentos de capital ocorridos na COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM, a partir de 30/12/1996, seja por incorporação de lucros ou reservas, seja em decorrência de emissão e subscrição particular de novas quotas, representam subscrições/aquisições e bonificações de exclusiva titularidade da sócia controladora FASPAR S/A, as quais não se confundem com as mutações ocorridas no patrimônio da pessoa física da Recorrente. · as 788.500 quotas alienadas pelo Contribuinte em setembro de 2008 referemse às mesmas 192.000 quotas por ele detidas em 25 de setembro de 1996 e que, por sua vez, estão referenciadas legalmente às 1.500.000 quotas por ele detidas em agosto de 1983. 2.2.3 Das bonificações adquiridas a custo zero, e que são decorrentes das mesmas aquisições e subscrições originariamente havidas em dezembro de 1975 · cita o artigo 5o do DecretoLei 1.510/76, os Pareceres Normativos CST n° 68 de 23/9/77 e n° 39, de 19/10/81, cujo conteúdo objetivou o esclarecimento de consultas sobre a exegese do disposto nos artigos 4o e 5o do referido Decreto para afirmar a inexistência de tributação em virtude do recebimento de bonificações ou filhotes emergentes do aumento de capital com o aproveitamento de lucros e reservas e que tais bonificações não podem ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas; · o aumento de capital mediante incorporação de lucros ou reservas constitui mero remanejamento dos valores já existentes no balanço, não havendo mudança no volume financeiro nem entrada de novos valores no patrimônio da sociedade, e, consequentemente, não são considerados novas aquisições ou novas subscrições de quotas; Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.485 15 · o lucro não saiu do patrimônio da sociedade, os aumentos de capital ocorreram por mera transferência de contas de lucros e reservas à conta de capital, não havendo subscrição, nem em dinheiro, nem em bens; · conclui que o recebimento de bonificações em quotas não importa rendimento porque integra o patrimônio do beneficiário, sem custo. E se de rendimento não se trata, não ocorre em relação a tais valores a subscrição ou aquisição de novas quotas para efeito de enquadramento na regra do artigo 4o , alínea "d" do DecretoLei 1.510/76; · a fim de evitar repetições, requer que sejam consideradas em seu inteiro teor, os argumentos fáticojurídicos esposados no item 3.1, subitem 3.1.2 de sua impugnação, as quais demonstram a aquisição das bonificações a custo zero. É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente, atendendo também aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Preliminares. Nulidade. Inocorrência Cerceamento do direito de defesa. Alega a Recorrente que, desde agosto de 1983, não ocorreram quaisquer alienações ou aquisições de novas quotas por parte do contribuinte, mantendose a todo tempo, sob sua exclusiva titularidade, o mesmo quinhão societário recebido por doação de sua genitora, no montante equivalente a 5% do capital social das sociedades integrantes do Grupo "Frango Assado", inexistindo mutações patrimoniais que justificassem a produção de planilhas ou quadros demonstrativos. A Recorrente alega que a forma como foram elaborados e apresentados pelo Auditor Fiscal os quadros/demonstrativos de evolução patrimonial das quotas detidas pelo Contribuinte, tornam inviável a conferência dos cálculos elaborados, afigurandose impossível ao Contribuinte entender qual o motivo da autuação e, muito menos, entender qual a razão de apenas uma insignificante parcela das participações societárias/quotas alienadas em 2008 terem sido enquadradas na isenção prevista no art. 4o, "d", do Decretolei n° 1.510, de 1976, prejudicando de maneira irremediável o exercício ao contraditório e à ampla defesa por parte do Contribuinte. Prevendo a possibilidade de prevalecer a tese do contribuinte de direito adquirido à isenção do DecretoLei n° 1.510/76, a auditoria fiscal no intuito de demonstrar as Fl. 1498DF CARF MF 16 quotas do capital social que o contribuinte possuiu por mais de cinco anos na vigência do DecretoLei n. 1.510/1976, desenvolveu um tópico especifico no Termo de Verificação Fiscal (TVF), qual seja:" III DAS QUOTAS QUE O CONTRIBUINTE POSSUIU POR MAIS DE CINCO ANOS NA VIGÊNCIA DO DECRETOLEI N. 1.510, DE 1976" (efls. 15/20). E é exatamente nesse tópico específico que a auditoria elabora os quadros/demonstrativos no intuito de esclarecer que a participação societária do Recorrente sofreu mutações ao longo do período de agosto de 1983 a 11/08/2008. Ressaltese que diferente do entendimento do Recorrente, a fiscalização considerou que, tanto no caso de subscrição de novas quotas, como na situação de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros (quotas recebidas em bonificação), ocasionaram mutações ao longo do período na participação societária do contribuinte na empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda, conforme constatase no Anexo I. Por se tratar de questão de mérito, as questões relacionadas às bonificações, serão tratadas em tópico específico, e não como preliminar de nulidade. Por outro lado, esclarece o Termo de Verificação Fiscal que em razão de cisões comercias ocorridas na empresa Comercial Guilherme Mamprim, no período entre 08/08/1983 a 11/08/2008, não são consideradas como transferência de titularidade de quotas, conforme entendimento administrativo no Parecer Normativo CST n. 39/1981. Desta feita, o percentual do capital social adquirido até 01/01/1984 após as cisões ocorridas ao longo do tempo não se alteraram, conforme se constata no Anexo I do TVF (efls. 22/23), vide como exemplo a 27ª Alteração Contratual, onde ocorreu uma cisão parcial no valor total de R$ 3.456.000,00, sendo que o percentual do capital social subscrito até 01/01/1984 permaneceu de 44,5592%, mesmo percentual constante do item anterior da tabela, referente à 26ª Alteração Contratual. Portanto, o primeiro ponto relevante que destacamos é que o percentual de participação societária da contribuinte é que se manteve inalterado em 5% desde que ingressou nas sociedades até a alienação sob exame, o que não significa, que ela não tenha adquirido novas quotas e o valor do capital social por ela detido não tenha se modificado ao longo do período analisado. O Anexo I do Termo de Verificação Fiscal (TVF efls. 22/23) demonstra o histórico das quotas da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, com as respectivas datas de subscrição/aquisição de novas quotas de capital social e cisões comerciais, conforme consta das alterações dos contratos sociais n°s 26 a 44. Ao contrário do que alega o Recorrente, a tabela integrante do anexo I não é confusa, e nem de difícil entendimento, pois todos os percentuais apurados inicialmente foram reproduzidos nos eventos seguintes, logicamente guardadas as proporções em relação ao capital subscrito até 01/01/1984 com as devidas considerações no que se refere as parcelas cindidas. Com a subscrição de novas quotas, como na situação de aumento de capital por incorporação de lucros apurados ou de reservas constituídas com esses lucros, as quais foram consideradas quotas novas, obviamente que se não integram aquelas originalmente adquiridas não podem contribuir para o aumento no percentual dessas mesmas quotas. Daí porque o percentual de quotas adquiridas no período de cinco anos contados regressivamente desde 01/01/1989 corresponde a uma pequena parcela do valor das quotas alienadas. Passemos a analisar alguns pontos específicos das colocações postas pela Recorrente, quanto à dificuldade de entendimento dos quadros/demonstrativos de evolução patrimonial das quotas detidas por ela: Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.486 17 · Não se consegue entender