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Numero do processo: 11080.729857/2013-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 2008
Ementa:
SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE.
Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal.
SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES.
A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços.
Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF).
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Ano-calendário: 2008 Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amolda-se ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.
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ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores amoldase ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Carlos Augusto Daniel Neto e Waldir Navarro Bezerra acompanharam o Relator do acórdão paradigma pelas conclusões (art. 63, § 8º do RICARF). (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 98 57 /2 01 3- 10 Fl. 363DF CARF MF Processo nº 11080.729857/201310 Acórdão n.º 3402005.154 S3C4T2 Fl. 0 2 Laurentiis Galkowicz, Vinícius Guimarães (Suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente justificadamente o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que foi substituído pelo Conselheiro Suplente convocado. Relatório Trata o presente processo de DCOMP transmitida com objetivo de compensar os débitos nela apontados com créditos provenientes de pagamento indevido ou a maior. A matéria foi objeto de decisão proferida por intermédio do Despacho Decisório, no qual a Delegacia de origem, com base em informação fiscal resultante de diligência do Serviço de Fiscalização para apuração do direito creditório informado na DCOMP, onde ficou constatada a improcedência do mesmo, revisou de ofício o reconhecimento do direito creditório automático para não reconhecimento do direito creditório por inexistência do crédito e também de ofício revisou a homologação total da compensação efetuada através da mencionada declaração para compensação não homologada. A autoridade fiscal que proferiu a referida informação tomou por base a Solução de Consulta 446 SRRF/8ª RF/Disit, de 18/08/2007, uma vez que a Solução de Consulta 104 SRRF/10ª RF/Disit, de 18/08/2008, foi anulada pelo Parecer 52 SRRF10/Disit, de 13/09/2011, sob o seguinte argumento: É vedada a coexistência de duas soluções de consulta vigentes e eficazes sobre o mesmo fato, relativas a um mesmo sujeito passivo(...). Por sua vez, a Solução de Consulta vigente tem a seguinte ementa para o PIS: ELEVADORES. NÃOCUMULATIVIDADE. A instalação de elevador por seu produtor não caracteriza obra de construção civil, descabendo a aplicação do art. 10, XX, da Lei nº 10.833, de 2003. Caracterizase como operação de industrialização, na modalidade montagem, a reunião de partes, peças e componentes da qual resulte elevador, inclusive quando realizada fora do estabelecimento do executor, no próprio prédio onde esse equipamento será utilizado. Sofre incidência da contribuição para o PIS/Pasep em regime de apuração não cumulativo o total das receitas decorrentes do fornecimento de elevador por seu produtor, o qual se conclui ao final do processo de montagem. Para a Cofins foi proferida ementa com igual teor. (...). Uma vez intimado o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, a qual foi julgada improcedente pelo acórdão 09054.859, que entendeu que a compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, não verificado no caso em comento, afastou a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e concluiu que "a Fl. 364DF CARF MF Processo nº 11080.729857/201310 Acórdão n.º 3402005.154 S3C4T2 Fl. 0 3 decisão judicial transitada em julgado é, na verdade, a lei aplicada ao caso concreto e, tratandose de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente". Diante deste quadro, o contribuinte apresentou o recurso voluntário tempestivo, oportunidade em que repisou os fundamentos desenvolvidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.145, de 18 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11080.729500/201323, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.145): "5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. I. A discussão travada nos autos e o precedente vinculante deste CARF favorável ao contribuinte 6. A questão aqui travada não é nova, uma vez que já foi decidida por este CARF para o mesmíssimo contribuinte de forma paradigmática, i.e., nos termos do art. 47, § 2º do RICARF. Referida decisão foi veiculada por intermédio do acórdão n. 3201002.448 e encontrase assim prescrita: (...). A princípio, temse que o cerne da questão é definir qual a natureza da atividade exercida pela Recorrente (instalação de elevadores): se construção civil ou se industrialização. Tal definição determinará se a Recorrente deveria, à época dos fatos geradores, apurar o recolhimento do PIS e da COFINS pelo regime não cumulativo ou pelo cumulativo. Há peculiar situação no feito, consistente no fato de que a Recorrente teria apresentado duas Consultas Fiscais acerca do tratamento tributário mais adequado, obtendo Soluções conflitantes. Na primeira delas, Solução de Consulta nº 446/2007, da 8ª Região Fiscal, concluiuse que se tratava de industrialização e que, portanto, as receitas estariam Fl. 365DF CARF MF Processo nº 11080.729857/201310 Acórdão n.º 3402005.154 S3C4T2 Fl. 0 4 sujeitas ao regime não cumulativo das citadas contribuições. A segunda, Solução de Consulta nº 104/2008, da 10ª Região Fiscal, afirmou que as receitas estariam sob o regime cumulativo. No caso, o crédito postulado pela Recorrente origina da aplicação do segundo entendimento. Os créditos postulados, portando, decorrem da reapuração do PIS e da COFINS outrora calculados pelo regime não cumulativo e reajustados para o cumulativo. Idêntica questão já foi examinada por esta mesma Turma na sessão de 24 de fevereiro de 2016, em decisão por maioria proferida nos autos do Processo nº 11080.726628/201335, da mesma THYSSENKRUPP ELEVADORES S/A, no qual a Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi designada Relatora para o Voto Vencedor. O referido Acórdão nº 3201002.070 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2008 a 31/12/2009 Fl. 366DF CARF MF Processo nº 11080.729857/201310 Acórdão n.º 3402005.154 S3C4T2 Fl. 0 5 SOLUÇÃO DE CONSULTA DESFAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. ALTERAÇÃO POR DECISÃO PROFERIDA NO ÂMBITO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VALIDADE. Não há óbice legal para que seja alterado entendimento veiculado em solução de consulta, desfavorável ao contribuinte, por decisão emanada no âmbito do contencioso administrativo fiscal. SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE ELEVADORES. A instalação de elevadores subsumese ao conceito de "serviço", do que decorre que se submete ao regime cumulativo das contribuições ao PIS e à COFINS. Inteligência do Decreto n.7708/2011, que instituiu a Nomenclatura Brasileira de Serviços. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Provido e Recurso de Ofício Negado Vistos,relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Winderley Morais Pereira, relator. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Como consta em ata, o voto da i. Conselheira Doutora Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo foi por mim acompanhado integralmente. Por essa razão, peço vênia para transcrevêlo como fundamento do presente julgado: Como se depreende do voto do eminente relator, o mérito da presente demanda não foi conhecido, por se entender que havia solução de consulta, proferida para a situação específica dos autos e proposta pela própria Recorrente. Com efeito, no mérito a Recorrente alega que o regime jurídico de apuração das contribuições sociais, tome a sua atividades de instalação de elevadores como prestação de serviços de construção civil, o que determinaria a aplicação do regime cumulativo. A Recorrente obteve a solução de consulta SRRF/8ªRF/DISIT nº 446, de 18/09/2007, que ao analisar as atividades realizadas pela Recorrente de instalação de elevadores, decidiu não ser atividade de construção civil e portanto, estariam sujeita a apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo. Fl. 367DF CARF MF Processo nº 11080.729857/201310 Acórdão n.º 3402005.154 S3C4T2 Fl. 0 6 Não obstante, a Recorrente protocolou nova consulta, na Superintendência da Receita Federal do Brasil na 10ª Região Fiscal (Solução de Consulta SRRF/10ªRF/DISIT nº 104, de 18 de agosto de 2008), que considerou a atividade da Recorrente como prestação de serviços de construção civil e portanto, enquadrada nas disposições do art. 10, XX, da Lei nº 10.833/2003, determinando a apuração do PIS e da COFINS no regime cumulativo.(fls. 391 a 397). O entendimento do eminente Conselheiro Winderley Morais Pereira foi no sentido de que, em sendo a solução de consulta instrumento de garantia do contribuinte para esclarecimentos quanto a aplicação da legislação, a possibilidade de consultas do mesmo contribuinte tratando da mesma matéria serem protocoladas em unidades diversas da RFB, poderia mitigar a força normativa das consultas. Por essa razão, a decisão anterior não produziria efeito, nos termos do art. 54, IV do Decreto nº 70.235/72. Contudo, a questão que se põe e da qual se diverge do ilustre relator, é precisamente sobre a possibilidade de a decisão proferida no âmbito do contencioso administrativo fiscal, se sobrepor a decisão em solução de consulta, para o mesmo contribuinte. Ora, embora pelo processo de consulta possa se entender que o contribuinte recorra à Administração para buscar a correta exegese de determinada norma jurídica, verificase o que se busca, invariavelmente, é uma medida protetiva, de cunho preventivo, para a estruturação tributária de suas operações. O fato é que no âmbito do processo de consulta, o contribuinte não comparece na condição de mero consulente, até mesmo porque, já traz em seu pedido o posicionamento que entende cabível, com a respectiva fundamentação legal, o que aliás, é condição para o processamento de sua consulta, de acordo com a legislação em vigor, sob pena de sua ineficácia. Embora o procedimento de consulta não se equipare lógica e juridicamente ao processo administrativo fiscal, o fato é que este também possui conteúdo persuasivo, buscandose convencimento da Administração, acerca de determinada interpretação. E se assim for o caso, a solução em consulta conferelhe medida protetiva, um verdadeiro escudo contra eventuais futuros entendimentos administrativos contrários. Por essa razão, apenas a solução de consulta favorável ao contribuinte tem repercussões no contencioso administrativo fiscal, no sentido de coibir o lançamento. Observese que, nessa toada, dispõe o art. 100 do Decreto n. 7574/2011: (...). Fl. 368DF CARF MF Processo nº 11080.729857/201310 Acórdão n.º 3402005.154 S3C4T2 Fl. 0 7 Acresçase, por fim, que as decisões proferidas em procedimentos de consulta e no processo administrativo fiscal são lógica e juridicamente distintas, de sorte que não se verifica quaisquer relações de hierarquia entre elas. Superadas a questão, partese para o conhecimento do mérito da lide. A atividade de instalação de elevadores deve ser caracterizada como serviço, e não como atividade de industrialização, frisandose que, na hipótese dos autos, a Recorrente aparta a atividade de fabricação dos elevadores, da de sua instalação. Além de todas os fundamentos jurídicos trazidos pela Recorrente, como o fato de que a instalação de elevadores sob encomenda ser complemento da obra de construção civil, esta, indubitavelmente subsumida ao conceito de serviço, por se agregarem ao solo, dentre outras, temse que, para efeitos da legislação federal, que passou a tributar os serviços pelas contribuições sociais, bem como instituir o instrumental necessário para o controle do comércio exterior de serviços, com a edição da Nomenclatura Brasileira de Serviços, Decreto n. 7708/2011, não há mais dúvidas quanto ao enquadramento. Destarte, de acordo com o art. 2o do decreto, a NBS será adotada como nomenclatura única na classificação das transações com serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, pessoas jurídicas e entes despersonalizados. Os serviços de instalação de elevadores estão assim dispostos: SEÇÃO I SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO Capítulo 1 Serviços de construção 1.0131 Outros serviços de instalação 1.0131.10.00 Serviços de instalação de elevadores, esteiras e escadas rolantes O direito positivo brasileiro não traz um conceito conotativo de "serviço' nem mesmo para efeitos de incidência do ISSQN, operando sempre com definições denotativas, ou seja, com listas que arrolam o que são considerados os "serviços" para efeitos de tributação. Portanto, não se questiona a validade, vigência e eficácia da Nomenclatura Brasileira de Serviços, para esse fim. Não se olvide, finalmente, que os decretos são de aplicação obrigatória para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de maneira que considerada a atividade em questão como serviço, deve ser a aplicação do regime cumulativo das contribuições sociais. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 11080.729857/201310 Acórdão n.º 3402005.154 S3C4T2 Fl. 0 8 Por essas razões, entendo que há de ser dado provimento ao recurso voluntário.Com efeito, não vislumbro a possibilidade de uma Solução de Consulta expedida pela Receita Federal do Brasil vincular, ad eternum, uma exigência tributária que se mostre claramente ilegítima. Não se trata aqui de discutir se o contribuinte poderia ou não ter formulado uma segunda Consulta Fiscal, ou mesmo qual das respostas deveria prevalecer. Tratase aqui de reconhecer a legalidade ou ilegalidade de uma exigência tributária, ou, melhor dizendo, de definição acerca do alcance de uma norma tributária. Mesmo se admitisse que, de acordo com as normas procedimentais, a segunda Solução de Consulta deveria ser tida por inexistente, tal constatação, por óbvio, não chancela a legitimidade da primeira Solução de Consulta. Afinal, este não é o meio adequado para se definir fato gerador de obrigação tributária. E, nesse sentido, trago o seguinte precedente do Superior Tribunal de Justiça que reconhece o serviço de instalação e montagem de elevadores como obra de engenharia, e não como industrialização (portanto, atraindo a incidência do regime cumulativo do PIS e da COFINS à época dos fatos geradores): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE ELEVADORES. IPI. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A atividade de fornecimento de elevadores, que envolve a produção sob encomenda e a instalação no edifício, encerra, precipuamente, uma obra de engenharia que complementa o serviço de construção civil, não se enquadrando no conceito de montagem industrial, para fins de incidência do IPI. 2. Recurso especial provido. (REsp 1231669/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/11/2013, DJe 16/05/2014) Diante do exposto, voto por CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, exonerando o crédito tributário lançado. 7. Referida decisão apresenta um caráter vinculante, devendo ser seguida por esta Turma julgadora. Neste aspecto, todavia, não concordou o colegiado, que entende que, em tese, o colegiado poderia julgar de forma diferente daquele precedente paradigmático, haja vista que se está diante de outro lote de processos (ainda que referentes aos mesmíssimos fatos e com as mesmíssimas partes litigantes). Deixo tais considerações aqui registradas em razão do disposto no esquizofrênico art. 63, Fl. 370DF CARF MF Processo nº 11080.729857/201310 Acórdão n.º 3402005.154 S3C4T2 Fl. 0 9 §8º do RICARF1, que determina que as conclusões adotadas pelo colegiado seja externada por aquele Conselheiro que divergiu (e continua divergindo) e que foi vencido em relação à tais conclusões. 8. Tais considerações do colegiado, entretanto, não trazem qualquer repercussão no caso prático, até porque, no que tange ao mérito, a Turma julgadora aderiu integralmente com as precisas considerações elaboradas pela então Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e replicadas pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (transcritas alhures), motivo pelo qual emprego tais fundamentos para fins de motivação do presente voto, o que faço com amparo no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/992. Dispositivo 9. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte. 10. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. 1 "Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...). § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros." 2 "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...). § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 371DF CARF MF Processo nº 11080.729857/201310 Acórdão n.º 3402005.154 S3C4T2 Fl. 0 10 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado deu provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra . Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001441/2003-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS NÃO-HOMOLOGADAS. COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Valores das estimativas compensadas que não tenham sido homologados podem compor o valor do saldo negativo quando vinculadas a outro processo de compensação em razão de, mesmo não-homologadas, estarem confessadas e serem objeto de cobrança posterior que garantirá o adimplemento integral das mesmas.
Numero da decisão: 1401-002.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer crédito adicional ao contribuinte, relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2002, exercício 2003, no montante de R$ 297.573,57.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS NÃO-HOMOLOGADAS. COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Valores das estimativas compensadas que não tenham sido homologados podem compor o valor do saldo negativo quando vinculadas a outro processo de compensação em razão de, mesmo não-homologadas, estarem confessadas e serem objeto de cobrança posterior que garantirá o adimplemento integral das mesmas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer crédito adicional ao contribuinte, relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário 2002, exercício 2003, no montante de R$ 297.573,57. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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ESTIMATIVAS NÃO HOMOLOGADAS. COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Valores das estimativas compensadas que não tenham sido homologados podem compor o valor do saldo negativo quando vinculadas a outro processo de compensação em razão de, mesmo nãohomologadas, estarem confessadas e serem objeto de cobrança posterior que garantirá o adimplemento integral das mesmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer crédito adicional ao contribuinte, relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, exercício 2003, no montante de R$ 297.573,57. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 14 41 /2 00 3- 00 Fl. 1102DF CARF MF 2 Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão de Piso, com os nossos acréscimos. “Em 12/05/2003, a contribunte protocolizou, junto à SRF, DCOMP (fls.01/0 2), objetivando o aproveitamento de saldo negativa` de IRPJ, referente ao an ocalendário de 2002, no valor de R$ 400.230,68, para compensação de débi tos diversos. Em 11/07/2008, a SEORT/DRF/STS exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls.23 4/240) HOMOLOGANDO EM PARTE as compensações declaradas em DCOMP no valor de R$ 102.665,05. Dessa forma, o litígio re stringese ao seguinte valor original em Reais (R$): (...) A homologação parcial das compensações deuse em razão da glosa de estim ativas mensais por falta de liquidez e certeza do crédito utilizadoas deduções efetuadas na DIPJ. O referido crédito provém de saldo negativo apurado no processo de n° 10845.003073/200245, cuja decisão definitiva encontrase em discussão na esfera superior (Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 18/08/2008 (fl. 284) e dela recorreu a esta DRJ em 11/09/2008 (fls. 285/310). As alegações da impugnante são resumidas a seguir. • Considera regular as compensações efetuadas nas estimativas mensais no processo de n° 10845.003073/200245, cujo crédito apurado foi deduzido do IR a pagar deste processo; • Faz considerações a respeito da abrangência do termo "evento' cujo significado deve ser interpretado da forma mais abrangente possível em concordância com a jurisprudência e a doutrina dominante; • A autoridade fiscal incorreu em ilegalidade ao restringir a abrangência da palavra "evento' quando a sua definição encontrase expresso literalmente na legislação de regência; • A restrição da abrangência do significado da palavra "evento' prejudica a contribuinte ao reduzir as deduções da base de cálculo do PIS e da COFINS; • Requer provimento da presente manifestação de inconformidade com a suspensão dos créditos tributários exigidos neste processo.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, em decisão assim ementada: Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10845.001441/200300 Acórdão n.º 1401002.547 S1C4T1 Fl. 1.103 3 “COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte ef etuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO IRPJ. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de ren da apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido c ompensado ou restituído. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em q ue, tece as seguintes considerações: a) O indeferimento da compensação que originou a presente lide, como fartamente comprovado nos autos, está vinculada ao indeferimento de crédito da recorrente declarado e compensado no processo administrativo n° 10845.003.073/200245, o qual se encontra em fase recursal junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme comprovam as informações fornecidas pelo sítio eletrônico da segunda instância administrativa (Doc. n.° 04). b) Considerando que a decisão sobre a existência ou não dos créditos da COF INS e dacontribuição ao PIS reclamados no processo administrativo acima indicado, é questão que precede a análise do mérito da compensação efetuada nesses autos, é forçoso admitir que a apreciação do presente recurso voluntário na manifestação de inconformidade em Declaração de Compensação deve aguardar o julgamento definitivo daquele processo. c)Nestas condições, considerando que a disputa instaurada no processo admin istrativo n.° 10845.003073/200245 é questão prejudicial ao julgamento do presente recurso, re querse o sobrestamento do .presente recurso voluntário até o julgamento definitivo do supra mencionada processo administrativo n.° 10845.003.073/200245. d) Parte das estimativas mensais que geraram o saldo negativo apurado no pr ocesso n° 10845.003073/200245 foi extinta não com o pagamento dos tributos, mas sim com a compensação de recolhimentos indevidos da COFINS e da contribuição ao PIS nos períodos d e apuração de dezembro de 2001 a Março de 2002. e) Tais recolhimentos indevidos de COFINS e Contribuição ao PIS fundam entamse na falta de aproveitamento pela recorrente, no período acima indicado, do benefício d e dedução da base de cálculo criada pela MP n.° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Analisando o recurso voluntário a Turma Julgadora deste CARF decidiu sobrestar a análise deste processo até a ulterior análise do processo nº 10845.003073/200245. Fl. 1104DF CARF MF 4 Às fls. 1096 e seguintes foi acostada decisão proferida pela 3ª Seção deste CARF, relativa ao processo já indicado, na qual foi dado integral provimento ao recurso para reconhecer o direito da empresa aos créditos. É o relatório. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. Inobstante a análise do referido processo ter sido sobrestado em razão da pendência da análise de processo de créditos de PIS no qual foram compensadas estimativas de IRPJ que poderiam influir na apuração deste crédito, devemos levar em consideração, para analisar o recurso, os valores dos créditos solicitados pela empresa e o que foi reconhecido com a análise. Em relação às estimativas compensadas em outro processo, estas deverão ser consideradas no limite dos valores que tiveram a compensação solicitada naquele processo vez que, estando os débitos controlados no processo, conforme pudemos comprovar às fls. 702 e seguintes, no extrato de débitos do processo nº 10845.003073/200245, mesmo que a compensação ao final não seja integralmente homologada, a empresa será cobrada e executada do saldo de débitos não compensados. Este entendimento decorre do fato de a Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte constituir em confissão de débitos, na forma das normas do art. 74, da Lei nº 9.430/96. Assim, mesmo não homologada a compensação do débito da estimativa que compôs o crédito do processo, aquele débito será objeto de cobrança administrativa e/ou judicial. Por esta razão, impedir a utilização da estimativa em processo subsequente enquanto é mantida a cobrança do débito não compensado no processo anterior implicaria em prejuízo duplo ao contribuinte. Primeiro porque seria obrigado a pagar a estimativa não compensada integralmente. Segundo porque veria este valor não compensado ser excluído da composição do crédito. Assim, para evitar prejuízos ao contribuinte, haja vista que a ação de cobrança da Fazenda Nacional quanto à estimativa não compensada é perfeitamente legal, há de se admitir a utilização dos débitos de estimativa compensados em Declaração de Compensação, mesmo que a compensação não tenha sido homologada, posto que o pressuposto é que os débitos deverão ser cobrados posteriormente, de modo a evitar prejuízos ao particular e encerrar a análise dos processos de compensação posteriores que, de outra forma, permaneceriam pendentes até a conclusão de todos os procedimentos de cobrança. Desta forma, sendo obrigatoriamente pagos os débitos naquele processo, as estimativas nele controladas devem ser consideradas para fins de composição dos créditos Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10845.001441/200300 Acórdão n.º 1401002.547 S1C4T1 Fl. 1.104 5 neste processo. Os demais valores de retenção na fonte e de pagamentos foram obtidos diretamente do já aceito pela decisão da Delegacia de Origem. Assim, passaremos a analisar a composição do crédito do presente partindo das premissas acima. Per.Apuração Estimativas Estimativa IRRF Pagas Compensada jan/02 92.087,05 78.149,35 4.026,71 fev/02 160.941,80 mar/02 70.204,65 2.867,14 abr/02 34.005,54 912,97 mai/02 18.484,90 jun/02 6.661,32 jul/02 7.688,98 4.293,69 ago/02 set/02 out/02 nov/02 dez/02 6.700,11 Total 92.087,05 376.136,54 18.800,62 IR devido 66.223,18 Adicional 20.148,79 (‐) IRRF 18.800,62 (‐) Estimativa 468.223,59 Saldo Neg. IR ‐ 400.652,24 Dadas as planilhas acima, constatamos que o saldo negativo a que faz jus a empresa é compatível com o valor solicitado mediante a Declaração de Compensação de fls.05, no montante de R$ 400.238,62. Desta forma, tendo sido reconhecido anteriormente um crédito em benefício do contribuinte no valor de R$ 102.665,05, havemos de neste julgamento, reconhecer o saldo de crédito restante no montante de R$ 297.573,57. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer um crédito adicional ao contribuinte, relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002, exercício 2003, no montante de R$ 297.573,57. Fl. 1106DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1107DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000121/2011-70
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA.
Não se conhece de recurso especial de divergência quando as situações analisadas nos acórdãos recorrido e paradigma são diferentes.
Numero da decisão: 9101-003.560
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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Não se conhece de recurso especial de divergência quando as situações analisadas nos acórdãos recorrido e paradigma são diferentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 01 21 /2 01 1- 70 Fl. 753DF CARF MF Processo nº 16327.000121/201170 Acórdão n.º 9101003.560 CSRFT1 Fl. 754 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL, recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 691/698, contra o Acórdão nº 1402002.307 (efls. 676/680) que, por unanimidade de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário apresentado por ITAU UNIBANCO S/A, em face do acórdão da turma julgadora de 1ª instância, para reconhecer a parcela em litígio do direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEMONSTRAÇÃO. Na composição do saldo negativo do IRPJ passível de restituição/compensação devem ser computados os valores das estimativas quitadas mediante pagamento ou compensação e ainda aquelas objeto de ação judicial, nesse último caso desde que albergadas por depósito no montante integral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 18.007.711,59; em valores originais, homologandose as compensações pleiteadas, ainda remanescentes, até esse limite. Contra essa decisão a PFN opôs Embargos de Declaração (efls. 682/686) acusandoa de ter sido omissa em relação à aplicação dos arts. 151, II, e 156, I, do Código Tributário Nacional CTN. Os Embargos foram rejeitados pelo despacho de efl. 689. Cientificada desse despacho a PFN apresentou, então, Recurso Especial (efls 691/698), no qual aponta divergência jurisprudencial em relação ao entendimento manifestado no acórdão recorrido no sentido de que é desnecessário o transito em julgado de decisão judicial para a homologação das compensações, bastando, para o reconhecimento do direito creditório, o depósito judicial do montante em discussão no PER/DCOMP. Indicou como paradigma o Acórdão nº 110300.482, que tem a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996, 1997, 1998 Ementa: SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1996 Fl. 754DF CARF MF Processo nº 16327.000121/201170 Acórdão n.º 9101003.560 CSRFT1 Fl. 755 3 Certidão carreada aos autos não acusa trânsito em julgado dos embargos à execução contra CDA referente a IRPJ de 1996. Inexistência de certeza do crédito postulado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1997 Há lançamento que glosara parte da redução de IRPJ sobre lucro da exploração, com processo administrativo encerrado. O processo de compensação não é o meio próprio para se pretender reverter lançamento com processo encerrado, ainda mais quando naquele se impõe a certeza do crédito. De outra parte, o valor de IRPJ a pagar, mesmo com o lançamento, é negativo. Reconhecimento de valor de saldo negativo resultante do lançamento. SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1998 Apurado prejuízo fiscal, cabe reconhecer o direito creditório na proporção do que as receitas financeiras representam em relação ao total das receitas financeiras que deram causa ao IRRF aplicada sobre o valor de IRRF informado na DIPJ A recorrente argumenta, em síntese que, ao contrário do que decidiu o acórdão recorrido, o acórdão paradigma considera que apenas seria possível compensar os saldos negativos de IRPJ quando do trânsito em julgado da decisão que os reconheceu. Aduz, ainda, que depreendese do acórdão recorrido e do despacho que inadmitiu os embargos de declaração, que o colegiado considerou que o art. 170A, do CTN, não abarca a hipótese de compensação de prejuízos fiscais de IRPJ, de modo que não haveria qualquer previsão normativa expressa que vedasse tal prática, mas esse entendimento seria equivocado na medida em que somente podem ser compensados os créditos que gozam de certeza e os valores debatidos em uma ação judicial passível de reforma não seriam certos nem líquidos. Ao final requer a PFN seja o recurso conhecido e provido, para o fim de reestabelecer a decisão da DRJ, afastando a possibilidade de compensação dos valores reconhecidos a título de saldo negativo de IRPJ. Pelo Despacho de efls. 701/706, o Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção do CARF dá seguimento ao Recurso Especial. A interessada foi cientificada do Acórdão nº 1402002.307, dos Embargos de Declaração da PFN, do despacho que rejeitou os Embargos, do Recurso Especial da PFN e do despacho que o admitiu, em 20/12/2016, como demonstra o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem à efl. 723 e, em 30/12/2016 (Termo de Solicitação de Juntada de efl. 751), apresentou contrarrazões ao Recurso Especial da PFN (efls. 725/735). Inicialmente, requer o não conhecimento do apelo especial alegando que não haveria similitude fática entre o acórdão recorrido e o paradigma apresentando, o que inviabilizaria a caracterização da divergência jurisprudencial. No mérito informa que parte das estimativas de março e abril/2006, que compõe o direito creditório reconhecido pela decisão a quo, já possui decisão judicial Fl. 755DF CARF MF Processo nº 16327.000121/201170 Acórdão n.º 9101003.560 CSRFT1 Fl. 756 4 transitada em julgado reconhecendo a denúncia espontânea e, portanto, convalidando o crédito, o que justificaria a manutenção da decisão atacada ao menos em parte. Prossegue contestando a afirmação recursal de que a decisão recorrida afrontaria o art. 170A, do CTN, pois o que se pretende no presente processo é o reconhecimento da formação do saldo negativo e não as compensações ou pagamentos. Explica que se as decisões judiciais forem favoráveis ao Fisco e os valores vierem a ser exigidos também nas compensações não homologadas pela ausência de crédito decorrente de saldo negativo, restará configurado o locupletamento ilícito da Fazenda que acabará recebendo o montante em duplicidade. Ao final pede que o apelo especial da PFN seja não conhecido ou, se conhecido, improvido, mantendose a decisão do colegiado a quo. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora A PFN foi considerada cientificada do despacho que rejeitou seus embargos de declaração, em 29/12/2016, ou seja, 30 (trinta) dias após a notificação feita pelo despacho de encaminhamento de efl. 690 de 29/11/2016. Como já havia apresentado o apelo especial em 13/12/2016, vêse que o Recurso Especial é tempestivo. Contudo, a interessada apresenta, em contrarrazões, alegações no sentido de que não deve ser conhecido o apelo especial, pelo que passo a apreciar a sua admissibilidade. No Recurso Especial manejado, a PFN aduz que o acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário por considerar que, estando devidamente garantidos por depósitos judiciais valores que compõe o direito creditório relativo ao saldo negativo de IRPJ, deve, então, ser reconhecido esse direito creditório para utilização em compensações. Afirma que esse entendimento divergiria daquele consignado no paradigma que indica. Trata o processo de pedido de compensação de diversos débitos com crédito correspondente ao saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário de 2006, no montante original de R$ 295.684.948,59. O órgão de origem, após analisar a composição do direito creditório, indeferiu a parcela de R$ 18.007.711,58, composta da seguinte forma: R$ 2.027.897,68 referentes à diferença das estimativas dos meses de março (R$ 444.445,86); abril (R$ 1.539.345,41) e agosto (R$ 44.106,41);e: R$ 15.979.813,90 relativos à dedução de remuneração a administradores na apuração da estimativa de dezembro. Fl. 756DF CARF MF Processo nº 16327.000121/201170 Acórdão n.º 9101003.560 CSRFT1 Fl. 757 5 Isto porque os recolhimentos foram feitos a destempo, sem a inclusão da multa de mora, o que levou o órgão de origem a proceder à imputação de pagamentos, ocasionando, assim, as diferenças não reconhecidas. Observou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, relativamente às diferenças de estimativas dos meses de março e abril, a questão seria definir se o pagamento foi feito com espontaneidade e concluiu que sim, por se enquadrarem na jurisprudência do STF feitos antes de qualquer procedimento de ofício e precedendo a entrega das respectivas DCTFs além de haver trânsito em julgado do mandado de segurança 2008.61.00.0108388, decidindo pelo não cabimento da multa de mora no caso. Quanto à estimativa de agosto, bem como no tocante à dedução de remuneração a administradores na apuração da estimativa de dezembro, entendeu que, por estarem albergadas por depósitos judiciais, referidas diferenças poderiam ser consideradas na composição do saldo negativo. Observese: Quanto ao mês de agosto, ainda que não haja decisão judicial transitada em julgado, o valor em discussão foi depositado judicialmente conforme guia de depósito juntado aos autos. Caso a decisão judicial seja contrária à interessada o valor depositado seria convertido em renda da União. Cabível, portanto, a utilização na composição do saldo negativo. No que se refere ao valor de R$ 15.979.813,90 relativos à dedução de remuneração a administradores na apuração da estimativa de dezembro, a Delegacia de Julgamento não aceitou que compusesse o saldo negativo também pelo fato de estar sob discussão em ação judicial não transitada em julgado. Sigo aqui o mesmo raciocínio exposto no item anterior em relação ao mês de agosto. O valor em discussão foi depositado judicialmente conforme guia de depósito juntado aos autos. Caso a decisão judicial seja contrária à interessada o valor depositado seria convertido em renda da União. Cabível, portanto, a utilização na composição do saldo negativo. Do exposto, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 18.007.711,59; em valores originais, homologandose as compensações pleiteadas, ainda remanescentes, até esse limite. O tema recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEMONSTRAÇÃO. Na composição do saldo negativo do IRPJ passível de restituição/compensação devem ser computados os valores das estimativas quitadas mediante pagamento ou compensação e ainda aquelas objeto de ação judicial, nesse último caso desde que albergadas por depósito no montante integral. O paradigma indicado pela PFN encontrase assim ementado: Acórdão nº 1103000.482 Fl. 757DF CARF MF Processo nº 16327.000121/201170 Acórdão n.º 9101003.560 CSRFT1 Fl. 758 6 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996, 1997, 1998 Ementa: SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1996 Certidão carreada aos autos não acusa trânsito em julgado dos embargos à execução contra CDA referente a IRPJ de 1996. Inexistência de certeza do crédito postulado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1997 Há lançamento que glosara parte da redução de IRPJ sobre lucro da exploração, com processo administrativo encerrado. O processo de compensação não é o meio próprio para se pretender reverter lançamento com processo encerrado, ainda mais quando naquele se impõe a certeza do crédito. De outra parte, o valor de IRPJ a pagar, mesmo com o lançamento, é negativo. Reconhecimento de valor de saldo negativo resultante do lançamento. SALDO NEGATIVO DE IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1998 Apurado prejuízo fiscal, cabe reconhecer o direito creditório na proporção do que as receitas financeiras representam em relação ao total das receitas financeiras que deram causa ao IRRF aplicada sobre o valor de IRRF informado na DIPJ. Este processo cuidou de pedido de restituição de IRPJ recolhido indevidamente, nos anoscalendário de 1996, 1997 e 1998, em face de direito de isenção de IRPJ decorrente de benefício fiscal lucro da exploração, reconhecido pela SUDENE por meio de Portarias, e que não teria sido aproveitado no momento correto. O órgão de origem não reconheceu o direito creditório do anocalendário 1997, porque o interessado teria sofrido autuação justamente para exigir valores decorrentes da isenção considerada indevida. Da mesma forma agiu em relação ao direito creditório do ano calendário 1996, porque a interessada possuía IRPJ a pagar, não quitado, que foi enviado para dívida ativa da União. E, em relação ao anocalendário 1998, não reconheceu porque não teria apurado nenhum valor referente a redução do IRPJ na DIPJ, não havendo, portanto, direito creditório a reconhecer relativo a esse AC. No CARF, verificouse que o direito creditório advinha do IRRF, apurado em valores maiores que o IRPJ devido nas DIPJ. Assim, o julgamento do processo foi convertido em diligência, para verificação do oferecimento à tributação das receitas que deram origem às retenções. Com o resultado da diligência, o colegiado concluiu por deferir em parte, o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 1998, no valor do IRRF proporcional ao montante das receitas comprovadamente oferecidas à tributação. Também reconheceu parcialmente o saldo negativo do anocalendário 1997, por haver auto de infração transitado em julgado na esfera administrativa e arquivado, comprometendo o valor pleiteado como lucro da exploração Fl. 758DF CARF MF Processo nº 16327.000121/201170 Acórdão n.º 9101003.560 CSRFT1 Fl. 759 7 e reduzindo o valor do crédito pleiteado. E, notadamente, quanto ao saldo negativo do ano calendário 1996, deduziu o seguinte: Passo ao exame da pretensão do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996. O débito de R$ 66.271,04, indicado como “Enviado à PFN” e que estaria inscrito em dívida ativa, conforme o Parecer Conclusivo 29/07 da DIORT da DERAT/RJ é totalmente descabido, segundo argui a recorrente. Acentua que tal valor fora retificado pela própria Receita Federal, e que o valor da nova CDA era de R$ 14.427,32. A recorrente verbera que, mesmo esse débito fora considerado indevido, com a decretação de nulidade do CDA em sentença acolhendo embargos à execução, conforme certidão acostada aos autos com o recurso (fl. 475). Vejo na referida cópia da certidão que o CDA original no valor de R$ 170.176,06 atualizados até 27/11/00, no qual se incluem os R$ 66.271,04 (fls. 476 a 478), fora cancelado, sendo substituído por outro no valor de R$ 14.427,32 atualizados até 8/02/01, tal como articulado pela recorrente. Também, da referida cópia da certidão, constatase que os embargos à execução do débito citado foram acolhidos e julgado procedente o pedido, com a decretação de nulidade do CDA, por sentença. Contudo, não consta dessa cópia de certidão a menção a trânsito em julgado dos mencionados embargos à execução. Resulta consignado que os autos se encontram na Secretaria do Juízo disponíveis para remessa à União para ciência e eventual interposição de recurso, e que ainda não foram recebidos pela União em face da greve dos procuradores da exequente (fl. 475). A certidão carreada aos autos pela recorrente não acusa trânsito em julgado dos embargos à execução desafiados contra o CDA substituto. Não há como se falar, portanto, em certeza do crédito postulado pela recorrente, correspondente a suposto saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996. Nesses termos, nego provimento ao recurso quanto à pretensão de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996. Com efeito, as situações fáticas analisadas pelas decisões comparadas não são semelhantes. Vejase que para o acórdão recorrido, a existência dos depósitos judiciais foi determinante para o colegiado decidir que não havia necessidade de se comprovar o trânsito em julgado da ação, porque o depósito seria convertido em renda da União, caso o interessado viesse a ter insucesso na demanda, justificando a inclusão desses valores no direito creditório pleiteado. Tal fato não consta do paradigma. Não há qualquer notícia naqueles autos de que os valores discutidos judicialmente tenham sido objeto de depósito judicial, o que justifica a conclusão do colegiado pela obrigatoriedade da comprovação do trânsito em julgado da ação judicial que discutia os valores que compunham o direito creditório. Para que a divergência argüida fosse caracterizada na comparação entre este paradigma e o recorrido, seria necessário Fl. 759DF CARF MF Processo nº 16327.000121/201170 Acórdão n.º 9101003.560 CSRFT1 Fl. 760 8 que o voto proferido no acórdão paradigma tivesse afirmado que, mesmo diante de depósitos judiciais, seria necessário o trânsito em julgado do processo judicial, o que não se verificou, no caso Lembrese que a divergência jurisprudencial somente se caracteriza quando os acórdãos recorrido e paradigma, em face de situações fáticas similares, conferem interpretações divergentes à legislação tributária. Com efeito, tratandose de situações fáticas diversas, cada qual com seu conjunto probatório específico, as soluções diferentes não têm como fundamento a interpretação diversa da legislação, mas sim as diferentes situações fáticas retratadas em cada um dos julgados. Este paradigma, portanto, não caracteriza a divergência jurisprudencial arguida. Nessas condições, o Recurso Especial da Fazenda Nacional, por não lograr demonstrar a caracterização da divergência, não poderia ter tido seguimento, nos termos do art. 67, do Anexo II, do RICARF. Em face do exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 760DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720538/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2012
IRPJ/CSLL - SIMULAÇÃO - INEXISTÊNCIA
O direito de se auto-organizar autoriza a constituição de sociedades pelos mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares ou mesmo distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afasta-se o entendimento de que se trata de mera simulação. Para que determinada operação seja considerada simulada, devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas.
