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6274481 #
Numero do processo: 13603.724495/2011-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008 COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento
Numero da decisão: 3301-002.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). COFINS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2607; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 1.452          1 1.451  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.724495/2011­80  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3301­002.793  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de janeiro de 2016  Matéria  Pedido de Compensação ­ PER/DCOMP  Recorrente  CNH INDUSTRIAL LATIN AMERICA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  CREDITAMENTO  PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO  E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado  ­  além  de  seu  emprego  para  locação  a  terceiros  ­  a  seu  uso  “na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento  da  contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias  (ou  na  prestação  de  serviços),  não  sendo  razoável  admitir  que  seja  passível  do  cômputo  de  créditos  a  aquisição  irrestrita  de  bens  necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  UTILIZAÇÃO  DE  BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE  DO  DIREITO.  REALIDADE  FÁTICA.  SERVIÇOS  ENQUADRADOS  PARCIALMENTE  COMO  INSUMOS  NOS  TERMOS  DO  REGIME.  DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE.  No regime de incidência não­cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis  10.637  de  2002  e  10.833  de  2003  (art.  3o,  inciso  II)  possibilitam  o  creditamento  tributário pela utilização de bens  e  serviços  como  insumos na  produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na  prestação de serviços, com algumas ressalvas legais.   O  escopo  das  mencionadas  leis  não  se  restringe  à  acepção  de  insumo  tradicionalmente  proclamada  pela  legislação  do  IPI  e  espelhada  nas  Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, §  4º),  sendo  mais  abrangente,  posto  que  não  há,  nas  Leis  nos  10.637/02  e     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 72 44 95 /2 01 1- 80 Fl. 3585DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          2 10.833/03,  qualquer  menção  expressa  à  adoção  do  conceito  de  insumo  destinado  ao  IPI,  nem  previsão  limitativa  à  tomada  de  créditos  relativos  somente  às  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem.   Contudo,  deve  ser  afastada  a  interpretação  demasiadamente  elástica  e  sem  base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa  dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se  referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não  dá  margem  a  que  se  considerem  como  insumos  passíveis  de  creditamento  despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.   Logo, há que se conferir  ao conceito de  insumo previsto pela  legislação do  PIS  e  da  COFINS  um  sentido  próprio,  extraído  da  materialidade  desses  tributos  e  atento  à  sua  conformação  legal  expressa:  são  insumos  os  bens  e  serviços  utilizados  (aplicados  ou  consumidos)  diretamente  no  processo  produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso  dos  bens,  não  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre o produto em fabricação.  Realidade  em  que  a  empresa,  fabricante  de  máquinas  e  equipamentos  de  grande porte,  busca  se  creditar da  contribuição  em  função  de  serviços  com  despacho  aduaneiro,  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais  dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por  não  estarem  relacionados  diretamente  à  atividade  produtiva  da  interessada,  não dão direito a creditamento.  Diferentemente,  poderão  alicerçar  creditamento  os  serviços  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  produção  e  de  estoque  nas  instalações  fabris  (sistema  just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES  DA  TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTO  ACABADO  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  INTERESSADA,  OU  AINDA,  PELOS  FRETES  DO  TRANSPORTE  DE  MERCADORIAS  DESTINADAS  AO  ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.  No  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  a  possibilidade  de  creditamento  em  relação  a  despesas  com  frete  e  armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos  para  revenda  ou  produzidos  pelo  sujeito  passivo,  e,  ainda  assim,  quando  o  ônus for suportado pelo mesmo.  Logo, por  falta de previsão  legal, é  inadmissível o creditamento em face de  fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos  da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas  ao ativo imobilizado ou a uso e consumo.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS  CALCULADOS  EM  RELAÇÃO  A  FRETES  PAGOS  NA  Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          3 COMPRA  DE  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA.  POSSIBILIDADE.  O  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  admite  o  creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de  insumos adquiridos de pessoas jurídicas.  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  COMPENSAÇÃO  OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.  A  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie  do  saldo  credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais  não  incidem  as  contribuições  em  tela),  passou  a  alcançar  todos  os  créditos  apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem  como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as  importações  ­  no  caso  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  da  não­ cumulatividade  ­  nas  hipóteses  albergadas  pelo  artigo  15  da  Lei  nº  10.865/2004,  dentre  as  quais  se  inclui  a  aquisição  de  bens  para  revenda  (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).  COFINS.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  SALDO  CREDOR.  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  TRIMESTRALIDADE  DA  APURAÇÃO.  Poderá  ser  objeto  de  compensação  ou  de  ressarcimento  o  saldo  credor  da  Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art.  3º  das Leis nos  10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art.  15 da Lei nº  10.865/2004,  acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  do  ano­calendário,  em  virtude  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  (artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004).  Recurso ao qual se dá parcial provimento      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  na  forma  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes  pelo  transporte  na  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  interessada,  bem  como  relativamente  aos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  ativo  imobilizado.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          4 Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José Henrique Mauri,  Luiz  Augusto  do  Couto  Chagas, Marcelo  Costa Marques  d'Oliveira, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares,  OAB/MG nº 136.654.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ  Belo Horizonte (fls. 13603.724495/2011­80 do processo eletrônico), que, por unanimidade de  votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  pleiteado  mediante  as  declarações  de  compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de Apuração: 01/05/2008 a 31/05/2008  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.   A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de  exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao  ressarcimento  ou  à  compensação  demanda  a  comprovação,  pela  contribuinte,  da  existência  de  crédito  líquido  e  certo  contra  a  Fazenda  Pública.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.  Geram  créditos  os  dispêndios  realizados  com  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  observadas  as  ressalvas  legais.  O  termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer  fator que  onere  a  atividade  econômica,  mas  tão­somente  como  aqueles  bens  ou  serviços  que  sejam  diretamente  empregados  na  produção  de  bens  ou  na  prestação de serviços.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS.  Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo  transporte,  assim  como  o  frete,  integra  o  custo  de  aquisição  de  bens  ou  mercadorias adquiridas.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  SOBRE  IMPORTAÇÃO  VINCULADOS  A  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  RESSARCIMENTO.  COMPENSAÇÃO.   Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          5 A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo  credor  apurado  em  decorrência  de  operações  de  importação,  autorizada  pelo  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  alcança  tão­somente  os  créditos  previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO.   A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  o  pedido  de  ressarcimento,  restituição  ou  compensação  de  créditos  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  sendo  que  somente  são  passíveis  de  compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar  de liquidez e certeza para serem utilizados.   Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte   O presente processo  diz  respeito  a declarações  de  compensação  – DCOMP  relativas a saldo credor de COFINS apurado no período de 01/05/2008 a 31/05/2008, no valor  total de R$ 3.559.041,10, em conformidade com o artigo 6º da Lei nº 10.833, de 2003. Desse  montante, a unidade jurisdicionante do contribuinte já reconhecera o direito sobre a parcela de  R$  3.097.505,91.  Por  seu  turno,  a  DRJ  recorrida  entendeu  que  deverão  ser  também  restabelecidos  os  créditos  apropriados  sobre  a  utilização  de  água  e  esgoto  das  filiais  “Contagem”  e  “Curitiba”,  bem  como os  créditos  relativos  aos  seguros  pagos  pelos  fretes  de  bens ou mercadorias adquiridas pela interessada.   Assim,  com  base  nos  cálculos  elaborados  posteriormente  pela  DRF  Contagem  em  conseqüência  da  decisão  da DRJ,  segundo  os  quais  a  quantia  adicional  a  ser  creditada  em  favor  do  sujeito  passivo  corresponde  a R$  1.194,20  (ressalvado  o  desconto  de  alguma  parcela  outrora  compensada  evidenciada  em  alguns  processos  da  empresa  sobre  a  mesma matéria), tem­se que o montante em litígio corresponde a R$ 460.340,99.  Segue,  abaixo,  o  relato  dos  fatos  transcrito  da  decisão  recorrida,  o  qual  é  padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria:  Com o  intuito  de  verificar  a  apuração do  IPI,  bem  como o PIS  e  a  Cofins  da  pessoa  jurídica,  foi  emitido,  em  11/05/2011,  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF­F n.º: 06.1.10.00­2011­00427­3).  Em  decorrência,  a  autoridade  fiscal  lavrou  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização,  intimando  o  sujeito  passivo  a  apresentar,  dentre  outros  elementos,  arquivos  digitais  referentes  aos  itens  4.3.1,  4.3.2,  4.3.3,  4.3.4,  4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001,  escrituração  contábil  digital,  nos  termos  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  787,  de  2007,  relação  dos  produtos  fabricados  pelo  estabelecimento,  certidão de objeto  e pé de ações  judiciais  referentes ao  IPI, PIS e Cofins,  relação das contas contábeis  referentes a créditos, receitas e exclusões da  base de  cálculo do PIS  e da Cofins, memoriais de apuração das bases de  cálculo  utilizadas  no  preenchimento  dos Demonstrativos  de Apuração  das  Contribuições Sociais – Dacon ­ e demonstrativo dos fretes de compras de  bens utilizados como insumos.   De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de  erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições  Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os  Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          6 memoriais  de  apuração  das  bases  de  cálculo  dos  Dacon  e  demais  documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal.  Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de  créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais):    P.A.   3.1.  3.2.  3.3.  3.4.  3.5.  3.6.  3.7.  TOTAL  ME/FAT  MI   ME  jan/08  3,26  2.845,44  1.367,77  0,00  0,00  36,02  127.836,13  132.088,62  20,23%  105.371,64  26.716,98  fev/08  3,26  5.381,60  1.515,51  0,00  0,00  38,86  91.338,39  98.277,62  14,25%  84.274,71  14.002,91  mar/08  3,26  5.967,74  1.390,14  0,00  0,00  29,65  71.482,90  78.873,69  18,07%  64.623,36  14.250,33  abr/08  3,26  4.719,18  1.627,64  0,00  38,13  186,26  180.784,88  187.359,35  16,34%  156.741,83  30.617,52  mai/08  49,44  8.261,21  1.586,73  0,00  159,52  496,78  125.875,75  136.429,43  19,55%  109.752,61  26.676,82  jun/08  49,44  5.983,14  2.042,36  0,00  50,27  191,73  108.912,17  117.229,11  16,40%  98.001,10  19.228,01  jul/08  151,12  9.659,18  1.909,71  26,51  150,14  587,80  121.509,41  133.993,87  16,20%  112.289,14  21.704,73  ago/08  151,12  7.179,43  1.921,09  3,76  132,18  1.291,51  118.778,39  129.457,48  22,26%  100.645,30  28.812,18  set/08  168,13  3.074,82  1.883,11  6,96  217,27  1.647,18  104.600,83  111.598,30  24,00%  84.811,15  26.787,15  out/08  241,91  6.252,08  1.770,70  0,00  136,81  1.219,34  122.203,64  131.824,48  23,59%  100.727,26  31.097,22  nov/08  318,76  8.491,53  1.719,92  8,63  91,80  1.456,49  70.934,88  83.022,01  22,87%  64.032,81  18.989,20  dez/08  532,25  4.150,69  1.471,63  0,20  112,63  1.467,26  131.074,08  138.808,74  37,59%  86.634,00  52.174,74  jan/09  532,25  5.385,90  1.179,67  0,00  173,76  1.879,16  51.684,90  60.835,64  14,79%  51.837,44  8.998,20  fev/09  532,25  11.673,37  1.262,98  33,26  104,68  3.510,75  64.575,01  81.692,30  15,53%  69.008,40  12.683,90  mar/09  532,25  10.388,31  441,21  7,40  25,91  2.776,46  44.105,65  58.277,19  16,48%  48.672,38  9.604,81  abr/09  532,25  2.838,07  1.572,35  1.164,99  40,14  3.401,09  24.839,83  34.388,72  9,90%  30.983,35  3.405,37  mai/09  532,25  5.261,01  874,84  2.569,55  27,06  3.012,90  45.330,66  57.608,27  7,28%  53.414,17  4.194,10  jun/09  532,25  3.246,92  958,43  0,00  14,04  2.405,55  50.649,08  57.806,27  18,59%  47.059,37  10.746,90  jul/09  532,25  7.110,54  720,28  2.897,56  59,09  3.385,00  34.676,13  49.380,85  17,15%  40.912,30  8.468,55  ago/09  532,25  1.953,83  1.175,60  92,21  46,59  1.767,91  33.182,54  38.750,93  8,12%  35.604,80  3.146,13  set/09  532,25  5.565,34  445,25  1.389,50  25,96  4.099,24  17.784,73  29.842,27  14,27%  25.583,88  4.258,39  out/09  532,25  4.171,09  2.445,14  1.917,99  14,83  2.016,65  29.949,93  41.047,88  7,37%  38.023,58  3.024,30  nov/09  532,25  5.999,82  1.378,43  1.289,05  20,70  4.449,68  33.600,99  47.270,92  9,53%  42.765,50  4.505,42  dez/09  532,25  3.670,03  1.580,37  4.930,84  37,09  11.126,51  39.091,41  60.968,50  8,26%  55.933,91  5.034,59  jan/10  532,25  3.502,79  2.203,49  20,65  27,72  1.117,50  14.467,59  21.871,99  8,45%  20.023,98  1.848,01  fev/10  532,25  7.916,35  1.523,09  0,00  18,55  3.337,67  90.260,30  103.588,21  6,86%  96.482,90  7.105,31  mar/10  532,25  1.633,53  1.589,22  299,59  33,98  3.206,79  54.032,80  61.328,16  13,04%  53.333,25  7.994,91  abr/10  532,25  18.149,44  1.551,72  474,12  33,89  3.384,16  213.636,74  237.762,32  14,80%  202.585,29  35.177,03  mai/10  532,25  6.014,24  1.054,57  190,05  46,59  5.760,11  52.717,10  66.314,91  7,27%  61.493,82  4.821,09  jun/10  532,25  8.552,18  1.487,26  72,44  41,18  2.397,81  93.602,34  106.685,46  11,08%  94.864,71  11.820,75  jul/10  532,25  8.892,22  1.229,17  3.311,98  44,16  6.016,23  64.426,44  84.452,45  13,12%  73.372,29  11.080,16  ago/10  532,25  10.200,72  1.366,51  2.038,99  41,63  1.732,96  37.199,94  53.113,00  10,40%  47.589,25  5.523,75  set/10  532,25  7.053,10  1.284,13  5.068,86  61,18  5.531,16  43.200,69  62.731,37  7,76%  57.863,42  4.867,95  LEGENDA:   P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO;  Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          7 3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO;   3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS;   3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO;   3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES;   3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS.   MI. MERCADO INTERNO   ME. MERCADO EXTERNO  ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO   Como resultado,  foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao  mercado  externo,  sendo  que,  a  fim  de  se  apurar  os  saldos  passíveis  de  ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade  fiscal executou  alguns ajustes.   O primeiro  deles,  segundo  ela,  deriva  do  fato  de  que,  em  virtude  do  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Durante  a  auditoria,  constatou­se  que  a  contribuinte  importou,  para  fins  de  revenda,  diversas  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01  e  87.04  da  Nomenclatura  Comum  do Mercosul,  previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de  PIS/Cofins  foram  submetidos  indevidamente  ao  rateio  proporcional  entre  mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a  ser  reclassificado  como  não  ressarcível.  Já  o  segundo  ajuste  diz  respeito,  conforme  a  fiscalização,  à  possibilidade  de  compensação,  antes  do  encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de  exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o  ressarcimento  dos  créditos  de  importação,  a  compensação  antecipada  possibilitada  pelo  art.  42  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  2008,  menciona  apenas  aqueles  créditos  oriundos  de  aquisições  no  mercado  interno.  Por  créditos  de  importação,  entende  aqueles  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados  ao  ativo  imobilizado.  Refere­se  ao  caput  do  art.  34  desta  Instrução  Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto  no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que  indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre  para fins de pedido de ressarcimento.  Assim,  após  efetuados  os  ajustes,  prossegue  a  fiscalização,  a  contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos  valores  que  demonstra.  Afirma  a  autoridade  fiscal  que  a  reapuração  dos  saldos  de  PIS  e  Cofins  não  altera  os  valores  passíveis  de  ressarcimento  indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última  PER/Dcomp  para  desconto  das  contribuições  a  recolher,  é  de  R$  9.048.196,92,  de  PIS  e  de  R$  12.349.027,24,  de  Cofins,  respectivamente.  Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado.  Por  fim,  calcula  os  créditos  passíveis  de  ressarcimento,  elabora  demonstrativos  e  sugere  o  deferimento  parcial  dos  diversos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensações  efetuados,  de  acordo  com  os  valores  que  indica no Termo de Verificação Fiscal.   As  glosas  efetuadas  bem  como  as  justificativas  estão  detalhadas  no  Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e  Fl. 3591DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          8 Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade  fiscal.  Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em  27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como  resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57.  Como base  legal  são  citados,  entre  outros,  os  seguintes  dispositivos:  Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº  600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.  Cientificada  em  27/02/2012,  a  contribuinte  apresentou,  em  28/03/2012,  a  manifestação  de  inconformidade  às  fls.  69  a  101  e  155,  acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em  síntese, que:  ­ A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial,  com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235,  de 1972;  ­ As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram  com  que  os  créditos  de  PIS/Cofins  fossem  recalculados  mensalmente.  Obtidos  os  novos  valores  passíveis  de  ressarcimento  e  compensação,  as  compensações  foram  homologadas  até  esse  limite,  indeferindo,  integral  ou  parcialmente, aqueles que o superaram;   ­ Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas  em  parte  e  34  receberam  resposta  negativa.  Por  sua  vez,  os  respectivos  despachos  decisórios,  em  que  tais  entendimentos  foram  apresentados,  constaram  de  51  processos  administrativos  de  crédito,  dos  quais  41  trouxeram  resultados  contrários  aos  interesses  da  requerente.  A  decisão  recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade,  é  um  desses.  Como  todos  esses  41  processos  se  referem  a  uma  mesma  matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que  as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se  requer;  ­  Segundo  a  fiscalização,  a  recorrente  não  estava  autorizada  a  se  creditar  sobre as  seguintes bases: ativo  imobilizado –  inclusão  indevida de  bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF),  utilização  de  água  e  esgoto  em  processos  industriais  (item  3.3  do  TVF),  fretes  –  transporte  de  produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF),  fretes  –  inclusão  indevida  do  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes­ inclusão indevida  do  seguro  pago  (item  3.6  do  TVF)  e  fretes  –  falta  de  identificação  das  mercadorias  transportadas  (item 3.7 do TVF). Mas  ela  estava, na  verdade,  haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria;   ­  Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas  com veículos e  com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos  por  não  serem  diretamente  destinadas  às  atividades  de  industrialização.  Entretanto,  consoante  art.  3o  das  Leis  nº  10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso,  não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  Fl. 3592DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          9 essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento  tecnológico;   ­  Item  3.2  do  TVF.  Esses  serviços,  ao  contrário  do  que  sustenta  a  fiscalização,  são,  sim,  utilizados  de  forma  direta  na  atividade  industrial,  sobretudo  porque  são  a  ela  essenciais.  Os  insumos,  na  sistemática  do  PIS/Cofins,  são  aquelas  despesas,  custos  ou  encargos  essenciais  ao  desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São,  de acordo com doutrinadores,  todos os elementos  físicos ou  funcionais  (...)  que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o  produto.  Jurisprudência  administrativa  do  CARF  apresenta  o  mesmo  posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3202­00.226, de 08/02/2010 e nº  9303­01.035,  de  23/08/2010.  Julgados  dos  Tribunais  Regionais  Federais  e  Superior  Tribunal  de  Justiça  também  vão  no  mesmo  sentido.  No  caso,  os  serviços  são  essenciais.  Aqueles  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização,  que  depende  da  entrega  de  insumos  na  lógica  do  sistema  just  in  time.  (“produção  enxuta,  por  demanda”).  Conforme  se  afere  dos  contratos  ora  anexados  (doc.  5),  tais  serviços  consistem  na  gestão  inteligente  do  fornecimentos  de  bens  a  serem  aplicados  no  processo  produtivo.  Não  se  trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como  pareceu  entender  a  fiscalização.  O  que  essa  pessoa  jurídica  fornece  é  a  otimização do processo industrial,  serviço diretamente  ligado à produção e  cujo  fator  intelectual  é  preponderante.  Esse  tipo  de  serviço,  sobretudo  no  setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há  como  afastar  a  sua  natureza  de  insumo  e,  via  de  conseqüência,  de  gasto  passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente  vinculado  à  produção,  inclusive  qualificado  como  verdadeiro  custo  de  produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o  desconto de créditos;  ­  Item  3.3  do  TVF.  Somente  foram  admitidas  para  efeito  de  creditamento  a  água  aplicada  nos  processos  industriais  de  “têmpera”  e  “lavagem  e  prova  hídrica”,  pois  somente  nesses  casos  haveria  o  contato  direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos  industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a  fiscalização  glosou  os  créditos  não  apenas  quanto  aos  dois  últimos  processos,  mas  em  relação  a  todos  eles,  sob  o  argumento  de  que  a  contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada  um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há  dúvida  que  a  água  empregada  em  todos  esses  quatro  processos  permite  o  aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de  insumo  e  é  empregada,  de  forma  essencial,  na  produção,  descabendo  a  exigência  de  contato  físico  direto  com  os  produtos  fabricados,  consoante  jurisprudência do CARF e  julgados dos Tribunais Regionais Federais e do  Superior Tribunal de Justiça;   ­  Item  3.4  do  TVF.  O  fato  de  a  transferência  de  bens  entre  estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como  uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos  de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto  é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado.  E  transportar  as  mercadorias  entre  os  diversos  estabelecimentos  é  fundamental  para  o  curso  regular  das  operações  da  pessoa  jurídica  Fl. 3593DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          10 principalmente  por  dois  motivos:  (a)  A  contribuinte  possui  um  variado  portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas  (“Case”,  “New  Holland”,  “Kobelco”  e  “Steyr”,  por  exemplo)  para  setores  do  mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas  suas  plantas  industriais  não  estão  preparadas  para  fabricarem  todos  esses  produtos,  até porque,  aliás,  isso  demandaria  investimentos  de  elevadíssima  monta. Mormente  pela  variedade  de  estabelecimentos  em  todo  o  país,  que  também  operam  como  centros  de  venda,  fornecendo  todos  os  produtos  da  marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do  mercado,  mesmo  para  aquelas  mercadorias  que  não  são  fabricadas  no  próprio  estabelecimento,  de modo  que  valores  consideráveis  são  gastos  no  transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b)  São  produzidas  máquinas  e  equipamentos  pesados,  os  quais  gozam  de  particularidades  quanto  à  sua  estocagem,  sobretudo  pelos  grandes  e  diferenciados  tamanhos. É  possível,  por  isso,  que  devido  a  uma queda nas  vendas,  por  exemplo,  determinado  estabelecimento  fique  sem  espaço  para  alocar  a  sua  produção,  o  que  tornará  necessária  a  busca  por  outras  unidades.  Nessas  situações  é  desejável  que  seja  feita  a  transferência  para  outro estabelecimento,  pois a  locação de  espaços para  tal  pode  se mostrar  excessivamente onerosa muito em virtude das  elevadas dimensões dos bens  produzidos.  Além  disso,  os  fretes  em  exame  são  despesas  vinculadas  ao  processo  de  produção,  o  que  reforça  a  possibilidade  de  creditamento.  De  fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há  falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de  qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o  fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que  elas sejam auferidas deve ser considerado  insumo. Julgados do CARF e do  Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese;   ­ Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na  jurisprudência  administrativa  que  o  frete  pago  na  aquisição  de  bens  necessários  ao  desenvolvimento  da  atividade  industrial  permite  o  creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a  RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual  entendimento  jurisprudencial  sobre  o  tema,  quaisquer  custos  de  aquisição  devem autorizar o desconto de créditos;   ­  Item  3.6  do  TVF.  Entendeu  o  fisco  que  o  seguro,  normalmente  destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido  descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia  ter  se  creditado  com  base  no  valor  total  do  Conhecimento  de  Transporte  Rodoviário de Cargas ­ CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é  custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira  e  única  contratante  desse  serviço.  O  destaque  no  CTRC  é  apenas  uma  exigência  legal  instituída  para  permitir  a  identificação  da  composição  do  frete.  O  RICMS/MG,  em  seu  art.  81,  inciso  XIII,  trata  o  seguro  como  “valores dos componentes do  frete”. O seguro, portanto,  foi avençado pela  transportadora, que apenas  informa o seu  respectivo  valor em atendimento  ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e,  sendo  o  frete  na  aquisição  de  insumos  passível  de  creditamento,  agiu  de  forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é  o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigura­ se  legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do  RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de  aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF.  Fl. 3594DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          11 Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art.  289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles;   ­ Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de  boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornou­se, então,  praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos  itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja  dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos  correspondentes,  o  que  apenas  não  faz  agora,  com esta defesa, e não  fez durante o procedimento  fiscal,  em  razão do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias.  De  qualquer  forma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  um  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam à  compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada  desses  documentos,  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação  de  exigência  fiscal  claramente  desproporcional e ilegítima;   ­ Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp  ora  examinados,  e  também  daqueles  outros  apresentados  no  período  fiscalizado,  decorreram  de  aquisições  realizadas  no mercado  interno  e  no  exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação  de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam  ter  sido  utilizados  para  efeito  de  ressarcimento  e  compensação,  segundo a  qual  apenas  as  importações  amparadas  pelo  art.  15  da  aludida  lei  é  que  permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém,  não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam  nos  mencionados  arts.  15  e  17.  Na  verdade,  todo  o  creditamento  de  PIS/Cofins  –  Importação deriva  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  seria  o  equivalente  funcional  dos  arts.  3o  das Leis nº  10.637,  de  2002  e  nº  10.833,  de  2003,  que  tratam  de  créditos  no  mercado  interno.  O  art.  17  é  apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns  casos, e em conjunto com o art. 15. A  função do art. 17 é,  exclusivamente,  tratar  das  situações  em  que  o  recolhimento  de  PIS/Cofins  não­cumulativo  deixa  de  ser  feito  com  base  nas  alíquotas  de  1,65%  e  7,6%  e  passa  a  contemplar  alíquotas  diferenciadas,  nos  casos  de  aplicação  do  “regime  monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A  contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos  e serviços  tratados no art. 17 é,  justamente, quando cuida da quantificação  do  crédito.  Ou  seja,  o  art.  17  não  vem  trazer  regulação  especial  para  os  créditos de produtos específicos, de  forma a excluir a aplicação do art. 15.  Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente  as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15  fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o  art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação.  Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art.  17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior  em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal  do Brasil  abona essa  conclusão  (Acórdão nº 3803­000.885, de 27/10/2010,  do  CARF).  Interpretação  distinta  representaria  grave  ofensa  à  isonomia  tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam  Fl. 3595DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          12 submetidas  a  tratamentos  fiscais  distintos,  sem  qualquer  justificação.  Na  verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria  ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime  monofásico),  teriam  o  seu  direito  de  crédito  excessivamente  limitado.  Essa  violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei  nº  10.865,  de  2004,  foi  justamente,  segundo  sua  exposição  de  motivos,  introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços  produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito  às  regras  da  proporcionalidade  e  razoabilidade,  afinal,  qual  seria  a  razão  jurídica  para  se  permitir  a  utilização  de  créditos  de  importação  em  PER/Dcomp  e  excluir,  ao  mesmo  tempo,  esse  direito  daquelas  operações  abarcadas  pelo  art.  17?  Razão  não  há,  estando  claro  que  o  exame  da  legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo  que deve ser descartada;   ­  Item  4.3  do  TVF.  Foram  reposicionados  parcelas  dos  créditos  de  importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se  originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do  respectivo  trimestre­calendário.  O  procedimento  teve  efeito  nefasto  e  desproporcional:  vários  dos  débitos  compensados,  no  período  autuado,  ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com  o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados  para  o  último  mês  do  trimestre  correspondente,  neste  terceiro  mês  havia  saldo  suficiente  para  homologar,  ainda  que  em  parte,  as  compensações  realizadas  nos  dois  primeiros  meses.  Desse  modo,  caso  se  entenda  por  validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso  de  um  ou  dois  meses,  isto  é,  aquele  decorrente  da  espera  até  o  fim  do  trimestre;  ­  Erros  de  cálculo.  Em  cada  mês  em  que  os  créditos  foram  recalculados  ocorreram  impropriedades  na  quantificação  desses  créditos,  consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins ­ abril a junho de  2008  (PER/Dcomp  nº  41058.12544.220708.1.1.09­9018  e  nº  33371.36444.290710.1.7.09­8945).  Somente  foi  considerado  o  montante  ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre.  Ou seja,  não  foi  feita a  recomposição do crédito  relativo ao  ressarcimento  (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  3.267.967,06  e  não  R$  3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período.  Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs –  Valor  utilizado  valorado de  acordo  com  o  tipo  de  crédito”  há  valores  que  divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp  originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a  última  versão  sobrepôs  a  primeira,  fazendo  com  que  os  débitos  fossem  compensados  com multa  e  juros.  É  de  se  notar  que  a  data  da  transmissão  original  estava  dentro  do  período  para  recolhimento  (antes  da  data  de  vencimento)  e  que  não  houve  aumento  do  débito  compensado,  somente  redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins ­ outubro a dezembro de 2008  (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.09­0408). Somente foi considerado  o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa  ao  trimestre.  Ou  seja,  não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento).  Caso  tivesse  sido  feita  a  recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e  não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é  Fl. 3596DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          13 superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  140).  (c)  Ressarcimento  de Cofins  ­  julho  a  setembro  de  2010  (PER/Dcomp  nº  19382.21408.281010.1.1.09­0687).  Não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento). Caso tivesse sido  feita a recomposição, o valor passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  6.541.682,26  e  não  R$  6.201.733,66,  o  que  gerou  uma diferença  de R$ 339.948,90,  que  é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  141).  (d)  Ressarcimento  de  Cofins  ­  abril  de  2010  (PER/Dcomp  nº  02755.47816.300610.1.3.09­4563). O fisco partiu de montante de créditos de  mercado  externo  diferente  daquele  que  consta  no  PER/Dcomp,  sendo  considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado  é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp,  o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  5.511.341,71  e  não  R$  2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior  ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl.  141).  Esses  erros,  que  são  verificados  em  todas  as  competências,  são  inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e  do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requer­se,  desde  já,  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  os  referidos  equívocos  sejam  definitivamente  comprovados.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa,  em  razão  do  exíguo  tempo  para  recorrer,  posto  que  são  mais  de  200  PER/Dcomp  envolvidos,  que  devem  ser  revistos  em  todos  os  critérios  apontados pela fiscalização, alguns deles complexos;  Em 20/08/2012, a contribuinte  juntou aos autos mídia  em CD com o  que  entende  ser  as  informações  necessárias  para  que  seja  verificada  a  vinculação  dos  fretes  autuados  no  item  3.7  do  TVF  com  a  compra  de  insumos,  de  modo  a  comprovar  a  legitimidade  dos  créditos  aproveitados  sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos).   Ao  final,  requer  a  contribuinte:  a)  o  julgamento  conjunto  dos  processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade  do  procedimento  fiscal  e  de  seus  correspondentes  frutos,  o  TVF  e  os  despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do  mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes  ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das  vinculações,  conforme  demonstrado;  d)  o  reconhecimento  da  existência  de  todos  os  créditos  de  PIS/Cofins  utilizados  pela  interessada  nos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensação  vinculados  ao  MPF­F  n.º:  06.1.10.00­2011­ 00427­3,  transmitidos  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010,  com  o  conseqüente  deferimento  e  homologação  de  todos  os  PER/Dcomp  objetos  deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados;  f)  caso  os  argumentos  anteriores  não  sejam  acatados,  que  os  erros  expressamente  apontados  sejam  definitivamente  corrigidos  e  g)  subsidiariamente,  sejam  decotados  os  juros  e  multas  decorrentes  do  reposicionamento  de  créditos  efetuados  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil.   A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a  recorrente  ocorreu  em  04/01/2014  (fls.  1420).  Inconformada,  a  mesma  apresentou,  em  Fl. 3597DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          14 20/01/2014,  o  recurso  voluntário  de  fls.  1422/1449,  onde  reitera  os  argumentos  aduzidos  na  primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final:  a)  o  julgamento  conjunto deste  com os demais processos  da  empresa,  haja  vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º,  do Regimento Interno do CARF;  b)  seja  determinada  a  realização  de  diligência  para  os  esclarecimentos  referentes  à  glosa  de  créditos  calculados  sobre  fretes  (item  3.7  do  TVF),  diligência  cuja  necessidade  seria  reforçada  diante  do  reconhecimento,  pela  DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos;  c)  seja o  recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que  sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do  TVF,  bem  como  reconhecida  a  regularidade  da  utilização  dos  créditos  de  PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF),  e,  finalmente,  sejam  descontados  juros  e  multa  calculados  quando  do  reposicionamento  dos  créditos  (item 4.3  do TVF),  de modo que  se  refiram  tão­somente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera  até o fim do trimestre).   No que diz respeito ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – fretes pelo  transporte de mercadorias não identificadas – a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção  do CARF, em sessão transcorrida em 19/08/2014, converteu o julgamento em diligência "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo  e  os  correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos  casos  em  que  os  mesmos,  realmente,  correspondem  a  fretes  pela  aquisição  de  insumos,  conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Tal diligência foi determinada considerando que os documentos apresentados  pela suplicante poderiam efetivamente subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou  não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas.  Em resposta à diligência supra foi acostado aos autos Relatório Fiscal de fls.  3564/3569, padrão para todos os processos ora em julgamento da interessada, sobre o qual nos  reportaremos doravante ao apresentarmos nosso voto.  Intimado  a manifestar­se,  o  sujeito passivo,  apresentou petição onde  requer  seja prorrogado por mais 30 dias o prazo para sua manifestação, o que fez com fundamento nos  princípios da ampla defesa e do contraditório.  Não obstante, até a presente data, não foi apresentada nova manifestação da  interessada no que diz respeito à matéria em discussão nos autos.  É o relatório.   Voto             Da admissibilidade do recurso  Fl. 3598DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          15 O  recurso  é  tempestivo,  posto  que  apresentado  (em  20/01/2014)  dentro  do  prazo  legal  de  30  dias  contados  da  data  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  (que  ocorreu em 04/01/2014 ­ conf. fls. 1420).   Quanto  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  os  mesmos  se  encontram  presentes.   Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo.   Da matéria em litígio  Conforme relatado, vê­se que a contenda envolve a homologação parcial de  pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo  credor de COFINS, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões  relativas ao cômputo de créditos calculados sobre:  a)  bens destinados ao ativo  imobilizado e não utilizados na produção  (item  3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF);  b)  serviços  não  empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF);  c)  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF);  d)  fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a  uso e consumo (item 3.5 do TVF); e,  e)  fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF).  Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item  4.2  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  segundo  o  qual,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20051,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da Lei  nº  10.865/2004  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação.  Assim,  em  relação  aos  créditos  enquadrados  no  artigo  17  da  mesma  Lei  nº  10.865/2004  –  que  remete  às  importações  de  produtos  objeto  do  §  3º  do  artigo  8º  da  Lei  em  tela2  (dentre  outros)  –  estes,  por  falta  de                                                              1      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    2  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:  Fl. 3599DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          16 previsão  legal,  não  poderiam  ser  objeto  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar  da  possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Por  fim,  a  lide  envolve  também a  análise quanto  à possibilidade ou não de  compensação  de  créditos  de  importação  vinculados  a  receita  de  exportação  antes  do  encerramento do trimestre.  Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa  trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao  pleito do sujeito passivo.  Do regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS  O  regime  da  incidência  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  foi  instituído,  inicialmente,  para  o  PIS/PASEP,  mediante  a  publicação  da  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos,  em relação à não­cumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002.  Posteriormente,  com  a  publicação  da  Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003  –  conversão  da Medida  Provisória  nº  135,  de  2003  –,  tal  regime  foi  estendido  à  COFINS.  Concernente  à  não­ cumulatividade  da  COFINS  a  lei  em  evidência  passou  a  produzir  efeitos  a  partir  de  1º  de  fevereiro de 2004.  Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência não­cumulativa do  PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas  pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real.  A  legislação  pertinente  ao  regime  autoriza  o  desconto  de  créditos  apurados  com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis  nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da  Lei  nº  10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de mercadorias;  b) prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas  e;  c)  vendas  a  empresa  comercial  exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição a  recolher ou para compensação com outros  tributos administrados pela Receita  Federal. Finalmente, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas  até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento  em dinheiro.   A  seguir,  examinaremos  a  legitimidade  dos  créditos  calculados  pela  interessada  seguindo  a  mesma  ordem  utilizada  pela  fiscalização  no  Termo  de  Verificação  Fiscal ­ TVF.   Das  glosas  objeto  do  item  3.1  do  TVF:  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado e não utilizados na produção                                                                                                                                                                                              [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3600DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          17 A  fiscalização  entendeu  que  as  despesas  com  veículos  e  com móveis  para  salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por  não  estarem  diretamente  vinculados  às  atividades  de  industrialização.  Por  sua  vez,  o  sujeito  passivo entende que aludido creditamento estaria alicerçado no artigo 3º das Leis 10.637/2002  e 10.833/2003.   Segundo  defende  a  interessada,  seria  inapropriado  afirmar  que  os  bens  em  evidência  não  se  prestariam  ao  exercício  de  sua  atividade  industrial. Afirma que  “quaisquer  bens imobilizados, que sejam empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou  indiretamente),  autorizam  o  creditamento”,  e  ainda,  que  “os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  Recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento tecnológico”.  O  creditamento  relativo  a  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado  está  fundamentado nos incisos VI e VII, §§ 1º, 14, 16 e 21 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em  relação  ao  PIS/PASEP,  regramento  no  mesmo  sentido  consta  da  Lei  nº  10.637/2002.  Reproduzimos, abaixo, os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 que são mais  relevantes para a  resolução da contenda:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros,  utilizados nas atividades da empresa;  [...]  § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)  [...]  III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos  incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;  [...]  (grifo nosso)  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do  cômputo de créditos a aquisição de “quaisquer bens imobilizados [...]empregados na atividade  econômica do contribuinte (direta ou indiretamente)”, como defende a interessada.  Fl. 3601DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          18 Com efeito, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao  exercício das atividades estatutárias da pessoa jurídica, aí incluídos aqueles que tem finalidade  unicamente  administrativa,  ou  seja,  que  não  são  empregados  diretamente  na produção  ou  na  comercialização de mercadorias  e de  serviços,  ou  ainda, na  locação. Apenas  esses últimos  é  que fazem jus ao creditamento.  No mais, muito embora este relator entenda que os móveis de escritório e os  automóveis de passageiros possam ser necessários ao exercício das atividades da empresa, tais  não  se  enquadram  na  amplitude  conceitual  de  insumo  na  produção  dos  bens  destinados  à  venda. Essas despesas, com efeito, são de caráter geral, não estando vinculadas diretamente ao  processo de industrialização, razão pela qual entendemos não ser legítimo o cômputo de crédito  com base em tais rubricas.  É por essa  razão que deverá ser negado provimento ao recurso na parte em  que  o  sujeito  passivo  pretende  se  creditar  do  PIS  e  da  COFINS  pela  aquisição  de  bens  destinados ao ativo imobilizado, mas não utilizados na produção.  O  alcance  do  conceito  de  insumo  para  fins  do  regime  de  incidência  não­ cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS será tratada com mais detalhes no tópico seguinte.  Das  glosas  objeto  do  item  3.2  do  TVF:  serviços  não  empregados  diretamente na industrialização  A  fiscalização  glosou  o  creditamento  correspondente  a  alguns  serviços  que  não foram “empregados diretamente na industrialização”.   Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão:  Instado,  conforme  Termo  de  Intimação  nº  0551/2011,  a  informar  quais  tipos  de  serviços  prestavam  as  empresas  Fiat  do  Brasil  S/A  e GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos,  e  a  apresentar  os  respectivos  contratos,  a  empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte:   “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A:  • Comércio Exterior:  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de Exportação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário;  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de importação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário.  • Contabilidade Geral;  • Controle Fiscal;  • Contas a pagar e Tesouraria;  • Controle de ativo fixo;  • Registro Fiscal;  • Faturamento;  • Gestão tributária e societária;  • Serviços de assessoria a expatriados.  Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          19 Serviços  prestados  à  INTIMADA  pela  GFL  GESTÃO  DE  FATORES  LOGÍSTICOS LTDA:  • Gerenciamento  das  operações  de  transporte  "IN Bound"  ­  Transportes  de  materiais/produtos  que  adentram  na  fábrica  da  contratante  e  "Follow­up"  ­ Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela  contratada, perante os fornecedores da contratante.”  Nenhuma  destas  atividades  pode  ser  considerada  como  aplicada  ou  consumida  na  fabricação de  produtos. Os  serviços prestados  pela Fiat  do  Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados  pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da  Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara:  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS  DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a  crédito  da  Cofins  a  aquisição  de  serviços  de  movimentação  e  controle  de  estoques  de  matérias­primas,  materiais  de  embalagem  e  produtos  acabados,  realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada.   As  contas  contábeis  responsáveis  pelo  registro  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  incidentes  sobre  serviços,  conforme  resposta  ao  Termo  de  Início  entregue  em 08/06/2011,  são  as  de  nos  144240 e  144241,  e  a  esmagadora  maioria  dos  lançamentos  referem­se  a  serviços  prestados  pelas  duas  empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal  nº  149087  da  Metropolitana  Vigilância  Comercial,  cujo  crédito  o  contribuinte afirmou não  ter  incluído na base de cálculo, e algumas notas  fiscais,  em 2010,  referentes  a  treinamentos  técnicos de  diversos  tipos,  aos  quais,  pelos  mesmos  argumentos  expostos  acima,  é  vedada  a  geração  de  créditos.      Deste  modo,  todo  o  crédito  descrito  como  “Serviço  Nacional”  nas  memórias  de  cálculo  entregues  em  08/07/2011,  em  resposta  ao  Termo  de  Início, deve ser glosado [...]  A  análise  do  problema  envolve  essa  que  talvez  seja  a  questão  mais  controvertida em relação à não­cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são  insumos para fins de creditamento das citadas contribuições.   O  inciso  II  do  artigo  3o  das Leis  10.833/2003  e 10.637  de  2002  autoriza  o  cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.   As  normais  legais  stricto  sensu  que  prevêem  a  não­cumulatividade  (Leis  10.637/2002  e  10.833/2003)  são  omissas  quanto  ao  alcance do  termo  “insumo” para  fins  de  cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontra­se  disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no  247,  de  21/11/2002  (dispositivo  incluído  pela  IN  SRF  no  358,  de  09/09/2003)  –  não­ cumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no  404,  de  12/03/2004  –  não­cumulatividade  da  COFINS  –,  segundo  os  quais,  para  fins  de  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  deverão  ser  assim  concebidos  (como  insumos), aqueles:   I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:   a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem  e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano  Fl. 3603DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          20 ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam  incluídas no ativo imobilizado;   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na produção ou fabricação do produto;   II ­ utilizados na prestação de serviços:  a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não  estejam incluídos no ativo imobilizado; e   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na prestação do serviço.   Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de  todas  as  despesas  da  empresa,  como  Natanael  Martins3.  Segundo  ele,  pelo  fato  das  contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar  sua  integral  não­cumulatividade  seria  se  “os  créditos  apropriáveis  alcançarem  todas  as  despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”.  Também na mesma toada, Solon Sehn4, segundo o qual,  salvo  nas  hipóteses  expressamente  vedadas  pela  Lei  nº  10.833/2003,  o  crédito  de  insumo  deve  ser  calculado  a  partir  do  custo  de  produção  da  legislação do imposto de renda (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º;  Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matérias­primas e  quaisquer  outros  bens,  direitos  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  no  processo  de  fabricação,  diretos  ou  indiretos,  independentemente  de  desgaste, dano ou perda de propriedades físico­químicas.  Por  sua  vez,  Marco  Aurélio  Greco5  defende  que  os  insumos,  para  fins  de  PIS/Pasep e Cofins, não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda,  uma vez que há distinção material entre  receita e  renda. Patrícia Madeira comenta a  lição de  Greco asseverando que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo  (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua  apuração; no entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação  da  receita,  que  é  materialidade  do  PIS  e  da  Cofins”.  A  ideia  de  insumo  proclamada  pela  legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o  IPI  [...]  tributo  cuja  não­cumulatividade  se  opera  pelo  método  subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha                                                              3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática não­cumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO.  Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos  (coord.).  PIS­Cofins:  questões  atuais  e polêmicas. São Paulo:  Quartier Latin,  2005.  p.  204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade  do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  4  SEHN, Solon. PIS­COFINS: Não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p.  317.  5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não­ cumulatividade  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  São  Paulo:  IOB  Thompson.  Porto  Alegre:  Instituto  de  Estudos  Tributários, 2004. p. 112­122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117­118), foi extraído da Dissertação  de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127­128 – referência já citada.     Fl. 3604DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          21 havido  incidência  na  operação  anterior  para  que  o  insumo  seja  creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo  fisicamente apreensível.  Como  a  receita  decorre  de  uma  prestação  de  serviços  ou  da  produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo  o  que  for  inerente  àquilo  que  denomina  de  “processo  formativo  da  receita”. Em suas palavras:  relevante  é  determinar  quais  os  dispêndios  ligados  à  prestação  de  serviços e à  fabricação/produção que digam respeito aos  respectivos  fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e  os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá  – em princípio – direito à dedução.  Há  ainda  outros  pensamentos  doutrinários  diversos  que  revelam  grandes  divergências concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo  para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da não­cumulatividade. Culpa  da legislação lamentavelmente intrincada sobre o assunto.   De  nossa  parte,  dadas  as  limitações  impostas  ao  creditamento  pelo  texto  normativo, temos nos manifestado no sentido de que o legislador optou por um regime de não­ cumulatividade parcial, muito embora respeitável doutrina defenda que deveria ser dado ao  regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, penso,  não encontra alicerce na legislação pertinente.  Com efeito, além da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo,  a lei contempla várias outras hipóteses de creditamento em virtude de despesas incorridas pela  pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados  nas  atividades  da  empresa,  bem  como  da  energia  consumida  em  seus  estabelecimentos,  ressalvadas  as  exceções  legais.  O  detalhamento  das  possibilidades  de  creditamento  e  das  vedações  ao  mesmo,  sujeitos  a  emendas  normativas  implementadas  no  decorrer  do  tempo,  revela,  sem  nenhuma  dúvida,  que  o  legislador  sempre  optou  por  um  regime  de  não­ cumulatividade seletivo.  Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o  teor  do  inciso  II  do  artigo  3o  de  ambas  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003  que,  sobre  a  correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto  de créditos calculados em relação a:  II  ­  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  à  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002)  II  –  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes;  (Lei  10.637/2002  ­  redação  dada  pela  Lei  nº  10.684,  de  30.5.2003)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o  art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de  julho de 2002, devido pelo  fabricante ou  importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº  Fl. 3605DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          22 10.833/2003.  Na  Lei  nº  10.637/2002  essa  redação  é  decorrente  da  Lei  nº  10.865, de 2004)  Da  leitura  das  redações  do  dispositivo  que  trata  do  creditamento  em  decorrência  da  aquisição  de  insumos  –  a  atual  e  as  historicamente  concebidas  para  referido  preceito – constata­se que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca  se  apresentou  no  texto  normativo  de  forma  isolada,  mas  continuamente  associado  ao  seu  papel de fator de produção ou na prestação de serviços.   Em razão disso, penso que só podem ser considerados como insumos os bens  e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à  fabricação  dos  produtos  destinados  à  venda,  o  que  requer,  pois,  análise  individual  do  processo  produtivo  da  pessoa  jurídica  que  busca  o  creditamento  segundo  o  regime  da  não­ cumulatividade.   No caso presente, entendo que os serviços prestados à  interessada pela Fiat  do  Brasil  S.A.  (despacho  aduaneiro  de  importação  e  exportação,  serviços  de  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária  e  societária,  serviços  de  assessoria  e  expatriados)  não  se  destinam  diretamente  à  atividade  de  “fabricação  de  máquinas  e  equipamentos  para  terraplenagem, pavimentação e construção, peças e acessórios, exceto tratores – instalação de  máquinas e equipamentos industriais” (conforme ficha cadastral junto ao CNPJ).  Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico  que o  adotado pela Receita Federal  nas  suas  instruções normativas nos  247, de 21/11/2002 e  404,  de  12/03/2004,  conforme  razões  acima  desenvolvidas,  e mesmo  admitindo  que muitos  desses serviços são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, todos eles dizem  respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma  direta, à atividade produtiva da interessada.   Contudo,  em  relação  aos  serviços  prestados  pela GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos  Ltda.,  (“Gerenciamento  das  operações  de  transporte  ‘Inbound’  ­  Transportes  de  materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Follow­up" ­ Acompanhamento  de  entrega  de  materiais  e  componentes  a  ser  realizado  pela  contratada,  perante  os  fornecedores  da  contratante”),  esses,  por  estarem  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras  da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”.  Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz  sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual  entendo  que  os  créditos  calculados  com  base  nos  serviços  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos.  Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que  sejam admitidos os  créditos  calculados  pelo  sujeito passivo  em  relação  aos  serviços pagos  à  GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.  Das  glosas  objeto  dos  itens  3.4  e  3.5  do  TVF:  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  e  fretes  pelo  transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo  Fl. 3606DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          23 A  Lei  nº  10.833/2003,  em  seu  artigo  3º,  inciso  IX,  admite  o  desconto  de  créditos  da  COFINS  calculados  com  base  em  “armazenagem  de  mercadoria  e  frete  na  operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”.  Isso também se aplica ao PIS/PASEP não cumulativo em razão do disposto no artigo 15, inciso  II, da mesma norma7.  Como se vê, a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete  e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda  ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.  Trata­se, pois, de hipótese de creditamento da contribuição bastante restrita, a  despeito daquela inerente ao desconto de créditos calculados em relação a insumos, conforme  ressaltado.   Essa  restrição  ao  gozo  do  mecanismo  creditório  se  observa  também  em  relação a outros casos previstos no regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS, como,  por  exemplo,  nos  casos  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos;  máquinas,  equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para  locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação  de  serviços;  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis;  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­ alimentação,  fardamento  ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica  que  explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.  No mais, entendo que aludidos fretes  também não caracterizam insumo, até  porque,  conforme  asseverado  pela  instância  recorrida,  o  frete  pago  na  compra  de  insumos  integra o custo de aquisição (artigo 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado  pelo Decreto nº 3.000, de 1999), podendo assim gerar créditos quando contratado com pessoa  jurídica domiciliada no país e suportado pela adquirente.  Logo, por falta de previsão legal, entendo que o sujeito passivo não faz jus ao  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  (item  3.4  do  TVF),  ou  ainda,  pelos  fretes  do  transporte  de  mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF).  Em sintonia com o entendimento acima esposado, a seguinte jurisprudência:  TRIBUTÁRIO.  PIS/COFINS  NÃO  CUMULATIVOS.  FRETE  INTERCOMPANY.  OPERAÇÃO  DE  VENDA  NÃO  CARACTERIZADA  (ART. 3º, IX, L10833). ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (ART. 3º, II,  L10833). IMPOSSIBILIDADE.   1. O  frete  intercompany,  referente  à  alocação dos  produtos  acabados  das  indústrias  para  os  centros  de  distribuição  da  empresa,  configura  simples  transferência interna, não estando diretamente relacionado às operações de  venda.  Com  efeito,  apenas  enseja  o  aproveitamento  dos  créditos  de  PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, o transporte  de bens diretamente ao consumidor final. Precedentes desta Turma.                                                               7   Art.  15. Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­cumulativa  de  que  trata  a  Lei  nº  10.637,  de 30  de  dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)     [...]     II ­ nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de  2004)  Fl. 3607DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          24 2. Em que pese, em uma perspectiva econômica, a distribuição dos produtos  das fábricas para as filiais ser etapa do iter percorrido pela mercadoria até  chegar  à  sua  destinação  final,  a  "operação  de  venda",  enquanto  negócio  jurídico, é  relação estabelecida estritamente entre os  sujeitos  fornecedor e  adquirente. Deste modo,  as  etapas  anteriores  à  destinação  do  produto  ao  consumidor  final,  ainda  âmbito  da  empresa  (fornecedora),  não  podem ser  consideradas operações de venda.   3.  Na  linha  do  que  defende  a  doutrina  mais  moderna,  o  conceito  de  "insumo",  no  campo  tributário,  não  é  uniforme  para  todas  as  exações.  Assim,  os  conceitos  encontrados  no  IPI  não  são,  de  fato,  suficientes  para  abarcar  todos  os  custos  que  podem  gerar  créditos  de  PIS/COFINS.  Enquanto na  legislação de  regência daquele  imposto, há referência  tão­só  às  despesas  referentes  à  industrialização  dos  bens  (matérias­primas,  produtos  intermediários,  materiais  de  embalagem  etc.)  aqui,  as  receitas  submetidas  às  contribuições  não  são  unicamente  decorrentes  da  venda  de  produtos industrializados.   4. Se o conceito de insumo do IPI é demasiado restritivo, não é o caso de ir­ se  ao  outro  extremo,  estendendo­o  de  tal  modo  a  incorporar  "todo  e  qualquer custo ou despesa necessário à atividade de empresa", nos termos  da legislação do IRPJ, como o quer o apelante. A não­cumulatividade deve  estar adstrita à materialidade do tributo ­ para PIS/COFINS, receita; para  IR,  lucro  líquido.  Logo,  também  imprestável,  o  conceito  de  despesa  operacional do RIR/99, de modo a equiparar PIS/COFINS a IR.   5.  Nesse  contexto,  de  intermédio,  primeiramente,  há  que  se  ter,  por  parâmetro, as próprias regras legais das contribuições em tela. Assim, o art.  3º, II, da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar  os  créditos  calculados  em  relação  a  "bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo na prestação de  serviços  e na produção ou  fabricação de bens ou  produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes".   6.  Portanto,  o  conceito  legal  de  insumo,  para  efeito  de  crédito  de  PIS/COFINS, abrange os dispêndios indispensáveis à produção de bens ou  à prestação de serviços geradores de renda. Noutros termos, todos os itens  diretamente  relacionados  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  afetem  o  montante  das  receitas  tributáveis  pelas  contribuições  constituem  crédito  utilizáveis na apuração destas.   7.  Por  seu  turno,  Marco  Aurélio  Greco  preconiza  o  critério  da  essencialidade  ou  relevância  para  análise  do  conceito  de  insumo,  a  ser  entendido  sob  uma  perspectiva  dinâmica.  Devem,  assim,  ser  rechaçados  como tal os gastos realizados por mera conveniência do contribuinte.   8. Na hipótese dos autos, a apelante é empresa que se dedica às atividades  de industrialização e comercialização de farinha de trigo, massas, biscoitos,  margarinas  e  cremes  vegetais.  A  ser  assim,  não  é  de  entender­se  o  frete  entre estabelecimentos, para distribuição dos produtos acabados às  filiais,  como inerente ou essencial à atividade econômica ou ao processo produtivo  desenvolvido  pelo  contribuinte.  Tal  custo  é  posterior  ao  processo  de  fabricação dos bens destinados à  venda, não consistindo, pois,  em insumo  direto.   9.  Assim,  seja  como  for,  quer  se  entendendo  insumo  como  o  gasto  relacionado diretamente ao processo produtivo, quer como aquele essencial  a este, o frete intercompany não pode ser compreendido como tanto. É que  ele  corresponde  a  dispêndio  elegível  a  título  de  mera  conveniência  da  pessoa  jurídica  (não  alcançando  "perante  o  fator  de  produção  o  nível  de  Fl. 3608DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          25 uma  utilidade  ou  necessidade"),  visando  à  melhor  distribuição  dos  bens  fabricados ao adquirente final.   Apelação a que se nega provimento.  (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Primeira Turma. Apelação Cível nº  544709.  Relator  Des.  Federal  José  Maria  Lucena.  Data  do  acórdão:  15/05/2014. Publicado em: 22/05/2014)    TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  FRETE  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA  CONTRIBUINTE.  DEDUTIBILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL.   1 ­ O art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.627/02 prevêm as hipóteses em que é  possível  o contribuinte deduzir os valores de PIS e COFINS recolhidos na  sistemática  da  não­cumulatividade.  A  utilização  do  crédito  presumido,  em  relação ao frete, está relacionada ao transporte da mercadoria destinada à  operação de venda, o que exclui o frete realizado entre os estabelecimentos  de uma mesma empresa. Interpretação restritiva determinada pelo art. 111  do CTN.   2  ­  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  pronunciou­se  no  sentido  de  que  o  conceito de  insumo não abrange as operações de  transferência  interna de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  de  uma  mesma  pessoa  jurídica  (AGRESP 1335014).   3 ­ Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação Cível  nº  526.709. Relator Des.  Federal Geraldine  Pinto Vital  de  Castro. Data do acórdão: 29/04/2014. Publicado em 14/05/2014)     TRIBUTÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  ARTIGO  3º,  INCISO  IX.  ARTIGO  15,  INCISO  II.  LEI  Nº  10.833/03. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.   1 ­ No caso em exame, a recorrente objetiva assegurar o alegado direito ao  creditamento,  a  título  de PIS/COFINS,  de  valores  despendidos  com  fretes  contratados  pela  impetrante  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos e pontos de distribuição.   2  ­  A  questão  em  discussão  nestes  autos  diz  respeito  ao  regime  da  não  cumulatividade da contribuição ao PIS/COFINS, previsto nos §§ 12 e 13, do  artigo  195  da  Constituição  Federal,  introduzidos  pela  Emenda  Constitucional nº 42, de 19.12.2003, e instituído pela Medida Provisória nº  66/2002  (DOU  30.08.2002),  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002  (DOU  31.12.2002)  no  que  diz  respeito  ao  PIS,  e  pela  Medida  Provisória  nº  135/2003  (DOU  31.10.2003),  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003  (DOU  31.12.2003) referente à COFINS.   3 ­ Outrossim, a Lei nº 10.637/02 também dispôs em seu artigo 3º (caput e  incisos)  sobre  os  créditos  passíveis  de  descontos  a  título  de  PIS  do  valor  apurado  na  forma  do  artigo  2º  da  referida  lei.  E,  no  que  tange  a  "frete",  estabeleceu o inciso II, do art. 15 da Lei nº 10.833/03 (COFINS) a respeito  da aplicabilidade, também à contribuição ao PIS, do previsto no inciso IX,  do artigo 3º dessa mesma lei, nos termos mencionados, valendo ressaltar a  Fl. 3609DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          26 interpretação  restrita  dada  pela  lei  no  sentido  de  se  tratar  de  "frete  na  operação  de  venda,  nos  casos  dos  incisos  I  e  II,  quando  o  ônus  for  suportado pelo vendedor" (grifos meus).   4  ­  Nesse  passo,  considerando  que  as  regras  da  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  em  comento  estão  afetas  à  definição  infraconstitucional,  ao  amparo  da  Lei  Maior,  os  aludidos  diplomas  normativos  restringiram  a  hipótese  de  creditamento,  não  abrangendo  a  hipótese  pretendida  nestes  autos,  como  equivocadamente  entende  a  impetrante, ora recorrente.   5  ­ Observa­se  que  a  pretensão  formulada  neste mandamus  não  encontra  guarida  legal  para  prosperar,  porquanto  a  impetrante  objetiva  o  creditamento  a  título  de  PIS/COFINS  de  valores  despendidos  com  "fretes  contratados  pela  impetrante,  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos  e  pontos  de  distribuição",  hipótese  essa  não  amparada  pela  lei  de  regência,  que  restringe  o  creditamento  ao  frete  à  operação de  venda da mercadoria, nos termos assinalados no inciso IX, do art. 3º da Lei  nº 10.833/03.   6 ­ Vale mencionar que a lei pode estabelecer exclusões ou vedar deduções  de  créditos  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  das  exações  em  comento, ao amparo constitucional, havendo direito de creditamento apenas  nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sob pena de violação ao artigo  111 do Código Tributário Nacional.   