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Numero do processo: 15165.720786/2011-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011
COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937.
O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01".
Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-003.871
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 PIS/PASEP. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasep-importação e da Cofins-Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2011 COFINS. IMPORTAÇÃO. VALOR ADUANEIRO. RE Nº 559.937. O STF já decidiu, em repercussão geral, que é inconstitucional a seguinte parte do art. 7º, I, da Lei nº 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01". Portanto, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937 Recurso Voluntário provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 16 5. 72 07 86 /2 01 1- 31 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 15165.720786/201131 Acórdão n.º 3301003.871 S3C3T1 Fl. 538 2 Fl. 538DF CARF MF Processo nº 15165.720786/201131 Acórdão n.º 3301003.871 S3C3T1 Fl. 539 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de votos, Dar Provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 15165.720786/201131 Acórdão n.º 3301003.871 S3C3T1 Fl. 540 4 Relatório A Recorrente pleiteia a restituição dos valores recolhidos a maior de PIS Importação e Cofins Importação, sob a alegação de alargamento inconstitucional da base de cálculo da contribuição, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004. Alega que o dispositivo é inconstitucional e ilegal, na medida em que não respeita o art.149, §2º, III, alínea “a”, da Constituição Federal; o Acordo Geral de Tarifas e Comércio de 1994 (GATT), promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994 e ainda, o disposto no art. 110 CTN, por alargar o conceito de “valor aduaneiro”. O despacho decisório não reconheceu o crédito e indeferiu o pedido. Após a impugnação, o colegiado de primeira instância não acatou os argumentos de inconstitucionalidade defendidos pela Recorrente, por impossibilidade da Administração Pública em reconhecer a inconstitucionalidade de lei, julgando improcedente a manifestação de inconformidade e mantendo o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição pleiteada. Em seu recurso voluntário, a Recorrente requer seu provimento interpretandose o artigo 7º, I, da Lei 10.865/2004 de modo compatível com a Constituição, extirpando da base do PISImportação e da Cofins Importação os valores correspondentes ao ICMS e os das próprias Contribuições Sociais, deferindose o pedido de restituição e a homologação da compensação. Em primeira assentada o colegiado do Carf deliberou por converter o julgamento em diligência para que os autos retornassem à Unidade da Receita Federal do Brasil de origem para: (i) informar qual o regime de tributação adotado pelo sujeito passivo à época (lucro real ou lucro presumido); (ii) considerando exclusivamente as DIs, objeto dos autos, segregar as importações realizadas por conta e ordem, própria ou por encomenda, bem como as importações acobertadas por suspensão; e (iii) calcular o montante do PIS e da COFINS sobre o valor aduaneiro relativo às importações próprias ou por encomenda. Em seguida, os autos retornaram para julgamento, incumbindome, por sorteio, relatar e pautar. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 15165.720786/201131 Acórdão n.º 3301003.871 S3C3T1 Fl. 541 5 Desde já é de se registrar que encontramse sob apreciação nessa oportunidade um conjunto doze processos do mesmo sujeito passivo, versando sobre a mesma matéria litigada (alargamento da base de cálculo), diferenciandose quanto às datas dos fatos geradores, conforme planilha a seguir, todos regularmente pautados para julgamento. Processo Modalidade de importação Tributo Período das DI 15165.000271/200904 Conta Própria PIS Importação 2004 a 2005 15165.000272/200941 Conta Própria Cofins Importação 2004 a 2005 15165.000278/200918 Conta Própria PIS Importação 2006 15165.002153/201066 Conta e Ordem PIS Importação Janeiro a maio 2010 15165.002155/201055 Conta e Ordem Cofins Importação Janeiro a maio 2010 15165.002465/201070 Conta e Ordem PIS Importação Maio a junho 2010 15165.002466/201014 Conta e Ordem Cofins Importação Maio a junho 2010 15165003291/201062 Conta e Ordem PIS Importação Agosto 2010 15165003292/201015 Conta e Ordem Cofins Importação Agosto 2010 15165003285/201013 Conta e Ordem PIS Importação Junho a setembro 2010 15165003284/201061 Conta e Ordem Cofins Importação Junho a setembro 2010 15165720786/201131 Conta Própria e Conta e Ordem Cofins Importação 2011 Assim, visando celeridade processual e procedimental, o voto que ora submeto a apreciação do colegiado contempla, simultaneamente, o conjunto dos processos suso relacionados, preservandose contudo a individualidade e autonomia de cada um. 1 Do Mérito 1.1 DA INCONSTITUCIONALIDADE NO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO Conforme relatado, a matéria posta em controvérsia diz respeito à alegação de inconstitucionalidade no alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, determinada pelo art. 7º, da Lei nº 10.865/2004, ao incluir o ICMS, bem como as próprias contribuições, na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Nesse pormenor, faço meus os fundamentos de recente voto proferido pela Conselheira Semíramis de Oliveira Duro nos autos do processo 15165720784201141, Acórdão 3301003.240, de 28 de março de 2017, nos seguintes termos: Quanto à questão expressa de mérito, ou seja, o alargamento da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP trazido pelo art. 7º da Lei nº 10.865/2004, Fl. 541DF CARF MF Processo nº 15165.720786/201131 Acórdão n.º 3301003.871 S3C3T1 Fl. 542 6 ressaltese que o Plenário do STF já declarou inconstitucional a inclusão de ICMS, bem como do PIS/Pasep e da Cofins na base de cálculo dessas mesmas contribuições sociais incidentes sobre a importação de bens e serviços. Tratase do RE nº 559.937, julgado na sistemática de repercussão geral, no qual o STF reconheceu que o art. art. 7º da Lei nº 10.865/2004 extrapolou os limites previstos no artigo 149, §2º, III, “a” da Constituição Federal, nos termos definidos pela Emenda Constitucional nº 33/2001, que prevê o valor aduaneiro como a base de cálculo para as contribuições sociais. A ementa do julgado se reproduz a seguir: Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente não cumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4. Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a, da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 15165.720786/201131 Acórdão n.º 3301003.871 S3C3T1 Fl. 543 7 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: “acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições, por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Este Colegiado está vinculado a essa decisão, por imperativo do art. 62, §1º, I, do RICARF. Portanto, sobre essa questão, não há mais o que se discutir, apenas reconhecer a inconstitucionalidade do dispositivo acima indicado, e conseqüentemente acolher o Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da CofinsImportação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado acima colacionado. Dispositivo Ante o exposto voto por Dar Provimento ao Recurso Voluntário no sentido de que devem ser excluídos da base de cálculo do PIS/Pasepimportação e da Cofins Importação o valor do ICMS e o valor das próprias contribuições, conforme decidiu o STF no julgado do RE nº 559.937. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 543DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.728147/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/11/2005
COMPENSAÇÃO. PIS/PASEP E COFINS. REAJUSTE CONTRATUAL. IGP-M. DESCARACTERIZAÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. NÃO PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO DE APURAÇÃO.
O contrato de fornecimento de energia elétrica fora firmado em 2000, antes portanto de 31/10/2003, enquadrando-se, em parte, nos termos da exceção de permanência no regime cumulativo prevista no art. 10, XI, "c)" da Lei n° 10.833/2003. Tal contrato prevê o reajuste do preço da energia pela variação do IGP-M. Em sendo índice geral de preços, medida abrangente do movimento de preços, não é função do custo de produção, tampouco variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. Pelo art. 3º da IN SRF nº 658/06, preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico-financeiro do contrato. Qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, seja de revisão de preços, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizando-a. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGP-M.
Reajuste em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. REGRA DO § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658/2006 tem alcance e amplitude determinado pelo art. 109 da Lei nº 11.196/05.
Não será qualquer reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não descaracteriza o preço predeterminado; mas um reajuste de preços que também seja função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados.
Nota Técnica da ANEEL. Não TEM valor normativo ou vinculante na esfera tributária.
Manifestação da ANEEL acerca da qual reajuste caracteriza ou não o preço predeterminado não tem qualquer valor normativo ou vinculante.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2004 a 30/11/2005
PIS/PASEP E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS.
Aplicam-se ao lançamento do PIS/Pasep as mesmas razões de decidir aplicáveis à Cofins, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo integralmente o crédito tributário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Semíramis de Oliveira Duro. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. O Conselheiro Valcir Gassen votou pelas as conclusões.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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PIS/PASEP E COFINS. REAJUSTE CONTRATUAL. IGPM. DESCARACTERIZAÇÃO DE PREÇO PREDETERMINADO. NÃO PERMANÊNCIA NO REGIME CUMULATIVO DE APURAÇÃO. O contrato de fornecimento de energia elétrica fora firmado em 2000, antes portanto de 31/10/2003, enquadrandose, em parte, nos termos da exceção de permanência no regime cumulativo prevista no art. 10, XI, "c)" da Lei n° 10.833/2003. Tal contrato prevê o reajuste do preço da energia pela variação do IGPM. Em sendo índice geral de preços, medida abrangente do movimento de preços, não é função do custo de produção, tampouco variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. Pelo art. 3º da IN SRF nº 658/06, preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. Qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, seja de revisão de preços, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizandoa. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGPM. REAJUSTE EM PERCENTUAL NÃO SUPERIOR ÀQUELE CORRESPONDENTE AO ACRÉSCIMO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO OU À VARIAÇÃO DE ÍNDICE QUE REFLITA A VARIAÇÃO PONDERADA DOS CUSTOS DOS INSUMOS UTILIZADOS. REGRA DO § 3º DO ART. 3º DA IN SRF Nº 658/2006 TEM ALCANCE E AMPLITUDE DETERMINADO PELO ART. 109 DA LEI Nº 11.196/05. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 81 47 /2 01 1- 14 Fl. 517DF CARF MF 2 Não será qualquer reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não descaracteriza o preço predeterminado; mas um reajuste de preços que também seja função do custo de produção ou ser variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. NOTA TÉCNICA DA ANEEL. NÃO TEM VALOR NORMATIVO OU VINCULANTE NA ESFERA TRIBUTÁRIA. Manifestação da ANEEL acerca da qual reajuste caracteriza ou não o preço predeterminado não tem qualquer valor normativo ou vinculante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 30/11/2005 PIS/PASEP E COFINS. LANÇAMENTO. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. DECISÃO. MESMOS FUNDAMENTOS. Aplicamse ao lançamento do PIS/Pasep as mesmas razões de decidir aplicáveis à Cofins, quando ambos os lançamentos recaírem sobre idêntica situação fática. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo integralmente o crédito tributário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Semíramis de Oliveira Duro. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho. O Conselheiro Valcir Gassen votou pelas as conclusões. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Marcos Roberto da Silva, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 518 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da decisão recorrida (fls. 379/390 dos autos), abaixo transcrito: Trata o presente processo do tratamento manual do PER/DCOMP nº 32776.79083.130706.1.3.041103 (fls. 03 a 09), transmitido pelo contribuinte acima identificado em 13/07/2006. Posteriormente, foram apresentados outros PER/DCOMP, juntados ao presente por meio dos processos apensos (fls. 10 a 33). Nas referidas declarações a empresa informa como origem do direito creditório pagamentos de Cofins e PIS nãocumulativos, relativos aos períodos de apuração 12/2004 a 11/2005. Às fls. 270 a 278 consta despacho decisório proferido pela Derat/São Paulo/SP em 12/07/2011, não reconhecendo o direito creditório pleiteado e não homologando as compensações pretendidas nos PER/DCOMP acima mencionados, considerando os seguintes fundamentos: · O contribuinte alega, em síntese, que os contratos de venda de energia elétrica por ele celebrados são anteriores a 31/10/2003, não se aplicando os efeitos da Lei nº 10.833/2003, que instituiu o regime de incidência não cumulativa para a Cofins, nos termos de seu art. 10XI, alínea “c”; · Entende que, com a edição da Lei nº 11.196/2005, art. 109, as receitas decorrentes de tais contratos passaram a ser tributadas pelo regime da cumulatividade; · A empresa refez a apuração do Pis e da Cofins para estas receitas no período de dez/2004 a nov/2005, o que levou ao surgimento dos créditos pleiteados; · Analisando as planilhas apresentadas pelo contribuinte, concluise que houve mudança nas receitas de duas rubricas: “Suprimento – Contrato Inicial – CT”, que passaram por completo para o regime cumulativo, e “Fornecimento”, que teve aproximadamente 1/3 de seu valor transferido para a rubrica “Fornecimento (CBA – REXAN) e tributado pelo regime cumulativo; · Analisandose o Livro Razão da requerente, vêse que se trata de receitas de contratos básicos com diversas empresas, cujas partes relevantes constam às fls. 127 a 202; · A questão a ser analisada centrase na interpretação da aplicação do art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03, em decorrência do superveniente art. 109 da Lei nº 11.196/05, sendo necessário decidir se o reajuste dos contratos apresentados pelo contribuinte levaram à descaracterização do preço predeterminado dos mesmos; · O próprio contribuinte afirma que seus contratos tinham cláusulas de reajuste pelo IGPM para recomposição da inflação do período, o que se verifica também pela análise dos referidos contratos; Fl. 519DF CARF MF 4 · Dispõem sobre a questão os arts. 10XI e 15 da Lei nº 10.833/2003, além da IN/SRF nº 468/2004, segundo a qual os contratos que contiverem cláusula de reajuste ou de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro (revisão) deixam de ser considerados a preço predeterminado a partir da data em que ocorrer a primeira revisão ou reajuste, posteriormente a 31/10/2003. · Esta IN foi revogada pela IN/SRF nº 468/2006, em razão da edição da Lei nº 11.196/2005; · Para a RFB, os contratos do setor elétrico em geral não se enquadram na regra transitória de tributação pelo regime cumulativo para contratos de longo prazo de fornecimento de bens a preços predeterminados, entendendo que tais contratos, ou não se subsumem nas características de “contrato de fornecimento de bens e serviços”, ou não se caracterizam como “contratos a preços determinados”, sendo este o nosso caso; · Assim, quanto ao enquadramento no conceito de contrato de fornecimento de bens, seriam excluídos da categoria os Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão, bem como os contratos de Prestação de Serviço de Transmissão (CPST); · Os três demais tipos de contrato utilizados no setor elétrico (Iniciais, Bilaterais e de Uso do Sistema de Transmissão CUST), por serem reajustados em função de um índice geral de preços, o IGPM, não podem, ser reconhecidos como contratos a preços predeterminados; · Tal entendimento provem da interpretação do art. 109 da Lei nº 11.196/05, estabelecida no art. 3º da IN/SRF nº 658/06, e, especificamente para o setor elétrico, na Nota Técnica Cosit nº 1/2007, na qual se conclui que apenas o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado; · Assim, o reajuste de preços pautado em índices como o IGPM retira do contrato a qualidade de ser “a preço predeterminado”; · A ANEEL posicionouse de forma contrária ao entendimento da RFB e sobre tal discordância já se pronunciou a PFN, por meio do Parecer PGFN/CAT nº 1610/2007; · Assim, concluise que os contratos anteriores a 31/10/2003 apresentados pelo contribuinte e cujas receitas constam nas rubricas “Suprimento – Contrato Inicial – CT” e “Fornecimento (CBA – REXAN)” não se caracterizam como “contratos a preço predeterminado” porque sua forma de ajuste à variação de preços está em desconformidade com as modalidades de ajuste não descaracterizadoras previstas no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; · Logo, as retificações nos DACON e nas DCTF que resultaram nos alegados créditos foram indevidas, não havendo que se falar em restituição de valores pagos a maior; · Tais receitas devem, portanto, ser tributadas pelo regime não cumulativo, como declarado originalmente. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 519 5 Cientificado desta decisão em 12/07/2011 (fl. 280), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestivamente em 12/08/2011 (fls. 285 a 293), alegando, em resumo, que: · Os contratos de venda de energia da requerente eram, em sua grande maioria, no momento da edição da Lei nº 10.833/2003, anteriores a 31/10/2003, portanto não se lhes aplicando seus efeitos; · Tais contratos tinham cláusula de reajuste pelo IGPM para recomposição da inflação do período, o que, no entendimento da requerente até aquele momento, descaracterizaria a condição de preço predeterminado, sendo tributados a partir destes reajustes pelo regime não cumulativo; · Entretanto, foi publicada a Lei nº 11.196/2005 (art. 109); · Logo, os créditos pleiteados, objeto dos PER/DCOMP em análise, são oriundos do recálculo decorrente da reformulação do entendimento inicial da requerente, com a base legal referenciada; · A autoridade fiscal, ao analisar tais pedidos, inovou na interpretação da norma; · Em nenhum momento a decisão contestada se insurgiu ao reconhecimento do enquadramento da recorrente na situação prevista pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.196/2005, sendo pacífica a jurisprudência tutelando o direito da recorrente, conforme decisão judicial citada; · Os argumentos da autoridade fiscal relativos ao índice de reajuste aplicado nos contratos em questão não se sustentam, pois configurase abuso da interpretação extensiva da norma em detrimento ao direito do contribuinte, o que o ordenamento não permite (arts. 111 e 112 do CTN); · Esquecendose de tais princípios, a autoridade fiscal exacerbou em sua análise, cabendo trazer à luz a Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL a respeito do assunto; · Diante do exposto, resta demonstrada a insubsistência e improcedência do indeferimento. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão cuja ementa transcrevese a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2004 a 30/11/2005 COFINS. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. A partir de 01/02/04, para fins de apuração da COFINS, o preço predeterminado não é descaracterizado apenas quando o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos Fl. 521DF CARF MF 6 de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2004 a 30/11/2005 PIS. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. A partir de 01/02/04, para fins de apuração do PIS, o preço predeterminado não é descaracterizado apenas quando o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Naquela oportunidade, a julgadora fundamentou o seu entendimento, primordialmente, no parágrafo 3º do art. 3º da IN/SRF nº 658/2006, que ressalvaria a descaracterização do preço predeterminado apenas nos casos de utilização de índice de reajuste que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, ou, ainda, da própria variação dos custos de produção, situações em que, segundo o seu entendimento, não se enquadraria o IGPM, por ser um índice que apura a variação dos preços de uma forma geral. Mencionou, ainda, a Nota Técnica COSIT nº 01/2007 e a Solução de Consulta COSIT nº 13/2008. O contribuinte foi intimado da referida decisão em 06/11/2013 (vide AR de fl. 394 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs tempestivamente em 04/12/2013 Recurso Voluntário, por meio do qual alegou, resumidamente: · Nos termos do art. 10, inciso XI, alínea c e art. 15, inciso V, da Lei nº 10.833/2003, permaneceriam sujeitas à regras da cumulatividade o PIS e a COFINS incidentes sobre as receitas relativas a contratos firmados anteriormente à 31 de outubro de 2003 de construção por empreitada, ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data. · Que o reajuste do contrato pelo IGPM não equivale a preço variável, que oscila no decorrer do contrato em detrimento de fato superveniente e de acordo com o previsto nas cláusulas contratuais, mas somente se presta a conservar o valor real do preço, o que não descaracterizaria a sua condição de preço predeterminado indicado na Lei 10.833/2003. · Que o art. 109 da Lei nº 11.196/2005, bem como a IN/SRF nº 658/2006 viriam dirimir qualquer dúvida sobre o assunto. · A própria ANEEL emitiu a Nota Técnica nº 224/2006, dispondo que a incidência de PIS e COFINS nos contratos licitados antes de 31/10/2003 permanecem no regime cumulativo por se caracterizarem como de preço predeterminado. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 520 7 · Que a Associação Brasileira de Produtores Independentes de Energia Elétrica APINE consultou a ANEEL sobre ajustes de preços previstos em cláusulas contratuais no setor elétrico, tendo obtido resposta de que o IGPM é o índice de reajuste aceito pelo Poder Concedente em todos os contratos de concessão de distribuição assinados com a União Federal por refletir mais adequadamente as variações de preços do setor elétrico. · Traz decisões do STJ e do TRF da 4ª Região, no sentido de que: o preço predeterminado não perderia a sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária, inclusive quando adotado o IGPM; bem como de que a IN nº 468/2004 seria ilegal. · Pugna, então, o acolhimento do seu recurso, no intuito de que sejam homologadas as declarações de compensação objeto do presente feito. Os autos, então, vieramse conclusos para análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, o cerne da presente contenda é identificar se as receitas relativas a contratos firmados anteriormente à 31 de outubro de 2003, que tinham o IGPM como índice de reajuste, estão sujeitas ao regime cumulativo ou nãocumulativo. Em outras palavras, cingese na interpretação da aplicação do art. 10, XI, da Lei nº 10.833/03, em decorrência do superveniente art. 109 da Lei nº 11.196/05, sendo necessário decidir se o reajuste dos contratos apresentados pelo contribuinte (IGPM) leva à descaracterização dos mesmos como "preço predeterminado". Como é cediço, o regime nãocumulativo da COFINS foi instituído pela Lei nº 10.833/2003, a qual trouxe exceções em seu art. 10, inclusive as descritas no seu inciso XI, as quais mantiveramse sob o manto do regime cumulativo: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (...). XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; Fl. 523DF CARF MF 8 b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; Tais exceções, inclusive, foram estendidas ao PIS, por meio do inciso V do art. 15, também da Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; Ou seja, com base na legislação acima transcrita, sujeitarseiam ao regime da cumulatividade as receitas relativas a contratos de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. Ou seja, para se enquadrar nesta exceção, é imprescindível que o contrato, além de ter sido firmado anteriormente a 31 de outubro de 2013, possua preço predeterminado. Para a solução da presente lide, então, imprescindível que se identifique o que deve ser considerado como preço predeterminado. Sobre o assunto, a IN/SRF nº 468/2004, já revogada, assim dispunha: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. § 3º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1º. Ato contínuo, foi publicada a Lei nº 11.196/2005, que admitiu expressamente exceções à descaracterização do preço predeterminado, ao assim dispor: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Ou seja, o reajuste de preços em função do custo da produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, não será considerado para fins de descaracterização do preço predeterminado. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 521 9 Ainda sobre o assunto, foi editada a IN nº 658/2006, que revogou a IN/SRF nº 468/2004, ao assim dispor: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência nãocumulativa das contribuições. A Lei nº 9.069/1995, mencionada acima, por seu turno, assim dispõe: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; No caso ora analisado, é incontroverso que os contratos firmados pela Recorrente são anteriores a 31/10/2013 e que apresentam como índice de correção o IGPM. O que se encontra em discussão, portanto, é se a adoção do IGPM retiraria do preço descrito em seu contrato o caráter de predeterminado, nos moldes do que dispõe o inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 e as demais normas acima indicadas. Segundo a decisão recorrida, a resposta seria positiva, visto que o IGPM seria um "índice que apura os preços de uma forma geral, não se constituindo em índice específico de nenhuma categoria ou produto" (vide fl. 386 dos autos). Logo, segundo entendeu a julgadora, não estaria o IGPM enquadrado no disposto no parágrafo 3º do art. 3º da IN nº 658/2006 (art. 27, parágrafo 1º, inciso II da Lei nº 9.069/95), uma vez que não refletiria a Fl. 525DF CARF MF 10 "variação ponderada dos custos dos insumos utilizados" na produção do serviço prestado pela autuada. Discordo, contudo, da conclusão ali indicada. Consoante narrado acima, o inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 trazia como requisito para a permanência no regime cumulativo apenas que o contrato tivesse preço predeterminado, não trazendo nenhuma restrição relativa aos reajustes. O limitador em questão veio inicialmente através da IN/SRF nº 468/2004. Ocorre que não poderia a referida IN trazer restrição não disposta em lei, visto que assim procedendo findou por aumentar a alíquota tributária aplicada ao contribuinte, em total desrespeito ao princípio da Legalidade. Até porque, importante mencionar que, quando da edição da Lei nº 10.833/2003, encontravase em vigor a IN 21/79, que assim dispunha acerca do preço predeterminado: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. Logo, inferese que, ao adotar o termo "preço predeterminado", pretendia a Lei nº 10.833/2003 seguir a previsão legal disposta na IN 21/79 supra transcrita, vigente à época. Eventual alteração dessa interpretação, portanto, somente poderia ser realizada por norma de mesma hierarquia ou superior. Destaquese, outrossim, que não se está aqui afastando a aplicação da IN/SRF nº 468/2004 por inconstitucionalidade, o que seria vedado pela súmula nº 02 deste Conselho. Estáse, em verdade, reconhecendo a sua total inaplicabilidade face ao disposto na Lei nº 10.833/2003, norma de hierarquia superior, cuja observância é obrigatório por este Conselho. Este, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça sobre o assunto, consoante decisões consubstanciadas nas ementas dos RESP nº 1089998RJ e RESP nº 1169088, respectivamente: TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 522 11 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômicofinanceiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) *** PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. Incidência da Súmula 284/STF. 2. Não cabe recurso especial quanto à controvérsia em torno da intimação pessoal da Fazenda, sob pena de usurparse competência reservada ao Supremo, nos termos do art. 102 da CF/88, já que o aresto recorrido decidiu com base em fundamentos essencialmente constitucionais. 3. Inadmissível recurso especial que demanda dilação probatória incompatível, nos termos da Súmula 7/STJ. No caso, a Corte de origem afirmou, expressamente, tratarse de impetração preventiva, o que afasta o prazo decadencial de 120 dias para a impetração, premissa que não pode ser revista neste âmbito recursal. 4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. De outro norte, em razão dos problemas ocasionados pela IN nº 468/2004, que trazia restrições de forma ilegal e sem qualquer ressalva, foi editada a Lei nº 11.196/2005 e a IN/SRF nº 658/2006, as quais trouxeram exceções à restrição atinente aos reajustes. Até porque, não fazia sentido a descaracterização do contrato como tendo preço predeterminado nos casos em que havia mero reajuste por índice de atualização monetária. Isso porque, a aplicação de um índice de correção não retira o caráter de preço predeterminado do contrato, mas apenas o confirma, visto que mantém o valor atualizado de acordo com a realidade do momento, contrapondose aos efeitos da inflação. Fl. 527DF CARF MF 12 De toda sorte, não há como se entender aplicáveis a Lei nº 11.196/2005 e a IN/SRF nº 658/2006 ao caso vertente, uma vez que ditas normas são posteriores ao período objeto dos presentes autos, que tratam do período de apuração de 01/12/2004 a 30/11/2005. Como se não bastasse, a interpretação que faço de ditas normas tampouco se coaduna com a conclusão obtida pela decisão recorrida, consoante será demonstrado a seguir. Nos termos do parágrafo 3º do art. 3º da IN/SRF nº 658/2006: "O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado". O inciso II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, por sua vez, dispõe que o reajuste também poderá ser realizado, além da variação acumulada do IPCr disposta no caput, em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. O fundamento da Relatora da DRJ para negar o pedido de compensação do contribuinte foi de que o IGPM não poderia ser aceito por representar um índice que apura a variação dos preços de uma forma geral, não se constituindo em índice específico de nenhuma categoria ou produto. É importante mencionar, contudo, que a norma não limita a não descaracterização do preço predeterminado à adoção de um índice específico, bastando que o índice adotado nos contratos não seja superior às referências descritas no art. 27 da Lei nº 9.069/1995. Ademais, vale destacar que o II do parágrafo 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/1995 admite, como alternativa ao IPCr (o dispositivo legal fala em poderá), os critérios de custo de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Nesse contexto, entendo que, ao mencionar o referido dispositivo legal, pretendia o legislador admitir, da mesma forma, não apenas o IPCr (disposto no caput do art. 27), como também o disposto em seu inciso II, parágrafo 1º. De outro norte, é pertinente mencionar que o IPCr, índice expressamente previsto no caput do art. 27 da Lei nº 9.069/1995, e que também era geral, foi extinto, tendo sido substituído por outros índices, como o IGPM. Entendo, então, que o índice de atualização adotado em contrato, para que seja admitido para fins do disposto no inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 (preço predeterminado), não deverá corresponder necessariamente a um índice específico de alguma categoria, setor ou produto. Até porque, na prática, seria inviável a existência de índices diversos para cada categoria, setor ou produto, o que geraria uma infinidade de índices. O que se precisa perquirir, na verdade, é se o índice adotado pelo contribuinte no caso concreto representa percentual condizente com a sua atividade, para que seja admitido como mero reajuste em contraponto à inflação, mantendo, assim, a característica de preço predeterminado do contrato, não correspondendo a índice superior aos balizamentos constantes do art. 27 da Lei nº 9.096/1995 (IPCr, extinto e substituído por outros índices, e demais índices adotados em função do custo da produção ou da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados). E, no caso concreto em análise, concluo que o IGPM atende tais requisitos. Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 523 13 Até porque, como bem ressaltou o contribuinte em seu recurso, a ANEEL, em resposta à Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica APINE, informou que o IGPM é o índice de reajuste aceito pelo Poder Concedente em todos os contratos de concessão de distribuição assinados com a União Federal, por refletir mais adequadamente as variações de preços do setor elétrico. Tanto que a ANEEL indica em seu site que o reajuste para atualização monetária dos contratos deste setor deve considerar o IGPM. Nessa ótica, entendo que o IGPM, como bem esclareceu a ANEEL, reflete a variação de preços do setor elétrico, enquadrandose, portanto, nos requisitos dispostos tanto na Lei nº 11.196/2005 quanto na IN/SRF nº 658/2006, visto que é um dos índices gerais que veio substituir o extinto IPCr. Até porque, exigir um índice específico para cada produto representaria, na verdade, uma tentativa de negar aplicabilidade à própria exceção atinente aos reajustes, visto que é muito improvável que haja um índice de atualização aplicável a determinado produto/setor específico. O que a norma buscou evitar é que fossem adotados índices que representassem aumentos superiores aos observados em determinada atividade, o que poderia representar uma verdadeira revisão do seu valor, ou seja, um ganho superior à mera recomposição do valor monetário da moeda. Não é, contudo, o que se vê na hipótese dos autos, em que fora adotado pelo contribuinte o índice oficial admitido pela União Federal, conforme orientação da ANEEL, justamente em razão da sua correlação com as variações de preços atinentes especificamente ao setor elétrico. Ou seja, a adoção do IGPM buscou apenas o manter o equilíbrio contratual, não representando uma revisão do preço inicialmente pactuado. Tanto é assim que a própria ANEEL emitiu a Nota Técnica nº 224/2006, que teve como objeto a avaliação da incidência das Contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS sobre as receitas decorrentes de contratos assinados em data anterior a 31/10/2003, nos termos do art. 10, inciso XI, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003, c/c art. 109 da Lei nº 11.196/2005, através da qual pronunciouse expressamente no sentido de que a incidência do PIS e da COFINS, nos contratos licitados antes de 31/10/2003, permanecem no regime cumulativo por se caracterizarem como de preço predeterminado. Em razão da sua relevância, trazse a seguir passagem da referida Nota Técnica: (...). Diante da nova conceituação de preço predeterminado, trazida pela IN SRF nº 486/2004 exclusivamente para fins de PIS/PASEP e COFINS, temse que a existência de cláusula de reajuste no contrato seria causa de indeterminação do preço a partir do momento em que aplicado o reajuste, passando então a receita decorrente a ser submetida ao regime novo da nãocumulatividade. É, portanto, evidente o conflito entre a regulamentação existente (IN SRF nº 21/79 e IN SRF nº 486/2004). Percebese que a Secretaria da Receita Federal, mediante ato de natureza jurídica meramente complementar, nos termos do art. 100, I, do CTN, estabeleceu restrições e limitação que não se encontram previstas na Lei nº 10.833/2003. Dessa forma, hialina a violação ao princípio da legalidade, segundo o qual a atividade administrativa está condicionada à observância da lei, pois na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza, não devendo sua atividade violar a lei, regulamento ou outro ato normativo. (...). Neste ponto, cabe observar que o índice utilizado nos Contratos de Suprimento de Energia Elétrica (sejam eles Contratos Iniciais ou Contratos Bilaterais), bem nos Contratos de Concessão do Serviço Público de Transmissão é o IGPM (Índice Geral de Preços do Mercado), apurado pela Fundação Getúlio Vargas Fl. 529DF CARF MF 14 FGV. O IGPM é índice que se enquadra no conceito apresentado pelo art. 27 da Lei nº 0.069/95. Dessa forma, com o novo comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei nº 11.196/2005, a ocorrência de mero reajuste de preços, efetuados especificamente nas condições descritas na Lei nº 9.069, art. 27, parágrafo 1º, II, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei nº 9.718/98. (...). Portanto, com a edição da Lei nº 11.196/2005, qualquer reajuste de preço previsto contratualmente, que tenha por objetivo assegurar o reajuste necessário para minimizar os efeitos do desgaste inflacionário ocorrido durante o ano, sem que haja alteração (revisão) do preço e das condições pactuadas quando da assinatura do contrato, mediante índices estipulados contratualmente, qualquer que seja ele, não descaracteriza o preço predeterminado, permanecendo a receita decorrente de tais contratos no regime da tributação cumulativa do PIS/PASEP e da COFINS. (...). Por todo o exposto, concluímos que: a) as receitas decorrentes dos Contratos Iniciais e Bilaterais, firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, enquadramse nas disposições do art. 10, inciso XI, letra "b", da Lei nº 10.833/2003, uma vez que são contratos assinados por prazo superior a 1 (um) ano, com preço predeterminado, cujo reajuste anual, calculado com base em índices oficiais (IGPM), não descaracteriza o caráter de preço predeterminado, devendo, por conseguinte, tais receitas permanecerem sujeitas às normas da legislação do PIS/PASEP e da COFINS, vigentes anteriormente à edição da Lei nº 10.833/2003, ou seja, no regime cumulativo, previsto na Lei nº 9.718/1998. (...). Reforça o entendimento acima exposto o fato de que o contribuinte, no caso em análise, não poderia firmar contrato em valor predeterminado sem que fizesse constar cláusula de reajuste, nem poderia escolher outro índice que não o IGPM, ainda que correspondesse à variação relativa ao seu produto específico. Por força da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações), a cláusula de reajuste do preço deverá constar necessariamente tanto do ato convocatório do processo de licitação quanto do instrumento contratual. E, no caso de contrato no setor de energia elétrica, o índice a ser adotado deveria ser o IGPM, conforme orientação da ANEEL. Até porque, é importante salientar que não poderia a Recorrente se distanciar de orientação da ANEEL sobre o tema, visto ser este o órgão regulador da sua atividade, inclusive quando considera que a determinação da tributação a ser adotada impacta diretamente o preço da tarifa adotada pela Recorrente, tema este que se sujeita ao controle direto da ANEEL. Nesse contexto, entendo que as receitas do Recorrente decorrentes dos contratos firmados antes de 30/10/2003, ainda que o preço seja reajustável pelo IGPM, deveriam ter sido tributadas pelo regime da cumulatividade. É válido destacar, inclusive, que a 3ª Seção de Julgamento do CARF já se manifestou neste mesmo sentido, consoante se extrai da ementa a seguir transcrita (Processo nº 10183.005952/200919 Acórdão nº 3302001.659 publicado em 22/11/2012): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 524 15 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento da carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2004 a 31/12/2007 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. OBRIGAÇÕES DE TRATO SUCESSIVO. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE. Somente a adoção de índice que represente reajuste acima ao dos custos de produção Lei nº. 11.196, de 2005, art. 109 implica a sujeição das receitas decorrentes de contrato de fornecimento de bens e serviços de trato sucessivo, ao regime nãocumulativo da contribuição. A não comprovação, pela fiscalização, de que o índice adotado pelas partes superou o valor referente aos custos de produção, torna aceitável o índice escolhido pelas partes. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. CLÁUSULA DE REAJUSTE. CLÁUSULA DE REVISÃO. CONTRATO PREDETERMINADO. MANUTENÇÃO. Fl. 531DF CARF MF 16 A simples existência de cláusula de reajuste e revisão não é suficiente para que o contrato de prestação de serviços perca sua característica de contrato predeterminado, seria preciso comprovar que o valor referente ao aumento carga tributária foi repassado ao preço do serviço contratado. Ademais, a existência das mencionadas cláusulas estão previstas na própria lei de licitações Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Recurso Voluntário Provido. Por oportuno, é válido trazer à tona trecho do voto vencedor proferido pela Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Conforme se depreende do voto do ilustre Conselheiro Relator2, em seu entender, o IGPM não pode ser aplicado porque não está previsto na legislação citada pela Lei nº 9.069/95, que é a legislação mencionada na Lei nº 11.196/05. Explico. O nobre julgador aceitou a interpretação do conceito de “prédeterminado” nos termos da Instrução Normativa nº 658/06 (que é o dispositivo utilizado para a desconsideração do procedimento da Recorrente) por força do disposto no artigo 109 da Lei nº 11.196/05, a saber: (...). E este dispositivo legal citou, expressamente, o artigo 27 da Lei nº 9.069/95, verbis: (...). Assim, no entender do Relator, somente poderão ser considerados como contratos prédeterminados aqueles que forem corrigidos com base no custo de produção ou no IPCr, por expressa limitação legal. Ouso discordar do nobre colega. Para tanto acato a argumentação trazida aos autos por meio do Parecer da ANEEL (fls. 235/236 – Vol. II), que esclarece que o índice IPCr foi extinto e substituído por outros índices, inclusive o IGPM. Neste sentido, o citado artigo 27 da Lei nº 9.069/95 (lei instituidora do Plano Real) foi substituído pelo o artigo 8º, da Lei nº 10.192/01 (lei complementar do Plano Real), vejamos: “Lei nº 10.192/01 Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo.” (destaquei) Ainda conforme este texto legal, o artigo 2º permite a correção monetária por índices de preços gerais OU que reflitam a variação de custos de produção: Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 525 17 “Lei nº 10.192/01 Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. (...)” Com base nestas alterações legais, divirjo da interpretação apresentada pelo d. Conselheiro Relator por entender que o comando legal introduzido pelo art. 109 da Lei n° 11.196/2005 não possui o condão restritivo pretendido pela fiscalização, de excluir a aplicação do IGPM como índice de correção monetária. Ao revés, concluo que o reajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 da Lei n° 9.069/95, independentemente do índice utilizado, não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, conseqüentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Além da questão específica referente à legislação, mesmo que não houvesse tal possibilidade, registro que entendo que a correção monetária por si só não representa nova grandeza econômica3, mas apenas a manutenção do poder de moeda4. Neste diapasão, sequer haveria a necessidade de expressa previsão legal, posto que sua incidência claramente não tem o poder de descaracterizar os preços prédeterminados dos contratos, pretendendo apenas garantir o equilíbrio financeiro da relação jurídica estabelecida. Neste raciocínio, ainda que o IPCr não estivesse extinto, pareceme claro que o artigo 109 mencionado não define o conceito de “pré determinado” – por isso precisaria de uma Instrução Normativa, apenas determina um comando legislativo, esclarecendo que em determinadas hipóteses não poderia haver interpretação do conceito por parte da fiscalização. É pertinente destacar, inclusive, que esta decisão restou mantida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual, à unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional (Acórdão nº 9303003.467 de 24/02/2016). A seguir, transcrevemse passagens do voto proferida pela Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora do referido processo, cujos fundamentos também adoto como razão de decidir: (...) Sendo assim, em melhor análise da IN SRF 468/04, ainda que tenha sido editada à época sem previsão legal de “reajuste de preços”, entendo que o que se está propondo com essa norma é desbordar confusão no ordenamento jurídico – vez que a natureza do evento de reajuste de preço é diferente do evento de revisão de preço. Eis que o reajuste contratual tem a finalidade de se “corrigir monetariamente” o preço já contratado/negociado para se manter o equilíbrio econômico financeiro do contrato – equalizando o preço já estipulado com o poder da moeda. Ou seja, o reajuste não tem o condão de alterar o preço já contratado/negociado, mas sim, de apenas, em virtude de perdas inflacionárias, adequálo à realidade econômica. Enquanto que a revisão do preço, com a definição pela continuidade de determinado serviço e em vista de circunstâncias extraordinárias, p.e. motivos Fl. 533DF CARF MF 18 concorrenciais, tem a finalidade de se estipular uma nova equação econômica para se firmar um novo preço junto ao contratado. O que, de fato, alteraria o preço do serviço. É de se trazer também que o reajuste usualmente ocorre anualmente e no final do exercício, pois deve considerar os impactos inflacionários do ano corrente, diferentemente da revisão de preço, que poderá ocorrer pelas circunstâncias extraordinárias que influenciam as partes e o mercado (p.e., oferta e demanda). Dessa forma, o reajuste, resultante da simples aplicação do índice de correção monetária não tem o poder de alterar o preço predeterminado. Tanto é assim, que não implica em obrigatoriedade de aditamento do contrato, bastando a previsão de cláusula de reajuste com a estipulação de um índice oficial para a atualização monetária do preço. O que passo, a desconsiderar aquela Instrução Normativa IN SRF 468/04 para o caso em apreço, em respeito à natureza dos eventos jurídicos – reajuste e revisão de preços – já que traz que o mero “reajuste” implicaria a alteração do preço antes firmado, confluindo da mudança da sistemática das contribuições. (...). Com a cláusula 11, temse claro que o reajuste ora aventado não teve como pretensão a alteração do preço prédeterminado do contrato, mas apenas a atualização desse preço já estipulado com a utilização do Índice Geral de Preços de Mercado – IGPM – oficial. A correção monetária de per si por sua natureza mantém o preço predefinido equalizandoo somente com o poder da moeda – o que, a meu sentir, nem precisaria de previsão legal para se fazer tal reajuste – necessário à manutenção de vários negócios jurídicos. Sendo assim, a cláusula de reajuste é admitida para assegurar às partes a manutenção do equilíbrio econômico e financeiro da avença. Cabe lembrar que a Lei 8.666/93 – que dispõe sobre as licitações e contratos firmados pela Administração Pública, estabelece a observância obrigatória de determinadas regras, das quais a cláusula de reajuste de preço deve constar não apenas do instrumento contratual, mas também do próprio ato convocatório do processo de licitação (Grifos meus): "Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, o dia e a hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: (...) XI – critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (...) Art. 55. São cláusulas necessárias em todo contrato as que estabeleçam: (...) III o preço e as condições de pagamento, os critérios, database e periodicidade do reajustamento de preços, os critérios da atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento;" Com efeito, notase que o reajuste apenas representa o repasse da correção monetária durante a vigência do contrato, e não o estabelecimento de um novo contrato – por decorrência de um novo preço. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 526 19 Tanto é assim, que não tem o condão de provocar alteração contratual, conforme demonstrado no art. 65, § 8º do art. 65 da Lei de Licitações (Grifos meus): "Art. 65. Os contratos regidos por esta Lei poderão ser alterados, com as devidas justificativas, nos seguintes casos: (...) § 8.º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato, as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do mesmo, podendo ser registrados por simples apostila, dispensando a celebração de aditamento." Em vista do exposto, o mero reajuste de preço, em respeito ao poder da moeda, não altera o contrato já firmado, tampouco há que se falar em mudança do preço acordado. Ou seja, a mera atualização do preço, por decorrência da desvalorização da moeda, não poderia descaracterizar o contrato com preço predeterminado. (...) Seria tão danoso tal entendimento de que não se poderia utilizar o IGPM como índice para a atualização do preço no contrato ora firmado que a própria Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel traz em seu site que o reajuste para a atualização monetária dos contratos deve considerar o IGPM. Cabe elucidar que a Aneel foi instituída pela Lei 9.427/96, tendo por finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. E, dentre as suas atribuições, consta a gestão dos contratos de concessão ou de permissão de serviços públicos de energia elétrica, de concessão de uso de bem público, bem como atuar para se zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando e acompanhando as práticas de mercado dos agentes do setor de energia elétrica. Dessa feita, compete à ANEEL zelar pelo cumprimento da legislação de defesa da concorrência, monitorando as práticas de mercado, além de gerir os contratos de concessão de energia elétrica – o que, para tanto, poderá regular o índice a ser utilizado para se atualizar tais contratos. O que efetivamente faz e fez no presente caso ao expor a possibilidade de se utilizar o IGPM como índice de atualização monetária do preço. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de, reconhecendo o direito do contribuinte à tributação pelo regime da cumulatividade quanto aos contratos firmados anteriormente à 30/10/2003, ainda que possuam cláusula de reajuste pelo IGPM, homologar a compensação pleiteada no limite do direito creditório. Destaquese, outrossim, que a conclusão obtida na presente demanda deverá ser estendida às PER/DCOMP´s objeto dos processos apensos, por se embasarem nos mesmos aspectos fáticos e de direito. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 535DF CARF MF 20 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Redator designado. O Senhor Presidente deste Colegiado nomeoume redator do voto vencedor no presente acórdão. A questão posta centrase em verificar se o reajuste do contrato pelo IGPM, praticado pela recorrente, descaracterizaria a sua condição de preço predeterminado, nos termos da legislação aplicável. Argumenta a recorrente que o reajuste do contrato pelo IGPM não equivaleria a preço variável, oscilante no decorrer do contrato em detrimento de fato superveniente, e de acordo com o previsto nas cláusulas contratuais; somente se prestando a conservar o valor real do preço; o que não descaracterizaria a sua condição de preço predeterminado. Para tanto, amparase no art. 109 da Lei nº 11.196/2005, bem como a IN/SRF nº 658/2006. Consta do site oficial da Fundação Getúlio Vargas, definição do IGP, como um índice geral de preços, englobando diferentes atividades econômicas: O IGP foi concebido no final dos anos de 1940 para ser uma medida abrangente do movimento de preços. Entendiase por abrangente um índice que englobasse não apenas diferentes atividades como também etapas distintas do processo produtivo. A Lei n° 10.833/2003 (conversão da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003), ao estabelecer o regime nãocumulativo para a Cofins, nas hipóteses lá previstas, com efeitos sobre o regime nãocumulativo da PIS/Pasep, capitula exceções, fazendo permanecer no regime cumulativo ambas as contribuições, no caso de contratos de fornecimento de bens, a preço predeterminado, firmados antes de 31/10/2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: [...] XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: [...] c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1o e 10 a 20 do art. 3o desta Lei; Em 2005, a Lei n° 11.196 estabeleceu forma de reajuste de preços que não descaracterizaria o contrato a preço predeterminado, para fins da manutenção no regime cumulativo: quando aquele se desse em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 527 21 ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. E o faz, referindose à Lei n° 9.069/95, no dispositivo que excetua da aplicação do Índice de Preços ao Consumidor utilizado à época, o IPCr, justamente os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados: Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. [...] § 1º O disposto neste artigo não se aplica: [...] II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; Observese, que o IPCr foi extinto, nos termos do art. 8º, caput, tendo seu § 1º determinado sua substituição por "índice previsto contratualmente para este fim", no caso em pauta, o IGPM. Assim, a referência do art. 109 da Lei n° 11.196/2005 ao art. 27, § 1º, II, da Lei n° 9.069/95, é clara no sentido de distanciar o IGPM; enquanto substituto do IPCr; dos reajustes de preço que não descaracterizam o contrato a preço predeterminado; posto que não se aplica "aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados". O caso in concreto assim se enquadra à luz dos dispositivos legais expostos. a) Os contratos em questão foram firmados antes de 31/10/2003, enquadrandose, em parte, nos termos da exceção de permanência no regime cumulativo prevista no art. 10, XI, "c)" da Lei n° 10.833/2003. b) Tais contratos prevêm o reajuste do preço da energia pela variação do IGPM. Por óbvio, em sendo índice geral de preços; medida abrangente do movimento de preços, abrangente, no sentido de que, engloba diferentes atividades e também diferentes etapas do processo produtivo, no dizer da Fundação Getúlio Vargas; não é função do custo de produção, tampouco variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. Não se enquadra, portanto, o reajuste pelo IGPM, na não descaracterização de preço predeterminado, para fins da manutenção no regime cumulativo, prevista no art. 109 da Lei n° 11.196/2005. E assim tem recentemente decidido a 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 537DF CARF MF 22 CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. [...] (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.467, de 24/02/2016, rel. Conselheira Tatiana Midori Migiyama). REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.372, de 11/12/2015, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres). Em 2006, a então Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa (IN) SRF nº 658/2006, cujo art. 3º regulamenta o preço predeterminado para fins de apuração da PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Assim, estatui o art. 3º que preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 528 23 alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato. Assim, qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, seja para " conservar o valor real do preço ", como argumenta a recorrente, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizandoa. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços se dá em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGPM; regra legal complementada pelo § 3º da IN, reproduzido acima, devendo este, claro, correspondência à lei, como será exposto em seção seguinte do presente voto. O característica de índice geral de preços, por si só, já retiraria o IGPM da exceção que não descaracterizaria o preço predeterminado. Não é demais reforçar tal conclusão com os argumentos expostos no voto condutor do acórdão 9303003.372 da Câmara Superior, cuja ementa foi reproduzida acima: O Fisco, com arrimo na Nota Técnica Cosit nº 1, de 16 de fevereiro de 2007, e no Parecer PGFN/CAT nº 1.610/2007, entendeu que o tipo de contratado de prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, celebrado pela ora recorrida, não se enquadraria como contrato de preço predeterminado, pois as cláusulas de reajuste de preços, com base no IGPM, não refletiriam apenas a variação de custo de produção ou de insumos, condição necessária para a manutenção da incidência cumulativa do PIS e da Cofins sobre as receitas relativas a esse contrato. [...] Para que não paire qualquer dúvida de que o IGPM não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pelas distribuidoras de energia, basta analisar o grupo de produtos que compõem cada um dos índices integrantes do IGPM. Nesse índice, entram, além de outros componentes, os preços de legumes e frutas, bebidas e fumo, remédios, embalagens, aluguel, condomínio, empregada doméstica, transportes, educação, leitura e recreação, vestuário e despesas diversas (cartório, loteria, correio, mensalidade de Internet e cigarro, entre outros). Como dito anteriormente, o IGPM é composto de 3 índices, o IPAM, o IPC M e o INCCM. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPAM), que responde por 60% do IGPM, é sistematizado segundo a origem dos produtos agropecuários e industriais e segundo o estágio de processamento bens finais, bens intermediários e matériasprimas brutas. No total, são pesquisados 340 produtos, distribuídos em grupos. [...] De acordo com a metodologia de cálculo da FGV para esse índice, os produtos de origem agropecuários representam 28,9738% do IPAM e o de origem industrial os outros 71,0262%, sendo que os subitens relativos às máquinas, aparelhos e materiais elétricos correspondem a minguados 1,7674% do IPAM. Partindose da premissa que outros subitens da indústria possam ser utilizados como insumos do setor elétrico eliminando os do setor alimentício, fumo, bebidas, agropecuário, eletrodoméstico, celulose, etc., que não são aplicáveis ao setor de distribuição de energia elétrica vêse que a participação Fl. 539DF CARF MF 24 dos insumos do setor elétrico no IPAM é insignificante, muito insignificante. Já em relação ao IPCM, nenhum item está diretamente relacionado a insumos utilizados pelo setor de distribuição de energia elétrica, haja vista que os produtos que compões esse índice, é específico para o consumo das famílias. A seu turno, o INCC, por óbvio, não reflete os custos do insumo do setor elétrico, haja vista que é especifico para medir a variação do setor da construção civil. Ora, mergulhandose na metodologia de cálculo do IGPM e analisando os produtos que o integra, concluise, sem a menor dúvida, que esse índice nem de longe reflete de forma específica a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados pela contribuinte, tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. (grifos do original). O Parecer PGFN/CAT n° 1.463/2007, traz uma oportuna análisehistórica do tema: 3. Na redação original da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003, não havia esta disposição. Isto quer dizer que uma vez em vigor a nãocumulatividade, obrigatória para determinadas pessoas jurídicas, rapidamente foi detectado que a mudança criou um desequilíbrio nos contratos em que os preços foram acertados pela sistemática anterior. Assim sendo, no Projeto de Lei de Conversão foi apresentada emenda que criou a regra de transição que pode ser lida no texto vigente da lei. 4. Por este regime provisório, os contratos deveriam obedecer a quatro requisitos para que as suas receitas permanecem na cumulatividade: anterior a 31 de outubro de 2003, por prazo superior a um ano, construção por empreitada ou fornecimento de bens e serviços, e a preço predeterminado. Eram, portanto, exceção à regra da nãocumulatividade. Alguma ocorrência que prejudicasse o atendimento aos requisitos, obriga a tributação dos valores recebidos seguindo a nãocumulatividade. 5. A idéia central deste dispositivo é a nãosurpresa do contribuinte que calculou seu preço antes da vigência da M.P. nº 135, de 2003, utilizando para tanto a alíquota menor. Ademais, somente com o passar de certo tempo é que as empresas acumulariam os créditos a serem compensados com o valor devido pelos tributos e se efetivaria a nãocumulatividade. Passada a surpresa da alteração legislativa, e iniciado o processo de aquisição de créditos, o certo seria que todos os contratos passassem para a nãocumulatividade. 6. Entretanto, algumas empresas ao fazer o cálculo dos tributos devidos perceberam que teriam que pagar um valor maior no sistema da não cumulatividade do que no da cumulatividade. Dessa forma, começaram a buscar meios de prorrogar indefinidamente os seus contratos para que sobre aquelas receitas incidissem alíquotas menores. Como os três primeiros requisitos legais são bastante objetivos, passaram a tecer ilações sobre o mais impreciso dos conceitos: o de preço predeterminado. 7. Os contribuintes passaram a reajustar seus contratos, aplicando índices de inflação diretamente aos seus preços. Acreditavam que estava mantido o caráter de preço predeterminado e, em conseqüência, poderiam manter aquelas receitas na sistemática da cumulatividade. Dessa forma, por hipótese, um contrato com prazo de vinte anos poderia Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10880.728147/201114 Acórdão n.º 3301003.645 S3C3T1 Fl. 529 25 passar todo este período na cumulatividade, alterando periodicamente o seu preço com aplicação de qualquer índice de inflação. (Grifos do relator). O § 3º do art. 3º da IN SRF nº 658/2006 assim dispõem: Art. 3º [...] § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Tal dispositivo de Instrução Normativa da então Secretaria da Receita Federal é ato administrativo que regulamenta lei, emanado do poder regulamentar do Executivo, previsto no art. 84, IV da Constituição Federal. E assim sendo não podem criar direitos ou obrigações, posto que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei, nos termos do art. 5°, II, da Carta Magna. Seu alcance e amplitude é determinado pela lei que regulamenta. Assim, deve tal disposição regulamentar almodarse aos dispositivos legais a que se refere, no caso, o art. 10 da Lei n° 10.833/2003, o qual determina que permanecem sujeitas ao regime cumulativo as receitas relativas a contratos de fornecimento de bens a preço predeterminado e, mais especificamente, o art. 109 da Lei n° 11.196/2005, que estabelece que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Dessa forma, não será qualquer reajuste de preços, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não descaracteriza o preço predeterminado; mas um reajuste de preços que também seja função do custo de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, em obediência ao art. 109 da Lei nº 11.196/05; o que não ocorre com o IGPM. Os fatos em pauta ocorreram entre 2004 e 2005, portanto, sob a vigência da IN/SRF nº 468/2006, esta revogada pela IN SRF nº 658/2006. A primeira IN em nada socorre a recorrente, sendolhe mais desfavorável que a segunda; tanto que esta trouxe julgados do STJ e do TRF da 4ª Região que deram pela sua ilegalidade. Alega a recorrente, citando a Nota Técnica n° 224/2006SFF/ANEEL. que "a incidência de PIS e COFINS nos contratos licitados antes de 31/10/2003 permanecem no regime cumulativo por se caracterizarem como de preço predeterminado" e que a mesma ANEEL entende que " o IGPM é o índice de reajuste aceito pelo Poder Concedente em todos os contratos de concessão de distribuição assinados com a União Federal por refletir mais adequadamente as variações de preços do setor elétrico". Pois bem, a ANEEL é agência reguladora instituída pela Lei n° 9.427/2006, tendo por finalidade "regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal" (art. 2o da Lei). Não lhe foi atribuída qualquer competência normativa na esfera tributária. Suas notas técnicas também não podem ser incluídas no rol "legislação tributária" do art. 96 do CTN, na qual se encontram as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, Fl. 541DF CARF MF 26 sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. Assim, manifestação da ANEEL acerca da qual reajuste caracteriza ou não o preço predeterminado não tem qualquer valor normativo ou vinculante. Com base nessas considerações, votou o colegiado, por maioria, por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Redator designado Fl. 542DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721974/2014-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
CESSÃO DE DIREITOS CONTRATUAIS - TRANSFERÊNCIA DA RECEITA.
A cessão de direitos contratuais a empresa ligada não caracteriza de per si irregularidade sujeita a desconsideração, mormente quando justificada por cláusulas estabelecidas pela contratante (Petrobras) e não demonstrado que a cessionária tenha sido criada exclusivamente para o rateio das receitas.
Numero da decisão: 1402-002.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votaram por negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente )
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
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A cessão de direitos contratuais a empresa ligada não caracteriza de per si irregularidade sujeita a desconsideração, mormente quando justificada por cláusulas estabelecidas pela contratante (Petrobras) e não demonstrado que a cessionária tenha sido criada exclusivamente para o rateio das receitas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo Luis Pagano Gonçalves que votaram por negarlhe provimento. (assinado digitalmente ) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 19 74 /2 01 4- 16 Fl. 2815DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente de autos de infração para cobrança do IRPJ e da CSLL no valor total de R$ 35.860.417,88; incluindo multa de ofício e juros de mora, como decorrência da cessão de direitos, considerada fraudulenta pela Fiscalização, pela qual uma parcela significativa das receitas da interessada foram transferidas para outra pessoa jurídica (ECG) do mesmo grupo econômico. De acordo com a autoridade lançadora, as duas empresas operam como único ente e com o mesmo controle societário. Ainda segundo o Fisco, os dados disponíveis indicam que a ECG não apresenta despesas com pessoal, não possui ativos de caráter permanente e nem registra despesas administrativas relevantes revelando a inexistência de estrutura operacional independente. Acrescenta a Fiscalização que cessão de direitos de fornecimento de materiais nada mais foi do que um negócio simulado, uma vez que a cedente e a cessionária são na realidade um único ente, o que torna injustificável, sob esse aspecto, a transferência de receitas da ENGECAMPO para a EGC. Conclui ressaltando a falta de propósito negocial, o prejuízo ao Fisco com a redução tributária obtida, o desvirtuamento do instituto da empreitada e a ilegitimidade das supostas exigência das Petrobras que justificaram a cessão nos moldes efetuados. Por esse motivo, foram reconstituídos os resultados antes apurados pela ENGECAMPO, relativos a esses anoscalendário, considerando a quase totalidade das receitas auferidas pela EGC, que em realidade seriam de titularidade daquela. No entendimento de que o procedimento implicou em fraude, o lançamento foi formalizado com multa de 150%. Lavrouse Termo de Sujeição Passiva Tributária em nome de Luiz Felipe Parmentier Rodrigues da Silva, sócio administrador de ambas as empresas. A autuada interpôs impugnação argüindo em síntese: ENGECAMPO e EGC são pessoas jurídicas diferentes com atividades empresariais reais e distintas; A criação da EGC não teve nenhuma finalidade de reduzir carga tributária; A cessão de direitos da ENGECAMPO para a EGC, com a anuência da PETROBRÁS, observou rigorosamente às regras previstas no Decreto n° 2 . 7 4 5 / 9 8 e nos editais de licitação; Caso a cessão de direitos realizada pela ENGECAMPO fosse feita para outra empresa revendedora de mercadorias o resultado, do ponto de vista tributário para o Fisco, seria o mesmo, caso esta empresa também fosse tributada pelo lucro presumido; Não houve desvirtuamento do contrato de empreitada para transformálo em outros dois. A ENGECAMPO prestou serviços com emprego de materiais adquiridos de terceiros e a EGC, por sua vez, revendeu mercadorias; Fl. 2816DF CARF MF Processo nº 11080.721974/201416 Acórdão n.º 1402002.498 S1C4T2 Fl. 2.816 3 A autoridade fiscal considerou equivocadamente para a base de cálculo do IRPJ e da CSLL receitas de vendas canceladas/devoluções de vendas da empresa EGC; A autoridade fiscal considerou que a receita da empresa revendedora de mercadorias (EGC) pertence à empresa prestadora de serviços (ENGECAMPO) exigindo o IRPJ e CSLL desta sem levar em consideração o custo irrecuperável de aquisição dos bens (artigo 289, §3°, RIR); Não houve qualquer ilicitude que justificasse a imposição da multa qualificada; e: Não cabe a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto – SP prolatou o Acórdão 1457.617 considerando a impugnação totalmente improcedente e mantendo integralmente o crédito tributário. A decisão consubstanciouse na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010 IRPJ E REFLEXOS. NÃO TRIBUTAÇÃO DE RESULTADOS PRÓPRIAS MEDIANTE USO DE INTERPOSTA PESSOA (PJ). Constitui propósito negocial legítimo o encadeamento de operações societárias visando a redução das incidências tributárias, ou seja, a economia de tributos, desde que efetivamente realizadas, ou seja, não ocorram mediante negócios artificiais/fictícios com uso de interpostas pessoas (PJ). MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Comprovada a intenção de violação da norma fiscal com a finalidade de escapar do pagamento do imposto devido é cabível a imposição da multa qualificada. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. Não compete ao julgador administrativo conhecer de pretensa ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. O conhecimento e julgamento de eventual vício da legislação aplicada e em vigor compete, apenas, ao Poder Judiciário, o qual tem a última palavra em face do princípio da unidade de jurisdição. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. Cabível a exigência de juros de mora sobre a multa de oficio à taxa Selic. Fl. 2817DF CARF MF 4 Cientificado, o sujeito passivo recorre a este colegiado ratificando as razões expedidas na peça impugnatória. Traz a arguição de nulidade da decisão de primeira instância que não teria apreciado as razões de defesa apresentadas pelo coobrigado contra a responsabilidade que lhe foi imputada. Essa argüição foi ratificada em recurso voluntário apresentado pelo coobrigado, no qual também foram expostas as razões pelas quais não caberia a responsabilização. Em primeira apreciação, este colegiado prolatou a Resolução 1402000.371 pela qual os autos foram enviados à Unidade Local para saneamento no que se refere à defesa do coobrigado. Cumprido o requerido, retorna o processo para julgamento. É o Relatório. Fl. 2818DF CARF MF Processo nº 11080.721974/201416 Acórdão n.º 1402002.498 S1C4T2 Fl. 2.817 5 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Os recursos são tempestivos e foram interpostos por signatários devidamente legitimados, motivo pelo qual deles conheço. A acusação fiscal voltase contra os contratos de cessão de direitos pelos quais a interessada (Engecampo) cede a empresa do mesmo grupo econômico (ECG) os direitos relativos contratuais firmados com a Petrobras relativos ao fornecimento de materiais e equipamentos a serem aplicados na obra contratada. De acordo com a Fiscalização, tratase de negócio simulado sem propósito negocial visando exclusivamente a economia tributária pela transferência da receita de uma empresa que apura resultado pelo lucro real para outra de mesmo grupo sujeita ao lucro presumido. No meu entendimento, as circunstâncias fáticas aqui presentes vão de encontro às conclusões fiscais. Em primeiro lugar, não restou comprovado que a empresa ECG foi criada exclusivamente para "receber" as receitas decorrentes da venda de mercadoria para a Petrobras. O exame do Ato Constitutivo revela que essa empresa foi criada no ano de 2000 enquanto os contratos objeto do procedimento fiscal e firmados entre a Engecampo e a Petrobras foram formalizados em 2007 e a cessão de direitos ocorreu no ano de 2008. Se, no período sob exame, a ECG efetuou apenas as vendas decorrentes do contrato de cessão é circunstância empresarial que não pode de per si motivar uma arguição de irregularidade. Além disso, o fato de a ECG funcionar efetivamente nas mesmas instalações da Engecampo não a desqualifica como empresa autônoma. O compartilhamento das instalações é prática corriqueira entre empresas integrantes de mesmo grupo empresarial. A alegação de falta de propósito negocial não subsiste a partir do exame do contratos firmados entre a recorrente e a Petrobras. Não é aceitável tal propositura quando o negócio jurídico é efetuado compulsoriamente ou, em outras palavras, quando a parte não pode agir em sentido diverso. Insistese nesse ponto que o fato sob exame não envolve como outras situações julgadas nesta Corte exercer entre dois ou mais procedimentos a opção tributariamente mais favorável, prática essa que pode em alguns casos gerar questionamentos pertinentes da autoridade fiscal. Em função de interesses da Petrobras no que se refere ao ICMS os modelos de carta convite da petroleira estabelece a obrigatoriedade de inscrição estadual da contratada Fl. 2819DF CARF MF 6 como contribuinte de ICMS para emissão de nota fiscal de venda ou então a celebração de contratos de cessão com terceiros que possibilitem esse procedimento: Daí porque os contratos prevêem a cessão os moldes efetuados. A assertiva de que as cláusulas contratuais violam princípios da administração pública ao estabelecer a possibilidade de cessão é matéria estranha ao presente feito. Não consigo vislumbrar ausência de propósito negocial ou atos simulados por parte da recorrente quando o negócio jurídico foi celebrado com base em restrições contratuais determinadas unilateralmente pela Petrobras. Sob esse prima, voto por dar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica e cancelar o lançamento. Na ausência da irregularidade descabe falar em responsabilidade do coobrigado, motivo pelo qual voto por excluílo da relação jurídico tributária. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 2820DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19985.720407/2015-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999.
Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°).
DESPESAS MÉDICAS.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea.
A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa, mas tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de Termo de Intimação que expresse a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado.
Todo ato administrativo deve ser motivado. Se o lançamento baseia-se em um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação.
Glosa por falta de apresentação de documentos não exigidos do administrado deve ser cancelada.
Numero da decisão: 2202-003.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2011 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa, mas tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de Termo de Intimação que expresse a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionando-lhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Todo ato administrativo deve ser motivado. Se o lançamento baseia-se em um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Glosa por falta de apresentação de documentos não exigidos do administrado deve ser cancelada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1851; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 70 1 69 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19985.720407/201533 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.916 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2017 Matéria IRPF Despesas Médicas Recorrente AQUILLA MARIS NICZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA/RIR 1999. Todas as deduções na base de cálculo do imposto previstas pela legislação estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). DESPESAS MÉDICAS. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a despesas médicas efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que comprovados mediante documentação hábil e idônea. A fiscalização pode exigir a comprovação do efetivo pagamento da despesa, mas tal faculdade deve ser concretizada por meio da lavratura de Termo de Intimação que expresse a pretensão da Administração, de modo que o sujeito passivo tenha prévio conhecimento daquilo que o Fisco está a exigir, proporcionandolhe, antecipadamente à constituição do crédito tributário, a possibilidade de atendimento do pleito formulado. Todo ato administrativo deve ser motivado. Se o lançamento baseiase em um expresso motivo para desconsiderar os recibos apresentados, a lide fica adstrita a essa motivação. Glosa por falta de apresentação de documentos não exigidos do administrado deve ser cancelada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 98 5. 72 04 07 /2 01 5- 33 Fl. 70DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (fls. 22/27), decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2012, ano calendário de 2011, em que foram glosados valores indevidamente deduzidos a título de despesas médicas pagos a: · Ricardo Sebold Branco, no valor de R$ 1.780,00, por não constar no recibo o serviço prestado, o nome do paciente e não constar efetivo desembolso; · Ana Paula Stolf Simões, no valor de R$ 8.400,00, por não constar no recibo o nome do paciente e não constar efetivo desembolso; · Josiani Mara Scheidt, no valor de R$ 5.060,00, por não constar no recibo o nome do paciente e não constar efetivo desembolso. Foi apresentada impugnação tempestiva, (fls. 02/03), onde a interessada afirmou não possuir dependentes, que as despesas são da própria contribuinte e que os pagamentos aos profissionais foram realizados em espécie, o que diz comprovar pela DIRPF, pois declarou ter em seu poder numerário no montante de R$ 43.000,00 no final de 2011. Informa ser portadora de doença grave (neoplasia com recaídas e metástases), submetida a tratamentos cirúrgicos e quimioterápicos. A 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), julgou a impugnação improcedente, conforme acórdão de fls. 33/37, mantendo as glosas pois a interessada não apresentou nenhum recibo para comprovação das despesas nem cópias de extratos bancários que pudessem demonstrar a transferência de numerário aos profissionais declarados, limitandose a dizer que efetuou os pagamentos em espécie. Cientificada dessa decisão por via postal em 07/04/2015 (A.R. de fls. 41), a interessada interpôs Recurso Voluntário em 29/04/2015 (fls. 45/47), repisando os argumentos trazidos na impugnação e acrescenta estar juntando declarações dos médicos, relatando e justificando os serviços que lhe foram prestados. Anexa Declarações dos médicos (fls. 61/63), e cópias dos recibos (fls. 57/60). Requer a reforma do Acórdão da DRJ e o cancelamento do débito fiscal. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 19985.720407/201533 Acórdão n.º 2202003.916 S2C2T2 Fl. 71 3 É o Relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais formalidades legais, portanto dele conheço. O presente recurso resumese à controvérsia acerca da não aceitação pela Autoridade Fiscal, de recibos de despesas médicas, por não conterem a identificação do paciente e por estarem desacompanhados da comprovação do efetivo desembolso dos valores pagos pela declarante. A dedução de despesas médicas e de saúde na declaração de ajuste anual tem como fundamento legal os dispositivos do art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, reproduzidos no artigo 80 do RIR que transcrevo: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (grifei) (...) No intuito de comprovar a regularidade das deduções declaradas, a interessada apresentou novos documentos em seu recurso. O Decreto nº 70.235/1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal, limita a apresentação de provas em momento posterior a impugnação, restringindoa aos casos previstos no § 4º do seu art. 16, porém a jurisprudência deste Conselho vem se consolidando no sentido de que essa regra geral não impede que o julgador conheça e analise novos documentos Fl. 72DF CARF MF 4 anexados aos autos após a defesa, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. Nesse caso, entendo que os documentos apresentados em sede de recurso voluntário devem ser recepcionados e analisados, uma vez que comprovam os argumentos expostos pela Contribuinte e servem para rebater a decisão de primeira instância. A autoridade fiscal analisou documentos que lhe foram apresentados, e apontou na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento, que as despesas médicas foram glosadas devido a ausência de identificação do paciente, por não constar efetivo desembolso e, no caso do recibo emitido por Ricardo Branco também por não especificar qual o serviço prestado. Não apontou outros indícios de irregularidades nos recibos. Com relação à ausência de identificação do paciente, verificase que os recibos juntados aos autos em sede de recurso, contém, todos o nome da Sra. Aquilla Maris Nicz como a pessoa que realizou os pagamentos. Não descrevem que a paciente seria ela mesma, mas entendo que esta é uma exigência superada, face a afirmação da interessada de que as despesas se referem a seu próprio tratamento e ao entendimento exposto na Solução de Consulta Interna Cosit nº 23, de 30/08/2013, publicada no sítio da RFB em 10/02/2014 assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. Portanto, adotando o entendimento acima contemplado, em casos dessa natureza, é de se presumir como beneficiária do tratamento a própria contribuinte, restando rechaçada, neste ponto, a pretensão fiscal. A falta de especificação do serviço prestado no recibo emitido pelo Dr. Ricardo Sebold Branco, veio a ser suprida pela Declaração firmada pelo profissional às fls. 63. A glosa das despesas também se deu por não constar o efetivo desembolso. A autoridade lançadora não especificou se o efetivo pagamento deveria estar no recibo (exigência não contemplada na legislação acima transcrita) ou se a notificada não teria comprovado o efetivo desembolso. A recorrente afirma que os pagamentos foram realizados em espécie e nada junta para comprovar a origem do numerário utilizado. Porém, somente estaria obrigada a comprovar a origem dos desembolsos se tivesse sido intimada para tanto. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 19985.720407/201533 Acórdão n.º 2202003.916 S2C2T2 Fl. 72 5 Nada obsta que a Administração Tributária exija que o Interessado comprove o efetivo pagamento das despesas médicas realizadas, quando a Autoridade fiscal assim entender necessário, na linha do disposto no § 3º do art. 11 do DecretoLei nº 5.844, de 23 de setembro de 1943 e no art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcritos: DecretoLei nº 5.844/1943 Art. 11. (...) § 3° Todas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. RIR, aprovado pelo Decreto n° 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 11, § 3°). Em atenção ao devido processo legal, as exigências da Administração devem ser formalizadas por meio de intimação, a fim de dar conhecimento ao administrado daquilo que o fisco pretende examinar, proporcionandolhe a possibilidade de atendimento, antecipadamente à constituição do crédito tributário. Verificase que no Termo de Intimação Fiscal TIF, de fls. 20, foram exigidos, dentre outros, "comprovantes originais e cópias das despesas médicas". Naquela oportunidade não foi exigida a comprovação dos desembolsos efetivados. Caberia à Autoridade Fiscal, ao pretender examinar a prova do efetivo pagamento das despesas, desde o início do procedimento de revisão da declaração, intimar a contribuinte a apresentar documentação neste sentido. Pelos elementos dos autos verificase que a notificada não foi intimada a comprovar o efetivo pagamento das despesas médicas deduzidas, resultando imotivada a glosa das despesas, por falta de fundamento para tanto. Deste modo, não havendo indicação por parte da autoridade fiscal de outras irregularidades senão as apontadas na Notificação de Lançamento, com base nos documentos dos autos, opino pelo restabelecimento da dedução a título de despesas médicas no valor de R$ 15.240,00. Conclusão Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 74DF CARF MF 6 Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910880/2009-32
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2001
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.873
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2001 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 80 /2 00 9- 32 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11065.910880/200932 Acórdão n.º 9303004.873 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.168, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2001 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11065.910880/200932 Acórdão n.º 9303004.873 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 11065.910880/200932 Acórdão n.º 9303004.873 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 11065.910880/200932 Acórdão n.º 9303004.873 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005689/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL.
Não se conhece de mérito coincidente com o objeto de ação judicial demandada pela recorrente. Aplicação da Súmula Carf nº 1.
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO.
As parcelas previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins das cooperativas de trabalho médico.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO.
As contraprestações pecuniárias das operadoras de planos de saúde, ainda que cooperativas, compõem integralmente a base de cálculo do Pis/Pasep
COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO.
As parcelas previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins das cooperativas de trabalho médico.
Recurso de Ofício Não Conhecido
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-003.614
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em consequência do novo limite de alçada, e conhecer em parte do recurso voluntário, para excluir da base de cálculo as parcelas previstas no p. 9º, incisos I a III, do artigo 3º da Lei 9.718/98.
(assinada digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinada digitalmente
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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BASE DE CÁLCULO. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL. Não se conhece de mérito coincidente com o objeto de ação judicial demandada pela recorrente. Aplicação da Súmula Carf nº 1. COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. As parcelas previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins das cooperativas de trabalho médico. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. BASE DE CÁLCULO. As contraprestações pecuniárias das operadoras de planos de saúde, ainda que cooperativas, compõem integralmente a base de cálculo do Pis/Pasep COOPERATIVAS DE TRABALHO MÉDICO. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. As parcelas previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98 podem ser excluídas da base de cálculo da Cofins das cooperativas de trabalho médico. Recurso de Ofício Não Conhecido Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 56 89 /2 00 7- 32 Fl. 630DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, em consequência do novo limite de alçada, e conhecer em parte do recurso voluntário, para excluir da base de cálculo as parcelas previstas no p. 9º, incisos I a III, do artigo 3º da Lei 9.718/98. (assinada digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinada digitalmente Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira (suplente convocado), Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen. Relatório Tratase Recursos Voluntário e de Ofício, relativos a Autos de Infração de Pis e Cofins do ano de 2002. Transcrevo o relatório da DRJ/Campinas/SP: “Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) formalizada nos autos de infração de fls. 74/80. O feito, referente a fatos geradores ocorridos em 2002, constituiu crédito tributário no total de R$ 3.353.763,89, somados o principal, multa de ofício e juros de mora. No TERMO DE c o n s t a t a ç ã o f i s c a l de fl. 73, a autoridade autuante assim relata os fatos que motivaram o lançamento: '[...] analisando os registros contábeis do contribuinte, verificamos que, embora opere sob a forma de cooperativa de prestação de serviços médicos, durante o anocalendário de 2002 praticou atos com nãocooperados, utilizandose dos serviços de hospitais, clínicas e profissionais credenciados, assim como obteve rendimentos decorrentes de aplicações financeiras, atos estes que não se enquadram no art. 79 da Lei n° 5.764/71, que define o ato cooperado. A referida lei prevê, no entanto, em seus art. 85 e 86, a possibilidade das cooperativas fornecerem bens e serviços a não associados, que deverão ser contabilizados em separado com o fito de permitir o cálculo para incidência dos tributos, como preconiza em seu art. 87. Não foi o procedimento adotado pelo contribuinte. Diante de tal fato, intimamos o contribuinte a quantificar os atos praticados com não cooperados e, com base no dispositivo legal mencionado, de posse desses dados, estabelecemos a relação percentual entre os atos cooperados e os não cooperados, Fl. 631DF CARF MF Processo nº 13839.005689/200732 Acórdão n.º 3301003.614 S3C3T1 Fl. 631 3 conforme demonstrado em anexo [...] e os submetemos à tributação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. Com relação ao PIS e à Cofins, estabelece a legislação que toda a receita, independentemente de se tratar de ato cooperado ou não cooperado, submetese à tributação. Ainda, com referência, à Cofins, em decorrência de liminar concedida em Mandado de Segurança n° 2006.61.05.0099921, 2ª Vara Federal em Campinas, cópia anexa, efetuamos a tributação relacionada aos atos cooperados com suspensão de exigibilidade para resguardar os interesses da Fazenda Nacional do instituto da decadência. […]' Cientificada da exigência em 21/12/2007, em 21/01/2008 a autuada interpôs a impugnação reproduzida às fls. 91/115, na qual alega em síntese que: 1. quando a impugnante contrata a prestação de assistência médica com terceiros, o faz em nome e por conta e risco dos médicos cooperados, não havendo como confundir os atos da cooperativa com os profissionais que a compõem; seus atos visam apenas organizar e planejar o labor de seus sócios, representandose na sua contratação, nada auferindo na sua atividadefim; 2. a correta definição de ato cooperado varia de acordo com as especificidades de cada cooperativa, sendo invariável um único critério: o do atendimento do objetivo social da cooperativa; nesse sentido, para que uma cooperativa médica atinja seus fins, necessário as atividades meio, isto é, operar com hospitais, clínicas e profissionais credenciados; o desempenho das atividades meio, assim, constitui prática de ato cooperativo; 3. os atos cooperativos não constituem operações de natureza mercantil e, portanto, não há que se falar em auferimento de lucro nas sociedades cooperativas; e se não chegam ao lucro, não podem ostentar faturamento, base de cálculo da contribuição; 4. é inconstitucional o disposto §1° do art. 3 o da Lei n° 9.718, de 1998, no tocante à ampliação do conceito de receita bruta para definição da base de cálculo da contribuição; 5. a cooperativa não obtém receita propriamente dita, pois o produto oriundo do negócio cooperativo é de seu cooperado, faltandolhe dessa forma a base de cálculo para a tributação; 6. ocorreu a decadência nos termos do art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional; 7 . há incorreções nos cálculos elaborados pelo autuante; em que pese os atos denominados pelo Sr. Auditor como não cooperativos serem cooperativos, a incidência da contribuição ocorreu erroneamente sobre o total dos valores apresentados; a auditoria deixou de considerar que, após a edição da Medida Fl. 632DF CARF MF 4 Provisória n° 2.15835, de 2001, as cooperativas podem deduzir os custos da base de cálculo; caso vencida no mérito, o valor devido à administração tributária seria de R$ 135.878,49, nos termos de planilha anexa.” Portanto, ressalto que a base de cálculo da Cofins lançada neste processo referese à parcela da base de cálculo considerada efetuada como atos nãocooperativos, e Pis sobre todos os atos, enquanto em outro processo (13839.005690/200767) foi lançada a Cofins, relativa à base de cálculo correspondente a atos cooperativos, sem multa de ofício e exigibilidade suspensa. A segurança requerida judicialmente foi denegada pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região, e o Recurso Especial aviado pela recorrente encontrase sobrestado. A DRJ decidiu pelo provimento parcial do lançamento, para reconhecer a decadência do direito de proceder aos lançamentos referentes ao período de janeiro a novembro 2002, com exceção do mês de outubro para o PIS, por não ter havido pagamento referente a esse mês. Confirase a ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO TRIUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem início na data de ocorrência do fato gerador. COOPERATIVA. BASE DE CÁLCULO A partir de novembro de 1999, todas as receitas das sociedades cooperativas compõem a base de cálculo da Cofins. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL. A formação da base de cálculo das cooperativas obedece ao regime geral das demais pessoas jurídicas, somente se admitindo as exclusões expressamente definidas na legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento parcial, o prazo decadencial de cinco anos tem início na data de ocorrência do fato gerador. COOPERATIVA. BASE DE CÁLCULO. Fl. 633DF CARF MF Processo nº 13839.005689/200732 Acórdão n.º 3301003.614 S3C3T1 Fl. 632 5 A partir de novembro de 1999, todas as receitas das sociedades cooperativas compõem a base de cálculo do PIS. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. COOPERATIVAS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. PREVISÃO LEGAL. A formação da base de cálculo das cooperativas obedece ao regime geral das demais pessoas jurídicas, somente se admitindo as exclusões expressamente definidas na legislação de regência. Lançamento Procedente em Parte” A empresa apresenta Recurso Voluntário, no qual aduz os seguintes argumentos, em síntese: Toda a sua atividade seria caracterizada como ato cooperativo; colaciona jurisprudência – Resp 903.699 nesse sentido; O §9º da Lei 9.718/98 autoriza diversas deduções da base de cálculo do Pis e da Cofins das cooperativas de trabalho médico; e tais deduções não teriam sido consideradas pelo autuante, nem pela DRJ, solicitando diligência para tal verificação; Em 01/10/2010 esta Turma determinou, por meio da Resolução 330100.047, a conversão do julgamento em diligência, para que a fiscalização verificasse se as deduções do §9º citadas foram consideradas. Em resposta (fl. 625), a fiscalização informou que as deduções não foram consideradas por ocasião do lançamento, e junta planilha, mês a mês, consignando os intercâmbios concedidos e os intercâmbios pagos. A empresa declinou expressamente (fl. 625) de manifestarse sobre o Relatório de Diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Suplente Marcelo Giovani Vieira, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo. CONHECIMENTO Fl. 634DF CARF MF 6 Primeiramente impõese delimitar o litígio no presente processo. Como já relatado, a base de cálculo da Cofins da recorrente está sendo discutida judicialmente. Em consulta ao sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (web.trf3.jus.br/acordaos/Acordao/BuscarDocumentoGedpro/2794002), verifico que na ação judicial demandada estão sendo discutidos tanto a tributação da Cofins das cooperativas em geral quanto a definição de atos cooperativos das cooperativas de trabalhos. Copio pequeno trecho do Acórdão: “ No caso em tela, a Apelada presta serviço médico àqueles que aderem aos seus planos de saúde, caraterizandose como operações praticadas com não associados, o que configura ato não cooperativo, passível de tributação pelo PIS e COFINS” Desse modo, há concomitância entre as vias judicial e administrativa, para a matéria base de cálculo da Cofins da presente empresa. A Súmula Carf nº 1 determina: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, não tomo conhecimento do Recurso Voluntário nesta parte. Recurso de Ofício Houve Recurso de Ofício, porque o acórdão de Impugnação exonerou o contribuinte de tributo e multas em valor superior ao limite de alçada então vigente. Todavia, o valor total de tributos e multas no presente processo (R$2.257.024,66), não atinge o limite de alçada atual, previsto na Portaria MF nº 63/2017, de dois milhões e quinhentos mil reais. Embora essa Portaria seja posterior ao julgamento de primeira instância, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância, conforme Súmula Carf nº 103. Desse modo, voto pelo não conhecimento do Recurso de Ofício. Mérito Quanto ao mérito, resta decidir sobre a base de cálculo do Pis, e as exclusões permitidas da base de cálculo, tanto do Pis quanto da Cofins. As cooperativas de trabalho médico têm como principal fonte de receita as vendas de planos de saúde à população em geral. Os cooperados associados são os médicos, pessoas físicas, que prestam serviços a esses clientes. Desse modo, as receitas da cooperativas advém de não associados. Além disso, tais cooperativas atendem a esses clientes, eventualmente, por meio de instalações hospitalares e clínicas não associadas. Fl. 635DF CARF MF Processo nº 13839.005689/200732 Acórdão n.º 3301003.614 S3C3T1 Fl. 633 7 O STJ, no âmbito do REsp 1.164.716, sob o rito dos repetitivos (art. 543C do CPC), com trânsito em julgado em 22/06/2016, decidiu que a tributação de Pis e Cofins somente incide sobre atos nãocooperativos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. (…) 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda ,em seu parág. Único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ (sic), fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. A decisão acima deve ser obrigatoriamente adotada, nos termos do artigo 62 do Anexo II do Regimento Interno do Carf, Portaria MF 343/2015. Todavia, resta ainda a questão de se definir, para cooperativas de trabalho médico, quais são os atos cooperativos típicos, uma vez que a receita advém de terceiros não cooperados, isto é, os clientes que adquirem os planos de saúde e pagam suas mensalidades. Além disso, os serviços prestados por terceiros não cooperados, como clínicas e hospitais, não caracterizariam, também, atos cooperativos. Tais questões foram admitidas como em repercussão geral nos RREE 599.362 e 598.085. O RE 599.362 decidiu que o Pis incide sobre receitas advindas de terceiros nãocooperados, em cooperativas de trabalho. Transcrevo a ementa: Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. Fl. 636DF CARF MF 8 PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. Fl. 637DF CARF MF Processo nº 13839.005689/200732 Acórdão n.º 3301003.614 S3C3T1 Fl. 634 9 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Colaciono trechos do voto do relator, todos como fundamentação para a decisão, para melhor clarificar o que foi considerado ato cooperativo: “Este é o cerne da demanda: a partir da exegese do que seja o adequado tratamento tributário do ato cooperativo, saber se as receitas auferidas pelas Cooperativas de Trabalho decorrentes dos negócios jurídicos praticados com terceiros – não cooperados – se inserem na materializada de contribuição ao PIS/PASEP, ou se, ao revés, não constituem receita da cooperativa e, sim, do cooperado, caracterizandose como hipótese de não incidência tributária. (…) “É certo que a atividade inerente às cooperativas, especialmente pelas assim chamadas 'cooperativas de trabalhos', é complexa por envolver funções de naturezas distintas. A priori, as sociedade cooperativas existem para servir aos cooperados, na medida em que a atividade por elas exercida visa atender aos objetivos estabelecidos democraticamente pelos seus associados, que buscam, por meio delas, criar e desenvolver formas de aumentar sua produtividade e seu rendimento. Esta é a atuação interna das cooperativas, é o chamado ato cooperativo pelo qual os seus dirigentes, trabalhando em prol das mesmas, atuam junto à sociedade captando possibilidades de trabalho para o cooperado” (…) “...atos cooperativos são assim definidos tendo em vista os agentes que deles participam, de forma que, em se tratando de pessoa estranha à relação cooperadocooperativa, inexiste a possibilidade de celebração de ato cooperativo”. (…) “Quando estamos diante de uma cooperativa de trabalho, caso dos autos, o tipo de serviço prestado precisa ficar bem evidenciado. Isso se vê claramente nas chamadas cooperativas de prestação de serviços profissionais, as quais respondem 'pela captação e pela contratação impessoal dos serviços, para ulterior distribuição entre os cooperados, que os executarão de Fl. 638DF CARF MF 10 forma individual e autônoma, de modo a garantir oportunidade trabalho e remunerabilidade a todos'” (…) “Na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos – a cooperativa não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores que se associaram. Como dizia Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado – contratos de sociedade, sociedades de pessoas. 3. ed. São Paulo:RT, 1984.XLIX,p.507), '[a] sociedade cooperativa de trabalho, com a personalidade jurídica, aparece, lá fora, como empresa; e empresa, em largo sentido, ela o é.” (…) “Não se pode entender que o conceito de faturamento seja estranho às cooperativas no que diz com suas relações com terceiros.” “Diante do exposto, dou provimento ao recurso extraordinário da União para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas” Copio também a tese firmada, conforme a decisão em embargos de declaração: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 323 da repercussão geral, acolheu os embargos de declaração para prestar esclarecimentos, sem efeitos infringentes, fixando tese nos seguintes termos: “A receita auferida pelas cooperativas de trabalho decorrentes dos atos (negócios jurídicos) firmados com terceiros se insere na materialidade da contribuição ao PIS/PASEP”. Ausentes, justificadamente, os Ministros Celso de Mello e Teori Zavascki. Presidiu o julgamento o Ministro Ricardo Lewandowski. Plenário, 18.08.2016.” Não ocorreu ainda o trânsito em julgado, porém, tendo em vista tratarse de matéria com repercussão geral reconhecida, considero absolutamente adequado adotar tal entendimento, embora não seja vinculante ainda. Desse modo, a totalidade das receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde) são tributáveis pelo Pis. Quanto às exclusões da base de cálculo, são expressamente permitidas as previstas no §9º do art. 3º da Lei 9.718/98: § 9o Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: Fl. 639DF CARF MF Processo nº 13839.005689/200732 Acórdão n.º 3301003.614 S3C3T1 Fl. 635 11 I coresponsabilidades cedidas; II a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. § 9oA. Para efeito de interpretação, o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos de que trata o inciso III do § 9o entendese o total dos custos assistenciais decorrentes da utilização pelos beneficiários da cobertura oferecida pelos planos de saúde, incluindose neste total os custos de beneficiários da própria operadora e os beneficiários de outra operadora atendidos a título de transferência de responsabilidade assumida. (Incluído pela Lei nº 12.873, de 2013) § 9oB. Para efeitos de interpretação do caput, não são considerados receita bruta das administradoras de benefícios os valores devidos a outras operadoras de planos de assistência à saúde. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) A legislação própria das operadoras de saúde permite que avencem contratos entre si para atendimento de clientes umas das outras, para maior abrangência territorial, em operações conhecidas como de intercâmbio ou transferências de responsabilidades. A Agência Nacional de Saúde ANS define três tipos: repasse em prépagamento, atendimento continuado em custo operacional, e atendimento eventual (Plano de Contas Padrão, RN 290/2012 ANS). Coresponsabilidades cedidas (inciso I do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são pagamentos a outras operadoras de planos de saúde, para que assumam responsabilidade sobre o atendimento a clientes da própria empresa, havendo ou não o efetivo uso pelo cliente. As provisões técnicas (inciso II do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são fundos obrigatórios, constituídos e contabilizados para cumprimento de regras estabelecidas pela ANS, no sentido de garantir, em síntese, a solvência dos planos. Eventos ocorridos (inciso III do §9º do art. 3º da Lei 9.718/98) são as despesas pagas aos médicos, hospitais e clínicas, pelo atendimento aos clientes, próprios ou de terceiros em intercâmbio. Importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades (inciso III) são pagamentos recebidos pela empresa, pela coresponsabilidade assumida e/ou atendimento efetivo a clientes de outras operadoras de planos de saúde. Concluindo: As receitas de contraprestações pecuniárias (mensalidades dos planos de saúde pagas pelos clientes – terceiros não cooperados), são tributáveis pelo Pis (RE 599.362); Fl. 640DF CARF MF 12 As receitas de intercâmbio com outras cooperativas e as taxas eventualmente recebidas dos médicos associados não são tributáveis, por serem atos cooperativos, conforme art. 79 da Lei 5.764/71, combinado com a decisão no REsp 1.164.716, já transcrito. Da base de cálculo podem ser excluídos os valores relativos a pagamentos por coresponsabilidades cedidas (§9º, I, §9ºB), as provisões técnicas conforme regramento da ANS (§9º, II), e os eventos efetivamente pagos (despesas com atendimento), tantos dos clientes próprios quanto de outras operadoras, diminuídos dos intercâmbios recebidos (§9º, inciso III e § 9ºA). Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso de Ofício. Voto por não tomar conhecimento do Recurso Vountário na parte concomitante com ação judicial, e, na parte conhecida, pelo provimento parcial, para excluir das base de cálculo do Pis e da Cofins as parcelas previstas no §9º, incisos I a III, do artigo 3º da Lei 9.718/98. Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 641DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.004649/2003-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 26/02/2003
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PREPARAÇÃO CONTENDO ACETATO DE VITAMINA A COM O FIM ESPECÍFICO DE SER ADICIONADA À RAÇÃO ANIMAL. CÓDIGO NCM.
A preparação constituída de Acetato de Vitamina A, Butil-Hidroxianisol (BHA) (antioxidante) e excipientes como Amido, Glicose e Matéria Protéica, na forma de microesferas, destinada a ser adicionada exclusivamente à ração animal e/ou à pré-misturas, classifica-se no código NCM 2309.90.90.
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PREPARAÇÃO CONTENDO VITAMINA D3 COM O FIM ESPECÍFICO DE SER ADICIONADA À RAÇÃO ANIMAL. CÓDIGO NCM.
A preparação constituída de Vitamina D3 (Colecalciferol), Butil-Hidroxianisol (BI - L4) (antioxidante) e excipientes como Matéria Protéica, Amido, Glicose e Sacarose, na forma de microesferas, destinada a ser adicionada exclusivamente à ração animal e/ou à pré-misturas, classifica-se no código NCM 2309.90.90.
MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. APLICABILIDADE.