Numero da decisão: 1301-002.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por lhe dar provimento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CONSTRUTORA SIMOSO LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2012 IRPJ/CSLL SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA O direito de se autoorganizar autoriza a constituição de sociedades pelos mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares ou mesmo distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afastase o entendimento de que se trata de mera simulação. Para que determinada operação seja considerada simulada, devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por lhe dar provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 05 38 /2 01 5- 11 Fl. 6333DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.334 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Ângelo Antunes Nunes (suplente convocado para manter paridade do colegiado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição à Conselheira Bianca Felícia Rothschild) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira e Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso de Ofício contra o acórdão nº 0272.295, proferido pela 10ª Turma da DRJ/BHE, na sessão de 20 de março de 2017, que, por voto de qualidade, entendeu julgar procedente a impugnação do sujeito passivo para exonerar o crédito tributário exigido. Por bem descrever o ocorrido, valhome parcialmente do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: I – DO LANÇAMENTO. Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração e respectivos Anexos de fls. 1116/1168, a saber: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$21.594.046,82, cumulado com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 03.2015. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, no valor de R$6.569.471,60, cumulada com multa de ofício e juros de mora pertinentes, calculados até 03.2015. Lançamento do IRPJ e CSLL. Descrição dos Fatos. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “Responsabilidade solidária: (...) A Scala além de compartilhar estrutura operacional, possuir os mesmos sócios e realizar o mesmo negócio (objeto social) da Simoso, beneficiouse juntamente com a primeira do planejamento tributário de ambas em utilizarem indevidamente a tributação com base no lucro presumido, mediante diluição da receita nas duas empresas, e assim recolherem menos IRPJ e CSLL que o devido, conforme constatação da fiscalização, detalhadamente informada no Relatório Fiscal, que é parte integrante do presente Auto de Infração. Ficou assim constatado o interesse comum da Scala na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal do IRPJ e da CSLL. Neste ato, passa a ser arrolada como Fl. 6334DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.335 3 responsável solidária pelo presente crédito tributário lançado de ofício em desfavor da fiscalizada Simoso. Enquadramento Legal A partir de 01/01/2000 Art. 124, inciso I, da Lei nº 5.176/66. (...) 0001 RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS OPÇÃO INDEVIDA PELO LUCRO PRESUMIDO – RESULTADOS OPERACIONAIS Contribuinte, obrigado a apurar o imposto de renda pelo regime do lucro real, entregou declaração optando pelo lucro presumido, mas manteve escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, conforme relatório fiscal em anexo.” Do Relatório Fiscal – RF (fls. 1097/1114). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. RESUMO DA AUTUAÇÃO Resumo da autuação: no decorrer do presente Relatório Fiscal serão relatadas as constatações baseadas nos elementos arrecadados e analisados durante a presente auditoria fiscal. A Fiscalização apurou que houve infração tributária tendo em vista redução da tributação devida do IRPJ e da CSLL, em razão da opção indevida pela apuração do lucro pelo regime do Lucro Presumido para os anoscalendário 2010 e 2012, através da utilização de outra empresa pertencentes aos mesmos sócios para distribuição, pulverização, da receita bruta total do negócio entre as duas empresas e assim não ultrapassarem o limite legal de R$ 48 milhões nos anos anteriores. Em razão desse planejamento tributário a Fiscalizada, bem como a outra empresa pertencente aos mesmos sócios, submeteuse à tributação menor que a devida, uma vez que nenhuma delas, considerando as receitas brutas somadas, poderia ter optado pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Decreto nº 3.000/99, art. 246, I). Em decorrência, as bases de cálculo dos anoscalendário 2010 e 2012 foram recalculadas pela Fiscalização com base no Lucro Real, uma vez existente a contabilidade regular do Fiscalizado. O lançamento de ofício comporta a apuração suplementar do IRPJ e CSLL para 2010 e 2012. A exigência vem acompanhada dos respectivos juros de mora e multa de ofício em sua graduação mínima de 75%. (...) Das Informações Fiscais: tratase de uma sociedade limitada de capital fechado e apresentou as DIPJ, conforme abaixo: Fl. 6335DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.336 4 (...) Do Termo de Intimação Fiscal de 16/04/14: (...) Intimada, a Simoso informou que: a) em 2010 e 2012 a empresa optou pela apuração do lucro com base no Lucro Presumido (LP) e contabilizou receitas e despesas pelo regime de caixa, entretanto ofereceu à tributação a totalidade da conta “contas a receber” existente em 31/12/2010 e 31/12/2012, em virtude da troca obrigatória do regime de apuração para o Lucro Real (LR) nos anos seguintes (2011 e 2013); em 2011 a empresa reconheceu receitas e despesas com base no LR, utilizando o regime de competência. Do Termo de Intimação Fiscal de 30/07/14: (...) Em razão de a Simoso estar submetida às regras fiscais inerentes à construção por empreitada estabelecidas no RIR/1999, arts. 407 e 408 e IN/SRF nº 21/1979, foi intimada a apresentar documentos e informações relativos aos negócios de longo prazo. Em 08/09/2014, a Simoso respondeu à intimação (DOC 07). Constatação 1: a partir da análise da resposta do contribuinte, bem como de sua escrita contábil, constatase que a Simoso procura sempre a opção de tributação com base no LP por lhe ser mais vantajosa. Apura o resultado fiscal alternadamente entre LP (em 2008, 2010, 2012) e LR (em 2009, 2011 e 2013). Nos anos em que apura LP, a receita bruta anual sempre ultrapassa os 48 milhões do limite para se manter no mesmo regime para o ano seguinte, obrigandoa à tributação com base no LR para o ano seguinte. Quando no LR, a receita anual nunca ultrapassa o limite de 48 milhões, permitindo novamente que volte ao regime do LP no ano seguinte. A explicação para essa variação das receitas brutas entre um ano e outro é em parte explicada pela prática de reconhecer receitas pelo regime de caixa quando está sob o regime do LP. Quando a Simoso tem conhecimento que será desenquadrada do LP para o ano seguinte (por causa da ultrapassagem do limite de 48 mil), é obrigatório que reconheça todo o saldo das contas a receber existente em 31/12 do ano em curso pelo regime de competência – em decorrência a receita bruta é majorada nos anos que está sob o regime do LP. Esse é um dos planejamentos tributários adotados pela Simoso que encontra respaldo em Fl. 6336DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.337 5 nossa legislação, especialmente na IN SRF nº 104, de 24 de agosto de 1998 e na IN SRF nº 345, de 28 de julho de 2003 – até esse ponto, a Fiscalização não encontrou infração à legislação tributária. Por outro lado, como mais adiante será demonstrado, a Simoso pulverizou sua receita bruta total com outra empresa pertencente aos mesmos sócios: Construtora Scala Guaçu Ltda (Scala) CNPJ 56.111.347/000266, planejamento tributário esse não aceito pelo Fisco. Em decorrência, em 2010 e 2012, tributou indevidamente seu lucro com base no LP (Decreto nº 3.000/99, art. 246, I). Pulverização da Receita Bruta Total: conforme apurado por esta Fiscalização, a Construtora Simoso e a Construtora Scala Guaçu Ltda – CNPJ 56.111.347/000166 (Scala) são controladas e gerenciadas pelos mesmos sócios e têm a mesma atividade. Os elementos que atestam essa situação são abaixo relatados: 1) Compartilhamento do mesmo endereço administrativo, comercial e produtivo; 2) Mesmos sócios e idêntica participação societária em ambas empresas; 3) Mesmo objeto social (atividade formal); 4) Mesma atividade comercial e produtiva (atividade de fato). 1) Compartilhamento do mesmo endereço administrativo, comercial e produtivo: (...) Conforme podese observar nos quadros acima, os endereços de todos estabelecimentos da Scala coincidem com os endereços da Simoso, observandose tãosomente um estabelecimento da Simoso em que não há coincidência de endereço com a Scala (filial Simoso Aguaí) e um estabelecimento da Scala na Rua São José em MogiGuaçu – que encerrou atividades em 1992, segundo apurado pela Fiscalização através de visita local. Nos dias 14 e 15 de janeiro de 2015, a Fiscalização realizou visitas em parte dos endereços dos estabelecimentos. Conforme Termos de Constatação lavrados acompanhados de fotos dos locais (DOC 09), a Fiscalização verificou o que se segue: (...), que as filiais da Simoso e da Scala (000166) localizadas na Rodovia MogiGuaçu a Itapira, Km 1,1 s/n, Zona Rural, Mogi Guaçu, operam juntas no local, segundo informações da Sra. Ana Paula, auxiliar administrativo, funcionária da Simoso desde 2008; que as filiais da Simoso e da Scala (000832) localizadas na Estrada Velha São João – Várzea Grande, Km 02 s/n, Zona Rural, São João da Boa Vista/SP, também operam juntas no local, segundo relato da Sra. Mariana Mistura, auxiliar de expedição, que trabalha como funcionária da Simoso desde 12/09/2011. Fl. 6337DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.338 6 Ficou claro à Fiscalização que as estruturas são compartilhadas entre as duas empresas. Toda identidade visual dos últimos dois locais visitados (os que estavam em funcionamento) era direcionada à Construtora Simoso, tais como placas, logotipos nos caminhões, tratores, carros, avisos de segurança, alvarás de funcionamento, avisos aos empregados. As diligências estão relatadas em detalhes nos Termos de Constatação, inclusive com a devida qualificação (nome completo e CPF) dos entrevistados, fotos do local e assinados pelos três AuditoresFiscais da RFB que participaram da visita (DOC 09). Intimada, a Scala esclareceu, dentre outras, que não existem contas e respectivos comprovantes de energia elétrica vez que as salas comerciais comodatadas não possuíam medidores separados; que em relação às usinas de asfalto, o valor unitário já abrangia todos os custos, inclusive energia elétrica, água, telefone, IPT ou ITR; apresentou conta telefônica da filial administrativa CNPJ 56.111.347/000328; que a Scala possuía em 2011 sete máquinas e um caminhão, conforme listagem do imobilizado fornecida, mas que sempre que necessário a Scala alugava equipamentos e máquinas, conforme relatório que anexou. Considerando a resposta acima, a Fiscalização observa que a ausência de contas de água, luz e telefone, além das despesas com IPTU ou ITR demonstram o compartilhamento de estrutura entre as empresas Scala e Simoso. Não há cobranças de aluguéis, sendo ausentes contratos de locação de imóveis, substituídos por simples contratos de comodato ou arrendamento rural, sem registro público, nos termos do Código Civil, art. 221. Em referidos contratos figuram como comodantes ou arrendantes, sempre, a Simoso ou filhos dos proprietários da Simoso (que também figuram como funcionários da Simoso). Em um contrato de arrendamento datado de 01/01/2009, consta a previsão de pagamento de arrendamento mensal, porém, como já visto, inexiste comprovante de tais pagamentos. Quanto aos equipamentos e máquinas necessários à atividade da Scala, esses eram, segundo contrato de locação de equipamentos – sem registro público , firmados também com a Simoso. Ou seja, a Simoso locava equipamentos para a Scala realizar o mesmo objeto social da primeira. Tais situações demonstram o compartilhamento das mesmas instalações comerciais, produtivas e administrativas. Significa dizer, as empresas operam na mesma atividade, realizam o mesmo negócio. 2) Mesmos sócios e idêntica participação societária em ambas empresas: (...) Fl. 6338DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.339 7 Os sócios (Olavo Simoso e Antônia Tereza Campaidi Simoso), que são marido e mulher, possuem idêntica participação nas duas empresas (60% e 40%, respectivamente). Simoso e Scala estão sob o mesmo controle e unidade de comando. 3) Mesmo objeto social (atividade formal): (...) Há forte similaridade no objeto social das empresas. 4) Mesma atividade comercial e produtiva (atividade de fato): (...) Em 2010, 85,2% da receita da Simoso corresponde a idênticos tipos de receitas da Scala. (...) Em 2011, 93,6% da receita da Simoso corresponde a idênticos tipos de receitas da Scala. Se considerada a receita de revenda de mercadorias da Simoso juntamente com sua receita de vendas de mercadorias, 98,8% das receitas da Simoso passam a ser idênticas às da Scala. (...) Em 2012, 98,1% da receita da Simoso corresponde a idênticos tipos de receitas da Scala. A denominação dos tipos de receita nos quadros acima são os informados pela Simoso e pela Scala em seus respectivos planos de contas transmitidos via Sistema Público de Escrituração Digital (Sped). Portanto, não só as atividades formalizadas em seus contratos sociais são similares como também suas atividades de fato. Em resumo, verificase que em razão de: 1) Compartilhamento do mesmo endereço administrativo, comercial e produtivo; 2) Mesmos sócios e idêntica participação societária em ambas empresas; 3) Mesmo objeto social (atividade formal); e 4) Mesma atividade comercial e produtiva (atividade de fato); que a Simoso e a Scala pulverizam entre si a receita bruta total do negócio, driblando a lei no que diz respeito à ultrapassagem do limite legal de R$ 48 milhões para que o negócio pudesse ser tributado com base no lucro presumido. (...) Da prevalência da Essência sobre a Forma. As novas normas contábeis brasileiras, vigentes a partir de 01/01/2008, foram criadas para ajustar a contabilidade brasileira à contabilidade internacional International Financial Reporting Standards (IFRS). Fl. 6339DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.340 8 Dentre os princípios básicos, ganhou forte relevância o da Primazia da Essência sobre a Forma, estampado na Resolução CFC nº 1.121/08, que aprova a Estrutura Conceitual para elaboração e apresentação das demonstrações contábeis, vigentes já em 2009. Em seu item 35, estabelecese que os eventos sejam contabilizados e apresentados de acordo com a sua substância e realidade econômica, e não meramente sua forma legal, uma vez que a essência das transações nem sempre é consistente com o que aparenta ser com base em sua forma legal ou artificialmente produzida. Em decorrência dessa premissa, embora cada empresa (Simoso e Scala) tenha sua receita formalmente declarada e tributada em separado, a realidade econômica demonstra que se trata de um negócio único, de uma receita única, não podendo ser separado por mera liberalidade dessas empresas para produzir efeitos tributários em prejuízo da Fazenda Nacional. Por conseguinte, as receitas das duas empresas devem ser somadas para fins de aferição do limite legal para poder optar validamente pela tributação com base no lucro presumido (art. 516, do RIR/1999). (...) Tanto a Simoso quanto a Scala não poderiam optar pela tributação com base no lucro presumido nos anos de 2010, 2011, e 2012. As receitas juntas somaram valores superiores a R$ 48 milhões anuais em 2009, 2010 e 2011. Portanto, devem submeterse à tributação com base no lucro real. O quadro abaixo apresenta as formas de apuração do lucro e as receitas anuais da Simoso e da Scala: Regime de apuração do lucro Fl. 6340DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.341 9 Tratase de planejamento tributário da Fiscalizada que interpretou, e explorou, a legislação tributária nacional apenas em seu aspecto formal, abstraindose, forçosamente, de avaliar a essência dos negócios envolvidos e sua realidade econômica. É com base nessa fundamentação e elementos de prova que a Fiscalização está tributando de ofício todo período compreendido entre 2010 e 2012 pelo regime do lucro real. (...) Dos Procedimentos Fiscais Finais – Lançamento de Ofício: em decorrência da opção indevida pelo lucro presumido a Fiscalização refez de ofício as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL com base na sistemática do lucro real, uma vez que a empresa possui contabilidade regular. A partir do resultado contábil encontrado na escrita contábil da Simoso, e mediante a falta de apresentação de adições, exclusões e compensações ao lucro por parte da Simoso em resposta à intimação fiscal, a Fiscalização apurou o lucro real de ofício. (...) O prejuízo fiscal e a base negativa existente no Lalur e no Lacs respectivamente, em 31/12/2011, no montante de R$497.204,97, foram aproveitados de ofício mediante compensação no primeiro trimestre de 2012. Os elementos contábeis (conta resultado do exercício), as DCTF e as planilhas demonstrativas da apuração acima encontramse juntadas no DOC 26. (...) Responsabilidade Tributária do Sócio Administrador: Conforme entendimento legal previsto no Código Tributário Nacional (CTN), art. 124, I, são solidariamente obrigadas as pessoas jurídicas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação tributária principal: (...) A Scala além de compartilhar estrutura operacional, possuir os mesmos sócios e realizar o mesmo negócio (objeto social) da Fl. 6341DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.342 10 Simoso, beneficiouse juntamente com a primeira do planejamento tributário de ambas em utilizarem indevidamente a tributação com base no lucro presumido, mediante diluição da receita nas duas empresas, e assim recolherem menos IRPJ e CSLL que o devido. Ficou assim constatado o interesse comum da Scala na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal do IRPJ e da CSLL. Neste ato, passa a ser arrolada como responsável solidária pelo presente crédito tributário lançado de ofício em desfavor da Fiscalizada Simoso. Termo de Sujeição Passiva Solidária Foi lavrado contra o responsável tributário, Construtora Scala Guaçu Ltda, o Termo de Ciência de Lançamento e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária (fls. 1187/1188). II – DA IMPUGNAÇÃO. Tendo sido dele cientificado via postal tanto o sujeito passivo (AR de fls. 1174/1175), em 27.03.2015, como o responsável tributário (AR de fls. 1189), em 26.03.2015 (vide documento de fls. 5797, anexado pela defesa), devidamente arrolado no correspondente Termo de Responsabilidade de fls. 1187/1188, foram apresentadas contestações separadas em nome de ambos em 24.04.2015, mediante os instrumentos de fls. 1193/1237 e 5734/5782, respectivamente. Adiante compendiamse suas razões. III.1 – IMPUGNAÇÃO SIMOSO (fls. 1193/1237). (....) Diferentemente do alegado pela Fiscalização, os elementos não comprovam qualquer irregularidade fiscal. Atestam, sim, que são sociedades com o mesmo controle, o que, além de não ser ilícito, tampouco é suficiente para afirmar que a Simoso e a Scala pulverização entre si a receita bruta total do negócio, driblando a lei no que diz respeito ao limite legal de R$ 48 milhões para que o negócio pudesse ser tributado com base no lucro presumido. Diversos são os equívocos do trabalho fiscal, seja na interpretação dos documentos franqueados ao longo do procedimento de fiscalização, seja na fragilidade das supostas provas construídas pelo Fisco (as únicas provas produzidas pelo Fisco foram as diligências feitas nos dias 14 e 15 de janeiro de 2015, nos estabelecimentos 56.111.347/000166 e 56.111.347/000832), que impõem o sumário cancelamento da autuação. A defesa registra fatos no intuito de demonstrar a lisura e a idoneidade da Impugnante, a saber: Fl. 6342DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.343 11 a) A Fiscalização atesta a existência de contabilidade regular da Impugnante. Nenhum vício, falha ou equívoco contábil foi suscitado. b) A Fiscalização não constatou um centavo sequer de receita omitida ou de despesas indevidamente apropriada, seja em relação aos anos em que a Impugnante esteve submetida ao lucro presumido, seja pelo lucro real. c) A Fiscalização não apurou um erro sequer nos critérios e registros contábeis para reconhecimento de receitas e apropriação de custos e despesas. d) A Fiscalização entendeu que não houve fraude, dolo ou simulação na conduta da Impugnante, tanto que não fora aplicada multa agravada de 150%. O entendimento fazendário de que a independência das pessoas jurídicas era meramente formal, desvinculado de substância e realidade econômica, com o propósito exclusivo de obter vantagens fiscais, não se mantém fática e juridicamente. A Impugnante e a Scala são pessoas jurídicas distintas, com autonomia financeira, econômica, laboral e operacional. Se fosse uma única empresa de fato, como alega a autuação, qual a razoabilidade jurídica de incluir a Scala como devedora solidária? Ora, se a Scala é solidária, não é ela, necessariamente, sociedade autônoma da contribuinte? A contradição parecenos evidenciada. Mas não é só. As atividades foram exercidas separadamente, em locais independentes (a filial compartilhada com a Scala era apenas administrativa, já que essa empresa executava serviços de recapeamento, realizados no local). Não refutamos, por outro lado, as circunstâncias de que elas têm os mesmos sócios, com idêntica participação societária, assim como em parte possuem semelhante objetivo social (atividade formal) e compartilham endereços em função de necessidades operacionais adiante justificadas. Mas qual a relevância de possuir essa “identidade” de endereços, se todos os demais pontos são divididos e os serviços que executam são substancialmente diferentes? A resposta é simples: absolutamente nenhuma. Sobre a utilização do mesmo endereço, interessante desde já mencionar que a Fiscalização centrase, basicamente, na questão do compartilhamento físico das estruturas. Ressaltamos este fato tendo em vista que, ainda que houvesse alguma irregularidade no compartilhamento físico, essa circunstância, isoladamente, não prova identidade gerencial, operacional, laboral, financeira, enfim, identidade negocial. Para que houvesse tal identidade e um único negócio, o compartilhamento deveria ir muito além do fato de se estabelecer em uma sala dentro da estrutura física de outra sociedade. O compartilhamento deveria necessariamente englobar a utilização conjunta de funcionários, Fl. 6343DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.344 12 compartilhamento de negócios e clientes, maquinários necessários à realização dos serviços etc. E tudo isso simplesmente inexiste. III – DO DIREITO A seguir trataremos tanto da demonstração de que a segregação de atividades econômicas é atividade lícita e aceita pela jurisprudência, quanto da prova de que o auto de infração ora impugnado deve ser anulado porque a (i) conclusão de que se tratava de um único negócio foi construída a partir de indícios fracos e plenamente justificáveis, e (ii) que não considerou inúmeros outros fatos que invalidaram tal conclusão. Vejamos. (...) III.1 – IMPUGNAÇÃO SCALA (fls. 5734/5782). A Construtora Scala devidamente arrolada como responsável tributária solidária apresentou contestação onde ataca tanto o mérito da autuação quanto a imputação de responsabilidade que lhe foi atribuída pela Fiscalização. Na impugnação apresentada, ela ressalta a sua tempestividade (defesa protocolada em 24.04.2015), considerando que foi intimada em 26.03.2015; e no mérito, substancialmente, repete os mesmos argumentos e provas já expostos e apresentados na defesa do sujeito passivo, Construtora Simoso. Quanto à defesa da responsabilidade tributária, fundamentalmente, combate a sua inclusão no pólo passivo do auto infração por, entender o Fisco, ter sido constatado o interesse comum da empresa na situação que constituiu o fato gerador da obrigação tributária (art. 124, I, do CTN). Defende também que não se sustentam os indícios trazidos pela Fiscalização no intuito de confirmar a conclusão de que houve a “pulverização da receita bruta total entre duas empresas pertencentes aos mesmos sócios”, fato esse identificado para enquadrar o caso em hipótese de solidariedade. III – DAS DILIGÊNCIAS REALIZADAS. Por meio da Resolução nº 2.001.959, da 10º Turma/DRJ/BHE, de 21 de março de 2016 (documento de fls. 6073/6076), o julgamento do processo foi convertido em diligência para que a Fiscalização, diante das alegações e provas trazidas aos autos pela defesa, se manifestasse. Abaixo transcrevese a parte final da referida Resolução que contém a sua solicitação: “Diante das amostras de contratos, digase contemporâneas e extemporâneas ao período fiscalizado, trazidas aos autos pela defesa que buscam corroborar suas alegações em torno da distinção entre as atividades das duas empresas, fazse necessário que a Fiscalização diligencie junto à Impugnante para: Fl. 6344DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.345 13 a) trazer aos autos documentos, tais como, notas fiscais de prestação de serviços, contratos, medições e outros que contenham de forma detalhada e inequívoca as efetivas atividades desenvolvidas por ambas empresas, Simoso e Scala; b) auditar ou analisar os referidos documentos, discriminando as situações em que as duas empresas executaram atividades similares, tanto no escopo, quanto na complexidade e valor, conforme afirma na autuação; c) ainda, quanto às demais questões postas pela defesa, manifestarse, caso entenda necessário. Assim sendo, nos termos do art. 18 c/c o art. 29, ambos do Decreto nº 70.235, de 1972, proponho o retorno do presente processo à DRF de origem para que sejam realizadas as diligências solicitadas acima nos itens “a”, “b” e “c”, podendo a Fiscalização, a seu critério, estendêlas a outros pontos, considerando o vasto arrazoado contido na defesa.” Do Relatório Fiscal Diligência Feitas as diligências acima solicitadas, a Fiscalização elaborou o “RELATÓRIO FISCAL Diligência” (documento de fls. 6138/6170). Abaixo, transcrevemse trechos do aludido Relatório: “(...) PRIMEIRA PARTE – ANÁLISE PRELIMINAR DA QUESTÃO “ATIVIDADE” 6. (...) importa tecer comentários a respeito do que se deve entender por mesma “atividade” empresarial. A Simoso sustentou em sua impugnação que as atividades dela e da Scala são diferentes (...), basicamente, por que teriam executado obras de complexidade diferentes, cujos valores seriam em função disso também diferenciados e que os clientes de ambas não seriam os mesmos. 7. Executar atividades diferentes não se confunde: 1º com prestar serviços da mesma natureza ou vender produtos iguais para clientes diferentes. (...). O fato de a Simoso afirmar que são clientes diferentes não bastariam para comprovar que as “atividades” exercidas por ela e pela Scala são diferentes. Os clientes poderiam ser diferentes, mas a atividade continuaria sendo a mesma; (mais adiante veremos que não eram clientes diferentes) 2º com prestar serviços de valores diferentes. (...). É difícil padronizar preços na execução de serviços personalizados – obras de construção civil é o melhor exemplo disso. Os riscos de execução, de recebimento, de atraso na execução, de logística de Fl. 6345DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.346 14 movimentação de pessoal, de equipamentos e materiais, etc., induz à formação de preços diferentes para cada obra. Além do mais, em nenhum momento o contribuinte comprovou a afirmação de que os custos da Scala são menores em confronto com os da Simoso, a ponto de demonstrar o propósito negocial não tributário do negócio. Os valores poderiam ser diferentes, e naturalmente sempre o seriam, mas a atividade continua sendo a mesma; 3º com prestar serviços de complexidades diferentes. Em qualquer atividade de prestação de serviços ocorre esse tipo de variação de complexidade. Uns serviços são mais ou menos complexos que outros. Vai depender do que cada diferente cliente vai contratar. Isso não quer dizer que um empresário precise abrir diferentes pessoas jurídicas para cada tipo de nível de complexidade que o mercado demande, ou mesmo constituir uma pessoa jurídica para executar serviços mais fáceis e outra para serviços mais difíceis. Se o empresário pretende atuar nos vários nichos do mercado e controlar separadamente seus resultados, pode optar pelo método de departamentalização de custos e manter uma só pessoa jurídica. Prestar serviços de complexidade diferentes não significa que a atividade econômica desenvolvida seja diferente. No caso das locações (máquinas e veículos) e de venda de mercadorias (pedras) isso é mais evidente. 8. Atividade econômica diferente significa executar negócios empresariais diferentes. Por exemplo, os mesmos sócios possuem um supermercado e uma oficina mecânica – são atividades diferentes. Ou possuem uma transportadora e uma indústria de embalagens – são atividades diferentes. Ou uma loja de roupas e um posto de gasolina – da mesma forma são atividades diferentes. (...). Executar obras de pavimentação, terraplenagem, pavimentação asfáltica, venda ou revenda de pedras e locação de máquinas e veículos são as atividades desenvolvidas por ambas empresas e por isso as atividades das duas, Simoso e Scala, são as mesmas, (...). É natural que as obras executadas sempre serão diferentes, em vários detalhes, umas das outras. 9. a questão da alegação da complexidade diferente dos serviços prestados para firmar que as atividades da Simoso e da Scala são diferentes também não procede. (...). Outro exemplo, se uma transportadora tem uma divisão que transporta somente carros, “caminhão cegonha”, e outra divisão que transporta bobinas de aço, não importa se ela opera sob uma única pessoa jurídica, se opera por uma matriz e uma filial, ou ainda se opere por meio de duas pessoas jurídicas, o que importa é que o negócio é o mesmo: transporte de cargas, em conclusão, tratase da mesma atividade. 10. Atividade de pavimentação, por exemplo, é uma só, independentemente dos preços cobrados, de quem é o cliente ou mesmo da complexidade de cada obra. Portanto não há subtipos de pavimentação para a atividade de pavimentação para os fins Fl. 6346DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.347 15 tributários de verificação do limite anual de receita bruta para opção válida no ano seguinte ao regime do lucro presumido. 11. Portanto, não há menor cabimento na afirmação dada de que as atividades são diferentes com base em preços, clientes e/ou complexidade. Alertase, ainda, que a Simoso não comprovou em nenhum momento os quesitos preço e complexidade diferentes por ela alegada, apesar da extensa documentação apresentada na impugnação. 