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Numero do processo: 10530.723979/2009-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal não gera a nulidade do ato do lançamento.
Numero da decisão: 2002-001.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal não gera a nulidade do ato do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Notificação de Lançamento (e-fls. 07/12) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2007 (e-fls. 23/27), onde se apurou Dedução Indevida com Despesa de Instrução, Dedução Indevida de Despesas Médicas e Omissão de Rendimentos do Trabalho Com Vínculo e/ou Sem Vínculo Empregatício. As alegações constantes da Impugnação (e-fls. 02/05) foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (e-fls. 53/58): AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 39 79 /2 00 9- 08 Fl. 84DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.710 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.723979/2009-08 Na impugnação de fls. 2-5, subscrita por NAIR MACEDO DE SANTANA, mãe do sujeito passivo, afirma-se que, de acordo com Certidão de Óbito apresentada (fls. 13), Pedro Augustto de Santana Júnior faleceu em 24/08/2008, antes, portanto, da lavratura da Notificação de Lançamento, ocorrida em 21/09/2009. Assim, preliminarmente, solicita a anulação do lançamento, em virtude de erro na identificação do sujeito passivo. No mérito, alega que não conseguiu localizar a documentação de suporte da Declaração enviada pelo filho e que eventual dívida tributária não poderia ser cobrada antes da identificação de bens passíveis de inventário. A Impugnação foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/SDR em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2006 LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ANULAÇÃO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Mera irregularidade na identificação do sujeito passivo que não prejudique o exercício do contraditório não gera nulidade do ato de lançamento. A ocorrência de defeito no instrumento do lançamento que configure erro de fato é convalidável e, por isso, anulável por vício formal. O lançamento feito em face de pessoa já falecida configura hipótese de erro de fato na identificação do sujeito passivo, sendo caracterizado como vício formal que é convalidado quando o representante legal do de cujus impugna o mérito do ato, qualificando-se adequadamente e exercendo na totalidade o seu direito defesa (Solução de Consulta Interna nº 8 - Cosit, de 08/03/2013). PENALIDADES. MULTA DE MORA. ESPÓLIO. A apresentação da declaração pelo de cujus com infrações à legislação tributária enseja aos sucessores a aplicação de multa de mora de 10% sobre o imposto devido, não sendo pertinente à hipótese a exigência da multa de ofício de 75%. Após ciência do acórdão de primeira instância em 12/08/2014 (e-fls. 63), foi apresentado Recurso Voluntário em 10/09/2014 (e-fls. 65/71) com os argumentos a seguir sintetizados. - A Notificação de Lançamento deve ser anulada por erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que na data de sua lavratura já havia ocorrido o óbito do contribuinte. - Ao apreciar a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador concordou que “o lançamento feito em face de pessoa já falecida, em vez de ter sido direcionado ao espólio ou aos sucessores, configura hipótese de erro de fato na identificação do sujeito passivo, sendo caracterizado como vicio formal". No entanto, ao invés de declarar a nulidade do lançamento, mudou seu entendimento sobre a matéria informando que o ato estaria convalidado "tendo em vista que a representante legal impugnou o mérito do ato (fls. 2-5), qualificando-se adequadamente e exercendo na totalidade o seu direito de defesa". - O alicerce da impugnação foi a preliminar de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo. A questão da impossibilidade de apresentação dos documentos não diz respeito ao mérito, mas apenas uma informação de que jamais poderia ser exercida a totalidade do direito de defesa sem tais comprovantes, justamente porque o lançamento foi efetuado em nome de quem não pode mais figurar como contribuinte. - A decisão recorrida se baseou na Solução de Consulta Interna n° 8 - Cosit de 08/03/2013, mas não analisou o disposto no item 8.5.2. Fl. 85DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.710 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.723979/2009-08 - De acordo com a legislação vigente, o sujeito passivo correto seria o espólio, na posição de sujeito passivo da obrigação tributária, posto que na data da lavratura da Notificação de Lançamento já havia ocorrido o falecimento. - Uma vez apresentada a preliminar que pede a anulação do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, não há de ser apreciado qualquer argumento que, no mérito, tente contestar o que foi apurado na Notificação. Isto porque primeiro se aprecia a preliminar e, se esta não for considerada pelos eminentes julgadores, passa-se a apreciar o mérito. - Independentemente das mudanças de interpretação por parte da Receita Federal e das discussões acerca da existência de vício formal ou vício material, o art. 142 do CTN é muito claro em relação aos requisitos para que seja constituído o crédito tributário pelo lançamento. - É de responsabilidade de quem efetuou o lançamento realizar as investigações necessárias à correta identificação do sujeito passivo, providência esta que não foi adotada pela Receita Federal. - Erro dessa natureza não diz respeito a mera formalidade ou irregularidade sanável, mas a hipótese de nulidade. - A Notificação de Lançamento foi lavrada equivocadamente em nome do falecido, considerando que na data de sua lavratura já havia ocorrido o óbito. - O lançamento deve ser anulado, tornando sem efeito a convalidação do ato consubstanciada na decisão de 1ª instância e cancelando o débito fiscal reclamado. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Extrai-se dos autos que a autoridade lançadora glosou as despesas médicas e com instrução informadas na declaração em exame e apurou a omissão de rendimentos com base nas informações consignadas em DIRF por não ter o contribuinte atendido à Intimação para prestar esclarecimentos (e-fls. 08/10, 28/38, 42/45). Diante da alegação de nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, o julgamento de primeira instância assim decidiu (e-fls. 56): Na impugnação apresentada, suscita-se preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Nesse particular, é imperativo salientar que o lançamento feito em face de pessoa já falecida, em vez de ter sido direcionado ao espólio ou aos sucessores, configura hipótese de erro de fato na identificação do sujeito passivo, sendo caracterizado como vício formal. Conforme entendimento consolidado na Solução de Consulta Interna nº 8 – Cosit, de 08/03/2013, se o sujeito passivo correto impugnou o mérito do ato, qualificando-se adequadamente e exercendo na totalidade o direito de defesa, não há por que se proceder a um novo lançamento. Basta consignar no processo a correta identificação do Fl. 86DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.710 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.723979/2009-08 sujeito passivo e dar andamento a ele, em prol da instrumentalidade das formas. O ato está convalidado. No caso ora apreciado, o lançamento foi efetuado no nome do contribuinte já falecido. Contudo, o vício formal aí verificado foi convalidado, tendo em vista que a representante legal impugnou o mérito do ato (fls. 2-5), qualificando-se adequadamente e exercendo na totalidade o seu direito de defesa. Isto posto, cumpre afastar a preliminar de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo. Em que pesem as razões trazidas no Recurso Voluntário, não merece reforma a decisão recorrida. Acompanho o entendimento contido na Solução de Consulta Interna COSIT nº 8/2013 de que o erro na identificação do sujeito passivo não gera a nulidade do lançamento quando não macular o direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal. De acordo com o art. 59 do Decreto 70.235/72, são nulos os atos lavrados por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, o que não se verifica no caso em tela. As demais irregularidades, incorreções e omissões não importam em nulidade, nos termos do art. 60 do mesmo diploma legal, principalmente quando não interferem na solução do litígio como no presente processo. Note-se que a representante legal do de cujus apresentou Impugnação tempestiva demonstrando ter conhecimento das infrações apuradas e alegando que, apesar de exaustivas buscas, não conseguiu obter os documentos que embasaram a Declaração de Ajuste objeto do lançamento. Da mesma forma, ingressou com Recurso Voluntário em época própria, onde teve nova oportunidade de apresentar suas razões de defesa. Cabe mencionar nesse ponto que, ao contrário do que sugere, não se vislumbra qualquer relação entre a ausência de elementos de prova acostados aos autos e o equívoco da autoridade fiscal na identificação do sujeito passivo. Se o lançamento tivesse sido lavrado em nome do espólio, as contestações também seriam apresentadas pela representante legal do falecido. Conclui-se, portanto, que a irregularidade na identificação do sujeito passivo não prejudicou o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não podendo ser acolhida a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF, corroboram esse entendimento: LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ESPÓLIO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há vício se o auto de infração foi lavrado em nome do “de cujus”, sem acréscimo da palavra “espólio” após o nome, ainda que a fiscalização tivesse conhecimento do falecimento à época da autuação. (Acórdão nº 9202-003.160) MERO ERRO/IMPRECISÃO TÉCNICA NA IDENTIFICAÇÃO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. INEXISTENTE. O mero erro ou imprecisão técnica na identificação do sujeito passivo, desde que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não gerará nulidade por vício formal ou material do lançamento. Não há nulidade sem prejuízo. (Acórdão nº 9202-003.098) Fl. 87DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.710 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.723979/2009-08 Quanto ao mérito, cabe reproduzir as razões expostas pelo Colegiado a quo (e-fls. 56/57): Quanto ao mérito, a impugnante alega que não localizou os documentos aptos a afastar as infrações apontadas na Notificação de Lançamento. É dever do contribuinte instruir a impugnação com os documentos em que se fundamente, sob pena de não prosperarem suas alegações (arts. 15 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972). Assim, não apresentadas as provas documentais, devem ser mantidas as imputações fiscais discriminadas no lançamento. Com efeito, verifica-se que nenhum elemento de prova foi juntado aos autos com o intuito de afastar as infrações apuradas, não havendo reparos a serem feitos nesse ponto. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13411.900306/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Nos termos da Súmula CARF nº 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
Numero da decisão: 1201-003.047
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para que a DRF analise a liquidez do indébito, nos termos do voto do relator, e prolate nova decisão, iniciando-se novo rito processual. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13411.900308/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Nos termos da Súmula CARF nº 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para que a DRF analise a liquidez do indébito, nos termos do voto do relator, e prolate nova decisão, iniciando-se novo rito processual. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13411.900308/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-12-12T11:24:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-12-12T11:24:36Z; Last-Modified: 2019-12-12T11:24:36Z; dcterms:modified: 2019-12-12T11:24:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-12-12T11:24:36Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-12-12T11:24:36Z; meta:save-date: 2019-12-12T11:24:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-12-12T11:24:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-12-12T11:24:36Z; created: 2019-12-12T11:24:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-12-12T11:24:36Z; pdf:charsPerPage: 1650; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-12-12T11:24:36Z | Conteúdo => S1-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13411.900306/2009-14 Recurso Voluntário Acórdão nº 1201-003.047 – 1ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de agosto de 2019 Recorrente MAVEL MAQUINAS E VEICULOS LIMITADA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2005 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Nos termos da Súmula CARF nº 84, o pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO, para que a DRF analise a liquidez do indébito, nos termos do voto do relator, e prolate nova decisão, iniciando-se novo rito processual. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13411.900308/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 41 1. 90 03 06 /2 00 9- 14 Fl. 58DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-003.047 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13411.900306/2009-14 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2019, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 1201-003.046, de 13 de agosto de 2019, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão, proferido pela 3ª Turma da DRJ/REC que manteve despacho decisório que não homologou pedido em que se pleiteava a compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL — pagamento indevido ou a maior de estimativa (cod. Receita 2484) no período a que se refere, — com débitos do mesmo tributo (cod. Receita 2484). Por meio do Despacho Decisório de folhas, a DRF de origem não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação ao fundamento de que o pagamento indevido ou a maior de estimativa só pode ser utilizado ao final do período de apuração, conforme determinação do art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005. A ora Recorrente apresentou impugnação, alegado a ilegalidade do art. 10 da IN SRF n. 600, de 2005 vis-à-vis o disposto nos incisos I a VI do § 30 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 2006, com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.051/2004. O r. acórdão recorrido restou assim decidido: “Manifestação de Inconformidade Improcedente; Direito Creditório Não Reconhecido”. A recorrente apresentou Recurso Voluntário em que reitera as razões da Impugnação e aduz ainda a IN 600/2005 ter sido editada após a entrega da PER/DCOMP, não sendo aplicável ao caso, tal dispositivo, especialmente seu art. 10, viola os arts. 2º da Lei nº 9.430, 34 e 35 da Lei nº 8.981/95. A decisão da DRJ ainda se respaldaria no art. 26-A do Decreto 70.235/72, com a redação dada pela Lei 11.941/2009, o que não impossibilita a declaração de ilegalidade de Instrução normativa. Defende ainda que a Administração deve rever seus atos quando eivados de vício de ilegalidade, nos termos do art. 53 da Lei 9784/99 e na Súmula 473 do STF. É o relatório. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa, Relator. Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o Fl. 59DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-003.047 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13411.900306/2009-14 voto consignado no Acórdão nº 1201-003.046, de 13 de agosto de 2019, paradigma desta decisão. O Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. A questão de fundo diz respeito a possibilidade de se compensar valores pagos a maior dentro de um mesmo ano calendário ou se a possibilidade é restrita ao final do ano calendário nos termos do art. 10 da IN 600/2005, que fundamenta o Auto de Infração. Inicialmente cumpre destacar que, no mérito, o acórdão recorrido fundamentou-se no art. 10 da IN 600/2005 que assim dispunha: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Ocorre que o recolhimento em valor superior ao devido, constitui recolhimento indevido passível de restituição ou compensação, na forma legitimada pelo artigo 165, I e II, do Código Tributário Nacional. Acrescente-se ainda que a disposição da Instrução Normativa 600/2005, que aparentemente vedava a restituição de recolhimento a maior de estimativa, não foi reproduzido na Instrução Normativa subsequente (IN RFB 900/2008), que passou a dispor: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: IX o débito relativo ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL apurados na forma do art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (redação original da IN); A partir de então, só seria vedada a restituição da própria estimativa mensal – coerentemente com as demais normas da legislação federal, não sendo mais impedida a restituição do recolhimento a maior da estimativa de IRPJ e CSLL. Tal entendimento aplica-se retroativamente por configurar interpretação mais benéfica ao contribuinte. Exatamente nesse contexto originou-se a Súmula CARF nº 84, legitimando a restituição de indébito por pagamento de estimativa indevidamente ou a maior: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Fl. 60DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-003.047 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13411.900306/2009-14 O caso destes autos é de aplicação da Súmula CARF 84, assegurando-se a análise dos créditos do contribuinte pleiteados nestes autos. Nesse sentido já se pronunciou a Câmara Superior de Recursos Fiscais, acórdão 9101-004.176, de relatoria da Conselheira Cristiane Silva Costa, j. em 09/05/2019, assim ementado: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVA MENSAL. RECOLHIMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. IN SRF 600/2005. IN RFB 900/2008. SÚMULA CARF 84. É assegurada a restituição de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF 84 e IN RFB 900/2008. Por tais razões, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, determinando a baixa dos autos à DRF para análise do crédito pleiteado, retomando-se o novo rito processual. Diante do exposto, VOTO no sentido de CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para determinar o retorno dos autos à Unidade Local Competente para análise do direito creditório pleiteado, retomando-se, a partir do novo Despacho Decisório, o rito processual habitual. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para que a DRF analise a liquidez do indébito, nos termos do voto do relator, e prolate nova decisão, iniciando-se novo rito processual. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11845.000030/2008-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 26/11/2004
RESPONSABILIDADE. INFRAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OCORRÊNCIA. CONCORRÊNCIA OU BENEFÍCIO DA PRÁTICA. IMPOSSIBILIDADE.
Cabível a exclusão do polo passivo de responsável apontado no auto de infração sem que tenha havido a demonstração do seu vínculo de responsabilidade com a infração.
Não tendo havido a comprovação do efetivo cometimento da infração, mas tão somente a presunção legal de sua ocorrência, não se poderia falar em concorrência de outrem para a prática da infração ou que esta tivesse trazido benefício a terceiro (art. 603 do Regulamento Aduaneiro/2002).
A obrigação de comprovação de origem lícita dos recursos aplicados nas operações de importação é somente do importador, sob pena de presunção de interposição fraudulenta, não podendo ser estendida a outras pessoas físicas ou jurídicas sem expressa previsão legal.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 3402-007.088
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para excluir a empresa VCL DESPACHOS ADUANEIROS LTDA. do polo passivo da autuação. Vencidos os Conselheiros Pedro Sousa Bispo (Relator), Silvio Rennan do Nascimento Almeida e Rodrigo Mineiro Fernandes que negavam provimento ao recurso. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. Ausente temporariamente o Conselheiro Márcio Robson Costa (suplente convocado).