de onde o Auditor Fiscal extraiu a conclusão de que, até 01/01/1984, o Capital Social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA era de R$ 79.312.04 (capital subscrito valores em Reais), representados por dividido 79.312 quotas. Não existe nenhuma dificuldade de entendimento é só acompanhar toda evolução histórica da quotas da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, constante do Anexo I do TVF (efls. 22/23), que reproduzem os termos do Contrato e Alterações Contratuais. O que existe, na verdade, conforme já relatado anteriormente é uma divergência de entendimento entre a fiscalização e o contribuinte, no que tange à subscrição/aquisição de novas quotas recebidas em bonificação, a qual será analisada no mérito desta decisão. · Alega a Recorrente que fica ainda mais difícil entender o procedimento, quando se constata que, o valor de R$ 79.312,04, considerado às fls. 10/11 do TVR como sendo o Capital Social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA, em 01/01/1984, não coincide com o valor mencionado no Anexo I. Com efeito, no referido Anexo I, o capital social da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA até 01/01/1984, ou seja, antes da cisão, é de R$ 1.711.073,88 (valor em Reais). Conforme a 26a alteração contratual (efls. 844/862), firmada em 25/09/1996, o capital social da Comercial Guilherme Mamprim passou de R$ 17.454,55 para R$3.840.000,00. A elevação de R$3.822.545,45 foi composta pela reversão "Reserva de Capital Correção Monetária do Capital Social", no montante de R$1.693.619,33, e pela reversão de lucros acumulados, de R$ 2.128.926,12, sendo que esta última reversão representa subscrição/aquisição de novas quotas. A fiscalização demonstrou o capital subscrito até 01/01/1984 e sua atualização até 01/01/1996 com a utilização da reserva de correção monetária no valor de R$1.693.619,33, por refletirem apenas os efeitos da inflação, não representam subscrições/aquisições de novas quotas do capital social. Ressaltese que a reserva de correção monetária foi admitida pela autoridade fiscal apenas hipoteticamente, já que em 1996 ela já estava extinta e o objetivo era explicar a quantidade de quotas antes e após 01/01/1984. Com isso, em benefício do contribuinte, que o valor de R$17.454,55 foi acrescido da reversão "Reserva de Capital Correção Monetária do Capital Social", de R$ 1.693.619,33, perfazendo um total de R$ 1.711.073,88, corrigidos monetariamente até 01/01/1996. E é exatamente a partir dessa 26ª alteração contratual, por meio do Anexo I do TVF, que a fiscalização demonstra a evolução histórica das quotas da Comercial Guilherme Ltda, sendo que em 25/09/1996, o valor de R$ 1.711.073,88, reapresentava o capital social subscrito até 01/01/1984. Fl. 1500DF CARF MF 18 Contudo, o mesmo Anexo I demonstra que devido a diversas alterações do contrato social da empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda, por meio de subscrição/aquisição de novas quotas e cisões ocorridas, o capital subscrito até 01/01/1984 foi sendo alterado ao longo do tempo, chegando então na 44ª Alteração do Contrato Social, no qual o capital social subscrito até 01/01/1984 é de R$ 79.312,04 (79.312 quotas). Nesse sentido, não existe nenhuma incongruência/equivoco constar inicialmente um valor de R$ 1.711.073,88 de capital social subscrito até 01/01/1984, 26ª Alteração do Contrato Social, sendo alterado durante o decorrer do tempo, chegandose a um valor de R$ 79.312,04, em 11/08/2008 (44ª Alteração do Contrato Social). · Como pôde afirmar que os lucros acumulados em 25/9/1996, no valor de R$ 2.128.926,12, devidamente corrigido e atualizado até setembro de 2008 (data de alienação das quotas), na proporção do número de quotas do Contribuinte, teriam sido computados no cálculo do valor do custo de aquisição das participações/quotas alienadas. Neste ponto, cabe esclarecer que o custo de aquisição foi informado pelo próprio sujeito passivo (efls. 37), no valor de R$ 765.500,00, relativa à 765.500 quotas da empresa Comercial Guilherme Mamprim, sendo que tal valor está totalmente de acordo com a Alteração do Contrato Social da empresa (efls. 458/473), de 23 de setembro de 2008, documento pelo qual a contribuinte transferiu suas quotas para empresa compradora Yami Comércio de Alimentos, in verbis: (...) XIII A sócia IZILDINHA ROVERE CHIQUETTO, proprietária de 765.500 (setecentas e sessenta e cinco mil e quinhentas) quotas da Sociedade, no valor nominal de R$ 765.500,00 (setecentos e sessenta c cinco mil e quinhentos reais), neste ato» com expressa anuência dos demais sócios, os quais neste ato renunciam expressamente ao direito de preferência que eventualmente lhes assista, cede e transfere, nos termos de instrumento em apartado, 765.500 (setecentas e sessenta e cinco mil e quinhentas) quotas, a YAMI COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA.(efls. 462/463) (...) O aumento de capital de R$ 2.128.926,12 já está incluso no custo de aquisição apurado por Izildinha Rovere Chiquetto, pois, conforme se verifica às fls. 848/850, pela 26a Alteração Contratual da Comercial Guilherme (25/09/1996), houve um aumento no capital social para R$ 3.840.000,00, sendo que tal informação consta do Anexo I do TVF. Ocorre que, conforme se verifica do Anexo I do TVF em diversas oportunidades aconteceram novas subscrições/aquisições de capital social, tendo reflexo no custo de aquisição do contribuinte. Todavia, a última Alteração do Contrato Social ocorreu em 11/08/2008, quando houve um aumento de capital de 14.740.000,00 para 15.310.000,00 (fls. 1079), sendo que desse valor, R$ 765.500,00 (765.500 quotas) é o valor das quotas Izildinha Rovere Chiquetto, que foi utilizado por ela para apuração do custo de aquisição, e também da fiscalização, valor que está totalmente de acordo com o Contrato de Compra e Venda de Quotas e Outras Avenças, tendo como uma das partes vendedora a contribuinte e como compradora empresa Yami Comércio de Alimentos (efls. 411/456) Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.487 19 Portanto, o custo de aquisição está de acordo com o declarado pelo sujeito passivo e de acordo com os contratos sociais e alterações contratuais. · Como pôde considerar corretos os referidos quadros/demonstrativos se, a partir de 30/12/1996, o Contribuinte retirouse da COMERCIAL GUILHERME MAMPRIM LTDA, não realizando, a partir desta data, qualquer subscrição/aquisição de novas quotas. · Alega então o Recorrente que o Auditor Fiscal fez uma verdadeira miscelânea entre quotas/participações societárias de propriedade da pessoa física do Contribuinte com quotas/participações societárias de propriedade da pessoa jurídica FASPAR S/A, emergentes da subscrição/aquisição de quotas e capitalização de lucros/créditos. Primeiro, cabe esclarecer que Anexo I do TVF levou em conta os diversos eventos examinados durante as alterações contratuais de n°s 26 a 44, tais como as incorporações das reservas já mencionadas, subscrição particular de novas quotas, três cisões parciais da COMERCIAL, sendo relevantes para o contexto dos autos a primeira com o objetivo de criar a FASPAR e a segunda com a criação das empresas FRANGO ASSADO NORTE, FRANGO ASSADO SULESTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE e nova cisão parcial, desta vez da FASPAR, em operação inversa na qual foram vertidas as ações em quotas da COMERCIAL e juntamente com as outras três empresas e a CARVALHO PINTO, passaram à condição de controladoras da FASPAR, ocasião em que ocorreu a alienação das participações societárias. Sendo que no caso de cisões ou incorporações realizadas, ocorridas substituição de ações, na proporção das anteriormente possuídas, pela transferência de parcelas de um patrimônio para o de