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Numero do processo: 10680.721859/2010-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
ALIMENTAÇÃO PAGA EM TICKETS SOFRE A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em tickets ou pecúnia, sem a devida inscrição no PAT, sofre a incidência da contribuição previdenciária.
PRÊMIO LÍDER DA TURMA. VERBA PAGA EM CARÁTER HABITUAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O prêmio Líder da Turma está condicionado a critérios de ordem pessoal do trabalhador e só deve integrar o salário de contribuição quando pagas de forma habitual, com certa frequência.
AJUDA DE CUSTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Não integra o salário de contribuição a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT.
PRÓ-LABORE INDIRETO PAGO AOS SÓCIOS. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. COMPETÊNCIA.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não possui competência para apreciar pedido de compensação de débito reconhecido com direitos creditórios eventualmente existentes em favor do contribuinte.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim (relatora), que votou por dar provimento parcial para excluir do lançamento as parcelas de Ticket Refeição indicadas no levantamento "AL"- alimentação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Kleber Ferreira De Araújo Redator designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação in natura fornecida aos segurados. A alimentação fornecida em tickets ou pecúnia, sem a devida inscrição no PAT, sofre a incidência da contribuição previdenciária. PRÊMIO LÍDER DA TURMA. VERBA PAGA EM CARÁTER HABITUAL. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O prêmio Líder da Turma está condicionado a critérios de ordem pessoal do trabalhador e só deve integrar o salário de contribuição quando pagas de forma habitual, com certa frequência. AJUDA DE CUSTO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Não integra o salário de contribuição a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT. PRÓLABORE INDIRETO PAGO AOS SÓCIOS. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. COMPETÊNCIA. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não possui competência para apreciar pedido de compensação de débito reconhecido com direitos creditórios eventualmente existentes em favor do contribuinte. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 18 59 /2 01 0- 88 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim (relatora), que votou por dar provimento parcial para excluir do lançamento as parcelas de Ticket Refeição indicadas no levantamento "AL" alimentação. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Kleber Ferreira De Araújo – Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721859/201088 Acórdão n.º 2401003.440 S2C4T1 Fl. 419 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.291.6791, do qual a contribuinte foi cientificada em 13/07/2010, lavrado para cobrança das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social que deixaram de ser retidas dos segurados empregados pela Recorrente, apuradas de 01/2006 a 12/2006, incidentes sobre: · Pagamento de alimentação e cesta básica aos empregados, consignadas em folha de pagamento, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, referentes ao período de 01/2006 a 12/2006; · Cestas Básicas fornecidas aos empregados, sem a devida inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, não incluídos em folhas de pagamento, referentes ao período de 01/2006 a 09/2006 e de 11/2006 e 12/2006; · Prêmio líder da turma pago a empregados no período de 08/2006 a 12/2006; · Gratificação de Assiduidade paga a empregados no período de 01/2006 a 07/2006; · Ajuda de Custo paga a empregados no período de 01/2006 a 12/2006; · Prólabore indireto pago aos sócios no período de 01/2006 a 10/2006 e 12/2006. Segundo o relatório fiscal (fls. 44/55), a contribuição dos segurados empregados foi apurada aplicandose a alíquota correspondente à faixa salarial, respeitandose o limite máximo. O anexo I apresenta os valores da diferença da contribuição do segurado calculada considerandose as rubricas descritas nos itens acima. Os valores da contribuição do segurado correspondentes às cestas básicas foram calculados aplicandose a alíquota mínima de 8% (oito por cento) visto que não foram identificados os valores correspondentes a cada segurado beneficiado, anexo II. A alíquota aplicada para apuração das contribuições do segurado contribuinte individual mencionado no item F foi de 11% (onze por cento), anexo III. Aduziu que estes valores não foram incluídos na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP. Complementou que a empresa tem como objeto social a prestação de serviços de engenharia civil, elaboração de projetos, acessória, consultoria, fiscalização, gerenciamento e execução de obras por conta própria, por administração ou empreitada, fornecimento e locação de mão de obra e equipamentos. Para identificar as irregularidades acima apontadas, a Agente Autuante procedeu à análise de Livros Diários, folhas de pagamento, GFIPs, notas fiscais de aquisição de cestas básicas e documentos que respaldaram os registros contabilizados na conta “Outras Despesas”, donde foram extraídas as informações utilizadas na elaboração dos levantamentos “AL”, “CN”, “PR”, “GA”, “AJ” e “PL”, anexos à peça acusatória. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Depois de relatadas as infrações, a autoridade fiscal elaborou quadros comparativos para determinação da penalidade mais benéfica, do que resultou a aplicação multa de 75% sobre o valor da contribuição apurada. Finalizou alegando que na presente ação fiscal foram lavrados os seguintes Autos de Infração de obrigações principais: · AI DEBCAD 37.267.3686 COMPROT 10680721.857/201099 contribuição da empresa, valor de R$ 123.202,88; · AI DEBCAD 37.291.6783 COMPROT 10680721.858/201033 contribuição dos segurados, apropriação indébita, valor de R$ 14.940,50; · AI DEBCAD 37.291.6791 COMPROT 10680721.859/201088 contribuição dos segurados referente a fornecimento de cesta básica, alimentação, prêmio líder da turma, gratificação de assiduidade, ajuda de custo e prólabore indireto, sem ter havido desconto, valor de R$ 26.508,38, de que cuida o presente Recurso; · AI DEBCAD 37.291.6805 COMPROT 10680721.860/201011 contribuição devida aos “Terceiros”, valor de R$ 20.221,93; E os Autos de Infração por descumprimento de obrigações acessórias: · AI DEBCAD 37.267.3643 COMPROT 10680721.853/201019 Código de Fundamentação Legal 30 (deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e das pagas ou devidas aos contribuintes individuais, a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela RFB), valor de R$ 1.431,79; · AI DEBCAD 37.267.3660 COMPROT 10680721.855/201008 Código de Fundamentação Legal 59 (deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço), valor de R$ 1.431,79; · AI DEBCAD 37.267.3651 COMPROT 10680721.854/201055 Código de Fundamentação Legal 34 (deixar a empresa de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos), valor de R$ 14.317,78; · AI DEBCAD 37.267.3635 COMPROT 10680721.8524/201066 Código de Fundamentação Legal 78 (apresentar GFIP com omissões nos dados relacionados aos fatos geradores), valor de R$ 6.500,00; · AI DEBCAD 37.267.3678 COMPROT 10680721.856/201044 Código de Fundamentação Legal 38 (deixar de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei nº 8.212 de 24/07/1991, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas), valor R$ 14.317,78. Em13/07/2010, o Recorrente tomou ciência do lançamento contra si realizado (fl.3) e, em seguida, apresentou impugnação (fls. 114/126) alegando, em síntese: Fl. 422DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721859/201088 Acórdão n.º 2401003.440 S2C4T1 Fl. 420 5 · A nulidade do Auto de Infração, em virtude de não terem sido apreciadas, pela autoridade lançadora, as Convenções Coletivas de Trabalho que justificariam a não tributação sobre as parcelas em debate; · Que os valores pagos a título de ajuda a alimentação ao trabalhador possuem natureza indenizatória em virtude de expressa previsão em convenção ou acordo coletivo de trabalho; · Que a parcela paga a título de gratificação de assiduidade não se caracteriza como remuneração, portanto não sujeita aos encargos previdenciários; · Que o pagamento a título de premio liderança foi pago em obediência ao que determina as Convenções Coletivas de Trabalho; · Que a multa aplicada se apresenta confiscatória, motivo pelo qual se impõe a respectiva redução; · Que, conforme se verifica dos PER/DCOMP bem como das notas fiscais e planilha de retenções/compensações juntadas, há um considerável crédito com a Previdência Social, que nos termos da legislação vigente pode ser utilizado para compensação de valores devidos. Sendo assim, se após o julgamento da demanda, restar apurado algum crédito em desfavor da impugnante, o mesmo deverá ser compensado do referido montante. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (fls. 275/278), em vistas das alegações e documentos trazidos pelo contribuinte, determinou o encaminhamento dos autos a DRF de origem para realização de diligência. Na oportunidade, a fiscalização aduziu às fls.281/283 que: · Os valores e respectivos fatos geradores foram lançados no Auto de Infração em tela em decorrência da sua não inclusão em GFIP, o que implicou na falta de recolhimento em GPS nas competências em que ocorreram, como mencionado ao longo do Relatório Fiscal do Auto de Infração; · Com o início da fiscalização, que se deu com o recebimento do Termo de Início de Procedimento Fiscal em 29/01/2010, o sujeito passivo perdeu a espontaneidade de elaborar ou retificar as GFIP para serem aceitas pela fiscalização; · A empresa efetuou compensações de valores retidos em Notas fiscais de Serviços por ela emitidas conforme se verifica na planilha “Compensações de Retenção”, cujos dados foram extraídos de GFIP entregues antes do início da fiscalização; · Sendo assim, os saldos de valores retidos por contratantes de serviços em notas fiscais, faturas ou recibos poderiam ter sido aproveitados caso aqueles fatos geradores objeto da autuação também tivessem sido oferecidos à tributação mediante a sua inclusão na base de cálculo de contribuições previdenciárias da GFIP antes do início do procedimento fiscal; · Nesta hipótese, os valores de retenção sofridos pelo contribuinte deveriam ser lançados ou informados no campo próprio (Compensação) da GFIP que seriam automaticamente Fl. 423DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 aproveitados para abater o valor devido à Previdência Social, gerando um decréscimo no saldo ou mesmo sua extinção. · O aproveitamento de valores de retenção não compensados para abater fatos geradores não declarados em GFIP é inadmissível dentro dos procedimentos fiscais de uma forma geral, sob pena de se perder o controle de valores retidos e não declarados posto que, continuariam passíveis de compensação ou pedido de restituição; · Por fim, aduziu que não merece prosperar a alegação que as Convenções Coletivas de Trabalho sustentavam a não tributação sobre parcelas salarias, pois a composição do salário de contribuição se baseia em previsões legais. Ademais, anexou planilha intitulada “Guias da Previdência Social”, contendo todos os recolhimentos em nome do contribuinte identificados nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil. Em seguida, a Recorrente manifestouse às fls. 293/298, requerendo a reconsideração das conclusões da diligência, que manteve o entendimento que as parcelas de auxilio alimentação, prêmio líder e ajuda de custo integram o salário de contribuição. Ademais, quanto ao prólabore indireto, a Recorrente reconheceu que deixou de tributar alguns valores claramente tributáveis, que deverão ser pagos ou compensados com os créditos existentes em seu favor. Instada a manifestarse, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte julgou procedente em parte a autuação,apenas para excluir da cobrança os valores lançados com o código de levantamento “CN” Cestas Básicas fornecidas aos empregados in natura, nos termos do acórdão abaixo ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 A 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados contribuintes individuais e dos segurados empregados a seu serviço e recolher o produto arrecado juntamente com as contribuições previdenciárias a seu cargo. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, inclusive os ganhos habituais sob forma de utilidades. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre despesas com alimentação in natura em favor dos empregados tendo em vista o PARECER PGFN/CRJ/Nº 2117 de 10/11/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda e o Ato Declaratório PGFN nº 3 de 20/12/2011. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. É vedado ao fisco afastar a aplicação de lei, decreto ou ao normativo por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721859/201088 Acórdão n.º 2401003.440 S2C4T1 Fl. 421 7 Lançamento procedente em parte. Devidamente intimada em 22/03/2013 (conforme AR de fl.377), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 22/04/2013(fls.380/395), rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos seguintes argumentos: · Que o código de Lançamento “CN” que corresponde ao evento Cesta Básica in natura e “AL” Alimentação, possuem a mesma natureza jurídica, razão pela qual esse último também merece ser excluído do referido Auto de Infração, pelos mesmos fundamentos que motivaram o afastamento da cobrança sobre as quantias despendidas pela empresa para fornecimento in natura dos alimentos; · Que a ajuda de custo e o prêmio líder de turma possuem natureza jurídica indenizatória, não podendo ser considerado como salário em sentido estrito; · Reconhece que não foram tributados alguns valores enquadrados como remuneração indireta dos sócios, devendo ser considerados créditos da Fazenda e pagos ou compensados com os créditos existentes em seu favor; É o relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 Voto Vencido Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora. Recurso voluntário tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Inicialmente, devese destacar que não será objeto de análise no presente voto a procedência ou não da autuação quanto às importâncias compreendidas nos levantamentos “CN”, “PL” e “GA”. Isso porque, no que tange aos custos incorridos no fornecimento de cestas básicas in natura pela Recorrente Levantamento “CN”, a DRJ já afastou o lançamento sobre tais importâncias e o montante reduzido pelo órgão julgador a quo não enseja a interposição de recurso de ofício. De outro lado, a discussão inicialmente instaurada pela empresa autuada em sede de impugnação foi renunciada no que tange à exigência da contribuição e adicional incidente sobre os valores considerados pela Fiscalização como prólabore indireto dos sócios – Levantamento “PL”; além de não ter sido combatida nas razões do Recurso Voluntário as acusações fiscais atinentes à Gratificação de Assiduidade – Levantamento “GA”. Por fim, a Recorrente deixou de discutir a tese relativa à confiscatoriedade da multa imposta, bem como a alegação sobre as retenções na fonte realizadas pelas suas contratantes de serviço. Com efeito, foram devolvidas à apreciação da instância recursal apenas as matérias relacionadas com a incidência da contribuição sobre os pagamentos realizados a título de (i) auxílio alimentação pagos em pecúnia; (ii) Ajuda de Custo; e (iii) Prêmio Líder; (iv) além do pedido de compensação do débito remanescente após o julgamento com créditos objeto de PER/DCOMPs deferidos em seu favor. Delimitado o objeto do recurso, passo à análise das alegações da Recorrente. Conforme acima pontuado, aduziu inicialmente a recorrente em suas razões recursais que o Código de Lançamento “CN” e “AL” possuem a mesma natureza jurídica, razão pela qual os valores gastos com Alimentação pagos em pecúnia também devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Isto porque, a decisão de primeira instância, considerando o disposto no parecer PGFN/CRJ/ nº 2117/2011, no Ato Declaratório PGFN nº 3 de 20/12/2011 e o que determina a Lei Complementar nº 73/1993, art. 42, concluiu que não mais caberia o lançamento de contribuições incidentes sobre os valores despendidos com o fornecimento de cestas básicas (alimentação in natura). Partindo de tal orientação, o Colegiado a quo excluiu do lançamento todas as contribuições identificadas com o código de levantamento “CN”, deixando de excluir os valores pagos, em pecúnia, aos empregados a título de alimentação, por inexistir dispositivo normativo que o autorize. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721859/201088 Acórdão n.º 2401003.440 S2C4T1 Fl. 422 9 O art. 28, § 9º, da Lei 8.212/91 determina expressamente quais os valores que podem ser excluídos da base de cálculo do salário contribuição. Dentre tais valores, consta aquele referente às despesas com a alimentação dos empregados, que pode ser excluído desde que a alimentação seja fornecida (i)in natura e (ii) de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Exigiase, portanto, a presença destes dois requisitos para que o valor pago a título de auxílioalimentação fosse excluído da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional proferiu o Ato Declaratório nº 03/2011, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, por meio do qual aprovou o Parecer nº 2117/2011. Vejamos o que diz o referido Ato Declaratório. A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Segundo o Parecer nº 2117/2011, aprovado através do Ato supratranscrito, verificase não deve ser constituído crédito tributário com fundamento em auxílioalimentação fornecido in natura, ainda que a empresa não tenha inscrição no PAT, bem como devem ser revistos, de ofício, os lançamentos já efetuados com base neste fundamento. Resta consignado também nesse parecer, baseado na jurisprudência pacífica do STJ, que o auxílioalimentação somente assume feição salarial e, portanto, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, quando “for pago em espécie ou creditado em conta corrente, em caráter habitual”. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Como se sabe, a observância aos atos declaratórios, proferidos pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, nos moldes dos artigos 18 e 19 da Lei nº 10.522/2002, é obrigatório por parte deste Conselho, nos termos do art. 62, inciso II, alínea a, do Regimento Interno, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 20091. Em seguida, a Instrução Normativa RFB nº 1.453, de 24 de fevereiro de 2014, confirmou o entendimento já consolidado através do Parecer nº 2114/2011 para excluir a obrigatoriedade de inscrição no PAT, mantendo somente a necessidade da alimentação ser paga in natura. Vejamos: Art. 58. Não integram a base de cálculo para fins de incidência de contribuições: III a parcela in natura do auxílio alimentação; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.453, de 24 de fevereiro de 2014). De acordo com o relatório fiscal, foi constatado no exame da folha de pagamento e da escrituração contábil que os valores referentes às refeições e cesta básica para alguns empregados foram pagos em pecúnia. A partir da análise do Anexo IV do Relatório Fiscal (fls. 81/107), verificase que foram pagos em dinheiro valores referentes a cestas básicas, ticket refeição e lanche para alguns funcionários. Interpretandose apressadamente o entendimento normativo em destaque, poderseia concluir pela incidência da exação sobre tais rubricas. Contudo, não se pode ignorar o fato de que o auxílioalimentação fornecido pela Recorrente por meio de ticket refeição equiparase ao benefício in natura, como bem exposto no ACÓRDÃO nº 2803 01.6542, proferido pela 3ª Turma Especial da 2ª Seção deste Conselho, que reconheceu a improcedência do lançamento em caso de pagamento através de cartão magnético de alimentação. Vejamos: Os referidos cartões são utilizados para a compra de alimentação, aceitos exclusivamente em estabelecimentos comerciais que revendem tais produtos, como supermercados e armazéns. O fornecimento de tal instrumento facilita a logística empresarial, evitandose o manuseio de cestas básicas, além de dar maior liberdade de escolha ao empregado, que pode adquirir o alimento de sua escolha na qualidade que desejar. Sendo oferecido um ou outro – cesta básica ou cartão alimentação – o fim almejado será o mesmo, prover o empregado de víveres, não havendo que haver discriminação somente pela forma de seu fornecimento. Partindo da tal premissa, entendo que o auxílio alimentação fornecido através de ticket alimentação deve ser equiparado à alimentação in natura e excluído, portanto, do 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e19 da Lei n° 10.522, de19 de julho de2002; 2Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF, 2ª Seção, 3ª Turma Especial, ACÓRDÃO nº 280301.654. Processo nº 10783.721245/201129. Sessão de 21 de junho de 2012. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721859/201088 Acórdão n.º 2401003.440 S2C4T1 Fl. 423 11 salário contribuição, já que seu uso é restrito para aquisição de alimentos, aceitos exclusivamente por estabelecimento que os comercializam. Nesse mesmo sentido também decidiu o acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/01/1999 a 31/12/2004 PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR Ainda que tenha ausência de inscrição no PAT não gera salário de contribuição à Previdência Social, quando do pagamento de cesta básica aos funcionários. Segundo jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), onde não considera como parte do salário o pagamento “in natura” de auxílioalimentação quando a refeição é fornecida pela empresa. E, portanto, não incide salário de contribuição. O entendimento é valido e independemente de o empregador estar inscrito no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) ou não. No caso em tela, ao invés de se registrar no PAT, a Recorrente deu cesta básica ou ticket restaurante aos seus empregados, fato que por si só não gera a incidência da contribuição social previdenciária. [...] (Processo nº 15586.001026/200793, Acórdão nº 2301003.889 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Sessão de 23 de janeiro de 2014, Relator Wilson Antonio de Souza Corrêa) Já em relação às cestas básicas e lanches pagos em pecúnia, especificados no Anexo IV do Relatório Fiscal, entendo que não devem ser excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Isto porque, a legislação foi clara ao estabelecer a necessidade da alimentação ser concedida in natura e, a despeito de ter especificado no anexo IV que tais valores foram pagos para compra de cesta básica e lanche, não há como garantir que o empregado realmente utilizou tais valores para o fim proposto. O pagamento em pecúnia para a finalidade alimentícia pode ser usado para fim distinto da alimentação pelo empregado, de modo que o empregador não pode ser desonerado de recolher a referida contribuição previdenciária sobre tal valor, vez que não utilizou a forma autorizada pela legislação previdenciária. Sendo assim, quanto aos benefícios alimentícios, reconheço que apenas os valores de ticket refeição devem ser excluídos do salário de contribuição para fins de incidência de contribuição previdenciária correspondente à parte dos segurados, razão pela qual deve ser excluída tal parcela do código de levantamento “AL” Alimentação. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 Em seguida, aduziu o recorrente que o Prêmio Líder e a Ajuda de Custo possuem natureza jurídica indenizatória, não podendo ser considerado como salário em sentido estrito. Conforme consta no Relatório Fiscal, foi verificado na folha de pagamento da empresa o pagamento da rubrica Premio Líder da Turma que, por ser fatorde ordem pessoal do trabalhador, integra o salário de contribuição, conforme determina o art. 28, I da Lei 8.212/91. O prêmio Líder da Turma está condicionado a critérios de ordem pessoal do trabalhador, porém, a parcela só deve integrar o salário de contribuição quando paga de forma habitual, com certa frequência. O prêmio Líder da Turma encontrase previsto na Convenção Coletiva de Trabalho às fls. 191, na cláusula terceira, parágrafo primeiro, com a seguinte redação: O prêmio para a varredeira que atuar como Líder de Turma será integralmente reajustado em 6,0% (seis por cento) passando a R$ 63,50 (sessenta e três reais e cinquenta centavos) desvinculado da remuneração. Ocorre que o fato do prêmio liderança ser pago às líderes de turma de serviços de limpeza, por regra pactuada em instrumento de negociação coletiva, por si só não retira a natureza de parcela integrante do salário de contribuição, devendo ser analisada a habitualidade do seu pagamento diante do caso concreto. Sendo assim, a partir da análise do Anexo IV, verificase que o Prêmio Líder da Turmafoi pago aos mesmos empregados(José Romildo Alves Martins, Nardelio Moreira de Oliveira e Rafael Silva Ferreira), no período de 08/2006 a 12/2006, de modo que devido à habitualidade do pagamento da referida parcela, tais valores devem integrar o salário de contribuição. Em relação à Ajuda de Custo, aduziu a fiscalização que a empresa remunerou diversos empregados em vários meses, contrariando o quanto previsto no art. 29, §9º “g” da Lei 8.212/91. A ajuda de custo, em parcela única, recebida, exclusivamente, em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, não será considerada integrante da base de tributação previdenciária. Se, porém, o montante for dividido em dois ou mais meses, ou, ainda, se esta vantagem for utilizada para outra finalidade que não a mudança de local de trabalho, ela integrará o salário de contribuição. No caso em tela, a Recorrente não só deixou de justificar o pagamento da ajuda de custo no fato de ter havido a mudança de local de trabalho dos seus empregados, como também realizou tais pagamentos aos mesmos funcionários em diversas competências sucessivas, o que atesta a sua habitualidade, razão pela qual devem ser mantidos tais valores na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ressaltese que, como bem pontuado no provimento recorrido, os acordos e convenções coletivas não podem sobreporse às Leis, diante do que o simples fato de suas cláusulas terem atribuído às vantagens em apreço uma natureza não remuneratória não tem o condão de afastar a incidência das contribuições previdenciárias. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721859/201088 Acórdão n.º 2401003.440 S2C4T1 Fl. 424 13 Por fim, aduz a Recorrente que apresentou vários PER/DCOMPs pendentes análise no âmbito da Receita Federal, requerendo utilizálos para dar quitação aos débitos por ela reconhecidos. De início, mostrase necessário esclarecer à Recorrente que o regime de compensação das contribuições previdenciárias não segue a disciplina prevista no art. 74 da Lei n. 9.430/96, não sendo autorizada sua compensação com quaisquer tributos administrados pela SRFB, apesar da unificação do órgão, mas apenas com a própria contribuição. De outro giro, como bem ressaltado pela decisão de primeira instancia, também não cabe a este Conselho deferir o procedimento sugerido pela Recorrente, por ausência de norma que o autorize. Ou seja, falece ao órgão julgador a competência para promover o encontro de contas entre os débitos reconhecidos pela Recorrente e os créditos que entende fazer jus, objeto de PER/DCOMP. É o que dispõe o art. 69 da IN n. 1300/2012, que atualmente disciplina a matéria: Art. 69. A decisão sobre o pedido de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, relativo ao Reintegra e o pedido de reembolso, caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJ) ou da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, ressalvado o disposto nos arts. 70 e 72. Parágrafo único. A restituição, o reembolso ou o ressarcimento dos créditos a que se refere o caput , bem como a compensação de ofício desses créditos com os débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, caberão à DRF, à Derat, à Demac/RJ ou à Deinf que, à data da restituição, do reembolso, do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Face ao exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, dandolhe PROVIMENTO PARCIAL apenas para excluir o Ticket Refeição do Código de Levantamento “AL” alimentação, mantendose, no resto, a decisão recorrida. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo – Redator designado Ouso discordar da Ilustre Relatora quanto ao seu entendimento acerca da incidência de contribuições sobres os valores correspondentes ao fornecimento de tickets alimentação pela autuada. Para a Relatora o fornecimento dos vales equivaleria à prestação in natura, atraindo assim a aplicação do Ato Declaratório PGFN n.º 03 (DOU 24/11/2011), o qual afasta a incidência de contribuições sobre a alimentação fornecida in natura, independentemente da comprovação da inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Verifiquemos, inicialmente, se é aplicável à verba sob comento o citado Ato Declaratório, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recurso e desistência dos já interpostos: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária” JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). O texto do Ato Declaratório, não há dúvida, referese apenas aos casos de fornecimento in natura. Por isso, devemos investigar se o pagamento efetuado na sistemática acima relatada poderia ser considerado prestação in natura. Verifiquemos a jurisprudência em que se baseou a PGFN para exarar o Ato Declaratório em questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT . AUXÍLIOALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO DO FGTS. LEI Nº 6.321/76. LIMITAÇÃO. PORTARIA Nº 326/77. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORATÓRIOS PELA TR/TRD. APLICABILIDADE.(...)3. O STJ, em inúmeros julgados, assentou o entendimento de que o pagamento in natura do auxílioalimentação não tem natureza salarial e, como tal, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS, igualmente assentado no conceito de "remuneração" (Lei 8.036/90, art. 15). O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 30.05.2005; REsp Fl. 432DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721859/201088 Acórdão n.º 2401003.440 S2C4T1 Fl. 425 15 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2ª Turma, DJ de 02.05.2005;EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rel. Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 31.05.2004). Por tal razão, o auxílio alimentação pago em espécie com habitualidade também sofrerá a incidência do FGTS.4. "O pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" (EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004).(...)Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.Publiquese. Intimações necessárias.Brasília (DF), 07 de maio de 2010.(REsp nº 1.119.787SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 13/05/2010). *** EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES.1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da nãoocorrência da responsabilidade tributária será do sócioexecutado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária.2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. (grifouse)(...)5. Recurso especial parcialmente provido.(STJ, REsp 977.238/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ 29/11/2007). *** Fl. 433DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 DECISÃO(...)É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.(STJ, REsp 333.001/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008) *** TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO.1. O pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho.2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em contacorrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.3. Precedentes da Seção.4. Embargos de divergência providos. (grifouse)(EREsp 476.194/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005). Percebese que os quatro julgados acima manifestam claramente o entendimento de que somente se considera o fornecimento in natura quando a alimentação é fornecida diretamente pelo próprio empregador, o que nos leva a concluir que o fornecimento de cartões ou tickets para aquisição de produtos em estabelecimentos comerciais não representa fornecimento in natura. Concluise, portanto, que o Ato Declaratório mencionado não se aplica ao caso em tela. Observese que a motivação da Relatora para excluir da apuração a verba paga a título de alimentação foi exatamente a aplicação do Ato Declaratório da PGFN acima referido. Entendo, assim, que não tendo a empresa comprovado a sua adesão ao PAT, é cabível a incidência de contribuições sobre essa parcela, posto que disponibilizada em desacordo com a Lei n. 8.212/1991, conforme se verifica do dispositivo: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de isenção de contribuição sobre a alimentação fornecida aos empregados condiciona a desoneração a dois Fl. 434DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.721859/201088 Acórdão n.º 2401003.440 S2C4T1 Fl. 426 17 requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Assim, não tendo a recorrente fornecido a alimentação in natura, além de não comprovar a adesão ao PAT no período do AI, devem incidir contribuições sobre o “Auxílio Alimentação”. Voto, assim, no sentido de que seja mantida a tributação sobre a verba sob comento. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Ass inado digitalmente em 11/09/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 15758.000071/2009-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM.
Caracterizam-se como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificando-se sua tributação a esse título.
IRPF. NEXO CAUSAL TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 26 DO CARF.
A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal não mais ficou obrigada a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva.
CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA 02 DO CARF.
O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao órgão julgador administrativo negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo, sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-las nos moldes da legislação que a instituiu.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 4 DO CARF.
A Lei n° 9.065 de 1995, por seu artigo 13, impõe a cobrança de juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, no caso de débito de natureza tributária, não liquidado até a data fixada para o vencimento da obrigação.
MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO. ATENDIMENTO INCIPIENTE ÀS INTIMAÇÕES. INAPLICABILIDADE.
O agravamento da multa de ofício previsto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 não é cabível em caso de lançamento com base em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, quando intimado, o contribuinte atende à fiscalização, ainda que de forma incipiente. A falta de esclarecimentos ou apresentação de documentos pelo contribuinte não prejudica a constituição do crédito tributário pelo fisco, em razão da presunção disposta no art. 42 da Lei nº 9.430/96.
