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Numero do processo: 10680.721763/2010-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA.
É de trinta dias o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação, contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito.
Numero da decisão: 2401-004.803
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. É de trinta dias o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação, contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado).
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INTEMPESTIVIDADE. Recorrente TRANSPORTADORA JÚPITER LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. É de trinta dias o prazo que dispõe o contribuinte para apresentar impugnação, contados da data da ciência da intimação da exigência fiscal. A petição apresentada fora desse prazo não instaura a fase litigiosa do procedimento e nem comporta julgamento administrativo quanto às alegações de mérito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 17 63 /2 01 0- 10 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 381 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Denny Medeiros da Silveira (suplente convocado), Andréa Viana Arrais Egypto e Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocado). Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 382 3 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), cujo dispositivo tratou de não conhecer a impugnação do contribuinte, por intempestiva, mantendo o crédito tributário. Transcrevo a ementa do Acórdão nº 0231.903 (fls. 329/331): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. A impugnação deve ser apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser impugnado.. A impugnação intempestiva somente instaura a fase litigiosa se a preliminar de tempestividade for suscitada, observandose que, não sendo acolhida, deixase de apreciar as demais questões argüidas. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido 2. Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 111/115, que o processo administrativo é composto pelo Auto de Infração (AI) nº 37.260.0220, referente às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre os pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais (transportadores autônomos) por fretes realizados, assim como sobre os valores pagos em pecúnia a segurados empregados, a título de auxílioalimentação (fls. 3/71). 2.1 Este processo é vinculado, por conexão, com os processos de obrigação principal nº 10680.721764/201064 e 10680.721765/201017. 3. Cientificado do auto de infração por via postal em 7/7/2010, às fls. 143 e 319, o contribuinte impugnou a exigência fiscal em 9/8/2010 (fls. 151/195). 4. Intimada em 29/2/2012, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, conforme fls. 334/335, a recorrente apresentou recurso voluntário no dia 30/3/2012, pelo qual contesta a deliberação de piso que deixou de conhecer da sua impugnação, por intempestiva (fls. 338/342). 4.1 A favor da tempestividade, defende o equívoco da decisão recorrida na interpretação dos dados do Aviso de Recebimento, o qual atesta a data de ciência da notificação do crédito tributário ao sujeito passivo. Tendo em vista a informação do documento, o auto de infração foi recebido em 8/7/2010 (quintafeira), e não em 7/7/2010 (quartafeira). Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 383 4 4.2 Logo, a contagem do prazo iniciouse no dia 9/7/2010 (sextafeira), com "dies ad quem" em 7/8/2010 (sábado), prorrogado para o dia útil subsequente, no caso, o dia 9/8/2010 (segundafeira). 5. Esta 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção, por meio da Resolução nº 2401 000.384, decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Agência dos Correios confirmasse, com base no Aviso de Recebimento, a data da efetiva entrega do auto de infração no domicílio tributário do sujeito passivo (fls. 358/360). 6. A diligência foi cumprida, com anexação da imagem legível do Aviso de Recebimento, em que o carimbo de entrega indica a data de ciência: 07 JUL 2010 (fls. 365/366). 7. Concedido prazo para o recorrente manifestarse sobre o resultado da diligência, permaneceu inerte (fls. 368/374). 8. Tendo em vista a renúncia do relator original, Conselheiro Igor Araújo Soares, foi efetuado novo sorteio para relatoria. É o relatório. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 384 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 9. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito 10. Nesse momento processual, compete avaliar a tempestividade da apresentação da impugnação, visto que a decisão de piso considerou a defesa intempestiva. 11. O Decreto nº 70.235, de 6 de maio de 1972, estabelece que a impugnação da exigência formalizada por escrito instaura a fase litigiosa do procedimento, devendo ser apresentada no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que intimado o contribuinte: (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (...) Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) 12. A respeito da contagem dos prazos na hipótese de intimação por via postal, prevê o mesmo Decreto nº 70.235, de 1972: (...) Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 385 6 § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (...) 13. O carimbo aposto no Aviso de Recebimento dos Correios mostra que o sujeito passivo foi intimado do Auto de Infração em 7/7/2010, quartafeira, por via postal, sendolhe conferido prazo de trinta dias para interposição da impugnação (fls. 365). 13.1 Com isso, o termo do prazo de defesa iniciouse em 8/7/2010, quintafeira, e finalizou no dia 6/8/2010, sextafeira. 14. Todavia, o sujeito passivo protocolou sua impugnação em 9/8/2010, ou seja, depois de transcorrido o lapso temporal previsto em lei para sua apresentação (fls. 151/195). 15. Alega a recorrente na petição recursal, entretanto, que a intimação do auto de infração ocorreu somente no dia 8/7/2010, quintafeira. Quando da apresentação da impugnação, também havia suscitado a tempestividade da apresentação da contestação, embora, naquela oportunidade, tenha afirmado que a ciência da autuação se efetivou em 9/7/2010 (fls. 153). 16. Como se percebe, o discurso do sujeito passivo tem caráter meramente protelatório, porquanto a empresa não se esforça para trazer aos autos qualquer indício de prova material para o fim de demonstrar os fatos que possui interesse em fazer prevalecer no processo administrativo. 17. Por outro lado, o Aviso de Recebimento dos Correios, o qual está juntado às fls. 365, após a realização de diligência pelo órgão preparador, é elemento hábil e idôneo a comprovar que a recorrente foi intimada do Auto de Infração em 7/7/2010. 18. Oportunizado o contraditório ao sujeito passivo a respeito do resultado da diligência, não consta manifestação. 19. Logo, uma vez suplantado o permissivo legal para contestação, ausente o requisito extrínseco da tempestividade, não se instaura a fase litigiosa, devendo ser declarada intempestiva a impugnação, conforme decisão de primeira instância. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10680.721763/201010 Acórdão n.º 2401004.803 S2C4T1 Fl. 386 7 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGO PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância que não conheceu da impugnação, por intempestiva. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 386DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13227.900792/2012-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do Fato Gerador: 20/09/2007
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.281
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
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PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AUTO POSTO IRMÃOS BATISTA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/09/2007 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 07 92 /2 01 2- 53 Fl. 43DF CARF MF Processo nº 13227.900792/201253 Acórdão n.º 3301003.281 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 06048.587, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) – DRJ/CTA – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Por meio do Despacho Decisório, emitido pela DRF JiParaná, o pedido de restituição foi indeferido, uma vez que o crédito informado, correspondente ao pagamento de Data do Fato Gerador: 20/09/2007, já estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: é empresa dedicada ao comércio varejista de combustíveis e lubrificantes e a prestação de serviços afins. Assim, por adquirir combustíveis para revenda com incidência monofásica de PIS e Cofins e promover a saída desses combustíveis à alíquota zero, equivocadamente, deixou de constituir os demais créditos das contribuições (demais insumos e produtos/serviços, excluídas as aquisições de combustíveis) que lhe são autorizados conforme determinação do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Diz que refez a apuração do PIS e da Cofins do período, em face da não apropriação de créditos autorizados em lei, e apurou novos valores de débitos, todos demonstrados em Dacon retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os devido. Por fim, solicita a reforma da decisão, para que seja reconhecido o direito creditório pleiteado e para que seja determinada a suspensão da exigência do crédito tributário, até que seja proferido despacho decisório definitivo. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.268, de 30 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 13227.900788/201295, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.268): Fl. 44DF CARF MF Processo nº 13227.900792/201253 Acórdão n.º 3301003.281 S3C3T1 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário, de 13 de novembro de 2014, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0648.583, de 27 de agosto de 2014, é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/07/2006 PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo comprovação do direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se manter o indeferimento do pedido. PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE UTILIZAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de créditos passíveis de aproveitamento no sistema da não cumulatividade. O presente processo diz respeito ao Despacho Decisório nº de rastreamento 031047802 (fl. 5), de 4 de setembro de 2012, que indeferiu o pedido do Contribuinte de restituição de pagamento de PIS/COFINS (PER nº 41619.73872.130508.1.2.04 3004) no valor de R$ 390,64 por alegada inexistência do referido crédito. Nas razões do Recurso Voluntário o Contribuinte aduz que o Acórdão ora recorrido e o Despacho Decisório não verificaram a origem dos créditos. Cito trecho do recurso em análise para elucidar o caso (fls. 35 e 36): Vale reprisar: a Recorrente refez sua apuração de Pis e Cofins no período em debate em face da não apropriação de créditos autorizados em lei e apurou novos valores de débitos destas contribuições, todo demonstrados em DACON Retificador, de forma que os valores recolhidos e declarados na DCTF à época revelaramse indevidos e/ou maiores que os efetivamente devidos conforme demonstramos acima. Desta forma, o valor indevido (diferença entre o valor recolhido e o declarado na DCTF e o novo valor demonstrado em DACON) corresponde ao valor objeto de pedido de restituição ora debatido. O crédito utilizado por compensação na Dcomp não homologada pelo Acórdão em debate pode ser confirmado na Dacon retificadora do período em epígrafe, cujo recibo de entrega já integra os autos deste processo, na qual está demonstrada toda a apuração de créditos que resultou em saldo credor a favor da Recorrente. No entanto, de imediato verificase que a análise do pedido da Recorrente foi realizada parcialmente pela Receita Federal, já Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13227.900792/201253 Acórdão n.º 3301003.281 S3C3T1 Fl. 5 4 que aparentemente a Dacon retificadora apresentada não foi analisada. Apenas o Pedido de restituição foi analisado. Sendo assim, ao efetuar o cruzamento de informações entre DACON Retificadora x DCTF x Pedido de Restituição se verificará claramente que o valor ora requerido é exatamente o valor que foi recolhido indevidamente (conforme demonstrado na DACON) e que deve, portanto, ser restituído à Recorrente. De fato a Recorrente não retificou as DCTFs em relação a tais valores mas não o fez por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. Também não o fez por considerar que a DCTF é o documento no qual deve permanecer o pagamento do Darf efetivamente realizado, para que, quando comparado ao valor da contribuição apurada e demonstrada em DACON, a diferença corresponda ao crédito pleiteado. E, de fato, se houvesse ocorrido o cruzamento do Dacon com a DCTF facilmente se verificaria e se confirmaria o crédito da Recorrente. Assim, o crédito existe, foi efetivamente demonstrado e como tal deve ser reconhecido à Recorrente. O fato de ter incorrido em erro por não retificar a DCTF não pode ser motivo de glosa e não reconhecimento de um crédito que está devidamente demonstrado em Dacon, já que neste demonstrativo podese verificar o valor devido no período a título da contribuição em debate, e cujo valor a favor da Recorrente pode ser facilmente confirmado pela análise conjunta dos dados – Dacon x DCTF, do qual se confirmará que o valor pleiteado é apenas a diferença recolhida a maior e, que a Recorrente manteve na DCTF, justamente para que se confirme o pagamento a maior consta da base de dados da Receita Federal. O acórdão ora analisado indeferiu o pedido do Contribuinte por entender que o crédito pleiteado não existia, conforme se verifica no seguinte trecho do voto (fl. 26): Como já dito, o indeferimento do pedido deveuse porque o crédito indicado não existia, ou seja, na data da ciência do despacho decisório, o DARF informado como origem do crédito, estava totalmente utilizado para a quitação de débito da contribuinte que foi validamente declarado em DCTF. Na sequência dos fatos, a interessada diz que procedeu à retificação do Dacon (zerando o valor da contribuição devida ao PIS e à Cofins) e requer, por isso, o deferimento do seu pleito. Nesse contexto, devese observar que, ainda que tivessem sido retificados os valores declarados em DCTF, que, como é sabido, é o instrumento de confissão de dívida e de constituição definitiva do crédito tributário (art. 5.º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF), somente seria possível a admissão da retificação mediante a comprovação do erro em que se funde, justamente, porque visa a reduzir ou excluir tributo, como estabelecido pelo Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13227.900792/201253 Acórdão n.º 3301003.281 S3C3T1 Fl. 6 5 art. 147, § 1º da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. O Dacon, por sua vez, tem o objetivo de refletir os controles feitos pelo sujeito passivo de todas as suas operações capazes de influenciar a apuração das contribuições devidas a título de PIS e Cofins, bem como dos respectivos créditos a serem descontados, deduzidos, compensados ou ressarcidos; mas, apresentado isoladamente, não tem o peso necessário para retificar informações declaradas tempestivamente em DCTF. (grifouse) Cabe salientar que para o ressarcimento e ou compensação tributária exigese do contribuinte a demonstração da liquidez e certeza do crédito pleiteado como dispõe o art. 170 do Código Tributário Nacional: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. (grifou se). Neste sentido foi a conclusão do voto do ora recorrido acórdão que assim expôs (fl. 27): Nesse contexto, cabe enfatizar que a comprovação da existência de crédito junto à Fazenda Nacional é atribuição dos interessados, cabendo à autoridade administrativa, por sua vez, examinar a liquidez e certeza de que teriam sido repassadas aos cofres públicos importâncias superiores àquelas devidas, de acordo com a legislação pertinente, e autorizando, após confirmação de sua regularidade, a restituição ou compensação do crédito conforme vontade expressa da contribuinte. (grifou se). Percebese no presente processo que o Contribuinte não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior. Neste sentido, constase que o Contribuinte trouxe, por meio do Recurso Voluntário, os mesmos argumentos trazidos já na fase da Manifestação de inconformidade, com a inclusão de alguns novos argumentos, mas sem apresentar provas que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Sendo assim, tendo em vista os autos do processo e a legislação aplicável, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, mantendo o entendimento do Acórdão ora analisado. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, no presente processo o Contribuinte, da mesma forma que no caso do paradigma, não apresenta provas cabais, por intermédio da escrituração fiscal e contábil e/ou documentos fiscais, para que se possa verificar a base de cálculo da contribuição e o alegado valor recolhido a maior, que demonstrem o seu direito creditício junto à Fazenda Nacional. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13227.900792/201253 Acórdão n.º 3301003.281 S3C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 48DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.732822/2013-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010
LEI VIGENTE. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente.
ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227-TFR. ART. 146-CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE.
O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decreto-lei no 37/1966, com a redação dada pelo Decreto-lei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento").
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP-IMPORTAÇÃO. COFINS-IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. OBRIGATORIEDADE.
Conforme art. 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004, a importação de gasolina e suas correntes (à exceção de aviação e óleo diesel e suas correntes, GLP derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação) fica sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEP-importação e da COFINS-importação à alíquota específica ali prevista, e disciplinada em ato do Poder Executivo, sendo irrelevante, no caso, existir opção da empresa pelo regime especial de que trata o art. 23 da mesma lei.
