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Numero do processo: 10120.004545/2007-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
MULTA ISOLADA CUMULADA COM MULTA DE OFÍCIO.
Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária.
Numero da decisão: 1401-001.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado,por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
(assinado digitalmente)
Alexandre Antônio Alkmim Teixeira Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado,por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 45 45 /2 00 7- 67 Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.839 2 (assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.840 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BrasíliaDF. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Auto de Infração cio Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 858/881) Fato Gerador Enquadramento Legal 'Adições Não Computadas na Apuração do Lucro Real Custo/Despesa Indedutível 31 /12/2002,31 /12/2003,31 /12/2004, 31/12/2005,31/12/2006 Geral: Art. 249, inc. I, do RIR/99 / Remuneração Indireta a Beneficiários Não Identificados: Áit. 358j inc. II e § 3o, inc. II e art. 304 do RIR/99; Art. 74, § 2° dã Lei h° 8.383/91 c/c Art. 61, § 1° da Lei n° 8.981/95; Parecer Normativo CST n° 11/1992 / Despesas Desnecessárias: Art. 299, do RIR/99; Parecer Normativo CST n" 32/1981, Parecer Normativo CST n° 11/1992, Parecer Normativo CST n° 02/1980, Parecer Normativo CST n" 81/1975 / Indedutibilidade do Imposto de Renda Retido na Fonte: Art. 344, § 2o e art. 358, § 3o, inc. II, parte final, do RIR/99; Parecer Normativo n" 02/1980 Imposto de Renda Pessoa Jurídica — Diferença entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago 31/12/2002 Arts. 247 e 841, inciso IV do RIR/99 Multas Isoladas 31/01/2002,31/01/2004,31/07/2004, 31 /07/2005,31 /08/2005,31/10/2005 Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § 1°, inc. IV, da Lei n" 9.430/96 alterado pelo Art. 14 da MP n° 351/07 c/c Art. 106, inc. II, alínea "c" do CTN, com aplicação retroativa da nova redação do Art. 44, inc. II, "b" da Lei n" 9.430/1996, dada pela Lei n° 11.488/2007 Multas Isoladas Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declaradu/Pago IRPJ Estimativa 31/01/2002,31/03/2002,31/05/2002, 31/07/2002,30/09/2002,30/06/2003 Arts. 222 e 843 do RfR/99 c/c art. 44, § 1°, inc. IV, da Lei n° 9.430/96 alterado pelo Art. 14 da MP n" 351/07 c/c Art. 106, inc. II, alínea "c" do CTN, com aplicação retroativa da nova redação do Art. 44, inc. II, "b" da Lei n° 9.430/1996, dada pela Lei n° 11.488/2007 Auto de Infração da Contribuição Social s/Lucro Líquido CSLL (fls. 882/908) Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.841 4 Contribuição Juros de Mora (calculados alé 31/07/2007) Multa Proporcional (75%) Multa Exigida Isoladamente Total R$21.976,20 R$10.584,70 R$16.482,14 R$642.251,26 R$691.294,30 Infrações Fato Gerador Enquadramento Legal Adições ao Lucro Líquido Antes da CSLL Custos/Despesas Não Dedutíveis 31/1 2/2002,31/12/2003,31/12/2004, 31/1 2/2005,31/12/2006 Art. 2o e §§, da Lei n° 7.689/88;Art. 13 da Lei n° 9.249/95;Art. 47 da Lei n° 4.506/64;Art. 6o da Medida Provisória n° 1.858/99 e reedições;Art. 28 da Lei n° 9.430/96;Art. 37 da Lei n° 10.637/02;Arts. 836 837 e 841 do RIR/99 c/c art. 6o, parágrafo único da Lei 7.689/88;Despesas desnecessárias;Art. 2 99; do RIR/99;Parecer Normativo CST n°32/1981;Parecer Normativo CST n° 11/1992; Parecer Normativo CST n° 02/1980;Parecer Normativo CST n° 81/1975. Auto de Infração da Contribuição Social s/Lucro Líquido CSLL (flsi 882/908) CSLL — Diferença entre o Valor Escriturar) e o Declarado/Pago 31/12/2003 Art. 77, inciso III, do DecretoLei n° 5.844/43 art. 149 da Lei n° 5.172/66 art. 2o e §§, da Lei n° 7.689/88; Art. Io da Lei n° 9.316/96 e Art. 28 da Lei n° 9.430/96; Art. 37 da Lei n° 10.637/02 .... Multas Isoladas Falta de Recolhimento da Contribuição Social sobre a Base Estimada 31 /01 /2003,31 /01 /2004,31 /07/2004, 31 /01 /2005,31 /07/2005,31 /08/2005, 31/10/2005 Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § Io, inciso IV, da Lei n°9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106; inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66, com aplicação retroativa da nova redação do art. 44, inciso II, "b" da Lei 9.430/1996, dada pela Lei n° 11.488/2007; Arts. 836 do RIR/99 c/c art. 6o, parágrafo único da Lei 7.689/88 (Multas Isoladas Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago CSLL Estimativa Arts. 222 e 843 do RIR/99 c/c art. 44, § Io, inciso IV, da Lei n°9.430/96 alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66, com aplicação retroativa da nova redação do art. 44, inciso II, "b" da Lei 9.430/1996, dada pela Lei n° 11.488/2007; Arts. 836 do RIR/99 c/c art. 6o, parágrafo único da Lei 7.689/88 Em 06/08/2007, foram lavrados contra a interessada os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ e Contribuição Social s/ Lucro Líquido, atinentes aos anoscalendário de 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, cujo crédito tributário lançado de oficio perfaz o montante de R$967.251,26, assim discriminados por exação fiscal: A ação fiscal foi motivada por um ofício enviado pelo Ministério Público Federal em Goiás, solicitando que a DRFGoiânia verificasse se utilização do cartão de incentivo "Flexcard" por parte do sujeito passivo havia resultado na supressão de algum tributo administrado pela Receita Federal do Brasil. Levantou o Ministério Público indícios de que os pagamentos de salários estavam sendo feitos com a Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.842 5 utilização destes cartões, os quais conferiam o direito de saque de valores na Rede 24h ou no Unibanco aos seus beneficiários. Sendo a Incentive House S/A a administradora dos cartões, foi solicitada a fornecer relação das empresas que utilizaram os seus serviços, dentre as quais a Companhia Thermas do Rio Quente. Informou a Incentive House S/A à Ia Vara Criminal da Justiça Federal em Curitiba que os cartões FLEXCARD não têm por finalidade o pagamento de salário, mas sim a premiação do "universo de colaboradores para o desenvolvimento de seu negócio (vendedores, revendedores, distribuidores, consumidores, etc). Esclareceu a contribuinte que os pagamentos realizados em 2003 e 2004 foram realizados visando aumentar a produtividade, lucratividade, crescimento de qualidade e resultados, que não houve retenção, mas tributação exclusivamente na fonte à alíquota de 35% e que não foi possível a identificação dos beneficiários dos cartões de incentivo; nem houve a incorporação à remuneração mensal dos mesmos. Por sua vez, da documentação apresentada pela contribuinte constatou a Fiscalização que, pouco mais de três meses antes do início da ação fiscal, o sujeito passivo recolheu vários DARF de imposto de renda retido na fonte, que se refere a pagamentos efetuados pela pessoa jurídica quando não identificados os beneficiários de despesas a titulo de remuneração indireta. A contribuinte ainda retificou os Livros de Apuração de Lucro Real em 2006, adicionando aos LALÜR dos anoscalendário de 2002 à 2006 parte das despesas contabilizadas relativas à aquisição dos cartões (as relativas aos valores disponibilizados mediante a entrega dos cartões aos beneficiários), sem, contudo, adicionar a despesa referente á comissão cobrada pela Incentive House pela entrega dos cartões. Nesse sentido, diante do exposto, constatou a Fiscalização que a contribuinte remunerou indiretamente beneficiários não identificados, mediante vantagens/benefícios concedidos por meio do cartão FLEXCARD, caracterizando subsunção aos artigos 358 e 675 do RIR/99. Assim, as despesas contabilizadas pela contribuinte relativas (i) à remuneração indireta a beneficiários não identificados, mediante a entrega de cartões com direito a saques em espécie, (ii) ao pagamento pela intermediação da Incentive House no fornecimento de tais cartões, (iii) ao pagamento de juros sobre as duplicatas emitidas pela Incentive House, (iv) aos pagamentos de Imposto de Renda Retido na Fonte (inclusive multas e juros) decorrentes desta operação de remuneração indireta efetuada pela contribuinte, foram consideradas indedutíves pela Fiscalização. Assim, apurou a Fiscalização, para os anoscalendário de 2002 a 2006, valores a serem adicionados ao Lucro Real, que estão demonstrados nas planilhas de fls. 810/814. Ainda, a contribuinte efetuou conciliação entre contas de ativo e passivo, corrigindo lançamentos contábeis indevidos por inexistência de lastro documental, cujos valores também foram adicionados ao Lucro Real. Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.843 6 A Fiscalização também detectou, no procedimento de verificações obrigatórias, divergências entre os valores escriturados e declarados, referentes a contratos de Sociedade de Conta de Participação, apurando imposto de renda suplementar para o anocalendário de 2002. Ainda, em razão das adições decorrentes das despesas indedutíveis correspondentes ao uso do cartão FLEXCARD, houve alteração da base de cálculo informada pela contribuinte nos balanços de suspensão/redução, conforme demonstrativo de fls. 798/807, que apuram a diferença a ser adicionada e, por conseqüência, um novo cálculo do lucro real e imposto de renda e adicional devidos. Por fim, a Fiscalização também detectou, no procedimento de verificações obrigatórias, divergências entre os valores escriturados e declarados, referentes a contratos de Sociedade de Conta de Participação, incidente sobre a base de cálculo estimada em função dos balanços de suspensão/redução, para os anoscalendário de 2002 e 2003; Cientificada dos lançamentos, em 07/08/2007 (Ciência do Contribuinte/Responsável às fls. 858 e 882 dos Autos de Infração), a interessada apresentou as impugnações de fls. 944/971 e 1023/1050 e respectivos anexos, em 04/07/2007 (protocolos de recepção às fls. 944 e 1023). Apoiada nos documentos já acostados aos áutos¿ dispõe sobré o seguinte, em síntese: • discorre sobre os fatos; • contesta a aplicação das multas isoladas em razão da falta de recolhimento do IRPJ, por estimativa mensal e das divergencias verificadas entre os vaíores escriturados/pagos relativos às estimativas mensais referentes às Sociedades em Conta de Participação; uma vez que foram lançadas, apenas, após o encerramento dos exercícios fiscais; • mostrase ilegal e ilícita a exigência de multas isoladas nesse contexto, haja vista que, encerrado o período de apuração do Imposto de Retida sob regime dè estimativa â exigência de eventuais obrigações apuradas sob esse regime de estimativa deixa de têf eficácia haja vista prevalecer, a partir do encerramento do exercício respectivo â exigência do imposto efetivamente devido e apurado com base no lucro real; • transcreve ementas do Conselho de Contribuintes e ensinamentos doutrinários para corroborar este entendimento; • ad cautelam, ainda que se entenda pela manutenção da aplicação das multas isoladas, mesmo assim os lançamentos não teriam como prosperar, uma vez que é absolutamente indevida a aplicação concomitante das multas isoladas e da multa de ofício adotandose, como fundamento, a mesma infração; • tratase de pretensão ilegal, uma vez que, à luz do princípio da proporcionalidade e da legislação tributária pátria, inexiste autorização legal para que se promova o lançamento de múltiplas penalidades sobre uma única infração, e transcreve ementas do Conselho de Contribuintes e ensinamentos doutrinários para corroborar tal entendimento; Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.844 7 • ainda, discorre sobre a impossibilidade da imputação da multa isolada nos casos em que as eventuais diferenças restaram apuradas pelo próprio Fisco, uma vez que, nessas situações, afigurase incabível a aplicação concomitante da multa isolada e da multa de ofício, a par de inexistir, strictu sensu, obrigação tributária inadimplida, haja vista que tais obrigações se originaram no bojo da própria autuação fiscal, tendo a impugnante conhecimento das diferenças apuradas apenas após a conclusão do procedimento fiscal; ou seja, somente depois de promovidas as retificações dos cálculos pela própria fiscalização, através da inclusão nos balanços de suspensão/redução daquelas despesas indevidamente deduzidas, o que, por si só, afastaria a legalidade da exigência; • protesta, por fim, pela realização de todas as provas em direito admitidas, em especial; prova documental e pericial, a fim de comprovar seus articulados de defesa. Consoante despacho às fls. 1091; informa à unidade preparadora que a impugnação é parcial, tendo em vista que o sujeito passivo efetuou o pagamento da parte não impugnada, conforme demonstrado no "Extrato do Processo" de fls. 1056/1060 do qual se verifica que; em relação (i) ao IRPJ, encontramse extintos os créditos dó Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, lucro real anual, fatos geradores de 31/12/2002, 31/12/2004, 31/12/2005 e 31/12/2006^ relacionados no Auto de Infração, respectivamente, às fls. 871* 873, 874 e 875; e (ii) a CSLL, lucro real anual, encontramse extintos òs créditos dá Contribuição Social s/Lucro Líquido, fatos geradores 31/12/2003, 31/12/2004 e 31/12/2005; listados rio Auto de Infração respectivamente às fls. 898, 899 e 900. Por sua vez, os créditos relativos às multas isoladas não foram extintos, constituindose, portanto, em matéria controversa. É o relatório. A DRJ MANTEVE os lançamentos, nos termos das ementas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a parcela do crédito com a qual o sujeito passivo aquiesceu e efetuou o recolhimento do valor exigido. MULTA ISOLADA. CABIMENTO APÓS O ENCERRAMENTO DO PERÍODO. Não tendo o contribuinte efetuado os recolhimentos mensais a que estão obrigadas as pessoas jurídicas optantes pela tributação com base no lucro real anual, cabível a aplicação da multa isolada, mesmo após o encerramento do exercício, e ainda que seja apurado prejuízo fiscal. MULTA ISOLADA. NATUREZA DIVERSA. MULTA DE OFÍCIO. A multa exigida isoladamente sobre a falta de recolhimento das estimativas mensais é de natureza diversa da multa proporcional incidente sobre a insuficiência de recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, no regime do lucro real anual. Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.845 8 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PROTESTO PELA JUNTADA DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. Para que seja deferido o pedido de diligência ou perícia, cabe formular o requerimento consoante o disposto no inciso IV do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72 (PAF), além de fundamentar adequadamente a sua necessidade. Por sua vez, as provas documentais devem ser apresentadas por ocasião da impugnação, sob pena de preclusão processual, exceto nas situações previstas no art. 16, § 4o do PAF. CSLL. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido em relação à matéria principal estendese aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Requerimento do Contribuinte de desistência parcial do Recurso (lei n° l 1.941/2009) apresentado, conforme fls. 1276. Porém, a seguir o Contribuinte ao constatar que os créditos tributários em questão encontravamse extintos, solicita então que seja desconsiderado o “Pedido de Desistência”, diante da perda de objeto do mesmo, oportunidade em que procede a juntada das cópias dos DARF comprobatórios da extinção de referidos créditos tributários. Por fim, requer a Manifestante que seja determinado o devido prosseguimento do presente processo tributário administrativo, de maneira que seja apreciado, pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aquele Recurso Voluntário interposto pela mesma. É o relatório. Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.846 9 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Cancelado em tempo os pedidos de desistência parcial em função de erro de fato demonstrado, o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, sendo admitido. Delimitação da Lide A princípio, cabe esclarecer que se trata de recurso relativo apenas aos créditos tributários correspondentes às multas isoladas. É que no que tange aos valores suplementares lançados pela Fiscalização, referentes ao IRPJ e a CSLL, submetidos à apuração anual do lucro real, já foram todos extintos pela contribuinte, por meio de pagamento, consoante demonstra "Extrato do Processo" às lis. 1051 e 1054, na fase impugnatória, sendo inclusive apartado os processos. MULTA ISOLADA – ESTIMATIVAS NÃO PAGAS A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75%, entre outras alegações. Cabe de início esclarecer que não se confunde a existência de duas infrações distintas.Uma coisa é o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa; outra, completamente diferente é a caracterização de declaração inexata e da falta de recolhimento do imposto apurado no final do ano, com base no lucro real. Tais infrações são passíveis de penalidades distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação uma incidindo isoladamente, sobre as estimativas obrigatórias não recolhidas durante o anocalendário e outra cobrada juntamente com o imposto devido (declaração inexata). A lei em sua redação original, coincidentemente, tinha adotado o mesmo percentual de 75% para ambos os casos. Mas, esse dispositivo foi alterado pela lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, dandolhe nova redação, reduzindo a multa isolada para 50%; bem assim deixando bem claro, se dúvidas haviam, de que a referida multa isolada era cabível no caso de estimativa mensal não paga e não de tributo final não pago. Assim, em virtude da legislação referida, ao optar pela apuração dos lucros com base no real anual a contribuinte ficou obrigada a antecipar o pagamento do imposto de renda e da contribuição social, recolhendoos mensalmente, por estimativa. A multa isolada recebe essa denominação apenas por ser exigida separada e independentemente do tributo, tanto que se impõe ainda quando nenhum tributo ao final do período de apuração seja devido, apenas porque o contribuinte deixou de satisfazer o recolhimento por estimativa que lhe tocava efetuar. A multa aplicase ainda que, no final do período de apuração, venha a ser apurado prejuízo fiscal. Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.847 10 Se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar prejuízo ao final do período de apuração 2(duas) ilações estão aí pressupostas que precisam ser desveladas: a) a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido ao final da apuração, mas sim pelo falta de cumprimento de outra obrigação distinta, que é o recolhimento antecipado da estimativa mensal; b) descabido é também o argumento de que a multa isolada só se aplica para período não encerrado. Portanto, importa verificar que a exigência da multa isolada independe de se apurar resultado anual tributável, decorre do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mêscalendário. Também não se pode conceber que a aplicação da multa seja de caráter condicional. Explico melhor. O descumprimento da norma enseja a aplicação da penalidade, não tendo lógica a lei determinar que se proceda de certa maneira e se venha a ter procedimento em sentido oposto. É, pois, inadmissível que paralelamente com o deverser do comportamento, coexista o pretenso direito ao livre arbítrio de agir, vulnerandose o conteúdo das determinações legais. Em relação a tese da consunção, em primeiro lugar há que se ter cautela na importação de institutos de outros quadrantes do Direito (Penal) cujos bens protegidos são outros: liberdade do ser humano. O princípio da consunção no Direito Penal possui como característica básica, o englobamento de uma conduta típica menos gravosa por outra de maior relevância, estas possuem um nexo, sendo considerada a primeira conduta como um mero ato preparatório da última. O problema é que esse princípio se amolda ao Direito Penal de forma a contribuir para o caráter de justiça na retributividade da pena. Ora, o Direito Tributário não é lastreado apenas no princípio da retributividade e da prevenção, mas se reveste do seu caráter patrimonial, afinal o Direito tributário, em apertada síntese, é o direito que define como serão cobrados os tributos dos cidadãos para gerar receitas para o estado fazer face às suas despesas e custeio e tem como contraparte, entre outros, o Direito Financeiro, que é o conjunto de normas jurídicas destinadas à regulamentação do financiamento geral das atividades do Estado. O contexto então muda totalmente e se torna impeditiva para tais “importações”. Mantenho, portanto, a multa isolada nos exatos termos prescritos na autuação. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.848 11 Voto Vencedor O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira: Com a vênia devida ao nobre Conselheiro Relator, a Turma Julgadora divergiu quanto à aplicação da multa isolada, tendo este Conselheiro sido designado para redação das razões de voto vencedor. A exigência da multa isolada decorre da obrigação legal imposta às pessoas jurídicas optantes pelo lucro real anual, que, ao realizarem essa opção, assumem o compromisso de antecipar, mensalmente, o IRPJ e a CSLL calculados pela forma estimada, nos moldes estabelecidos pelo art. 2º da Lei nº 9.430/96. Embora os fatos geradores do IRPJ e da CSLL somente ocorram no dia 31 de dezembro de cada ano, momento em que será apurada a efetiva base de cálculo desses tributos e a compensação dos valores pagos antecipadamente, ao instituir para os contribuintes a obrigação de realizar as antecipações mensais das estimativas do IRPJ e da CSLL, pretendeu o legislador antecipar os valores que provavelmente seriam devidos ao final do anocalendário, adiantando a sua arrecadação e evitando o acúmulo para os contribuintes no final do ano. Caso o contribuinte deixe de antecipar mensalmente as estimativas, suportará a multa isolada lançada de ofício pela falta de pagamento mensal dos tributos devidos, nos termos do art. 44, §1º, IV, da Lei nº 9.430/96. Contudo, encerrado o anocalendário objeto das antecipações, entendo que a base imponível para fins de aplicação da multa é aquela que suportará o tributo efetivamente devido ao final do anocalendário. Via de conseqüência, somente é possível a aplicação da multa de ofício prevista no inciso I, § 1°, da Lei n° 9.430/96. Isso porque, como o lançamento em análise (relativo às estimativas de 2002) somente foi realizado em 2006, penso que, ainda que a contribuinte não tenha supostamente efetuado as antecipações de modo satisfatório, fato é que a exigência da multa isolada foi formalizada quando já conhecida a respectiva base de cálculo e a contribuição devida naquele anocalendário. Assim, seria cabível apenas a aplicação da multa de ofício, haja vista que não é possível coexistir, no mesmo momento (ato de lançamento), duas exações para uma mesma base de cálculo, que representaria imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. Desse modo, entendo pela impossibilidade de prosperar o lançamento da multa isolada por insuficiência no recolhimento de antecipações de IRPJ (prevista no artigo 44, §1º, inciso IV, da Lei n° 9.430/96) concomitantemente ao lançamento de multa de oficio (prevista no artigo 44, §1º, inciso I da Lei n° 9.430/96). Esse também é o entendimento que prevalece na Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho, que não admite a aplicação simultânea da multa isolada por insuficiência no recolhimento das estimativas com a multa de ofício pelo descumprimento do dever de pagar o tributo em definitivo, conforme se depreende dos acórdãos abaixo: Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.849 12 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de oficio e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. (Acórdão nº 9101 00.281 em 24/08/2009). Assunto: MULTA ISOLADA Exercício: 2001, 2002, 2003 e 2004 CSLL. MULTA ISOLADA. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual e, dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada, seja pela ausência de base imponível, bem como pelo malferimento do princípio da não propagação das multas e da ao repetição da sanção tributária. CSLL. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação da multa isolada concomitantemente com a multa de oficio. RETROATIVIDADE BENIGNA. O CTN consagra o princípio da aplicação retroativa da lei posterior mais benéfica às penalidades art. 106, inciso II, "a", do CTN. Recurso Especial da Contribuinte Provido. (Acórdão nº 910100.526 em 26/01/2010). RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão nº 910100.500 de 25/01/2010). A interessante fundamentação dos Conselheiros é no sentido de que, em virtude dos princípios da consunção da condutameio pela condutafim e da não repetição da sanção tributária, não deve prosperar a exigência, pois, “encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido apurado com base no lucro real anual, e, Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10120.004545/200767 Acórdão n.º 1401001.112 S1C4T1 Fl. 2.850 13 dessa forma, não comporta a exigência da multa isolada” (Acórdão nº 910100.526 em 26/01/2010). Diante do exposto, a Turma Julgadora entendeu pelo cancelamento da multa isolada. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – redator designado Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 13609.902948/2011-65
