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Numero do processo: 11020.002797/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA DA COFINS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. EFICÁCIA.
A suspensão da incidência da COFINS e o crédito presumido a que faziam direito os adquirentes de produtos a ela sujeitos, foram instituídos, e passaram a vigorar em 1º/08/2004, com a edição da lei nº 10.925/2004, sem interrupção, sendo que a partir desta data deveriam ser calculados os créditos presumidos nos percentuais definidos no § 3º do artigo 8º do mesmo diploma legal, apenas dependendo de disciplinamento quanto a formalização do aproveitamento dos créditos e suas obrigações acessórias, a ser feito por ato normativo, ato este materializado na IN SRF nº 636/2006, depois revogada pela IN SRF nº 660/2006.
A teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.434, de 30/12/2013, de que, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais básicos relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.Embargos Declaratórios acolhidos em parte, sem efeitos infringentes, para esclarecer a omissão no Acórdão nº 3301-005.688, declarando a correção do erro de cálculo cometido no Acórdão nº 3301-002.654, admitindo como correto o percentual para o crédito presumido de 0,5775% e não de 0,99% como constou, para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito da Contribuição ao PIS/PASEP à alíquota de 1,65%, relativamente às notas fiscais das aquisições de trigo, pela recorrente, no período de 1ª/08/2004 a 04/04/2006, com suspensão da Contribuição ao PIS/PASEP, devendo ser descontado o crédito presumido de 0,5775.
Numero da decisão: 3301-006.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, para esclarecer a matéria referente ao trânsito em julgado do Acórdão 3301-002.654.
Assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Assinado digitalmente
Ari Vendramini- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ARTIGOS 8º E 9º. AQUISIÇÃO DE INSUMOS COM SUSPENSÃO DE INCIDÊNCIA DA COFINS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS. EFICÁCIA. A suspensão da incidência da COFINS e o crédito presumido a que faziam direito os adquirentes de produtos a ela sujeitos, foram instituídos, e passaram a vigorar em 1º/08/2004, com a edição da lei nº 10.925/2004, sem interrupção, sendo que a partir desta data deveriam ser calculados os créditos presumidos nos percentuais definidos no § 3º do artigo 8º do mesmo diploma legal, apenas dependendo de disciplinamento quanto a formalização do aproveitamento dos créditos e suas obrigações acessórias, a ser feito por ato normativo, ato este materializado na IN SRF nº 636/2006, depois revogada pela IN SRF nº 660/2006. A teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.434, de 30/12/2013, de que, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais básicos relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003.Embargos Declaratórios acolhidos em parte, sem efeitos infringentes, para esclarecer a omissão no Acórdão nº 3301005.688, declarando a correção do erro de cálculo cometido no Acórdão nº 3301002.654, admitindo como correto o percentual para o crédito presumido de 0,5775% e não de 0,99% como constou, para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito da Contribuição ao PIS/PASEP à alíquota de 1,65%, relativamente às notas fiscais das aquisições de trigo, pela recorrente, no período de 1ª/08/2004 a 04/04/2006, com suspensão da Contribuição ao PIS/PASEP, devendo ser descontado o crédito presumido de 0,5775. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos, sem efeitos infringentes, para esclarecer a matéria referente ao trânsito em julgado do Acórdão 3301002.654. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 27 97 /2 00 9- 12 Fl. 7357DF CARF MF 2 Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela D. Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN, contra o Acórdão nº 3301005.688, deste colegiado, cujo voto condutor foi de minha relatoria, por alegadas omissão e contradição. 2. Assim estão redigidos os Embargos : 1. O v. acórdão no. 3301002.654, proferido pela Colenda 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado em 20 de março de 2015, decidiu o seguinte, cf. seu votocondutor, litteris: “Desta maneira, em função da reiterada manifestação da SRFB no sentido de que não se aplicava a regra do crédito presumido e, sim, do creditamento integral do PIS e da Cofins à época dos fatos geradores discutidos, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito do PIS à alíquota de 1,65%, relativamente às notas fiscais das aquisições com suspensão das Contribuições, devendo ser descontados o crédito presumido de 0,99%.” 2. Por sua vez, este julgado restou incólume, uma vez que a Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao apreciar o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, não conheceu tal apelo. 3. Com efeito, houve o TRÂNSITO EM JULGADO ADMINISTRATIVO. Mesmo assim, posteriormente, houve a apresentação de petição pelo contribuinte (fls. 6.457/6.460), a qual foi admitida como Embargos Inominados, pelo ilustre presidente deste órgão julgador. 4. Destarte, foi exarado o v. acórdão ora embargado, o qual decidiu o seguinte, verbis: “Assim, VOTO POR ACOLHER OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS, sem efeitos infringentes, para Fl. 7358DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301006.481 S3C3T1 Fl. 7.358 3 reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito da Contribuição ao PIS/PASEP à alíquota de 1,65%, relativamente às notas fiscais das aquisições de trigo, pela recorrente, no período de 1ª/08/2004 a 04/04/2006, com suspensão da Contribuição ao PIS/PASEP, devendo ser descontado o crédito presumido de 0,5775 %.” (GRIFOS NOSSOS) 5. Daí, surge a CONTRADIÇÃO, considerando os seguintes fatos: a) o v. acórdão ora embargado determina que DEVE SER DESCONTANDO O CRÉDITO PRESUMIDO DE 0,5777%; b) ocorre que no já mencionado v. acórdão no. 3301 002.654, que restou transitado em julgado, constou ali que DEVERIAM SER DESCONTADOS O CRÉDITO PRESUMIDO DE 0,99%; c) ou seja, apesar de mencionar o v. acórdão ora embargado, que o julgado NÃO TEVE EFEITOS INFRINGENTES, aparentemente o teve, já que houve uma mudança no percentual que deveria ser descontado a título de crédito presumido. 6. Se não bastasse isso, temos que deve ser analisada a questão atinente a OMISSÃO consistente no fato do v. acórdão no. 3301 002.654 já ter transitado em julgado e não poder ser modificado no âmbito administrativo. 7. Assim, se houve algum erro no âmbito do v. acórdão no. 3301 002.654, deveria o contribuinte buscar ter interposto na época apropriada os competentes embargos de declaração ou recurso especial, mas, assim não o fez, tendo ocorrido preclusão. 8. Entende a Fazenda Nacional que tal questão deveria ter sido enfrentada no v. acórdão ora embargado, tendo restado verificada a OMISSÃO. DO PEDIDO 9. Diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer sejam conhecidos e providos os presentes embargos de declaração, a fim de sanando a CONTRADIÇÃO e OMISSÃO apontado, serem emprestados efeitos modificativos ao julgado, para manter incólume o que foi decidido no v. acórdão no. 3301002.654, proferido pela Colenda 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado em 20 de março de 2015. 3. Os Embargos foram admitidos pelo Sr. Presidente deste colegiado, por despacho assim redigido : Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela o contribuinte em face do Acórdão nº 3301005.688, de 31 de janeiro de 2019, sob os pressupostos regimentais da omissão e da contradição. Fl. 7359DF CARF MF 4 Segundo a embargante, esses vícios residiriam no fato de que o acórdão embargado afirma que no julgamento dos embargos não houve efeitos infringentes, mas esse julgamento acabou por alterar o comando da decisão anterior. No Acórdão 3301002.654 (que já era definitivo na via administrativa na época em que foi embargado) havia sido decidido que o contribuinte poderia apurar os créditos das contribuições, mas deveriam ser descontados os créditos presumidos de 0,99%. No julgamento dos embargos esse percentual foi alterado, restando decidido que o contribuinte poderia apurar créditos das contribuições, mas que deveriam ser descontados os créditos presumidos de 0,5777%. Assim, houve omissão porque o colegiado alterou o comando do Acórdão nº 3301002.654 sem atentar para o fato de que ele já havia se tornado definitivo na data em que o contribuinte apresentou embargos inominados. E também houve contradição, pois o Acórdão 3301005.688 afirma que não houve efeito infringente, apesar de ter sido alterado o comando do Acórdão 3301002.654. É a síntese do necessário. (…) A leitura dos embargos de declaração do contribuinte e o exame da sequência de Acórdãos proferidos neste processo revela que assiste razão à embargante. O Acórdão 3301002.654 tornouse definitivo na via administrativa porque o contribuinte não apresentou nenhum recurso cabível e o recurso especial da PFN não foi conhecido pela Câmara Superior. Após esse julgamento da Câmara Superior, o contribuinte apresentou embargos inominados apontando equívoco no Acórdão 3301002.654 que já era definitivo na via administrativa. Desse modo, houve omissão no Acórdão 3301005.688 na medida em que limitouse a cumprir cegamente o despacho de admissibilidade dos embargos inominados sem levar em consideração que o contribuinte poderia ter apresentado embargos inominados quando foi notificado do Acórdão 3301002.654 em 07/03/2016 (fl. 7194). Mas só apresentou embargos inominados em face desse julgado após ter sido notificado do resultado do julgamento do Recurso Especial da PFN em 08/05/2018 (fl. 7241). Se o erro material preclui ou não preclui ou se os embargos inominados podem ou não podem ser apresentados a qualquer tempo são questões a serem analisadas pelo colegiado e, portanto, não podem ser utilizadas como fundamento deste despacho para negar seguimento aos embargos da Procuradoria. CONTRADIÇÃO e OMISSÃO apontado, serem emprestados efeitos modificativos ao julgado, para manter incólume o que foi decidido no v. acórdão no. 3301002.654, proferido pela Colenda 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, julgado em 20 de março de 2015. 3. Os Embargos foram admitidos pelo Sr. Presidente deste colegiado, por despacho assim redigido : Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pela o contribuinte em face do Acórdão nº 3301005.688, de 31 de janeiro de 2019, sob os pressupostos regimentais da omissão e da contradição. Segundo a embargante, esses vícios residiriam no fato de que o acórdão embargado afirma que no julgamento dos embargos não houve efeitos infringentes, mas esse julgamento acabou por alterar Fl. 7360DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301006.481 S3C3T1 Fl. 7.359 5 o comando da decisão anterior. No Acórdão 3301002.654 (que já era definitivo na via administrativa na época em que foi embargado) havia sido decidido que o contribuinte poderia apurar os créditos das contribuições, mas deveriam ser descontados os créditos presumidos de 0,99%. No julgamento dos embargos esse percentual foi alterado, restando decidido que o contribuinte poderia apurar créditos das contribuições, mas que deveriam ser descontados os créditos presumidos de 0,5777%. Assim, houve omissão porque o colegiado alterou o comando do Acórdão nº 3301002.654 sem atentar para o fato de que ele já havia se tornado definitivo na data em que o contribuinte apresentou embargos inominados. E também houve contradição, pois o Acórdão 3301005.688 afirma que não houve efeito infringente, apesar de ter sido alterado o comando do Acórdão 3301002.654. É a síntese do necessário. (…) A leitura dos embargos de declaração do contribuinte e o exame da sequência de Acórdãos proferidos neste processo revela que assiste razão à embargante. O Acórdão 3301002.654 tornouse definitivo na via administrativa porque o contribuinte não apresentou nenhum recurso cabível e o recurso especial da PFN não foi conhecido pela Câmara Superior. Após esse julgamento da Câmara Superior, o contribuinte apresentou embargos inominados apontando equívoco no Acórdão 3301002.654 que já era definitivo na via administrativa. Desse modo, houve omissão no Acórdão 3301005.688 na medida em que limitouse a cumprir cegamente o despacho de admissibilidade dos embargos inominados sem levar em consideração que o contribuinte poderia ter apresentado embargos inominados quando foi notificado do Acórdão 3301002.654 em 07/03/2016 (fl. 7194). Mas só apresentou embargos inominados em face desse julgado após ter sido notificado do resultado do julgamento do Recurso Especial da PFN em 08/05/2018 (fl. 7241). Se o erro material preclui ou não preclui ou se os embargos inominados podem ou não podem ser apresentados a qualquer tempo são questões a serem analisadas pelo colegiado e, portanto, não podem ser utilizadas como fundamento deste despacho para negar seguimento aos embargos da Procuradoria. Também está presente a contradição, pois ao mesmo tempo em que se afirma no resultado do Acórdão nº 3301005.688 que não houve efeito infringente, o julgamento dos embargos melhorou a situação do contribuinte, pois ele irá descontar dos créditos aos quais tem direito um valor menor a título de crédito presumido. Portanto, pelo menos de forma aparente, houve efeito infringente, na medida em que houve uma melhora da situação do contribuinte em relação àquela que restou decidida no Acórdão original. São duas questões que deverão ser decididas pelo colegiado no exame dos embargos da Procuradoria: a) se o contribuinte pode ou não pode alegar erro material em Acórdão que já se tornou definitivo na via administrativa; e b) se a correção desse erro material gera ou não gera efeito infringente. Com esses fundamentos, restituo o processo ao ilustre relator, conselheiro Ari Vendramini, a fim de que indique o processo para a pauta de julgamento com proposta de saneamento dos vícios apontados. Fl. 7361DF CARF MF 6 É o relatório Voto Conselheiro Ari Vendramini 4. Para maior clareza, a seguir a sequência dos fatos ocorridos nos presentes autos, até a emissão do Acórdão 3301002.654, o qual foi objeto de Recurso Especial da D. PGFN : 1. Versam os presentes autos sobre Pedidos Eletrônicos de Restituição – PER, de valores pagos a maior a título de PIS/PASEP não cumulativa, nos anos de 2004, 2005 e 2006, sob a alegação da requerente de que efetuou incorretamente a apropriação de valores de créditos presumidos originados de aquisições de insumos que estariam com a exigibilidade da Cofins não cumulativa suspensa, em virtude do contido no artigo 9º da Lei nº 10.925/2004, sendo que os créditos presumidos seriam calculados nos moldes estabelecidos pelo artigo 8º do mesmo dispositivo legal. 2.O recolhimento a maior, alega a recorrente, ocorreu em virtude no disposto no § 3º do artigo 15 da citada lei, que estabelecia que a exigibilidade das contribuições ficariam suspensas, mas que tal dependeria de regulamentação pela Secretaria da Receita Federal. 3. A regulamentação somente ocorreu com a edição da Instrução Normativa SRF nº 636/2006, quando foram regulamentados os artigos 8º, 9º e 15 da Lei nº 10.925/2004. 4. Este intervalo entre a entrada em vigor do texto legal e sua regulamentação pelo ato normativo suscitou uma batalha jurisprudencial e doutrinária, tanto que a IN SRF nº 636/2006 foi logo após revogada pela IN SRF nº 660/2006. 5. Neste intervalo, alega a recorrente que se apropriou de créditos presumidos, quando teria direito a créditos integrais, e que, portanto, teria como direito creditório a diferença entre as alíquotas dos créditos integrais de direito e as alíquotas dos créditos presumidos apropriados, que geraram o recolhimento a maior de PIS/PASEP não cumulativa. Este é o cerne da questão. 6. O autos chegaram a este CARF pelo recurso voluntário interposto contra Acórdão DRJ que manteve o indeferimento do pedido de restituição. 7. Pela Resolução nº 330100.129, em 26/01/2012, esta Turma determinou diligência á unidade de origem para “ que a DRF de origem cientifique a Recorrente, para que no prazo de trinta dias apresente os documentos julgados necessários ao confronto das informações constantes de suas DCTF e DACON retificadoras. Após a análise dos documentos, elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo nas PER/Dcomp apresentadas. Na sequência a contribuinte deverá ser intimada para que, no prazo de trinta dias, caso entenda Fl. 7362DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301006.481 S3C3T1 Fl. 7.360 7 conveniente, apresente manifestação, somente quanto à matéria decorrente da diligência.” 