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Numero do processo: 11060.002953/2007-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2007
MULTA ISOLADA DE IRPF CARNÊ-LEÃO.
A pessoa física obrigada ao recolhimento mensal do imposto, na
modalidade carnê-leão, que deixar de fazê-lo, está sujeita à multa de lançamento de ofício exigida isoladamente.
Recurso Voluntário Negado Provimento
Numero da decisão: 2101-001.485
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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A pessoa física obrigada ao recolhimento mensal do imposto, na modalidade carnêleão, que deixar de fazêlo, está sujeita à multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. Recurso Voluntário Negado Provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 RELATÓRIO AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 3 a 14, no qual foi apurada multa, exigida isoladamente, no valor de R$ 34.403,06, em decorrência da apuração de falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, na forma dos dispositivos legais descritos na peça básica. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 65 a 68), acatada como tempestiva. Alegou, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fl. 75/76), que: 1. Antes do início de qualquer procedimento fiscal, efetuou espontaneamente a denúncia de sua infração, requerendo, concomitantemente, o parcelamento de seu débito. 2. Embora existam controvérsias, tendo em vista a solicitação de parcelamento, a respeito de seu enquadramento no artigo 138 do CTN, sabese que, caso o referido dispositivo legal reste configurado, deve ser excluída a incidência de qualquer multa tributária com caráter punitivo, uma vez que, para esse caso, verificase a exclusão da responsabilidade do contribuinte. 3. Foi aplicada inapropriadamente a multa isolada no percentual de 50%. 4. Efetuou a entrega da declaração de imposto de renda retificadora requerendo o parcelamento do saldo referente ao IRPF no montante de R$68.319,00. 5. Após a solicitação de parcelamento foi dado início pela autoridade administrativa o procedimento de ofício. Com isso foi atribuído ao contribuinte a multa isolada, a qual foi justificada na falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão. 6. Aludido ato administrativo encontrase eivado de nulidade, haja vista a ocorrência da denúncia espontânea pelo contribuinte, uma vez que esta traz como conseqüência a exclusão das multas com caráter punitivo. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 74 a 78): Fl. 116DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.002953/200707 Acórdão n.º 2101001.485 S2C1T1 Fl. 2 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MULTA ISOLADA DE IRPF CARNELEÃO. A pessoa física obrigada ao recolhimento mensal do imposto, na modalidade carnêleão, que deixar de fazêlo, está sujeita à multa de lançamento de ofício exigida isoladamente. Lançamento Procedente O julgador de 1a instância fundamentou sua decisão da seguinte maneira (fls. 77 a 78): “(...) sobre a argüição de nulidade as hipóteses de nulidade absoluta são as previstas no art. 59, Decreto n.° 70.235, de 06 de março de 1972, que trata do Processo Administrativo Fiscal (PAF); (...) No presente processo, todos os atos e termos foram lavrados por Auditor Fiscal da Receita Federal — servidor competente para tal lavratura —, perfeitamente identificado pelo nome, matrícula e assinatura em todos esses atos, no decorrer da fiscalização. Especificamente com relação ao Auto de Infração, há de se constatar que todos os requisitos previstos no artigo 10, do Decreto 70.235/1972, também foram plenamente observados; (...) A espontaneidade argüida não procede. A inclusão dos rendimentos, subordinado a modalidade de tributação mensal, em DIRPF Declaração de Ajuste Anual de Imposto de Renda Pessoa Física, pressupõe que o pagamento do imposto (no caso, por meio de carnêleão) seja realizado no seu respectivo mês de vencimento. Nesse sentido, o contribuinte só se beneficiaria da denúncia espontânea se houvesse efetuado o pagamento em atraso do imposto sujeito a carnêleão com todos os acréscimos previstos, antes de iniciada a ação fiscal, nos termos do artigo 138, do Código Tributário Nacional; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 (...) além de estarem sujeitos ao recolhimento mensal, os rendimentos de que trata a Lei n° 7.713, de 1988, art. 8°, compõem, também, a base de cálculo do imposto de renda na declaração de ajuste anual; (...) A apresentação da declaração de rendimentos não exime o contribuinte da penalidade decorrente do descumprimento de obrigação tributária mensal, nos termos do artigo 44, § 1°, inc. III, da Lei 9.430 de 1996.” RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificada da decisão de primeira instância em 04/09/2009 (fl. 81), o contribuinte apresentou, em 25/09/2009, o recurso de fls. 82 a 89, onde alegou, em síntese, que na hipótese contrária, entendendo pela não exclusão da responsabilidade do Recorrente, não se pode mitigar sua conduta quando se autodenunciou, motivo pelo qual deve receber tratamento diferenciado daqueles que são surpreendidos pela atividade fiscalizatória da administração fazendária. Ao final, propugna o contribuinte a reforma da decisão proferida pela DRJ/STM. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 91, que também trata do envio dos autos ao então Primeiro Conselho de Contribuintes. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. De início, cabe ressaltar que a presente discussão se restringe à infração relativa à aplicação de multa isolada, em decorrência da apuração de falta de recolhimento do IRPF devido à título de carnêleão. Cingese a discussão quanto o alcance do artigo 138 do CTN, se o mesmo alberga o fato ensejador do indigitado auto de infração. Dispõe o referido artigo: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.002953/200707 Acórdão n.º 2101001.485 S2C1T1 Fl. 3 5 Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Sobre o assunto o Egrégio Superior Tribunal de Justiça assim julgou: Processo AgRg no Ag 945534 / DF AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO2007/02087142 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 03/06/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 18/06/2008 Ementa AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544, CPC. RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. CTN, ART. 138. DÉBITO CONFESSADO E OBJETO DE PARCELAMENTO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. LEI Nº 9.065/95. PRECEDENTES. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE VIOLAÇÃO À LEI FEDERAL. SÚMULA 284/STF. APONTADA OFENSA A ARTIGOS DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INADMISSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356 DO C. STF. 1. A denúncia espontânea é inadmissível nos tributos sujeitos a lançamento por homologação "quando o contribuinte, declarada a dívida, efetua o pagamento a destempo, à vista ou parceladamente." (AgRg no EREsp 636.064/SC, Rel. Min. CASTRO MEIRA, 1ª Seção, DJ 05.09.2005) Portanto, é entendimento do STJ que o benefício explicitado no artigo 138 do CTN não alcança o parcelamento de débito confessado. Tal alcance ocorre somente na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. A denúncia espontânea não resta caracterizada, com a Fl. 119DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Ademais, a denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Destaquese que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Destaquese ainda que ao fazer o parcelamento, o contribuinte declarou como se o imposto devido se referisse ao saldo de ajuste (31/12/2006) e não aos fatos geradores ocorridos mensalmente, por se tratar de carnêleão (antecipasse), deixando de recolher os encargos moratórios ao longo de 2006. Dessa forma, a apresentação da declaração de rendimentos não exime o contribuinte da penalidade decorrente do descumprimento de obrigação tributária mensal, nos termos do artigo 44, § 1°, inc. III, da Lei 9.430 de 1996.” Não sem razão que este Conselho tem decidido na mesma linha do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, conforme se vê no seguinte Acórdão: Acórdão nº 10809.654, de 27/06/2008: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1994, 1999 [...]. DENÚNCIA ESPONTÂNEA ART. 138 DO CTN Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, declarado pelo contribuinte e recolhido com atraso, descabe o benefício da denúncia espontânea. A espontaneidade apenas exclui as penalidades de natureza punitiva, resultantes da responsabilidade quanto a crime, contravenção ou delito tributário, não podendo ser aplicada às de natureza moratória, vez que o pagamento em atraso não constitui infração, mas simples mora. Assim, voto por negar provimento ao recurso, não havendo qualquer reparo a fazer na decisão recorrida. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (assinado eletronicamente) Fl. 120DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11060.002953/200707 Acórdão n.º 2101001.485 S2C1T1 Fl. 4 7 Relatório Voto Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 121DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 11/06/2012 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 17/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 36600.000021/2007-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1998 a 31/01/1999
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo.
Recurso voluntário não conhecido.
RECURSO DE OFÍCIO. Ante a reforma de decisão para dar parcial procedência à notificação e declarar o direito ao abatimento das contribuições a cargo da empresa na competência de 01/1999, o Auditor Fiscal decidiu por recorrer de ofício, nos termos do art. 25, § 2º, da Portaria do MPS nº 520/2005. Sendo verificada a necessidade de retificação do débito para excluir as contribuições a cargo do empregador na mencionada competência, nega-se provimento ao recurso de ofício.
Recursos de Ofício Negado e Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade e negar provimento ao recurso de ofício.
Júlio César Vieira Alves - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/1998 a 31/01/1999 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso voluntário não conhecido. RECURSO DE OFÍCIO. Ante a reforma de decisão para dar parcial procedência à notificação e declarar o direito ao abatimento das contribuições a cargo da empresa na competência de 01/1999, o Auditor Fiscal decidiu por recorrer de ofício, nos termos do art. 25, § 2º, da Portaria do MPS nº 520/2005. Sendo verificada a necessidade de retificação do débito para excluir as contribuições a cargo do empregador na mencionada competência, nega-se provimento ao recurso de ofício. Recursos de Ofício Negado e Voluntário não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade e negar provimento ao recurso de ofício. Júlio César Vieira Alves - Presidente Thiago Taborda Simões - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1806; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 223 1 222 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 36600.000021/200798 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2402003.436 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de março de 2013 Matéria OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.. Recorrentes DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DE RODAGEM DO ESTADO DO PARANÁ E OUTROS FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1998 a 31/01/1999 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo. Recurso voluntário não conhecido. RECURSO DE OFÍCIO. Ante a reforma de decisão para dar parcial procedência à notificação e declarar o direito ao abatimento das contribuições a cargo da empresa na competência de 01/1999, o Auditor Fiscal decidiu por recorrer de ofício, nos termos do art. 25, § 2º, da Portaria do MPS nº 520/2005. Sendo verificada a necessidade de retificação do débito para excluir as contribuições a cargo do empregador na mencionada competência, negase provimento ao recurso de ofício. Recursos de Ofício Negado e Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 60 0. 00 00 21 /2 00 7- 98 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade e negar provimento ao recurso de ofício. Júlio César Vieira Alves Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (presidente), Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36600.000021/200798 Acórdão n.º 2402003.436 S2C4T2 Fl. 224 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD – lavrada sob o n° 35.729.0488, consolidado em 01/02/2005, com a finalidade de constituir crédito relativo às contribuições previdenciárias a cargo da empresa, inclusive as destinadas ao SAT/GILRAT, e a contribuição dos segurados empregados, decorrente de responsabilidade solidária pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social na contratação de serviços mediante cessão de mão de obra. De acordo com o Relatório Fiscal de Fls. 16/18, o contribuinte – Departamento de Estradas de Rodagem do Estado do Paraná – é tomadora de serviços, contratante de empreiteira – Construtora I.C. Guedes Ltda – a qual, por sua vez, subcontratou a empresa Décio Pacheco e Cia. Ltda. para realização de serviços específicos. O fato gerador das contribuições apuradas foi a mão de obra contida nas notas fiscais de prestação de serviços (fls. 19) emitidas pela empreiteira (Construtora I.C. Guedes Ltda) e, para fins de cálculo da autuação, foram examinados documentos como contrato de empreitada, relatórios contábeis, relatório de notas fiscais de prestação de serviço contabilizadas e guias de recolhimento das prestadoras de serviços. Às fls. 24, foi informado nos autos que a NFLD em análise foi lavrada em substituição à NFLD n° 35.513.8115, julgada nula, conforme acórdão n° 2119/2004, da 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social. Intimadas as empresas envolvidas, às fls. 28/34, a empreiteira – Construtora I.C. Guedes Ltda – apresentou impugnação alegando, em síntese: i) Tratase de autuação que desrespeita o princípio da coisa julgada, uma vez que os fatos geradores em questão já foram objeto de análise em outro processo administrativo, cuja conclusão foi pela nulidade da autuação em razão de vício formal por falta de fundamentação legal; ii) Que a autuação viola os princípios da ampla defesa e do contraditório, por não ter a empresa sido notificada quando do início da fiscalização; iii) Que os recolhimentos foram realizados de forma correta pela empresa Décio Pacheco e Cia Ltda, nos termos da legislação que trata do SIMPLES NACIONAL, uma vez que, à época dos fatos geradores a empresa encontravase enquadrada no referido regime; iv) A empresa Décio Pacheco e Cia Ltda é a única responsável por eventuais diferenças de recolhimentos, sendo a Impugnante responsável secundária. Ao final, requer, em preliminar, a declaração de nulidade da NFLD, vez que contrária ao princípio da coisa julgada e, no mérito, requer a procedência da impugnação para reconhecer o correto recolhimento das contribuições, de acordo com SIMPLES NACIONAL. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 O DER/PR e a Décio Pacheco e Cia Ltda. não apresentaram impugnação e, em apreciação à impugnação de fls 28/34, o Ministério da Previdência Social proferiu acórdão julgandoa improcedente sob os seguintes fundamentos: i) Para se entender o alcance da decisão proferida para a NFLD n° 35.513.8115, necessário entender a diferença entre nulidade e improcedência. A NFLD foi julgada nula por conter vício de forma, mas jamais fora declarada improcedente, persistindo a necessidade de se apurar créditos devidos pelos contribuintes; ii) Não há violação à ampla defesa e ao contraditório uma vez que quando a fiscalização é iniciada, não há certeza de que existirão créditos a serem constituídos nem, muito menos, é possível descobrir quais as empresas responsáveis solidariamente com a fiscalizada para fins de intimação; iii) No mérito, a responsabilidade é solidária a todos os envolvidos na operação, não havendo benefício de ordem ou ordem de cobrança entre os responsáveis; iv) O pedido de produção de provas é descabido, uma vez que realizado em sede de impugnação de forma genérica, desrespeitando o quanto previsto pelo art. 9°, III e IV da Portaria MPS n° 520/2004. Ao final, fora reconhecida a necessidade de retificação do debito e julgou improcedente a impugnação. Todos foram novamente intimados da decisão proferida e, às fls. 64/66, a Construtora I.C. Guedes interpôs recurso à Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CAJ/CRPS, reiterando basicamente os termos da impugnação. Às fls. 70/73, a empresa Décio Pacheco e Cia apresentou recurso alegando que nos períodos de competência da notificação fiscal esta procedeu os recolhimentos das GPS e que, por isso, tais valores devem ser abatidos do crédito previdenciário apurado. Afirma ainda que, em relação à competência 01/1999, houve cobrança a maior do crédito. Ao final, requer a retificação do débito para deduzir os valores efetivamente pagos e correção dos valores referentes à competência 01/1999. Juntou as GPS de recolhimento (Fls. 76/81). Ante os recursos apresentados, às fls. 87/91 foi proferido acórdão julgando a notificação procedente em parte, para retificar o valor dos débitos. Intimados da decisão, a Construtora I.C. Guedes Ltda apresentou novo recurso (Fls. 96/99), alegando que, se à época dos fatos geradores a subempreitada Décio Pacheco recolhera as contribuições como se estivesse enquadrada no SIMPLES NACIONAL, não pode a Recorrente ser responsabilizada por eventuais equívocos de recolhimento. Ao final, requer o desconto dos valores já recolhidos em alíquota diversa do valor total do débito. Ainda, após questionamentos quanto à possibilidade de intimação da empresa Décio Pacheco (em razão de liminar que impossibilitava o prosseguimento do processo administrativo em face da empresa), a mesma foi intimada em 13/12/2006 (Fls. 174) da decisão proferida e, em 16/01/2007, protocolou recurso intempestivo requerendo a dedução do total do débito dos valores já efetivamente pagos pela empresa a título de contribuições. Às fls. 186/188, a Secretaria da Receita Previdenciária – SRP apresentou contrarrazões aos recursos interpostos, alegando, em síntese: Fl. 503DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36600.000021/200798 Acórdão n.º 2402003.436 S2C4T2 Fl. 225 5 i) a intempestividade do recurso da empresa Décio Pacheco; ii) que não houve comprovação dos recolhimentos a menor alegados pela subcontratada; iii) que não é possível constatar se os recolhimentos informados pela subcontratada realmente são referentes aos serviços prestados à DER/PR; Face aos recursos, foi proferida resolução pelo 2° Conselho de Contribuinte (fls. 189/197) a Resolução n° 20500.033, convertendo o julgamento do recurso em diligência, para verificar se o Departamento de Estradas e Rodagem do Estado do Paraná – DER/PR foi devidamente intimado da lavratura da NFLD, vez que não consta nos autos AR juntado, assinatura ou carimbo dos correios. Às fls. 205/207, foi cumprida a diligência para intimar a DER/PR da lavratura do auto em 12/09/2008, abrindo prazo para manifestação. Em 17/10/2008 (Fls. 209) a DER/PR interpôs recurso intempestivo (Fls. 210/211) alegando apenas a decadência do direito de lançar, nos termos da Súmula n° 8, STF. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento do recurso (Fls. 249). É o relatório. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Thiago Taborda Simões, Relator Do Recurso Voluntário A Recorrente foi intimada de decisão em 12/09/2008, conforme se verifica às fls. 206, e apresentou recurso voluntário em 17/10/2008 (fls. 209), portanto, após findo o prazo para apresentação do mesmo. O parágrafo primeiro do art. 305 do Decreto n. 3.048/99 estabelece o prazo para a apresentação de recurso contra decisão do INSS de interesse dos contribuintes e este, após alteração trazida pelo Decreto n. 4.729/03, é de 30 (trinta) dias. Conforme dispõe o art. 23, II, do Decreto n. 70.235/72, a intimação via postal demanda apenas que haja prova do recebimento no domicílio tributário do sujeito passivo, exatamente na forma ocorrida nos presentes autos: “Art. 23. Farseá a intimação: II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...)” Assim, o recurso apresentado pela interessada foi intempestivo, não sendo possível o seu conhecimento por ausência de cumprimento do requisito de admissibilidade. Do Recurso de Ofício Ante a reforma de decisão para dar parcial procedência à notificação e declarar o direito ao abatimento das contribuições a cargo da empresa na competência de 01/1999, o Auditor Fiscal decidiu por recorrer de ofício, nos termos do art. 25, § 2º, da Portaria do MPS nº 520/2005. Sendo verificada a necessidade de retificação do débito para excluir as contribuições a cargo do empregador na mencionada competência, voto pelo não provimento do recurso de ofício. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 36600.000021/200798 Acórdão n.º 2402003.436 S2C4T2 Fl. 226 7 Conclusão Por todo o exposto, voto pelo não conhecimento do recurso voluntário da Recorrente e pelo não provimento do Recurso de Ofício. É como voto. Thiago Taborda Simões Fl. 506DF CARF MF Impresso em 21/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 04/06/20 13 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 20/06/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13839.001804/2003-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1998
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA -
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - IMPROCEDÊNCIA - Se a
fundamentação do ato decisório de primeira instância, embora sucinta, permite ao contribuinte o pleno conhecimento das razões que levaram ao indeferimento de seu pleito, é de se afastar qualquer nulidade por conta de suposto cerceamento de direito de defesa.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL - A Lei n° 9.430,
de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento.
