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Numero do processo: 10680.725038/2010-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS.
Não deve ser admitido recurso especial quando a situação fática analisada no caso do paradigma é fundamentalmente distinta da situação analisada no recorrido, pois não se pode, assim, confirmar a divergência de interpretação da Lei tributária.
ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03 (DOU 24/11/2011).
A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratr de fornecimento "in natura".
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba.
PARTICPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS.
O descumprimento do §2º do art. 3º da Lei 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos de PLR e não apenas em relação as parcelas excedentes.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. MATÉRIA DE FUNDO SUPLANTADA PELA DECADÊNCIA.
Declarada a decadência até a competência 11/2005, não há que se falar que o Colegiado teria afastado a tributação nas competências 03, 07 e 11/2005 com base em outra motivação, apenas registrada no voto condutor, obviamente sem qualquer menção na parte dispositiva do acórdão recorrido. Nesse contexto, não se conhece de matéria de fundo relativa ao período decaído, mormente quando a discussão acerca da própria decadência sequer teve seguimento à Instância Especial.
Numero da decisão: 9202-005.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte, apenas quanto às matérias (i) auxílio alimentação, (ii) responsabilidade solidária e (iii) Participação nos Lucros e Resultados - PLR. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial, apenas quanto às matérias (i) e (iii). Restou vencido, também, o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), que deu provimento parcial ao recurso quanto às matérias (i) e (ii). Votaram pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva quanto à matéria (ii) e o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci quanto à matéria (iii). Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à periodicidade do pagamento das parcelas não decaídas, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Heitor de Souza Lima Júnior, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento do recurso fazendário a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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CEMIG DISTRIBUIÇÃO S.A. CEMIG D E COMPANHIA ENERGÉTICA DE MG CEMIG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÕES FÁTICAS DISTINTAS. Não deve ser admitido recurso especial quando a situação fática analisada no caso do paradigma é fundamentalmente distinta da situação analisada no recorrido, pois não se pode, assim, confirmar a divergência de interpretação da Lei tributária. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. INAPLICABILIDADE DO ATO DECLARATÓRIO PGFN N.º 03 (DOU 24/11/2011). A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. Inaplicável o Ato Declaratório PGFN n.º 03/2011, considerando não se tratr de fornecimento "in natura". GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS PLR. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 50 38 /2 01 0- 11 Fl. 1852DF CARF MF 2 A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. PARTICPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PERIODICIDADE MÁXIMA. DESCUMPRIMENTO. NATUREZA REMUNERATÓRIA DE TODAS AS PARCELAS. O descumprimento do §2º do art. 3º da Lei 10.101/2000 que descreve a vedação do pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, implica incidência de contribuição previdenciária em relação a todos os pagamentos de PLR e não apenas em relação as parcelas excedentes. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. MATÉRIA DE FUNDO SUPLANTADA PELA DECADÊNCIA. Declarada a decadência até a competência 11/2005, não há que se falar que o Colegiado teria afastado a tributação nas competências 03, 07 e 11/2005 com base em outra motivação, apenas registrada no voto condutor, obviamente sem qualquer menção na parte dispositiva do acórdão recorrido. 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Votaram pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva quanto à matéria (ii) e o conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci quanto à matéria (iii). Acordam, ainda, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à periodicidade do pagamento das parcelas não decaídas, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (relatora) e Heitor de Souza Lima Júnior, que conheceram integralmente do recurso. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Designada para redigir o voto vencedor quanto ao conhecimento do recurso fazendário a conselheira Maria Helena Cotta Cardozo. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Tratase de Auto de Infração AI lavrado contra a empresa em epígrafe, no valor de R$ 7.102.975,23, no período de 01/05 a 12/06, inclusive 13º, consolidado em 16/12/2010, referente a contribuição social destinada a outras entidades e fundos – salário educação, Incra e Sebrae (vinculado ao processo 10680.725036/201021), incidente sobre valores pagos a segurados empregados a título de auxílio educação, alimentação sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT e participação nos lucros (em desacordo com a lei), não declarados em GFIP, conforme relatório fiscal de fls. 23/34. Adoto trecho do relatório do acórdão da DRJ BH/MG que faz uma descrição bem analítica dos fatos: “Consta do Relatório Fiscal que: Participação nos Lucros e Resultados – PLR – para os empregados: A empresa fez pagamentos a seus empregados baseados nos Acordos Coletivos de Trabalho – ACT dos anos 2005/2006 e 2006/2007, firmados entre a Cemig e os sindicatos. O contribuinte não apresentou qualquer “conjunto de indicadores e metas”. Pela análise dos ACTs verificase que não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para o pagamento da denominada participação, apenas estipulouse um percentual fixo (3%) do Resultado Operacional da empresa como “Montante a ser Distribuído” e estabeleceuse um valor mínimo para o mesmo de trinta e dois milhões de reais. O acordo 2005/2006 ocorreu em 1/11/05, praticamente transcorrido o ano de 2005, fato admitido pelo próprio texto da cláusula septuagésima oitava do documento ao Fl. 1854DF CARF MF 4 registrar que o ano de 2005 era “praticamente findo”, o mesmo evidentemente não se prestaria a estabelecer eventuais regras visandose incentivar a produtividade. Além disso, o próprio texto da referida cláusula literalmente confirma a inexistência de “metas a serem atingidas pelos empregados”. Dessa forma, os pagamentos efetuados nos termos dessa cláusula encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2005 e não depois de “praticamente findo”, conforme registro do próprio texto do acordo. Estabeleceuse que os pagamentos seriam efetuados ainda no ano de 2005, sendo três remunerações em novembro e uma em dezembro de 2005. Previase o pagamento da primeira parcela a menos de dez dias após a assinatura do acordo. As cláusulas do ACT 2006/2007 foram ajustadas em 30/11/06, com praticamente o mesmo texto do acordo anterior. Ficou estabelecido que os pagamentos seriam efetuados em sua totalidade ainda no ano de 2006 (dezembro). Por se referir também a um período já transcorrido, nos mesmo moldes do Acordo de 2005/2006, cabemlhe as mesmas análises e argumentos. Ao estabelecer critérios após a ocorrência dos fatos, com os resultados já consumados, as tratativas obviamente não influenciaram a produtividade ou ganhos porventura alcançados. Outra vedação estabelecida pela Lei 10.101/2000, no § 2º do art. 3º, é que os pagamentos ocorram em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano. Contudo, conforme se pode constatar ao analisarse a planilha do anexo 01 do relatório, o contribuinte efetuou pagamentos a título de participação nos lucros e resultados em 03, 07, 11 e 12/2005 e 01, 02, 03, 04, 05, 07, 08 e 12/2006. Como se pode ver, tanto em periodicidade inferior a um semestre civil quanto em mais de duas vezes no mesmo ano, contrariando, portanto, a vedação constante no referido parágrafo § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000. Alimentação: Neste levantamento incluemse os valores suportados pela empresa com despesas realizadas com salário “innatura” – ALIMENTAÇÃO, não consignados nas folhas de pagamento, apresentados em arquivos digitais. Tais valores foram pagos em desacordo com a legislação vigente, uma vez que a empresa não havia procedido à devida inscrição no PAT para o período fiscalizado. Desta forma, os valores pagos ou creditados aos segurados empregados, face ao benefício “ALIMENTAÇÃO” – na forma de salário indireto innatura –, passam a integrar o salário de contribuição na forma da letra “c” do § 9° do art. 28 da Lei nº. 8.212/91 e item III do § 9° do art. 214 do RPS. Auxílio Educação: Esta parcela da remuneração foi ajustada em Acordo Coletivo do Trabalho – ACT, onde a empresa concederia ajuda de custo para formação aos empregados. Contudo, estabeleceuse como condição para a obtenção do benefício apenas os empregados com saláriobase máximo de R$ 3.150,00 (ACT 2005/2006) e foram oferecidas mil vagas a serem preenchidas por ordem de chegada. Fl. 1855DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 4 5 Assim, comprovase que a empresa limitou a participação global dos funcionários ao benefício. Logo, os pagamentos ou créditos aos funcionários foram efetuados em desconformidade com a exigência constante na alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, e são considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias. Multa: Foi aplicada a multa de mora correspondente a 24% prevista na Lei 8.212/91, artigo 35, inciso II, ‘a’ (vigente à época dos fatos geradores) para todas as competências. Responsáveis solidários: Foi verificada a formação de Grupo Econômico com as empresas CEMIG Distribuição S/A (CNPJ 06.981.180/000116) e Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG (CNPJ 17.155.730/000164). Termos de Sujeição Passiva Solidária às fls. 1.240/1.242 e 1.243/1.245, com ciência em 21/12/10. O contribuinte e os responsáveis solidários foram cientificados do presente processo em 21/12/10, conforme assinatura à fl. 2 e Termos de Sujeição Passiva Solidária”. As três empresas apresentaram impugnação única, de fls. 1.276/1.318, tendo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG julgado a impugnação procedente em parte, mantendo o crédito tributário em parte. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 15/04/2014, deuse provimento parcial ao recurso voluntário e não conheceuse do recurso de ofício, prolatandose o Acórdão nº 2401003.490, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 DISPONIBILIZAÇÃO DE BOLSAS DE ESTUDO APENAS A EMPREGADOS COM REMUNERAÇÃO ABAIXO DE DETERMINADO LIMITE. NÃO ATENDIMENTO A REGRA QUE ESTABELECE QUE A ISENÇÃO É CONDICIONADA AO FORNECIMENTO DO BENEFÍCIO A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O estabelecimento norma empresarial que permita a fruição de plano educacional apenas por empregados com remuneração abaixo de determinado limite na empresa fere a regra de isenção que exigia que o benefício fosse estendido a todo o plano funcional, acarretando na incidência de contribuição sobre a verba. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS – PLR. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. Fl. 1856DF CARF MF 6 DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A ausência de estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. FALTA DE DEMONSTRAÇÃO DE QUE A PLR FOI PAGA EM DESCONFORMIDADE COM A LEI. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. Não tendo o fisco, para as competências 03 e 07/2005, apresentado as causas que levaram ao entendimento de que os pagamentos a título de participação nos lucros estariam em desconformidade com a lei de regência, devese declarar improcedentes as contribuições lançadas nas referidas competências. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações tributárias para com a Seguridade Social ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PRAZO DECADENCIAL. PAGMENTO ANTECIPADO. CONTAGEM A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Constatandose a antecipação de pagamento parcial do tributo aplicase, para fins de contagem do prazo decadencial, o critério previsto no §4º do art. 150 do CTN, ou seja, cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece o recurso de ofício, cujo valor exonerado originário do crédito mais a multa, por processo, seja inferior ao limite fixado em ato do Ministro da Fazenda. INTIMAÇÃO DOS PATRONOS. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação dos representantes das partes não tem amparo na legislação processual pátria. Recursos de Ofício Não Conhecido e Voluntário Provido em Parte. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Fl. 1857DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 5 7 “ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de ofício. Quanto ao recurso voluntário: I) Por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido de intimação no endereço do advogado; b) manter a responsabilidade solidária; e c) declarar a decadência até a competência 11/2005, inclusive 13º salário de 2005; II) Por maioria de votos, manter a incidência sobre o auxílio educação, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastavam a incidência; III) com relação as parcelas paga a título de PLR: a) Por unanimidade de votos considerar descumprido o requisito de fixação de critérios e regras claras e objetivas; b) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de pactuação prévia, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; e c) Por maioria de votos, considerar que somente deve haver incidência sobre as parcelas excedentes, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira , que votou pela incidência sobre todas as parcelas do período em que houve o descumprimento do requisito; IV) Por maioria de votos, manter o lançamento referente ao adicional ao RAT, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que afastava o lançamento neste ponto”. O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional, em 23/05/2014 para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 20/06/2014, Recurso Especial. Em seu recurso visa rediscutir as seguintes matérias: a) decadência; b) PLR – competências 03 e 07/2005; e c) PLR – periodicidade. Ao Recurso Especial da Fazenda Nacional foi dado parcial seguimento, para rediscutirse os itens “b” e “c”, conforme Despachos nºs 2400880/2014, da 4ª Câmara, de 20/11/2014 e 2400955R/2014, da CSRF, de 28/11/2014. Em seu Recurso Especial, a Recorrente traz as seguintes alegações em relação às matérias que tiveram seguimento: b) PLR – competências 03 e 07/2005: · que em nenhum momento, nem mesmo na decisão hostilizada, ficou reconhecida a ausência do motivo do lançamento, mas apenas a ausência de motivação; e que a a ausência ou a deficiência na descrição do fato gerador, vício apontado pelo colegiado, não pode ser causa de cancelamento do lançamento, pois se assim fosse estarseia afirmando que o motivo (fato jurídico) nunca existiu. · que uma eventual ausência ou mesmo imprecisão na descrição completa do fato gerador não pode ser considerada como vício a macular todo o lançamento, devendo ser aplicado o princípio de conservação dos atos, uma vez que o fato gerador ocorreu, em que pese poderse considerar como não instruído ou mal instruído o respectivo Auto de Infração; além do que, não houve qualquer prejuízo à defesa do sujeito passivo que demonstrou pleno conhecimento dos motivos que levaram à autuação, exercendo o direito à ampla defesa em sua inteireza. Fl. 1858DF CARF MF 8 · que, assim, demonstrando descaber a declaração de nulidade por cerceamento de defesa, quando o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, é esse, caso de vício formal, passível de convalescimento. · que não há que se confundir falta de motivo com falta de fundamentação/motivação, sendo que a primeira representa a exposição dos motivos, ou seja, a demonstração, por escrito, de que os pressupostos de fato que justificam o ato realmente existiram, já a motivação diz respeito às formalidades que ensejam a formação do ato. · que o presente caso tratase de suposto vício decorrente da ausência ou imprecisão na descrição do fato gerador, que, em nada interferiu na configuração do crédito tributário (em todos os seus elementos); isso porque, em momento algum se afirmou ou concluiu que o fato gerador da obrigação tributária não ocorreu, logo, se se cogitar de vício no lançamento, devese ter como vício formal (na formalização do ato do lançamento), tendo em vista que a suposta falha ocorreu tãosomente na exteriorização do ato do lançamento. · que o acórdão recorrido mostrase equivocado ao afirmar que a ausência de uma descrição mais pormenorizada dos fatos geradores que renderam ensejo ao lançamento constitui causa de improcedência/cancelamento do lançamento, eis que se vício existe no lançamento, este é de natureza formal visto que relacionado a elemento de exteriorização do ato administrativo. · que tratandose de vício relacionado à exteriorização do ato administrativo, este que se revela como requisito atinente à forma do ato administrativo fiscal, correto dizer que referido vício poder ser perfeitamente convalidável, inclusive com base no que preceitua o art. 55 da Lei nº 9.784/99, verbis: “Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração.” · que a convalidação in casu é providência que também se harmoniza com o conteúdo dos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72, dispositivos estes que, privilegiando a instrumentalidade das formas, só determinam a declaração de nulidade em sede do processo administrativo fiscal nos casos de: a) vício de incompetência; b) preterição do direito de defesa, sendo, aqui, imperiosa a transcrição do mencionado art. 60: “Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” c) PLR – periodicidade: Fl. 1859DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 6 9 · que o cerne da questão posta em debate atine à possibilidade de a verba denominada pelo contribuinte como “participação nos lucros” integrar ou não o salário de contribuição para fins de cobrança de exações destinadas à Seguridade Social. · que a empresa efetuou o pagamento nos lucros ou resultados sem observar a periodicidade exigida no artigo 3º da lei nº 10.101/00, ou seja, em periodicidade incompatível com a natureza dos pagamentos de PLR, que são condicionados ao alcance das metas fixadas no acordo celebrado, metas essas que deverão ser atingidas ao final do período fixado. · que a PLR, por sua natureza, exige o estabelecimento de metas (resultados ou lucro) que exigem certo prazo para serem atingidas, e o pagamento deve decorrer do fato de que as metas foram alcançadas, e a não observância da periodicidade fixada em lei, é fator de caracterização da natureza salarial dos pagamentos efetuados, ou seja, tratase de condição imposta pelo legislador, cuja observância é obrigatória, e uma vez não observada enseja a incidência da contribuição social sobre ditos pagamentos. · que os parâmetros estabelecidos em lei, para caracterização da natureza dos pagamentos efetuados são bastante razoáveis, tendo como escopo evitar as fraudes, o que só poderia ser conseguido através da regulamentação através de lei ordinária, a qual em última instância visa apenas garantir o cumprimento dos mandamentos constitucionais. · que a classificação de determinada verba como “participação nos lucros” exige de maneira imprescindível o estrito cumprimento dos requisitos legais, e que, no caso em estudo, restou demasiadamente demonstrado que a participação nos lucros foi efetivada em desacordo com os parâmetros legais, razão pela qual não pode ser admitida a sua exclusão do salário de contribuição. · que o próprio art. 28, § 9º, da Lei n.º 8.212/91 é expresso ao verberar que a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa não integram o salário de contribuição apenas nos casos em que paga ou creditada de acordo com lei específica, o que não foi o caso dos presentes autos. · que o entendimento da incidência apenas sobre a parcela excedente à periodicidade legal não pode prevalecer sob pena de se conferir validade individualizando pagamentos que no seu contexto geral, como acima observado, foram realizados em desconformidade com a Lei específica. · que, descumprida a legislação específica (Lei nº 10.101/2001), não se enquadra o caso no disposto no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, devendo aí incidir a contribuição previdenciária sobre todos os valores pagos a título de PLR pelo empregador. Fl. 1860DF CARF MF 10 Cientificados do acórdão 2401003.490, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN em 09/02/2015, Contribuinte e Contribuintes Solidários apresentaram, conjuntamente, contrarrazões e Recurso Especial em 24/02/2015, portanto, tempestivamente. No recurso, visam a rediscussão das seguintes matérias: a) auxílioeducação; b) PLR e c) responsabilidade solidária das empresas do grupo econômico. Ao Recurso Especial dos Contribuintes foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400080/2015, da 4ª Câmara, de 28/05/2015. No Recurso Especial, os Recorrentes os Recorrentes trazem as seguintes alegações em relação à cada tópico da petição recursal: a) Auxílioeducação: · que o fato gerador das contribuições previdenciárias é o pagamento de remuneração ao trabalhador pelo trabalho desenvolvido (art. 28, I da Lei 8.212/91), e, por outro lado, os valores incorridos na disponibilização de auxílioeducação aos trabalhadores têm como finalidade o incentivo à qualificação profissional e ao maior envolvimento do trabalhador na empresa, sendo uma verba paga para o melhor desempenho e qualificação do empregado e não como retribuição pelos serviços prestados; e que um entendimento diverso seria desvirtuar o fundamento da concessão desse auxílio, para uma melhor qualificação profissional do empregado, desmotivando a concessão de benefícios similares concedidos pelas empresas. · que ao contrário do entendimento da Fiscalização e do Acórdão recorrido, a alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, incluída pela Lei 9.528/97, tãosomente explicita o entendimento acima apresentado, e sendo assim, o que realmente importa para a inclusão de uma parcela no saláriocontribuição é a sua natureza jurídica, não sendo taxativos e exclusivos eventuais critérios listados no referido dispositivo. · que a jurisprudência do STJ já se manifestou pacífica reputando inexistente a natureza salarial do auxílioeducação e a própria PGFN, regulamentando o art. 2º, I de sua Portaria nº 294/2010, autorizou o órgão a não incorrer judicialmente contra decisões em conformidade com a jurisprudência dos Tribunais Superiores. · que a interpretação literal adotada pelo Acórdão recorrido não pode prevalecer, uma vez que a alínea “t” do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 impõe restrição não prevista pela legislação trabalhista, uma vez que o art. 458 da CLT expressamente prevê a ausência de caráter salarial do auxílioeducação, não sendo possível admitir distorção conceitual para fins tributários pela Lei 8.212/91, em virtude da disposição do art. 110 do CTN, lei complementar de normas gerais. · que a Lei nº 12.513/2011 suprimiu o critério de extensão do benefício a todos os empregados, anteriormente previsto no art. 28, §9º, alínea “t” da Lei nº 8.212/91; e que, com base no art. 106, II, “b” do CTN, a nova regra deve ser aplicada retroativamente ao casos dos Fl. 1861DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 7 11 autos, visto que se trata de “ato não definitivamente julgado”, bem como deixou de tratar o fato em exame “como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão”. c) Pagamentos a título de participação nos lucros e resultados (PLR): c.1) assinatura do Acordo Coletivo em data anterior ao período cujos lucros se referem: · que nos termos da legislação de regência, apenas o inciso II do art. 2º, §1º (que exemplifica um dos critérios para distribuição de PLR que pode ser adotado pelas empresas) menciona a necessidade de pactuação prévia; assim, se os critérios adotados forem outros que não os “programas de metas, resultados e prazos”, não há, na Lei, a obrigação de que eles sejam prévios. · que a Lei 10.101/2000 estipula que os critérios a serem fixados sejam escolhidos pelas partes e objeto de acordo antes de serem distribuídos, o que aconteceu no presente caso, já que todos os pagamentos a título de PLR foram efetuados em momento posterior à formalização dos acordos coletivos · que diante da inexistência de prazo legalmente fixado para a formalização dos acordos, não é lícito, sob pena de afronta ao princípio da legalidade administrativa (caput do art. 37 da CF e art. 2º e seu parágrafo único da Lei nº 9.784/1999), que seja invocada a suposta intempestividade deles c.2) regras claras e objetivas nos programas de distribuição de lucros § que um dos fundamentos utilizados pela Fiscalização e mantido pela Turma Julgadora do CARF (sob o rótulo de “regras claras e objetivas”) para embasar a autuação foi a suposta ausência de fixação de metas a serem cumpridas pelos funcionários, porém, conforme se observa da análise do §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, além dos “programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente”, a empresa pode optar por escolher o critério dos “índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa”, o que é o caso da Cemig GT. § que o simples fato de a empresa ter lucro no respectivo exercício é uma meta a ser atingida por todos os beneficiários da PLR, e que a adoção de tal metodologia implica na lógica de que, quanto mais o funcionário contribui para o incremento dos lucros da Companhia, maior será o seu retorno financeiro individual; e que, no presente caso, não há dúvida de que os valores pagos têm natureza de distribuição aos empregados de participação nos resultados da empresa, mesmo porque são os números (lucro) da empresa a base que servirá para o cálculo do valor devido. § que o objetivo de incentivar os funcionários é claramente atingido, uma vez que a empresa criou uma perene rotina de anos de pagamento de participação nos resultados e os empregados sabem, desde o início do Fl. 1862DF CARF MF 12 ano, que é uma política da empresa retribuir o esforço e a produtividade de todos, o que certamente envolveu e envolve as pessoas, criando uma identidade com o bom desempenho da empresa. § que o rol de critérios e condições para pagamento da PLR, estabelecido no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, possui caráter meramente exemplificativo, estando demonstrado, inequivocamente, pela expressão utilizada pelo legislador no dispositivo. Vejamos: §1º Dos fundamentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I – índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II – programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § que a expressão “podendo ser considerados, entre outros” do dispositivo legal acima, permite concluir que seus incisos I e II concedem aos contribuintes meros caminhos que podem ou não ser leitos pelas partes negociantes, sem qualquer repercussão na natureza na verba a ser paga. c.3) periodicidade dos pagamentos da PLR: · que não houve o descumprimento da regra de periodicidade (art. 3º, §2º da Lei 10.101/2000) no pagamento da PLR Extraordinária derivada do ACT 2005/2006, e que, na verdade, os pagamentos realizados nos meses 11 (adiantamento) e 12 (complemento) de 2005, referemse a uma única distribuição de lucros – duas parcelas de um único pagamento, baseado em um único fato gerador: a previsão de distribuição de lucros de PL Extraordinária, conforme previsto no acordo coletivo correspondente. d) Responsabilidade solidária das empresas do grupo econômico: · que para a configuração da responsabilidade solidária não basta a simples verificação de que as empresas pertencem ao mesmo grupo econômico; que é imprescindível a demonstração da prática conjunta do mesmo fato gerador ou do interesse de todas as empresas na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, o que não ocorreu no presente caso. Já, em suas contrarrazões, os Contribuintes alegam que todos os pagamentos feitos pela CEMIG GT à título de PLR sempre foram divididos em semestres, com um pagamento ordinário em março e, caso haja uma distribuição extraordinária, expressamente prevista em acordo coletivo, outro pagamento efetivado em novembro ou dezembro do mesmo Fl. 1863DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 8 13 ano. Por exemplo, o pagamento em 03/2005 (PLR ordinária) decorre do ACT 2004/2005, assim como o pagamento em 11 ou 12/2004 (PLR extraordinária), assim como o pagamento em 03/2006 (PLR ordinária) decorre do ACT 2005/2006, como também o pagamento em 11 ou 12/2005. Ressaltam que durante o procedimento de fiscalização que precedeu a lavratura do Auto de Infração, a autoridade fazendária, para aferição da validade do pagamento de PLR, solicitou à Cemig somente os ACT’s 2005/2006 e 2006/2007 e, no entanto, o lançamento abarcou também pagamentos relativos ao ACT 2004/2005, realizados em março e julho de 2005, e que, consequentemente, a exigência fiscal quanto a essas duas competências apresentase nula, ante a ausência de motivação/fundamentação. Lembram que a Fiscalização sequer utilizou como referência para a autuação o ACT 2004/2005 e, não tendo analisado o teor de suas cláusulas, seria inviável promover qualquer lançamento relativo a pagamentos delas decorrentes; e que essa circunstância não passou desapercebida pelo órgão julgador de 1º grau, uma vez que a DRJ/BHE determinou ao agente fiscal que demonstrasse, devidamente, os motivos de fato que ensejaram o lançamento relativo a tais pagamentos. Argumentam que diante da alegação da Fazenda Nacional de que “a falha do lançamento deveria ser toda superada, ou, quando menos, considerada um vício de natureza formal, não sendo causa de seu cancelamento”, não há como se cogitar de uma possível “superação” do vício de fundamentação da autuação, pois uma vez formalizado o lançamento, esse ato tornase definitivo, somente podendo sofrer alterações nas hipóteses taxativas elencadas no art. 149 do CTN (por exemplo, havendo fraude, dolo ou simulação; ou no caso de quando se deve ser apreciado fato não conhecido anteriormente), inexistindo previsão legal para “aperfeiçoamento” de sua fundamentação de modo indiscriminado. E acrescentam: “Fosse assim, o contribuinte nunca teria uma precisa delimitação dos pontos em que deveria exercer seu direito de ampla defesa, já que a todo momento o lançamento poderia ser complementado e ajustado”. Dizem que é absolutamente equivocada a argumentação traçada pela Fazenda Nacional para tentar qualificar o vício de fundamentação da exigência fiscal como vício formal, uma vez que tais erros se referem a formalidades extrínsecas ao lançamento, sem o qual ele não poderia produzir efeitos (qualificação do autuado, indicação dos dispositivos legais, assinatura da autoridade etc), diversamente do vício material, que se verifica quando a autoridade fazendária, embora preenchendo os requisitos extrínsecos mencionados, descreve e narra de forma deficiente e insuficiente os fatos e motivos que embasam o lançamento – exatamente o que se deu no presente caso. Concluem que a Fiscalização observou todas as formalidades extrínsecas na lavratura do Auto de Infração, mas que, no entanto, para o levantamento da rubrica “PLR”, as exigências situadas nas competências 03 e 07 de 2005 estavam amparadas em fundamentação deficiente (ou mesmo inexiste), qual seja, a simples assertiva de que se tratavam de valores listados na folha de pagamento da Cemig, não sendo justificadas as circunstâncias que em tese caracterizavam o pagamento em desconformidade com a lei. No caso da periodicidade para pagamento da PLR, os Recorrentes entendem que não houve qualquer descumprimento da regra, uma vez que se tratava de um pagamento único, derivado de um mesmo fato, porém, dividido em duas parcelas (assunto tratado no Recurso Especial). Alegam que o inconformismo da Fazenda Nacional – afirmando que houve Fl. 1864DF CARF MF 14 descumprimento da regra e que o correto seria afetar os demais pagamentos a título de PLR – não merece guarida e que na eventualidade de se considerar que houve o descumprimento da regra da periodicidade, apenas os pagamentos tidos como excedentes poderiam ser desqualificados. Argumentam que não há qualquer motivo para se tentar atingir outros pagamentos quando a exclusão do excesso da rubrica torna a situação como um todo regular. Cientificada em 25/08/2015 do Recurso Especial dos Contribuintes, a Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, em 09/09/2015, suas contrarrazões, onde, preliminarmente, alega que não há divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma apresentado no tocante à incidência de contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de auxílioeducação, uma vez que o fundamento do auto de infração para a tributação, e mantido pelo acórdão proferido pelo CARF, cingese ao descumprimento da regra constante da alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/91 no que concerne à exigência de que o benefício seja extensível a todos os empregados (no caso dos autos apenas aqueles que tinham salário inferior a R$ 3.150,00 podiam usufruir do benefício), e por sua vez, o apontado acórdão paradigma não trata do descumprimento de tal requisito específico da cobertura do auxílioeducação, mas da inclusão de ensino superior e aquisição de material escolar. Tratam se de situações fáticas distintas e, portanto, as decisões proferidas nos respectivos autos não têm o condão de formar paradigma apto à interposição de recurso, nos termos do Regimento Interno do CARF. Seguidamente, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações em relação a alguns dos itens do Recurso Especial dos Contribuintes: Do auxílioalimentação pago em ticket sem inscrição no PAT: · que o auxílio alimentação pago por intermédio de ticket alimentação/refeição integra o salário de contribuição, já que pago sem que a empresa estivesse inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). · que, de acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/91, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: · Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; · que a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais, porém, existem Fl. 1865DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 9 15 parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, e que tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n° 8.212/1991: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriode contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; · que conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição a parcela “in natura” recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321. · que o Programa de Alimentação do Trabalhador não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia/ticket, consoante se depreende do art. 4º do Decreto nº 5/1991 que regulamenta o programa: Art. 4º Para a execução dos programas de alimentação do trabalhador; a pessoa jurídica beneficiária pode manter serviço próprio de refeições, distribuir alimentos e firmar convênio com entidades fornecedoras de alimentação coletiva, sociedades civis e sociedades cooperativas. · que a alimentação em pecúnia/ticket não constitui qualquer das modalidades de fornecimento estabelecida no PAT, e assim, para a não incidência da contribuição previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito “in natura” e em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, nos termos do art. 3º, da Lei nº 6.321/76, in verbis: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. · que para fins de beneficiarse da não incidência da contribuição previdenciária, deve o contribuinte satisfazer determinados requisitos exigidos na legislação de regência, dentre eles a comprovação da participação em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, mediante a sua inscrição no PAT, o que não foi cumprido pelo contribuinte. · que a isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação Fl. 1866DF CARF MF 16 que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; · que, ao se admitir a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba, paga aos segurados empregados em afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teria que ser dada interpretação extensiva ao art. 