Numero da decisão: 3401-003.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em negar provimento aos recursos voluntários apresentados, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a possibilidade de revisão aduaneira, no caso concreto, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, tendo sido o voto do relator e dos conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Fenelon Moscoso de Almeida, em relação ao tema, proferidos em março de 2017, e dos conselheiros André Henrique Lemos e Robson José Bayerl, em abril de 2017; e (b) por unanimidade de votos, para negar provimento em relação às demais matérias. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco informou a intenção de apresentar declaração de voto.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães (suplente), André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (ou aduaneira), afastando a aplicação de comando legal vigente. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. SÚMULA 227TFR. ART. 146 CTN. ÂMBITO DE APLICAÇÃO. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO DE LANÇAMENTO. INEXISTÊNCIA. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 15/10/2009 a 25/02/2010 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 73 28 22 /2 01 3- 04 Fl. 529DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPIMPORTAÇÃO. COFINS IMPORTAÇÃO. IMPORTAÇÃO DE GASOLINA E SUAS CORRENTES. ALÍQUOTA ESPECÍFICA. OBRIGATORIEDADE. Conforme art. 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004, a importação de gasolina e suas correntes (à exceção de aviação e óleo diesel e suas correntes, GLP derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação) fica sujeita à incidência da Contribuição para o PIS/PASEPimportação e da COFINSimportação à alíquota específica ali prevista, e disciplinada em ato do Poder Executivo, sendo irrelevante, no caso, existir opção da empresa pelo regime especial de que trata o art. 23 da mesma lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento aos recursos voluntários apresentados, da seguinte forma: (a) por maioria de votos, para reconhecer a possibilidade de revisão aduaneira, no caso concreto, vencidos os Conselheiros André Henrique Lemos e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, tendo sido o voto do relator e dos conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira e Fenelon Moscoso de Almeida, em relação ao tema, proferidos em março de 2017, e dos conselheiros André Henrique Lemos e Robson José Bayerl, em abril de 2017; e (b) por unanimidade de votos, para negar provimento em relação às demais matérias. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco informou a intenção de apresentar declaração de voto. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães (suplente), André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Autos de Infração lavrados em 26/12/2013 (fls. 2 a 71)1, com ciência dos autuados em 02 e 03/01/2014 fls. 113 a 115, para exigência de Contribuição para o PIS/PASEPimportação e COFINSimportação, respectivamente, nos valores originais principais de R$ 4.869.608,92 e R$ 22.512.710,67, acrescidos de juros de mora e multa de ofício (75%), por falta de pagamento em importações de "nafta para formulação de gasolina", sujeita a alíquota específica, conforme § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/2004. No Relatório Fiscal de fls. 15 a 35, narra a fiscalização que: (a) verificou as importações de "nafta para formulação de gasolina" realizadas de 15/10/2009 a 25/02/2010, 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 530 3 pela filial de CNPJ no 05.889.885/000498, da empresa Centro Oeste Exportadora e Importadora Ltda (Centro Oeste), concluindo que foram utilizadas indevidamente as alíquotas gerais das contribuições, quando o cálculo deveria ter sido efetuado com base nas alíquotas específicas estabelecidas em lei, por ser a "nafta para formulação de gasolina" uma corrente de gasolina (aplicandose o art. 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004); (b) sendo as importações da realizadas na modalidade por conta e ordem, o adquirente Copape Produtos de Petróleo LTDA (Copape) é responsável solidário, por expressa disposição legal (art. 6o, I da Lei no 10.865/2004); (c) nas importações, a mercadoria é descrita como "correntes de hidrocarbonetos para formulação de gasolina"; (d) o recolhimento de CIDE/Combustíveis, nas importações, foi feito com admissão de que as mercadorias se tratavam de correntes de gasolina; e (e) nas operações, é irrelevante, para efeito da tributação das importações pelas contribuições, que a empresa tenha optado pelo regime especial de que trata o art. 23 da Lei no 10.865/2004. A empresa Centro Oeste apresenta Impugnação em 29/01/2014 (fls. 117 a 129), alegando que: (a) a opção pela alíquota geral foi correta, tendo sido a exigência efetuada por analogia, sendo que, em caso de "obscuridade, ambiguidade ou dúvida quanto à incidência do critério normativo de alíquota, a questão essencialmente de direito deve ser resolvida em prol da regra jurídica geral do critério normativo ad valorem e não da exceção ad rem"; (b) a expressão "independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido", na parte final do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/2004 não rege a obrigatoriedade do critério da alíquota específica, mas da alíquota geral; e (c) é impossível, juridicamente, a revisão de erro de direito após o desembaraço aduaneiro da mercadoria, conforme já decidiu o STJ (REsp no 65858/RS, AgRg no 1422444/AL e Súmula no 227TFR). A empresa Copape, por sua vez, apresenta Impugnação em 31/01/2014 (fls. 159 a 174), basicamente com os mesmos argumentos externados pela empresa Centro Oeste, acrescentando que os efeitos tributários da carga fiscal efetiva arrecadada pelo fisco são rigorosamente semelhantes, demandando conversão em diligência para conferência do procedimento de tomada de crédito. A decisão de primeira instância, proferida em 18/09/2014 (fls. 244 a 258) é pela improcedência da impugnação, considerando prescindível a realização de diligência, e que: (a) não houve alteração de critério jurídico, devendo ser considerada, na leitura da Súmula TFR no 227, a alteração efetuada em 1988 no DecretoLei no 37/1966, e a criação de canais de conferência aduaneira; (b) as contribuições devidas na importação são distintas daquelas incidentes no mercado interno, devendo cada obrigação ser cumprida a seu tempo e de acordo com as regras que disciplinam cada matéria; e (c) a Lei no 10.865/2004 expressamente prevê a alíquota específica para as importações de gasolinas e suas correntes, em qualquer hipótese, independente de opção. Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 269) em 13/11/2014, a empresa Copape apresenta o recurso voluntário de fls. 272 a 287 (em 15/12/2014), reiterando as alegações de impossibilidade de revisão de erro de direito após o desembaraço aduaneiro da mercadoria, com menção à jurisprudência do STJ, de correção da alíquota adotada, e de equivalência da carga fiscal para as diferentes alíquotas. Pela Resolução no 3401000.922, de 16/03/2016 (fls. 335 a 338), esta turma de julgamento unanimemente decidiu converter o julgamento em diligência, para que fosse suprida ou justificada a ciência faltante no processo (do acórdão de piso, à empresa Centro Oeste), e fossem informados os canais de conferência e detalhadas eventuais exigências Fl. 531DF CARF MF 4 efetuadas no curso do despacho, em relação a cada uma das declarações de importação que figuram na autuação. A unidade atendeu celeremente a segunda demanda, mas não empreendeu a diligência para regularizar a questão da ciência, o que motivou nova conversão em diligência, pela Resolução no 3401000.947, de 26/09/2016 (fls. 466 a 470). Identificando estar baixada a empresa Centro Oeste (tela à fl. 473), a unidade local cientifica o responsável por esta, Sr. Celso Braz de Oliveira Santos, da decisão de piso e do resultado da diligência, em 11/11/2016 (AR à fl. 481). A empresa Centro Oeste apresenta, em 07/12/2016, recurso voluntário (fls. 516 a 520), com tempestividade atestada pela unidade local (fl. 527), no qual sustenta que: (a) o acórdão da DRJ não observou que a legislação tributária permite que o contribuinte opte pela alíquota ad valorem para a importação de nafta utilizada para a formação de gasolina, sendo as alíquotas ad valorem a regra, conforme artigos 8o, I e II, e § 8o, e 23, da Lei no 10.865/2004; e (b) não pode haver revisão de erro de direito após finalizado o desembaraço aduaneiro, tendo sido as mercadorias desembaraçadas em canal amarelo, e, inclusive, em alguns casos, com verificação das mercadorias, conforme resultado da diligência fiscal, tendo a autoridade aduaneira verificado a regularidade das informações. A unidade local da RFB cientifica ainda ambas as empresas sobre o resultado da diligência, e estas apresentam “contrarrazões” exclusivamente em relação ao atendimento parcial da primeira diligência, que indicou que todas as Declarações de Importação haviam sido selecionadas para o canal amarelo de conferência, e que algumas, mesmo em canal amarelo, foram ainda sujeitas a verificação da mercadoria, defendendo que, diante do desembaraço aduaneiro, a autoridade aduaneira constatou a regularidade das operações (fls. 505/506). Em 04/01/2017, o processo foi a mim devolvido (fl. 528), para inclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. Em fevereiro de 2017, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. Em março de 2017, pediu vistas o Conselheiro André Henrique Lemos, após a leitura do voto do relator, e o início da análise da preliminar, quanto à possibilidade de revisão aduaneira, na qual acompanharam o relator os Conselheiros Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira e Fenelon Moscoso de Almeida. E, em abril de 2017, pediu vistas o Conselheiro Tiago Guerra Machado, ainda em complemento à análise da preliminar relativa à possibilidade de revisão aduaneira, após o Conselheiro André Henrique Lemos, que havia pedido vistas na reunião anterior, abrir divergência em relação ao voto do relator, entendendo que houve, no caso em análise, alteração de critério jurídico, sendo incabível a revisão aduaneira, e o Conselheiro Robson José Bayerl acompanhar o voto do relator, sendo a vista convertida em coletiva pelo presidente. Em maio de 2017, por fim, o processo foi retirado de pauta por falta de tempo hábil para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 531 5 Os recursos voluntários apresentados atendem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. São dois, basicamente, os temas contenciosos: (a) a existência ou não de alteração de critério jurídico na revisão aduaneira efetuada (erro de direito); e (b) a alíquota aplicável ao caso (ad rem ou ad valorem). Traz, ainda, a recorrente Copape, uma terceira discussão aos autos, sobre os efeitos tributários da carga fiscal efetiva. Da "revisão" aduaneira Alegam as recorrentes que é impossível, juridicamente, a revisão de erro de direito após o desembaraço aduaneiro da mercadoria, conforme já decidiu o STJ (v.g., REsp no 65858/RS, AgRg no 1422444/AL e Súmula no 227TFR). Sobre o tema, já tivemos a oportunidade de externar entendimento em artigo publicado em 2012. Aproveitase para reproduzir excerto de tal estudo, plenamente aplicável ao caso aqui analisado (ainda que não verse sobre classificação de mercadorias):2 “O art. 638 do Regulamento Aduaneiro, com base no art. 54 do DecretoLei no 37, de 1966, com a redação com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, estabelece que revisão aduaneira “é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação”. A revisão aduaneira assume crescente importância, na medida em que se está selecionando para conferência aduaneira, no despacho, um percentual cada vez menor de declarações de importação. Chegase até a cogitar a impropriedade da denominação do instituto, visto que o termo “revisão” sugere que já tenha havido uma primeira análise, o que nem sempre ocorre nas importações. No canal verde, por exemplo, sequer houve verificação da mercadoria ou exame documental; no amarelo, não ocorreu a verificação da mercadoria; e, mesmo no vermelho, pode ser que a verificação, feita por amostragem, não tenha abarcado especificamente o tópico que venha a ser discutido futuramente em procedimento de “revisão” aduaneira. Assim, a revisão aduaneira (cuja denominação fica cada vez mais inadequada), em verdade, tornase frequentemente a primeira oportunidade em que as informações prestadas pelo 2 A revisão aduaneira de classificação de mercadorias na importação e a segurança jurídica: uma análise sistemática. In: BRANCO, Paulo Gonet; MEIRA, Liziane Angelotti; CORREIA NETO, Celso de Barros. Tributação e Direitos Fundamentais conforme a jurisprudência do STF e do STJ. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 341376. Fl. 533DF CARF MF 6 importador na declaração de importação são checadas pelo fisco. São numerosas as reclassificações de mercadorias desembaraçadas em canal verde (ou seja, sem qualquer intervenção humana).” (op. cit, p. 364) Também já efetuamos considerações sobre o tema em julgamentos anteriores, com acolhida unânime da turma: "CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. HOMOLOGAÇÃO. REVISÃO ADUANEIRA. POSSIBILIDADE. É possível a revisão aduaneira da classificação de mercadorias, não constituindo necessariamente tal ato “mudança de critério jurídico”. O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita)." (Acórdão n. 3403002.555, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 23.jan 2013; e Acórdão n. 3403002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25.fev 2014) (grifo nosso) É de se acrescentar que nos presentes autos sequer se mencionava em quais canais de conferência foi a mercadoria desembaraçada, e tal matéria não foi objeto de controvérsia específica, inicialmente, alegando a recorrente Copape (fl. 279), simplesmente, em referência a todas as operações, que: Foi apenas após o resultado da primeira diligência, que este CARF, de ofício, em nome da verdade material, indagou sobre os canais de conferência nas operações em análise, obtendo como resposta (conforme relatado à fl. 468) que: Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 532 7 Após tal resultado, ambas as recorrentes reiteraram os argumentos de que teria havido constatação de regularidade pela autoridade aduaneira, em todas as declarações de importação, pois estas foram desembaraçadas. É preciso aclarar, no entanto, o que diferencia os procedimentos de importação daqueles referentes a simples apuração de tributos internos. As contribuições devidas na importação, assim como o imposto de importação, são tributos sujeitos a “lançamento por homologação”. O sujeito passivo (em regra, o importador) detalha em uma DI (declaração de importação) as mercadorias que está importando, suas classificações e seus valores, entre outras informações (como a alíquota, se ad rem), e paga os tributos devidos segundo seus cálculos, independentemente de qualquer ato administrativo. A declaração é, então, sujeita a conferência, podendo ser desembaraçada em canal verde (sem qualquer ato da autoridade fiscal), amarelo (com verificação apenas dos documentos), vermelho (com verificação dos documentos e da mercadoria, por amostragem), ou cinza (com procedimento especial de controle aduaneiro). É míope e desconectada da realidade do comércio internacional a visão de que o desembaraço aduaneiro é um ato cujo objetivo central seja o lançamento de crédito tributário, ou sua homologação. O crédito tributário é coadjuvante nesse processo, exatamente porque pode ser exigido a posteriori, mediante "revisão" aduaneira. Em zona primária (portos, aeroportos e pontos de fronteira), a principal preocupação é com o cometimento de fraudes (como a importação de mercadoria proibida), especialmente se houver possibilidade de que um procedimento de fiscalização posterior seja frustrado (v.g., pela própria inexistência de fato do importador ou do real adquirente da mercadoria). É essa a realidade, hoje, no Brasil e em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento do mundo, que passaram a adotar, para não obstaculizar o comércio e para não entravar os portos, aeroportos etc., parâmetros de seletividade, fiscalizando efetivamente baixo percentual de cargas importadas, restringindo a análise àquelas que apresentem efetivo potencial de risco, não sendo o tema tributário, repitase, protagonista nessa discussão (em face de o crédito poder ser exigido a posteriori).3 3 Como não é possível (nem efetivo) fiscalizar um percentual elevado das cargas que chegam ao País ou dele saem, investese em mecanismos de seleção fundados em parâmetros objetivos previamente cadastrados, permitindo que se verifiquem em despacho as mercadorias sobre as quais recai o mais alto grau de risco, ou as mercadorias com indícios de prática de fraude para a qual a fiscalização a posteriori seja improdutiva. Algumas infrações, como as relativas a propriedade intelectual, a saúde, ou que possam