APLICAÇÃO SÚMULA 182 TFR - Aplica-se ao lançamento a legislação
que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO - As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao
sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais.
LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DA LEI - Não compete à
Autoridade Administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS -
As decisões administrativas e judiciais invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre
inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade.
PEDIDO DE PERÍCIA - O pedido de perícia e diligência tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, não podendo ser utilizada para a produção de provas que o recorrente deveria trazer à colação junto com sua peça recursal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2201-000.355
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara
da Segunda Seção Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Eduardo Tadeu Farah
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13839.001804/2003-76 Recurso n° 161.608 Voluntário Acórdão n° 2201-00.355 — 2a Câmara / i a Turma Ordinária Sessão de 30 de julho de 2009 Matéria IRPF - Ex(s).: 1999 Recorrente RONUALDO NICOLETTI Recorrida 2 TURMA/DRJ/BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - IMPROCEDÊNCIA - Se a fundamentação do ato decisório de primeira instância, embora sucinta, permite ao contribuinte o pleno conhecimento das razões que levaram ao indeferimento de seu pleito, é de se afastar qualquer nulidade por conta de suposto cerceamento de direito de defesa. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL - A Lei n° 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. APLICAÇÃO SÚMULA 182 TFR - Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ARGÜIÇÃO DE EFEITO CONFISCATÓRIO - As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindo-se antes em instrumento de desestímulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DA LEI - Não compete à Autoridade Administrativa de qualquer instância o exame da , ' Processo n° 13839.001804/2003-76 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00355 Fl. 2 legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. JUDICIAIS. DOUTRINA. EFEITOS - As decisões administrativas e judiciais invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise e vinculam as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. A doutrina reproduzida não pode ser oposta ao texto explicito do direito positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. PEDIDO DE PERÍCIA - O pedido de perícia e diligência tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, não podendo ser utilizada para a produção de provas que o recorrente deveria trazer à colação junto com sua peça recursal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seyão Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares e, no merito, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. % MOISÉS • , ' - ILVA, I - .idente lowir EDUARDO TA P, FARAH - Rel :tor FORMALIZADO EM: 28 SET 009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros P dro Paulo Pereira Barbosa, Edgar Silva Vidal (Suplente convocado), Eduardo Tadeu Far. , Renato Coelho Borelli (Suplente convocado), Núbia Moreira Barros Mazza (Suplente c• vocada) e Moisés Giacomelli Nunes da Silva (Presidente em exercício). 2 Processo n° 13839.001804/2003-76 52-C2T1 Acórdão n.° 2201-00355 Fl. 3 Relatório Ronualdo Nicoletti recorre a este conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 2 a . TURMA DRJ — BELO HORIZONTE/MG, pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário de fls. 300 a 312. Trata-se de exigência de IRPF com valor total de R$ 2.504.913,48, já incluído os acréscimos legais cabíveis, calculados até 30 de maio de 2003. A infração apurada pela fiscalização foi omissão de rendimentos em face de depósitos bancários de origem não comprovada. Cientificado do auto de infração, em 21 de julho de 2003 (fl. 211), o recorrente interpôs impugnação (fls. 214/232), sustentando, em síntese: a) que dos atos processuais e da decisão que vier a ser prolatada seja cientificado também o advogado no endereço indicado; b) que até a autoridade autuante não tem como certo que os depósitos carreados às contas do autuado, no curso do ano de 1998, sejam decorrentes de "rendimentos". E que o mesmo ocorrerá com a autoridade julgadora de primeira instância; c) que embora aparentemente acobertado pelo art. 42, da Lei n° 9430/1996, não pode ter o caráter de presunção 'jure et júris" ou, em outros termos, não pode a simples dificuldade de comprovação da origem dos depósitos ser erigidas em fato gerador do imposto de renda; d) que qualquer pessoa que, por força de sua atividade profissional, recebe valores de clientes, ou de terceiros para determinados fins, justamente por não adotar escrituração regular, terá dificuldade de comprovar, depois de alguns anos, a origem desses depósitos; e) que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (art. 43 do CTN), assim compreendido, o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; f) que não possuía, em 31 de dezembro de 1998, qualquer aplicação financeira; g) expõe a sua evolução patrimonial, desde 1997, como consta das declarações de rendimentos; h) parcos foram seus rendimentos. Como não houve aumento de seu patrimônio e tampouco sinal exterior de riqueza, conclui-se que os valores depositados não têm origem em rendimentos do autuado; / 3 Processo n° 13839.001804/2003-76 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.355 Fl. 4 1) o que se verifica é uma situação de quase insolvência civil, além do estado pré-falimentar da sociedade da qual o autuado faz parte; j) alega que intermediava operações de importação de pequenos equipamentos industriais. Os valores entregues eram representados, na maior parte, pelos cheques que os pequenos industriais ou comerciantes recebiam de seus variados clientes e turistas de várias cidades que visitavam a região; A DRI proferiu Acórdão n° 01-8.016, mantendo integralmente o lançamento, do qual se extrai resumidamente: O CTN, em seu art. 113, preceitua que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, e este, consiste na situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência, conforme disposto no art. 114 do mesmo diploma legal. Os artigos 43, 44 e 45 do CTN definem o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o art. 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montante. O que se tributa, não são os depósitos bancários, mas a omissão de rendimentos por ele representada. O indício da existência de omissão de rendimentos se transforma na prova de omissão, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazê-lo, ou não o faz satisfatoriamente. A Lei n° 9.430/1996 em seu art. 42 estabeleceu, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o , titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Estéril invocar a Súmula 182, do extinto Tribunal Federal de Recursos, pois a partir de 1°/01/1997, quando passou a vigorar o artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, é legalmente possível considerar o depósito bancário como receita ou rendimento omitido. No âmbito da instância administrativa, não cabe discutir aspectos referentes à constitucionalidade da LC n° 105/2001 e demais dispositivos. Incumbe exclusivamente ao Poder Judiciário a apreciação e a decisão sobre questões referentes à constitucionalidade de lei ou ato normativo. Em relação ao requerimento do autuado, para que as intimações fossem enviadas também para o endereço do seu procurador, essa rega prevista no CPC não se aplica aos processos fiscais, no âmbito da administração Tributária, relativamente aos tributos federais, administrados pela Secretaria da Receita Federal, tendo em vista a existência de regra específica. A intimação da exigência deve ser feita conforme art. 23, do Decreto n° 70.235/1972. r 4 Processo n° 13839.001804/2003-76 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.355 Fl. 5 Cientificado da decisão de primeira instância, Ronualdo Nicoletti apresenta Recurso Voluntário, alegando, resumidamente: a) que as provas carreadas aos autos não foram apreciadas pela autoridade julgadora de primeira instância, ensejando cerceamento de defesa; b) que, por meio das certidões fornecidas pelo Poder Judiciário, existem ações de execuções, que se atualizadas, ultrapassam a cifra de R$ 1.000.000,00, demonstrado, desta forma, que não ocorreu aumento de patrimônio e nem recebeu rendimentos exorbitantes; c) que grande parte dos depósitos não declarados são aqueles em que os credores ingressaram com ações de execuções, assim os referidos valores não pertencem ao contribuinte; d) que o fato de não ter condições de demonstrar, senão por perícia, o nexo entre os depósitos realizados nas suas contas correntes e os respectivos depositantes, não enseja omissão de receita; e) que a pessoa física não está obrigada a manter escrituração e nesse caso, recebeu valores de clientes e terceiros para determinados fins, e por isso, não demonstrou a origem destes depósitos; f) que o imposto de renda tem como fato gerador a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (art. 43 do CTN), assim compreendido, o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; g) que ao final de 1998, seu saldo era negativo e que inexistiram saques ou retiradas vultosas, razão pela qual não houve aumento de patrimônio; h) os valores lançados nos extratos como omissão de receita contraria a Súmula 182 do TFR; i) inaplicável o art. 42, da Lei n ° 9.430/1996, visto que, ainda que parcialmente houve comprovação da origem dos recursos depositados, através da indicação da evolução negativa do patrimônio e das ações judiciais de créditos/depósitos realizados nas contas correntes. Assim, tendo ocorrido o fato gerador do tributo anteriormente à vigência da Lei n° 9.430/1996 é inviável sua aplicação retroativa; j) que não existe prova de que o recorrente auferiu a vultosa quantia relativa à somatória dos valores depositados em suas contas correntes; 1) insurge-se contra a aplicação da multa de 75%, por considerá-la confiscatória, o que é vedado pela Constituição; m) requer a conversão do julgamento em diligência a fim de se proceder à perícia para constar que os depósitos bancários havidos nas contas correntes do recorrente foram realizados por credores que ajuizaram ações executivas, caso seus argumentos não sejam aceitos. É o relatório. 1,0 5 Processo n° 13839.001804/2003-76 S2-C2TI Acórdão n.° 2201-00.355 Fl. 6 VOO Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Preliminares Cerceamento do Direito de Defesa Pelo que se depreende do exame do julgamento de primeira instância todos os questionamentos efetuados por ocasião da impugnação foram analisados e fundamentados em todas as matérias, concluindo, a turma revisora, pela a manutenção da exigência. Desta forma, a decisão proferida pela Delegacia de Julgamento encontra-se revestida de legalidade não podendo ser invalidada sem provas, demonstrando de forma clara e objetiva sua improcedência. Importa acrescer que o lançamento em apreço trata-se de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada e seu efeito prático é a presunção legal, onde há inversão do ônus da prova, ficando a autoridade lançadora dispensada de provar, cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção relativa, demonstrar, através de prova, que o fato apontado pela fiscalização não existe. Ademais, as causas de nulidade previstas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, restringem-se, no tocante ao auto de infração, à lavratura por servidor incompetente e, quanto às decisões, às proferidas com preterição do direito de defesa. Ressalta- se também o art. 60 do referido Decreto. Art. 59 - São nulos: 1— os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II — os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60 — As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Faz-se mister esclarecer que é livre a convicção do julgador na apreciação das provas, de conformidade com os arts. 131 e 332 do Código de Processo Civil e o art. 29 do Decreto n° 70.235/1972. Assim sendo, descabe falar em nulidade do lançamento pelos motivos alegados. / (4\ 6 Processo n° 13839.001804/2003-76 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00355 Fl. 7 Pedido de Diligências Propugna, ainda, o recorrente por diligências, a fim de que se demonstre que os depósitos bancários havidos nas contas correntes referem-se, na verdade, a valores relativos às ações executivas ajuizadas por seus credores. O Processo Administrativo Fiscal prevê a possibilidade do referido procedimento, por força do disposto no art. 16, III e 40, que foi acrescido ao artigo 16 do Decreto n°70.235, de 1972, pelo artigo 67 da Lei n°9.532, de 10 de dezembro de 1997: Art. 16. A impugnação mencionará: III — os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e provas que possuir; IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1° Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (..) §4" - A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. De acordo com o disposto no artigo acima transcrito, o pedido de diligência ou perícia deve expor os motivos que a justifiquem e conter a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e o parágrafo primeiro, deste mesmo artigo 16, determina que se considere não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender a estes requisitos. No presente caso, deveria a contribuinte identificar os fatos que fundamentam o referido pedido, de tal forma a demonstrar a necessidade objetiva da diligência. A simples alegação genérica não pode ser considerada suficiente para autorizar o pedido de diligência na forma do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972. I 45 v,4 7 Processo n° 13839.001804/2003-76 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.355 Fl. 8 Aliás, a realização de perícias e diligências tem por finalidade a elucidação de questões que suscitem dúvidas para o julgamento da lide, não podendo ser utilizada para a produção de provas que o recorrente deveria trazer à colação junto com sua peça recursal. Deste modo, por considerar que os elementos trazidos aos autos são suficientes para o deslinde da questão controversa, indefere-se o pedido de perícia por entendê- la desnecessária, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972. Mérito Omissão de Rendimentos. Lançamento com Base Em Depósitos Bancários/Origem Sustenta o recorrente que os depósitos bancários, por si só, não configura o ato de auferir renda e proventos de qualquer natureza e, ainda, que a lavratura do Auto de Infração baseou-se em presunções de que o simples depósito constitui renda tributável. Prossegue o recorrente com seu inconformismo, alegando que não existe prova de que auferiu a vultosa quantia relativa à somatória dos valores depositados em suas contas correntes, asseverando, ainda, que apesar da elevada movimentação financeira, não recebeu qualquer rendimento que não fosse oferecido à tributação, razão pela não houve qualquer aumento em seu patrimônio. Há de se tecer, inicialmente, um breve histórico da legislação sobre a tributação de depósitos bancários, para que se possa aclarar o entendimento que o recorrente demonstra sobre esta forma de tributação. O ato legal que primeiramente autorizou a utilização de depósitos bancários injustificados para arbitramento de omissão de rendimentos foi a Lei n°. 8.021, de 12 de abril de 1990, que assim dispõe em seu art. 6° e parágrafos: Art. 6. °. O lançamento de oficio, além dos casos já especificados em lei, far-se-á arbitrando-se os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. §5. ". O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) O texto legal, portanto, permitiu o arbitramento dos rendimentos omitidos, utilizando-se depósitos bancários injustificados, desde que demonstrados sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível. / 8 Processo n° 13839.001804/2003-76 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.355 Fl. 9 Percebe-se claramente que na vigência da Lei n°. 8.021/1990, o fato que permitia presumir a renda omitida eram os sinais exteriores de riqueza, e não os depósitos bancários injustificados, mero instrumento de arbitramento. Porém, a partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei n°. 