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Pedro Sousa Bispo - Relator
(documento assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes (presidente), Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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INFRAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OCORRÊNCIA. CONCORRÊNCIA OU BENEFÍCIO DA PRÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. Cabível a exclusão do polo passivo de responsável apontado no auto de infração sem que tenha havido a demonstração do seu vínculo de responsabilidade com a infração. Não tendo havido a comprovação do efetivo cometimento da infração, mas tão somente a presunção legal de sua ocorrência, não se poderia falar em concorrência de outrem para a prática da infração ou que esta tivesse trazido benefício a terceiro (art. 603 do Regulamento Aduaneiro/2002). A obrigação de comprovação de origem lícita dos recursos aplicados nas operações de importação é somente do importador, sob pena de presunção de interposição fraudulenta, não podendo ser estendida a outras pessoas físicas ou jurídicas sem expressa previsão legal. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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(documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Presidente (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo - Relator (documento assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 5. 00 00 30 /2 00 8- 66 Fl. 539DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes (presidente), Sílvio Rennan do Nascimento Almeida, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório do acórdão recorrido com os devidos acréscimos: O presente processo trata de Auto de Infração (AI) relacionado à exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias por se haver realizado importações com a ocultação do real comprador ou do responsável pela prática da operação, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, totalizando, quando de sua lavratura, um crédito tributário no valor de R$ 94.703,06. A descrição dos fatos que levaram à lavratura do Auto de Infração em apreço consta do Termo de Verificação de Infração. Neste, as Autoridades Fiscais iniciaram suas considerações com uma breve explanação demonstrando os motivos que levaram à realização do procedimento em questão. Cabe salientar que os sujeitos passivos da obrigação aqui imposta encontram-se divididos conforme segue: a) Sujeito Passivo: a.1) PALMEX IMP., EXP. E COM. DE ELETR. LTDA., CNPJ 06.634.960/0001-90. b) Sujeitos Passivos Solidários: b.1) DAÍ YUQIN, CNPJ 05.147.034/0001-27 (NOME DE FANTASIA: Y L COMÉRCIO DE IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO); b.2) VCL DESPACHOS ADUANEIROS LTDA., CNPJ 05.493.189/0001-15; b.3) FABIANO BORGES CARDOSO, CPF 314.458.288-39; b.4) DINLAILAI COMERCIAL LTDA.-EPP, CNPJ 04.875.987/0001- 49; b.5) CARLOS ALBERTO DOS SANTOS, CPF 041.164.148-40; b.6) LUIZ ANTONIO CONZ RINALDI, CPF 082.665.768-07; e b.7) EDSON PEREIRA DA PAIXÃO, CPF 148.607.618-12. Passando aos aspectos procedimentais da Auditoria, esta trouxe no já mencionado Termo de Verificação de Infração todas as ações praticadas no intuito de se apurar a infração em testilha, de onde cabem salientar os excertos a seguir: Da Diligência efetuada junto ao contribuinte Palmex Imp., Exp. e Com. de Eletroel. Ltda No dia 17 de agosto de 2005, com o objetivo de dar ciência ao contribuinte Palmex Imp., Exp. e Com. de Eletroel. Ltda, CNPJ 06.634.960/0001-90, do Termo de Intimação Fiscal (fls. 23 e 24), lavrado em 16/08/2005, comparecemos no endereço do mesmo e não encontramos o responsável legal pela empresa, tendo dessa forma lavrado o Termo Fl. 540DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 Fiscal de Comparecimento (fls. 25 e 26), constatando a real situação das instalações da empresa e a forma de operação da mesma. (...) Em 29/09/2005, o responsável legal pela empresa acima identificada, Sr. Fernando Mello Belchior, deu ciência pessoal ao Termo de Constatação Fiscal, onde foi concedida a prorrogação para atendimento da intimação até o dia 03/10/2005 (fls. 34) e solicitou alteração dos dados cadastrais (fls. 35). Em 30/09/2005, lavramos termo de Retenção de Livros e Documentos (fls. 36 a 136). Em 30/09/20005, lavramos Termo de Depoimento do Sr. Fernando Mello Belchior, CPF 053.252.558-27, sócio administrador da empresa acima identificada (fls. 137 a 139). (...) O contribuinte apresentou o Livro Diário e Razão do ano de 2.005. Contam no processo apenas algumas cópias do Livro Diário (fls. 168 a 172) (Sic); Da Diligência efetuada junto ao contribuinte Daí Yuqin Em janeiro de 2006, lavramos o Termo de Intimação Fiscal e encaminhamos via postal a Daí Yuqin, CNPJ 05.147.034/0001-27, nome de fantasia Y L Comércio de Importação e Exportação, documentos encaminhados via postal, recebido em 31/01/2006 (fls. 173 a 179); (...) Recebemos via postal a resposta parcial do contribuinte em relação ao Termo de Constatação e Reintimação Fiscal lavrado em 01/06/2006 (fls. 185 a 207) Da Diligência efetuada junto ao contribuinte V C L Despachos Aduaneiros Ltda Em 06/03/2006, lavramos Termo de Intimação Fiscal e encaminhamos via postal a V C L Despachos Aduaneiros Ltda, CNPJ 05.493.189/0001-15, documentos encaminhados via postal, recebido em 21/03/2006 (fls 208 a 210); (...) Constatamos que o sócio administrador, Carlos Alberto dos Santos, CPF 041.164.148- 40, da empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda, também é de fato responsável pelos negócios da Palmex, conforme mencionado no Termo de depoimento do sócio- administrador da empresa Palmex (fls. 137 a 139); Da Diligência efetuada junto ao contribuinte Fabiano Borges Cardoso Em 07/03/2006, lavramos Termo de Intimação Fiscal e encaminhamos a Fabiano Borges Cardoso, CPF 314.458.288-39, documentos encaminhados via postal e recebidos em 21/03/2006 (fls. 239 a 242); Em 12/04/2006, lavramos Termo de Constatação e Reintimação Fiscal, encaminhamos via postal, recebido em 26/04/2006(fls. 243 a 244); Recebemos resposta de Fabiano Borges Cardoso, datado em 03/04/2006, encaminhada via postal (fls. 245); Em 01/06/2006, lavramos Termo de Constatação e Reintimação Fiscal, encaminhamos via postal, recebido em 19/06/2006 (fls. 246 a 247); Da Diligência efetuada junto ao contribuinte Dinlailai Comercial Ltda – EPP Em 06/03/2006, lavramos Termo de Intimação Fiscal e juntamente com o Mandado de Procedimento Fiscal Extensivo encaminhamos via postal a Dinlailai Comercial Ltda- EPP, CNPJ 04.875.987/0001-49, documentos recebidos pelo contribuinte em 23/03/2006 (fls. 248 a 251); Fl. 541DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 Em 12/04/2006, lavramos Termo de Constatação e Reintimação Fiscal e encaminhamos via postal a Dinlailai Comercial Ltda Epp, documentos recebidos em 24/04/2006 (fls. 252 a 253); Recebemos a resposta parcial do contribuinte, encaminhada via postal (fls. 254 a 268); Em 01/06/2006, lavramos Termo Constatação e Reintimação Fiscal onde reintimamos o contribuinte a apresentar documentos, Termo encaminhado via postal, recebido em 19/06/06 (fls. 269 a 272); Da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF) A RMF foi solicitada porque a Palmex Imp. Exp. e Com. de Eletroeletrônicos Ltda não atendeu as intimações e reintimações lavrada em 16/08/2005, 18/10/2005 e 08/11/2005, onde foi solicitado ao contribuinte apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovassem os remetentes que efetuaram as transferências constantes dos extratos bancários através de "TED", depósitos bancários e câmbio, das movimentações financeiras, tendo em vista os indícios de interposição fraudulenta; (Sic) Em 18/01/2006, foi lavrado a Requisição de Informações sobre a Movimentação financeira n° 01.5.01.00-2006-00001-0, ao Banco do Brasil S/A, solicitando nome, CNPJ/CPF, Banco, agência e conta dos depositantes, referente as operações efetuadas da relação constante em fls. 274 a 275); O Banco do Brasil, através do ofício n° Dilog/Gerel Brasília - 2006/RF2350, de 17/02/2006 encaminhou a resposta à RMF (fls. 276 a 280); Quanto às importações objeto desta autuação, tem-se que a Auditoria asseverou, em síntese, que: As mercadorias do presente processo foram importadas através da Declaração de Importação (DI) n° 04/1207740-4 e 04/1208681-0, pela empresa Palmex Imp. Exp. e Com. de Eletroeletrônicos Ltda (fls. 80 a 88); Em relação à DI nº 04/1207740-4, foi emitida a nota fiscal de entrada n° 031, de 26/11/2004, no valor total de R$ 50.341,71 (fls. 76). Já na nota fiscal de saída n° 032 (fls. 77), de 26/11/2004, consta o valor total de R$ 52.044,44, emitida em favor de YL Comércio de Imp Exp Ltda. (nome de fantasia da empresa Daí Yuqin), sendo que as duas notas fiscais referem-se às mesmas mercadorias e foram emitidas na mesma data; Situação semelhante foi verificada quanto à DI nº 04/1208681-0, para a qual foi emitida a nota fiscal de entrada n° 033, de 26/11/2004, no valor total de R$ 55.204,04 (fls. 78). Neste caso, existe a nota fiscal de saída n° 034, de 26/11/2004, no valor total de R$ 56.177,51, emitida também em favor de YL Comércio de Imp Exp Ltda. (fls. 79), sendo que, mais uma vez, as duas notas fiscais referem-se às mesmas mercadorias; A empresa Daí Yuqin não apresentou documentos hábeis e idôneos que comprovassem o efetivo pagamento referente às notas fiscais de nº 22, emitida em 16/11/2004, nº 32 e nº 34 emitidas em 26/11/2004 pela empresa Palmex Imp Exp e Com Eletroeletrônicos Ltda., já que, em resposta à reintimação efetuada em 01/06/2006, aquela não demonstrou, de forma inequívoca, a transferência efetiva dos recursos empregados, sendo que a origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos são condições simultâneas para a comprovação dos recursos aplicados no comércio exterior; Constatou-se que a transferência de recursos financeiros, em 01/12/2004, para pagamento de parte do contrato de câmbio de n° 04/030772 (fls. 93 a 95), relacionado às DI nº 04/1207740-4 e 04/1208681-0 (mercadorias adquiridas através das notas fiscais de entrada n° 31 e 33), deu-se por meio da conta corrente nº 34.100-2, agência nº 1886- 4 do Banco do Brasil, conta esta pertencente à empresa Palmex. O valor do contrato foi de R$ 134.982,15 e os recursos utilizados para pagamento tiveram origem em quatro depósitos efetuados nos dias 29/11/2004 e 01/12/2004. Em 29/11/2004 a empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda. depositou o valor de R$ 10.649,07, em 01/12/2004 o senhor Fabiano Borges Cardoso depositou o valor de R$ 91.000,00 e também em 01/12/2004 a empresa Dinlailai Comercial Ltda. EPP depositou o valor de R$ 60.000,00 e R$ 51.450,00 (fls. 277 a 280); Fl. 542DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 A empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda. registrou em seu Livro Caixa, no dia 29/11/2004, na folha 132, uma saída de R$ 10.649,07, relativa a "Despesas com Importação - Palmex Import Export (Pgto Icms)" (fls. 231), valor este confirmado por extrato bancário (fls. 112). Intimada a apresentar cópias autenticadas de documentos hábeis a comprovar o motivo desta transferência (fls. 235), a mesma informou que: "... A transferência dos recursos à empresa Palmex Imp. Exp. Com. de Eletroeletrônicos Ltda., no valor de R$ 10.649,07 (dez mil, seiscentos e quarenta e nove reais e sete centavos), apontados por essa delegacia no mencionado termo, são oriundos de pagamento de comissões, sobre vendas de serviços de despachos aduaneiros, além de outros permitidos em nosso contrato social (fls. 238). Vale lembrar que, apesar dos insistentes contatos à época, não obtivemos qualquer retorno quanto a emissão do documentário fiscal correspondente. Fato é que efetivamente, existiu a apurada transferência, restando o pagamento da referida comissão. Portanto, estamos impossibilitados de encaminhar o documentário fiscal solicitado, posto que, inexiste qualquer operação comercial de aquisição de mercadoria, da mencionada empresa Palmex Imp. Exp. e Com. de Eletroeletrônico Ltda..." (fls. 238). Verifica-se, portanto, que a empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda. não apresentou os documentos necessários à comprovação do motivo da transferência bancária. Apurou-se, ainda, que o sócio-administrador da empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda., senhor Carlos Alberto dos Santos, CPF 041.164.148-40, é, de fato, o responsável pelos negócios da Palmex, conforme mencionado no Termo de depoimento do sócio-administrador da empresa Palmex, Sr. Fernando Mello Belchior (fls. 137 a 139); Em resposta aos termos de intimação, o senhor Fabiano Borges Cardoso declarou: "... Eu Fabiano Borges Cardoso RG: 41.898.342-2 e CPF 314.458.288-39 Fiz um depósito na Conta n° 34.100-2, agência 1886. Banco do Brasil, favorecido Palmex Importação, Exportação e Comércio de Eletroeletrônicos Ltda, CNPJ 06.634.960/0001-90 um depósito no valor de R$ 91.000,00. MOTIVO. Trabalhava para a empresa Dinlailai Comercial Ltda CNPJ: 04.875.987/0001-49, efetuei o depósito simplesmente porque a minha patroa senhora Liu mi lang esqueceu de levar o RG e só estava nós dois no dia e eu já comuniquei ela da Intimação mas ela não se manifestou somente falou pra mim não se preocupar aí chegou esta Reintimação pra mim e eu não sei o que fazer estou perdido...." (Sic). Vê-se, pois, que o senhor Fabiano Borges Cardoso confirmou a transferência bancária, mas não apresentou documentos hábeis a demonstrar o motivo dessa transferência; Apesar de solicitada por meio das devidas intimações, a empresa Dinlailai Comercial Ltda.-EPP não apresentou nenhum documento que justificasse as transferências dos valores de R$ 60.000,00 e R$ 51.450,00 para a empresa Palmex Imp Exp e Com de Eletr. Ltda. (fls. 269). A empresa Dinlailai apresentou cópias dos meses de novembro e dezembro/2004 do Livro Diário, onde a transferência dos recursos não está registrada de forma clara. Deixou a mesma, ainda, de apresentar o Livro Razão ou Livro Caixa, conforme termo de intimação e reintimação (fls. 269), para que comprovasse as operações efetuadas nos meses de novembro e dezembro. A empresa Dinlailai Comercial Ltda.-EPP foi intimada em 23/03/2006, 24/04/2006 e 19/06/2006, sendo que, mesmo após todo o prazo concedido para que apresentasse os livros, assim não o fez; A empresa Palmex Imp Exp e Com Eletr Ltda., apresentou um prejuízo de R$ 439.599,20, conforme consta na Demonstração de Resultado do Exercício e Balanço Patrimonial do ano de 2004 (fls. 130 a 133 e 134 a 135), sendo que seu capital integralizado é de apenas R$ 80.000,00, valores esses incompatíveis para uma empresa que em menos de um ano de operação teria apresentado prejuízo cinco vezes maior que o capital social registrado como integralizado no Balanço Patrimonial; No ano de 2005, de janeiro a junho, a empresa apresentou no Balanço Patrimonial e na Demonstração de Resultado de Exercício, prejuízo de R$ 94.780,18, o que é totalmente incompatível com a realidade da empresa (fls. 168 a 172); Verificou-se que o saldo da conta corrente n° 34.100-2, agência 1886-4 do Banco do Brasil era, em 28/11/2004, de R$ 10.462,16, (fls. 112). Já na conta corrente n° 384.600- 8, agência 3417-7 do Banco do Brasil, havia um saldo anterior a 28/11/2004, no valor Fl. 543DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 de R$ 99,99 (fls. 102). Ante a estas constatações, conclui-se que sem as transferências de recursos financeiros da empresa Dinlailai Comercial Ltda.-EPP seria impossível a importação das mercadorias tratadas no presente processo; Constatamos que a empresa Palmex no ano de 2004 emitiu apenas 49 notas fiscais, para registrar as entradas das mercadorias adquiridas através das importações e as vendas efetuadas, dessa forma com um volume tão pequeno de transações comerciais é anormal que uma empresa constituída nesse ano pudesse suportar em condições normais um prejuízo tão grande em relação ao seu capital social integralizado, valor do prejuízo R$ 439.599,20 (fls. 135); Quanto ao Termo de Depoimento do senhor Fernando Mello Belchior, sócio administrador da empresa Palmex, lavrado em 30/09/2005, a Autoridade Fiscal afirmou, de forma resumida, que: ... Perguntamos como foi integralizado o capital inicial, no valor de R$ 80.000,00(oitenta mil reais), e qual a origem desse dinheiro, tendo em vista os extratos bancários apresentados e as informações constante na Declaração de Imposto de Renda do Exercício de 2004, ano base 2003; o Sr. Fernando respondeu que não houve integralização de capital... (fls. 137). Diante deste depoimento e por meio da análise da escrituração da empresa, extratos bancários e Declarações de Imposto de Renda dos sócios (fls. 41 e de 101 a 172), pode se concluir que o "capital social integralizado" de R$ 80.000,00, constante no contrato social, não foi, de fato, integralizado; O sócio-administrador declarou também que: ... Não há qualquer tipo de instrumento de contrato de financiamento ou empréstimo realizado para possibilitar a operação da empresa. O capital é proveniente das pessoas mencionadas no item 1.9... (fls.137). As pessoas mencionadas no item 1.9 são os senhores Carlos Alberto dos Santos, CPF 041.164.148-40, Luiz Antonio Conz Rinaldi, CPF 082.665.768-07 e Edson Pereira da Paixão, CPF 148.607.618-12. Conclui-se, então, que a empresa operava de forma irregular, pois os registros contábeis e o extrato bancário confirmam as informações fornecidas pelo sócio administrador, já que não há registro de empréstimos, e a empresa no exercício de 2004 obteve receitas totais no valor de R$ 1.493.016,40 e pagou à vista a compra de mercadorias no valor de R$ 1.747.514,15, fato este impossível de acontecer em condições normais; "... Perguntamos quanto ou qual o percentual que recebia por importação efetuada, o senhor Fernando respondeu que não sabia precisar, mas que era algo em torno de R$ 500,00 a R$ 2.000,00..." (fls. 138). Do conteúdo de todo o depoimento e especialmente deste trecho, verifica-se que a empresa atuava de forma irregular, ou seja, como interposta pessoa; Ao comparecer à sede da Empresa para verificar a estrutura operacional da mesma, a Auditoria disse ter verificado que esta não possuía estrutura física e quadro de funcionários compatíveis com uma empresa comercial. Afirmou também não haver móveis compatíveis com uma empresa comercial, não existirem mercadorias, amostras ou mesmo funcionários que soubessem das atividades da empresa, havendo apenas uma secretária que anotava os recados, situação essa melhor detalhada no Termo Fiscal de Comparecimento, fls. 25 e 26. Tratando das operações comerciais realizadas pelo sujeito passivo, a Auditoria dissertou, abreviadamente, que: A empresa Palmex não possuía capital integralizado e nem efetuou empréstimos para realizar os pagamentos das mercadorias importadas, fatos estes já demonstrados por meio do depoimento do sócio administrador, Fernando Mello Belchior, dos registros contábeis, principalmente o Livro Diário e Razão, juntamente com os extratos bancários (fl. 101 a 129) e as informações obtidas juntamente ao Banco do Brasil através da Requisição de Informação sobre Movimentação financeira (RMF) (fls. 276 a 280); Foram efetuadas diversas importações no ano de 2004 e 2005, as quais eram liquidadas através de contrato de câmbio, conforme pode ser verificado nos extratos bancários e nas anotações constantes nas notas fiscais de entrada da própria empresa; Fl. 544DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 Os contratos de câmbio eram liquidados com recursos que eram depositados nas contas correntes bancárias na mesma data do pagamento do contrato de câmbio ou em data muito próximos, ou seja, em quase todas as operações os depósitos eram efetuados no máximo com dois dias úteis de antecedência (fls. 93 a 95 e 277 a 283); (Sic) Em análise aos extratos bancários, verificamos que as contas correntes bancárias da empresa eram utilizadas basicamente para as operações comercias citadas no item acima, e que os contratos de câmbios somente poderiam ser liquidados com os depósitos efetuados nessas datas próximas do pagamento do contrato de câmbio, pois praticamente em nenhuma hipótese havia recursos financeiros anteriores a data do depósito na conta corrente para liquidar os contratos de câmbio (fls. 109 e 112); (Sic) Verificando-se notas fiscais e movimentações financeiras selecionadas, constatou-se que “... os recursos depositados nas contas bancárias para pagamentos dos contratos de câmbio não eram efetuados pela empresa adquirente das mercadorias, ou seja, para as mercadorias que a empresa Palmex importava e revendia sempre no mesmo dia e sem transitar pela empresa fisicamente, eram emitidas notas fiscais para uma empresa e o pagamento era efetuado por outras empresas ou pessoas (fls. 76 a 79, 93 a 95 e 276 a 283)”; Destaque-se que todas as empresas selecionadas foram intimadas a comprovar as operações comerciais com a empresa Palmex. “... As empresas que constavam nas notas fiscais de saída como destinatárias das mercadorias não comprovaram o efetivo pagamento pela aquisição das mercadorias e os depositantes dos recursos financeiros para pagamento dos contratos de câmbio não comprovaram a razão dos depósitos efetuados, conforme demonstrado na tabela (fls. 281 a 283)”, a qual contém as importações de mercadorias e movimentações bancárias selecionadas; Foram solicitadas cópias de Livros Fiscais e documentos para comprovar as operações às empresas constantes nas notas fiscais selecionadas como destinatárias e aos depositantes dos recursos financeiros, mas nenhuma destas comprovou as operações de forma clara e legal. Quanto às pessoas envolvidas nos fatos aqui apresentados, a Autoridade Fiscal, por meio do conteúdo do Termo de Depoimento constante às folhas 137/139 dos autos, do qual extraiu excertos para o Termo de Verificação de Infração, discorreu, resumidamente, conforme segue: O senhor Fernando Mello Belchior, conforme consta no Termo de Depoimento às folhas 137/139, assumiu não ter havido integralização do capital social da empresa Palmex, o que se pôde confirmar por intermédio da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física/2004 deste; Consta no mesmo Termo que o Sr. Fernando não sabe precisar a margem de lucro de suas operações, pois todas estas eram realizadas pelo senhores Carlos Alberto dos Santos, CPF 041.164.148-40, Luiz Antonio Conz Rinaldi, CPF 082.665.768-07 e Edson Pereira da Paixão, CPF 148.607.618-12, qualificados no ofício de resposta da intimação no item 1.9; Perguntado sobre onde eram armazenadas as mercadorias importadas e como eram feitas as negociações com os fornecedores e clientes, o Sr. Fernando respondeu que todas as mercadorias importadas eram desembaraçadas e entregues diretamente aos clientes, e que as negociações com os fornecedores estrangeiros eram todas conduzidas pelos senhores citados no parágrafo próximo passado. Disse ainda que em nenhum dos casos houve exceção e que ele não participara de nenhuma negociação. Disse, inclusive, que o senhor Luiz Antonio Conz Rinaldi possuía uma procuração pública (revogada) que lhe dava poderes para movimentar a conta bancária da empresa. Verifica-se, pois, o desconhecimento, por parte do sócio-administrador da empresa Palmex, a respeito das atividades básicas de sua própria empresa, pelo que se pode constatar que as atividades principais da empresa eram exercidas pelos procuradores já identificados; Consta no Termo de Depoimento (fls. 137 a 139), de 30/09/2005, do senhor Fernando Mello Belchior, Sócio Administrador da empresa Palmex: "...Perguntamos qual a Fl. 545DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 origem do dinheiro empregado para pagamento das mercadorias importadas devido a informação prestada no ofício pela empresa nesta data, no item 2.3 onde informa que "Não há qualquer tipo de instrumento de contrato de financiamento ou empréstimo realizado para possibilitar a operação da empresa. O capital é proveniente das pessoas mencionadas no item 1.9.", informação prestada em atendimento a intimação lavrada em 16/08/2005, o Sr. Fernando respondeu que todas as contas eram pagas pelos senhores Carlos, Luiz e Edson, qualificados acima. Perguntamos como a empresa conseguiu pagar a vista, no ano de 2004, o valor de R$ 1.747.514,15(um milhão setecentos e quarenta e sete mil quinhentos e catorze reais e quinze centavos), valor esse constante na Demonstração de Resultado de Exercício de 2004, se a mesma não utilizou de financiamento e a mesma teve de receitas somente no valor de R$ 1.493.016,40 (um milhão quatrocentos e noventa e três mil e dezesseis reais e quarenta centavos); o Sr. Fernando respondeu que não sabe o motivo e que somente passava a documentação para o escritório de contabilidade, informou ainda que as notas eram emitidas por ele com esboço passado pelos senhores Carlos, Luiz e Edson. Perguntamos como era possível para uma empresa comercial e qual o motivo da empresa comprar as mercadorias da nota fiscal de entrada n° 3 no valor total da nota de R$ 476.858,00 (quatrocentos e setenta e seis mil, oitocentos e cinqüenta e oito reais) da empresa Lipman Electronic Engineering Ltd., e na mesma data (04/10/2004) através da nota fiscal n° 4 a empresa ter vendido essa mercadorias para a empresa JS Comercial Importadora e Exportadora Ltda, CNPJ 04.645.083/0001-27, no valor total da nota de R$ 431.759,88 (quatrocentos e trinta e um mil setecentos e cinqüenta e nove reais e oitenta e oito centavos), valor esse abaixo do custo e perguntamos ainda de onde vieram os recursos para o pagamento; o Sr, Fernando respondeu que não sabe explicar o motivo de tal divergência e que esta operação, negociação, compra, venda e recebimento foram todos efetuados pelo senhor Luiz Antonio Conz Rinaldi, informou ainda que não conhece e nem teve contato com a empresa Lipman, que apenas conhecia o senhor Luiz...". Verificamos que os recursos utilizados na empresa para suas atividades operacionais não eram da empresa, eram recursos obtidos pelos procuradores, recursos esses não contabilizados de forma legal; Perguntado sobre o percentual que recebia por importação efetuada, o senhor Fernando respondeu não saber precisar, mas que era algo em torno de R$ 500,00 a R$ 2.000,00 (fls. 138 e 139), pelo que se pode verificar que a empresa Palmex era uma interposta pessoa; Solicitou-se à empresa Palmex através do item 1.9 do Termo de Intimação Fiscal de 16/08/2005, a identificação da pessoa encarregada pela realização das transações internacionais, acompanhado de prova da sua vinculação com a pessoa jurídica (fls. 62). A Empresa informou que os responsáveis eram os Srs. Carlos Alberto dos Santos, Luiz Antonio Conz Rinaldi e Edson Pereira da Paixão. No intuito de comprovar tal fato, apresentou cópia das procurações (fls. 64 e 66) e revogação das procurações (fls. 65 e 67) do Sr. Luiz Antonio Conz Rinaldi e cópia da procuração do Sr. Edson Pereira da Paixão (fls.70); |De acordo com os itens acima, conclui-se que os Srs. Carlos Alberto dos Santos, Luiz Antonio Conz Rinaldi e Edson Pereira da Paixão concorreram para a prática da infração demonstrada neste processo. Passando ao detalhamento da infração apurada, bem como aos responsáveis pelo seu cometimento, relatou a Auditoria, em síntese, que: O meio mais seguro para identificar o sujeito passivo é o princípio constitucional da capacidade contributiva; Embora a empresa Palmex tenha sido declarada como importadora e agindo por conta e risco próprios, essa interveniente não ofereceu elementos para comprovar a sua participação regular nessa operação comercial, apuramos através das documentações apresentadas, livros contábeis, mais especificamente o Balanço Patrimonial e a Demonstração do Resultado do Exercício (fls. 130 a 136), notas fiscais (fls. 76 a 79), do Termo de Depoimento do sócio administrador, Fernando Mello Belchior (fls. 137 a Fl. 546DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 139), do extrato bancário com informação do depositante e beneficiário do saque, informação essa fornecida pelo Banco do Brasil (fls. 1 0 1 a 129), que a empresa operava de forma irregular, conforme descrito nos itens anteriores deste termo e documentações acostadas neste processo; A empresa Daí Yuqin (YL Comércio de Imp Exp Ltda.), constante nas notas fiscais nº 32 e 34 (fls. 77 e 79) como adquirente da mercadoria da empresa Palmex, não apresentou documentos que provassem a real transferência de recursos financeiros para pagamento da operação comercial; A empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda. transferiu recursos financeiros para a empresa Palmex no valor de R$ 10.649,07 (fls. 277). Parte desse recurso foi utilizado para pagamento das mercadorias importadas através das DI nº 04/1207740-4 e 04/1208681-0, notas fiscais n° 31 e 33 da Palmex, sendo que a empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda. não apresentou justificativa que se possa comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos o motivo da transferência desses recursos financeiros. Daí, concluir-se que esses recursos foram transferidos para pagamento da importação das mercadorias descritas nas notas fiscais emitidas para a empresa Daí Yuqin. Deste modo, vê-se que se trata de operação comercial efetuada de forma irregular, pois as notas fiscais foram emitidas para a empresa Daí Yuqin e os recursos financeiros utilizados para pagamento dessas importações se originaram de depósito na conta bancária da Palmex pela empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda., conforme já descrito e lastreado em documentação acostada a este processo; Quanto ao senhor Fabiano Borges Cardoso, este transferiu recursos financeiros para a empresa Palmex no valor de R$ 91.000,00 (fls. 278), sendo que parte desse recurso foi utilizada para pagamento das mercadorias importadas através das Declarações de Importação em questão (notas fiscais de entrada n° 31 e 33 da Palmex). No caso, o senhor Fabiano não apresentou justificativa que se possa comprovar por meio de documentos hábeis e idôneos o motivo da transferência de tais recursos financeiros. Assim sendo, conclui-se que esses recursos foram transferidos para pagamento da importação das mercadorias descritas nas notas fiscais emitidas para a empresa Daí Yuqin. Vê-se mais uma vez que se trata de operação comercial efetuada de forma irregular, pois as notas fiscais foram emitidas para a empresa Daí Yuqin e os recursos financeiros utilizados para pagamento dessa importação se originaram de depósito na conta bancária da Palmex pelo senhor Fabiano Borges Cardoso, conforme já descrito e lastreado em documentação acostada a este processo; A empresa Dinlailai Comercial Ltda. -EPP transferiu recursos financeiros para a empresa Palmex no valor de R$ 111.450,00 (60.000,00 + 51.450,00 - fls. 279 e 280), sendo que parte desses recursos foi utilizada para pagamento das mercadorias importadas através das DI em análise (notas fiscais n° 31 e 33 da Palmex). A empresa Dinlailai também não apresentou documentos ou justificativa plausível de modo a comprovar o motivo da transferência desses recursos financeiros. Deste modo, conclui- se que esses recursos foram transferidos para pagamento da importação das mercadorias descritas nas notas fiscais emitidas para a empresa Daí Yuqin. Repete-se, portanto, a situação apontada nos parágrafos anteriores, já que as notas fiscais foram emitidas para a empresa Daí Yuqin e os recursos financeiros utilizados para pagamento dessa importação se originaram de depósito na conta bancária da Palmex pela empresa Dinlailai, conforme já descrito e lastreado em documentação acostada a este processo; Dessa forma temos que a importadora de fato, em todos os procedimentos e documentos apresentados, permaneceu oculta. Numa análise superficial pode parecer que seja a empresa Daí Yuqin, pois documentalmente é a adquirente em território nacional, entretanto, a empresa Daí Yuqin atua nesse esquema fornecendo documentos e a empresa VCL Despachos Aduaneiros, Fabiano Borges Cardoso e Dinlailai Comercial Ltda-EPP efetuaram o pagamento, nesse caso se apresenta um grupo de beneficiados, não apenas os que cederam os documentos, mas todos os possíveis beneficiados pela operação. Em suma, ocorreu a ocultação do sujeito passivo, do comprador e do responsável pela operação, mediante simulação e interposição fraudulenta de terceiros, uma vez que a empresa Palmex operou sem qualquer outro Fl. 547DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 propósito senão ocultar, por meio de artifício fraudulento, o real beneficiário das operações de comércio exterior; Observe-se que a empresa Palmex não comprovou a origem lícita dos recursos empregados nas operações de comércio exterior, tampouco a disponibilidade dos mesmos. Pior ainda, esta sequer comprovou a integralização de seu capital social; Repisando os fatos, durante o procedimento de fiscalização, ficou evidenciado que a empresa Palmex Imp. Exp. e Com. de Eletr. Ltda. não possuía recursos para efetuar as importações. Constatou-se que, na espécie, a transferência de recursos financeiros, em 01/12/2004, para pagamento de parte do contrato de câmbio de n° 04/030772 (fls. 93 a 95), referente às DI n° 04/1207740-4 e 04/1208681-0, relativo às mercadorias adquiridas através da nota fiscal de entrada n° 31 e 33 (fls. 76 e 78), efetuou-se por meio da conta corrente nº 34.100-2 da agência 1886-4 do Banco do Brasil (pertencente à empresa Palmex). O valor do contrato era de R$ 134.982,15 (fls. 93) e os recursos utilizados para pagamento tiveram origem em quatro depósitos efetuados no dia 29/11/2004 e 01/12/2004 (em 29/11/2004 a empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda. depositou o valor de R$ 10.649,07, em 01/12/2004 o senhor Fabiano Borges Cardoso depositou o valor de R$ 91.000,00 e em 01/12/2004 a empresa Dinlailai Comercial Ltda. EPP depositou o valor de R$ 60.000,00 e R$ 51.450,00); Observe-se que as vantagens das reais adquirentes vão muito além da simples desincumbência em relação aos trâmites necessários às importações. Na realidade, como “... a empresa Palmex, equiparada a industrial e contribuinte do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, revendia os produtos importados com pequena margem, o valor devido de IPI foi praticamente insignificante. Os adquirentes, no entanto, ao comercializarem as mesmas mercadorias no mercado interno, com margens de lucros factíveis para empresas comerciais em geral, não eram mais contribuintes do IPI. Portanto, tal mecanismo afasta os reais adquirentes da equiparação a industrial e, com isso, evita-se o pagamento do IPI sobre a diferença entre o valor de aquisição - na importação - e de revenda - no mercado interno”; Verifica-se, pois, que a empresa Palmex agiu em benefício de terceiros, dentre os quais estão: Daí Yuqin, VCL Despachos Aduaneiros Ltda., Fabiano Borges Cardoso, Dinlailai Comercial Ltda. -EPP, Carlos Alberto dos Santos, Luiz Antonio Conz Rinaldi e Edson Pereira da Paixão, os quais foram considerados como responsáveis solidários pelas infrações detectadas nesse processo, conforme já demonstrado nos itens anteriores e corroborado por toda a documentação acostada ao processo. Tal caracterização encontra guarida no teor do parágrafo único do artigo 116 e no inciso I e parágrafo único do artigo 124, ambos do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966); bem assim pelo contido no inciso III e §2° do artigo 105 e nos incisos I, V e parágrafo único do artigo 603 do Decreto n° 4.543/2002; Já no que concerne à pena aplicada, afirmou a Autoridade Aduaneira que: O caput do artigo 23 do Decreto Lei N° 1.455/76, alterado pela Lei nº 10.637/2002, enumera as infrações que se consideram como dano ao Erário, dentre as quais passou a incluir a hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A nova redação do §2º do mencionado artigo cria a presunção legal de que a interposição é fraudulenta quando não resta comprovada a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior; Nos termos da legislação vigente, para o caso em análise, as mercadorias importadas estariam sujeitas à pena de perdimento. Todavia, conforme demonstraram os documentos apresentados à fiscalização, as mercadorias envolvidas foram remetidas a consumo, o que torna impossível a sua apreensão; Em vista do exposto no item anterior, pelo princípio da eficiência e por economia processual, o processo fiscal para perdimento dessas mercadorias, que conforme prevê a legislação, seria extinto, nem foi iniciado, e nos termos do inciso V do art. 23 do DL Fl. 548DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 1455/76, combinado com seu parágrafo único, com a alteração do art. 59 da Lei 10637/2002, regulamentado pelo art. 618, inciso XXII e § 5 o do Decreto 4543/2003 e §1° e §2° do artigo 73 da lei 10833/2003, lavramos o presente Auto de Infração pela prática da infração de ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela prática pela (Sic) operação, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, ficando a empresa sujeita a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias; Cientifiquem-se as partes envolvidas de que foi promovida a REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, em cumprimento ao disposto na Portaria RFB n° 665/08, haja vista que restou caracterizada a ocorrência de fato que, em tese, configura Crime contra a Ordem Tributária, definido no artigo 1 o da Lei n° 8.137, de 27/12/1990; Ressalve-se que os documentos originalmente incluídos neste processo foram substituídos por cópias e passaram a fazer parte da Representação Fiscal Para Fins Penais, formalizada no processo administrativo de n° 11845.000050/2008-37. DA CIÊNCIA DO LANÇAMENTO No que tange à ciência do lançamento, há que se ressaltar que foi encaminhada uma via da autuação para cada sujeito passivo aqui mencionado, por meio dos Correios em conjunto com os respectivos Avisos de Recebimento (AR). As autuações com os AR endereçados a V C L Despachos Aduaneiros Ltda. (fl. 286), Dinlailai Comercial Ltda. -EPP (fl. 287), Daí Yuqin (fl. 288), Carlos Alberto dos Santos (289), Fabiano Borges Cardoso (fl. 290) e Edson Pereira da Paixão (fl. 293) foram todas recebidas em 20 de junho de 2008. As tentativas de intimação, por meio de AR, da empresa Palmex Imp., Exp. e Com. de Eletr. Ltda. e do Sr. Luiz Antonio Conz Rinaldi demonstraram-se improfícuas. Deste modo, em obediência ao disposto no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, em seu artigo 23, § 1º, com a redação dada pela Lei nº 11.196 de 2005, providenciou-se a intimação destes por meio de editais (fl. 295/296), sendo o concernente à empresa Palmex publicado entre 17/06/2008 e 03/07/2008 e o relacionado ao Sr. Luiz publicado entre 13/11/2008 e 01/12/2008 e republicado entre 07/01/2009 e 27/01/2009 (fl. 399). No caso da empresa Palmex, no decorrer do prazo em que o edital encontrava-se afixado, seu procurador compareceu (24/06/2008) e tomou ciência pessoalmente do Auto de Infração em questão (fl. 6). DAS IMPUGNAÇÕES No que concerne à oportunidade de impugnar o presente feito, tem-se que o Sr. Carlos Alberto dos Santos e a empresa V C L Despachos Aduaneiros Ltda. impugnaram em 18 de julho de 2008 (fl. 300/326 e 330/363 respectivamente). Já a empresa Palmex Imp., Exp. e Com. de Eletr. Ltda. encaminhou impugnação por intermédio dos correios no dia 22 de julho de 2008, sendo que nessa consta referência ao Processo Administrativo nº 11845.000082/2008-32. Em virtude de seu conteúdo, a SACAT/DRF/TO percebeu o equívoco e, ao ver que a defesa se relacionava com o presente processo, anexou cópia certificada às folhas 365/387 dos autos. Os demais interessados não apresentaram qualquer manifestação de inconformismo quanto a esta autuação. DAS IMPUGNAÇÕES DO SR. CARLOS ALBERTO DOS SANTOS E DA EMPRESA VCL DESPACHOS ADUANEIROS LTDA. Em obediência aos Princípios da Celeridade e da Eficiência, dada a similaridade de conteúdo das impugnações do Sr. Carlos Alberto dos Santos e da empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda., as quais foram subscritas, inclusive, pelo mesmo patrono, optou-se por relatá-las em conjunto, de forma sucinta, conforme segue: Fl. 549DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 Em ação fiscal para verificação do cumprimento das obrigações tributárias relativas à importação de produtos estrangeiros pela empresa Palmex Importação e Exportação Ltda., foram apuradas supostas irregularidades; A Auditoria sustenta que o ora Impugnante juntamente com outros supostos responsáveis solidários, eram os reais interessados nas importações realizadas pela empresa Palmex, cujos produtos eram vendidos a terceiros no mercado interno. Esta conclusão deveu-se ao fato de existir um único depósito bancário no valor de R$ 10.649,07, efetuado pela empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda. em favor da empresa Palmex e também porque o sócio-administrador desta última informou em “depoimento” prestado à SRF, que o Impugnante e os demais responsáveis solidários eram quem na realidade administravam sua empresa; Observe-se que o auto de infração não demonstra de maneira clara qual o suposto montante reduzido ou suprimido de tributos federais vinculados às operações indicadas na autuação, nem o beneficio que o Impugnante auferira; Primeiramente, cabe destacar que o instituto da solidariedade não se presume, pois deve resultar de lei ou da vontade das partes, conforme a inteligência do nosso Código Civil, que é a Lei Geral orientadora do direito pátrio; Ressalte-se, ainda, que o auto de infração em liça impõe ao Impugnante a responsabilidade solidária sobre as obrigações tributárias que dizem respeito à empresa Palmex Importação e Exportação Ltda., sem demonstrar a existência de qualquer nexo causal que justifique tal imposição; A título de esclarecimento, o Decreto n°. 70.235/72, em seu art. 9º, exige para formação do crédito tributário, que o auto de infração contenha todos os elementos de provas, capazes de demonstrar a existência da suposta irregularidade nele descrita. Na espécie, existem apenas dois fatos que poderiam ter alguma relação com o Impugnante, mas, não têm, quais sejam: primeiro, o depósito bancário no valor de R$ 10.649,07, efetuado pela empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda. em favor da empresa Palmex Importação e Exportação Ltda.; segundo, ter o sócio administrador da desta empresa informado em seu “depoimento”, que o impugnante e os demais responsáveis solidários eram quem de fato administravam sua empresa; No primeiro item apresentado, a suposta relação seria com a pessoa jurídica VCL Despachos Aduaneiros Ltda., tratando-se apenas de prestação de serviços aduaneiros, o que não demonstra qualquer interesse dessa nas importações realizadas. Mais ainda, nesse caso, não caberia se aventar qualquer vinculação com o Sr. Carlos Alberto dos Santos, visto ser essa pessoa distinta da VCL, cada um com suas respectivas responsabilidades previstas em lei; Já no que se refere ao depoimento prestado pelo sócio administrador da Palmex, acusando ser o impugnante o real administrador da sua empresa, isto não passa de uma forma utilizada por ele para tentar se eximir da responsabilidade tributária de sua empresa; Além disso, o depoimento foi produzido sem a presença do ora Impugnante ou seu defensor, o que caracteriza cerceamento do seu direito de defesa, o que acarreta, de plano, a nulidade do referido depoimento dada a aplicação por analogia da Súmula 343 do STJ, a qual exige a presença de Advogado em todos os atos do processo administrativo; Resta claro que em nenhum momento o sócio-administrador da Palmex declarou que o impugnante possuía procuração com poderes para movimentar a conta corrente de sua empresa, o que afasta ainda mais a sua responsabilidade pessoal. Inclusive, as hipóteses de responsabilidade pessoal estão disciplinadas no CTN em numerus clausus, não estando a conduta do impugnante subsumida a nenhuma delas. Colacionaram-se Acórdãos do então Conselho de Contribuintes da Receita Federal afastando a responsabilidade do Despachante Aduaneiro (pessoa física ou jurídica) pelo não recolhimento de tributos decorrentes da atividade de importação, sendo esta exclusiva Fl. 550DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 do importador. Resta, pois, afastada qualquer possibilidade de se imputar responsabilidade solidária ao Impugnante, como se pretendeu na autuação em baila; Entretanto, no caso dos autos trata-se de imputação de responsabilidade solidária ao impugnante relativa aos tributos da espécie II - Imposto de Importação e IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados, onde a requerida se vale das disposições do art. 124, I, do CTN, para justificar seus argumentos, muito embora, não indique quais os tributos não foram recolhidos ou se recolhidos a menor, em que montante, o que inviabiliza o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, previstos no art. 5 o , LV, da CF; (destaque no original) Quanto ao Imposto de Importação (II), a solidariedade não decorre de presunção, como pretende o Fisco, e sim, da previsão legal explicitada por meio do art. 32, do Decreto-Lei n°. 37/66 (com redação dada pelo Decreto-Lei n° 2.472/88) e do art. 82, do RA - Regulamento Aduaneiro; Perceba-se que não há no Auto de Infração nenhuma descrição comportamental do Impugnante que se amolde às hipóteses de solidariedade tributária previstas para o Imposto de Importação na legislação retromencionada. Também não há notícia de que as mercadorias adquiridas pela empresa Palmex estivessem com regime de isenção ou redução tributária; Mais ainda, o argumento que sustenta a imputação contra o sr. Carlos Alberto dos Santos é o fato de o sócio-administrador da Palmex ter dito em depoimento que, seria o Impugnante um dos sócios de fato de sua empresa; e a existência de um depósito por parte da empresa da qual é sócio (VCL) efetuado em favor da empresa Palmex no valor de R$ 10.649,07; Convenhamos, que tipo de participação societária seria a da empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda., com apenas R$ 10.649,07, considerando que a Palmex, conforme consta no auto de infração, teria realizado importações em valores superiores a um milhão e setecentos mil reais? Ademais, não foi apontado qualquer benefício auferido pelo Impugnante, muito menos a vantagem financeira que tenha recebido dos adquirentes das mercadorias importadas pela empresa Palmex; Inexiste também qualquer nota fiscal emitida em favor do impugnante ou de sua empresa, como destinatários das mercadorias importadas pela Palmex, tampouco há menção de que os pagamentos referentes às mercadorias importadas pela Palmex e vendidas no mercado interno indicassem o Impugnante ou sua empresa como beneficiários ou adquirentes; Assim, observado que o impugnante não se enquadra em nenhuma das situações descritas na legislação que trata de responsabilidade solidária, no que concerne ao Imposto de Importação, não há como se manter a imputação de responsável solidário ao Impugnante com base no art. 124, I, do CTN, como se pretendeu no Auto de Infração, por ser uma verdadeira afronta ao Princípio constitucional da legalidade tributária; Quanto ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), basta uma breve leitura as hipóteses restritas de responsabilidade solidária constantes no artigo 8 o do Decreto-Lei n°. 