O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM caracteriza a infração por erro de classificação fiscal, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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CASSAB COMÉRCIO E INDÚSTRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 26/02/2003 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PREPARAÇÃO CONTENDO ACETATO DE VITAMINA A COM O FIM ESPECÍFICO DE SER ADICIONADA À RAÇÃO ANIMAL. CÓDIGO NCM. A preparação constituída de Acetato de Vitamina A, ButilHidroxianisol (BHA) (antioxidante) e excipientes como Amido, Glicose e Matéria Protéica, na forma de microesferas, destinada a ser adicionada exclusivamente à ração animal e/ou à prémisturas, classificase no código NCM 2309.90.90. NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL (NCM). PREPARAÇÃO CONTENDO VITAMINA D3 COM O FIM ESPECÍFICO DE SER ADICIONADA À RAÇÃO ANIMAL. CÓDIGO NCM. A preparação constituída de Vitamina D3 (Colecalciferol), Butil Hidroxianisol (BI L4) (antioxidante) e excipientes como Matéria Protéica, Amido, Glicose e Sacarose, na forma de microesferas, destinada a ser adicionada exclusivamente à ração animal e/ou à prémisturas, classificase no código NCM 2309.90.90. MULTA REGULAMENTAR. CLASSIFICAÇÃO FISCAL ERRÔNEA. APLICABILIDADE. O incorreto enquadramento tarifário do produto na NCM caracteriza a infração por erro de classificação fiscal, sancionada com a multa de 1% (um por cento) do valor da mercadoria. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 46 49 /2 00 3- 31 Fl. 279DF CARF MF 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de auto de infração (fls. 2/10), em que formalizada da cobrança do crédito tributário, no valor total de R$ 44.093,55, correspondente ao somatório do Imposto sobre a Importação, acrescido de multa de mora de 20% (vinte por cento) e de dos juros moratórios, e da multa regulamentar por erro de classificação fiscal. De acordo com a descrição dos fatos que integra o referido auto de infração, relatou a fiscalização que autuada submeteu a despacho aduaneiro, por meio da Declaração de Importação (DI) nº 03/01685996, adições 001 e 002., os produtos denominados de “VITAMINA A 500” e “VITAMINA D3 500”, classificados, respectivamente, nos códigos NCM 2936.21.12 e 2936.29.31, sujeitos a alíquota do II e do IPI de 0%. Nos Laudos Técnicos da Funcamp (fls. 26/33), o primeiro produto foi identificado como uma “preparação constituída de Acetato de Vitamina A, ButilHidroxianisol (BHA) (Antioxidante) e Excipientes como Amido, Glicose e Matéria Protéica”, e o segundo como “uma preparação constituída de Colecalciferol (Vitamina D3) e Excipientes como Matéria Protéica, Amido, Glicose e Sacarose”, ambas especificamente elaboradas para serem adicionadas à ração animal. Com base nas conclusões exaradas nos referidos Laudos Técnicos, a fiscalização procedeu a reclassificação dos produtos dos códigos NCM 2936.21.12 e 2936.29.31 para o código NCM 2309.90.90, sujeito às alíquota do II de 9,5% e do IPI de 0%, e procedeu o lançamento dos referidos gravames. Em sede de impugnação, autuada apresentou as seguintes razões de defesa: a) as mercadorias “VITAMINA A 500” e “VITAMINA D3 500” foram classificadas nos códigos NCM 2936.21.12 e 2936.29.31, com base nas respostas da Divisão de Nomenclatura, Classificação e Origem de Mercadorias (Dinom) às consultas do Sindicato Nacional das Indústrias de Alimentação (Sindirações), ao qual a autuada era filiada, formuladas por meio dos processos nºs 10168.003158/9897 e 10168.003161/9800; b) a presença de outros elementos na composição dos citados produtos, tais como substâncias inorgânicas à base de gelatina, lactose e o oxidente butilhidroxitolueno (BHT) não os tornava uma “outra preparação química”, capaz de excluílos do Capítulo 29 da NCM; Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11128.004649/200331 Acórdão n.º 3302004.116 S3C3T2 Fl. 280 3 c) os produtos importados tratavamse de vitaminas e não de outras preparações destinadas à alimentação animal, logo, estavam amparados pelas respectivas Declarações de Importação (DI) e Licenças de Importação (LI), em que foram corretamente classificados; d) os produtos importados tratavamse de matériasprimas, com aplicação para o uso em geral, uma vez que as substâncias adicionadas aos produtos não modificavam o seu caráter nem os tornavam uma “preparação empregada na alimentação de animais” capaz de excluílos do Capítulo 29 da NCM; e) as “preparações empregadas na alimentação de animais” eram constituídas de uma mistura de diversos elementos nutritivos (antioxidante, aminoácidos, vitaminas, oligoelementos etc.), as quais eram denominadas prémisturas. E os produtos importados eram considerados insumo de produção da referida prémistura. f) por erro material não classificou a “Vitamina D3 500” no código 2936.29.31, quando o correto seria no código NCM 2936.29.21. Contudo, esse equívoco não havia acarretado prejuízo ao Erário, eis que, em ambas as situações, as alíquotas do II e do IPI eram de 0%. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 140/145), em que, por unanimidade de votos, consideraram o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário exigido, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 26/02/2003 Os produtos identificados pela análise laboratorial como preparações destinadas à alimentação animal, se classificam no código 2309.90.90, conforme esclarecem as informações técnicas acostadas aos autos, e com base nas Notas Explicativas do SH. A autuada foi cientificada do referido acórdão em 19/9/2007 (fl. 163/164). Inconformada, em 18/10/2007, protocolou o recurso de voluntário de fls. 148/161, em que reproduz as alegações apresentadas na peça impugnatória. Na Sessão de 28/4/2010, por meio da Resolução nº 310100.096 (fls. 168/171), os membros da extinta 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara desta 3ª Seção, converteram o julgamento em diligência, para que a unidade da Receita Federal de origem, no sentido de (in verbis): 1) Aferir a identidade entre a composição química das mercadorias importadas e a das mercadorias objeto das CONSULTAS, formuladas pelo SINDIRAÇÕES, acostadas às fls. 83/95 dos autos; 3) Identificar a quantidade relativa de cada vitamina nas mercadorias classificadas; Fl. 281DF CARF MF 4 2) Caso haja alguma divergência entre a composição química das mercadorias importadas e a das mercadorias objeto das CONSULTA, identificar objetivamente. Por meio do Despacho de fl. 177, o gerente o L. A. Falcão Bauer C.T.C.Q. Ltda. foi notificado a providenciar Parecer Técnico com as respostas aos quesitos formulados na citado Resolução, o que foi feito por meio dos Pareceres Técnicos 014/2012 e 015/2012 (fls. 178/180 e 182/184), nos termos a seguir reproduzidos, respectivamente, para os produtos “ACETATO DE VITAMINA A 5000.000UI/G” e “VITAMINA D3 500”: ACETATO DE VITAMINA A 5000.000UI/G 1) De acordo com os resultados das análises constantes no Laudo n° 0990.01Funcamp de 07/05/2003 a mercadoria em epígrafe é constituída de Acetato de Vitamina A, Butil Hidroxianisol (BHA — Antioxidante) e de Excipientes: Amido, Glicose e Matéria Proteica. A mercadoria não se encontra apenas estabilizada com o antioxidante ButilHidroxianisol. A presença dos excipientes e os tratamentos sofrido pela Vitamina evidenciam que se encontra finalizada, pronta para uso especifico. Não há mais fases de industrialização a serem implementadas antes de seu consumo. Da forma como foi preparada a mercadoria em epígrafe, a Vitamina A perdeu seu caráter geral de uso. 3) Não dispomos de amostra para confirmação da composição química da mercadoria. 2) De acordo com Referências Bibliográficas Acetato de Vitamina A quando pura, apresentase na forma de sólido amarelo, com faixa de fusão entre 56 e 58°C e com mais de 1.500.000 Ul/g, contendo apenas estabilizante, como por exemplo BHA (ButilHidroxianisol). Segundo Literatura Técnica (cópia anexa), mercadoria com a denominação Vitamina A Acetato 500.000 IU/g, fabricante Zhejiang, apresentase na forma de pó granuloso (microesferas), conforme consta no Laudo 0990.01Funcamp anexo ao processo em epígrafe, e indicada para ser utilizada na ração animal (Feed Grade). Considerandose as informações acima, podemos concluir que a mercadoria em epigrafe encontrase especificamente formulada para ser adicionada à alimentação animal pelas fábricas de rações. (grifos não originais) VITAMINA D3 500 1) De acordo com os resultados das análises constantes no Laudo n° 0990.02Funcamp de 07/05/2003 a mercadoria em epigrafe é constituída de Colecalciferol (Vitamina D3), Butil Hidroxianisol (BHA —Antioxidante) e de Excipientes: Matéria Proteica, Amido, Glicose e Sacarose. A mercadoria não se encontra apenas estabilizada com o antioxidante ButilHidroxianisol. A presença dos excipientes e os tratamentos sofrido pela Vitamina D3 evidenciam que se Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11128.004649/200331 Acórdão n.º 3302004.116 S3C3T2 Fl. 281 5 encontra finalizada, pronta para uso especifico. Não há mais fases de industrialização a serem implementadas antes de seu consumo. Da forma como foi preparada a mercadoria em epígrafe, a Vitamina D3 perdeu seu caráter geral de uso. 3) Não dispomos de amostra para confirmação da composição química da mercadoria. 2) De acordo com Referências Bibliográficas Colicaciferol (Vitamina D3) quando puro, apresentase na forma de p6 cristalino, com faixa de fusão entre 84 e 85°C, contendo apenas estabilizante com por exemplo, BHA(ButilHidroxianisol). Segundo Literatura Técnica (cópia anexa), mercadoria com a denominação Vitamina D3 500, fabricante Zhejiang, conforme consta no Laudo 0990.02Funcamp anexo ao processo em epígrafe, é indicada para ser utilizada na ração animal (Feed Grade). Considerandose as informações acima, podemos concluir que a mercadoria em epígrafe encontrase especificamente formulada para ser adicionada a alimentação animal pelas fábricas de rações. (grifos não originais) Em 9/1/2013, a recorrente foi intimada (fls. 188/189) a se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, a respeito da instrução produzida. Em resposta, em 7/2/2013, por meio da petição de fls. 198/224, acompanhada de documentos sobre classificação fiscal de vitaminas de fls. 225/269, a recorrente apresentou as seguintes objeções: a) os citados Pareceres Técnicos eram absolutamente imprestáveis, para auxiliar no julgamento da causa, eis que não responderam a contento os quesitos elaborados pela Relatora, até porque não teve acesso às amostras das mercadorias importadas; 2) os referidos Pareceres e o Laudo da Funcamp, em que se basearam os primeiros, ignoraram a posição da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expressa nas respostas às consultas formuladas pelo Sindirações, apresenatdas nas Decisões Coana nºs 03 e 04, de 1999 (fls. 86/99); 3) os Laudos Técnicos elaborados pela Funcamp não podiam ser utilizados como fundamento da autuação, porque não mencionaram, em momento algum, qual era a quantidade de “Vitamina A 500” e de “Vitamina D3” presente nas mercadorias importadas; 4) para viabilizar a mudança da classificação tarifária pretendida era necessário prévia intimação do Sindirações sobre a revogação dos entendimentos firmados nas referidas Decisões Coana, que somente poderiam fundamentar autuações após a devida ciência por parte da entidade consulente, sob pena de violação ao disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional (CTN); 5) na remota hipótese de manutenção do imposto de importação exigido, era evidente que a recorrente devia ser eximida das multas de ofício e do controle administrativo aplicadas, diante da dúvida se as mercadorias importadas eram exatamente iguais àquelas que foram objeto das citadas Decisões Coana, em face da ambiguidade dos citados Laudos e Pareceres Técnicos, tendo em vista o que dispõe o artigo 112 do CTN; e Fl. 283DF CARF MF 6 6) em caso de manutenção da desclassificação tarifária, o que admitia apenas por amor ao debate, fosse cancelada a multa do controle administrativo, aplicada com base no art. 633, II do Regulamento Aduaneiro de 2002, eis que a mera discordância quanto a classificação da mercadoria NCM, não era fato gerador apto a ensejar a aplicação da referida penalidade, pois não restou comprovado que houve atos tendentes a dificultar o controle administrativo das importações. Em 28/2/2013, em cumprimento ao Despacho de fl. 270, os autos retornaram a este Conselho e enviados a Conselheira Relatora, para prosseguimento do julgamento. Porém, com término do mandato da Relatora, em 17/4/2014, os autos foram devolvidos à Secretaria da 1ª Câmara e, mediante sorteio, redistribuídos a este Relator na Sessão de 13 de novembro de 2014. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos de admissibilidade e trata de matéria da competência deste Colegiado, portanto, deve ser conhecido. A lide cingese ao enquadramento nos códigos da NCM dos produtos importados por meio da DI nº 03/01685996, adições 001 e 002. Para a recorrente, os referidos produtos classificavamse, respectivamente, nos códigos NCM 2936.21.12 e 2936.29.31, por se tratar de vitaminas em estado puro e de uso ou aplicação geral como insumo, enquanto que para a fiscalização os referidos produtos classificavamse no código NCM 2309.90.90, por se tratar de preparação contendo vitaminas especificamente elaboradas para ser adicionadas à ração animal e/ou prémisturas. Em nível de posição, a recorrente defende a inclusão dos referidos produtos na posição 29.36 da NCM, que compreende: PROVITAMINAS E VITAMINAS, NATURAIS OU REPRODUZIDAS POR SÍNTESE (INCLUÍDOS OS CONCENTRADOS NATURAIS), BEM COMO OS SEUS DERIVADOS UTILIZADOS PRINCIPALMENTE COMO VITAMINAS, MISTURADOS OU NÃO ENTRE SI, MESMO EM QUAISQUER SOLUÇÕES. Por sua vez, a fiscalização entende que os referidos produtos pertencem a posição 23.09 da NCM, que compreende as “PREPARAÇÕES DOS TIPOS UTILIZADOS NA ALIMENTAÇÃO DE ANIMAIS.” Sabidamente, o correto enquadramento do produto na NCM regese por critérios claros e objetivos estabelecidos nas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH), Regras Gerais Complementares (RGC) da NCM e Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH1). 1 As NESH foram incorporadas à legislação aduaneira pelo Decreto nº 435, de 1992, definindoas no § único do art. 1º como "elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado". Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11128.004649/200331 Acórdão n.º 3302004.116 S3C3T2 Fl. 282 7 Determina a RGI/SH1, que, para efeitos legais, a classificação de mercadoria na NCM é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas 5 (cinco) Regras Gerais seguintes. Assim, passase a analisar, a seguir, as notas de capítulo e de posições, aplicáveis ao caso em tela. As condições para que as vitaminas sejam incluídas no posição 29.36, encontramse, inicialmente, determinadas na Nota 1, “c”, “f” e “g”, do Capítulo 29, a seguir transcrita: 1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capítulo apenas compreendem: [...] c) os produtos das posições 29.36 a 29.39, os éteres, acetais e ésteres de açúcares, e seus sais, da posição 29.40, e os produtos da posição 29.41, de constituição química definida ou não; [...] f) os produtos das alíneas a), b), c), d) ou e) acima, adicionados de um estabilizante (incluído um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte; g) os produtos das alíneas a), b), c), d), e) ou f) acima, adicionados de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que essas adições não tornem o produto particularmente apto para usos específicos de preferência à sua aplicação geral; [...] (grifos não originais) Da leitura dos textos em destaque, verificase que pertencem a posição 29.36, as vitaminas de constituição química definida ou não, em estado puro ou adicionadas de (i) um estabilizante (incluído um agente antiaglomerante) indispensável à sua conservação ou transporte e (ii) de uma substância antipoeira, de um corante ou de uma substância aromática, com finalidade de facilitar a sua identificação ou por razões de segurança, desde que a adição dessas últimas substâncias não tornem as vitaminas particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Se com a adição das referidas substância for alterada a condição de uso ou aplicação geral, o produto resultante fica excluído da posição 29.36. Assim, pode afirmar, em outros termos, que pertencem a posição 29.36 somente: a) as vitaminas em estado puro; ou b) as vitaminas adicionadas das substâncias excipientes que não alterem o uso ou a aplicação geral do produto resultante da mistura. No mesmo sentido, complementando e melhor esclarecendo o disposto nas referidas Notas do Capítulo 29, dispõem as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH) da 29.36, que: Os produtos da presente posição podem ser estabilizados para tornálos aptos à conservação ou transporte: Fl. 285DF CARF MF 8 por adição de agente antioxidante, por adição de agentes antiaglomerantes (hidratos de carbono, por exemplo), por revestimento com substâncias apropriadas (gelatina, ceras, materias graxas (gordas*), por exemplo), mesmo plastificadas, ou por adsorção em substâncias apropriadas (ácido silícico, por exemplo), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas ou os tratamentos a que são submetidos não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte, nem modifiquem o caráter do produto de base nem os tornem particularmente aptos para usos específicos de preferência à sua aplicação geral. Assim, se as substâncias adicionadas ou o tratamento a que foram submetidas as vitaminas excederem aos necessários à sua conservação ou ao seu transporte e, em decorrência, for alterado o seu caráter de produto de base ou a sua condição de uso ou aplicação geral, determina a referida nota, que o produto resultante será enquadrado na posição que melhor descreva o seu uso ou aplicação específica, mas não na posição 29.36. No caso, após a análise das amostras, a identificação dos produtos importados foi feita com base nos Laudos Técnicos do Labana de fls. 26/27 e 30/32, em que constam as seguintes conclusões: Tratase de Preparação constituída de Acetato de Vitamina A, ButilHidroxianisol (BHA) (Antioxidante) e Excipientes como Amido, Glicose e Matéria Protéica, na forma de microesferas. [...] Tratase de Preparação constituída de Colecalciferol (Vitamina D3), ButilHidroxianisol (BI L4) (Antioxidante) e Excipientes como Matéria Protéica, Amido, Glicose e Sacarose, na forma de microesferas. Em respostas aos quesitos formulados pela fiscalização, em síntese, responderam os peritos que: a) as preparações, na forma de microesferas, são utilizadas pelas indústrias formuladoras de ração animal, especificamente, para serem adicionadas à ração animal e/ou às prémisturas; b) as mercadorias desta natureza encontravamse prontas para serem misturadas na ração ou em outras bases alimentícias pelos formuladores, para depois serem administradas por via oral aos animais; c) os componentes encontrados na primeira preparação, além da Vitamina A, foram os seguintes, in verbis: O ButilHidroxianisol (BHA) é um aditivo antioxidante indispensável para estabilizar a substancia ativa (Vitamina A) contra oxidação; Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11128.004649/200331 Acórdão n.º 3302004.116 S3C3T2 Fl. 283 9 O Amido, a Glicose e a Matéria Protéica não se tratam de impurezas, estabilizantes, antiaglomerantes e nem de agentes antipoeira. Amido, Glicose e Matéria Protéica são excipientes utilizados no revestimento da microesfera com a finalidade de facilitar o manuseio e a dosagem dessa Vitamina nas rações animais e proteger química e fisicamente a Vitamina durante o processo de mistura com outros componentes, na formulação final a que se destina (prémistura ou ração animal), mantendose inalterada. Ressaltamos que a razão do Acetato de Vitamina A apresentar se preparado da maneira descrita acima devese ao uso específico a que se destina. (grifos não originais) d) os componentes encontrados na segunda preparação, além da Vitamina D3, foram os seguintes, in verbis: O ButilHidroxianisol (BHA) é um aditivo antioxidante utilizado para estabilizar a substância ativa (Vitamina D3) contra oxidação; A Matéria Protéica, o Amido, a Glicose e a Sacarose encontradas na mercadoria não se tratam de antiaglomerante, impurezas, estabilizantes e nem de agentes antipoeira. Matéria Protéica, Amido, Glicose e Sacarose são excipientes utilizados com a finalidade de facilitar o manuseio e a dosagem dessa Vitamina nas rações animais e proteger química e fisicamente a substância ativa (Vitamina D3) durante o processo de mistura como outros componentes, na formulação final a que se destina (prémistura ou ração animal), mantendose inalterada. Ressaltamos que a razão da Vitamina D3 apresentarse preparada da maneira descrita acima devese ao uso especifico a que se destina, ou seja, adição a ração animal e para garantir a integridade da substancia ativa, a Vitamina, na presença de os ingredientes agressivos, sempre presentes nas formulações de rações. (grifos não originais) Cabe ainda ressaltar, que as conclusões apresentadas nos referidos Laudos Técnicos foram confirmadas pelos Pareceres Técnicos de fls. 178/180 e 182/184, da lavra do L. A. Falcão Bauer, e acrescentaram em relação às respectivas preparações que, ipsis litteris: A mercadoria não se encontra apenas estabilizada com o antioxidante ButilHidroxianisol. A presença dos excipientes e os tratamentos sofrido pela Vitamina evidenciam que se encontra finalizada, pronta para uso especifico. Não há mais fases de industrialização a serem implementadas antes de seu consumo. Da forma como foi preparada a mercadoria em epígrafe, a Vitamina A perdeu seu caráter geral de uso. [...] Fl. 287DF CARF MF 10 A mercadoria não se encontra apenas estabilizada com o antioxidante ButilHidroxianisol. A presença dos excipientes e os tratamentos sofrido pela Vitamina D3 evidenciam que se encontra finalizada, pronta para uso especifico. Não há mais fases de industrialização a serem implementadas antes de seu consumo. Da forma como foi preparada a mercadoria em epígrafe, a Vitamina D3 perdeu seu caráter geral de uso. Dessa forma, tendo em conta que os referidos Laudos Técnicos da Funcamp, atendem plenamente as condições e os requisitos estabelecidos nos arts. 509 e 722 do Decreto 4.543/2002 (Regulamento Aduaneiro de 2002 – RA/2002), complementados pelo disposto na Instrução Normativa SRF 157/19982, na época vigentes, temse que as conclusões neles exaradas, por força do disposto no art. 30 do Decreto 70.235/1972, somente poderão ser desconsideradas mediante comprovada improcedência, o que não se vislumbra no caso em tela. Ao contrário, a outra prova pericial coligida aos autos, ou seja, os citados Pareceres Técnicos da lavra do L. A. Falcão Bauer, corroboram e ratificam as conclusões exaradas pelos citados Laudos Técnicos da Funcamp. Cabe ainda consignar que, na descrição detalhada dos referidos produtos consignada nas Adições 001 e 002 da referida DI (fls. 84/85), foi informado, respectivamente, a aplicação dos citados produtos, in verbis: ACETATO DE RETINIL OU ACETATO DE VITAMINA A APLICACAO: SUPLEMENTO VITAMINICO DE USO EXCLUSIVO EM ATIVIDADES AGROPECUARIAS, ALIMENTACAO ANIMAL [...] NA FABRICACAO DE MISTURAS, DITAS PREMIXERS, AS QUAIS SERAO EMPREGADAS COMO INSUMOS NA ELABORACAO DE RACOES PARA ANI AIS CRIADOS DE MANEIRA CONFINADA. Dessa forma, como os produtos importados pela recorrente não eram vitaminas em estado puro nem vitaminas adicionadas de substâncias, que, apesar da mistura, conservaram o seu uso ou a aplicação geral, em conformidade com disposto nas referidas notas, eles não pertencem à posição 29.36 da NCM. De outro modo, por se tratar de preparações utilizadas na alimentação de animais, os produtos importados pela recorrente pertencem ao Capítulo 23, onde se incluem os alimentos preparados para animais, especialmente, na posição 23.09, que compreende os produtos obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais que perderam as características essenciais, conforme esclarecido na Nota 1 do Capítulo 23, a seguir transcrita: 1. Incluemse na posição 23.09 os produtos dos tipos utilizados para alimentação de animais, não especificados nem compreendidos em outras posições, obtidos pelo tratamento de matérias vegetais ou animais, de tal forma que perderam as características essenciais da matéria de origem, excluídos os desperdícios vegetais, resíduos e subprodutos vegetais resultantes desse tratamento. 2 Revogada pela Instrução Normativva RFB 1020/2010. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11128.004649/200331 Acórdão n.º 3302004.116 S3C3T2 Fl. 284 11 Melhor esclarecendo o alcance do texto da nota da referida posição, dispõe as NESH da posição 23.09, que: Esta posição compreende [...] as preparações empregadas na alimentação de animais, constituídas de uma mistura de diversos elementos nutritivos, [...] [...] II. OUTRAS PREPARAÇÕES [...] C. AS PREPARAÇÕES DESTINADAS A ENTRAR NA FABRICAÇÃO DOS ALIMENTOS “COMPLETOS” OU “COMPLEMENTARES” DESCRITOS NOS GRUPOS A E B, ACIMA Estas preparações, designadas comercialmente prémisturas, são geralmente compostos de caráter complexo que compreendem um conjunto de elementos (às vezes denominados “aditivos”), cuja natureza e proporções variam consoante a produção zootécnica a que se destinam. Esses elementos são de três espécies: 1) os que favorecem à digestão e, de uma forma mais geral, à utilização dos alimentos pelo animal, defendendo o seu estado de saúde: vitaminas ou provitaminas, aminoácidos, antibióticos, coccidiostáticos, oligoelementos, emulsificantes, aromatizantes ou aperitivos, etc.; 2) os destinados a assegurar a conservação dos alimentos, especialmente as gorduras que contêm, até serem consumidos pelo animal: estabilizantes, antioxidantes, etc.; 3) os que desempenham a função de suporte e que podem consistir quer em uma ou mais substâncias orgânicas nutritivas (especialmente farinhas de mandioca ou de soja, farelos, leveduras e diversos resíduos da indústria alimentar), quer em substâncias inorgânicas (por exemplo: magnesita, cré, caulim, sal, fosfatos). A concentração, nestas preparações, dos elementos referidos em 1) acima e a natureza do suporte são determinadas, especialmente, de forma a conseguirse uma repartição e uma mistura homogêneas desses elementos nos alimentos compostos a que essas preparações serão adicionadas. [...]Excluemse da presente posição: [...] e) As vitaminas, mesmo de constituição química definida, misturadas entre si ou não, mesmo apresentadas em um solvente ou estabilizadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, por adsorção em um substrato ou por revestimento, por exemplo, com gelatina, ceras, matérias graxas Fl. 289DF CARF MF 12 (gordas*), desde que a quantidade das substâncias acrescentadas, substratos ou revestimentos não modifiquem o carater de vitaminas e nem as tornem particularmente aptas para usos específicos de preferência à sua aplicação geral (posição 29.36). (os grifos sublinhados não são originais) Assim, em consonância com as NESH da posição 29.36 anteriormente analisadas, as NESH da posição 23.09 excluem desta posição as vitaminas em estado puro e as misturadas por adição de agentes antioxidantes ou antiaglomerantes, desde que não alterado o caráter de vitaminas nem as tornem aptas para usos específicos de preferência à aplicação geral. No caso em tela, segundo os citados Laudos Técnicos, o amido, a glicose e a matéria protéica adicionadas às referidas vitaminas não se tratam de impurezas, estabilizantes, antiaglomerantes e nem de agentes antipoeira, mas de excipientes utilizados no revestimento da microesfera com a finalidade de facilitar o manuseio e a dosagem da vitamina nas rações animais e proteger química e fisicamente a vitamina durante o processo de mistura com outros componentes, na formulação final a que se destina (prémistura ou ração animal). Em outras palavras, os produtos importados não eram vitaminas estabilizadas com o antioxidante ButilHidroxianisol. A presença dos excipientes e os tratamentos sofridos pelas citadas vitaminas demonstram que os produtos importados encontravam com o seu processo de industrialização finalizado, estando as preparações prontas para uso específico na ração animal. Logo, tratavamse de preparações contendo vitaminas que, em face do tratamento industrial e dos excipientes adicionados, perderam o seu caráter de uso ou aplicação geral. Portanto, com base no exposto e em conformidade com o disposto na RGI/SH no 1, combinada com o estatuído na RGI/SH nº 3 “a” (posição), na RGI/SH no 6 (subposição) e na Regra Geral Complementar RGC (item e subitem), chegase a conclusão que os produtos importados pela recorrente classificamse no código NCM 2309.90.90, conforme determinado pela fiscalização. Uma vez definida a classificação dos produtos, passase a analisar as principais razões de defesa suscitadas pela recorrente. A recorrente alegou que os citados Pareceres Técnicos, elaborados pelo L. A. Falcão Bauer, eram absolutamente imprestáveis, para auxiliar no julgamento da causa, porque não responderam a contento os quesitos elaborados pela Relatora, até porque não teve acesso às amostras das mercadorias importadas. No entendimento deste Relator, as conclusões e as respostas exaradas nos citados Laudos Técnicos da Funcamp, baseadas na análise das amostras dos produtos importados pela recorrente, eram suficientes para decisão da lide, uma vez que apresentam todas as informações necessárias ao correto enquadramento dos citados produtos na NCM. Dada essa circunstância, com devido respeito ao entendimento contrário, a realização da referida diligência era totalmente dispensável, pela seguintes razões: a) a comparação da composição química das mercadorias importadas com as que foram objeto das consultas formuladas perante à Coana, certamente, não era possível, haja vista que a unidade da Receita Federal de origem não dispunha das amostras das últimas mercadorias; e Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11128.004649/200331 Acórdão n.º 3302004.116 S3C3T2 Fl. 285 13 b) a informação acerca da quantidade de “Vitamina A 500” e de “Vitamina D3” contida em cada um dos produtos importados era totalmente desnecessária, haja vista que essa informação não representa critério algum, para fim de classificação dos referidos produtos na NCM. Com efeito, conforme anteriormente demonstrado, os critérios determinantes, para fim de classificação das vitaminas na NCM, são o seu estado de pureza (pura ou misturada) e a sua forma de uso ou aplicação (específica ou geral), informações que já se encontravam nos autos, uma vez que expressamente consignadas nos citados Laudos Técnicos da Funcamp, elaborados de acordo com os requisitos legais. Portanto, tratavase de prova hábil e idônea, nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/1972. Também não procede a alegação da recorrente de que os referidos os Laudos Técnicos da Funcamp, bem como os Pareceres Técnicos do L. A. Falcão Bauer, eram imprestáveis, porque ignoraram a posição da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expressa nas respostas da Coana às consultas formuladas pelo Sindirações, apresentadas nas Decisões Coana nºs 03 e 04, de 1999, pelos seguintes motivos: a) o parecer ou laudo técnico deve se restringir a questões estritamente técnicas, concernentes a identificação do produto; b) há expressa determinação no art. 36 da Instrução Normativa SRF 157/1998, no sentido de que os laudos ou pareceres técnicos não podem conter quaisquer indicações sobre posições, subposições, itens ou códigos da NCM, sob pena de serem considerados imprestáveis como meio de prova de identificação da mercadoria; e c) a classificação de mercadorias, sabidamente, não é considerada aspecto técnico, mas aspecto jurídico, conforme dispõe o art. 30, § 1º, do Decreto 70.235/1972. A recorrente alegou que, para viabilizar a mudança da classificação tarifária em comento, era necessário prévia revogação das referidas Decisões Coana; e que tal revogação somente poderia fundamentar autuações após a devida ciência do Sindirações, sob pena de violação ao disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional (CTN). Sem razão a recorrente, porque, além dos fabricantes serem diferente, os produtos importados não foram os mesmos classificados por meio das referidas Decisões, conforme se infere dos seguintes excertos delas extraídos: Decisão Coana 003/1999. Ora, como as mercadorias 1 e 2 são insumos para a produção das prémisturas e as substâncias adicionadas para proteger/estabilizar o acetato de vitamina A não modificam o caráter desta vitamina, preservando sua aplicação geral, então devese desconsiderar a posição 2309 para abrigar tais mercadorias. Além disto, há também aqui uma indicação valiosa sobre a posição mais adequada para comportar as mercadorias 1 e 2, ou seja, a posição 2936. (grifos não originais) Decisão Coana 004/1999. Fl. 291DF CARF MF 14 Ora, como as mercadorias 1 e 2 são insumos para a produção das prémisturas e os revestimentos adicionados não modificam o caráter da vitamina D3, preservando sua aplicação geral, devese desconsiderar a posição 2309 para abrigar tais mercadorias. Além disso, há também aqui uma indicação valiosa sobre a posição mais adequada para comportar as mercadorias 1 e 2, ou seja, a posição 2936. (grifos não originais) Dessa forma, fica demonstrado que os produtos classificados nas referidas Decisões são diferentes dos que foram importados pela recorrente e identificados nos referidos Laudos Técnicos da Funcamp. Os produtos de que trata as referidas decisões, embora adicionados de outras substâncias, preservaram a condição de aplicação geral, diferente dos produtos descritos nos citados Laudos Técnicos, que perderam essa característica e passaram a ter aplicação específica na produção de ração animal e/ou prémisturas. E os produtos importados, ainda segundo os referidos Laudos, encontravamse prontos para serem misturados na ração ou em outras bases alimentícias pelos formuladores, para depois ser administrada por via oral ao animais. Além disso há diferenças relevantes entre os produtos submetidos a consulta e os que foram importados e descritos nos citados Laudos Técnicos, pois, além dos fabricantes serem diferentes, a forma de apresentação dos produtos são completamente distinta. A título de exemplo citase a “Vitamina E”, em que a importada tinha a forma de “microesferas branco amareladas”, enquanto que a submetida à consulta tinha a forma de “pó fino e fluido de coloração branca/creme”. Assim, se eram produtos diferentes, os códigos de classificação atribuídos aos produtos objeto das referidas consultas, obviamente, não poderiam ser aplicados aos produtos importados. Logo, fica demonstrado que, diferentemente do alegado, as classificações apresentadas nas referidas decisões não se aplicam para justificar as classificações pretendidas pelo importador. No caso em tela, também não procede a alegação de mudança de critério jurídico, porque a decisão proferida no âmbito do processo de consulta não tem a natureza de ato de lançamento de ofício. E esta ato constitui condição necessária para aplicação do disposto no art. 146 do CTN, uma vez que este depende da prévia existência de critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa por meio do lançamento de ofício realizado anteriormente. A recorrente alegou que, na remota hipótese de manutenção do imposto de importação exigido, era evidente que a recorrente devia ser eximida das multas de oficio e do controle administrativo aplicadas, diante da dúvida se as mercadorias importadas eram exatamente iguais àquelas que foram objeto das citadas Decisões Coana, em face da ambiguidade apresentadas pelos citados Laudos e Pareceres Técnicos, tendo em vista o que dispõe o artigo 112 do CTN. Mais uma vez, sem razão a recorrente, pois, conforme demonstrado precedentemente, os Laudos Técnicos da Funcamp identificaram com clareza a composição e a finalidade dos produtos importados e os Pareceres Técnicos do L. A. Falcão Bauer ratificaram as conclusões apresentadas nos primeiros, com base nos dados técnicos sobre a composição, estado e finalidade dos produtos importados. Além disso, nas autuações em apreço não foi aplicada a multa de ofício, alegada pela recorrente, mas a multa de mora de 20% (vinte por cento), prevista no art. 61, § Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11128.004649/200331 Acórdão n.º 3302004.116 S3C3T2 Fl. 286 15 2º, da Lei 9.430/1996, que, sempre deve ser exigida no caso de pagamento do II após o prazo de vencimento, situação devidamente configurada nos autos. Por fim, alegou a recorrente que, em caso de manutenção da reclassificação tarifária, o que admitia apenas por amor ao debate, fosse cancelada a multa do controle administrativo por falta de LI, aplicada com base no art. 633, II do Regulamento Aduaneiro de 2002, eis que a mera discordância quanto a classificação da mercadoria NCM, não era fato gerador apto a ensejar a aplicação da referida penalidade, pois não restou comprovado que houve atos tendentes a dificultar o controle administrativo das importações. Tratase de alegação estranha à lide, uma vez que, na presente autuação, não foi aplicada a referida penalidade. Na presente autuação, a penalidade imposta foi a multa por erro de classificação fiscal da mercadoria, definida no inciso I do art. 84 da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir transcrito: Art. 84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; [...] De acordo com o disposto no referido preceito legal, a materialização da referida infração ocorre com o simples cometimento de erro de classificação do produto em pelo menos uma das referidas nomenclaturas ou catálogos de detalhamento da mercadoria. Tratase de infração de natureza objetiva, em que a imputação de responsabilidade independe da intenção do agente, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No caso em tela, a referida infração encontrase devidamente caracterizada, haja vista que a autuada atribuiu aos produtos importados os códigos NCM 2936.21.12 e 2936.29.31, quando o correto seria o código NCM 2309.90.90. Com base nessas considerações, deve ser mantida a cobrança da referida multa, conforme proposto no auto de infração em apreço. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 293DF CARF MF 16 Fl. 294DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720083/2015-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012, 2013
GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO MENSAL.
Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza.
Numero da decisão: 2401-004.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que mantiveram a exoneração do crédito tributário por considerar que a decisão de piso declarou a improcedência do lançamento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1692; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 1.793 1 1.792 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.720083/201526 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 2401004.968 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2017 Matéria IRPF. GANHO DE CAPITAL. Recorrente PRESIDENTE DA 6ª TURMA DA DRJ/FNS Interessado GUILHERME DE JESUS PAULUS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO MENSAL. Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que mantiveram a exoneração do crédito tributário por considerar que a decisão de piso declarou a improcedência do lançamento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 83 /2 01 5- 26 Fl. 1793DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, fls. 1.348/1.356, que exige do contribuinte R$ 167.749.691,63 (2010), R$ 44.964.485,01 (2011), R$ 44.964.485,01 (2012) e R$ 44.964.485,01 (2013) de imposto, acrescido de multa de ofício de 150% e juros moratórios, em razão da apuração de "GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS", em virtude da omissão de rendimentos oriunda da apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores. Conforme Termo de Encerramento de Fiscalização TEF, fls. 1.363/1.396, o contribuinte foi questionado sobre o recebimento dos valores por conta da venda da empresa CVC Brasil, ocorrida em 1/12/09. Esta fiscalização teve origem quando do exame da empresa CVC Brasil Operadora e Agência de Viagens S/A, onde ficou demonstrada a venda desta empresa pelo Sr. Guilherme de Jesus Paulus para CBTC Participações S/A, em 1/12/09. Assim, neste processo foram arrolados os documentos da fiscalização citada, originada pelo Mandado de Procedimento Fiscal nº 08.1.85.002014001216, e da fiscalização empreendida na CVC Brasil, demandada pelo MPF nº 08.1.85.0020140003325. Foram abertos mandados de diligência na pessoa física do Sr. Guilherme de Jesus Paulus e junto ao Citibank, administrador do GJP, Fundo de Investimento em Participações. O resultado desta investigação redundou na lavratura do Auto de Infração AI nº 16561.720113/201413, no qual foi apurado imposto sobre a renda da pessoa física, ano calendário 2009. O mesmo fluxo financeiro que ocorreu no anocalendário 2009, ocorreu nos anos seguintes 2010, 2011, 2012 e 2013. Após análise da situação apresentada, a fiscalização concluiu que: Tendo em vista que, o contrato de compra e venda, conforme livro de acionista, aponta como sócio da CVC BRASIL, de fato, a pessoa física do Sr. Guilherme de Jesus Paulus e na data do fechamento, o sócio da CVC BRASIL era a pessoa jurídica GJP FIP, a qual recebeu as ações da CVC BRASIL no mesmo dia do termo de fechamento, ou seja, 23/12/2012, data esta que culminou com a própria iniciação das atividades do fundo, em que pese as respostas dadas pelos intimados em resposta aos termos de intimação, resta muito claro que inicialmente houve um conluio entre as partes, visando a economia tributária tanto no ente comprador, pela amortização do ágio apurado quando da incorporação da CBTC pela CVC BRASIL, como no vendedor, no caso pessoa física, na apuração do ganho de capital pela venda da CVC BRASIL. Pois, além de alcançar o não pagamento de imposto de renda incidente sobre o ganho de capital, o fiscalizado ainda logrou vantagem societária ao vender 76,2 % das ações da CVC BRASIL e ainda deter 36,4%, e mais, com a amortização do Fl. 1794DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201526 Acórdão n.º 2401004.968 S2C4T1 Fl. 1.794 3 ágio, logrou aumentar o lucro da empresa com vista a distribuição de dividendos. As respostas não são efetivamente satisfatórias na medida em que é incompreensível alguém pagar o preço que foi pago (cerca de R$ 700 milhões) por certo percentual (76,2%) e depois ficar satisfeito em receber percentual inferior (63,6%), sendo desnecessário lembrar que a distribuição dos lucros é em função de percentual de participação. Bem como, a justificativa dada em relação ao processo de incorporação, o qual, em tese, tinha como objetivo integrar um projeto de reestruturação e eficiência operacional com redução de custos administrativos, não passa de figura retórica na medida que todas as justificativas não acarretariam os benefícios que diz registrar. Ademais, da análise do balanço patrimonial colhese que os ativos e passivos transferidos representam cerca de 95% do patrimônio da CVC TUR, logo, era muito mais simples vender a CVC TUR, o que realmente aconteceu. A reorganização proposta acabou por dividir em duas o que era uma empresa, porém, como já havia o conluio com a CBTC, separar, significava o primeiro passo para economia tributária tanto do lado da compradora (amortização do ágio) como do vendedor por não recolher o imposto de renda sobre o ganho de capital, na medida em que em seguida seria criada a GJP FIP fechando o planejamento concebido. Como visto, para a pessoa física do Sr. Guilherme a chamada reorganização societária serviu para a fuga da tributação do ganho de capital, mercê das movimentações societárias planejadas, vez que na realidade, em termo de administração, nada se consumou, pois o fiscalizado continuou exercendo a mesma autoridade quando da movimentação da FIP, porquanto é titular único da investidora (GJP FIP). Enquanto que para a CBTC este passo também era significativo na medida em que poderia, como de fato aconteceu, no próprio mês da negociação, ser incorporada pela sua controlada, podendo, segundo a ótica do contribuinte, aproveitar da amortização regulada no artigo 386 do RIR/99. Portanto, diante dos fatos narrados, resta claro que toda a operação procedida pelos entes envolvidos se tratou de um conluio entre comprador e vendedor com objetivos, também claros, de economia tributária. Segue abaixo quadro demonstrativo de apuração do ganho de capital, relativo aos anos calendários 2010, 2011 e 2012 em debate, acrescidos da multa de oficio qualificada de 150%, vez que, em que pese todos os motivos alegados no documento "Justificação e Protocolo de Incorporação da CBTC Participações S/A pela CVC BRASIL", da análise dos fatos, o fiscalizado no conjunto do planejamento engendrado, logrou, segundo a sua ótica, empreender fuga da tributação de ganho de capital, como a inserção da GJP FIP entre ele pessoa física e a CVC BRASIL, ficando patente a caracterização, em Fl. 1795DF CARF MF 4 tese, do intuito fraudulento, justificando plenamente a aplicação da multa qualificada. De acordo com o demonstrativo de apuração de ganho de capital constante do auto de infração, fls. 1.348/1.355, a seguir, o fato gerador se deu em 31 de dezembro dos anos calendários em questão. Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201526 Acórdão n.º 2401004.968 S2C4T1 Fl. 1.795 5 Apresentada impugnação, foi proferido o Acórdão 0738.372 6ª Turma da DRJ/FNS, fls. 1.731/1.757, que contém a seguinte ementa e resultado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Há incidência de Imposto de Renda sobre ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, sendo este considerado a diferença positiva entre o valor de alienação e o respectivo custo de aquisição dos bens ou direitos. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO. CRITÉRIOS JURÍDICOS NORMATIVOS. INOBSERVÂNCIA. É incabível o lançamento do imposto de renda quando se verifica que o ganho de capital foi apurado em desconformidade com os critérios jurídicos determinados pelas disposições normativas que disciplinam este procedimento. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Diante da exoneração do crédito tributário, a DRJ recorreu de ofício. Da leitura do voto do acórdão de impugnação, vêse que julgouse que deveria ser tributado o ganho de capital referente à operação citada (fl. 1.754): Assim sendo, demonstrado que a transferência de titularidade de ações não negociadas na bolsa de valores, de fato, tinha como alienante a pessoa física, GUILHERME DE JESUS PAULUS, em atendimento as disposições contidas no art. 1º, da Lei nº 7.713, de 1988, abaixo transcrito, a tributação dos rendimentos e dos ganhos de capital auferidos, ora combatidos, deveriam ser tributados tal como pretende a fiscalização. Contudo, a conclusão foi a seguinte (fl. 1.754/1.757): Todavia, embora a autoridade lançadora tenha logrado êxito em comprovar que as operações desenvolvidas pelo fiscalizado tinham como único objetivo amainar o ganho de capital apurado, para manter a legalidade do auto de infração, ora combatido, há que se verificar se o mesmo atende as disposições contidas na Lei nº 7.713, de 1988. Vejamos: Em seu art. 2º, a norma antes citada estabelece que o imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Enquanto que o § 2º, do art. 117, do Decreto nº 3.000, de 1999, dispõe que os ganhos de capital percebidos pela pessoa física serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em Fl. 1797DF CARF MF 6 separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. A Instrução Normativa RFB nº 84, de 2001, por sua vez, em seu art. 30, disciplina que o pagamento do imposto apurado deverá ser, no caso da alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores, efetuado até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que o respectivo ganho tiver sido auferido. Como se vê, de acordo com a legislação acima citada, o fato gerador do imposto de renda relativo aos rendimentos oriundos de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos é mensal. No caso em comento, conforme Termo de Verificação Fiscal, de fls. 1.363 a 1.396, mais precisamente DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO GANHO DE CAPITAL, abaixo colacionado, o ganho de capital sujeito ao imposto ora pretendido se refere aos anos calendários de 2010, 2011, 2012, e 2013. [...] Enquanto que de acordo com o demonstrativo de apuração de ganho de capital constante do auto de infração de fls. 1.348 e 1.355, colacionado a seguir, o fato gerador se deu em 31 de dezembro dos anos calendários em questão. [...] Todavia, de acordo com informações constantes do item 5.8, do Termo de Verificação Fiscal, abaixo transcrito, o ganho de capital ora combatido foi auferido ao longo dos anos calendários em debate. (grifo nosso) Ademais disso, verificase que a fiscalização, no presente lançamento, ao contrário do que restou comprovado no PAF 16561.720083/201445, lavrado contra o contribuinte entre outra ação fiscal, não logrou êxito em comprovar a data do efetivo recebimento dos valores objeto do presente lançamento. Assim sendo, tendo em vista que, como dito anteriormente, o fato gerador do imposto de renda relativo aos rendimentos oriundos de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos é mensal, a apuração do imposto devido teria que ser recalculado novamente, levandose em consideração a data do efetivo recebimento dos valores ora indicados como ganho de capital (grifo nosso) [...] Além disso, frisese novamente, a autoridade lançadora não comprovou a data em que ocorreu o efetivo pagamento dos valores ora lançados como omissão de ganho de capital, pelo que não há como se apurar quando ocorreu o fato gerador. Cientificada do resultado do julgamento, a PGFN não apresentou contrarrazões (documento de fl. 1.764). Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201526 Acórdão n.º 2401004.968 S2C4T1 Fl. 1.796 7 O sujeito passivo apresentou pedido de conexão às fls. 1.769/1.771. É o relatório. Fl. 1799DF CARF MF 8 Voto Conselheira Miriam Denise Xavier Lazarini, Relatora. ADMISSIBILIDADE Diante do valor do crédito tributário exonerado no Acórdão de Impugnação, conheço do recurso de ofício. MÉRITO Como visto acima, o cerne da questão residiu na constatação ou não da regularidade da operação de reorganização societária levada a termo quando o contribuinte resolveu alienar, em parte, sua participação na empresa CVC Brasil Operadora e Agências de Viagens S/A. Entretanto, a exoneração do crédito tributário apurado não tem relação com tais constatações, mas sim com o momento em que ocorreu o fato gerador. A Lei 7.713/88, assim dispõe: Art. 2º O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. [...] § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. (grifo nosso) § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. [...] Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 16561.720083/201526 Acórdão n.º 2401004.968 S2C4T1 Fl. 1.797 9 O Decreto 3.000/99, determina: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza. [...] § 2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração. Desta forma, sendo mensal o fato gerador do imposto de renda relativo aos rendimentos oriundos do ganho de capital na alienação de bens e direitos, sua apuração não poderia ter sido feita em 31 de dezembro de cada anocalendário, como proposto no auto de infração em questão. Sendo assim, correta a decisão de primeira instância que exonerou o crédito tributário lançado, informando que o imposto devido deve ser calculado novamente, levandose em consideração a data do efetivo recebimento dos valores ora indicados como ganho de capital. Consigno aqui o entendimento da maioria dos conselheiros, que me acompanharam em negar provimento ao recurso de ofício, contudo, mantiveram a exoneração do crédito tributário por considerar que a decisão de piso declarou a improcedência do lançamento. CONEXÃO O contribuinte apresentou pedido de conexão e julgamento conjunto da presente autuação com a do processo 16561.720113/201413. Em que pese, conforme RICARF, anexo II, art. 6º, § 1º, I, haver conexão entre os fundamentos que determinaram as duas autuações (mesmos fatos), o motivo que determinou a exoneração do crédito tributário apurado no presente processo não se relaciona com os elementos julgados naquele. Logo, o presente processo pode ser julgado, independentemente do resultado dos julgamentos efetuados no outro. Ademais, no processo 16561.720083/201445, já houve julgamento, Resolução 2201000.239 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 8/2/17. Fl. 1801DF CARF MF 10 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso de ofício e, no mérito, negarlhe provimento, restando intocável a decisão da DRJ. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Fl. 1802DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.002752/2002-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 30/06/2002
PRODUTOS ISENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por ausência de previsão legal, é inadmissível a apropriação, na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, de créditos do IPI sobre o valor de aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito presumido ou ficto do imposto prescinde de autorização expressa de lei específica, a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF/1988, o que não aconteceu com a isenção, instituída no art. 9º do Decreto-lei 288/1967.
INSUMOS ISENTOS PRODUZIDOS NA ZFM COM PROJETO APROVADO PELO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUFRAMA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS FICTOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, são insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, localizado fora da ZFM, os créditos presumidos ou fictos do IPI, calculados sobre insumos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus.
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO PRODUZIDO COM MATÉRIA-PRIMA DA AMAZÔNIA LEGAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS PELO ESTABELECIMENTO ADQUIRENTE FORA REGIÃO. IMPOSSIBILIDADE.
São beneficiados com a isenção do IPI os produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. O descumprimento desses requisitos impede os estabelecimentos industriais adquirentes de creditar-se do crédito presumido do imposto, previsto no art. 6º, § 1º, do Decreto-lei 1.435/1975.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2001 a 30/06/2002
MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVA. TRÂNSITO EM JULGADO. FILIADOS DA ASSOCIAÇÃO AUTORA PERTENCENTE A OUTRA JURISDIÇÃO. EXTENSÃO DA COISA JULGADA PARA ALÉM DOS LIMITES TERRITORIAIS DO JUÍZO PROLATOR. IMPOSSIBILIDADE.
1. O art. 2º-A da Lei nº 9.494, de 1997, ao modificar o art. 16 da Lei nº 7.347, de 1985, trouxe a tempestiva limitação geográfica para o provimento judicial, estabelecendo sua força apenas no território do órgão prolator.
2. O fato de o Mandado de Segurança Coletivo ter sido impetrado antes da referida mudança legislativa não tem o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada em sede desta demanda coletiva, isso porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era definida pela Constituição.
IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matérias-primas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto.
Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1).
Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, na reunião de julgamento realizada no mês de fevereiro/2017, em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida, de nulidade do despacho decisório e de nulidade do procedimento fiscal, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado. Na reunião de março/2017, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado fará declaração de voto.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinatura digital)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 30/06/2002 PRODUTOS ISENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, é inadmissível a apropriação, na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, de créditos do IPI sobre o valor de aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito presumido ou ficto do imposto prescinde de autorização expressa de lei específica, a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF/1988, o que não aconteceu com a isenção, instituída no art. 9º do Decreto-lei 288/1967. INSUMOS ISENTOS PRODUZIDOS NA ZFM COM PROJETO APROVADO PELO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUFRAMA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS FICTOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, são insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, localizado fora da ZFM, os créditos presumidos ou fictos do IPI, calculados sobre insumos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO PRODUZIDO COM MATÉRIA-PRIMA DA AMAZÔNIA LEGAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS PELO ESTABELECIMENTO ADQUIRENTE FORA REGIÃO. IMPOSSIBILIDADE. São beneficiados com a isenção do IPI os produtos elaborados com matérias-primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. O descumprimento desses requisitos impede os estabelecimentos industriais adquirentes de creditar-se do crédito presumido do imposto, previsto no art. 6º, § 1º, do Decreto-lei 1.435/1975. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2001 a 30/06/2002 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVA. TRÂNSITO EM JULGADO. FILIADOS DA ASSOCIAÇÃO AUTORA PERTENCENTE A OUTRA JURISDIÇÃO. EXTENSÃO DA COISA JULGADA PARA ALÉM DOS LIMITES TERRITORIAIS DO JUÍZO PROLATOR. IMPOSSIBILIDADE. 1. O art. 2º-A da Lei nº 9.494, de 1997, ao modificar o art. 16 da Lei nº 7.347, de 1985, trouxe a tempestiva limitação geográfica para o provimento judicial, estabelecendo sua força apenas no território do órgão prolator. 2. O fato de o Mandado de Segurança Coletivo ter sido impetrado antes da referida mudança legislativa não tem o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada em sede desta demanda coletiva, isso porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era definida pela Constituição. IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matérias-primas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 30/06/2002 PRODUTOS ISENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por ausência de previsão legal, é inadmissível a apropriação, na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, de créditos do IPI sobre o valor de aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito presumido ou ficto do imposto prescinde de autorização expressa de lei específica, a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF/1988, o que não aconteceu com a isenção, instituída no art. 9º do Decretolei 288/1967. INSUMOS ISENTOS PRODUZIDOS NA ZFM COM PROJETO APROVADO PELO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUFRAMA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS FICTOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, são insuscetíveis de apropriação na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, localizado fora da ZFM, os créditos presumidos ou fictos do IPI, calculados sobre insumos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus. CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMO PRODUZIDO COM MATÉRIA PRIMA DA AMAZÔNIA LEGAL. DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS PELO ESTABELECIMENTO ADQUIRENTE FORA REGIÃO. IMPOSSIBILIDADE. São beneficiados com a isenção do IPI os produtos elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 27 52 /2 00 2- 74 Fl. 3576DF CARF MF 2 origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA. O descumprimento desses requisitos impede os estabelecimentos industriais adquirentes de creditarse do crédito presumido do imposto, previsto no art. 6º, § 1º, do Decretolei 1.435/1975. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 30/06/2002 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVA. TRÂNSITO EM JULGADO. FILIADOS DA ASSOCIAÇÃO AUTORA PERTENCENTE A OUTRA JURISDIÇÃO. EXTENSÃO DA COISA JULGADA PARA ALÉM DOS LIMITES TERRITORIAIS DO JUÍZO PROLATOR. IMPOSSIBILIDADE. 1. O art. 2ºA da Lei nº 9.494, de 1997, ao modificar o art. 16 da Lei nº 7.347, de 1985, trouxe a tempestiva limitação geográfica para o provimento judicial, estabelecendo sua força apenas no território do órgão prolator. 2. O fato de o Mandado de Segurança Coletivo ter sido impetrado antes da referida mudança legislativa não tem o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada em sede desta demanda coletiva, isso porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era definida pela Constituição. IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, na reunião de julgamento realizada no mês de fevereiro/2017, em rejeitar as preliminares de nulidade da decisão recorrida, de nulidade do despacho decisório e de nulidade do procedimento fiscal, Fl. 3577DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.576 3 vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Lenisa Rodrigues Prado. Na reunião de março/2017, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. A Conselheira Lenisa Rodrigues Prado fará declaração de voto. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Domingos de Sá Filho Relator (assinatura digital) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar o Acórdão que manteve intacta a decisão do Despacho Decisório, que indeferiu o pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI relativo ao quarto trimestre de 2002. O pleito foi formulado com arrimo nas disposições do art. 11 da Lei nº 9.779 de 1999, bem como, na IN SRF nº 33/99. Há notícia que a Interessada atendeu, tempestivamente, as solicitações consignadas no Termo de Procedimento Fiscal, bem como, juntou documentos. O pedido foi negado ao fundamento de que a escrituração e o aproveitamento de crédito de IPI depende de demonstração do direito creditório por meio de documentação hábil e idônea, bem como, deve observar a cada trimestrecalendário. Extraíse, também, da fundamentação do voto, em razão de tratar direito inerente ao contribuinte, cabe a ele trazer as provas que julgar satisfatória, incumbência essa que teria deixado de ser cumprida. Sustentando o direito ao pedido de ressarcimento do saldo credor de IPI registrado nos livros próprios, a Contribuinte demonstra irresignação com a informação fiscal de que analise deuse por amostragem, mesmo diante da farta documentação fornecida, que a conclusão deixou de descrever o exato motivo pelo qual recomendou o indeferimento do pedido. Em razão da suposta ausência de motivação, argüiu nulidade em preliminar. Essa Colenda Turma decidiu converter o julgamento em diligência por meio do Acórdão nº 3403000.431, de 20 de março de 2013, determinou: “a) apurar total das entradas de insumos por trimestre, desde 1999 até o quarto trimestre de 2002; b) apartar o crédito Fl. 3578DF CARF MF 4 destacado no documento – nota fiscal; c) demonstrar qual o saldo credor no segundo trimestre de 2002, a ser confrontado com o pedido; d)destacar os insumos oriundos da zona Franca de Manaus, e; e) no caso de glosa (insumo) relacionar o número da nota fiscal e justificar o motivo pelo qual deixou de ser aceito, f) outras informações que julgar pertinentes a elucidação da lide. Após abra vista a Recorrente para manifestar, querendo, pelo prazo de 30(trinta)dias.” Vêse, da Informação Fiscal, que os saldos credores informados pela empresa Interessada estavam em conformidade com a escrita fiscal, entretanto, manteve a glosa dos créditos ao fundamento: “a) o art. 73, III, do RIPI/98, com fundamento no art. 6°, § 1o, do DecretoLei (DL) n° 1.435, de 16.12.1975, condicionaria a isenção dos insumos ao atendimento dos seguintes requisitos: elaboração do insumo com matériaprima agrícola e extrativa vegetal; localização do estabelecimento na /Amazônia Ocidental e aprovação do projeto pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, o que não teria sido respeitado, no presente caso, uma vez que os insumos utilizados na elaboração do concentrado seriam produtos industrializados e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional; b) a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2a Região, proferida no Agravo de Instrumento (AI) n° 2004.02.01.013298 4, teria determinado que o MSC n° 91.00477834 não seria aplicável aos associados da AFBCC localizados fora da competência territorial do TRF da 2a Região, razão por que a RECORRENTE por estar localizada em Jundiai, Estado de São Paulo, não poderia se beneficiar da coisa julgada formada no referido MSC; c) o art. 59, II, do RIPI/98, que dispõe sobre a isenção dos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, não autorizaria o creditamento do IPI pelo adquirente do insumo isento nem estabeleceria o valor a ser considerado e, pois, a RECORRENTE não teria o respaldo legal necessário para efetivar o respectivo crédito, tendo em vista que não houve pagamento de imposto na operação anterior; d) a RECORRENTE não teria apresentado a planilha com as entradas de insumos do último trimestre do ano de 2002 e alguns dados em meio magnético, conforme solicitado no Termo de Diligência/Solicitação de documentos, cuja ciência teria ocorrido em 30.01.2014.” O relatório fiscal encontra às fls 3.461 a 3.469, cuja conclusão restou nos termos a seguir: “Diante do exposto, com a resposta apresentada pelo contribuinte intempestivamente, em 21.02.2014, considerandose os valores creditados indevidamente no Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento, como se devidos fossem, em decorrência das aquisições dos “concentrados” no período da RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA., sem Fl. 3579DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.577 5 destaque do IPI nas notas fiscais e sem pagamento desse imposto, e ainda considerando tudo o mais que do processo consta, reforço finalmente a confirmação do indefrimento do Peido de Ressarcimento tratado neste procedimento fiscal. Fica o contribuinte cientificado, por via postal, a ser manifestar caso seja de seu interesse acrescentrar comentários ou mais informações sobre o prsente Relatório Fiscal, inclusive sobre os elementos faltantes citados na letra “F” acima, para fins de prosseguimento do julgamento conforme solicitado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no prazo de 30(trinta) dias a contar do seu recebimento.” Intimada a Recorrente, deixou se manifestar no prazo estipulado, alegou posteriormente troca de advogado, o que veio a fazer por meio das razões adicionais ao Recurso Voluntário, petição de fls. 3.485/3.527. Ressalta em sua peça de reforço que o pedido de ressarcimento se refere aos saldos credores de IPI dos períodos de outubro a dezembro de 2001 e janeiro a junho de 2002, e, os pedidos de compensações para utilizar os referidos saldos credores para quitar, por compensação, débitos de PIS e COFINS. Adverte, também, ter procedido retificação, 30.05.2005, do pedido de ressarcimento para deixar claro o período de apuração dos saldos credores e os respectivos valores pleiteados. Também esclarece que os saldos credores de IPI em questão decorreram da aquisição de insumos isentos (concentrados), oriundos da Zona Franca de Manaus, isenção amparada pelo art. 59, II, do Decreto nº 2.637, de 25.06.1998, Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – RIPI/98 e do art. 69, II, do RIPI/02. Tratase de crédito oriundo de aquisição de produtos elaborados com base em matériaprima agrícola da produtos situado na Amazônia Ocidental, e utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI, no caso concreto refrigerantes. É o que tinha a relatar. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase recurso tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. A lide gira em torno do direito de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados de aquisições de matérias primas oriundas da Amazônia Ocidental, que não sofreu na primeira etapa incidência do imposto pelo fato do fabricante encontrar estabelecido Zona Franca de Manaus. A celeuma encontra circunstanciada na utilização do processo produtivo de do concentrado, cujos ingredientes no preparo do extrato empregado no produto final da Recorrente é oriundo de industrialização por outro contribuinte instalado na Zona Franca de Fl. 3580DF CARF MF 6 Manaus, no caso se refere diretamente a planta industrial da Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. e legislação ao tempo dos fatos autorizava os adquirentes dos produtos oriundos da zona Franca de Manaus a tomar o crédito, no caso, IPI. NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. Argúise nulidade por ausência de motivação no Despacho Decisório por deixar de consignar as razões de fato e de direito que serviram de fundamento ao indeferimento. É verdade, apesar ter sido colecionado documentos capazes de justificar o pleito, entre tantos, os livros de entrada e saída de mercadorias, apuração de IPI, bem como, notas fiscais, elementos necessários a recomposição da escrita. No entanto, o agente encarregado da análise limitouse a dizer: "que parcela significativa dos créditos requeridos tem origem em aquisições de insumos isentos adquiridos da zona franca de Manaus." O parecer do Fisco que instrui o DESPACHO DECISÓRIO, a meu sentir, justifica a possibilidade de indeferimento sem exame detalhado dos documentos juntados, entendo que a motivação deveria ter sido consubstanciada nas provas carreadas, simplesmente afirmar que tratava em sua maioria de insumos adquiridos da zona franca de Manaus não deve ser considerado justificada a negativa. Se a maioria se referia a pretensão de créditos de insumos vindo zona franca, no entanto, deixou de se manifestar em relação a outra parte dos créditos, isto é, a menor parte. A omissão por deixar de manifestar sobre os documentos acostados, no meu entendimento com o devido respeito aqueles que entendem diferentemente, configura CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA RECORRENTENULIDADE DA DECISÃO PROFERIDA. A recorrente aponta tópico ensejador de nulidade da autuação e do Acórdão de primeira instância. Ao informar que o fez por amostragem, em poucas cópias de notas fiscais, sem declinálas cria obstáculo a defesa. Reforça a necessidade de nulidade do Despacho Decisório, consubstanciado no parecer fiscal, quando afirmar que afirma que o valor tem origem nas suas aquisições, em quantidades significativas de insumos adquiridos da Zona Franca de Manaus. De fato, a Autoridade Administrativa Fiscal não analisou a documentação colocada à sua disposição, centrou sua convicção na simples existência de que boa parte das aquisições de insumos advinham da Zona Franca de Manaus, esse é motivo sustentado no parecer que instruiu o Despacho Decisório. Como toda e qualquer decisão deve estar devidamente motivada em obediência ao princípio constitucional. De fato há macula inafastável desde prolação do Despacho Decisório. Apresentação de documento é assegurada ao contribuinte até o momento da impugnação e ou da Manifestação de Inconformidade, no caso em tela o julgado de piso merece reparo, cabia examinar em toda a plenitude os documentação trazidos, impondo a nulidade do Despacho Decisório, determinando a fiscalização que procedesse ao exame dos documentos anexados pelo contribuinte e dizer o motivo do deferimento ou do indeferimento. Tenho que a singela explicação não configura motivo a fundamentar, razão pela qual deve ser anulado o despacho decisório. Fl. 3581DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.578 7 Historicamente, com a edição do DL 1.435/75 alterouse a legislação até então vigente e modificou o mecanismo dos incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus e da Amazônia Ocidental, com a finalidade de melhor ajustálos ao estágio de desenvolvimento regional e a estratégia industrial até aquele momento. Uma das mudanças foi à inclusão da atividade agropecuária e da agroindústria com o objetivo de abastecer a região e utilização de matériasprimas regionais. A Lei nº 5.173/1966 que dispõe sobre o Plano de Valorização Econômica da Amazônia, que extinguiu a superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia – SPVEA e criou a Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia SUDAM ao tratar dessa matéria no art. 2º o fez nos termos a seguir: “A Amazônia para os efeitos desta lei, abrange a região compreendida pelos Estados do Acre, Pará e Amazonas, pelos Territórios Federais do Amapá, Roraima e Rondônia, e ainda pelas áreas do Estado do Mato Grosso a norte do paralelo de 16º, do Estado de Goiás a norte do paralelo de 13º e do Estado do Maranhão a oeste do meridiano de 44º”. O art. 3º do mesmo diploma legal, letra “b” da clara noção do objetivo governamental: “definição dos espaços econômicos suscetíveis de desenvolvimento planejado, com a fixação de pólos de crescimento capazes de induzir o desenvolvimento de áreas vizinhas”. Os planos para produção, beneficiamento ou industrialização de mercadorias que pretendem gozar dos benefícios são submetidos a SUFRAMA, que tem competência exclusiva para aprovar ou rejeitar os projetos, atendidos os critérios e procedimentos traçados, apto está à empresa, beneficiário, para gozar os benefícios fiscais. Em assim sendo, cabe aquela superintendência atestar se os insumos utilizados no processo produtivo atende as especificações estabelecidas nos protocolos firmados para as empresas estabelecidas na Amazônia Ocidental, quanto isso não qualquer observação. Também não há dúvida de que o projeto como um todo é aprovado pela SUFRAMA, cuja parte do texto aqui se transcreve: “7.4...de acordo com a Resolução n° 409/2002, aprovada pelo conselho administração da SUFRAMA, o projeto industrial da RECOFARMA está autorizada a produzir "Concentrado para Bebidas não Alcoólicas" com reconhecimento do direito ao gozo dos incentivos previstos nos artigos 7º e 9º do DecretoLei n° 288/67 e no artigo 6º do DecretoLei n° 1.435/75; 7.5 conforme o artigo 1o da citada Resolução; o reconhecimento do direito está estabelecido de forma genérica, para o produto tal como identificado na tabela de incidência do IPI (TIPI) e; 7.6 ressaltese, ainda, que a legislação que rege o incentivo fiscal do IPI (artigo 6º do decretolei n° 1.435/75) não estabelece restrições quantitativas;” Entretanto, a fiscalização, segundo o seu entendimento, constatou irregularidades capazes de inibir a tomada de crédito, a primeira delas se refere ao gozo do Fl. 3582DF CARF MF 8 beneficio, condicionada a isenção dos insumos ao atendimento requisitos na elaboração do insumo com matériaprima agrícola e extrativa vegetal; localização do estabelecimento na /Amazônia Ocidental e aprovação do projeto pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, o que não teria sido respeitado, no presente caso, uma vez que os insumos utilizados na elaboração do concentrado seriam produtos industrializados e não matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional. Tenho repetidamente afirmado tratarse de equivoco tal interpretação, mas sem sucesso, pois certo que os produtos comercializados pela empresa RECOFARMA obedeceram os critérios estabelecidos para o gozo do beneficio fiscal, pois os concentrados são elaborados com matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, destaque para o xarope que é produzido apartar da cana de açúcar e guaraná, ambos oriundos da região amazônica. É inaceitável o discurso daqueles, com todo o respeito, enredem que a empresa Recofarma não utiliza diretamente matérias primas de produção regional em seu processo industrial, por adquirir componentes, kit, de terceiros industrializados, mas que encontram dentro da Amazônia com isso vedar o direito de terceiros adquirentes dos produtos produzidos e comercializados por ela. Tenho que nesse ponto contase com grande valia a opinião de quem está autorizado a desempenhar a Autoridade nos assuntos da Zona Franca de Manaus, e detém a competência para aprovar os projetos e dirimir as questões inerentes a Amazônia e dizer o direito e obrigações das empresas instaladas ZFM. Aproveito consulta formulada a SUFRAMA pela empresa PepsiCola como a principal interessada, onde expôs questão a ser dirimida, indagou se: “é pressuposto para que haja a aplicação do artigo 9º do Decretolei nº 1.435/75 que o estabelecimento industrial utilize matéria prima elaborada com produtos agrícolas e extrativos vegetais da produção de regional”. Disse que a dúvida consistia em saber se: 1) há obrigatoriedade de os extratos serem típicos da região amazônica ou devem apenas ser produzidos localmente e; 2) qual é a área em que podem ser produzidas as matérias primas agrícolas e extrativas vegetais para fins de fruição do incentivo”. Ao completar as indagações menciona: “Área de cultivo da matéria prima agrícola – Em relação ao segundo aspecto, a dúvida a ser dissipada está relacionada a saber se a área de produção do extrato vegetal deve ser limitar ao território da Amazônia Ocidental (art. 1º, § 4º, do Decretolei nº 291/67) ou deve compreender toda a região amazônica, também conhecida como “Amazônia Legal” (art. 2º da Lei nº 5.173/68 e art. 45 da LC nº 31/77). Notese que não se trata de perquirir onde deve estar localizado o estabelecimento industrial incentivado. É inequívoco que este deve estar na Amazônia Ocidental, pressuposto atendido na hipótese em análise”. (fls.406/409) Em conclusão requer esclarecimento: Fl. 3583DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.579 9 “a) A fabricação de concentrado, base e edulcorante para bebidas não alcoólicas a partir de matéria prima industrializada com extrato vegetal produzido localmente que seja típico da região amazônica (e.g. açúcar de cana) é beneficiada com o incentivo previsto no artigo 6º do Decretolei n. 1.435/75? b) O incentivo previsto no artigo 6º do Decretolei n. 1.435/75 aplicase ao concentrado, à base e ao edulcorante de bebidas não alcoólicos industrializados a partir de insumos (e.g. corante caramelo) fabricados com extrato vegetal produzido na região amazônica (também conhecida como “Amazônia Legal”)?”“. Em resposta – SUFRAMA disse por meio do Ofício nº 5.637 de 5/07/2012, fl. 411: Resposta da questão (a) Sim, uma vez que a legislação dispõe que “Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprima agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, inclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo § 4º do artigo 1º do Decretolei 291, de 28 de fevereiro de 1967.” Logo, admitese, que a matéria prima regional seja originária de cultivo”. A resposta do item “B” – “Sim, desde que o insumo, no caso, o corante caramelo, seja produzido por empresa instalada na área definida pelo §4º do artigo 1º, do Decretolei nº 391/67”. É equivocado o entendimento fiscal de que o benefício de que trata o art. 6º do Decretolei 1.435/75 não se aplica ao caso aqui tratado pelo fato da aquisição de componentes industrializados, não é isso que prevê a legislação, interpretação restritiva do texto contraria o interesse público visado. Não há restrição expressa quanto à possibilidade de terceirização ou aquisição de produtos elaborados, desde que, seja por empresa instalada na Amazônica Ocidental e a matéria prima seja agrícola e extrativista da região. É oportuno trazer à baila o texto extraído do Acórdão nº 9303.002293, de 18 de junho de 2013, no julgamento de matéria relacionada com os benefícios concedidos a empresas instaladas na região amazônica abrangida pela legislação aqui tratada, quanto à interpretação: “Com efeito, a interpretação literal é aquela que recai sobre o texto normativo, pretendendo dar lhe concreção na exata medida do seu teor. É o método hermenêutico, confundindo se com o gramatical, dos mais pobres, porque, em princípio, exclui a possibilidade de coexistirem ou emanarem, no/de um texto normativo, ou mesmo no/de um texto qualquer, mais de um sentido. Na verdade, não exclui tal possibilidade. Apenas preceitua que se fechem os olhos a ela.” Hugo de Brito Machado, tratando do tema, expõe que: “O elemento literal é de pobreza franciscana, e utilizada isoladamente pode levar a verdadeiros absurdos, de sorte que o Fl. 3584DF CARF MF 10 hermeneuta pode e deve utilizar todos os elementos da interpretação, especialmente o elemento sistemático, absolutamente indispensável em qualquer trabalho sério de interpretação, e ainda o elemento teleológico, de notável valia na determinação do significado das normas jurídicas. Há quem afirme que a interpretação literal deve ser entendida como interpretação restritiva. Isto é um equívoco. Quem interpreta literalmente, por certo não amplia o alcance do texto, mas com certeza também não o restringe. Fica no exato alcance que a expressão literal da norma permite. Nem mais, nem menos. Tanto é incorreto a ampliação do alcance como sua restrição”. No caso tratase de interpretação subjetiva e sem amparo na legislação, o obstáculo erguido a vedar o crédito do IPI pela Recorrente é fruto de entendimento equivocado. Além do que, reconhecido pela SUFRAMA e aprovado, por quem detém exclusiva competência para se manifestar sobre o Processo Produtivo Básico, é inaceitável a intromissão da autoridade Fiscal, porque não lhe foi outorgado poderes para desfazer da aprovação daquela que têm o império de dizer sim ou não. O documento trazido à colação afasta as dúvidas quanto ao direito assegurado à empresa produtora dos “Kits” fornecidos a Recorrente. Faz jus aos incentivos, basta que a elaboração do produto seja processada por empresa autorizada estabelecida na área definida pelo parágrafo 4º do artigo 1º do Decretolei nº 391/57: A SUFRAMA detém competência para ditar e reconhecer se as empresas fazem jus aos inventivos fiscais, nesse aspecto impõe que as autoridades fiscais se curvem diante do entendimento natural de quem está habilitado e autorizado por Lei. Se a empresa produtora do produto adquirido pela recorrente atende as exigências traçadas pela legislação regente, isso atestado pela SUFRAMA, ninguém mais pode discordar. Assim, a discussão, a meu ver, que interessa ao deslinde do caso é a da atitude destacada da SUFRAMA que assevera que o requisito preponderante que o produtor esteja na área da Amazônia Ocidental, e, se utiliza de matérias primas agrícolas de produção regional, mantendose fiel ao artigo 6º, aqui transcrito: “6º Ficam isento do Imposto sobre Produtos Industrializado os produtos elaborados com matéria primas agrícolas e extrativistas vegetais de produção regional, exclusive as de origens pecuárias, por estabelecimento localizado na área definida pelo § 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967; § 1º Os produtos a que se refere o “caput” deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado com se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto.” Tenho que é especificamente o caso tratado neste caderno processual, a Recorrente ao adquirir o produto acabado oriundo de estabelecimento industrial localizado na Amazônia Ocidental faz jus a creditarse pelo calculo do imposto como se esse tivesse sido Fl. 3585DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.580 11 pago na operação anterior por força da norma do parágrafo 1º do art. 6º do Decretolei n. 1.435/67. Com arrimo na posição da SUFRAMA tenho que o adquirente dos produtos oriundos dos estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental pode sim se creditar do IPI como se pago fosse aos temos em que dispõe o art. 6º do Decretolei 1.435/67. Conclusão: A aquisição de produtos elaborados por empresa estabelecida na Amazônia Ocidental que tem seus projetos básicos reconhecidos e habilitados pela SUFRAMA gera crédito de IPI para o adquirente estabelecido em outras partes do país. A prevalência da posição da SUFRAMA em relação à Autoridade Administrativa Fiscal é aceita em virtude de não estar interpretando legislação tributária federal, cuja competência é da Secretária da Receita Federal e do CARF. DA COISA JULGADA O segundo ponto do indeferimento no tocante a decisão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 2a Região, proferida no Agravo de Instrumento (AI) n° 2004.02.01.0132984, teria determinado que o MSC n° 91.00477834 não seria aplicável aos associados da AFBCC localizados fora da competência territorial do TRF da 2a Região,estando a RECORRENTE localizada em Jundiai, Estado de São Paulo, não poderia se beneficiar da coisa julgada formada no referido Mandado de Segurança. Cuidase de outro equivoco da decisão vergastada, também nesse ponto mais uma vez assiste razão a Recorrente, quando afirma que os efeitos e a eficácia da sentença coletiva não se restringe a limites geográficos, pois essa é a posição unânime do Superior Tribunal de Justiça. Essa questão já foi debatida em recurso submetido ao rito do art. 543C do CPC, o que impõe a sua aplicação por força do dispositivo contido no art. 62 do Regimento Interno do CARF. A decisão proferida pelo TRF da 2ª Região, no Agravo de Instrumento, não há dúvida de que adotou orientação em desarmonia com o entendimento da Superior Tribunal de Justiça. É verdade que a jurisprudência pacificado pelo STJ, ao julgar do seu Resp 1.243.887/PR, sob a relatoria do Min. Luis Felipe Salomão, afirmou que a eficácia da sentença proferida em processo coletivo não se limita geograficamente ao âmbito da competência jurisdicional prolator. Em sendo assim, a regra contida no art. 2ºA da Lei nº 9.494/97 só se aplica nas hipótese que ação tenha sido proposta após advento da lei acima anotada, que não é o caso vertente dos autos, ao contrário da informação fiscal, ação proposta pela Associação dos Fabricantes de Cola Cola, ocorreu em 1991. Tendo transitado em julgado a decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 91.00477834, restou conhecido o direito dos associados e fabricantes de refrigerantes estabelecidos em outros pontos da federação de tomar o crédito de IPI referentes às aquisições de matéria primas isentas de fornecedores situados na zona Franca de Manaus, cujas saídas das mercadorias produzidas em diversas partes do território nacional sofrem incidência deste tributo, pois trata de coisa julgada formada no MS acima anotado. Fl. 3586DF CARF MF 12 Por mais essa razão cabe afastar o fundamento utilizado pelo Fisco para indeferir o pleito, e, assegurar o direito de crédito. INDEFERIMENTO POR AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DO IMPOSTO – IPI NA FASE ANTERIOR. Outro ponto de discórdia se refere ao direito ao crédito de IPI decorrente de aquisições de matéria prima isenta oriunda da Zona Franca de Manaus por contribuinte localizados fora da região. Esse direito encontra assegurado na própria legislação que constituiu o incentivo ao setor industrial assentadas na Amazônia Ocidental, desde que atendesse a contento as normas traçadas pela SUFRAMA. Está a tratar de hipótese subjetiva regional no caso vertente, o que não confunde, realmente, com outras juridicamente com as demais hipóteses de desoneração de IPI. A Suprema Corte, reiteradamente afirma a impossibilidade de conferir crédito tributário aos contribuintes adquirentes de insumos não tributados ou tributados à alíquota zero, entretanto, ressalta que o entendimento não é extensivo aos insumos isentos por terem regime jurídico diferenciado, ressaltando para esse caso deve prevalecer o decidido pelo Recurso Extraordinário nº 212.484, de relatoria do Min. Nelson Jobim: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IPI, ISENÇÃO INCIDENTE SOBRE INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. OFENSA NÃO CARACTERIZADA. Não ocorre ofensa à CF (art. 153, § 3º, II) quando o contribuinte do IPI creditase do valor do tributo incidente sobre insumos adquiridos sob o regime de isenção.”(Rel. Min.Nelson Jobim, Tribunal Pleno, DJ 5.3.1998 ) Com esses fundamentos, asseguro o direito ao crédito decorrente de aquisição de insumos (matéria prima) oriundo da Zona Franca de Manaus a ser empregada na produção de refrigerante pela Recorrente Com esses fundamentos, conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento, para reconhecer o direito de a recorrente lançar em sua escrita fiscal os créditos de IPI calculados como devido fossem sobre as aquisições de concentrados produzidos pela empresa Recofarma Indústria da Amazônia Ltda., localizada na Amazônia Ocidental. Assim, como, reconheço o transito em julgado da decisão transitada em julgado proferrida em sede mandamental que assegurou esse direito em razão do alcance dos efeitos alcançar todos os associados em qualquer parte do território nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Fl. 3587DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.581 13 Após compulsar os autos, pedese vênia para apresentar razões de decidir e proposta de decisões diferentes das que foram apresentados no voto do nobre Relator, em relação às questões preliminares e de mérito. I Das Questões Preliminares Em sede de preliminar, a recorrente alegou nulidade da decisão recorrida e do despacho decisório, sob o argumento de que não houve motivação em ambas as decisões, o que o violava o caput e o inciso VII do artigo 2o da Lei 9.784/1998. Da nulidade da decisão recorrida A recorrente pleiteou a nulidade da decisão recorrida, baseada no argumento de que, embora tenha suscitado a nulidade do despacho decisório na manifestação de inconformidade, a Turma de Julgamento de primeiro não apreciara tal argumento, sequer indiretamente, o que afrontava o caput do 31 do Decreto 70.235/1972 e o art. 48 da Lei 9.784/1998, que obrigavam o julgador analisar todos os argumentos que os litigantes suscitassem no processo administrativo fiscal, notadamente, quando o argumento suscitado fosse de nulidade. Sem razão a recorrente. Diferentemente do alegado, no voto condutor da decisão de primeira instância, a alegação de nulidade do despacho decisório, proferido pelo titular da unidade da Receita Federal de origem, foi expressamente analisada, conforme se comprova com a mera transcrição do seguinte excerto extraído do referido julgado: Concluise que não há o que se falar em nulidade do Despacho Decisório proferido pela Delegacia de origem, ante os vícios cometidos pela interessada em seu pedido. As conclusões ali existentes são compatíveis com as informações e pedidos apresentados pela requerente. No caso, como houve análise da questão, mas a recorrente não concordou com os fundamentos e a decisão consignados no voto e mantido pelo Colegiado prolator do julgado recorrido, eralhe assegurado o direito de apresentar recurso perante este Conselho, o que pronta e regularmente foi feito. Assim, se a questão da nulidade foi devidamente apreciada, inequivocamente, não existe o motivo da nulidade suscitado pela recorrente, logo, rejeitase a presente preliminar de nulidade. Da nulidade despacho decisório No presente recurso, a recorrente reiterou a alegação de nulidade do despacho decisório por falta de motivação, baseada no argumento de que a decisão fora omissa na apresentação das razões do indeferimento dos pedidos de ressarcimento e compensação apresentados. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente. Os motivos do não reconhecimento do direito creditório e da não homologação da compensação em questão foram devidamente apresentados na Informação Fiscal de fls. 155/156 e reproduzidos no parecer que serviu de fundamento da questionada decisão. Para espancar qualquer dúvida a respeito, Fl. 3588DF CARF MF 14 transcrevese o seguinte trecho extraído da referida informação e reproduzido no referido julgado: Procedemos as verificações relativamente aos elementos constitutivos do crédito objeto do processo e constatamos, por amostragem, na escrita fiscal da filial acima identificada e em cópias de algumas notas fiscais, que o valor conferido tem origem nas suas aquisições, inclusive em quantidades significativas de insumos isentos adquiridos com incentivo fiscal da Zona Franca de Manaus, para emprego em seus produtos, porém, no primeiro decêndio de abril/2002, fl. 21, foi escriturado saldo credor de período anterior no referido registro de apuração do IPI, o que evidencia a existência de créditos de períodos anteriores diversos sem comprovação no processo. Enfatizase que a Lei 9.779/99 e a IN SRF 33/99 contempla somente os créditos a partir de 1999 e apurados em períodos trimestrais, portanto, como o valor do pedido de ressarcimento juntado inicialmente ao processo referiuse ao saldo credor final do primeiro decêndio do mês de julho/2002, fls. 48, sendo que nesse saldo foram computados então os citados créditos de períodos anteriores. Dessa forma o contribuinte não demonstrou corretamente o valor do crédito pleiteado relativamente ao saldo credor final do trimestrecalendário, nos termos da atada legislação. O contribuinte foi devidamente intimado sobre a divergência, e apresentou dois novos pedidos de ressarcimento dos créditos de IPI, sem a declaração de que não foram objeto de outros pedidos perante a Secretaria da Receita Federal, que também não conferem com o valor pleiteado, conforme segue [...]. Da simples leitura do texto transcrito, verificase que, diferentemente do alegado pela recorrente, houve sim demonstração do motivo da decisão denegatória dos pleitos colacionados aos autos, sendo um de ordem jurídica e outro de natureza fática, a saber: a) o saldo credor pleiteado era decorrente das quantidades significativas de insumos isentos adquiridos com incentivo fiscal da Zona Franca de Manaus, para emprego nos produtos industrializados pela recorrente; e b) o contribuinte não havia demonstrado corretamente o valor total do crédito pleiteado, por trimestrecalendário, conforme exigia o art. 11 da Lei 9.779/1999, regulamentado pela Instrução Normativa SRF 33/1999. Além disso, a recorrente compreendeu e se defendeu adequadamente dos motivos apresentados no questionado despacho decisório, o que se confirma pelas pertinentes e robustas razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade e reiteradas no recurso em apreço. Por oportuno, ressaltase que, com vista à correção dos alegados equívocos cometidos quanto à forma de apresentação do pedido de ressarcimento e apuração do valor do saldo do crédito do IPI, acertadamente, os presentes autos foram convertidos em diligência, por meio da Resolução nº 3403000.431, de 20 de março de 2013 (fls 2909/2911), que resultou na elaboração do Relatório Fiscal de fls. 3461/3469, em que, de forma clara e objetiva, a autoridade fiscal prestou as informações solicitadas na referida diligência e apresentou as razões jurídicas para manutenção do indeferimento dos pleitos da recorrente. Assim, ainda que tal irregularidade houvesse no questionado despacho decisório, o que se admite apenas para argumentar, com o resultado da diligência proposta por Fl. 3589DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.582 15 este Conselho, ela foi devidamente saneada, em conformidade com o disposto no art. 60 do Decreto 70.235/1972. Por todas essas razões, resta evidenciado que não há a alegada ausência de motivação no despacho decisório, por conseguinte, rejeitase a presente alegação de nulidade. II Das Questões de Mérito No mérito, a controvérsia cingese aos motivos do indeferimento do pedido de ressarcimento do valor do saldo credor do IPI do 4º trimestre de 2001 ao 2º trimestre de 2002, no valor total de R$ 4.289.828,28 (fls. 1/2), em que não informado o período de apuração, e a consequente não homologação da compensação dos débitos informados no pedido de compensação de fl. 4, no valor de R$ total de R$ 2.375.475,48. Após as retificações feitas no pedido ressarcimento originário, em atenção às intimações da fiscalização que solicitou a identificação dos trimestres de apuração do crédito pleiteado, por meio dos pedidos de ressarcimento de fls. 73 e 87, e de a acordo com os valores registrados nas folhas do livro RAIPI, colacionadas aos autos, os saldos credores dos pedidos de ressarcimento ficaram assim distribuídos para: a) o 4º trimestre de 2001 (mês dezembro de 2001), o valor de R$ 1.021.221,52; b) o 1º trimestre de 2002, o valor de R$ 2.716.062,54; e c) o 2º trimestre de de 2002, o valor de R$ 522.602,01. O somatório dos referidos valores corresponde ao saldo credor do IPI, no valor total de R$ 4.259.886,07, objeto dos pedidos de ressarcimento em apreço. Em relação a esse novo valor de R$ 4.259.886,07 deixou de existir dissenso, haja vista que a própria recorrente, no recurso em apreço foi quem apresentou tais valores e a autoridade fiscal, por meio do referido Relatório Fiscal, confirmou que ele estava correto. Em atenção aos questionamentos formulados pelo nobre Relator no pedido de diligência oriundo deste Conselho, por meio do citado Relatório Fiscal, com base na documentação e nas informações fornecidas pela recorrente, a autoridade fiscal prestou as seguintes informações relevantes: a) a apuração do saldo do crédito pleiteado teve início o último trimestre de 2001, precisamente, no mês de dezembro deste ano, e o total dos créditos, por trimestre, incluído os valores relativos às aquisições da empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA., localizada na ZFM, foram os seguintes: TRIMESTRE TOTAL CRÉDITOS CRÉDITOS DA RECOFARMA 4o TRIM/2001 R$ 7.289.961,81 R$ 3.484.106,27 1°TRIM/2002 R$ 24.184.783,82 R$ 14.616.817,80 2o TRI M/2002 R$ 20.231.098,53 R$ 12.215.016,48 3o TRI M/2002 R$ 22.799.138,86 R$ 12.870.686,52 b) ao consultar as notas fiscais emitidas pela RECOFARMA, verificou que não havia destaque de IPI e que os insumos nelas descritos, denominados de “concentrado” (por exemplo: KIT, parte 1 e 4, parte 2A, etc. os quais são formados por componentes em estado físico líquido ou sólido e embalados em caixas ou bombonas, que podem variar de acordo com o tipo de concentrado, ou seja, sabores ou colas) eram classificados na código NCM 2106.90.10. E ainda constava nos dados adicionais de todas as notas fiscais, os seguintes dizeres: Produzido na Zona Franca de Manaus Fl. 3590DF CARF MF 16 Isento de IPI art. 59, inc. I e II Art. 73, inc. III e art. 318, inc. II Dec. 2637/98. c) com base nos documentos fiscais analisados, concluiu a autoridade fiscal que, nos referidos trimestres, a recorrente havia adquirido da RECOFARMA insumos isentos do IPI, nos termos do arts. 59, II, e 73, III, do Decreto 2.637/1998 (RIPI/1998), que não lhe assegurava o direito de apropriação de crédito do imposto; e d) como foram esses créditos que deram origem ao valor do saldo credor pleiteado, opinou pelo indeferimento integral dos pedidos de ressarcimento, por inexistência do direito creditório. De outra parte, intimada do resultado da diligência, fora do prazo estabelecido, por meio da petição de fls. 3485/3527, em que, além de renovar as razões do recurso voluntário e apresentar novos argumentos de defesa, a recorrente esclareceu que: a) em 30/5/2005, apresentara “pedido de ressarcimento para deixar claro o período de apuração dos saldos credores e os respectivos valores pleiteados”; e b) os saldos credores de IPI pleiteados decorriam de créditos calculados sobre a aquisição de insumos isentos (concentrados) oriundos da ZFM, elaborados com matériaprima agrícola de “produtor situado na Amazônia Ocidental, e utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI (refrigerantes)”, conforme previsto nos arts. 59, II, e 73, III, do RIPI/1998 e nos arts. 69, II, e 82, III, do RIPI/2002. Com base nas informações da autoridade e nos esclarecimentos da recorrente, fica demonstrado que não há controvérsia quanto ao valor e à origem do valor do crédito do IPI pleiteado pela recorrente, ou seja, o total do crédito pleiteado, no valor total de R$ 4.259.886,07, é resultado do somatório dos saldos credores do IPI do 4º trimestre de 2001 ao 2º trimestre de 2002, originários dos créditos presumidos apurados sobre os valores de insumos isentos (concentrado) adquiridos da RECOFARMA, empresa localizada na ZFM. Dessa forma, a controvérsia remanescente cingese ao direito de apropriação dos referidos créditos presumidos. Para a recorrente, as duas isenções, uma prevista no art. 59, II, e a outra no art. 73, III, ambos do RIPI/1998 (que correspondem aos arts. 69, II, e 82, III, do RIPI/2002), asseguravamlhe o direito de apropriação de créditos do IPI sobre as aquisições dos insumos (concentrado) adquiridos da RECOFARMA. Enquanto que a autoridade fiscal, manifestou o entendimento de que, no caso em tela, nenhuma das isenções asseguravam a recorrente o direito de apropriação de créditos do IPI, porque: a) não havia amparo legal para a isenção estabelecida no art. 59, II, do RIPI/1998 e a decisão judicial, citada pela recorrente, não lhe contemplava;e b) o insumo adquirido da RECOFARMA não fora elaborado com matéria prima agrícola ou extrativa vegetal produzida na Amazônia Ocidental, logo, não atendia todos os requisitos exigidos para ser beneficiado com a isenção instituída no art. 73, III, do RIPI/1998. Para melhor entendimento da questão, veja o teor dos arts. 69, II, 82, III, e 175 do RIPI/20021 (correspondentes aos o arts. 59, II, 73, III, e 158 do RIPI/1998), que seguem transcritos: 1 O RIPI/2002 foi instituído pelo Decreto 4.544/2002. Fl. 3591DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.583 17 Art. 69. São isentos do imposto (Decretolei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, art. 9º, e Lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991, art. 1º): [...] II os produtos industrializados na ZFM, por estabelecimentos com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus SUFRAMA, que não sejam industrializados pelas modalidades de acondicionamento ou reacondicionamento, destinados a comercialização em qualquer outro ponto do Território Nacional, excluídos as armas e munições, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros e produtos de perfumaria ou de toucador, preparados ou preparações cosméticas, salvo quanto a estes (posições 33.03 a 33.07 da TIPI) se produzidos com utilização de matériasprimas da fauna e flora regionais, em conformidade com processo produtivo básico; e [...] Art. 82. São isentos do imposto: [...] III os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental, cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, excetuados o fumo do Capítulo 24 e as bebidas alcoólicas, das posições 22.03 a 22.06 e dos códigos 2208.20.00 a 2208.70.00 e 2208.90.00 (exceto o Ex 01) da TIPI (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 34). [...] Art. 175. Os estabelecimentos industriais poderão creditarse do valor do imposto calculado, como se devido fosse, sobre os produtos adquiridos com a isenção do inciso III do art. 82, desde que para emprego como MP, PI e ME, na industrialização de produtos sujeitos ao imposto (Decretolei nº 1.435, de 1975, art. 6º, § 1º). (grifos não originais) Uma vez delimitada o cerne a controvérsia, passase analisar as razões apresentadas pelas partes discordantes. Da isenção prevista no art. 69, II, do RIPI/2002 Previamente, cabe ressaltar que, por ausência de previsão legal, é inadmissível a apropriação, na escrita fiscal do estabelecimento industrial adquirente, de créditos do IPI sobre o valor de aquisição de insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. Por força do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF/1988, a apropriação de crédito presumido ou ficto do imposto depende de autorização expressa de lei específica, o que não aconteceu com a Fl. 3592DF CARF MF 18 isenção instituída no art. 9º do Decretolei 288/1967, regulamentada pelo art. 69, II, do RIPI/2002. Em ralação a essa isenção, a recorrente alegou que tinha o direito ao crédito calculado sobre o insumo adquirido com isenção (concentrado), baseada no argumento de que fazia parte do Mandado Segurança Coletivo (MSC) nº 91.00477834, impetrado pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (ABFCC), de quem era associada, no qual restou decidido, de forma definitiva, que as empresas associadas da impetrante tinham o direito de se creditar do IPI, calculados sobre insumo isento (concentrado de refrigerante) adquirido de estabelecimento instalado na ZFM, no caso dos autos, adquirido da RECOFARMA. Além disso, segundo a recorrente, o extinto Conselho de Contribuintes, em cumprimento à decisão do STF, prolatada no âmbito do RE 212.484/RS, em diversas oportunidades, reconhecera o direito de a recorrente