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212/91, o que vai de encontro com a legislação tributária. · que não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre a verba fornecida a título de auxílio alimentação, quando pago em pecúnia ou por intermédio de ticket alimentação, deve persistir o lançamento. Do auxílioeducação fornecido a apenas uma parcela dos empregados: § que embora entenda que o presente Recurso Especial não preenche os requisitos de admissibilidade quanto ao tema em análise, com respaldo no princípio da eventualidade, cumpre tecer algumas considerações. § que conforme disposto na alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212/91, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriode contribuição os valores relativos a planos educacionais, nestes termos: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § que esse mesmo dispositivo legal elencou alguns requisitos a serem cumpridos para que os valores pagos a título de bolsa de estudo não sejam considerados saláriodecontribuição, ou seja, devem visar à educação básica, os cursos devem ser vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, não podem ser utilizados em substituição à parcela salarial e devem ser estendidos a todos os empregados e dirigentes. § que os requisitos não foram integralmente cumpridos no caso dos autos, uma vez que a empresa criou restrição salarial para que os empregados pudessem usufruir do benefício, contrariando a norma que possibilita a exclusão dos respectivos valores do conceito de saláriode contribuição, e que tal fato descaracteriza a isenção prevista na alínea “t” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Fl. 1867DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 10 17 § que conforme o preceito legal, para que os valores do auxílioeducação não constituíssem saláriodecontribuição, necessário que o fornecimento de bolsa de estudo fosse estendido a todos os empregados, o que não se constatou no lançamento em questão. § que não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, deve persistir o lançamento. Da existência de pacto prévio para o adequado pagamento de PLR: · que o pagamento a título de PLR se deu em desconformidade com a legislação de regência, razão pela qual não merece o presente lançamento qualquer alteração. · que os artigos 2º e 3º da Lei nº 10.101/00 prescrevem o seguinte: Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) Fl. 1868DF CARF MF 18 § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. · que atento às regras acima transcritas, cumpre voltar a atenção para os dados constantes dos autos, a fim de se perquirir se a contribuinte em apreço atendeu a todas as exigências legais, podendo exercer o direito de excluir do saláriodecontribuição a verba que denomina como “participação nos lucros”. · que no caso em análise, cabe registrar que não houve celebração de acordo prévio ao exercício, atitude que impede os funcionários de terem conhecimento prévio a respeito de quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação, restando desatendido, portanto, também o requisito da pactuação prévia de regras claras e objetivas. · que segundo uma interpretação teleológica da legislação, pode se inferir que a finalidade da regra para fazer valer a norma jurídica imunizadora é que o trabalhador seja conhecedor dos critérios e condições a serem cumpridos e observados para receber a participação merecida e préacordada, estipulado em acordo ou convenção coletiva, sob pena de o pagamento ocorrer de forma incondicionada, o que o faz fugir do manto de incidência da norma jurídica imunizadora prevista no art. 7, inc. XI da CF/88 e regulamentada pela Lei 10.101/2000. · que o pagamento de participação nos lucros e resultados em desacordo com os dispositivos legais da Lei 10.101/00 enseja a incidência de contribuições previdenciárias, posto a não aplicação da regra do art. 28, §9º, “j” da Lei 8.212/91. Da ausência de regras claras e objetivas para o adequado pagamento de PLR: · que a partir da leitura dos autos podese observar que o referido plano não continha regras claras e objetivas quanto à definição dos critérios a serem preenchidos para obter o direito à percepção da PLR, havendo menção apenas a valores fixos pagos em razão da relação de emprego no caso de lucro da empresa, inexistindo, portanto, qualquer meta individual ou coletiva vinculada ao pagamento. É o relatório. Fl. 1869DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 11 19 Voto Vencido Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. RECURSO ESPECIAL DO SUJEITO PASSIVO Apenas para melhor delimitar a lide o Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo envolve as seguintes matérias: auxílioalimentação concedido em forma de ticket; auxílioeducação; PLR e responsabilidade solidária. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo é tempestivo e atende, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 2268. Contudo, existe solicitação, em sede de contrarrazões pelo não conhecimento do recurso, razão pela qual passo a reexaminar a questão. Do Conhecimento Quanto a alegação da PGFN de não conhecimento da matéria auxílio educação, face tratarse de fatos distintos, entendo que razão lhe assiste. Conforme descrito, o fundamento do auto de infração para a tributação, e mantido pelo acórdão proferido pelo CARF, cingese ao descumprimento da regra constante da alínea “t”, do § 9º, do art. 28, da Lei 8.212/91 no que concerne à exigência de que o benefício seja extensível a todos os empregados (no caso dos autos apenas aqueles que tinham salário inferior a R$ 3.150,00 podiam usufruir do benefício). Vejamos a descrição do lançamento fiscal: "Tratase de exigência previdenciária sobre os pagamentos feitos a empregados da CEMIG GT a título de Ajuda de Custo Para Formação (AuxílioEducação). Em sua origem, o lançamento teve como motivo o fato de o benefício ser restrito aos primeiros 1.000,00 (mil) empregados que se inscrevessem e admitido apenas para aqueles com saláriobase máximo de R$ 3.150,00 (três mil e cento e cinquenta reais). Assim constou no Relatório Fiscal: "Baseado na simples análise desses fatos, ao excluir todos os empregados com remuneração acima de R$ 3.150,00, é correto afirmar que este benefício não se encontra acessível a todos os empregados e dirigentes da empresa encontrandose portanto em desconformidade com a exigência constante na alínea "t" § 9o do art. 28 da Lei 8.212 de 24/07/1991, com redação dada pela Lei 9.711/98. Dessa forma, os valores pagos ou creditados pela empresa a título de "Ajuda de Custo Para Formação Auxílio Educação", por não se encontrarem em conformidade com os requisitos estabelecidos na alínea "t" do § 9° do art. 28 da Lei 8.212 de 24/07/1991 para que não sejam enquadrados no conceito de saláriodecontribuição, serão considerados como base de cálculo de contribuições previdenciárias." Fl. 1870DF CARF MF 20 O Acórdão recorrido manteve a exigência também sob o fundamento de não ter sido atendido o requisito legal de "que o acesso ao plano educacional estivesse disponível a todos os empregados e dirigentes da empresa": Para autoridade fiscal e também para o colegiado de primeira instância a empresa descumpriu a exigência constante na letra "c" acima, posto que, ao condicionar a concessão da verba ao nível salarial do empregado, excluiu de parcela do seu quadro funcional o direito ao benefício." Entendeu a Turma Julgadora que, em razão do preceito do art. 28, §9°, "t" da Lei 8.212/91, quando o auxílio não é estendido a todos os funcionários da empresa, os pagamentos correlatos devem ser incluídos na base contributiva: Por sua vez, o apontado acórdão paradigma não trata do descumprimento de tal requisito específico da cobertura do auxílioeducação, mas da inclusão de ensino superior e aquisição de material escolar, senão vejamos: O fundamento fático do lançamentos encontrase no entendimento fiscal de que a empresa teria custeado a educação, superior, aos seus funcionários que deveria ser considerada remuneração por não estar abrangida no disposto no art. 28,§9º, t, da Lei n. 8.212/1991. Também, por ter sido identificado pagamento de remuneração a membros do Conselho Fiscal da empresa, sobre a qual não teria sido apurado e recolhido contribuições previdenciária pela recorrente em razão de discussão sobre a incidência das mesmas (ação n. 3001593.2005.4.01.3400, em trâmite no TRF da 1ªa Região). [...] Esta turma especial, bem como o CARF/MF, com base de reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, entende que a natureza desse tipo de auxílio pago pelas empresas aos seus empregados, que possibilite que os mesmos possam cursar o ensino superior ou técnico é claro em entender que o disposto da norma extraída do art. 28, §9º, t, aplicase excluindose a incidência da norma de exação. Vaise além, o acima entendimento é de que não se trata sequer de verba remuneratória (pagamento pelo trabalho), mas verba indenizatória, ou investimento propriamente dito, pois é um pagamento para melhoria da execução dos trabalhos prestados (pagamento para o trabalho). E qualquer curso superior, mesmo que aparentemente não vinculado à atividade fim da empresa, representa em claro aumento de produtividade do trabalhador e de suas funções cognitivas. Ora, tais verbas estão fora do conceito de remuneração dos arts. 22, I e 28, I, da Lei n. 8.212/1991, logo, entendo que não se trata de aplicação da norma isentiva, mas sim de um caso de não incidência. Dessa forma, concordo tratarse de situações fáticas distintas e, portanto, não é possível afirmar que se submetêssemos à apreciação do presente lançamento ao colegiado paradigmático, ele adotaria a mesma interpretação dado ao acórdão paradima. Face o exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial da contribuinte quanto à matéria Auxílio Educação. Auxílio Alimentação em Tickets Fl. 1871DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 12 21 Quanto ao fornecimento de alimentação em tickets, ao examinar a questão a Câmara a quo encaminhou por dar provimento ao Recurso de Ofício, por entender que não existe fundamentação que ampare a referida verba do conceito de salário de contribuição: ALIMENTAÇÃO FORNECIDA MEDIANTE TICKETS. FALTA DE ADESÃO AO PAT. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. A empresa deve comprovar a sua regularidade perante o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT para que não incidam contribuições sociais sobre a alimentação fornecida mediante tickets aos seus empregados. Por outro lado, o sujeito passivo assim argumenta para ver provido seu recurso: que o pagamento de auxílioalimentação em forma de ticket não lhe tira a natureza de benefício concedido in natura, vez que tampouco há pagamento em dinheiro/espécie; que essa circunstância já havia sido reconhecida pela 8ª Turma da DRJ/BHE quando, em julgamento, determinou a exclusão do lançamento correlato, com base no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011, o qual precedeu e fundamentou o Ato Declaratório PGFN nº 03/2011; e que não há a contrariedade suscitada pela Turma Julgadora do CARF, segundo o qual o Ato Declaratório, ao tratar de auxílioalimentação in natura, não abarca os tickets. que independentemente da caracterização do benefício concedido em ticket como parcela in natura, é certo que a verba, intrinsecamente, não ostenta natureza remuneratória, sendo inviável cogitar a sua tributação previdenciária. Quanto a este ponto, entendo que o acórdão recorrido não merece qualquer reparo, posto ter acompanhado o relator ao participar do colegiado que apreciou a questão, bem como em todos os julgamentos acerca da questão ter me manifestado no mesmo sentido. Assim, transcrevo o voto do ilustre dr. Kleber Araújo, adotando como razões de decidir, tendo em vista que o mesmo fez uma abordagem completa acerca do tema, senão vejamos: O recurso de ofício se refere à exclusão dos valores levantados a título de “Auxílio Alimentação”, passo agora a sua análise. Os termos lançados no relatório fiscal não deixam dúvida que a verba “Auxílio Alimentação” era repassada mediante o fornecimento de tickets aos empregados, esse fato é incontroverso, posto que não questionado pelo sujeito passivo. Eis as palavras da Autoridade Lançadora: “Tratase de pagamentos efetuados a segurados empregados nos exercícios de 2005 e 2006 a título de Ticket Alimentação (planilha do anexo 03). Esses pagamentos se encontram registrados nas folhas de pagamento apresentadas em meio digital, sendo registrados contabilmente na conta de despesas número 401070, Vale Refeição/Alimentação. Esses pagamentos não foram considerados pelo contribuinte como base de cálculo de contribuições previdenciárias. Fl. 1872DF CARF MF 22 A Auditoria entendeu que seriam devidas contribuições sobre essa parcela, posto que a empresa não comprovou o registro no PAT para o período do lançamento. Verifiquemos, inicialmente, se é aplicável à verba sob comento o Ato Declaratório PGFN n.º 03 (DOU 24/11/2011), que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recurso e desistência dos já interpostos: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária”Alimentação O recurso de ofício se refere à exclusão dos valores levantados a título de “Auxílio Alimentação”, passo agora a sua análise. Os termos lançados no relatório fiscal não deixam dúvida que a verba “Auxílio Alimentação” era repassada mediante o fornecimento de tickets aos empregados, esse fato é incontroverso, posto que não questionado pelo sujeito passivo. Eis as palavras da Autoridade Lançadora: “Tratase de pagamentos efetuados a segurados empregados nos exercícios de 2005 e 2006 a título de Ticket Alimentação (planilha do anexo 03). Esses pagamentos se encontram registrados nas folhas de pagamento apresentadas em meio digital, sendo registrados contabilmente na conta de despesas número 401070, Vale Refeição/Alimentação. Esses pagamentos não foram considerados pelo contribuinte como base de cálculo de contribuições previdenciárias. A Auditoria entendeu que seriam devidas contribuições sobre essa parcela, posto que a empresa não comprovou o registro no PAT para o período do lançamento. Verifiquemos, inicialmente, se é aplicável à verba sob comento o Ato Declaratório PGFN n.º 03 (DOU 24/11/2011), que autoriza a dispensa de apresentação de contestação e interposição de recurso e desistência dos já interpostos: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária” JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). O texto do Ato Declaratório, não há dúvida, referese apenas aos casos de fornecimento in natura. Por isso, devemos investigar se o pagamento efetuado na sistemática acima relatada poderia ser considerado prestação in natura. Verifiquemos a jurisprudência em que se baseou a PGFN para exarar o Ato Declaratório em questão: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE PRE QUESTIONAMENTO.EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. PROGRAMA DE Fl. 1873DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 13 23 ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO PAGO EM ESPÉCIE AOS EMPREGADOS. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO DO FGTS. LEI Nº 6.321/76. LIMITAÇÃO. PORTARIA Nº 326/77. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA HIERARQUIA DAS LEIS. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS MORATÓRIOS PELA TR/TRD. APLICABILIDADE.(...)3. O STJ, em inúmeros julgados, assentou o entendimento de que o pagamento in natura do auxílioalimentação não tem natureza salarial e, como tal, não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária. Pela mesma razão, não integra a base de cálculo das contribuições para o FGTS, igualmente assentado no conceito de "remuneração" (Lei 8.036/90, art. 15). O auxílio alimentação pago em espécie e com habitualidade integra o salário e como tal sofre a incidência da contribuição previdenciária. Precedentes do STJ (REsp 674.999/CE, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 30.05.2005; REsp 611.406/CE, Rel. Min. Franciulli Netto, 2ª Turma, DJ de 02.05.2005;EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004; REsp 643.820/CE, Rel. Min. José Delgado, 1ª Turma, DJ de 18.10.2004; REsp 510.070/DF, Rel. Min. Luiz Fux, 1ª Turma, DJ de 31.05.2004). Por tal razão, o auxílio alimentação pago em espécie com habitualidade também sofrerá a incidência do FGTS.4. "O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT" (EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, 1ª Seção, DJ de 08.11.2004).(...)Ex positis, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial.Publiquese. Intimações necessárias.Brasília (DF), 07 de maio de 2010.(REsp nº 1.119.787SP, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 13/05/2010). *** EMENTA: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL. PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES.1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, Fl. 1874DF CARF MF 24 em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sóci oexecutado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílio alimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária.2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. (grifouse)(...) 5. Recurso especial parcialmente provido.(STJ, REsp 977.238/RS, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ 29/11/2007). *** DECISÃO(...)É pacífica neste Superior Tribunal de Justiça a orientação no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT.( STJ, REsp 333.001/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Herman Benjamin, DJ 17/11/2008) *** TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. 1. O pagamento in natura do auxílio alimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho.2. Ao revés, quando o auxílio alimentação é pago em dinheiro ou seu valor creditado em conta corrente, em caráter habitual e remuneratório, integra a base de cálculo da contribuição previdenciária.3. Precedentes da Seção.4. Embargos de divergência providos. (grifouse)( EREsp 476.194/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ 01.08.2005). Percebese que os quatro julgados acima manifestam claramente o entendimento de que somente se considera o fornecimento in natura quando a alimentação é fornecida diretamente pelo próprio empregador, o que nos leva a concluir que o fornecimento de cartões ou tickets para aquisição de produtos em estabelecimentos comerciais não representa fornecimento in natura. Concluise, portanto, que o Ato Declaratório mencionado não se aplica ao caso em tela. Observese que a motivação da DRJ para Fl. 1875DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 14 25 excluir da apuração a verba paga a título de alimentação foi exatamente a aplicação do Ato Declaratório da PGFN acima referido. Entendo, assim, que não tendo a empresa comprovado a sua adesão ao PAT, é cabível a incidência de contribuições sobre essa parcela, posto que disponibilizada em desacordo com a Lei n. 8.212/1991, conforme se verifica do dispositivo: § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n°6.321, de 14 de abril de 1976; (...) Observese do dispositivo transcrito que a previsão de isenção de contribuição sobre a alimentação fornecida aos empregados condiciona a desoneração a dois requisitos: que a alimentação seja fornecida “in natura” e que a sua disponibilização esteja em conformidade com as normas do PAT. Assim, não tendo a recorrente fornecido a alimentação in natura, além de não comprovar a adesão ao PAT no período do AI, devem incidir contribuições sobre o “Auxílio Alimentação”. Assim, deve ser provido o recurso de ofício apresentado pela DRJ de Belo Horizonte, restabelecendose as contribuições excluídas na decisão de primeira instância. Quanto a este ponto entendo que não existe qualquer reparo a ser feito no acórdão recorrido, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. Responsabilidade Solidária Quanto à configuração da responsabilidade solidária, alega o recorrente solidária que não basta a simples verificação de que as empresas pertencem ao mesmo grupo econômico; que é imprescindível a demonstração da prática conjunta do mesmo fato gerador ou do interesse de todas as empresas na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, o que não ocorreu no presente caso. Quanto ao questionamento dos recorrentes para que se desconsidere a responsabilidade solidária, posto que não existe fundamento jurídico para tanto, não lhe confiro razão. Assim, conforme se depreende da legislação tributária, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que em existindo grupo econômico, deverseá atribuir a todos as empresas do grupo a responsabilidade pelas obrigações principais e acessórias. Importante destacar que em momento algum o recorrente questiona a existência do referido grupo, mas tão somente que isso não seria suficiente para a imputação da solidariedade. Fl. 1876DF CARF MF 26 O artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria trazidas nos presentes autos, ensejando a possibilidade de indicação de várias empresas pelo montante do débito: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” No mesmo sentido, reportase a legislação trabalhista em seu § 2º, do art. 2º da CLT, ao tratar da matéria: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” A Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 265 e 267, nos seguintes termos: “ Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128 do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 1877DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 15 27 Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” Assim, após identificar os dispositivos legais que disciplinam a matéria, pertinente, apreciar os argumento trazidos pelo auditor fiscal, que justificaram a indicação do grupo consubstanciado no art. 124, II do CTN, bem como as alegações do recorrente. Ora, havendo expressa previsão legal, não nos cabe discutir a alegação do recorrente de que: “inviável a aplicação da solidariedade de direito prevista no art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212/91. Isso porque, como visto, a responsabilidade tributária é matéria reservada, pela Constituição Federal de 1988, A lei complementar. Sendo assim, ao fazer uma interpretação sistemática do art. 124, inciso II, do CTN, concluise, inevitavelmente, que a "lei" a que se refere o mencionado dispositivo deverá ser, necessariamente, a lei complementar.” Este Conselho não é competente para declarar ou afastar a aplicação de lei, por entender o recorrente que a mesma possui vício em sua constituição. Dessa forma, quanto à inconstitucionalidade/ilegalidade no dispositivo que imputa responsabilidade solidária ao grupo econômico, não há razão para a recorrente. Como dito, não é de competência da autoridade administrativa a recusa ao cumprimento de norma supostamente inconstitucional, razão pela qual plenamente aplicável a solidariedade. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou Fl. 1878DF CARF MF 28 servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Havendo expressa previsão que ampare a solidariedade descrita no presente lançamento, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso especial do Sujeito Passivo. Participação nos Lucros Quanto à participação nos lucros o sujeito passivo busca a reforma do acórdão recorrido em 3 pontos, trazendo como argumentos: 1) assinatura do Acordo Coletivo em data anterior ao período cujos lucros se referem: que nos termos da legislação de regência, apenas o inciso II do art. 2º, §1º (que exemplifica um dos critérios para distribuição de PLR que pode ser adotado pelas empresas) menciona a necessidade de pactuação prévia; assim, se os critérios adotados forem outros que não os “programas de metas, resultados e prazos”, não há, na Lei, a obrigação de que eles sejam prévios. que a Lei 10.101/2000 estipula que os critérios a serem fixados sejam escolhidos pelas partes e objeto de acordo antes de serem distribuídos, o que aconteceu no presente caso, já que todos os pagamentos a título de PLR foram efetuados em momento posterior à formalização dos acordos coletivos que diante da inexistência de prazo legalmente fixado para a formalização dos acordos, não é lícito, sob pena de afronta ao princípio da legalidade administrativa (caput do art. 37 da CF e art. 2º e seu parágrafo único da Lei nº 9.784/1999), que seja invocada a suposta intempestividade deles 2) regras claras e objetivas nos programas de distribuição de lucros que um dos fundamentos utilizados pela Fiscalização e mantido pela Turma Julgadora do CARF (sob o rótulo de “regras claras e objetivas”) para embasar a autuação foi a suposta ausência de fixação de metas a serem cumpridas pelos funcionários, porém, conforme se observa da análise do §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, além dos “programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente”, a empresa pode optar por escolher o critério dos “índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa”, o que é o caso da Cemig GT. Fl. 1879DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 16 29 que o simples fato de a empresa ter lucro no respectivo exercício é uma meta a ser atingida por todos os beneficiários da PLR, e que a adoção de tal metodologia implica na lógica de que, quanto mais o funcionário contribui para o incremento dos lucros da Companhia, maior será o seu retorno financeiro individual; e que, no presente caso, não há dúvida de que os valores pagos têm natureza de distribuição aos empregados de participação nos resultados da empresa, mesmo porque são os números (lucro) da empresa a base que servirá para o cálculo do valor devido. que o objetivo de incentivar os funcionários é claramente atingido, uma vez que a empresa criou uma perene rotina de anos de pagamento de participação nos resultados e os empregados sabem, desde o início do ano, que é uma política da empresa retribuir o esforço e a produtividade de todos, o que certamente envolveu e envolve as pessoas, criando uma identidade com o bom desempenho da empresa. que o rol de critérios e condições para pagamento da PLR, estabelecido no §1º do art. 2º da Lei 10.101/2000, possui caráter meramente exemplificativo, estando demonstrado, inequivocamente, pela expressão utilizada pelo legislador no dispositivo. que a expressão “podendo ser considerados, entre outros” do dispositivo legal acima, permite concluir que seus incisos I e II concedem aos contribuintes meros caminhos que podem ou não ser leitos pelas partes negociantes, sem qualquer repercussão na natureza na verba a ser paga. c.3) periodicidade dos pagamentos da PLR: que não houve o descumprimento da regra de periodicidade (art. 3º, §2º da Lei 10.101/2000) no pagamento da PLR Extraordinária derivada do ACT 2005/2006, e que, na verdade, os pagamentos realizados nos meses 11 (adiantamento) e 12 (complemento) de 2005, referemse a uma única distribuição de lucros – duas parcelas de um único pagamento, baseado em um único fato gerador: a previsão de distribuição de lucros de PL Extraordinária, conforme previsto no acordo coletivo correspondente. Para que possamos apreciar a questão, antes mesmo de apreciar a argumentação utilizada no acórdão recorrido para negar provimento ao recurso do contribuinte, importante identificarmos a fundamentação da autoridade fiscal: Participação nos Lucros e Resultados – PLR – para os empregados: A empresa fez pagamentos a seus empregados baseados nos Acordos Coletivos de Trabalho – ACT dos anos 2005/2006 e 2006/2007, firmados entre a Cemig e os sindicatos. O contribuinte não apresentou qualquer “conjunto de indicadores e metas”. Pela análise dos ACTs verificase que não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para o pagamento da denominada participação, apenas estipulouse um Fl. 1880DF CARF MF 30 percentual fixo (3%) do Resultado Operacional da empresa como “Montante a ser Distribuído” e estabeleceuse um valor mínimo para o mesmo de trinta e dois milhões de reais. Acordo 2005/2006 Ocorreu em 1/11/05, praticamente transcorrido o ano de 2005, fato admitido pelo próprio texto da cláusula septuagésima oitava do documento ao registrar que o ano de 2005 era “praticamente findo”, o mesmo evidentemente não se prestaria a estabelecer eventuais regras visandose incentivar a produtividade. Além disso, o próprio texto da referida cláusula literalmente confirma a inexistência de “metas a serem atingidas pelos empregados”. Dessa forma, os pagamentos efetuados nos termos dessa cláusula encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2005 e não depois de “praticamente findo”, conforme registro do próprio texto do acordo. Estabeleceuse que os pagamentos seriam efetuados ainda no ano de 2005, sendo três remunerações em novembro e uma em dezembro de 2005. Previase o pagamento da primeira parcela a menos de dez dias após a assinatura do acordo. ACT 2006/2007 As cláusulas do referido acordo foram ajustadas em 30/11/06, com praticamente o mesmo texto do acordo anterior. Ficou estabelecido que os pagamentos seriam efetuados em sua totalidade ainda no ano de 2006 (dezembro). Por se referir também a um período já transcorrido, nos mesmo moldes do Acordo de 2005/2006, cabemlhe as mesmas análises e argumentos. Ao estabelecer critérios após a ocorrência dos fatos, com os resultados já consumados, as tratativas obviamente não influenciaram a produtividade ou ganhos porventura alcançados. Outra vedação estabelecida pela Lei 10.101/2000, no § 2º do art. 3º, é que os pagamentos ocorram em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano. Contudo, conforme se pode constatar ao analisarse a planilha do anexo 01 do relatório, o contribuinte efetuou pagamentos a título de participação nos lucros e resultados em 03, 07, 11 e 12/2005 e 01, 02, 03, 04, 05, 07, 08 e 12/2006. Como se pode ver, tanto em periodicidade inferior a um semestre civil quanto em mais de duas vezes no mesmo ano, contrariando, portanto, a vedação constante no referido parágrafo § 2º do art. 3º da Lei 10.101/2000. Não é nova a discussão no âmbito deste conselho sobre as limitações previstas no texto da Constituição e na própria lei 10.101/2000 para que a distribuição de lucros ou resultados seja excluída do conceito de salário de contribuição. Em relação aos descumprimentos legais descritos pela autoridade fiscal, reproduzo os argumentos trazidos pelo relator do processo na Câmara baixa, os quais adoto como razões de decidir, por concordar com seu posicionamento e por entender que a matéria foi suficientemente, senão vejamos trecho do seu voto: Fl. 1881DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 17 31 b) causas de pagamento das parcelas de PLR e o seu tratamento tributário Observase dos autos que o fisco apurou contribuições sobre a PLR nas competências 03; 07; 11 e 12/2005 e 01; 02; 03; 04; 05; 07; 08 e 12/2006. A verificação da incidência de contribuições sobre tais pagamentos passa, antes de tudo, pela definição da causa do pagamento, ou seja, é necessário vincular cada parcela ao instrumento de negociação que lhe deu origem. Passo a fazer essa análise. Foram acostados pelo fisco os ACT 2005/2006 e 2006/2007. No ACT 2005/2006, assinado em 30/11/2005, o pagamento da PLR vem previsto em duas cláusulas, que tratam do pagamento da PLR ordinária, a qual chamaremos de PLRO, e da PLR extraordinária, a PLRE. Apresento resumos dos termos negociados e constantes nas Cláusulas 78.