Numero da decisão: 2201-002.492
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
EDITADO EM: 08/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: Nathália Mesquita Ceia
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PRESUNÇÃO LEGAL OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, por presunção legal juris tantum os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. ÔNUS DA PROVA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Cabe ao contribuinte desfazer a presunção legal com documentação própria e individualizada que justifique os ingressos ocorridos em suas contas correntes de modo a garantir que os créditos/depósitos bancários não constituem fato gerador do tributo devido, haja vista que pela mencionada presunção, a sua existência (créditos/depósitos bancários), desacompanhada da prova da operação que lhe deu origem, espelha omissão de receitas, justificandose sua tributação a esse título. IRPF. NEXO CAUSAL TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. REGIME DA LEI Nº 9.430/96. POSSIBILIDADE. SÚMULA Nº 26 DO CARF. A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, a autoridade fiscal não mais ficou obrigada a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 8. 00 00 71 /2 00 9- 73 Fl. 163DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 CONTROLE DA CONSTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ATRIBUIÇÃO DO JUDICIÁRIO. SÚMULA 02 DO CARF. O controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao órgão julgador administrativo negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo, sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicálas nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 4 DO CARF. A Lei n° 9.065 de 1995, por seu artigo 13, impõe a cobrança de juros moratórios calculados com base na taxa SELIC, no caso de débito de natureza tributária, não liquidado até a data fixada para o vencimento da obrigação. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO. ATENDIMENTO INCIPIENTE ÀS INTIMAÇÕES. INAPLICABILIDADE. O agravamento da multa de ofício previsto no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 não é cabível em caso de lançamento com base em omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, quando intimado, o contribuinte atende à fiscalização, ainda que de forma incipiente. A falta de esclarecimentos ou apresentação de documentos pelo contribuinte não prejudica a constituição do crédito tributário pelo fisco, em razão da presunção disposta no art. 42 da Lei nº 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. EDITADO EM: 08/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, GUSTAVO LIAN HADDAD, GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e NATHALIA MESQUITA CEIA. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15758.000071/200973 Acórdão n.º 2201002.492 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Por meio do Auto de Infração (fls.66 em diante) lavrado em 12/02/2009 exigese do Contribuinte ANSELMO MARCIONILIO DOS ANJOS o montante de R$ 337.525,51 de imposto de renda da pessoa física, R$ 111.957,21 de juros de mora e R$ 379.716,19 de multa de ofício agravada, totalizando um crédito tributário de R$ 829.198,91 (atualizado até a data do lançamento), referente ao exercício de 2006 (anocalendário 2005) decorrente de Omissão de Rendimentos caracterizada por Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. O Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls. 62) relata: · O procedimento fiscal foi instaurado para verificação da incompatibilidade entre o rendimento declarado pelo Contribuinte e a movimentação financeira das contas de depósito ou investimento mantidas no anocalendário de 2005. · O Contribuinte manteve contas de depósito nas instituições financeiras Banco ITAÚ S.A. e Banco BRADESCO S.A., nas quais movimentou o total de R$ 1.456.029,88, apenas no anocalendário de 2005. A movimentação apresentada é informada pelas instituições bancárias mencionadas com base nas saídas das contas e que geram o montante da CPMF a ser recolhida. · O Contribuinte declarou apenas R$ 40.000,00 como sendo o total de rendimentos recebidos no referido período ao entregar a DIRPF/06, o que representa 3% da sua movimentação financeira. · O Contribuinte foi intimado a prestar os devidos esclarecimentos e apresentar todos os extratos bancários do ano calendário de 2005, referentes a todas as contas de depósito par ele mantidas e que deram origem às movimentações financeiras mencionadas. · A auditoria precisou requisitar diretamente à instituição financeira, através da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF n° 2008000309, os extratos bancários das contas correntes e de aplicações financeiras, bem como os dados constantes das fichas cadastrais do Contribuinte. · A fiscalização apurou a existência de lançamentos de crédito referentes a aplicações/resgates automáticos de investimentos e poupança, os quais foram desconsiderados para análise. Também foram desconsideradas as transferências efetuadas entre as contas do próprio titular. · O Contribuinte foi intimado e reintimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados em suas contas bancárias. · Apesar das oportunidades concedidas pela fiscalização, o Contribuinte não respondeu à intimação, nem entrou em contato com a fiscalização, sujeitandose ao aumento da multa de ofício pelo não atendimento de intimação para prestação de esclarecimentos, conforme dispõe o § 2º do art. 44 da Lei n° 9.430/96. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Desta forma, uma vez não comprovada a origem dos valores creditados/depositados, ficou caracterizada a omissão de rendimentos, os quais foram apurados mensalmente, conforme demonstração e cujos valores serviram de base para a lavratura do Auto de Infração correspondente. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração em 13/03/2009, conforme espelho da página dos Correios de fls. 74, tendo apresentado Impugnação, tempestiva, de fls. 78 em 13/04/2006, alegando que: · há ausência de presunção lógica e argumentando que a movimentação bancária não corporifica fato gerador de Imposto de Renda. Assim, argumenta que os depósitos bancários seriam o marco inicial da investigação e que não haveria correlação direta entre os depósitos e a omissão de rendimentos, acrescenta que o encargo probatório é totalmente transferido para o contribuinte sendo impossível fazêlo. · a taxa SELIC não deve ser utilizada para tal fim, alegando violação à Constituição Federal e requer substituição pela aplicação de 1% ao mês de acordo com o artigo 161, § 1º do CTN. · a multa aplicada é confiscatória. Recorre à doutrina e jurisprudência. · não poderia ser efetuado o arbitramento com base nos depósitos bancários por não ter sido indicado sinais exteriores de riqueza. Na sessão de 22/06/2011, a 8ª Turma da DRJ/SP2 através do Acórdão 1751.879 (fls. 113) julgou improcedente a Impugnação, mantendo em parte o crédito tributário nos seguintes termos: DEPÓSTIBOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9.430/1.996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou investimento. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Enseja o agravamento da multa de ofício em 50% se constatado que o contribuinte, embora reiteradamente intimado, deixou de atender à fiscalização para apresentar esclarecimentos quanto à origem dos depósitos efetuados em seu favor. Art. 4º, IV da Lei 9.784/99 c/c 959 do RIR 99. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS As decisões administrativas e judiciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual os seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela, objeto da decisão. PRODUÇÃO DE PROVAS Cabe ao sujeito passivo apresentar as provas com a impugnação nos previstos no Artigo 16 do Decreto 70.235/72. A 8ª Turma da DRJ/SP2 excluiu do lançamento as parcelas correspondentes a conta nº 075896, mantida na agência 3094 do Banco Itaú, uma vez, embora só tenha sido atribuído ao Contribuinte 50% dos valores dos depósitos, o cotitular da conta não foi intimado a comprovar a origem. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15758.000071/200973 Acórdão n.º 2201002.492 S2C2T1 Fl. 4 5 O Contribuinte foi notificado do Acórdão através de AR de fls. 150 em 12/07/2011, vindo apresentar Recurso Voluntário às fls. 125 em 10/08/2011, aduzindo: · ausência de presunção lógica entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos. Argumenta que a movimentação bancária não corporifica fato gerador de Imposto de Renda. Neste senda, os depósitos bancários seriam o marco inicial da investigação e não seu ponto final. Logo, a presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 colide com as diretrizes do processo de criação das presunções legais, pois não haveria liame absoluto entre o depósito bancário e o rendimento omitido. · alegação do Fisco no sentido de que o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90 possibilita o arbitramento da renda com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. Todavia o referido dispositivo legal foi revogado pelo art. 88, VIII da Lei 9.430/96. Acrescenta que ainda que o dispositivo não tivesse sido revogado, a tributação somente deve ocorrer quando evidentes os sinais exteriores de riqueza, inclusive com indicações da própria autoridade que lavrou o auto de infração acerca do valor de mercado dos bens, dos gastos e depósitos sem comprovação que deveriam ter servido de base de cálculo do imposto. Fato que não ocorreu. · o Poder Judiciário já se manifestou contrário a possibilidade de tributação com base em extratos ou depósitos bancários conforme Sumula 182 do TFR. Junta jurisprudência. · contrariedade à utilização da taxa Selic, pois alega violação à Constituição Federal, inexistência de previsão legal e requer substituição pela aplicação de 1% ao mês de acordo com o artigo 161, §1º do CTN. · que a multa aplicada, no percentual de 150%, não é razoável sendo flagrantemente confiscatória. Junta jurisprudência. Argumenta ainda que por mais que o percentual da multa aplicada tenha sido reduzida, a mesma não pode prevalecer no caso vertente, seja em vista de ter ocorrido na espécie denúncia espontânea, através de GFIP’s, conforme art. 138 do CTN, seja pelo seu caráter confiscatório. Através da Resolução nº. 2202000.386 de 21/11/2012 (às fls.153) a 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF decidiu sobrestar o Processo Administrativo Tributário com base no art. 62A §1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma vez que o presente tema encontrase em sede de Recurso Repetitivo no STF através do Recurso Extraordinário n º 601.314/SP, de 22/10/2009, onde o Supremo Tribunal Federal reconheceu a existência de repercussão geral, nos termos do art. 543A, §1º, do CPC, combinado com art. 323, §1º, do Regimento Interno do STF, no que diz respeito à constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/01 no tocante ao fornecimento de informações sobre a movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, assim como a aplicação retroativa da Lei nº 10.174/01, que alterou o art. 11, § 3º da Lei no 9.311/96, e possibilitou que as informações obtidas, referentes à CPMF, também pudessem ser utilizadas para apurar eventuais créditos relativos a outros tributos, no tocante a exercícios anteriores a sua vigência. Posteriormente, a Portaria MF 545/13 revogou os dispositivos que determinavam o sobrestamento dos autos, nos termos já referidos, possibilitando o prosseguimento do feito. É o relatório. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Não há preliminares a serem vencidas, então passase à análise do mérito. I. Da Omissão de Rendimento decorrente de Depósitos Bancários de Origem não Comprovada O Contribuinte impugna a pretensão fiscal em razão do Fisco não haver estabelecido o nexo causal entre os depósitos em conta corrente e o rendimento omitido, já que os depósitos bancários por si só não constituem fato gerador do imposto de renda. Ou seja, defende que não é possível estabelecer uma correlação direta entre o montante dos depósitos e a omissão de rendimentos. Aponta também que a transferência total do encargo probatório ao contribuinte, importa em manifesta impossibilidade de produção de prova. Em sequência contesta o Auto de Infração sob o fundamento de ausência de fundamento legal, uma vez que a base legal da autuação art. 6º, §5º da Lei nº 8.021/90 foi revogado pelo art. 88 da Lei nº 9.430/96. Em reforço desta, alega a proibição de lançamento com base em depósitos bancários, contida na Sumula 182 do TFR. Neste contexto o Contribuinte sustenta que o art. 42 da Lei nº 9.430/96, desacompanhado de prova, não serve para sustentar a ação fiscal e uma vez excluídos os depósitos bancários não haveria o que se tributar, inexistindo dívida tributária. Conforme a vasta jurisprudência deste Conselho as argumentações levantadas pelo Contribuinte não se sustentam a partir da vigência da Lei nº 9.430/96 (art. 42) que determinou recair sobre o contribuinte o ônus de comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que os próprios depósitos são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2 Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. O fundamento da autuação não é § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90, mas sim o art. 42 da Lei nº 9.430/96. Notese que o mesmo ato normativo a Lei nº 9.430 revoga em seu art. 88; o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90 e, por outro lado, institui o art. 42. E, não poderia Fl. 168DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15758.000071/200973 Acórdão n.º 2201002.492 S2C2T1 Fl. 5 7 ser diferente. Para que surja um novo regramento acerca do tema, é necessário a revogação expressa da norma anterior. Desta feita, no mesmo diploma legal (Lei nº 9.430/96) há a revogação do regramento anterior e a instituição do novo regramento. O art. 42 da Lei nº 9.430/96 caracteriza como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O referido dispositivo apresenta conteúdo distinto do § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. Notase que o caput do dispositivo legal acima revogado, expressamente, exige a exteriorização de sinais de riqueza, requisito não exigido pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 (atualmente em vigor). Diante da alteração legislativa, a autoridade tributária não mais está obrigada a comprovar o consumo da renda, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio) incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorreria sob a égide do revogado § 5º do art. 6º da Lei nº8.021/90. Diante do novo preceito normativo, a presunção lógica entre os depósitos bancários e a omissão de rendimentos, pretendida pelo Contribuinte, como a exteriorização de riqueza não é mais exigida. A presunção lógica foi substituída pela presunção jurídica trazida pelo preceito normativo criado pelos representantes dos contribuintes no Poder Legislativo. Desta feita, os argumentos de defesa levantados pelo Contribuinte são anacrônicos, restam deslocados temporalmente. Destacase que o presente posicionamento já se encontra pacificado na presente Corte Administrativa conforme enunciado nº 26 da Súmula do CARF: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Prosseguindo fazse mister observar que a presunção legal trazida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 é aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 1997. Diante do exposto observa que tanto os dispositivos como as jurisprudências colacionadas pelo Contribuinte são anacrônicos, abordando entendimento jurisprudencial anterior a janeiro de 1997, início da eficácia da Lei ora em tela. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Por exemplo, no CARF o Acórdão 10417.494 aborda o exercício de 1993 e 1994, enquanto o Acórdão CSRF/0102.741 aborda os exercícios de 1991 a 1993. Já a Apelação Cível nº 1998.40.00.0009591/PI do TRF1 aborda o anocalendário de 1989. O Enunciado 182 da Súmula do TFR foi publicado no DJ em 07/10/1985, abordando o preceito normativo contido no § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Logo, tais julgados não são parâmetros para embasar a pretensão do Contribuinte, uma vez que o presente Auto de Infração apura omissão de rendimentos referente ao ano calendário de 2005, ou seja, fato gerador ocorrido sob a égide do art. 42 da Lei nº 9.430/96. No que concerne a inversão do ônus da prova, também improcede a argumentação de prova impossível. O legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o contribuinte comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem receitas da pessoa física. Resta evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. A função do Fisco, dentre outras, é comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente Declaração de Rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão receitas ou de rendimentos de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. A comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente, não servindo, a princípio, como comprovação de origem de depósito as receitas anteriormente auferidas ou já tributadas, se não for comprovada a vinculação da percepção das receitas com os depósitos realizados. Assim, os valores, cuja origem não houver sido comprovada, serão oferecidos à tributação. A opção legislativa quanto aos ônus de prova acima apontado, não poderia ser mais ponderada. Afinal, é ele, contribuinte, quem participa diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de um instrumento formal que se constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal etc.). Em suma, a norma estabeleceu a obrigatoriedade de o contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária. Neste contexto, verifica que improcede o argumento do Contribuinte de impossibilidade de produção de prova. Isto posto, uma vez que está em discussão omissão de rendimento decorrente da não comprovação da origem de depósitos bancários realizados no anocalendário de 2005, a alegação nulidade do Auto de Infração com base na falta de comprovação de nexo causal entre os depósitos e o aumento patrimonial do Contribuinte, utilização de legislação revogada e produção de prova impossível não procedem. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15758.000071/200973 Acórdão n.