1.736/79, para se perceber que o impugnante tal como ocorre no Imposto de Importação, não se subsume a tal situação legal; Art. 8° São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do Imposto sobre Produtos Industrializados e do Imposto sobre a renda descontado na fonte. A responsabilidade solidária prevista no art. 124, I, do CTN, ainda que fosse aplicável ao caso em questão, o que não é, não alcançaria a pessoa do impugnante, posto que “... não se pode confundir o interesse econômico no resultado com o interesse na constituição do fato gerador, e mais, na relação entre o impugnante e a empresa PALMEX”; (destaque no original) Fl. 551DF CARF MF Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 Ante a legislação pertinente ao caso concreto, não se pode admitir a manutenção da constituição ilegal do crédito tributário em desfavor do impugnante, como aqui apresentado, visto que o Direito Tributário é regido pelo Princípio da estrita legalidade. Deste modo, inexistindo descrição legal típica em que possa enquadrar o impugnante, não deve este ser responsabilizado solidariamente; Resta, pois, claramente comprovada a inexistência de relação de jurídica entre o Impugnante e a situação jurídica que deu origem à suposta obrigação tributária, por o mesmo não se enquadrar em nenhuma das hipóteses legais de responsabilidade solidária relativa aos tributos mencionados, nem a qualquer outra obrigação tributária vinculada à atividade de importação, motivo pelo qual se demanda seja declarado insubsistente o auto de infração em relação a sua pessoa, por ser ilegítimo para figurar no pólo passivo desta autuação; Requer-se, deste modo, seja recebida a presente impugnação em todos os seus termos, julgando-se a mesma procedente de modo a declarar o Impugnante ilegítimo para figurar no pólo passivo desta quizília administrativa, bem como para anular o Auto de Infração por evidente cerceamento de defesa; Demanda-se, ainda, que se ... determine a intimação dos patronos do Recorrente para tomarem ciência do dia da sessão de julgamento desta impugnação, tendo em vista o interesse de patrocinarem “Sustentação Oral”, conforme assegurado pelo art. 7 o , IX, da Lei n° 8.906/94, ocasião em que desde já requerem a preferência. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA PALMEX IMPORTAÇÃO EXPORTAÇÃO E COMÉRCIO DE ELETROELETRÔNICOS LTDA. A Empresa Palmex Importação Exportação e Comércio de Eletroeletrônicos Ltda., quando de sua impugnação, apresentou os argumentos que, de forma resumida, se seguem: Nos termos do Auto de Infração, a contribuinte principal é a empresa Palmex, sendo contribuintes solidários: Daí Yuqin, VCL Despachos Aduaneiros Ltda., Fabiano Borges Cardoso, Dinlailai Comercial Ltda. - EPP, Carlos Alberto dos Santos, Luiz Antônio Conz Rinaldi e Edson Pereira da Paixão; Foi aplicada a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, em virtude da impossibilidade da sua apreensão, com supedâneo nos art. 602, 604, inciso IV, 618, § 1° do Decreto n.° 4.543/02 e art. 73 §§ 1° e 2° da Lei n.° 10.833/03; Com base nos fatos narrados no Termo de Verificação de Infração e lastreado nos dispositivos legais anteriormente mencionados, foi aplicada a pena de perdimento às mercadorias importadas pela Contribuinte; No entanto, agindo assim a Fazenda desfez um negócio jurídico perfeito, posto que declarou nulo todo o procedimento regular de importação realizado pela Contribuinte, importação essa, inclusive, avalizada pela Administração, uma vez que a própria Fazenda é a responsável pela fiscalização e liberação das mercadorias estrangeiras que adentram ao país; Ressalte-se que a pena de perdimento apenas poderá ser aplicada quando ficar evidenciado o dano ao Erário. No caso, sequer ocorreu hipótese de risco ao Erário. Ao contrário, a Impugnante recolheu todos os impostos devidos e, agora, está sendo apenada com o perdimento, convertido em multa, de mercadoria regularmente adquirida e importada; Frágil é a alegação da existência de "fortes e evidentes indícios" de fraude, motivo pelo qual se desconsiderou toda movimentação do sujeito passivo, findando com a decretação da pena de perdimento das mercadorias e a conseqüente conversão em pena de multa; Em outras palavras, as mercadorias importadas e regularmente internadas no país, deverão ser entregues ao Fisco, uma vez que esse, após 04 (quatro) anos entendeu que as mesmas ocorreram de forma irregular. Assim, o Estado por meio do desembaraço Fl. 552DF CARF MF Fl. 15 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 aduaneiro ocorrido em 2004, permite a entrada da mercadoria em território nacional, recebe os impostos pertinentes, e tempos depois (em 2008), "entende" que tem o direito a retirar esses bens da Impugnante. Esta atitude viola diversos preceitos constitucionais, dentre os quais: a segurança jurídica; a livre iniciativa e o direito a propriedade; O ato em questão configura, na mais simples das hipóteses, em confisco. O Estado, por meio do seu "poder de polícia", está retirando os bens do administrado, bens cuja propriedade o importador obteve com aval direto e expresso da Receita Federal - Alfândega. Mais ainda, na época, todos os documentos exigidos por lei foram apresentados e toda a obrigação tributária foi adimplida. Neste momento cabe perguntar onde está a segurança jurídica, podendo-se dizer que esta inexiste, pois se a própria Administração pública permite a importação de determinada mercadoria, liberando-a ao seu importador e depois se "arrepende", requerendo a sua devolução, inexiste qualquer noção de segurança; “A obrigação da aduana é verificar a irregularidade no momento da internação da mercadoria em território nacional, uma vez desembaraçada, a mesma está livre ao comércio e assim estando, a determinação de devolução das mesmas nada mais é que confisco da propriedade particular”; O pior na presente situação, é que, conforme descrito pela própria autoridade fiscalizadora, a autuação foi baseada em indícios. Ora, qualquer leigo sabe que "indício" não é prova, mas sim suspeita, o que sugere dúvida sobre o suposto fato ilícito e que com base em indícios ninguém pode ser apenado seja na esfera judicial ou na administrativa; No caso em questão, a Autuada preencheu todas as determinações legais, recolheu tributos, pagou taxas, encaminhou os documentos pertinentes à alfândega e agora se vê expropriada das suas mercadorias; Caso o acima exposto não seja o entendimento deste julgamento de primeira instância, fato que não se espera, requer seja o montante pago a título de tributos na liberação das mercadorias deduzido da multa que aqui se aplicou; Encontram-se juntados aos autos todos os comprovantes de recolhimento dos tributos incidentes na importação das mercadorias citadas no auto em contenda. Estes documentos confirmam os direitos da Impugnante, a qual efetuou os devidos pagamentos e cumpriu todas as obrigações fiscais relacionadas às importações em análise; De fato, não houve prejuízo ao Erário. Nada no procedimento de fiscalização demonstra que se tenha fugido do pagamento. Não se deixou de recolher qualquer valor aos cofres federais. Entretanto, a auditoria achou por bem anular todos os procedimentos de importação e desembaraço das mercadorias; A Administração tributária, ao requerer a devolução das mercadorias já desembaraçadas e liberadas para o comércio por seus próprios atos, deixou de observar que declarou inexistente o fato gerador dos tributos incidentes nas importações, tais como: IPI, II, Pis - Importação, Pasep-Importação e ICMS-Importação; Nessa esteira tem se a seguinte situação: considerando sob o manto da hipótese que realmente tenha ocorrido interposição de terceiros ou fraude nas importações, essa fraude tangia aos verdadeiros adquirentes das mercadorias e/ou a origem dos valores que as pagou, pois bem, o engodo aqui não diz respeito à evasão fiscal, o preço das mercadorias estavam corretos, as mesmas devidamente relacionadas, e todos os tributos pertinentes foram recolhidos; (Sic) Ainda nessa situação hipotética, a Fazenda em estrito cumprimento do seu dever de polícia, declara nula todas as importações realizadas pela empresa e mais, requer a devolução das mercadorias liberadas, o que a Fazenda não se ateve é que seu ato fez surgir uma obrigação para a própria Fazenda, qual seja: DEVOLUÇÃO DOS TRIBUTOS PAGOS; Fl. 553DF CARF MF Fl. 16 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 Com a desconsideração das importações e a consequente devolução das mercadorias, a própria Administração determina que o fato gerador do Imposto de Importação e do IPI incidentes nas operações de importação foi nulo, não sendo, portanto, devidos os respectivos impostos, o que gera ao Contribuinte o direito de restituição dos mesmos; Sabe-se que o fato gerador é a ocorrência, no mundo dos fatos, da hipótese de incidência do tributo legalmente prevista. A hipótese de incidência possui elementos indispensáveis, sendo que a ausência de um deles leva à não concretização tributária; Os critérios da hipótese são: a) critério material; b) critério espacial; c) critério temporal, tendo esses por conseqüência: a) critério pessoal (sujeito ativo e passivo) e; b) critério quantitativo (base de cálculo e alíquota), por certo que na ausência de qualquer um dos critérios da hipótese não há que se falar nos critérios da conseqüência e, portanto não há tributação; Analisando os fatos em detalhe, verifica-se que a Autoridade Fiscal esvaziou o critério material, declarando que o mesmo nunca existiu, pois uma vez que a importação não foi regularmente realizada, não se aperfeiçoou a hipótese de incidência em virtude da ausência do preenchimento do critério material (hipótese), correlacionado com o critério temporal; Analisando o conceito do Imposto de Importação estatuído no artigo 19 do CTN (Art. 19 - O imposto, de competência da União, sobre a importação de produtos estrangeiros tem como fato gerador à entrada destes no território nacional), verifica-se a ausência do critério material neste caso concreto; O termo "entrada" mencionado na legislação não significa a simples entrada "física" das mercadorias, mas inclui a sua nacionalização, a sua efetiva saída do recinto alfandegário, chamado de zona primária. Deste modo, a obrigação tributária abrange a nacionalização da mercadoria, e não somente a sua internação no território nacional. Caso fosse assim, inexistiria pena de perdimento, a mercadoria seria liberada e a União usaria dos meios legais para exigir o imposto; O procedimento de nacionalização da mercadoria é chamado de desembaraço aduaneiro, o qual nada mais é que a autorização de entrega da mercadoria ao importador mediante a conclusão da conferência da mesma, o cumprimento da legislação tributária e a identificação do importador. Registrado o desembaraço das mercadorias no Sistema, a Autoridade Fiscal emitirá Comprovante de Importação, que será entregue ao importador, constituindo-se, este documento, em prova de ingresso regular da mercadoria no país; A Autoridade Fiscal entendeu que a mercadoria, após sua entrega ao importador, não entrou de forma regular no país, constatando a inércia da Receita Federal do Brasil quando deveria ter impedido o desembaraço das respectivas, deixando de aplicar a pena de perdimento no momento em que estas se encontravam a disposição do erário no recinto alfandegário Não se pode conceber agora que tenha ocorrido o fato gerador dos impostos incidentes na importação; Como já fora dito, o momento que caracteriza o fato gerador do Imposto sobre a Importação é o da entrada, real ou ficta, do produto estrangeiro no território nacional. Assim, a ocorrência do fato gerador se aperfeiçoa no início do despacho aduaneiro e não desde a chegada do navio no território nacional, por exemplo; Ora, se o momento em que se aperfeiçoa a ocorrência do fato gerador é no início do despacho aduaneiro e não a chegada do navio no território nacional, e se esse despacho não poderia ter sido autorizado pela Fazenda, uma vez que essa importação era irregular, não há o que se falar em incidência do Imposto sobre a Importação. Destarte, os valores recolhidos pela Autuada devem ser devolvidos, ou compensados com a multa ora aplicada; A presente Autuação termina por desconstituir o fato gerador, pois leva ao entendimento que este não existiu, uma vez que as mercadorias não podiam ser liberadas dada à existência de vícios, os quais segundo as próprias leis aduaneiras Fl. 554DF CARF MF Fl. 17 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 impedem a sua nacionalização. Tem-se por óbvio, portanto, que resta indevido qualquer tributo relacionado à operação em análise; Este entendimento deve ser estendido aos demais tributos incidentes nas importações relacionadas no Anexo I, deste Auto de Infração, sendo que os valores lá constantes devem ser atualizados e creditados de juros (Selic), tendo como termo a data do seu efetivo recolhimento aos cofres federais; Requer-se, portanto, seja julgado insubsistente o presente Auto de Infração de forma a não surtir qualquer efeito no âmbito da Fazenda Federal ou do Ministério Público; Caso não seja este o entendimento desta instância julgadora, requer a compensação dos tributos pagos com o valor da multa aqui aplicada, nos termos já mencionados. Por fim, todas as intimações e notificações deverão ser encaminhadas para a Rua Tupi n.° 397, cj. 111/112/115, Município de São Paulo, Estado de São Paulo, Cep. 01233- 001, constando o nome da Patrona: Dra. Eliane Campos Bottos, OAB/SP n.° 146.711. Ato contínuo, a DRJ-FORTALEZA (CE) julgou a Impugnação do Contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/11/2004 SOLIDARIEDADE PASSIVA. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA POR PARTE DOS SUJEITOS PASSIVOS. PRECLUSÃO EM RELAÇÃO AOS DEMAIS. No caso de solidariedade passiva, a impugnação apresentada por parte dos sujeitos passivos pode aproveitar às demais em caso de eventual reconhecimento da improcedência do lançamento, ou a declaração de sua nulidade. Todavia, a ausência de contestação por parte dos outros litisconsortes faz precluir o direito desses de impugnar, bem como de praticar quaisquer outros atos de contestação relacionados a matérias não questionadas anteriormente. SUSTENTAÇÃO ORAL. NÃO CABIMENTO. Inexiste no âmbito da legislação processual tributária dispositivo legal que permita a sustentação oral quando do julgamento de processos por parte das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Por isso, em obediência ao Princípio da Estrita Legalidade, fica impedida esta instância administrativa de acatar a solicitação para que os patronos do sujeito passivo realizem tal feito. LEGITIMIDADE PASSIVA. POSSIBILIDADE. O sujeito passivo responderá pela infração quando restar comprovado que esse concorreu, de qualquer forma, para a prática da mesma, independentemente de sua intenção, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Caso não se consiga demonstrar essa participação, não há como se considerar o sujeito passivo como solidário em relação a determinada infração. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. INSUFICIÊNCIA DA PROVA. EXCLUSÃO DO POLO PASSIVO. Sendo insuficientes os elementos de prova, não há como se acatar a pretensão Fiscal no intuito de considerar pertinente a respectiva sujeição passiva solidária. INTIMAÇÃO NO ENDEREÇO DO PATRONO DA CAUSA. FALTA DE PREVISÃO NORMATIVA. As intimações via postal deverão ser realizadas sempre no domicílio tributário do contribuinte, dentre os quais não se encontra previsto o endereço de seu patrono na causa. Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 26/11/2004 Fl. 555DF CARF MF Fl. 18 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. NÃO COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS. PRESUNÇÃO LEGAL DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. A não comprovação da origem, dos recursos empregados em operação de comércio exterior levam à presunção legal da ocorrência de interposição fraudulenta. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DELEGACIAS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR ORIGINARIAMENTE. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não possuem competência regimental para apreciar, originariamente, eventual pedido de restituição ou compensação por parte do sujeito passivo. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Em seguida, devidamente notificada, apenas a empresa VCL Despachos Aduaneiros LTDA, doravante denominada VCL, interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Os demais envolvidos não apresentaram recurso e o Sr. Carlos Alberto dos Santos, sócio da empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda, teve a sua responsabilidade excluída pela primeira instância administrativa, nos termos da decisão acima indicada. No Recurso Voluntário, a empresa suscitou as mesmas questões de mérito, repetindo as argumentações apresentadas na Impugnação quanto a acusação de ter concorrido e se beneficiado das importações tidas como fraudulentas. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Pedro Sousa Bispo, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos previstos em lei, motivo pelo qual deve ser conhecido. Trata o presente processo de lançamento de pena de perdimento convertida em multa pecuniária com fundamentação legal para a autuação o § 3º do art. 23 do Decreto-Lei n.º 1.455/76, com a redação que lhe foi dada pelo art. 59 da Lei n.º 10.637/02, combinado com art. 81, inciso III, da Lei n.º 10.833/03, e também referida no art. 689, §1°, do Decreto n.° 6.759/09. A acusação fiscal que gerou o lançamento é de importação de mercadoria com ocultação do real adquirente, mediante interposição fraudulenta presumida, na hipótese de não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior, restando caracterizada a infração de Dano ao Erário, na forma prevista no artigo 23, § 2º do Decreto-Lei no 1.455/1976. Inicialmente, cabe informar que o presente recurso diz respeito exclusivamente a responsável solidária VCL Despachos Aduaneiros Ltda. O contribuinte (Palmex Importação Exportação e Comércio de Eletroeletrônicos Ltda.) e Responsáveis Solidários (Daí Yuqin, Dinlailai Comercial Ltda.-EPP, Fabiano Borges Cardoso, Luiz Antonio Conz Rinaldi e Edson Pereira da Paixão.), devidamente cientificados da Decisão da DRJ, não apresentaram recurso para a segunda instância administrativa. O Sr Carlos Alberto dos Santos, conforme antes informado, teve a sua responsabilidade excluída pela decisão de primeira instância. Fl. 556DF CARF MF Fl. 19 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 Feitas essas considerações iniciais para melhor entendimento da lide, passo a analisar as pretensões do Contribuinte em suas preliminares e mérito. Preliminar de cerceamento do direito de defesa Argui a Recorrente que a decisão atacada não cuidou de demonstrar de forma irretorquível e com provas documentais os motivos da manutenção do auto de infração, cerceando, dessa forma, o exercício do contraditório e da ampla defesa, motivo pelo qual se argüi a sua nulidade. Explica, ainda, que a autuação tratou de imputação de responsabilidade solidária a recorrente relativa aos tributos da espécie II - Imposto de Importação e IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados, onde na decisão vergastada a recorrida se vale das disposições do art. 124, I, do CTN, para justificar seus argumentos, muito embora, não indique quais os tributos não foram recolhidos ou se recolhidos a menor e, em que montante, ou seja, sem a exigida fundamentação prevista no art. 50. § 1°, da Lei n°. 9.784/99, inviabilizando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa por parte do recorrente, garantia prevista no art. 5°, LV, da CF. Com a devida vênia, a recorrente está equivocada quanto a matéria objeto de discussão nos autos. Não houve imputação de responsabilidade tributária relativa a diferença de tributos da espécie II ou IPI. O objeto da autuação, conforme antes consignado foi a pena de perdimento convertida em multa pecuniária, por ter sido identificada a existência de infração de “Dano ao Erário” que, como se verá mais à frente, não necessita comprovação de pagamento a menor de tributos incidentes sobre o comércio exterior. Assim, ao contrário do afirmado pela Recorrente, entendo que tanto no auto de infração quanto na decisão recorrida estão perfeitamente demonstrados e fundamentados os motivos da aplicação da multa citada, o que permitiu a Recorrente exercer o seu direito à defesa em toda plenitude. Mérito Conforme já consignado no relatório deste voto, a empresa PALMEX foi regularmente submetida ao procedimento para verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, que resultou na lavratura do presente auto de infração. Como se sabe, a legislação aduaneira, visando o combate à prática de interposição fraudulenta de terceiros, tipificou a conduta de dano ao erário punível com a aplicação da pena de perdimento de mercadorias decorrente da ocultação do real sujeito passivo em operações de importação ou exportação, por meio do artigo 23 do Decreto nº 1.455/76, abaixo transcrito: Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 1 o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 557DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 Fl. 20 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 § 2 o Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não- comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3 o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972. Depreende-se, quanto à comprovação, que a legislação transcrita prevê dois tipos de interposição fraudulenta: presumida.e comprovada. A interposição fraudulenta presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Destarte, com base em presunção legalmente estabelecida no § 2º do art.23 do Decreto-lei nº 1.455/1976), configura-se a interposição fraudulenta e aplica-se o perdimento (ou a multa que a substitui). É do importador o ônus de comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação por ele declaradas, mediante documentação hábil e idônea, dentre elas contrato de câmbio, comprovante da liquidação cambial, extrato das movimentações financeiras correspondentes, etc. Assim, para a caracterização da interposição fraudulenta presumida basta que a empresa não consiga comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na operação de comércio exterior. A presunção legal em questão se caracteriza como relativa, ou juris tantum, admitindo prova em contrário. Após o lançamento, o ônus da prova de não ocorrência da interposição presumida recai sobre a empresa, devendo esta trazer ao contencioso administrativo documentação hábil para desconstruir as conclusões da presunção lançada. Na interposição comprovada, por sua vez, cabe à Fiscalização buscar elementos probatórios no sentido de demonstrar que a empresa fiscalizada está realizando a operação de importação acobertando um terceiro que se constitui no real beneficiário da operação. Quando resta demonstrado a interposição, aplica-se a pena de perdimento (ou a multa que a substitui), com fundamento no inciso V do art.23, do Decreto-lei nº1.455/76 e em seu § 3º. O sujeito passivo que deve ser penalizado pela referida multa é o terceiro acobertado, enquanto o acobertante responde como responsável solidário, nos termos do art.95 do Decreto-lei nº37/66, além da multa por acobertamento prevista no