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Numero do processo: 10680.724147/2011-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE.Demonstrada a existência de obscuridade no resultado da decisão, deve-se acolher os embargos de declaração de modo a suprir a mácula apontada, passando esse acórdão a ter a seguinte decisão em seu dispositivo:
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, para considerar que integram a base de cálculo da COFINS as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras, por tratarem-se de receitas operacionais. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Antonio Carlos Atulim acompanharam o Relator pelas conclusões, invocando os mesmos fundamentos de mérito lançados no Acórdão 3403003.375. Sustentou pela recorrente o Dr. Ewerton Azevedo, OAB/DF nº 15.317.
Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3301-003.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados pelo Presidente da Turma de Julgamento que proferiu o julgado embargado, para retificar o dispositivo do Acórdão nº 3403-003.572, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, , Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Marcelo Giovani Vieira e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: Relator
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EXISTÊNCIA DE OBSCURIDADE.Demonstrada a existência de obscuridade no resultado da decisão, devese acolher os embargos de declaração de modo a suprir a mácula apontada, passando esse acórdão a ter a seguinte decisão em seu dispositivo: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, para considerar que integram a base de cálculo da COFINS as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras, por trataremse de receitas operacionais. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Antonio Carlos Atulim acompanharam o Relator pelas conclusões, invocando os mesmos fundamentos de mérito lançados no Acórdão 3403003.375. Sustentou pela recorrente o Dr. Ewerton Azevedo, OAB/DF nº 15.317. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos formulados pelo Presidente da Turma de Julgamento que proferiu o julgado embargado, para retificar o dispositivo do Acórdão nº 3403003.572, sem efeitos infringentes, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 41 47 /2 01 1- 00 Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3301003.084 S3C3T1 Fl. 11 2 Semíramis de Oliveira Duro Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri, , Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Marcelo Giovani Vieira e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo Presidente da Turma de Julgamento que proferiu o Acórdão nº 3403003.572, com base no art. 65 do RICARF (Portaria nº 256/2009), em face de obscuridade cometida na anotação do resultado do julgamento. A decisão embargada foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2009 COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO PREVISTA NO PARÁGRAFO 1º DO ARTIGO 3º DA LEI 9718/98. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO EM CASO CONCRETO DO CONTRIBUINTE. INTERPRETAÇÃO DO ENTENDIMENTO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O conjunto das decisões existentes, proferidas pelo STF, evidencia que a Corte Constitucional não se pronunciou quanto ao alcance concreto, em relação às instituições financeiras, da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, e que, diante do impasse de definir se tal entendimento implicaria em retirar do conceito de faturamento das instituições financeiras as receitas financeiras auferidas por estas instituições, o Plenário entendeu pela necessidade de reconhecer a Repercussão Geral da questão, em recurso que ainda aguarda julgamento de mérito (RE 346084, DJ 01/09/2006; RE 585235 QORG, DJe227 28/11/2008; RE 527602, DJe213 13/11/2009; RE 609096 RG, DJe080 02/05/2011). Resta claro que ainda será definido pelo STF qual o alcance concreto da referida declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras, de maneira que não configura violação da coisa julgada a tarefa empreendida pela Administração Tributária de pesquisar e definir qual deve ser o alcance do conceito de “receita da venda de bens e serviços” em relação aos bancos. Diante, pois, da falta de definição pelo próprio STF, é plausível a interpretação de que a receita da venda de bens e serviços em relação aos bancos deve abranger as receitas financeiras decorrentes das atividades desenvolvidas por estas instituições Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3301003.084 S3C3T1 Fl. 12 3 no mercado financeiro, na qualidade ampla de serviços financeiros. Recurso negado. E no dispositivo do acórdão consta: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Antonio Carlos Atulim acompanharam o Relator pelas conclusões, invocando os mesmos fundamentos de mérito lançados no Acórdão 3403003.375. Sustentou pela recorrente o Dr. Ewerton Azevedo, OAB/DF nº 15.317. Aponta o Embargante, Presidente Antonio Carlos Atulim, que há obscuridade cometida na anotação do resultado do julgamento. Para tanto, compila a Ata da sessão de julgamento, a qual tem o seguinte texto: Relator(a): IVAN ALLEGRETTI Processo: 10680.724147/201100 Recorrente: BANCO MERCANTIL DO BRASIL SA e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 3403003.572 Informações Adicionais: Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Antonio Carlos Atulim acompanharam o relator pelas conclusões, invocando os mesmos fundamentos de mérito lançados no Acórdão 3403003.375. O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Sustentou pela recorrente o Dr. Ewerton Azevedo, OAB/DF nº 15.317. Julgado no dia 25/02/2015. Votação: Por Maioria Vencido(s) na votação: DOMINGOS DE SA FILHO LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA Questionamento: RECURSO VOLUNTÁRIO Resultado: Recurso Voluntário Negado. Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3301003.084 S3C3T1 Fl. 13 4 Segundo o Embargante, a obscuridade reside na impossibilidade de se identificar a tese que arregimentou a maioria dos votos dos conselheiros que participaram do julgamento, o que viola frontalmente o art. 54 do Regimento Interno do CARF. Afirma que a tese vencedora é a que consta do Acórdão 3403003.572, adotada pelos três conselheiros fazendários, mas isso não ficou claro no registro da Ata. Alega ainda, que se o relator negou provimento por fundamento diverso, ou seja, com outra tese, o resultado não pode ser negado por maioria, simplesmente porque a maioria não se formou em relação a nenhuma das teses. O art. 54 do RICARF prescreve: Art. 54. As turmas ordinárias e especiais só deliberarão quando presente a maioria de seus membros, e suas deliberações serão tomadas por maioria simples, cabendo ao presidente, além do voto ordinário, o de qualidade. Com esses fundamentos, os embargos foram interpostos em 03 de março de 2015, com o objetivo de que o colegiado saneie a obscuridade verificada e delibere nos termos determinados pelo art. 54 do RICARF (efls. 12541255). É o relatório. Voto A celeuma enfrentada pelo acórdão embargado foi definir o alcance da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 em relação ao contribuinte em questão, que é uma instituição financeira. O entendimento do Relator Ivan Alegretti foi no sentido da plausibilidade da adoção em âmbito administrativo da interpretação de que a receita da venda de bens e serviços em relação aos bancos deve abranger as receitas financeiras decorrentes das atividades desenvolvidas no mercado financeiro, por configurarem serviços financeiros. Confirase a conclusão do voto condutor: 8) Conclusão Considerando que o STF não se pronunciou no sentido de que a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 implicaria em retirar do conceito de faturamento das instituições financeiras as receitas financeiras auferidas por estas instituições, mas justamente que o Plenário entendeu pela necessidade de reconhecer a Repercussão Geral deste tema, ficando expresso que ainda será definido pelo STF qual o alcance concreto da referida declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras, Fl. 1278DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3301003.084 S3C3T1 Fl. 14 5 entendo que não se configura violação da coisa julgada na tarefa empreendida de pesquisar e definir qual deve ser o alcance do conceito de “receita da venda de bens e serviços” em relação à Recorrente. Diante, pois, da falta de definição pelo próprio STF – seja no caso concreto do Recorrente, seja em relação às instituições financeiras em geral – quanto ao alcance da declaração de inconstitucionalidade em relação às instituições financeiras, tornase plausível e adequado adotar em âmbito administrativo a interpretação de que a receita da venda de bens e serviços em relação aos bancos deve abranger as receitas financeiras decorrentes das atividades desenvolvidas no mercado financeiro, por configurarem serviços financeiros. Pelas razões expostas, voto por negar provimento ao recurso. Cotejando a conclusão do voto, a fundamentação e questão fática relatada, concluise que o recurso voluntário foi negado para considerar que as receitas recebidas pela instituição financeira em razão da realização de seu objeto social constituemse em receitas operacionais, as quais se enquadram no conceito de faturamento para fins de cálculo do PIS e da COFINS. O acórdão nº 3403003.375 apontado pelo Embargante discutiu a mesma problemática: o alcance da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 em relação à instituição financeira. O voto condutor do Relator Rosaldo Trevisan chegou à mesma conclusão daquela do acórdão embargado. Confirase os excertos: Tomando como constitucional o comando legal, seria absolutamente contraditório considerar, como se deseja no recurso voluntário, que as únicas receitas a compor a base de cálculo fossem as registradas na conta COSIF referente a “rendas de prestação de serviços”. Vejase que praticamente a totalidade das exclusões específicas previstas no § 6º é absolutamente incompatível com a adoção do conceito restritivo pleiteado. Daí estarem as matérias “exigibilidade do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras” e afastamento da “incidência do disposto no art. 3º, §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718/1998” conectadas no Tema nº 372, com repercussão geral reconhecida pelo STF. Assim, assumindo como constitucionais as disposições dos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998, menor relevância adquire a discussão sobre eventual aplicação do GATS ou do Código de Defesa do Consumidor na definição de serviços em relação a instituições financeiras. De qualquer sorte, ambas as normas são efetivamente definidoras de serviços (uma em caráter internacional e outra no âmbito brasileiro), sendo passíveis de aplicação em matéria tributária, buscando não distorcer os Fl. 1279DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3301003.084 S3C3T1 Fl. 15 6 conteúdos de direito privado, na linha seguida pelo art. 110 do CTN. A aplicação do Código de Defesa do Consumidor às atividades das instituições financeiras foi inclusive reconhecida pelo STF, como se destaca no julgamento de piso. Em suma, não é restrita como se deseja no recurso voluntário a leitura do dispositivo legal, mas na forma disciplinada, à época dos fatos previstos na autuação, pela Instrução Normativa no 247/2002 (sendo a matéria hoje tratada pela Instrução Normativa n. 1.285/2012). Ambas as instruções normativas esclarecem e enumeram as deduções e exclusões aplicáveis, gerais e específicas, tomando como base as receitas operacionais. E é nessa matéria que a DRJ diverge parcialmente do entendimento expresso na autuação, admitindo exclusões e deduções não reconhecidas no lançamento. A DRJ exclui, por não constituírem receitas operacionais, “rendas de participações”, “recuperação de créditos baixados como prejuízo” e “reversão de provisões operacionais”, e reconhece a dedução em relação a valores registrados no grupo denominado “despesas de captação”. As três contas referentes a exclusões constam expressamente no quadro “exclusões” do Anexo I da Instrução Normativa no 247/2002 (vigente ao tempo dos fatos). E a dedução de “despesas de captação” encontra expressa guarida nas “deduções” relacionadas no mesmo Anexo I. Correto, assim, o entendimento da DRJ, que, em verdade, reflete o estrito cumprimento de norma editada pela própria RFB. As “rendas de operações de créditos”, “rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez” e “rendas de títulos e valores mobiliários” e “outras receitas operacionais” (recuperação de encargos e despesas, e juros recebidos em razão de pagamento em atraso de financiamentos concedidos) são nitidamente contas de receitas operacionais, não demonstrando a instituição na argumentação externada no recurso voluntário a existência de hipótese normativa de exclusão ou dedução. Improcedentes, assim, as alegações expressas no recurso voluntário, em relação e este tópico. A decisão do acórdão nº 3403003.375, comparado, foi: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 RETORNO SOBRESTAMENTO. REPERCUSSÃO GERAL. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. SÚMULA 2 CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, os retornos de sobrestamento sem decisão definitiva do STF (em matérias de reconhecida repercussão geral) devem ser julgados tomando Fl. 1280DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3301003.084 S3C3T1 Fl. 16 7 como constitucionais as leis a respeito das quais ainda se aguarda o posicionamento do STF. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Carece de base legal a incidência de juros de mora sobre multa de lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput da Lei n. 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/12/2008 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A base de cálculo da COFINS em relação a instituições financeiras, em virtude de sua atividade, é obtida pela aplicação do disposto nos arts. 2º e 3º, caput da Lei n. 9.718/1998, aplicadas as exclusões e deduções gerais e específicas previstas nos §§ 5º e 6º do referido art. 3º. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: 1) por maioria de votos, determinouse a exclusão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern; e 2) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à exclusão das receitas operacionais da base de cálculo da contribuição. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Luiz Rogério Sawaya Batista, que entenderam que a decisão judicial garante ao contribuinte o direito de recolher a contribuição apenas sobre as receitas da prestação de serviço. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Por conseguinte, considerando que: A No dispositivo do acórdão embargado (3403003.572) consta que os membros acordaram por maioria de votos, em negar provimento ao recurso e que os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Antonio Carlos Atulim Fl. 1281DF CARF MF Processo nº 10680.724147/201100 Acórdão n.º 3301003.084 S3C3T1 Fl. 17 8 acompanharam o Relator pelas conclusões, invocando os mesmos fundamentos de mérito lançados no Acórdão 3403003.375; B E no dispositivo do acórdão citado (3403003.375) consta que pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto à exclusão das receitas operacionais da base de cálculo da contribuição. Então, com vistas ao cumprimento do art. 54 do RICARF, acolho os embargos para que no dispositivo do acórdão embargado conste: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, para considerar que integram a base de cálculo da COFINS as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras, por trataremse de receitas operacionais. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Antonio Carlos Atulim acompanharam o Relator pelas conclusões, invocando os mesmos fundamentos de mérito lançados no Acórdão 3403003.375. Sustentou pela recorrente o Dr. Ewerton Azevedo, OAB/DF nº 15.317. Conclusão Diante do exposto, voto por acolher os embargos interpostos, para sanar a obscuridade apontada para retificar apenas o dispositivo do Acórdão nº3403003.572, sem efeitos infringentes. Sala de Sessões, em 27 de setembro de 2016. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 1282DF CARF MF
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Numero do processo: 13956.000107/2010-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL.
Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543-B do CPC.
Numero da decisão: 2402-005.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso no sentido de que seja recalculado o crédito tributário de acordo com o regime de competência. Vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci que davam provimento em maior extensão. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo, Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: Ronnie Soares Anderson
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JULGAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL. Nos casos de rendimentos recebidos acumuladamente, deve o imposto de renda ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em deveriam ter sido pagos, sob pena de violação dos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, consoante assentado pelo STF no julgamento do RE nº 614.406 realizado sob o rito do art. 543B do CPC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 01 07 /2 01 0- 91 Fl. 111DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso no sentido de que seja recalculado o crédito tributário de acordo com o regime de competência. Vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci que davam provimento em maior extensão. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Túlio Teotônio de Melo Pereira, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo, Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 13956.000107/201091 Acórdão n.º 2402005.737 S2C4T2 Fl. 42 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba (PR) DRJ/CTA, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) relativa ao ano calendário 2007, lavrada face à constatação de omissão de rendimentos recebidos de ação judicial (fls. 18/22). Impugnado o lançamento (fls. 26/31), a instância a quo manteve a exigência (fls. 84/87), consubstanciando seu entendimento no acórdão assim ementado: IRPF. RENDIMENTOS ACUMULADOS. AÇÃO JUDICIAL. REGIME DE CAIXA. A tributação dos rendimentos recebidos por pessoas físicas, inclusive quando se trata de rendimentos recebidos acumuladamente por meio de ação judicial, é feita pelo regime de caixa, aplicandose as tabelas e alíquotas vigentes no anocalendário em que os rendimentos foram efetivamente entregues ao contribuinte. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. AÇÃO JUDICIAL. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte, em decorrência de ação judicial para obtenção benefício previdenciário não têm caráter indenizatório e estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual. O notificado interpôs recurso voluntário em 26/4/2011 (fls. 94/105), aduzindo, em apertada síntese, que os rendimentos recebidos tinham caráter eminentemente indenizatório, se referindo às competências entre 2001 a 2006, não pagas na data correta, "sendo que as decisões judiciais são unânimes em afastar a incidência do imposto de renda nestes casos". Em 13/3/2013 a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção do CARF, resolveu, mediante a prolação da Resolução nº 2102000.124, considerando a existência de repercussão geral reconhecida pelo STF relativamente à matéria, conforme Tema 228, sobrestar o julgamento nos termos do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF então vigente. Com a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A daquele Regimento Interno pela Portaria Ministério da Fazenda nº 545/2013, sem respaldo quedou o sobrestamento do feito, que foi redistribuído a este Conselheiro. É o relatório. Fl. 113DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso já foi conhecido pelo CARF, razão pela qual passo a sua apreciação. O exame do mérito da controvérsia requer a colação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização Essa opção do legislador, no sentido de que os rendimentos recebidos acumuladamente fossem tributados pelo regime de caixa, foi objeto de questionamento judicial por parte dos contribuintes por diversas razões, dentre as quais se destaca a possibilidade de a incidência de uma só vez, do imposto de renda sobre o somatório das prestações mensais devidas, causar violação aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, visto que se tivessem os beneficiários recebidos na época própria, poderiam estar dentro dos limites de legais de isenção do tributo. Estando a discussão desde 2005 na esfera do Superior Tribunal de Justiça (STJ), este, em sua missão constitucional de uniformizar a interpretação da lei federal, submeteu o tema ao rito previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), ensejando a prolação da seguinte decisão no REsp nº 1.118.429/SP, julgado pela 1ª Seção (Relator Min. Herman Benjamin, DJe de 14/5/2010), cuja ementa transcrevo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por força do § 2º do art. 62 do RICARF (Regimento Interno do CARF, Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015), tornouse obrigatória a reprodução dessa decisão no julgamento dos recursos na esfera do CARF. Persistiu dissenso no âmbito das Turmas componentes da 2ª Seção do CARF, contudo, no tocante à aplicação dessa decisão em recurso repetitivo nos litígios envolvendo lançamentos realizados com base no art. 12 da Lei nº 7.713/88. Em linhas gerais e apertada síntese, podese dividir os entendimentos divergentes em duas vertentes principais, sendo que a Fl. 114DF CARF MF Processo nº 13956.000107/201091 Acórdão n.º 2402005.737 S2C4T2 Fl. 43 5 primeira concedia parcial provimento aos recursos interpostos contra tais lançamentos, determinando que fossem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido originalmente pagos. Já a segunda corrente entendia que tal aplicação implicaria em alteração substancial do critério jurídico adotado no lançamento, o qual, consequentemente, deveria ser cancelado devido à não observância da norma fixada pelo STJ em recurso repetitivo, dando provimento integral ao recurso voluntário. Entrementes, e paralelamente, a controvérsia acerca da incidência do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente assumiu contornos constitucionais, com o reconhecimento de sua repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 20/10/2010, no decorrer de julgamento da questão de ordem em agravo regimental no Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, face à declaração da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em sede de controle difuso. Expliquese que na Arguição de Inconstitucionalidade nº 2002.72.05.000434 0/SC, a Corte Especial daquele e. Tribunal declarou em 22/10/2009 a "inconstitucionalidade sem redução de texto ou interpretação conforme a Constituição" do art. 12 da Lei nº 7.718/88, "no tocante aos rendimentos recebidos acumuladamente decorrentes de remuneração, vantagem pecuniária, proventos e benefícios previdenciários, como na situação vertente, recebidos a menor pelo contribuinte em cada mêscompetência e cujo recolhimento de alíquota prevista em lei se dê mês a mês ou em menor período". Interposto então o RE nº 614.406/RS pela União para afastar a aplicação dessa declaração de inconstitucionalidade em dado caso sob litígio (cujo processo de origem foi a ação ordinária de nº 2008.71.13.00016588/RS), formouse com base nesse leading case o Tema 368 "Incidência do imposto de renda de pessoa física sobre rendimentos percebido acumuladamente" de repercussão geral, o qual foi submetido ao rito regrado pelo art. 543B do CPC . O julgamento do recurso representativo da controvérsia restou findo em 23/10/2014, sendo que o Tribunal Pleno, por maioria, decidiu a matéria negando provimento ao recurso e exarando acórdão cuja ementa foi assim redigida: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27 112014) Fl. 115DF CARF MF 6 No Informativo STF de nº 764, referente ao período compreendido entre 20 e 24 de outubro de 20101, consta o seguinte resumo da conclusão da votação em apreço: IRPF e valores recebidos acumuladamente 4 É inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/1988 (“No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização”). Com base nessa orientação, em conclusão de julgamento e por maioria, o Plenário negou provimento a recurso extraordinário em que se discutia a constitucionalidade da referida norma — v. Informativo 628. O Tribunal afirmou que o sistema não poderia apenar o contribuinte duas vezes. Esse fenômeno ocorreria, já que o contribuinte, ao não receber as parcelas na época própria, deveria ingressar em juízo e, ao fazêlo, seria posteriormente tributado com uma alíquota superior de imposto de renda em virtude da junção do que percebido. Isso porque a exação em foco teria como fato gerador a disponibilidade econômica e jurídica da renda. A novel Lei 12.350/2010, embora não fizesse alusão expressa ao regime de competência, teria implicado a adoção desse regime mediante inserção de cálculos que direcionariam à consideração do que apontara como “épocas próprias”, tendo em conta o surgimento, em si, da disponibilidade econômica. Desse modo, transgredira os princípios da isonomia e da capacidade contributiva, de forma a configurar confisco e majoração de alíquota do imposto de renda. Vencida a Ministra Ellen Gracie, que dava provimento ao recurso por reputar constitucional o dispositivo questionado. Considerava que o preceito em foco não violaria o princípio da capacidade contributiva. Enfatizava que o regime de caixa seria o que melhor aferiria a possibilidade de contribuir, uma vez que exigiria o pagamento do imposto à luz dos rendimentos efetivamente percebidos, independentemente do momento em que surgido o direito a eles.RE 614406/RS, rel. orig. Min. Ellen Gracie, red. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio, 23.10.2014. (RE614406) Merecem transcrição, também, os seguintes excertos do voto condutor de lavra do Ministro Marco Aurélio e dos debates então verificados, cuja leitura permite melhor esclarecer o posicionamento do STF sobre o tema: Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva, porque não é dado aferila, tendo em conta o que apontei como disponibilidade financeira, que diz respeito à posse, mas o estado jurídico notado à época em que o contribuinte teve jus à parcela sujeita ao Imposto de Renda. O desprezo a esses dois princípios conduziria a verdadeiro confisco e, diria, à majoração da alíquota do Imposto de Renda. (...) O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Por isso, no caso, desprovejo o recurso, assentando a inconstitucionalidade do 1 Disponível em: <http://www.stf.jus.br//arquivo/informativo/documento/informativo764.htm>. Acesso em 30/01/2015. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13956.000107/201091 Acórdão n.º 2402005.737 S2C4T2 Fl. 44 7 artigo 12 – não do 12A, que resultou da medida provisória, da conversão em lei –, no que conferida interpretação alusiva à junção do que alcançado pelo contribuinte, considerados os vários exercícios. Mantenho o acórdão. O SENHOR MINISTRO CEZAR PELUSO (PRESIDENTE) Nega provimento? O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO – Porque, de outro modo, o contribuinte – como disse – será apenado, quer dizer, o devedor não satisfaz a parcela, compeleo a entrar em Juízo e, posteriormente, cobra o imposto pela alíquota maior. (grifei) O acórdão em comento transitou em julgado em 9/12/2014, sem interposição de recurso por qualquer das partes, ou atribuição de modulação aos efeitos dessa decisão. Destarte, restou assim consolidado o entendimento de que a incidência do imposto de renda pessoa física sobre verbas recebidas acumuladamente deve considerar as datas e as alíquotas vigentes na época em que a verba deveria ter sido paga, em respeito aos princípios da isonomia e da capacidade contributiva, firmandose, por conseguinte, a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 quanto a esse aspecto. Nos termos do inciso I do § 6º do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, não se aplica a vedação aos órgãos de julgamento administrativo fiscal ao afastamento de lei sob o fundamento de inconstitucionalidade, nos casos de lei que tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF no mesmo passo, temse o disposto no art. 62 do RICARF. Cumpre observar, por oportuno, que as decisões do STF exaradas nos moldes do art. 543B do CPC possuem o caráter de palavra final e definitiva daquele tribunal sobre as questões jurídica nelas objetivamente decididas, conforme já alertava, com propriedade, o Parecer PGFN/CRJ nº 492, de 30 de março de 2011. E, nesse contexto, o § 2º do art. 62 do RICARF contém a seguinte regra: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por conseguinte, a decisão definitiva de mérito proferida pelo Tribunal Pleno do STF sob a sistemática prevista pelo art. 543B do CPC deverá ser reproduzida por este colegiado no julgamento do presente recurso voluntário. E essa reprodução da decisão, salvo melhor juízo, significa aplicação da norma jurídica geral, consolidada no julgamento da repercussão geral, no caso em exame. No caso concreto, a Notificação de Lançamento vergastada foi amparada na prescrição contida no art. 12 da Lei nº 7.713/88, não havendo sido observada a tese jurídica vinculante fixada em sede de repercussão geral, segundo a qual "O Imposto de Renda incidente sobre verbas recebidas acumuladamente deve observar o regime de competência, aplicável a Fl. 117DF CARF MF 8 alíquota correspondente ao valor recebido mês a mês, e não a relativa ao total satisfeito de uma única vez". Então, não ocorreu apenas uma mera desconformidade superficial ou diminuta entre a base de cálculo apurada e a correta, passível de correção ou ajuste mediante o expurgo do excesso eventualmente constatado, a ser efetuado pela administração tributária. Diversamente, o consequente normativo da regra matriz de incidência tributária foi inequivocamente desatendido no seu aspecto quantitativo, visto que tanto a base de cálculo quanto as alíquotas aplicadas para o cômputo do imposto devido afastaramse em sua essência do entendimento sufragado pelo STF para situações do gênero, acarretando em elevado e significativo gravame tributário a afligir a capacidade contributiva do sujeito passivo. Deve ser registrado não ser o caso de se cogitar de nulidade, ao menos nos termos regrados pelo art. 59 do Decreto nº 70.235/72, visto ter sido o lançamento realizado por autoridade competente, com o devido respeito ao direito de defesa. Contudo, não se vislumbra, de um modo geral, a possibilidade de seu aproveitamento ou recálculo, já que evidenciado flagrante grau de descompasso entre suas facetas constitutivas e a decisão do STF acerca do tema, e tendo em mente a ausência de competência do julgador administrativo em determinar a reconstituição do crédito tributário, quanto mais nessa amplitude. Importa observar alguns aspectos adicionais da situação, como fecho desta fundamentação. Primeiramente, vale anotar que sob o mecanismo de repercussão geral, a suprema corte não gera uma disposição, necessariamente, que se pronuncie acerca da constitucionalidade de uma norma jurídica, à semelhança do que ocorre quando atua no controle concentrado da leis, mas sim julga o mérito de uma determinada questão em controle difuso, em decisão que atinge uma série de processos que versem sobre tal tema. Sob essa ótica, o enunciado da ementa do "leading case" não prescinde de conter uma prescrição explícita declarando uma norma, parcialmente ou no todo, inconstitucional, porém veicula conclusão definitiva daquele tribunal sobre a matéria controversa, gerando previsibilidade no direito aplicável às contendas travadas em outras esferas judiciais ou administrativas. À ocasião, o caso versava justamente sobre a declaração de inconstitucionalidade do art. 12 da Lei nº 7.713/88 levada a efeito pelo TRF da 4ª Região, a qual, não obstante o recurso da União, quedou mantida por razões de mérito, como evidencia a fundamentação da decisão do STF. Salvo melhor juízo, se essa Corte decidiu no RE nº 614.406 que tal declaração do Tribunal Regional era perfeitamente harmônica com o texto constitucional, firmouse então entendimento quanto à inconstitucionalidade daquela norma. Lembrese que a ementa do acórdão sintetiza as conclusões do Colegiado, não podendo ser lida abstraindose das razões do julgamento. Também merece ser registrado que não caberia ao STF tecer considerações, nas disposições conclusivas do julgamento, acerca dos efeitos da decisão então acordada sobre eventuais autuações do Fisco realizadas com base na malfadada norma, visto que o exame travado naquela seara deuse, reiterese, debruçado sobre declaração de inconstitucionalidade Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13956.000107/201091 Acórdão n.º 2402005.737 S2C4T2 Fl. 45 9 exarada no TRF da 4ª Região, direito em tese, e não, por exemplo, à luz de ação anulatória de débito fiscal ou lide similar. Além disso, cabe frisar que a eventual inexistência de prejuízo consequente à realização de recálculo do lançamento não serve de escusa para a sua manutenção, quando revelada sua desconformidade com o ordenamento constitucional. Tal conclusão persevera, ainda que tal conhecimento não fosse facultado à autoridade fiscal, quando da autuação. Muito embora as razões acima formuladas, importa frisar que o contribuinte não demandou o cancelamento da exigência, limitandose a postular, em síntese, que o imposto de renda fosse calculado observando o regime de competência. Tendo em vista os estritos termos do pedido, bem como o posicionamento que vem prevalecendo nos recentes julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais, com amparo, em especial, no Acórdão nº 9202003695, considero ser mais adequado no caso concreto, à luz dos princípios da eficiência e da duração razoável do processo, encaminhar voto no sentido de que o tributo incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, objeto do lançamento, seja apurado observando as tabelas e alíquotas vigentes nas épocas a que se referiam os rendimentos. Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para fins de que seja recalculado o crédito tributário de acordo com o regime de competência. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.001745/2005-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Sat Mar 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido
Numero da decisão: 9303-004.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
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CRÉDITO PRESUMIDO. SELIC Recorrente PAMPA EXPORTAÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 17 45 /2 00 5- 63 Fl. 800DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3401001.643, de 11/11/2011, proferido pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF, que fora assim ementado: IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. VALORES APURADOS POR MEIO DE DILIGÊNCIA. Sendo constatado pela fiscalização, em diligência, divergência entre o valor pleiteado e o apurado para fins de ressarcimento de crédito presumido, seja para mais ou para menor, deve o contribuinte ser cientificado de tal fato para, querendo, proceder ao pedido eventualmente efetuado a maior. A diferença apurada é motivo de outro pleito. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. A inexistência de oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impede a utilização da atualização monetária pela SELIC exsurgindo ilegítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Recorrente. Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Contra o acórdão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, o qual, todavia, restou não conhecido (fls. 706/711). No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto aos seguintes temas: (a) à incidência da taxa SELIC para correção dos valores a serem ressarcidos pela Receita Federal, e (b) a Administração admitir a correção do valor de crédito originalmente solicitado ou reconhecer de oficio o direito creditório no valor constatado formal e oficialmente pela autoridade fiscal, mesmo que superior ao originalmente pedido pelo contribuinte. Alega divergência de interpretação em relação ao que decidido no Acórdão nº 20312.009 e 20216.626. O exame de admissibilidade do Recurso Especial encontrase às fls. 780/785. Fl. 801DF CARF MF Processo nº 10280.001745/200563 Acórdão n.º 9303004.679 CSRFT3 Fl. 801 3 A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial (fls. 787/798). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial não deve ser conhecido. São duas as divergência apontadas. Com relação à primeira, enquanto, no acórdão recorrido, entendeuse não aplicar a taxa Selic sobre os valores ressarcidos, ao fundamento de que, havendo sido reconhecida, pela autoridade competente, a totalidade do valor pleiteado, não teria havido resistência ao reconhecimento do crédito pelo Fisco, a justificar a sua incidência, no acórdão paradigma entendeuse aplicável a mesma taxa no caso de ressarcimento de créditos de IPI, pois adotouse o entendimento de que este seria espécie do gênero “restituição”, de modo que a interessada faria jus à incidência sobre os valores reconhecidos pelo acórdão parcialmente recorrido (o da DRJ; a autoridade administrativa houvera indeferido o pleito) e a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento. Os casos, portanto, não se assemelham: enquanto no acórdão recorrido houve o deferimento integral do valor inicialmente vindicado, no caso julgado no acórdão paradigma houve indeferimento integral, o que só se alterou com a decisão prolatada pela DRJ, quando se o reconheceu em parte. Foi sobre este valor reconhecido pela DRJ que a Câmara baixa entendeu de aplicar a taxa Selic, desde a data de protocolo do pedido. Como se vê, não há divergência a ensejar o conhecimento do recurso, visto que o acórdão recorrido não trouxe entendimento divergente do adotado no paradigma, como seria o caso em que, mesmo não havendo resistência, houvesse o reconhecimento do direito à correção dos valores ressarcidos pela taxa Selic. Alega a Recorrente que o acórdão recorrido difere do que decidido no acórdão paradigma, no qual se concluiu que, havendo a fiscalização constatado, na diligência, diferenças entre o valor pleiteado e o apurado para fins de ressarcimento de crédito presumido de IPI, seja para mais ou para menos, deve o contribuinte disto ser cientificado para, querendo, proceder ao complemento do pedido eventualmente apresentado a menor. Já no acórdão recorrido, assim dispôs a relatora: O Acórdão acima é claro em admitir a divergência entre o valor pleiteado e apurado para fins de ressarcimento de crédito presumido, seja para mais ou para menos. Para tanto, devendo o contribuinte ser cientificado de tal fato para, querendo, proceder ao complemento do pedido eventualmente efetuado, a maior ou a menor na Delegacia da RFB de origem. Portanto, há necessidade da Delegacia de origem se manifestar sobre a apuração dos valores complementares que deverão ser objeto de pleito pelo contribuinte nos termos da legislação de regência. Portanto, tal crédito é objeto de outro pleito. Fl. 802DF CARF MF 4 Do exposto nego provimento ao Recurso Voluntário interposto em relação a diferença apurada. Vêse, pois, que, os acórdãos recorrido e paradigma chegaram à mesma conclusão: no caso em que a fiscalização constata, durante a realização da diligência, haver diferença a maior entre os valores pleiteado e apurado pelo próprio contribuinte, deve intimálo para que apresente pedido complementar. Em nenhum deles, portanto, cogitouse do reconhecimento ex officio da diferença de créditos. Inexiste, também aqui, dissídio jurisprudencial a permitir o conhecimento do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 803DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.909853/2009-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-001.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
EDITADO EM: 29/04/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator. EDITADO EM: 29/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães.
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IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTARIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. EDITADO EM: 29/04/2017 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 98 53 /2 00 9- 58 Fl. 547DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório Trata o presente processo da não homologação de compensação cujo crédito se origina de suposto pagamento indevido/a maior do IRPJ recolhido em 31/03/2008, no valor de R$ 359.757,81 e cujo débito é de IRPJ relativo ao 2° Trimestre de 2008, vencido em 31/07/2008. Reiterase a reprodução elucidativa do relatório proferido pela 5ª Turma da DRJ/RPO, através do Acórdão n° 1435.118, constante às fls.72: “Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/02, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débito de IRPJ (código de receita: 0220) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ: 0220). Por intermédio do despacho decisório de fl. 03, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 06/07, acompanhada dos documentos de fls. 08/44, na qual alega, em síntese, que: a) no Doc 1, DIPJ/2008, consta IRPJ a pagar no valor de R$ 887.451,81, referente ao 4° trimestre de 2007, que foi dividido em três cotas no valor de R$ 295.817,27; b) no Doc 2, DCTF de dezembro de 2007, consta débito de IRPJ do 4° trimestre de 2007, no valor de R$ 887.451,81, onde o mesmo foi dividido em três quotas a ser demonstrado na DCTF do próximo trimestre; c) no Doc 3, DCTF de março de 2008, consta débito de IRPJ do trimestre anterior, no valor de R$ 887.451,81, onde o mesmo foi dividido em três cotas no valor de R$ 295.817;27; d) apresenta cópia do DARF, referente ao recolhimento do IRPJ do 4° trimestre de 2007, 3a quota, no valor de R$ 359.757,81, recolhido em 31/03/2008; e) o PER/Dcomp referese à compensação do saldo de R$ 50.476,31 (R$ 48.656,55 do crédito original acrescentado de R$ 1.819,76, referente à taxa Selic acumulada de 3,74%), decorrente da diferença apurada de R$ 57.579,40 entre o valor apurado para a 3a cota do IRPJ do 4° trimestre de 2007, no Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10855.909853/200958 Acórdão n.º 1201001.604 S1C2T1 Fl. 3 3 montante de R$ 295.817,27, e o valor efetivamente pago na cifra de R$ 353.396,67. Ao final, requer a homologação do crédito. É o relatório.” Na oportunidade, a nobre turma julgadora entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, conforme representado pela seguinte ementa (fls. 71): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2008 DIREITO CREDITÓRIO. IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis, de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Entendeuse que, apesar das informações contidas em DIPJ/2008, DCTF e DARF apontarem para o pagamento a maior do tributo, o contribuinte não logrou êxito em demonstrar plenamente seu direito creditório, pois“ Tal fato, todavia, resumese à seara do indicio, vez que tanto as declarações, como o pagamento, são manifestações da própria contribuinte e, no caso, desacompanhadas da escrita contábil e fiscal, não surtem o efeito desejado.”. Complementouse que “os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRPJ são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado”. Frisouse que a ora recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com este escopo. Votouse, então, pela improcedência da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Fl. 549DF CARF MF 4 Em suma, o ora recorrente pugna pela prevalência do princípio da verdade material e pede vênia para a juntada de documentos contábeis que, “embora declarados necessários para comprovação da existência do crédito tributário em litígio, não foram requisitados pelo julgador de 1ª Instância, a despeito do que determina a legislação de regência”. Disto, conclui demonstrando o entendimento jurisprudencial do CARF afirmando a possibilidade de apresentação a qualquer tempo dos documentos como prova. Requer a procedência do recurso para que se proceda o cancelamento do lançamento fiscal resultante da negativa de provimento à impugnação apresentada. Resolução nº 1802000.255 – 2ª Turma Especial Houvese por bem converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: “ (...) para fins de vinculação ao despacho decisório, os débitos declarados em DCTF retificadora não têm força probatória suficiente a sustentar o direito creditório alegado. Deste fato, surge a necessidade da identificação de outros elementos para atestar a liquidez e certeza do crédito pretendido, que não só na DIPJ. Isto porque, o extrato constante às fls 63 denota que somente a DCTF original havia sido entregue antes da DCOMP apresentada e constava como saldo devedor para o IRPJ (0220) o montante de R$ 1.060.190,01, resultando em três cotas no montante de R$ 353.396,67, o que importaria na não existência do crédito pretendido, na forma do Despacho Decisório emitido. Ora, da insuficiência de provas pela manifestação de inconformidade apresentada, deveria a autoridade julgadora a quo, converter em diligência o julgamento a fim de apurar a verdadeira condição do crédito pleiteado. Contudo, aplicando com supremacia o art. 333 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), julgou improcedente a manifestação por ausência de provas. (...) Ao que consta na própria DIPJ, a diferença do valor inicialmente declarado em DCTF como devido para o tributo IRPJ (0220), de R$ 1.060.190,01 para o retificado de R$ 887.451,81 referemse ao Imposto de Renda Retido na Fonte relativos ao 4° Trimestre, no valor de R$ 172.738,69 (Comprovantes de Rendimento fls 111/117), tendo sido a dedução relativa ao PAT (Programa de Alimentação do Trabalhador), no valor de R$ 9.160,40 já computada no cálculo desde o princípio, não havendo o que se contestar a respeito. (...) Diante do exposto, converto o presente julgamento em diligência a fim de que sejam apurados o montante de imposto de renda Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10855.909853/200958 Acórdão n.º 1201001.604 S1C2T1 Fl. 4 5 retido na fonte na forma em que declarados em DIPJ, da seguinte forma: A recorrente deverá trazer aos autos cópias das notas fiscais emitidas que contém os impostos retidos que perfazem o montante de R$ 172.738,69 e os comprovantes de rendimento das pessoas jurídicas que retiveram esse montante no 4° Trimestre de 2008, devidamente identificados, comprovantes estes que devem ser objeto de validação pela autoridade fiscal; (...)” É o relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Admissibilidade O recurso interposto é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais cabíveis, merecendo ser apreciado. Mérito Neste momento processual, a resolução da lide limitase a análise dos documentos presentes nos autos. Veja, a DRJ/RPO reputou a ausência de robustez do conjunto probatório como a causa principal para o não reconhecimento do crédito alvo da compensação, diante da total insegurança quanto a determinação de sua liquidez e certeza. O recorrente alega, em suma, que não fora provocado a apresentar sua documentação contábil de modo pormenorizado, mas o fez oportunamente quando da apresentação de seu recurso voluntário. Quanto ao oferecimento das provas neste momento processual, de fato, assiste razão o recorrente, sob a égide do princípio da verdade material. Afinal, o que se busca aqui, é a verdade dos autos, que será muito mais refinada conforme o maior número de evidências, indícios e provas forem colhidas. Devese percorrer, até o último instante Fl. 551DF CARF MF 6 processual, novos elementos capazes de formar a convicção do julgador, para que o atingimento da justiça seja pleno. Ademais, a Resolução nº 1802000.255 – 2ª Turma Especial do CARF determina a conversão do julgamento em diligência a fim de provocar uma análise aprofundada da documentação trazida aos autos, de modo inédito, e ainda instiga o contribuinte a trazer, especificamente, as notas fiscais que comprovem as retenções de IRRF. Sem mais delongas, a fiscalização (SEORT), em atendimento ao pedido de diligência, intimou o contribuinte a apresentar os documentos e concluiu, após análise minuciosa, o seguinte: “(...) Requereu prorrogação de prazo para atendimento. Foi deferida. Atendeu parcialmente à intimação, apresentando “comprovantes de rendimentoss do 1º Trimestre de 2006”. Requereu novo prazo para apresentação de notas fiscais, pois seria “um grande montante de notas fiscais de todas as filiais e nosso arquivo morto fica em cada filial”. Foi mais uma vez atendido. Em nova manifestação, atendendo conjuntamente às intimações de nos. 27 e 28, o contribuinte apresentou Notas Fiscais de saída, justificandose, nos seguintes termos: “[...]não conseguimos levantar todos os documentos, pois alguns já foram descartados por já ter se passado o período de 5 anos.” Por um lapso, o contribuinte foi intimado a apresentar notas fiscais emitidas pelas fontes pagadoras. Com razão, não atendeu à intimação. Para atender plenamente à demanda do julgador, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo correlacionando as notas fiscais emitidas com os valores de retenção na fonte. Quanto aos comprovantes de retenção apresentados, estes foram confrontados com as Declarações do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) transmitidas pelas fontes pagadoras. Como resultado, temos que o valor total das retenções no quarto trimestre de 2007, período sob análise, atingiu R$ 98.200,08. A diferença para o montante que se pretendia ser comprovado (R$ 172.738,69) devese, na sua maior parte, ao fato de que a recorrente apropriou no quarto trimestre de 2007 as retenções de todo o anocalendário promovidas pela fonte pagadora VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA, CNPJ 43.999.424/000114 (R$ 109.061,17, quando as retenções para o quarto trimestre somente totalizaram R$ 34.812,04). Adotou o mesmo procedimento com relação à fonte pagadora UNIBANCO – UNIAO DE BANCOS BRASILEIROS SA, CNPJ 33.700.394/000140 (R$ 5.770,67, quando as retenções para o quarto trimestre somente totalizaram R$ 5.481,19). Em resposta à última intimação lavrada, o contribuinte relacionou as retenções ao número de notas fiscais emitidas. Para a fonte pagadora VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA, CNPJ 43.999.424/000114, conforme relatado no parágrafo Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10855.909853/200958 Acórdão n.º 1201001.604 S1C2T1 Fl. 5 7 anterior, vinculou às retenções notas emitidas durante todo o anocalendário 2007. Ainda, na documentação anteriormente apresentada havia notas fiscais ilegíveis. Outras não foram encaminhadas. Em decorrência, as informações prestadas foram confrontadas com as notas fiscais disponibilizadas, restritas àquelas emitidas no quarto trimestre no anocalendário em foco. Como resultado, temos que, dos R$ 98.200,08 informados em DIRF, foram passíveis de verificação R$ 69.073,14 (neste valor estão relacionados os destaques em Notas Fiscais e as operações que não necessitam de emissão de tal documento, como rendimentos de aplicações financeiras). Retrocedendo ao cerne da discussão levantada pela DRJ/RPO, de fato deve se ter como premissa que as documentações fiscais trazidas pelo recorrente são dotadas de presunção relativa de veracidade, ou seja, invertem o ônus probante para a fiscalização, mas, ressaltese, são passiveis de serem ilididas a qualquer tempo. O fisco demonstrou a inconsistência/insuficiência das informações e requereu o suporte contábil e comercial que atribuísse veracidade absoluta às informações ali declaradas pelo contribuinte. O contribuinte, por sua vez, teve a oportunidade de fazêlo e de fato o fez, em relação a uma parte significativa de seu direito creditório. Dito isto, peço vênia para adotar o racional norteado pela SEORT em sua análise como razão para decidir. Especificamente quanto ao IRRF, a SEORT, primeiramente confrontou os valores contidos nos comprovantes de rendimentos com as DIRFs transmitidas pelas fontes pagadoras e, assim, apurouse a existência de crédito no montante de R$ 69.073,14. Resta patente que o crédito apurado é insuficiente para a compensação do total do débito objeto do presente processo constante em PER/DCOMP. Conquanto forçoso reconhecer o direito creditório no total de R$ 69.073,14, capaz de compensar apenas o débito objeto do processo n. 10855.909850/200914 e nada mais. Conclusão Diante de todo o exposto, CONHEÇO do RECURSO VOLUNTÁRIO para, no MÉRITO, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 553DF CARF MF 8 Fl. 554DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.910536/2012-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO.