º 2201002.492 S2C2T1 Fl. 6 9 Assim, uma vez que, regularmente intimado, o Contribuinte não comprovou, mediante documentação hábil e idônea a origem dos depósitos bancários, mantémse a autuação. II. Da Taxa SELIC Inicialmente, o Contribuinte argumenta que a taxa SELIC é ilegal e inconstitucional, devendo ser melhor avaliada a premissa adota no Acórdão recorrido, quanto a impossibilidade da autoridade administrativa apreciar a arguição de inconstitucionalidade. Em seguida aponta que em momento algum buscou a declaração de inconstitucionalidade da taxa SELIC pela Administração Pública, muito pelo contrário, o que pretendeu o Contribuinte foi afirmar que a taxa SELIC não existe legalmente e, uma vez não existindo legalmente, fere e viola a Constituição. Em que pese a argumentação acima, onde o Contribuinte busca não se enquadrar no Enunciado 01 da Súmula do CARF, grande parte da sua fundamentação é de cunho constitucional destacando a violação aos preceitos constitucionais tais como: · Violação ao art. 146 da CRFB – a atribuição do Banco Central é para disciplinar e não instituir uma taxa mediante resoluções circulares (art. 164 da CRFB/88), · Violação à estrita legalidade (art. 150, I da CRFB/88) – somente lei em sentido estrito poderia prever juros. · Violação à legalidade, anterioridade e segurança jurídica – uma vez que a taxa SELIC não foi definida por lei de qualquer natureza. Isto porque a taxa SELIC não tem por fundamento legal o art. 13 da Lei nº 9.065/95, visto que a taxa SELIC consiste em uma taxa média ajustada com base nos financiamentos diários apurados no Sistema Especial de Liquidação e custódia para títulos federais. · Ilegalidade e inconstitucionalidade em equiparar contribuinte e o aplicador ou investidor. Quanto à reavaliação da premissa adotada pelo Acórdão recorrido e todas as violações constitucionais mencionada pelo Contribuinte, já é posição consolidada nos tribunais administrativos o entendimento de que a arguição de inconstitucionalidade de lei não deve ser objeto de apreciação nesta esfera, a menos que já exista manifestação do Supremo Tribunal Federal, uniformizando a matéria questionada. No Processo Administrativo Federal tal matéria já foi consolidada pelo enunciado nº 02 da Súmula do CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O referido enunciado decorreu das reiteradas decisões da presente Corte Administrativa com base imediata no parágrafo único do art. 4º do Decreto nº 2.346/97: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. O fundamento constitucional está na atribuição, com exclusividade, conferida pela Constitucional da República ao STF de guarda da Constituição, através do controle concentrado e difuso previstos no art. 102 da CRFB/88: Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendolhe: I processar e julgar, originariamente: a) a ação direta de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo federal ou estadual e a ação declaratória de constitucionalidade de lei ou ato normativo federal; (...) III julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: a) contrariar dispositivo desta Constituição; b) declarar a inconstitucionalidade de tratado ou lei federal; c) julgar válida lei ou ato de governo local contestado em face desta Constituição. d) julgar válida lei local contestada em face de lei federal.. Na criação do controle difuso da constitucionalidade das leis a Carta Magna, no Capítulo pertinente ao Poder Judiciário, estabelece através do art. 97, a reserva de plenário para matéria constitucional, possibilitando, assim, a apreciação, pelos demais órgãos judiciais (outros que não o STF) a matéria constitucional. Dispositivo semelhante não se encontra seja no capítulo pertinente ao Poder Executivo seja no Capítulo pertinente à Administração Publica: Art. 97. Somente pelo voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público. Se verdade fosse, que o Poder Executivo pudesse deixar de aplicar Lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Poder Executivo. O Poder Executivo haverá de cumprir o que emana da Lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da arguição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe do Executivo vetálaia, nos termos do artigo 66, Fl. 172DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15758.000071/200973 Acórdão n.º 2201002.492 S2C2T1 Fl. 7 11 § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tão somente, a propositura da ação própria perante ao órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o Contribuinte, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático de direito. Neste diapasão resta esclarecido que o controle da constitucionalidade das leis pertence ao Poder Judiciário, de forma difusa ou concentrada, não cabendo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) negar vigência à norma emanada do Poder Legislativo sob pena de invasão indevida de um poder na esfera de competência exclusiva do outro. Quanto à argumentação de inexistência de previsão legal da taxa SELIC, embora o Contribuinte discorde, a previsão legal da taxa SELIC está expressa no art. 13 da nº 9.064/95: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Neste contexto, apresentase citação proferida pelo Acórdão a quo ao REsp 267788/PR, onde o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconhece a previsão legal para aplicação da taxa SELIC: TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAL. ABRAVO DE INSTRUMENTO. DENUNCIA ESPONTANEA. PARCELAMENTO DE DÉBITO TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. EXIBILIDADE. JUROS DE MORA À TAXA SELIC. LEGALIDADE. (...) 2. O artigo 16 do CTN, ao estipular que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros demora calculados à taxa de1%, ressalva, expressamente, "se alei não dispuser de modo diverso", de modo que, estando à SELIC prevista em lei, inexiste ilegalidade na sua aplicação” O fato do método de apuração não estar previsto em lei, ou o fato de que tal apuração é feita por órgão não legiferante, não retira a previsão legal Taxa SELIC. Quanto à legitimidade da opção legislativa pelo referido parâmetro, não compete a presente Corte Administrativa ingressar no mérito dos atos, típicos, do poder legislativo. Por fim, observa que a presente Corte Administrativa já possui posicionamento consolidado no Enunciado nº 4 da Súmula do CARF quanto a aplicação da taxa SELIC: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O Contribuinte afirma existir no presente caso a capitalização de juros em razão do exorbitante valor que é cobrado, o que viola o disposto no Enunciado 121 do STF – vedação ao anatocismo. Confirase trecho extraído do Recurso Voluntário: Certamente, para que um valor cobrado a título de juros corresponda a praticamente o próprio valor da dívida, tais juros só podem ter sido contados de forma capitalizada. Tudo bem que exista a aplicação da exorbitante taxa SELIC, aliás totalmente inconstitucional e ilegal, com já visto acima, mas admitir que somente no valor cobrado a título de juros há um acréscimo na dívida de quase 40% e não admitir que referida cobrança é capitalizada, não é sustentável. A argumentação do Contribuinte carece de embasamento probatório. Notese que o Contribuinte não comprova a existência do anatocismo, limitandose a supor sua existência em razão da proporcionalidade dos juros ao montante do crédito tributário. O Contribuinte cita que a taxa de juros prevista no art. 161 do Código Tributário Nacional CTN é de 1%. Entretanto, a própria redação do dispositivo citado pelo Contribuinte aponta que os juros de 1% somente serão aplicados na ausência de legislação em sentido contrário: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Vindo atender a primeira parte do § 1º do art. 161 do CTN, surgiu o art. 13 da Lei nº 9.064/95, determinando que o juros serão equivalentes a taxa SELIC. Logo, não cabe a substituição da taxa SELIC pelo percentual previsto no § 1º do art. 161 do CTN. III. Da Multa de Ofício Razoabilidade O Contribuinte afirma que a multa deve guardar proporcionalidade com a situação fática e com o próprio valor devido do tributo, o que lhe confere legalidade e eficácia. No entanto, argumenta que o percentual aplicado não é razoável, sendo flagrantemente confiscatório. Inicialmente, destacase que a vedação de confisco estabelecida na CRFB/88, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. A ponderação quanto à razoabilidade e o efeito confiscatório do inciso I e do § 2º, ambos, do art. 44 da Lei nº 9.430/96 perpassa pela ponderação da constitucionalidade dos referidos dispositivos em face do art. 150, IV da CRFB/88 e do princípio constitucional implícito da razoabilidade: Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15758.000071/200973 Acórdão n.º 2201002.492 S2C2T1 Fl. 8 13 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Conforme já destacado acima, em observância ao Enunciado nº 2 da Súmula do CARF a presente corte não possui atribuição para análise da constitucionalidade da legislação. Diante da atividade plenamente vinculada a qual está jungida a Administração Tributária, seja quanto à cobrança do tributo (art. 3º do CTN), seja quanto ao procedimento de lançamento do crédito tributário (art. 142 do CTN), é poder dever da presente Corte Administrativa aplicar a legislação vigente ao tempo do fato gerador sob pena de responsabilidade funcional. Até a presente data, não há notícia quanto existência de liminar em Ação Direta de Inconstitucionalidade para suspender a vigência do inciso I e § 2º da Lei nº 9.430/96, bem quanto a existência de decisão proferida em sede de controle concentrado ou sede de Recurso Repetitivo compreendendo ser confiscatório a multas previstas nos respectivos dispositivos legais. Neste senda, improcede o pleito do Contribuinte para redução da multa sob a alegação de ser confiscatória seu percentual, uma vez que os percentuais aplicáveis ao presente caso encontramse dentro dos parâmetros estipulados pela legislação em vigor. Tendo concluído que não cabe análise dessa Corte quanto à razoabilidade do percentual da multa de ofício aplicada, cabe agora verificar o cabimento do agravamento da referida multa. IV. Da Multa de Ofício Agravada O Termo de Constatação Fiscal relata que o Contribuinte deixou de atender as intimações para esclarecimentos das movimentações financeiras em suas contas bancárias. Diante dessa conduta do Contribuinte, a fiscalização agravou a multa de ofício, com fulcro no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96, majorando a multa de ofício na metade. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 Compulsando os autos, verificase que o Contribuinte respondeu a algumas intimações da fiscalização, conforme pode se depreender das fls. 11 e 15. O Contribuinte quedouse silente em relação às intimações referentes à justificativa da natureza dos depósitos bancários. Nos casos de fiscalização com fundamento em omissão de rendimento com base em depósitos bancários não comprovados, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 cria uma presunção em desfavor do contribuinte, devendo, este, produzir prova para afastar a presunção legal. Ao meu sentir, neste contexto a inércia do contribuinte, não ocasiona embaraço a fiscalização, ao contrário, a inércia do contribuinte favorece a constituição definitiva do crédito tributário, assim, inaplicável, no caso em concreto, o §2º do art. 44 da Lei 9.430/96. Desta feita, esse argumento já me seria bastante o suficiente para afastar o agravamento da multa de ofício. Porém, há aqueles que entendem que o agravamento da multa é cabível em casos de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte se queda completamente silente durante o processo de fiscalização. Para os adeptos desse entendimento, o agravamento é resultante não apenas de uma possibilidade direta de embaraço à fiscalização e, por consequência, prejuízo ao Fisco, mas também de uma demonstração de descaso ao trabalho da fiscalização. No caso em questão, verificase que o Contribuinte respondeu a algumas intimações e não se quedou inerte durante o processo fiscalizatório. Desta feita, entendo não restar configurado o descaso ao trabalho da fiscalização. Diante do exposto entendo não ser cabível o agravamento da multa de 75% para 112,5% pelo não atendimento de intimações, em razão não só da ausência de prejuízo ao Fisco pela inércia do Contribuinte devido à presunção legal que corre em seu favor, e contra o contribuinte, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96, mas também pelo fato que o Contribuinte respondeu a algumas intimações da autoridade fiscal. Conclusão Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para desagravar a multa de ofício, restituindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15758.000071/200973 Acórdão n.º 2201002.492 S2C2T1 Fl. 9 15 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 09/09/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/09/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 12893.000072/2007-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3403-000.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 574.706 (ICMS na base de cálculo da Cofins).
Antonio Carlos Atulim Presidente
Ivan Allegretti Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: Não se aplica
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score : 1.0
Numero do processo: 13819.901869/2012-42
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2008
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-003.632
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/10/2008 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2008 PEDIDO DE DILIGÊNCIA DESTINADO À COMPROVAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. INDEFERIMENTO. A verdade material não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. O dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Assim, a diligência não é instrumento de inversão do ônus da prova de suposto indébito tributário, não podendo ser utilizada para suprir ação omissiva de sujeito passivo que, mesmo ciente de sua necessidade, não apresenta a documentação necessária à comprovação do direito creditório que alega em seu favor. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/10/2008 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 90 18 69 /2 01 2- 42 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras (suplente), Bruno Maurício Macedo Curi, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2a Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 36/39 da cópia digitalizada do processo), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 16/12/2009 DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo relata a instância recorrida, a lide decorre da não homologação de Declaração de Compensação – DCOMP mediante a qual o sujeito vislumbrava o reconhecimento de direito creditório por conta de aduzido pagamento a maior de COFINS, no valor de R$ 13.801,50, referente ao mês de out/2008, em vista da suposta venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, uma vez que o pagamento apontado como origem do direito fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando, portanto, crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.901869/201242 Acórdão n.º 3802003.632 S3TE02 Fl. 82 3 Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus – ZFM. Por seu turno, a DRJ recorrida, muito embora tenha reconhecido que as alíquotas do PIS e da COFINS foram reduzidas a zero para as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, ressaltou que a reclamante não procedeu à retificação das respectivas DCTF e DACON e não junta aos autos a comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas para a ZFM [...] na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Registrese que a empresa não apresentou sequer notas fiscais que comprovem tais operações. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 25/10/2013 (fls. 41). Inconformada, a mesma apresentou, em 26/11/2013, o recurso voluntário de fls. 43/48, onde ressalta haver juntado aos autos a DCTF retificadora, “ou seja, a documentação contábil e fiscal capaz de comprovar a inclusão das receitas decorrentes das vendas realizadas a Zona Franca de Manaus”. Assevera, ainda, o sujeito passivo, que a questão probatória suscitada pela autoridade julgadora, com fulcro nos amplos poderes instrutórios conferidos pelos princípios da oficialidade e da verdade material, deveria ensejar a conversão do julgamento em diligência para que se permitisse a ora recorrente juntar as provas comprobatórias de seu reclamado direito. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios A ciência da decisão recorrida se deu em 25/10/2013 (fls. 41). Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 26/11/2013, tempestivamente, portanto. Ademais, o recurso preenche aos demais requisitos formais e materiais de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. A reclamante alega haver incorrido em erro quando do pagamento da contribuição devida no período, e que o débito declarado na DCTF não corresponderia à realidade fática. Mesmo ciente de que a negativa de homologação da compensação decorreu da não retificação da DCTF e da DACON, e ainda, pelo fato de não haver juntado aos autos documentação contábilfiscal comprobatória do aduzido equívoco, comparece novamente aos autos apresentando, unicamente, DCTF retificada ulteriormente, contudo, desguarnecida do necessário lastro probatório indispensável à comprovação dos dados nela consignados. Com efeito, não há como acolher as razões apresentadas pela recorrente. Nos pedidos de compensação, como o presente, a apresentação de DCTF retificadora pode até ser dispensada, mas desde que comprovado o erro, ou, em outras palavras Fl. 83DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 o indébito declarado na DCOMP. Com efeito, os dados declarados em DCTF podem até ser retificados de ofício pela autoridade administrativa, mas somente se aludida retificação estiver alicerçada em documentos que comprovem a materialidade da modificação intentada pelo contribuinte, o que não ocorreu no caso presente, como destacado pela primeira instância. Neste comenos, como já ressaltado, a primeira instância de julgamento ressaltou a necessidade de apresentação de “documentação contábilfiscal” comprobatória do direito reclamado. Agora, comparece a recorrente novamente aos autos trazendo unicamente a DCTF retificadora do período desacompanhada de qualquer documentação que alicerce as informações nela contidas, situação que impossibilita sejam acatadas as informações ali declaradas. De fato, é do contribuinte o ônus da prova do direito creditório que aduz em seu favor e é este que detém em seu poder toda a documentação capaz de comprovar o crédito alegado, qual seja, a escrita e os documentos inerentes à sua atividade empresarial. Sem a prova do direito, impossível homologar a compensação. A Lei é clara quando ressalta que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e de certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. É desarrazoada a pretensão do sujeito passivo de buscar seja novamente perquirido para apresentar o que já tem em seu poder e sabe ser necessário para a comprovação do crédito e conseqüente liquidação do débito por compensação, principalmente diante da decisão de primeira instância. Efetivamente, a verdade material, invocada pelo sujeito passivo, não se reveste em um direito absoluto. O processo há que ser pautado por alguns limites à cognição probatória, sejam estes de natureza temporal ou material, em sintonia com o formalismo moderado, que guia o processo administrativo. Ademais, o dever de investigação da Administração Tributária caminha pari passu com o dever de colaboração do particular. Portanto, uma vez não comprovada a certeza e a liquidez do crédito por falta de apresentação probatória suficiente, não é possível autorizar a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Da Conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada. Sala de Sessões, em 16 de setembro de 2014. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 84DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 13819.901869/201242 Acórdão n.º 3802003.632 S3TE02 Fl. 83 5 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 26/ 09/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 19740.000646/2008-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004
AJUDA DE CUSTO.
Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos no início do contrato de trabalho como incentivo à prestação de serviço em localidade diversa à da residência do segurado. A indenização ajuda de custo visa ressarcir ao segurado das despesas com instalação em localidade diversa à de seu domicílio.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS.