7  ­  Na  verdade,  verifica­se  que  a  recorrente  insurge­se  quanto  à  base  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS/COFINS,  objetivando  a  redução  da  incidência da exação, ao que cumpre salientar que não cabe ao Judiciário  atuar como legislador positivo, haja vista que a redução da base de cálculo  somente  ocorre  mediante  expressa  previsão  legal,  a  cargo  do  Poder  Legislativo. Ademais, cumpre salientar, ainda que se tratasse de hipótese de  creditamento, não restou comprovada, nestes autos, a totalidade dos valores  efetivamente despendidos com a "contratação de fretes" pela impetrante, no  período reclamado, objeto de pedido de compensação nestes autos. Assim,  não restando demonstrado o alegado direito líquido e certo, apto a amparar  a  pretensão  veiculada  na  presente  ação  mandamental,  não  merece  prosperar o apelo da impetrante.   8 ­ Apelação não provida.  (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº  325.368.  Relator  Des.  Federal  Nery  Junior.  Data  do  acórdão:  19/12/2013.  Publicado em: 10/01/2014)     TRIBUTÁRIO ­ AÇÃO ORDINÁRIA ­ PIS E COFINS ­ LEIS Nº 10.637/2002  E 10.833/2003 ­ REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE ­ DESPESAS DE  FRETE  ­  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA  ­  CREDITAMENTO  ­  IMPOSSIBILIDADE.   1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa  jurídica,  a  fim  de  que  possa  desenvolver  as  suas  atividades,  tenha  de  adquirir insumos, matérias­primas ou serviços de outras pessoas jurídicas.   2.  Assim,  é  natural  que  uma  parcela  das  suas  receitas,  dos  recursos  advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao  Fl. 3610DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          27 pagamento  dos  seus  custos,  das  suas  despesas  operacionais,  ou  seja,  à  remuneração  dos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço.  Os  pagamentos  feitos  aos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço  representarão faturamento destes e sujeitar­se­ão, por sua vez, à incidência  do  PIS  e  da  COFINS.  O  que  é  dispêndio,  desembolso  para  uma  pessoa  jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso  é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o  faturamento  e,  posteriormente,  todas  as  receitas  como  hipótese  de  incidência  para  contribuição  destinada  ao  financiamento  da  seguridade  social. Quando houver  várias  fases  ou  etapas  de  circulação  econômica,  a  incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa.   3. As únicas  deduções  ou  exclusões  possíveis  seriam aquelas  previstas  em  lei,  que  teriam  a  natureza  de  isenção,  de  favor  fiscal,  determinado  discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência  e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já  se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é,  que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas  das atividades empresariais, representando situação de não­incidência.   4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela  EC  nº  47/2005  prevê  a  possibilidade  de  as  contribuições  sociais  terem  alíquotas  ou  bases  de  cálculo  diferenciadas,  em  razão  da  atividade  econômica, da utilização intensiva de mão­de­obra, do porte da empresa ou  da  condição  estrutural  do  mercado  de  trabalho,  conforme  opção  a  ser  exercida pelo legislador ordinário.   5. Por  sua vez,  o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº  42/2003,  determina  que  a  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para os quais a contribuição social sobre as receitas será não­cumulativa.   6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado  do  PIS  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  relativos  a  bens  e  serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação  de bens ou produtos destinados à venda.   7.  Já  a  Lei  nº  10.833/03,  no  inciso  IX  do  artigo  3º,  dispõe  que  do  valor  apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados  em  relação  à  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação  de  venda,  quando o ônus for suportado pelo vendedor.   8.  Como  as  exclusões  e  isenções  tributárias  devem  ter  interpretação  restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de  desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca  as  despesas  incorridas  no  transporte  interno  de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  do  contribuinte,  porque  não  são  despesas  diretamente  relacionadas  em  operações  de  venda.  A  transferência  interna  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa  não  caracteriza  uma  operação  de  venda,  e,  por  isso,  as  despesas  de  frete  desse  transporte  não  estão  relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias.   9. Precedentes deste TRF e do STJ.   10. Apelação da autora desprovida.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação  Cível  nº  545.908.  Relator  Des.  Federal  Luiz  Mattos.  Data  do  acórdão: 23/07/2013. Publicado em: 05/08/2013)   (grifos nossos)  Fl. 3611DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          28 Finalmente,  o  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  que  alicerçou  a  fundamentação de alguns dos julgados acima referenciados  TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002  E  10.833/2003.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  DE  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  CREDITAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL.   1.  Consoante  decidiu  esta  Turma,  "as  despesas  de  frete  somente  geram  crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que  sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente.   2.  O  frete  devido  em  razão  das  operações  de  transportes  de  produtos  acabados  entre  estabelecimento  da mesma  empresa,  por  não  caracterizar  uma operação de venda, não gera direito ao creditamento.   3. A  norma que  concede benefício  fiscal  somente pode  ser  prevista  em  lei  específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do  CTN,  não  se  admitindo  sua  concessão  por  interpretação  extensiva,  tampouco analógica. Precedentes.   4. Agravo regimental não provido  (STJ.  Segunda  Turma.  Agravo  Regimental  no  Recurso  Especial  nº  1.335.014.  Relator  Min.  Castro  Meira.  Data  do  acórdão:  18/12/2012.  Publicado em: 08/02/2013)  (Grifos nossos)  Das  glosas  objeto  do  item  3.7  do  TVF:  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não identificadas  Quanto  às  glosas  em  vista  dos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  não  identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal:  Como  demonstrado  anteriormente,  a  possibilidade  de  creditamento  nos  casos  em  que  se  entende  a  despesa  com  frete  como  um  serviço  utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem  (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº  10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras  palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito  do PIS  e  da COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos;  assim,  caso  a  pessoa  jurídica  adquira um bem de  pessoa  física,  o  transporte  deste  bem, mesmo  feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do  mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não  haverá créditos relacionados com as despesas de fretes.   Não  havendo  informação,  na  Escrituração  Fiscal,  das  notas  fiscais  dos bens  considerados  como  insumos associados aos  fretes,  lavrou­se  em  14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte  associasse,  nota  fiscal  por  nota  fiscal,  os  fretes  com  as  mercadorias  transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendo­se  observar lay­out específico para tanto.   Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo  adicional  de  vinte  dias,  por  nós  deferido.  Em  24/10/2011,  a  empresa  apresentou  apenas  dados  parciais,  e  requereu  mais  algum  tempo  para  Fl. 3612DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          29 terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por  mais quinze dias o prazo final.   Na data aprazada, o  sujeito passivo  entregou os arquivos,  os quais,  porém,  não  possuíam  todos  os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte.   [...]  No  caso  em  tela,  essencial  era  a  vinculação  entre  as  despesas  de  frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por  intermédio  do  arquivo  de  vínculos,  que  possuía  tanto  a  identificação  das  notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou  venda de mercadorias. Entretanto,  nos arquivos entregues  em 08/11/2011,  anexos  ao  processo,  duas  falhas  foram  observadas:  por  um  lado,  notas  fiscais de  transporte  relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não  foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de  mercadorias  indicadas  no  arquivo  de  vínculos  não  foram  encontradas  no  “Arquivo  de  NF.txt”,  nem  na  Escrituração  Fiscal.  Estas  duas  irregularidades  foram  relacionadas,  respectivamente,  nos  demonstrativos  “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração  Fiscal”,  em  anexo.   A  título  de  exemplo,  tomemos  uma  das  diversas  notas  fiscais  não  encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as  notas  fiscais  de  transporte  e  as  notas  fiscais  de  mercadorias:  o  Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única,  emitido  pela  Transportadora  Rodomeu  Ltda,  em  anexo.  Trata­se  de  um  documento  relativo  ao  transporte  de  mercadorias  importadas  da  CNH  America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total  somava R$ 65.741,50.   Tal  creditamento  é  vedado  pela  RFB,  conforme  dispõem  várias  consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84,  da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo:  “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS.   O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica­se,  exclusivamente,  em  relação  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  e  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País.   O  desconto  de  créditos,  no  caso  de  importações  sujeitas  ao  pagamento  da  Cofins­Importação,  sujeita­se  ao  disposto  nos  arts.  7º  e  15,  §  3º,  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  determinam  que  a  base  de  cálculo  desses  créditos  corresponde  ao  valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação, quando integrante do custo de aquisição.  Assim,  o  frete  pago  para  transportar  bens  importados,  empregados  como  insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento  fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte  de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso)  Deste  modo,  é  forçoso  concluir  que  a  falta  de  vinculação  entre  os  fretes  e  as  mercadorias  transportadas  impede  a  constatação  não  só  da  irregularidade  acima  descrita,  mas  de  quaisquer  outras  que  a  empresa  porventura tenha cometido.  [...]  Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          30 Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas  144238  ­  PIS  a  recuperar  ­  insumos  e  144239  ­ COFINS  a  recuperar  –  insumos,  e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias  não Encontradas  na Escrituração Fiscal”,  todo  o  valor  das  contribuições  creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a  falta de  determinada  associação  impede  o  cálculo  do  valor  creditado  proporcionalmente.  (os destaquem em negrito não constam do original)  Extrai­se dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada  pela  fiscalização  para  a  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  os  fretes  foi,  essencialmente,  a  impossibilidade  de  vinculação  “entre  as  despesas  de  frete  e  os  insumos  pretensamente  adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as  notas  fiscais  de  entrada  dos  insumos.  A  ausência  desse  vínculo  impediu  a  autoridade  administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas  como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”.  Decerto,  “apenas  os  fretes  associados  a  bens  tidos  como  insumos  no  âmbito  do  PIS  e  da  COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos”,  muito  embora  a  autoridade  administrativa  tenha  afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo  frete pago para  transportar bens  importados empregados como insumos do processo produtivo.  Segundo  a  defesa  apresentada  pelo  sujeito  passivo:  “[...]  se  há  créditos  de  insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também,  créditos  referentes  a  seus  correlatos  fretes”.  Ressalta  ainda  a  reclamante  que  “a  maioria  esmagadora de tais  fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101:  Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou  produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”.  Ainda segundo a recorrente:  Os  CFOPs  das  notas  fiscais  são  provas  cabais  de  que  os  correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e  2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em  que, tendo­se em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02  e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a  própria Receita Federal, aliás. Veja­se um exemplo:  “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete  pago  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  na  aquisição  de  matéria­ prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo  destes  insumos  para  fins  de  cálculo  do  crédito  a  ser  descontado  da  Cofins.”  (Solução  de  Consulta  n.  197,  de  16  de  Agosto  de  2011  –  sem  destaques no original)  Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente:  segundo  o  inciso  IX  do  citado  art.  3º,  o  “frete  na  operação  de  venda”  autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais.  É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez  a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido  realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais  de  50  mil  linhas,  na  qual  indicou,  uma  a  uma,  nota  fiscal  autuada  e  respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a  Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          31 maior  parte  dos  fretes  autuados  se  referia  a  situações  em  que  o  creditamento estava claramente autorizado.  Sobre  a  planilha  reportada  e  demais  argumentos  suscitados  pelo  sujeito  passivo, asseverou a instância recorrida, verbis:  9.  FRETES.  FALTA  DE  IDENTIFICAÇÃO  DAS  MERCADORIAS  TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF.  Diante da ausência de  informação, na escrituração  fiscal, das notas  fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi  intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete,  os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três  arquivos distintos. Após  algumas  prorrogações,  a  recorrente  apresentou  a  documentação  solicitada, que,  contudo, não apresentava  todos os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias  transportadas.  Ponderou  a  autoridade  fiscal  que  a  falta  de  vinculação  entre  fretes  e  mercadorias  transportadas,  além  de  impedir  o  creditamento,  também  impede  a  constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a  exemplo  de  frete  pago  para  transporte  de  bens  importados,  empregados  como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril.   Suscita  a  interessada,  quanto  ao  tema,  que  a  glosa  decorreu  da  ausência  de  vinculação  de  boa  parte  dos  fretes  aos  respectivos  insumos  adquiridos,  estornando­se,  então, praticamente  todo o  crédito de  fretes  do  período,  exceto  aqueles  tratados  nos  itens  anteriores,  que  tiveram  análise  própria  e  apartada.  Solicita,  para  que  não  hajam  dúvidas  quanto  ao  seu  direito  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas  não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em  razão  do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias. De  qualquer  forma,  afirma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  ou  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos.  Por  fim,  na  eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima.  A  contribuinte  juntou  aos  autos  mídia  em  CD,  incluindo  as  informações  que  entendeu  necessárias  para  o  restabelecimento  desses  créditos,  a  qual  foi  convertida  em  documentos  anexados  aos  autos.  Examinando  esses  documentos,  pode­se  observar  que  se  trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização  (código  CTRC,  CTRC,  data de emissão, data  fiscal, código,  ID, razão social e CNPJ) e dados da  nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e  CNPJ).   Não  obstante,  do  exame  dessa  planilha  não  resta  comprovada  a  vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto,  fazia­se necessário que  fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos  fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez.   Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          32 Em adição, pode­se observar que a aludida planilha apresenta mais  de 50.000  linhas com dados para verificação, enquanto que a  interessada,  ao  trazê­la  aos  autos,  limitou­se  a  requerer  fosse  verificada  a  vinculação  dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos.   Ocorre  que  o  ônus  de  prova  do  direito  ao  creditamento  é  da  contribuinte,  como  adiante  se melhor  verá,  a  quem  competia,  no mínimo,  apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de  dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para  o fisco.  Ressalte­se que, para  fins de  creditamento,  a  legislação exige que o  crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a  alegação  de  que  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações,  quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de  insumos.   Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item.  (grifos nossos)  No voto que direcionou a diligência à unidade de origem, ressaltamos, com a  devida  vênia,  que  a  DRJ  não  caminhou  bem  ao  apreciar  a  questão.  Na  ocasião,  assim  nos  manifestamos:     A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela  instância  a  quo,  é  a  de  que  esta  não  examinou  adequadamente  a  documentação  e  os  argumentos  apresentados  pelo  sujeito  passivo.  Isso  porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação  [...]”,  onde  a  interessada alega  que  “[...]  para  aproximadamente  20% das  referidas  operações,  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos  [...]”,  não  foi  efetivamente  apreciada  pela  instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido  acima.    Como  a  própria  DRJ  afirma,  o  documento  acostado  aos  autos  pela  reclamante  “trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID,  razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data  de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem  sim  subsidiar  o  necessário  exame  para  verificar  se  existe  ou  não  vínculo  entre os fretes e as mercadorias transportadas.     No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia  de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que  o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório.  Foi  com  essa  motivação  que  propusemos  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da  COFINS nos  casos  em  que  os mesmos,  realmente,  correspondem a  fretes  pela  aquisição  de  insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Em resposta à diligência  supra a unidade de origem apresentou o Relatório  Fiscal de fls. 3564/3569, de onde destacamos o seguinte trecho:  Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          33   [...]    Vários  dos  CTRCs  informados  na  planilha  anexa  à  Manifestação  de  Inconformidade, cerca de 1/3, já haviam sido aceitos pela fiscalização, pois  não constam dos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à  Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na  Escrituração Fiscal” e, portanto, seus créditos de PIS e COFINS não foram  objeto  de  glosa.  Tais  documentos  estão  relacionados  na  planilha  anexa  denominada “CTRCs e Notas Fiscais Não Relacionados a Glosas Efetuadas  na Ação Fiscal”.     Dos CTRCs remanescentes da defesa do sujeito passivo, dois deles se  referem a documentos cujas notas fiscais a eles associadas originariamente  não  tinham  sido  escrituradas  (“Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas na Escrituração Fiscal” do item 3.7 do TVF). Informadas novas  notas de entrada após o desfecho da ação fiscal, solicitamos ao contribuinte,  via  Termo  de  Intimação  nº  001­201500011,  item  1,  cientificado  pessoalmente  em  04/02/2015,  que  nos  exibisse  tanto  estes  dois  Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas como as quatro Notas  Fiscais  a  eles  vinculadas,  determinação  esta  cumprida  parcialmente  em  24/02/2015 e 16/03/2015: foi apresentado o CTRC nº 4510 e as notas fiscais  nos 1720 e 1721, mas não o CTRC nº 514599 e as notas fiscais nos 55999 e  56000.     Também  por  meio  deste  Termo  de  Intimação  visamos  comprovar  a  veracidade dos demais vínculos  informados cujos créditos  foram objeto de  glosa (que corresponderiam parcialmente ao demonstrativo “Notas Fiscais  de  Fretes  não  Associadas  à  Tabela  de  Vínculos”  do  item  3.7  do  TVF),  solicitando  assim,  por  amostragem,  algumas  Notas  Fiscais  e  CTRCs,  por  meio  do  item  2  da  mencionada  intimação.  Apesar  de  alguns  CTRCs  (nos  68797  e  886)  e  uma  Nota  Fiscal  (nº  37183)  não  terem  sido  entregues,  segundo  o  contribuinte,  em  virtude  do  “grande  volume  de  documentos  arquivados”,  pôde­se  concluir,  em  consonância  com  este,  que  a  documentação  apresentada  referenda  a  planilha  por  ele  elaborada  e  anexada  à  Manifestação  de  Inconformidade,  com  exceção  destes  documentos não exibidos.      Apesar  de  considerarmos  comprovados  os  vínculos  informados  na  defesa  do  sujeito  passivo,  algumas  das  notas  fiscais  relacionadas,  salvo  melhor juízo, não permitem a apropriação dos créditos relacionados a seus  fretes.  Tal  ocorre  porque  se  referem  a  aquisições  de  bens  para  uso  ou  consumo  ou  destinados  ao  imobilizado,  nos  CFOPs  – Códigos  Fiscais  de  Operação – nos 1551, 2551 e 2556.     Neste  sentido, aliás,  foi a decisão em 1ª  instância em relação ao  item  3.5 do mencionado TVF, como demonstra a ementa a seguir:   “REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.”   Fl. 3617DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          34   Na planilha anexa “Fretes de Bens Destinados a Imobilizado ou a Uso  e  Consumo”  detalhamos  todos  estes  registros  e,  abaixo,  temos  o  resumo  mensal destes créditos, cuja glosa, s.m.j, deverá ser mantida:  Mês  PIS  COFINS  fev/2008  0,92  4,24  jun/2008  3,94  18,13  ago/2008  1,30  6,00  set/2008  3,99  18,40  dez/2008  7,40  34,10  fev/2009  1,13  5,21  mar/2009  2,44  11,19  abr/2009  17,02  78,36  mai/2009  2,02  9,28  jun/2009  10,49  48,30  jul/2009  2,06  9,53  ago/2009  3,67  16,90  set/2009  12,88  59,36  out/2009  9,12  41,98  dez/2009  16,59  76,37  jan/2010  0,48  2,21  fev/2010  17,17  79,05  mar/2010  1,42  6,54  abr/2010  14,41  66,34  mai/2010  5,17  23,77  jun/2010  7,81  35,98  jul/2010  14,48  66,68  ago/2010  36,33  167,37  set/2010  8,98  41,42    Por  outro  lado,  reunimos  todas  as  glosas  que  o  contribuinte  logrou  comprovar  indevidas na planilha “Glosas Revertidas”, a  seguir  totalizadas  mensalmente:  Mês  PIS  COFINS  jan/2008  286,53  1.319,78  fev/2008  381,23  1.755,95  mar/2008  3,92  18,06  abr/2008  605,72  2.790,07  mai/2008  804,26  3.704,48  jun/2008  148,17  682,45  jul/2008  2.010,67  9.261,50  ago/2008  3.674,28  16.924,00  Fl. 3618DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          35 set/2008  1.445,04  6.656,14  out/2008  4.608,03  21.224,31  nov/2008  374,20  1.723,23  dez/2008  7.588,03  34.950,81  jan/2009  668,90  3.081,03  fev/2009  7.495,94  34.525,92  mar/2009  1.386,62  6.387,71  abr/2009  2.007,42  9.245,72  mai/2009  738,41  3.401,16  jun/2009  6.265,02  28.855,01  jul/2009  3.300,66  15.202,28  ago/2009  840,01  3.869,59  set/2009  719,75  3.315,29  out/2009  965,56  4.447,56  nov/2009  1.303,04  6.001,82  dez/2009  2.257,21  10.397,23  jan/2010  1.974,52  9.094,68  fev/2010  2.248,05  10.354,84  mar/2010  490,59  2.259,87  abr/2010  3.197,74  14.728,89  mai/2010  1.315,44  6.059,04  jun/2010  791,94  3.648,05  jul/2010  1.508,77  6.949,40  ago/2010  2.920,90  13.452,87  set/2010  2.954,21  13.607,00    Cumpre lembrar que a planilha “Glosas Revertidas” obedece ao que foi  evidenciado originalmente pela fiscalização no demonstrativo “Notas Fiscais  de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos”, ou seja, contém apenas a  identificação  do  CTRC  e  o  valor  do  PIS  e  da  COFINS  glosados.  Esta  planilha  também inclui o Conhecimento de Transporte Rodoviário nº 4510,  do  demonstrativo  “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração Fiscal”, cuja admissibilidade de créditos ficou evidenciada pela  apresentação do documento e das notas fiscais a ele relacionadas.     É importante notar que as planilhas citadas neste relatório incluem o 1º  trimestre  de  2010,  período  para  o  qual  o  contribuinte,  à  época  da  fiscalização,  não  havia  ainda  apresentado  Pedidos  de  Ressarcimento,  portanto, sem que houvesse possibilidade de ocorrerem glosas efetuadas pela  fiscalização.  Porém,  como  nas  planilhas  mencionadas  no  Termo  de  Verificação Fiscal,  assim como  no  demonstrativo  anexo  à Manifestação  de  Inconformidade  há  referências  a  documentos  deste  período,  optamos  por  relacioná­los  também  neste  trabalho,  apesar  desta  informação  não  gerar  qualquer efeito sobre os direitos pleiteados pelo contribuinte.   *****  Fl. 3619DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          36   Em face do acima exposto, e à luz das informações trazidas pelo sujeito  passivo  durante  a  fiscalização  e  por  ocasião  da  sua  Manifestação  de  Inconformidade, concluímos a diligência solicitada pela 2ª Turma Especial,  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  no  sentido  de  considerar  como  créditos  de  PIS/COFINS  correspondentes a  fretes pela aquisição de  insumos os apurados na escrita  do sujeito passivo, diminuídos das glosas do TVF, acrescidos, no entanto, dos  valores discriminados na última tabela deste Relatório Fiscal.     [...]  Intimada  do  teor  do  relatório  fiscal  acima  reportado,  o  qual  é  padrão  para  todos  os  processos  da  interessada  que  ora  apresentamos  para  julgamento,  a  recorrente,  mediante expediente de fls. 3574/3576, ressalta que as glosas revertidas, em comparação com  as  glosas  originais,  totaliza  valor  inexpressivo,  e  que,  dado  o  grande  volume  de  dados  a  analisar, tem necessidade que seja estendido em mais 30 dias o prazo para sua manifestação.  Até  a  presente  data,  contudo,  o  sujeito  passivo  não  apresentou  nenhum  argumento  adicional  frente  ao  resultado  da  diligência  fiscal  conduzida  pelo  Auditor  Fiscal  responsável pela diligência, e pela própria ação fiscal.  Portanto,  considerando  o  criterioso  trabalho  conduzido  pela  autoridade  administrativa,  retratado  por  último  na  fundamentação  objeto  do  relatório  fiscal  acima  transcrito  parcialmente,  e  ainda,  diante  da  não  apresentação,  pela  recorrente,  de  razões  objetivas  capazes  de  abalar  minimamente  o  resultado  do  trabalho  da  autoridade  em  tela,  entendo  que  deverão  ser  mantidas  as  glosas  inerentes  a  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não admitidas pelo regime da não­cumulatividade, ajustadas nos termos do  aduzido relatório fiscal.   Consequentemente,  há  que  se  dar  provimento  em  parte  aos  argumentos  apresentados  pela  reclamante,  mas  apenas  no  que  concerne  aos  ajustes  perpetrados  pela  autoridade fiscal, acima referenciados.  Da reclassificação de créditos – item 4.2 do TVF  O  sujeito  passivo  também  se  insurge  contra  a  reclassificação  de  créditos  objeto  do  item  4.2  do  Termo  de Verificação  Fiscal.  Segundo  a  fiscalização,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20058,  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº                                                              8      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    Fl. 3620DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          37 10.865/2004 – além do saldo credor apurado na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e  10.833/2003  –  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Contudo,  em  relação  aos  créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações  de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/20049 (dentre outros) – estes,  “por  falta  de  previsão  legal”,  não  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Ressalta  a  autoridade  administrativa  que  a  recorrente  importou  diversas  máquinas  e  veículos  para  revenda  enquadradas  nos  códigos  tarifários  elencados  no  §  3º  do  artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/2004, “cujos créditos de PIS e COFINS foram submetidos,  indevidamente, ao rateio proporcional entre o mercado externo e o faturamento total”.  Vejamos  a  questão  analisando  cronologicamente  os  preceitos  inerentes  ao  regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS que tem relevância para a presente análise.  Como  já  ressaltado  linhas  cima,  o  artigo  3o  das  Leis  nos  10.637/2002  e  10.833/2003 autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos  da pessoa  jurídica. No âmbito dos preceitos  legais em tela, esse direito de crédito alcança os  “bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” ou os “custos e despesas  incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País” (§ 3º do artigo 3o das  Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – grifos nossos). Estabelece ainda o § 7º do mesmo artigo  3º das normas em evidência que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar­se à incidência não­ cumulativa  do  PIS  e  da COFINS  em  relação  apenas  a  parte  de  suas  receitas,  o  crédito  será  apurado,  exclusivamente,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essas  receitas.   Ainda no que concerne às  leis que criaram o regime da não­cumulatividade  das contribuições em tela, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de  mercadorias;  b)  prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como  fim específico de exportação. Em tais hipóteses – “unicamente” –, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição  a  recolher  ou  para  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  Receita Federal. Ainda restrito a esse horizonte, acaso aludido crédito não possa ser utilizado  por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo  solicitar seu ressarcimento em espécie (vide §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e §§  1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003.  Posteriormente,  foi  editada  a  Lei  nº  10.865,  de  30/04/2004,  que  instituiu  o  PIS  e  a  COFINS  incidentes  sobre  as  importações  de  bens  e  de  serviços.  A  norma  em  tela  também  dispôs  sobre  o  creditamento  das  referidas  contribuições  incidentes  sobre  as                                                              9  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3621DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          38 importações,  conforme  o  correspondente  artigo  15,  cujos  trechos  relevantes  seguem  abaixo  transcritos:  Art.  15.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637,  de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses:   I ­ bens adquiridos para revenda;  II  ­  bens  e  serviços utilizados  como  insumo na prestação de  serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustível e lubrificantes;  III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;   IV  ­  aluguéis  e  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  de  prédios,  máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade  da empresa;  V  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica­ se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e  serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei.   § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses  subseqüentes.  [...]  § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam­se, no que couber, as disposições  dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  [...]  § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que  tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei:  I – produtos dos §§ 1º a 3º e 5º a 7º do art. 8º desta Lei, quando destinados à  revenda;  [...]  Por seu turno, o artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 estabelece que   Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no 10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos  §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]  Fl. 3622DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          39 (grifo nosso)  Importa destacar que os produtos de que  trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº  10.865/2004  são  “máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  –  NCM”.  Não  há  controvérsia  quanto  à  subsunção  das  mercadorias  importadas  pelo  sujeito  passivo  nesse  dispositivo,  já  que  ele  próprio  afirma  isso  quando  denomina  a  planilha  “Importação  para  Revenda  de Máquinas  e  Veículos – Lei 10.865/2004, art. 8º, § 3º ” (grifou­se) – vide item 4.2 do TVF.  Historicamente, vê­se que, até aqui, o regime da não­cumulatividade do PIS e  da COFINS autorizava unicamente o desconto dos créditos calculados em conformidade com o  regime,  prevendo,  contudo,  a  compensação  ou  o  ressarcimento  em  espécie  (se  inexistir  a  possibilidade  de  dedução  da  contribuição  a  recolher  ou  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  RFB)  exclusivamente  no  caso  de  as  receitas  serem  decorrentes  da  exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior.   Sobreveio  então  a  Lei  nº  11.033,  de  21/12/2004,  cujo  artigo  17  permitia  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  decorrentes  das  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.   Pouco tempo depois foi publicada a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, cujo artigo  16 estabelece os seguinte:  Art.  16.  O  saldo  credor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em  virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  poderá ser objeto de:  I  ­  compensação com débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria; ou   II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria.   Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de  agosto de 2004 até o último trimestre­calendário anterior ao de publicação  desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei.  Vê­se,  pois,  que  a  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da  exportação de mercadorias ou de  serviços para o  exterior  (sobre  as quais não  incidem as  contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das  Leis nos  10.637/2002 e  10.833/2003, bem como os  créditos decorrentes da  incidência das  contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime  da não­cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004.  Ora, dentre essas hipóteses consta o creditamento em função da aquisição de  bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual entendemos  Fl. 3623DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          40 que a possibilidade de utilização dos créditos para  fins de compensação ou de  ressarcimento  ampara  as  compras,  pelo  sujeito passivo, das máquinas  e dos veículos destinadas  à  revenda.  Quando  o  §  8º  do  artigo  15  diz  que  “as  pessoas  jurídicas  importadoras,  nas  hipóteses  de  importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei”  em  relação,  dentre  outros,  aos  produtos  do  §  3º  do  artigo  8º  (“máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da Nomenclatura Comum do Mercosul  –  NCM”), penso que tal assertiva é restrita à forma de apuração do direito creditório.   Com efeito, estabelece o § 3º do artigo 15 da lei nº 10.865/2004 que   O  crédito  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  será  apurado  mediante  a  aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  sobre  o  valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na  forma do art. 7º  desta  Lei,  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação,  quando  integrante do custo de aquisição.  Portanto, a regra geral de apuração do crédito é a aplicação das alíquotas de  1,65% para o PIS e de  7,6% para a COFINS  (artigo 2º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003,  respectivamente).  Contudo,  na  realidade  presente,  inerente  à  importação  das  máquinas  e  veículos cujos códigos estão elencados no § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, ao qual faz  referência  o  inciso  I  do  artigo  17  da  mesma  lei,  os  créditos  serão  apurados  “mediante  a  aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei”, ou seja, “sobre o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  das  contribuições,  na  forma  do  art.  7º  desta  Lei  [10.865/2004], acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo  de aquisição”.  De  fato,  o  artigo  17  da  Lei  nº  10.865/2004  trata  especificamente  da  possibilidade  de  desconto  de  créditos  nas  hipóteses  que  elenca,  e  nada  diz  a  respeito  de  eventual  restrição  à  utilização  do  direito  creditório  calculado  segundo  as  formas  prescritas.  Reproduzo, abaixo, o  teor do disposto no referido preceito no que importa para a solução do  presente litígio:  Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]   §  2º  Os  créditos  de  que  trata  este  artigo  serão  apurados  mediante  a  aplicação das alíquotas da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS  incidentes  sobre  a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação  específica,  sobre  o  valor  de  que trata o § 3º do art. 15 desta Lei.  Fl. 3624DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          41 [...]  Por  fim,  vale  destacar  que  quase  todos  os  demais  parágrafos  do  artigo  17  tratam,  exclusivamente,  de  formas  de  apuração  de  crédito  nas  hipóteses  abrangidas  pelos  mesmos (regime monofásico). A única exceção é o § 8º do preceito em tela, o qual, quando diz  que “o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta  Lei”,  corrobora  o  presente  entendimento  concernente  ao  qual  o  artigo  17  particulariza  a  apuração do crédito (e unicamente isso) quando aludida apuração foge à regra geral objeto do  artigo 15.  Em conclusão, e no que concerne ao presente tópico, entendo como indevida  a  reclassificação  como  “não  ressarcível”  operada  pela  fiscalização,  uma  vez  que,  conforme  demonstrado, os créditos em tela poderão, sim, ser utilizados para fins de compensação ou de  ressarcimento.  Nessa parte, portanto, também dou provimento ao recurso do sujeito passivo.  Do reposicionamento dos créditos – item 4.3 do TVF  Segundo relatado, foram reposicionadas parcelas dos créditos de importação  aproveitados  em  PER/Dcomp  ao  argumento  de  que  estes,  por  se  originarem  do  mercado  externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestre­calendário. De fato,  conforme o Termo de Verificação Fiscal, o ajuste foi feito em vista da compensação, antes de  findo o trimestre, de créditos do PIS/COFINS importação vinculados a receitas de exportação.  Referido  ajuste  foi  baseado  no  artigo  42  da  IN  RFB  nº  900/2008,  cujo  §  7º  autorizava  a  compensação  de  créditos  decorrentes  de  custos,  despesas  e  encargos  incorridos no mercado  interno  vinculados  a  receitas  de  exportação,  mesmo  antes  de  findo  o  trimestre  do  ano­ calendário a que se refere o crédito.  Em pesquisa à mais atual  instrução normativa que trata do assunto observei  que tal regramento permanece em vigor. Com efeito, o artigo 49, § 6º, da IN RFB nº 1.300, de  20/11/2012,  dispõe  que  a  compensação  dos  créditos,  dentre  outras  hipóteses,  decorrentes  de  custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota  zero ou não  incidência,  “poderá  ser  efetuada  somente depois do  encerramento do  trimestre­ calendário”.  Tal  regramento,  de  fato,  está  amparado  no  caput  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/2005, segundo o qual poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento   o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na  forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833,  de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de  2004, acumulado ao  final de  cada  trimestre do ano­calendário  em virtude  do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004.  (grifo nosso)  Vale  lembrar  que  o  artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004  trata,  justamente,  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.  Fl. 3625DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          42 Portanto, não há embasamento legal que autorize o sujeito passivo a utilizar  os créditos do PIS/COFINS importação antes de findo o trimestre correspondente.  Quanto ao pedido para “decotar os juros e multa calculados, de modo a que  refiram, tão­somente, ao atraso de um ou dois meses  (i.e, aquele decorrente da espera até o  fim  do  trimestre”,  acaso  a  incidência  dos  encargos  tenha  extrapolado  o  correspondente  trimestre (tal não ficou claro no TVF), entendo que, de fato, deverão ser efetuados os ajustes  necessários a considerar a incidência de juros e multa de mora do débito apenas até o término  de cada  trimestre  ­ data  a partir da qual o  contribuinte passou a  ter direito ao crédito. Dessa  forma,  serão  corrigidos  até  a  data  da  compensação  unicamente  os  débitos  em  aberto  posteriormente aos ajustes em tela.  Nesse tópico, portanto, dou provimento parcial ao pedido da recorrente, nos  termos do parágrafo anterior.  Dos erros de cálculo  No  que  concerne  aos  erros  de  cálculo  o  sujeito  passivo  alega  que  a  DRJ  recorrida,  “sem  muitas  justificativas,  também  negou  a  realização  de  diligência  para  tal  verificação”.  Todavia,  ressaltou  que,  “quanto  a  dois  dos  quatro  períodos  apontados  como  exemplos na explanação (abr/2010 e jul a set/2010) os erros de cálculo já foram reconhecidos  e o direito creditório da Recorrente declarados (Acórdãos ns. 02­46.070 e 02­46.072)”.  De  fato,  dentre  todos  os  processos  da  empresa  sob  nossa  responsabilidade  que  ora  trazemos  à  pauta,  observamos  que  a  primeira  instância  já  reconheceu  crédito  remanescente  em  relação  aos  seguintes  processos  da  recorrente  nos  respectivos montantes  a  seguir  discriminados:  13603.724502/2011­43  (R$  7.743,90),  13603.724508/2011­11  (R$  132.933,34), 13603.724529/2011­36 (R$ 339.948,59), 13603.724627/2011­73 (R$ 1.114,90) e  13603.724631/2011­31 (R$ 596.928,10).   Agora, nada mais há que se apreciar em relação ao assunto, uma vez que a  reclamante  não  contesta  o  resultado  das  correções  perpetradas  pela  DRJ,  tendo­se  limitado  unicamente  a  reiterar  a  necessidade  de  “[...]  diligência  para  a  verificação  da  correção  do  cálculo dos créditos a que tem direito [...]”, pleito com respeito ao qual negamos provimento  pelo fato de o mesmo não estar revestido de verossimilhança que revele sua necessidade.   Portanto, nessa parte, entendo que deverá ser negado provimento ao recurso.  Da conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  no  seguinte sentido:  I)  negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de  bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF);  II)  reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os  créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL  Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF);  Fl. 3626DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724495/2011­80  Acórdão n.º 3301­002.793  S3­C3T1  Fl. 0          43 III) manter  o  entendimento  da  fiscalização  pela  impossibilidade  de  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado entre estabelecimentos da  interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda,  pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou  a uso e consumo (item 3.5 do TVF);  IV) quanto  à  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  fretes  pela  “falta  de  identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial  provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade  fiscal no relatório de diligência de fls. 3564/3569;  V)  concernente  à  reclassificação  de  créditos  (item  4.2  do  TVF),  desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela  fiscalização, uma vez  caracterizada  a  possibilidade  de  utilização  dos  créditos,  para  fins  de  compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos  veículos destinadas à revenda;   VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial  provimento  ao  recurso  para  permitir  o  ajuste  necessário  de  forma  a  considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas  até o término de cada trimestre ­ data a partir da qual a contribuinte passou a  ter direito ao crédito;  VII)  negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo.  Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                Fl. 3627DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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Numero do processo: 13603.724633/2011-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento
Numero da decisão: 3301-002.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da interessada, bem como relativamente aos fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares, OAB/MG nº 136.654.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO PELA AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O inciso VI do artigo 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 vincula o creditamento em relação a máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado - além de seu emprego para locação a terceiros - a seu uso “na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. Portanto, o legislador restringiu o creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do cômputo de créditos a aquisição irrestrita de bens necessários ao exercício das atividades da empresa como um todo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. REALIDADE FÁTICA. SERVIÇOS ENQUADRADOS PARCIALMENTE COMO INSUMOS NOS TERMOS DO REGIME. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. O escopo das mencionadas leis não se restringe à acepção de insumo tradicionalmente proclamada pela legislação do IPI e espelhada nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), sendo mais abrangente, posto que não há, nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, qualquer menção expressa à adoção do conceito de insumo destinado ao IPI, nem previsão limitativa à tomada de créditos relativos somente às matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. Contudo, deve ser afastada a interpretação demasiadamente elástica e sem base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não dá margem a que se considerem como insumos passíveis de creditamento despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa. Logo, há que se conferir ao conceito de insumo previsto pela legislação do PIS e da COFINS um sentido próprio, extraído da materialidade desses tributos e atento à sua conformação legal expressa: são insumos os bens e serviços utilizados (aplicados ou consumidos) diretamente no processo produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso dos bens, não sofram alterações em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Realidade em que a empresa, fabricante de máquinas e equipamentos de grande porte, busca se creditar da contribuição em função de serviços com despacho aduaneiro, contabilidade geral, controle fiscal, contas a pagar e tesouraria, controle de ativo fixo, registro fiscal, faturamento, gestão tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por não estarem relacionados diretamente à atividade produtiva da interessada, não dão direito a creditamento. Diferentemente, poderão alicerçar creditamento os serviços relacionados ao controle de fluxo de produção e de estoque nas instalações fabris (sistema just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES DA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA INTERESSADA, OU AINDA, PELOS FRETES DO TRANSPORTE DE MERCADORIAS DESTINADAS AO ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. No regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo. Logo, por falta de previsão legal, é inadmissível o creditamento em face de fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES PAGOS NA COMPRA DE INSUMOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O regime da não-cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS admite o creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de insumos adquiridos de pessoas jurídicas. PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL. A possibilidade de compensação ou de ressarcimento em espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais não incidem as contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as importações - no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime da não-cumulatividade - nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, dentre as quais se inclui a aquisição de bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004). PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR. COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. TRIMESTRALIDADE DA APURAÇÃO. Poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento o saldo credor da Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art. 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art. 15 da Lei nº 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário, em virtude da manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS (artigo 17 da Lei nº 11.033/2004). Recurso ao qual se dá parcial provimento

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          2 destinado  ao  IPI,  nem  previsão  limitativa  à  tomada  de  créditos  relativos  somente  às  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem.   Contudo,  deve  ser  afastada  a  interpretação  demasiadamente  elástica  e  sem  base legal de se dar ao conceito de insumo uma identidade com o de despesa  dedutível prevista na legislação do imposto de renda, posto que a Lei, ao se  referir expressamente à utilização do insumo na produção ou fabricação, não  dá  margem  a  que  se  considerem  como  insumos  passíveis  de  creditamento  despesas que não se relacionem diretamente ao processo fabril da empresa.   Logo, há que se conferir  ao conceito de  insumo previsto pela  legislação do  PIS  e  da  COFINS  um  sentido  próprio,  extraído  da  materialidade  desses  tributos  e  atento  à  sua  conformação  legal  expressa:  são  insumos  os  bens  e  serviços  utilizados  (aplicados  ou  consumidos)  diretamente  no  processo  produtivo (fabril) ou na prestação de serviços da empresa, ainda que, no caso  dos  bens,  não  sofram  alterações  em  função  da  ação  diretamente  exercida  sobre o produto em fabricação.  Realidade  em  que  a  empresa,  fabricante  de  máquinas  e  equipamentos  de  grande porte,  busca  se  creditar da  contribuição  em  função  de  serviços  com  despacho  aduaneiro,  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária e societária, serviços de assessoria e expatriados, serviços os quais  dizem respeito a atividades de caráter meramente administrativo, e que, por  não  estarem  relacionados  diretamente  à  atividade  produtiva  da  interessada,  não dão direito a creditamento.  Diferentemente,  poderão  alicerçar  creditamento  os  serviços  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  produção  e  de  estoque  nas  instalações  fabris  (sistema  just in time), posto que esses são essenciais ao processo produtivo.  PIS/PASEP.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS CALCULADOS EM RELAÇÃO A FRETES DECORRENTES  DA  TRANSFERÊNCIA  DE  PRODUTO  ACABADO  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  INTERESSADA,  OU  AINDA,  PELOS  FRETES  DO  TRANSPORTE  DE  MERCADORIAS  DESTINADAS  AO  ATIVO IMOBILIZADO OU A USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE.  No  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  a  possibilidade  de  creditamento  em  relação  a  despesas  com  frete  e  armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos  para  revenda  ou  produzidos  pelo  sujeito  passivo,  e,  ainda  assim,  quando  o  ônus for suportado pelo mesmo.  Logo, por  falta de previsão  legal, é  inadmissível o creditamento em face de  fretes decorrentes da transferência de produto acabado entre estabelecimentos  da interessada, ou ainda, pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas  ao ativo imobilizado ou a uso e consumo.  PIS/PASEP.  REGIME  DA  NÃO­CUMULATIVIDADE.  DESCONTO  DE  CRÉDITOS  CALCULADOS  EM  RELAÇÃO  A  FRETES  PAGOS  NA  COMPRA  DE  INSUMOS  ADQUIRIDOS  DE  PESSOA  JURÍDICA.  POSSIBILIDADE.  Fl. 3593DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          3 O  regime  da  não­cumulatividade  do  PIS/PASEP  e  da  COFINS  admite  o  creditamento calculado a partir de despesas com fretes pagos na compra de  insumos adquiridos de pessoas jurídicas.  PIS/PASEP. REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO  OU RESSARCIMENTO DO SALDO CREDOR. AMPLITUDE LEGAL.  A  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie  do  saldo  credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior (sobre as quais  não  incidem  as  contribuições  em  tela),  passou  a  alcançar  todos  os  créditos  apurados na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003, bem  como os créditos decorrentes da incidência das contribuições em tela sobre as  importações  ­  no  caso  de  pessoas  jurídicas  sujeitas  ao  regime  da  não­ cumulatividade  ­  nas  hipóteses  albergadas  pelo  artigo  15  da  Lei  nº  10.865/2004,  dentre  as  quais  se  inclui  a  aquisição  de  bens  para  revenda  (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004).  PIS/PASEP. REGIME DA NÃO­CUMULATIVIDADE. SALDO CREDOR.  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  TRIMESTRALIDADE  DA  APURAÇÃO.  Poderá  ser  objeto  de  compensação  ou  de  ressarcimento  o  saldo  credor  da  Contribuição para o PIS/PASEP e para a COFINS apurado na forma do art.  3º  das Leis nos  10.637/2002 e 10.833/2003, bem como do art.  15 da Lei nº  10.865/2004,  acumulado  ao  final  de  cada  trimestre  do  ano­calendário,  em  virtude  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  zero  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS  (artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004).  Recurso ao qual se dá parcial provimento      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  na  forma  do  relatório  e  do  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara  Simões e Valcir Gassen, que reconheciam o direito a creditamento também inerente aos fretes  pelo  transporte  na  transferência  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  da  interessada,  bem  como  relativamente  aos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  ativo  imobilizado.  (assinado digitalmente)  Andrada Márcio Canuto Natal ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator.  Participaram  da  presente  sessão  de  julgamento  os  conselheiros  Andrada  Márcio  Canuto Natal,  Francisco  José  Barroso  Rios,  José Henrique Mauri,  Luiz  Augusto  do  Fl. 3594DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          4 Couto  Chagas, Marcelo  Costa Marques  d'Oliveira, Maria  Eduarda Alencar  Câmara  Simões,  Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.  Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. André Garcia Leão Reis Valadares,  OAB/MG nº 136.654.  Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto contra decisão da 1a Turma da DRJ  Belo Horizonte (fls. 13603.724633/2011­21 do processo eletrônico), que, por unanimidade de  votos, julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade formalizada contra o não  reconhecimento  integral  do  direito  creditório  pleiteado  mediante  as  declarações  de  compensação objeto dos autos, conforme acórdão assim ementado:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de Apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010  REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  DECORRENTES  DE  EXPORTAÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.   A contribuição não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de  exportação de mercadorias para o exterior. O reconhecimento de direito ao  ressarcimento  ou  à  compensação  demanda  a  comprovação,  pela  contribuinte,  da  existência  de  crédito  líquido  e  certo  contra  a  Fazenda  Pública.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.  Geram  créditos  os  dispêndios  realizados  com  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados  à  venda,  observadas  as  ressalvas  legais.  O  termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer  fator que  onere  a  atividade  econômica,  mas  tão­somente  como  aqueles  bens  ou  serviços  que  sejam  diretamente  empregados  na  produção  de  bens  ou  na  prestação de serviços.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. CRÉDITOS. DESPESAS COM SEGUROS.  Desde que suportado pela pessoa jurídica compradora, o seguro pago pelo  transporte,  assim  como  o  frete,  integra  o  custo  de  aquisição  de  bens  ou  mercadorias adquiridas.   REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS  SOBRE  IMPORTAÇÃO  VINCULADOS  A  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO.  RESSARCIMENTO.  COMPENSAÇÃO.   A possibilidade de compensação, ou de ressarcimento em espécie, do saldo  credor  apurado  em  decorrência  de  operações  de  importação,  autorizada  Fl. 3595DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          5 pelo  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  alcança  tão­somente  os  créditos  previstos no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004.   REGIME NÃO­CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. APURAÇÃO.   A  autoridade  competente  para  decidir  sobre  o  pedido  de  ressarcimento,  restituição  ou  compensação  de  créditos  poderá  condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios  do  referido  direito,  sendo  que  somente  são  passíveis  de  compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozar  de liquidez e certeza para serem utilizados.   Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte   Direito Creditório Reconhecido em Parte   O presente processo  diz  respeito  a declarações  de  compensação  – DCOMP  relativas  a  saldo  credor  de  PIS/PASEP  apurado  no  período  de  01/07/2010  a  30/09/2010,  no  valor  total de R$ 1.468.923,04, em conformidade com o artigo 5º da Lei nº 10.637, de 2002.  Desse  montante,  a  unidade  jurisdicionante  do  contribuinte  já  reconhecera  o  direito  sobre  a  parcela de R$ 1.415.152,26. Por seu turno, a DRJ recorrida entendeu que deverão ser também  restabelecidos  os  créditos  apropriados  sobre  a  utilização  de  água  e  esgoto  das  filiais  “Contagem”  e  “Curitiba”,  bem  como os  créditos  relativos  aos  seguros  pagos  pelos  fretes  de  bens ou mercadorias adquiridas pela interessada.   Assim,  com  base  nos  cálculos  elaborados  posteriormente  pela  DRF  Contagem  em  conseqüência  da  decisão  da DRJ,  segundo  os  quais  a  quantia  adicional  a  ser  creditada  em  favor  do  sujeito  passivo  corresponde  a R$  1.723,83  (ressalvado  o  desconto  de  alguma  parcela  outrora  compensada  evidenciada  em  alguns  processos  da  empresa  sobre  a  mesma matéria), tem­se que o montante em litígio corresponde a R$ 52.046,95.  Segue,  abaixo,  o  relato  dos  fatos  transcrito  da  decisão  recorrida,  o  qual  é  padrão em todos os processos da empresa sobre essa matéria:  Com o  intuito  de  verificar  a  apuração do  IPI,  bem  como o PIS  e  a  Cofins  da  pessoa  jurídica,  foi  emitido,  em  11/05/2011,  o  Mandado  de  Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF­F n.º: 06.1.10.00­2011­00427­3).  Em  decorrência,  a  autoridade  fiscal  lavrou  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização,  intimando  o  sujeito  passivo  a  apresentar,  dentre  outros  elementos,  arquivos  digitais  referentes  aos  itens  4.3.1,  4.3.2,  4.3.3,  4.3.4,  4.9.1 e 4.9.5 do Anexo Único do Ato Declaratório SRF/Cofis nº 15, de 2001,  escrituração  contábil  digital,  nos  termos  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  787,  de  2007,  relação  dos  produtos  fabricados  pelo  estabelecimento,  certidão de objeto  e pé de ações  judiciais  referentes ao  IPI, PIS e Cofins,  relação das contas contábeis  referentes a créditos, receitas e exclusões da  base de  cálculo do PIS  e da Cofins, memoriais de apuração das bases de  cálculo  utilizadas  no  preenchimento  dos Demonstrativos  de Apuração  das  Contribuições Sociais – Dacon ­ e demonstrativo dos fretes de compras de  bens utilizados como insumos.   De acordo com a fiscalização, a contribuinte admitiu a ocorrência de  erros no preenchimento dos Demonstrativos de Apuração de Contribuições  Sociais – Dacon. Sendo assim, os créditos foram apurados de acordo com os  memoriais  de  apuração  das  bases  de  cálculo  dos  Dacon  e  demais  documentos apresentados pela contribuinte a pedido da autoridade fiscal.  Fl. 3596DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          6 Em seguida, a autoridade fiscal elaborou demonstrativo das glosas de  créditos de PIS, conforme abaixo (valores em reais):    P.A.   3.1.  3.2.  3.3.  3.4.  3.5.  3.6.  3.7.  TOTAL  ME/FAT  MI   ME  jan/08  3,26  2.845,44  1.367,77  0,00  0,00  36,02  127.836,13  132.088,62  20,23%  105.371,64  26.716,98  fev/08  3,26  5.381,60  1.515,51  0,00  0,00  38,86  91.338,39  98.277,62  14,25%  84.274,71  14.002,91  mar/08  3,26  5.967,74  1.390,14  0,00  0,00  29,65  71.482,90  78.873,69  18,07%  64.623,36  14.250,33  abr/08  3,26  4.719,18  1.627,64  0,00  38,13  186,26  180.784,88  187.359,35  16,34%  156.741,83  30.617,52  mai/08  49,44  8.261,21  1.586,73  0,00  159,52  496,78  125.875,75  136.429,43  19,55%  109.752,61  26.676,82  jun/08  49,44  5.983,14  2.042,36  0,00  50,27  191,73  108.912,17  117.229,11  16,40%  98.001,10  19.228,01  jul/08  151,12  9.659,18  1.909,71  26,51  150,14  587,80  121.509,41  133.993,87  16,20%  112.289,14  21.704,73  ago/08  151,12  7.179,43  1.921,09  3,76  132,18  1.291,51  118.778,39  129.457,48  22,26%  100.645,30  28.812,18  set/08  168,13  3.074,82  1.883,11  6,96  217,27  1.647,18  104.600,83  111.598,30  24,00%  84.811,15  26.787,15  out/08  241,91  6.252,08  1.770,70  0,00  136,81  1.219,34  122.203,64  131.824,48  23,59%  100.727,26  31.097,22  nov/08  318,76  8.491,53  1.719,92  8,63  91,80  1.456,49  70.934,88  83.022,01  22,87%  64.032,81  18.989,20  dez/08  532,25  4.150,69  1.471,63  0,20  112,63  1.467,26  131.074,08  138.808,74  37,59%  86.634,00  52.174,74  jan/09  532,25  5.385,90  1.179,67  0,00  173,76  1.879,16  51.684,90  60.835,64  14,79%  51.837,44  8.998,20  fev/09  532,25  11.673,37  1.262,98  33,26  104,68  3.510,75  64.575,01  81.692,30  15,53%  69.008,40  12.683,90  mar/09  532,25  10.388,31  441,21  7,40  25,91  2.776,46  44.105,65  58.277,19  16,48%  48.672,38  9.604,81  abr/09  532,25  2.838,07  1.572,35  1.164,99  40,14  3.401,09  24.839,83  34.388,72  9,90%  30.983,35  3.405,37  mai/09  532,25  5.261,01  874,84  2.569,55  27,06  3.012,90  45.330,66  57.608,27  7,28%  53.414,17  4.194,10  jun/09  532,25  3.246,92  958,43  0,00  14,04  2.405,55  50.649,08  57.806,27  18,59%  47.059,37  10.746,90  jul/09  532,25  7.110,54  720,28  2.897,56  59,09  3.385,00  34.676,13  49.380,85  17,15%  40.912,30  8.468,55  ago/09  532,25  1.953,83  1.175,60  92,21  46,59  1.767,91  33.182,54  38.750,93  8,12%  35.604,80  3.146,13  set/09  532,25  5.565,34  445,25  1.389,50  25,96  4.099,24  17.784,73  29.842,27  14,27%  25.583,88  4.258,39  out/09  532,25  4.171,09  2.445,14  1.917,99  14,83  2.016,65  29.949,93  41.047,88  7,37%  38.023,58  3.024,30  nov/09  532,25  5.999,82  1.378,43  1.289,05  20,70  4.449,68  33.600,99  47.270,92  9,53%  42.765,50  4.505,42  dez/09  532,25  3.670,03  1.580,37  4.930,84  37,09  11.126,51  39.091,41  60.968,50  8,26%  55.933,91  5.034,59  jan/10  532,25  3.502,79  2.203,49  20,65  27,72  1.117,50  14.467,59  21.871,99  8,45%  20.023,98  1.848,01  fev/10  532,25  7.916,35  1.523,09  0,00  18,55  3.337,67  90.260,30  103.588,21  6,86%  96.482,90  7.105,31  mar/10  532,25  1.633,53  1.589,22  299,59  33,98  3.206,79  54.032,80  61.328,16  13,04%  53.333,25  7.994,91  abr/10  532,25  18.149,44  1.551,72  474,12  33,89  3.384,16  213.636,74  237.762,32  14,80%  202.585,29  35.177,03  mai/10  532,25  6.014,24  1.054,57  190,05  46,59  5.760,11  52.717,10  66.314,91  7,27%  61.493,82  4.821,09  jun/10  532,25  8.552,18  1.487,26  72,44  41,18  2.397,81  93.602,34  106.685,46  11,08%  94.864,71  11.820,75  jul/10  532,25  8.892,22  1.229,17  3.311,98  44,16  6.016,23  64.426,44  84.452,45  13,12%  73.372,29  11.080,16  ago/10  532,25  10.200,72  1.366,51  2.038,99  41,63  1.732,96  37.199,94  53.113,00  10,40%  47.589,25  5.523,75  set/10  532,25  7.053,10  1.284,13  5.068,86  61,18  5.531,16  43.200,69  62.731,37  7,76%  57.863,42  4.867,95  LEGENDA:   P.A. PERÍODO DE APURAÇÃO;  3.1. AQUISIÇÕES DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   3.2. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS NÃO UTILIZADOS DIRETAMENTE NA PRODUÇÃO;   3.3. AQUISIÇÕES DE ÁGUA E ESGOTO NÃO UTILIZADOS NA PRODUÇÃO;   Fl. 3597DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          7 3.4. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE PRODUTOS FINAIS ENTRE ESTABELECIMENTOS;   3.5. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A TRANSPORTE DE BENS PARA USO, CONSUMO OU IMOBILIZADO;   3.6. AQUISIÇÕES DE SEGUROS PARA FRETES;   3.7. AQUISIÇÕES DE FRETES RELATIVOS A MERCADORIAS NÃO IDENTIFICADAS.   MI. MERCADO INTERNO   ME. MERCADO EXTERNO  ME/FAT. RELAÇÃO PERCENTUAL MERCADO EXTERNO/FATURAMENTO   Como resultado,  foram obtidos os valores dos créditos vinculados ao  mercado  externo,  sendo  que,  a  fim  de  se  apurar  os  saldos  passíveis  de  ressarcimento ou de compensação antecipada, a autoridade  fiscal executou  alguns ajustes.   O primeiro  deles,  segundo  ela,  deriva  do  fato  de  que,  em  virtude  do  art.  16  da  Lei  nº  11.116,  de  2005,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Durante  a  auditoria,  constatou­se  que  a  contribuinte  importou,  para  fins  de  revenda,  diversas  máquinas  e  veículos  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01  e  87.04  da  Nomenclatura  Comum  do Mercosul,  previstos no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, enquanto que os créditos de  PIS/Cofins  foram  submetidos  indevidamente  ao  rateio  proporcional  entre  mercado externo e interno. Assim, apurou a fiscalização o crédito mensal a  ser  reclassificado  como  não  ressarcível.  Já  o  segundo  ajuste  diz  respeito,  conforme  a  fiscalização,  à  possibilidade  de  compensação,  antes  do  encerramento do trimestre, de créditos de importação vinculados à receita de  exportação. Aduz que, apesar do art. 16 da Lei nº 11.116, de 2005, permitir o  ressarcimento  dos  créditos  de  importação,  a  compensação  antecipada  possibilitada  pelo  art.  42  da  Instrução  Normativa  RFB  nº  900,  de  2008,  menciona  apenas  aqueles  créditos  oriundos  de  aquisições  no  mercado  interno.  Por  créditos  de  importação,  entende  aqueles  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865, de 2004, inclusive aquisição de máquinas e equipamentos destinados  ao  ativo  imobilizado.  Refere­se  ao  caput  do  art.  34  desta  Instrução  Normativa e conclui que o contribuinte não observou o regramento exposto  no preenchimento das PER/Dcomp, de modo que elabora demonstrativos que  indicam quais créditos devem ser reposicionados no último mês do trimestre  para fins de pedido de ressarcimento.  Assim,  após  efetuados  os  ajustes,  prossegue  a  fiscalização,  a  contribuinte teria direito ao ressarcimento dos valores de Cofins e de PIS nos  valores  que  demonstra.  Afirma  a  autoridade  fiscal  que  a  reapuração  dos  saldos  de  PIS  e  Cofins  não  altera  os  valores  passíveis  de  ressarcimento  indicados, porém, o saldo credor total, ou montante disponível após a última  PER/Dcomp  para  desconto  das  contribuições  a  recolher,  é  de  R$  9.048.196,92,  de  PIS  e  de  R$  12.349.027,24,  de  Cofins,  respectivamente.  Esclarece que não foram apurados valores a recolher no período auditado.  Por  fim,  calcula  os  créditos  passíveis  de  ressarcimento,  elabora  demonstrativos  e  sugere  o  deferimento  parcial  dos  diversos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensações  efetuados,  de  acordo  com  os  valores  que  indica no Termo de Verificação Fiscal.   As  glosas  efetuadas  bem  como  as  justificativas  estão  detalhadas  no  Termo de Verificação Fiscal e no demonstrativo “Glosas de Compensações e  Ressarcimento” para as contribuições PIS/Cofins elaborado pela autoridade  fiscal.  Fl. 3598DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          8 Diante desses fatos, a DRF/Contagem emitiu Despacho Decisório, em  27/12/2011, por meio do qual foi parcialmente homologada a Dcomp. Como  resultado foi reconhecido o crédito no valor de R$ 594.742,57.  Como base  legal  são  citados,  entre  outros,  os  seguintes  dispositivos:  Lei nº 10.637, de 2002; Lei nº 10.833, de 2003; Instrução Normativa RFB nº  600, de 2005 e Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008.  Cientificada  em  27/02/2012,  a  contribuinte  apresentou,  em  28/03/2012,  a  manifestação  de  inconformidade  às  fls.  69  a  101  e  155,  acompanhada dos documentos às fls. 102 a 154 e 156 a 1369, alegando, em  síntese, que:  ­ A matéria objeto de recurso não foi submetida à apreciação judicial,  com o que se atende ao disposto no art. 16, inciso V, do Decreto nº 70.235,  de 1972;  ­ As três supostas irregularidades apontadas pela fiscalização fizeram  com  que  os  créditos  de  PIS/Cofins  fossem  recalculados  mensalmente.  Obtidos  os  novos  valores  passíveis  de  ressarcimento  e  compensação,  as  compensações  foram  homologadas  até  esse  limite,  indeferindo,  integral  ou  parcialmente, aqueles que o superaram;   ­ Desse trabalho, 198 PER/Dcomp foram deferidos, 42 o foram apenas  em  parte  e  34  receberam  resposta  negativa.  Por  sua  vez,  os  respectivos  despachos  decisórios,  em  que  tais  entendimentos  foram  apresentados,  constaram  de  51  processos  administrativos  de  crédito,  dos  quais  41  trouxeram  resultados  contrários  aos  interesses  da  requerente.  A  decisão  recorrida, para que se apresenta a presente manifestação de inconformidade,  é  um  desses.  Como  todos  esses  41  processos  se  referem  a  uma  mesma  matéria, advém de um mesmo procedimento de fiscalização, é desejável que  as correspondentes defesas sejam julgadas conjuntamente, o que desde já se  requer;  ­  Segundo  a  fiscalização,  a  recorrente  não  estava  autorizada  a  se  creditar  sobre as  seguintes bases: ativo  imobilizado –  inclusão  indevida de  bens não utilizados na produção (item 3.1 do TVF), serviços não empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF),  utilização  de  água  e  esgoto  em  processos  industriais  (item  3.3  do  TVF),  fretes  –  transporte  de  produtos finais entre estabelecimentos da pessoa jurídica (item 3.4 do TVF),  fretes  –  inclusão  indevida  do  transporte  de  mercadorias  destinadas  ao  imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF), fretes­ inclusão indevida  do  seguro  pago  (item  3.6  do  TVF)  e  fretes  –  falta  de  identificação  das  mercadorias  transportadas  (item 3.7 do TVF). Mas  ela  estava, na  verdade,  haja vista a legislação e jurisprudência acerca da matéria;   ­  Item 3.1 do TVF. A DRF entendeu que as despesas  com veículos e  com móveis para salas de treinamento de funcionários não poderiam compor  a  base  de  cálculo  dos  créditos  por  não  serem  diretamente  destinadas  às  atividades  de  industrialização.  Entretanto,  consoante  art.  3o  das  Leis  nº  10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003, tal creditamento é permitido. No caso,  não há como dizer que os bens não se prestam ao exercício da indústria. Os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento  tecnológico;   Fl. 3599DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          9 ­  Item  3.2  do  TVF.  Esses  serviços,  ao  contrário  do  que  sustenta  a  fiscalização,  são,  sim,  utilizados  de  forma  direta  na  atividade  industrial,  sobretudo  porque  são  a  ela  essenciais.  Os  insumos,  na  sistemática  do  PIS/Cofins,  são  aquelas  despesas,  custos  ou  encargos  essenciais  ao  desempenho da atividade econômica da contribuinte, seja ela qual for. São,  de acordo com doutrinadores,  todos os elementos  físicos ou  funcionais  (...)  que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o  produto.  Jurisprudência  administrativa  do  CARF  apresenta  o  mesmo  posicionamento, a exemplo dos Acórdãos nº 3202­00.226, de 08/02/2010 e nº  9303­01.035,  de  23/08/2010.  Julgados  dos  Tribunais  Regionais  Federais  e  Superior  Tribunal  de  Justiça  também  vão  no  mesmo  sentido.  No  caso,  os  serviços  são  essenciais.  Aqueles  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos Ltda., por exemplo, são vitais para o processo de industrialização,  que  depende  da  entrega  de  insumos  na  lógica  do  sistema  just  in  time.  (“produção  enxuta,  por  demanda”).  Conforme  se  afere  dos  contratos  ora  anexados  (doc.  5),  tais  serviços  consistem  na  gestão  inteligente  do  fornecimentos  de  bens  a  serem  aplicados  no  processo  produtivo.  Não  se  trata, pois, de meros serviços de movimentação e controle de estoques, como  pareceu  entender  a  fiscalização.  O  que  essa  pessoa  jurídica  fornece  é  a  otimização do processo industrial,  serviço diretamente  ligado à produção e  cujo  fator  intelectual  é  preponderante.  Esse  tipo  de  serviço,  sobretudo  no  setor econômico em que atua a contribuinte, é fundamental. Portanto, não há  como  afastar  a  sua  natureza  de  insumo  e,  via  de  conseqüência,  de  gasto  passível de creditamento, eis que se trata de serviço essencial e diretamente  vinculado  à  produção,  inclusive  qualificado  como  verdadeiro  custo  de  produção para as quais a jurisprudência administrativa permite, há muito, o  desconto de créditos;  ­  Item  3.3  do  TVF.  