art.33 da Lei nº11.488/2007. Para a caracterização da interposição fraudulenta comprovada é necessário que as condutas realizadas pelas envolvidas se subsumam ao tipo previsto no inciso V do art.23, do Decreto Lei nº1.455/76. Os elementos do tipo previsto nesse dispositivo legal são a interposição ou ocultação do real comprador e a fraude ou simulação. Sem a comprovação de ambas elementares, não pode ser caracterizada a interposição fraudulenta. Ainda nos casos de acusação de interposição fraudulenta comprovada, a fim de caracterizar a conduta ilícita, a fiscalização deve carrear aos autos um conjunto de provas que demonstrem a ocorrência de fraude ou simulação com a intenção de incluir interposta pessoa entre o real adquirente e a Autoridade Aduaneira, sempre com o objetivo da primeira permanecer oculta nas operações de comércio exterior. Portanto, o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta, é do Fisco, que deve trazer aos autos um conjunto de elementos probatórios suficientes para atestar a ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Fl. 558DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm Fl. 21 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 O presente caso trata da modalidade de “interposição fraudulenta presumida”. A PALMEX foi devidamente intimada a comprovar a origem e disponibilidade dos valores empregados para financiar as operações de importação auditadas, não logrando êxito nessa comprovação. Além disso, vários outros elementos apurados pela Fiscalização reforçaram a acusação de que, embora PALMEX tivesse sido identificada nas Declarações de Importações como a adquirente na modalidade " por conta própria", na realidade, ela atuara como interposta pessoa, acobertando o real adquirente. Desta feita, apurou-se que a PALMEX não possuía capacidade operacional e nem financeira para realizar as importações, bem como foram identificados vários ingressos financeiros no mesmo dia, ou com um ou dois dias de antecedência, ao fechamento do contrato de câmbio referente às importações auditadas. A Fiscalização concluiu que os referidos depósitos foram feitos com a utilização de intermediários que tiveram como objetivo maior manter oculto o real adquirente da mercadoria. Todas as pessoas físicas e jurídicas que fizeram essas transferências financeiras foram consideradas pela Fiscalização como responsáveis solidárias, dentre as quais a VCL, haja vista que concorreram para a prática da infração aduaneira identificada, nos termos do art.95 do Decreto-lei nº 37, de 1966. O acórdão recorrido manteve quase integralmente o lançamento fiscal efetuado, somente excluindo a responsabilidade de um dos responsáveis solidários, o Sr. Carlos Alberto dos Santos, sócio-administrador da VCL, e indicado também como administrador responsável pela PALMEX. A única Recorrente do presente recurso, a empresa VCL Despachos Aduaneiros, visa à exclusão da sua responsabilidade solidária e funda a defesa principalmente na falta de provas que comprove a sua participação na infração cometida. Nessa direção, afirma que a VCL Despachos Aduaneiros foi responsabilizada solidariamente pela infração por ter realizado um único depósito bancário de R$ 10.649,07 em favor da empresa PALMEX, bem assim por ser o seu sócio-administrador, Sr. Carlos Alberto dos Santos, também responsável pela administração da PALMEX, conforme acusação contida no depoimento prestado pelo sócio da última, o Sr. Fernando Mello Belchior. Além disso, em nenhum momento a Fiscalização aponta qual o beneficio auferido pela recorrente, muito menos a vantagem financeira que tenha recebido dos adquirentes das mercadorias importadas pela empresa PALMEX, o que viola mais uma vez o que exige o art. 333, do CPC. Informa, ainda, que não há qualquer nota fiscal emitida em favor da recorrente (V.C.L) como destinatária das mercadorias importadas pela PALMEX, nem há notícia de que os pagamentos referentes às mercadorias importadas pela PALMEX e vendidas no mercado interno, indicassem a recorrente como beneficiária ou adquirente ou mesmo o retorno daqueles valores transferidos a empresa importadora pela recorrente, a ponto de justificar a solidariedade tributária decorrente do suposto “interesse comum” na operação fiscal por parte da recorrente. Conforme pode ser verificado no Termo de Verificação Fiscal, a Fiscalização assim descreveu os fatos identificados que ensejaram a responsabilidade solidária da Recorrente: 45. Constatamos que a transferência de recursos financeiros, em 01/12/2004, para pagamento de parte do contrato de câmbio de n° 04/030772 (fls. 93 a 95), ou seja, referente as DI n° 04/1207740-4 e 04/1208681-0, relativo às mercadorias adquiridas através da nota fiscal de entrada n°31 e 33 (fls. 76 e 78), efetuou-se através da conta Fl. 559DF CARF MF Fl. 22 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 corrente 34.100-2, agência 1886-4, Banco do Brasil, conta corrente pertencente à empresa Palmex, valor do contrato R$ 134.982,15 (fls. 93). Os recursos utilizados para pagamento tiveram origem em quatro depósitos efetuados no dia 29/11/2004 e 01/12/2004, ou seja, em 29/11/2004 a empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda depositou o valor de R$ 10.649,07, em 01/12/2004 o senhor Fabiano Borges Cardoso depositou o valor de R$ 91.000,00 e em 01/12/2004 a empresa Dinlailai Comercial Ltda EPP depositou o valor de R$ 60.000,00 e R$ 51.450,00 (fls. 277 a 280). 46. A empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda registrou no seu Livro Caixa no dia 29/11/2004, na folha 132, uma saída de R$ 10.649,07, referente a "Despesas com Importação — Palmex Import Export (Pgto lcms)" (fls. 231), tendo a transferência confirmada conforme extrato bancário (fls. 112), tendo a empresa sido intimada a apresentar cópias autenticadas de documentos hábeis e idôneos que comprovasse o motivo da transferência de recursos (fls. 235), a mesma informou que: "...A transferência dos recursos à empresa Palmex lmp. Exp. Com. de Eletroeletrônicos Ltda., no valor de R$ 10.649,07 (dez mil, seiscentos e quarenta e nove reais e sete centavos), apontados por essa delegacia no mencionado termo, são oriundos de pagamento de comissões, sobre vendas de serviços de despachos aduaneiros, além de outros permitidos em nosso contrato social (fls. 238). Vale lembrar que, apesar dos insistentes contatos à época, não obtivemos qualquer retorno quanto a emissão do documentário fiscal correspondente. Fato é que efetivamente, existiu a apurada transferência, restando o pagamento da referida comissão. Portanto, estamos impossibilitados de encaminhar o documentário fiscal solicitado, posto que, inexiste qualquer operação comercial de aquisição de mercadoria, da mencionada empresa Palmex Imp. Exp. e Com. de Eletroeletrônico Ltda...." (fls. 238). Diante dos fatos narrados neste item verificamos que a empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda não apresentou e não comprovou com documentos hábeis e idôneos o motivo das transferência bancária e verificamos que o sócio-administrador da empresa VCL Despachos Aduaneiros Ltda, senhor Carlos Alberto dos Santos, CPF 041.164.148-40, também é de fato responsável pelos negócios da Palmex, conforme mencionado no Termo de depoimento do sócio-administrador da empresa Palmex, Sr. Fernando Mello Belchior (fls. 137 a 139); Como se vê, baseado nesse depósito de R$ 10.649,07, entendeu a Autoridade Fiscal que a Recorrente teria sido utilizada como intermediária para transferir recursos da adquirente oculta das mercadorias para o importador ostensivo (PALMEX) com o fim de abastecer a conta bancária desta última e quitar o contrato de câmbio relativo as DIs objetos da autuação. Diante da não comprovação, por meio de documentos hábeis, pela VCL da motivação para o referido depósito, a Fiscalização entendeu que a empresa concorreu para a prática da infração de dano ao erário haja vista que esse valor foi essencial para a concretização da importação, o que implica tal conduta se subsumir a norma que atribui responsabilidade solidária aqueles que concorreram para prática ou se beneficiaram dela, nos termos do art.603 do Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, in verbis: Art. 603. Respondem pela infração (Decreto-lei nº 37, de 1966, art. 95): I - conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie; Inicialmente, cabe frisar que um dos dois fundamentos utilizados pela fiscalização para atribuir a responsabilidade solidária, qual seja, o sócio-administrador da VCL (Carlos Alberto dos Santos) ser considerado também administrador de fato da PALMEX, restou insubsistente no julgamento de primeira instância, pois a Autoridade Julgadora considerou que a simples menção do seu nome em depoimento pelo sócio da PALMEX, sem apresentação de qualquer outro elemento adicional de prova pelo depoente ou mesmo pela Fiscalização, não era Fl. 560DF CARF MF Fl. 23 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 prova suficiente para considerá-lo administrador dessa sociedade, o que resultou na exclusão da responsabilidade solidária do sócio-administrador da VCL. Tem-se, assim, que a responsabilidade atribuída a VCL atualmente encontra-se fundada apenas no fato dela ter depositado na conta da PALMEX a quantia de R$ 10.649,07 e não ter indicado com precisão a sua motivação. Como é cediço, cabe a atribuição de responsabilidade solidária aqueles que tiveram interesse comum na situação que constitua o fato jurídico tributário, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, todos aqueles que, de qualquer forma, concorreram para sua prática, ou dela se beneficie. Daí resulta o dever da Fiscalização, ao arrolar uma pessoa como responsável, sob o manto do art. 124 do CTN e art.95 do Decreto-lei nº 37, de 1966, de indicar os fatos e condutas praticadas, fundados em provas, que ensejaram a aplicação das penalidades. No caso concreto, entendo que restou comprovado nos autos que o referido depósito tem relação direta com as despesas das importações realizadas pela PALMEX, fato evidenciado pela escrituração do livro caixa da VCL, na qual consta como histórico referente a saída de R$ 10.649,07, os dizeres "Despesas com Importação — Palmex Import Export (Pgto Icms)". Conforme, consignado no Termo de Verificação Fiscal, os contratos de câmbio eram liquidados com recursos depositados nas contas correntes bancárias na mesma data do pagamento do contrato de câmbio ou em data muito próximas, ou seja, em quase todas as operações os depósitos eram efetuados no máximo com dois dias úteis de antecedência (fls. 93 a 95 e 277 a 283). Nas importações objeto da autuação, apesar do valor do transferido pela VCL não ser elevado, representando pouco mais de 10% do total das mercadorias importadas nas duas DIs de R$ R$ 94.703,06, esse montante depositado, juntamente com os demais depósitos identificados por outras pessoas, foram essenciais para que a operação de importação fosse realizada. Dessa forma, resta evidente que tal valor depositado tem relação direta com as importações e, por consequência, a empresa VCL concorreu para viabilizar as essas importações, devendo ser mantida a sua responsabilização sobre a infração apurada, nos termos do art.95 do Decreto-lei nº 37/66. A Recorrente afirma, ainda, em sua defesa, que para a caracterização da infração objeto do processo ora analisado, necessário se faz demonstrar a ocorrência de efetivo dano ao erário. Nesse sentido, diz que não se indicou na autuação qual ou quais valores nas importações já repisadas apresentaram diferença de tributos. Assim, não tendo havido comprovação de dano em concreto ao erário, imperioso é o reconhecimento da nulidade do procedimento fiscal. Não cabe razão à Recorrente, uma vez que a verificação da suficiência no recolhimentos dos tributos incidentes sobre a importação não consta no tipo infracional previsto no art. 23, do Decreto Lei nº1.455/1976 como determinante para estabelecer se houve dano ao erário. É posição predominante nas turmas colegiadas do CARF que o dano ao erário decorre da própria lei. Comprovadas as condutas que compõe o tipo, está caracterizada a ocorrência de dano ao erário. Assim, não há necessidade de se discutir a existência ou não de dano ao erário porque a própria lei define que existe dano ao erário se os elementos apurados se enquadram no tipo infracional e a apuração de diferença de tributos não faz parte desse tipo. Esse entendimento também foi defendido pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan em voto proferido no acórdão nº3401003.892, in verbis: Fl. 561DF CARF MF Fl. 24 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 É cristalino que o texto (essencialmente no caput e no § 1o) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideram-se dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente, pode-se afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem para discussão se houve ou não dano ao Erário, no caso concreto. Seria improdutivo discutir, v.g., o dano ao Erário no caso de abandono de mercadorias pelos importadores (conduta tipificada no inciso II do art. 23). Aliás, as disposições do Decreto Lei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967): “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”, como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): 17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais. Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, decreto lei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Assim, ocultar sujeito passivo, real vendedor, comprador ou responsável pela operação de comércio exterior, mediante fraude ou simulação (como aqui já exposto, sendo irrelevante se a importação foi “por conta própria” ou “por encomenda”, ou, ainda, se houve subtração de tributos) é infração aduaneira (por violar normas de controle aduaneiro, que extrapolam o viés tributário), sendo inclusive objeto de responsabilização de acordo com a legislação aduaneira. Por fim, alega a empresa que, ainda que se considerasse válida a constituição do crédito tributário ora vergastado, a sistemática utilizada pela recorrida para aplicação de multas é de todo imprestável, uma vez que não demonstrou sobre qual diferença de valor foi calculada a multa, como exige o art. 633, I, do RA. Não procede as alegações da Recorrente, uma vez que a base de cálculo da multa de 100% lançada é o valor aduaneiro da mercadoria da operação, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, nos termos do art.23, § 3º do Decreto nº 1.455/76. Art 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 562DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 Fl. 25 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 (...) § 1 o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2 o Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não- comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3 o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972. (negritos nossos) Conforme se observa, a Fiscalização nas e-fls.9 e 10 demonstra detalhadamente qual o valor aduaneiro em cada importação, atendendo, dessa forma, às determinações do contidas no disposto legal transcrito. Dispositivo Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento, divergi de parte do Voto do Ilustre Relator, no que fui acompanhada por outros Conselheiros, restando meu posicionamento vencedor, razão pela qual apresento abaixo minhas razões de decidir quanto à responsabilização da empresa VCL DESPACHOS ADUANEIROS LTDA pela infração. Como salientado pelo Conselheiro Relator, tendo em vista que a DRJ rejeitou o argumento da fiscalização de que o sócio-administrador da VCL (Carlos Alberto dos Santos) seria também administrador de fato da PALMEX, a responsabilidade atribuída a VCL remanesce fundada apenas no fato dela ter depositado na conta da PALMEX a quantia de R$ 10.649,07 e não ter indicado com precisão a sua motivação. Ocorre que a infração cuja responsabilidade foi imputada solidariamente à empresa VCL DESPACHOS ADUANEIROS LTDA. é a denominada “interposição fraudulenta presumida”, que tem fundamento no art. 23, §2º do Decreto-lei nº 1.455/76: Art. 23. Consideram-se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V - estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1 o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) Fl. 563DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10637.htm#art59 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D70235cons.htm Fl. 26 do Acórdão n.º 3402-007.088 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11845.000030/2008-66 § 2 o Presume-se interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a não- comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [negritei] § 3 o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (...) A denominada “interposição fraudulenta presumida” dá-se diante da não comprovação, a cargo do importador, da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações de importação, o que lhe acarreta a presunção de ocorrência da infração prevista no inciso V do art. 23 do Decreto-lei nº 1.455/76 e, por conseguinte, a aplicação da pena de perdimento às mercadorias objeto dessas operações ou, se for o caso, a multa que lhe substitui. Pode-se dizer que há uma obrigação legal ao importador de demonstrar à Aduana a origem lícita dos recursos empregados no comércio exterior, sob pena de restar caracterizada a presunção de interposição fraudulenta de terceiros nessas operações. Contudo, por ausência de previsão legal, não se poderia considerar que essa obrigação de demonstrar transparência quanto à origem lícita dos recursos empregados nas operações de comércio exterior se comunicaria a terceiros, como, no caso, à empresa VCL DESPACHOS ADUANEIROS LTDA, que depositou valores na conta do importador. Não obstante, obviamente, possa haver outras consequências legais quanto ao não atendimento a intimações, não se cogita de estender a presunção de interposição fraudulenta a outras pessoas físicas ou jurídicas diferentes do importador por falta de previsão legal. Se a obrigação de comprovação de origem lícita dos recursos aplicados nas operações de importação é somente do importador, não há que se dizer que a empresa VCL DESPACHOS ADUANEIROS LTDA teria concorrido para o seu descumprimento (art. 603 do Regulamento Aduaneiro/2002). Em verdade, não tendo havido a comprovação pelo autuante da prática da infração, mas tão somente a presunção legal de sua ocorrência, não se poderia falar em concorrência de outrem para a prática da infração ou que esta tivesse trazido benefício a terceiro, como referido no art. 603 do Regulamento Aduaneiro/2002. Assim, diante da ausência de demonstração de vínculo de responsabilidade com a infração, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pela empresa VCL DESPACHOS ADUANEIROS LTDA. para excluí-la do polo passivo da autuação. (documento assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 564DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.724570/2018-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 2002-000.150
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta verifique se o saldo de imposto a restituir apurado na declaração originalmente entregue foi resgatado ou não. Vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil que rejeitaram o pedido de diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e redatora designada
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem para que esta verifique se o saldo de imposto a restituir apurado na declaração originalmente entregue foi resgatado ou não. Vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni (relator) e Virgílio Cansino Gil que rejeitaram o pedido de diligência. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e redatora designada (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator Participaram das sessões virtuais, não presenciais, os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 07), relativa a restituição indevida de imposto de renda da pessoa física, que pretende a devolução de R$9.884,48 em decorrência do processamento de declaração retificadora apresentada pelo contribuinte. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, cujas alegações do contribuinte, conforme decisão da DRJ, foram: Com a ciência da Notificação, por via eletrônica, em 31/07/2018 (fl. 29), a viúva do Interessado (Margarida Carvalho Brito Lessa Ribeiro – CPF n.º 023.171.535-89) apresentou impugnação (fl. 03) em 02/08/2018, alegando que: RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 24 57 0/ 20 18 -0 4 Fl. 54DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2002-000.150 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.724570/2018-04 a) o Interessado faleceu em 16/10/2012; b) a DIRPF/2018 foi retificada, sendo alterado os rendimentos tributáveis para zero, uma vez que o informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora estava em nome da viúva; c) a viúva elaborou uma DIRPF/2018 em seu CPF. A impugnação foi apreciada na 19ª Turma da DRJ/RJO, que, por unanimidade, em 29/10/2018, no acórdão 12-103.094, às efls. 34 a 36, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 12/12/2018, às e-fls. 42 a 50 no qual alega, em síntese que: É o relatório. Voto vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 19/11/2018, e-fls.39, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 12/12/2018, e-fls. 42, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme os autos, trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 07), relativa a restituição indevida de imposto de renda da pessoa física, que pretende a Fl. 55DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2002-000.150 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10580.724570/2018-04 devolução de R$9.884,48 em decorrência do processamento de declaração retificadora apresentada pelo contribuinte. Em que pese as alegações da viúva do contribuinte de que este faleceu no ano de 2012, até a partilha dos bens, decorrente do fim do processo de inventário, o inventariante deve realizar DAA do de cujus, declarando bens e eventuais rendimentos recebidos pelo espólio. Pela análise dos autos votei pela desnecessidade de baixar os autos em diligência, restando vencido. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto vencedor Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Redatora designada Com a maxima venia, divirjo do i.relator quanto à instrução dos autos, entendendo que não se encontram reunidos todos os elementos necessários ao exame da defesa apresentada. Vejamos. A autuação exige do contribuinte restituição indevida a devolver no valor de R$9.686,87 (fl.7). Tal exigência decorre de Declaração retificadora entregue, que alterou o saldo de imposto a restituir de R$9.686,87 (fls.22/28) para zero (fls.16/21). Entretanto, a representante legal do espólio informa que o saldo de imposto a restituir apurado na declaração originalmente entregue não foi resgatado. Do exame dos autos, não consta qualquer extrato dos sistemas da RFB, informando sobre o resgate da restituição apurada na declaração original entregue (fls.22/28), posteriormente retificada. Isto posto, os autos devem ser encaminhados à Unidade da RFB de origem para que informe se o saldo de imposto a restituir apurado na declaração originalmente entregue foi resgatado ou não pelo contribuinte ou por seu representante legal. É como voto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 56DF CARF MF
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Numero do processo: 10650.001459/2006-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CARACTERIZAÇÃO.