Incide contribuição previdenciária aos valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa, quando não satisfeitos os requisitos exigidos pela legislação para gozo da imunidade.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da multa os valores correspondentes às primeira e segunda parcelas a título de PLR e, após, para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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FATOS GERADORES Recorrente ICATU SEGUROS S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/11/2004 AJUDA DE CUSTO. Incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos no início do contrato de trabalho como incentivo à prestação de serviço em localidade diversa à da residência do segurado. A indenização ajuda de custo visa ressarcir ao segurado das despesas com instalação em localidade diversa à de seu domicílio. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. Incide contribuição previdenciária aos valores pagos a titulo de participação nos lucros e resultados da empresa, quando não satisfeitos os requisitos exigidos pela legislação para gozo da imunidade. GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 46 /2 00 8- 17 Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da multa os valores correspondentes às primeira e segunda parcelas a título de PLR e, após, para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. Vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 1206DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000646/200817 Acórdão n.º 2402004.143 S2C4T2 Fl. 1.205 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte a autuação fiscal lavrada com ciência em 27/11/2008 pela omissão de fatos geradores em GFIP. Foram excluídos da multa os valores correspondentes ao auxíliocreche/auxíliobabá. Relatório Fiscal: 1. A multa aplicada pela infração cometida corresponde a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada limitado, por competência, em função do número de segurados da empresa, observandose os limites mensais previstos nos §§ 40 e 50 do art. 32 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/97, c/c art. 284, II, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e alterações posteriores, combinado com art. 92 e art. 102 da Lei 8.212/91. ... 5.1. Fatos geradores relativos aos segurados empregados: Parte da empresa + SAT/RAT: 23,5%; Contribuição dos segurados: somouse o salário de contribuição da folha de pagamento com os valores pagos a título de Participação nos Lucros, auxílio babá, auxílio creche e ajuda de custo e utilizou se o percentual adequado para o novo salário de contribuição (7,65%, 8,65%, 9% ou 11%), do qual foi abatido o que já havia sido descontado e recolhido pela empresa na época própria, observado o limite máximo. 5.2. Pagamentos feitos a contribuintes individuais: Parte da empresa: 22,5%; Contribuição dos segurados: 11% até o limite máximo. 5.3. Pagamentos feitos à cooperativas de trabalho: 15% sobre 20% do valor bruto das notas fiscais, por se tratar de cooperativas de táxi; Após impugnação, a decisão de primeira instância foi no sentido de julgar o lançamento procedente em parte para que fosse reduzida a multa em razão da retroatividade benigna e da redução da contribuição previdenciária lançada nos documentos de constituição do crédito pelo descumprimento da obrigação principal. Segue transcrição da ementa e trechos do acórdão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 Fl. 1207DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. A empresa que apresenta GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias descumpre a legislação previdenciária. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO O lançamento é revisto quando for constatada matéria que altere a natureza quantitativa do crédito. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. No caso de existência do lançamento de contribuições não declaradas em GFIP, que ainda não tenha sido quitado, cabe a aplicação da retroatividade mais benigna apenas por,ocasião do pagamento, tendo em vista que a fase processual dos processos interfere no cálculo da multa. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte ... 3.1. A empresa omitiu na GFIP os seguintes pagamentos feitos aos segurados empregados, no período de janeiro a dezembro de 2004: 3.1.1. Participação nos Lucros em mais de duas parcelas no ano civil, descumprindo, portanto o estabelecido na Lei 10.101, de 19/12/2000. As contribuições devidas sobre esta rubrica foram lançadas nos AI 37.179.3432 e 37.179.3440 referentes à contribuição da empresa e a dos segurados, respectivamente. 3.1.2. Auxílio creche e auxílio babá sem a devida comprovação das despesas descumprindo os requisitos estabelecidos na alínea "s", §9°, art 28 da Lei 8212/91 e nos incisos XXIII e XXIV do §9° do art 214 do Decreto 3048/99, com a redação dada pelo • Decreto 3265/99. As contribuições previdenciárias devidas sobre esta rubrica foram lançadas nos AI 37.179.3394 e 37.179.3408 referentes à contribuição da empresa e dos segurados respectivamente. 3.1.3. Ajuda de custo não decorrente de transferência do empregado para localidade diferente da estipulada no contrato de trabalho. Sendo assim, não foi observada a alínea "g", §9°, art 28 da Lei 8212/91 e o inciso VII do §9° do artigo 214 do Decreto 3048/99, vigentes à época da ocorrência do fato gerador. As contribuições previdenciárias devidas sobre esta rubrica foram lançadas no AI 37.179.3360 3.2. Os pagamentos citados acima, por terem sido feitos sem respeitar a legislação, são na verdade verbas remuneratórias que fazem parte do salário de contribuição, devendo por isso ser declarados em GFIP, fato que não ocorreu, dando origem à lavratura deste AI. 3.3. A empresa também omitiu na GFIP, no período de janeiro a dezembro de 2004, os seguintes fatos geradores: Fl. 1208DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000646/200817 Acórdão n.º 2402004.143 S2C4T2 Fl. 1.206 5 3.3.1. Valores pagos à cooperativas de trabalho: Cooparioca — Cooperativa de Táxi Carioca Ltda e Coopataxi — Cooperativa de Cons e Trab. dos Motoristas Autônomos de Táxi no Mun. do Rio de Janeiro Ltda, de acordo com as Notas Fiscais apresentadas. 3.3.2. Pagamentos feitos a contribuintes individuais apurados pela DIRF incluídos em GFIP retificadora depois do início do procedimentos fiscal. As contribuições previdenciárias devidas sobre estes fatos geradores foram recolhidas na época devida, faltando apenas uma diferença de R$ 21.097,63, que foi recolhida durante a ação fiscal. 3.4. A multa aplicada corresponde a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada limitado, por competência, em função do número de segurados da empresa, observandose os limites mensais previstos nos §§4° e 5° do art 32 da Lei 8212/91, com redação dada pela Lei 9528/97. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação; assim sintetizadas pela decisão recorrida: 4.1.1 Da tempestividade; 4.1.2. Do sobrestamento do presente processo tendo em vista que este se encontra na dependência dos processos onde estão sendo discutidos quais parcelas efetivamente compõe a base de cálculo e que não foram definitivamente julgados em sede administrativa. Entende que, sem o sobrestamento, perderá seu direito a atenuação da multa, uma vez que pretende proceder a retificação de suas GFIP's no caso de ser reconhecida a integração das verbas em discussão. 4.2. Do mérito: 4.2.1. Da atenuação da multa relativa aos pagamentos efetuados a contribuintes individuais — autônomos e cooperativas: tendo em vista correção da falta relativa a tais rubricas requer a redução da multa em 50%, nos termos do art. 292, V, do Decreto n° 3048/99. O fiscal entendeu que a autuada não tem direito a tal redução por não ter corrigido os demais fatos geradores; 4.2.2. Do PLR: • Das previsões legais acerca da participação nos lucros; • Dos instrumentos coletivos celebrados pela impugnante; • Da vedação constitucional à tributação da participação nos lucros e resultados; • Do estímulo às empresas à distribuição de seus lucros; • Do posicionamento dos tribunais superiores. 4.2.3. Do auxíliobabá e do auxilio creche: Fl. 1209DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 • Da legislação que regulamenta a concessão do Auxíliobabá e do Auxíliocreche; • Da Concessão do Auxíliocreche e Auxíliobabá por força de convenção coletiva de trabalho; • Do Caráter Indenizatório do Auxíliocreche e do Auxíliobabá independentemente da apresentação dos comprovantes de reembolso; • Da documentação desconsiderada pela fiscalização; • Do posicionamento firmado na esfera Judicial e Administrativa. 4.2.4. Da ajuda de custo: • Do pagamento da Ajuda de Custo stricto sensu; Da eventualidade no pagamento da Ajuda de Custo pela Impugnante; 4.2.5. Das premiações: • Da impossibilidade de integração do prêmio ao Salário de Contribuição dos Colaboradores; • Da impossibilidade de cobrança das contribuições previdenciárias relativas aos pagamentos efetuados a empregados de terceiros. 4.2.6. Do pedido: Requer a procedência da presente impugnação com declaração de insubsistência do Auto de Infração. O julgamento foi convertido em diligência para que fossem juntados os processos que tenham por objeto os lançamentos da obrigação principal sobre as mesmas parcelas, em razão do reconhecimento da conexão. De forma que as decisões proferidas nesses processos sejam reproduzidas no processo ora em exame. Por fim, a recorrente noticia e requer que seja processada a sua alteração de denominação para ICATU SEGUROS S.A, requerimento autuado sob nº 19740.000628/2008 35. É o Relatório. Fl. 1210DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000646/200817 Acórdão n.º 2402004.143 S2C4T2 Fl. 1.207 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Comprovado nos autos o cumprimento dos pressupostos de admissibilidade do recurso, passo ao exame das questões preliminares. Procedimentos formais Quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento também não se observou qualquer vício. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto. Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 1211DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216). Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Também não é o caso de sobrestamento, uma vez que todas as questões de mérito já foram enfrentadas nos processos principais ou, quanto aos pagamentos de gueltas, estão sendo examinados nesta mesma sessão. Ainda que eventualmente esses processos estejam sujeitos ao reexame em grau de recurso especial, não haveria mais a prejudicialidade. Fl. 1212DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000646/200817 Acórdão n.º 2402004.143 S2C4T2 Fl. 1.208 9 No mérito Discutese no presente processo a incidência de contribuição previdenciária sobre as seguintes parcelas: auxíliocreche, auxíliobabá, participação nos lucros e resultados da empresa, premiações a colaboradores (gueltas) e ajuda de custo; também foram lançadas contribuições sobre pagamentos a cooperativas de trabalho e contribuintes individuais; sendo que em relação a esses dois últimos a recorrente promoveu a correção da falta e requer a atenuação. Ajuda de Custo A recorrente traz como justificativa fática que os pagamentos ocorreram para ressarcir aos segurados recém contratados das despesas incorridas com mudança para localidade diversa daquela onde residiam antes do contrato de trabalho, o que se aproxima do direito laboral previsto nos artigos 469 e 470 da CLT: Art. 469 Ao empregador é vedado transferir o empregado, sem a sua anuência, para localidade diversa da que resultar do contrato, não se considerando transferência a que não acarretar necessariamente a mudança do seu domicílio . ... § 3º Em caso de necessidade de serviço o empregador poderá transferir o empregado para localidade diversa da que resultar do contrato, não obstante as restrições do artigo anterior, mas, nesse caso, ficará obrigado a um pagamento suplementar, nunca inferior a 25% (vinte e cinco por cento) dos salários que o empregado percebia naquela localidade, enquanto durar essa situação. (Parágrafo incluído pela Lei nº 6.203, de 17.4.1975) Art. 470 As despesas resultantes da transferência correrão por conta do empregador. (Redação dada pela Lei nº 6.203, de 17.4.1975) Mas apenas se aproxima, já que lhe faltam algumas características essenciais. Primeiro porque, ainda no exame do conjunto probatório, constato que a recorrente não trouxe qualquer comprovação de que os cinco segurados indicados pela fiscalização de fato residiam fora do Rio de Janeiro, cidade para a qual foram contratados. De acordo com o artigo 470 da CLT, independentemente do acréscimo previsto no artigo 469 da CLT, é ônus do empregador as despesas com a transferência do empregado que deverão, portanto, estarem devidamente contabilizadas, o que não foi juntado pelo recorrente para sustentar suas razões. Segundo porque, os valores pagos, conforme anexos do relatório fiscal e decisão recorrida, não se sustentam em quaisquer acordos ou mesmo norma interna da empresa. Tanto há valor correspondente a duas vezes a remuneração do empregado como também 7,5 vezes. Pergunta se: qual o critério para determinação do valor a título de ajuda de custo? Pelas provas trazidas aos autos, a conclusão a que chegou a fiscalização mostrase mais convincente do que a alegação da recorrente desprovida de provas. Vejase que os pagamentos não guardam qualquer semelhança com as regras nos artigos 469 e 470 da CLT: é direito do trabalhador o ressarcimento das despesas resultantes Fl. 1213DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 da transferência pelo valor efetivamente gasto e não por um montante arbitrado e, ainda, um acréscimo mensal não inferior a 25% dos salários enquanto mantido na nova localidade. Alega também que o pagamento teria sido eventual e por essa razão, independentemente de ser considerado ou não ajuda de custo, não integra a base de cálculo da contribuição. O artigo 28 da Lei nº 8212/91 ao definir o salário de contribuição dos segurados empregados assim o estabelece: Art. 28 Entendese por saláriodecontribuição I para o segurado empregado e trabalhador avulso a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob forma de utilidade e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador dos serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º não integram o saláriodecontribuição para os fins desta lei exclusivamente: (...) e) as importâncias: (...) 7) recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário. Por sua vez o Decreto nº 3.265/99 alterou a redação do artigo 214 dada pelo decreto nº 3048/99, que passou a vigorar com a seguinte redação: Art. 214 Entende por salário de contribuição (...) § 9º não integram o salário de contribuição, exclusivamente: (...) V as importância recebidas a título de: (...) j) os ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei. Por outro lado o artigo 457 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT ao definir a remuneração do empregado, determina que integram o salário do empregado, não só a Fl. 1214DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000646/200817 Acórdão n.º 2402004.143 S2C4T2 Fl. 1.209 11 importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. Pela leitura dos dispositivos legais acima transcritos verificase que os abonos possuem natureza salarial e compõem a remuneração do empregado, podendo a lei, é certo, retirar essa natureza dos abonos pagos pelo empregador. É o que prevê o art. 28, §9º alínea “e” item 7, quando diz que não integram o salário de contribuição os abonos expressamente desvinculados do salário. Não têm o mesmo efeito as disposições entre as partes formalizadas através de acordos coletivos de trabalho, conforme dispõe o artigo 123 do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. A dita “expressa desvinculação” não pode alcançar o caso em tela, em que fruto da livre negociação entre empregador e empregado foi pago a esse último, ainda que em uma única vez, determinado valor imediatamente após a sua contratação. O que se sequer pode se atribuir uma natureza de abono. Participação nos lucros e resultados A participação do trabalhador nos lucros e resultados da empresa é um marco histórico dos direitos trabalhistas. Com todas as conquistas: saláriomínimo, limitação da jornada de trabalho, proteção contra a demissão sem justa causa, férias, descanso semanal remunerado, apenas para mencionar algumas, ainda assim capital e trabalho se opunham, um ao outro, como realidades inconciliáveis. Foi com a Constituição Federal que se abriu a possibilidade de o trabalhador auferir parte do resultado de sua força laboral entregue à empresa. No artigo 7º, Inciso XI, junto com outros direitos sociais do trabalhador está a participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração; portanto, tratase imunidade tributária: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Entretanto, apenas com a Medida Provisória nº 794, de 22/12/94, convertida na Lei nº 10.101, de 19/12/2000, a matéria foi regulamentada: Art.1oEsta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. a) Finalidades: integração entre capital e trabalho; e Fl. 1215DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 ganho de produtividade. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. b) Negociação entre empresa e empregados, através de acordo coletivo ou comissão de trabalhadores. No instrumento de negociação devem constar, com clareza e objetividade, as condições a serem satisfeitas (regras adjetivas) para a participação nos lucros ou resultados (direitos substantivos). Entre outros, podem ser considerados como critérios ou condições: produtividade, qualidade, lucratividade, programas de metas e resultados mantidos pela empresa. Vêse que no instrumento de negociação deve constar o que dispõe o artigo 2°, §1° e, no caso dos critérios para se fazer jus ao benefício, o legislador cuidou apenas de exemplificá los. Como se constata pelas disposições acima, a regulamentação é no sentido de proteger o trabalhador para que sua participação nos lucros se efetive. Não há regras detalhadas na lei sobre os critérios e as características dos acordos a serem celebrados. Os sindicatos envolvidos ou as comissões, nos termos do artigo 2º, têm liberdade para fixarem os critérios e condições para a participação do trabalhador nos lucros e resultados. A intenção do legislador foi impedir que critérios ou condições subjetivos obstassem a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados. As regras devem ser claras e objetivas para que os critérios e condições possam ser aferidos. Com isto, são alcançadas as duas finalidades da lei: a empresa ganha em aumento da produtividade e o trabalhador é recompensado com sua participação nos lucros. Nesse sentido, o artigo 2º, §1º, I da lei possibilita inclusive que a condição para a participação nos lucros ou resultados seja apenas a lucratividade da empresa. Comprovandose no Demonstrativo de Resultados do Exercício Financeiro que estão sendo distribuídos lucros aos trabalhadores, que existe acordo coletivo ou comissão de trabalhadores e que a distribuição não é inferior a um semestre civil a participação nos lucros é regular. Não há nenhuma restrição na lei para que assim proceda a empresa. E nem poderia a autoridade Fl. 1216DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000646/200817 Acórdão n.º 2402004.143 S2C4T2 Fl. 1.210 13 fiscal criálas no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, “caput” da Constituição Federal. Quanto aos mecanismos de aferição das informações para fins de comprovação do cumprimento dos critérios para a participação, não há qualquer previsão na lei no sentido de se exigir metas individualizadas para os trabalhadores. E nem poderia. Caso adotasse a lucratividade da empresa ou o alcance de outras metas organizacionais, critérios esses exemplificados na lei, não vejo como se aferir individualmente a parcela de contribuição de cada trabalhador para o cumprimento dessas metas. Como se poderia aferir a parcela do lucro de uma empresa de grande porte atribuída individualmente a um trabalhador da linha de produção? E mais. A exigência por parte da fiscalização de metas individualizadas vai de encontro ao que se procurou evitar na regulamentação da participação nos resultados e lucros – PLR, que é afastálo do conceito de salário. Caso se exigisse do segurado empregado o cumprimento de metas individuais para a percepção do benefício, flagrantemente, caracterizaria um prêmio, gratificação, e como tal parcela remuneratória. Em razão de tudo aqui exposto, vêse que prevalece a livre negociação para a participação nos lucros ou resultados. Porém, é possível que esse importante direito trabalhista seja malversado em prejuízo dos próprios trabalhadores e do fisco. Comprovando a autoridade fiscal dissimulação do pagamento de salários com participação nos lucros, deverá aplicar o Princípio da Verdade Material para considerar os valores pagos integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Nesse sentido, preocupouse o legislador com essa possibilidade de se desvirtuar a finalidade da lei e se utilizar a participação nos lucros e resultados da empresa para a sonegação de contribuições sociais: Art.3oA participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. ... §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. No caso, a fiscalização, na análise dos documentos da empresa que sustentam o pagamento do benefício e de sua escrituração contábil, verificou que para parte expressiva dos segurados empregados foram realizados pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil e mais de duas vezes ao ano. Assim, os valores distribuídos a esses trabalhadores a título de participação nos lucros e resultados foram considerados de natureza salarial. Esses pagamentos foram realizados em cumprimento à convenção coletiva e às regras do acordo com a comissão de empregados instituída para essa finalidade. A convenção coletiva obrigava ao pagamento de uma primeira parcela no mês de janeiro de 2004 e, para as empresas que possuíssem programas de PLR, uma segunda parcela conforme dispusessem seus instrumentos próprios. No caso da recorrente, todas as regras foram acordadas através de negociações entre empregador e comissão de empregados. Esse instrumento de negociação, que é anterior à convenção coletiva, dispõe que o benefício também seria pago em duas parcelas, a primeira no mês de fevereiro e a segunda, em agosto. Fl. 1217DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Diante de existência desses dois instrumentos, igualmente válidos, a recorrente entendeu que para cumprilos deveria realizar o pagamento nos meses de janeiro, fevereiro e também agosto, do que resultou três parcelas e não apenas duas como limita a lei de regência do PLR. Entendo que isoladamente ambos os instrumentos atendem as disposições da lei, mas não o procedimento adotado pela recorrente. Isto porque, em primeiro lugar prevalece a norma cogente do diploma legal sobre quaisquer disposições entre as partes, artigo 123 do CTN, segundo porque havia outras interpretações e formas de cumprir as disposições trabalhistas entre as partes sem conflitos com as regras da lei: a) pelo critério temporal, sendo a convenção coletiva posterior ao acordo com a comissão de empregados, este último deveria se adequar às novas regras, do que resultaria pagamento de parcelas em janeiro e quaisquer um dos dois outros meses, fevereiro ou agosto, mas não em ambos; b) pelo princípio da maior proteção, quanto antes a percepção das parcelas melhor para o trabalhador, do que resultaria os pagamentos nos meses de janeiro, para atender à convenção coletiva, e fevereiro, sem valor remanescente para agosto. A jurisprudência de nossos tribunais superiores já firmaram jurisprudência no sentido da obrigatoriedade de cumprimento dos requisitos legais para gozo da imunidade: RECURSO ESPECIAL N° 8516.160 PR (2006/01182238) RELATORA: MINISTRA ELIANA CALMON RECORRENTE: MILÊNIA AGROCIÊNCIAS S/A ADVOGADO. MARCELO SALDANHA ROHENKOHL E OUTRO(S) RECORRIDO : INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL INSS ADVOGADO: WEBER ATOS VANZO EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 1. Embasado o acórdão recorrido também em fundamentação infraconstitucional autônoma e preenchidos os demais pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido o recurso especial. 2. O gozo da isenção fiscal sobre os valores creditados a titulo de participação nos lucros ou resultados pressupõe a observância da legislação especifica regulamentadora, como dispõe a Lei 8.212/91. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias em comento pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4. Ambas as Turmas do STF têm decidido que é legitima a incidência da contribuição previdenciária a mesmo no período Fl. 1218DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000646/200817 Acórdão n.º 2402004.143 S2C4T2 Fl. 1.211 15 anterior a regulamentação do art. 70, XI, da Constituição Federal, atribuindolhe eficácia dita limitada, fato que não pode ser desconsiderado por esta Corte. 5. Recurso especial não provido. O somatório de meses para pagamento mostrase contrário à lei e tem como conseqüência jurídica a tributação sobre as parcelas excedentes ao limite legal; no entanto, observo que a fiscalização realizou o lançamento em relação a todas as parcelas, bastando que tenham sido pagas mais de duas ao ano. Assim, integraram a base de cálculo os pagamentos realizados nos meses de janeiro, fevereiro e agosto, também foi constatado que alguns poucos segurados receberam pagamentos em março, setembro e outubro de 2004. A fiscalização verificou quais empregados perceberam mais de duas parcelas ao ano ou periodicidade inferior a um semestre e todos os pagamentos realizados a eles foram incluídos na base de cálculo. Entendo que a interpretação adotada pela fiscalização não se coaduna com os preceitos do diploma de regência do benefício. Art. 3° (...) §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Somente os pagamentos realizados após a segunda parcela é que estão em desconformidade com a lei. Quando do pagamento da primeira parcela no mês de janeiro de 2004 não há qualquer óbice para o gozo da imunidade da contribuição incidente sobre esse valor, independentemente do número de parcelas que eventualmente seriam posteriormente pagas e assim também em relação à segunda parcela, que para alguns empregados ocorreu em fevereiro e para outros em meses seguintes. As parcelas que não devem ser consideradas como PLR são as terceira e seguintes. Conforme já exposto, as regras nos instrumentos de instituição do PLR não estão contrárias à lei e não desvirtuam o benefício; portanto, fazer incidir a contribuição sobre as três parcelas implica a desconsideração, em relação ao segurado beneficiário por esse critério, do próprio programa de PLR. Assim, com relação a essa matéria, entendo que devem ser excluídos da multa os valores correspondentes aos pagamentos das primeira e segunda parcelas aos segurados considerados pela fiscalização no lançamento. Multa aplicada É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Fl. 1219DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF Fl. 1220DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000646/200817 Acórdão n.º 2402004.143 S2C4T2 Fl. 1.212 17 etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi Fl. 1221DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Fl. 1222DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000646/200817 Acórdão n.º 2402004.143 S2C4T2 Fl. 1.213 19 Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e Fl. 1223DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; Fl. 1224DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000646/200817 Acórdão n.º 2402004.143 S2C4T2 Fl. 1.214 21 d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração Fl. 1225DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso com relação às primeira e segunda parcelas a título de PLR e para retroatividade benéfica. Fl. 1226DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19740.000646/200817 Acórdão n.º 2402004.143 S2C4T2 Fl. 1.215 23 É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1227DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 11/09/ 2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10715.721211/2012-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007
NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras Razões.
