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Numero do processo: 10660.906077/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/10/2009
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
Numero da decisão: 3401-004.176
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 23/10/2009 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/10/2009 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Não tendo sido apresentadas nem alegações nem provas suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito apresentado, procedente o Despacho Decisório que constatou a sua insuficiência em montante suficiente para compensar a totalidade dos débitos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida e Tiago Guerra Machado. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP que pretendia obter o reconhecimento de direito creditório por suposto pagamento a maior. Tal pleito restou indeferido através de Despacho Decisório que integra os autos, face a vinculação do pagamento com débitos devidamente declarados em DCTF, inexistindo saldo a favor da recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 60 77 /2 01 2- 17 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10660.906077/201217 Acórdão n.º 3401004.176 S3C4T1 Fl. 3 2 Intimada, a contribuinte manifestou sua irresignação, alegando que os créditos oriundos do pagamento indevido já se encontravam desvinculados das DCTFs respectivas. A decisão de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade em razão da falta de liquidez e certeza do crédito vindicado. A recorrente ingressou então com recurso voluntário alegando que houve falha de seu departamento fiscal, que não promoveu as retificações que demonstrariam a desvinculação dos pagamentos e a conseqüente existência do crédito. Em 25/01/2017, esta turma proferiu a Resolução CARF nº 3401000.973, por unanimidade de votos, para a finalidade de: "tendo em vista nem a administração tributária, nem a instância anterior, ter ido além do despacho decisório de processamento automático, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de jurisdição local analise e informe a respeito do alegado pela contribuinte, e também a respeito da existência de retificação realizada ou tentada pela contribuinte com relação ao (débitos e créditos) discutido neste processo administrativo. Que se dê ciência à contribuinte desta decisão e também do relatório conclusivo e da informação fiscal resultantes da diligência, e prazo de 30 dias para ela se manifestar em cada uma dessas intimações" (seleção nossa). Em atenção à resolução determinada, a unidade preparadora produziu relatório de diligência fiscal, no qual concluiu pela indisponibilidade do crédito alegado pela recorrente. Intimada do conteúdo da diligência em referência, a recorrente requereu prazo suplementar de mais 30 dias para se manifestar. A DRF proferiu despacho que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de previsão legal para a prorrogação requerida, devolvendo os autos a este Conselho para reinclusão em pauta e prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.167, de Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10660.906077/201217 Acórdão n.º 3401004.176 S3C4T1 Fl. 4 3 24 de outubro de 2017, proferido no julgamento do processo 10660.906083/201274, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.167): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Recortase, a seguir, a integralidade da manifestação de inconformidade da contribuinte: Transcrevese, ainda, a íntegra das razões do recurso voluntário interposto: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10660.906077/201217 Acórdão n.º 3401004.176 S3C4T1 Fl. 5 4 Inexiste, como se percebe, substantiva defesa realizada pela contribuinte, o que suscitaria debate a respeito do próprio conhecimento do recurso manejado, que se prestou unicamente a requerer prorrogação do prazo para o exercício do contraditório, curiosamente com base nos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, sob pena de "insolvência econômica" (sic). Tendo, no entanto, a Resolução em referência considerado tempestivo o recurso, bem como sido atendidos os demais requisitos de admissibilidade, e considerando que o processo foi baixado em diligência, retornando agora a este Conselho com relatório conclusivo, entendo que menor prejuízo será causado ao interesse público ao se adentrar o mérito do que ao não fazê lo. Assim, transcrevese abaixo o resultado da diligência efetuada: Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10660.906077/201217 Acórdão n.º 3401004.176 S3C4T1 Fl. 6 5 Desta forma, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, acolhendo integralmente o resultado da diligência." Registrese que a diligência efetuada em relação ao presente processo registrou a mesma conclusão quanto a indisponibilidade do crédito alegado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720784/2012-95
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA.
MULTA ISOLADA.
A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.
Numero da decisão: 9101-003.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Lívia de Carli Germano (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Gerson Macedo Guerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada para os impedimentos de conselheiros), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Lívia de Carli Germano (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada para os impedimentos de conselheiros), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA. MULTA ISOLADA. A multa isolada pune o contribuinte que não observa a obrigação legal de antecipar o tributo sobre a base estimada ou levantar o balanço de suspensão, logo, conduta diferente daquela punível com a multa de ofício proporcional, a qual é devida pela ofensa ao direito subjetivo de crédito da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Lívia de Carli Germano (suplente convocada), que lhe negaram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pela conselheira Lívia de Carli Germano. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 07 84 /2 01 2- 95 Fl. 1223DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Lívia de Carli Germano (suplente convocada para os impedimentos de conselheiros), Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 1301001.503 através do qual o colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário, por maioria, entendendo que não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício, no anocalendário 2007. Na origem, tratase de autuação para cobrança de IRPJ e CSLL, relativos ao anocalendário 2007, acrescidos de multa de ofício, multa isolada e juros de mora, sob o fundamento de que não foram oferecidos à tributação os valores da atualização dos títulos patrimoniais da BM&F quando do processo de desmutualização. A impugnação apresentada foi julgada parcialmente procedente, o que ensejou a interposição de Recurso Voluntário. A par disso, com o advento da Lei 12.865/2013 parte do valor discutido foi incluído em parcelamento, restando em discussão apenas a cobrança da multa isolada. No julgamento do Voluntário a Turma decidiu que não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício, conforme ementa e decisão abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CONCOMITÂNCIA. MULTA ISOLADA. Não é cabível a cobrança de multa isolada quando já lançada a multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, 1) Por unanimidade de votos, recurso não conhecido em parte em virtude de desistência. 2) Quanto à parte conhecida (multa isolada): Por maioria de votos, dado provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães e Paulo Jakson da Silva Lucas Cientificada da decisão a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, que não foram admitidos. Ato sequente, tempestivamente, foi apresentado Recurso Especial de divergência, alegando que enquanto que a Câmara a quo entende que não pode ser exigida a multa por lançamento de ofício e a multa isolada concomitantemente, a 2ª Turma Ordinária da 2º Câmara da 1ª Seção do CARF (Acórdão nº 1202000.964) e a 2ª Turma Ordinária da 3º Câmara da 1ª Seção do CARF (Acórdão nº 1302001.080) julgaram que ambas as multas Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 16327.720784/201295 Acórdão n.º 9101003.013 CSRFT1 Fl. 1.224 3 podem ser exigidas simultaneamente, sem ofensa a qualquer dispositivo do Código Tributário Nacional, por se tratar de hipóteses legais distintas. Em suas razões, alega a Fazenda: · Que não há óbice de que sejam aplicadas ao contribuinte faltante, diante de duas infrações tributárias, duas penalidades que possuam a mesma base de cálculo. Ora, como se sabe, a base de calculo é elemento que apenas quantifica o imposto ou a penalidade tributária, não se confundindo com os fatos/atos que lhe dão origem. Assim, a penalidade tributária decorre sempre de um ato ilícito e a base de cálculo mensura o montante dessa penalidade; · O que a proibição do bis in idem pretende evitar é a dupla penalização por um mesmo ato ilícito, e não, propriamente a utilização de uma mesma medida de quantificação para penalidades diferentes, decorrentes do cometimento de atos ilícitos também diferentes; · Analisandose os autos, vêse que a aplicação da multa de ofício, prevista no art. 44, inc. I, da Lei 9.430/96, resultou falta de recolhimento de tributo (IRPJ e CSLL) por parte da empresa. A denominada multa isolada, fundada no art. 44, II, ‘b’ da Lei 9.430/96, foi aplicada em razão do descumprimento da sistemática de recolhimento por estimativa mensal da CSLL; · Que quanto à base de cálculo das duas penalidades, normalmente elas não são coincidentes. A multa de ofício incide sobre o tributo devido pela parte e que não foi recolhido no momento oportuno. Já a multa isolada deve ser calculada sobre as antecipações que não foram pagas pela empresa no decorrer do ano. Nem sempre o conjunto dessas antecipações equivalerá ao tributo cobrado. O Recurso da Fazenda foi admitido por despacho do presidente da Câmara. Cientificado, o Contribuinte apresentou contrarrazões. Em sua peça, o Contribuinte suscita o não conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional, pelas seguintes razões: · Incompetência do auditor fiscal que elaborou o despacho de admissibilidade, ainda que o presidente da Câmara o tenha ratificado; · Que a súmula 105 é aplicável ao presente caso, mesmo se considerando a alteração do artigo 44, da Lei 9.430/96 pela Lei 11.488/2007; · Que o despacho de admissibilidade padece de erro em suas conclusões, na medida em que inicialmente confirma a comprovação do dissídio jurisprudencial, mas ao final conclui que não foram atendidos os pressupostos de admissibilidade do recurso. Fl. 1225DF CARF MF 4 Em seus fundamentos de mérito, alega o Contribuinte: · Que não se pode acolher a duplicidade de penalidades de ofício sobre uma mesma infração, posto que o valor tributado e que supostamente não foi recolhido, tanto fez parte do crédito tributário lançado de ofício e sobre o qual incidiu multa de 75% quanto foi utilizado a título de base de cálculo da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa; · Tratase de dupla incidência sobre a mesma materialidade, pois o valor do pagamento mensal é exatamente a totalidade ou diferença do tributo incluído pela autoridade fiscal no cálculo do ajuste anual; · Que não é cabível cobrança da após o encerramento do ano calendário. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Diante do questionamento do contribuinte acerca do conhecimento do recurso da Fazenda Nacional, entendo pertinente tecer alguns comentários. Sobre a incompetência do servidor, entendo não caber razão ao contribuinte, haja vista que o ato administrativo de fato foi assinado pelo Presidente da Câmara, conforme determina o Regimento. Sobre a aplicação da súmula Carf 105 ao presente caso, entendo também não caber razão ao contribuinte, na medida em que a súmula foi publicada anteriormente à alteração do artigo 44, da Lei 9.430/96 pela Lei 11.488/07, que incluiu no inciso II, as alíneas "a" e "b" em referido artigo, prevendo nova multa, específica para o não recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL recolhidos pelo Lucro Real Anual. Quando da edição da súmula, o §1º do artigo 44 em questão determinava a aplicação da mesma multa aplicável pela ausência de recolhimento do tributo, pa a ausência de recolhimento de estimativas mensais. Quanto ao alegado erro contido no despacho de admissibilidade, entendo também não haver razão o contribuinte. Tratase de mero erro material que não impacta na compreensão do quanto pretendido pela autoridade competente. Nesse contexto, conheço do recurso da Fazenda Nacional. Com relação ao mérito, entendo que merece reforma o Acórdão a quo. Adoto como razões de decidir o voto do Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior, proferido no acórdão 1302001.080, que ouso transcrever: Das condutas infracionais diferentes Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 16327.720784/201295 Acórdão n.º 9101003.013 CSRFT1 Fl. 1.225 5 Ainda que aplicável fosse o princípio da consunção para solucionar conflitos aparentes de norma tributárias, não há no caso em tela qualquer conflito que justificasse a sua aplicação. Conforme já asseverado, o conflito aparente de normas ocorre quando duas ou mais normas podem aparentemente incidir sobre um mesmo fato, o que não ocorre in casu, já que temos duas situações fáticas diferentes: a primeira, o não recolhimento do tributo devido; a segunda, a não observância das normas do regime de recolhimento sobre bases estimadas. Ressaltese que o simples fato de alguém, optante pelo lucro real anual, deixar de recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada não enseja per se a aplicação da multa isolada, pois esta multa só é aplicável quando, além de não recolher o IRPJ mensal sobre a base estimada, o contribuinte deixar de levantar balanço de suspensão, conforme dispõe o art. 35 da Lei nº 8.981/95. Assim, a multa isolada não decorre unicamente da falta de recolhimento do IRPJ mensal, mas da inobservância das normas que regem o recolhimento sobre bases estimadas, ou seja, do regime. Temos, então, duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas também diferentes. O art. 44 da Lei no 9.430/96 (na sua redação vigente à época do lançamento) já albergava várias normas, das quais vale pinçar as duas sub examine: a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o aplicável por falta de pagamento do tributo; e a decorrente da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do § 1º – aplicável pela não observância das normas do regime de recolhimento por estimativa. Ora, a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso I do § 1o do art. 44 jamais poderia ser aplicada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base estimada, então, como se falar em consunção, para que esta absorva a norma prevista da combinação do inciso I do caput com o inciso IV do mesmo § 1º. Assim, demonstrado que temos duas situações fáticas diferentes, sob as quais incidem normas diferentes, resta irrefutável que não há unidade de conduta, logo não existe qualquer conflito aparente entre as normas dos incisos I e IV do § 1º do art. 44 e, consequentemente, indevida a aplicação do princípio da consunção no caso em tela. Noutro ponto, refuto os argumentos expendidos no acórdão recorrido, os quais concluem que a falta de recolhimento da estimativa mensal seria uma conduta menos grave, por atingir um bem jurídico secundário – que seria a antecipação do fluxo de caixa do governo. Conforme já demonstrado, a multa isolada é aplicável pela não observância do regime de recolhimento pela estimativa e a conduta que ofende tal regime jamais poderia ser tida como menos grave, já que põe em risco todo o sistema de recolhimento do IRPJ sobre o lucro real anual – pelo menos no formato desenhado pelo legislador. Fl. 1227DF CARF MF 6 Em verdade, a sistemática de antecipação dos impostos ocorre por diversos meios previstos na legislação tributária, sendo exemplos disto, alem dos recolhimentos por estimativa, as retenções feitas pelas fontes pagadoras e o recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), feitos pelos contribuintes pessoas físicas. O que se tem, na verdade são diferentes formas e momentos de exigência da obrigação tributária. Todos esses instrumentos visam ao mesmo tempo assegurar a efetividade da arrecadação tributária e o fluxo de caixa para a execução do orçamento fiscal pelo governo, impondose igualmente a sua proteção (como bens jurídicos). Portanto, não há um bem menor, nem uma conduta menos grave que possa ser englobada pela outra, neste caso. Ademais, é um equívoco dizer que o não recolhimento do IRPJ estimada é uma ação preparatória para a realização da “conduta mais grave” – não recolhimento do tributo efetivamente devido no ajuste. O não pagamento de todo o tributo devido ao final do exercício pode ocorrer independente do fato de terem sido recolhidas as estimativas, pois o resultado final apurado não guarda necessariamente proporção com os valores devidos por estimativa. Ainda que o contribuinte recolha as antecipações, ao final pode ser apurado um saldo de tributo a pagar, com base no resultado do exercício. As infrações tributárias que ensejam a multa isolada e a multa de ofício nos casos em tela são autônomas. A ocorrência de uma delas não pressupõe necessariamente a existência da outra, logo inaplicável o princípio da consunção, já que não existe conflito aparente de normas. Das diferentes bases para cálculos das multas A tese de que as multas isolada e de ofício, no presente caso, estariam incidindo sobre a mesma base, também, não deve prosperar, seja porque as bases não são idênticas, seja porque, ainda que idênticas, o bis in idem só ocorreria se as duas sanções fossem aplicadas pela ocorrência da mesma conduta, o que já ficou demonstrado que não ocorre, se não vejamos. A multa isolada corresponde a um percentual do IRPJ calculado sobre a base estimada, na qual o valor das despesas e custos decorrem de uma estimativa legal, ou seja, o legislador quando determina a aplicação de um percentual sobre a receita bruta, para o cálculo da base estimada, está, em verdade, estimando custos e despesas. A multa de ofício, in casu, corresponde a um percentual sobre o IRPJ calculado sobre o lucro real, na qual se leva em conta as despesas e custos efetivamente incorridos. Em suma, se a base estimada difere do lucro real, se são valores distintos, inclusive com previsões legais distintas, os impostos delas resultantes são também valores distintos e, consequentemente, as multas ad valorem que incidem sobre elas, também, são valores que não se confundem. Todavia, ainda que as multas isolada e de ofício fossem calculadas sobre o IRPJ incidente sobre a mesma base de cálculo, isso não significaria um bis in idem, pois, como já asseverado acima, a ocorrência de uma infração não importa Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 16327.720784/201295 Acórdão n.º 9101003.013 CSRFT1 Fl. 1.226 7 necessariamente na ocorrência da outra, o que torna irrefutável que as infrações decorrem de condutas diversas. O contribuinte pode ter recolhido todo o IRPJ devido sobre a base estimada em cada mês do anocalendário e não recolher a diferença calculada ao final do período, ficando sujeito assim a multa de ofício, mas não a multa isolada. Ao contrário, pode deixar de recolher o IRPJ sobre a base estimada, mas pagar, ao final do ano, todo o IRPJ sobre o lucro real, hipótese na qual só ficará sujeito à multa isolada. A definição da infração, da base de cálculo e do percentual da multa aplicável é matéria exclusiva de lei, nos termos do art. 97, V do CTN, não cabendo ao intérprete questionar se a dosimetria aplicada em tal e qual caso é adequada ou excessiva, a não ser que adentre a seara da sua constitucionalidade, o que está expressamente vedado pela Súmula CARF nº 2. Da redação original do art. 44, § 1o, IV, da Lei 9430/96 Aditese ainda, que o legislador dispôs expressamente, já na redação original do inciso IV do § 1o do art. 44, que é devida a multa isolada ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa ao final do ano, deixando claro, assim, que: a) primeiro, que estava se referindo ao imposto ou contribuição calculado sobre a base estimada, já que em caso de prejuízo fiscal e base negativa, não há falar em tributo devido no ajuste; e b) segundo, que o valor apurado como base de cálculo do tributo ao final do ano é irrelevante para se saber devida ou não a multa isolada; e c) terceiro, que a multa isolada é devida ainda que lançada após o encerramento do anocalendário, já que pode ser lançada mesmo após apurado prejuízo fiscal ou base negativa. Da negativa de vigência de lei federal Peço vênia aos meus pares, para expressar minha profunda discordância com as referidas posições adotadas por este Colegiado: Entendo que tais posicionamentos têm, em verdade, por via oblíqua, negado vigência a uma lei federal, pois afrontam literalmente o disposto nos art. 2º e 44, § 1º , IV, da Lei no 9.430/96 (vigente à época do lançamento) e no art. 35 da Lei 8.981/95. É demais imaginar que se coaduna com os mais comezinhos princípios do direito a permissão dada ao contribuinte, por tais decisões, para, em janeiro de um determinado anocalendário, decidir se obedece ou não o art. 2o e segs. da Lei no 9.430/96. Em outras palavras, os referidos posicionamentos deste Colegiado desnaturam a norma tributária tornandoa uma norma facultativa, já que a sua não observância não traz, à luz de tais posicionamentos, qualquer consequência jurídica. Fl. 1229DF CARF MF 8 Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Gerson Macedo Guerra Fl. 1230DF CARF MF
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Numero do processo: 16692.720090/2013-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ).