resultar em contrabando, devem ser tratadas em tempo de despacho. Outras, como o simples erro de classificação fiscal, ou o simples preenchimento incorreto de campo, poderiam ser objeto de fiscalização a posteriori (a menos que haja elementos que levem à convicção de que a empresa infratora é inexistente de fato, ou não disporá de patrimônio para saldar a dívida a Fl. 535DF CARF MF 8 Assim, aquele que invoca a Súmula no 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR), no Brasil, para tratar de "revisão" aduaneira, está meio século atrasado na análise da questão, pois está a raciocinar na realidade da redação original do DecretoLei no 37/1966, e no contexto em que todas as mercadorias e todos os documentos de todas as declarações de importação eram (ou, ao menos, deveriam ser) examinados, quando hoje, a regra é a ausência de exame. Não é preciso muito esforço para perceber que a Aduana brasileira mudou em relação àquela que existia há meio século, à época em que se consolidou o entendimento expresso na súmula no 227, inadvertidamente mantido em realidade diversa, inclusive pelo STJ, como se depreende dos precedentes colacionados pelas recorrentes. Basta uma olhadela no sítio web da RFB para que vejamos quais as preocupações da aduana, hoje:4 "Aumento na Fluidez no Comércio Exterior Na importação, a fluidez é medida pelo percentual de declarações que são desembaraçadas com menos de 24 horas (Indicador do Grau de Fluidez). No primeiro semestre de 2015, 84,73% do total dos despachos de importação registrados foram liberados pela Aduana em menos de um dia. Isto representa uma melhora da fluidez na importação de 1,4% em relação ao primeiro semestre de 2014 e de 1,9% em relação ao primeiro semestre de 2013. (...) Mais rapidez dos tempos no despacho O tempo médio bruto de despacho na importação (DI), o qual computa do registro da declaração até o seu desembaraço, tem o tempo médio de 1,60 dias no período de janeiro a junho de 2015, o qual representa a redução de 2,43% no comparativo 2015 x 2014. (...) Declarações de Importação e Exportação No primeiro semestre de 2015, a Aduana do Brasil desembaraçou 1,71 milhões de declarações de operações de comércio exterior, sendo 1,159 milhões de despachos de importação e aproximadamente 560 mil despachos de exportação. (...)" Lamentavelmente, neste último relatório disponível, de 2015, a Aduana brasileira não divulgou o número de declarações por canal de conferência. Mas no anterior, de 2014, é possível acessar os números, inclusive de forma gráfica:5 posteriori, v.g.). Assim, a exemplo do que ocorre em diversos países, o Brasil prioriza, em despacho, o tratamento de um quantitativo reduzido de declarações, dando maior fluidez ao comércio internacional. 4 Dados extraídos do documento intitulado "Balanço Aduaneiro 2015", disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/resultados/aduana#, acesso em 01 mar.2016. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 533 9 "A capacidade de conferência no despacho e a gestão de risco evoluíram nos últimos 12 anos, de forma a permitir a maior fluidez ao comércio, conforme mostram os dois gráficos seguintes e, ao mesmo tempo, a aumentar o grau de eficácia na seleção e a efetividade da atuação da Receita Federal no combate às irregularidades nas operações de importação e exportação. O Brasil hoje tem um nível de seletividade, na importação, da ordem de 11,02%, índice menor que o de 2013 (11,21%) e 9,28% na exportação. Um dos indicadores do Custom Assessment Trade Toolkit – CATT, utilizado pelo Banco Mundial, relacionado ao nível de seletividade para controle do despacho aduaneiro, estabelece como parâmetro ideal 3% de seletividade. É a essa realidade que se pretende aplicar o art. 146 do Código Tributário Nacional (CTN), imaginando que tenha sido efetuado no procedimento aduaneiro aqui descrito uma revisão como a malha do imposto de renda, ou uma fiscalização de IPI realizada na empresa. Atentese que a área em verde do gráfico corresponde ao percentual de declarações de importação para as quais não foi verificada nem a mercadoria importada nem os documentos que ampararam a importação (ou seja, declarações para as quais não houve qualquer intervenção humana). E a área em amarelo, às importações para as quais foram verificados apenas os documentos, cabendo destacar que, mesmo nas áreas vermelhas, foram verificados documentos e mercadoria por amostragem. Em síntese, a realidade e a própria legislação aduaneira hoje existentes são distintas do contexto tributário e aduaneiro do qual foram extraídas as conclusões que se informa serem amoldadas à Súmula no 227 do extinto TFR. Aliás, o período em que eram atuais e pertinentes tais discussões foi a década de 80 do século passado. E tais discussões levaram justamente à alteração do DecretoLei no 37/1966, em 1988. 5 Dados extraídos do documento intitulado "Balanço Aduaneiro 2014", disponível em http://idg.receita.fazenda.gov.br/dados/resultados/aduana/arquivoseimagens/balancoaduaneiro2014.pdf, acesso em 01 mar.2016. Fl. 537DF CARF MF 10 O Capítulo III do DecretoLei no 37/1966 (referente a "Normas Gerais de Controle Aduaneiro das Mercadorias") era originalmente subdividido em quatro seções (‘despacho aduaneiro’ arts. 44 a 47; ‘conferência’, arts. 48 a 52; ‘desembaraço’ art. 53; e ‘revisão’ art. 54), estabelecendo este último artigo (54), único a compor a Seção IV, que: "Seção IV Revisão Art 54. A revisão para apuração da regularidade do recolhimento de tributos e outros gravames devidos à Fazenda Nacional será realizada na forma que estabelecer o regulamento, cabendo ao funcionário revisor 5% (cinco por cento), das diferenças apuradas, revogado o art. 4º do Decreto lei nº 8.663, de 14 de janeiro de 1946." (grifo nosso) O Decretolei no 2.472/1988, porém, deu nova redação a todo o Capítulo III do DecretoLei no 37/1966, que passou a contar com apenas duas seções (‘despacho aduaneiro’ arts. 44 a 53; e ‘conclusão do despacho’ art. 54), dispondo, a partir de então, o artigo 54: "Seção II Da Conclusão do Despacho Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste Decreto Lei." (grifo nosso) Percebase que o legislador, em 1988, não desejou somente retirar dos funcionários o percentual das diferenças apuradas, mas também libertarse da tradicional visão eminentemente tributária do despacho. E desejou ainda deixar claro que o despacho não termina com o desembaraço. Por isso intitulou o antigo artigo que tratava da "revisão", na nova redação, como "da conclusão do despacho".6 Assumese, com tal comando normativo, ainda vigente, que a fiscalização não se esgota com o desembaraço, e que a "apuração da regularidade" (sem utilizar mais o texto de estatura legal a palavra "revisão") da declaração desembaraçada não é efetuada fora, mas dentro do despacho, que ainda não está concluído até que haja manifestação expressa (com a "revisão") ou tácita (com o decurso do prazo para sua realização). O termo "revisão" aduaneira, inexistente na nova redação do art. 54, continuou a ser usado pelas normas de hierarquia inferior (v.g., Regulamentos Aduaneiros de 2002 e 2009), mas deve se advertir que não se está, de fato, naquilo que ficou conhecido como "revisão aduaneira", revisando algo, mas simplesmente apurando, em continuidade das verificações efetuadas (se efetuadas) antes do desembaraço, a regularidade da operação, em seus aspectos tributários ou aduaneiros, inclusive no que se refere a restrições/proibições à importação. Estava o Brasil cada vez mais se adequando à regulação aduaneira internacional, e se distanciando da visão à época externada pelos tribunais, que ainda pareciam imaginar que nos portos, aeroportos e pontos de fronteira tudo se verificava (ou tudo se presume que teria sido verificado), e que a discussão aduaneira era, em verdade, tributária 6 Para deixar ainda mais claro que o despacho aduaneiro não termina com o desembaraço, tal Decretolei, ao dar nova redação ao art. 102, § 1o do Decretolei no 37, de 1966, dispôs que “não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ...". Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 534 11 (embora se possa relacionar substancial lista de temas que podem ser objeto de revisão aduaneira e sequer produzem consequências tributárias: importação de bens sem autorização do órgão competente, contrabando, importação de bens com falsidade na documentação de amparo etc.). E, de lá para cá, com o surgimento de canais de conferência (em 1997), que expressamente dispensaram a verificação em alguns casos, tornouse absolutamente dissociado da realidade o entendimento de que se estaria, em um desembaraço, promovendo uma verdadeira homologação de lançamento (ainda mais quando em cerca de 90% deles sequer se verificou nada). Mas o posicionamento em alguns julgados do STJ, de forma aparentemente cômoda, acabou congelado no tempo, a parecer que ainda se verifica efetivamente 100% das cargas nos portos, aeroportos e pontos de fronteira brasileiros. É certo que tal posicionamento, pela impossibilidade de revisão, poderia perigosamente levar o Brasil de volta à década de 60 do século passado, quando as cargas demoravam semanas (hoje, diante da relação funcionário / declarações de importação, seriam certamente meses) para serem verificadas, pois tal visão imporia efetivamente o dever de fiscalização de 100% da mercadoria importada e dos documentos correspondentes. E aí se poderia falar que o que ocorre depois do desembaraço seria uma efetiva "revisão". Estamos certos de que o problema não reside na Súmula no 227, mas em sua extensão a hipóteses em que não houve homologação alguma, mas simples liberação de mercadorias sob condição de posterior apuração de regularidade para conclusão do despacho. O desembaraço aduaneiro não representa lançamento efetuado pela fiscalização nem homologação, por esta, de lançamento "efetuado pelo importador". Tal homologação ocorre apenas com a "revisão aduaneira" (homologação expressa), ou com o decurso de prazo para sua realização (homologação tácita). A homologação expressa, por meio da "revisão aduaneira" de que trata o art. 54 do Decretolei no 37/1966, com a redação dada pelo Decretolei no 2.472/1988, em que pese a inadequação terminológica, derivada de atos infralegais, não representa, efetivamente, nova análise, mas continuidade da análise empreendida, ainda no curso do despacho de importação, que não se encerra com o desembaraço. Não se aplicam ao caso, assim, o art. 146 do CTN (que pressupõe a existência de lançamento) nem a Súmula 227 do extinto Tribunal Federal de Recursos (que afirma que "a mudança de critério adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento"). Ademais, se o julgador do CARF está a analisar matéria aduaneira, deve tomar como vigente o art. 54 do Decretolei no 37/1966, na redação que lhe deu o Decretolei 2.472/1988, e que não apresenta a restrição defendida pelas recorrentes e por julgados do STJ, não podendo o julgador administrativo negar vigência ao referido artigo 54, ainda que por afronta a dispositivo do CTN ou da própria Constituição, por determinação da Súmula CARF no 2 (que, por certo, não se refere somente a "lei tributária", mas também a lei "aduaneira, ou mesmo de outro ramo jurídico). A Súmula no 227, do TFR, tem teor irretocável: em nome da segurança jurídica, não há argumento que fragilize a afirmação de que “a mudança de critério jurídico não autoriza a revisão do lançamento”. O problema é aplicar tal súmula em casos nos quais não houve necessariamente lançamento nem homologação, como o presente. Fl. 539DF CARF MF 12 No presente processo, parecem as recorrentes entender que o teor da Súmula no 227 do TFR e dos julgados colacionados do STJ (que não vinculam este tribunal administrativo, salvo sistemática excepcional) lhes favorecem, mesmo tratando os autos de declarações de importação para as quais as recorrentes sequer fazem prova de que foram efetivamente verificadas por uma autoridade aduaneira. Foi apenas após a diligência determinada por este CARF que se descobriu que a verificação da mercadoria, digase, por amostragem, e a demanda por laudo técnico, foram restritas a algumas declarações, e, mesmo nestas, não consta que tenha sido expressamente analisada a matéria aqui discutida. Deveriam as recorrentes ter apresentado ao menos uma declaração de importação onde o fisco efetivamente analisou a matéria aqui discutida. Afinal, a documentação referente a tais declarações deveria estar em sua posse, em observância ao artigo 70 da Lei no 10.833/2003. A defesa não traz, no caso, nenhum elemento que indique que houvesse efetivamente uma orientação (ou um critério) da fiscalização para aplicação da alíquota ad valorem. E não colaciona nenhum despacho no qual tenha enquadrado a mercadoria em alíquota específica e houvesse o fisco determinado o reenquadramento para a alíquota ad valorem. Fracassa, então, na tentativa de indicar que efetivamente teria havido alteração de critério pela fiscalização, ou erro de direito, e não meros atos administrativos de desembaraço / liberação de mercadorias no curso do despacho. Desnecessário, assim, qualquer procedimento de baixa em diligência para agora checar informação sequer ventilada nos autos de que poderia ter havido um caso, no período, para o qual a fiscalização determinou a aplicação de alíquota ad valorem, procedimento que a autuação condena. Ademais, esta turma vem manifestando entendimento majoritário de que somente naqueles casos em que tenha efetivamente havido verificação, com exigência efetuada ao importador para adequarse ao entendimento do fisco, e posterior exigência (em autuação) cobrando do mesmo importador entendimento diverso é que se poderia falar propriamente em "revisão de critério jurídico" (Acórdãos no 3401003.107 e no 3401003.111)7. Não havendo vestígios da ocorrência de tal hipótese no presente processo, endossase a desnecessidade de diligência, que não se prestaria a impactar a conclusão do colegiado. Improcedentes, assim, as alegações de alteração de critério jurídico, ou de erro de direito. Da alíquota aplicável nas importações de nafta É incontroverso, nos autos, que a empresa estava a importar "nafta para formulação de gasolina", uma corrente de gasolina, residindo o contencioso somente na aplicação ou não de dispositivos da Lei no 10.865/2004 (arts. 8o, § 8o e 23). 7 Nos referidos acórdãos, proferidos em julgamentos efetuados em fevereiro de 2016, a turma entendeu majoritariamente no sentido aqui exposto, sendo vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que entendia haver efetiva revisão de critério jurídico apenas nas declarações de importação desembaraçadas em canal vermelho, e o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 535 13 Iniciemos nossa análise pelo que dispõe o texto do artigo 8o, § 8o da Lei no 10.865/2004: "§ 8o A importação de gasolinas e suas correntes, exceto de aviação e óleo diesel e suas correntes, gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo e gás natural e querosene de aviação fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido." (grifo nosso) E busquemos, na sequência, a análise lógica em conjunto com o texto do artigo 23 da mesma lei: "Art. 23. O importador ou fabricante dos produtos referidos nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e no art. 2o da Lei no10.560, de 13 de novembro de 2002, poderá optar por regime especial de apuração e pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, no qual os valores das contribuições são fixados, respectivamente, em: I R$ 141,10 (cento e quarenta e um reais e dez centavos) e R$ 651,40 (seiscentos e cinqüenta e um reais e quarenta centavos), por metro cúbico de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação; (...) § 5o Fica o Poder Executivo autorizado a fixar coeficientes para redução das alíquotas previstas neste artigo, os quais poderão ser alterados, para mais ou para menos, ou extintos, em relação aos produtos ou sua utilização, a qualquer tempo." (grifo nosso) Resta inequívoco, pelo artigo 23, que os optantes pelo regime especial de apuração e pagamento devem recolher as contribuições com o emprego de alíquotas específicas. E o artigo 8o, § 8o, por sua vez, esclarece cristalinamente que no caso de importação de gasolina e suas correntes (e é disso que trata o presente processo) devem ser aplicadas as alíquotas específicas, independente da opção referida no art. 23. Não resta margem a dúvida. Para aplicação da alíquota específica, basta que as importações sejam de gasolina e suas correntes, sendo irrelevante a opção pelo regime especial. Buscam, assim, as recorrentes, distorcer a leitura dos dispositivos aqui discutidos, ao afirmarem (Copapefls. 285/286, e Centro Oestefl. 