12. A pergunta que se deve fazer é se todos os negócios poderiam ter sido realizados unicamente pela Simoso. A resposta é sim. Essa resposta foi dada pela própria Impugnante em sua peça impugnatória na página 37. (...). (...). Mais adiante veremos, com base nos contratos analisados e notas fiscais que os serviços prestados são os mesmos. O tipo de clientes é o mesmo e muitos deles são atendidos pelas duas empresas em serviços iguais: predominantemente pavimentação asfáltica, recapeamento, guias e sarjetas, fornecimento de CBUQ, etc. 13. Uma verificação do rol de clientes das empresas indica que a Scala atendeu a 52 clientes entre 2010 e 2012. Desses, 37 também foram atendidos pela Simoso no período entre 2009 e 2013. Ou seja, 71,15% dos clientes Scala foram atendidos também pela Simoso. Essa verificação contradiz a justificativa de propósito negocial da Scala constante na página 12 da peça impugnatória: (...). (...) O quadro a seguir foi elaborado para ilustrar melhor e é suportado pelas planilhas e folhas do diário anexadas ao presente relatório (DOC 40): (...) SEGUNDA PARTE – ANÁLISE DOS ITENS “a” E “b” 15. Esta fiscalização informa que as notas fiscais da Simoso haviam deixado de serem juntadas ao presente Processo Administrativo Fiscal (PAF) por entender sua desnecessidade como prova da mesma atividade, uma vez juntadas partes pertinentes da escrituração contábil para esse mister, uma vez que é a escrituração contábil a linguagem que resume e retrata as características econômicas das operações realizadas, pois presumemse fielmente baseadas nos contratos e notas fiscais atrelados aos negócios. (...) (...) 17. A fiscalização, em atendimento ao item “a” da DRJ, junta ao PAF uma amostra representativa do conjunto de notas fiscais de Fl. 6347DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.348 16 vendas das duas empresas e que servem para demonstrar a similaridade das operações mercantis (DOC 42). 18. Quanto as análises, item “b”, foram verificadas as notas fiscais emitidas no período de 2010 a 2012. (...). 19. Notas Fiscais: a pergunta a ser respondida aqui é: as operações de venda/revenda das empresas Simoso e Scala referemse a mercadorias/produtos similares? Em busca dessa resposta, a fiscalização verificou as denominações constante no corpo das notas fiscais utilizadas no campo “descrição do produto/serviços”, por esse ser o dado de maior relevância para responder ao questionamento. Amostra de notas (DOC 42). (...) 21. As vendas e revendas de mercadorias da Scala nos anos calendário 2009 a 2012 somaram R$ 2.016.918,37, o que representa 3,01% da receita bruta da empresa no período. Observase que a mercadoria vendida (BGS – Brita Graduada Simples) é igualmente comercializada pela Simoso. Os produtos vendidos são britas – utilizadas na construção civil, sendo que as denominações diferentes correspondem a granulações do mineral. 22. Ambas empresas também produzem o Cimento Betuminoso Usinado a Quente (CBUQ). Esse produto não é objeto de operação de venda (incidência de ICMS), e sim de incorporação à prestação de serviços de pavimentação asfáltica ou recapeamento (incidência de ISS). Como dito, ambas empresas fazem o fornecimento do CBUQ às prefeituras e demais clientes atendidos. Sendo muitos dos clientes em comum, conforme quadro apresentado em parágrafos anteriores desse relatório. 23. Prestação de Serviços: as prestações de serviços compõem o montante de maior relevância no faturamento das empresas e tema base da discussão sobre a igualdade de atividade econômica delas. A pergunta a ser respondida aqui é: as operações de prestação de serviços das empresas Simoso e Scala referemse ao mesmo tipo de serviço prestado? 24. Amostra: A verificação dos contratos das duas empresas foi concentrada em amostra, cuja escolha se baseou em clientes indicados, em tabela, pela própria Simoso em sua peça impugnatória páginas 40 e 41 da peça. (...) (...) 28. Os contratos foram analisados um a um, sendo tais elementos levados em consideração, cujos dados foram planilhados (Comparativo de Clientes Simoso e Scala DOC 40) para fins de facilitar a visualização e comparação das informações entre a Simoso e a Scala. Foram desconsiderados da análise, os contratos da Impugnante, relativos a 2003 e 2006, por não haver evidências de prorrogações ou termos aditivos e por ser indicado nos contratos termo final de vigência anterior a Fl. 6348DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.349 17 2010. O mesmo ocorreu com um dos contratos da Scala. Essa desconsideração foi necessária para tornar mais efetiva a comparação, haja vista que os períodos autuados foram de 2010 a 2012, e o fato discutido é a similaridade das atividades de ambas empresas. 29. Constatações: 1) no que se trata de tipos de serviços e vendas contratadas, constatouse a que os objetos constantes nos contratos, de ambas empresas, têm a mesma denominação. Por exemplo, ambas têm contratos de venda de CBUQ (Concreto Betuminoso Usinado a Quente), prestação de serviços de pavimentação asfáltica, recapeamento asfáltico, guias, sarjetas, locação de equipamentos; 2) no que se refere aos tipos de clientes atendidos, observase que há uma forte concentração em prefeituras municipais do Estado de São Paulo, bem como do DER (Departamento de Estradas e Rodagem). Alguns outros clientes são outras empresas ligadas à construção civil ou empreendimentos imobiliários, e ocupam uma proporção bem menor no faturamento. Há também coincidência entre vários desses clientes sendo atendidos por ambas empresas. Essas constatações podem ser observadas na planilha elaborada (Análise de Contratos Simoso e Scala DOC 44). Por exemplo: Enquanto a Simoso prestava serviços à PM (Prefeitura Municipal) de Hortolândia, tais como pavimentação e recapeamento, a Scala fornecia CBUQ. Na PM de Pirassununga, os papéis se invertiam: a Simoso fornecia CBUQ e prestou serviços de pavimentação e a Scala prestou serviços de pavimentação e recapeamento. Para a Sequoia Empreendimentos Imobiliários SS Ltda., Simoso e Scala prestaram serviços de pavimentação asfáltica. Para a PM de Vargem Grande do Sul, Simoso e Scala prestaram serviços de pavimentação, recapeamento, guias e sarjetas. Para a PM de São João da Boa Vista, Simoso e Scala forneceram CBUQ. Para a PM de Itapira, Simoso e Scala prestaram serviços de recapeamento asfáltico. Para o DER, Simoso e Scala prestaram serviços de pavimentação asfáltica e fornecimento de matérias com aplicação – é possível observar na planilha (DOC 44), com relação aos valores dos contratos, que tanto a Scala quanto a Simoso fazem serviços de valores globais baixos e altos, em contradição com os atestados anteriormente apresentados na impugnação (páginas 34 a 36), que apresentavam atestados de obras de valores globais altos para a Simoso e de valores globais baixos para a Scala, demonstrando uma amostra não coerente com o conjunto de serviços prestados. Ou seja, há a similaridade de clientes e também há coincidência de clientes, bem como os serviços prestados são pertencentes à idêntica atividade econômica; 3) no que se refere aos valores envolvidos nos contratos, tanto a Impugnante quanto a Scala firmaram contratos de pequeno porte, de menores valores e valores em níveis semelhantes, como já observado, invalidando a tese de que o propósito negocial da Scala, segundo o qual a Simoso não poderia realizar pequenas obras porque seus custos eram muito altos e de que a Scala não tinha Know how para fazer obras maiores. Fl. 6349DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.350 18 30. Conclusão: as atividades econômicas das empresas é a mesma. Seja pelos tipos similares de clientes atendidos (prefeituras, DER, construtoras etc.), seja pelos objetos constantes nos contratos (de pavimentação, recapeamento, guias, sarjetas, fornecimento de CBUQ, etc.), seja por parte dos clientes (clientes de grande relevância no faturamento) serem igualmente atendidos por ambas, seja pelos valores contratuais, excetuados poucos contratos, serem em valores similares. Nos períodos fiscalizados de 2010, 2011 e 2012, 100% de toda a receita da Scala poderia ser obtida diretamente pela Simoso. TERCEIRA PARTE – ANÁLISE DOS DEMAIS ITENS DA IMPUGNAÇÃO SUBPARTE 1 – Documento de Impugnação (...) 32. Na página 3, a Impugnante assim afirma: (...) A Simoso afirma que a fiscalização teria baseado a autuação na verificação de não autonomia entre as duas empresas para chegar à conclusão da realização do mesmo negócio. A fiscalização alerta para essa equivocada afirmação, conforme já esclarecido no início deste relatório. Podese verificar que, ao longo de todo relatório fiscal do auto de infração, em nenhum momento se falou em falta de autonomia. Sequer a fiscalização afirmou a inexistência da Scala ou sua não operacionalidade. Os elementos demonstrados, tais como compartilhamento dos mesmos endereços, de sócios, objeto social e atividade de fato, serviram para demonstrar, juntamente com os demais elementos de prova, que as atividades econômicas eram as mesmas e, portanto, a receita das duas deveria ser somada para fins de aferição do limite anual para enquadramento no lucro presumido. (...). (...) Portanto, há um desvio do foco na peça impugnatória quanto à motivação fiscal, pois atacase fato inexistente na base da autuação. 33. Na página 4, a Simoso assim se manifesta: (...) Quantos essas afirmações a fiscalização, por bem de uma melhor contextualização, precisa destacar os seguintes pontos: em relação ao item “a)” a fiscalização atesta a existência de contabilidade regular, naquilo que representou o escopo da auditoria fiscal, que teve um objeto limitado como já informado no Relatório Fiscal: em relação ao item “b)” a fiscalização não teve por escopo a verificação/investigação de omissão de receitas, portanto não há nenhum atestado de bom Fl. 6350DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.351 19 comportamento nesse sentido; “c)” a fiscalização apurou erro no oferecimento à tributação com base no regime de tributação pelo lucro presumido. (...) 34. Na página 5, consta: (...) Nesse ponto, esclarecese que houve a demonstração pela fiscalização no Relatório Fiscal onde constam as receitas brutas das duas empresas (quadro “Receita Bruta”) e os regimes de apuração do lucro intercaladas entre elas (quadro “Regime de apuração do lucro”). Fl. 6351DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.352 20 (...) 35. Ainda na página 5: (...) Em relação a afirmação de que “todos os demais pontos são divididos e os serviços que executam são substancialmente diferentes?”, é relevante observar que não foram apresentadas provas hábeis que dessem sustentação à essa alegação de que as empresas realizaram atividades diferentes. Destacase que a fiscalização não considerou as atividades da Scala como inexistentes em nenhum momento, apenas fez menção à coincidência de endereços, sócios e atividades formais e de fato, para comprovar, juntamente com os demais elementos da autuação, que a Simoso e a Scala deveriam ter considerado ambas receitas para fins de aferição do limite de R$ 48 milhões para poderem se enquadrar no lucro presumido para os anos seguintes, pois ambas realizam a mesma atividade econômica. 36. (...). (...) Para melhor afirmação do que acima dito, reproduzse a seguinte parte do RF: “Em decorrência dessa premissa fundamental, embora cada empresa (Simoso e Scala) tenha sua receita formalmente declarada e tributada em separado, a realidade econômica demonstra que tratase de um negócio único, de uma receita única, não podendo ser separado por mera liberalidade dessas empresas para produzir efeitos tributários em prejuízo da fazenda nacional. Por conseguinte, as receitas das duas empresas devem ser somadas para fins de aferição do limite legal para poder optar validamente pela tributação com base no lucro presumido, (...). (...) Fl. 6352DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.353 21 Solução de Consulta: Abaixo se reproduz, como exemplo, a Solução de Consulta nº 381, de 26 de dezembro de 2014, publicada no DOU – seção 1, página 33, de 23/02/2015 (DOC 16), que trata da consideração da receita de todos os negócios como única para fins de verificação do limite da receita bruta para fins de opção válida à tributação com base no lucro presumido: (...) 37. Nas páginas 15 a 42 a Simoso discorre sobre suas operações e as da Scala. (...) A análise dos contratos dos 15 maiores clientes contidos na relação apresentada nas peças impugnatórias permitenos inferir que: 1) nenhum contrato da Simoso teve valor igual ou superior a 20 milhões de reais, então, nesse aspecto, ambas empresas encontravamse concorrendo nos mesmos portes de concorrência; 2) tanto a Simoso como a Scala executaram contratos de pequeno valor – abaixo de 100.000,00 (observese que estamos falando apenas dos contratos dos 15 maiores clientes a grande maioria dos contratos de ambas situase abaixo de R$ 1 milhão): 3) a grande maioria dos contratos da Simoso (84%) e da Scala (100%) referemse a montantes de até R$ 5 milhões; 4) as obras realizadas foram da mesma natureza: pavimentação asfáltica, recapeamento, guias, sarjetas etc. e as vendas foram dos mesmos produtos/mercadorias (conforme notas fiscais): fornecimento de CBUQ – Concreto Betuminoso Usinado a Quente (asfalto) e britas (que assumem nomes diferentes em razão de sua graduação); 5) coincidência de parte dos clientes e mesmo tipos de clientes (por exemplo: prefeituras e DER); 6) mesmos administradores e engenheiros responsáveis perante o CREA/SP – indicando mesmo grau de know how (entendendose como conhecimento empresarial e técnico) necessário à execução dos serviços; 7) mesma capacidade estrutural pare realizar as obras: imobilizado próprio da Simoso e imobilizado próprio e alugado da Scala. (…) 39. Argumentase (...) A fiscalização não considerou as operações da Scala irregulares, mas sim a opção pelo regime de lucro presumido pelas empresas. 40. A Simoso cita às fls. 1077 a 1082 do PAF. Em referidas folhas está uma resposta à intimação. Tal resposta foi observada pela fiscalização e a conclusão foi consignada no RF. A questão de que a Simoso extrai e comercializa pedra britada enquanto que a Scala apenas as revende, não altera a igualdade de atividade de ambas, uma vez que a denominação receita de Fl. 6353DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.354 22 venda e receita de revenda representam a comercialização do mesmo produto, o cliente recebe a mesma coisa. Logo a argumentação dada pela Simoso não comprova que as atividades econômicas são diferentes, pelo contrário. (...) 42. A Simoso apresenta diversos “atestados de capacidade técnica” relacionados a ela e à Scala. A Impugnante solicita a seus clientes que expeçam os atestados para fins de participarem de concorrências públicas ou outros tipos de contratação. Dos atestados indicados na impugnação, a fiscalização segregou aqueles que se referem a períodos contemporâneos aos fatos geradores fiscalizados, uma vez que a verificação da atividade econômica tem que ser contemporânea aos fatos geradores discutidos (não estamos verificando 2004, 2001,1995, 1994 ou 1991): (...) Através dos atestados acima, observase que se tratam de obras de construção civil para preparo ou reparo de vias públicas ou particulares no caso de ambas empresas. Mostram tratarse da mesma atividade desenvolvidas pelas duas, variandose apenas a complexidade da obra. Em relação a complexidade, vale tecer a seguinte consideração: A Simoso e a Scala afirmaram que a primeira assumia serviços de maior complexidade por faltar Know How à Scala. Entendemos Know How como “saber fazer” (em tradução livre). Referese ao conhecimento empresarial e técnico necessário à realização de uma atividade ou trabalho. Assim, no que diz respeito ao conhecimento empresarial do negócio temos que o sócio Sr. Olivo Simoso é o administrador de ambas empresas, portanto não falta know how empresarial à Scala. No que se refere ao conhecimento técnico específico em obras, observase nos atestados acima que ambas empresas têm o mesmo responsável técnico o Sr. Fábio Leandro Simoso – Engenheiro Civil, portanto também não falta Know How técnico à Scala. Assim, sendo incorreta a argumentação de falta de Know How, a questão complexidade não pode ser invocada para dizer que as atividades eram diferentes no período fiscalizado para fins de não se considerar o conjunto das receitas para fins de enquadramento no lucro presumido. E ainda que a complexidade pudesse ser sustentada por outras razões, o que não ocorre, ainda não se vislumbraria poder afirmar que são atividades econômicas diferentes para os fins tributários propostos no presente caso. O CREA/SP é o órgão de classe dos engenheiros e arquitetos. Através de pesquisa realizada ao site http://creanet1.creasp.org.br/AnotRespTec/PesquisaArt.aspx, em 11/07/2016, obtevese o quadro técnico das empresas Simoso e Scala (DOC 45). A Simoso conta com 4 responsáveis e a Scala com 3. Todos os Engenheiros da Scala também trabalham na Simoso. O Engenheiro Orlando Generoso é cadastrado somente Fl. 6354DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.355 23 na Simoso e é Engenheiro de Minas. Os demais são engenheiros civis, sendo um deles ainda engenheiro de segurança do trabalho. Portanto o quadro técnico cadastrado no CreaSP é o mesmo: 43. Consta nas páginas 37 e 38 da peça impugnatória: (...) Com relação à justificativa levantada na impugnação de que: “a Impugnante, embora teoricamente pudesses executar os serviços prestados pela Scala, também não poderia, pois sua estrutura era cara demais para realizar pequenos serviços7. Seu custo fixo não comportava a execução de serviços de pequeno valor”, a fiscalização observa que essa afirmação não foi provada pela Simoso. Entendese por custo fixo aquele custo que não varia em relação ao nível de negócios da empresa. Exemplo de despesas: depreciações de imóveis, pessoal administrativo, aluguel do imóvel. Significa que a empresa arcará mensalmente com esse tipo de custo, prestando ou não serviços, vendendo ou não suas mercadorias. Se a Simoso tem custos fixos altos, por ter uma estrutura cara, como asseverado na peça impugnatória, ela precisa executar serviços e realizar vendas para fazer frente a essas despesas. Havendo capacidade operacional ociosa, é economicamente viável e desejável que ela execute mais serviços, mesmo que de menor tamanho, para absorver tais custos. Assim, essa argumentação não encontra respaldo do ponto de vista empresarial ou econômico e financeiro. Lembrando mais uma vez que não foram apresentados elementos probatórios hábeis para demonstrar tais argumentos. Portanto, o alegado propósito negocial não se sustenta no mundo real. SUBPARTE 2 – Documentos anexos à Impugnação (...) QUARTA PARTE – CONCLUSÃO DA FISCALIZAÇÃO 45. A impugnação apoiase em equivocada premissa de que a fiscalização considerou as operações da Scala como inexistentes. Importante esclarecer que a existência da Scala não foi questionada e, portanto, não foi a motivação da autuação, mesmo por que se fosse verificada sua inexistência, a fiscalização teria procedido à baixa de ofício do CNPJ por inexistência de fato, além da proposição de representação para Fl. 6355DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.356 24 fins penais e qualificação da multa. Isso pode ser observado ao longo de todo o relatório fiscal da autuação. 46. A impugnação destaca como propósito negocial da Scala a execução de obras simples, de baixa complexidade, considerando não ter Know How ou estrutura para atender obras maiores e que a Simoso, mesmo podendo realizar as obras que a Scala realiza, não o faz por ter uma estrutura de custos muito alta, e que, por isso, tratamse de ramos completamente distintos. O único propósito verificado pela fiscalização é tributário, qual seja, manter ao menos uma das empresas no regime do lucro presumido. Conforme comprovado no presente relatório de diligência, tanto a Simoso quanto a Scala realizam obras grandes e pequenas, os clientes são coincidentes em muitos casos ou similares (predominantemente prefeituras e DER); as obras são da mesma natureza (pavimentação asfáltica, recapeamento, guias, sarjetas, etc) e de contratos com valores tanto altos como baixos. As duas empresas fornecem CBUQ às prefeituras, como também receitas de vendas de britas (variandose apenas a granulação) para os mesmos tipos de clientes; o know how das duas é o mesmo, tanto empresarial quanto técnico, uma vez que o administrador é o mesmo das duas, bem como o quadro de engenheiros cadastrados no CREA/SP e os engenheiros que assinam como responsáveis técnicos nos contratos de obras; a Scala loca os equipamentos necessários da Simoso e de outras pessoas ligadas para suprir sua alegada falta de estrutura para obras maiores; há incoerência quando argumenta que a Simoso não poderia realizar obras menores, pois seu custo é muito alto, mas ao mesmo tempo loca equipamentos, máquinas e caminhões para a Scala o fazer; além disso a Scala é uma empresa com faturamento expressivo. A alegação de que somente a Simoso poderia executar obras de valores acima de R$ 20 milhões não foi provada, ao mesmo tempo que a análise dos 15 maiores clientes das duas empresas demonstrou não haver nenhum contrato, contemporâneo aos fatos geradores, com valor superior a tal cifra. Portanto o propósito negocial da Scala alegado na impugnação não se comprova. 47. A regra da lei tributária federal, no que diz respeito ao IRPJ, é que as pessoas jurídicas devem ser tributadas com base no lucro real. Como exceção à essa regra, a legislação tributária confere tratamento diferenciado às pessoas jurídicas que em razão de sua atividade e seu tamanho, como por exemplo as microempresas e empresas de pequeno porte, possam ter condições de se manter e crescer até atingirem força para arcarem com concorrência e as obrigações das empresas de maior porte. O tratamento privilegiado, ou benefício fiscal, diz respeito ao cumprimento simplificado das obrigações acessórias bem com de menor carga tributária a ser suportada e é o caso das sistemáticas do Simples Nacional e do Lucro Presumido. A legislação tributária, para garantir que o tratamento diferenciado da sistemática do lucro presumido beneficiasse adequadamente as pessoas jurídicas necessitadas, impôs uma série de restrições aos interessados, entre elas o limite máximo Fl. 6356DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.357 25 da receita bruta total do ano anterior à opção (Decreto nº 3.000/99, Art. 246 e 516, Lei nº 10.637/2002, art.46). Portanto é inadmissível que o empresário utilize duas ou mais empresas realizando a mesma atividade econômica para fins de reduzir sua carga tributária, pois desvirtuar as regras mais benéficas do lucro presumido. 48. Assim, detidamente alisadas a impugnação e os documentos a ela anexados, bem como as notas fiscais e contratos solicitados na presente diligência, esta fiscalização mantém convicção sobre a regularidade do lançamento. Juntado por apensação o seguinte processo: 1) Eprocesso nº 10865.722837/201662 IV – CONTRARAZÕES. Cientificada do “RELATÓRIO FISCAL Diligência”, a defesa apresentou contrarazões (fls. 6180 a 6200), cujos principais pontos são: (...) II – DAS NOVAS RAZÕES DE DEFESA (...) A autuação tem supedâneo em alegada distribuição de receita bruta total, fato esse construído a partir de circunstâncias de a Impugnante procurar, de acordo com o permitido em lei e expressamente aceito no próprio Relatório Fiscal, a opção que lhe era mais vantajosa, (...). (...) Não se pode perder de vista, ademais, que a Impugnante recolheu PIS, Cofins, IRPJ e CSLL sobre as vendas de brita efetuadas em favor da Construtora Scala, o que confirma que a razão dessa estrutura não era tributária, e sim negocial. A vantagem pretensamente havida com o lucro presumido não existiu, pois se a Construtora Scala pagou “menos imposto” por Fl. 6357DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.358 26 conta do lucro presumido, a Impugnante Simoso pagou “mais que o devido”, pois tributou a venda das britas para a Scala e a locação de equipamentos, fatos que não teriam ocorrido se fosse uma única empresa. (...) Assim, o caso concreto revela tão somente a segregação de atividades econômicas motivada por necessidades operacionais. (...) Antes de enfrentar os pontos do Relatório Fiscal, a Impugnante destaca: 1) Não existe lei que autorize o lançamento ora impugnado, (...). 2) A segregação de atividades é legal, (...). 3) Se o objetivo fosse fraudar o Fisco, Olívio teria usado as outras empresas que possuem o sócio Olívio em comum, (...). 4) De 2000 a 2012 (12 anos), apenas quatro exercício ultrapassaram o limite do lucro presumido (2009 a 2012 – doc. 7), mas ainda sim a segregação de atividades, de receitas e de despesas existiram. Esta realidade fática demonstra, de forma inconteste, que o propósito não era economia tributária. 5) As empresas “bitributaram” a compra de brita e a locação de máquinas. 6) O propósito negocial da segregação de atividades entre a Impugnante e a Scala ficou demonstrado na impugnação: apenas a primeira poderia exercer atividade de pedreira, terraplenagem, detonação pedras e obras de valor elevado. (...) (...) 7) Em momento algum a fiscalização alega que as despesas eram concentradas em uma empresa, para fins de aproveitamento no lucro real. E assim foi porque esse fato jamais ocorreu. Cada uma das sociedades se apropriava das despesas correspondentes às suas receitas. Os quadros abaixo mostram a diferença abismal entre as despesas das duas sociedades: (...) Na seqüência, foi proferido o Acórdão nº 0272.295, pela 10ª Turma da DRJ/BHE, julgando procedente a impugnação apresentada, com o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2012 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. BASE LEGAL. Fl. 6358DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.359 27 Os vícios dos contratos caracterizados por condutas dolosas que tipifiquem, por exemplo, a simulação, a fraude, o abuso de direito e de formas afastam a liberdade de contratar e autorizam a atuação do Fisco no sentido de desconstituir o ato viciado, como parte diretamente interessada e em defesa à Fazenda Pública. O art. 149, VII, do CTN, outorga ao Fisco a competência para desconsiderar, para efeitos fiscais, atos ou negócios fictícios, fraudados, eivados de vício de vontade ou de forma, ou simulados. A conduta dolosa que tipifique tais vícios deve estar devidamente comprovada no processo administrativo fiscal. Não havendo nos autos elementos que evidenciem tal conduta dolosa, carece de base legal o lançamento. No caso, os indícios trazidos aos autos pela Fiscalização não foram suficientes para suster a sua acusação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Ciente do acórdão recorrido, o contribuinte não apresentou Recurso Voluntário, sendo objeto de apreciação unicamente o Recurso de Ofício. É o Relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator. Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar que a Portaria MF nº 63, de 2017, estabeleceu novo limite para interposição de recurso de ofício pelas Turmas de Julgamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Confirase: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). No caso em tela, somandose os valores exonerados em primeira instância, verifico que superam o limite de dois milhões e quinhentos mil reais, estabelecido pela norma em referência. Portanto, conheço do recurso de ofício. Assim, passo ao exame do mérito da questão em apreciação: Tratase o presente processo de autos de infração de IRPJ e CSLL, referentes aos anoscalendário de 2010 e 2012, lavrados com base na alegada pulverização da receita bruta total, que teria implicado redução da tributação, já que as receitas brutas das duas empresas envolvidas (Construtoras Simoso e Scala), se somadas, não permitiriam a opção pelo Fl. 6359DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.360 28 lucro presumido nos referidos períodos. Em decorrência, as bases de cálculo do IRPJ e CSLL foram recalculadas com base no lucro real. Em conformidade com o Relatório Fiscal e as diligências efetuadas, a irregularidade apontada foi construída a partir dos seguintes elementos: 1) Compartilhamento do mesmo endereço administrativo, comercial e produtivo; 2) Mesmos sócios e idêntica participação societária em ambas as empresas; 3) Mesmo objeto social (atividade formal); 4) Mesma atividade comercial e produtiva (atividade de fato). A fiscalização emitiu ainda o Termo de Responsabilidade Solidária contra a Construtora Scala, fundamentado no artigo 124, I, do CTN, sob a seguinte motivação: A Scala além de compartilhar estrutura operacional, possuir os mesmos sócios e realizar o mesmo negócio (objeto social) da Simoso, beneficiouse juntamente com a primeira do planejamento tributário de ambas em utilizarem indevidamente a tributação com base no lucro presumido, mediante diluição da receita nas duas empresas, e assim recolherem menos IRPJ e CSLL que o devido. Ficou assim constatado o interesse comum da Scala na situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária principal do IRPJ e da CSLL. Neste ato, passa a ser arrolada como responsável solidária pelo presente crédito tributário lançado de ofício em desfavor da Fiscalizada Simoso. O contribuinte e o responsável tributário, após notificados, apresentam, em separado, as respectivas impugnações, com o intuito de rebater as conclusões a eles impostas. Aduz a empresaautuada que essas conclusões foram construídas a partir de indícios fracos e plenamente justificáveis, e que a fiscalização não considerou inúmeros outros fatos que as invalidam. Seus argumentos podem ser assim sintetizados: i) A segregação de atividades é legal, existindo várias decisões do CARF nesse sentido, sendo vedada apenas quando as empresas não comprovarem que exerciam efetivamente tais atividades, ou quando agirem de forma fraudulenta, o que não é o caso dos autos; ii) O propósito negocial da segregação de atividades entre a SIMOSO e a SCALA ficou demonstrado na impugnação e foi acatado pela DRJ/BHE: apenas a primeira poderia exercer atividades de pedreira, terraplanagem, detonação pedras e obras de valor elevado. As estruturas física, de pessoal e operacional, consequentemente, eram muito diferentes entre as duas (o que foi devidamente provado). iii) O objeto social não coincidia totalmente (o da Recorrida era maior), e naquilo em que formalmente coincidia, possuía uma abrangência técnica e de custos muito maior. Também foram juntadas diversas provas nesse sentido. Fl. 6360DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.361 29 iv) As sociedades tinham empregados em sua folha de pagamento, em número suficiente ao exercício de sua atividadefim. v) As sociedades possuíam máquinas e equipamentos em número suficiente para a execução de suas atividades. Nas raras exceções em que que a SCALA precisava locar equipamentos, fazia de diversos fornecedores distintos. vi) Apenas parte dos clientes coincidiam. vii) Não houve confusão patrimonial: receitas, despesas e controles eram totalmente separados e controlados. Fiscalização concordou com isso. viii) Os pagamentos feitos pelos clientes eram sempre a favor da empresa que havia prestado o serviço. ix) De 2000 a 2012 (12 anos), apenas quatro exercícios ultrapassaram o limite do lucro presumido (2009 a 2012), mas ainda assim a segregação de atividades, de receitas e de despesas existiu. x) Olivo Simoso, sócio majoritário da Recorrida, possui participação em quatro outras pessoas jurídicas, conforme provado nos autos. Se a intenção realmente fosse diluir o faturamento de forma a ficar individualmente abaixo do limite do lucro presumido, porque, então, ele não ter usado suas outras sociedades? Esta realidade fática demonstra que o propósito não era economia tributária. xi) As empresas “bitributaram” a compra de brita e a locação de máquinas. Assim, a vantagem pretensamente havida com o lucro presumido não existiu, pois se a SCALA pagou “menos imposto” por conta do lucro presumido, a Recorrida pagou “mais que o devido”, pois tributou a venda das britas para a SCALA e a locação de equipamentos, fatos que não teriam ocorrido se fosse uma única empresa. Mais uma vez, vantagem tributária afastada. Pois bem. A primeira questão que deve ser verificada diz respeito à existência ou não de simulação no fato de sócios segregarem atividades antes desenvolvidas por uma só pessoa jurídica. Perfilho do entendimento de que tal fato, por si só, não comprova de que se trata de simulação, pois o simples desmembramento de atividades não caracteriza ato ilícito. O direito de se autoorganizar autoriza a constituição de sociedades pelos mesmos sócios, que tenham por escopo atividades similares, complementares ou mesmo distintas. Se corretamente constituídas e operadas, afastase o entendimento de que se trata de mera simulação. “Simular” significa disfarçar uma realidade jurídica, encobrindo uma que é efetivamente praticada, ou que não existe. Assim, para que determinada operação seja considerada simulada (art. 167, I, do Código Civil1), devem ser consideradas as características do caso concreto, demonstradas através de provas. 