outro, não foi caracteriza pela fiscalização como alienação para efeito de incidência do imposto sobre a renda. Nestes casos, a data de aquisição é a compra ou subscrição originária, não tendo havido emissão ou entrega de novos títulos representativos da participação societária, conforme entendimento administrativo no Parecer Normativo CST n. 39/1981. Por isso, não se considera que nesses casos, tenha ocorrido a transferência da titularidade das quotas. E foi exatamente seguindo tal procedimento que a fiscalização pode apurar um quantitativo 4.735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim e 4.520 quotas das sociedades empresárias Frango Assado Suleste, Frango Assado Norte e Frango Assado Sudoeste alienadas pelo contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do DecretoLei n. 1.6510/76. Caso assim não fosse, não poderíamos nem vir a discutir a tese do direito adquirido à isenção do imposto de renda concedido pelo DecretoLei n. 1.510/76, no presente caso, tendo em vista que ocorreram diversas cisões e incorporações ao longo do tempo, sendo que a alienação das participações societárias foi considerada ocorrida apenas em setembro de 2008, onde então foi apurado o ganho de capital. Analisando 29ª Alteração do Contrato Social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda (efls. 884/910), de 30/12/1996, constatase que houve um aumento do capital social da Frango Assado Empreendimentos e Participações (FASPAR), mediante 384.000 quotas, no valor de R$ 1,00 (um real), sendo que os sóciosquotistas da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, dentre as quais Izildinha Rovere Chiquetto , cederam e transferiam, para fins Fl. 1502DF CARF MF 20 exclusivos de integralização e aumento de Capital Social, a totalidade de sua quotas à Cessionária FASPAR. Contudo, apesar da Recorrente ter se retirado da empresa Comercial Guilherme Ltda, em 30 de dezembro de 1996, na verdade, ela cedeu e transferiu todas as suas quotas para empresa FASPAR, na mesma proporção das ações anteriormente possuídas por ela na Comercial Guilherme Mamprim Ltda, sendo que a FASPAR passou a ser a sócia controladora da Comercial Guilherme, com 383.996 quotas, sendo que a Comercial Guilherme permaneceu com o mesmo capital social de R$ 384.000,00 (384.000 quotas). Por isso, foi possível na situação em questão a fiscalização não considerar como alienação de quotas para efeito de incidência do imposto de renda, nas substituições de ações ocorridas, considerando então que não houve transferência das quotas, uma vez que as quotas foram mantidas na mesma proporção anteriormente possuídas pelos sócios na empresa FASPAR S/A, a qual passou a ser a sócia controladora da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, sendo que esta não alterou seu capital social. Caso foi considerada correta, a tese da Recorrente de que a mesma teria se retirado da empresa Comercial Guilherme Ltda, em 30 de dezembro de 1996, nesta data teria que ter sido apurado o ganho de capital devido, por consequencia, em 2008, na nova apuração de ganho capital não restaria nenhuma quota do capital social isento, com fundamento no DecretoLei n. 1.510, DE 1976. Por outro lado, analisando o Anexo I do TVF, constatase em diversos períodos posteriores a 30/09/2006, ocorreram novas subscrições/aquisições de quotas na empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda, sendo que destacamos apenas dois exemplos a título ilustrativo: 37ª Alteração do Contrato Social (31/03/2003, efs. 1010/1014), no valor de R$ 3.100.000,00 (3.100.000 quotas) e 41ª Alteração do Contrato Social (14/11/2007, efls. 1060/1064), no valor de R$ 8.470.000,00 (8.470.000 quotas). Cabe aqui esclarecer que ao contrário do alegado pelo Recorrente não está ocorrendo uma confusão patrimonial entre a pessoa física da contribuinte com quotas/participações societárias de propriedade da pessoa jurídica FASPAR, mas quando ocorre um aumento de capital social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, mediante subscrição particular de novas quotas, subscritas única e exclusivamente pela sócia controladora FASPAR S/A, como por exemplo o ocorrido com a 37ª Alteração Contratual, aumenta também o patrimônio pessoal de cada sócio, apesar de não alterar a participação dos sócios na sociedade. · O Auditor Fiscal considerou valores em reais como representativos de quantitativos de quotas, o que é inadmissível. Ou seja, para cada um real de capital o Auditor Fiscal atribuiu uma quota o que não coincide com o número de quotas detido pelos sócios das sociedades empresárias. Compulsando os autos, constatase que ficou estipulado para cada quota o valor nominal de R$ 1,00 (um real), desde da 26ª Alteração Contratual da empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda até a transferências de suas quotas para empresa compradora Yami Comércio de Alimentos, portanto, a fiscalização não cometeu nenhum equívoco. · Alega ainda o Recorrente que ficouse sem saber como o Auditor Fiscal chegou à conclusão de que apenas 4.520 quotas do total de 22.400 quotas das sociedades empresárias FRANGO ASSADO Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.488 21 SULESTE, FRANGO ASSADO NORTE e FRANGO ASSADO SUDOESTE alienadas pelo Contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do Decreto Lei n° 1.510, de 1976. Em 09/10/1998, o capital social Guilherme Mamprim foi reduzido de R$ 848.000,00 para R$ 400.000,00 (32ª Alteração Contratual). Houve uma cisão societária parcial da empresa e o capital social de R$ 448.000,00 foi simultaneamente transferido para constituição de três novas sociedades, Frango Assado Norte (R$ 167.000,00), Frango Assado Suleste (R$ 162.000,00) e Frango Assado Sudoeste (R$ 119.000,00), sendo que do valor total cindido (R$ 448.000,00), apenas 20,1778% (R$ 90.396,36) são oriundos de capital subscrito na empresa Guilherme Mamprim até 01/01/1984, conforme consta do Anexo I do TVF (vide 31ª e 32ª Alterações Contratuais) Tendo em vista que o contribuinte detinha um percentual 5% das quotas das empresas Frango Assado Norte, Frango Assado Suleste e Frango Assado Sudoeste, por consequência, apenas 4520 quotas, de um total de 90.396,36, são oriundas de um capital subscrito até 01/01/1984. Diante do exposto, concluo não haver dificuldade de entendimento quanto à metodologia utilizada pela fiscalização, a qual demonstrou que apenas 4735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim e 4520 quotas das sociedades empresárias Frango Assado Suleste, Frango Assado Norte e Frango Assado Sudoeste alienadas pelo contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do DecretoLei n. 1.6510/76, conforme informações constantes do Termo de Verificação Fiscal e seus anexos. Percebese, portanto, que não há espaço fático para se falar em vícios no lançamento fiscal, já que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 02/1214) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN1 e o art. 10 do Decreto 70.235/19722, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante do imposto de renda devido; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros, não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento. Impossibilidade de nulidade parcial em face do reconhecimento do "direito adquirido". 