Numero da decisão: 1401-001.987
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório suplementar no valor originário de R$ 12.377.938,52 a título de saldo negativo de IRPJ para o ano-calendário de 2008, relativo a parcelas não homologadas das estimativas de janeiro, fevereiro, março, junho e setembro do mesmo ano, bem assim para realizar as compensações declaradas até o montante do valor reconhecido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório suplementar no valor originário de R$ 12.377.938,52 a título de saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2008, relativo a parcelas não homologadas das estimativas de janeiro, fevereiro, março, junho e setembro do mesmo ano, bem assim para realizar as compensações declaradas até o montante do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 69 2. 72 00 90 /2 01 3- 71 Fl. 1576DF CARF MF 2 Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Em relação às peças iniciais do presente feito, sirvome do relatório da autoridade a quo: A interessada transmitiu, em 24 de março de 2010, o Pedido de Restituição (PER/DCOMP) numerada 37237.44160.240310.1.2.025113, alegando dispor de direito creditório oriundo de saldo negativo de IRPJ – Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas – apurado no exercício de 2009. DESPACHO DECISÓRIO Tal PER/DCOMP foi examinado pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de fls. 367 a 375, no qual se fizeram as seguintes ponderações: Da análise do crédito alegado Saldo Negativo de IRPJ AC 2008 O contribuinte declarou na Ficha 12A da DIPJ/2009 AC 008, que o Saldo Negativo de IRPJ é de R$ 31.838.417,60, conforme quadro a seguir: (...) [segue um quadro com a demonstração de diversas compensações de estimativa não homologadas ou homologadas parcialmente] Em face destas constatações, a DRF recalculou o saldo negativo de IRPJ como se vê abaixo: (...) [segue o recálculo e a justificativa para não aceitar as estimativas não homologadas ou a parte não homologada] MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente em 8 de novembro de 2013 (fl. 377), a interessada apresentou, em 27 de novembro de 2013, a manifestação de inconformidade de fls. 378 a 487, alegando o que a seguir se resume. Sob o título “II.1 Da Duplicidade da Cobrança”, a interessada relaciona diversas declarações de compensação e aduz: (...) [seguem diversas razões de ordem fática e jurídica contra os fundamentos da decisão] Da decisão de primeiro grau A Delegacia de Julgamento negou provimento à manifestação de inconformidade (fls. 14101419), por ausência de certeza e liquidez das estimativas, que Fl. 1577DF CARF MF Processo nº 16692.720090/201371 Acórdão n.º 1401001.987 S1C4T1 Fl. 1.577 3 compuseram o crédito. Isso porque as referidas estimativas foram compensadas, mas tais compensações não foram homologadas pela Receita Federal. É o relatório do essencial para o deslinde do feito. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator A questão ora em disputa diz respeito ao reconhecimento de saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2008, relativamente às parcelas de estimativa de janeiro fevereiro, março, junho e setembro haviam sido extintas por compensação, as quais, contudo, não foram homologadas ou foram parcialmente. Já julguei de forma similar à posição adotada pela DRJ. Sempre tive a convicção de que estimativas não podem ser lançadas, nem cobradas. Caso não recolhidas, a omissão deve ser punida com a multa isolada e repercutir no saldo negativo do período ou no tributo a recolher que, este sim, deve ser lançado relativamente à diferença não recolhida. Desse modo, uma compensação não homologada não poderia repercutir na formação do saldo negativo do período. Nada obstante, a Administração Tributária entende de modo diverso e efetivamente cobra estimativas declaradas em Dcomp não homologadas. Citese, nesse sentido o Parecer PGFN/CAT n.º 193/2013, cuja conclusão reproduzimos abaixo: CONCLUSÃO 22. Em síntese, os questionamentos levantados na consulta oriunda da Secretaria da Receita Federal do Brasil devem ser respondidos nos seguintes termos: a) Entendese pela possibilidade de cobrança dos valores decorrentes de compensação não homologada, cuja origem foi para extinção de débitos relativos a estimativa, desde que já tenha se realizado o fato que enseja a incidência do imposto de renda e a estimativa extinta na compensação tenha sido computada no ajuste; b) Propõese que sejam ajustados os sistemas e procedimentos para que fique claro que a cobrança não se trata de estimativa, mas de tributo, cujo fato gerador ocorreu ao tempo adequado e em relação ao qual foram contabilizados valores da compensação não homologada, a fim de garantir maior segurança no processo de cobrança. Em razão dessa premissa, tanto a Receita Federal do Brasil, quanto a Procuradoria da Fazenda Nacional já se manifestaram no sentido de a estimativa objeto de Fl. 1578DF CARF MF 4 compensação não homologada compensada possa compor o saldo negativo do período, conforme podemos constatar na Solução de Consulta Interna COSIT nº 18/2006 e no Parecer/PGFN/CAT nº 88/2014, cujas ementas transcrevo abaixo: Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit n° 18, de 13 de outubro de 2006: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014: Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. Opção por tributação pelo lucro real anual. Apuração mensal dos tributos por estimativa. Lei nº 9.430, de 27.12.1996. Não pagamento das antecipações mensais. Inclusão destas em Declaração de Compensação (DCOMP) não homologada pelo Fisco. Conversão das estimativas em tributo após ajuste anual. Possibilidade de cobrança. A Câmara Superior de Recursos Fiscais também já assentou esse entendimento, conforme podemos constatar pela ementa do Acórdão nº 9101002.493, de 23/11/2016: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Não há, pois, razão para a glosa das estimativas extintas por meio de compensação posteriormente não homologada. Abaixo, reproduzo quadro constante do despacho decisório e da decisão recorrida, acrescentando o total do crédito originariamente compensado: nº Dcomp Mês Valor em Dcomp Confirmado Justificativa 08105.44246.111208.1.7.105780 jan/08 112.495,56 112.495,56 Dcomp homologada 07161.07522.300408.1.7.109626 jan/08 919,43 919,43 Dcomp homologada 36728.23227.300408.1.7.107150 jan/08 351.484,09 351.484,09 Dcomp homologada 13344.71325.300408.1.7.103428 jan/08 169.535,69 169.535,69 Dcomp homologada 2774805602.111208.1.7.115400 jan/08 592.188,30 0 Dcomp não homologada 3592789272.300408.1.7.084808 jan/08 6.224,26 0 Dcomp não homologada 2589500904.270608.1.7.101481 jan/08 567,42 0 Dcomp não homologada 2716497327.050508.1.7.093644 jan/08 28.669,33 0 Dcomp não homologada Fl. 1579DF CARF MF Processo nº 16692.720090/201371 Acórdão n.º 1401001.987 S1C4T1 Fl. 1.578 5 2974261390.310308.1.3.025203 fev/08 950.638,74 0 Dcomp não homologada 3054498105.280408.1.3.027048 mar/08 675.600,86 0 Dcomp não homologada 0982894370.290408.1.3.114447 mar/08 5.464.568,76 2.499.968,07 Dcomp homologada parcialmente 2981849933.280408.1.3.024944 mar/08 455.179,58 26.278,97 Dcomp homologada parcialmente 2833951949.240708.1.3.083620 jun/08 1.412,43 0 Dcomp não homologada 1922608918.240708.1.3.114488 jun/08 7.174.724,07 3.898.002,07 Dcomp homologada parcialmente 2322065602.240708.1.3.106940 jun/08 1.557.668,94 846.274,67 Dcomp homologada parcialmente 2616887441.240708.1.3.107398 jun/08 783,29 0 Dcomp não homologada 0012961214.240708.1.3.094523 jun/08 6.508,94 0 Dcomp não homologada 2616361730.231008.1.3.110007 set/08 5.029.291,36 2.295.563,98 Dcomp homologada parcialmente Totais 22.578.461,05 10.200.522,53 Logo, o valor suplementar a ser reconhecido é de R$ 12.377.938,52 (R$ 22.578.461,05 R$ 10.200.522,53). Conclusão Por todo o exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório suplementar no valor originário de R$ 12.377.938,52 a título de saldo negativo de IRPJ para o anocalendário de 2008 e que é relativa a parcelas não homologadas das estimativas de janeiro, fevereiro, março, junho e setembro de 2008, bem como para realizar as compensações declaradas até o montante do valor reconhecido. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 1580DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001593/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EMBARGOS INOMINADOS.
Não havendo a legitimidade do oponente dos Embargos, não há como considerar a omissão, contradição ou obscuridade. Tanto os embargos de declaração quanto os embargos inominados, não podem ser conhecidos, com fundamento nos Art. 65, §1, e 66 do Ricarf, assim como item 5.1.1.2 do manual do conselheiro.
Numero da decisão: 3201-003.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração.
(assinatura digital)
WINDERLEY MORAIS PEREIRA - Presidente Substituto.
(assinatura digital)
PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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EMBARGOS INOMINADOS. Não havendo a legitimidade do oponente dos Embargos, não há como considerar a omissão, contradição ou obscuridade. Tanto os embargos de declaração quanto os embargos inominados, não podem ser conhecidos, com fundamento nos Art. 65, §1, e 66 do Ricarf, assim como item 5.1.1.2 do manual do conselheiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer os Embargos de Declaração. (assinatura digital) WINDERLEY MORAIS PEREIRA Presidente Substituto. (assinatura digital) PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 15 93 /2 00 6- 82 Fl. 1413DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratamse de Embargos de Declaração, com roupagem de embargos inominados, opostos pela DELEGACIA ESPECIAL DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS EM SÃO PAULO EINF/SP em fls. 1259, em face do Acórdão deste Conselho de fls. 1013, em razão de lapso manifesto e inexatidão material. O Presidente desta Turma de julgamento admitiu os Embargos, conforme Despacho de Admissibilidade fls. 1323, transcrito a seguir: "A Delegacia Especial das Instituições Financeiras em São Paulo Deinf/SP interpôs, em 07/11/2012, ao amparo do art. 66 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, o "Pedido de Correção de Inexatidões Materiais" (fls. 1.259/1.261) em face do Acórdão nº 3201000.639, de 01/06/2011 (fls. 1.013/1.028), por suposta inexatidão material nesse decisum. O acórdão embargado possui o seguinte enunciado de ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. Anocalendário: 2002, 2003 DEPÓSITO JUDICIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DESNECESSIDADE DE LANÇAMENTO FORMAL PELO FISCO. PRECEDENTES DA PRIMEIRA SEÇÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. O depósito judicial do montante integral pelo contribuinte substitui o lançamento, nos tributos por homologação, sendo desnecessário o lançamento para prevenir a decadência. A Embargante alega que ocorreu inexatidão material no acórdão recorrido, tendo em vista que a decisão deixou de confrontar a realidade fática com as alegações produzidas pela contribuinte, quanto à efetivação de depósitos judiciais referentes às parcelas controvertidas da Cofins discutida judicialmente. As alegações e argumentos da embargantes extraídas de seu pedido são transcritas a seguir: Tendo tomado por verdadeiras as alegações de que o contribuinte efetuou o depósito do montante integral dos valores aqui constituídos, depreendeu o CARF que além de suspensa a exigibilidade dos débitos desnecessária seria a constituição por lançamento de ofício (...) (...) Ocorre, que ao confiar nas alegações do contribuinte, pautado na boafé objetiva, sem confrontálas com as guias dos depósitos, que deveriam instruir o processo como documento probante do alegado, o CARF, cometeu um erro na mensuração dos fatos, Fl. 1414DF CARF MF Processo nº 16327.001593/200682 Acórdão n.