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Numero do processo: 10830.917549/2009-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do Fato Gerador: 14/11/2008
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Numero da decisão: 3102-001.784
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
Winderley Morais Pereira - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Nanci Gama.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do Fato Gerador: 14/11/2008 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1595; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 171 1 170 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917549/200962 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.784 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de fevereiro de 2013 Matéria IPI Recorrente CLICHERLUX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CLICHÊS E MATRIZES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do Fato Gerador: 14/11/2008 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira, Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 75 49 /2 00 9- 62 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação formalizado por meio de PER/DCOMP, cujos créditos referemse a pagamento indevido de IPI. Em procedimento de auditoria eletrônica, o pedido de compensação não foi homologado, em razão do DARF informado não ter sido localizado nos sistemas informatizados da Receita Federal. Irresignda, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade. alegando a existência de créditos de IPI que não teriam sido escriturados no período correto, assim, teria identificado a existência de valores recolhidos a maior, apresentando cópias de folhas do livro de apuração do IPI para o período em discussão. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve o indeferimento do pedido de compensação, por entender não ter sido apresentado prova do crédito alegado. A decisão da DRJ foi assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 14/11/2008 RESTITUIÇÃO/RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, nem comprovado o direito ao ressarcimento, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ONUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando a existência do DARF que confirmaria o pagamento a maior do imposto, que optou pela manifestação de inconformidade e não apresentou redarf, em razão da falta de orientação da Receita Federal. Quanto ao mérito, discorre sobre o procedimento adotado de lançar na escrita fiscal os créditos não apurados na data oportuna, como créditos extemporâneos, com as devidas aplicações de juros e correção monetária. Ao final pede a realização de perícia contábil para apuração do indébito tributário. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.917549/200962 Acórdão n.º 3102001.784 S3C1T2 Fl. 172 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente afirma o seu direito a compensação, sob o arrimo que teriam existidos créditos de IPI não lançados na data correta e assim, refazendo a escrituração teria lançado todo este crédito como extemporâneo, e a apuração do imposto para este período resultou em montante inferior ao pagamento realizado, assim protocolou o pedido de compensação com os créditos deste pagamento a maior. O procedimento adotado pela Recorrente, do ponto de vista escritural, não foi a motivação do indeferimento da homologação da compensação, conforme pode ser visto na decisão do acórdão da primeira instância (fls. 58 a 59), do qual transcrevo os trechos abaixo. "Portanto, créditos que não foram aproveitados na devida ocasião podem ser escriturados extemporaneamente, o que, no caso de restar saldo credor no período em que se constatou o crédito que deixou de ser aproveitado e não retroativamente como constou na "simulação" apresentada, inserese no instituto do ressarcimento e não da restituição de pagamento indevido. Disto não resulta apenas um erro formal na petição, mas, devido a legislação aplicável diferentemente aos institutos da restituição e do ressarcimento, que, neste último caso, não exista previsão legal para a imputação de juros ou correção monetária sobre direito credit6rio alegado. Contudo, ainda que o contribuinte tivesse apurado saldo credor no período correto, a "simulação" apresentada não prova que as supostas aquisições foram de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, assim considerados nos termos da legislação aplicável, oneradas pelo IPI. ... Assim, por não restar configurado pagamento indevido, não se ter apurado saldo credor ressarcivel de acordo com a legislação do IPI, nem se provado a certeza e liquidez dos alegados créditos extemporâneos, voto que se julgue a manifestação como improcedente.." Conforme pode ser visto na decisão guerreada, a motivação para o indeferimento do pedido foi a falta de comprovação da existência dos créditos, em que pese a discussão da forma escritural utilizada pela Recorrente. A decisão da primeira instância deixou Fl. 173DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 cristalino, que as aquisições de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários não foi comprovada na impugnação. Para melhor enfrentar a questão, vejamos o enunciado do artigo 170, do Código Tributário Nacional – CTN, que ao disciplinar o instituto da compensação, exige certeza e liquidez dos créditos alegados. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do despacho decisório. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por informações constantes da PER/DCOMP. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do erro alegado. A simples alegação sem a apresentação de documentação comprobatória, não pode ser analisada, muito menos, obrigar a outra parte que promova a busca das provas necessárias à comprovação dos fatos constantes do recurso. O Fisco decidiu utilizando as informações apresentadas pela própria Recorrente e no caso em tela alegou pagamento indevido ou a maior e, na Manifestação de Inconformidade alegou que o crédito não se tratava de pagamento indevido ou a maior, mas de crédito básico de IPI, apurado nas aquisições de matériasprimas, produto intermediário e material de embalagem. A autoridade de primeira instância considerou as alegações constantes da manifestação e não vislumbrou a existência de provas nos autos que pudessem provar as alegações da Recorrente. Posteriormente, já ciente da decisão da autoridade a quo, veio a Recorrente aos autos e interpôs recurso, mas novamente, apresentou somente cópias de parte do livro de apuração do IPI, sem demonstrar a origem dos valores ali escriturados, não foram trazidas Notas Fiscais, ou quaisquer outras informações que pudessem confirmar a existência de aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários que não tenham sido escriturados na data correta. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non para a compensação. Reconhecer créditos pendentes de certeza e liquidez é inaplicável. Apreciando a matéria, podemos nos socorrer do entendimento de Luciano Amaro, que resolve a questão ao reafirmar a necessidade da prova para obtenção do indébito tributário. “O pagamento de certa quantia, a título de tributo, embora sem nenhuma ressalva, não implica, portanto, “confissão de dívida tributária”. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 10830.917549/200962 Acórdão n.º 3102001.784 S3C1T2 Fl. 173 5 Isso não significa que, em toda e qualquer situação, nunca se tenha de provar matéria de fato no âmbito da repetição de indébito tributário. Se alguém declara à Fazenda Federal a obtenção de rendimento tributável, não pode pleitear a devolução com a mera alegação de que não percebeu aquele rendimento; requerse a demonstração de que o rendimento efetivamente não foi percebido ou que, dada a sua natureza, não era tributável. Isso porque a declaração feita se presume verdadeira. Recordese que, como referimos ao tratar do lançamento por declaração, o art. 147 do Código admite a retificação da declaração, provado o erro em que se fundamente o pedido. Da mesma forma, na restituição de tributo cobrado sobre a venda de certo produto, podese éter dilação probatória sobre a natureza, composição química, destinação etc. do produto, com vistas a classificálo como não tributável ou sujeito a menor alíquota, para o fim de definir eventual indébito, total ou parcial.”. 1 Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 2 Diante do exposto, por ausência de provas da existência do indébito tributário, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira 1 Luciano Amaro, Direito Tributário Brasileiro, 16ª ed., p. 448. 2 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 22/06/ 2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 29/05/2013 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13603.003277/2009-93
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
DESISTÊNCIA DO RECURSO. PAGAMENTO SEM RESSALVAS.
A extinção do débito sem ressalvas mediante pagamento, implica desistência do recurso e encerra o litígio no âmbito do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1803-001.730
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Roberto Armond Ferreira da Silva.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 DESISTÊNCIA DO RECURSO. PAGAMENTO SEM RESSALVAS. A extinção do débito sem ressalvas mediante pagamento, implica desistência do recurso e encerra o litígio no âmbito do processo administrativo fiscal.
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PAGAMENTO SEM RESSALVAS. A extinção do débito sem ressalvas mediante pagamento, implica desistência do recurso e encerra o litígio no âmbito do processo administrativo fiscal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Maria Elisa Bruzzi Boechat e Roberto Armond Ferreira da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 32 77 /2 00 9- 93 Fl. 48DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório TEAR TEXTIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, ,pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BELO HORIZONTE (MG), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o presente processo da exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais — Dacon, referente ao mês de maio de 2009, no valor de R$2.342,95 (com redução), apresentado em 19/08/2009, conforme Notificação de Lançamento de fl. 03. O enquadramento legal do lançamento é o art 70 da Lei rf 10.426, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Em 18/09/2009, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01/02, tendo alegado que, desde outubro/2008, a empresa estava esperando a nova versão do Dacon, superior a 1.3 da época, tendo conseguido verificar a versão 2.1 somente no dia 10/08/2009. Dessa forma, na transmissão do Dacon do mês em questão (transmitido em 19/08/2009), teria o impugnante se surpreendido com a multa pela entrega em atraso, ressaltando ainda que as obrigações constantes do demonstrativo foram recolhidas no prazo. Diante da confusão das versões, o impugnante pede que seja desconsiderada a multa aplicada na entrega do Dacon após 07/08/2009. A DRJ BELO HORIZONTE (MG) através do acórdão nº 0228.904, de 05 de outubro de 2010 (fls. 18/20), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DACON MULTA POR ATRASO A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais — Dacon, com a opção de periodicidade mensal de entrega, após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte a incidência da multa por atraso correspondente. Ciente da decisão em 09/11/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 24), apresentou o recurso voluntário em 01/12/2010 fls. 25, onde afirma ser indevida a cobrança pois efetuou o pagamento do débito. É o relatório. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 13603.003277/200993 Acórdão n.º 1803001.730 S1TE03 Fl. 38 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch Embora tenha sido tempestiva a manifestação da contribuinte, seu suposto recurso não pode ser conhecido por esta instância julgadora. Com efeito, a manifestação constante da fl. 25 não se insurge propriamente contra a decisão de primeira instância, limitandose a questionar o aviso de cobrança enviado pela unidade de origem considerando ter efetuado o pagamento do débito objeto do litígio. O art. 78 do Regimento Interno do CARF dispõe: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3° Na hipótese de acórdão passível de recurso pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a desistência de recurso deverá ser precedida de renúncia do requerente ao direito sobre o qual se funda o recurso por ele anteriormente interposto. De acordo com o disposto no artigo transcrito e considerando o DARF constante da fl. 35, considero que houve a desistência sem ressalva do débito encerrando em conseqüência, o litígio no âmbito do processo administrativo fiscal. Não obstante, deve ser observado pela autoridade preparadora o pleito da Recorrente no sentido de se abster a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de cobrar exigência já recolhida (Darf de fls. 35). Ante o exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 50DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 10/07/201 3 por WALTER ADOLFO MARESCH
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Numero do processo: 10670.720495/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1401-000.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314-RG/SP (sob a sistemática do art. 543-B do CPC) e RE 410.054 AgR/MG.
Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 70 .7 20 49 5/ 20 11 -1 9 Fl. 12315DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10670.720495/201119 Resolução nº 1401000.193 S1C4T1 Fl. 12.351 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Juiz de ForaMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: Contra a contribuinte acima identificada foram lavrados autos de infração que lhe exigem um crédito tributário assim discriminado, com juros de mora calculados até 31/03/2011: Auto de Infração Valor (R$) IRPJ 4.241.419,29 IRF 6.314.629,01 PIS/Pasep 1.007.238,91 CSLL 1.950.201,61 Cofins 4.606.959,75 TOTAL 18.120.448,57 Na "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)" constante do Auto de Infração de IRPJ, o fiscal autuante relatou o seguinte: "Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte supracitado, efetuamos o presente Lançamento de Oficio, nos termos do art. 926 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. Razão do arbitramento no(s) período(s): 03/2006 06/2006 09/2006 12/2006 03/2007 06/2007 09/2007 12/2007 Arbitramento do lucro que se faz tendo em vista que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinar o Lucro Real, em virtude os erros e falhas descritos no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL anexo, que integra o presente auto de infração. Enquadramento Legal: A partir de 01/04/1999 Art. 530, inciso II, do RIR/99. 001 RECEITA OPERACIONAL OMITIDA (ATIVIDADE NÃO IMOBILIÁRIA) REVENDA DE MERCADORIAS Fl. 12316DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10670.720495/201119 Resolução nº 1401000.193 S1C4T1 Fl. 12.352 3 Valor apurado conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL anexo, que integra o presente auto de infração. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 532 do RIR/99. 