Somente  foram  admitidas  para  efeito  de  creditamento  a  água  aplicada  nos  processos  industriais  de  “têmpera”  e  “lavagem  e  prova  hídrica”,  pois  somente  nesses  casos  haveria  o  contato  direito com o bem produzido. A água empregada nos outros dois processos  industriais, os de “pintura” e “usinagem”, não teria tal natureza. Contudo, a  fiscalização  glosou  os  créditos  não  apenas  quanto  aos  dois  últimos  processos,  mas  em  relação  a  todos  eles,  sob  o  argumento  de  que  a  contribuinte não soube precisar a quantidade de água empregada em cada  um desses processos, o que intensifica o absurdo da autuação. É que não há  dúvida  que  a  água  empregada  em  todos  esses  quatro  processos  permite  o  aproveitamento de créditos de PIS/Cofins, porque se encaixa no conceito de  insumo  e  é  empregada,  de  forma  essencial,  na  produção,  descabendo  a  exigência  de  contato  físico  direto  com  os  produtos  fabricados,  consoante  jurisprudência do CARF e  julgados dos Tribunais Regionais Federais e do  Superior Tribunal de Justiça;   ­  Item  3.4  do  TVF.  O  fato  de  a  transferência  de  bens  entre  estabelecimentos da pessoa jurídica não se caracterizar, propriamente, como  uma operação de venda, nada tem a ver com a sua aptidão a gerar créditos  de PIS/Cofins, sendo relevante apenas a sua qualificação como insumo, isto  é, a sua essencialidade para o processo de produção, conforme já reiterado.  E  transportar  as  mercadorias  entre  os  diversos  estabelecimentos  é  fundamental  para  o  curso  regular  das  operações  da  pessoa  jurídica  principalmente  por  dois  motivos:  (a)  A  contribuinte  possui  um  variado  portfólio, provendo máquinas e equipamentos de marcas distintas  (“Case”,  “New  Holland”,  “Kobelco”  e  “Steyr”,  por  exemplo)  para  setores  do  mercado também díspares (de agricultura e construção civil, sobretudo), mas  Fl. 3600DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          10 suas  plantas  industriais  não  estão  preparadas  para  fabricarem  todos  esses  produtos,  até porque,  aliás,  isso  demandaria  investimentos  de  elevadíssima  monta. Mormente  pela  variedade  de  estabelecimentos  em  todo  o  país,  que  também  operam  como  centros  de  venda,  fornecendo  todos  os  produtos  da  marca, há necessidade de manutenção de estoques, segundo as condições do  mercado,  mesmo  para  aquelas  mercadorias  que  não  são  fabricadas  no  próprio  estabelecimento,  de modo  que  valores  consideráveis  são  gastos  no  transporte de mercadorias entre os estabelecimentos da pessoa jurídica e (b)  São  produzidas  máquinas  e  equipamentos  pesados,  os  quais  gozam  de  particularidades  quanto  à  sua  estocagem,  sobretudo  pelos  grandes  e  diferenciados  tamanhos. É  possível,  por  isso,  que  devido  a  uma queda nas  vendas,  por  exemplo,  determinado  estabelecimento  fique  sem  espaço  para  alocar  a  sua  produção,  o  que  tornará  necessária  a  busca  por  outras  unidades.  Nessas  situações  é  desejável  que  seja  feita  a  transferência  para  outro estabelecimento,  pois a  locação de  espaços para  tal  pode  se mostrar  excessivamente onerosa muito em virtude das  elevadas dimensões dos bens  produzidos.  Além  disso,  os  fretes  em  exame  são  despesas  vinculadas  ao  processo  de  produção,  o  que  reforça  a  possibilidade  de  creditamento.  De  fato, até que as mercadorias produzidas sejam efetivamente alienadas não há  falar em encerramento da atividade industrial, mesmo porque o objetivo de  qualquer pessoa jurídica é vender (obter receitas). Com efeito como este é o  fato gerador de PIS/Cofins (as receitas), todo gasto com os produtos até que  elas sejam auferidas deve ser considerado  insumo. Julgados do CARF e do  Superior Tribunal de Justiça corroboram essa tese;   ­ Item 3.5 do TVF. Ainda que não goze de previsão legal, é assente na  jurisprudência  administrativa  que  o  frete  pago  na  aquisição  de  bens  necessários  ao  desenvolvimento  da  atividade  industrial  permite  o  creditamento. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a  RF. Deveras, considerando a materialidade do PIS/Cofins, bem assim o atual  entendimento  jurisprudencial  sobre  o  tema,  quaisquer  custos  de  aquisição  devem autorizar o desconto de créditos;   ­  Item  3.6  do  TVF.  Entendeu  o  fisco  que  o  seguro,  normalmente  destacado, que compõe o frete pago na aquisição de insumos deveria ter sido  descontado da apuração dos créditos, de sorte que a recorrente não poderia  ter  se  creditado  com  base  no  valor  total  do  Conhecimento  de  Transporte  Rodoviário de Cargas ­ CTRC, como ocorreu. O seguro do transporte não é  custeado pela recorrente, mas sim pela própria transportadora, a verdadeira  e  única  contratante  desse  serviço.  O  destaque  no  CTRC  é  apenas  uma  exigência  legal  instituída  para  permitir  a  identificação  da  composição  do  frete.  O  RICMS/MG,  em  seu  art.  81,  inciso  XIII,  trata  o  seguro  como  “valores dos componentes do  frete”. O seguro, portanto,  foi avençado pela  transportadora, que apenas  informa o seu  respectivo  valor em atendimento  ao regramento legal. No caso, a recorrente pagou apenas pelo transporte e,  sendo  o  frete  na  aquisição  de  insumos  passível  de  creditamento,  agiu  de  forma acertada ao calcular seus créditos sobre o valor total do CTRC, que é  o efetivo valor do frete. Ainda que se entenda o contrário, o crédito afigura­ se  legítimo em virtude de equivaler ao “custo de aquisição”. O art. 289 do  RIR autoriza o aproveitamento do crédito em relação a quaisquer custos de  aquisição. Cita a Solução de Consulta nº 156, de 19/09/2008, da SRRF/6a RF.  Assim, sendo os seguros, igualmente, um “custo de aquisição”, conforme art.  289, § 1o do RIR, cabível o creditamento quanto a eles;   Fl. 3601DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          11 ­ Item 3.7 do TVF. Essa glosa decorreu da ausência de vinculação de  boa parte dos fretes aos respectivos insumos adquiridos. Estornou­se, então,  praticamente todo o crédito de fretes do período, exceto aqueles tratados nos  itens anteriores, que tiveram análise própria e apartada. Para que não haja  dúvidas quanto ao seu direito a recorrente requer, desde já, a realização de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos  correspondentes,  o  que  apenas  não  faz  agora,  com esta defesa, e não  fez durante o procedimento  fiscal,  em  razão do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias.  De  qualquer  forma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  um  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam à  compra de insumos. Por isso, na eventualidade de não se permitir a juntada  desses  documentos,  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação  de  exigência  fiscal  claramente  desproporcional e ilegítima;   ­ Item 4.2 do TVF. Os créditos utilizados como base dos PER/Dcomp  ora  examinados,  e  também  daqueles  outros  apresentados  no  período  fiscalizado,  decorreram  de  aquisições  realizadas  no mercado  interno  e  no  exterior. No entanto, para a fiscalização, os créditos advindos da importação  de mercadorias citadas no art. 17 da Lei nº 10.865, de 2004, não poderiam  ter  sido  utilizados  para  efeito  de  ressarcimento  e  compensação,  segundo a  qual  apenas  as  importações  amparadas  pelo  art.  15  da  aludida  lei  é  que  permitiriam tais procedimentos, haja vista a literalidade do art. 16. Porém,  não há regramentos distintos para os créditos de importações, que estariam  nos  mencionados  arts.  15  e  17.  Na  verdade,  todo  o  creditamento  de  PIS/Cofins  –  Importação deriva  do  art.  15  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  seria  o  equivalente  funcional  dos  arts.  3o  das Leis nº  10.637,  de  2002  e  nº  10.833,  de  2003,  que  tratam  de  créditos  no  mercado  interno.  O  art.  17  é  apenas uma complementação ao art. 15 e será aplicado somente em alguns  casos, e em conjunto com o art. 15. A  função do art. 17 é,  exclusivamente,  tratar  das  situações  em  que  o  recolhimento  de  PIS/Cofins  não­cumulativo  deixa  de  ser  feito  com  base  nas  alíquotas  de  1,65%  e  7,6%  e  passa  a  contemplar  alíquotas  diferenciadas,  nos  casos  de  aplicação  do  “regime  monofásico” ou alíquotas específicas para alguns derivados de petróleo. A  contrario sensu, a única situação em que o art. 15 não se aplica aos produtos  e serviços  tratados no art. 17 é,  justamente, quando cuida da quantificação  do  crédito.  Ou  seja,  o  art.  17  não  vem  trazer  regulação  especial  para  os  créditos de produtos específicos, de  forma a excluir a aplicação do art. 15.  Tanto que do seu § 8o consta que “(...) disposto neste artigo alcança somente  as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta Lei...”. Portanto, o art. 15  fundamenta e se aplica a todo crédito decorrente de importações, incidindo o  art. 17, eventual e conjuntamente, apenas para tratar de sua quantificação.  Assim, havia direito de utilização de créditos dos bens mencionados no art.  17 em PER/Dcomp, alterando apenas a alíquota do crédito, que será maior  em razão da natureza do produto. A própria Secretaria da Receita Federal  do Brasil  abona essa  conclusão  (Acórdão nº 3803­000.885, de 27/10/2010,  do  CARF).  Interpretação  distinta  representaria  grave  ofensa  à  isonomia  tributária, uma vez que importadoras e pessoas jurídicas em geral estariam  submetidas  a  tratamentos  fiscais  distintos,  sem  qualquer  justificação.  Na  verdade, a situação das importadoras de bens regulados pelo art. 17 ficaria  ainda pior: além de arcarem com alíquotas majoradas (em razão do regime  Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          12 monofásico),  teriam  o  seu  direito  de  crédito  excessivamente  limitado.  Essa  violação é desconfortavelmente contraditória, uma vez que o objetivo da Lei  nº  10.865,  de  2004,  foi  justamente,  segundo  sua  exposição  de  motivos,  introduzir “(...) um tratamento tributário isonômico entre os bens e serviços  produzidos internamente e os importados...” Daí advém ainda o desrespeito  às  regras  da  proporcionalidade  e  razoabilidade,  afinal,  qual  seria  a  razão  jurídica  para  se  permitir  a  utilização  de  créditos  de  importação  em  PER/Dcomp  e  excluir,  ao  mesmo  tempo,  esse  direito  daquelas  operações  abarcadas  pelo  art.  17?  Razão  não  há,  estando  claro  que  o  exame  da  legislação não autoriza a exegese levada a efeito pela autoridade fiscal, pelo  que deve ser descartada;   ­  Item  4.3  do  TVF.  Foram  reposicionados  parcelas  dos  créditos  de  importação aproveitados em PER/Dcomp ao argumento de que estes, por se  originarem do mercado externo, somente poderiam ser utilizados no final do  respectivo  trimestre­calendário.  O  procedimento  teve  efeito  nefasto  e  desproporcional:  vários  dos  débitos  compensados,  no  período  autuado,  ficaram descobertos, passando a ser exigidos, integral ou parcialmente, com  o acréscimo de juros e multa. Entretanto, como os créditos foram deslocados  para  o  último  mês  do  trimestre  correspondente,  neste  terceiro  mês  havia  saldo  suficiente  para  homologar,  ainda  que  em  parte,  as  compensações  realizadas  nos  dois  primeiros  meses.  Desse  modo,  caso  se  entenda  por  validar tal procedimento, os acréscimos legais somente se referem ao atraso  de  um  ou  dois  meses,  isto  é,  aquele  decorrente  da  espera  até  o  fim  do  trimestre;  ­  Erros  de  cálculo.  Em  cada  mês  em  que  os  créditos  foram  recalculados  ocorreram  impropriedades  na  quantificação  desses  créditos,  consoante exemplos a seguir. (a) Ressarcimento de Cofins ­ abril a junho de  2008  (PER/Dcomp  nº  41058.12544.220708.1.1.09­9018  e  nº  33371.36444.290710.1.7.09­8945).  Somente  foi  considerado  o  montante  ressarcível de junho de 2008 e não o total da parcela relativa ao trimestre.  Ou seja,  não  foi  feita a  recomposição do crédito  relativo ao  ressarcimento  (não foi feito o reposicionamento). Caso tivesse sido feita a recomposição, o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  3.267.967,06  e  não  R$  3.075.278,21, o que gerou uma diferença de R$ 192.688,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período.  Além disso, no quadro “Créditos de Compensação Utilizados (CCU)/CTs –  Valor  utilizado  valorado de  acordo  com  o  tipo  de  crédito”  há  valores  que  divergem daqueles cuja compensação foi solicitada por meio de PER/Dcomp  originais. Todos esses PER/Dcomp foram retificados o que leva a crer que a  última  versão  sobrepôs  a  primeira,  fazendo  com  que  os  débitos  fossem  compensados  com multa  e  juros.  É  de  se  notar  que  a  data  da  transmissão  original  estava  dentro  do  período  para  recolhimento  (antes  da  data  de  vencimento)  e  que  não  houve  aumento  do  débito  compensado,  somente  redução (fl.139). (b) Ressarcimento de Cofins ­ outubro a dezembro de 2008  (PER/Dcomp nº 11240.95939.300109.1.5.09­0408). Somente foi considerado  o montante ressarcível de dezembro de 2008 e não o total da parcela relativa  ao  trimestre.  Ou  seja,  não  foi  feita  a  recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento).  Caso  tivesse  sido  feita  a  recomposição, o valor passível de ressarcimento seria de R$ 7.642.847,66 e  não R$ 6.352,123,81, o que gerou uma diferença de R$ 1.290.723,85, que é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  140).  (c)  Ressarcimento  de Cofins  ­  julho  a  setembro  de  2010  (PER/Dcomp  nº  19382.21408.281010.1.1.09­0687).  Não  foi  feita  a  Fl. 3603DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          13 recomposição  do  crédito  relativo  ao  ressarcimento  (não  foi  feito  o  reposicionamento). Caso tivesse sido  feita a recomposição, o valor passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  6.541.682,26  e  não  R$  6.201.733,66,  o  que  gerou  uma diferença  de R$ 339.948,90,  que  é  superior  ao  necessário  para  quitar  os  débitos  vinculados  ao  crédito  deste  período  (fl.  141).  (d)  Ressarcimento  de  Cofins  ­  abril  de  2010  (PER/Dcomp  nº  02755.47816.300610.1.3.09­4563). O fisco partiu de montante de créditos de  mercado  externo  diferente  daquele  que  consta  no  PER/Dcomp,  sendo  considerado o montante de R$ 3.153.956,33, enquanto que o valor solicitado  é de R$ 5.916.155,44. Caso tivesse usado o valor constante do PER/Dcomp,  o  valor  passível  de  ressarcimento  seria  de  R$  5.511.341,71  e  não  R$  2.749.142,61, o que gerou uma diferença de R$ 2.762.199,10, que é superior  ao necessário para quitar os débitos vinculados ao crédito deste período (fl.  141).  Esses  erros,  que  são  verificados  em  todas  as  competências,  são  inclusive bastantes para que se decrete a nulidade do procedimento fiscal e  do TVF ora contestado. De todo modo, caso assim não se entenda, requer­se,  desde  já,  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  os  referidos  equívocos  sejam  definitivamente  comprovados.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos  autos  todas  as  informações  e  documentos correspondentes, o que apenas não faz agora, com esta defesa,  em  razão  do  exíguo  tempo  para  recorrer,  posto  que  são  mais  de  200  PER/Dcomp  envolvidos,  que  devem  ser  revistos  em  todos  os  critérios  apontados pela fiscalização, alguns deles complexos;  Em 20/08/2012, a contribuinte  juntou aos autos mídia  em CD com o  que  entende  ser  as  informações  necessárias  para  que  seja  verificada  a  vinculação  dos  fretes  autuados  no  item  3.7  do  TVF  com  a  compra  de  insumos,  de  modo  a  comprovar  a  legitimidade  dos  créditos  aproveitados  sobre tais despesas (fretes na aquisição de insumos).   Ao  final,  requer  a  contribuinte:  a)  o  julgamento  conjunto  dos  processos, haja vista a identidade da argumentação de defesa; b) a nulidade  do  procedimento  fiscal  e  de  seus  correspondentes  frutos,  o  TVF  e  os  despachos decisórios proferidos neste e nos demais processos que tratam do  mesmo assunto; c) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de vincular os fretes pagos às mercadorias a esses correspondentes  ou, caso assim não se entenda, ao menos o reconhecimento proporcional das  vinculações,  conforme  demonstrado;  d)  o  reconhecimento  da  existência  de  todos  os  créditos  de  PIS/Cofins  utilizados  pela  interessada  nos  pedidos  de  ressarcimento  e  compensação  vinculados  ao  MPF­F  n.º:  06.1.10.00­2011­ 00427­3,  transmitidos  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010,  com  o  conseqüente  deferimento  e  homologação  de  todos  os  PER/Dcomp  objetos  deste processo; e) a realização de diligência fiscal e perícia contábil com o  objetivo de comprovação dos equívocos e erros de cálculo mencionados;  f)  caso  os  argumentos  anteriores  não  sejam  acatados,  que  os  erros  expressamente  apontados  sejam  definitivamente  corrigidos  e  g)  subsidiariamente,  sejam  decotados  os  juros  e  multas  decorrentes  do  reposicionamento  de  créditos  efetuados  pela  Secretaria  da Receita Federal  do Brasil.   A ciência da decisão que manteve em parte a exigência formalizada contra a  recorrente  ocorreu  em  24/01/2014  (fls.  1427).  Inconformada,  a  mesma  apresentou,  em  28/01/2014,  o  recurso  voluntário  de  fls.  1429/1456,  onde  reitera  os  argumentos  aduzidos  na  primeira instância na parte em que seu pleito não foi deferido, requerendo, ao final:  Fl. 3604DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          14 a)  o  julgamento  conjunto deste  com os demais processos  da  empresa,  haja  vista a identidade da argumentação de defesa, nos termos do artigo 58, § 8º,  do Regimento Interno do CARF;  b)  seja  determinada  a  realização  de  diligência  para  os  esclarecimentos  referentes  à  glosa  de  créditos  calculados  sobre  fretes  (item  3.7  do  TVF),  diligência  cuja  necessidade  seria  reforçada  diante  do  reconhecimento,  pela  DRJ, de equívocos nos cálculos promovidos;  c)  seja o  recurso conhecido e provido, com a reforma do acórdão para que  sejam restabelecidos os créditos glosados nos itens 3.1, 3.2, 3.4, 3.5 e 3.7 do  TVF,  bem  como  reconhecida  a  regularidade  da  utilização  dos  créditos  de  PIS/COFINS tratados pelo artigo 17 da Lei nº 10.865/04 (item 4.2 do TVF),  e,  finalmente,  sejam  descontados  juros  e  multa  calculados  quando  do  reposicionamento  dos  créditos  (item 4.3  do TVF),  de modo que  se  refiram  tão­somente ao atraso de um ou dois meses (i. é, aquele decorrente da espera  até o fim do trimestre).   No que diz respeito ao item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal – fretes pelo  transporte de mercadorias não identificadas – a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção  do CARF, em sessão transcorrida em 19/08/2014, converteu o julgamento em diligência "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo  e  os  correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da COFINS nos  casos  em  que  os  mesmos,  realmente,  correspondem  a  fretes  pela  aquisição  de  insumos,  conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Tal diligência foi determinada considerando que os documentos apresentados  pela suplicante poderiam efetivamente subsidiar o necessário exame para verificar se existe ou  não vínculo entre os fretes e as mercadorias transportadas.  Em resposta à diligência supra foi acostado aos autos Relatório Fiscal de fls.  3571/3576, padrão para todos os processos ora em julgamento da interessada, sobre o qual nos  reportaremos doravante ao apresentarmos nosso voto.  Intimado  a manifestar­se,  o  sujeito passivo,  apresentou petição onde  requer  seja prorrogado por mais 30 dias o prazo para sua manifestação, o que fez com fundamento nos  princípios da ampla defesa e do contraditório.  Não obstante, até a presente data, não foi apresentada nova manifestação da  interessada no que diz respeito à matéria em discussão nos autos.  É o relatório.   Voto             Da admissibilidade do recurso  O  recurso  é  tempestivo,  posto  que  apresentado  (em  28/01/2014)  dentro  do  prazo  legal  de  30  dias  contados  da  data  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  (que  ocorreu em 24/01/2014 ­ conf. fls. 1427).   Fl. 3605DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          15 Quanto  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  os  mesmos  se  encontram  presentes.   Conheço, portanto, do recurso formalizado pelo sujeito passivo.   Da matéria em litígio  Conforme relatado, vê­se que a contenda envolve a homologação parcial de  pedidos de compensação da interessada onde o direito creditório reclamado diz respeito a saldo  credor de PIS/PASEP, direito o qual foi glosado em parte, permanecendo em litígio as questões  relativas ao cômputo de créditos calculados sobre:  a)  bens destinados ao ativo  imobilizado e não utilizados na produção  (item  3.1 do Termo de Verificação Fiscal – TVF);  b)  serviços  não  empregados  diretamente  na  industrialização  (item  3.2  do  TVF);  c)  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos da interessada (item 3.4 do TVF);  d)  fretes pelo transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a  uso e consumo (item 3.5 do TVF); e,  e)  fretes pelo transporte de mercadorias não identificadas (item 3.7 do TVF).  Também necessita ser analisada a reclassificação de créditos objeto do item  4.2  do  Termo  de  Verificação  Fiscal,  segundo  o  qual,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20051,  apenas  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da Lei  nº  10.865/2004  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação.  Assim,  em  relação  aos  créditos  enquadrados  no  artigo  17  da  mesma  Lei  nº  10.865/2004  –  que  remete  às  importações  de  produtos  objeto  do  §  3º  do  artigo  8º  da  Lei  em  tela2  (dentre  outros)  –  estes,  por  falta  de                                                              1      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    2  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e  Fl. 3606DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          16 previsão  legal,  não  poderiam  ser  objeto  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar  da  possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Por  fim,  a  lide  envolve  também a  análise quanto  à possibilidade ou não de  compensação  de  créditos  de  importação  vinculados  a  receita  de  exportação  antes  do  encerramento do trimestre.  Todas essas questões são comuns em relação a todos os processos da empresa  trazidos à pauta, razão pela qual serão examinadas em conjunto, o que atende, nessa parte, ao  pleito do sujeito passivo.  Do regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS  O  regime  da  incidência  não­cumulativa  das  contribuições  sociais  foi  instituído,  inicialmente,  para  o  PIS/PASEP,  mediante  a  publicação  da  Lei  nº  10.637,  de  30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), tendo passado a produzir efeitos,  em relação à não­cumulatividade da referida contribuição, a partir de 1o de dezembro de 2002.  Posteriormente,  com  a  publicação  da  Lei  nº  10.833,  de  29/12/2003  –  conversão  da Medida  Provisória  nº  135,  de  2003  –,  tal  regime  foi  estendido  à  COFINS.  Concernente  à  não­ cumulatividade  da  COFINS  a  lei  em  evidência  passou  a  produzir  efeitos  a  partir  de  1º  de  fevereiro de 2004.  Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência não­cumulativa do  PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas  pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real.  A  legislação  pertinente  ao  regime  autoriza  o  desconto  de  créditos  apurados  com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das Leis  nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Além disso, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da  Lei  nº  10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de mercadorias;  b) prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento  represente  ingresso  de  divisas  e;  c)  vendas  a  empresa  comercial  exportadora como fim específico de exportação. Em tais hipóteses, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição a  recolher ou para compensação com outros  tributos administrados pela Receita  Federal. Finalmente, acaso aludido crédito não possa ser utilizado por nenhuma dessas formas  até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo solicitar seu ressarcimento  em dinheiro.   A  seguir,  examinaremos  a  legitimidade  dos  créditos  calculados  pela  interessada  seguindo  a  mesma  ordem  utilizada  pela  fiscalização  no  Termo  de  Verificação  Fiscal ­ TVF.   Das  glosas  objeto  do  item  3.1  do  TVF:  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado e não utilizados na produção  A  fiscalização  entendeu  que  as  despesas  com  veículos  e  com móveis  para  salas de treinamento de funcionários não poderiam compor a base de cálculo dos créditos por  não  estarem  diretamente  vinculados  às  atividades  de  industrialização.  Por  sua  vez,  o  sujeito                                                                                                                                                                                                   II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3607DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          17 passivo entende que aludido creditamento estaria alicerçado no artigo 3º das Leis 10.637/2002  e 10.833/2003.   Segundo  defende  a  interessada,  seria  inapropriado  afirmar  que  os  bens  em  evidência  não  se  prestariam  ao  exercício  de  sua  atividade  industrial. Afirma que  “quaisquer  bens imobilizados, que sejam empregados na atividade econômica do contribuinte (direta ou  indiretamente),  autorizam  o  creditamento”,  e  ainda,  que  “os  equipamentos  destinados  à  capacitação  de  empregados,  por  exemplo,  são  essenciais  a  curso  regular  das  atividades  da  Recorrente,  a  qual  se  destaca  por  sua  atuação  inovativa  e  comprometida  com  o  desenvolvimento tecnológico”.  O  creditamento  relativo  a  bens  destinados  ao  ativo  imobilizado  está  fundamentado nos incisos VI e VII, §§ 1º, 14, 16 e 21 do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em  relação  ao  PIS/PASEP,  regramento  no  mesmo  sentido  consta  da  Lei  nº  10.637/2002.  Reproduzimos, abaixo, os dispositivos da Lei nº 10.833/2003 que são mais  relevantes para a  resolução da contenda:  Art.  3º  Do  valor  apurado  na  forma  do  art.  2º  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar créditos calculados em relação a:  [...]  VI  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  ou  fabricados  para  locação  a  terceiros,  ou  para  utilização  na  produção  de  bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  VII  ­  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis  próprios  ou  de  terceiros,  utilizados nas atividades da empresa;  [...]  § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado  mediante  a  aplicação  da  alíquota  prevista  no  caput  do  art.  2º  desta  Lei  sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)  [...]  III ­ dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos  incisos VI e VII do caput, incorridos no mês;  [...]  (grifo nosso)  O  inciso  VI  do  artigo  3º  das  Leis  10.637/2002  e  10.833/2003  vincula  o  creditamento  em  relação  a  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado – além de seu emprego para locação a terceiros – a seu uso “na produção de bens  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços”.  Portanto,  o  legislador  restringiu  o  creditamento da contribuição à aquisição de bens diretamente empregados na industrialização  das mercadorias (ou na prestação de serviços), não sendo razoável admitir que seja passível do  cômputo de créditos a aquisição de “quaisquer bens imobilizados [...]empregados na atividade  econômica do contribuinte (direta ou indiretamente)”, como defende a interessada.  Com efeito, o ativo imobilizado compreende os bens e direitos necessários ao  exercício das atividades estatutárias da pessoa jurídica, aí incluídos aqueles que tem finalidade  unicamente  administrativa,  ou  seja,  que  não  são  empregados  diretamente  na produção  ou  na  Fl. 3608DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          18 comercialização de mercadorias  e de  serviços,  ou  ainda, na  locação. Apenas  esses últimos  é  que fazem jus ao creditamento.  No mais, muito embora este relator entenda que os móveis de escritório e os  automóveis de passageiros possam ser necessários ao exercício das atividades da empresa, tais  não  se  enquadram  na  amplitude  conceitual  de  insumo  na  produção  dos  bens  destinados  à  venda. Essas despesas, com efeito, são de caráter geral, não estando vinculadas diretamente ao  processo de industrialização, razão pela qual entendemos não ser legítimo o cômputo de crédito  com base em tais rubricas.  É por essa  razão que deverá ser negado provimento ao recurso na parte em  que  o  sujeito  passivo  pretende  se  creditar  do  PIS  e  da  COFINS  pela  aquisição  de  bens  destinados ao ativo imobilizado, mas não utilizados na produção.  O  alcance  do  conceito  de  insumo  para  fins  do  regime  de  incidência  não­ cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS será tratada com mais detalhes no tópico seguinte.  Das  glosas  objeto  do  item  3.2  do  TVF:  serviços  não  empregados  diretamente na industrialização  A  fiscalização  glosou  o  creditamento  correspondente  a  alguns  serviços  que  não foram “empregados diretamente na industrialização”.   Reproduzo o trecho do relatório fiscal correspondente à questão:  Instado,  conforme  Termo  de  Intimação  nº  0551/2011,  a  informar  quais  tipos  de  serviços  prestavam  as  empresas  Fiat  do  Brasil  S/A  e GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos,  e  a  apresentar  os  respectivos  contratos,  a  empresa respondeu, em 01/09/2011, o seguinte:   “Serviços prestados à INTIMADA pela FIAT DO BRASIL S/A:  • Comércio Exterior:  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de Exportação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário;  ◦ Despacho aduaneiro consubstanciados em operações de importação da  CNH  em  todo  o  território  nacional  e  relacionados  com  os  modais  marítimo, aéreo e rodoviário.  • Contabilidade Geral;  • Controle Fiscal;  • Contas a pagar e Tesouraria;  • Controle de ativo fixo;  • Registro Fiscal;  • Faturamento;  • Gestão tributária e societária;  • Serviços de assessoria a expatriados.  Serviços  prestados  à  INTIMADA  pela  GFL  GESTÃO  DE  FATORES  LOGÍSTICOS LTDA:  • Gerenciamento  das  operações  de  transporte  "IN Bound"  ­  Transportes  de  materiais/produtos  que  adentram  na  fábrica  da  contratante  e  "Follow­up"  ­ Fl. 3609DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          19 Acompanhamento de entrega de materiais e componentes a ser realizado pela  contratada, perante os fornecedores da contratante.”  Nenhuma  destas  atividades  pode  ser  considerada  como  aplicada  ou  consumida  na  fabricação de  produtos. Os  serviços prestados  pela Fiat  do  Brasil S/A, claramente, têm caráter administrativo, mas mesmo os prestados  pela GFL não podem ser considerados insumos. Neste sentido, a ementa da  Solução de Consulta Nº 125 de 2007 – DISIT – 10ª RF declara:  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. SERVIÇOS  DE MOVIMENTAÇÃO E CONTROLE DE ESTOQUES. Não gera direito a  crédito  da  Cofins  a  aquisição  de  serviços  de  movimentação  e  controle  de  estoques  de  matérias­primas,  materiais  de  embalagem  e  produtos  acabados,  realizados nas instalações da pessoa jurídica ou da própria empresa contratada.   As  contas  contábeis  responsáveis  pelo  registro  dos  créditos  de  PIS  e  COFINS  incidentes  sobre  serviços,  conforme  resposta  ao  Termo  de  Início  entregue  em 08/06/2011,  são  as  de  nos  144240 e  144241,  e  a  esmagadora  maioria  dos  lançamentos  referem­se  a  serviços  prestados  pelas  duas  empresas mencionadas anteriormente, com algumas exceções: a nota fiscal  nº  149087  da  Metropolitana  Vigilância  Comercial,  cujo  crédito  o  contribuinte afirmou não  ter  incluído na base de cálculo, e algumas notas  fiscais,  em 2010,  referentes  a  treinamentos  técnicos de  diversos  tipos,  aos  quais,  pelos  mesmos  argumentos  expostos  acima,  é  vedada  a  geração  de  créditos.      Deste  modo,  todo  o  crédito  descrito  como  “Serviço  Nacional”  nas  memórias  de  cálculo  entregues  em  08/07/2011,  em  resposta  ao  Termo  de  Início, deve ser glosado [...]  A  análise  do  problema  envolve  essa  que  talvez  seja  a  questão  mais  controvertida em relação à não­cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS: definir o que são  insumos para fins de creditamento das citadas contribuições.   O  inciso  II  do  artigo  3o  das Leis  10.833/2003  e 10.637  de  2002  autoriza  o  cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados  como  insumos  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda.   As  normais  legais  stricto  sensu  que  prevêem  a  não­cumulatividade  (Leis  10.637/2002  e  10.833/2003)  são  omissas  quanto  ao  alcance do  termo  “insumo” para  fins  de  cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontra­se  disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no  247,  de  21/11/2002  (dispositivo  incluído  pela  IN  SRF  no  358,  de  09/09/2003)  –  não­ cumulatividade do PIS/Pasep –, bem como nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no  404,  de  12/03/2004  –  não­cumulatividade  da  COFINS  –,  segundo  os  quais,  para  fins  de  aquisição  de  bens  e  serviços  utilizados  como  insumos,  deverão  ser  assim  concebidos  (como  insumos), aqueles:   I ­ utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda:   a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem  e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano  ou  a  perda  de  propriedades  físicas  ou  químicas,  em  função  da  ação  diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam  incluídas no ativo imobilizado;   Fl. 3610DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          20 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na produção ou fabricação do produto;   II ­ utilizados na prestação de serviços:  a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não  estejam incluídos no ativo imobilizado; e   b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados  ou consumidos na prestação do serviço.   Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de  todas  as  despesas  da  empresa,  como  Natanael  Martins3.  Segundo  ele,  pelo  fato  das  contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar  sua  integral  não­cumulatividade  seria  se  “os  créditos  apropriáveis  alcançarem  todas  as  despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”.  Também na mesma toada, Solon Sehn4, segundo o qual,  salvo  nas  hipóteses  expressamente  vedadas  pela  Lei  nº  10.833/2003,  o  crédito  de  insumo  deve  ser  calculado  a  partir  do  custo  de  produção  da  legislação do imposto de renda (Decreto­Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º;  Decreto nº 3.000/1999, arts. 290 e 291), abrangendo as matérias­primas e  quaisquer  outros  bens,  direitos  ou  serviços  aplicados  ou  consumidos  no  processo  de  fabricação,  diretos  ou  indiretos,  independentemente  de  desgaste, dano ou perda de propriedades físico­químicas.  Por  sua  vez,  Marco  Aurélio  Greco5  defende  que  os  insumos,  para  fins  de  PIS/Pasep e Cofins, não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda,  uma vez que há distinção material entre  receita e  renda. Patrícia Madeira comenta a  lição de  Greco asseverando que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo  (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser considerados todos os custos que interferirem na sua  apuração; no entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação  da  receita,  que  é  materialidade  do  PIS  e  da  Cofins”.  A  ideia  de  insumo  proclamada  pela  legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS6, dado ser o  IPI  [...]  tributo  cuja  não­cumulatividade  se  opera  pelo  método  subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha  havido  incidência  na  operação  anterior  para  que  o  insumo  seja  creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo  fisicamente apreensível.                                                              3 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática não­cumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO.  Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos  (coord.).  PIS­Cofins:  questões  atuais  e polêmicas. São Paulo:  Quartier Latin,  2005.  p.  204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade  do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  4  SEHN, Solon. PIS­COFINS: Não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. p.  317.  5 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não­ cumulatividade  do  PIS/Pasep  e  da  Cofins.  São  Paulo:  IOB  Thompson.  Porto  Alegre:  Instituto  de  Estudos  Tributários, 2004. p. 112­122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Não­cumulatividade do  PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127.  6 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117­118), foi extraído da Dissertação  de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127­128 – referência já citada.     Fl. 3611DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          21 Como  a  receita  decorre  de  uma  prestação  de  serviços  ou  da  produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo  o  que  for  inerente  àquilo  que  denomina  de  “processo  formativo  da  receita”. Em suas palavras:  relevante  é  determinar  quais  os  dispêndios  ligados  à  prestação  de  serviços e à  fabricação/produção que digam respeito aos  respectivos  fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e  os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá  – em princípio – direito à dedução.  Há  ainda  outros  pensamentos  doutrinários  diversos  que  revelam  grandes  divergências concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo  para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da não­cumulatividade. Culpa  da legislação lamentavelmente intrincada sobre o assunto.   De  nossa  parte,  dadas  as  limitações  impostas  ao  creditamento  pelo  texto  normativo, temos nos manifestado no sentido de que o legislador optou por um regime de não­ cumulatividade parcial, muito embora respeitável doutrina defenda que deveria ser dado ao  regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, penso,  não encontra alicerce na legislação pertinente.  Com efeito, além da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo,  a lei contempla várias outras hipóteses de creditamento em virtude de despesas incorridas pela  pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados  nas  atividades  da  empresa,  bem  como  da  energia  consumida  em  seus  estabelecimentos,  ressalvadas  as  exceções  legais.  O  detalhamento  das  possibilidades  de  creditamento  e  das  vedações  ao  mesmo,  sujeitos  a  emendas  normativas  implementadas  no  decorrer  do  tempo,  revela,  sem  nenhuma  dúvida,  que  o  legislador  sempre  optou  por  um  regime  de  não­ cumulatividade seletivo.  Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o  teor  do  inciso  II  do  artigo  3o  de  ambas  as  leis  10.637/2002  e  10.833/2003  que,  sobre  a  correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto  de créditos calculados em relação a:  II  ­  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  à  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002)  II  –  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo  na  fabricação  de  produtos  destinados  à  venda  ou  na  prestação  de  serviços,  inclusive  combustíveis  e  lubrificantes;  (Lei  10.637/2002  ­  redação  dada  pela  Lei  nº  10.684,  de  30.5.2003)  II  ­ bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o  art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de  julho de 2002, devido pelo  fabricante ou  importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº  10.833/2003.  Na  Lei  nº  10.637/2002  essa  redação  é  decorrente  da  Lei  nº  10.865, de 2004)  Fl. 3612DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          22 Da  leitura  das  redações  do  dispositivo  que  trata  do  creditamento  em  decorrência  da  aquisição  de  insumos  –  a  atual  e  as  historicamente  concebidas  para  referido  preceito – constata­se que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca  se  apresentou  no  texto  normativo  de  forma  isolada,  mas  continuamente  associado  ao  seu  papel de fator de produção ou na prestação de serviços.   Em razão disso, penso que só podem ser considerados como insumos os bens  e os serviços diretamente utilizados, necessários e essenciais à prestação de serviços ou à  fabricação  dos  produtos  destinados  à  venda,  o  que  requer,  pois,  análise  individual  do  processo  produtivo  da  pessoa  jurídica  que  busca  o  creditamento  segundo  o  regime  da  não­ cumulatividade.   No caso presente, entendo que os serviços prestados à  interessada pela Fiat  do  Brasil  S.A.  (despacho  aduaneiro  de  importação  e  exportação,  serviços  de  contabilidade  geral,  controle  fiscal,  contas  a  pagar  e  tesouraria,  controle  de  ativo  fixo,  registro  fiscal,  faturamento,  gestão  tributária  e  societária,  serviços  de  assessoria  e  expatriados)  não  se  destinam  diretamente  à  atividade  de  “fabricação  de  máquinas  e  equipamentos  para  terraplenagem, pavimentação e construção, peças e acessórios, exceto tratores – instalação de  máquinas e equipamentos industriais” (conforme ficha cadastral junto ao CNPJ).  Logo, muito embora entendamos que o conceito de insumo seja mais elástico  que o  adotado pela Receita Federal  nas  suas  instruções normativas nos  247, de 21/11/2002 e  404,  de  12/03/2004,  conforme  razões  acima  desenvolvidas,  e mesmo  admitindo  que muitos  desses serviços são essenciais à dinâmica empresarial no seu aspecto macro, todos eles dizem  respeito a atividades de caráter meramente administrativo, não estando relacionados, de forma  direta, à atividade produtiva da interessada.   Contudo,  em  relação  aos  serviços  prestados  pela GFL  Gestão  de  Fatores  Logísticos  Ltda.,  (“Gerenciamento  das  operações  de  transporte  ‘Inbound’  ­  Transportes  de  materiais/produtos que adentram na fábrica da contratante e "Follow­up" ­ Acompanhamento  de  entrega  de  materiais  e  componentes  a  ser  realizado  pela  contratada,  perante  os  fornecedores  da  contratante”),  esses,  por  estarem  relacionados  ao  controle  de  fluxo  de  componentes nas instalações fabris, são essenciais ao processo produtivo, o qual, nas palavras  da interessada, “depende da entrega de insumos na lógica do sistema just in time”.  Com efeito, não se concebe o exercício da atividade industrial sem um eficaz  sistema de controle do fluxo de produção e dos estoques ligados à produção, razão pela qual  entendo  que  os  créditos  calculados  com  base  nos  serviços  prestados  pela  GFL  Gestão  de  Fatores Logísticos Ltda. deverão ser mantidos.  Nessa parte, portanto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que  sejam admitidos os  créditos  calculados  pelo  sujeito passivo  em  relação  aos  serviços pagos  à  GFL Gestão de Fatores Logísticos Ltda.  Das  glosas  objeto  dos  itens  3.4  e  3.5  do  TVF:  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  e  fretes  pelo  transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo  A  Lei  nº  10.833/2003,  em  seu  artigo  3º,  inciso  IX,  admite  o  desconto  de  créditos  da  COFINS  calculados  com  base  em  “armazenagem  de  mercadoria  e  frete  na  operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”.  Fl. 3613DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          23 Isso também se aplica ao PIS/PASEP não cumulativo em razão do disposto no artigo 15, inciso  II, da mesma norma7.  Como se vê, a possibilidade de creditamento em relação a despesas com frete  e armazenagem de mercadorias é restrita aos casos de venda de bens adquiridos para revenda  ou produzidos pelo sujeito passivo, e, ainda assim, quando o ônus for suportado pelo mesmo.  Trata­se, pois, de hipótese de creditamento da contribuição bastante restrita, a  despeito daquela inerente ao desconto de créditos calculados em relação a insumos, conforme  ressaltado.   Essa  restrição  ao  gozo  do  mecanismo  creditório  se  observa  também  em  relação a outros casos previstos no regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS, como,  por  exemplo,  nos  casos  de  aluguéis  de  prédios,  máquinas  e  equipamentos;  máquinas,  equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para  locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação  de  serviços;  edificações  e  benfeitorias  em  imóveis;  vale­transporte,  vale­refeição  ou  vale­ alimentação,  fardamento  ou  uniforme  fornecidos  aos  empregados  por  pessoa  jurídica  que  explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção.  No mais, entendo que aludidos fretes  também não caracterizam insumo, até  porque,  conforme  asseverado  pela  instância  recorrida,  o  frete  pago  na  compra  de  insumos  integra o custo de aquisição (artigo 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado  pelo Decreto nº 3.000, de 1999), podendo assim gerar créditos quando contratado com pessoa  jurídica domiciliada no país e suportado pela adquirente.  Logo, por falta de previsão legal, entendo que o sujeito passivo não faz jus ao  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  interessada  (item  3.4  do  TVF),  ou  ainda,  pelos  fretes  do  transporte  de  mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou a uso e consumo (item 3.5 do TVF).  Em sintonia com o entendimento acima esposado, a seguinte jurisprudência:  TRIBUTÁRIO.  PIS/COFINS  NÃO  CUMULATIVOS.  FRETE  INTERCOMPANY.  OPERAÇÃO  DE  VENDA  NÃO  CARACTERIZADA  (ART. 3º, IX, L10833). ENQUADRAMENTO COMO INSUMO (ART. 3º, II,  L10833). IMPOSSIBILIDADE.   1. O  frete  intercompany,  referente  à  alocação dos  produtos  acabados  das  indústrias  para  os  centros  de  distribuição  da  empresa,  configura  simples  transferência interna, não estando diretamente relacionado às operações de  venda.  Com  efeito,  apenas  enseja  o  aproveitamento  dos  créditos  de  PIS/COFINS, nos termos do art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2003, o transporte  de bens diretamente ao consumidor final. Precedentes desta Turma.   2. Em que pese, em uma perspectiva econômica, a distribuição dos produtos  das fábricas para as filiais ser etapa do iter percorrido pela mercadoria até  chegar  à  sua  destinação  final,  a  "operação  de  venda",  enquanto  negócio                                                              7   Art.  15. Aplica­se  à  contribuição  para  o  PIS/PASEP  não­cumulativa  de  que  trata  a  Lei  nº  10.637,  de 30  de  dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)     [...]     II ­ nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º e 10 a 20 do art. 3º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de  2004)  Fl. 3614DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          24 jurídico, é  relação estabelecida estritamente entre os  sujeitos  fornecedor e  adquirente. Deste modo,  as  etapas  anteriores  à  destinação  do  produto  ao  consumidor  final,  ainda  âmbito  da  empresa  (fornecedora),  não  podem ser  consideradas operações de venda.   3.  Na  linha  do  que  defende  a  doutrina  mais  moderna,  o  conceito  de  "insumo",  no  campo  tributário,  não  é  uniforme  para  todas  as  exações.  Assim,  os  conceitos  encontrados  no  IPI  não  são,  de  fato,  suficientes  para  abarcar  todos  os  custos  que  podem  gerar  créditos  de  PIS/COFINS.  Enquanto na  legislação de  regência daquele  imposto, há referência  tão­só  às  despesas  referentes  à  industrialização  dos  bens  (matérias­primas,  produtos  intermediários,  materiais  de  embalagem  etc.)  aqui,  as  receitas  submetidas  às  contribuições  não  são  unicamente  decorrentes  da  venda  de  produtos industrializados.   4. Se o conceito de insumo do IPI é demasiado restritivo, não é o caso de ir­ se  ao  outro  extremo,  estendendo­o  de  tal  modo  a  incorporar  "todo  e  qualquer custo ou despesa necessário à atividade de empresa", nos termos  da legislação do IRPJ, como o quer o apelante. A não­cumulatividade deve  estar adstrita à materialidade do tributo ­ para PIS/COFINS, receita; para  IR,  lucro  líquido.  Logo,  também  imprestável,  o  conceito  de  despesa  operacional do RIR/99, de modo a equiparar PIS/COFINS a IR.   5.  Nesse  contexto,  de  intermédio,  primeiramente,  há  que  se  ter,  por  parâmetro, as próprias regras legais das contribuições em tela. Assim, o art.  3º, II, da Lei nº 10.833/2003 dispõe que a pessoa jurídica poderá descontar  os  créditos  calculados  em  relação  a  "bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo na prestação de  serviços  e na produção ou  fabricação de bens ou  produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes".   6.  Portanto,  o  conceito  legal  de  insumo,  para  efeito  de  crédito  de  PIS/COFINS, abrange os dispêndios indispensáveis à produção de bens ou  à prestação de serviços geradores de renda. Noutros termos, todos os itens  diretamente  relacionados  com  a  produção  do  contribuinte  e  que  afetem  o  montante  das  receitas  tributáveis  pelas  contribuições  constituem  crédito  utilizáveis na apuração destas.   7.  Por  seu  turno,  Marco  Aurélio  Greco  preconiza  o  critério  da  essencialidade  ou  relevância  para  análise  do  conceito  de  insumo,  a  ser  entendido  sob  uma  perspectiva  dinâmica.  Devem,  assim,  ser  rechaçados  como tal os gastos realizados por mera conveniência do contribuinte.   8. Na hipótese dos autos, a apelante é empresa que se dedica às atividades  de industrialização e comercialização de farinha de trigo, massas, biscoitos,  margarinas  e  cremes  vegetais.  A  ser  assim,  não  é  de  entender­se  o  frete  entre estabelecimentos, para distribuição dos produtos acabados às  filiais,  como inerente ou essencial à atividade econômica ou ao processo produtivo  desenvolvido  pelo  contribuinte.  Tal  custo  é  posterior  ao  processo  de  fabricação dos bens destinados à  venda, não consistindo, pois,  em insumo  direto.   9.  Assim,  seja  como  for,  quer  se  entendendo  insumo  como  o  gasto  relacionado diretamente ao processo produtivo, quer como aquele essencial  a este, o frete intercompany não pode ser compreendido como tanto. É que  ele  corresponde  a  dispêndio  elegível  a  título  de  mera  conveniência  da  pessoa  jurídica  (não  alcançando  "perante  o  fator  de  produção  o  nível  de  uma  utilidade  ou  necessidade"),  visando  à  melhor  distribuição  dos  bens  fabricados ao adquirente final.   Fl. 3615DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          25 Apelação a que se nega provimento.  (Tribunal Regional Federal da 5a Região. Primeira Turma. Apelação Cível nº  544709.  Relator  Des.  Federal  José  Maria  Lucena.  Data  do  acórdão:  15/05/2014. Publicado em: 22/05/2014)    TRIBUTÁRIO.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  FRETE  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  EMPRESA  CONTRIBUINTE.  DEDUTIBILIDADE.  AUSÊNCIA  DE  PREVISÃO  LEGAL.   1 ­ O art. 3º das Leis 10.833/03 e 10.627/02 prevêm as hipóteses em que é  possível  o contribuinte deduzir os valores de PIS e COFINS recolhidos na  sistemática  da  não­cumulatividade.  A  utilização  do  crédito  presumido,  em  relação ao frete, está relacionada ao transporte da mercadoria destinada à  operação de venda, o que exclui o frete realizado entre os estabelecimentos  de uma mesma empresa. Interpretação restritiva determinada pelo art. 111  do CTN.   2  ­  O  Superior  Tribunal  de  Justiça  pronunciou­se  no  sentido  de  que  o  conceito de  insumo não abrange as operações de  transferência  interna de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  de  uma  mesma  pessoa  jurídica  (AGRESP 1335014).   3 ­ Recurso conhecido e improvido. Sentença confirmada.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação Cível  nº  526.709. Relator Des.  Federal Geraldine  Pinto Vital  de  Castro. Data do acórdão: 29/04/2014. Publicado em 14/05/2014)     TRIBUTÁRIO.  CONSTITUCIONAL.  MANDADO  DE  SEGURANÇA.  PIS.  COFINS.  ARTIGO  3º,  INCISO  IX.  ARTIGO  15,  INCISO  II.  LEI  Nº  10.833/03. FRETE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.   1 ­ No caso em exame, a recorrente objetiva assegurar o alegado direito ao  creditamento,  a  título  de PIS/COFINS,  de  valores  despendidos  com  fretes  contratados  pela  impetrante  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos e pontos de distribuição.   2  ­  A  questão  em  discussão  nestes  autos  diz  respeito  ao  regime  da  não  cumulatividade da contribuição ao PIS/COFINS, previsto nos §§ 12 e 13, do  artigo  195  da  Constituição  Federal,  introduzidos  pela  Emenda  Constitucional nº 42, de 19.12.2003, e instituído pela Medida Provisória nº  66/2002  (DOU  30.08.2002),  convertida  na  Lei  nº  10.637/2002  (DOU  31.12.2002)  no  que  diz  respeito  ao  PIS,  e  pela  Medida  Provisória  nº  135/2003  (DOU  31.10.2003),  convertida  na  Lei  nº  10.833/2003  (DOU  31.12.2003) referente à COFINS.   3 ­ Outrossim, a Lei nº 10.637/02 também dispôs em seu artigo 3º (caput e  incisos)  sobre  os  créditos  passíveis  de  descontos  a  título  de  PIS  do  valor  apurado  na  forma  do  artigo  2º  da  referida  lei.  E,  no  que  tange  a  "frete",  estabeleceu o inciso II, do art. 15 da Lei nº 10.833/03 (COFINS) a respeito  da aplicabilidade, também à contribuição ao PIS, do previsto no inciso IX,  do artigo 3º dessa mesma lei, nos termos mencionados, valendo ressaltar a  interpretação  restrita  dada  pela  lei  no  sentido  de  se  tratar  de  "frete  na  operação  de  venda,  nos  casos  dos  incisos  I  e  II,  quando  o  ônus  for  suportado pelo vendedor" (grifos meus).   Fl. 3616DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          26 4  ­  Nesse  passo,  considerando  que  as  regras  da  não­cumulatividade  das  contribuições  sociais  em  comento  estão  afetas  à  definição  infraconstitucional,  ao  amparo  da  Lei  Maior,  os  aludidos  diplomas  normativos  restringiram  a  hipótese  de  creditamento,  não  abrangendo  a  hipótese  pretendida  nestes  autos,  como  equivocadamente  entende  a  impetrante, ora recorrente.   5  ­ Observa­se  que  a  pretensão  formulada  neste mandamus  não  encontra  guarida  legal  para  prosperar,  porquanto  a  impetrante  objetiva  o  creditamento  a  título  de  PIS/COFINS  de  valores  despendidos  com  "fretes  contratados  pela  impetrante,  desde  2002  até  a  data  da  propositura  da  presente ação, para o transporte de insumos e produtos acabados entre seus  estabelecimentos  e  pontos  de  distribuição",  hipótese  essa  não  amparada  pela  lei  de  regência,  que  restringe  o  creditamento  ao  frete  à  operação de  venda da mercadoria, nos termos assinalados no inciso IX, do art. 3º da Lei  nº 10.833/03.   6 ­ Vale mencionar que a lei pode estabelecer exclusões ou vedar deduções  de  créditos  para  fins  de  apuração  da  base  de  cálculo  das  exações  em  comento, ao amparo constitucional, havendo direito de creditamento apenas  nas hipóteses taxativamente previstas em lei, sob pena de violação ao artigo  111 do Código Tributário Nacional.   7  ­  Na  verdade,  verifica­se  que  a  recorrente  insurge­se  quanto  à  base  de  cálculo  das  contribuições  ao  PIS/COFINS,  objetivando  a  redução  da  incidência da exação, ao que cumpre salientar que não cabe ao Judiciário  atuar como legislador positivo, haja vista que a redução da base de cálculo  somente  ocorre  mediante  expressa  previsão  legal,  a  cargo  do  Poder  Legislativo. Ademais, cumpre salientar, ainda que se tratasse de hipótese de  creditamento, não restou comprovada, nestes autos, a totalidade dos valores  efetivamente despendidos com a "contratação de fretes" pela impetrante, no  período reclamado, objeto de pedido de compensação nestes autos. Assim,  não restando demonstrado o alegado direito líquido e certo, apto a amparar  a  pretensão  veiculada  na  presente  ação  mandamental,  não  merece  prosperar o apelo da impetrante.   8 ­ Apelação não provida.  (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação Cível nº  325.368.  Relator  Des.  Federal  Nery  Junior.  Data  do  acórdão:  19/12/2013.  Publicado em: 10/01/2014)     TRIBUTÁRIO ­ AÇÃO ORDINÁRIA ­ PIS E COFINS ­ LEIS Nº 10.637/2002  E 10.833/2003 ­ REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE ­ DESPESAS DE  FRETE  ­  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA  ­  CREDITAMENTO  ­  IMPOSSIBILIDADE.   1. É da essência do sistema de produção de bens e serviços que toda pessoa  jurídica,  a  fim  de  que  possa  desenvolver  as  suas  atividades,  tenha  de  adquirir insumos, matérias­primas ou serviços de outras pessoas jurídicas.   2.  Assim,  é  natural  que  uma  parcela  das  suas  receitas,  dos  recursos  advindos do desempenho das suas atividades empresariais seja destinada ao  pagamento  dos  seus  custos,  das  suas  despesas  operacionais,  ou  seja,  à  remuneração  dos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço.  Os  pagamentos  feitos  aos  seus  fornecedores  e  prestadores  de  serviço  representarão faturamento destes e sujeitar­se­ão, por sua vez, à incidência  Fl. 3617DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          27 do  PIS  e  da  COFINS.  O  que  é  dispêndio,  desembolso  para  uma  pessoa  jurídica representa ingresso de valores, receita operacional para outra. Isso  é uma consequência natural do fato de o legislador constituinte ter eleito o  faturamento  e,  posteriormente,  todas  as  receitas  como  hipótese  de  incidência  para  contribuição  destinada  ao  financiamento  da  seguridade  social. Quando houver  várias  fases  ou  etapas  de  circulação  econômica,  a  incidência sobre o faturamento será necessariamente cumulativa.   3. As únicas  deduções  ou  exclusões  possíveis  seriam aquelas  previstas  em  lei,  que  teriam  a  natureza  de  isenção,  de  favor  fiscal,  determinado  discricionariamente pelo legislador, segundo juízo político de conveniência  e oportunidade em consonância com o interesse público; ou aquelas que já  se encontram fora da base de cálculo das contribuições questionadas, isto é,  que não correspondem às receitas de venda de bens e serviços ou às receitas  das atividades empresariais, representando situação de não­incidência.   4. O artigo 195, § 9º da CF/88, acrescido pela EC nº 20/98 e alterado pela  EC  nº  47/2005  prevê  a  possibilidade  de  as  contribuições  sociais  terem  alíquotas  ou  bases  de  cálculo  diferenciadas,  em  razão  da  atividade  econômica, da utilização intensiva de mão­de­obra, do porte da empresa ou  da  condição  estrutural  do  mercado  de  trabalho,  conforme  opção  a  ser  exercida pelo legislador ordinário.   5. Por  sua vez,  o § 12, do artigo 195 da CF/88, acrescentado pela EC nº  42/2003,  determina  que  a  lei  definirá  os  setores  de  atividade  econômica  para os quais a contribuição social sobre as receitas será não­cumulativa.   6. A Lei nº 10.637/02, no inciso II do artigo 3º, prevê que do valor apurado  do  PIS  a  pessoa  jurídica  poderá  descontar  créditos  relativos  a  bens  e  serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação  de bens ou produtos destinados à venda.   7.  Já  a  Lei  nº  10.833/03,  no  inciso  IX  do  artigo  3º,  dispõe  que  do  valor  apurado de COFINS a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados  em  relação  à  armazenagem  de mercadoria  e  frete  na  operação  de  venda,  quando o ônus for suportado pelo vendedor.   8.  Como  as  exclusões  e  isenções  tributárias  devem  ter  interpretação  restritiva, conforme o artigo 111, incisos I e II, do CTN, a previsão legal de  desconto de créditos relativos a fretes nas operações de vendas não abarca  as  despesas  incorridas  no  transporte  interno  de  mercadorias  entre  os  estabelecimentos  do  contribuinte,  porque  não  são  despesas  diretamente  relacionadas  em  operações  de  venda.  A  transferência  interna  entre  estabelecimentos  da  mesma  empresa  não  caracteriza  uma  operação  de  venda,  e,  por  isso,  as  despesas  de  frete  desse  transporte  não  estão  relacionadas direta e imediatamente com a venda de mercadorias.   9. Precedentes deste TRF e do STJ.   10. Apelação da autora desprovida.  (Tribunal  Regional  Federal  da  2a  Região.  Terceira  Turma  Especializada.  Apelação  Cível  nº  545.908.  Relator  Des.  Federal  Luiz  Mattos.  Data  do  acórdão: 23/07/2013. Publicado em: 05/08/2013)   (grifos nossos)  Finalmente,  o  precedente  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  que  alicerçou  a  fundamentação de alguns dos julgados acima referenciados  Fl. 3618DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          28 TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. PIS E COFINS. LEIS 10.637/2002  E  10.833/2003.  REGIME  DA  NÃO  CUMULATIVIDADE.  DESPESAS  DE  FRETE.  TRANSFERÊNCIA  INTERNA  DE  MERCADORIAS  ENTRE  ESTABELECIMENTOS  DA  MESMA  EMPRESA.  CREDITAMENTO.  IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO LITERAL.   1.  Consoante  decidiu  esta  Turma,  "as  despesas  de  frete  somente  geram  crédito quando relacionadas à operação de venda e, ainda assim, desde que  sejam suportadas pelo contribuinte vendedor". Precedente.   2.  O  frete  devido  em  razão  das  operações  de  transportes  de  produtos  acabados  entre  estabelecimento  da mesma  empresa,  por  não  caracterizar  uma operação de venda, não gera direito ao creditamento.   3. A  norma que  concede benefício  fiscal  somente pode  ser  prevista  em  lei  específica, devendo ser interpretada literalmente, nos termos do art. 111 do  CTN,  não  se  admitindo  sua  concessão  por  interpretação  extensiva,  tampouco analógica. Precedentes.   4. Agravo regimental não provido  (STJ.  Segunda  Turma.  Agravo  Regimental  no  Recurso  Especial  nº  1.335.014.  Relator  Min.  Castro  Meira.  Data  do  acórdão:  18/12/2012.  Publicado em: 08/02/2013)  (Grifos nossos)  Das  glosas  objeto  do  item  3.7  do  TVF:  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não identificadas  Quanto  às  glosas  em  vista  dos  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias  não  identificadas, reproduzo, abaixo, trechos do item 3.7 do Termo de Verificação Fiscal:  Como  demonstrado  anteriormente,  a  possibilidade  de  creditamento  nos  casos  em  que  se  entende  a  despesa  com  frete  como  um  serviço  utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem  (inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e inciso II do artigo 3º da Lei nº  10.833/2002), depende da identificação do insumo transportado. Em outras  palavras, apenas os fretes associados a bens tidos como insumos no âmbito  do PIS  e  da COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos;  assim,  caso  a  pessoa  jurídica  adquira um bem de  pessoa  física,  o  transporte  deste  bem, mesmo  feito por pessoa jurídica domiciliada no país, não gera direito a crédito; do  mesmo modo, caso o bem transportado não dê direito a crédito, também não  haverá créditos relacionados com as despesas de fretes.   Não  havendo  informação,  na  Escrituração  Fiscal,  das  notas  fiscais  dos bens  considerados  como  insumos associados aos  fretes,  lavrou­se  em  14/09/2011, o Termo de Intimação nº 0617/2011, a fim de que o contribuinte  associasse,  nota  fiscal  por  nota  fiscal,  os  fretes  com  as  mercadorias  transportadas, mediante a elaboração de três arquivos distintos, devendo­se  observar lay­out específico para tanto.   Vencido o prazo inicial em 04/10/2011, o contribuinte solicitou prazo  adicional  de  vinte  dias,  por  nós  deferido.  Em  24/10/2011,  a  empresa  apresentou  apenas  dados  parciais,  e  requereu  mais  algum  tempo  para  terminar a feitura dos arquivos. Numa última oportunidade, estendemos por  mais quinze dias o prazo final.   Fl. 3619DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          29 Na data aprazada, o  sujeito passivo  entregou os arquivos,  os quais,  porém,  não  possuíam  todos  os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias conduzidas em cada serviço de transporte.   [...]  No  caso  em  tela,  essencial  era  a  vinculação  entre  as  despesas  de  frete e os insumos pretensamente adquiridos, o que deveria ser possível por  intermédio  do  arquivo  de  vínculos,  que  possuía  tanto  a  identificação  das  notas fiscais de fretes como a identificação das notas fiscais de compra ou  venda de mercadorias. Entretanto,  nos arquivos entregues  em 08/11/2011,  anexos  ao  processo,  duas  falhas  foram  observadas:  por  um  lado,  notas  fiscais de  transporte  relacionadas no arquivo “Arquivo de CTRC.txt” não  foram encontradas no “Arquivo de Vínculos.txt”; por outro, notas fiscais de  mercadorias  indicadas  no  arquivo  de  vínculos  não  foram  encontradas  no  “Arquivo  de  NF.txt”,  nem  na  Escrituração  Fiscal.  Estas  duas  irregularidades  foram  relacionadas,  respectivamente,  nos  demonstrativos  “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos” e “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração  Fiscal”,  em  anexo.   A  título  de  exemplo,  tomemos  uma  das  diversas  notas  fiscais  não  encontradas, de forma a verificar a necessidade de se realizar o elo entre as  notas  fiscais  de  transporte  e  as  notas  fiscais  de  mercadorias:  o  Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas nº 005595, série única,  emitido  pela  Transportadora  Rodomeu  Ltda,  em  anexo.  Trata­se  de  um  documento  relativo  ao  transporte  de  mercadorias  importadas  da  CNH  America LLC, do porto de Santos até a filial de Curitiba, cujo valor total  somava R$ 65.741,50.   Tal  creditamento  é  vedado  pela  RFB,  conforme  dispõem  várias  consultas emitidas pelo órgão, entre as quais a Solução de Consulta nº 84,  da SRRF 07/DISIT, de 20/08/2010, cuja ementa reproduzimos abaixo:  “CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS IMPORTADOS.   O direito ao crédito a que se refere o art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, aplica­se,  exclusivamente,  em  relação  aos  bens  e  serviços  adquiridos  de  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  e  aos  custos  e  despesas  incorridos,  pagos  ou  creditados  a  pessoa jurídica domiciliada no País.   O  desconto  de  créditos,  no  caso  de  importações  sujeitas  ao  pagamento  da  Cofins­Importação,  sujeita­se  ao  disposto  nos  arts.  7º  e  15,  §  3º,  da  Lei  nº  10.865,  de  2004,  que  determinam  que  a  base  de  cálculo  desses  créditos  corresponde  ao  valor  aduaneiro  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação, quando integrante do custo de aquisição.  Assim,  o  frete  pago  para  transportar  bens  importados,  empregados  como  insumos em processo produtivo, do local do desembaraço até o estabelecimento  fabril do contribuinte não gera direito a crédito da COFINS, por não fazer parte  de sua base de cálculo, nos termos da legislação em vigor.” (grifo nosso)  Deste  modo,  é  forçoso  concluir  que  a  falta  de  vinculação  entre  os  fretes  e  as  mercadorias  transportadas  impede  a  constatação  não  só  da  irregularidade  acima  descrita,  mas  de  quaisquer  outras  que  a  empresa  porventura tenha cometido.  [...]  Cabe registrar que tais créditos foram lançados a débito das contas  144238  ­  PIS  a  recuperar  ­  insumos  e  144239  ­ COFINS  a  recuperar  –  insumos,  e que, no caso do demonstrativo “Notas Fiscais de Mercadorias  Fl. 3620DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          30 não Encontradas  na Escrituração Fiscal”,  todo  o  valor  das  contribuições  creditadas a um determinado CTRC deve ser glosado, visto que a  falta de  determinada  associação  impede  o  cálculo  do  valor  creditado  proporcionalmente.  (os destaquem em negrito não constam do original)  Extrai­se dos trechos destacados acima (em negrito) que a motivação adotada  pela  fiscalização  para  a  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  os  fretes  foi,  essencialmente,  a  impossibilidade  de  vinculação  “entre  as  despesas  de  frete  e  os  insumos  pretensamente  adquiridos”, ou seja, entre os CTRC (Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas) e as  notas  fiscais  de  entrada  dos  insumos.  A  ausência  desse  vínculo  impediu  a  autoridade  administrativa de examinar se referidas despesas com fretes poderiam realmente ser admitidas  como “um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem”.  Decerto,  “apenas  os  fretes  associados  a  bens  tidos  como  insumos  no  âmbito  do  PIS  e  da  COFINS  é  que  dão  direito  a  créditos”,  muito  embora  a  autoridade  administrativa  tenha  afirmado, posteriormente, que é vedado o creditamento pelo  frete pago para  transportar bens  importados empregados como insumos do processo produtivo.  Segundo  a  defesa  apresentada  pelo  sujeito  passivo:  “[...]  se  há  créditos  de  insumos, por exemplo, já reconhecidos para o período, é corolário lógico que haja, também,  créditos  referentes  a  seus  correlatos  fretes”.  Ressalta  ainda  a  reclamante  que  “a  maioria  esmagadora de tais  fretes se refere a notas ficais cujos CFOPs são os seguintes: [...] 1.101:  Compra para industrialização ou produção rural [...] 2.101: Compra para industrialização ou  produção rural. [...] 5.101: SAÍDAS OU PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS PARA O ESTADO”.  Ainda segundo a recorrente:  Os  CFOPs  das  notas  fiscais  são  provas  cabais  de  que  os  correspondentes fretes autorizavam o creditamento. Os CFOPs ns. 1.101 e  2.101 se referem, como se pôde verificar, à aquisição de insumos, caso em  que, tendo­se em vista os termos do art. 3º, inciso II, das Leis ns. 10.637/02  e 10.833/03, o crédito é indubitavelmente permitido. É como se posiciona a  própria Receita Federal, aliás. Veja­se um exemplo:  “(...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete  pago  a  pessoa  jurídica  domiciliada  no  País  na  aquisição  de  matéria­ prima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo  destes  insumos  para  fins  de  cálculo  do  crédito  a  ser  descontado  da  Cofins.”  (Solução  de  Consulta  n.  197,  de  16  de  Agosto  de  2011  –  sem  destaques no original)  Já quanto ao CFOP n. 5.101, o creditamento ainda é mais evidente:  segundo  o  inciso  IX  do  citado  art.  3º,  o  “frete  na  operação  de  venda”  autoriza o desconto de créditos das mencionadas contribuições sociais.  É importante reiterar que a Recorrente, logo após a Impugnação, fez  a prova que havia sido reclamada pela DRF e que a DRJ afirmou ter sido  realizada. A Recorrente elaborou, como dito, planilha detalhada, com mais  de  50  mil  linhas,  na  qual  indicou,  uma  a  uma,  nota  fiscal  autuada  e  respectivo CTRC. É por meio dessa planilha, pois, que se poderia ver que a  maior  parte  dos  fretes  autuados  se  referia  a  situações  em  que  o  creditamento estava claramente autorizado.  Fl. 3621DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          31 Sobre  a  planilha  reportada  e  demais  argumentos  suscitados  pelo  sujeito  passivo, asseverou a instância recorrida, verbis:  9.  FRETES.  FALTA  DE  IDENTIFICAÇÃO  DAS  MERCADORIAS  TRANSPORTADAS. ITEM 3.7 DO TVF.  Diante da ausência de  informação, na escrituração  fiscal, das notas  fiscais dos bens considerados insumos associados ao frete, a contribuinte foi  intimada a associar, nota fiscal de compra ou venda por nota fiscal de frete,  os fretes com as mercadorias transportadas, mediante a elaboração de três  arquivos distintos. Após  algumas  prorrogações,  a  recorrente  apresentou  a  documentação  solicitada, que,  contudo, não apresentava  todos os  vínculos  necessários  à  identificação  das  mercadorias  transportadas.  Ponderou  a  autoridade  fiscal  que  a  falta  de  vinculação  entre  fretes  e  mercadorias  transportadas,  além  de  impedir  o  creditamento,  também  impede  a  constatação de apropriações irregulares de crédito feitas pela interessada, a  exemplo  de  frete  pago  para  transporte  de  bens  importados,  empregados  como insumos, do local de desembaraço até o estabelecimento fabril.   Suscita  a  interessada,  quanto  ao  tema,  que  a  glosa  decorreu  da  ausência  de  vinculação  de  boa  parte  dos  fretes  aos  respectivos  insumos  adquiridos,  estornando­se,  então, praticamente  todo o  crédito de  fretes  do  período,  exceto  aqueles  tratados  nos  itens  anteriores,  que  tiveram  análise  própria  e  apartada.  Solicita,  para  que  não  hajam  dúvidas  quanto  ao  seu  direito  a  realização  de  diligência  fiscal  e  perícia  contábil  para  que  tal  vinculação  seja  verificada.  Para  tanto,  compromete­se,  inclusive,  a  trazer  aos autos todas as informações e documentos correspondentes, o que apenas  não faz agora, com esta defesa, e não fez durante o procedimento fiscal, em  razão  do  seu  extensíssimo  volume  –  entre  janeiro  de  2008  e  setembro  de  2010  foram  realizadas  quase  800  mil  operações  de  aquisição  de  mercadorias. De  qualquer  forma,  afirma,  por  ocasião  de  suas  respostas  à  fiscalização,  demonstrou,  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações  (mais  ou  menos  140  mil),  que  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos.  Por  fim,  na  eventualidade de não se permitir a juntada desses documentos, a recorrente  propugna  pela  homologação  proporcional  desses  créditos,  sob  pena  de  perpetuação de exigência fiscal claramente desproporcional e ilegítima.  A  contribuinte  juntou  aos  autos  mídia  em  CD,  incluindo  as  informações  que  entendeu  necessárias  para  o  restabelecimento  desses  créditos,  a  qual  foi  convertida  em  documentos  anexados  aos  autos.  Examinando  esses  documentos,  pode­se  observar  que  se  trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização  (código  CTRC,  CTRC,  data de emissão, data  fiscal, código,  ID, razão social e CNPJ) e dados da  nota fiscal vinculada (número, série, data de emissão, data fiscal, código e  CNPJ).   Não  obstante,  do  exame  dessa  planilha  não  resta  comprovada  a  vinculação pretendida pela recorrente. Para tanto,  fazia­se necessário que  fossem juntados, além da própria planilha, ao menos cópias dos documentos  fiscais nela mencionados. Isso, entretanto, não se fez.   Em adição, pode­se observar que a aludida planilha apresenta mais  de 50.000  linhas com dados para verificação, enquanto que a  interessada,  Fl. 3622DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          32 ao  trazê­la  aos  autos,  limitou­se  a  requerer  fosse  verificada  a  vinculação  dos fretes autuados no item 3.7 com a compra de insumos.   Ocorre  que  o  ônus  de  prova  do  direito  ao  creditamento  é  da  contribuinte,  como  adiante  se melhor  verá,  a  quem  competia,  no mínimo,  apontar ou indicar as linhas das operações que entende serem passíveis de  dedução e não simplesmente pretender transferir esse ônus, que é seu, para  o fisco.  Ressalte­se que, para  fins de  creditamento,  a  legislação exige que o  crédito seja líquido e certo. Não obstante, também não restou comprovada a  alegação  de  que  para  aproximadamente  20%  das  referidas  operações,  quase 90% dos fretes pagos no aludido interregno se referiam à compra de  insumos.   Por conseguinte, cumpre manter as glosas quanto a este item.  (grifos nossos)  No voto que direcionou a diligência à unidade de origem, ressaltamos, com a  devida  vênia,  que  a  DRJ  não  caminhou  bem  ao  apreciar  a  questão.  