1 Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I – aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou Fl. 6361DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.362 30 No caso, vêse que foi constituída uma nova sociedade, com contratação de funcionários compatíveis para o exercícios da atividadefim da empresa constituída; adquiriu se ou alugouse maquinários para o desenvolvimento dessa atividade, e ainda, elas (as atividades) e receitas decorrentes, foram devidamente declaradas à Receita, com a emissão das correspondentes notas fiscais, contabilizadas, e o correspondente pagamento de tributo. Tais provas, a meu ver, são mais do que suficientes de que não existiu disfarce de uma realidade. A fiscalização foi em direção oposta, concluindo por haver simulação no caso, entendendo existir uma independência meramente formal entre a empresarecorrida e a Construtora Scala, de sorte que, em sua ótica, a realidade econômica comprovaria que se tratava de um único negócio, de uma única receita, e que a criação da nova empresa serviu apenas para propiciar a alternância dos regimes de apuração do IRPJ e da CSLL.. Fundamentou sua assertiva no princípio contábil da primazia da essência sobre a forma. Vejase: Relatório Fiscal (...) Os princípios contábeis formam o alicerce ao qual toda norma contábil se apoia para consecução de seus objetivos. As normas contábeis brasileiras, vigentes a partir de 01/01/2008, foram criadas para ajustar a contabilidade brasileira à contabilidade internacional International Financial Reporting Standards (IFRS). Dentre os princípios básicos, ganhou forte relevância o da Primazia da Essência sobre a Forma, estampado na Resolução CFC nº 1.121/08, que aprova a Estrutura Conceitual para elaboração e apresentação das demonstrações contábeis, vigentes já em 2009. Em seu item 35, estabelecese que os eventos sejam contabilizados e apresentados de acordo com a sua substância e realidade econômica, e não meramente sua forma legal, uma vez que a essência das transações nem sempre é consistente com o que aparenta ser com base em sua forma legal ou artificialmente produzida. (...) Em decorrência dessa premissa fundamental, embora cada empresa (Simoso e Scala) tenha sua receita formalmente declarada e tributada em separado, a realidade econômica demonstra que tratase de um negócio único, de uma receita única, não podendo ser separado por mera liberalidade dessas empresas para produzir efeitos tributários em prejuízo da Fazenda Nacional. transmitem. II – contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira. III – os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados Fl. 6362DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.363 31 Por conseguinte, as receitas das duas empresas devem ser somadas para fins de aferição do limite legal para poder optar validamente pela tributação com base no lucro presumido. (...) Se não fosse assim, todas as grandes empresas brasileiras de alto faturamento poderiam optar pelo lucro presumido se abrissem tantas empresas quanto fossem necessárias para diluir entre si seu faturamento de forma a ficar cada uma delas individualmente abaixo do limite. (...) Ao empresário é garantido o direito à livre iniciativa, inclusive constituindo quantas empresas lhe convier a seus negócios, entretanto os efeitos tributários daí decorrentes passam pelo crivo da autoridade fiscal, a quem compete aferir sobre o correto pagamento dos tributos e contribuições à luz da verdade material das operações frente à lei tributária. (...) Como é possível observar, nos anos de 2.009, 2.010 e 2.011 as receitas brutas da Scala (doc 21) e da Simoso (doc 20), somadas, ultrapassaram os limites anuais de R$ 48 milhões para enquadramento no lucro presumido (LP) nos anos de 2.010, 2.011 e 2.012, em desarcordo com o Decreto nº 3.000/99, arts. 246 e 516. Tratase de planejamento tributário da fiscalizada que interpretou, e explorou, a legislação tributária nacional apenas em seu aspecto formal, abstraindose forçosamente de avaliar a essência dos negócios envolvidos e sua realidade econômica. É com base nessa fundamentação e elementos de prova que a fiscalização está tributando de ofício todo período compreendido entre 2.010 e 2.012 pelo regime do lucro real. Penso que a Fiscalização utilizouse de uma interpretação equivocada dos fatos, quando concluiu pela inexistência de dois negócios, distintos e autônomos, vez que, embora sejam gerenciados pelas mesmas pessoas, encontro nos autos provas de que há entre elas independência operacional, laboral, patrimonial e técnica, e não apenas a independência formal. O fato de compartilharem o mesmo endereço, não pode, em absoluto, justificar a alegação de que se trate de um único negócio, vez que inexiste qualquer ilegalidade nesta conduta, quando se observa a atividade desenvolvida pelas empresas em questão. No caso em espeque, a acusação fiscal aponta irregularidade na coincidência de estabelecimentos da Construtora Scala com os endereços da empresaautuada, além de ausência de contas de água, luz e telefone, além das despesas com IPTU e ITR, por parte da Construtora Scala. A defesa justificase, aduzindo que: Fl. 6363DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.364 32 i) não há ilegalidade de conduta, por tratarse de lógica do mercado de pavimentação asfáltica, que requer a abertura de estabelecimentos nos municípios mais próximos em que os serviços são realizados e materiais vendidos, não implicando assim, necessidade de estrutura administrativa e comercial em todas as filiais, bastando apenas que o serviço contratado da Scala (recapeamento) seja executado por ela, através de seus funcionários e maquinários; ii) além de prestar serviços e locar equipamentos, a empresarecorrida também extrai e comercializa pedra britada, e que esta atividade não é desenvolvida pela Construtora Scala, que apenas revende esses materiais, adquiridos da recorrida, o que justifica o fato das empresas compartilharem o mesmo endereço físico em vários casos, como também a razão pela qual a Construtora Scala não assume o ônus financeiro de despesas de luz, telefone, ITR e IPTU de sua filial 1 CNPJ 000328, local em que efetivamente era estabelecida sua estrutura administrativa; iii) usualmente, e sem que isso implique fraude, as empresas que atuam no segmento de construção civil constroem verdadeiros parques industriais, aglutinando diversas sociedades, dos mais diversos ramos da cadeia produtiva da construção civil, com vistas a otimizar as operações e todas as partes envolvidas, e que o Relatório Técnico 30, acerca do perfil de brita para a construção civil, apresentado ao Ministério de Minas e Energia MME (contrato 18000.003155/200717, atesta essa forma de atuação; iv) as diligências realizadas em dois estabelecimentos da Construtora Scala, que concluíram pelo compartilhamento de estruturas, não servem de prova, por que nestes locais, como dito acima, são filiais criadas basicamente para emissão de notas e recolhimento de tributos, compra de materiais, etc., já que a atividade da Construtora Scala eram exercidas de fato nos locais a serem recapeados; a estrutura administrativa da Scala existia apenas na sua filial 000328, local em há identificação da sociedade e de seus funcionários. v) a utilização de equipamentos e máquinas da Simoso para realização das atividades da Scala não evidencia qualquer ilegalidade de conduta, pois estes alugueis seriam pontuais e eventuais para atender a necessidade de determinada obra, esclarecendo que a Scala possuia em 2011 sete m´quinas e um caminhão, mas sempre que possível alugava equipamentos e máquinas de terceiros, seja a recorrida, seja de outra pessoa jurídica, e que tal fato não representaria prova de ausência de autonomia operacional. Na oportunidade de sua impugnação, apresentou uma listagem das máquinas, equipamentos e veículos tanto da autuada quanto da Construtora Scala, a fim de comprovar que as sociedades possuem autonomia patrimonial. No mesmo rumo da decisão recorrida, estou convencido de que se trata de lógica do mercado de pavimentação asfáltica, e com escopo operacional. Razoável a ponderação de existir necessidade apenas de abertura de estabelecimentos nos municípios mais próximos em que os serviços são executados e materiais vendidos, sem que implique, necessariamente, abertura de estrutura administrativa e comercial em todas as filiais. Assim, basta que o serviço contratado seja executado pela empresa efetivamente contratada, como de fato ocorreu. Desta forma, a coincidência de endereços decorre do propósito de reduzir custos e aumentar a segurança nas atividades desenvolvidas, e por isso constituíamse nos locais ou próximos às pedreiras, tornando os processos mais eficazes, céleres e seguros em Fl. 6364DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.365 33 relação ao recebimento e processamento da brita, componente indispensável para pavimentação asfáltica. Também não há que se dá relevo ao fato de haver os mesmos sócios e idêntica participação societária nas empresas, pois tal constatação não justifica a conclusão de que se trata de um negócio único, de receita única. Inexiste previsão legal de que uma das condições para determinada sociedade faça opção pelo lucro presumido seria a análise conjunta da receita bruta legal de sociedades sob o mesmo controle. Quanto ao fato das empresas apresentarem o mesmo objeto social, verifico que não há controvérsia neste aspecto, pois a defesa não nega existir forte similaridade no objeto social constante no contrato social das duas empresas, enfatizando tãosomente que cada uma atua em ramos empresariais distintos. Os exemplos de atestados de capacidade técnica de ambas empresas (Simoso e Scala) anexados aos autos pela defesa fortalecem o seu argumento de que, embora havendo identidade ou forte similaridade na forma de objeto social, elas atuam em áreas técnicas diversas, desempenhando atividade de fato distintas. Para respaldar a conclusão fiscal de que as empresas, Simoso e Scala, exercem a mesma atividade de fato, verificase que a fiscalização tomou como parâmetro apenas a nomenclatura contábil das receitas, sem aprofundar sua investigação para estabelecer ligação quantos aos aspectos técnicos dos serviços prestados por ambas, uma vez que, mesmo atuando no segmento de obras de construção civil podem desenvolver atividades distintas. Logo, razoável a alegação da defesa, quando diz na impugnação que a identidade na nomenclatura contábil das receitas é irrelevante e não se presta, isoladamente, para confirmar que há a mesma atividade. De fato, diante dos atestados de capacidade técnica anexados aos autos e da estrutura operacional de ambas empresas, é crível que a Construtora Simoso atue no segmento de obras de construção civil de grande porte, como mineração, terraplanagem e pavimentação asfáltica, e a Construtora Scala, em obras de pequena complexidade, como recapeamento, desenvolvendo, portanto, atividades de fato distintas. Acresçase ainda que no "Relatório fiscal Diligência, o Fisco constata que a Simoso extrai e comercializa pedra britada enquanto que a Scala apenas as revende. Vejase: “40. A Simoso cita às fls. 1077 a 1082 do PAF. Em referidas folhas está uma resposta à intimação. Tal resposta foi observada pela fiscalização e a conclusão foi consignada no RF. A questão de que a Simoso extrai e comercializa pedra britada enquanto que a Scala apenas as revende, não altera a igualdade de atividade de ambas, uma vez que a denominação receita de venda e receita de revenda representam a comercialização do mesmo produto, o cliente recebe a mesma coisa. Logo a argumentação dada pela Simoso não comprova que as atividades econômicas são diferentes, pelo contrário.” (Grifou se) A defesa ataca o entendimento de que tais ofícios não altera a igualdade de atividade de ambas, aduzindo: "como defender que quem revende pedra britada pratica a mesma atividade econômica de quem explora a extração, o beneficiamento e a comercialização?" Fl. 6365DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.366 34 Com efeito, não se deve focar a igualdade da atividade de ambas empresas apenas na venda ou revenda de pedra britada, desconsiderando completamente o fato de que a Simoso pratica a extração mineral do referido produto. Obviamente, tratamse de atividades bem distintas. A venda ou revenda de pedra brita já extraída e beneficiada é atividade meramente comercial, enquanto a sua extração é atividade de mineração. Para extração de minério, fazse necessário “perfurar rochas, detonar dinamites, possuir atestados técnicos específicos, possuir título minerário regulamentado e aprovado pelo DNPM, pagamento de CFMEM, ser fiscalizada pelo Exército, ter em seu corpo funcionários engenheiro de minas e geoólogo, licença da CETESB”, enfim, ter condições especiais para execução desta atividade, seja ela técnica ou operacional. Essas condições apenas a Simoso possui. Logo, sendo a execução de tal atividade desempenhada unicamente pela Construtora Simoso, enquanto que a Scala apenas revende o produto extraído, penso que tal fato também é elemento diferenciador das atividades desenvolvidas por estas empresas. Dessa forma, concluo que a recorrida agiu segundo a lei, não havendo que se falar em segregação ilegal de suas atividades e muito menos em pulverização dolosa de receitas, inexistindo a alegada empresa fictícia para propiciar a alternância dos regimes de apuração do IRPJ e da CSLL, vez que os fatos provam a licitude da organização societária perpetrada e a autonomia jurídica, laboral e patrimonial das sociedades envolvidas. Concluo também, como base nas evidências acima, ter sido preservado o princípio da Entidade. Tal princípio professa a verdade intuitiva e jurídica de que o patrimônio da entidade, objeto de contabilização, tem de estar completamente separado do patrimônio de seus sócios ou acionistas. Tal separação, por evidente, afeta também os patrimônios de pessoas jurídicas distintas, ainda que possuam quadro societário idêntico, como ocorre no caso aqui em espeque. Compulsando os autos, não vejo provas de que o referido princípio tenha sido desrespeitado. Não houve confusão patrimonial entre as duas empresas ou mistura no reconhecimento de receitas, custos e despesas. Cada empresa existia de fato com estrutura própria, de equipamentos operacionais e pessoal próprio. A defesa, a todo tempo, alega isso a seu favor. E a Fiscalização, no "Relatório Fiscal Diligência", expressamente admitiu isso, vejase: “35. Ainda na página 5: (...) Em relação a afirmação de que “todos os demais pontos são divididos e os serviços que executam são substancialmente diferentes?”, é relevante observar que não foram apresentadas provas hábeis que dessem sustentação à essa alegação de que as empresas realizaram atividades diferentes. Destacase que a fiscalização não considerou as atividades da Scala como inexistentes em nenhum momento, apenas fez menção à coincidência de endereços, sócios e atividades formais e de fato, para comprovar, juntamente com os demais elementos da autuação, que a Simoso e a Scala deveriam ter considerado ambas receitas para fins de aferição do limite de R$ 48 milhões Fl. 6366DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.367 35 para poderem se enquadrar no lucro presumido para os anos seguintes, pois ambas realizam a mesma atividade econômica. 36. A partir do último parágrafo da página 6 até a página 15, a Scala argumenta sobre a legalidade de segregação de atividades da Simoso e da Scala. Nesse ponto a fiscalização lembra, mais uma vez, que em nenhum momento a fiscalização considerou a Scala uma pessoa jurídica fictícia, ou que suas atividades são fictícias, mas sim que: “Tais situações demonstram o compartilhamento das mesmas instalações comerciais, produtivas e administrativas. Significa dizer, as empresas operam a mesma atividade, realizam o mesmo negócio.” (Relatório Fiscal página 8). Logo, o enfoque naquele ponto do Relatório Fiscal (RF) era demonstrar mais uma evidência de que as atividades das duas empresas eram as mesmas. As duas empresas existem e operam, mas fazem a mesma coisa, por isso, para fins tributários de opção pelo lucro presumido a receita limite deve ser considerada em uma soma única. (Grifos são do original) (Grifouse e sublinhouse) (...) 39. Argumentase que: (...) A fiscalização não considerou as operações da Scala irregulares, mas sim a opção pelo regime de lucro presumido das empresas. (Grifouse) (...) 45. (...). Importante esclarecer que a existência da Scala não foi questionada e, portanto, não foi a motivação da autuação, mesmo por que se fosse verificada sua inexistência, a fiscalização teria procedido à baixa de ofício do CNPJ por inexistência de fato, além da proposição de representação para fins penais e qualificação da multa. Isso pode ser observado ao longo de todo o relatório fiscal da autuação. (Grifouse).” Ainda, em alguns pontos do Relatório Fiscal o Fisco afirmou que a autuada possuía contabilidade regular. Nesse sentido, transcrevemse trechos do mencionado relatório: “Em razão desse planejamento tributário a Fiscalizada, bem como a outra empresa pertencente aos mesmos sócios, submeteuse à tributação menor que a devida, uma vez que nenhuma delas, considerando as receitas brutas somadas, poderia ter optado pelo regime de tributação com base no lucro presumido (Decreto nº 3.000/99, art. 246, I). Em decorrência, as bases de cálculo dos anoscalendário 2010 e 2012 foram recalculadas pela Fiscalização com base no Lucro Real, uma vez existente a contabilidade regular do Fiscalizado. (...). (Grifouse) (...) Fl. 6367DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.368 36 Dos Procedimentos Fiscais Finais – Lançamento de Ofício: em decorrência da opção indevida pelo lucro presumido a Fiscalização refez de ofício as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL com base na sistemática do lucro real, uma vez que a empresa possui contabilidade regular. A partir do resultado contábil encontrado na escrita contábil da Simoso, e mediante a falta de apresentação de adições, exclusões e compensações ao lucro por parte da Simoso em resposta à intimação fiscal, a Fiscalização apurou o lucro real de ofício. (Grifouse e sublinhouse) A apuração foi realizada da seguinte forma: 1) Foram tomados os saldos da conta 2.4.3.03.0001Resultado do exercício por trimestre; 2) Em seguida foram calculados os resultados dos trimestres antes do IRPJ e da CSLL mediante confronto entre as contas 2.4.3.03.0001 e 6.1 (Impostos s/lucro); 3) Foram considerados os ajustes aos resultados do exercício (adições, exclusões e compensações), finalizandose na apuração do Lucro Real (LR) de cada trimestre; 4) Foram calculados o IRPJ, e adicional do IR, e a CSLL pela sistemática do LR; 5) Foram aproveitados os débitos confessados em DCTF pelo contribuinte relativos ao IRPJ e à CSLL na sistemática do Lucro Presumido (LP); 6) Foram apurados o IRPJ, e adicional do IR, e a CSLL devidos;” Como se vê, a determinação tanto do lucro real como da base de cálculo da CSLL foi feita com os dados existentes na escrituração das empresas em referência, o que demonstra, nos períodos fiscalizados, a existência de escrituração regular apta para a determinação da base de cálculo dos tributos e contribuições aqui exigidas. Estes fatos demonstram, em minha ótica, que o princípio da Entidade não foi violado, seja porque não há confusão patrimonial entre as empresas, seja porque existem de fato, cada qual operando independente uma da outra, ainda que, segundo o Fisco, exercendo a mesma atividade. Por fim, observese no "Relatório Fiscal Diligência", consta (fls. 6166): Fl. 6368DF CARF MF Processo nº 10865.720538/201511 Acórdão n.º 1301002.921 S1C3T1 Fl. 6.369 37 Incontroverso que as empresas realizaram entre si operações comerciais, como locação de máquinas e equipamentos, bem assim compra/venda de brita. Um dos pontos da acusação fiscal reside no fato de que a Simoso alugava máquinas e equipamentos à Scala para ela realizar o mesmo objeto social da primeira. Entretanto, não se vê no Relatório Fiscal nenhum aprofundamento quanto aos procedimentos contábeis adotados, por ambas, nessas operações, seja quanto aos preços praticados, pois apesar da Fiscalização lançar dúvidas que as locações fossem subfaturadas em favor da Scala, não investiga, seja quanto à forma de reconhecer receitas e custos/despesas, seja quanto à forma de quitação dessas operações, seja ainda quanto ao reconhecimento e recolhimento dos tributos decorrentes dessas operações. Assim, na esteira dessas considerações, despiciendo analisar os Termos de Responsabilidade Passiva Solidária. CONCLUSÃO Portanto, diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso de ofício, mantendose os termos da decisão recorrida, que considerou procedente a impugnação e exonerou o crédito tributário exigido. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 6369DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.008461/2002-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/03/1997 a 31/12/1997
PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, § 4° DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL -
O Superior Tribunal de Justiça- STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543-C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN).
Numero da decisão: 9303-006.982
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/03/1997 a 31/12/1997 PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, § 4° DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL - O Superior Tribunal de Justiça- STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543-C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 662 1 661 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10283.008461/200225 Recurso nº Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão nº 9303006.982 – 3ª Turma Sessão de 14 de junho de 2018 Matéria COFINS Recorrentes FAZENDA NACIONAL COMPAZ COMPONENTES DA AMAZÔNIA S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/1997 a 31/12/1997 PAGAMENTO PARCIAL ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. ARTIGO 150, § 4° DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL O Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento realizado pela sistemática do artigo 543C do antigo Código de Processo Civil, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 84 61 /2 00 2- 25 Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10283.008461/200225 Acórdão n.º 9303006.982 CSRFT3 Fl. 663 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial por contrariedade à lei, interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional ao amparo do art. 4 da Portaria MF n 256/2009, contra Acórdão nº 20313.049, por meio do qual deuse provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do direito do Fisco pela aplicação da regra do art. 150, § 4 o do CTN, cuja ementa é a seguinte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/03/1997 a 31/12/1997 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 8 DO STF. CINCO ANOS. E de 05 (cinco) anos o prazo para a Fazenda lançar créditos indevidos, observado o quanto expressamente previsto no Código Tributário Nacional (CTN) e Sumula Vinculante n. 08 do STF. COFINS. ISENÇÃO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. A expressão "vendas para a Zona Franca de Manaus" compreende apenas as vendas de empresas localizadas fora daquele território e que para lá remetem os seus produtos. Não alcança, portanto, as vendas realizadas por empresas localizadas dentro do próprio território, seu destino final. COFINS. ISENÇÃO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. A legislação específica vigente da Cofins vedava expressamente a isenção das vendas de mercadorias a estabelecimentos localizados na Zona Franca de Manaus. COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS SOBRE AS VENDAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO. A exclusão base de cálculo da Cofins da parcela do ICMS contido nas vendas não foi contemplada pelo legislador. Recurso Voluntário Provido em Parte Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, aduz divergência quanto a regra aplicável para contagem da decadência quando não há pagamento antecipado do tributo. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10283.008461/200225 Acórdão n.º 9303006.982 CSRFT3 Fl. 664 3 Portanto, a controvérsia suscitada cingese à questão da regra aplicável para contagem da decadência quando não houve o pagamento antecipado do tributo. O Recurso interposto, foi articulado na vigência do antigo Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, de modo que, comprovada a demonstração fundamentada de contrariedade lei, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 417/418. Nada obstante, também inconformada com o resultado do decisum, a Contribuinte apresentou Recurso Especial, contudo, a peça recursal não logrou êxito em comprovar a divergência jurisprudencial, conforme despacho de admissibilidade, ás fls. 649/652, bem como, do Reexame de Admissibilidade recursal, fls. 653/654. No essencial é o Relatório. Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. In caso, tratase de Auto de Infração cientificado ao contribuinte em 26/09/2002, lavrado para a exigência de diferenças entre o valor recolhido e o valor devido apurado pelo Fisco, da Cofins relativa aos períodos de março de 1997 a dezembro de 1997. O valor da autuação atingiu a R$ 1.492.142,51, nele incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%. Com efeito, a Terceira Câmara do extinto Conselho de Contribuintes, deu parcial provimento ao Recurso Voluntário, no esteio do artigo 150, § 4º, do CTN, indistintamente, sem aferir sobre a existência ou não de pagamento antecipado. Alega a Fazenda Nacional, que não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação, ou não sendo escorreito esse recolhimento, o prazo decadencial para a constituição do respectivo credito tributário regerseá pelo contido no art. 173, I, do CTN. Prima facie, auto de infração foi cientificado a Contribuinte em 26/09/2002, lavrado para exigência de diferença entre o valor recolhido e o valor devido da Cofins relativa aos períodos de março de 1997 a dezembro de 1997. Analisando a quaestio, com a alteração regimental, que o art. 62, § 2 ao Regimento Interno do CARF, as decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo, sob pena de perda de mandato. Neste sentido, é justamente a hipótese dos autos, em que o STJ, em sede de recurso repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu que, nos tributos cujo lançamento é por homologação, o prazo para constituição do crédito tributário é Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10283.008461/200225 Acórdão n.º 9303006.982 CSRFT3 Fl. 665 4 de 5 anos, (art.150, § 4º do CTN) contados a partir da ocorrência do fato gerador, quando houver antecipação de pagamento, e do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento já poderia ter sido efetuado, no caso de ausência de antecipação de pagamento, ou na ocorrência de dolo, fraude ou simulação (artigo173,I do CTN). O precedente tem a seguinte ementa: "PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173,I do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10283.008461/200225 Acórdão n.º 9303006.982 CSRFT3 Fl. 666 5 Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (grifos e destaques nossos)". Assim, de um exame meticuloso junto aos autos, verifico que houve recolhimento parcial da contribuição, na linha do que foi decidido pelo STJ, aplico o prazo decadencial de 5 anos, nos termos do artigo art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, por conseguinte, resta decaído o lançamento posterior a setembro de 1997. Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, afasto a decadência declarada no acórdão recorrido, cancelo o lançamento posterior a setembro de 1997. É como voto. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 666DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726135/2013-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO.
Comprovada pela autoridade fiscal a natureza da relação jurídica (trabalho) e a realização de pagamentos em função dela, cabe à empresa demonstrar que foram realizados ao abrigo de norma isentiva. A falta de comprovação de que os pagamentos eram relativos a verbas não tributáveis é fundamentação suficiente para a autuação.
GRATIFICAÇÃO. PAGAMENTO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA.
Os valores pagos sem habitualidade e sem natureza contraprestacional não devem integrar o salário de contribuição para fins de cálculo da contribuição previdenciária.
MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MATÉRIA PREJUDICIAL. SOBRESTAMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA.
A discussão acerca da exigibilidade de multa por descumprimento de obrigação acessória que está condicionada à existência de crédito tributário principal discutido em ação judicial deve ser sobrestada até que se encerre este litígio.