002 OUTRAS RECEITAS Valor apurado conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL anexo, que integra o presente auto de infração. [...] ENQUADRAMENTO LEGAL Art. 536 do RIR/99. Os lançamentos da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins decorreram da omissão de receita apurada para o IRPJ, sendo que a CSLL também foi apurada pelo lucro arbitrado. Já o lançamento de IRF incidiu sobre pagamentos a beneficiários não identificados ou sem causa. No Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 139/168), a autoridade lançadora assim sintetizou a apuração dos tributos lançados: VI. DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DEVIDOS, NÃO DECLARADOS E NÃO RECOLHIDOS: A fiscalizada não apresentou Declaração de Informações Econômico Fiscais (DIPJ) relativas aos anoscalendário 2006 e 2007. Aliás, conforme cadastro do CNPJ a JB não apresentou nenhuma DIPJ até o presente momento. Em relação à apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), do período fiscalizado, consta apenas a entrega da declaração n° 1002.006.2006.2080089992, relativa ao 1o semestre/2006. Na mesma foram declarados débitos relativos ao imposto sobre a renda retido na fonte IRRF, códigos de receita 1708 (remuneração serviços prestados por pessoa jurídica) e 3208 (aluguéis e royaltes pagos a pessoa física), não tendo sido declarados débitos relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativos ao período fiscalizado. [...] VI1 APURAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE AS RECEITAS ESCRITURADAS: Foram lançados de ofício os valores devidos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS incidentes sobre as receitas escrituradas nas contas contábeis relacionadas a seguir: [...] As receitas estão discriminadas nos demonstrativos anexos RECEITAS OPERACIONAIS ESCRITURADAS e RECEITAS NÃO OPERACIONAIS ESCRITURADAS. As receitas escrituradas foram utilizadas como base para arbitramento do lucro por estarem em consonância com os valores das operações de saída do ICMS, obtidas através do sistema SICAF, da Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais. Fl. 12317DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10670.720495/201119 Resolução nº 1401000.193 S1C4T1 Fl. 12.353 4 Não foram localizados quaisquer pagamentos de IRPJ e CSLL referentes aos anos fiscalizados. Assim sendo, não foram descontados quaisquer valores dos créditos tributários apurados e lançados de ofício, relativos a tais tributos. Foram localizados pagamentos de COFINS NAOCUMULATIVO referentes aos períodos de apuração agosto/2006 a dezembro/2007 e de PIS NAOCUMULATIVO, dos períodos de apuração agosto/2006 a agosto/2007 e de outubro a dezembro/2007. Tais pagamentos foram deduzidos dos valores apurados sobre as receitas de vendas escrituradas, conforme consta nos demonstrativos anexos PIS APURAÇÃO REFLEXA SOBRE RECEITA ESCRITURADA, relativos aos anoscalendário 2006 e 2007, e COFINS APURAÇÃO REFLEXA SOBRE RECEITA ESCRITURADA, dos mesmos períodos. VI2 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE INCIDENTE SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS OU SEM CAUSA: Conforme relatado no item IV2 do presente termo, o contribuinte escriturou diversos lançamentos que representariam ingresso de recursos na conta caixa, à crédito das contas relativas aos bancos, cujos históricos nos extratos bancários, tais como CHEQUE COMPENSADO, TRANSFERÊNCIA ONLINE, PAGAMENTO DE TÍTULO, EMISSÃO DE DOC, EMISSÃO DE TED, PAGAMENTO DE CONTAS, não são compatíveis com operações de suprimento de caixa, mas que se referem a pagamentos efetuados ou a recursos entregues/transferidos a terceiros. [...] Ante o exposto, sobre os pagamentos para os quais a intimada não apresentou documentos comprobatórios hábeis e idôneos, ou seja, não identificou os beneficiários, as operações ou causas das mesmas, foi apurado o IMPOSTO DE RENDA NA FONTE (IRF). Destaco que os pagamentos especificados nessa planilha foram considerados como rendimentos líquidos e foi realizado o reajustamento da base de cálculo, conforme disposto no § 3o do artigo 674 do RIR 99. Sobre o IRPJ, a CSLL, o PIS/Pasep e à Cofins foi aplicada a multa qualificada no percentual de 150%, tendo sido também efetuada representação fiscal para fins penais, que compõe processo distinto deste. A qualificação da multa foi assim justificada no TVF: VIII. CARACTERIZAÇÃO DE SONEGAÇÃO FISCAL, FRAUDE E CONLUIO E APLICAÇÃO DE MULTAS DE OFICIO QUALIFICADAS: [...] Conforme relatado exaustivamente neste termo, ficou demonstrado que a empresa JB, seus sócios e o grupo econômico de que faz parte, incidiram em práticas que caracterizam sonegação fiscal, fraude e conluio, nos termos dos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964. Destaco as seguintes práticas adotadas: • Falta de apresentação de declarações Não foram apresentadas quaisquer DIPJ's da empresa, desde a sua constituição, implicando em omissão na prestação de informações legais ao fisco. Da mesma maneira, foi apresentada tão somente a DCTF referente ao 1o semestre/2006, sem informação dos débitos devidos à título de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, não tendo sido apresentadas as DCTFs relativas aos demais períodos fiscalizados, implicando em omissão na declaração dos tributos devidos e na falta de recolhimento dos mesmos. Fl. 12318DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10670.720495/201119 Resolução nº 1401000.193 S1C4T1 Fl. 12.354 5 • Apresentou escrituração contábil eivada de vícios, irregularidades e inconsistências, na malfadada tentativa de justificar os valores de créditos e débitos constantes dos extratos bancários, implicando na escrituração totalmente irregular das contas contábeis referentes ao movimento bancário e ao caixa da empresa, dentre outras. • Os diversos intimados tentaram, de maneira orquestrada, ocultar o fato de que a empresa fiscalizada integra grupo econômico, obstaculizando a cobrança dos valores dos tributos devidos, não declarados e não recolhidos, conforme descrito no item VII, do presente termo. Por fim, a fiscalização incluiu no polo passivo da obrigação tributária as pessoas listadas abaixo, a título de responsáveis tributários, nos seguintes termos: IX. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA: [...] Ante os fatos relatados neste termo, considerando o disposto nos artigos 121, inciso II e 124, inciso I, do CTN, ficou caracterizado que os sujeitos passivos a seguir relacionados são solidariamente responsáveis pelos créditos tributários referentes a IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e IRRF. constituídos de ofício, tendo em vista a caracterização da prática de SONEGAÇÃO FISCAL, FRAUDE e CONLUIO, que implicaram na responsabilidade tributária e em sujeição passiva solidária, nos termos da legislação vigente: JOÃO BATISTA OLIVEIRA, CPF 201.276.18600. ZILDA CAETANA DOS SANTOS OLIVEIRA, CPF 032.353.8363,8. JACIMARIA DE JESUS, CPF 163.782.37620. FREDERICO LAVORATO ARANTES, CPF 062.258.32637. PEDRO JUNIO DE OLIVEIRA, CPF 014.121.20632. WALDIR ROCHA PENA, CPF 604.305.16649. WALTER SANTANA ARANTES, CPF 312.152.03691. Os mesmos serão cientificados da responsabilidade tributária e da sujeição passiva solidária, bem como dos autos de infração lavrados, mediante Termos de sujeição passiva solidária. A contribuinte COMERCIAL DE ALIMENTOS JB LTDA. impugnou o lançamento às fls. 12.185/12.210. Consoante os argumentos ali aduzidos, ao final assim concluiu: A fiscalização teve à sua disposição 23 meses que foram dedicados à coleta de uma quantidade, podemos dizer assombrosa, de papeis, muitos dos quais, atrevo afirmar, impertinentes e fora do foco do processo em si. A Impugnante, para contestação e exercício de seu direito de defesa, demanda o exame de todo o material coletado, operação inviável porque o tempo disponível para sua execução é extremamente limitado, dados a restrição legal e o volumoso trabalho fiscal. Fl. 12319DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10670.720495/201119 Resolução nº 1401000.193 S1C4T1 Fl. 12.355 6 Tendo isto em vista, a Impugnante, desde já, protesta pela apresentação de aditamento a esta peça de defesa, tão logo consiga, empenhada em exaustivo e tedioso trabalho, contornar os obstáculos que se antepõem ao exame completo de todos os papeis juntados. Nesta oportunidade deseja enfatizar que a exigência fiscal imposta é fruto, talvez, de condições adversas enfrentadas pela autoridade fiscal lançadora no desenvolvimento de seus trabalhos. A indiscutível capacidade técnica detida pelos agentes fiscais da Receita Federal detectaria, imediatamente, se essa, fosse a verdade, a impossibilidade dos registros contábeis comprovarem sua própria correção. Ao demandar um trabalho de 23 meses, evidenciase que o agente fiscal defrontouse com uma escrituração que pôde ser examinada à exaustão. Considerando que foram examinados os anos de 2.006 e 2.007, isto é, 24 meses de funcionamento de uma empresa de pequeno porte tomouse outro tanto de tempo para o exame fiscal. Para considerar e provar que a escrituração era inservível, não demandaria senão uma pequena fração de tempo desses 23 meses. Mas a fiscalização, ao final, argue a inutilidade da escrita contábil, sem provála. Ao contrário utiliza dela tentando sustentar o argumento de que não foram provadas certas destinações de recursos empregados no pagamento de prestadores de serviços e fornecedores. Isto posto, e considerando que a Impugnante mantém escrituração contábil e fiscal, na forma das leis comerciais e fiscais e, intimada, colocou seus livros à disposição da fiscalização, como consta do próprio Termo de Verificação Fiscal; Considerando que os recursos, registrados como saques nos extratos bancários, destinaramse ao atendimento das necessidades de funcionamento da Impugnante, como compra de mercadorias, pagamento a fornecedores e pessoal e o fato de a fiscalização ter tido dificuldade para identificar endossos em alguns cheques não significa, em nenhuma hipótese, pagamento a beneficiário não identificado; Considerando que a Impugnante não praticou qualquer ato que possa ser classificado como de sonegação fiscal, fraude ou conluio e as acusações da fiscalização não foi acompanhada de prova irrefutável do ato criminoso; Considerando tudo o mais que consta, a signatária requer dessa autoridade julgadora seja declarada a improcedência do feito fiscal e determinado o arquivamento do processo, por ser de JUSTIÇA. Dentre os responsabilizados, apresentaram impugnação, separadamente, os Srs. WALDIR ROCHA PENA, WALTER SANTANA ARANTES, FREDERICO LAVORATO ARANTES e PEDRO JÚNIO DE OLIVEIRA, pedindo a exclusão do polo passivo tributário em razão de não possuírem "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal" e nunca terem mantido "relacionamento com a citada COMERCIAL DE ALIMENTOS JB LTDA. seja como participante do quadro societário, ou funcional, ou em cargos de direção". Em sede de preliminar, manifestaram estranheza, "seja pela sua inclusão como sujeito passivo, seja pela violação do sigilo fiscal resultante da exposição dos trabalhos desenvolvidos em empresa com a qual não mantém, nunca manteve nem pretende manter, qualquer vínculo seja em participação societária ou de direção." No mérito, alegaram o seguinte: Fl. 12320DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10670.720495/201119 Resolução nº 1401000.193 S1C4T1 Fl. 12.356 7 WALDIR ROCHA PENA A única referência ao signatário relacionase ao fato de ter comparecido, voluntariamente, para esclarecer quanto ao uso da expressão SUPERMERCADOS BH, ocasião em que informou que a empresa GUGA COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. a adotou, durante certo tempo, como nome de fantasia e, posteriormente, como denominação. Essa mudança se deveu ao fato de que a expressão estava registrada por terceiros impedindo seu uso enquanto não liberada pelo detentor do direito. O detentor do direito de uso da expressão, de quem a empresa GUGA COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. adquiriu o direito de uso, não é a COMERCIAL DE ALIMENTOS JB LTDA que a utilizava, indevidamente. Cumpre destacar que no próprio termo de verificação fiscal encontrase registrado o comparecimento espontâneo do ora impugnante na condição de representante legal de SUPERMERCADOS BH. COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Onde por si só este ato refuta quaisquer alegações no sentido de procrastinação ou coisa que o valha no sentido de prejudicar o trabalho fiscal, aliado a isto todas as demais intimações foram respondidas a tempo e a hora. Ao ensejo impossível deixar de destacar expressamente que as alegações de grupo econômico são desprovidas de qualquer fundamentação uma vez que ausentes os pressupostos caracterizadores deste fato vez que tratamse de empresas diversas e totalmente distintas entre si. Aliado a este fato as presunções de simulação ou fraude não se sustentam, uma vez que ausentes atos por parte do impugnante neste sentido, as ilações constantes do termo de verificação fiscal se mostram frágeis e indevidas para tanto, faltando qualquer conjunto probatório para sustentar esta tese com deveria existir para a manutenção da mesma nos termos do previsto no CTN. Ao contrário o que se demonstra fartamente é uma ausência de interesse comum por parte do impugnante para que se justifique a pretendida solidariedade, bem como ausentes quaisquer atos que ensejassem a caracterização de que as pessoas envolvidas atuaram concretamente junto a sociedade contribuinte de forma a determinar a realização do fato gerador e decidir pelo descumprimento das obrigações tributárias. WALTER SANTANA ARANTES A única referência ao signatário relacionase ao fato de, na condição de produtor rural, ter vendido cabeças de gado à COMERCIAL DE ALIMENTOS JB LTDA, operações puramente comerciais, que não vinculam o requerente ao quadro societário ou diretivo da referida empresa, desqualificando, pois, sua inclusão como sujeito passivo solidário. PEDRO JÚNIO DE OLIVEIRA No referido Termo não existe qualquer referência ao signatário como participante dos negócios da referida empresa COMERCIAL DE ALIMENTOS JB LTDA. Cumpre ainda destacar o fato de que, para que outra pessoa seja eleita como sujeito passivo esta deve participar da ocorrência do fato gerador, o que no caso em tela inexistiu, salientando ainda a fragilidade das argumentações da fazenda pública posto que as alegações de simulação, não passam de ilações faltando ainda qualquer ajunto Fl. 12321DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10670.720495/201119 Resolução nº 1401000.193 S1C4T1 Fl. 12.357 8 probatório neste sentido ou no sentido de caracterizar a atuação concreta na realização do fato gerador do tributo da obrigação tributária. FREDERICO LAVORATO ARANTES No referido Termo existe uma única referência ao signatário, quando é identificado como filho do sr. Walter Santana Arantes. É o relatório. A DRJ Manteve os lançamentos, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 ARBITRAMENTO. ESCRITURAÇÃO. VÍCIOS. Implica o arbitramento do lucro a escrituração que revele evidentes indícios de fraudes ou contenha vícios, erros ou deficiências que a torne imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária, ou determinar o lucro real. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase aos litígios decorrentes, referentes a outros tributos, quanto à mesma matéria fática. IRRF. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. PRESUNÇÃO LEGAL. Em face de previsão legal expressa, se sujeita à incidência do imposto de renda, exclusivamente na fonte, todo pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado, ou quando não for comprovada a sua causa ou a operação a que se refere. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO PARA O PERCENTUAL DE 150%. Correta a aplicação da multa qualificada quando evidenciado nos autos a sonegação, a fraude ou o conluio, consoante definição contida nos artigos 71 a 73 da Lei n.° 4.502/64. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. TERCEIROS ESTRANHOS AO QUADRO SOCIETÁRIO. É apropriada a responsabilização solidária quando o interesse comum nas situações que constituem os fatos geradores das obrigações autuadas se evidencia por meio de um conluio objetivando a sonegação. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário de fls. 12250/12280 a este CARF. É o Relatório Fl. 12322DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10670.720495/201119 Resolução nº 1401000.193 S1C4T1 Fl. 12.358 9 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Preliminarmente, verifico que a contribuinte admitiu à época, a impossibilidade de prestar as informações demandadas pela fiscalização, dessa forma a fiscalização obteve por meio de Requisições de Movimentação Financeiras – RMFs (5826/5830), extratos bancários, cópias de cheques compensados, de TED's e DOCs emitidos e de documentos relativos a transferências e demais transações efetuadas, contabilizados como suprimento de caixa. Com base em tal documentação lançou se IRPJ/Reflexos Nesse contexto, a constitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001, que autoriza o fornecimento de informações financeiras ao Fisco sem autorização judicial, encontrase sob a análise do Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543B do CPC) e RE 410.054 – AgR/MG. Considerando o disposto no § 1º do art. 62A do Anexo II do RICARF (incluído pela Portaria MF nº 69/09) c/c art. 2º da Portaria CARF nº 001/2012, proponho o sobrestamento do julgamento do presente recurso voluntário, até o trânsito em julgado da decisão a ser proferida pelo STF no aludido RE 601.314RG/SP. Encaminhese o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, para que sejam observados os procedimentos previstos no § 3º do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001/2012. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 12323DF CARF MF Impresso em 19/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 04/06/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 35464.004940/2006-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 01/11/2001
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO.
Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62-A do Regimento Interno do CARF.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.127
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO, AO RESPECTIVO PRAZO DECADENCIAL, DO ARTIGO 150, PARÁGRAFO 4º. DO CTN. OBSERVÂNCIA DA DECISÃO DO STJ PROFERIDA EM JULGAMENTO DE RECURSO REPETITIVO. Nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, se houve pagamento antecipado, o respectivo prazo decadencial é regido pelo artigo 150, parágrafo 4º. do CTN, nos termos do entendimento pacificado pelo STJ, em julgamento de recurso especial, sob o rito de recurso repetitivo, tendo em vista o previsto no artigo 62A do Regimento Interno do CARF. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann – Relatora FORMALIZADO EM: 01/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, com fundamento em divergência jurisprudencial. Foi lançado crédito, no valor de R$ 22.739.772,73, consolidado em 11/12/2006, concernente às competências de 01/1999 a 12/2005. Conforme o relatório fiscal de NFLD: “2.1. Verificouse por meio das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF, dos anoscalendários de 1999 a 2005, que a empresa remunerou segurados contribuintes individuais (autônomos) — código de retenção 0588. A empresa não apresentou a folha de pagamento dos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Ademais, verificouse uma diferença de recolhimento entre os valores apurados nas DIRF e os valores recolhidos em GPS; 2.2. A empresa não comprovou o total do recolhimento das contribuições previdenciárias correspondente aos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais (autônomos) declarados nas DIRF. As GPS referentes aos autônomos apresentadas pela empresa foram consideradas e deduzidas no levantamento; 2.3. Para se determinar a parcela remuneratória, em decorrência da prestação de serviço entre o trabalhador contribuinte individual e o tomador do serviço, deve ser considerado o total das remunerações pagas a qualquer titulo. Estas não devem ser excluídas da base de calculo da contribuição; 2.4. Resultou infrutífera a intimação tanto para a empresa apresentar as folhas de pagamento, os Livros Diários, quanto Fl. 2DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35464.004940/200607 Acórdão n.º 920202.127 CSRFT2 Fl. 2 3 para revelar a quais segurados foram concedidos as remunerações pelos serviços prestados. Não foram apresentados, ainda, os documentos de suporte referentes aos lançamentos na escrituração contábil da empresa. Estes motivos levaram à autuação da empresa, conforme exposto no relatório fiscal; 2.5. Em razão disto, foi necessário o arbitramento do saláriode contribuição, conforme detalhado nos itens 3 a 9 do relatório fiscal. 3. Para o correto esclarecimento do contribuinte, também fazem parte da presente NFLD os anexos DAD — Discriminativo Analítico do Débito (que contém bases de cálculo e contribuições em valores originários e em moedas da época), DSD Discriminativo Sintético do Débito (que contém as 4) contribuições em, valores originários, os acrescimcs legais, totais por competência e total geral), DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento; RL Relatório de Lançamentos, RDA — Relatório de Documentos Apresentados, e FLD — Fundamentos Legais do Débito. 4. As fls. 73/95 e 105/273, encontramse copias dos seguintes documentos: Mandado de Procedimento Fiscal — Fiscalização e Complementares, TIAD — Termos de Intimação para Apresentação de Documentos e TEAF Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal, relativos à ação fiscal empreendida na empresa; copias de GPS: copies das DIRF; copias de planilhas; cópia de procuração; e cópia de Ata da Assembléia Geral extraordinária, realizada em 31/08/2006.” O contribuinte apresentou impugnação às fls. 276/298. Relatório Fiscal de NFLD presente às fls. 390/398 dos autos. Julgouse o lançamento procedente (fls. 403/411), nos termos da seguinte ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL CONSTITUCIONALIDADE / LEGALIDADE. É de 10 (dez) anos o prazo para apuração e constituição do crédito previdenciário, na inteligência do art. 45 da Lei n° 8.212/91. Incidem contribuições sociais sobre o total da remuneração dos segurados autônomos, na vigência da Lei Complementar n°84/96 até a competência de 02/2000. A contribuição a cargo da empresa é de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços (art. 22, inciso Ill da Lei n° 8.212/91, inciso acrescentado pela Lei n° 9.876, de 26/11/99, com vigência a partir de 03/2000). Compete exclusivamente ao Poder Judiciário decidir sobre matéria relativa a constitucionalidade/ legalidade. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 4 LANÇAMENTO PROCEDENTE O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 422/447). A antiga Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 486/502) julgou parcialmente procedente o recurso do contribuinte. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. DECADÊNCIA. Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n°s 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4°). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, § 4 ° do CTN. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL CONTRIBUIÇÕES. De acordo com a Lei Complementar n° 84/96, com vigência até 02/2000, incidem contribuições sociais sobre o total das remunerações dos segurados autônomos. Nos termos do art. 22 da Lei n° 8212/91, com a redação dada pela Lei n° 9876/99, a partir de 03/2000; é devida pela empresa, a contribuição de 20% incidente sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais. Recurso Voluntário Provido em Parte. Declarouse, por unanimidade de votos, a decadência concernente às contribuições apuradas até a competência de 11/2000. Por maioria de votos, declarouse a decadência, também, em relação à competência de 11/2001. Estabeleceuse, no acórdão, que “como não houve a demonstração por parte da fiscalização que não houve a antecipação de pagamento, para a aplicação da regra contida no artigo 173, entendo que há que se manter a regra geral e aplicarse ao caso a regra do artigo 150, §4°, do CTN”. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 506/508), os quais restaram rejeitados (despacho de fls. 522/523). A Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial por maioria (fls. 526/534), sustentando a ocorrência de violação ao artigo 173, inciso I, do CTN. Alegouse que: “É consenso na doutrina e jurisprudência pátrias que, em sede de tributo sujeito a lançamento por homologação, a aplicação do artigo 150, §4° do CTN somente possível quando o contribuinte, reconhecendo a ocorrência do fato gerador de determinado tributo, efetua o pagamento, ainda que parcial, possibilitando ao Fl. 4DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35464.004940/200607 Acórdão n.º 920202.127 CSRFT2 Fl. 3 5 Fisco a conferência posterior dos valores recolhidos, contrapondoos com os efetivamente devidos, efetuando o lançamento de oficio de eventuais diferenças. Concluise, pois, que o pressuposto primordial para a aplicação da regra de decadência constante do artigo 150, §4°, do CTN, é o pagamento antecipado parcial do tributo exigido. Noutro passo, diante da inexistência de qualquer pagamento, o prazo decadencial para a cobrança dos tributos sujeitos a lançamento por homologação é aquele constante do artigo 173, I, do CTN. Partindo dessa premissa e pousando a vista sobre o caso dos autos, verificase, ao contrário do que foi reconhecido pela e. Câmara a quo, que o contribuinte não efetuou qualquer antecipação de pagamento das contribuições relativas às rubricas lançadas, razão pela qual a regra a ser utilizada para a contagem do prazo decadencial é a constante do artigo 173, I, do CTN, e não a do artigo 150, §4°, do mesmo diploma legal. Tendo em conta que na decisão recorrida inverteuse a aplicação dos referidos dispositivos legais, afigurase inafastável a conclusão de que houve patente vulneração dos comandos neles encartados. Nessa perspectiva, cumpre enfatizar que o cerne da questão aqui debatida reside na análise da existência de pagamento antecipado de parte das contribuições previdenciárias exigidas, cujo reconhecimento tem a aptidão de atrair a incidência do art. 150, § 4°, do CTN. Em não havendo tal antecipação de pagamento, a aplicação do art. 173, I, do CTN é impositiva. Pois bem. No votocondutor do acórdão vergastado foi sufragada a concepção de que as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados devem ser analisadas como um todo, de modo que qualquer adimplemento de exação incidente sobre tal base de cálculo é bastante para configurar o pagamento parcial, ensejando, assim, a aplicação do art. 150, § 4°, do CTN. Todavia, o aludido raciocínio não pode prevalecer, sob pena de fulminar com as normas legais de regência e abrir ensanchas para injustiças e inauditas lesões ao Erário. Para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, para os fins ora colimados, afigurase óbvia a necessidade de verificarse se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. O caso em tela, observase que não houve o pagamento parcial das contribuições exigidas, sendo que o contribuinte sequer reconheceu tais rubricas como fatos geradores das mencionadas contribuições. Assim, não faz sentido dizer que houve pagamento parcial de contribuição previdenciária sobre essas rubricas. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 6 Desse modo, havendo lançamento do credito relativo à contribuição previdenciária devida no exemplo, é inexorável a conclusão de que não houve nenhum pagamento de qualquer fragmento do tributo cobrado pelo Fisco quanto àquele motivo (...) Na rota desse pensamento, cumpre averbar que se determinado fato relevante ao direito tributário gera contribuição previdenciária a cargo da empresa, nos termos da lei, o pagamento parcial antecipado estaria configurado tãosomente se houvesse recolhimento de valores atinentes àquele especifico fato (mesma rubrica contábil). Caso contrário, se o pagamento referese a outras situações fáticas também previstas em lei como geradoras do tributo, temse hipótese diversa e não há como se sustentar a existência de antecipação de pagamento. Alem dos fundamentos até aqui expendidos, é preciso ter em mente que a indevida aplicação do art. 150, § 4.°, do CTN, em detrimento da regra encartada no art. 173, I, daquele diploma legal, tem normalmente como efeito imediato a liberação de exações relativas a diversas competências, já que a decadência vai corroer créditos da União em interstícios nos quais não deveria operar nenhum efeito. E não é só. Alem de permitir a extinção de créditos que, a principio, são inteiramente legítimos, a decisão hostilizada confere ao contribuinte o poder de beneficiarse da sua própria torpeza. Isso porque ao deixar intencionalmente de recolher determinadas exações referentes a fatos que lhes geram a incidência, com o fim de burlar o Fisco, o entendimento aqui hostilizado ainda brinda o inadimplente com a benesse da contagem prevista no art. 150, § 4.°, do CTN, cedendo passo à extinção de créditos relativos a diversas competências. Por todas essas razões, considerando que o contribuinte sequer reconheceu os valores cobrados como salários de contribuição, ou seja, não reconheceu a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias lançadas na espécie, e com isso não efetuou qualquer antecipação de pagamento, ainda que parcial, imperativa a aplicação do art. 173, I, do CTN ao caso dos autos, para a contagem da decadência.” O contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 576/586). Voto Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente especificou o dispositivo legal que entende violado: artigo 173, inciso I, do CTN. No caso, a questão a ser decidida referese a qual dispositivo legal deverá reger o prazo decadencial: o artigo 173, inciso I, ou o artigo 150, §4°, ambos do CTN. Particularmente, para a aferição de qual dispositivo deverá incidir na hipótese, devese fixar a ocorrência ou não do pagamento antecipado. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35464.004940/200607 Acórdão n.º 920202.127 CSRFT2 Fl. 4 7 No caso, a ciência da NFLD, por parte do contribuinte, deuse em 11/12/2006. No acórdão recorrido, entendeuse que o direito do fisco à constituição do crédito tributário já se encontrava extinto, em relação ao período de 01/1999 a 11/2001. A recorrente alega que não houve pagamento antecipado parcial, tendo em vista que este somente pode ser considerado se o contribuinte reconhece a ocorrência do fato gerador, e efetua o pagamento parcial, no que se refere ao efetivamente devido. Considero, no entanto, que, para a aferição da ocorrência ou não do pagamento antecipado, que se requer seja parcial, basta que o contribuinte tenha recolhido algum valor, relativamente ao tributo discutido, o que efetivamente ocorreu no presente caso. Com efeito, no caso de se sufragar o entendimento sustentado pela recorrente, no sentido de que a o pagamento antecipado deve se dar especificamente em relação aos fatos geradores objetos da autuação, neste caso, dificilmente se constatará, em qualquer caso, a ocorrência de pagamento antecipado. No próprio documento de fls. 98, a fiscalização reconheceu expressamente a existência de pagamento antecipado, ao expor que: “2. Verificouse através das Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF dos anoscalendário de 1999 a 2005, que a empresa remunerou segurados contribuintes individuais (autônomos) Código de Retenção 0588. A empresa não apresentou as folhas de pagamento dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Verificase uma diferença de recolhimento entre os valores apurados nas DIRF's e os valores recolhidos em GPS. 3. A empresa não comprovou o total do recolhimento das contribuições previdenciárias correspondente aos pagamentos efetuados aos contribuintes individuais (autônomos) declarados nas DIRF' s. As GPS referentes aos autônomos apresentadas pela empresa foram consideradas e deduzidas no levantamento.” Neste sentido, adoto por premissa do meu voto, o entendimento de que, no caso, houve sim pagamento antecipado parcial. Passo à análise, desta forma, da ocorrência ou não da decadência. O entendimento desta relatora sempre foi no sentido de que, nos termos do artigo 150, parágrafo 4o., do CTN o que se homologa é a atividade do contribuinte e não o pagamento, de tal forma que, para o julgamento, não interessava a ocorrência ou não do pagamento. Conforme recente alteração do Regimento Interno do CARF, impõese a este tribunal administrativo a reprodução dos julgados definitivos proferidos pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil. Diante disso, temse que o STJ já enfrentou o tema objeto do presente recurso especial, julgandoo sob o rito dos recursos repetitivos, no seguinte sentido: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN 8 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 8DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN Processo nº 35464.004940/200607 Acórdão n.º 920202.127 CSRFT2 Fl. 5 9 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Desta forma, é de se ter que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo decadencial será regido pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, no caso de não ter havido o pagamento antecipado do tributo por parte do contribuinte e que será regido pelo artigo 150, parágrafo 4º, no caso da ocorrência do pagamento antecipado. Assim prevaleceu o entendimento segundo o qual o que se homologa é o pagamento. Como efeito prático da adoção do julgamento do STJ em recurso repetitivo, está que para os casos de Contribuições Previdenciárias, o entendimento é que o prazo decadencial, neste caso em que houve o pagamento antecipado, começou a fluir na data da ocorrência do fato gerador. No caso, a discussão recai sobre o período apurado até 11/2001, em relação ao qual, pela aplicação do artigo 150, §4°, do CTN, consumouse a decadência em 11/2006. A ciência da NFLD ocorreu em 11 de dezembro de 2006, de tal maneira, que sob a égide deste entendimento, ocorreu a decadência. Diante do exposto, adotando o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, por força do disposto no artigo 62A do regimento interno, que neste caso, pelas conclusões se equipara ao meu entendimento pessoal, nego provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 9DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/06/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por SUSY GOMES HOFFMANN
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000331/2007-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1996 a 31/12/2001
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO.
INFRAÇÃO. NÃO ENCAMINHAMENTO DE CÓPIA DE GPS AO
SINDICATO.
Incorre em descumprimento de obrigação acessória o contribuinte que deixou
de encaminhar cópia de Guia da Previdência Social (GPS) ao sindicato da
categoria de trabalhadores a seu serviço.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA
VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO
ART 173, I, CTN.
De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei
8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à
decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional.
O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias,
relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado
nos termos do art. 173, inciso I, do CTN.
DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da
legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da
efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.593
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período constante da autuação,
nos termos do artigo 173, I do CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. NÃO ENCAMINHAMENTO DE CÓPIA DE GPS AO SINDICATO. Incorre em descumprimento de obrigação acessória o contribuinte que deixou de encaminhar cópia de Guia da Previdência Social (GPS) ao sindicato da categoria de trabalhadores a seu serviço. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA PARCIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período constante da autuação, nos termos do artigo 173, I do CTN. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000331/200760 Acórdão n.º 2402002.593 S2C4T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória, prevista no art. 3o da Lei 8.870/1994 combinado com o art. 225, inciso V e § 18 do “caput”, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, que consiste em deixar a empresa de encaminhar mensalmente ao sindicato representativo da categoria profissional mais numerosa entre seus empregados cópias da Guia de Recolhimento das contribuições devidas à seguridade social arrecadadas pelo INSS, para as competências 01/1996 a 12/2001. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fl. 06), a empresa, apesar de devidamente intimada, não comprovou o encaminhamento mensal da GRPS/GPS ao sindicato da categoria profissional mais numerosa de seus segurados empregados. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 15) informa que foi aplicada a multa prevista nos art. 6o, inciso I, e art. 7o, ambos da Lei 8.870/1994, c/c os arts. 287 e 373, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999. O valor da multa aplicada foi de R$8.828,18 (oito mil oitocentos e vinte e oito mil e dezoito centavos). O valor obtido se refere a 58 (cinquenta e oito) ocorrências devidamente comprovadas (fls. 07/14) multiplicadas pelo valor mínimo de R$151,21(cento e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos), atualizada pela MPAS/GM no 119, de 18/04/2006. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 28/07/2006 (fl.01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 24/41), alegando, em síntese, que: 1. Da Decadência. Os autos de infração devem ser anulados, uma vez que a Previdência Social tem o prazo de cinco anos para apurar e constituir seus créditos. A seguir transcreve ementas de acórdãos proferidos pelos Tribunais Regionais Federais; 2. Da Contribuição de Autônomos Folha de Rendimentos incluindo pessoas físicas sem vínculo empregatício. O Auto de Infração não deve prosperar mesmo não sendo esse o entendimento desta Delegacia de Julgamento, posto que, as contribuições sociais exigidas nos autos são anteriores a EC 20/98, não sendo portanto considerados segurados obrigatórios os administradores e autônomos. Continua discutindo sobre a citada Emenda Constitucional sob o argumento de que a mesma não revigora a constitucionalidade dos termos administradores e autônomos, permanecendo a inconstitucionalidade até a atualidade. Termina o argumento referindo que a contribuição sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais é ilegal e inconstitucional à medida que amplia a base de cálculo sem a devida Lei Complementar; Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 3. Da contribuição destinada a Terceiros e SAT. Não há que se falar em recolhimento das contribuições destinadas ao INCRA e ao SalárioEducação, pois a atividade empresarial da contestante não estar ligada ao “Sistema S” nem ao sistema agrário do país. Com relação à contribuição destinada ao SAT, transcreve ementa do TRT da quarta região que entende como de risco leve a atividade desenvolvida pela administradoras de consórcio, sujeitandose assim à alíquota de 1% a título de SAT; 4. Do Vínculo Trabalhista. A fiscalização previdenciária não possui poderes para investigar a situação fática caracterizadora da relação empregatícia. Que no Relatório Fiscal não há qualquer prova ou elementos capazes de comprovar a existência do vínculo empregatício entre o suposto empregado e a empresa de modo a tornar legitima a imposição fiscal. Que as contribuições decorrentes desse ato devem ser cobradas na justiça do trabalho; 5. Das Multas. Existe verdadeira acumulação de multa, o que é proibido pelo direito, nem se diga que se trata de multas diferentes uma pela falta de recolhimento outra pela falta de declaração em documentos. Que a multa não pode ser cumulativa nem em duplicidade; 6. Dos documentos faltantes. Foi lavrado um auto de infração por não apresentação de folhas de pagamento, no entanto explica que as mesmas estavam em poder do antigo contador e estão sendo apresentadas em anexo, devendo dessa forma ser anulado o auto de infração n° 35.835.2630, anexa ainda a relação dos trabalhadores do arquivo SEFIP das competências 09/2000 a 04/2001; 7. Do Pedido. Pelas razões expostas requer a improcedência dos referidos autos de infração e os respectivos cancelamentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Campinas/SP – por meio do Acórdão 0518.026 da 8a Turma da DRJ/CPS (fls. 247/249) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto. A Notificada apresentou recurso (fls. 255/276), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados no auto de infração e no mais efetua as alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Jundiaí/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 294/296). É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000331/200760 Acórdão n.º 2402002.593 S2C4T2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 251/255) e não há óbice ao seu conhecimento. DA PRELIMINAR: Em sede de preliminar, faremos a verificação do instituto da decadência tributária, pois se constata que o lançamento fiscal em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei 8.212/1991. A decadência deve ser verificada considerandose a Súmula Vinculante 8, editada pelo Supremo Tribunal Federal, que dispôs o seguinte: Súmula Vinculante no 8 do STF: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Vale lembrar que os efeitos da súmula vinculante atingem a administração pública direta e indireta nas três esferas, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foram inseridos pela Emenda Constitucional 45/2004, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.(g.n.) Da análise do caso concreto, verificase que embora se trate de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória, há que se verificar a ocorrência de eventual decadência à luz das disposições do Código Tributário Nacional que disciplinam a questão ante a manifestação do STF quanto à inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/1991. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto ao lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º, o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. No caso, como se trata de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo, assim, para a apuração de decadência, aplicase a regra geral contida no art. 173, inciso I, do CTN. Asseverese que a questão foi objeto de manifestação por parte da Procuradoria da Fazenda Nacional por meio da Nota PGFN/CAT 856/2008 aprovada pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional em 01/09/2008, nos seguintes termos: “Aprovo. Frisese a conclusão da presente Nota de que o prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias relativas às contribuições previdenciárias é de cindo anos e deve ser contado nos termos do art. 173, I, do CTN.” Assim, como a autuação se deu em 28/07/2006, data da ciência do sujeito passivo (fls. 01), e a multa aplicada decorre do período compreendido entre 01/1996 a 12/2001, reconhecese que ocorreu parcialmente a decadência tributária e que deverão ser excluídos do total da multa os valores apurados até a competência 11/2000, inclusive. Com isso – como o crédito foi constituído com fundamento no direito potestativo do Fisco em lançar os valores da multa determinados pela legislação vigente –, a decadência tributária será parcial, eis que as competências posteriores a 12/2000 não estão abarcadas pelo instituto da decadência quinquenal. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000331/200760 Acórdão n.º 2402002.593 S2C4T2 Fl. 4 7 Diante disso, acato parcialmente a preliminar de decadência, excluindo os valores da multa lançados até a competência 11/2000, inclusive, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que – para as competências 01/2001 a 04/2001 e 06/2001 a 12/2001 – a Recorrente deixou de encaminhar mensalmente ao sindicato representativo da categoria profissional mais numerosa entre seus empregados cópias da Guia de Recolhimento (GRPS/GPS) das contribuições devidas à seguridade social arrecadadas pelo INSS. A ocorrência de que houve recolhimentos de valores à Previdência Social está demonstrada com as cópias dos documentos de fls. 07/14. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 3o da Lei 8.870/1994, transcrito abaixo: Art. 3°. As empresas ficam obrigadas a fornecer ao sindicato representativo da categoria profissional mais numerosa entre seus empregados, cópia da Guia de Recolhimento das contribuições devidas seguridade social arrecadadas pelo INSS. (grifos nossos) Esse art. 3o da Lei 8.870/1994 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, conforme dispõe em seu art. 225, inciso V e § 18: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) V encaminhar ao sindicato representativo da categoria profissional mais numerosa entre seus empregados, até o dia dez de cada mês, cópia da Guia da Previdência Social relativamente à competência anterior. (...) § 18. Para o cumprimento do disposto no inciso V do caput serão observadas as seguintes situações: I caso a empresa possua mais de um estabelecimento localizado em base geográfica diversa, a cópia da Guia da Previdência Social será encaminhada ao sindicato Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 representativo da categoria profissional mais numerosa entre os empregados de cada estabelecimento; II a empresa que recolher suas contribuições em mais de uma Guia da Previdência Social encaminhará copia de todas as guias; III a remessa poderá ser efetuada por qualquer meio que garanta a reprodução integral do documento, cabendo à empresa manter, em seus arquivos, prova do recebimento pelo sindicato e IV cabe à empresa a comprovação, perante a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social, do cumprimento de sua obrigação frente ao sindicato. (g.n.) O valor da multa aplicada, por sua vez, está em perfeita conformidade com o disposto art. 287 e art. 373, ambos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Regulamento da Previdência Social (RPS), Decreto 3.048/1999: Art. 287. Pelo descumprimento das obrigações contidas nos incisos V e VI do caput do art. 225, e verificado o disposto no inciso III do caput do art. 266, será aplicada multa de R$ 99,74 (noventa e nove reais e setenta e quatro centavos) a R$ 9.974,34 (nove mil, novecentos e setenta e quatro reais e trinta e quatro centavos), para cada competência em que tenha havido a irregularidade. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. É importante salientar que a infração ora analisada não depende da ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é exibir os documentos que comprovem o cumprimento de sua obrigação frente ao sindicato, não cabendo ao Fisco analisar os motivos subjetivos da sua apresentação deficiente. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Logo, não procede a alegação da Recorrente de que “(...) foi lavrado auto de Infração no 35.835.2649 decorrente da não apresentação das folhas de pagamento relativas às competências: 07/1996 a 12/2001. Ocorre que a falta de apresentação decorreu em razão dos documentos encontraremse, por um lapso, com o antigo contador da empresa”, eis que – nas competências 01/2001 a 12/2001 – ela deixou de encaminhar mensalmente ao sindicato representativo da categoria profissional mais numerosa entre seus empregados cópias da Guia de Recolhimento (GPS) das contribuições devidas à seguridade social arrecadadas pelo INSS. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000331/200760 Acórdão n.º 2402002.593 S2C4T2 Fl. 5 9 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para reconhecer que sejam excluídos, em decorrência da decadência tributária quinquenal, os valores apurados até a competência 11/2000, inclusive, na forma do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 16/05/20 12 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11065.001277/2009-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E A COOPERATIVAS.
Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62-A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas e cooperativas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96.
Recurso não conhecido em parte e provido parcialmente na parte conhecida.
Numero da decisão: 3401-002.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário quanto às matérias objeto de desistência e, na parte conhecida, dar provimento, nos termos do voto do Relator.
Júlio Cesar Alves Ramos Presidente
Emanuel Carlos Dantas De Assis Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Recorrente MOINHOS CRUZEIRO DO SUL S/A Recorrida DRJ PORTO ALEGRERS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PARCELAMENTO. RENÚNCIA A PARTE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. FIM DO LITÍGIO. A desistência a parte do recurso voluntário, em face de parcelamento, encerra o litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÕES A PESSOAS FÍSICAS E A COOPERATIVAS. Consoante interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recurso repetitivo, a ser reproduzida no CARF conforme o art. 62A do Regimento Interno deste Tribunal Administrativo, alterado pela Portaria MF nº 586, de 2010, matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de pessoas físicas e cooperativas dão direito ao Crédito Presumido instituído pela Lei nº 9.363/96. Recurso não conhecido em parte e provido parcialmente na parte conhecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário quanto às matérias objeto de desistência e, na parte conhecida, dar provimento, nos termos do voto do Relator. Júlio Cesar Alves Ramos – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 12 77 /2 00 9- 68 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Emanuel Carlos Dantas De Assis – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Robson José Bayerl (Suplente), Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 3ª Turma da DRJ, que julgou improcedente manifestação de inconformidade contra despacho decisório que reconheceu parcialmente direito ao ressarcimento do Crédito Presumido do IPI. Foram glosados do cálculo do benefício os valores correspondentes a 1) aquisições de insumos de pessoas físicas, 2) pagamento de serviços de fretes e 3) recálculo por não admissibilidade de retificação do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) para troca do regime de apuração. Apesar de o acórdão da DRJ tratar das três glosas, mantendoas, o contribuinte havia solicitado em 26/02/2010 (antes do julgamento da DRJ), desistência da manifestação de inconformidade, no que trata das glosas dos itens 2 e 3, acima (ver fl. 111). Informou que parcelou os valores relativos à parte com desistência, mantendo no litígio tão somente a contestação à glosa relativa às aquisições de pessoas físicas. No Recurso Voluntário, tempestivo, o contribuinte reitera que “incluiu no parcelamento os débitos compensados com crédito presumido de IPI apurado com base nos valores de fretes e na diferença resultante da modificação do regime de apuração para a sistemática da Lei nº 10.276/01”, pelo que permaneceu na lide, “assim, somente a discussão (...) sobre aquisições de pessoas físicas” (fl. 148, penúltimo parágrafo). Defende a inclusão, na base de cálculo do benefício, das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, observando que a questão já foi enfrentada pelo STJ no REsp nº 993.164/MG, submetido ao regime do art. 543C do CPC. Quanto às duas glosas em relação a cujos valores houve desistência do litígio, também considera necessária a reforma do acórdão da primeira instância, já que desconsiderada a informação sobre o parcelamento, requerendo ao final o provimento do recurso voluntário “para reconhecer o direito à inclusão na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores relativos às aquisições de insumos de pessoas físicas e cooperativas, bem como para reconhecer a inclusão no Refis da Crise (Lei 11.941/09) dos débitos compensados com crédito presumido de IPI decorrente de dispêndios com fretes e da alteração do regime de apuração” (fl. 157). É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Fl. 161DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.001277/200968 Acórdão n.º 3401002.281 S3C4T1 Fl. 161 3 O Recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que delo conheço. Em face da desistência parcial – relativamente aos valores glosados por conta de dispêndios com fretes e da alteração do regime de apuração do Crédito Presumido do IPI , resta uma única matéria a tratar: o direito (ou não) à inclusão, na base de cálculo do benefício, das aquisições de pessoas físicas e cooperativas. A pretensão de reconhecimento de inclusão no Refis da Crise (parcelamento de que trata a Lei nº11.941/09), posta no pedido da peça recursal, não pode ser atendida. É tema cuja análise descabe a este Colegiado, que de todo modo não integra o litígio. Aqui cabe apenas considerar a desistência parcial, havida em face do pedido de parcelamento, para não mais tratar da oposição às glosas por conta de dispêndios com fretes e da alteração do regime de apuração. Quanto à única matéria conhecida, cabe reconhecer o direito defendido pela contribuinte. Embora o tema seja tormentoso e envolva muita divergência, cabe dar provimento para reconhecer o cômputo, na base de cálculo do benefício, das aquisições de pessoas físicas e cooperativas, haja vista o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos recursos repetitivos. Em julgamentos anteriores votei contra a inclusão das aquisições de pessoas físicas e, até outubro de 1999, das aquisições de cooperativas por não haver incidência do PIS e Cofins nessas compras (a partir de novembro de 1999 a tributação do PIS e Cofins das cooperativas sofreu modificações, de modo que a isenção havida até outubro daquele ano cessou, sendo substituída por um regime de deduções específicas, e por isso atualmente cabe tratar as aquisições de cooperativas como as de outras pessoas jurídicas, para fins de cálculo do Crédito Presumido do IPI), mas atualmente curvose à posição adotada pelo STJ levando em conta o art. 62A do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes A corroborar o reconhecimento do direito defendido pela Recorrente, o Recurso Especial nº 993164/MG, julgado pela 1ª Seção do STJ na sessão de 13/12/2010, cuja ementa é a seguinte: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. 