517, respectivamente) que: Fl. 541DF CARF MF 14 Não há, nos comandos normativos analisados (arts. 8o, § 8o e 23 da Lei no 10.865/2004), nenhuma ambiguidade ou contradição, e a única possibilidade de leitura conjunta é a aqui efetuada, que garante regra geral (de opção por regime especial) e regra específica (para gasolina e suas correntes). A empresa que importa gasolina e suas correntes pode até não exercer a opção pelo regime especial, mas isso não prejudica a obrigatoriedade de aplicação da alíquota específica, no caso. Aliás, a leitura efetuada pelas recorrentes é que tornaria a lei contraditória, pois ao fazer prevalecer a opção do art. 23 da Lei no 10.865/2004, negaria vigência ao texto do art. 8o, § 8o da mesma lei. E, ao menos neste tribunal administrativo, é vedado ao julgador negar vigência a dispositivo legal, conforme assentou a Súmula CARF no 2. Improcedentes, assim, as alegações de defesa em relação à matéria. Considerações finais Cabe um comentário derradeiro sobre a alegação da recorrente Copape de que os efeitos tributários da carga fiscal efetiva arrecadada pelo fisco seriam rigorosamente semelhantes, utilizandose a alíquota específica ou ad valorem. Isso porque tal alegação não é uma contraposição à argumentação exposta na autuação, mas simples conjectura, desacompanhada de cálculos demonstrativos específicos, sendo que a documentação e as alegações apresentadas pela recorrente estão bem distantes de comprovar a equivalência de carga tributária em ambas as hipóteses. E a conversão em diligência para checagem do alegado seria absolutamente irrelevante, visto que se trata de matéria que não exerce qualquer influência na autuação, que decorre da aplicação de dispositivos legais que não podem ser afastados por este CARF, ainda que em nome de isonomia, ou de manutenção de carga tributária equivalente. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntários apresentados. Rosaldo Trevisan Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 536 15 Declaração de Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 1. Com as vênias de estilo, em que pese o bem fundado voto do Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan, apresento a seguinte declaração quanto às alegações de: (i) revisão fiscal e aplicação do art. 146 do Código Tributário Nacional; e (ii) faculdade da opção por regime especial de apuração (alíquota fixa ou ad valorem). 1.) REVISÃO FISCAL ADUANEIRA VS. REVISÃO DO LANÇAMENTO: CONVÍVIO, LIMITAÇÕES E CONVERGÊNCIAS 2. A revisão do lançamento tem como pressuposto a viabilidade do conhecimento, por parte da autoridade aduaneira, dos pressupostos fáticos que deram origem à obrigação tributária, o que ocorre, por exemplo, nos casos de resposta a consulta formulada pela contribuinte, de parametrização dos produtos por meio dos canais vermelho ou cinza, ou ainda se, quando do processo de desembaraço aduaneiro, as declarações de importação são objeto de revisão aduaneira para fins específicos de alteração da classificação fiscal. 3. Em todos os casos acima referidos, erigese a presunção relativa de que a autoridade aduaneira teve ao menos a possibilidade de acesso a todas as informações necessárias para formar a sua convicção a respeito do enquadramento legal de uma determinada mercadoria, ou, em outras palavras, para adotar um critério jurídico apto a pautar a sua relação jurídica com o contribuinte presunção esta que restará elidida em um caso, eg., de fraude, o que corrobora a premissa adotada de suficiência de dados para a construção do convencimento e consequente viabilidade da adoção de um critério jurídico. Tal racional, ademais, habilita também aqueles casos em que não se demonstra dissensão entre o conteúdo da DI e o produto importado. Não havendo suspeita e comprovação de eventual declaração falsa, reputase verdadeira a informação prestada e, logo, não há que se falar em desconhecimento das premissas fáticas para a percussão da norma jurídica. Em outras palavras, uma vez realizado o exame documental e efetuado o desembaraço com dispensa da verificação da mercadoria, só não se poderá falar em sedimentação de um critério no caso de se comprovar Fl. 543DF CARF MF 16 que os documentos não espelham ou refletem a realidade da operação, sobretudo naqueles casos em que tal conduta foi observada em mais de uma oportunidade: o desembaraço de diversas mercadorias sob o mesmo fundamento jurídico, implica claramente a cristalização de um critério jurídico que servirá de baliza ou pólo magnético para orientar a relação fisco contribuinte. 4. Não se trata, de maneira nenhuma, de negar à recorrida a plena eficácia do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 combinado com o art. 570 do Decreto nº 4.543/2002, que prevêem a possibilidade da revisão aduaneira como ato por meio do qual, após o desembaraço, apurase a regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames devidos, bem como a exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação: DecretoLei nº 37, de 18/11/1966 Art.54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Decreto nº 6.759, de 05/02/2009 Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1o Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2o A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 537 17 I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3o Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. 5. Evidenciase que os erros de fato constatados serão revistos com base nos dispositivos em referência: não se premia o dolo ou a máfé do contribuinte, pois neste caso o ato poderá (deverá) ser revisto a qualquer tempo. O que não se evidencia, e jamais se poderia evidenciar, é a contrariedade destes dispositivos infralegais ao art. 146 do Código Tributário Nacional: Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional) "Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução". 6. Não se confunde, neste passo, (i) a chamada "revisão fiscal", para fins aduaneiros, com (ii) a "revisão de lançamento" ou "revisão tributária" stricto sensu. 7. A (i) revisão fiscal, conforme preceptivo normativo do DecretoLei nº 37/1966, tem o escopo de verificar, textualmente: (i) regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames; (ii) aplicação de benefício fiscal; e (iii) exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração. Apurase, por meio deste expediente, se os tributos e demais consectários foram pagos, se há aplicação de benefício e em que termos, e se as informações da declaração correspondem às características dos produtos importados. Diante da discrepância entre a mercadoria objeto de importação e a informação prestada, procedese à revisão fiscal. Fl. 545DF CARF MF 18 8. Diversa é a (ii) revisão tributária (do lançamento): enquanto na primeira o que se revisa são os fatos que deram ensejo a um vínculo jurídicotributário, nesta o que se revisa são os critérios do próprio lançamento. Enquanto na revisão fiscal os fatos corretos substituem os incorretos e dão ensejo a um novo lançamento, nesta o que se revisa é, diante dos mesmos fatos, o próprio lançamento que, revolvido em suas entranhas, é reconfigurado. 9. Assim, a afirmação de que "(...) prestadas as informações na Declaração de Importação e ocorrido o despacho aduaneiro, o contribuinte passa a estar protegido pelo art. 146 do Código Tributário Nacional"8 deve ser temperada: desde que as informações prestadas estejam em conformidade com os produtos efetivamente importados. Assim, o que se veda é a modificação do lançamento "(...) e, portanto, sua revisão, quando decorrente de erro de direito".9 10. A revisão fiscal ou aduaneira prevista pelo art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 e pelo art. 570 do Decreto nº 4.543/2002 permanece hígida no ordenamento, porém conhece a limitação imposta pelo Código Tributário Nacional, diploma recepcionado como lei complementar pela Constituição da República de 1988. Assim, prestase a revisar os erros de fato, mas jamais os erros de direito. Ao se propor a alterar os termos da relação que mantém com o contribuinte, o Estado deverá fazêlo apenas com relação aos fatos geradores ainda a serem praticados, sem alcançar aqueles já praticados, pois o passado prossegue resguardado: sob o crivo dos novos critérios, talvez de uma nova política fiscal, decidirá o contribuinte se continuará ou não a realizar importações, resguardado o direito de organizar os seus negócios. 11. Não há que se falar, assim, em aplicação de regra especial ("lex specialis derogat legi generali") ou posterior ("lex posterior derogat legi priori"): os dispositivos, ambos editados nos últimos dois meses do ano de 1966, devem ser interpretados não como opostos, mas dois lados de uma mesma moeda, com faces diversas, porém pertencentes a um mesmo campo ou âmbito de aplicação as normas de tributação incidentes sobre o comércio internacional. Na dicção do decretolei, o Estado poderá revisar os erros de fato, as inconsistências, o nãopagamento dos tributos incidentes sobre a importação. O Código Tributário Nacional impõe, na condição de norma geral de matéria tributária, a condição de que não sejam transmudados os critérios jurídicos. Assim, por mais que a área aduaneira apresente 8 SILVEIRA, Francisco Secaf Alves. "Aspectos controvertidos da tributação na importação imposto de importação, IPI e ICMS: do batismo da mercadoria à revisão fiscal". In: SANTI, Eurico Diniz de e CANADO, Vanessa Rahal. Tributação do setor industrial. São Paulo: Editora Saraiva Direito GV (Série "GVLaw"), 2013, p. 318. 9 Idem, p. 319. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 538 19 suas peculiaridades, não podendo ser encarada simplesmente do ponto de vista da tributação, tampouco está infensa à disciplina de temas afetos aos outros campos do direito. 12. Denotase, sob o pálio desta análise, que inexiste sobreposição, mas complementariedade e harmonia entre os diplomas irmãos. A conclusão semelhante, a respeito de não serem diplomas estanques,10 chegou o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, conforme se extrai da declaração de voto apresentada no Acórdão CARF nº 3401003.424, proferido em sessão de 22/02/2017, de minha relatoria, ao analisar a compatibilidade entre o art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 e o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional: "E a leitura, com um olho do art. 54 e outro no art. 138, no sentido de auferir a máxima eficácia e harmonia ao sistema jurídico vigente, não deixa dúvidas da plena compatibilidade das normas, mesmo para os que entendem (micro)sistemas incomunicáveis: o do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966, e o da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Assim, revendo meu posicionamento, para os próximos julgamentos, não entendo possível negar eficácia à tudo isso e fazer prevalecer o comando isolado do art. 54, do DL nº 37/66, obstando a apuração e constituição de credito tributário, lançado por homologação, não pago e ainda não caduco, em conflito hermenêutico interno, com o art. 138, do mesmo DL, e externo, com o art. 173, I, do CTN e com a jurisprudência do STJ de reprodução obrigatória no âmbito do CARF" (seleção e grifos nossos). 13. Com convicção: se todos os elementos do produto são conhecidos pelo Estado no momento da importação, não havendo sequer indícios de que os dados fornecidos contrariam a realidade, ou, dito de outra forma, para nos valermos de vocabulário de uma específica tradição de pensamento, diante da convergência entre eventos e fatos, a classificação fiscal da mercadoria em um determinado código da nomenclatura é um ato de aplicação do direito por excelência, que em nada difere de qualquer ato jurídico de concreção: 10 Necessário se ressaltar que a concordância entre nossa posição e a do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida é com relação à complementariedade dos diplomas, e não quanto à aplicabilidade do art. 146 do Código Tributário Nacional ao presente caso. Fl. 547DF CARF MF 20 para uma mercadoria se aplica tal alíquota de acordo com o código tal da nomenclatura comum, da mesma forma que para um crime se aplica uma tal pena de acordo com o dispositivo do Código Penal. O que se afirma, neste caso, é o critério jurídico para a classificação a partir da interpretação das regras da Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, e jamais os fatos, que são conhecidos e não colocados em disputa. 14. Tal entendimento não é estranho a este Conselho, que aplica idêntico vetor racional ao entender, corretamente, que a perícia não pode jamais classificar o produto importado, mas apenas fornecer subsídios ao aplicador ao esclarecer os atributos e as características do material a se classificar. Isto ocorre porque a decisão de vincular um produto a um código se trata de um típico ato de aplicação do direito. O classificador se volta às regras e metaregras de seu repertório normativo, enquanto que o perito se volta aos elementos constitutivos do produto. Logo, indiferente é, ao profissional que realiza a perícia, a classificação correta, padecendo de qualquer propósito a pretensão de que, por meio de um laudo técnico, "tipifiquese" ou "classifiquese" o produto, pois não é tarefa do químico, do engenheiro ou do matemático aplicar o direito: podem participar da confecção da norma concreta, mas jungidos, restritos e atrelados a seu especialíssimo campo de atuação. Suas considerações técnicas acerca do produto deverão ser, sempre que pertinentes, acolhidas com redobrado interesse pelo direito, que envidará esforços para compreendêlas. Contudo, quaisquer suposições no que pertine à sua inserção em uma ou outra posição da nomenclatura deverão ser relegadas ao esquecimento no momento da fundamentação da decisão. 15. O art. 146 do Código Tributário Nacional não pode ser ignorado pelo aplicador ao tratar da revisão do lançamento, pois atua como norma reguladora das limitações constitucionais ao poder de tributar e, neste sentido, resguarda o valor jurídico da segurança jurídica, de modo a deslindar previamente o conflito eventual entre legalidade e boafé do contribuinte: "(...) essa tensão é resolvida pela lei complementar, que dá prevalência à proteção à boafé".11 Assim, "(...) não se pode invocar a legalidade para a revisão de lançamento por erro de direito"12 e, ressalvado o caso em que uma característica do bem avaliado estivesse oculta do conhecimento do aplicador, "(...) a avaliação não é mera questão de fato, mas antes um resultado de conclusões acerca das propriedades valorativas do bem",13 ou, em outras palavras, uma questão de direito: "(...) na verdade, poucas são as questões que não constituem modificação de critério jurídico em matéria de lançamento". 11 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 5ª edição, 2015, pp. 620622. 12 Ibidem. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 539 21 16. Recordese: a informação oculta ou falseada pela contribuinte, com o desígnio de iludir a autoridade aduaneira, está sujeita à revisão fiscal, e este é o sentido do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966 que converge para a previsão do art. 149 do Código Tributário Nacional: lançase de ofício quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento de declaração obrigatória (inciso IV), ou quando se comprove omissão ou inexatidão por parte da pessoa legalmente obrigada (inciso V), ou diante da ação ou omissão do sujeito passivo (inciso VI), ou quando o sujeito passivo tenha agido com dolo ou simulação (inciso VII), ou deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado na ocasião do lançamento, o (inciso VIII), ou se comprovada fraude ou falta funcional, ou mesmo omissão por parte da autoridade fiscal (inciso IX). Assim, diante de um novo arranjo fático, a revisão (dos fatos) permitirá um novo lançamento (de ofício). Tal situação, como se percebe por meio desta decomposição lógica dos predicados legislativos acima analisados, é em tudo diversa da previsão do art. 146, que se volta à revisão do lançamento original. Colocada a questão sob tais premissas, utilizase o seguinte exemplo, em tudo consentâneo com o caso sobre o qual ora nos debruçamos: "(...) por exemplo, no caso do imposto sobre produtos industrializados, adotase classificação fiscal para a identificação da alíquota aplicável à luz da seletividade. Se um mesmo produto recebia, antes, uma classificação e, posteriormente, outra classificação é adotada, não há dúvida de que se está sobre o mesmo fato o qual, entretanto, passa a ser apreciado de outro modo: o aplicador da lei vê, no mesmo fato, características que antes não eram tomadas em conta. Conquanto se trate de uma apreciação do fato, temse novo critério jurídico, i.e., nova valoração jurídica do fato. Uma mudança em tais critérios jurídicos dobrase à regra do art. 146".14 17. Assim, "(...) a mera divergência na interpretação da norma que culmina em classificação equivocada configura erro de direito",15 não havendo possibilidade de revisão do lançamento sob pena de se malferir norma complementar de limitação ao poder 13 Ibidem. 14 Ibidem. 