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer - e, sobretudo, provar - a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo - que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte - mostra-se insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF.
REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto.
REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringe-se ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005).
PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002.
MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS.
O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgaste no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer - e, sobretudo, provar - a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo - que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte - mostra-se insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF. REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto. REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringe-se ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS. O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgaste no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer e, sobretudo, provar a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte mostrase insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF. REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto. REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringese ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 29 48 /2 01 1- 65 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS. O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgaste no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. No cálculo do PIS Não Cumulativo somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902948/201165 Acórdão n.º 3802003.582 S3TE02 Fl. 111 3 CRÉDITOS. DESPESAS COM MÃO DE OBRA PESSOA FÍSICA. No sistema da não cumulatividade não geram créditos passíveis de desconto, as despesas com mão de obra pessoa física, por força dalegislação. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. REFRATÁRIOS. Materiais refratários são bens que se incorporam ao Ativo Imobilizado da empresa, ficando sujeitos à depreciação própria dos bens imóveis, não sendo considerados insumos para fins de creditamento. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. TAXA FLORESTAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Valores recolhidos a título de Taxa Florestal não integram o custo de aquisição dos produtos e subprodutos de origem florestal e não são passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. REEMBOLSO DE ICMS. Valores pagos a título de “reembolso de ICMS” não são passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O pedido de ressarcimento tem por objeto saldo credor acumulado da contribuição em decorrência de operações de exportação. A DRJ não reconheceu o direito ao crédito relativo aos materiais refratários utilizados como revestimento interno do altoforno na siderurgia, por entender que as aquisições de bens e serviços aplicadas sobre o ativo imobilizado da empresa não geram créditos de PIS/Pasep e Cofins como insumos, em face da vedação do § 4º, alínea “a” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004. Também negou o direito ao crédito relativo a supostos reembolsos de ICMS, ao pagamento de taxas florestais, por falta de previsão de creditamento na legislação, bem como de gastos com a aquisição de outros bens e serviços. Neste último caso, por entender que não se enquadram no conceito de insumo, bem como outros gastos com serviços de exportação diversos daqueles previstos no inc. II, alínea “e” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004 (armazenagem e frete). O Recorrente, nas razões de fls. 75 e ss., sustenta que o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins deve ser irrestrito, abrangendo “qualquer dispêndios necessários a manutenção da atividade econômica do contribuinte”, nos termos do que foi decidido no acórdão relativo ao processo n° 11020.001952/200622. Afirmou ainda que a homologação da compensação não traria prejuízo aos cofres públicos, à medida que o direito ao creditamento seria integral. Requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 22/07/2013 (fls. 73), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 21/08/2013 (fls. 83), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, estando a matéria em debate inserida no âmbito da competência da Terceira Seção de Julgamento e presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. A amplitude do conceito de insumos, para efeitos de creditamento de PIS/Pasep e de Cofins,vem sendo fonte de inúmeras controvérsias no âmbito do Carf, desde os primeiros julgados do então Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 20312.469 e n° 20312.741,da 3ª C.). Dentre as decisões que versaram sobre a matéria, destacamse, mais recentemente, os acórdãos nº 930301.036 (Rel. Henrique Pinheiro Torres), nº 930301.740 (Rel. Nanci Gama), da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e, da Terceira Seção, os acórdãos nº 320200.226 (Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior), 2ª C./2ª TO; nº 310101.109, 1ª C./1ª TO(Rel. Tarásio Campelo Borges); nº 310201.148, 1ª C./2ª TO (Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro); nº 3201000.959, 2ª C./1ª TO (Rel. Daniel Mariz Gudiño); nº 3202000.411, 2ª C./2ª TO; nº 3302001.781, 3ª C./2ª TO (Rel. Desig. Fabiola Cassiano Keramidas); nº 340101.715, 4ª C. /1ª TO (Rel. Odassi Guerzoni Filho); nº 3402001.661, 4ª C./2ª TO (Rel. Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça); nº 3403001.766, 4ª C./3ª TO (Rel. Antonio Carlos Atulim). A partir do exame dos julgados em referência, identificamse três correntes, consoante síntese encontrada em declaração de voto da eminente Conselheira Susy Gomes Hoffmann (cf. acórdão nº 930301.740): [...] em rápida síntese podemos verificar três correntes de entendimento sobre o tema: a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...) referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do IPI. Nesta esteira cito o Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho), que tem a seguinte ementa: O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. b) O termo “insumo” indicado na legislação do PIS e da COFINS deve seguir a legislação do IRPJ e neste caso cito o Acórdão n° 320200.226 da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior) que trouxe em parte da sua ementa o seguinte texto: O conceito de insumo dentro da 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 113DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902948/201165 Acórdão n.º 3802003.582 S3TE02 Fl. 112 5 sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Neste caso os insumos referiamse aserviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo; e, a atividade da empresa era no setor de fabricação de móveis. c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e da COFINS não podem ser assumidos como similares ao da legislação do IPI e, tampouco, estão inseridos nos conceitos de custos ou despesas previstos na legislação do IRPJ. Tais insumos (bens e serviços classificáveis como insumos) devem ser definidos por critérios próprios. A primeira exegese que equipara o conceito de insumo ao da legislação do IPI, restringindoo nos moldes da IN SRF nº 404/2004 já se encontra superada entre as Turmas da Terceira Seção de Julgamento. A segunda, por sua vez, foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, no acórdão nº 930301.740, entendeu ser inviável a equiparação de insumo a todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Atualmente, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do Irpj, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Entendese, assim, que o conceito de insumo, ressalvadas as exceções da Lei nº 10.833/2003, compreende o custo de produção, ou seja, os gastos incorridos na produção dos bens que serão comercializados, consoante previsto de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291)2. Essa conclusão, segundo ressalta Ricardo Mariz de Oliveira, decorre do art. 12, § 1º, que trata do crédito relativo ao estoque de abertura dos bens previstos nos incisos I e II do art. 3º, por ocasião da data do início da vigência do regime não cumulativo: “Outro elemento subsidiário está no art. 11 da Lei n. 10.637 e art. 12 da Lei 10.833, que outorgam o direito a um ‘crédito’ de PIS e outro de COFINS sobre os estoques de abertura quando da introdução dos respectivos regimes de ‘não cumulatividade’, dizendo que os mesmos devem ser calculados sobre o ‘valor do estoque’. Ora, no valor do estoque de produtos acabados estão inseridos todos os custos diretos e indiretos de produção, e não apenas os valores das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e de outros bens que sofram alteração, de modo que não haveria nenhuma razão sistemática para os ‘créditos’ relativos a insumos adquiridos após a entrada em vigor do sistema ‘não cumulativo’ 2 SEHN, Solon. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 315 e ss. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 serem considerados apenas sobre aqueles três tipos de componentes da produção ou outros bens que sofram qualquer alteração”3. O mesmo também foi sustentado por Natanael Martins: “[...] o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, ‘bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços’, na acepção da lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda”4. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida. Isso porque, embora esta tenha adotado o conceito de insumo da IN SRF nº 404/2004, o Recorrente não esclareceu nem tampouco fez prova da relação entre os gastos incorridos e o processo produtivo. Ao invés disso, fundamentou o pedido de revisão do acórdão da DRJ na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo, que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte. Ora, como se viu, não é essa a orientação adotada pelo CARF. Na verdade, ainda que fosse, o Recorrente deveria ter feito prova de que os gastos incorridos são efetivamente necessários à manutenção da atividade da empresa. Portanto, pela falta de prova da relação entre o gasto e o processo produtivo, descabe o crédito no tocante aos seguintes itens: peças/manutenção de veículos; peças/manutenção de instalações; peças/manutenção elétrica, gastos com consultorias, material de laboratório, assistência técnica, alimentação, assistência médica e social, treinamento de pessoal, convênio/farmácia, cesta básica, viagens, estadias, estacionamentos; gastos com equipamentos de segurança, etc., gastos com as aquisições de lingoteiras, outros gastos não considerados insumos. O mesmo se aplica às despesas com outros serviços de exportação, sobretudo porque o Recorrente, nas razões recursais ou na manifestação de inconformidade, sequer especifica quais seriam os serviços em questão. Tampouco há direito ao crédito de reembolso de Icms. O direito ao crédito da Cofins restringese ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). Da mesma forma, não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque, como destacado na decisão recorrida, esta não integra o custo de aquisição do produto, sendo cobrada em função do “exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo desse tipo de produto”. Além disso, não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002: 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da contribuição ao PIS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 4748. 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902948/201165 Acórdão n.º 3802003.582 S3TE02 Fl. 113 7 “Art. 3º. [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;” Por fim, no tocante ao material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura, estes podem ser considerados insumos (material intermediário), desde que demonstrado que: (i) são consumidos ou desgastados no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e (ii) não apresentem vida útil superior a trezentos e sessenta e cinco dias. Presentes os requisitos acima, o direito ao crédito decorre do próprio art. 8º, § 4º, I, “a”, da IN SRF nº 404/2004: “Art. 8º. [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Portanto, não é necessário o consumo integral e imediato do bem no processo produtivo. Tais requisitos foram aplicáveis apenas ao IPI no período de vigência do art. 32, I, do Decreto nº 70.162/1972 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados), que restringia expressamente o direito ao crédito aos insumos que fossem “consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização”: “Art. 32. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse do imposto; I Relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, importados ou de fabricação nacional, recebidos para emprego na industrialização de produtos tributados, por estabelecimento industrial ou pelo estabelecimento a que se refere o inciso III do § 1º do artigo 3º, compreendidos, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização;” Desde o Decreto nº 83.263/1979, inclusive à luz do Regulamento do IPI em vigor (Decreto nº 7.212/2010, art. 226, I), não há mais exigência de consumo integral e imediato: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 “Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” Nesse linha, cumpre destacar o seguinte julgado da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu o direito ao crédito em relação ao IPI: “TRIBUTARIO. IPI. MATERIAIS REFRATARIOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. OS MATERIAIS REFRATARIOS EMPREGADOS NA INDUSTRIA, SENDO INTEIRAMENTE CONSUMIDOS, EMBORA DE MANEIRA LENTA, NÃO INTEGRANDO, POR ISSO, O NOVO PRODUTO E NEM O EQUIPAMENTO QUE COMPOE O ATIVO FIXO DA EMPRESA, DEVEM SER CLASSIFICADOS COMO PRODUTOS INTERMEDIARIOS, CONFERINDO DIREITO AO CREDITO FISCAL.” (STJ. 2ª T. REsp 18.361/SP, Rel. Min. Hélio Mosimann. DJ 07/08/1995, p. 23026) É por esse motivo que, mesmo para quem interpreta o conceito de insumo a partir da IN SRF nº 404/2004, não cabe condicionar o crédito ao consumo integral e imediato do produto intermediário. Apesar disso, no presente caso, o Recorrente não apresentou qualquer laudo técnico ou documento que comprove o prazo de vida útil do material refratário utilizado ou ainda a periodicidade de realização desses gastos. Tratase de prova imprescindível, porque, como bem ressaltou a DRJ, o desgaste de refratários pode variar em função do tipo do material ou mesmo da região em que o mesmo se encontra. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 117DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000187/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/1996 a 30/11/1998
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.421
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1996 a 30/11/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 87 /2 00 9- 16 Fl. 357DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do acórdão que reconheceu a nulidade material do lançamento, por ausência de comprovação da ciência do resultado do julgamento que declarou a nulidade formal do lançamento anterior, assim ementado: “LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE QUE FOI REALIZADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL. Conforme previsto no art. 173, II, do CTN, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data em que o sujeito passivo teve ciência da decisão que anulou o lançamento anterior, o lançamento é nulo por vício material, vez que não restou comprovado que o lançamento substituto foi realizado dentro do prazo decadencial. Recurso Voluntário Provido.” A Embargante sustenta que o acórdão foi omisso e contraditório em sua fundamentação, haja vista que: (i) é fato incontroverso que o contribuinte foi intimado em 18/02/2004 das decisões que anularam as NFLD’s por vício formal; (ii) de acordo com o próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não se opôs à data da intimação, defendendo tão somente que o prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN deveria contar a partir da data da prolação dos acórdãos; (iv) nos termos do art. 334 do Código Civil, não depende de prova os fatos tidos no processo como incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi) ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, devese reconhecer que o Embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II. É o relatório. Fl. 358DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000187/200916 Acórdão n.º 2402004.421 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Analisando os embargos opostos tempestivamente, constatase que os mesmos não atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo. Como se verifica no presente caso, foi travada discussão acerca da data em que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas, de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do CTN. Diante das questões levadas à apreciação, este Conselho determinou que a fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi notificado das decisões anuladas. Após a fiscalização ter informado que os documentos solicitados não foram localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a comprovação da data da intimação das decisões anuladas é condição material para o lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN. Mesmo após as dúvidas levantadas no processo e a resposta dada pela fiscalização quando da realização da diligência, a Fazenda Nacional interpôs os presentes embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18 de fevereiro de 2004, por via postal”. Contudo, vale reprisar que não há nos autos qualquer documento que ateste o recebimento da intimação pelo Embargado, para fins de contagem do prazo decadencial, não havendo que se falar em “fato incontroverso”. Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN. Não é possível utilizarse de teses subjetivas para buscar suprir requisito inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Outrossim, o fato é tão controverso que a própria Embargante pontuou que, “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)” Para a aplicação do dispositivo acima, é essencial que haja a comprovação do envio da intimação e a “prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”, hipótese em que, sendo omitida a data do recebimento, serão considerados quinze dias após a data da expedição da intimação. Entretanto, não se verificam tais requisitos no processo, não havendo que se falar na aplicação da referida norma. Alega a Embargante também que o Embargado nunca arguiu que a intimação teria ocorrido em data diversa daquela apontada pelo Fisco, ou ainda que não teria sido intimado das referidas decisões, tornandose incontroversa a data da intimação. Contudo, independentemente de ter atacado os pontos acima, arguiu o Embargado a decadência do lançamento, a qual só pode ser devidamente analisada com a comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior. Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estarseia convalidando um lançamento com fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art. 142 do CTN, o que não se admite. Por essas razões, concluise que não há contradição ou omissão no v. acórdão embargado, visando os presentes embargos apenas a rediscussão da matéria, o que não é possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
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Numero do processo: 10935.901963/2012-87
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Podem ser deduzidos do IRPJ devido no encerramento do período, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, os pagamentos efetuados a título de IRRF devidamente comprovados.