REGISTRO DE ARMAZENAGEM INTEMPESTIVOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA EXECUTAR ATIVIDADES DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS SOB CONTROLE ADUANEIRO.
O armazenamento de carga e o seu correspondente registro no Sistema deverão estar concluídos no prazo de doze horas após a chegada do veículo transportador.
Cabe multa regulamentar ao depositário que deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal.
Numero da decisão: 3202-001.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário
Assinado digitalmente
IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente.
Assinado digitalmente
TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras Razões. REGISTRO DE ARMAZENAGEM INTEMPESTIVOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA EXECUTAR ATIVIDADES DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS SOB CONTROLE ADUANEIRO. O armazenamento de carga e o seu correspondente registro no Sistema deverão estar concluídos no prazo de doze horas após a chegada do veículo transportador. Cabe multa regulamentar ao depositário que deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1935; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 1.729 1 1.728 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.721211/201229 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.104 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria COFINS Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE INFRAESTRUTURA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras Razões. REGISTRO DE ARMAZENAGEM INTEMPESTIVOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA EXECUTAR ATIVIDADES DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS SOB CONTROLE ADUANEIRO. O armazenamento de carga e o seu correspondente registro no Sistema deverão estar concluídos no prazo de doze horas após a chegada do veículo transportador. Cabe multa regulamentar ao depositário que deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazos estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário Assinado digitalmente IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 72 12 11 /2 01 2- 29 Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.730 2 Assinado digitalmente TATIANA MIDORI MIGIYAMA Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Gilberto de Castro Moreira Júnior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por EMPRESA BRASILEIRA DE INFRAESTRUTURA contra Acórdão nº 0730.108, de 13 de agosto de 2012 (de fls. 1461 a 1473), proferido pela 1ª Turma da DRJ/FNS, que julgou por unanimidade de votos, procedente em parte a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário exigido no valor de R$ 9.956.000,00. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 12.948.000,00 (doze milhões novecentos e quarenta e oito mil reais), referente a multa por registros intempestivos de armazenagem de carga pelo depositário. Depreendese da descrição dos fatos no “Relatório de Fiscalização” do auto de infração (fls. 2 a 83), que a interessada, entre os meses de maio/2007 até dezembro/2007,deixou de realizar o registro da armazenagem de cargas no devido prazo descumprindo norma operacional. Com vistas à verificação do cumprimento do disposto no art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 102, de 20 de dezembro de 1994, foram apurados registros de armazenagem intempestivos no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro Galeão ALF/GIG relativamente aos termos de entrada descritos no anexo1 e cópia de telas da situação de carga dos conhecimentos aéreos, conforme Siscomex Mantra Importação, apresentado no anexo2. Considerouse intempestivo o registro de armazenagem com prazo superior a 12 (doze) horas, contados a partir da chegada do veículo transportador, conforme disposto no art. 14 da Instrução Normativa SRF n° 102, de 20 de dezembro de 1994. Art. 14. O armazenamento de carga e o seu correspondente registro no Sistema deverão estar concluídos no prazo de doze horas após a chegada do veículo transportador. Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.731 3 § 1º O prazo a que se refere este artigo poderá ser alterado, em casos excepcionais, a critério do Chefe da unidade local da SRF, não podendo exceder a vinte e quatro horas. § 2º Na hipótese de armazenamento de carga procedente de trânsito em veículo terrestre, por comboio, o prazo de conclusão do armazenamento será contado a partir da chegada do último veículo. Face à inobservância lavrouse Auto de Infração para exigir a multa de que trata o art. 107, inciso VII, alínea “f” do DecretoLei nº 37/1966 com redação dada pelo art. 77 da lei n° 10.833/2003, regulamentado pelo art. 728, inciso VII, alínea "e", do Decreto nº 6.759/2009, aplicada para cada armazenamento descumprindo norma operacional acima transcrita, que estabelece prazo máximo para registro do armazenamento da carta no Sistema Mantra. Cientificada, a interessada defendese através das considerações destacadas a seguir. Alega ser uma violação a garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório em seu conteúdo material, exigir a verificação de 2.781 cargas, após 4 anos do armazenamento das mesmas. No mesmo sentido alega que houve a violação do princípio da imediatidade da punição, tendo em vista que a apuração dos fatos pela autoridade administrativa tributária, se deu mais de quatro anos após a ocorrência dos mesmos, o que torna praticamente impossível a averiguação de todas as circunstâncias do fato. Alega ser impossível apurar os fatos da apresentação de documentos que evidenciem a intempestividade no recebimento de carga, visto que, a demanda que se apresenta para verificação são de 2.781 cargas apuradas, páginas 217 a 1144. Reproduz na impugnação os artigos 41, 42 e 44 (que tratam do Manifesto de Carga) e os artigos 660, 661 e 662 (que tratam da responsabilidade por extravio ou avaria), todos do Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 6.759 de 05 de fevereiro de 2009. Indicando que a INFRAERO procedeu à armazenagem conforme as informações disponibilizadas pelo transportador, em cumprimento às normativas e ao processamento e recebimento das cargas. Destaca três termos de entrada nas situações A, B e C demonstrando a impropriedade do cálculo da intempestividade da informação. Na situação A analisa o Termo de Entrada nº 070068984, pág. 146, e afirma que a carga não foi informada no MANTRA/SISCOMEX, sendo recebida por Documento Subsidiário de Carga DSIC nº 791.0700.6285 com 07 volumes e Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.732 4 387,190 kg, em 03/08/2007, sendo posteriormente apropriados ao AWB nº 006.6185.3326. No dia 22/08/2007 a carga foi baixada pelo conhecimento. Alerta que na mesma carga verificase a situação inusitada em que a carga fora informada a chegada em 03/08/07 com data da informação de 29/08/07, tendo ocorrido seu recebimento em 19/02/2008, e por fim sendo visada em 20/02/2008. Informa ainda que a carga foi para perdimento através do TAGF nº 0808/07 e detalhada em 24/08/2008 Conforme evidenciado acima a carga considerada intempestiva foi recebida mediante DSIC e no decorrer do processo foram várias as interveniências que culminaram com o registro final no MANTRA, sem vínculo com o respectivo DSIC ao AWB considerado armazenado com atraso, o que vislumbra o equívoco da cobrança. Na situação B do Termo de Entrada nº 070081646 e na situação C do Termo de Entrada nº 070081352, pág. 166, constam como intempestivos os registros de recebimento de carga ocorrido em 2008 referente aos AWB 001.1593.0773 HAWB 2TL3806 e AWB 016.5993.3694 HAWB 2TZ9805. Verificouse que o respectivo conhecimento aéreo foi recepcionado no R.A. 791.99.01, recinto alfandegado designado à antiga VARIG e não à INFRAERO. Evidenciam, ainda, que para um mesmo termo de chegada de veículo, há registro e distribuição das cargas para outros recintos que não exclusivamente o da INFRAERO. Ressalta, ainda, que a multa aplicada em decorrência da lei foi regulamentada em 2009, portanto, anterior à suposta irregularidade existente ou verificada. Requerse o reconhecimento da completa insubsistência do presente auto de infração, com o seu conseqüente anulação do mesmo” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou procedente em parte a impugnação em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2007 REGISTRO DE ARMAZENAGEM INTEMPESTIVOS. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO, CONDIÇÃO OU NORMA OPERACIONAL PARA EXECUTAR ATIVIDADES DE ARMAZENAGEM DE MERCADORIAS SOB CONTROLE ADUANEIRO. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.733 5 O armazenamento de carga e o seu correspondente registro no Sistema deverão estar concluídos no prazo de doze horas após a chegada do veículo transportador.” Cientificado do referido acórdão em 25 de junho de 2013 (fl. 1643), a interessada apresentou recurso voluntário em 24 de julho de 2013 (fls. 1667 a 1679), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 25 de junho de 2013, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 24 de julho de 2013. Das Preliminares Do Cerceamento de Defesa do Auto de Infração Impugnado Da Infração ao Princípio da Imediatidade da Punição Do Recinto Alfandegado da Antiga Varig Depreendendose da análise do recurso voluntário apresentado pela recorrente, temse que o cerne da discussão envolve multa regulamentar por registros intempestivos de armazenagem de carga pelo depositário, no valor de R$ 9.956.000,00, tipificada no art. 107, inciso VII, alínea “f” do Decreto Lei n 37/1966 com redação dada pelo art. 77 da lei n° 10.833/2003, regulamentado posteriormente pelo art. 728, inciso VII, alínea "e", do Decreto nº 6.759/2009. Não obstante, traz a recorrente primeiramente quanto: Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.734 6 · Ao cerceamento ao direito de defesa do auto de infração impugnado que novamente a Receita Federal em franco desrespeito a garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa aplicou multa regulamentar por pretensa conduta ocorrida em 2007; · À infração ao Princípio da Imediatidade da Punição, que constitui princípio elementar de direito administrativo sancionador, no qual se enquadra a sanção administrativa tributária, ora aplicada a INFRAERO, que a punição deve ter aplicação imediata ou atual para a boa e justa apuração da possível punição; e que a própria segurança jurídica fica inteiramente comprometida quando o procedimento punitivo é efetuado, após um longo prazo dos atos ou omissões acaso ocorridos; · Ao recinto alfandegado da antiga Varig, que apesar de ser efetivamente impossível verificar que várias cargas eram de atribuição do Recinto alfandegado da antiga VARIG – o que, por sua vez, conclui que, considerando que a atividade administrativa tributária é vinculada, e a multa tributária deve respeito a garantia constitucional da legalidade, o Auto de Infração deve ser reconhecido nulo exofficio pela autoridade administrativa tributária. Especificamente a esses temas, vêse que a autoridade fazendária discorreu de forma clara no Acórdão da DRJ – o que, com respeito, transcrevo parte do voto do relator: “[...] No caso vertente, a conduta imputada ao contribuinte em questão está tipificada no art. 107, inciso VII, alínea “f” do DecretoLei n 37/1966 com redação dada pelo art. 77 da lei n° 10.833/2003, regulamentado posteriormente pelo art. 728, inciso VII, alínea "e", do Decreto nº 6.759/2009, aplicada para cada armazenamento intempestivo de carga em função do tempo da atraso de armazenagem, como segue: Decreto Lei nº 37/1966 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.735 7 (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) (...) f) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; e Primeiramente cabe destacar que a lei n° 10.833/2003 no artigo 77 alterou o artigo 107 do Decreto Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, entrando em vigor seus dispositivos em 30.12.2003. Portanto, na data da ocorrência da irregularidade o dispositivo legal aplicado encontravase em vigência. Ocorre que posteriormente o Decreto nº 6.759/2009 replica o preceito legal sem qualquer inovação, ipsis litteris: Art. 728. Aplicamse ainda as seguintes multas (Decreto Lei no 37, de 1966, art. 107, incisos I a VI, VII, alínea “a” e “c” a “g”, VIII, IX, X, alíneas “a” e “b”, e XI, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003, art. 77): (...) VII de R$ 1.000,00 (mil reais): (...) e) por dia, pelo descumprimento de requisito, condição ou norma operacional para executar atividades de movimentação e armazenagem de mercadorias sob controle aduaneiro, e serviços conexos; e Sendo assim, não cabe questionar a regulamentação da lei nº 10.833/2003, uma vez que o dispositivo legal não se restringia a nenhuma eficácia limitada à regulamentação posterior, sendo por isso que em 5 de fevereiro de 2009 o Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009) apenas reproduz o texto legal. Quanto o princípio da imediatidade da punição, destacasse que o teor do Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.736 8 artigo 173 do CTN, e dos artigos 138 e 139 do Decreto lei nº 37/66, definem o prazo decadencial para a Fazenda Nacional efetuar o lançamento em cinco anos, como se segue: Código Tributário Nacional Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário Extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Decretolei nº 37/66 Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo Decreto Le inº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Verificase assim, que o direito de ampla defesa e contraditório do interessado foi respeitado, com a cientificação do auto de infração e apresentação da impugnação por parte da interessada, como previsto no artigo 14 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Nesse sentido, improcedente a alegação de que houve cerceamento do direito de defesa, pelo fato de o Termo de Sujeição Passiva não conter a informação da possibilidade de apresentação de impugnação. Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.737 9 Notese que os requisitos indispensáveis previstos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972, se referem ao Auto de Infração e não ao Termo de Sujeição Passiva, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. E nesse aspecto o auto de infração que inaugura o processo não contém nenhum defeito formal que decrete sua nulidade. Apresenta todos os elementos previstos na norma, inclusive a intimação para impugnar a exigência, como procedeu a interessada. Também fora corretamente identificado o responsável pelo armazenamento da carga, pois a impugnante encontrase na condição de depositário, sendo quem recebe a carga do transportador promovendo a informação de armazenamento corriqueiramente como estabelece no artigo 12 na Instrução Normativa nº 102/94, ipsis litteris: Art. 12. O transportador ou o desconsolidador de carga deverá entregar carga ao depositário, que a recolherá para armazenamento sob sua custódia. Quanto ao insuficiente tempo necessário para análise dos dados antes da apresentação da impugnação, a regra do artigo 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não prevê qualquer exceção na extensão prazo que seja proporcional a quantidade de dados apresentada na peça infracional, como se segue: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.738 10 preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.[...]” Em vista do exposto e considerando as alegações trazidas pela recorrente, ao meu sentir, tenho que assiste razão a autoridade fazendária quando de sua manifestação ao analisar os referidos temas. Ou seja, de que, em síntese: · O direito de ampla defesa e contraditório da recorrente foi respeitado, tendo em vista ter havido cientificação do auto de infração e apresentação da impugnação corretamente identificado o responsável pelo armazenamento; · Correta a responsabilidade conferida pela fiscalização, pois a recorrente encontrase na condição de depositário, conforme dispõe o artigo 12 na Instrução Normativa nº 102/94; · Não houve insuficiente tempo necessário para análise dos dados antes da apresentação da impugnação, considerando que o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, não prevê qualquer exceção na extensão prazo que seja proporcional a quantidade de dados apresentada na peça infracional. Do Mérito Da Multa Regulamentar por Registros Intempestivos de Armazenagem de Carga pelo Depositário Quanto a essa discussão, importante trazer parte do Recurso Voluntário apresentada pela recorrente que, por sua vez, demonstra os elementos que entende serem suficientes para requerer a nulidade do Auto de Infração: “A – Termo 070068984 –pág. 146. Consta como intempestivo o registro de recebimento de carga ocorrido em 21/02/2008 referente ao AWB 006.6185.3326 e seus filhotes, totalizando 202 dias de atraso. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.739 11 Verificando, constatamos que a carga NÃO foi informada no MANTRA/SISCOMEX, sendo recebida por DSIC 791.0700.6285 com 07 volumes e 387,190 ks, em 0308/2007, sendo posteriormente apropriados ao AWB 006.6185.3326. No dia 22/08/2007 a carga foi baixada pelo conhecimento. No extrato anexo, verificamos uma situação inusitada em que a carga, no dia 29/08 foi informada da chegada em 03/08 e seu recebimento ocorrerá em 19/02/2008, sendo visada em 20/02/2008. Esta carga foi para perdimento através do TAGF 0808/07 e detalhada em 24/08/2008. Conforme evidenciado acima a carga, ora considerada intempestiva, FOI RECEBIDA mediante DSIC e, no decorrer do processo foram várias as interveniências que culminaram com o registro final no MANTRA, sem vínculo com o respectivo DSIC ao AWB o que vislumbra o equívoco da cobrança. B – Termo 0700819646 – pág. 166. Consta como intempestivo o registro de recebimento de carga ocorrido em 2008 referente ao AWB 001.1593.0773 HAWB 2TL3806. Verificamos que o respectivo conhecimento aéreo foi recepcionado no R.A. 7.91.99.01. Este Recinto Alfandegado era designado à antiga VARIG e NÃO Á INFRAERO. Portanto, não há que imputar à INFRAERO a intempestividade da multa. C – Termo 070081352 – pág. 166 Consta como intempestivo o registro de registro de recebimento de carga ocorrido em 2008 referente ao AWB 016.5993.3694 HAWB 2TZ9805 – pág. 166. Verificamos que o respectivo conhecimento aéreo foi recepcionado no R.A. 7.91.99.01 – este recinto Alfandegado era designado à antiga VARIG e NÃO À INFRAERO. Portanto, não há que imputar à INFRAERO a intempestividade da multa. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.740 12 Evidenciamos, ainda, que para um mesmo Termo de chegada de veículo, há registro e distribuição das cargas para outros recintos que não exclusivamente ao da INFRAERO. [...]” Em relação aos elementos trazidos no Recurso Voluntário, importante transcrever parte do voto constante do Acórdão da DRJ – o que, com respeito, transcrevo parte do voto do relator: “[...] Quanto a carga sob a alegação das evidências da situação A, onde o contribuinte entende que a cobrança fora indevida uma vez que a carga chegara mediante DSIC no armazém e, a princípio, estava sem vínculo de tal DSIC ao respectivo AWB, fato que somente se formalizara meses após. Informo que na Instrução Normativa nº 102/94 não exclui da responsabilidade do depositário as cargas recebidas e armazenadas sob documento subsidiário de identificação de carga – DSIC. Pelo contrário, o parágrafo 2º do artigo 7º estabelece sua responsabilidade de armazenamento das cargas sob DSIC, bem como o artigo 11 no parágrafo 2º, equipara as cargas sob DSIC ao manifesto informatizado. Ainda há de se considerar que mesmo armazenada sob DSIC em 03/08/2007 a carga fora visada pelo fiscalização em 22/08/2007 estando pronta para finalização de seu armazenamento naquele momento, conforme § 3º do artigo 7º da Instrução Normativa nº 102/94, e como se verifica em extrato de “Situação de Carga” apresentado abaixo pela própria impugnante: SISCOMEX MANTRA IMPORTAÇÃO 27/03/2012 10:39 DSIC 791 0700 6285 DE 03/08/2007 AEROPORTOS=> ATL / GIG SITUAÇÃO DA CARGA DSIC 791 0700 6285 DE 03/08/2007 AEROPORTOS=> ATL / GIG TIPO/DCTO APROP 01/00661853326 NC=> ATT ¦ PREP CONSIGNAT ITATRAN5 FRETE ¦ COLL VOL. 7 PESO 382,000 K COD. MOEDA FRETE Fl. 1740DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.741 13 URF 0717700 AEROPORTO INTERNACIONAL DO RIO DE JANEIRO INF 03/08/2007 AS 17:16 TERMO 070068984.. DAL0061 02/08/2007 CHEGADA 03/08/2007 08: 01 VOL.7 382,000 K TC=6 T ARMAZENAMENTO R.A. 7911101 VOL.7 PESO 387,190 K EMB= 04 ARM= 4F AVARIAS = A C G 03/08/2007 18: 06 CPF 003664277–09 REGISTRADO 03/08/2007 18: 24 CPF 003664277–09 ENCERRADO 03/08/2007 18: 24 CPF AVALIZADO 22/08/2007 12: 14 AFRF JÚLIO GUTIERRE VISADO ANTERIOR PF6 SAÍDA PF7 VOLTA PF8/ENTER CONTINUA Desta forma, tal qual qualquer outra carga deve estar armazenada com o seu correspondente registro em 12 horas da chegada do veículo, como preconiza o artigo 14º, caput da referida Instrução Normativa. Vejamos os dispositivos da Instrução Normativa nº 102/94: Art. 7º Nos casos de bens chegados como bagagem acompanhada ou remessa expressa e como tal não aceitos pela fiscalização aduaneira; de carga não manifestada, embora documentada; de carga sem documento; ou de carga cujo tipo de documento ou identificação o Sistema não contemple, seu armazenamento processarseá através de documento subsidiário de identificação de carga DSIC. § 1º O DSIC instrui o armazenamento da carga no Sistema, sem prejuízo a quaisquer atos de ofício com relação a essa carga. § 2º Caberá ao depositário a responsabilidade pela comunicação à fiscalização aduaneira e pela formulação do correspondente DSIC no Fl. 1741DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.742 14 Sistema, quando, em operação de armazenamento, encontrar carga não manifestada. § 3º O DSIC formulado pelo depositário na forma do parágrafo anterior deverá ser validado por AFTN. Art. 8º As informações sobre carga consolidada procedente do exterior ou de trânsito aduaneiro serão prestadas pelo desconsolidador de carga até duas horas após o registro de chegada do veículo transportador. Parágrafo único. A partir da chegada efetiva de veículo transportador, os conhecimentos agregados (filhotes) informados no Sistema serão tratados como desmembrados do conhecimento genérico (master) e a carga correspondente tratada como desconsolidada. REGISTRO DE CHEGADA DE VEÍCULO E TERMO DE ENTRADA Art. 9º O registro de chegada de veículo procedente do exterior ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser efetuado, conforme o caso, pelo transportador ou pelo beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no momento de sua chegada, cabendolhe, simultaneamente, a entrega à fiscalização aduaneira dos manifestos e dos respectivos conhecimentos de carga e, quando for o caso, dos documentos de trânsito aduaneiro. § 1º A falta de informações sobre carga procedente do exterior previamente à chegada de veículo ou sobre carga procedente de trânsito, associada à não entrega dos documentos de que trata o "caput" deste artigo, implicará na configuração de declaração negativa de carga, nos moldes do previsto pelo parágrafo único do art. 46 do Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985. § 2º Quando não atendido o disposto neste artigo, o AFTN deverá proceder ao respectivo registro da chegada, sem prejuízo da aplicação das penalidades cabíveis. § 3° A chegada do veículo caracterizará, para efeitos fiscais, o fim da espontaneidade prevista no art. 138 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.743 15 Art. 10. Quando do registro da chegada do veículo, ocorrerá, via Sistema, a abertura do termo de entrada. Parágrafo único. A abertura do termo de entrada, para efeitos legais, equivalerá à formalização de que trata o parágrafo 1º "in fine" do art. 31 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985. MANIFESTO INFORMATIZADO DE CARGA Art. 11. Compreendese como manifesto informatizado de carga, o conjunto de registros de documentos de carga relacionados a um determinado veículo chegado no território aduaneiro. § 1° Compõe o manifesto informatizado de carga, o conjunto de informações sobre carga manifestada a que se refere o art. 6º desta Instrução Normativa. § 2° Para efeito de gestão do manifesto, o DSIC equiparase ao manifesto informatizado. CONTROLE DE CARGA DESEMBARCADA DESTINADA A ARMAZENAMENTO Art. 12. O transportador ou o desconsolidador de carga deverá entregar a carga ao depositário, que a recolherá para armazenamento sob sua custódia. Art. 14. O armazenamento de carga e o seu correspondente registro no Sistema deverão estar concluídos no prazo de doze horas após a chegada do veículo transportador. § 1º O prazo a que se refere este artigo poderá ser alterado, em casos excepcionais, a critério do Chefe da unidade local da SRF, não podendo exceder a vinte e quatro horas. § 2º Na hipótese de armazenamento de carga procedente de trânsito em veículo terrestre, por comboio, o prazo de conclusão do armazenamento será contado a partir da chegada do último veículo. DSIC, que como já fora explanado encontravase com seu armazenamento aperfeiçoado e visado pela fiscalização, mas sim do conhecimento aéreo MAWB nº 006 6185 3326. Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.744 16 Como se percebe pelo extrato da situação de carga do MAWB 006 6185 3326 trazido pela impugnante, a carga fora chegada em 01/08/2007 tendo seu registro visado e encerrado em 20/02/2008. Fato que se confirma com o relatório de Termos de Chegada de Veículos apresentado pela fiscalização abaixo reproduzido: TERMO 070068984 CHEGADA DO VEICULO 03/08/2007 AS 08:01 DATA/HORA ARMAZEN. 03 00661853326 00006082 21/02/2008 15:14 202 03 00661853326 00006178 21/02/2008 15:14 202 03 00661853326 00006313 21/02/2008 15:14 202 03 00661853326 00006319 21/02/2008 15:14 202 03 00661853326 00006337 21/02/2008 15:14 202 03 18332993435 142203578 06/08/2007 18:49 003 Cabe ao depositário informar no sistema as retificações de dados da carga DSIC vinculada a um conhecimento de carga, conforme parágrafo único do artigo 25 da Instrução Normativa nº 102/94, ipsis litteris: Art. 25. Ficam sujeitas à validação pelo AFTN as retificações de dados promovidas pelos respectivos responsáveis, quando processadas após: I a chegada efetiva de veículo, relativamente aos dados sobre carga procedente do exterior; II o encerramento do registro da informações sobre carga procedente de trânsito aduaneiro ou expirado o prazo de que trata o parágrafo 3º do art. 6° desta Instrução Normativa; III o encerramento do registro de armazenamento ou expirado o prazo de que trata o art. 14 deste Ato; e IV o registro da entrega física da carga, relativamente às cargas desembaraçadas ou entregues para trânsito. Parágrafo único. As solicitações de retificação de dados pelo transportador, desconsolidador de carga ou depositário e sua validação pelo AFTN serão formuladas mediante registro no Sistema. (grifei) Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.745 17 Observando o extrato de situação de carga do MAWB 006 6185 3326, verificase que não houve indicação de solicitação de vinculação do DSIC nº 791 0700 6285 ao referido MAWB, como se segue: SISCOMEX MANTRA IMPORTAÇÃO 27/03/2012 11:3 PAG. 01 / 02 SITUAÇÃO DA CARGA MAWB 006 6185 3326 DE 01/08/2007 AEROPORTOS=> FRA / GIG NC=> ATT PREP 1923,00 CONSIGNAT ITATRANS FRETE\COLL VOL. 7 PESO 388,300 K CARGA DESCONSOL. EM GIG COD. MOEDA FRETE E URF 0717700 AEROPORTO INTERNACIONAL DO RIO DE JANEIRO INF 29/08/2007 AS 12:11 TERMO 070068984 .DAL0061 02/08/2007 CHEGADA 03/08/2007 08: 01 VOL.7 388,300 K TC=6 ARMAZENAMENTO R.A. 7911101 VOL.7 PESO 387,190 EMB= 04 ARM=4F AVARIAS = A C G 19/02/2008 17: 13 CPF 00817539778 REGISTRADO 19/02/2008 17: 13 CPF 00817539778 ENCERRADO 20/02/2008 10: 03 CPF 74745140797 AVALIZADO 20/02/2008 10: 33 AFRF VISADO CARGA SUJEITA A PENA DE PERDIMENTO POR ABANDONO > (90 DIAS) Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.746 18 Contudo, tal informação estava presente no extrato da situação da carga apresentado pela impugnante no DSIC nº 791 0700 6285, como copiado abaixo: SISCOMEX MANTRA IMPORTAÇÃO 27/03/2012 10:39 PÁG. 02/02 SITUAÇÃO DA CARGA DSIC 791 0700 6285 DE 03/08/2007 AEROPORTOS=> ATL / GIG TIPO/DCTO APROP 01/00661853326 NC=> ATT ¦ PREP CONSIGNAT ITATRAN5 FRETE ¦ COLL VOL. 7 PESO 382,000 K COD. MOEDA FRETE URF 0717700 AEROPORTO INTERNACIONAL DO RIO DE JANEIRO INF 03/08/2007 AS 17:16 TERMO 070068984.. DAL0061 02/08/2007 CHEGADA 03/08/2007 08: 01 VOL.7 382,000 K TC=6 T BAIXADO PELO CONHEC. 01 00661853326 (destaquei) Desta forma, considero que a carga fora armazenada no prazo, pois que chegara no dia 03/08/2007 e no mesmo dia fora registrada, encerrada e avalizada a armazenagem, ficando pendente o visto da fiscalização que se confirmara no dia 20/02/2008, sendo posteriormente apresentada sua vinculação ao MAWB nº 006 6185 3326. Tais momentos não devem serem confundidos, ou seja, o da efetiva armazenagem da carga no prazo de 12 horas como prescreve a norma aduaneira e as eventuais correções e retificações como acima transcrita no artigo 25 da Instrução Normativa nº 102/94. Considerando que o MAWB nº 006 6185 3326, ao qual o DSIC fora vinculado, fora desconsolidado em cinco HAWB (00661853326 00006082, 00661853326 00006178, 00661853326 00006313, 00661853326 00006319, 00661853326 00006337), e que cabe esclarecer que é incumbência da impugnante apresentar qualquer outra prova que remetesse a situação idêntica de vinculação de carga armazenada por DSIC, tal qual a que Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.747 19 analisei acima. Visto que todas as provas deveriam ter sido juntadas na peça impugnatória nos termos do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.748 20 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (grifei) No que tange à situação B do Termo de Entrada nº 070081646 e à situação C do Termo de Entrada nº 070081352, onde a interessada afirma que o conhecimento aéreo estava recepcionado para outro recinto alfandegado, realizamos às folhas 1208 /1209 diligência à unidade de origem para que se apresentase apenas as cargas que estavam no recinto alfandegado da impugnante, R.A nº 7911101. Diante da resposta da Alfândega do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, à folha 1458, apresentado demonstrativo das “cargas armazenadas fora de prazo” entendo que confere razão a interessada. Na resposta à diligência a fiscalização apresenta no referido demonstrativo a totalização do crédito tributário atinentes apenas ao recinto alfandegado nº 7911101 no valor de R$ 10.966.000,00 (dez milhões novecentos e sessenta e seis mil reais), à folha 1457. Desta forma, confirmase a alegação da interessada de que havia outros recintos aduaneiros que não incumbem responsabilidade à impugnante. Sendo assim, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE EM PARTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário no valor de R$ 9.956.000,00 (nove milhões novecentos e cinquenta e seis mil reais).” Considerando os documentos acostados ao processo, bem como a manifestação clara da DRJ ao analisar o caso vertente, entendo que assiste razão à autoridade fazendária ao colacionar inclusive os dizeres da norma que regulamenta a r. multa e discorrer sobre a r. responsabilidade. Não obstante, considerando o pedido de nulidade do Auto de Infração feito pela recorrente ao trazer os r. elementos em seu recurso, vêse que nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado. Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES Processo nº 10715.721211/201229 Acórdão n.º 3202001.104 S3C2T2 Fl. 1.749 21 Ora, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. O que, no caso concreto não se percebe qualquer nulidade que comprometa a validade do procedimento adotado. Quanto à menção pela impugnante de que havia outros recintos aduaneiros, vêse que tal questão já fora enfrentada favoravelmente à contribuinte no âmbito da DRJ. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar e no mérito negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/09/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES
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Numero do processo: 13839.900651/2009-37
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3801-004.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2000 a 30/09/2000 NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. A não configuração das hipóteses previstas no art. 65 do Regimento Interno do CARF impede o acolhimento dos embargos de declaração. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos de declaração nos termos do voto do relator. Antecipado o julgamento para o dia 19 de agosto de 2014 a pedido do recorrente. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 06 51 /2 00 9- 37 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900651/200937 Acórdão n.º 3801004.228 S3TE01 Fl. 179 2 Relatório O contribuinte com fulcro no art. 65, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF opõe embargos de declaração em face do Acórdão proferido pela Primeira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF cuja ementa é a seguinte: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. A Embargante alega omissão e contrariedade, pois apresentou planilhas demonstrativas da origem do crédito e em todas as suas manifestações nos presentes autos, inclusive nas razões de Recurso Voluntário, expressamente consignou que todas as notas fiscais de venda à ZFM estão e sempre estiveram à disposição das Ilustres Autoridades da Administração Tributária Federal, muito embora jamais tenham sido por elas requeridas, não havendo que se falar em ausência de provas. Acrescenta que nesta oportunidade apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos, com fundamento no princípio da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal. Por fim, requer que sejam os embargos de declaração recebidos e acolhidos, para que seja reconhecido o direito creditório da Embargante, para o fim de reformar a r. decisão recorrida, a fim de que seja homologada a compensação efetuada. O Presidente da Turma admitiu os presentes embargos. É o que importa relatar. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900651/200937 Acórdão n.º 3801004.228 S3TE01 Fl. 180 3 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl. Conheço dos presentes embargos porquanto tempestivos, entretanto ao mesmo não dou provimento. Conforme apontado o foi negado provimento ao recurso voluntário tendo em vista que a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possuía o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Agora, em sede de Embargos a Recorrente reafirma que na planilha juntada “encontramse suficientemente comprovadas as vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus, evidenciandose, também, o indevido recolhimento da COFINS em relação às receitas oriundas dessas vendas.”, afirmando, ainda, que as notas fiscais sempre estiveram à disposição da autoridade, “tanto é que a Embargante apresenta como Doc. 04 (anexo) o arquivo magnético contendo as notas fiscais de venda para a ZFM do período em voga nos presentes autos”. O que ficou evidenciado é que no momento do julgamento as referidas notas não estavam juntadas nos autos e que de fato não haviam provas que pudessem autorizar a compensação, tanto é que a Embargante fêlas juntar em sede de Embargos. Entretanto, em que pese a juntada desses documentos, estes foram juntados a destempo e não havia no acórdão embargado qualquer omissão ou obscuridade que autorizassem alterações via embargos. Nesse sentido, conheço dos embargos e por não haver qualquer omissão ou obscuridade no acórdão recorrido os rejeito. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13961.000122/2009-26
