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Numero do processo: 10730.723265/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 25/04/2011
Ementa:
REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. REPETRO. PRAZOS. CONTRATO DE AFRETAMENTO.
De acordo com os artigos 8º § 1º da IN RFB 844/2008 e 10-§ 2º - Inciso II da IN SRF 285/2003, o prazo de duração do Regime de Admissão temporária de embarcações, que operam no Brasil para empresas habilitadas no REPETRO, é aquele que consta do contrato de afretamento da embarcação.
ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. RETROATIVIDADE.
O Ato Declaratório executivo visa tão somente reconhecer uma situação, ou um direito preexistente, e desta forma não se enquadra no conceito das normas complementares de direito tributário, pois não visam complementar tratados, leis ou decretos, por isso não obedecem aos mesmos prazos de vigência daqueles.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
À autoridade administrativa cabe tão somente verificar o cumprimento da legislação tributária de regência, ao passo que a adequação desta aos princípios constitucionais ou às normas gerais de direito tributário são de competência exclusiva da instância judicial. Incabível desta forma a análise das questões relativas à violação Princípios Constitucionais da boa-fé, da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-004.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.O Conselheiro Marcelo Costa Marques D Oliveira julgou-se suspeito e foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Rodolfo Tsuboi, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 25/04/2011 Ementa: REGIME DE ADMISSÃO TEMPORÁRIA. REPETRO. PRAZOS. CONTRATO DE AFRETAMENTO. De acordo com os artigos 8º § 1º da IN RFB 844/2008 e 10§ 2º Inciso II da IN SRF 285/2003, o prazo de duração do Regime de Admissão temporária de embarcações, que operam no Brasil para empresas habilitadas no REPETRO, é aquele que consta do contrato de afretamento da embarcação. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. RETROATIVIDADE. O Ato Declaratório executivo visa tão somente reconhecer uma situação, ou um direito preexistente, e desta forma não se enquadra no conceito das normas complementares de direito tributário, pois não visam complementar tratados, leis ou decretos, por isso não obedecem aos mesmos prazos de vigência daqueles. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. À autoridade administrativa cabe tão somente verificar o cumprimento da legislação tributária de regência, ao passo que a adequação desta aos princípios constitucionais ou às normas gerais de direito tributário são de competência exclusiva da instância judicial. Incabível desta forma a análise das questões relativas à violação Princípios Constitucionais da boafé, da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 32 65 /2 01 3- 11 Fl. 469DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 467 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.O Conselheiro Marcelo Costa Marques D Oliveira julgouse suspeito e foi substituído pelo Conselheiro Rodolfo Tsuboi. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Rodolfo Tsuboi, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 409 a 430) interposto pelo Contribuinte, em 20 de maio de 2014, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 16055.572 (fls. 388 a 398), de 20 de fevereiro de 2014, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) – DRJ/SP1 – que decidiu julgar improcedente a Impugnação (fls. 53 a 75), mantendo o crédito tributário exigido no presente processo. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Tratase de processo de crédito tributário lançado através de auto de infração (fls. 02 a 09), lavrado contra a empresa ASTROMARITIMA NAVEGAÇÃO S/A., CNPJ 42.487.983/000182, doravante denominada impugnante, no valor de R$ 9.640.960,00 ( Nove milhões, seiscentos e quarenta mil e novecentos e sessenta reais ). O crédito lançado referese ao multa prevista no artigo 72 Inciso I, da Lei nº 10833/2003. O Auto de Infração As infrações levantadas contra a impugnante encontramse no Campo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, (fls 03 a 06). Consta dos fatos mencionados no auto de infração, que a impugnante submeteu ao Regime Aduaneiro Especial de Exportação e Importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (REPETRO), previsto na Lei n° 9.478/97, à época regulamentado pelo Decreto 4.543/2002 e aplicado em conformidade com o estabelecido na Instrução Normativa SRF n° 04/2001, uma embarcação inicialmente denominada "REM BÁLDER", Fl. 470DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 468 3 depois renomeada de "NORMAND TITAN” destinada ao apoio às atividades de pesquisa, exploração, perfuração, produção e estocagem de petróleo ou gás natural. A concessão do regime suspensivo se deu com o desembaraço da Declaração de Importação n° 07/14088883, em 16/10/2007, para cumprimento dos contratos firmados com a PETROBRAS S.A. de n°s 2050.0030633.07.2 (afretamento) e 2050.0030 634.07.2 (serviços), respaldados pela emissão do Ato Declaratório Executivo DIANA/7ª RF n° 260/2007. Para garantia dos tributos foi apresentado o Termo de e n° 2372/11, com validade até 15/05/2011. Em 26/01/2011, foi firmado o Aditivo n° 06 ao Contrato n° 2050.0030633.07.2, onde a impugnante beneficiária do regime suspensivo, cedeu totalmente à empresa SOLSTAD OFFSHORE LTDA; CNPJ: 10.708.419/000156, todos os seus direitos e obrigações decorrentes do citado contrato celebrado com a PETROBRAS S.A. Consoante ao referido Aditivo n° 06, foi publicado o Ato Declaratório Executivo DIANA/SRRF7ª RF n° 155, de 22/05/2011, fixando o termo final do benefício de utilização do regime de REPETRO para a impugnante. em 25/01/2011, data da efetiva cessão de direitos. Tendo findo o prazo do regime suspensivo concedido à impugnante, esta foi chamada pela RFB, através da Intimação Fiscal 353/2011, a informar sob qual regime encontravase a embarcação amparada no período entre 16/05/2011 e 17/08/2011, assim como a apresentar a respectiva Ordem de Serviço e cópias das Notas Fiscais referentes aos serviços prestados no período questionado. A ciência da referida intimação se deu em 16/09/2011. Após um pedido de prorrogação do prazo para apresentar os documentos solicitados, a impugnante informou a ocorrência da já conhecida cessão de direitos e deveres em favor da SOLSTAD OFFSHORE LTDA. e que esta havia solicitado a transferência de beneficiário do regime junto à DRF/Macaé em 05/05/2011 através do Processo n° 12747.720011/201126. Diante das informações prestadas pela impugnante a fiscalização concluiu que: Destarte o sistema eprocesso indicar que o processo 12747.720011/2011 26 somente foi protocolizado em 10/05/2011, a ASTROMARÍTIMA NAVEGAÇÃO S.A. tinha ciência de que não era mais a beneficiária do REPETRO desde 26/01/2011, quando acordou a cessão dos direitos e deveres para a SOLSTAD, não devendo supor que ainda os detinha pelo prazo fixado no Termo de Responsabilidade n° 2372/11, fato este corroborado com a publicação do ADE/DIANA/7ª RF n° 155/2011, alterando a data de vigência do regime suspensivo para o contrato de afretamento e depois com o ADE/DIANA n° 206/2011 que incluiu o contrato n° 2050.0030 634.07.2, de serviços, com a mesma data de vigência. Visto que os procedimentos objetivando a transferência de beneficiário com a consequente extinção do regime anterior, segundo o que dispõem os artigos 25, inciso IV, §§ 1º, 6º; 27, inciso I, §§ 2°, 3º e 4º da Instrução Normativa RFB n° 844/08, deveriam ser requeridos dentro do prazo fixado para permanência do bem no pais, e que este foi alterado para 25/01/2011, em função do Aditivo n° 06 ao contrato de n° 2050.0030633.07.2, configurase o descumprimento aos requisitos, condições e prazos estabelecidos no regime Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 469 4 aduaneiro especial, sendo lavrado o presente Auto de Infração para imposição da penalidade prevista no artigo 72, inciso I, da Lei n° 10.833/03. Com base nas conclusões mencionadas, foi então lavrado o auto de infração por descumprimento dos requisitos do regime de admissão temporária, com base no artigo 72, Inciso I da Lei 10833/2003. Foi descumprido o requisito previsto no artigo 15 da IN SRF 285/2003, que prevê que as providências para a extinção do regime deverá ser adotada dentro do prazo de duração do regime. A ciência ao auto de infração foi dada em 29/04/2013. Foi apresentada impugnação tempestiva em 29/05/2013. A Impugnação A impugnante em sua defesa trata dos seguintes temas: Interpretação Incorreta de Cláusula do Contrato de Cessão de Direitos Alega a impugnante que a Receita Federal interpretou de forma incorreta a Cláusula Primeira do Aditivo no 6 celebrado entre a Petrobras e a impugnante, que prevê a Cessão de todos os direitos e obrigações constantes do Contrato 2050.0030633.07.2 à empresa SOLSTAD OFFSHORE LTDA. Segundo a impugnante, a interpretação dada pela RFB entende que ela foi excluída do contrato com a assinatura do referido aditivo, contudo isso não correspondeu à realidade pois: o Aditivo do Contrato previu solidariedade entre a impugnante e a SOLSTAD OFFSHORE LTDA. as transferências de embarcações em regimes especiais são complexas, demandando uma série de etapas, e desta forma após a cessão dos bens admissíveis, a nova empresa não se torna necessariamente operadora da embarcação; relatórios de Medição confirmam que a impugnante era a responsável pela operação da embarcação; resposta formal da Petrobrás à Receita Federal (documento 12); confirma a operação da embarcação NORMAND TITAN pela impugnante até 29/04/2011. que mesmo com a adoção das providências para a extinção do regime dentro do prazo fixado para permanência no país, a Receita lavrou o auto de infração ora impugnado; Ainda com referência ao contrato, com base no o artigo 117 do Código Tributário Nacional, alega que é claro o posicionamento da doutrina de que o fato gerador dos tributos somente ocorre quando a condição suspensiva for implementada, uma vez que a condição suspensiva impede que o negócio fique acabado, suspenso. Sobre o tema menciona que o fato de haver uma solidariedade prevista em contrato, causa da continuidade das operações da embarcação pela impugnante, mostra que havia uma condição suspensiva na cessão das obrigações e dessa forma não poderia a RFB afirmar que a impugnante não era efetivamente a Empresa Responsável pela operação da embarcação. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 470 5 Retroatividade do Ato Declaratório em prejuízo da contribuinte Sobre o tema alega que o Ato Declaratório Executivo nº 155 de 24 de maio de 2011, jamais poderia retroagir seus efeitos para que a impugnante fosse autuada, e desta forma desrespeitou o previsto no artigo 5º da Constituição e seus incisos XXXVI e XL e os artigos 100 e 103 do Código Tributário Nacional. Ainda sobre o tema menciona que pelo fato de ser solidária conforme previsto no termo aditivo, a impugnante continuou habilitada ao regime de Admissão Temporária/Repetro ao contrário do que entendeu a RFB; Menciona ainda que as decisões da COANA, referentes a análise de recursos de indeferimento de Habilitação ao Repetro, que dão procedência aos recursos, não autorizam a habilitação ao Repetro com data retroativa ao primeiro pedido. Por ultimo cita o artigo 106 do CTN; Violação aos Princípios da Boa Fé. Da Segurança Jurídica e da Verdade Material Alega a impugnante que a Receita Federal do Brasil somente publicou o ADE retroagindo o Termo Final do Deferimento ao Regime Repetro em 24 de maio de 2011, fato que mostra a violação do princípio da boa fé e o princípio da segurança jurídica. Que em obediência ao princípio da verdade material não pode a administração deixar de examinar as provas apresentadas pela impugnante, entre as quais os relatórios de medição e confirmação da Petrobrás acerca da continuidade da impugnante como responsável pela operação de embarcação, mesmo após a cessão. Reitera que na prática a Cessão do Contrato de Afretamento n o 2050.0030633.072 não ocorreu na data da assinatura (26/01/2011). Menciona que houve demora na disponibilização dos documentos assinados pela PETROBRAS, que o fez com data retroativa, fato que levou a um entendimento errôneo da data do contrato e à lavratura do auto de infração. Ofensa aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade Alega que a multa de quase dez milhões de reais, decorrente de infração ora impugnada viola os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Cita trechos do acórdão 30333.283 do Conselho de Contribuintes que entende que a administração deve atentar os Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade; A impugnante finaliza sua defesa concluindo que a efetiva Cessão Contratual não ocorreu no dia 26/01/2011; é ilegal a retroatividade do Ato Declaratório no..... todas as providências necessárias a comunicação da cessão contratual foram adotadas tempestivamente pela impugnante; Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 471 6 a autuação impugnada viola os princípios da boa fé, segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e do ato jurídico perfeito. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 11 Turma da DRJ/SP1, que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 16055.572 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 25/04/2011 REPETRO PRAZOS Da observância aos artigos 8o § 1º da IN RFB 844/2008 e 10§ 2ºInciso II da IN SRF 285/2003, temos que o prazo de duração do Regime de Admissão temporária de embarcações, que operam no Brasil para empresas habilitadas no REPETRO é aquele que consta do contrato de afretamento da embarcação, não cabendo ao caso nenhuma outra interpretação. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO – RETROATIVIDADE. O Ato Declaratório executivo visa tão somente reconhecer uma situação, ou um direito preexistente, e desta forma não se enquadra no conceito das normas complementares de direito tributário, pois não visam complementar tratados, leis ou decretos, por isso não obedecem aos mesmos prazos de vigência daqueles. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS À autoridade administrativa cabe tão somente verificar o cumprimento da legislação tributária de regência, ao passo que a adequação desta ao s princípios constitucionais ou às normas gerais de direito tributário são de competência exclusiva da instância judicial. Incabível desta forma a análise das questões relativas à violação Princípios Constitucionais da Igualdade, da Razoabilidade, da Proporcionalidade, do Não Confisco e da Capacidade Contributiva pela autoridade julgadora administrativa. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido No Recurso Voluntário o Contribuinte repisa e reforça os argumentos expostos quando da Impugnação e aponta: (i) uma correta interpretação da Cláusula que define a data da cessão do contrato e a efetiva data de assinatura do aditivo nº 6 (alega solidariedade); Fl. 474DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 472 7 (ii) que existe a seu favor Ato Declaratório Executivo e que não pode retroagir Ato Declaratório Executivo em seu prejuízo; (iii) que não se pode violar os princípios da boafé, da segurança jurídica e da verdade material; e, por fim, (iv) que há uma ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Requer assim que seja conhecido e provido o seu recurso para julgar improcedente o auto de infração que estabeleceu multa de 10% sobre o valor aduaneiro da embarcação “Normand Titan”. O crédito lançado que se refere a multa tem por base o previsto na Lei nº 10.833/2003: Art. 72. Aplicase a multa de: I – 10% (dez por cento) do valor aduaneiro da mercadoria submetida ao regime aduaneiro especial de admissão temporária, ou de admissão temporária para aperfeiçoamento ativo, pelo descumprimento de condições, requisitos ou prazos estabelecidos para aplicação do regime; e (...) Em relação a interpretação correta da Cláusula do Contrato de Cessão de Direitos e a efetiva data de assinatura do aditivo 6º assim se pronuncia o Contribuinte (fls. 413 e seguintes): Fl. 475DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 473 8 Reforça ainda que além da solidariedade existente entre a recorrente e a Solstad Offshore Ltda e que as transferências de embarcações em regimes especiais são complexas (a nova empresa não se torna necessariamente operadora da embarcação), que os relatórios de Medição e da resposta da Petrobras à Receita Federal demonstram que a recorrente era a responsável pela operação da embarcação. Assim expõe (fls. 417): Diante de tais alegações cabe verificar o disposto na Instrução Normativa nº 844 (REPETRO), de 9 de maio de 2008: Art. 1º O regime aduaneiro especial de exportação e de importação de bens destinados às atividades de pesquisa e lavra das jazidas de petróleo e de gás natural (Repetro), instituído pelo Decreto no 4.543, de 26 de dezembro de 2002 , será aplicado em conformidade com o estabelecido nesta Instrução Normativa. (...) Art. 3º O Repetro admite a possibilidade, conforme o caso, de utilização dos seguintes tratamentos aduaneiros: (...) Fl. 476DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 474 9 III concessão do regime especial de admissão temporária, quando se tratar de bens estrangeiros ou desnacionalizados que procedam diretamente do exterior. (...) Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1o; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1o, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.070, de 13 de setembro de 2010 ) § 3º Quando a pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1o não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens, observado o disposto na legislação específica. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.070, de 13 de setembro de 2010 ) (...) Art. 7° O requerimento para habilitação ao Repetro deverá ser dirigido ao titular da unidade da RFB que jurisdicione o estabelecimento matriz do interessado, instruído com os documentos que comprovem o atendimento dos requisitos estabelecidos nos arts. 5º e 6º e com a relação de filiais que utilizarão o regime. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.284, de 23 de julho de 2012 ) Art. 8º A habilitação ao Repetro, assim como a eventual prorrogação de habilitação, serão outorgadas por meio de Ato Declaratório Executivo (ADE) da autoridade mencionada no caput do art. 7o e terá validade nacional. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB no 1.284, de 23 de julho de 2012 ) § 1º A habilitação de que trata o caput será outorgada pelo prazo de duração do contrato de concessão, autorização ou relacionado à prestação de serviços, conforme o caso, prorrogável na mesma medida deste. ( Renumerado pela Instrução Normativa RFB no 1.284, de 23 de julho de 2012 ). (grifouse). Assim, entendese que a habilitação ao Repetro é fornecida pelo tempo fixado pelo contrato de prestação de serviços, sendo no caso, por se tratar de embarcação, o Contrato de Afretamento, que fixa de forma clara o tempo de permanência em território nacional da embarcação. Além do previsto na legislação acima cabe citar a Instrução Normativa nº 285 de 2003 que reforça esse entendimento: Art. 6º Poderão ser submetidos ao regime de admissão temporária, com pagamento dos impostos de importação e sobre produtos industrializados, proporcionalmente ao Fl. 477DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 475 10 tempo de permanência no País, os bens destinados à prestação de serviços ou à produção de outros bens. § 1º O disposto neste artigo inclui os bens destinados a servir de modelo industrial, sob a forma de moldes, matrizes, ou chapas e as ferramentas industriais. § 2º O pagamento proporcional dos impostos incidentes de que trata este artigo não se aplica aos bens importados em caráter temporário: (...) e) até 31 de dezembro de 2007, quando destinados às atividades de pesquisa e de lavra das jazidas de petróleo e de gás natural, nos termos da norma específica que disciplina o Repetro. Art. 9º O regime de admissão temporária será concedido a pedido do interessado, pessoa física ou jurídica, que promova a importação do bem. (...) § 2º No caso de importação de bens na forma do art. 6o, a solicitação do regime farseá exclusivamente com base no RCR. § 3º A solicitação do regime será instruída com: I o TR, na forma do art. 7º; e II cópia do contrato de arrendamento operacional, de aluguel, de empréstimo ou de prestação de serviços, conforme o caso, nas hipóteses de que tratam o inciso I do § 1º e o § 2º deste artigo. Art. 10. Compete ao titular da unidade da SRF responsável pelo despacho aduaneiro a concessão do regime de admissão temporária e a fixação do prazo de permanência dos bens no País, bem assim a sua prorrogação. § 1º O prazo de permanência será fixado: I pelo prazo contratado: (redação dada pela IN SRF no 470/04 ) a) de arrendamento operacional, de aluguel, de empréstimo ou de prestação de serviços, prorrogável na mesma medida deste, na hipótese de importação para utilização econômica; (grifouse). De acordo com a legislação percebese que o regime e a habilitação ao Repetro decorre da duração do contrato de prestação de serviços. Neste sentido cito trechos do voto do acórdão recorrido como razões para decidir (fls. 395 e 396): Cita o impugnante que houve um erro na interpretação da Receita Federal quanto à data do contrato, que na prática o contrato se estendeu até maio de 2011, época em que teria transferido a operação da embarcação à empresa SOLSTAD OFFSHORE LTDA. Analisando os documentos observamos que existem dois contratos em que a impugnante aparece como contratada pela PETROBRÁS. O primeiro onde a impugnante por força do contrato 2050.0030633.073, Cláusula vigésima nona, aparece como solidária da Contratada REM MARÍTIMA AS, com sede em P.o Box 143, N6099 Fosnagav , Norway – EUA responsável pelo afretamento da embarcação. NORMAND TITÃ á Petrobrás. Foi este contrato que serviu de base para a habilitação ao Repetro e para o Regime de Admissão Temporária. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 476 11 O segundo Contrato de n o 2050.0030634.072, realizado entre a impugnante e a PETROBRÁS tem como objeto a prestação de serviços de operação da embarcação NORMAND TITÃ; Dito isto cabem aqui as seguintes considerações. O contrato referente ao afretamento da embarcação é o 2050.0030633.073 que teve o aditivo que cedeu a responsabilidade pelo afretamento em 26/01/2011. A operação da embarcação decorre das obrigações decorrentes do contrato n o 2050.0030634.072 e não pode ser utilizado como justificativa em relação a obrigação assumida no contrato de afretamento. São contratos distintos, com remunerações distintas conforme neles previstos. A operação da embarcação pela impugnante após a data de 26/01/2011, que segundo a impugnanão seria devido a solidariedade existente entre a impugnante e a SOLSTAD OFFSHORE LTDA, nova armadora, na verdade decorrre do disposto no Contrato de Prestação de Serviços. n o 2050.0030634.072, firmado entre a PETROBRÁS e a impugnante Dito isto deve também ser desconsiderada a tese de que havia uma condição suspensiva para a conclusão da cessão da responsabilidade pelo afretamento da embarcação. Sobre a cláusula de solidariedade que existe no Termo Aditivo do Contrato da PETROBRAS, temos que ela também encontrase presente no contrato inicial, onde a impugnante assume a responsabilidade solidária por força de ser a operadora da embarcação NORMAND TITÃ, clausula 28 do Contrato 2050.0030633.073. A referida Cláusula e em nenhum momento relaciona a solidariedade às obrigações decorrentes do contrato n o 2050.0030634.072. Diante do exposto, entendemos que a alegação da impugnante de que na prática não ocorreu a cessão dos diretos em 25/01/2011, deve ser desconsiderada, seja devido aos aspectos já mencionados, seja em porque o previsto na legislação de regência supra mencionada, deixa claro que para fins de habilitação ao Repetro e a Concessão do Regime de Admissão Temporária deve ser considerado o prazo previsto no Contrato de Afretamento (parágrafos 1 o e 2 o do artigo 6 o e parágrafo 1 o do artigo 8 o da IN RFB 844/2010. Sobre o aspecto da legislação de regência cabe a menção de que a impugnante no caso é a importadora de bem cujo contrato de afretamento foi realizado com empresa do exterior. Desta forma tem a admissão no regime previsto nos termos do parágrafo 3 o do artigo 5 o da IN RFB 844/2010. A IN SRF 285/2003 de Admissão Temporária que vigia à época, no seu artigo 10 parágrafo primeiro, também fixava o prazo do regime, como aquele que consta do contrato que ampara a entrada do bem no país. Finalizando esta análise sobre a data final do regime de admissão temporária, entendemos que não cabe a Administração entendimento diverso daquele que consta na legislação mencionada, de que o prazo do regime de admissão temporária no Repretro deve ser fixado como aquele previsto no contrato, e que as alegações de que o regime na prática se estendeu para depois de 25/01/2011 não são hábeis para enfrentar a disposição legal, e tem seu fundamento em operações previstas por outro contrato, que não referese ao afretamento da embarcação. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 477 12 Assim, em que pese os argumentos do Contribuinte, entendo correto o entendimento da DRJ em relação a interpretação da Cláusula do Contrato de Cessão de Direitos. Além da questão enfrentada acima o Contribuinte também alega que existe a seu favor Ato Declaratório Executivo e que não pode retroagir o Ato Declaratório Executivo nº 155 em seu prejuízo. Assim argumenta em síntese o Contribuinte (fls. 418 e seguintes): (...) Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 478 13 No que concerne a alegação do Contribuinte de que ato declaratório tenha retroagido em seu prejuízo, cito trechos da decisão ora recorrida como razões para decidir (fls. 396 e 397) que bem expressam o ocorrido: A impugnante alega que além da interpretação incorreta da clausula do referido Aditivo 06, a Receita também aplicou de forma incorreta a retroatividade de uma norma. A alegação da impugnante de que não cabe a retroatividade do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 155 de 24 de maio de 2011 ao nosso ver não procede, primeiro porque o auto de infração não se baseou no ato declaratório, uma vez que pela sua natureza este não tem caráter normativo. O auto de infração foi lavrado com base nas normas existentes à época dos fatos que disciplinavam os regimes especiais de REPETRO e de Admissão Temporária. O Ato Declaratório executivo visa tão somente reconhecer uma situação, ou um direito preexistente, e desta forma não se enquadra no conceito das normas complementares de direito tributário, pois não visam a complementar tratados, leis ou decretos, por isso não obedecem aos mesmos prazos de vigência daqueles. No caso em estudo, o ADE nº 155 de 24 de maio de 2011, retratou uma situação existente que foi o encerramento do regime de Admissão Temporária cuja beneficiária era a impugnante. O fato jurídico que determinou a extinção do regime, foi o Aditivo nº 06 para Cessão dos Direitos e Obrigações Decorrentes do Contrato 2050.0030633.07.2, sendo que a situação de extinção decorreu do disposto nos artigo 8 da IN RFB 844/2008 e do artigo 10 da IN SRF 285/2003 que prevê que o regime de Admissão Temporária e a habilitação ao Repetro tem duração equivalente ao Contrato de Fl. 481DF CARF MF Processo nº 10730.723265/201311 Acórdão n.º 3301004.741 S3C3T1 Fl. 479 14 prestação de serviços ou afretamento. Desta forma findo o contrato de afretamento que serviu de base para a concessão do Regime de Admissão Temporária, por conseqüência findase o regime. Logo não houve nenhuma norma implantada pelo ADE, nem a criação de uma situação jurídica, havendo somente no caso uma declaração do novo prazo de término do regime de Admissão Temporária, sendo que a Receita Federal poderia lavrar o auto de infração sem a publicação do ADE, apenas com o conhecimento do referido Termo Aditivo nº 6, e da constatação de que a impugnante, quando beneficiária do regime não adotou nenhuma das medidas de extinção do regime previstas no artigo 15 da IN SRF 285/2003. Diante do exposto, a publicação do ADE 155/2011 com data retroativa do término do regime de admissão temporária, não fere o princípio da IRRETROATIVIDADE das normas, posto que as normas utilizadas para reconhecer a data de 26/01/2011 como data do final do Regime em que a impugnante era beneficiária, a saber a IN SRF 285/2003 e a IN RFB 844/2008, foram editadas anteriormente à data que consta do referido ADE. (grifouse). Por fim o Contribuinte alega que não se pode violar os princípios da boafé, da segurança jurídica e da verdade material e ainda que há uma ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. No que tange ao alegado, entendo que a administração fiscal aplicou corretamente a legislação vigente, sem descurar de análise minuciosa dos fatos, ofertando ao Contribuinte o contraditório e o amplo poder de defesa e respeitandose a boa fé, a segurança jurídica e a verdade material. Como se sabe, cabe a análise dos fatos e da legislação aplicável no âmbito de julgamento administrativo, não alcançando nessa esfera a discussão sobre a aplicação de princípios. Diante do exposto, de acordo com os autos do processo e a legislação, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 482DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10936.721597/2012-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.523
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010 DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 6. 72 15 97 /2 01 2- 74 Fl. 37DF CARF MF Processo nº 10936.721597/201274 Acórdão n.º 3402005.523 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 06038.696, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10936.721597/201274 Acórdão n.º 3402005.523 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 39DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721608/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Exercício: 2004, 2005, 2006
RECURSO DE OFÍCIO NÃO PROVIDO.
Como bem observado pela DRJ, as declarações de DCTF, demonstram que a contribuinte confessou débitos referentes ao PIS e COFINS, ainda que parcialmente, relativos a todos os trimestres do ano calendário de 2004. Sendo assim, aplica-se a regra do art. 150, § 4º, do CTN.
NULIDADE DO LANÇAMENTO. OMISSÃO DO ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal encontra-se devidamente motivado, com descrição dos fatos precisa e detalhada, tanto que a matéria foi plenamente compreendida pela autuada, eventual omissão no enquadramento legal não é suficiente para eivar de nulidade o Auto de Infração, e muito menos caracterizar cerceamento do direito de defesa. O que aparenta nos autos é que o Recorrente não foi bem representada no curso do processo administrativo, tanto que precisou lançar mão de um "Recurso Aditivo". Entretanto, a eventual falha na sua representação não inquina de nulidade o procedimento que seguiu os estritos termos legais.
PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES RECURSAIS.
As razões recursais são praticamente idênticas às razões de Impugnação, em nada inovando ou questionando especificamente a decisão recorrida. Entretanto, mais de 03 anos após a interposição do referido recurso voluntário, o contribuinte apresenta "Razões Aditivas do Recurso Voluntário" que, em verdade, acaba se apresentando como um novo recurso, inovando em alegações e fundamentos. O Regimento do CARF é absolutamente claro quanto a estas situações, tal qual o RPAF que em seu art. 16 veda a inovação de tese defensiva salvo exceções legais. Permitir que o contribuinte apresente novo recurso sempre que mudar sua representação processual é fazer da lide administrativa inesgotável. E de fato, entendo que o caso concreto não se amolda a nenhuma das exceções previstas, razão pela qual entendo ter-se operado a preclusão.
COBRANÇA PARCIAL EM DUPLICIDADE. ABATIMENTO. A realização de diligência comprovou a existência de CDAs que exigem parte do crédito exigido no presente lançamento. Não se trata de fato novo, entretanto, não se pode negar que a Receita Federal como própria exeqüente também tinha ciência do fato. Cumpre ressaltar que a não consideração de tais valores não inquina de nulidade o lançamento, vez que é possível realizar facilmente o abatimento dos valores não considerados, e foi o Recorrente quem deu causa à cobrança de parte dos tributos que foram confessados mas não pagos. Deve ser acolhido o resultado da diligência para abater os valores identificados.
EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS VOLUNTARIAMENTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO.
Os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte, em resposta à intimação. Assim, não há que se falar em quebra de sigilo bancário.
INFORMAÇÕES Bancárias. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. Mesmo que fosse o caso, a utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO.
A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta-corrente, cuja origem não seja comprovada, presumem-se receitas omitidas. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita.
BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. CRÉDITOS DE REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE.
Baseou-se a Fiscalização na escrituração da contribuinte, corroborada pelos DACON apresentados, do qual foram considerados todos os créditos de regime da não cumulatividade informado, razão pela qual não cabe revisão do lançamento.
NOVENTENA. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. A cobrança não-cumulativa da Cofins, instituída na edição da Medida Provisória nº 135, publicada em Edição Extra do DOU de 31 de outubro de 2003, convertida posteriormente na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passou a surtir efeitos apenas a partir de 1º de fevereiro de 2004, em obediência ao princípio constitucional da noventena.
ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados.
DA MULTA DE OFÍCIO.
Apurado imposto suplementar e efetuado lançamento de ofício, cabe exigi-lo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos.
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do
respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Exercício: 2004, 2005, 2006
LANÇAMENTO REFLEXO. DECORRENTE DO MESMO FATO.
Aplica-se a mesma decisão ao COFINS, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.
Numero da decisão: 1401-002.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para deduzir do presente lançamento os valores já recolhidos pelo contribuinte, nos termos do relatório de diligência de efls. 2.137/2.139.Acordam, ainda, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Daniel Ribeiro Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Exercício: 2004, 2005, 2006 RECURSO DE OFÍCIO NÃO PROVIDO. Como bem observado pela DRJ, as declarações de DCTF, demonstram que a contribuinte confessou débitos referentes ao PIS e COFINS, ainda que parcialmente, relativos a todos os trimestres do ano calendário de 2004. Sendo assim, aplica-se a regra do art. 150, § 4º, do CTN. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OMISSÃO DO ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal encontra-se devidamente motivado, com descrição dos fatos precisa e detalhada, tanto que a matéria foi plenamente compreendida pela autuada, eventual omissão no enquadramento legal não é suficiente para eivar de nulidade o Auto de Infração, e muito menos caracterizar cerceamento do direito de defesa. O que aparenta nos autos é que o Recorrente não foi bem representada no curso do processo administrativo, tanto que precisou lançar mão de um "Recurso Aditivo". Entretanto, a eventual falha na sua representação não inquina de nulidade o procedimento que seguiu os estritos termos legais. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES RECURSAIS. As razões recursais são praticamente idênticas às razões de Impugnação, em nada inovando ou questionando especificamente a decisão recorrida. Entretanto, mais de 03 anos após a interposição do referido recurso voluntário, o contribuinte apresenta "Razões Aditivas do Recurso Voluntário" que, em verdade, acaba se apresentando como um novo recurso, inovando em alegações e fundamentos. O Regimento do CARF é absolutamente claro quanto a estas situações, tal qual o RPAF que em seu art. 16 veda a inovação de tese defensiva salvo exceções legais. Permitir que o contribuinte apresente novo recurso sempre que mudar sua representação processual é fazer da lide administrativa inesgotável. E de fato, entendo que o caso concreto não se amolda a nenhuma das exceções previstas, razão pela qual entendo ter-se operado a preclusão. COBRANÇA PARCIAL EM DUPLICIDADE. ABATIMENTO. A realização de diligência comprovou a existência de CDAs que exigem parte do crédito exigido no presente lançamento. Não se trata de fato novo, entretanto, não se pode negar que a Receita Federal como própria exeqüente também tinha ciência do fato. Cumpre ressaltar que a não consideração de tais valores não inquina de nulidade o lançamento, vez que é possível realizar facilmente o abatimento dos valores não considerados, e foi o Recorrente quem deu causa à cobrança de parte dos tributos que foram confessados mas não pagos. Deve ser acolhido o resultado da diligência para abater os valores identificados. EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS VOLUNTARIAMENTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte, em resposta à intimação. Assim, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. INFORMAÇÕES Bancárias. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. Mesmo que fosse o caso, a utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em conta-corrente, cuja origem não seja comprovada, presumem-se receitas omitidas. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. CRÉDITOS DE REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. Baseou-se a Fiscalização na escrituração da contribuinte, corroborada pelos DACON apresentados, do qual foram considerados todos os créditos de regime da não cumulatividade informado, razão pela qual não cabe revisão do lançamento. NOVENTENA. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. A cobrança não-cumulativa da Cofins, instituída na edição da Medida Provisória nº 135, publicada em Edição Extra do DOU de 31 de outubro de 2003, convertida posteriormente na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passou a surtir efeitos apenas a partir de 1º de fevereiro de 2004, em obediência ao princípio constitucional da noventena. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. DA MULTA DE OFÍCIO. Apurado imposto suplementar e efetuado lançamento de ofício, cabe exigi-lo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO REFLEXO. DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplica-se a mesma decisão ao COFINS, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.