de creditarse do IPI, calculado sobre os insumos adquiridos de estabelecimentos industriais localizados na ZFM. Logo, a glosa desse crédito configurava, no mínimo, inobservância de decisão judicial emanada do STF e, consequentemente, o descumprimento de ordem judicial autorizadora da conduta da recorrente. A decisão proferida no referido MSC, embora tenha reconhecido o direito ao crédito presumido em comento, os seus efeitos restringemse apenas aos associados da ABFCC com domicílio no Estado do Rio de Janeiro, conforme ficou expressamente consignado na decisão prolatada pelo TRF da 2a Região, nos autos do Agravo de Instrumento nº 2004.02.01.0132984, que teve como agravante a União Federal e agravada a ABFCC, cujo enunciado da ementa ficou assim redigido: PROCESSO CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. TUTELA COLETIVA. COISA JULGADA. ABRANGÊNCIA RESTRITA. EXECUÇÃO INDIVIDUAL DO JULGADO. COMPETÊNCIA. A eficácia da coisa julgada, embora erga omnes, fica restrita aos associados da impetrante domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator, consoante disposto no art. 16 da Lei n° 7.347/85, na redação da Lei n° 9.494/97, qual seja, este TRF 2a Região, e apenas no Estado do Rio de Janeiro. Agravo provido. A não aplicação da referida decisão judicial em benefício da recorrente, que tem domicílio no Estado de São Paulo, está em perfeita consonância com as limitações impostas à sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, pelo art. 2ºA da Lei 9.494/1997, incluído pela Medida Provisória 2.18035/2001, que alterou o alcance do art. 16 da Lei 7.347/1985, ao estabelecer limitação territorial para o provimento judicial, restringindoo ao território do órgão prolator. Para melhor compreensão, o referido preceito legal segue transcrito: Art. 2ºA: A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035/ 01) Fl. 3593DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.584 19 Parágrafo único. Nas ações coletivas propostas contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas autarquias e fundações, a petição inicial deverá obrigatoriamente estar instruída com a ata da assembléia da entidade associativa que a autorizou, acompanhada da relação nominal dos seus associados e indicação dos respectivos endereços. (NR) (Incluído pela Medida provisória nº 2.18035/01) grifos não originais. Entretanto, apesar da clareza do comando legal em destaque, a recorrente contesta os seus efeitos em relação ao que foi decidido, em caráter definitivo, no âmbito do MSC nº 91.00477834, sob argumento de que ele se aplicaria apenas às ações ajuizadas posteriormente a vigência do citado preceito legal. Sem razão a recorrente, pois, diferentemente do alegado, o entendimento que prevaleceu no âmbito do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Agravo Regimental na Reclamação nº 77781/SP, que ocorreu na recente Sessão plenária do dia 30/4/2014, foi no sentido de que havia sim a referida limitação geográfica, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, à decisão proferida em sede de ação coletiva, pois, a referida inovação legal tinha natureza meramente declaratória. Aliás, a referida de demanda que deu origem ao julgado foi proposta pela Companhia de Bebidas Ipiranga, uma das filiadas da ABFCC, em que pleiteava a extensão dos efeitos da coisa julgada materializada no referido MSC. Para melhor compreensão, segue transcrito o enunciado da ementa do citado julgamento: Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento. (STF. Tribunal Pleno. Rcl 7778 AgR. Rel. Min. Gilmar Mendes. j. 30.04.2014, DJe094, d. 16.05.2014, p. 19.05.2014) Para afastar qualquer dúvida a respeito do teor da citada decisão plenária e da sua pertinência com o caso em tela, transcrevese a seguir elucidativos trechos do voto do Min. Relator: [...] Pelo que percebo, o art. 16 da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985, inserido pelo art. 2ºA da Lei nº 9.494, de 10 setembro de 1997, compatibilizase com o atual sistema jurídico pátrio, na medida em que preserva a higidez relativa à competência jurisdicional de cada órgão do Poder Judiciário, evitando, destarte, uma conhecida deficiência oriunda do processo de natureza coletiva que dava ensejo a inúmeras distorções, quando Fl. 3594DF CARF MF 20 permitia, v. g., que juízes de piso se investissem de uma pretensa “jurisdição nacional”. Não obstante as censuras já emitidas por esta Corte acerca do mau uso das ações coletivas, inclusive como instrumento de controle de constitucionalidade com efeitos erga omnes, persistiram as tentativas de conferir eficácia universal às decisões liminares ou às sentenças emanadas pelos juízes de primeiro grau. Sensível não só a essa realidade, mas também ao risco iminente de lesão irreparável ao Patrimônio Público, é que o art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997, ao modificar o art. 16 da Lei nº 7.347/1985, trouxe a tempestiva limitação geográfica para o provimento judicial, estabelecendo sua força apenas no território do órgão prolator. Registrese, ainda, que o fato de o MSC nº 91.00477834 ter sido impetrado antes da mudança legislativa não tem o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada em sede desta demanda coletiva, isso porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era definida pela Constituição. Ademais, o trânsito em julgado da decisão proferida na ação coletiva ocorreu já sob a égide do art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997. [...] (grifos não originais) Assim, como se trata de preceito legal válido e eficaz, inclusive com o expresso reconhecimento da sua higidez, por meio de decisão plenária do STF, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972, este Colegiado não pode afastar a sua aplicação, em razão da alegada limitação temporal. Também não alberga a pretensão da recorrente, a existência de decisões do STJ que, segundo a recorrente, teriam garantido aos fabricantes de CocaCola de São Paulo e da Bahia o direito de se valerem da decisão proferida no citado MSC. A razão é óbvia, pois, como tais decisões foram proferidas a favor de determinados contribuintes e não têm efeitos erga omnes, inequivocamente, elas não se aplicam à recorrente. Além disso, como o referido MSC foi impetrado contra ato coator de autoridade específica da RFB e não direcionado à União, por conseguinte, a decisão proferida tem alcance mais restrito, não podendo a sua eficácia ser estendida para outros Delegados da RFB, que não o impetrado. Por meio de memorial, entregue na Sessão de julgamento, e por ocasião da sustentação, os ilustres patronos da recorrente alegaram que o STJ já examinara “a aplicabilidade da coisa julgada formada no MSC nº 91.00477834, em decisões definitivas e posteriores” a decisão do plenário do STF, proferida no julgamento do Agravo Regimental na Reclamação nº 77781/SP. Tal afirmação não corresponde a verdade, haja vista que as decisões do STJ, a que se referem os patronos da recorrente, induvidosamente, foram proferidas no âmbito dos REsp nºs 1.295.383/BA e 1.117.887/SP, de forma monocrática, respectivamente, nos dias 16 de agosto de 2012 e 9 de maio de 2013. Portanto, decisões anteriores à prolatada pelo plenária do STF no dia 30 de abril de 2014, no âmbito da referida Reclamação. Dessa forma, além de Fl. 3595DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.585 21 ter sido proferida posteriormente, a decisão do STF foi proferida pelo plenário, enquanto que as decisões proferidas no âmbito dos referidos REsp foram proferidas monocraticamente. Ademais, segundo lições basilares de direito processual, a jurisprudência da Suprema Corte prevalece sobre a dos demais órgãos judicantes. Também não procede a alegação de que o entendimento do STJ, exarado no julgamento do REsp nº 1.243.887/RS, sob regime de recurso repetitivo e de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, porque o referido julgado não se aplica ao caso em tela, uma vez que tratou da liquidação e execução individual de sentença genérica proferida na ação civil coletiva, que condenou o Banestado ao pagamento dos chamados expurgos inflacionários sobre cadernetas de poupança e dispôs que os seus efeitos alcançariam todos os poupadores da instituição financeira do Estado do Paraná. No referido julgamento, o STJ entendeu por estender os efeitos da coisa julgada para outros associados do Estado do Paraná, porque a sentença, naquele caso específico, assim havia determinado. Dada essa especificidade, a desconstituição da coisa julgado deveria ser feita por vias próprias, a exemplo da ação rescisória. Da mesma forma, a questão suscitada pela recorrente, em relação a extensão dos efeitos territoriais do MSC nº 91.00477834, também é distinta, pois se refere à eficácia temporal da limitação territorial determinada pelo art. 2ºA da Lei 9.494/1997, que o plenário do STF decidiu, no julgado anteriormente comentado, que tinha natureza declaratória e, portanto, o fato do MSC ter sido impetrado antes da mudança legislativa não tinha o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada. Ademais, segundo o STF, o trânsito em julgado da decisão proferida no âmbito da referida ação coletiva ocorrera já sob a égide do art. 2ºA da Lei nº 9.494/1997, portanto, este preceito legal era plena aplicável ao caso em tela. Também não ampara a pretensão da recorrente, a decisão plenária do STF, proferida no julgamento do RE 212.484/RS, pois, além do seu efeito ser apenas inter partes, o entendimento nele firmado foi posteriormente alterado. Inicialmente, por meio do RE 370.682, para não admitir o direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero. E depois, por intermédio do RE 566.819, para estender o entendimento de que não havia direito a crédito nas aquisições isentas. Segundo esses novos julgamentos, a jurisprudência atualmente prevalecente no âmbito do STF não reconhece o direito ao crédito do IPI para nenhuma das aquisições desoneradas da cobrança do imposto. A propósito, cabe esclarecer que, no âmbito do STF, a matéria encontrase submetido a julgamento, sob o regime de repercussão geral, no âmbito do Recurso Extraordinário (RE) nº 592.891/SP, que se encontra com o julgamento suspenso, após proferidos três votos favoráveis ao direito de apropriação do crédito presumido em comento, durante a Sessão realizada no dia 25/5/2016. No mesmo sentido, o entendimento dos recentemente julgamentos da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara e da 1ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara, respectivamente, por meio dos acórdãos nºs 3403003.242 e 3301002.552, cujos enunciados das ementas, na parte pertinente à matéria em apreço, seguem transcritos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 Fl. 3596DF CARF MF 22 IPI. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 1). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Precedente (Acórdão 3403003.050, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, j. 22/07/2014). Recurso negado. 2 [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 IPI. CRÉDITOS DE PRODUTOS ISENTOS. ZFM. Em regra, é inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos isentos, não tributados ou sujeitos a alíquota zero, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. A apropriação de crédito ficto ou presumido de IPI depende de autorização de lei específica a teor do que dispõe o § 6º do art. 150 da CF, o que não acontece no caso do presente processo. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido3 Desta forma, até que haja a decisão, com trânsito em julgado, do STF acerca desta questão específica no âmbito do RE 592.891/SP, a este colegiado incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, não lhe sendo permitido afastar a aplicação da norma 2 CARF. 3ª Seção. 4ª Câmara. 3ª Turma Ordinária. Ac. 3403003.242, rel. Cons. Ivan Allegretti. j. 16.12.2014. 3 CARF. 3ª Seção. 3ª Câmara. 1ª Turma Ordinária. Ac. 3301002.552, rel. Cons. Andrada Márcio Canuto Natal. j. 29.01.2015. Fl. 3597DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.586 23 eficaz e vigente ao caso concreto em face de alegações de inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula CARF nº 2). Com base nessas considerações, fica demonstrado que a recorrente não faz jus ao direito de apropriação do crédito presumido do IPI, calculado sobre o insumo (concentrado de refrigerante) adquirido da empresa RECOFARMA, beneficiado com a isenção estabelecido no art. 69, II, do RIPI/2002. Da isenção do 82, III, do RIPI/2002. Diferentemente da isenção anterior, há expressa previsão do direito de apropriação de crédito, no art. 175 do RIPI/2002, para a isenção prevista no preceito regulamentar em destaque, que depende do atendimento dos seguintes requisitos cumulativos: a) o insumo adquirido tenha sido elaborado com matériaprima agrícola e extrativa vegetal produzida na Amazônia Ocidental; e b) o estabelecimento produtor, localizado na Amazônia Ocidental, tenha projeto aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA (CAS). No período de outubro de 2001 a junho de 2002, que é o período de apuração dos créditos presumidos em questão, o insumo adquirido pela recorrente não atende nenhum dos requisitos, previstos no art. 82, III, da RIPI/2002. Com efeito, a pessoa jurídica RECOFARMA, produtora do referido insumo, sequer tinha projeto aprovado pelo CAS. No referido período, o projeto aprovado pelo CAS em favor da RECOFARMA, por meio da Resolução CAS nº 387/1993, contemplava apenas a isenção do IPI, instituída pelo art. 9º do Decretolei 288/1967, regulamentado pelo art. 69, II, do RIPI/2002. Somente a partir da vigência da Resolução CAS nº 406, de 17 dezembro de 2002, que ocorreu na data da publicação do referido ato, o projeto aprovado em favor da referida pessoa jurídica passou a contemplar a isenção do art. 9º4 do Decretolei 288/1967 e a do art. 6º5 do Decretolei 1.435/1975, regulamentado pelo art. 82, III, da RIPI/2002, entretanto, esta última foi concedida sob a condição de que a beneficiária utilizasse na fabricação dos concentrados para refrigerantes matériaprima agrícola e extrativa vegetal produzida na região, ou seja, isenção condicionada atendimento dos requisitos estabelecidos no citado preceito regulamentar. 4 Art. 9° Estão isentas do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) todas as mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus, quer se destinem ao seu consumo interno, quer à comercialização em qualquer ponto do Território Nacional. (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 1° A isenção de que trata este artigo, no que respeita aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus que devam ser internados em outras regiões do País, ficará condicionada à observância dos requisitos estabelecidos no art. 7° deste decretolei.(Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) § 2° A isenção de que trata este artigo não se aplica às mercadorias referidas no § 1° do art. 3° deste decretolei. (Incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) 5 Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo§ 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o"caput"deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. Fl. 3598DF CARF MF 24 A propósito do não atendimento desse imprescindível requisito, cabe ressaltar que, por meio do Parecer Técnico de Acompanhamento nº 035/1997 (fls. 3542/3545), aprovado pelo Superintendente da SUFRAMA, sem amparo legal, houve a inócua tentativa de estender, para o projeto aprovado pela Resolução CAS nº 387/1993, o benefício da isenção do art. 6º do Decretolei 1.435/1975. No citado período, além de não ter o projeto aprovado pelo CAS, o insumo produzido pela RECOFARMA e adquirido pela recorrente, inequivocamente, não foi produzido com “matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional”, descumprindo outro requisito necessário para fruição da referida isenção. Nesse sentido, o próprio Parecer Técnico nº 88/1993 (fls. 3532/3536), que serviu de fundamento para a aprovação da Resolução CAS nº 387/1993, na parte sobre a descrição do processo produtivo, consta a informação de que o açúcar mascavo, adquirido de produtores da Amazônia Ocidental, especificamente do Estado do Amazonas, seria utilizado apenas no processo produtivo do açúcar líquido, produto que não fora adquirido pela recorrente. Enquanto que na descrição do processo produtivo do “concentrado e base para bebida” apenas foi mencionado que haveria “mistura e homogeneização dos insumos sólidos e líquidos”, sem mencionar qual o tipo de insumo utilizado no processo. Além disso, ainda que o açúcar mascavo e o álcool, supostamente adquiridos de produtores regionais, fossem aplicados na produção do concentrado de refrigerante, por serem produtos intermediários (industrializados) e não matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, certamente, também por esse motivo estaria configurado o não cumprimento do requisito em apreço. Não se pode olvidar, que o açúcar e o álcool são produtos industrializados obtidos a partir do processamento industrial da cana de açúcar, esta sim matéria prima regional. Logo, se a recorrente tivesse adquirido tais produtos diretamente produtores regionais com processo produtivo aprova pelo CAS, inquestionavelmente, estaria atendidos os requisitos da isenção prevista no art. 82, III, da RIPI/2002, porém, não foi o que ocorreu no caso em tela. Cabe ainda esclarecer que, na tentativa de obter informação sobre o efetivo processo produtivo do insumo adquirido pela recorrente, por meio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 99/100, a autoridade fiscal intimou a RECOFARMA a apresentar declaração assinada pelo responsável pela área produção, “sobre o processo de industrialização, incluindo demonstrativo dos insumos empregados e especialmente informação sobre a origem da matéria prima principal do concentrado”, no entanto, por meio da petição de fls. 102/103, sob a alegação de que tais informações eram “totalmente alheias ao procedimento da empresa fiscalizada” a intimada negouse a fornecêlas. Esse fato representa mais uma evidência de que o processo produtivo da recorrente não utiliza matérias primas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, haja vista que, se ela dispusesse dessa prova, não tinha porque não prestála a autoridade fiscal. Com essa recusa de prestar a informação sobre o processo produtivo, sem justificativa plausível, certamente, a simples menção no corpo das notas fiscais de compra de que os produtos nelas descritos estavam amparados pela isenção do art. 73, III, do RIPI/2002, deixa de ter qualquer valor probatório, conforme alegou a recorrente. No caso, também não tem qualquer relevância o fato de a recorrente ser ou não comprador de boa fé, pois, o que está em questão é a comprovação de um dos requisitos necessários para fruição da isenção em destaque. Fl. 3599DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.587 25 Também é equivocada e ilógica a interpretação que faz recorrente do caput do art. 6º em cotejo com o seu § 2º, para concluir que o disposto no referido preceito legal não “exige que sejam utilizados direta nem exclusivamente matériasprimas extrativas vegetais de produção regional na fabricação do insumo beneficiado”, com a isenção em apreço. Para fim de confirmação do asseverado, veja a redação do referido preceito legal que transcrita: Art 6º Ficam isentos do Imposto sobre Produtos Industrializados os produtos elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais de produção regional, exclusive as de origem pecuária, por estabelecimentos localizados na área definida pelo§ 4º do art. 1º do Decretolei nº 291, de 28 de fevereiro de 1967. § 1º Os produtos a que se refere o"caput" deste artigo gerarão crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados, calculado como se devido fosse, sempre que empregados como matérias primas, produtos intermediários ou materiais de embalagem, na industrialização, em qualquer ponto do território nacional, de produtos efetivamente sujeitos ao pagamento do referido imposto. § 2º Os incentivos fiscais previstos neste artigo aplicamse, exclusivamente, aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais cujos projetos tenham sido aprovados pela SUFRAMA. Da simples leitura, verificase que o § 2º referese aos produtos elaborados por estabelecimentos industriais detentores de projetos aprovados pela SUFRAMA, enquanto que o caput trata de insumo de produção e se refere apenas a matérias primas. Na verdade, há coerência na interpretação se comparado o teor do caput com o do § 1º, que também trata de insumos, para confirmar a interpretação aqui adotada, pois, quando o legislador quis se referir a “matériasprimas, produtos intermediários ou materiais de embalagem”, o fez de forma expressa, como explicitado na redação do § 1º. Logo, a conclusão inexorável é que, se no caput o legislador referiuse apenas a matériasprimas, o interprete não pode aí acrescentar, por mera criatividade interpretativa, “produtos intermediários ou materiais de embalagem”. Especialmente, porque a interpretação da legislação que disponha sobre isenção há de ser feita de forma literal, conforme determina o art. 111 do CTN. Por todas essas razões, diante da ausência de prova de que os insumos (concentrados de refrigerantes) adquiridos pela recorrente da RECOFARMA não foram produzidos com matéria prima agrícola e extrativa regional, correta a glosa dos créditos realizada pela fiscalização. Da competência da autoridade fiscal para fiscalizar o cumprimento dos requisitos da isenção Outra questão que precisa ser enfrentada diz a respeito à competência da fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) para fiscalizar o cumprimento dos requisitos dos benefícios fiscais administrados pela SUFRAMA. A fiscalização da RFB detém, induvidosamente, competência para verificar o cumprimento dos requisitos legais da isenção, conforme expressamente lhe assegura os arts. 176 a 179 do CTN. Aliás, nos termos do art. 37, XVIII, da CF, à RFB e aos seus “servidores Fl. 3600DF CARF MF 26 fiscais” é atribuída, na forma da lei, competência para fiscalizar todos os requisitos atinentes à correta concessão e fruição de benefícios fiscais, inclusive com precedência sobre os demais órgãos administrativos. Enquanto que a SUFRAMA foi atribuída, nos termos dos arts. 69, II, e 175 do RIPI/2002, competência para aprovar os citados benefícios fiscais e administrálos, sem excluir, obviamente, a competência da RFB para exercer suas atribuições legais de fiscalização a posteiori do cumprimento dos requisitos estabelecidos nos respectivos atos de aprovação do benefício. Assim, se a SUFRAMA, por meio do CAS, compete à aprovação dos benefícios fiscais referenciados, certamente, essa aprovação não exclui a competência da fiscalização da RFB de verificar se os requisitos da isenção, fixados para cada benefício concedido, foram ou não cumpridos. Em relação à matéria, cabe ainda ressaltar que, ao apreciar controvérsias semelhante, atinente à competência da fiscalização da RFB para fiscalizar o cumprimento do regime drawback suspensão, a jurisprudência deste Conselho, veiculada por meio da Súmula CARF nº 100, adotou o mesmo entendimento aqui esposado, conforme se lê no enunciado segue transcrito: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Dada a similaridade da questão sumulada com aqui analisada, não resta qualquer dúvida de que a conclusão nela apresentada aplicase ao caso em tela. III Da Conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Declaração de Voto Conselheira Lenisa Rodrigues Prado. Como já muito bem descrito pelo Ilustríssimo Conselheiro Relator, a lide gira em torno do direito de crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados de aquisições de matériasprimas oriundas da Amazônia Ocidental, que não sofreu na primeira etapa incidência do imposto pelo fato do fabricante estar estabelecido na Zona Franca de Manaus e, portanto, estar acobertado pela isenção fiscal própria da região. Porém, na oportunidade do julgamento do recurso em tela, o debate que predominou entre os componentes desta turma foi acerca da amplitude geográfica que deve ser conferida à decisão Fl. 3601DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.588 27 proferida em mandado de segurança coletivo, que transitou em julgado. E é sobre essa questão que me pronuncio nesse voto. A. AMPLITUDE DOS EFEITOS DA DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS DO MANDADO DE SEGURANÇA N. 91.00477834. CRONOLOGIA DA DISCUSSÃO. Em 14/08/1991 a Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola, na condição de substituta processual, impetrou o Mandado de Segurança n. 91.004778346, requerendo o direito a seus associados em se creditarem do IPI, calculado sobre o insumo isento (concentrado de refrigerante) adquirido de estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus, nos limites previstos no art. 9º do Decretolei n. 288/1967. A sentença proferida nos autos deste writ, que reconhece o direito dos associados, transitou em julgado em 2/12/1999. Em sede de agravo7, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região afastou o conteúdo da sentença dos associados da AFBCC que estivessem localizados fora da competência territorial daquele tribunal, o que impede que a ora recorrente se valha do direito reclamado, já que está sediada em Jundiaí, São Paulo. Em 21/09/2012, o Ministro Castro Meira deferiu a liminar8 requerida pela Companhia de Bebidas Ipiranga (também associada a AFBCC), para atribuir efeito suspensivo a recurso especial, obstando a exigibilidade do crédito fiscal. Em resposta a petição9 apresentada pela Fazenda Nacional, em que requer a revogação da liminar concedida monocraticamente, o Ministro Og Fernandes10 (sucessor do Ministro Castro Meira naquela Corte) manteve a decisão cautelar, prestigiando a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça de que o art. 2ºA da Lei n. 9.494/1997 somente poder ser aplicado nas hipóteses em que a ação tenha sido ajuizada após a sua vigência e desde que essa limitação conste do comando judicial. Em 19/11/1999 foi julgado no Supremo Tribunal Federal o Agravo de Instrumento sobre o Recurso Extraordinário n. 252.80111, sob a relatoria do Ministro Marco Aurélio Mello. Esse 6 Sobre a sentença, foram interpostas apelações que foram julgadas nos seguintes termos: TRIBUTÁRIO. IPI. ISENÇÃO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO. I Negar a compensação, na hipótese de isenção do IPI, representa a mesma coisa que negar a própria isenção, pois a manutenção do crédito e a concessão do crédito presumido ou simbólico são conseqüências inerentes à própria nãocumulatividade, de tal modo que a isenção, concedida em uma etapa da produção industrial, sem a concessão do crédito presumido correspondente, compensável na fase seguinte, ofende esse princípio e onera os agentes econômicos da industrialização e comercialização. Há razão para o entendimento seguindo o qual, havendo isenção numa das etapas da industrialização, deve haver o crédito correspondente, nos impostos não cumulativos, sob pena de, em se negando o crédito presumido ou simbólico, romperse a cadeia débitocrédito própria dos impostos nãocumulativos, cumulandose o imposto e impondose ao consumidor final ônus igual ou superior ao que teria, se não houvesse a isenção. II Apelação provida (AMS 96.02.343540, Des. Castro Aguiar) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. MATÉRIA PRIMA. PROCEDENTE DA ZONA FRANCA DE MANAUS. COMPENSAÇÃO DE VALOR NÃO TRIBUTADO POR ISENÇÃO. PRECEDENTES JUDICIAIS. I Cabendo o creditamento do valor do IPI que, em razão de isenção, deixou de ser tributado em operação anterior, para que se dê pleno alcance ao princípio constitucional de nãocumulatividade, enunciado sem restrições para esse imposto. II Recurso a que se dá provimento (AMS 96.02.060506, Rel. Des. Ney Fonseca). 7 Agravo de Instrumento n. 2004.02.01.0132984 8 Deferida nos autos da Medida Cautelar n. 19.988. 9 Petição n. 00198352/2015. 10 O Ministro Og Fernandes assina essa importante decisão no dia 03/06/2015. 11 Nesta decisão o Ministro Marco Aurélio Mello negou seguimento ao agravo de instrumento, o que fez prevalecer a decisão proferida nos autos do mandado de segurança coletivo. Esse agravo foi julgado com arrimo Fl. 3602DF CARF MF 28 agravo foi aviado sobre o recurso extraordinário, que por sua vez tem por origem na sentença proferida nos autos do Processo n. 91.00477834. Nessa decisão monocrática, firmouse o direito de creditamento do IPI relativo a aquisições de matériasprimas isentas, oriundas das fábricas localizadas na Zona Franca de Manaus. Foi certificado o trânsito em julgado desta decisão em 02/12/1999. O Ministro Cezar Peluso, integrante da Suprema Corte, deferiu o pedido formulado em cautelar e determinou a imediata suspensão do andamento dos Processos 2004.02.01.0132984, em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 2ª Região e do Processo n. 91.00477834, em trâmite na 22ª Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro12, até o julgamento definitivo da Reclamação Constitucional n. 7.778/SP13. Por ainda tramitar a reclamação constitucional, o agravo de instrumento sobre o mandado de segurança ainda está suspenso. Em 8/06/2011, o Ministro Gilmar Mendes apreciou o mérito da Reclamação Constitucional n. 7.778/SP, apresentada pela Companhia de Bebidas Ipiranga contra os atos praticados por diversas autoridades federais que reiteradamente descumpriam a decisão proferida no julgamento do Agravo de Instrumento n. 252.801. O Ministro decidiu por cassar a liminar concedida, limitando a abrangência dos efeitos da coisa julgada no mandado de segurança coletivo a, apenas, os associados que, na data da propositura da ação, tenham domicílio em local de competência do Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Contra essa decisão, a Companhia de Bebidas Ipiranga interpôs agravo regimental em 01/08/2011, o qual foi negado provimento pelo Tribunal Pleno em 02/05/2014. Naquela sessão de julgamentos, a Corte assentiu com o raciocínio apresentado pelo Ministro Gilmar Mendes, que considerava que: "O art. 16 da Lei n. 7.347, de 24 de julho de 1985, inserido pelo art. 2º A da Lei n. 9.494, de 10 de setembro de 1997, compatibilizase com o atual sistema jurídico pátrio, na medida em que preserva a higidez relativo à competência jurisdicional de cada órgão do Poder Judiciário, evitando, destarte, uma conhecida deficiência oriunda do processo de natureza coletiva que dava ensejo a inúmeras distorções, quando permitia, v.g., que juízes de piso se investissem de uma pretensa 'jurisdição nacional'. (...) Registrese, ainda, que o fato de o MSC n. 91.00477834 ter sido impetrado antes da mudança legislativa não tem o condão de mudar os limites territoriais da coisa julgada em sede desta demanda coletiva, isso porque a inovação legal é meramente declaratória, uma vez que os limites da decisão estão diretamente ligados à competência jurisdicional, que já era definida pela Constituição. Ademais, o trânsito me julgado da decisão proferida na ação coletiva ocorreu já sob o a égide do art. 2ºA da Lei n. 9.494/1997. (...) Pretendese, portanto, a atribuição de eficácia nacional à decisão, tendo em vista o julgamento monocrático de um agravo de instrumento por esta Suprema Corte. no art. 544, § 4º, II, b, do CPC, segundo o qual compete ao relator "negar seguimento ao recurso manifestamente inadmissível, prejudicado ou em confronto com súmula ou jurisprudência dominante no tribunal". Deste modo, é correto afirmar que não houve apreciação da questão constitucional . 12 Nesta mesma decisão também foram suspensos o andamento do Agravo de Instrumento 2005.02.01.0027380 (TRF 2ª Região) e do Processo Administrativo n. 10840.002170/200422, e da Execução Fiscal n. 2008.61.02.0113791. 