8. Em resposta á Resolução, a DRF/CAXIAS DO SUL emitiu a Informação DRF/CXL/Seort nº 66, de 18/07/2013, relatando que “ Em resposta à Intimação acima citada, a contribuinte informou que, em virtude da nãoaplicação da suspensão da incidência do PIS, prevista no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, entre agosto de 2004 e março de 2006, o trigo adquirido pela empresa nesse período estava sujeito ao pagamento da referida contribuição. Disse que a Lei nº 10.925, de 2004, que previu a suspensão da incidência de PIS sobre o trigo adquirido pela empresa, condicionou a aplicação de tal suspensão, prevista no caput do seu art. 9º, à regulamentação da matéria pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Argumentou que tal exigência somente foi cumprida com a publicação da IN SRF nº 636, em 4 de abril de 2006, momento em que passou, então, a produzir efeitos a suspensão aludida. Informou que recolheu o PIS em valores maiores do que deveria ter pago, porque em vez de utilizar crédito integral a que fazia jus, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, valeuse do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Constatado que tinha realizado pagamentos indevidos, retificou os Dacons e as DCTFs correspondentes. Ponderou que a fundamentação jurídica que embasa os pedidos de restituição encontra forte respaldo no âmbito da Administração Tributária, conforme Solução de Consulta nº 25, de 23 de janeiro de 2008, da Disit da SRRF10ª RF. Fez referência a outras soluções de consulta nesse sentido. Para comprovar suas alegações, apresentou uma planilha demonstrativa das aquisições de trigo, dos créditos utilizados e dos pagamentos de PIS, bem como cópia das notas fiscais das aquisições de trigo realizadas pela empresa e cópia da conta do livro razão, na qual foram lançadas as referidas notas fiscais de aquisição de trigo. Em suma, podese afirmar que: se a operação da compra de trigo realizouse com suspensão da incidência do PIS, utilizase do crédito presumido; se efetivada com incidência, utilizase do crédito integral. Se por ocasião das compras a interessada utilizouse do benefício previsto no artigo 9º da Lei nº 10.925, de 2004 – quer dizer, não pagou a contribuição não há como ampliar o seu crédito a não ser que posteriormente a tributação não realizada inicialmente seja regularizada “ 8. Em complemento, foi emitida a Informação DRF/CXL/Seort nº 68, de 18/07/2013, onde consta : “ Em decorrência dessa Resolução, foi emitida a Informação DRF/CXL/Seort nº 66, desta data. 3. No item 14 dessa Informação foi dito que: “14. Sobre as compras de trigo tributadas, listadas na Tabela constante do item 7, acima, a meu ver a interessada tem direito ao crédito integral sobre as compras realizadas da Cooperativa Tritícola Panambi Ltda., que inicialmente vendeu o produto em questão com suspensão e mais adiante retificou os Dacons considerando a venda tributada. No que se refere as demais vendas tributadas, a requerente terá direito ao crédito integral desde que comprove que esse crédito não foi utilizado inicialmente, porque não restou comprovado pelos documentos apresentados que esse crédito não foi utilizado anteriormente. Apenas para exemplificar, nos Dacons originais constam Fl. 7363DF CARF MF 8 apurações de créditos integrais e de créditos presumidos.“ 4. Contudo, após uma nova análise dos documentos apresentados pela interessada em resposta à Intimação DRF/CXL/Seort nº 133, de 20 de novembro de 2012, verificouse que a cópia do Razão Analítico – Conta PIS a Compensar Entrada Estoques comprova que a requerente não utilizou o crédito integral sobre as demais compras tributadas listadas na Tabela constante do item 7 da mencionada Informação, mais sim creditouse apenas do crédito presumido. ‘ 9. Foi, então, exarado o Acórdão nº 3301002.654, que, nas conclusões do voto condutor, assim foi redigido : “ Desta maneira, em função da reiterada manifestação da SRFB no sentido de que não se aplicava a regra do crédito presumido e, sim, do creditamento integral do PIS e da Cofins à época dos fatos geradores discutidos, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito do PIS à alíquota de 1,65%, relativamente às notas fiscais das aquisições com suspensão das Contribuições, devendo ser descontados o crédito presumido de 0,99%.” 10. Este Acórdão restou assim ementado : “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2004, 2005, 2006 LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE COFINS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. “ 5. Neste ponto, há que se entender o motivo de ter sido utilizado o percentual de 0,99% de redução relativo ao crédito presumido. 6. Assim o voto condutor deste Acórdão colheu tal informação, conforme se verifica ás fls. 7.154 dos autos digitais : “ Nas fls. 256 a 258, a Recorrente apresenta demonstrativos de Cofins e PIS supostamente recolhidos a maior, decorrentes do confronto entre a utilização de créditos presumidos às alíquotas de 4,56% e 0,99%, e o crédito regular, às alíquotas de 7,6% e 1,65%.”, 7. Ao verificarse as tabelas citadas pelo voto condutor, ás fls. 256/258 dos autos digitais, não consta delas indicação de percentuais. 8. Verificase, também, que nas cópias das DACON apresentadas pela recorrente, consta na FICHA 06 A – APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DE PIS/PASEP – AQUISIÇÕES NO MERCADO INTERNO – REGIME NÃO CUMULATIVO – CRÉDITOS PRESUMIDOS – ATIVIDADES AGROINDUSTRIAIS, somente há preenchimento da linha 26 – calculados á alíquota de 0,5775 %, e a linha 25 – calculados á alíquota de 0,99% está zerada. Fl. 7364DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301006.481 S3C3T1 Fl. 7.361 9 9. O crédito presumido instituído pelo artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 (com produção de efeitos estabelecida no seu artigo 17), em função da suspensão, com as alterações promovidas pela Lei nº 11.051/2004 (com produção de efeitos estabelecida no seu artigo 34), assim dispunha a legislação : Lei nº 10.925, de 23.06.2004 Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos Capítulos 2 a 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 01.03, 01.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 09.01, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de secar, limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01,todos da NCM; II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III – pessoa jurídica e cooperativa que exerçam atividades agropecuárias. § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I – 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. 10. Aferese que, diante destes comandos legais, para produtos de origem animal deveria ser aplicado o percentual de 60% ( inciso I do § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004), sobre a alíquota básica das contribuições (1,65% para PIS/PASEP e 7,6% para COFINS), enquanto para osdemais produtos, o percentual a ser aplicado seria de 35% sobre a alíquota básica ( inciso II do § 3º do artigo 8º da Lei nº 10.925/2004). 11. A recorrente adquiriu trigo, que se enquadra, para efeitos de aplicação de percentual para obtenção do crédito presumido, no inciso II do citado dispositivo legal, Fl. 7365DF CARF MF 10 sendo que o percentual a ser utilizado seria de 35% sobre a alíquota básica, no caso, da Contribuição ao PIS/PASEP, que é de 1,65%. Portanto, o crédito presumido seria no percentual de 0,5575% para a recorrente. 12. A petição apresentada pela recorrente, recepcionada como recurso inominado, foi recepcionada justamente por alegar que havia ocorrido um erro material no Acórdão nº 3301002.654, indicando que houve erro de cálculo ao considerar o percentual de 0,99% e não de 0,5575% para o produto adquirido, trigo, nos seguintes termos : Na situação, as aquisições feitas pela Requerente referemse a trigo, consoante já demonstrado nos autos. Consequentemente, é cristalino que o crédito presumido a ser descontado, na forma dos Acórdãos do CARF, só pode ser aquele que seria aplicável a compras de trigo, qual seja, 35% da alíquota integral (2,66% para a COFINS e 0,5775% para o PIS). O fato de constar nos Acórdãos do CARF os percentuais do crédito presumido previsto para produtos de origem animal consistiu em mero erro material. Tratase, claramente, de simples equívoco involuntário do julgador a respeito do percentual de crédito presumido para produtos de origem animal e para produtos de origem vegetal, o qual é perceptível à primeira vista. O mero erro material, como é o caso, é passível de correção a qualquer tempo e independentemente da ocorrência do trânsito em julgado, uma vez que tal medida não altera o conteúdo da decisão; antes, conferelhe regular e fiel cumprimento (AgRg no REsp 500.409/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, 1a Turma, DJ 21/03/2005). Por conseguinte, fazse necessário corrigir o erro material constante na Tabela 1 das Informações Fiscais a fim de que seja descontado o crédito presumido nos percentuais aplicáveis ao caso, quais sejam, 2,66% para a COFINS e 0,5775% para o PIS, tendo em vista que se trata de aquisições de produto de origem vegetal (trigo), e não de produto de origem animal. 13. Portanto, tendo sido recepcionada a petição como Embargos Inominados, para correção do erro material, assim procedeu este relator ao conduzir seu voto. DA OMISSÃO 14. Entretanto, somos forçados a concordar com a D. PGFN, pois assim se pronunciou quanto á omissão : 6. Se não bastasse isso, temos que deve ser analisada a questão atinente a OMISSÃO consistente no fato do v. acórdão no. 3301 002.654 já ter transitado em julgado e não poder ser modificado no âmbito administrativo. 7. Assim, se houve algum erro no âmbito do v. acórdão no. 3301 002.654, deveria o contribuinte buscar ter interposto na época apropriada os competentes embargos de declaração ou recurso especial, mas, assim não o fez, tendo ocorrido preclusão. 8. Entende a Fazenda Nacional que tal questão deveria ter sido enfrentada no v. acórdão ora embargado, tendo restado verificada a OMISSÃO. 15. Realmente o tema não foi enfrentado no Acórdão embargado. Fl. 7366DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301006.481 S3C3T1 Fl. 7.362 11 16. Para sanar tal omissão, devemos enfrentálo, o que faremos a seguir. 17. Entendemos que, diante do exposto, realmente ocorreu um erro material, pois houve um erro de cálculo, ao ser aplicado o percentual incorreto como crédito presumido. 18. O Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), em seus artigos 494 (antigo 463) e 1022 assim determinam : Artigo 494 – Publicada a sentença, o juiz poderá alterála : I – para corrigirlhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexitadões materiais ou erros de cálculos II – por meio de embargos de declaração Artigo 1.022 – Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para : I – esclarecer obscuridade ou eliminar contradição II – suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento III – corrigir erro material 19 Com relação a correção de erros materiais, a doutrina e a jurisprudência pacificamente concordam que, para este tipo de correção não ocorre preclusão, podendo ser corrigidos tais erros a qualquer tempo. 20. Neste sentido, citamos : 1 STJ – AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL Agint no Resp 1643728 PR 2016/03236210 (STJ) EMENTA : EXECUÇÃO DE SENTENÇA. VIOLAÇÃO AO ART. 1.022 DO CPC. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N 211/SRJ. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO DE OFÍCIO A QUALQUER TEMPO. POSSIBILIDADE. SÚMULA 568/STJ. INCIDÊNCIA. HONORÁRIOS RECURSAIS. NÃO CABIMENTO. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. I – Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. In casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. II – A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável á hipótese, inexistência de omissão, contradição, obscuridade ou erro material. III – A ausência de enfrentamento da questão objeto da controvérsia pelo Tribunal a quo, não obstante oposição de Embargos de Declaração, impede o acesso á instância especial, porquanto não preenchido o requisito constitucional do prequestionamento, nos termos da Súmula n. 211/STJ. IV – O relator poderá, monocraticamente, dar ou negar provimento ao recurso quando houver entendimento dominante acerca do tema, a Fl. 7367DF CARF MF 12 teor da Súmula n. 211/STJ. V – É pacífico o entendimento do Superior Tribunal de Justiça segundo o qual o erro material previsto no inciso I do art 463 do Código de Processo Civil de 1973 e no inciso I do art 494 do Código de Processo Civil de 2015 pode ser corrigido, de ofício, a qualquer tempo. VI – Honorários recursais. Não cabimento. VII – Os Agravantes não apresentam, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. 2 STJ – RECURSO ESPECIAL REsp 502557 RS 2003/00232041 (STJ) EMENTA : SENTENÇA EXEQUENDA. CORREÇÃO MONETÁRIA. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO. POSSIBILIDADE MESMO APÓS O TRÂNSITO EM JULGADO. 1 – A correção de erro material pode ser feita a qualquer tempo, mesmo que a decisão onde esteja inserido já se mostre acobertada pelo manto da coisa julgada, posto que a ela não está submetido. Precedentes. 2 – A incidência da correção monetária nas decisões judiciais afiança ao jurisdicionado o recebimento do bem da vida pleiteado em sua integralidade. 3 – O descompasso entre a fundamentação da decisão e sua parte dispositiva, que estabelece o termo inicial da correção monetária de forma a negar o direito anteriormente conferido ao autor, autoriza o reconhecimento da ocorrência de erro material. 4 – Recurso especial não conhecido. 3 COISA JULGADA E CORREÇÃO DE ERRO MATERIAL NA EXECUÇÃO Palestra proferida pelo Dr. Francisco Meton Marques de Lima, Juiz do TRT da 22ª Região e Professor da Universidade Federal do Piauí, quando da realização do III Simpósio de Direito Público pelo, em Teresina, nos dias 20 a 22.06.01, evento promovido pelo Centro de Estudos Victor Nunes Leal – AdvocaciaGeral da União. Erro é a falsa compreensão do objeto ou a absolta ignorância dele. Ontologicamente, é uma «falha de ser», uma aparência ou privação de ser. Axiologicamente, erro ligase à idéia de imperfeição, ou de mal moral, quando voluntariamente cometido. Erro de fato, segundo Pontes de Miranda, “é a falta de conhecimento entre a idéia e o estado verdadeiro da coisa ou do fato”. Assim, o erro em sentido estrito ou é a idéia falsa ou a falta de idéia. Isto porque, no caso de idéia errônea, não deixa de existir a manifestação de vontade. (Tratado da Ação Rescisória, p. 341). Material vem a ser o conjunto dos objetos que formam a coisa. Logo, erro material é o erro na composição da coisa. E este é o que é corrigível a qualquer tempo (…..) A coisa julgada torna imutável e indiscutível a sentença (art. 467, CPC). Porém pode ser alterada: a) para corrigir, de ofício ou a requerimento, inexatidões materiais ou retificar erro de cálculo (463, I, CPC); b) para corrigir, de ofício ou a requerimento, evidentes erros ou enganos de escrita, de datilografia (leiase de digitação) ou de cálculo (833, CLT); c) embargos de declaração, que, embora, a princípio, apenas supra omissão ou espanque contradição da sentença, só isto implica modificação do julgado, ainda mais que já se admite, em caráter excepcional, embargos com efeito modificativo; d) ação rescisória. Fl. 7368DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301006.481 S3C3T1 Fl. 7.363 13 As duas últimas hipóteses não importa comentar, porque estão sujeitas a prazos de utilização. Importa discutir as duas primeiras, ou seja, se é possível corrigir erro da sentença a qualquer tempo sem qualquer recurso. Em relação à primeira hipótese, o CPC não estipula prazo, daí haver o STJ decidido que é admissível corrigir erro de cálculo da sentença, mesmo já tendo transitado em julgado: “O erro material pode ser corrigido a qualquer tempo” STJ 2ª T.RESp. 2158SP – Edcl Re. Ministro Vicente Cernicchiaro, j. 9.5.90. 4 Mário Luiz Oliveira da Costa CARF – Questões Controvertidas no Processo Administrativo Fiscal XXXVII Simpósio Nacional de Direito Tributário Veículo: Questões controvertidas no Processo Administrativo Fiscal / Coord. Ives Gandra Da Silva Martins; conferencista inaugural: Ministro José Carlos Moreira Alves. São Paulo: Revista dos Tribunais pags 287313 Autor(es): Mário Luiz Oliveira da Costa PERGUNTA) É possível atribuir efeitos modificativos aos embargos de declaração? Mesmo quando apresentados pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão? RESPOSTA ) Determina o art. 37 do Dec. 70.235/1972, na redação da Lei 11.941/2009, que o julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) farseá conforme dispuser o regimento interno. O art. 65 do Regimento Interno do CARF (RICARF), de seu turno, prevê que “Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma”. A possibilidade de oposição de embargos de declaração objetiva assegurar que, antes mesmo da eventual interposição de recurso a ser apreciado por outro órgão julgador, possam, os próprios prolatores da decisão, reexaminála de modo a suprir eventual obscuridade, omissão ou contradição. Possibilitase aos julgadores, assim, atenderem plenamente ao requisito da adequada motivação, corolário da ampla defesa. Afinal, tem o administrado o direito a conhecer as efetivas razões pelas quais lhe é exigido determinado tributo, o que apenas será integralmente atendido se a decisão proferida for suficientemente clara e motivada, ou seja, se não contiver obscuridade, omissão ou contradição (ou, contendo as num primeiro instante, se forem devidamente sanadas). Disto resulta que o recebimento dos embargos de declaração no efeito modificativo (ou infringente) do julgado será cabível sempre que, do exame da obscuridade, da omissão e/ou da contradição apontadas, resultar novo convencimento do julgador, total ou parcialmente distinto daquele anteriormente verificado. Será igualmente cabível a modificação do julgado quando se tratar de manifesto lapso ou erro de escrita ou de cálculo, nestas hipóteses até mesmo independentemente da oposição de embargos de Fl. 7369DF CARF MF 14 declaração, conforme arts. 32 do Dec. 70.235/1972 e 66, caput do RICARF. A viabilidade de acolhimento de embargos de declaração no efeito modificativo ou infringente, quando do exame da obscuridade, omissão ou contradição apontadas resultar entendimento diverso daquele inicialmente externado, tem sido reconhecida pela jurisprudência administrativa e judicial. É o que se verifica, exemplificativamente, dos acórdãos ns. 310200.730 e 9101 00.900, bem assim daquele proferido nos EDcl nos EDcl no AgRg no REsp 1.133.580/RS. No que respeita especificamente aos embargos de declaração apresentados pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, não há porque se entender de outra forma, ressalvandose apenas que, neste caso, os embargos somente poderão ser conhecidos quanto aos temas acerca dos quais puderem efetivamente versar. Realmente, os incs. I a V do § 1.