Comprovado que o sujeito passivo recebeu e informou na declaração de ajuste anual quantia líquida, já deduzida de IRRF, decorrente de reclamatória trabalhista, resta caracterizada a compensação indevida de IRRF a legitimar o lançamento.
Numero da decisão: 2402-007.819
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recuso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. GLOSA DE IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CARACTERIZAÇÃO. Comprovado que o sujeito passivo recebeu e informou na declaração de ajuste anual quantia líquida, já deduzida de IRRF, decorrente de reclamatória trabalhista, resta caracterizada a compensação indevida de IRRF a legitimar o lançamento.
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GLOSA DE IRRF. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CARACTERIZAÇÃO. Comprovado que o sujeito passivo recebeu e informou na declaração de ajuste anual quantia líquida, já deduzida de IRRF, decorrente de reclamatória trabalhista, resta caracterizada a compensação indevida de IRRF a legitimar o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recuso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Paulo Sérgio da Silva, Gregório Rechmann Júnior, Francisco Ibiapino Luz, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias Lima, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos, Ana Claudia Borges de Oliveira e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 00 14 59 /2 00 6- 23 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10650.001459/200623 Acórdão n.º 2402007.819 S2C4T2 Fl. 83 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário em face de decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário consignado no lançamento constituído mediante a Notificação de Lançamento que reduziu o imposto a restituir apurado na declaração de ajuste anual. Cientificado do teor da decisão de primeira instância em 08/04/2009 (efl. 60), o impugnante, agora Recorrente, interpôs recurso voluntário em 05/05/2009, reclamando pela improcedência do lançamento. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos previstos no Decreto n. 70.235/1972 e alterações posteriores. Passo à análise. O cerne deste litígio concentrase na glosa de IRRF no valor de R$ 4.498,90 informado na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2003 Anocalendário 2002, por ausência de comprovação. Para uma melhor contextualização da lide, reproduzido o relatório da decisão recorrida: [...] Em decorrência da revisão da Declaração de Ajuste Anual referente ao Exercício 2003 (fls. 18/22), foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 05/07 em nome do contribuinte supracitado, com ciência em 24/08/2006 (fls. 31), alterando o valor do imposto de renda retido na fonte — IRRF de R$ 4.498,90 para zero. Conforme se infere do Demonstrativo das infrações (fls. 07), a dedução de IRRF foi glosada pelo fato de o contribuinte, regularmente intimado, não ter apresentado a documentação comprobatória. O notificado protocolizou em 25/09/2006 a impugnação juntada às fls. 01/04, instruída pelos elementos de fls. 08/30, em que contesta o lançamento efetuado alegando, em síntese, que houve Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10650.001459/200623 Acórdão n.º 2402007.819 S2C4T2 Fl. 84 3 recebimento de uma ação trabalhista movida contra a REDE FERROVIÁRIA FEDERAL, gerando retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte no valor de R$ 4.498,00. Acrescenta que a guia de recolhimento — DARF correspondente está anexada ao processo trabalhista, que se encontra em fase de recurso no Tribunal Superior do Trabalho — TST e solicita que possa apresentála quando os Autos retornarem à origem. [...] Nas suas razões de decidir, aqui reproduzidas no essencial, conclui a DRJ que: [...] No caso em tela, para comprovar o direito à compensação do IRRF, o impugnante juntou cópias de planilhas de cálculos do processo judicial (fls. 08/14), na qual constam os valores devidos discriminados decorrentes da ação. Entretanto, o contribuinte não juntou qualquer elemento capaz de comprovar se esses valores foram homologados ou qualquer outro documento hábil para demonstrar a efetiva retenção do imposto de renda em seu nome. Para a comprovação da retenção é imprescindível o alvará de levantamento emitido pela Justiça do Trabalho ou a cópia do DARF de recolhimento do imposto. Além de todo o exposto, em pesquisa aos sistemas da RFB, não constam DIRF ou recolhimentos a título de imposto de renda para o anocalendário 2002 em nome do impugnante. Desta forma, não restando comprovado no processo que o contribuinte sofreu o ônus da retenção do imposto, é de se considerar devida a glosa efetivada. [...] Pois bem. Em sede de recurso voluntário, o Recorrente alega, em síntese: [...] Para a comprovação da retenção é imprescindível o alvará de levantamento emitido pela Justiça do Trabalho ou cópia do DARF de recolhimento. Assim sendo, tendo os Autos retornado a esta Jurisdição, o RECORRENTE, conseguiu a 010 documentação necessária para a comprovação, ou seja, a decisão do Juiz determinando o Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10650.001459/200623 Acórdão n.º 2402007.819 S2C4T2 Fl. 85 4 pagamento (doc. 5), como o Alvará de Levantamento (doc. 6) no valor de R$ 13.617,97(treze mil, seiscentos e dezessete reais e noventa e sete centavos), referente ao crédito de R$ 18.948,86 (dezoito mil, novecentos e quarenta e oito reais e oitenta e seis centavos)subtraindo o valor de R$ 5.330,89 (cinco mil, trezentos e trinta reais e oitenta e nove centavos), valor este agravado pela RÉ, conforme se verifica da cópia da sentença anexa. (Doc. Anexo 5 e 6) Não obstante a cópia da sentença acostada aos autos determinando o levantamento dos valores, foi extraída do Processo as folhas 603/604 onde a Diretoria da Secretária de Cálculos Judiciais, realizou novos cálculos, com valores atualizados informando que o imposto esta em atraso, conforme se verifica nos documentos em anexos. (Doc. Anexo 7 e 8). [...] Sendo necessário somente a comprovação do Alvará de Levantamento para comprovar o ônus sofrido pelo recorrente, conforme mencionado na decisão, o recorrente foi além, juntando os cálculos do imposto de renda em atraso, conforme os anexo, não restando duvida quanto ao valor a ser restituído por esta repartição fazendária ao recorrente. [...] Da análise dos autos, verificase que o Recorrente recebeu, em virtude de reclamatória trabalhista, a quantia de R$ 13.617,97, já descontados o imposto de renda retido na fonte e contribuição previdenciária ao INSS, conforme esclarece, de forma inequívoca, o resumo de atualização de débitos trabalhistas (efl. 72), a decisão de efls. 73/74, o alvará de e fl. 75, e os documentos de efls. 77/78. Desta forma, não procede a compensação de IRRF informada na Declaração de Ajuste Anual Exercício 2003, no valor de R$ 4.498,90, vez que a referida retenção já foi excluída do valor total pago ao Recorrente, constituindose, por outro lado, dívida da Reclamada para com a Fazenda Nacional. Para fazer jus à compensação do IRRF, caberia ao Recorrente ter declarado a verba recebida incluindo o referido IRRF. Da forma como procedeu, o Recorrente pretende compensar duas vezes o mesmo IRRF. Nessa perspectiva, à luz da legislação do imposto de renda, não merece reparo a decisão recorrida. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 85DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004587/2004-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2000
ITR ÁREAS
DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE EXIGÊNCIA FEITA EM RAZÃO DA NÃO APRESENTAÇÃO TEMPESTIVA DO ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 41 A
não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido
pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
Numero da decisão: 2201-001.201
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao
recurso.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF Nº 41 A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, DAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Guilherme Barranco de Souza (Suplente convocado) e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração (fls. 18/25), relativo ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2000, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário no montante de R$ 37.419,85, calculados até 29/10/2004, incidentes sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Shalom”, cadastrado na SRF, sob o nº 5.421.1247, com área de 674,1 ha, localizado no Município de Ituiutaba/MG. A fiscalização glosou a área declarada como sendo de utilização limitada (164,8 ha), como utilizadas para pastagens (484,3 ha) e como sendo utilizadas na atividade granjeira/aqüícola (5,0 ha), além de rejeitar o VTN declarado de R$ 167.100,00, arbitrando o valor de R$ 327.648,00 (R$ 486,05/ha), conforme o SIPT. Cientificado da exigência, o contribuinte apresenta tempestivamente Impugnação (fl. 32/52) e documentos (fls. 54/55), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, que: • faz um histórico do procedimento fiscal; • a matrícula de nº 22.524 do Cartório do 2º Ofício do Registro de Imóveis da Comarca de Ituiutaba MG revela inconcussa prova no sentido de que, da área total da fazenda, 134,8303 foram averbados como inerentes à reserva preservada (AV8), sobre os quais incide restrições de exploração, não podendo ser exercida na sua plenitude e, por isso, é contemplada com isenção do ITR, ressaltando que a averbação dimana do Termo de Responsabilidade de Preservação de Floresta firmado perante o IEF; • transcreve, a favor de suas alegações, ementas de Acórdãos proferidos pela Câmara Superior de Recursos Fiscais e pelo 3º Conselho de Contribuintes e jurisprudência emanada do Poder Judiciário (STJ); • entende que o agente autuante cria óbices à utilização dos meios de se poder provar a verdade material dos fatos, cerceando o exercício do direito da defesa ampla e do contraditório, com ofensa e desrespeito ao estabelecido na CF/88 – art. 5ºLV; • transcreve o § 7 do art. 10 da Lei 9.393, alterado pela MP 2.16667 e cita ensinamentos de Paulo de Barros Carvalho; • quanto à área de pastagens, afirma que da matrícula de nº 22.524 vêse que o imóvel rural objeto de impugnação é gravado de usufruto vitalício a favor de Severiana Franco de Macedo Queiroz, mãe do autuado, a qual possui bovinos de sua propriedade apascentados na citada gleba de terras, conforme fls. 14 e 15; • as fichas de controle do criador mostram que, na Fazenda Shalom, as quantidades de bovinos nela apascentados eram 417 cabeças no inicio de 1999 e de 315 cabeças no final; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10675.004587/200489 Acórdão n.º 220101.201 S2C2T1 Fl. 2 3 • a Ficha de Controle do Criador emitida pelo IMA prova que Severiana Franco de Macedo Queiroz possuía na Fazenda Shalom, de propriedade do impugnante, 195 cabeças de bovinos, objeto do Contrato de Parceria Pecuária, sendo que tal documento é resultante do desmembramento e trasladação de dados que antes constavam de outra ficha; • a separação do gado deuse em face da necessidade que a parceira outorgante (Severiana) passou a ter no sentido de possuir a sua inscrição estadual de produtor rural concernente àquela exploração conjunta e sobretudo para a completa regularização do negócio contratado junto ao parceiro outorgado; • confrontandose os dados que se extrai da Ficha Controle do Criador, cuja escrituração estava a cargo do IMA, concluise facilmente que além das 120 cabeças pertencentes ao impugnante no final de 1999, outras 195 cabeças também estavam apascentadas no mesmo imóvel rural, e eram de propriedade da Sra. Severiana Franco Macedo Queiroz; • com o propósito de afastar de vez quaisquer dúvidas sobre os dados inerentes à fazenda alvo do lançamento, requer seja trasladado para o presente contencioso, mediante empréstimo de prova, cópia do Laudo Técnico de Vistoria e Avaliação do Imóvel, acostado ao processo tributário de nº 10675.003796/200324; • esse documento faz crer que na propriedade rural pertencente ao autuado existem 34,8762 has de área de preservação permanente e 134,8300 has de área de utilização limitada (reserva legal); • tece comentários sobre o VTN e transcreve o art. 10 da Lei 9.393/96 e o art. 3º da Lei 8.847/94, para mostrar que a apuração do VTN encerra grande subjetividade; • apresenta as suas razoes finais, alegando que o lançamento de vultosa quantia se assemelha ao confisco tributário, vedada pela CF (art. 150IV) e, requer seja determinado o cancelamento integral da exigência tributária emergente do Auto de Infração objurgado; O processo em questão foi convertido em diligência para apresentação do “Laudo Técnico de Avaliação”, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica que atenda aos requisitos das normas da ABNT. O contribuinte apresentou o Laudo de Avaliação de Imóvel de fls. 65/89 e seus anexos, com ART/CREAMG às fls. 90/91. A 1ª Turma da DRJ em Brasília/DF julgou parcialmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH 4 Exigese que as áreas de preservação permanente e de utilização limitada, para fins de exclusão do ITR, tenham sido reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado ou, no mínimo, a comprovação da protocolização tempestiva do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA junto a esses órgãos. DO REBANHO E DAS ÁREAS DE PASTAGENS. Comprovada, através de documentação hábil, parte do rebanho declarado, cabe restabelecer a área servida de pastagens calculada com base nesse rebanho, observada a legislação que rege a matéria. DA REVISÃO DO VTN ARBITRADO PELA FISCALIZAÇÃO. Cabe rever o VTN arbitrado pela fiscalização, quando apresentado “Laudo Técnico de Avaliação”, emitido por profissional habilitado, com ART, devidamente anotada no CREA, demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel rural avaliado. Lançamento Procedente em parte Em relação ao aresto proferido, concluiu a Turma Julgadora: Isso posto, e considerando tudo o mais que do processo consta, voto no sentido de que seja julgado procedente em parte o Lançamento consubstanciado no Auto de Infração/anexos de fls. 01 e 18/25, para considerar as alterações cadastrais relativas à Ficha 06 – Atividade Pecuária (330 cabeças de animais de grande porte ajustadas e 471,4 ha de área servida de pastagens), além de tributar o imóvel com base no VTN de R$ R$ 272.424,62 (duzentos e setenta e dois mil, quatrocentos e vinte e quatro reais e sessenta e dois centavos), indicado no “Laudo de Avaliação de Imóvel”, doc. de fls. 65/77 e demais alterações decorrentes, com redução do imposto suplementar apurado pela fiscalização, de R$ 15.210,09 para R$ 2.126,24, conforme demonstrado, a ser acrescido de multa proporcional de 75,0% e juros de mora na forma da legislação vigente. Intimado da decisão de primeira instância em 14/07/2008 (fl. 110), Kleber Luiz Franco de Queiroz apresenta Recurso Voluntário em 25/07/2008 (fl. 112), sustentando, essencialmente, verbis: 5.9 — De se admitir, então, que a falta de apresentação do requerimento do ADA — Ato Declaratório Ambiental ou sua entrega intempestiva ao IBAMA deixaram de ser tratadas como regra absoluta; 5.10 — Vislumbrase, ainda, que o que restou decidido nos acórdãos colacionados sepulta, em definitivo, a exigência de prévia apresentação de requerimento ao IBAMA para emissão do ADA, como condicionante da exclusão das áreas contempladas com ISENÇÃO; 5.11 — Verificouse que com o vilipêndio de fatos relevantes e pertinentes à distribuição das áreas da fazenda, alterados e modificados restaram o percentual correspondente ao grau de Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10675.004587/200489 Acórdão n.º 220101.201 S2C2T1 Fl. 3 5 utilização da terra, o valor da terra nua tributável, a alíquota aplicável e o montante do imposto efetivamente devido; 5.12 — CONCLUSÃO: Com a aprovação do recalculo por parte desses ínclitos Julgadores, é de toda previsibilidade que restarão restabelecidos, além de outros dados, o grau de utilização da terra, o VTNt, a alíquota aplicável e o valor do imposto devido, auto declarados; 5.13 — A reconstituição dos cálculos que o caso está a desafiar, para sua conseqüente adequação à verdadeira materialidade dos fatos, fará com que desapareçam as supostas anomalias apontadas pela R. Autoridade Lançadora ; É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos, a matéria em discussão, nesta segunda instância, cingese, essencialmente, na obrigatoriedade da entrega do ADA Ato Declaratório Ambiental para fins de exclusão de áreas ambientais da base da tributação do ITR. A autoridade recorrida consignou em seu voto o seguinte: Apesar de ter sido comprovada a averbação tempestiva à margem da Escritura no Cartório de Registro de Imóveis de uma área de 134,8 ha gravada como de utilização limitada/reserva legal, a autoridade fiscal não considerou qualquer área ambiental para fins de exclusão do ITR/2000, face à intempestividade em relação à segunda exigência, ou seja, a informação das áreas ambientais no ADA – Ato Declaratório Ambiental. Por sua vez, o impugnante alega que foram averbados, à margem da matrícula nº 22.524, o total de 138,83 hectares como inerentes à reserva preservada, fazendo, ainda, alusão ao “Laudo de Avaliação de Imóvel”, doc. de fls. 65/77, acompanhado dos anexos de fls. 78/89, e ART/CREA, doc./cópia de fls. 90/91, documento este que faz crer que na propriedade rural pertencente ao autuado existiriam 34,8762 ha de área de preservação permanente e 134,8300 ha de área de utilização limitada (reserva legal), o que resulta em uma área ambiental total de 169,7 hectares, ligeiramente superior à declarada/glosada. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH 6 Pois bem, em relação à entrega do ADA, relativamente ao exercício de 2000, este Conselho Administrativo já se manifestou no sentido de sua inaplicabilidade. Tratase da Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Portanto, não pode a fiscalização efetuar, no período em questão, lançamento de ofício sob o argumento de que o Ato Declaratório Ambiental – ADA – não foi tempestivamente protocolado junto ao IBAMA. Quanto à área a ser excluída da tributação do ITR, verificase a averbação tempestiva à margem da matrícula no Cartório de Registro de Imóveis de 134,8 ha relativa à reserva legal. Além do mais, o Laudo de Avaliação de Imóvel, fls. 65/77, acompanhado dos anexos de fls. 78/89, ART/CREA, fls. 90/91, identifica na propriedade 34,8 ha de área de preservação permanente. Assim sendo, a área ambiental total da propriedade é de 169,6 ha. Contudo, o valor originalmente informado em sua DITR/2000 representa o montante de 164,8 ha, portanto, esta é a área a ser excluída da tributação. Ante ao exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Eduardo Tadeu Farah MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10675.004587/200489 Fl. 6DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH Processo nº 10675.004587/200489 Acórdão n.º 220101.201 S2C2T1 Fl. 4 7 Recurso nº: 343.040 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 220101.201. Brasília/DF, 27 de julho de 2011. ______________________________________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 7DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/08/2011 por EDUARDO TADEU FARAH Assinado digitalmente em 17/08/2011 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, 10/08/2011 por EDUARDO TAD EU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 13984.001492/2008-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Deve excluir da incidência do imposto de renda o valor do benefício que,
proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no
período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do
participante.
REPERCUSSÃO GERAL. O Regimento Interno deste Conselho
Administrativo de Recursos Fiscais CARF,
através de alteração promovida
pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no
em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As
decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e
pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na
sistemática prevista pelos artigos 543B
e 543C
da Lei nº 5.869, de 11 de
janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos
conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A
do
anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C,
do CPC definiu
que “ revelase
inequívoca a afronta ao artigo 485, V, do CPC, tendo em vista
a negativa de vigência do artigo 6º, VI, b, da Lei 7.713/88, afigurandose
evidente o direito dos autores à isenção pretendida, na medida em que o
acórdão regional assentou ter havido incidência do imposto de renda na
fonte na contribuição para a formação do fundo de aposentadoria, e, ainda,
que o autor contribuiu para o regime de previdência privada parcialmente
sob a égide do dispositivo legal revogado pela Lei 9.250/95, razão pela qual
se deve excluir da incidência do imposto de renda o valor do benefício que,
proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no
período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do
participante.” (Recurso Especial nº 1001779 DF)
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.479
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, reconhecendo a isenção da complementação da aposentadoria recebida pelo contribuinte na proporção das suas contribuições.