Numero da decisão: 2201-004.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) determinar a exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos à gratificação por liberalidade, da gratificação anual e média da gratificação anual; (ii) em relação ao AIOA nº 51.041.058-8, correspondente à multa por descumprimento de obrigação acessória, determinar que seja recalculado o valor da autuação em função da exclusão da base de cálculo da gratificação por liberalidade, da gratificação anual e média da gratificação anual, bem como seja sobrestado o cálculo da multa relativa à competência 11/2008 até o encerramento da ação declaratória nº 2008.38.00.035663-9, em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de forma a aplicar sobre ela os reflexos decorrentes do seu julgamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski (Relatora), Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que deram provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão, por não concordarem com a proposta vencedora de exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos às rubricas "gratificação anual" e "média da gratificação anual". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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ementa_s : Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 NULIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Comprovada pela autoridade fiscal a natureza da relação jurídica (trabalho) e a realização de pagamentos em função dela, cabe à empresa demonstrar que foram realizados ao abrigo de norma isentiva. A falta de comprovação de que os pagamentos eram relativos a verbas não tributáveis é fundamentação suficiente para a autuação. GRATIFICAÇÃO. PAGAMENTO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos sem habitualidade e sem natureza contraprestacional não devem integrar o salário de contribuição para fins de cálculo da contribuição previdenciária. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MATÉRIA PREJUDICIAL. SOBRESTAMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. A discussão acerca da exigibilidade de multa por descumprimento de obrigação acessória que está condicionada à existência de crédito tributário principal discutido em ação judicial deve ser sobrestada até que se encerre este litígio.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) determinar a exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos à gratificação por liberalidade, da gratificação anual e média da gratificação anual; (ii) em relação ao AIOA nº 51.041.058-8, correspondente à multa por descumprimento de obrigação acessória, determinar que seja recalculado o valor da autuação em função da exclusão da base de cálculo da gratificação por liberalidade, da gratificação anual e média da gratificação anual, bem como seja sobrestado o cálculo da multa relativa à competência 11/2008 até o encerramento da ação declaratória nº 2008.38.00.035663-9, em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de forma a aplicar sobre ela os reflexos decorrentes do seu julgamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski (Relatora), Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que deram provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão, por não concordarem com a proposta vencedora de exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos às rubricas "gratificação anual" e "média da gratificação anual". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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FALTA DE MOTIVAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. Comprovada pela autoridade fiscal a natureza da relação jurídica (trabalho) e a realização de pagamentos em função dela, cabe à empresa demonstrar que foram realizados ao abrigo de norma isentiva. A falta de comprovação de que os pagamentos eram relativos a verbas não tributáveis é fundamentação suficiente para a autuação. GRATIFICAÇÃO. PAGAMENTO EVENTUAL. NÃO INCIDÊNCIA. Os valores pagos sem habitualidade e sem natureza contraprestacional não devem integrar o salário de contribuição para fins de cálculo da contribuição previdenciária. MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MATÉRIA PREJUDICIAL. SOBRESTAMENTO NA VIA ADMINISTRATIVA. A discussão acerca da exigibilidade de multa por descumprimento de obrigação acessória que está condicionada à existência de crédito tributário principal discutido em ação judicial deve ser sobrestada até que se encerre este litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para (i) determinar a exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos à gratificação por liberalidade, da gratificação anual e média da gratificação anual; (ii) em relação ao AIOA nº 51.041.0588, correspondente à multa por descumprimento de obrigação acessória, determinar que seja recalculado o valor da autuação em função da exclusão da base AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 61 35 /2 01 3- 28 Fl. 1772DF CARF MF 2 de cálculo da gratificação por liberalidade, da gratificação anual e média da gratificação anual, bem como seja sobrestado o cálculo da multa relativa à competência 11/2008 até o encerramento da ação declaratória nº 2008.38.00.0356639, em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, de forma a aplicar sobre ela os reflexos decorrentes do seu julgamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Dione Jesabel Wasilewski (Relatora), Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, que deram provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão, por não concordarem com a proposta vencedora de exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos às rubricas "gratificação anual" e "média da gratificação anual". Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase da análise de recursos voluntários (fls. 1597/1626 e 1685/1697) apresentados em face do Acórdão nº 1657.667, da 12ª Turma da DRJ/SPO (fls. 1537/1592), que negou provimento às impugnações ao auto de infração (fls. 3 e 12) pelo qual são exigidos créditos tributários relativos às contribuições para outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE) e multa por descumprimento de obrigação acessória. Segundo o relatório fiscal (fls. 18/31), este processo está composto por dois autos de infração, relativos ao período de 01/2009 a 12/2009: TIPO DEBCAD OBRIGAÇÃO LEVANTAMENTOS ITENS DE COBRANÇA AIOP 51.041.0553 PRINCIPAL C2 e D3 TERCEIROS AIOA 51.041.0588 ACESSÓRIA 78 GFIP C/ INCOR. OMIS. Auto de Infração Obrigação Principal Debcad 51.041.0553 O AIOP Debcad nº 51.041.0553 se prestou à constituição das contribuições destinadas a outras entidades e fundos, denominados "Terceiros", e teve por base dois Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.772 3 levantamentos: Atribuição Estatutária Diretor Empregado (C2) e Gratificações Empregados (D3). Em relação a esses levantamentos, afirma o relatório fiscal que: 2.1.1.4 – Para que os benefícios concedidos pela empresa aos seus empregados, sob a forma de “gratificações” e “atribuição estatutária”, não se constituam em base de incidência de contribuições previdenciárias, urge que os mesmos sejam concedidos com observância de algumas regras, ou seja, sua concessão deve ser feita estritamente em conformidade com os textos legais retro citados. 2.1.1.4.1 – Da análise das folhas de pagamento, foi constatado que no período acima, a empresa pagou a seus empregados parcelas por conta de gratificação por liberalidade, gratificação anual e médias gratificação anual, de forma não eventual, conforme se verifica das planilhas Anexos XI e XII deste relatório, não se enquadrando, portanto, no disposto no inciso “V”, alínea “j” do § 9º do já citado artigo 214 do Decreto 3.048/99. 2.1.1.4.2 – Os Acordos Coletivos de Trabalho – 2008 / 2009 e 2009 / 2010, celebrados, por seus respectivos representantes legais, de um lado o SINDICATO DOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO, MATERIAL ELETRÔNICO, DESENHOS/PROJETOS E INFORMÁTICA DE JOÃO MONLEVADE, RIO PIRACICABA, BELA VISTA DE MINAS E SÃO DOMINGOS DO PRATAMG e, de outro lado, a Arcelormittal Monlevade, por si e assistida pelo SINDICATO DAS INDÚSTRIAS METALÚRGICAS, MECÂNICAS E DE MATERIAL ELÉTRICO E ELETRÔNICO DE JOÃO MONLEVADEMG, de forma idêntica, ajustaram o pagamento da gratificação anual e médias de gratificação anual em sua cláusula vigésima oitava, cujo texto reproduzimos a seguir: CLÁUSULA VIGÉSIMAOITAVA GRATIFICAÇÃO ANUAL A Arcelormittal Monlevade concederá a todos os seus empregados uma gratificação de 62,50% (sessenta e dois vírgula cinqüenta por cento) do saláriobasemês, a ser paga na forma e limites a seguir especificados: I) A gratificação será paga na data do pagamento do salário do mês do início das férias, caso seu término se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será paga na data do pagamento do salário do mês de retorno das férias, caso seu término se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao do início das referidas férias; II) O saláriobasemês para o cálculo da referida gratificação será o do mês de início do gozo das férias, caso o retorno do empregado ao trabalho se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será o do mês do término das férias, caso este se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao seu início; III) Caso as férias não sejam gozadas no transcurso do ano, a gratificação a que se refere esta cláusula será paga antecipadamente Fl. 1774DF CARF MF 4 na folha de pagamento do mês de novembro, tendo como referência o saláriobase deste mês; IV) Serão computadas as faltas e adotados os mesmos critérios do cálculo do 13º salário. (grifamos) 2.1.1.4.2.1 – Os incisos II e IV da cláusula retro reproduzida deixa evidente que a concessão deste benefício está claramente vinculada ao salário do empregado, bem como aos fatores assiduidade ou absenteísmo e, a despeito do nome convencionado entre as partes para esta verba, sua natureza é salarial, e se constitui numa verdadeira remuneração adicional, paga anualmente e de forma contumaz (para alguns empregados em mais de uma parcela no ano). 2.1.1.4.3 – Dessa forma, concluise que a inclusão dessas verbas, de forma regular e ineventual, no contracheque de parte de seus empregados, não condiz com o disposto no inciso “V”, alínea ”j” do § 9º do artigo 214 do Decreto 3.048/99. Portanto, inclusão dessas verbas na base de cálculo tributável foi fundamentada no fato de que o pagamento é regular e não eventual, não estando, por isso, ao amparo da regra excludente. Auto de Infração Obrigação Acessória Debcad nº 51.041.0588 O auto de infração por descumprimento de obrigação acessória foi justificado na identificação de apresentação de Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação à Previdência Social GFIP relativas ao período de 01/2008 a 12/2009 com incorreções e omissões nos dados relacionados aos fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS. Os fatos geradores omitidos teriam sido constituídos mediante a lavratura de autos de infração vinculados aos seguintes processos: 15504726.132/201394; 15504 726.134/201383; 15504726.138/201361; 15504726.136/201372; 15504726.133/201328; 15504726.135/201328; 15504726.139/201314; 15504726.137/201317. O relatório fiscal informa ainda que há registro de lançamentos anteriores com decisões definitivas transitadas em julgado, o que caracterizaria a reincidência. A multa aplicada (CFL 78) seria de R$ 20,00 para cada grupo de 10 informações incorretas, prevista no art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentado pela MP nº 449, de 03 de dezembro de 2008. Impugnado o lançamento, foi proferido o Acórdão nº 1657.667, da 12ª Turma da DRJ/SPO, que deu parcial provimento à impugnação, para determinar a redução da multa aplicada, excluindo totalmente a penalidade no período de 12/2008 a 12/2009, por entender que haveria duplicidade de penalidade em função da aplicação da multa de ofício. Essa decisão tem a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 Fl. 1775DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.773 5 Ementa:CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES OU FUNDOS (TERCEIROS). SERVIÇOS PRESTADOS POR SEGURADOS EMPREGADOS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os Anexos do Auto de Infração (AI), bem como os demais elementos constantes dos autos, oferecem as condições necessárias para que o contribuinte conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. “ATRIBUIÇÃO ESTATUTÁRIA”. GRATIFICAÇÕES. Entendese por salário de contribuição a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. A rubrica paga pela empresa aos administradores sob a denominação “Atribuição Estatutária” integra o salário de contribuição, base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, uma vez que não está incluída nas hipóteses liberadas de tributação pela legislação previdenciária. Integram o salário de contribuição as parcelas pagas habitualmente, pela empresa, aos segurados que lhe prestam serviços, a título de gratificação. Somente as exclusões arroladas exaustivamente no parágrafo 9º do artigo 28 da Lei n.º 8.212/91 não integram o saláriodecontribuição. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. O Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando sua qualificação e Fl. 1776DF CARF MF 6 período de atuação, que, eventualmente, poderão ser responsabilizados na esfera judicial, nas hipóteses previstas em lei e após o devido processo legal. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. A emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP) constitui dever funcional dos AuditoresFiscais, não cabendo no julgamento administrativo a apreciação do conteúdo desta peça, à qual será enviada às autoridades competentes em momento oportuno. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PREVISÃO NA LEGISLAÇÃO. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal, à qual o julgador administrativo é vinculado. APLICAÇÃO DE MULTA PREVISTA NO ARTIGO 32A, “CAPUT”, INCISO I E PARÁGRAFOS 2º E 3º DA LEI N.º 8.212/91, A PARTIR DA COMPETÊNCIA 12/2008, EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES CUJAS CONTRIBUIÇÕES FORAM OBJETO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DA MULTA APLICADA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Não é cabível a lavratura de Auto de Infração para aplicação da multa prevista no artigo 32A, “caput”, inciso I e parágrafos 2º e 3º da Lei n.º 8.212/91, a partir da Fl. 1777DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.774 7 competência 12/2008, em relação a fatos geradores cujas contribuições foram objeto de lançamento de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A ciência dessa decisão se deu em 20/05/2014 (fl. 1594) e os recursos voluntários foram tempestivamente apresentados em 16/06/2014 (fls. 1597/1626 e 1685/1697). No recurso voluntário relativo à obrigação principal, a empresa alega, em síntese, que: 1. Os autos de infração lavrados na mesma ação fiscal devem ser julgados em conjunto. 2. Não há fundamento para inclusão das pessoas arroladas do relatório de vínculos como responsáveis. 3. A Representação Fiscal para Fins Penais é nula por ausência de conduta típica. 4. É necessária a realização de perícia para comprovar as nulidades do lançamento, bem como atestar que as verbas pagas estavam de acordo com a legislação. 5. A verba atribuição estatutária a diretor empregado não constitui gratificação mas sim pagamento de PL aos diretores, na exata metodologia dos demais empregados da autuada. 6. A fiscalização tratou a atribuição estatutária como uma verba similar à gratificação e utilizou as mesmas razões para efetuar a glosa, mas não explicitou porque entende que ela se assemelha à gratificação, o que acarreta nulidade. 7. Esse pagamento deuse com base no Acordo de 2009 que não é objeto desta fiscalização, dessa forma, não houve análise desse plano em confronto com os ditames da Lei nº 10.101, de 2000, o que constitui vício insanável, já que impossibilita o direito de defesa da recorrente. 8. Caso não se entenda pela nulidade, pede a realização de perícia para que se comprove que os valores acima mencionados fazem parte da participação nos lucros dos diretores. 9. A exclusão da tributação de PLR prevista na Lei nº 8.212, de 1991, alcança todos os pagamentos feitos a empregados, sejam eles diretores ou não. 10. A recorrente possuía Diretores: (i) empregados que permaneceram com contrato de trabalho ativo; (ii) empregados que, durante o mandato, tiveram o contrato de trabalho suspenso; (iii) não empregados. 11. A metodologia utilizada pela empresa foi a negociação de PLR através de acordo coletivo, nos quais estariam retificados os Planos de participação específicos (Programa Específico de Gestão do Desempenho), e os valores eram apurados de acordo com o Plano de Fl. 1778DF CARF MF 8 Gestão e detinham como limitador e autorizador os limites da Lei nº 6.404, de 1964. Portanto, para todos os diretores, o cálculo do PLR era feito de acordo com o seu Plano de Gestão. 12. Mesmo que se entenda que a Lei nº 10.101, de 2000, abrange apenas os empregados, há lei específica, Lei nº 6.404, de 1976, que regula a isenção do PL paga a diretores e conselheiros da empresa. 13. Invocando precedentes deste Conselho, alega que a verba aqui glosada não constitui base de incidência das contribuições, eis que não constituiria remuneração pela prestação dos serviços. 14. A fiscalização pleiteou contribuições incidentes sobre gratificações pagas pela recorrente a seus empregados, mas não fundamentou essa exigência. 15. O ACT firmado pela ArcelorMittal João Monlevade foi mencionado pela fiscalização, contudo há pagamentos efetuados por outras filiais e pela sede, isso prejudicaria seu direito de defesa, já que não consegue demonstrar que os abonos são legais se não ficar evidenciado o motivo da sua glosa. 16. A fiscalização glosou três tipos distintos de gratificações: por liberalidade, anual e média da gratificação anual. A primeira é pagamento isolado, sem qualquer vinculação obrigatória e feito de maneira eventual, estando portanto ao amparo do art. 28, § 9º, e, 7º, da Lei nº 8.212, de 1991. 17. As demais gratificações foram pagas de acordo com o art. 144 da CLT, sendo caracterizadas pela liberalidade, eventualidade e linearidade. 18. A gratificação anual é um abono pago com base em ACT e não integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias. 19. A média da gratificação anual é mero ajuste da anterior. Pede então que seja reformada a decisão recorrida para a) declarar a nulidade do lançamento com base nas preliminares arguídas; b) julgar improcedente a cobrança por ilegal. No recurso relativo à obrigação acessória, é alegado, em síntese, que: 1. A decisão de primeira instância reconheceu a procedência parcial da impugnação reduzindo a multa aplicada em razão da duplicidade das multas lançadas. Esse fato caracteriza erro na identificação das bases tributáveis e ocasiona a nulidade de todo o lançamento. 2. A decisão recorrida reduziu parcialmente a multa para exclusão dos valores posteriores a 12/2008, de forma que a presente autuação vincularseia apenas aos autos de infração lançados nas competências 01/2008 a 11/2008. Sobre esses lançamentos é mantida a multa por descumprimento de obrigação acessória, a despeito da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de antecipação de tutela concedida na ação declaratória nº 2008.38.00.0356639. 3. Pede que o processo seja julgado em conjunto com os demais lavrados no curso da mesma ação fiscal. Fl. 1779DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.775 9 4. No mérito, afirma que a multa é ilegal porque exigida antes mesmo de ser declarada a exigibilidade dos créditos principais e as verbas questionadas nas autuações principais não podem ser consideradas parcelas salariais a ensejar a incidência da multa por ausência de declaração em GFIP. A partir desses argumentos, pede que seja declarada a insubsistência do lançamento, preliminarmente pela nulidade descrita, no mérito, pela ilegalidade da cobrança, já que não constituídos definitivamente os créditos principais. Neste conselho, foi determinada a reunião dos processos vinculados para julgamento em conjunto (fls. 1757/1764). É o que havia para ser relatado. Voto Vencido Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Os recursos apresentados preenchem os requisitos de admissibilidade e deles conheço. Recurso voluntário Obrigação Principal Conexão A recorrente entende necessário que sejam julgados em conjunto os processos decorrentes de lançamentos realizados no curso do mesmo procedimento fiscal, haja vista a existência de conexão entre eles. Conforme foi destacado no relatório, foi reconhecida a conexão entre os processos que serão julgados por esta 1ª Turma Ordinária na mesma oportunidade. Relatório de vínculos No que tange ao arrolamento dos diretores e contadores no Relatório de Vínculos do Auto de Infração, cumpre mencionar que este relatório não tem como escopo incluir as pessoas nele identificadas no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim relacionar as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período de atuação correspondente. Não há, nesse momento, que se falar, em coresponsabilidade dos diretores e contadores pelo crédito constituído por meio deste AI. Representação Fiscal para Fins Penais Quanto a essa matéria, cumpre registrar que o relatório fiscal afirma que a representação tem por objeto fatos estranhos a este processo. Além disso, incide, na espécie, o seguinte enunciado com caráter vinculante: Fl. 1780DF CARF MF 10 Súmula CARF nº 28 (VINCULANTE): O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Prova pericial Cabe ao julgador avaliar a necessidade de prova pericial, o que não se verifica nesse processo, em que a recorrente procura suprir, através desse mecanismo, sua incapacidade em demonstrar os fatos que alega. Rejeito, portanto, o pedido de realização de perícia, por entender que o processo encontrase suficientemente instruído, e que a eventual carência de comprovação do que se alega deve ser resolvido através dos critérios de distribuição do ônus probatório. Atribuição estatutária a diretor empregado e gratificações Em relação à verba atribuição estatutária a diretor empregado, a recorrente afirma que o relatório fiscal não fez qualquer menção à sua natureza jurídica (motivação, periodicidade, habitualidade), restringindose a afirmar que as parcelas distribuídas deveriam integrar o saláriodecontribuição. Como essas verbas não constituiriam gratificação, mas sim pagamento de participação nos lucros aos diretores, a ausência de análise desses pagamentos em confronto com os ditames da Lei nº 10.101, de 2000, constituiria vício insanável, já que impossibilitaria o seu direito de defesa. Quanto a esse aspecto, embora a empresa alegue que os pagamentos tiveram natureza de PLR, algumas considerações devem ser feitas: a primeira, que a verba não foi assim identificada em seus registros; a segunda, que não foi comprovado no processo que esse esclarecimento foi prestado à autoridade fiscal; e a terceira, é que não consta que a empresa tenha atendido ao Termo de Intimação para Apresentação de Esclarecimentos nº 06, no qual são solicitadas as planilhas com as medições e avaliações para demonstrar o cumprimento das metas e aferir os cálculos feitos nos pagamentos de PLR. Portanto, embora a empresa alegue que se trata de PLR, até o presente momento não logrou comprovar essa natureza e demonstrar, em confronto com o instrumento que o instituiu, como chegou aos valores pagos. Nesse caso, não demonstrado que a fiscalização tinha ciência de que os pagamentos teriam essa natureza, não posso acatar o pedido de nulidade. Subsidiariamente, a recorrente pede a realização de perícia para que se comprove que os valores acima mencionados fazem parte da participação nos lucros dos diretores. Esse pedido, por si só, já evidencia a falta de comprovação que foi alegada parágrafos atrás. Esses cálculos deveriam, por certo, preceder os pagamentos realizados e não se justifica que, na sua ausência, a discussão da natureza da verba seja protelada em benefício de quem tinha o ônus de realizálos. Neste caso, entendo prejudicados os demais argumentos apresentados pela recorrente, uma vez que não faz sentido discutir se as regras da Lei nº 10.101, de 2000, são ou não aplicáveis ao caso, quando não há elementos no processo para corroborar a alegada natureza da verba. Fl. 1781DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.776 11 A despeito disso, considero oportuno registrar minha opinião pessoal de que apenas instrumentos de negociação realizados nos exatos termos estabelecidos pela Lei nº 10.101, de 2000, autorizariam o pagamento de verba a título de PLR. Assim, planos de gestão elaborados através de outra sistemática, ainda que mencionados nos acordos coletivos, não estão alcançados pela regras favorecidas de tributação, eis que, em nenhum momento a legislação autoriza que as partes envolvidas na negociação deleguem a discussão e formalização do plano para outro fórum. Por outro lado, a Lei nº 6.404, de 1976, nada trata a respeito da isenção para programa de PLR paga a diretores e conselheiros da empresa. Invocando precedentes deste Conselho, a recorrente alega também que a verba aqui glosada não constitui base de incidência das contribuições, eis que não constituiria remuneração pela prestação dos serviços. Esse argumento encerra uma grande contradição com o restante da defesa, em especial pela insistência na realização de perícia que demonstraria que foram atendidos os pressupostos da Lei nº 10.101, de 2000. Esta Lei regula um benefício que foi previsto pelo Constituinte como integração entre o "capital e o trabalho", e estabelece critérios e parâmetros para aferição da efetividade do "trabalho" na produção de lucros e resultados a serem compartilhados. Ademais, a recorrente insistiu no argumento de que o pagamento efetuado foi autorizado pelo Acordo de PLR, que é firmado entre os representantes dos "trabalhadores" (Sindicatos) e a empresa. De se considerar ainda que, mesmo que o valor tenha sido deliberado pelos detentores de capital, o pressuposto do pagamento é a relação jurídica existente entre o diretor empregado e a empresa, que é uma relação de "trabalho". Por outro lado, o postulado da entidade impede a adoção do raciocínio sugerido. Quanto à existência de motivação para o lançamento, pareceme que não há dúvida acerca da natureza jurídica da relação entre a empresa e seus direitos (empregados ou não) e da existência de pagamento em benefício desses por conta dessa relação. Como os valores não foram oferecidos à tributação, caberia à empresa fiscalizada comprovar que essas operações se deram ao abrigo de norma isentiva e não o contrário. Idêntico raciocínio vale para as gratificações, com uma exceção, conforme será visto adiante. A fiscalização identificou o pagamento de três modalidade de gratificação: por liberalidade, gratificação anual e médias gratificação anual. Entende que esses valores são pagos de forma não eventual, o que impediria seu enquadramento no inciso V, alínea J, do § 9º do art 214 do Decreto nº 3.048, de 1999: Art. 214. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: Fl. 1782DF CARF MF 12 (...) V as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; A adequada interpretação do alcance desse dispositivo foi dada no voto condutor do Acórdão 2401004.107 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária desta 2ª Sessão do CARF, de relatoria do Conselheiro André Luís Mársico Lombardi: Superada esta questão, é preciso definir o que seriam “ganhos eventuais” e o que seriam “abonos expressamente desvinculados do salário”. Do ponto de vista do Direito do Trabalho, dispõe o § 1° do art. 457 da CLT que integram “o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador”. Quanto às utilidades, assim como a legislação previdenciária, depreendese do art. 458 da CLT que a regra é que ostentem natureza salarial, para todos os efeitos legais, as “prestações in natura que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado” exceção seja feita à educação, assistência médica, hospitalar e odontológica, seguros de vida e de acidentes pessoais, previdência privada e valecultura, nos termos do § 2° do mesmo artigo. Atentese que há abertura para que os ganhos eventuais, mesmo em pecúnia, não integrem o salário (fins trabalhistas) se não forem previamente ajustados (liberalidade) e, ao mesmo tempo, se caracterizarem pela não habitualidade (em caso contrário, será considerado ajuste “tácito”, nos termos do art. 442 da CLT). Nessas hipóteses, poderão ser enquadrados como gratificações não ajustadas, que não se enquadram como salário a teor do dispositivo mencionado, que se refere a “gratificações ajustadas”. Portanto, na hipótese de pagamento em pecúnia, a não habitualidade e a eventualidade são critérios válidos para se identificar uma gratificação não ajustada, o que afastaria a natureza salarial. Para as utilidades, mostrase determinante a habitualidade, tanto sob a perspectiva trabalhista, como sob a perspectiva previdenciária, sendo de somenos importância a questão do ajuste prévio ou tácito (eventualidade), embora este possa ser um meio para se comprovar a habitualidade. Tal regra, é bom que se esclareça, será válida desde que a verba não se enquadre nas exclusões legais referidas e que sirva como retribuição pelo trabalho e não como instrumento para o trabalho (requisito da onerosidade ou comutatividade – lembrando sempre que o sinalagma é no conjunto e não prestação por prestação – vide Súmula 367 do TST sobre utilidades “in natura” para a realização do trabalho). É de se ressaltar ainda que, para fins trabalhistas, não há um dispositivo legal que delimite o que se possa entender, em Fl. 1783DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.777 13 termos gerais, como habitualidade ou eventualidade, tanto para pagamentos em pecúnia como em utilidades. A dificuldade é ainda maior quando se verifica que tais critérios (habitualidade e eventualidade) são utilizados na seara trabalhista não apenas para a apuração da natureza salarial da verba, mas também para a verificação de sua incorporação ao saláriobase (investigação sobre os respectivos reflexos, como DSR, adicionais, etc.) ou de sua incorporação ao contrato de trabalho (direito adquirido à prestação). Na legislação de custeio previdenciário o quadro normativo é outro, mas há uma aproximação muito grande. A primeira questão de interesse é notar que, tanto no art. 28, I, como no art. 22, I, da Lei n° 8.212/91, a expressão “ganhos habituais” vem acompanhada do complemento “sob a forma de utilidades”. Isto parece ocorrer porque os pagamentos, em regra, sempre serão integrantes do conceito de remuneração, ainda que não habituais (“total das remunerações”). Portanto, a princípio, até pelo que se afirmou de início quanto à amplitude conceitual e normativa da remuneração, todo pagamento que remunere, ou seja, que não constitua reposição patrimonial, mas acréscimo, é base de incidência de contribuições previdenciárias. Todavia, é hora de retornar à análise da hipótese isentiva contida no art. 28, § 9°, e, item 7. Neste dispositivo, particularmente, não há o complemento “sob a forma de utilidades” (como no art. 28, I, e no art. 22, I, da Lei n° 8.212/91), pelo que se conclui que o ganho eventual pode ser em pecúnia ou em utilidade, pois onde a lei não distingue não pode o intérprete distinguir (ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus), ou ainda, “as coisas expressas prejudicam; não assim as não expressas” (expressa nocent, non expressa non nocent – Lei 195 – Regras de Justiniano in França. Rubens Limongi. Brocardos jurídicos: As regras de Justiniano. 3ª ed. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, 1977, p. 135). Portanto, a despeito de os “ganhos eventuais” remunerarem segurados (lembrese, novamente, que o contrato de trabalho é sinalagmático no todo e não prestação por prestação), estão cobertos pela hipótese isentiva contida no art. 28, § 9°, e, item 7, da Lei n° 8.212/91. Ocorre que, assim como no Direito do Trabalho, a análise da legislação leva ao mesmo dilema: definir o que é eventual e o que é habitual. Isso porque, em nossa compreensão, o que faz com que determinada verba não sofra incidência de contribuição previdenciária é o seu ganho ser eventual, no sentido de ser aleatório, de não ter sido previamente ajustado, de ser inesperado, não alcançando, portanto, situações em que os pagamentos foram pactuados, combinados, prometidos, quando, em verdade, a natureza dos pagamentos é de prêmio ou de gratificação e não da isenção contida no artigo 28, § 9°, e, item 7, da Lei n° 8.212/91. Eventual, portanto, é aquilo que é acidental, aleatório, inesperado, imprevisto, ocasional, contingente, fortuito e casual, enquanto que habitual é o que é costumeiro, cotidiano, repetido, Fl. 1784DF CARF MF 14 usual, consuetudinário, regular, constante, costumado, frequente e rotineiro. Como se vê, um não é antônimo do outro. Assim, o ganho fortuito não sofre incidência de contribuição previdenciária. Sobre as utilidades, ainda que o recebimento não seja fortuito, se o recebimento não for regular, também não haverá incidência. Quanto ao fato de o pagamento ou de a utilidade estar prevista em acordo ou convenção coletiva, é de se ressaltar que, no Direito do Trabalho, especialmente diante do disposto no art. 7°, XXVI, da CF, que dá sustentação ao quanto disposto em acordos e convenções coletivas, a jurisprudência reconhece ampla liberdade das partes para deliberarem sobre a natureza jurídica das verbas, seja para integrar ao salário, seja para afastar a natureza salarial, principalmente quando tal é feito em prol dos trabalhadores (hierarquia dinâmica das fontes do Direito do Trabalho – ora vale a lei, ora vale o que convencionado por Acordo ou Convenção Coletiva). Assim foi concebido o Direito do Trabalho para que fosse possível incentivar ou ao menos não desestimular a concessão de certas benesses aos trabalhadores, sem embargo de que, no silêncio das normas coletivas, a verba ou utilidade integre o salário pelo critério da habitualidade, conjugado com o parâmetro da liberalidade. No Direito Previdenciário a lógica é distinta. Tratandose de Direito Público e, em matéria de custeio previdenciário, de tributo e, não há praticamente nenhuma liberdade para as partes pactuarem natureza da verba, salvo quando expressamente autorizado por lei e, ainda assim, desde que atendidos todos os requisitos para o gozo daquilo que chamamos de isenção (vide Lei n° 10.101/00 – participação nos lucros). Nesse sentido, pode se concluir, com segurança, que não há correlação necessária entre o que se estipula no campo trabalhista e o que vale para fins previdenciários. Quanto aos abonos, no Direito do Trabalho a regra é a sua integração ao salário, pois, como visto, dispõe o § 1° do art. 457 da CLT que integram “o salário não só a importância fixa estipulada, com o também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador”. Claro que a lei poderá excepcionar esta regra, como o fez no art. 144 da CLT, e inclusive aceitase que o acordo e convenção coletiva o façam, pelas mesmas razões expostas quanto aos ganhos eventuais (vide OJSDI1346). Na legislação previdenciária não integrará o conceito de remuneração se, como visto, estiver expressamente desvinculado do salário. Mas o que seria “expressamente desvinculado do salário”? Entendemos que a desvinculação somente pode decorrer de lei, pois, do contrário, poderiam as próprias partes estabelecer a natureza dos abonos, o que afronta o princípio da estrita legalidade e, portanto toda a lógica vigente no custeio previdenciário. Esta interpretação é consentânea ao disposto no art. 214, § 9o, V, j, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto no 3.048/99. Fl. 1785DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.778 15 Ainda que o dispositivo legal não tendo especifique se a desvinculação deva ser por lei ou pelas partes, a conclusão é extraída do ordenamento, pois a principiologia em matéria de custeio previdenciário é calcada na reserva de lei, mormente para o estabelecimento de isenção (art. 176 do CTN), nunca permitindo às próprias partes convencionarem tal benesse. Com efeito, as partes, quando muito, cumprem os requisitos da lei para o gozo de isenção, mas, no Direito Previdenciário e no Direito Tributário, jamais, definem a natureza jurídica da verba por condição potestativa, ainda que por intermédio de Acordo ou Convenção Coletiva. Se aqui vale invocar o art. 7°, XXVI, da CF, como sói ocorrer no Direito do Trabalho, em qualquer outra situação do Direito Previdenciário será lícito às partes convencionar a natureza jurídica das verbas. É verdade que onde a lei não distingue não pode o intérprete distinguir (ubi lex non distinguit nec nos distinguere debemus). Mas aqui a situação é diferente. Tratase de distinguir em razão da inexorável presença do princípio da reserva de lei (Direito Tributário). Portanto, não estamos entrando em contradição ao afirmarmos que o silêncio da lei deve ser interpretado no sentido de que a desvinculação somente pode decorrer de lei. Como se sabe, o princípio tem função normativa, razão pela qual cabe a sua invocação sempre que for apto a complementar o texto legal. Como visto, diante da principiologia e das próprias regras jurídicas aludidas, o Direito do Trabalho efetivamente permite que, em negociação coletiva, as partes estipulem a natureza das verbas. Ocorre que no Direito Previdenciário o quadro normativo é outro, razão pela qual somente a lei pode desvincular o abono. Em resumo, concluímos até aqui que: os ganhos eventuais podem ser em pecúnia ou em utilidades e não sofrem incidência de contribuição previdenciária e que as utilidades não habituais também não sofrem a referida incidência. Quanto aos abonos, somente deixam de sofrer incidência de contribuição previdenciária se legalmente desvinculados do salário. Ocorre que os abonos podem constituir ganhos eventuais. Portanto, podemos concluir que os abonos não sofrem incidência de contribuição previdenciária se legalmente desvinculados do salário ou se constituírem ganhos eventuais. É verdade que, originalmente, o abono, representava – e por vezes ainda representa um adiantamento ou uma substituição de reajuste pela defasagem salarial, a fim de amenizar a defasagem salarial (normalmente, habituais) ou substituir reajuste de salários inadimplidos no tempo devido (normalmente, eventuais), mas nem sempre isto ocorre, bastando citar o “abono assiduidade” ou o “abono de férias” que por vezes são encontrados como formas de remuneração. Fl. 1786DF CARF MF 16 Em qualquer dessas hipóteses, tais ganhos podem ocorrer com constância ou eventualmente. Assim, haverá abonos previstos, repetidamente, em Acordos ou Convenções Coletivas de Trabalho, pagos ano a ano, de forma habitual e que, por tal razão, não poderão ser enquadrados no conceito de “ganhos eventuais”, mas, para tanto, deve a autoridade fiscal demonstrar a habitualidade dos pagamentos. Para estes, concluiríamos pela natureza de verba remuneratória, ainda que previstos em Acordos em Convenções Coletivas. Devese atentar ainda que é lição elementar de Direito que a natureza jurídica dos atos praticados, dos fatos ocorridos ou das relações jurídicas que se estabelecem decorrem da forma como efetivamente se mostram na realidade, não podendo ser feito o seu enquadramento legal tomando por base o nomen iuris atribuído pelas partes ou por terceiros. Aqui podemos citar o princípio da verdade material ou o princípio da primazia da realidade, que vão no sentido da ideia que se propõe. Portanto, desde que constituam verdadeiros ganhos eventuais, as verbas podem ser denominadas de bônus, gratificação, prêmio, bonificação, abono, que sempre serão ganhos eventuais. E o contrário é verdadeiro, pode ser denominada de prêmio, por exemplo, que é verba tributável, a rigor, que se restar demonstrado o caráter absolutamente eventual, não haverá incidência de contribuição previdenciária pela regra isentiva exaustivamente invocada. É verdade que a eventualidade (ocorrência da isenção) deve ser demonstrada pelo contribuinte, mas, para isto, é preciso que a autoridade fiscal lhe exija a comprovação. Dentre as gratificações pagas, a denominada "por liberalidade" não teria qualquer previsão em acordo ou convenção coletiva e, de acordo com o que alega a recorrente, seria paga uma vez por ano por empregado, o que evidenciaria seu caráter eventual. Analisandose o anexo II deste processo (fls. 36/40), onde estão listados os pagamentos realizados a esse título nos anoscalendário 2008 e 2009, vêse que essa gratificação é paga apenas a alguns empregados e em valores variáveis e, como afirmou a consulente, há o registro de um único pagamento por ano por empregado. Além disso, comparandose os beneficiários dos pagamentos nos dois anos, vêse que não há identidade entre eles o que, a meu ver, é suficiente para confirmar as alegações de defesa, no sentido de que o pagamento é eventual. Por essa razão, dou provimento ao recurso para excluir da base de cálculo do lançamento os valores relativos à gratificação por liberalidade. Continuando na análise das gratificações pagas, é preciso ressaltar que, em face de interpretação dada ao dispositivo legal em análise pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em reiteradas decisões, o Parecer PGFN nº 2114, de 2011, veio a estabelecer que: "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária." Quanto aos efeitos desse parecer, o voto anteriormente citado, faz a seguinte análise: Fl. 1787DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.779 17 A despeito de discordamos das premissas contidas nas decisões que deram origem ao Ato Declaratório n° 16/2011, em atenção ao princípio da eficiência da Administração Pública, poderíamos cogitar de sua aplicação. Todavia, diferentemente do que defende a recorrente, as situações não são coincidentes. O Ato Declaratório somente teria ensejo se o “abono único”, cumulativamente: (i) fosse pago de maneira não habitual: o que não ocorre em nenhuma das situações, como visto; (ii) fosse desvinculado do salário, no sentido de não representar um percentual deste (pagamento em valor único para todos os empregados, por exemplo): do que consta dos autos, tanto a “gratificação contingente” como a “compensação financeira” correspondem a percentuais da remuneração, sendo que não se sabe ao certo a origem regulamentar do “abono gerencial” (Acordo, Convenção, Regulamento, Contrato de Trabalho de Trabalho, etc.) e, conseqüentemente, não se tem certeza quanto à forma exata do pagamento; e (iii) estivesse previsto em norma coletiva: como afirmado acima, não se encontrou no Acordo Coletivo a previsão do “abono gerencial. A partir desses parâmetros, a recorrente alega que as gratificações "anual" e "média de gratificação anual" teriam por base o Acordo Coletivo de Trabalho firmado pela filial CNPJ 17.469.701/006612, na seguinte cláusula: CLÁUSULA VIGÉSIMAOITAVA GRATIFICAÇÃO ANUAL A Arcelormittal Monlevade concederá a todos os seus empregados uma gratificação de 62,50% (sessenta e dois vírgula cinqüenta por cento) do saláriobasemês, a ser paga na forma e limites a seguir especificados: I) A gratificação será paga na data do pagamento do salário do mês do início das férias, caso seu término se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será paga na data do pagamento do salário do mês de retorno das férias, caso seu término se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao do início das referidas férias; II) O saláriobasemês para o cálculo da referida gratificação será o do mês de início do gozo das férias, caso o retorno do empregado ao trabalho se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será o do mês do término das férias, caso este se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao seu início; III) Caso as férias não sejam gozadas no transcurso do ano, a gratificação a que se refere esta cláusula será paga antecipadamente na folha de pagamento do mês de novembro, tendo como referência o saláriobase deste mês; IV) Serão computadas as faltas e adotados os mesmos critérios do cálculo do 13º salário. Fl. 1788DF CARF MF 18 Conforme se verifica de seu próprio texto, a gratificação em questão corresponde a um percentual do salário do empregado e não tem natureza eventual, considerando o significado que foi dado a esse termo no texto acima copiado. Por outro lado, considerando que o pagamento é atribuído diretamente em função de uma atitude valorada positivamente pelo empregador (faltas), é um prêmio: Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. (Curso do Direito do Trabalho. Maurício Godinho Delgado. 