ª e 79.ª, que podem ser assim resumidas: a) Cláusula 78.ª – PLRO · metas: inexistentes; · valor a ser distribuído: 3% do resultado operacional da empresa, com garantia de distribuição mínima da R$ 32.000.000,00; · pagamento: mês subsequente ao da divulgação dos resultados à Comissão de Valores Mobiliários – CVM, limitado ao mês de maio de 2006 e, a partir de junho de 2006, para os empregados desligados durante o período aquisitivo. b) Cláusula 79.ª – PLRE · metas: menção a superação de objetivos institucionais (não apresentados); · valor a ser distribuído: quatro remunerações vigentes no mês do pagamento; · pagamento: três remunerações no dia 04/11/2005 e uma remuneração no dia 22/12/2005. No ACT 2006/2007, assinado em 30/11/2006, a PLR foi tratada nas Cláusulas 4.ª e 5.ª , conforme abaixo: a) Clásula 4.ª PLRO · metas: negociadas por comissão em conformidade com o Planejamento Estratégico da CEMIG, sem que as regras fossem apresentadas; · valor a ser distribuído: 3% do resultado operacional da empresa; · pagamento: mês subsequente ao da divulgação dos resultados à Comissão de Valores Mobiliários – CVM, Fl. 1882DF CARF MF 32 limitado ao mês de maio de 2007 e, até junho de 2007, para os empregados desligados durante o período aquisitivo. b) Cláusula 5.ª – PLRE · metas: menção a superação de objetivos institucionais (não apresentados); · valor a ser distribuído: 2,8 remunerações vigentes no mês do pagamento; · pagamento: no dia 06/12/2006. [...] Passemos às demais competências. Do cotejo do relatório fiscal com as alegações apresentadas pela autuada, montei a tabela abaixo, a qual apresenta os pagamentos e os instrumentos de negociação que lhes serviram de base: . FLS. 21 (1910) TABELA De posse dessa tabela, já é possível fazer uma análise das disposições negociadas que deram origem às parcelas tratadas na apuração, as quais se resumem a PLRE (ACT 2005/2006); PLRO (ACT 2005/2006) e PLRE (ACT 2006/2007), posto que as demais são acessórias destas. I) PLRE (ACT 2005/2006): esta parcela prevista na Cláusula 79.ª do ACT, fere a Lei n. 10.101/2000, nos seguintes aspectos: a) acordo firmado ao final do período – 30/11/2005: Sobre essa questão, a recorrente aduz que não há na Lei n.º 10.101/2000 qualquer dispositivo fixando o prazo entre a assinatura do acordo e pagamento da verba, por isso não deve prevalecer a incidência de contribuição sobre os valores pagos a título de PLR. Vejamos. Para dar vida ao comando constitucional que trata da participação dos empregados nos lucros ou resultados das empresas foi editada a Medida Provisória n. 794, de 29/12/1994, que, após várias reedições, foi convertida na Lei n.º 10.101//2000. Eis dispositivos da Lei sob comento: Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos Fl. 1883DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 18 33 direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; IIprogramas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. Verificase que o legislador condicionou o pagamento de participação nos lucros à negociação entre capital e trabalho, devendo o instrumento decorrente do ajuste firmado conter claramente as condições necessárias à aquisição do direito ao recebimento da PLR. Embora a Lei n.º 10.101/2000 não carregue uma disposição explícita prevendo o lapso de tempo entre a assinatura do acordo e o pagamento da PLR, entendo que decorre de seu texto que os requisitos necessários a fruição do benefício trabalhista devem ter sido previamente estipulados. Não consigo visualizar as regras sendo fixadas durante o transcurso do jogo. Para que os trabalhadores sintamse motivados atingir os objetivos que lhe trariam o direito à participação nos resultados da empresa, sem dúvida, é necessário que, durante o período aquisitivo, os mesmos tenham pleno conhecimento de todas as regras atinentes ao pagamento da PLR. Não fosse assim, os trabalhadores não teriam como aferir se estariam alcançando os objetivos que lhe dariam direito à PLR. A lógica intrínseca ao sistema de pagamento da PLR exige que os seus beneficiários conheçam as regras que presidem o processo e, assim, possam contribuir com seu esforço para o alcance das condições fixadas no ajuste com o patrão visando à participação nos lucros. Por esse motivo, entendo que a celebração do acordo entre empregador e empregados durante o transcurso do período de aquisição do referido direito desatende ao o § 1.º do art. 2.º da Lei n.º 10.101/2000. Nesse sentido, não se pode falar na exclusão do saláriodecontribuição pretendida pelas recorrentes, posto que a lei previdenciária somente afasta a incidência de contribuição quando a verba é paga de acordo com a lei regulamentadora. Eis o texto da Lei n.º 8.212/1991: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) Fl. 1884DF CARF MF 34 j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (...) Pois bem, considerandose que o acordo para pagamento da PLR foi assinado somente no final do exercício de 2005, ou seja, praticamente ao término do período de aquisição do beneficio, entendo que houve o descumprimento da Lei n.º 10.101/2000, posto que o ajuste prevê regras para todo o ano. Ora, temse na espécie o estabelecimento de normas com efeitos retroativos, o que se choca com a previsão legal de que a concessão do benefício esteja condicionada ao cumprimento de requisitos que sejam claros para os trabalhadores. Tem sido esse o entendimento prevalente nessa turma de julgamento, como se pode ver no voto condutor do Acórdão n.º 240100.839, da lavra da Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, em sessão realizada no dia 03/12/2009: “Entendo, que o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros ou resultados alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, antes do início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento.” b) inexistência de regras claras e objetivas Acerca da suposta inexistência de regras claras assinaladas pelo fisco, entendo que lhe devo dar razão. A leitura da cláusula do ACT não deixa dúvida de que não havia naquele instrumento o estabelecimento de qualquer regra ou critério, mas apenas menção a estes. Vejamos: CLÁUSULA SEPTUAGÉSIMA NONA Considerandose o excelente desempenho empresarial verificado até a presente data da assinatura deste Acordo Coletivo e sua projeção para o ano de 2005, e que este desempenho também é fruto do esforço de seus Empregados que suplantaram o cumprimento proporcional das metas estabelecidas para o ano, a CEMIG distribuirá a título de Participação nos Resultados –distribuição Extraordinária – PRE, a importância total equivalente a 4 (quatro) remunerações vigentes no mês de pagamento. Além disso, o fisco intimou, sem sucesso, a empresa a apresentar as metas estipuladas que dariam direito à percepção da PLR. Assim, diante da recusa do sujeito passivo em apresentar esses esclarecimentos, deve prevalecer o entendimento do fisco, posto que nos autos não há qualquer elemento que dê guarida á tese da recorrente. c) periodicidade Fl. 1885DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 19 35 Quanto à periodicidade, observo que houve quebra da regra legal, posto que a PLRE foi paga no ano de 2005 nos meses de novembro e dezembro. Essa sistemática contraria o § 2. do art. 3. da Lei da PLR, que dispõe: Art. 3o (.....) (.....) § 2.o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Observese que a norma veda o pagamento da verba em periodicidade inferior a um semestre civil, mesmo que a título de antecipação. [...] II) PLRO (ACT 2005/2006): esta parcela prevista na Cláusula 78.ª do ACT, fere a Lei n. 12.101/2000, uma vez que não possui regra ou critério para obtenção do benefício, como se pode ver da redação do ajuste: CLÁUSULA SEPTUAGÉSIMA OITAVA Considerandose que o ano de 2005 é ano praticamente findo, e que para o mesmo não foram pactuadas metas a serem atingidas pelos empregados, a CEMIG efetuará a seguinte distribuição relativa ao ano base de 2005 para pagamento em 2006: (grifo nosso III) PLRE (ACT 2006/2007): esta parcela prevista na Cláusula 5.ª do ACT, fere a Lei n. 10.101/2000, nos seguintes aspectos: a) acordo firmado ao final do período – 30/11/2006: conforme já ponderei acima, entendo que a assinatura do ACT ao final do período aquisitivo representa violação à Lei n. 10.101/2000, art. 2. , posto que, a interpretação desse dispositivo leva à conclusão de que as normas que presidem o processo de pagamento da PLR devem ser pactuadas previamente ao período aquisitivo do benefício. b) inexistência de regras claras e objetivas Acerca da suposta inexistência de regras claras assinaladas pelo fisco, a minha conclusão é a mesma adotada no acordo do ano anterior, posto que a Cláusula 5.ª é semelhante a Cláusula 79.ª do ACT 2005/2006, não mencionando as regras e os critérios que necessários ao pagamento da PLR. Por outro lado, a empresa não atendeu ao fisco quando intimada a apresentar as regras tomadas como referência para pagamento da PLR. As colocações do Conselheiro Kleber Araújo, as quais acompanhei no julgamento da Câmara baixa expressam de forma objetiva os requisitos descumpridos pelo recorrente, não havendo reparos a serem feitos, muito menos acatados argumentos de que a pactuação prévia seria exigida apenas em relação a metas. Na forma como pago o PLR em questão, encontrase evidente que o que se buscou foi gratificar, premiar trabalhadores, Fl. 1886DF CARF MF 36 descumprindo o preceito básico previsto no texto da CF/88, de que a PLR busca estimular a participação do empregado no capital da empresa. Quanto a periodicidade melhor sorte não assiste ao recorrente, tendo em vista que a empresa claramente descumpriu regra clara da lei 10.101/2000, mais precisamente o §2º do art. 3º, senão vejamos: Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Ou seja, o legislador é claro quando descreve que no art. 3º que a PLR não deve substituir ou complementar a remuneração, vedando o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Assim, ao pagar mais de duas vezes descaracterizado encontra se todo o PLR do contribuinte, razão pela qual deve ser tributado em sua totalidade. Dessa forma, em relação ao PLR, entendo que restaram descumpridos os requisitos tanto em relação a existência de regras claras e objetivas, necessidade de pactuação prévia ao exercício a que se referem, bem como periodicidade, razão pela qual NEGO PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Apenas para melhor delimitar a lide o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional envolve as seguintes matérias: Da natureza do vício; Periodicidade Exclusão apenas das parcelas excedentes. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela PGFN é tempestivo e , no meu entender, atenderia, em princípio, aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, fls. 1960. Quanto ao conhecimento da matéria "natureza do vício", entendo deva ser conhecida pelos fundamentos trazidos no próprio acórdão recorrido, senão vejamos: Diante dessas considerações, percebese que os pagamentos de PLR nas competências 03 e 07/2005 não estão contemplados nas cláusulas mencionadas. A DRJ percebeu essa questão e na diligência requerida, pediu explicação à autoridade lançadora acerca da causa desses pagamentos. Em sua resposta, fls. 1.761 e segs, o fisco limitouse a afirmar que constavam nas folhas de pagamento apresentadas valores correspondentes a pagamento de PLR, o que justificaria o lançamento. Chamada a se manifestar sobre a informação fiscal, a recorrente mencionou que o lançamento para as competências 03 e 07/2005 é carente de motivação, uma vez que o fisco não teria demonstrado as desconformidades dos pagamentos com a Lei da PLR. Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 20 37 De fato, analisando os termos de intimação, pude perceber que o fisco requereu a apresentação apenas dos ACT de 2005/2006 e de 2006/2007. Por outro lado, o relatório fiscal não faz menção a possíveis falhas em acordos firmados anteriormente. Vejo que no cumprimento da diligência fiscal, a autoridade notificante poderia ter solicitado o ACT 2004/2005, de modo a analisar se suas cláusulas estariam em consonância com as determinações legais. Ocorre que preferiu apenas justificar a tributação da verba, em razão de estar incluída na folha de pagamento. A meu ver essa falta de motivação contraria o disposto no art. 142 do CTN devendose declarar a improcedência do lançamento nas competências 03 e 07/2005 para o levantamento PL – PART LUCROS E RESULTADOS. Ocorre que essas competências já foram excluídas em razão termos reconhecido a decadência até a competência 11/2005. Assim, não teria essa conclusão interferência no resultado desse julgamento, todavia, irá alterar o destino da lide correlata, travada no processo relativo ao descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores na GFIP, justificando, portanto, a apreciação deste ponto do lançamento. Ou seja, embora não conste do decisum a expressa manifestação de nulidade, o relator deixa claro em seu voto que a manifestação sobre a nulidade do período decadente tem por objeto nortear o resultado da obrigação acessória de informar em GFIP os fatos geradores, razão pela qual entendo ter a Fazenda Nacional, interesse recursal sobre o vício declarado. Dessa forma, encaminho pelo CONHECIMENTO INTEGRAL do recurso especial da Fazenda Nacional. Contudo, tendo sido vencida quanto ao conhecimento da matéria natureza do vício, apenas esclareço a motivação pela qual conheço do recurso, deixando de manifestarme quanto ao mérito. Periodicidade Exclusão apenas das parcelas excedentes Conforme descrito no relatório fiscal, através das planilhas citadas e das folhas de pagamento constatouse que, para uma parcela de empregados, o contribuinte pagou a título de antecipação ou distribuição, nas rubricas referentes a Participações nos Lucros ou Resultados, três parcelas no ano calendário 2002, contrariando o disposto no § 2º artigo 3º da Lei 10101/00, que veda pagamentos em periodicidade inferior a um semestre civil , ou mais de duas vezes no ano civil. Às fls. 174 e seguintes o auditor lançou planilhas que demonstram os empregados que receberam mais de duas parcelas a titulo de PLR, planilha esta não contestada pelo recorrente. Realmente, conforme apontado pelo auditor, a lei 10.101/2000 não admite o pagamento de PLR mais duas vezes no ano, ou com periodicidade inferior a um semestre civil, ou seja, entendo que os dois prazos são cumulativos e não uma opção. Assim, ao pagar PLR em desconformidade com a lei, em relação a periodicidade, passam os valores distribuídos em sua totalidade a compor o conceito de salário de contribuição. Assim descreve o dispositivo legal a respeito: Art. 3º A participação de que trata o art. 2onão substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem Fl. 1888DF CARF MF 38 constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §2oÉ vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Contudo, para que seja descumprido o requisito da periodicidade, deve o auditor indicar que a empresa distribuiu efetivamente PLR aos empregados com a inobservância da lei. Quanto a alegação que não paga em mais de duas parcelas, mas tão somente antecipa a primeira parcela entendo que razão não assiste ao recorrente. Observase que a lei 10.101 (§2º do art. 3º) é enfática ao dizer que é VEDADO O PAGAMENTO DE QUALQUER ANTECIPAÇÃO OU DISTRIBUIÇÃO. Assim, entendo acertado o lançamento em relação aos empregados que receberam PLR mais de 2 vezes no mesmo ano, ou em periodicidade inferior a um semestre. A empresa, para obedecer os ditames legais, e valerse da exclusão, deve adequar seus planos, nos mais diversos exercícios de forma a que não haja pagamento ou distribuição acima dos limites legais, quais sejam, duas vezes no ano e uma vez por semestre na época da ocorrência do presente lançamento. Descrita a fundamentação pela qual entendo que o pagamento mais de 2 vezes por ano, ou em periodicidade inferior ao estabelecido em lei encontrase vedado, devemos avançar nas razões do recurso especial. Determinou o acórdão recorrido a manutenção do lançamento apenas em relação a parcela excedente, conforme podemos extrair dos pontos trazidos pelo relator: Quanto à periodicidade, observo que houve quebra da regra legal, posto que a PLRE foi paga no ano de 2005 nos meses de novembro e dezembro. Essa sistemática contraria o § 2. do art. 3. da Lei da PLR, que dispõe: Art. 3o (.....) (.....) § 2.o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. Observese que a norma veda o pagamento da verba em periodicidade inferior a um semestre civil, mesmo que a título de antecipação. Todavia, tem sido entendimento majoritário dessa Turma que apenas a parcela excedente à periodicidade legal é que deve sofrer a tributação. Assim, a parcela de 11/2005 deveria ser afastada não fosse a sua exclusão pela decadência. Essa análise foi necessária em razão da influência que terá no julgamento do processo 15504.019402/200921, auto de infração de obrigação acessória relativo à falta de declaração de fatos geradores na GFIP. Todavia, entendo que a interpretação adotada, embora não interfira diretamente no lançamento, já que a competência excluída também o fora pela decadência, não Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 21 39 se mostra a mais acertada, tendo em vista que em momento algum a lei 10.101/2000, determina que o descumprimento enseja a exclusão parcial dos fatos geradores. Destacase, ainda, outro ponto que atribui fragilidade a essa tese: como seria possível, objetivamente, escolher qual a parcela que seria excluída? A ausência de qualquer previsão legal a respeito, associada a subjetividade atribuída pelo relator fragiliza, ainda mais, a referida tese. Ademais, a lei 10.101/2000 descreve uma expressa vedação, cujo descumprimento implica desnaturar todo o PLR atribuído, razão pela qual deve ser tributada a totalidade das rubricas. Cito julgados do TST e TRF que corroboram referida argumentação de que, em havendo descumprimento da periodocidade estabelecida na lei 10.101/2000, todo o PLR encontrase desnaturado: TRF1 APELAÇÃO CIVEL AC 31295 MG 2002.38.00.031295 1 (TRF1) Data de publicação: 29/11/2005 PROCESSUAL CIVIL, CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE DA SENTENÇA. REJEIÇÃO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA. ART. 7º , XI , DA CF/1988 . AUTO APLICABILIDADE. PAGAMENTOS EM PERÍODOS INFERIORES A UM SEMESTRE. DESCARACTERIZAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO EM LUCROS. LEI Nº 10.101 , de 2000, ART. 3º , § 2º. VERBA HONORÁRIA. CONDENAÇÃO DA FAZENDA PÚBLICA. APLICAÇÃO DO ART. 20 , § 4º , DO CPC . [...] 3. Todavia, após a vigência da Medida Provisória nº 794 , de 29.12.1994, convertida na Lei nº 10.101 , de 2000, a distribuição de valores em periodicidade inferior a um semestre civil descaracteriza a participação em lucros, em face da vedação contida no art. 3º , § 2º , dos referidos atos legislativos. [...] TST RECURSO DE REVISTA RR 15477420125010431 (TST) Data de publicação: 24/04/2015 Ementa:RECURSO DE REVISTA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PAGAMENTO MENSAL. PREVISÃO EM NORMA COLETIVA. INTEGRAÇÃO EM OUTRAS PARCELAS. O art. 3.º , § 2.º , da Lei n.º 10.101 /2000, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.º 12.832 /2013, veda o pagamento da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), em mais de duas vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a um trimestre civil. Inferese da regulamentação promovida pela Lei n.º 10.101 /2000, ao art. 7.º , XI , da Constituição Federal , que se buscou evitar que a PLR passasse a ser paga como complemento ao salário mensal e acabasse substituindo parte da Fl. 1890DF CARF MF 40 remuneração, conforme expressamente proibido no caput do referido art. 3.º Temse, assim, que referida regra objetivou, também, dificultar a transformação de salário em PLR com o fito de diminuir artificialmente os encargos decorrentes da relação de emprego. Ademais, a eventualidade do pagamento da PLR, conforme expressamente previsto na lei, permite diferenciála de parcelas salariais, afastando a possibilidade de sua incorporação, uma vez que a natureza salarial de uma parcela pressupõe periodicidade, uniformidade e habitualidade no seu pagamento. Desse modo, considerando que a lei repele o pagamento mensal da referida parcela, ainda que o nosso ordenamento jurídico disponha que o pactuado em acordo faz lei entre as partes, por injunção do art. 7.º , XXVI , da Constituição Federal , não há como reconhecer acordos e convenções coletivas que contrariem a legislação em vigor. No caso dos autos, as partes acordantes desviaramse dos objetivos e da finalidade da lei, ao autorizar o pagamento mensal da participação nos resultados, devendo ser reputado inválido o ajuste coletivo, que não pode subsistir aos termos da legislação em vigor, razão pela qual deve ser mantido o reconhecimento da natureza salarial da parcela mensalmente paga e sua integração na base de cálculos de outras verbas salariais, conforme decidido no Regional de origem. Recurso de Revista... Ou seja, embora não tenha influência direta no lançamento, já que mantido sob outros fundamentos de descumprimento de PLR (lei 10.101/2000), entendo que a PGFN possui interesse recursal em ver afastada a tese acatada em sua maioria pelo colegiado a quo de que em descumprido o §2º do art. 3º da lei 10.101/2000, sob o fundamento de que apenas haveria incidência de contribuições previdenciárias sobre a parcela excedente. Face ao exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Especial da Fazenda Nacional para afastar a tese de que em descumprindo o §2º do art. 3º da lei 10.101/2000, tributarseia apenas as parcelas excedentes. Conclusão Em relação ao Recurso Especial do Contribuinte, voto por CONHECÊLO EM PARTE, para na parte conhecida NEGARLHE PROVIMENTO. Em relação ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, voto por CONHECÊ LO, para, no mérito DARLHE PROVIMENTO para afastar a tese de que em descumprindo o §2º do art. 3º da lei 10.101/2000, tributarseia apenas as parcelas excedentes. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 22 41 Voto Vencedor Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora Designada. Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora apenas no que tange ao conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mais especificamente quanto ao conhecimento da matéria referente à suposta declaração de nulidade do lançamento nos períodos de 03, 07 e 11/2005. O acórdão recorrido traz a seguinte decisão: "ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os conselheiros Igor e Carolina Wanderley Landim, que negavam provimento. Quanto ao recurso voluntário: I) Por unanimidade de votos: a) indeferir o pedido de intimação no endereço do advogado; b) manter a responsabilidade solidária; e c) declarar a decadência até a competência 11/2005, inclusive 13º salário de 2005; II) Por maioria de votos, manter a incidência sobre o auxílio educação, vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que afastavam a incidência; III) com relação as parcelas paga a título de PLR: a) Por unanimidade de votos considerar descumprido o requisito de fixação de critérios e regras claras e objetivas; b) Pelo voto de qualidade considerar descumprido o requisito de pactuação prévia, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que votaram por considerar cumprido o requisito; e c) Por maioria de votos, considerar que somente deve haver incidência sobre as parcelas excedentes, vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votou pela incidência sobre todas as parcelas do período em que houve o descumprimento do requisito; e IV) Por maioria de votos, manter o lançamento referente ao adicional ao RAT, vencida a conselheira Carolina Wanderley Landim, que afastava o lançamento neste ponto." (grifei) Como se pode constatar, por unanimidade de votos foi declarada a decadência até a competência 11/2005, inclusive quanto ao 13º salário. Por outro lado, não há qualquer menção, no decisum, a eventual nulidade, tampouco sobre natureza de vício, se formal ou material, já que as competências em que a questão da nulidade teria sido levantada 03 e 07/2005 estavam contidas no período fulminado pela decadência. A impossibilidade de proferirse decisão acerca desse ponto foi inclusive reconhecida no próprio acórdão recorrido, que assim registrou: "Diante dessas considerações, percebese que os pagamentos de PLR nas competências 03 e 07/2005 não estão contemplados nas cláusulas mencionadas. A DRJ percebeu essa questão e na diligência requerida, pediu explicação à autoridade lançadora acerca da causa desses pagamentos. Fl. 1892DF CARF MF 42 (...) De fato, analisando os termos de intimação, pude perceber que o fisco requereu a apresentação apenas dos ACT de 2005/2006 e de 2006/2007. Por outro lado, o relatório fiscal não faz menção a possíveis falhas em acordos firmados anteriormente. (...) A meu ver essa falta de motivação contraria o disposto no art. 142 do CTN devendose declarar a improcedência do lançamento nas competências 03 e 07/2005 para o levantamento PL – PART LUCROS E RESULTADOS. Ocorre que essas competências já foram excluídas em razão termos reconhecido a decadência até a competência 11/2005. Assim, não teria essa conclusão interferência no resultado desse julgamento, todavia, irá alterar o destino da lide correlata, travada no processo relativo ao descumprimento da obrigação acessória de declarar todos os fatos geradores na GFIP, justificando, portanto, a apreciação deste ponto do lançamento." (grifei) Assim, constatase que a manifestação do voto acerca da eventual nulidade relativa aos períodos de 03 e 07/2005, uma vez que não se refletiu no dispositivo do acórdão que considerou esses períodos fulminados pela decadência constituiu um mero registro do Relator. Com efeito, esse ponto somente poderia ser retomado caso a decadência viesse a ser afastada no período em questão, oportunidade em que o processo teria de retornar à Turma recorrida, para apreciação de questões cuja análise tenha restado prejudicada pela declaração de decadência, como é o caso da nulidade ora tratada. Nesse passo, verificase que a Fazenda Nacional suscitou em seu Recurso Especial primeiramente a revisão da declaração de decadência e, caso esta fosse efetivamente afastada, a revisão da declaração de nulidade dos períodos 03, 07 e 11/2005, como se essa última matéria houvesse sido julgada pelo Colegiado a quo, o que não ocorreu. Reprisese que tratouse de mero registro do Relator, suplantado pela declaração de decadência desses períodos, cujo eventual afastamento implicaria o necessário retorno dos autos à Turma recorrida, já que ao menos a apreciação dessa questão da nulidade restou prejudicada. Confira se o teor do Recurso Especial da Fazenda Nacional, na parte em que trata da nulidade: "Afastada a preliminar de decadência, em virtude da aplicação do artigo 173 do CTN para sua contagem nos termos acima expostos, cabem aqui outras considerações quanto ao mérito propriamente dito, especialmente em relação ao levantamento PLR das competências 03, 07 e 11/2005. Estas "outras considerações" a que alude a Fazenda Nacional dizem respeito exatamente à questão da nulidade registrada no voto condutor do acórdão recorrido. Após transcrever esse ponto, a Fazenda Nacional assim conclui: Em consequência das razões acima expostas, o Colegiado decidiu afastar da exigência o levantamento PLR relativo às competências 03 e 07/2005. O entendimento vergastado no acórdão recorrido diverge do posicionamento firmado pelos acórdãos ora indicados como paradigmas. " (grifei) Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10680.725038/201011 Acórdão n.º 9202005.516 CSRFT2 Fl. 23 43 De plano, constatase o equívoco na conclusão da Fazenda Nacional, ao asseverar que "o Colegiado" decidiu afastar da exigência o levantamento PLR relativo às competências 03 e 07/2005 pela nulidade, já que tratouse apenas de um mero registro levado a cabo pelo Relator. Quanto ao Colegiado, este declarou a decadência relativamente ao período objeto da nulidade, o que efetivamente é incompatível com qualquer outra deliberação, seja em sede de preliminar ou de mérito. Destarte, ainda que a decadência fosse afastada, não haveria qualquer sentido na interposição de Recurso Especial sobre matéria que não foi julgada pelo Colegiado, mas apenas mencionada no voto do Relator. A situação tornase ainda mais insólita pelo não seguimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional, em caráter definitivo, no que tange à decadência, de sorte que a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria a examinar matéria que, ainda que houvesse sido objeto de deliberação por parte do Colegiado recorrido o que se admite apenas para argumentar teria sido superada pela decadência declarada em caráter definitivo pela Turma a quo. Diante do exposto, por não vislumbrarse qualquer utilidade na discussão de matéria não julgada, objeto de período fulminado pela decadência, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, na parte em que suscitou a revisão da suposta declaração de nulidade dos períodos de 03, 07 e 11/2005. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo. Fl. 1894DF CARF MF
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Numero do processo: 16707.005069/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 14/11/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65.
Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65).
Numero da decisão: 2202-004.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
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RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE DE ÓRGÃO PÚBLICO. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 65. Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige (Súmula CARF nº 65). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 50 69 /2 00 7- 97 Fl. 71DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 19515.001700/200813. "Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a cobrança do crédito tributário. O Auto de Infração foi lavrado por descumprimento de obrigação acessória verificada durante ação fiscal realizada em órgão público. A autuação ocorreu em nome do sujeito passivo, na condição de dirigente de órgão público, por força do disposto no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, vigente à época dos fatos geradores. O recorrente tomou ciência do lançamento e apresentou defesa, entretanto, a primeira instância de julgamento manteve a autuação. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário ao CARF, onde alega a improcedência da autuação. É o relatório." Voto Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 2202004.158, de 03/10/2017, proferido no julgamento do processo 19515.001700/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 2202004.158): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. O lançamento em questão foi efetuado contra o dirigente do órgão público com base no art. 41 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, que, à época dos fatos geradores, estabelecia: Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 16707.005069/200797 Acórdão n.º 2202004.266 S2C2T2 Fl. 3 3 Contudo, o dispositivo transcrito foi revogado pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, não mais se aplicando, contra dirigente de órgão público, a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Sobre a matéria, a Súmula CARF nº 65 dispõe o seguinte: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Em função disso, aplicase ao caso, a retroatividade benigna de que trata a alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN): Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: [...] c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifei) Portanto, o lançamento em questão deve ser cancelado. Conclusão Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relator" Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.903020/2009-00
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.955
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 20 /2 00 9- 00 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, do anexo II, do antigo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3402001.715, de 24/04/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2000 a 31/08/2000 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Para melhor contextualizar os fatos ocorridos, transcrevo parte do voto da decisão recorrida: "Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tãosomente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.Custas ex lege. Publiquese" Na decisão recorrida a Turma não incluiu as receitas financeiras decorrentes das operações bancárias na base de cálculo da contribuição. O provimento foi parcial apenas "devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário (...)". A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, recurso especial apontando paradigma e demonstrando a divergência quanto à base de cálculo das contribuições Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 4 3 das instituições financeiras. Em apertada síntese, defendeu o entendimento no sentido de que para as instituições financeiras as receitas decorrentes de prestação de serviços abrangem tanto as advindas da cobrança de taxas e tarifas quanto aquelas de intermediação financeira. Aduz que não pode se depreender da declaração de inconstitucionalidade do STF que o conceito de faturamento é restrito. Isso porque a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência das contribuições como as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas, e não somente a venda de mercadorias ou de serviços do contribuinte. Assim, por perfilar desse entendimento, afirma inexistir violação à coisa julgada formada nos autos da ação judicial proposta pelo contribuinte. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões, pedindo que seja negado provimento ao recurso. Em resumo, defende que a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP deve se dar sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviço, com a consequente exclusão das receitas financeiras decorrentes das operações bancárias. Assim, no seu entender, a receita de prestação de serviços, que configura o faturamento das instituições financeiras e seguradoras, englobaria apenas as taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições, sendo que as receitas da atividade financeira propriamente dita estariam fora do conceito de faturamento fixado pelo STF. Assevera ainda que adotar outro entendimento resultaria em ofensa direta à coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, que, na sua compreensão, teria determinado que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP fosse calculada com base no faturamento, entendido como a receita da venda de mercadorias e a prestação de serviços. Ressaltese que, em suas contrarrazçoes, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.944, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10675.720831/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.944): Fl. 289DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 5 4 "(...) No mérito, discutese entendimento sobre o que vem a ser “receita” para as instituições do mercado financeiro. Como relatado, a Recorrente obteve decisão judicial (Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782,) para calcular o PIS utilizando o conceito de faturamento, cujo significado corresponde a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esse entendimento ficou claro na fundamentação do voto constante da decisão judicial, conforme trechos acima transcritos no Relatório. Portanto, como se vê, a questão referese ao sentido a ser atribuído à expressão “o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, especificamente para a compreensão do que se entende por “receita de serviços” para as instituições financeiras. Pois bem. No meu entender, a referida decisão judicial efetivamente não adentrou no mérito da discussão sobre o que deve ser entendido por receita de serviços para as instituições financeiras. Logo, não há que se falar em desrespeito a coisa julgada: a decisão judicial apenas afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, na esteira do que já restara assentado no Supremo Tribunal Federal, e definiu que a base de cálculo da contribuição deve ser o faturamento, “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. E mais nada! Contudo, resta ainda a discussão sobre a conceito de “faturamento” para fins de incidência do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, ou seja, sobre o que deve ser entendido por “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” em relação às instituições financeiras. Como muito bem destacado no voto condutor do Acórdão CSRF nº 9303002940, julgado em 03/06/2014, que tratou especificamente sobre a mesma matéria deste litígio, a controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a matéria decidiu, em sistemática de Repercussão Geral, nos seguintes termos: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 6 5 Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Portanto, tanto a decisão judicial obtida pelo contribuinte quanto o julgado do STF que reconheceu a repercussão geral para a matéria, apenas afastou a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, mas não adentrou no alcance das receitas financeiras, nem tampouco ventilou a possibilidade de exclusão da receita bruta operacional do faturamento. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal já fixou o conceito de receita bruta como sendo não somente aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também à soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais. Nesse sentido, vejamos o leading case RE 390.840/MG, onde o Ministro Cezar Peluzo delimita o conceito de faturamento nos seguintes termos: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação”. (negritei) No mesmo sentido, vejamos os trechos dos pronunciamentos dos Ministros Marco Aurélio, Carlos Brito, Cezar Peluzo e Sepúlveda Pertence sobre a matéria, trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na ocasião do julgamento do Pleno do STF dos Recursos Extraordinários nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR (leading cases): Min. Marco Aurélio (relator): Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Min. Carlos Brito: Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Min. Veloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 7 6 “a) a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda; Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente aqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Min. Cezar Peluso: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgado proferido no RE 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Min. Sepúlveda Pertence: “(...) Lamentando não poder nada mais acrescentar a tudo que aqui foi dito hoje, acompanho o voto do Min. Cezar Peluso e, nos outros casos, o do Ministro Marco Aurélio.” Destarte, resta claro que o entendimento assentado no STF é de que faturamento não se restringe unicamente à venda de mercadorias e serviços, mas também às receitas decorrentes de outras atividades empresariais desempenhadas pelo sujeito passivo, como delimita objetivamente o Ministro Cezar Peluzo no RE 444.601ED: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." Em conclusão, no meu entender, em consonância com a jurisprudência do STF, o faturamento das instituições financeiras deve compreender não apenas as receitas de prestação de serviços (taxas e tarifas), mas também as demais receitas decorrentes de outras atividades empresariais da recorrente. Pois bem. E quais são as atividades empresariais típicas de um banco? A clara delimitação de quais são as atividades empresariais da Recorrente pode ser extraída do seu próprio Estatuto Social (efls. 79/ss), onde consta: Artigo 2º O objeto social do BANCO TRIÂNGULO S.A. é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à carteira comercial, à carteira de crédito, financiamento e investimento e à carteira de investimentos, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Percebese, portanto, que o rol de atividades indicadas no objeto social da Recorrente (operações ativas e passivas inerentes às carteiras comercial, de crédito, financiamento e investimento) envolve necessariamente, de forma ampla, todas as receitas decorrentes e/ou provenientes da prestação de serviços de intermediação financeira, dentre as quais podemos citar os “spreads bancários”, prêmios, ágios/deságios na venda de moedas estrangeiras (receitas cambiais), juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamento bancário, negociação de títulos e valores mobiliários, etc..., em suma, todas as receitas ordinárias, típicas, provenientes da prestação de serviços geradas pelos bancos. A meu ver, não há como fazer uma interpretação restritiva para abarcar no conceito de receita bruta apenas aquelas decorrentes das receitas com “taxas e tarifas” cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários, como pretende a Recorrente. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10675.903020/200900 Acórdão n.º 9303005.955 CSRFT3 Fl. 8 7 Categoricamente, todos sabem, o negócio principal de um banco não se restringe apenas em cobrar taxas ou tarifas pela prestação de serviços bancários (sobre a abertura ou manutenção de contascorrentes, pela emissão de talonário de cheques, pelo fornecimento de extratos bancários, etc...), até mesmo porque em muitos casos, após um determinado volume de movimentação financeira de seus clientes, estas taxas e tarifas são até mesmo isentadas. Estas últimas representam, a bem da verdade, atividades acessórias àquela principal. A essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerente à sua carteira comercial (desconto de duplicatas, com um percentual de deságio, p. ex.), carteira de crédito (os valores depositados por determinados clientes na instituição são oferecidos a outros clientes, por meio de empréstimos, cheques especiais, etc... devidamente remunerados pelos juros cobrados), etc... Aliás, são justamente essas atividades que constam como objeto social no Estatuto Social da Recorrente. Destarte, é de concluirse que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Por conseguinte, as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, aqui incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeira, compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições. Por fim, registrese que a jurisprudência desta Câmara Superior tem decidido no mesmo sentido defendido neste voto (Acórdãos nº 9303002.962; 9303002.960, 9303 002.957, dentre outros). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial. " No presente processo o recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional, de sorte que o resultado do julgamento deve ser pelo seu provimento, dado que o resultado do paradigma, no qual o recurso especial foi do contribuinte, foi por negar provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 293DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.902422/2009-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO.
A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/06/2001
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-005.242
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PROVA DO INDÉBITO. Recorrente TOTAL ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. PROVA DO INDÉBITO. A apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é condição para a homologação das compensações. No entanto, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, com a retificação das informações deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, a fim de comprovar ser líquido e certo o indébito tributário pleiteado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2001 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. É do Contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Pelo princípio da verdade material, o papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo interessado. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento. Vencidas as Conselheiras Érika Costa Camargos Autran e Tatiana Midori Migiyama, que lhe deram provimento parcial com retorno dos autos à Unidade de Origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 24 22 /2 00 9- 48 Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão nº 380302.079, de 7 de novembro de 2011, proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF. A discussão dos presentes autos tem origem em PER/DCOMP apresentada para compensar os débitos nela declarados com crédito oriundo pagamento a maior de PIS/Cofins. A DRFVarginha/MG não homologou as compensações declaradas sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de outros débitos do Contribuinte, espontaneamente confessados, não restando saldo disponível para compensação. O Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando, em síntese, que após a declaração de inconstitucionalidade do § 1º o do artigo 3ºo da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, pelo STF, recalculou a contribuição devida no período, excluindo da base de cálculo as receitas financeiras. A diferença apurada foi usada como crédito na Dcomp. A DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. O Colegiado do CARF, por unanimidade de votou, negou provimento ao recurso, em face da falta de retificação da DCTF e da ausência de comprovação da liquidez e certeza do crédito alegado, conforme acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2001 Ementa: ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2001 Ementa: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 4 3 É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acórdão recorrido. Suscitou divergência quanto à necessidade de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP, apresentando, como paradigmas, os acórdãos 3302001.805 e 3302001.797. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido conforme despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que entendeu ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestandose pelo não provimento do recurso especial, para manter o v. acórdão recorrido. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.226, de 20/06/2017, proferido no julgamento do processo 10660.902282/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.226): Da Admissibilidade O Recurso Especial é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O Contribuinte suscita divergência quanto à incumbência de provar a liquidez e certeza do direito de crédito pleiteado, indicando como paradigmas os Acórdãos 3302 001.805, nº 3302001.797 e nº 140200.926, cuja cópia de inteiro teor foi anexada à peça recursal. Do voto condutor deste acórdão, extraio o seguinte trecho, que evidencia que a decisão fundamentouse em entendimento divergente do adotado na decisão recorrida: "A existência de pagamento indevido ou a maior em nenhum momento foi avaliada pela DRF, que se limitou a informar que o alegado crédito estava totalmente alocado a outros débitos conforme informado em DCTF. Ora, como tenho me manifestado em diversas ocasiões, no âmbito do processo administrativo impera o princípio da verdade material, que obriga a autoridade administrativa a analisar exaustivamente os fatos alegados pelos contribuintes, Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 5 4 solicitando inclusive diligencias e apresentação de novas provas das alegações existentes no processo administrativo fiscal. (...) Nesta linha de pensar, a autoridade preparadora deve promover a análise da liquidez e certeza do alegado crédito, com base nos documentos existentes dos autos e outros mais que entender necessários tendo por norte o principio da verdade material, e, no caso de serem os créditos suficientes, homologar as compensações efetuadas. Caso contrário, sejam compensados os débitos declarados até o limite dos créditos existentes e intimada a contribuinte para a apresentação de manifestação de inconformidade contra a homologação parcial das compensações." Assim, no paradigma entendeuse que incumbe à Administração Tributária aquilo que, na decisão recorrida, foi atribuído ao Contribuinte, restando comprovada e demonstrada a divergência suscitada, motivo pelo qual do conheço o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte. Do Mérito Com a devida vênia ao bem fundamentado voto da Ilsutre Conselheira Relatora, a maioria do Colegiado divergiu do seu entendimento, pelas razões que serão consignadas no presente voto vencedor. O mérito do recurso especial cingese à necessidade (ou não) de apresentação de retificadora de DCTF em momento anterior à transmissão do PER/DCOMP referente aos valores envolvidos na compensação, bem como ser ônus da Autoridade Fiscal a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário. A compensação de créditos decorrentes do pagamento indevido ou a maior é prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, e regulamentada por meio da IN RFB nº 1.717/2017, atualmente em vigor. Indispensável à homologação do pedido de compensação é a existência de crédito líquido e certo do Contribuinte, bem como esteja devidamente demonstrado nos autos do processo administrativo. No recurso especial, a Contribuinte insurgese face à não homologação de seu pedido de compensação, alegando ser dispensável a apresentação de DCTF retificadora para tanto. Além disso, alega que tendo sido transmitidas as declarações obrigatórias pelo Sujeito Passivo, o dever de buscar outros documentos que eventualmente entenda necessários à comprovação da certeza e liquidez do crédito é do julgador administrativo. De fato, o crédito tributário da Contribuinte e seu direito à restituição/compensação não nasce com a apresentação da DCTF retificadora, mas sim com o pagamento indevido ou a maior. Portanto, a apresentação da DCTF retificadora não é requisito indispensável à homologação da compensação, mas a certeza e liquidez do indébito tributário deve restar comprovada por outros meios nos autos do processo administrativo. Nesse sentido, é o Parecer Cosit nº 02/2015, de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: “NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 6 5 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 7 6 administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. e processo 11170.720001/201442 No caso dos autos, da fundamentação do acórdão recorrido depreendese ter sido explicitado o entendimento para manutenção da glosa das compensações, pois, além de não ter havido prova da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado na compensação pela Contribuinte, por meio de documentos fiscais, não foi transmitida a DCTF retificadora prévia e espontaneamente ao despacho decisório, conforme autorizado pelo art. 10 da IN SRF nº/2004, vigente à época. Segundo a decisão combatida, tivesse a Contribuinte apresentado a DCTF retificadora, seria transferido para o Fisco o ônus da posterior verificação do seu procedimento. Embora se entenda que a apresentação de DCTF retificadora anteriormente à prolação do despacho decisório não é uma condição para a homologação das compensações, referida declaração não tem o condão de, por si só, comprovar a certeza e liquidez do crédito tributário. Não sendo o caso de mero erro material, quando da sua apresentação, deve o Sujeito Passivo trazer outros elementos de prova aptos a lastrear a alegação de recolhimento indevido ou a maior, providência não adotada no caso em exame. De outro lado, no que concerne ao ônus da prova da certeza e liquidez do crédito tributário, devese ter claro que, pelo princípio da verdade material, norteador do processo administrativo, o julgador tem o poderdever de buscar o esclarecimento dos fatos, adotando providências no sentido de conduzir o processo à busca da verdade real dos fatos. No entanto, o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complemenares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Nesse sentido, é a disposição do art. 373 do Código de Processo Civil de 2015, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1º Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10660.902422/200948 Acórdão n.º 9303005.242 CSRFT3 Fl. 8 7 nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2º A decisão prevista no §1º deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3º A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I recair sobre direito indisponível da parte; II tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4º A convenção de que trata o §3º pode ser celebrada antes ou durante o processo. Dentro do princípio da cooperação no processo, mudança significativa introduzida pelo Novo Código de Processo Civil, as partes envolvidas na lide podem solicitar provas e buscálas, sendo concebido o processo para todos os envolvidos, inclusive o juiz da causa. No entanto, não se pode interpretar referida diretriz como total transferência do ônus probatório. A providência só poderá ocorrer mediante decisão devidamente fundamentada. No caso em exame, com a manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, limitouse a contribuinte a juntar a DCTF e DACON, não trazendo quaisquer outros elementos de prova que comprovem a certeza e liquidez do crédito tributário. Portanto, nesse caso, não cabe se falar em ônus do julgador em solicitar providências complementares, pois sequer foram juntados documentos fiscais e contábeis, de sua posse, para essa comprovação. Diante do exposto, negouse provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 172DF CARF MF
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Numero do processo: 13560.000190/96-69
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon May 07 00:00:00 UTC 2001
Ementa: ITR. NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL. 1) É NULA a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de formalidade. 2) Notificação que não produza efeitos, descabida a apreciação do mérito.
ANULADO O PROCESSO "AB INITIO".
Numero da decisão: CSRF/03-03.158
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. O Conselheiro vencido fará Declaração de voto.