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA
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PREVIDÊNCIA PRIVADA. Deve excluir da incidência do imposto de renda o valor do benefício que, proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante. REPERCUSSÃO GERAL. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “ revelase inequívoca a afronta ao artigo 485, V, do CPC, tendo em vista a negativa de vigência do artigo 6º, VI, b, da Lei 7.713/88, afigurandose evidente o direito dos autores à isenção pretendida, na medida em que o acórdão regional assentou ter havido incidência do imposto de renda na fonte na contribuição para a formação do fundo de aposentadoria, e, ainda, que o autor contribuiu para o regime de previdência privada parcialmente sob a égide do dispositivo legal revogado pela Lei 9.250/95, razão pela qual se deve excluir da incidência do imposto de renda o valor do benefício que, proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante.” (Recurso Especial nº 1001779 DF) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALV ES DE OLIVEIRA FRANCA 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a isenção da complementação da aposentadoria recebida pelo contribuinte na proporção das suas contribuições. (assinado digitalmente) FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 13/03/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrado Notificação de Lançamento (fls.24/26) para exigir crédito tributário de IRPF, exercício 2007, alterando o resultado da declaração de Imposto a Restituir no valor de R$ 6.085,06 para Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, código 2904, no valor de R$ 5.393,92, acrescido da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, originado da omissão de rendimentos recebidos da fonte pagadora PREVI Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, CNPJ n.° 33.754.482/000124, no valor de R$ 41.741,76. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação, fls.124/130, acompanhado dos documentos de fls. 1/13, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: • é aposentado do Banco do Brasil, recebendo aposentadoria da PREVI desde setembro de 1992; • que o sistema de formação do benefício de aposentadoria da PREVI tinha unicamente duas fontes de custeio: 2/3 eram adimplidos pelo empregador, enquanto que 1/3 era custeado pelo próprio empregado; • todo o capital da complementação de aposentadoria foi formado em data anterior a 01/01/1996 (vigência da Lei n.° 9.250, de 26 de dezembro de 1995), portanto, devese submeter ao regramento pela tributação especificada no art. 6.°, inciso VII, letra " b " da Lei n.° 7.713, de 22 de dezembro de 1988; • alega que na vigência da Lei n.° 7.713/1988, as contribuições para a previdência privada não podiam ser deduzidas da base de cálculo do ajuste anual e, conseqüentemente, incidindo imposto de renda na fonte sobre as parcelas cujo ônus foi do participante (1/3); Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALV ES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 13984.001492/200831 Acórdão n.º 220101.479 S2C2T1 Fl. 2 3 • que a complementação da aposentadoria proporcional à contribuição do participante (1/3) não pode ser tributada por força da isenção contida no art. 6.° da Lei n.° 7.713/1988; • que a PREVI não era e nem é considerada entidade sem fins lucrativos,e, portanto, têm todas as suas receitas postas à tributação, conforme determina a letra "b", do inciso VII, do art. 6.° da Lei n.° 7.713/1988; • transcreve jurisprudência do STJ sobre o tema para corroborar sua tese; Por fim, requer a improcedência da Notificação de Lançamento, protesta pela juntada de outros documentos, e que todos os atos, intimações e ciência correspondentes ao presente processo sejam feitas diretamente ao procurador do autuado. Após analisar a matéria, os Membros da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Florianópolis/SC, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/FNS n° 0723.396, de 04 de março de 2011, fls. 68/70, pelas conclusões relativas ao mérito, que cabem aqui transcrever: No caso concreto, caberia ao impugnante provar, por meio de documentos hábeis e idôneos, que os rendimentos lançados como omitidos no anocalendário 2005, correspondem às contribuições efetuadas exclusivamente pelo participante no período de 1.° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995, demonstrando também, que não ocorreu resgate ou que o montante dessas contribuições ainda não foi integralmente aproveitado nos anos anteriores, lembrando que a aposentadoria ocorreu em setembro de 1992. Portanto, a pretensão do contribuinte não pode ser acolhida, por total ausência de prova de que tais rendimentos correspondem às contribuições por ele efetuadas, no período de 1.° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Cientificado da decisão da DRJ em 30/03/2011 (“AR” fls. 73), o contribuinte apresentou na data de 28/04/2011, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 79/89, reiterando os termos da impugnação e esclareceu que promoveu ação declaratória, que tramitou perante o Juízo Federal da Comarca de Lages, Seção de Santa Catarina, já transitada em julgado, que decidiu: Assim no entender do contribuinte, o lançamento foi feito com base na declaração do contribuinte em sua declaração de ajuste anual, nos termos que determinada referida sentença que declarou como isentos os valores de sua remuneração que eram isentos Fl. 111DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALV ES DE OLIVEIRA FRANCA 4 em decorrência de terem sido vertidos ao patrimônio da PREVI, de 01/01/1989 a 09/1992, devendo portanto ser cancelado o lançamento. Para corroborar seus argumentos, o contribuinte apresenta cópia da Sentença de 1º grau e Acórdão do TRF da 4ª Região; bem como extrato de suas contribuições pessoais feitas a Previ de 01/01/1989 a 08/1992 (fls.90/105). O processo me foi distribuído, estando numerado até fls.108 (última) É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A controvérsia do caso em tela se resume à incidência ou não do imposto de renda sobre as complementações de aposentadorias pagas por entidades fechadas de Previdência Social, no caso em tela PREVI Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. O fundo de pensão da PREVI foi constituído sob a égide da Lei n.7.713 de 22 de dezembro de 1988, na qual dispunha na sua redação anterior: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: VII os benefícios recebidos de entidades de previdência privada: a) quando em decorrência de morte ou invalidez permanente do participante; b) relativamente ao valor correspondente às contribuições cujo ônus tenha sido do participante, desde que os rendimentos e ganhos de capital produzidos pelo patrimônio da entidade tenham sido tributados na fonte; Esta lei foi alterada pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 (DOU 27/12/95). Pelo Princípio da Irretroatividade das Leis, delineado no art. 5o, XXXVI da Constituição Federal, prescreve em síntese que, a lei nova não retroagirá, sob pena de ferirse o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. (Zapatero, José Alexandre. Teoria e Prática de Direito Tributário e Execução Fiscal, J.H.Mizuno, 2006, pág.60) Em sentido contrário, o Juízo a quo entende que a pretensão do contribuinte não pode prosperar devido a total ausência de prova de que tais rendimentos correspondem às contribuições por ele efetuadas, no período de 1.° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. O contribuinte para respaldar sua pretensão apresenta Extrato de suas contribuições pessoais feitas a Previ de 01/01/1989 a 08/1992 e decisão judicial declaratória com esta explicita finalidade, Fl. 112DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALV ES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 13984.001492/200831 Acórdão n.º 220101.479 S2C2T1 Fl. 3 5 Assim entendo que procede a pretensão do recorrente de que não pode incidir imposto quando do recebimento do benefício de complementação de aposentadoria, pois o mesmo já foi recolhido na fonte e que por uma questão de economia processual, não deve o mesmo, agora, ter que ingressar com uma ação condenatória já que a pretensão do seu direito ficou demonstrada. A Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que disciplina direitos creditórios, prevê no seu art.50, a forma de tratamentos dos créditos reconhecidos por decisão judicial: “Art. 50. São vedados o ressarcimento, a restituição e a compensação do crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão que reconhecer o direito creditório. § 1º A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá exigir do sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição ou do ressarcimento ou para homologação da compensação, que lhe seja apresentada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 2º Na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente comprovar a homologação, pelo Poder Judiciário, da desistência da execução do título judicial ou a renúncia à sua execução, bem como a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios referentes ao processo de execução. § 3º Não poderão ser objeto de restituição, de ressarcimento e de compensação os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A restituição, o ressarcimento e a compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado darseão na forma prevista nesta Instrução Normativa, caso a decisão não disponha de forma diversa.” No presente caso, temos uma decisão judicial declaratória, transitada em julgado, reconhecendo a isenção das verbas recebidas pelo contribuinte. Inclusive cabe registrar que a matéria aqui tratada relativa à questão de isenção do imposto renda em relação às contribuições recolhidas sob a égide da Lei 7.713/88 para a formação do fundo de aposentadoria, foi submetido ao regime do artigo 543C e da Resolução STJ 08/2008, do CPC, nos termos do Recurso Especial nº 1001779 DF (2007/02546100), julgado em 25/11/2009 , sendo relator o Ministro Luiz Fux, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO RESCISÓRIA. IMPOSTO DE RENDA. APOSENTADORIA COMPLEMENTAR. PREVIDÊNCIA PRIVADA. APLICAÇÃO DAS LEIS 7.713/88 E 9.250/96. SÚMULA 343/STF. INAPLICABILIDADE. MATÉRIA PACÍFICA NOS TRIBUNAIS À ÉPOCA DA PROLAÇÃO DO Fl. 113DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALV ES DE OLIVEIRA FRANCA 6 ACÓRDÃO RESCINDENDO (ANO DE 2003). DIREITO À RESTITUIÇÃO DECORRENTE DE LESÃO CONSISTENTE NA INOBSERVÂNCIA DA PROIBIÇÃO DO BIS IN IDEM. 1. A Súmula 343, do Supremo Tribunal Federal, cristalizou o entendimento de que não cabe ação rescisória por ofensa a literal disposição de lei, quando a decisão rescindenda se tiver baseado em texto legal de interpretação controvertida nos tribunais. 2. A ação rescisória, a contrario sensu, resta, então, cabível, se, à época do julgamento cessara a divergência, hipótese em que o julgado divergente, ao revés de afrontar a jurisprudência, viola a lei que confere fundamento jurídico ao pedido (ERESP 908774/RJ). 3. "Quando existir violação de literal disposição de lei e o julgador, mesmo assim, não acolher a pretensão deduzida na ação rescisória fundada no art. 485, V, do Código de Processo Civil, o acórdão estará contrariando aquele mesmo dispositivo ou a ele negando vigência, com o que dará ensejo à interposição de recurso especial com base na alínea "a" do permissivo constitucional" (REsp 476.665/SP, Rel. Ministro Antônio de Pádua Ribeiro, Corte Especial, julgado em 01.12.2004, DJ 20.06.2005). 4. In casu, por ocasião da prolação da decisão rescindenda, vale dizer, no ano de 2003, a jurisprudência remansosa desta Corte Superior perfilhava o entendimento de que as contribuições recolhidas sob a égide da Lei 7.713/88 para a formação do fundo de aposentadoria, cujo ônus fosse exclusivamente do participante, estariam isentas da incidência do imposto de renda, porquanto já teriam sido tributadas na fonte, quando da realização das mencionadas contribuições (Informativos de Jurisprudência nº 150, de 07 a 11 de outubro de 2002, e nº 174, de 26 a 30 de maio de 2003). 5. A jurisprudência desta Corte consolidouse no sentido de que, quer se trate da percepção de benefícios decorrentes de aposentadoria complementar, quer se trate de resgate de contribuições quando do desligamento do associado do plano de previdência privada, devese perquirir sob qual regime estavam sujeitas as contribuições efetuadas. 6. Portanto, tendo as contribuições sido recolhidas sob o regime da Lei 7.713/88 (janeiro de 1989 a dezembro de 1995), com a incidência do imposto no momento do recolhimento, os benefícios e resgates daí decorrentes não serão novamente tributados, sob pena de violação à regra proibitiva do bis in idem. Por outro lado, caso o recolhimento tenha se dado na vigência da Lei n.º 9.250/95 (a partir de 1.º de janeiro de 1996), sobre os resgates e benefícios referentes a essas contribuições incidirá o imposto. 7. Destarte, revelase inequívoca a afronta ao artigo 485, V, do CPC, tendo em vista a negativa de vigência do artigo 6º, VI, b, da Lei 7.713/88, afigurandose evidente o direito dos autores à isenção pretendida, na medida em que o acórdão regional assentou ter havido incidência do imposto de renda na fonte na contribuição para a formação do fundo de aposentadoria, e, ainda, que o autor contribuiu para o regime de previdência Fl. 114DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALV ES DE OLIVEIRA FRANCA Processo nº 13984.001492/200831 Acórdão n.º 220101.479 S2C2T1 Fl. 4 7 privada parcialmente sob a égide do dispositivo legal revogado pela Lei 9.250/95, razão pela qual se deve excluir da incidência do imposto de renda o valor do benefício que, proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante (Precedentes do STJ: AgRg nos EREsp 879.580/DF, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Seção, julgado em 13/05/2009, DJe 25/05/2009; EREsp 946.771/DF, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, julgado em 09.04.2008, DJe 25.04.2008; EREsp 911.891/DF, Rel. Ministro José Delgado, Primeira Seção, julgado em 09.04.2008, DJe 25.04.2008; AgRg nos EREsp 908.227/RJ, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 14.11.2007, DJ 03.12.2007; e REsp 772.233/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 01.03.2007, DJ 12.04.2007). 8. Recurso especial provido, para determinar o retorno dos autos à instância ordinária para que o Tribunal de origem se pronuncie a respeito do mérito da ação rescisória, uma vez ultrapassado o óbice da Súmula 343/STF. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008.”. Portanto, o STJ em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “deve excluir da incidência do imposto de renda o valor do benefício que, proporcionalmente, corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01.01.89 a 31.12.95, cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante” (Recurso Especial nº 1001779). Em face da alteração promovida pela Portaria MF n.º 586/2010 no artigo 62 A do anexo II, que introduziu dispositivo no Regimento Interno deste E. Conselho, ao qual estamos vinculado, este entendimento deve ser por nós aplicado, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” Ante ao exposto, observada a competência regimental deste Colegiado, voto no sentido de conhecer do recurso e no mérito, darlhe provimento parcial, reconhecendo a isenção da suplementação da aposentadoria recebida pelo contribuinte da PREVI, na proporção das suas contribuições, conforme determina art.6o, VII, “b” da Lei 7.713, cabendo a autoridade responsável pela execução do acórdão apurar o valor correto e adotar as medidas de praxe. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora MINISTÉRIO DA FAZENDA Fl. 115DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALV ES DE OLIVEIRA FRANCA 8 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 13/03/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 116DF CARF MF Impresso em 28/03/2012 por HIULY RIBEIRO TIMBO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 22/03/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 13/03/2012 por RAYANA ALV ES DE OLIVEIRA FRANCA
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Numero do processo: 10735.724223/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.887
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para fins de que a unidade de origem junte aos autos a tela do Sistema de Preços de Terra (SIPT) utilizado no arbitramento do VTN ou, sendo o caso, os outros documentos que tenham dado base ao arbitramento, nos exercícios a que se referem os Processos nos 10735.724222/2012-22, 10735.724223/2012-77 e 10735.724224/2012-11, bem como informe se o SIPT utilizado adotou o valor médio das DITR do município ou se levou em conta a aptidão agrícola do imóvel. Após a conclusão da diligência, deve ser facultada oportunidade para que o contribuinte apresente manifestação acerca de seu resultado. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10735.724222/2012-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A relatoria foi atribuída ao presidente do colegiado, apenas como uma formalidade exigida para a inclusão dos recursos em pauta, podendo ser formalizado por quem o substituir na sessão
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para fins de que a unidade de origem junte aos autos a tela do Sistema de Preços de Terra (SIPT) utilizado no arbitramento do VTN ou, sendo o caso, os outros documentos que tenham dado base ao arbitramento, nos exercícios a que se referem os Processos nos 10735.724222/2012-22, 10735.724223/2012-77 e 10735.724224/2012-11, bem como informe se o SIPT utilizado adotou o valor médio das DITR do município ou se levou em conta a aptidão agrícola do imóvel. Após a conclusão da diligência, deve ser facultada oportunidade para que o contribuinte apresente manifestação acerca de seu resultado. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10735.724222/2012-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A relatoria foi atribuída ao presidente do colegiado, apenas como uma formalidade exigida para a inclusão dos recursos em pauta, podendo ser formalizado por quem o substituir na sessão (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .7 24 22 3/ 20 12 -7 7 Fl. 278DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 2202-000.887 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.724223/2012-77 Relatório O presente recurso foi objeto de análise na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto da Resolução nº 2202-000.886, de 08 de outubro de 2019 - 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10735.724222/2012-22, paradigma deste julgamento. “Cuida-se, o caso versando, de Recurso Voluntário, com efeito suspensivo e devolutivo ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal ―, interposto pelo recorrente, devidamente qualificado nos fólios processuais, relativo ao seu inconformismo com a decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão n.º 04-35.986, da 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS (DRJ/CGE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente à impugnação, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2008 VTN – ALTERAÇÃO DO VALOR UTILIZADO NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Para que o valor utilizado no lançamento de ofício através da tabela SIPT – Sistema de Preços de Terras possa ser alterado, o contribuinte deverá apresentar laudo técnico que cumpra os requisitos determinados pela ABNT NBR 14.653-3 com grau de precisão e fundamentação II. PASTAGENS – COMPROVAÇÃO. Para que as áreas de pastagens possam ser consideradas como áreas utilizadas na atividade rural, deve ser observada a legislação vigente que trata do índice de lotação. PRODUÇÃO VEGETAL – COMPROVAÇÃO. Para que as áreas com produção vegetal possam ser consideradas como áreas utilizadas na atividade rural, deverá ser apresentada prova dessa produção, com as respectivas notas fiscais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da ação fiscal A essência e as circunstâncias do lançamento, para fatos geradores ocorridos no exercício em referência, pertinente ao ITR, estão sumariados no relatório do acórdão objeto da irresignação, bem como nas peças que compõe o lançamento fiscal, tendo por base a desconsideração do VTN declarado pelo sujeito passivo arbitrando-o com base no VTN/ha do SIPT/RFB, com o consequente aumento do VTN tributável, bem como glosou a área declarada de produtos vegetais, apurando imposto suplementar. Consta dos autos que, devidamente intimado, para apresentar Laudo de Avaliação para comprovar o VTN e a área de produtos vegetais declarada, o contribuinte não comprovou as informações contidas na DITR. A descrição dos fatos, o enquadramento legal e o demonstrativo de apuração do imposto devido e da multa de ofício e juros de mora estão plenamente colacionados. A verificação originou-se a partir da ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR, malha fiscal, tendo início com o termo de intimação para o Fl. 279DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 2202-000.887 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.724223/2012-77 contribuinte apresentar laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14.653-3 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo, bem como para apresentar a comprovação da área de produtos vegetais. Questão de direito controvertida A controvérsia origina-se com a impugnação, na qual se discorre sobre o VTN arbitrado, questionando-o com base em laudo acostado com a peça de defesa. Outrossim, sustenta a existência da área plantada com produtos vegetais. Especificadamente, em síntese: a) Anexa Laudo Técnico para a comprovação da existência da área de pastagem nativa e plantada com produtos vegetais, (forrageiras) e Laudo de Avaliação para fazer prova do VTN. A demora na entrega da documentação justifica-se pelo fato das declarações terem sido elaboradas acompanhando o que o antigo proprietário declarava, o que gerou a necessidade de profissional habilitado para proceder com as retificações. Além disso, o imóvel estava em análise por profissional habilitado com elaboração de planta planimétrica e planta de Reserva Legal, e a contribuinte já estava em fase de retificação das declarações no momento da notificação; b) Assevera que os Laudos da Avaliação elaborados conforme o estabelecido na NBR 14.653 da ABNT e a observância do princípio da verdade material comprovam a existência das áreas, afastando-se a glosa decorrente do lançamento. Do Acórdão de Impugnação: Decisão DRJ A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ (e-fls. 195/199), primeira instância do contencioso tributário. Na decisão a quo foram refutadas cada uma das insurgências do contribuinte. Do Recurso Voluntário e ratificação da controvérsia No recurso voluntário o sujeito passivo reitera os termos da impugnação e postula seja anulado o crédito tributário; seja acolhido o novo laudo técnico apresentado, concedendo à recorrente o direito de apresentar nova DITR; subsidiariamente, pugna pela retificação da DITR com base nas informação apresentadas no laudo técnico acostado. Em suma, ratifica-se a questão de direito controvertida. Com o recurso voluntário acostou novo laudo com documentos. Requereu, ainda, a juntada de cópias de peças de processo judicial em que fora determinada a retificação do ITR do exercício de 2007, de exercício próximo ao processo em referência. Neste diapasão, a defesa pretende que os documentos sirvam de suporte para a decisão a ser proferida na segunda instância. Do sorteio eletrônico e multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído por sorteio público. Conforme disciplinado no Regimento Interno do CARF (RICARF), o processo foi sorteado eletronicamente tendo sido organizado em lote formado por multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito (lote de recurso repetitivo), sendo definido como paradigma o recurso mais representativo da controvérsia. É o que importa relatar.” Fl. 280DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 2202-000.887 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.724223/2012-77 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator. Este processo foi analisado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 2202-000.886, de 08 de outubro de 2019 - 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10735.724222/2012-22, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita Resolução nº 2202-000.886, de 08 de outubro de 2019 - 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Admissibilidade O Recurso Voluntário atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos, relativos ao direito de recorrer, e extrínsecos, relativos ao exercício deste direito, sendo caso de conhecê-lo. Por conseguinte, conheço do recurso voluntário. Dos Processos em Julgamento Desde logo, consigno que nesta sessão de julgamento estão sendo apreciados outros recursos voluntários, na sistemática dos recursos repetitivos, versando sobre a mesma temática (fundamento em idêntica questão de direito), sendo o lote de recurso repetitivo integrado pelos seguintes Processos Administrativos Fiscais ns.º: (i) 10735.724222/2012-22 (Paradigma); (ii) 10735.724223/2012-77; e (iii) 10735.724224/2012-11. Da necessidade de realização de Diligência Antes de avançar para a análise das demais questões do processo, após meu escrutínio, com base na moldura fático-probatória que se decantou no caderno processual, entendo por bem apresentar voto de Resolução, haja vista ser necessário efetivar-se diligência. Isto porque, o recorrente vem se insurgindo contra o arbitramento e para análise meritória faz-se necessário perquirir se foi observado, ou não, o grau de aptidão agrícola quando do lançamento arbitrado com base no SIPT. Ademais, observo na descrição dos fatos do lançamento que foi utilizado o VTN/ha do município de localização do imóvel para 1.º de janeiro do ano de referência, mas não está clara se foi, ou não, utilizado o grau de aptidão agrícola do imóvel, bem como verifico que inexiste nos autos a tela de consulta ao SIPT. Deveras, a despeito da fiscalização afirmar que no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o Valor da Terra Nua (VTN) foi arbitrado tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT, o fato é que não consta dos autos nenhuma tela comprobatória acerca da referida consulta ao Sistema de Preços de Terra. Fl. 281DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 2202-000.887 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.724223/2012-77 Vê-se, neste contexto, que a diligência é importante para solução da lide, para se juntar aos autos a consulta que legitimou o lançamento, a fim de aferir a correção ou não do ato. Além disto, dentro da sistemática processual administrativa fiscal, as partes tem o dever de cooperar para que se obtenha decisão de mérito justa e efetiva e, em outro prisma, deve-se buscar a revelação da verdade material na tutela do processo administrativo, de modo a dar satisfatividade a resolução do litígio. A processualística dos autos tem regência pautada em normas específicas, principalmente, postas no Decreto n.º 70.235, de 1972, na Lei n.º 9.430, de 1996 e no Decreto n.º 7.574, de 2011, mas também tem regência complementar pela Lei n.º 9.784, de 1999, assim como pela Lei n.º 13.105, de 2015, sendo, por conseguinte, orientado por princípios intrínsecos que norteiam a nova processualística pátria e o dever de agir da Administração Pública conforme a boa-fé objetiva, pautando-se na moralidade, na eficiência e na impessoalidade. Sendo assim, proponho diligenciar os autos. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Fiscal Conclusivo, demais disto, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado destas conclusões, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação. Procedimentos a serem efetivados na efetivação da Diligência: Conclusão Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para fins de que a unidade de origem junte aos autos a tela do Sistema de Preços de Terra (SIPT) utilizado no arbitramento do VTN ou, sendo o caso, os outros documentos que tenham dado base ao arbitramento, nos exercícios a que se referem os Processos ns.º 10735.724222/2012- 22, 10735.724223/2012-77 e 10735.724224/2012-11, bem como informe se o SIPT utilizado adotou o valor médio das DITR do município ou se levou em conta a aptidão agrícola do imóvel. Após a realização da diligência, o sujeito passivo deverá ser cientificado para, se desejar, se manifestar. Posteriormente, retornem-se os autos ao Egrégio CARF para julgamento. É o meu Voto de Resolução.” Ante o exposto, voto por converter o julgamento em diligência para fins de que a unidade de origem junte aos autos a tela do Sistema de Preços de Terra (SIPT) utilizado no arbitramento do VTN ou, sendo o caso, os outros documentos que tenham dado base ao arbitramento, nos exercícios a que se referem os Processos ns.º 10735.724222/2012-22, 10735.724223/2012-77 e 10735.724224/2012-11, bem como informe se o SIPT utilizado adotou o valor médio das DITR do município ou se levou em conta a aptidão agrícola do imóvel. Após a realização da diligência, o sujeito passivo deverá ser cientificado para, se desejar, se manifestar. Posteriormente, retornem-se os autos ao Egrégio CARF para julgamento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.000459/2008-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção.