1 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 2 Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 1504DF CARF MF 22 Entende a Recorrente que caso haja o reconhecimento do "direito adquirido" todo o lançamento deve ser anulado devendo ser afastada qualquer possibilidade de nulidade parcial e prejudicada a análise do questionamento relativo à forma de apuração dos valores lançados. Ressalto que, o processo administrativofiscal de exigência de crédito tributário referente ao imposto sobre a renda de pessoa física é regido pelo Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre a nulidade dos atos nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Nesse aspecto, o Auto de Infração contém todos os elementos e requisitos necessários de formação válida, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, observado o art. 142 e seu parágrafo único, da Lei nº 5.172/66, não havendo, portanto, que se falar de nulidade do lançamento. A questão do direito adquirido, por se referir ao próprio mérito, será analisada, em momento oportuno, não sendo portanto uma questão preliminar, não se sujeitando nem a nulidade parcial bem como total. Denúncia espontânea. Multa de ofício. Juros à taxa Selic No que se refere às alegações da Recorrente quanto à denúncia espontânea e a não aplicação da multa de oficio e juros de mora, por se tratar de questão de mérito, deverá ser analisado no momento oportuno. 2. MÉRITO Do Direito Adquirido da Isenção conferida pelo DecretoLei n. 1.510/76 A Recorrente argumenta que quando da publicação da Lei nº 7.713/88, Izildinha Rovere Chiqueto já possuía as participações societárias por mais de 5 anos, tendo direito adquirido ao benefício fiscal conferido pelo Decretolei nº 1.510/76, independente da data de alienação das participações societárias. Alega que restando claramente evidenciado tratarse "in casu" de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, ela não pode ser revogada, tendo em vista o disposto no Art. 178 do CTN, além da incidência do enunciado na Súmula 544 do STF; Assevera que se implementada a condição à isenção antes da revogação da lei, a isenção se mantém mesmo se a alienação ocorrer na vigência da lei revogadora, pois no caso se trata de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições., a qual não pode ser revogada, tendo em vista o disposto no Art. 178 do CTN, além da incidência do enunciado na Súmula 544 do STF No intuito de reforçar posição de que a discussão gira em torno de isenção onerosa, concedida por prazo certo e em função de determinadas condições, cita diversas jurisprudências do STJ e de Tribunais Federais, além de julgados do CARF. Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.489 23 No que toca à discussão acerca do aproveitamento da isenção à luz do DL 1.510/76, com relação às cotas adquiridas até 1983 e que permaneceram no patrimônio do contribuinte por, no mínimo, cinco anos até a entrada em vigor da Lei 7.713/88, curvome ao posicionamento dos nossos tribunais superiores, já reconhecido, inclusive, pela representação judicial da Fazenda Nacional, segundo dispõe o Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho, in verbis: (...)nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, (...) Transcrevo a seguir excerto do voto vencedor da Ilustre Conselheira Maria Helena Cotta Cardoso, no Acórdão nº 9202007.261, em 22/10/2018, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acerca desse tema, a qual reconhece a isenção à luz do DL 1.510/76, e que permaneceram no patrimônio do contribuinte por, no mínimo, cinco anos até a entrada em vigor da Lei 7.713/88, no essencial: Ressalvado o posicionamento pessoal desta Conselheira, que sempre foi no sentido da inexistência de direito adquirido à isenção do Imposto de Renda, a Fazenda Nacional, parte neste processo, exarou o Parecer SEI n° 74/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, aprovado pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, que ensejou a publicação do Ato Declaratório PGFN n° 12, de 25/06/2018, que assim determina: 'O PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida nos termos do inciso lido art 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5o do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do PARECER SEI N° 74/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 22 de junho de 2018, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).' JURISPRUDÊNCIA: REsp 1.133.032/PR, AgRg no REsp 1.164.768/RS, AgRg no REsp 1.231.645/RS, REsp 1.659.265/RJ, REsp 1.632.483/SP, AgRg no AgRg no AREsp 732.773/RS, REsp Fl. 1506DF CARF MF 24 1.241.131/RJ, EDcI no AgRg no REsp 1.146.142/RS e AgRg no REsp 1.243.855/PR.' Relativamente a essa modalidade de parecer, o RICARF. em seu Anexo II, assim dispõe: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1o O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) IIque fundamente crédito tributário objeto de: (...) c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Destarte, considerando que, no presente caso, as ações alienadas já eram de propriedade do Contribuinte em 1983, e conforme o parecer acima, em que a própria parte abriu mão do litígio, forçoso concluir pelo não provimento do recurso. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. Esse é inclusive o posicionamento que constou da Solução de Consulta n° 505 Cosit/RFB, de 17.10.2017, a seguir ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AQUISIÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA SOB A ÉGIDE DO DECRETOLEI N° 1510, DE 1976. ALIENAÇÃO NA VIGÊNCIA DE NOVA LEI REVOGADORA DO BENEFÍCIO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. A hipótese desonerativa prevista na alinea "d" do art. 4o do DecretoLei n° 1.510, de 27 de dezembro de 1976, aplicase às alienações de participações societárias efetuadas após 1o de Janeiro de 1989, desde que tais participações já constassem do patrimônio do adquirente em prazo superior a cinco anos, contado da referida data. A isenção é condicionada à aquisição comprovada das ações até o dia 31/12/1983 e ao alcance do prazo de 5 anos na titularidade das ações ainda na vigência do Decretolei n° 1.510, de 1976, revogado pelo art. 58 da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Por sua vez, observado o posicionamento acima, não quer dizer, com isso, que entenda pela extensão do benefício fiscal às ações bonificadas e subscrições particulares de novas quotas que ingressaram no patrimônio do sujeito passivo após o ano de 1983, por Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.490 25 vislumbrar, se assim fosse, flagrante afronta ao artigo 111 do CTN, quando estabelece que deve ser interpretada literalmente a legislação que disponha sobre outorga de isenção. As ações bonificadas correspondem a aumento do capital social decorrentes da incorporação de reservas de lucros ou lucros acumulados pela sociedade, e são distribuídas pelos acionistas, na proporção das ações que eles já possuíam, não alterando a participação dos sócios na sociedade, mas aumentando o patrimônio individual de cada sócio. Tratase portanto de aquisição de novas ações pelo acionista, que deixa de receber dividendos em dinheiro para receber ações em bonificação. Logo, para fazer jus à isenção do imposto na sua alienação, estas ações também devem se submeter à mesma regra das demais aquisições. Já as ações que correspondam a meros desdobramentos ou agrupamentos de ações que, por sua vez, já integravam o patrimônio do investidor há mais de cinco anos quando da revogação da isenção, fazem jus ao benefício, pois não há neste caso aquisição de novas ações, mas mera adaptação das quantidades de ações de cada acionista ao novo critério de divisão do capital da sociedade. Vejase, a leitura conjunta dos artigos 1o, 4o e 5o daquele decretolei não autoriza, penso eu, a concluir que tal isenção possa ser estendida indiscriminadamente às ações bonificadas. Confirase: Art 1o O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos (...) Art 4oNão incidirá o imposto de que trata o artigo 1o: (...) d) nas alienações efetivadas após decorrido o período de cinco anos da data da subscrição ou aquisição da participação. Art 5o Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1° deste