º do art. 65 do RICARF indicam que os embargos de declaração poderão ser interpostos por conselheiro integrante do colegiado (inc. I); pelo contribuinte envolvido, responsável ou preposto (inc. II); pelo Procurador da Fazenda Nacional atuante no caso (inc. III); “pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões” (inc. IV); e “pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão” (inc. V). Assim, os embargos de declaração passíveis de apresentação pelo Delegado de Julgamento somente poderão versar acerca de eventual obscuridade, omissão ou contradição atinentes à declaração de nulidade de sua decisão, enquanto aqueles apresentados pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão deverão se ater, necessariamente, a tais matérias. Cumpre ressaltar, outrossim, que estas limitações foram evidenciadas pela Portaria MF 586/2010, que deu nova redação ao § 1.º do art. 65 do RICARF para explicitar o conteúdo da norma, delimitando mais nitidamente a competência das Delegacias Regionais de Julgamento e das Delegacias da Receita Federal, no que se refere à oposição de embargos declaratórios junto ao CARF. Quanto ao titular da unidade da administração tributária, a redação do art. 65 do RICARF anterior à Portaria MF 586/2010 referiase à unidade “encarregada da execução do acórdão”, ao passo que a redação na forma da referida Portaria passou a se referir à unidade “encarregada da liquidação e execução do acórdão” Por liquidação entendese “a operação que tem por objetivo reduzir a quantias certas valores que não o eram.”. Daí porque o art. 475A do CPC estabelece que: “Quando a sentença não determinar o valor devido (arts 43 a 45), procedese à sua liquidação : 1 do requerimento de liquidação de sentença será a parte intimada, na pessoa de seu advogado, 2 a liquidação poderá ser requerida na pendência de recurso, processandose em autos apartados, no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido com cópias das peças processuais pertinentes, 3 nos processos sob procedimento comum sumário, referidos no art. 275, inciso II, Fl. 7370DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301006.481 S3C3T1 Fl. 7.364 15 alíneas ‘d’ e ‘e’ desta Lei, é defesa a sentença ilíquida, cumprindo ao juiz, se for o caso, fixar de plano, a seu prudente critério, o valor devido. O conectivo “e”, utilizado pelo art. 65, V, do RICARF, restringe a oposição de embargos aos casos em que as duas figuras se apresentem (liquidação e execução). Quer dizer: somente têm competência para opor embargos os titulares de Delegacias da Receita Federal que tenham a incumbência de liquidar e executar o acórdão. Não podem opor embargos, portanto, os titulares de Delegacias da Receita Federal que devam apenas executar o acórdão: tem de haver liquidação e execução; se só houver execução, sem necessidade de prévia liquidação, não cabem embargos. Ora, só carece de liquidação o acórdão que modifique em parte o lançamento, tornando incerto o valor original. Se o lançamento for integralmente mantido ou cancelado, não há liquidação a ser feita; o julgado poderá ser imediatamente executado, com cobrança amigável do débito ou exoneração do sujeito passivo e arquivamento dos autos. Obviamente, assim, a matéria objeto dos embargos deve se restringir ao esclarecimento de questões que dificultem a correta liquidação e execução do julgado. Em outras palavras, se for necessário recalcular (liquidar) o crédito tributário em virtude do decidido pelo CARF e houver inexatidão que impeça o seu regular cumprimento, cabem os embargos pelo titular da Delegacia da Receita Federal, relativamente à matéria. Se, entretanto, a decisão puder ser executada sem dificuldades, não poderá o titular da unidade da administração tributária envolvida apresentar embargos de declaração tratando de quaisquer outros temas. Isso fica evidente na medida em que a impossibilidade de as DRJ e DRF oporem embargos contra toda e qualquer decisão do CARF decorre de outras normas que formam o sistema processual, especialmente aquelas que conferem legitimidade apenas à Procuradoria da Fazenda Nacional para defender os interesses da União. É certo que não podem as Delegacias agir como se fossem representantes da União, mas tão somente no que se mostre necessário ao regular desempenho de suas funções, facultandose, dessa maneira, a oposição de embargos para o esclarecimento de pontos duvidosos de decisões do CARF que possam embaraçar a correta execução de julgados, seja em relação à matéria que deva ser apreciada pela DRJ (no caso de nulidade de sua decisão anterior), seja quanto à quantificação do crédito tributário que deva ser cobrado pela DRF (na hipótese de cancelamento parcial de autuação fiscal ou deferimento parcial de restituição do indébito). Portanto, desde que observada a limitação quanto aos temas passíveis de embargos de declaração pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do julgado, estes poderão até mesmo, excepcionalmente, ser recebidos no efeito modificativo do julgado quando, do exame da Fl. 7371DF CARF MF 16 obscuridade, da omissão e/ou da contradição apontadas, adotarem os julgadores entendimento distinto daquele anteriormente firmado (ou, ainda, for corrigido lapso ou erro de escrita ou de cálculo). Assim poderá ocorrer, por exemplo, quando houver omissão do julgado acerca dos critérios de correção monetária e juros aplicáveis a determinada restituição que vier a ser suprida. Ainda exemplificativamente, da mesma forma se dará quando, havendo contradição entre os fundamentos e a conclusão da decisão acerca de temas atinentes à liquidação e execução do julgado, for tal contradição sanada com alteração da convicção anteriormente firmada. Ressaltese, contudo, que em hipótese alguma poderão os embargos de declaração apresentados pela DRJ ou pela DRF tratar (ou levar ao reexame) de preliminares que tenham sido julgadas (atinentes, por exemplo, a eventual nulidade da autuação fiscal, decadência ou prescrição, tempestividade do recurso, renúncia à via administrativa etc.)[12] ou do mérito da decisão proferida. Estes temas podem ser objeto, tão somente, de embargos de declaração apresentados por conselheiro integrante do colegiado; pelo contribuinte envolvido, responsável ou preposto; ou pelo Procurador da Fazenda Nacional atuante no caso. Conclusão: É possível atribuir efeitos modificativos aos embargos de declaração quando acolhidos para o fim de sanar obscuridade, omissão ou contradição e disto resultar alteração no entendimento constante da decisão embargada. Esta possibilidade se aplica também a embargos de declaração apresentados pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão, ressalvandose que, neste caso, os embargos de declaração somente poderão ser conhecidos quanto a temas estritamente vinculados a tais providências (liquidação e execução do acórdão) e não a preliminares ou ao próprio mérito objeto da decisão. 21. Portanto, admitidos os embargos para correção do julgado, no caso o Acórdão 3301002.654, foi efetivada a correção do cálculo, mesmo tendo o citado Acórdão transitado em julgado, pois que a correção de erro material não é matéria sujeita a preclusão. 22. Por todo o exposto, acolho parcialmente os embargos declaratórios interpostos pela D. PGFN, sem efeitos infringentes, para esclarecer a omissão no Acórdão nº 3301005.688, declarando a correção do erro de cálculo cometido no Acórdão nº 3301002.654, admitindo como correto o percentual para o crédito presumido de 0,5775% e não de 0,99% como constou. DA CONTRADIÇÃO 23. A D. PGFN argumenta : 5. Daí, surge a CONTRADIÇÃO, considerando os seguintes fatos: a) o v. acórdão ora embargado determina que DEVE SER DESCONTANDO O CRÉDITO PRESUMIDO DE 0,5777%; b) ocorre que no já mencionado v. acórdão no. 3301002.654, que restou transitado em julgado, constou ali que DEVERIAM SER DESCONTADOS O CRÉDITO PRESUMIDO DE 0,99%; Fl. 7372DF CARF MF Processo nº 11020.002797/200912 Acórdão n.º 3301006.481 S3C3T1 Fl. 7.365 17 c) ou seja, apesar de mencionar o v. acórdão ora embargado, que o julgado NÃO TEVE EFEITOS INFRINGENTES, aparentemente o teve, já que houve uma mudança no percentual que deveria ser descontado a título de crédito presumido. 24. De fato houve mudança no percentual do crédito presumido a ser aplicado, de 0,99% para 0,5775%. 25. Entretanto, como já explicitado, o Acórdão 3301002.654, que teve seu trânsito em julgado, está sendo corrigido por ocorrência de erro material no seu cálculo, portanto, não havendo a alegada contradição. 25. Desta forma, não conheço dos embargos, neste quesito. Conclusão 26. Assim, VOTO POR ACOLHER PARCIALMENTE OS EMBARGOS DECLARATÓRIOS, para esclarecer a omissão no Acórdão nº 3301005.688, declarando a correção do erro de cálculo cometido no Acórdão nº 3301002.654, admitindo como correto o percentual para o crédito presumido de 0,5775% e não de 0,99% como constou, para reconhecer o direito ao aproveitamento do crédito da Contribuição ao PIS/PASEP à alíquota de 1,65%, relativamente às notas fiscais das aquisições de trigo, pela recorrente, no período de 1ª/08/2004 a 04/04/2006, com suspensão da Contribuição ao PIS/PASEP, devendo ser descontado o crédito presumido de 0,5775 %. É como voto. Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 7373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11444.000780/2007-70
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
GLOSA DE DEPENDENTE
Apenas é passível de figurar como dependente o neto menor quando o avô possui a guarda judicial da criança.
GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ
A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de tais documentos como elementos de prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que foi efetuado.
ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE
Alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade não é pertinente do processo administrativo.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. LEGALIDADE
É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de oficio no percentual de 75% e de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.
Numero da decisão: 2003-000.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente
Gabriel Tinoco Palatnic - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente) Gabriel Tinoco Palatnic (Relator) e Wilderson Botto.
Nome do relator: GABRIEL TINOCO PALATNIC
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) GLOSA DE DEPENDENTE Apenas é passível de figurar como dependente o neto menor quando o avô possui a guarda judicial da criança. GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de tais documentos como elementos de prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que foi efetuado. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade não é pertinente do processo administrativo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. LEGALIDADE É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de oficio no percentual de 75% e de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte.
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GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. EXISTÊNCIA DE SÚMULA DE DOCUMENTAÇÃO TRIBUTARIAMENTE INEFICAZ A existência de "Súmula de Documentação Tributariamente Ineficaz" impede a utilização de tais documentos como elementos de prova de serviços prestados, quando apresentados isoladamente, sem apoio em outros elementos. Na falta de comprovação, por outros documentos hábeis, da efetiva prestação dos serviços médicos, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que foi efetuado. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE Alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade não é pertinente do processo administrativo. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE MULTA DE OFÍCIO E DE JUROS DE MORA. LEGALIDADE É cabível, por disposição literal de lei, a incidência de multa de oficio no percentual de 75% e de juros de mora com base na variação da taxa Selic, sobre o valor do imposto apurado em procedimento de oficio, que deverão ser exigidos juntamente com o imposto não pago espontaneamente pelo contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Francisco Ibiapino Luz - Presidente Gabriel Tinoco Palatnic - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente) Gabriel Tinoco Palatnic (Relator) e Wilderson Botto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 07 80 /2 00 7- 70 Fl. 438DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.166 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11444.000780/2007-70 Relatório Autuação e Impugnação Trata-se de Auto de Infração lavrado às fls. 3-11 em face do contribuinte acima identificado, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física (anos-calendários 2003 a 2006), por deduções indevidas de dependente, neta do mesmo, no valor de R$ 12.003,52, sendo R$ 4.867,52 relativos ao imposto; R$ 1.629,12 aos juros de mora; e, R$ 5.506,88 quanto à multa. Houve a deflagração da competente ação penal, que tramita separadamente destes autos. Regularmente intimado para apresentar documentos comprobatórios de sua Declaração de Imposto de Renda (fl. 12), notadamente o termo de guarda judicial de sua neta, Rafaela Lopes Medeiros, o contribuinte anexou o documento referente a outro neto, Diego Augusto Ribeiro Righetti. Assim, por não comprovar que possui a guarda judicial daquela, foram glosados valores referentes a despesas médicas e os pagos à Fundação Sabesp de Seguridade Social, em razão da desqualificação como dependente. O interessado, então, por intermédio de seu procurador, apresentou, tempestivamente, impugnação às fls. 166-178, onde alega, em síntese, que deixa de impugnar a glosa da dedução de despesas médicas relativa aos recibos emitidos pelo profissional Luis Antonio Menard; que tanto a sua filha, Fernanda Freitas Ribeiro Lopes, tanto quanto a referida neta, são dependentes do contribuinte; que embora não possua a guarda judicial desta, possui a guarda de fato; a ilegalidade e a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic; e, a inaplicabilidade de multa no percentual de 75%. Acórdão de Primeira Instância Ao apreciar a impugnação, a DRJ/SPOII, por unanimidade de votos, julgou procedente o crédito tributário, mantendo o crédito tributário no valor global de R$ 12.003,52 (doze mil, três reais e cinquenta e dois centavos), conforme fl. 385. Recurso Voluntário Cientificado da decisão em 10/11/2008 (fl. 415), o contribuinte interpôs em 08/12/2008, recurso voluntário (fls. 208-213), reiterando as alegações lançadas na impugnação e deixando de impugnar as glosas de deduções de despesas médicas do profissional Luis Antonio Menard, relativamente aos anos-calendários de 2004 e 2005. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Fl. 439DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.166 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11444.000780/2007-70 Voto Conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic - Relator Admissibilidade O contribuinte foi intimado via postal em 10/11/2008, e o recurso voluntário foi interposto em 08/12/2008, sendo, portanto, tempestivo o presente recurso. Por atender aos demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço e passo à sua análise. Mérito Cinge o presente recurso, nesta fase processual, pela possibilidade ou não de reconhecer a neta do contribuinte como apta a ser declarada como dependente daquele, para fins de Imposto de Renda. A resposta apenas seria positiva se o contribuinte tivesse comprovado, irrefutavelmente, a guarda judicial da mesma, mediante fotocópia da sentença constitutiva, o que não se incumbiu de fazer. Ao revés, o contribuinte confessa, à fl. 425, que somente possui a guarda de fato da neta, pois sua filha engravidou ainda como dependente econômica deste, vivendo os três na mesma residência. O princípio da legalidade administrativa, insculpido no caput do art. 37 da Constituição da República, apenas permite à Administração – e, por óbvio, à Administração Fazendária – fazer o que é permitido pelas balizas do ordenamento jurídico; nesse cenário, o inciso V do art. 77 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/1999) dispõe que poderão ser deduzidas despesas de irmão, neto ou bisneto, mas desde que haja a competente guarda judicial. Assim, não há previsão legal para prover o presente recurso voluntário. Como o contribuinte não trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar o julgado de piso, adoto como razão de decidir os fundamentos da decisão recorrida (fls. 383-393), à luz do disposto no § 3º do art. 57 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para manter o imposto no valor de R$ 7.827,31 (sete mil oitocentos e vinte e sete reais e trinta um centavos) e a multa de ofício no valor global de R$ 12.003,52 (doze mil, três reais e cinquenta e dois centavos). É como voto (assinado digitalmente) Fl. 440DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.166 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11444.000780/2007-70 Gabriel Tinoco Palatnic Fl. 441DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.001135/2005-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/02/2005
JULGAMENTO DE PROCESSO DE RESTITUIÇÃO, ORIGINÁRIO DE CRÉDITO DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO, ENSEJA ANÁLISE DO MÉRITO DA COMPENSAÇÃO.
Configurada a inexistência de decadência, e por outro giro, a existência de crédito no processo originário (de restituição), os motivos para a não apreciação do mérito deste processo (de compensação) não persistem, razão por que a autoridade preparadora, a luz do julgamento do processo originário do crédito, deve analisar o mérito do pedido de compensação deste expediente.