Na  ocasião,  assim  nos  manifestamos:     A leitura que faço dos argumentos acima reproduzidos, proferidos pela  instância  a  quo,  é  a  de  que  esta  não  examinou  adequadamente  a  documentação  e  os  argumentos  apresentados  pelo  sujeito  passivo.  Isso  porque a planilha “[...] de mais de 50.000 linhas com dados para verificação  [...]”,  onde  a  interessada alega  que  “[...]  para  aproximadamente  20% das  referidas  operações,  quase  90%  dos  fretes  pagos  no  aludido  interregno  se  referiam  à  compra  de  insumos  [...]”,  não  foi  efetivamente  apreciada  pela  instância recorrida, como se vê dos trechos grifados no excerto reproduzido  acima.    Como  a  própria  DRJ  afirma,  o  documento  acostado  aos  autos  pela  reclamante  “trata  de  planilha  contendo  dados  dos  CTRC  objetos  da  fiscalização (código CTRC, CTRC, data de emissão, data fiscal, código, ID,  razão social e CNPJ) e dados da nota fiscal vinculada (número, série, data  de emissão, data fiscal, código e CNPJ)”. Tais informações, entendo, podem  sim  subsidiar  o  necessário  exame  para  verificar  se  existe  ou  não  vínculo  entre os fretes e as mercadorias transportadas.     No mais, não me parece razoável exigir a apensação aos autos de cópia  de mais de 800 mil documentos e, dada a não anexação deles, concluir que  o sujeito passivo negligenciou com o ônus probatório.  Foi  com  essa  motivação  que  propusemos  a  conversão  do  julgamento  em  diligência  "para  que  a  unidade  de  origem,  diante  dos  registros  apresentados  pelo  sujeito  passivo e os correspondentes documentos neles referenciados, apure os créditos do PIS e da  COFINS nos  casos  em  que  os mesmos,  realmente,  correspondem a  fretes  pela  aquisição  de  insumos, conforme metodologia que entender mais adequada para tanto".  Em resposta à diligência  supra a unidade de origem apresentou o Relatório  Fiscal de fls. 3571/3576, de onde destacamos o seguinte trecho:    [...]  Fl. 3623DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          33   Vários  dos  CTRCs  informados  na  planilha  anexa  à  Manifestação  de  Inconformidade, cerca de 1/3, já haviam sido aceitos pela fiscalização, pois  não constam dos demonstrativos “Notas Fiscais de Fretes não Associadas à  Tabela de Vínculos” e “Notas Fiscais de Mercadorias não Encontradas na  Escrituração Fiscal” e, portanto, seus créditos de PIS e COFINS não foram  objeto  de  glosa.  Tais  documentos  estão  relacionados  na  planilha  anexa  denominada “CTRCs e Notas Fiscais Não Relacionados a Glosas Efetuadas  na Ação Fiscal”.     Dos CTRCs remanescentes da defesa do sujeito passivo, dois deles se  referem a documentos cujas notas fiscais a eles associadas originariamente  não  tinham  sido  escrituradas  (“Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas na Escrituração Fiscal” do item 3.7 do TVF). Informadas novas  notas de entrada após o desfecho da ação fiscal, solicitamos ao contribuinte,  via  Termo  de  Intimação  nº  001­201500011,  item  1,  cientificado  pessoalmente  em  04/02/2015,  que  nos  exibisse  tanto  estes  dois  Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas como as quatro Notas  Fiscais  a  eles  vinculadas,  determinação  esta  cumprida  parcialmente  em  24/02/2015 e 16/03/2015: foi apresentado o CTRC nº 4510 e as notas fiscais  nos 1720 e 1721, mas não o CTRC nº 514599 e as notas fiscais nos 55999 e  56000.     Também  por  meio  deste  Termo  de  Intimação  visamos  comprovar  a  veracidade dos demais vínculos  informados cujos créditos  foram objeto de  glosa (que corresponderiam parcialmente ao demonstrativo “Notas Fiscais  de  Fretes  não  Associadas  à  Tabela  de  Vínculos”  do  item  3.7  do  TVF),  solicitando  assim,  por  amostragem,  algumas  Notas  Fiscais  e  CTRCs,  por  meio  do  item  2  da  mencionada  intimação.  Apesar  de  alguns  CTRCs  (nos  68797  e  886)  e  uma  Nota  Fiscal  (nº  37183)  não  terem  sido  entregues,  segundo  o  contribuinte,  em  virtude  do  “grande  volume  de  documentos  arquivados”,  pôde­se  concluir,  em  consonância  com  este,  que  a  documentação  apresentada  referenda  a  planilha  por  ele  elaborada  e  anexada  à  Manifestação  de  Inconformidade,  com  exceção  destes  documentos não exibidos.      Apesar  de  considerarmos  comprovados  os  vínculos  informados  na  defesa  do  sujeito  passivo,  algumas  das  notas  fiscais  relacionadas,  salvo  melhor juízo, não permitem a apropriação dos créditos relacionados a seus  fretes.  Tal  ocorre  porque  se  referem  a  aquisições  de  bens  para  uso  ou  consumo  ou  destinados  ao  imobilizado,  nos  CFOPs  – Códigos  Fiscais  de  Operação – nos 1551, 2551 e 2556.     Neste  sentido, aliás,  foi a decisão em 1ª  instância em relação ao  item  3.5 do mencionado TVF, como demonstra a ementa a seguir:   “REGIME  NÃO­CUMULATIVO.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  TRANSPORTES.   As despesas efetuadas com fretes para transferência da matéria­prima ou do  produto  acabado  entre  estabelecimentos  da  mesma  pessoa  jurídica,  com  fretes de bens ou mercadorias não identificadas e com fretes de mercadorias  destinadas ao ativo imobilizado, não utilizadas diretamente na produção, ou  ao uso e consumo da pessoa jurídica, não geram direito ao creditamento.”     Na planilha anexa “Fretes de Bens Destinados a Imobilizado ou a Uso  e  Consumo”  detalhamos  todos  estes  registros  e,  abaixo,  temos  o  resumo  mensal destes créditos, cuja glosa, s.m.j, deverá ser mantida:  Fl. 3624DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          34 Mês  PIS  COFINS  fev/2008  0,92  4,24  jun/2008  3,94  18,13  ago/2008  1,30  6,00  set/2008  3,99  18,40  dez/2008  7,40  34,10  fev/2009  1,13  5,21  mar/2009  2,44  11,19  abr/2009  17,02  78,36  mai/2009  2,02  9,28  jun/2009  10,49  48,30  jul/2009  2,06  9,53  ago/2009  3,67  16,90  set/2009  12,88  59,36  out/2009  9,12  41,98  dez/2009  16,59  76,37  jan/2010  0,48  2,21  fev/2010  17,17  79,05  mar/2010  1,42  6,54  abr/2010  14,41  66,34  mai/2010  5,17  23,77  jun/2010  7,81  35,98  jul/2010  14,48  66,68  ago/2010  36,33  167,37  set/2010  8,98  41,42    Por  outro  lado,  reunimos  todas  as  glosas  que  o  contribuinte  logrou  comprovar  indevidas na planilha “Glosas Revertidas”, a  seguir  totalizadas  mensalmente:  Mês  PIS  COFINS  jan/2008  286,53  1.319,78  fev/2008  381,23  1.755,95  mar/2008  3,92  18,06  abr/2008  605,72  2.790,07  mai/2008  804,26  3.704,48  jun/2008  148,17  682,45  jul/2008  2.010,67  9.261,50  ago/2008  3.674,28  16.924,00  set/2008  1.445,04  6.656,14  out/2008  4.608,03  21.224,31  nov/2008  374,20  1.723,23  Fl. 3625DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          35 dez/2008  7.588,03  34.950,81  jan/2009  668,90  3.081,03  fev/2009  7.495,94  34.525,92  mar/2009  1.386,62  6.387,71  abr/2009  2.007,42  9.245,72  mai/2009  738,41  3.401,16  jun/2009  6.265,02  28.855,01  jul/2009  3.300,66  15.202,28  ago/2009  840,01  3.869,59  set/2009  719,75  3.315,29  out/2009  965,56  4.447,56  nov/2009  1.303,04  6.001,82  dez/2009  2.257,21  10.397,23  jan/2010  1.974,52  9.094,68  fev/2010  2.248,05  10.354,84  mar/2010  490,59  2.259,87  abr/2010  3.197,74  14.728,89  mai/2010  1.315,44  6.059,04  jun/2010  791,94  3.648,05  jul/2010  1.508,77  6.949,40  ago/2010  2.920,90  13.452,87  set/2010  2.954,21  13.607,00    Cumpre lembrar que a planilha “Glosas Revertidas” obedece ao que foi  evidenciado originalmente pela fiscalização no demonstrativo “Notas Fiscais  de Fretes não Associadas à Tabela de Vínculos”, ou seja, contém apenas a  identificação  do  CTRC  e  o  valor  do  PIS  e  da  COFINS  glosados.  Esta  planilha  também inclui o Conhecimento de Transporte Rodoviário nº 4510,  do  demonstrativo  “Notas  Fiscais  de  Mercadorias  não  Encontradas  na  Escrituração Fiscal”, cuja admissibilidade de créditos ficou evidenciada pela  apresentação do documento e das notas fiscais a ele relacionadas.     É importante notar que as planilhas citadas neste relatório incluem o 1º  trimestre  de  2010,  período  para  o  qual  o  contribuinte,  à  época  da  fiscalização,  não  havia  ainda  apresentado  Pedidos  de  Ressarcimento,  portanto, sem que houvesse possibilidade de ocorrerem glosas efetuadas pela  fiscalização.  Porém,  como  nas  planilhas  mencionadas  no  Termo  de  Verificação Fiscal,  assim como  no  demonstrativo  anexo  à Manifestação  de  Inconformidade  há  referências  a  documentos  deste  período,  optamos  por  relacioná­los  também  neste  trabalho,  apesar  desta  informação  não  gerar  qualquer efeito sobre os direitos pleiteados pelo contribuinte.   *****    Em face do acima exposto, e à luz das informações trazidas pelo sujeito  passivo  durante  a  fiscalização  e  por  ocasião  da  sua  Manifestação  de  Inconformidade, concluímos a diligência solicitada pela 2ª Turma Especial,  da  Terceira  Seção  de  Julgamento  do Conselho Administrativo  de  Recursos  Fl. 3626DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          36 Fiscais,  no  sentido  de  considerar  como  créditos  de  PIS/COFINS  correspondentes a  fretes pela aquisição de  insumos os apurados na escrita  do sujeito passivo, diminuídos das glosas do TVF, acrescidos, no entanto, dos  valores discriminados na última tabela deste Relatório Fiscal.     [...]  Intimada  do  teor  do  relatório  fiscal  acima  reportado,  o  qual  é  padrão  para  todos  os  processos  da  interessada  que  ora  apresentamos  para  julgamento,  a  recorrente,  mediante expediente de fls. 3581/3583, ressalta que as glosas revertidas, em comparação com  as  glosas  originais,  totaliza  valor  inexpressivo,  e  que,  dado  o  grande  volume  de  dados  a  analisar, tem necessidade que seja estendido em mais 30 dias o prazo para sua manifestação.  Até  a  presente  data,  contudo,  o  sujeito  passivo  não  apresentou  nenhum  argumento  adicional  frente  ao  resultado  da  diligência  fiscal  conduzida  pelo  Auditor  Fiscal  responsável pela diligência, e pela própria ação fiscal.  Portanto,  considerando  o  criterioso  trabalho  conduzido  pela  autoridade  administrativa,  retratado  por  último  na  fundamentação  objeto  do  relatório  fiscal  acima  transcrito  parcialmente,  e  ainda,  diante  da  não  apresentação,  pela  recorrente,  de  razões  objetivas  capazes  de  abalar  minimamente  o  resultado  do  trabalho  da  autoridade  em  tela,  entendo  que  deverão  ser  mantidas  as  glosas  inerentes  a  fretes  pelo  transporte  de  mercadorias não admitidas pelo regime da não­cumulatividade, ajustadas nos termos do  aduzido relatório fiscal.   Consequentemente,  há  que  se  dar  provimento  em  parte  aos  argumentos  apresentados  pela  reclamante,  mas  apenas  no  que  concerne  aos  ajustes  perpetrados  pela  autoridade fiscal, acima referenciados.  Da reclassificação de créditos – item 4.2 do TVF  O  sujeito  passivo  também  se  insurge  contra  a  reclassificação  de  créditos  objeto  do  item  4.2  do  Termo  de Verificação  Fiscal.  Segundo  a  fiscalização,  em  virtude  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/20058,  os  créditos  de  importação  elencados  no  art.  15  da  Lei  nº  10.865/2004 – além do saldo credor apurado na forma do artigo 3º das Leis nos 10.637/2002 e  10.833/2003  –  são  passíveis  de  ressarcimento  ou  compensação.  Contudo,  em  relação  aos  créditos enquadrados no artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 – que remete às importações                                                              8      Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nos  10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº  11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de:          I  ­  compensação  com  débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou          II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.          Parágrafo  único.  Relativamente  ao  saldo  credor  acumulado  a  partir  de  9  de  agosto  de  2004  até  o  último  trimestre­calendário anterior ao de publicação desta Lei,  a compensação ou pedido de  ressarcimento poderá  ser  efetuado a partir da promulgação desta Lei.    Lei nº  11.033,  de 21/12/2004, Art.  17. As vendas  efetuadas  com suspensão,  isenção,  alíquota 0  (zero) ou  não  incidência  da Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da COFINS  não  impedem  a manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos vinculados a essas operações.    Fl. 3627DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          37 de produtos objeto do § 3º do artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/20049 (dentre outros) – estes,  “por  falta  de  previsão  legal”,  não  seriam  passíveis  de  ressarcimento  ou  de  compensação,  apesar da possibilidade de desconto em relação aos débitos.  Ressalta  a  autoridade  administrativa  que  a  recorrente  importou  diversas  máquinas  e  veículos  para  revenda  enquadradas  nos  códigos  tarifários  elencados  no  §  3º  do  artigo 8º da mesma Lei nº 10.865/2004, “cujos créditos de PIS e COFINS foram submetidos,  indevidamente, ao rateio proporcional entre o mercado externo e o faturamento total”.  Vejamos  a  questão  analisando  cronologicamente  os  preceitos  inerentes  ao  regime da não­cumulatividade do PIS e da COFINS que tem relevância para a presente análise.  Como  já  ressaltado  linhas  cima,  o  artigo  3o  das  Leis  nos  10.637/2002  e  10.833/2003 autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos  da pessoa  jurídica. No âmbito dos preceitos  legais em tela, esse direito de crédito alcança os  “bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País” ou os “custos e despesas  incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País” (§ 3º do artigo 3o das  Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 – grifos nossos). Estabelece ainda o § 7º do mesmo artigo  3º das normas em evidência que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar­se à incidência não­ cumulativa  do  PIS  e  da COFINS  em  relação  apenas  a  parte  de  suas  receitas,  o  crédito  será  apurado,  exclusivamente,  em  relação  aos  custos,  despesas  e  encargos  vinculados  a  essas  receitas.   Ainda no que concerne às  leis que criaram o regime da não­cumulatividade  das contribuições em tela, o artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e o artigo 6º da Lei nº 10.833/2003  dispõem,  respectivamente,  que  o  PIS/PASEP  e  a  COFINS  não  incidem  sobre  as  receitas  decorrentes  de:  a)  exportações  de  mercadorias;  b)  prestação  de  serviços  no  exterior  cujo  pagamento represente ingresso de divisas e; c) vendas a empresa comercial exportadora como  fim específico de exportação. Em tais hipóteses – “unicamente” –, o crédito apurado na forma  do  artigo  3º  das  leis  em  comento  poderá  ser  utilizado  para  a  dedução  da  correspondente  contribuição  a  recolher  ou  para  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  Receita Federal. Ainda restrito a esse horizonte, acaso aludido crédito não possa ser utilizado  por nenhuma dessas formas até o final de cada trimestre do ano civil, poderá o sujeito passivo  solicitar seu ressarcimento em espécie (vide §§ 1º e 2º do artigo 5º da Lei nº 10.637/2002 e §§  1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003.  Posteriormente,  foi  editada  a  Lei  nº  10.865,  de  30/04/2004,  que  instituiu  o  PIS  e  a  COFINS  incidentes  sobre  as  importações  de  bens  e  de  serviços.  A  norma  em  tela  também  dispôs  sobre  o  creditamento  das  referidas  contribuições  incidentes  sobre  as  importações,  conforme  o  correspondente  artigo  15,  cujos  trechos  relevantes  seguem  abaixo  transcritos:                                                              9  Art. 8º As contribuições serão calculadas mediante aplicação, sobre a base de cálculo de que trata o art. 7º desta  Lei, das alíquotas de:     [omitido]     § 3º Na importação de máquinas e veículos, classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 8432.80.00, 8433.20,  8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Nomenclatura Comum do Mercosul  ­ NCM, as alíquotas são de:          I ­ 2% (dois por cento), para o PIS/PASEP­Importação; e          II ­ 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), para a COFINS­Importação.  Fl. 3628DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          38 Art.  15.  As  pessoas  jurídicas  sujeitas  à  apuração  da  contribuição  para  o  PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637,  de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação  dessas  contribuições,  em  relação  às  importações  sujeitas  ao  pagamento  das  contribuições  de  que  trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses:   I ­ bens adquiridos para revenda;  II  ­  bens  e  serviços utilizados  como  insumo na prestação de  serviços e na  produção ou  fabricação de bens ou produtos destinados à venda,  inclusive  combustível e lubrificantes;  III ­ energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica;   IV  ­  aluguéis  e  contraprestações  de  arrendamento  mercantil  de  prédios,  máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade  da empresa;  V  ­  máquinas,  equipamentos  e  outros  bens  incorporados  ao  ativo  imobilizado,  adquiridos  para  locação  a  terceiros  ou  para  utilização  na  produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação  dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplica­ se em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e  serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei.   § 2º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê­lo nos meses  subseqüentes.  [...]  § 5º Para os efeitos deste artigo, aplicam­se, no que couber, as disposições  dos §§ 7o e 9o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e  10.833, de 29 de dezembro de 2003.  [...]  § 8º As pessoas jurídicas importadoras, nas hipóteses de importação de que  tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei:  I – produtos dos §§ 1º a 3º e 5º a 7º do art. 8º desta Lei, quando destinados à  revenda;  [...]  Por seu turno, o artigo 17 da mesma Lei nº 10.865/2004 estabelece que   Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no 10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos  §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]  (grifo nosso)  Fl. 3629DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          39 Importa destacar que os produtos de que  trata o § 3º do artigo 8º da Lei nº  10.865/2004  são  “máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da  Nomenclatura  Comum  do  Mercosul  –  NCM”.  Não  há  controvérsia  quanto  à  subsunção  das  mercadorias  importadas  pelo  sujeito  passivo  nesse  dispositivo,  já  que  ele  próprio  afirma  isso  quando  denomina  a  planilha  “Importação  para  Revenda  de Máquinas  e  Veículos – Lei 10.865/2004, art. 8º, § 3º ” (grifou­se) – vide item 4.2 do TVF.  Historicamente, vê­se que, até aqui, o regime da não­cumulatividade do PIS e  da COFINS autorizava unicamente o desconto dos créditos calculados em conformidade com o  regime,  prevendo,  contudo,  a  compensação  ou  o  ressarcimento  em  espécie  (se  inexistir  a  possibilidade  de  dedução  da  contribuição  a  recolher  ou  compensação  com  outros  tributos  administrados  pela  RFB)  exclusivamente  no  caso  de  as  receitas  serem  decorrentes  da  exportação de mercadorias ou de serviços para o exterior.   Sobreveio  então  a  Lei  nº  11.033,  de  21/12/2004,  cujo  artigo  17  permitia  a  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  decorrentes  das  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.   Pouco tempo depois foi publicada a Lei nº 11.116, de 18/05/2005, cujo artigo  16 estabelece os seguinte:  Art.  16.  O  saldo  credor  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  da  Cofins  apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002,  e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de  abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano­calendário em  virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004,  poderá ser objeto de:  I  ­  compensação com débitos  próprios,  vencidos  ou  vincendos,  relativos  a  tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,  observada a legislação específica aplicável à matéria; ou   II ­ pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica  aplicável à matéria.   Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de  agosto de 2004 até o último trimestre­calendário anterior ao de publicação  desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a  partir da promulgação desta Lei.  Vê­se,  pois,  que  a  possibilidade  de  compensação  ou  de  ressarcimento  em  espécie do saldo credor do PIS e da COFINS, antes restrita ao acúmulo de créditos decorrente  da  exportação de mercadorias ou de  serviços para o  exterior  (sobre  as quais não  incidem as  contribuições em tela), passou a alcançar todos os créditos apurados na forma do artigo 3º das  Leis nos  10.637/2002 e  10.833/2003, bem como os  créditos decorrentes da  incidência das  contribuições em tela sobre as importações – no caso de pessoas jurídicas sujeitas ao regime  da não­cumulatividade – nas hipóteses albergadas pelo artigo 15 da Lei nº 10.865/2004.  Ora, dentre essas hipóteses consta o creditamento em função da aquisição de  bens para revenda (inciso I do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual entendemos  que a possibilidade de utilização dos créditos para  fins de compensação ou de  ressarcimento  ampara  as  compras,  pelo  sujeito passivo, das máquinas  e dos veículos destinadas  à  revenda.  Fl. 3630DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          40 Quando  o  §  8º  do  artigo  15  diz  que  “as  pessoas  jurídicas  importadoras,  nas  hipóteses  de  importação de que tratam os incisos a seguir, devem observar as disposições do art. 17 desta  Lei”  em  relação,  dentre  outros,  aos  produtos  do  §  3º  do  artigo  8º  (“máquinas  e  veículos,  classificados  nos  códigos  84.29,  8432.40.00,  8432.80.00,  8433.20,  8433.30.00,  8433.40.00,  8433.5,  87.01,  87.02,  87.03,  87.04,  87.05  e  87.06,  da Nomenclatura Comum do Mercosul  –  NCM”), penso que tal assertiva é restrita à forma de apuração do direito creditório.   Com efeito, estabelece o § 3º do artigo 15 da lei nº 10.865/2004 que   O  crédito  de  que  trata  o  caput  deste  artigo  será  apurado  mediante  a  aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de  30  de  dezembro  de  2002,  e  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  sobre  o  valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na  forma do art. 7º  desta  Lei,  acrescido  do  valor  do  IPI  vinculado  à  importação,  quando  integrante do custo de aquisição.  Portanto, a regra geral de apuração do crédito é a aplicação das alíquotas de  1,65% para o PIS e de  7,6% para a COFINS  (artigo 2º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003,  respectivamente).  Contudo,  na  realidade  presente,  inerente  à  importação  das  máquinas  e  veículos cujos códigos estão elencados no § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.865/2004, ao qual faz  referência  o  inciso  I  do  artigo  17  da  mesma  lei,  os  créditos  serão  apurados  “mediante  a  aplicação das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação específica, sobre o valor de que trata o § 3º do art. 15 desta Lei”, ou seja, “sobre o  valor  que  serviu  de  base  de  cálculo  das  contribuições,  na  forma  do  art.  7º  desta  Lei  [10.865/2004], acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo  de aquisição”.  De  fato,  o  artigo  17  da  Lei  nº  10.865/2004  trata  especificamente  da  possibilidade  de  desconto  de  créditos  nas  hipóteses  que  elenca,  e  nada  diz  a  respeito  de  eventual  restrição  à  utilização  do  direito  creditório  calculado  segundo  as  formas  prescritas.  Reproduzo, abaixo, o  teor do disposto no referido preceito no que importa para a solução do  presente litígio:  Art. 17. As pessoas jurídicas importadoras dos produtos referidos nos §§ 1º  a 3º, 5º a 10, 17 e 19 do art. 8º desta Lei e no art. 58­A da Lei no10.833, de  29  de  dezembro  de  2003,  poderão  descontar  crédito,  para  fins  de  determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, em relação à  importação desses produtos, nas hipóteses:  I  ­  dos §§  1º  a  3º,  5º  a  7º  e  10  do  art.  8º  desta Lei,  quando destinados  à  revenda; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)  [...]   §  2º  Os  créditos  de  que  trata  este  artigo  serão  apurados  mediante  a  aplicação das alíquotas da  contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS  incidentes  sobre  a  receita  decorrente  da  venda,  no  mercado  interno,  dos  respectivos  produtos,  na  forma  da  legislação  específica,  sobre  o  valor  de  que trata o § 3º do art. 15 desta Lei.  [...]  Fl. 3631DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          41 Por  fim,  vale  destacar  que  quase  todos  os  demais  parágrafos  do  artigo  17  tratam,  exclusivamente,  de  formas  de  apuração  de  crédito  nas  hipóteses  abrangidas  pelos  mesmos (regime monofásico). A única exceção é o § 8º do preceito em tela, o qual, quando diz  que “o disposto neste artigo alcança somente as pessoas jurídicas de que trata o art. 15 desta  Lei”,  corrobora  o  presente  entendimento  concernente  ao  qual  o  artigo  17  particulariza  a  apuração do crédito (e unicamente isso) quando aludida apuração foge à regra geral objeto do  artigo 15.  Em conclusão, e no que concerne ao presente tópico, entendo como indevida  a  reclassificação  como  “não  ressarcível”  operada  pela  fiscalização,  uma  vez  que,  conforme  demonstrado, os créditos em tela poderão, sim, ser utilizados para fins de compensação ou de  ressarcimento.  Nessa parte, portanto, também dou provimento ao recurso do sujeito passivo.  Do reposicionamento dos créditos – item 4.3 do TVF  Segundo relatado, foram reposicionadas parcelas dos créditos de importação  aproveitados  em  PER/Dcomp  ao  argumento  de  que  estes,  por  se  originarem  do  mercado  externo, somente poderiam ser utilizados no final do respectivo trimestre­calendário. De fato,  conforme o Termo de Verificação Fiscal, o ajuste foi feito em vista da compensação, antes de  findo o trimestre, de créditos do PIS/COFINS importação vinculados a receitas de exportação.  Referido  ajuste  foi  baseado  no  artigo  42  da  IN  RFB  nº  900/2008,  cujo  §  7º  autorizava  a  compensação  de  créditos  decorrentes  de  custos,  despesas  e  encargos  incorridos no mercado  interno  vinculados  a  receitas  de  exportação,  mesmo  antes  de  findo  o  trimestre  do  ano­ calendário a que se refere o crédito.  Em pesquisa à mais atual  instrução normativa que trata do assunto observei  que tal regramento permanece em vigor. Com efeito, o artigo 49, § 6º, da IN RFB nº 1.300, de  20/11/2012,  dispõe  que  a  compensação  dos  créditos,  dentre  outras  hipóteses,  decorrentes  de  custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão,  isenção, alíquota  zero ou não  incidência,  “poderá  ser  efetuada  somente depois do  encerramento do  trimestre­ calendário”.  Tal  regramento,  de  fato,  está  amparado  no  caput  do  artigo  16  da  Lei  nº  11.116/2005, segundo o qual poderá ser objeto de compensação ou de ressarcimento   o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na  forma do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833,  de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de  2004, acumulado ao  final de  cada  trimestre do ano­calendário  em virtude  do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004.  (grifo nosso)  Vale  lembrar  que  o  artigo  17  da  Lei  nº  11.033/2004  trata,  justamente,  da  manutenção,  pelo  vendedor,  dos  créditos  vinculados  a  “vendas  efetuadas  com  suspensão,  isenção,  alíquota  0  (zero)  ou  não  incidência  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  e  da  COFINS”.  Portanto, não há embasamento legal que autorize o sujeito passivo a utilizar  os créditos do PIS/COFINS importação antes de findo o trimestre correspondente.  Fl. 3632DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          42 Quanto ao pedido para “decotar os juros e multa calculados, de modo a que  refiram, tão­somente, ao atraso de um ou dois meses  (i.e, aquele decorrente da espera até o  fim  do  trimestre”,  acaso  a  incidência  dos  encargos  tenha  extrapolado  o  correspondente  trimestre (tal não ficou claro no TVF), entendo que, de fato, deverão ser efetuados os ajustes  necessários a considerar a incidência de juros e multa de mora do débito apenas até o término  de cada  trimestre  ­ data  a partir da qual o  contribuinte passou a  ter direito ao crédito. Dessa  forma,  serão  corrigidos  até  a  data  da  compensação  unicamente  os  débitos  em  aberto  posteriormente aos ajustes em tela.  Nesse tópico, portanto, dou provimento parcial ao pedido da recorrente, nos  termos do parágrafo anterior.  Dos erros de cálculo  No  que  concerne  aos  erros  de  cálculo  o  sujeito  passivo  alega  que  a  DRJ  recorrida,  “sem  muitas  justificativas,  também  negou  a  realização  de  diligência  para  tal  verificação”.  Todavia,  ressaltou  que,  “quanto  a  dois  dos  quatro  períodos  apontados  como  exemplos na explanação (abr/2010 e jul a set/2010) os erros de cálculo já foram reconhecidos  e o direito creditório da Recorrente declarados (Acórdãos ns. 02­46.070 e 02­46.072)”.  De  fato,  dentre  todos  os  processos  da  empresa  sob  nossa  responsabilidade  que  ora  trazemos  à  pauta,  observamos  que  a  primeira  instância  já  reconheceu  crédito  remanescente  em  relação  aos  seguintes  processos  da  recorrente  nos  respectivos montantes  a  seguir  discriminados:  13603.724502/2011­43  (R$  7.743,90),  13603.724508/2011­11  (R$  132.933,34), 13603.724529/2011­36 (R$ 339.948,59), 13603.724627/2011­73 (R$ 1.114,90) e  13603.724631/2011­31 (R$ 596.928,10).   Agora, nada mais há que se apreciar em relação ao assunto, uma vez que a  reclamante  não  contesta  o  resultado  das  correções  perpetradas  pela  DRJ,  tendo­se  limitado  unicamente  a  reiterar  a  necessidade  de  “[...]  diligência  para  a  verificação  da  correção  do  cálculo dos créditos a que tem direito [...]”, pleito com respeito ao qual negamos provimento  pelo fato de o mesmo não estar revestido de verossimilhança que revele sua necessidade.   Portanto, nessa parte, entendo que deverá ser negado provimento ao recurso.  Da conclusão  Por  todo  o  exposto,  voto  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  no  seguinte sentido:  I)  negar o direito ao creditamento do PIS e da COFINS pela aquisição de  bens destinados ao ativo imobilizado (item 3.1 do TVF);  II)  reconhecer em parte o direito a creditamento para que sejam admitidos os  créditos calculados pelo sujeito passivo em relação aos serviços pagos à GFL  Gestão de Fatores Logísticos Ltda. (item 3.2 do TVF);  III) manter  o  entendimento  da  fiscalização  pela  impossibilidade  de  creditamento  em  face  de  fretes  decorrentes  da  transferência  de  produto  acabado entre estabelecimentos da  interessada (item 3.4 do TVF), ou ainda,  Fl. 3633DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 13603.724633/2011­21  Acórdão n.º 3301­002.819  S3­C3T1  Fl. 0          43 pelos fretes do transporte de mercadorias destinadas ao ativo imobilizado ou  a uso e consumo (item 3.5 do TVF);  IV) quanto  à  glosa  dos  créditos  calculados  sobre  fretes  pela  “falta  de  identificação das mercadorias transportadas” (item 3.7 do TVF), dar parcial  provimento ao recurso, nos termos dos cálculos apresentados pela autoridade  fiscal no relatório de diligência de fls. 3571/3576;  V)  concernente  à  reclassificação  de  créditos  (item  4.2  do  TVF),  desconsiderar os ajustes nos cálculos procedidos pela  fiscalização, uma vez  caracterizada  a  possibilidade  de  utilização  dos  créditos,  para  fins  de  compensação ou de ressarcimento, em vista das compras das máquinas e dos  veículos destinadas à revenda;   VI) quanto ao reposicionamento dos créditos (item 4.3 do TVF), dar parcial  provimento  ao  recurso  para  permitir  o  ajuste  necessário  de  forma  a  considerar a incidência de juros e de multa de mora sobre os débitos apenas  até o término de cada trimestre ­ data a partir da qual a contribuinte passou a  ter direito ao crédito;  VII)  negar provimento quanto à retificação dos erros de cálculo.  Sala de Sessões, em 29 de janeiro de 2016.  (assinado digitalmente)  Francisco José Barroso Rios ­ Relator                                Fl. 3634DF CARF MF Impresso em 15/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 08/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS

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Numero do processo: 19515.002386/2010-01
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA - PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não existe similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, o que inviabiliza a demonstração de eventual dissídio interpretativo. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9202-003.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Relatora. EDITADO EM: 11/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1864; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2.828          1 2.827  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  19515.002386/2010­01  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9202­003.728  –  2ª Turma   Sessão de  28 de janeiro de 2016  Matéria  Decadência e Multa ­ retroatividade benigna  Recorrente  GOCIL SERVICOS DE VIGILANCIA E SEGURANÇA LTDA.  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2007  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  ­  RECURSO  ESPECIAL  DE  DIVERGÊNCIA ­ PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE  Não  se  conhece  de  Recurso  Especial  de  Divergência,  quando  não  existe  similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma, o que inviabiliza a  demonstração de eventual dissídio interpretativo.  Recurso Especial do Contribuinte não conhecido      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  não  conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.  (assinado digitalmente)  CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  MARIA HELENA COTTA CARDOZO ­ Relatora.    EDITADO EM: 11/02/2016  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Freitas  Barreto  (Presidente),  Maria  Teresa  Martinez  Lopez  (Vice­Presidente),  Luiz  Eduardo  de  Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 23 86 /2 01 0- 01 Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     2 Silva, Elaine Cristina Monteiro  e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor  de Souza Lima  Junior e Gerson Macedo Guerra.    Relatório  Trata­se de glosa de compensação declarada em GFIP, diferenças de SAT e  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  vale­transporte  e  vale­refeição  pagos  em  pecúnia.  O  crédito  lançado  refere­se  ao  período  de  08/2005  a  12/2007  e  a  ciência  do  lançamento ocorreu em 31/08/2010.  Em  09/06/2011,  o  presente  processo  (19515.002386/2010­01)  foi  anexado  aos  de  nºs  19515.002382/2010­14,  19515.002383/2010­69,  19515.002384/2010­11,  19515.002385/2010­58,  19515.002388/2010­91  e  19515.002417/2010­15,  que  foram  excluídos, conforme pesquisa efetuada no sistema e­processo (Termo de Juntada por Anexação  de fls. 2.441), de sorte que os sete procedimentos passaram a ser  tratados exclusivamente no  presente processo, de nº 19515.002386/2010­01.   Em  sessão  plenária  de  20/06/2012,  foram  julgados  os  sete  Recursos  Voluntários, prolatando­se o Acórdão nº 2302­01.883 (fls. 2.616 a 2.637), contendo o seguinte  resumo das lides, por processo:  19515.002382/2010­14  Auto de  Infração de Obrigação Acessória, Fundamento Legal  69,  por  erro  no  código  de Terceiros  informado  nas GFIP’s  de  08/2005 a 12/2007. O código informado foi 000 ou 114, quando  o correto a ser informado é 0115. Após impugnação, Acórdão de  fls.163/172, volume V, pugnou pela procedência da autuação.  19515.002383/2010­69  Auto de  Infração de Obrigação Acessória, Fundamento Legal  68, por não informar a totalidade dos fatos geradores no período  de  08/2005  a  12/2007,  como  o  vale­transporte  e  alimentação  pagos  em  pecúnia,  diferença  de  GILRAT  e  glosa  de  compensações não comprovadas. Após impugnação, Acórdão de  fls.163/176, volume VI pugnou pela procedência da autuação.  19515.002384/2010­11  Auto de  Infração de Obrigação Acessória, Fundamento Legal  38,  pela  falta  de  apresentação  de  documentos,  lavrado  com  a  multa  agravada  pela  ocorrência  de  reincidência.  Após  impugnação,  Acórdão  de  fls.158/166,  volume  VII,  julgou  o  lançamento procedente.  19515.002385/2010­58  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal,  relativo  às  contribuições destinadas às terceiras entidades incidentes sobre  valores pagos em pecúnia aos segurados empregados a título de  vale­transporte  e  vale­alimentação  e  relativos  a  diferença  de  alíquota,  que  tinha  sido  informada  erroneamente  pelo  Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 19515.002386/2010­01  Acórdão n.º 9202­003.728  CSRF­T2  Fl. 2.829          3 contribuinte. Após impugnação, Acórdão de fls.513/524, volume  X, julgou o lançamento procedente.  19515.002386/2010­01  Auto  de  Infração  de Obrigação  Principal,  relativo  a  glosa  de  compensação  declarada  em  GFIP,  diferenças  de  SAT  e  contribuições previdenciárias incidentes sobre vale­transporte e  vale­refeição pagos em pecúnia.  19515.002388/2010­91  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  referente  às  contribuições  dos  segurados  empregados,  incidentes  sobre  valores  pagos  em  pecúnia  a  título  de  vale­transporte  e  vale­ alimentação. Após impugnação, Acórdão de fls.479/488, volume  XIII, julgou o lançamento procedente.  19515.002417/2010­15  Auto de  Infração de Obrigação Acessória, Fundamento Legal  78, por ter apresentado GFIP com incorreções nas competências  de 13/2005, 13/2006 e 13/2007.  O acórdão recorrido foi assim ementado:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/08/2005 a 31/12/2005  COMPENSAÇÃO. GLOSA.  Serão  glosados  pelo  Fisco  os  valores  compensados  indevidamente  pelo  sujeito  passivo. O  fisco  tem  a  prerrogativa  de homologar ou não a compensação efetuada , que deve ter sua  pertinência demonstrada pelo contribuinte.  SAT.  A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  de  riscos  ambientais  do  trabalho  é  prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n  °  9.732/1998,  sendo  a  alíquota  determinada  pela  atividade  preponderante da empresa.  VALE­TRANSPORTE  Não há  incidência de contribuição previdenciária sobre o vale­ transporte  pago  em  pecúnia,  considerando  o  caráter  indenizatório da verba ­ Súmula n.º 60 da AGU, de 08/12/2011,  DOU de 09/12/2011.  ALIMENTAÇÃO.  PARCELA  IN  NATURA.  NÃO  INCIDÊNCIA  DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  De acordo com o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011,  a reiterada jurisprudência do STJ é no sentido de se reconhecer  Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     4 a  não  incidência  da  contribuição  previdenciária  sobre  alimentação in natura fornecida aos segurados. Uma vez que tal  Parecer  foi  objeto  de  Ato  Declaratório,  há  que  se  observar  o  disposto  no  art.  26­A,  parágrafo  6º,  inciso  II,  alínea  “a”  do  Decreto n 70.235 de 1972.  AUTO­DE­INFRAÇÃO.  GFIP.  DADOS  NÃO  CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.  Constitui  infração  a  apresentação  de  GFIP  com  dados  não  correspondentes  a  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições  previdenciárias,  conforme artigo  32,  Inciso  IV  e  §5º,  da Lei  nº  8.212/91.  DESCUMPRIMENTO  DE  OBRIGAÇAO  ACESSÓRIA  APRESENTAÇÃO DE GFIP COM INFORMAÇÕES INEXATAS  NOS  DADOS  NÃO  RELACIONADOS  AOS  FATOS  GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.  A apresentação de GFIP com erro de preenchimento nos dados  não  relacionados  aos  fatos  geradores  das  contribuições  previdenciárias,  Código  FPAS,  enseja  infração  aos  artigos  32,  inciso  IV,  §  6  º  da  Lei  n.º  8.212/91  e  284,  inciso  III,  do  Regulamento da Previdência Social.  RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA  N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.  As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º  449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art.  32­A à Lei n º 8.212.  Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica­se a  ato  ou  fato  pretérito,  tratando­se  de  ato  não  definitivamente  julgado: a) quando deixe de defini­lo como infração; b) quando  deixe de  tratá­lo  como  contrário a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado  em  falta  de  pagamento  de  tributo;  c)  quando  lhe  comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao  tempo da sua prática.  AUTO­DE­INFRAÇÃO.  FALTA  DE  APRESENTAÇÃO  DE  DOCUMENTOS. INFRAÇÃO.  É  obrigação  da  empresa  exibir  à  fiscalização  todos  os  documentos relacionados à contribuições previdenciárias.  Recurso Voluntário Provido em Parte"  A  decisão  foi  assim  registrada,  relativamente  ao  processo  n°  19515.002386/2010­01:  "Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  em  conceder provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório  e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídos os  valores  relativos  a  vale­transporte  e  alimentação.  A  multa,  também, deve ser calculada considerando as disposições do art.  35 da Lei nº 8212 de 1991 para o período anterior à entrada em  vigor da Medida Provisória n. 449 de 2008."  Fl. 2831DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 19515.002386/2010­01  Acórdão n.º 9202­003.728  CSRF­T2  Fl. 2.830          5 As lides contidas nos diferentes processos tiveram as seguintes decisões:  19515.002385/2010­58  "provimento  parcial  do  recurso  para  excluir  do  lançamento  as  rubricas  referentes  a  vale­transporte,  conforme  Súmula  60  da  AGU e vale­alimentação, em virtude do Parecer PGFN/CRJ/Nº  2117/2011."  19515.002388/2010­91  "provimento do recurso, conforme Súmula 60 da AGU e Parecer  PGFN/CRJ/Nº 2117/2011;"  19515.002382/2010­14  "provimento parcial do recurso, devendo a multa ser calculada  considerando as disposições do artigo 32­A, inciso I, da Lei n.º  11.941/2009;"  19515.002383/2010­69  "provimento  parcial  do  recurso,  para  excluir  os  lançamentos  relativos ao vale­transporte e alimentação, devendo a multa ser  calculada considerando as disposições do artigo 32­A,  inciso I,  da Lei n.º 11.941/2009;"  19515.002417/2010­15  "negar provimento ao recurso;"  19515.002384/2010­11  "negar provimento ao recurso"   A  Contribuinte  foi  cientificada  eletronicamente  pelo  e­CAC  (Termo  de  Abertura  de  Documento  em  11/01/2013,  às  fls.  2.651  e  Ciência  por  Decurso  de  Prazo  em  25/01/2013, às fls. 2.652) e, em 22/01/2013 (carimbo aposto às fls. 2.678), opôs os Embargos  de Declaração de fls. 2.678 a 2.690, visando:  ­  relativamente  aos  processos  nºs  19515.002386/2010­01  e  19515.002385/2010­58, a discussão acerca da decadência;  ­  relativamente  ao  processo  nº  19515.002383/2010­69,  a  declaração  de  nulidade do Auto de Infração.  Os  Embargos  de  Declaração  foram  rejeitados  conforme  o  despacho  de  fls.  2.693 a 2.695.   Uma vez  cientificada da  rejeição de  seus Embargos de Declaração  também  pelo  e­CAC  (Termo  de Abertura  de Documento  em  10/07/2013,  às  fls.  2.705  e Ciência  por  Decurso  de  Prazo  em  20/07/2013,  às  fls.  2.711),  a  Contribuinte  interpôs,  em  06/08/2013  (carimbo aposto às fls. 2.712), o Recurso Especial de fls. 2.712 a 2.742, visando discutir:  Fl. 2832DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     6 ­  relativamente  aos  processos  nºs  19515.002386/2010­01  e  19515.002385/2010­58,  a  necessidade  de  apreciação  de  ofício  da  decadência  referente  à  competência de agosto/2005, por ser matéria de ordem pública;   ­  relativamente ao processo nº 19515.002383/2010­69, a aplicação da multa  mais benéfica.  Ao  Recurso  Especial  foi  dado  seguimento,  conforme  Despacho  nº  2300­ 349/2014 (fls. 2.812 a 2.817).  No que  tange  à  primeira matéria  ­  decadência  ­  a Contribuinte  alega  que  a  ciência  do  Auto  de  Infração  teria  ocorrido  em  1º/09/2010,  conforme  carimbo  aposto  no  envelope de fls. 2.689/2.690, apresentado quando da oposição dos Embargos de Declaração.  Relativamente  à  segunda  matéria  ­  aplicação  da  multa  mais  benéfica  ­  a  Contribuinte alega, em síntese:  ­  o  art.  32­A,  da Lei  nº  8.212,  de 1991,  somente  poderia  ser  aplicado  se  o  contribuinte fosse intimado para prestar esclarecimentos, o que não ocorreu, portanto o Auto de  Infração deveria ser considerado nulo;  ­ a multa mais benéfica, no caso, não seria a do art. 32­A, da Lei nº 8.212, de  1991, e sim a do art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996.   Cientificada  do  recurso  em  16/09/2014  (Despacho  de  Encaminhamento  de  fls. 2.818), a Fazenda Nacional ofereceu, em 17/09/2014, as Contrarrazões de fls. 2.819 a 2.825  (Despacho de Encaminhamento de fls. 2.826), argüindo preliminarmente o não conhecimento  do recurso, no que tange à primeira matéria, ao argumento de que teria por objeto a rediscussão  do conjunto probatório. Quanto ao mérito do recurso, pugna pela manutenção do decidido no  acórdão recorrido.  Voto             Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo  Primeiramente, cabe  aferir  a  tempestividade do Recurso Especial  interposto  pela  Contribuinte,  intimada  pelo  e­CAC  ­  Centro  Virtual  de  Atendimento  ao  Contribuinte.  Nesse passo,  releva notar que,  nos despachos de  admissibilidade de Embargos  e de Recurso  Especial, a tempestividade foi aferida com base na data de ciência por decurso de prazo, sendo  que  a  Contribuinte  já  havia  tomado  ciência  anteriormente,  pela  abertura  dos  respectivos  documentos.   No que tange a intimação levada a cabo por meio eletrônico, a Lei nº 12.844,  de 19/07/2013 (DOU da mesma data), alterou o art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972, assim  estabelecendo:  "Art. 33. O art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972,,  passa a vigorar com as seguintes alterações:   “Art. 23. ........................................................................  § 2o ...............................................................................  III ­ se por meio eletrônico:   Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 19515.002386/2010­01  Acórdão n.º 9202­003.728  CSRF­T2  Fl. 2.831          7 a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante  de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo;   b)  na  data  em  que  o  sujeito  passivo  efetuar  consulta  no  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou   c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado  pelo sujeito passivo;  ....................................................................................” (NR)(grifei)  Em  face  deste  novo  regramento,  constata­se  que,  ao  tempo  da  ciência  dos  Embargos de Declaração (janeiro de 2013), ainda não se encontrava em vigor a Lei nº 12.844,  de  19/07/2013,  acima  transcrita,  razão  pela  qual  a  tempestividade  declarada  no  respectivo  Despacho de Admissibilidade deve ser mantida sem maiores considerações.  Quanto à rejeição dos Embargos, a ciência por decurso de prazo ocorreu em  20/07/2013  (fls.  2.711),  porém  a  Contribuinte  já  havia  aberto  o  respectivo  documento  em  10/07/2013 (fls. 2.705), sendo que em 19/07/2013 entrou em vigor a Lei nº 12.844, que passou  a  determinar  como  data  de  ciência  o  dia  do  evento  que  primeiro  ocorra  ­  a  abertura  do  documento  ou  o  decurso  do  prazo.  Quanto  ao  Recurso  Especial,  este  foi  interposto  em  06/08/2013.  Assim, aplicando­se a nova regra, o Recurso Especial seria  intempestivo,  já  que o primeiro evento ­ abertura do documento ­ ocorreu em 10/07/2013, e o apelo somente foi  protocolado  em  06/08/2013,  sendo  que  o  decurso  do  prazo,  em  20/07/2013,  ocorreu  já  na  vigência  da  nova  lei.  Entretanto,  no  entender  desta  Conselheira,  a  regra  a  ser  aplicada  é  a  vigente na data da disponibilização do documento no e­CAC (05/07/2013), sendo inaplicável  qualquer  alteração  posterior. Nesse  passo,  considera­se  correta  a  aplicação  da  regra  anterior,  que prestigiava o decurso do prazo de quinze dias contados da disponibilização do documento  no  e­CAC,  de  sorte  que  a  tempestividade  declarada  no  Despacho  de  Admissibilidade  do  Recurso Especial deve ser mantida.  Demonstrada  a  tempestividade  do  Recurso  Especial,  cabe  aferir  acerca  do  cumprimento dos demais pressupostos de admissibilidade.  As matérias suscitadas pela Contribuinte são:  ­ necessidade  de  apreciação  de  ofício  da  decadência,  por  ser  de  ordem  pública, no que tange aos processos nºs 19515.002386/2010­01 e 19515.002385/2010­58; e  ­  aplicabilidade  da  multa  mais  benéfica,  relativamente  ao  processo  nº  19515.002383/2010­69.  Registre­se que, até a fase de interposição de Recurso Voluntário, em abril de  2011, as diferentes exigências  tramitaram por meio de sete processos,  tanto assim que foram  apresentadas Impugnações e Recursos Voluntários específicos para cada um deles, bem como  foram  exarados  sete  acórdãos  de Primeira  Instância,  um  em  cada  processo.  Em  09/06/2011,  foram extintos os procedimentos atrelados ao presente processo, de nº 19515.002386/2010­01,  que passou a centralizar todos os litígios.  Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     8 Assim,  quando  do  julgamento  no CARF,  foi  exarado  apenas  o Acórdão  nº  2302­01.883, de 20/06/2012,  contemplando  todos os  litígios  contidos nos  sete processos. Na  parte  que  é  objeto  do  presente  Recurso  Especial  ­  processos  nºs  19515.002386/2010­01,  19515.002385/2010­58 e 19515.002383/2010­69, o acórdão recorrido decidiu o seguinte:  ­  processo  nº  19515.002386/2010­01  ­  AIOP  ­  glosa  de  compensação  declarada em GFIP, diferenças de SAT e contribuições previdenciárias  incidentes sobre vale­ transporte e vale­refeição pagos em pecúnia ­ período de 08/2005 a 12/2007 ­ remanesceram a  glosa de compensação declarada em GFIP e as diferenças de SAT, com aplicação da multa do  art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação vigente à época dos fatos geradores;  ­ processo nº 19.515.002385/2010­58  ­ AIOP  ­  contribuições destinadas às  terceiras  entidades  incidentes  sobre  vale­transporte  e  vale­alimentação  pagos  em  pecúnia  e  diferença de alíquota,  informada erroneamente pelo contribuinte  ­  remanesceu a diferença de  alíquota;  ­  processo  nº  19515.002383/2010­69  ­  AIOA  ­  Fundamento  Legal  68  ­  falta de informação dos fatos geradores relativos a vale­transporte e vale­alimentação pagos em  pecúnia, diferenças de GILRAT e glosa de compensação não comprovada ­ período de 08/2005  a  12/2007  ­  remanesceram  as  diferenças  de  GILRAT  e  a  glosa  de  compensação  não  comprovada, com aplicação da multa do art. 32­A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991, incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009.  Quanto  à  primeira  matéria  suscitada  pela  Contribuinte  ­  necessidade  de  apreciação  de  ofício  da  decadência,  por  ser  de  ordem  pública  (processos  nºs  19515.002386/2010­01  e  19515.002385/2010­58)  ­  em  sede  de  Contrarrazões  a  Fazenda  Nacional  pede  o  não  conhecimento  do  apelo,  alegando  tratar­se  de  rediscussão  do  conjunto  probatório.   Preliminarmente,  é  necessário  que  se  reitere  a  situação  fática  analisada  no  acórdão recorrido, no que tange à decadência: Auto de Infração de Obrigação Principal, tendo  em  vista  a  glosa  de  compensação  declarada  em  GFIP,  diferenças  de  SAT  e  contribuições  previdenciárias incidentes sobre vale­transporte e vale­refeição pagos em pecúnia (processo nº  19515.002386/2010­01)  e Auto de  Infração de Obrigação Principal,  relativo às contribuições  destinadas  às  terceiras  entidades  incidentes  sobre  valores  pagos  em  pecúnia  aos  segurados  empregados a  título de vale­transporte e vale­alimentação e  relativos a diferença de alíquota,  que tinha sido informada erroneamente pela contribuinte (processo nº 19515.002385/2010­58).  O crédito em litígio refere­se ao período de 08/2005 a 12/2007 e a ciência  do  lançamento  ocorreu  em  31/08/2010,  conforme  o  AR  ­  Aviso  de  Recebimento  dos  Correios, às fls. 191.  Assim,  por  qualquer  ângulo  que  se  analise  a  decadência  (com  ou  sem  pagamento  antecipado,  aplicando­se  o  art.  150,  §  4º,  ou  o  173,  I,  do  CTN),  chega­se  à  conclusão de que ela não ocorreu.  Coerentemente  com  a  situação  fática  dos  autos,  a  decadência  sequer  foi  mencionada pela Contribuinte, em sede de Impugnação ou de Recurso Voluntário.   Cientificada do Acórdão de Recurso Voluntário nº 2302­01.883 (fls. 2.616 a  2.637), a Contribuinte opôs os Embargos Declaratórios de fls. 2.678 a 2.690, alegando que teria  ocorrido  a  decadência  relativamente  ao  período  de  apuração  de  08/2005,  uma  vez  que  a  intimação da autuação teria ocorrido somente em 1º/09/2010. Para tanto, anexou o envelope de  Fl. 2835DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 19515.002386/2010­01  Acórdão n.º 9202­003.728  CSRF­T2  Fl. 2.832          9 fls. 2.683, com carimbo de postagem dos Correios em 30/08/2010, e um outro carimbo, não  identificado, com data de 1º/09/2010. A Contribuinte denomina esse envelope de "AR".   Em  face  de  tal  alegação,  a  Relatora  do  acórdão  embargado  assim  se  pronunciou, no Despacho de Admissibilidade de Embargos de fls. 2.693 a 2.695:  "Com  relação à decadência,  a matéria  também não  foi  objeto  de recurso.  Ademais,  o  crédito  lançado  através  dos  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  e  Acessória  foram  cientificados  ao  contribuinte  através  de  Registro  Postal  em  31/08/2010,  conforme  documento  de  fls.  191,  não  havendo  qualquer  competência incluída no lançamento de 08/2005 a 12/2005, que  estivesse alcançada pelo prazo decadencial.  Em  razão  do  exposto,  e  no  uso  da  competência  conferida  pelo  artigo 65 do Regimento  Interno do Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF  n°  256,  de  22/06/2009, REJEITO os Embargos de Declaração opostos."  Assim, constata­se que, sob o pretexto de discutir a decadência, na verdade a  Contribuinte intentava levar ao Colegiado, utilizando­se do remédio processual dos Embargos  de Declaração, litígio que nunca integrara as peças de defesa, qual seja, a efetiva data em que  tomara ciência do acórdão embargado ­ se na data registrada no AR de fls. 191, ou se na data  constante  de  carimbo  não  identificado,  aposto  no  envelope  de  postagem  em  seu  poder  (fls.  2.683). Ressalte­se que o citado envelope nunca fora antes juntado aos autos.  Rejeitados  os  Embargos,  a  Contribuinte  interpôs  Recurso  Especial.  Nesse  passo, o único julgado que poderia servir de paradigma, no presente caso, seria um Acórdão de  Embargos em que, não  se verificando decadência,  sob qualquer ângulo possível,  em sede de  Embargos  de  Declaração  fosse  trazido  documento  nunca  antes  juntado  ao  processo,  questionando  a  data  da  efetiva  ciência  da  autuação,  e  esses  Embargos  fossem  acolhidos,  retornando o processo à pauta de julgamento, para que fosse discutida a efetiva data em que foi  dada ciência do  lançamento, matéria esta que se encontra  inclusive sumulada e em momento  algum foi sequer mencionada nas peças de defesa.  Entretanto, o paradigma indicado pela Contribuinte foi o Acórdão de Recurso  Voluntário (e não de Embargos) nº 3401­002.309, efetuando o seguinte cotejo:  Acórdão recorrido  "O  Contribuinte  opõe,  tempestivamente,  Embargos  de  Declaração  contra  o  Acórdão  n.º  230201.883,  de  20/06/2012,  alegando  omissão,  porque  não  foi  declarada  a  decadência  da  competência  08/2005,  na  forma  do  artigo  150§  4º  do  Código  Tributário  Nacional  e  a  nulidade  do  lançamento  de  contribuições  sobre  vale­transporte  pago  em  pecúnia  e  alimentação  fornecidos  aos  empregados,  para  os  autos  de  infração  19515.002385/201058;  19515.002386/201001  e  19515.002388/201091.  (...)  Fl. 2836DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     10 Desta  forma,  são  totalmente  inócuas  as  argüições  da  embargante quanto a existência de omissões no voto.  Quanto  à  alegação  de  não  procedência  da  aplicação  da  penalidade exposta no artigo 32­A da Lei n.º 8.212/91, a mesma  não  será  apreciada,  porque  não  constou  das  razões  recursais,  não sendo pois, examinada pelo Acórdão e os embargos não se  prestam a inovações quanto à matéria.  COM RELAÇÃO À DECADÊNCIA, A MATÉRIA TAMBÉM  NÃO FOI OBJETO DE RECURSO.  Ademais,  o  crédito  lançado  através  dos  Autos  de  Infração  de  Obrigação  Principal  e  Acessória  foram  cientificados  ao  contribuinte através de Registro Postal em 31/08/2010, conforme  documento  de  fls.  191,  não  havendo  qualquer  competência  incluída  no  lançamento  de  08/2005  a  12/2005,  que  estivesse  alcançada pelo prazo decadencial.  Em  razão  do  exposto,  e  no  uso  da  competência  conferida  pelo  artigo 65 do Regimento  Interno do Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF  n°  256,  de  22/06/200  9,  REJEITO  os  Embargos  de  Declaração  opostos."  (destaques da Recorrente)  Acórdão paradigma  "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005  MATÉRIA AUSENTE DA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.  É inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não  suscitada na  instância a quo, EXCETO QUANDO DEVA SER  RECONHECIDA DE OFÍCIO.  (...)  No  Recurso  Voluntário,  tempestivo,  a  contribuinte  insiste  na  nulidade  do  Despacho  Decisório  e  INTRODUZ  DUAS  ALEGAÇÕES  DE MÉRITO,  ARGUINDO  A  DECADÊNCIA  DO DIREITO DE O FISCO VERIFICAR A COMPENSAÇÃO  EM  TELA  e  defendendo  um  conceito  mais  amplo  de  insumos  para fins da não­cumulatividade da Contribuição.  Para a Recorrente o prazo decadencial, de cinco anos, deve ser  contado do 2º trimestre de 2005, quando adquiridos os créditos  da  não­cumulatividade  em  questão,  e  não  da  transmissão  da  DCOMP.  Invoca o art.  150 do CTN, em detrimento do § 5º do  art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.   (...)  Por  último  a  ALEGAÇÃO  DE  DECADÊNCIA,  QUE  TAMBÉM  NÃO  CONSTA  DA  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE. TODAVIA, TRATA­SE DE MATÉRIA  DE ORDEM PÚBLICA, A SER RECONHECIDA DE OFÍCIO  QUANDO  ESTABELECIDA  POR  LEI,  como,  aliás,  já  determina  o  art.  210  do  Código  Civil  de  2002.  Somente  a  Fl. 2837DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 19515.002386/2010­01  Acórdão n.º 9202­003.728  CSRF­T2  Fl. 2.833          11 decadência convencional é que não é suprida de ofício, embora  possa  ser  requerida  a  qualquer  época,  não  se  submetendo  à  preclusão  (art.  211  do  mesmo  Código)."  (destaques  da  Recorrente)  De plano, verifica­se que o paradigma não foi exarado por força de Embargos  de Declaração,  e  sim de Recurso Voluntário,  e  neste o Contribuinte  arguiu  a decadência,  ao  contrário  do  que  se  verificou  no  caso  do  recorrido.  Ademais,  o  paradigma  não  trata  de  discussão acerca da data de efetiva ciência de lançamento, muito pelo contrário, trata de Pedido  de Restituição/Compensação, travando­se a discussão em torno do início da contagem do prazo  decadencial, se quando adquiridos os créditos em questão, ou se da transmissão da DCOMP.   O  cotejo  do  acórdão  recorrido  e  do  despacho  em  Embargos,  com  o  paradigma, permitem constatar a total ausência de similitude fática entre os julgados, a saber:  ­  no  caso  do  acórdão  recorrido,  trata­se  de  lançamento  de  Contribuições  Sociais Previdenciárias;  consta dos  autos o AR  ­ Aviso de Recebimento dos Correios  às  fls.  191,  registrando  a  data  de  ciência  do  lançamento  em  31/08/2010,  sendo  que  o  período  de  apuração mais antigo é 08/2005, o que afasta qualquer possibilidade de decadência, tanto assim  que  dita  matéria  não  foi  suscitada  nem  em  sede  de  Impugnação  nem  no  Recurso  Voluntário;  em  sede  de  Embargos  de  Declaração,  a  Contribuinte  juntou  envelope  com  carimbo  de  origem  desconhecida,  registrando  a  data  de  1º/09/2010,  por  ela  denominado  de  "AR",  visando  o  retorno  dos  autos  ao  Colegiado,  alegando  que  a  decadência  é  matéria  de  ordem pública; os Embargos foram rejeitados;  ­ no caso do paradigma, trata­se de Pedido de Restituição/Compensação, em  que a decadência do direito de o fisco verificar a compensação, embora não tenha sido argüida  em  sede  de  Manifestação  de  Inconformidade,  foi  suscitada  no  Recurso  Voluntário;  o  Colegiado examinou a alegação de decadência, por ser de ordem pública, concluindo que esta  não se concretizara.  Destarte,  constata­se  a  total  impossibilidade  de  comparação  entre  os  dois  julgados, para efeito de demonstração de divergência jurisprudencial, uma vez que os trechos  do paradigma colacionados pela Contribuinte em momento algum abordam a questão que ela  intenta  discutir  ­  a  efetiva data  de  ciência  do  lançamento, mediante  a  juntada de  documento  novo,  já  que  os  documentos  que  constavam  dos  autos  até  o  momento  do  julgamento  do  Recurso Voluntário  confirmavam a  total  impossibilidade de ocorrência de decadência. Aliás,  compulsando­se  o  inteiro  teor  do  paradigma,  no  que  tange  à  data  de  efetivação  da  ciência,  longe de caracterizar divergência, este encontra­se em total sintonia com o recorrido. Confira­ se o respectivo trecho do paradigma:  "Na  presente  situação,  em  que  a  DCOMP  foi  transmitida  em  29/09/2006,  a  Receita  Federal  do  Brasil  tinha  até  29/09/2011  para cientificar a contribuinte do Despacho Decisório. Como a  ciência se deu em 01/09/2010, não ocorreu a decadência (levei  em  conta  a  data  do  Aviso  de  Recebimento  na  fl.  86,  embora  segundo a peça  recursal,  fl.  193, a  ciência  tenha se dado  três  dias antes, em 29/08/2010). " (grifei)  Assim, como se pode constatar, no caso do paradigma, tal como ocorreu no  recorrido, considerou­se como data de ciência a data do AR ­ Aviso de Recebimento. E nem  poderia ser diferente, já que a matéria encontra­se sumulada no CARF:  Fl. 2838DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     12 "Súmula CARF nº 9: É  válida a  ciência da notificação por  via  postal  realizada  no  domicílio  fiscal  eleito  pelo  contribuinte,  confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência,  ainda que este não seja o representante legal do destinatário."  Assim,  não  conheço  do  Recurso  Especial  interposto  pela  Contribuinte,  relativamente  à  primeira  matéria  suscitada  ­  necessidade  de  apreciação  de  ofício  da  decadência,  por  ser  de  ordem  pública  (processos  nºs  19515.002386/2010­01  e  19515.002385/2010­58).  Quanto à segunda matéria arguida ­ aplicabilidade da multa mais benéfica  ­ esta diz  respeito  ao processo nº 19515.002383/2010­69, que  trata de Auto de  Infração de  Obrigações  Acessórias  ­  AIOA  (DEBCAD  37.293.341­6),  tendo  em  vista  a  violação  do  disposto no art. 32, inciso IV, e § 5º, da Lei 8.212, de 1991, uma vez que a empresa deixou de  informar  nas  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  por  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  ­  GFIP,  nas  competências  08/2005  a  12/2007,  os  fatos  geradores e as respectivas contribuições previdenciárias, quais sejam: remunerações a título de  vale refeição e vale  transporte pagas em dinheiro; alíquota  relativa ao GILRAT declarada de  forma incorreta e compensações declaradas sem a comprovação do indébito correspondente. A  exigência  foi  mantida  apenas  quanto  à  alíquota  relativa  ao  GILRAT  declarada  de  forma  incorreta  e  às  compensações  declaradas  sem  a  comprovação  do  indébito  correspondente,  aplicando­se a multa do art. 32­A, da inciso I, da Lei nº 11.941, de 2009.  Como  se  pode  constatar,  o  acórdão  recorrido,  no  que  tange  ao  processo  nº  19515.002383/2010­69,  trata  de  descumprimento  de  obrigação  acessória,  e  a  discussão  travada situa­se entre a aplicação do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação vigente  à época dos fatos geradores, ou do art. 32­A, da mesma lei, introduzido pela Lei nº 11.941,  de 2009.  Como paradigma, a Contribuinte indicou o Acórdão nº 2301­003.069, assim  ementado:  "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007  CONTRIBUIÇÃO A TERCEIRAS ENTIDADES  Toda  empresa  está  obrigada  a  recolher  a  contribuição  devida  aos  Terceiros,  incidente  sobre  a  totalidade  da  remuneração  paga aos segurados empregados.  ISENÇÃO PREVIDENCIÁRIA  A  pessoa  jurídica  de  direito  privado  beneficente  de  assistência  social que atendia, cumulativamente, os requisitos do art. 55, da  Lei 8.212, deveria  solicitar a  isenção para o gozo do benefício  fiscal.  MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA.  O  não  pagamento  de  contribuição  previdenciária  constituía,  antes  do  advento  da  Lei  nº  11.941/2009,  descumprimento  de  obrigação tributária punida com a multa de mora do art. 35 da  Lei nº 8.212/1991.  Fl. 2839DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 19515.002386/2010­01  Acórdão n.º 9202­003.728  CSRF­T2  Fl. 2.834          13 Revogado  o  referido  dispositivo  e  introduzida  nova  disciplina  pela  Lei  11.941/2009,  devem  ser  comparadas  as  penalidades  anteriormente prevista com a da novel legislação (art. 35 da Lei  nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que  esta  seja  aplicada  retroativamente,  caso  seja mais  benéfica  ao  contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN).  Não  há  que  se  falar  na  aplicação  do  art.  35­A  da  Lei  nº  8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já  que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na  sistemática  anterior  à  edição  da MP  449/2008,  2008,  somente  sendo possível a comparação com multas de mesma natureza."  De plano, constata­se que o paradigma trata de multa por descumprimento de  obrigação principal, girando a discussão em torno dos artigos 35 e 35­A, da Lei nº 8.212, de  1991,  com  as  alterações  introduzidas  pela  Lei  nº  11.941,  de  20099,  e  não  de  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória,  tratada  nos  artigos  32  e  32­A,  do  mesmo  diploma  legal.  Quanto ao voto vencedor, este não deixa dúvidas, no sentido de que se trata  de multa por descumprimento de obrigação principal. Confira­se:  "A  autuação  em  comento  refere­se  ao  descumprimento  pelo  contribuinte da sua obrigação  tributária principal,  consistente  no  dever  de  recolher  a  contribuição  previdenciária  dentro  do  prazo previsto em lei.  Além  do  pagamento  do  tributo  não  recolhido,  a  legislação  vigente  à  época  da  ocorrência  dos  fatos  geradores  previa  a  imposição  ao  contribuinte  da  penalidade  correspondente  ao  atraso  no  pagamento,  conforme  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991,  que escalonava a multa (I) de 4% a 20%, quando o valor devido  não  tivesse  sido  incluído  em  notificação  fiscal  de  lançamento,  (II)  de  12%  a  50%  para  pagamento  de  créditos  incluídos  em  notificação  fiscal,  e  (III)  de  30%  a  100%  nos  casos  em  que  o  débito já tivesse sido inscrito em dívida ativa.  Como  se  depreende  do  caput  do  art.  35  referido  (sobre  as  contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS,  incidirá  multa  de  mora,  que  não  poderá  ser  relevada,  nos  seguintes  termos...)  a  penalidade  decorria  do  atraso  no  pagamento,  independentemente  de o  lançamento  ter  sido  efetuado  de ofício  ou não.  Em outras palavras,  não existia na  legislação anterior a multa  de ofício, aplicada em decorrência do lançamento de ofício pela  auditoria fiscal, mas apenas a multa de mora, oriunda do atraso  no  recolhimento  da  contribuição.  A  punição  do  art.  35  da  referida  lei  dirigia­se  à  demora  no  pagamento,  sendo  mais  agravada/escalonada  de  acordo  com  o  momento  em  que  fosse  recolhida.  Ocorre que, com o advento da MP nº 449/2008, posteriormente  convertida na Lei nº 11.941/2009, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991  foi revogado, tendo sido incluída nova redação àquele art. 35.  Fl. 2840DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     14 (...)  À  primeira  vista,  a  indagação  de  qual  seria  a  norma  mais  favorável  ao  contribuinte  seria  facilmente  resolvida,  com  a  aplicação  retroativa  da  nova  redação  do  art.  35  da  Lei  nº  8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996, sendo esta última  a  utilizada  nos  casos  em  que  a  multa  de  mora  excedesse  o  percentual  de  20%  previsto  como  limite  máximo  pela  novel  legislação.  Contudo,  o art.  35­A,  também  introduzido  pela mesma Lei  nº  11.941/2009, passou a punir o contribuinte pelo lançamento de  ofício,  conduta  esta  não  tipificada  na  legislação  anterior,  calculado da seguinte forma: (...)" (grifei)  Assim, constata­se a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido  e paradigma, o que se reflete nos dispositivos legais em discussão em cada um dos processos,  que obviamente são diversos. Nesse passo, não há que se falar em divergência jurisprudencial,  já  que  as  discussões  travadas  nesses  julgados  possuem  objetos  diferentes,  de  sorte  que  o  Recurso Especial também não pode ser conhecido nesta parte.  Ainda  que  se  pudesse  tratar  as  multas  por  descumprimento  de  obrigação  principal  e  acessória  de  forma  conjunta,  como  é  usual  nesta  instância,  remarque­se  que  a  obrigação  acessória  ora  tratada  está  atrelada  à  obrigação  principal  tratada  no  processo  nº  19515.002386/2010­01, cujo Recurso Especial não suscitou a questão da penalidade, mas tão  somente a decadência.  Ademais,  mesmo  que  a  análise  conjunta  das  multas  fosse  possível  na  ausência  de Recurso  Especial  nesse  sentido  ­  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar  ­  os  acórdãos  recorrido  e  paradigma,  longe de  caracterizarem divergência,  encontram­se  em  total  sintonia, já que nenhum deles admite tal procedimento. Confira­se:  Acórdão recorrido  "Também, quanto à multa, tenho o entendimento que à luz da  legislação  vigente,  devem  ser  aplicadas  de  forma  isolada,  conforme  o  caso,  por  descumprimento  de  obrigação  principal  ou  de  obrigação  acessória,  da  forma  mais  benéfica  ao  contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código  Tributário Nacional.  Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida  esteja  diretamente  ligada  à  obrigação  principal,  isto  não  significa  que  sejam  únicas  para  aplicação  de  multa  conjunta.  Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo  crédito  a  ser  lançado,  é  obrigatória  a  lavratura  de  auto  de  infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As  condutas  são  tipificadas  em  lei,  com  penalidades  específicas  e  aplicação isolada.  (...)  Pelo  exposto,  é  de  fácil  constatação  que  as  condutas  de  não  recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão  tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº  9.430/96.  A  lei  ao  tipificar  essas  infrações,  inclusive  em  dispositivos  distintos,  demonstra  estar  tratando  de  obrigações,  Fl. 2841DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO Processo nº 19515.002386/2010­01  Acórdão n.º 9202­003.728  CSRF­T2  Fl. 2.835          15 infrações  e  penalidades  tributárias  distintas,  que  não  se  confundem e tampouco são excludentes." (grifei)  Acórdão paradigma  "Por outro lado, não me parece correta a comparação da nova  multa calculada conforme o art. 35­A da Lei nº 8.212/1991 c/c  o  art. 44,  I  da Lei  nº  9.430/1996  (multa  de ofício  prevista  em  75%  do  valor  da  contribuição  devida)  com  o  somatório  das  multas previstas no art. 32, §4º e 5º e no revogado art. 35 ambos  da Lei nº 8.212/1991.  Em primeiro lugar, esse entendimento somente teria coerência, o  que  não  significa  legitimidade,  caso  se  entendesse  que  a multa  de ofício substituiu as penalidades tanto pelo descumprimento da  obrigação principal quanto pelo da acessória, unificando­as.  Nesses  casos,  concluindo­se  pela  aplicação da multa  de  ofício,  por  ser  supostamente  a  mais  benéfica,  os  autos  de  infração  lavrados pela omissão de  fatos geradores  em GFIP  teriam que  ser  anulados,  já  que  a  penalidade  do  art.  44,  I  da  Lei  nº  9.430/1996  (multa  de  ofício)  estaria  substituindo  aquelas  aplicadas em razão do descumprimento da obrigação acessória,  o que não vem sendo determinado pelo Fisco.  Em segundo lugar, não se podem comparar multas de naturezas  distintas  e aplicadas  em razão de  condutas diversas. Conforme  determinação  do  próprio  art.  106,  II  do  CTN,  a  nova  norma  somente retroage quando deixar de definir o ato como infração  ou quando cominar­lhe penalidade menos severa. Tanto em um  quanto  no  outro  caso  verifica­se  a  edição  de  duas  normas  em  momentos  temporais  distintos  prescrevendo  a  mesma  conduta,  porém com sanções divrsas."  Por oportuno, esclareça­se que, no caso do acórdão recorrido, as multas pelo  descumprimento  de  obrigação  principal  e  acessória,  tal  como o  entendimento  do  paradigma,  foram  tratadas  em  separado,  aplicando­se  quanto  à  primeira  (que  não  foi  objeto  do Recurso  Especial) o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, na redação vigente à época dos fatos geradores  (processo nº 19515.002386/2010­01). Já no que à segunda, foi aplicado retroativamente o art.  32­A,  inciso  I,  da  mesma  lei,  introduzido  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009  (processo  nº  19515.002383/2010­69).  Diante  do  exposto,  não  conheço  do  Recurso  Especial  interposto  pela  Contribuinte.  (assinado digitalmente)  MARIA HELENA COTTA CARDOZO ­ Relatora                Fl. 2842DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO     16                 Fl. 2843DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 12/0 2/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por MARIA HELENA COTT A CARDOZO

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Numero do processo: 11052.001380/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RECEITA TRIBUTÁVEL. MOMENTO. ADI 25/03. Correto o disposto no inciso I do art. 5º do ADI 25/03, segundo o qual o indébito tributário é considerado receita tributável na data do trânsito em julgado da sentença que julgar os embargos à execução, fundamentados no excesso de execução.
Numero da decisão: 1302-001.794
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Edeli Pereira Bessa acompanhou o voto do relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. .
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RECEITA TRIBUTÁVEL. MOMENTO. ADI 25/03. Correto o disposto no inciso I do art. 5º do ADI 25/03, segundo o qual o indébito tributário é considerado receita tributável na data do trânsito em julgado da sentença que julgar os embargos à execução, fundamentados no excesso de execução.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. A Conselheira Edeli Pereira Bessa acompanhou o voto do relator pelas conclusões. (documento assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente), Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. .