15 SILVEIRA, Francisco Secaf Alves. "Aspectos controvertidos da tributação na importação imposto de importação, IPI e ICMS: do batismo da mercadoria à revisão fiscal". In: SANTI, Eurico Diniz de e CANADO, Fl. 549DF CARF MF 22 de tributar. Por este motivo, tal prisma argumentativo, sequer há a necessidade de se afirmar que a "(...) seleção do canal de conferência aduaneira (parametrização) dá o colorido da intervenção estatal no despacho aduaneiro e, via de conseqüência, da modalidade de lançamento aí contido", ainda que tal raciocínio apresente um desdobramento útil para a apreciação da matéria:16 "Canal verde significa carência de verificação documental, física e valorativa, presumidos corretos os dados informados pelo sujeito passivo, que ainda poderão ser verificados na revisão aduaneira lançamento por homologação. Nos canais amarelo, laranja, vermelho e cinza, se não houve exigência fiscal, ou se existente, tenha sido aceita pelo sujeito passivo, tem se delineado o lançamento por declaração, porquanto percebese interação entre as partes na feitura da norma individual e concreta. De outro lado, sempre que houver aceitação de qualquer exigência fiscal, e a Alfândega tiver de substituir os dados informados pelos que entende corretos, haverá lançamento de ofício" (seleção e grifos nossos). 18. Assentese com a afirmação do autor de que há "(...) muita confusão entre revisão aduaneira e revisão de ofício de lançamento tributário",17 pois são dois institutos em tudo diversos, com natureza e regime próprios, cada qual voltado a seu campo próprio de aplicação. Assim, irreprochável a conclusão do autor ao afirmar que "a revisão aduaneira, revê o despacho aduaneiro; a revisão de ofício revê o lançamento", 18o que demonstra com clareza a inexistência de regras sobrepostas, pois duas são as "revisões". O estranhamento quanto à afirmação provém da própria dificuldade ou contradição inerente ao chamado "lançamento por homologação", pois a ideia de que o contribuinte "(...) apure, ele mesmo, o montante devido (...) sem qualquer participação do Estado"19 não é consentânea com a determinação do art. 142: a concepção da existência da figura do "autolançamento" não convive em harmonia e equilíbrio com a expressão "compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento" (art. 142 CTN). Vanessa Rahal. Tributação do setor industrial. São Paulo: Editora Saraiva Direito GV (Série "GVLaw"), 2013, p. 320. 16 MACHADO, Corintho Oliveira. "Confusão entre revisão de declaração e Revisão de lançamento no Despacho Aduaneiro". In: BRITTO, Demes (coord.). Questões controvertidas do Direito Aduaneiro. São Paulo: Editora IOB Folhamatic EBSSAGE, 2014, p. 94: 17 Ibidem. 18 Ibidem. 19 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Editora Saraiva, 7ª edição, 2017, p. 654. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 540 23 19. A dificuldade é redobrada para o aplicador que entender pela existência de recolhimento de tributo sem lançamento, pois, neste caso, desatendido restará o art. 3º do Código Tributário Nacional ao estabelecer que o tributo é "(...) cobrado mediante atividade administrativa plenamente vinculada", o que conduziria à conclusão de se estar a antecipar algo que tributo não é. A dificuldade de harmonização dos dispositivos conduziu o legislador a adotar "(...) uma solução criativa, buscando conciliar a necessidade de ocorrência de um lançamento, de um lado, e, por outro, as contingências práticas da economia de massa"20 (grifos nossos). Repitase: o reconhecimento da impossibilidade "(...) de uma atuação da Administração para cada lançamento individualmente considerado" ensejou a criação da figura do "lançamento por homologação". O tributo, para ser cobrado, precisa ser lançado, sob pena de não ser tributo: Código Tributário Nacional Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. 20. Assim, a afirmação do Conselheiro Rosaldo Trevisan no Acórdão CARF nº 3401003.117, de minha relatoria, proferido em sessão de 16/03/2016, de que a imensa maioria dos produtos importados é parametrizada atualmente pelo canal verde, no qual "(...) não foi verificada nem a mercadoria importada nem os documentos que ampararam a importação" está correta, e os Balanços Aduaneiros divulgados pela Receita Federal do Brasil demonstram com clareza que, ao menos desde 2014, é possível se afirmar que cerca de 90% das declarações de importação não sofreram qualquer exame prévio da autoridade aduaneira. Há substancial distância, contudo, entre esta constatação e a conclusão de que, nestes casos, não haveria lançamento, ou que haveria recolhimento de tributo independentemente de lançamento. Assim, afirmar que "(...) não houve necessariamente lançamento" naqueles casos em que a autoridade administrava realizou o desembaraço sem prévio exame da mercadoria ou dos fatos constitutivos da obrigação tributária, é, concessa venia, absolutamente equivocada, 20 Idem, p. 655. Fl. 551DF CARF MF 24 pois lançamento houve, sob pena da inexistência de tributo a ser cobrado, e esta é a dicção expressa do art. 150 do Código Tributário Nacional, com força de lei complementar: lançamento por homologação, que ocorre quando há obrigação de se antecipar pagamento "sem prévio exame da autoridade administrativa". Não vislumbramos, contudo, na mesma linha do voto em referência, homologação, que são dois momentos lógicojurídicos diversos. 21. Encontrase, ademais, argumentação bastante semelhante no sentido da modernização da alfândega brasileira no substancioso voto do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira no Acórdão CARF nº 3401003.119, de minha relatoria, proferido em sessão de 16/03/2016: "Cada hora a mais dedicada pela autoridade fiscal para analisar um aspecto de determinada importação implicará, inevitavelmente, em um tempo maior de espera para essa importação, e também para todas as outras que estão na fila aguardando a atenção desta autoridade fiscal. Isso, sem falarmos nas mercadorias perecíveis, que demandam prioridades particulares e acabam por passar à frente das outras, Ocorre que a duração de tempo de cada despacho aduaneiro significa em maior ou menor custo para o importador (preço do tempo de armazenamento). Ocorre que a duração maior de tempo no despacho de um importador, significará custo maior para este importador e também custo maior para os outros que aguardam sua vez. Esta é uma realidade que o sistema SISCOMEX vem lidando. A aduana moderna, cada vez mais, procura soluções para dar maior agilidade ao processamento nos portos e aeroportos e pontos de fronteira, e para dar condições para que se possa fazer uma fiscalização mais aprofundada e efetiva após a passagem das mercadorias pelos recintos alfandegados. É a articulação dos controles aduaneiros com a logística para se chegar à celeridade e à eficiência almejadas nesses tempos atuais. (...). Mas qual a lógica da revisão aduaneira? A norma que autoriza a revisão aduaneira, no prazo de cinco anos do registro da Declaração de Importação, possibilita à administração trabalhar a posteriori do fato econômico e logístico. Ela possibilita à administração verificar a regularidade do despacho, que havia sido liberado naquelas condições precárias para uma análise mais detalhada, quando se tinha muitas importações concorrentes e o impacto real sobre os custos pelo tempo de fiscalização" (seleção e grifos nossos). 22. Tais considerações que ecoam nos dois votos referenciados sobre a moderna aduana brasileira, que cada vez mais prima pela agilidade para a tarefa do desembaraço aduaneiro e pela consequente liberação dos produtos importados, é de extrema importância e deve ser levada em consideração pelo legislador. Não há dúvidas de que a Administração necessita envidar esforços para a rápida liberação dos produtos importados, o Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 541 25 que demanda a criação de uma logística adequada. Contudo, tal argumento, de caráter extrajurídico, não nos parece ser suficiente, com todas as vênias, para afastar a vigência do Código Tributário Nacional, que disciplina tributos, inclusive aqueles que incidem sobre o comércio internacional. Não apenas os típicos tributos aduaneiros (imposto de importação e imposto de exportação), como também aqueles que se voltam a balancear ou nivelar os mercados interno e exterior. 23. A discordância com relação à conclusão dos votos acima citados tem implicação direta sobre possibilidade ou não da aplicação da Súmula nº 227 do Tribunal Federal de Recursos não em virtude da extinção da Corte ou pela senilidade da norma, mas pela crença de inexistir lançamento.21 Tampouco prospera o argumento de que a redação da súmula, ao tornar defesa a modificação dos critérios jurídicos que deram origem ao lançamento, tratarse de redação anacrônica, feita para um tempo em que a autoridade fiscal poderia vistoriar in loco a maioria das cargas importadas, e que a sua aplicação nos dias de hoje entravaria portos e aeroportos. A crítica, de lege ferenda, ainda que importante, está em desconformidade com o art. 146 CTN e, não obstante prestigiar ideários de praticabilidade em detrimento da segurança jurídica, é desnecessária: como se demonstra no presente voto há instrumentos para se rever o lançamento realizado em desconformidade com a realidade fática, de maneira que não se prestigia a fraude ou a simulação, mas tampouco se permite a insegurança, a aplicação nãoestável das normas. 24. É bastante evidente que a prática revela a enorme dificuldade decorrente das escolhas realizadas pelo legislador, sobretudo ao se ter em conta que há tributos exigíveis independentemente de constituição formal, como "antecipação" que se sujeita a ulterior homologação do pagamento, bem como a previsão expressa insculpida no Capítulo III do anteprojeto de lavra de Rubens Gomes de Sousa de "tributos que não dependem de lançamento", ou seja, sem vincular qual seria o sujeito da relação jurídicotributária apto ou obrigado a efetuar o lançamento.22 Contudo, como se sabe, a redação original não prevaleceu e é possível se entender o recolhimento realizado pela contribuinte quando do despacho aduaneiro como lançamento sujeito a homologação, conforme, ademais, extraise dos trechos 21 Acórdão CARF nº 3401003.117, de minha relatoria, proferido em sessão de 16/03/2016. Extraise do voto do Conselheiro Rosaldo Trevisan: "A Súmula no 227, do TFR, tem teor irretocável: em nome da segurança jurídica, não há argumento que fragilize a afirmação de que “a mudança de critério jurídico não autoriza a revisão do lançamento”. O problema é aplicar tal súmula em casos nos quais não houve necessariamente lançamento nem homologação, como o presente". 22 Idem, p. 657. Cf. art. 175 do anteprojeto do Código Tributário Nacional. Fl. 553DF CARF MF 26 da ementa do Acórdão CARF nº 3403002.555, proferido em sessão de 23/01/2013, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: "O desembaraço aduaneiro não homologa, nem tem por objetivo central homologar integralmente o pagamento efetuado pelo sujeito passivo. Tal homologação ocorre apenas com a revisão aduaneira (homologação expressa), ou com o decurso de prazo (homologação tácita)" (seleção e grifos nossos). 25. Como seria possível a homologação de lançamento se lançamento não houve? Afirmar, como se faz acima, que a revisão homologa de maneira expressa ou tácita o pagamento efetuado é pressupor algo a ser homologado. Assim, uma questão é se houve ou não lançamento e outra questão, em tudo diversa, é perscrutar se houve ou não fixação de um critério jurídico. De fato, no desembaraço, homologação não há e, neste exato sentido, o voto do Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira no Acórdão CARF nº 3401003.119, de minha relatoria, proferido em sessão de 16/03/2016: "(...) as importações desembaraçadas sob o canal verde, sem qualquer conferência, não podem ser consideradas como homologação de lançamento (...) a aceitação pela autoridade do despacho aduaneiro das informações constantes da Declaração de Importação não significa (...) a homologação do lançamento" (seleção e grifos nossos). 26. De fato, o desembaraço aduaneiro não homologa o lançamento, muito pelo contrário: neste momento haverá apenas a antecipação do pagamento, sendo o crédito extinto "sob condição resolutória da ulterior homologação" (§1º do art. 150 do CTN). Este, ademais, é um dos aspectos do art. 54 do DecretoLei nº 37/1966: verificação, para fins de revisão, da "regularidade do pagamento dos impostos e demais gravames". Nada se homologa no momento do desembaraço, ainda que vistoriada a mercadoria e a documentação do importador. Observese que outro aspecto central do art. 54 em referência, a verificação da "exatidão das informações prestadas" tampouco interfere na plena eficácia do art. 146 CTN. Tanto é assim que o próprio Código Tributário Nacional, dentro da mesma Seção II (Modalidades de Lançamento) prevê expressamente, no parágrafo único do art. 149, a possibilidade da revisão fiscal do lançamento: Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 542 27 Código Tributário Nacional Art. 149 (...). Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. 27. E não poderia ser diferente: uma vez contatado o erro ou a imprecisão quanto aos fatos constitutivos da obrigação tributária, a sua contraparte, ou seja, o crédito correspondente, deverá ser refeito, e esta a serventia da revisão fiscal, em tudo consentânea com o art. 54 do DecretoLei nº 37/1966. Inimaginável seria o Código Tributário Nacional prever disposições mutuamente excludentes no parágrafo único do art. 149 e no caput do art. 146: devese compreender que cada qual opera em um âmbito diverso de aplicação. O lançamento pode e deve ser modificado se o crédito lançado não mais corresponde à obrigação correspondente, pois os fatos correspondem necessariamente aos eventos, para nos valermos desta didática separação. A homologação do pagamento é um momento posterior. Poderá ocorrer tacitamente, transposto o decurso dos anos, ou de maneira expressa. O que não pode se perder de vista é que um lançamento houve, independentemente de "prévio exame da autoridade administrativa". 28. Observese, ademais, que haverá casos em que a autoridade aduaneira atuará em conjunto com a contribuinte para realizar o lançamento com base nas declarações por ele prestadas, o que lhe confere uma natureza "mista" ou "por declaração". Nestes casos, em que o lançamento transparece de maneira ainda mais evidente, em que "(...) o sujeito passivo, ou um terceiro, apresenta uma série de informações à autoridade fiscal, e esta, com base nas informações assim coletadas, efetua o lançamento",23 opera a previsão do art. 147 do Código Tributário Nacional: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. 23 Idem, pp. 653654: "Atualmente, são raras as hipóteses dessa espécie de lançamento. Podese citar, como exemplo, o que se dá para os tributos aduaneiros, já que estes são lançados a partir de informações que o próprio contribuinte presta por meio da Declaração de Importação". Fl. 555DF CARF MF 28 29. Uma vez esclarecida a existência do lançamento, seja por homologação, seja por declaração ("lançamento misto"), passase à questão já abordada anteriormente por este voto: equivocarse quanto à classificação da mercadoria constitui um "erro de fato" ou um "erro de direito"? Para se responder a tal pergunta, e talvez melhor colocála, basta que o aplicador compreenda o ato de classificar como uma decisão (sujeita ao direito), e jamais como uma postura técnica de saber alheio, contra a qual as normas jurídicas, em particular as tributárias, seriam inoponíveis. À importação de uma mercadoria aplicase uma determinada alíquota com fundamento em uma tal classificação jurídica, e o trabalho de classificar não pode ser reduzido a um ideal maquínico de subsunção mecânica movido a proposições lógicodedutivas como se construtos de matemática euclidiana fossem. Esta concepção descritivista do próprio direito, que enxerga o ato de interpretar como "(...) a prancha da máquina de impressão que ao descer confere colorido jurídico aos fatos"24 merece nossa reprovação. Isto porque aplicar não depende unicamente da depuração dos textos, como se tal atividade prescindisse de escolhas. Na verdade, há de se admitir a existência de atividades preparatórias à interpretação (que pressupõem escolhas), fatores que condicionam a interpretação (que pressupõem escolhas), elementos que influem na interpretação (que pressupõem teorias) e argumentos que participam da interpretação e da justificação,25 elementos estes que militam em desfavor de um formalismo exagerado: "A 'tese descritivista' (...) pressupõe um objeto 'diretamente' suscetível de conhecimento por parte do intérprete. Isso, no entanto, não ocorre, porque toda interpretação envolve a intermediação discursiva ou o condicionamento de métodos, argumentos ou teorias (...) a atividade descritiva também é intermediada por processos discursivos permeados por escolhas"26 (seleção e grifos nossos). 30. O ato de classificar é um ato de decidir e não pode ser relegado para fora das fronteiras do campo do direito, que restaria refém do saber alheio dos "classificadores", algo que poderia ser tido como uma espécie de casta de uma nova escola da 24 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo: Editora Lejus, 2003, p. 319. 25 ÁVILA, Humberto. "Função da ciência do direito tributário: do formalismo epistemológico ao estruturalismo argumentativo". In: OLIVEIRA, Ricardo Mariz de, SCHOUERI, Luís Eduardo, e ZILVETI, Fernando Aurelio. Revista de Direito Tributário Atual. São Paulo: Editora Dialética, publicação do Instituto Brasileiro de Direito Tributário (IBDT), 2013, pp. 197198. 