8.021/1990. A partir da edição da Lei n° 9.430/1996 (alteração introduzida pelo art. 40 da Lei n 9.481/1997) foi possível à tributação com base em depósitos bancários, contudo, não havia a necessidade de se demonstrar sinais exteriores de riqueza. É o que prevê o art. 42 da Lei n° 9.430/1996: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (.) Como se depreende da leitura do dispositivo legal acima, o legislador estabeleceu, a partir da edição da Lei n° 9.430/1996, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, os valores tornam-se sujeitos à tributação, por presunção legal de omissão de rendimentos. O contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável, invertendo, portanto, o ônus da prova, característica das presunções relativas, que admite prova em contrário. A utilização da figura jurídica da presunção legal para fins de encontrar a renda omitida, está em perfeita consonância com os dispositivos legais constante na legislação pátria. No processo tributário administrativo as provas obedecem às disposições estabelecidas no Código Civil. É o que se extrai do art. 212, IV, do referido Código: Art. 212. Salvo o negócio a que se impõe forma especial, o fato jurídico pode ser provado mediante: 1- confissão; - documento; III - testemunha; IV - presunção; V - perícia. (grifei) Apego-me essencialmente ao fato de que, a presunção constitui um instrumento direcionado à facilitação do trabalho de investigação fiscal, justamente em razão das dificuldades impostas à identificação dos fatos econômicos dos quais participou o recorrente. Existe normalmente uma grande quantidade de ações e negócios não formais efetuados pelo contribuinte, na maioria das vezes marcada pela inexistência de prova documental, razão pela qual a lei desincumbiu a autoridade fiscal de provar sua ocorrência. Não tem sentido a autoridade fiscal constituir prova de um fato presumido. \ 9 Processo n° 13839.001804/2003-76 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00355 Fl. 1 0 Assim, não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, tem-se a autorização para considerar ocorrido o fato gerador, na forma do artigo 43 do Código Tributário Nacional: Art. 43 - O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § I o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp n°104, de 10.1.2001); Em face de ausência de esclarecimentos da origem respectiva, a fiscalização considerou como efetiva a disponibilidade econômica representada pelos créditos bancários. Assim, a base de cálculo do imposto é o montante apurado pela fiscalização, na forma do artigo 44 do Código Tributário Nacional: Art. 44 - A base de cálculo do imposto é o montante, real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. (grifei) Assim, diferentemente do que prega o recorrente, o fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, não sendo necessária a comprovação, por parte do Fisco, de que os valores depositados representaram acréscimo em seu patrimônio. Portanto, não comprovada a origem dos depósitos levantados pelo Fisco, os mesmos foram presumidos como rendimentos auferidos pelo autuado no ano-calendário em apreço. Assim tem decidido o Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme ementa a seguir transcrita: OMISSÃO DE RENDIMENTOS - LANÇAMENTO COM BASE EM VALORES CONSTANTES EM EXTRATOS BANCÁRIOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI N°. 9.430, DE 1996- Caracteriza omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Matéria já assente na CSRF. (Data da Sessão: 23/04/2008 - Acórdão 104- 23130) / (#4 io Processo n° 13839.001804/2003-76 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.355 Fl. 11 Esse também é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, consoante a ementa destacada: DEPÓSITO BANCÁRIO — OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Caracterizam omissão de rendimentos valores creditados em conta bancária mantida junto a instituição financeira quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.(D ata da Sessão: 12/06/2006 - CSRF/04-00.259) Em apertada síntese alega o recorrente que restou demonstrado nos autos, que não ocorreu aumento de patrimônio nem rendimentos exorbitantes, coligindo em sua peça recursal, uma série extratos relativos às ações judiciais em trâmite na comarca de Águas de Lindóia — SP, que, segundo afirma, representa diversas ações de execuções ultrapassando a cifra de R$ 1.000.000,00. Da análise das certidões judiciais carreadas pelo suplicante, verifico, pois que a mesma refere-se a processos, em sua maioria, relativo à execução apresentando como requerido o contribuinte, entretanto, pela análise de tais documentos, não é possível identificar a data da operação e a quais depósitos/créditos bancários se refere. Frise-se, ainda, que as certidões judiciais informadas pelo recorrente não tem o condão de considerar como comprovado os valores apurados pela fiscalização, pois, em verdade, nada esclarece. Por fim, não procede a alegação do recorrente que os fatos geradores ocorreram antes da vigência da Lei n° 9.430/1996, visto que os depósitos/créditos apurados pela fiscalização referem-se ao ano-calendário de 1998. Assim, meras alegações, desacompanhadas de provas, não podem ser contrapostas aos levantamentos efetuados pelo Fisco. Destarte, o ônus da prova deve ser do recorrente. Assim, deve ser mantida integralmente a exigência. Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos O recorrente alega que "(..) conforme Súmula 182 do TFR é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários". Inicialmente, deve ser esclarecido que ao lançamento aplica-se a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das Autoridades Administrativas, nos termos do art. 144, §1°, do CTN: /4\ 11 Processo n° 13839.001804/2003-76 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00355 Fl. 12 Art. 144. O lançamento reporta-se a data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. 1' Aplica-se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. A exigência tributária em exame já era possível desde a vigência da Lei n° 9.430, de 1996, que passou a caracterizar como rendimentos omitidos, por presunção legal, os depósitos bancários sem origem comprovada. Desta forma, não há que se cogitar da aplicação do disposto na Súmula 182 do extinto Tribunal Federal de Recursos, posto que o entendimento esposado nessa Súmula restou inteiramente superado pela entrada em vigor da Lei n° 9.430/1996, que tornou lícita a utilização de depósitos bancários de origem não comprovada como meio de presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos. Multa Aplicada — Caráter Confiscatório No tocante à multa de oficio que o Recorrente considera confiscatória, encontra-se a mesma prevista e quantificada expressamente em lei, descabendo à autoridade administrativa deixar de aplicá-la quando ocorrida à infração nela tipificada ou atenuar-lhe os efeitos, sem expressa autorização legal nesse sentido, visto que a atividade administrativa é plenamente vinculada, consoante ao disposto no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Em relação à aplicação da penalidade o artigo 44, da Lei n° 9.430/1996, determina: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1— de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. (.) I vf ,‘1 12 Processo n° 13839.001804/2003-76 S2-C2T1 Acórdão n.° 2201-00.355 Fl. 13 O confisco, como limitação ao poder de tributar do legislador ordinário, estabelecido na Constituição Federal, art. 150, IV, refere-se a tributo e não às penalidades por infrações que são distintos entre si, por definição legal. Destarte, a aplicação de multa de oficio encontra-se amparo no diploma legal transcrito, só podendo ser dispensada ou reduzida nas hipóteses previstas em lei. Arguição de Inconstitucionalidade Falece competência à Autoridade Administrativa apreciar inconstitucionalidade de leis ou atos normativos, cabendo-lhe apenas observar a legislação em vigor. Os mecanismos de controle de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário, o qual detém, com exclusividade, tal prerrogativa. Neste sentido, convém lembrar a Súmula n° 2, do 1° Conselho de Contribuintes: "O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Decisões Administrativas, Judiciais e Doutrinas Citadas O contribuinte acrescenta ao Recurso Voluntário, diversas doutrinas, decisões administrativas e judiciais, como argumentos de combate ao lançamento. Contudo, a doutrina transcrita não pode ser oposta ao texto explícito do direito positivo, sobretudo em se tratando do direito tributário brasileiro, por sua estrita subordinação à legalidade. As decisões administrativas e judiciais invocadas, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Assim, seus efeitos não podem ser estendidos genericamente a outros casos, somente se aplicam à questão em análise vinculando, apenas, as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do STF sobre inconstitucionalidade de lei, que não é o caso dos julgados transcritos. Ante o exposto, voto por REJEITAR as preliminares e no mérito NEGAR provimento ao recurso. Sala das essões, em 30 de julho de 2009 EDu rikWr • D • • DEU FARAH - R r• ator 13
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Numero do processo: 11634.001668/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
SIGILO BANCÁRIO. INFORMAÇÕES CEDIDAS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À GARANTIA FUNDAMENTAL.
Incabível a alegação de quebra de sigilo bancário quando as informações nas quais se fundamenta o lançamento tributário são entregues espontaneamente pelo contribuinte.
OMISSÃO DE RECEITA. DEMOSNTRAÇÃO ANALÍTICA. INTIMAÇÃO FISCAL NÃO ATENDIDA. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO.
É necessária a prévia intimação do contribuinte para que esclareça qual a origem dos recursos que transitaram em sua conta bancária, com relação analítica dos valores, antes que se conclua pela omissão de receitas. No caso dos autos, foi atendido esse requisito.
ÔNUS DA PROVA. FATO IMPEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DEVER DO CONTRIBUINTE. INOBSERVÂNCIA. .
Cabe ao contribuinte o ônus da prova quanto aos fatos impeditivos, modificativos e extintivos da alegação do agente fiscal.
DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Nos termos do processo administrativo fiscal, o julgador pode indeferir as diligências e perícias requeridas quando entendê-las desnecessárias para a solução da lide.
AUTO DE INFRAÇÃO. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS. LEGALIDADE.
Nos termos do art. 9º do Dec. 70.235/72, a exigência do crédito tributário deve ser formalizado em auto de infração distinto para cada tributo. A multa de ofício e os juros podem ser incluídas no mesmo auto de infração que o principal.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA 2 DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1302-001.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
EDITADO EM: 26/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SI
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator. EDITADO EM: 26/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SI
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INFORMAÇÕES CEDIDAS PELA CONTRIBUINTE. INEXISTÊNCIA DE OFENSA À GARANTIA FUNDAMENTAL. Incabível a alegação de quebra de sigilo bancário quando as informações nas quais se fundamenta o lançamento tributário são entregues espontaneamente pelo contribuinte. OMISSÃO DE RECEITA. DEMOSNTRAÇÃO ANALÍTICA. INTIMAÇÃO FISCAL NÃO ATENDIDA. PROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. É necessária a prévia intimação do contribuinte para que esclareça qual a origem dos recursos que transitaram em sua conta bancária, com relação analítica dos valores, antes que se conclua pela omissão de receitas. No caso dos autos, foi atendido esse requisito. ÔNUS DA PROVA. FATO IMPEDITIVO, MODIFICATIVO OU EXTINTIVO. DEVER DO CONTRIBUINTE. INOBSERVÂNCIA. . Cabe ao contribuinte o ônus da prova quanto aos fatos impeditivos, modificativos e extintivos da alegação do agente fiscal. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Nos termos do processo administrativo fiscal, o julgador pode indeferir as diligências e perícias requeridas quando entendêlas desnecessárias para a solução da lide. AUTO DE INFRAÇÃO. OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS. LEGALIDADE. Nos termos do art. 9º do Dec. 70.235/72, a exigência do crédito tributário deve ser formalizado em auto de infração distinto para cada tributo. A multa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 16 68 /2 01 0- 14 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 2 de ofício e os juros podem ser incluídas no mesmo auto de infração que o principal. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCONSTITUCIONALIDADE. OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA 2 DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. EDITADO EM: 26/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO DE ANDRADE (Presidente), MARCIO RODRIGO FRIZZO, CRISTIANE SILVA COSTA, LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SI Fl. 606DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11634.001668/201014 Acórdão n.º 1302001.127 S1C3T2 Fl. 606 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, interposto em face do Acórdão da 3ª Turma da DRJ/RPO, que manteve o lançamento do crédito tributário no valor de R$ 571.647,57, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, julgando improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte contra o Auto de Infração de fls. 554/566. O presente processo tem origem no Mandado de Procedimento Fiscal n.º 0910200.2010.005316, cujo objetivo, após a constatação de movimentação de recursos financeiros não declarados, era fiscalizar o cumprimento das obrigações tributárias correspondentes, relativas aos anoscalendário de 2006 a 2009. Foram expedidas intimações solicitando informações e documentos (fls. 46, 248249, 252253 e 260412), o que foi parcialmente atendido pela recorrente. De posse das informações apresentadas, o auditor fiscal efetuou o lançamento de ofício de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS, IPI e Contribuição para a Seguridade Social – INSS no valor total de R$ 1.261.505,37, fundamentandose na constatação de diferenças injustificadas entre as receitas declaradas e os valores de créditos verificados em contas bancárias da recorrente. Melhor esclarecendo. Sendo apurada uma movimentação financeira incompatível com os valores declarados pela recorrente à RFB, iniciouse a Ação de Verificação Fiscal em 27/04/2010, ficando a recorrente intimada a apresentar uma série de informações e documentos, dentre livros fiscais e de escrituração contábil, comprovante de recolhimento de tributos (DARF) e extratos bancários, os quais constam de fls. 8/244. Assim, verificada diferenças (créditos de origem desconhecida) entre os valores das Receitas Declaradas no SIMPLES e os depósitos (discriminadas na tabela 1 das fls. 261/262), constantes nos extratos apresentados do Banco do Brasil, Itaú, Real, Bradesco, SICOOB e HSBC (tabela 2, fls. 262/411), a recorrente foi intimada, através do Termo de Intimação Fiscal 03 (fls. 260), a esclarecer as discrepâncias apontadas, comprovando a origem e natureza das operações que originaram os créditos. Não havendo resposta ao Termo de Intimação Fiscal 03, o AFRFB considerou que houve omissão de receitas pela recorrente. O presente processo é resultado do encerramento parcial da Ação Fiscal, com o objetivo constituir os tributos não recolhidos pela recorrente sobre a receita omitida no anocalendário de 2006. A apuração foi feita de acordo com o Simples Federal (Lei 9.317/96), conforme tabela abaixo (fls. 418/419): Fl. 607DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 4 A exclusão da recorrente do regime do Simples apenas ocorreu em relação ao anocalendário de 2007 em diante, uma vez que a receita omitida somada à receita declarada ultrapassa o limite de receita permitida. Em tempo, o crédito tributário apurado no ano calendário de 2007 a 2009 foi constituído nos autos n. 11634.001688/201095 Desta forma, o Auto de Infração lavrado lançou os seguintes créditos tributários relativamente ao anocalendário de 2006 (fls. 556): Fl. 608DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11634.001668/201014 Acórdão n.º 1302001.127 S1C3T2 Fl. 607 5 Intimada da constituição do crédito tributário em seu desfavor em 22/12/2010 (fl. 501), a recorrente apresentou impugnação em 25/01/2011 (fl. 502), requerendo, em síntese, a desconstituição do crédito tributário lançado, ou, em assim não se entendendo, a realização de perícia em seus lançamentos bancários. A Terceira Turma de Julgamento da DRJ/RPO declarou improcedente a impugnação, proferindo o Acórdão nº 1436.008 (fls. 554/566) e, portanto, mantendo o crédito tributário lançado, com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A arguição de inconstitucionalidade não pode ser oponível na esfera administrativa, por transbordar os limites de sua competência o julgamento da matéria, do ponto de vista constitucional. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. As alegações apresentadas na impugnação devem vir acompanhadas das provas documentais correspondentes, sob risco de impedir sua apreciação pelo julgador administrativo. LANÇAMENTOS DE TRIBUTOS E MULTAS PROPORCIONAIS. REQUISITO LEGAL. ATENDIMENTO. MULTAS ISOLADAS. INOCORRÊNCIA. Válidos os lançamentos que observam o requisito legal que prescreve a necessidade de autos de infração distintos para cada tributo, assim como para cada multa isolada lançada, a qual não ocorreu na espécie. PEDIDO DE PERÍCIA NEGADO. É de se rejeitar pedido pela realização de perícia quando não confirmada a alegação que o sustentou, mormente quando a matéria em julgamento não demanda conhecimento técnico específico que não seja da competência das autoridades fiscais. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 609DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 6 Anocalendário: 2006 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. DEMONSTRAÇÃO DOS REQUISITOS PARA ACESSAR INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. DESNECESSIDADE. A necessidade de demonstração dos requisitos para acessar informações bancárias da contribuinte só se aplica nos casos em que tais informações são requisitadas diretamente às instituições financeiras, não havendo que se falar em “quebra” de sigilo quando a própria fiscalizada atende a intimação fiscal para a apresentação de seus extratos bancários. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. DETERMINAÇÃO DA RECEITA OMITIDA. DEMONSTRAÇÃO ANALÍTICA INDIVIDUALIZADA. REQUISITO LEGAL. ATENDIMENTO. É válido o procedimento de auditoria fiscal que, ao determinar a receita omitida com fundamento em presunção legal, observa o requisito de demonstração analítica individualizada dos créditos bancários, por ocasião da intimação fiscal que requer sua comprovação. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. ALÍQUOTAS MAJORADAS. LANÇAMENTOS DAS DIFERENÇAS APURADAS. VALORES RECOLHIDOS. ABATIMENTO. Correto é o lançamento em que os valores recolhidos a título de Simples Federal foram utilizados para abatimento dos valores devidos em face das diferenças apuradas considerandose a omissão de receitas, obtidos a partir da aplicação das alíquotas majoradas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PRESCRIÇÃO LEGAL. A multa de oficio e os juros de mora aplicados nos lançamentos têm previsão legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão da DRJ em 17/01/2012 (fl. 568), a recorrente apresentou recurso voluntário em 07/02/2012 (fl. 569), aduzindo em síntese: Fl. 610DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11634.001668/201014 Acórdão n.º 1302001.127 S1C3T2 Fl. 608 7 A) PRELIMINARMENTE i) Inexistente quebra de sigilo bancário: A recorrente alega que foi coagida à entrega das informações bancárias requeridas pela autoridade fiscal, com receio de ser penalizada, pelo que as mesmas não poderiam ser utilizadas para o lançamento tributário; Pondera que seu sigilo de dados é direito e garantia fundamental assegurado pelo art. 5, X e XII, da CF, e que se aplica ao mesmo o princípio da reserva de jurisdição, necessitando de ordem do Poder Judiciário para sua quebra; Requer que seja declarada a ilegalidade do auto de infração por fundamentarse em prova obtida por meio ilícito. ii) Ofensa ao Decreto n.º 3.724/01 Argumenta que, inobstante os argumentos do tópico anterior, o Decreto 3.724/01 exige que a presença de requisitos para que a RFB possa acessar informações bancárias do contribuinte, os quais não se preencheram, eivando de vício insanável o crédito tributário lançado; Pondera que a decisão da DRJ reconheceu a falta de comprovação do preenchimento de tais requisitos, muito embora esta afirma que tais requisitos só são imprescindíveis quando o acesso a tais informações se faz junto às instituições financeiras; B) DO MÉRITO i) Da busca da verdade real. Da ausência de demonstração analítica dos lançamentos bancários considerados como omissão – Ofensa ao art. 287 do RIR/99 e art. 9º, do Dec. 70.235/72. Do cerceamento de defesa. Argumenta que a autoridade fiscal deveria demonstrar de forma analítica e individual cada lançamento bancário considerado receita omitida, conforme o art. 287, do RIR/99, o que não ocorreu, em prejuízo ao princípio da verdade material, ampla defesa e ao contraditório; Aponta que apenas um resumo dos lançamentos bancários é apresentado pela autoridade fiscal, não sendo possível que se identifique quais operações não representam omissão de receita e assim foram consideradas, havendo cerceamento de sua ampla defesa e contraditório, consoante art. 9º, do Dec. 70.235/72. Fl. 611DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 8 ii) Da ofensa ao art. 18 do Decreto n.º 70.235/72 e da efetiva contabilização da movimentação bancária exclusivamente na conta caixa Afirma a recorrente que promoveu a devida contabilização integral de sua movimentação bancária através de sua conta caixa, demonstrando o alegado através de seus balancetes; Por consequência, estando contabilizadas integralmente suas operações bancárias, alega que não cabe a aplicação do art. 42, da Lei n.º 9.430/96, pois os depósitos bancários apontados tem origem em sua conta caixa; Alega que caberia ao fisco o ônus da prova, através de auditoria na conta caixa, de que existem suprimentos fictícios que caracterizariam omissão de receitas; Sustenta que não se observou o princípio da oficialidade, com ofensa ao princípio da verdade material e ao art. 18, da Lei 70.235/72. Juntou doutrina e jurisprudência. iii) Do indeferimento de perícia Reafirma a impossibilidade de identificar o que se considerou omissão de receita uma vez que não houve análise de lançamento a lançamento bancário, ônus do qual cabia a autoridade fiscalizadora; Fundamenta que o art. 36, do Decreto 7.574/11, prevê a requisição de perícia e que, quando presentes os requisitos inerentes, a autoridade fiscalizadora não tem a discricionariedade de indeferila, se solicitada; Alega que houve o preenchimento de todos os requisitos legais para o deferimento do pedido de perícia e que seu indeferimento cerceia a ampla defesa. Requer, ao fim, a realização de perícia, indicando perito. iv) Da exigência de autos de infração segregados por tributo e multa Com base no art. 9º, do Decreto n.º 70.235/72, alega a necessidade de se lavrar autos de infração separados para cada tributo e cada multa; Requer a declaração da inexigibilidade do auto de infração por desrespeito a formalidade legal. v) Multa e juros abusivos. Configuração de confisco e contrariedade ao princípio da capacidade contributiva Fl. 612DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11634.001668/201014 Acórdão n.º 1302001.127 S1C3T2 Fl. 609 9 Argumenta pelo desrespeito aos princípios da razoabilidade, da segurança jurídica e da capacidade contributiva em face dos valores cobrados a título de juros e multas; Se volta ao percentual da multa de ofício, de 75%, apontando como confiscatória, cabendo sua redução; Com relação aos juros, aduz que a legislação civil prevê que os juros de mora, quando não convencionados, devem ser de 6% ao ano, requerendo a redução dos juros aplicados através do auto de infração. É o relatório. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 10 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Da Preliminar de inexistência de quebra de sigilo bancário e contrariedade aos princípios constitucionais. Da ausência ofensa ao decreto n.º 3.724/01 Como bem fundamentou a DRJ em sua análise, não há que se falar em quebra de sigilo bancário da recorrente, pois as informações bancárias (extratos) de que se valeu o AFRFB, para realizar o lançamento do crédito tributário, foram por ela mesma fornecidas através de atendimento à intimação fiscal. Muito embora esta turma entenda pelo sobrestamento de processos que tratam da discussão da aplicação da Lei Complementar 105/01 até que se manifeste definitivamente a Suprema Corte, que está apreciando a constitucionalidade desta por meio do regime da repercussão geral (tema 225), tal entendimento não se aplica ao presente caso. Não há que se falar em quebra do sigilo bancário na forma que prevê a Lei Complementar 105/01, uma vez que as informações bancárias foram cedidas pela própria recorrente. A garantia do sigilo de dados, dentro os quais se encontra o bancário, é uma proteção à pessoa física ou jurídica contra a investidas de terceiros. Nada impede, todavia, que o próprio indivíduo revele seus dados bancários a quem lhe questione, conduta esta que deve ser precedida de meditação acerca da legitimidade e legalidade do requerimento. Por isso, não vislumbro qualquer irregularidade na conduta do Fisco. Neste sentido, também não há que se discutir sobre o preenchimento dos requisitos apresentados pelo Decreto n.º 3.724/01, os quais se aplicam quando a RFB pleiteia informações bancárias do contribuinte às Instituições Financeiras, pois caso em análise as informações que embasaram o lançamento do crédito tributário foram espontaneamente entregues pela recorrente. Assim, o procedimento realizado pela autoridade fiscalizadora não esbarra em nenhum vício que comine em sua nulidade, não havendo ofensa aos princípios constitucionais ou ao Decreto n.º 3.724/01. 2. DO MÉRITO I. Ofensa ao art. 287 do RIR/99 e art. 9º, do Dec. 70.235/72 A recorrente busca demonstrar que não foi observado o art. 287, do RIR/99, pelo qual a autoridade administrativa deve analisar individualmente cada lançamento bancário Fl. 614DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11634.001668/201014 Acórdão n.º 1302001.127 S1C3T2 Fl. 610 11 para determinar a omissão de receitas. Argumenta que há apenas a indicação dos lançamentos bancários “de forma bastante resumida”, o que lhe impediram identificar quais as situações se considerou omissão de receitas. Afirma a recorrente ofende o art. 9º, do Dec. 70235/72 a falta da análise individual (vale dizer, lançamento por lançamento) das movimentações bancárias pela autoridade administrativa. Não assiste razão a recorrente em suas argumentações. Da análise processual se constata que a recorrente foi intimada para se manifestar sobre os créditos (em suas contas bancárias) considerados como de origem desconhecida (art. 42, L. 9.430/96), através do Termo de Intimação Fiscal n.º 3 (fls. 260), dos quais deveria comprovar a origem mediante documentação hábil e idônea. Os créditos/depósitos apontados pela autoridade fiscalizadora Termo de Intimação Fiscal n.º 3 (fls. 260) correspondem exatamente às receitas consideradas omitidas posteriormente, pois a recorrente não esclareceu a natureza e origem de cada um dos créditos. Notese que mesmo na oportunidade da impugnação ou do recurso a recorrente não demonstra a origem dos créditos tributados como receitas omitidas. Quando intimou a recorrente para comprovar a origem dos recursos creditados em sua conta (fls. 260), a autoridade fiscalizadora informou individualmente (fls. 261/411) todos os depósitos/créditos dos quais era necessário a comprovação de sua origem, após a análise dos extratos bancários (fls. 8/244) entregues pela recorrente, em estrita consonância com o art. 287, do RIR/99. Ao contrário da jurisprudência apontada pela recorrente, no presente caso não houve apenas um confronto mensal entre as receitas creditadas nas contas bancárias e as receitas declaradas, mas uma análise pormenorizada e individual de todos os créditos/depósitos bancários e dos quais não foi possível identificar a origem (fls. 261/411). Assim, descabe também a alegação de contrariedade ao art. 9, do Dec. 70.235/72, quanto a juntada de todos os documentos necessários ao auto de infração, pois houve o apontamento, lançamento por lançamento, dos créditos em contas bancárias da recorrente que foram considerados como omissão de receitas, sendolhe permitido o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório. II. Suposta contabilização da movimentação bancária na conta caixa e ofensa ao art. 18 do Dec. 70.235/72 Sustenta a recorrente que houve a integral e regular contabilização bancária em sua conta caixa, buscando demonstrar o alegado através de balancetes que supostamente juntou no recurso ora em análise. Ocorre que não há balancetes anexos à peça recursal, e não se observa através da documentação que sustenta o lançamento a escrituração contábil dos créditos/depósitos apontados como omissão de receita, sobre os quais houve o lançamento tributário. Tal como observa a DRJ, em suas razões de decidir, a recorrente não apresentou, seja na impugnação do lançamento tributário, seja no recurso a este Conselho, Fl. 615DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 12 qualquer documentação que fosse capaz de destituir a obrigação que se impugna ou que desse vigor a seus argumentos, os quais não merecem prosperar. Neste sentido, não há que se falar em contrariedade ao art. 18, do Dec. 70.235/72, pois toda a documentação que instrui o processo administrativo é suficiente para que forme o juízo de decisão, não se fazendo necessário maiores diligências ou perícias, mormente quando as alegações da recorrente não se demonstram consistentes. Sem razão a recorrente. III. Do indeferimento da perícia A recorrente equivocase quando alega que seria necessária perícia contábil para determinar a real renda derivada dos depósitos bancários. Ora, a presunção legal de omissão de receita baseada em depósito bancários de origem não identificada, de que trata o art. 42 da Lei 9430/96, já determina que se considerem tais valores como receitas. Tratase de uma presunção juris tantum, ou seja, que admite prova em contrário, mas o ônus de tal prova caberia à contribuinte, a qual não logrou êxito em provar que tais valores não eram receitas. Desse modo, entendo impertinente o pedido de perícia. Os depósitos bancários não identificados são receitas, nos termos da presunção legal. IV. Da segregação de autos de infração por tributos e multa Alega a recorrente a inobservância ao art. 9, do Dec. 70.235/72, pleiteando a declaração de inexigibilidade do lançamento tributário, pois entende que não houve a individualização por tributo e multa. Não assiste razão à recorrente, tal como destacado na decisão da DRJ. Observando o lançamento realizado pela autoridade fiscalizadora (fls. 417 e ss.), há distintos autos de infração para cada tributo lançado, a saber: IRPJ (fl. 440), PIS (fl. 450), CSLL (fls. 460), IPI (fl. 480) e INSS (fl. 490) Cofins (fl. 470). No que toca as multas, por tratarem de multas de ofício (acessórias), e não multas isoladas, estas estão lançadas através dos respectivos autos de infração de cada tributo a que se referem, integrando o crédito tributário lançado. V. Da multa de ofício e juros de mora Alega a recorrente que “como consta do auto de infração em tela, os valores cobrados a título de multa e juros não guardam consonância com as limitações legais e constitucionais, forçando a mesma a pleitear a redução de tais encargos.” (fl. 595). A insurgência quanto ao lançamento da multa de ofício e juros de mora encontra barreiras na súmula 2 do CARF, que assim dispõe: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 616DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 11634.001668/201014 Acórdão n.º 1302001.127 S1C3T2 Fl. 611 13 Tendo em vista que a recorrente se insurge contra a lei posta, e não quanto à sua aplicação, isto é, invoca princípios como a vedação ao confisco e a capacidade contributiva para combater a multa e juros, temse a impossibilidade deste Conselho de realizar qualquer juízo de valor sobre o tema. O lançamento dos institutos está em consonância com a legislação vigente, devidamente demonstrada no auto de infração de cada tributo lançado, razão pela qual não procede o recurso voluntário neste ponto. 3. CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto pela improcedência do recurso voluntário, para manter o lançamento do crédito tributário constituído em desfavor da recorrida, nos termos do relatório e voto. Marcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 617DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 26/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 19647.008234/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA.EXIGÊNCIA:
Aplica-se in casu a Súmula CARF nº 82, cujo verbete dispõe que: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas
Numero da decisão: 1302-001.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma), Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Cortez e Alberto Pinto.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma), Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Cortez e Alberto Pinto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 82 34 /2 00 7- 11 Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Versa o presente processo sobre recurso ofício em face do Acórdão n˚ 11 23.851 da 3ª Turma da DRJ/REC, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA.EXIGÊNCIA: É vedada a cobrança de valores não pagos de IRPJ por estimativa, após encerrado o período de apuração a que se refere. O nãorecolhimento ou o recolhimento a menor do imposto sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista na Lei n° 9.430/96.. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA.EXIGÊNCIA: É vedada a cobrança de valores não pagos de CSLL por estimativa, após encerrado o período de apuração a que se refere. O nãorecolhimento ou o recolhimento a menor da contribuição sujeita a pessoa jurídica à multa de oficio isolada prevista na Lei n° 9.430/96. Lançamento Improcedente É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso de ofício atende o disposto no art. 34, I, do Decreto nº 70.235/72 c/c a Portaria MF nº 03/2008, razão pela qual dele conheço. No mérito, nego provimento ao recurso de ofício, pois a sistemática de tributação do lucro real anual, disciplinada pela Lei nº 9.430/96, determina que, após o encerramento do período em curso, a constatação de falta recolhimento das contribuições sobre as bases estimadas ensejam apenas o lançamento da multa isolada, a qual, à época, encontrava fundamento no § 1º, V, do art. 44 da Lei nº 9.430/96. No âmbito deste Colegiado, a questão ficou pacificada com a publicação da Súmula CARF nº 82, cujo verbete assim dispõe: “Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas.”. Há expressa indicação, no auto de infração a fls. 42, de que foi lançada a multa proporcional com fundamento no § 1º, I, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, a qual só subsiste se mantido o tributo sobre o qual incide. Dessa forma, uma vez indevida a cobrança do IRPJ e Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19647.008234/200711 Acórdão n.º 1302001.079 S1C3T2 Fl. 2.231 3 da CSLL sobre as bases estimadas no presente caso, deve ser a contribuinte também exonerada da multa de ofício lançada. Em face do exposto, nego provimento ao recurso de ofício. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 2232DF CARF MF Impresso em 18/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10620.001059/2003-22
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1999, 2000, 2001
ITR - ISENÇÃO - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS.