Numero da decisão: 3302-007.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 14/02/2005 JULGAMENTO DE PROCESSO DE RESTITUIÇÃO, ORIGINÁRIO DE CRÉDITO DE PROCESSO DE COMPENSAÇÃO, ENSEJA ANÁLISE DO MÉRITO DA COMPENSAÇÃO. Configurada a inexistência de decadência, e por outro giro, a existência de crédito no processo originário (de restituição), os motivos para a não apreciação do mérito deste processo (de compensação) não persistem, razão por que a autoridade preparadora, a luz do julgamento do processo originário do crédito, deve analisar o mérito do pedido de compensação deste expediente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
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Configurada a inexistência de decadência, e por outro giro, a existência de crédito no processo originário (de restituição), os motivos para a não apreciação do mérito deste processo (de compensação) não persistem, razão por que a autoridade preparadora, a luz do julgamento do processo originário do crédito, deve analisar o mérito do pedido de compensação deste expediente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Gerson Jose Morgado de Castro, Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 11 35 /2 00 5- 85 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10580.001135/200585 Acórdão n.º 3302007.397 S3C3T2 Fl. 54 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo relatório da decisão de primeira instância: Tratase o processo de Manifestação de Inconformidade, contra o Parecer SEORT PJ n° 252/2005 e Despacho Decisório da DRF/Salvador, que indeferiu o pedido de compensação de créditos relativos a recolhimentos indevidos da Contribuição para o PIS/PASEP, com fulcro nos Decretosleis n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, com débitos referentes ao PASEP. 2. Consta no Parecer denegatório que os créditos vinculados aos débitos relacionados no pedido de compensação se referem aos Pedidos de Restituição constantes dos processos n° 10580.002854/200351 (16/04/2003, no valor de R$2.405.766,02) e 10580.001146/200565 (08/10/2003 no valor de R$9.359.794,33), ambos indeferidos, não tendo sido reconhecido o crédito pleiteado em função da preliminar da decadência do direito de pedir, conforme pareceres n° 115 e 169. Com base nas disposições contidas na IN SRF n° 210, de 2002, atualmente contido no parágrafo 10 do artigo 26 da IN SRF n° 460, de 2004, a compensação não foi homologada. 3. Cientificada do Parecer, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que: • Os dois processos administrativos referidos no parecer foram regularmente contestados e a impugnação aguarda decisão final, por conseguinte, a própria decisão reconhece que existe caso de litispendência, sendo que a impugnação suspende, na forma do art. 151 do CTN a exigibilidade do crédito tributário, não sendo possível promover ao lançamento, cobrança deste valor enquanto pendentes as reclamações, razão pela qual requer que o processo seja sobrestado; • Ademais o prazo de decadência para reivindicar o pedido é de 10 e não de 5 anos, como pretende a decisão recorrida, pois ele é contado a partir da Resolução do Senado Federal que julgou inconstitucional a cobrança prévia administrativa ou judicial reivindicando o benefício, com base nos decretosleis 2.445 e 2.449; • Diversas decisões discutiram a natureza jurídica das contribuições ao PIS/PASEP, mas a matéria recebeu interpretação e solução definitiva através do Decreto n° 4.524, de 2.002, art.95.1, em decorrência da decisão da Egrégia Câmara de Recursos Fiscais, anexo 1, no julgamento do recurso 104.304, que transcreve; • Em caso idêntico a matéria foi submetida ao Supremo Tribunal Federai que deferiu o crédito relativo ao PASEP pago no mesmo Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.001135/200585 Acórdão n.º 3302007.397 S3C3T2 Fl. 55 3 período questionado na mesma demanda (1992/1996), o Estado do Rio Grande do Norte. Em 11/04/2006, a 4ª Turma da DRJ/SDR, por unanimidade de votos, não homologou a compensação, nos termos da ementa abaixo: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/02/2005 Ementa: COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não há como ser homologada a compensação relativa a créditos contra a União que não apresentem a certeza e a liquidez, comprovadas documentalmente. Somente se considera para fins de extinção da obrigação tributária a compensação que se respalde em direito creditório integralmente reconhecido e plenamente exigivel. PRAZO DECADENCIAL PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido, mesmo que o pagamento tenha sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação declaratória ou em recurso extraordinário, extinguese após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Compensação não Homologada Intimada da decisão, em 26/05/2006, consoante AR de fl. 31, a Recorrente interpôs recurso voluntário em 19/06/2006, consoante carimbo aposto na folha de rosto do recurso, fl. 32, no qual alegou inexistência de decadência, e no mérito, diz que o pedido de compensação foi feito na forma da lei. Por fim, requer seja relevada (sic) a preliminar de decadência, determinandose que a autoridade lançadora (sic) analise o mérito do pedido de compensação. Em 04/06/2009, o julgamento do processo foi convertido em diligência: O presente processo trata de compensação de créditos relativos a recolhimentos indevidos da Contribuição para o PIS/PASEP, com fulcro nos Decretosleis n°2.445 e 2.449, ambos de 1988, com débitos referentes ao PASEP. Neste processo não se discute se a interessada possui ou não crédito a compensar, nem cabe a discussão quanto ao prazo decadencial do direito de pedir a devolução dos valores pagos, que é matéria objeto dos pedidos de restituição, nos processos administrativos n° 10580.002854/200351 e 10580.001146/2005 Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.001135/200585 Acórdão n.º 3302007.397 S3C3T2 Fl. 56 4 65, apesar de os débitos ora em discussão estarem vinculados àqueles créditos (Recursos nº 133.804 e 133.805). Ocorre que esta Câmara já se posicionou, em sessão de 29 de junho de 2006, em processo cuja situação é idêntica, para determinar a baixa dos processos em diligência à DRF de Salvador para que fossem respondidas questões acerca do pagamento e/ou parcelamento dos débitos de cuja restituição se cuida. Tendo em conta tais fatos, que reputo suficientes, voto por converter o julgamento em diligência para que este processo seja devolvido à DRF de Salvador e seja instruído por aquela unidade da Receita Federal do Brasil com os resultados das diligências dos referidos processos nº 10580.002854/200351 e 10580.001146/200565 e só então devolvidos a este colegiado para prosseguir o julgamento. Em cumprimento da diligência, a autoridade fiscal juntou ao processo a informação fiscal que foi prestada pela equipe de parcelamento no processo n° 10580.002854/200351, que dava conta dos parcelamentos cadastrados. Concernente às bases de cálculo, a autoridade fiscal informou que não dispunha de informações para responder, intimando a recorrente a esclarecer o regime jurídico dos débitos parcelados, tendo esta respondido que foram os débitos parcelados foram calculados com base nos Decretoslei nº 2445/88 e 2449/88. Posteriormente, o expediente foi encaminhado a esta Turma ordinária para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A compensação deste contencioso depende da sorte do pedido de restituição do processo n° 10580.002854/200351, pois o crédito deste aqui tem origem naquela lá. O despacho decisório da unidade de origem não homologou a compensação porque naquela oportunidade havia sido declarada a decadência do direito de restituir naquele processo originário. A decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ratificou o despacho decisório, não acolheu a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação, por inexistência do crédito. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.001135/200585 Acórdão n.º 3302007.397 S3C3T2 Fl. 57 5 Em sede de recurso voluntário, foi baixado em diligência, para verificar o resultado de diligências no processo n° 10580.002854/200351. Pois bem, além da juntada do resultado das diligências naquele outro processo, atualmente temse também o julgamento daquele, em 27/01/2016, acórdão nº 3302003.024, no sentido de afastar a decadência do pedido restituitório e ainda de que há sim crédito a ser aproveitado em pedidos de compensação. Confirase o penúltimo parágrafo do voto e o dispositivo: Frisese, ainda, que a recorrente mencionou na resposta ao termo de intimação que as seguintes declarações de compensação utilizaram créditos demonstrados nos pedidos de restituição anteriormente mencionados: 10580.004601/200312, 10580.002855/200304, 10580.001864/200370, 10580.000445/200311, 10580.001227/200301, 10580.013402/200214, 10580.012202/200244 e 10580.011634/200238. Assim, a apuração de crédito a restituir deve ser efetuada, considerando os créditos porventura já utilizados nas referidas declarações de compensação, a afim se evitar a duplicidade de utilização do mesmo direito creditório. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a decadência do pedido de restituição de pagamentos efetuados entre maio/1993 e 1996, vinculados a fatos geradores da contribuição de abril/1993 em diante, ressalvado o direito de a autoridade administrativa apurar a liquidez e certeza do direito creditório, mediante a aplicação da semestralidade prevista no Decreto 71.618/72 até a edição da MP nº 1.212/95. Configurada a inexistência de decadência, e por outro giro, a existência de crédito no processo originário (de restituição), os motivos para a não apreciação do mérito deste processo (de compensação) não persistem. Vale rememorar que a não homologação da compensação no despacho decisório e na decisão recorrida ocorreu por inexistência de crédito tão somente. Notase que apesar do pedido da recorrente relevação da decadência (que deve ser entendido como afastamento do óbice decadencial) a matéria decadência não foi enfrentada pela decisão recorrida: (...) Verificase que o presente processo de compensação não visa discutir se a interessada possui ou não crédito a compensar, não cabendo ainda a discussão quanto ao prazo decadencial do direito de pedir a devolução dos valores pagos, que é matéria objeto dos pedidos de restituição, nos processos administrativos n° 10580.002854/200351 e 10580.001146/200565, apesar de os débitos ora em discussão estarem vinculados àqueles créditos. 7. Discutese, se o procedimento compensatório adotado pela contribuinte atendeu à legislação que disciplina a matéria. Neste sentido, constatase que os pedidos de restituição foram Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10580.001135/200585 Acórdão n.º 3302007.397 S3C3T2 Fl. 58 6 indeferidos pela DRF/Salvador, e as Manifestações de Inconformidade da interessada foram julgadas improcedentes por esta Delegacia de Julgamento, nos termos dos Acórdãos DRJ/SDR n° 9.390/2005 e 9.391 ambos de 2005, que concluíram pela inexistência dos supostos créditos amparados por pressupostos de semestralidade da apuração da base de cálculo da contribuição para o PASEP, e pela decadência do direito de pedir restituição de valores pagos indevidamente ou a maior. Cumpre, outrossim, ilustrar o voto com os fatos de que a data do pedido de compensação é 15/09/2004 e o pedido de restituição no processo origem é de 16/04/2003. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para determinar que a autoridade preparadora, a luz do julgamento do processo originário do crédito, analise o mérito do pedido de compensação deste expediente. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19740.000623/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUXÍLIO-BABÁ. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA LEGAL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 01/2014. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA.
Integra o salário-de-contribuição o benefício auxílio-babá no caso de não haver a comprovação do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, conforme art. 214, § 9°, XXIV do Decreto 3.048/99.
A aplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 01/2014, resultante da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, que embasa a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de auxílio-babá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010.
Numero da decisão: 9202-008.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela Conselheira Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUXÍLIO-BABÁ. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA LEGAL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 01/2014. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA. Integra o salário-de-contribuição o benefício auxílio-babá no caso de não haver a comprovação do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, conforme art. 214, § 9°, XXIV do Decreto 3.048/99. A aplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 01/2014, resultante da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, que embasa a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de auxílio-babá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela Conselheira Miriam Denise Xavier.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1782; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA ECONOMIA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19740.000623/200811 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202008.076 – 2ª Turma Sessão de 25 de julho de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ICATU SEGUROS S.A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUXÍLIOBABÁ. DESCUMPRIMENTO DE EXIGÊNCIA LEGAL. NATUREZA REMUNERATÓRIA. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 01/2014. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA DESPESA. Integra o saláriodecontribuição o benefício auxíliobabá no caso de não haver a comprovação do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, conforme art. 214, § 9°, XXIV do Decreto 3.048/99. A aplicabilidade do Ato Declaratório PGFN nº 01/2014, resultante da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, que embasa a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de auxíliobabá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 06 23 /2 00 8- 11 Fl. 835DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Patrícia da Silva, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Paula Fernandes, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Mário Pereira de Pinho Filho (Presidente em Exercício). Ausente a Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo, substituída pela Conselheira Miriam Denise Xavier. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2402002.395 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 20 de janeiro de 2012, no qual restou consignada a seguinte ementa, fl. 755: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUXÍLIOBABÁ. NATUREZA INDENIZATÓRIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO STJ. REGIME DO ARTIGO 543C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. O auxíliobabá não é espécie de benefício distinta do auxílio creche, mas tão somente uma modalidade alternativa para a permanência segura e apropriada da criança no período de ausência de seus pais para cumprimento da jornada de trabalho. Como tal, deve ser dispensado à essa modalidade do benefício o mesmo tratamento tributário do auxíliocreche: Súmula STJ nº 310, de 11/05/2005 e Parecer PGFN/CRJ n° 2600/2008. O recurso mencionado anteriormente (fls. 633 a 646), foi admitido por meio do Despacho de fls. 789 a 792, para rediscutir a incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre o auxíliobabá. Em seu recurso, aduz a Fazenda, em síntese: a) o pagamento realizado a título de auxíliobabá não pode se confundir com o de auxíliocreche, pois tais verbas possuem enquadramentos diferentes no art. 214, § 9º, do RGPS; b) pelo que consta dos autos, não foram apresentados, durante a ação fiscal, a totalidade dos documentos comprovando a efetiva despesa de seus funcionários com pagamento de auxíliobabá para justificar o respectivo reembolso; c) a autuada limitouse a apresentar a Carteira de Trabalho da Babá, documento esse que, por si só, não é suficiente para comprovar a efetiva ocorrência das despesas, já que não evidencia a continuidade da relação de trabalho, nem tampouco que houve pagamento dos salários, além do recolhimento das contribuições previdenciárias devidas; Fl. 836DF CARF MF Processo nº 19740.000623/200811 Acórdão n.º 9202008.076 CSRFT2 Fl. 3 3 d) não restando comprovado o alegado caráter indenizatório de tais verbas, não restou outra alternativa à fiscalização senão considerar os referidos valores pagos ou creditados como em conformidade com a legislação permanente, constituindose em salários indiretos, consoante artigo 214, § 10, do Regulamento da Previdência Social; e) merece reforma a decisão recorrida, pois a contribuinte não apresentou as provas exigidas pelo RGPS. Intimada, a Contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 809 e seguintes, alegando, em síntese: a) em momento algum, foi suscitado pela Receita Federal do Brasil o desvio de finalidade do auxíliobabá, ou ainda, que ele tenha sido concedido como remuneração camuflada; b) no caso, independentemente da apresentação dos comprovantes exigidos pela fiscalização, há presunção de que a empregada arcou com os custos da babá, uma vez que o empregador não lhe disponibilizou, nas suas dependências, local para guardar seus filhos; c) a matéria foi recentemente julgada pelo STJ, sob o ritos dos repetitivos, no REsp 1.146.772/DF; d) a conclusão do julgado referido ensejou a edição da súmula 310 do STJ; e) o auxíliobabá, assim como o auxíliocreche, também trata se de verba de caráter eminentemente indenizatório e intimamente relacionada ao auxíliocreche; f) mostrase inequívoca a aplicação do art.62A do RICARF ao presente caso. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Conheço do recurso, pois presentes os pressupostos de admissibilidade. Consoante consta do relatório Fiscal de fls. 188 e seguintes, os créditos constituídos destinamse a outras entidades ou fundos e incidem sobre a mesma base de cálculo utilizada para o cálculo das contribuições destinadas à Previdência Social, sendo devidas pela empresa em relação a segurados empregados que lhe prestam serviços. O objeto da matéria suscitada no presente Recurso Especial cingese à discussão quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre auxíliobabá. Fl. 837DF CARF MF 4 Sobre o tema, a fiscalização assim tratou no âmbito do Relatório Fiscal:: 5.6 Cabe ressaltar que quando se trata de comprovação de despesas, formulários preenchidos pelos próprios funcionários quando da solicitação do beneficio não comprovam despesa alguma, comprovam apenas que o funcionário solicitou o recebimento de tal auxilio. No que se refere à cópia da CTPS — Carteira de trabalho da Babá, não obstante este ser um dos documentos exigidos pela legislação para que não haja incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxilio baba, ele por si só não 6 bastante suficiente para a comprovação da efetiva despesa já que não evidencia a continuidade do contrato de trabalho, nem tampouco que houve o efetivo pagamento dos salários devidos à babá. Pelo que se extrai do acórdão recorrido, foi fundamento para o provimento do recurso voluntário, quanto à matéria sob análise, a desnecessidade de comprovação da despesa por meio de recibo de pagamento e pelas cópias do RGPS, exigência contida no Acórdão da Delegacia de Origem, consoante abaixo transcrito: AUXILIO BABÁ, além de se poder comprovar nos documentos apresentados pela Impugnante a idade da criança que deu origem ao crédito e o responsável que o recebeu, há necessidade também da comprovação de despesa que continua sendo exigida pela legislação, ou seja há necessidade de constar o recibo de pagamento e a cópias da GPS. Tendo em vista a convergência do meu entendimento com o esposado pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, em situação fática similar, no Acórdão n.º 9202006.171, em 26 de outubro de 2017, de sua relatoria, utilizome dos fundamentos adotados naquela ocasião, conforme passo a expor: Analisando o caso concreto, fica claro que inaplicável o ato declaratório descrito pela relatora, uma vez que as situações ali esplanadas não se subsumem a tese trazida no parecer. De igual forma, inaplicável o julgado transcrito pela relatora do voto vencido, novamente por tratarse de situações fáticas distintas. A lei 8.212/91 é clara em definir no art. 28, §9º, "s", as parcelas excluídas do conceito de salário de contribuição, senão vejamos: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; Embora a lei não faça expressa previsão do pagamento feito à título de auxílio babá, o Decreto nº 3048/99 em seu art. 214, §9º, incisos XXIII e XXIV assim dispõem: § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: Fl. 838DF CARF MF Processo nº 19740.000623/200811 Acórdão n.º 9202008.076 CSRFT2 Fl. 4 5 XXIII o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança, quando devidamente comprovadas as despesas; (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) XXIV o reembolso babá, limitado ao menor saláriodecontribuição mensal e condicionado à comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária, pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade da criança; e (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Ou seja, o legislador impõe condições para que o auxílio babá possa ser excluído do conceito de salário de contribuição, quais sejam: limitado ao menor saláriodecontribuição mensal, condicionado à comprovação do registro na CTPS da empregada, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária e observado o limite máximo de seis anos de idade da criança. Contudo, o citado Ato Declaratório nº 01/2014 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional, consubstanciado nas decisões reiteradas do STJ, o qual baseouse a relatora para fundamentar seu voto, não acolhe a interpretação por ela adotada. Notese que o próprio trecho do voto Acórdão 9202005.674, transcrito pela relatora, em alusão ao Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013, deixa claro a inaplicabilidade ao caso ora sob análise: 25. Não se deve olvidar que a dispensa para recorrer e contestar somente deve incidir sobre os autos em que efetivamente comprovadas as despesas realizadas a título de reembolsobabá, nos termos do Decreto n.º 3.265, de 29 de novembro de 1999, como salientado no Parecer PGFN/CRJ/N.