26 Idem, pp. 197200. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 543 29 Exegese.27 Para Rubens Gomes de Sousa, neste sentido, não caberia ao Fisco a prerrogativa de invocar o "erro de direito" com a finalidade de revisar lançamento anterior,28 aquilo que chamamos mais acima de "revisão tributária" (que revolve os critérios fundacionais do próprio lançamento), e muito menos adotar uma dada conceituação jurídica para, em um segundo momento, revêla, de forma a albergar outra, mais onerosa ao contribuinte. Esta era a posição jurisprudencial, aliás, que registrava ser pacífica já em sua época: o critério jurídico na apreciação do fato gerador, para o autor do anteprojeto do Código Tributário Nacional, deverá ser estável.29 31. Para que reste bastante claro, nada obsta a alteração de critério jurídico que implica potencial alteração de classificação fiscal de um determinado produto, pois os entendimentos e as normas se alteram conforme o tempo e conforme a própria composição das instituições. Tal alteração, no entanto, valerá para as relações e obrigações vindouras, a serem constituídas, mas jamais para aquelas formadas em momento anterior, quando outro era o critério adotado. O aplicador pode alterar a norma, mas não retroagir seus efeitos de modo a afetar fatos geradores ocorridos antes do início da vigência do novel entendimento. 32. Entre os mais percucientes estudos sobre o tema da revisão tributária deve ser trazido, sem qualquer espaço para dúvidas, aquele realizado por Ruy Barbosa Nogueira na sua clássica tese de cátedra "Teoria do lançamento tributário". Na época em que a escreveu, o CTN ainda era um projeto, mas já então, confirmando o apontamento realizado por Rubens Gomes de Sousa, relatava que "(...) a prática, a doutrina e a legislação, na proteção da certeza jurídica não admitem, em princípio, que seja feita revisão do lançamento pela superveniência de outros critérios jurídicos".30 Aduziu, ainda, que o Supremo Tribunal Federal já havia enfrentado a questão no Recurso Extraordinário nº 37.141, cujo acórdão foi prolatado 27 ANDRADE, José Maria Arruda de. Interpretação da norma tributária. , pp. 3536: "A Escola da Exegese teve sua origem no pensamento jurídico francês no começo do século XIX (...). A supremacia do texto escrito (...) confirma a desconfiança daquela escola para com os juízes", de onde provém a famosa expressão de Montesquieu do "juiz boca da lei". "Outro elemento importante dessa escola é a crença na racionalidade jurídica do corpo legislativo que, em sua completude, autorizaria a vedação de nãodecisão por parte do intérprete". 28 SOUSA, Rubens Gomes. Compêndio de legislação tributária. São Paulo: Editora Resenha Tributária, 3ª edição, 1975, p. 108. 29 Ibidem. 30 NOGUEIRA, Ruy Barbosa. Teoria do lançamento tributário.São Paulo: Editora Resenha Tributária, 1973, p. 133. O Capítulo VIII, "A revisão do lançamento", está compreendido entre as páginas 99138. Fl. 557DF CARF MF 30 em 26/08/1958, no qual se decidiu que "(...) não é lícito ao fisco rever o lançamento fiscal com base em mudança de critério, mas só com fundamento em êrro de fato".31 33. Já escrevemos a respeito do tema em artigo acadêmico32 que se voltou a analisar os limites da reconstrução do lançamento tributário, conforme trecho que abaixo se transcreve: "Noticia Ruy Barbosa Nogueira que também no Código Tributário da Alemanha, de 1919, elaborado por Enno Becker, o lançamento retificativo ou a chamada "verificação retificativa" não pode ser pautada por uma alteração de critérios meramente jurídicos, o que impede que se aplique "(...) retroativamente à realização do fato gerador um critério jurídico diferente do então adotado, e assim prevê para garantir a certeza do direito".33 O preceito, em seu entendimento, teria "(...) grande aplicação, protegendo a estabilidade jurídica".34 Na esteira do ensinamento de Tullio Ascarelli, preleciona ser absolutamente inadmissível que o fisco possa venire contra factum proprium de maneira a anular ex officio um lançamento, substituindoo por outro, "(...) ou ainda proceder a lançamento suplementar, baseandose na alegação de ter passado a adotar critérios jurídicos diferentes dos que aceitara por ocasião de um primeiro lançamento".35Ainda sob a lição de Ascarelli, haveria "(...) uma falta de certeza jurídica se o fisco pudesse (...) voltar a lançar (...) em virtude de uma mudança de critérios jurídicos, não obstante todos os prazos e tôda a organização instituída para a revisão das declarações dos contribuintes".36 Assim, para Ruy Barbosa Nogueira, enquanto o fisco é detentor da direção do procedimento do lançamento, caberia a ele a fixação final dos seus elementos. Apenas caberia uma revisão quanto aos erros de fato, pois se admite que "(...) as relações fáticas da vida, das quais partem os fatos geradores tributários legais são (...) numerosas e multiformes".37 31 Ibidem. 32 BRANCO, Leonardo Ogassawara de Araújo. "Construção e reconstrução do lançamento tributário: da tirania do texto à tirania do espírito". In: JARDIM, Eduardo Marcial Ferreira (coord.) e BORGES, Letícia Menegassi (org.). Reflexões sobre temas tributários. São Paulo: Editora Intelecto, 2017, pp. 87112. Artigo desenvolvido no contexto do Grupo de Pesquisa Direito Mackenzie, vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). 33 Idem, p. 134. 34 Idem, p. 135. 35 Idem, p. 136. 36 Ibidem. 37 Idem, p. 137. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 544 31 A postura de fato é consentânea com a concepção materializada na expressão nemo potest venire contra factum proprium, ou nulli concedictur venire contra factum proprium, ora entendida como corolário da segurança jurídica, da proteção da confiança e da previsibilidade, entendido pelo Supremo Tribunal Federal como vera vedação a comportamentos contraditórios.38Tal vetor proibitivo de comportamento dissonante opera naqueles casos em que a contribuinte "(...) tem a sua confiança, gerada por um ato estatal anterior, frustrada por uma nova manifestação estatal posterior contraditória",39 com algum parentesco com duas velhas conhecidas do direito privado, a surrectio e a supressio, que igualmente tutelam a confiança no decurso do tempo. As preocupações em torno da bona fide são frequentes no direito e na reflexão sobre o seu abuso, e se manifestam em expressões antigas como tu quoque ou exceptio doli, sobretudo nas relações entre os particulares, consistindo em vetores interpretativos importantes para iluminar as relações jurídicas pautadas antes pelo primado do direito do que por disposições de império. Neste sentido, como preleciona Luís Flávio Neto, "(...) quando o Fisco emite um ato administrativo, tornando transparente a sua interpretação quanto à mais correta aplicação do Direito a uma determinada situação, instalase um farol em meio à tempestade de incertezas (...)”. Em situações como estas, que envolvem, por exemplo, decisões anteriores, “(...) a boafé objetiva, a proteção da confiança e a segurança jurídica poderiam socorrer o contribuinte, com uma aplicação mais ampla da norma geral de não autuação de condutas condizentes com interpretações oficiais do Fisco”,40 fazendo eco ao posicionamento de outros autores que se debruçaram sobre a aplicabilidade da doutrina dos atos próprios41" (seleção e grifos nossos). 38 Supremo Tribunal Federal REsp 1143216/RS, 1ª Seção, relator Ministro Luiz Fux, acórdão publicado em 09/04/2010. 39 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica – entre permanência, mudança e realização no direito tributário. São Paulo: Editora Malheiros, 2011, p. 401. 40 FLÁVIO NETO, Luís. "Segurança jurídica, proteção da confiança, boafé e proibição de comportamentos contraditórios no direito tributário: 'nemo potest venire contra factum proprium'". São Paulo: IBDT/Edições Loyola, Revista de Direito Tributário Atual nº 36, 2º semestre de 2016, pp. 222239. 41 RUBINSTEIN, Flávio. Boafé objetiva no direito financeiro e no direito tributário brasileiros. Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, sob orientação do Professor Titular Régis Fernandes de Oliveira, 2008, pp. 4142. Fl. 559DF CARF MF 32 34. Não é diverso tal posicionamento da quase sexagenária decisão do Supremo Tribunal Federal de 1958 a jurisprudência contemporânea ao momento da leitura pública deste voto: em igual sentido, o Acórdão nº 3302002.444 proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção deste Conselho, em sessão de 25/02/2014: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2007 RECLASSIFICAÇÃO DE PRODUTO INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 149 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. REVISÃO DE ERRO DE DIREITO. Apenas é permitida a revisão do lançamento tributário quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Seguese a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ, no sentido de que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito" (grifos nossos). 35. Do acórdão ora referido se extrai o seguinte trecho: "(...) a fiscalização entendeu que os produtos importados pela Recorrente não poderiam seguir com a classificação fiscal indicada pela contribuinte no momento do desembaraço. Não há, pelo que consta dos autos, divergência quanto à natureza do produto, que permanece sendo o mesmo, mas à forma como foi classificado. Tal diferença é primordial para se compreender que não houve “erro de fato”, o que ocorreria se a fiscalização tivesse indicado que a importação de produto diverso daquele declarado pela Recorrente" (grifos nossos). Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 545 33 36. Esta também era a posição sumulada do extinto Tribunal Federal de Recursos (TFR) editada em 1986, já referida em momento anterior do presente voto: Tribunal Federal de Recursos (TFR) Súmula nº 227 de 24/11/1986 "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão de lançamento". 37. O posicionamento sustentado pelo Tribunal Federal de Recursos, outrora já sumulado, foi reeditado e reiterado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), como, por exemplo, no Recurso Especial nº 202.958/RJ, relatado pelo Ministro Franciulli Netto e cujo acórdão foi publicado em 22/03/2004: “RECURSO ESPECIAL ALÍNEAS "A" E "C" TRIBUTÁRIO "IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO RECLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA REVISÃO DO LANÇAMENTO IMPOSSIBILIDADE AUSÊNCIA DE ERRO QUANTO À IDENTIFICAÇÃO FÍSICA DA MERCADORIA ART. 149 DO CTN. A impetrante importou da França 2.200 Kg do produto TESAL e recolheu o imposto de importação após regular conferência da mercadoria pela autoridade fiscal. Diante dessas circunstâncias, é de elementar inferência que não poderia o contribuinte, em momento posterior, ser notificado para novo recolhimento do imposto de importação, sob a alegação de que a classificação do produto deveria ser diversa, com incidência de alíquota maior. O art. 149 do CTN autoriza a revisão do lançamento, dentre outras hipóteses, "quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória", ou seja, quando há erro de direito. Se a autoridade fiscal teve acesso à mercadoria importada, examinando sua qualidade, quantidade, arca, modelo e outros atributos, ratificando os termos da declaração de importação preenchida pelo contribuinte, não lhe cabe ulterior impugnação do imposto pago por eventual equívoco na Fl. 561DF CARF MF 34 classificação do bem. Divergência jurisprudencial não configurada ante a ausência de similitude fática entre os acórdãos confrontados. Recurso especial improvido” (STJ REsp nº 202.958/RJ, Min. Franciulli Netto, publicado em 22/03/2004) (grifos e destaques nossos). 38. No Recurso Especial nº 478.389/PR, de Relatoria do Ministro Humberto Martins, cujo acórdão foi publicado em 05/10/2007, constou em ementa que "(...) se a autoridade fiscal teve acesso à mercadoria importada, examinando sua qualidade, quantidade, marca, modelo e outros atributos, ratificando os termos da declaração de importação preenchida pelo contribuinte, não lhe cabe ulterior impugnação ou revisão". Este é justamente o caso ora em análise em que, conforme se expôs, contou com mercadorias parametrizadas pelo canal vermelho. 39. Em idêntico sentido o entendimento do Ministro Luiz Fux no Recurso Especial nº 1.112.702/SP, cujo acórdão foi publicado em 06/11/2009 nos seguintes termos: "(...) a revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico vedada pelo CTN". Assim, "(...) o lançamento suplementar resta, portanto, incabível quando motivado por erro de direito". 40. A posição é também reiterada pela jurisprudência ainda mais recente do Superior Tribunal de Justiça, conforme se tem notícia a partir do acórdão a seguir transcrito, do Recurso Especial nº 1.347.324/RS, de relatoria da Ministra Eliana Calmon, de 14/08/2013: “TRIBUTÁRIO IMPORTAÇÃO DESEMBARAÇO ADUANEIRO RECLASSIFICAÇÃO DA MERCADORIA REVISÃO DE LANÇAMENTO POR ERRO DE DIREITO IMPOSSIBILIDADE SÚMULA 227 DO EXTINTO TFR. 1. É permitida a revisão do lançamento tributário, quando houver erro de fato, entendendose este como aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. Não se admite a revisão quando configurado erro de direito consistente naquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 546 35 2. A jurisprudência do STJ, acompanhando o entendimento do extinto TRF consolidado na Súmula 227, tem entendido que o contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 3. Hipótese em que o contribuinte atribuiu às mercadorias classificação fiscal amparada em laudo técnico oficial confeccionado a pedido da auditoria fiscal, por profissional técnico credenciado junto à autoridade alfandegária e aceita por ocasião do desembaraço aduaneiro. 4. Agravo regimental não provido” (STJ AgRg no REsp nº 1.347.324/RS – Agravo Regimental no Recurso Especial – Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publicado em 14/08/13) (grifos e destaques nossos). 41. Observese que, em nome da segurança e da previsibilidade das relações jurídicas, o Superior Tribunal de Justiça chegou a adotar a postura extremada de afirmar que sequer o erro de classificação por parte do contribuinte permitiria a alteração do critério jurídico da classificação fiscal: “TRIBUTÁRIO – IMPORTAÇÃO – IPI – DESEMBARAÇO DUANEIRO ERRO A INTERPRETAÇÃO JURÍDICA DOS ATOS RECLASSIFICAÇÃO A MERCADORIA IMPOSSIBILIDADE. 1. O contribuinte não pode ser surpreendido, após o desembaraço aduaneiro, com uma nova classificação, proveniente de correção de erro de direito. 2. O erro de direito cometido pelo contribuinte, mas não detectado pelo Fisco, é o mesmo que alteração de critério jurídico, vedado pelo CTN. Precedentes. 3. Recurso especial provido” (STJ REsp nº 1079.383/SP – Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, publicado em 01/07/09) (grifos e destaques nossos). Fl. 563DF CARF MF 36 42. Há de se apontar para o fato de que, independentemente de quem incorreu em erro, seja Estado ou particular, o que se prestigia, na dicção da Corte Superior, é a estabilidade das relações e da aplicação do direito. A decisão que impede a modificação dos critérios jurídicos que regem o relacionamento entre o Estado e os particulares prestigia a segurança jurídica e, portanto, o próprio convívio social. Assim, o dispositivo torna defesa a aplicação de critério jurídico novo a fatos geradores anteriores à sua introdução, de maneira a atestar a sua irretroatividade: "(...) o dispositivo é severo com o Fisco",42 que "(...) deve primeiro divulgar o novo critério para depois poder aplicálos nos lançamentos futuros pertinentes a fatos geradores também futuros",43 ponto no qual diverge de Alberto Xavier, para quem a norma se destinaria aos fatos geradores já ocorridos, porém ainda não lançados:44 em um ou outro autor, o que se coloca em relevo como impossibilidade é a alteração dos fundamentos diante da permanência dos fatos. 43. E o que resta, ao nos voltarmos ao caso concreto da recorrente? De um lado, resta a sedimentação jurisprudencial em torno do tema por mais de meio século, desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de 1958 até as decisões mais recentes, sejam aquelas proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, sejam aquelas proferidas por este Conselho, o que aponta para o amadurecimento institucional que cede lugar a regularidades comportamentais.45 De outro lado, resta um relacionamento que, a considerar apenas o período fiscalizado, remonta a um lapso temporal considerável, período no qual se realizou a importação reiterada da mesma mercadoria por um mesmo critério, sem qualquer óbice ou dificuldade, conhecidos todos os pressupostos fáticos da operação e em nenhum momento se alega a incompatibilidade entre a DI e os produtos importados. Assim, para onde quer que se olhe, o que há é estabilidade e uniformidade. Há de se sustentar, portanto, que “(...) a segurança jurídica pode da mesma forma ter como objeto não a norma propriamente dita, mas a sua aplicação uniforme”.46 e, bem poderíamos adicionar, sem qualquer prejuízo, a sua aplicação estável. Assim, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário neste particular. 