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-003.698
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. Recorrente ARMAZÉM CORAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/03/2007 a 31/03/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. As informações prestadas unicamente na DIPJ não têm o condão de provar o direito creditório que o contribuinte alega possuir. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Orlando Rutigliani Berri, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 05 36 /2 01 2- 85 Fl. 217DF CARF MF Processo nº 10480.910536/201285 Acórdão n.º 3302003.698 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PER/DCOMP em que a Contribuinte informa ter efetuado recolhimento a maior que o devido. A DRF/Recife proferiu Despacho Decisório indeferindo o pleito sob o fundamento de que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi localizado, mas encontrase integralmente utilizado para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição/compensação. Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, que houve mera falha em não retificar a DCTF, mas que devem ser reconhecidas as informações de sua DIPJ retificadora, que atesta a ocorrência de pagamento a maior. Em análise dos argumentos apresentados pela Recorrente, a DRJ/Recife julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 11049.564. O Colegiado a quo entendeu que a Contribuinte não havia comprovado o suposto pagamento a maior. Cientificada da decisão de piso, a Recorrente interpôs recurso voluntário sustentando, em síntese: (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.657, de 22 de fevereiro de 2017, proferido no julgamento do processo 10480.910482/201258, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.657): "I Tempestividade Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10480.910536/201285 Acórdão n.º 3302003.698 S3C3T2 Fl. 4 3 A Recorrente foi intimada da decisão de piso 25.06.2013 e protocolou Recurso Voluntário em 01.07.2013, dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito Conforme exposto anteriormente, a Recorrente alega (i) que o erro cometido pela Recorrente de não retificar as DCTFs não anula a existência dos créditos, vez que decorrem da realização de pagamento efetuados a maior; e (ii) que a existência de pagamento a maior é constatada pela simples verificação das DIPJs retificadoras, onde constam os ajustes necessários para atestar a existência do crédito pleiteado. Com todo respeito aos argumentos explicitados pela Recorrente, não concordo com suas alegações. Isto porque, a alegação de que a existência do crédito poderia ser facilmente comprovado por meio das Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) em nada socorre a Recorrente, posto que além da DIPJ não se constituir em confissão de dívida como é o caso da DCTF, não consta dos autos qualquer documento, a exemplo de livros e documentos fiscais e contábeis, que viesse evidenciar a apuração da contribuinte na sua DIPJ retificadora. Com efeito, a DIPJ contêm dados e informações declarados pelo próprio contribuinte que devem ser lastreados com a correspondente documentação fiscal que comprove os lançamentos contábeis, do contrário, o direito ao crédito não deve ser reconhecido. Ora, a simples apresentação de cópias das referidas declarações são insuficientes para comprovar a origem do pretenso crédito almejado pela Recorrente, inviabilizando a confirmação dos valores registrados nas declarações. Não bastasse isso, os argumentos apresentados pela Recorrente não fazem prova de crédito algum, sequer demonstram qual a composição e/ou origem do crédito que ela alegar possuir. Mais uma vez, repitase, que é necessário que sejam colacionados aos autos excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea que dê suporte a tais lançamentos. Logo, dúvida não há quanto a inexistência do direito creditório perseguido pela Recorrente. Diante deste cenário, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." No que diz respeito à tempestividade, o recurso apresentado neste processo também é tempestivo (ciência em 24/04/2015, apresentação do RV em 21/05/2015). E, da mesma forma que no processo paradigma, a Contribuinte também não juntou nestes autos "excertos da escrituração contábil e fiscal do contribuinte, lastreados em documentação idônea" capaz de comprovar a legalidade e materialidade do direito creditório alegado. 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10480.910536/201285 Acórdão n.º 3302003.698 S3C3T2 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 220DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002270/2010-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 31/01/2007 a 12/06/2008
NOTA FISCAL. OMISSÃO DA DATA DE SAÍDA NO CAMPO PRÓPRIO. MULTA. FABRICANTE DE PRODUTOS ISENTOS.
A prescrição do art. 339, I do RIPI/2002 para que a nota fiscal contenha "data da efetiva saída ou entrada da mercadoria" (alínea "t") somente é aplicável quando haja a "efetiva saída" da mercadoria, não sendo o caso de se exigi-la para as notas fiscais que não retratem saídas físicas de produtos do estabelecimento da emitente, situações nas quais a multa por emissão irregular de nota fiscal deve ser exonerada.
De outra parte, não restando comprovado nos autos que as demais notas fiscais se enquadrariam nessa situação excepcional, a prescrição geral do art. 339, I do RIPI/2002 é cabível, sendo a sua não observância punível com a multa por irregularidade na emissão de nota fiscal pelo fabricante de produtos isentos.
Recurso Voluntário provido parcialmente
Numero da decisão: 3402-003.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a parcela do crédito tributário relativa a notas fiscais que, comprovadamente, conforme apurado na diligência, não representaram saída física do estabelecimento emitente. Sustentou pela recorrente a Dra. Thaís Helena Smilgys, OAB/SP 300.861.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 31/01/2007 a 12/06/2008 NOTA FISCAL. OMISSÃO DA DATA DE SAÍDA NO CAMPO PRÓPRIO. MULTA. FABRICANTE DE PRODUTOS ISENTOS. A prescrição do art. 339, I do RIPI/2002 para que a nota fiscal contenha "data da efetiva saída ou entrada da mercadoria" (alínea "t") somente é aplicável quando haja a "efetiva saída" da mercadoria, não sendo o caso de se exigi-la para as notas fiscais que não retratem saídas físicas de produtos do estabelecimento da emitente, situações nas quais a multa por emissão irregular de nota fiscal deve ser exonerada. De outra parte, não restando comprovado nos autos que as demais notas fiscais se enquadrariam nessa situação excepcional, a prescrição geral do art. 339, I do RIPI/2002 é cabível, sendo a sua não observância punível com a multa por irregularidade na emissão de nota fiscal pelo fabricante de produtos isentos. Recurso Voluntário provido parcialmente
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a parcela do crédito tributário relativa a notas fiscais que, comprovadamente, conforme apurado na diligência, não representaram saída física do estabelecimento emitente. Sustentou pela recorrente a Dra. Thaís Helena Smilgys, OAB/SP 300.861. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1906; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.398 1 1.397 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.002270/201060 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402003.874 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de fevereiro de 2017 Matéria IPI Recorrente ENVISION INDUSTRIA DE PRODUTOS ELETRONICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/01/2007 a 12/06/2008 NOTA FISCAL. OMISSÃO DA DATA DE SAÍDA NO CAMPO PRÓPRIO. MULTA. FABRICANTE DE PRODUTOS ISENTOS. A prescrição do art. 339, I do RIPI/2002 para que a nota fiscal contenha "data da efetiva saída ou entrada da mercadoria" (alínea "t") somente é aplicável quando haja a "efetiva saída" da mercadoria, não sendo o caso de se exigila para as notas fiscais que não retratem saídas físicas de produtos do estabelecimento da emitente, situações nas quais a multa por emissão irregular de nota fiscal deve ser exonerada. De outra parte, não restando comprovado nos autos que as demais notas fiscais se enquadrariam nessa situação excepcional, a prescrição geral do art. 339, I do RIPI/2002 é cabível, sendo a sua não observância punível com a multa por irregularidade na emissão de nota fiscal pelo fabricante de produtos isentos. Recurso Voluntário provido parcialmente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a parcela do crédito tributário relativa a notas fiscais que, comprovadamente, conforme apurado na diligência, não representaram saída física do estabelecimento emitente. Sustentou pela recorrente a Dra. Thaís Helena Smilgys, OAB/SP 300.861. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 22 70 /2 01 0- 60 Fl. 1398DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Belém que julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2010 NOTA FISCAL. OMISSÃO DA DATA DE SAÍDA NO CAMPO PRÓPRIO. PRODUTOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. A falta de indicação da data da saída dos produtos do estabelecimento na nota fiscal, tal como exigido no art. 339, I, t, do Ripi/2002, torna o documento fiscal inidôneo, dando ensejo à aplicação da multa ao emitente no valor de 75% do imposto que seria devido, em se tratando de mercadoria isenta. Impugnação procedente em parte Crédito tributário mantido em Parte Versa o processo sobre Auto de Infração para a exigência de multa isolada do IPI, no valor de R$9.261.498,15 à época da autuação, em face da inexistência da data de saída da mercadoria no campo próprio das notas fiscais das fls. 68 a 857 (numeração original), razão pela qual foram consideradas inidôneas, nesses termos: (...) Em 18 de junho de 2008 foi realizada fiscalização no armazém geral TRANSEICH ARMAZÉNS GERAIS LTDA, CNPJ 94.234.556/000439, no endereço Rua Antonio Mestriner, 156, bairro Bonsucesso, Guarulhos SP e no Porto seco LIBRAPORT CAMPINAS SA, CNPJ 03.795.647/000226, no endereço Rua Comendador Aladino Selmi, 5216, Bairro Nova Aparecida, Campinas SP em cumprimento dos Mandados de Procedimento Fiscal (MPF) 08155002008005524 e 08155002008005532. Da documentação analisada constatouse que a empresa ENVISION INDÚSTRIA DE PRODUTOS ELETRÔNICOS LTDA, CNPJ 04.17 6.68 9/000160 remeteu mercadorias da Zona Franca de Manaus para os endereços citados descumprindo as exigências legais no que tange a emissão de documento fiscal, pois as notas fiscais relacionadas em anexo e emitidas pela empresa em tela estão sem a informação da data de saída descumprindo assim as exigências do artigo 48, V da Lei 4502/64 regulamentada pelo artigo 339, inciso I, alinea "t" do Decreto 4544/02 (RIPI), sendo desta forma consideradas inidôneas conforme o artigo 53 da mesma lei e artigos 322, II e Fl. 1399DF CARF MF Processo nº 10283.002270/201060 Acórdão n.º 3402003.874 S3C4T2 Fl. 1.399 3 IV, c/c art. 353, I (RIPI), dando ensejo à aplicação da multa ao emitente, mesmo em se tratando de mercadoria isenta, nos termos do art. 80, §§1°, I e 8o, II, regulamentado pelo art. 488, I e II, e §§1° e 2° e 7o, todos do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/02), verbis: (...) A contribuinte impugnou o lançamento nos seguintes termos, conforme consta na decisão recorrida: a) A ausência da aposição da data de saída das mercadoria nas notas fiscais, mesmo que tal procedimento não encontrasse amparo legal algum, jamais causaria qualquer dano ao erário, jamais poderia propiciar qualquer vantagem à impugnante em detrimento do Fisco, ao contrário, sendo as mercadorias isentas de IPI, a falta de aposição das datas de saída das mercadorias seria inócua, em termos de apuração de imposto. b) A aposição da data de saída das mercadorias nas notas fiscais consiste em mera obrigação acessória, mero formalismo, que por si só, jamais poderia acarretar na inidoneidade dos documentos fiscais, muito menos a aplicação da milionária penalidade objeto do presente auto, sendo este, destarte, o entendimento do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. c) Fosse cabível a punição aplicada à impugnante, de modo algum teria ela sido proporcional e razoável, ao passo que trata de maneira linear situações absolutamente diferentes, aplica penalidade prevista para o resguardo dos interesses da Fazenda Pública, quando dano algum foi causado ao erário e vantagem alguma obtida pelo contribuinte. d) A Secretária de Estado da fazenda do Estado do Amazonas, através dos Atos Declaratórios n° 363/2006, 164/2008, 044/2007 e 004/2008, concedeu à impugnante Regime Especial nas operações de remessa de mercadorias para armazéns gerais, autorizando a impugnante a efetuar operação com os armazéns TRANSEICH ARMAZENS GERAIS LTDA E LIBRAPORT CAMPINAS S/A (onde foram apreendidas as notas fiscais emitidas pela impugnante, objeto da presente autuação) e) Tais regimes especiais versam sobre a possibilidade da impugnante manter dentro dos armazéns gerais formulários contínuos destinados à impressão de notas fiscais, por meio de sistema eletrônico, bem como emitir referidas notas dentro dos armazéns, por ocasião da venda dos produtos lá armazenados aos seus clientes. f) Os regimes especiais concedidos à impugnante determinam expressamente que, na hipótese da ocorrência de diferença do preço entre o valor da mercadoria remetida para depósito em armazém geral e o valor da transmissão (venda) da mercadoria depositada a outro estabelecimento, fosse emitida uma nota fiscal complementar à nota fiscal de remessa para depósito em Fl. 1400DF CARF MF 4 armazém geral, fazendo constar nesta nota fiscal a indicação da nota fiscal que acobertou a saída das mercadorias. g) As notas fiscais apreendidas pela fiscalização, supostamente inidôneas pela falta de aposição das datas de saída das mercadorias, constituemse notas fiscais complementares e/ou de remessas simbólicas de mercadorias emitidas em decorrência do procedimento determinado pelo Estado do Amazonas, nos regimes especiais concedidos à impugnante. h) Por ocasião da emissão da nota fiscal complementar não existe a remessa física da mercadorias, posto que as mesmas foram enviadas anteriormente ao armazém geral, inexistindo, assim, qualquer necessidade da aposição da data de saída das mercadorias ou qualquer irregularidade na não aposição. i) outra parcela relevante das notas fiscais objeto do presente auto de infração, onde foi constatada a inexistência da aposição da data de saída das mercadorias referemse as notas fiscais de remessa simbólica para armazenagem, onde, igualmente, inexiste remessa física de mercadorias, que já se encontrariam fisicamente nos armazéns gerais. j) A nota fiscal n° 475 série 08, no valor de R$1.736.l 12,00, que acarretou na aplicação de multa no valor de R$ 195.312,60, encontrase em duplicidade; As notas fiscais 2215 série 10 e 200 série 10, respectivamente nos valores R$926.427,16 e R$ 630.54,00, que ensejaram a aplicação de multas de valores respectivos equivalentes a R$ 104.223,06 e 70.936,20 inexistem. k) A nota fiscal 700 série 09 tratase da quarta via de nota, onde obviamente, não consta a data de saída das mercadorias; relativamente a nota fiscal 468, série 08, o fiscal se equivocou ao lançar o valor de RS 862.477,00, quando na realidade, o valor da mesma é de R$ 865.477,00, incorrendo o fiscal novamente em inequívoco erro material. Em face de tais alegações, requer que seja reconhecida a improcedência do lançamento, e na hipótese, da turma entender que carecem de maiores investigações, a fim de que fique devidamente comprovado tais fatos, requer a impugnante a realização de PERÍCIA, para o fim específico de comprovação dos pontos antes mencionados. (...) A Delegacia de Julgamento acatou em parte os argumentos da impugnante, com base essencialmente nos seguintes fundamentos: Como a multa aplicada encontrase prevista na legislação tributária, evidenciase a inexistência de qualquer vício no lançamento em face de a haver observado, no exercício de sua atividade vinculada, a autoridade fiscal. O Regulamento do RIPI/2002, com base nas respectivas Leis de incidência, é explícito em obrigar o preenchimento, no quadro e campo próprio das notas fiscais emitidas pelo contribuinte, da data da efetiva saída da mercadoria do estabelecimento, considerando inidôneos os documentos que não satisfizessem tal exigência. Também se verifica que faz aplicável, na hipótese de fabricantes de produtos isentos que emitam de forma irregular as notas fiscais a que se encontram obrigados, a multa setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido. Fl. 1401DF CARF MF Processo nº 10283.002270/201060 Acórdão n.º 3402003.874 S3C4T2 Fl. 1.400 5 A norma não admite exceções; e no caso em questão, mesmo que sejam notas fiscais complementares ou de remessa simbólica, a regra objetiva, a cuja observância encontrase obrigada, impunhalhe o preenchimento do dado compulsório em local próprio. Aliás, nada autoriza a conclusão em contrário. A contribuinte alega que a nota fiscal n° 475 série 08, no valor de R$1.736.112,00, que acarretou na aplicação de multa no valor de R$ 195.312,60, encontras em duplicidade; As notas fiscais 2215 série 10 e 200 série 10, respectivamente nos valores R$926.427,16 e R$ 630.54,00, que ensejaram a aplicação de multas de valores respectivos equivalentes a R$ 104.223,06 e 70.936,20 inexistem. Compulsandose os autos, verificase que procede tal alegação. Cientificada da decisão de primeira instância em 15/12/2010, a interessada interpôs recurso voluntário, em 07/01/2011, reiterando os argumentos da impugnação, sob os seguintes tópicos: (i) Da inexistência de dano ao erário e (ii) Dos Regimes Especiais concedidos à recorrente e o procedimento adotado; alegando e requerendo ao final: (...) Entende a recorrente que, com a juntada anterior das cópias dos seus Livros de Registro de Saída e dos Livros de Registro de Entradas dos armazéns gerais, encontrase devida e cabalmente provada (i) a efetiva saída das mercadorias da sede da recorrente e a efetiva entrada nos armazéns gerais, bem como (ii) que as notas fiscais objeto da presente autuação constituem se notas fiscais complementares, emitidas em razão dos Regimes Especiais outorgados pela Secretaria da Fazenda do Estado do Amazonas, ou notas fiscais de remessa simbólica de mercadorias, conforme anteriormente explicitado. Contudo, na hipótese de entender esse E. Conselho carecerem de maiores investigações, a fim de que fique devidamente comprovado tais fatos, requer a recorrente a realização de PERÍCIA, para o fim específico de comprovação dos pontos antes mencionados. (...) Mediante a Resolução nº 3202000.363 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 20 de março de 2014, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: (...) A despeito desses argumentos, a DRJ manteve o auto de infração, por entender que o art. 488, I, § 1º, I, e § 2º, do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002) não estabelece exceções para os casos de notas complementares nem para a hipótese de remessa simbólica de mercadorias. Contudo, entendo diversamente. Julgo que, se não infirmadas as asserções da empresa, não há sentido em exigir a data da saída da mercadoria nas notas fiscais, quando essa ocorrência inexistiu, devido as circunstâncias narradas nas manifestações da contribuinte. Porém, para que não haja dúvidas quanto ao tema, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a autoridade fiscal verifique: i) se as notas fiscais consideradas inidôneas são Fl. 1402DF CARF MF 6 notas fiscais complementares e notas fiscais de remessa simbólica, emitidas no contexto narrado pela autuada; ii) se nas notas fiscais autuadas houve saídas físicas das mercadorias. Em seguida, a autoridade da RFB responsável pela realização da diligência apresentará relatório circunstanciado e conclusivo a respeito da diligência, podendo trazer aos autos outros elementos e informações que entenda relevantes para o deslinde do presente processo. Por fim deve ser intimando a Recorrente para que se manifeste expressamente sobre o resultado da presente diligência. (...) Mediante o Relatório de Diligência Fiscal das fls. 1379/1382, a fiscalização prestou suas informações em face da diligência e o processo retornou a este Colegiado, tendo sido distribuído a esta Conselheira. Tendose observado que não constava nos autos a comprovação de que a recorrente foi regularmente cientificada do resultado da diligência, esta Relatora propôs ao Presidente da Turma o retorno do processo à Alfândega de Manaus para sua ciência concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Assim, conforme competência atribuída pelo art. 17, VII do Regimento Interno do CARF1, o Presidente da Turma determinou o saneamento do feito com o encaminhamento à Alfândega de Manaus. A interessada teve ciência do Relatório de Diligência Fiscal por intermédio de sua Caixa Postal na data de 30/06/2016 e apresentou sua manifestação, nos seguintes termos: (...) Com relação às Notas Fiscais citadas no 1º parágrafo, da folha 2, do Relatório de Diligência Fiscal, resta irretocavelmente concluído pelo N. Auditor Fiscal que tais Notas Fiscais NÃO SE REMETEM À SAÍDAS FÍSICAS DE MERCADORIAS, pois: (I) tratam de complementação de notas fiscais citadas nos respectivos campos de informações adicionais e (II) não consta nenhuma informação relativa ao transportador e citam quantidade de mercadoria zero. Também com relação às Notas Fiscais citadas no 2º parágrafo, da folha 2, do Relatório de Diligência Fiscal, novamente e corretamente concluiu o N. Auditor Fiscal que NÃO HÁ QUE SE FALAR EM SAÍDA FÍSICA DE MERCADORIAS, pois, tratamse de remessas simbólicas para o Armazém Geral, sob o CFOP 6905 – Remessa para depósito fechado ou armazém geral. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo colegiado e ainda: (...) VII corrigir, de ofício ou por solicitação, erros de procedimento ou processamento; (...) Fl. 1403DF CARF MF Processo nº 10283.002270/201060 Acórdão n.º 3402003.874 S3C4T2 Fl. 1.401 7 Portanto, como cristalinamente demonstrado pela Recorrente, tanto na sua impugnação quanto em seu recurso e como elucidado no RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL, temos que as Notas Fiscais apreendidas pela fiscalização, e supostamente inidôneas pela falta de aposição das datas de saída das mercadorias, constituemse de Notas Fiscais complementares e/ou de remessas simbólicas de mercadorias, emitidas com amparo integral na legislação e nos regimes especiais concedidos à Recorrente. Repisamos que, conforme constado pelo N. Auditor Fiscal, impõese a realidade de que por ocasião da emissão da nota fiscal complementar não ocorreu a remessa física das mercadorias, inexistindo, assim, qualquer necessidade da aposição da data de saída das mercadorias ou qualquer irregularidade na não aposição (afinal as mercadorias já haviam saído). Apenas com relação às Notas Fiscais: 000645serie 8, 000387 serie 10, 000237serie 8; 000371serie 8; 000372serie 8; 000807serie 8; 000817serie 8; 000818serie 8; 000819serie 8; 000820serie 8; 000825serie 8; 000853serie 8; e 000222serie 10, “data vênia”, equivocase, em sua análise, o N. Auditor Fiscal, pois, ao contrário do que conclui o mesmo, também estamos diante de remessas simbólicas para o Armazém Geral, pelo que NÃO HÁ QUE SE FALAR EM SAÍDA FÍSICA DE MERCADORIAS. (...) É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele tomo conhecimento. Alega a recorrente que a penalidade que lhe foi imposta não seria proporcional ou razoável, vez que não teria causado dano algum ao Erário nem tampouco obtido qualquer vantagem com a irregularidade. No entanto, como tais circunstâncias não integram o tipo infracional veiculado pelo art. 488, I, § 1º, I, e § 2º, do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544/2002), complementado pelos arts. 322, II e IV, 353, I e 339, I, "t" do mesmo Regulamento, abaixo transcritos, não há que se falar em exclusão da penalidade por ausência de dano ao Erário ou de vantagem com a irregularidade: Art. 488. A falta de destaque do valor, total ou parcial, do imposto na respectiva nota fiscal, a falta de recolhimento do imposto destacado ou o recolhimento, após vencido o prazo, sem Fl. 1404DF CARF MF 8 o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de ofício (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45): I setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser destacado ou recolhido, ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, inciso I, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 45); ou (...) § 1º Incorrerão ainda nas penas previstas nos incisos I ou II do caput, conforme o caso (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º): I os fabricantes de produtos isentos que não emitirem, ou emitirem de forma irregular, as notas fiscais a que são obrigados (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 1º, inciso I); (...) § 2º No caso dos incisos I a III do § 1º, quando o produto for isento ou a sua saída do estabelecimento não obrigar a destaque do imposto, as multas serão calculadas com base no valor do imposto que, de acordo com as regras de classificação e de cálculo estabelecidas neste Regulamento, incidiria sobre o produto ou a operação, se tributados fossem (Lei nº 4.502, de 1964, art. 80, § 2º). (...) Art. 322. É considerado inidôneo, para os efeitos fiscais, fazendo prova apenas em favor do Fisco, sem prejuízo do disposto no art. 353, o documento que: I não seja o legalmente previsto para a operação; II omita indicações exigidas ou contenha declarações inexatas; III esteja preenchido de forma ilegível ou apresente emendas ou rasuras que lhe prejudiquem a clareza; ou IV não observe outros requisitos previstos neste Regulamento. Art. 353. Serão consideradas, para efeitos fiscais, sem valor legal, e servirão de prova apenas em favor do Fisco, as notas fiscais que (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª): I não satisfizerem as exigências das alíneas a até e, h, m, n, p, q, s, e t, do quadro "Emitente", de que trata o inciso I do art. 339 e das alíneas a até d, f, h, e i, do quadro "Destinatário/Remetente", de que trata o inciso II do mesmo artigo (Lei nº 4.502, de 1964, art. 53, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 15ª); (...) Art. 339. A Nota Fiscal, nos quadros e campos próprios, observada a disposição gráfica dos modelos 1 ou 1A, conterá: I no quadro "Emitente": (...) t) a data da efetiva saída ou entrada da mercadoria no estabelecimento; u) a hora da efetiva saída da mercadoria do estabelecimento; (...) Conforme se vê nos dispositivos acima, a penalidade é também cabível na emissão de nota fiscal de forma irregular relativamente a produtos isentos. Ademais, nos Fl. 1405DF CARF MF Processo nº 10283.002270/201060 Acórdão n.º 3402003.874 S3C4T2 Fl. 1.402 9 termos do art. 136 do CTN, salvo disposição em contrário, exceção que não ocorre para a infração sob análise, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Não é demais lembrar que ao julgador administrativo cabe prestigiar a lei e o regulamento, não podendo deles se distanciar, ainda que sob argumento de inconstitucionalidade, conforme dispõe o artigo 26A do Decreto 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Assim, tendo sido configuradas no mundo concreto as situações tipificadas em lei para o cabimento da multa, incumbe ao agente administrativo formalizar as exigências decorrentes, como no caso dos presentes autos. Com relação ao pedido de perícia, este deve ser indeferido, nos termos do art. 18 e do art. 28 do Decreto nº 70.235/72, vez que os elementos que já constam nos autos, inclusive com a análise da fiscalização em diligência das alegações da recorrente, são suficientes para a solução do litígio. Alega a recorrente que não apôs a data da saída da mercadoria, nas notas complementares, pois, de acordo com Regime Especial concedido pela SEFAZAM, “por ocasião da emissão da nota fiscal complementar, obviamente, não existe a remessa física das mercadorias, posto que as mesmas foram enviadas anteriormente ao armazém geral, inexistindo, assim, qualquer necessidade da aposição da data de saída das mercadorias, ou qualquer irregularidade na não aposição”. Esclarece a recorrente que não teria outra alternativa que não o procedimento adotado, nos seguintes termos: (...) Poderseia argumentar que a recorrente deveria apor na nota fiscal complementar a data efetiva da saída das mercadorias, ocorrida anteriormente, contudo, nesta hipótese, verificarseia a circunstância da data da emissão da nota fiscal ser posterior à data da saída das mercadorias, circunstância esta que, se analisada pelo D. agente fiscal, certamente resultaria na constatação de infração análoga (ou até mais grave) àquela descrita no presente auto de infração, já que as notas fiscais seriam consideradas igualmente inidôneas, pelo fato de que a data de emissão jamais poderia ser posterior à data da saída das mercadorias, o que levaria o Sr. Fiscal a concluir que as mercadorias teriam sido remetidas desacompanhadas das respectivas notas fiscais, somente emitidas posteriormente. Outra opção não restaria à recorrente, pois, senão a não aposição da data de saída das mercadorias nas notas fiscais complementares, visto que a data da efetiva saída das Fl. 1406DF CARF MF 10 mercadorias seria anterior à data da emissão da nota complementar. (...) Aduz ainda que as demais notas fiscais – cerca de 13% do total – seriam de remessa simbólica para armazenagem, decorrentes de devoluções de mercadorias pelos clientes, onde inexiste a saída física do produto, nesses termos: (...) Tal circunstância ocorre quando um cliente da recorrente procede à devolução das mercadorias, fazendo à entrega das mesmas nos armazéns gerais, evitandose, assim, o transporte físico das mercadorias de São Paulo para o Amazonas e seu retorno a São Paulo. Neste momento: a recorrente emite uma Nota Fiscal de entrada das mercadorias em seu estabelecimento em Manaus, e, ato contínuo, emite a Nota Fiscal de remessa simbólica para armazenagem, circunstância esta devidamente consignada na respectiva nota fiscal. (...) Em análise de tais questões na diligência, apurou a fiscalização, conforme transcrição abaixo, as seguintes situações: a) algumas notas fiscais, emitidas para ajuste de preços, não correspondem a saídas físicas de produtos, as quais constaram nas notas fiscais originais respectivas, b) outras notas fiscais referemse a Remessas Simbólicas para o Armazém Geral, estando sob o Código Fiscal de Operações Prestações, CFOP 6905 Remessa para depósito fechado ou armazém geral, sem saída física da mercadoria; c) as demais notas fiscais refletem operações relativas a saídas físicas das mercadorias. (...) Com o exposto e a análise das notas fiscais 000096, 000097, 000098, 000118, 000119, 000120, 000121, 000164, 000165, 000166, 000167, 000168, 000169, 000170, 000197, 000198, 000199, 000200, 000201, 000202, 000203, 000204, 000205, 000206, 000207, 000208, 000209, 000287, 000288, 000289, 000290, 000291, 000292, 000293, 000294, 000295, 000296, 000297, 000298, 000331, 000332, 000333, 000334, 000335, 000336, 000337, 000338, 000339, 000340, 000341, 000463, 000464, 000465, 000466, 000467, 000468, 000469, 000470, 000471, 000472, 000473, 000474, 000475, 000476, 000477, 000478, 000664, 000665, 000666, 000667, 000668, 000669, 000670, 000671, 000672, 000673, 000674, 000675, 000676, 000677, 000678, 000679, 000680, 000681, 000682, 000733, 000734, 000735, 000736, 000737, 000738, 000739, 000740, 000741, 000742, 000743, 000744, 000745, 000746, 000747, 000748, 000749, 000750, 000777, 000778, 000779, 000780, 000781, 000782, 000783, 000795, 000796, 000797, 000798, 000813, 000814, 000815, 000816, 000822, 000823, 000837, 00838, 000839, 000848, 000849, 000854, 000855, 000856, 000857 da Serie 8 e 000334, 000335, 000336, 000337, 000338, 000339, 000340, 000341, 000342, 000343, 000344, 000345, 000346, 000347, 000349, 000350, 000351, 000359, 000360, 000361, 000362, 000363, 000364, 000365, 000366, 000367, 000372, 000373, 000374, 000375, 000376, 000377, 000383, Fl. 1407DF CARF MF Processo nº 10283.002270/201060 Acórdão n.º 3402003.874 S3C4T2 Fl. 1.403 11 000384, 000385, 000386 da serie 10, podemos ver que elas foram emitidas com base no artigo 21, Incisos II e III [do Convênio SINIEF S/nº de 15 de Dezembro de 19702], para a Transeich Armazém Geral LTDA e a Libraport Campinas S/A. Por trataremse de complementação de notas fiscais citadas nos respectivos campos de informações adicionais, bem como por não constar nenhuma informação relativa ao transportador e citarem quantidade de mercadoria zero, há de se concluir que elas não se remetem a saídas físicas, matéria tratada nas notas fiscais originais. Quanto as notas fiscais de número 000192, 000193, 000194, 000251, 000252, 000254, 000255, 000278, 000279, 000280, 000281, 000305, 000323, 000387, 000388, 000389, 000390, 000391, 000392, 000393, 000394, 000395, 000396, 000397, 000398, 000400, 000401, 000402, 000403, 000404, 000405, 000406, 000407, 000408, 000409, 000410, 000411, 000412, 000413, 000414, 000415, 000416, 000417, 000418, 000419, 000420, 000421, 000422, 000423, 000424, 000432, 000433, 000434, 000435, 000436, 000437, 000438, 000439, 000440, 000454, 000510, 000511, 000512, 000513, 000514, 00515, 000516, 000517, 000518, 000519, 000520, 000521, 000522, 000523, 000524, 000525, 000526, 000527, 000528, 000529, 000530, 000531, 000532, 000533, 000534, 000535, 000536, 000537, 000538, 000539, 000540, 000541, 000542, 000543, 000544, 000545, 000546, 000547, 000548, 000549, 000550, 000551, 000552, 000553, 000554, 000555, 000556, 000557, 000558, 000559, 000560, 000561, 000562, 000563, 000564, 000565, 000566, 000567, 000568, 000569, 000570, 000571, 000572, 000573, 000574, 000575, 000576, 000577, 000578, 000579, 000580, 000581, 000582, 000583, 000584, 000585, 000586, 000587, 000588, 000589, 000590, 000591, 000592, 000593, 000594, 000595, 000596, 000597, 000598, 000599, 000600, 000601, 000602, 000603, 000604, 000605, 000606, 000607, 000608, 000609, 000610, 000611, 000612, 000613, 000614, 000615, 000616, 000617, 000618, 000619, 000620, 000622, 000623, 000624, 000625, 000626, 000627, 000628, 000629, 000630, 000631, 000632, 000633, 000634, 000635, 000636, 000637, 000638, 000640, 000641, 000642, 000643, 000644, 000645, 000646, 000647, 000648, 000649, 000650, 000651, 000658, 000659, 000660, 000661, 000662, 000663, 000690, 000691, 000692, 000693, 000694, 000695, 000696, 000697, 000698, 000699, 000700, 000701, 000702, 000703, 000704, 000705, 000706, 000707, 000708, 000709, 000710, 000711, 000712, 000713, 000714, 000715, 000716, 000718, 000719, 000720, 000721, 000722, 000723, 000724, 000725, 000727, 000728, 000729, 000730, 000731, 000732, 000751, 000752, 000753, 000754, 000755, 000756, 000757, 000758, 000759, 000760, 000768, 000769, 000770, 000771, 000772, 000773, 000774, 000775, 000776, 000789, 000790, 000791, 000792, 000824, 000842 da Série 8, tratamse de Remessas 2 II no reajustamento de preço em virtude de contrato escrito de que decorra acréscimo do valor das mercadorias; III na regularização em virtude de diferença de preço ou de quantidade das mercadorias, quando efetuada no período de apuração dos respectivos impostos em que tenha sido emitida a Nota Fiscal originária; Fl. 1408DF CARF MF 12 Simbólicas para o Armazém Geral, estando sob o Código Fiscal de Operações e Prestações, CFOP 6905, Remessa para depósito fechado ou armazém geral. (...) (...) Os citados artigos, descrevem a situação de emissão de notas fiscais de remessa simbólica para Armazém Geral pelo depositante. Ocorre que na ocasião de devolução ou fornecimento de mercadorias que o remetente entregue as diretamente no Armazém Geral, aquele que estiver devolvendo ou fornecendo deverá emitir duas Notas Fiscais. A primeira em nome do depositante e a segunda em nome do armazémgeral para acompanhar a mercadoria na sua entrega. Por sua vez, o depositante emitirá uma nota fiscal de remessa simbólica para o Armazém Geral, obviamente, não haverá de se falar em saída física nesta última situação. No entanto, no que diz respeito as notas fiscais de número 000257, 000307, 000371, 000372, 000685, 000807, 000817, 000818, 000819, 000820, 000825, 000853 da série 8, e 000387 e 000222 da Serie 10, essas tratamse de remessas a Armazéns Gerais nas quais não constam as datas de saída e há sim de se falar em saída física. Semelhante é o caso das Notas Fiscais 009381, 013544, 013535, 013538, 013539, 013540, 013543, 013545, 013546, 013547, 011873, 013556, série 1, e 000645, série 8, que tratamse se vendas do depositante a serem entregues ao destinatário, estão todos com a saída em caneta com exceção da 000645 série 8, que não há nenhum registro da data de saída. (...) Como já adiantado na Resolução nº 3202000.363 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, "não há sentido em exigir a data da saída da mercadoria nas notas fiscais, quando essa ocorrência inexistiu, devido as circunstâncias narradas nas manifestações da contribuinte". Certamente que as prescrições do art. 339, I do RIPI/2002 para que a nota fiscal contenha a "data da efetiva saída ou entrada da mercadoria" (alínea "t") ou a "hora da efetiva saída da mercadoria do estabelecimento" (alínea "u") somente são aplicáveis quando haja a "efetiva saída" da mercadoria, não sendo o caso de se exigilas para as notas fiscais que não retratem saídas reais de produtos do estabelecimento da emitente, como nas duas primeiras situações abordadas no Relatório de Diligência Fiscal, de notas fiscais complementares para acerto do preço negociado ou de remessa simbólica para o armazém geral (CFOP 6905). Conforme já decidido nos precedentes abaixo do então Conselho de Contribuintes, há algumas situações em que a não aposição na nota fiscal da data de saída dos produtos do estabelecimento da emitente não dá ensejo à multa por irregularidade na emissão de notas fiscais: Processo nº: 10768.000050/9955 Recurso nº : 115.252 Acórdão nº: 20177.421 Recorrente: DRJ NO RIO DE JANEIRO RJ Interessada : Haarmann & Reimer Ltda. Ementa: IPI. NOTAS FISCAIS SEM DATA DE SAÍDA DOS PRODUTOS DO ESTABELECIMENTO. A não aposição da data de saída dos produtos do estabelecimento somente na via fixa das notas Fl. 1409DF CARF MF Processo nº 10283.002270/201060 Acórdão n.º 3402003.874 S3C4T2 Fl. 1.404 13 fiscais, estando as vias que acompanharam os produtos com a data de saída aposta manualmente por ocasião da expedição das mercadorias, não configura a situação do art. 252, inciso I, combinado com o art. 242, inciso VII, do Decreto nº 87.981/82 (RIPI/82). Recurso de ofício negado. Recorrente: KIA MOTORES DO BRASIL LTDA. Recorrida/Interessado: IRFALFANDEGA PORTO DE MANAUS/AM Data da Sessão: 16/09/97 00:00:00 Relator: EXPEDITO TERCEIRO JORGE FILHO ACÓRDÃO 201 71023 Resultado: DPU DADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE Ementa: IPI NOTA FISCAL ESTABELECIMENTO LOCALIZADO NA ZONA FRANCA DE MANAUS A não aposição da efetiva data de saída do produto em uma única via da nota fiscal estando, tal data, grafada nas demais vias, havendo coincidência da data grafada com a data filigranada na nota fiscal não caracteriza transgressão ao art. 242, inciso II e art. 252, inciso I, do RIPI/82. Com relação à terceira situação analisada na diligência, no sentido de que as notas fiscais de números 000257, 000307, 000371, 000372, 000685, 000807, 000817, 000818, 000819, 000820, 000825, 000853 da série 8, e 000387 e 000222 da Serie 10, bem como as Notas Fiscais 009381, 013544, 013535, 013538, 013539, 013540, 013543, 013545, 013546, 013547, 011873, 013556, série 1, e 000645, série 8, correspondem a saídas físicas de mercadorias do estabelecimento da emitente, a recorrente, em sua manifestação, nada acrescentou como elemento modificativo ou extintivo do entendimento da fiscalização, o qual deve ser então mantido. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar a parcela do crédito tributário relativa a notas fiscais que, comprovadamente, conforme apurado na diligência não representaram saída física do estabelecimento emitente. É como voto. (Assinatura Digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 1410DF CARF MF 14 Fl. 1411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12457.735122/2013-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 11/12/2009 a 04/05/2012
Ementa:
OCULTAÇÃO. SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE.
Em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que considera plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, inclusive em atos fraudulentos, a fiscalização apurou um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração.
Os elementos indiciários apurados devem ser analisados conjuntamente. Embora a eventual existência de somente um só deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, convirja ao cometimento da infração veiculada pelo art. 23, inciso V e §1º e 3º do Decreto-lei n° 1.455/76.
Caracteriza dano ao Erário a importação de mercadoria com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.