Numero da decisão: 1803-002.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2009 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser deduzidos do IRPJ devido no encerramento do período, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, os pagamentos efetuados a título de IRRF devidamente comprovados.
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COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Podem ser deduzidos do IRPJ devido no encerramento do período, no caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, os pagamentos efetuados a título de IRRF devidamente comprovados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 19 63 /2 01 2- 87 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1803002.441 S1TE03 Fl. 266 2 A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 28480.69346.240212.1.2.022704, em 24.02.2012, fls. 2831, utilizandose do crédito relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do terceiro trimestre do anocalendário de 2008 no valor de R$85.884,09 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados. Em conformidade com o Despacho Decisório, fl. 36, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: No curso da análise do direito creditório foram detectadas inconsistências, objeto de termo de intimação, não saneadas pelo sujeito passivo. Dessa forma, de acordo com as informações prestadas no documento acima identificado, constatouse que não houve apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da pessoa jurídica (DIPJ) correspondente ao período de apuração do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$85.884,09 Valor do crédito na DIPJ: R$0,00 Diante do exposto, INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no PER/DCOMP acima identificado. Enquadramento Legal: Parágrafo 1º do art. 6º e art. 28 da Lei 9.430, de 1996. Art. 4º da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0207, com os seguintes argumentos: DOS FATOS A manifestante é empresa optante pelo regime de tributação Lucro Real, sendo que sua opção, no anocalendário de 2008, foi pela apuração trimestral do IRPJ e da CSLL. No 3º trimestre de 2008, a manifestante encerrou o trimestre de apuração com prejuízo, conforme se evidencia nos demonstrativos de apuração do IRPJ constantes do anexo II. Neste período, a manifestante sofreu retenções de IR incidente sobre suas aplicações financeiras, conforme comprovantes ora juntados no anexo III, apurando assim saldo negativo de IRPJ neste período. [...] Assim sendo, ao final do período, ao proceder ao cálculo do IRPJ, apurou excesso de recolhimento por retenções na ordem de R$57.149,50, sendo que este valor está composto no Pedido de Restituição nº 28480.69346.240212.1.2.02 2704constitutivo do crédito (anexo IV). Ocorre que a manifestante, incorrendo em erro material, deixou de informar em sua DIPJ a apuração do crédito correspondente ao período de apuração do Saldo Negativo, nos moldes que o fez no PER. Tal erro levou a RFB e emitir Despacho Fl. 266DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1803002.441 S1TE03 Fl. 267 3 Decisório Eletrônico, pois as informações em PER não estavam condizentes com as da DIPJ. Assim, o indeferimento do PER nº 28480.69346.240212.1.2.022704 não pode prevalecer, posto que o direito creditório nele insculpido, originado das retenções ocorridas no trimestre, resta devidamente demonstrado, sendo que o erro de informação/preenchimento da DIPJ, cometido pela manifestante, é meramente material, passível de correção, portanto, em homenagem ao princípio da verdade material. DO DIREITO Do Princípio da Verdade Material Diferentemente dos processos judiciais, o processo administrativo permite a autoridade julgadora o aprofundamento das investigações, podendo diligenciar e suscitar perícias, buscando averiguar o fato real, não se limitando a análise dos documentos e/ou alegações das partes, mas sim a busca da verdade material. [...] Portanto, com base no princípio da verdade material, necessário se faz que as provas documentais ora juntadas sejam analisadas cuidadosamente pelos julgadores com o especial fim de reconhecer o direito creditório da Manifestante, e após confirmada a existência do crédito em comento e verificado que os erros cometidos são meramente de fato, deferir o direito crédito e de restituição no PER em testilha, que é o que se requer. Sendo o Saldo Negativo composto de retenções que se apresentam a maior do que o imposto devido no trimestre se demonstrará a seguir, que razão não existe para o não reconhecimento do crédito. Demonstrase. Das retenções informadas no PER constitutivo do crédito A manifestante teve retenções de IR incidente sobre suas aplicações financeiras, sendo que tais retenções foram informadas apenas na PER constitutivo do crédito de Saldo Negativo de IRPJ, e deixaram de ser informadas na DIPJ, ocasionado dessa forma o não deferimento pelo despacho decisório ora combatido. [...] Percebese que os valores constantes de IRRF nos comprovantes de retenção fornecidos pelas instituições financeiras são os mesmos informados pela manifestante em seu PER constitutivo do crédito. A manifestante, com base nos documentos citados, calculou os valores das retenções sofridas, contabilizou tais valores e constituiu saldo negativo com estes IRRF. Assim, é a presente para pleitear seja reconhecido o direito da manifestante a apropriarse totalmente do IRRF, validando assim a em R$57.149,50 o Saldo Negativo do 3º trimestre de 2008. Da possibilidade de composição do Saldo Negativo No 3° trimestre de 2008, a manifestante encerrou o período com prejuízo, conforme se evidencia nos demonstrativos constantes no anexo II. Sendo assim, a Fl. 267DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1803002.441 S1TE03 Fl. 268 4 base de cálculo para o IRPJ foi de zero, e devido a isso não efetuou pagamento deste imposto. Ocorre que no 3° trimestre de 2008 a manifestante sofreu retenções de IR incidente sobre suas aplicações financeiras, conforme demonstrado no capitulo II.2, ocasionando desta forma o saldo negativo de IRPJ, conforme art. 10 da IN 600/2005 (instrução normativa vigente na época) [...] Para corrigir tal situação a manifestante entregou na data 07/08/2012, DIPJ retificadora (anexo V), informando as retenções conforme demonstradas na presente manifestação de inconformidade, e assim constituindo o saldo negativo no valor de R$57.149,50. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante do exposto, requer se dignem os nobres julgadores conhecer da presente, julgandoa procedente para o especial fim de reconhecer e restituir o Saldo Negativo de IRPJ relativo ao 3º trimestre de 2008, objeto do PER nº 28480.69346.240212.1.2.022704, através do qual foi constituído o crédito em função das retenções de IR sofridas, aceitando a retificação a posterior da DIPJ ano base 2008, tendo em vista o princípio da verdade material. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 06 42.967, de 08.08.2013, fls. 192195: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 30/09/2008 IRRF. VALORES PARCIALMENTE CONFIRMADOS. Cabe reconhecer o SN IRPJ do período resultante da dedução do IRRF incidente sobre receitas financeiras computadas na apuração da base de cálculo do IRPJ, até o limite do valor confirmado nos registros da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Consta no Voto condutor: 12. No presente PER, em que requereu R$85.884,09, referentes ao 3º trim/2008, evidenciouse que foi declarada receita financeira de R$467.642,17, porém só foram confirmados R$47.454,34 de IRRF, que é o valor que resultaria no SN IRPJ desse trimestre. Conclusão. À vista do exposto, voto por julgar a manifestação de inconformidade procedente em parte, reconhecendo o direito à restituição de R$47.454,34 a título de SN IRPJ do 3º trim/2008. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1803002.441 S1TE03 Fl. 269 5 Notificada em 09.10.2013, fl. 220, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 13.10.2013, fls. 238243, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que : DOS FATOS A ora Recorrente no anocalendário de 2008 optou pelo regime de tributação do Lucro Real Trimestral e assim apurou o IRPJ e CSLL. No 3º trimestre de 2008, a Recorrente encerrou o trimestre de apuração com prejuízo, conforme se evidencia nos demonstrativos de apuração do IRPJ constantes do anexo II da Manifestação de Inconformidade. Ocorre que neste período, a Recorrente sofreu retenções de IR incidente sobre suas aplicações financeiras, conforme comprovantes juntados no anexo III da Manifestação, apurando assim saldo negativo de IRPJ neste período. [...] Assim sendo, ao final do período, ao proceder ao cálculo do IRPJ, apurou excesso de recolhimento por retenções na ordem de R$85.884,09, sendo que este valor está composto no Pedido de Restituição nº 28480.69346.240212.1.2.022704 constitutivo do crédito (anexo IV da Manifestação). Ocorre que a Recorrente, incorrendo em erro formal, deixou de informar em sua DIPJ a apuração do crédito correspondente ao período de apuração do Saldo Negativo, nos moldes que o fez no PER. Tal erro levou a RFB e emitir Despacho Decisório Eletrônico, pois as informações em PER não estavam condizentes com as da DIPJ. Em cruzamento eletrônico, houve indeferimento do PER nº 28480.69346.240212.1.2.022704, sendo que dele foi interposta a Manifestação de Inconformidade ora recorrida. De fato, a decisão da d. DRJ/CTA deixou de considerar parte do crédito pleiteado, o que não pode prevalecer, posto que o valor supostamente não confirmado pelo Julgador se refere a IRRF de aplicações financeiras das filiais CNPJ nº 77.911.261/000350 e nº 77.911.261/000783 conforme documentos acostados quando da Manifestação de Inconformidade, os quais tornase a apresentar anexos ao presente. DO DIREITO Do Princípio da Verdade Material Diferentemente dos processos judiciais, o processo administrativo permite a autoridade julgadora o aprofundamento das investigações, podendo diligenciar e suscitar perícias, buscando averiguar o fato real, não se limitando a análise dos documentos e/ou alegações das partes, mas sim a busca exaustiva da verdade material. [...] Portanto, com base no princípio da verdade material, necessário se faz que as provas documentais juntadas quando da Manifestação de Inconformidade e os que ora se apresenta sejam analisadas cuidadosamente pelos nobres Conselheiros com o especial fim de reconhecer o direito creditório da Recorrente, e após confirmada a Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1803002.441 S1TE03 Fl. 270 6 existência do crédito em comento e verificado que os erros cometidos são meramente de fato, deferir o direito crédito e de restituição no PER em testilha, que é o que se requer. Sendo o Saldo Negativo composto de retenções que se apresentam a maior do que o imposto devido no trimestre se demonstrará a seguir, que razão não existe para o não reconhecimento do crédito. Demonstrase. Das retenções informadas no PER constitutivo do crédito A Recorrente teve retenções de IR incidente sobre suas aplicações financeiras, sendo que tais retenções foram informadas apenas na PER constitutivo do crédito de Saldo Negativo de IRPJ, e deixaram de ser informadas na DIPJ, ocasionado dessa forma o não deferimento pelo despacho decisório ora combatido. Porém tais retenções realmente existiram como se pode verificar nos comprovantes constantes no anexo III da Manifestação e os que ora se apresenta, e podem ser assim demonstrados: Os valores constantes de IRRF nos comprovantes de retenção fornecidos pelas instituições financeiras são os mesmos informados pela Recorrente em seu PER constitutivo do crédito, inclusive o valor de R$5.895,38 das filiais 000350. e 0007 83 cujo valor não foi reconhecido pela DRJ. De fato, percebese que a d. Delegacia Regional deixou de verificar, no seu proceder, as retenções sofridas pela Recorrente nos seus estabelecimentos filiais CNPJ nº 77.911.261/000350 nº 77.911.261/000783. Os documentos anexos demonstram de forma clara e precisa que a retenção existiu, de modo que o indeferimento não merece prosperar. Assim, é o presente para pleitear a reforma da decisão, de modo que seja validada a totalidade do saldo negativo por ela informado e no PER constituinte do crédito do Saldo Negativo do 3º trimestre de 2008. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Diante do exposto, requer se dignem os nobres Conselheiros, conhecer do presente recurso, julgandoo procedente para o especial fim de determinar a restituição da parte indeferida, nos termos do exposto, acrescida dos juros remuneratórios com base na Taxa SELIC. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1803002.441 S1TE03 Fl. 271 7 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional e do § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A parcela litigiosa devolvida para reexame nessa segunda instância de julgamento corresponde ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do terceiro trimestre do anocalendário de 2008 no valor de R$38.392,75 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1803002.441 S1TE03 Fl. 272 8 Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1803002.441 S1TE03 Fl. 273 9 O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial4. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do IRPJ pelo regime de tributação com base no lucro real anual deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano. O IRPJ a ser pago será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a vinte mil reais ficará sujeita à incidência de adicional do imposto à alíquota de dez por cento5. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza6. Imposto de Renda Retido na Fonte A legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o IRRF incidente sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente7. Os rendimentos de aplicações financeiras devem ser incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, podem ser rateados pelos períodos a que competirem, ou seja, podem ser rateados segundo o regime de competência. Ademais, os rendimentos da pessoa jurídica ficam sujeitos ao IRRF quando ocorrer o pagamento ou o crédito contábil da fonte pagadora8. A pessoa jurídica está obrigada a prestar à RFB informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no anocalendário anterior com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ das pessoas que o receberam, bem como valor do imposto de renda retido da fonte. Também a pessoas jurídica que efetuar pagamento ou crédito de rendimentos sujeitos à retenção do imposto na fonte devem fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária o Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte9. Vale esclarecer que a pessoa jurídica poderá deduzir da do IRPJ devido o valor retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do tributo (Súmula CARF nº 80). A legislação prevê que o valor do IRRF são considerados, entre outros, como antecipações do IRPJ devido: 4 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 5 Fundamentação legal: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 7 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. 8 Fundamentação legal: art. 17 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 11 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. 9 Fundamentação legal: art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, art. 13 da Lei nº 4.154, de 28 de novembro de1962 e art. 1º da Lei nº 6.623, de 23 de março de 1979. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1803002.441 S1TE03 Fl. 274 10 o código de arrecadação nº 3426 aplicações financeiras em renda fixa (art.65 e art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995); e 5273 – operações de swap (art. 76 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 51 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996); Os autos estão instruídos com: a relação das Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) ativas e os débitos vinculados de IRPJ, fls. 4446; a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) ativa do anocalendário de 2008, fls. 47180; as Declarações de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 181 191; e os Informes de Rendimentos das filiais, CNPJ 77.911.261/000350 e CNPJ 77.911.261/000783, fls. 254256. O valor do IRRF das filiais, CNPJ 77.911.261/000350, fl. 254 e CNPJ 77.911.261/000783, fl. 255, indicado nos Informes de Rendimentos dos meses de julho, agosto e setembro do anocalendário de 2008 pela fonte pagadora Banco Itaú BBA S/A ficou assim discriminado: Código de Arrecadação CNPJ do Declarante Valor do IRRF/Informe de Rendimentos CNPJ 77.911.261/000350 3426 17.298.092/000130 9.353,40 Código de Arrecadação CNPJ do Declarante Valor do IRRF/Informe de Rendimentos CNPJ 77.911.261/000783 3426 17.298.092/000130 3.359,55 O valor do IRRF da filial, CNPJ 77.911.261/000783, fl. 256, indicado na DIRF do mês de setembro do anocalendário de 2008 pela fonte pagadora Banco do Brasil S/A ficou assim discriminado: Código de Arrecadação CNPJ do Declarante Valor do IRRF/Informe de Rendimentos CNPJ 77.911.261/000783 3426 00.000.000/000190 16.663,25 5273 00.000.000/000190 9.346,22 O referido valor total de R$38.722,42, a título de IRRF das filiais da Recorrente, CNPJ 77.911.261/000350 e CNPJ 77.911.261/000783, não foi considerado no Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/CTA/PR nº 0642.967, de 08.08.2013, fls. 192195, por falta de comprovação para fins de apuração do saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Fl. 274DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10935.901963/201287 Acórdão n.º 1803002.441 S1TE03 Fl. 275 11 Jurídica (IRPJ) do terceiro trimestre do anocalendário de 2008. Nessa instância de julgamento a Recorrente instrui os autos com os referidos Informes de Rendimentos e com as DIRF evidenciando sua alegação, tendo em vista o princípio da verdade material. Ademais, o valor do direito creditório deve ser acrescido de juros equivalentes à taxa Selic a partir do mês subseqüente ao período de apuração em relação ao saldo negativo de IRPJ apurado e são calculados pelo critério de juros simples que pode ser expresso mediante o somatório dos índices mensais até a data da sua utilização para fins de compensação com os débitos confessados. A contestação proposta pela defendente, dessa maneira, se confirma. Todavia, a parcela litigiosa devolvida para reexame nessa segunda instância de julgamento corresponde ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do terceiro trimestre do anocalendário de 2008 no valor de R$38.392,75 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real. Em assim sucedendo, voto por dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório relativo ao saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) do terceiro trimestre do anocalendário de 2008 no valor de R$38.392,75 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real, para compensação dos débitos ali confessados até o limite desse crédito. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 275DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 30/10/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10768.011088/2001-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2002
COMPETÊNCIA.