42 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. São Paulo: Editora Saraiva, 16ª edição, 2010, pp. 380381. 43 Ibidem. 44 Ibidem. 45 ANDRADE, José Maria Arruda de. Interpretação da norma tributária. São Paulo: MP Editora/APET, 2006, p. 137. 46 ÁVILA, Humberto. Segurança jurídica – entre permanência, mudança e realização no direito tributário. São Paulo: Editora Malheiros, 2011, p. 142. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 547 37 2.) DA ALÍQUOTA APLICÁVEL E DA FACULDADE DA OPÇÃO POR REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO 44. Transcrevo, abaixo, trecho de voto que integra o Acórdão CARF nº 3401003.117, de minha relatoria, proferido em 16/03/2016, em que esta 1ª Turma decidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso interposto pela contribuinte, nos seguintes termos: "(...) a questão se circunscreve à aplicação da regra geral (alíquota ad valorem) ou da regra excepcional (alíquota ad rem). A excepcionalidade deverá ser observada sempre que se tratar da importação de "gasolinas e suas correntes", conforme dicção do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/2004, observadas as exceções. Assim, em primeiro lugar, seria necessário responder se a mercadoria importada pela recorrente, "nafta utilizada na formulação de gasolina, de nome comercial Solvent B", é ou não espécie do gênero: (i) gasolina e suas correntes, salvo gasolina de aviação e óleo diesel e suas correntes; (ii) gás liquefeito de petróleo (GLP) derivado de petróleo; (iii) gás natural de aviação; ou (iv) querosene de aviação. Caso se responda afirmativamente a qualquer uma destas categorias, observada a exceção do item (i), aplicase a alíquota ad rem, reputada correta pela autoridade fiscal. Em caso negativo, aplicase a regra geral da alíquota ad valorem, utilizada pela recorrente para realizar a importação da mercadoria. No caso vertente, observase que o fundamento da autuação, conforme se depreende da leitura da fl. 48 do Relatório Fiscal, compreendeu que a mercadoria importada pela recorrente seria uma corrente da gasolina (...). A análise estaria restrita, portanto, em prestígio à adstrição, a responder, em primeiro lugar, se a mercadoria importada se trata de corrente da gasolina e, Fl. 565DF CARF MF 38 em segundo lugar, se não figura entre as exceções: (i.a) gasolina de aviação; e (i.b) óleo diesel e suas correntes. Há de se destacar, todavia, que em nenhum momento de seu recurso voluntário, ou mesmo de sua impugnação, a ora recorrente discorda do fato de que a mercadoria importada se trata de uma corrente da gasolina. Tampouco argumenta que se trataria de uma das exceções legais possíveis. Concluise, desta feita, que a mercadoria importada é, de fato, para recorrida e recorrente, uma corrente da gasolina que não figura entre as exceções em referência, não cabendo maiores ilações sobre a matéria vez que se está diante de fatos admitidos no processo como incontroversos. Parece haver, ademais, verossimilhança na afirmação, vez que o produto, de nome comercial "Solvent B" é descrito como nafta "(...) utilizada na formulação de gasolina". A questão se torna, portanto, ainda mais restrita, cabendo averiguar unicamente quais são as alíquotas aplicáveis às mercadorias consideradas correntes da gasolina. Para se alcançar a resposta, parece ser suficiente a leitura do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/04 que sujeita tal produto à incidência das contribuições fixadas por unidade de volume, ou seja, às alíquotas ad rem reputadas corretas pela autoridade fiscal. Por fim, cabe analisar a argumentação da recorrente no sentido de que haveria a possibilidade de a contribuinte optar pelo regime ad valorem ou pelo regime especial de apuração das contribuições em discussão com base no texto do caput do art. 23 da Lei no 10.865/04, abaixo transcrito: Lei no 10.865/04 "Art. 23. O importador ou fabricante dos produtos referidos nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e no art. 2o da Lei no 10.560, de 13 de novembro de 2002, poderá optar por regime especial de apuração e pagamento da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS" (grifos nossos). Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10314.732822/201304 Acórdão n.º 3401003.812 S3C4T1 Fl. 548 39 Contudo, a argumentação da recorrente, neste particular, não deve prosperar, tendo em vista que o § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/04 dispõe que as alíquotas aplicáveis no caso de importação das correntes da gasolina serão específicas, conforme aponta a autoridade fiscal com precisão, "independentemente" de opção por parte do importador. Observese, ademais, que a objeção à escolha se reporta especificamente ao regime especial de apuração previsto pelo art. 23 objeto de fundamentação da recorrente: Lei no 10.865/2004 "Art. 8o (...) § 8o A importação de gasolinas e suas correntes (...) fica sujeita à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, fixadas por unidade de volume do produto, às alíquotas previstas no art. 23 desta Lei, independentemente de o importador haver optado pelo regime especial de apuração e pagamento ali referido" (grifos nossos). Não pode o contribuinte escolher, a seu talante, o regime que melhor lhe aprouver diante de vedação expressa da lei. Assim, inexiste faculdade ao contribuinte para optar por regime especial de apuração no caso de importação de corrente da gasolina em virtude de expressa determinação do § 8o do art. 8o da Lei no 10.865/04, cabendo a fixação da alíquota por unidade de volume do produto (i.e., alíquota específica ou ad rem), e não alíquotas ad valorem, razão pela qual, neste particular, entendo assistir razão ao acórdão recorrido" (seleção nossa, grifos do original). 45. Pelas razões acima transcritas, e no sentido do voto proferido pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator do presente caso, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário neste particular. Fl. 567DF CARF MF 40 É como voto. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Fl. 568DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.720069/2008-63
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jul 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
VTN-VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SIPT-SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
Numero da decisão: 9202-005.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 00 69 /2 00 8- 63 Fl. 204DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo, de exigência do ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2004, tendo em vista o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua. Em sessão plenária de 22/01/2013, foi julgado o Recurso Voluntário s/n, prolatandose o Acórdão 2201001.943 (fls. 143 a 150), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2004 VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. UTILIZAÇÃO DOS DADOS DO SIPT. O VTN médio declarado por município, constante da tabela SIPT, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. O arbitramento deve ser efetuado com base nos valores fornecidos pelas Secretarias Estaduais ou Municipais e nas informações disponíveis nos autos em relação aos tipos de terra que compõem o imóvel. Recurso Voluntário Provido." A decisão foi assim registrada: " Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso." O processo foi encaminhado à PGFN em 29/05/2013 (Despacho de Encaminhamento de fls. 165) e, em 31/05/2013 foi interposto o Recurso Especial de fls. 166 a 178 (Despacho de Encaminhamento de fls. 179). O Recurso Especial está fundamentado no art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, e visa rediscutir a validade do arbitramento do VTNValor da Terra Nua tendo por base o SIPTSistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Como paradigmas foram indicados os Acórdãos nºs 210201.664 e 210200.609. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho s/n de 29/10/2015 (fls. 180 a 183). Cientificada em 16/11/2015 (AR Aviso de Recebimento de fls. 189), a Contribuinte ofereceu, em 02/12/2015, as Contrarrazões de fls. 190 a 201). Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13116.720069/200863 Acórdão n.º 9202005.524 CSRFT2 Fl. 205 3 As Contrarrazões foram oferecidas intempestivamente, portanto não serão conhecidas. Com efeito, a Contribuinte foi cientificada em 16/11/2015, segundafeira (AR Aviso de Recebimento de fls. 189), vindo a apresentar as Contrarrazões somente em 02/12/2015 (carimbo às fls. 190), portanto fora do prazo de quinze dias, assinalado no art. 69, do Anexo II, do Ricarf. Tratase de ITR Imposto Territorial Rural do exercício de 2004 e a matéria em litígio diz respeito à validade do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua tendo por base o SIPT Sistema de Preços de Terras, utilizandose o VTN médio das DITR, sem informações sobre aptidão agrícola. Esclareçase, por oportuno, que foram indicados como paradigmas os Acórdãos nºs 210201.664 e 210200.609, sendo que este último já foi examinado por este Colegiado e não foi considerado apto a demonstrar a alegada divergência jurisprudencial. Entretanto, no despacho de admissibilidade foi examinado o primeiro paradigma, considerado apto a demonstrar o dissídio interpretativo, sem qualquer óbice por parte desta Conselheira, de sorte que passase a examinar o mérito do apelo. No caso do acórdão recorrido, foi promovido o arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT Sistema Integrado de Preços de Terras, sem que sequer fosse anexada ao processo a respectiva tela extraída do sistema. A informação acerca do critério utilizado foi fornecida apenas em sede de decisão de Primeira Instância, que assim registrou: "A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o ITR/2004, R$ 1.000,00 (R$ 0,69/ha), arbitrandoo em R$ 1.396.940,16 (R$ 962,08), com base no SIPT da Receita Federal, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, e observado o art. 3º da Portaria SRF nº 447/2002 e o item 6.8. da Norma de Execução Cofis nº 03/2006, aplicável à execução das atividades da Malha Fiscal do ITR/2004. Esse valor corresponde ao VTN médio, por hectare, constante do Sistema de Preço de Terras – SIPT, para o exercício de 2004, tendo sido apurado com base nos valores informados pelos próprios contribuintes nas suas respectivas DITR/2004, para os imóveis localizados no município de Planaltina – GO, conforme termo de fls. 09/10." (grifei e sublinhei) Assim, constatase que o arbitramento do VTN foi levado a cabo com base no valor médio das DITR do município de localização do imóvel, sem levarse em conta a aptidão agrícola, razão pela qual foi dado provimento ao Recurso Voluntário, restabelecendo se o VTN declarado pela Contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que o arbitramento seja restabelecido. No que tange ao arbitramento do VTN, assim dispõe o art. 14, § 1º, da Lei nº 9.396, de 1996: "Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de Fl. 206DF CARF MF 4 sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios." (grifei) E o art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, ao tempo da edição da Lei nº 9.393, de 1996, tinha a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel." (grifei) Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: "Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias." (grifei) Destarte, verificase que, no caso em tela, uma vez que foi adotado o valor médio das DITR do município do imóvel, não foi atendida a determinação legal, no sentido de considerarse a aptidão agrícola, de sorte que o arbitramento não pode ser mantido. Diante do exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seguindo a jurisprudência do CARF, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Fl. 207DF CARF MF Processo nº 13116.720069/200863 Acórdão n.º 9202005.524 CSRFT2 Fl. 206 5 Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.000544/99-22
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2001
Ementa: Vistos relatados e discutidos os presentes autos de Recuso interposto por DISBEMIL- DISTRIBUIDORA DE ,BEBIDAS MILAGRES .LTDA.
Numero da decisão: 201-00.168
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho,de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ROGÉRIO GUSTAVO DREYER
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' " . \... -' ~ , \ I . . 1 .'- •• _ J (' . /, ( RESQLUÇÃO N° 201-00.168, .) i, ' . 11 de'julho de 2001 , ; DISBEMI[ ~ DISTRIBUIDORA DEBEBIDAS~MILAGRES LTDA. . DRÍ em Salvador - BA ..' . ." .~. . J' o '10530~000544/99~22o 201-00.168 . ~ . , 116.522 I ,/ . ' .: ,"' ','\ '. ,I • '! '. Sálada~ s~ssões, em 11 de.julhq'de 2001 SEGUNDO CONS~LHO DECONTRIBUINTES MINISTÉRIO DA FAZENDA, . O:'_~F"'~'.:' -.~ .. . Jorge Freir~,'-: .. <p~:de~teJM ,Rogeno,Gustavo ~er " . Relator I o, " . ' .1 .• ..•.. . RESQL VEM osM~mbrosda .Primeira' Câmara do' Segundo C~mselho,de. Contribuintes, por' unanimidade de votos, 'c~R\;erter'o julgame~to .do' recurso ell\ ,diligência~ nos termosi'do voto dó Relator. ~. I' . o • ' Vistos" relatados e discutidos os ptésentesautos dê ~ecu~sointerposto por: DISBEMIL- DISTRIBUIDÚRA DE ,BEBIDAS MILf.\GRES .LTDA. , \ , Ia%vrs oI Processo. : o Resolução : . Rec.urso ... 'I Sessão • o Recorrente:, .Recorrida: 2 É o relatório. Mais uma vez irresignada, a requerente vem ao Colegiado' pará contestar os fundamentos das decisões e pedir o deferimento de seu pleito. DISBEMIL - DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS MILAGRES LTDA 10530.000544/99-22 201-00.168 116.522 . RELATÓRIO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES MINIsrtRIO DA FAZENDA . .A contribuinte requer a restituição dos valores pagos, a maior, a título dê FINSOCIAL, fulcrado na inconstitucionalidade declarada das majorações' das alíquotas acima' de '.0,5 % (meio por cento), relativa aos recolhimentos ocorridos entre outubro de 1989 e . dezembro de 1991. O pedido foi indeferido sob os auspícios da decadência do direito. •. .:, .... ~ , . ;.: .- -:- . " : .~ ", . . ~ Processo : Resolução: RecurSo. : . Recorrente : Irresignada, 'socorre-se da manifestação de inconformjdade para requerer a . providência perante a Delegacia de Julgamentos competente. Informa, em sua manifestação, que tena ingressado com pedido de restituição da Contribuição gara o FINSOCIAL perante a Justiça Federal, obtendo daí sentença parcialmente favorável. Alega a inocorrência da decadência e reitera o seu direito à compensação. O julgador, ora recorrido, mantém a.decisão da DR;F em Feira de Santana - BA, alegando que a concorrência entre processo judicial e' . administrativo acarreta na ,desistência deste, quando ambos versam sobre a mesma matéria. 3 É como voto . Aliás, o motivo do indeferimento da pretensão pela autoridade. administrativa julgadora a quo, foi,exatamente, a concomitância das iniciativas. Não encontro nos autos o cumprimento dos termos do indigitado diploma, , . . VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR ROGERIO GUSTAVO DREYER 10530.000544/99-22 201-00.168 116.522 MINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo : Resolução: Recurso . Swa das Ses;õe~ em~JJulho d~ 2000 ROGÉIUOGUSTAVODf::: .~f?'\ \ ,~, Discordo de planO' com a decisão, visto que a legislação propna, com destaque para a IN SRF nO21/97, alterada pela IN SRF n° 73/97, admite a satisfação administrativa da pretensão, mediante o cumprimento de determinados requisitos contidos em seu artigo 17. ' , Verifica-se, em análise acurada dos autos, que a Recorrente interpôs ação judicial para pleitear o direito que pretende ver implementado administrativamente. legal. '. Frente ao exposto, voto no sentido de converter o julgamento do recurso em diligência, para que o contribuinte cumpra o que se exige no artigo 17da IN SRF n° 21/97, , cóm as alterações contidas na. IN SRF n° 73/97, após o devido trânsito em julgado do processo judicial, retornando, posterionÍlente, o presente feito para o julgamento pelo Colegiado. ' I I' 00000001 00000002 00000003
score : 1.0
Numero do processo: 13830.901092/2013-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 10 92 /2 01 3- 49 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 13830.901092/201349 Acórdão n.º 1302002.246 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.901092/201349 Acórdão n.º 1302002.246 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.901092/201349 Acórdão n.º 1302002.246 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000251/2001-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Não será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
Numero da decisão: 1401-001.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita, afastar a decadência de rever saldos negativos de períodos anteriores e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LUCIANA YOSHIHARA ARCANGELO ZANIN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Não será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03.