Aplica-se a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na importação, quando essa não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, por ocasião da apuração da infração por dano ao Erário.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3402-003.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso da empresa PONTUAL COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO e pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso da MULTIFORT. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
(Assinado com certificado digital)
Maria Aparecida Martins de Paula - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 11/12/2009 a 04/05/2012 Ementa: OCULTAÇÃO. SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE. Em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que considera plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, inclusive em atos fraudulentos, a fiscalização apurou um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração. Os elementos indiciários apurados devem ser analisados conjuntamente. Embora a eventual existência de somente um só deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, convirja ao cometimento da infração veiculada pelo art. 23, inciso V e §1º e 3º do Decreto-lei n° 1.455/76. Caracteriza dano ao Erário a importação de mercadoria com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Aplica-se a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na importação, quando essa não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, por ocasião da apuração da infração por dano ao Erário. Recurso voluntário negado
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SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE. Em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que considera plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, inclusive em atos fraudulentos, a fiscalização apurou um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração. Os elementos indiciários apurados devem ser analisados conjuntamente. Embora a eventual existência de somente um só deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, convirja ao cometimento da infração veiculada pelo art. 23, inciso V e §1º e 3º do Decretolei n° 1.455/76. Caracteriza dano ao Erário a importação de mercadoria com ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Aplicase a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na importação, quando essa não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, por ocasião da apuração da infração por dano ao Erário. Recurso voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 45 7. 73 51 22 /2 01 3- 64 Fl. 879DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso da empresa PONTUAL COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO e pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso da MULTIFORT. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Designada a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora (Assinado com certificado digital) Maria Aparecida Martins de Paula Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recursos voluntários interpostos em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de São Paulo/SP, que declarou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte sobre a cobrança pena de perdimento comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, consubstanciada nos autos de infração em questão (fls 10 – 42), no valor de R$ 471.380,87 Por bem consolidar os mais importantes fatos que deram ensejo ao lançamento tributário em questão, bem como os argumentos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação, com riqueza de detalhes, colaciono os trechos mais importantes do relatório do Acórdão da DRJ: As Declarações de Importação n°s 09/17598215, 10/08897894, 10/14822060, 10/18527011, 10/19567564, 11/06947861, 11/07782955, 11/1265612 1, 11/16580650, 11/24274865 e 12/0815941 constituem o objeto do presente trabalho, sendo que, ao final, restou caracterizada a ocultação do real sujeito passivo. A parte que pretendia se manter recôndita é a encomendante e provedora dos recursos necessários à importação das mercadorias, é a empresa MULTIFORT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE GÊNEROS ALIMENTÍCIOS LTDA, CNPJ 09.190.084/000148, e outra empresa dos mesmos sócios. Face ao que determina o art. 23, inciso V, c/c o §3º, do Decreto Lei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 880 3 Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 26/10/2013 (fls. 158), o contribuinte PONTUAL COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO DE PECAS AUTOMOTIVAS LTDA protocolizou impugnação, tempestivamente em 04/11/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 347 à 375, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 04/10/2013 (fls. 141), o contribuinte PONTUAL COMERCIO, IMPORTACAO E EXPORTACAO DE PECAS AUTOMOTIVAS LTDA protocolizou impugnação, tempestivamente em 04/11/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 150 à 168, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: A autoridade lançadora constituiu contra a impugnante crédito tributário referente à multa de 100% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, por entender que houve ocultação do real sujeito passivo, mediante interposição fraudulenta, tendo como fundamento os artigos 23, do Decreto Lei 1.455/76 e 81, da Lei 10.833/2003. O lucro de uma empresa depende de diversos fatores, entre eles a oferta e demanda, lei de mercado. A impugnante prefere ganhar na quantidade, vendendo sua mercadoria com preço mais competitivo. Ademais, não há nenhuma lei que estabeleça o percentual de lucro que determinada empresa deverá ter com cada um dos produtos que vende. Mesmo assim a autoridade fiscal considerou pouco 10% (dez por cento) de lucro em operações que totalizaram R$ 3,1 milhões em 2007, R$ 4,6 milhões em 2008, R$ 7 milhões em 2010, R$ 13 milhões em 2011 e R$ 25 milhões em 2012. Junta textos da jurisprudência do STJ: (AgRg no REsp 1327809 / PR). O segundo argumento “de que a autuada possui poucos mp sgados (sic) registrados” também não tem maior relevância pois, na maioria das vezes, o que de fato acontece é que, assim que as mercadorias chegam ao Brasil e, naturalmente, após o desembaraço aduaneiro, são de imediato enviadas ao depósito em São Paulo ou aos depósitos da transportadora até que seja efetivada a venda e, então, encaminhadas, também imediatamente, aos compradores. Não há, portanto, necessidade de muitos empregados registrados para fazer a retirada e depois a entrega das mercadorias, pois esta tarefa é desempenhada pelos empregados da transportadora. No seu estabelecimento, a impugnante precisa apenas do número suficiente para tratar da compra com o Fl. 881DF CARF MF 4 vendedor/exportador estrangeiro e encontrar compradores no mercado interno. Em terceiro lugar, quanto à proximidade das datas de chegada e saída das mercadorias importadas, cabe ressaltar que, após serem negociadas com o vendedor/exportador estrangeiro, estas demoram mais de 30 dias para chegar ao Brasil, tempo suficiente, na maioria das vezes, para se encontrar compradores no território nacional. Em quarto lugar, as declarações prestadas pela Sócia Janice devem ser avaliadas levando em consideração que foram prestadas por pessoa leiga em relação aos exatos conceitos jurídicos das expressões utilizadas pelo (s) interrogante (s). Quando a representante da importadora falou que “60% ou 70% das vendas são casadas”, quis na realidade dizer que em 60% ou 70% das vendas encontra o cliente/comprador antes da nacionalização das mercadorias, ou seja, antes da emissão da Dl, mas sempre após a compra do fornecedor estrangeiro e que, no restante (40% ou 30% das vezes), encontra o cliente/comprador posteriormente à nacionalização. Ademais, quando a sócia se referiu à forma de pagamento e disse que “alguns pagamentos (eram) antecipados e outros a prazo”, quis dizer que alguns clientes/adquirentes das mercadorias importadas faziam o pagamento antes da entrega das mesmas (pois, naturalmente, a transportadora precisa de um certo tempo para entregálas), enquanto que outros compradores faziam o pagamento a prazo, ou seja, após a data de entrega, pois as mercadorias saíam de Foz do Iguaçu/PR ou São Paulo/SP e demoravam alguns dias para chegar ao destinatário. A declaração de que atuou por conta e ordem de terceiros (fl. 19), também deve ser devidamente contextualizada, pois a própria auditora fiscal consignou que isso “foi feito apenas no início para alavancar o negócio”, ou seja, no ano de 2006 quando a empresa iniciou suas atividades. Divergências de informações entre a data de pagamento indicada pelo comprador e a data de recebimento indicada pela autuada divergem por causa do sistema bancário de compensação que leva de dois a três dias úteis para creditar na conta da impugnante os valores pagos. Também, quanto a data de escrituração, não há nada de ilícito. Vejamos na fl. 20 que foi escriturado o recebimento na data da emissão da nota fiscal (15/06/2013) enquanto que o comprador/adquirente indicou a data de 25/06/2013 como efetivo pagamento. A diferença de 10 dias não se reveste em ilicitude. Diante da infundada citação do fisco, a impugnante se dispõe a provar em juízo ou fora dele, por todos os meios de provas admitidas em direito, inclusiva a pericial, que a sua escrituração contábil e fiscal dos exercícios fiscalizados em questão, atende plenamente aos princípios contábeis geralmente aceitos, a rigor o princípio da competência dos exercícios, aplicado regularmente em seus registros contábeis, pelo qual, as citadas Fl. 882DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 881 5 vendas à vistas (denominadas de receitas), recebidas e contabilizadas a prazo, por acordos com seus clientes, em nada alterou o resultado o, Balanço Patrimonial nos exercícios em questão. É importante observar nas citações do próprio auto de infração, o curtíssimo espaço de tempo entre as datas das referidas vendas (venda á vista) e os seus recebimentos (venda à prazo), evidenciando a irrelevância deste fato no contesto geral da escrituração contábil da impugnante, deixando claro que nenhum dano pôde ser observado por essas ocorrências a entidade fiscalizada nem ao erário público, circunstâncias que por si só dão plena validade as peças contábeis apresentada ao fisco, diante da irrelevância dos fatos alegados e pela inalterabilidade dos resultados dos exercícios em questão, motivo pelo qual, não houve por parte da impugnante a necessidade de inserir nos Balanços Contábeis apresentado ao fisco, as costumeiras “notas explicativas”. Com relação ao item VII. do referido auto, onde o fisco cita: DA AUDITORIA DA DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO, oras, se a impugnante de fato tivesse importado seus produtos por encomendas ou por conta e ordem de terceiros, como quer forçosamente enquadrála o fisco, em regra não teria ocorrido em seus registros contábeis, dois fatores de inegável reconhecimento prático, relacionados a seguir: ∙ A manutenção de relevantes valores em “estoques” dos seus produtos importados, em cada exercício contábil social (apresentado); ∙ Endividamentos financeiro originados pelos inúmeros empréstimos realizados junto ás instituições financeiras, para suportar partes relevantes de suas importações. Se a impugnante houvesse atuado em suas relações comerciais por “interveniências de terceiros”, adquirindo produtos por encomendas ou por conta e ordem, como alega o fisco, não haveria a necessidade de manter os níveis de “estoques” de seus produtos, que manteve no período fiscalizado, pois quem opera nessa prática as entregas seriam realizadas diretamente dos fornecedores estrangeiros aos seus clientes sem haver estocagens, nem mesmo teria suportado partes de suas importações através de empréstimos bancários, como o fez, pois as vendas realizadas por encomendas, em regra são pagas de forma antecipadas? Diante dessas ocorrências fáticas, não se pode negar que está mais que evidenciado que a impugnante sempre atuou por “conta e risco próprio” e não por quaisquer interveniências de terceiros como alega o fisco. Como podem observar através das planilhas demonstrativas dos “estoques” mantidos e dos empréstimos financeiros realizados a seguir apresentados, que demonstra a transparência e regularidades de seus atos e fatos operacionais, não restando dúvidas quanto à legalidade de suas operações. Fl. 883DF CARF MF 6 Diante de todo exposto, é importante ainda citar com relação v s \ 3ndas (sic) repetidas aos mesmos clientes, alegadas pelo fisco como se fosse sinônimo de atos ilícitos ou ilegais, quando na prática esses atos são regras normais e licitas de qualquer empresa comercial que pretenda se manter no mercado, aliás, a fidelização de clientes (vendas repetidas) é uma das práticas mais almejadas de todo comercio nacional e internacional pelo mundo globalizado, representando a satisfação plena dos clientes, pela qualidades dos produtos adquiridos complementado pelo bom atendimento, e, portanto, não havendo qualquer vedação pelos Códigos civil e Comercial, logo, não podendo o fisco contradizer essa prática prevista em lei, sem o devido fundamento legal, ou tentar alterar o alcance da legislação que rege os fatos e atos realizado pela impugnante, invadindo competências que são exclusivas do poder Legislativo, conforme prevê os artigos 110 e 112, do Código Tributário Nacional. Junta textos da jurisprudência do STJ. Diante do exposto, a impugnante requer seja acolhida a presente e tornada insubsistente a multa proposta na peça básica. ∙ por não ter ocorrido importação por conta e ordem; ∙ por ser a multa inconstitucional em conformidade com o Principio do não confisco. Na eventualidade, que seja aplicada apenas a multa de 10% por ser mais benéfica. Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento, em 10/10/2013 (fls. 323), o contribuinte empresa MULTIFORT protocolizou impugnação, tempestivamente em 04/11/2013, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 327 à 340. O impugnante alegou que: DA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM A Requerente tem relação jurídica de cliente com a empresa Pontual, desde o início de sua atividade empresarial, e devido a este tempo de relação comercial, motivo pelo qual o pagamento relativo aos pedidos por várias vezes foi efetivado no momento da solicitação do pedido, o que é o caso das DI's aqui arroladas, bem como, foi feito posteriormente ao desembaraço aduaneiro, operações estas que foram excluídas do presente procedimento. É certo que há uma linha bem tênue entre a operação de simples comércio e a simulação de negócio jurídico que tende utilizar terceiros como laranja na importação de mercadorias. Contudo, não é o que se trata o caso em tela como pretendemos demonstrar. Conforme se extrai dos documentos acostados ao procedimento fiscal, verificase que nem toda farinha importadas pelas DIs foram destinadas à Requerente. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 882 7 A exemplo, temos a Dl 09/17598215, onde foi declarado a importação de 85.680 kg de farinha de trigo, na forma de 1710 sacos, transportados por carretas com as seguintes placas ADG 5756/NBC6561, ABX 1760/AFL7636, ABO6084/IGH9883. Desta importação, foram vendidas para a Requerente a quantia de 50.600 kg de farinha de trigo, pelas notas fiscais N° 102. Fica demonstrado que a Requerente, embora seja futura destinatária do trigo objeto da importação, não tem relação direta nem interesse comum a situação de importação. As operações efetuadas pela empresa Pontual, mantém uma regularidade de quantidade e na periodicidade das importações, não se mantendo esta mesa regularidade por parte da Requerente, veja pois, que é de se perceber a diferença nos intervalos das notas fiscais de venda à Requerente. A relação comercial entre as empresas, não pode ser equiparada, ou gerar "fortes indícios” de ocultação do real sujeito passivo nas operações de importação direta promovida única e exclusivamente pela empresa Pontual. A Requerente, de acordo com suas necessidades efetuou pedido a seu fornecedor, a empresa Pontual, que pratica valores comerciais mais abaixo de mercado, com o pagamento à vista , ou com uma entrada na época do pedido e o restante em prazos ajustados. O produto entra no estado de Mato Grosso de forma regular, honrando a Requerente com todas as exações fiscais inerentes a entrada interestadual de mercadoria (ICMS), procedendo com exatidão em sua escrituração fiscal, encerrandose assim suas obrigações acessórias e principais quanto a operação de comércio regular e legal entre os entes da federação. Na relação jurídica entre a Requerente, a empresa importadora e ao Fisco, poderia ainda limitarse neste caso, ao acompanhamento da quitação dos impostos devidos, uma vez que este poderiam compor a base de cálculo do ICMS devido na operação, atendose ao princípio da nãocumulatividade, contudo é expresso nas DI's, bem como nas notas fiscais, que o produto importado, qual seja a Farinha de TRIGO tem o benefício da redução de alíquota a 0%, não havendo valores a ser recolhido a título Imposto Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PIS/PASEP, Cofins, e de Direitos Antidumping. DA ILEGITIMIDADE DE PARTE: Por óbvio, no processo administrativo tributário para que o Devedor seja considerado como parte legítima, este deve ser o sujeito passivo da obrigação tributário. Em contrapartida, da mesma forma, por forca da ordem jurídica material, o devedor deve ser aquele adequadamente incumbido de suportar as conseqüências da demanda, o que não ocorre no caso em tela. Fl. 885DF CARF MF 8 Antes aos inegáveis fatos, não pode a Requerente ser compungido a responder por pelas indevidas obrigações acessórias. Junta textos da doutrina de Vicente Greco Filho. Com efeito, não há sujeição passiva da Requerente no que tange ao adimplemento das obrigações acessórias, em razão de não ter envolvimento com o fato gerador conforme delinearemos em linhas abaixo. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA POR INFRAÇÃO Transcreve os artigos 124,1 e II do CTN e art. 95, I e V do Decreto Lei n° 37/1966. A responsabilidade solidária imputada no caso em tela referese ao enquadramento legal que comina multa, não passível de redução, imposta pelo art. 23, §3° do DecretoLei N° l .455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei N° 10.637/024. A responsabilidade solidária na importação visa atribuir à terceiro, que tenha interesse comum com o fato gerador ou que por força de infração, seja designada por lei sua sujeição passiva, o dever de responder pelo dano ou tributo originado. Ocorre que a Reclamante não tem interesse algum em ocultarse nas operações de importações efetuadas, uma vez que não há como se beneficiar de qualquer modo nesta infundada infração. Ainda que o termo da lei disponha que a mera ocultação do sujeito passivo, causa por si só dano ao erário público, não devemos interpretar a legislação tão somente de forma restritiva, posto que é necessário para o caso a analogia de todos elementos inerentes às operações de importações, não somente a legislação crua. Em nenhum momento, os respeitáveis auditores fiscais discorreram sobre a alíquota zero pelo qual o produto importado é beneficiado. Como se extrai das próprias declarações de importações, há a redução das alíquotas do PIS/PASEP E Cofins (art. 1, inciso XIV da Lei 10.925/2004, MP 433/2008), Imposto Importação (Decreto Exec. 550/1992), IPI (Decreto 6006/2006). Veja pois, que o benefício de redução a 0% da alíquota, é um beneficio fiscal objetivo e recai sobre o produto em sim e não sobre o sujeito passivo, motivo pelo qual a Requerente, não tem interesse algum ocultase nesta operação, motivo pelo qual é infundada essa evidenciada ocultação do sujeito passivo", e desta forma não tem relação direta com a importação do produto em si. Quanto ao a questão do pagamento antecipado, eis que este ocorre única e exclusivamente para garantir melhores condições na compra da farinha do trigo, contudo, a Requerente não tem acesso às informações profissionais e comerciais de seu fornecedor, se este adquire produtos antes ou depois dos pagamentos efetuados, ou qual a forma de aquisição destes. Fl. 886DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 883 9 A relação jurídica com a empresa pontual é exclusivamente de aquisição direta de farinha de trigo nacionalizada, não adquirindo outro produto junto a esta, e como se apresenta pela documentação fiscal apresentada. Não há e nunca houve indícios de irregularidades fiscais, ou comerciais, nas aquisições durante todos os anos de relação de fornecedor/cliente entre as empresas. Insta destacar, que o perdimento da mercadoria, substituído pela multa, quando presente o dano ao erário público, infração impossível no aso em tela, não havendo nexo de causalidade a ocultação da sujeição passiva se não há benefícios que possam ser pretendidos pela requerente. Junta textos da jurisprudência: (TRF1a R., REO 89.01.17103 1/DF. rei. Juiz Fernando Gonçalvez, j. 06.08.1990, DOU 27.08.1990). O artigo 124, I e II do CTN, decorre primeiro do interesse comum na situação que constitui o fato gerador e é chamada de solidariedade de fato, e posteriormente do previsão legal da lei que institua o tributo, a chamada solidariedade de direito. Contudo há limites as esta previsão legal. O legislador não pode contrariar o CTN, tão pouco estabelecer solidariedade para quem não guarde relação com o fato gerador. O contribuinte é quem deve suportar o ônus pelo pagamento do tributo, já que este alguém revela capacidade contributiva ao prativar o respectivo "fato gerador". O terceiro apenas pode ser responsabilidade quanto tenha alguma relação com o fato gerador, ou porque, de algum modo, participou, da sua realização, ou para que seja juridicamente possível o ressarcimento pelo ônus do tributo que teve de suportar no lugar do contribuinte. Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Paulo de Barros Carvalho. Junta textos da jurisprudência do STJ: (STJ , Relator: Ministro FRANCISCO FALCÃO, Data de Julgamento: 15/03/2012, T1 PRIMEIRA TURMA) Desta feita, devemos buscar a primazia do Princípio da Verdade Material na relação jurídica tributária em comento, verificando que não há irregularidades nas operações realizadas entre a empresa Pontual e Multifort, não sendo ilícita, ilegal ou irregular, o ajuste comercial de pagamento antecipado, ou à vista, na aquisição de mercadoria, mesmo que oriunda do exterior. DO PEDIDO Por todo o exposto, requer que, sejam acolhidos os argumento da presente Impugnação, de que não há qualquer modalidade de fraude nas relações jurídicas entre as empresas e o Fisco Federal, para que seja julgada improcedente a Autuação objeto no processo administrativo em epígrafe, anulando Fl. 887DF CARF MF 10 consequentemente o Termo de Sujeição Passiva Solidária e cancelamento da Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro em R$ 471.380.87 (quatrocentos e setenta e um mil trezentos e oito reais e oitenta e sete centavos). Devese frisar, que não há absolutamente nenhum interesse comum com a empresa Multifort na ocorrência do fato gerador da obrigação. Em julgamento datado de 29 de outubro de 2014, a DRJ São Paulo/SP negou provimento à impugnação do Contribuinte (Acórdão 1662.745), nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 11/12/2009 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignados os contribuintes Pontual Comércio, Importação e Exportação de Peças Automotivas (doravante designado simplesmente como “Pontual”) e Multifort Indústria e Comércio de Gêneros Alimentícios (doravante denominada como “Multifort”), recorrem a este Conselho (fls. 832 a 875 e 802 a 815, respectivamente), repisando os argumentos trazidos em suas impugnações ao auto de infração. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz A Multifort tomou ciência do Acórdão da DRJ em 17/11/2014, conforme AR de fls 798, tendo apresentado seu recurso voluntário em 10/12/2014. Por sua vez, a Pontual Fl. 888DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 884 11 teve ciência da decisão da DRJ em 27/11/2014 (fls 799) e protocolou seu recurso voluntário somente em 05/01/2015. Assim, tão somente o recurso voluntário da Multifort é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, tomo conhecimento tão somente das razões recursais da sociedade Multifort. Passo então à análise do caso. Sobre o mérito, em síntese, o presente litígio se resume à aferição da existência ou não ocultação do real importador, inclusive por interposição fraudulenta, nas operações de comércio exterior, apta a culminar na multa equivalente ao valor aduaneiro em razão da pena de perdimento da mercadoria, com fundamento no artigo 23, inciso V e parágrafo 2º, do Decretolei nº 1.455, de 1976, in verbis: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ... V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1 O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 2 Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. § 3 As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (grifei) Pois bem. Nas fls 39 e 40 do TVF encontramos as conclusões da Fiscalização a respeito da infração aduaneira, constatada pela auditoria das DI’s sob análise no presente processo: Com fulcro na análise técnica supra, nas provas coligidas e na legislação vigente, constatase a ocorrência da infração tipificada como ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pelas operações de importação, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros, em virtude da não comprovação da origem lícita, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos que foram utilizados para amparar as DIs nos 09/17598215, 10/08897894, 10/1482206 0, 10/18527011, 10/19567564, 11/06947861, 11/07782955, 11/12656121, 11/16580650, 11/24274865 e 12/08159412, registradas pela PONTUAL COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E Fl. 889DF CARF MF 12 EXPORTAÇÃO DE PEÇAS AUTOMOTIVAS LTDA, infração considerada dano ao Erário, conforme expresso no artigo 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976. Já o parágrafo 1º do mesmo artigo determina que essa infração deverá ser punida com a pena de perdimento das mercadorias (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: artigo 23, inciso V, parágrafo 3º, do Decretolei nº 1.455/1976, com redação dada pelo artigo 59, da Lei nº 10.637/2002, regulamentado pelos artigos 675, inciso IV, e 689, parágrafo 1º, ambos do Decreto nº 6.759/2009. (grifei) Não há dúvidas de que nas acusações de ocultação do real sujeito passivo da operação de importação, com fulcro no artigo 23, inciso V do Decretolei n. 1.455/75, incumbe à Autoridade lançadora o ônus da prova da ocorrência da citada infração, diferentemente do que ocorre no caso de presunção de interposição fraudulenta por nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados (§2º do mesmo dispositivo legal). Sobre tal ônus probatório, ressalto desde já que os cinco fundamentos elencados pela Fiscalização para a instauração de procedimento especial para a auditoria da Pontual (1. baixa margem de lucro com as operações; 2. poucos empregados registrados na empresa; 3. datas de saída muito próximas das datas de chegada das mercadorias; 4. as declarações prestadas pela sócia; 1 5. aparentes incongruências da contabilidade), 2 são meros indícios (fatos conhecidos e demonstrados diferentes daquele se quer provar, mas que se conectam a ele, podendo gerar uma probabilidade ou suspeita de sua ocorrência), e não provas diretas do ilícito aduaneiro em questão, pois nenhum deles permite uma conclusão direta e objetiva sobre a existência de ocultação do real importador. Justamente por esse motivo é que a Fiscalização motivou o ato administrativo de imposição de penalidade não somente na prova de ocultação do real importador (primeira parte do inciso V do artigo 23, do Decretolei n. 1.455/75), mas também na presunção de importação por conta e ordem, calcada no artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. É o que se constata do Tópico VII.12 do Termo de Verificação Fiscal (fls 38 e seguintes), nomeado como DAS CONCLUSÕES SOBRE A AUDITORIA DAS DECLARAÇÕES DE IMPORTAÇÃO 09/17598215, 10/08897894, 10/14822060, 10/18527011, 10/19567564, 11/06947861, 11/07782955, 11/12656121, 11/16580650, 11/24274865 E 12/08159412, do qual destaco os seguintes excertos, que trazem todas as informações importantes para o convencimento da autoridade fiscal: A empresa adquirente de parte das mercadorias importadas através das DIs auditadas (sendo o restante, como citado, adquirido por outra empresa pertencente aos mesmos sócios) pagara por tais mercadorias antes das quitações dos respectivos contratos de câmbio (no caso de todas as importações auditadas 1 Segundo a Pontual, “quando a representante da importadora falou que “60% ou 70% das vendas são casadas”, quis na realidade dizer que em 60% ou 70% das vendas encontra o cliente/comprador antes da nacionalização das mercadorias, ou seja, antes da emissão da Dl, mas sempre após a compra do fornecedor estrangeiro e que, no restante (40% ou 30% das vezes), encontra o cliente/comprador posteriormente à nacionalização. “ Ademais, verifico pelas declarações constantes no autos que a sócia Janice foi indagada de maneira geral sobre os procedimentos adotados pela Pontual nas operações de importação. Com relação às específicas DIs e as transações com a MULTIFORT não há informações, o que dificulta enormemente a valoração desta prova para o específico e concreto auto de infração sob análise. 2 Ressalto que, segundo o FIPECAFI (2010), a contabilização das vendas pode ser efetuada pelas notas fiscais de vendas, pois a entrega dos produtos é praticamente efetuada junto com a emissão das notas fiscais. Quando este processo não ocorrer, ou seja, a data da emissão da nota fiscal for diferente a da entrega dos produtos, e a entrega se fará na empresa do comprador, o registro deverá ser feito somente na entrega dos produtos, quando a empresa já estiver de posse das mercadorias compradas. Fl. 890DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 885 13 no presente relatório). Comprovantes das transferências bancárias atestam a provisão dos recursos para a realização de tais pagamentos. A adquirente MULTIFORT inclusive admitiu, como citado, que antecipara recursos, e que sabia que se tratava de mercadoria a ser importada. A Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 27, define que a operação de comércio exterior realizada com recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. A PONTUAL registrou as Declarações de Importação como importações “diretas”, ou “por conta própria”, quando deveria têlas consignado como “por conta e ordem de terceiros”, identificando a MULTIFORT como adquirente junto ao SISCOMEX (bem como a outra empresa “compradora”, cada uma na proporção adquirida do que foi importado). Todavia, a fiscalizada optou por omitir tais informações, mantendo as intervenientes e provedoras dos recursos indevidamente afastadas de eventual responsabilização tributária. Daí já confirmamos que a fiscalização se utilizou, para reforçar a tipificação do evento da ocultação do real importador pelas provas colacionadas aos autos (artigo 23, inciso V do Decretolei n. 1.455/76), da norma que estabelece a importação por conta e ordem presumida, for força da verificação da utilização de recursos de terceiros para a operação de comércio exterior. Transcrevo abaixo o dispositivo que fundamenta tal presunção: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Diante desta situação, passa ao contribuinte à necessidade de comprovar que havia recursos suficientes e que estes foram utilizados para promover a importação em questão, para que faça cair por terra a presunção criada pelo dispositivo supratranscrito. Nos presentes autos, entendo que foi tranquilamente demonstrado nos autos que as importações, lembrese, foram efetuadas com recursos próprios, decorrente de vendas de mercadorias já de sua propriedade3 (facturas invoice, doc. 5 e 9 da impugnação, 434), havendo saldo suficiente para tanto em sua conta corrente (doc. 8 da impugnação, fls 438. 443, 470, 471, 489, 492), inclusive a empresa operando mediante empréstimos contratados com instituições financeiras (balanços patrimonaiais de fls 527 e seguintes) e estando seu capital social devidamente integralizado. Com relação à “antecipação” de parcela dos pagamentos único dado apresentado pela fiscalização capaz de, potencialmente, sustentar a autuação fiscal , a qual supostamente seria utilizada para o fechamento do câmbio, entendo tratarse de prova incapaz de qualificar o evento como “operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro”. A própria fiscalização assume que tal antecipação o somente seria capaz de cobrir contrato de câmbio firmado pela Pontual. Fl. 891DF CARF MF 14 Ora, temos então auto de infração constituído com base em elemento absolutamente frágil, uma vez que a venda parcelada de mercadorias, para as quais o importador comprovou haver capacidade financeira para efetuar a operação internacional, não traz em si e logicamente, a aptidão de demonstrar a que recursos de terceiros foram utilizados para tanto. É certo que, uma vez demonstrado pela fiscalização que determinada importação ocorreu por meio de subsídio de terceiros, acarretando na necessidade de procedimento de nacionalização mediante a declaração “por conta e ordem de terceiro” (regulamentada pela Receita Federal do Brasil mediante a edição da IN SRF 225/2002, conforme autorizado pelo art. 80 da MP nº 2.15835/20015), e não por “importação direta”, o ônus da prova sobre sua capacidade financeira passa a ser do importador, nos termos do já citado artigo 27 da Lei n. 10.637/2002. Contudo, não se pode perder de vista que tal presunção não faz com que desapareça o quantum mínimo probatório que é atribuído à Fiscalização para tais situações: trazer provas contundentes, convergentes e conclusivas sobre a efetiva utilização de recursos de terceiro na operação de comércio exterior. Poderia haver, quando muito, a caracterização das importações como “por encomenda”, o que tornaria igualmente insubsistente o auto de infração, que qualificou como “por conta e ordem” as operações.3 Afinal, impossível a alteração de critério jurídico para manter o trabalho fiscal. Em outras palavras, o indício apresentado pela fiscalização (antecipação de valores referentes à compra e venda das mercadorias importadas, para fechamento do contrato de câmbio) não é capaz de, na convicção dessa relatora, culminar na conclusão de existência de “operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro”, a qual, por sua vez, constitui presunção de importação por conta e ordem de terceiro. 3 � Em matéria de comércio exterior, há três modalidades de importação: direta, por encomenda, e por conta e ordem. “A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a vende no mercado interno para diversos compradores. Notese que nessa modalidade de importação tradicional o importador deverá fechar o câmbio e proceder ao pagamento diretamente ao exportador, recolhendo os tributos com recursos próprios...” (...) A importação por conta e ordem de terceiros é a operação pela qual uma empresa contratada, geralmente uma importadora, promove em seu nome o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra empresa em razão de contrato previamente firmado entre as partes e registrado na Receita Federal do Brasil – RFB. O regramento da importação por conta e ordem foi dado pelos artigos 86 e 87 da IN n. 247 e ADI n. 07/02, os quais exigem determinados procedimentos e requisitos para sua caracterização. (...) As operações por conta e ordem são aplicáveis tão somente nas hipóteses em que a importadora atua como prestadora de serviços, isto é, uma intermediária nas importações. Em decorrência desta condição, a importadora que atua por conta e ordem não pode, em qualquer situação, adquirir a propriedade das mercadorias importadas, possuindo somente a posse até a transferência para a empresa adquirente. Sendo assim, na importação por conta e ordem de terceiros, a remessa da mercadoria da importadora para seus clientes não configura uma operação de venda, mas sim uma operação de remessa de mercadorias. (...) A importação por encomenda é aquela em que a empresa importadora adquire no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendelas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre elas, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2°, § 1°, da IN SRF n. 634/06). Assim, o importador deverá fazer a negociação com o exportador no exterior, adquirir a mercadoria junto ao exportador no exterior, providenciar sua nacionalização e a revender ao encomendante. Importante salientar que tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. (...) Ressaltese ainda que, diferentemente da importação por conta e ordem, no caso de importação por encomenda, a operação cambial para pagamento da importação deve ser realizada exclusivamente em nome do importador, conforme determina o Regulamento do Mercado de Câmbio e Capitais Internacionais (RMCCI – Título 1, Capítulo 12, Seção 2) do Banco Central do Brasil (Bacen). (...)” (SARTORI, Ângela, DOMINGO, Luiz Roberto. Div. Autores. Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF. São Paulo: MP Editora, 2013, pgs. 53 e ss). Fl. 892DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 886 15 Nesse sentido, é válido reavivar a lição de Paulo Celso B. Bonilha4 sobre o tema: lndício é o fato conhecido (factum probatum do qual se parte para o desconhecido (factum probadum) e que assim é definido por Moacyr Amaral Santos: ‘Assim, indício, sob o aspecto jurídico, consiste no fato conhecido que, por via do raciocínio, sugere o fato probando, do qual é causa ou efeito '. Evidenciase, portanto, que o indício é a base objetiva do raciocínio ou atividade mental por via do qual poderseá chegar ao fato conhecido. Se positivo o resultado, tratase de uma presunção. A presunção é, assim, o resultado do raciocínio do julgador, que se guia nos conhecimentos gerais universalmente aceitos e por aquilo que ordinariamente acontece para chegar ao conhecimento do fato probando. É inegável, portanto, que a estrutura desse raciocínio é a do silogismo, no qual o fato conhecido situase na premissa menor e o conhecimento mais geral da expectativa constitui a premissa maior. A conseqüência positiva do resultado do raciocínio do julgador ' é a presunção. " Em um exercício de comparação de casos a respeito do mesmo tema, vejase por exemplo as constatações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no Acórdão n. 3403002.593, no qual diversos elementos foram trazidos pela Fiscalização, formando conjunto probatório que claramente demonstrava a existência de financiamento das importações por terceiro: “Não se sustenta a alegação de que os pagamentos feitos pela recorrente à Plásticos Itajaí adimpliam preço de compra e venda de mercadoria já previamente nacionalizada pela vendedora. Não. A Gabiplast repassava previamente à Itajaí recursos com o propósito inequívoco de viabilizar a importação da mercadoria por essa empresa. A Gabiplast tinha plena consciência de que as mercadorias que estava “adquirindo” da Itajaí ainda não estavam no estoque da vendedora, e que seriam ato contínuo adquiridas por esta mediante importação, precisamente com os recursos financeiros fornecidos por ela, Gabiplast. A Gabiplast era, pois, protagonista da operação “prévia” de importação das mercadorias que a Itajaí lhe iria “vender”. Amostra inconteste do financiamento das importações pela Cajovil colhesse dos documentos trazidos pela própria recorrente (fls. 517 e ss.). A cada importação, o despachante aduaneiro da Itajaí (“Comissária Paulista S.C. Ltda.”) emitialhe uma “Solicitação de Numerário Importação”, para recolher os supostos tributos incidentes na importação; e, na mesma data, a Gabiplast fazia à Itajaí uma transferência bancária neste mesmo valor. Ou seja, é evidente que a Gabiplast sabia – e pretendia – que seus recursos financiassem as importações. São, ainda, inúmeras as faturas emitidas pelos exportadores indicando como cliente a Gabiplast, e até ordens de compra enviadas pela Itajaí ao exportador, em papel timbrado da Cajovil/Gabiplast. 4 Da Prova no Processo Administrativo Tributário, São Paulo: Dialética, 1997, p. 92. Fl. 893DF CARF MF 16 Tudo isso a revelar que as importações eram financiadas pela Gabiplast. E, a teor do art. 27 da Lei nº 10.637/02, essa constatação faz presumir que as importações foram realizadas por conta e ordem da Gabiplast. Percebese a diferença entre o caso supracitado para o presente. Neste primeiro foram elencados diversos indícios que de forma contundente e conclusiva demonstram o financiamento da operação de importação: pela participação do despachante aduaneiro, a sistematicidade que ocorriam as operações, as datas das transações em contas bancárias, o conhecimento da fraude pelo ocultado, a solicitação de montantes para o recolhimento de tributos, e até mesmo o timbre dos papéis utilizados pelas empresas. Já no presente, a Fiscalização se limitou na auditoria das DIs a afirmar que a antecipação de montantes seria capaz de cobrir o contrato de câmbio firmado pela Pontual. Dessa forma, pela análise dos autos, entendo que a que a Fiscalização não comprovou o financiamento das importações em questão, não existindo prova cabal da infração apontada (operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro). Os demais indícios, genéricos por não se debruçarem especificamente sobre as importações objeto dessa autuação , tampouco são suficientes para concluir pela ocultação do sujeito passivo, mediante fraude ou simulação. Sobre esse último ponto, cumpre recordar o que exatamente é necessário ser objeto de prova pela fiscalização em processos desse jaez. O artigo 23, inciso V do Decretolei n. 1.455/76 fala em “ocultação (...) mediante fraude ou simulação”. As definições de “fraude” e “simulação” encontramse, respectivamente, no artigo 72 da Lei nº 4.502/64 e no § 1o, do artigo 167, do Código Civil, a seguir transcritos: Art..72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Artigo 167. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Com efeito, a existência de fraude ou simulação é condição para a ocorrência da interposição fraudulenta.5 Nas palavras do Desembargador federal Antonio Albino Ramos de Oliveira, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, “O que se reprime, através da drástica pena de perdimento, é a fraude, o artifício malicioso para a ocultação do sujeito passivo, do 5 Gilberto de Castro Moreira Junior. Interposição Fraudulenta de Terceiros nas Operações de Comércio Exterior. Disponível em: www.iuscomex.com.br/site/files.php?id=546. Acesso em 09/06/2016. Fl. 894DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 887 17 real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, ‘inclusive a interposição fraudulenta de terceiros’. Evidente que a infração deve ser grave em sua substância, e não sob o aspecto meramente formal” (AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 2005.04.01.0462051/PR). Lembrese que o próprio 673 do Decreto n. 6.759/2009, em seu parágrafo único, determina que “salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente...”. Desse modo, a própria legislação aduaneira coloca que a responsabilidade pelas infrações é objetiva, a não ser que a própria lei trouxer regra em sentido diverso. Tendo sido qualificada pelo artigo 23, inciso V a conduta como dolosa, através da configuração de fraude ou simulação, para a tipificação da ocultação de terceiros e consequente pena de perdimento, estas não podem ser afastadas do tipo infracional em questão. No que tange à fraude, apesar do fato de, como já destacado alhures, o (não) pagamento de tributos na operação de importação não ser o único fator determinante para a ocorrência de dano ao erário, ele, pela própria redação do artigo 23, é um dos elementos a ser avaliado para, conjuntamente com eventuais outras demais provas de abuso por parte do sujeito passivo (como omissão de informações relevantes dos importadores para acobertar irregularidades nas operações de comércio internacional), caracterizar a ocultação do real importador da mercadoria. In casu, os produtos importados (farinha de trigo) são contemplados com alíquota zero do PIS/PASEP e Cofins (art. 1, inciso XIV da Lei 10.925/2004, MP 433/2008), Imposto Importação (Decreto Exec. 550/1992) e do IPI (Decreto 6006/2006). Não existiu, nem mesmo era possível existir eventual “ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” Com relação à simulação, lembrese que se trata de é um dos motivos de invalidade dos negócios jurídicos, em que há a conluio de ambas as partes visando desviar de obrigações legais e enganar terceiros ao criar uma aparência de negócio que não se coaduna com a vontade real dos sujeitos. No caso da controvérsia aduaneira em questão, “ocultador” e “ocultado” devem conjuntamente trabalhar na prestação de informações falsas às autoridades aduaneiras. Como já foi sobejamente demonstrado por Conselheiros desta Casa, Luiz Roberto Domingo e Ângela Sartori, em artigo inserido no livro “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF”: 6 Percebese que tanto a fraude como a simulação dependem da existência da intenção deliberada do agente de praticar o ato criminoso, pois não comporta a figura culposa (negligência, imprudência, imperícia). A demonstração de que a produção do ato criminoso (fraude ou simulação) era desejada é o indicativo do dolo. 6 DOMINGO, Luiz Roberto e SARTORI, Ângela. Dano ao Erário pela Ocultação Mediante Fraude – a interposição fraudulenta de terceiros nas operações de comércio exterior. in “A tributação Aduaneira à luz do CARF”, Ed. MP, 2013, p. 61 e53 a 68) Fl. 895DF CARF MF 18 Portanto, a peça acusatória do dano ao Erário depende de três elementos de fato, aos quais a fiscalização aduaneira não pode negligenciar: i) a prova da ocultação; ii) a prova da fraude ou da simulação; iii) a prova do dolo, cuja demonstração de que a operação foi assim intentada com o propósito de ‘lesa pátria’, é indicativa. Não foi apontada pela fiscalização a ocorrência de qualquer “ocultação” “mediante simulação” que tivesse por fim prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato relevante para o controle aduaneiro ou para a arrecadação tributária, que justificasse a aplicação da pretendida pena de perdimento. Insisto que a lei descreve uma conduta cujo pressuposto é a comprovação da “ocultação” de quaisquer dos intervenientes na importação expressamente mencionados, “mediante fraude ou simulação”, como ressaltou a antiga composição desse Colegiado: “não basta a ‘ocultação pura e simples’, essa ocultação deve ser qualificada pela fraude ou pela simulação, para que se qualifique como dano ao erário para os fins do art. 23, V, do DL nº 1.455/76” (cf. Acórdão nº 3402002.2275, da 2ª Turma da 4ª Câm. da 3ª Seção do CARF no Proc. nº 10983.721008/201292, em sessão de 28/01/2014, Rel. Cons. Des. João Carlos Cassuli Jr). Nesse mesmo sentido, destaco a ementa do seguinte julgado: MERCADORIA NACIONAL OU IMPORTADA CONSUMIDA OU DADA A CONSUMO, COM IRREGULARIDADE, FRAUDE OU FALSIFICAÇÃO. Inexistindo demonstração dessas ocorrências dolosas no procedimento do contribuinte, descabe a aplicação de qualquer penalidade. RECURSO PROVIDO.(Acórdão n° 30332.025 da 3ª Câm. do 3º CC, Rec. nº 130.041, Proc. nº 10921.000045/200216, em sessão de 18/05/05, Rel. Cons. SÉRGIO DE CASTRO NEVES). Portanto, no presente caso a Fiscalização não demonstrou a ocorrência do dolo na conduta das partes, apta a acarretar na perda de perdimento das mercadorias. Não se caracteriza, portanto, a ocultação do real importador das mercadorias, com todos os elementos necessários para tanto, a ensejar a pena de perdimento convertida em multa, nos moldes do artigo 23, inciso V e §3º do Decretolei n. 1.455/76, o que impõe a necessidade de cancelamento do auto de infração. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário da Pontual e por dar provimento ao recurso voluntário da Multifort, para cancelar a multa do artigo 23, inciso V e §3º do Decretolei n. 1.455/76 aplicada pelo presente auto de infração. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 896DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 888 19 Voto Vencedor Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Redatora designada Na sessão de julgamento deste processo ousei divergir do Voto da Ilustre Conselheira Relatora quanto à análise do mérito do recurso voluntário conhecido. A prova indireta é aquela que não tem por objeto o fato probando, mas outros a ele relacionados, de modo que, pelo raciocínio, chegase ao fato que se quer provar, in casu, a "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação. A presunção simples é o resultado do processo lógico, mediante o qual, da existência de um fato reconhecido como certo (provas indiciárias), inferese outro fato cuja existência é provável. Com efeito, em consonância com a doutrina e a jurisprudência administrativa, que considera plenamente aceitável o uso da prova indireta em direito tributário, inclusive em atos fraudulentos, a fiscalização, no presente caso, apurou todo um quadro indiciário que, por presunção simples, conduz ao cometimento da infração. Os elementos indiciários apurados devem ser analisados conjuntamente. Embora a eventual existência de somente um só deles pudesse não ser suficiente para a configuração da infração, o que importa é que o conjunto probatório, considerado como um todo, convirja ao cometimento da infração veiculada pelo art. 23, inciso V e §§1º e 3º do Decretolei n° 1.455/76. Conforme se verifica no relatório fiscal, inicialmente a fiscalização apurou um quadro indiciário convergente no sentido de que a importadora PONTUAL realizava importações terceirizadas, declarandoas como se fossem importações diretas, e depois, concentrandose especificamente nas importações ora autuadas, concluiu que a PONTUAL importou por conta e ordem da empresa MULTIFORT, sem cumprir nenhum dos requisitos previstos na legislação para a importação nessa modalidade, ocultando, mediante simulação, a identificação dessa empresa na importação. Com relação ao contexto geral das operações realizadas pela PONTUAL no período fiscalizado, constatou a fiscalização que: a) A fiscalizada declarou receitas brutas de vendas decorrentes da comercialização das mercadorias importadas no mercado interno que pouco superam os dispêndios na importação, menores que 10% (com exceção de 2009, quando chegou perto de 20%), indicando uma margem de lucro pequena para uma empresa que comercializa produtos importados por conta própria. A ínfima margem de lucro é incompatível com o objeto social de uma empresa que pretenda importar mercadorias em seu nome e comercializálas posteriormente no mercado interno. b) A PONTUAL possui poucos empregados registrados desde a sua constituição, o que tornaria difícil a operacionalização e logística de uma empresa que importa toneladas de mercadorias como grãos e peças de carros, entre outros, por conta própria, para depois revendêlas no mercado interno. Fl. 897DF CARF MF 20 c) Nas sua operações, a PONTUAL emitia notas fiscais de saída de mercadorias importadas em numerações em datas próximas ou idênticas às notas fiscais de entrada destas mercadorias, com mesmas quantidades e várias vezes mesmos transportadores em ambas as notas. d) A sócia da autuada, Sra. JANICE ELAINE GRINGS, prestou informação à fiscalização no sentido de que: a) a PONTUAL opera com "vendas casadas", negociando primeiro com clientes nacionais para depois contatar os fornecedores, em aproximadamente 60 a 70% das vendas; b) Houve casos em que realmente prestou serviços, atuando como importadora por conta e ordem de terceiros, mas apenas no início para conseguir uma alavancagem financeira; c) Era ela que negociava com o exportador chinês, mas eventualmente já possuía algum produto encomendado antes da importação. e) A contabilidade da PONTUAL está eivada de vícios. Várias vendas no mercado interno escrituradas na contabilidade como “à vista” (com débito da conta “Caixa” ou “Bancos”), na verdade foram pagas a prazo, segundo informações prestadas pela própria PONTUAL em atendimento às intimações feitas pelo Fisco para demonstrar alguns recebimentos de operações específicas. Essa inconsistência repetiuse nas respostas enviadas pelos adquirentes quando circularizados pela equipe de fiscalização, muitas vezes com formas e datas de pagamentos divergentes tanto em relação à escrituração contábil quanto às respostas enviadas ao Fisco pela fiscalizada. Com relação às importações autuadas no presente processo, apurou a fiscalização que: i) Houve o provimento de recursos por parte do adquirente para o pagamento (ainda que parcial) das importações em questão, antecipadamente à quitação do contrato de câmbio, e antes também do próprio registro da DI, tendo a PONTUAL tentado ocultar essa informação relevante do Fisco. ii) Além disso, verificouse inconsistência na escrituração contábil nas vendas das mercadorias objeto da DI nº 09/17598215, na qual elas foram escrituradas contabilmente como “à vista” (nota fiscal 102, emitida em 11/12/2009 – Anexo 41), mas a própria fiscalizada, em resposta ao Fisco, disse ter recebido tal pagamento a prazo, em 05/01/2010 (R$ 18.774,41), 13/01/2010 (R$ 29.000,00) e 27/01/2010 (R$ 5.092,19). iii) As respostas às intimações da importadora PONTUAL e do adquirente MULTIFORT, foram divergentes relativamente a várias operações, sendo que a planilha da PONTUAL trazia informações de que todos os pagamentos foram posteriores às quitações dos contratos de câmbio e aos registros das respectivas DIs. Além disso, a MULTIFORT admitiu que “a maioria das quitações são realizadas através de adiantamento efetuado no ato do pedido, sendo este feito com antecedência por se tratar de um produto importado", demonstrando seu pleno conhecimento de que aconteceriam as importações e que estava antecipando recursos para a realização das mesmas. iv) Ocorre que a operação de comércio exterior realizada com recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, de acordo com o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, de forma que a operação não poderia ter sido registrada na modalidade “direta”. Dessa forma entendo que os elementos que constam nos autos, acima enumerados, tanto relativos ao contexto geral das importações da PONTUAL em determinado período, como às importações específicas objeto de autuação, são suficientes para a conclusão da fiscalização de que: (...) A empresa adquirente de parte das mercadorias importadas através das DIs auditadas (sendo o restante, como citado, adquirido por outra empresa pertencente aos mesmos sócios) pagara por tais mercadorias antes das quitações dos respectivos contratos de câmbio (no caso de todas as importações auditadas Fl. 898DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 889 21 no presente relatório). Comprovantes das transferências bancárias atestam a provisão dos recursos para a realização de tais pagamentos. A adquirente MULTIFORT inclusive admitiu, como citado, que antecipara recursos, e que sabia que se tratava de mercadoria a ser importada. A Lei nº 10.637/2002, em seu artigo 27, define que a operação de comércio exterior realizada com recursos de terceiro presume se por conta e ordem deste. (...) A empresa MULTIFORT concorreu para a efetivação das importações ao prover os recursos antecipadamente à quitação dos contratos de câmbio vinculados às importações auditadas – e em alguns casos antecipadamente às próprias emissões das faturas comerciais que acobertaram as respectivas transações internacionais. (...) As hipóteses de "dano ao Erário", definidas pelo legislador ordinário no art. 23 do Decretolei n° 1.455/76, tratamse de autênticas presunções legais de dano ao Erário, não se fazendo necessária qualquer comprovação adicional de efetivo prejuízo financeiro ao Erário ou à atividade fiscalizatória. Quando ocorrem, no mundo concreto, as infrações tipificadas nos incisos desse dispositivo legal, está presumido o dano ao Erário. Dessa forma, como a subtração de tributos não integra o tipo infracional sob análise, a eventual não incidência, alíquota zero ou a isenção de tributos nas importações não é relevante ao caso. Tendo ocorrido o cometimento da infração de ocultação, mediante fraude ou simulação, do comprador ou adquirente na importação, veiculada pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o "dano ao Erário". Nessa esteira, a fraude a que se refere o dispositivo deve ser entendida no sentido amplo, e não na acepção restrita do art. 72 da Lei nº 4.502/64, associada ao não pagamento ou diferimento do tributo. Também há de se esclarecer que as questões relativas à "quebra da cadeia do IPI" ou à "lavagem de dinheiro" dizem respeito às justificativas originais do legislador ordinário para coibir a interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior, entretanto, esses temas, in concreto, não integram o tipo infracional. Dessa forma, mesmo que, no presente caso, não ocorra a quebra da cadeia do IPI ou não seja o caso de lavagem de dinheiro, esse fato, por si só, não tem o condão de afastar a infração cometida em conformidade com o disposto no art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76. Também o fato de eventualmente a empresa importadora ter recursos suficientes para realizar as operações, não a exime da presente infração, vez que não se trata de situação de presunção legal de interposição fraudulenta na importação a que se refere o §2° do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76, mas o seu inciso V. Embora a falta de recursos próprios para realizar as importações possa conduzir à conclusão de que as operações foram realizadas no interesse de outrem, pode acontecer, em tese, de a importadora ter recursos próprios para efetuar as importações, mas as realize para outros, acobertandoos por qualquer motivo, situação que também caracterizaria o cometimento da infração prevista no inciso V do art. 23 do Decretolei nº 1.455/76. Fl. 899DF CARF MF 22 Embora a MULTIFORT tenha até colaborado com o procedimento fiscal, os documentos apresentados só vieram aos autos por solicitação da fiscalização, após a perda da espontaneidade, nos termos do art. 102 do Decretolei nº 37/66. A MULTIFORT contribuiu para a realização da importação com a sua ocultação, solicitando previamente os produtos a serem importados e adiantando os valores para as importações, mas sem atender ao disposto na legislação para a realização de uma operação terceirizada, que determina, dentre outras exigências, a necessidade de habilitação da empresa adquirente/encomendante para operar no comércio exterior e de apresentação à Aduana do contrato com a importadora. Dessa forma, ela responde pela infração seja porque concorreu para a sua prática, nos termos do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37/66, seja porque é considerada a adquirente numa operação por conta e ordem, nos termos do inciso V desse artigo. Houve a realização de operações por conta e ordem pela importadora PONTUAL com a ocultação, mediante simulação, da identificação da adquirente MULTIFORT nas declarações de importação, em desacordo com o disposto na legislação. Também na escrituração contábil da PONTUAL, os adiantamentos para a importação não foram contabilizados corretamente, no intuito de ocultar do Fisco o fato de que se tratavam de operações terceirizadas. Em outra situação semelhante ao presente caso neste CARF, bem consignou, em seu Voto, o Relator Rodrigo Mineiro Fernandes, no Acórdão nº 3101001.789 – 3ª Seção do CARF/ 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (vide trecho abaixo), de 11 de dezembro de 2014, que a "simulação ocorre quando o importador ostensivo declara a operação como sendo por conta própria, mas, na realidade, é por conta e ordem de terceiros ou por encomenda": (...) Já a simulação, dentro da definição de Alberto Xavier como “um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada), procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros”, está claramente caracterizada na ocultação do sujeito passivo. Recorro também ao conceito civilista de simulação, previsto no §1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): (...) A simulação ocorre quando o importador ostensivo declara a operação como sendo por conta própria, mas, na realidade, é por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. A natureza da operação declarada é uma (importação por conta própria) e na realidade é outra (importação por conta e ordem de terceiros ou por encomenda). Também é encontrado no direito aduaneiro a previsão de simulação, dada pela IN SRF Nº 228/2002 (grifo nosso): Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. (...) Da mesma forma, a omissão da informação do real importador ou responsável pela operação na Declaração de Importação, Fl. 900DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 890 23 evadindose do devido controle aduaneiro na importação, caracterizase como simulação, visto que ocorre a divergência entre a vontade e a declaração, procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros, no caso a fiscalização aduaneira. Na ocultação fraudulenta ou simulatória, o sujeito passivo fica a margem da relações obrigacional tributária e do devido controle aduaneiro. (...) Por fim, entendo que não há qualquer irregularidade na exigência da multa veiculada pelo artigo 23, inciso V e §3º do Decretolei n. 1.455/76 da importadora ostensiva. Quem primeiro responde por uma infração é o seu próprio agente, assim considerado a pessoa física ou jurídica que incorre na omissão ou ação, voluntária ou involuntária, que importe inobservância de norma legal estabelecida, nos termos do art. 94 do Decretolei nº 37/66. Além desse agente direto podem responder pela infração aduaneira as demais pessoas referidas no art. 95 do Decretolei nº 37/66 na condição de "responsáveis pela infração". Com efeito, na infração por ocultação do sujeito passivo na importação mediante fraude ou simulação, o agente direto da infração deve ser deduzido da própria conduta coibida pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, qual seja, a ocultação fraudulenta do sujeito passivo, daí se concluindo que ele é o importador ostensivo, que é quem efetivamente pratica a ação de "ocultar fraudulentamente" o verdadeiro sujeito passivo na importação, sem prejuízo de outras pessoas também responderem por essa infração com fundamento do art. 95 do Decretolei nº 37/66, em especial, o adquirente da mercadoria na importação por conta e ordem (inciso V) e o encomendante predeterminado (inciso VI), conforme seja o caso. Assim, in casu, configurada a materialidade da infração aduaneira veiculada pelo art. 23, V, §§1º e 3º do Decretolei nº 1.455/76, não há como se afastar a aplicação da penalidade respectiva ao "responsável pela infração" (MULTIFORT), nos termos do art. 95 do Decretolei nº 37/66, muito menos ao seu agente direto, qual seja, a importadora ostensiva (PONTUAL). De outra parte, não se configura a retroatividade benigna em favor da importadora ostensiva, vez que a multa por cessão de nome foi criada pelo legislador ordinário para conviver com a pena de perdimento das mercadorias e, em consequência, também com a multa que lhe substitui. Quando não havia previsão da multa de cessão de nome no ordenamento, ocorria que, na hipótese da aplicação (física) da pena de perdimento às mercadorias, não obstante o agente direto da infração prevista no art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76 fosse mesmo o importador ostensivo, como se disse acima, sendo a ele aplicada a penalidade respectiva, quem poderia acabar suportando o efeito dessa penalidade era o importador oculto real adquirente da mercadoria no exterior, que seria efetivamente privado do seu uso e gozo. Nessa esteira, é que o legislador ordinário optou por inserir no ordenamento jurídico a multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007 com intuito de penalizar concretamente a conduta irregular do importador ostensivo, que cedeu seu nome a outrem, eis que ele poderia restar sem punição na hipótese de aplicação da pena de perdimento às mercadorias. Fl. 901DF CARF MF 24 Esse entendimento se confirma com a interpretação veiculada posteriormente pelo art. 727, §3o do Regulamento Aduaneiro/2009: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §1oA multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)(Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2oEntendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. §3oA multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). No que concerne à multa por cessão de nome, o seu agente direto está definido expressamente no tipo como "a pessoa jurídica que ceder seu nome (...) para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus intevenientes ou beneficiários", qual seja, a importadora ostensiva, sem prejuízo também da eventual responsabilização de outra pessoa física ou jurídica com base no art. 95 do Decretolei nº 37/66. Nesse ponto cabe salientar que o fato de o agente direto da infração estar expresso no tipo dessa infração não é suficiente para afastar a responsabilização de outras pessoas em face da determinação contida em outro dispositivo de lei (art. 95 do Decretolei nº 37/66). Dessa forma, entendo não ser aplicável a retroatividade benigna à importadora ostensiva ou a penalidade mais benéfica. No Acórdão n° 310100.431 1ª Camara / 1ª Turma Ordinária, de 25 de maio de 2010, Redator designadoTarásio Campelo Borges, foi decidido que "O dano ao erário nas infrações enumeradas no caput do artigo 23 do Decretolei 1.455, de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637, de 2002, não é fato típico para a exigência da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488, de 2007". Também este Colegiado já decidiu por unanimidade, no Acórdão nº 3402 003.008 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de abril de 2016, Relator: Antonio Carlos Atulim, no sentido de que a multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento ou a multa substitutiva. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 902DF CARF MF Processo nº 12457.735122/201364 Acórdão n.º 3402003.827 S3C4T2 Fl. 891 25 Fl. 903DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.722145/2009-72
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/08/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 21 45 /2 00 9- 72 Fl. 1358DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10380.005876/200753. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.792, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10380.005876/200753, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.792): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1359DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1360DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 1361DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1362DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1363DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1364DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1365DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1366DF CARF MF Processo nº 10166.722145/200972 Acórdão n.º 9202004.801 CSRFT2 Fl. 0 10 Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1367DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000915/99-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 05 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
período de Apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO.
CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Identificado tal pressuposto, logo, cabíveis os embargos para correção do voto do acórdão para refletir a decisão constante em ata de julgamento. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 3201-002.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os embargos declaratórios para correção do voto do acórdão para refletir a decisão constante da ata de julgamento.
(assinado digitalmente)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA -Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal período de Apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Identificado tal pressuposto, logo, cabíveis os embargos para correção do voto do acórdão para refletir a decisão constante em ata de julgamento. Embargos Acolhidos.
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PRESSUPOSTO. CONTRADIÇÃO. EXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Identificado tal pressuposto, logo, cabíveis os embargos para correção do voto do acórdão para refletir a decisão constante em ata de julgamento. Embargos Acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em acolher os embargos declaratórios para correção do voto do acórdão para refletir a decisão constante da ata de julgamento. (assinado digitalmente) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: : Winderley Morais Pereira, Mércia Helena Trajano DAmorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos, José Luiz AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 09 15 /9 9- 21 Fl. 253DF CARF MF 2 Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Ausência justificada de Charles Mayer de Castro Souza. Relatório A Fazenda Nacional opõe Embargos de Declaração, com fulcro nos artigos 64 e 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em face de suposta omissão constante do Acórdão nº, 3201001.909, de 18/03/2015 que foi assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1991 a 31/03/1992 Ementa: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vencidos ou vincendos decai no prazo de cinco anos da data da extinção do crédito tributário. Excepcionalmente, por força da decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, a qual foi submetida ao regime da repercussão geral, esse prazo é de dez anos para pedidos de restituição e compensação relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação que tenham sido formalizados até o início da vigência da Lei Complementar nº 118/2005. Alega a embargante que teria havido contradição entre o dispositivo do acórdão (ata do julgamento) e a conclusão do voto vencedor condutor desse acórdão. Isso porque o dispositivo do acórdão restou assim consignado: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência, determinando à unidade de origem que examine os demais aspectos materiais do direito creditório, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.” De outro lado, a conclusão do voto condutor do acórdão assim expressou: “DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, reconhecer integralmente o direito creditório da Recorrente e homologar o seu pedido de compensação.” Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração, posto que teria havido contradição entre o dispositivo do acórdão e a conclusão do voto vencedor condutor desse acórdão Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10865.000915/9921 Acórdão n.º 3201002.604 S3C2T1 Fl. 250 3 Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM A Fazenda Nacional, como relatado, inconformada com a decisão no julgamento em apreço, teria havido contradição entre o dispositivo do acórdão e a conclusão do voto vencedor condutor desse acórdão Cumpre relembrar que versa sobre solicitação de restituição de indébitos de Finsocial recolhidos acima da alíquota de 0,5%, no valor de R$ 12.404,94, conforme pedido de fl. 02 e demonstrativo de fl.07, referente ao período de apuração de 01/01/1991 a 31/03/1992, cumulado com pedidos de compensação de débitos de Cofins, IRPJ, CSLL e PIS às fls. 01, 23 e 29. O processo está instruído com as guias de recolhimento de fls. 08/22. Uma parte dos recolhimentos foram efetuados em 28/02/1994 e 24/03/1995. O restante, durante o ano de 1991. A DRF/Limeira, no Despacho Decisório de fls. 39/40, deferiu em parte a solicitação da contribuinte, autorizando o aproveitamento dos créditos relativos aos pagamentos realizados em 24/03/1995, referentes aos períodos 08/91, 09/91, 11/91, 12/91, 01/92 e 02/92. Como o pedido foi protocolado em 10/06/1999, conseqüentemente não alcança os pagamentos efetuados entre 15/02/1991 e 28/02/1994 em razão da decadência do direito de restituição/compensação. Transcrevese trecho do voto, nessa parte, para deixar bem evidente, que a matéria foi devidamente abordada: Considerando que o único fundamento utilizado pela DRF/Limeira, e mantido pela DRJ/Ribeirão Preto, para não reconhecer a íntegra do crédito pleiteado pela Recorrente é a decadência parcial; que o STF decidiu, em sede de repercussão geral, que, para os pedidos formalizados até o início da vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005, deve ser observado o prazo de 10 (dez) anos para repetir ou compensar indébitos relativos a tributo sujeito a lançamento por homologação (Recurso Extraordinário nº 566.621); que o pedido de compensação ora analisado referese a tributos sujeitos a lançamento por homologação e foi protocolado em 1999, ou seja, antes do início da vigência da referida lei complementar; que os membros do CARF devem reproduzir as decisões do STF proferidas em sede de repercussão geral (art. 62A do Anexo II do atual Regimento Interno do CARF), DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, reconhecer integralmente o direito creditório da Recorrente e homologar o seu pedido de compensação. Fl. 255DF CARF MF 4 De fato, verificase a contradição apontada pela embargante: enquanto que o dispositivo do acórdão consigna dar provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à origem para apreciação do mérito, a conclusão do voto condutor do acórdão manifesta se no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. Logo, a PGFN tem razão, pois há contradição no referido acórdão, dispositivo do acórdão consigna dar provimento parcial ao recurso, determinando o retorno dos autos à origem para apreciação do mérito, a conclusão do voto condutor do acórdão manifesta se no sentido de dar provimento integral ao recurso voluntário. Portanto, a conclusão do voto condutor do acórdão deve expressar da seguinte forma: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para afastar a decadência, determinando à unidade de origem que examine os demais aspectos materiais do direito creditório, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.” Ou seja, corrigir o voto do acórdão para refletir a decisão constante da ata de julgamento, pois assim, fica condizente com o que foi decidido pela turma de julgamento. A motivação de se decidir desta forma acima (acórdão de acordo com o dispositivo da ata), é que no acórdão em discussão, reconheceuse o direito, afastando a decadência, no entanto, para efeito de levantamento do direito de crédito, resta a análise que deve ser feita, à vista da documentação probante. Da conclusão Diante do exposto, voto para que seja acolhido o recurso formulado pela Fazenda Pública. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 256DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721217/2012-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
DESPESAS COM FRETE. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis as despesas com fretes efetivamente incorridas e comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO.
Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
Numero da decisão: 1201-001.579
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro José Roberto, que lhe dava parcial provimento, em maior extensão, para afastar os juros sobre a multa de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis as despesas com fretes efetivamente incorridas e comprovadas mediante documentos hábeis e idôneos. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro José Roberto, que lhe dava parcial provimento, em maior extensão, para afastar os juros sobre a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 17 /2 01 2- 15 Fl. 4378DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Luiz Paulo Jorge Gomes, José Carlos de Assis Guimarães e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Autos de Infração relativos ao IRPJ (fls. 3.264 a 3.278) e à CSLL (fls. 3.279 a 3.290), lavrados pela DEMAC/RJ em 19/12/2012, com ciência da Interessada em 27/12/2012 (fls. 3.265 e 3.280), nos quais foram constituídos créditos tributários de IRPJ e de CSLL, nos valores, respectivamente, de R$ 16.277.843,16 e de R$ 5.860.023,54, cada um deles acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, em face da apuração das seguintes infrações (descrição extraída do Auto de Infração do IRPJ, observandose que para a CSLL as infrações são idênticas, uma vez que se trata de lançamento decorrente, mudando apenas o enquadramento legal): Fl. 4379DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 4 3 A descrição detalhada dos fatos que ensejaram a lavratura dos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL encontrase no Termo de Verificação Fiscal de fls. 3.168 a 3.262, o qual faz parte deles. 3. Inconformada, a Interessada apresentou, em 24/01/2013 (carimbo de fl. 3.302), a Impugnação de fls. 3.304 a 3.349, com anexos de fls. 3.350 a 4.190, por meio da qual alega que são dedutíveis as despesas consideradas indedutíveis com (i) as empresas que prestam serviços de frete; (ii) as operadoras de cartões de crédito; (iii) os vales compra; e (iv) as mercadorias entregues aos clientes, mas não pagas em virtude de fraude (créditos de difícil recuperação). Por outro lado, em relação às despesas incorridas em razão da variação cambial em seus empréstimos, concorda com o Autuante que estas foram lançadas em período equivocado, qual seja o anocalendário de 2009, motivo pelo qual reconhece que são devidos os valores de IRPJ e CSLL relacionados a essa despesa, e afirmou que promoveria o recolhimento do respectivo débito. Fl. 4380DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 5 4 O relator da decisão de piso optou por apresentar os fatos e os detalhes da autuação ao longo do voto, que é bastante extenso e será apreciado mais adiante. Assim, em sessão de 21 de novembro de 2013, a 9a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, nos termos do relatório e voto, os membros da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Dar Provimento em Parte à Impugnação, para do crédito tributário em litígio, no valor de R$ 16.208.128,54 de IRPJ, R$ 5.834.926,28 de CSLL, cada um deles acrescido da multa de 75% e dos juros de mora, Manter o crédito de R$ 1.397.269,18 de IRPJ e R$ 503.016,91 de CSLL, cada um deles acrescido da multa de 75% e dos juros de mora. Com a decisão foi apresentado Recurso de Ofício, em razão do limite de alçada. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, com ênfase na dedutibilidade das despesas incorridas pela interessada e na inaplicabilidade da SELIC ao presente caso, bem assim como a impossibilidade de se aplicar juros sobre a multa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Destacase, de plano, que a decisão de piso exonerou mais de 90% do crédito originalmente autuado, por considerar comprovada grande parte das despesas glosadas. Contra o valor remanescente insurgese a Recorrente, enquanto que a parcela exonerada é objeto do Recurso de Ofício. O valor mantido pela DRJ diz respeito a parte das despesas com frete e aos custos com administradoras de cartões de crédito. Fl. 4381DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 6 5 Defende a Recorrente que não há dúvidas sobre a natureza ou necessidade das despesas e que a parte mantida pela decisão de piso, por falta de comprovação documental, deve ser afastada. Os argumentos trazidos pela Recorrente são os seguintes: apresentou farta documentação comprovando que incorreu em despesas operacionais relacionadas aos serviços de postagem necessários ao envio dos produtos vendidos para seus clientes, conforme docs. n°s 9 a 63 de sua impugnação. apesar disso, a 9a Turma da DRJ/RJ manteve a glosa de algumas das despesas de frete incorridas no período pela Recorrente, por entender que parte dos documentos acostados aos presentes autos não serviria de evidência do efetivo pagamento da despesa. No entendimento da 9a Turma da DRJ/RJ, as seguintes despesas de frete não foram comprovadas e, por isso, devem ser glosadas: (i) R$ 1.210.433,45, referente à Fatura n° 7301500007 emitida pela ECT; (ii) R$ 269.912,05, referente à Fatura n° 203 emitida pela empresa Tex Courier Ltda.; e (iii) R$ 505.107,97, referente às Faturas n°s 591, 593, 594, 595, 596 e 598 emitidas pela empresa Sete Serviços de Entrega de Títulos e Encomenda Ltda. No que se refere ao valor de R$ 1.210.433,45 pago à ECT, a Recorrente juntou aos autos a fatura emitida pela empresa de frete, bem como o extrato bancário que comprova o pagamento desse valor (vide docs. n°s 19 e 20 de sua impugnação), a fim de demonstrar o pagamento dessa despesa. Contudo, a 9a Turma da DRJ/RJ manteve a glosa dessa despesa por, supostamente, não ter sido localizado o seu comprovante de pagamento, conforme indicado às fls. 4.251. Ocorre que esse entendimento da 9a Turma da DRJ/RJ se deve ao fato de estar escrito a frase "não localizado", a lápis, no extrato trazido aos autos pela Recorrente como comprovante de pagamento (vide doc. n° 20 da impugnação). Entretanto, esse extrato emitido pelo banco da Recorrente é prova mais do que suficiente para comprovar que houve o efetivo pagamento da Fatura n° 7301500007. Além disso, a Recorrente trouxe aos autos a Carta 00021/2013 GEVEC/DR/RJ emitida pela ECT, que relaciona todos os valores quitados no período de 2008 a 2009 (vide doc. n° 65 da impugnação), inclusive o valor glosado de R$ 1.210.433,45 (vide linha 15 da planilha contida no doc. n° 65 da impugnação). Fl. 4382DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 7 6 Ou seja, além do comprovante de pagamento, existe uma carta emitida pela própria ECT, empresa não vinculada à Recorrente, informando que as faturas de frete do período de 2008 a 2009 foram integralmente quitadas. Portanto, resta mais do que comprovado que a Recorrente efetuou o pagamento do valor de R$ 1.210.433,45 em favor da ECT, razão pela qual a glosa desse montante como despesa operacional merece ser cancelada por V.Sas. (grifamos) Acerca deste ponto, entendo ter razão a Recorrente. A análise dos documentos citados, que reproduzo a seguir, demonstra que o valor de R$ 1.210.433,45 consta da fatura emitida pela ECT, relativa a janeiro de 2009, assim como consta do extrato bancário apresentado pela interessada. A anotação de "não localizado na data" provavelmente se refere ao fato de que a liquidação não ocorreu em na data pesquisada pelo banco. Vejamos a seguir os documentos, a começar pela fatura (doc. 19): Extrato bancário: Fl. 4383DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 8 7 Carta enviada pela ECT à Recorrente: Fl. 4384DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 9 8 Anexo em que consta a relação de faturas liquidadas: De se notar que de acordo com a ECT, a emissão da fatura em questão ocorreu em 23 de janeiro de 2009, com vencimento em 05 de fevereiro de 2009 como consta Fl. 4385DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 10 9 do documento acima, o que provavelmente explica a não localização do título na pesquisa efetuada pelo banco, que se restringiu à data de 19 de janeiro. Assim, tendo em vista a informação prestada pela ECT, que é empresa pública e, portanto, desvinculada da Recorrente, entendo que deve ser admitida como verdadeira a sua declaração, de sorte que me parece comprovada a existência e a liquidação da despesa de R$ 1.210.433,45, o que enseja afastar a sua glosa e considerála como dedutível. Em relação ao valor de R$ 269.912,05, cuja glosa foi mantida pela decisão de piso ante a não apresentação na nota fiscal de n. 203, assim se manifesta a Recorrente: Ora, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal e no auto de infração, o valor de R$ 269.912,05 referese à despesa com frete, não tendo sido questionada em momento algum a sua natureza, mas apenas o seu efetivo pagamento. Assim, não pode ser mantido o entendimento da 9a Turma da DPJ/FU de que a Recorrente não comprovou nos autos a despesa de R$ 269.912,05 paga em favor da Tex Courier Ltda. Afinal, o comprovante de pagamento foi devidamente juntado aos autos (vide doc. n° 69 da impugnação), razão pela qual deve ser cancelada a glosa dessa despesa. De toda forma, a Recorrente traz à colação a Fatura referentes a esse serviço, como forma indubitável de demonstrar as despesas incorridas pela Recorrente com os serviços de frete prestados pela Tex Courier Ltda (doc. n° 3). O documento n. 69 da impugnação apresenta o extrato do banco, a movimentação de pagamentos e a ficha de compensação do pagamento, conforme segue: Fl. 4386DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 11 10 Com o Recurso Voluntário, a interessada anexou o doc. 3, que compreende a fatura e a duplicata relativas à prestação do serviço (fls. 4.358). Como não está em discussão a natureza das despesas, mas o seu efetivo pagamento, para fins de dedutibilidade, entendo que resta comprovado o pagamento pelos serviços pela Tex Courier Ltda., mas apenas quanto ao valor de R$ 242.920,84, conforme consta dos documentos ao norte. Tendo em vista que o valor glosado foi de R$ 269.912,05, remanesce sem comprovação a diferença de R$ 26.991,21. Assim, voto por afastar parcialmente a glosa relativa à Tex Courier no montante de R$ 242.920,84. No que se refere aos serviços que teriam sido prestados pela empresa Sete Serviços de Entrega e Títulos, aduz a Recorrente que: Fl. 4387DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 12 11 Assim como ocorreu com a despesa de frete incorrida com a empresa Tex Courier Ltda., a 9a Turma da DRJ/RJ manteve a glosa das despesas de frete incorridas pela Recorrente com a empresa Sete Serviços de Entrega de Títulos e Encomenda Ltda. em razão da não apresentação das Notas Fiscais n°s 591, 593, 594, 595, 596 e 598. Com a devida vênia, novamente não possui razão a manutenção da glosa das despesas incorridas com a empresa Sete Serviços de Entrega de Títulos e Encomenda Ltda. devido à não apresentação das mencionadas notas fiscais. Contudo, neste caso, não foram apresentadas as notas fiscais ou faturas pelos serviços prestados, de sorte que entendo não merecer reparos a decisão de piso, que manteve a glosa das respectivas despesas com os seguintes fundamentos: Para o item nº 6, a Interessada alegou no item nº 75 da Impugnação que se referem a serviços prestados pela empresa Sete Serviços de Entrega de Títulos e Encomendas Ltda., consubstanciados nas Notas Fiscais nºs 591, 593, 594, 595, 596 e 598, que teriam sido quitadas em 05/12/2008 e 08/12/2008 (doc. nº 68). Examinando o doc.nº 68, verifiquei que se trata de 6 (seis) documentos de crédito nºs 013552 (05/12/2008), 006116 (08/12/2008), 006108 (08/12/2008), 006117 (08/12/2008), 006109 (08/12/2008) e 006110 (08/12/2008), nos valores, respectivamente, de R$ 274.051,23, R$ 1.639,61, R$ 15.890,03, R$ 1.534,16, R$ 189.060,55 e R$ 22.932,39, num total de R$ 505.107,97, em que o remetente é a Interessada e o destinatário é a Sete Serviços de Entrega de Títulos e Encomenda Ltda. Quanto às Notas Fiscais nº 591, 593, 594, 595, 596 e 598, elas não foram apresentadas, de modo que considero não comprovada a despesa de R$ 447.433,65. (grifamos) Acolho e ratifico, neste ponto, o entendimento da decisão de primeira instância, no sentido de que não foi comprovada a despesa de R$ 447.433,65. No que tange às despesas com remuneração da taxa de administração das operadoras de cartões de crédito, a Recorrente reproduz as alegações apresentadas na impugnação, que podem ser assim resumidas: Vale notar que em todos os contratos firmados pela Recorrente com as operadoras de cartão de crédito há, ao menos, uma cláusula regulamentando a retenção da taxa de administração dos cartões pela operadora (vide docs. 70 a 77 da impugnação), sendo esta a prática atualmente adotada pelo mercado. Dessa forma, essas retenções feitas pelas operadoras dos cartões de crédito são verdadeiras despesas operacionais incorridas pela Recorrente, na medida em que sem essa retenção seus clientes não poderiam comprar seus produtos usando cartões de crédito. Assim, a Recorrente deduz da sua base de cálculo do Fl. 4388DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 13 12 IRPJ e da CSLL o montante retido pelas operadoras de cartões de crédito a título de taxa de administração. (...) Diante disso, a Recorrente apresentou seu controle mensal dos valores retidos pelas operadoras de cartão de crédito para quitação das taxas de administração dos cartões utilizados pelos seus clientes, bem como do montante que foi efetivamente depositado em sua conta corrente (vide docs. n. 78 a 80 da impugnação). A Delegacia de Julgamento entendeu que somente os controles internos da interessada sobre as retenções efetuadas pelas operadoras, aliados aos extratos bancários que compõem a documentação acima mencionada não eram suficientes para a comprovação da efetiva ocorrência das despesas. Com o Recurso Voluntário, a interessada anexou novos documentos e aduziu que: Dessa forma, ao comparar esses extratos com a movimentação bancária da Recorrente, fica mais do que evidente que os depósitos efetuados na conta bancária da Recorrente, cujo histórico seja CRED TED, são, na verdade, depósitos realizados pela REDECARD, já deduzidos da taxa de administração de cartão de crédito. Assim, esses montantes também devem ser levados em consideração para fins de cálculo da despesa incorrida pela Recorrente com as taxas de administração das operadoras de cartões de crédito, conforme feito pelo Ilustre Relator do acórdão proferido pela 9a Turma da DRJ/RJ. Já no tocante às despesas com as taxas de administração das operadoras de cartão de crédito incorridas em janeiro e dezembro de 2008, bem como os depósitos cujo histórico seja, "CR MASTER" ou "TRANSF. VALOR ENTRE CONTA", a Recorrente informa que já solicitou informações sobre essas operações à instituição financeira responsável pela administração de suas contas bancárias e irá apresentar os extratos bancários que comprovam os depósitos realizados pela REDECARD no período e sobre os quais também foram cobradas taxas de administração. Portanto, também deve ser parcialmente reformado o v. acórdão proferido pela 9a Turma da DRJ/RJ, a fim de que seja integralmente cancelada a glosa dessas despesas com taxas de administração das operadoras de cartão de crédito, o que desde já se requer. Entendo que a análise dos novos documentos colacionados, que são apenas parciais, como admite a Recorrente, não comprova, para além de qualquer dúvida, as alegações da interessada. Fl. 4389DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 14 13 Pareceme que empresa do porte das administradoras de cartões de crédito não teriam dificuldade em apresentar documentos cabais sobre a retenção ou pagamento das taxas de administração, notadamente em relação a um cliente, como a Recorrente, que se autodenomina como a maior empresa varejista de produtos via catálogo e websites. Ademais, como prestadoras de serviços, as administradoras de cartões de crédito estão obrigadas à emissão de notas fiscais, documentos que não constam dos autos. Nesse contexto, não há como acolher a pretensão da interessada, sendo de rigor manter o correto (e sobretudo justo) entendimento esposado pela decisão de piso, que assim se manifestou: Como relatado, a Interessada alega que as despesas em questão são decorrentes dos serviços a ela prestados pela Redecard, nos termos do contrato anexado à Impugnação (Doc. Nº 76, Contrato de Credenciamento e Adesão de Estabelecimento ao Sistema Redecard, fls. 3.838 a 3.841, Anexo IV ao Contrato de Credenciamento e Adesão de Estabelecimento ao Sistema Redecard, de 23/10/2000, fls. 3.842 a 3.843, Correspondência da Redecard de 28/02/1997, fl. 3.844, e Correspondência da Redecard para a Hermes, de 07/10/2005, fl. 3.845). Como é sabido, o prestador de serviços, sempre que executar serviços, é obrigado a emitir Nota Fiscal de Serviços. É o que determina o art. 191 do Decreto nº 10.514, de 8 outubro de 1991: (...) Assim sendo, era de se esperar que a Interessada apresentasse ao Fisco as Notas Fiscais de Serviços emitidas pela Redecard relativamente aos serviços prestados, sendo que os somatórios dos seus valores, por períodos, deveriam ser idênticos aos dos valores das despesas em questão. A Interessada não apresentou qualquer Nota Fiscal de Serviço da Redecard, o que parece indicar que elas não foram emitidas. Apesar de que a obrigação de emissão da Nota Fiscal de Serviço era da Redecard, também era de se esperar que a Interessada exigisse de sua prestadora de serviço a emissão da Nota Fiscal de Serviço, por muitos motivos, dentre eles, evidentemente, o de fazer prova da prestação do serviço. Para comprovar as despesas em questão de janeiro, julho e novembro de 2009, nos valores, respectivamente, de R$ 1.354.316,66, R$ 1.210.761,49 e R$ 1.510.024,21, a Interessada anexou à Impugnação extratos bancários de contas correntes suas no Banco Bradesco, agência 2373, conta 375918, e na Caixa Econômica Federal, conta 0232/003/000004002, nas quais teriam sido efetuados depósitos pela Redecard, em decorrência de obrigação contratual (Doc nº 78 a Doc nº 80, fls. 3.925 a 3.977). Para as despesas em questão de janeiro e dezembro de 2008, nos valores, respectivamente, de R$ Fl. 4390DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 15 14 862.058,88 e R$ 724.362,09, a Interessada não trouxe qualquer comprovação. Os depósitos identificados pela Interessada nos extratos bancários do Bradesco têm como histórico “TEDTRANSF ELET DISPON REMET.REDECARD AS” ou “RECEBIMENTO FORNECEDOR REDECARD S A” OU “TRANSF. VALOR ENTRE CONTA”, de modo que considero que só os dois primeiros históricos comprovam que se trata de depósito efetuado pela Redecard. Os depósitos identificados pela Interessada nos extratos bancários da Caixa têm como histórico “CRED TED” ou “CR MASTER”, de modo que considero que nenhum destes históricos comprova que se trata de depósito efetuado pela Redecard. Compulsando os documentos apresentados pela Interessada que regulam a relação entre ela e a Redecard (Doc. Nº 76, Contrato de Credenciamento e Adesão de Estabelecimento ao Sistema Redecard, fls. 3.838 a 3.841, Anexo IV ao Contrato de Credenciamento e Adesão de Estabelecimento ao Sistema Redecard, de 23/10/2000, fls. 3.842 a 3.843, Correspondência da Redecard de 28/02/1997, fl. 3.844, e Correspondência da Redecard para a Hermes, de 07/10/2005, fl. 3.845), estou convencido de que se tomarmos os valores depositados pela Redecard nas contas bancárias da Interessada e os dividirmos por 97 (depósito de 97% do valor bruto de venda) e multiplicálos por 3 (3% de taxa de administração cobrada pela Redecard), obteremos valores que podem ser considerados como despesas comprovadas da Interessada. Estes valores são menores do que os contabilizados pela Interessada, sendo que as diferenças considero como despesas não comprovadas. Preparei as tabelas abaixo para os meses de janeiro, julho e novembro de 2009, com base nos depósitos da Redecard na conta da Interessada no Bradesco e no critério explicado no item anterior para apurar a despesa comprovada, concluindo que das despesas em questão de janeiro, julho e novembro de 2009, nos valores, respectivamente, de R$ 1.354.316,66, R$ 1.210.761,49 e R$ 1.510.024,21, ficaram comprovadas, respectivamente, R$ 1.167.976,89, R$ 923.512,75 e R$ 1.334.880,42: (...) (grifamos) Verificase, portanto, que a Delegacia de Julgamento aceitou como despesas de taxa de administração o limite de 3% das vendas, conforme previsto no contrato celebrado entre as partes. A medida, sobre ser jurídica, pareceme justa e adequada ao caso em tela, razão pela qual não merece reparos a decisão recorrida, inclusive no que tange à ausência de comprovação para os demais valores supostamente pagos a título de taxa de administração. Em relação aos valores autuados e mantidos, diz a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Fl. 4391DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 16 15 Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei n. 9430/96: Art.43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifamos) Artigo 5o, § 3º, da Lei n. 9.430/96. As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifamos) No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRg no REsp 1335688/PR – DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. (grifamos) Fl. 4392DF CARF MF Processo nº 16682.721217/201215 Acórdão n.º 1201001.579 S1C2T1 Fl. 17 16 Por fim, no que respeita à utilização da SELIC como taxa de juros, a posição deste Conselho encontrase sumulada, de modo que não podem prosperar os argumentos aduzidos pela Recorrente: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No que tange ao Recurso de Ofício, constatase que foram aceitas como devidamente comprovadas grande parte das despesas glosadas, cujos documentos foram minuciosamente analisados pelo relator do voto condutor na DRJ. Compulsando os documentos que integram o processo, relativos às despesas com promoções (valecompras) e títulos incobráveis, entendo que não merece reparos à decisão proferida, que acolheu a pretensão da interessada. Quanto às despesas com fretes, conduzo meu voto no sentido de reconhecer como dedutíveis os valores de R$ 1.210.433,45, relativo a serviços prestados pela ECT e de R$ 242.920,84, que foi o valor efetivamente pago e comprovado pelos serviços da empresa Tex Courier. Ante o exposto conheço do Recurso de Ofício, para NEGARLHE provimento, assim como conheço do Recurso Voluntário, para DARLHE parcial provimento, para reconhecer a dedutibilidade das despesas de R$ 1.210.433,45 e R$ 242.920,84, nos termos deste voto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 4393DF CARF MF
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