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Como bem observado pela DRJ, as declarações de DCTF, demonstram que a contribuinte confessou débitos referentes ao PIS e COFINS, ainda que parcialmente, relativos a todos os trimestres do ano calendário de 2004. Sendo assim, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN. NULIDADE DO LANÇAMENTO. OMISSÃO DO ENQUADRAMENTO LEGAL. DESCRIÇÃO PRECISA DOS FATOS. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal encontrase devidamente motivado, com descrição dos fatos precisa e detalhada, tanto que a matéria foi plenamente compreendida pela autuada, eventual omissão no enquadramento legal não é suficiente para eivar de nulidade o Auto de Infração, e muito menos caracterizar cerceamento do direito de defesa. O que aparenta nos autos é que o Recorrente não foi bem representada no curso do processo administrativo, tanto que precisou lançar mão de um "Recurso Aditivo". Entretanto, a eventual falha na sua representação não inquina de nulidade o procedimento que seguiu os estritos termos legais. PRECLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE NOVAS RAZÕES RECURSAIS. As razões recursais são praticamente idênticas às razões de Impugnação, em nada inovando ou questionando especificamente a decisão recorrida. Entretanto, mais de 03 anos após a interposição do referido recurso voluntário, o contribuinte apresenta "Razões Aditivas do Recurso Voluntário" que, em verdade, acaba se apresentando como um novo recurso, inovando em alegações e fundamentos. O Regimento do CARF é absolutamente claro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 16 08 /2 00 9- 89 Fl. 2176DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 quanto a estas situações, tal qual o RPAF que em seu art. 16 veda a inovação de tese defensiva salvo exceções legais. Permitir que o contribuinte apresente novo recurso sempre que mudar sua representação processual é fazer da lide administrativa inesgotável. E de fato, entendo que o caso concreto não se amolda a nenhuma das exceções previstas, razão pela qual entendo terse operado a preclusão. COBRANÇA PARCIAL EM DUPLICIDADE. ABATIMENTO. A realização de diligência comprovou a existência de CDAs que exigem parte do crédito exigido no presente lançamento. Não se trata de fato novo, entretanto, não se pode negar que a Receita Federal como própria exeqüente também tinha ciência do fato. Cumpre ressaltar que a não consideração de tais valores não inquina de nulidade o lançamento, vez que é possível realizar facilmente o abatimento dos valores não considerados, e foi o Recorrente quem deu causa à cobrança de parte dos tributos que foram confessados mas não pagos. Deve ser acolhido o resultado da diligência para abater os valores identificados. EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS VOLUNTARIAMENTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte, em resposta à intimação. Assim, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. INFORMAÇÕES Bancárias. UTILIZAÇÃO. QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. Mesmo que fosse o caso, a utilização de informações bancárias obtidas junto às instituições financeiras constitui simples transferência à administração tributária, e não quebra, do sigilo bancário dos contribuintes, não havendo, pois, que se falar na necessidade de autorização judicial para o acesso, pela autoridade fiscal, a tais informações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. A instituição de uma presunção pela lei tributária transfere ao contribuinte o ônus de provar que o fato presumido pela lei não aconteceu em seu caso particular. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os depósitos em contacorrente, cuja origem não seja comprovada, presumemse receitas omitidas. Como bem ressaltado na decisão recorrida, a partir de 1° de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários cuja origem não seja comprovada, foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. CRÉDITOS DE REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. Baseouse a Fiscalização na escrituração da contribuinte, corroborada pelos DACON apresentados, do qual foram considerados todos os créditos de regime da não cumulatividade informado, razão pela qual não cabe revisão do lançamento. NOVENTENA. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. A cobrança nãocumulativa da Cofins, instituída na edição da Medida Provisória nº 135, publicada em Edição Extra do DOU de 31 de outubro de 2003, convertida posteriormente na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de Fl. 2177DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721608/200989 Acórdão n.º 1401002.503 S1C4T1 Fl. 2.174 3 2003, passou a surtir efeitos apenas a partir de 1º de fevereiro de 2004, em obediência ao princípio constitucional da noventena. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos regularmente editados. DA MULTA DE OFÍCIO. Apurado imposto suplementar e efetuado lançamento de ofício, cabe exigilo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO REFLEXO. DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplicase a mesma decisão ao COFINS, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para deduzir do presente lançamento os valores já recolhidos pelo contribuinte, nos termos do relatório de diligência de efls. 2.137/2.139.Acordam, ainda, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Fl. 2178DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Abel Nunes de Oliveira Neto, Claudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Brasília(DF), que julgou parcialmente procedente a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte, para manter em parte o crédito tributário exigido. Foram lavrados contra o interessado os Autos de Infração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, atinentes aos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$27.494.886,12, assim discriminados por exação fiscal: Segundo apurou a Fiscalização, “a fiscalizada optou indevidamente pelo lucro presumido, por ter ultrapassado o limite de receita bruta de R$48.000.000,00 nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006”. Ciente da autuação fiscal, o interessado apresentou IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA em 29/09/2009 (fls. 362 /424), na qual alegou: 1. DA DECADÊNCIA: Aduz que “o lançamento por homologação obedece a regra decadencial disposta pelo art. 150, § 4º do CTN. Tendo em vista que a ciência do auto de infração deuse em 28/09/2009, restam fulminados pela decadência os lançamentos relativos aos fatos geradores dos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, abrangendo até o dia 28 de setembro de 2004”. 2. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – IRPJ/CSLL: Afirma que “por presunção, a autoridade fiscal apontou a existência das infrações de “Resultados Operacionais Não Declarados” e “Opção Indevida de Lucro Presumido”. Tratase de presunções relativas, das Fl. 2179DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721608/200989 Acórdão n.º 1401002.503 S1C4T1 Fl. 2.175 5 quais as autoridades fiscais não podem simplesmente considerar hipóteses, é preciso que se apure o quantum e a natureza da receita eventualmente omitida. Deve a Fiscalização lançarse de provas robustas, ou seja, caso os indícios indiquem omissão de receitas, caberá à autoridade provar quem teria sido o adquirente os bens ou o tomador dos serviços prestados. Por isso, o trabalho do fiscal não poderá basearse somente em fatos e considerações de determinado momento; caso estes possam ser provados posteriormente, não devem ser desconsiderados”. 3. DO ERRO QUANTO A CAPITULAÇÃO DA INFRAÇÃO – IRPJ/CSLL: Afirma que “no que concerne ao comando do art. 46 da Lei nº 10.637/2002, capitulação legal posta no auto de infração, verificase que não consigna qualquer norma que obrigue o impugnante a promover a apuração do lucro real. Na realidade, a legislação concede o direito ao contribuinte de optar pelo regime de tributação. Além disso, o auto de infração encontrase com enquadramento genérico, vez que a capitulação legal diz respeito apenas ao recolhimento do IRPJ e CSLL com base no lucro real; no entanto, trata o lançamento fiscal ainda de glosa de custos de notas fiscais, glosa de diferenças de valores escriturados a maior, sem qualquer embasamento normativo. Nesse sentido, resta caracterizado o cerceamento ao direito de defesa do contribuinte. Assim, considerando que o auto de infração apresentase defeituoso, prejudicando seu entendimento, cabe a nulidade do lançamento fiscal”. 4. DO ARBITRAMENTO IRPJ/CSLL: Diz que “a base de cálculo do lucro real é o lucro contábil, ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação. Receita bruta admite deduções, como vendas canceladas, descontos incondicionalmente concedidos e impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador ou contratantes, e do qual o vendedor dos bens ou prestador dos serviços seja mero depositário. Tendo em vista que receita não é fato gerador de IRPJ, nem de CSLL, resta evidenciado equívoco da autuação, quando a autoridade fiscal promoveu o arbitramento sobre o valor da receita da impugnante. Não se encontra razão para que a autoridade fiscal tenha desconsiderado a escrita fiscal, que foi devidamente apresentada pela impugnante, e promovido a apuração do IRPJ e CSLL com base em arbitramento e não em apuração do lucro real. Nesse sentido, comprovado o flagrante equívoco do lançamento conferido com base em arbitramento, a impugnante requer a realização de perícia contábil, para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, tendo por regime o lucro real anual”. 5. DA TRIBUTAÇÃO SOBRE PATRIMÔNIO. NÃO CONSIDERAÇÃO DOS CUSTOS. Afirma que “o auto de infração deve ser cancelado tendo em vista a infringência do art. 142 do CTN, dos princípios da reserva legal, da segurança jurídica, da intimidade da vida privada, do direito adquirido e do ato jurídico perfeito, Fl. 2180DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 previstos na Lei Maior. No que concerne ao imposto de renda, não há renda, nem proventos, sem que haja acréscimo patrimonial, sendo que meras presunções, indícios, constituemse em elementos insuficientes para caracterizar a ocorrência do fato gerador, de modo a impor aos contribuintes o recolhimento de qualquer tributo, sobretudo o lançamento decorrente de depósitos bancários que não demonstram acréscimo patrimonial. Ademais, o lançamento de ofício não levou em consideração qualquer custo da atividade da impugnante, tendo incidido sobre a totalidade das pretensas receitas, o que configura tributação sobre o patrimônio e não sobre a renda, o que afronta o princípio da capacidade tributária e do nãoconfisco”. 6. DA ILEGALIDADE DA QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Afirma que “a intimidade e a vida privada devem ser observados, ao se tratar do acesso de dados relativos às pessoas, conforme o art. 5º, incisos X e XII da Constituição Federal. A Lei Complementar nº 105/2001, que permite a quebra de sigilo bancário pelo fisco, condiciona a quebra o sigilo bancário à existência prévia de processo administrativo instaurado, ou procedimento fiscal em curso, e a indispensabilidade do exame de dados a juízo da autoridade competente, assim, se houver outros meios de concluir o processo administrativo tributário ou dar sequência ao procedimento fiscal, não cabe quebra de sigilo. Se há motivos para que esses dados sigilosos sejam levados ao conhecimento da fiscalização, deve o sopesamento desses valores ser feito pelo Poder Judiciário, porque imparcial. Ainda, não há qualquer disposição legal, sem sentido estrito, prevendo o procedimento para a quebra do sigilo bancário, o que existe é o Decreto nº 3.724/2001, o que torna claro que o legislador confundiu regulamento de texto legal, para sua fiel execução, com a regulamentação de matéria reservada à lei. Somese aos fatos a inoperância da Lei nº 10.174/2001, que autorizou ao fisco a utilização de dados da CPMF. Ora, se a CPMF foi extinta a partir de 01/01/2008, não há texto de lei prevendo o acesso ao sigilo bancário, vez que a análise da movimentação bancária decorria da análise da CPMF, que já não existe mais”. 7. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO SERVEM DE SUPEDÂNEO PARA A PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS: Afirma que “há inadequação presente na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996, posto que entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos não há uma correlação lógica direta e segura, sendo que, a Súmula 182 do extinto TRF demonstra quanto é precipitada a tentativa de se elevar os simples depósitos ao plano de presunção de receitas omitidas. Por sua vez, a fiscalização parte do pressuposto de que toda a movimentação financeira, ainda que tais dados tenham sido obtidos ilicitamente, constituem receita para fins de apuração dos tributos lançados. Todavia, os depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda e proventos, não há comprovação do nexo causal entre os depósitos e o fato que representa a omissão de rendimentos”. Fl. 2181DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721608/200989 Acórdão n.º 1401002.503 S1C4T1 Fl. 2.176 7 8. DO PIS E DA Cofins. Diz que “a fiscalização não considerou nenhuma das hipóteses de exclusões ou deduções da base de cálculo das contribuições, assim como não levou em conta nenhuma das hipóteses de creditamento do regime não cumulativo previsto nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, inclusive o crédito referente ao registro da entrada das mercadorias, motivo pela qual se requer perícia contábil para promover a devida apuração das contribuições. Ainda, há inobservância do princípio da noventena na aplicação do regime não cumulativo da Cofins”. 9. DA MULTA: Diz que “a multa de 75% é indevida, assume caráter de abuso do poder fiscal, sendo confiscatória. Não há qualquer causa legítima ou legal para tal confisco tributário, que fere de morte o art. 150, inciso IV, da CF/88. Assim, cabe a mitigação da multa para 30%, tendo em vista a colaboração da impugnante ao disponibilizar todos os documentos e livros fiscais de que dispunha”. 10. Requereu a nulidade do auto de infração, julgando improcedente. Requereu a mitigação da multa ao percentual não inferior a 30%. O Acórdão ora Recorrido (0334.790 2ª Turma da DRJ/BSB) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. PRAZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tendo se constatado pagamento espontâneo pelo sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150,§ 4º, do CTN. EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS VOLUNTARIAMENTE. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Os extratos bancários foram fornecidos pelo próprio contribuinte, em resposta à intimação. Assim, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. CRÉDITOS DE REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. Baseouse a Fiscalização na escrituração da contribuinte, corroborada pelos DACON apresentados, do qual foram considerados todos os créditos de regime da não cumulatividade informado, razão pela qual não cabe revisão do lançamento. Fl. 2182DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 NOVENTENA. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. A cobrança nãocumulativa da Cofins, instituída na edição da Medida Provisória nº 135, publicada em Edição Extra do DOU de 31 de outubro de 2003, convertida posteriormente na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passou a surtir efeitos apenas a partir de 1º de fevereiro de 2004, em obediência ao princípio constitucional da noventena. DA MULTA DE OFÍCIO. Apurado imposto suplementar e efetuado lançamento de ofício, cabe exigilo juntamente com a multa aplicada aos demais tributos. PRINCIPIOS CONSTITUCIONAIS. Não cabe a órgão administrativo apreciar argüição de legalidade ou constitucionalidade de leis ou mesmo de violação a qualquer princípio constitucional de natureza tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplicase à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins o disposto em relação ao lançamento do PIS, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Isto porque, segundo entendimento da Turma “no caso específico, da análise dos autos do processo, verificase que as informações referentes aos depósitos bancários obtidas pela Fiscalização foram fornecidas pela própria contribuinte. O “Termo de Retenção Livros de Documentos”, de fls. 40, cita, expressamente, que foram retidos para efeito de auditoria os extratos bancários em “Meio magnético em CD – AG 3382 e CC – 112208”. Por sua vez, o “Termo de Devolução de Livros e Documentos” de fls. 357 indica que foram devolvidos, para a contribuinte, “Arquivos Magnéticos em CDs; extratos bancários de 2003 a 2006”. Nesse sentido, resta demonstrado que os dados bancários foram fornecidos pela contribuinte em resposta à intimação, de modo espontâneo. Não se efetivou, portanto, a “quebra de sigilo bancário”, reclamada pela impugnante, razão pela qual restam superadas as argumentações da impugnante sobre o ponto em discussão”. Decidiu ainda que “Não encontra ressonância, portanto, nenhuma argumentação da impugnante, no que se refere ao aproveitamento de créditos do regime não cumulativo, ou quanto a deduções ou exclusões cabíveis na receita bruta. Baseouse a Fiscalização em informações disponibilizadas pela própria contribuinte, em sua escrituração e nas DACON encaminhadas à Receita Federal. Para a contribuinte requerer aproveitamento de outros créditos, não declarado nos DACON, deveria ter apresentado documentação probatória pertinente, e não se pautar em meras alegações. No que concerne à noventena, cumpre esclarecer que a cobrança não cumulativa da Cofins foi instituída, originariamente, por ocasião da edição da Medida Provisória nº 135, publicada em Edição Extra do DOU de 31 de outubro de 2003, que foi convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003”. Fl. 2183DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721608/200989 Acórdão n.º 1401002.503 S1C4T1 Fl. 2.177 9 Ciente da decisão do Acórdão que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário em 31/03/2010 (fls. 1.751/1.768), em que basicamente reitera PARTE das suas alegações de impugnação, quais sejam: 1. DA APURAÇÃO DO PIS E COFINS INEXISTÊNCIA DE APURAÇÃO PELO REGIME NÃOCUMULATIVO: Afirma que as receitas excluídas do regime de incidência nãocumulativa também deveriam ter sido observadas quando da realização do lançamento do auto de infração, mas não foram, restando escandalosa a cobrança posta no AIIM impugnado. (...) A PJ sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o Pis/Pasep, em relação apenas à parte de suas receitas, deve apurar crédito apenas em relação aos estoques vinculados às receitas sujeitas à incidência não cumulativa. 2. DO PRAZO DE NOVENTENA: Ressalta que “a fiscalização tributa pelo regime nãocumulativo o mês de fevereiro de 2004, quando é certo que referida legislação instituidora da nãocumulatividade somente teve vigência após expirado o prazo de noventena, consoante jurisprudência colacionada”. 3. DA MULTA APLICADA: Diz que “a multa de 75% é indevida, assume caráter de abuso do poder fiscal, sendo confiscatória. Não há qualquer causa legítima ou legal para tal confisco tributário, que fere de morte o art. 150, inciso IV, da CF/88. Assim, cabe a mitigação da multa para 30%, tendo em vista a colaboração da impugnante ao disponibilizar todos os documentos e livros fiscais de que dispunha”. 4. Requereu "a realização de pericia contábil, tendente a averiguar e contabilizar os valores das notas fiscais nos autos, vez que são dedutores da base de cálculo do Pis e da Cofins". 5. No mérito, requereu "a procedência do Recurso voluntário para modificar em parte o acordão recorrido, declarando a total improcedência da autuação fiscal". Às fls. 1770/1771 – Acordão de nº 310100.973 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – em que não se reconheceu do Recurso Voluntário interposto, “ em virtude de o presente recurso tratarse de matéria alheia às competências da Seção”, com isso houve declínio de competência em favor da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Fl. 2184DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Compete à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais julgar os recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância que versem sobre exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. DECLINADA A COMPETÊNCIA. Às fls. 1812 a 2059 Petição do Contribuinte – RAZÕES ADITIVAS ao RECURSO VOLUNTÁRIO, trazendo os seguintes argumentos: a) DA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA – CERCEAMENTO DE DEFESA — PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CONTIDO NO AUTO DE INFRAÇÃO DE FLS. 04/33 DEVER DE CONTROLE DA LEGALIDADE DA LEI PROCESSUAL TRIBUTÁRIA – INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO: Diz “que em sede preliminar de nulidade do auto de infração, por violação de norma processual, na sua mais ampla acepção, se dá por ausência do cumprimento do estrito dever legal, qual seja: não aplicação dos artigos 147, § 2°, do CTN; e 289, § 1°, do RIR/99, art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718/98 e arts. 1° e 2°, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03”. b) DA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL: Afirma que “as despesas glosadas pela fiscalização são pontuais e perfizeram o valor de R$ 1.349.600,00, que não chega a corresponder a 1% do movimento comercial e financeiro da Recorrente, inclusive se a elas somadas as duas notas fiscais apontadas pelo juízo de piso. Entretanto, quanto às ilações formuladas acerca dos demais documentos juntados aos autos, não é demais lembrar que a escrituração faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, nos termos do artigo 26 do Dec. N° 7.574/11, bem assim que cabe a autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados, o que não ocorreu em relação aos demais documentos”. “Nem mesmo a decisão de primeira instância teve elementos para verificar se os cálculos realizados pela fiscalização encontramse escorreitos, pois também não tiveram acesso aos documentos que demonstram de que forma chegaram a tais valores lançados. A Credibilidade da própria decisão de primeira instância encontrase em risco, pois desprovida dos elementos indispensáveis à realização de uma análise criteriosa, impessoal e plausível”. c) DO AUFERIMENTO DE FATURAMENTO E DE RECEITA BRUTA. CONTEÚDOS ECONÔMICOS DISTINTOS: Diz que “nessa perspectiva para a legislação que trata do IRPJ e CSLL a quem interessa o resultado (lucro), a receita é tida como conceito relacional, eis que vinculado ao regime de competência, instituído pela ciência contábil, cujo enunciado pressupõe o cotejamento entre receitas e custos, em função do lapso temporal a que competem, sendo irrelevante que as receitas tenham ou não sido recebidas, ou os custos efetivamente pagos, para tanto bastando que as receitas se apresentem como realizadas e os custos como incorridos”. Fl. 2185DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721608/200989 Acórdão n.º 1401002.503 S1C4T1 Fl. 2.178 11 d) Do ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. REPERCUSSÃO GERAL. INCONSTITUCIONALIDADE. NULIDADE DO FEITO. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA: Afirma que “a decisão de primeira instância deveria, no cumprimento de seu desiderato, afastar da base de cálculo do PIS e da Cofins todas as receitas não compreendidas no conceito de faturamento, consoante definição semântica atribuída pelo Poder Judiciário, com o intuito de sanear a irregularidade cometida pela fiscalização que ignorou tal referência. E que, “a fiscalização entendeu que o critério temporal para o ingresso da receita, repitase, assim entendido como o faturamento, ocorre mediante o registro contábil das receitas, porém â luz do principio da competência, o que é um grande equivoco, pois implica no pagamento de contribuições sobre receitas não operacionais e não recebidas pela pessoa jurídica, o que distorce o conceito de faturamento, por conseguinte da base de cálculo do PIS e da Cofins. Portanto, vendas efetuadas a prazo não compreende a definição de faturamento, pois não significa ingresso de receita, imediato, autônomo, e definitivo. Logo, não pode fazer parte do elenco de contas albergadas pelo faturamento”. Requereu “o acolhimento do Termo Aditivo ao Recurso Voluntário como parte dele integrante para, preliminarmente, postular perante esse i. Colegiado pelo reconhecimento das questões de NULIDADE em face do auto de infração seja por vício formal, ou mesmo material, ou ainda por cerceamento de direito, inclusive da decisão de primeira instância, posto que incompatível com o julgamento do mérito”. Requereu ainda, “a NULIDADE do auto de infração, nos termos dos artigos 12, II e 14 do Decreto n° 7.574/11, inclusive da decisão de primeira instância, eis que não pode prosperar o lançamento ilíquido”. Requereu por fim, “a conversão do julgamento em diligência/perícia à repartição de origem para a apuração de todos os valores que deixaram de ser considerados pela fiscalização quando do lançamento da exação, e de serem examinados pelo juízo a quo, que deram causa a iliquidez do lançamento, cuja exação não pode ser exigida”. Às fls. 2.061/2.065 dos autos – MANIFESTAÇÃO DA FAZENDA NACIONAL: 1. Afirma que “não há previsão regimental para apresentação de razões aditivas ao recurso voluntário. Ao contrário, o regimento interno do CARF é claro ao dispor que o contribuinte tem o prazo peremptório de 30 dias para insurgirse contra a decisão de primeira instância que lhe foi desfavorável, ocasião em que deve expor todos os argumentos de fato e de direito que militam em favor de sua tese. Ultrapassado tal prazo, em face da preclusão, é vedado ao sujeito passivo pretender complementar sua defesa, com a apresentação de novas alegações e juntada de novos documentos, salvo situações excepcionais, previstas no art. 16 do Decreto nº 70.235/72”. – O que não seria a hipótese in casu. Fl. 2186DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 2. Diz que “no que toca à alegada cobrança em duplicidade, por suposta exigência no presente auto de infração de valores que já estariam sendo cobrados pela União por meio de execução fiscal, cabe destacar que se observa, de plano, que o montante cobrado na presente autuação é muito superior ao constante nas certidões de dívida ativa indicadas e, ainda, que várias das CDAs apontadas referemse a PIS e COFINS, contribuições que não são objeto da presente autuação. Todavia, a análise acerca de eventual correlação existente entre as duas cobranças, bem como sobre possível consideração dos valores constantes em CDA na apuração do débito do presente lançamento só pode ser realizada pela unidade de origem”. 3. Requereu o acolhimento das razões expostas para que “sejam desentranhados dos autos a petição protocolada pelo contribuinte em 08/10/2013, bem como os documentos que a acompanham”. Às fls. 2068/2080 – Petição do Contribuinte (Novas razões aditivas): 1. Afirmando que “do processo n° 10166.721607/200934 consta apenas um despacho de encaminhamento destinado A APOIO/COCAT/PGFN/DF/MF, em 18/10/2013, para ciência dos seguintes documentos: Relatório CDA'S e razões Aditivas ao Recurso Voluntário (fls. 2007), documentos estes que jamais deveriam transitar por aquele órgão, posto que a competência para anuir acerca dos Termos Aditivos ao Recurso Voluntário é exclusiva do Colegiado integrante da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção de Julgamento”. 2. E que (...) “descabidos, portanto despiciendos são os argumentos erigidos pela representação fazendária e apresentados por meio das peças de fls. 2008/2012 referentes ao processo n° 10166.721607/200934, e de fls. 2061/2065 atinentes ao processo n° 10166.721608/200989, em oposição à apresentação dos termos aditivos ao recurso voluntário”. 3. DA DUPLICIDADE DE EXAÇÃO FISCAL: Diz que “o bis in idem é inadmissível no âmbito Direito Tributário Brasileiro, porque representa uma afronta á capacidade contributiva do contribuinte e um manifesto excesso de exação por parte da autoridade administrativa.0 ordenamento jurídico pátrio veda o enriquecimento sem causa nas relações jurídicotributárias, por conseguinte não admite a configuração do bis in idem sobre a mesma exação, o que torna o lançamento de oficio nulo de pleno direito”. (...) “Sob outro prisma o descabimento do bis in idem relacionase ao deverpoder de investigação unilateral da fiscalização, notadamente para verificação da regularidade tributária da fiscalizada, o que compreende a verificação se a cobrança do tributo devido já suplantou a esfera administrativa, uma vez que é a própria Receita Federal do Brasil, a responsável pelo controle e pelo encaminhamento dos débitos da contribuinte para a Procuradoria da Fazenda Nacional, após exaurido o prazo para a cobrança amigável”. Fl. 2187DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721608/200989 Acórdão n.º 1401002.503 S1C4T1 Fl. 2.179 13 4. Requereu “a realização de perícia de acordo com os quesitos e indicação do perito já formulados nos autos”; Às fls. 2132/2133 – Despacho de Diligência para: a) Confirmação ou não da existência de exigência de exação fiscal em duplicidade; b) Confirmação da realização de pagamentos pela contribuinte com vistas à liquidação dos débitos constantes das CDA’s elencadas nos autos, se efetuados em sua integralidade ou parcialmente; c) O acréscimo de outras informações que a Fiscalização entenda como necessárias, a título de contribuição ao deslinde da querela; d) Franquear à diligenciada a sua manifestação complementar acerca dos trabalhos realizados por ocasião da diligência, se for de seu interesse. Às fls. 2137/2139 – RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA. Às fls. 2144/2158 – PETIÇÃO DO CONTRIBUINTE: a) Requerendo o reconhecimento da existência de duplicidade de cobrança; b) Reconhecimento de error in procedendo na constituição do crédito tributário; c) Declaração de nulidade dos autos de infração; d) Reforma da decisão de primeira instancia na parte desfavorável à recorrente. É o relatório do essencial. Fl. 2188DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. No que se refere ao Recurso de Ofício, verifico que o mesmo decorre do reconhecimento parcial da decadência do crédito lançado. Isto porque, entendeu a DRJ que nos termos do Parecer PGFN/CAT nº. 1.617, de 2008, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, cujo entendimento vincula os órgãos da administração fazendária, no sentido de que, tendo havido pagamento espontâneo pelo sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial para constituição de crédito tributário relativo aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, segundo a regra expressa do art. 150, § 4º, do CTN. Contudo, caso não haja pagamento espontâneo por parte do sujeito passivo, aplicase a regra geral, do inciso I, art. 173, do CTN. Como bem observado pela DRJ, as declarações de DCTF, demonstram que a contribuinte confessou débitos referentes ao PIS e COFINS, ainda que parcialmente, relativos a todos os trimestres do ano calendário de 2004. Sendo assim, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN. As declarações de DCTF, às fls. 1718/1724, demonstram que a contribuinte confessou débitos referentes ao PIS e à Cofins, ainda que parcialmente, relativos a todos os trimestres do ano calendário de 2004. Sendo assim, aplicase a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Considerando que a ciência do lançamento deuse em 28/09/2004, e que os fatos geradores do PIS e da Cofins, consumamse em 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004, 31/08/2004, 30/09/2004, 31/10/2004, 30/11/2004 e 31/12/2004, restam decaídos os lançamentos referentes ao P.A. 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004 e 31/08/2004, para o PIS, e de P.A. de 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004 e 31/08/2004, para a Cofins. Assim, não há reparos a fazer na decisão recorrida, que tão somente aplicou o entendimento firmado pelas cortes superiores em recurso repetitivo, decisão essa que vincula o presente tribunal administrativo. Desta feita, voto pelo não provimento do Recurso de Ofício. Passo a analisar o Recurso Voluntário. Inicialmente cumpre ressaltar que, as razões recursais são praticamente idênticas às razões de Impugnação, em nada inovando ou questionando especificamente a decisão recorrida. Outrossim, mais de 03 anos após a interposição do referido recurso voluntário, o contribuinte apresenta "Razões Aditivas do Recurso Voluntário" (fls. 1812/2059) que, em verdade, acaba se apresentando como um novo recurso, inovando em alegações e fundamentos. Fl. 2189DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721608/200989 Acórdão n.º 1401002.503 S1C4T1 Fl. 2.180 15 E mais, apresenta novas razões aditivas às fls. fls. 2068/2080. O que aparenta é que houve uma mudança na representação da defesa dos interesses da contribuinte, acarretando na apresentação de nova argumentação defensiva. O Regimento do CARF é absolutamente claro quanto a estas situações, tal qual o RPAF que em seu art. 16 dispõe: Art. 16 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Como bem asseverado pela PFN, "De fato, o art. 5º, LV da Constituição Federal garante aos litigantes em processo administrativo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Ressalva, entretanto, na parte final, que o exercício desse direito deve observar os “meios e recursos a ela inerentes”. O processo administrativo fiscal é regido pelos princípios do contraditório e ampla defesa, os quais foram plenamente respeitados. Também é regido pelo princípio da verdade material e da celeridade. Este Tribunal administrativo busca alcançar a verdade material mas precisa fazêlo dando celeridade e pondo fim ao litígio administrativo. Por se tratarem de princípios, necessário se faz realizar a ponderação de valores para se chegar a uma decisão mais justa. E nessa esteira é que o próprio RPAF já excepciona as situações de admissão posterior de documentos e defesas. Permitir que o contribuinte apresente novo recurso sempre que mudar sua representação processual é fazer da lide administrativa inesgotável. Fl. 2190DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 E de fato, entendo que o caso concreto não se amolda a nenhuma das exceções previstas, razão pela qual entendo terse operado a preclusão. Outrossim, cumpre ressaltar que grande parte dos documentos apresentados nas razões aditivas são relativos a livros contábeis da empresa, que não fazem prova isoladamente. Entretanto, entendo que um fato trazido a tona na petição do contribuinte deve ser analisado e levado em consideração, qual seja, da existência de CDAs que exigem parte do crédito exigido no presente lançamento. Não se trata de fato novo, é verdade, o contribuinte já tinha ciência disso, até porque são Execuções Fiscais relativas a tributos declarados e não recolhidos. Entretanto, não se pode negar que a Receita Federal como própria exeqüente também tinha ciência do fato. Como constatado em diligência fiscal: Outrossim, poderia o agente fiscal quando da fiscalização ter considerado tais pagamentos realizados no período fiscalizado. De pronto, cumpre ressaltar que a não consideração de tais valores não inquina de nulidade o lançamento, vez que é possível realizar facilmente o abatimento dos valores não considerados. Tanto assim é que, a própria diligência já tratou de detalhar tais valores: Fl. 2191DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721608/200989 Acórdão n.º 1401002.503 S1C4T1 Fl. 2.181 17 Assim é que, desde já, entendo que deva ser acatado o resultado da diligência e deduzido do valor exigido no presente lançamento os valores exigidos do contribuinte em outros processos administrativos. Outrossim, não se pode deixar de ter em mente que foi o próprio contribuinte que deu causa ao ocorrido, razão pela qual tal fato jamais importaria em nulidade. Passo a analisar as demais razões aduzidas no Recurso Voluntário em 31/03/2010 (fls. 1.751/1.768). Alega o Recorrente em sede preliminar que o lançamento seria nulo em razão de erro no enquadramento legal e cerceamento do direito de defesa. Aduz que o enquadramento foi genérico sem condições para lhe garantir uma ampla defesa coerente. Ora, não assiste razão ao recorrente. O lançamento e o TVF são absolutamente claros quanto ao fundamento do lançamento, sendolhe assegurado direito à ampla defesa de acordo com os recursos disponíveis no processo administrativo fiscal. O que resta claro e, de certa forma confessado pelo contribuinte, é que ele não se fez bem representado ao longo do processo administrativo fiscal, tanto que precisou mudar sua representação e lançar mão de um "Recurso Voluntário Aditivo". Assim, não pode o contribuinte atribuir à autoridade lançadora a responsabilidade de uma eventual defesa mal feita. Não acolho a preliminar argüida. Quanto à preliminar de nulidade do auto em razão da tributação sobre o patrimônio, também não assiste razão ao contribuinte. O lançamento e apuração do montante devido foi feito de acordo com as disposições legais. As glosas de custos foram feitas em razão da falta de comprovação da sua existência através de documentação hábil. Fl. 2192DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 Em razão disso, também deixo de acolher a preliminar suscitada. Passo a analisar as demais razões recursais. Como já acima exposto, da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado, a exceção das preliminares já analisadas, constituise de repetição dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida, com exceção da parte relativa ao reconhecimento parcial da decadência que foi objeto de Recurso de Ofício já analisado: Extratos Bancários. Resposta à Intimação. Discorre a impugnante que a proteção da intimidade e a vida privada das pessoas, conferida pelo art. 5º, incisos X e XII da Lei Maior, não pode ser usurpada pela quebra de sigilo bancário. A Fl. 2193DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721608/200989 Acórdão n.º 1401002.503 S1C4T1 Fl. 2.182 19 Lei Complementar nº 105/2001, ao dispor sobre as duas únicas hipóteses passíveis de quebra de sigilo, não afastaria a apreciação do Poder Judiciário, imparcial, para avaliar se os dados sigilosos da movimentação bancária poderiam ser levados ao conhecimento da Fiscalização. Não haveria qualquer disposição legal, em sentido estrito, prevendo o procedimento para a quebra do sigilo bancário, sendo que, no caso do Decreto nº 3.724/2001, o legislador teria confundido regulamento de texto legal, para sua fiel execução, com a regulamentação de matéria reservada à lei. Ainda, tendo em vista a inoperância da Lei nº 10.174/2001, a partir de 01/01/2008, quando foi extinta a CPMF, não há mais nenhum texto de lei prevendo o acesso ao sigilo bancário, vez que a análise da movimentação bancária decorria da análise da CPMF, que já não existe mais. Contudo, da análise dos autos do processo, verificase que as informações referentes aos depósitos bancários obtidas pela Fiscalização foram fornecidas pela própria contribuinte. O “Termo de Retenção Livros de Documentos”, de fls. 40, cita, expressamente, que foram retidos para efeito de auditoria os extratos bancários em “Meio magnético em CD – AG 3382 e CC – 112208”. Por sua vez, o “Termo de Devolução de Livros e Documentos” de fls. 357 indica que foram devolvidos, para a contribuinte, “Arquivos Magnéticos em CDs; extratos bancários de 2003 a 2006”. Nesse sentido, resta demonstrado que os dados bancários foram fornecidos pela contribuinte em resposta à intimação, de modo espontâneo. Não se efetivou, portanto, a “quebra de sigilo bancário”, reclamada pela impugnante, razão pela qual restam superadas as argumentações da impugnante sobre o ponto em discussão. PIS. Cofins. Regime da Não Cumulatividade. Protesta a impugnante, alegando que a Fiscalização não teria considerado nenhuma das hipóteses de exclusões ou deduções da base de cálculo das contribuições, assim como não teria levado em conta nenhuma das hipóteses de creditamento do regime não cumulativo previsto nas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, inclusive o crédito referente ao registro da entrada das mercadorias, motivo pela qual requer perícia contábil para promover a devida apuração das contribuições. Ainda, haveria inobservância do princípio da noventena na aplicação do regime não cumulativo da Cofins. Não assiste razão à impugnante. Conforme esclarece a “Descrição dos Fatos”, pautouse a Fiscalização na escrituração apresentada pela própria contribuinte, para determinar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Por sua vez, tendo em vista que a contribuinte apresentou os DACON para os anos calendário de 2005 e 2006, a autoridade fiscal considerou, integralmente, todos os valores de créditos decorrentes do regime da não cumulatividade declarados pela impugnante. Fl. 2194DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 Na planilha de fls. 39, verificase demonstrativo elaborado pela Fiscalização, sendo que, para o ano calendário de 2004, podese verificar o faturamento obtido junto ao livro Razão, de cópias às fls. 55/93, e para os anos calendário de 2005 e 2006, os valores de receita bruta e dos créditos do regime da não cumulatividade encontramse nas cópias dos DACON às fls. 94/354. Não encontra ressonância, portanto, nenhuma argumentação da impugnante, no que se refere ao aproveitamento de créditos do regime não cumulativo, ou quanto a deduções ou exclusões cabíveis na receita bruta. Baseouse a Fiscalização em informações disponibilizadas pela própria contribuinte, em sua escrituração e nas DACON encaminhadas à Receita Federal. Para a contribuinte requerer aproveitamento de outros créditos, não declarado nos DACON, deveria ter apresentado documentação probatória pertinente, e não se pautar em meras alegações. No que concerne à noventena, cumpre esclarecer que a cobrança nãocumulativa da Cofins foi instituída, originariamente, por ocasião da edição da Medida Provisória nº 135, publicada em Edição Extra do DOU de 31 de outubro de 2003, que foi convertida na Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Tendo em vista a previsão da MP, dispondo que o regime da nãocumulatividade passaria a surtir efeitos apenas a partir de 1º de fevereiro de 2004, restou atendido o prazo previsto no artigo 195, § 6º, da Lei Maior, considerandose o termo inicial de 31 de outubro de 2003. Multa de Ofício. 75%. Aduz a requerente que a multa de 75% seria indevida, pois assume caráter abusivo, sendo confiscatória, em contraposição ao art. 150, inciso IV da Lei Maior, cabendo, nesse sentido, mitigação para o percentual de 30%, tendo em vista a colaboração da impugnante em disponibilizar todos os documentos e livros fiscais de que dispunha. No que concerne à multa de ofício, o percentual de 75,0% encontrase disposto no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1.996, atualmente com redação dada pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Notase, para o caso concreto, que a multa de 75% é plenamente aplicável, uma vez que a exigência foi formalizada de ofício pela autoridade fiscal e em razão de declaração inexata prestada pelo contribuinte. Fl. 2195DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721608/200989 Acórdão n.º 1401002.503 S1C4T1 Fl. 2.183 21 Destarte, considerandose que a exigência de multa de ofício de 75,0% se baseia em dispositivo legal, não cabem ser acatadas as razões de defesa apresentadas com respeito à essa questão, uma vez que a norma legal goza de presunção de validade e eficácia. Sobre a alegada ocorrência de confisco e da ofensa ao princípio da proporcionalidade, cabe ressaltar que tais princípios dirigemse àqueles que detém o poder de criar leis, que não é o caso da autoridade administrativa tributária, que apenas cumpre o que a Lei determina, aplicandoa ao caso concreto. Nesse contexto, as argüições de inconstitucionalidade de leis e de violação de princípios constitucionais deverão ser feitas perante o Poder Judiciário, cabendo à autoridade administrativa tãosomente velar pelo fiel cumprimento das leis. Assim sendo, pelo exposto, oriento meu voto pela procedência em parte da impugnação apresentada, e consequente exoneração parcial do crédito tributário exigido, em razão da decadência dos lançamentos de PIS referentes a 31/01/2004, 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004 e 31/08/2004, e Cofins relativos a 28/02/2004, 31/03/2004, 30/04/2004, 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004 e 31/08/2004, listados no quadro a seguir. (...) Ora, não há o que se modificar na decisão recorrida. Outrossim, a Recorrente não trouxe fatos novos ou atacou especificamente os fundamentos da decisão, permanecendo com alegações genéricas e que não correspondem à realidade do lançamento. O Recorrente esteve ciente durante o curso de todo o procedimento fiscalizatório das infrações e omissões que lhe foram imputados. Várias foram as intimações que demonstram claramente o procedimento adotado pelo agente fiscal. O TVF também é absolutamente claro quanto à infração imputada. Conforme restou claro no demonstrativo da diligência fiscal, o Recorrente optou indevidamente pelo Lucro Presumido, e declarou em DCTF débitos no período de aproximadamente R$ 6.000,00 mensais, quando em verdade foram apurados débitos mensais que giravam em torno de 600.000,00 reais. Em razão disso, e com base em documentos colhidos junto ao próprio contribuinte, foi identificado que o Recorrente estourou o limite de faturamento anual (48 milhões) no período fiscalizado, razão pela qual optou indevidamente pelo lucro presumido. Não houve arbitramento ou desconsideração da escrita fiscal, tendo sido descaracterizada a opção da contribuinte pelo lucro presumido, a autoridade fiscal pautouse na escrituração apresentada pela própria Recorrente, para determinar a base de cálculo do PIS e da Cofins. Fl. 2196DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 22 Por sua vez, tendo em vista que a contribuinte apresentou os DACON para os anos calendário de 2005 e 2006, a autoridade fiscal considerou, integralmente, todos os valores de créditos decorrentes do regime da não cumulatividade declarados pela impugnante. Na planilha de fls. 39, verificase demonstrativo elaborado pela Fiscalização, sendo que, para o ano calendário de 2004, podese verificar o faturamento obtido junto ao livro Razão, de cópias às fls. 55/93, e para os anos calendário de 2005 e 2006, os valores de receita bruta e dos créditos do regime da não cumulatividade encontramse nas cópias dos DACON às fls. 94/354. Também não encontra ressonância nenhuma argumentação da impugnante, no que se refere ao aproveitamento de créditos do regime não cumulativo, ou quanto a deduções ou exclusões cabíveis na receita bruta. Baseouse a Fiscalização em informações disponibilizadas pela própria contribuinte, em sua escrituração e nas DACON encaminhadas à Receita Federal. Não houve desconsideração da escrita contábil da recorrente, e muito menos arbitramento. Os custos que não foram considerados foram os não comprovados. Os documentos apresentados pelo contribuinte em sede de impugnação não guardam correlação com os valores indicados nos demonstrativos fiscais. Também não houve quebra de sigilo vez que os extratos foram fornecidos pelo próprio contribuinte. A apuração foi feita pelo regime da não cumulatividade, respeitado o período de noventena. Também, a multa aplicável é a prevista em lei e as alegações atinentes à inconstitucionalidade e confiscatoriedade da multa aplicada não podem ser apreciadas por este conselho administrativo nos termos do que dispõe a Súmula 02 do CARF. Assim, face a tudo o quanto exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso tão somente para deduzir do presente lançamento os valores já recolhidos pelo contribuinte, nos termos da diligência às fls. 2.137/2.139 Quanto aos demais argumentos, voto por negar provimento às preliminares e ao Recurso Voluntário, bem como nos termos do faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, proponho que a decisão recorrida seja mantida pelos seus próprios fundamentos, com os acréscimos aqui expostos, que apenas a ratificam. Em relação ao Recurso de Ofício, voto pelo seu não provimento, conforme razões expostas no início deste voto. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 2197DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10166.721608/200989 Acórdão n.º 1401002.503 S1C4T1 Fl. 2.184 23 Fl. 2198DF CARF MF Documento de 23 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP14.0918.16311.B5OT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DANIEL RIBEIRO SILVA em 05/06/2018 20:57:00. Documento autenticado digitalmente por DANIEL RIBEIRO SILVA em 05/06/2018. Documento assinado digitalmente por: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES em 24/07/2018 e DANIEL RIBEIRO SILVA em 05/06/2018. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 14/09/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP14.0918.16311.B5OT Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 0230A760CA69BFD410A471CFBB4912EC9D64513C4E13EA7F42D497B46CEBEFAD Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10166.721608/2009-89. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13876.720605/2012-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS. DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO.
Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado.
EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitando-se à análise da determinação da exigência de crédito tributário.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4.
Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE.
Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário.
Numero da decisão: 2001-000.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS. DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO. Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado. EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitando-se à análise da determinação da exigência de crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
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DE DEPENDENTE QUE NÃO CONSTA DA DECLARAÇÃO. Seguindo as disposições da Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, não há restrição legal a inclusão de despesa médica de dependente que não conste da declaração do contribuinte ou que tenha apresentado declaração em separado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Os julgados administrativos e judiciais trazidos pelo sujeito passivo não produzem efeito no presente julgado. EXCESSO DE EXAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A autoridade administrativa de julgamento não tem competência para se pronunciar a respeito do crime de excesso de exação, limitandose à análise da determinação da exigência de crédito tributário. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. APLICABILIDADE. SUMULA CARF N 4. Nos lançamentos de ofício, a aplicação da multa e a incidência de juros de mora, com base na taxa SELIC, sobre o tributo não pago no vencimento ou pagamento a menor, foi estabelecida por lei, cuja validade não pode ser contestada na via administrativa. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. DISCUSSÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. Ao julgador administrativo é vedada a apreciação da constitucionalidade ou legalidade das normas vigentes, cuja competência é reservada ao Poder Judiciário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 6. 72 06 05 /2 01 2- 13 Fl. 148DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2010, anocalendário de 2009, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 20.179,34, por não identificação do beneficiário da despesa, gerando um saldo de imposto de renda suplementar de R$4.950,74, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 02 e ss, juntando documentos para evidenciar as despesas. Alega, em síntese, que a impugnação é tempestiva e discorre sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; que apresentou toda a documentação que possuía, de forma que a Notificação de Lançamento seria nula; que outra causa de nulidade seria a exigência do contribuinte de tributo manifestamente indevido, haja vista a comprovação do pagamento das despesas médicas ao plano de saúde; que o auto de infração seria nulo, tendo em vista a inexistência de justa causa e de ato ilícito; que no mérito, o procedimento fiscal está eivado de vícios e fundamentado em premissas equivocadas, inviabilizando o contribuinte a produzir provas; que a legislação permite a dedução de despesas médicas com plano de sáude, posição já pacificada pelo conselho de contribuintes; que não cabe ao fisco questionar os valores das despesas médicas; que o valor cobrado do contribuinte caracteriza excesso de exação; que não concorda com a multa de ofício e com os juros de mora (Selic); que é vedado o enriquecimento ilícito buscado pelo fisco no presente caso; que a manutenção do lançamento significará ofensa ao princípio do devido processo legal; que caso não seja cancelada a Notificação, seja o feito convertido em diligência para que sejam apuradas as informações prestadas; que protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas. A DRJ Brasília, na análise da peça impugnatória, justifica e fundamenta cada ponto levantado pelo contribuinte e ao final manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não comprovam que a despesa com o plano de saúde Porto Seguro teve como beneficiário apenas o contribuintes e seus dependentes. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 13876.720605/201213 Acórdão n.º 2001000.599 S2C0T1 Fl. 3 3 Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte nas mesmas razões, discute teoricamente uma série de direitos, mas sob o ponto de vista prático e fático não atende ao quando solicitado de forma clara e objetiva pela fiscalização, que seria apenas a discriminação dos valores pagos a Omint detalhados os valores por beneficiário. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Preliminar Nulidade por suposta cobrança indevida Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação, também em sede de Recurso Voluntário, parte da glosa de despesa médica, que será considerada matéria não impugnada conforme o art. 58 do Decreto 7.574, de 2011. Das dedução indevidas de despesas médicas, o contribuinte impugna a glosa com o plano de saúde Omint, no valor de R$ 20.179,34, juntando documentos para comprová la. O contribuinte alega que o lançamento seria nulo, pois o interessado, por ocasião do termo de intimação, já teria apresentado toda a documentação que possuía. E também apresenta como causa de nulidade do lançamento a exigência indevida do tributo e a inexistência de ato ilícito. Como muito bem salientado pela DRJ Brasilia, de forma clara e cristalina, o enquadramento legal da glosa de Dedução Indevida de Despesas Médicas consta da própria Notificação de Lançamento, fls. 64 dos autos, tópico DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL, não havendo que se falar em exigência indevida como foi aventado pelo interessado. Ademais, da análise dos autos, não foi verificada a ocorrência de nenhuma das causas de nulidade previstas pelo art. 12 do Decreto nº 7.574/2011. Portanto, não será acatada a alegação de que a Notificação de Lançamento é nula. Me parece uma alegação vazia e sem conteúdo, com intuito meramente protelatório. Rejeito, pois a preliminar suscitada. Preliminar Suposta decadência Fl. 150DF CARF MF 4 Aparentemente com intuitos protelatórios, argumenta o contribuinte que o prazo para lançamento estaria decaído posto que deveria ser aplicado o art art. 150 , § 4º , do CTN . Ocorre que, nos tributos sujeitos ao denominado "lançamento por homologação", a doutrina distingue duas hipóteses possíveis para a contagem do prazo decadencial: em havendo o pagamento, ainda que insuficiente, considerase como dia inicial da decadência o da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150 , § 4º , do CTN . Contudo, em inexistindo pagamento, não há o que homologar, contandose o prazo para a decadência na forma da regra geral do art. 173 , I , do CTN , isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No caso de tributo declarado e não pago pelo contribuinte, o fisco tem cinco anos, contados na forma do art. 173 , I , do CTN , para realizar lançamento suplementar, sob pena de decadência.Decorrido esse prazo, sem qualquer lançamento de ofício, considerase que aderiu à declaração do contribuinte que, com isso, resta chancelada. Iniciase, então, o prazo prescricional para que a Fazenda, mediante prévia inscrição em dívida ativa, execute o montante confessado. Restando clara a aplicação do mencionado art 173, não há que se falar em decadência. Rejeitada mais uma vez a preliminar. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. bLei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13876.720605/201213 Acórdão n.º 2001000.599 S2C0T1 Fl. 4 5 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou documentos para tentar sustentar o quanto alegado, mas não apresentou o quanto solicitado objetivamente pela fiscalização, que seria a discriminação por dependente , evidenciado os valores das despesas por beneficiário do plano de saúde. Salientese que demonstrou atitude protelatória nas suas manifestações. No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso Fl. 152DF CARF MF 6 LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Da análise desses documentos, verificou a DRJ que o contribuinte juntou aos autos emails por meio dos quais restou demonstrada a tentativa de se obter, junto ao plano de saúde Omint, os valores das despesas pagas por beneficiários. Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 47, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na comprovação documental apresentada, entendo que deve ser NEGADO provimento ao pedido do Contribuinte e portanto mantida a despesa médica em questão (Omint Serviços de Saúde Ltda R$ 20.179,34). Decisões Administrativas e Judiciais Reitero tudo o quanto exposto pela decisão a quo. As decisões administrativas e judiciais estão adstritas às partes do litígio e não são extensíveis a todos como regra geral. Relativamente aos julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, de acordo com o art. 100, II, do Código Tributário Nacional (CTN), tais decisões, mesmo que proferidas por órgãos colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia normativa, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Por conseguinte, não podem ser estendidos genericamente a outros casos, visto que somente se aplicam à questão em análise e apenas vinculam as partes envolvidas naqueles litígios. Assim determina o inciso II do art. 100 do CTN: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos :(...) II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa.(negritou se) A outra hipótese de vinculação de decisões administrativas, não ocorrida nos autos, é a aprovação de súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) por ato do Ministro de Estado da Fazenda, nos termos do art. 75 da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13876.720605/201213 Acórdão n.º 2001000.599 S2C0T1 Fl. 5 7 No que tange às decisões judiciais, releva destacar que apenas as súmulas vinculantes, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nos termos do arts. 102, § 2°, da Constituição Federal, e as decisões judiciais em que o contribuinte configure como parte vinculam a Administração Pública em seus julgados. Assim, dada a ausência de tais determinações, as decisões colacionadas pelo contribuinte são inaplicáveis ao caso em tela. Excesso de Exação O Recorrente e alega ter ocorrido excesso de exação, crime tipificado no §1º do art. 316 do Código Penal, com redação dada pela Lei nº 8.137, de 27.12.1990. Repito , como colocado pela decisão a quo, que a competência para processar e julgar tal espécie de ilícito penal é da Justiça Federal, a teor do art. 109 da Constituição Federal da República. Desse modo, no âmbito deste julgamento administrativo, não cabe conhecer das alegações de “excesso de exação”, pois não diz respeito a matéria de competência deste colegiado. Multa de ofício de Juros de Mora e suposto caráter confiscatório Em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. Ademais, vale salientar, em relação ao juros Selic que a Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Portanto, não há discussão em relação a sua aplicação. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Princípios Constitucionais O contribuinte alega que a manutenção do lançamento vai de encontro ao Princípio do Devido Processo Legal. Fl. 154DF CARF MF 8 Sabese que os mecanismos de controle da constitucionalidade regulados pela Carta Magna passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, faltando, assim, competência a esta autoridade administrativa para se pronunciar sobre quaisquer inconstitucionalidades aventadas. Assim, tais questões não serão enfrentadas na presente análise. Em suma, mantémse o lançamento CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Discordo da relatora quanto a comprovação de despesas médicas. Afirma a relatora em seu voto: Ocorre que o único documento emitido pelo plano de saúde que discrimina os beneficiários, em fls. 47, não trata de valores. De fato, como a própria fiscalização já havia descrito na Notificação de Lançamento, está incluída entre os dependentes a Sra. Elizabeth Friedrich Serrigny (cônjuge), que não é dependente do contribuinte para fins tributários, ou seja, o interessado não poderia se deduzir das despesas. No documento do plano de saúde que indica beneficiários foi destacado que o cônjuge não poderia ser dependente. No entanto, na legislação não há obrigação de que sejam dependentes incluídos na declaração. A exclusão de dependente por não constar da declaração do contribuinte é matéria interpretativa expressa em atos infralegais, e não concordamos com sua aplicação justamente por estar sem respaldo da lei. Observese que no caso de plano de saúde até o ano de 2007, Perguntas e Respostas 2007, o fisco aceitava a inclusão de dependentes que declararam em separado. 356 O contribuinte, titular de plano de saúde, pode deduzir o valor integral pago ao plano, incluindo os valores referentes ao cônjuge e aos filhos quando estes declarem em separado? Como regra geral, somente são dedutíveis na declaração os valores pagos a planos de saúde de pessoas físicas consideradas dependentes perante a legislação tributária e incluídas na declaração do responsável em que forem consideradas dependentes. Contudo, na hipótese em que o outro cônjuge ou os filhos constarem do plano, e, embora podendo ser considerados Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13876.720605/201213 Acórdão n.º 2001000.599 S2C0T1 Fl. 6 9 dependentes perante a legislação tributária, apresentarem declarações em separado no modelo completo, o valor integral pago ao plano pode ser deduzido na declaração de ajuste do titular do plano, desde que não seja utilizado como dedução nas declarações do outro cônjuge ou dos filhos. (...) Concordamos com essa interpretação, pois mais de acordo com a legislação. A interpretação foi modificada, mas a lei não. Essa matéria tem implicação no quantum de imposto a pagar, afeta a base cálculo do imposto de renda pessoa física, questão reservada a lei, segundo art. 97 do CTN. A única restrição, no caso de pai e avós, é a de que os rendimentos não sejam superiores ao limite mensal. A restrição de que haja necessidade de ser dependente inserido na declaração não existe no texto da lei, assim não há vedação legal para dedução dessas despesas, conforme se verifica na leitura do art. 80 do Regulamento do Imposto de Renda, Decreto nº 3.000, de 1999, com base no art. 8º da Lei nº 9.250, de 1995: Art.80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): Iaplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; IIrestringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (...) E se as despesas médicas se enquadram nas condições acima, podem ser deduzidas. Regramentos infralegais não podem estabelecer restrições, com conseqüências na base de cálculo do imposto, sem previsão legal. Assim, entendemos dedutíveis as despesas médicas pleiteadas. Acompanhamos a relatora nas preliminares. Conclusão Em razão do exposto, voto por rejeitar as preliminares suscitadas, acompanhando a relatora, mas no mérito voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 156DF CARF MF 10 É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 11516.720727/2014-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2012
Ganho de Capital. Valor Contábil.
Na determinação do ganho de capital será considerado o valor contábil do bem ou direito, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada.