º 3201003.205 S3C2T1 Fl. 1.414 3 qual seja, ao examinar o conjunto concreto das circunstâncias deste caso concreto deixou de solicitar os depósitos, não tendo como comparar as datas alegadas e efetivamente realizadas, nem os montantes depositados, o que levou a um juízo de valor errado sobre o caso. (...) Em consulta ao sistema SINAL08 localizaramse os depósitos efetuados pelo contribuinte, e eles foram efetivados em 25/04/2008, não em 2006 como quis fazer crer o contribuinte, gizese não havia depósito judicial antes da autuação, havia liminar em sede de agravo, situação muito distinta da alegada pelo contribuinte, e suficiente e necessária para a constituição dos débitos via lançamento de ofício. Necessário, ainda, considerações sobre os depósitos. Intimado a apresentar a Planilha com composição dos citados depósitos, demonstrando detalhadamente os períodos de apuração, foi apresentada a planilha de fls. 1214, onde se verifica que os valores são significativamente inferiores aos valores aqui constituídos. A partir da citada planilha, confrontada com os pagamentos localizados no SINAL08, foi elaborado SICALC para a imputação dos depósitos aos débitos, apurandose o montante da insuficiência dos depósitos, restando cabalmente demonstrado que não são do montante integral, como alegou o contribuinte. Por fim, aduziu que considerando o lapso manifesto em decorrência de erro na mensuração dos fatos requereu a reapreciação e correção das inexatidões materiais. São esses os fatos. A parte legitimada para interpor embargos de declaração também está legitimada a interpor embargos inominados nos casos de comprovada inexatidão material devida a lapso manifesto ou erro de escrita existente na decisão proferida pelos órgãos Colegiado do CARF, conforme previsto no artigo 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, a seguir transcrito: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. § 1º Será rejeitado de plano, por despacho irrecorrível do presidente, o requerimento que não demonstrar a inexatidão ou o erro. Fl. 1415DF CARF MF 4 § 2º Caso o presidente entenda necessário, preliminarmente, será ouvido o conselheiro relator, ou outro designado, na impossibilidade daquele. § 3º Do despacho que indeferir requerimento previsto no caput, darseá ciência ao requerente. Analisando o acórdão vergastado verificase que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário teve por respaldo os depósitos judiciais que a contribuinte alegou ter efetuado nos termos do art. 151, II, do CTN. Contudo, comprovouse a inexistência dos depósitos realizados à época da lavratura do auto de infração (fls. 1.223/1.253), pois que em verdade foram efetuados em data posterior à constituição do crédito tributário, e ainda em valores inferiores ao montante integral, conforme exigido no dispositivo mencionado alhures. Constatase, desta forma, a existência de inexatidão material no acórdão embargado, devida a lapso manifesto, fazendose necessária a admissibilidade dos embargos para enfrentamento da lide, vez que a matéria suspensão da exigibilidade do crédito tributário constituise de ordem pública. Com essas considerações, fica demonstrado que houve inexatidão material no julgado embargado. Em decorrência, devem ser Admitidos os embargos inominados interpostos pela DEINF/SP, para fim de correção do citado julgado, mediante a prolação de um novo acórdão. Em atenção ao disposto no artigo 49, § 5º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, determino a inclusão deste processo em lote para sorteio no âmbito desta Turma de Julgamento, uma vez que o Relator não mais integra nenhum dos colegiados desta 3ª Seção." Com prestígio ao devido processo legal, o contribuinte se manifestou em fls. 1329, oportunidade em que solicitou a improcedência da autuação de cofins, alegou que transitou em julgado decisão do CARF porque a procuradoria não recorreu, alegou que independentemente dos depósitos judiciais, logrou êxito em âmbito judicial com sentença favorável transitada em julgado, alegou ser desnecessária a análise dos depósitos judiciais e pede manutenção da decisão deste Conselho. Após, os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos Fl. 1416DF CARF MF Processo nº 16327.001593/200682 Acórdão n.º 3201003.205 S3C2T1 Fl. 1.415 5 trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresentase este voto. Apesar conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes alguns requisitos de admissibilidade, os tempestivos Embargos de Declaração/inominados não devem ser conhecidos. Conforme se verifica dos autos, o Delegado, que possui a legitimidade para opor os Embargos, informou em fls. 1033 que não iria apresentar Embargos de Declaração. Não havendo a legitimidade do oponente dos Embargos, registrado nas fls. 1259, não há como considerar a omissão, contradição ou obscuridade. Tanto os embargos de declaração quanto os embargos inominados, não podem ser conhecidos, com fundamento nos Art. 65, §1, e 66 do Ricarf, assim como item 5.1.1.2 do manual do conselheiro. Inclusive, ao verificar o julgamento passado, é importante registrar que, além da matéria do depósito ter sido enfrentada, o julgamento tratou também da concomitância, conforme dispositivo transcrito a seguir: Em fls. 1405 dos autos está o dispositivo da decisão judicial proferida no âmbito do TRF3, que reconheceu a intangibilidade dos atos cooperativos ao Pis e Cofins, transcrita parcialmente a seguir: Em fls. 1406, o Certificado proferido pela 4.ª Vara Federal Cível de São Paulo confirma o andamento judicial. Fl. 1417DF CARF MF 6 Diante de todo o exposto, votase para que os Embargos Declaratórios, com roupagem de inominados, NÃO SEJAM CONHECIDOS. Voto proferido. (assinatura digital) Conselheiro Relator – Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 1418DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.017835/2003-13
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS. MOMENTO DE APRECIAÇÃO.
Por força do que dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório somente apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, devem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras, sob pena de prejuízo ao amplo direito de defesa do contribuinte. Nos pedidos de restiuição/ressarcimento o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito é do contribuinte, mas a apresentação das provas não está limitada ao âmbito da fiscalização pelas unidades de origem da RFB e podem ser complementadas com a apresentação da manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 9303-005.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que ela conheça dos documentos apresentados na manifestação de incoformidade pelo contribuinte, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS. MOMENTO DE APRECIAÇÃO. Por força do que dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório somente apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, devem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras, sob pena de prejuízo ao amplo direito de defesa do contribuinte. Nos pedidos de restiuição/ressarcimento o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito é do contribuinte, mas a apresentação das provas não está limitada ao âmbito da fiscalização pelas unidades de origem da RFB e podem ser complementadas com a apresentação da manifestação de inconformidade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que ela conheça dos documentos apresentados na manifestação de incoformidade pelo contribuinte, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito - Relator (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1903; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19679.017835/200313 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.758 – 3ª Turma Sessão de 19 de setembro de 2017 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI. PRECLUSÃO DE PROVAS. Recorrente R R INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ETIQUETAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PROVAS. MOMENTO DE APRECIAÇÃO. Por força do que dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, as provas do direito creditório somente apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade, devem ser apreciadas pelas autoridades julgadoras, sob pena de prejuízo ao amplo direito de defesa do contribuinte. Nos pedidos de restiuição/ressarcimento o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito é do contribuinte, mas a apresentação das provas não está limitada ao âmbito da fiscalização pelas unidades de origem da RFB e podem ser complementadas com a apresentação da manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que ela conheça dos documentos apresentados na manifestação de incoformidade pelo contribuinte, vencido o conselheiro Demes Brito (relator), que lhe negou provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 78 35 /2 00 3- 13 Fl. 5238DF CARF MF Processo nº 19679.017835/200313 Acórdão n.º 9303005.758 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte com fundamento no artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, contra acórdão nº 3802001.838, proferido pela 2º Turma Especial do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que decidiu por unanimidade em negar provimento ao Recurso Voluntário, para indeferir o pedido de ressarcimento apresentado fora do prazo legal e o não atendimento pelo contribuinte, de termo de intimação fiscal por meio do qual se solicitava a apresentação de documentação comprobatória da liquidez e da certeza do direito de crédito. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações declaradas anexas ao presente processo administrativo. Consta nos autos que o crédito tributário que se pretendeu compensar refere se ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei n° 9363/96 e na Portaria MF n° 38/97, referente ao 3 trimestre de 2003, no montante de R$ 228.115,41, valor a ser aproveitado na compensação declarada pelas Dcomp de fls. 283 a 288). A Delegacia de origem, em 2/03/2010, mediante despacho decisório, indeferiu o pedido de ressarcimento, sem análise do mérito, em razão de a contribuinte ter deixado de apresentar, embora intimada, os documentos solicitados com o fim de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido e não esclarecer a origem do ressarcimento solicitado (base legal) e, conseqüentemente, não homologou as compensações relacionadas no processo. Regularmente cientificada, em 07/03/2010, do indeferimento de seu pleito, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em resumo, fez as seguintes considerações: • Motivos de força maior (fortuito) impediram a empresa de atender a intimação fiscal, já que os documentos estavam no arquivo morto, fora da sede da empresa, que fora atingida por sinistro causado por fortes chuvas em 2008; Fl. 5239DF CARF MF Processo nº 19679.017835/200313 Acórdão n.º 9303005.758 CSRFT3 Fl. 4 3 O acórdão recorrido restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO NO PRAZO DA INTIMAÇÃO. DEVER DE COLABORAÇÃO. VERDADE MATERIAL. INAPLICABILIDADE. O exercício deficiente do dever de colaboração do particular representa o limite da exigibilidade do dever de investigação do Fisco. Não há que se falar em violação do princípio da verdade material se o interessado, devidamente intimado, não apresenta a documentação comprobatória da liquidez e da certeza de seu direito de crédito, não requer prorrogação de prazo nem tampouco esclarece a base legal do pedido. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso, requerendo que seja declarada a nulidade do despacho decisório, determinando o retorno dos autos para DRF de origem para que essa se posicione quanto a procedência e ao montante do crédito pleiteado. Para respaldar a dissonância jurisprudencial, a Contribuinte aponta como paradigmas os acórdãos nº 3801001.620 e 3801001.611. Em seguida, por sido comprovada a divergência jurisprudencial, o Presidente da 2º Câmara da 3º Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso interposto, nos seguintes termos: "Em todos os casos, inerentes a pedidos de ressarcimento de crédito presumido do IPI, o sujeito passivo, embora não tenha atendido tempestivamente à intimação fiscal, requereu, antes da análise do pleito, pedido de prorrogação do prazo da intimação por alegado motivo de força maior. Nessa realidade, o colegiado recorrido negou provimento ao recurso voluntário por entender que o contribuinte faltou com o seu dever de colaboração; diferentemente, nos acórdãos paradigmas, a Primeira Turma Especial anulou o despacho decisório e a decisão de primeira instância por considerar que a não apreciação ou a negativa da prorrogação do prazo para apresentação dos documentos requeridos caracterizou cerceamento ao direito de defesa do sujeito passivo". Devidamente cientificada, a Fazenda Nacional articulou contrarrazões ao Recurso da Contribuinte, requerendo que seja negado provimento ao Recurso interposto. É o relatório. Fl. 5240DF CARF MF Processo nº 19679.017835/200313 Acórdão n.º 9303005.758 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi tempestivamente apresentado e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A matéria divergente posta a esta E.Câmara Superior, diz respeito se o atendimento a intimação fora do prazo em pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI, e possível ou não anular o despacho decisório. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Com efeito, a Contribuinte acosta junto aos autos, 22 (vinte dois) acórdãos que tratam em tese da mesma questão, qual seja, de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI, e que, em 18 deles, julgados pela Primeira Turma Especial, o Colegiado deu parcial provimento aos recursos para declarar a nulidade dos despachos decisórios e dos atos posteriores, não declarando a homologação tácita, e determinando o retorno dos autos para que a DRF de origem se posicione sobre a procedência e o montante do crédito do sujeito passivo para com a União. Da análise dos pressupostos de admissibilidade do Recurso, este Relator não detectou nenhuma conexão ou litispendência do presente caso submetido a julgamento por esta E. Câmara Superior. Tratase de pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, de que trata a lei nº 9363/96 e da Portaria MF nº 38/97, referente ao 3º Trimestre de 2003, valor a ser aproveitado na compensação declarada em Dcomp. A Delegacia de origem, em 2/03/2010, mediante despacho decisório, indeferiu o pedido de ressarcimento, sem análise do mérito, em razão de a Contribuinte ter deixado de apresentar, embora intimada, os documentos solicitados com o fim de comprovar a certeza e liquidez do direito creditório requerido e não esclarecer a origem do ressarcimento solicitado (base legal) e, conseqüentemente, não homologou as compensações relacionadas no processo. Fl. 5241DF CARF MF Processo nº 19679.017835/200313 Acórdão n.º 9303005.758 CSRFT3 Fl. 6 5 De uma análise detida junto aos autos, verifico que o fundamento para o indeferimento do pedido de ressarcimento e, conseqüentemente, a nãohomologação das compensações, se deu pela ausência de apresentação dos documentos que dão materialidade ao valor do crédito, e pela falta de identificação da base legal que fundamenta o direito pleiteado. Por outro lado, a Contribuinte mantevese inerte ao seu pleito, a Fazenda por meio de intimação, solicitou a comprovação e a liquidez do ressarcimento requerido, solicitou ainda, apresentação de informações, documentos e base legal que julgou necessários para instruir o exame de mérito do pedido. Contudo, a Contribuinte sustenta em sua defesa, o seguinte: "teria ocorrido por motivo de força maior, substanciado em “[...] SINISTRO causado por fortes chuvas nas instalações fiscais da ora Recorrente, em 2.008 só veio a ter restabelecida a normalidade em fevereiro de 2010”, fls. 1650)". Neste sentido, caem por terra qualquer argumento aduzido pela Contribuinte, é o que se comprova por meio dos fragmentos da Decisão Recorrida, diametralmente oposto do alegado pelo sujeito passivo: "Por outro lado, notase ainda que, para fins de demonstração do caso de força maior, a Recorrente limitouse a apresentar correspondências eletrônicas (“emails”) de comunicação do sinistro, de autoria de seu representante legal e dirigidos ao corretor de seguros, entre outros documentos (fls. 353360), que, quando muito, limitamse a provar a ocorrência do evento alegado. Não há, porém, qualquer prova de que este teria inviabilizado a apresentação da documentação fiscal solicitada pela Fiscalização. Além disso, há itens da intimação fiscal igualmente não atendidos que poderiam ter sido perfeitamente disponibilizados no prazo legal, como é o caso do item 07, que solicitava ao contribuinte “esclarecer se o crédito de IPI pleiteado foi gerado com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99, ou com fundamento na Portaria MF nº 38/97 como consta no pedido protocolizado” (fls. 303). Não é crível, com efeito, exigir a busca da verdade material se o contribuinte, além de não apresentar a documentação comprobatória da liquidez e da certeza de seu direito de crédito, sequer se dignou a esclarecer a base legal do pedido. A verdade material, segundo ensina Deonísio Koch, “não é um solução absoluta e não pode ser acolhida sem reservas ou sem os cuidados necessários para que o julgador não se torne, de forma inconsciente, um coadjuvante na atuação processual de uma das partes”. No que tange o fundamento para dar suporte ao alegado pela Contribuinte, utilizo em minhas razões de decidir a base legal empregada pelo Ilustre Ex. Conselheiro dos Contribuinte, Solon Sehn, com sua argúcia habitual, assim decidiu: Fl. 5242DF CARF MF Processo nº 19679.017835/200313 Acórdão n.º 9303005.758 CSRFT3 Fl. 7 6 "Entendese, destarte, que a decisão recorrida, bem como o despacho decisório não demandam qualquer reforma, uma vez que, nos termos do art. 65 da Instrução Normativa nº 900/2008, a autoridade competente pode condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios". “Art. 65 . A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. § 1º Na hipótese de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que tratam os arts. 27 a 29 e 42, o pedido de ressarcimento e a declaração de compensação somente serão recepcionados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) após prévia apresentação de arquivo digital de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, com os documentos fiscais de entradas e saídas relativos ao período de apuração do crédito, conforme previsto na Instrução Normativa SRF Nº 86, de 22 de outubro de 2001, e especificado nos itens "4.3 Documentos Fiscais" e "4.10 Arquivos complementares PIS/COFINS", do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS Nº 15, de 23 de outubro de 2001. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009 ) ( Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009 ) § 2º O arquivo digital de que trata o § 1º deverá ser transmitido por estabelecimento, mediante o Sistema Validador e Autenticador de Arquivos Digitais (SVA), disponível para download no sítio da RFB na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e com utilização de certificado digital válido. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009 ) ( Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009 ) § 3º Na apreciação de pedidos de ressarcimento e de declarações de compensação de créditos de PIS/Pasep e da Cofins apresentados até 31 de janeiro de 2010, a autoridade da RFB de que trata o caput poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, transmitido na forma do § 2º. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009 ) ( Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009 ) § 4º Será indeferido o pedido de ressarcimento ou não homologada a compensação, quando o sujeito passivo não observar o disposto nos §§ 1º e 3º. ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009 ) ( Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009 ) Fl. 5243DF CARF MF Processo nº 19679.017835/200313 Acórdão n.º 9303005.758 CSRFT3 Fl. 8 7 § 5º Fica dispensado da apresentação do arquivo digital de que trata o § 1º, o estabelecimento da pessoa jurídica que, no período de apuração do crédito, esteja obrigado à Escrituração Fiscal Digital (EFD). ( Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 981, de 18 de dezembro de 2009 ) ( Vide art. 3º da IN RFB nº 981/2009 )” Referido ato normativo, ao contrário do que alega o Recorrente, aplicase perfeitamente ao caso em exame. Isso porque, em se tratando de norma de natureza procedimental, sujeitase, como se sabe, ao princípio do tempus regit actum. Logo, como já estava vigor na data da prática do ato fiscal, a expedição do termo de intimação e as conseqüências processuais de seu não atendimento submetemse às suas disposições. Por outro lado, de acordo com o art. 10 da IN SRF nº 67/1992, o sujeito passivo tem o dever de manter em seu poder, para eventual apresentação às autoridades competentes, a documentação comprobatória da extinção do crédito tributário: Art. 10. O contribuinte deverá manter em seu poder, para eventual exibição à Receita Federal, e enquanto não estiverem prescritas eventuais ações que lhe sejam pertinentes, documentação comprobatória da compensação efetuada". Neste passo, cabe ainda invocar, a regra do ônus da prova, contido nos artigos, 369 e 373, do Código de Processo Civil, instituída pela lei nº 13.105, de 16 de março de 2015, o qual, prescreve que o Autor, deve provar dos fatos de seu direito, e ao réu, a prova dos fatos impeditivos: Art. 369. As partes têm o direito de empregar todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, para provar a verdade dos fatos em que se funda o pedido ou a defesa e influir eficazmente na convicção do juiz. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Deste modo, o devido processo legal foi devidamente respeitado, logo, o pleito requerido, recai sobre o ônus de provar a pretensão, e atender os requisitos legais do pedido. Por derradeiro, emprego subsidiariamente a regra contida no artigo 489, § 1º, IV, do CPC/2015, para que não reste, qualquer dúvida quanto aos fundamentos empregados no decisum. Vejamos: Fl. 5244DF CARF MF Processo nº 19679.017835/200313 Acórdão n.º 9303005.758 CSRFT3 Fl. 9 8 "O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. O julgador possui o dever de enfrentar apenas as questões capazes de infirmar (enfraquecer) a conclusão adotada na decisão recorrida. Assim, mesmo após a vigência do CPC, não cabem embargos de declaração contra a decisão que não se pronunciou sobre determinado argumento que era incapaz de infirmar a conclusão adotada. STJ. 1ª Seção. EDcl no MS 21.315DF, Rel. Min. Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3ª Região), julgado em 8/6/2016 (Info 585)". Nesse contexto, voto por negar provimento ao Recurso da Contribuinte, mantendose a decisão recorrida por seus próprios fundamentos jurídicos. É como voto (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 5245DF CARF MF Processo nº 19679.017835/200313 Acórdão n.