Decretolei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. Percebase, todo o fundamento para que se entenda pelo reconhecimento da isenção conferida por aquele DL 1.510/76, revogado desde a edição da Lei 7.713/88, nas alienações efetuadas após a sua revogação, reside na tese de que aqueles que mantiveram participações societárias em seu patrimônio, na vigência do DL, por cinco anos ou mais passaram a ter o direito adquirido à isenção. Em outras palavras, para que haja subsunção do caso à tese do direito adquirido, temse por necessário que as participações já estivem, à data da revogação do DL, incorporadas ao patrimônio do alienante por no mínimo cinco anos. Fl. 1508DF CARF MF 26 Com efeito, considerando a conjugação da legislação tributária aplicada ao tempo da alienação com a tese encampada pelos tribunais, penso que a melhor interpretação daquele artigo 5o é no sentido de que a isenção é estendida às ações bonificadas desde que, quando da revogação citada acima, já estivessem incorporadas ao patrimônio do investidor há no mínimo cinco anos. Nesse mesmo sentido, o acórdão proferido na apelação cível n° CNJ: 000339023.2011.4.02.5101 (2011.51.01.0033903), no TRF2, com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DECRETOLEI N° 1.510 /1976. ALIENAÇÃO DE AÇÕES: SOCIETÁRIAS E BONIFICADAS ISENÇÃO. RECURSO E REMESSA NECESSÁRIA, CONSIDERADA COMO EXISTENTE, DESPROVIDOS 1. O Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de apreciar a matéria em diversas ocasiões e, por último, acabou firmando o entendimento no sentido de que é isento do Imposto de Renda o acréscimo patrimonial decorrente da alienação das ações societárias adquiridas sob a égide do DL n° 1510 /76, após cinco anos da respectiva aquisição, ainda que tal alienação ocorra após a vigência da Lei n° 7.713 /88 (REsp n° 1.133.032). 2. O mesmo entendimento não se aplica às ações bonificadas emitidas após 31.12.1983, tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL n° 1.510 /76. 3. REsp n° 1.470.768 (2014/01830514): "O art. 4o, d, do Decretolei n° 1.510 /76 previa isenção de imposto de renda de alienações de quotas sociais efetivadas após o decurso do prazo de cinco anos da data da subscrição ou da aquisição das quotas societárias, de modo que, ainda que recebidas em caráter de bonificação, às mesmas não se estende a isenção do Decreto lei, porquanto não se enquadram na hipótese do dispositivo aludido". 4. O artigo 111 do CTN estabelece que legislação tributária que outorga isenção deve ser interpretada literalmente, não se admitindo interpretação extensiva, ampliativa ou analógica. 5. Recurso e remessa necessária, considerada como existente, desprovidos. (grifos nosso) No mesmo sentido é o já citado Ato Declaratório PGFN n. 12, de 25 de junho, in verbis: 'nas ações judiciais que fixam o entendimento de que há isenção do imposto de renda no ganho de capital decorrente da alienação de participações societárias adquiridas até 31/12/1983 e mantidas por, pelo menos, cinco anos, sem mudança de titularidade, até a data da vigência da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, não sendo a referida isenção, contudo, aplicável às ações bonificadas adquiridas após 31/12/1983 (incluemse no conceito de bonificações as participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros).' Fl. 1509DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.491 27 Acrescento, parte do voto da Ilustre Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, no Acórdão nº 2202004.351, em 14/05/2018, desta turma, sobre o tema em questão, referente à outra acionista do mesmo grupo empresarial em questão, que passo a adotar como razões de decidir, e a seguir reproduzo: (...) O recorrente arrazoa não proceder o argumento do julgador a quo "que as disposições do Parecer Normativo CST nº 68/77 não se aplicam às bonificações emergentes das aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983, mesmo que se tratem de bonificações decorrentes de aumento de capital ocorrido após a vigência da Lei revogadora, ou seja, após a vigência da Lei nº 7.713/88". Diz que o parecer teve por objetivo esclarecer as questões sobre as bonificações decorrentes das participações societárias enquadradas na isenção aqui discutida, acrescentando que o parecer: é absolutamente claro quanto à definição para efeitos da tributação do Art. 1º do referido DecretoLei, que as bonificações são adquiridas a custo zero nas datas das subscrições ou aquisições a que correspondem, estendendose tal definição para todas e quaisquer bonificações emergentes das participações societárias originariamente havidas a partir de 1983, mesmo aquelas havidas após a sua revogação, mas originárias das participações societárias mantidas pelo Contribuinte desde 1983. Com efeito, se o recebimento das bonificações relativas às aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983 está isento do imposto nada mais racional tenha o DecretoLei nº 1.510/76 disposto que elas só podem ser computadas a custo zero, ou seja, tais bonificações não podem ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas. Por sua vez, não se aplica ao presente caso, a alegação do D. Julgador "a quo" de que, em face do disposto no parágrafo único, do Art. 10 da Lei nº 9.249/95, no caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Sem, razão o recorrente. A meu ver correto o entendimento do julgador a quo, o Parecer Normativo CST nº 68/77, que tinha caráter interpretativo, considerou as regras vigentes à época de sua emissão. Não se pode esquecer que a cada alteração da legislação há necessidade de nova interpretação à luz dos dispositivos então vigentes. E nesse aspecto, estou de acordo com os argumentos esboçados no acórdão recorrido, por isso, adotoos como razões de decidir: Verificase que a autuada considerou que as bonificações, mesmo que distribuídas posteriormente a 31/12/1983, estariam Fl. 1510DF CARF MF 28 isentas por terem origem daquelas que supostamente gozavam de isenção. De fato, o artigo 5o do Decretolei nº 1.510/1976 trazia regramento para apuração do ganho de capital, especialmente sobre o rateio das bonificações, tanto que remetia ao artigo 1o, ambos revogados pela Lei nº 7.713/1988. Já o Parecer Normativo CST nº 68/1977, ato normativo de caráter interpretativo, tinha o propósito de esclarecer o tratamento a ser dado às bonificações recebidas e a forma de cômputo delas na apuração de eventuais ganhos de capital. Referido artigo definia que para efeitos da tributação do artigo 1o do mesmo DecretoLei, as bonificações são adquiridas a custo zero nas datas das subscrições ou aquisições a que correspondem, mas a validade do dispositivo perdurou até a vigência da lei revogadora, Lei nº 7.713/1988. Portanto, desde 1º de janeiro de 1989 o tratamento tributário a ser considerado em relação às bonificações possui regramento nos §§ 3o e 4o do artigo 16 da Lei nº 7.713/1988: Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: (...) § 3o No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4o O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. Por sua vez, o parágrafo único do artigo 10 da Lei nº 9.249/1995 estabelecia a forma de cálculo do custo de aquisição das ações distribuídas em decorrência do aumento do capital por incorporação do lucro e de reservas, como segue: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Fl. 1511DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.492 29 Disto depreendese que não há qualquer razão legal para ratear as bonificações adquiridas posteriormente a 31/12/1983 na forma estabelecida pelo Decretolei nº 1.510/1976 visto que no regramento tributário atual as bonificações/quotas distribuídas pela empresa mediante incorporação de lucros ou