2. A Lei 9.363/96 instituiu crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS, ao dispor que: "Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares n os 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo . Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior." 3. O artigo 6º, do aludido diploma legal, determina, ainda, que "o Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador". 4. O Ministro de Estado da Fazenda, no uso de suas atribuições, expediu a Portaria 38/97, dispondo sobre o cálculo e a utilização do crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 e autorizando o Secretário da Receita Federal a expedir normas complementares necessárias à implementação da aludida portaria (artigo 12). 5. Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: Fl. 163DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.001277/200968 Acórdão n.º 3401002.281 S3C4T1 Fl. 162 5 "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." 6. Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. 7. Como de sabença, a validade das instruções normativas (atos normativos secundários) pressupõe a estrita observância dos limites impostos pelos atos normativos primários a que se subordinam (leis, tratados, convenções internacionais, etc.), sendo certo que, se vierem a positivar em seu texto uma exegese que possa irromper a hierarquia normativa sobrejacente, viciar seão de ilegalidade e não de inconstitucionalidade (Precedentes do Supremo Tribunal Federal: ADI 531 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 11.12.1991, DJ 03.04.1992; e ADI 365 AgR, Rel. Ministro Celso de Mello, Tribunal Pleno, julgado em 07.11.1990, DJ 15.03.1991). 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Documento: 13432923 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 17/12/2010 Página 2 de 4Superior Tribunal de Justiça Segunda Turma, julgado em 19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008; REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp Fl. 164DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). 10. A Súmula Vinculante 10/STF cristalizou o entendimento de que: "Viola a cláusula de reserva de plenário (CF, artigo 97) a decisão de órgão fracionário de tribunal que, embora não declare expressamente a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público , afasta sua incidência, no todo ou em parte." 11. Entrementes, é certo que a exigência de observância à cláusula de reserva de plenário não abrange os atos normativos secundários do Poder Público, uma vez não estabelecido confronto direto com a Constituição, razão pela qual inaplicável a Súmula Vinculante 10/STF à espécie. 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). 14. Outrossim, a apontada ofensa ao artigo 535, do CPC, não restou configurada, uma vez que o acórdão recorrido pronunciouse de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Salientese, ademais, que o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, como de fato ocorreu na hipótese dos autos. 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 11065.001277/200968 Acórdão n.º 3401002.281 S3C4T1 Fl. 163 7 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, 1ª Seção, REsp 993164 / MG, julgado em 13/12/2010, Relator Min. Luiz Fux, unânime). Pelo exposto, não conheço do Recurso no que diz respeito à desistência parcial e ao reconhecimento de inclusão no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941/2009 e, na parte conhecida, dou provimento para computar os valores das aquisições de insumos a pessoas e a cooperativas na base de cálculo do Crédito Presumido do IPI. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 166DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 16/07/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 15979.000297/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2402-000.373
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 79 .0 00 29 7/ 20 07 -1 6 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15979.000297/200716 Resolução nº 2402000.373 S2C4T2 Fl. 418 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento realizado em 29/10/2004. O lançamento constitui crédito sobre os segurados empregados em obra de construção civil. O recorrente, na condição de proprietário, sustenta não ser o responsável pela obra, que seria a empresa construtora. A fiscalização constatou que em todos os documentos da época em que realizada a obra, não há nenhum que se preste para a comprovação da participação da construtora, com exceção de um contrato de empreitada total que poderia ter sido preparado após o término da obra e, portanto, após a ocorrência dos fatos geradores. Seguem transcrições do relatório fiscal: Relatório Fiscal: 4. A origem das contribuições devidas é proveniente da Declaração e Informação sobre Obra — DISO, preenchida e assinada pelo representante da empresa Construtora Artec, que declarou ser a responsável pela obra de acordo com o disposto no art. 444 da IN 100/03. Desta forma, anexou à DISO, documentos para regularização da obra, conforme dispõe o art. 489 da referida Instrução Normativa. Pela análise dos documentos apresentados, apuramos que a construtora além de não estar habilitada para matricular a obra, sequer participou de sua execução. A obra evidentemente deveria ter sido matriculada e regularizada pelo proprietário, de acordo com a legislação previdencidria, conforme relatamos a seguir: • 4.1 — O alvará de construção, o projeto aprovado, a carta de habitação, toda a documentação foi emitida pela Prefeitura Municipal de Praia Grande em nome do proprietário, Valdinei Luz Guimarães Silva; • 4.2 — A empresa, que alega responsabilidade pela matricula, considerando contrato de empreitada total com o proprietário, não está habilitada com registro no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA); • 4.3 — Não foram apresentadas Notas Fiscais de Serviço emitidas pela empresa para o proprietário, nem documentos que comprovem mãodeobra da construtora com relação a obra em questão; • 4.4 — Inicialmente o proprietário havia matriculado a obra em seu nome; • 4.5 — As Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) apresentadas, se referem a mãodeobra própria do proprietário Valdinei Luz Guimarães Silva; • 4.6 — As Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS) apresentadas, foram recolhidas em nome e com a matricula do proprietário Valdinei Luz Guimarães Silva; • 4.7 — Embora convocado mediante oficio datado de 28/09/04, o contribuinte não compareceu para regularizar sua situação junto ao INSS. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15979.000297/200716 Resolução nº 2402000.373 S2C4T2 Fl. 419 3 Antes da decisão, o processo tramitou para diligência, o que resultou em relatório circunstanciado dos fatos apurados. A decisão de primeira instância foi anulada pela Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, uma vez que o contribuinte não havia sido cientificado do resultado da diligência. Em complemento ao recurso voluntário, então, o recorrente assim se manifestou: 2 O contrato correto (doc.em anexo) é o da obra do Edifício Residencial Juliane , localizado no Balneário Luzitana — Quadra 07 —Lote 01, sito a Rua Javaes n.° 100, Praia Grande/SP que foi firmado em 18 de agosto de 1999. 3. Com efeito, com a juntada do correto contrato de empreitada global as divergências apontadas no item 3 da diligência , ficam esclarecidas devendo ser novamente analisado para comprovar que o local e as datas do inicio da obra e assinatura do contrato estão corretas. 4. Com relação a responsabilidade dos débitos, não há o que se discutir, uma vez que o próprio INSS ao expedir a CEI n.° 42.490.00928/79 em nome de ARTEC PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA (pessoa jurídica) para mesma obra, reconheceu ser a ARTEC efetivamente o contribuinte para a mesma. ... 7 Ficou mais do que evidente a responsabilidade da empresa ARTEC pela obra, como já mencionado, o próprio INSS expediu uma nova matricula em nome da empresa ARTEC e não questionou a documentação apresentada no Platão fiscal na época, tal expedição está vinculada ao mesmo fato gerador da suposta divida que o INSS pretende cobrar do Manifestante. 13 Outrossim, a empresa ARTEC já havia iniciado ação judicial confessando o débito relativo ao mesmo fato gerador do débito da obra. Novo acórdão foi proferido após o saneamento do processo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DECADÊNCIA. E de cinco anos o prazo de que a seguridade social dispõe para constituir os seus créditos, contados, no caso de não ter havido recolhimento parcial, do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. CONTRATO SEM REGISTRO E SEM FIRMAS RECONHECIDAS. Se a atividade de construção civil não consta do objeto social da empresa e esta não está cadastrada no CREA e ainda o contrato de prestação de serviços não possui registro ou firmas A época reconhecidas, não há como acatar a alegação de transferência da responsabilidade da obra de seu proprietário para a suposta construtora, sobretudo quando nem por meio de notas fiscais logrou o autuado comprovar a efetiva prestação de serviços. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15979.000297/200716 Resolução nº 2402000.373 S2C4T2 Fl. 420 4 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE. Não cabe As autoridades que atuam no contencioso administrativo proclamar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo em vigor, pois tal competência é exclusiva dos órgãos do Poder Judiciário. Impugnação Improcedente... A pedido da Seção do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Santos, a autuante, juntando os documentos de fls. 69/102, se manifestou nos autos a respeito dos argumentos apresentados pelo impugnante. Nessa manifestação (fls. 103/111), a auditora fiscal assevera que: • toda a documentação relativa A obra e constante da DIso n° 186/2004, de 29/06/2004, está em nome da pessoa física Sr. Valdinei Luz Guimarães Silva; • a alteração da matricula CEI n° 38.270.01076/62, já existente em nome do sr. Valdinei Luz Guimarães Silva, para o CEI n° 42.490.0092879, em nome da pessoa jurídica Artec Projetos de Construção Civil e Contabilidade S.C.Ltda./Valdinei Luz Guimarães, foi efetuada em 16/06/2004 (observese que a autuante, nesse ponto, apesar de fazer corretamente referência As consultas de fls. 69/70, que dizem respeito aos números CEI acima citados, menciona, evidentemente por equivoco, como a matricula originalmente feita somente pelo sr.Valdinei a de n° 38.270.0104968, que não guarda relação com o presente processo); ... • a certidão positiva com efeitos de negativa foi obtida pela ARTEC, na matricula CEI 42.490.0092879 e não na matricula CEI 38.270.01076 62, que consta da NFLD; ... Ademais, o fato de a ARTEC ter confessado débitos em relação à matricula CEI n° 42.490.00928/79 e até mesmo ter a respectiva certidão negativa de débito significa tãosomente que a situação dela, da ARTEC, em relação à obra matriculada está regular perante o INSS. Quanto a isso, a auditora fiscal nada opôs. Pelo contrário, se a NFLD foi lavrada contra o sr. Valdinei Luz Guimarães Silva, que, como acima visto, é o legitimo responsável pela obra do Residencial Juliane, é certo que a RFB reconhece que a ARTEC não é a responsável por essa obra e, se porventura houver feito recolhimentos referentes a ela, é cabível o pedido de restituição, ou mesmo, existindo prova inequívoca de que tais recolhimentos decorreram de mãode obra realmente empregada pela empresa nessa obra, a imputação dos respectivos valores como pagamento nos presentes autos, não havendo que se falar, aqui, em bitributação. Por último, cabe esclarecer que a MM. Desembargadora, ao despachar o oficio para o INSS (if 274), determinou apenas o cumprimento da decisão proferida no Agravo de Instrumento (fls. 268/269), que não dizia respeito à matricula CEI n° 42.490.00928/79, Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15979.000297/200716 Resolução nº 2402000.373 S2C4T2 Fl. 421 5 uma vez que esta não era objeto de nenhuma das ações ajuizadas pela ARTEC. O fato de ter sido expedida a CND para tal matricula deveuse atitude da empresa de inserila — indevidamente, pelo que se pode inferir do que consta dos autos — no requerimento de fls. 270/273. Contra a decisão, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera as alegações iniciais: 8.1 O requerente é pessoa ilegítima para responder a presente NFLD, pois efetuou um contrato de empreitada globalizada com a empresa ARTEC —PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA, conforme contrato em anexo, sendo esta a única responsável; 8.2 As multas aplicadas pelo INSS no presente débito são de caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal de 1988, no inciso IV do art. 150. Não guardam relação com a atual situação econômica que atravessa o pais, nem com a gravidade da infração; 8.3 A taxa SELIC aplicada para corrigir o valor do crédito previdenciário é ilegal e inconstitucional; 8.4 O INSS, com ilicita conduta, capitalizou os juros na apuração dos valores que está cobrando, violando o art. 4, o do Decreto n.° 22.626, de 07/04/1933 e a Súmula n.° 121 do Supremo Tribunal Federal; 8.5 A empresa ARTEC — PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA impetrou Mandado de Segurança, pleiteando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a emissão da certidão positiva de débito com efeito de negativa; e Decadência. Em consulta ao referido processo judicial n° 2003.34.00.0401281 de autoria de ARTEC — PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA, verifico a seguinte decisão proferida em 03/11/2010: Intimese o devedor para providenciar o pagamento do débito, no prazo de 15 dias, sob pena de incidência de multa no percentual de 10% e penhora de bens, nos termos do art. 475J, do CPC, introduzido pela Lei nº 11.232/05. Submetido a julgamento, o processo foi convertido em diligência nos seguintes termos: Assim, para que se possa verificar a responsabilidade solidária da empresa ARTEC — PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA, necessita este órgão julgador que sejam trazidos aos autos, através das ações judiciais, em especial o processo n° 2003.34.00.0401281, maiores esclarecimentos sobre: a) existe decisão judicial nos processos de autoria da supracitada empresa que a trate como responsável, ainda que não exclusivamente, pela obra de construção civil objeto do lançamento fiscal? b) existe documento de confissão de dívida contra a supracitada empresa que se refira à obra em questão? Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15979.000297/200716 Resolução nº 2402000.373 S2C4T2 Fl. 422 6 Após cumprimento da diligência para resposta às questões acima, deve ser aberto ao recorrente e à empresa ARTEC — PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA prazo para manifestação de 30 dias. Em resposta à diligência assim se manifestou a DRFB em Santos/SP: Informamos que não constam parcelamentos em nome da citada empresa, tampouco em nome da pessoa física, VALDINEI LUZ GUIMARÃES SILVA, CPF 885.835.89887. Consta em nome da empresa ARTEC – PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA – ME, adesão ao parcelamento da Lei 11.941/2009, na modalidade L.11941RFBPREVART 1, entretanto, o mesmo foi rejeitado na consolidação, conforme telas do Sistema PAEX, em função de não ter sido apresentadas as informações de consolidação, conforme § 3º do ART. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6 de 2009, dentro do prazo estipulado que iniciou em 06/07/2011 e terminou em 29/07/2011. Não consta adesão à citada Lei em nome de VALDINEI LUZ GUIMARÃES SILVA. Assim, pelas pesquisas efetuadas no sistema DATAPREV INSS, SISTEMA DE COBRANÇA, CONSULTA DADOS DO PARCELAMENTO, (fls.407/409) E PAEX, CONSULTA, CONSCONTA (fls.410/412), no âmbito de parcelamento, não foi possível identificar débitos confessados contra a citada empresa que se refira à obra em questão. É o Relatório. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15979.000297/200716 Resolução nº 2402000.373 S2C4T2 Fl. 423 7 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Conforme Resolução às fls. 375 e seguintes, antes do retorno do processo a este CARF deve ser aberto prazo para manifestação dos interessados: “Após cumprimento da diligência para resposta às questões acima, deve ser aberto ao recorrente e à empresa ARTEC — PROJETOS E CONSTRUÇÕES LTDA prazo para manifestação de 30 dias.” Assim, voto pela conversão do julgamento em diligência. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/07/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 17/07/ 2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13805.000845/95-61
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Aug 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/1992 a 31/12/1994
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. SUBCONTRATAÇÃO.
O que define determinado dispêndio como verdadeiro repasse ou mero custo é a relação jurídica mantida com o terceiro. Há repasse quando o terceiro mantém relação jurídica direta com o cliente - com a fonte pagadora -, e o contratado atua como mandatário deste perante o terceiro no ato de pagamento; neste caso, a quantia entregue pelo cliente ao contratado pertencerá desde sempre ao patrimônio do terceiro, e o contratado a receberá do cliente com a obrigação congênita de entregá-la ao verdadeiro titular.