º 466/2010, abaixo transcrito: (…) que se oriente a carreira de Procuradores da Fazenda Nacional para que, quando se depararem com processos da espécie, não restando devidamente demonstrado nos autos a efetiva utilização do auxíliocreche para sua finalidade, sobre ele deve incidir tributação, e o Procurador da Fazenda responsável pela condução do respectivo processo deverá impugnar esta questão, bem assim recorrer de decisões judiciais contrárias a esse entendimento. Com efeito, corrobora o exposto no parágrafo anterior o contido no texto do próprio Ato Declaratório n. 11, de 01/12/2008, publicado no D.O.U de 11/12/2008, que autoriza “a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante…” e, neste caso, a ausência de comprovação das despesas realizadas configura fundamento relevante a excepcionar a dispensa de contestar e recorrer. (grifouse) Fl. 839DF CARF MF 6 26. Destaquese que embora o Parecer acima citado se refira ao auxíliocreche, podese afirmar que por serem institutos que se equiparam e que, inclusive, como dito, são tratados pelos tribunais como similares, aplicamse ao reembolsobabá as mesmas premissas nele utilizadas. Ou seja, a dispensa somente estaria autorizada quando comprovadas as despesas que fundamentaram o seu pagamento. Notese que em virtude do parecer transcrito acima, foi editado o Ato Declaratório nº 01/2014 da Procuradora Geral da Fazenda Nacional, o qual determina que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que não incide imposto de renda ou contribuição previdenciária sobre verbas recebidas a título de reembolsobabá.” Referido ato declaratório, decorre da aprovação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 pelo Ministro da Fazenda nos termos de despacho publicado em 13.12.2013, contudo, restou claro que a sua aplicabilidade estava restrita aos casos em que expressa a comprovação das despesas, o que não é o caso dos autos, senão vejamos trecho do relatório fiscal: 5. SITUAÇÃO FÁTICA 5.1 Na análise das Folhas de Pagamentos do ano de 2004, foi detectada a ocorrência de pagamentos sob o título de Auxílio Creche, Auxílio Creche—Mês Anterior, Auxílio Babá e Auxílio Babá—Mês Anterior. Em anexo, cópia dos os resumos das folhas de pagamento (fls. 1%). 5.2. Foram solicitados os comprovantes de despesas com Creche relativos a todos os empregados que receberam esta rubrica e comprovação do registro na Carteira de Trabalho e Previdência Social, do pagamento da remuneração e do recolhimento da contribuição previdenciária da empregada em relação àqueles que receberam o Auxilio Babá. 5.3. Ocorre que a empresa não logrou apresentar a maior parte dos comprovantes solicitados, apresentando apenas os relativos a treze funcionários, ficando claro que a empresa não observou os requisitos legais para efetuar o pagamento destes valores, passando estes a integrar a base do salário de contribuição previdenciária. 5.4. Em anexo (fls. VSut ), encontrase uma lista com todos os pagamentos efetuados em desobediência aos preceitos legais, ou seja, sem a comprovação das despesas com creche ou babá, contendo as informações do empregado, o valor pago e o mês do pagamento, além de cópia dos 1110 resumos mensais da folha de pagamento. Fl. 840DF CARF MF Processo nº 19740.000623/200811 Acórdão n.º 9202008.076 CSRFT2 Fl. 5 7 5.5. Foram excluídos os valores pagos àqueles segurados empregados que apresentaram a documentação bastante e suficiente para comprovar as despesas de acordo com a lei. 5.6. Cabe ressaltar que, quando se trata de comprovação de despesas, formulários preenchidos pelos próprios funcionários quando da solicitação do benefício, não comprovam despesa alguma, comprovam apenas que o funcionário solicitou o recebimento do tal auxílio. No que se refere à cópia da Carteira de Trabalho da babá, não obstante este ser um dos' documentos exigidos pela legislação para que não haja incidência de contribuições previdenciárias sobre o auxílio babá, não é bastante e suficiente para a comprovação da efetiva despesa já que não evidencia a continuidade do contrato de trabalho, o efetivo pagamento dos salários devidos à,babá nem o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas. Pelos trechos transcritos acima fica claro que não logrou o sujeito passivo apresentar o comprovante de pagamento feito a babá, documento este necessário para demonstrar o caráter indenizatório previsto nas decisões do STJ que culminaram com a publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 2.271/2013 e Ato declaratório PGFN nº 01/2014. Dessa forma, inaplicável o entendimento exarado pela relatora, inclusive citando o art. 62, §1º, II, c da Portaria MF nº 343/15, posto que o citado Ato Declaratório expressamente exclui a situação ora sob julgamento do seu alcance. Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, e no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 841DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.720335/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.211
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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A requerente, não se conformando com o resultado, apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente, nos termos do Acórdão nº 14- 069.798. Irresignado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, em síntese, alega: DA SUSPENSÃO - Demonstrar-se-á neste texto que o contribuinte possui direito ao cumprimento dos ditames constitucionais da não-cumulatividade, especialmente sobre a possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes do sistema de suspensão. DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/COFINS RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 66 .7 20 33 5/ 20 11 -0 8 Fl. 474DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.211 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720335/2011-08 - descreve legislação, jurisprudência e doutrina que tratam do sistema da não- cumulatividade para a Contribuição ao PIS/PASEP e a COFINS DO REGIME DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES DO PIS/COFINS NO CASO DE VENDAS COM SUSPENSÃO - as vendas efetuadas com suspensão, isenção ou alíquota zero ou não incidência do PIS/COFINS não impediam a manutenção pelo vendedor dos créditos vinculados a estas operações. DA QUESTÃO TEMPORAL - Assim, não se pode delimitar o prazo de vigência de uma lei benéfica ao contribuinte com base neste dispositivo. A lei 10.925/2004 entrou em vigor, conforme seu artigo 18, na data de sua publicação, ou seja, 26/07/2004. Percebe-se que, pela leitura do parágrafo referido, os "termos" e "condições" serão estabelecidos pela Secretaria da receita Federal. Em momento algum se diz que cabe a esta determinara a data de vigência da lei. IGUALDADE TRIBUTÁRIA - IN da SRF não tem força de Lei. Não pode portanto, limitar o aproveitamento de crédito dos contribuintes DO CRÉDITO PRESUMIDO - Foi desconsiderado pelo senhor Auditor Fiscal a necessidade imperiosa de refazer o cálculo do crédito presumido, uma vez que foi a base de cálculo elevada, deve-se aumentar a o valor do crédito presumido, no caso do indeferimento da concessão dos créditos vinculados às operações com suspensão. DO RATEIO DOS CRÉDITOS - Neste ponto, também a ser analisado no caso de indeferimento da concessão dos créditos vinculados à suspensão, deve haver a correta distribuição dos créditos. Se reformada a decisão, este pedido perde seu objeto, mas uma vez não ocorrendo o deferimento do requerido previamente apresentado neste recurso, esta distribuição deve ser corretamente observada, pois não há falar diretamente em proporcionalidade, como considerado. DA AMPLIAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS - defende que a interpretação restritiva do conceito de insumos deve ser ampliada, para se coadunar com a vontade da legislação. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3301- 001.188, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 16366.000020/2010-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 475DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.211 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720335/2011-08 Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3301-001.188): “8.O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, sendo tempestivo dele, portanto, tomo conhecimento. 9.Na origem, a controvérsia originou-se da análise dos créditos pleiteados de PIS/PASEP não-cumulativo, vinculados à receita de exportação (art. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 ). 10.A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos e serviços utilizados como insumos. Para tanto, informou a fiscalização que a empresa apresentou toda a documentação solicitada. 11.Ademais, foram ainda solicitados ao longo da fiscalização: as notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos; o descritivo do processo produtivo da empresa e principais insumos utilizados na atividade da recorrente, inclusive industrialização. 12.Como se vê, um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa da contribuição ao PIS./PASEP. 13.A Recorrente pleiteia todos créditos por entendê-los como essenciais para sua atividade. 14.Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. 15.O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. 16.Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é mais amplo do que o adotado pela Fiscalização. 17.Esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da não- cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. 18.Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. 19.Portanto, a contenda no presente caso gira em torno da possibilidade de serem considerados como insumos os dispêndios incorridos no processo produtivo da recorrente, em sendo considerados insumos, se estes podem originar créditos a serem utilizados como determina a legislação da Contribuição ao PIS/PASEP, na sistemática da não cumulatividade. DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA RECORRENTE Fl. 476DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.211 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720335/2011-08 20.De acordo com o Estatuto Social da recorrente, ás fls. 159/208 dos autos digitais, suas atividades são : Art. 2° - A CONFEPAR tem como objetivo atuar no ramo industrial e comercial de alimentos em complemento às atividades desenvolvidas por suas filiadas, proporcionando seu desenvolvimento sócio-econômico e por conseqüência de seus cooperados. Art. 3° - No cumprimento de seus objetivos a CONFEPAR, que não tem finalidade lucrativa própria, terá como política gerar a prática de ajuda mútua, voltada ao desenvolvimento agro-industrial e prestação de serviços, bem como buscar a agregação de valores ao produto repassado pelas suas filiadas, desenvolvendo para tanto as seguintes estratégias: a) receber, industrializar e comercializar a matéria prima enviada pelas filiadas transformando-a em produtos alimentícios agro-industrializados, na qualidade exigida pelo mercado nos volumes programados e negociados; b) estabelecer parcerias, ou associar-se com empresas cooperativas ou não, adquirindo ou prestando serviços compatíveis com as suas atividades ou instalações industriais, mediante aprovação de Assembléia Geral, respeitando a legislação vigente; c) atuar na exportação ou importação de produtos que tenham direta nu indiretamente relação com suas atividades, no interesse das filiadas; d) manter, dentro de suas condições financeiras, centros de pesquisas, laboratórios, usinas piloto, buscando dessa forma o lançamento de produtos e o constante aprimoramento da qualidade e dos processos industriais, podendo para a consecução destes objetivos, contratar serviços ou estabelecer parcerias com outras empresas cooperativas ou não; e) representar suas filiadas nas negociações por recursos perante entidades públicas ou privadas e em ações de caráter coletivo na defesa de seus interesses e de seus associados, mediante apresentação de mandato específico; f) prestar serviços de transformação e beneficiamento da produção das cooperativas filiadas, e vendas específicas que venham a ser determinadas e disciplinadas pelo Conselho de Administração, nos mercados nacionais e internacionais; g) fomentar a atividade de produção leiteira, mediante o aprimoramento do plantei, através da aquisição de matrizes e seu repasse aos produtores vinculados às suas filiadas, desde que os referidos produtores atendam a todas as exigências e condições impostas pela área técnica. Parágrafo Único: Para melhor realização dos objetivos a CONFEPAR poderá adquirir produtos, desde que não seja na mesma área de atuação de suas Filiadas, ressalvados os casos autorizados pelas filiadas envolvidas, ou prestar serviços a terceiros para suprir capacidade ociosa ou cumprimento de contratos. 21.O Termo de Informação Fiscal, ás fls. 9/37 dos autos digitais também descrevem as atividades da recorrente : 12. Em seu estatuto social de fls. 48, informa ser “Sociedade Cooperativa de Produção”, que “receber, industrializar e comercializar a matéria-prima enviada pelas filiadas transformando-a em produtos alimentícios agro-industrializados”. Fl. 477DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.211 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720335/2011-08 13. As cooperativas associadas à requerente, durante o período em análise, encontram-se registradas nas Fichas de Matrículas de Associadas, juntadas às fls. 52. 14. A interessada tem por atividade econômica a fabricação de laticínios (Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE nº 1052-0-00), conforme informação constante de sistema CNPJ (fls. 53). 15. A descrição do processo produtivo encontra-se na mesma declaração, onde são informados também os produtos fabricados e comercializados pela empresa (fls. 50): ## Leite cru refrigerado padronizado (NCM nº 0401.20.90); ## Leite Pasteurizado (NCM nº 0401.20.90); ## Queijo Muçarela e Prato (NCM nº 0406.10.10 e 0406.90.20); ## Leite em pó (NCM nº 0402.21.10 ou 0402.21.20); ## Soro de leite em pó (NCM nº 0404.10.00); ## Leitelho em pó (NCM nº 0403.90.00); ## Bebida Láctea (NCM nº 0404.90.00); ## Leite UHT (NCM nº 0401.10.10 ou 0401.20.10); ## Creme de leite (NCM nº 0401.30.29); ## Manteiga (NCM nº 0405.10.00) e ## Leite concentrado (NCM nº 0402.91.00). O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS. 22.Tema polêmico que vem sendo enfrentado desde o surgimento do Princípio da Não Cumulatividade para as contribuições sociais, instituído no ordenamento jurídico pátrio pela Emenda Constitucional nº 42/2003, que adicionou o § 12 ao artigo 95 da Constituição Federal, onde se definiu que os setores de atividade econômica que seriam atingidos pela nova e atípica sistemática da não cumulatividade seriam definidos por legislação infraconstitucional, diferentemente da sistemática de não cumulatividade instituída para os tributos IPI e ICMS, que já está definida no próprio texto constitucional. Portanto, a nova sistemática seria definida por legislação ordinária e não pelo texto constitucional, estabelecendo a Carta Magna que a regulamentação desta sistemática estaria a cargo do legislador ordinário. 23.Assim, a criação da sistemática da não cumulatividade para a Contribuição para o PIS/Pasep se deu pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, onde o Inciso II do seu artigo 3º autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados á venda. 24.Mais tarde, muitos textos legais surgiram para instituir novos créditos, inclusive presumidos, para serem utilizados sob diversas formas : dedução do valor das contribuições devidas, apuradas ao final de determinado período, compensação do saldo acumulado de créditos com débitos titularizados pelo adquirente dos insumos e até ressarcimento, em, espécie, do valor do saldo acumulado de créditos, na impossibilidade ser utilizados nas formas anteriores. 25.Por ser o órgão governamental incunbido da administração, arrecadação e fiscalização da Contribuição ao PIS/Pasep, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa de nº 247/2002, onde informa o conceito de insumos passíveis de Fl. 478DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3301-001.211 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720335/2011-08 creditamento pela Contribuição ao PIS/Pasep, sendo que a definição de insumos adotada pelo ato normativo foi considerada excessivamente restritiva, pois aproximou-se do conceito de insumo utilizado pela sistemática da não cumulatividade do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no artigo 226 do Decreto nº 7.212/2010 – Regulamento do IPI , pois definia que o creditamento seria possível apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, sofrendo desgaste pelo contato com o produto a ser atingido ou com o próprio processo produtivo, ou seja, para que o bem seja considerado insumo ele deve ser matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. 26.Consideram-se, também, os insumos indiretos, que são aqueles não envolvidos diretamente no processo de produção e, embora frequentemente também sofram alterações durante o processo produtivo, jamais se agregam ao produto final, como é o caso dos combustíveis. 27.Mais tarde, evoluiu-se no estudo do conceito de insumo, adotando-se a definição de que se deveria adotar o parâmetro estabelecido pela legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, que tem como premissa os artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda, onde se poderia inserir como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens e serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. A doutrina e a jurisprudência concluíram que tal procedimento alargaria demais o conceito de insumo, equiparando-o ao conceito contábil de custos e despesas operacionais que envolve todos os custos e despesas que contribuem para atividade da empresa, e não apenas a sua produção, o que provocaria uma distorção na legislação instituidora da sistemática. 28.Reforçam estes argumentos na medida em que, ao se comparar a sistemática da não cumulatividade para o IPI e o ICMS e a sistemática para a Contribuição ao PIS/Pasep, verifica-se que a primeira tem como condição básica o destaque do valor do tributo nas Notas Fiscais de aquisição dos insumos, o que permite o cotejo destes valores com os valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria do estabelecimento adquirente dos insumos, tendo-se como resultado uma conta matemática de dedução dos valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria contra os valores pagos/compensados na entrada dos insumos, portanto os valores dos créditos estão claramente definidos na documentação fiscal dos envolvidos, adquirentes e vendedores. 29.Em contrapartida, a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep criou créditos, por intermédio de legislação ordinária, que tem alíquotas variáveis, assumindo diversos critérios, que, ao final se relacionam com a receita auferida e não com o processo produtivo em si, o que trouxe a discussão de que os créditos estariam vinculados ao processo de obtenção da receita, seja ela de produção, comercialização ou prestação de serviços, trazendo uma nova característica desta sistemática, a sua atipicidade, pois os créditos ou valor dos tributos sobre os quais se calculariam os créditos, não estariam destacados nas Notas Fiscais de aquisição de insumos, o que dificultaria a sua determinação. 30.Portanto, haveria que se estabelecer um critério para a conceituação de insumo, nesta sistemática atípica da não cumulatividade das contribuições sociais. 31.Há algum tempo vem o CARF pendendo para a idéia de que o conceito de insumo, para efeitos os Inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com um critério próprio : o da essencialidade, ou seja, para a definição de insumo busca- se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo, e a atividade realizada pelo seu adquirente. Fl. 479DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3301-001.211 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720335/2011-08 32.Desta forma, para que se verifique se determinado bem ou serviço adquirido ou prestado possa ser caracterizado como insumo para fins de geração de crédito de PIS/Pasep, devem ser levados em consideração os seguintes aspectos : - pertinência ao processo produtivo, ou seja, a aquisição do bem ou serviço para ser utilizado especificamente na produção do bem ou prestação do serviço ou, para torná-lo viável. - essencialidade ao processo produtivo, ou seja, a produção do bem ou a prestação do serviço depende diretamente de tal aquisição, pois, sem ela, o bem não seria produzido ou o serviço não seria prestado. - possibilidade de emprego indireto no processo de produção, ou seja, não é necessário que o insumo seja consumido em contato direto com o bem produzido ou seu processo produtivo. 33.Por conclusão, para que determinado bem ou prestação de serviço seja definido como insumo gerador de crédito de PIS/Pasep, é indispensável a característica de essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, para obtenção da receita da atividade econômica do adquirente, direta ou indiretamente, sendo indispensável a comprovação de tal essencialidade em relação á obtenção da respectiva receita. 34.Pondo um fim á controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a mesma posição, refletida no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que se tornou emblemático para a doutrina e a jurisprudência, ao definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o conceito na ementa, assim redigida : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Fl. 480DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3301-001.211 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720335/2011-08 Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 35.Neste contexto histórico, a Secretaria da Receita Federal, vinculada a tal decisão por força do disposto no artigo 19 da lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ, e alinhar suas ações á nova realidade desenhada por tal decisão. 36.Interessante destacar alguns trechos do citado Parecer : 9. Do voto do ilustre Relator, Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, mostram-se relevantes para este Parecer Normativo os seguintes excertos: “39. Em resumo, Senhores Ministros, a adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas diretas e indiretas do contribuinte, abrangendo, portanto, as que se referem à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final. 40. Talvez acidentais sejam apenas certas circunstâncias do modo de ser dos seres, tais como a sua cor, o tamanho, a quantidade ou o peso das coisas, mas a essencialidade, quando se trata de produtos, possivelmente será tudo o que participa da sua formação; deste modo, penso, respeitosamente, mas com segura convicção, que a definição restritiva proposta pelas Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, da SRF, efetivamente não se concilia e mesmo afronta e desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que explicita rol exemplificativo, a meu modesto sentir'. 