Se a lei tributária, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, fez expressa menção à área de reserva legal nos termos da lei ambiental, os requisitos para a exclusão são buscados na lei ambiental que a caracterizam. O art. 16, § 8º da Lei nº 4.771/65, determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, em prestígio à verdade material, admite-se a averbação, mesmo que posterior ao fato gerador, em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Entretanto, por encontrar-se simulada a matéria posta a analise do presente recurso especial, não se conhece do recurso.
Numero da decisão: 9900-000.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno das Câmaras Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional.
(documento assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 1999, 2000, 2001 ITR - ISENÇÃO - ÁREA DE RESERVA LEGAL - NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. Se a lei tributária, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, fez expressa menção à área de reserva legal nos termos da lei ambiental, os requisitos para a exclusão são buscados na lei ambiental que a caracterizam. O art. 16, § 8º da Lei nº 4.771/65, determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, em prestígio à verdade material, admite-se a averbação, mesmo que posterior ao fato gerador, em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Entretanto, por encontrar-se simulada a matéria posta a analise do presente recurso especial, não se conhece do recurso.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno das Câmaras Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFPL Fl. 2 1 1 CSRFPL MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10620.001059/200322 Recurso nº 30.313.0910 Extraordinário Acórdão nº 9300000.313 – Pleno Sessão de 28 de agosto de 2012 Matéria ITR Recorrente Fazenda Nacional Recorrida Dulfe Evandro Duarte ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999, 2000, 2001 ITR ISENÇÃO ÁREA DE RESERVA LEGAL NECESSIDADE OBRIGATÓRIA DA AVERBAÇÃO À MARGEM DA MATRÍCULA DO IMÓVEL NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS. Se a lei tributária, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, fez expressa menção à área de reserva legal nos termos da lei ambiental, os requisitos para a exclusão são buscados na lei ambiental que a caracterizam. O art. 16, § 8º da Lei nº 4.771/65, determina que a área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR, devendo ser exigida como requisito para fruição da benesse tributária. Havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, em prestígio à verdade material, admitese a averbação, mesmo que posterior ao fato gerador, em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Entretanto, por encontrarse simulada a matéria posta a analise do presente recurso especial, não se conhece do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno das Câmaras Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do Recurso Extraordinário da Procuradoria da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 62 0. 00 10 59 /2 00 3- 22 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 3 2 OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Em sessão de 06 de novembro de 2006 foi julgado Recurso Especial do Procurador da Fazenda Nacional, contra decisão da 3ª Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, consignada no Acórdão de n° 30331.998, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte, com o entendimento de que a declaração do proprietário era elemento suficiente para comprovação das áreas de preservação permanente e de reserva legal, sendo dispensável qualquer procedimento acessório, seja de averbação no Registro de Imóveis, seja de emissão de Ato Declaratório Ambiental (ADA). Assentou a 3ª Câmara do Terceiro Conselho que aquelas exigências poderiam ser supridas por declaração do contribuinte e outras provas idôneas, e.g., laudo técnico A Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda, e, por meio do Acórdão CSRF 0305.092, assentou o seguinte entendimento: ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AVERBAÇÃO DA ÁREA. COMPROVAÇÃO. Por falta de previsão legal, não é obrigatória a averbação da área de reserva de preservação permanente à margem da inscrição de matricula do imóvel no registro de imóveis competente. Nos termos do parágrafo 8° do art. 16 da Lei 4.771, de 1965, somente a área de reserva legal está sujeita a essa exigência, entretanto, por força do § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393, de 1996, incluído pela Medida Provisória n.° 2.16667, de 2001, para fim de isenção do ITR, tal registro não está sujeito à Fl. 298DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 4 3 prévia comprovação por parte do declarante, que fica responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com os devidos acréscimos legais, caso fique comprovado que sua declaração não é verdadeira. ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL, Para fim de isenção do ITR, a declaração do contribuinte é insuficiente para comprovar a efetiva existência das áreas de reserva legal e preservação permanente. Tal comprovação deverá ser feita por meio de Ato Declaratório Ambiental (ADA) ou outro meio probatório hábil e idôneo. Neste caso, mesmo intimado pela autoridade fiscal, o contribuinte não se omite ou comprova apenas parte da área informada, a diferença deverá ser glosada e incluída na base de cálculo do ITR, devendo o contribuinte declarante responder pelo pagamento do imposto e acrescido de seus consectários legais. Neste particular, por força do § 7° do art. 10 da Lei n° 9.393, de 1996, a dita comprovação também poderá ser feita a posteriormente. Inconformada, a Fazenda Nacional interpõe Recurso Extraordinário, alegando que, “divergindo da 3ª Turma da CSRF, que mesmo sem a tempestiva averbação no Cartório de Imóveis, manteve a exclusão da tributação da área de reserva legal, a 2ª Turma da CSRF exigiu para o citado benefício, a averbação, em data anterior ao fato gerador da obrigação tributária, da área de reserva legal junto ao Cartório de Registro de Imóveis”, conforme evidencia a ementa do Acórdão 920200.303, a seguir transcrita: "ASSUNTO: IMPOSTO SOI3RE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1992 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. ATO CONSTITUTIVO. A averbação no registro de imóveis da área eleita pelo proprietário/possuidor é ato constitutivo da reserva legal; portanto, somente após a sua prática é que o sujeito passivo poderá excluíla da base de cálculo para apuração do ITR. Recurso especial provido.”. Defende a douta Procuradoria a fixação do entendimento de que a área declarada de reserva legal só pode ser excluída da base de cálculo do imposto quanto a fatos geradores ocorridos após sua averbação à margem da matrícula, no Registro de Imóveis, mencionando, inclusive, decisão do STJ nesse sentido. É o relatório. Voto Fl. 299DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 5 4 Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os requisitos que o legitimam, merecendo ser conhecido. A questão controvertida diz respeito ao condicionamento, para fins de cômputo da área de reserva legal como área não tributável pelo ITR, à respectiva averbação no RGI, à margem da inscrição da matrícula, à época dos fatos geradores. De se registrar que essa matéria não se encontra pacificada tanto na esfera administrativa como no âmbito do Poder Judiciário. Dessa forma, não é de causar estranheza sua submissão a recurso extraordinário, que traduz dissídio levado ao extremo na instância administrativa, quando a divergência de interpretação não alcança uniformização sequer pela via de recurso especial. No STJ vinha prevalecendo o entendimento no sentido da inexigibilidade, como se vê no julgado a seguir: RECURSO ESPECIAL Nº 969.091 SC (2007/01647955) Relator: Ministro Luiz Fux Recorrente: Fazenda Nacional EMENTA PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ITR. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA. LEI N.º 9.393/96. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. 1. A área de reserva legal é isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, 1º, II, a, da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, por isso que ilegítimo o condicionamento do reconhecimento do referido benefício à prévia averbação dessa área no Registro de Imóveis. (Precedentes: REsp 998.727/TO, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/04/2010, DJe 16/04/2010; REsp 1060886/PR, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 01/12/2009, DJe 18/12/2009; REsp 665.123/PR, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 12/12/2006, DJ 05/02/2007) 2. O ITR é tributo sujeito à homologação, porquanto o 7º, do art. 10, daquele diploma normativo dispõe que: "Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) 7 o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas a e d do inciso II, 1 o , deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 6 5 ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis."(Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) 3. A isenção não pode ser conjurada por força de interpretação ou integração analógica, máxime quando a lei tributária especial reafirmou o benefício através da Lei n.º 11.428/2006, reiterando a exclusão da área de reserva legal de incidência da exação (art. 10, II, a e IV, b), verbis: "Art. 10 . A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; V área aproveitável, a que for passível de exploração agrícola, pecuária, granjeira, agrícola ou florestal, excluídas as áreas: a) ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; b) de que tratam as alíneas do inciso II deste parágrafo; 4. A imposição fiscal obedece ao princípio da legalidade estrita, impondo ao julgador, na apreciação da lide, aterse aos critérios estabelecidos em lei. 5. Consectariamente, decidiu com acerto o acórdão a quo ao firmar entendimento no sentido de que, litteris: "Assim, entendo que deve ser promovida a subtração da área de reserva legal. Embora não houvesse a averbação da área demarcada como reserva legal na época do fato gerador (1998), o que só ocorreu em 2002, entendo que deve haver a subtração de 20% da área do imóvel. Devese considerar como área de reserva apenas o limite mínimo de 20% estabelecido pelo art. 16 da Lei nº 4771/65, e é o caso dos autos. Mesmo enquanto não averbada, havia a proteção legal sobre o mínimo de 20% da área rural. Convém lembrar que a imposição fiscal obedece ao princípio da legalidade estrita, o que impõe ao julgador na apreciação da lide aterse aos critérios estabelecidos em lei e ao conteúdo da prova produzida, quando existente. Se é verdadeira a assertiva de que a "Administração Pública" não pode ir contra fato que ela mesmo deu origem, também o é que o juiz não está adstrito Fl. 301DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 7 6 às alegações das partes, devendo aplicar, em matéria tributária, as disposições legais pertinentes. No que tange ao imposto referente ao exercício de 1998, à época já se encontrava em vigor a Lei nº 9.393/96, que, inovando o regramento legal até então existente, promoveu alteração significativa na sistemática de lançamento do ITR abandonou o lançamento de ofício (art. 6º da Lei nº 8847/94) para adotar o lançamento por homologação (art. 10 da Lei 9393/96). Mero ato administrativo de averbação não pode ilidir a prova material da existência da área de reserva legal, consubstanciada em ato de vistoria e/ou prova pericial, esta rejeitada de plano.” 6. Os embargos de declaração que enfrentam explicitamente a questão embargada não ensejam recurso especial pela violação do artigo 535, II, do CPC. 7. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 8. Recurso especial a que se nega provimento. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Teori Albino Zavascki, Benedito Gonçalves (Presidente) e Hamilton Carvalhido votaram com o Sr. Ministro Relator. Contudo, em abril de 2011 a Segunda Turma adotou entendimento diverso, conforme julgado a seguir reproduzido: REsp 1027051 / SC RECURSO ESPECIAL 2008/00194411 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) Relator(a) p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 07/04/2011 Data da Publicação/Fonte DJe 17/05/2011 Ementa TRIBUTÁRIO E AMBIENTAL. ITR. ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO. IMPRESCINDIBILIDADE. NECESSIDADE DE INTERPRETAÇÃO EXTRAFISCAL DA RENÚNCIA DE RECEITA. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 8 7 1. A controvérsia sob análise versa sobre a (im)prescindibilidade da averbação da reserva legal para fins de gozo da isenção fiscal prevista no art. 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. 2. O único bônus individual resultante da imposição da reserva legal ao contribuinte é a isenção no ITR.. Ao mesmo tempo, a averbação da reserva funciona como garantia do meio ambiente. 3. Desta forma, a imposição da averbação para fins de concessão do benefício fiscal deve funcionar a favor do meio ambiente, ou seja, como mecanismo de incentivo à averbação e, via transversa, impedimento à degradação ambiental. Em outras palavras: condicionando a isenção à averbação atingirseia o escopo fundamental dos arts. 16, § 2º, do Código Florestal e 10, inc. II, alínea "a", da Lei n. 9.393/96. 4. Esta linha de argumentação é corroborada pelo que determina o art. 111 do Código Tributário Nacional CTN (interpretação restritiva da outorga de isenção), em especial pelo fato de que o ITR, como imposto sujeito a lançamento por homologação, e em razão da parca arrecadação que proporciona (como se sabe, os valores referentes a todo o ITR arrecadado é substancialmente menor ao que o Município de São Paulo arrecada, por exemplo, a título de IPTU), vê a efetividade da fiscalização no combate da fraude tributária reduzida. 5. Apenas a determinação prévia da averbação (e não da prévia comprovação, friso e repito) seria útil aos fins da lei tributária e da lei ambiental. Caso contrário, a União e os Municípios não terão condições de bem auditar a declaração dos contribuintes e, indiretamente, de promover a preservação ambiental. 6. A redação do § 7º do art. 10 da Lei n. 9.393/96 é inservível para afastar tais premissas, porque, tal como ocorre com qualquer outro tributo sujeito a lançamento por homologação, o contribuinte jamais junta a prova da sua glosa no imposto de renda, por exemplo, junto com a declaração anual de ajuste, o contribuinte que alega ter tido despesas médicas, na entrega da declaração, não precisa juntar comprovante de despesa. Existe uma diferença entre a existência do fato jurígeno e sua prova. 7. A prova da averbação da reserva legal é dispensada no momento da declaração tributária, mas não a existência da averbação em si. 8. Mais um argumento de reforço neste sentido: suponhase uma situação em que o contribuinte declare a existência de uma reserva legal que, em verdade, não existe (hipótese de área tributável declarada a menor); na suspeita de fraude, o Fisco decide levar a cabo uma fiscalização, o que, a seu turno, dá origem a um lançamento de ofício (art. 14 da Lei n. 9.393/96). Qual será, neste caso, o objeto de exame por parte da Administração tributária? Obviamente será o registro do imóvel, de modo que, não havendo a averbação da reserva legal à época Fl. 303DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 9 8 do períodobase, o tributo será lançado sobre toda a área do imóvel (admitindo inexistirem outros descontos legais). Perguntase: a mudança da modalidade de lançamento é suficiente para alterar os requisitos da isenção? Lógico que não. E se não é assim, em qualquer caso, será preciso a preexistência da averbação da reserva no registro. 9. É de afastar, ainda, argumento no sentido de que a averbação é ato meramente declaratório, e não constitutivo, da reserva legal. Sem dúvida, é assim: a existência da reserva legal não depende da averbação para os fins do Código Florestal e da legislação ambiental. Mas isto nada tem a ver com o sistema tributário nacional. Para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. 10. A questão ora se enfrenta é bem diferente daquela relacionada à necessidade de ato declaratório do Ibama relacionado à área de preservação permanente, pois, a toda evidência, impossível condicionar um benefício fiscal nestes termos à expedição de um ato de entidade estatal. 11. No entanto, o Código Florestal, em matéria de reserva ambiental, comete a averbação ao próprio contribuinte proprietário ou possuidor, e isto com o objetivo de viabilizar todo o rol de obrigações previstas no art. 44 daquele diploma normativo. 