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     2   Relatório    Versa  o  presente  processo  sobre  recurso  voluntário  interposto  em  face  do  Acórdão nº 1246.737, proferido pela DRJ/RJ1 em 25/05/2012, cuja ementa assim dispõe:  “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA  IRPJ  Ano­calendário: 2006  PEDIDO DE PERÍCIA  Considera­se  não  formulado  o  pedido  de  perícia  que  desatenda.  Aos  requisitos estatuídos pelo inciso IV do artigo 16 do Decreto 70.235/72  INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO.REDUÇÃO  INDEVIDA DO LUCRO REAL  Pelo regime de competência, o indébito passa a ser receita tributável do  IRPJ  e  da  CSLL  no  trânsito  em  julgado  da  sentença  judicial  que  já  define o valor a ser restituído.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário:2006  CSLL   Decorrendo  a  exigência  da  mesma  imputação  que  fundamentou  o  lançamento  do  IRPJ,  deve  ser  adotada,  no  mérito,  a  mesma  decisão  proferida para o  imposto de  renda, desde que não presentes argüições  específicas ou elementos de prova novos.  INCORPORAÇÃO.  RESPONSABILIDADE  DOS  SUCESSORES.  MULTA.  O  sucessor  responde  pelo  pagamento  da  multa  de  ofício  aplicada  à  sucedida  depois  da  incorporação,  quando  as  sociedades  estavam  sob  controle comum.  Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido”    A recorrente cientificada do Acórdão nº 1246.737 em 13/05/2014 (vide AR a  fls. 338), interpôs em 11/06/2014 (vide Termo a fls. 340) o recurso voluntário a fls. 341 e segs.,  no qual alega as seguintes razões de defesa:  a)  que  a  recorrente  é  sucessora  por  incorporacao,  da  SOCIEDADE  EXPORTADORA E IMPORTADORA CITOMA LTDA, CNPJ/MF 58.133.588/0001­31;  b)  que  referido  relatório  fiscal  aponta  uma  suposta  irregularidade  no  procedimento adotado pela sociedade incorporada, qual seja: ter excluído do lucro líquido para  efeito de determinação do lucro real do ano­calendário 2006, o montante de R$ 35.376.558,98  (trinta e cinco milhões,  trezentos e  setenta e  seis mil e quinhentos e cinquenta e oito  reais  e  noventa  e  oito  centavos),  tendo  sido  esse  valor  adicionado  no  lucro  real  apurado  no  ano­ calendário de 2007;  c)  que,  conforme  mencionado  no  relatório  fiscal,  o  montante  supramencionado  refere­se  a  direito  de  crédito  relativo  a  Quota  de  Contribuição  sobre  operações de exportação de café cru, relacionados aos processos judiciais n°s 99.0020604­5 e  98.0002905­2,  ou  seja,  trata­se  de  ações  de  restituição  de  tributos  pagos  indevidamente,  recuperados por meio de ações de repetição do indébito tributário;  d)   que  o  montante  de  R$  35.376.558,98,  objeto  de  autuação  por  suposta  postergação de receita imputada pelo procedimento fiscal, compõe­se de créditos apurados nos  dois processos precitados da seguinte forma: (a) o valor de R$ 31 257.941,37 ­ crédito apurado  Fl. 444DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.001380/2010­91  Acórdão n.º 1302­001.794  S1­C3T2  Fl. 408          3 no  processo  n°  99.00020604­5  (inobstante  ter  constado  com  erro  no  LALUR  o  n°  "99/0002905­2"); (b) o valor de R$ 4.118.617,61 ­ crédito apurado no processo n° 98.0002905­ 2;  e) que os valores relativos aos créditos apurados nos processos em comento  foram  contabilizados  como  receitas  no  resultado  do  ano­calendário  de  2006,  porém,  esses  valores  foram  excluídos  na  apuração  do  lucro  real,  bem  como  da  base  de  cálculo  da  contribuição social nesse periodo [2006], e foram adicionados na apuração do lucro real e da  base de cálculo da referida contribuição no ano­calendário de 2007;  f)  que,  em  decorrência  disso,  entendeu  o  Agente  Fiscal  Autuante  que  o  procedimento  adotado  pela  sociedade  incorporada  (CITOMA)  configurou  postergação  de  receita  e  redução  indevida  de  lucro  real  no  ano­calendário  de  2006,  pois  alega  que  não  foi  observado  o  regime  de  competência  para  fins  de  determinação  do  lucro  real,  citando  como  suposta base legal as disposições contidas no art. 273, c/c o art. 843 do Decreto n° 3.000/99 ­  RIR/99;  g)  que  o  procedimento  fiscal  consignou  dois  pressupostos  fáticos,  que  supostamente autorizariam o entendimento de que os créditos  tributários apurados nos  processos n°s 99.0020604­5 e 98.0002905­2 deveriam ter  sido oferecidos a  tributação no  ano­calendário  de  2006:  (i)  a  decisão  judicial  transitada  em  julgado  em  2006  e;  (ii)  o  Instrumento Particular de Promessa de Cessão de Crédito celebrado em 30/06/2006;  f)  que,  quando  da  impugnação,  a  Recorrente  sustentou  que  não  se  poderia  atribuir  quaisquer  efeitos  jurídicos  a  referida  Promessa  de Cessão  citada  pela  ação fiscal, haja vista que ela não se efetivou, pois a promessa de cessão foi distratada e  tal  fato  foi  comprovado  com  a  juntada  do  Instrumento  Particular  de  Distrato  de  Instrumento Particular de Promessa de Cessao de Credito (doc. 02 da impugnacao);  g) que sustentou que se tratando de mera promessa, as tratativas nela contidas  não  passavam de mera  expectativa de  negócio  as  quais,  efetivamente,  não  se  concretizaram,  sendo assim, essa cessão não tinha caráter de definitividade e irrevogabilidade, logo, é firme a  assertiva no sentido de que esse instrumento contratual não se presta como elemento fático que  configura  a  realização  [em  renda]  do  direito  de  crédito  detido  pela  Impugnante  contra  a  UNIÃO, como pretendeu sustentar o procedimento fiscal;  h) que ressaltou­se que a Cláusula Segunda do Instrumento de Promessa em  comento previa que o pagamento dos créditos objeto de cessão seria realizado somente no ano  de 2007 (doc. 02 da impugnação ­ anexo ao Distrato), logo, de qualquer modo, somente poder­ se­ia  cogitar da  efetiva  realização  desse  direito  no  ano­calendário  de  2007,  caso  essa  cessão  tivesse sido efetivada;  i) que, no ano­calendário de 2007, a sociedade incorporada ­ Citoma ­ acabou  por firmar outro documento de cessão, esta sim que se efetivou, com ares de definitividade, por  meio  de  escritura  pública  (doc.  03  da  impugnação)  com  pessoa  jurídica  distinta  daquela  da  primeira cessão ­ a Polo Precatório Federal Fundo de Investimento em Direito Creditórios Não  Padronizados, condomínio fechado, inscrito no CNPJ sob o n° 08.387 157/0001­23 e, assim, os  valores recebidos em decorrência da cessão do credito somente foram oferecidos a tributação  do IRPJ e da CSLL, no ano­calendario de 2007;  j)  que  é  incontroverso  o  fato  de  que  não  houve  realização  dos  direitos  creditórios em comento, no ano­calendário de 2006, por meio da promessa de cessão citada no  procedimento fiscal, logo, é forçoso concluir que não podem prosperar as exigências de IRPJ e  CSLL tendo por base esse pressuposto, pois não existe a motivação fática;  Fl. 445DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     4 k)  que  a  decisão  recorrida,  por  sua  vez,  não  apresentou  qualquer  fato  contrário ou contra­argumento a essa realidade, tratando­se, pois, de fato incontroverso;  l)  que  a  Recorrente  refutou  o  entendimento  da  ação  fiscal,  ou  seja,  a  suposta  aplicabilidade  do  regime  de  competência,  quando  do  trânsito  em  julgado  da  decisão judicial no ano­calendário de 2006;  m) que  a  refutação  do  entendimento  fiscal  em questão  baseia­se  na  correta  interpretação do ADI SRF n° 25/2003, bem como do artigo 43 do Código Tributário Nacional,  pois a hermenêutica jurídica das normas contidas nesses dispositivos legais revela que, ao caso  concreto, é inaplicável o alegado regime de competência;  n)  quanto  ao  Processo  nº 99.0020604­5,  a  decisão  proferida  na  fase  de  conhecimento é iliquída;  o)  que  registrou­se  na  impugnação  que  quase  90%  do montante  objeto  da  tributação  por  postergação  de  receita  ­  R$  35.376.558,98,  [ou  seja,  o  valor  de  RS  31.257.941,37] decorre de créditos referentes ao processo judicial n° 99.0020604­5;  p)  que  o  aspecto  mais  importante  para  o  deslinde  da  presente  demanda  administrativa  é  que  a  decisão  transitada  em  julgado,  na  fase  de  conhecimento  do  referido  processo, não definiu o valor a ser restituído;  q)  que  a  decisão  proferida  em  1ª  instância  julgou  improcedente  a  ação  judicial,  sendo  que  essa  decisão  foi  reformada  pelo  Egrégio  Tribunal  da  2ª  Região,  o  qual  proferiu Acórdão favorável ao pleito de repetição de indébito em comento, conforme pode se  constatar  da  íntegra  do  referido Acórdão  (doc.  04  da  impugnação  ­  disponível  no  endereço  eletrônico www.trf2.jus.br.);  r)  que  esse Acórdao  transitou  em  julgado  em 2006, mas,  conforme  já  dito,  essa decisão não definiu o valor a ser restituído;  s) que a Recorrente sustentou a aplicabilidade, ao caso, do disposto no art. 5°  do Ato Declaratório  Interpretativo SRF n.°  25/2003,  pois  tal  dispositivo normativo,  somente  poder­se­ia cogitar da aplicabilidade do regime de competência, para fins de tributação do IRPJ  e  da  CSLL,  no  momento  do  trânsito  em  julgado  da  sentença,  caso  a  decisão  judicial  expressamente  definisse  o  valor  a  ser  restituído,  o  que,  efetivamente,  não  ocorreu  no  caso  concreto;  t)  que  os  valores  decorrentes  do  precatório  em  questão,  oferecidos  à  tributação em 2007 pela Recorrente, não foram pagos pela União Federal até a presente data,  uma  vez  que  ainda  se  encontra  pendente  de  julgamento  os Embargos  a  Execução  propostos  pela União Federal em 2006, conforme se pode constatar da certidao de objeto e pé anexa (doc.  02);  u) que a decisão  recorrida, por  sua vez, demonstrando pouco conhecimento  técnico  de  processo  judicial  faz  referência  a  petição  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  PGFN (fls. 276 a 270),  juntada pela Recorrente, dizendo que a petição  tem como data 25 de  maio de 2006, e não 2007, "portanto, tal documento nao favorece a (sic) interessada";  v)  que  a  referida  petição  refere­se  aos  Embargos  a  Execução  apresentados  pela  União  Federal  contra  a  execução  proposta  pela  Recorrente,  sendo  que  o  fato  dos  Embargos da União Federal  ter sido ajuizado em 2006 em nada, nada mesmo, desfavorece a  Recorrente, muito pelo contrário, pois com a sua juntada aos autos do processo administrativo  comprova­se,  inequivocamente, que se  tratava de execução de decisão  judicial que não  tinha  fixado o valor do crédito a ser restituído e, portanto, esse valor será definido jucidialmente por  meio de decisão a ser proferida somente na fase de execução, e não na fase de conhecimento,  por  isso  que,  no  caso  concreto,  impõe­se  a  aplicação  do  art.  5°  do  Ato  Declaratório  Interpretativo SRF n° 25/2003;  Fl. 446DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.001380/2010­91  Acórdão n.º 1302­001.794  S1­C3T2  Fl. 409          5 w)  que  se  depreende  das  disposições  contidas  no  art.  5°  do  referido  Ato  Declaratório,  no  caso  da  sentença  condenatória  não  definir  o  valor  do  indébito  (sentença  ilíquida), o valor respectivo somente deverá ser oferecido à tributação no momento em que se  operar o trânsito em julgado da sentença que julgar os embargos à execução, fundamentados no  excesso  à  execucao,  ou  na  expedição  do  precatório  quando  a  Fazenda  Pública  deixar  de  oferecer embargos;  x)  que  no  decorrer  do  processo  de  execução,  a União  Federal  por  diversas  vezes  peticionou  nos  autos  contestando  os  cálculos,  sejam  aqueles  elaborados  pela  Autora,  sejam  aqueles  elaborados  pela  contadoria  do  Juízo,  a  par  disso,  a parcela  do  crédito  que  foi  considerada incontroversa teve o precatório inscrito somente no ano­calendario de 2007, sendo  que esse fato foi relatado pela própria Fiscalização no Termo de Verificação e Constatação;  y) que a decisao que determinou a expedicao do precatorio PRC20073681 foi  objeto de Recurso de Agravo pela Uniao, sendo que o Tribunal Regional Federal da 2a Regiao  determinou a suspensao do pagamento do referido precatorio, conforme pode se constatar da  cópia do acórdão anexo e certidão de objeto e pé (doc. 02);  z) que o voto condutor do acórdão da decisão proferida pelo TRF 2 asseverou  que: “Desse modo, como não há valor incontroverso, nao seria razoavel o levantamento das  demais parcelas [...] Posto isso, [...] determinar a suspensao da expedicao de qualquer alvara  para  recolhimento  de  parcelas  de  precatório  nos  autos  do  processo  originário,  até  o  julgamento em definitivo dos embargos a execução interpostos pela ora agravante";  aa) que a sentença proferida na fase de conhecimento não era líquida, tanto é  que, quando a Recorrente promoveu a execução e apresentou os seus cálculos do montante do  crédito que era devido, em um primeiro momento, a União Federal apresentou seus Embargos  contestando  somente  parte  do  crédito,  logo,  a  Recorrente,  naquela  oportunidade,  em  2006,  requereu a expedição de precatório da parte incontroversa e foi proferida decisão nesse sentido,  porém,  posteriormente,  a  União  Federal  agravou  dessa  decisão,  tendo  sido  suspensos  os  pagamentos das parcelas decorrentes do precatório em comento, tendo isso motivado também a  interposição de recurso pela Recorrente, o que deu ensejo a decisão do TRF da 2ª Região, ora  anexada, que confirmou a suspensão do pagamento do precatório PRC20073681, sendo que tal  decisao disse com todas as letras: "não há valor incontroverso";  ab)  como  se  pode  afirmar,  então,  como  fez  a  decisão  recorrida,  que  a  sentença  transitada em julgado na fase de conhecimento, no ano de 2006, era líquida, se nos  autos  do  processo  judicial  n°  99.0020604­5,  consta  expressamente,  em  decisão  judicial  proferida no ano de 2012, a assertiva de que não há valor incontroverso na decisao exequenda?;  ac)  que  o  levantamento  do  precatório  somente  poderá  ocorrer  após  o  julgamento em definitivo dos Embargos a Execucao propostos pela Uniao Federal;  ad)  que,  após  o  trânsito  em  julgado  da  decisão  em  2006,  é  óbvio  que  a  Recorrente  teve  que  apurar  o  montante  do  crédito  a  ser  restituído,  pois  se  não  fizesse  essa  apuração não teria como propor a ação de execução do seu crédito;  ae) que a Recorrente apurou naquele mesmo ano o montante do crédito e com  base em seus cálculos propôs a ação de execução, sendo que tal circunstância não transfigura a  realidade juridica de que a decisão proferida, na fase de conhecimento, nos autos do processo  em questão  era  ilíquida,  pois,  se  fosse  líquida,  não  teria  necessidade  da Recorrente  apurar  o  crédito,  bastava  executar  o  montante  que  houvesse  sido  definido  na  decisão  transitada  em  julgado na fase de conhecimento e mais: se esta  fosse a  realidade, a União Federal não  teria  ajuizado  Embargos  à  Execução,  questionando  os  cálculos  efetuados  pela  Recorrente,  pois  o  Fl. 447DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     6 montante do crédito já teria sido definido na decisão judicial transitada em julgado citada pelo  procedimento fiscal;  af) que  , de qualquer forma, é patente que a Recorrente já poderia em 2006  negociar com terceiros a cessão do seu crédito, independentemente de uma decisão definitiva  na fase de execução, ou mesmo sequer de uma decisão definitiva na fase de conhecimento, pois  tal aspecto está restrito aos interesses privados das partes envolvidas na negociação: a sorte ou  riscos da operação são analisados pelas partes, como qualquer outro negócio privado;  ag)  que  a  Recorrente,  necessitando  dos  recursos  financeiros  que  lhe  foram  tirados pela União na forma da exigência de um tributo inconstitucional, e não podendo esperar  o pagamento do precatório parcelado por essa mesma União Federal em 10 anos (igualmente  de  forma  inconstitucional),  ofereceu  o  seu  crédito  com deságio  a um  terceiro,  que  objetivou  obter um ganho financeiro na operação;  ah) que essa negociação não produz qualquer efeito sobre a decisão judicial  proferida na fase de conhecimento ser liquida ou iliquida, não se podendo atribuir o status de  decisao judicial liquida ao mero fato de a Recorrente ter entabulado negociação do seu crédito  com terceiro;  ai) que se transcreve, aqui, novamente, trecho da decisão proferida nos autos  do  agravo  de  instrumento  número  2010.02.01.002478­6,  em  trâmite  perante  o  Tribunal  Regional Federal da Segunda Região  (cópia anexa ­ doc. 02)  interposto contra a decisão que  determinara a expedição do precatório PRC20073681, na qual se asseverou que: "Desse modo,  como não há valor  incontroverso, não seria razoável o levantamento das demais parcelas [...]  Posto  isso,  [...] determinar a suspensão da expedição de qualquer alvará para recebimento de  parcelas  de  precatório  nos  autos  do  processo  originário,  atá  o  julgamento  em  definitivo  dos  embargos à execução interpostos pela ora agravante";  aj)  que,  diante  dessas  razões,  não merece qualquer  censura o  procedimento  adotado pela Impugnante no sentido de ter oferecido à tributação esses valores somente no ano­ calendario de 2007;  ak)  que,  com  efeito,  essa  interpretação  decorre  da  própria  normatização  contida no ADI SRF n° 25/2003, sendo que os atos normativos expedidos pela Administração  Fazendária vinculam obrigatoriamente as decisões a serem proferidas pelo Órgão Fiscal sobre a  matéria  objeto  da  normatização,  bem  como  a  validade  dos  atos  expedidos  pelos  Agentes  Fiscais;  al) que é da sabença geral que nos procedimentos de fiscalização cujo escopo  seja a  tributação de valores  restituídos por meio de ação de repetição de  indébito, é praxe os  Agentes Fiscais  citarem  o ADI SRF n°  25/2003,  como base  do  procedimento  fiscal  adotado  pela Fiscalização, porém, de outro modo, na motivação do lançamento fiscal o Agente Fiscal  autuante  não  cita,  em  momento  algum,  o  ADI  SRF  n°  25/2003  como  ato  que  norteia  a  exigencia  fiscal, o que revela, de maneira cabal, que o  referido Agente Fiscal não  encontrou  amparo  no  Ato  Declaratório  em  comento,  a  fim  de  indica­lo  como  base  normativa  que  autorizaria o procedimento por ele adotado;  am) que a Recorrente contabilizou parte do crédito no ano­calendário 2006,  em observância, exclusivamente, a critérios e princípios contábeis. que recomendam o registro  contábil  de  fatos  relevantes  independentemente  de  seus  efeitos  fiscais,  sendo  que  tal  procedimento  foi  sempre  recomendado  pelos  relatórios  das  mais  renomadas  empresas  de  auditoria  e,  assim,  contabilmente,  no  ano  de  2006,  já  era  possivel mensurar  um  ativo  que  a  empresa iria receber, porém tal aspecto contábil não altera a norma de incidência do IRPJ e da  CSLL, por isso a recorrente excluiu o valor contabilizado do lucro real no Lalur, uma vez que  tal valor não era tributável naquele ano;  Fl. 448DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.001380/2010­91  Acórdão n.º 1302­001.794  S1­C3T2  Fl. 410          7 an) quanto ao Processo nº 99.0002905­2 ­ Valor objeto de desistência de  execução para o fim de compensação:  ao) que, no que tange ao crédito relacionado ao processo n° 99.0002905­2, no  valor  de R$  4.118.617,61,  registrou­se  que  esse  foi  objeto  de  desistência  a  execução  com  o  objetivo  de  proceder  a  compensação  de  débitos  relativos  ao  IRPJ  e CSLL  apurados  no  ano­ calendário  de  2007,  conforme  se  verifica  da  decisão  judicial  que  homologou  a  referida  desistência (doc. 06 da impugnação);  ap) que somente em 2007 foi formulado o pedido de Habilitação do Crédito  na Receita Federal, por meio do processo administrativo n° 13706.002615/2007­ 50, sendo que  somente  foi  deferida essa habilitação em Janeiro de 2010 e o Pedido de Compensação desse  crédito somente foi protocolado em março de 2010, conforme pode se constatar do Despacho  Decisório e Declaração de Compensação (doc. 07 da impugnação);  aq) que, assim sendo, também em relação ao crédito relacionado ao processo  n°  99.0002905­2,  não  há  que  se  falar  em  qualquer  realização  de  direito,  muito  menos  de  recebimento, no ano­calendário de 2006;  ar) que nesse processo também foi proferida decisão judicial ilíquida na fase  de  conhecimento  e  que  a  Recorrente  renunciou  a  execução  da  decisão  judicial,  por  consequência, sequer houve expedição de precatório, pois apurou o montante do seu credito e  formulou o Pedido de Habilitação do Crédito na seara admininistrativa;  as)  que  somente  poder­se­ia  cogitar  da  obrigatoriedade  da  tributação  do  montante  do  crédito  tributário  da  Contribuinte  quando  da  decisão  administrativa  que  homologou o montante do crédito por ela apurado e autorizou a compensação requerida, pois a  restituição de tributos decorrente de ação de repetição de indébito tributário possui natureza de  recuperação  de  despesa,  e  não  constitui  uma  receita  nova,  o  que  impõe  a  aplicabilidade  do  regime de caixa, e não o de competência (aspecto abordado no topico seguinte);  at) que a Recorrente não era obrigada a oferecer à  tributação o valor de R$  4.118.617,61 nem mesmo no ano­calendário de 2007 (ano que procedeu a tributação), quando  protocolou  o  Pedido  de  Habilitação  do  Crédito,  pois  essa  tributação  somente  poder­se­ia  cogitar  a  partir  do  ano­calendario  de  2010,  quando  foi  proferida  decisão  administrativa  reconhecendo o crédito e possibilitando o protocolo de pedido de compensação,  logo, não há  que se falar da obrigatoriedade dessa tributação ter ocorrido no ano­calendario de 2006;  au) que é frágil a alegação de que a Recorrente "adquiriu a titularidade  jurídica da renda no ano de 2006, quando foi emitido o precatório" (fl. 328);  av)  que,  se  não  tivesse  sido  concretizada  a  cessão  em  2007  e  não  tivesse  recebido, nem mesmo naquele ano [2007] a Recorrente não teria obrigação de tributar aqueles  valores,  pois,  tratando­se de  uma  recuperação  de  despesa,  somente  se  tributa  quando do  seu  efetivo recebimento;  aw) que o pagamento de juros na devolução de tributos pagos indevidamente,  em face de lei ou ato normativo considerados inválidos, possui nítida natureza de indenização  ao contribuinte que teve seu patrimônio diminuido por ato indevido da Administração Pública,  logo, o pagamento desses juros possui natureza de sanção por ato ilícito que visa indenizar o  contribuinte  que  teve  o  seu  patrimônio  diminuído  de  forma  ilegítima,  não  podendo  assim,  serem considerados renda tributável;  ax)  que  tal  situação  é  idêntica  a  que  ocorre  no  recebimento  de  valor  por  desapropiação,  que  é  considerado  renda  não  tributável,  pois  visa  somente  a  recompor  a  Fl. 449DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     8 diminuição  do  patrimônio  do  contribuinte,  sendo  que  os  valores  recebidos  a  título  de  juros  compensatórios devem ter o mesmo tratamento tributário, ou seja, não devem ser considerados  renda tributável (STJ, Resp n° 141.431­RJ, em 20 de novembro de 1997);  ay) que, com o advento do novo Código Civil, a  jurisprudência do Superior  Tribunal de Justiça passou a entender que os juros moratórios possuem natureza indenizatória,  cabendo  lembrar  o  paradigmático  entendimento  vazado  no  julgamento  do  RESP  1.037.452,  Relatora  a Ministra  ELIANA CALMON,  segundo  o  qual  "o  enfrentamento  passa  pela  nova  visão dos juros moratórios a partir do atual Codigo Civil que, no parágrafo único do art. 404,  deu aos juros moratórios a conotação de indenização;  az) que  impõe mencionar ainda que além da  ilegalidade das  exigências  de  IRPJ e CSLL sustentada nos  tópicos anteriores,  revela­se de  igual modo  flagrante a  ilegalidade da pretensão de transferir à sociedade incorporadora a multa incidente sobre  esses  tributos  supostamente  não  recolhidos  pela  incorporada  no  respectivo  período  de  apuração.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior.  O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes  para tal, conforme procuração a fls. 370, razão pela qual dele conheço.     Inicialmente,  saliento  que  a  recorrente  não  se  insurge  contra  os  cálculos  e  bases  do  lançamento,  mas  apenas  sobre  o  momento  em  que  deveria  ter  sido  reconhecida  a  receita  tributária  decorrente  do  indébito  tributário  em  questão,  ou  seja,  se  em  2006  ,  como  sustenta a Fiscalização, ou em 2007, como reconhecido pela recorrente.    Por relevante, transcrevo o art. 5º do ADI SRF 25/03, in verbis:  Art.  5º  Pelo  regime  de  competência,  o  indébito  passa  a  ser  receita  tributável  do  IRPJ  e  da  CSLL  no  trânsito  em  julgado  da  sentença  judicial que já define o valor a ser restituído.  §  1º  No  caso  de  a  sentença  condenatória  não  definir  o  valor  a  ser  restituído,  o  indébito  passa  a  ser  receita  tributável  pelo  IRPJ  e  pela  CSLL:  I ­ na data do trânsito em julgado da sentença que julgar os embargos à  execução,  fundamentados no excesso de execução  (art.  741,  inciso V, do  CPC); ou  II ­ na data da expedição do precatório, quando a Fazenda Pública deixar  de oferecer embargos à execução.  §  2º A  receita  decorrente  dos  juros  de mora  devidos  sobre  o  indébito  deve  compor as bases tributáveis do IRPJ, da CSLL, da Cofins e da Contribuição  para o PIS/Pasep, observado o seguinte:  I ­ se a sentença que julgar a ação de repetição de indébito já definir o valor a  ser restituído, é, no seu trânsito em julgado, que passam a ser receita tributável  os juros de mora incorridos até aquela data e, a partir dali, os juros incorridos  em  cada  mês  deverão  ser  reconhecidos  pelo  regime  de  competência  como  receita tributável do respectivo mês;  II ­ se a sentença que julgar a ação de repetição de indébito não definir o valor  a  ser  restituído,  é,  no  trânsito  em  julgado  da  sentença  dos  embargos  à  execução  fundamentados  em  excesso  de  execução  (art.  741,  inciso  V,  do  Fl. 450DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.001380/2010­91  Acórdão n.º 1302­001.794  S1­C3T2  Fl. 411          9 Código  de  Processo  Civil),  que  passam  a  ser  receita  tributável  os  juros  de  mora  incorridos  até aquela data  e, a partir  dali,  os  juros  incorridos  em cada  mês  deverão  ser  reconhecidos  pelo  regime  de  competência  como  receita  tributável do respectivo mês;  III  ­  se  a  sentença  que  julgar  a  ação  de  repetição  de  indébito  não  definir  o  valor  a  ser  restituído  e  a  Fazenda  Pública  não  apresentar  embargos  à  execução, os juros de mora sobre o indébito passam a ser receita tributável na  data da expedição do precatório.    Vale, antes de mais nada, salientar a virtude da redação dada ao caput do art.  5º do ADI 25/03, por ter expressamente disposto que só seria reconhecido o indébito tributário  como  receita  tributável  no  momento  do  trânsito  em  julgado  da  decisão  judicial  que  o  reconhecera, se a decisão já definisse o seu valor. Isso evita discussões acerca do que seria o  reconhecimento  de  um  crédito  líquido,  pois,  para  o  ADI,  será  líquido  o  crédito  quando  a  sentença já definir o seu valor, ou seja, não basta dizer quais as parcelas que o compõem, pois  faz­se necessário que declare o valor resultante de tal soma.     A  primeira  questão  posta  ao  exame  deste  Colegiado  reside  em  saber  se  a  decisão  judicial  que  transitou  julgado  em  2006,  nos  autos  do  Processo  nº 99.0020604­5,  já  definia o valor a ser restituído. Nesse sentido, vale a  transcrição da parte dispositiva do voto  vencedor no julgamento da Apelação Cível nº 2000.02.01.069749­0 (a fls. 258/259), proferido  em 2004, in verbis:   “Ex  positis,  provejo  parcialmente  o  apelo  e  julgo  parcialmente  procedente o pedido, reconhecendo a prescrição das parcelas anteriores  à  27.08.1989,  condenando  a  União  Federal  a  repetir  o  indébito  remanescente  até  20.04.1990,  devidamente  corrigido  pelo  IPC  no  período de março de 1990 até a promulgação da Lei 8.177­91, quando  então deverá ser aplicado o INPC.  Com  a  entrada  em  vigor  da  Lei  8.383­91,  deverá  ser  aplicado  como  fator de reajuste a UFIR, e juros da mora a base de 1% (um por cento  ao mês) a partir do recolhimento indevido. Com a entrada em vigor da  Lei  9.250­95,  deve  somente  a  taxa SELIC  ser  utilizada,  sem  cumular  com qualquer  índice de  correção  ou mesmo  juros  da mora. Condeno,  outrossim, a União Federal, no pagamento de honorários  advocatícios  que ora fixo em 5% (cinco por cento) sobre o valor da condenação.”        Ora, da transcrição acima, fica claro que a decisão judicial que transitou em  julgado na fase de conhecimento em 2006 não definia o valor do indébito tributário. Entretanto,  a DRJ sustenta que:   “A  disponibilidade  jurídica  existe  quando  o  adquirente  tem  a  titularidade  jurídica da renda ou dos proventos que aumentem o seu patrimônio, trazendo,  como  conseqüência,  a  disponibilidade  econômica.  No  caso  a  CITOMA  adquiriu  a  titularidade  jurídica  da  renda  no  ano  de  2006  quando  foi  emitido precatório para o pagamento relativo as ações judiciais. Observe­ se  que,  apesar  de  a  interessada  não  ter  recebido os  valores  em  espécie,  houve a disponibilidade jurídica do recurso, não importando se houve ou  não recebimento, tanto que a empresa tentou negociá­los no ano de 2006,  além  de  ter  registrado  os  valores  em  comento  como  receitas,  não  havendo  motivos para a exclusão feita pela CITOMA.”.  Fl. 451DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     10   Primeiro, há que se ressaltar que houve o distrato (doc. a fls. 89) da cessão de  créditos celebrada em 2006, além do que não seria esse contrato que iria definir se o indébito  era ou não uma  receita  tributável, mesmo porque pode ser cedido um crédito  ilíquido. Além  disso,  ainda  em  2006,  a  PFN  opôs  embargos  à  execução  com  fundamento  em  excesso  de  execução (doc. a fls. 269), o que enquadraria a situação no disposto no  inciso I do art. 5º do  ADI 25/03. No entanto, a Certidão de objeto e pé a fls. 104, esclarece que:  “Fl.  922,  juntada  do  mandado  n°  636­2,  referente  ao  art.  730,  CPC.  Interposto  Embargos  à  Execução  com  o  n°  2006.510.1012009­9,  no  qual foi proferida Decisão deferindo a expedição de precatório da  parte incontroversa da execução (fl.12).”.    Entretanto, a recorrente alega que, não obstante a emissão dos precatórios, o  TRF2 decidiu,  ao  julgar  agravo de  instrumento  (doc.  a  fls.  389 e  segs.)  que não havia valor  incontroverso  na  referida  execução,  razão  pela  qual  suspendeu  a  expedição  de  alvará  para  levantamento de valores já depositados. Nesse sentido, vale a transcrição do seguinte excerto  do relatório e voto a fls. 391 e segs., in verbis:    Relatório  (...)  “...3)  a  agravada  apresentou  os  valores  acima  como  incontroversos  e,  em  razão  disso,  foram  expedidos  os  precatórios,  inclusive  com  a  concordância  da  mesma;  4)  inscritos  no  orçamento  da  União,  os  precatórios  começaram  a  ser  depositados,  sendo  que  apenas  a  primeira parcela parcela foi levantada, porque a partir daí a agravada  começou a criar óbices ao levantamento das parcelas subsequentes;....”  (...)  “As agravantes alegaram a presença dos  requisitos para a antecipação  de tutela, requerendo a concessão de efeito ativo a este agravo, para que  fosse  ordenada  a  expedição  dos  alvarás  relativamente  às  parcelas  de número 2 e 3, depositadas em 2008 e 2009, respectivamente.”  (...)  Voto  “A  matéria  questionada  neste  agravo  de  instrumento  é  relativa  ao  levantamento  de  parcelas  de  precatório,  cujo  valor  requisitado,  inicialmente, era considerado incontroverso.  (...)  Como já havia afirmado na decisão proferida no agravo de instrumento  2010.02.01.002478­6,  o  fato  de  a  União  Federal  haver,  inicialmente,  concordado  com  o  valor  objeto  da  execução  e  esse  valor  ter  sido  considerado incontroverso, não impede de, ao rever o cálculo, constatar  que o valor devido é menor e abrir nova discussão em torno de todo o  valor da execução, para  encontrar o valor efetivamente devido.  Isso  é  possível,  por  se  tratar  de  direito  indisponível  e  não  haver  decisão  definitiva nos embargos à execução.  Portanto,  deixou  de  existir,  in  casu,  valores  incontroversos,  daí  a  manifesta  improcedência  do  pedido  de  levantamento  dos  valores  Fl. 452DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 11052.001380/2010­91  Acórdão n.º 1302­001.794  S1­C3T2  Fl. 412          11 depositados  enquanto  pendente  julgamento  os  embargos  à  execução  fiscal perante esta Corte.  (...)  Desse modo, como não há valor incontroverso, não seria razoável o  levantamento  das  demais  parcelas  pelas  beneficiárias,  pois  esse  levantamento,  se  realizado,  poderá  causar  dano  irreparável  à  União, afrontando a supremacia do interesse público.  Desnecessários,  por  supérfluos,  outros  argumentos,  até  porque  outras  questões  levantadas  pela  agravante  não  fazem  parte  do  pedido  formulado neste agravo.   Posto isso, nego provimento ao agravo de instrumento, para revogar a  decisão  agravada  e  determinar  a  suspensão  da  expedição  de  qualquer  alvará  para  recolhimento  de  parcelas  de  precatório  nos  autos  do  processo  originário,  até  o  julgamento  definitivo  dos  embargos à execução interpostos pela ora agravante .”     Inicialmente,  ressalte­se  que,  da  leitura  dos  trechos  da  decisão  acima  transcrita,  fica  claro  que,  apenas  a  parcela  do  precatório  depositada  em  2007  foi  levantada,  sendo  que,  em  2010,  o  TRF2  considerou  que  não  havia  valor  incontroverso  até  que  fosse  julgado os embargos à execução.    Assim sustento que, na espécie, aplica­se o inciso I do art. 5º do ADI 25/03,  segundo  o  qual  o  indébito  tributário  é  considerado  receita  tributável  na  data  do  trânsito  em  julgado  da  sentença  que  julgar  os  embargos  à  execução,  razão  pela  qual  inconsistente  o  lançamento tributário que considerou o indébito tributário em tela receita tributável em 2006.    Com relação a parcela do indébito tributário em tela, a qual foi objeto de desistência  da execução, outra não pode ser a conclusão, mesmo porque a decisão que homologou a desistência não  definia o valor do  crédito apartado do montante  em execução,  se não vejamos a parte dispositiva da  sentença (a fls. 111):   “Ante  o  exposto,  HOMOLOGO,  para  que  produza  seus  jurídicos  e  legais efeitos: a) a desistência à execução dos créditos DARF's de nºs 1,  3 a 11 (fls. 97 a 100 destes autos), 12 a 40 (fls. 100 destes autos), 41 a  55 (fls. 110 a 115 destes autos) e 56 a 83 (fls. 115 a 124 destes autos),  nos  termos  do  art.  158,  parágrafo  único,  e  569,  "caput",  ambos  do  Código  Processual  Civil,  e  b)  a  renúncia,  manifestada  pelos  ilustres  patronos  da  exequente,  relativamente  honorários  de  sucumbência  incidentes sobre a parte do crédito objeto da desistência, nos termos do  art. 794, III, do Código de Processo Civil.   Aguarde­se manifestação  da  autora  com  vistas  ao  prosseguimento  da  execução em relação ao remanescente de crédito.”.    Tanto o valor ainda não era líquido que a Receita Federal poderia discordar  do demonstrativo do crédito (fls. 116) apresentado, em 2007, pelo recorrente, no seu Pedido de  Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado.     Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário.     Alberto Pinto Souza Junior ­ Relator              Fl. 453DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA     12                   Fl. 454DF CARF MF Impresso em 16/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/03/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 3/2016 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDELI PEREIRA BESSA

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Numero do processo: 15374.000506/2005-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PRAZO PARA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. TERMO DE INICIO. O prazo fixado na legislação para aferição da liquidez e certeza do crédito utilizado em compensação somente se expira cinco anos depois de sua formalização em DCOMP. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO DOS RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). RENDIMENTOS APROPRIADOS POR REGIME DE COMPETÊNCIA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Admite-se na composição dos saldo negativo as retenções comprovadas equivalentes a rendimentos que a contribuinte logrou ter oferecido à tributação segundo o regime de competência. IMPUTAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO AOS DÉBITOS COMPENSADOS EM ATRASO. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. REGULARIDADE. O direito creditório reconhecido deve ser imputado proporcionalmente aos débitos compensados acrescidos de multa e juros de mora devidos até a data da compensação. A imputação linear não tem amparo no Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1302-001.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR as arguições de decadência e de nulidade do despacho decisório, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao direito creditório; e 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação proporcional do crédito aos débitos, votando pelas conclusões a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PRAZO PARA ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. TERMO DE INICIO. O prazo fixado na legislação para aferição da liquidez e certeza do crédito utilizado em compensação somente se expira cinco anos depois de sua formalização em DCOMP. SALDO NEGATIVO. RETENÇÕES NA FONTE. COMPROVAÇÃO DO OFERECIMENTO DOS RENDIMENTOS À TRIBUTAÇÃO. Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). RENDIMENTOS APROPRIADOS POR REGIME DE COMPETÊNCIA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Admite-se na composição dos saldo negativo as retenções comprovadas equivalentes a rendimentos que a contribuinte logrou ter oferecido à tributação segundo o regime de competência. IMPUTAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO AOS DÉBITOS COMPENSADOS EM ATRASO. ALEGAÇÃO DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Não se cogita da aplicação do art. 138 do CTN quando não há pagamento. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. REGULARIDADE. O direito creditório reconhecido deve ser imputado proporcionalmente aos débitos compensados acrescidos de multa e juros de mora devidos até a data da compensação. A imputação linear não tem amparo no Código Tributário Nacional.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: 1) por maioria de votos, REJEITAR as arguições de decadência e de nulidade do despacho decisório, divergindo as Conselheiras Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 2) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao direito creditório; e 3) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente à imputação proporcional do crédito aos débitos, votando pelas conclusões a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 3          2 Daniele Souto Rodrigues Amadio e Talita Pimenta Félix; 2) por unanimidade de votos, DAR  PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente ao direito creditório; e 3) por  unanimidade  de  votos,  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  relativamente  à  imputação proporcional do crédito aos débitos, votando pelas conclusões a Conselheira Daniele  Souto Rodrigues Amadio, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.  (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Presidente e Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Edeli  Pereira  Bessa  (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele  Souto  Rodrigues  Amadio,  Rogério  Aparecido  Gil,  Talita  Pimenta  Félix.  Ausente,  justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.  Fl. 3414DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 4          3   Relatório  O  presente  processo  retorna  depois  de  executada  diligência  requerida  pela  extinta 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 1ª Seção de Julgamento, consoante Resolução  nº  1101­000.062,  conduzida  por  voto  desta  Conselheira,  acompanhada  à  unanimidade  pelos  membros daquele Colegiado.  Colhe­se da Resolução nº 1101­000.062 o seguinte relato:  CLARO  S/A  (sucessora  de  ATL  –  Telecom  Leste  S/A),  já  qualificada  nos  autos,  recorre  de  decisão  proferida  pela  5ª  Turma  da Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  de  São  Paulo/SP­I  que,  por  unanimidade  de  votos,  julgou  IMPROCEDENTE  a  manifestação  de  inconformidade  interposta  contra  despacho  decisório que não homologou as compensações vinculadas a saldo negativo de IRPJ  apurado no ano­calendário 2003.  Consta da decisão recorrida o seguinte relato:  ATL  ­  TELECOM  LESTE  S/A  incorporada  pela  empresa  CLARO  S/A,  CNPJ  40.432.544/0001­47,  manifesta  inconformidade  com Despacho  Decisório,  proferido  pela  Divisão  de  Orientação  e  Análise  Tributária/EQPIR,  da  Delegacia  de  Administração Tributária em São Paulo – DERAT (fls. 310 a 318 e 569 a 571), que não  homologou  as  compensações  declaradas  relativas  ao  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­ calendário de 2003.   O  auditor  observa  que  a  empresa  ATL  tinha  sede  no  Rio  de  Janeiro  e  o  crédito  declarado começou a ser analisado pela DIORT da DERAT/RIO. Posteriormente, pelo  fato da ATL ter sido  incorporada pela empresa Claro S/A, com sede em São Paulo, o  presente processo foi encaminhado pela DERAT/RIO a DERAT/SP (fls. 297).  A tabela de fls 311, discrimina todas as PER/DCOMP apresentadas, utilizando o crédito  do  saldo negativo de  IRPJ  do  ano­calendário de 2003,  somando 17 PER/DCOMP no  total.  A  contribuinte  solicitou  também,  através  da  petição  de  fls.  43/44,  protocolada  em  07/01/2005 que na apreciação da PER/DCOMP de nº39554.76630.070105.1.3.02­7891,  não  fosse  considerado,  no  montante  devido  a  título  de  PIS/COFINS,  apurado  em  outubro de 2004 e vencido em 12/11/2004, o valor referente a imposição de multa, com  base no art. 138 do Código Tributário Nacional.  Ao analisar o direito creditório do ano­calendário 2003, no valor de R$ 33.368.960,21,  declarado  à  ficha  12A  da DIPJ/2004,  às  fls.  307,  verificou­se  que  a  contribuinte  não  apurou  IRPJ  devido,  antes  das  deduções  legais,  por  ter  apurado  prejuízo  fiscal  no  montante de R$ 29.317.505,94, conforme ficha 09A da mesma DIPJ/2004, (fls. 306).  Foi utilizado o valor de IRRF de R$ 33.368.960,21 conforme declarado à ficha 12A, da  DIPJ/2004 (fls. 307).  A pesquisa no sistema SIEF/DIRF mostrou IRRF suficiente para comprovar o montante  utilizado pela contribuinte na apuração do IRPJ do exercício.  Desse  modo,  dado  que  o  montante  do  IRRF  foi  comprovado  ,  restou  verificar  se  as  receitas foram oferecidas à tributação.  Conforme verificado à ficha 53 (fls. 308) ao montante de IRRF deduzido na apuração  anual  de  IRPJ,  corresponde  o  rendimento  bruto  no  valor  de  R$  166.844.798,49,  conforme tabela de fls. 314.  Fl. 3415DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 5          4 Com a finalidade, entre outras , de confirmar se as receitas declaradas foram oferecidas  à  tributação,  a  EQPEJ/DIORT/DERAT/RIO  solicitou  a  DEFIS/RJO  (fls.  135  a  137),  diligencia na ATL­TELECOM Lest S/A. (fls. 129 a 130).  Em  18/07/2007,  a  interessada  foi  intimada  a  apresentar  ,  entre  outras  solicitações,  a  composição  das  contas,  com  respectivos  saldos,  no  valor  de  R$  178.777.673,21,  declarado  no  item  24,  ficha  06A  da  DIPJ/2004,  a  título  de  “Outras  Receitas  Financeiras”.  Em 26/11/2007, a DIFIS/RIO apresentou Relatório Fiscal ( fls. 231 a 235), onde consta,  entre outras coisas que, não foi possível verificar o efetivo oferecimento à tributação do  rendimentos com retenção de fonte, pois os arquivos digitais, relativos à escrituração de  2003, apresentados pela empresa estavam imprestáveis e, passados cento e vinte e seis  dias  após  o  recebimento  pelo  interessado  do  primeiro  Termo  de  Diligencia  Fiscal,  datado de 13/07/2007, o diligenciado, embora intimado a tanto, não apresentou nem os  livros fiscais ou microfichas devidamente autenticados no órgão competente.  O  relatório  também  ressalta que os arquivos digitais apresentados em 24/09/2007 não  estavam de acordo com as especificações da IN/SRF 86/2001 e ADE COFIS 15/2001,  bem  com  os  apresentados  em  08/08/2007,  encontravam­se  com  inúmeras  inconsistências, entre elas, divergências de valores de saldos iniciais ( 01/01/2003) em  diversas contas, inclusive o total do ativo e passivo, conforme impressos dos referidos  arquivos.  Informa também que a alegação da empresa que teria contabilizado parte dos referidos  rendimentos financeiros, no ano­calendário de 2002, não pode ser comprovada pois não  houve  a  apresentação  dos  livros  comerciais  e  fiscais  do  citado  ano,  impossibilitando  verificar se os mesmos foram oferecidos a tributação.  Em  27/11/2007,  depois  de  concluída  a  diligência,  a  interessada  apresentou  nova  documentação (236 a 292), que foi analisada pela DEFIS/RJO/DIFISII. Entretanto, de  acordo  com  essa  delegacia,  não  alterou  em  nada  as  conclusões  descritas  no  relatório  fiscal (fls, 231 a 235).  Desse forma, considerando que não houve comprovação do oferecimentos das receitas à  tributação, o saldo negativo de IRPJ do ano­calendário 2003, no montante declarado de  R$ 33.368.960,21, não foi devidamente comprovado.  Relativamente à exclusão da multa de mora, o auditor não aceitou as argumentações da  empresa a  respeito da multa de mora por pagamento espontâneo pois entende que, de  acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional, o crédito não integralmente pago  no vencimento é acrescido de juros de mora, excluindo­se a multa de ofício, mas sendo  sempre devidos os competentes juros de mora.  Discorre sobre a mora, no sistema fiscal brasileiro e conclui que a multa de mora deve  ser mantida.  Assim,  foi  indeferida  a  solicitação  de  exclusão  da  multa  de  mora  e  não  foram  homologadas as compensações declaradas.  Em  sua  impugnação,  a  contribuinte  apresentou  justificativas  para  o  atraso  na  apresentação  de  seus  livros  e  arquivos  digitais,  ressaltou  que  o  IRRF  foi  reconhecido e que a apropriação dos rendimentos se faz por regime de competência,  discordou  dos  questionamentos  formulados  depois  de  já  transcorridos  mais  de  5  (cinco)  anos  do  encerramento  do  ano­calendário  de  2003  e  fez  considerações  acerca  dos  débitos  de PIS/COFINS  compensados  em  07/01/2005  e  retificados  em  07/05/2009, bem como acerca dos efeitos da denúncia espontânea. Afirmou juntar  os  livros  contábeis  em  mídia  digital,  acompanhados  de  cópias  das  microfichas  autenticadas  pela  Junta  Comercial  do  Rio  de  Janeiro  e  das  telas  do  programa  SINCO  de  validação  dos  arquivos  contábeis.  Requereu  perícia  ante  a  grande  quantidade de documentos a serem analisados.  A autoridade preparadora editou despacho decisório complementar em 04/11/2009,  manifestando­se acerca de retificações apresentadas entre a conclusão do despacho  inicial e sua intimação à contribuinte. Atestou a redução dos débitos compensados,  Fl. 3416DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 6          5 reafirmou  a  não­homologação  e  determinou  a  cobrança  dos  débitos  inicialmente  apontados  nas  DCOMP  originais,  que  foram  trocados  por  outros  nos  pedidos  retificadores.  Cientificada  deste  despacho  complementar,  a  contribuinte  apresentou  outra  manifestação de inconformidade, alegando que não havia débitos a serem cobrados,  pois promoveu a retificação da DCTF para  também reduzi­los. Reiterou as razões  de defesa antes apresentadas, enunciou exemplos extraídos da própria contabilidade,  para provar o oferecimento dos rendimentos pelo regime de competência, e afirmou  necessária a intimação das  instituições  financeiras para que elas apresentassem a  evolução  mensal  das  aplicações  financeiras  por  competência,  para  confrontação  com  suas  informações  contábeis,  esclarecendo  que  não  conseguiu  obter  estes  esclarecimentos em razão do prazo já transcorrido desde o fato gerador.  A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que:  · O transcurso do prazo decadencial somente impede o Fisco de exigir eventuais  diferenças de  tributos,  não afetando  seu poder­dever de verificar a origem, o  valor e a certeza do crédito pleiteado pela contribuinte.  · É prerrogativa da Fiscalização valer­se apenas de informações prestadas pelas  fontes pagadoras. De outro lado, o IRRF é mera antecipação, que somente se  constitui em direito creditório quando confrontado com o IRPJ devido ao final  do  período,  de  modo  que  nesta  apuração  devem  estar  computados  os  rendimentos  que  deram  ensejo  às  retenções,  e  esta  verificação  não  se  faz  apenas  com  a  indicação  dos  valores  declarados  à  linha  24  da  Ficha  06  da  DIPJ, que pode reunir outros rendimentos não sujeitos a retenção de imposto  de renda.  · As informações complementares de instituições financeiras são desnecessárias,  na  medida  em  que  as  DIRF  apresentavam  valores  compatíveis  com  as  retenções  indicadas  pela  contribuinte,  bem  como  desnecessária  é  a  perícia  requerida,  pois  as  informações  que  a  contribuinte  “quer”  que  sejam  perguntadas ao seu contador são justamente as  informações que a contribuinte  foi intimada a fornecer e não o fez.  · A  documentação  comprobatória  do  crédito  deveria  estar  disponível  na  diligência  fiscal  que  averiguou  a  compensação  declarada,  ou  então  ser  apresentada  em  manifestação  de  inconformidade.  Resta  injustificada  a  apresentação  dos  livros  contábeis  para  autenticação  apenas  em  2007  e  a  alegação de que este registro demorara 4 (quatro) meses, conforme disciplina  da matéria exposta nos arts. 1179, 1180, 1182 e 1183 do Código Civil. De toda  sorte,  tais elementos, quando apresentados, não se prestaram a demonstrar o  direito creditório.   · As  evidências  de  que  a  contribuinte  conduzia  de  forma  totalmente  irregular  seus  negócios  são  reforçadas  pelas  inconsistências  identificadas  em  seus  arquivos magnéticos. Quanto ao oferecimento dos rendimentos à tributação no  ano­calendário 2002, os livros fiscais de 2002 não foram apresentados.  · Os documentos juntados à manifestação de inconformidade somente confirmam  a  tardia  autenticação  dos  livros  fiscais,  e  os  arquivos  apresentados  em  CD  nada  provam,  não  somente  pela  dúvida  de  quando  foram  produzidos,  como  também  por  não  estarem  embasados  em  documentação  idônea.  Ademais,  nenhum documento pertinente ao ano­calendário 2002 foi apresentado.  · Posições  de  aplicações  de  CDB  não  são  documentos  válidos  a  comprovar  o  crédito  ou  a  retenção  de  IRRF  da  contribuinte,  posição  reservada,  exclusivamente  aos  informes  de  rendimentos,  emitidos  de  acordo  com  as  Fl. 3417DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 7          6 normas  emitidas  pela  RFB.  E,  meras  planilhas  de  supostos  lançamentos  contábeis de fls 886 a 899 apresentadas sem a ligação com a contabilidade, sem  identificação  sequer  do  responsável  por  essas  informações  e  sem  o  embasamento de informes de rendimentos, não servem para comprovar nem o  crédito de IRRF nem o oferecimento dos rendimentos à tributação.  · Ausente apresentação clara e concisa do oferecimento à tributação rendimentos  financeiros, não resta atendido o pedido do Fisco de apresentação dos registros  contábeis que demonstram o oferecimento dos rendimentos  financeiros, sendo  desnecessária, para tanto, a apresentação total da contabilidade.  · A redução significativa dos débitos compensados, acompanhada de retificação  da  DCTF  poucos  dias  antes  da  ciência  do  depósito  decisório,  não  foi  acompanhada  da  necessária  retificação  da  DIPJ,  na  forma  do  art.  11  da  IN/SRF  nº  903/2008.  Assim,  as  DCTF  retificadoras  não  serão  consideradas,  mantendo­se  a  recomendação  emitida  no  Despacho  Decisório  a  respeito  dos  valores que “sumiram” das PER/DCOMP retificadoras).  · A denúncia espontânea não afasta o recolhimento da multa de mora, a qual é  exigida  independentemente  de  atuação do Fisco,  e  não  configura  penalidade  pela  infração  tributária.  Ademais,  para  caracterização  da  denúncia  espontânea,  é  necessário  o  pagamento  integral  do  tributo,  e  não  mera  apresentação  de  PER/DCOMP  com  o  valor  do  débito  acrescido  de  juros  de  mora.  Cientificada  da  decisão  de  primeira  instância  em  08/04/2010  (fl.  918),  a  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário,  tempestivamente,  em  10/05/2010  (fls.  919/951),  no  qual,  preliminarmente,  reitera  seus  argumentos  contrários  aos  questionamentos do saldo negativo de IRPJ apurado no ano­calendário 2003 depois  de  transcorridos  mais  de  5  (cinco)  anos  de  sua  apuração,  apontando  também  a  inadequação  do meio  utilizado,  visto  que  seria  necessária  a  lavratura  de  auto  de  infração para firmar a existência de declaração inexata de receitas.   Destaca que apurou prejuízo fiscal no período em questão e que as retenções foram  confirmadas  pela  autoridade  fiscal,  somente  restando  atestar  o  oferecimento,  à  tributação, das receitas correspondentes às retenções deduzidas.   Ao historiar  os  fatos,  aduz que  foi  ignorado  seu pedido de dilação de prazo para  apresentação  dos  arquivos  digitais  solicitados  durante  a  análise  fiscal  do  crédito  utilizado em compensação, e que embora os livros e microfichas de sua escrituração  estivesse  em  poder  da  Junta  Comercial  do  Rio  de  Janeiro  durante  a  referida  diligência, foram apresentados relatórios de seu conteúdo à fiscalização. Reporta­se  a  afirmação  da  autoridade  fiscal  que  evidenciaria  não  terem  sido  recusados  os  motivos  apresentados  durante  a  diligência  em  questão,  visto  atestar  divergência  entre  o  total  de  rendimentos  informados  pelas  fontes  pagadoras  (R$  166.844.798,49) e o total de rendimentos correspondentes que integrou o item 24 da  ficha 06­A da DIPJ/2004 (R$ 159.839.183,82).  Tal divergência  foi  esclarecida à  fiscalização, em razão das retenções  seguirem o  regime de caixa, ao passo que a escrituração dos rendimentos observa o regime de  competência.  Contudo,  a  autoridade  fiscal  entendeu  que  os  documentos  não  permitiam a comprovação dessa explicação.   Assevera  que  declarou  regularmente  o  valor  das  receitas  financeiras  auferidas,  indicando  as  retenções  sofridas,  e  argumenta  que  cabe  ao  Fisco  provar  que  as  receitas não foram oferecidas à tributação. Invoca o art. 333, inciso I, do Código de  Processo Civil, e afirma ser nulo o auto de infração sem motivação, que afronta o  art. 37 da Constituição Federal e prejudica o direito de defesa do contribuinte.  Fl. 3418DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 8          7 Entende  que  o  Fisco  limitou­se  a  afirmar  que  não  houve  comprovação  do  oferecimento das receitas financeiras à tributação, sem juntar qualquer prova neste  sentido, optando pelo caminho mais cômodo, e transferindo à recorrente o ônus da  prova. Pede, assim, a anulação dos Despachos Decisórios em debate.  De  toda  sorte,  com  o  intuito  de  demonstrar  a  sua  total  boa­fé,  apresentou  à  Fiscalização  e  junto  à  manifestação  de  inconformidade,  a  documentação  que  evidenciaria  a  regularidade  de  seus  procedimentos,  realizando  todos  os  esforços  necessários em razão de se tratar de empresa incorporada, de documentos antigos e  em  grande  volume.  Relata  que  apresentou  livros  Razão  e  Diário,  em  arquivos  digitais, nos 20 (vinte) dias iniciais do procedimento fiscal, de modo que sequer teve  tempo hábil para “arrumar” sua contabilidade, como aventado na decisão recorrida.  Anota que a Fiscalização rejeitou estes arquivos por não estarem em conformidade  com atos normativos da Receita Federal, embora a legislação não fixe prazo para  autenticação dos arquivos eletrônicos,  e observa que a autenticação  requerida na  Junta  Comercial  do  Estado  do  Rio  de  Janeiro  demorou  mais  tempo  do  que  imaginado. Na seqüência, ao apresentar a documentação devidamente autenticada  ao auditor fiscal responsável, este recusou sua análise e firmou a conclusão de que  as receitas não foram oferecidas à tributação.  Ressalta que as informações ao final apresentadas são as mesmas já antes entregues  no início do procedimento fiscal, de modo que a demora na obtenção da autenticação  nos  órgãos  responsáveis  em  nada  beneficiou  a  Recorrente,  não  procedendo  as  calúnias proferidas na r. decisão de primeira instância.   Aborda  a  divergência  indicada  entre  os  rendimentos  sujeitos  à  retenção  comprovada e o valor escriturado na conta correspondente às receitas financeiras  do  ano­calendário  2003,  apresentando  demonstrativo  no  sentido  de  que  entre  outubro  de  2002  e  dezembro  de  2003  foi  reconhecido  pela  contabilidade  da  Recorrente por competência uma receita tributável maior do que aquela relativa às  retenções  de  imposto  de  renda  na  fonte  (R$  184.285.841,87  contra  R$  166.844.798,49).  Aduz que evolução das aplicações financeiras mês a mês permite entender como se  originou o crédito da Recorrente, afirmando que apresentou planilha neste sentido à  Fiscalização, e que bastaria  sua comparação com as  informações das  instituições  financeiras  e  os  lançamentos  contábeis  da  fiscalizada.  Exemplifica  esta  evolução  com os rendimentos auferidos em um investimento em CDB iniciado em 27/09/2002  e  resgatado em 26/03/2003, demonstrando os  rendimentos pertinentes a  cada mês  de setembro/2002 a março/2003 e a retenção ocorrida apenas em março/2003, bem  como apresentando esquema de contabilização destes valores e de sua evidenciação  em  DIRF,  afirmando  que  tal  documentação  foi  juntada  à  manifestação  de  inconformidade.  Reporta­se  ao  doc.18  juntado  à  manifestação  de  inconformidade,  consistente  em  relatório completo dos lançamentos contábeis, referentes às receitas financeiras em  comento. Discorda  de  sua  desconsideração  em  razão  da  falta  de  identificação do  responsável pela contabilidade, mas reapresenta as mesmas planilhas devidamente  rubricadas  (doc. 2). Afirma, ainda, que referidas planilhas têm sim  ligação com a  contabilidade,  pois  em  todas  elas  há  identificação  do  lançamento  efetuado  pelo  número  da  conta.  O  confronto  destas  informações  com  a  contabilidade  permitira  comprovar, assim, o oferecimento das referidas receitas à tributação como exigido  pela legislação.  Transcreve excertos de Acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes abordando  o  descompasso  entre  o  momento  da  retenção  e  do  reconhecimento  das  receitas  financeiras,  menciona  que  compreende  a  confusão  da  Autoridade  Fiscal,  dado  o  grande volume de informações a serem analisadas e o tempo exíguo de duração da  Fl. 3419DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 9          8 fiscalização,  mas  requer,  com  base  no  detalhamento  e  nos  esclarecimentos  prestados, a homologação das compensações efetuadas.  Defende a inaplicabilidade da multa de mora em razão da denúncia espontânea do  débito  em  face  do  recolhimento  do  principal  e  juros  de  mora,  reportando­se  a  julgados da CSRF. Requer, ainda, seja reavaliada a questão considerando que houve  retificação da DCOMP correspondente (n° 39554.76630.070105.1.3.02­7891) antes  da ciência da Recorrente do despacho decisório, e complementa:  Ademais,  entendendo  ser  aplicável  no  caso,  em  concreto  a  multa  de  mora,  a  D.  Autoridade  Fiscal  deveria  ter  realizado  o  lançamento  de  oficio  que  se  impõe  para  cobranças desse  tipo, conforme  já exposto acima. Não  tendo ocorrido  tal  lançamento,  não há  se  falar em exigência de multa de mora da presente denúncia espontânea haja  vista a decadência já ter albergado referido ato.  Relativamente às retificações dos débitos compensados, reconhece que não retificou  a DIPJ, mas não agiu em momento algum à margem da  lei, muito pelo contrário,  uma  vez  constado  na  contabilidade  da  incorporada  que  os  valores  dos  débitos  haviam sido informados a maior, procedeu à retificação das declarações que julgava  necessárias,  esquecendo­se,  de  fato,  de  retificar  a DIPJ. Em conseqüência,  a DIPJ  expressa  informações  incorretas,  o  que  é  insuficiente  para  desconsiderar  as  retificações,  e  poderia  ensejar,  no  máximo, multa  por  declaração  de  informações  incorretas na DIPJ, caso não estivesse decaído o direito do Fisco a este lançamento.  Requer,  assim,  o  reconhecimento  da  improcedência  de  qualquer  medida  que  signifique a imediata inscrição em dívida ativa da diferença de débitos; circunstância  plenamente comprovada pela retificação das DCTFs.  Ao  final,  pede  diligência  e  perícia  com  vistas  a:  1)  reunir  toda  a  documentação  necessária  junto  aos  bancos  responsáveis  pelas  retenções,  oficiando­os  a  apresentarem a evolução das aplicações efetuadas pela Recorrente com o intuito de  confrontá­las  com  a  contabilidade  da  Recorrente  para  se  demonstrar  a  correta  contabilização  das  receitas  financeiras;  2)  detalhar  o  oferecimento  das  receitas  financeiras  à  tributação  no  período  de  outubro/2002  a  dezembro/2003,  ante  a  impossibilidade de juntar aos autos toda a documentação pertinente. Relativamente  a  este  último  item,  indica  perito  e  formula  quesitos,  à  semelhança  do  que  apresentado em manifestação de inconformidade.  No voto condutor da Resolução nº 1101­000.062 esta Conselheira, depois de  afirmar  tempestivo  o  ato  de  não­homologação  e  declarar  a  necessidade  de  prova  do  oferecimento  à  tributação  das  receitas  que  ensejaram  as  retenções  na  fonte  deduzidas  na  apuração do saldo negativo, justificou a conversão do julgamento em diligência nos seguintes  termos:  Para comprovar o oferecimento das  receitas à  tributação, a contribuinte assevera  que seu reconhecimento se faz por regime de competência, questiona a postura da  Fiscalização durante a diligência promovida para averiguação de seu crédito, pede  diligência  junto  às  instituições  financeiras  para  obtenção  da  evolução  das  aplicações financeiras efetuadas pela interessada no período em questão, bem como  perícia que  evidencie o oferecimento das  receitas  financeiras à  tributação, ante a  impossibilidade de juntar aos autos toda a documentação pertinente.   Necessário,  portanto,  avaliar  como  se  desenvolveu  a  diligência  realizada  para  averiguação do crédito utilizado nas compensações aqui não­homologadas. Como  dito, tal procedimento foi realizado pela DERAT/RJ e desenvolveu­se no período de  29/06/2007 a 26/11/2007, conforme fls. 134/294.  Por meio da  intimação de  fls. 136/137, a autoridade  fiscal exigiu a apresentação,  em 10  (dez) dias,  de  livros  comerciais  e  fiscais  relativos ao ano­calendário 2003,  Fl. 3420DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 10          9 bem  como  a  composição  das  contas  que  resultaram  na  dedução  de  R$  33.368.960,21  e  no  valor  de  R$  178.777.673,21,  indicado  a  título  de  “Outras  Receitas Financeiras” na DIPJ/2004. Exigiu­se, também, demonstração dos débitos  compensados  com  o  saldo  negativo  de  IRPJ  do  ano­calendário  2003,  além  de  documentação comprobatória dos rendimentos de aplicações  financeiras auferidos  naquele período,  com indicação das  contas na qual  foram escriturados. Três dias  depois,  o  representante  legal  da  fiscalizada  assinou  Termo  de  Declaração  informando  que  a  ATL­  Telecom  Leste  S/A  foi  incorporada  pela  BCP  S/A  em  janeiro/2006  e  que  as  operações  fiscais  estão  centralizadas  na  matriz  em  S.P  (fl.  140), muito embora o CNPJ da  incorporada permanecesse ativo naquela data  (fl.  141).  A  fiscalizada  requereu  prorrogação  de  prazo  por  10  (dez)  dias,  que  lhe  foi  concedido (fl. 164) e, na seqüência, consta sua resposta, enunciando a entrega de  cópia  do  LALUR,  de  arquivos  magnéticos  dos  Livros  Diário  e  Razão,  e  de  demonstrativos  de  composição  do  IRRF  deduzido  e  das  receitas  financeiras  informadas  na DIPJ,  além  de  outros  elementos  (fl.  165/179).  A  autoridade  fiscal,  então,  exigiu  a  apresentação  de  arquivos  digitais  contábeis  relativos  ao  ano­ calendário  2003,  para  apresentação  em  20  (vinte)  dias,  observando­se  as  especificações técnicas fixadas em atos normativos da Receita Federal (fl. 180/182).  A  BCP  S/A  requereu  prazo  adicional  de  30  (trinta)  dias  sob  a  justificativa  de  já  estar subsidiando procedimento fiscal relativo a outra empresa, conduzido por outro  auditor fiscal, sendo­lhe concedidos mais 20 (vinte) dias a partir da solicitação (fl.  183). Ao  final deste prazo, a contribuinte apresentou arquivos relativos aos meses  de  janeiro  a  abril/2003,  requerendo  mais  10  (dez)  dias  para  apresentação  de  informações que apresentaram  inconsistências, e declarando que não tem o intuito  de embaraçar a ação fiscalizadora e que esta solicitação se faz necessária em virtude  do dificuldade operacional em que se encontra neste momento.  Transcorridos  15  (quinze)  dias  daquela  resposta,  a  autoridade  fiscal  lavrou  reintimação  em  21/09/2007  para  apresentação  em  5  (cinco)  dias  de  atos  constitutivos  exigidos  na  primeira  intimação,  bem  como  dos  arquivos  digitais  de  acordo  com  as  especificações  técnicas  ali  referida,  ressaltando  que  o  CD  com  Livros  Diário  e  Razão  antes  apresentados  estavam  em  desacordo  com  estas  exigências. Destacou, ao final, que a não apresentação de seus arquivos e sistemas  digitais,  relativos  a  sua  escrituração  do  ano­calendário  de  2003,  poderão  acarretar  repercussões  quanto  à  análise  das  compensações  pleiteadas  com  o  alegado  saldo  negativo  de  IRPJ  (linha  19,  ficha  12A  da  DIPJ/2004),  conforme  processo  administrativo n° 15374.00050612005­61 (fls. 185/186).  À  fl.  187  consta  petição  apresentada  em  24/09/2007,  afirmando  apresentar  os  arquivos magnéticos de acordo com a IN/86 e ADE COFIS 15/01,  referente o ano  2003.  Em  02/10/2007  nova  petição  encaminha  atos  constitutivos  da  empresa  e  requer  prazo  de  mais  30  (trinta)  dias  úteis  para  localização  dos  extratos  de  aplicações  financeiras  exigidos  pela  fiscalização,  sendo­lhe  concedido  prazo  de  5  (cinco) dias (fls. 188/189).  Em  10/10/2007  a  autoridade  fiscal  intima  a  contribuinte  a  comprovar  que  os  rendimentos  financeiros  de  R$  166.844.798,49  foram  oferecidos  à  tributação  em  2003,  haja  vista  que  o  demonstrativo  inicialmente  apresentado  em  06/08/2007  apontava  rendimentos  tributados  de,  apenas,  R$  159.839.183,82.  Exigiu­se,  também,  a  apresentação  dos  Livros  Diário  relativos  ao  ano­calendário  2003  (fl.  201/202).  A  contribuinte  esclareceu  que  os  rendimentos  eram  reconhecidos  pelo  regime de competência, de modo que boa parte dos rendimentos  foi contabilizada  em 2002, enquanto a  retenção do  imposto  somente ocorrera em 2003,  e observou  (fls. 204/205):  Fl. 3421DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 11          10 Com  esta  explicação,  a  contribuinte  espera  ter  satisfeito  a  dúvida  que  motivou  a  intimação;  todavia,  caso o  Ilmo. Auditor  fiscal  entenda de maneira diversa,  requer­se  prazo adicional de 60 dias a contar da presente protocolização, a fim de providenciar a  conciliação necessária, bastando que se manifeste neste sentido.  Se for este o caso, desde já a empresa reporta que o prazo ora requerido é indispensável  devido  ao  imenso  volume  de  informações  envolvidas  e  principalmente  devido  a  dificuldade no resgate interno do documentação necessária ao refazimento do trabalho,  em função do que relata a seguir:  [...]  Quanto aos Livros Diários de 2003, informou que eles se encontravam em poder da  Junta  Comercial  do  Rio  de  Janeiro,  para  autenticação,  em  forma  de  microfichas,  conforme  disposto  na  Instrução  Normativa  DNRC  nº  65/97.  Acrescentou  que  os  arquivos  txt  destas  microfichas  constavam  do  CD  apresentado  em  08/08/2007,  e  solicitou  prazo  de mais  15  (quinze)  dias  úteis  para  apresentação  das microfichas  com o devido registro junto à JUCERJA (fls. 206/207).  Em  29/10/2007  a  autoridade  fiscal  apontou  as  inconsistências  encontradas  nos  arquivos magnéticos  apresentados  pela  contribuinte,  e  intimou­a  a  apresentar  em  10  (dez)  dias  novos  arquivos.  Reiterou  a  necessidade  de  comprovação mediante  documentação  hábil  e  idônea  de  que  o  montante  de  R$  166.844.798,49  fora  oferecido  à  tributação,  apontou  inconsistências  nos  arquivos  txt  apresentados  em  substituição  aos  livros  contábeis  e  exigiu  a  apresentação  das  microfichas  autenticadas (fls. 208/209).  Na  resposta de  fls. 216/217, datada de 12/11/2007, a  contribuinte  requereu prazo  adicional de 30  (trinta) ou 10  (dez) dias úteis para corrigir os erros  identificados  nos  arquivos  magnéticos,  apresentou  papéis  de  trabalho  com  a  conciliação  dos  rendimentos  financeiros  a  partir  de  setembro/2002,  e  planilhas  de  lançamentos  a  partir de outubro/2002, para evidenciar a forma de contabilização daqueles valores,  bem como requereu prazo para apresentação dos extratos de aplicações financeiras  requeridos a Bancos citados, bem como para apresentação dos Livros Diário que  ainda se encontravam em poder da JUCERJA.  Em  22/11/2007  a  autoridade  fiscal  encerrou  a  diligência,  esclarecendo  que  o  procedimento  fiscal  foi  desenvolvido  no  domicílio  fiscal  informado  junto  ao  cadastro  da  Receita  Federal  (até  porque  a  prova  da  incorporação  por  atos  registrados somente foi tardiamente apresentada pela contribuinte), afirmando que  a contribuinte não apresentou seus livros contábeis/fiscais, nem os arquivos digitais  em  conformidade  com  a  legislação  aplicável,  além  de  não  ter  comprovado  o  oferecimento  à  tributação,  em  2002,  de  parte  dos  rendimentos  que  ensejaram  as  retenções  de  imposto  deduzidas  em  2003.  Registrou  que:  1)  as  prorrogações  de  prazo para apresentação dos arquivos magnéticos foram indeferidas, posto que eles  já deveriam estar disponíveis desde o início do procedimento fiscal; e 2) não foram  apresentados  livros  comerciais  e  fiscais  relativos  ao  ano­calendário  2002  para  confirmar a escrituração alegada pela contribuinte. E concluiu que não era possível  afirmar se os rendimentos que geraram as retenções de imposto de renda na fonte  foram  efetivamente  oferecidos  à  tributação  ante  a  imprestabilidade  dos  arquivos  digitais  apresentados  pela  contribuinte  e  a  falta  de  apresentação  dos  livros  comerciais  e  fiscais.  