Agora, se a relação jurídica com o terceiro é contracenada pelo próprio contratado, não haverá repasse, mas simples subcontratação. Neste caso, a subcontratação atenderá a um interesse do contratado, o qual, por conveniência ou necessidade, prefere contar com o auxílio de outrem para adimplir uma obrigação sua assumida com o seu cliente.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-002.295
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Roberto Duarte Batista. OAB/SP nº 132.248.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Tranchesi Ortiz Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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BASE DE CÁLCULO. EMPREITADA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. SUBCONTRATAÇÃO. O que define determinado dispêndio como verdadeiro repasse ou mero custo é a relação jurídica mantida com o terceiro. Há repasse quando o terceiro mantém relação jurídica direta com o cliente com a “fonte pagadora” , e o contratado atua como mandatário deste perante o terceiro no ato de pagamento; neste caso, a quantia entregue pelo cliente ao contratado pertencerá desde sempre ao patrimônio do terceiro, e o contratado a receberá do cliente com a obrigação congênita de entregála ao verdadeiro titular. Agora, se a relação jurídica com o terceiro é contracenada pelo próprio contratado, não haverá repasse, mas simples subcontratação. Neste caso, a subcontratação atenderá a um interesse do contratado, o qual, por conveniência ou necessidade, prefere contar com o auxílio de outrem para adimplir uma obrigação sua assumida com o seu cliente. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Roberto Duarte Batista. OAB/SP nº 132.248. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 5. 00 08 45 /9 5- 61 Fl. 2825DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. Relatório Cuidase de auto de infração (fls. 172/178) lavrado em 21 de fevereiro de 1995, para lançamento de créditos da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – Cofins relativos ao período de maio de 1992 a dezembro de 1994, não declarados em DCTF e apurados em auditora a partir do Livro de Registro de Notas Fiscais de Serviços da recorrente. A recorrente impugnou o lançamento (fls. 180/200) arguindo: (a) imunidade recíproca: (a1) desfruta de imunidade recíproca a impostos, uma vez que é entidade paraestatal prestadora de serviço público; (a2) a Cofins é exação enquadrável como imposto; e (a3) sua imunidade é objeto da ação judicial declaratória nº 93.00097512, havendo litispendência em relação a esse argumento; (b) nãotributação de repasses: (b1) sua atividade é de mero gerenciamento e fiscalização de obras de diversos órgãos públicos, contratadas juntos a diversas construtoras; (b2) no âmbito de tais atividades de gerenciamento, incumbelhe efetuar os pagamentos devidos pelo “dono da obra” – os órgãos públicos – às construtoras; (b3) para tanto, emite contra os órgãos públicos nota fiscal de serviço no exato valor a ser repassado às construtoras (fls. 513/1656), o mesmo valor da nota fiscal de serviço que a construtora lhe emite; (b4) tão logo recebe o numerário, repassao imediata e integralmente aos seus verdadeiros titulares, as construtoras; (b5) sua remuneração pelo serviço de gerenciamento da obra consiste em uma “taxa de administração”, normalmente uma porcentagem do valor repassado às Fl. 2826DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13805.000845/9561 Acórdão n.º 3403002.295 S3C4T3 Fl. 11 3 construtoras, a qual, normalmente, era objeto de outra nota fiscal de serviços emitida por ela aos donos da obra; (b6) o valor da taxa de administração era reconhecido como faturamento seu, devidamente declarado em DCTF – e integralmente depositado em juízo nos autos da medida cautelar nº 93.00061313, preparatória da ação declaratória referida acima (fls. 1704/1749); (b7) a base de cálculo da autuação consiste precisamente dos valores repassados às construtoras, que não configuram seu faturamento ou receita, mas mero trânsito de numerário por sua contabilidade. Em 10 de outubro de 1996, a DRJ/São PauloSP proferiu uma inusitada decisão (fls. 1658/1660) em que: (a) não conheceu da impugnação relativamente ao crédito tributário principal lançado, em razão da concomitância do argumento de imunidade na ação judicial nº 93.00097512, declarandoo “devidamente constituído na esfera administrativa”; e (b) sobrestou o julgamento da impugnação relativamente à multa de ofício, devendo o mesmo ser retomado após o encerramento da ação judicial relativa à imunidade. Em 1º de dezembro de 1999, a recorrente trouxe aos autos documentos comprovando que as referidas ações cautelar e declaratória transitaram em julgado em 17 de outubro de 1997, com sentença de improcedência. Em 27 de abril de 2001, a DRJ/CuritibaPR, então, retomou o julgamento sobrestado pela DRJ/São PauloSP, e manteve a multa de ofício lançada, porém reduzindoa de 100% para 75%, em atenção à nova legislação mais benigna ao contribuinte (fls. 1861/1866). Sobreveio recurso voluntário em 11 de setembro de 2002 (fls. 1873/1886), no qual deduziuse: (a) prescrição do crédito tributário principal, que já estaria definitivamente constituído desde outubro de 1996 (quando do julgamento pela DRJ/São PauloSP), portanto há mais de 5 anos, sem ajuizamento de execução fiscal respectiva; e (b) intributabilidade de meros ingressos pela Cofins, nos termos já deduzidos na impugnação. O recurso tardou mais de cinco anos para subir ao então Conselho de Contribuintes, em razão de controvérsia sobre a exigibilidade de depósito recursal, dirimida afinal em mandado de segurança impetrado pela recorrente. Nesse ínterim, o crédito chegou a ser inscrito em dívida ativa e a execução fiscal chegou a ser ajuizada, sendo posteriormente encerrada sem julgamento de mérito, após a decisão mandamental que determinou o processamento do recurso voluntário ao Conselho (fls. 2103/2682). Em 3 de junho de 2009, a 2ª Turma da 2ª Câmara da 2ª Seção do CARF finalmente julgou o recurso (fls. 2683/2688) e anulou o processo a partir da decisão da DRJ/São Paulo, por entender que a renúncia administrativa decorrente da ação judicial nº 93.00097512 alcançava apenas o argumento de imunidade recíproca, e não o argumento relativo aos “repasses”; para aquela turma julgadora, ao estender os efeitos da renúncia Fl. 2827DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 4 administrativa também ao argumentos dos repasses, recusandose a apreciálo, a DRJ/São Paulo cerceou o direito de defesa da recorrente. Por isso, mesmo inexistindo argumento nesse sentido no voluntário, o CARF entendeu por reconhecer de ofício essa nulidade. Os autos, então, retornaram à DRJ/São PauloSP para novo julgamento da impugnação – apresentada no longínquo março de 1995 (fls. 180/200). Em 3 de março de 2011, a delegacia negou provimento à impugnação, entendendo que: (a) o argumento de imunidade recíproca estava prejudicado, ante a coisa julgada formada nos autos da ação judicial nº 93.00097512; e (b) os valores repassados às construtoras integram a base tributável da recorrente, pois configuram custos da sua atividade, irrelevantes à base de cálculo da Cofins. Interpôsse novo recurso voluntário (fls. 2742/1784) aos mesmos argumentos de (i) prescrição e (ii) não tributação de meros repasses. Eis o relatório. Voto Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz O novo voluntário interposto pela recorrente atende às formalidades aplicáveis, inclusive quanto à tempestividade, motivo pelo qual dele se conhece. 1 Prescrição. O argumento de prescrição deduzido no voluntário tem por premissa que o crédito tributário foi constituído definitivamente em outubro de 1996, quando da decisão irrecorrível da DRJ/São PauloSP que não conheceu do primeiro recurso voluntário interposto, tudo isso conforme – é forçoso reconhecer – consignou expressamente aquela mesma decisão (fls. 1658/1660). Naquela data, então, teria passado a fluir o prazo prescricional quinquenal segundo o art. 174 do CTN, o qual viria a expirar em outubro de 2001. Curioso notar que, para sustentar o argumento, a recorrente refuta teses que a princípio lhe favoreceriam. Diz, por exemplo, que a concomitância entre os contenciosos administrativo e judicial era mesmo total, uma vez que a pretensão de imunidade, por desonerála completamente do pagamento da Cofins, abrangia a pretensão menor da impugnação administrativa, cujo objeto era a desoneração parcial da contribuição (fls. 2755/2756). Pondera, ainda, que a decisão inicial da DRJ/São Paulo não lhe cerceou o direito de defesa (fl. 2759). Ao respaldar a decisão inicial da DRJ – postura aparentemente inusitada –, teve a recorrente o propósito óbvio de definir a data de sua prolação como a data de constituição definitiva do crédito, apostando assim “todas as suas fichas” na hipótese de prescrição. Fl. 2828DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13805.000845/9561 Acórdão n.º 3403002.295 S3C4T3 Fl. 12 5 Consigno aqui, muito rapidamente, meu entendimento pessoal em tudo concordante com o v. acórdão do CARF que anulou a decisão primeira da DRJ/São PauloSP, a meu ver teratológica por ao menos dois motivos: em primeiro lugar, porque ignorou o argumento relativo aos repasses, absolutamente distinto do argumento de imunidade; em segundo lugar, porque julgou o feito “em doses homeopáticas”, cindindoo em dois atos e momentos diferentes, procedimento que não se admite no processo administrativo. O acerto ou erro da decisão anulatória proferida pelo CARF, contudo, agora pouco importa. E não importa porque, evidentemente, não é esta a decisão recorrida, mas sim a segunda decisão da DRJ/São PauloSP. A anulação da primeira decisão da DRJ é premissa deste julgamento de agora. É um fato consumado. Contra ela, a recorrente poderia haver oportunamente interposto recurso especial à Câmara Superior, se lograsse atender os requisitos de admissibilidade; também poderia, ou poderá, ir a juízo. O que não cabe é reabrir essa discussão aqui, pois essa Turma obviamente não é instância revisora de decisão de outra Turma do mesmo Tribunal. Esse claríssimo equívoco de perspectiva fica muito evidenciado no próprio capítulo do voluntário dedicado à tese de prescrição, no qual a recorrente em nenhum momento se refere à decisão recorrida, mas única e diretamente à decisão do CARF. Chega a concluir que “não deve subsistir a decisão do Conselho de Contribuintes, porque esta sim, encontrase eivada de vício” (fl. 2762). O fato objetivo é que a decisão da DRJ/São Paulo proferida em outubro de 1996 está, hoje, anulada, o que significa dizer que não produziu nenhum efeito jurídico, entre eles o efeito, nela expressamente anunciado, de constituir definitivamente o crédito tributário objeto deste processo. Se é assim, inviável resta a tese de prescrição, que aqui fica rejeitada. 2 Pagamento às Construtoras: Repasse ou Subcontratação? Sem nos prolongarmos com incursões doutrinárias sobre tema tão profícuo em debates, adotamos o conceito de receita de Mariz de Oliveira:“é um acréscimo de direito que não acarrete qualquer prestação para o adquirente desse direito, pendente de cumprimento por ele; ou, ainda, receita é um acréscimo de direito para o respectivo adquirente que não atribua a terceiro qualquer direito contra o adquirente daquele primeiro direito” (A problemática das receitas de terceiros perante as bases de cálculo da contribuição ao Pis e da Cofins. Direito Tributário Atual, vol. 17. São Paulo: IBDT/Dialética, 2003. p. 70) O critério que definirá, como receita, um valor que transita pelas mãos da pessoa jurídica é a sua estabilização – leiase, estabilização jurídica, não econômica – no patrimônio desta. Se o recurso ingressa no patrimônio do possuidor em caráter definitivo, será receita. E se essa receita decorrer da venda de mercadoria ou da prestação de serviços, será – à luz da Lei Complementar nº 70/91 – faturamento. Isso significa que o simples ingresso de numerário em posse da pessoa jurídica não é faturamento, não é sequer receita. Faturamento é espécie de receita, que por sua Fl. 2829DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 6 vez é espécie de ingresso. Todo faturamento é receita, e toda receita é ingresso, mas a recíproca não é verdadeira: nem todo ingresso é receita. Essa hermenêutica, muito bem exposta no voluntário, é assim sintetizada por José Antonio Minatel: “Nem todo ingresso tem natureza de receita, sendo imprescindível para qualificálo o caráter de definitividade da quantia ingressada, o que não acontece com valores só transitados pelo patrimônio da pessoa jurídica, pois são por ela recebidos sob condição, ou seja, sob regime jurídico, o qual (...) não lhe outorga definitiva titularidade, pelo fato de os recursos adentrarem o patrimônio carregando simultânea obrigação de igual natureza” (Conteúdo do conceito de receita. São Paulo: MP, 2005. p. 100). E, se o numerário transitado não configurar faturamento (na disciplina da LC nº 70/91) ou, ao menos, receita (na atual disciplina da Lei nº 10.833/03), não integrará a base de cálculo da Cofins. Caso típico de ingresso alheio à espécie receita é aquele recebido com a obrigação congênita de entregar a um terceiro, que seja o seu verdadeiro titular. No jargão comercial, são os “repasses”. Os repasses configuram situação de nãoincidência da Cofins, estão desde sempre alheios ao âmbito possível de incidência da norma impositiva. Por isso, aliás, ao contrário do que se passa com as isenções, não necessitam de norma expressa que os retirem do campo de incidência da exação. O art. 3º, §2º, inciso III da Lei nº 9.718/98, que excluía os repasses da base de cálculo da Cofins, era, pois, norma “pedagógica” que apenas consignava, às expressas, uma nãoincidência. Sua revogação pela MP nº 2.15835, então, não modificou o status legal da matéria. A constatação é de Mariz de Oliveira: “Esse dispositivo manifestava explicitamente uma norma de não incidência das contribuições, (...) Em vista disso, a revogação do inciso II do §2º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pela atual Medida Provisória nº 2.15835, não afeta a intributabilidade dos meros ingressos ou entradas que devam ser transferidos à pessoa que detenha a titularidade do direito aos mesmos”. (op. cit. p. 94) É preciso, contudo, não confundir repasses com custos da pessoa jurídica contribuinte, sob o risco de converter a base de cálculo da Cofins, de receita, em lucro. Ao obrigarse, perante um cliente, à entrega de uma mercadoria ou à prestação de um serviço, o contratado pode, e comumente o faz, delegar a terceiro parcela, ou mesmo a totalidade, dos esforços necessários ao cumprimento da prestação assumida. É natural que, do valor recebido do cliente, o contratado use “imediatamente” uma parcela para pagar o terceiro que contribuiu com o cumprimento da prestação. Terseá, nessa hipótese, subcontratação, e não verdadeiro repasse, sendo que o valor pago pelo contratado ao subcontratado representará grandeza influente na sua lucratividade, mas não no montante total de receita auferida. Fl. 2830DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13805.000845/9561 Acórdão n.