reservas são consideradas ações novas cujo custo de aquisição é dado em função da origem das reservas que resultaram na distribuição das ações a titulo de bonificação. (grifei) Acrescento que, se compararmos os trechos do revogado art. 5º do Decretolei nº 1.510/76, e os parágrafos 3º e 4º do art. 16 da Lei nº 7.713/1988, iremos ver que a troca da palavra "bonificações" por "participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação", nos dará a certeza de que esses aumentos de capital originam novas participações, e não são filhotes, como entende o recorrente. Decretolei nº 1.510/76 Lei nº 7.713/1988 Art 5º Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1º deste Decretolei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art. 16 [...] § 3o No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4o O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. O argumento do recorrente, de que as bonificações emergentes das participações societárias originariamente havidas a partir de 1983, eram computadas a custo zero, e que isso se estenderia às bonificações decorrentes daquelas participações, mesmo após a revogação do DecretoLei de isenção, fazme relembrar o histórico da legislação sobre a tributação dos lucros distribuídos, brilhantemente narrado pelo ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, relator do Processo 12448.736152/201135, Acórdão nº 9202003.700, julgado em 27 de janeiro de 2016, e que aqui é trazido para esclarecer ao recorrente da razão de àquela época as bonificações serem computadas a custo zero, e porque, posteriormente, passaram a compor o custo das participações pelo valor da capitalização decorrente dos lucros acumulados: Para fins de contextualização histórica da questão, cumpre referir que, nos termos da legislação anteriormente vigente, a capitalização de lucros, assim como a distribuição de ações bonificadas, não tinha qualquer efeito na determinação do custo de aquisição da participação societária dos proprietários da pessoa jurídica. Com efeito, naquele período: o lucro distribuído era passível de tributação; e Fl. 1512DF CARF MF 30 consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias não era alterado quando da capitalização de lucros pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado como igual a zero. Nesse sentido, cabe referência aos arts. 727 e 810 do Decreto 1.041, de 1994. (a) Art. 727 — lucros distribuídos até 1988 eram tributados: Art. 727. Os dividendos, bonificações em dinheiro, lucros e outros interesses, apurados em balanço de periodobase encerrado até 31 de dezembro de 1988, pagos por pessoa jurídica, inclusive sociedade em conta de participação, a pessoa física residente ou domiciliada no Pais, estão sujeitos à incidência de imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de (DecretosLeis n°s 1.790/80, art. 1o, 2.065/83, art. 1o, 1, a, e 2.303/86, art. 7oparágrafo único): ... (b) Art. 810 — o custo de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucro era igual a zero: Art. 810. O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital... § 2o O custo é considerado igual a zero (Lei n° 7.713/88, art. 16, §4e): a) no caso de participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros ou reservas, apurados até 31 de dezembro de 1988; Reparase aqui a coerência dos dispositivos acima referidos. Como, na época, a distribuição de lucros era tributada, a capitalização do lucro não alterava o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro capitalizado seria alcançado pelo ganho de capital. Ora, a partir de 1996, temos uma clara mudança de tratamento na distribuição de lucro, que passou a não ser tributada, nem na fonte, nem na declaração de ajuste, nos termos do disposto no art. 10, da Lei nº 9.249, de 1995. Assim: o lucro distribuído deixou de ser tributado; e consequentemente, o custo de aquisição das participações societárias passou a ser alterado quando da capitalização de lucros distribuíveis pela pessoa jurídica, inclusive no caso de distribuição de ações bonificadas, cujo valor de aquisição devia ser considerado igual ao desse lucro capitalizado. A seguir, encontrase reproduzido o caput do art. 10 da Lei n° 9.249, de 1995, e seu respectivo parágrafo. [...] Fl. 1513DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.493 31 Reparase. da mesma forma que no sistema vigente anteriormente, a coerência dos dispositivos acima referidos. Como a distribuição de lucros deixou de ser tributada, a capitalização do lucro distribuível passou a alterar o custo de aquisição da participação societária. Assim, quando a participação societária fosse alienada, o valor do lucro (distribuível isento e capitalizado) não seria alcançado pelo ganho de capital. Como se percebe, as bonificações tinham um motivo para serem computadas a custo zero, que era permitir a tributação dos lucros quando as participações societárias fossem alienadas; posteriormente quando o lucro distribuído passou a ser isento, o custo de aquisição das participações decorrentes dos aumentos de capital por incorporação de lucros passou a ser a parcela do lucro capitalizado, ou seja elas deixaram de ser computadas a custo zero. Essa disposição também constava nos revogados arts. 1º e 5º do DecretoLei nº 1.510/76: Art 1º O lucro auferido por pessoas físicas na alienação de quaisquer participações societárias está sujeito à incidência do imposto de renda, na cédula "H" da declaração de rendimentos.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) [...] Art 5º Para os efeitos da tributação prevista no artigo 1º deste Decretolei, presumese que as alienações se referem às participações subscritas ou adquiridas mais recentemente e que as bonificações são adquiridas, a custo zero, às datas de subscrição ou aquisição das participações a que corresponderem.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Veja que, o custo zero a que se refere o art. 5º é aplicável para os efeitos do art. 1º, que tratava da tributação do lucro auferido pelas pessoas físicas, e não à alínea "d" do art. 4º desse Decreto lei. Portanto, não vejo fundamento na afirmação do recorrente de que o DecretoLei tenha estabelecido que as bonificações decorrentes de aquisições e subscrições originariamente havidas em 1983 devem ser computadas com custo zero e por isso não poderiam ser consideradas nova aquisição ou nova subscrição de quotas. O que entendo é que, a lei revogadora trouxe uma nova sistemática para a apuração do custo de aquisição das participações societárias e respectivo ganho de capital quando da alienação dessas participações, e foi justamente a legislação vigente à época dos fatos geradores que o Auditor Fiscal corretamente aplicou, qual seja, o § 3º do Art. 16 da Lei nº 7.713/1988, que também está disposto no parágrafo único, do Art. 10 da Lei nº 9.249/95. Cabe aqui esclarecer, conforme se verifica do Anexo I do TVF (efls. 22/23), que nem todas as novas subscrições/aquisições de novas quotas após 31.12.83 consideradas Fl. 1514DF CARF MF 32 pela fiscalização são unicamente oriundas de ações bonificadas, qual seja: participações no capital social oriundas de incorporações de reservas e/ou lucros. Verificase, como exemplos, nas alterações contratuais 37ª Alteração do Contrato Social (31/03/2003, efs. 1018/1023), no valor de R$ 3.100.000,00 e 41ª Alteração do Contrato Social (14/11/2007, efls. 1068/1072), no valor de R$ 8.367.160,95, um aumento do capital social, por meio de uma subscrição particular de novas quotas. Conforme já esclarecido, em sede de preliminar, quando ocorre um aumento de capital social da Comercial Guilherme Mamprim Ltda, mediante subscrição particular de novas quotas, subscritas única e exclusivamente pela sócia controladora FASPAR S/A, como