No  mais,  confirmou  que  as  retenções  de  imposto  foram  corretamente informadas em DIRF, que a contribuinte fez uso apenas de retenções  verificadas  em  2003,  e  que  todo  o  saldo  negativo  de  2003  foi  utilizado  em  compensações,  ressaltando  que  a  incorporação  da  ATL­Telecom  Leste  S/A  pela  BCP S/A somente foi registrada após o início do procedimento fiscal (fls. 230/236).  Às  fls.  236/292  consta  petição  da  BCP  S/A  reportando­se  à  extinção  da  ATL  –  Telecom Leste S/A por  incorporação e aventando equívoco quanto à  identificação  Fl. 3422DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 12          11 do  sujeito  passivo,  para  requerer,  ao  final,  a  anulação  do  Mandado  de  Procedimento Fiscal.  O  despacho  decisório  de  não­homologação  das  compensações  transcreve  as  justificativas  da  autoridade  fiscal  ao  final  da  diligência,  afirma  que  não  houve  comprovação  do  oferecimento  das  receitas  à  tributação,  e  conclui  que  o  saldo  negativo não foi devidamente comprovado.  Observa­se,  de  plano,  que  somente  no  encerramento  da  diligência  a  autoridade  fiscal  firmou a necessidade de apresentação de livros comerciais e fiscais de 2002  para  comprovação  do  total  oferecimento,  à  tributação,  dos  rendimentos  que  ensejaram as retenções deduzidas em 2003. A contribuinte prestou esclarecimentos,  apresentou os elementos que reputou documentação hábil e idônea (conciliação dos  rendimentos  financeiros  a  partir  de  setembro/2002,  e  planilhas  de  lançamentos  a  partir  de  outubro/2002,  para  evidenciar  a  forma  de  contabilização  daqueles  valores), e somente quando encerrados os trabalhos fiscais pode compreender que a  Fiscalização  reputava  os  livros  comerciais  como  a  prova  necessária  para  demonstração daqueles fatos.  Esta  a  razão,  portanto,  para  a  contribuinte  apresentar,  em  sua  manifestação  de  inconformidade,  o  doc.18,  consistente  em  relatório  completo  dos  lançamentos  contábeis, referentes às receitas financeiras em comento, reapresentado em recurso  voluntário  com  a  exigida  rubrica  pelo  responsável  por  sua  elaboração  (doc.  2),  para  justificar  a  necessidade  de  seu  confronto  com  a  contabilidade  para  comprovação do oferecimento das  receitas à  tributação,  ressaltando que  referidas  planilhas têm sim ligação com a contabilidade, pois em todas elas há identificação  do lançamento efetuado pelo número da conta.   Oportuno  esclarecer  que  a  falta  de  apresentação  de  arquivos magnéticos,  ou  sua  apresentação defeituosa,  é  infração  sujeita  a penalidade  específica,  originalmente  prevista no art. 980 do RIR/99, com vistas a indenizar o Fisco pelo sobretrabalho  decorrente do exame da escrituração de sujeitos passivo com expressivo volume de  operações, sem os recursos facilitadores presentes na escrituração digital. Por esta  razão, a ausência ou deficiência daqueles arquivos não dispensa a Fiscalização de  analisar as operações do contribuinte diretamente em seus livros contábeis e fiscais.  Durante  a  diligência  fiscal,  a  contribuinte  alegou  que  adotara  escrituração  por  microfichas  e  que  as  havia  encaminhado à  Junta Comercial do Estado  do Rio  de  Janeiro para autenticação. A autoridade julgadora de 1a instância não atentou para  esta peculiaridade, e  tratou a alegação como se referente à autenticação de livros  encadernados.  Todavia,  vê­se  na  Instrução  Normativa  DNRC  nº  102/2006,  que  possibilitou  a  autenticação,  também,  de  livros  contábeis  em  microfichas,  um  procedimento diferenciado que somente é possível após efetuada a escrituração (art.  12,  inciso II), e quando observados os requisitos do Anexo I da referida Instrução  Normativa  (art.  16,  §2o),  referentes  a  dimensões  e  titulação  adequadas,  além  de  correta  indexação  interna,  termos  de  abertura  e  encerramento,  e  tarja  na  parte  inferior  da  microficha,  sem  sobrepor­se  a  outras  informações  para  fins  de  localização dos registros e da conferência do órgão autenticador. A ressalva de que  microfichas  que  não  apresentem  perfeita  condição  de  leitura  de  seus  fotogramas,  quando vistos  através de visor  apropriado, não devem ser motivo de  autenticação,  constante  do  Anexo  I  da  referida  Instrução  Normativa,  permite  inferir  que  o  procedimento  para  autenticação  destes  documentos  não  é  tão  simples  como  a  autenticação de livros encadernados.  Assim,  é  compreensível  a  demora  verificada  na  apresentação  dos  livros  à  Fiscalização. E, na medida em que não foi questionada a efetiva entrega daqueles  documentos  à  Junta Comercial,  impõe­se  admitir  que  ela  efetivamente  ocorreu,  e  Fl. 3423DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 13          12 constituía­se  em  justificativa  razoável  para  o  atraso  na  entrega  dos  elementos  requeridos pela autoridade fiscal.  De outro lado, descabida é a pretensão da contribuinte no sentido de que o Fisco  deva  reunir  toda  a  documentação  necessária  junto  aos  bancos  responsáveis  pelas  retenções,  oficiando­os  a  apresentarem  a  evolução  das  aplicações  efetuadas  pela  Recorrente com o intuito de confrontá­las com a contabilidade da Recorrente para se  demonstrar  a  correta  contabilização  das  receitas  financeiras.  Os  extratos  de  aplicações  financeiras são documentos que suportam os registros contábeis destes  rendimentos,  e  a  contribuinte  tem o  dever  de mantê­los  sob  sua  guarda  enquanto  não prescritas as ações cabíveis.  Por  tais  razões,  é  de  se  deferir,  apenas,  o  pedido  de  perícia  apresentado  pela  contribuinte,  com  vistas  a  apurar,  em  sua  contabilidade,  o  detalhamento  do  oferecimento  das  receitas  financeiras  à  tributação  no  período  alegado  de  outubro/2002 a dezembro/2003. A verificação pode ser feita por amostragem, desde  que a autoridade competente certifique­se de que o procedimento contábil adotado  pela contribuinte assegurava o reconhecimento das receitas  financeiras segundo o  regime de  competência e o  creditamento  do  correspondente  imposto,  deduzido  na  apuração do saldo negativo de IRPJ do ano­calendário 2003, no momento de sua  retenção pela fonte pagadora.  Assim, o presente  voto  é no  sentido de CONVERTER o  julgamento  em diligência,  para  que  a  autoridade  fiscal  competente,  atentando  para  a  indicação  de  perito  e  para os quesitos formulados pela contribuinte, confirme junto à sua escrituração o  oferecimento  à  tributação,  segundo  o  regime  de  competência,  das  receitas  que  deram ensejo às retenções deduzidas na apuração do IRPJ no ajuste anual de 2003.  Ao final dos trabalhos deve ser elaborado relatório circunstanciado que indique as  parcelas  de  IRRF  passíveis  de  dedução  na  apuração  do  IRPJ  do  ano­calendário  2003,  dele  cientificando­se  a  contribuinte  para,  querendo,  complementar  suas  razões  defesa  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  antes  do  retorno  dos  autos  a  esta  instância de julgamento.  Às fls. 1063/3393 constam as intimações lavradas e as respostas apresentadas  pela  contribuinte,  seguindo­se  o  parecer  de  fls.  3394/3398  no  qual,  depois  de  relatar  as  investigações procedidas, a autoridade fiscal esclarece que:  5.  Examinando  os  documentos  pertinentes,  ou  seja,  o  livro  diário  e  as  contas  razão  indicados no parecer  externo, observa­se que o contribuinte não  lançou  no  livro  diário,  os  rendimentos  por  aplicação  financeira  de  cada  banco,  pois  nem  mesmo  os  valores  dos  rendimentos  da  aplicação  em  CDB  do  Banco  Bradesco  às  fls  914  a  926  não  foi  possível  identificar  nos  lançamentos mês  a  mês  esses  rendimentos  (apenas  que  o  total  dos  rendimentos  lançados  nas  planilhas  do  parecer  em  2002  e  2003  do  Bradesco  conferem  com  o  total  dos  extratos). Conforme o parecer da Consultoria externa, o contribuinte lançou nos  livros diário e razão, pelo total dos rendimentos do mês de todas as aplicações o  que dificulta a verificação dos valores  lançados por aplicação de cada banco.  Assim, só é possível analisar pelo total lançado em 2002 e 2003.   6. Conforme a ficha 53 da DIPJ ac 2003 temos:   ficha 53           AC 2003      receitas    IRRF   Itau BBA        77.162.408,62    15.432.481,70   Banco ABN Amro         1.871.910,31       374.382,05   UNIBANCO        29.881.988,79     5.976.397,72   Fl. 3424DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 14          13 Banco Alvorada        12.855.031,46     2.571.006,29   Banco Bradesco        15.191.472,25     3.038.294,44   Banco Santander        29.881.959,48     5.976.391,87                       166.844.770,91    33.368.954,07   7.  Conforme  as  planilhas  apresentadas  pela  consultoria  externa  temos  a  seguinte tabela dos valores oferecidos à tributação:      Tabela dos lançamentos à tributação        2002         2.003,00    total   Itau BBA       9.768.710,44      66.916.088,20      76.684.798,64   Banco ABN Amro         1.871.910,31       1.871.910,31   UNIBANCO       5.768.509,79      24.113.479,78      29.881.989,57   Banco Alvorada       7.288.830,95       5.566.200,35      12.855.031,30   Banco Bradesco       4.324.191,14      10.867.281,11      15.191.472,25   Banco Santander      10.655.891,33      19.226.522,83      29.882.414,16                      37.806.133,65     128.561.482,58     166.367.616,23   8.  Dessa  tabela,  observa­se  que  o  contribuinte  não  ofereceu  à  tributação  em  2003 a quantia de R$477.609,98 dos rendimentos do Banco ITAU/ BBA.   9. Conforme DIRF 2002 ás  fls.  3.393  o  contribuinte  obteve um  rendimento de  aplicações  financeiras nos  códigos 3426 e 6800 no valor de R$13.461.753,20.  Assim  do  total  de  rendimentos  oferecidos  à  tributação  em  2002  no  valor  de  R$46.920.798,13  (fls.  1081),  deve­se  descontar  o  valor  de  R$13.461.753,20  referente  aos  rendimentos  das  aplicações  resgatadas  em  2002,  restando,  portanto, apenas R$33.459.610,00 referentes às aplicações resgatadas em 2003.  Assim do rendimento de R$37.806.133,65 que deveria ser oferecido à tributação  em  2002,  somente  R$33.459.610,00  pode  ser  comprovado  como  oferecido  à  tributação em 2002.   10.  Resumindo,  dos  rendimentos  das  aplicações  financeiras  que  foram  resgatadas em 2003, o contribuinte não ofereceu à tributação, R$477.609,98 +  R$4.346.523,65= R$ 4.824.133,63.   11. Portanto  fazendo uma proporção entre o  valor dos  rendimentos em DIRF,  R$166.844.770,91  e  os  valores  comprovados  oferecidos  à  tributação  R$162.021.092,58, o valor de IRRF a ser considerado como Saldo negativo em  2003 é de R$ 32.404.218,41 (trinta e dois milhões, quatrocentos e quatro mil,  duzentos e dezoito reais e quarenta e um centavos).   Cientificada  em  29/06/2015  (fls.  3399/3400),  a  contribuinte  apresentou  a  petição  de  fls.  3403/3409  na  qual  manifesta  sua  concordância  com  os  resultados  acima  apresentados.  Observa  que  apesar  de  os  documentos  e  o  parecer  pericial  apresentados  à  autoridade  fiscal  demonstrarem  a  regular  contabilização  e  tributação  de  99,7%  das  receitas  financeiras que deram causa às retenções, a conclusão fiscal de que 97,1% das receitas foram  regularmente  tributadas  muito  se  aproxima  do  demonstrado,  razão  pela  qual,  para  evitar  delongas  processuais  que  possam  procrastinar  a  conclusão  do  julgamento  do  presente  Recurso  Voluntário,  manifesta  sua  integral  concordância  com  o  relatório  à  diligência  elaborado  pelo  I.  Auditor  Fiscal,  requerendo  o  reconhecimento  de  seu  direito  creditório,  Fl. 3425DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 15          14 quando  menos,  na  exata  proporção  reconhecida  no  decorrer  da  diligência,  bem  como  a  extinção dos débitos compensados na mesma proporção.  Fl. 3426DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 16          15     Voto             Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  Nos  termos  do  art.  63,  §5º  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  CARF  aprovado  pela  Portaria MF  nº  343/2005,  submete­se  novamente  ao  Colegiado  o  exame  das  questões preliminares apreciadas por ocasião da conversão do julgamento em diligência.  Inicialmente são reiterados os argumentos já expostos na Resolução nº 1101­ 000.062 em oposição  aos  argumentos da  recorrente  contrários  aos questionamentos do  saldo  negativo de  IRPJ  apurado no ano­calendário 2003 depois de  transcorridos mais de 5  (cinco)  anos de sua apuração.   O saldo negativo de IRPJ do ano­calendário 2003 apurado pela incorporada  ATL­Telecom  Leste  S/A  foi  utilizado  mediante  compensações  declaradas  a  partir  de  15/07/2004  (fls.  02/38  e  79/118).  A  diligência  para  confirmação  da  existência  do  crédito  alegado,  realizada  pela  DERAT/RJ,  desenvolveu­se  no  período  de  29/06/2007  a  26/11/2007  (fls. 134/294), e a não homologação das compensações, depois de transferidos os autos para a  DERAT/SP  em  razão  da  incorporação  da  contribuinte  pela  Claro  S/A,  foi  cientificada  à  recorrente em 13/05/2009.  Assim, mesmo  sem  levar  em  conta  as  retificações,  em 2007,  das  primeiras  DCOMP  apresentadas,  a  autoridade  administrativa  competente  agiu  dentro  do  prazo  de  5  (cinco) que lhe é conferido pela Lei nº 9.430/96, na redação dada pela Lei nº 10.833/2003:  Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em  julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita  Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)  §  1º A  compensação de  que  trata o  caput  será  efetuada mediante  a  entrega, pelo  sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos  utilizados  e  aos  respectivos  débitos  compensados.(Incluído  pela  Lei  nº  10.637,  de  2002)  § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito  tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei  nº 10.637, de 2002)  [...]§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo  será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.  (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003)  [...]  O caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, nesta nova redação, exige que o crédito  indicado em DCOMP seja passível de  restituição ou  ressarcimento,  significando que ele não  pode estar prescrito. Contudo, uma vez deduzida tempestivamente a pretensão de ver extintos  Fl. 3427DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 17          16 débitos com aquele crédito, admitir que o prazo para confirmação deste já estaria fluindo desde  o encerramento do período de apuração correspondente, limitaria significativamente a eficácia  do §5o  do  referido  art.  74,  pois  antes de  cinco anos da  apresentação da DCOMP a  certeza  e  liquidez do crédito restaria afirmada pelo decurso do prazo decadencial no qual, no entender da  recorrente, o Fisco poderia questionar sua apuração.  Não há qualquer ressalva na disposição legal que autorize esta interpretação.  Os prazos decadenciais estão previstos para  fins de  lançamento de crédito  tributário, ou seja,  para  que  a  autoridade  fiscal:  1)  discorde  do  tributo  pago  com  base  em  apuração  do  sujeito  passivo; 2) supra a omissão do sujeito passivo na apuração daquele pagamento; ou 3) pratique  o lançamento dos tributos ou penalidades cuja constituição a Lei reserva ao agente fiscal. Esta  é a dicção do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66):  Art.  150  ­ O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos  tributos  cuja  legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio  exame  da  autoridade  administrativa,  opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade  assim  exercida  pelo  obrigado,  expressamente a homologa.  § 1º  ­ O pagamento antecipado pelo obrigado nos  termos deste artigo extingue o  crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento.  [...]  § 4º ­ Se a lei não fixar o prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar  da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se  tenha  pronunciado,  considera­se  homologado  o  lançamento  e  definitivamente  extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.  [...]  Art. 173 ­ O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue­se  após 5 (cinco) anos, contados:  I  ­ do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter  sido efetuado;  II  ­  da  data  em que  se  tornar  definitiva  a  decisão  que  houver  anulado,  por  vício  formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo único ­ O direito a que se refere este artigo extingue­se definitivamente  com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a  constituição do crédito  tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer  medida preparatória indispensável ao lançamento. (negrejou­se)  A decadência, nestes termos, encerra o poder­dever do Fisco de formalizar o  crédito tributário por intermédio do lançamento, pondo fim à relação jurídica material surgida  entre o contribuinte e o Estado com a ocorrência do fato gerador. Recorde­se que a atividade de  lançamento  é  definida  pelo  art.  142  do  Código  Tributário  Nacional  como  o  procedimento  tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a  matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo  caso, propor a aplicação da penalidade cabível.  Nestes termos, se a autoridade fiscal constatar divergências na apuração que  resultou em saldo negativo de IRPJ, não poderá lançar a diferença apurada se o fato gerador ­  lucro  ­  pertencer  a  período  já  atingido  pela  decadência. Mas  pode  e  deve  o  Fisco  indeferir  Fl. 3428DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 18          17 pedido  de  restituição  ou  não  homologar  compensações  que  tenham  se  valido  de  indébito  tributário inexistente conforme o ajuste realizado de ofício.  É  certo  que  nos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  há  uma  grande discussão doutrinária e jurisprudencial acerca de qual seria o objeto da homologação: a  atividade  de  apuração  ou  o  pagamento  do  tributo  devido.  Todavia,  há  relativo  consenso  no  sentido de que o transcurso do prazo contido no §4º do art. 150 do CTN atinge o direito de o  Fisco constituir o crédito tributário, mediante o lançamento substitutivo da apuração efetuada  pelo sujeito passivo, veiculada pelos instrumentos definidos na legislação fiscal.  Ainda,  aqueles  que  defendem  a  homologação  tácita  da  apuração  efetuada  pelo sujeito passivo, consideram que o prazo decadencial  tem o efeito específico de atingir o  dever/poder  de  o  Fisco  efetuar  o  lançamento  de  ofício,  e  não  o  de  fazer  prova  absoluta  de  indébitos tributários, não constituídos na forma da legislação.  Admitir que os saldos negativos informados na DIPJ estariam homologados  tacitamente depois de transcorridos 5 (cinco) anos do fato gerador correspondente, exigiria que  se emprestasse à DIPJ o poder de constituir aquele direito creditório, o que vai contra o caráter  meramente informativo daquele documento, o qual não se presta, sequer, a instrumentalizar a  cobrança dos saldos devedores nele indicados.  Somente se concebe como instrumentos de constituição formal de direitos e  obrigações aqueles assim expressamente previstos na legislação, como é o caso, por exemplo,  da  Declaração  de  Débitos  e  Créditos  Federais  –  DCTF,  relativamente  aos  tributos  devidos  pelos contribuintes. Já relativamente aos direitos creditórios detidos pelos sujeitos passivos, a  legislação  apenas  prevê,  atualmente  e  na  época  em  que  a  contribuinte  argüiu  seu  direito,  a  DCOMP e o Pedido de Restituição como instrumentos para sua formalização perante a Receita  Federal.  É  certo  que  o  recolhimento  indevido  já  existe,  como  evento,  desde  sua  ocorrência  no  mundo  fenomênico.  Procedidas  as  antecipações  exigidas  por  lei,  encerrado  o  período  de  apuração  e  efetivados  os  recolhimentos  que  se  entendeu  devidos,  tem­se  do  confronto destes, eventualmente, um desembolso maior que o devido.  Todavia, este evento somente passa a se constituir em um fato jurídico apto a  produzir  as  conseqüências  previstas  em  lei  quando  formalizado  pelo  interessado  em  face  do  devedor, no caso, o Fisco. Daí porque, a partir do recolhimento indevido, deflagra­se o prazo  prescricional para que o sujeito passivo manifeste seu direito perante o Fisco, e a partir desta  manifestação o prazo para o Fisco, em caso de compensação, reconhecer ou não aquele crédito.  Aliás, veja­se que, à época em que este direito era deduzido apenas mediante  a apresentação de Pedido de Restituição, sequer havia prazo fixado em lei para manifestação  do Fisco acerca do que ali veiculado. Cabia ao interessado manter a guarda dos comprovantes  necessários para prestar eventuais esclarecimentos acerca de seu direito, enquanto o crédito não  lhe fosse reconhecido.   Apenas com a criação da DCOMP passou a existir um prazo para que o Fisco  pudesse  questionar  o  direito manifestado  pelo  interessado,  até  porque,  vinculado  o  crédito  a  débitos  que  se  pretendia  ver  extintos,  somente  haveria  alguma  utilidade  no  questionamento  daquele  crédito  enquanto  possível  a  cobrança  dos  débitos  compensados,  direito  este  que  pereceria ante a inércia do Fisco por mais de 5 (cinco) anos.   Fl. 3429DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 19          18 Impróprio,  assim,  tentar  opor,  ao  Fisco,  uma  limitação  temporal  à  confirmação do direito creditório deduzido pelo sujeito passivo, que em momento algum esteve  prevista no Código Tributário Nacional ou em lei ordinária, senão na sistemática  instituída a  partir  da  criação  da  DCOMP,  e  evidentemente  em  função  da  vinculação  daquele  crédito  a  débitos compensados.  Interessante notar, ainda, que a formalização do direito creditório em outras  declarações  não  é  requisito  para  sua veiculação  em DCOMP. Do  caput  do  art.  74  da Lei  no  9.430/96,  desde  a  redação  que  lhe  foi  dada  pela  Lei  no  10.637/2002,  não  se  extrai  qualquer  exigência  de  que  o  direito  creditório  deva  estar  previamente  evidenciado  em  declarações  prestadas pelos sujeitos passivos, à exceção da própria DCOMP, prevista no seu § 1o.  Admite­se que a evidenciação do crédito em DIPJ ou DCTF é um elemento  de  prova  em  favor  do  sujeito  passivo  que  afirma  ter  efetuado  recolhimento  a  maior.  Mas  somente  quando  provocado  pelo  sujeito  passivo  acerca  do  seu  interesse  de  se  valer  daquele  crédito, mediante restituição ou compensação, passa o Fisco a ter o dever de avaliar a certeza e  a liquidez daquele valor para admitir, ou não, a destinação pretendida pelo interessado.   Firmadas  estas  premissas,  recorde­se  que,  nos  termos  da  legislação  processual  em  vigor,  o  ônus  da  prova  incumbe  ao  autor,  quanto  ao  fato  constitutivo  do  seu  direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do  autor  (art.  333  do Código  de  Processo Civil). Assim,  no  presente  caso,  a  prova  do  indébito  tributário,  fato  jurídico  a  dar  fundamento  ao  direito  de  compensação,  compete  ao  sujeito  passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.   Decorre,  daí,  que  a  compensação  deveria  estar  suportada  por  provas  do  indébito tributário no qual se fundamenta. Contudo, deve­se recordar que o procedimento em  debate  já  se  iniciou mediante  a  apresentação  de DCOMP,  desacompanhada,  por  autorização  normativa, de qualquer prova do indébito ali indicado, posto que o Fisco teria ainda cinco anos  para confirmá­lo.  Em  verdade,  a  interpretação  veiculada  pela  recorrente  confere  ao  sujeito  passivo  a  faculdade  de  definir  o  prazo  do  qual  o  Fisco  dispõe  para  homologar,  ou  não,  a  compensação  declarada.  Optando  o  sujeito  passivo  por  utilizar  seu  crédito  depois  de  transcorridos quatro anos e 11 meses do fato gerador, o Fisco teria apenas um mês para avaliar  a liquidez e certeza do crédito. Se utilizasse mais rapidamente seu crédito, maior prazo teria o  Fisco para esta confirmação.  Certamente  outro  foi  o  objetivo  da  criação  da  DCOMP.  Tal  instrumento  conferiu tratamento diferenciado aos contribuintes que, deduzindo créditos na forma da nova  redação  do caput  do  art.  74  da Lei  nº  9.430/96,  já  poderiam,  sem prévio  exame do  seu  real  conteúdo,  angariar a extinção  imediata dos débitos compensados, bem como a  suspensão de  sua exigibilidade até a decisão administrativa final acerca da regularidade de seu procedimento.   Admitir  que  o  prazo  para  questionamento  desta  regularidade  seria  definido  pelo sujeito passivo está em evidente descompasso com a referência contida na Exposição de  Motivos da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002:  35. O art. 49 institui mecanismo que simplifica os procedimentos de compensação,  pelos  sujeitos passivos,  dos  tributos  e contribuições administrados pela Secretaria  Fl. 3430DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 20          19 da  Receita  Federal,  atribuindo  maior  liquidez  para  seus  créditos,  sem  que  disso  decorra perda nos controles fiscais . (negrejou­se)  Ademais, é de se questionar que interesse  fiscal existiria na revisão de uma  DIPJ  que  apontasse  saldo  negativo  de  IRPJ?  Caberia  ao  Fisco  antecipar­se  à  pretensão  da  contribuinte de utilizar este valor, com vistas a convalidá­lo ou retificá­lo?  E,  ainda  que  se  insista  na  fluência  do  prazo  para  revisão  do  crédito,  pelo  Fisco,  a  partir  do  período  de  apuração  correspondente,  do  recolhimento  que  se  mostrou  indevido, ou mesmo da declaração que inicialmente informou o indébito, é lícito concluir que,  ao manifestar seu interesse em utilizar tal crédito mediante DCOMP, o sujeito passivo renuncia  ao  prazo  em  curso,  e  submete­se  ao  prazo  fixado  na  sistemática  prevista  para  aquele  instrumento de utilização de créditos, sob pena de retirar a eficácia do §5o do referido art. 74 da  Lei no 9.430/96.  Quanto  às  referências  a  julgados  do  antigo  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  contrários  ao  entendimento  aqui  expresso,  cumpre  citar  que  há,  também,  julgados na mesma linha aqui adotada:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  –  PRECLUSÃO  –  Matéria  não  questionada  em  primeira  instância,  quando  se  inaugura  a  fase  litigiosa  do  procedimento  fiscal,  e  somente  suscitada  nas  razões  do  recurso  constitui matéria  preclusa e como tal não se conhece. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. Não devem  os  órgãos  julgadores  tomar  conhecimento  de  matéria  atinente  à  suspensão  da  exigibilidade  de  débitos  por  ser  matéria  de  execução,  portanto,  estranha  à  lide.  SALDO  NEGATIVO  DO  IRPJ.  HOMOLOGAÇÃO  TÁCITA.  IMPOSSIBILIDADE.  Não se submetem à homologação tácita os saldos negativos de IRPJ apurados nas  declarações  apresentadas,  a  serem  regularmente  comprovados,  quando  objeto  de  pedido  de  restituição  ou  compensação. VERIFICAÇÃO BASE DE CÁLCULO DO  IRPJ.  A  verificação  da  base  de  cálculo  do  tributo  não  é  cabível  apenas  para  fundamentar lançamento de ofício, mas deve ser feita, também, no âmbito da análise  das declarações de compensação, para efeito de determinação da certeza e liquidez  do  crédito,  invocado pelo  sujeito  passivo,  para  extinção  de  outros  débitos  fiscais.  PEDIDO DE RESITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato  jurídico a dar  fundamento ao direito de  repetição ou à  compensação, compete ao  sujeito  passivo  que  teria  efetuado  o  pagamento  indevido  ou  maior  que  o  devido.  (Acórdão nº 103­23579, sessão de 18/09/2008)  SALDO  NEGATIVO.  RESTITUIÇÃO.  COMPENSAÇÃO.  O  procedimento  de  homologação do pedido de restituição/compensação consiste fundamentalmente em  atestar a regularidade do crédito, ainda que tal análise implique em verificar fatos  ocorridos há mais de cinco anos, respeitado apenas o prazo de homologação tácita  da compensação requerida. (Acórdão nº 103­23571, Sessão de 18/09/2008)   COMPENSAÇÃO.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  PERÍODOS  QUE  PODEM  SER  EXAMINADOS. ­ Se o exame do crédito alegado pelo contribuinte é feito dentro do  prazo de 5 anos, contados da entrega da declaração de compensação ou restituição,  ele  pode  alcançar  o  ano  do  alegado  crédito,  bem  como  os  anos  anteriores  e  posteriores, naquilo que afetem a questão.  (Acórdão nº 1101­00.515,  sessão de 03  de agosto de 2011)  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  SALDO  NEGATIVO  DE  IRPJ  E  CSLL.  Os  saldos  negativos  apurados  nas  declarações  de  IRPJ/CSLL  não  se  submetem  à  homologação  tácita,  devendo  ser  regularmente  comprovados  quando  Fl. 3431DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 21          20 integrarem  pedidos  de  restituição/compensação.  (Acórdão  nº  1103­00.434,  sessão  de 30 de março de 2011)  SALDO NEGATIVO DO IRPJ. EXAME. DECADÊNCIA. Inaplicável o conceito de  decadência para o exame dos documentos que compõem a base de cálculo negativa  do IRPJ objeto do pedido de restituição. (Acórdão nº 1202­00.519, sessão de 24 de  maio de 2011)  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE  SALDO NEGATIVO ÔNUS DE PROVAR A  EXISTÊNCIA DO INDÉBITO NÃO CONVALIDAÇÃO POR DECURSO DE PRAZO  Não  estando  em  pauta  procedimento  que  visa  promover  alteração  na  base  de  cálculo  do  tributo,  para  exigir  débitos  ou  reverter/reduzir  “prejuízo  fiscal”,  mas  apenas  verificar  a  legitimidade  do  indébito  a  ser  restituído/compensado,  cabe  perfeitamente  averiguar  a  efetiva  ocorrência  dos  requisitos  para  a  sua  formação.  (Acórdão nº 1802­00.917, sessão de 29 de junho de 2011)  Frente ao exposto, o presente voto é no sentido de REJEITAR a arguição de  decadência do direito de o Fisco questionar a apuração do saldo negativo de IRPJ apurado no  ano­calendário 2003.  A  recorrente  também  apontou  a  inadequação  do meio  utilizado  pelo  Fisco,  visto que seria necessária a lavratura de auto de infração para firmar a existência de declaração  inexata  de  receitas.  Destacou  que  apurou  prejuízo  fiscal  no  período  em  questão,  que  as  retenções foram confirmadas pela autoridade fiscal, e que restou apenas atestar o oferecimento,  à tributação, das receitas correspondentes às retenções deduzidas.   A jurisprudência administrativa, porém, assim se consolidou acerca do tema  em referência: Na apuração do  IRPJ, a pessoa  jurídica poderá deduzir do  imposto devido o  valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das  receitas correspondentes na base de cálculo do imposto (Súmula CARF nº 80). Na análise do  saldo negativo, portanto, a dedução do IRRF está condicionada à comprovação da retenção e  da tributação das receitas correspondentes, consoante, aliás, dispõe a Lei nº 9.430/96:  Art.2º A pessoa  jurídica sujeita a  tributação com base no  lucro real poderá optar  pelo  pagamento  do  imposto,  em  cada  mês,  determinado  sobre  base  de  cálculo  estimada, mediante  a  aplicação,  sobre  a  receita  bruta  auferida mensalmente,  dos  percentuais  de  que  trata  o  art.  15  da  Lei  nº  9.249,  de  26  de  dezembro  de  1995,  observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº  8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho  de 1995.   [...]  §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado,  a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor:  [...]  III  ­  do  imposto  de  renda  pago  ou  retido  na  fonte,  incidente  sobre  receitas  computadas na determinação do lucro real;  [...]  Logo,  não  basta  a  comprovação  da  retenção  do  imposto  na  fonte,  mas  também da  sua  correspondência  com  as  receitas  computadas  na  determinação  do  lucro  real.  Farta é a jurisprudência administrativa neste sentido:  Fl. 3432DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 22          21 SALDO  NEGATIVO  DE.  IRPJ.  DEDUÇÃO  DO  IRRF  SOBRE  APLICAÇÕES  FINANCEIRAS  ­  Para  a  determinação  do  saldo  negativo  de  IRPJ,  restituível  ou  compensável,  não  basta  a  prova  da  retenção  do  imposto,  é  imprescindível  a  comprovação  de  que  as  receitas  sobre  as  quais  incidiram  as  retenções  foram  devidamente  oferecidas  para  a  apuração do  lucro  real.  (Acórdão CARF nº  1103­ 00.268, sessão de 03/08/2010)  IMPOSTO  RETIDO  NA  FONTE  EM  2001  E  2002  –  DEDUÇÃO.  A  dedução  do  imposto retido na fonte com o imposto devido trimestralmente, está condicionada à  comprovação de sua retenção e de que é decorrente de  receitas que  integraram a  base de cálculo do imposto. (Acórdão CARF nº 1802­00.495, sessão de 05/07/2010)  DEDUTIBILIDADE DO IRRF ­ O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre  rendimentos pagos por pessoa física ou  jurídica só poderá ser compensado com o  imposto devido na declaração de rendimentos da pessoa jurídica se a contribuinte  possuir os comprovantes de  rendimentos pagos, e os rendimentos correspondentes  às retenções tiverem sido oferecidos à tributação. (Acórdão CARF nº 1103­00.194,  sessão de 18/05/2010)  RESTITUIÇÃO  ­  COMPROVAÇÃO  DO  IMPOSTO  DE  RENDA  RETIDO  NA  FONTE ­ OFERECIMENTO DO RENDIMENTO À TRIBUTAÇÃO ­ Declaração do  tomador de que realizou a retenção do tributo na fonte, aliada à nota fiscal emitida  com referido destaque, faz prova da existência do direito de crédito do contribuinte.  No  entanto,  não  basta  que  o  contribuinte  comprove  a  existência  do  crédito  do  tributo retido na fonte. Para fazer jus restituição, é necessário que seja demonstrado  que  o  rendimento  de  onde  originou  referido  crédito  tenha  integrado  a  base  de  tributação do imposto de renda. Sem esta demonstração, apesar de comprovada a  existência do crédito, não se implementa a condição necessária para sua devolução.  (Acórdão CC nº 105­17.403, sessão de 04/02/2009)  COMPENSAÇÃO  —  SALDO  NEGATIVO  DO  IRPJ.  IRRF  —  RECEITAS  TRIBUTADAS. Restando provado que as receitas financeiras que deram origem ao  IRRF  foram  oferecidas  à  tributação,  há  que  ser  reconhecido  o  direito  creditório  passível de ser compensado. (Acórdão CC nº 101­96.819, sessão de 28/06/2008)  Cite­se,  ainda,  a  ementa  do  Acórdão  nº  1102­00.614,  que  traduz  a  possibilidade de revisão do saldo negativo de IRPJ depois de  transcorridos 5 (cinco) anos de  sua apuração, ainda que em razão da falta de comprovação do oferecimento dos rendimentos  que ensejaram as retenções de imposto deduzidas no ajuste anual:  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PRAZO  PARA  HOMOLOGAÇÃO.  Nos  termos  da  legislação,  o  fisco  dispõe  do  prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  da  entrega da declaração de compensação, para homologar a compensação declarada  pelo  sujeito passivo.  [...]  IRPJ.  SALDO NEGATIVO. O  reconhecimento de direito  creditório a título de saldo negativo de IRPJ reclama efetividade no pagamento das  antecipações calculadas por estimativa, a apresentação do comprovante de retenção  do  IRRF  emitido  pela  fonte  pagadora,  a  comprovação  da  oferta  à  tributação  da  receita que ensejou a retenção e, ainda, a apresentação dos elementos indicadores  dos resultados contábil e fiscal (balanço patrimonial, demonstrativo de resultado do  exercício DRE e o Livro de Apuração do Lucro Real Lalur), de sorte a aferir a plena  identidade  entre  estes  e  o  teor  informado  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais (DIPJ). [...] (Sessão de 24 de novembro de 2011.)  Esclareça­se,  por  fim,  que  o  procedimento  fiscal  foi  dirigido  no  sentido  de  obter  as  informações  necessárias  para  confirmação  do  regular  oferecimento  à  tributação  dos  Fl. 3433DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 23          22 rendimentos  que  ensejaram  as  retenções  formadoras  do  saldo  negativo,  sendo  certo  que  a  autoridade  fiscal  justificou  o  indeferimento  das  prorrogações  de  prazo  requeridas  pela  contribuinte, apenas equivocando­se quanto à exigência dos livros comerciais e fiscais relativos  ao ano­calendário 2002, mas em conduta claramente exposta à contribuinte, permitindo­lhe a  produção de regular defesa, da qual inclusive resultou a conversão do julgamento em diligência  e a confirmação quase integral do oferecimento à tributação dos rendimentos em debate.   Logo, ainda que se discorde das conclusões fiscais, o  fato é que elas  foram  validamente  expostas,  e  ensejaram  decisão  devidamente motivada,  razão  pela  qual  deve  ser  REJEITADA  a  arguição  de  nulidade  do  despacho  decisório  de  não­homologação  das  compensações.   Por fim, como exposto no relatório, a avaliação preliminar do procedimento  fiscal  evidenciou  que  as  justificativas  apresentadas  pela  contribuinte  para  o  atraso  na  apresentação  de  documentos  exigidos  pela  Fiscalização  seriam,  em  sua  maior  parte,  admissíveis,  e assim autorizariam a  conversão do  julgamento em diligência para verificação,  junto  à  escrituração  contábil  da  contribuinte,  de  que  as  receitas  financeiras  posteriormente  submetidas a retenção de imposto na fonte, foram oferecidas à tributação segundo o regime de  competência.   Intimada,  a  contribuinte  apresentou  registros  do  Livro  Diário,  extratos  de  aplicações  financeiras  (fls.  1063/3301)  e  o  parecer  de  fls.  3302/3334,  a  partir  dos  quais  a  autoridade  fiscal  confirmou que as  retenções  sofridas no  ano­calendário 2003 decorreram de  aplicações  financeiras,  em  razão  das  quais  a  contribuinte  auferiu  receitas  apropriadas  contabilmente nos anos­calendário 2002 e 2003.  A análise fiscal teve por referência os rendimentos e retenções vinculados às  fontes  pagadoras  indicados  pela  contribuinte  em  DIPJ.  Observa­se  na  DCOMP  com  demonstrativo  do  crédito  compensado  que  as  mesmas  retenções  foram  ali  indicadas  para  formação do saldo negativo de IRPJ originalmente apurado no ano­calendário 2003, no valor  de  R$  33.368.960,21  (fls.  39/40),  com  exceção  de  uma  retenção  de  R$  6,14  desprezada  no  desenvolvimento  da diligência. As  retenções  e  os  rendimentos  associados  estão  confirmados  nas DIRF juntadas às fls. 218/225, e a autoridade fiscal, embora frente a registros contábeis dos  rendimentos  globalizados,  sem  individualização  por  instituição  financeira,  concluiu  que  as  informações  prestadas  evidenciavam  o  oferecimento  à  tributação  da  quase  totalidade  dos  rendimentos  que  ensejaram  as  retenções  deduzidas  no  ano­calendário  2003,  divergindo  parcialmente  do  parecer  pericial  de  fls.  3302/3334,  no  qual  foram  individualizadas  as  aplicações  financeiras  que  se  estenderam  de  2002  a  2003,  detalhando­se  os  rendimentos  apropriados mensalmente,  associados  à  retenção promovida apenas  em 2003, por ocasião do  resgate,  bem  como  demonstrando­se  a  localização  dos  registros  contábeis  referentes  à  aplicação, ao resgate, e à apropriação dos rendimentos, os quais, inclusive, foram diferenciados  de rendimentos de aplicações financeiras de 2003 que não se sujeitaram a retenção de imposto  na  fonte,  e  assim não  foram  declarados  pelas  fontes  pagadoras  em DIRF. Às  fls.  3335/3378  estão juntados comprovantes emitidos pelas instituições financeiras relativamente às operações  detalhadas no parecer pericial.  Subsistiram  incomprovados,  apenas:  1)  o  oferecimento  à  tributação  da  totalidade  dos  rendimentos  auferidos  junto  à  instituição  Itaú BBA,  dado  que  os  rendimentos  contabilizados totalizaram R$ 76.684.798,64, e as retenções foram motivadas por rendimentos  equivalentes a R$ 77.162.408,62, como inclusive reconhecido no parecer pericial (fl. 3333); e  Fl. 3434DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 24          23 2)  o  oferecimento  à  tributação,  em  2002,  da  totalidade  dos  rendimentos  de  aplicações  financeiras auferidos no período, dado que além dos valores decorrentes de investimentos que  se  estenderam  até  2003,  houve  rendimentos  associados  a  resgates  em  2002,  que  segundo  informações  da  DIRF  totalizariam R$  13.461.188,131  (R$  8.309.581,36  referente  ao  código  3426  e  R$  5.151.606,77  referente  ao  código  6800),  os  quais,  somados  aos  rendimentos  das  aplicações  financeiras  demonstradas  pela  contribuinte  (R$  37.806.133,65),  totalizariam  R$  51.267.321,78,  montante  inferior  aos  rendimentos  de  aplicações  financeiras  informados  na  DIPJ do ano­calendário 2002 (R$ 46.920.798,13), como detalhado pela contribuinte à fl. 1081.  Considerando  a  contabilização  mensal  globalizada  dos  rendimentos  questionados  pela  autoridade  fiscal,  não  há  reparos  à  conclusão  de  que  as  retenções  de  R$  33.368.954,07 somente pode ser reconhecidas na proporção dos rendimentos cujo oferecimento  à  tributação  foi  comprovado pela  contribuinte,  qual  seja, R$ 162.021.092,58  (equivalente  ao  total de R$ 166.367.616,23, comprovado pela contribuinte, reduzido pela parcela cujo cômputo  na  apuração  do  lucro  real  não  foi  confirmada,  equivalente  a  R$  4.346.523,65,  resultante  da  diferença entre os rendimentos que deveriam ter sido tributados em 2002, R$ 51.267.321,78, e  o valor que foi computado na apuração do lucro real do período, R$ 46.920.798,13).  Na medida em que as retenções aproveitadas pela contribuinte correspondem  a  rendimentos  totais  de  R$  166.844.770,91,  a  confirmação  do  oferecimento  à  tributação  de  rendimentos no total de R$ 162.021.092,58, permite que se reconheça à contribuinte o direito à  dedução de, apenas, R$ 32.404.218,41.   Frente  a  tais  circunstâncias,  e  considerando  que  a  contribuinte  não  apurou  IRPJ  devido  no  período  em  referência  (fl.  138),  o  presente  voto  é  no  sentido  de  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  voluntário  para  reconhecer  à  contribuinte  o  direito  creditório de R$ 32.404.218,41, a ser imputado aos débitos vinculados por meio de DCOMP ao  saldo negativo de IRPJ apurado no ano­calendário 2003.  A  recorrente  pede  a  homologação  integral  dos  débitos  compensados  e  defende a  inaplicabilidade da multa de mora em razão da denúncia espontânea do débito em  face do recolhimento do principal e juros de mora, reportando­se a julgados da CSRF.   Observe­se, inicialmente, que os §§ 9º e 10 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com  a redação que lhe foi dada pela Lei nº 10.833/2003, faculta ao sujeito passivo a apresentação de  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­homologação  da  compensação,  e  de  recurso  voluntário contra a decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Por sua  vez, o ato de não­homologação pode  resultar de  irregularidades constatadas no crédito ou no  débito compensado, bem como de excesso de compensação por ter o sujeito passivo adotado  outros cálculos para atualização ou imputação do crédito aos débitos consignados na DCOMP.  Assim,  pode  ser  objeto  de  recurso  voluntário  a  discussão  acerca  dos  acréscimos moratórios  considerados pela autoridade fiscal por ocasião dos cálculos de homologação da compensação,  se esta for a causa da não­homologação ou homologação parcial das compensações.  No  presente  caso,  observa­se  que  parte  das  DCOMP  em  litígio  foram  apresentadas  depois  da  data  de  vencimento  dos  débitos  compensados,  e  na  maioria  delas  o  sujeito  passivo  consignou,  apenas,  ao  acréscimo  de  juros.  Em  relação  à  DCOMP  nº                                                              1 Embora a autoridade fiscal erre ao transpor este total para o Parecer de fls. 3394/3398, indicando o valor de R$  13.461.753,20, os  demais  cálculos  levaram  em  consideração,  corretamente,  a  soma  dos  valores  informados  em  DIRF, R$ 13.461.188,13.  Fl. 3435DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 25          24 39554.76630.070105.1.3.02­7891  a  contribuinte  já  havia  apresentado  a  petição  de  fls.  43/44  requerendo que não fosse considerado, no montante devido, o valor referente a  imposição de  multa, com base no art. 138 do Código Tributário Nacional. Assim, é esta pretensão, expandida  para  todos  os  débitos  compensados,  que  a  contribuinte  renovou  em  sua  manifestação  de  inconformidade e em recurso voluntário.  O presente voto, portanto, é no sentido de CONHECER o recurso voluntário  nesta parte.  Pretende  a  interessada  ver  aplicado  o  disposto  no  art.  138  do  CTN  à  sua  conduta. Porém, está ali disposto:   Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora,  ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o  montante do tributo dependa de apuração.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados com a infração.  E,  no  presente  caso,  não  houve  pagamento,  modalidade  de  extinção  do  crédito tributário prevista no art. 156, I do CTN, distinta da compensação, prevista no inciso II  do mesmo artigo.  Irrelevante,  assim,  se  houve  retificação  da  DCOMP  correspondente  (n°  39554.76630.070105.1.3.02­7891) antes da ciência da Recorrente do despacho decisório.   Por  oportuno  consigne­se  que  os  casos  nos  quais  o  Superior  Tribunal  de  Justiça já se manifestou favoravelmente à exclusão da multa moratória, no rito do art. 543­C do  Código  de  Processo  Civil,  tratavam  apenas  de  pagamento,  como  se  constata  das  ementas  a  seguir transcritas:  · Resp nº 1.149.022 – SP (Questão relativa à configuração de denúncia  espontânea – artigo 138, do CTN – na hipótese em que o contribuinte,  após efetuar a declaração parcial do débito tributário acompanhado do  respectivo  pagamento  integral,  retifica­a  –  antes  de  qualquer  procedimento do fisco –, noticiando a existência de diferença a maior,  cuja  quitação  se  dá  concomitantemente),  transitado  em  julgado  em  01/09/2010:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  IRPJ  E  CSLL.  TRIBUTOS  SUJEITOS  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  DECLARAÇÃO  PARCIAL  DE  DÉBITO  TRIBUTÁRIO  ACOMPANHADO  DO  PAGAMENTO  INTEGRAL.  POSTERIOR  RETIFICAÇÃO  DA  DIFERENÇA  A  MAIOR  COM  A  RESPECTIVA  QUITAÇÃO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO.  1.  A  denúncia  espontânea  resta  configurada  na  hipótese  em  que  o  contribuinte,  após  efetuar  a  declaração parcial do  débito  tributário  (sujeito  a  lançamento  por  homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica­a (antes de  Fl. 3436DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 26          25 qualquer  procedimento  da  Administração  Tributária),  noticiando  a  existência  de  diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente.  2.  Deveras,  a  denúncia  espontânea  não  resta  caracterizada,  com  a  conseqüente  exclusão  da  multa  moratória,  nos  casos  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  declarados  pelo  contribuinte  e  recolhidos  fora  do  prazo  de  vencimento,  à  vista  ou  parceladamente,  ainda  que  anteriormente  a  qualquer  procedimento  do  Fisco  (Súmula  360/STJ)  (Precedentes  da  Primeira  Seção  submetidos ao rito do artigo 543­C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori  Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e Resp 962.379/RS, Rel.  Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008).  3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal  do  crédito,  podendo este  ser  imediatamente  inscrito em dívida ativa,  tornando­se  exigível,  independentemente  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  de  notificação  ao  contribuinte"  (REsp  850.423/SP,  Rel.  Ministro  Castro  Meira,  Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008).  4.  Destarte,  quando  o  contribuinte  procede  à  retificação  do  valor  declarado  a  menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito  tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão  pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN.  5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem  (fls. 127/138):  "No caso dos autos, a  impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do  Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, ano­base  1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver  reconhecida  a  denúncia  espontânea  em  razão  do  recolhimento  do  tributo  em  atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório.   Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira  confissão  de  dívida  e  pagamento  integral,  de  forma  que  resta  configurada  a  denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário  Nacional."   6.  Conseqüentemente,  merece  reforma  o  acórdão  regional,  tendo  em  vista  a  configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine .   7.  Outrossim,  forçoso  consignar  que  a  sanção  premial  contida  no  instituto  da  denúncia  espontânea  exclui  as  penalidades  pecuniárias,  ou  seja,  as  multas  de  caráter  eminentemente  punitivo,  nas  quais  se  incluem  as  multas  moratórias,  decorrentes da impontualidade do contribuinte.  8.  Recurso  especial  provido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo  543­C,  do  CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  · RESp  nº  962.379  (Configuração  ou  não  de  denúncia  espontânea  relativamente a tributo federal sujeito a lançamento por homologação  – PIS/COFINS –, regularmente declarado pelo contribuinte – DCTF,  mas pago com atraso), transitado em julgado em 30/04/2009:  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  DECLARADO  PELO  CONTRIBUINTE  E  PAGO  COM  ATRASO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO.  SÚMULA  360/STJ.  1.  Nos  termos  da  Súmula  360/STJ,  "O  benefício  da  denúncia  espontânea  não  se  aplica  aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  regularmente  declarados,  mas  pagos  a  destempo"  .  É  que  a  apresentação  de  Declaração  de  Fl. 3437DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 27          26 Débitos  e  Créditos  Tributários  Federais  –  DCTF,  de  Guia  de  Informação  e  Apuração do ICMS– GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é  modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra  providência  por  parte  do  Fisco.  Se  o  crédito  foi  assim  previamente  declarado  e  constituído  pelo  contribuinte,  não  se  configura  denúncia  espontânea  (art.  138  do  CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.  2. Recurso especial desprovido. Recurso sujeito ao regime do art. 543­C do CPC e  da Resolução STJ 08/08.  Recorde­se, também, que sob o mesmo rito, a aplicação do art. 138 do CTN  foi afastada pelo Superior Tribunal de Justiça em caso de parcelamento, consoante ementa do  acórdão proferido no REsp nº 1.102.577, transitado em julgado em 26/06/2009:  TRIBUTÁRIO.  PARCELAMENTO  DE  DÉBITO.  DENÚNCIA  ESPONTÂNEA.  INAPLICABILIDADE. RECURSO REPETITIVO. ART. 543­C DO CPC.  1. O instituto da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não se aplica nos casos de  parcelamento de débito tributário.  2. Recurso Especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543­C do CPC e da  Resolução 8/2008 do STJ.  Logo,  não  se  cogita  de  denúncia  espontânea  no  presente  caso,  e  os  acréscimos moratórios previstos no  art.  61 da Lei nº 9.430/96  são validamente  aplicáveis na  liquidação dos débitos mediante imputação do direito creditório reconhecido.  E  esta  imputação,  por  sua  vez,  deve  ser  proporcional,  vez  que  o  Código  Tributário Nacional não ampara a amortização linear, na medida em que se limita a abordar a  imputação de pagamentos nos seguintes termos:   Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito  passivo para com a mesma pessoa  jurídica de direito público, relativos ao mesmo  ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora,  a  autoridade  administrativa  competente  para  receber  o  pagamento  determinará  a  respectiva  imputação,  obedecidas  as  seguintes  regras,  na  ordem  em  que  enumeradas:  I ­ em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos  decorrentes de responsabilidade tributária;  II  ­  primeiramente,  às  contribuições  de  melhoria,  depois  às  taxas  e  por  fim  aos  impostos;  III ­ na ordem crescente dos prazos de prescrição;  IV ­ na ordem decrescente dos montantes.  Inexistindo  neste,  ou  em  outros  dispositivos  do  CTN,  regra  expressa  de  precedência entre tributo, multa (de mora ou de ofício) e juros moratórios, a forma de alocação  de  pagamentos  entre  as  parcelas  componentes  de  um  mesmo  crédito  tributário  deve  ser  definida mediante utilização da analogia admitida no art. 108 do CTN, tendo em conta o que  estabelecido em outro ponto daquele Código:   Art. 167. A restituição total ou parcial do tributo dá lugar à restituição, na mesma  proporção, dos juros de mora e das penalidades pecuniárias, salvo as referentes a  infrações de caráter formal não prejudicadas pela causa da restituição.   Fl. 3438DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 28          27 Portanto,  se  a  restituição  obedece  a  critério  proporcional,  por  analogia  e  simetria,  a  imputação do pagamento  também deverá observá­lo. Significa dizer que o direito  creditório  reconhecido  deve  ser  distribuído  proporcionalmente  para  quitação  do  principal,  multa e juros de mora devidos na data da entrega da DCOMP, exigindo­se ou cobrando­se o  principal remanescente, que será acrescido de multa e juros de mora calculados até a data em  que o recolhimento complementar venha a ser efetivado.  A  possibilidade  de  se  exigir,  isoladamente,  penalidades  em  razão  da  inobservância do prazo de recolhimento de tributos, cumulada com a falta de recolhimento de  multa de mora, deixou de existir com a revogação do art. 44, §1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96,  pela Lei nº 11.488/2007. Assim, o art. 43 da Lei nº 9.430/96 somente resta aplicável para fins  de  constituição  de  juros  de mora  isolados,  nas  hipóteses  em  que  o  sujeito  passivo  deixa  de  recolhê­los  em  razão  de  ordem  judicial,  e  a  constituição  deste  crédito  tributário  se  faz  necessária para prevenir a decadência.   Registre­se, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça já firmou interpretação,  no âmbito do REsp nº 921.911/RS, em favor da imputação aqui em debate, ou seja, de direito  creditório  utilizado  para  compensação  de  débitos  em  atraso,  sem  acréscimos  moratórios.  A  ementa do referido  julgado, proferido pela Primeira Turma daquele Tribunal em 01/04/2008,  deixa claro o entendimento ali firmado:  TRIBUTÁRIO.  INTERPRETAÇÃO DO ART.  163 DO CTN. PRETENSÃO DE, NA  COMPENSAÇÃO  TRIBUTÁRIA,  APLICAREM­SE  REGRAS  DO  CÓDIGO  CIVIL  SOBRE IMPUTAÇÃO DO PAGAMENTO.  1.  A  regra  dos  arts.  374  e  379  do  CC  de  2002  não  se  aplica  às  compensações  tributárias.  2.  Impossível,  juridicamente,  o  acolhimento  de  pretensão  no  sentido  de  que,  primeiramente, na compensação, sejam os juros devidos considerados em primeiro  lugar como pagamento e, em seguida, o principal.  3.  O  art.  163  do  CTN  regula,  exaustivamente,  a  imputação  do  pagamento  nas  relações jurídico­tributárias.  4.  A  compensação  tributária  deve  ser  feita  de  acordo  com  as  regras  específicas  estabelecidas para regular  tal forma de extinção do débito. Não­aplicabilidade do  sistema adotado pelo Código Civil.  5.  Não­aplicação  de  analogia  para  decidir  litígio  tributário  quando  a  questão  enfrentada não é disciplinada pelo CTN.  6. Recurso especial conhecido e parcialmente provido.  O Ministro José Delgado, citando doutrina e outras decisões judiciais, afastou  a aplicação subsidiária do Código Civil em matéria tributária em razão da revogação expressa  do  art.  374  daquele  diploma  legal,  e  complementou  que  proceder  de  forma  distinta  daquela  adotada pela Receita Federal ensejaria quebra de isonomia entre os critérios para a cobrança  de débitos e créditos  fiscais. Reforçou, ainda, que o caput do art. 163 do CTN, bem como a  natureza indexadora da taxa SELIC, permitem concluir que o montante do crédito tributário é  uno  e  indivisível,  justificando a  imputação proporcional,  além do  fato  de  a  capitalização  de  juros ser vedada pelo art. 167 do CTN.  Posteriormente,  em  acórdão  proferido  em  14/10/2008,  sob  relatoria  do  Ministro  Castro Meira,  a  Segunda  Turma  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  adotou  o mesmo  entendimento,  acrescentando  o  reconhecimento  da  validade  das  Instruções  Normativas  que  Fl. 3439DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 29          28 disciplinaram a imputação na forma aqui adotada. Reproduz­se a ementa do referido acórdão,  decorrente do AgRg no Resp nº 971.016/SC:  TRIBUTÁRIO.  COMPENSAÇÃO.  CÓDIGO  CIVIL.  IMPUTAÇÃO  DO  PAGAMENTO. AMORTIZAÇÃO DOS JUROS ANTES DO PRINCIPAL. ART. 354  DO  CC/2002.  INAPLICABILIDADE.  OFENSA  AO  ART.  108  CTN.  INOCORRÊNCIA.  1.  "Se as normas que regulam a compensação  tributária não prevêem a  forma de  imputação do pagamento, não se pode aplicar por analogia o art. 354 do CC/2002  (art.  993  do CC/1916)  e  não  se  pode  concluir  que  houve  lacuna  legislativa,  mas  silêncio  eloqüente  do  legislador  que  não  quis  aplicar  à  compensação  de  tributos  indevidamente pagos as regras do Direito Privado. E a prova da assertiva é que o  art.  374  do  CC/2002,  que  determinava  que  a  compensação  das  dívidas  fiscais  e  parafiscais  seria  regida  pelo  disposto  no  Capítulo  VII  daquele  diploma  legal  foi  revogado pela Lei 10.677/2003, logo após a entrada em vigor do CC/2002" (REsp  987.943/SC, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ 28.02.2008).  2.  A  imputação  de  pagamento  não  é  causa  de  extinção  do  crédito  tributário,  representa  apenas  a  forma  de  processamento  da  modalidade  extintiva,  que  é  o  pagamento.  Daí  porque,  silenciando  o  Código  Tributário  sobre  esse  ponto  específico,  nada  impede que a Administração expeça atos normativos que regulem o processamento  da causa extintiva.  3. O fato de, na seara tributária, a imputação vir regulamentada em atos normativos  expedidos  pela  Secretaria da Receita Federal  –  IN's 21/97,  210/2002,  323/2003  e  600/2005 –não implica qualquer violação da ordem constitucional ou legal, uma vez  que a reserva de lei complementar (art. 146 da CRFB/88) não abrange essa matéria  e o art. 97 do CTN não exige a edição de lei formal para tratar do tema.  4.  Nos  termos  do  art.  108  do  CTN,  a  analogia  só  é  aplicada  na  ausência  de  disposição  expressa  na  "legislação  tributária". Por  essa  expressão,  identificam­se  não apenas as leis, tratados e decretos, mas, também, os atos normativos expedidos  pela autoridade administrativa (arts. 96 e 100 do CTN). Dessa forma, não há lacuna  na legislação tributária sobre o tema imputação de pagamento, o qual, como dito,  não é objeto de reserva legal.  5. Inexistência de ofensa aos arts. 354 do CC/2002 e 108 do CTN.  6. Agravo regimental não provido.  Acórdão  mais  recente,  proferido  em  10/02/2011  em  razão  do  REsp  nº  1.115.604/RS, confirma a manutenção deste entendimento no âmbito do Superior Tribunal de  Justiça:   PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DOS AT. 165, 458 E 535, DO  CPC. NÃO OCORRÊNCIA. PRECATÓRIO. MORATÓRIA DO ART. 78 DO ADCT.  JUROS  DE  MORA  EM  CONTINUAÇÃO.  IMPOSSIBILIDADE  NA  HIPÓTESE.  RESPEITO DO PRAZO CONSTITUCIONAL. PRECEDENTES.  IMPUTAÇÃO DO  PAGAMENTO.  ART.  354  DO  CC/02.  INAPLICABILIDADE  NA  SEARA  TRIBUTÁRIA. PRECEDENTES.  1. Cumpre afastar a alegada ofensa dos arts. 165, 458, II e 535 do CPC, eis que o  acórdão recorrido se manifestou de forma clara e fundamentada sobre as questões  que foram postas à deslinde, adotando, contudo, orientação contrária à pretensão  dos  ora  recorrentes,  não  havendo  que  se  falar  em  deficiência  ou  omissão  na  prestação jurisdicional conferida na origem.  Fl. 3440DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15374.000506/2005­61  Acórdão n.º 1302­001.736  S1­C3T2  Fl. 30          29 2.  A  jurisprudência  desta  Corte  é  pacífica  quanto  à  não  incidência  de  juros  moratórios  em  continuação  quando  do  pagamento  das  parcelas  do  precatório  na  forma  do  art.  78  do  ADCT,  desde  que  respeitado  o  prazo  constitucional.  Precedentes.  3.  Não  havendo  direito  ao  cômputo  de  juros  moratórios  na  hipótese,  resta  prejudicada a análise da alegada ofensa dos arts. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95 e 161,  § 1º, do CTN. Contudo, em razão do princípio da non reformatio in pejus, deve ser  mantido o acórdão recorrido na parte que determinou a incidência de juros legais  de 6% ao ano, a partir da segunda parcela.  4.  A  imputação  do  pagamento  na  seara  tributária  tem  regime  diverso  àquele  do  direito  privado  (artigo  354  do Código Civil),  inexistindo  regra  segundo  a  qual  o  pagamento parcial  imputar­se­á primeiro sobre os  juros para, só depois de  findos  estes, amortizar­se o capital. Precedentes.  5. Recurso especial não provido.   Estas  as  razões,  portanto,  para  NEGAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário relativamente à exclusão da multa de mora sobre os débitos compensados em atraso.  O  presente  voto,  portanto,  é  no  sentido  de  REJEITAR  a  arguição  de  decadência e de nulidade do despacho decisório e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL  ao recurso voluntário para reconhecer à contribuinte o direito creditório de R$ 32.404.218,41, a  ser imputado aos débitos vinculados por meio de DCOMP ao saldo negativo de IRPJ apurado  no  ano­calendário  2003,  acrescidos  de multa  de mora  e  juros  de mora  nos  casos  em  que  a  DCOMP foi apresentada depois do vencimento do débito compensado.   (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora                              Fl. 3441DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA

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Numero do processo: 13654.000903/2009-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2008 I - DA CONSTATAÇÃO DO VÍCIO. VALORES DECLARADOS EM GFIP. FPAS 639. CONDIÇÃO DE ENTIDADE IMUNE. OBSERVÂNCIA AOS PRESSUPOSTOS LEGAIS. LANÇAMENTO. NECESSIDADE DE PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL. Restando comprovado que a Recorrente se enquadra como entidade imune/isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, uma vez observados os requisitos legais para tanto, notadamente àqueles inscritos no artigo 55 da Lei 8.212/91, aplicável ao caso à época, a constituição de créditos previdenciários concernentes à aludida contribuição está condicionada à emissão de prévio Ato Cancelatório de Isenção, consoante estabelece a legislação de regência. LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual para a constituição do crédito tributário. AUSÊNCIA DE DETERMINAÇÃO DOS MOTIVOS FÁTICOS E JURÍDICOS DO LANÇAMENTO FISCAL. VÍCIO MATERIAL. OCORRÊNCIA. A determinação dos motivos fáticos e jurídicos constituem elemento material/intrínseco do lançamento, nos termos do art. 142 do CTN. A falta desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento, razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material. II - VALORES NÃO DECLARADOS EM GFIP. DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÕES PAGAS AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Na entidade beneficente de assistência social, havendo diferenças de remunerações não declaradas em GFIP, tais remunerações deverão compor a multa aplicada. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso para excluir da multa os valores que foram declarados em GFIP com o FPAS 639. E, após exclusão, seja recalculada a multa aplicada nos moldes do art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/1991, caso seja mais benéfica. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1  1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13654.000903/2009­94  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2402­004.754  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  09 de dezembro de 2015  Matéria  INFRAÇÃO: GFIP. FATOS GERADORES  Recorrente  INSTITUTO PRESBITERIANO GAMMON  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2008  I  ­ DA CONSTATAÇÃO DO VÍCIO. VALORES DECLARADOS EM  GFIP. FPAS 639.  CONDIÇÃO  DE  ENTIDADE  IMUNE.  OBSERVÂNCIA  AOS  PRESSUPOSTOS  LEGAIS.  LANÇAMENTO.  NECESSIDADE  DE  PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO DO BENEFÍCIO FISCAL.  Restando  comprovado  que  a  Recorrente  se  enquadra  como  entidade  imune/isenta  da  cota  patronal  das  contribuições  previdenciárias,  uma  vez  observados os  requisitos  legais para tanto, notadamente àqueles  inscritos no  artigo  55  da  Lei  8.212/91,  aplicável  ao  caso  à  época,  a  constituição  de  créditos  previdenciários  concernentes  à  aludida  contribuição  está  condicionada  à  emissão  de  prévio  Ato  Cancelatório  de  Isenção,  consoante  estabelece a legislação de regência.  LANÇAMENTO  PREVENTIVO  DA  DECADÊNCIA.  POSSIBILIDADE.  NÃO OBSERVÂNCIA AO PRÉVIO ATO CANCELATÓRIO.  Poderá  ser  realizado  o  lançamento  das  diferenças  de  contribuições  previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão  judicial  ou  administrativa  da  matéria,  desde  que  seja  observada  à  regra  processual para a constituição do crédito tributário.  AUSÊNCIA  DE  DETERMINAÇÃO  DOS  MOTIVOS  FÁTICOS  E  JURÍDICOS  DO  LANÇAMENTO  FISCAL.  VÍCIO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA.  A  determinação  dos  motivos  fáticos  e  jurídicos  constituem  elemento  material/intrínseco  do  lançamento,  nos  termos  do  art.  142  do CTN. A  falta  desses motivos constituem ofensa aos elementos substanciais do lançamento,  razão pelo qual deve ser reconhecida sua total nulidade, por vício material.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 4. 00 09 03 /2 00 9- 94 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     2  II  ­  VALORES  NÃO  DECLARADOS  EM  GFIP.  DIFERENÇAS  DE  REMUNERAÇÕES  PAGAS  AOS  SEGURADOS  EMPREGADOS  E  CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.  Na  entidade  beneficente  de  assistência  social,  havendo  diferenças  de  remunerações não declaradas em GFIP, tais remunerações deverão compor a  multa aplicada.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  parcial provimento ao recurso para excluir da multa os valores que foram declarados em GFIP  com o FPAS 639. E, após exclusão, seja recalculada a multa aplicada nos moldes do art. 32­A,  inciso I, da Lei 8.212/1991, caso seja mais benéfica.      Ronaldo de Lima Macedo ­ Presidente e Relator      Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Ronaldo  de  Lima  Macedo,  Kleber  Ferreira  Araújo,  Ronnie  Soares  Anderson,  Marcelo  Oliveira,  Lourenço  Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 385DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/2009­94  Acórdão n.º 2402­004.754  S2­C4T2  Fl. 3          3    Relatório  Trata­se de Auto  de  Infração  lavrado  com  fundamento  na  inobservância  da  obrigação  tributária  acessória  prevista  no  art.  32,  inciso  IV  e  §  5º,  da  Lei  8.212/1991,  acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º, do Decreto 3.048/1999, que  consiste  em  a  empresa  apresentar  a  Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  Informações  à  Previdência  Social  (GFIP)  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições previdenciárias, nas competências 08/2004 e 13/2008.  Segundo  o  Relatório  Fiscal  (fls.  04/05),  a  empresa  informou  em  GFIP  o  código  FPAS  639  ­  Entidade  Filantrópica  com  Isenção,  sem  ter  preenchido  os  requisitos  básicos,  pois não possuía o deferimento do pedido de  isenção pelo  INSS/Receita Federal  do  Brasil,  o  que  lhe  garantiria  a  isenção  das  contribuições  previdenciárias  e  as  destinadas  as  Entidades  Terceiras.  E,  em  razão  da  utilização  indevida  do  FPAS  639,  automaticamente  as  contribuições devidas deixaram de ser informadas em GFIP.  A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deu­se em 19/10/2009 (fls.  01 e 67), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR).  A  autuada  apresentou  impugnação  tempestiva  (fls.  68/304),  alegando,  em  síntese, que era portadora do CEBAS.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de  Julgamento  (DRJ) em Juiz de  Fora/MG  –  por  meio  do  Acórdão  09­28.210  da  5a  Turma  da  DRJ/JFA  (fls.  333/337)  –  considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade.  A  Notificada  apresentou  recurso,  manifestando  seu  inconformismo  pela  obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição  das alegações de impugnação:  1.  traz  à  colação  quadro  demonstrativo  das  renovações  do CEBAS em  relação  ao  período  de  1999  a  2011,  suscitando  que  em  todo  àquele  lapso temporal a entidade foi detentora de referido Certificado, não se  cogitando  no  descumprimento  do  artigo  55,  inciso  II,  da  Lei  8.212/1991, como pretende fazer crer as autoridades fazendárias;  2.  pretende  sejam  analisadas  todas  as questões  arguidas  em suas peças  impugnatória e recurso voluntário, independentemente do trânsito em  julgado de decisão a ser exarada nos autos do processo  judicial, por  entender  que  o  desfecho  naquela  esfera  não  produzirá  efeitos  necessariamente  neste  processo,  uma  vez  que  no  período  objeto  de  autuação não foi verificado o eventual descumprimento dos requisitos  para  gozo  da  isenção  sob  análise.  Ressalta  que  a  autuação  está  calcada, exclusivamente, na “decisão  administrativa” que encerrou a  Informação  Fiscal  de  Cancelamento  de  Isenção  (v.  docs.  03  e  04,  juntados  com  a  Impugnação  ao  AI).  Esta,  por  sua  vez,  estava  ancorada, exclusivamente, no  indeferimento do pedido de renovação  Fl. 386DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     4  do CEBAS, com validade para o período de 20/04/1998 a 15/09/1999,  o qual veio a ser reformada pelas instâncias judiciais ordinárias;  3.  infere  que  a  fiscalização  e  a  autoridade  julgadora  de  primeira  instância deixaram de considerar os deferimentos de todos os pedidos  de  renovação  do  CEBAS  para  períodos  posteriores  a  20/04/1998  a  15/09/1999,  formulados  pela  contribuinte,  não  podendo  aquele  primeiro indeferimento produzir efeitos ad aeternun.  4.  contrapõe­se  ao  lançamento  e,  bem  assim,  à  decisão  recorrida,  aduzindo  para  tanto  que  a  entidade  nunca  perdeu  sua  condição  de  isenta da cota patronal das contribuições previdenciárias, consoante se  comprova no fato de não haver sido emitido Ato Cancelatório a partir  de  Informação  Fiscal  que  fora  lavrada  em  face  da  contribuinte.  Acrescenta  que  a  recorrente  já  gozava  de  imunidade  em  relação  às  contribuições sociais a cargo da empresa muito antes da edição da Lei  8.212/91, motivo pelo qual foi exonerado de requerer o benefício, em  razão do disposto no § 1° do art. 55 daquele diploma legal, cabendo  ao Fisco demonstrar que no período fiscalizado a recorrente deixou de  cumprir algum dos pressupostos de aludida benesse fiscal;  5.  por  fim,  requer  o  conhecimento  e  provimento  do  seu  recurso,  para  desconsiderar o Auto e Infração, tornando­o sem efeito e, no mérito,  sua absoluta improcedência.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juiz de Fora/MG informa que o  recurso  interposto  é  tempestivo  e  encaminha  os  autos  ao  CARF  para  processamento  e  julgamento.  É o relatório.  Fl. 387DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/2009­94  Acórdão n.º 2402­004.754  S2­C4T2  Fl. 4          5    Voto             Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator  Recurso  tempestivo.  Presentes  os  pressupostos  de  admissibilidade,  conheço  do recurso interposto.  I ­ DA CONSTATAÇÃO DO VÍCIO  O lançamento da obrigação instrumental segue o mesmo encaminhamento da  obrigação  principal,  já  que  aquela  é  oriunda  exclusivamente  de  valores  que  não  foram  declarados  em  GFIP.  Isso  decorre  do  fato  de  que  um  único  momento  contábil  originou  o  lançamento da obrigação acessória e principal.  Neste  caso,  o  lançamento  referente  à  obrigação  acessória  tornar­se,  por  via  reflexa,  também  insubsistente,  tendo  em  vista  que  houve  vício  insanável  na  apuração  da  obrigação principal. Assim, tratando­se de tributação reflexa, o julgamento do lançamento da  obrigação principal faz coisa julgada no lançamento decorrente, ante a íntima relação de causa  e efeito existente entre ambos.  O Fisco  afirma que  o Conselho Nacional  de Assistência Social  indeferiu  a  renovação  do CEBAS para  a Recorrente.  Isso  está  consubstanciado  no Relatório Fiscal,  nos  seguintes termos:  “[...]  A  Entidade  requereu,  perante  o  Conselho  Nacional  de  Assistência Social, o recadastramento e a renovação do CEBAS,  por meio do processo n° 28984.016259/1994­28, sendo que este  Órgão  INDEFERIU,  em  decisão  administrativa  definitiva,  o  pedido  de  renovação  do  Certificado,  com  fundamento  no  Parecer CJ n° 1258/98 [...]”.  Pois bem. Após analisar os documentos acostados aos autos, verificar­se, em  sede de preliminar, que o lançamento fiscal deverá ser declarado nulo, eis que os elementos  fáticos probatórios, que o compõem, não registram de forma clara e precisa a fundamentação  legal  ensejadora  da  autuação.  Ou  seja,  pelos  fundamentos  a  seguir  delineados,  a motivação  fática e  jurídica do lançamento fiscal não estão em conformidade com a legislação tributária,  nem com os fundamentos da Constituição Federal de 1988.  Conforme  se  observa  nos  autos, mesmo  tendo  a  autoridade  tributária  à  sua  disposição  todos  os  documentos  pertinentes  à  escrituração  contábil  –  bem  como  os  demais  documentos estabelecidos pelo art. 55, incisos I a V, da Lei 8.212/1991, atualmente revogado  pela  Lei  12.101/2009  –,  limitou­se  a  justificar  a  autuação  apenas  pela  existência  do  indeferimento  do  pedido  de  renovação  do  CEBAS,  com  validade  para  o  período  de  20/04/1998  a  15/09/1999,  o  qual  veio  a  ser  reformado  pelas  instâncias  judiciais  ordinárias.  Contudo,  não  houve  a  emissão  de  qualquer  Ato  Cancelatório  de  Isenção  das  Contribuições  Sociais, conforme previa o § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991, nem a observância se a entidade  cumpria ou não os demais requisitos desse mesmo artigo.  Fl. 388DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     6  Lei 8.212/1991:  Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e  23  desta  Lei  a  entidade  beneficente  de  assistência  social  que  atenda  aos  seguintes  requisitos  cumulativamente  ((Revogado  pela Lei nº 12.101, de 2009):  I ­ seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual  ou do Distrito Federal ou municipal;  II ­ seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de  Fins  Filantrópicos,  fornecido  pelo  Conselho  Nacional  de  Assistência Social, renovado a cada três anos; (g.n.)  III  ­  promova,  gratuitamente  e  em  caráter  exclusivo,  a  assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a  crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;  IV  ­  não  percebam  seus  diretores,  conselheiros,  sócios,  instituidores  ou  benfeitores,  remuneração  e  não  usufruam  vantagens ou benefícios a qualquer título;  V  ­  aplique  integralmente  o  eventual  resultado  operacional  na  manutenção  e  desenvolvimento  de  seus  objetivos  institucionais  apresentando,  anualmente  ao  órgão  do  INSS  competente,  relatório circunstanciado de suas atividades.  § 1° Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata  este  artigo  será  requerida  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social­INSS,  que  terá  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  para  despachar o pedido. (g.n.)  § 2° A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou  entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida  por outra que esteja no exercício da isenção.  § 3° Para os fins deste artigo, entende­se por assistência social  beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem  dela necessitar.  § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social ­ INSS cancelará a  isenção  se  verificado  o  descumprimento  do  disposto  neste  artigo.  §  5°  Considera­se  também  de  assistência  social  beneficente,  para  os  fins  deste  artigo,  a  oferta  e  a  efetiva  prestação  de  serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de  Saúde, nos termos do regulamento.  Do dispositivo  transcrito, verificamos que os  requisitos  referem­se a um rol  exaustivo,  incisos  I  a  V,  para  que  se  possa  gozar  da  imunidade  da  cota  patronal  das  contribuições previdenciárias, prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal.  Dentro  do  quadro  fático  e  jurídico,  verifica­se  que  o  Fisco  não  observou  a  necessidade de prévio cancelamento da imunidade/isenção da entidade, a partir da emissão de  Ato Cancelatório, consoante disposto no § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991 c/c o artigo 305, e  seus  parágrafos,  da  Instrução Normativa  SRP  n°  03/2005,  como  condição  à  constituição  do  crédito previdenciário em epígrafe, maculando, assim, o lançamento fiscal em sua plenitude.  Fl. 389DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/2009­94  Acórdão n.º 2402­004.754  S2­C4T2  Fl. 5          7  “[...] Instrução Normativa SRP n° 03/2005:  Art.  305.  A  SRP  verificará  se  a  entidade  beneficente  de  assistência social continua atendendo aos requisitos necessários  à manutenção da isenção, previstos no art. 299.  § 1º Constatado o não cumprimento dos  requisitos contidos no  art.  299,  a  fiscalização  emitirá  Informação  Fiscal  IF,  na  qual  relatará  os  fatos,  as  circunstâncias  que  os  envolveram  e  os  fundamentos  legais  descumpridos,  juntando  as  provas  ou  indicando onde essas possam ser obtidas.  § 2º A entidade será cientificada do  inteiro  teor da IF e  terá o  prazo  de  quinze  dias,  a  contar  da  data  da  ciência,  para  apresentação de defesa, com a produção de provas ou não, que  deverá  ser  protocolizada  em  qualquer  UARP  da  DRP  circunscricionante do seu estabelecimento centralizador.  §  3º  Decorrido  o  prazo  previsto  no  §  2º  deste  artigo,  sem  manifestação  da  parte  interessada,  caberá  à  chefia  do  Serviço/Seção  de  Arrecadação  da  DRP  decidir  acerca  da  emissão do Ato Cancelatório de Isenção AC.  § 4º Caso a defesa seja apresentada, o Serviço/Seção de Análise  da DRP decidirá acerca da emissão ou não do Ato Cancelatório  de Isenção AC.  §  5º  Sendo  a  decisão  do  Serviço/Seção  de  Análise  da  DRP  favorável à emissão do Ato Cancelatório de Isenção, a chefia do  Serviço/Seção de Arrecadação da DRP emitirá o documento, o  qual  será  remetido,  juntamente  com  a  decisão  que  lhe  deu  origem, à entidade interessada.  §  6º  A  entidade  perderá  o  direito  de  gozar  da  isenção  das  contribuições sociais a partir da data em que deixar de cumprir  os requisitos contidos no art. 299, devendo essa data constar do  Ato Cancelatório de Isenção.  § 7º Cancelada a isenção, a entidade terá o prazo de trinta dias  contados da ciência da decisão e do Ato Cancelatório da Isenção  para interpor recurso com efeito suspensivo ao CRPS. [...]”  Aparentemente a motivação fática para ensejar o presente lançamento fiscal  seria a não apresentação de requerimento junto ao INSS pela Recorrente, solicitando a isenção  da  cota  patronal  das  contribuições  previdenciárias,  nos  termos  do  art.  55,  §  1°,  da  Lei  8.212/1991. Entende­se que esse requerimento é apenas um elemento formal declaratório para  se estabelecer a imunidade para a Recorrente.  Para o Fisco, a não emissão do Ato Cancelatório se justificaria no fato de a  entidade  possuir  decisão  judicial  reconhecendo  sua  isenção  ou  está  discutindo  a matéria  no  âmbito  judicial, o que não podemos concordar. Pois, da mesma forma que fora constituído o  crédito  previdenciário,  ainda  que  garantida  a  isenção  da  entidade  por  força  de  provimento  judicial,  ficando  sobrestado  o  final  do  trâmite  administrativo  até  decisão  judicial  final  transitada  em  julgado,  deveria  o  Fisco  emitir  o  Ato  Cancelatório,  dando  seguimento  no  Fl. 390DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     8  eventual  rito  processual  na  esfera  administrativa  e,  sendo  procedente  referido  Ato,  ficaria,  igualmente, sobrestado até o término do processo judicial.  Em  outras  palavras,  a mesma  conduta  adotada  por  ocasião  da  lavratura  da  autuação  sob  análise  deveria  ter  sido  observada  do  procedimento  pertinente  à  Informação  Fiscal emitida e eventual Ato Cancelatório, de maneira a oferecer condições à constituição do  crédito previdenciário que ora se contesta. Assim, não o tendo feito, não há como prosperar o  lançamento fiscal.  Por sua vez, constata­se também que a Recorrente possuía o CEBAS, vigente  à  época  do  período  de  apuração,  conforme documentos  acostados  aos  autos,  bem  como  das  informações constantes das peças de instrução fornecidas pelo Fisco. Com isso, depreende­se  que  a  Recorrente  possuía  o  Certificado  de  Entidade  de  Fins  Filantrópicos,  fornecido  pelo  Conselho Nacional de Assistência Social (CEBAS), atendendo o requisito do inciso II do art.  55 da Lei 8.212/1991.  Assim,  ao  realizar  o  lançamento,  o  Fisco  deveria  ter  demonstrado  no  Relatório Fiscal  ou  em Relatório Complementar,  de maneira  clara  e  exaustiva,  a motivação  fática – que foi a ausência do CEBAS, este deveria ser acompanhado do Ato Cancelatório  de Isenção, e a falta de requerimento de isenção junto ao INSS –, bem como a motivação  jurídica, que foram os §§ 1o e 4o, ambos do art. 55 da Lei 8.212/1991. Esclareço, ainda, que  não há qualquer registro nos Fundamentos Legais do Debito (FLD) dessa motivação jurídica.  Nesse  passo,  não  existindo Ato  Cancelatório  de  Isenção  das  Contribuições  Sociais,  isso,  por  si  só,  enseja  a  nulidade  do  lançamento  fiscal  por  cerceamento  ao  devido  processo legal.  A  confiabilidade  das  informações  prestadas  pelo  Fisco  por  meio  do  lançamento fiscal, materializado no Relatório Fiscal e seus anexos, é essencial ao atendimento  do princípio constitucional da ampla defesa, bem como da preservação da boa­fé objetiva, que  deve orientar a relação entre o Fisco e o sujeito passivo da relação obrigacional tributária.  Assim  –  na  hipótese  de  entidade  beneficente  que  se  encontrava,  antes  do  lançamento  fiscal,  devidamente  abarcada  pela  imunidade  prevista  no  art.  195,  §7o,  da  Constituição  Federal  e  em  face  de  que  as  normas  de  imunidade  comportam  interpretação  extensiva, consoante decisões do Supremo Tribunal Federal (STF. Plenário. RE 325822/SP. DJ  14/05/2004)  –,  não  é  justificável  ao  Fisco  –  como  órgão  adstrito  à  legalidade  e  à  atividade  vinculada,  ao  realizar  o  procedimento  de  auditoria,  visando  à  apuração  do  crédito  tributário  decorrente da  cota patronal  previdenciária  –  proceder  o  lançamento  fiscal  sem  a  emissão  do  Ato Cancelatório de Isenção das Contribuições Sociais, conforme previa o § 4° do art. 55 da  Lei 8.212/1991.  Ao proceder dessa maneira para a apuração dos valores lançados, a auditoria  fiscal  incorreu  em um vício  de motivo,  este  consubstanciado  na  inadequação  do  fato  com  o  pressuposto jurídico da legislação previdenciária que previa a emissão do Ato Cancelatório de  Isenção  das  Contribuições  Sociais.  Essa  inadequação  do  motivo  do  lançamento  fiscal,  ocasionado pelo equívoco do pressuposto no mundo fático com a previsão legal, é um desvio  de finalidade do estabelecido pela legislação tributária que gera a nulidade pelo cerceamento ao  direito de defesa do sujeito passivo.  No  caso  concreto,  em  entidade  que  preenchia  os  requisitos  previstos  nos  incisos  do  art.  55  da  Lei  8.212/1991,  é  imprescindível  que  o  lançamento  fiscal  que  apura  valores oriundos da cota patronal previdenciária seja devidamente fundamentado, uma vez que  Fl. 391DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/2009­94  Acórdão n.º 2402­004.754  S2­C4T2  Fl. 6          9  a apuração dessa contribuição previdenciária  se  trata de medida  excepcional que depende de  comprovação  de  requisitos  específicos  da  legislação  previdenciária,  que  davam  eficácia  e  aplicabilidade a imunidade prevista no art. 195, §7o, da Constituição Federal.  O trabalho de auditoria fiscal deverá demonstrar, com clareza e precisão, os  motivos  da  lavratura  da  exigência  tributária.  Isso  está  em  consonância  com  o  art.  50  da Lei  9.784/1999, que estabelece a exigência de motivação como condição de validade do ato, bem  como §1o do mesmo artigo que exige motivação clara, explícita e congruente.  Lei 9.784/1999– diploma que estabelece as regras no âmbito do  processo administrativo federal:  Art.  50.  Os  atos  administrativos  deverão  ser  motivados,  com  indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:  I ­ neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses;  II ­ imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...)  §1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo  consistir  em  declaração  de  concordância  com  fundamentos  de  anteriores  pareceres,  informações,  decisões  ou  garantia  dos  interessados.  Claro é que esses requisitos são exigidos pela legislação para que se cumpra a  determinação presente na Lei Magna de observação à garantia constitucional da ampla defesa e  do contraditório.  Constituição Federal de 1988:  Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer  natureza,  garantindo­se  aos  brasileiros  e  aos  estrangeiros  residentes  no  País  a  inviolabilidade  do  direito  à  vida,  à  liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos  seguintes: (...)  LV ­ aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos  acusados  em  geral  são  assegurados  o  contraditório  e  ampla  defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;  Não há como ter acesso à defesa e, consequentemente, contraditar a infração  imputada  à  Recorrente,  sem  que  todos  os  requisitos  estejam  presentes  no  procedimento  de  auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja  em outros documentos inseridos nos autos.  Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos  para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da  ampla defesa e do contraditório da Recorrente. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da  Recorrente,  pois  foi  lhe  imputada  autuação  sem  a  descrição  clara  e  precisa  da  motivação  formal, consoante previa o § 4° do art. 55 da Lei 8.212/1991.  Sobre  o  vício  praticado  entendo  ser  o mesmo  de  natureza material,  pois  o  Fisco delineou uma motivação fática e jurídica de forma equivocada do contexto evidenciado  nos autos e na escrituração contábil da Recorrente, ensejando um lançamento que, conquanto  Fl. 392DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     10  identifique  a  infração  imputada,  não  atende  de  forma  adequada  a  determinação  da  sua  exigência nos termos da legislação previdenciária.  Tal vício material está nitidamente constatado no momento em que o Fisco,  no  Relatório  Fiscal,  delineou  um motivo  fático  de  forma  inadequada  com  o  pressuposto  de  direito,  caracterizando  uma  motivação  insuficiente.  Isso  está  em  consonância  com  o  estabelecido pelo art. 142 do CTN, que assim dispõe:  Art.  142.  Compete  privativamente  à  autoridade  administrativa  constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido  o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  correspondente,  determinar  a  matéria  tributável,  calcular  o  montante  do  tributo  devido,  identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da  penalidade cabível.  Parágrafo  único.  A  atividade  administrativa  de  lançamento  é  vinculada  e  obrigatória,  sob  pena  de  responsabilidade  funcional. (g.n.)  Mesmo  entendimento  previsto  no  art.  59,  II,  do  Decreto  70.235/1972,  que  enseja  a  nulidade  dos  atos  manifestado  pelo  Fisco  com  preterição  do  direito  de  defesa  da  Recorrente.  Decreto 70.235/1972:  Art. 59. São nulos:  I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que  dele diretamente dependam ou sejam conseqüência.  §  2º  Na  declaração  de  nulidade,  a  autoridade  dirá  os  atos  alcançados,  e  determinará  as  providências  necessárias  ao  prosseguimento ou solução do processo. (g.n.)  Quando a fiscalização não observa na sua atividade os elementos intrínsecos  do  lançamento  (no  caso,  a  motivação  fática  e  jurídica  da  incidência  da  lei),  ela  certamente  estará infringindo a disposição legal pertinente (seja aquela aplicável à incidência da lei, ou à  determinação da matéria tributável), importando na existência de um vício material.  Nesse  sentido,  leciona  Leandro  Paulsen1:  “Vícios  materiais  são  os  relacionados à validade e à incidência da lei.”  Veja­se,  assim,  que  a  ocorrência  do  vício  material  está  diretamente  ligada  com a deformidade do conteúdo do  lançamento, que acaba por exigir  indevidamente  tributos  do  sujeito  passivo,  em  ofensa,  inclusive,  ao  princípio  da  legalidade,  situação  inaceitável  nas  relações do Fisco com o contribuinte.                                                              1 Paulsen, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12.  ed. ­ Porto Alegre: Livraria do Advogado. Editora: ESMAFE, 2010. p. 1194.  Fl. 393DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/2009­94  Acórdão n.º 2402­004.754  S2­C4T2  Fl. 7          11  Nesse sentido, vejamos os efeitos resultantes das alterações promovidas pelo  lançamento superveniente, este CARF assim se posicionou:  “VÍCIO MATERIAL ­ Havendo alteração de qualquer elemento  inerente  ao  fato  gerador,  à  obrigação  tributária,  à  matéria  tributável, ao montante devido do  imposto e ao sujeito passivo,  se  estará  diante  de  um  lançamento  autônomo  que  não  se  confunde  com  o  lançamento  refeito  para  corrigir  vício  formal,  nos termos previstos no artigo 173, II, do CTN. (...)”. (CARF, 1°  Conselho,  2ª  Câmara,  Relator  José  Raimundo  Tosta  Santos,  Acórdão n° 102­47829, Sessão de 16/08/2006) (g.n.)  Nessa mesma linha de entendimento, cabe destacar trecho do voto proferido  pelo i. Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, que verificou a indevida aplicação  do vício  formal e externou seu entendimento para que fosse  reconhecido o vício material do  lançamento. Veja­se:  “Em  suma,  entendo  que  o  vício  formal  pressupõe  que  novo  lançamento,  se  viabilizado,  não  poderá  ultrapassar  os  limites  estabelecidos no  lançamento  primitivo,  relativamente  aos  seus  elementos estruturais, substanciais. No presente caso, um novo  lançamento  forçosamente  modificará  a  base  imponível,  com  óbvios  reflexos no  cálculo do montante do  tributo devido,  (...)"  (CARF,  1ª  Conselho,  7ª  Câmara,  Relator  Francisco  de  Sales  Ribeiro  de  Queiroz,  Acórdão  nº  107­06.757,  Sessão  de  22/08/2002) (g.n.)  Por  todo  o  exposto,  em preliminar  declaro  a nulidade  do  lançamento  fiscal  oriundo dos valores declarados em GFIP no FPAS 639.  II  –  VALORES  NÃO  DECLARADOS  EM  GFIP.  DIFERENÇAS  DE  REMUNERAÇÕES PAGAS AOS SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES  INDIVIDUAIS.  O  Relatório  Fiscal  informa  que  há  diferenças  de  remunerações  pagas  aos  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  que  não  foram  declaradas  em  GFIP  no  FPAS 639.  Essas  remunerações deveriam  ter sido declaradas nas GFIP’s,  a  teor do  art.  32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo:  Art. 32 ­ A empresa é também obrigada a: (...)  IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social  ­  INSS,  por  intermédio  de  documento  a  ser  definido  em  regulamento,  dados  relacionados  aos  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária  e outras  informações  de  interesse  do INSS. (g.n.)  (...)  §  5º  A  apresentação  do  documento  com  dados  não  correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena  administrativa  correspondente  à  multa  de  cem  por  cento  do  Fl. 394DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     12  valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos  valores  previstos  no  parágrafo  anterior.  (Parágrafo  acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).  Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação  acessória  da  empresa  e  o Regulamento  da Previdência Social  (RPS),  aprovado pelo Decreto  3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do  dispositivo  legal,  como,  por  exemplo,  o  preenchimento  e  as  informações  prestadas  são  de  inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o:  Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...)  IV  ­  informar  mensalmente  ao  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  por  intermédio  da  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária  e  outras  informações de interesse daquele Instituto;  §1º  As  informações  prestadas  na  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  servirão  como  base  de  cálculo  das  contribuições  arrecadadas  pelo  Instituto  Nacional  do  Seguro  Social,  comporão  a  base  de  dados  para  fins  de  cálculo  e  concessão dos benefícios previdenciários,  bem como constituir­ se­ão  em  termo  de  confissão  de  dívida,  na  hipótese  do  não­ recolhimento.  §2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia  do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá  ser  efetuada  na  rede  bancária,  conforme  estabelecido  pelo  Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do  mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação  dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999)  §3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  é  exigida  relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de  1999.  §4º O preenchimento,  as  informações prestadas  e a entrega da  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  são  de  inteira  responsabilidade da empresa.  Nos termos do arcabouço jurídico­previdenciário acima delineado, constata­ se, então, que a Recorrente – ao informar de forma incorreta as contribuições previdenciárias  dos  segurados  empregados  e contribuintes  individuais –  incorreu na  infração prevista no  art.  32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento  da Previdência Social (RPS).  Em observância aos princípios da legalidade objetiva, da verdade material e  da  autotutela  administrativa,  presentes no processo  administrativo  tributário,  frisamos que os  valores da multa aplicados foram fundamentados na redação do art. 32, inciso IV e §§ 4o e 5o,  da  Lei  8.212/1991,  acrescentados  pela  Lei  9.528/1997.  Entretanto,  este  dispositivo  sofreu  alteração por meio do disposto nos arts. 32­A e 35­A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados  pela Lei 11.941/2009. Com isso, houve alteração da sistemática de cálculo da multa aplicada  Fl. 395DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/2009­94  Acórdão n.º 2402­004.754  S2­C4T2  Fl. 8          13  por  infrações  concernentes  à  GFIP’s,  a  qual  deve  ser  aplicada  ao  presente  lançamento  ora  analisado, tudo em consonância com o previsto pelo art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código  Tributário Nacional.  Assim,  quanto  à  multa  aplicada,  vale  ressaltar  a  superveniência  da  Lei  11.941/2009. Para tanto, inseriu o art. 32­A na Lei 8.212/1991, o qual dispõe o seguinte:  Art. 32­A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração  de que trata o  inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo  fixado  ou  que  a  apresentar  com  incorreções  ou  omissões  será  intimado a apresentá­la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar­ se­á às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  I  ­  de  R$  20,00  (vinte  reais)  para  cada  grupo  de  10  (dez)  informações  incorretas  ou  omitidas;  e  (Incluído  pela  Lei  nº  11.941, de 2009).  II  ­  de  2%  (dois  por  cento)  ao  mês­calendário  ou  fração,  incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda  que  integralmente  pagas,  no  caso  de  falta  de  entrega  da  declaração ou entrega após o prazo,  limitada a 20% (vinte por  cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009).  § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do  caput  deste  artigo,  será  considerado  como  termo  inicial  o  dia  seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração  e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não­ apresentação,  a  data  da  lavratura  do  auto  de  infração  ou  da  notificação  de  lançamento.  (Incluído  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009).  § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão  reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  I ­ à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo,  mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela  Lei nº 11.941, de 2009).  II ­ a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da  declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº  11.941, de 2009).  § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei  nº 11.941, de 2009).  I  ­  R$  200,00  (duzentos  reais),  tratando­se  de  omissão  de  declaração  sem  ocorrência  de  fatos  geradores  de  contribuição  previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009).  II  ­  R$  500,00  (quinhentos  reais),  nos  demais  casos.  (Incluído  pela Lei nº 11.941, de 2009).  No  caso  em  tela,  trata­se  de  infração  que  agora  se  enquadra  no  art.  32­A,  inciso I, da Lei 8.212/1991.  Fl. 396DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO     14  Considerando o grau de retroatividade média da norma previsto no art. 106,  inciso  II,  alínea  “c”,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  transcrito  abaixo,  há  que  se  verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas.  CTN:  Art. 106. A lei aplica­se a ato ou fato pretérito: (...)  II ­ tratando­se de ato não definitivamente julgado: (...)  c) quando  lhe comine penalidade menos severa que a prevista  na lei vigente ao tempo da sua prática.  Nesse  sentido,  entendo  que  na  execução  do  julgado,  a  autoridade  fiscal  deverá  verificar,  com  base  nas  alterações  trazidas,  qual  a  situação  mais  benéfica  ao  contribuinte, se a multa aplicada à época ou a calculada de acordo com o art. 32­A, inciso I, da  Lei 8.212/1991.  Esclarecemos que não há espaço jurídico para aplicação do art. 35­A da Lei  8.212/1991, eis que este remete para a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/19962, que trata das  multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as sua regras estão em  outro  sentido. As multas nele previstas  incidem em  razão da  falta de pagamento ou, quando  sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicando­se apenas ao valor que  não foi declarado e nem pago.  Assim, há diferença entre as regras estabelecidas pelos artigos 32­A e 35­A,  ambos da Lei 8.212/1991. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não  existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito  à multa do artigo 32­A da Lei 8.212/1991.  A  regra  do  artigo  acima mencionado  tem  finalidade  exclusivamente  fiscal,  diferentemente  do  caso  da  multa  prevista  no  art.  32­A  da  Lei  8.212/1991,  em  que  independentemente  do  pagamento/recolhimento  da  contribuição  previdenciária,  o  que  se  pretende  é  que,  o  quanto  antes  (daí  a  gradação  em  razão  do  decurso  do  tempo),  o  sujeito  passivo  preste  as  informações  à  Previdência  Social,  sobretudo  os  salários  de  contribuição  percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios  previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou  efetuar correções, o Fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuá­lo, mas  isso não resolveria um problema extrafiscal, que é: as bases de dados da Previdência Social não  seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios  previdenciários.  Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 da  Lei 9.430/1996 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no  que  tange  à  “falta  de declaração  e  nos  de  declaração  inexata”,  parte  também do dispositivo,  além das razões já expostas, deve­se observar o Princípio da Especificidade – a norma especial  prevalece sobre a geral: o art. 32­A da Lei 8.212/1991  traz  regra aplicável especificamente à                                                              2 Lei 9.430/1996. Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre  a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição:  I  ­  de  setenta e cinco por  cento, nos casos de  falta de pagamento ou  recolhimento, pagamento ou  recolhimento  após  o  vencimento  do  prazo,  sem o  acréscimo  de multa moratória,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração  inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;  II ­ cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas  ou  criminais  cabíveis.  Fl. 397DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13654.000903/2009­94  Acórdão n.º 2402­004.754  S2­C4T2  Fl. 9          15  GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no art. 44 da Lei 9.430/1996 que se aplicam a  todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.  Pela mesma razão, também não se aplica o art. 433 da mesma lei.  Em  síntese,  para  aplicação  de  multas  pelas  infrações  relacionadas  à  GFIP  devem  ser  observadas  apenas  as  regras  do  art.  32­A  da  Lei  8.212/1991  que  regulam  exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e,  no caso que  tenha sido  lavrado Auto de  Infração de Obrigação Principal  (AIOP), qual  tenha  sido o valor nele lançado.  CONCLUSÃO:  Voto  no  sentido  de  CONHECER  do  recurso  e  DAR  PARCIAL  PROVIMENTO,  para  excluir  da  multa  os  valores  que  foram  declarados  em  GFIP  com  o  FPAS 639. E, após exclusão, seja recalculada a multa aplicada nos moldes do art. 32­A, inciso  I, da Lei 8.212/1991, caso seja mais benéfica.    Ronaldo de Lima Macedo.                                                              3 Lei 9.430/1996. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a  multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente.  Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão  juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.                              Fl. 398DF CARF MF Impresso em 08/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 07/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO

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Numero do processo: 13603.723863/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 VALIDADE DA INTIMAÇÃO POR MEIO ELETRÔNICO. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE DO RECURSO REJEITADA. INADMISSIBILIDADE DO RECURSO INTEMPESTIVO. É válida a opção pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) efetuada um segundo após o cancelamento da opção anterior, quando não demonstrado que a nova opção está contaminada por erro escusável. É válida a intimação do acórdão recorrido por meio eletrônico, realizada no prazo de quinze dias contados da data em que este documento foi disponibilizado na caixa postal do contribuinte no e-Cac. Não é conhecido o recurso interposto após o decurso do prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de tempestividade e não conhecer do recurso voluntário. Fez sustentação oral o Dr. Hugo Marco Correa, OAB/DF 77.619. João Bellini Júnior - Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR     2 Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar de tempestividade e não conhecer do recurso voluntário. Fez sustentação oral o Dr.  Hugo Marco Correa, OAB/DF 77.619.     João Bellini Júnior ­ Presidente.     Luciana de Souza Espíndola Reis ­ Relatora.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Júnior,  Julio  Cesar  Vieira  Gomes,  Alice  Grecchi,  Ivacir  Julio  de  Souza,  Nathalia  Correia  Pompeu,  Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.  Fl. 656DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13603.723863/2012­53  Acórdão n.º 2301­004.366  S2­C3T1  Fl. 656          3   Relatório  Trata­se de recurso voluntário, fl. 637­647, interposto em face do Acórdão n.º  02­45.642  da 8ª  Turma  da Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento  (DRJ)  em  Belo Horizonte (MG), 616­630, que julgou improcedente a impugnação aos Autos de Infração  de  Obrigação  Principal  (AIOP)  e  Auto  de  Infração  de  Obrigação Acessória  (AIOA)  abaixo  discriminados:  1. AIOP DEBCAD nº 37.353.438­8,  referente à exigência de contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  inclusive  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (SAT/RAT),  incidentes  sobre  as  remunerações de  segurados  empregados  e  sobre os  valores pagos a contribuintes  individuais  (transportadores autônomos), além de diferenças de  acréscimos legais.  2. AIOP DEBCAD nº 37.353.437­0,  referente à exigência de contribuições  devidas  à  Seguridade  Social,  inclusive  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  (SAT/RAT),  incidentes  sobre  a  comercialização  da  produção  do  produtor  rural  segurado  especial,  cujo  recolhimento  é  de  responsabilidade  da  empresa  na  condição  de  substituto tributário.  3. AIOP DEBCAD nº 37.353.435­3,  referente à exigência de contribuições  para  outras  entidades  e  fundos  (terceiros),  relativas  à  contribuição  do  salário  educação,  e  às  contribuições  destinadas  ao  INCRA,  SENAC,  SESC  e  SEBRAE,  incidentes  sobre  as  remunerações de segurados empregados.  4. AIOP DEBCAD nº 37.353.436­1,  referente à exigência de contribuições  para  outras  entidades  e  fundos  (terceiros),  relativas  às  contribuições  destinadas  ao  SENAR,  incidentes  sobre  a  comercialização  da  produção  do  produtor  rural  segurado  especial,  e  às  contribuições  destinadas  ao  SEST  e  SENAT,  incidentes  sobre  os  valores  pagos  aos  transportadores autônomos. O recolhimento das contribuições ao SENAR, SEST e SENAT é  de responsabilidade da empresa na condição de substituto tributário.  5. AIOA DEBCAD nº 37.353.439­6 (CFL 68), por falta de informação, em  GFIP, dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, com infringência à Lei nº 8.212, de  24/7/1991, artigo 32, inciso IV, § 5º.  Os  fundamentos  fático­jurídicos  que  ensejaram  a  lavratura  dos  autos  de  infração, de acordo com o relatório fiscal de fls. 330­337, são os seguintes:  a)  remunerações  de  segurados  incluídas  em  folha  de  pagamento  que  não  foram declaradas por meio de Guia de Recolhimento do FGTS  e  Informações  à Previdência  Social (GFIP).  Fl. 657DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR     4 b)  remunerações  de  segurados  empregados  e  de  contribuintes  individuais  transportadores  autônomos,  incluídas nas Declarações de  Imposto de Renda Retido na Fonte  (DIRF) e não informadas em folha de pagamento, nem declaradas em GFIP.  c)  remunerações  de  contribuintes  individuais  transportadores  autônomos,  cujos valores foram extraídos dos registros contábeis e não foram informados em DIRF, GFIP  e folha de pagamento.  d)  valores  pagos  a  pessoas  físicas,  referentes  à  aquisição  de  sua  produção  rural,  os  quais  foram  extraídos  dos  registros  contábeis,  de  demonstrativo  elaborado  pelo  contribuinte  contendo  informações  de  produtores  rurais,  e  das  notas  fiscais  relativas  a  essas  transações. A fiscalização identificou que parte dessas transações não foi contabilizada.  A  autuada  apresentou  impugnação,  contendo  os  seguintes  pontos  controvertidos:  a)  inconstitucionalidade  da  legislação  que  obrigava,  por  sub­rogação,  a  retenção e o recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização de produção rural  de  pessoa  física,  conforme  decisão  do  Supremo  Tribunal  Federal  no  RE  363.852;  b)  inconstitucionalidade  da  contribuição  ao  SENAR;  c)  com  relação  aos  transportadores  autônomos,  afirma  que  somente  os  valores  declarados  em  GFIP  correspondem  a  serviços  prestados,  pois  há  erro  na  folha  de  pagamento,  o  que  pode  ser  confirmado  em  sua  contabilidade;  d)  entende  que  deve  ser  aplicada  a  multa  por  descumprimento  de  obrigação  acessória  prevista  na MP  449/2008,  que  é  mais  benéfica;  e)  insurge­se  contra  o  critério  de  cálculo  da multa  que  soma multas  de  natureza  diversas.  Pediu  o  cancelamento  dos  autos  de  infração, ou a aplicação da multa de 24% em todas as competências.  A  DRJ  julgou  a  impugnação  improcedente  com  base  nos  seguintes  fundamentos:  a)  não  ficou  comprovado  o  erro  das  informações  incluídas  em  folhas  de  pagamento de transportadores autônomos; b) a DRJ não tem competência para negar vigência  à  lei  com  base  em  tese  de  inconstitucionalidade,  e  a  decisão  proferida  no  Recurso  Extraordinário  nº  363.852  não  transitou  em  julgado;  c)  é  do  adquirente  pessoa  jurídica  a  obrigação  de  reter  e  de  pagar  a  contribuição  para  o  SENAR;  d)  o  cálculo  da  multa  mais  benéfica  está  correto,  tendo  sido observados os critérios da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº  14/2009.  O sujeito passivo foi  intimado dos autos de infração em 18 de dezembro de  2012, fls. 281, 292, 304, 314 e 327, e teve ciência da decisão de primeira instância em 07 de  setembro de 2013, fls. 632.  Em 24/10/2013, a interessada interpôs recurso em face da decisão da DRJ, fl.  637­647, apresentando suas razões, cujos pontos relevantes são:  Em preliminar, suscita a invalidade da intimação da decisão da DRJ, feita na  forma  eletrônica  em  07/09/2013,  uma  vez  que  antes  disso,  em  26/07/2013,  efetuou  o  cancelamento  da  opção  pelo  Domicílio  Tributário  Eletrônico  (DTE),  no  Centro  Virtual  de  Atendimento (e­CAC), o que foi homologado pela Receita Federal do Brasil, conforme tela de  consulta ao histórico das DTE, em anexo.  Afirma  que  no  segundo  seguinte  à  homologação  da  desistência  do DTE,  o  sistema gerou, sem qualquer ação da Recorrente, nova adesão ao DTE, o que atribui a um erro  do sistema, uma vez que suposta nova opção não seria possível de ser feita em menos de um  segundo.  Fl. 658DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13603.723863/2012­53  Acórdão n.º 2301­004.366  S2­C3T1  Fl. 657          5 Portanto,  entende  que  foi  validamente  intimada  da  decisão  do  órgão  de  primeira instância somente em 22 de outubro de 2013, de modo que o recurso é tempestivo.  No mérito, alega que a contribuição sobre a comercialização produção rural  do  produtor  rural  pessoa  física  foi  julgada  inconstitucional  no  RE  nº  596.177/RS,  com  repercussão geral  reconhecida e com decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal,  a qual  deve ser reproduzida neste processo, por força do Regimento Interno do CARF.  Sustenta que é ilegal a contribuição ao SENAR.  Com  relação  às  contribuições  devidas  sobre  a  remuneração  dos  transportadores autônomos, reitera o argumento já apresentado na impugnação, no sentido de  que  as  folhas  de  pagamento  foram  emitidas  com  erro,  o  que  pode  ser  averiguado mediante  análise da sua contabilidade, que coloca à disposição da fiscalização.  Argumenta  que  não  é  devido  o  auto  de  infração  por  descumprimento  de  obrigação acessória diante da evidência da inexigibilidade das contribuições aqui tratadas.  Pede o cancelamento do crédito tributário.  Sem contrarrazões.  É o relatório.  Fl. 659DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR     6   Voto             Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora  Validade da Intimação. Intempestividade do Recurso  A controvérsia recai sobre a tempestividade do recurso voluntário interposto,  cuja solução depende da análise da validade da  intimação do acórdão  recorrido,  realizada de  forma eletrônica.  A modalidade de intimação por meio eletrônico está prevista no art. 23, III, §  2º,  III, § 4º,  II, e §§ 5º e 6º, do Decreto nº 70.235/72, com a redação da Lei nº 11.196/2005,  abaixo transcrito:  Decreto 70.235/72  Art. 23. Far­se­á a intimação:  ...  III  por  meio  eletrônico,  com  prova  de  recebimento,  mediante:  (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (incluída  pela Lei nº 11.196, de 2005)  b)  registro  em  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)  ...  § 2° Considera­se feita a intimação:  III  se  por  meio  eletrônico,  15  (quinze)  dias  contados  da  data  registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito  passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)  b)  no  meio  magnético  ou  equivalente  utilizado  pelo  sujeito  passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005)  ...  § 4º Para fins de intimação, considera­se domicílio tributário do  sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)  ...  II  o  endereço  eletrônico  a  ele  atribuído  pela  administração  tributária,  desde  que  autorizado  pelo  sujeito  passivo.  (Incluído  pela Lei nº 11.196, de 2005)  § 5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será  implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e  Fl. 660DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13603.723863/2012­53  Acórdão n.º 2301­004.366  S2­C3T1  Fl. 658          7 a administração tributária informar­lhe­á as normas e condições  de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de  2005)  § 6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas  em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196,  de 2005).  A  Administração  Tributária  disciplinou  as  regras,  para  prática  de  atos  processuais  de  forma  eletrônica,  através  da  Portaria  SRF  nº  259,  de  13  de março  de  2006,  posteriormente alterada pela Portaria RFB Nº 574, de 10 de fevereiro de 2009, definindo que o  Domicílio Tributário Eletrônico do sujeito passivo (DTE) é a Caixa Postal a ele atribuída pela  Administração Tributária e disponibilizada no eCAC, conforme dispõe o § 1º do art. 4º:  Portaria SRF 259/2006:  Art.  4°  A  intimação  por  meio  eletrônico,  com  prova  de  recebimento,  será efetuada pela RFB mediante:  (Redação dada  pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009)  I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou   ...  § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considera­se domicílio  tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela  administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o  sujeito passivo expressamente o autorize.   Nos termos do § 2º do art. 4º da Portaria SRF 259/2006, abaixo transcrito, a  opção, pelo  sujeito passivo, ao domicílio  tributário eletrônico, deve ser expressa, e dá­se por  meio  do  "Termo  de  Opção  por  Domicílio  Tributário  Eletrônico",  emitido  nos  moldes  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  664,  de  21/07/2006,  a  qual  "Aprova  o  Termo  de  Opção  por  Domicílio  Tributário  Eletrônico  e  o  Termo  de  Cancelamento  de  Opção  por  Domicílio  Tributário  Eletrônico,  para  efeito  de  comunicação  de  atos  oficiais  por  meio  eletrônico  no  âmbito da Secretaria da Receita Federal."  Portaria SRF 259/2006:  Art 4º ...    §  2°  A  autorização  a  que  se  refere  o  §  1°  dar­se­á  mediante  envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio  do  eCAC,  sendo­lhe  informadas  as  normas  e  condições  de  utilização  e  manutenção  de  seu  endereço  eletrônico.  (Redação  dada pela Portaria RFB n° 574, de 10 de fevereiro de 2009)  Por  sua  vez,  o  cancelamento  da  opção  pelo  domicílio  tributário  eletrônico  também deve ser expresso, mediante entrega, à RFB, do "Termo de Cancelamento de Opção  por Domicílio Tributário Eletrônico", emitido nos moldes da Instrução Normativa SRF nº 664,  de 21/07/2006.  Fl. 661DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR     8 De acordo com a tela "consulta histórico das opções", extraída do e­Cac, fl.  648,  a  Recorrente  já  era  optante  pelo  DTE,  quando,  em  26  de  julho  de  2013,  foi  feita  a  confirmação  do  cancelamento  da  opção,  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil.  Entretanto, logo após essa confirmação, a Recorrente formalizou nova opção.  A opção formalizada em 26 de julho de 2013 foi assinada de forma eletrônica  por  Maria  Elisabete  Soares  de  Almeida,  sócia­administradora  da  Recorrente,  conforme  relatório de vínculos às fl. 338. Ela está identificada no campo "usuário da operação" da tela de  fl.  648,  e  a  assinatura  é  comprovada  pelo  uso  da  chave  privada  registrada  na  coluna  "certificado" da mesma tela de consulta do sistema informatizado, o que afasta a tese de que a  nova opção decorreria de erro do sistema.  Assim, o cancelamento da opção pelo DTE, executado um segundo antes da  opção, não invalida essa última, primeiro, porque a nova opção pelo DTE foi formalizada após  o cancelamento, segundo, porque foi feita pela Recorrente de modo expresso, e não há prova  de que  tenha sido emitida com vício de vontade, que  tenha ocorrido erro escusável,  terceiro,  porque o cancelamento da opção dependeria de manifestação expressa da Recorrente mediante  emissão e assinatura do termo de cancelamento de opção pelo domicílio tributário eletrônico,  previsto na Instrução Normativa SRF nº 664, de 21/07/2006, cujo documento não foi juntado  aos autos.  Portanto, é válida a intimação do acórdão de impugnação realizada por meio  eletrônico em 07 de setembro de 2013, conforme consta do "Termo de ciência por decurso de  prazo",  fl.  632,  realizada  por  decurso  do  prazo  de  15  dias  a  contar  de  23/08/2013,  data  da  disponibilização  deste  documento  na  Caixa  Postal  da  Recorrente  no  e­CAC,  em  estrita  consonância  com  o  disposto  no  art.  23,  III,  "a",  do  Decreto  70.235/72,  na  redação  da  Lei  11.196/2005.  O fato de a Recorrente ter aberto o documento em data posterior não altera a  data da intimação.  O  art.  33  do  Decreto  70.235/72,  que  regula  o  processo  administrativo  tributário,  estabelece  que  o  prazo  para  recorrer  de  decisão  das  Turmas  de  Julgamento  das  Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil é de trinta dias contados da ciência da  decisão:  Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.  O recurso  foi  protocolado em 24 de outubro de 2013,  após decorrido  trinta  dias da data da intimação do acórdão de impugnação.  A tempestividade é um dos requisitos de admissibilidade do recurso, de modo  que não é possível conhecer do recurso quando interposto fora do prazo legal.  Fl. 662DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 13603.723863/2012­53  Acórdão n.º 2301­004.366  S2­C3T1  Fl. 659          9 Conclusão  Com base no exposto, voto por REJEITAR a preliminar de tempestividade do  recurso voluntário e NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo.  Luciana de Souza Espíndola Reis                                  Fl. 663DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 28/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR

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Numero do processo: 19515.001995/2005-77
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 BEFIEX. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO TEMPORAL À DEDUTIBILIDADE INTEGRAL. Não há como invocar o art. 12 do Decreto-Lei nº 2.433/88 para fins de restringir a aplicação do art. 95 da Lei nº 8.981/95 (com a redação da Lei nº 9.065/95), que trouxe norma posterior e específica em relação à contida naquele outro dispositivo. A compensação de prejuízo fiscal apurado na vigência do Befiex pode ser realizada nos seis anos-calendário subseqüentes, sem a trava de 30%, ainda que esses seis anos-calendário subseqüentes envolvam períodos que ultrapassem o tempo de vigência do programa. IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-002.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por maioria de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria Teresa Martinez Lopez; e 2) Por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Especial do Contribuinte referente à compensação de prejuízos no âmbito do Befiex, ficando prejudicado o tema da multa na sucessão. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 BEFIEX. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO TEMPORAL À DEDUTIBILIDADE INTEGRAL. Não há como invocar o art. 12 do Decreto-Lei nº 2.433/88 para fins de restringir a aplicação do art. 95 da Lei nº 8.981/95 (com a redação da Lei nº 9.065/95), que trouxe norma posterior e específica em relação à contida naquele outro dispositivo. A compensação de prejuízo fiscal apurado na vigência do Befiex pode ser realizada nos seis anos-calendário subseqüentes, sem a trava de 30%, ainda que esses seis anos-calendário subseqüentes envolvam períodos que ultrapassem o tempo de vigência do programa. IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2575; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T1  Fl. 509          1 508  CSRF­T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  19515.001995/2005­77  Recurso nº               Especial do Procurador e do Contribuinte  Acórdão nº  9101­002.149  –  1ª Turma   Sessão de  8 de dezembro de 2015  Matéria  Multa isolada ­ estimativas; Compensação de Prejuízo ­ Befiex.  Recorrentes  FAZENDA NACIONAL              RIPASA S/A PAPEL E CELULOSE    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000, 2001  BEFIEX.  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS  FISCAIS.  LIMITAÇÃO  TEMPORAL À DEDUTIBILIDADE INTEGRAL.  Não  há  como  invocar  o  art.  12  do  Decreto­Lei  nº  2.433/88  para  fins  de  restringir a aplicação do art. 95 da Lei nº 8.981/95 (com a redação da Lei nº  9.065/95),  que  trouxe  norma  posterior  e  específica  em  relação  à  contida  naquele  outro  dispositivo.  A  compensação  de  prejuízo  fiscal  apurado  na  vigência do Befiex pode ser realizada nos seis anos­calendário subseqüentes,  sem  a  trava  de  30%,  ainda  que  esses  seis  anos­calendário  subseqüentes  envolvam períodos que ultrapassem o tempo de vigência do programa.  IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA.  Súmula  CARF  nº  105:  A  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas,  lançada  com  fundamento  no  art.  44  §  1º,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por  falta  de  pagamento  de  IRPJ  e  CSLL  apurado  no  ajuste  anual,  devendo  subsistir a multa de ofício.  De acordo com o § 3º do art. 67 do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09 de  junho de 2015, que aprovou o atual Regimento Interno do CARF, c/c o art. 5º  dessa mesma portaria, não cabe recurso especial de decisão de qualquer das  turmas que  adote  entendimento de  súmula de  jurisprudência dos Conselhos  de  Contribuintes,  da  CSRF  ou  do  CARF,  ainda  que  a  súmula  tenha  sido  aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado:  1)  Por  maioria  de  votos,  em  NÃO  CONHECER  do  Recurso  Especial  da  Fazenda  Nacional,  vencidos  os  Conselheiros  Marcos     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 95 /2 00 5- 77 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 510          2 Aurélio Pereira Valadão, Luís Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado) e Maria  Teresa  Martinez  Lopez;  e  2)  Por  unanimidade  de  votos,  em  DAR  provimento  ao  Recurso  Especial do Contribuinte  referente à compensação de prejuízos no âmbito do Befiex,  ficando  prejudicado o tema da multa na sucessão.  (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto ­ Presidente.   (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal De Araujo ­ Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO  PEREIRA  VALADÃO,  CRISTIANE  SILVA  COSTA,  ADRIANA  GOMES  REGO,  LUÍS  FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LÍVIA DE CARLI GERMANO (Suplente  Convocada),  RAFAEL  VIDAL  DE  ARAÚJO,  RONALDO  APELBAUM  (Suplente  Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice­Presidente), CARLOS ALBERTO  FREITAS BARRETO (Presidente).   Relatório  Trata­se de  recursos especiais de divergência  interpostos pela Procuradoria­ Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  e  pela  contribuinte  acima  identificada,  fundamentados  atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria nº 343, de 09/06/2015, que aprova o  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).  Esses recursos buscam reverter o que foi decidido no Acórdão nº 103­22.932,  de  28/03/2007,  por  meio  do  qual  a  Terceira  Câmara  do  antigo  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes deu provimento parcial a recurso voluntário anteriormente apresentado, para fins  de  excluir  a  exigência de multa  isolada por  falta  de  recolhimento  de  estimativas mensais  de  IRPJ.  O acórdão recorrido foi assim ementado:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2000, 2001   Ementa:  BEFIEX.  PREJUÍZOS  FISCAIS.  LIMITAÇÃO  TEMPORAL À DEDUTIBILIDADE INTEGRAL.  A  compensação  de  prejuízos  fiscais  sem  o  limite  determinado  pelo  art.  15  da  Lei  n°  9.065/95  é  beneficio  concedido  às  empresas  titulares  do  Befiex  apenas  durante  a  vigência  desse  programa, nos termos do art. 12 do Decreto­Lei n° 2.433/88.  PREJUÍZOS  FISCAIS.  COMPENSAÇÃO.  LIMITAÇÃO  À,  DEDUTIBILIDADE. POSTERGAÇÃO.  Cabível  a  compensação,  em  períodos  de  apuração  posteriores,  do saldo de prejuízos fiscais de exercícios anteriores que deixou  Fl. 510DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 511          3 de ser deduzido pela aplicação do limite legal. Entretanto, para  a  realização  do  procedimento  é  necessário  demonstrar  a  ocorrência de lucro real a ser compensado.  MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO.  Cabível a imputação da multa de oficio à incorporadora, quando  o  controle  da  incorporada  e  da  incorporada  é  exercido  pelas  mesmas pessoas.  IRPJ  ­  RECOLHIMENTO  POR  ESTIMATIVA  ­  MULTA  ISOLADA.  Encerrado  o  período  de  apuração  do  imposto  de  renda,  a  exigência  de  recolhimentos  por  estimativa  deixa  de  ter  sua  eficácia,  uma  vez  que  prevalece  a  exigência  do  imposto  efetivamente  devido  apurado,  com  base  no  lucro  real,  em  declaração  de  rendimentos  apresentada  tempestivamente,  revelando­se improcedente e cominação de multa sobre parcelas  não recolhidas.  RECURSO ESPECIAL DA PGFN  Em seu  recurso  especial,  a PGFN afirma que o  acórdão  recorrido deu à  lei  tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente  quanto à possibilidade de aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de  estimativas mensais de IRPJ com a multa de ofício exigida em relação ao imposto apurado no  ajuste anual.  O Acórdão nº 101­94858, proferido pela Primeira Câmara do antigo Primeiro  Conselho de Contribuintes em 23/01/2005, foi apresentado como paradigma de divergência.  Para  o  processamento  de  seu  recurso,  a  PGFN  desenvolve  os  argumentos  descritos abaixo:  ­ não há óbice a que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas  infrações tributárias, duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo;  ­  a  base  de  calculo  é  elemento  que  apenas  quantifica  o  imposto  ou  a  penalidade  tributária,  possuindo,  necessariamente,  estreita  relação  com  os  fatos/atos  que dão  origem aos mesmos, mas não se confundindo com esses fatos/atos;  ­ o que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por  um  mesmo  ato  ilícito,  e  não,  propriamente,  a  utilização  de  uma  mesma  medida  de  quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também  diferentes;  ­  a  aplicação  da  multa  de  ofício,  prevista  no  art.  44,  I,  da  Lei  9.430/96,  resultou da omissão de rendimentos por parte do contribuinte,  relativos ao ano calendário de  1999. Por outro lado, a denominada multa isolada, fundada no art. 44, §1º, III, da Lei 9.430/96,  foi  aplicada  em  razão do descumprimento,  pelo  contribuinte,  da  sistemática de  recolhimento  mensal antecipado do IR;  Fl. 511DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 512          4 ­ com a multa isolada, o contribuinte está sendo penalizado por não auxiliar,  pelo regime de antecipação mensal, a União a fazer frente às despesas incorridas no decorrer  dos  anos,  e  não,  propriamente,  por  não  pagar  o  IR,  até  por  que,  como  se  percebe  da  Lei  9.430/96, tal multa será devida ainda que não haja imposto a recolher;  ­ além disso, a multa de ofício e a multa  isolada possuem bases de cálculos  distintas,  o  que  torna  ainda mais  insustentável  o  argumento  aduzido  pelo  acórdão  recorrido.  Com  efeito,  a  multa  de  ofício  deve  incidir  sobre  o  tributo  efetivamente  devido  pelo  contribuinte, que, no caso, é apurado no momento em que ocorre o Ajuste Anual. Já a multa  isolada deve incidir sobre as antecipações que não foram pagas pelo recorrido no decorrer do  ano;   ­  as  multas  de  ofício  e  isolada  não  decorrem  da  mesma  infração,  e  não  incidem sobre a mesma base de cálculo. São multas inteiramente diversas, previstas em lei, e  não configuram nenhum bis in idem;  ­ o fato de estar sendo exigido do recorrido a multa de ofício decorrente do  não pagamento de tributo, não elide a incidência da multa prevista no art. 44, §1º, III, da Lei  9.430/96,  uma  vez  que  a  lei  não  dispensa  a  cobrança  de  penalidade  nesses  casos.  Sob  essa  ótica, vê­se que a Câmara a quo criou nova hipótese de dispensa da multa isolada, não prevista  na  legislação,  qual  seja,  a  cobrança,  concomitante,  de  multa  de  ofício  decorrente  do  não  pagamento do tributo, o que não pode ser admitido;  ­  a  PGFN  espera  seja  dado  total  provimento  ao  presente  recurso,  para  reformar a decisão recorrida no ponto em que determinou a exclusão da multa isolada.  Quando  do  exame  de  admissibilidade  do  Recurso  Especial  da  PGFN,  o  Presidente  da  Terceira  Câmara  do  antigo  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  por meio  do  Despacho nº 103­0.325/2007, de 26/11/2007, admitiu o recurso especial  fazendo as seguintes  considerações sobre a divergência suscitada:  [...]  Quanto ao requisito de admissibilidade referente à comprovação  documental  da  divergência  pretendida,  cabe  considerar  o  seu  cumprimento, haja vista a anexação de cópia de inteiro teor do  acórdão 101­94.858 às fl. 345/363.  Em  relação  ao  dissídio  jurisprudencial,  a  Fazenda  Nacional  ressalta que o acórdão recorrido, por unanimidade de votos, deu  provimento  parcial  ao  recurso  voluntário  da  contribuinte,  excluindo a multa isolada prevista no art. 44,  II, "b" da Lei n°  9430/96, por considerar ilegítima a sua aplicação concomitante  com a multa de oficio prevista no art. 44, inciso I da mesma lei,  divergindo do acórdão paradigma que considerou ser legítima a  cobrança  cumulativa  das  duas  multas  de  oficio,  uma  vez  que,  ainda que incidentes sobre bases de cálculo idênticas, as mesmas  decorrem  de  infrações  diversas:  a  primeira  visa  penalizar  o  contribuinte  que  não  cumpre  a  sistemática  de  recolhimento  mensal e a segunda, penalizar a falta de recolhimento do tributo  apurado no ajuste anual.  Fl. 512DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 513          5 Da análise dos fundamentos expressos nos votos condutores dos  acórdãos  paragonados,  evidencia­se  que  o  recorrente  logrou  êxito  em  demonstrar  a  ocorrência  do  alegado  dissenso  jurisprudencial,  vez  que  para  situações  fáticas  semelhantes,  as  decisões chegaram a conclusões distintas.  Então, no uso da competência conferida pelo §6°, do art. 15 do  RICSRF,  DOU  SEGUIMENTO  ao  recurso  especial  de  divergência,  por  satisfeitos  os  pressupostos  regimentais  de  admissibilidade.  CONTRARRAZÕES DA CONTRIBUINTE  Em  31/01/2008,  a  contribuinte  foi  intimada  do  despacho  que  admitiu  o  recurso especial da PGFN, e em 15/02/2008 ela apresentou tempestivamente as contrarrazões  ao recurso, com os argumentos descritos a seguir:   ­  a  interpretação  do  ordenamento  jurídico  e  dos  dispositivos  legais  que  o  formam deve ser racional, razoável, não gerando um resultado absurdo;  ­  como  nos  anos  de  2001  e  2002  a  ora  recorrente  teria  compensado,  supostamente de forma  indevida, o saldo  integral de prejuízo fiscal sem observar o  limite de  30%  sobre  o  lucro  real,  como  conseqüência  ela  teria  deixado  de  efetuar  os  recolhimentos  devidos  do  IRPJ  com  base  nos  resultados  apurados  nos  balanços/balancetes  levantados  mensalmente nos mesmos anos de 2001 e 2002;  ­ pretende o Fisco, portanto, cobrar a multa de lançamento de oficio incidente  sob e imposto lançado, também de oficio, concomitantemente com a multa de lançamento de  oficio  (isolada),  sobre  a  insuficiência/falta  calculada  em  decorrência  da  mesma  infração.  Pretende­se uma dupla punição pela mesma suposta irregularidade;  ­  quando  houve  a  apuração  do  IRPJ  devido  pela  sistemática  de  estimativa  pele  próprio  contribuinte,  os  valores  apurados  pela  Fiscalização  não  eram  devidos,  face  os  critérios então adotados  e que são defendidos nos autos do presente processe administrativo.  Ou seja, o IRPJ tido como devido foi normalmente recolhido para os cofres do Erário;  ­ partindo da premissa do Fisco, qualquer auto de infração que exija  tributo  irá acarretar a multa isolada de 75%, tendo em vista que será apurado "ex officio" um montante  que não foi recolhido anteriormente, acarretando um inaceitável "bis in idem";  ­ os próprios termos do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 afastam tal interpretação.  Com efeito, é clara a regra em dizer que a multa em questão deve ser exigida isoladamente, o  que não está ocorrendo aqui, já que há a concomitante exigência de recolhimento de tributo;  ­  as  jurisprudências  do Conselho  de Contribuintes  e  da CSRF  reafirmam  a  impossibilidade da cominação concomitante da multa isolada com a multa de oficio (ementas  transcritas nas contrarrazões);  ­ a suposta  falta de recolhimento do  IRPJ por estimativa deve­se ao fato da  ora  recorrente  ter compensado  integralmente o prejuízo  fiscal  gerado durante o Programa do  Befiex. Ou seja, pode­se dizer que a infração que deu origem à exigência da multa isolada foi a  Fl. 513DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 514          6 compensação  integral  dos  prejuízos  fiscais  gerados  durante  o  Programa  Befiex,  que  é  exatamente a mesma causa da multa de oficio cominada pelo auto de infração;  ­  ao  contrário  do  que  afirma  o  recurso  da  PFN,  as  multas  cominadas  (de  oficio  e  isolada)  incidem  sobre  a  mesma  base  de  cálculo  e  sobre  o  mesmo  suposto  ilícito  tributário, o que não se pode admitir;  ­  dessa  forma,  deve  ser mantido  o  cancelamento  do  lançamento  atinente  à  multa isolada de 75%.  RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE  Em  seu  recurso  especial,  a  contribuinte  também  afirma  que  o  acórdão  recorrido  deu  à  lei  tributária  interpretação  divergente  da  que  tem  sido  dada  em  outros  processos, mas nesse caso a divergência diz respeito aos seguintes aspectos:  a) ao direito de compensação integral do prejuízo fiscal gerado no período de  fruição do Programa BEFIEX, mesmo após o seu término;  b) e à aplicação de multa em pessoa jurídica sucessora por incorporação.  Quanto à compensação de prejuízo fiscal, a contribuinte indica o Acórdão nº  108­06.529, de 23 de maio de 2001, e o Acórdão nº 108­08.267, de 13 de abril de 2005, como  paradigmas de divergência, desenvolvendo os seguintes argumentos:   ­ de acordo com o acórdão  recorrido, a compensação  integral dos prejuízos  fiscais  gerados  durante  o  Programa  Befiex  somente  seria  possível  durante  o  seu  prazo  de  fruição pela empresa;  ­ ocorre que o posicionamento consolidado da jurisprudência do Conselho de  Contribuintes  é no  sentido  de que  o  prejuízo  fiscal  apurado  durante  a vigência do  programa  Befiex pode ser compensado integralmente na apuração do lucro real dos seis anos seguintes  sem  as  limitações  impostas  pela Lei  n°  8.981/95  (trava de  30%), mesmo  após  o  término  do  programa;   ­  em 29  de  dezembro  de 1989,  foi  firmado TERMO DE COMPROMISSO  DE  PROGRAMA  ESPECIAL  DE  EXPORTAÇÃO  —  PROGRAMA  BEFIEX  (Termo  de  Compromisso n° 647/89) entre a ora Recorrente ­ em conjunto com a Limeira S/A Indústria de  Papel  e Cartolina  e  a Companhia Santista de Papel  ­  e o Ministério do Desenvolvimento da  Indústria e do Comércio, por intermédio da Secretaria Especial de Desenvolvimento Industrial  e da Comissão BEFIEX;  ­ neste Termo de Compromisso, cujo prazo de vigência inicial seria até o dia  31  de  dezembro  de  1999  (posteriormente,  por  intermédio  de  Termo  Aditivo,  o  prazo  foi  prorrogado para o dia 31 de maio de 2000), as empresas assumiram compromissos atinentes às  suas operações de comércio exterior e, em contrapartida, receberam a autorização para usufruir  de alguns benefícios fiscais, dentre eles, a compensação total ou parcial do prejuízo verificado  em um período­base, com lucro real determinado nos seis períodos­base subseqüentes, desde  que  não  fossem  distribuídos  lucros  ou  dividendos  a  seus  sócios  ou  acionistas  enquanto  houvesse prejuízo a compensar, para efeito de apuração do Imposto de Renda, conforme inciso  III do artigo 45 do Decreto n° 96.760/88;  Fl. 514DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 515          7 ­ não havia qualquer limitação quantitativa para a compensação dos prejuízos  fiscais da ora recorrente, gerados enquanto titular do Programa BEFIEX com o lucro real dos  seis períodos bases seguintes;  ­  estímulos  fiscais,  como  o  ora  em  comento,  são  tratamentos  legais menos  gravosos ou desonerativos da carga  tributária,  concedidos a pessoas,  físicas ou  jurídicas, que  pratiquem  atos  ou  desempenhem  atividades  consideradas  relevantes  às  diretrizes  da  política  econômica e/ou social  traçada pelo Estado. Esses estímulos representam, assim, instrumentos  jurídicos  relevantes,  sendo  comum  sua  utilização  para  criar,  impulsionar  ou  incrementar  os  resultados das políticas de desenvolvimento nacional;  ­ é o caso dos titulares do Programa BEFIEX, que tiveram que aumentar os  seus  esforços de produção e  exportação de produtos manufaturados para,  em  troca,  poderem  usufruir  de  uma  série  de  benefícios  fiscais,  dentre  eles,  a  compensação  integral  do  prejuízo  fiscal apurado em exercícios anteriores, sem qualquer limitação quantitativa;  ­  a  limitação  quantitativa  para  a  compensação  de  prejuízos  fiscais,  estabelecida  pela  Lei  8.981/1995,  foi  afastada  para  os  titulares  dos  referidos  Programas  de  exportação (Befiex), conforme determinação expressa do artigo 95 da Lei n° 9.065, de 20 de  junho de 1995 (art. 470, I, do RIR/99);  ­  a disposição  legal  em questão,  ao  contrário do disposto no  art.  12 do DL  2.433/88  (aplicável  aos  demais  incentivos  fiscais  concedidos  às  empresas  titulares  de  Programas Befiex), não faz qualquer limitação no sentido da sua aplicabilidade apenas durante  a vigência do respectivo programa;  ­  quis  o  legislador  ordinário  dar  aos  titulares  do  Programa  BEFIEX,  com  programas aprovados até 03 de junho de 1993, tratamento especial, o que fez, por intermédio  do artigo 95 da Lei n° 9.065/1995,  traçando  regra sobre a  compensação de prejuízos  fiscais.  Trata­se,  portanto,  de  situação  especial,  que  foge  à  regra  geral,  e  que  convive,  no  sistema  jurídico, em harmonia com as normas gerais;  ­  foi  facultado  ao  contribuinte  titular  do  Programa BEFIEX o  beneficio  de  compensar  integralmente  os  prejuízos  fiscais  gerados  durante  o  programa  de  incentivo  à  exportação, sem qualquer limitação;  ­  a  interpretação  dada  pelo  acórdão  recorrido  à  legislação  citada  implicaria  tornar  sem  eficácia  o  art.  95  da  Lei  n°  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  tendo  em  vista  que  impossibilitaria  a  compensação  integral  dos  prejuízos  fiscais  gerados  durante  o  programa de  incentivo  à  exportação.  Implicaria,  ainda,  na  impossibilidade  de  compensação  integral  dos  prejuízos  fiscais  gerados  no  último  ano  do  Programa,  o  que,  data  maxima  venia,  contraria  frontalmente o disposto nos arts. 45, III, do Decreto n° 96.760/88 e 95 da Lei n° 9.065/95;  ­  ainda  que  o  referido  Decreto­Lei  tivesse  a  abrangência  manifestada  pelo  acórdão  recorrido,  o  que  se  admite  apenas  para  argumentar,  não  poderia  prevalecer  tal  entendimento,  face  ao  advento  do  art.  95  da  Lei  n°  9.065/95  c/c  §  1°  do  art.  2°  da  Lei  de  Introdução ao Código Civi1;  ­  face  à  inequívoca  determinação  do  artigo  95  da  Lei  n°  9.065/95  e  à  demonstrada divergência do v. acórdão recorrido com a jurisprudência deste Eg. Conselho de  Fl. 515DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 516          8 Contribuintes acerca da matéria,  impõe­se o provimento do presente  recurso especial, para o  integral cancelamento do auto de infração de que se cuida.  