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente
Assinado digitalmente
Sandro Machado dos Reis Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eivanice Canario da Silva (Conselheira Suplente Convocada) e Sandro Machado dos Reis. Ausente justificadamente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães (Presidente), Tânia Mara Paschoalin, Carlos Cesar Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Eivanice Canario da Silva (Conselheira Suplente Convocada) e Sandro Machado dos Reis. Ausente justificadamente o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: “Por intermédio da Notificação de Lançamento de fls. 3 e 4, exigese do interessado o Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF Suplementar de R$ 8.792.63, acrescido da multa de ofício de 75% e juros de mora, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 61 .0 00 12 2/ 20 09 -2 6 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13961.000122/200926 Resolução nº 2801000.131 S2TE01 Fl. 153 2 em razão de a autoridade revisora haver apurado, na declaração de ajuste apresentada para o exercício de 2007, anocalendário 2006, omissão de rendimentos recebidos da Caixa Econômica Federal, em decorrência da ação judicial n° 2003.72.04.0129271, no montante de R$38.239,07, com IRRF de R$1.529,37. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresenta a impugnação de fls. 1 e 2, na qual expõe suas razões de contestação. No item "I Os Fatos" diz que por decisão judicial impetrada contra o INSS recebeu no ano de 2006 rendimentos isentos, no montante de R$ 38.239,07, referentes à sua aposentadoria no período de 1998 a 2003. No item "II O Direito", subitem "II. 1 Preliminar", o contribuinte repisa que os rendimentos são isentos, não incidindo sobre eles qualquer tipo de tributação, que cumpriu com suas obrigações perante a Receita Federal, estando assegurado o seu direito de manter os valores como declarados e pagos. Diz que o seu direito está escorado no artigo 17 do Decreto n° 70.235/1972, transcrevendo o artigo na sua redação original. No subitem "II.2 Mérito", salienta que: "de forma alguma eu poderia ser considerado a parte que ocasionou tal situação. Tal fato de recebimento foi tão somente causado pelo INSS. Portanto, não tem no que se falar de rendimentos tributáveis por uma situação em nada contribui para que acontecesse". Requer, ao final, o cancelamento do crédito tributário exigido.” Ao analisar o pedido do contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF n 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Doravante, foi apresentado recurso voluntário pelo contribuinte suscitando os mesmos argumentos da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. No presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte. "Compulsando os autos, verificase que a Fiscalização, ao proceder ao lançamento tributário, em 2009, aplicou a Tabela Progressiva Anual sobre o total dos rendimentos recebidos acumuladamente no anocalendário 2006." Ocorre que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis: Fl. 153DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13961.000122/200926 Resolução nº 2801000.131 S2TE01 Fl. 154 3 “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pelo Supremo Tribunal Federal e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, verifica se que as questões concernentes ao artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, não podem ser apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal. É que foi alterado (Portaria MF n.º 586, de 2010) o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), editado pela Portaria MF n.º 256, de 2009, determinando o sobrestamento ex officio dos recursos nas hipóteses em que reconhecida a repercussão geral do tema e determinado o sobrestamento dos julgamentos sobre a matéria pelo Supremo Tribunal Federal, a teor do art. 62A, §§1º e 2º, do Regimento Interno do CARF, que, a seguir transcrevese, ipsis litteris: “Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES Processo nº 13961.000122/200926 Resolução nº 2801000.131 S2TE01 Fl. 155 4 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE nº 614.406, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Sandro Machado dos Reis Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por SANDRO MACHADO DOS REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MA GALHAES
score : 1.0
Numero do processo: 13501.000239/2004-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1998
DECADÊNCIA. PRONUNCIAMENTO DE OFICIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DE ANTECIPADO.
Por força do princípio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de ofício, independentemente de pedido do interessado. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2102-003.010
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer de ofício a decadência. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Jose Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. PRONUNCIAMENTO DE OFICIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DE ANTECIPADO. Por força do princípio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de ofício, independentemente de pedido do interessado. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Recurso Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer de ofício a decadência. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Jose Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura.
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PRONUNCIAMENTO DE OFICIO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO DE ANTECIPADO. Por força do princípio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de ofício, independentemente de pedido do interessado. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para reconhecer de ofício a decadência. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 1. 00 02 39 /2 00 4- 12 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Jose Raimundo Tosta Santos e Núbia Matos Moura. Relatório Tratase de Auto de Infração contra o contribuinte acima qualificado, relativo ao AnoCalendário 1998, Exercício 1999, que exige crédito tributário no valor de R$ 6.822,39, acrescida multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 09/2004. Consta do “Demonstrativo das Infrações” em fl. 03/v, a apuração das seguintes infrações: “TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATÍCIO. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL CORRIGIDO PARA R$ 31.320,57, CONFORME COMPROVANTE DE RENDIMENTO DA FUNDAÇÃO PETROBRÁS, CNPJ 34.053.942/000150. HAVENDO RECLASSIFICAÇÃO DOS RENDIMENTOS ISENTOS PARA TRIBUTÁVEIS, NO VALOR DE R$ 5.848,41. DEDUÇÃO INDEVIDA COM DEPENDENTE(S). COMPROVAÇÃO DE UM DEPENDENTE DE ACORDO COM O ENQUADRAMENTO LEGAL . OS DEMAIS DEPENDENTES DECLARADOS FORAM SUPRIMIDOS POR FALTA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROVANDO GUARDA JUDICIAL. DEDUÇÃO INDEVIDA A TITULO DE DESPESA COM INSTRUÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS DECLARADAS. DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESAS MEDICAS. VALOR ATRIBUÍDO CONFORME RECIBOS APRESENTADOS PELO CONTRIBUINTE.” Irresignado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresenta impugnação em 29/11/2004, argumentando, em síntese, que os rendimentos em questão correspondem a 1/3 dos proventos de previdência privada pagos pela PETROS, isenta do imposto de renda com base na Instrução Normativa SRF n° 02/1993; que havia informado o imposto complementar para obter a restituição do imposto pago quando apresentara a declaração original. Não questiona as glosas das deduções. . A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme excertos do voto abaixo transcritos: “[...] A Instrução Normativa SRF n° 02/1993 não se aplica ao caso, pois foi suprimida pelo art. 33 da Lei nº 9.250, de 1995. Citando: Art. 33 Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. Inexiste, portanto, previsão legal para a exclusão de 1/3 propugnada pelo contribuinte. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13501.000239/200412 Acórdão n.º 2102003.010 S2C1T2 Fl. 116 3 Os cálculos estão corretos, pois foi excluída a parcela do imposto declarado anteriormente (RS 775,58), lançandose como imposto suplementar, sujeito à multa, apenas a diferença de imposto decorrente da glosa das deduções não comprovadas. Por estas razões, voto pela procedência do lançamento.” A esposa do contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 1516.515 da 3ª Turma da DRJ/SDR em 12/11/2008 (fl. 110). Sobreveio Recurso Voluntário apresentado pelo esposa do Contribuinte, Neuza da Silva Cavalcanti em 14/11/2008 (fl. 102), nomeada inventariante conforme certidão do Poder Judiciário de fl. 94, acompanhado dos documentos de fls. 103/111 Em síntese, a interessada aduziu que: No Auto, o Sr. Auditor considerou o rendimento tributável conforme a declaração enviada em 14/04/1999 “ rendimento tributável de R$ 31.320,57”. Ocorre que em 16 de março de 2003 foi enviada uma RETIFICADORA, baseada na IN/SRF n°. 002, Artigo 2°, Inciso IX, DOU de 25/01/1993, a qual nos oferece a possibilidade de abater 1/3 do Benefício pago pela Previdência Privada, desde quando a referida tenha pagado os impostos das suas aplicações, por este motivo só tributamos R$ 24.572,16. A Instrução Normativa não foi considerada pelo Auditor. Quanto à omissão de rendimentos recebidos da Fundação, (R$ 5.783,15), referese a 1/3 abatido, de acordo a Instrução Normativa. A inclusão do Imposto Complementar é fruto do Imposto pago indevidamente na época da Declaração. Uma observação neste item, é que, quando da alteração deste, o Sr. Auditor deixou de considerar a INSRF (vide anexos), aparecendo o Imposto Suplementar de RS 2.528,50, que com os juros alcançou o valor de R$ 6.822,39 (indevidamente). lnconformada com tal decisão venho recorrer a esse órgão, solicitando revogação do parecer e que V. Sª mande rever ilegal decisão administrativa fiscal; reconheça o direito do contribuinte e determine o ressarcimento das contas pendentes de 1998 e 1999. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 O presente recurso se cinge a controvérsia acerca dos proventos de previdência privada pagos pela Petros (FUNDAÇÃO PETROBRÁS, CNPJ 34.053.942/0001 50), pelo qual, o contribuinte entregou declaração retificadora em 2003, relativa ao ano calendário 1998, requerendo que fosse concedida a isenção de 1/3 dos rendimentos tributáveis declarados à época, em decorrência da referida isenção concedida pela Instrução Normativa da SRF nº 02, de 07 de janeiro de 1993, no seu art. 2º. No entanto, como bem assentou a decisão de primeira instância, a mencionada Instrução Normativa nº02/1993 foi suprimida pelo art. 33 da Lei nº 9.250, de 1995, in verbis: “Art. 33 Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições.” Entretanto, por força do princípio da moralidade administrativa, deve ser analisada de ofício, independentemente de pedido do interessado, a questão da decadência do direito de efetuar o lançamento. Visto que esta configura uma das hipóteses de extinção da obrigação tributária principal, prevista no art. 156 do CTN. O Fisco formalizou a destempo, conforme comprova através do Auto de Infração às fls. 02, o qual foi lavrado em 16/08/2004, em relação ao fato gerador que se perfectibilizou em 31/12/1998. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, comprovado no próprio Auto de Infração, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Inclusive, no que se refere à contagem do prazo decadencial, em observância do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, devese adotar as conclusões exaradas no Recurso Especial nº 073.733 SC (2007/01769940), cuja ementa abaixo se transcreve: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 13501.000239/200412 Acórdão n.º 2102003.010 S2C1T2 Fl. 117 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) Do acima transcrito, verificase, no que concerne ao IRPF, sempre que o contribuinte efetue o pagamento antecipado, o prazo decadencial encerrase depois de transcorridos cinco anos do encerramento do anocalendário. No presente caso, o contribuinte apresentou sua Declaração de Ajuste Anual (DAA), exercício 1999, anocalendário 1998, fls. 35, confirmando pelo Auto de Infração, de fls. 02/04, houve retenção do imposto de renda na fonte. Ocorreu, portanto, a antecipação do pagamento, de modo que se deve aplicar, para a contagem do prazo decadencial, o previsto no § 4º do art. 150 do CTN, conforme entendimento acima referido. Assim, a data inicial para a contagem do prazo decadencial é 31/12/1998 e o termo final 31/12/2003. Como o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 22/11/2004, fls. 10, já se encontrava extinta a obrigação tributária principal, portanto, deve ser reconhecida de ofício a decadência do crédito tributário na data do lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer de ofício a decadência. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900510/2011-83
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2005
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA
O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 05 10 /2 01 1- 83 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900510/201183 Acórdão n.º 3801004.013 S3TE01 Fl. 75 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900510/201183 Acórdão n.º 3801004.013 S3TE01 Fl. 76 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 916016762 emitido eletronicamente em 01/04/2011, referente ao PER/DCOMP nº 00189.93374.200607.1.3.048970. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de Cofins, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$1.203,23, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 30/09/2005 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 31/05/2011, tendo feito um resumo dos fatos. Em seguida, tece considerações acerca da inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre o ICMS, fazendo referência à legislação pertinente, à jurisprudência do Judiciário e a entendimentos doutrinários que tratam do assunto em pauta, para concluir que as “receitas” provenientes do ICMS não podem integrar a base de cálculo das contribuições para o PIS e da Cofins, ante ao fato de não representarem receita ou faturamento do contribuinte, mas sim do ente tributante. Diante das razões invocadas, o manifestante requer seja reconhecido o seu direito à compensação referente aos indevidos pagamentos a título de Cofins, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das atividades do contribuinte, bem Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900510/201183 Acórdão n.º 3801004.013 S3TE01 Fl. 77 4 como não haja a incidência de multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Anexa aos autos um “Relatorio aproveitamento”, no qual indica o valor do ICMS e o valor de Cofins correspondente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega, em síntese, que não pode haver qualquer diferenciação entre o tratamento tributário dado às instituições financeiras e as demais pessoas jurídicas sujeitas ao recolhimento da COFINS e do PIS, conforme o disposto nos artigos 5o e 150, II, ambos da Constituição, e de acordo com jurisprudência dominante do STF, devendo ser reconhecido o seu direito à restituição referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900510/201183 Acórdão n.º 3801004.013 S3TE01 Fl. 78 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos indevidos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades. A recorrente defende a isonomia de tratamento fiscal no que diz respeito à exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins de despesas operacionais previstas na legislação aplicável às instituições financeiras. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. A Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, em seu art. 3º, § 6º, explicita as exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo das referidas contribuições para as instituições financeiras, seguradoras e assemelhadas, além daquelas facultadas as demais pessoas jurídicas. A recorrente alega que esse tratamento tributário diferenciado ofende ao princípio da igualdade encontrado no art. 5º, caput, da Constituição Federal, bem como o conseqüente princípio da isonomia ou igualdade tributária assegurado na Carta Magna, em seu art. 150, II.. No entanto, o referido tratamento está baseado em disposição literal de norma válida legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional cuja apreciação acerca de eventual inconstitucionalidade foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar tais hipóteses. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. Para firmar esse entendimento, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, por força do disposto no Anexo II, art. 62, caput, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900510/201183 Acórdão n.º 3801004.013 S3TE01 Fl. 79 6 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas hipóteses de decisão vinculante do STF ou acolhida pela administração tributária. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, considerandose que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, o que não ocorreu no caso em tela, faltando ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. No tocante ao instituto da denuncia espontânea, de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, este não se aplica ao caso vertente uma vez que tratamse os débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação, sujeitos portanto aos acréscimos moratórios previstos no artigo 61, da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, segundo a Súmula 360 do STJ, “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 79DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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