7ª ed. São Paulo: LTR, 2008, p. 750) Quanto a essas gratificações, e analisandose os termos do acordo acima mencionado, o relatório fiscal afirma: 2.1.1.4.2.1 – Os incisos II e IV da cláusula retro reproduzida deixa evidente que a concessão deste benefício está claramente vinculada ao salário do empregado, bem como aos fatores assiduidade ou absenteísmo e, a despeito do nome convencionado entre as partes para esta verba, sua natureza é salarial, e se constitui numa verdadeira remuneração adicional, paga anualmente e de forma contumaz (para alguns empregados em mais de uma parcela no ano). 2.1.1.4.3 – Dessa forma, concluise que a inclusão dessas verbas, de forma regular e ineventual, no contracheque de parte de seus empregados, não condiz com o disposto no inciso “V”, alínea ”j” do § 9º do artigo 214 do Decreto 3.048/99. Por essa razão, entendo infundadas as alegações preliminares da recorrente quando procura defender a nulidade do lançamento, por ausência de fundamentação para a glosa realizada em relação às gratificações. Por outro lado, os anexos juntados ao processo pela própria autoridade fiscal já seriam suficientes para demonstrar a improcedência da alegação fiscal, de que a gratificação por liberalidade é paga de forma não eventual. Afirma ainda a recorrente que o ACT firmado pela ArcelorMittal João Monlevade foi mencionado pela fiscalização, contudo há pagamentos efetuados por outras filiais e pela sede, o que prejudicaria seu direito de defesa, já que não consegue demonstrar que os abonos são legais se não ficar evidenciado o motivo da sua glosa. Com essa linha de argumentação a recorrente procura inverter o ônus probatório. Se o ACT firmado pela ArcelorMittal João Monlevade foi mencionado pela fiscalização, é porque a fiscalizada o utilizou como suporte para parte dos pagamentos realizados. Cabialhe também justificar a não inclusão dos demais na base de cálculo tributável e, se não o fez, não pode invocar sua omissão em seu favor. Entendo, portanto, que a fiscalização se desincumbiu de comprovar a existência da relação jurídica e dos pagamento realizados, cabendo à fiscalizada demonstrar que eles não estavam sujeitos à tributação. Com base no acima exposto, dou parcial provimento à impugnação apresentada pela empresa autuada, para excluir da base de cálculo tributável as parcelas relativas à gratificação por liberalidade. Fl. 1789DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.780 19 Recurso voluntário Obrigação Acessória Em relação ao auto de infração decorrente do descumprimento de obrigação acessória, afirma a recorrente que a decisão de primeira instância reconheceu a procedência parcial da impugnação, reduzindo a multa aplicada em razão da duplicidade das multas lançadas. Esse fato caracterizaria erro na identificação das bases tributáveis e ocasionaria a nulidade de todo o lançamento. Ocorre que ajustes no valor lançado não são suficientes para imputar nulidade ao lançamento se não for demonstrado que o erro decorreu da utilização de base econômica equivocada. Ademais disso, embora formalizados através do mesmo instrumento, cada fato gerador dá origem a uma multa distinta, não sendo uma contaminada necessariamente por vício na outra. Em razão disso, julgo inexistente a alegada nulidade. Afirma também a defesa que a decisão recorrida reduziu parcialmente a multa para excluir os valores posteriores a 12/2008, de forma que a presente autuação vincular seia apenas aos autos de infração lançados nas competências 01/2008 a 11/2008. Sobre esses lançamentos seria mantida a multa por descumprimento de obrigação acessória, a despeito da suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de antecipação de tutela concedida na ação declaratória nº 2008.38.00.0356639. Por essa razão, pede que o processo seja julgado em conjunto com os demais lavrados no curso da mesma ação fiscal. Quanto a esse ponto, já foi informado no relatório a reunião dos processos conexos para julgamento na mesma oportunidade. No mérito, afirma que a multa é ilegal porque exigida antes mesmo de ser declarada a exigibilidade dos créditos principais e as verbas questionadas nas autuações principais não poderiam ser consideradas parcelas salariais a ensejar a incidência da multa por ausência de declaração em GFIP. No que diz respeito à suspensão da exigibilidade decorrente da tutela antecipada concedida em ação judicial, registro que essa suspensão se deu apenas sobre parcela do crédito tributário. Apesar disso, considerando que a multa aqui discutida tem por base o número de informações omitidas ou incorretas, bem como que, em relação aos empregados de nível técnico, superior e executivos, todo o lançamento realizado foi submetido ao crivo judicial, essa decisão afetaria diretamente o cálculo da multa na competência 11/2008. Neste caso, entendo que apenas essa competência estaria condicionada ao resultado da discussão judicial e seu cálculo e exigência devem ficar sobrestados, com exigibilidade suspensa, até seu encerramento. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer dos recursos voluntários apresentados, para dar parcial provimento ao recurso voluntário relativo ao AIOP 51.041.055 3, determinando que os valores relativos à gratificação por liberalidade sejam excluídos da exigência fiscal e, em relação ao AIOA nº 51.041.0588, correspondente à multa por Fl. 1790DF CARF MF 20 descumprimento de obrigação acessória, determinar que seja sobrestado o cálculo da multa relativa à competência 11/2008 até o encerramento ação declaratória nº 2008.38.00.0356639 em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.781 21 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Redator designado. Em que pesem o brilhantismo e a logicidade jurídica do voto da ilustre Relatora, ouso, com a devida permissão, dele discordar em parte. Minha divergência se instaura somente quanto à incidência das contribuições sociais sobre os valores pagos a título de 'gratificação anual' e 'média da gratificação anual'. Explico. Consta do voto: "Continuando na análise das gratificações pagas, é preciso ressaltar que, em face de interpretação dada ao dispositivo legal em análise pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em reiteradas decisões, o Parecer PGFN nº 2114, de 2011, veio a estabelecer que: "o abono previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, sendo desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não sofre a incidência de contribuição previdenciária." Quanto aos efeitos desse parecer, o voto anteriormente citado, faz a seguinte análise: A despeito de discordamos das premissas contidas nas decisões que deram origem ao Ato Declaratório n° 16/2011, em atenção ao princípio da eficiência da Administração Pública, poderíamos cogitar de sua aplicação. Todavia, diferentemente do que defende a recorrente, as situações não são coincidentes. O Ato Declaratório somente teria ensejo se o “abono único”, cumulativamente: (i) fosse pago de maneira não habitual: o que não ocorre em nenhuma das situações, como visto; (ii) fosse desvinculado do salário, no sentido de não representar um percentual deste (pagamento em valor único para todos os empregados, por exemplo): do que consta dos autos, tanto a “gratificação contingente” como a “compensação financeira” correspondem a percentuais da remuneração, sendo que não se sabe ao certo a origem regulamentar do “abono gerencial” (Acordo, Convenção, Regulamento, Contrato de Trabalho de Trabalho, etc.) e, conseqüentemente, não se tem certeza quanto à forma exata do pagamento; e (iii) estivesse previsto em norma coletiva: como afirmado acima, não se encontrou no Acordo Coletivo a previsão do “abono gerencial. A partir desses parâmetros, a recorrente alega que as gratificações "anual" e "média de gratificação anual" teriam por base o Acordo Coletivo de Trabalho firmado pela filial CNPJ 17.469.701/006612, na seguinte cláusula: Fl. 1792DF CARF MF 22 CLÁUSULA VIGÉSIMAOITAVA GRATIFICAÇÃO ANUAL A Arcelormittal Monlevade concederá a todos os seus empregados uma gratificação de 62,50% (sessenta e dois vírgula cinqüenta por cento) do saláriobasemês, a ser paga na forma e limites a seguir especificados: I) A gratificação será paga na data do pagamento do salário do mês do início das férias, caso seu término se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será paga na data do pagamento do salário do mês de retorno das férias, caso seu término se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao do início das referidas férias; II) O saláriobasemês para o cálculo da referida gratificação será o do mês de início do gozo das férias, caso o retorno do empregado ao trabalho se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será o do mês do término das férias, caso este se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao seu início; III) Caso as férias não sejam gozadas no transcurso do ano, a gratificação a que se refere esta cláusula será paga antecipadamente na folha de pagamento do mês de novembro, tendo como referência o saláriobase deste mês; IV) Serão computadas as faltas e adotados os mesmos critérios do cálculo do 13º salário. Conforme se verifica de seu próprio texto, a gratificação em questão corresponde a um percentual do salário do empregado e não tem natureza eventual, considerandose o significado que foi dado a esse termo no texto acima copiado. Por outro lado, tendo em vista que o pagamento é atribuído diretamente em função de uma atitude valorada positivamente pelo empregador (faltas), é um prêmio: Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta individual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa. (Curso do Direito do Trabalho. Maurício Godinho Delgado. 7ª ed. São Paulo: LTR, 2008, p. 750) Quanto a essas gratificações, e analisandose os termos do acordo acima mencionado, o relatório fiscal afirma: 2.1.1.4.2.1 – Os incisos II e IV da cláusula retro reproduzida deixa evidente que a concessão deste benefício está claramente vinculada ao salário do empregado, bem como aos fatores assiduidade ou absenteísmo e, a despeito do nome convencionado entre as partes para esta verba, sua natureza é salarial, e se constitui numa verdadeira remuneração adicional, paga anualmente e de forma contumaz (para alguns empregados em mais de uma parcela no ano). 2.1.1.4.3 – Dessa forma, concluise que a inclusão dessas verbas, de forma regular e ineventual, no contracheque de parte de seus empregados, não condiz com o disposto no inciso “V”, alínea ”j” do § 9º do artigo 214 do Decreto 3.048/99. Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.782 23 Por essa razão, entendo infundadas as alegações preliminares da recorrente quando procura defender a nulidade do lançamento, por ausência de fundamentação para a glosa realizada em relação às gratificações. Por outro lado, os anexos juntados ao processo pela própria autoridade fiscal já seriam suficientes para demonstrar a improcedência da alegação fiscal, de que a gratificação por liberalidade é paga de forma não eventual." (sublinhados e negritos não constam do voto) A leitura do excerto do voto, nos permite deduzir que o motivo da Relatora em negar provimento ao voluntário, nessa parte, decorre da habitualidade do pagamento e da vinculação deste ao salário dos empregados. Esse é o cerne da minha divergência. Antes de explicitála, creio serem necessárias algumas considerações teóricas sobre a remuneração. Academicamente já nos pronunciamos sobre o tema no livro Tributação da Sáude (Contribuições Previdenciárias das Empresas da Área da Saúde "in" HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo.Tributação da Saúde. Ed. Atai, 2013) "Tal forma de contratação recebe, no Brasil, forte influência das chamadas “fontes heterônomas” do Direito do Trabalho, ou seja, das leis trabalhistas. Além dessas, a relação de emprego também é regida pelas fontes autônomas, as fontes emanadas da vontade das partes, as oriundas dos acordos e convenção coletivas, além é claro do regulamento das empresas e das disposições do contrato de trabalho. Todo esse intróito não pode ser desprezado em face da enorme importância que essas fontes exercem sobre a relação de emprego, mormente quanto às parcelas remuneratórias e quanto às parcelas percebidas pelo empregado e que não têm o caráter de contraprestação pelo trabalho, ou seja, não têm natureza salarial e, portanto, como visto alhures, não integram o salário de contribuição. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº. 3.048, de 1999, dispõe em seu art. 214, inciso I, que se entende por salário de contribuição: “I – para o empregado e o trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa;(...)” (grifos não constam de texto legal) O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira Fl. 1794DF CARF MF 24 definitiva, ao prescrever que este é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado é o total da sua remuneração pelo seu labor. Tudo o mais percebido se não decorrer do trabalho, se não for oriundo da retribuição pelo trabalho ou pelo tempo à disposição, não é salário de contribuição segundo o Regulamento da Previdência Social (RPS). Daqui decorre nosso verdadeiro mantra das aulas de Direito Previdenciário de Custeio: é salário de contribuição do empregado tudo o que é pago pelo trabalho, e não é salário de contribuição tudo o que é para o trabalho, e mais as verbas indenizatórias, por óbvio." (sublinhados nossos, negritos originais) A Carta Magna, ao definir os contornos para atribuir competência à União para instituir as contribuições incidentes sobre a o trabalho da pessoa humana destinadas ao custeio do Sistema de Seguridade Social, explicitou no inciso I do artigo 195: "I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei incidente sobre a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo que sem vínculo empregatício." (negritamos) A leitura atenta das disposições constitucionais e das constantes da Lei de Custeio da Previdência não permitem outra conclusão que não a que assevera que incidência tributária previdenciária se dá sobre valores pagos à título de remuneração. Como mencionado acima, o conceito de remuneração engloba não só as parcelas pagas como sinalagma direta da relação de trabalho, ou seja, não só a contraprestação pelo trabalho, pelos serviços prestados. Também o tempo à disposição do empregador, os casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho, e as disposições contratuais, sejam elas individuais ou coletivas, além por óbvio das disposições legais, integram o conceito de remuneração. Mesmo diante da amplidão conceitual da remuneração, restam ainda verbas corriqueiramente pagas pelo empregador ao empregado que não são abarcadas por esse amplo conceito. Remuneração não é um buraco negro na amplidão cósmica. Bens ofertados igualmente a todos os trabalhadores sem caráter contraprestacional, os chamados benefícios como por exemplo os seguros de vida, as assistências médicas, os auxílios farmácia não integram o conceito de remuneração. Não se observa natureza remuneratória nos instrumentos de trabalho, ou bens que mesmo utilizados pelo trabalhador fora dos horários de prestação de serviços ao empregador como um veículo de um vendedor externo posto que destinados ao próprio trabalho avençado. Também não ostenta natureza salarial as indenizações. Por óbvio que não. O conceito mais puro de indenização, que diz essa se destinar a repor a situação ao status quo ante, à condição existente anteriormente, quando devidamente Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.783 25 compreendido, por si só demonstra a impossibilidade pertinência da verba indenizatória ao conceito de remuneração. E mais, as gratificações não integram a remuneração, posto que liberalidades ofertadas pelo empregador ao trabalhador, sem motivação, exceto o sentimento de gratidão de satisfação, de reconhecimento pelo esforço e dedicação da pessoa que presta serviço àquele que dele necessita. Tais considerações devem ser objetivadas, para a decisão aqui prolatada seja de fácil compreensão. Segundo a delegação de competência da Carta da República ao legislador ordinário federal, as contribuições sociais devem incidir sobre a remuneração da pessoa física que presta serviços a quem deles necessita, qualquer que seja o vínculo de trabalho estabelecido. Logo, é a remuneração a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, e no caso do empregado, tal conceito abarca verbas pagas: i) como contraprestação do trabalho; ii) nos casos de tempo à disposição do empregador; iii) como decorrência da interrupção dos efeitos do contrato de trabalho; iv) por força de disposição de lei ou avença constante do contrato de trabalho, seja ele individual ou coletivo. Portanto, as gratificações não sofrem incidência, exceto se pagas como decorrência de ajustes contratuais ou como nítido caráter contraprestacional, vez que provavelmente não seriam pagas como tempo ao dispor do empregado ou ainda no caso de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho. Nesse ponto, necessário uma elucidação do porquê do entendimento que uma verba habitual, ou vinculada ao salário, assume feição remuneratória, esclarecimento que também se torna aplicável, como veremos, às gratificações. Iniciemos pela questão da vinculação da verba ao salário. A lei tributária previdenciária, ao utilizar afastar a tributação dos abonos "expressamente desvinculados do salário", inequivocamente, não quis dizer que os abonos calculados com base no salário, ou seja, que adotem como valor um percentual desse, assumiriam natureza remuneratória, Decerto que não. A interpretação da disposição legal só pode ser realizada no sentido de que os valores pagos como contraprestação do trabalho, ou em razão do tempo à disposição ou ainda nos casos de interrupção dos efeitos do contrato de trabalho são vinculados ao salário, ou seja, ostentam natureza remuneratória. Não se pode, sob pena de ofensa ao primado da lógica jurídica, entender que uma gratificação (expressa liberalidade paga uma única vez), ou um indenização (como ajuda de custo por alteração de condições de trabalho inicialmente pactuadas), por terem sido pagas com base no valor do salário do trabalhador sejam consideradas vinculadas ao salário. Ora, indubitavelmente, tratase de mera quantificação do valor do reconhecimento externalizado em pecúnia, ou da verba indenizatória concedida. Fl. 1796DF CARF MF 26 Analisemos agora a não eventualidade. Sempre causa alguma inquietude intelectual a afirmação que o pagamento habitual de verba, de nítido caráter não remuneratório, tem o condão de mudar a natureza jurídica de tal estipêndio. Por que a repetição do pagamento de verba não remuneratória, a não eventualidade desse pagamento, tem o condão de mudar a natureza jurídica de tal valor? A resposta se obtêm na lei trabalhista, na CLT, que explicita serem os usos e costumes integrativos ao contrato de trabalho para todos os fins, posto que nas relações de emprego vige o princípio da primazia da realidade, ou seja, independentemente do acordado, devese considerar o efetivamente ocorrido. Logo, sendo uma verba paga reiteradamente pelo empregador, tal fato passa a integrar a esfera de expectativas do trabalhador em perceber tal valor, passando esse a contar com tal rendimento. Ao ver essa expectativa reiteradamente satisfeita, ou seja, existindo o costume de tal pagamento relativo à verba destinada, inicialmente, ao reconhecimento pelo serviços prestados, ou pela dedicação do trabalhador, ou mesmo pela atenção dedicada aos bens ou clientes do empregador, ou seja, valor com nítido conteúdo de gratidão, de agradecimento passa a integrar o pacote de remuneração do trabalhador, por força do contrato de trabalho que foi integrado por tal costume, por tal conduta, surgindo nova obrigação de pagar ao empregador. Destarte, a repetição do pagamento, a habitualidade deste é condição essencial para que verba paga a título de gratificação seja considerada remuneratória. Mister ressaltar que há habitualidade, segundo a jurisprudência e doutrina trabalhistas, quando ocorre a terceira repetição da conduta que se analisa, isto é, uma gratificação só poderá ser considerada habitual depois da constatação do terceiro pagamento num período máximo de dois anos. Com essas considerações, passemos a demonstrar o motivo do dissenso com a Conselheira Relatora. Adianto: não há habitualidade no pagamento das verbas 'gratificação anual' e 'média da gratificação anual'. Como podemos verificar no relatório fiscal, tais verbas eram pagas em razão de disposição constante do contrato coletivo estipulado entre a empresa e o sindicato representativo da categoria de determinado estabelecimento. Recordemos seu teor: "CLÁUSULA VIGÉSIMAOITAVA GRATIFICAÇÃO ANUAL A Arcelormittal Monlevade concederá a todos os seus empregados uma gratificação de 62,50% (sessenta e dois vírgula cinqüenta por cento) do saláriobasemês, a ser paga na forma e limites a seguir especificados: I) A gratificação será paga na data do pagamento do salário do mês do início das férias, caso seu término se dê até o 10º (décimo) dia do mês subseqüente, e será paga na data do pagamento do salário do mês de retorno das férias, caso seu término se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao do início das referidas férias; II) O saláriobasemês para o cálculo da referida gratificação será o do mês de início do gozo das férias, caso o retorno do empregado ao trabalho se dê até o 10º (décimo) dia do mês Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 15504.726135/201328 Acórdão n.º 2201004.390 S2C2T1 Fl. 1.784 27 subseqüente, e será o do mês do término das férias, caso este se dê após o 10º (décimo) dia do mês subseqüente ao seu início; III) Caso as férias não sejam gozadas no transcurso do ano, a gratificação a que se refere esta cláusula será paga antecipadamente na folha de pagamento do mês de novembro, tendo como referência o saláriobase deste mês; IV) Serão computadas as faltas e adotados os mesmos critérios do cálculo do 13º salário. " (grifos nossos) A leitura do trecho transcrito deixa claro que o pagamento de tal gratificação ocorrerá quando do gozo das férias, e caso tal direito não seja fruído no ano calendário de vigência do contrato coletivo, tal valor será pago no mês de novembro. Ao verificarmos a validade do acordo coletivo, encontraremos o prazo de um ano. Assim, ao observarmos que tal cláusula se repete no ACT de 2008/2009, podemos concluir que, no máximo, cada empregado recebeu tal gratificação por duas vezes num período de dois anos, o que, como visto acima, não caracteriza a necessária habitualidade a ensejar a incidência das contribuições previdenciárias sobre verba que não ostenta, em face da eventualidade de seu pagamento, caráter remuneratório. A leitura do anexo IX do relatório fiscal, comprova tal afirmação. No máximo cada trabalhador recebeu a verba por duas vezes no período da fiscalização. Não houve a comprovação da habitualidade pelo Fisco. Não há caráter remuneratório nas verbas gratificação anual e média de gratificação anual. Recurso provido nessa parte. Conclusão Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, e ainda, por concordar com os demais pontos do voto da Conselheira Relatora, inclusive quanto aos fundamentos e razões de decidir, voto por rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, por dar provimento parcial ao recurso para (i) determinar a exclusão da base de cálculo tributável dos valores relativos à "gratificação por liberalidade", da "gratificação anual" e "média da gratificação anual"; (ii) em relação ao AIOA nº 51.041.0588, correspondente à multa por descumprimento de obrigação acessória, determinar que seja sobrestado o cálculo da multa relativa à competência 11/2008 até o encerramento ação declaratória nº 2008.38.00.0356639 em trâmite perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região . (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Fl. 1798DF CARF MF 28 Fl. 1799DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722179/2012-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/10/2015
APURAÇÃO DO LUCRO REAL. DIPJ. DIFERENÇA DE VALORES.
Transporte de valor com diferença entre Fichas da DIPJ, mas que não tem reflexo sobre a apuração da base de cálculo tributável não justifica lançamento de ofício. Crédito lançado desconsiderado.
RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não cabe a alegação de nulidade dos lançamentos quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, bem como verificado que o sujeito passivo obteve a ciência de seus termos e lhe foi assegurado o pleno exercício de interposição da peça impugnatória.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS.
É legítima a compensação de prejuízo fiscal, em que foi revertido por autuação fiscal.
É devida a compensação do saldo dos prejuízos fiscais já recomposto nos controles da RFB e compensado em exercícios seguintes.
Numero da decisão: 1301-002.914
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, em relação ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felícia Rothschild - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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DIPJ. DIFERENÇA DE VALORES. Transporte de valor com diferença entre Fichas da DIPJ, mas que não tem reflexo sobre a apuração da base de cálculo tributável não justifica lançamento de ofício. Crédito lançado desconsiderado. RECURSO VOLUNTÁRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não cabe a alegação de nulidade dos lançamentos quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal, bem como verificado que o sujeito passivo obteve a ciência de seus termos e lhe foi assegurado o pleno exercício de interposição da peça impugnatória. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. É legítima a compensação de prejuízo fiscal, em que foi revertido por autuação fiscal. É devida a compensação do saldo dos prejuízos fiscais já recomposto nos controles da RFB e compensado em exercícios seguintes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 79 /2 01 2- 20 Fl. 3889DF CARF MF Processo nº 19515.722179/201220 Acórdão n.º 1301002.914 S1C3T1 Fl. 3.890 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, e, em relação ao recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 3890DF CARF MF Processo nº 19515.722179/201220 Acórdão n.º 1301002.914 S1C3T1 Fl. 3.891 3 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Tratase de processo administrativo iniciado através da lavratura de 2 (dois) Autos de Infração baseados em irregularidades apuradas em 01/11/2012, onde foram constituídos créditos tributários de IRPJ em dois períodos, a saber: 01/01/2009 a 01/11/2009, no valor de R$ 73.599.451,56 e 02/11/2009 a 31/12/2009, no valor de R$ 13.245.897,76, totalizando a importância de R$ 86.845.349,32. Os autos de infração referemse à compensação indevida de prejuízo fiscal e transporte incorreto do valor do lucro liquido para apuração do lucro real, nas DIPJ's dos dois períodos, e foi apurado, resumidamente, o seguinte: Primeiramente, observouse que em decorrência de cisão realizada, foram apresentadas duas DIPJ's para o anocalendário de 2009. Em relação ao prejuízo fiscal, apurouse: I. Que a recorrente compensou valores de prejuízos fiscais indevidos. Intimada a esclarecer as compensações, informou que as compensações foram realizadas com base em prejuízos apurados em anoscalendário anteriores. II. Em relação ao prejuízo acumulado do anocalendário de 1994 a recorrente informou que compensou integralmente o saldo, no anocalendário de 1995, e que o limite de 30% foi ultrapassado tendo em vista estar amparada por liminar em Mandado de Segurança. A conduta gerou autuação pela RFB e discussão judicial. O lançamento foi realizado com a exigibilidade suspensa, conforme artigo 151, IV, do CTN. Em 2009 a recorrente aderiu ao parcelamento instituído pela Lei n° 11.941/2009, conhecido como "Refis da Crise". A recorrente pagou o débito e reconstituiu em sua escrita fiscal o aludido excesso de compensação de prejuízos fiscais, passando a compensar nos anos subseqüentes, observando o limite de 30% do Lucro Real. No "Demonstrativo da Compensação de Prejuízo Fiscal Dez/95" apresentado pela recorrente, observouse que a mesma não possuía direito ao crédito de R$ 46.806.230,77, pois referido prejuízo já havia sido compensado em 2006. O prejuízo acumulado do anocalendário de 2001 que se encontra em discussão judicial, não foi considerado pela DRF, pois encontrase suspenso até decisão final do processo administrativo. Em relação ao Transporte Incorreto do Lucro Líquido Antes do IRPJ foram constatadas irregularidades nos dois períodos do anocalendário 2009, DIPJ's/2010, a saber: Período de 01/01/2009 a 01/11/2009: Diferença Apurada: R$13.488.264,56 Período de 02/11/2009 a 31/12/2009 Diferença Apurada: R$2.899.503,74 Da Impugnação Fl. 3891DF CARF MF Processo nº 19515.722179/201220 Acórdão n.º 1301002.914 S1C3T1 Fl. 3.892 4 Instada a manifestarse, a recorrente apresentou impugnação, em 30/11/2012, contestando a lavratura dos Autos de Infração, alegando, resumidamente: Cerceamento de defesa a recorrente alegou que na autuação não foram expostos os reais motivos da infração; Aproveitamento do prejuízo fiscal do AC/2001 alegou que não há nenhuma vedação normativa que impeça a compensação de prejuízo que seja objeto de Processo Administrativo em andamento no CARF. III. Aproveitamento do prejuízo fiscal do AC/1994 alegou que a parcela do prejuízo fiscal utilizada pela recorrente na DIPJ/1996 não foi objeto de nova compensação em anos posteriores, não havendo o que se falar de eventual compensação em duplicidade. Finalizou requerendo que os valores de prejuízo fiscal utilizados nos primeiros e segundos períodos, provenientes do pagamento do auto de infração referente à glosa do prejuízo fiscal compensado na DIPJ de 1996, sejam considerados válidos. Do Acórdão da DRJ A DRJ manifestouse pela procedência parcial da Impugnação, sob os seguintes fundamentos: Não reconhece a preliminar de cerceamento de defesa, uma vez que a recorrente teve amplo acesso aos fatos descritos no TVF, tanto é que apresentou sua defesa impugnandoos de maneira clara. Quanto ao mérito, a DRJ entendeu que o suposto prejuízo acumulado de 2001, estando em litígio em 2009, não poderia ser considerado para fins de compensação. Em relação ao prejuízo acumulado de 1994, utilizado em 2009, a DRJ informou que, conforme demonstrado pela SAPLI, a ora recorrente já havia zerado, no anocalendário de 2006, o saldo dos prejuízos fiscais, incluindo o valor de R$ 46.806.230,77. No que diz respeito ao transporte incorreto de valores, a DRJ entendeu que, embora tenham sido apuradas diferenças nos preenchimentos das fichas 6A e 9A , elas não trouxeram nenhum reflexo na apuração do lucro real, e consequentemente, no pagamento do imposto devido. Do Recurso Voluntário Cientificada da decisão, a autuada apresentou Recurso Voluntário, objetivando a reforma parcial do v. Acórdão 1648.906, proferido pela DD. 3a Turma da DRJ/SPI. Em suma, a recorrente alega que recebeu cobranças da RFB, referentes aos Autos de Infração provenientes do Termo de Verificação Fiscal baseado em análise de eventuais compensações a maior de prejuízos fiscais e transporte incorreto de valores. Afirma a recorrente que o v. Acórdão agiu acertadamente ao entender que, embora tenham ocorrido divergências no preenchimento das fichas 6A e 9A, tal lapso não trouxe nenhum prejuízo ao fisco. Aduz, no entanto, que nas outras questões em discussão o v. Acórdão deve ser reformado, pois, alega que o aproveitamento do prejuízo fiscal do anocalendário 2001 deve ser considerado, uma vez que não há nenhuma vedação normativa que impeça a compensação de prejuízo que seja objeto de Processo Administrativo em andamento no CARF. Alega, ainda, em relação ao aproveitamento do prejuízo fiscal do anocalendário de 1994, que o v. Acórdão merece reforma, pois se a DRJ entende que não há nos autos cópia do Livro de Apuração do Lucro Real demonstrando a movimentação dos prejuízos apurados Fl. 3892DF CARF MF Processo nº 19515.722179/201220 Acórdão n.º 1301002.914 S1C3T1 Fl. 3.893 5 e compensados, do período de 1994 a 2009, então o processo deve ser baixado em diligência, para que se comprove a regularidade das operações da recorrente. Ao final, requer a reforma parcial do Acórdão para que o Auto de Infração seja completamente anulado ou, em se apreciando o mérito, seja julgado totalmente improcedente. Protesta pela juntada de provas e apresenta quesitos. Em sessão de 05 de abril de 2016, decidiu esta mesma turma converter o processo em diligencia, através da Resolução nº 1301000.321, nos seguintes termos: A recorrente interpôs recurso voluntário reiterando o quanto alegado na impugnação, bem como requerendo a baixa dos autos em diligência para que pudesse comprovar a regularidade de suas operações através do Livro de Apuração do Lucro Real, demonstrando, assim, a movimentação dos prejuízos apurados e compensados, do período de 1994 a 2009. No meu entendimento, também é caso de diligência. O pagamento de débito no regime do REFIS 2009, perpetrado pela Contribuinte, interfere diretamente no cálculo do aproveitamento de prejuízo fiscal, cálculo esse não retratado corretamente no processo. À autoridade fiscal impõe, à luz desse recolhimento, recompor o prejuízo fiscal acumulado a partir de 1994, levando em conta os demais fatos constantes dos autos, a fim de confirmar ou não a alegada insuficiência de crédito e a validade ou invalidade da compensação realizada em 2009. Deve a contribuinte ser intimada para, querendo, apresentar documentação que possa auxiliar tal diligência, que não deve ficar adstrita ao extrato SAPLI. Em observância à Resolução CARF nº 1301000.321, foi apresentado Relatório de Diligência (fl. 3.853) e, uma vez cientificado, o contribuinte se manifestou em relação ao referido relatório (fl. 3.866). É o relatório. Fl. 3893DF CARF MF Processo nº 19515.722179/201220 Acórdão n.º 1301002.914 S1C3T1 Fl. 3.894 6 Voto Conselheira Bianca Felícia Rothschild Relatora Recurso Voluntário A admissibilidade do recurso voluntário já foi analisado por este colegiado, motivo pelo qual se passa a analise dos argumentos levantados em sede recursal. Preliminares Nulidade das autuações por falta de motivação cerceamento de defesa A recorrente alegou que na autuação não foram expostos os reais motivos da infração. Conforme o parágrafo 3º do art. 57 do Regulamento do CARF, o relator pode, para fundamentar seu voto, adotar os argumentos da decisão de primeira instância e transcrever respectivo trecho de tal decisão se verificar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação do adotado pela decisão recorrida. Neste sentido, transcrevese trecho da decisão de primeira instancia que retrata o convencimento do relator (fl. 1.186 e 1.187): Preliminar Nulidade da autuação por falta de motivação 8. A Impugnante alega que inexiste o suporte fático e legal ao lançamento, portanto a cobrança em discussão não preenche os requisitos legais e constitucionais, razão pela qual se torna evidente sua nulidade. 9. Tal alegação não pode ser aceita, pois, a fiscalização, no Termo de Verificação Fiscal, descreve as infrações apuradas, tanto que a Impugnante apresenta sua impugnação abordando os temas de maneira clara. Não havendo, como alega, o cerceamento do direito de defesa. 10. Quanto ao aspecto legal a fiscalização aponta a legislação, que inclusive a Impugnante menciona na sua impugnação, e que trata das condições para a compensação dos prejuízos fiscais e que não foram obedecidas. 11. Quanto à nulidade do lançamento, cabe reproduzir o estampado pelo art. 59 e seus Inciso I e II, do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 3894DF CARF MF Processo nº 19515.722179/201220 Acórdão n.º 1301002.914 S1C3T1 Fl. 3.895 7 § 1º. A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º. Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º. Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.” 12. Assim, somente serão dados por nulos, aqueles atos em que presentes quaisquer das circunstâncias estabelecidas pelos reproduzidos incisos I e II, visto se tratarem de numerus clausus. Dessa maneira, em ocorrendo qualquer outra hipótese, virá a ser motivadora de eventual nulidade dos lançamentos; e no caso presente, aquelas situações em nenhum momento se sucedem, de maneira a serem rejeitadas quaisquer alegações no sentido da nulidade das exigências. Neste sentido, voto por não dar provimento à preliminar de nulidade do lançamento. Mérito Tratase de Autos de Infração à legislação do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ, lavrado em 30/10/2012, pela Delegacia Especial de Fiscalização DEFIS de São Paulo/SP, para constituir o crédito tributário no total de R$ 86.845.349,32 (incluídos o principal, a multa de ofício de 75% e os juros de mora devidos até a data da lavratura), por conta de irregularidades apuradas, no anocalendário 2009, e descritas no Termo de Verificação Fiscal . A fiscalização considerou a compensação indevida, em função da inexistência de prejuízos fiscais de anos anteriores compensáveis, conforme Termo de Verificação Fiscal: Período de Apuração (PA): (I) Ano calendário 2009, período de 01/01/2009 a 01/11/2009 (II) Ano calendário 2009, período de 02/11/2009 a 31/12/2009. PA Prejuízo Fiscal Compensável Prejuízo Fiscal Compensado Diferença Apurada (I) 0,00 132.347.078,15 132.347.078,15 (II) 0,00 23.432.980,30 23.432.980,30 Em 30/11/2012, a empresa apresentou tempestivamente impugnação, contestando a lavratura dos Autos de Infração. Fl. 3895DF CARF MF Processo nº 19515.722179/201220 Acórdão n.º 1301002.914 S1C3T1 Fl. 3.896 8 Os membros da 3a Turma de Julgamento da DRJ São Paulo1, através do Acórdão 1648.906, sessão de 30/07/2013, julgou a Impugnação procedente em parte e manteve em parte o crédito tributário constituído. O contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando o quanto alegado na impugnação, assim como requerendo a baixa dos autos em diligência, para que pudesse comprovar a regularidade de suas operações através do Livro de Apuração do Lucro Real. Através da Resolução 1301000.321 — 3a Câmara ia Turma Ordinária, de 05/04/2016, os membros do colegiado, por unanimidade, converteram o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator, determinando que: 1) À autoridade fiscal impõe recompor o prejuízo fiscal acumulado a partir de 1994, levando em conta os demais fatos constantes dos autos, a fim de confirmar ou não a alegada insuficiência de crédito e a validade ou invalidade da compensação realizada em 2009; e 2) Deve a contribuinte ser intimada para, querendo, apresentar documentação que possa auxiliar tal diligência, que não deve ficar adstrita ao extrato SAPLI. Resultado da Diligencia Tendo em vista ser o deslinde da lide eminentemente fática, mediante analise de documentação acostada aos autos por parte da autoridade de origem conforme requerido na Resolução CARF nº 1301000.321, transcrevese as conclusões do Relatório de Diligencia (fl. 3.853 e segs): No presente processo, consta o Demonstrativo da Compensação de Prejuízos Fiscais — SAPLI — (data de impressão 08/11/2012), mais precisamente o relativo ao anocalendário 2009 (fls 1042 e 1043), onde se verifica, no quadro "Prejuízo fiscal compensável com Lucro Real", linha 11 "Prejuízo Fiscal compensável, a partir de 1991", que os valores estão zerados; ou seja, no momento da autuação, não havia saldo de prejuízo fiscal acumulado compensável. No mesmo Demonstrativo, relativos aos anoscalendário 2001, 2002 e 2004 (fls 1034, 1035 e 1037), constam o Lucro Real e Compensações (linhas 13 a 20) e o saldo de Prejuízo a Compensar com Lucro Real (linhas 21 a 23), conforme resumo abaixo: AC Lucro Real do AC Prejuízo Fiscal Compensado Saldo de Prejuízo Fiscal 2001 121.716.957,35 36.515.087,21 385.951.169,90 2002 509.611.924,55 152.883.577,37 233.067.592,53 2004 263.670.962,44 46.394.844,33 107.481.480,05 Ocorre que, os valores acima, relativos ao Lucro Real do anocalendário e ao Prejuízo Fiscal Compensado (ac 2001, 2002 e 2004), são os apurados pela Fiscalização da Delegacia Especial de Assuntos Internacionais (DEAIN), levada a efeito junto ao contribuinte, que culminou com a lavratura de auto de infração de Fl. 3896DF CARF MF Processo nº 19515.722179/201220 Acórdão n.º 1301002.914 S1C3T1 Fl. 3.897 9 IRPJ, em 27/07/2006, onde foi apurada a infração "despesas indedutíveis", no valor total de R$ 1.479.890.751,17, e o valor total do crédito tributário apurado de R$ 329.728.446,34 (incluído juros e multa), consubstanciado no processo 16327.001000/200688, resumido abaixo: Salientese que este auto de infração de IRPJ provocou um impacto negativo no saldo de prejuízos fiscais da ordem de R$ 903.126.234,23, equivalente a soma da reversão do prejuízo fiscal do próprio período base (R$ 702.664.933,25) mais o Prejuízo Fiscal Compensado de períodos anteriores (R$ 200.461.300,98). Porém, os autos de infração constantes do processo 16327.001000/200688 (IRPJ e CSLL) foram julgados IMPROCEDENTES pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — Primeira Seção de Julgamento, de acordo com o acórdão n° 1103001.181 — 1a Câmara / 3a Turma Ordinária, em sessão de 03 de março de 2015. Houve o trânsito em julgado administrativo e o processo foi extinto, conforme Extrato de Encerramento de Processo. Assim, as declarações de IRPJ, dos anoscalendário 2001, 2002 e 2004, entregues pelo contribuinte, voltam a balizar o Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (data de impressão 18/07/2017), conforme resumo abaixo: E, em relação ao período de 01/01 a 01/11/2009, o valor do prejuízo fiscal de anos anteriores compensável, passou a ser de R$ 665.963.632,76; ou seja, valor mais que suficiente para efetuar a compensação de R$ 132.347.078,15, constante da DIPJ entregue (ND 18186 67). Para o período de 02/11/2009 a 31/12/2009, o valor do prejuízo fiscal de anos anteriores compensável passa a ser de R$ 344.083.304,73, equivalente a 71,54% de R$ 665.963.632,76, em função da cisão parcial (= R$ 476.430.382,88), subtraído de R$ 132.347.078,15, se compensado no período de 01/01 a 01/11/2009. Também Fl. 3897DF CARF MF Processo nº 19515.722179/201220 Acórdão n.º 1301002.914 S1C3T1 Fl. 3.898 10 aqui o valor é mais do que suficiente para efetuar a compensação de R$ 23.432.980,30, constante da DIPJ entregue (ND 1517024). Quanto à utilização de prejuízo acumulado para quitação de débitos junto ao REFIS/2009, foi utilizado o valor de R$ 265.354.924,16, conforme fls 20/23 do Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais — SAPLI (data de impressão 18/07/2017), alterando o saldo de prejuízo fiscal compensável de R$ 476.430.382,88 para saldo de prejuízo fiscal após compensação PAEX de R$ 211.075.458,72. Este último saldo de prejuízo acumulado (R$ 211.075.458,72) se manteve até o final do anocalendário 2013, ou seja, mesmo que se aceite a compensação do ano calendário 2009 declarado pelo contribuinte, no valor total de R$ 155.780.058,45 (= R$ 132.347.078,15 + R$ 23.432.980,30), restaria um saldo de R$ 55.295.400,27. Tendo em vista que o resultado da diligencia é conclusivo em relação a lide, adoto sua fundamentação para fins de provimento do recurso voluntário do contribuinte. Recurso de Ofício Tendo em vista a procedência parcial da impugnação conforme decisão de primeira instancia, houve apresentação de Recurso de Ofício de acordo com o artigo 34 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, com as alterações introduzidas pela Lei nº 9.532/1997. Tendo em vista ser o deslinde da lide ser eminentemente fático, mediante análise de documentação acostada aos autos por parte da autoridade de origem e laudo circunstanciado, comprovase que a decisão de primeira instância andou bem ao decidir pela procedência da impugnação, de forma, que devese manter tal entendimento e negar provimento ao recurso de ofício. Conclusão Diante de todo o acima exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso de Ofício, REJEITAR a preliminar de nulidade e no mérito DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild Fl. 3898DF CARF MF
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Numero do processo: 10907.001646/2010-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006, 01/04/2006 a 30/04/2006
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Os créditos da não cumulatividade utilizados na compensação dos débitos da própria contribuição cumulativa necessitam de comprovação.