º 9303005.758 CSRFT3 Fl. 10 9 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Com todo respeito ao voto do ilustre relator, mas ouso discordar de suas conclusões em relação ao presente processo. Antes de adentrar o mérito da controvérsia, é importante relembrar a cronologia dos fatos constantes do processo. O contribuinte apresentou em 03/12/2003, efl. 1, Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96 no valor de R$ 228.115,41, relativo ao 3º trimestre de 2003. Junto com seu pedido, apresentou entre às efls. 19/282, planilhas de cálculo dos referidos créditos, relação de notas fiscais de suporte, espelho do Livro Registro de Apuração de IPI e uma série de cópias de notas fiscais que supostamente dariam direito a referido crédito. Posteriormente em 03/05/2005 transmitiu Declaração de Compensação, DCOMP nº 27879.21237.030505.1.3.016436, efls. 283/286, utilizando parte de referidos créditos para compensar débitos próprios. Apresentou também, em 14/10/2005, a DCOMP nº 00844.65632.141005.1.3.01.2700, efls. 287/290, utilizando parte de referidos créditos para compensar débitos próprios. Em 28/10/2005, apresentou a DCOMP nº 07049.11777.281005.1.3.01.5104, efls. 291/294, consumindo o restante de seu crédito para compensar com outros débitos próprios. Em 11/01/2010, a Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo DERAT, inicia a fiscalização e conferência de referidos créditos, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 04/2010, efls. 297/298, cuja ciência foi dada ao contribuinte em 15/01/2010, efl. 299. O contribuinte em 28/01/2010, efl. 300, solicitou ampliação do prazo em mais 30 dias para atendimento do referido termo de intimação. No verso da solicitação, efl. 301, um servidor da DERAT registrou que não seria concedida a ampliação do prazo pretendida. Em 25/02/2010, a DERAT emitiu o Despacho Decisório, efls. 306/308, indeferindo o direito creditório por falta de provas. Embasouse no art. 65 da IN RFB nº 900/2008, o qual condiciona o deferimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios. Também no art. 36 da Lei nº 9784/99 e no art. 333, inc. I, do Código de Processo Civil, no sentido de que é ônus do contribuinte a prova do direito alegado. Aqui abre se um parênteses para registrar que nenhuma referência foi feita aos elementos de prova apresentados junto com o protocolo do pedido de ressarcimento, entre eles cópia do Livro Registro de Apuração de IPI e cópias das notas fiscais. Em seguida, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, efls. 311/332, apresentando suas razões de direito e anexando, segundo suas palavras, toda a documentação antes exigida pelo Termo de Intimação Fiscal. Nesse sentido, importante recortar o seguinte trecho: Fl. 5246DF CARF MF Processo nº 19679.017835/200313 Acórdão n.º 9303005.758 CSRFT3 Fl. 11 10 Verificase que anexou em sua manifestação de inconformidade os documentos de efls. 352/504, além dos documentos registrados no índice do eprocesso como "Documentos Comprobatórios Outros Conteúdo do CD", volume que contém cerca de 1.000 páginas. Ao julgar referida manifestação de inconformidade a DRJ, efls. 506/517, proferiu acórdão com a seguinte ementa: Inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário que foi negado e que ora se aprecia o recurso especial tempestivamente aviado. Temos como fato que a DRJ deixou de apreciar as provas apresentadas pelo contribuinte, aduzindo que havia ultrapassado o momento para sua apresentação, qual seja no prazo concedido no termo de intimação. Tenho para mim, que houve um descompasso com o que dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Fl. 5247DF CARF MF Processo nº 19679.017835/200313 Acórdão n.º 9303005.758 CSRFT3 Fl. 12 11 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 5248DF CARF MF Processo nº 19679.017835/200313 Acórdão n.º 9303005.758 CSRFT3 Fl. 13 12 § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Da leitura do dispositivo legal, acima transcrito, resta cristalino que é na impugnação ou manifestação de inconformidade, o momento adequado para apresentar as provas do direito invocado. Correto o Despacho Decisório que nega o pedido de ressarcimento/compensação por entender insuficiente ou inexistente as provas do direito alegado. Mas o art. 16 do PAF, permite ao contribuinte contestar aquela decisão e apresentar os elementos de prova que possuir, inclusive os que não foram apresentados por ocasião do termo de intimação. Assim, penso que a delimitação da lide imposta pelo acórdão da DRJ a qual excluiu de sua apreciação os documentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, acabou por cercear um legítimo interesse da defesa do contribuinte. Ademais, a título de observação, houve uma aplicação desproporcional da lei, quando da fiscalização do direito creditório por parte da DERAT/SP. O contribuinte apresentou seu pedido de ressarcimento em 03/12/2003; cerca de pouco mais de 6 anos teve início a fiscalização, dando exíguos 10 dias para que o contribuinte apresentasse uma série de documentos referentes a fatos geradores longíquos. Verdade que o pedido de prorrogação de prazo do contribuinte foi apresentado após expirado o prazo da intimação, mas foi extremamente exagerada a medida tomada de não lhe dar um prazo suplementar. Certamente não lhe foi concedido prazo suplementar, medida muito comum verificada em outros processos de fiscalização, porque os Auditores Fiscais estavam premidos pela breve superveniência da homologação tácita das DCOMP prevista no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Estavam em fevereiro/2010 e a primeira homologação tácita já ocorreria em 03/05/2010. Discordase também de que o pedido teria sido efetuado sem a demonstração de sua base legal. No protocolo do pedido consta expressamente que está sendo efetuado com base na Portaria MF nº 38/1997, a qual trata indubitavelmente de crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363/96. Portanto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial do contribuinte, devendo os autos retornarem à Delegacia da Receita Federal de Julgamento e que o direito creditório seja apreciado à luz dos documentos apresentados em sede de sua manifestação de inconformidade. Ressaltese que também devem ser conhecidos os documentos apresentados juntamente com o protocolo do pedido e que foram desprezados por ocasião da emissão do despacho decisório pela unidade de origem. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 5249DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.904267/2012-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Dec 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/01/2010
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA
É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade.
Numero da decisão: 1302-002.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/01/2010 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A alegação de preterição do direito de defesa é improcedente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal do despacho decisório permitem à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA É incontroversa a matéria não especificamente contestada em manifestação de inconformidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 42 67 /2 01 2- 70 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10825.904267/201270 Acórdão n.º 1302002.415 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Rogério Aparecido Gil, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Carlos César Candal Moreira Filho, Ester Marques Lins de Sousa e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Cuida o processo de manifestação de inconformidade oposta a despacho decisório que não homologou a compensação pleiteada via PERDCOMP ao fundamento fático "de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados'" (conforme descrito no acórdão ora recorrido). O crédito, cuja compensação se postulou na PERDCOMP de nº 31187.94134.050511.1.3.041976, teria origem em pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 29/01/2010. O contribuinte alega, genericamente, que o indébito decorreria do "alargamento" indevido da base de cálculo da exação tendo em conta, "exemplificativamente" a decisão do Supremo Tribunal Federal proferida nos autos do RE 585.235 ("alargamento" da base de cálculo do PIS e da COFINS). Ao manejar a sua insurgência contra o despacho decisório, sustentou, resumidamente: a) em preliminares: a.1) a nulidade do despacho ante a inexistência de fundamentação fática e jurídica a sustentar o indeferimento do pedido de compensação, insistindo ser, inclusive, impossível saber o que se poderia entender pela expressão "indisponibilidade do crédito"; a.2) nulidade por cerceamento de defesa, mormente por não lhe ter sido oportunizada a apresentação de provas e documentos que pudessem, antes da prolação do despacho, demonstrar a existência, liquidez e certeza do crédito, invocando, inclusive, os preceitos do art. 65 da IN 900 (então vigente); b) no mérito, deduz genericamente a existência do crédito apontando que o pagamento realizado em valor superior ao efetivamente devido teria, como já dito, decorrido da inclusão de grandezas estranhas, "por exemplo", ao conceito de faturamento (tal qual definido pelo STF). Ao fim, pede a anulação do despacho decisório, determinandose, por conseguinte, o retorno dos autos à unidade de origem a fim de que as provas necessárias à demonstração do seu direito creditório sejam produzidas; sucessivamente, pede a procedência de sua manifestação a fim de que, reconhecido o crédito, seja homologada a compensação realizada. A DRJ de Ribeirão Preto analisou a predita manifestação e, após afastar as preliminares suscitadas, julgoua improcedente. O contribuinte foi cientificado da decisão supra em 28/05/2013 (AR de fls. 69/70), tendo interposto o seu recurso voluntário em 24/06/2013 (doc. de fl. 72). Em suas razões, o contribuinte discorre longamente sobre as premissas constitucionais e legais em que repousam as normas que tratam do direito à restituição do indébito, assentando a inexistência Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10825.904267/201270 Acórdão n.º 1302002.415 S1C3T2 Fl. 4 3 de condição ao exercício deste direito, arguindo, inclusive, ao fim, uma pretensa ilegalidade/inconstitucionalidade da IN 900. Em seguida, abordou, o procedimento de compensação em si para atacar os argumentos deduzidos pela DRJ para afastar a preliminar concernente à falta de motivação do ato. Alegou, especificamente, que o procedimento fixado na IN 900 induz a erro os contribuintes sustentando, neste particular, que o formulário eletrônico em momento algum vincula o surgimento do direito creditório à retificação de sua DCTF. Afirmou, ainda, que esta "condição" seria ilegítima seja porque a retificação imporia ao contribuinte o "risco de ser autuado para exigência da diferença apontada, já que a Fazenda naquela oportunidade não concordava com a tese tributária apontada". Lado outro, e ainda reforçando a tese da inexigência de retificação da DCTF para que se observe a "disponibilidade do crédito", sustentou que semelhante imposição importaria na reabertura do prazo decadencial preconizado pelo art. 150, § 4º, do CTN , por que imporia nova confissão de dívida. Mais abaixo, afirmou inexistir "na IN RFB 900/2008, ou nas INs que regulamentam a DCTF a determinação de que a DCTF deverá ser retificada, quando houver decisões emanadas do Poder Judiciário no sentido de afastar a incidência de uma Lei ou julgar a pretensão de majoração de alíquota ou alteração de base de cálculo". Por fim, invocando novamente os preceitos do art. 65 da IN 900/2008, reforça a alegação de nulidade do despacho por falta de fundamentação e cerceamento de defesa. Os autos, então, foram distribuídos à este Colegiado para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais e regimentais, devendo ser conhecido. Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ (código de arrecadação: 2089) ocorrido em 29/01/2010. O julgamento deste recurso seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.401, de 19.10.2017, proferido no julgamento do processo nº 10825.904255/201245, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.401): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, dele conheço. I. Prefacialmente. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10825.904267/201270 Acórdão n.º 1302002.415 S1C3T2 Fl. 5 4 Apenas para elucidar a estrutura desta decisão, e a divisão de tópicos que faço a seguir, esclareço de antemão que o recorrente não suscitou preliminares de mérito; em verdade, como ele mesmo afirma, o cerne deste apelo é, justamente, as duas preliminares invocadas na manifestação de inconformidade, quais sejam, a ausência de motivação do despacho decisório e o cerceamento de defesa. Vale destacar que o recorrente não discute (e também não discutiu, verdade seja dita, em sua manifestação de inconformidade) a existência do crédito em si; não juntou documentos que pudessem demonstrálo, nem se ocupou de apontar a sua origem... limitouse a alegar, genericamente, que o crédito poderia (?!?) decorrer de teses jurídicas (?!??!) sancionadas pelo Supremo Tribunal Federal, mas não cuidou, nem mesmo, de individualizálas a fim de que se pudesse, ao menos, verificar a observância pela administração pública ao entendimento firmado pela Suprema Corte (em casos em que tal observância fosse mandatória processos com repercussão geral reconhecida ou relativos à controle concentrado de constitucionalidade). Fiandose, sempre, nas preliminares de nulidade, e, principalmente, no seu entendimento de que eventuais provas teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, não se preocupou, de fato, em minimamente demonstrar o crédito sobre o que, como bem aventado pela DRJ, operouse a preclusão. A questão em análise, insistase, está limitada à questões meramente formais do ato, nada mais. Assim, entendam, os tópicos que agora passo analisar são, efetivamente, o mérito desta querela. II. Da alegada falta de motivação do despacho decisório. O ato administrativo, como concretização da ação estatal jungida ao princípio da legalidade, pressupõe, por isso mesmo, a declinação exata, precisa e minudente dos motivos que justificam a sua prática, justamente para permitir ao sujeito passivo, e, frisese, à Administração Pública (em exercício do seu poder/dever de revisão de seus próprios atos), verificar a sua legalidade. Em especial, em atos que cominam penalidades ou que imponham obrigações ou, mais, tenham reflexos patrimoniais, a identificação dos motivos que fundamentam a sua concretização, mormente pela tipificação dos motivos de fato nele declinados à norma legal autorizativa, é da essência deste mesmo ato. A mingua da exposição dos motivos de fato e de direito, o sujeito passivo se vê incapacitado de saber, justamente, porque, e em razão de que norma, a imposição, a pena ou o vilipêndio de seu patrimônio, por vontade do Estado, se sucedeu, ato contínuo, em tais casos, vê limitado o seu direito à ampla defesa. A motivação, pois, além de decorrer de determinações constitucionais explicitas (v.g., o art. 37 da CF), é decorrência da garantia da ampla defesa. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10825.904267/201270 Acórdão n.º 1302002.415 S1C3T2 Fl. 6 5 Notem, todavia, que, declinados os pressupostos fáticos e jurídicos que embasaram o ato, não mais se estará diante de vício por falta de descrição de seus motivos determinantes (salvo se houver, entre eles, manifesta incompatibilidade)... a partir dai, quaisquer questionamos sobre os efeitos deste ato, perpassam pela interpretação do motivo jurídico e a sua adequação ou não fato concreto, deixandose, evidente, nesta hipótese, que ao destinatário do ato foi garantido saber porque, quando e decorrência de qual norma terseia operado a prática de determinado ato; nesta hipótese, não se observa, mais, qualquer mácula à ampla defesa. O contribuinte, no caso em testilha, sustenta que o despacho administrativo, praticado por meio de sistema eletrônico, não fundamenta os motivos que lhe dariam base; afirma não ser possível identificar, ali, as razões pelas quais não se reconheceu o crédito cuja compensação se postulava, sendolhe, inclusive, impossível entender o que seria a dita "disponibilidade do crédito". Vejamos, então, o ato propriamente a fim de decidir se, realmente, lhe falta este elemento essencial. O despacho decisório foi juntado à fls. 7/10. Lá, observase que, do campo 3, "FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL", consta a seguinte descrição: A análise do direito creditório está limitada ao valor do "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, correspondendo a15.200,00 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Não vou me debruçar sobre a descrição acima... não há nada, aí, que impeça, sob qualquer prisma, o conhecimento dos motivos de fato que justificaram a não homologação do pedido de compensação. A DECOMP (fls. 2 a 6), no caso, vinculou o crédito postulado pelo contribuinte a um DARF descrito na página 3 da aludia declaração, recolhido em 26/05/2008, sob o código 2089, no valor de R$ 17.935,09. Este DARF está vinculado ao pagamento de outra obrigação descrita, por certo, em DCTF (que, é verdade, não foi juntada ao feito sobre isso, me reportarei mais adiante)... a recusa externada no despacho é mais que clara: não há saldo, deste recolhimento, passível de compensação (não há "disponibilidade de crédito"). Este é o motivo fático da decisão (até porque, como o contribuinte mesmo confessa, não houve retificação de DCTF de sorte a permitir à administração fazendária sequer identificar o pretenso indébito). Tal qual afirmei anteriormente, a inexistência de motivação fática eiva de nulidade o ato; a discordância quanto as Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10825.904267/201270 Acórdão n.º 1302002.415 S1C3T2 Fl. 7 6 consequências ou, mesmo, quanto a existência do fato invocado para praticálo culmina, quando muito, no seu cancelamento ou reforma (e não anulação). Em resumo, o motivo fático está suficientemente claro e aposto no despacho decisório, sendo desnecessárias (não minha opinião) ilações adicionais Vejamos, agora, o fundamento jurídico: Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os artigos 165 e 170 do CTN tratam, respectivamente, da restituição do indébito e da compensação, traçando regras gerais sobre os dois institutos... aqui, peço especial atenção aos preceitos do citado art. 170, cujo teor transcrevo a seguir: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Eis aí parte do motivo de direito: somente créditos líquido e certos são passíveis de compensação; ao pleitear a compensação de crédito estampado em DARF que extinguiu outra obrigação tributária do contribuinte, a despeito dos protestos do recorrente, temse a obliteração, justamente, de sua certeza. Já o art. 74 da Lei 9.430, estabelece o regramento específico concernente à compensação no âmbito federal, e, ao que interessa aqui, preestabelece que a DECOMP extingue o crédito tributário sob condição resolutória, prevendo, outrossim, que não homologada a compensação, será franqueado ao contribuinte opor a sua manifestação de inconformidade. Estes preceitos, digase, somados, revelam, sem maiores esforços exegéticos que, constatado que o crédito cuja compensação se postula é ilíquido ou incerto, a compensação não será homologada... Ou seja, aqui estão presentes os motivos fáticos e jurídicos que justificaram a não homologação. Não há qualquer nulidade reconhecível no despacho decisório. III. Cerceamento de defesa. O contribuinte sustenta, e se fia nesta alegação, de que eventuais provas quanto ao liquidez e certeza do crédito teriam que ser produzidas antes do despacho decisório, mediante iniciativa da autoridade administrativa fiscal. Sustenta, outrossim, que seria dever da Administração Federal perquerir a existência de seu crédito e que, ao não fazêlo, violou o seu direito à ampla defesa. Venia concessa mas razão, não lhe assiste. O problema do caso em análise não revolve a dúvida sobre a origem do crédito; não decorre de dúvidas sobre a apuração do Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10825.904267/201270 Acórdão n.º 1302002.415 S1C3T2 Fl. 8 7 crédito a partir da escrita fiscal ou, mesmo, contábil do contribuinte; em verdade, como não houve retificação da DCTF, o crédito nunca chegou a existir... Como já afirmado anteriormente, e confessado pelo contribuinte, o crédito utilizado na compensação foi declarado em DCTF a fim de quitar a obrigação concernente ao IRPJ devido quanto ao terceiro trimestre de 2007 (esta informação consta da DCOMP); o recorrente, não obstante já ter quitado a obrigação informada em DCTF, transmite o pedido de compensação vinculando o respectivo crédito ao DARF já utilizado para quitação da obrigação concernente ao terceiro trimestre de 2007. Porque, perguntase, seria necessário a intimação do contribuinte para esclarecer qualquer fato que seja, quando a comparação entre a DCOMP e a DCTF já dá o lastro fático probatório necessário para indeferir o crédito? Neste ponto, a DRJ chega a discutir sobre ônus de prova em matéria de compensação, discussão, digase, inóqua! O crédito nunca chegou a existir, reprisese. Insistase que a discussão aqui não gira em torno da origem ou liquidez do crédito, razão, pela qual, improcede, também, a invocação do art. 65 da IN 900/08, que, peço, transcrevo abaixo: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. As medidas descritas acima, digase, seriam necessárias apenas e tão somente se houver dúvidas sobre a liquidez e certeza do crédito; no caso dos autos, esta dúvida nunca existiu porque o contribuinte nunca cuidou de informar ao fisco a existência deste crédito (mediante retificação da sua DCTF). E aqui, cabe um adendo: como disse anteriormente, a DCTF em questão não foi juntada ao processo. Como, todavia, o contribuinte confessa que não a retificou (inclusive suscitando uma discussão despropositada concernente à desnecessidade de retificação da DCTF como pressuposto normativo para legitimar o pedido de compensação) e, mais, não questiona o próprio "mérito", por assim dizer, do despacho decisório, tal fato restou incontroverso. Ainda que fosse prudente a juntada deste documento, entendo que ele não é essencial ao deslinde da contenta. III Conclusão. A luz do, sucintamente, exposto, voto por negar provimento ao recurso. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10825.904267/201270 Acórdão n.º 1302002.415 S1C3T2 Fl. 9 8 Ante ao exposto e, em face da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, adoto os fundamentos do acórdão paradigma acima transcritos e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 111DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.000903/2002-41
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 03/05/2001
CONCOMITÂNCIA PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01.
Nos termos da Súmula CARF nº 01, dá-se o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entende-se por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar.
No caso em apreço, tem-se que o pedido posto no mandado de segurança e concedido em sede de medida liminar é a imediata liberação da mercadoria apreendida, sem a exigência da multa lançada no auto de infração e independentemente da realização de depósito judicial. Depreende-se da leitura da decisão liminar do processo judicial que a matéria a ser analisada em ambos os processos guarda, ainda que não absoluta, identidade: em ambas as demandas o resultado final perpassa pela análise da legalidade da exigência da multa lançada.