Numero da decisão: 2002-001.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que lhe deu provimento parcial.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DESPESAS MÉDICAS. EXIGÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. A legislação do Imposto de Renda determina que as despesas com tratamentos de saúde declaradas pelo contribuinte para fins de dedução do imposto devem ser comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos, podendo a autoridade fiscal exigir que o contribuinte apresente documentos que demonstrem a real prestação dos serviços e o efetivo desembolso dos valores declarados, para a formação da sua convicção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que lhe deu provimento parcial. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 8/16), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2005. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$8.381,37 para saldo de imposto a restituir de R$2.852,01. A notificação noticia dedução indevida de despesas médicas, consignando a falta de comprovação da despesa com Unimed e do efetivo pagamento de parte da despesa informada com Dirceu Alves da Silva. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 04 59 /2 00 8- 31 Fl. 137DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.707 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.000459/2008-31 Impugnação Cientificada à contribuinte em 15/1/2008, a NL foi objeto de impugnação, em 12/2/2008, às fls. 2/56 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: 4.1. que a impugnante apresentou os recibos, mais cópias de cheques, extrato bancário e TED, provando que foram efetivamente pagos o tratamento odontológico prestado pelo profissional (Dirceu Alves da Silva), conforme orçamento dentário rubricado e datado. Foi recusado parte da dedução sob o argumento de que não há correlação de datas entre a TED e os recibos, porém, esse argumento não pode prosperar, porque a impugnante não concorreu para tal ato, pois, foi o profissional de odontologia quem emitiu os recibos, e, se houve alguma vantagem nesta prestação de serviço, certamente não foi a impugnante quem se beneficiou. Diz mais. Cabe ao Fisco proceder sua investigação junto ao profissional que emitiu os recibos, pois, ele se nega a emitir os recibos que a Receita Federal entende como correlatos. 4.2. em relação a UNIMED, a impugnante apresenta o demonstrativo com gasto de plano de saúde, conforme documento anexo, emitido pela UNIMED, via correio eletrônico. A impugnação foi apreciada na 9ª Turma da DRJ/SPOII que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 62/68): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÕES. PROVA. Cabe ao contribuinte comprovar, nos termos da legislação de regência, as deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis na declaração de ajuste anual a titulo de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos, devidamente comprovados. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 5/6/2009 (fl. 71), a contribuinte, em 6/7/2009 (fl. 74), apresentou recurso voluntário, às fls. 74/133, alegando, em apertado resumo, que: - estaria juntando todos os documentos comprobatórios do tratamento realizado com o profissional Dirceu da Silva: recibo, laudos radiográficos de 2003 e 2009 e fichas de prontuário. - em relação ao plano de saúde Unimed, estaria juntando boletos bancários quitados. - faria jus a deduzir os valores de R$1.163,30, com Unimed, e de R$29.200,00, com tratamento odontológico. Fl. 138DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.707 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.000459/2008-31 Voto O litígio recai sobre dedução de despesas médicas, tendo sido glosadas despesas informadas com o profissional Dirceu da Silva, por falta de comprovação do seu efetivo pagamento, e com Unimed, por falta de comprovação. São dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Sobre o assunto, seguem decisões emanadas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) e da 1ª Turma, da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202-005.323, de 30/3/2017) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2011 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. Fl. 139DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.707 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.000459/2008-31 (Acórdão nº9202-005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401-004.122, de 16/2/2016) Assim, os recibos médicos não são uma prova absoluta para fins da dedução. Nesse sentido, entendo possível a exigência fiscal de comprovação do pagamento da despesa ou, alternativamente, a efetiva prestação do serviço médico, por meio de receitas, exames, prescrição médica. É não só direito mas também dever da Fiscalização exigir provas adicionais quanto à despesa declarada em caso de dúvida quanto a sua efetividade ou ao seu pagamento, como forma de cumprir sua atribuição legal de fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias pelos contribuintes. Ao se beneficiar da dedução da despesa em sua Declaração de Ajuste Anual, o contribuinte deve se acautelar na guarda de elementos de provas da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. O ônus probatório é do contribuinte, que é quem se beneficia da redução da base de cálculo do IRPF, e ele não pode se eximir desse ônus com a afirmação de que o recibo de pagamento seria suficiente por si só para fazer a prova exigida. No caso, em relação ao profissional Dirceu da Silva, a autoridade autuante apontou a existência da transferência bancária em 12/5/2004, no valor de R$19.100,00 (fl.28), mas não a acatou em função de não guardar relação com os recibos apresentados, emitidos posteriormente (fls.34/38). Na apreciação da defesa apresentada, a decisão recorrida registrou: De fato a TED prova o repasse do numerário para o profissional, porém, não indica a que titulo foi, podendo ser por outro motivo que não o serviço profissional. Como os recibos que junta não guardam nenhuma correlação com a TED quanto ao valor e data, já indicado pelo Auditor Fiscal que emitiu a notificação, maior a dúvida, sendo necessário outras provas que confirme que o valor da TED se refere, efetivamente, ao serviço odontológico orçado e que esse serviço foi realizado na pessoa indicada. Agora, em seu recurso, a recorrente junta um novo recibo emitido pelo profissional, coincidente em data e valor com a transferência efetuada (fl.78). Dessa feita, entendo que a despesa deve ser acatada. Registro que, embora a glosa tenha sido no montante de R$18.900,00, em observância ao princípio da verdade material, entendo que deve ser acatado o valor comprovado de R$19.100,00. No tocante às despesas com Unimed, a decisão recorrida apontou: 8. No que tange a glosa da UNIMED, o documento juntado refere-se apenas a relação de gastos com o plano de saúde, não havendo junto nenhuma prova do efetivo pagamento e, depois, o valor total ali mencionado não é coincidente com o valor deduzido na Declaração de Ajuste Anual. Assim, também, se mantém a glosa. Fl. 140DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.707 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10840.000459/2008-31 Merece reparos à decisão de piso também em relação a essa despesa. Entendo que o documento de fl. 18, emitido pela operadora de plano de saúde, atesta o pagamento do montante de R$1.163,30 em benefício da recorrente. Acrescento que, em seu recurso, a recorrente junta documentos de fls.86/110, atestando o pagamento de algumas parcelas por autenticação bancária e de outras por débito em conta corrente. Aqui, embora tenha declarado o montante de R$1.206,76, a recorrente comprova o pagamento de R$1.163,30, sendo este o valor a ser restabelecido. Assim, devem ser acatadas despesas médicas no montante de R$20.263,30. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 141DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002798/2005-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2000
COFINS. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. TRIBUTO APURADO EM DECORRÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO DE IRPJ.
A competência para julgamento de recursos voluntários que versem sobre tributos apurados em decorrência de processo de fiscalização do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica é da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Numero da decisão: 3201-000.745
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e declinar a competência para a 1ª Seção deste CARF.
Nome do relator: MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA
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ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2000 COFINS. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. TRIBUTO APURADO EM DECORRÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO DE IRPJ. A competência para julgamento de recursos voluntários que versem sobre tributos apurados em decorrência de processo de fiscalização do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica é da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
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COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. TRIBUTO APURADO EM DECORRÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO DE IRPJ. A competência para julgamento de recursos voluntários que versem sobre tributos apurados em decorrência de processo de fiscalização do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica é da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário e declinar a competência para a 1ª Seção deste CARF. JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Presidente. Error! Reference source not found. Relator. EDITADO EM: 26/06/2012 Fl. 336DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Daniel Mariz Gudino, Robson José Bayerl (Suplente) e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausente justificadamente a Conselheira Mércia Helena Trajano D'Amorim. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: 4. O processo em exame; composto de 2 volumes e numerado até a fl. 278, versa sobre dois lançamentos de ofício efetuados contra a contribuinte acima pela DEFIC/SPO em 18/10/2005 com o objetivo de constituir o crédito tributário relativo à parcela não recolhida e nem declarada de diversos débitos de Cofins e Pis compreendidos no período de 01/2002 a .07/2004, como relata o autor do feito nos termos de constatação anexos às fls. 78/79 (Cofins) e 183/184 (Pis). 5. O lançamento da Cofins foi formalizado pelo auto de infração anexo às fls. 86/89, cujos demonstrativos se acham nas fls. 80/85; o do Pis pelo auto de infração das fls. 191/194, cujos demonstrativos se encontram nas fls. 185/190. Os valores constantes dos autos de infração foram extraídos das planilhas juntadas nas fls. 70/71 e 74 (Cofins) e 70, 72 e 73 (Pis), elaboradas pelo auditor fiscal com base na escrituração da empresa. 6. Os créditos tributários lançados, compostos de principal, multa proporcional e juros de mora e calculados até 30/09/2005, perfazem os montantes de R$ 419.527,21 no caso da Cofins e R$ 190.125,45 no caso do Pis. 7. lrresignada, a suplicante apresentou as impugnações anexas às fls. 201/208 (Cofins) e 231/238 (Pis), acompanhadas respectivamente dos documentos juntados nas fls. 209/221 e 239/251, nas quais apresenta em síntese os seguintes argumentos: 1) Afirma inicialmente ter havido cerceamento do direito de defesa, alegando que a intimação enviada não traz todos os dados necessários ao exercício da ampla defesa, dela não constando sequer os fatos geradores e os valores apurados individualizadamente. 2) Acrescenta que tal fato contraria o disposto no art. 202 do CTN, bem como o art. 2°, parágrafo 5°, da lei n° 6.830/80, dando ensejo à nulidade da inscrição e do processo de execução dela decorrente, razão pela qual requer que a DEFIC/SPO apresente cópia do processo administrativo e do auto de infração, quando deverá ser aberta nova vista para manifestação. 3) Acoima de abusiva e exorbitante a multa imposta, solicitando que, uma vez "anulado o auto de infração, seja afastada a cobrança da exação, pela sua manifesta inconstitucionalidade"(fls. 205 e 235). 4) Assevera que a inclusão da Cofins e do Pis em sua própria base de cálculo, além de ser totalmente confiscatória, desrespeita a capacidade econômica e contributiva da embargante, que tem o "direito de ver excluído do débito a parte relativa à aplicação da alíquota ilegal, oriunda da sistemática do cálculo por dentro" (fls. 207 e 237). 5) Encerrando o arrazoado, requer as seguintes providências: a) independentemente do resultado do julgamento, a suspensão da Fl. 337DF CARF MF Processo nº 19515.002798/200575 Acórdão n.º 3201000.745 S3‐C2T1 Fl. 256 3 exigibilidade administrativa do débito lançado; b) a anulação total do auto de infração, sob pena de ilegalidade ou arbitrariedade; c) o acolhimento da "presente defesa pela inexistência de qualquer infração causada à legislação tributária"; d) a intimação do representante legal da empresa e do advogado por ela constituído de todos os atos e termos praticados no curso do processo, sob pena de nulidade, no endereço mencionado nas fls. 208 e 238. 6) Finalmente, protesta pela juntada de novos documentos comprobatórios dos argumentos expendidos pela defendente. 8. Resta observar que o processo em exame, que inicialmente continha apenas a documentação relativa ao lançamento da Cofins, recebeu por anexação os autos do processo n° 19515.002795/2005,31, referente ao lançamento do Pis, em virtude do disposto na Portaria SRF n° 6.129/2005, consoante registra o termo de juntada anexo à fl. 260. A decisão recorrida recebeu de seus julgadores a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2002, 2003, 2004 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Procede o lançamento da parcela dos débitos apurados na escrituração não declarada nem recolhida pelo contribuinte. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se justifica a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o teor da impugnação apresentada, assim como os documentos juntados pelo sujeito passivo, demonstram à saciedade que ele tinha pleno conhecimento dos fatos objeto de autuação. REQUISIÇÃO DE CÓPIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Cabe ao contribuinte dirigirse à unidade jurisdicionante de seu domicilio tributário sempre que desejar ter vista dos autos de processo de seu interesse ou obter certidão ou cópia reprográfica dos documentos que o integram (art. 46 da lei n° 9.784/99). SISTEMÁTICA DE CÁLCULO DA COFINS. CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Não merece reparo o lançamento quando se verifica que os débitos foram apurados de acordo com a legislação especifica, cuja validade não cabe à autoridade julgadora discutir. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. Procede a exigência de multa de ofício no percentual definido pela legislação de regência. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. ão compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. Fl. 338DF CARF MF 4 APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL APÓS A IMPUGNAÇÃO. A apresentação de novos documentos após a protocolização da impugnação está sujeita às restrições previstas nos parágrafos 40 e 5° do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, acrescidos pela Lei n° 9.532/97. ENCAMINHAMENTO DE INTIMAÇÕES. As intimações por via postal devem ser encaminhadas ao domicílio tributário do sujeito passivo, consoante dispõe o art. 23, II, do Decreto n ° 70.235/72 (PAF). SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO LANÇADO. O crédito tributário permanecerá suspenso enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (lei n° 5.172/66). ÀSSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2002, 2003, 2004 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO E RECOLHIMENTO. Procede o lançamento da parcela dos débitos apurados na escrituração não declarada nem recolhida pelo contribuinte. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE NULIDADE. DESCABIMENTO. Somente se reputa nulo o lançamento na hipótese prevista no art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se justifica a alegação de cerceamento do direito de defesa quando o teor da impugnação apresentada, assim como os documentos juntados pelo sujeito passivo, demonstram à saciedade que ele tinha pleno conhecimento dos fatos objeto de autuação. REQUISIÇÃO DE CÓPIA DE PROCESSO ADMINISTRATIVO. Cabe ao contribuinte dirigirse à unidade jurisdicionante de seu domicílio tributário sempre que desejar ter vista dos autos de processo de seu interesse ou obter certidão ou cópia reprográfica dos documentos que o integram (art. 46 da lei n° 9.784/99). SISTEMÁTICA DE CÁLCULO DO PIS. CONFORMIDADE COM A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Não merece reparo o lançamento quando se verifica que os débitos foram apurados de acordo com a legislação específica, cuja validade não cabe à autoridade julgadora discutir. MULTA DE OFICIO. PERCENTUAL. Procede a exigência de multa de ofício no percentual definido pela legislação de regência. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL APÓS A IMPUGNAÇÃO. A apresentação de novos documentos após a protocolização da impugnação está sujeita às restrições previstas nos parágrafos 40 e 50 do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72, acrescidos pela Lei n° 9.532/97. ENCAMINHAMENTO DE INTIMAÇÕES. As intimações por via postal devem ser encaminhadas ao domicilio tributário do sujeito passivo, consoante dispõe o art. 23, II, do Decreto n ° 70.235/72 (PAF). SUSPENSAO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÃRIO LANÇADO. O crédito tributário permanecerá suspenso enquanto estiver presente qualquer das hipóteses previstas no art. 151 do CTN (lei n° 5.172/66). Lançamento Procedente Fl. 339DF CARF MF Processo nº 19515.002798/200575 Acórdão n.º 3201000.745 S3‐C2T1 Fl. 257 5 O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados a este Conselho e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental, tendo requisitado a sua inclusão em pauta para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira Observo que consta dos autos o Mandado de Procedimento Fiscal (fls. 01 a 06) donde se verifica que o presente processo é decorrente de fiscalização relativa ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ. Na forma da jurisprudência deste Colegiado, a competência para julgamento de recursos voluntários que versem sobre tributos apurados em decorrência de processo de fiscalização do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica é da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, forte na Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, verbis: Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: IV demais tributos e o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), quando procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ; Assim, VOTO por não conhecer do recurso e declinar a competência de julgamento do mesmo a uma das turmas da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para julgamento. MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA relator Fl. 340DF CARF MF 6 Fl. 341DF CARF MF
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