Nome do relator: Nilton Luiz Bartoli
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CONTRIBUINTES SESSÃO DE 07 DE MAIO DE 2001 ACÓRDÃO N.O CSRF/03-03.158 ITR. NULIDADE. FORMALIDADE ESSENCIAL. 1) É NULA a Notificação de Lançamento que não preencha os requisitos de formalidade. 2) Notificação que não produza efeitos, 'descabida a apreciação do mérito. ANULADO O PROCESSO "AB INITIO". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DECLARAR a nulidade do lançamento por vício formal, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Henrique Prado Megda. O Conselheiro vencido fará Declaração de voto. FORMALIZADO EM: 1 9 NOV 200r Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Moacyr de Medeiros, Márcia Regina Machado Melaré, Paulo Roberto Cuco Antunes e João Holanda Costa. 2 .. Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 Recurso nr. RP/202-0.259-A Recorrente: FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra decisão da douta 28 Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que lavrou Acórdão com a seguinte ementa: "ITR - LAUDOS PERICIAIS - Admitidos como prova consistente em reiteradas decisões desse Colegiado Administrativo. Atendidas as formalidades exigidas, merece a documentação o melhor acolhimento. Recurso provido:' A colenda Terceira Câmara entendeu que os Laudos de Avaliação ofertados pelo contribuinte apresentavam os requisitos necessários para legitimar a sua pretensão, qual seja, a reavaliação dos cálculos do VTN. Há voto divergente vencido, do Conselheiro José de Almeida Coelho, sustentando que, embora o Laudo de Avaliação seja bem detalhado, não indica a metodologia de mensuração do valor, não indicando em que se baseou o técnico para chegar aos valores indicados. Insurgiu-se a Procuradoria da Fazenda Nacional entendendo que: a) em que pese a idoneidade da Declaração da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e do Banco do Nordeste, tais documentos não estão datados; b) o documento expedido pela Prefeitura Municipal de Jequié-BA fixa valores superiores aos constantes do Laudo de Avaliação; c) o documento emitido pela Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola - EBDA estima diferente valor para a terra de segundo tipo; d) mesmo considerando a. média dos valores constantes das declarações da Prefeitura Municipal de Jequié e da EBDA, o montante encontrado é superior ao constante dos Laudos de Avaliação; e) a avaliação da cobertura vegetal 4 ... -.------_.._-~_.._.¥--~~--~.--_.~_._.__..,._-.-_ __ ,---_.___ ""--_,, ,.~.---_.__.--.-..:.....". ... - ,-"-.. Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 constante dos laudos de avaliação estão embasados no "Orçamento Agropecuário do Estado da Bahia" e no "Banco do Nordeste", porém tais documentos não estão datados; e) a avaliação dos imóveis não registra outras informações além da área e da quantidade de cômodos, afim de que se pudesse conferir e conclui pelo valor venal a que se atribuiu aos mesmos. Em contra-razões o contribuinte praticamente se limitou a repetir os termos de suas manifestações anteriores. É o Relatório. 5 . J Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 VOTO Conselheiro NILTON LUIZ BARTOLl, Relator Conhecemos do Recurso Voluntário, por ser tempestivo, por atender aos demais requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. E, após a análise de todo o processado, chega-se à conclusão de que é de se declarar a nulidade da Notificação de Lançamento constante dos autos. Explica-se ... o processo é constituído de uma relação estabelecida através do vínculo entre pessoas (julgador, autor e réu), que representa requisitos material (o vínculo entre essas pessoas) e formal (regulamentação pela norma jurídica), produzindo uma nova situação para os que nele se envolvem. Essa relação traduz-se pela aplicação da vontade concreta da lei. Desde logo, para atingir-se tal referencial, pressupõe-se uma seqüência de acontecimentos desde a composição do litígio até a sentença final. Para que a relação processual se complete é necessário o cumprimento de certos requisitos, quais sejam (dentre outros): Os pressupostos processuais - são os requisitos materiais e formais necessários ao estabelecimento da relação processua São os dados para a análise de viabilidade do exercício de direito sob o 6 Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 ponto de vista processual, sem os quais levará ao indeferimento da inicial, ocasionando a sua extinção. As condições da ação (desenvolvimento) - é a verificação da possibilidade jurídica do pedido, da legitimidade da parte para a causa e do interesse jurídico na tutela jurisdicional, sem os quais o julgador não apreciará o pedido. A extinção do processo por vício de pressuposto ou ausência de condição da ação só deve prevalecer quando o feito detectado pelo julgador seja insuperável ou quando ordenado o saneamento, a parte deixe de promovê-lo no prazo que se lhe tenha assinado. A ausência desses elementos não permite que se produza a eficácia de coisa julgada material e, desde que não seja julgado o mérito, não há preclusão temporal para essa matéria, qualquer que seja a fase do processo. Inobservados os pressupostos processuais ou as condições da ação ocorrerá a extinção prematura do processo sem julgamento ou composição' do litígio, eis que tal vício levará ao indeferimento da inicial. Nessa linha seguem ~s normas disciplinadoras no âmbito da Secretaria da Receita Federal, senão vejamos: "ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT N.o02 DE 03/02/1999: O Coordenador Geral do Sistema de Tributação, no uso das atribuições que lhe confere o art. 199, inciso IV, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n.o 227, de 03/09/98, e tendo em vista o disposto nos arts. 142 e 173, inciso 11, da Lei n.O 5.172/66 (CTN), nos arts. 10 e 11 do Decreto n.° 70.235/72 e no art. 6° da IN/SRF n.O 94, de 24/09/97, declara, em caráter normativo, à 7 __ H"''''_.' _. •..• ~, ••. _~- -,., .. -.-.- .. _ .....• --'-" . ••• ., ••• , ••• ••• ••••••• __ ••• _ •••••••••••••••• H" _ •••• __ ••• ••••••• _ •••••• ," Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que: - os lançamentos que contiverem vício de forma - incluídos aqueles constituídos em desacordo com o disposto no art. 5° da IN/SRF n.o 94, de 1997 - devem ~ declarados nulos de ofício pela autoridade competente;(sublinhei) Dessa forma, pode o julgador desde logo extinguir o processo sem apreciação do mérito, haja vista que encontrou um defeito insanável nas questões preliminares de formação na relação processual, que é a inobservância, na Notificação de Lançamento, do nome, cargo, o número da matrícula e a assinatura do autuante, essa última dispensável quando da emissão da notificação por processamento eletrônico. Agir de outra maneira, frente a um vício insanável, importaria subverter a missão do processo e a função do julgador. Ademais, dispõe o art. 173 da Lei n.o 5.172/66 - CTN (nulidade por vício formal) que haverá vício de forma sempre que, na formação ou na declaração da vontade traduzida no ato administrativo, foi preterida alguma formalidade essencial ou o ato efetivado não tenha sido na forma legalmente prevista. Têm-se, por exemplo, o Acórdão CSRF/01-0.538, de 23/05/85. E, nos autos, encontra-se notificação de lançamento que não traz, em seu bojo, formalidade essencial, qual seja o nome, cargo e o número da matrícula do autuante. Demonstrada está a eiva que conduz a nulidade da notificação de lançamento, não mais havendo o que comentar sobre essa matéria. Diante do exposto, SOU PELA ANULAÇÃO DO 8 '-I I I i i Processo nr. 13560.000190/96-69 Acórdão nr. CSRF/03-03.158 PROCESSO, DESDE SEU INíCIO, declarando nula a notificação de lançamento constante dos autos. Sala das Sessões, (DF), em 07 de maio de 2001 NIIÂ-~ z ;-JOLl ~LAT 7.' 9 ..~. Processo nO Recurso nO Recorrente SujoPassivo Acórdão n° : 13560.000190/96-69 : RP/202-0.259-A : FAZENDA NACIONAL : NILSON ALBERTO ANJOS : CSRF103-03.158 DECLARAÇÃO DE VOTO ......... ~:..:- CONSELHEIRO HENRIQUE PRADO MEGDA Data .vênia, sinto-me na obrigação de discordar do ilustre Conselheiro Relator no que toca a declaração da nulidade da Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR e contribuições acessórias, com base nos artigos 5°, inciso VI, e 6°, da IN SRF nO94/97, e par. único, do art. 11, do Decreto n° 70.235/72, com fulcro nos fundamentos que tem dado suporte às decisões da Colenda Segunda Câmara do E Terceiro Conselho de Contribuintes, como segue: Os dispositivos legais da IN SRF citada estabelecem, .verbis: "1° A revisão sistemática das declarações apresentadas pelos contribuintes, relativas a tributos ou.contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, far-se-á mediante a utilização de malhas: I - nacionais ... 11 - locais ... Art. 2° As declarações retidas em malhas deverão ser distribuídas, para exame, a Auditor-Fiscal do Tesouro Nacional - AFTN, pelo titular da unidade de fiscalização da DRF ou IRF-A do domicílio do declarante. Art. 3° O AFTN responsável pela revisão da declaração deverá intimar o contribuinte a prestar esclarecimentos sobre qualquer falha nela detectada, fixando prazo para atendimento da solicitação. Processo nO Acórdão nO : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 Art. 4° Se da revisão de que trata o art. 1° for constatada infração a dispositivos da legislação tributária proceder-se-á ao lançamento de ofício, mediante lavratura de auto de infração. Art. 5° Em conformidade com o disposto no art. 142 da Lei nO5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN) o auto de infração lavrado de acordo com o artigo anterior conterá, obrigatoriamente: .............................................................................................................. VI - o nome, o cargo, o número de matrícula e a assinatura do AFTN autuante; ........................................................................................................... A análise da legislação retro mostra, sem sombra de dúvida, que se trata de declarações retidas em malhas, cujo procedimento fiscal de revisão, efetuado manualmente por AFTN, pode resultar em lançamento de oficio, consubstanciado em Auto de Infração. A própria ementa do ato evidencia a sua natureza - "Dispõe sobre o lançamento suplementar de tributos e contribuições". Não obstante, o documento cuja nulidade foi declarada pelo voto aqui contestado, nada tem a ver com o procedimento acima, posto que se. trata de Notificação. de Lançamento, emitida em função do lançamento normal, efetuado por processamento eletrônico de dados, com base nas informações cadastrais fornecidas pelo próprio contribuinte. Assim, fica evidenciada a inadequação da aplicação da IN SRF nO 94/97 ao lançamento normal do ITR e contribuições. Claro está que referido tributo também pode vir a ser objeto de malhas fiscais, de revisão manual de declarações por AFTN, e de lavratura de Auto de Infração, porém não foi este o procedimento adotado no caso em questão, nem na maciça maioria dos processos de ITR que aportam a este Conselho de Contribuintes. Demonstrada a inaplicabilidade do citado ato legal ao caso em tela, resta perquirir sobre as formalidades necessárias às Notificações de Lançamento, documento este aplicado à exigência do ITR e contribuições. Processo nO Acórdão nO : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 o art. 11, do Decreto n° 70.235/72, determina, verbis: "Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do notificado; \I - o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; 111 - a disposição legal infringida, se for o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Par. único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processamento eletrônico." A exigência contida no inciso I, acima, não pode ser afastada, sob pena de estabelecer-se dúvida sobre o pólo passivo da relação tributária, dada a multiplicidade de contribuintes do ITR. A ausência da informação prescrita no inciso 11, por sua vez, impediria o próprio recolhimento do tributo, já que a sistemática de lançamento da Lei nO 8.847/94 prevê a apuração do montante pela própria autoridade administrativa, sem a intervenção do contribuinte, a não ser pelo fornecimento dos dados cadastrais. No que tange ao requisito do inciso 111, este possibilita o estabelecimento do contraditório e a ampla defesa, razão pela qual não pode ser olvidado. Quanto à informações exigidas no inciso IV, note-se que elas dizem respeito ao "chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado", e não ao "agente fiscal do tesouro nacional autuante", até porque Notificação de Lançamento não se confunde com Auto de Infração. Tais informações, na prática, são imprescindíveis apenas naqueles lançamentos individualizados, efetuados pessoalmente pelo chefe da repartição ou por outro servidor por ele autorizado. O Processo nO Acórdão n° : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 cumprimento deste requisito, por certo, evita que o lançamento seja efetuado por pessoa incompetente. Já o lançamento do ITR é um procedimento massificado, processado eletronicamente, tendo em vista o grande universo de contribuintes. Assim, torna-se difícil a personalização do procedimento, a ponto de individualizar-se o pólo ativo da relação tributária. Dir-se-ia que a Notificação de Lançamento do ITR é um documento institucional, cujas características - o tipo de papel e de impressão, o símbolo das Armas Nacionais e a expressão "Ministério da Fazenda - Secretaria da Receita Federal" - não deixam dúvidas sobre a autoria do lançamento. Aliás, muitas vezes ~stas características identificam com mais eficiência a repartição lançadora, perante o contribuinte, que o nome do administrador local, seu cargo ou matrícula. O que se quer mostrar é que não são apenas estes dados que conferem credibilidade e autenticidade ao documento, em face de seu destinatário. Além disso, nas Notificações do ITR está registrada como remetente (órgão expedidor) a repartição do domicílio fiscal do contribuinte, assim entendida a Delegacia ou Agência da Receita Federal, com o respectivo endereço. Ainda que algum destinatário tivesse dúvidas sobre a Notificação recebida, haveria plenas condições de dirigir-se à repartição, para quaisquer esclarecimentos, inclusive com acesso ao próprio chefe do órgão. Conclui-se, portanto, que em termos práticos, em nada prejudica o contribuinte, o fato de não constar da Notificação de Lançamento do ITR a personalização da autoridade expedidora. Vejamos, agora, as demais implicações, à luz do Decreto nO 70.235n2, com as alterações da Lei nO8.748/93. O art. 59 do citado diploma legal estabelece, verbis: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Processo nO Acórdão n° : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 11- os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importam em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na SOluçãodo litígio." Por tudo o que foi exposto, conclui~se que o vício formal que aqui se analisa não caracterizou ato lavrado por pessoa incompetente, nem tampouco ocasionou o cerceamento do direito de defesa dos contribuintes. A maior prova disso consiste nas milhares de impugnações apresentadas aos órgãos preparadores. Tanto assim que os respectivos processos chegaram a este Conselho, em grau de recurso. Assim, o vício em questão não importa em nulidade, e poderia ter sido sanado, caso houvesse resultado em prejuízo para o sujeito passivo. Cabe ainda analisar a questão sob o ponto de vista da economia processual. A nulidade que aqui se discute foi declaré:lda de ofício pela Douta COrlselheira Relatora, conforme a parte dispositiva ao final do voto. Ainda que a nulidade houvesse sido arguida pelo recorrente, caberia a análise do mérito, em face . do par. 3°, do mesmo art. 59, do Decreto nO70.235/72, que aqui se transcreve: "Par. 3° Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Tal declaração de ofício traz outras consequências que podem ser prejudiciais ao contribuinte, principalmente em função do art. 173, inciso li, da Lei nO 5.172/66, a saber: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 11 - da data em que se tomar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado." Processo nO Acórdão n° : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 É entendimento pacífico no âmbito da Receita Federal que, embora o inciso acima contenha a expressão "que houver anulado", trata-se efetivamente de nulidade, posto que o dispositivo se refere a vício formal. Assim, a autoridade lançadora disporá de cinco anos para repetir O ato inquinado, desta vez certamente adotando todos os procedimentos elencados no art. 11 do Decreto nO70.235/72. Para muitos contribuintes, dependendo do caso, é preferível o julgamento do mérito, à declaração de nulidade, o que conduziria certamente a um novo lançamento, .com a repetição de lodo um ritual que, na maioria dos casos, onera o sujeito passivo com despesas de Laudo Técnico de Avaliação, honorários advocatícios, etc. Principalmente para aqueles que já foram vitoriosos em primeira instância, e vêm discutir no Conselho de Contribuintes apenas os acréscimos e penalidades pecuniárias. Para estes, certamente, não seria agradável submeter-se a um novo julgamento de primeira instância, dado o princípio da eventualidade. Ademais, assim se expressa o ilustre Conselheiro PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JÚNIOR , no voto condutor do Acórdão que negou acolhimento à preliminar de Nulidade do Lancamento referente ao recurso 121.519 do Terceiro Conselho de Contribuintes: O art. 9 do Decreto n° 70.235172, com a redação que a ele foi dada pelo art. 10 da Lei 8.748193, estabelece: "A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." No artigo 142 do CTN são indicados os procedimentos para constituição do crédito tributário, que é, sempre, decorrente do surgimento de uma obrigação tributária, descrevendo o lançamento como: 1. a verificação da ocorrência. do fato gerador: Processo nO Acórdão n° : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 2. a determinação da matéria tributável: 3. o cálculo do montante do tributo: 4. a identificação do sujeito passivo: 5. proposição da penalidade cabível, sendo o caso, Como já se viu, a penalização da exigência do crédito tributário far- se-á através de auto de infração ou de notificação de lançamento, lavrando-se autos e notificações distintos para cada tributo, a fim de não tumultuar sua apreciação, em face da diversidade das legislações de regência. A legislação que regula o Processo Administrativo Fiscal estabelece, no art. 1 1, do Decreto 70.235n2, o que a notificação de lançamento, expedida pelo órgão que admini~tra o tributo conterá obrigatoriamente, entre outros requisitos, "a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número da matrícula", prescindindo dessa assinatura a notificação emitida por processo eletrônico. Já o artigo 59 do Decreto 70.235/72 diz serem nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de.defesa. o dispositivo subseqüente, artigo 60, reza que "as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior nãó importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Assim, a Notificação de Lançamento que não contivera assinatura, quando for o caso, com indicação do chefe do órgão expedidor, ou de servidor autorizado, com a menção de seu cargo ou função e seu número de matrícula, não se enquadra entre as situações de irregularidades, incorreções e omissões, um dos requisitos obrigatórios desse documento, não podendo ser sanados e.não deixam de implicar em nulidade. Processo nO Acórdão nO : 13560.000190/96-69 : CSRF/03-03.158 Isso porque constituem cerceamento do direito de defesa, porque não se fica sabendo se se trata de ato praticado por servidor incompetente, os dois casos de nulidades absolutas insanáveis, pois está fundada em princípios de ordem pública a obrigatoriedade de os atos serem praticados por quem possuir a necessária competência legal. Todavia, todas essas considerações não se aplicam à questão em tela, "Notificação de Lançamento do ITR@', até 31112/96, por se tratar de uma notificação atípica, pois, ao contrário do que estatui o artigo 9' do Decreto I. 70.235172, ela não se refere a um s6 imposto. Ela abarca, além do ITR, as Contribuições Sindicais destinadas às entidades, patronais e profissionais, relacionadas com a atividade agropecuária. Essas contribuições, segundo a legislação de regência, tem a seguinte destinação: 60% para os Sindicatos da categoria, 15% para as Federações estaduais que os abarcam, 5% para as Confederações Nacionais (CNA e CONTAG) e os 20% restantes vão para o Ministério do Trabalho (conta Emprego e Salário, que se destina a ações desse Ministério que visam ao apoio à manutenção e geração de empregos e melhoria da remuneração dos trabalhadores). Além dessas Contribuições Sindicais, a chamada Notificação de Lançamento do ITR promove a arrecadação destinada ao SENAR que. é o ServiçO Nacional de Aprendizagem Rural, que objetiva o aprendizado, treinàmento e reciclagem do trabalhador rural. Por se tratar de cobrança de valores com objetivos e destinações amplamente diversos, tal fato tumultua a apreciação do lançamento, face a diversidade das legislações de regência, com diversas conseqüências danosas às arrecadações, quando apenas uma delas apresentar irregularidade ou sofrer outras contestações, podendo impedir o prosseguimento do recolhimento das demais. Sala das Sessões-DF, em 07 de maio de 2001. Por todo o exposto, REJEITO A PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO. : 11078.000021/96-54 : CSRF/03-03.1b'8 Processo nO Acórdão nO Essa dita Notificação de Lançamento também contraria o disposto no art. 142 do CTN, que lista os procedimentos para constituição do crédito tributário, como tratado anteriormente neste Voto. Dessa forma, a chamada Notificação de Lançamento do ITR, não é, propriamente, uma das formas de exigência de crédito tributário, uma vez que, inclusive, não segue os ditames do CTN e do Processo Administrativo Fiscal. É um instrumento de cobrança do ITR e das demais Contribuições. Assim sendo, não está essa dita Notificação de Lançamento sujeita às normas .Iegais que cuidam de nulidade, a qual, argüida, não deve ser acolhida. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017
score : 1.0
Numero do processo: 16327.910580/2011-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 29/05/2004
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.483
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Recorrente BANCO VOLKSWAGEN S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 29/05/2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. O art. 150, § 4º do CTN, cuida de regulamentar o prazo decadencial para a homologação do lançamento, não se podendo confundir o lançamento com o Pedido de Restituição. O artigo 74 da Lei nº 9.430/96, cuida de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Souza Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 05 80 /2 01 1- 63 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 16327.910580/201163 Acórdão n.º 3402004.483 S3C4T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a Decisão da DRJ em Ribeirão Preto (SP), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo o Despacho Decisório eletrônico proferido, que, por sua vez, indeferiu o Pedido de Restituição, referente a suposto pagamento de IOF a maior no ano de 2004. Conforme o que consta do referido Despacho Decisório, o pleito foi negado tendo em vista que o DARF discriminado no PER estava integralmente utilizado para a quitação do débito de IOF, não restando saldo de crédito disponível para a restituição almejada. Cientificada da decisão proferida, a empresa interpôs a Manifestação de Inconformidade alegando homologação por decurso de prazo, já que ultrapassado o prazo de cinco anos entre a data de envio, tanto do Pedido de Restituição (PER) quanto da Declaração de Compensação (DCOMP) a ele atrelada, e a data de proferimento do Despacho Decisório. Com base nessas considerações requer a reforma da decisão, com a consequente homologação da compensação declarada. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme Ementa do Acórdão nº 14060.727, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto (SP): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 29/05/2004 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO DECLARADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integralmente alocado à débito validamente declarado em DCTF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para a homologação tácita de pedido de restituição, nem previsão de perda do poder de decidir por decurso de prazo em pedidos desta natureza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão a recorrente interpôs, tempestivamente, o presente recurso voluntário, alegando as seguintes razões: (i) consta do Despacho Decisório que "foram localizados pagamentos, mas que foram integralmente utilizados para a quitação de débitos do Recorrente, não restando crédito disponível para restituição". Porém, tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em dezembro/2006, operandose, portanto, a homologação da compensação em dezembro de 2011; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 16327.910580/201163 Acórdão n.º 3402004.483 S3C4T2 Fl. 4 3 (ii) cita e transcreve como base legal, o §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN), bem como, registra o Acórdão nº 3801000.530, de 29/09/2010, proferido pelo CARF nos autos do PAF nº 10830.007499/9736; (iii) conclui que, dessa forma operouse a homologação tácita em dezembro de 2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente por meio de Despacho Decisório proferido em 2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Por fim, requer que o presente Recurso Voluntário seja recebido e julgado, com a conseqüente reforma da decisão recorrida e homologação da compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.467, de 26 de setembro de 2017, proferido no julgamento do processo 16327.910558/201113, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.467): "1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Verificase que o Recorrente não contesta a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório. O que se discute no recurso é a alegação de homologação tácita quanto ao Pedido de Restituição (PER). 3. Análise do Pedido Como relatado, o Recorrente pede o provimento do seu recurso unicamente sob o argumento da homologação tácita do seu Pedido de Restituição (PER) nº 01445.28437.211206.1.2.046453, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional. Aduz que tanto o Pedido de Restituição (PER) quanto a respectiva Compensação (DCOMP), foram realizados em 21 e 26 dezembro de 2006, respectivamente e, como base no §4º do art. 150 do Código Tributário Nacional, operouse a homologação tácita da compensação em 26/12/2011, não havendo sequer a possibilidade de discussão acerca da existência do crédito do Recorrente, por meio de Fl. 91DF CARF MF Processo nº 16327.910580/201163 Acórdão n.º 3402004.483 S3C4T2 Fl. 5 4 Despacho Decisório proferido em 03/01/2012, ou seja, após o decurso do mencionado prazo qüinqüenal. Pois bem. É cediço que o Código Tributário Nacional (CTN), regulamenta o prazo decadencial de 5 anos para o agente fiscal homologar o lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, por determinação legal, em substituição ao agente arrecadador, possui a obrigação de apurar o tributo devido, em face da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, efetuar o seu recolhimento e realizar a respectiva declaração. No contexto do procedimento de homologação das compensações, no qual se atesta a existência e a suficiência do direito creditório invocado para a extinção dos débitos compensados, a única limitação imposta à atuação da Administração Tributária é o prazo de cinco anos da data da apresentação das declarações de compensação, depois do qual os débitos compensados devem ser extintos, independentemente da existência e suficiência dos créditos, conforme determina o artigo 74, §5° da Lei n° 9.430, de 1996. Destaco a seguir seu conteúdo: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 2002) § 1º (...). § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.(Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (Grifei). No mesmo sentido, define a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, assim como as Instruções Normativas que a sucederam na regulamentação dessa matéria. Como se vê, por disposição legal expressa, a homologação tácita é aplicável unicamente à Declaração de Compensação, não havendo possibilidade de sua aplicação aos Pedidos de Restituição e Ressarcimento (PER). Isto ocorre porque quando o contribuinte realiza um pedido de compensação, nada mais está fazendo do que um lançamento por homologação: apura o tributo devido, realiza a declaração, e substitui o pagamento em espécie, por um pagamento com crédito tributário que possui junto ao ente tributante. E é por essa razão que, quando não há a apreciação expressa do pedido de compensação, passados 5 anos após a sua apresentação, ocorre a respectiva homologação. Em última análise, o que há é a homologação do lançamento realizado pelo contribuinte, sendo que o pagamento da obrigação tributária se dá com a utilização do seu direito creditório. Portanto, tal regra não se aplica ao caso do Recorrente com relação ao Pedido de Restituição de fls. 25/27, datado de 21/12/2006, justamente por se tratar de Pedido de Restituição e não de uma Fl. 92DF CARF MF Processo nº 16327.910580/201163 Acórdão n.º 3402004.483 S3C4T2 Fl. 6 5 Declaração de Compensação. O Pedido de Restituição não pode ser confundido com uma Declaração de Compensação, muito embora em ambos os casos esteja a se tratar de direito a um crédito tributário. A compensação está sempre atrelada a um lançamento. E é por isso que a ela se aplica o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150 do CTN. O pedido de restituição não. Ele é independente de qualquer lançamento e requer necessariamente um pronunciamento do Fisco. Contudo, embora o Fisco deva nortear seus atos observando a eficiência e a celeridade, pois sua ação deve preservar os interesses públicos, nada o impede de, quase seis anos após o Pedido de Restituição (PER) formulado pelo Recorrente, indeferilo, por não vislumbrar o direito pleiteado. Não há a homologação tácita desse pedido, porquanto não ocorre qualquer lançamento que enseje a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN, como defende a Recorrente. Não há previsão legal para essa homologação. De se observar, também, que o Recorrente não rebate a alocação do pagamento (crédito solicitado no PER) ao débito de IOF do período de apuração tratado neste processo, o qual consta confessado em DCTF. Não contesta, portanto, a inexistência do indébito tributário demonstrada no Despacho Decisório, dando margem ao entendimento de que o crédito almejado no Pedido de Restituição, não existe. Desta forma, considerando que o Recorrente se limitou a argüir a homologação tácita do Pedido de Restituição, com base no artigo 150, § 4º, do CTN, sem trazer qualquer documentação ou argumentação que comprovasse a existência de seu crédito, não há mesmo como acatar o seu pedido. 4. Dispositivo Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.901635/2010-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
IPI - RESSARCIMENTO - ARGUMENTOS DE DEFESA DIVERSOS DOS TRAZIDO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Na argumentação pela tomada de créditos é defeso a alternância de argumentos, quando utilizado apenas em grau de recurso.