Numero da decisão: 1301-003.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade, e no mérito em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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VALOR CONTÁBIL. Na determinação do ganho de capital será considerado o valor contábil do bem ou direito, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as arguições de nulidade, e no mérito em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 07 27 /2 01 4- 27 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11516.720727/201427 Acórdão n.º 1301003.358 S1C3T1 Fl. 305 2 Relatório Tratase de recurso interposto por AURORA COMÉRCIO DE ARGILAS EIRELI, já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 0365.458, da 4ª Turma da DRJ Brasília, que negou provimento à impugnação da recorrente, mantendo contra ela auto de infração que exigia IRPJ sobre ganho de capital, apurado na cessão de direito de lavra. A Fiscalização constatou que a recorrente havia realizado operações de cessão onerosa de direitos de lavra, relativos aos processos DNPM n° 822.916/1972 e n° 816.433/1973. Na escrita comercial, entretanto, não foi identificado qualquer registro que fizesse referência àqueles negócios. Apurouse que foram quatro transferências. Uma ocorrida em 2010, pelo valor de R$ 30.000,00. As outras três, em 2012, pelos valores de R$ 40.000,00, R$ 300.000,00 e R$ 150.000,00. O ganho auferido nessas operações foi subtraído à tributação do IRPJ, o que motivou o presente lançamento. Contra o lançamento foi apresentada impugnação, a que a DRJ BSB negou provimento, em acórdão cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2012 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2012 GANHO DE CAPITAL NA NEGOCIAÇÃO DE ATIVOS. AUSÊNCIA DE TRIBUTAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Constatada a ausência de tributação do IRPJ devido sobre o ganho de capital auferido na negociação de ativos, impõese o vinculado e obrigatório ato de lançamento de ofício do tributo devido. AFIRMAÇÕES RELATIVAS A FATOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. O conhecimento de afirmações relativas a fatos, apresentadas pelo contribuinte para contraditar elementos de prova trazidos aos autos pela autoridade fiscal, demanda sua consubstanciação por via de outros elementos probatórios, pois sem substrato mostramse como meras alegações processualmente não acatáveis. PEDIDO POR JUNTADA DE DOCUMENTOS. APRESENTAÇÃO JUNTO COM A DEFESA. INDEFERIMENTO. Perece o direito da contribuinte que não junta a sua peça de defesa as provas documentais que desejar. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11516.720727/201427 Acórdão n.º 1301003.358 S1C3T1 Fl. 306 3 Inconformada, Aurora Comércio de Argilas interpôs recurso, alegando preliminarmente a nulidade da decisão recorrida, que não teria se manifestado sobre o pedido de produção de prova pericial destinada a comprovar os custos e despesas incorridos na obtenção do título minerário. No mérito, disse ser detentora, havia mais de quarenta anos, de direitos minerários referentes à área dos processos DNPM nº 822.916/1972 e 816.433/1973. Ponderou não ser razoável supor que, nesses quarenta anos, a recorrente não tenha arcado com custos e despesas com pesquisa mineral e com a concessão de licenças e alvarás para respectiva exploração. Disse que a extração mineral requer a presença de vários profissionais, a fim de realizar estudos e trabalhos técnicos, para determinar as áreas a serem exploradas, o material explorado, a capacidade de exploração e a sua viabilidade técnica e econômico. Além disso, toda exploração exige prévia e constante manutenção de licenças perante o DNPM, órgãos ambientais e Municípios onde se opera a extração. Tais custos e despesas devem ser considerados no cálculo do ganho de capital. Diante desses argumentos, a recorrente defendeu o direito de produzir provas, inclusive pericial, para comprovar gastos e despesas. Portanto, indeferida a dilação probatória, teria havido cerceamento de defesa e, por esse motivo, o auto de infração deve ser anulado ou, ao menos, ter seu valor reduzido. Com essas alegações, pugnou provimento do recurso. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11516.720727/201427 Acórdão n.º 1301003.358 S1C3T1 Fl. 307 4 Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Nulidade A recorrente pede a nulidade da decisão recorrida, alegando que o acórdão não teria se manifestado sobre o pedido de perícia. A alegação não procede. A decisão recorrida se pronunciou expressamente sobre o pedido de produção de provas, deixando claro que a prova documental deve ser trazida aos autos com a impugnação. A juntada posterior se admite em situações excepcionais, cuja existência cabe ao contribuinte demonstrar. Em outras palavras, o que a decisão recorrida deixou assentado é que não cabe diligência para suprir a omissão do contribuinte. O órgão julgador não pode avocar para si o ônus de demonstrar a existência de um fato cuja prova havia de ser feita por documentos que ao contribuinte cabia conservar. Quanto à perícia, tratase de prova técnica que só pode ser autorizada diante de documento ou coisa específica e determinada, cujo exame exija conhecimento técnico ou científico. No caso, não foi trazida, nem indicada a coisa a ser objeto de exame pericial. Portanto, nesse ponto, não se pode cogitar de nulidade da decisão recorrida. Ganho de capital No mérito, a recorrente não contestou a cessão dos direitos de lavra, nem o valor pelo qual o direito foi cedido. A controvérsia reside no fato de que, ao apurar o crédito tributário, a autoridade fiscal não teria excluído os custos e as despesas com a pesquisa mineral, ocorridos ao longo de quarenta anos. É importante estabelecer distinção entre o que se paga como contraprestação para adquirir o direito de lavra; e, de outro lado, os dispêndios necessários para exercer a atividade econômica de extração mineral. No primeiro caso, temse o valor contábil do direito, que vai figurar no ativo. No segundo, o que se tem é despesa, que vai compor o resultado do exercício, segundo a regra de emparelhamento de receitas e despesas. Na apuração do ganho de capital, o que é levado em consideração é o valor contábil. Nesse sentido dispõe, de forma inequívoca, o art. 418 do Regulamento do Imposto de Renda RIR: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11516.720727/201427 Acórdão n.º 1301003.358 S1C3T1 Fl. 308 5 § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). § 2º O saldo das quotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa. Pela manifestação da recorrente, o que se percebe é que ela quer deduzir da base de cálculo não o valor contábil, conforme definido no art. 418 do RIR, mas sim as despesas operacionais incorridas ao longo dos anos, o que não se admite, uma vez que elas já contribuíram para a formação do resultado dos períodos a que competiam. Repitase, o que poderia ser considerado na apuração do ganho de capital é o valor contábil do direito. Ocorre que, de acordo os balanços patrimoniais de fls. 142 a 160, não há valor contábil para tal direito. Aliás, não existe sequer a referência ao direito de lavra. É possível que a omissão se deva ao fato de o direito de lavra ter sido adquirido sem custo. É possível, por outro lado, que o custo tenha sido integralmente apropriado por meio de cotas de exaustão, já que a recorrente é titular do direito há mais de quarenta anos, como ela mesma afirmou. Seja como for, a verdade é que não existe valor contábil registrado. A recorrente, por outro lado, não apresentou qualquer documento que pudesse indicar o custo de aquisição do direito; nem há prova de que tal custo, se existente, não foi apropriado por exaustão. Em suma, considerando todos esses fatos, concluise que o lançamento deve ser mantido. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 308DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.908171/2009-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA
Comprova-se a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
Numero da decisão: 1302-002.990
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA Comprova-se a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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IRPJ PAGO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO. REGIME DE CAIXA. RETIFICAÇÃO DE DCTF Recorrente IMOSEST INDUSTRIA DE MOVEIS E ESTOFADOS EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. CONTRATO DE CÂMBIO EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO COMBIAL POSITIVA. RECEITA. DCTF RETIFICADORA. ESCRITAS CONTÁBEIS E FISCAIS VALIDADAS EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO DEVIDA Comprovase a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, por meio da validação da escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 81 71 /2 00 9- 05 Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10920.908171/200905 Acórdão n.º 1302002.990 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de retorno de diligência designada, em 25/11/2014 (Resolução 1801 000.361, 1ª Turma Especial, extinta) para a verificação quanto à existência e disponibilidade de direito creditório, decorrente de IRPJ pago a maior (R$395,38), relativo a contratos de câmbio para exportação, em meses em que a recorrente teria auferido receita, em virtude de variação cambial ativa (positiva). Conforme Despacho Decisório Eletrônico (fl. 5) houve a não homologação da DCOMP nº 05428.18389.140306.1.3.043897, transmitida em 14/03/2006, que indicava como tipo de crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; Processo de Crédito (PER): 10920 908.171/200905, referente ao 2o. trimestre de 2005. Destacamse o seguinte relato da recorrente, importante para o entendimento do que ocorreu: O valor pago a maior resultou de uma receita financeira tributada indevidamente, no valor de R$ 5.271,73 (cinco mil, duzentos e setenta e um reais, e setenta e três centavos), originado em virtude de um lançamento incorreto em 31/05/2005, na conta contábil 4032 "variações cambiais ativas", referente uma atualização cambial indevida. Este lançamento foi estornado em 01/12/2005, quando verificouse o equivoco de lançamento. A empresa tributou suas operações de câmbio pelo regime de caixa. Em anexo o contribuinte demonstra através dos extratos bancários referentes os meses de abril, maio e junho, bem como cópia da planilha de apuração de imposto de renda e contribuição social do 3o trimestre/2005, e razões contábeis das contas de variação cambial ativa e passiva, comprovando que, a única liquidação de operação de câmbio com variação cambial ativa que houve no trimestre, foi no mês de abril, e que foi devidamente tributada, no valor de R$ 4.717,22 (quatro mil, setecentos e dezessete reais, e vinte e dois centavos); no mês de maio e n.o mês de junho houve liquidação, mas com variação cambial passiva. O valor de imposto pago referente Imposto de Renda foi de R$2.888,73 (dois mil, oitocentos e oitenta e oito reais e setenta e três centavos), dividido em duas quotas de R$1.444,37 (um mil, quatrocentos e quarenta e quatro reais e trinta e sete centavos). Após a verificação do erro, o valor correto do imposto a pagar ficou em R$ 2.097,98 (dois mil, noventa e sete reais e noventa e oito centavos), resultando o valor correto de cada quota em R$1.048,99 (um mil, quarenta e oito reais e noventa e nove centavos), ou seja, houve pagamento a maior de R$790,76 (setecentos e noventa reais, e setenta e seis centavos), restando R$395,38 (trezentos e noventa e cinco reais e trinta e oito centavos) em cada quota Obs: assim como verificado no Proc. 10920.907223/200918, também julgado nesta sessão). Ocorre que, a DCTF referente ao 1o semestre de 2005 foi preenchida de maneira equivocada, não demonstrando no campo da DCTF "valor pago do débito", o valor do débito correto, e sim o valor total do darf pago, não restando desta forma saldo para comprovar o pedido de "pagamento indevido ou a maior" que deveria ficar disponível para compensação dos débitos informados em PER/DCOMP. Fl. 213DF CARF MF Processo nº 10920.908171/200905 Acórdão n.º 1302002.990 S1C3T2 Fl. 4 3 Em 22/06/2009 foi emitido despacho decisório para o PER/DCOMP em questão, n° de rastreamento. 842621965, não homologando a compensação solicitada. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, esclarecendo que a DCTF foi preenchida de maneira equivocada e demonstrou que a DIPJ foi preenchida corretamente, anexando cópia das declarações e também do Livro Razão. A DCTF foi retificada imediatamente assim que foi verificado o erro. Na sessão do dia 17/10/2013, acórdão 0356224 os membros da 4a Turma da RJ/BSB, decidiram por unanimidade improcedente a inconformidade e não reconheceram o crédito pleiteado no PER/DCOMP, fundamentando que para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal do contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração, o que se pretende produzir de maneira clara e transparente nesse recurso. Resultado de Diligência A diligência foi realizada, registrandose a Informação Fiscal de fls. 200/204. A recorrente foi devidamente intimada (fl. 208). Não houve manifestação. A Informação Fiscal (fls. 200/204) registrou as seguintes constatações favoráveis à recorrente: 6. Consultandose os sistemas da RFB, verificase que o contribuinte apresentara duas DCTFs. 7. A retificadora (DCTF) foi apresentada após a emissão do despacho decisório, objeto do presente processo. Com relação ao IRPJ, houve alteração. O valor foi reduzido de R$ 2.888,73 (pagamento em duas cotas) para R$ 2.097,98 (pagamento em duas cotas). O contribuinte, como se relatou, alegou que houve erro no lançamento contábil das contas de variação cambial ativa e passiva. 8. A DIPJ 2006, por sua vez, não foi retificada e indicava um valor correspondente de R$02.097,99 de IRPJ para o segundo trimestre. 9. Ou seja, a DIPJ 2006 ainda que apenas informativa diferia da DCTF original. A DCTF retificadora indica, por sua vez, o valor constante na DIPJ. 10. Diante de tal situação, procurouse, junto aos elementos de prova já juntados, verificar que valor seria correto para o IRPJ do 2° trim/2005. O cerne da questão estaria na apuração de receita financeira (variação cambial) com relação a maio de 2005. 11. Os extratos bancários permitiram localizar os créditos oriundos da liquidação dos contratos de câmbio feitos pela empresa. São eles: 15/04/2005 R$ 30.639,17 (fl. 103) 31/05/2015 R$ 30.123,83 (fl. 111) 06/06/2005 R$ 37.562,46 (fl. 122) 14/06/2005 R$ 36.759,44 (fl. 123) Fl. 214DF CARF MF Processo nº 10920.908171/200905 Acórdão n.º 1302002.990 S1C3T2 Fl. 5 4 12. Tais créditos correspondem às notas fiscais da tabela abaixo. Na mesma tabela fica evidente que somente houve variação cambial positiva abril: 13. O contribuinte, em suas alegações, destaca: Em anexo o contribuinte demonstra através dos extratos bancários referentes aos meses de abril, maio e junho, bem como cópia da planilha de apuração de imposto de renda e contribuição social do 3º trimestre/2005, e razões contábeis das contas de variação cambial ativa e passiva, comprovando que, a única liquidação de operação de câmbio com variação cambial ativa que houve no trimestre, foi no mês de abril, e que foi devidamente tributada, no valor de R$ 4.717,22 (quatro mil, setecentos e dezessete reais, e vinte e dois centavos); no mês de maio e no mês de junho houve liquidação, mas com variação cambial passiva. 14. Observandose os extratos, há quatro valores creditados a título de operações cambiais. Interessa, no caso, a operação de maio vez que o próprio contribuinte afirma ter tido fechamento de contrato de câmbio com variação cambial positiva em abril e em junho não houve apuração de IRPJ sobre operações de câmbio. 15. No extrato do mês de maio, à fl. 111, consta: 31/05/2005 Câmbio 1760505636 30.123.83 C 16. Este crédito se refere ao pagamento referente ao contrato de câmbio de compra nr. 05/016557 (fl. 117). A taxa cambial estipulada no contrato foi de R$2,3962914. A nota fiscal (nº 1648), por sua vez, foi emitida no valor de R$37.842,16, em 22/04/2005 (fl. 114), em virtude da operação negociada com a fatura proforma 12/2005 (campo de informações complementares). Tais dados correspondem ao constante no contrato de câmbio (ver "outras especificações" fl. 119), sendo o Registro de Exportação RE feito sob nº 05/0577513001 a 002 (Despacho de Exportação fl. 205) e O.P. 305636 (corresponde ao nº do depósito no extrato). 17. Portanto, concluise que não houve variação cambial passível de tributação em maio de 2005. Logo, a DIPJ 2006 espelha os fatos de acordo com a contabilidade apresentada pelo contribuinte, sendo o valor do IRPJ devido, no 2° trim 2005, seria de R$ 2.097,99 e não R$ 2.888,73, como constava da DCTF original. No Razão Analítico (fl. 158), consta como provisionamento, de fato, o valor de R$ 2.888,73. Também se percebe o lançamento do valor da variação cambial da fatura 12 contra a conta 0413.00002 (variação cambial ativa), o que promoveria o erro na apuração do IR devido. 18. Da contabilidade trazida aos autos, no Balancete do segundo trimestre (para apuração do IRPJ presumido) verificase que a Receita Ajustada (2.4 Total da Receita Ajustada fl. 96), consta o valor de R$ 115.866,92. Idêntico ao valor da DIPJ 2006 (ficha 14A linha 2 fl. 198). 19. Assim, conforme o requerido pelo Carf, elaborouse a planilha abaixo para apurar o IRPJ do segundo trimestre de 2005: Fl. 215DF CARF MF Processo nº 10920.908171/200905 Acórdão n.º 1302002.990 S1C3T2 Fl. 6 5 Receita Bruta Sujeita ao Percentual de 8%: 115.866,92 Resultado do Percentual sobre a Receita Bruta : 9.269,35 Variações Cambiais Ativas: 4.717,22 Base de Cálculo do IRPJ sobre Lucro Presumido: 13.986,57 Imposto Apurado: 2.097,99 20. Finalmente, o contribuinte optou por realizar o pagamento em duas cotas. O valor de cada cota seria de R$ 1.048,99, portanto. 21. No caso, o pagamento realizado foi de R$ 1.444,37 (principal) = R$14,44 (juros), em 31/08/2005. Houve, portanto, um pagamento a maior de R$395,38 (valor do principal). 22. Importante ressaltar que esta DComp está relacionada ao PER 20289.23668. Tal pedido havido sido processado pelo sistema e a restituição realizada sem considerar a Dcomp. Tal fato foi sanado, conforme o despacho de fls. 194 a 196. A cobrança foi realizada e a restituição recebida indevidamente foi resolvida (fl. 197). 23. Entendo, assim, atendida a diligência solicitada pelo Carf. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário foram analisados por ocasião da Resolução nº 1801000.367, de 25/11/2014, da 1ª Turma Especial da 1ª Seção (extinta) e o recurso foi conhecido. Ratifico o conhecimento do recurso. O Acórdão recorrido manteve o Despacho Decisório Eletrônico (fl. 5) que não homologou a DCOMP nº 05428.18389.140306.1.3.043897, transmitida em 14/03/2006, que indicava como Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior; Processo de Crédito (PER): 10920908.171/200905. Valor original do crédito: R$1.458,81. A decisão indicou, inexistência de crédito ou crédito integralmente utilizado, em relação ao período de apuração: 30/06/2005. Na forma retro relatada, a DRF, em cumprimento à citada Resolução, diligenciou e concluiu que, a única liquidação de operação de câmbio com variação cambial positiva, verificada no segundo trimestre de 2005, foi a ocorrida em abril, a qual foi devidamente tributada, no valor de R$ 4.717,22. Certificouse que, em maio e junho houve liquidação, mas com variação cambial negativa. Verificouse que foi correta a retificação da DCTF (redução do IRPJ DE R$2.888,73 para R$2.097,98; a DIPJ 2006 indicava R$2.097,98 para o segundo trimestre), ainda que efetuada após o despacho decisório eletrônico. Confirmouse que, o pagamento realizado foi de R$1.444,37, em 29/07/2005, perfazendo um pagamento indevido de R$ 395,38. Assim, realmente havia a existência e disponibilidade de direito creditório, decorrente Fl. 216DF CARF MF Processo nº 10920.908171/200905 Acórdão n.º 1302002.990 S1C3T2 Fl. 7 6 de IRPJ pago a maior, relativo a contratos de câmbio para exportação, no mês (abril) em que a recorrente teria auferido receita, em virtude de variação cambial ativa (positiva). Também certificouse que o valor pago a maior foi restituído à recorrente (PER 26737.85313). O sistema não identificou a DCTF retificadora, por ter sido transmitida após o Despacho Decisório. No entanto, a questão foi devidamente resolvida com o reconhecimento por parte da recorrente de que a restituição era indevida, pois o crédito havia sido utilizado na DCOMP em questão. Abriuse processo específico para que a recorrente promovesse a devolução do valor (fls. 200/202). Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar a DCOMP nº 26288.35337.140306.1.3.049935, até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 217DF CARF MF
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Numero do processo: 11686.000356/2008-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006
NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL.
Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assenta-se em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação.
INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS.
Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática não-cumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda".