12. Recurso especial provido. O tema, posto ser de legislação tributária, tem relação direta com a legislação ambiental, à qual se reporta. Para bem entendêlo, é útil fazer uma retrospectiva da legislação a ele relacionada. Comecemos pela legislação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), tributo originalmente administrado e arrecadado pelo INCRA ((antigo IBDF). As normas de incidência e base de cálculo do imposto foram inicialmente estabelecidas nos artigos 49 e 50 da Lei nº 4.504/64 (Estatuto da Terra), cuja redação foi alterada pela Lei nº 6.746, de 1979. A Lei nº 5.868, de 1972, criou o Sistema Nacional de Cadastro Rural (art. 1º), administrado pelo INCRA, e o Decreto nº 72.106/73 regulamentou a cobrança do ITR como imposto sujeito a lançamento por declaração, nos seguintes termos: “Art. 21. Os dados a serem considerados para a fixação do tributo, obtidos a partir da declaração apresentada pelos proprietários e detentores de imóveis rurais e sob sua inteira responsabilidade, ou fixados pelo INCRA, quando não constarem da declaração ou forem por estes impugnados, destinamse a caracterizar os proprietários e respectivos imóveis rurais, bem como a fornecer os elementos necessários ao cálculo do valor básico do tributo e dos coeficientes de dimensão, de Fl. 304DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 10 9 localização, de condições sociais, e, de produtividade definidos neste Decreto. Art. 33. Do lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, contribuições e taxas, poderá o contribuinte reclamar ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, até o final do prazo para pagamento sem multa dos tributos. § 1º Recebida a reclamação, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, procederá a verificação e diligências para comprovação do alegado, nos termos deste Decreto, cabendo o ônus dessas providências ao reclamante, se improcedente as alegações. § 2º A reclamação terá efeito suspensivo da cobrança do título, até a notificação ao reclamante da prolatada. Art. 34. Das decisões contrárias ao reclamante caberá recurso voluntário para o terceiro Conselho de Contribuintes dentro do prazo improrrogável de 30 (trinta) dias contados da data do recebimento da notificação.” A Lei nº 8.022, de 1990, transferiu para Secretaria da Receita Federal a competência de administração das receitas arrecadadas pelo INCRA (compreendendo as atividades de tributação, arrecadação, fiscalização e cadastramento), e para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a competência para a apuração, inscrição e cobrança da respectiva dívida ativa. Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, dispôs sobre sujeito passivo, base de cálculo, alíquota do ITR, e seu art. 6º estabeleceu que o lançamento do ITR será efetuado de ofício, podendo, alternativamente, serem utilizadas as modalidades de com base em declaração ou por homologação. A Lei nº 9.393, de 1996, disciplinou inteiramente a matéria relativa ao ITR (sujeito passivo, obrigação principal e acessória), e o seu art. 10 estabeleceu que a modalidade de lançamento seria “por homologação”, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Para fins de determinação da base de cálculo, o § 1º do mesmo art. 10 dispõe: “§ 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I –(...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...)”. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 11 10 § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Vista a legislação tributária, passemos à ambiental, no caso, o antigo Código Florestal, que desde a alteração trazida pela Lei nº 7.803/1989 já definia a reserva legal, como se pode conferir: Lei nº 4.771/65 (Código Florestal): Art. 1° As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, reconhecidas de utilidade às terras que revestem, são bens de interesse comum a todos os habitantes do País, exercendose os direitos de propriedade, com as limitações que a legislação em geral e especialmente esta Lei estabelecem. Parágrafo único. As ações ou omissões contrárias às disposições deste Código na utilização e exploração das florestas são consideradas uso nocivo da propriedade (art. 302, XI b, do Código de Processo Civil). Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (...) Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: (...) Art. 16. As florestas de domínio privado, não sujeitas ao regime de utilização limitada e ressalvadas as de preservação permanente, previstas nos artigos 2° e 3° desta lei, são suscetíveis de exploração, obedecidas as seguintes restrições: (...) § 2º A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989). (negritos apostos) Fl. 306DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 12 11 O Código recebeu muitas alterações de redação pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001, entre elas a inclusão do § 2º ao art. 1º, estabelecendo várias definições para os fins do referido diploma legal. O § 2º, incluído pela Medida Provisória, dispôs: “§2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Vide Decreto nº 5.975, de 2006) Ipequena propriedade rural ou posse rural familiar: (...) IIárea de preservação permanente: (...) IIIReserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001 (negritos acrescentados) IV utilidade pública: (...) Vinteresse social: (...) VIAmazônia Legal: (...)” A Medida Provisória alterou também o art. 16, que passou a ter a seguinte redação: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §4o. A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001)”(negritos acrescentados). Fl. 307DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 13 12 Portanto, o estabelecimento de uma reserva legal e a obrigatoriedade da averbação da respectiva área à margem da inscrição de matrícula do imóvel não tem origem na MP 216667, de 2001, eis que já existia desde 1989. A partir da legislação retro transcrita, algumas premissas são evidentes: 1A lei que trata das normas de incidência e apuração do ITR autoriza a exclusão, para fins de base de cálculo (área tributável), da reserva legal prevista na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; 2 Nos termos da Lei nº 4.771/1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803/1989, é obrigatória a averbação da reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel. 3 Se a lei tributária, ao permitir a exclusão da base de cálculo do ITR, fez expressa menção à área de reserva legal nos termos da lei ambiental, e os requisitos para a exclusão são buscados na lei ambiental que a caracterizam. 4 O § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, com a redação dada pela MP 2.16667/2001, não permite concluir que o contribuinte está dispensado de averbar a reserva legal à margem da inscrição de matrícula do imóvel (como equivocadamente entendeu o Acórdão vergastado), mas apenas que ele não precisa juntar à declaração os comprovantes das áreas que declarou isentas naqueles termos (reserva legal, conforme Lei nº 4.771/1965). Essas premissas conduzem ao entendimento de que a “reserva legal” de que trata a Lei nº 4.771/1965, e que dá direito à isenção, é apenas aquela que se encontra averbada no Registro de Imóveis. Contudo, essa conclusão não é suficiente para uniformizar a jurisprudência administrativa, eis que permanece a questão quanto à necessidade de a averbação já dever existir à época do fato gerador, como postula a Fazenda Nacional. Essa questão mereceu a seguinte análise por parte do ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, que redigiu o voto vencedor condutor do Acórdão 9202 01.641– 2ª Turma, Sessão de 25 de julho de 2011: Entretanto, apesar de obrigatória a averbação cartorária da área de reserva legal, aqui não me filio àqueles que exigem obrigatoriamente a averbação em momento prévio ao fato gerador, de maneira peremptória, já que, havendo uma área de reserva legal preservada e comprovada por laudos técnicos ou por atos do poder público, mesmo com averbação posterior ao fato gerador, especificamente se anterior ao início do procedimento fiscal pela autoridade tributária, não me parece razoável afastar o benefício tributário, quando se sabe que áreas ambientais preservadas levam longo tempo para sua (re)composição, ou seja, uma área averbada e comprovada em exercício posterior, certamente existia nos exercícios logo precedentes, como redutora da área total do imóvel passível de tributação, não podendo ter sido utilizada diretamente nas atividades agrícolas, pecuárias ou extrativistas. Ademais, nem a Fl. 308DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 14 13 Lei tributária nem o Código Florestal definem a data de averbação, como condicionante à isenção do ITR. Deve se, porém, definir um termo final de quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR, pois não se pode deixar ao alvedrio do contribuinte implementar a averbação da área, sob pena de vulnerar a cogência da obrigação, pois o contribuinte poderia, simplesmente, aguardar o início do procedimento fiscal para fazêla, hipótese que jamais pode se concretizar, já que a quantidade de imóveis de um país continental como o Brasil é imensa, não sendo razoável imaginar que a autoridade tributária tenha condições de auditar todos os imóveis rurais do país. Dessa forma, enquanto o contribuinte estiver espontâneo em face da autoridade fiscalizadora tributária, na forma do art. 7º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72 (O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas), poderá averbar no RGI a área de reserva legal, podendo fruir dos incentivos tributários. Porém, iniciado o procedimento fiscal para determinado exercício, a espontaneidade estará quebrada, e a área de reserva legal deverá sofrer o ônus do ITR, caso não tenha sido averbada antes do início do procedimento fiscal. Dos lúcidos argumentos declinados pelo culto Conselheiro, ouso divergir apenas quanto ao termo final de quando poderia ser implementada a averbação cartorária da área de reserva legal, para fruição da exclusão da área tributável do ITR. De fato, a conclusão do voto, no sentido da dispensa da averbação prévia à ocorrência do fato gerador, repousa no entendimento de que a averbação representa a prova documental da real existência da área de reserva legal. Nesse caso, em prestígio à verdade material, e analogamente ao entendimento sumulado pelo CARF em relação à comprovação da regularidade fiscal para fins de PERC (Súmula CARF nº 37), considero razoável admitir a prova da averbação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. Entretanto, por encontrarse simulada a matéria, e a despeito das considerações acima, NÃO CONHEÇO recurso da Fazenda Nacional, É como voto. Sala das Sessões, em 28 de agosto de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 309DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10620.001059/200322 Acórdão n.º 9300000.313 CSRFPL Fl. 15 14 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 04/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 18/06/2013 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/06/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 15586.000993/2010-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
SEGURO DE VIDA EM GRUPO. FALTA DE PREVISÃO EM NORMA COLETIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Para que não haja incidência de contribuições sobre a parcela paga pela empresa individualmente para cada segurado, a título de seguro de vida em grupo, é obrigatória a previsão do benefício em norma coletiva de trabalho.
ASSISTÊNCIA À SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Não são excluídas do salário-de-contribuição as despesas com assistência médica fornecidas pelo empregador aos dependentes dos segurados.
MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA.
A multa vigente na época da ocorrência dos fatos geradores é menos gravosa que a atualmente aplicável, por esse motivo deve-se manter o percentual de 24% aplicado no lançamento.
MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA.
Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que é inconstitucional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.009
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado negar provimento ao recurso: I) pelo voto de qualidade, para a rubrica seguro de vida em grupo, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial nesta parte; II) por maioria de votos para a rubrica assistência médica, vencidos os conselheiros Elias Sampaio Freire e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial nesta parte; III) por maioria de votos quanto a multa aplicada, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que limitavam a multa em 20%.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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FALTA DE PREVISÃO EM NORMA COLETIVA DE TRABALHO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Para que não haja incidência de contribuições sobre a parcela paga pela empresa individualmente para cada segurado, a título de seguro de vida em grupo, é obrigatória a previsão do benefício em norma coletiva de trabalho. ASSISTÊNCIA À SAÚDE DOS DEPENDENTES DOS SEGURADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Não são excluídas do saláriodecontribuição as despesas com assistência médica fornecidas pelo empregador aos dependentes dos segurados. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. A multa vigente na época da ocorrência dos fatos geradores é menos gravosa que a atualmente aplicável, por esse motivo devese manter o percentual de 24% aplicado no lançamento. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. Não pode a autoridade fiscal ou mesmo os órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação da multa legalmente prevista, sob a justificativa de que é inconstitucional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 09 93 /2 01 0- 33 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 ACORDAM os membros do colegiado negar provimento ao recurso: I) pelo voto de qualidade, para a rubrica seguro de vida em grupo, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que davam provimento parcial nesta parte; II) por maioria de votos para a rubrica assistência médica, vencidos os conselheiros Elias Sampaio Freire e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial nesta parte; III) por maioria de votos quanto a multa aplicada, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que limitavam a multa em 20%. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000993/201033 Acórdão n.º 2401003.009 S2C4T1 Fl. 303 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 12 037.501 de lavra da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I, que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.291.9650. O crédito em questão referese às contribuições da empresa para outras entidades ou fundos (terceiros). De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 48 e segs., os fatos geradores de contribuições sociais objeto do lançamento foram: a) pagamento de seguro de vida em grupo para os empregados e diretores da empresa, sem que o benefício fosse previsto em norma coletiva de trabalho; b) pagamento de plano de assistência médica para os dependentes dos segurados a serviço da empresa. Acrescentase ainda que a multa foi aplicada levandose em conta a alteração legislativa promovida pela MP n.º 449/2008, optandose pela regra mais favorável ao sujeito passivo, no comparativo entre o cálculo efetuado de acordo com a legislação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores e aquele previsto nas regras atualmente aplicáveis. A empresa ofertou impugnação, fls. 55 e segs., tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, fls. 137 e segs, mantido integralmente o lançamento. Inconformado, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 164 e segs., no qual, em apertada síntese, alegou que: a) é equivocado o entendimento da Autoridade Fiscal de que a verba paga a título de seguro de vida em grupo somente poderia ser excluída do saláriodecontribuição, caso estivesse prevista em norma coletiva de trabalho; b) sobre a citada verba não se verifica a ocorrência dos requisitos de retributividade pelo trabalho executado ou habitualidade no pagamento, sem os quais inexiste no mundo fático a hipótese de incidência de contribuições sociais; c) o pagamento do seguro de vida independe dos serviços prestados à empresa, sendo fornecido por esta como mero conforto psicológico para o empregado ou dirigente e a sua família; d) os valores pagos pela empresa a esse título não são recebidos pelo segurado, mas pela seguradora, sendo que o eventual recebimento da indenização somente ocorrerá, caso se concretizem os eventos mórbidos previstos no contrato, afastandose, assim, por completo a sua natureza salarial; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 e) a jurisprudência é uníssona quando o tema é a não incidência de contribuições sociais sobre os valores relativos a seguro de vida em grupo; f) nem mesmo para fins trabalhistas pode se incluir a referida verba no conceito de salário; g) as exigências para exclusão do seguro de vida em grupo da tributação previdenciária previstas no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, são ilegais, posto que esse ato normativo não poderia inovar no ordenamento, criando empecilhos a fruição de uma benesse, os quais não foram previstos em lei.É esse o entendimento que tem prevalecido no Judiciário; h) do mesmo modo, o oferecimento de planos de saúde pelas empresas aos seus empregados e dependentes não tem finalidade de retribuir o trabalho prestado, sendo considerado um benefício social. Por esse motivo, inadmissível a sua inclusão no saláriode contribuição; i) a jurisprudência tem manifestado reiteradamente o entendimento contrário à natureza salarial do fornecimento de assistência médica aos segurados; j) considerando que a utilização do plano de saúde pelos segurados e dependentes somente ocorre nos casos de doença, afastase da verba sob comento o requisito da habitualidade; k) não havendo habitualidade, não há de se inserir o fornecimento de assistência à saúde no conceito de remuneração, inexistindo incidência de contribuições sobre a mesma; l) nem mesmo a interpretação literal da alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 justifica a tributação da verba sob enfoque; m) a jurisprudência do STJ e do TST não faz qualquer distinção entre a natureza jurídica do fornecimento de plano de saúde aos trabalhadores e aos dependentes destes; n) a invocada interpretação literal do dispositivo da Lei n.