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secao_s : Primeira Seção de Julgamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita, afastar a decadência de rever saldos negativos de períodos anteriores e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1742; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.270 1 1.269 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13502.000251/200174 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.760 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2017 Matéria DECOMP HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Recorrente PROQUIGEL QUÍMICA S/A (POLICARBONATOS DO BRASIL S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA APRECIAR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Não será considerada tacitamente homologada a compensação objeto de declaração de compensação que seja objeto de despacho decisório proferido e cientificado o sujeito passivo, no prazo de cinco anos, contados da data de seu protocolo nos termos dos parágrafos 4º e 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada, respectivamente, pelo artigo 49 da Lei nº 10.637/02 e artigo 17 da Lei nº 10.833/03. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de homologação tácita, afastar a decadência de rever saldos negativos de períodos anteriores e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. (assinado digitalmente) Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Livia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 02 51 /2 00 1- 74 Fl. 1282DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão 0644.852 da 2 ª Turma da DRJ Curitiba, que deu provimento em parte à Manifestação de Inconformidade da Interessada,. restando não compensados os débitos no total de R$161.243,05. O relatório do acórdão da DRJ bem descreve todo o ocorrido até aquele momento: Trata o processo do Pedido de Restituição e o Pedido de Compensação (ambos em papel) de págs. 3/22, protocolizados em 30/03/2001, requerendo crédito de Saldo Negativo (SN) de IRPJ do ano calendário 1998, decorrente de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF a maior que o IRPJ devido na apuração anual (o contribuinte optou pelo regime de apuração de estimativa mensal com base em balanço/balancete de suspensão/redução), no seguinte valor: IRRF ...............................R$334.690,30 () IRPJ devido................R$ 59.161,14 = IRPJ pago a maior.......R$275.529,16 () IRPJ ac1999...............R$ 44.499,71 (+) Selic.........................R$109.205,91 = Valor rest/comp..........R$340.235,36 2. Os débitos a serem compensados foram informados como 2172 Cofins, 8109PIS, 2374 CSLL e 1097 IPI vincendos a partir do mês do protocolo, informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, no total de R$340.235,36. 3. Após intimações ao contribuinte, a fim de que comprovasse o IRRF e o oferecimento à tributação das receitas financeiras correspondentes, e análise da documentação apresentada, a Seção de Arrecadação – Sarac da DRF em Camaçari/BA (DRF/CCI) emitiu o Despacho Decisório DRF/CCI nº 184/2007, de 26/09/2007, págs. 480/490: a. indeferindo a Solicitação de Compensação, porque na data de abertura do processo (30/03/2001) não houve pedido formal de compensação, uma vez que o contribuinte, embora tenha se utilizado do formulário específico, qual seja. "Pedido de Compensação", aprovado pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997, em seu artigo 25, norma vigente à época, não obedeceu às disposições legais desta, porque não discriminou os débitos que desejava compensar (indicação do tributo, código de receita, PA, vencimento e valor), que tampouco foram corretamente indicados nas Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF apresentadas no prazo normal fixado para tal providencia, uma vez que não vinculados a processo administrativo, e que, mesmo intimado para tanto em 27/10/2004, o contribuinte não formalizou a devida Declaração de Compensação – PER/Dcomp eletrônica, já vigente; b. deferindo em parte o Pedido de Restituição, reconhecendo o direito creditório de SN IRPJ de 31/12/1998 no valor de R$109.722,90, porque: Fl. 1283DF CARF MF Processo nº 13502.000251/200174 Acórdão n.º 1401001.760 S1C4T1 Fl. 1.271 3 i. apurouse que somente foram oferecidas à tributação receitas financeiras suscetíveis de retenção na fonte no total de R$1.186.819,41 e não os R$1.939.866,61 correspondentes ao total de IRRF que pleiteou, ii. e ainda porque o valor de R$59.161,14 de IRRF mensal foi informado indevidamente como pagamentos de estimativas mensais – assim, restaram R$145.603,98 de SN IRPJ em 31/12/1998; iii. sendo que R$44.499,71 foram consumidos na compensação IRPJ ac 1999, restando, R$109.722,90 (valor original) de SN IRPJ em 31/12/1998 a restituir (págs. 477/479). 4. Cientificado em 08/10/2007, págs. 495/496, após pedir cópia do processo, apresentou a manifestação de inconformidade tempestiva de págs. 524/541, em 07/11/2007, por meio de seus representantes legais de págs. 542/546, acompanhada dos documentos de págs. 547/621. Durante a análise da Manifestação de Inconformidade, a autoridade julgadora faz uma digressão dos fatos correlacionandoos com as alterações legislativas que regulamentavam o procedimento para o pedido de compensação há época e que serviram de fundamento para reconhecer, em obediência ao princípio da Verdade Material a existência de um crédito de R$109.722,90, porém insuficiente para quitar a totalidade dos débitos indicados à compensação, restando um saldo a compensar no valor de R$ 161.243,05, face o não reconhecimento da possibilidade de homologação tácita, os quais peço vênia para reproduzir, dada sua importância na contextualização da questão: 1 Síntese dos fatos. 20. Conforme ata datada de 01/05/2007, registrada na Junta Comercial do Estado da Bahia em 30/07/2007, a Policarbonatos do Brasil S/A, CNPJ 27.515.154/000172, incorporou a Proquigel Química S/A, CNPJ 05.282.535/000116; e alterou a razão social para Proquigel Química S/A, CNPJ 27.515.154/000172. 2. Depois de ter protocolizado os Pedidos de Restituição e Compensação em 30/03/2001, o contribuinte foi intimado em 15/05/2002, pág. 28, a apresentar documentos relativos aos Pedidos de Restituição e Compensação e os apresentou às págs. 29/53. 3. O contribuinte foi também intimado pela DRF em Camaçari/BA, em 29/06/2004, págs. 58 e 86, Termo de Intimação nº 3519, a pagar débitos declarados em DCTF de Cofins, CSLL, IPI, IRRF, PIS, Pasep e IRPJ de períodos de apuração de 07/2000 a 06/2001; e protocolizou a solicitação de nulidade dessa intimação, em 30/09/2004, págs. 55/56 e 83/85, ao argumento de que “na informação da DCTF, hora retificada, houve um equivoco, não sendo compensado com Darf e sim com pedido de compensação solicitado através dos processos nºs 13502.000309/200018, 13502.000251/200174 e 13502.000882/200193 e sem processo (débitos com vencimento em 30/03/2001 e 10/04/2001; e o contribuinte também foi intimado, Termo de Intimação nº 28624 de pág. 114, pela DRF de Osasco/SP, a pagar débitos declarados em DCTF de IPI de períodos de apuração de 02, 08 e 09/2000 e 03 e 11/2001; e protocolizou a solicitação de nulidade dessa intimação, em 30/09/2004, págs. 111/113, ao argumento de que “houve um erro na informação da DCTF, não sendo compensado com Darf e sim com o processo informado abaixo”, sendo que os processos de compensação informados são: compensação sem processo (débitos de Fl. 1284DF CARF MF 4 10 e 08/2000, 03 e 04/2001), 13502.000309/200018, 13502.000238/200115, 13502.000234/200137 e 13502.000251/200174. 4. Ambas petições foram analisadas, págs. 149/151, conforme cientificado ao interessado em 27/10/2004, pág. 152, concluindose que a compensação devia ser considerada não declarada nos termos da IN SRF nº 432 de 22 de julho de 2007, art. 2º, IV, “c” e art. 4º; em função disso, o contribuinte foi intimado a sanar a falha mediante apresentação de declaração de Compensação PER/Dcomp eletrônica, caso quisesse pleitear a compensação. 5. Em 17/10/2005, o contribuinte protocolizou a Declaração de Compensação de págs. 171/172, porém no antigo formulário aprovado pela IN SRF nº 210, de 2002, informando serem os seguintes os débitos a compensar: 6. Em seguida foi proferido o Despacho Decisório, efetuada a diligência e o Relatório de Diligência, cujas contestações pelo contribuinte ora se analisa. 2 Homologação Tácita. Declaração de Compensação. 21. Uma vez transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos a partir da data de protocolização da declaração de compensação, considerase tacitamente homologada a compensação declarada. 7. A Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, art. 49, alterou o art. 74, § 2º e Lei nº 10.833, de 2003, alterou o art. 74, § 5º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme segue: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifouse.) Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 13502.000251/200174 Acórdão n.º 1401001.760 S1C4T1 Fl. 1.272 5 8. A partir daí, passaram a valer essas alterações, que estão em consonância com o art. 150 do CTN, e delimitam o prazo em que o fisco pode invalidar o procedimento executado pelo sujeito passivo, no caso, as compensações de débitos declaradas. O termo inicial de contagem desse prazo está explícito na lei: é a data da entrega da declaração de compensação. 9. A Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, instituiu e regulamentou a Declaração de Compensação. 10. Anteriormente à edição da legislação supra, em 30/03/2001, o contribuinte entregou o Pedido de Compensação de pág. 5, nos moldes definidos pela Instrução Normativa SRF nº21, de 10 de março de 1997 e alterações: Compensação entre Tributos e Contribuições de Diferentes Espécies Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. (...) 3º A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte. (Redação dada pela IN SRF n º 73/97, de 15/09/1997 ) § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. (...) Art. 25. Ficam aprovados os formulários "Pedido de Restituição", "Pedido de Ressarcimento", "Pedido de Compensação", "Pedido de Compensação de Crédito com Débito de Terceiros" e "Documento Comprobatório de Compensação", constantes dos Anexos I, II, III, IV e V, respectivamente. (Grifouse.) 11. Nesse Pedido de Compensação não detalhou os débitos, apenas declarou que eram vincendos a partir do mês do protocolo, informados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, no total de R$340.235,36; na DCTF entregue, declarou a compensação com valores de recolhimentos a maior, porém não vinculou ao processo referente ao Pedido de Compensação. 12. Por outro lado, o contribuinte protocolizou petições (de nulidade de intimações para pagamento de débitos declarados em DCTF) em 30/09/2004, informando que parte de tais débitos havia sido objeto de Pedido de Compensação no presente processo. 13. E somente em 17/10/2005, o contribuinte protocolizou a Declaração de Compensação de págs. 171/172, mesmo assim, não no meio eletrônico, como regulamentado nessa data, mas em formulário de papel aprovado pela IN SRF nº 210, de 2002, já revogada. 14. Tendo sido o Despacho Decisório cientificado ao contribuinte em 08/10/2007, não há que se falar em homologação tácita, dado que transcorridos apenas 2 (dois) anos da oficialização da compensação declarada, se é que se pode Fl. 1286DF CARF MF 6 assim denominar, dado que a Declaração de Compensação foi apresentada em meio inadequado nessa data. Nas razões de Recurso Voluntário, a recorrente reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade, com destaque para a necessidade de reconhecimento da homologação tácita em relação ao débito cujos créditos reconhecidos foram insuficientes para quitar. Voto Conselheiro Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin O recurso voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar homologação tácita. A princípio, esclareço que, no que diz respeito possibilidade da ocorrência de homologação tácita de Declaração de Compensação protocolizada em 30/03/2001, portanto anterior a Lei 10.833/03, adoto os fundamentos de precedente recente da 3a. Turma da CSRF, no sentido de que nos pedidos de compensação pendentes de apreciação pela Autoridade Administrativa, convertidos em declarações de compensação, por força da Lei nº 10.637/2002, a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos, a contar da data da entrega da declaração de compensação. De maneira que, tendo transcorrido este prazo, homologa se tacitamente a compensação declarada, sendo definitivamente extintos os débitos tributários ali contemplados, independentemente da existência ou suficiência dos direitos creditórios. Referido Acórdão n. 9303003.900, proferido em 19/05/2016, restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/1999 EMENTA: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Estabelecese como tacitamente homologada a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, considerandose pendente de decisão administrativa a Declaração de Compensação, o Pedido de Restituição ou o Pedido de Ressarcimento em relação ao qual ainda não tenha sido intimado o sujeito passivo do despacho decisório proferido pela Autoridade competente para decidir sobre a compensação, a restituição ou o ressarcimento. Recurso Especial do Procurador Negado. Contudo, no caso em questão, os requisitos para reconhecimento da homologação tácita, não encontramse preenchidos, pois conforme descrito minuciosamente pela decisão recorrida: Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 13502.000251/200174 Acórdão n.º 1401001.760 S1C4T1 Fl. 1.273 7 "Depois de ter protocolizado os Pedidos de Restituição e Compensação em 30/03/2001, o contribuinte foi intimado em 15/05/2002, pág. 28, a apresentar documentos relativos aos Pedidos de Restituição e Compensação e os apresentou às págs. 29/53. 3. O contribuinte foi também intimado pela DRF em Camaçari/BA, em 29/06/2004, págs. 58 e 86, Termo de Intimação nº 3519, a pagar débitos declarados em DCTF de Cofins, CSLL, IPI, IRRF, PIS, Pasep e IRPJ de períodos de apuração de 07/2000 a 06/2001; e protocolizou a solicitação de nulidade dessa intimação, em 30/09/2004, págs. 55/56 e 83/85, ao argumento de que “na informação da DCTF, hora retificada, houve um equivoco, não sendo compensado com Darf e sim com pedido de compensação solicitado através dos processos nºs 13502.000309/200018, 13502.000251/200174 e 13502.000882/200193 e sem processo (débitos com vencimento em 30/03/2001 e 10/04/2001; e o contribuinte também foi intimado, Termo de Intimação nº 28624 de pág. 114, pela DRF de Osasco/SP, a pagar débitos declarados em DCTF de IPI de períodos de apuração de 02, 08 e 09/2000 e 03 e 11/2001; e protocolizou a solicitação de nulidade dessa intimação, em 30/09/2004, págs. 111/113, ao argumento de que “houve um erro na informação da DCTF, não sendo compensado com Darf e sim com o processo informado abaixo”, sendo que os processos de compensação informados são: compensação sem processo (débitos de 10 e 08/2000, 03 e 04/2001), 13502.000309/200018, 13502.000238/200115, 13502.000234/200137 e 13502.000251/200174. 4. Ambas petições foram analisadas, págs. 149/151, conforme cientificado ao interessado em 27/10/2004, pág. 152, concluindose que a compensação devia ser considerada não declarada nos termos da IN SRF nº 432 de 22 de julho de 2007, art. 2º, IV, “c” e art. 4º; em função disso, o contribuinte foi intimado a sanar a falha mediante apresentação de declaração de Compensação PER/Dcomp eletrônica, caso quisesse pleitear a compensação. 5. Em 17/10/2005, o contribuinte protocolizou a Declaração de Compensação de págs. 171/172, porém no antigo formulário aprovado pela IN SRF nº 210, de 2002, informando os débitos a compensar: [...] 6. Em seguida foi proferido o Despacho Decisório, efetuada a diligência e o Relatório de Diligência, cujas contestações pelo contribuinte ora se analisa. Assim, se acordo com os fatos, a Recorrente apenas em 17/10/2005, apresentou Declaração de Compensação apta a produzir os efeitos pretendidos, portanto, entendo que em 08/10/2007, quando houve a ciência do despacho decisório de não homologação, ainda que parcial, as compensações não reconhecidas, manteriamse perfeitamente exigíveis, pois não transcorrido o lapso temporal de 5 (cinco) anos necessário ao reconhecimento da homologação tácita . Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de homologação tácita. Mérito Quanto ao mérito, correto o entendimento exarado pela decisão de piso ao afirmar que o crédito reconhecido foi insuficiente para quitar a totalidade dos débitos. Isto porque, conforme descreve: Fl. 1288DF CARF MF 8 Crédito Tributário. Valor do SN IRPJ 31/12/1998. 19. O contribuinte não contestou objetivamente o valor do SN IRPJ 31/12/1998 reconhecido no Despacho Decisório nº 184/2007, da DRF em Camaçari/BA. 20. Não contestou não ter oferecido a totalidade dos rendimentos financeiros à tributação, mas alegou que o valor do SN IRPJ 31/12/1998 foi apresentado na DIRPJ do ano calendário 1998, bem como contabilizado e há mais de 5(cinco) anos antes do Despacho Decisório e, por isso, tanto a DIRPJ como os registros contábeis já estariam tacitamente homologados, tendo também se configurado a decadência do direito de a Administração Tributária constituir o lançamento de crédito tributário. 21. Primeiramente, em relação à decadência do direito ao lançamento de ofício de crédito tributário pela Autoridade Fiscal, não há lançamento fiscal na presente situação; o contribuinte foi e continua sendo cobrado administrativamente por débitos confessados em DCTF, nas cobranças feitas pelas DRF Camaçari/BA e Osasco/SP já descritas. 22. No que tange à homologação tácita, seria aplicável aos débitos regularmente confessados em Declaração de Compensação, o que já foi analisado neste voto. 23. No que se refere à contabilidade, não houve qualquer revisão dos lançamentos contábeis do contribuinte, apenas se analisaram tais registros e documentos que os apoiavam, tendo concluído a diligência, repitase, que: (...) o contribuinte não logrou comprovar sequer o auferimento efetivo das supostas receitas financeira em 1996 e 1997 na sistemática pro rata, por não estarem os lançamentos contábeis lastreados em documentação hábil e idônea. Muito menos conseguiu demonstrar o efetivo vínculo entre essas supostas receitas e as DIRF referentes ao ano de 1998. 24. Quanto ao SN IRPJ 31/12/1998, requerido pelo interessado e apurado na DIRPJ, o interessado também postulou que teria oferecido à tributação nos anos anteriores as receitas financeiras correspondentes ao IRRF que resultou no SN 31/12/1998 que apurou de R$340.235,36 – contudo, essa afirmativa do litigante foi desmentida no Relatório de Diligência, conforme relatado – e o contribuinte não contestou essa conclusão, portanto, esse argumento foi rechaçado. 25. O Despacho Decisório DRF/CCI nº 184/2007, cientificado ao interessado em 08/10/2007, reconheceu o direito creditório no valor de R$109.722,90 de SN IRPJ 31/12/1998 e, à vista da improcedência dos argumentos apresentados, cabe confirmar esta conclusão. Portanto, em tendo a Recorrente se limitado a argumentar que seria ponto incontroverso nos autos a retenção do IRRF no valor de R$ 275.529 por ela trazidos como referentes à retenções competentes a períodos anteriores a 1998 oferecidos à tributação em época própria, o que não foi confirmado como esclarecido pelo resultado da diligência, a glosa deve ser mantida. Ante o exposto, afastada a preliminar, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 13502.000251/200174 Acórdão n.º 1401001.760 S1C4T1 Fl. 1.274 9 Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin Relatora Fl. 1290DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.903536/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.362
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 35 36 /2 01 0- 16 Fl. 196DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 198DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 200DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 201DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 202DF CARF MF Processo nº 16327.903536/201016 Acórdão n.º 1301002.362 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 203DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900603/2012-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 03 /2 01 2- 24 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900603/201224 Acórdão n.º 1302002.136 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900603/201224 Acórdão n.º 1302002.136 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900603/201224 Acórdão n.º 1302002.136 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.903349/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.990
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1807; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.903349/201155 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.990 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 49 /2 01 1- 55 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.903349/201155 Acórdão n.º 3302003.990 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de PIS/PASEP incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.517. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903349/201155 Acórdão n.º 3302003.990 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903349/201155 Acórdão n.º 3302003.990 S3C3T2 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903349/201155 Acórdão n.º 3302003.990 S3C3T2 Fl. 6 5 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903349/201155 Acórdão n.º 3302003.990 S3C3T2 Fl. 7 6 Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
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