Numero da decisão: 9303-007.099
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Recorrente YARA BRASIL FERTILIZANTES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/2006 a 31/03/2006 NÃO CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. Não se conhece de recurso especial quando o acórdão recorrido assentase em dois fundamentos autônomos e a parte traz divergência jurisprudencial somente com relação a um deles. Assim, o recurso especial não pode ser conhecido quanto à possibilidade de apresentação de provas posteriormente à impugnação. INSUMOS. FRETES PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. Os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo, ainda, no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto ao direito de crédito das contribuições sobre fretes contratados na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Demes Brito e Rodrigo da Costa Pôssas. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 6. 00 03 56 /2 00 8- 63 Fl. 614DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3403002.002, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF. Na parte de interesse ao presente julgamento, o colegiado a quo não reconheceu o direito de aproveitamento de créditos da contribuição sobre despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. A Contribuinte interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto a três matérias: (a) aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos sobre fretes entre unidades da própria empresa de produtos acabados; (b) aplicação do entendimento mais favorável ao Contribuinte, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional CTN; e (c) realização de diligência e possibilidade de juntada de novos documentos e elaboração de laudo técnico após a apresentação do recurso em primeira instância. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigmas os seguintes acórdãos, respectivamente: (a) 3401002.075 e 340203.148; (b) 3302002.930; e (c) 3402002.906. No primeiro exame de admissibilidade foi dado seguimento parcial ao recurso, tão somente quanto à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS sobre fretes de produtos acabados entre unidades da empresa, consoante despacho de admissibilidade do então Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento. Com a interposição de agravo pelo Sujeito Passivo, também foi dado seguimento ao tema relativo à possibilidade de apresentação de provas após o recurso à primeira instância, tudo nos termos do despacho do Presidente da Terceira Turma da CSRF, que acolheu o agravo nessa parte. Portanto, as matérias suscitadas no recurso especial da Contribuinte, que foram admitidas e serão objeto de análise por este Colegiado, referemse à possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS decorrentes de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa e à apresentação de provas após o recurso à primeira instância. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o Relatório. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.070, de 11/07/2018, proferido no julgamento do processo 11080.002375/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.070): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela contribuinte YARA BRASIL FERTILIZANTES S.A. é tempestivo, restando analisarse o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. As matérias enfrentadas pela Recorrente em sede de apelo especial são referentes à: (a) possibilidade de apresentação de provas após o recurso na primeira instância; e (b) o reconhecimento do direito aos créditos de PIS e COFINS nãocumulativos oriundos de fretes entre estabelecimentos da mesma empresa, tendo sido admitida a discussão apenas em relação aos produtos acabados. 1. Apresentação de provas Para análise da admissibilidade do recurso especial quanto ao pleito de apresentação de provas após o recurso na primeira instância, importa trazer breve retrospecto da lide. A contenda administrativa originouse de pedido de ressarcimento de saldo credor acumulado da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativo, do segundo e terceiro trimestres de 2007, em razão da sua atividade exportadora. Em procedimento fiscal efetuado para confirmação da existência dos referidos créditos, a Autoridade Fiscal concluiu ser parcialmente procedente o pleito, pois (a) teria havido a transferência onerosa a terceiros de créditos de ICMS acumulados na escrita fiscal, sem oferecimento dos valores recebidos à tributação; e (b) a Contribuinte apropriouse de créditos sobre os dispêndios da contratação de frete entre estabelecimentos da própria empresa, com inobservância do art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03, que concede o direito ao crédito somente com relação ao frete pago na operação de venda. A conclusão da Fiscalização pela glosa parcial do pedido de restituição restou formalizada por meio de despacho decisório (fl. 26), contra o qual se insurgiu a empresa por meio de manifestação de inconformidade (fls. 36 a 55), esclarecendo que: não houve transferência onerosa de créditos de ICMS a terceiros, mas sim é beneficiária de contrato celebrado com a Secretaria da Fazenda do Rio Grande do Sul, tendo incentivo fiscal estadual consistente no crédito presumido equivalente a 75% (setenta e cinco por cento) do valor do imposto incidente sobre as operações interestaduais envolvendo fertilizantes de fabricação Fl. 616DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 5 4 própria; além disso, colacionando aos autos planilha demonstrativa, sustentou serem as remessas realizadas entre seus diversos estabelecimentos do País, em sua imensa maioria, de produtos semielaborados, com processo industrial concluído na unidade de destino, sendo que há apenas uma pequena parcela de transferência de produtos acabados. Defende a existência ao crédito nas duas hipóteses de frete. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 1025.008 2ª Turma da DRJ/POA, de 30 de abril de 2010 (fls. 72 a 75), ensejando a interposição de recurso voluntário (fls. 78 a 101). Na sessão de 03 de junho de 2011, o julgamento do recurso foi convertido em solicitação de diligência ao órgão de origem, consoante Resolução nº 3403000.208 (fls. 199 a 202), solicitando que: (a) trouxesse aos autos elementos documentais, dentre aqueles já colhidos no momento do procedimento fiscal, para comprovar a existência e os montantes das supostas operações de cessão de créditos de ICMS a terceiros; e (b) informasse sobre a possibilidade de segregar, dentre os fretes contratados pela Recorrente para transporte de itens entre suas próprias unidades, aqueles que tinham por objeto a remessa de produtos acabados e aqueles que envolveram itens em fabricação. Após a determinação da diligência, o processo assim se desenrolou: [...] Em resposta à diligência, o órgão de origem elaborou “Termo de Comunicação e Ciência”, por meio do qual (i) diz não ser possível segregar os fretes contratados pela recorrente conforme solicitado pelo CARF e (ii) afirma que, em verdade, não houve cessão de créditos de ICMS a terceiros, mas sim – como reclamara a recorrente – apropriação de crédito presumido deste imposto. Intimado deste despacho, o recorrente manifestase, trazendo aos autos planilhas demonstrativas dos fretes de matériasprimas e de produtos acabados. Por sua vez, o órgão de origem elabora o “Termo de Comunicação e Ciência 2”, através do qual, em síntese, reitera que as planilhas inicialmente fornecidas pelo recorrente não eram capazes de segregar os fretes, porém aquelas trazidas aos autos apenas após a diligência o fazem. Conclui, por fim, que a contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio sujeito passivo (seja de matériasprimas, embalagens ou produtos acabados) não gera direito ao crédito do tributo, por ausência de previsão legal. Intimado deste segundo Termo de Comunicação, a recorrente novamente manifesta se para argumentar que a eventual manutenção do despacho decisório com fundamento em suposta sujeição da subvenção recebida à tributação importaria inadmissível modificação da acusação fiscal – construída sob a premissa de que a recorrente cedera créditos de ICMS – com prejuízo ao direito de defesa e ao contraditório. [...] (grifouse) Retornados os autos ao CARF para análise do recurso voluntário, foi proferido o Acórdão nº 3403001.994 (fls. 289 a 297) proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 21 de março de 2013, ora recorrido, que lhe deu parcial provimento apenas para afastar a glosa dos créditos de PIS nãocumulativo sobre os valores decorrentes das transferências onerosas de créditos de ICMS a terceiros. Por outro lado, indeferiu os pedidos da Recorrente quanto à pretensão de créditos decorrentes da contratação de frete para transporte de itens entre unidades do próprio Sujeito Passivo, seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados, sob dois fundamentos: (a) com as provas constantes nos autos quando determinada a realização de diligência não era possível desmembrar do total de fretes, aqueles que tivessem por objeto o Fl. 617DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 6 5 transporte de itens em fabricação; e (b) as planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Para clareza da assertiva, extraise trecho do acórdão recorrido que trata da matéria: [...] Dito isso, remanesce pendente a análise do direito à apropriação de créditos da contribuição ao PIS, na hipótese de fretes realizados entre estabelecimentos da própria pessoa jurídica recorrente para transporte seja de matériasprimas e de materiais de embalagem, seja de produtos acabados. Quando da conversão do julgamento em diligência, esta Turma expressamente consignou que a medida não se prestaria “a corrigir a incompetência da parte a quem a lei atribui o ônus da prova”, determinando que o órgão de origem se limitasse a juntar aos autos “via impressa dos elementos documentais, dentre aqueles já obtidos junto à recorrente no curso da fiscalização”, capazes de segregar do total de fretes em questão, aqueles que tivessem por objeto o transporte de itens ainda em fabricação. Pois em resposta à diligência, o órgão de origem foi assertivo em afirmar que as provas até então coligidas aos autos não lhe permitiam proceder ao desmembramento. E a separação, a meu ver, seria fundamental à melhor aplicação ao caso do disposto nas Leis nº. 10.637/02 e 10.833/03. E por que? Porque na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete pode se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3º, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3º. De seu turno, o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte somente do ponto de vista logístico ou geográfico pode ser compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é concedido. Afirma a origem que, dos documentos constantes dos autos até a interposição do voluntário não lhe é possível fazer a segregação em comento. E mesmo que admitíssemos aqui o exame do material extemporaneamente trazido pela recorrente, já na oportunidade em que se manifestou sobre o relatório da diligência, a ele não se pode atribuir valor probatório. Tratase, com efeito, de uma planilha gerencial, unilateralmente confeccionada e sem comprovação de respaldarse em documentos ou na escrita contábil da pessoa jurídica. Portanto, dois fundamentos alicerçam a conclusão de que deve ser mantida a glosa sobre os créditos de PIS referentes aos fretes contratados entre os estabelecimentos do recorrente: (i) havia expressa vedação à formalização de novas provas, cabendo o contribuinte têlas trazido desde a manifestação de inconformidade, o que – frisese – não foi feito e (ii) planilhas unilateralmente formuladas pelos contribuintes não são meios aptos a demonstrar a invalidade de glosas efetuadas. Por todo o exposto, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer a insubsistência das glosas efetuadas na origem com fundamento na não sujeição ao tributo de valores supostamente auferidos em razão da cessão de saldos de ICMS a terceiros e, nesta parte, deferir o ressarcimento pretendido. Fl. 618DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Da fundamentação do acórdão recorrido, depreendese que foram dois os argumentos utilizados para o indeferimento do pedido de juntada de provas após o recurso em primeira instância: (a) a impossibilidade de juntada de novas provas; e (b) ainda que fossem admitidas, as planilhas produzidas unilateralmente pela Contribuinte e juntadas aos autos não têm valor probatório. Tratase de dois argumentos autônomos e cada um deles suficiente, por si só, para manutenção da decisão proferida pelo Colegiado a quo. A Recorrente, por sua vez, ao se insurgir quanto à juntada de provas, enfrentou e comprovou a divergência jurisprudencial tão somente com relação ao primeiro argumento: a (im)possibilidade de juntada de provas após o recurso em primeira instância. No acórdão paradigma nº 3402002.906 a discussão centrase nesse argumento, tanto que naquele caso houve a determinação de realização de diligência semelhante ao caso dos autos que culminou com a elaboração de um Laudo Técnico. Havendo dois fundamentos autônomos e não sendo atacados os dois, não deve ter prosseguimento o recurso especial com relação a essa matéria. Nesse sentido, é a Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles". Portanto, não se conhece do recurso especial da Contribuinte com relação a essa matéria. 2 Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos de Produtos Acabados Com relação ao direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, temse que a divergência foi devidamente comprovada, devendo ter prosseguimento o apelo especial. A priori, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 619DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 8 7 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 620DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 9 8 As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de Fl. 621DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 10 9 produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial Fl. 622DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 11 10 e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme afirmado pela Contribuinte e não contestado pela Fiscalização, está consolidado que os fretes entre os estabelecimentos da empresa são de matériaprima e uma pequena parte de produtos acabados, defendendo serem ambos passíveis de créditos, em consonância com o acórdão colacionado como paradigma (nºs 3401002.075 e 340203.148). A partir da descrição da atividade da Recorrente na peça do apelo especial, é possível chegarse a melhor compreensão quanto à essencialidade/pertinência do frete entre estabelecimentos, tanto de matériasprimas quanto de produtos acabados, para o seu processo produtivo. Reproduzemse os argumentos constantes às fls. 385 a 387, in verbis: [...] Vejase que no caso em comento os fretes praticados durante o processo produtivo são os seguintes: 1.Frete com a aquisição de matériaprima para fabricar fertilizantes (exemplo nitrogênio, fósforo e potássio); Fl. 623DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 12 11 2. Remessa para industrialização da matériaprima; 3. Frete do produto até outro estabelecimento da Recorrente para armazenagem e venda final. Ou seja, os produtos da Recorrente como condição para bem desempenharem sua função, são higroscópicos e, portanto, com absorção de umidade apresentam perda de suas plenas qualidades em período relativamente curto (cerca de 18 a 24 meses), não sendo adequado armazenálos por longo tempo. Por isso, é possível afirmar que, tal como ocorre no acórdão paradigma, o caso da Recorrente possui peculiaridades que fazem com que o seu processo produtivo não termine na fábrica, mas somente quando o produto industrializado acabado é entregue ao produtor rural, destinatário final, em condições aptas para uso na lavoura. Para minimizar a deterioração na qualidade e para evitar problemas de segurança no transporte, devese prestar atenção tanto às propriedades iniciais do fertilizante quanto aos procedimentos corretos de manuseio do fertilizante. O manuseio e o transporte correto do fertilizante devem ser baseados nas condições climáticas, no tipo de fertilizante e na forma como é expedido (granel ou sacos): [...] No caso em tela, a Recorrente possui sede em Porto Alegre e unidades em vários Estados da federação, existindo em determinados casos (embora muito menos usual do que a remessa de matéria prima) a remessa de produtos acabados destinados à venda. Isso é fácil de compreender: a unidade de Porto Alegre, por exemplo, pode ter em estoque determinado produto vendido pela unidade de Imperatriz, no interior do Maranhão. A fim de atender à demanda que lhe foi encaminhada, não se deve exigir que a empresa produza, no Maranhão, o fertilizante de que já dispõe estocado no Rio Grande do Sul, já que, como narrado linhas acima, o fertilizante se deteriora rapidamente com o passar do tempo, devendo sempre ser comercializado o produto que se encontra há mais tempo em estoque. Mas ao transportar a mercadoria até suas unidades pelo país, a contribuinte gasta um considerável montante em frete. Porém, se os bens transportados já estão destinados à venda, esse frete também deve estar sujeito aos créditos de PIS e de COFINS previstos nos artigos 3º, IX e 15, II da Lei nº 10.833/03, pois há apenas um deslocamento do trajeto que seria realizado originalmente, caso o produto saísse do estabelecimento industrial de Porto Alegre e fosse transferido diretamente ao comprador. [...] Nesse sentido, esse 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu os Acórdãos nºs 9303004.673, de 16 de fevereiro de 2017, de relatoria da nobre Conselheira Érika Costa Camargos Autran; e 9303005.156, de 17 de maio de 2017, cuja relatoria foi da ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Os julgados foram assim ementados: Acórdão n.º 9303004.673 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação, ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 13 12 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 CREDITAMENTO DECORRENTE DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS. POSSIBILIDADE, INDEPENDENTEMENTE DO RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PELOS FORNECEDORES, MAS DESDE QUE COMPROVADO O PAGAMENTO DAS TRANSAÇÕES E A CORRESPONDENTE ENTREGA DAS MERCADORIAS. Realidade em que as aquisições do sujeito passivo estão sujeitas à apuração de crédito básico pela aquisição de insumos previsto no artigo 3°, inciso II, da Lei n° 10.637/02. Direito o qual deverá ser reconhecido uma vez evidenciado nos autos, independentemente do recolhimento da contribuição por parte dos fornecedores, a anotação, no corpo das notas fiscais de entrada, de que as correspondentes operações estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS. associado à comprovação do pagamento das transações e da entrega das mercadorias, o que afasta as conseqüências decorrentes da eventual inidoneidade dos fornecedores. nos termos do artigo 82 da Lei n° 9.430/96. CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passiveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Recurso Especial do Procurador negado Recurso Especial do Contribuinte negado Fl. 625DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 14 13 Acórdão n.º 9303005.156 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIASPRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matériasprimas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto. PIS. COFINS. CRÉDITO. NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS TRIBUTADOS COM ALÍQUOTA ZERO OU ADQUIRIDOS COM SUSPENSÃO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aproveitamento dos créditos sobre os serviços de fretes utilizados na aquisição de insumos não onerados pelas contribuições ao PIS e a Cofins. (grifouse) Pela argumentação exposta, há de ser reformado o acórdão recorrido e reconhecido o direito ao crédito com relação às despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. 3 Dispositivo Diante do exposto, o Recurso Especial da Contribuinte é conhecido somente em parte quanto à possibilidade de creditamento de PIS nãocumulativo na contratação de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa, e, no mérito, dáse provimento ao recurso para ser reconhecido o direito ao crédito de PIS nãocumulativo das despesas de frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi Fl. 626DF CARF MF Processo nº 11686.000356/200863 Acórdão n.º 9303007.099 CSRFT3 Fl. 15 14 conhecido em parte e, na parte conhecida, o colegiado deulhe provimento para reconhecer o direito ao crédito da contribuição sobre as despesas com frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 627DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003504/2004-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF.
CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. FASE DE FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OFENSA. IMPUGNAÇÃO. INÍCIO DA FASE LITIGIOSA.
Não há ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa na fase de fiscalização, uma vez o processo administrativo fiscal somente se inicia com a impugnação.
MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA
O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento.