º 3403002.295 S3C4T3 Fl. 13 7 O que a meu ver define determinado dispêndio como verdadeiro repasse ou mero custo é a relação jurídica mantida com o terceiro. Há repasse quando o terceiro mantém relação jurídica direta com o cliente – com a “fonte pagadora” –, e o contratado atua como mandatário deste perante o terceiro no ato de pagamento; neste caso, a quantia entregue pelo cliente ao contratado pertencerá desde sempre ao patrimônio do terceiro, e o contratado a receberá do cliente com a obrigação congênita de entregála ao verdadeiro titular. Agora, se a relação jurídica com o terceiro é contracenada pelo próprio contratado, não haverá repasse, mas simples subcontratação. Neste caso, a subcontratação atenderá a um interesse do contratado, o qual, por conveniência ou necessidade, prefere contar com o auxílio de outrem para adimplir uma obrigação sua assumida com o seu cliente. Sob essas premissas, analisemos o caso concreto. A recorrente sustenta que presta, aos diversos órgãos públicos contratantes, serviços de fiscalização e gerenciamento de obras de construção civil (engenharia consultiva), e não serviços de construção civil propriamente. Tratamse, com efeito, de realidades bastantes distintas, tanto que captadas em itens distintos da Lei Complementar nº 116/03, disciplinadora do Imposto Sobre Serviços – ISS da competência municipal: “7.02 – Execução, por administração, empreitada ou subempreitada, de obras de construção civil, hidráulica ou elétrica e de outras obras semelhantes, inclusive sondagem, perfuração de poços, escavação, drenagem e irrigação, terraplanagem, pavimentação, concretagem e a instalação e montagem de produtos, peças e equipamentos; 7.19 – Acompanhamento e fiscalização da execução de obras de engenharia, arquitetura e urbanismo” Em princípio, o serviço de acompanhamento de obras não envolve, para o prestador, a obrigação de efetuar, em nome do “dono da obra”, os pagamentos aos empreiteiros e demais fornecedores do empreendimento. Nada impede, contudo, que tal incumbência seja adicionalmente prevista no contrato entre as partes, afinal os pagamentos no segmento de construção civil são comumente feitos à medida em que a obra evolui, e é a empresa fiscalizadora quem afere o andamento da obra através das chamadas “medições”. É, assim, perfeitamente possível, e até esperado, que a obrigação de efetuar os pagamentos seja atribuída contratualmente à fiscalizadora da obra. Enfim, o serviço de engenharia consultiva de fiscalização de obra não se desnatura em havendo pacto concomitante estipulando que a contratada irá receber da contratante os valores a serem, ato contínuo, entregues aos empreiteiros credores. O que é, a meu ver, fundamental para assegurar e manter esse objeto contratual é que haja relação jurídica direta entre o empreiteiro e o dono da obra. Afinal, o dono da obra é, obviamente, contratante de uma obra de construção civil, então alguém precisa prestarlhe (a ele, necessariamente) esse serviço; se o prestador não é a empresa fiscalizadora, eis que essa apenas fiscaliza a obra, então há de ser o empreiteiro, que se obriga diretamente perante o dono da obra. Fl. 2831DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 8 Pois bem. Para demonstrar os contornos da relação jurídica mantida com seus clientes, a recorrente trouxe aos autos um contrato celebrado com o “Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP – HCFMUSP”, uma autarquia estadual paulista (fls. 2065/2077). Segundo sua Cláusula Primeira, incumbe à recorrente “a elaboração dos estudos preliminares inclusive de localização, projetos básicos, projetos executivos, orçamentos detalhados, especificações, cronogramas físicofinanceiros, memoriais descritivos e contratação de todas as obras e serviços relativos às edificações”. A cláusula parece definir que a recorrente não será a empreiteira, cabendolhe apenas atribuições de engenharia consultiva, mas não esclarece em nome de quem a obra será contratada com terceiros, se em nome da própria recorrente ou do HCFMUSP. O parágrafo primeiro da mesma cláusula, a seu turno, incumbe a recorrente de “executar os serviços de ampliação, reforma, instalações de equipamentos e outros, em prédios novos ou já existentes”, o que já significa que a recorrente terá, sim, ao menos em alguma medida, atribuições de engenharia construtiva propriamente. A Cláusula Quarta do contrato dispõe que “após a elaboração dos projetos executivos e a aprovação pelo HCFMUSP, [a CPOS] contratará sua execução”, e o respectivo parágrafo primeiro estipula caber à recorrente “além da contratação da obra ou serviço, a fiscalização de sua execução”. Finalmente, a cláusula sexta dispõe que “o HCFMUSP responsabilizase pelo efetivo pagamento das medições realizadas e reajustes devidos ao executor de obra ou serviço, comparecendo como interveniente anuindo às cláusulas e condições estabelecidas [pelo CPOS]”. As Cláusulas Quarta e Sexta, reconheçase, favorecem a tese recursal, pois sugerem que as atribuições contratuais da recorrente serão (i) representar o cliente na contratação da empreiteira e (ii) fiscalizar a atuação da empreiteira. Trouxe, ainda, a recorrente, o contrato celebrado com a construtora “Método Engenharia S.A.” cujo objeto é justamente a execução da obra do HCFMUSP. E este documento, a meu ver, desdiz completamente a relação jurídica que se vislumbrava no contrato entre recorrente e HCFMUSP. Isso porque, ao contrário do que se imaginava a partir da leitura daquele primeiro contrato, neste a empreitada foi contratada direta e exclusivamente pela recorrente, e não pelo HCFMUSP. Em desacordo com a Cláusula Sexta do contrato com a recorrente, o HCFMUSP não comparece no contrato com a Método sequer na condição de interveniente. A relação jurídica com a empreiteira executora é, assim, estabelecida com a recorrente, e não com o seu cliente. A construtora não guarda nenhuma relação e, por conseguinte, nenhuma pretensão em relação ao HCFMUSP. Se a recorrente porventura não lhe paga, nem por isso poderá cobrar do HCFMUSP; e, se o HCFMUSP não pagar à recorrente, ainda poderá cobrar normalmente desta o preço dos serviços prestados, a demonstrar a completa autonomia entre as parêmias contratuais “HCFMUSP x Recorrente” e “Recorrente x Método”. Fl. 2832DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Processo nº 13805.000845/9561 Acórdão n.º 3403002.295 S3C4T3 Fl. 14 9 Ora, se a Método não presta serviços de construção civil ao HCFMUSP, quem os presta? Alguém há de prestar, afinal o HCFMUSP é o dono da obra, o proprietário do prédio erguido! Essa posição é ocupada, então, forçosamente, pela recorrente, o que faz da construtora mera subcontratada sua. A contratação da construtora atende, pois, ao interesse jurídico da recorrente, que assim entendeu conveniente proceder para adimplir a obrigação assumida com o seu cliente. É verdade que os valores pagos pela recorrente à Método equivalem precisamente aos valores pagos pelo HCFMUSP à recorrente. Para cada nota fiscal de valor $X emitida pela Método contra a recorrente, há uma nota fiscal de mesmo valor $X emitida pela recorrente contra o HCFMUSP (fls. 1896/2063). Há, inclusive, comprovantes bancários dos respectivos pagamentos, a afastar qualquer cogitação de simulação. Isso, contudo, não basta. Isso apenas demonstra que, na mensuração do preço do seu serviço, a recorrente mensurou corretamente o seu custo, de modo a manter a margem de lucro desejada. Enfim, o contrato entre a recorrente e a empreiteira levame a concluir que a sua relação com o HCFMUSP é de empreitada, e não de mera fiscalização de obra. Consigne, por oportuno, que do objeto social da recorrente também consta a atividade de construção civil (fl. 2121). Agora, mesmo no âmbito de uma relação de empreitada, é, ainda assim, possível caracterizar a relação entre empreiteiro e subempreiteiro como de repasse. Tratase da chamada “empreitada por administração”, na qual o empreiteiro assume a obrigação de erguer a obra, porém todos os insumos, pessoais e materiais, para tanto necessários sãolhe contratados, adquiridos e fornecidos pelo dono da obra contratante. Portanto, para que se pudesse subsumir o caso da recorrente ao regime de empreitada por administração, seria igualmente necessário que a contratação da empreiteira fosse realizada em nome do HCFMUSP ou, no mínimo, com a anuência deste, o que, como se viu, não ocorreu aqui. Registro, finalmente, que o contrato celebrado com o HCFMUSP foi o único juntado pela recorrente para revelar a natureza da relação jurídica mantida com todos os seus clientes. Da lista de fls. 241/284, constam mais de 40 órgãos públicos contratantes no período autuado. A meu ver, um único exemplo não pode ser considerado amostragem bastante para assegurar, com segurança, o regime de contratação de outras quarenta hipóteses. Por isso, mesmo que se entendesse que a relação com “Recorrente x HCFMUSP x Método” caracterizasse repasse, seria o caso de prover parcialmente o recurso para excluir da base tributada apenas as receitas relativas a esta relação contratual. Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. Fl. 2833DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ 10 (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 2834DF CARF MF Impresso em 01/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ, Assinado digitalmente em 24/07/20 13 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Numero do processo: 10925.900747/2008-57
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 30/11/1999
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, relativo a período de apuração do ano-calendário de 1999, quando demonstrado que a Recorrente deduziu da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, valor superior ao permitido por lei, o que descaracteriza por si só o indébito pleiteado.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada.
Numero da decisão: 1802-001.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 30/11/1999 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, relativo a período de apuração do ano-calendário de 1999, quando demonstrado que a Recorrente deduziu da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, valor superior ao permitido por lei, o que descaracteriza por si só o indébito pleiteado. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN). Não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 30/11/1999 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, relativo a período de apuração do anocalendário de 1999, quando demonstrado que a Recorrente deduziu da CSLL, a título de 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, valor superior ao permitido por lei, o que descaracteriza por si só o indébito pleiteado. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 07 47 /2 00 8- 57 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.87) que a seguir transcrevo: Por meio do Despacho Decisório constante nos autos, foi considerada não homologada a Declaração de Compensação DCOMP transmitida pela interessada, em que figura como crédito pagamento indevido ou a maior. Na fundamentação do referido despacho, consta que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados 'um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Irresignada com o referido decisório, a contribuinte encaminhou manifestação de inconformidade, na qual alegou, em resumo, o seguinte: que o entendimento não merece prosperar, uma vez que no período de pagamento do referido DARF, a Recorrente poderia ter compensado 1/3 da COFINS devida sobre o faturamento, mês a mês, com a contribuição social sobre o lucro liquido (CSLL); como pagou todos os valores de CSLL, nasceu o direito a postular a compensação em razão dos pagamentos indevidos ou a maior, já que dispunha de créditos de COFINS; assim, como a legislação previa a possibilidade de abater 1/3 da COFINS com a CSLL, foi o que fez a Recorrente; diante disto, não existe óbice a compensação realizada, eis que o DARF apresentado no PER/DCOMP significava tributo pago indevidamente ou a maior; postula pela suspensão do crédito tributário em discussão nos autos; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900747/200857 Acórdão n.º 1802001.762 S1TE02 Fl. 3 3 transcreve o art. 8° da Lei n° 9.718/98, (fls. 03/04) e decisões judiciais que referendam a possibilidade da compensação, "[...] já que no período a Recorrente mantinha 1/3 de crédito sobre a COFINS, que poderia ter sido compensado com a CSLL, no entanto, como acabou pagando todo o valor da CSLL naquele período, ao perceber, requereu a compensação da CSLL paga, limitada ao crédito de 1/3 da COFINS no mesmo período." caso não seja este o entendimento desta Delegacia de Julgamento, que seja "[...] aplicado aos valores declarados nas declarações de compensações somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade (juros de mora, Multa Isolada, Multa), nos termos do art. 63 e seguintes, da Lei n° 9.430/96." A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (Florianópolis/SC) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 0725.010, de 29 de junho de 2011 (fls.86/88). O contribuinte cientificado da mencionada decisão em 29/08/2011 (ciência pessoal, fl.96), interpôs recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, protocolizado em 22/09/2011. As razões aduzidas na peça recursal são, no essencial, as mesmas apresentadas na impugnação, acima relatadas, portanto, desnecessário repetilas. Finalmente requer: a) Seja recebido e processado o Recurso Voluntário para julgar insubsistente o processo administrativo n°. 10.925.900.747/200857; b) Seja homologada a declaração de compensação realizada pela recorrente em todo período transcrito no processo administrativo, por ser direito previsto na Lei 9.718/98; c) Caso não seja acatado o pedido de insubsistência acima pleiteado no item "a", por não ser este o entendimento desta Seção de Julgamento, requer seja aplicado aos valores declarados nas declarações de compensações somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade juros de mora, Multa Isolada, Multa), nos termos do art.63 e seguintes, da Lei 9.430/96; d) Seja os créditos aqui discutidos nos termos do inciso III, do Art.151, do Código tributário Nacional e §11°, art.74, da Lei 9.430/96, considerado com exigibilidade suspensa; e) Por fim, requerse a análise através do próprio banco de dados da Receita Federal do Brasil, das DIPJs entregues pela notificada nos períodos de 1999 e 2000, por ter se passado mais de cinco anos da data de entrega de tais declarações, a notificada não possui mais a mencionada documentação. É o relatório. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 01343.98294.230704.1.3.04 0982 (fl.15), transmitido em 23/07/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código – 2372, Data de Arrecadação: 30/11/1999, Valor: R$ 1.208,15). Conforme o despacho decisório de fl.11, emitido em 09/05/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada em 17/06/2008(fls.01/10), foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 07 25.010, de 29 de junho de 2011 (fls.86/88) mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. A Recorrente alega que tal entendimento não merece prosperar porque o DARF informado tem origem em pagamento indevido ou a maior, pois a época de seu pagamento havia benefício expresso em lei que lhe garantia a utilização de 1/3 da Cofins com a CSLL apurada no trimestre. Não há dúvida de que, nos termos do art. 8° da Lei n° 9.718, de 1998, a Recorrente poderia ter compensado, com a CSLL, um terço da COFINS devida sobre o faturamento, vejamos: Art. 8° Fica elevada para três por cento a alíquota da COF1NS. § 1° A pessoa jurídica poderá compensar, com a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL devida em cada período de apuração trimestral ou anual, até um terço da COFINS efetivamente paga, calculada de conformidade com este artigo. § 2° A compensação referida no § 1°: Fl. 129DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900747/200857 Acórdão n.º 1802001.762 S1TE02 Fl. 4 5 I somente será admitida em relação à COFINS correspondente a mês compreendido no período de apuração da CSLL a ser compensada, limitada ao valor desta; II no caso de pessoas jurídicas tributadas pelo regime de lucro real anual, poderá ser efetuada com a CSLL determinada na forma dos arts. 28 a 30 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. § 3° Da aplicação do disposto neste artigo, não decorrerá, em nenhuma hipótese, saldo de COF1NS ou CSLL a restituir ou a compensar com o devido em períodos de apuração subseqüentes. § 4° A parcela da COF1NS compensada na forma deste artigo não será dedutível para fins de determinação do lucro real. Ressaltese que a possibilidade da pretendida compensação alcançava valores pagos de COFINS até o ano de 1999, com débitos de CSL daquele mesmo ano (Lei n° 9.718/98, art. 8°, § 2°, inciso I), haja vista que o dispositivo legal citado pela Recorrente foi revogado a partir de 01 de janeiro de 2000. Após sucessivas reedições da Medida Provisória originalmente editada, a revogação encontrase no art. 93 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, a seguir: Art. 93. Ficam revogados: III a partir de 10 de janeiro de 2000, os §§ 1° a 4° do art. 8° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998; ... A questão dos autos remetese ao ano calendário de 1999 e pode ser dirimida à luz da DIPJ/2000, juntada aos autos, fls.58/79, principalmente ao confronto da CSLL e Cofins demonstradas respectivamente na Ficha 31A – Cálculo da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido – Presumido (fls.65/66) e Ficha 33A: Cálculo da COFINS (fls.73/78) do ano calendário de 1999, cujos valores serão transcritos abaixo: 1º Trimestre/1999 (fl.65) ... 08.BASE DE CALCULO DA CSLL 45.916,83 09.CSLL APURADA 3.673,35 DEDUÇÕES 10.()1/3 da COFINS Efetivamente Paga 2.068,67 ... 13.CSLL A PAGAR 1.604,68 Janeiro/1999 (fls.73/74) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 111,85 ... 