por exemplo o ocorrido com a 37ª Alteração Contratual e 41ª Alteração do Contrato Social, aumenta também o patrimônio pessoal de cada sócio, apesar de não alterar a participação dos sócios na sociedade. Quanto à tese da defesa de que a Recorrente havia se retirado da empresa Comercial Guilherme Mamprim Ltda., em 30/12/1996, tal tema já foi amplamente debatido em sede preliminar. Assim sendo, entendo no sentido de reconhecer a isenção do IR sobre o ganho de capital na alienação das cotas adquiridas até 31.12.83, contudo não extensivo às subscrições/aquisições de novas quotas após 31.12.83 (seja por meio de ações bonificadas ou subscrição particular de novas quotas), tendo em vista o não preenchimento das condições prevista no DL n°1.510/76. Prevendo a possibilidade de prevalecer a tese do contribuinte de direito adquirido à isenção do DecretoLei n° 1.510/76, a auditoria fiscal de forma zelosa demonstrou as quotas do capital social que o contribuinte possuiu por mais de cinco anos na vigência do DecretoLei n. 1.510/1976, qual seja: · 4.735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim; · 4.520 quotas das empresas Frango Assado Suleste, Frango Assado Norte e Frango Assado Sudoeste As questões postas pelo Recorrente quanto à conclusão da fiscalização de que apenas 4.735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim e 4.520 quotas do quotas das sociedades empresárias Frango Assado Suleste, Frango Assado Norte e Frango Assado Sudoeste alienadas pelo contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do DecretoLei n. 1.6510/76, já foram amplamente debatidas na preliminar de nulidade, portanto, não serão objeto de reanálise. Ressaltese que os quadros/demonstrativos de evolução patrimonial das quotas detidas pelo Contribuinte no Termo de Verificação Fiscal e seus Anexos, estão em total consonância com as questões de mérito ora decidas. Diante do exposto, concluo que apenas 4.735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim e 4.520 quotas das sociedades empresárias Frango Assado Suleste, Frango Assado Norte e Frango Assado Sudoeste alienadas pelo contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do DecretoLei n. 1.6510/76, conforme quadro abaixo: Fl. 1515DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.494 33 Da Apuração do Ganho de Capital Tendo em vista que a fiscalização não considerou como válida a tese jurídica do direito adquirido à isenção do DecretoLei n. 1.510/76, com advento da Lei 7.713/88, logo não considerou como isenta do imposto de renda pessoa física nenhuma quota das empresas em questão no cálculo do ganho de capital, conforme se verifica do quadro abaixo: Esclareçase que tal procedimento foi realizado dentro da estrita legalidade, uma vez que a tese jurídica do direito adquirido à isenção do DecretoLei n. 1.510/76 há muito vem sendo motivo de discussões tanto na esfera judicial como administrativa, sendo que, apenas em junho/2018, a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, por meio do Ato Declaratório PGFN n. 12/2018, encampou tal tese. Isto posto, o reconhecimento desta decisão de que apenas 4.735 quotas da Comercial Guilherme Mamprim e 4.520 quotas das sociedades empresárias Frango Assado Suleste (1.634), Frango Assado Norte (1.685) e Frango Assado Sudoeste (1.201 quotas) alienadas pelo contribuinte teriam sido de sua titularidade pelo período de cinco anos durante a vigência do DecretoLei n. 1.510/76, não gera nenhuma nulidade, seja parcial ou total, segundo já posto na preliminar de nulidade. Por outro lado, deverá ser reduzido percentualmente no ganho de capital calculado pela fiscalização, o quantitativo de ações consideradas isentas do imposto de renda, por esta decisão, conforme quadro abaixo: Pessoa Quotas Quotas subscritas/adquiridas até 31/12/1983 Jurídica Alienadas Comercial 765.500 4.735 Frango Norte 8.350 1.685 Frango Sudoeste 5.950 1.201 Frango Suleste 8.100 1.634 Fl. 1516DF CARF MF 34 Denúncia espontânea. Multa de ofício. Juros à taxa Selic A Recorrente arrazoa que, antes do início do procedimento fiscal, Izildinha Rovere Chiquetto declarou expressamente a alienação da totalidade das quotas e participações societárias que detinha nas sociedades do Grupo “Frango Assado”, e a comissão paga à “IGC Partners”, tendo apurado e informado corretamente o ganho de capital decorrente da operação, que foi lançado como rendimentos isentos e não tributáveis, conforme Declaração de Ajuste Anual do AnoCalendário de 2008, e não agiu com máfé, por entender que tinha direito adquirido à isenção do imposto de renda, nos termos do art. 4º, alínea “d”, do Decretolei nº 1.510, de 27/12/1976, e ainda com a existência de decisões administrativas e judiciais reconhecendo seu direito adquirido ao benefício fiscal decorrente desse dispositivo legal, não podendo ser penalizada com aplicação de multas confiscatórias e juros de mora. Cita o art. 138 do CTN, e interpreta que não há obrigatoriedade de pagar o tributo declarado para que reste caracterizada a denúncia espontânea, e a expressão "se for o caso", não tem o significado dado pelo julgador a quo, nem concorda com a afirmação deste de que teria efetuado a classificação indevida de rendimentos, e diz não se aplicar ao caso a norma do art. 841 do RIR, porque não fez declaração inexata, nem omitiu qualquer elemento sobre a alienação de quotas e participações societárias, e deixou de efetuar o recolhimento porque baseado em dispositivo legal, doutrina e jurisprudência. Cita jurisprudência e doutrina sobre denúncia espontânea e inexigibilidade de multa punitiva, e sobre o entendimento de que a multa moratória tem natureza punitiva. Arrazoa ser ilegítima a aplicação da multa de ofício de 75% e aos juros de mora em percentual equivalente à taxa SELIC. Não assiste razão à defendente, a perda da espontaneidade se deu em 02/02/2010 (efls. 42), data em que o recorrente tomou ciência do Termo de Início do Procedimento Fiscal, nos termos do parágrafo único do art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) e do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972: Código Tributário Nacional Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento Pessoa Juridica Quotas Alienadas Quotas Isentas Percentual das Quotas Isentas Ganho de Capital Calculado Fiscalização (R$) Parcela Isenta (R$) Ganho de Capital após dedução das quotas isentas (R$) Comercial Frango 765.500 4.735 0,6186% 6.082.495,05 37.626,31 6.044.868,74 Frango Norte 8.350 1.685 20,1778% 577.961,04 116.619,82 461.341,22 Frango Sudoeste 5.950 1.201 20,1778% 570.040,40 115.021,61 455.018,79 Frango Suleste 8.100 1.634 20,1778% 328.549,68 66.294,09 262.255,59 Carvalho Pinto 600 0,00 0,00 425.003,83 0,00 425.003,83 Total 788.500 9.255 7.984.050,00 7.648.488,15 Fl. 1517DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.495 35 administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (Grifouse) Decreto nº 70.235/72 Art. 7º O procedimento fiscal tem início com:(Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (Grifouse) Portanto, conforme dispositivos acima transcritos, enquanto estiver abrigado sob o manto da espontaneidade, o sujeito passivo poderá confessar débitos não declarados, retificar declarações e formular consultas, ficando a salvo da imposição de multa de ofício desde que efetue o recolhimento dos tributos devidos com os acréscimos moratórios cabíveis. Excluída, por outro lado, a espontaneidade do interessado, ele ficará sujeito à imposição de multa de ofício, ainda que reconheça a procedência do lançamento. Da mesma forma, não serão acolhidas como eficazes as declarações entregues após o início da ação fiscal, conforme art. 147, § 1º do CTN: “A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento”. Portanto, o