Numero da decisão: 3401-004.443
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan- Presidente
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara De Araújo Branco - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Os créditos da não cumulatividade utilizados na compensação dos débitos da própria contribuição cumulativa necessitam de comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice presidente), André Henrique Lemos, Robson José Bayerl, Tiago Guerra Machado, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição à Conselheira Mara Cristina Sifuentes). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 16 46 /2 01 0- 34 Fl. 171DF CARF MF 2 Relatório 1. Tratase de auto de infração, lavrado em 26/10/2010, lavrado com a formalizar a exigência de PIS não cumulativo dos períodos de apuração de COFINS não cumulativa dos períodos de apuração de janeiro, fevereiro e abril de 2006, acrescida de multa de ofício de 75% e acréscimos legais, no valor histórico de R$ 977.487,61. 2. Conforme de depreende da leitura da descrição dos fatos e enquadramentos legais, a autuação teve por base procedimento fiscal que apurou, por meio da auditoria em livros e documentos contábeis da autuada, divergências entre os valores declarados em DCTF e os valores escriturados na contabilidade da empresa ora recorrente. 3. Cientificada do lançamento em 27/10/2010, a contribuinte apresentou, em 26/11/2010, impugnação. 4. Em 10/10/2012, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) prolatou o Acórdão DRJ nº 0638.146, de relatoria do Auditor Fiscal José Ricardo Zilli, que julgou, por unanimidade de votos, por indeferir o pedido de perícia e julgar procedente o lançamento tributário, mantendose a exigência de R$ 434.427,97 de COFINS não cumulativa, bem como as correspondentes parcelas relativas à multa de ofício de 75% e aos acréscimos legais, constante do Auto de Infração contestado, nos termos da ementa que abaixo se transcreve: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006 e 01/04/2006 a 30/04/2006 PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia cuja realização revela ser prescindível para o deslinde da questão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2006 e 01/04/2006 a 30/04/2006 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Os créditos da não cumulatividade utilizados na compensação dos débitos da própria contribuição cumulativa necessitam de comprovação inequívoca, a qual deve ser realizada mediante documentos fiscais e contábeis. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de provar as alegações contidas na impugnação apresentada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10907.001646/201034 Acórdão n.º 3401004.443 S3C4T1 Fl. 172 3 5. A contribuinte, intimada via postal da decisão em 24/10/2012, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 153, interpôs, em 22/11/2011, recurso voluntário, situado às fls. 154 a 169, no qual reiterou as razões de sua impugnação quanto à parte do crédito mantida. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. 7. Remanesce controversa a exigência de R$ 434.427,97 de COFINS não cumulativa, as correspondentes parcelas relativas à multa de ofício de 75% e aos acréscimos legais, bem como o pedido de realização de perícia. Argumenta a contribuinte que a autoridade fiscal teria desconsiderado as compensações com créditos de insumos apurados pelo regime nãocumulativo, o que foi facultado à empresa recorrente com a edição da Solução de Consulta nº 46/2005, que a autorizou a não recolher tais contribuições sobre receitas oriundas da prestação de serviços aos armadores estrangeiros. 8. De fato, a autuada formulou, em 15/10/2004, perante a 9ª Região Fiscal, consulta a respeito dos serviços de movimentação de contêineres do navio para o cais e do cais para o navio, assim denominados "box rate", que integram o custo do transporte marítimo internacional e são arcados pelos transportadores marítimos ("armadores") que, conforme esclarece, em sua maioria são pessoas jurídicas domiciliadas no exterior. O pagamento feito por tais empresas ao Terminal de Contêineres prestador de serviços, ora recorrente, constituiria, portanto, ingressos de divisas não submetidos à incidência do PIS e da Cofins: Lei nº 10.637/2002 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. Lei nº 10.837/2003 Art. 6o Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas. 9. A dicção legal acima transcrita foi ecoada pela Solução de Consulta n° 46/2005, cuja ementa abaixo se transcreve: Fl. 173DF CARF MF 4 Solução de Consulta SRRF/9ª RF/DISIT n° 046, de 31/01/2005 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA. As receitas auferidas em decorrência de serviços prestados a transportador estrangeiro, cujo pagamento represente ingresso de divisas para o país, estão fora do campo de incidência da COFINS. Dispositivos Legais: Lei n° 10.833/2003, art. 6°, com a redação da Lei n° 10.865/2004, ar t. 21; CartaCircular BACEN nº 2.297/2002, Cap. IV, VI e VII. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: EXPORTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO INCIDÊNCIA. As receitas auferidas em decorrência de serviços prestados a transportador estrangeiro, cujo pagamento represente ingresso de divisas para o país, estão fora do campo de incidência do PIS/PASEP. Dispositivos Legais: Lei n° 10.637/20023, art. 5°, com a redação da Lei n° 10.865/2004, art. 37; CartaCircular BACEN nº 2.297/2002, Cap. IV, VI e VII. 10. Recortase, ainda, abaixo, trecho das razões da Solução de Consulta: "12. No caso em questão, conforme já exposto, a prestação de serviços é feita para pessoa jurídica situada no exterior, que é o transportador estrangeiro. Esse fato é reconhecido pela Carta Circular BACEN n° 2.297, de 1992, na medida em que o Capítulo V trata do "pagamento de obrigações pelo transportador estrangeiro no país". 13. Quanto ao pagamento representar ingresso de divisas, a mesma CartaCircular BACEN, em seu Capítulo VII, item 3, reconhece que a transferência de divisas ao exterior será feita pelo valor líquido, isto é, descontandose as despesas de responsabilidade da transportadora, incorridas no Brasil, do frete a ser cobrado pelo transporte. Essa operação permite concluir que o valor referente às despesas portuárias é considerado ingresso de divisas, para fins de atendimento à legislação do PIS/PASEP e da COFINS. 14. O fato de o pagamento ser efetuado por pessoa diferente do transportador estrangeiro não inibe a norma de produzir seus efeitos, visto que não é requisito desta que o pagamento seja realizado pela mesma pessoa a quem o serviço foi prestado. O que se exige é um nexo de conexão entre o pagamento que representa o ingresso de divisas e a prestação de serviços a pessoa situada no exterior. Esse nexo é evidenciado pela própria CartaCircular BACEN, que autoriza esse tipo de transação. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10907.001646/201034 Acórdão n.º 3401004.443 S3C4T1 Fl. 173 5 CONCLUSÃO 15. À vista do exposto, concluise que as receitas auferidas em decorrência de serviços prestados a transportador estrangeiro, cujo pagamento represente ingresso de divisas para o pais, estão fora do campo de incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS" 11. A contribuinte esclarece que, até a edição da Solução de Consulta em referência, realizava a apuração das contribuições em comento sobre a totalidade de suas receitas, com exclusão das receitas financeiras, mas que, a partir de então, recalculou os débitos de PIS e Cofins de modo a excluir de sua base de cálculo as receitas de serviços prestados a transportadores marítimos estrangeiros, vindo a apurar saldo credor de valores recolhidos a maior desde o ano de 2003, sobretudo a se ter em vista que a norma insculpida na Lei nº 10.637/2002 e na Lei nº 10.833/2003 apenas repete e reitera o preceptivo normativo veiculado pelo §1º, inciso III do Art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835/2001 e do inciso I do § 2º do art. 149 da Constituição Federal: Medida Provisória nº 2.15835/2001 Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) III. Dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas (...) §1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. Constituição Federal Art. 149. (...). § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo: I. Não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação 12. Aduz, ainda, que, durante a revisão de sua escrita fiscal, constatou que o valor acumulado dos créditos de insumos, apurados pelo regime nãocumulativo, seria suficiente para liquidar os débitos de COFINS e PIS apurados sobre as receitas de mercado interno, até mesmo com sobras de créditos. 13. No entanto, o que se depreende da leitura dos documentos que instruem o presente processo é que tal diferença foi constatada, no curso do procedimento de fiscalização, do cotejo do Livro Diário juntado ao processo, dos demonstrativos elaborados pela fiscalização e dos Demonstrativos (DCTF e Dacon) da própria contribuinte ora recorrente. Reproduzo abaixo as razões adotadas pela decisão recorrida para manter o lançamento: "Analisandose os documentos juntados aos autos verificase que as alegações da interessada não podem ser aceitas. Primeiramente, porque o lançamento dos créditos tributários contestados, no momento em que foi realizado, encontrava suporte nos Livros Contábeis da empresa e na ausência de confissão (em DCTF) e /ou pagamento dos mesmos, conforme se verifica na cópia do Livro Diário juntado ao processo, nos Fl. 175DF CARF MF 6 demonstrativos elaborados pela fiscalização e nos Demonstrativos (DCTF e Dacon) relativos aos períodos lançados. Em segundo, porque, contrariamente ao afirmado na impugnação, os Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais – DACON apresentados pela contribuinte, cujas cópias foram juntadas aos autos, e para os quais não houve qualquer retificação até a presente data, informam justamente a existência dos débitos que foram lançados. Contradizse, portanto, a interessada: defende a inexistência dos débitos em discussão, alegando que os mesmos foram compensados conforme as informações constantes dos DACON, quando na verdade informa nesses demonstrativos os débitos da contribuição nos exatos valores do lançamento. E em terceiro, porque a contribuinte não trouxe ao processo documentos contábeis suficientes para demonstrar inequivocamente a existência do suposto crédito e, tampouco, o reconhecimento contábil do mesmo e da realização da compensação com os todos os débitos lançados. Para as referidas comprovações, a interessada deveria ter juntado aos autos, além dos documentos apresentados, também, cópia dos registros (Diário e Razão) e documentos contábeis que os demonstrassem de forma inconteste. Ressaltese que, no presente caso, o ônus da prova cabe à contribuinte, pois a legislação pátria adotou o princípio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato constitutivo, impeditivo ou modificativo do direito. Citada interpretação pode ser depreendida da leitura do artigo 16, III, do Decreto n° 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil." (seleção e grifos nossos). 14. Quanto ao pedido de perícia formulado pela contribuinte, manifestase da seguinte forma a decisão ora objurgada: "Por fim, suscita a interessada a realização de perícia contábil, nos termos do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, por entender que o auto de infração desconsiderou os créditos da não cumulatividade, oriundos da aplicação da Solução de Consulta nº 46/2005, bem como as compensações desse crédito com as contribuições objeto do lançamento contestado. Em síntese, a interessada solicita que a perícia refaça a apuração das contribuições dos anos de 2003 a 2007, considerando as exclusões das receitas atingidas pela mencionada solução de consulta, e verifique se os créditos da não cumulatividade acumulados nos períodos anteriores são suficientes para quitar, por compensação, os valores dos débitos lançados. Pelo que ficou assente no presente voto, tornase prescindível a realização de perícia para a solução da lide, já que, como visto, não se trata de matéria que exija conhecimento técnico Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10907.001646/201034 Acórdão n.º 3401004.443 S3C4T1 Fl. 174 7 específico diverso da competência da própria autoridade administrativa. Notese, como visto acima, que a apuração dos débitos foi realizada com base na escrituração contábil da contribuinte, fornecida à época do procedimento fiscal. Na hipótese de existir créditos anteriores, não comprovados ou demonstrados durante a fiscalização, a reversão da presunção de veracidade depende da apresentação de documentos comprobatórios, que demonstrem inequivocamente a existência dos mesmos, fato que não se encontra nos autos. Estando, pois, comprovados os valores constantes do auto de infração pelas planilhas apresentadas, cujos valores correspondem ao efetivamente escriturado nos livros contábeis da empresa, conforme afirmado pela fiscalização, na descrição dos fatos, e não tendo a contribuinte, em sua defesa, juntado documentação que demonstrasse os supostos créditos, o lançamento deve ser mantido. Ademais, os DACON entregues pela interessada, com as informações sobre os créditos e débitos da contribuição nos períodos objeto do lançamento, corroboraram a exatidão dos valores apontados pelo fisco." 15. Os dois sentidos da presunção de veracidade/legitimidade dos registros contábeis emergem de legislação de caráter nacional, conforme se depreende da leitura do art. 417 da Lei nº 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, segundo o qual "os livros empresariais provam contra seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos não correspondem à verdade dos fatos". Assim, tendo a autoridade fiscal tomado como ponto de partida para a sua interpretação do direito a escrita contábil e fiscal da contribuinte, não apenas se presume verdadeiro o quanto declarado (art. 408) como também se prova o não questionado (art. 428), pois, como se extrai do art. 419, a escrituração é una, tanto para o favorável como para o desfavorável: Lei nº 13.105/2015 (Código de Processo Civil) Art. 419. A escrituração contábil é indivisível, e, se dos fatos que resultam dos lançamentos, uns são favoráveis ao interesse de seu autor e outros lhe são contrários, ambos serão considerados em conjunto, como unidade. 16. Assim, não tendo as partes apresentado novos argumentos ou razões de defesa perante esta segunda instância administrativa, propõese a confirmação e adoção da decisão recorrida, nos termos da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com a alteração da Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, que acrescentou o § 3º ao art. 57 da norma regimental: Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF) Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quorum regimental; Fl. 177DF CARF MF 8 II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida" (seleção e grifos nossos). 17. Assim, voto por conhecer e negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara De Araújo Branco Relator Fl. 178DF CARF MF
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Numero do processo: 10950.902656/2015-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2010
GLOSA SALDO NEGATIVO CSLL. ESTIMATIVAS DECLARADAS EM COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS OU HOMOLOGADAS PARCIALMENTE. COBRANÇA. DUPLICIDADE.
Na hipótese de compensação não homologada ou homologada parcialmente, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do saldo negativo de CSLL.
Numero da decisão: 1302-002.715
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do processo. O Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa votou pelas conclusões do relator.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Flavio Machado Vilhena Dias.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 GLOSA SALDO NEGATIVO CSLL. ESTIMATIVAS DECLARADAS EM COMPENSAÇÕES NÃO HOMOLOGADAS OU HOMOLOGADAS PARCIALMENTE. COBRANÇA. DUPLICIDADE. Na hipótese de compensação não homologada ou homologada parcialmente, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do saldo negativo de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencidos os Conselheiros Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado que votaram pelo sobrestamento do processo. O Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa votou pelas conclusões do relator. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) FLÁVIO MACHADO VILHENA DIAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogerio Aparecido Gil, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Lizandro Rodrigues de Sousa (Suplente Convocado), Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Flavio Machado Vilhena Dias. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 26 56 /2 01 5- 78 Fl. 479DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte Usina de Açúcar Santa Terezinha Ltda., ora Recorrente, em face de despacho decisório que indeferiu pedido de restituição e não homologou pedido de compensação, que tinha como crédito originário saldo negativo de CSLL, referente ao ano de 2010. O saldo negativo de CSLL informado pelo Recorrente, como ele próprio afirma em seu Recurso Voluntário, "foi composto pela dedução da CSLL retida na fonte, no valor de R$ 167.769,62, e das estimativas compensadas de outubro/2010 à dezembro/2010, no valor de R$ 16.153.604,84. Desta forma, temse que a soma das antecipações que compuseram o crédito totaliza o montante de R$ 16.321.374,46.". O despacho decisório que foi atacado via Manifestação de Inconformidade, reconheceu apenas parte das estimativas compensadas, uma vez que estas compensações não foram deferidas na integralidade e, assim, supostamente, não poderiam compor o saldo negativo de CSLL. Contudo, aquelas compensações (das estimativas) foram objeto de Manifestação de Inconformidade por parte do contribuinte e ainda não há decisão administrativa por parte da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil. Em sua Manifestação de Inconformidade, apresentada no presente processo, a Recorrente alega, em síntese, (i) que, mesmo que haja decisão definitiva não homologando a compensação das estimativas, estas devem compor o saldo negativo, porque a Fazenda Nacional poderá cobrar os débitos (das estimativas), via execução fiscal, uma vez que já estão declaradas; e, subsidiariamente, (ii) que o presente processo deve ser sobrestado até que haja definição quanto ao crédito invocado nas compensações das estimativas, para que se possa aferir, ao certo, o seu direito creditório. Em análise à Manifestação de Inconformidade apresentada, a douta Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, entendeu por bem indeferir o apelo do contribuinte. O acórdão proferido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. JULGAMENTO CONJUNTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento de processos. O processo administrativo fiscal é regido por princípios, dentre os quais o da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA. A homologação da compensação depende da liquidez e certeza do crédito Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 480DF CARF MF Processo nº 10950.902656/201578 Acórdão n.º 1302002.715 S1C3T2 Fl. 480 3 Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente intimado, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário tempestivo, no qual repisa os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator Como se denota dos autos, o Recorrente teve ciência do acórdão recorrido no dia 17/06/2016, apresentando o seu Recurso Voluntário no dia 12/97/2016, ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado por Usina de Açucar Santa Teresinha Ltda., ora Recorrente. E, por cumprir os pressupostos para o seu manejo, esse deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Como se denota do relato acima, o saldo negativo invocado pela Recorrente em seu pedido de compensação, que foi parcialmente homologado, compõese de (i) CSLL retida, e (ii) estimativas compensadas. Com relação à primeira parcela que compõe o saldo negativo, já houve o reconhecimento na integralidade por parte do despacho decisório atacado via Manifestação de Inconformidade e, por isso, não é objeto do presente procedimento administrativo. A discussão cingese, portanto, quanto ao crédito das estimativas, pagas via compensações, que foram homologadas parcialmente pela administração tributária e estão sendo discutidas pelo contribuinte em processos apartados ao presente. Em seu recurso voluntário, o contribuinte alega que a compensação das estimativas caracterizase como confissão de dívida e, caso não sejam providas as Manifestações de Inconformidade em que se discute aquelas compensações, será intimado para efetuar o pagamento daqueles valores confessados. Se não fizer o pagamento espontaneamente, irá ser ajuizada execução fiscal por parte da PGFN, uma vez que, no caso de confissão de dívida, não é necessário a instauração de processo administrativo de cobrança. Assim, a glosa daquelas estimativas do saldo negativo implicaria em cobrança em duplicidade. Eis as argumentações lançadas em seu Recurso Voluntário: 21. No entanto, é defeso à RFB glosar parcelas de saldo negativo relativas às estimativas que foram objeto de compensações não homologadas (ou homologadas parcialmente), uma vez que os próprios os débitos confessados em DCOMP (§ 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996) serão cobrados por força do que determinam os § 7º e Fl. 481DF CARF MF 4 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 c/c Parecer PGFN /CAT nº 88/2014, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do Saldo Negativo apurado na DIPJ, uma vez que a referida glosa implicaria a dupla cobrança das estimativas, consoante se explicita a seguir. Assiste razão ao Recorrente. É que, de fato, o §6º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, caracteriza como confissão de dívida o débito declarado em pedido de compensação sendo, inclusive, prescindível a instauração de processo administrativo de cobrança em caso de não pagamento espontâneo dos valores por parte do contribuinte. Ou seja, uma vez confessada a dívida e não paga, o débito será encaminhado à PGFN para a devida inscrição em dívida ativa e ajuizamento da Execução Fiscal em face do contribuinte, nos termos dos parágrafos 7º e 8º da mencionado artigo 74 da Lei nº 9.430/96. Transcrevese abaixo a literalidade dos dispositivos legais citados: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Por outro lado, ao proceder a glosa do saldo negativo do CSLL daqueles valores das estimativas confessados, estará caracterizada a cobrança em duplicidade, uma vez que o contribuinte, como mencionado, será cobrado dos valores das estimativas e, ainda, não poderá incluir estes mesmos valores na composição do seu saldo negativo. Assim, não há dúvidas de que os valores das estimativas, declaradas e confessadas via pedido de compensação, estão aptos a compor o saldo negativo. E os processos administrativos em que se discute as compensações das estimativas em nada influenciarão na composição do saldo negativo. Independentemente do resultado daqueles processos (em que se discute as compensações das estimativas), o saldo negativo não será alterado. Se houver provimento ao apelo do contribuinte, o pagamento do valor será confirmado e, por consequência, será considerado na composição do saldo negativo. Se não houver êxito no processo administrativo, o contribuinte será cobrado, uma vez que confessou a dívida da estimativa, e, também por Fl. 482DF CARF MF Processo nº 10950.902656/201578 Acórdão n.º 1302002.715 S1C3T2 Fl. 481 5 consequência, o saldo negativo não será afetado, já que ele se compõe, em parte, das estimativas. Pensar de forma diversa, como consignado no acórdão recorrido, ou seja, que o contribuinte poderá não pagar o débito da estimativa e, assim, se valer de um crédito inexistente, é trabalhar hipoteticamente, o que não se pode admitir no âmbito do direito. Se o contribuinte não pagar o débito, será executado, com todos os ônus inerentes à execução fiscal, inclusive ter seu patrimônio expropriado de forma forçada (bloqueio de bens e de contas bancárias, por exemplo). O que não se pode admitir é a cobrança em duplicidade do mesmo valor: das estimativas e da glosa destas (redução) do saldo negativo. Não se pode perder de vista que a própria Receita Federal do Brasil admite que, uma vez confessados os valores das estimativas, via Dcomp, caberá a cobrança destes valores, sem afetar a composição do saldo negativo. O trecho da Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18/06 é neste norte. Confirase: Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para os fins de cálculo e cobrança de multa isoladas pela falta de pagamento e não devem ser encaminhadas para inscrição em Dívida Ativa da União. Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento da estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. O entendimento exarado pela Receita Federal do Brasil vai ao encontro do que restou consignado pela Procuradoria da Fazenda Nacional, no Parecer PGFN/CAT nº 88/2014, o qual admite a cobrança dos valores decorrentes de compensações não homologadas. Eis as conclusões do referido parecer: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Fl. 483DF CARF MF 6 Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já proferiu diversos julgados na linha aqui exposta. Neste sentido, vejase as seguintes ementas: Número do Processo 10880.902887/201129 Nº Acórdão 1201001.548 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela ora Recorrente acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem.IRRF. GLOSA EM DESPACHO DECISORIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA.Não caracteriza cerceamento do direito de defesa a hipótese em que todas as informações necessárias para o seu exercício foram asseguradas e disponibilizadas ao contribuinte.SALDO NEGATIVO. EFETIVO PAGAMENTO. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DCOMP. COMPENSAÇÃO.Comprovado que o contribuinte efetivamente recolheu estimativa mensal de IRPJ, e que esta somente foi utilizada como dedução na apuração anual do IRPJ sobre o lucro real sob julgamento, resta assegurado ao contribuinte o direito à utilização do respectivo saldo negativo, ultrapassando se o mero equívoco no preenchimento da DCOMP. Número do Processo 13884.721654/201428 Nº Acórdão 1201001.649 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2009 (...) .COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. APROVEITAMENTO DE SALDO NEGATIVO COMPOSTO POR COMPENSAÇÕES ANTERIORES. POSSIBILIDADE.A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo.Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal.A glosa do saldo negativo utilizado pela Contribuinte acarreta cobrança em Fl. 484DF CARF MF Processo nº 10950.902656/201578 Acórdão n.º 1302002.715 S1C3T2 Fl. 482 7 duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. Portanto, sendo a presente discussão relativa à não homologação ou homologação parcial das compensações que pretendiam quitar as estimativas, e sendo o saldo negativo não reconhecido composto destas estimativas, devese dar provimento ao recurso voluntário da Recorrente, para que, na composição do saldo negativo, sejam consideradas as estimativas, que foram confessadas através do pedido de compensação. Por todo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reformando o acórdão recorrido, para que reste reconhecido, no saldo negativo, os valores das estimativas devidamente declaradas em compensações administrativas, independentemente de estas compensações terem sido homologadas ou não. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 485DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.724700/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 21/09/2007 a 15/10/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA MANTIDA.
A ausência, no auto de infração, de descrição dos fatos completa, precisa, clara e congruente, impossibilitando conhecer as circunstâncias necessárias à caracterização do ilícito imputado ao sujeito passivo, configura cerceamento do direito de defesa, impondo-se a decretação de nulidade, que atinge somente as rubricas do auto de infração maculadas pelo referido vício formal.
CESSÃO DE NOME. ACOBERTAMENTO DOS REAIS BENEFICIÁRIOS. MULTA.
A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de dez por cento do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a cinco mil reais.
MULTA POR CESSÃO DE NOME. PENA DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Em matéria de infrações aduaneiras, a pessoa física ou jurídica pode ser punida como agente direto, que praticou a ação ilícita ou incorreu na omissão ilícita, ou como responsável pela infração, nos termos dos arts. 94 e 95 do Decreto-lei nº 37/66. Configuradas a autoria e a materialidade da infração não poderá o julgador administrativo afastar a aplicação da penalidade correspondente ao seu agente direto e eventuais responsáveis.