13 A reclamação constitucional ainda está tramitando e aguarda parecer do Procurador Geral da República. A título de informação, em 10/4/2017, a Rio de Janeiro Refrescos Ltda apresentou petição em que requer seja julgada extinta a reclamação por perda do objeto. Fl. 3603DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.589 29 Ocorre que o art. 2ºA da Lei 9.494 aduz expressamente que 'a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos de seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator'.Assim, o limite da territorialidade pretende demarcar a área de produção dos efeitos da sentença, tomando em consideração o território dentro do qual o juiz tem competência para processamento e julgamento dos feitos". Em 26/05/2014 foram opostos embargos de declaração contra o acórdão proferido no julgamento do agravo regimental acima referido. Os aclaratórios aguardam julgamento. B. PONDERAÇÕES SOBRE OS EFEITOS DA COISA JULGADA NAS AÇÕES COLETIVAS EM QUE ESTÁ SOB DISCUSSÃO MATÉRIA TRIBUTÁRIA. A questão que aqui se submete a discussão, perpassa a modificação da Lei da Ação Civil Pública. Originalmente, o art. 16 da Lei n. 7.347, de 24/07/1985 tinha a seguinte redação: Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, exceto se a ação for julgada improcedente por deficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendose de nova prova (grifei) Este dispositivo, contudo, teve sua redação alterada pela Lei n. 9.494/1997 passando a ter a seguinte forma: Art. 16. A sentença civil fará coisa julgada erga omnes, nos limites da competência territorial do órgão prolator, exceto se o pedido for julgado improcedente por insuficiência de provas, hipótese em que qualquer legitimado poderá intentar outra ação com idêntico fundamento, valendose de nova prova. (grifei) Além de modificar a redação do artigo 16 da Lei da Ação Civil Pública, a Lei n. 9.494/1997 trouxe nova regra às ações coletivas, em seu artigo 2°A que é o fundamento da decisão do STF na Reclamação n. 77781, e, portanto, o cerne da presente controvérsia , in verbis: Art. 2ºA. A sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. (grifei) A mudança ocorrida no referido instrumento normativo que disciplina a Ação Civil Pública restringiu a abrangência dos efeitos da coisa julgada à competência territorial do órgão prolator do decisum. Assim, buscouse afastar a tentativa de atribuição de efeitos nacionais a decisões meramente locais. Essa alteração foi considerada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADIMC 1.57614, em obter dictum, em que o enfrentamento da questão se deu nos seguintes limites: "O judiciário tem organização própria, considerados os diversos 14 Publicada no Diário da Justiça em 06/06/2003. Fl. 3604DF CARF MF 30 órgãos que o integram. Daí haver a fixação da competência de juízos e tribunais. A alteração do artigo 16 ocorreu à conta da necessidade de explicitarse a eficácia erga omnes da sentença proferida na ação civil pública. Entendo que o artigo 16 da Lei n. 7.347, de 24 de julho de 1985, harmônico com o sistema jurídico pátrio, jungia, mesmo na redação primitiva, a coisa julgada erga omnes da sentença civil à área de atuação do órgão que viesse a prolatála. A alusão a eficácia erga omnes sempre esteve ligada à ultrapassagem dos limites subjetivos da ação, tendo em conta até mesmo o interesse em jogo difuso ou coletivo não alcançando, portanto, situações concretas, quer sob o ângulo objetivo, notadas além das fronteiras fixados do juízo. Por isso, tenho a mudança da redação como pedagógica, a revelar o surgimento de efeitos erga omnes na área de atuação do juízo e, portanto, o respeito à competência geográfica delimitada pelas leis de regência. Isso não implica esvaziamento da ação civil nem, tampouco, ingerência indevida do Poder Executivo no Judiciário (palavras do Ministro Marco Aurélio Mello, relator da Medida Cautelar n. 1.576). Porém, a questão não deve ser estudada somente pelo restrito prisma que são os pronunciamentos pontuais dos Ministros das Cortes Superiores. Uma apreciação doutrinária bastante interessante e extremamente relevante para a solução da questão foi apresentada pela brilhante Conselheira Thaís De Laurentiis Galkowicz, no julgamento do Processo Administrativo n. 10166.720116/200895, realizado em 17/05/2016, que resultou no Acórdão n. 3402003.067. Reproduzo a indispensável aula: "1.1. Mandado de Segurança coletivo com meio de tutela de direitos individuais homogêneos em contraposição aos instrumentos de tutela dos interesses transindividuais em juízo. Desde já adianto que a confusão iniciada no julgamento da Reclamação n. 7.7781, que vem reverberando nos julgamentos do CARF, consiste em tratar o mandado de segurança coletivo (regulado pela Lei do Mandado de Segurança) como se fosse uma ação coletiva que visa provimento jurisdicional acerca de direitos transindividuais (ou coletivos em sentido lato). Tal confusão tornase especialmente grave pois acarreta na indevida aplicação das regras que disciplinam a coisa julgada formada nas ações coletivas aos mandados de segurança coletivos sobre matéria tributária, o que não se coaduna com o direito que cada um desses intrumentos visa tutelar, tampouco com a disciplina jurídica expressamente posta pelo ordenamento pátrio para cada uma dessas ações. O problema processual é de fato delicado, merecendo detida explanação. 1.1.1. Dos diferentes direitos tutelado nas Ações Coletivas e nos Mandados de Segurança Coletivos, acarretando em diferentes regimes jurídicos aplicáveis Não se deve confundir "direito coletivo" (= gênero do qual fazem partes as espécies direito coletivo em sentido estrito e direito Fl. 3605DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.590 31 difuso) com "defesa coletiva de direitos" (= defesa por meio de ações coletivas de direito individual homogêneo)15. A mais abalizada doutrina sobre a matéria aponta que foi com o advento do Código de Defesa do Consumidor que insurgiu o errôneo e problemático tratamento dos direitos "individuais homogêneos" como espécie dos "direitos coletivos ou difusos", acarretando na utilização equivocada de instrumentos processuais específicos para uma ou outra situação16. Tal equívoco, de aplicação de regime jurídico incorreto ao mandados de segurança coletivo, como já aventado alhures, é exatamente o que aconteceu no julgamento da Reclamação n. 7.7781. Simplificando a classificação pincelada acima, temos que os direitos coletivos são direitos sem titular individualmente determinado e materialmente indivisíveis (e.g. meio ambiente, direito do consumidor, patrimônio histórico, cultural, etc). Os direitos individuais e homogêneos são totalmente distintos. Sobre sua conceituação, peço licença para fazer uso das palavras de Teori Zavaski17, que sintetiza o espinhoso assunto de forma didática: 'A expressão direito individuais homogêneos, foi cunhada, em nosso direito positivo, pelo Código de Defesa do Consumidor CDC (Lei n. 8.078/90), para designar um conjunto de direitos subjetivos 'de origem comum' (art. 81, parágrafo úncio, III) que em razão de sua homogeneidade, podem ser tutelados por 'ações coletivas' (...). Não se trata, já se viu, de um novo direito material, mas simplesmente de uma nova expressão para classificar certos direitos subjetivos individuais, aqueles mesmo aos quais se refere o CPC no art. 46, ou seja, direitos que 'derivarem do mesmo fundamento de fato ou de direito' (inciso II) ou que tenham entre si relação de afinidade ' por um ponto comum de fato ou de direito' (...) Tratase de direitos originados da incidência de um mesmo conjunto normativo sobre uma situação fática idêntica ou assemelhada (grifei). O mesmo jurista, destaca então que o sistema processual brasileiro separou o tratamento desses direitos (direitos coletivos x direitos individuais homogêneos) e traçou dois subsistemas distintos: i) o subsistema dos instrumentos de tutela dos direitos coletivos (ações civis públicas e ação popular), ii) subsistema processual dos instrumentos para tutelar coletivamente os direitos subjetivos individuais homogêneos 15 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed., p. 32. 16 ZAVASCKI, obra já citada, p. 33. 17 ZAVASCKI, obra já citada , p. 145/146. Fl. 3606DF CARF MF 32 (ações civis coletivas, nas quais se inclui o mandado de segurança coletivo)18. Sendo diferentes os regimes jurídicos citados acima, igualmente diversa é a forma com que o direito processual trata a coisa julgada formada em ação de tutela de direito coletivo da coisa julgada formada em ação coletiva de tutela de direito individual, como pormenorizadamente destacado no tópico abaixo: 1.1.2. Da impropriedade de aplicação das normas relativas à coisa julgada das ações coletivas ao Mandado de segurança Coletivo sobre matéria tributária Nas ações coletivas (instrumentos de tutela dos direitos coletivos) de modo geral (ação civil pública e ação popular), os colegitimados ativos da ação (Ministério Público, associações, etc) não são os titulares de interesses coletivos (direitos difusos ou direitos coletivos em sentido estrito). Os titulares destes direitos são, isto sim, as pessoas, determinados grupos sociais, ou a sociedade como um todo, que compartilham esses direitos. Os primeiros substituem os segundos ao apresentarem as ações judiciais, conforme previsão legal. Vêse que os interesses em jogo nestas ações excedem o âmbito estritamente pessoal, porém não caracterizam propriamente o interesse público19. Em função destas características, na tutela coletiva (instrumentos de tutela dos direitos coletivos) é necessário que a imutabilidade da sentença proferida pelo Poder Judiciário ultrapasse os limites das partes que compuseram o processo, ou seja, a coisa julgada nas ações coletiva é erga omnes ou ultra partes (e.g. artigo 103 do CDC). Afinal, o direito é de uma determinada coletividade, devendo a toda ela surtir efeito a decisão. Recordese que a ação civil pública também pode ser promovida por entidades associativas, porém, quando transitada em julgado, a coisa julgada material ali formada possuía efeitos erga omnes antes da alteração promovida pelo artigo 2°A da Lei n. 9.494/97, acima transcrito. Com a nova redação, o efeito erga omnes ficou restrito aos substituídos localizados na jurisdição territorial em que foi prolatada a decisão. Diante destes dispositivos, o STF, ao se deparar com a Reclamação n. 7.7781, a qual, recordese, foi apresentada por um dos membros da Associação que impetrou o mandamus, uma vez que fora autuado pela Receita Federal de Ribeirão Preto mesmo possuindo a coisa julgada formada no MSC n. 91.00477834, aplicouos ao caso, decretando ser impossível a utilização da autoridade da coisa julgada pela empresa reclamante, por estar fora da competência territorial do órgão prolator da decisão. Perguntase: está correto tal entendimento? Entendo que não. Por dois motivos, tratados nos itens seguintes. 18 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo:EditoraR evistados Tribunais, 2011,5aed, p. 49. 19 MAZZILLI, Hugo Nigro. A Defesa dos Interesses Difusos em Juízo. São Paulo, Saraiva, 2012, 25ª ed., p. 50. Fl. 3607DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.591 33 1.1.2.1. O MSC n. 91.00477834 cuida de direito individual homogêneo, específico e restrito aos membros da AFBCC, que vem sendo requerido pelas partes do processo, e não por terceiros Como esclarecido nos itens anteriores, não se deve pensar que os mandados de segurança coletivo são invariavelmente manejados para tutelar direitos coletivos (transindividuais). Não. Em regra, os mandados de segurança coletivos são utilizados processualmente para resguardar direito líquido e certo individual homogêneo de um grupo, com base no artigo 5°, inciso LXX da Constituição. Em matéria tributária tal situação é hialina, uma vez que os temas tributários poucas vezes serão enquadrados nos direitos coletivos em sentido estrito, e simplesmente não se enquadram entre os direitos difusos jamais, como observa Cleide Previtalli Cais20: Por sua própria natureza, caracterizados pela indivisibilidade, indeterminação de indivíduos e indisponibilidade, os direitos difusos jamais compreenderão temas tributários, marcados pela divisibilidade, identificação do titular e disponibilidade, uma vez que são dotados de cunho eminentemente patrimonial. Desse modo, quando estamos diante de mandado de segurança coletivo sobre matéria tributária, normalmente encontraremos um conjunto de indivíduos (pessoas físicas ou jurídicas), que, por meio de associação, levam ao Poder Judiciário questões fiscais que lhe são comuns em razão de suas atividades, exatamente como ocorreu no MSC n. 91.00477834. Ou seja, os contribuintes, buscam a tutela coletiva de seus direitos (e não tutela de direito coletivo), que são individuais homogêneos e, por isso, o direito processual permite que sejam resolvidos pelo Poder Judiciário em uma única ação, o mandado de segurança coletivo. Nesse sentido a Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/2009), que não era vigente quando sobreveio a sentença do MSC n. 91.00477834, mas que nada mais fez do que esclarecer os procedimentos que vinham sendo adotados pelos jurisdicionados, pela doutrina e pela jurisprudência, já que a antiga Lei do MS (Lei n. 1.533/1951) não disciplinava o mandado de segurança coletivo, estabelece que: Art. 21. O mandado de segurança coletivo pode ser impetrado por partido político com representação no Congresso Nacional, na defesa de seus interesses legítimos relativos a seus integrantes ou à finalidade partidária, ou por organização sindical, entidade de classe ou associação legalmente constituída e em funcionamento há, pelo menos, 1 (um) ano, em defesa de direitos líquidos e certos da totalidade, ou de parte, dos seus membros ou associados, na forma dos seus estatutos e desde que pertinentes às suas finalidades, dispensada, para tanto, autorização especial. 20 CAIS, Cleide Previtalli. O Processo Tributário, São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009, 6a ed, p. 359 Fl. 3608DF CARF MF 34 Parágrafo único. Os direitos protegidos pelo mandado de segurança coletivo podem ser: coletivos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os transindividuais, de natureza indivisível, de que seja titular grupo ou categoria de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica básica; individuais homogêneos, assim entendidos, para efeito desta Lei, os decorrentes de origem comum e da atividade ou situação específica da totalidade ou de parte dos associados ou membros do impetrante. Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. (grifei) Notase que o artigo 22, que trata da coisa julgada no mandado de segurança coletivo, dispõe que a imutabilidade da sentença abarca todos os substituídos pela associação impetrante. Tal regra se dirige às duas hipóteses de MSC do artigo 21: aquele que resguarda direitos coletivos, e aquele que resguarda direitos individuais homogêneos. Ocorre que os direitos individuais homogêneos, conforme exposto no item 1.1.1., nada mais são do que os direitos individuais que estamos acostumados, cuja disciplina consta do CPC. A única diferença é que, por terem origem comum, podem ser resolvidos numa só ação coletiva, como o MSC. Assim, o manejo do MSC para tutela dos direitos individuais homogêneos não pretende, em momento algum, qualquer expansão dos efeitos da decisão para terceiros (ultra partes). Nestes tipos de MSC os membros da associação são por ela substituídos, mas os direitos ali pleiteados são próprios dos seus membros (artigo 6° do CPC). Por essas razões, não se poderia nem mesmo cogitar da aplicação do regime jurídico das ações que tutelam direitos coletivos para o presente caso (artigo 2°A da Lei n. 9.494/1997). Afinal no mandado de segurança coletivo, que visa tutelar direitos individuais homogêneos, a coisa julgada formada necessariamente se restringe aos membros do grupo ou categoria substituídos pela impetrante (legitimado ativo da ação). Pela letra do artigo 22, é evidente que "a coisa julgada, uma vez formada, restrinjase aos membros do grupo ou categoria substituídos pela impetrante; por definição, os direitos daquela tipologia pertencem a pessoas determinadas ou determináveis.21" Ou seja, não é necessária a preocupação em se reduzir eventual efeito erga omnes do julgamento, pois ele simplesmente não existe nestes casos. Não se confunde tal situação, com direitos coletivos, de maior amplitude e que possuem destinatário indeterminados, aos quais sim aplicável a regra do artigo 2°A da Lei n. 9.494/1997, em instrumentos como a ação civil pública de responsabilidade por danos causados ao meioambiente, ao consumidor, a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico, como claramente coloca a Lei n. 7.347, de 24 de julho de 1985. 21 BUENO, Cássio Scarpinella. A Nova Lei do Mandado de Segurança. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 133. Fl. 3609DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.592 35 A permissão judicial para a escrituração de crédito de IPI decorrente de aquisição de insumos provenientes da Zona Franca de Manaus é o direito individual homogêneo pleiteado pela AFBCC em nome de seus membros, que só a eles se aplica, nos termos do artigo 22 da Lei 12.016/2009. A decisão que formou a coisa julgada no MSC n. 91.00477834 tem, portanto, força de lei entre as partes, vale dizer, entre a União e os membros da AFBCC, que foram por ela representados. In casu, o Contribuinte, por estar legalmente representada pela AFBCC para a impetração do MSC n. 91.00477834, transitado em julgado em favor da Impetrante, está abarcado pela coisa julgada. Lembrese que não se trata de empresa terceira, que não fez parte da ação, e que procura indevidamente se beneficiar de suposto "efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva" (Reclamação n. 7.7781), como precipitadamente considerou o STF. Mesmo porque não há efeito erga omnes nesse caso, como amplamente tratado acima. Desse modo, a questão do efeito erga omnes, e sua consequente restrição pelo artigo 2°A da Lei n. 9.494/1997, é totalmente alheia aos mandados de segurança coletivos sobre matéria tributária em que se discutem direitos individuais homogêneos, restringindose tão somente às ações nas quais são tutelados direitos coletivos (transindividuais), que nem de perto tangenciam o MSC n. 91.00477834. 1.1.2.2. Mesmo que o MSC n. 91.00477834 tivesse por escopo tutelar direito transindividual, o artigo 2°A da Lei n. 9.494/1997 não se aplica aos mandados de segurança coletivos Cumpre ainda assinalar que, mesmo se não tivessem sido despendidas todas as linhas acima para comprovar que a Recorrida está legitimamente abarcado pela coisa julgada formada no MSC n. 91.00477834 (mandado de segurança coletivo sobre matéria tributária, para tutela de direito individual homogêneo e cuja sentença não acarreta em efeitos erga omnes, tanto pela dicção da lei como pelo pedido do writ, formulado estritamente para beneficiar os membros da AFBCC, de modo que o artigo 2°A da Lei n. 9.494/1997 é totalmente estranho à questão), ainda assim restaria equivocado o entendimento constante da Reclamação n. 7.7781. Efetivamente, também nos casos em que o mandado de segurança coletivo é utilizado para tutelar direitos coletivos em sentido estrito (artigo 21, parágrafo único, inciso I da Lei n. 12.016/2009) o que não é o caso, repitase , não é válida a aplicação do artigo 2°A da Lei n. 9.494/1997, de modo a restringir a coisa julgada aos "substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator". Fl. 3610DF CARF MF 36 É o que ensina a doutrina do Direito Processual Tributário, da qual destaco a lição de James Marins22: "A Lei n. 12.016/2009 acertadamente estabeleceu a eficácia da coisa julgada diferente do mandado de segurança coletivo em relação às demais ações coletivas, conforme se depreende da redação dada ao artigo 22, caput, do referido diploma legal." (grifei) Cássio Scarpinella Bueno23, ao abordar especificamente o tema, leciona que mesmo anteriormente à publicação da nova lei do mandado de segurança (Lei n. 12.016/2009), tanto a doutrina como a jurisprudência eram uníssonas sobre a inaplicabilidade do artigo 2°A da Lei n. 9.494/1997 ao mandado de segurança coletivo, in verbis: Sobre regras restritivas, cabe lembrar do caput do art. 2°A da Lei n. 9.494/1997, fruto da Medida Provisória n. 2.18035/2001, segundo a qual '" a sentença civil prolatada em ação de caráter coletivo proposta por entidade associativa, na defesa dos interesses e direitos dos seus associados, abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator'. O dispositivo, já ensinavam doutrina e jurisprudência, não deveria ser aplicado no mandado de segurança coletivo. O silêncio da nova lei, no particular, deve ser entendido como consciente (e correto) afastamento daquela disciplina. Para estar sujeito à coisa julgada que se forma no mandado de segurança coletivo, basta que o indivíduo tenha sido devidamente substituído pelo impetrante, sendo indiferente, para tanto, o momento em que se verificou o elo associativo, que, de resto, pode até não existir tendo em conta as exigências feitas pela Lei n. 12.016/2009 e, superiormente, pela Constituição Federal, para reconhecer àqueles entes legitimidade ativa para agir em juízo. (grifei) Ratificando este entendimento, peço vênia para mais uma vez fazer uso das lições de Teori Zavaski24: No mandado de segurança coletivo a eficácia subjetiva está, portanto vinculada à representatividade do impetrante, sem limites de natureza territorial. É diferente o que ocorre nas ações coletivas em geral, em que há também o limite territorial estabelecido no art. 2°A e seu parágrafo da Lei n. 9.494/1997. (...) Não há como justificar a aplicação destes limites e exigências restritivas ao mandado de segurança coletivo, que, como garantia constitucional fundamental que é , deve ter sua eficácia potencializada em grau máximo. As eventuais limitações que possa merecer, que não decorram expressa ou implicitamente da própria Constituição, supõem fundamento razoável e previsão específica em lei. Não se concebendo razão plausível da extensão da exigência do mandado de segurança coletivo, MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro Administrativo e Judicial. Dialética, São Paulo: 5a edição, p. 623. 23 BUENO, Cássio Scarpinella. A Nova Lei do Mandado de Segurança. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 136. 24 ZAVASCKI, Teori Albino. Processo Coletivo: tutela de Direitos Coletivos e Tutela Coletiva de Direitos, São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2011, 5ª ed, p. 208. Fl. 3611DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.593 37 nem havendo menção expressa nesse sentido no art. 2°A, é de se entender que suas disposições não lhe são aplicáveis. (grifei) Portanto, ainda que este Colegiado entendesse que o direito tutelado no MSC 91.00477834 é direito coletivo, e não direito individual homogêneo, por se tratar de instrumento processual com disciplina jurídica própria, além de possuir status de garantia constitucional, não pode prevalecer o entendimento de que se aplicaria a limitação territorial do artigo 2°A da Lei n. 9.494/1997. Por essa razão, muito embora o Contribuinte esteja fora da competência territorial do órgão prolator da decisão (Rio de Janeiro), não se pode afastar a coisa julgada ali formada em relação a eles. 1.3. Da questão da autoridade coatora Cumpre, por fim, analisar o argumento da Recorrente no sentido de que a AFBCC teria elencado autoridade coatora no MSC n. 91.00477834 (Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro) que não abrange a autoridade que teve a competência para o lançamento tributário em questão, vale dizer, o Delegado da Receita Federal do Distrito Federal (local de Domicílio do Contribuinte, associada à AFBCC). Desta feita, legítima seria a lavratura do auto de infração. Pois bem. Ressalto que na petição inicial do MSC n. 91.00477834 há tópico dedicado exclusivamente a questão da utilização do mandado de segurança coletivo. Ali está ressaltado pela Impetrante (AFBCC) que, no momento da propositura do writ não havia lei disciplinando este remédio constitucional em seu caráter coletivo, mas tão somente o mando de segurança individual (Lei n. 1.533/1951). Ademais, resta esclarecido que o objetivo da AFBCC foi insurgirse, em nome de seus membros, contra eminente ato coator de qualquer um dos delegados da receita federal do domicílio de qualquer dos associados, uma vez que o objeto da ação é um tributo federal (IPI) recolhido pelas empresas associada espalhadas pelo Brasil. Inclusive, no pedido do mandamus, a Impetrante requer que seja dada ciência da decisão aos Delegados da Receita Federal com jurisdição sobre os Associados. Tudo isso de acordo com o fato de que a União Federal que é a legitimada passiva da ação, e o foro do Rio de Janeiro foi escolhido, colocandose o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro como autoridade coatora, tão somente porque ali estava situada a Associação, substituta processual dos seus associados. Não poderia ter andado melhor, em termos processuais, a AFBCC. Inclusive, nas decisões judiciais que integram o processo nunca foi contestada a exatidão do procedimento adotado pela AFBCC. Seja em primeira, seja em segunda instância, o processo correu normalmente, sem que os magistrados apontassem qualquer problema formal no writ. A autoridade coatora, devemos lembrar, é mero representante funcional do poder público que presta informações e determina a competência para a impetração do mandado de segurança. Fl. 3612DF CARF MF 38 Destarte, a autoridade coatora não se confunde com a parte do Mandado de Segurança, como ensina Rodolfo Mancuso25. Autoridade, para fins de mandado de segurança, é o agente público investido de poder de decisão e, certa escala hierárquica, que, nessa qualidade: praticou a omissão; ordenou e/ou executou o ato guerreado. Como bem se sabe, a coisa julgada tem força de lei entre as partes que compuseram a lide. Assim, a coisa julgada oriunda da sentença do mandado de segurança coletivo atingirá a Impetrante (resvalando no direito daqueles que substitui artigo 22 da Lei n, 12.016) e a Impetrada, que é, como visto nos trechos acima destacados, a pessoa jurídica de direito público que compõe o pólo passivo, e não a autoridade coatora, como pretende a Fazenda Nacional. No âmbito da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o Ministro Teori Albino Zavascki, proferiu julgamento categórico sobre o tema, afiançando que: Parte passiva no mandado de segurança é a pessoa jurídica de direito público a que se vincula a autoridade apontada como coatora. Os efeitos da sentença se operam em relação à pessoa jurídica de direito público, e não à autoridade" (STJ, REsp 750693/GO, DJ 5.9.2005, p. 308) (grifei) Não foi de outra forma que o Supremo Tribunal Federal, por julgamento unânime do seu plenário, enfrentou a questão, como podemos constatar da ementa da decisão proferida no Ag. Reg. em Mandado de Segurança 26.662/DF: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO DE SEGURANÇA. LITISPENDÊNCIA. PLURARIDADE DE IMPETRADOS. MESMA PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO NO PÓLO PASSIVO DAS AÇÕES. IDENTIDADE DE PEDIDOS QUANTO À MATÉRIA SUSCEPTÍVEL DE EXAME PELA VIA MANDAMENTAL. EXTINÇÃO DO PROCESSO. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. 1. A existência de diferentes impetrados não afasta a identidade de partes se as autoridades são vinculadas a uma mesma pessoa jurídica de direito público. 2. Há litispendência, e não continência, se a diferença entre os objetos das ações mandamentais é matéria insusceptível de exame por meio de mandado de segurança. 3. Agravo regimental a que se nega provimento. Nesta oportunidade, para avaliar problema específico de litispendência entre ações, o Ministro Relator do caso, Ayres Britto, consignou que Muito bem. Feita a radiografia das ações, verificase a identidade de partes, pois o impetrante é o mesmo e a União está no pólo passivo, com legitimidade para recorrer e contra arrazoar. Isso porque as autoridades coatoras são vinculadas à mesma pessoa jurídica de direito público, que é a verdadeira parte, não cabendo a elas senão o dever de prestar informações. 25MANCUSO, Rodolfo. Sobre a identificação da autoridade coatora e a impetração contra a lei em tese nos mandados de segurança. Revista de Processo, n. 44, p. 6984, ano 11. São Paulo: RT, out/dez, 1986, p. 74. Fl. 3613DF CARF MF Processo nº 13839.002752/200274 Acórdão n.º 3302003.741 S3C3T2 Fl. 3.594 39 No mesmo sentido destacase ainda o voto do Ministro Cesar Peluso no julgamento do Ag. Reg. no Agravo de Instrumento n. 431.2644 E a razão óbvia era e é porque parte passiva legítima ad causam, no mandado de segurança, não é nem pode ser a autoridade a que, nos termos da lei, se requisitam as informações, enquanto suposto autor da omissão ou do ato impugnado, senão a pessoa jurídica a cujos quadros pertença, na condição de única destinatária dos efeitos jurídicos da sentença mandamental (...) Transpostas essas premissas à espécie, vêse logo que não pode reputarse parte passiva legítima na ação de mandado de segurança, a autoridade a que se atribui a prática do ato supostamente lesivo a direito líquido e certo, pela razão brevíssima de que não é destinatário teórico dos efeitos da sentença definitiva. Portanto, os efeitos da sentença, bem como a sua imutabilidade (coisa julgada) do Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que visava garantir direito individual homogêneo, abrangem a União e os membros da AFBCC, e não o Delegado da Receita Federal deste ou daquele estado e os membros da AFBCC. Ademais, o Delegado da Receita Federal do Rio de Janeiro foi devidamente listado pela AFBCC como autoridade coatora, uma vez que neste estado encontravase situada a Associação, que substituía seus membros, com a finalidade de prestar informações, como destacado acima. Cumpriuse o artigo 2° da Lei n. 1533/1951, a lei do mandado de segurança então vigente, que em seu artigo 2° colocava: "considerarseá federal a autoridade coatora se as conseqüências de ordem patrimonial do ato contra o qual se requer o mandado houverem de ser suportadas pela união federal ou pelas entidades autárquicas federais." Não se pode deixar de notar que, caso prevalecesse o argumento levantado pela Fazenda Nacional, ou o entendimento do STF exposto na Reclamação n. 7.7781, concluiríamos que inexiste a possibilidade de utilização do mandado de segurança coletivo para questões de tributação federal, o que certamente não é verdade, e corrobora a carência de lógica da alegação da Autoridade Fiscal. E pior, caso prevalecesse tal argumento da Fazenda Nacional, forçosamente estaríamos afastando a autoridade da coisa julgada que paira entre a União e os membros da AFBCC, sem qualquer razão jurídica para tanto, incidindo assim tanto em desrespeito à Constituição (artigo 5°, inciso XXXVI, Constituição) quanto à lei. 2. CONCLUSÃO Por conseguinte, entendo que não resta outro caminho a este Conselho se não reconhecer o direito do Contribuinte, nos exatos moldes da decisão transitada em julgado no Mandado de Segurança Coletivo n. 91.00477834, que garantiu o direito comum a todos os membros da Associação ao creditamento de IPI, e que agora deve ser viabilizado. Fl. 3614DF CARF MF 40 Nesse sentido, voto pela improcedência do recurso de ofício, mantendo o cancelamento integral da exigência formalizada no auto de infração". C. CENÁRIO ATUAL. Tendo em vista que os embargos de declaração opostos contra o acórdão proferido no Agravo Regimental na Reclamação Constitucional n. 7.778/SP ainda não foram levados a julgamento, é seguro afirmar que essa decisão não está acobertada pelo manto da coisa julgada. Prevalece nesse momento, portanto, a decisão proferida no Recurso Extraordinário n. 252.801, transitada em julgado favoravelmente aos interesses dos contribuintes associados à impetrante. Vale considerar, ainda, que a posição predominante na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça26, órgão máximo a apreciar a legalidade das normas infraconstitucionais, é no sentido que a limitação prevista no art. 2º A da Lei n. 9.494/1997, introduzida no ordenamento jurídico com a publicação da Medida Provisória n. 1.7981/1999, somente é aplicável às ações coletivas ajuizadas após a sua entrada em vigor (ou seja, após 12/02/1999). Assim, por todos os motivos que apresentei, ouso em discordar do ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, para reconhecer que os efeitos da sentença proferida no julgamento do Mandado de Segurança n. 91.00477834 devem ser garantidos ao recorrente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado. 26 Cito, como exemplo, a decisão proferida nos autos do Recurso Especial n. 1.295.383/BA, sob a relatoria do Ministro Benedito Gonçalves, que resultou a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. LIMITAÇÃO DOS EFEITOS DA COISA JULGADA AO TERRITÓRIO SOBRE JURISDIÇÃO DO ÓRGÃO JULGADOR.ART. 2ºA DA LEI N. 9.494/1997. MATÉRIA DECIDIDA EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL REPETITIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C DO CPC). RECURSO ESPECIAL PROVIDO. Fl. 3615DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.902290/2011-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.809
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente COMERCIAL FAYAD LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 90 22 90 /2 01 1- 48 Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10140.902290/201148 Acórdão n.º 3302003.809 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06052.240. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10140.902290/201148 Acórdão n.º 3302003.809 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10140.902290/201148 Acórdão n.º 3302003.809 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10140.902290/201148 Acórdão n.º 3302003.809 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10140.902290/201148 Acórdão n.º 3302003.809 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 98DF CARF MF
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