Compete à Segunda Seção de Julgamento do CARF processar e julgar recursos em processos de compensação, quando o crédito alegado é relativo ao IRRF.
Numero da decisão: 1302-001.485
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Márcio Rodrigo Frizzo .
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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Compete à Segunda Seção de Julgamento do CARF processar e julgar recursos em processos de compensação, quando o crédito alegado é relativo ao IRRF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Márcio Rodrigo Frizzo . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 10 88 /2 00 1- 66 Fl. 752DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 6ª Turma da DRJ/RJO1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, DEFERIR a solicitação apresentada, para reformar o despacho decisório n° 134/06, da Delegacia de Administração Tributária no Rio de Janeiro, e em conseqüência, RECONHECER a homologação tácita da compensação do débito de R$ 128.751,31, objeto da petição inicial, e o direito creditório postulado bem como HOMOLOGAR a compensação dos demais débitos de que tratam este processo e os demais a ele apensados até o limite do crédito de R$ 5.728.324,63. O julgado seguiu assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Exercício: 2002 COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Considerase homologada tacitamente a compensação de tributo que, comunicada Secretaria da Receita Federal, não tenha sido revista pelo órgão no prazo de 5 (cinco) anos. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO. CRÉDITO DECORRENTE DE RETENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. JUROS SOBRE 0 CAPITAL PRÓPRIO. Fazse mister a homologação da compensação de tributo efetuada com crédito decorrente de imposto retido na fonte sobre juros remuneratórios do capital que não tenha sido aproveitado nem na quitação daquele retido sobre juros da mesma espécie nem na apuração do imposto a pagar no períodobase de incidência. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: 1. No dia 14.09.2001, a interessada postulou a compensação de um débito de contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativa a agosto de 2001, no valor de R$ 128.751,31 com um alegado crédito tributário de R$ 1.602.901,85 decorrente de imposto de renda retido na fonte (IRRF) incidente sobre juros remuneratórios de capital próprio recebidos (fls.1). 2. Por ser de considerável clareza, o relatório que precedeu o Parecer Conclusivo 134/06 (fls. 141/143) foi transcrito abaixo. “Versa o presente processo sobre Pedido de Compensação de fls. 01, por parte da interessada, convertido em Declaração de Compensação por força do artigo 74, § 4o, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pela Lei 10.637/2002, acompanhado do respectivo pedido de restituição de fls. 34, de créditos que alega possuir no montante de R$ 1.602.901,85 (um milhão, seiscentos e dois mil, novecentos e um reais e oitenta e cinco centavos), os quais pretende sejam compensados com o débito de R$ 128.751,31 discriminado no Fl. 753DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.011088/200166 Acórdão n.º 1302001.485 S1C3T2 Fl. 749 3 campo 04 do referido pedido anexando, às fls. 02, declaração de que não se utilizou do instituto de compensação do crédito em pauta em exercícios posteriores.” Posteriormente, a interessada apresenta, às fls. 62 a 64, novo pedido de compensação, retificando o pedido anterior, em que peticiona seja considerado que o valor correto do débito a ser compensado é de R$131.751,31 (cento e trinta e um mil, setecentos e cinqüenta e um reais e trinta e um centavos). Foram apresentados, ainda, pela interessada, os pedidos de compensação constantes dos processos n° 10768.015178/200126, 10768.013263/200150, 10768.011933/200101, 10768.001179/2002 74 e 10768.001180/200207, apensados a este processo, que se referem ao mesmo crédito originado no anocalendário de 2001, totalizando o montante de R$5.728.324,63, conforme abaixo e que será objeto da presente análise. Os créditos que a interessada pretende sejam reconhecidos se referem ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre a remuneração de Juros sobre Capital Próprio pagos pelas empresas White Martins Gases Industriais do Nordeste S.A. e Liquid Carbonic Industrias S.A. no anocalendário de 2001, conforme Demonstrativos de Distribuição de Juros sobre Capital Próprio apresentados às fls. a seguir listadas: Processo Folhas 10768.011088/200166 11 10768.013263/200150 06 10768.011933/200101 05 10768.001179/200274 06 10768.001180/200207 06 Todos os débitos de COFINS objeto das compensações pleiteadas através do presente processo e dos apensos encontramse declarados em DCTF, conforme extratos de fls. 78/79 do presente processo, e resumidos a seguir: PROCESSO FONTE PAGADORA CNPJ CR. PLEITEADO (R$) 011088/200166 015178/200126 W. MARTINS NORDESTE 24.380.578/000189 1.602.901,85 013263/200150 2.737.027,77 001179/200274 499.813,94 001180/200207 IDEM IDEM 496.753,85 SUBTOTAL 5.336.497,41 011933/200101 L. CARBONIC 33.304.056/000199 391.827,22 TOTAL 5.728.324,63 Fl. 754DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 A interessada apresentou, no exercício de 2002, anocalendário de 2001, uma declaração de rendimentos original e uma retificadora, estando ambas retidas em Malha Cadastro, conforme extrato de consulta de fls. 80. Da análise da declaração de rendimentos retificadora relativa ao exercício de 2002, cujo extrato de consulta parcial encontrase anexado às fls. 81/105, verificase o seguinte: a forma de tributação no anocalendário de 2001 foi com base no lucro real e a forma de apuração foi anual; a empresa calculou o imposto de renda mensal por estimativa com base em balanço/balancete de suspensão/redução de janeiro a dezembro, não tendo apurado em nenhum dos meses daquele ano imposto de renda mensal por estimativa, conforme respectivas fichas 11; a interessada não declarou, nos doze meses do anocalendário de 2001, quaisquer valores a título de IRRF, não tendo apurado nenhum valor de saldo de IRPJ, quer negativo, quer positivo, conforme fichas 12A da mesma; a interessada ofereceu à tributação a receita de Juros sobre Capital Próprio, conforme extrato de consulta à sua DIPJ/2001 às fls. 84; não foram apresentados pela interessada outros pedidos de compensação relativos aos créditos objetos de pedido de compensação nos processos em análise, conforme extratos de fls. 118/123; todos os débitos para os quais está sendo pleiteada compensação estão registrados no PROFISC, conforme extratos de fls. 112/117. os rendimentos de juros sobre capital próprio sofreram retenção de imposto na fonte, conforme extrato de DIRF de fls.107a 109 e o imposto retido na fonte, constante do Demonstrativo da Distribuição de Juros sobre o Capital Próprio conforme fls.11 do presente processo, foi efetivamente recolhido, conforme fis. 110." PROCESSO DÉBITO COD. REC. PER. APUR. 011088/200166 131.751,31 08/2001 015178/200126 1.471.150,54 09/2001 013263/200150 2.343.364,99 10/2001 013263/200150 393.662,78 11/2001 011933/200101 391.827,22 09/2001 001179/200274 499.813,94 12/2001 001180/200207 496.753,85 2172 12/2001 TOTAL 5.728.324,63 Fl. 755DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.011088/200166 Acórdão n.º 1302001.485 S1C3T2 Fl. 750 5 3. O Parecer Conclusivo n° 134/06 (fls. 141/145), no qual o titular da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária do Rio de Janeiro (DERAT/RJO) se embasou para proferir o Despacho Decisório n° 134/06 (fls. 146), afirma: 3.1. que o imposto de renda passível de restituição ou compensação é o negativo apurado com base no lucro real e resultante da sua antecipação, na fonte, sobre receitas e rendimentos que tenham sido oferecidos à tributação; 3.2. que não cabe o reconhecimento de direito creditório acerca de imposto corretamente retido na fonte a título de antecipação do devido no encerramento do períodobase antes da apuração, na declaração, de eventual saldo negativo; 3.3. que, assim, não é permitida a compensação do imposto retido na fonte diretamente com outros tributos e contribuições; 3.4. que o art. 170 do Código Tributário Nacional dispõe que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública"; e 3.5. que, de acordo com o art. 9o, §§ 2o e 3o, da Lei n° 9.249, de 1995, o IRRF incidente sobre os juros sobre o capital próprio pagos ou creditados aos sócios ou acionistas das pessoas jurídicas é considerado antecipação do imposto devido apurado na declaração de rendimentos, razão pela qual não se trata, em momento algum, de pagamento indevido ou a maior que o devido. 4. Depois de fazer essas afirmações, o referido parecer conclui: 4.1. que somente mediante a apresentação de declaração de rendimentos que acuse imposto de renda negativo se configura o indébito fiscal passível de restituição ou compensação; 4.2. que, no presente caso, não há de se falar em saldo negativo de imposto a ser restituído ou compensado, uma vez que a interessada não computou, na apuração mensal dos balancetes de suspensão ou redução do imposto estimado, o IRRF do anocalendário de 2001; 4.3. que o saldo negativo do imposto indicado na declaração de rendimentos apresentada é de apenas R$ 34.201,57, conforme denota o extrato de fls. 105 e 106, o que leva a crer que ela optou indevidamente por compensar separadamente os juros sobre capital próprio à medida que fossem ocorrendo as retenções de imposto sobre aquela receita ao longo do período de apuração; e 4.4. que, por não haver, nos autos, elementos de prova de que a retenção do imposto ocorreu de forma indevida, carece de previsão legal a sua restituição ou compensação com quaisquer débitos. 5. Irresignada com o Despacho Decisório n° 134/06, do qual foi cientificada em 05.10.2006 (fls. 150v.), a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade no dia trinta e um seguinte (fls. 173/181). Depois de historiar os fatos, alegou, em síntese: 5.1. que o § 6º do art. 9º da Lei n° 9.249, de 1995, permite que o IRRF sobre os juros sobre o capital próprio recebidos seja compensado com o retido por ocasião do pagamento ou crédito de juros da mesma natureza; Fl. 756DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 5.2. que isso significa que não há necessidade de se aguardar o encerramento do exercício fiscal para apuração de saldo negativo, e assim, é certo que o IRRF sobre os juros remuneratórios do capital pode ser compensado por ocasião do pagamento de tais rendimentos; 5.3. que, como o referido artigo 9º autoriza a dedução ou a compensação do IRRF com eventual saldo credor apurado na DIPJ, em não havendo imposto de renda devido é evidente que o IRRF poderá ser restituído ou compensado com os demais tributos federais; 5.4. que, mesmo que se insista no entendimento de que o encerramento do exercício fiscal é condição imprescindível para a restituição ou compensação de imposto de renda, a cópia da ficha 12A da DIPJ do anobase de 2001 devidamente retificada e recibada acostada à impugnação (fls. 267 e 268), comprova a apuração do respectivo imposto de renda negativo, o que configura o indébito fiscal; e 5.5. que os comprovantes da distribuição, para ela, dos juros sobre o capital próprio das suas coligadas foram anexados aos autos. 6. Ao final da impugnação, a interessada postulou a reforma do Despacho Decisório n° 134/06 e, por conseguinte, a homologação de todas as compensações citadas nestes autos. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, alegou, em síntese, que: a) embora o acórdão da DRJ tenha homologado a totalidade das compensações efetuadas, a recorrente foi surpreendida com a carta de cobrança relativa ao valor original de R$368.721,26, que acrescido de juros e multa totaliza R$833.494,40. A insurgência é, então, contra a descabida cobrança; b) tal cobrança tem origem na desconsideração, pela autoridade fiscal da unidade de origem, de razão desconhecida, do crédito de R$393.662,78, relativo ao PA 10768.013263/200150 utilizado para pagamento de Cofins referente ao período de novembro/2001 (vencimento em 14/12/2001); c) assim, a autoridade, ao não reconhecer o crédito, utilizou indevidamente o crédito residual de outro processo (10768.011088/200166) no valor de R$67.813,63. Assim, verificouse existência de suposto débito de R$325.928,59 (fl.289 do demonstrativo de compensação); d) sobre o valor de R$325.928,59 foram aplicados juros e multa, os quais deduzidos (também indevidamente) dos créditos de R$499.813,94 e R$496.753,86, culminaram no suposto débito final de R$368.721,22 (fl.290 do demonstrativo de compensação); e) porém o acórdão da DRJ é inequívoco ao declarar a existência do crédito no montante de R$5.728.324,63 e homologar as compensações dos débitos até o limite do crédito reconhecido; f) somente ao diligenciar à RFB em busca de respostas à inexplicável cobrança, teve acesso às planilhas elaboradas quando do encontro de contas, que, todavia, nada motivam o ato praticado, impossibilitando a defesa da recorrente; g) pede a nulidade do ato de cobrança pela ausência de motivação e pelo cerceamento do direito de defesa. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10768.011088/200166 Acórdão n.º 1302001.485 S1C3T2 Fl. 751 7 É o relatório. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Verificase dos fatos narrados no relatório que o crédito alegado pelo recorrente para compensar seus débitos de Cofins é relativo ao IRRF devido pela remuneração de juros sobre o capital próprio. Não se trata, pois, de crédito relativo a saldo negativo de IRPJ, formado a partir de retenções na fonte. Na distribuição de competências entre as Seções de Julgamento do CARF estabeleceuse que a competência para julgamento do recurso é definida pela natureza do crédito alegado (art. 7º, §1º, RICARF). Assim, de acordo com o art. 3º, II, c/c o art. 7º, §1º, ambos do RICARF, a competência para o julgamento do presente recurso voluntário é da Egrégia Segunda Seção de Julgamento do Carf. Por decorrência, tendo em vista que são nulas as decisões tomadas por autoridade incompetente, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, este colegiado não deve conhecer deste recurso. Desta forma, voto para não conhecer do recurso e declinar da competência em favor da Egrégia Segunda Seção de Julgamento do Carf. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 759DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/09/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 28/09/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10380.727229/2011-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007, 2008
PROVA PERICIAL. O pedido de realização de perícia deve atender ao disposto do inc. IV, do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72 e vim acompanhado dos quesitos, do nome, endereço e qualificação do perito, sob pena de indeferimento.
SALDO CREDOR DE CAIXA. ADIANTAMENTO DE CLIENTES INEXISTENTE. FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTO A FORNECEDORES. Comprovada a inexistência de adiantamento a clientes e da falta de registro dos pagamentos a fornecedores, impõe se a recomposição de ofício da conta caixa e a tributação da receita omitida.
CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando se de mesma matéria, aos lançamentos decorrentes, aplica se a mesma decisão do principal.
MULTA QUALIFICADA. Aplica se a multa qualificada quando a conduta dolosa do Contribuinte esteja evidente como no caso em tela.