º 8.212/1991 não se aplica à situação sob comento, posto que não se está diante de norma de isenção, mas clara situação que não se situa no campo de incidência das contribuições sociais; o) mesmo que se considere a norma inserta na alínea “q” do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 regra de isenção, devese adotar a interpretação teleológica para afastar a tributação, posto que seria grande a incoerência de se desestimular a concretização do valor fundamental da saúde, que recebeu da Carta Magna a mais alta consideração; p) por outro lado, há de se convir que a regra que exclui a incidência de contribuição sobre a assistência médica fala na concessão ao trabalhador, que engloba a saúde do próprio obreiro, mas também daqueles que dele dependam; q) a jurisprudência tem se inclinado nesse sentido, reconhecendo que não tem natureza de salário nem o plano de saúde ofertado ao trabalhador, tampouco o disponibilizado aos dependentes; r) não tem amparo legal a aplicação de multa progressiva no tempo; Fl. 309DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000993/201033 Acórdão n.º 2401003.009 S2C4T1 Fl. 304 5 s) em razão da revogação dessa sistemática pela MP n.º 449/2008, a multa deve ficar limitada a 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/1996. Ao final, requer o cancelamento do AI. O julgamento do CARF foi convertido em diligência para que fosse verificada a existência de inclusão do crédito em parcelamento. Retornou a esse Colegiado com resposta negativa. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Seguro de vida O que levou o fisco a tributar os prêmios de seguro de vida aos empregados e diretores da empresa foi o fato de tal benefício não estar previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho, contrariando, assim, o que dispõe o inciso XXV do § 9.º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999. A empresa não se contrapõe à afirmação do fisco quanto à falta de previsão do benefício em norma coletiva do trabalho, todavia, lança vários argumentos pela não incidência de contribuições sobre a verba, independentemente do cumprimento da norma prevista no RPS. Passo agora a ponderar sobre esse aspecto da lide. Nos termos da Constituição Federal, art. 201, § 11, todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, integram o saláriodecontribuição, conforme se vê do dispositivo: Art. 201 (...) § 11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (...) A verba sob enfoque, ao contrário do que afirma a empresa, é um ganho habitual do trabalhador, posto que a empresa está arcando com o custo de um produto securitário, o qual, se fosse suportado pelo empregado, representaria um decréscimo no patrimônio deste. Ou seja, o empregado somente faz jus à cobertura do seguro de vida porque o seu empregador assume o ônus de pagar o prêmio. Não há que se acatar a tese de que a verba tem caráter indenizatório em razão do segurado ou seus dependentes somente terem direito ao mesmo quando ocorre o evento doença ou morte. É que não há de se confundir o momento do custeio do seguro de vida, com a ocasião em que segurado recebe o valor correspondente ao benefício. Quando do custeio do plano de seguro, aquele em nome de quem é efetuado o contrato tem que arcar com as parcelas que tecnicamente são chamadas de “prêmios”, se o seu Fl. 311DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000993/201033 Acórdão n.º 2401003.009 S2C4T1 Fl. 305 7 empregador assume esse ônus, temse aí um benefício indireto fornecido ao trabalhador, o qual, por força da norma constitucional acima, deve sujeitarse à incidência de contribuições sociais. Vêse ainda que existe aí um caráter contraprestativo no fornecimento da verba, posto que se o empregador está assumindo um ônus, que a princípio seria do seu empregado. Notese que os demonstrativos acostados revelam que não estamos diante de um pagamento de seguro de vida padrão, pago globalmente para todos os empregados, mas de pagamentos de prêmios individuais que variavam de segurado para segurado, como se pode ver da planilha acostada pelo fisco. Não há de se confundir o momento do custeio do seguro de vida com a ocasião da percepção da indenização paga pela seguradora por ocasião do sinistro, esse em hipótese alguma deve sofrer a incidência para a Seguridade Social, uma vez que não tem caráter de ganho habitual, tampouco está relacionado com a prestação dos serviços. A Lei n.º 8.212/1991, em seu art. 28, I, traz a conceituação de saláriode contribuição para o segurado empregado, que se traduz na base de cálculo sobre a qual incidem as contribuições sociais, nos seguintes termos: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Percebese, assim, que, via de regra, a totalidade dos rendimentos que sejam repassados aos empregados, independentemente da denominação dos pagamentos, como contraprestação pelo trabalho, sujeitamse a incidência de contribuições. Não tenho dúvida que a verba sob comento é fornecida aos trabalhadores como mais uma maneira de retribuir o esforço dos mesmos para a consecução dos objetivos do empregador, não se situando no campo das verbas indenizatórias, posto que essas têm vinculação a um gasto do trabalhador para executar as suas tarefas laborais. Tendo em conta a abrangência do conceito de saláriodecontribuição, o legislador, sabiamente, no § 9.º do mesmo artigo, enumerou taxativamente um rol de pagamentos que estariam excluídos do conceito de remuneração, para fins de incidência de contribuições previdenciárias. Todavia, a verba seguro de vida em grupo não foi contemplada nessa relação exaustiva, levandonos a concluir que a mesma não estaria excluída do campo de incidência da tributação para a Seguridade Social. Entretanto, o Decreto n.º 3.265/1999 incluiu um inciso no § 9.º do art. 214 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/1999, excluindo Fl. 312DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 do conceito de saláriodecontribuição a verba denominada “seguro de vida em grupo”, todavia, traçou as seguintes exigências: Art. 214 (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) XXV o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a prêmio de seguro de vida em grupo, desde que previsto em acordo ou convenção coletiva de trabalho e disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9o e 468 da Consolidação das Leis do Trabalho. (Incluído pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) Nos termos do RPS, somente não há incidência de contribuições sobre a referida rubrica, quando o empregador cumpre as condições de estender o seguro à totalidade de seus empregados e dirigentes e quando há a previsão do benefício em norma coletiva de trabalho. Entendemos que o Regulamento não criou nova hipótese de isenção, nem o poderia, em face do que dispõe o art. 176 do CTN, o qual prevê que somente a lei pode conceder essa benesse tributária. Na verdade, o RPS cumpriu o seu poder regulamentar, ao dar a interpretação de que no conceito de saláriodecontribuição, inserido no “caput” do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991, o seguro de vida em grupo não estaria abrangido, desde que cumpridos determinados requisitos. De se concluir que o RPS não invadiu o espaço reservado à lei, mas deu a essa uma interpretação benéfica aos contribuintes, posto que a letra dura do texto legal não previa a isenção dos valores pagos a título de prêmio de seguro de vida em grupo. Nesse sentido, entendo que plenamente válida a disposição do Regulamento sobre a tributação da verba sob enfoque. Não hei de acatar a tese da inconstitucionalidade do inciso XXV do § 9.º do art.214 do RPS, posto que assim não me permite o art. 26A do Decreto n.º 70.235/1972, assim redigido: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. E nem se fale que a legislação trabalhista, mais especificamente o inciso V do § 2.º do art. 458 da CLT, que exclui do conceito de salário o seguro de vida, impediria a incidência de contribuição sobre a referida verba. É que o Direito do Trabalho e o Direito Previdenciário embora tenham muitos pontos de intersecção, não coincidem na sua integralidade. Fl. 313DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000993/201033 Acórdão n.º 2401003.009 S2C4T1 Fl. 306 9 A prova é que há diversas parcelas que são base de cálculo para o FGTS, mas não integram o saláriodecontribuição, como é o caso do auxílio acidente. A própria CLT no seu art. 12, ressalta a autonomia do Direito Previdenciário do Laboral, nos seguintes termos: Art. 12 Os preceitos concernentes ao regime de seguro social são objeto de lei especial. Devese concluir, então, que não havendo previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho do benefício do seguro de vida em grupo para os empregados da notificada no período da apuração, é procedente o lançamento consubstanciado no presente lançamento. É de se ressaltar que a Procuradoria da Fazenda Nacional publicou o Ato Declaratório n.º 12/2011 dispensando apresentação de contestação, de interposição de recurso e a desistência dos já interpostos: “nas ações judiciais que discutam a incidência de contribuição previdenciária quanto ao seguro de vida em grupo contratado pelo empregador em favor do grupo de empregados, sem que haja a individualização do montante que beneficia a cada um deles.” Ocorre que esse Ato Declaratório não se aplica a situação sob enfoque, posto que aqui há a individualização dos valores do seguro de vida pagos a cada um dos segurados, conforme assinalado alhures. Assistência médica aos dependentes dos segurados Na apuração fiscal foi possível segregar os valores pagos pela empresa para custear o plano de saúde dos trabalhadores daqueles vinculados ao custeio da assistência médica aos dependentes. Apenas sobre essa última parcela incidiram as contribuições sociais. É o que se percebe do que ficou expresso no relato do fisco. Com o inconformismo da recorrente quanto a não inclusão da referida parcela no saláriodecontribuição, vem à tona a questão de saber se a norma que exclui da tributação os gastos com assistência à saúde dos empregados seria também aplicável aos valores despendidos pelo empregador com assistência à saúde dos dependentes dos segurados. A mesma idéia defendida no tópico anterior, aplicase a verba denominada “plano de saúde”. A Regra geral é que os valores pagos ou creditados aos trabalhadores sejam incluídos no campo da tributação previdenciária. Todavia, o legislador achou por bem excluir da incidência de contribuições determinadas parcelas e o fez em relação exaustiva lançada no § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991. A referência à assistência à saúde encontrase na alínea “q”: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos Fl. 314DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (...) A meu sentir, a verba sob comento veio a fazer parte desse rol de parcelas excluídas da tributação como uma maneira de incentivar as empresas a disponibilizarem assistência médicoodontológica aos seus empregados. Esse beneficio, é bom que se diga, é dado para os trabalhadores, não como salárioutilidade, mas de forma a propiciar à empresa um quadro funcional saudável. Diferentemente ocorre com a extensão desse beneficio aos dependentes dos empregados e diretores, haja vista que aí passase a remunerálos indiretamente, posto que os valores repassados acabam por se incorporar aos seus patrimônios na medida em que deixam de efetuar esses dispêndios com as respectivas famílias. Também é certo que existe a habitualidade no fornecimento da verba, posto que mensalmente os valores necessários a cobertura assistencial dos dependentes dos empregados era repassada à empresa conveniada. Percebese que a utilização da assistência médica pode não ser habitual, mas o seu custeio obrigatoriamente é habitual, sob pena de suspensão do atendimento médico. Assim, para fins de incidência de contribuições há de se diferenciar os gastos do empregador com o seu quadro funcional daquele direcionado aos dependentes dos trabalhadores. O primeiro prendese a verba disponibilizada para que o trabalho seja desenvolvido sem quebras de produtividade por motivo de saúde, enquanto que o segundo representa um plus na remuneração do segurado, representado pelo custeio da assistência médica a pessoas estranhas ao ambiente laboral, os dependentes. Diante dessas considerações, independentemente da norma inserta na alínea “q”do § 9.º do art. 28 da Lei n.º 8.212/1991 ser ou não norma de caráter isentivo, entendemos que os seus ditames não se aplicam aos gastos da empresa com assistência à saúde dos dependentes dos seus empregados, sendo lícita a tributação sobre esses valores. Aplicação da multa A multa foi aplicada no patamar de 24% (vinte e quatro por cento) das contribuições devidas, conforme a legislação vigente quando da ocorrência dos fatos geradores. É assim que determina o art. 144 do CTN. Na situação específica foi aplicado o art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, que carregava a seguinte redação: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; Fl. 315DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000993/201033 Acórdão n.º 2401003.009 S2C4T1 Fl. 307 11 II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (...) Esse dispositivo, como bem afirmou a recorrente, foi revogado pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertido na Lei n.º 11.941/2009. A partir de então, passaram a vigorar na Lei n.º 8.212/1991 as seguintes disposições: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Assim, verificase que às contribuições pagas fora do prazo legal passouse a aplicar a multa de mora prevista no art. 61 da Lei n.º 9.430/1996, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, tendo como limite o patamar de 20% (vinte por cento). Todavia, o art. 35 da Lei n.º 8.212/1991 não é aplicável à situação sob comento, posto que havendo lançamento de ofício, a multa aplicada é aquela prevista no art. 44 da Lei n.º 9.430/19961, nos termos do art. 35A da Lei n.º 8.212/1991. Assim, descabe a alegada limitação prevista no art. 61 da Lei n.º 9.430/1996. Vejase que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 prevê que a multa deve ser calculada em 75% (setenta e cinco por cento) do tributo não recolhido, não havendo o que se 1 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 316DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 falar na falta de declaração das contribuições devidas a outras entidades e fundos, posto que inexiste essa obrigação legal. Nesse sentido, sequer cabe invocar a aplicação retroativa da nova legislação, em homenagem ao art. 106 do CTN, uma vez que a multa calculada nos termos do art. 44, I, da Lei 9.430/1996 (75% da contribuição não recolhida) é mais gravosa que aquela fixada conforme a legislação de regência, art. 35 da Lei n.º 8.212/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.876/1999 (24% da contribuição não recolhida). Quanto ao argumento recursal de que seria ilegal a aplicação de multa progressiva no tempo, verifico que o mesmo se contrapõe a dispositivo literal de lei, posto que a determinação legal que previa essa sistemática era a vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, não podendo o Fisco deixar de aplicála. Na análise dessa razão, não se pode perder de vista que o lançamento da penalidade por descumprimento de obrigação acessória é operação vinculada, que não comporta emissão de juízo de valor quanto à sua justeza, haja vista que uma vez definido o patamar da quantificação da penalidade pelo legislador, fica vedado ao aplicador da lei proceder de forma diversa.façamos uma abordagem acerca da possibilidade de afastamento por órgão de julgamento administrativo de ato normativo por inconstitucionalidade. Sobre esse tema, notese que o escopo do processo administrativo fiscal é verificar a regularidade/legalidade do lançamento à vista da legislação de regência, e não das normas vigentes frente à Constituição Federal. Essa tarefa é de competência privativa do Poder Judiciário. O Decreto n.º 70.235/1972, que rege o processo administrativo fiscal no âmbito da União, prescreve: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Nessa linha de entendimento, a própria Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, é por demais enfática neste sentido, impossibilitando, regra geral, o afastamento de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, a pretexto de inconstitucionalidade, nos seguintes termos: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; Fl. 317DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 15586.000993/201033 Acórdão n.º 2401003.009 S2C4T1 Fl. 308 13 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Observese que, somente nas hipóteses ressalvadas no parágrafo único e incisos do dispositivo legal encimado poderá ser afastada a aplicação da legislação de regência. No âmbito do julgamento administrativo, a matéria acabou por ser sumulada, como se vê do seguinte enunciado de súmula: Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Essa súmula é de observância obrigatória, nos termos do “caput” do art. 72 do Regimento Interno do CARF2. Como se vê, este Colegiado falece de competência para se pronunciar sobre as alegações de inconstitucionalidade de lei e decreto trazidas pela recorrente. Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo 2 Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. (...) Fl. 318DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 25/06 /2013 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10980.905797/2008-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.720
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça.