Quanto à aplicação de multa em pessoa jurídica sucessora por incorporação, a  contribuinte indica o Acórdão nº 108­07.745, de 18/03/2004, e o Acórdão CSRF/01­04.408, de  24/02/2003, como paradigmas de divergência, e apresenta as seguintes razões:   ­  de  acordo  com  o  acórdão  recorrido,  não  cabe  a  exclusão  da  multa  ao  sucessor, quando o controle do sucessor e da sucedida for exercido pelas mesmas pessoas;  ­  a Fiscalização efetuou o  lançamento de oficio  em  junho de 2005 contra a  ora  recorrente,  por  fatos  cometidos  nos  anos  de  2000  e  2001  pela  sua  sucedida,  aplicando  indevidamente multa de oficio de 75%, bem como da multa de oficio isolada. No entender da  Fiscalização,  as  multas  poderiam  ser  impostas  em  face  da  sucedida,  ficando,  todavia,  a  sucessora responsável pelo seu recolhimento;  ­ esse entendimento, entretanto, está equivocado, pois a responsabilidade por  sucessão está restrita aos tributos devidos pela sucedida e, sendo assim, as multas punitivas só  poderiam ser aplicadas ao sujeito que cometeu a  infração, não a seu sucessor, nos  termos do  artigo 132 do Código Tributário Nacional;  ­  a natureza  jurídica do  tributo não  se  confunde com a natureza  jurídica da  multa. Enquanto a obrigação de pagamento do primeiro decorre da prática de um ato previsto  em lei e que não se constitua em sanção de ato ilícito, a segunda tem sempre como pressuposto  a prática de ato ilícito do contribuinte;  ­  a  responsabilidade  por  infrações  é  personalíssima:  somente  aquele  que  as  cometeu pode e deve ser punido. O sucessor por incorporação não pode ser penalizado por uma  falha na qual não incidiu;  ­  a multa não  tem  finalidade arrecadatória, mas  sim  repressora de  condutas  contrárias aos interesses da sociedade e educativa, a fim de que tais condutas condenáveis não  se repitam;  ­  o  interesse  da  Administração,  ao  impor  e  cobrar  uma  multa,  deve  ser  somente o de manutenção da ordem jurídica. Dessa forma, se o infrator não mais existe, não há  mais como, por que e a quem punir;  ­ o absurdo da interpretação contrária seria o mesmo que punir um herdeiro,  pessoa  física,  por  uma  infração  cometida  pela  pessoa  falecida,  tão­somente  porque  aquele  herdou os bens dessa. Ninguém pode ser punido por algo que não cometeu;  ­  o  Supremo  Tribunal  Federal,  quando  foi  chamado  a  manifestar­se  sobre  esse tema, decidiu, corretamente, que na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a  multa punitiva aplicada à empresa objeto da incorporação (RE 90.834, 2ª T., unânime);  ­  o  argumento  aduzido  pelo  acórdão  ora  recorrido  ­  de  que  não  cabe  a  exclusão da multa ao sucessor quando o controle do sucessor e da sucedida for exercido pelas  mesmas pessoas ­ não pode prevalecer por diversas razões;  Fl. 516DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 517          9 ­  tal  restrição  não  está  prevista  no  dispositivo  legal  aplicável  (art.  132  do  CTN),  que  assegura  a  limitação  da  responsabilidade  por  sucessão  aos  tributos  devidos  pela  sucedida,  independentemente de haver qualquer  relação  societária  entre  as  empresas  (não há  exceção). Ou seja, não cabe ao intérprete discriminar onde a lei não discriminou;  ­  ademais,  independentemente  do  controle  acionário  comum,  trata­se  de  pessoas  jurídicas  distintas,  com  personalidades  jurídicas  também  distintas,  inexistindo  justificativa para não se sujeitarem à regra do art. 132 do CTN;  ­  por  último,  as  operações  societárias  que  implicam  a  responsabilidade  por  sucessão  tributária,  como  a  incorporação,  a  fusão  e  a  cisão,  na  grande  maioria  dos  casos,  ocorrem entre empresas com algum tipo de vínculo.  Impedir a aplicação do art. 132 do CTN  nessas  hipóteses  (existência  de  vínculo  entre  as  empresas),  seria  tornar  sem  aplicação  a  disposição legal;  ­ em suma, não há como prevalecer a multa de oficio cominada pelo auto de  infração, o que demanda o seu imediato cancelamento.  Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o  Presidente  da  Terceira  Câmara  do  antigo  Primeiro  Conselho  de  Contribuintes,  por meio  do  Despacho nº 103­0.150/2008, de 21/08/2008, admitiu o recurso especial  fazendo as seguintes  considerações sobre as divergências suscitadas:  [...]  Quanto ao dissídio jurisprudencial, o sujeito passivo elenca duas  matérias:  [...]  a) Direito à compensação  integral do prejuízo  fiscal gerado no  período de fruição do Befiex,mesmo após o seu término.   Neste ponto o acórdão Recorrido decidiu que a compensação de  prejuízos  fiscais  sem o  limite  imposto pela Lei 9.065/95  (artigo  15) é beneficio concedido às empresas titulares do Befiex apenas  durante a vigência desse programa.  Por  outro  lado  os  acórdãos  paradigmas  se  manifestaram  no  sentido  contrário,  qual  seja:  "o  prejuízo  apurado  durante  a  vigência  do  programa  BEFIEX  pode  ser  compensado  integralmente  na  apuração  do  lucro  real  sem  as  limitações  impostas pela lei, mesmo após o término do programa".  Portanto,  quanto  a  esta  matéria  entendo  que  está  presente  a  divergência pretendida, devendo o recurso especial ser admitido  nesta parte.  b) Inaplicabilidade de multa à sucessora  O  acórdão  recorrido  considerou  ser  "cabível  a  imputação  da  multa  de  oficio  à  incorporadora,  quando  o  controle  da  incorporada  e  da  incorporadora  é  exercido  pelas  mesmas  pessoas".  Fl. 517DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 518          10 Por  sua  vez,  consoante  a  recorrente,  os  acórdãos  paradigmas  entenderam  de  forma  diversa,  "afirmando  que  o  sucessor  não  pode responder sobre as multas devidas pela empresa sucedida  em  hipótese  alguma —  ou  seja,  ainda  que  sujeitos  ao  mesmo  controle acionário —, tendo em vista que a responsabilidade por  sucessão  cinge­se  aos  tributos  eventualmente  devidos  pelo  sucedido".  Para  comprovar  o  dissídio,  juntou  aos  autos  três  acórdãos  paradigmas, sendo que somente serão levados em consideração  neste  exame  os  dois  primeiros,  quais  sejam  n°  108­07.745  e  CSRF/01­04.408,  ha  vista  a  limitação  do  §  2°,  do  art.  15,  do  RICSRF.  Da  análise  dos  acórdãos  paragonados,  entendo  que  restou  demonstrada  a  divergência  pretendida,  vez  que  a  decisão  recorrida  entende  que  a  sucessora  é  responsável  pela  multa  lançada após o ato sucessório quando controle da incorporada e  da incorporadora é exercido pelas mesmas pessoas, enquanto as  decisões  paradigmas  concluem  que  a  responsabilidade  pela  multa  somente  ocorre  quando  esta  tiver  sido  lançada  antes  do  ato  sucessório.  Devida,  pois,  a  admissão  do  recurso  também  nesta parte.  CONTRARRAZÕES DA PGFN  Em  03/09/2008,  o  processo  foi  encaminhado  à  PGFN,  para  ciência  do  despacho  que  admitiu  o  recurso  especial  da  contribuinte,  e  em  05/09/2008  o  referido  órgão  apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso.  A  referida  peça  processual,  entretanto,  não  contradita  as  matérias  que  são  objeto do recurso especial da contribuinte.   Em sede de contrarrazões, a PGFN volta novamente a tratar da matéria que é  objeto  de  seu  próprio  recurso  especial,  ou  seja,  da  aplicação  da  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento de estimativas mensais de IRPJ.  É o relatório.  Fl. 518DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 519          11 Voto             Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator.  Trata­se de  recursos especiais de divergência  interpostos pela Procuradoria­ Geral  da  Fazenda  Nacional  (PGFN)  e  pela  contribuinte  acima  identificada,  conforme  já  relatado.  O presente processo tem por objeto lançamento a  título de  IRPJ sobre fatos  geradores  ocorridos  nos  anos­calendário  de  2000  e  2001,  realizado  no  regime  do  lucro  real  anual.   A  empresa Companhia  Santista  de  Papel,  incorporada  pela  interessada,  era  titular do programa Befiex no período de 29/12/1988 a 31/12/1999, prazo que foi prorrogado  até 31/05/2000.  Entendendo estar amparada pelas normas que regiam o referido programa, ela  realizou a compensação dos saldos de prejuízos fiscais sem respeitar o limite de 30% do lucro  real.  De acordo com a Fiscalização, a compensação de prejuízos  fiscais além do  limite de 30% do lucro real só era permitida durante o prazo de vigência do programa Befiex, e  isso foi o que motivou a autuação fiscal sobre os  fatos geradores ocorridos em 31/12/2000 e  31/12/2001.   Além dos reflexos na apuração do IRPJ do ajuste anual, a glosa do excesso  das compensações de prejuízos fiscais a partir de 31/05/2000 também resultou na aplicação de  multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais nos mesmos anos­calendário.  O lançamento foi mantido pela decisão de primeira instância administrativa.  A  decisão  de  segunda  instância  administrativa  (acórdão  ora  recorrido),  por  sua vez,  deu provimento parcial  ao  recurso voluntário da contribuinte,  para  fins de excluir  a  exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ.  O  recurso  especial  da  PGFN  objetiva  restabelecer  a  cobrança  da  multa  isolada por falta de recolhimento de estimativas.  Já  o  recurso  especial  da  contribuinte  (sucessora  por  incorporação)  pretende  afastar o lançamento do próprio IRPJ no ajuste anual, e, na condição de sucessora da empresa  que teria cometido as infrações, também procura excluir a multa de ofício que lhe está sendo  exigida.   RECURSO ESPECIAL DA PGFN  O  problema  da  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas  mensais de um determinado ano, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº  Fl. 519DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 520          12 9.430/1996,  ser exigida concomitantemente com a multa de ofício  sobre o  imposto no ajuste  anual do mesmo período já suscitou muita controvérsia no âmbito do CARF.  Contudo, essa matéria encontra­se atualmente sumulada:   Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento  de estimativas,  lançada com fundamento no art. 44 § 1º,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  pode  ser  exigida  ao  mesmo  tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL  apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.  No  caso  destes  autos,  a  concomitância  das  multas  se  deu  em  relação  aos  anos­calendário 2000 e 2001, quando o suporte legal para a aplicação da multa isolada por falta  de recolhimento de estimativas era justamente o dispositivo acima mencionado, que vigorava  antes das alterações implementadas pela Lei nº 11.488/2007.  Não há, portanto, como deixar de aplicar a referida súmula.  De acordo com o art. 5º da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, que  aprovou  o  atual  Regimento  Interno  do  CARF,  o  exame  de  admissibilidade  dos  recursos  especiais deverá observar o nela disposto, o que alcança inclusive os  recursos que  já haviam  sido apresentados antes dela.  Essa mesma portaria estabelece no § 3º do art. 67 de seu Anexo II que:   Art. 67 [...]  [...]  §  3º  Não  cabe  recurso  especial  de  decisão  de  qualquer  das  turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos  Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a  súmula  tenha  sido  aprovada  posteriormente  à  data  da  interposição do recurso.  Assim,  tratando­se  de matéria  já  sumulada  pelo CARF,  voto  no  sentido  de  NÃO CONHECER do recurso especial da PGFN.  RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE  Em seu recurso especial, a contribuinte aborda as seguintes matérias:  a) o direito à compensação do prejuízo fiscal gerado no período de fruição do  Programa Befiex, mesmo após o seu término, sem observar o limite de 30% do lucro real; e  b)  a  impossibilidade  de  aplicação  de  multa  ofício  em  pessoa  jurídica  sucessora por incorporação.  COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZO  FISCAL  APÓS  O  TÉRMINO  DO  BEFIEX  Quanto à compensação de prejuízo fiscal, o acórdão recorrido primeiramente  esclarece  que  não  há  controvérsia  em  relação  ao  direito  concedido  às  empresas  titulares  do  Fl. 520DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 521          13 Befiex para compensação integral, sem qualquer limite, do prejuízo apurado num período base  com  lucro  real  determinado nos  seis períodos­base  subseqüentes,  dentro  da vigência daquele  programa;  e  que  o  dissenso  se  dá  em  relação  à  possibilidade  dessa  compensação  integral  ocorrer em períodos de apuração posteriores ao encerramento do programa Befiex.  Nesse  contexto,  o  acórdão  recorrido  sustenta  que  a  limitação  temporal  ao  gozo dos benefícios concedidos aos titulares do programa tem previsão expressa na norma, no  caso, no art. 12 do Decreto­Lei nº 2.433/88:  Art.  12. Os  benefícios  previstos  neste  decreto­lei,  concedidos  à  empresa  titular  do  Programa­BEFIEX,  serão  assegurados  durante a vigência do respectivo programa.  A  partir  desse  dispositivo  legal,  o  acórdão  recorrido  apresenta  os  seus  fundamentos:  Assim,  ao  contrário  do  alegado,  existe  de  fato  uma  limitação  temporal  ao gozo  dos  benefícios  previstos  na  legislação,  o  que  inclui a compensação integral dos prejuízos, confirmada no § 2°  do art. 116 da Instrução Normativa SRF n° 267/2002.  Os  benefícios  concedidos  aos  participantes  auxiliam  no  cumprimento dos compromissos firmados com a União. Não há  justificativa  para  que  sejam  mantidos  após  o  término  desse,  quando  a  pessoa  jurídica  já  não  está  mais  submetida  a  metas  contratuais.  Aplicar a  compensação  integral do  saldo de prejuízos  fiscais a  resultados obtidos fora do BEFIEX é estabelecer tratamento não  isonômico em relação às demais pessoas jurídicas tendo em vista  que,  após  o  término  do  programa,  inexiste  circunstância  diferenciadora  entre  a  empresa  que  participou  do  programa  e  aquela que dele jamais fez parte.  Do  exposto  entendo  pertinente  a  limitação  à  compensação  de  prejuízos imposta pelo procedimento fiscal.  Por seu turno, a contribuinte entende que tinha direito à compensação integral  dos prejuízos fiscais gerados no período de fruição do Programa Befiex (sem a trava dos 30%  do lucro real), mesmo após o término do programa.  A sua argumentação busca amparo no inciso III do artigo 45 do Decreto n°  96.760/88:   Art.  45. Às  empresas  industrias  titulares de Programa BEFIEX  poderão ser concedidos os seguintes benefícios:  [...]  III ­ compensação total ou parcial do prejuízo verificado em um  período­base com o lucro real determinado nos 6 (seis) períodos  base  subseqüentes,  desde  que  não  sejam  distribuídos  lucros  ou  dividendos a seus sócios ou acionistas enquanto houver prejuízos  a compensar, para efeito de apuração do Imposto sobre a Renda.  Fl. 521DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 522          14 E também no art. 95 da Lei n° 9.065, de 20 de junho de 1995 (art. 470, I, do  RIR/99):  As  empresas  industriais  titulares  de  Programas  Especiais  de  Exportação  aprovados  até  3  de  junho  de  1993,  pela Comissão  para Concessão de Benefícios Fiscais a Programas Especiais de  Exportação  ­  BEFIEX,  poderão  compensar  o  prejuízo  fiscal  verificado em um período­base com lucro real determinado nos  seis  anos­calendário  subseqüentes,  independentemente  da  distribuição de lucros ou dividendos a seus sócios ou acionistas.  Matéria muito  semelhante  à que  está  sendo  aqui  examinada  já  foi  decidida  pela Câmara Superior de Recursos Fiscais  ­ CSRF,  conforme o Acórdão nº 9101­01.272, de  25/01/2012, com a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Exercício: 2004, 2005, 2006   COMPENSAÇÃO  DE  PREJUÍZOS  FISCAIS.  PROGRAMA  ESPECIAL  DE  EXPORTAÇÃO  BEFIEX.  ART.  42  DA  LEI  Nº  8.981/1995. LIMITE DE 30%. NÃO APLICÁVEL.  De acordo com o art.  95 da Lei nº 8.981/1995, com a  redação  dada pela Lei nº 9.065/1995, o limite de 30% do lucro real para  compensação de prejuízos fiscais, estabelecido no art. 42 da Lei  nº 8.981/95, não se aplica às empresas  industriais beneficiadas  com  o  Programa  Especial  de  Exportação  BEFIEX,  desde  que  observados os demais requisitos legais.  Naquele outro processo, a questão debatida foi justamente a possibilidade de  compensação  integral de prejuízos fiscais gerados no período de fruição do Programa Befiex  (sem a trava dos 30% do lucro real), mesmo após o término do programa.  O  voto  que  orientou  a  referida  decisão  da  CSRF  acolheu  os  argumentos  defendidos pela contribuinte, nos seguintes termos:  VOTO  Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias   O  recurso  especial  interposto  pela  Fazenda  Nacional  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  pelo que dele tomo conhecimento.  A questão submetida à apreciação deste Colegiado cinge­se em  saber  se  é  permitida  a  compensação  integral  dos  prejuízos  fiscais, apurados na vigência do Programa BEFIEX, com lucro  real  apurado  após  o  seu  término,  em  31.12.2002,  sem  a  observância do limite legal de 30%.  Conforme  relatado  acima,  a  e.  Primeira  Câmara  proferiu  decisão favorável à Contribuinte, declarando a possibilidade da  compensação integral dos prejuízos fiscais apurados na vigência  Fl. 522DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 523          15 do  Programa,  sem  as  limitações  introduzidas  pela  Lei  nº  8.981/1995, mesmo após o seu término.  A despeito da argumentação trazida pela Fazenda Nacional, no  sentido de que deve ser aplicado ao caso o disposto no art. 12 do  Decreto­lei  nº  2.433/1988,  o  qual  restringe  os  benefícios  do  Programa ao período de sua vigência, entendo que não merece  reparos a decisão recorrida.  No que interessa a esta discussão, é necessária a transcrição dos  dispositivos legais pertinentes, verbis:  Lei nº 8.981/95 (redação original)  (...)  “Art.  95  As  empresas  industriais  titulares  de  Programa  Especiais  de  Exportação  aprovados  até  3  de  junho  de  1993,  pela  Comissão  para  Concessão  de  Benefícios  Fiscais  a  Programas  Especiais  de  Exportação  —  Comissão BEFIEX, poderão, observado o disposto no art.  42, compensar o prejuízo fiscal verificado em um período­ base  com  o  lucro  real  determinado  nos  seis  anos­ calendário  subseqüentes,  independentemente  da  distribuição  de  lucros  ou  dividendos  a  seus  sócios  ou  acionistas.  Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de  determinar  o  lucro  real,  o  lucro  líquido  ajustado  pelas  adições  e  exclusões  previstas  ou  autorizadas  pela  legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em,  no máximo, trinta por cento.  Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados  até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão  do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos  anos­calendário subseqüentes.” (destacou­se)  No mesmo ano de  1995,  no mês  de  junho,  foi  editada  a Lei  nº  9.065/1995, sobre a qual se fundamenta a autuação em apreço.  Em seu art. 1º, a nova lei deu nova redação a diversos artigos da  Lei nº 8.981/1995 e, dentre outras modificações, alterou a regra  para  compensação  de  prejuízos  pelas  pessoas  jurídicas  beneficiárias do Programa BEFIEX, verbis:  Lei nº 8.981/95 (redação dada pela Lei nº 9.065/1995)  "Art.  95 As  empresas  industriais  titulares  de Programas  Especiais  de  Exportação  aprovados  até  3  de  junho  de  1993, pela Comissão de Concessão de Beneficios Fiscais  a  Programas  Especiais  de  Exportação  —  BEFIEX,  poderão  compensar  o  prejuízo  fiscal  verificado  em  um  período­base  com  o  lucro  real  determinado  nos  seis  anos­calendário  subseqüentes,  independentemente  da  distribuição  dos  lucros  ou  dividendos  a  seus  sócios  ou  acionistas." (destacou­se)  Fl. 523DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 524          16 Da leitura do dispositivo em sua redação original, em confronto  com  a  última  disposição  legal,  verifica­se  que  foi  suprimida  a  obrigatoriedade de observação ao limite de 30% de que trata o  art. 42 da mesma lei, restando insubsistente a restrição imposta  para  compensação  de  prejuízos  fiscais,  para  as  empresas  beneficiárias do Programa. A nova redação do dispositivo fixou  norma  no  sentido  de  que  os  titulares  do  Programa  estão  autorizados  a  compensar  os  prejuízos  fiscais  com  o  lucro  real  apurado nos seis anos­calendário subseqüentes.  Sem  dúvida  alguma,  para  os  beneficiários  do  Programa  BEFIEX,  o  legislador  instituiu  nova  e  distinta  regra  para  a  compensação  de  prejuízos.  A  limitação  de  30%,  conhecida  “trava” na compensação de prejuízos, foi substituída, para estas  empresas  industriais,  pela  limitação  temporal  da  referida  compensação.  Segundo  a  nova  regra,  os  prejuízos  apurados  pelos beneficiários do Programa não poderiam ser compensados  após  decorridos  seis  anos do  período  de  sua  apuração,  não  se  aplicando  mais  a  restrição  prevista  no  art.  42,  suprimida  da  nova redação referido art. 95.  No  caso  dos  autos,  verifica­se  que  o  lançamento  decorre  da  glosa  da  compensação  integral  do  saldo  de  prejuízo  fiscal  apurado  pela  empresa  até  o  ano­calendário  de  2002.  A  autoridade  fiscal,  ajustou  os  valores  compensados  pela  Contribuinte de modo a limitar o aproveitamento dos prejuízos a  30% do lucro real, nos termos do art. 42 da Lei nº 8.981/1995.  Entendeu  incorretamente  a  fiscalização que,  como o Programa  BEFIEX  havia  findado  em  31.12.2002,  a  partir  do  ano­ calendário  de  2003  a  Contribuinte  não  mais  faria  jus  ao  beneficio  fiscal  concedido  na  celebração  do  acordo  para  exportação incentivada.  Com efeito, o disposto no aludido art. 95 da Lei nº 8.981/1995,  com a redação dada pela Lei nº 9.065/1965, não impõe o limite  de 30% para as empresas inscritas no BEFIEX. Essa disposição,  aliás,  foi  logo disciplinada por meio das Instruções Normativas  SRF nº 51/1995 (art. 27) e nº 11/1996 (art. 35), ainda em vigor,  verbis:  [...]  Conforme  se  depreende  do  teor  dos  atos  normativos  acima  transcritos,  a  própria  administração  tributária  admitiu,  logo  após  a  nova  redação  da  lei,  a  compensação  integral  dos  prejuízos  apurados  na  forma  procedida  pela  Contribuinte,  ou  seja, sem a limitação prevista no art. 42 da Lei nº 8.981/95.  De  se  notar  também  que  no  presente  caso  não  cabe,  como  sustenta a Fazenda, a restrição prevista no art. 12 do Decreto­ Lei nº 2.433/1988, que dispõe sobre os instrumentos financeiros  relativos à política industrial, verbis:  Art.  12.  Os  benefícios  previstos  neste  decreto­lei,  concedidos à empresa titular de Programa BEFIEX, serão  assegurados durante a vigência do respectivo Programa.  Fl. 524DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 525          17 De  fato,  o  disposto  no  artigo  em  comento  fixa  o  limite  pra  fruição dos benefícios fiscais da política de incentivo à atividade  industrial.  Efetivamente,  as  empresas  titulares  do  Programa  BEFIEX não poderão gozar dos seus benefícios após o  término  de sua vigência, o que é considerado normal e correto, quanto se  trata de benefício concedido com base programa de objetivos e  metas específicas.  Contudo, isso não significa que os prejuízos fiscais apurados na  vigência  do  programa,  não  possam  ser  compensados  na  forma  estabelecida pela lei, ou seja, nos seis anos­calendário seguintes,  sem a limitação de 30% imposta para as demais empresas.  A  interpretação  isolada  do  dispositivo  não  deve  prosperar,  mormente  quando  após  sua  edição  ocorrida  em  19.05.1988,  sobrevieram regras específicas impondo restrições diferenciadas  para  a  compensação  de  prejuízos  fiscais.  Como  acima  explicitado,  o  legislador  optou  por  limitar  em  seis  anos­ calendário  a  possibilidade  destas  empresas  compensar  seus  prejuízos  fiscais,  não  impondo  a  elas  a  limitação  de  30%,  aplicável às demais pessoas jurídicas.  Além  disso,  fosse  correta  a  interpretação  dada  pela  Fazenda,  para as empresas cujo ingresso no Programa se deu próximo ao  término de sua vigência, restaria inócuo o favor fiscal concedido  pela lei em permitir a compensação integral dos prejuízos fiscais  nos seis anos seguintes.  Por fim, cumpre assinalar que a matéria foi debatida em várias  turmas  ordinárias  deste  Conselho,  tendo  a  manifestação  majoritária sido no sentido de permitir a compensação  integral  dos  prejuízos  apurados  na  vigência  do  benefício,  mesmo  com  resultados apurados após o término do Programa.  Vale transcrever ementas de alguns julgados neste sentido:  [...]  Tais  decisões  corroboram  o  entendimento  pacífico  de  que  de  acordo com o art. 95 da Lei nº 8.981/1995, com a redação dada  pela  Lei  nº  9.065/1995,  o  limite  de  30%  do  lucro  real  para  compensação de prejuízos fiscais, estabelecido no art. 42 da Lei  nº 8.981/95, não se aplica às empresas  industriais beneficiadas  com o Programa Especial de Exportação – BEFIEX.  Por  tais  fundamentos,  CONHEÇO  do  recurso  da  Fazenda  Nacional para, no mérito, NEGAR­LHE provimento.  O que se constata é que o Decreto­Lei nº 2.433/88 (art. 8º, III) já trazia regra  de compensação de prejuízo no contexto dos benefícios concedidos às empresas participantes  do Befiex.   Naquela  época,  havia  apenas  limites  temporais  para  a  compensação  de  prejuízos. Não havia nenhum limite quantitativo.  Fl. 525DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 526          18 As empresas em geral podiam compensar integralmente seus prejuízos nos 4  anos subseqüentes, enquanto que as empresas do Befiex  tinham um prazo maior para isso (6  anos).  Não é difícil perceber que a empresa beneficiária que havia apurado prejuízo  ainda na vigência do Befiex, poderia, já fora da vigência do programa, na pior das hipóteses,  compensar integralmente aquele prejuízo nos quatro anos subseqüentes, porque essa era a regra  geral, que abrangia todas as demais empresas sujeitas ao lucro real.    Contudo,  a  Lei  nº  8.981/1995  trouxe  novas  regras  para  a  compensação  de  prejuízos fiscais apurados pelas empresas participantes do Befiex, criando também para elas a  chamada trava de 30% (limite quantitativo).   Na  seqüência,  no  mesmo  ano  de  1995,  a  Lei  nº  9.065,  novamente  alterou  essas  regras,  para  que  não  mais  fosse  aplicada  a  trava  de  30%,  de  modo  que  as  referidas  empresas  pudessem  "compensar  (integralmente)  o  prejuízo  fiscal  verificado  em um período­ base com o lucro real determinado nos seis anos­calendário subseqüentes".  O contexto jurídico em que se deu essa alteração é bastante diferente daquele  que  existia  em  1988,  quando  não  havia  nenhum  limite  quantitativo  para  a  compensação  de  prejuízos.  Assim, não há como invocar o art. 12 do Decreto­Lei nº 2.433/88 para fins de  restringir a  aplicação do art.  95 da Lei nº 8.981/95  (com a  redação da Lei nº 9.065/95),  que  trouxe norma posterior e específica em relação à contida naquele outro dispositivo.   Além disso, como explicitado acima, no contexto isolado do próprio Decreto­ Lei  nº  2.433/88,  antes  das  alterações  legais  de  1995,  havia  possibilidade  de  compensação  integral de prejuízo mesmo fora da vigência do programa. Por isso, não há como trazer regra  do referido DL para estabelecer restrição/vedação que ele próprio não criou.  A conclusão é de que a compensação de prejuízo fiscal apurado na vigência  do Befiex pode ser realizada nos seis anos­calendário subseqüentes, sem a trava de 30%, ainda  que  esses  seis  anos­calendário  subseqüentes  envolvam períodos que ultrapassem o  tempo de  vigência do programa.   Nestes termos, o lançamento deve ser cancelado.  Fica  prejudicada  a  apreciação  da  segunda  matéria  do  recurso  especial  da  contribuinte, que trata da aplicação da multa de ofício na sucessão de empresa.   Desse  modo,  voto  no  sentido  de  DAR  provimento  ao  recurso  especial  da  contribuinte.  (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo              Fl. 526DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 19515.001995/2005­77  Acórdão n.º 9101­002.149  CSRF­T1  Fl. 527          19                 Fl. 527DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 12/01/20 16 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJ O, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO

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Numero do processo: 19515.721816/2011-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS COM MÃO-DE-OBRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para que sejam consideradas dedutíveis as despesas e custos com mão-de-obra, devem ser comprovados o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. Independentemente de contrato de cessão de mão-de-obra, não se admite a apropriação de despesas e custos com mão-de-obra à falta de comprovação da efetividade dos serviços e dispêndios com pessoal correspondente, pela empresa que efetuou os lançamentos contábeis. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não se cogita de nulidade processual, nem dos lançamentos, quando ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 ou no art. 142 do CTN. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1402-002.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS COM MÃO-DE-OBRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para que sejam consideradas dedutíveis as despesas e custos com mão-de-obra, devem ser comprovados o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos serviços. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. Independentemente de contrato de cessão de mão-de-obra, não se admite a apropriação de despesas e custos com mão-de-obra à falta de comprovação da efetividade dos serviços e dispêndios com pessoal correspondente, pela empresa que efetuou os lançamentos contábeis. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não se cogita de nulidade processual, nem dos lançamentos, quando ausentes as causas delineadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72 ou no art. 142 do CTN. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2059; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 9.223          1 9.222  S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.721816/2011­60  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­002.063  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  19 de janeiro de 2016  Matéria  IRPJ  Recorrente  TRANSKUBA TRANSPORTES GERAIS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007  AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS COM MÃO­ DE­OBRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO.  Para  que  sejam  consideradas  dedutíveis  as  despesas  e  custos  com mão­de­ obra, devem ser comprovados o efetivo pagamento e a efetiva prestação dos  serviços.  CESSÃO DE MÃO­DE­OBRA.  Independentemente  de  contrato  de  cessão  de mão­de­obra,  não  se  admite  a  apropriação de despesas e custos com mão­de­obra à falta de comprovação da  efetividade  dos  serviços  e  dispêndios  com  pessoal  correspondente,  pela  empresa que efetuou os lançamentos contábeis.  NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.  Não se cogita de nulidade processual, nem dos lançamentos, quando ausentes  as  causas  delineadas  no  art.  59  do Decreto  nº  70.235/72  ou  no  art.  142  do  CTN.  CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.  Versando  sobre  as  mesmas  ocorrências  fáticas,  aplica­se  ao  lançamento  reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  a  preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  LEONARDO DE ANDRADE COUTO ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 18 16 /2 01 1- 60 Fl. 9223DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.224          2   (assinado digitalmente)  FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  LEONARDO  DE  ANDRADE  COUTO,  FERNANDO  BRASIL  DE  OLIVEIRA  PINTO,  FREDERICO  AUGUSTO  GOMES  DE  ALENCAR,  LEONARDO  LUIS  PAGANO  GONÇALVES  e  DEMETRIUS NICHELE MACEI.   Fl. 9224DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.225          3 Relatório  Transkuba Transportes Gerais Ltda recorre a este Conselho contra decisão de  primeira  instância  proferida  pela  5ª Turma da DRJ São Paulo01/SP,  pleiteando  sua  reforma,  com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF).  Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis):  “Em  ação  fiscal  empreendida  junto  ao  contribuinte  acima  identificado,  originada  pelo  MPF  nº  0819000.2010.01570­0,  verificou­se  que  a  contribuinte  apropriou­se  de  despesas  e  custos  com  mão­de­obra  não  comprovados,  o  que  resultou na lavratura de Auto de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e  de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativo aos anos­calendário de 2006  e 2007.  Na apuração da base de  cálculo do  IRPJ  e da CSLL  foram considerados os  prejuízos fiscais e as bases negativas da CSLL registradas no LALUR da empresa  (compensação de 30%), conforme planilhas de fls 358/359 e 368/369.  Fundamentação  fática  e  legal  e  valores  totais  dos  créditos  tributários  constituídos,  incluída  a  multa  proporcional  e  juros  calculados  até  11/2011,  discriminados a seguir:  IRPJ (fls. 348/350)  R$  21.562.808,94  Fato Gerador  Infração e Enquadramento legal  31/12/2006, 31/12/2007  001­ CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS.  DESPESAS NÃO COMPROVADAS.  Despesas não comprovadas apuradas conforme relatório  fiscal em anexo.  Enquadramento  legal:  art.  3o  da  Lei  n°  9.249/95,  Arts.  247,  248, 249, inciso I, 251, 277, 278,299 e 300 do RIR/99.  CSLL (fls. 360/362)  R$  8.410.497,08  FG  Infração e Enquadramento legal  31/12/2006, 31/12/2007  001­ CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS.  CUSTOS/DESPESAS OPERACIONAIS/ENCARGOS NÃO  COMPROVADOS.  Despesas não comprovadas apuradas conforme relatório  fiscal em anexo.  Enquadramento legal:  Art. 2° da Lei n° 7.689/88 com as alterações introduzidas pelo  art. 2o da Lei n° 8.034/90  Art. 57 da Lei n° 8.981/95, com as alterações do art. 1o da Lei  n° 9.065/95  Arts. 2o e 19 da Lei n° 9.249/95  Art. 1o da Lei n° 9.316/96; art. 28 da Lei n° 9.430/96  Art. 37 da Lei n° 10.637/02    Conforme Termo de Verificação Fiscal de fls. 341/347:  · A fiscalizada apresentou DIPJ de 2007 e de 2008 com a opção de Lucro  Real Anual, com apuração de prejuízo fiscal nos dois anos­calendário  (2006 e 2007);  Fl. 9225DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.226          4 · Em  consulta  no  sistema  informatizado  da  Receita  Federal  do  Brasil  GFIP  WEB  verifiquei  que  a  empresa  não  entregou  GFIPs  (Guia  de  recolhimento do FGTS e de Informações a Previdência Social) para o  período de janeiro de 2006 a dezembro 2007. Em consulta no sistema  DIRF  para  os  anos  de  2006  e  de  2007  verifiquei  a  inexistência  de  pagamentos  a  pessoas  físicas  pelo  trabalho  (assalariado  ou  não  assalariado).  A  empresa  entregou  cópias  das  RAIS  negativas  da  empresa nos anos de 2006 e de 2007;  · As  pesquisas  efetuadas  confirmaram  que  a  empresa  não  teve  trabalhadores  registrados  na  empresa  nos  anos  de  2006  e  de  2007,  tampouco trabalhadores autônomos que prestaram serviços à empresa;  · A empresa informou que no período de janeiro de 2006 a dezembro de  2007 a mão­de­obra utilizada na prestação de serviço proveio da outra  empresa do grupo KUBA VIAÇÃO URBANA LTDA.;  · O Auto  de  Infração  do  IRPJ  e  CSLL  nos  anos­calendário  de  2006  e  2007  se  refere  à  glosa  de  custos  e  despesas  com  mão­de­obra  da  empresa,  cujos  valores  foram  aferidos  com  base  nos  balancetes  de  dezembro de 2006 e dezembro de 2007:  CUSTOS E DESPESA COM MÃO­DE­OBRA EM 2006  Balancete de Verificação de Dezembro de 2006  Conta  Descrição  Saldo Atual  3.2.01.010000 03022­8  CUSTO C/PESSOALVMOT   14.914.983,59  3.2.02.010000 03201­8  CUSTO C/PESSOAL/COB   8.497.624,80  3.2.03.01.0000 03401­0  CUSTO C/ADMINISTRAC   1.906.805,49  3.3.01.01.0000 03102­0  DESPESAS C/PESSOAL   1.787,110,09  3.4.01.01.0000 03602­0  DESPESAS C/PESSOAL   1.029.233,63  3.4.01.02.0021 03665­0  PRO LABORE  33.045,45  3.4.01.02.0024 03668­4  SERVIÇOS PROFISSIO   2.050,79  3.4.01.02.0052 03654­4  SERVIÇOS DE TERCEI   334.143,81  3.4.01.02.0056 03621­8  SERVIÇOS PROFISSIO   3.000,00  3.4.01.02.0080 03575­7  SERVIÇOS DE MOTOBO   2.876,16  3.4.01.03.0000 03225­5  CUSTO DE DEMISSÕES   1.255.358,51  Total no ano de 2006  29.766.232,32    CUSTOS E DESPESA COM MÃO­DE­OBRA EM 2007  Balancete de Verificação de Dezembro de 2007  Conta  Descrição  Saldo Atual  3.2.01.010000 03022­8  CUSTO C/PESSOALVMOT   16.266.283,43  3.2.02.010000 03201­8  CUSTO C/PESSOAL/COB   9.487.133,02  3.2.03.01.0000 03401­0  CUSTO C/ADMINISTRAC   2.035.514,71  3.3.01.01.0000 03102­0  DESPESAS C/PESSOAL   2.259.680,71  3.4.01.01.0000 03602­0  DESPESAS C/PESSOAL   1.418.876,71  3.4.01.02.0021 03665­0  PRO LABORE  12.000,00  3.4.01.02.0052 03654­4  SERVIÇOS DE TERCEI   900.349,65  3.4.01.02.0056 03621­8  SERVIÇOS PROFISSIO   11.000,00  3.4.01.02.0079 03674­9  HONORÁRIOS ADVOCAT   20.381,63  3.4.01.03.0000 03225­5  CUSTO DE DEMISSÕES   1.506.238,41  Total no ano de 2007  33.917.458,27    Fl. 9226DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.227          5 · A  empresa  não  apresentou  as  folhas  de  pagamento  dos  empregados,  tampouco a  comprovação de pagamento dos  serviços prestados pelos  autônomos  na  prestação  de  serviços  a  TRANSKUBA.  Não  há  nas  DIRFs e GFIPs entregues pela empresa nesse período informações de  remunerações  pagas  a  pessoas  físicas  pelo  trabalho  prestado  (assalariado  ou  não  assalariado).  A  empresa  também  não  apresentou  contrato da TRANSKUBA com a KUBA para a cessão de mão­de­obra  para a prestação de serviços. Portanto, não há comprovação dos gastos  com a empresa com os custos e despesas com mão­de­obra, seja direta  ou  indireta  (salário,  remuneração  dos  autônomos,  diária,  contribuição  previdenciária, FGTS, pró­labores, entre outros);  · As  verificações  efetuadas  apontam  a  não  comprovação  dos  custos  e  despesas  com  pessoal,  pela  fiscalizada  Transkuba,  sendo  que  esses  custos  e  despesas  com  mão­de­obra  foram  efetuados  pela  empresa  Kuba, conforme documentação apresentada;  · Os  lançamentos  contábeis  referentes  aos  custos  e  despesas  com mão­ de­obra  foram  rejeitados  por  falta  de  comprovação  desses  custos  e  despesas, nos termos do art. 302 do RIR/99;  · Foi  aplicada  a  multa  de  75%  sobre  o  valor  do  IRPJ  e  da  CSLL  apurados.  Irresignada  com  a  autuação,  da  qual  tomou  ciência  em  24/11/2011,  a  interessada apresentou, em 20/12/2011, a impugnação de fls. 399/419, acompanhada  dos  documentos  de  fls.  420/9.115,  na  qual  apresenta  as  alegações  e  pretensões  abaixo sintetizadas:  · As  despesas  glosadas  foram  feitas  diretamente  pela  Transkuba,  encontram­se  nas  acostadas  DIRFs  dos  exercícios  2006/2007,  foram  escrituradas  e  suportadas  diretamente  pela  contribuinte,  não  havendo  suporte legal para glosá­las;  · a  Contribuinte  autuada  e  a  empresa  Kuba  Viação  Urbana  Ltda  são  integrantes de mesmo grupo, sendo inegável a SOLIDARIEDADE no  que  tange  as  obrigações  principais  entre  empresas  de  mesmo  grupo  econômico;  · os custos/despesas glosados são justamente os investimentos realizados  em razão de contrato de cessão de direitos/obrigações firmado entre a  autuada e  a  empresa Kuba Viação Urbana Ltda  (docs.  6;  7;  8;  9; 10;  11; 12; 13; 14; 15; 16 e 17);  ·  a  assertiva  de  que  "A  empresa  também  não  apresentou  contrato  de  Transkuba com a Kuba para cessão de mão­de­obra para a prestação de  serviços"  é  equivocada,  pois,  conforme  se  pode  comprovar  pela  documentação  acostada  (resumos  de  folhas  de  pagamento;  RAIS;  DIRFs),  existe contrato de cessão de direitos atinentes à mão­de­obra  entre as empresas em referência, o que legitima a adoção de despesas  praticadas por outra empresa do mesmo Grupo Econômico para fins de  mensuração de base de cálculo;  · toda escrituração, bem como outras atividades atinentes ao suprimento  oriundo  de  custos/despesas,  que  não  sejam  configuradas  como  Fl. 9227DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.228          6 obrigação principal, foram efetivados pelos Contribuintes responsáveis,  de forma ordinária;  · a elaboração de folhas de pagamento dos empregados, comprovação de  efetivo  pagamento  em  favor  dos  autônomos,  DIRFs  e  GFIPs  ­  Obrigações  Instrumentais  ­  permaneceram  na  responsabilidade  da  empresa KUBA VIAÇÃO URBANA LTDA;  · existiram  apontamentos  que  demonstram,  inequivocamente,  a  transferência de valores entre as coligadas destinados à atenção entre a  avença contratada entre as partes;  · inexiste  a  obrigação  de  retificação  de  DIPJs  e  LALURs  da  Contribuinte,  haja  vista  que  os  dados  lançados  se  encontram  em  consonância com a realidade apresentada .  Em anexo à impugnação, a interessada apresenta:  · Cópia de contrato de cessão a fls. 428/431, com data de 02/01/2006 e  autenticação  de  19/12/2011,  apresentando  a  cedente  (Kuba  Viação  Urbana Ltda)  e a  cessionária  (Transkuba Transportes Gerais Ltda.)  o  mesmo  signatário.  Consta  da  cláusula  2  que  a  cedente  cede  à  cessionária “o direito de utilização de mão­de­obra de seus motoristas,  cobradores,  empregados  da  administração  e  manutenção  geral”.  Na  cláusula  3  que  “a  cessionária  se  obriga  ao  pagamento  da  folha  de  salários dos empregados da Cedente e, de  todos os encargos e custos  que  a  Cedente  possui  com  benefícios  de  seus  empregados,  serviços  profissionais  de  terceiros  e  outros,  custo  de  demissões  e  processos  trabalhistas”;  · DIRFs  de  2006  e  2007  da  Transkuba,  nos  quais  não  constam  pagamentos de salário (fls. 578/603);  · Relativamente à empresa KUBA, RAIS positiva (doc 6 e 7), resumo de  folhas  de  pagamento  (doc 8  e  9), GFIP,  relativo  ao FGTS  (doc  10  e  11), guias de processos trabalhistas (doc 12)  · A  fls.  5283  e  ss  –  extratos  que  noticiam  transferências  bancárias  da  Transkuba para a Kuba e outros, e demonstrativos de parcelamento de  dívidas trabalhistas.  É o relatório.”  A  decisão  de  primeira  instância,  representada  no  Acórdão  da  DRJ  nº  16­ 45.599 (fls. 9.124­9.134) de 10/04/2013, por unanimidade de votos, considerou procedente o  lançamento. A decisão foi assim ementada.  “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica ­ IRPJ  Ano­calendário: 2006, 2007  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  GLOSA  DE  CUSTOS  E  DESPESAS  COM MÃO­DE­OBRA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para que  sejam consideradas dedutíveis as despesas e custos com mão­de­ obra,  devem  ser  comprovados  o  efetivo  pagamento  e  a  efetiva  prestação dos serviços.  Fl. 9228DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.229          7 CESSÃO  DE  MÃO­DE­OBRA.  Independentemente  de  contrato  de  cessão  de  mão­de­obra,  não  se  admite  a  apropriação  de  despesas e custos com mão­de­obra à falta de comprovação da  efetividade  dos  serviços  e  dispêndios  com  pessoal  correspondente,  pela  empresa  que  efetuou  os  lançamentos  contábeis.”  Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 19/06/2013 (termo de fl.  9.140) a interessada interpôs recurso voluntário em 10/07/2013 (fls. 9.141­9.189) onde repisa  os argumentos apresentados em sua impugnação.  É o relatório.  Fl. 9229DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.230          8 Voto             Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar  O  recurso  voluntário  reúne  os  pressupostos  de  admissibilidade  previstos na  legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento.  Da preliminar de nulidade por ilegalidade dos lançamentos  Alega a recorrente que o lançamento afrontaria princípios insertos no Decreto  70.235/72 e na Lei 9.784/99.  Não vislumbro a preliminar de nulidade suscitada.  Inicialmente,  cabe  esclarecer  que,  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  as  hipóteses  de  nulidade  são  taxativamente  previstas  nos  arts.  59  e  60  do Decreto  nº  70.235, de 6 de março de 1972:   “Art. 59. São nulos:   I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente ou com preterição do direito de defesa.  Art.  60.  As  irregularidades,  incorreções  e  omissões  diferentes  das  referidas  no  artigo  anterior  não  importarão  em nulidade  e  serão  sanadas  quando  resultarem  em  prejuízo  para  o  sujeito  passivo,  salvo  se  este  lhes  houver  dado  causa,  ou  quando  não  influírem na solução do litígio. (Grifou­se).  Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa somente pode ser cogitado  em face de despachos e decisões. Sendo o auto de infração um ato administrativo, a declaração  de  nulidade  somente  pode  ser  suscitada  em  caso  de  lavratura  por  pessoa  incompetente.  Possíveis irregularidades, incorreções e omissões cometidas no auto de infração não importarão  em nulidade e  serão  sanadas quando  resultarem  em prejuízo para o  sujeito passivo,  salvo  se  este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.   Também  não  procede  a  arguição  de  que  a  apuração  deveria  ser  pelo  arbitramento  do  lucro.  Constata­se  que  toda  a  documentação  necessária  foi  apresentada  e  analisada.  Do mérito  Da dedutibilidade das despesas e custos. Comprovação.  Do contrato de cessão de mão­de­obra.  Fl. 9230DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.231          9 Por  entender  que  a  decisão  recorrida  bem  enfrentou  a matéria,  adoto  seus  fundamentos,  quanto  a  esse  ponto,  como  razão  de  decidir  neste  voto,  na  forma  a  seguir  apresentada.  De início, cabe ressaltar que a glosa de despesas que resultou na autuação que  ora  se  analisa  não  se  pautou  unicamente  na  falta  de  apresentação  de  contrato  particular  que  previsse a transferência de despesas com pessoal, da empresa Kuba para a autuada Transkuba.   De fato, no Direito Privado (que, prescreve entre outras, as normas que regem  as relações comerciais entre empresas) a forma escrita não é requisito essencial à formalização  dos contratos, de modo que a inexistência de contrato escrito não é suficiente, por si só, para  justificar a glosa de despesas, se outros elementos se apresentam para comprová­las.  No  caso  em  tela,  as  pesquisas  realizadas  pela  autoridade  fiscal  já  evidenciavam  que  a  fiscalizada  não  havia  realizado  pagamentos  a  funcionários  (RAIS  negativa),  tampouco  havia  efetuado  as  retenções  e  recolhimentos  de  tributos  que  seriam  devidos por conta desse tipo de dispêndio (DIRF).   Nessa  esteira,  a  não  apresentação  de  contrato  de  cessão  de  mão­de­obra  configurou mais um elemento que permitiu à autoridade fiscal formar sua convicção no sentido  de  que  as  correspondentes  despesas  seriam  indedutíveis  da  base  de  cálculo  da  empresa  Transkuba,  consoante  consignado no Termo de Verificação Fiscal: “A empresa  também não  apresentou contrato de Transkuba com a Kuba para cessão de mão­de­obra para a prestação  de serviços...” (sublinhei)  Na oportunidade da impugnação, veio a autuada apresentar cópia de contrato  de cessão de mão­de­obra que havia sido noticiado durante o procedimento fiscal.  Naquele documento, fls. 428/431, com data de 02/01/2006 e autenticação de  19/12/2011, consta como cedente a empresa Kuba Viação Urbana Ltda. e como cessionária a  ora  recorrente Transkuba Transportes Gerais  Ltda.  e,  representando  ambas  as  empresas,  um  único e mesmo signatário.   Consta da cláusula 2 que a cedente cede à cessionária “o direito de utilização  de mão­de­obra de seus motoristas, cobradores, empregados da administração e manutenção  geral”.   Na cláusula 3, consta que “a cessionária se obriga ao pagamento da folha de  salários dos empregados da Cedente e, de  todos os encargos e  custos que a Cedente possui  com  benefícios  de  seus  empregados,  serviços  profissionais  de  terceiros  e  outros,  custo  de  demissões e processos trabalhistas”.  Quanto  ao  contrato  de  cessão  de mão­de­obra  apresentado,  vários  aspectos  impedem sua  aceitação  como documento hábil  a  legitimar eventuais despesas efetuadas  com  funcionários de outra empresa.   Primeiramente,  a  autenticação  do  documento  data  de  19/12/2011,  mais  de  cinco anos da data de sua celebração, e após a lavratura do auto de infração, não se mostrando  hábil a comprovar a celebração de contrato prévio às despesas em comento.  Fl. 9231DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.232          10 Além disso, referido contrato não pode ser considerado “entre particulares”,  pois  o  cedente  e  o  cessionário  apresentam  um único  representante  signatário  (as  assinaturas  pelo cedente e pelo cessionários são idênticas), ou seja, não há que se falar em congruência de  interesses se não há pluralidade de interessados.  A  despeito  da  imprestabilidade  do  documento  contratual  apresentado  que,  como  dito,  não  seria  suficiente,  por  si  só,  para  justificar  a  glosa  das  despesas  efetuada,  a  contribuinte  não  apresentou  quaisquer  documentos  que  demonstrassem  a  efetividade  dos  serviços  prestados  à  Transkuba,  bem  como  a  correspondência  desses  serviços  com  valores  transferidos à empresa Kuba ou diretamente aos prestadores, tais como recibos e notas fiscais.  Do pagamento das despesas e custos com mão­de­obra .  A afirmação  da defesa,  no  sentido  de  que  as  despesas  foram  escrituradas  e  suportadas diretamente pela Transkuba, não encontra suporte probatório nos autos, sendo certo  e evidente que a escrituração não é prova de si mesma.  Como a defendente afirma que teria efetuado todas as obrigações acessórias  relativas aos custos e despesas glosados, tendo as “obrigações principais” sido cumpridas pela  empresa Kuba, não ficou claro se suas alegações seriam no sentido de que ela (Transkuba) foi  quem utilizou os serviços de mão­de­obra de funcionários da empresa KUBA e, efetivamente,  quem  suportou  (pagou  por)  as  despesas  e  custos  atinentes,  ou  se  ela  (Transkuba),  foi  quem  utilizou referidos serviços e a KUBA que pagou as despesas e custos e que, por pertencerem ao  mesmo  grupo,  poderia  a  Transkuba  apropriar­se  dessas  despesas  em  sua  escrituração.  Essa  segunda hipótese nem poderia ser aceita, independente de prova, visto que as empresas de um  mesmo grupo devem preservar sua individualidade para fins contábeis e fiscais.  Ainda  que  pertençam  ao mesmo  grupo  empresarial  e  apresentem  o mesmo  quadro  societário,  as  empresas  em  questão  são  autônomas,  não  se  confundem  para  fins  comerciais e, principalmente,  tributários, devendo a contabilidade de cada uma ser elaborada  individualmente e mediante documentação comprobatória própria.  Assim ocorre nos contratos de rateio de despesas operacionais entre empresas  de  um  mesmo  grupo,  que  compartilham  uma  mesma  estrutura  operacional  e  pessoal.  A  efetividade dos gastos e a utilização dos serviços correspondentes devem ser comprovadas para  que as despesas/custos possam ser apropriadas pelos setores ou empresas do grupo, ainda que  os critérios de divisão, em porcentagem, sejam preestabelecidos.  De fato, a defendente ora alega que ela própria é quem  teria  suportado  tais  despesas, ora sustenta que é “legitima a adoção de despesas praticadas por outra empresa do  mesmo Grupo Econômico para fins de mensuração de base de cálculo”.  Ora,  se  as  despesas  foram  praticadas  pela KUBA,  não  podem  essas  serem  convenientemente  transferidas  para  outra  empresa  do  grupo,  em  face  de  a  empresa  KUBA  apresentar  prejuízos  independentemente  dessas  despesas  e  a  empresa  Transkuba  apresentar  lucro tributável.  No  tocante  à  pessoa  jurídica  que  teria  arcado  financeiramente  com  as  despesas, a hipótese de os pagamentos terem sido realizados pela autuada não é suficiente para  elidir a autuação. Isso porque, ainda que as despesas, ou parte delas, tenham sido quitadas com  os recursos da empresa Transkuba, para que pudessem ser deduzidas das bases tributáveis da  Fl. 9232DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.233          11 Transkuba,  teria  que  se  comprovar  que  tais  despesas  seriam  correspondentes  a  serviços  de  mão­de­obra  efetivamente  prestados  à  Transkuba.  Caso  fossem  correspondentes  a  serviços  prestados a outrem, a Transkuba poderia assumir o pagamento mas não poderia deduzir de sua  própria base de cálculo os dispêndios correspondentes.  Cumpre  consignar  que  a  interessada  apresentou  a  fl.  5.283  e  seguintes  extratos bancários que noticiam transferências de numerário da Transkuba para a Kuba e outras  empresas,  bem  como  cópias  de  demonstrativos  elaborados  na  empresa  Kuba  sobre  parcelamentos  de  dívidas  trabalhistas  sem,  contudo,  apontar  as  referências  que  se  poderiam  verificar.  Supondo  que  tais  transferências  bancárias  correspondam  a  pagamentos  de  dívidas trabalhistas contraídas pela empresa Kuba, a Transkuba só poderia se apropriar dessas  despesas  se  comprovasse  que  as  dívidas  trabalhistas  têm  origem  em  serviços  que  foram  prestados a ela, Transkuba, o que não ocorreu.  Assim,  ao  contrário  do  que  afirma  a  recorrente,  não  há  nos  autos  “apontamentos  que  demonstram,  inequivocamente,  a  transferência  de  valores  entre  as  coligadas destinados à atenção entre a avença contratada entre as partes”.  Logo,  caso  o  ônus  financeiro  das  despesas  e  custos  tenha  recaído  sobre  a  empresa  Kuba,  nem  se  cogite  em  a  autuada  deduzir  de  sua  base  de  cálculo  dispêndios  que  sequer suportou. E, caso tenha sido a Transkuba quem suportou esse ônus financeiro, ou seja,  quem efetivamente pagou  pela quitação das despesas  e custos  lançados  em sua  escrituração,  remanesceria,  ainda,  a  necessidade  de  se  comprovar  a  efetividade  dos  serviços  prestados  à  Transkuba.  Da prestação de mão­de­obra à Transkuba.  Nos  termos  do  art.  302  do  RIR/99,  a  dedutibilidade  de  despesas  e  custos  depende das seguintes provas:  Art. 302. Os pagamentos, de qualquer natureza, a  titular, sócio  ou  dirigente  da  pessoa  jurídica,  ou  a  parente  dos  mesmos,  poderão  ser  impugnados  pela  autoridade  lançadora,  se  o  contribuinte não provar (Lei n­ 4.506. de 1964, art. 47, § 5?):  I ­ no caso de compensação por trabalho assalariado, autônomo  ou profissional, a prestação efetiva dos serviços;  II ­ no caso de outros rendimentos ou pagamentos, a origem e a  efetividade da operação ou transação.  Como dito, a apresentação de contrato de cessão configura uma formalidade  prescindível,  desde  que  a  interessada  logre  comprovar  a  efetividade  dos  serviços  e  despesas  lançadas. Tal comprovação alcança não somente a prova de que os dispêndios ocorreram, mas  principalmente, de quem efetivamente os suportou e por conta de que serviços.  Cumpre lembrar que, pelo TIF nº 05, a contribuinte foi intimada a apresentar,  dentre  outros  comprovantes,  as  notas  fiscais  de  serviços  prestados  pela  Kuba  para  a  comprovação dos serviços de mão­de­obra prestados nesses anos.  Fl. 9233DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.234          12 Relativamente  à  Transkuba,  autuada,  foram  apresentadas DIRFs  de  2006  e  2007 (fls. 578/603) que indicam que a empresa não efetuou pagamentos a pessoas físicas pelo  trabalho  (assalariado  ou  não  assalariado)  nos  períodos  auditados  e,  compatível  com  essa  informação,  foi  apresentada  a  RAIS,  resumo  que  aponta  recolhimentos  de  FGTS,  negativa.  Ambos, documentos que demonstram que a Transkuba não  tem  legitimidade sobre eventuais  dispêndios efetuados a título de serviços de mão­de­obra assalariada ou não.  Relativamente  à  empresa  KUBA,  apresentou  RAIS  positiva  (doc  6  e  7),  resumo de folhas de pagamento (doc 8 e 9), GFIP, relativo ao FGTS (doc 10 e 11), guias de  processos trabalhistas (doc 12).  Quanto à legitimidade sobre as despesas e custos, as declarações e relatórios  apresentados  atestam  justamente  o  contrário  do  que  teria  que  ser  demonstrado  com  vistas  a  elidir a autuação.   Cabe  ressaltar  que  os  documentos  apresentados  relativos  à  Kuba  –  RAIS  positiva,  resumo  de  folhas  de  pagamento,  GFIP  (relativo  ao  FGTS)  e  guias  de  processos  trabalhistas,  apenas  corroboram  a  legitimidade  da  KUBA  (e  não  da  Transkuba)  sobre  os  dispêndios que a recorrente pretende se apropriar para dedução da base de cálculo do IRPJ e da  CSLL.  Não  sendo  a  empresa  Kuba  a  autuada,  tais  documentos  não  se  prestam  a  elidir a indedutibilidade dos dispêndios para a empresa Transkuba.  De  toda  sorte,  à  falta  de  comprovação  de  que  a  autuada  foi  quem  efetivamente  suportou  as  despesas  por  serviços  de mão­de­obra  por  ela  utilizados,  correta  a  glosa efetuada, não merecendo reparos o lançamento efetuado, tampouco a determinação para  retificação das DIPJs e LALUR.  Da tributação correlata  Tendo em vista a estreita relação entre o lançamento do IRPJ ora analisado e  aquele  relativo  à  CSLL,  por  decorrerem  dos  mesmos  elementos  de  prova  e  se  referirem  à  mesma matéria tributável, estendo o aqui decidido para aquele lançamento.  Conclusão  Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento  suscitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário apresentado.    (assinado digitalmente)  Frederico Augusto Gomes de Alencar ­ Relator                          Fl. 9234DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.721816/2011­60  Acórdão n.º 1402­002.063  S1­C4T2  Fl. 9.235          13   Fl. 9235DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 04/02/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO

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Numero do processo: 13707.003779/2002-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.761
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto da relatora. Antonio Carlos Atulim – Presidente Valdete Aparecida Marinheiro - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. RELATÓRIO Segundo o relatório de fls. 451 a 452 constante dos autos emanados da decisão DRJ/STM, por meio do voto do relator Alexandre Kern, trata-se de pedido de ressarcimento do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, decorrente da aquisição de insumos tributados, aplicados na industrialização de produtos, durante o período mediado pelas datas de 01/07/2002 e 30/09/2002, com supedâneo no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, conforme pedido de fls. 2. Cumulativamente, formulou os pedidos de compensação das folhas 1, do crédito requerido com débitos próprios, tratados como Declaração de Compensação por força do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Da análise prévia do pleito propôs seu total indeferimento. De acordo com a informação fiscal de fls. 75 e com o parecer das fls. 79 a 84, todo o saldo credor foi absorvido na reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, procedida em face da constatação da prática de saídas de produtos tributados com erro de classificação fiscal e alíquota e da falta de destaque do imposto em notas fiscais de saída, resultante na lavratura do Auto de Infração cuja cópia se encontra nas fls. 47 a 74. O DERAT/RJO acolheu a proposição da Fiscalização e indeferiu o pleito, e exarou o Despacho Decisório de folhas 84. A Recorrente por sua vez, apresentou manifestação de inconformidade, primeiro contra a Carta-Cobrança emitida em razão da não homologação das compensações, em face do entendimento da Administração de que o mesmo não possuía os créditos de IPI opostos na compensação e porque esses débitos já são objetos de discussão administrativa nos autos dos processos 18471.000875/2004-62 e 18471.000876/2004-14. Também, explica como apurou os seus créditos e rechaça o enquadramento da classificação fiscal entendida pelo fisco. Levado a julgamento a DRJ/STM, através do voto condutor da decisão recorrida, observa que as reclamações contra cartas de cobrança, formalmente, não comportam reclamação e no mérito a Manifestação de Inconformidade é improcedente e o Despacho Decisório da DERAT/RJO deve ser mantido. Delimitando o litigio, então, circunscreveu o mesmo ao indeferimento do pedido de ressarcimento do saldo credor básico do período e a não-homologação das compensações declaradas. Porém, não conheceu das alegações de defesa tendentes a controverter a classificação fiscal dos produtos que a Recorrente industrializa, pois, entendeu tratar-se de matéria absolutamente estranha ao presente processo e que receberá análise e julgamento nos autos dos processos respectivos. Também, quanto a vinculação do julgamento impõe art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006 e nesse sentido julgou suficiente para julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade em razão de que o artigo 20 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, veda expressamente, o deferimento de ressarcimento de créditos de IPI a estabelecimento que tenha processo administrativo de determinação e exigência de IPI cujo deslinde possa redundar em alteração do valor ressarcido. A decisão recorrida emanada do Acórdão nº. 18-8.575 de fls. 450 traz a seguinte ementa: Assunto: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 IPI. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. é vedado o ressarcimento a estabelecimento com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do ipi cuja decisão definitiva possa alterar o valor a ser ressarcido. Solicitação Indeferida O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF em fls. 474 a 512 repetindo basicamente as mesmas alegações de sua manifestação de inconformidade como: Em preliminarmente – da duplicidade de exigência, carta de cobrança e os processos que exigem o PIS e COFINS não compensados com o ressarcimento do IPI; Da necessidade de julgamento do presente recurso em conjunto com os autos de infração nº 18471.000876/2004-15 e nº 18471.000875/2004-62 etc. Pedido – requer o integral provimento do presente recurso voluntário para autorizar o seu pedido de ressarcimento dos valores pagos indevidamente a título de IPI e consequentemente, requer sejam homologadas as compensações realizadas pelo contribuinte e por fim, requer por ocasião do julgamento do recurso voluntário interposto, seja intimado pessoalmente o subscritor desta para fins de sustentação oral. É o relatório.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1684; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 3          1 2  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13707.003779/2002­80  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3402­000.761  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  15 de março de 2016  Assunto  RESSARCIMENTO DO IPI  Recorrente  INDUSTRIA DE BEBIDAS MATTE LEÃO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência nos termos do voto da relatora.    Antonio Carlos Atulim – Presidente     Valdete Aparecida Marinheiro ­ Relatora    Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim,  Jorge  Freire,  Valdete  Aparecida  Marinheiro,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel  Neto.    RELATÓRIO    Segundo o relatório de fls. 451 a 452 constante dos autos emanados da decisão  DRJ/STM, por meio do voto do relator Alexandre Kern, trata­se de pedido de ressarcimento do  saldo  credor  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados  –  IPI,  decorrente  da  aquisição  de  insumos tributados, aplicados na industrialização de produtos, durante o período mediado pelas     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 07 .0 03 77 9/ 20 02 -8 0 Fl. 639DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13707.003779/2002­80  Resolução nº  3402­000.761  S3­C4T2  Fl. 4            2 datas de 01/07/2002 e 30/09/2002, com supedâneo no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro  de 1999, conforme pedido de fls. 2.  Cumulativamente, formulou os pedidos de compensação das folhas 1, do crédito  requerido com débitos próprios,  tratados como Declaração de Compensação por  força do art.  74 da Lei nº 9.430/96.  Da  análise  prévia  do  pleito  propôs  seu  total  indeferimento.  De  acordo  com  a  informação fiscal de fls. 75 e com o parecer das fls. 79 a 84, todo o saldo credor foi absorvido  na reconstituição da escrita fiscal do contribuinte, procedida em face da constatação da prática  de  saídas  de  produtos  tributados  com  erro  de  classificação  fiscal  e  alíquota  e  da  falta  de  destaque do imposto em notas fiscais de saída, resultante na lavratura do Auto de Infração cuja  cópia  se  encontra  nas  fls.  47  a  74.  O DERAT/RJO  acolheu  a  proposição  da  Fiscalização  e  indeferiu o pleito, e exarou o Despacho Decisório de folhas 84.  A Recorrente por sua vez, apresentou manifestação de inconformidade, primeiro  contra a Carta­Cobrança emitida em razão da não homologação das compensações, em face do  entendimento  da Administração  de  que  o mesmo  não  possuía  os  créditos  de  IPI  opostos  na  compensação e porque esses débitos já são objetos de discussão administrativa nos autos dos  processos 18471.000875/2004­62 e 18471.000876/2004­14.   Também, explica como apurou os seus créditos e rechaça o enquadramento da  classificação fiscal entendida pelo fisco.  Levado  a  julgamento  a  DRJ/STM,  através  do  voto  condutor  da  decisão  recorrida, observa que as reclamações contra cartas de cobrança, formalmente, não comportam  reclamação  e  no  mérito  a  Manifestação  de  Inconformidade  é  improcedente  e  o  Despacho  Decisório da DERAT/RJO deve ser mantido.  Delimitando o litigio, então, circunscreveu o mesmo ao indeferimento do pedido  de  ressarcimento do saldo credor básico do período e a não­homologação das compensações  declaradas.  Porém,  não  conheceu  das  alegações  de  defesa  tendentes  a  controverter  a  classificação  fiscal  dos  produtos  que  a  Recorrente  industrializa,  pois,  entendeu  tratar­se  de  matéria absolutamente estranha ao presente processo e que receberá análise e julgamento nos  autos dos processos respectivos.  Também, quanto a vinculação do julgamento impõe art. 7º da Portaria MF nº 58,  de  17  de  março  de  2006  e  nesse  sentido  julgou  suficiente  para  julgar  improcedente  a  Manifestação de Inconformidade em razão de que o artigo 20 da Instrução Normativa SRF nº  600,  de  28  de  dezembro  de  2005,  veda  expressamente,  o  deferimento  de  ressarcimento  de  créditos  de  IPI  a  estabelecimento  que  tenha  processo  administrativo  de  determinação  e  exigência de IPI cujo deslinde possa redundar em alteração do valor ressarcido.  A  decisão  recorrida  emanada  do  Acórdão  nº.  18­8.575  de  fls.  450  traz  a  seguinte ementa:    ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA   Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002  Fl. 640DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13707.003779/2002­80  Resolução nº  3402­000.761  S3­C4T2  Fl. 5            3 IPI. DIREITO AO CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE INSUMOS  TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO.  É VEDADO O RESSARCIMENTO A ESTABELECIMENTO COM PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  DE  DETERMINAÇÃO  E  EXIGÊNCIA  DE  CRÉDITO  DO  IPI  CUJA  DECISÃO  DEFINITIVA  POSSA  ALTERAR  O  VALOR A SER RESSARCIDO.    Solicitação Indeferida  O contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho – CARF em fls.  474 a 512 repetindo basicamente as mesmas alegações de sua manifestação de inconformidade  como:  Em  preliminarmente  –  da  duplicidade  de  exigência,  carta  de  cobrança  e  os  processos que exigem o PIS e COFINS não compensados com o ressarcimento do IPI;  Da necessidade de julgamento do presente recurso em conjunto com os autos de  infração nº 18471.000876/2004­15 e nº 18471.000875/2004­62 etc.   Pedido  –  requer  o  integral  provimento  do  presente  recurso  voluntário  para  autorizar  o  seu  pedido  de  ressarcimento  dos  valores  pagos  indevidamente  a  título  de  IPI  e  consequentemente, requer sejam homologadas as compensações realizadas pelo contribuinte e  por  fim,  requer  por  ocasião  do  julgamento  do  recurso  voluntário  interposto,  seja  intimado  pessoalmente o subscritor desta para fins de sustentação oral.   É o relatório.  Voto  Conselheira Relatora Valdete Aparecida Marinheiro,   O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento, por conter todos  os requisitos de admissibilidade.  Conforme consta nos autos o presente processo trata­se de ressarcimento de IPI  que  pretendia  compensar PIS  e COFINS, mas  por  ter  sido  indeferido  resultou  nos Autos  de  infração  de  fls.  65  a  74  e  estão  sendo  discutidos  nos  processos  18.471.000875/2004­62  e  18471.000876/2004­15.  Consta,  também,  nos  autos  em  fls.  47  a  64  a  lavratura  de  Auto  de  Infração  exigindo IPI normal, constatado em virtude da reconstituição da escrita fiscal da Recorrente.  A  Recorrente  requer  o  julgamento  do  presente  processo  em  conjunto  com  os  processos  que  exigem  o  PIS  e  COFINS  acima  citado,  por  entender  que  seu  pedido  de  ressarcimento de IPI é legítimo e suficiente para compensar seus débitos de PIS e COFINS.  Fl. 641DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM Processo nº 13707.003779/2002­80  Resolução nº  3402­000.761  S3­C4T2  Fl. 6            4 Realmente,  o  julgamento  dos  processos  acima  citados  que  exigem  PIS  e  COFINS dependem do julgamento do presente processo que trata do pedido de ressarcimento e  compensação de crédito de IPI.  Ocorre,  que  esse  processo  depende  do  julgamento  do  processo  que  discute  o  Auto de Infração de fls. 47 a 64 onde exige o valor do IPI em decorrência da reconstituição da  escrita  fiscal  que  apontou  saída  de  produto  com  erro  de  classificação,  matéria  essa  que  a  decisão  recorrida  entendeu  não  ser  pertinente  a  esse  processo,  ou  seja,  ,  não  conheceu  das  alegações  de  defesa  tendentes  a  controverter  a  classificação  fiscal  dos  produtos  que  a  Recorrente industrializa, pois, entendeu tratar­se de matéria absolutamente estranha ao presente  processo e que receberá análise e julgamento nos autos dos processos respectivos.  Também,  a  decisão  recorrida  fundamentou  o  indeferimento  da  solicitação  do  Contribuinte no artigo 20 da IN nº 600 de 28 de dezembro de 2005.  Perfeitamente,  na  época  vigorava  a  IN  600/2005,  mesmo  que  revogada  posteriormente pela IN nº 900.  Assim,  entendo  que  para  o  devido  saneamento  do  presente  processo  e  o  posterior  julgamento,  nesse momento  é preciso  converter  o  julgamento  em diligência  para  a  DRF de origem competente para:  a)  identificar  se  existe  processo  administrativo  correspondente  a  cobrança  do  crédito  tributário  exigido  no  auto  de  infração  de  fls.  47  a  64,  dos  presentes autos;  b)  se existir, que aguarde o resultado definitivo do processo, anexando­o aos  presentes autos cópia da decisão;  c)  Concluída a diligência, retornem os autos para julgamento.   É como voto  Valdete Aparecida Marinheiro­ relatora        Fl. 642DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22 /03/2016 por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS AT ULIM

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