17.COFINS A,PAGAR 111,85 Fevereiro/1999 CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 220,44 ... 17.COFINS A,PAGAR 220,44 Março/1999 CALCULO DA COFINS Fl. 130DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 15.COFINS APURADA 218,46 ... 17.COFINS A,PAGAR 218,46 Total de Cofins a pagar no 1º trimestre/1999: 111,85 + 220,44 + 218,46 = 550,75. Portanto, 1/3 de 550,75 = R$ 183,58). Do confronto, constatase que a Recorrente deduziu da CSLL do 1º Trimestre/1999, à título de “1/3 da COFINS Efetivamente Paga” o valor de R$ 2.068,67, portanto maior que o limite legal, no valor de R$ 183,58. 2º Trimestre/1999 (fl.65) 08.BASE DE CALCULO DA CSLL 53.240,77 09.CSLL APURADA 6.388,89 DEDUÇÕES 10.()1/3 da COFINS Efetivamente Paga 4.152,79 ... 13.CSLL A PAGAR 2.236,10 Abril/1999 (fls.73/74) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 183,05 ... 17.COFINS A,PAGAR 183,05 Maio/1999 CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 211,61 ... 17.COFINS A,PAGAR 211,61 Junho/1999 CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 155,45 ... 17.COFINS A,PAGAR 155,45 Total de Cofins a pagar no 2º trimestre/1999: 183,05 + 211,61 + 155,45 = 550,11. Portanto, 1/3 de 550,75 = R$ 183,37). Do confronto, constatase que a Recorrente deduziu da CSLL do 2º Trimestre/1999, à título de “1/3 da COFINS Efetivamente Paga” o valor de R$ 4.152,79, portanto maior que o limite legal, no valor de R$ 183,37. 3º Trimestre/1999 (fl.65) 08.BASE DE CALCULO DA CSLL 62.592,61 09.CSLL APURADA 7.511,11 DEDUÇÕES 10.()1/3 da COFINS Efetivamente Paga 3.884,17 ... 13.CSLL A PAGAR 3.626,94 Julho/1999 (76/77) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 173,75 ... 17.COFINS A PAGAR 173,75 Agosto/1999 (76/77) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 159,87 ... 17.COFINS A PAGAR 159,87 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900747/200857 Acórdão n.º 1802001.762 S1TE02 Fl. 5 7 Setembro/1999 (76/77) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 208,46 ... 17.COFINS A PAGAR 208,46 Total de Cofins a pagar no 3º trimestre/1999: 173,75 + 159,87 + 208,46 = 542,08. Portanto, 1/3 de 542,08 = R$ 180,69). Do confronto, constatase que a Recorrente deduziu da CSLL do 3º Trimestre/1999, à título de “1/3 da COFINS Efetivamente Paga” o valor de R$ 3.884,17, portanto maior que o limite legal, no valor de R$ 180,69. 4º Trimestre/1999 (fl.66) 08.BASE DE CALCULO DA CSLL 66.444,57 09.CSLL APURADA 7.973,35 DEDUÇÕES 10.()1/3 da COFINS Efetivamente Paga 4.319,13 ... 13.CSLL A PAGAR 3.654,22 Outubro/1999 (77) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 208,42 ... 17.COFINS A PAGAR 208,42 Novembro/1999 (78) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 192,45 ... 17.COFINS A PAGAR 192,45 Dezembro/1999 (78) CALCULO DA COFINS 15.COFINS APURADA 192,23 ... 17.COFINS A PAGAR 192,23 Total de Cofins a pagar no 4º trimestre/1999: 208,42 + 192,45 + 192,23 = 593,10. Portanto, 1/3 de 593,10 = R$ 197,70. Do confronto, constatase que a Recorrente deduziu da CSLL do 4º Trimestre/1999, à título de “1/3 da COFINS Efetivamente Paga” o valor de R$ 4.319,13, portanto maior que o limite legal, no valor de R$ 197,70. A Recorrente não alega pagamento a maior relativo a Cofins. Depreendese, pois, que os valores mensais de Cofins a pagar demonstrados na Ficha 33A: Cálculo da COFINS (fls.73/78) do ano calendário de 1999 DIPJ/2000, são os efetivamente pagos pela pessoa jurídica e, como se vê a Recorrente deduziu da CSLL dos Trimestres/1999, à título de “1/3 da COFINS Efetivamente Paga”, valor SUPERIOR ao limite legal a que tinha direito. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Assim, não há falar em pagamento indevido ou a maior a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, relativo a período de apuração do anocalendário de 1999. Ao contrário do que alega, houve pagamento a menor de CSLL, por haver a Recorrente deduzido da CSLL no ano calendário de 1999, valor superior a 1/3 da COFINS Efetivamente Paga, o que descaracteriza por si só o indébito pleiteado. Ressaltese que, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento, pela autoridade administrativa, de crédito do contribuinte na Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Com efeito, não se constatando nos autos a prova do indébito tributário alegado pela Recorrente impossível se torna a compensação pleiteada. A Recorrente pede a suspensão da exigibilidade dos créditos, objeto do PERDCOMP, nos termos do inciso III, do Art.151, do Código tributário Nacional e §11°, art.74, da Lei 9.430/96. Registrese que, o recurso voluntário interposto no processo que trata de PER/DCOMP indeferido segue o rito processual do Decreto n° 70.235, de 1972, conforme determinado no § 11 do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996, de sorte que, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário indevidamente compensado, enquadrase no disposto no inciso III do art. 151 do CTN. A Recorrente requer que, caso seja negada a compensação pleiteada, seja aplicado ao débito declarado no PER/DCOMP somente a incidência da atualização monetária, excluindose qualquer outra penalidade juros de mora, Multa Isolada, Multa, nos termos do art.63 e seguintes, da Lei 9.430/96. Sobre os débitos, temse como esclarecedora a decisão recorrida que tratou o assunto nos seguintes termos: Já com relação à alegação final de que não seja acrescida qualquer penalidade aos valores declarados no PER/DCOMP, de se dizer apenas que os acréscimos moratórios (juros e multa) são legalmente previstos, não havendo como afastálos se os débitos não foram pagos/compensados em suas datas de Fl. 133DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10925.900747/200857 Acórdão n.º 1802001.762 S1TE02 Fl. 6 9 vencimento. Nesse sentido, assim dispõe o vigente art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Desse modo, os débitos tributários não pagos devem ser exigidos pela autoridade administrativa com os acréscimos legais previstos na legislação tributária. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 15/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 07/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10880.979288/2009-89
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/08/2005
PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida.
As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2105; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 2 1 1 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.979288/200989 Recurso nº 000.001 Voluntário Acórdão nº 1802001.691 – 2ª Turma Especial Sessão de 12 de junho de 2013 Matéria PERDCOMP Recorrente TRANSPORTADORA GATAO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/08/2005 PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 92 88 /2 00 9- 89 Fl. 30DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho e Marciel Eder Costa. Relatório Por economia processual adoto o Relatório da decisão recorrida (fl. 13) que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Declaração de Compensação (fls. 01 e 02)relativa ao pagamento indevido ou maior de CSLL— cod. 2372, no montante de R$ 46,97, ocorrido em 31/08/2005, com débito próprio de COFINS — cód. 2172. A DCOMP em tela, transmitida pela interessada em 22/11/2005, foi analisada de forma eletrônica pelo sistema de processamento da Receita Federal do Brasil RFB que emitiu o Despacho Decisório de fl. 03, assinado pelo titular da unidade de jurisdição da requerente, que homologou parcialmente a compensação declarada por insuficiência do crédito. Segundo o Despacho Decisório o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. Inconformado, o contribuinte por meio de seu representante legal, impugnou o despacho decisório manifestando a sua inconformidade às fls. 07, na qual deduz as alegações a seguir discriminadas A requerente tem como objeto social o transporte rodoviário de cargas e na execução desses serviços seus veículos estão sujeitos ao pagamento de pedágio nas diversas estradas brasileiras. Por força do artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, o valor do vale pedágio não é considerado receita operacional ou rendimento tributável da empresa não constituindo base de incidência de contribuições social ou previdenciárias. Portanto os valores recebidos a titulo de pedágio pela Requerente, obrigatoriamente destacados no campo especifico do conhecimento de transporte rodoviário, conforme prevê o ,¢ único do mesmo artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não deveriam ter composto a base de cálculo do PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Ocorre que por desconhecimento até então pela Requerente desse fato, os valores relativos ao pedágio vinham sendo considerados como receita da empresa e, conseqüentemente, incluídos na base de calculo de PIS, COFINS, CSLL e IRPJ. Tendo tomado conhecimento da não incidência dos impostos federais sobre os valores recebidos a titulo de pedágio, a Requerente efetuou levantamento dos valores pagos a maior relativos ao prazo prescricional, e efetuou pedido de restituição conforme PER/DCOMP n° 08379.00545.141105.1.2.042230, relativo ao período de apuração mai/2005. Fl. 31DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979288/200989 Acórdão n.º 1802001.691 S1TE02 Fl. 3 3 Nesse período, conforme poderá ser constatado pela planilha anexa, foram destacados nos conhecimentos de transporte o valor correspondente a R$ 4.348,99, relativo ao pedágio, valor esse que não deveria ter integrado a base de cálculo do imposto. Sendo feita a verificação poderá ser constatado que o percentual do imposto aplicado sobre a diferença acima informada corresponde exatamente ao crédito pleiteado e compensado pela Requerente. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/São Paulo/SP1) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1627.335, de 27 de outubro de 2010 (fls.12/15), cientificado ao interessado em 07/12/2010. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.12): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador:31/08/2005 DCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova não é suficiente para afastar a exigência do débito decorrente de compensação não homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 04/01/2011 narrando os mesmos fundamentos aduzidos na manifestação de inconformidade acima sintetizados, portanto, desnecessário repetilos. A Recorrente reforça que em sua manifestação de inconformidade apresentou além de suas alegações relativas as compensações efetuadas, a relação dos conhecimentos de transporte onde os valores de pedágio foram destacados e indevidamente considerados como receita operacional da empresa. A confirmação de que os valores relativos ao pedágio constavam dos referidos conhecimentos de transporte e por conseqüência foram considerados na apuração da receita operacional tributável poderia, a critério do órgão julgador de primeira instância, ter sido feita através de diligência junto a Recorrente. Finalmente requer que a principio o julgamento seja transformado em diligência, a fim de que sejam devidamente comprovadas todas as alegações da Recorrente, para ao final serem as compensações efetuadas julgadas procedentes, evitando a apropriação indébita pelo estado de valores, certamente, indevidos pelo contribuinte. E por ser esta uma medida da mais plena JUSTIÇA É o relatório. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 34189.17146.221105.1.3.046144 (fls.01/02), transmitido em 22/11/2005, em que a contribuinte pretende compensar débito de Cofins: R$ 49,73, código 2172, relativo ao mês de Outubro de 2005, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do CSLL no valor de R$ 46,97, código – 2372; Período de Apuração: 30/06/2005; Data de Arrecadação: 31/08/2005. Consta do despacho decisório de fl.03, emitido em 24/08/2009 que a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PERDCOMP. Contrapondose ao despacho decisório, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 23/09/2009(fl.07), foi no sentido de que o crédito decorre do valor relativo ao pedágio destacado no conhecimento de transporte, o qual, segundo o disposto no artigo 2° da Lei n° 10.209/2001, não será considerado receita operacional ou rendimento tributável, nem constituirá base de incidência de contribuições sociais ou previdenciárias. Apresenta em anexo (fl.08), uma relação de conhecimentos de transporte relativos ao período de apuração de maio/2005 e respectivo valor do pedágio cujo total monta a R$ 4.348,99. Na decisão de primeira instância a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, sob o fundamento de que não fora homologada a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (CSLL, código 2372) foi utilizado na quitação de débito confessado em DCTF e não há prova nos autos de que os valores relativos ao pedágio integraram a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de maio/2005, de modo a comprovar o alegado indébito tributário. Vejamos os fundamentos que também adoto como razão de decidir: ... De inicio, é de se registrar que somente são passíveis de compensação os créditos líquidos e certos. Pautado neste principio, tanto a Declaração de Compensação — DCOMP prevista no artigo 49 da Lei n° 10.637/2002 quanto o Pedido de Restituição — PER (eletrônico),utilizam as informações constantes das declarações apresentadas pelo contribuinte (DCTF, DIPJ, DACON, etc). Fl. 33DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979288/200989 Acórdão n.º 1802001.691 S1TE02 Fl. 4 5 No caso, por se tratar de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, o processamento comparou o pagamento indicado com a informação constante na DCTF. 0 procedimento em tela constatou que o recolhimento indicado foi integralmente utilizado para quitação de débitos informado na DCTF. Dito de outra forma, para o tributo e período de apuração informado, não consta do conta corrente da Receita Federal do Brasil RFB crédito disponível para compensação. ... De plano, o que se observa nos autos é que a interessada não traz qualquer elemento que demonstre suas alegações, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. CPC "Art. 333. 0 ânus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II — ao réu, quanto a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Com efeito a simples relação do conhecimento de transporte não é suficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de calculo da CSLL relativa ao período de apuração de mai/2005, visto que, está desacompanhada de copia da escrituração contábil que deve obrigatoriamente estar assinada pelo contabilista responsável, bem como do próprio conhecimento de transporte. Assim sendo, em face de tudo o quanto foi exposto, VOTO no sentido de considerar a manifestação de inconformidade IMPROCEDENTE. Em sede recursal, a Recorrente reproduz os mesmos argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, mas, apesar dos fundamentos aduzidos pela DRJ, a Recorrente em nada se desincumbiu para provar que os valores ditos recebidos a título de pedágio, deveras compôs a base de cálculo da CSLL do período de apuração em comento a proporcionar o pagamento indevido do mencionado tributo. A Recorrente requer diligência para comprovar que os valores relativos ao pedágio foram considerados na apuração da receita operacional tributável. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Sobre tal pleito, vale esclarecer que a diligência se reserva à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde do litígio, não se justificando a sua realização quando o fato probante puder ser demonstrado nos autos, de sorte que a autoridade julgadora possa formar a sua livre convicção. Ora, nada impedia ao contribuinte, acaso interessado em comprovar seu direito creditório, a proceder a juntada de cópia da escrituração contábil e comparar com os valores declarados na DIPJ/2006 e DCTF. Pois, como explicado na decisão recorrida, a simples relação do conhecimento de transporte é insuficiente para comprovar que o valor em questão integrou a base de cálculo da CSLL relativa ao período de apuração de maio/2005. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Fl. 35DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10880.979288/200989 Acórdão n.º 1802001.691 S1TE02 Fl. 5 7 A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 22/11/2005, tomou ciência do despacho decisório expedido em 24/08/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 23/09/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 13/ 06/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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