Numero da decisão: 3001-000.060
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila- Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 IPI - RESSARCIMENTO - ARGUMENTOS DE DEFESA DIVERSOS DOS TRAZIDO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Na argumentação pela tomada de créditos é defeso a alternância de argumentos, quando utilizado apenas em grau de recurso.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1209; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 100 1 99 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.901635/201003 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.060 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 30 de outubro de 2017 Matéria RESSARCIMENTO IPI Recorrente BOSAL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 IPI RESSARCIMENTO ARGUMENTOS DE DEFESA DIVERSOS DOS TRAZIDO EM MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Na argumentação pela tomada de créditos é defeso a alternância de argumentos, quando utilizado apenas em grau de recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório DESPACHO DECISÓRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 16 35 /2 01 0- 03 Fl. 100DF CARF MF 2 Tratase de pedido de ressarcimento relativo ao 4.º trimestre de 2005. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a recorrente relata que, segundo a fiscalização, os produtos adquiridos por meio das NOTAS FISCAIS, não poderiam ser classificados como insumos, e, através de reclassificação fiscal de ofício, houve a glosa do crédito. Alega a recorrente, que tal entendimento não deve prosperar. Segue o trecho da Manifestação: " ocorre que, conforme se verifica nas Notas Fiscais anexas, a empresa adquiriu produtos e equipamentos que foram utilizados no seu meio de produção de materiais objeto de comercialização. Ou seja, verifique que é exatamente o caso do contribuinte, pois adquiriu bens que foram utilizados para a industrialização de seus produtos, por isso geraram créditos. DRJ/ A Manifestação de Inconformidade foi julgada pela DRJ com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2012 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A PRETENSÃO. INCUMBÊNCIA DA INTERESSADA. Por bem retratar os fatos, reproduzo o relatório do Acórdão: Cabe à interessada a prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para a fruição de benefício fiscal. Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade interposta pela BOSAL DO BRASIL LTDA., CNPJ nº 56.993.868/000194, em contrariedade ao Despacho Decisório de fls. 03/08 que deferiu em parte o Pedido Eletrônico de Ressarcimento – PER nº 24519.33407.120106.1.3.012760, relativo a crédito de ressarcimento de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI do 4º trimestre de 2005, conforme valores discriminados a seguir: Valor Solicitado (R$) 173.279,65 Valor Reconhecido (R$) 169.386,75 Valor da Glosa (R$) 3.892,90 De acordo com o Despacho Decisório, o sujeito passivo incluiu créditos de IPI em PER referente a operações não enquadradas na categoria de insumos (R$ 3.892,90). Assim, houve a reclassificação de alguns Códigos Fiscais de Operação – CFOP que não se referiam à aquisição de insumos (matéria prima, produto intermediário e material de Fl. 101DF CARF MF Processo nº 13839.901635/201003 Acórdão n.º 3001000.060 S3C0T1 Fl. 101 3 embalagem). A reclassificação resultou em glosa de valores lançados originalmente como créditos. A base legal do lançamento encontrase nos autos. Em 16/12/2010 (fl. 10), a interessada foi cientificada do Despacho e, em 17/01/2011, manifestou a sua inconformidade, conforme petição de fls. 15/20. Em síntese, alega, o quanto segue: que os produtos e equipamentos adquiridos pela manifestante são insumos, pois foram utilizados na produção de materiais objeto de comercialização da empresa; que todas as entradas foram devidamente registradas nos Livros de Entrada e Saída de Mercadorias e no Livro Registro de Apuração de IPI; que o direito ao ressarcimento e à compensação de tributos está previsto em legislação pátria, cumprida na íntegra pela manifestante; que, diversamente do que constou no Despacho Decisório, o ressarcimento de IPI está vinculado a pedido de compensação de IRPJ (R$ 63.748,70), PIS/PASEP (R$ 2.305,30) e COFINS (R$ 107.225,65); que não concorda com a compensação de ofício; que, diante do exposto, requer a reforma da decisão para manter a classificação original e reconhecer o crédito no valor de R$ 3.892,90. Recurso Voluntário A Recorrente asseverou, em sua defesa, a existência e liquidez dos créditos de IPI relativos aos CFOP n.º 1910, 1949, 2201, 2208 e 2949, em montante suficiente para a homologação da compensação, tendo, para tanto, apresentado a notas fiscais. Segue tabela demonstrativa: Segundo a Recorrente, verificase trataremse de produtos produzidos pela empresa recorrente que deram saída tributada do estabelecimento industrial e retornaram em devolução de seus clientes com IPI destacado na nota, ou doação de produto por fornecedor com Fl. 102DF CARF MF 4 saída tributada (conforme destacado em nota), utilizado no processo produtivo da Recorrente E prossegue: "Portanto, conforme será visto, ainda que estas entradas digam respeito a produtos que em sua maioria não se enquadrem na categoria de insumos, são passíveis de créditos (...) Alega ainda em seu recurso Voluntário, que a legislação prevê o crédito por devolução ou retorno de produto, além, também, de pugnar pela aplicação do princípio da Não cumulatividade do artigo 153 Constituição Federal. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tempestividade A Data da ciência por decurso de prazo deuse em 13/06/2014, sendo que o Recurso Voluntário foi protocolizado dia em 27/06/2014, sendo, tempestivo, portanto. Mérito Conforme relatado acima, a recorrente, em sede de sua manifestação de inconformidade, alega terem sido os crédito gerados pela utilização de produtos e equipamentos que foram utilizados no seu meio de produção, para fins de industrialização dos bens que disponibiliza à venda. Ou seja, seriam insumos. Indo adiante, viuse que o motivo expostos pela DRJ, apontam para outro tipo de bens, quais sejam: O presente processo trata de glosa de valores de operações não enquadradas na categoria de insumos para fins de pedido de ressarcimento de tributos. A contribuinte discorda do Despacho Decisório, sob o argumento que se trata de produtos e equipamentos adquiridos para utilização no seu processo produtivo. No trabalho de fiscalização, levado a efeito nos livros e documentos fiscais apresentados pela empresa, verificouse a existência de aquisições de produtos que não geram direito a crédito de IPI, vez que as operações não se enquadram na categoria de insumos. A fiscalização reclassificou, então, os CFOP das operações para os códigos 1910, 1949, 2201, 2208 e 2949 Para se contrapor à elaborada fiscalização, resumida na Informação Fiscal de fls. 03/07 dos autos, a contribuinte faz, somente, alegações genéricas que as aquisições se referiam a Fl. 103DF CARF MF Processo nº 13839.901635/201003 Acórdão n.º 3001000.060 S3C0T1 Fl. 102 5 insumos utilizados nos materiais objeto de comercialização da empresa e junta as notas fiscais concernentes às operações reclassificadas. a interessada deve provar o que alegou na manifestação de inconformidade: que os produtos adquiridos foram efetivamente utilizados no processo produtivo da empresa. Tal circunstância não restou comprovada, posto que a interessada juntou tão somente as notas fiscais de aquisição dos produtos. Não há qualquer prova nos autos de que os produtos tenham sido utilizados no processo produtivo da empresa. Cumpre ressaltar que diversas notas fiscais foram emitidas por filiais da própria empresa e se referem a produtos devolvidos ou entradas sem especificação de finalidade. Já em sede de Recurso Voluntário, a recorrente alega que é possível constatar que se tratam de retorno de mercadorias final da Recorrente, remetidas por seus clientes em devolução ou de doação de matéria prima experimental. Observese: Bem evidente, que há inovação do argumento, vez que, na Manifestação de Inconformidade, tratou de defender seu creditamento a título de insumo. Vejase: No entender deste Conselheiro, não pode a Recorrente, em sua manifestação de inconformidade, alegar que sua tomada de crédito deuse por aquisição de insumos, e, ao Fl. 104DF CARF MF 6 constatar a verdadeira natureza de suas Notas Fiscais, com a ciência dada ao Acórdão, rever sua defesa, e alegar que os créditos seriam de outra natureza, no caso devolução de produto final, entrada de brinde ou entrada de produto com bonificação. Desta forma, evidente a ocorrência da preclusão. Neste sentido, a jurisprudência da CSRF: Acórdão: 9303005.413–3ªTurma ASSUNTO:IMPOSTOSOBREPRODUTOSINDUSTRIALIZADOS IPI Períododeapuração:01/01/1997a31/03/1997 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EMSEDEDERECURSO.PRECLUSÃO. Não se conhecem dos argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeirainstância,dadaaconfiguraçãodapreclusãoprocessual. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para Negar provimento. (assinado digitalmente) Relator Renato Vieira de Avila Fl. 105DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.921286/2011-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006
SUSPENSÃO. ARTIGOS. 9º E 17 DA LEI FEDERAL 10.925/2004. TERMO INICIAL DE EFICÁCIA. Pela previsão expressa do artigo 17, da Lei Federal 10.925/2004, o termo inicial de eficácia da suspensão prevista no art. 9º da mesma Lei Federal é 1º de agosto de 2004, data de regulamentação do beneficio pela Receita Federal. Precedentes dessa Seção no mesmo sentido.
INVALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 660/2006. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 105 E 106 DO CTN. HIERARQUIA DE NORMAS NO DIREITO BRASILEIRO. A pretensão de retroagir os efeitos da alteração promovida pela Instrução Normativa SRF 660/2006 sobre a Instrução SRF 636/2006 afeta fatos geradores pretéritos a sua edição.
Numero da decisão: 3401-003.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, no que se refere à aplicação, ao caso, da suspensão prevista no artigo 9o da Lei no 10.925/2004. O Conselheiro relator acrescentará a seu voto e à ementa do julgamento a posição externada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, no sentido de que o artigo 9o da Lei no 10.925/2004 não era autoaplicável, dependendo de regulamentação pela RFB.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
RELATOR TIAGO GUERRA MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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ARTIGOS. 9º E 17 DA LEI FEDERAL 10.925/2004. TERMO INICIAL DE EFICÁCIA. Pela previsão expressa do artigo 17, da Lei Federal 10.925/2004, o termo inicial de eficácia da suspensão prevista no art. 9º da mesma Lei Federal é 1º de agosto de 2004, data de regulamentação do beneficio pela Receita Federal. Precedentes dessa Seção no mesmo sentido. INVALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 660/2006. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 105 E 106 DO CTN. HIERARQUIA DE NORMAS NO DIREITO BRASILEIRO. A pretensão de retroagir os efeitos da alteração promovida pela Instrução Normativa SRF 660/2006 sobre a Instrução SRF 636/2006 afeta fatos geradores pretéritos a sua edição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, no que se refere à aplicação, ao caso, da suspensão prevista no artigo 9o da Lei no 10.925/2004. O Conselheiro relator acrescentará a seu voto e à ementa do julgamento a posição externada por todos os demais conselheiros que compõem o colegiado, no sentido de que o artigo 9o da Lei no 10.925/2004 não era autoaplicável, dependendo de regulamentação pela RFB. ROSALDO TREVISAN Presidente. RELATOR TIAGO GUERRA MACHADO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 12 86 /2 01 1- 71 Fl. 2232DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.233 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Fenelon Moscoso de Almeida. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls 2201 e seguintes) contra o acórdão 08 33.804, da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ), que julgou procedente em parte sua Manifestação de Inconformidade, por ocasião do não reconhecimento de créditos de PIS não cumulativos referentes ao 1º trimestre de 2006. Da Declaração de Compensação e do Despacho Decisório À época, o contribuinte efetuou Pedido de Ressarcimento de PIS Não Cumulativa Mercado Interno objetivando ressarcimento de crédito do período de apuração 1º trimestre/2006, no montante de R$ 48.821,36 . O crédito pleiteado foi objeto de auditoria pela DRF Belo Horizonte, que o deferiu parcialmente, pela importância de R$ 25.341,58. Em consequência do deferimento parcial do crédito, a DRF/BHE homologou parcialmente as compensações, até o limite do crédito reconhecido, não considerando válidos, portanto, créditos de PIS não cumulativos, referentes ao ano calendário de 2006 e 2007, no montante de R$ 23.479,78. À época, o despacho decisório foi calcado em diligência para apuração da retidão dos créditos pleiteados, que veio a constatar em seu termo circunstanciado, o seguinte: 1. Produtos com suspensão indevida da exigibilidade de PIS . Vendas de café e soja com suspensão indevida de PIS e COFINS no período de janeiro a abril/2006, uma vez que a suspensão em causa somente veio a ter efeito a partir de 04/04/2006 (art. 11, inciso I, da Instrução Normativa SRF 660/2006). 2. Créditos indevidos: a. Créditos vinculados à receita não tributada no mercado interno. i. Insumos com alíquota zero de PIS . A fiscalizada utiliza em seu processo produtivo vários insumos para os quais foram reduzidas a zero as alíquotas das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, nos termos do Art. 1º da Lei Federal 10.925/04. Fl. 2233DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.234 3 ii. Insumos sujeitos ao Crédito Presumido incluídos na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno. O contribuinte creditouse na compra de insumos adquiridos de pessoas físicas pelas alíquotas integrais de PIS e Cofins, respectivamente 1,65% e 7,6%, quando deveria têlo feito pelas alíquotas do crédito presumido de que trata o art. 8º, inciso I, da Lei nº 10.925/04, respectivamente 0,57% e 2,66%. iii. Inversão de valores na apuração das bases de cálculo dos Créditos Vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno e Créditos Presumidos (abril/2006 e maio/2006). O contribuinte cometeu erro de fato na apuração de PIS e COFINS em determinadas operações, atribuindo alíquotas de créditos presumidos (0,57% PIS e 2,66% COFINS) para operações em que deveria aplicar as alíquotas convencionais (1,65 PIS e 7,6% COFINS) e viceversa. iv. Créditos calculados sobre bens usados incorporados ao Ativo Imobilizado com base no valor de aquisição. O contribuinte apurou créditos a título de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado, à razão de 1/48 do valor de aquisição ao mês, mesmo tendo esses bens sido adquiridos na condição de usados, quando a legislação aplicável (§ 3º inciso II do art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 457/2004) veda a depreciação de bens adquiridos na condição de usados. v. Duplicidade no cômputo de créditos advindos dos insumos adquiridos para fabricação de ração. De acordo com a forma de apuração dos créditos de PIS e Cofins da empresa, as aquisições de insumos para fabricação de ração destinada aos plantéis em produção de ovos in natura ou em formação (ativo imobilizado) geraram créditos em duplicidade, na medida em que foram contabilizados na entrada do insumo e posteriormente quando da depreciação dos plantéis; vi. Outras ocorrências relacionadas com valores declarados a maior no DACON relativas aos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno não abordadas em tópicos anteriores: 1. Abril/2006: Inclusão indevida na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno de bens destinados à formação de ativo imobilizado, no caso, plantéis de postura; 2. Maio/2006: Inclusão indevida na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno do valor Fl. 2234DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.235 4 de insumos (sacaria para utilização na lavoura de café cf. anotação do contribuinte na nota fiscal) relacionados a produtos com saída suspensa nos termos do Art. 9º da Lei Federal 10.925/04 e Instrução Normativa SRF n° 660/2006 3. Julho/2006: Inclusão em duplicidade na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno de julho/2006, de insumo adquirido e incluído na base de cálculo dos créditos em junho/2006; 4. Dezembro/2006: Inclusão indevida na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno de aquisições de milho em grãos da Companhia Nacional de Abastecimento CONAB, CNPJ 26.461.699/021773, empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura e Abastecimento, sobre cujas vendas não incide PIS e Cofins, não gerando direito a crédito em favor do adquirente; 5. Maio/2007: No registro de entradas da Fábrica de Ração – 1134 consta como compras no código CFOP 1401, a título de “Compras p/ ind. Subst. Tributária”, um total de R$ 79.734,20. Entretanto, o valor total das notas fiscais apresentadas em meio digital para este CFOP no mesmo período foi de R$ 70.366,20, restando uma diferença não comprovada de R$ 9.368,00; 6. Julho/2007: O contribuinte contabilizou no DACON, a título de “Compras para Industrialização” (CFOP 1101), o valor total de R$ 59.527,52. Entretanto, o total das notas fiscais apresentadas para a respectiva comprovação foi de R$ 58.414,42, restando uma diferença não comprovada no valor de R$ 1.113,20, objeto de glosa; 7. Setembro/2007: O contribuinte cometeu erro de digitação no preenchimento da planilha que serviu de base para apuração dos créditos no DACON. O valor correto dos créditos vinculados às Receitas não Tributadas no Mercado Interno foi de R$ 495.373,73. Entretanto, na planilha utilizada para apuração do DACON, o contribuinte digitou o valor de R$ 495.573,73, contabilizando a maior a importância de R$ 200,00, diferença essa glosada; Fl. 2235DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.236 5 8. Dezembro/2007: O contribuinte contabilizou no DACON de dezembro/2007, a título de “Compras p/ Ind. Subst. Tributária” (CFOP 1401), o valor total de R$ 59.334,70. Entretanto, o total das notas fiscais apresentadas para a respectiva comprovação foi de R$ 42.809,00, restando uma diferença, não comprovada, no valor de R$ 16.525,70, objeto de glosa; vii. Ajustes de valores declarados a menor no DACON decorrente de erros de soma/transcrição de valores na apuração do crédito: 1. Setembro/2006: Foi constatado que na planilha "Relação de insumos vinculados à Receita não Tributada no Mercado Interno" a soma referente às notas fiscais n°s 11367 e 11368, de 28/08/2006, está lançada pelo valor de R$ 31.328,00. Contudo, na realidade, segundo os valores expressos na nota, essa soma corresponde a 31.828,00, resultando uma diferença a menor de R$ 500,00 na base de cálculo adotada pelo contribuinte; 2. Novembro/2006: Foi constatado que na planilha de cálculo do contribuinte, na conta “Registro de Entradas da Fábrica de Ração 1134”, código CFOP 2101 – Compras para Industrialização, foi lançada a importância de R$ 46.035,95. Contudo, na realidade, segundo apurou a Fiscalização através do Livro Registro de Apuração do ICMS, o valor correto seria R$ 467.035,95, restando evidenciado erro de digitação. Tal erro resultou numa diferença a menor de R$ 421.000,00 na base de cálculo. b. Cálculo do crédito presumido de atividades agroindustriais vinculados à receita não tributada no mercado interno Com relação ao processo produtivo de ovos (capítulo 4 da NCM), são utilizados como insumos, entre outros, o milho em grãos e o sorgo em grãos, classificados no capítulo 10 da NCM. Considerando a classificação fiscal desses produtos e atendidas as condições definidas na Lei n° 10.925/04, o crédito presumido advindo da aquisição de tais insumos será determinado mediante a aplicação do percentual previsto no "inciso II" do § 3º da citada lei ("inciso II", § 1o da Instrução Normativa SRF n° 660/2006), ou seja, alíquotas de 0,5775% para a Contribuição para o PIS e 2,66% para a COFINS. No entanto, entre janeiro a junho de 2006, o contribuinte teria apurado o valor do crédito presumido para tais insumos, em alguns meses do período analisado, mediante a aplicação dos percentuais de 0,99%, para a Contribuição para o PIS, e 4,56%, para a COFINS. c. Créditos vinculados à receita tributada no mercado interno. Fl. 2236DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.237 6 i. Insumos sujeitos ao Crédito Presumido incluídos na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno. Aquisições sujeitas à alíquota zero. A fiscalização verificou que o contribuinte incluiu na base de cálculo valores correspondentes a compras de ovos para industrialização, adquiridos de pessoas jurídicas, calculados às alíquotas de 1,65% (PIS) e 7,6% (Cofins). “Esses insumos estão sujeitos à alíquota zero (art. 28, III, da Lei nº 10.865/2004), razão pela qual, não poderiam gerar direito de crédito (§ 2º do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003).” No entanto, como as aquisições se enquadram na hipótese de crédito presumido de que trata o caput do art. 8º da Lei Federal 10.925/04, calculáveis às alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56% (Cofins), tais créditos foram considerados pela fiscalização. ii. Insumos sujeitos ao Crédito Presumido adquiridos de pessoas físicas, incluídos na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno. Aquisições de pessoas físicas. A fiscalização verificou que o contribuinte incluiu na base de cálculo valores correspondentes a aquisições de insumos de pessoas físicas, calculados às alíquotas de 1,65% (PIS) e 7,6% (COFINS), quando as alíquotas aplicáveis deveriam ser as do crédito presumido previsto no art. 8º da Lei Federal 10.925/04, correspondentes a 0,99% (PIS) e 4,56% (Cofins). iii. Outras inclusões indevidas na base de cálculo dos créditos vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno. Na análise dos valores declarados no DACON, em confronto com as notas fiscais apresentadas em meio digital, foram identificadas diferenças a maior na base de cálculo das contribuições utilizadas no DACON. As diferenças de bases de cálculo glosadas foram as seguintes: janeiro/2007 – R$ 9.405,44; julho/2007 – R$ 10.696,23, outubro/2007 – R$ 233,19 e novembro/2007 – R$ 145.173,29. iv. Ajustes de valores no DACON decorrente de erros na apuração do crédito DEZEMBRO/2007: Foram identificados erros de apuração das contribuições, que ensejaram a realização de ajustes nos cálculos pela fiscalização. Os ajustes consistiram da inclusão de uma diferença no valor de R$ 13.501,65 na base de cálculo sujeita às alíquotas convencionais: 1,65% (PIS) e 6,7% (Cofins) e de outra parte, da glosa de uma diferença de R$ 111.572,03 (conforme item 2.3.1) na base de cálculo do crédito presumido, sujeita às alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56% (Cofins) Fl. 2237DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.238 7 d. Créditos presumidos de atividades agroindustriais vinculados à receita tributada no mercado interno, declarados a maior no DACON. Na apuração do crédito presumido nas compras realizadas de pessoas físicas, no valor total de R$ 227.271,56, o contribuinte creditouse em duplicidade da compra correspondente à nota fiscal nº 1875 de 11/12/2007, no valor de R$ 9.660,00. Referido valor foi glosado, mediante aplicação das alíquotas de 0,99% (PIS) e 4,56% (COFINS). Por tais motivos aduzidos pela Fiscalização, foi exarado o Despacho Decisório n° 1534 DRF/BHE, em 23 de novembro de 2011, que, em síntese, reconheceu parcialmente o crédito de PIS pleiteado pela Recorrente: “Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 1588/1674, fica reconhecido parcialmente o direito creditório de PIS Não Cumulativo – Mercado Interno do período requerido, 1º Trimestre/2006 no montante de R$ 25.341,58 (vinte e cinco mil, trezentos e quarenta e um reais e cinquenta e oito centavos). A partir dos valores reconhecidos, procedemos às compensações nos sistemas da SRF, conforme os Per/Dcomp transmitidos, e de acordo com a IN 900/2008. (...) Decisão Face ao Termo de Verificação Fiscal, e tendo em vista o reconhecimento parcial do crédito no montante de R$ 25.341,58, proponho a homologação da Declaração de Compensação constante deste processo no limite do crédito reconhecido, na forma determinada pela IN SRF 900/2008 e alterações, conforme extrato do processo em anexo . Procedase à cobrança do(s) débito(s) remanescente(s).” Da Manifestação de Inconformidade Diante do reconhecimento somente parcial do direto creditório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade à época. Sumarizo: 1. Necessidade de conexão Preliminarmente, a Recorrente solicitou a reunião dos autos para que fossem julgados em conjunto, nos termos da do art. 1º da Portaria RFB nº 666/2008, em vista de o presente processo trata de matéria conexa aos processos que tratam da apuração dos créditos de PIS e Cofins dos demais trimestres de 2006 e 2007, objeto do mesmo procedimento fiscal (MPF nº 0601100.2010.023321). 2. Da validade temporal da suspensão da Contribuição ao PIS e da COFINS nas vendas de café Fl. 2238DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.239 8 · Ao regulamentar o art. 9º da Lei nº 10.925/04, que concedeu o beneficio de suspensão de PIS e COFINS nas operações em causa, a Instrução Normativa SRF nº 636/2006 dispôs expressamente no seu art. 5º que os efeitos do beneficio da suspensão retroagiriam a 1º de agosto de 2004. · A revogação posterior da Instrução Normativa SRF nº 636/2006, pela Instrução Normativa nº 660/2006, estabelecendo a data de 04 de abril de 2006, como novo termo de início de vigência da suspensão viola os princípios constitucionais do direito adquirido e da irretroatividade da lei tributária. · O não recolhimento das contribuições se deu com base em ato normativo válido e eficaz (Instrução Normativa SRF n° 636/2006), tendo esse direito se incorporado definitivamente ao seu patrimônio, razão pela qual, não poderia ser revisto. · Traz à colação decisão do STJ expressando entendimento alinhado com a sua tese (Resp 1160835/RS, Min. Herman Benjamin, DSJ 23/04/2010); 3. Da ilegitimidade das glosas efetuadas pela fiscalização. Os créditos não teriam sido apropriados em duplicidade, principalmente porque a natureza de créditos decorrentes de aquisição de insumos para sua atividade seria totalmente dissociada dos créditos oriundos da depreciação do ativo imobilizado. · Os limites para o creditamento previsto no art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.866/2003 estão taxativamente enumerados nos §§ 2º e 3º do referido dispositivo, neles não se inserido a proibição de vislumbrada pela fiscalização; a única exigência para o direito ao crédito é que o insumo seja utilizado no processo produtivo do contribuinte. · A própria fiscalização não questiona o fato de que os produtos adquiridos são insumo, mas justifica a glosa pelo fato de serem destinados a compor o valor de bens ativo imobilizado (plantéis de postura), já beneficiados com créditos de PIS e Cofins, a título de depreciação. · As galinhas contabilizadas como ativo imobilizado (plantéis de postura) possuem valor intrínseco próprio, independentemente da ração, das vacinas ou da mãodeobra utilizada para seu crescimento, sendo sobre esse valor que se calculam os créditos a título de depreciação. · Tanto assim que o valor das galinhas contabilizado no ativo imobilizado não aumenta ou diminui em razão do preço ou de quantidade de ração que consomem durante sua vida útil. Fl. 2239DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.240 9 · Nenhum dos itens glosados foi contabilizado como ativo imobilizado, tampouco agregou valor às galinhas ou aumentou sua vida útil. · Ainda que, por hipótese, se admitisse a tese de crédito em duplicidade, tal não se aplicaria à totalidade das aquisições, já que nem todos os filhotes sobrevivem até que estejam aptos a integrar o ativo imobilizado, não havendo porque se falar neste caso em depreciação. · Tendo em vista que tal fato deixou de ser considerado pela fiscalização ao efetuar a glosa, requer que os autos sejam baixados em diligência para se verificar o montante do crédito decorrente de aquisição de insumos para a fabricação de ração destinada à formação de plantéis que deixou de ser apropriado em duplicidade porque as aves não puderam ser contabilizadas como ativo imobilizado e, portanto, depreciadas. · Na apuração do DACON, os créditos lançados a título de depreciação não contemplam exclusivamente os plantéis de postura, mas incluem também diversos galpões construídos pela requerente, os quais geram direito de crédito de PIS e Cofins a título de depreciação à taxa anual de 10%. · Ocorre que, mesmo tendo direito ao crédito sobre o valor total da depreciação verificada no período, a requerente declarou no DACON somente parte desses valores e se apropriou também parcialmente da depreciação relativa aos plantéis de postura. · Assim, o Auditor Fiscal deveria ter verificado qual a parcela da depreciação dos plantéis em formação foi efetivamente utilizada no DACON, fazendo incidir a glosa sobre o valor das aquisições, na proporção dessa parcela, e não sobre a integralidade das aquisições dos insumos, como fez; nesse sentido, a realização de diligência para a recomposição dos valores glosados é medida que se impõe ante o principio da verdade material. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio a decisão da DRJ/FOR (fls. 2171 e seguintes), que reconheceu procedente em parte a Manifestação de Inconformidade: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 SUSPENSÃO. ART. 9º DA LEI Nº 10.925/2004. TERMO INICIAL DE EFICÁCIA. Por força de disposição expressa da IN SRF 660/2006, o termo inicial de eficácia da suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 é 4 de abril de 2006, data de regulamentação do beneficio pela Receita Federal. Fl. 2240DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.241 10 APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de ato normativo sob fundamento de inconstitucionalidade. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consideramse não impugnadas as glosas não contraditadas com provas nem com razões de fato e de direito em espécie, devendo ser mantidas independentemente de apreciação meritória. INSUMO NÃO INCORPORADO AO IMOBILIZADO. DIREITO DE CRÉDITO. Os produtos destinados à fabricação de ração para consumo das aves poedeiras, não contabilizados no ativo imobilizado, caracterizam se como insumos no processo produtivo de ovos, gerando sua aquisição direito ao desconto de crédito de PIS e Cofins, nos termos do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Dessa decisão, importante destacar os seguintes enxertos: (a) Com relação ao pedido de conexão “Pela sistemática de apuração definida nos dispositivos acima, o crédito eventualmente gerado em um determinado trimestre não se comunica com os gerados em outros, uma vez que decorrentes de entradas e saídas próprias de cada trimestre. Ademais, a compensação de cada crédito trimestral operase contra débitos específicos, de tal sorte que cada Despacho Decisório deve ser apreciado autonomamente. Contudo, mesmo que autônomos os créditos trimestrais e as respectivas compensações, tratandose de glosas realizadas em relação a mesmo contribuinte e dentro de um mesmo procedimento fiscal, nada mais racional que as manifestações de inconformidade sejam analisadas pela mesma Turma, o que acaba atendendo o objetivo da manifestante no sentido de racionalizar o julgamento. Assim, ainda que não seja possível a anexação dos processos como solicitado, seu julgamento está sendo realizado em conjunto nesta mesma 5ª Turma, sendo adotados os mesmos fundamentos para todos os processos, com as devidas adaptações.” (b) Quanto ao termo inicial para fruição da suspensão das contribuições sociais prevista na Lei Federal 10.925/2004 e a suposta violação à irretroatividade tributária pela aplicação da Instrução Normativa SRF 660/2006 “Em que pese a relevância dos argumentos da manifestante a respeito do tema, arrimado inclusive em decisão do STJ, esta instância administrativa de julgamento não pode deixar de aplicar a vigente IN SRF nº 660/2006 sob o fundamento de que violaria os princípios constitucionais do direito adquirido e da irretroatividade da lei tributária. Primeiro, porque está vinculada às normas administrativas da Receita Federal do Brasil (art. 7º da Portaria MF n.º 58/2006);2 segundo, porque é vedado a este órgão administrativo de julgamento deixar de aplicar lei ou ato normativo em razão de juízo de inconstitucionalidade, nos termos do art. 26 – A do Decreto nº 70.235/72, prerrogativa essa exclusiva do Poder Judiciário. Fl. 2241DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.242 11 Somente nas situações excepcionais enumeradas no § 6º do art. 26 – A do Decreto nº 70.235/72 e no art. 19 da Lei nº 10.522/2002 é que esta instâncias administrativas de julgamento pode deixar de aplicar lei ou ato normativo por razões de inconstitucionalidade, em nenhuma das quais se insere o presente caso. (...) Como se verifica nos dispositivos acima, de acordo com o § 5º do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, somente vinculam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento as decisões do STF com efeito de repercussão geral e as decisões do STJ em sede de recurso repetitivo (incisos IV e V do caput), reconhecidas como vinculantes por ato do Procurador Geral da Fazenda Nacional. No presente caso, a decisão do STJ aduzida pela manifestante não atende esses pressupostos, razão pela qual não vincula esta instância administrativa de julgamento. Assim sendo, não há como deixar de aplicar a IN SRF nº 660/2006, cabendo concluir que a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 aplicase somente às saídas ocorridas a partir de 4 de abril de 2006.” (c) Quanto aos créditos supostamente tomados em duplicidade decorrentes da aquisição de insumos para formação de plantéis “Da leitura dos dispositivos acima, verificase que tanto a aquisição de insumo destinado à fabricação dos produtos para venda, quanto a depreciação de bens do ativo imobilizado geram autonomamente direito de crédito de PIS e Cofins. O creditamento só não se admite nas situações previstas nos §§ 2º e 3º ou se o bem adquirido for contabilizado no ativo imobilizado, o que o descaracteriza como insumo, levando o crédito, em contrapartida, a ser usufruído sob forma de depreciação. No presente caso, os produtos adquiridos para a fabricação da ração destinada aos plantéis não foram contabilizados no ativo imobilizado, muito menos se enquadram nas situações proibitivas previstas no § 2º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 ou desatendem as restrições previstas no § 3º do mesmo dispositivo. Portanto, não vejo razão para considerar que houve creditamento indevido ou em duplicidade. (...) Em face das razões acima expostas e acompanhando a Solução de Consulta invocada, entendo ser procedente a alegação de que não houve creditamento em duplicidade, razão pela qual, voto no sentido de desconstituir a glosa de que trata este item de julgamento.” Do Recurso Voluntário Irresignado, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 2201 e seguintes), que veio a reprisar os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade que restaram não acolhidos pela decisão de primeiro grau; em especial, os seguintes: Fl. 2242DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.243 12 (a) Quanto à validade da suspensão das Contribuições ao PIS e a COFINS nas vendas de café, prevista no art. 9º, da Lei Federal 10.925/2004, desde 1º de agosto de 2004. A Turma Julgadora decidiu pela concessão do benefício, tratado no art 9º, da 10.925/04, somente quanto às operações de saída ocorridas após 04.04.2006, sob o fundamento de que estaria vinculada as normas administrativas da RFB, bem como lhe é vedado deixar de aplicar a lei em razão do juízo de inconstitucionalidade. Porém, a Recorrente afirma que não pretende que se reconheça a inconstitucionalidade do referido ato normativo, mas que se considerando o direito adquirido pelo decurso do tempo, seja afastado o disposto na Instrução Normativa SRF 660/2006 para garantir a Recorrente o crédito decorrente da suspensão incidência do PIS e COFINS sobre a venda de café no 1º trimestre/2006. Neste sentido, a Contribuinte defende que promoveu vendas de café com o benefício da suspensão de PIS e COFINS, conforme art. 9º da Lei Federal 10.925/2004. Mas, de acordo com a Fiscalização, o benefício da suspensão somente teria entrado em vigor a partir de 04.04.2006, nos termos do art. 11, I, da Instrução Normativa SRF 660/2006. Diante disso, a Fiscalização utilizou parte do crédito de PIS não cumulativo referente ao 1º trimestre de 2006, pleiteado pela Recorrente, para quitação da contribuição supostamente devida quando da venda de café. Entendimento este mantido pela DRJ: não há como deixar de aplicar a IN SRF nº 660/2006, cabendo concluir que a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004 aplicase somente às saídas ocorridas a partir de 4 de abril de 2006. Ocorre que a Lei Federal 10.925/04, art. 9º inciso I e parágrafo segundo, não só autorizou a suspensão da incidência do PIS e COFINS sobre a receita bruta de determinados produtos agrícolas, mas também determinou a edição de ato normativo regulamentando a aplicação do benefício da suspensão, que foi feito mediante a publicação da Instrução Normativa 636/2006. Assim, a Instrução Normativa 636/2006 dispõe em seu art. 5º que os efeitos do benefício da venda devem retroagir a 01.08.2004. Ou seja, convalidando todos os atos praticados pelas pessoas jurídicas que se beneficiaram da suspensão das contribuições no período compreendido entre 01.08.2004 e 04.04.2006. Em 25.07.2006, foi publicada a Instrução Normativa SRF 660/2006, que ao revogar a Instrução Normativa SRF 636/2006, estabeleceu que o termo inicial de eficácia da suspensão da exigibilidade do PIS e da COFINS se daria a partir de 04.04.2006, estabelecendo retroação dos seus efeitos, retirando a eficácia da suspensão entre 01.08.04 a 04.04.06 concedida pela Instrução Normativa 636/2006. Quanto a esse ponto, a Recorrente ainda inseriu diversas decisões dessa Corte administrativa e do Superior Tribunal de Justiça com o objetivo de convalidar seus argumentos. Vejamos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 2243DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.244 13 Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2006 ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PROVA. EXPORTAÇÃO. MEMORANDO. IMPOSSIBILIDADE. O documento intitulado “memorando de exportação”, de emissão a cargo de empresas, não constitui instrumento hábil à prova de que efetivamente as mercadorias foram exportadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2006 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO. As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/04/2006 SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA. ART. 9o DA LEI No 10.925/2004. APLICAÇÃO NO TEMPO. As operações de venda com suspensão ao amparo do art. 9o da Lei no 10.925/2004, registradas a partir de agosto de 2004, e acolhidas pela retroatividade estabelecida pela IN SRF no 636/2006, norma editada pela Receita Federal para disciplinar exatamente tal comando legal, não foram juridicamente desconstituídas pelo advento da IN SRF no 660/2006, que revoga a norma infralegal anteriormente editada. (CARF – 3ª SEÇÃO Acórdão nº 3403003.507 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária – Relator Rosaldo Trevisan – Unânime, Julgado em 28 de janeiro de 2015) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE PIS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a Fl. 2244DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.245 14 terceiros, a teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. (CARF – 3ª SEÇÃO 3301002.654 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Relatora Mônica Elisa de Lima– Unânime, Julgado em 20 de março de 2015) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVOS. ARTS. 97, VI, 99 e 111, I, DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282/STF. CREDITAMENTO SIMULTÂNEO DO CRÉDITO ORDINÁRIO PREVISTO NO ART. 3º, CAPUT, DAS LEIS NN. 10.637/2002 E 10.833/2003 E DO CRÉDITO PRESUMIDO PREVISTO NO ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004 POR UMA MESMA AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVOS E INÍCIO DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO AMBOS COM EFEITOS A PARTIR DE 1º/8/2004. INTERPRETAÇÃO DO ART. 17, III, DA LEI Nº 10.925/2004. LEGALIDADE DO ART. 5º DA IN SRF N. 636/2006. ILEGALIDADE DO ART. 11, I, DA IN SRF N. 660/2006 QUE FIXOU A DATA EM 4/4/2006. 1. Discutese nos autos a possibilidade de aproveitamento simultâneo de crédito ordinário da sistemática nãocumulativa de PIS/PASEP e de COFINS, prevista no art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, com o crédito presumido previsto no art. 8º, § 1º, da Lei nº 10.925/2004, referente às aquisições feitas junto a pessoas jurídicas cerealistas, transportadoras de leite e agropecuárias que funcionam como intermediárias entre as pessoas físicas produtoras agropecuárias e as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, para o período de 1º/08/2004 a 03/04/2006. (...) 5. Os arts. 3º, § 3º, I, "a", da IN SRF 636/2006 e 7º, I, da IN SRF 660/2006 condicionaram a existência de crédito presumido à aquisição de produtos com a tributação a título de PIS/PASEP e COFINS suspensa, na forma do art. 9º, da Lei n. 10.925/2004. A necessidade de suspensão da incidência da contribuição na etapa anterior para possibilitar a fruição do crédito presumido não decorre das referidas instruções normativas, mas sim de interpretação sistemática da legislação que rege o creditamento ordinário e presumido. 6. O crédito presumido e a suspensão da incidência das contribuições produziram efeitos conjuntamente a partir de 1º/8/2004, nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004, de forma que as INs SRF nºs 636/2006 e 660/2006, ainda que sob o pálio do § 2º do art. 9º da referida Lei nº 10.925/2004, não poderiam alterar a data de concessão da suspensão da incidência das contribuições, mas tão somente disciplinar sua aplicação mediante a instituição de obrigações tributárias acessórias. Nesse sentido, está conforme a lei o art. 5º da IN SRF 636/2006, que fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 1º/8/2004, e ilegal o art. 11, I, da IN SRF 660/06, que revogou o artigo anterior e, de forma equivocada, fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 4/4/2006. 7. Esta Corte já enfrentou o tema da revogação da IN SRF n. 636/2006 pela IN SRF n. 660/2006 e concluiu que tal revogação não teve o condão de alterar de 1º/8/2004 para 4/4/2006 o início dos efeitos da suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/04. Precedente: REsp nº 1.160.835/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/4/2010. 8. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN SRF 636/2006, tanto o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, quanto a suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à Fl. 2245DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.246 15 COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, produziram efeitos a partir de 1º/8/2004, relativamente às atividades previstas na redação original da Lei nº 10.925/2004, e a partir de 30/12/2004 em relação às atividades incluídas pela Lei nº 11.051/2004. (STJ – 2ª Turma REsp 1437568/SC Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 9 de dezembro de 2015). E conclui: Ao aplicar a IN SRF 660/06, o r. acordão recorrido teria, como de fato tem, o dever de perquirir se tal instrumento normativo poderia invalidar atos jurídicos perfeitos e acabados, praticados sob a égide da IN SRF 636/06. Deveria, ainda, interpretar se a aplicação pura e simples da IN SRF 660/06 não conduz a inobservância de outras normas que obrigatoriamente devem ser observadas, dentre elas os arts. 105 e 106 do CTN e os art. 5º, XXXVI, e 150, III, a, da Constituição Federal. Afinal, quando do advento da IN 660/06, o direito de gozar do benefício da suspensão já havia entrado definitivamente no patrimônio da recorrente, uma vez que cumprira os requisitos necessários para a sua fruição. Nesse sentido, com extrema atenção e zelo, tanto para com o dever de aplicar a norma, quanto para o de interpretála corretamente e, principalmente, de interpretála em conformidade com a Constituição Federal, em vários precedentes esse R. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais entendeu que, mesmo após a edição de lei posterior em sentido diverso de lei anterior, devem ser respeitados o ato jurídico perfeito e o direito adquirido... Diante da demonstração de que a recorrente faz jus ao benefício da suspensão da incidência do PIS e da COFINS sobre a venda de café, no 1º trimestre do ano calendário de 2006, requer reforma do acordão recorrido para afastar a dedução das referidas contribuições do valor do crédito pleiteado, por meio do PER 12510.60911.290107.1.1.109206, ou, caso mantida a glosa deve ser afastada a multa, juros de mora e atualização monetária aplicadas sobre os débitos não compensados, tendo em vista que o não recolhimento das contribuições decorreu de compensação realizada com respaldo em ato normativo válido e eficaz, conforme incisos I e III e parágrafo único do artigo 100 do CTN; (b) Quanto às demais glosas e à decisão de primeiro grau que entendeu ausentes os elementos previstos no artigo 16, inciso III, do Decreto Federal 70.235/1972 A Recorrente limitouse a protestar com relação à decisão que considerara inepta sua Manifestação de Inconformidade quanto às demais infrações apontadas pela Fiscalização, não apresentando nenhum novo elemento de fato ou direito que viesse a rebater os já trazidos nas etapas anteriores: “Todavia não que se falar em defesa genérica na medida que a recorrente demostra que o creditamento de COFINS para o 1º Trimestre de 2006 esta Fl. 2246DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.247 16 plenamente de acordo com o art 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, art 8º, da Lei Federal 10.925/2004 e com o Princípio da não cumulatividade. Diante disso requer a reforma do julgado para que seja integralmente reconhecido o crédito de COFINS referente ao 1º trimestre de 2006.” É o relatório. Voto Conselheiro Relator Tiago Guerra Machado Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos na legislação; de modo que conheço da peça recursal. Do Mérito Diante da parcial reforma do lançamento efetuada pela DRJ, a questão remanescente no presente Recurso limitase a que seja analisada por essa Turma se a Instrução Normativa SRF 660/2006, publicada em 25.07.2006, poderia ter eficácia retroativa ao revogar os dispositivos da Instrução Normativa 636/2006, dandolhe efeitos iniciais desde 1º de agosto de 2004. Essa eficácia retroativa, com efetivo, veio a reduzir a possibilidade de gozo do crédito presumido previsto na Lei 10.925/2004. Decerto, os argumentos de ordem constitucional levantados pelo contribuinte não podem ser analisados por esse tribunal em obediência à Súmula CARF nº 2, de modo que não nos cabe negar a vigência de norma legal sob a alcunha ser inconstitucional. Tampouco é o caso de interpretação conforme, como pretende aduzir a Recorrente, haja vista não subsistir matéria a ser interpretada, mas sim a verificação do efeito da norma no tempo. Por outro lado, vejamos que a matéria da irretroatividade da norma tributária possui um conteúdo alheio às previsões constitucionais, permitindonos avaliar se as alterações introduzidas pela Instrução Normativa SRF 660/2006 estão aderentes com o que preconiza o Código Tributário Nacional (CTN). Não é surpresa, ao verificarmos que o artigo 105, do CTN, positivou, em sede infraconstitucional, o principio da irretroatividade da lei tributária, ao dizer que: Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Fl. 2247DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.248 17 Da mesma forma, o artigo 106, do CTN, reforça, em redação a contrario sensu, que a lei tributária não pode ter aplicação retroativa para constringir o contribuinte: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dito isso, analisandose os termos previstos na Instrução Normativa 660/2006, vêse que não há qualquer componente interpretativo, mas sim constitutivo, razão pela qual não há como esse instrumento infra legal venha a ter eficácia desde 1º de Agosto de 2004, sob o risco de subverter o conteúdo dos artigos 105 e 106, do CTN. Negar essa verdade será negar a própria existência da hierarquia de normas do Direito. A comungar desse entendimento, há jurisprudência dessa Corte, assim como do Superior Tribunal de Justiça. Vejamos. CARF – 3ª SEÇÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2004, 2005, 2006 LEI Nº 10.925/2004. ARTIGOS 8º E 9º. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DE PIS. RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. De acordo com decisões reiteradas da Administração da SRF, no período entre o início da produção de efeitos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (01/08/2004) e da publicação da IN SRF nº 636/2006 (04/04/2006), podem ser descontados créditos integrais relativos aos produtos adquiridos de pessoas jurídicas e de cooperativas de produção agropecuária e que correspondam às hipóteses de crédito do art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Soluções de Consulta que se estendem a terceiros, a teor do artigo 9º da Instrução Normativa RFB 1.434, de 30 de dezembro de 2013. (Acórdão 3301002.654 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária – Relatora Mônica Elisa de Lima – Julgado em 20.03.2015 – Unânime)) Fl. 2248DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.249 18 STJ – PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVOS. ARTS. 97, VI, 99 e 111, I, DO CTN. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA N. 282/STF. CREDITAMENTO SIMULTÂNEO DO CRÉDITO ORDINÁRIO PREVISTO NO ART. 3º, CAPUT, DAS LEIS NN. 10.637/2002 E 10.833/2003 E DO CRÉDITO PRESUMIDO PREVISTO NO ART. 8º DA LEI Nº 10.925/2004 POR UMA MESMA AQUISIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO CUMULATIVOS E INÍCIO DA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO AMBOS COM EFEITOS A PARTIR DE 1º/8/2004. INTERPRETAÇÃO DO ART. 17, III, DA LEI Nº 10.925/2004. LEGALIDADE DO ART. 5º DA IN SRF N. 636/2006. ILEGALIDADE DO ART. 11, I, DA IN SRF N. 660/2006 QUE FIXOU A DATA EM 4/4/2006. 1. Discutese nos autos a possibilidade de aproveitamento simultâneo de crédito ordinário da sistemática nãocumulativa de PIS/PASEP e de COFINS, prevista no art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, com o crédito presumido previsto no art. 8º, § 1º, da Lei nº 10.925/2004, referente às aquisições feitas junto a pessoas jurídicas cerealistas, transportadoras de leite e agropecuárias que funcionam como intermediárias entre as pessoas físicas produtoras agropecuárias e as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, para o período de 1º/08/2004 a 03/04/2006. 2. Impossibilidade de conhecimento do recurso especial em relação aos arts. 97, VI, 99 e 111, I, do CTN, uma vez que os referidos dispositivos não foram enfrentados pelo acórdão recorrido. Ausência de prequestionamento. Súmula nº 282 do Supremo Tribunal Federal. 3. O crédito presumido, que corresponde a um percentual do crédito ordinário, trata de benefício fiscal que traduz verdadeira ficção jurídica, daí a denominação "presumido", pois concedido justamente nas hipóteses previstas no art. 3º, §2º, das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, onde não é possível dedução de crédito ordinário pela sistemática não cumulativa, v.g., nas aquisições de insumos de pessoas físicas ou cooperados pessoa física (caput do art. 8º, da Lei n. 10.925/2004) e aquisições de insumos de pessoas jurídicas em relação às quais a lei suspendeu o pagamento das referidas contribuições (§ 1º do art. 8º, da Lei n. 10.925/2004). 4. O crédito presumido é benefício fiscal cujo objetivo é aliviar a cumulatividade nas situações onde não foi possível eliminala pela concessão do crédito ordinário. Desse modo, salvo disposição legal expressa, uma mesma aquisição não pode gerar dois creditamentos simultâneos para o mesmo tributo a título de crédito presumido e crédito ordinário, sob pena de ser concedida desoneração para além da nãocumulatividade própria dos tributos em exame. 5. Os arts. 3º, § 3º, I, "a", da IN SRF 636/2006 e 7º, I, da IN SRF 660/2006 condicionaram a existência de crédito presumido à aquisição de produtos com a tributação a título de PIS/PASEP e COFINS suspensa, na forma do art. 9º, da Lei n. 10.925/2004. A necessidade de suspensão da incidência da contribuição na etapa anterior para possibilitar a fruição do crédito presumido não decorre das referidas instruções normativas, mas sim de interpretação sistemática da legislação que rege o creditamento ordinário e presumido. Fl. 2249DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.250 19 6. O crédito presumido e a suspensão da incidência das contribuições produziram efeitos conjuntamente a partir de 1º/8/2004, nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004, de forma que as INs SRF nºs 636/2006 e 660/2006, ainda que sob o pálio do § 2º do art. 9º da referida Lei nº 10.925/2004, não poderiam alterar a data de concessão da suspensão da incidência das contribuições, mas tão somente disciplinar sua aplicação mediante a instituição de obrigações tributárias acessórias. Nesse sentido, está conforme a lei o art. 5º da IN SRF 636/2006, que fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 1º/8/2004, e ilegal o art. 11, I, da IN SRF 660/06, que revogou o artigo anterior e, de forma equivocada, fixou a data do início do crédito presumido e da suspensão em 4/4/2006. 7. Esta Corte já enfrentou o tema da revogação da IN SRF n. 636/2006 pela IN SRF n. 660/2006 e concluiu que tal revogação não teve o condão de alterar de 1º/8/2004 para 4/4/2006 o início dos efeitos da suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/04. Precedente: REsp nº 1.160.835/RS, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 23/4/2010. 8. Nos termos do art. 17, III, da Lei nº 10.925/2004 e do art. 5º da IN SRF 636/2006, tanto o direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, quanto a suspensão da incidência das contribuições ao PIS e à COFINS prevista no art. 9º, da Lei nº 10.925/2004, produziram efeitos a partir de 1º/8/2004, relativamente às atividades previstas na redação original da Lei nº 10.925/2004, e a partir de 30/12/2004 em relação às atividades incluídas pela Lei nº 11.051/2004. 9. Tendo em vista que o acórdão recorrido reconheceu equivocadamente ao contribuinte o direito ao crédito ordinário pela sistemática não cumulativa no período de 1º/8/2004 a 4/4/2006, não é possível a esta Corte, à mingua de recurso da FAZENDA NACIONAL, afastar o acórdão no ponto, sob pena de incorrer em reformatio in pejus. 10. Por outro lado, uma interpretação sistemática da legislação, bem como os princípios da razoabilidade e moralidade não permitem a esta Corte conceder cumulativamente o crédito parcial (crédito presumido) onde já foi equivocadamente reconhecido o crédito total (crédito ordinário) ao contribuinte. 11. Portanto, deve ser reconhecido ao contribuinte o direito ao aproveitamento de créditos presumidos na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 no período de 1º/8/2004 a 4/4/2006 somente em relação às aquisições não abrangidas pelo creditamento ordinário de PIS e COFINS pela sistemática nãocumulativa. 12. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. (Segunda Turma – Resp 1.437.568 SC – Relator Ministro Mauro Campbell Marques – julgado em 1º.12.2015 Unânime) Não somente isso, mas admitindose que cabe a Lei – stricto sensu – estabelecer o fato gerador da obrigação tributária, incluindo os seus elementos constitutivos, como a base de cálculo, bem como as suas isenções e demais benefícios fiscais, observo que a Lei Federal 10.925, estabeleceu o termo inicial para a fruição da suspensão prevista no artigo 9º, desde 1º de agosto de 2004: Fl. 2250DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.251 20 Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. §1º O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. §2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (...) Art. 17. Produz efeitos: (...) III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; Não há como negar que a Lei introdutória do direito ao crédito presumido concedeuo desde o período gozado pelo Recorrente, não havendo nem possibilidade de se entender que o parágrafo 2º teria condicionado a eficácia à prévia regulamentação pela Receita Federal; isto porque: (i) não há qualquer menção condicional expressa no aludido parágrafo segundo, ainda que possa criar um óbice prático, mas temporal, ao contribuinte; para que a fruição se dê somente a partir da regulamentação da RFB (ii) não cabe à parte normativa da lei dispor sobre sua vigência, eis que tal incumbência deve ser cumprida pela parte final da legislação, tal como preconiza o artigo 3º1, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis, conforme determina o parágrafo único, do art. 59, da Constituição Federal. 1CAPÍTULO II DAS TÉCNICAS DE ELABORAÇÃO, REDAÇÃO E ALTERAÇÃO DAS LEIS Seção I Da Estruturação das Leis Art. 3º A lei será estruturada em três partes básicas: I parte preliminar, compreendendo a epígrafe, a ementa, o preâmbulo, o enunciado do objeto e a indicação do âmbito de aplicação das disposições normativas; II parte normativa, compreendendo o texto das normas de conteúdo substantivo relacionadas com a matéria regulada; III parte final, compreendendo as disposições pertinentes às medidas necessárias à implementação das normas de conteúdo substantivo, às disposições transitórias, se for o caso, a cláusula de vigência e a cláusula de revogação, quando couber. Fl. 2251DF CARF MF Processo nº 10680.921286/201171 Acórdão n.º 3401003.831 S3C4T1 Fl. 2.252 21 Esse último argumento, levantado de ofício em meu voto, não foi acompanhado pela turma, que entendeu que o artigo 9o da Lei no 10.925/2004 não era autoaplicável, dependendo de regulamentação pela RFB. Por fim, quanto às demais glosas efetuadas pela fiscalização, em qualquer momento, a Recorrente se esmerou comprovar as razões para a apropriação de créditos da contribuição social, de modo que não há como reconhecêlos como decorrência de absoluta carência probatória. Das Conclusões Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e doulhe parcial provimento. Relator Tiago Guerra Machado Relator Fl. 2252DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000180/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 11 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI
Anocalendário:
2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO
DE NOTAS FISCAIS.
Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas e sobre ela será exigido o imposto com base na alíquota e preço mais elevados.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS.
Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase,
por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e
efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais.
DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA.
A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo para o contribuinte, que pode refutála
mediante oferta de provas hábeis e idôneas.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Anocalendário: 2003, 2004
DECADÊNCIA.
Tratando-se de lançamento de oficio, não tendo havido qualquer pagamento, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte
àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO.
Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário: 2003, 2004
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO.
A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO.
Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicilio fiscal eleito por ele.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1401-000.355
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MAURICIO PEREIRA FARO
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dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201011
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas e sobre ela será exigido o imposto com base na alíquota e preço mais elevados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. Tratando-se de lançamento de oficio, não tendo havido qualquer pagamento, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicilio fiscal eleito por ele. Recurso Voluntário Negado.