41. Todavia, após as ponderações sempre judiciosas da eminente Ministra REGINA HELENA COSTA, acompanho as suas razões, as quais passo a expor:(...)” (fls 24 a 26 do inteiro teor do acórdão) ………………………………….. 10. Por sua vez, do voto da Ministra Regina Helena Costa, que apresentou a tese acordada pela maioria dos Ministros ao final do julgamento, cumpre transcrever os seguintes trechos: “Conforme já tive oportunidade de assinalar, ao comentar o regime da não- cumulatividade no que tange aos impostos, a não-cumulatividade representa autêntica aplicação do princípio constitucional da capacidade contributiva (...) Em sendo assim, exsurge com clareza que, para a devida eficácia do sistema de não-cumulatividade, é fundamental a definição do conceito de insumo (...) (...) Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a importância de determinado item - bem Fl. 481DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3301-001.211 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720335/2011-08 ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (...) Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” (fls 75, e 79 a 81 da íntegra do acórdão) ………………………. 11. De outra feita, do voto original proferido pelo Ministro Mauro Campbell, é interessante apresentar os seguintes excertos: “Ressalta-se, ainda, que a não-cumulatividade do Pis e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (...), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia produtiva, mas sim o processo produtivo de um determinado produtor ou a atividade-fim de determinado prestador de serviço. (...) Sendo assim, o que se extrai de nuclear da definição de "insumos" (...) é que: 1º - O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizá-los (pertinência ao processo produtivo); 2º - A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º - Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Ora, se a prestação do serviço ou produção depende da própria aquisição do bem ou serviço e do seu emprego, direta ou indiretamente, na prestação do serviço ou na produção, surge daí o conceito de essencialidade do bem ou serviço para fins de receber a qualificação legal de insumo. Veja-se, não se trata da essencialidade em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade em relação ao próprio processo produtivo. Os combustíveis utilizados na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles as máquinas param. Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de produção. Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou Fl. 482DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3301-001.211 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720335/2011-08 da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. (...) Em resumo, é de se definir como insumos, para efeitos do art. 3°, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3°, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.” (fls 50, 59, 61 e 62 do inteiro teor do acórdão) ……………………………………. 12. Já do segundo aditamento ao voto lançado pelo Ministro Mauro Campbell, insta transcrever os seguintes trechos: “Contudo, após ouvir atentamente ao voto da Min. Regina Helena, sensibilizei-me com a tese de que a essencialidade e a pertinência ao processo produtivo não abarcariam as situações em que há imposição legal para a aquisição dos insumos (v.g., aquisição de equipamentos de proteção individual - EPI). Nesse sentido, considero que deve aqui ser adicionado o critério da relevância para abarcar tais situações, isto porque se a empresa não adquirir determinados insumos, incidirá em infração à lei. Desse modo, incorporo ao meu as observações feitas no voto da Min. Regina Helena especificamente quanto ao ponto, realinhando o meu voto ao por ela proposto. Observo que isso em nada infirma o meu raciocínio de aplicação do "teste de subtração", até porque o descumprimento de uma obrigação legal obsta a própria atividade da empresa como ela deveria ser regularmente exercida. Registro que o "teste de subtração" é a própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” (fls 141 a 143 da íntegra do acórdão) ………………………………………………………………….. 13. De outra banda, do voto da Ministra Assusete Magalhães, interessam particularmente os seguintes excertos: “É esclarecedor o voto da Ministra REGINA HELENA COSTA, no sentido de que o critério da relevância revela-se mais abrangente e apropriado do que o da pertinência, pois a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.(...) Sendo esta a primeira oportunidade em que examino a matéria, convenci-me - pedindo vênia aos que pensam em contrário - da posição intermediária sobre o assunto, adotada pelos Ministros REGINA HELENA COSTA e MAURO CAMPBELL MARQUES, tendo o último e o Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO realinhado seus votos, para ajustar-se ao da Ministra REGINA HELENA COSTA.” (fls 137, 139 e 140 da íntegra do acórdão) Fl. 483DF CARF MF Fl. 11 da Resolução n.º 3301-001.211 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720335/2011-08 ……………………………………………... 19. Prosseguindo, verifica-se que a tese acordada pela maioria dos Ministros foi aquela apresentada inicialmente pela Ministra Regina Helena Costa, segundo a qual o conceito de insumos na legislação das contribuições deve ser identificado “segundo os critérios da essencialidade ou relevância”, explanados da seguinte maneira por ela própria (conforme transcrito acima): a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. 20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. …………………………………………………………… 25. Por outro lado, a interpretação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça acerca do conceito de insumos na legislação das contribuições afasta expressamente e por completo qualquer necessidade de contato físico, desgaste ou alteração química do bem-insumo com o bem produzido para que se permita o creditamento, como preconizavam a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, e a Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em algumas hipóteses. ( grifos deste relator) 37.No âmbito deste colegiado, aplica-se ao tema o disposto no § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF : Artigo 62 - (…...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 38.Assim, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica Fl. 484DF CARF MF Fl. 12 da Resolução n.º 3301-001.211 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16366.720335/2011-08 39.Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep. Conclusão 40.Por todo o exposto, e diante da nova interpretação dada ao conceito de insumos, deve ser convertido o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. 41.Deve ser dada ciência á recorrente da reapuração efetivada, concedendo-lhe prazo para manifestação. 42.Após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. Deve ser dada ciência à recorrente da reapuração efetivada, concedendo-lhe prazo para manifestação. Após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 485DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10410.005677/2005-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
Numero da decisão: 2201-005.377
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tratando-se de uma presunção legal de omissão de rendimentos, a autoridade lançadora exime-se de provar no caso concreto a sua ocorrência, transferindo o ônus da prova ao contribuinte. Somente a apresentação de provas hábeis e idôneas pode refutar a presunção legal regularmente estabelecida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 56 77 /2 00 5- 89 Fl. 375DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-005.377 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.005677/2005-89 Trata-se de Recurso Voluntário contra acórdão da DRJ Recife, que julgou o lançamento procedente. O lançamento ocorreu em face de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, no ano-calendário 2002. Impugnação às fls.332/334, tendo o contribuinte alegado: que constam, de sua declaração de bens e direitos do ano-calendário de 2002, recursos suficientes para justificar os depósitos ocorridos. Tais recursos são representados por saldo em conta de poupança, no valor de R$ 155.09,00, saldo em conta corrente, no valor de R$ 22.025,77, e dinheiro em espécie, no valor de R$ 57.800,00, totalizando o montante de R$ 234.854,77. Tendo em vista que o total de recursos disponíveis - R$ 234.854,77 - superou os valores depositados, sua origem encontra-se plenamente justificada. O sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls.368/372) em 12/01/2009, em face do Acórdão de fls.350/360, do qual foi cientificado em 12/12/2008, reiterando exatamente os mesmos termos da peça impugnatória. _ É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da omissão de rendimentos De início, faz-se necessário esclarecer que o que se tributa, no presente processo, não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Os depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o dever/poder de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente tão somente a inquestionável observância do diploma legal. Para esse fim, irrelevante a apresentação, ou não, de sinais exteriores de riqueza. Fl. 376DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-005.377 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.005677/2005-89 A alegação de que o contribuinte guarda recursos financeiros suficientes para justificar os depósitos bancários é inconsistente e não guarda nenhuma relação com a origem ou a natureza dos rendimentos representados pelos depósitos. Em que pese o esforço argumentativo do recorrente para afastar a presunção de omissão de rendimentos estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996, a alegação tem que ser comprovada de maneira individualizada, o que não ocorreu no presente caso. Os valores tributados são os que carecem de comprovação e que, nos termos do artigo 42, da Lei 9.430/96, presumem-se como omissão de rendimentos: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II- no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4° Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como já mencionado, de acordo com disposto no art. 42 da Lei n° 9.430/96, é necessário comprovar individualizadamente a origem dos recursos, identificando-os como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos ou não tributáveis. Cabe ao recorrente comprovar a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo suficiente alegações e indícios de prova sem correspondência com os valores lançados. Destarte, a tese do recorrente não merece prosperar. A presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei n° 9.430/96 só poderá ser afastada através de documentos hábeis e idôneos, não bastando a mera alegação ou apresentação de documentos, que não se prestam para comprovar a origem dos valores depositados na conta corrente do sujeito passivo. Assim, em razão da ausência de comprovação das origens dos valores que transitaram na conta do sujeito passivo, a decisão recorrida não merece reforma. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para negar-lhe provimento. Fl. 377DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-005.377 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10410.005677/2005-89 (documento assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 378DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.100181/2007-19
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Sep 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-001.444
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Duca Amoni, que dava provimento integral, e Virgílio Cansino Gil (relator), que lhe dava provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
(documento assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Duca Amoni, que dava provimento integral, e Virgílio Cansino Gil (relator), que lhe dava provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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COMPROVAÇÃO. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Thiago Duca Amoni, que dava provimento integral, e Virgílio Cansino Gil (relator), que lhe dava provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 72/74) contra decisão de primeira instância (fls. 63/67), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 10 01 81 /2 00 7- 19 Fl. 77DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-001.444 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.100181/2007-19 Trata-se de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, no qual o sujeito passivo acima identificado foi notificado das alterações em sua declaração, no que refere à dedução indevida a título de despesas médica. Segundo a Descrição dos Fatos, o valor total das despesas médicas glosadas é R$ 11.354,86, alterando o valor de R$ 20.684,62 para R$ 9.329,76, como a seguir esclarecido: • glosadas em sua totalidade, por falta de efetiva comprovação de pagamento as despesas médicas referente a Sra. Cristina Cavalcanti Bonavides- CPF 512.559.011-87, no valor de R$ 9.920,00, e da Clínica de Mastologia e Ginecologia Ltda - CNPJ 00.413.450/0001-06, no valor de R$ 98,60; • glosadas parcialmente as despesas médicas com Planos de Saúde, tendo em vista declaração da própria empresa Bradesco Saúde – CNPJ 92.693.118/0001-60, sendo R$ 592,33 (plano do contribuinte) e R$ 623,93 (plano de dependente). Foi apresentada impugnação e aditamento (fls. 1/13), para que seja considerado insubsistente o lançamento em questão, em razão das seguintes alegações: • das despesas glosadas no total de R$ 11.354,86, deixa de comprovar o efetivo pagamento apenas das quantias de R$ 120,00 e R$ 98,60, relativos a Clínica de Mastologia e Ginecologia Ltda e ao Laboratório Pasteur, respectivamente, uma vez que os comprovantes encontram-se extraviado; • no que refere à comprovação das demais despesas médicas glosadas, apresenta Recibo no valor de R$ 9.920,00 referente a odontóloga Cristina Maria Benevides; Demonstrativo de pagamento do Bradesco Saúde S.A - panos de saúde contribuinte e dependente (fls. 3 e 4); • subsdiariamente, junta comprovante de tratamento médico feito na Clínica de Olhos Dr. João Eugênio Ltda CNPJ 00.847.7863/0001-07, no valor de R$ 300,00, o qual deixou de ser arrolado entre os pagamentos e deduções na sua Declaração de Ajuste Anual; exercício 2002 (fls.3); • pela soma dos comprovantes citados acima tem-se a comprovação do valor de R$ 20.683,02, independente dos recibos extraviados, e só lhe restaria comprovar a diferença de R$ 1,60 para o montante de R$ 20.684,62, das deduções lançadas na sua declaração. Às fls 60 foi informado sobre a tempestividade da impugnação. Fl. 78DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-001.444 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.100181/2007-19 O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Mantém-se a glosa das despesas médicas por falta de comprovação hábil e idônea da prestação dos serviços e do efetivo pagamento ao profissional habilitado. DEDUÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Não é admissível a inclusão de dedução não pleiteada na declaração de ajuste anual, depois da notificação do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, combatendo o mérito, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 19/01/2009 (fl. 71); Recurso Voluntário protocolado em 16/02/2009 (fl. 72), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. Relata o Sr. AFRF: Dedução indevida a titulo de despesas médicas. Foram glosadas em sua TOTALIDADE, por falta de efetiva comprovação de pagamento, as despesas médicas referentes: 1 - A Sra Christina Maria Cavalcanti Bonavides, CPF 512.559.011-87, no valor de R$ 9.920,00; 2 A clinica de Mastologia e Ginecologia Ltda. CNPJ 00.535.591/0001-00, no valor de R$ 120.00; 3 - Ao Laboratório Pasteur, CNPJ 00.413.450/0001-06, no valor de 98.60; Foram glosadas PARCIALMENTE as despesas médicas declaradas a título de Planos de Saúde, tendo em vista declaração da própria empresa Bradesco Saúde ao relacionar os valores recebidos: 1 - Bradesco Saúde CNPJ 92.693.118/0001-60 - plano do contribuinte valor glosado de R$ 592,33; 2 - Bradesco Saúde CNPJ 92.693.118/0001-60 plano de dependente, valor glosado de R$ 623.93. Fl. 79DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-001.444 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.100181/2007-19 O valor total das despesas médicas glosadas é de R$ 11.354,86, alterando o valor das despesas médicas de R$ 20.684,62 para R$ 9.329,76. A r. decisão revisanda, entendeu que: Examinando os documentos constantes dos autos, verifica-se que com o fim de comprovar as despesas médicas pleiteadas, o contribuinte trouxe aos autos somente o recibo emitido pela Sra. Cristina Cavalcanti Bonavides - CPF 512.559.011-87, no valor de R$ 9.920,00 (fls. 3). No que diz respeito ao Bradesco Saúde - CNPJ 92.693.118/0001-60, sendo R$ 5.441,58 (plano do contribuinte) e R$ 5.021,44 (plano de dependente), o contribuinte apresentou a mesma documentação que não havia sido aceita pela fiscalização, em virtude da declaração do próprio plano de Saúde, anexada às fls. 36 e 37 dos autos, nas quais os valores declarados como pagos são inferiores aos informados pelo contribuinte na declaração de ajuste. Nesse sentido, conclui-se que a documentação não foi suficiente, para formar a convicção deste julgador sobre a efetiva despesa/desembolso com a prestação de todos os serviços médicos, objeto do lançamento. Portanto, as glosas efetuadas devem ser mantidas. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, lançando preliminar de mérito, e combatendo este. A preliminar de mérito lançada pelo contribuinte se confunde com o mérito e com ele será analisada. Observo de plano nos autos que o recorrente à fl. 4 juntou o recibo da profissional da saúde Dra. Cristina Maria Cavalcante Bonavides, e à fl. 35 juntou Declaração inclusive registrada em Cartório desta profissional, onde afirma ter recebido do recorrente o valor ali consignado em espécie. Entende este relator que o recorrente faz prova com o recibo e comprova com a declaração ali contida. No que diz respeito ao Bradesco-Saúde, o recorrente não apresentou nenhuma prova que pudesse contrariar as declarações, fornecidas pela entidade de saúde. Assim nesta quadra de entendimento, restabeleço o valor glosado referente à profissional Dra. Cristina Maria Cavalcante Bonavides no valor de R$ 9.920,00, no mais mantenho a r. decisão de origem. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dá-se provimento parcial. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Fl. 80DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-001.444 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.100181/2007-19 Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação do efetivo pagamento da despesa médica com Christina Maria Cavalcante Bonavides. Do exame dos autos verifica-se que, apesar da exigência de comprovação do efetivo pagamento apontada pela autoridade lançadora, o interessado não apresentou nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência entre as suas movimentações financeiras e os recibos por ele acostados, não merecendo reforma a decisão recorrida. Impõe-se observar que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, vigente à época. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos e declarações emitidos pelos profissionais, é lícito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comprová-las de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressalte-se que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tão-somente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202-005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202-005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401-004.122, de 16/2/2016) Fl. 81DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-001.444 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10166.100181/2007-19 O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Sendo a dedução de despesas médicas um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. É possível que o sujeito passivo tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, para comprová-los caberia a ele trazer aos autos documentos bancários que atestassem a coincidência de datas e valores entre os saques efetuados em suas contas e as despesas supostamente realizadas, o que não ocorreu no presente caso. Importa salientar que a disponibilidade financeira do interessado, por si só, não comprova o efetivo pagamento das despesas médicas declaradas, sendo necessária a vinculação entre as movimentações sucedidas e os recibos por ele apresentados. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 10930.904280/2012-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-001.171
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo da Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Marco Antonio Nunes Marinho e Ari Vendramini