Numero da decisão: 1302-001.556
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior- Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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O pedido de realização de perícia deve atender ao disposto do inc. IV, do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72 e vim acompanhado dos quesitos, do nome, endereço e qualificação do perito, sob pena de indeferimento. SALDO CREDOR DE CAIXA. ADIANTAMENTO DE CLIENTES INEXISTENTE. FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTO A FORNECEDORES. Comprovada a inexistência de adiantamento a clientes e da falta de registro dos pagamentos a fornecedores, impõe se a recomposição de ofício da conta caixa e a tributação da receita omitida. CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratando se de mesma matéria, aos lançamentos decorrentes, aplica se a mesma decisão do principal. MULTA QUALIFICADA. Aplica se a multa qualificada quando a conduta dolosa do Contribuinte esteja evidente como no caso em tela. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 72 29 /2 01 1- 82 Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.727229/201182 Acórdão n.º 1302001.556 S1C3T2 Fl. 1.187 3 Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS/Pasep, dos anos de 2007 e 2008, no montante de R$ 9.762.133,71, já computados os juros moratórios e a multa de ofício de 150%. De acordo com a descrição dos fatos contida nos Autos de Infração e Termo de Verificação Fiscal (fls 113/120), foi apurado o seguinte: que o contribuinte omitiu receita a partir da constatação de saldo credor de caixa, conforme demonstrativo de fls 121/151 (art. 281, I, do RIR/99). que o saldo credor de caixa restou caracterizado por duas práticas distintas, não justificadas pelo contribuinte: (i) no período de janeiro a setembro de 2007, a empresa contabilizava em sua conta caixa, no início do mês, o recebimento de valores a título de adiantamento de clientes e, no final de cada mês, contabilizava a devolução do mesmo valor a título de devolução de clientes. que a empresa utilizava os recursos recebidos a título de adiantamento para fabricar os produtos e depois efetuavam a baixa contábil da conta em contrapartida da conta de mercadorias ou outra equivalente. que intimada a justificar os lancarnentos, apresentar os documentos comprobatorios do ingresso dos recursos na conta Caixa, bem coma a devolucao dos mesmos, e ainda explicitar os clientes envolvidos nestas transações, informou que nao encontrou os documentos que suportaram os lançamentos e afirmou ainda: "o saldo destes valores não afetaram no resultado da empresa." que nos três primeiros trimestres de 2007 a receita liquida media mensal da empresa, declarada em DIPJ era de R$ 600.000,00. Os adiantamentos de clientes giraram em torno de R$ 400,000,00. Portanto, nao e razoavel que operacoes desta magnitude nao estejam perfeitamente documentadas e com suas origens identificadas. que diante destas irregularidades foi recomposto o saldo da conta Caixa da empresa, estornando ambos os valores, tanto o adiantamento de clientes quanta a devolucao do mesmo em cada mes. que diversamente do afirmado pelo contribuinte, em todos os meses recompostos a conta Caixa apresentou saldo credor. (ii) a partir de dezembro de 2007, a empresa passou a adotar a prática de efetuar a baixa de obrigações do seu passivo, conta fornecedores, por meio de lançamentos efetuados em contrapartida na conta Ajuste de Exercícios Anteriores, também do passivo. que intimada a justificar os lancarnentos na referida conta com a documentação comprobatória, limitouse a reproduzir o §1º do art. 186 da Lei nº 6.404/76, citando a condicao legal para classificar os lancamentos como Ajuste de Exercicios Anteriores. Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Porém a empresa nao mencionou nem comprovou quais foram os criterios contabeis modificados ou erros retificados. que a falta de comprovacao dos lancamentos por si só já ensejaria a autuacao, porem, ainda foi efetuada diligencia fiscal junto ao maior fornecedor da empresa (a empresa Petropar Embalagens SA), cujos lancamentos de baixa de suas obrigações foram feitos em contrapartida da conta Ajustes de Exercicios Anteriores. que a resposta da empresa Petropar Embalagens comprovou que a fiscalizada nao registrou parte dos pagamentos realizados ao fornecedor na conta Caixa. Assim, a parte nao registrada foi lancada na conta Ajuste de Exercicios Anteriores, recompondo a conta Caixa, considerando os efetivos pagamentos realizados conforme as informacoes colhidas junto a empresa diligenciada. que como o contribuinte nao comprovou nem justificou os demais langamentos efetuados na conta de Ajuste de Exercicios Anteriores, a reconstituicao da conta Caixa tambem incluiu esses lançamentos. que com os fatos trazidos pela diligencia, cai por terra a argumentação e classificação dos lançamentos na conta Ajuste de Exercicios Anteriores, ficando caracterizada a não contabilização na conta Caixa dos referidos lançamentos. que ainda foi feita uma analise do processo produtivo da empresa, com objetivo de identificar se a omissão detectada através da analise contabil e conforme evidenciado em anexo (planilha COMPARATIVO ENTRE A QUANTIDADE DE LITROS DE REFRIGERANTE VENDIDOS PELA EMPRESA E REFORMAS ADQUIRIDAS), no periodo de janeiro de 2007 a dezembro de 2008 a empresa declarou, nas DACON (Demonstrativos de Apuração do PIS e COFINS), a comercialização de 14.346.282 litros de refrigerante. No mesmo periodo, o contribuinte adquiriu uma quantidade de préformas suficiente para o envazamento de 56.772.943 litros de refrigente. que a disparidade entre a capacidade das preformas adquiridas e a quantidade de litros comercializada informada é de aproximadamente 42.426.661 litros. que a empresa foi intimada a justificar a disparidade respondeu o seguinte: "Quanto a disparidade de quantidade preformas demonstracia oela auditoria no relatório comparativo entre quantidade de litros de refrigerantes vendidos pela empresa e pre formes adquiridas anos 2007 e 2008", consideramos que o levantornento pode haver alguma distorgao em seus quantitativos bem como pode haver possIveis perdas das embalagens, e realmente existe estoque final dos produtos conforme apresentado em relatorio proprio de estoque." que tal distorcao é uma evidencia de que as vendas declaradas sao inferiores as ocorridas, já que adquiriu embalagens suficientes para uma produção praticamente 4 (quatro) vezes maior do que a declarada. que quanto aos estoques finais apresentados no relatório citado verificou se que os estoques de embalagens em 31/12/2008, eram suficientes para o envazamento de 512.500 litros e produtos acabados na quantidade de 27.770 litros, isso desprezando qualquer estoque que poderia haver em 31/12/2006, quantidade irrelevante perto da distorção anteriormente mencionada. As perdas nos processos industriais são sempre minimizadas e uma perda equivalente ao triplo da producao de 2 anos é totalmente descabida. A resposta da Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.727229/201182 Acórdão n.º 1302001.556 S1C3T2 Fl. 1.188 5 contribuinte supõe que pode haver perdas de embalagens, porém não traz elementos para suportar suas afirmações. que caracterizada a omissão de receitas, além do lancamento correspondente ao IRPJ, foram efetuados os lancamentos reflexos de CSLL, COFINS E PIS. Ressaltese que foram efetuadas as compensações de Prejuizos Fiscais de períodos anteriores em relacao ao IRPJ lancado de officio. que da mesma forma foram realizadas as compensações das Bases de Calculo Negativas de periodos anteriores da CSLL lançada de officio, cujos demonstratives também estão presentes neste auto de infração. que em relação ao PIS e a COFINS cabe destacar que a contribuinte intimada a informar quais produtos deram origem as receitas omitidas, não se pronunciou e por isso foram adotadas as aliquotas da tributação concentrada previstas para a fabricação de refrigerantes. por ultimo, esclarece que a multa aplicada (150%), foi qualificada uma vez que a empresa ocultou os fatos geradores das receitas omitidas e a contabilidade apresentada não espelha a realidade, já que utilizou a conta adiantamento de clientes para encobrir o saldo credor de caixa e deu baixa de obrigações do passivo em contrapartida da conta de Ajustes de exercícios anteriores. que é importante ressaltar que tratase de operacao que envolve mais de 60% da receita liquida média mensal da empresa, ocorrido entre janeiro e setembro de 2007, e que foram efetuados pagamentos a empresa Petropar Embalagens S.A. de aproximadamente R$ 3,7 milhoes que nao foram contabilizados na conta Caixa da empresa fiscalizada. que por tudo que foi exposto restou clara a omissão da contribuinte o que acarretou a qualificacao da multa. que a apuração do IRPJ e da CSLL observou o regime do lucro real trimestral em 2007 e anual em 2008. Cientificado do lançamento em 03.08.2011, o sujeito passivo apresentou impugnação, tempestiva, em 29.08.2011, nela combatendo, em síntese o seguinte: que a recomposição feita pela autoridade fiscal está equivocada, “uma vez que incluem informações de pagamento de fornecedor como saídas sem considerar que já houve uma saída realizada na contabilidade”, conforme recomposição do caixa, relativa ao ano de 2007, anexada à fl 474. que os valores lançados na conta “ajuste de exercícios anteriores” foram oferecidos à tributação no LALUR e na DIPJ, ao adicionar o valor de R$ 3.785.335,83, conforme documentação entregue mediante registro de protocolo (fls 475/534). que não foram considerados os pagamentos já realizados dos tributos, conforme comprovantes juntados aos autos. que ao final requer a realização de perícia contábil, para verificar se o autuado está sendo cobrado duas vezes pelo mesmo tributo. Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 desconto dos valores já recolhidos, evitando o bis in idem. a redução da multa de 150% para 20%, uma vez que o percentual aplicado viola os princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação do confisco. A 4ª Turma da DRJ/FOR, através de acórdão nº 0822.944, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa a seguir: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007, 2008 PROVA PERICIAL. Rejeitase o pedido de perícia que deixar de atender aos pressupostos do inc. IV do art. 16 do Decreto n.º 70.235/72. Indeferese o pedido de perícia se a prova do fato é documental. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2007, 2008 SALDO CREDOR DE CAIXA. ADIANTAMENTO DE CLIENTES INEXISTENTE. FALTA DE REGISTRO DE PAGAMENTO A FORNECEDORES. A inexistência de adiantamento de clientes e a falta de registro de pagamento a fornecedores impõem a recomposição ex officio da conta caixa do contribuinte, sendo legítima a tributação do saldo credor assim apurado, na forma de receita omitida. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007, 2008 CSLL. PIS/PASEP. COFINS. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007, 2008 MULTA QUALIFICADA. O percentual de 150% a título de multa, nos casos de sonegação fraude ou conluio é razoável, justamente porque se dirige a reprimir condutas evidentemente contrárias não apenas aos interesses fiscais, mas aos interesses de toda a sociedade, como se infere das decisões da Corte Suprema. Cientificado da decisão da DRJ em 05/05/2012, apresentou recurso voluntário, tempestivo, em 28/05/2012, reiterando os argumentos utilizados em sede de impugnação e aduzindo em síntese o seguinte: que os Auditores fiscais alegam que a referida omissão caracterizouse por duas práticas distintas: a) adiantamento de clientes; e b) baixa da conta Fornecedores por meio de contrapartida na conta Ajuste de Exercícios Anteriores. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.727229/201182 Acórdão n.º 1302001.556 S1C3T2 Fl. 1.189 7 que a recomposição feita pela fiscalização está equivocada, vez que incluem informações de pagamento do fornecedor como saídas, sem considerar que já houve uma saída realizada na contabilidade. Ou seja, os ilustres auditores recompuseram o Caixa com diversas saídas em duplicidade. que os valores lançados na conta de ajuste foram todos oferecidos à tributação no LALUR, bem como declarados e oferecidos à tributação na DIPJ. que toda documentação foi fornecida à Fiscalização, conforme consta no comprovante de protocolo. que tal fato sempre foi de conhecimento da fiscalização, bastando, para tanto, observar o que diz o item 6 do termo de intimação N° 4, no qual os Auditores referemse à composição da linha 34 da ficha 6.A da DIPJ de 2009 (exercício 2008). que os valores recolhidos que ultrapassam os R$ 400.000,00, devem ser descontados do valor final de Autuação, sob risco de que a DRF incorra em bis in idem. que o auditor não atentou, também, para o fato de que não só os documentos requeridos foram entregues, como também que os lançamentos de adiantamento de clientes e a devolução de clientes permite a recomposição do caixa sem maiores problemas. que tal fato restará claramente demonstrado através da análise da recomposição de caixa relativo a 2007 fornecido pela recorrente, além da recomposição diária, também fornecida na presente defesa, o que facilitará a visualização do acima disposto. que tal fato já fora elucidado, basta observar o termo de intimação N° 4 (item 6), no qual a Auditoria questiona a composição da linha 34 da ficha 6.A. Foi esclarecido que o valor total de R$ 3.785.335,83 estava composto e foi oferecido à tributação na conta de ajuste do exercício anterior. que no item 1 do TVF, os Auditores não informaram que foram apropriados na recomposição os valores informados pelo fornecedor Petropar, o que não corresponde com a informação contida no termo de intimação fiscal N° 4 (item 1 e item 6), no qual os Auditores informam a existência dos lançamentos do fornecedor Petropar no momento da recomposição. que deve ser respeitado o princípio da verdade material com a apreciação de todos os documentos, por parte de peritos, a fim de que seja constatada a bitributação. reitera a necessidade da realização de perícia, que não há dolo e que a multa de 150% extrapola a lógica, a razoabilidade e a proporcionalidade. É o relatório. Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Presentes os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário, dele tomo conhecimento. Preliminarmente, deixo de acolher o pedido de realização de perícia por não atender ao disposto do inc. IV, do art. 16, do Decreto n.º 70.235/72, na medida em que não veio acompanhado dos quesitos referentes aos exames desejados e do nome, endereço e qualificação do perito. Quanto ao mérito do pedido, temse que o exame desejado de verificar se os valores que implicaram estouro de caixa, já foram submetidos à tributação, entendo que prescinde de conhecimento técnico específico, de modo que dispensável a atuação de um perito. Demais disso, o fato alegado pode ser provado documentalmente e estão presentes nos autos, a meu ver, todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da controvérsia. Inicialmente, verifico que a Recorrente repisa diversos fatos e normas jurídicas que não controvertem a imputação fiscal e são irrelevantes no âmbito administrativo, tais como, possibilidade de quebra da empresa, desemprego, boafé do autuado, ausência de dolo e por ser cumpridor de suas obrigações tributárias. Além do mais a Recorrente combate, por exemplo, o arbitramento do lucro, quando a autoridade fiscal apurou os tributos na sistemática do lucro real e invoca princípios da razoabilidade, proporcionalidade, vedação do confisco, capacidade contributiva, vedação do bis in idem. Em relação a estes princípios, é vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo legal com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. "Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Foram dois os lançamentos glosados pela fiscalização que implicaram estouro de caixa do Recorrente: (i) registro na conta caixa do recebimento, no início do mês, de adiantamento de clientes e da devolução, no final do mês, do mesmo valor; (ii) baixa da conta fornecedores tendo por contrapartida a conta “ajuste de exercícios anteriores”. A fiscalização descreveu a irregularidade da primeira modalidade de lançamento contábil, da seguinte maneira: “No período de janeiro a setembro de 2007 a empresa contabilizou em sua conta Caixa, no inicio de cada mês, o recebimento de valores a título de adiantamento de clientes e, no final de cada mês, contabilizava a devolução do mesmo valor, a titulo de devolução de clientes. A prática foi regular e ininterrupta até o mês de setembro daquele ano. Normalmente as empresas utilizam os recursos recebidos a titulo de adiantamento de clientes para fabricarem os produtos e efetuam a baixa Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.727229/201182 Acórdão n.º 1302001.556 S1C3T2 Fl. 1.190 9 contábil da conta Adiantamento de Clientes em contrapartida da conta de mercadorias ou outra equivalente dependendo do seu plano de contas. Para dirimir a dúvida suscitada por esta prática o contribuinte foi intimado, através do Termo de Intimação Fiscal nº 01, a justificar os lançamentos,apresentar os documentos comprobatórios do efetivo ingresso dos recursos na conta Caixa, bem como a devolução dos mesmos, e ainda explicitar os clientes envolvidos nestas transações. Em resposta ao referido Termo, a empresa informa que não encontrou os documentos que suportaram os lançamentos, tendo afirmado ainda: “Esclarecemos que existe mensalmente o estorno da apropriação dos valores lançados na conta caixa, onde se for recomposto o saldo estes valores não afetaram no resultado da empresa.” A magnitude dos valores envolvidos também deve ser ressaltada. Nos três primeiros trimestres de 2007 a receita liquida média mensal da empresa, declarada em DIPJ, girou em torno de R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais). Os adiantamentos de clientes, neste mesmo período, giraram em torno de R$ 400.000,00 (quatrocentos mil reais) mensais. Portanto, não é razoável que operações desta magnitude não estejam perfeitamente documentadas e com suas origens identificadas. Diante destas irregularidades foi recomposto o saldo da conta Caixa da empresa, estornando ambos os valores, tanto o adiantamento de clientes quanto a devolução do mesmo em cada mês que houve esta operação. Diversamente do afirmado pelo contribuinte, em todos os meses recompostos a conta Caixa apresentou saldo credor, conforme DEMONSTRATIVO CONTA CAIXA RECONSTITUÍDO (cientificado ao contribuinte através do Termo de Intimação Fiscal nº 04). Em cada mês foi considerado como omissão de receita somente o maior saldo credor do período recomposto.” A Recorrente alega que a recomposição feita pela autoridade fiscal está equivocada, “uma vez que incluem informações de pagamento de fornecedor como saídas sem considerar que já houve uma saída realizada na contabilidade”, conforme recomposição do caixa, relativa ao ano de 2007, anexada à fl 474. Acrescenta ainda que: “Ademais, visível está no item 1 (adiantamento de clientes) do Termo de Verificação Fiscal, que os ilustres Auditores não informaram que também foram apropriados na recomposição os valores informados pelo fornecedor Petropar, o que não corresponde com a informação contida no termo de intimação fiscal N° 4 (item 1 e item 6), no qual os Auditores informam a existência dos lançamentos do fornecedor Petropar no momento da recomposição. Contudo, repitase, tais lançamentos foram realizados em duplicidade (...)” Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Na verdade, na recomposição feita, a Recorrente desconta, em cada mês de apuração, valores supostamente referentes a adiantamento de clientes, tanto do saldo inicial quanto do saldo final da conta caixa. Esse procedimento, todavia, não comprova o ingresso (adiantamento de clientes) ou saída dos correspondentes valores na conta caixa, razão porque a recomposição feita pela fiscalização, desta conta, consistiu em desconsiderar tanto o adiantamento quanto a sua devolução. Como bem apurado pela fiscalização e confirmado pela DRJ, na verdade, este procedimento da Recorrente só agravou sua situação, na medida em que tal prática constitui ardil artifício para mascarar o estouro de caixa. A argumentação de haver duplicidade na tributação dos valores, por já terem sido apropriados na recomposição dos valores informados pelo fornecedor Petropar, também entendo, que não há qualquer conexão entre o falso registro na conta caixa de adiantamento de clientes, e a falta de registro, nessa mesma conta, de pagamentos ao fornecedor Petropar, já que esta se apresenta como fornecedora da Recorrente e não seu cliente. Alegou ainda a Recorrente que teria recolhido “enorme valor” de tributos que não foram descontados dos tributos lançados, porém assim com a DRJ não consegui encontrar nos autos os comprovantes de recolhimentos que o defendente afirma ter juntado. Ademais, a DRJ já havia apurado junto ao sistema de pagamentos da RFB (Sinal 03) e não encontrou registros de recolhimentos de valores expressivos. Requer também que se subtraia da receita apurada a receita declarada, porém o pedido não pode prosperar, na medida que a receita apurada pela fiscalização decorreu de presunção legal de omissão de receita. Nesse passo, a lei presume, a partir de um fato indício (saldo credor de caixa), que o contribuinte auferiu receita que não foi escriturada, declarada ou tributada. O fato da Recorente ter declarado receita não significa que ela esteja embutida na receita considerada omitida por presunção. Caberia a Recorrente, neste caso, querendo fazer valer a sua pretensão, demonstrar e comprovar de forma inequívoca a inocorrência do saldo credor. Já em ralação à segunda modalidade de lançamento irregular, restou assim caracterizada pela fiscalização: A partir de dezembro de 2007, a contabilidade apresentada pela empresa registra este tipo de lançamento. A empresa foi intimada a justificar os lançamentos efetuados na conta Ajuste de Exercícios Anteriores com a devida documentação comprobatória dos mesmos, através do Termo de Intimação Fiscal nº 02. A resposta limitouse a reproduzir o § 1º do art. 186 da Lei 6.404/76 citando a condição legal para classificar os lançamentos como Ajuste de Exercícios Anteriores. A empresa não mencionou nem comprovou quais foram os critérios contábeis modificados ou erros retificados. A falta de comprovação dos lançamentos já ensejaria a autuação, porém, para dirimir quaisquer dúvidas, foi efetuada diligência fiscal junto ao maior fornecedor da empresa (a empresa Petropar Embalagens SA), Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.727229/201182 Acórdão n.º 1302001.556 S1C3T2 Fl. 1.191 11 cujos lançamentos de baixa de suas obrigações foram feitos em contrapartida da conta Ajustes de Exercícios Anteriores. A resposta da empresa Petropar Embalagens comprovou que o contribuinte fiscalizado não registrou parte dos pagamentos realizados ao fornecedor na conta Caixa. A parte não registrada foi exatamente a que foi lançada na conta Ajuste de Exercícios Anteriores. Esclarecida a situação foi recomposta a conta Caixa, considerando os efetivos pagamentos realizados conforme as informações colhidas junto à empresa diligenciada.” Em contrariedade a Recorrente sustenta, que os valores lançados na conta “ajuste de exercícios anteriores” foram oferecidos à tributação no livro lalur e na DIPJ estariam compostos no valor de R$ 3.785.335,83, conforme documentação entregue, porém, a alegação de duplicidade foi rechaçada no Termo de Verificação Fiscal, nos seguintes termos: “Não ocorreu duplicidade na recomposição da conta Caixa. É verdade que os fatos apontados pelo contribuinte são os mesmos, porém as situações são distintas. No Termo de Intimação Fiscal nº 02 o contribuinte foi indagado sobre os referidos lançamentos, porém não houve resposta considerada satisfatória. A diligência efetuada junto à empresa Petropar teve o objetivo de perquirir a situação dos lançamentos citados naquela intimação. No Termo de Intimação Fiscal nº 04 deuse ciência ao contribuinte da resposta da empresa diligenciada. Com os fatos trazidos pela diligência, cai por terra a argumentação e classificação dos lançamentos na conta Ajuste de Exercícios Anteriores, ficando caracterizada a não contabilização na conta Caixa dos referidos lançamentos.” É relevante ressaltar que, contrapostos os fundamentos, a Recorrente não questiona diretamente a falta de registro na conta caixa dos pagamentos a fornecedores, notadamente da Petropar, referentes ao período de outubro a dezembro de 2008. Apenas deduz que os valores dos ajustes foram oferecidos à tributação no livro lalur e na DIPJ, no valor de R$ 3.785.335,83, o que não é verdade. Porém, o valor supostamente adicionado não passou pelo crivo da tributação, como se visualiza na DIPJ apresentada pelo contribuinte (fls 967/979), que não espelha o demonstrativo de apuração do lucro real apresentado à fiscalização (fl 511). Dessa forma, é procedente a recomposição do caixa efetuada pela fiscalização, em que passa a considerar saída no caixa os pagamentos a fornecedores, notadamente a Petropar (fls 121/151 e 417/428). A Recorrente combate, também, a aplicação da multa no percentual de 150%, por considerála confiscatória, desproporcional e irrazoável, pleiteando a sua redução para o percentual de 20%, sem contestar as razões que conduziram à aplicação da multa qualificada. Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 12 O que se observa dos autos é que o dolo na conduta da Recorrente é evidente na espécie e foi muito bem demonstrada no Termo de Verificação Fiscal, razão porque deve ser mantida a multa qualificada de 150%. A multa de 20%, cuja aplicação é solicitada, tem caráter moratório e não se presta a sancionar condutas descritas como fraudulentas. Em vista de todo oexposto, e tendo em conta que o controle da constitucionalidade das leis é da competência precípua do Poder Judiciário, como já explicitado, rejeito a objeção à aplicação da multa de ofício qualificada. Em relação aos tributos reflexos (CSLL, PIS, Cofins), tratandose da mesma matéria fática e não havendo aspectos específicos a serem apreciados, aos lançamentos decorrentes aplicase a mesma decisão do principal (IRPJ). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13609.902944/2011-87
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (Decreto-Lei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer - e, sobretudo, provar - a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo - que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte - mostra-se insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF.
REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO.
Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto.
REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringe-se ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005).
PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002.
MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS.
O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgaste no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-003.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras.
Nome do relator: SOLON SEHN
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. RELAÇÃO ENTRE GASTOS INCORRIDOS E PROCESSO PRODUTIVO. PROVA. DIREITO AO CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções legais abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Para ter direito ao crédito reconhecido, o interessado deve esclarecer e, sobretudo, provar a relação existente entre os gastos incorridos e o processo produtivo. A simples formulação de pedido assentado na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte mostrase insuficiente para tal fim, até porque não é essa a orientação adotada pela Jurisprudência do CARF. REEMBOLSO DE TAXA FLORESTAL. CRÉDITO NÃO RECONHECIDO. Não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque esta não integra o custo de aquisição, sendo cobrada em função do exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo do produto. REEMBOLSO DE ICMS. DIREITO AO CRÉDITO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para o creditamento de reembolso de Icms. O direito ao crédito restringese ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 90 29 44 /2 01 1- 87 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 PAGAMENTO À PESSOA FÍSICA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002. MATERIAL REFRATÁRIO. FORNOS DE ALTA TEMPERATURA. INSUMO. INDUSTRIAL. REQUISITOS PARA O CREDITAMENTO NÃO DEMONSTRADOS. O material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura constitui insumo da atividade industrial, quando demonstrado o consumo ou desgaste no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e vida útil inferior a trezentos e sessenta e cinco dias. Não tendo sido apresentada prova da presença desses requisitos, não cabe o reconhecimento do direito ao crédito. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, com base nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. No cálculo do PIS Não Cumulativo somente podem ser computados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902944/201187 Acórdão n.º 3802003.578 S3TE02 Fl. 136 3 CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. REFRATÁRIOS. Materiais refratários são bens que se incorporam ao Ativo Imobilizado da empresa, ficando sujeitos à depreciação própria dos bens imóveis, não sendo considerados insumos para fins de creditamento. CRÉDITOS. NÃO CUMULATIVIDADE. TAXA FLORESTAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Valores recolhidos a título de Taxa Florestal não integram o custo de aquisição dos produtos e subprodutos de origem florestal e não são passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. CRÉDITOS. NÃOCUMULATIVIDADE. REEMBOLSO DE ICMS. Valores pagos a título de “reembolso de ICMS” não são passíveis de passíveis de creditamento, por falta de previsão legal. CRÉDITOS. DESPESAS COM MÃO DE OBRA PESSOA FÍSICA. No sistema da não cumulatividade não geram créditos passíveis de desconto, as despesas com mão de obra pessoa física, por força da legislação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O pedido de ressarcimento tem por objeto saldo credor acumulado da contribuição em decorrência de operações de exportação. A DRJ não reconheceu o direito ao crédito relativo aos materiais refratários utilizados como revestimento interno do altoforno na siderurgia, por entender que as aquisições de bens e serviços aplicadas sobre o ativo imobilizado da empresa não geram créditos de PIS/Pasep e Cofins como insumos, em face da vedação do § 4º, alínea “a” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004. Também negou o direito ao crédito relativo a supostos reembolsos de ICMS, ao pagamento de taxas florestais, por falta de previsão de creditamento na legislação, bem como de gastos com a aquisição de outros bens e serviços. Neste último caso, por entender que não se enquadram no conceito de insumo, bem como outros gastos com serviços de exportação diversos daqueles previstos no inc. II, alínea “e” do art. 8º da IN SRF nº 404/2004 (armazenagem e frete). O Recorrente, nas razões de fls. 104 e ss., sustenta que o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins deve ser irrestrito, abrangendo “qualquer dispêndios necessários a manutenção da atividade econômica do contribuinte”, nos termos do que foi decidido no acórdão relativo ao processo n° 11020.001952/200622. Afirmou ainda que a homologação da compensação não traria prejuízo aos cofres públicos, à medida que o direito ao creditamento seria integral. Requer o provimento do recurso voluntário. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 22/07/2013 (fls. 102), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 21/08/2013 (fls. 108), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, estando a matéria em debate inserida no âmbito da competência da Terceira Seção de Julgamento e presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso pode ser conhecido. A amplitude do conceito de insumos, para efeitos de creditamento de PIS/Pasep e de Cofins,vem sendo fonte de inúmeras controvérsias no âmbito do Carf, desde os primeiros julgados do então Segundo Conselho de Contribuintes (acórdãos nº 20312.469 e n° 20312.741,da 3ª C.). Dentre as decisões que versaram sobre a matéria, destacamse, mais recentemente, os acórdãos nº 930301.036 (Rel. Henrique Pinheiro Torres), nº 930301.740 (Rel. Nanci Gama), da Câmara Superior de Recursos Fiscais; e, da Terceira Seção, os acórdãos nº 320200.226 (Rel. Gilberto de Castro Moreira Junior), 2ª C./2ª TO; nº 310101.109, 1ª C./1ª TO(Rel. Tarásio Campelo Borges); nº 310201.148, 1ª C./2ª TO (Rel. Luis Marcelo Guerra de Castro); nº 3201000.959, 2ª C./1ª TO (Rel. Daniel Mariz Gudiño); nº 3202000.411, 2ª C./2ª TO; nº 3302001.781, 3ª C./2ª TO (Rel. Desig. Fabiola Cassiano Keramidas); nº 340101.715, 4ª C. /1ª TO (Rel. Odassi Guerzoni Filho); nº 3402001.661, 4ª C./2ª TO (Rel. Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça); nº 3403001.766, 4ª C./3ª TO (Rel. Antonio Carlos Atulim). A partir do exame dos julgados em referência, identificamse três correntes, consoante síntese encontrada em declaração de voto da eminente Conselheira Susy Gomes Hoffmann (cf. acórdão nº 930301.740): [...] em rápida síntese podemos verificar três correntes de entendimento sobre o tema: a) O termo insumo (na verdade bens e serviços, utilizados como insumos...) referido na legislação do PIS e da COFINS deve ser interpretado de acordo com a legislação do IPI. Nesta esteira cito o Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho), que tem a seguinte ementa: O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. b) O termo “insumo” indicado na legislação do PIS e da COFINS deve seguir a legislação do IRPJ e neste caso cito o Acórdão n° 320200.226 da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior) que 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902944/201187 Acórdão n.º 3802003.578 S3TE02 Fl. 137 5 trouxe em parte da sua ementa o seguinte texto: O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Neste caso os insumos referiamse aserviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo; e, a atividade da empresa era no setor de fabricação de móveis. c) Os bens e serviços que geram os insumos previstos na legislação do PIS e da COFINS não podem ser assumidos como similares ao da legislação do IPI e, tampouco, estão inseridos nos conceitos de custos ou despesas previstos na legislação do IRPJ. Tais insumos (bens e serviços classificáveis como insumos) devem ser definidos por critérios próprios. A primeira exegese que equipara o conceito de insumo ao da legislação do IPI, restringindoo nos moldes da IN SRF nº 404/2004 já se encontra superada entre as Turmas da Terceira Seção de Julgamento. A segunda, por sua vez, foi afastada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que, no acórdão nº 930301.740, entendeu ser inviável a equiparação de insumo a todo e qualquer custo ou despesa necessário à atividade da empresa. Atualmente, a tendência é o acolhimento da interpretação que, sem se restringir às legislações do IPI e do Irpj, busca a construção do conceito de insumo a partir de critérios próprios do PIS/Pasep e da Cofins. Insumo, nessa linha, abrangeria o custo de produção e, dependendo das particularidades do caso concreto, despesas de venda do produto industrializado, notadamente quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Entendese, assim, que o conceito de insumo, ressalvadas as exceções da Lei nº 10.833/2003, compreende o custo de produção, ou seja, os gastos incorridos na produção dos bens que serão comercializados, consoante previsto de forma exemplificativa na legislação do imposto de renda (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291)2. Essa conclusão, segundo ressalta Ricardo Mariz de Oliveira, decorre do art. 12, § 1º, que trata do crédito relativo ao estoque de abertura dos bens previstos nos incisos I e II do art. 3º, por ocasião da data do início da vigência do regime não cumulativo: “Outro elemento subsidiário está no art. 11 da Lei n. 10.637 e art. 12 da Lei 10.833, que outorgam o direito a um ‘crédito’ de PIS e outro de COFINS sobre os estoques de abertura quando da introdução dos respectivos regimes de ‘não cumulatividade’, dizendo que os mesmos devem ser calculados sobre o ‘valor do estoque’. Ora, no valor do estoque de produtos acabados estão inseridos todos os custos diretos e indiretos de produção, e não apenas os valores das matériasprimas, dos produtos intermediários, dos materiais de embalagem e de outros bens que sofram alteração, de modo que não haveria nenhuma razão sistemática para os ‘créditos’ relativos a insumos adquiridos após a entrada em vigor do sistema ‘não cumulativo’ 2 SEHN, Solon. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 315 e ss. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 serem considerados apenas sobre aqueles três tipos de componentes da produção ou outros bens que sofram qualquer alteração”3. O mesmo também foi sustentado por Natanael Martins: “[...] o conceito de insumo pode se ajustar a todo consumo de bens ou serviços que se caracterize como custo segundo a teoria contábil, visto que necessários ao processo fabril ou de prestação de serviços como um todo. É dizer, ‘bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços’, na acepção da lei, referese a todos os dispêndios em bens e serviços relacionados ao processo fabril ou de prestação de serviços, ou seja, insumos seriam aqueles bens e serviços contabilizados como custo de produção, nos termos do art. 290, do Regulamento do Imposto de Renda”4. Feito esse registro, ingressando no exame do caso concreto, entendo que deve ser mantida a decisão recorrida. Isso porque, embora esta tenha adotado o conceito de insumo da IN SRF nº 404/2004, o Recorrente não esclareceu nem tampouco fez prova da relação entre os gastos incorridos e o processo produtivo. Ao invés disso, fundamentou o pedido de revisão do acórdão da DRJ na suposta natureza irrestrita do conceito de insumo, que abrangeria todos os dispêndios necessários à manutenção da atividade econômica do contribuinte. Ora, como se viu, não é essa a orientação adotada pelo CARF. Na verdade, ainda que fosse, o Recorrente deveria ter feito prova de que os gastos incorridos são efetivamente necessários à manutenção da atividade da empresa. Portanto, pela falta de prova da relação entre o gasto e o processo produtivo, descabe o crédito no tocante aos seguintes itens: peças/manutenção de veículos; peças/manutenção de instalações; peças/manutenção elétrica, gastos com consultorias, material de laboratório, assistência técnica, alimentação, assistência médica e social, treinamento de pessoal, convênio/farmácia, cesta básica, viagens, estadias, estacionamentos; gastos com equipamentos de segurança; gastos com telefone; material de escritório, gastos com bens/ferramentas(alicates, martelos, carrinhos de mão, marretas, correntes, etc); gastos com combustíveis; outros gastos não considerados insumos. O mesmo se aplica às despesas com outros serviços de exportação, sobretudo porque o Recorrente, nas razões recursais ou na manifestação de inconformidade, sequer especifica quais seriam os serviços em questão. Tampouco há direito ao crédito de reembolso de Icms. O direito ao crédito da Cofins restringese ao Icms que integra o custo de aquisição do insumo ou da mercadoria adquirida para revenda (art. 8º, § 3º, II, da IN SRF nº 404/2005). Da mesma forma, não cabe o creditamento dos gastos com reembolso de taxa florestal, porque, como destacado na decisão recorrida, esta não intregra o custo de aquisição do produto, sendo cobrada em função do “exercício de atividade econômica relacionada à produção, extração e consumo desse tipo de produto”. Além disso, não há que se falar em crédito de pagamentos de pessoas físicas, em face da vedação do § 3º, I, do art. 3º da Lei nº 10.637/2002: 3 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionados à “não cumulatividade” da COFINS e da contribuição ao PIS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 4748. 4 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da COFINS. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octavio Campos (Coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 207. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 13609.902944/201187 Acórdão n.º 3802003.578 S3TE02 Fl. 138 7 “Art. 3º. [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;” Por fim, no tocante ao material refratário utilizado no revestimento dos fornos de alta temperatura, estes podem ser considerados insumos (material intermediário), desde que demonstrado que: (i) são consumidos ou desgastados no processo de industrialização, em função de ação direta sobre o produto em fabricação; e (ii) não apresentem vida útil superior a trezentos e sessenta e cinco dias. Presentes os requisitos acima, o direito ao crédito decorre do próprio art. 8º, § 4º, I, “a”, da IN SRF nº 404/2004: “Art. 8º. [...] § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado;” Portanto, não é necessário o consumo integral e imediato do bem no processo produtivo. Tais requisitos foram aplicáveis apenas ao IPI no período de vigência do art. 32, I, do Decreto nº 70.162/1972 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados), que restringia expressamente o direito ao crédito aos insumos que fossem “consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização”: “Art. 32. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse do imposto; I Relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, importados ou de fabricação nacional, recebidos para emprego na industrialização de produtos tributados, por estabelecimento industrial ou pelo estabelecimento a que se refere o inciso III do § 1º do artigo 3º, compreendidos, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando no novo produto, forem consumidos, imediata e integralmente, no processo de industrialização;” Desde o Decreto nº 83.263/1979, inclusive à luz do Regulamento do IPI em vigor (Decreto nº 7.212/2010, art. 226, I), não há mais exigência de consumo integral e imediato: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 “Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente;” Nesse linha, cumpre destacar o seguinte julgado da 2ª Turma do Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu o direito ao crédito em relação ao IPI: “TRIBUTARIO. IPI. MATERIAIS REFRATARIOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. OS MATERIAIS REFRATARIOS EMPREGADOS NA INDUSTRIA, SENDO INTEIRAMENTE CONSUMIDOS, EMBORA DE MANEIRA LENTA, NÃO INTEGRANDO, POR ISSO, O NOVO PRODUTO E NEM O EQUIPAMENTO QUE COMPOE O ATIVO FIXO DA EMPRESA, DEVEM SER CLASSIFICADOS COMO PRODUTOS INTERMEDIARIOS, CONFERINDO DIREITO AO CREDITO FISCAL.” (STJ. 2ª T. REsp 18.361/SP, Rel. Min. Hélio Mosimann. DJ 07/08/1995, p. 23026) É por esse motivo que, mesmo para quem interpreta o conceito de insumo a partir da IN SRF nº 404/2004, não cabe condicionar o crédito ao consumo integral e imediato do produto intermediário. Apesar disso, no presente caso, o Recorrente não apresentou qualquer laudo técnico ou documento que comprove o prazo de vida útil do material refratário utilizado ou ainda a periodicidade de realização desses gastos. Tratase de prova imprescindível, porque, como bem ressaltou a DRJ, o desgaste de refratários pode variar em função do tipo do material ou mesmo da região em que o mesmo se encontra. Votase, assim, pelo conhecimento e desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10925.903058/2009-85
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE.
Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano-calendário correspondente àquelas estimativas.
Numero da decisão: 1803-002.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1189; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 76 1 75 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10925.903058/200985 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.414 – 3ª Turma Especial Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria CSLL COMPENSAÇÃO Recorrente DICAPEL PAPÉIS E EMBALAGENS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM CRÉDITOS DE ESTIMATIVAS APURADAS. IMPOSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS COM SALDO NEGATIVO APURADO. ADMISSIBILIDADE. Não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no anocalendário correspondente àquelas estimativas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 30 58 /2 00 9- 85 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903058/200985 Acórdão n.º 1803002.414 S1TE03 Fl. 77 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos e Arthur José André Neto. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903058/200985 Acórdão n.º 1803002.414 S1TE03 Fl. 78 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Por meio do Despacho Decisório eletrônico que consta do presente processo, a autoridade competente não homologou a compensação pretendida pela Contribuinte acima identificada, formalizada por meio de Declaração de Compensação (DComp), na qual foi indicado, como crédito do tipo “Pagamento Indevido ou a Maior”, um documento de arrecadação (DARF) com código de receita referente a estimativa mensal. De acordo com o referido Despacho, inexiste direito creditório em razão de o pagamento indicado na DComp encontrarse integralmente utilizado na quitação de débito declarado pela Contribuinte, com idênticas características. Irresignada, a Contribuinte apresenta Manifestação de Inconformidade, na qual informa que apresentou a respectiva DComp indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Por outro lado, no restante de sua petição, a Contribuinte dá a entender que detém o direito creditório, em razão de não existir o débito ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. 2. A decisão da instância a quo foi assim fundamentada: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual podese dela conhecer. Conforme relatado, a declaração de compensação sob exame não foi homologada, em razão da inexistência do direito creditório pleiteado pela Contribuinte. De acordo com o que restou esclarecido, o pagamento indicado como crédito referese a estimativa mensal, e encontrase integralmente utilizado na extinção de débito com idênticas características. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Contribuinte primeiro informa que apresentou a respectiva DComp, indicando, como crédito, o tipo “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR, quando o correto seria informar o tipo de compensação de SALDO NEGATIVO”. Depois, defende que possui o direito creditório, em razão de não existir o débito de estimativa ao qual se vincula o Darf indicado na DComp. Inclusive, em demonstrativo elaborado para fundamentar a existência de seu direito, referindose ao débito de estimativa vinculado ao Darf, a Contribuinte indica o seguinte: “Valor DEVIDO a ser Retificado na DCTF: R$ 0,00”. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903058/200985 Acórdão n.º 1803002.414 S1TE03 Fl. 79 4 Neste momento, há que se registrar que a autoridade competente da DRF de jurisdição sobre o domicílio fiscal da Contribuinte não se manifestou em relação ao saldo negativo que teria sido apurado no respectivo anocalendário. Em outras palavras, o saldo negativo apurado pela Contribuinte não constitui o objeto do presente litígio. Na verdade, o cerne do litígio é outro. Ao que tudo indica, a Contribuinte apurou saldo negativo no anocalendário em referência e, ao invés de utilizálo como crédito em compensação, conforme lhe é facultado, levou à DComp sob análise um pagamento a título de estimativa, devidamente declarada em DCTF, que teria contribuído para formar o referido saldo negativo. Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. Sabese que a obrigação de recolher estimativas mensais integra a sistemática legalmente prevista para a apuração do IRPJ e da CSLL, segundo as regras de Lucro Real na periodicidade anual. Segundo essa sistemática, ao longo do anocalendário, a pessoa jurídica se obriga a mensalmente antecipar o valor do tributo que somente será conhecido em definitivo no final do período, em 31 de dezembro, quando então se considera ocorrido o fato gerador. Encerrado o anocalendário, a pessoa jurídica deve apurar o tributo devido e, para encontrar o valor do saldo a pagar, ou do saldo negativo a restituir, do valor do tributo devido pode deduzir os valores recolhidos antecipadamente, a título de estimativa. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. Ademais, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, não há que se providenciar uma retificação da DCTF para zerar o débito a título de estimativa e, consequentemente, “liberar” o Darf ao qual estiver vinculado, como parece ser o entendimento da Contribuinte. Em verdade, tendo sido regularmente apuradas, as estimativas mensais são devidas, ainda que ao final do ano se descubra a formação de um saldo negativo. Nesse caso, a retificação da DCTF pretendida pela Contribuinte, se efetuada, não encontraria respaldo legal. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 20121: Art. 4º Os saldos negativos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) poderão ser objeto de restituição, nas seguintes hipóteses: I – de apuração anual, a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração; [...] 1 Disposições semelhantes já eram encontradas na Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, na Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004, na Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, e na Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903058/200985 Acórdão n.º 1803002.414 S1TE03 Fl. 80 5 Art. 41. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o crédito decorrente de decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 56 a 60, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à RFB da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à RFB do formulário Declaração de Compensação constante do Anexo VII, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. § 2º A compensação declarada à RFB extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação do procedimento. [...] Portanto, como na DComp sob exame a Contribuinte não utilizou direito creditório passível de compensação, mostrase correta a conclusão do Despacho Decisório atacado, razão pela qual não há como reformálo. Ante o exposto, é de se considerar improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Interessada. 3. Devidamente cientificada da referida decisão, a tempo, apresenta a interessada Recurso Voluntário, nele argumentando, em síntese: a) que o débito de estimativa, objeto de compensação não homologada, deverá ser considerado na formação do saldo negativo; b) que o entendimento da Receita Federal – de glosar o saldo negativo quando este for composto por estimativas quitadas por compensação não homologada – implica dupla cobrança do mesmo crédito tributário; c) que o contribuinte terminaria pagando duas vezes o mesmo débito; mediante a redução do saldo negativo e pela via da execução fiscal (cobrança do débito de estimativa objeto da compensação não homologada); d) que, no mérito, existindo, sim, saldo negativo a ser compensado, o contribuinte não pode ser penalizado com a dupla cobrança, pelo fiscal, de um tributo já declarado e compensado por erro de fato do mesmo, declarado em PER/DComp incorreta, sem a possibilidade de retificar a mesma e demonstrar os créditos oriundos formados para a efetivação da compensação do débito compensado; e e) que a dupla cobrança ocorrerá, se o contribuinte tiver de pagar novamente o débito compensado não homologado na PER/DComp, aplicandose a decadência do crédito de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL. Em mesa para julgamento. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903058/200985 Acórdão n.º 1803002.414 S1TE03 Fl. 81 6 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Concordase inteiramente com a decisão recorrida, quando esta afirma que (destaque do original): Muito embora possa ter contribuído com a formação do saldo negativo, a estimativa mensal apurada, conforme disposição legal, não constitui pagamento indevido ou maior que o devido, de modo que não pode ser utilizada como crédito em compensação pleiteada em face da Fazenda Nacional. [...]. Portanto, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, é este valor que pode ser utilizado como crédito em compensação, e não as antecipações regularmente apuradas que o compuseram, efetuadas ao longo do ano. [...]. De se reiterar que, se, ao final do anocalendário, a Contribuinte apurou saldo negativo, este, sim, pode ser objeto de compensação, conforme estabelece a vigente Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012: [...]. 5. É que não é possível a compensação de débitos com créditos de estimativas apuradas, sendo admissível, porém, a sua compensação com saldo negativo apurado no ano calendário correspondente àquelas estimativas. 6. Como decorrência, cabe à repartição de origem reexaminar a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. 7. Já com relação à preocupação externada pela Recorrente, em seu Recurso Voluntário, as estimativas não pagas, mas compensadas, se não homologada a respectiva compensação, serão objeto de cobrança na correspondente DComp, não cabendo a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ, conforme entendimento já externado, tanto pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), quanto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN): Solução de Consulta Interna Cosit nº 18, de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a Fl. 81DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10925.903058/200985 Acórdão n.º 1803002.414 S1TE03 Fl. 82 7 glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Parecer PGFN/CAT/nº 88, de 2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei no 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que a repartição de origem reexamine a compensação requerida, devendo, para tanto, considerar, como direito creditório pleiteado, o saldo negativo apurado no respectivo anocalendário. Deve ser observada a eventual existência de outros processos nos quais o direito creditório a ser considerado como pleiteado corresponda ao mesmo saldo negativo. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 82DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13830.001764/2005-12
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005
COMPENSAÇÃO A PARTIR DE 1º DE OUTUBRO DE 2002. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
A partir de 1º de outubro de 2002, o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, sendo essa compensação efetuada mediante a entrega de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO POR ESTIMATIVA. ABRANGÊNCIA.
Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do ano-calendário, o lançamento de ofício abrangerá: (I) a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; (II) o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.
Numero da decisão: 1803-002.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à exigência da CSLL, e, pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso com relação à exigência da multa isolada, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO A PARTIR DE 1º DE OUTUBRO DE 2002. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A partir de 1º de outubro de 2002, o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, sendo essa compensação efetuada mediante a entrega de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO POR ESTIMATIVA. ABRANGÊNCIA. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do ano-calendário, o lançamento de ofício abrangerá: (I) a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; (II) o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 COMPENSAÇÃO A PARTIR DE 1º DE OUTUBRO DE 2002. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A partir de 1º de outubro de 2002, o sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão, sendo essa compensação efetuada mediante a entrega de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FALTA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO POR ESTIMATIVA. ABRANGÊNCIA. Verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá: (I) a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos; (II) o imposto devido com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 17 64 /2 00 5- 12 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13830.001764/200512 Acórdão n.º 1803002.254 S1TE03 Fl. 259 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso quanto à exigência da CSLL, e, pelo voto de qualidade negar provimento ao recurso com relação à exigência da multa isolada, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto e Roberto Armond Ferreira da Silva. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13830.001764/200512 Acórdão n.º 1803002.254 S1TE03 Fl. 260 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 226 e 227): Contra a empresa epigrafada foi lavrado auto de infração de fls. 5 a 11, relativo ao anocalendário de 2004, que se prestou a exigir a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, apurada pelo lucro real, no valor de R$ 77.630,72 (fl. 5), acrescida de juros de mora e multa de ofício de 75%, bem como multa exigida isoladamente, no valor de R$ 58.223,03 (fls. 5), totalizando crédito tributário de R$ 202.165,91 (fl. 5). A base legal que amparou a constituição do crédito tributário achase descrita no auto de infração e nos demonstrativos correspondentes. Conforme descrição dos fatos presente nos Autos de Infração, constatouse diferença entre os valores da CSLL declarados/pagos e os valores escriturados no LALUR durante o anocalendário 2004. As diferenças ocorreram nos meses de janeiro e fevereiro de 2004, sendo informado pela fiscalizada que compensou saldo credor de CSLL paga a maior no anocalendário de 2003, entretanto não formalizou essa compensação mediante entrega de PER/DCOMP. Assim, lançou as diferenças apuradas de IRPJ (sic), já que os valores que a compõem não foram confessados em DCTF, nem do crédito foi pedida compensação. Sob as diferenças da base de cálculo estimada mediante o levantamento de balanços mensais de suspensão ou redução também lançou multa isolada, consoante estabelece o art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei 9.430/96. Cientificada do lançamento em 22/09/2005, através da ciência pessoal de seu contador e mandatário, Ariovaldo Vizioli, Auto de Infração de fl. 5, a interessada, por seu procurador, ingressou, em 21/10/2005, com peça impugnatória de fls. 147/161 e documentação anexa de fls. 162/215, sendo esta referente a procuração, consulta comprovante de inscrição no CNPJ, cópia alteração do contrato social, cópia relatório Razão e cópias de DARFs. alegando em suma: a) Que a impugnação é tempestiva; b) Que a CSLL foi corretamente recolhida, sendo as diferenças apontadas objeto de compensação com créditos tributários recolhidos a maior no ano calendário de 2003, conforme se verifica da análise de seu livro Razão. c) Da mesma forma, não cabe a imposição da multa isolada, pois as diferenças foram objeto de compensação, tendo, por equívoco, consignado em suas declarações relativas aos meses de janeiro, fevereiro e dezembro de 2004 somente os valores efetivamente recolhidos. Contudo, tal fato não causou qualquer prejuízo ao Erário. d) Reapresenta argumentação da compensação dos créditos de 2003 e pagamentos ao Fundo da Criança e Adolescente, buscando demonstrar seus créditos em planilhas. Conclui que, tendo em vista a exigência de créditos extintos, citada Fl. 336DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13830.001764/200512 Acórdão n.º 1803002.254 S1TE03 Fl. 261 4 exigência fere os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, eficiência e verdade material a que estão sujeitas as autoridades administrativas. e) Que deve ser cancelada a multa isolada, diante da comprovação de que a impugnante não teve qualquer intenção de apresentar, em suas declarações, informações divergentes daquelas constantes de sua escrituração, bem como o equívoco cometido não causou qualquer dano ao erário, na medida em que não acarretou no recolhimento a menor da CSLL. f) Alem disso, é de considerar que a aplicação de multa de ofício e multa isolada com base no mesmo fato e com a mesma base de cálculo (e no mesmo auto de infração) acarreta em dupla penalização do contribuinte sobre mesmo fato. g) Que a penalidade isolada de 75% se mostra por demais onerosa para punir simples equívoco que só trouxe prejuízos, única e exclusivamente, para a própria impugnante. h) Requer ser notificada da juntada de qualquer documento pela autoridade fiscal, ou fato superveniente que venha ocorrer nos autos, para fins de se manifestar. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 225 e 226): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA. MULTA DE OFÍCIO. AJUSTE ANUAL. FALTA DE RECOLHIMENTO. CABIMENTO. Verificada a falta de pagamento do IRPJ ou CSLL por estimativa, após o término do anocalendário, o lançamento de ofício abrangerá a multa de ofício sobre os valores devidos por estimativa e não recolhidos, e o IRPJ ou CSLL devidos com base no lucro real apurado em 31 de dezembro, caso não recolhido, acrescido de multa de ofício e juros de mora contados do vencimento da quota única do imposto. [...]. MULTA. NON BIS IN IDEM. ONEROSIDADE. Os princípios do non bis in idem, e excessiva onerosidade da multa são dirigidos ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 SALDO NEGATIVO DE CSLL COMPENSAÇÃO A partir de outubro de 2002, a compensação passou a depender da apresentação de declaração de compensação, mesmo no caso de compensação entre tributos de mesma espécie. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 337DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13830.001764/200512 Acórdão n.º 1803002.254 S1TE03 Fl. 262 5 3. Cientificada da referida decisão em 21/01/2010 (fls. 239), a tempo, em 12/02/2010, apresenta a interessada Recurso de fls. 240 a 251, instruído com os documentos de fls. 252 a 256, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. CSLL 4. Alega a Recorrente ter efetuado a compensação das estimativas de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), devidas em janeiro e fevereiro de 2004, com saldo credor de CSLL do anocalendário de 2003, para tanto anexando cópias de folhas do Razão. 5. Sucede que, a partir da edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, todas as compensações inclusive aquelas envolvendo tributos de mesma espécie devem, a partir de 1º de outubro de 2002, ser formalizadas mediante Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), o que não foi feito pela Recorrente. 6. É bem de se ver que, a partir daquela mesma data, “a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação”, o que significa dizer, a contrario sensu, que a compensação não declarada não produz qualquer efeito extintivo, não sendo, também, passível de qualquer homologação pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). 7. Destaquese, ainda, que, no presente caso, mesmo nas correspondentes Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) (fls. 54) e Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) (fls. 76 a 78), nada foi indicado a título de compensação. 8. Assim, não pode ser acatada a alegada compensação, procedida apenas escrituralmente e ao arrepio das normas legais em vigor. 9. Observase, por oportuno, que, tanto na Impugnação quanto no Recurso apresentados (fls. 150, 156 e 244), menciona a Recorrente ter constado do auto de infração a seguinte observação (fls. 6): 4 Em 09/08/2005, a empresa apresentou o documento de fl. 38 a 53 em que esclarece as divergências do IRPJ e CSLL apontadas no termo de constatação, e informa que, no ano calendário 2004, compensou o saldo credor de R$ 77.630,69 da CSLL paga a maior no anocalendário 2003. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13830.001764/200512 Acórdão n.º 1803002.254 S1TE03 Fl. 263 6 10. Olvidouse, porém, ela, de transcrever, também, o contido nos itens seguinteS daquele mesmo documento (fls. 6): 5 A empresa, entretanto, não formalizou essa compensação mediante a entrega do PER/DCOMP. 6 – Assim, é passível de exigência a diferença apontada no item 02, já que os valores que a compõem não foram confessados em DCTF, nem do crédito foi pedido compensação. 11. Encerrando este tópico, e no que toca ao Acórdão nº 10517.418, de 2009 (Recurso nº 161.891), mencionado pela Recorrente como se tratando de situação que muito se assemelharia com a aqui ocorrida (fls. 244 e 245), cumpre ressaltar que, ali, diferentemente daqui, se tratou de compensação efetuada anteriormente à edição da Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, tendo sido, ela, indicada em DCTF (sublinhouse): Para decidir como decidiu, a autoridade prolatora da decisão recorrida escorouse no fato de que a prova apresentada pela contribuinte, mera planilha por ela própria elaborada, não tinha força probante capaz de elidir a declaração constante da DCTF de que a CSLL devida nos meses de janeiro e fevereiro de 2000 fora compensada com o saldo negativo da CSLL apurado no anocalendário de 1999. Nisto obrou bem. A DCTF, induvidosamente, se sobrepõe à planilha como meio de prova. Entretanto, com o recurso foi trazido aos autos, em cópia autenticada, o Razão Analítico Contábil da Conta 12443.6.1, no qual, sob a rubrica “Saldo do mês de dezembro”, está registrado, no mês de janeiro/1999, o saldo negativo da CSLL apurado no anocalendário de 1998, que foi sendo corrigido a cada mês e, em fevereiro de 2000, se deu a compensação do débito de R$ 1.325.937,43 e em março de 2000, a compensação do débito de R$ 1.135.750,88, remanescendo um saldo de R$ 25.294.182,47. 