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SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas e sobre ela será exigido o imposto com base na alíquota e preço mais elevados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento de oficio, não tendo havido qualquer pagamento, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 461DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 2 2 PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicilio fiscal eleito por ele. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, afastar a preliminar de decadência, vencidos os conselheiros Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias e, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (Assinado digitalmente) MAURICIO PEREIRA FARO Relator. Participaram do julgamento os conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Karem Jureidini Dias (VicePresidente) Alexandre Antônio Alkmin Teixeira, Antônio Bezerra Neto, Mauricio Pereira Faro e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Relatório Fl. 462DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 3 3 Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão que julgou procedente o lançamento tributário. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Contra a empresa epigrafada foram lavrados os autos de infração de fls. 113/134, que se prestaram a exigir o Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI e respectivos consectários legais, relativos aos período compreendidos nos anos de 2003 e 2004, apurados em decorrência da constatação de omissão de receitas oriundas de depósitos bancários de origens não comprovadas. Essas constatações implicaram no lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e reflexos, objeto do processo n° 10932.000167/200879 crédito tributário lançado totalizou R$ 23.890.876,95 (vinte e três milhões e oitocentos e noventa mil e oitocentos e setenta e seis reais e noventa e cinco centavos), conforme demonstrativo de fl. 1, tendo sido lavrados o seguinte auto de infração: I — Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) — fls. 113/134. Imposto: R$ 10.135.788,68 Juros de mora: R$ 6.153.246,83 Multa proporcional: R$ 7.601.841,44 Total: R$ 23.890.876,95 Enquadramento legal: artigos 24, inciso II; 34, inciso II; 122; 123, inciso I, alínea "6" e inciso II, alínea "c"; 127; 130; 131, inciso II; 199; 200, inciso IV; 202, inciso III, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado com o decreto n° 4.544/02, de 26 de dezembro de 2002 (RIP1/02); art. 108 da Lei n°4.502/64. A ação fiscal foi realizada sob a determinação dos Mandados de Procedimentos Fiscal (MPF) ns° 08.1.19.002006007779 e 08.1.19.002008008667, emitidos pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São Bernardo do campo, em 04/10/2006 e 23/07/2008 (fl. 2 e 3), com vistas a fiscalização de IRPJ e IPI nos anos de 2002 a 2004. A ciência do MPF, juntamente com o Termo de Início da Fiscalização, deuse em 05/10/06 por meio de ciência pessoal, sendo a fiscalizada intimada a apresentar "todos os livros contábeis e fiscais com escrituração relativa aos anos calendários de 2002, 2003 e 2004; balanços analíticos e demais demonstrações financeiras referentes aos anos calendários de 2002, 2003 e 2004; Contrato Social e últimas alterações contratuais" (fl. 4). Fl. 463DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 4 4 Em continuidade da ação fiscal, foram apresentadas: Intimação fiscal datada em 31/10/2006 (fl. 32) intimando a apresentação de livros fiscais e arquivos magnético com lançamentos contábeis/fiscais na estrutura prevista na Portaria Cofis n°13, de 28/12/1995 e Ato Declaratório Cofis n°15, de 23/10/2001. Intimação fiscal 02 datada em 07/03/2007 (fl. 35), intimando novamente a apresentação dos arquivos de lançamentos contábeis/fiscais, tendo em vista impossibilidade de leitura dos anteriores entregues. Termo de Prosseguimento da ação fiscal 01 datado em 07/05/2007(fl. 38), para retirada de 4 (quatro) CDs que diz conter arquivos digitais relativos aos anos calendários de 2002 a 2005. Termo de Prosseguimento da ação fiscal 02 datado em 06/07/2007 (fl. 39), para retirada de cópias de balanços patrimoniais dos anos calendários de 2001 a 2006 e 1 (um) CDs que diz conter arquivos digitais relativos ao relativos ao ano calendário de 2006. Termo de Retenção datado em 11/09/2007 (fl. 40), para retenção de 1 (um) livro razão analítico referente a janeiro/2002. Intimação fiscal 03 datada em 12/09/2007 (fl. 41), intimando a apresentar extratos bancários de todas as contas correntes movimentadas, comprobatórios dos lançamentos contábeis efetuados nos anos de 2002 a 2004. Intimação fiscal 04 datada em 25/02/2008 (fl. 45/57), intimando a contribuinte, bem como o sócio Sr. Nelson Boainaim a apresentar "documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos recursos supridos pelo sócio mencionado, os quais estão relacionados no demonstrativo anexo". Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado em 29/02/2008 (fl. 58), constatando: "a) O contribuinte apresentou, em reposta à Intimação Fiscal 04, extratos bancários das contas movimentada no período de 2002 a 2004, cujos valores conferem com seus registros contábeis; b) Entretanto, os montantes mensais declarados pelas instituições financeiras, calculados com base nas parcelas de CPMF, divergem dos correspondentes valores lançados. Desta forma, INTIMO o contribuinte acima identificado, a apresentar no prazo de 5 (cinco) dias úteis contados da ciência deste, os extratos bancários de contas faltantes." Termo de Prorrogação de Prazo datado em 06/03/2008(fl. 61), prorrogando o prazo para atendimento da Intimação Fiscal 04 Fl. 464DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 5 5 para o dia 08/04/2008 e para o dia 13/03/2008 a apresentação de extratos bancários de contas faltantes intimada no Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado em 29/02/2008. Em 08/04/08 é apresentada reposta pela fiscalizada ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal datado em 29/02/2008: "Temos a informálo de que após levantamento em nossos arquivos, constatouse que não possuímos qualquer outro documento a não ser aqueles já entregues em cumprimento daquela intimação (04)." Na mesma data solicita nova prorrogação de prazo para atendimento da Intimação fiscal 04 datada em 25/02/2008. Diante do não fornecimento pelo contribuinte dos extratos bancários solicitados em intimação, a autoridade fiscal decidiu pela necessidade de obtêlos diretamente junto às instituições financeiras que administravam as contas bancárias da fiscalizada, por meio da emissão de Requisições de Movimentação Financeira (RMFs) para os seguintes Bancos: Banco Industrial e Comercial S/A (fl. 67), Banco do Estado de São Paulo S/A – Banespa (11.68), Banco Bradesco S/A (fl. 69). Em atenção às RMFs, as respectivas instituições apresentaram os extratos solicitados, conforme respostas de folhas 71 a 76. Diante dos documentos apresentados pelas instituições financeiras, a autoridade fiscal consolidou os montantes mensais dos depósitos bancários, lavrando Termo de Intimação Fiscal 05 em 10/06/2008 (fls. 77/91) em que intima a fiscalizada a apresentar: "Documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos recursos utilizados relativos a valores creditados por estabelecimentos bancários conforme demonstrativo anexo, no montante de R$ 101.357.887,64. Obs: Estes valores relacionados foram transcritos de extratos bancários não contabilizados pelo contribuinte, obtidos junto às instituições financeiras." Após todos procedimentos fiscais acima relatados, a autoridade fiscal lavrou autos de infração de fls. 113/134, juntamente com Termo de Verificação e Constatação Fiscal com ciência à fiscalizada em 31/07/2008 (fl. 94/112), em que verifica e constata os fatos adiante mencionados: "Através de Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) junto às instituições financeiras, foram obtidos extratos bancários de contas movimentadas pela fiscalizada, cujas operações não foram escrituradas, consistindo assim, forte indício da prática de omissão de receitas. Fl. 465DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 6 6 O contribuinte não apresentou qualquer documentação comprobatória da origem dos recursos utilizados, relativos às parcelas creditadas nas referidas contas bancárias, não afastando, portanto, a presunção de omissão do registro de receitas. Desta forma, o Imposto de Renda Pessoa Jurídica — 1RPJ e as contribuições, foram lançados de oficio com base naqueles valores de origem incomprovada, ocorridos nos anos de 2003 e 2004. citada exigência originou o Processo n° 13819.0001671200879, cujas cópias de suas principais peças estão aqui juntadas Fls. 02/91. O Imposto sobre Produtos IndustrializadosIPI decorrente, será lançado de oficio, com base nas receitas consideradas vendas não registradas, conforme demonstrativos Valores Creditados e Base de Cálculo do IPI anexados, os quais fazem parte integrante deste instrumento. Na forma do artigo 108 da Lei n° 4.502/64, o imposto será calculado sobre o valor da receita omitida, à alíquota de 10% (dez por cento), que corresponde ao produto sob a classificação fiscal 3814.00.00, com maior alíquota entre os produtos saídos do estabelecimento nos períodos compreendidos nos anos de 2003 e 2004." Cientificada do lançamento em 31/07/2008, através de ciência pessoal do seu Diretor Presidente, Nelson Boainain, conforme auto de infração, a interessada, por suas advogadas e procuradoras, ingressou, em 29/08/2008, com peça impugnatória de fls. 138/196 e documentação anexa de fls. 197/249, sendo esta referente a procuração e documentação pessoal das advogadas e representante legal do contribuinte (fls. 197/200), 27° alteração do contrato social da contribuinte (fls. 203/221), auto de infração, termo de verificação e constatação fiscal, termo de encerramento (fls. 222/249 — mesmos constates do lançamento), alegando, em suma: Primeiramente a advogada e procuradora da impugnante solicita receber "todas as intimações e notificações referentes ao presente processo em seu escritório". DOS FATOS Relata o procedimento fiscal, informando que a fiscalização requisitou informações sobre a movimentação financeira do contribuinte (RMF) junto As instituições financeiras e em face dos extratos bancários obtidos de "contas que teriam sido movimentadas pela impugnante, com o que teria sido contatada a existência de contas que não teriam as respectivas operações contabilizadas" lavra por "suposições, indícios e presunções Autos de Infração de IRPJ/Lucro Real, PIS, COFINS e CSLL. Partindo da mesmas premissas faz o lançamento do IPI com base nas receitas que teriam sido consideras vendas não registradas. DAS RAZÕES DE DEFESA Fl. 466DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 7 7 DA DECADÊNCIA Alega e requer a decadência do direito de a Fazenda Nacional proceder ao lançamento do imposto sobre produtos industrializados, nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 150, § 4°, com relação aos fatos geradores anteriores ao decêndio de 20/07/2003 à 31/07/2003, "uma vez que foi notificada do lançamento apenas em 31/07/2008". Discorre e apresenta doutrina e jurisprudência buscando fundamentar a sujeição do IPI ao lançamento por homologação, bem como aplicação da regra de decadência prevista no art. 150, § 4° do CTN. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Requer declarar a nulidade do procedimento fiscal e conseqüente lançamento por cerceamento do direito de defesa, alegando ter a fiscalização considerado extratos bancários obtidos unilateralmente, "sem conhecimento prévio da impugnante e sem que tenha feito qualquer investigação fiscalizatória nos documentos contábeis da mesma, relativas à saída de produtos industrializados'. Questiona que a fundamentação legal trazida no auto de infração não tipifica a presunção legal utilizada como prática de omissão de receitas, entendendo que inexiste esta na apuração do IPI, situação que teria ensejado o cerceando o direito de defesa da impugnante. Entende que a autoridade lançadora deveria ter buscado outros elementos para apuração da saída dos produtos industrializados, discorrendo que o art. 108 da Lei n° 4.502/64 exige levantamento mais amplo e completo, inclusive com auditoria de produção. Citado procedimento haveria ferido os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa, do devido processo legal e da busca da verdade material. DO MÉRITO Alega que a fiscalização lançou com base exclusivamente em depósitos bancários, "considerados como de origem não comprovada e, que por presunção tais receitas teriam sido decorrentes de vendas não registradas". Discorre que a previsão de omissão de receita prevista no art. 42 da Lei 9.430/96 somente seria fundamento para "constituição de crédito tributário de IRPJ e autuações reflexas, que tenham relação direta com a base de cálculo e o fato gerador do mesmo". Discorre que o fato gerador do IPI restringese exclusivamente às hipóteses enumeradas no artigo 46 do CTN e nos artigos 34 e 35 do AIPI, nela não se enquadrando o caso concreto objeto destes autos, não podendo a autoridade lançadora ampliar a base de incidência do tributo. Fl. 467DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 8 8 Questiona a presunção legal estabelecida pelo art. 42 da lei 9.430196, por não haver nexo de causalidade entre o depósito bancário e o rendimento omitido, trazendo doutrina e jurisprudência que busca fundamentar sua argumentação jurídica. Argumenta que "o Regulamento do IPI prevê apenas a hipótese de arbitramento do valor tributável (artigos 138 e seguintes do Decreto n°4544/2002) que contém certos requisitos, que sequer foram observados pelo auditor fiscal autuante." Conclui pela necessidade de anulação do lançamento pela ausência de investigação pelo Autoridade Fiscal quanto ao fato gerador do IPI. DA PRESUNÇÃO Discorre novamente quanto ao lançamento baseado em extratos bancários e presunção legal, alegando o dever da administração de demonstrar o nexo de causalidade e da impropriedade da utilização de presunções sem a devida fundamentação em provas contundentes da ocorrência do fato gerador do IPI, que prevê a apuração de elementos subsidiários para apuração do imposto. Dispõe que compete ao autor o ônus da prova, não cabendo ao contribuinte este ônus mas sim a autoridade lançadora, que deverá revestir o lançamento dos meios de prova que fundamentam a ocorrência do fato gerador. Questiona a validade constitucional e em face da norma complementar — CTN da utilização da presunção no direito tributário, em especial pela afronta aos princípios da estrita legalidade, da tipicidade fechada, da interpretação mais favorável ao contribuinte. Resume que "o auto foi lavrado unicamente em presunções vazias e desprovidas de qualquer fundamento em fatos concretos." DA AUSÊNCIA DE PROVAS Repisa que a fiscalização não provou a ocorrência do fato gerador do imposto lançado, discorrendo quanto ao fato gerador do IPI previstos no artigo 46 do CTN, devendo o procedimento fiscal aterse ao disposto nos artigos 114 e 142 do CTN, procedendo investigação para provar a ocorrência do fato gerador e não apenas se baseando em presunção. DO PEDIDO Conclui a impugnação requerendo "sejam acolhidas as preliminares argüidas, notadamente que seja reconhecida e declarada a decadência dos fatos geradores anteriores ao Fl. 468DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 9 9 decêndio de 20107/2003 à 31/07/2003, nos termos do artigo 150,§ 4° do CTN. Sucessivamente, requer o cancelamento do lançamento do presente processo e arquivamento deste, por entender ilegal e por todas considerações efetuadas. Analisando a controvérsia entendeu o órgão julgador a quo por julgar procedente o lançamento, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. Apuradas receitas cuja origem não seja comprovada, estas serão consideradas provenientes de vendas não registradas e sobre ela será exigido o imposto com base na alíquota e preço mais elevados. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. Comprovada a omissão de receitas em lançamento de oficio respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais. DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para o contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento de oficio, não tendo havido qualquer pagamento, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias requisitadas em absoluta observância das normas de regência e ao amparo da lei ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. Fl. 469DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 10 10 A autoridade administrativa é incompetente para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada a existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo no domicilio fiscal eleito por ele. Lançamento Procedente Em face do precitado acórdão interpôs o Recorrente o recurso voluntário ora analisado reiterando os argumentos apresentados anteriormente. É o relatório Voto Antes de adentrar o mérito da controvérsia fazse necessário analisar as preliminares argüidas acerca da decadência de parte do crédito tributário constituído e do cerceamento de defesa ao qual teria se submetido à Recorrente. DA DECADÊNCIA Sustenta a recorrente que, como a notificação do auto de infração ora discutido ocorreu em 31.07.2008, os fatos geradores anteriores a julho de 2003 teriam sofrido os efeitos da decadência em razão do que dispõe o artigo 150, § 4º do CTN. O precitado argumento foi afastado pelo órgão julgador a quo sob o fundamento de que no presente caso, em razão da inexistência de pagamento por parte da Recorrente, não haveria ocorrido antecipação do tributo, sendo portanto aplicado o dispositivo previsto no artigo 173, I, do CTN. No presente caso a Recorrente se absteve, tanto na impugnação como no recurso voluntário, de demonstrar a existência de pagamento parcial do tributo discutido, o que justificaria o reconhecimento parcial da decadência em razão da aplicação do artigo 150, § 4º do CTN. Conforme indicado no r. acórdão recorrido, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já pacificou o entendimento de que o prazo decadencial previsto no artigo 150,§ 4º do CTN somente se aplica nos casos onde tenha havido pagamento a menor, em textual: TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO REGIME DO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos Fl. 470DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 11 11 tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, isto é, o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador a incidência da regra supõe, evidentemente, hipótese típica de lançamento por homologação, aquela em que ocorre o pagamento antecipado do tributo. Se o pagamento do tributo não for antecipado, já não será o caso de lançamento por homologação, hipótese em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, 1, do Código Tributário Nacional (...) [grifas acrescidos] Desta forma, a análise do lançamento em apreço demonstra não haver razão à Recorrente, pois se trata de lançamentos relativos aos anos anocalendário de 2003 e 2004, em que o contribuinte não efetuou qualquer pagamento de tributos lançados relativos aos fatos geradores daquele período. Neste caso, o prazo decadencial a ser considerado é aquele estatuído no art. 173, inc. I, do CTN, não sendo sequer necessário considerar, no caso concreto, a eventual ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Destarte, como o termo inicial foi o dia 01/01/2004 (para os fatos geradores mais remotos, de 2003) e o termo final da decadência em 31/12/2008, não há que se reconhecer o pleito de decadência de um lançamento consolidado no lustro legal, haja vista que a ciência ocorreu em 31/07/2008. OFENSA AO CONCEITO DE RENDA INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE Sobre o argumento de que a tributação efetuada desvirtuou o conceito de renda, com ofensa constitucional e legal (CTN), cabe esclarecer que a autoridade administrativa não tem competência para analisar questões de inconstitucionalidade e ilegalidade, sendo esta competência atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela CF, no art. 102. Nesse sentido dispõe a Súmula CARF nº 2. DO CERCEAMENTO DE DEFESA Sustenta a Recorrente que seu direito de defesa teria sido violado em razão da obtenção unilateral dos extratos bancários e pela falta de investigação fiscalizatória em seus documentos contábeis. Todavia, abstevese a Recorrente, tanto na impugnação como no recurso ora analisado, de comprovar que as referidas contas não eram de sua titularidade, tampouco produziu prova para refutar a origem dos recursos depositados nas mesmas. Quanto a obtenção unilateral dos extratos bancários, tal ocorreu nos termos do art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, regulamentada pelo Decreto n° 3.724/2001, devido a incompatibilidade entre os montantes mensais declarados pelas instituições financeiras e os escriturados pelo contribuinte, após reposta pelo contribuinte de não possuir qualquer outro documento para comprovar referida divergência (fl. 70). Desta forma, o procedimento fiscal não feriu os princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa, do devido processo legal e da busca da verdade material, pois seguiu o trâmite legal, bem como oportunizou a apresentação de documentação hábil e idônea comprobatória da origem dos recursos utilizados. DO MÉRITO Fl. 471DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 12 12 Não obstante os termos do acórdão proferido pelo órgão julgador a quo o Recorrente se limitou a apresentar no recurso ora analisado os mesmos argumentos genéricos que haviam sido ventilados na impugnação. Todavia, a exemplo do que ocorreu no curso do Procedimento Fiscal e no auto de infração, se absteve o contribuinte, mais uma vez, de trazer argumentos e provas que possibilitassem infirmar a omissão de receita, ou ao menos comprovar a existência de empréstimos e transferências de numerário entre contas de mesma titularidade Verificase que a Recorrente foi intimada, durante a ação fiscal, a comprovar a efetividade das operações correspondentes aos registros em contascorrentes omitidas da escrituração pelo contribuinte, não tendo apresentado naquela ocasião qualquer comprovação da origem dos créditos. Tampouco na fase impugnatória, na qual apenas trouxe as alegações genéricas acima relacionadas, sem anexar ao processo qualquer prova do alegado. Nessa ordem de idéias, o lançamento referente ao IPI, relativo aos períodos compreendidos nos anos de 2003 e 2004 é decorrente de lançamento referente ao IRPJ e reflexos, em que se apurou omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. O art. 108 da Lei n°4.502 de 1.964 que trata da omissão de receitas, principalmente no que pertine ao § 2°, já que não é o caso da pesquisa de elementos subsidiários (caput e § 1°) como insumos (auditoria de produção ou de estoque), mas sim da apuração de receitas com origem não comprovada, com a aplicação da alíquota mais elevada, para a cobrança do imposto devido, tendo em vista a impossibilidade de separação pelos elementos da escrita fiscal. Art . 108. Constituem elementos subsidiários para o cálculo da produção o correspondente pagamento do imposto de consumo dos estabelecimentos industriais, o valor ou quantidade da matériaprima ou secundária adquirida e empregada na industrialização dos produtos, o das despesas gerais efetivamente feitas, o da mãodeobra empregada e o dos demais componentes do custo da produção, assim como as variações dos estoques de matériasprimas ou secundárias. § I° Apurada qualquer diferença, será exigido o respectivo imposto de consumo, que, no caso, de fabricante de produtos sujeitos a alíquotas diversas, será calculado com base na mais elevada quando não for possível fazer a separação pelos elementos da escrita do contribuinte. § 2° Apuradas, também, receitas cuja origem não seja comprovada, será sobre elas, exigido o imposto de consumo, mediante adoção do critério estabelecido no parágrafo anterior. Registrese que na ação fiscal de IRPJ foram verificadas receitas cuja origem não foi comprovada (§ 2°). Assim sendo, deve ser empregado, quanto à exigência decorrente (IPI), o critério estabelecido no § 1° da norma regulamentar em comentário. No processo relativo ao IRPJ, conforme acórdão de fls. 301/313, considerou se procedente o lançamento, no que se refere à acusação de omissão de receitas. Fl. 472DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 13 13 Portanto, do total da receita omitida indicada pelo exator, restou mantida a totalidade da exação com reflexo no campo do IPI. Dessa forma, resta caracterizada a omissão de receitas pelas razões aduzidas, causa eficiente da imposição fiscal na esfera do IRPJ, é inafastável a autuação decorrente, por falta de lançamento do imposto, dada a presunção legal de vendas sem emissão de nota fiscal, já que o julgamento do processo decorrente deve seguir o do principal. Nesse sentido, já se manifestou o Antigo Conselho de Contribuintes, em textual: Processo n° 10909.002559/200606 Recurso n° 164.716 Voluntário Matéria IRPJ E OUTROS Ex(s): 2002, 2004 e 2005 Acórdão n° 10323.529 Sessão de 13 de agosto de 2008 Recorrente UNO INDUSTRIAL LTDA. Recorrida 5" DRJRIO DE JANEIRO/RJ I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 2001, 2003 e 2004. Ementa: DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM COMPROVAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n° 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Cabe o arbitramento do lucro, com fundamento no art. 47, inciso III, da Lei n° 8.981/95, na situação em que a contribuinte regularmente intimada a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, deixa de apresentálos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA PIS COFINS CSLL — IPI. Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da intima elação de causa e efeito que os vincula. Ante o exposto, afasto as preliminares de cerceamento de defesa e a decadência suscitada e no mérito nego provimento ao recurso, mantendo integralmente o crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Fl. 473DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Processo nº 10932.000180/200828 Acórdão n.º 140100.355 S1C4T1 Fl. 14 14 Mauricio Pereira Faro Relator Fl. 474DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO Assinado digitalmente em 27/04/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 31/03/2011 por MAURICIO PEREIRA FARO
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Numero do processo: 10880.919919/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS.
Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez.
Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado
Numero da decisão: 1301-002.709
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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W. KOGOS - PROCEDIMENTOS MEDICOS S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido, porém, não o fez. Na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, se faz necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Ângelo Abrantes Nunes, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.919919/2009-19 Acórdão n.º 1301-002.709 S1-C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão proferido pela DRJ, que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte, entendeu, por unanimidade de votos, julgá-la improcedente. O presente processo decorre de pedido de Declaração de Compensação, onde o contribuinte utilizou-se de crédito de pagamento a maior de IRPJ. Segundo o despacho decisório, a compensação não foi homologada porque o pagamento considerado indevido foi integralmente utilizado para extinguir débito de IRPJ, inexistindo, portanto, crédito a compensar. Irresignado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, informando que retificou sua DCTF, apropriando-se integralmente do valor recolhido indevidamente. Pondera que a única justificativa da RFB, ao proferir tal despacho, foi ter-se baseado na DCTF original e não considerar a DCTF retificadora, caso contrário não teria porque não homologar a compensação realizada. Estes argumentos foram apreciados pela DRJ, que decidiu pela improcedente da defesa. Anote-se que, em seu decisium, a DRJ consignou que o contribuinte não comprovou a existência do crédito declarado. Após intimado, inconformado, a recorrente apresentou, tempestivamente, recurso voluntário, pugnando por provimento, sustentando a certeza e liquidez do crédito apresentado, pois, em sua ótica, o crédito está devidamente demonstrado através da comparação das obrigações acessórias transmitidas e DARF recolhido. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 1301-002.696, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10880.973679/2009-90. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301-002.696): O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972. Portanto, dele conheço. Da análise do recurso Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10880.919919/2009-19 Acórdão n.º 1301-002.709 S1-C3T1 Fl. 4 3 Como bem apontado na decisão recorrida, a compensação prevista nos artigos 156 e 170 do CTN, e regulada pelo artigo 74, da Lei 9.430/96, constitui-se em um instrumento de extinção de crédito tributário, mediante apresentação de declaração de compensação, sob condição resolutiva de sua ulterior homologação. O contribuinte quem figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. No caso de pagamento indevido, que é o caso específico dos autos, o reconhecimento de seu direito creditório exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontando-as com os registro contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e compará-lo ao pagamento efetuado. O contribuinte trouxe aos autos apenas suas Declarações (DCTF, Dcomp e DIPJ), informando que retificou sua DCTF, e insiste na comparação das informações declaradas com o DARF recolhido, pois, a partir de tal confronto, em sua ótica, estaria comprovado o crédito que alega ser titular. Não penso assim, pois deveria ter trazido mais elementos de provas, com o escopo de demonstrar não só a origem do crédito, como sua liquidez e certeza. Além do mais, é bom que se diga que as Declarações são documentos produzidos pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe-se a obrigação da recorrente de comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocadamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66. Neste ponto, acresça-se o que dispõem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972, como segue: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) (grifou-se) Assim, o ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo este CARF, veja-se: Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.919919/2009-19 Acórdão n.º 1301-002.709 S1-C3T1 Fl. 5 4 “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destina-se a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.”(grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) COFINS. DCOMP. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Compete a quem transmite o Per/DComp o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas, eficazes e suficientes a essa comprovação. DCOMP. CRÉDITOS. HOMOLOGAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação eficaz desses atributos impossibilita à homologação. (Acórdão 3802003.395, v.u., para negar provimento ao recurso voluntário) RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS. Nos processos derivados de pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, capaz de demonstrar a liquidez e certeza do pagamento indevido. (Acórdão 3301003.192, v. u. para negar provimento ao recurso voluntário). Portanto, a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de IRPJ. Por fim, com relação ao argumento da recorrente, ao final, de que no Acórdão recorrido, foram acrescentados fatos e alegações novos e estranhos ao processo, desconhecidos da empresa recorrente, em especial por ter feito referência a Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10880.919919/2009-19 Acórdão n.º 1301-002.709 S1-C3T1 Fl. 6 5 julgamentos de outros processos de compensação, e por isso, por esta referência, sustentou que foi desrespeitado o devido processo legal, entre outros princípios; também não há que se dá razão ao contribuinte. O fato da decisão recorrida ter feito referência a outros processos que discutem a certeza e liquidez de crédito oriundo de pagamento indevido a título de IRPJ, não agride a estes princípios, e nem altera o resultado da decisão recorrida, pois não se reconhece o crédito pretendido por ausência de provas quanto ao fato constitutivo do direito alegado pelo contribuinte. Sendo assim, rejeitam-se suas alegações. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 106DF CARF MF Relatório Voto
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