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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A requerente, não se conformando com o resultado, apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela DRJ competente, nos termos do Acórdão nº 14- 069.513. Irresignado, a contribuinte apresentou recurso voluntário, dirigido a este CARF, onde, repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade, em síntese, alega: DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/COFINS - descreve legislação, jurisprudência e doutrina que tratam do sistema da não- cumulatividade para a Contribuição ao PIS/PASEP e a COFINS DO REGIME DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS DAS CONTRIBUIÇÕES SO PIS/COFINS NA CASO DA NÃO-INCIDÊNCIA - descreve e defende seu direito aos créditos em situações de não incidência das contribuições RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 30 .9 04 28 0/ 20 12 -2 1 Fl. 245DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.904280/2012-21 PEDIDO ALTERNATIVO AO PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO ATO COOPERATIVO COMO CASO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA : MANUTENÇÃO DOS CRÉDITOS EM VIRTUDE DAS ISENÇÕES DECORRENTES DAS EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO - requer que seja reconhecida a isenção parcial referentes ás exclusões da base de cálculo, caso não se reconheça o ato cooperativo como caso de não incidência. DA AMPLIAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS - defende que a interpretação restritiva do conceito de insumos deve ser ampliada, para se coadunar com a vontade da legislação. DA MULTA APLICADA - contesta a multa isolada, de 50%. aplicada ao caso concreto. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido na Resolução nº 3301- 001.155, de 23 de julho de 2019, proferido no julgamento do processo 10930.904292/2012-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3301-001.155): “8.O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, sendo tempestivo dele, portanto, tomo conhecimento. 9.Na origem, a controvérsia originou-se da análise dos créditos pleiteados de PIS/PASEP não-cumulativo, vinculados à receita de exportação (art. 3º e 5º da Lei nº 10.637/2002 ). 10.A fiscalização procedeu à auditoria das rubricas das receitas e despesas, em especial os bens para revenda, bens utilizados como insumos e serviços utilizados como insumos. Para tanto, informou a fiscalização que a empresa apresentou toda a documentação solicitada. 11.Ademais, foram ainda solicitados ao longo da fiscalização: as notas fiscais de compras de insumos, prestação de serviços utilizados como insumos; o descritivo do processo produtivo da empresa e principais insumos utilizados na atividade da recorrente, inclusive industrialização. 12.Como se vê, um dos pontos controvertidos nestes autos é o conceito de insumo para fins de creditamento no âmbito do regime de apuração não-cumulativa da contribuição ao PIS./PASEP. 13.A Recorrente pleiteia todos créditos por entendê-los como essenciais para sua atividade. 14.Entretanto, o conceito de insumo que norteou a análise fiscal na origem foi o restrito, veiculado pelas Instruções Normativas da RFB n° 247/2002 e 404/2004, segundo as quais o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou Fl. 246DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.904280/2012-21 consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço da atividade. 15.O mesmo critério foi utilizado no julgamento da decisão de piso. 16.Por outro lado, para a Recorrente, o conceito de insumo é mais amplo do que o adotado pela Fiscalização. 17.Esta 1ª Turma Ordinária de Julgamento adota a posição de que o conceito de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, no regime da não- cumulatividade, não guarda correspondência com o utilizado pela legislação do IPI, tampouco pela legislação do Imposto sobre a Renda. Dessa forma, o insumo deve ser necessário e essencial ao processo produtivo e, por conseguinte, à execução da atividade empresarial desenvolvida pela empresa. 18.Em razão disso, deve haver a análise individual da natureza da atividade da pessoa jurídica que busca o creditamento segundo o regime da não-cumulatividade, para se aferir o que é insumo. 19.Portanto, a contenda no presente caso gira em torno da possibilidade de serem considerados como insumos os dispêndios incorridos no processo produtivo da recorrente, em sendo considerados insumos, se estes podem originar créditos a serem utilizados como determina a legislação da Contribuição ao PIS/PASEP, na sistemática da não cumulatividade. DAS ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELA RECORRENTE 20.De acordo com o Estatuto Social da recorrente, ás fls. 159/208 dos autos digitais, suas atividades são : Art. 2° - A CONFEPAR tem como objetivo atuar no ramo industrial e comercial de alimentos em complemento às atividades desenvolvidas por suas filiadas, proporcionando seu desenvolvimento sócio-econômico e por conseqüência de seus cooperados. Art. 3° - No cumprimento de seus objetivos a CONFEPAR, que não tem finalidade lucrativa própria, terá como política gerar a prática de ajuda mútua, voltada ao desenvolvimento agro-industrial e prestação de serviços, bem como buscar a agregação de valores ao produto repassado pelas suas filiadas, desenvolvendo para tanto as seguintes estratégias: a) receber, industrializar e comercializar a matéria prima enviada pelas filiadas transformando-a em produtos alimentícios agro-industrializados, na qualidade exigida pelo mercado nos volumes programados e negociados; b) estabelecer parcerias, ou associar-se com empresas cooperativas ou não, adquirindo ou prestando serviços compatíveis com as suas atividades ou instalações industriais, mediante aprovação de Assembléia Geral, respeitando a legislação vigente; c) atuar na exportação ou importação de produtos que tenham direta nu indiretamente relação com suas atividades, no interesse das filiadas; d) manter, dentro de suas condições financeiras, centros de pesquisas, laboratórios, usinas piloto, buscando dessa forma o lançamento de produtos e o constante aprimoramento da qualidade e dos processos industriais, podendo para a consecução destes objetivos, contratar serviços ou estabelecer parcerias com outras empresas cooperativas ou não; e) representar suas filiadas nas negociações por recursos perante entidades Fl. 247DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.904280/2012-21 públicas ou privadas e em ações de caráter coletivo na defesa de seus interesses e de seus associados, mediante apresentação de mandato específico; f) prestar serviços de transformação e beneficiamento da produção das cooperativas filiadas, e vendas específicas que venham a ser determinadas e disciplinadas pelo Conselho de Administração, nos mercados nacionais e internacionais; g) fomentar a atividade de produção leiteira, mediante o aprimoramento do plantei, através da aquisição de matrizes e seu repasse aos produtores vinculados às suas filiadas, desde que os referidos produtores atendam a todas as exigências e condições impostas pela área técnica. Parágrafo Único: Para melhor realização dos objetivos a CONFEPAR poderá adquirir produtos, desde que não seja na mesma área de atuação de suas Filiadas, ressalvados os casos autorizados pelas filiadas envolvidas, ou prestar serviços a terceiros para suprir capacidade ociosa ou cumprimento de contratos. 21.O Termo de Informação Fiscal, ás fls. 9/37 dos autos digitais também descrevem as atividades da recorrente : 12. Em seu estatuto social de fls. 48, informa ser “Sociedade Cooperativa de Produção”, que “receber, industrializar e comercializar a matéria-prima enviada pelas filiadas transformando-a em produtos alimentícios agro-industrializados”. 13. As cooperativas associadas à requerente, durante o período em análise, encontram-se registradas nas Fichas de Matrículas de Associadas, juntadas às fls. 52. 14. A interessada tem por atividade econômica a fabricação de laticínios (Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE nº 1052-0-00), conforme informação constante de sistema CNPJ (fls. 53). 15. A descrição do processo produtivo encontra-se na mesma declaração, onde são informados também os produtos fabricados e comercializados pela empresa (fls. 50): ## Leite cru refrigerado padronizado (NCM nº 0401.20.90); ## Leite Pasteurizado (NCM nº 0401.20.90); ## Queijo Muçarela e Prato (NCM nº 0406.10.10 e 0406.90.20); ## Leite em pó (NCM nº 0402.21.10 ou 0402.21.20); ## Soro de leite em pó (NCM nº 0404.10.00); ## Leitelho em pó (NCM nº 0403.90.00); ## Bebida Láctea (NCM nº 0404.90.00); ## Leite UHT (NCM nº 0401.10.10 ou 0401.20.10); ## Creme de leite (NCM nº 0401.30.29); ## Manteiga (NCM nº 0405.10.00) e ## Leite concentrado (NCM nº 0402.91.00). O CONCEITO DE INSUMOS NA SISTEMÁTICA DA NÃO CUMULATIVIDADE PARA A CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP E A COFINS. 22.Tema polêmico que vem sendo enfrentado desde o surgimento do Princípio da Não Cumulatividade para as contribuições sociais, instituído no ordenamento jurídico pátrio pela Emenda Constitucional nº 42/2003, que adicionou o § 12 ao artigo 95 da Fl. 248DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.904280/2012-21 Constituição Federal, onde se definiu que os setores de atividade econômica que seriam atingidos pela nova e atípica sistemática da não cumulatividade seriam definidos por legislação infraconstitucional, diferentemente da sistemática de não cumulatividade instituída para os tributos IPI e ICMS, que já está definida no próprio texto constitucional. Portanto, a nova sistemática seria definida por legislação ordinária e não pelo texto constitucional, estabelecendo a Carta Magna que a regulamentação desta sistemática estaria a cargo do legislador ordinário. 23.Assim, a criação da sistemática da não cumulatividade para a Contribuição para o PIS/Pasep se deu pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, onde o Inciso II do seu artigo 3º autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados á venda. 24.Mais tarde, muitos textos legais surgiram para instituir novos créditos, inclusive presumidos, para serem utilizados sob diversas formas : dedução do valor das contribuições devidas, apuradas ao final de determinado período, compensação do saldo acumulado de créditos com débitos titularizados pelo adquirente dos insumos e até ressarcimento, em, espécie, do valor do saldo acumulado de créditos, na impossibilidade ser utilizados nas formas anteriores. 25.Por ser o órgão governamental incunbido da administração, arrecadação e fiscalização da Contribuição ao PIS/Pasep, a Secretaria da Receita Federal expediu a Instrução Normativa de nº 247/2002, onde informa o conceito de insumos passíveis de creditamento pela Contribuição ao PIS/Pasep, sendo que a definição de insumos adotada pelo ato normativo foi considerada excessivamente restritiva, pois aproximou-se do conceito de insumo utilizado pela sistemática da não cumulatividade do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no artigo 226 do Decreto nº 7.212/2010 – Regulamento do IPI , pois definia que o creditamento seria possível apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, sofrendo desgaste pelo contato com o produto a ser atingido ou com o próprio processo produtivo, ou seja, para que o bem seja considerado insumo ele deve ser matéria-prima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas. 26.Consideram-se, também, os insumos indiretos, que são aqueles não envolvidos diretamente no processo de produção e, embora frequentemente também sofram alterações durante o processo produtivo, jamais se agregam ao produto final, como é o caso dos combustíveis. 27.Mais tarde, evoluiu-se no estudo do conceito de insumo, adotando-se a definição de que se deveria adotar o parâmetro estabelecido pela legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, que tem como premissa os artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda, onde se poderia inserir como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens e serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. A doutrina e a jurisprudência concluíram que tal procedimento alargaria demais o conceito de insumo, equiparando-o ao conceito contábil de custos e despesas operacionais que envolve todos os custos e despesas que contribuem para atividade da empresa, e não apenas a sua produção, o que provocaria uma distorção na legislação instituidora da sistemática. 28.Reforçam estes argumentos na medida em que, ao se comparar a sistemática da não cumulatividade para o IPI e o ICMS e a sistemática para a Contribuição ao PIS/Pasep, verifica-se que a primeira tem como condição básica o destaque do valor do tributo nas Notas Fiscais de aquisição dos insumos, o que permite o cotejo destes valores Fl. 249DF CARF MF Fl. 6 da Resolução n.º 3301-001.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.904280/2012-21 com os valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria do estabelecimento adquirente dos insumos, tendo-se como resultado uma conta matemática de dedução dos valores recolhidos na saída do produto ou mercadoria contra os valores pagos/compensados na entrada dos insumos, portanto os valores dos créditos estão claramente definidos na documentação fiscal dos envolvidos, adquirentes e vendedores. 29.Em contrapartida, a sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep criou créditos, por intermédio de legislação ordinária, que tem alíquotas variáveis, assumindo diversos critérios, que, ao final se relacionam com a receita auferida e não com o processo produtivo em si, o que trouxe a discussão de que os créditos estariam vinculados ao processo de obtenção da receita, seja ela de produção, comercialização ou prestação de serviços, trazendo uma nova característica desta sistemática, a sua atipicidade, pois os créditos ou valor dos tributos sobre os quais se calculariam os créditos, não estariam destacados nas Notas Fiscais de aquisição de insumos, o que dificultaria a sua determinação. 30.Portanto, haveria que se estabelecer um critério para a conceituação de insumo, nesta sistemática atípica da não cumulatividade das contribuições sociais. 31.Há algum tempo vem o CARF pendendo para a idéia de que o conceito de insumo, para efeitos os Inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, deve ser interpretado com um critério próprio : o da essencialidade, ou seja, para a definição de insumo busca- se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo, e a atividade realizada pelo seu adquirente. 32.Desta forma, para que se verifique se determinado bem ou serviço adquirido ou prestado possa ser caracterizado como insumo para fins de geração de crédito de PIS/Pasep, devem ser levados em consideração os seguintes aspectos : - pertinência ao processo produtivo, ou seja, a aquisição do bem ou serviço para ser utilizado especificamente na produção do bem ou prestação do serviço ou, para torná-lo viável. - essencialidade ao processo produtivo, ou seja, a produção do bem ou a prestação do serviço depende diretamente de tal aquisição, pois, sem ela, o bem não seria produzido ou o serviço não seria prestado. - possibilidade de emprego indireto no processo de produção, ou seja, não é necessário que o insumo seja consumido em contato direto com o bem produzido ou seu processo produtivo. 33.Por conclusão, para que determinado bem ou prestação de serviço seja definido como insumo gerador de crédito de PIS/Pasep, é indispensável a característica de essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, para obtenção da receita da atividade econômica do adquirente, direta ou indiretamente, sendo indispensável a comprovação de tal essencialidade em relação á obtenção da respectiva receita. 34.Pondo um fim á controvérsia, o Superior Tribunal de Justiça assumiu a mesma posição, refletida no voto do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, que se tornou emblemático para a doutrina e a jurisprudência, ao definir insumo, na sistemática de não cumulatividade das contribuições sociais, sintetizando o conceito na ementa, assim redigida : TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA Fl. 250DF CARF MF Fl. 7 da Resolução n.º 3301-001.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.904280/2012-21 ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. 35.Neste contexto histórico, a Secretaria da Receita Federal, vinculada a tal decisão por força do disposto no artigo 19 da lei nº 10.522/2002 e na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, expediu o Parecer Normativo COSIT/RFB nº 05/2018, tendo como objetivo analisar as principais repercussões decorrentes da definição de insumos adotada pelo STJ, e alinhar suas ações á nova realidade desenhada por tal decisão. 36.Interessante destacar alguns trechos do citado Parecer : 9. Do voto do ilustre Relator, Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, mostram-se relevantes para este Parecer Normativo os seguintes excertos: “39. Em resumo, Senhores Ministros, a adequada compreensão de insumo, para efeito do creditamento relativo às contribuições usualmente denominadas PIS/COFINS, deve compreender todas as despesas diretas e indiretas do contribuinte, abrangendo, portanto, as que se referem à totalidade dos insumos, não sendo possível, no nível da produção, separar o que é essencial (por ser físico, por exemplo), do que seria acidental, em termos de produto final. 40. Talvez acidentais sejam apenas certas circunstâncias do modo de ser dos seres, tais como a sua cor, o tamanho, a quantidade ou o peso das coisas, mas a essencialidade, quando se trata de produtos, possivelmente será tudo o que participa da sua formação; deste modo, penso, respeitosamente, mas com segura convicção, que a definição restritiva proposta pelas Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004, da SRF, efetivamente não se concilia e mesmo afronta e Fl. 251DF CARF MF Fl. 8 da Resolução n.º 3301-001.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.904280/2012-21 desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que explicita rol exemplificativo, a meu modesto sentir'. 41. Todavia, após as ponderações sempre judiciosas da eminente Ministra REGINA HELENA COSTA, acompanho as suas razões, as quais passo a expor:(...)” (fls 24 a 26 do inteiro teor do acórdão) ………………………………….. 10. Por sua vez, do voto da Ministra Regina Helena Costa, que apresentou a tese acordada pela maioria dos Ministros ao final do julgamento, cumpre transcrever os seguintes trechos: “Conforme já tive oportunidade de assinalar, ao comentar o regime da não- cumulatividade no que tange aos impostos, a não-cumulatividade representa autêntica aplicação do princípio constitucional da capacidade contributiva (...) Em sendo assim, exsurge com clareza que, para a devida eficácia do sistema de não-cumulatividade, é fundamental a definição do conceito de insumo (...) (...) Nesse cenário, penso seja possível extrair das leis disciplinadoras dessas contribuições o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (...) Demarcadas tais premissas, tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” (fls 75, e 79 a 81 da íntegra do acórdão) ………………………. 11. De outra feita, do voto original proferido pelo Ministro Mauro Campbell, é interessante apresentar os seguintes excertos: “Ressalta-se, ainda, que a não-cumulatividade do Pis e da Cofins não tem por objetivo eliminar o ônus destas contribuições apenas no processo fabril, visto que a incidência destas exações não se limita às pessoas jurídicas industriais, mas a todas as pessoas jurídicas que aufiram receitas, inclusive prestadoras de serviços (...), o que dá maior extensão ao contexto normativo desta contribuição do que aquele atribuído ao IPI. Não se trata, portanto, de desonerar a cadeia produtiva, mas sim o processo produtivo de um determinado produtor ou a atividade-fim de determinado prestador de serviço. (...) Fl. 252DF CARF MF Fl. 9 da Resolução n.º 3301-001.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.904280/2012-21 Sendo assim, o que se extrai de nuclear da definição de "insumos" (...) é que: 1º - O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na prestação do serviço ou na produção, ou para viabilizá-los (pertinência ao processo produtivo); 2º - A produção ou prestação do serviço dependa daquela aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e 3º - Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do serviço em contato direto com o produto (possibilidade de emprego indireto no processo produtivo). Ora, se a prestação do serviço ou produção depende da própria aquisição do bem ou serviço e do seu emprego, direta ou indiretamente, na prestação do serviço ou na produção, surge daí o conceito de essencialidade do bem ou serviço para fins de receber a qualificação legal de insumo. Veja-se, não se trata da essencialidade em relação exclusiva ao produto e sua composição, mas essencialidade em relação ao próprio processo produtivo. Os combustíveis utilizados na maquinaria não são essenciais à composição do produto, mas são essenciais ao processo produtivo, pois sem eles as máquinas param. Do mesmo modo, a manutenção da maquinaria pertencente à linha de produção. Outrossim, não basta, que o bem ou serviço tenha alguma utilidade no processo produtivo ou na prestação de serviço: é preciso que ele seja essencial. É preciso que a sua subtração importe na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, obste a atividade da empresa, ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultante. (...) Em resumo, é de se definir como insumos, para efeitos do art. 3°, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3°, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes.” (fls 50, 59, 61 e 62 do inteiro teor do acórdão) ……………………………………. 12. Já do segundo aditamento ao voto lançado pelo Ministro Mauro Campbell, insta transcrever os seguintes trechos: “Contudo, após ouvir atentamente ao voto da Min. Regina Helena, sensibilizei-me com a tese de que a essencialidade e a pertinência ao processo produtivo não abarcariam as situações em que há imposição legal para a aquisição dos insumos (v.g., aquisição de equipamentos de proteção individual - EPI). Nesse sentido, considero que deve aqui ser adicionado o critério da relevância para abarcar tais situações, isto porque se a empresa não adquirir determinados insumos, incidirá em infração à lei. Desse modo, incorporo ao meu as observações feitas no voto da Min. Regina Helena especificamente quanto ao ponto, realinhando o meu voto ao por ela proposto. Observo que isso em nada infirma o meu raciocínio de aplicação do "teste de subtração", até porque o descumprimento de uma obrigação legal obsta a própria atividade da empresa como ela deveria ser regularmente exercida. Registro que o "teste de subtração" é a própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” (fls 141 a 143 da íntegra do acórdão) Fl. 253DF CARF MF Fl. 10 da Resolução n.º 3301-001.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.904280/2012-21 ………………………………………………………………….. 13. De outra banda, do voto da Ministra Assusete Magalhães, interessam particularmente os seguintes excertos: “É esclarecedor o voto da Ministra REGINA HELENA COSTA, no sentido de que o critério da relevância revela-se mais abrangente e apropriado do que o da pertinência, pois a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço.(...) Sendo esta a primeira oportunidade em que examino a matéria, convenci-me - pedindo vênia aos que pensam em contrário - da posição intermediária sobre o assunto, adotada pelos Ministros REGINA HELENA COSTA e MAURO CAMPBELL MARQUES, tendo o último e o Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO realinhado seus votos, para ajustar-se ao da Ministra REGINA HELENA COSTA.” (fls 137, 139 e 140 da íntegra do acórdão) ……………………………………………... 19. Prosseguindo, verifica-se que a tese acordada pela maioria dos Ministros foi aquela apresentada inicialmente pela Ministra Regina Helena Costa, segundo a qual o conceito de insumos na legislação das contribuições deve ser identificado “segundo os critérios da essencialidade ou relevância”, explanados da seguinte maneira por ela própria (conforme transcrito acima): a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. 20. Portanto, a tese acordada afirma que são insumos bens e serviços que compõem o processo de produção de bem destinado à venda ou de prestação de serviço a terceiros, tanto os que são essenciais a tais atividades (elementos estruturais e inseparáveis do processo) quanto os que, mesmo não sendo essenciais, integram o processo por singularidades da cadeia ou por imposição legal. …………………………………………………………… 25. Por outro lado, a interpretação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça acerca do conceito de insumos na legislação das contribuições afasta expressamente e por completo qualquer necessidade de contato físico, desgaste ou alteração química do bem-insumo com o bem produzido para que se permita o creditamento, como preconizavam a Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de Fl. 254DF CARF MF Fl. 11 da Resolução n.º 3301-001.171 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10930.904280/2012-21 novembro de 2002, e a Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004, em algumas hipóteses. ( grifos deste relator) 37.No âmbito deste colegiado, aplica-se ao tema o disposto no § 2º do artigo 62 do Regimento Interno do CARF – RICARF : Artigo 62 - (…...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei Nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 38.Assim, são insumos, para efeitos do inciso II do artigo 3º da lei nº 10.637/2002, todos os bens e serviços essenciais ao processo produtivo e á prestação de serviços para a obtenção da receita objeto da atividade econômica do seu adquirente, podendo ser empregados direta ou indiretamente no processo produtivo, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo ou da prestação do serviço, comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica 39.Desta forma, deve ser estabelecida a relação da essencialidade do insumo (considerando-se a imprescindibilidade e a relevância/importância de determinado bem ou serviço, dentro do processo produtivo, para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pela pessoa jurídica) com a atividade desenvolvida pela empresa, para que se possa aferir se o dispêndio realizado pode ou não gerar créditos na sistemática da não cumulatividade da Contribuição ao PIS/Pasep. Conclusão 40.Por todo o exposto, e diante da nova interpretação dada ao conceito de insumos, deve ser convertido o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. 41.Deve ser dada ciência á recorrente da reapuração efetivada, concedendo-lhe prazo para manifestação. 42.Após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento.” Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem realize uma reapuração das contribuições nos termos do Parecer Normativo COSIT nº 05/2018. Deve ser dada ciência à recorrente da reapuração efetivada, concedendo-lhe prazo para manifestação. Após, os autos devem retornar a este colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 255DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.011313/2001-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - 1RPF