Independentemente de qualquer juízo de valor acerca do fato de o importador ostensivo ser duplamente penalizado, a multa por cessão de nome, prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, foi criada pelo legislador ordinário para conviver com a pena de perdimento das mercadorias e, em consequência, também com a multa que lhe substitui, o que veio a se confirmar com a interpretação veiculada no art. 727, §3o do Regulamento Aduaneiro/2009.
Recurso de Ofício negado
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-005.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 21/09/2007 a 15/10/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. VÍCIO FORMAL. NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA MANTIDA. A ausência, no auto de infração, de descrição dos fatos completa, precisa, clara e congruente, impossibilitando conhecer as circunstâncias necessárias à caracterização do ilícito imputado ao sujeito passivo, configura cerceamento do direito de defesa, impondose a decretação de nulidade, que atinge somente as rubricas do auto de infração maculadas pelo referido vício formal. CESSÃO DE NOME. ACOBERTAMENTO DOS REAIS BENEFICIÁRIOS. MULTA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de dez por cento do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a cinco mil reais. MULTA POR CESSÃO DE NOME. PENA DE PERDIMENTO. MULTA SUBSTITUTIVA. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Em matéria de infrações aduaneiras, a pessoa física ou jurídica pode ser punida como agente direto, que praticou a ação ilícita ou incorreu na omissão ilícita, ou como responsável pela infração, nos termos dos arts. 94 e 95 do Decretolei nº 37/66. Configuradas a autoria e a materialidade da infração não poderá o julgador administrativo afastar a aplicação da penalidade correspondente ao seu agente direto e eventuais responsáveis. Independentemente de qualquer juízo de valor acerca do fato de o importador ostensivo ser duplamente penalizado, a multa por cessão de nome, prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, foi criada pelo legislador ordinário para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 47 00 /2 01 2- 15 Fl. 524DF CARF MF 2 conviver com a pena de perdimento das mercadorias e, em consequência, também com a multa que lhe substitui, o que veio a se confirmar com a interpretação veiculada no art. 727, §3o do Regulamento Aduaneiro/2009. Recurso de Ofício negado Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais De Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário e de recurso de ofício contra decisão da Delegacia de Julgamento em Fortaleza que decidiu no sentido de julgar a impugnação procedente em parte, para manter o crédito tributário correspondente ao lançamento relativo à DI nº 08/15750581, bem como para declarar nulos, por vício formal, os demais lançamentos de que trata o Auto de Infração, exonerando o sujeito passivo dos respectivos créditos tributários, no montante de R$4.481.189,77. Versa o processo sobre a exigência de multa pela cessão do nome da pessoa jurídica para a realização de operações de comércio exterior, prevista pelo artigo 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, com vistas ao acobertamento dos reais intervenientes ou beneficiários, no valor de R$ 4.496.485,26, sob os fundamentos abaixo, sintetizados na decisão recorrida: De acordo com a descrição dos fatos contida no Auto de Infração, a exação consiste na aplicação de penalidade pecuniária por cessão do nome da pessoa jurídica com o objetivo de acobertar os reais beneficiários de diversas operações de importação. A fiscalização informa que a empresa HSA Logística Internacional Ltda., doravante denominada apenas HSA, registrou as Declarações de Importação (DI) “constantes no anexo 04, no ano de 2007, todas com adquirentes declarados, conforme coluna respectiva.” Aduz que, em 29/01/2009, foi instaurado Procedimento Especial de Fiscalização, com base na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, ao final do qual foi feita representação fiscal propondo a declaração de inaptidão da inscrição da empresa HSA no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), em virtude de interposição fraudulenta presumida, com base no art. 23, inciso V, § 2º, do Decreto Fl. 525DF CARF MF Processo nº 11128.724700/201215 Acórdão n.º 3402005.243 S3C4T2 Fl. 525 3 lei nº 1.455/1976, c/c art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/1996, ambos com redação dada pela Lei nº 10.637/2002. A inscrição da empresa importadora no CNPJ foi declarada inapta, nos termos do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 14, de 18 de outubro de 2011 (fls. 146147). A autoridade fiscal faz alusão ao relatório de Procedimento Especial de Fiscalização, ressaltando que o seu teor integra a descrição dos fatos motivadores da multa aplicada, e ao parecer que subsidiou o julgamento administrativo da impugnação contra a proposta de inaptidão (fls. 73105 e 108144). O autuante acrescenta que o artigo 11 da Instrução Normativa SRF nº 228/2002 determina que, concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes nos termos do art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, na hipótese de ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, ou de interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, em decorrência da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Consta do relatório que “todas as DIs registradas pela autuada no período estão sujeitas à aplicação da pena de perdimento, penalidade que será aplicada por atos administrativos a parte”. O agente fiscal afirma ainda que: “as DIs relacionadas no anexo 04 tiveram seus respectivos adquirentes declarados, podese dizer que a autuada cedeu seu nome para a realização das operações de comércio exterior”, sustentando que a situação se amolda ao disposto no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Nas fls. 167183 é apresentada a relação das Declarações de Importação objeto da autuação. Por fim, conclui que, as irregularidades constatadas caracterizam interposição fraudulenta de pessoas, restando comprovado que a empresa HSA agiu como presta nome em diversas operações de importação, dentre as quais aquelas indicadas no “Anexo 4”, em que teria ficado patente o interesse das empresas ali relacionadas na aquisição das mercadorias importadas, configurando a cessão de nome para realização das operações. É informado ainda que foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais. A interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese, preliminarmente: a) nulidade por cerceamento do direito de defesa, b) nulidade da representação fiscal para fins de inaptidão do CNPJ, c) nulidade do procedimento fiscal por parcialidade, d) irregularidade na emissão da representação fiscal para fins penais, e e) irregularidade no demonstrativo de apuração do montante de devido (cerceamento de defesa); e, no mérito: i) regularidade das importações por conta e ordem; e ii) bis in idem. O julgador da DRJ entendeu que o auto de infração não atenderia plenamente ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto nº 70.235/1972 e no art. 50, inciso II e § 1º da Lei nº 9.784/1999 para a grande parte das importações autuadas, excepcionando somente operação objeto da Declaração de Importação (DI) nº 08/15750581, nos seguintes termos: No caso em exame, dada a escassez de informações na descrição dos fatos do Auto de Infração, não há como saber com segurança o que de fato pretendeu expressar a autoridade fiscal, o que, além do evidente prejuízo ao direito de defesa, impede a apreciação e julgamento da lide. No mais, a acusação fiscal se resume ao enunciado de que ocorreu “cessão de nome para acobertamento dos reais interessados nas importações” nas operações em causa, em cujas DIs estão identificados importador e adquirente, porém o Auto de Infração não explicita quais os fundamentos fáticos dessa conclusão. Ocorre que a ausência dessas informações na peça acusatória impossibilita compreender o que de fato foi constatado e se há ou Fl. 526DF CARF MF 4 não a apontada infração, visto que são dados imprescindíveis para o exercício da defesa e o julgamento da lide por este órgão colegiado. Na espécie dos autos, a fiscalização não se desincumbiu de seu ônus processual, porquanto, mesmo após exame percuciente da peça vestibular e seus anexos, persiste incompreensível a descrição dos fatos no que se refere a esses lançamentos. A narrativa existente na peça constitutiva da multa revelase insuficiente para retratar os fatos efetivamente ocorridos, deixandose de expor os motivos com base nos quais pretende, a autoridade fiscal, impor a penalidade. Subsiste, então, a indagação acerca do que realmente pode ter acontecido para levar a autoridade a enquadrar o caso como “cessão de nome para acobertamento dos reais interessados nas importações”, situação incompatível com o princípio da estrita legalidade, da motivação, do contraditório e da ampla defesa. Em verdade, dado o grau de omissão existente no auto de infração, exceto no tocante à multa no valor de R$ 15.295,49, referente à DI nº 08/15750581, registrada em 06/10/2008, conforme já esclarecido, impõese concluir, quanto aos lançamentos das demais multas, que o defeito detectado equivale a ausência de descrição dos fatos, de modo que os respectivos atos administrativos deixam de atender plenamente o requisito formal previsto no art. 10, inciso III, do Decreto nº 70.235/1972 e art. 50, inciso II e § 1º, da Lei nº 9.784/1999. Recorreuse de ofício dessa decisão, em virtude de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite previsto no art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pela Lei nº 9.532/1997, c/c art. 1º da Portaria do Ministro da Fazenda nº 03, de 3 de janeiro de 2008. Cientificada em 22/07/2015, a interessada apresentou recurso voluntário em 07/08/2015, alegando, em síntese: Os lançamentos objeto da DI nº 08/15750581 devem também ser cancelados em razão das mesmas nulidades acima apontadas pela DRJ para a outra parte do auto de infração. A multa do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 somente será aplicável se for demonstrada a ocorrência de ocultação do real adquirente, que é o que consta do inciso V do artigo 23: “ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação”. O importador que ocultar terceiros deverá sofrer a multa de 10% (dez por cento) das operações acobertadas, se comprovar a origem, a transferência e a disponibilidade dos recursos empregados nessas operações, entretanto, se não comprovar a origem dos montantes utilizados na importação ou a sua capacidade econômica, ligada ou não ao fato em exame, terá o seu CNPJ declarado inapto. No entanto, isto não pode ocorrer de forma cumulada. Isso quer dizer que se se souber quem é o real adquirente, ao importador e ao intermediário se aplica a multa por cessão de nome, como modo de punilos por ter colaborado com a fraude, se não se souber quem é o real adquirente ao importador se aplica a penalidade do artigo 23 do DecretoLei n.º 1.455/1976, ou seja, perdimento ou a sua conversão em pecúnia. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Fl. 527DF CARF MF Processo nº 11128.724700/201215 Acórdão n.º 3402005.243 S3C4T2 Fl. 526 5 Tendo em vista que a decisão recorrida exonerou o sujeito passivo do pagamento de encargos de multa em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), tomase conhecimento do recurso de ofício, nos termos da Portaria MF nº 63/2017 (D.O.U de 10/02/2017) e da Súmula CARF nº 103. A decisão recorrida exonerou o lançamento relativamente a quase todas importações autuadas, à exceção daquela objeto da DI nº 08/15750581, por vício na motivação e na descrição dos fatos do auto de infração, com base em criteriosa análise do Relator, que assim registrou em seu voto: DA NULIDADE POR VÍCIO FORMAL DOS DEMAIS LANÇAMENTOS Entretanto, à exceção do lançamento indicado no tópico anterior, o exame percuciente dos demais lançamentos consignados no auto de infração, revela vício atinente à descrição dos fatos que acarreta flagrante cerceamento do direito de defesa, sobre o que se discorrerá a seguir. É que, de acordo com o auto de infração, o ilícito detectado consiste em “cessão do nome da pessoa jurídica com o objetivo de acobertar o real beneficiário da operação”, havendo sido aplicada a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007, em relação às “DIs constantes no anexo 04” (fl. 35). Na conclusão, é suscitado, outrossim, que teria ocorrido “interposição fraudulenta de pessoas, restando comprovado que ela [a impugnante] agiu como prestanome em diversas operações, dentre as quais aquelas constantes no Anexo 4, em que ficou patente o interesse e a aquisição dos bens pelas empresas ali relacionadas, caracterizando a cessão do seu nome para consecução das operações.” (fl. 39). Entretanto, no mesmo auto de infração, inusitadamente, é afirmado também que nas referidas DIs os adquirentes estão declarados: “A autuada registrou as DIs constantes no anexo 04, no ano de 2007, todas com adquirentes declarados” (fl. 35). Em outro trecho consta: “Verificase, contudo, que as DIs relacionadas no anexo 04 tiveram seus respectivos adquirentes declarados, podese dizer que a autuada cedeu seu nome para a realização das operações de comércio exterior” (fl. 37). Depreendese que o aludido “Anexo 04” corresponde ao documento intitulado “Relação de DIs Registradas”, de fls. 167183, única relação de DIs existentes nos autos, nas quais teria sido detectada a infração, mas que, diferente do que afirma a fiscalização, foram registradas nos anos de 2007 a 2009. Cada uma dessas DIs corresponde a um dos lançamentos relacionados às fls. 0217, os quais estão identificados pelas respectivas datas de referência, que consistem nas datas dos fatos geradores (data de registro das DIs). Salvo se existir erro na narração dos fatos e afastada qualquer lacuna interpretativa, diante da exiguidade de dados no auto de infração, existe uma contrariedade de informações, exsurgido de pronto a dúvida de como se teria perpetrado a interposição mediante fraude ou simulação e a consequente cessão de nome para acobertar os reais intervenientes nas operações de importação, pois a autoridade fiscal assevera que os adquirentes estão expressamente indicados nas próprias Declarações de Importação apresentadas ao órgão aduaneiro. Diante dessa hesitação e sem esclarecimentos adicionais, partindose da premissa de que“as DIs relacionadas no anexo 04 tiveram seus respectivos adquirentes declarados”, soa incongruente concluir que a autuada cedeu seu nome para a realização das operações de comércio exterior com o objetivo de acobertar os reais beneficiários das operações, porquanto estes não estariam acobertados, já que foram declarados nas DIs. (...) Fl. 528DF CARF MF 6 Sob essa perspectiva, a nota característica da interposição mediante fraude ou simulação, em operações de comércio exterior, e da consequente cessão de nome para acobertar terceiros, reside precisamente no fato de a operação ser realizada por uma pessoa para encobrir a outra que, de fato, é a real adquirente da mercadoria estrangeira, sem que tal fato seja declarado ao Fisco, limitandose, a função do importador, a constar apenas nominalmente nos documentos necessários ao despacho aduaneiro, quando de fato há outro interessado oculto na operação. (...) Esquadrinhandose a narração contida na peça exordial, visando conferirlhe algum sentido lógico, com o escopo de desvendar a realidade fática do caso em apreço, percebese que a autoridade fiscal faz alusão ao Relatório de Procedimento Especial de Fiscalização, instaurado em 29/01/2009, afirmando que esse documento integra a descrição dos fatos. Impelido pela dúvida, passa o julgador a compulsar o citado relatório e ainda o Parecer exarado em decorrência da impugnação apresentada pela empresa HSA contra a proposta de inaptidão de sua inscrição no CNPJ, com vista a verificar se tais documentos suprem a lacunosa descrição dos fatos (fls. 73144). (...) Afora a citada DI, verificase que o mencionado relatório e o respectivo parecer dizem respeito a operações de importação diversas das que são objeto do presente processo. Assim, percebese que, à exceção da DI nº 08/15750581, as demais operações de importação em causa não foram objeto do Procedimento Especial de Fiscalização e, por conseguinte, não chegaram a ser especificamente examinadas nos referidos Relatório e Parecer. Assim, no tocante às demais DIs, observase que nenhum texto consta no auto de infração a título de descrição dos fatos, existindo unicamente os demonstrativos de cálculo dos respectivos créditos tributários. Nos aludidos documentos verificase que em algumas das importações examinadas naquele procedimento especial, declaradas como sendo por conta própria, a irregularidade detectada consistiu na ocultação, mediante fraude ou simulação, do sujeito passivo, real adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, o qual chegou a ser identificado pela fiscalização, nos termos do art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, acrescido pela Lei nº 10.637/2002. Em outras operações, concluiuse pela existência de interposição fraudulenta, por força da presunção legal prevista no § 2º da mesma disposição legal, incluído pela Lei nº 10.637/2002, haja vista a empresa HSA, apesar de intimada, não ter comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações, o que motivou a declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ. (...) Podese afirmar, então, que nem o Relatório de Procedimento Especial de Fiscalização nem o correspondente Parecer se pronunciaram especificamente sobre as demais DIs e as constatações gerais exaradas naqueles documentos não são suficientes para elucidar a aventada irregularidade acaso existente nessas importações. Ademais, o fato de importador e adquirente estarem expressamente identificados nas DIs em exame, como atesta a fiscalização, é, em princípio, inconciliável com a afirmação genérica de que haveria ilicitude em razão daquele haver cedido seu nome para acobertar terceiros. Não se pode, à obviedade, aplicar as conclusões do citado procedimento indiscriminadamente a todas as operações de importação da empresa HSA sem que fique demonstrada a ocorrência de interposição fraudulenta em cada uma delas, seja de forma direta, seja por meio da presunção legal. Assim, mesmo os citados documentos não são aptos a esclarecerem a obscura questão levantada no auto de infração, porquanto, no tocante às demais DIs, a fiscalização não utilizou a presunção legal como fundamento para a conclusão acerca da interposição fraudulenta e sequer cogitou que a empresa descumprira suposta intimação para comprovar a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações. Fl. 529DF CARF MF Processo nº 11128.724700/201215 Acórdão n.º 3402005.243 S3C4T2 Fl. 527 7 De outra banda, é ininteligível a asserção de que tenha havido ocultação nas importações em causa, pois a própria autoridade fiscal afirma que os adquirentes foram declarados nas DIs e, por outro lado, não chegou a ser cogitada a hipótese de falsidade dessa declaração, o que somente reforça a incerteza sobre o real significado do fato narrado no auto de infração. Observese que no citado Relatório de Procedimento Especial consta que também houve importações por conta e ordem de terceiros e que há DIs em que os adquirentes foram expressamente declarados, tendo sido exibidos alguns contratos, naquela ocasião, sem que tenha sido apontada alguma infração em relação a essas importações. Por isso mesmo não se pode descartar a hipótese de que as demais operações de apontadas no auto de infração consistiram em importações por conta e ordem de terceiros ou importação por encomenda, espécies de interposição permitidas pela legislação. (...) Diante da inexistência de informações mínimas, no Auto de Infração, sobre as circunstâncias necessárias à caracterização do ilícito imputado ao sujeito passivo e da ausência dos motivos que arrimam a ilação fiscal, determinantes para aplicação da multa, ficam, o julgador e a defendente, na área de conjecturas e suposições. (...) Enfim, é em vão o esforço investigativo na tentativa de minorar a falta de clareza em que é vazada a descrição dos fatos dos lançamentos ora apreciados, que não permitem inferir quais os aspectos essenciais atinentes à infração imputada ao sujeito passivo, tal como sua conduta, e demais elementos indispensáveis ao exercício do contraditório e da ampla defesa. Como se vê, a decisão recorrida é bastante clara quanto à caracterização da deficiência de motivação no auto de infração, devendo ser mantida por seus próprios fundamentos, negandose provimento ao recurso de ofício. Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Relativamente à DI nº 08/15750581, também é irretocável o Acórdão de primeira instância que concluiu pela rejeição dos argumentos aduzidos pela então impugnante em preliminar e no mérito. Em conformidade com o art. 50, §1º da Lei nº 9.784/99, como fundamentos de decidir, adoto o seu excelente voto condutor, proferido pelo Relator José Fernando Costa D'Almeida nos seguintes termos: No que concerne ao lançamento da multa no valor de R$ 15.295,49, com data de referência de 06/10/2008, relativo à DI nº 08/15750581, fls. 10 e 28, não prospera a preliminar de nulidade suscitada pela defendente, haja vista a indicação expressa, na peça exordial, do enquadramento legal específico da exação, nele incluído a disposição legal que tipifica a infração, acompanhado da descrição do fato apontado como ilícito, logrando assim expor com precisão a motivação da exigência tributária, de forma explícita, clara e congruente, conforme determina o arts. 2º e 50, § 1º, da Lei nº 9.784/1999. Observese que, no tópico do Auto de Infração reservado à descrição dos fatos, a autoridade fiscal faz alusão expressa ao Relatório de Procedimento Especial de Fiscalização, instaurado em 29/01/2009, o qual traz as informações detalhadas da infração, cujo teor integra os fundamentos fáticos da autuação, bem com ao Parecer produzido no julgamento administrativo da impugnação da autuada contra a inaptidão do CNPJ, documentos que estão anexados aos autos, às fls. 73 105 e 108145. Fl. 530DF CARF MF 8 À simples leitura do auto de infração e dos citados Relatório e Parecer, identificamse os fatos detectados especificamente em relação à importação processada com base na referida DI, os quais estão narrados com meridiana clareza às fls. 9597, conduzindo à conclusão fiscal acerca da infração imputada à litigante, que consiste na cessão de nome em operação de importação para acobertar terceiros. Assim, a descrição dos fatos e fundamentação legal, relativa à multa acima indicada, consta explicitamente no Relatório de Procedimento de Fiscal que integra o Auto de Infração. Nesse sentido, a autoridade fiscal assevera haver sido descaracterizada a condição de real adquirente da mercadoria, relativamente à empresa HSA, a qual teria agido apenas como prestanome em importação de interesse da Empresa Brasileira de Acetatos Embracet Ltda., doravante identificada apenas por Embracet, a verdadeira compradora dos bens importados. (...) DO EXAME DAS PROVAS APRESENTADAS PELAS PARTES Observe se que o procedimento especial de fiscalização, que originou a presente autuação, embora iniciado em 2009, teve por objeto o exame da regularidade de diversas importações ocorridas entre 2006 e 2009 (fls. 73105). Neste tópico examinase uma única importação (DI nº 08/15750581, de 06/10/2008), dentre aquelas fiscalizadas, na qual foi constatada a ocultação, mediante fraude ou simulação, do sujeito passivo, real adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, o qual chegou a ser desvendado pela fiscalização (art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, acrescido pela Lei nº 10.637/2002). Logo, não se trata de aplicação da presunção legal prevista no § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, incluído pela Lei nº 10.637/2002, fundada na falta de comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações. Conquanto a impugnante sustente que a operação em causa consista em importação direta, realizada com seus próprios recursos e que seria a única e exclusiva adquirente das mercadorias, não logrou apresentar nenhum elemento de prova que pudesse confirmar essa alegação. A autoridade fiscal, por sua vez, desincumbiuse do ônus da prova, demonstrando, de modo inequívoco, a ocorrência da hipótese descrita em lei, tipificada como infração, apta a autorizar a incidência da penalidade. Com efeito, restou comprovado que a citada importação foi realizada com recursos da empresa Embracet, a real adquirente das mercadorias. A citada empresa realizou duas transferências bancárias (TED), de valores que foram utilizados para liquidação cambial pela empresa HSA (fls. 335336). Além disso, ficou demonstrado que o produto importado foi objeto de Nota Fiscal de Entrada e de Nota Fiscal de Saída, emitidas na mesma data, tendo esta, como destinatário a Embracet, revelando, assim, que já havia definição prévia do destino da mercadoria (fl. 349350). Desse conjunto probatório depreendese que a HSA cedeu seu nome para promover a importação de interesse da empresa Embracet, de modo a acobertar a real beneficiária da operação, mantendoa oculta como sujeito passivo da obrigação tributária relativa à importação, esquivandose de informar ao Fisco na DI a existência dessa empresa, de modo a que fosse submetida ao controle aduaneiro e à fiscalização tributária (vide DI de fls. 371373). Ademais, a configuração da infração independe de ter ou não havido redução do pagamento de tributos na importação ou nas etapas seguintes à importação, sendo desnecessária a prévia verificação do cumprimento das obrigações tributárias de cada um dos envolvidos, a uma, porque a lei que tipifica a infração, não exige como elemento do tipo a falta de pagamento de tributos, bastando a demonstração da ocorrência da cessão de nome para acobertar terceiros; a duas porque, como visto no tópico anterior, o ilícito atine também ao controle aduaneiro das importações, o que, por si só, é suficiente para caracterizar a infração, independente de eventual repercussão tributária. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 11128.724700/201215 Acórdão n.º 3402005.243 S3C4T2 Fl. 528 9 Assim, as irregularidades constatadas caracterizam cessão de nome na operação de comércio exterior, restando cristalinamente comprovado que a empresa HSA agiu como prestanome na referida importação que, de fato, foi realizada pela empresa Embracet. O cerne da simulação está no fato de a empresa HSA haver declarado a importação como sendo por conta própria, omitindo ao Fisco que, em verdade, se realizou para terceira empresa (Embracet), por conta e ordem desta, quando estava legalmente obrigada a prestar essas informações, desatendendo os requisitos e condições legais. Ao contrário, a HSA chegou a declarar expressamente na DI que era a própria adquirente da mercadoria, mantendo oculta a empresa Embracet (fls. 371373). De todas essas evidências, deflui claro que, embora a HSA tenha se declarado como importadora por conta e risco próprios, a sua atuação se deu como prestadora de serviços em importação por conta e ordem da empresa Embracet, a real beneficiária e interessada na importação, o que expressa a conduta dolosa na prática da infração. Esse conjunto probatório, é óbvio, deve ser cotejado com elementos contrários eventualmente trazidos pelas impugnantes e, dessa contraposição, no presente caso, resulta que a prova produzida pela fiscalização se inclina favoravelmente ao direito reclamado pelo Fisco devendo, assim, prevalecer, uma vez que nenhuma outra prova a veio ilidir. Com efeito, a defesa não apresentou nenhuma contraprova, seja ela qual for, que atestasse a regularidade da importação e destituísse a conclusão do relatório fiscal. Assim, subsiste o vigor da prova trazida aos autos pela fiscalização, que não cedeu diante dos argumentos aduzido pelas litigante. Assim, rejeitase a nulidade por vício material, suscitada pela HSA. Perfilhado todo esse raciocínio, não emerge dúvida acerca das hipóteses elencadas nos incisos do art. 112 do CTN, que justifique a aplicação deste artigo para elidir a imposição da multa. Portanto, diante dos fatos descritos, arrimados no conjunto probatório que instrui os autos, concluise pela ocorrência de cessão de nome na importação para acobertamento de operações de terceiros, infração punível com a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488/2007. Em matéria de infrações administrativas no âmbito aduaneiro, a pessoa física ou jurídica pode ser punida como agente direto, que praticou a ação ilícita ou incorreu na omissão ilícita, ou como "responsável" pela infração, nos termos dos arts. 94 e 95 do Decreto lei nº 37/66, abaixo transcritos: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. (...) Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; II conjunta ou isoladamente, o proprietário e o consignatário do veículo, quanto à que decorrer do exercício de atividade própria do veículo, ou de ação ou omissão de seus tripulantes; III o comandante ou condutor de veículo nos casos do inciso anterior, quando o veículo proceder do exterior sem estar consignada a pessoa natural ou jurídica estabelecida no ponto de destino; IV a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria. Fl. 532DF CARF MF 10 V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Lei nº 11.281, de 2006) No caso sob estudo, tratase da possibilidade de cumulação da multa por cessão de nome, veiculada pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria em face da ocultação do sujeito passivo na importação mediante fraude ou simulação, prevista no art. 23, V, §§1º e 3º do Decretolei nº 1.455/76: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei n° 10.637, de 30.12.2 002) § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (...) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) No caso da infração por ocultação do sujeito passivo na importação mediante fraude ou simulação, como não está expresso no art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, o agente direto da infração deve ser deduzido da conduta coibida por esse dispositivo, qual seja, a ocultação do sujeito passivo, daí se concluindo que o agente direto dessa infração é o importador ostensivo, que é quem efetivamente pratica a ação de "ocultar" o verdadeiro sujeito passivo na importação, sem prejuízo de outras pessoas poderem também responder por essa infração com fundamento do art. 95 do Decretolei nº 37/66, em especial, o adquirente da mercadoria na importação por sua conta e ordem ou o encomendante predeterminado, se for o caso. Ocorre, no entanto, que na hipótese da aplicação da pena de perdimento às mercadorias, em que a fiscalização logra êxito em encontrálas, não obstante o agente direto da infração prevista no art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76 seja mesmo o importador ostensivo, como se disse acima, sendo a ele aplicada a penalidade, quem pode acabar ao final suportando o efeito dessa penalidade é o importador oculto real adquirente da mercadoria no exterior, que será privado do seu uso e gozo. Fl. 533DF CARF MF Processo nº 11128.724700/201215 Acórdão n.º 3402005.243 S3C4T2 Fl. 529 11 Nessa esteira, é que o legislador ordinário optou por inserir no ordenamento jurídico a multa prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007 com intuito de penalizar concretamente a conduta irregular do importador ostensivo, que cedeu seu nome a outrem, eis que ele poderia restar sem punição na hipótese de aplicação da pena de perdimento às mercadorias. Com efeito, no caso da infração por cessão de nome, consta consignado no art. 33 da Lei nº 11.488/2007 que o agente direto da infração é a "A pessoa jurídica que ceder seu nome (...)", que é o importador ostensivo, sem prejuízo, obviamente, de outras pessoas poderem figurar no polo passivo do auto de infração com base no disposto no art. 95 do Decretolei nº 37/66, se for o caso. Assim, independentemente de qualquer juízo de valor acerca do fato de o importador ostensivo ser duplamente penalizado, entendo que a segunda multa, por cessão de nome, foi criada pelo legislador ordinário para conviver com a pena de perdimento das mercadorias e, em consequência, também a multa que lhe substitui, o que veio a se confirmar com a interpretação veiculada no art. 727, §3o do Regulamento Aduaneiro/2009, abaixo transcrito: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §1oA multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais)(Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). §2oEntendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. §3oA multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Nesse sentido, este Colegiado já decidiu, por unanimidade, no Acórdão nº 3402003.008– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 26 de abril de 2016, sob a relatoria do Ilustre Conselheiro Antonio Carlos Atulim, no sentido de que a multa por cessão de nome não prejudica a aplicação da pena de perdimento ou a multa substitutiva ao perdimento. Dessa forma, como no presente processo restou configurada a autoria e a materialidade da infração caracterizada pela cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior de terceiro, não pode o julgador administrativo afastar a penalidade correspondente. Acompanho, em tese, o ensinamento da recorrente no sentido de que: a) na hipótese de interposição fraudulenta presumida pela não comprovação da origem dos recursos, cabe a propositura da aplicação da pena de perdimento da mercadoria (ou a multa equivalente ao seu valor aduaneiro) juntamente com a proposta de inaptidão da inscrição no CNPJ; e b) na hipótese de interposição fraudulenta comprovada, cabe a pena de perdimento cumulada com a multa por cessão de nome. Fl. 534DF CARF MF 12 Inclusive foi decidido nesse mesmo sentido no Acórdão nº 3102001.703 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária1, de 29 de janeiro de 2013, sob voto condutor do Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Também este Colegiado, por unanimidade de votos, adotou esse entendimento no Acórdão nº 3402004.882 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, de 31 de janeiro de 2018, sob excelente voto da Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz2. No entanto, no presente caso concreto, a situação é um pouco diferente. No procedimento especial de fiscalização apurouse, para algumas importações, a interposição fraudulenta comprovada, e para outras, a interposição fraudulenta presumida, conforme já havia alertado o julgador a quo3, sendo que, no caso específico da DI nº 08/15750581, ora sob discussão, verificou a fiscalização que ocorreu a interposição fraudulenta comprovada com ocultação da adquirente Empresa Brasileira de Acetatos Embracet Ltda, razão pela qual foi correta a exigência da multa por cessão de nome em vez da proposta de inaptidão da inscrição do CNPJ em relação à referida importação. O fato de a recorrente ter sido submetida a procedimento para declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ em face de outras importações, para as quais restou configurada a interposição fraudulenta presumida, é questão fora do âmbito deste recurso voluntário, que trata tão somente da DI nº 08/15750581. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário e de negar provimento ao recurso de ofício. 1 Ementa: (...) CESSÃO DO NOME. MULTA DE 10% DO VALOR DA OPERAÇÃO. INAPTIDÃO. MULTA DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. CUMULATIVIDADE. RETROAÇÃO BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Na aplicação da multa de dez por cento do valor da operação, pela cessão do nome, conforme artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, não será proposta a inaptidão da pessoa jurídica, sem prejuízo da aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, pela conversão da pena de perdimento dos bens. Descartada hipótese de aplicação da retroação benigna prevista no artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional por trataremse de penalidades distintas. (...) 2 Ementa: (...) MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI N.º 11.488/2007. CESSÃO DE NOME. INAPLICABILIDADE NO CASO DE INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PRESUMIDA. A multa do artigo 33 da Lei 11.488/2007 não se aplica nos casos da interposição presumida em razão da não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, constante do § 2º do artigo 23 do DecretoLei n.º 1.455/1976, a qual se aplica a inaptidão da inscrição no CNPJ. (...) 3 Decisão recorrida: (...) Nos aludidos documentos verificase que em algumas das importações examinadas naquele procedimento especial, declaradas como sendo por conta própria, a irregularidade detectada consistiu na ocultação, mediante fraude ou simulação, do sujeito passivo, real adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, o qual chegou a ser identificado pela fiscalização, nos termos do art. 23, inciso V, do Decretolei nº 1.455/1976, acrescido pela Lei nº 10.637/2002. Em outras operações, concluiuse pela existência de interposição fraudulenta, por força da presunção legal prevista no § 2º da mesma disposição legal, incluído pela Lei nº 10.637/2002, haja vista a empresa HSA, apesar de intimada, não ter comprovado a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas operações, o que motivou a declaração de inaptidão da inscrição no CNPJ. (...) Fl. 535DF CARF MF Processo nº 11128.724700/201215 Acórdão n.º 3402005.243 S3C4T2 Fl. 530 13 (assinatura digital) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Fl. 536DF CARF MF
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