12. Como decorrência do que acima se disse, é cabível, também, a cobrança da multa isolada pela falta de recolhimento das estimativas dos meses de janeiro e fevereiro de 2004, conforme se analisa no tópico seguinte. Multa isolada 13. Primeiro que tudo, oportuno se faz recordar a magistral advertência de Carlos Maximiliano [Hermenêutica e Aplicação do Direito. 2. ed. Porto Alegre: Globo, 1933. p. 118], no sentido de que: Cumpre evitar, não só o demasiado apego à letra dos dispositivos, como também o excesso contrário, o de forçar a exegese e, deste modo, encaixar na regra escrita, graças à fantasia do hermeneuta, as teses pelas quais este se apaixonou, de sorte que vislumbra no texto ideias apenas existentes no próprio cérebro ou no sentir individual, desvairado por ojerizas e pendores, entusiasmos e preconceitos. A interpretação deve ser objetiva, desapaixonada, equilibrada, às vezes audaciosa, porém Fl. 339DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13830.001764/200512 Acórdão n.º 1803002.254 S1TE03 Fl. 264 7 não revolucionária, aguda, mas sempre atenta respeitadora da lei. 14. Dispõe o art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na redação original (grifouse): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, [...]; II cento e cinquenta por cento, [...]. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; [...]; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; 15. Da atenta leitura desse dispositivo legal, observase o seguinte: a) não há qualquer orientação no sentido de que a aplicação da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL devase fazer apenas “no curso do próprio anocalendário”. Haja vista que, segundo a lei, essa multa será exigida da pessoa jurídica “ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”, e não “ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente” (destaque da transcrição). Entender o contrário conduziria ao absurdo de, com relação à estimativa do mês de novembro, por exemplo, ser inviável qualquer procedimento fiscal, haja vista que o seu vencimento se dá como é sabido no último dia útil do mês de dezembro. Estarseia, assim, instituindo, pelas vias tortuosas de mera tese jurisprudencial, verdadeira dispensa de obrigação tributária para esse mês, o que somente seria possível mediante lei; b) se a multa isolada é aplicável “ainda que apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, no anocalendário correspondente” (negrito da transcrição), também é, ela, exigível quando apurado resultado positivo. Seguese, daí, que nada impede a cobrança dessa multa, mesmo que, sobre esse resultado Fl. 340DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13830.001764/200512 Acórdão n.º 1803002.254 S1TE03 Fl. 265 8 positivo, venha a incidir tributo e respectiva multa de ofício, prevista no inciso I do § 1º da Lei nº 9.430, de 1996 (“juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos”); c) a infração da falta de pagamento de estimativas não deixa de subsistir por ter sido apurado, eventualmente, ao final do ano calendário, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL, ou seja, essa infração, por força de lei, não é nem jamais poderia ser condicional, não admitindo uma espécie de “retroatividade benigna”, no sentido de desfazer os seus efeitos. Dessa forma, tendose verificado a hipótese de incidência da multa isolada, fatos posteriores sãolhe de todo estranhos. Há que se destacar, também, que, quando do cometimento da infração (falta de pagamento de estimativas), não era, ainda, conhecido o resultado anual da empresa; d) se a multa é cabível mesmo na hipótese de se verificar resultado negativo ao final do período de apuração anual, a penalidade é imposta não em razão do pagamento insuficiente do tributo devido (art. 44, § 1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996), senão pela falta de cumprimento de obrigação autônoma que, com aquela, não guarda qualquer nexo de dependência, a saber: o pagamento da estimativa mensal (art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996), condição suficiente para a aplicação da penalidade. Assim, se não há coincidência de motivação, se as causas são díspares, se os fundamentos são diversos, não cabe falar em duplicidade de punição, não cabe apontar dupla incidência sobre a mesma infração, não cabe alegar bis in idem que, por sinal, somente se aplica a tributos. Advirtase, por pertinente, que a tentativa de se excluir a aplicação da multa isolada ao argumento da suposta “inexistência de prejuízo ao fisco” ou da “não repercussão na órbita do tributo”, esbarra no contido no art. 136 do CTN (“a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”); e) o que se está a cobrar do sujeito passivo é a penalidade pelo cometimento de uma infração, e não qualquer imposto ou contribuição que possa, ao depois, se mostrar passível de restituição. A circunstância de as estimativas não recolhidas base de cálculo dessa penalidade revelaremse, ao final do período de apuração anual (portanto, após o cometimento da infração), total ou parcialmente indevidas, é irrelevante, e não conduz à concessão de uma “anistia” ao sujeito passivo. Essa infração não se desmaterializa pelo fato de, na apuração anual, o imposto efetivamente devido vir a ser menor. Não por outro motivo, aliás, dita multa é denominada “isolada”, ou seja, não possui qualquer vínculo com o tributo devido ao final do período de apuração anual; Fl. 341DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13830.001764/200512 Acórdão n.º 1803002.254 S1TE03 Fl. 266 9 f) a base de cálculo das estimativas e a do IRPJ e CSLL devidos no ajuste anual, em princípio, são distintas. Ao tempo que as estimativas são calculadas com base na receita bruta (sobre a qual se aplica um percentual fixado em função da atividade do contribuinte) e acréscimos, a base de cálculo do IRPJ e CSLL é o lucro líquido contábil ajustado pelas adições e exclusões prescritas na legislação. Por conseguinte, o simples fato de as bases de cálculo das respectivas multas (isolada e de ofício, respectivamente), eventualmente, poderem ser coincidentes (v.g., nas hipóteses de omissão de receitas), não significa que esteja havendo dupla incidência ou aplicação concomitante sobre a mesma base de cálculo apurada em procedimento de ofício. Coube ao legislador estabelecer, a seu critério, que a base de cálculo da multa isolada seria o valor da estimativa não recolhida, como poderia, ele, ter optado por qualquer outra fórmula de cálculo ou, mesmo, ter estabelecido multa de valor fixo para aquela infração, adequando convenientemente a dosagem da correspondente penalidade; g) a lei é clara ao admitir a cobrança de multa isolada por insuficiências de estimativas, mesmo quando apurado resultado negativo ao final do período de apuração anual (ausência de tributo devido). Com que fundamento, então, pode o simples intérprete e aplicador da lei fixar limitações a essa multa, vinculandoa à existência de tributo devido? h) nada impede que o sujeito passivo que não tenha recolhido estimativas ao longo do ano venha a pagar o tributo apurado ao final do período anual: nesse caso, serlheia aplicada apenas a multa por falta de recolhimento de estimativas. Também o sujeito passivo pode ter atendido às condições para apuração do lucro real anual, não efetuando, porém, o pagamento do saldo remanescente do ajuste ao final do ano: nesse caso, serlheia cobrada apenas a diferença de tributo acompanhada da multa de ofício correspondente. Já na hipótese de ter havido omissão total por parte do sujeito passivo, tanto no que diz respeito ao recolhimento de estimativas, quanto no que se refere ao pagamento do saldo anual do imposto, serlheão exigidas as duas penalidades, por se tratar de infrações distintas. A eventual concomitância, portanto, será decorrente desse fato (dupla infração). 16. Acrescentase, por pertinente, que insurgências quanto ao possível montante desproporcional da multa isolada por falta ou insuficiência de pagamento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL devem ser endereçadas ao legislador que, por sinal, já teve a iniciativa de reduzir o percentual correspondente, de 75% (setenta e cinco por cento) para 50% (cinquenta por cento), não mais prevendo sua duplicação ou aumento de metade, por ocasião da edição da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13830.001764/200512 Acórdão n.º 1803002.254 S1TE03 Fl. 267 10 17. Por derradeiro, revelase bemvinda a lição de Francesco Carrara (Interpretação e Aplicação das Leis. 2. ed. Coimbra: 1963. p. 129) que, sobre o tema, prelecionou: [...] nada é pior do que o intérprete colocar na lei o que na lei não está, por preferência, ou dela retirar o que nela está, por não lhe agradar o princípio. 18. E também esta, do Supremo Tribunal Federal (STF), em voto proferido pelo eminente Ministro Oscar Corrêa (Revista Brasileira de Direito Processual. Ed. Forense, vol. 50, p. 159): Não pode o juiz, sob alegação de que a aplicação do texto da lei à hipótese não se harmoniza com o seu sentimento de justiça ou equidade, substituirse ao legislador para formular, de próprio, a regra de direito aplicável. Mitigue o Juiz o rigor da lei, apliquea com equidade e equanimidade, mas não a substitua pelo seu critério. 19. Já no que se relaciona ao Acórdão CSRF nº 0104.263, de 2002, referenciado pela Recorrente, que considerou descabida a exigência, naquele caso, de multa isolada (fls. 248 e 249), tratouse de situação em que, diferentemente daqui (fls. 78), apurou a então Recorrente base de cálculo negativa ao final do ano (grifouse): A mim não me parece, no entretanto, que esta interpretação seja a mais correta. Não entendo, especialmente quando o lançamento vem subsequentemente ao anocalendário, onde o Fisco já visualizou a posição tributária com déficit do sujeito passivo em face da entrega anterior da DIRPJ, que a exigência da multa isolada possa se sustentar. Quando o sujeito passivo adota o comportamento tributário que lhe impõe o dever de antecipar imposto durante o anocalendário, ou suspender essa antecipação se apurar prejuízo no curso do mesmo, então se poderia dar como exigível a multa isolada, seja porque não antecipou ele o tributo que por opção escolhera, seja porque o ônus da escrituração do balancete é o substrato íntimo para provar que o tributo pode se tornar indevido. Ao final do ano calendário, a situação já é bem diversa, haja vista que ou, embora não tendo antecipado o tributo, a posição deficitária, se o tivesse feito, tornáloia credor e não devedor perante o Erário Público, ou, não escriturando o balancete no Diário, a posição deficitária emerge de outros controles fiscais que deve manter. 20. Vejase que, no presente caso, declarou a própria Recorrente CSLL a pagar anual de R$ 311.942, 96 (fls. 78), tendo informado em DCTF e recolhido mediante DARF apenas a quantia de R$ 234.312,24 (fls. 54 e 55). Fl. 343DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13830.001764/200512 Acórdão n.º 1803002.254 S1TE03 Fl. 268 11 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 344DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10970.000098/2008-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL.
O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas.
No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Elias Sampaio Freire - Relator
EDITADO EM: 01/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire - Relator EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire.
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RETROATIVIDADE BENIGNA. REGRA APLICÁVEL. O Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 00 98 /2 00 8- 47 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM: 01/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº. 2403 01.298, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF em 15 de maio de 2012, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso especial de divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para que seja excluída do levantamento das verbas destinadas ao fornecimento da alimentação in natura e bolsa de estudo, e por maioria de votos, deu parcial provimento ao recurso do contribuinte para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Segue abaixo a sua ementa: PREVIDENCIÁRIO. APLICAÇÃO DO ART. 17 DO DECRETO N. 70.235/72. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. BOLSA DE ESTUDO ENSINO SUPERIOR. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PESSOA JURÍDICA CONTRATANTE DE SERVIÇO DE SAÚDE ATRAVÉS DE COOPERADAS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVISTA NO ART. 22, IV DA LEI N. 8.212/91. MULTA DE MORA. Consideramse não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72. Não deve incidir a contribuição previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, mesmo que por meio de terceiros e que não esteja inscrita no PAT. Não deve incidir contribuição previdenciária em relação à bolsa de estudo que vise a qualificação do funcionário, mesmo que destinada ao ensino superior, desde que não haja impessoalidade. A empresa Fl. 770DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000098/200847 Acórdão n.º 9202003.371 CSRFT2 Fl. 10 3 que contratar serviços de cooperadas deve pagar a contribuição prevista no art. 22, IV da Lei n. 8.212/91. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte A Fazenda Nacional apresentou duas divergências. Quanto à primeira divergência, o seu apelo visava rediscutir a decisão da Câmara a quo que afastou a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores das bolsas de estudo, mas não foi admitido. Quanto à segunda divergência, em relação à previsão de retroatividade benigna da multa, a Fazenda Nacional apresenta dois acórdãos paradigmas, de nºs 230100.283 e 240100.120, assim ementados: “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 08.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis é meramente informativa do vínculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de co responsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A parcela foi paga em desacordo com a lei, pois não houve participação do sindicato na negociação. A negativa do sindicato em participar, conforme descrito pelo recorrente, não tomou legitimo o instrumento Fl. 771DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, além do que a própria Lei n 10.101 em seu art. 4° prevê a forma de resolução de controvérsias relativas ao PLR. Recurso Voluntário Negado” (AC 230100.283). “SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA. I De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, seni que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula n° 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3 Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n"s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, §4º do CTN.” (AC 240100.120). Observa que os acórdãos indicados como paradigmas, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, e, portanto, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ressalta que a hipótese em análise nos acórdãos paradigmas é idêntica a do acórdão recorrido, ou seja, o que se encontrava em julgamento era exatamente NFLD de contribuições devidas à Seguridade Social e se travou discussão acerca da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, do CTN, em virtude das alterações promovidas pela Lei nº 11.941 (fruto da conversão da MP nº 449/2008) no art. 35 da Lei n°8.212/91. Assinala que, embora diante de situações semelhantes, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob fundamento de que o art. 35, caput da Lei nº 8212/91 deveria ser observado e comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11941/09. Afirma que, como na atual redação há remissão ao art. 61 da Lei n° 9430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20%. Pondera que os paradigmas, por outro lado, entenderam que o art. 35 da Lei n° 8212/91 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/09, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei nº430/96. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000098/200847 Acórdão n.º 9202003.371 CSRFT2 Fl. 11 5 Salienta que nos paradigmas a aplicação da retroatividade benigna na forma do art. 61, §2° da Lei nº 9.430/96 foi rechaçada de forma expressa. Argumenta que a Lei nº 11.941/2009 (fruto da conversão da MP nº 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A (in verbis), a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais. “Art. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996". Cita o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Infere que, tratandose de lançamento de oficio e considerando que não houve no caso a declaração de todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas, nem o recolhimento ou pagamento do tributo devido, a multa a ser aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Acrescenta que a tese encampada pelo acórdão recorrido no sentido de que há retroatividade benigna em razão do advento da MP 449/2008 (convertida na Lei nº 11.941/2009) que conferiu nova redação ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, portanto, não merece prevalecer, pois a forma de cálculo ali defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Os Despachos nºs 2400192/2013 e 2400453R/2013 (exame de admissibilidade e reexame de admissibilidade de recurso especial, respectivamente) deram seguimento ao recurso somente na questão que trata da segunda divergência arguida, a saber, a previsão de retroatividade benigna da multa. Cientificado em 27/06/2013, o contribuinte apresentou suas contrarrazões em 15/07/2013, portanto, intempestivamente, motivo pelo qual as mesmas não estão sendo relatadas. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso especial preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. No presente caso, a obrigação tributária principal foi lançada acompanhada da multa prevista no art. 35, II da Lei nº 8.212, de 1991. Ocorre que a MP n.º 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, ao mesmo tempo em que revogou os referidos dispositivos da Lei nº 8.212, de 1991, promoveu nova sistemática de aplicação de multas. Assim dispunha, à época, o no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999) III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: Fl. 774DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000098/200847 Acórdão n.º 9202003.371 CSRFT2 Fl. 12 7 a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Por certo o Código Tributário Nacional, que dá tratamento específico no que tange a aplicação temporal de norma que trate penalidades, em seu art. 106, prevê que caso a nova lei traga tratamento mais benéfico para o contribuinte, deve se reduzir ou cancelar as multas aplicadas, in verbis: "Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão» desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática." Portanto, é Indubitável a aplicação da multa benéfica, conforme disciplina do art. 106, II, “c” do CTN. O ponto submetido a apreciação deste colegiado resumese em definir como deve ser aplicada a multa nos termos da atual regência normativa. Ante o exposto e em decorrência da alteração legislativa, o acórdão recorrido optou por aplicar a regra contida no art. 32A, I da Lei n.º 8.212, de 1991, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 775DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Saliento que, sob a égide da sistemática anterior à MP n.º 449, de 2008, a constatação pelo Fisco de que o contribuinte apresentara declaração inexata ensejaria, também, o direito de aplicação da multa do art. 32, § 5º, da Lei 8.212, de 1991, que poderia corresponder a 100% do valor relativo às contribuições não declaradas, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei 8.212, de 1991. Ou seja, caso se verificasse, além da declaração incorreta, a existência de tributo não recolhido, terseia, em acréscimo, a incidência da multa prevista na redação anterior do art. 35, inciso II, da referida lei (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009). Vêse, pois, na sistemática revogada, a existência de multas diversas para fatos geradores igualmente distintos e autônomos: uma, prevista no art. 32, § 5°, que tem natureza de multa por descumprimento de obrigação acessória e, portanto, constituirá o próprio crédito tributário, não guardando vinculação com a obrigação principal de pagamento do tributo devido no prazo de lei; e a outra, consistente em penalidade pecuniária que decorre do não recolhimento do tributo devido dentro do respectivo vencimento, prevista no art. 35, II. Entendo que na atual sistemática, nos casos de lançamento de ofício, têmse uma única multa, prevista no art. 35A da Lei 8.212, de 1991, que faz remissão expressa ao art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Ou seja, a multa prevista no art. 44, inciso I da Lei 9.430, de 1997, decorrente do lançamento de ofício é única, no importe de 75% (se não duplicada), e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir uma ou outra infração. No presente caso, em que houve a aplicação da multa prevista no revogado art. 35, II que se refere à sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido no prazo de lei, o cotejo da multa mais benéfica deverá ser feito em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1997. Isso posto, voto no sentido de conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que se limite o valor das multas aplicadas ao valor da multa prevista no art. 44, I da Lei no 9.430, de 1996. É como voto. (Assinado digitalmente) Elias Sampaio Freire Fl. 776DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10970.000098/200847 Acórdão n.º 9202003.371 CSRFT2 Fl. 13 9 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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