Exercício: 2000
MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTÂNCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
O litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e em administrativo. Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa, já que, em nosso sistema de direito prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF nº 1 (DOU de 22/1212009), verbis: "Importa renúncia às instâncias
administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial",
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-000.851
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, por concomitância das instâncias judicial e administrativa, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedida a Conselheira Núbia Matos Moura que participou do julgamento de primeira instância.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-10-07T11:51:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 11; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2011-10-07T11:51:39Z; Last-Modified: 2011-10-07T11:51:39Z; dcterms:modified: 2011-10-07T11:51:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:37e70242-876a-419f-b66e-933779575306; Last-Save-Date: 2011-10-07T11:51:39Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2011-10-07T11:51:39Z; meta:save-date: 2011-10-07T11:51:39Z; pdf:encrypted: false; modified: 2011-10-07T11:51:39Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2011-10-07T11:51:39Z; created: 2011-10-07T11:51:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2011-10-07T11:51:39Z; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2011-10-07T11:51:39Z | Conteúdo => S2-CIT2 Fl 89 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇA0 DE JULGAMENTO Processo le 13807.011313/2001-49 Recurso n" 166.019 Voluntário Acórdão n° 2102-00.851 — 1° Câmara / r Turma Ordinária Sessão de 2.3 de setembro de 2010 Matéria 1RPF Recorrente Tracy Lourdes da Cruz Santana Recorrida 1" Tunna/DRJ-FORTALEZA/CE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - 1RPF Exercício: 2000 MATÉRIA SOB APRECIAÇÃO DO PODER JUDICIÁRIO. CONCOMITÂNCIA DAS INSTANCIAS JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. O litigante não pode discutir a mesma matéria em processo judicial e errr administrativo . Havendo coincidência de objetos nos dois processos, deve-se trancar a via administrativa, já que, em nosso sistema de direito prevalece a solução dada ao litígio pela via judicial. Inteligência do enunciado sumular CARF if 1 (DOU de 22/1212009), verbis: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositwa pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas apreciação, pelo árglio de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", Recurso não conhecido. Vistos, relatados e dis tidos os • resentes autos. Acordam os mep , ros do C. a giado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por concor ancia das in judicial . e ad nistrativa, nos termos do voto do Relator. Declarou-se wedida a C g, a Naia os Moura que participou do julgamento de primeira instán a. GIOVAN I CHRIS TIA. MPOS - Relator e Presidente EDITADO EM: 03111/2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Acacia Sayuri Wakasugi, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Giovanni Cluistian Nunes Campos. Relatório Em face da contribuinte IRACY LOURDES DA CRUZ SANTANA, CPF/MF n° 655,674.048-91, já qualificada neste processo, foi lavrado, em 30/07/2001, auto de infração (fls. 2 a 6), a partir da revisão de sua declaração de ajuste anual do exercício 2000. Abaixo, discrimina-se o crédito tributário constituído pelo auto de infração antes informado, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 365,11 MULTA DE OFÍCIO R$ 273,83 contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos tributáveis, consubstanciada na transferência de R$ 39365,80 dos rendimentos isentos, provenientes de resgate de previdência privada, para rendimentos tributáveis, com a colação no ajuste do IRRF que incidiu no recebimento desse valor. Eis a justificativa exarada pela autoridade fiscal para perpetrar a presente revisão: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS A TITULO DE RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA JUNTO A FUNDAÇÃO DO BANCO CENTRAL. CENTRUS CNRI 00.580,571/0001-42 CONSIDERADA ISENTA PELO CONTRIBUINTE CONFORME PROCESSO 199834000001461 CUJA SEGURANÇA FOI DENEGADA EM 14/11/2000 PELA 3A. TURMA DO TRF DA PRIMEIRA REGIÃO. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, na qual, em essência, infbrma que a omissão de rendirnentos em foco se encontra sub judice, combatida no bojo dos mandados de segurança 199834.00.000146-1 e 1999.34.00.012940-5, ambos impetrados pelo Sindicato Nacional dos Servidores Federais Autárquicos nos Entes de Formulação, Promoção e Fiscalização da Política de Moeda e do Crédito A 1 3 Turma da DRJ/F'OR, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 08-9.354, 23 de outubro de 2006 (fis. '71 a '73), que foi assim ementado: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. Cabível o lançamento quando inexiste medida judicial impeditiva de se proceder ao lançamento em consonância com as disposições legais vigentes,. A Conselheira NAbia Matos Moura participou do julgamento acima. 2 Processo n" 13807.011313/2001-49 S2-CIT2 AcôrdLo ri 2102-00..851 Fl 90 A contribuinte foi intimada da decisão a quo em 24/01/2008.. Inesignada, interpás recurso voluntário em 15/02/2008. No voluntário, a recorrente alega: 1)A incidência do recolhilne1210 ainda encontra-se ern discussão, através do processo 199834000001461, da 14" VF/DF, impetrado pelo SINAL-Sindicato dos Funcionários do Banco Central do Brasil, conforme súmula anexa (/ls, 2/5) 2) Ainda que a decisão seja pela incidência de imposto sobre as parcelas recebidas, volto a infirmar que do valor recebido, já foi retido na fonte o valor referente ao imposto de renda, cuja guia do depósito judicial efetuado encontra-se anexa ao processo anteriormente citado. 3) Houve um outro processo também impetrado pelo SINAI, Sindicato dos Funcionários do Banco Central do Brasil, de n° 1999340000129405, já encerrado, cuja súmula também se encontra em anexo (fl. 06), no qual foi recomendado que a Receita se abstivesse de penalizar os contribuintes constantes do processo de inicio referido (199834000001461) Por estas razões, solicito que se aguarde o encerramento do processo 199834000001461, pois, no caso de decisão pelo recolhimento, os valores depositados em juizo serão transferidos aos cofres da receita, o que poderia caiwcterizar bi-tributação, se ora recolhido conforme a intimação recebida. o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator Declara-se a tempestividade do apelo, já que interposto dentro do trintidio legal. Dessa forma, atendidos os demais requisitos legais, passa-se a apreciá-lo. Informa a recorrente que a controvérsia deduzida nestes autos se encontra sob apreciação do judiciário, no bojo do mandado de segurança 1998.34.00,000146-1, impetrado pelo Sindicato Nacional dos Servidores Federais Autárquicos nos Entes de Formulação, Promoção e Fiscalização da Política de Moeda e do Credito — SINAL, sem solução definitiva na instância judicial. V8-se que a pretensão aqui deduzida pela recorrente não pode ser julgada nesta instância administrativa, pois somente cabe a Administração se submeter ao decidido pelo Poder Judiciário, no bojo da Ação judicial acima citada. Considerando a unicidade de jurisdição que tern vigência no Brasil, com supremacia do direito dito pelo Poder Judiciário, somente cabe a esta Segunda Turma da Primeira Camara da Segunda Seção do CARP reconhecer a concomitância das instâncias, e, em analogia corn o determinado pelo parágrafo único do art. 38 da Lei n° 6,830/80, declarar, neste ponto, que a recorrente desistiu tacitamente do recurso interposto na esfera administrativa. E de se evidenciar que recentemente o Supremo Tribunal Federal declarou a constitucionalidade do parágrafo único do art, 38 da Lei n° 6.830/80, ou seja, a propositura de demanda judicial com o mesmo objeto da lide administrativa implica em renúncia a esta última instancia. Assim, nessa questão, veja-se a transcrição do informativo STF no 476, de 22 agosto de 2007, verbis: Em conclusão de julgamento, o Tribunal, por maioria, negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade do parágrafo :inky) do art. 38 da Lei 6.830/80 ("Art 38. A discussão judicial da Divida Ativa da Fazenda Pública só é admissivel em execução, na . forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatór ia do ato declarativo da divida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo único, A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artiqo importa em renúncia ao pacr de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.'). Tratava-se, na espécie, de recurso interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, que negara provimento apelação da recorrente e confirmara sentença que indeferira mandado de segurança preventivo por ela impetrado, sob o fimdamento de impossibilidade da utilização simultânea das vias administrativa e judicial para discussdo da mesma matéria — v Informativos 349 e 387. Entendeu-Se que o art. 38, da Lei 6.830/80 apenas veio a conferir mera alternativa de escolha de uma das vias processuais. Nesta assentada, o Min Sepulveda Pertence, em voto-vista, acompanhou a divergência, no sentido de negar provimento ao recurso. Asseverou que a presunção de renúncia ao poder de recorrer ou de desistência do recurso na esfera administrativa não afronta à zarantia constitucional da jurisdição, uma vez que o efeito coercivo que o dispositivo questionado possa conter apenas se efetiva se e quando o contribuinte previa o acolhimento de sua pretensão na esfera administrativa. Assim, somente haven't receio de provocar o Judiciário e ter extinto o processo administrativo, se este se mostrar mais eficiente que aquele. Neste caso, se houver uma solução administrativa imprevista ou contrária a seus interesses, ainda ai estará resguardado o direito de provocar o Judiciário. Por °taro lado, na situação inversa, se o contribuinte não esperar resultado positivo do processo administrativo, não hesitará em provocar o Judiciário tão logo possa, e já não se interessará mais pelo que se vier a decidir na esfera administrativa, salvo no caso de eventual sucumbência jurisdicional. Afastou, também, a alegada ofensa ao di/ eito de petição, uma vez que este já teria sido exercido pelo contribuinte, tanto que haveria um processo administrativo em curso. Concluiu que o dispositivo atacado encerra preceito de economia processual que reze tanto a processo judicial quanto o administrativo. Por fim, registrou que já se admitia, no campo do processo civil, que a prática de atos incompatíveis- com vontade de recorrer implica renúncia a esse direito de recorrer ou prejuízo do recurso interposto, a teor do que dispõe o art, 4 Processo ri" 13807011313/2001-49 S2-C1T2 Acendao ri" 2102-00.851 Fl. 91 503, captt, e parágrafo único, do CPC, nunca lendo se levantado qualquer dúvida acerca da constitucionalidade dessas norms. Vencidos os Ministros Marco Autélio, relator, e Carlos Britto que davam provimento ao recurso para declarar a incongitucionalidade do dispositivo em análise, por vislumbrarem ofensa ao direito de livre acesso ao Judiciário e ao direito de petição. RE 23358.21RJ; rel. orig. Min. Marco Aurélio, ret p/ o acórdão Min Joaquim Barbosa, 16.8.2007. (RE-233.582)— grifou-se Por fim, no caso ora em debate, também incide a inteligência da Súmula CARF N° 1: "Importa renúncia ás instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial", e, com espeque no art. 72, caput e § 4", do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda', aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (DOU de 23 de junho de 2009), deve-se ressaltar que os enunciados sumulares, dos Conselhos de Contribuintes e do CART, são de aplicação obrigatória nos julgamentos de 2' grau. Ante o exposto, voto no sentido de reconhecer que o objeto do presente feito administrativo esta sendo discu a via judicial, o que implica no não conhecimento deste recurso voluntário. Gio es Campo I Art 72. As decisbes um • es do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros • ARF. § I' a §30 Omissis. § 40 As sumulas aprovadas pelos Primeiro, Segundo e Conselhos de Contribuintes são de adoção obrigatória pelos membros do CARF. Terceiro 5
score : 1.0
Numero do processo: 10480.009664/2002-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Sep 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DCTF. RETIFICAÇÃO.
O processo administrativo fiscal não se presta a retificar DCTF; para tanto, devese utilizar o programa gerador da DCTF, único meio hábil a proceder a retificação
Numero da decisão: 1402-003.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário
(Assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e André Severo Chaves (suplente convocado para eventuais substituições)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DCTF. RETIFICAÇÃO. O processo administrativo fiscal não se presta a retificar DCTF; para tanto, devese utilizar o programa gerador da DCTF, único meio hábil a proceder a retificação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário (Assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luís Pagano Gonçalves, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) e André Severo Chaves (suplente convocado para eventuais substituições) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 96 64 /2 00 2- 11 Fl. 131DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração de IRRF constituído em face da falta da recolhimento do imposto. O lançamento decorreu de auditoria interna na DCTF relativa aos 2º, 3º 4º trimestres de 1998. Inconformada a contribuinte apresentou impugnação na qual alega que o crédito tributário lançado foi devidamente quitado, conforme os DARF´s que anexava à defesa. A constituição do crédito tributário teria decorrido de erro de preenchimento das respectivas DCTF´s quanto ao código de receita de alguns débitos (80531 e 68391) quando o correto seria 80451. De acordo com o Termo de Informação Fiscal de fls. 55 (numeração do e processo), foi efetuada revisão de ofício do lançamento de forma parcial, em face da comprovação do recolhimento do imposto, conforme demonstrativos da revisão pela autoridade lançadora (fls. 54), tendo sido mantido, apenas, a parte do lançamento relativa ao débito nº 73776538, no valor de R$ 125,69 (P/A 0307/1998), não se acatando a alegação de equívoco na informação prestada em DCTF. Em 19 de maio de 2008, a Delegacia da Receita Federal de julgamento em Recife (PE) deu parcial provimento à impugnação para exonerar a multa de ofício em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 64): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. Procede o lançamento da diferença do imposto apurada com base em informações prestadas pelo contribuinte em cotejo os valores dos DARF´s recolhidos ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 MULTA POR INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10480.009664/200211 Acórdão n.º 1402003.949 S1C4T2 Fl. 132 3 Cientificada (AR fls. 104) em 20/11/2008, a contribuinte apresentou, em 10/12/2008, o recurso voluntário de fls.108/110, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. Conforme se verifica pelo Relatório, boa parte dos pagamentos comprovados pela então impugnante foram alocados ao crédito tributário os quais foram extintos. Todavia, crédito de R$ 125,69 não pode ser alocado pois foi declarado com erro pelo contribuinte o qual não apresentou a retificação da DCTF. Nesse sentido, confirase: TERMO DE INFORMAÇÃO FISCAL 1. O contribuinte apresentou TEMPESTIVAMENTE impugnação (fls. 01 e 02) perante o Auto de Infração nº 0037847 (fls. 05 a 07), anexando cópias de DAR referentes a pagamentos realizados (fls. 09, 11, 14, 16, 18, 21, 23, 25. 2. Em sua defesa o contribuinte alega que o débito 7376538 é decorrente de erro no preenchimento da DCTF referente ao 3º trimestre/1998 (fls. 45) valor de R$ 125,69 informado no código 8045 foi repetido equivocadamente no código 8053 porém não apresentou a retificação da DCTF em questão. 3. A alocação dos pagamentos mencionados no item 1 resultou em lançamento parcialmente procedente, restanto assim, saldo devedor (fls. 47). 4. Diante do exposto, nos termos do subitem 2.2 da NOTA/CORAT/COFIS/COSIT nº 32/2002 Havendo comprovação, pelo sujeito passivo, de liquidação parcial do débito declarado em DCTF, objeto de auto de infração, os pagamentos comprovados deverão ser alocados no Sief Fiscalização Eletrônica, devendo o saldo do crédito tributário ser suspenso no Sief e cadastrado no Profisc, com a subsequente remessa do processo para julgamento solicito autorização para confirmação da referida alocação. A decisão recorrida, por sua vez, considerou improcedente fundamentando se, para tanto, em considerações sobre o ônus da prova para, ao final, concluir pela por ausência de comprovação por parte da Impugnante. Fl. 133DF CARF MF 4 Diante da referida decisão, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual requereu a juntada, em fase recursal, dos seguintes documentos: a) DARF no valor de R$ 125,69 para comprovação do pagamento (fls. 120); b) Pagina 13 da DCTF (3º trimestre de 1998) no qual consta a declaração do montante de R$ 125,69 no código 80451 c) Pagina 17 da DCTF (3º trimestre de 1998) no qual consta a declaração do montante de R$ 125,69 no código 90531; Ocorre que a decisão recorrida, ao conhecer do recurso e julgálo improcedente por ausência de comprovação se equivocou. Isso porque, na hipótese dos autos, a impugnação não deveria ser conhecia, uma vez que não teria sido efetuada a retificação da DCTF. A DCTF é a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente ao tributo. Desta forma, e em consonância ao prescrito no art. 147, § 1° do CTN, preliminarmente, cabe fixar ser necessária a retificação da DCTF para o sujeito passivo ter direito a um crédito que ele confessou em DCTF anterior, como é o caso analisado nos presentes autos, além da necessária comprovação do erro que motivaria tal retificação através da apresentação de documentos, principalmente sua escrita contábil. Isso porque os débitos tributários confessados na DCTF decorrem do lançamento por homologação (art. 150, do CTN) dos tributos federais citados no art. 6º da IN RFB nº 1.110, de 2010. A contribuinte intenta, por meio da petição, alterar questão de fato conhecida pelo despacho decisório, consistente nos dados declarados na DCTF na qual confessou os débitos objeto da apreciação pelo Órgão a quo, o que equivale a buscar a retificação desta DCTF. Assim, o pedido não poderia ser conhecido, uma vez que: (a) o processo administrativo fiscal não se presta a retificar DCTF; para tanto, devese utilizar o programa gerador da DCTF, único meio hábil a proceder a retificação, e (b) a contribuinte não ataca os fundamentos do Termo de Informação Fiscal (fls. 55) (lastreado em DCTF válida e eficaz, espontaneamente apresentada). A nova situação de fato alegada pela contribuinte deve ser analisada pela autoridade competente para decidir sobre o pedido de restituição e homologar a compensação, que, de regra, é o titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil do domicílio da contribuinte, em face do disposto nos arts. 69 e 75 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 21 de novembro de 2012: Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10480.009664/200211 Acórdão n.º 1402003.949 S1C4T2 Fl. 133 5 Fl. 135DF CARF MF
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