início do procedimento de fiscalização, mediante termo próprio ou qualquer outro ato escrito que o caracterize, retira do sujeito passivo a espontaneidade em denunciar irregularidades para os fins de declarar e retificar declarações referentes aos tributos objeto do procedimento fiscal a que está submetido. Izildinha Rovere Chiquetto ao informar em sua Declaração de Ajuste Anual (DAA) como isento rendimento que não estava alcançado pelo instituto da isenção, deixou de oferecêlo à tributação, e, consequentemente, não houve o recolhimento do imposto devido, portanto, não se trata de caso de denúncia espontânea. Esclarecese ainda à impugnante que, a responsabilidade por infrações fiscais independe da intenção do agente, conforme art. 136 do Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Fl. 1518DF CARF MF 36 Em relação ao argumento do recorrente de que é ilegal a multa de ofício, lembro que a este Conselho não é dado se pronunciar sobre ilegalidade e inconstitucionalidade de Lei em plena vigência, ou deixar de aplicála, nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto à alegação sobre juros à taxa Selic, a questão se encontra pacificada neste Conselho, sendo objeto da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF n° 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Da Intimação do Procurador Em relação ao pedido para que as intimações relativas ao presente processo sejam encaminhadas ao representante legal do Contribuinte, ressaltese que o art. 23 do Decreto nº 70.235/72 determina que a ciência dos atos praticados no curso do processo administrativo fiscal seja efetivada no domicílio eleito pelo sujeito passivo, correspondente ao endereço fornecido à administração tributária para fins cadastrais. Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifo nosso) Nesse sentido, o Decreto nº 70.235/1972 não contempla a intimação no endereço do advogado do contribuinte, tema que já é objeto de súmula por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF n°110 Fl. 1519DF CARF MF Processo nº 10830.721981/201174 Acórdão n.º 2202005.044 S2C2T2 Fl. 1.496 37 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Da mesma forma, não existe previsão legal para que possíveis publicações no Diário Oficial referentes ao presente Processo Administrativo Fiscal, caso ocorram, sejam feitas em nome da representante legal da Contribuinte. Deste modo, deve ser indeferido o pleito do Contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares, e no mérito, darlhe parcial provimento, no sentido de reconhecer a isenção do IR sobre o ganho de capital na alienação das cotas adquiridas até 31.12.83, não extensivo as subscrições/aquisições de novas quotas após 31.12.83, reduzindo a base de cálculo do ganho de capital de R$ 7.984.050,00 para R$ 7.648.488,15. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 1520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722878/2011-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2002-000.867
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente RENATO DE ABREU MAUTONI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 28 78 /2 01 1- 89 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10640.722878/201189 Acórdão n.º 2002000.867 S2C0T2 Fl. 82 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 24/27), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2010. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$3.468,01 para saldo de imposto a pagar de R$6.005,25. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no montante de R$9.226,35, consignando: De acordo com a DIRF extraída do Sistema Informatizado da Receita Federaldo do Brasil, e comprovante de rendimento apresentado, o valor da pensão descontada foi de R$41.735,67, e 13º salário de R$1.722,80, cuja tributação é exclusiva, e como o contribuinte declarou o valor de R$50.735,67, a diferença de R$8.826,35 será glosada, sendo a DIRPF, anocalendário 2009, será alterada. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 28/7/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 3/8/2011, às fls. 2/16 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: [...]Para se defender da cobrança considerada indevida, anexa na presente impugnação uma cópia do desconto feito em seu salário de aposentado durante o ano de 2009dois mil e nove, exatamente do valor glosado, isto é, R$9.226,35 Nove mil duzentos e vinte e seis reais e trinta e cinco centavos), feito pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, a favor dos s/assistidos na Pensão Alimentícia Judicial, e como diz o doc.anexo (OS ASSISTIDOS QUE PAGAM PENSÃO ALIMENTÍCIA SOBRE O BENFÍCIO DO INSS FORA DO CONVÊNIO, ATRAVÉS DA REDE BANCÁRIA, TÊM O DIREITO A DEDUÇÃO DESTE MONTANTE EM SUA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O MONTANTE DA VERBA C409INSS PAGA FORA DO CONVÊNIO, TRANSITADO EM SUA FOLHA DE PAGAMENTO DURANTE O ANO DE 2009 FOI DE R$9.226,35NOVE MIL DUZENTOS E VINTE E SEIS REAIS E TRINTA E CINCO CENTAVOS), ESTE VALOR NÃO CONSTA NO QUADRO 3 DA LINHA 04 DO FORMULÁRIO ENCAMINHADO PELA PREVI.) A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 33/36): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10640.722878/201189 Acórdão n.º 2002000.867 S2C0T2 Fl. 83 3 Anocalendário: 2009 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. A dedução a título de pensão alimentícia está condicionada a existência de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e à comprovação de seu efetivo pagamento. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 13/3/2015 (fl. 40), o contribuinte, em 26/3/2015 (fl. 42), apresentou recurso voluntário, às fls. 42/78, no qual explica que seria aposentado do Banco do Brasil e, a partir de 2009, teria passado a receber benefício do INSS fora do convênio, sobre o qual também teria incidido pensão judicial. Indica a juntada de suas folhas de pagamento, que comprovariam suas alegações. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a pensão judicial declarada pelo recorrente, em favor de Joana Darc Mautoni, no montante de R$50.962,02 (fl.21), parcialmente glosada na autuação por falta de comprovação. A decisão recorrida manteve a glosa, consignando: 8. A fim de alicerçar sua defesa, o contribuinte anexou o documento apócrifo, carreado à fl. 8 dos autos, que se constitui em uma declaração que teria sido emitida pela Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), no qual consta a informação de que o valor glosado pela fiscalização seria, na realidade, o desconto da pensão alimentícia sobre o benefício pago pelo INSS. 9. Pois bem, cabe ressaltar, inicialmente, que o referido documento possui reduzido valor probatório, eis que sequer foi assinado. 10. Ademais, como se verifica na DAA entregue pelo impugnante (fl. 19), foram declarados rendimentos auferidos tão somente da Previ, nos valores constante do Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte apresentado (fl. 12), nada sendo informado quanto a recebimento de benefício do INSS. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10640.722878/201189 Acórdão n.º 2002000.867 S2C0T2 Fl. 84 4 11. Cabe ainda destacar que o CPF do impugnante não foi incluído na Dirf apresentada pelo INSS no ano em questão (2009)1 e o contribuinte não apresentou nenhum documento emitido pelo INSS que possa comprovar sua alegação, tais como a Carta de Concessão do Benefício ou o Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Em sua defesa, o recorrente junta suas folhas de pagamento, que ratificam o valor da pensão judicial declarado por ele (fls.51/77, rubricas "INSS P.A. PAGA FORA CONVÊNIO" e "PENSÃO ALIMENTÍCIA S/ PREVI"). Dessa feita, é de se cancelar a glosa. Conclusão Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