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social rege-se pelo art. 150, §4º do CTN, quando constatados pagamentos antecipados e a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do antigo CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3302-005.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas no artigo 62 do Anexo II do RICARF. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. FASE DE FISCALIZAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE OFENSA. IMPUGNAÇÃO. INÍCIO DA FASE LITIGIOSA. Não há ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa na fase de fiscalização, uma vez o processo administrativo fiscal somente se inicia com a impugnação. MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando constatados pagamentos antecipados e a inocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do antigo CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 35 04 /2 00 4- 41 Fl. 515DF CARF MF Processo nº 19515.003504/200441 Acórdão n.º 3302005.929 S3C3T2 Fl. 516 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinícius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração para constituição de créditos tributários relativos ao PIS/Pasep e Cofins, no período de janeiro a dezembro de 1999, em razão de diferenças apuradas entre valores escriturados no Livro Registro de Saídas e os valores declarados, conforme Termos de Verificação Fiscal TVF de efls. 178/181 e 394/397. Em impugnação, a recorrente aduziu a decadência do direito de constituir o crédito tributário, a natureza confiscatória da multa de ofício aplicada e sua redução a 30%, a suspensão da exigibilidade dos créditos constituídos, uma vez que foram objeto de pedido de parcelamento PAES. Ao final, pede o cancelamento da autuação. A Quinta Turma da DRJ/RJO II proferiu o Acórdão nº 1317.504, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 PIS/COFINS. DECADÊNCIA. Tendo sido constituído o crédito tributário dentro do prazo de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se caracteriza a decadência. MULTA DE OFÍCIO. VEDAÇÃO AO CONFISCO. INAPLICÁVEL A multa de ofício é uma penalidade pecuniária aplicada pela infração cometida, não se lhe aplicando o prescrito no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988, que, ao tratar das limitações do poder de tributar, proibiu ao legislador utilizar tributo com efeito de confisco. PIS/COFINS. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE INCLUSÃO NO PAES. Mantémse o lançamento de crédito tributário devido e não incluído no Parcelamento Especial PAES. IMPUGNAÇÃO. ELEMENTOS DE PROVA. Fl. 516DF CARF MF Processo nº 19515.003504/200441 Acórdão n.º 3302005.929 S3C3T2 Fl. 517 3 A prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4°, do Decreto n° 70.235/72. Lançamento Procedente Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reiterando as alegações de decadência e de natureza confiscatória da multa de ofício aplicada, porém inovando quanto à alegação de desrespeito ao princípio do contraditório e ampla defesa, irregularidades procedimentais no MPF, uma vez que previa a fiscalização apenas de IRPJ, necessidade de o fisco provar a existência de saldo credor de caixa ou passivo fictício, necessidade de comprovar a falta de emissão de documento fiscal pois tratamse de presunções simples. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso interposto atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Em preliminares de mérito, a recorrente inovou sua defesa, alegando desrespeito ao princípio do contraditório e ampla defesa, irregularidades procedimentais no MPF, uma vez que previa a fiscalização apenas de IRPJ. Tais argumentações dizem respeito ao cerceamento de defesa e incompetência da autoridade fiscal, que, em tese procedentes, acarretariam nulidades. Assim, ainda que alegados após a impugnação, considero tratar de matéria de ordem pública e deles tomo conhecimento. A primeira alegação é de ofensa ao princípio do contraditório e ampla defesa durante o procedimento fiscal, pelo fato de a fiscalização não ter aguardado o retorno dos documentos que estavam em poder da fiscalização da Fazenda do Estado de São Paulo. Ocorre que o contraditório e a ampla defesa são garantias constitucionais do processo administrativo, que, no entanto, somente se inicia com a fase litigiosa, a partir da entrega de impugnação ao lançamento, nos termos do artigo 14 do Decreto nº 70.235/19721,. A fase de fiscalização é um etapa de natureza inquisitória, na qual, embora ainda não haja processo, mas apenas procedimento fiscal, normalmente, são produzidos termos e intimações para obter esclarecimentos/documentos sobre os fatos apurados. No caso concreto, o contraditório e a ampla defesa foram exercidos pela recorrente mediante a apresentação dos recursos administrativos, não havendo que se falar em ofensa a tais princípios constitucionais. Quanto à irregularidade apontada no MPF concernente à falta de indicação de outros tributos a serem fiscalizados, que não o IRPJ, verificase que é improcedente, pois o Mandado de Procedimento Fiscal juntado às efls. 4 dispõe expressamente que o procedimento abrange as verificações obrigatórias de todos os tributos nos últimos cinco anos, abarcando, portanto, o PIS/Pasep e a Cofins no ano de 1999: 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 19515.003504/200441 Acórdão n.º 3302005.929 S3C3T2 Fl. 518 4 VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS: correspondência entre os valores declarados e os valores apurados pelo sujeito passivo em sua escrituração contábil e fiscal, em relação aos tributos e contribuições ad ministrados pela SRF, nos últimos cinco anos. Ademais, salientase que o MPF é um instrumento administrativo, cujo descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º2 dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc. Já a Portaria RFB nº 11.371/2007, instituidora do MPF, disciplinou apenas a forma como seriam emitidos os procedimentos fiscais, não se imiscuindo na competência legal conferida ao auditor fiscal, nem configurando requisito essencial do lançamento, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.935/1972. Neste sentido, citase Acórdão nº 9101001.798, proferido em 19/11/2013, pela Câmara Superior de Recurso Fiscais, cuja ementa, parcialmente, transcrevese: NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. Em prejudicial de mérito, a recorrente alegou decadência do direito de constituir o crédito tributário, por ter a ciência da lavratura dos Autos de Infração (data de 30/12/2004) ter ultrapassado cinco anos dos fatos geradores, correspondentes aos meses de janeiro a dezembro de 1999. Concernente ao prazo decadencial das contribuições para a Seguridade Social, foi editada a Súmula Vinculante nº 8, pelo Supremo Tribunal Federal, de observância obrigatória pela administração pública federal, nos termos do art. 2º da Lei nº 11.417, de 2006: 2 Art. 2o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; Fl. 518DF CARF MF Processo nº 19515.003504/200441 Acórdão n.º 3302005.929 S3C3T2 Fl. 519 5 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Portanto, o prazo decadencial para as referidas contribuições sujeitase às regras gerais dos artigos 150 e 173 do CTN. A matéria encontrase pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do anteriro CPC (recursos repetitivos), cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do §2º do artigo 62 do Anexo II do RICARF. Transcrevese a ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos Fl. 519DF CARF MF Processo nº 19515.003504/200441 Acórdão n.º 3302005.929 S3C3T2 Fl. 520 6 previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos a pagamento antecipado (lançamento por homologação) regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. No caso, a recorrente defende que as declarações em DCTF consistem em pagamento antecipado. Nas DCTFs juntadas aos autos (efls. 44/67 e 260/284), constam informações de pagamentos de PIS/Pasep e Cofins nos meses de março, julho, agosto, setembro/1999 (efl. 49, 59, 60, 265, 275, 276 e 277), ao passo que nos demais meses, os débitos apurados de PIS/Pasep e Cofins correspondem ao saldos a pagar, não tendo havido qualquer informação a título de pagamento. A possível existência de recolhimentos em DARF nos meses março, julho, agosto, setembro/1999 deslocaria a verificação da decadência para o artigo 150, §4º do CTN e implicaria seu reconhecimento, uma vez que os Autos de Infração foram cientificados à recorrente em 30/12/2004, portanto, mais de cinco anos dos fatos geradores. Para os demais períodos, não haveria pagamento e o prazo decadencial seria regido pelo artigo 173, I do CTN, o que implicaria o afastamento da alegação de decadência, pois que para janeiro/1999, a aplicação do artigo 173, I levaria o termo final para 31/12/2004, posterior à ciência da lavratura. Porém, a informação na DCTF não é prova do recolhimento em DARF, não tendo a recorrente juntado qualquer prova de tal recolhimento, não se desincumbindo do ônus que lhe cabia. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 19515.003504/200441 Acórdão n.º 3302005.929 S3C3T2 Fl. 521 7 Concernente à alegação da natureza confiscatória e de ofensa aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, reiterase a impossibilidade de conhecimento por este Conselho de argüições de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2 e que a aplicação da multa de ofício no percentual de 75% decorre da falta de recolhimento do tributo devido, conforme as disposições do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, sendo sua aplicação atividade vinculada e obrigatória por parte da autoridade fiscal, nos termos do artigo 1423 do CTN. Quanto às demais matérias referentes à necessidade de o fisco provar a existência de saldo credor de caixa ou passivo fictício, necessidade de comprovar a falta de emissão de documento fiscal e de que se tratam de presunções simples, além de estarem preclusas por não terem sido deduzidas em impugnação, infringindo os artigos 16 e 17 do Decreto nº 70.235/1972, são matérias estranhas a este processo, que trata de Autos de Infração de PIS/Pasep e Cofins e que não abordaram qualquer infração a respeito do alegado. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 3 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 19515.003504/200441 Acórdão n.º 3302005.929 S3C3T2 Fl. 522 8 Fl. 522DF CARF MF
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Numero do processo: 19647.011449/2008-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19647.011449/200891 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.610 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 20 de setembro de 2018 Assunto RESTITUIÇÃO Recorrente A.J.J. EMPRESA DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. Vencidas as conselheiras Ester Marques Lins de Sousa e Eva Maria Los. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Relatório. Adotase o relatório do Acórdão nº 1140.838 da 4ª Turma da DRJ/REC (fls. 96 a 102), com a complementação necessária em seguida: O contribuinte A.J.J. EMPRESA DE ALIMENTOS LTDA, CNPJ/MF nº 08.071.185/000137, já qualificado neste processo, apresentou o pedido de restituição, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 96 47 .0 11 44 9/ 20 08 -9 1 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 19647.011449/200891 Resolução nº 1201000.610 S1C2T1 Fl. 3 2 em 22/07/2008, a partir de pagamentos indevidos no bojo do Simples Federal nos períodos de apuração de janeiro de 2001 a dezembro de 2002. Alegou o contribuinte que tinha optado pelo Simples Federal até o ano de 2003, quando sofreu uma ação fiscal em setembro de 2003, sendo desenquadrado do Simples desde o ano de 2001, inclusive, pois havia excedido o limite de receita bruta para a pequena empresa no ano de 2000. Tomou ciência do Ato de exclusão do Simples em 10/11/2003, tendo protocolizado o presente processo dentro do qüinqüênio contado da ciência desse Ato, não havendo falar em prescrição de seu direito. Ademais, a própria autoridade fiscalizadora anotou que o contribuinte poderia solicitar a compensação dos valores pagos no Simples a partir do período de apuração de janeiro de 2001, já que tais valores não foram abatidos quando da autuação. Considerando a inércia da Administração em apreciar o pedido do contribuinte, este impetrou mandado de segurança, logrando conseguir liminar, em 11 de junho de 2012 (e sentença concessiva da segurança), que constrangeu a DRFBRecife a apreciar o pedido, no prazo de 30 dias da liminar, com base no art. 24 da Lei nº 11.457/2007. A pretensão acima foi indeferida pela autoridade competente da DRFBRecife, em decisão datada de 06/07/2012, ao argumento de que o direito do contribuinte tinha sido exercido após o lustro constante do art. 168 do CTN. Notificado da decisão acima em 12/07/2012, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 02/08/2012, alegando, em síntese, que o termo a quo para contagem do prazo prescricional do seu direito de restituição somente poderia ser contado a partir da data em que a autoridade fiscalizadora o notificou da exclusão do Simples Federal, qual seja, 10/11/2003, e não do momento de cada pagamento indevido nos anos de 2001 e 2002, pois, na época dos pagamentos, os mesmos eram devidos, não podendo o contribuinte pedir restituição. Assim, o direito de repetição do indébito somente surgiu a partir de 10/11/2003, tendo o impugnante protocolizado o presente processo em 22/07/2008, dentro do qüinqüênio legal. Por essa decisão, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo transcrita: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL PARA OS PEDIDOS PROTOCOLIZADOS APÓS O INÍCIO DE VIGÊNCIA DA VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PRAZO DECENAL PARA OS PEDIDOS PRETÉRITOS A TAL LEI. De acordo com o Pleno do Supremo Tribunal Federal (RE nº 566.621), é inconstitucional o art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar 118/2005, aduzindo que o prazo de restituição dos tributos por homologação é decenal para os pedidos feitos até o início da vigência do art. 3º da LC nº 118/2005, sendo qüinqüenal se posterior. No recurso voluntário, é alegado que a decisão de primeira instância foi equivocada: Se o contribuinte somente tomou conhecimento do seu desenquadramento do regime de tributação do SIMPLES em 10 de novembro de 2003, quando o Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, ato administrativo aue reconheceu seus pagamentos como indevidos, lhe foi apresentado para ciência, não poderia antes disso sequer cogitar a possibilidade de estar recolhendo tributos indevidamente, pois era beneficiária regular e legal do regime de Fl. 145DF CARF MF Processo nº 19647.011449/200891 Resolução nº 1201000.610 S1C2T1 Fl. 4 3 tributação do SIMPLES e, como tal, estava cumprindo com suas obrigações perante o Fisco como bem definido em lei, nascendo tão somente nesse momento, no ano de 2003, o seu direito ao pleito de restituição frente à Receita Federal do Brasil (aplicandose ao caso concreto, assim, a teoria da actio nata o momento do início do curso da prescrição é determinado pelo nascimento da ação). Essa foi a matéria efetivamente ventilada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade, e a respeito da qual se esperava que a decisão impugnada adotasse um posicionamento claro: reconhecida a validade da teoria da actio nata, seria procedente o direito da Recorrente; não reconhecida a validade da referida tese, julgarseia improcedente a pretensão do contribuinte. Não foi o que ocorreu! O auditor fiscal relator da decisão recorrida inicia seu voto declarando expressamente que a teoria da actio nata há muito se encontra plenamente consolidada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, citando, inclusive, precedente ilustrativo da Colenda Câmara acerca do tema. [...]Todavia, logo em seguida, o julgador administrativo declina sua opinião pessoal acerca do tema, revelando que discorda da validade da teoria da actio nata, tendo em vista que, supostamente, sua aplicação configuraria ameaça ao princípio da segurança jurídica (ignorando o fato de se tratar de tese consolidada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais há mais de 10 anos). [...]A partir daí numa aparente tentativa de justificar a decisão de indeferimento ao final de seu voto, o auditor fiscal relator do decisum abandona a discussão acerca da teoria da actio nata, cerne do litígio, e inicia longa explanação acerca da evolução histórica do entendimento do Superior Tribunal de Justiça a respeito do prazo prescricional para restituição de tributos, passando pela constitucionalidade da Lei Complementar 118/2005, para, ao final simplesmente concluir que a Recorrente estaria pleiteando o reconhecimento de prazo decenal para seu pedido de restituição (argumento que nunca foi ventilado pelo contribuinte). Em síntese, não se dedicou em analisar a aplicação da teoria da actio nata ao caso concreto. [...]Assim, a fundamentação do acórdão recorrido não faz sentido algum, tendo em vista que a Recorrente sempre concordou com o prazo prescricional de 05 (cinco) anos e seu direito é perfeitamente compatível com a LC 118/2005 (muito embora referida legislação não possua relevância na construção de sua tese), buscando o reconhecimento, apenas, da aplicação da teoria da actio nata ao seu caso concreto, tendo em vista que o termo a quo para início da contagem do prazo quinquenal em discussão, nos casos de reconhecimento administrativo do indébito posterior ao pagamento, não pode ser fixo e deve sempre ser fixado a partir da data de publicação do ato administrativo declaratório, conforme remansosa jurisprudência do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 19647.011449/200891 Resolução nº 1201000.610 S1C2T1 Fl. 5 4 Ao final, é veiculado pedido assim redigido: Diante do exposto, demonstrada a incoerência da fundamentação do deciso vergastado, pugnase a V. S.as pela total PROCEDÊNCIA do presente Recurso Voluntário, no sentido de reformar o r. acórdão, a fim de que seja reconhecido o direito da Recorrente à restituição tributária. É o relatório. Voto. Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, conforme carimbo e assinatura apostos no canto superior direito do documento, e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Antes da análise quanto à decadência para se efetuar o pedido de restituição, tendose em vista a data da ciência quanto ao ato declaratório de exclusão do Simples em face da aplicação da teoria da actio nata, e ainda o princípio da vedação ao enriquecimento sem causa, há que se verificar ter ou não havido a dedução dos tributos pagos na sistemática do Simples do valor exigido mediante os autos de infração. Como informado no pedido de restituição, no próprio Termo de Verificação e de Encerramento de Ação Fiscal relativo à fiscalização que culminou na exclusão da recorrente do Simples e na lavratura dos autos de infração há o alerta para que se faça a solicitação da compensação (fl. 30) Alertamos que o contribuinte pode solicitar compensação dos pagamentos do SIMPLES feitos, dos períodos de apurações 01/2001 a 12/2002, com parte dos débitos do presente processo. Também, no recurso voluntário, há a informação de que os débitos controlados nos processos relativos aos lançamentos de ofício estão parcelados. À fl. 31, consta extrato de sistema em que aparecem os números dos processos em situação "parcelamento": Consultandose o "site" deste colegiado, constam acórdãos para três dos referidos processos. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 19647.011449/200891 Resolução nº 1201000.610 S1C2T1 Fl. 6 5 Processo nº 19647.004441/200364, Acórdão nº 20179.420, sessão de 29 de junho de 2006, e processo nº 19647.004442/200317, Acórdão nº 20179.419, sessão de 29 de junho de 2006. Em ambos, parte da ementa (alusiva ao que se analisa no presente processo) está assim redigida: NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. É de se reconhecer o direito à compensação de débitos da própria pessoa jurídica com créditos oriundos de pagamento efetuado indevidamente, em respeito à vedação de enriquecimento sem causa, por quaisquer das partes. Processo nº 19647.004443/200353, Acórdão nº 10516.501, sessão de 24 de maio de 2007, ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO PEDIDO DE DESISTÊNCIA Não se conhece de recurso voluntário, quando a parte interessada expressamente desiste do mesmo, faculdade que lhe assiste, em qualquer fase do processo (art. 16, do Regimento Interno). Não consta nenhuma informação quanto ao processo nº 19647.004444/200306. Em face do exposto, proponho seja o presente julgamento convertido em diligência, com a baixa dos autos à unidade da Receita Federal da circunscrição da recorrente para que: a) seja informada a situação quanto aos parcelamentos dos débitos controlados nos processos 19647.004441/200364, 19647.004442/200317, 19647.004443/200353 e 19647.004444/200306; b) se houve alguma dedução dos tributos originariamente lançados nos autos de infração, em face dos pagamentos do Simples. A conclusão deverá constar em relatório circunstanciado do qual se dará ciência à recorrente para que, querendo, manifestese a respeito, no prazo de trinta dias. Em seguida, os autos devem retornar ao CARF. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.901235/2013-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF.
Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindo-se daí o rito processual ordinário.
Numero da decisão: 1301-003.328
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. Constatada a existência do crédito tributário, por meio da DCTF retificadora apresentada, ela deve ser analisada pela fiscalização, em homenagem ao princípio da verdade material no processo administrativo, seguindose daí o rito processual ordinário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 90 12 35 /2 01 3- 43 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10073.901235/201343 Acórdão n.º 1301003.328 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por maioria de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão da inexistência do crédito alegado para quitação dos débitos informados no PER/DCOMP. O presente processo decorre de pedido de compensação, cujo crédito tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais. O Despacho Decisório proferido pela da unidade de origem não reconheceu o valor do crédito pretendido e não homologou as compensações declaradas. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que o valor a maior recolhido se deu basicamente pois desconsiderou os valores pagos em meses anteriores, apresentou planilha que demonstra como os cálculos ocorreram. O Acórdão recorrido entendeu que na data da transmissão das PerdComps o crédito não era líquido e certo, uma vez que as DCTFs não estavam retificadas, e todo o DARF alocado ao débito estava consumido, sem crédito algum, bem como porque o interessado não juntou provas e documentos. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende que o acórdão recorrido deve ser anulado pois não se baseou na verdade material dos fatos, e simplesmente baseouse na DCTF que não foi retificada para não homologar as compensações, juntou as DCTFs retificadoras bem como os cálculos em que se basearam os pagamentos. É o relatório. Fl. 341DF CARF MF Processo nº 10073.901235/201343 Acórdão n.º 1301003.328 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.326, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10073.901241/2013 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O direito creditório analisado no processo paradigma tem como origem pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, relativo ao período de apuração de 31/08/2011. No presente processo, o crédito pleiteado tem origem em pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente ao período de apuração de 30/09/2011. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.326): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de IRPJ pago a maior, pois ao efetuar o pagamento das estimativas mensais, não levou em consideração os valores já recolhidos em meses anteriores. Segundo o Despacho Decisório, todo o DARF relacionado estava alocado para um débito, de tal forma que não restou nenhum crédito disponível a ser compensado, não homologando a compensação pleiteada. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, que na data da transmissão da Perdcomp, o crédito não se encontrava líquido e certo, bem como faltou ao recorrente trazer a prova do indébito tributário. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente quando realizou o pagamento do DARF para quitar a antecipação, não levou em consideração os valores pagos em meses anteriores, levandoo a pagar um valor maior. Apresentou planilhas em que se demonstra tal cálculo, e em sede recursal juntou a DCTF retificadora e livros de apuração. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 10073.901235/201343 Acórdão n.º 1301003.328 S1C3T1 Fl. 5 4 O ponto aqui é que a DCTF foi somente retificada após o Despacho Decisório, não gerando a informação de crédito para a RFB. Porém, ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Ademais, no caso em tela, de acordo com a DIPJ, a recorrente apurou seu IRPJ em todos os meses do ano com base em balancete de suspensão ou redução, não caracterizando alteração de regime. Em situações semelhantes, temos o entendimento de que a retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impediria o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original, tal como preconiza o § 1º do art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de desconsideração da DCTF retificadora. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar a questão da DCTF retificadora e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do crédito Fl. 343DF CARF MF Processo nº 10073.901235/201343 Acórdão n.º 1301003.328 S1C3T1 Fl. 6 5 pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 344DF CARF MF
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