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assisi, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 05 79 7/ 20 08 -6 6 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905797/200866 Resolução nº 3401000.720 S3C4T1 Fl. 103 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação protocolado pela contribuinte CCV Comercial Curitibana de Veículos S/A no valor de R$1.556,29 relativo ao PIS apurado no mês de outubro de 2003. A DRF/Curitiba exarou Despacho Decisório, no qual consta que fora localizado o pagamento supracitado, mas que ele já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível, razão pela qual a compensação não foi homologada. Cientificada, a contribuinte protocolou, tempestivamente, Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: Para o período de apuração out/13, teria efetuado mais de um recolhimento a título de PIS, no valores de R$ 22.239,98 e R$ 2.698,02 relativamente às receitas auferidas por sua matriz e filial, gerando um recolhimento total de R$ 24.992,00, sendo esse valor originalmente indicado em sua DCTF. Recalculou a contribuição devida, em face da redução a zero por cento da alíquota de PIS incidente sobre as vendas diretas do fabricante/montadora, prevista no art. 2º, § 2º, da Lei nº 10.485/2002, tendo então constatado que o valor efetivamente devido dessa contribuição seria de R$ 23.435,71, o que também informou em DCTF, DIPJ e DACON retificadoras; dessa forma, estaria demonstrado o pagamento a maior que utilizou para a compensação em tela. Em 9.2.2011, a 3ª Turma da DRJ/CTA julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, pois a modificação da DCTF não pode ser admitida para alterar o Despacho Decisório, cuja ciência pela interessada se deu antes da transmissão da declaração retificadora. Além disso, a compensação de indébito fiscal com créditos tributários vencidos ou vincendos está condicionada à comprovação de certeza e liquidez do respectivo indébito. A contribuinte foi cientificada da decisão em 18.2.2011 e, em 21.3.2011, protocolou, tempestivamente, Recurso Voluntário, alegando, em linhas gerais, que a não homologação da compensação se fundamentou em questões meramente formais, sem levar em conta a realidade fática que circunscreve o presente processo. No mais, repisou os argumentos expostos em sua Manifestação de Inconformidade. Por fim, a contribuinte requer o provimento de seu Recurso Voluntário, anulandose o acórdão recorrido, a fim de que seja realizada diligência para que a comprovação da existência do crédito pleiteado. Caso a decisão não seja anulada, com baixa em diligência ou não, pede a reforma da decisão, de forma que seja reconhecido o direito creditório da contribuinte. É o Relatório. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905797/200866 Resolução nº 3401000.720 S3C4T1 Fl. 104 3 Voto Este recurso deve ser conhecido por apresentar os elementos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de compensação de créditos referentes ao PIS. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário onde defende a homologação dos créditos glosados referentes aos pagamentos a maior do referido tributo devendo estes ser compensados. Após a negativa de seu pedido, a contribuinte providenciou a DCTF retificadora, isto é, constituiu os créditos, porém não seria possível utilizálos na compensação pleiteada, tendo em vista o inciso IV do parágrafo 3º do art. 26 da Instrução Normativa nº. 600 de 28 de dezembro de 2005, que reproduzo abaixo: (grifamos) Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do formulário Declaração de Compensação (...), ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (...) § 3º Não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1º: (...) IV – o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; (...) Com isso, para a utilização destes créditos a contribuinte deveria emitir outra Declaração de Compensação, não sendo possível compensálos com os débitos presentes neste processo, os quais corretamente foram exigidos na decisão recorrida, tendo em vista que a DCTF constitui confissão de dívida, conforme o parágrafo 4º do art. 26 da Instrução Normativa 600 de 28 de dezembro de 2005, reproduzido abaixo: Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRF. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10980.905797/200866 Resolução nº 3401000.720 S3C4T1 Fl. 105 4 (...) § 4º A Declaração de Compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Porém, tendo em vista o princípio da verdade material que deve reger o processo administrativo fiscal a obrigação da autoridade fiscal é verificar se os montantes pagos correspondem aos efetivamente devidos quando existe pedido de restituição, ressarcimento ou compensação, não obstante a falta de DCTF retificadora, evitando assim enriquecimento indevido por parte da Fazenda, independente do cumprimento ou não do aspecto formal. Sendo assim, é necessária diligência para verificar os montantes efetivamente pagos e aqueles que seriam devidos pela contribuinte e, existindo pagamento a maior, deve ser deferida a pretensão da contribuinte. Frente a todo o exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que seja apurado o valor que é devido em cada um dos códigos, o valor que fora efetivamente pago e, sendo assim, se a contribuinte possui direito creditório em caso de pagamento a maior. Cientifiquese a contribuinte do resultado para, caso queira, manifestarse no prazo de 30 dias. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 16/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 0 4/07/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 17/06/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
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Numero do processo: 13820.000112/2003-18
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3403-000.446
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.[
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.[ Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.[ Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel. Relatório Tatase de Recurso Voluntário interposto em razão do r. Acórdão proferido pela DRJ em Ribeirão PretoSP, que manteve o indeferimento do pedido de ressarcimento de crédito de IPI, acumulado com pedidos de compensação de débitos próprios, relativos aos insumos utilizados na fabricação de produtos exportados referente ao período de 01/10/2002 a 31/12/2002. O pedido de ressarcimento de fl.01, documentos de 02/05, foi formulado com base no art. 5o do Decretolei número 491/69 e com espeque no art. 1o, inciso II, da Lei número 8.402/92, no montante de R$ 6.100.000,00 (seis milhões e cem mil reais), tendo sido deferido parcialmente o crédito no valor de R$ 6.014.576,29 (seis milhões e quatorze mil e quinhentos setenta seis reais e vinte nove centavos). Tendo sido glosado o valor de R$ 85.423,71 (oitenta cinco mil e quatrocentos vinte três reais e setenta um centavos). Consta dos autos que o pedido formulado em 18.02.2003, corresponde ao saldo credor de IPI apurado no quarto trimestre do anocalendário de 2002, relativo ao 4º RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 20 .0 00 11 2/ 20 03 -1 8 Fl. 552DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13820.000112/200318 Resolução nº 3403000.446 S3C4T3 Fl. 4 2 trimestre do anocalendário de 2002, no valor supra mencionado, pedido este acumulado com pedido de compensação de débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela SRF por meio do processo administrativo sob o número 13820.000312/200362, compensando com débitos do IRPJ e CSLL. Despacho Decisório de fls. 389/391 homologou parcialmente o pleito. A glosa deuse em razão da lavratura do Auto de Infração objeto do processo administrativo16045. 0000109/200745, onde se discute operação de alienação inferior ao valor tributário mínimo previsto no art. 123 do RIPI/98, em decorrência deste lançamento entendeu por bem a Autoridade Administrativa deferir parcialmente o pedido de ressarcimento/compensação, sustentando, que o mesmo perdeu em parte a certeza e liquidez. A Recorrente Irresignada sustenta em sua manifestação de inconformidade a necessária suspensão do processo face à existência de questão prejudicial pendente de julgamento na esfera administrativa, referese à impugnação apresentada em razão do auto de infração protocolizado sob o número 16045.000109/200745, cujos saldos credores e devedores de IPI no 1o trimestre de 2002 teriam sido alterados, ocasionando, por conseqüência, a redução do saldo credor da empresa no período, acrescentando sua indignação quanto à menção, que seria descabida, ao processo número 16045.000229/200581, cujos períodos de apuração não guardam relação com o presente e que ainda estaria pendente de decisão administrativa final. Em suas razões recursais articula os mesmos argumentos, conclui requerendo o conhecimento e provimento em sua totalidade, para acolher a preliminar de reunião dos processos administrativos (processos números 13820.000.112/200318 e 16045.000109/2007 45), com o objetivo de serem julgados conjuntamente, a fim de evitar decisões conflitantes, ou, ao menos, seja sobrestado o presente processo, até o julgamento final do referido processo referente o auto de infração 16045.000.016/200711. Em decorrência do Acórdão de nº 340300.049 – 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária, 30 de junho de 2010, restou decidido transformar o julgamento em diligência no sentido de aguardar o julgamento do processo nº 16045.000109/200745 por questão prejudicial. Sobreveio o julgamento da questão do processo 16045.000109/200745 (Recurso 250.505) Acórdão nº 330299.610, 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 30 de setembro de 2010, fls. 531/547, deu provimento parcial ao recurso para excluir a majoração da multa de ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, impondo o seu conhecimento. Fl. 553DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 13820.000112/200318 Resolução nº 3403000.446 S3C4T3 Fl. 5 3 O pleito formulado neste caderno passou a depender da decisão que fosse a ser prolatada nos autos de número 16045.000109/200745, em decorrência da natureza dos créditos e outros obstáculos motivadores do auto de infração que alterou substancialmente a escrita fiscal, reduzindo o saldo credor do IPI. A decisão contida no Acórdão nº 330299.610, 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária, sessão de 30 de setembro de 2010, cópia juntada nestes autos restou desfavorável aos interesses da Recorrente, visto que, manteve o crédito tributário, excluindo tãosó a majoração da multa, da qual há recurso especial. Em sendo assim, não há transito em julgado em relação ao crédito que pretende. Diante do exposto, voto no sentido de transformar o julgamento em diligência no sentido de aguardar a decisão definitiva nos autos do processo nº 16045.000109/200745. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 554DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10830.918677/2009-23
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente.
(Assinado digitalmente
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO - Presidente. (Assinado digitalmente JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente).
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Acordam os membros do colegiado,, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que a DRF do domicílio tributário da recorrente certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. Vencido o Conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Presidente. (Assinado digitalmente JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JORGE VICTOR RODRIGUES, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA e CORINTHO OLIVEIRA MACHADO (Presidente). Relatório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 18 67 7/ 20 09 -2 3 Fl. 156DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.918677/200923 Resolução nº 3803000.292 S3TE03 Fl. 6 2 A contribuinte alegou que no exercício de 2003 apurou e recolheu valores atinentes a contribuições sociais de PIS e Cofins sobre outras receitas, que não o faturamento, com base na Lei nº 9.718/98, cujo § 1º do seu artigo 3º foi declarado inconstitucional pelo STF, quando do julgamento do RE 346.084/PR, em 09/11/95. Em face desse fato deduziu pelos recolhimentos de valores de PIS e Cofins efetuados a maior/indevidamente, buscando então a sua compensação perante a repartição fiscal de sua circunscrição. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico de fls. 49/53, emitido em 07/10/09 pelo Sistema de Controle de Crédito da RFB, a autoridade administrativa que analisou o limite do crédito original informado em PER/DComp nº 10271.53859.290607.1.2.045562, transmitida em 16/07/07, constatou que o referido crédito foi utilizado integralmente para a quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando saldo credor disponível para a compensação dos débitos informados na DComp, pois de acordo com o detalhamento da compensação, os valores devedores e emissão de DARF assinala que o valor declarado na DComp é o mesmo que o saldo devedor apurado para compensação de R$ 39.817,69. Irresignada com o teor do despacho retromencionado o sujeito passivo manifestou a sua inconformidade deduzindo sucintamente acerca da legitimidade do seu direito de realização da compensação informada, cujo crédito originouse a partir da declaração de inconstitucionalidade do § 1o do artigo 3o da Lei nº 9.718/98, que propiciou o alargamento da base de cálculo do PIS e Cofins, defendendo inclusive pela atualização dos valores indevidamente recolhidos, nos moldes previstos no artigo 39, § 4o, da Lei nº 9.250/95, ou seja, mediante incidência da taxa Selic para requerer pela insubsistência do despacho guerreado e o seu posterior arquivamento. Conclusos foram os autos submetidos à apreciação da 8ª Turma da DRJ/CPS, quando em sessão realizada em 08/02/12, proferiram decisão por meio do Acórdão nº 05 36.835, cuja ementa encontrase adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 Compensação. Créditos. Comprovação. É requisito indispensável à efetivação da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração do montante do credito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O voto condutor do acórdão em questão partiu do pressuposto de que a DComp tem a finalidade de formalizar o encontro de contas entre a contribuinte e a Fazenda Pública, cabendo àquela a responsabilidade pelas informações acerca dos créditos e os débitos, e à autoridade administrativa a necessária verificação e validação/homologação, se for o caso, confirmando a extinção do crédito, ou invalidando as informações prestadas. Ou seja, o reconhecimento do direito creditório oponível à Fazenda Nacional depende de prova, a ser produzida pelo interessado. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.918677/200923 Resolução nº 3803000.292 S3TE03 Fl. 7 3 Assinalou o referido acórdão que a contribuinte, a título de elemento probante do alegado, fez colação aos autos da DComp, da DCTF e de DARF, bem assim que o exame realizado acerca dos débitos e créditos por ela informados à Administração, revelou como causa da não homologação, a utilização integral do crédito original para a extinção anterior de outros débitos, ou seja, não existia o crédito utilizado para a compensação não existia. A decisão de primeira instância reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo pela Lei nº 9.718/98, a partir do julgamento dos RE nos 390.840, 346.084 e 358.273, bem assim do RE 585.2351, quando decidiu o STF reconhecer a repercussão geral da questão constitucional em tela, em acórdão proferido em sessão de 10/09/2008, publicado no DJE no 227 de 28/11/2008, e transitado em julgado em 12/12/2008. Isto tudo com base no Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, c/c o art. 26 A do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, que rege o procedimento administrativo fiscal no âmbito da RFB, na alteração promovida pela Lei no 11.941, de 27 de maio de 2009, bem como de acordo com a edição pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, do Parecer PGFN/CRJ/N° 492, de 22/03/2010 e a Portaria PGFN n° 294, de 2010, que veio a prever a dispensa de apresentação de recurso, ordinário e extraordinário, em determinados casos dentre os quais se incluiu o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3°, §1° da Lei n. 9.718/98. Concluiu que o reconhecimento da não incidência não implica, necessariamente, o reconhecimento de direito creditório, pois tal fato exige do pleiteante que demonstre a existência e a magnitude de parcelas indevidas nos recolhimentos que fez. Nenhum elemento nesse sentido existe nos autos e a contribuinte não logrou comprovar a certeza e a liquidez do crédito alegado, condição para a homologação da compensação declarada. A ciência eletrônica por decurso de prazo/disponibilização do teor da decisão de primeira instância na caixa postal da contribuinte ocorreu em 16/04/12, com previsão para o vencimento dessa ciência em 01/06/12, porém o recurso voluntário foi interposto em 14/05/12, conforme data posta em recebimento pela servidora do órgão preparador. A recorrente reafirmou minudentemente os argumentos expendidos na exordial para requerer: (i) a reforma da decisão hostilizada; (ii) o reconhecimento da legitimidade do crédito pleiteado e a incidência da taxa Selic até a data da efetiva homologação; (iii) a anuência para a juntada dos documentos em anexo (DCTF, DIPJ/2004, Razão analítico – de 01 a 31/07/03, Planilha de Cálculo do PIS/Pasep e Cofins, conforme decisão do STF de 09/11/05, DARF – Cód. receita 2172 e PA 07/03), em respeito ao princípio da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. É o relatório. Voto. Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.918677/200923 Resolução nº 3803000.292 S3TE03 Fl. 8 4 O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios no período de apuração do 1º trimestre/2003, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência. A decisão de primeira instância encontra respaldo no Despacho Decisório Eletrônico (fls. 49/53), bem assim na listagem de créditos e saldos remanescentes (fl. 60/61) e no Demonstrativo Analítico de Compensação (62), ambos de lavra da Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança da Receita Federal do Brasil – CODAC, que atestam a inexistência de saldo credor remanescente para a realização da compensação declarada. A referida decisão também reconheceu a origem do crédito apresentado pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que havia instituído o conceito que culminou alargamento da base de cálculo do PIS/Pasep e Cofins. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. Ademais disso há o pleito para o acolhimento de documentos acostados aos autos inoportunamente. Assiste razão ao juízo de primeira instância quando formulou assertivas de que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. De igual modo quando assinalou que cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém à homologação confirmando a extinção da obrigação tributária. Em relação ao pleito formulado pela contribuinte para o acolhimento de documentos colacionados aos autos por ocasião da interposição do recurso voluntário, a título de dar cumprimento aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa, temse a observar. A dinamicidade do Direito possibilitou a aplicação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do processo administrativo tributário, como subsídio na busca e para a formação da convicção do juízo do julgador por ocasião de seu pronunciamento, tendo em vista o deslinde da querela. Consubstanciado no conjunto de provas que lhe são apresentadas, inclusive aquelas entregues a extemporaneamente, este princípio também permite ao julgador ir para além da formalidade processual, pontuada por alguns limites temporais ou materiais, para lhe Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10830.918677/200923 Resolução nº 3803000.292 S3TE03 Fl. 9 5 propiciar a busca pela verossimilhança, por uma ordem de maior aproximação da verdade, em tempo razoável. A complexidade das matérias e o dever de decidir nos processos administrativos vinculado à força probante, tornou possível a interação entre a verdade formal e a material, bem assim a prevalência desta sobre aquela, suplantando a dicotomia de prevalência da forma sobre o conteúdo, eis que a verdade absoluta ainda reside na utopia, no ideal. Com isso, na busca de seu convencimento a autoridade julgadora pode e deve se utilizar de ferramentas que confiram segurança jurídica naquilo que lhe é ambíguo, inclusive do instituto da diligência. Inobstante a legitimidade do lançamento e das provas acostadas aos autos sob exame, oportunamente, a juntada de novas provas ainda que extemporâneas, não compromete o devido processo legal, impossibilitará a alegação de cerceamento de defesa, não trará prejuízo às litigantes, e dará mais elementos com vistas ao fortalecimento da convicção do julgador. Com estas observações acolho o pleito da recorrente para anuir afirmativamente à juntada da documentação trazida aos autos juntamente com o recurso voluntário e, para que não se venha porventura a alegar a supressão de instância, proponho pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa competente se certifique o valor das demais receitas da recorrente que extrapolam o faturamento, conforme documentos da sua escrita contábil ora juntada aos autos. É como voto. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 01/07/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 12/08/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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