Numero da decisão: 9303-005.680
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 03/05/2001 CONCOMITÂNCIA PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. Nos termos da Súmula CARF nº 01, dá-se o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entende-se por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar. No caso em apreço, tem-se que o pedido posto no mandado de segurança e concedido em sede de medida liminar é a imediata liberação da mercadoria apreendida, sem a exigência da multa lançada no auto de infração e independentemente da realização de depósito judicial. Depreende-se da leitura da decisão liminar do processo judicial que a matéria a ser analisada em ambos os processos guarda, ainda que não absoluta, identidade: em ambas as demandas o resultado final perpassa pela análise da legalidade da exigência da multa lançada.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 03/05/2001 CONCOMITÂNCIA PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. Nos termos da Súmula CARF nº 01, dáse o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entendese por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar. No caso em apreço, temse que o pedido posto no mandado de segurança e concedido em sede de medida liminar é a imediata liberação da mercadoria apreendida, sem a exigência da multa lançada no auto de infração e independentemente da realização de depósito judicial. Depreendese da leitura da decisão liminar do processo judicial que a matéria a ser analisada em ambos os processos guarda, ainda que não absoluta, identidade: em ambas as demandas o resultado final perpassa pela análise da legalidade da exigência da multa lançada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 09 03 /2 00 2- 41 Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11128.000903/200241 Acórdão n.º 9303005.680 CSRFT3 Fl. 395 2 (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte GKN SINTER METALS LTDA. (fls. 344 a 366) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 30239.901 (fls. 329 a 335) proferido pela outrora Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 11/11/2008, no sentido de não conhecer do recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 03/05/2001 CONCOMITÂNCIA DE PROCESSOS JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. Apesar de não ser exatamente o mesmo objeto o dos dois processos, judicial e administrativo, ambos dependem da avaliação dos mesmos fatos subjacentes às pendengas (administrativa e judicial), e o dispositivo do mandamus é expresso quanto a afastar a multa administrativa cobrada. Sabese que no Brasil vige o principio da unicidade de jurisdição, onde o Poder Judiciário tem a prerrogativa da última palavra, em termos de coisa julgada, o que retira a competência desta Câmara para julgar o mérito do presente feito, sendo o caso de sustação do feito administrativo até a decisão definitiva do mandado de segurança que cuida da exigência dos tributos e multas incidentes na importação de que cuida este processo. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11128.000903/200241 Acórdão n.º 9303005.680 CSRFT3 Fl. 396 3 O processo originouse de auto de infração (fls. 03 a 16) lavrado para cobrança de imposto de importação II, imposto sobre produtos industrializados IPI vinculado à importação, multa por falta de licença de importação (art. 526, inciso II do Decreto 91.030/1985 Regulamento Aduaneiro, revogado pelo Decreto nº 4.543/2002, por sua vez revogado pelo Decreto nº 6.759/2009, em vigor), acrescido de juros de mora e multa de ofício. A Fiscalização fundamentou a autuação na ocorrência de erros na classificação fiscal dos produtos importados na Declaração de Importação nº 01/04374033, pois, no seu entender, tratavamse de máquinas para trabalhar metais e não borracha, conforme declarado pela Contribuinte. Em face da autuação, a Contribuinte apresentou impugnação (fls. 72 a 84), julgada parcialmente procedente para excluir a exigência do crédito de IPI já extinto pelo pagamento, consoante fundamentos do Acórdão nº 1717.213, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (SP), de 15/01/2007 (fls. 256 a 264), sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃOII Data do fato gerador: 03/05/2001 MULTA POR FALTA DE LICENÇA DE IMPORTAÇÃO. Descrita incorretamente a mercadoria na declaração de importação. Configurada a infração prevista no artigo 169, I, "b" do DL 37/1966. IPI. Improcedente o lançamento de imposto cujo crédito já foi extinto por pagamento. Lançamento Procedente em Parte Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 272 a 284), o qual foi não conhecido nos termos do Acórdão nº 30239.901 (fls. 329 a 335) proferido pela outrora Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, em 11/11/2008, em razão da existência de concomitância entre as discussões travadas no âmbito administrativo e judicial, ainda que os objetos dos processos judicial e administrativo não guardem exatidão entre eles. No ensejo, a empresa interpôs recurso especial (fls. 344 a 366) alegando divergência jurisprudencial quanto à correta identificação dos elementos caracterizadores da concomitância entre os processos administrativo e judicial para efeitos de renúncia à instância administrativa. Como paradigmas para a reforma da decisão recorrida, trouxe os acórdãos nºs 0303.460, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e 10249.320, do 1º Conselho de Contribuintes. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) na Declaração de Importação não fez constar na descrição das mercadorias que as máquinas destinavamse a trabalhar borracha, decorrendo tal informação unicamente da classificação fiscal assumidamente equivocada, tanto que a descrição dos produtos não foi alterada, tão somente a sua classificação; Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11128.000903/200241 Acórdão n.º 9303005.680 CSRFT3 Fl. 397 4 (b) em razão de a Fiscalização Aduaneira não ter procedido ao desembaraço aduaneiro das mercadorias, em razão da exigência da multa administrativa do art. 526, II do Decreto 91.030/85, a Recorrente impetrou o mandado de segurança nº 2001.61.04.0033540, perante a Justiça Federal de Santos, tendo obtido deferimento do pedido liminar para imediata liberação das mercadorias, sem o pagamento de multa e sem a exigência de depósito judicial. Posteriormente, a segurança foi concedida em definitivo por meio de sentença, que aguarda reexame necessário pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região; (c) o objeto do processo administrativo não é o mesmo do mandado de segurança, inexistindo, assim, a concomitância. Para tanto, não basta a existência de processos simultâneos na esfera administrativa e judicial, sendo imprescindível a perfeita identidade do conteúdo material entre ambos, fato não verificado nos presentes autos; (d) no mandado de segurança o objetivo principal é a urgente liberação das mercadorias retidas pela Autoridade Alfandegária, sendo que a questão relativa à ilegalidade do auto de infração é questão incidental, consubstanciandose no próprio direito da Recorrente, mas não é o tema central do feito judicial, assertiva confirmada pela inexistência de pedido de anulação do auto de infração na via mandamental; (e) postula a continuidade do processo administrativo, para ver declarada a improcedência do auto de infração de exigência da multa e, ainda, discorre sobre a inaplicabilidade da referida penalidade administrativa, prevista no art. 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro vigente à época, ao caso dos autos, com o provimento do recurso especial. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 11 de junho de 2015 (fls. 373 a 375), proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial quanto à identificação de pressupostos para que fique estabelecida a concomitância entre as esferas judicial e administrativa. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 377 a 383) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11128.000903/200241 Acórdão n.º 9303005.680 CSRFT3 Fl. 398 5 O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. No mérito, cingese a controvérsia à verificação da existência de concomitância entre o processo administrativo e o mandado de segurança nº 2001.61.04.0033540, ajuizado pela Contribuinte perante a Justiça Federal de Santos, no qual lhe foi concedida medida liminar determinando a liberação da mercadoria importada, sem o pagamento de multa e sem a exigência de depósito judicial. Consoante bem delimitado no despacho de admissibilidade do apelo especial, o acórdão recorrido entendeu por sobrestar o andamento do processo administrativo pois, no seu entender, para que se caracterize a concomitância é desnecessário que os objetos dos dois processos sejam exatamente iguais. No acórdão paradigma, por outro lado, foi consignado posicionamento diverso, pela necessidade de absoluta semelhança na causa de pedir e perfeita identidade no conteúdo material do objeto em discussão. A Súmula CARF nº 01, que trata da concomitância, possui o seguinte enunciado: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Determina a súmula, portanto, o reconhecimento da existência de concomitância quando a ação judicial e o processo administrativo tenham o mesmo objeto. E o comando vai além, permitindo a análise, pelo órgão de julgamento administrativo, tão somente de matéria distinta da constante no processo judicial. Entendese por objeto da demanda aquilo que com ela se pretende alcançar. No caso em apreço, temse que o pedido posto no mandado de segurança e concedido em sede de medida liminar é a imediata liberação da mercadoria apreendida, sem a exigência da multa lançada no auto de infração e independentemente da realização de depósito judicial. Depreendese da leitura da decisão liminar do processo judicial que a matéria a ser analisada em ambos os processos guarda, ainda que não absoluta, identidade: em ambas as demandas o resultado final perpassa pela análise da legalidade da exigência da multa lançada. Em ambos os processos, administrativo e judicial, a pretensão da Contribuinte, ainda que por vias diversas, é coincidente: a liberação da mercadoria sem o pagamento da multa. Os tributos incidentes na importação restaram afastados pelo próprio pagamento. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11128.000903/200241 Acórdão n.º 9303005.680 CSRFT3 Fl. 399 6 Tanto é assim que na fundamentação da decisão judicial, o magistrado adentra ao exame da validade da multa, ainda que se trate de questão incidental no processo judicial. Reforça o entendimento acerca da existência de concomitância entre os dois processos a referência feita à possibilidade de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário na hipótese de "improcedência da ação", in verbis: [...] fl. 61 A Impetrante ajuizou mandado de segurança contra ato da Ilma. Sr. Inspetora da Alfândega do Porto de Santos, com a pretensão de compelir a autoridade "a proceder a imediata liberação da mercadoria objeto da Declaração de Importação — DI n.°'01 104374033" . Requereu liminar. Alega que esta sendo indevidamente exigida a multa prevista no artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro, pela reclassificação tarifária, ainda que a mercadoria estivesse corretamente descrita na declaração de importação. É o breve relato. Decido. Com razão a impetrante. Verifico que o caso subsumese ao preceito descrito no Ato Declaratório n. 12/97, da Secretaria da Receita Federal. Analisando a descrição da mercadoria realizada na declaração de importação (suas adições) não constatei que houvesse a descrição da máquina para utilização da em metais ou borrachas. Este ato foi indicado pela Autoridade alfandegária para reclassificar tarifariamente a mercadoria, sem, contudo, modificar a descrição da mercadoria. Somente após o pagamento da diferença dos tributos, a Alfândega houve por bem exigir a alteração da descrição da mercadoria, sem, contudo, exigir outras diferenças tributárias. Neste sentido, vislumbro em sede de cognição sumária processual, que esta exigência (de nova descrição) visou precipuamente legitimar a exigência da multa prevista no artigo 526, II, RA, que sequer havia sido aplicada por auto de infração. Não obstante, as reclassificações redundaram em diminuição em algumas adições (003 — R$ 2.459,71) e aumento em outras (005 — R$ 3.150,85). Consignese que o valor inicial dos tributos incidentes sobre a máquina era de R$ 44.192,27, e com a reclassificação passou a ser R$ 46.051,46, apurando uma diferença de R$ 1.859,19. Concluise, por ora, diante das provas préconstituídas, pela ausência de dolo ou máfé da impetrante e subsunção do fato ao preceito do .ato declaratório n.° 12/97. Cumpre ressaltar que não haverá dano irreparável reverso para a União Federal, posto que a Alfândega poderá constituir eventual crédito tributária em caso de improcedência da ação. Ao perigo da demora, justificase pelos demasiados custos de armazenagem, assim como utilização da máquina no parque industrial da empresa. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11128.000903/200241 Acórdão n.º 9303005.680 CSRFT3 Fl. 400 7 Diante do exposto, CONCEDO A LIMINAR para determinar à D. Autoridade que proceda a imediata liberação da mercadoria objeto da Declaração de Importação — DI n.° 01/04374033 e suas adições, sem a exigência da multa e nova descrição detalhada da mercadoria. [...] O provimento judicial liminar foi confirmado, ainda, em sede de sentença proferida nos autos do mandado de segurança, aguardando confirmação em sede de reexame necessário pelo TRF da 3ª Região. Para elucidar a argumentação expendida, colacionase ainda trechos do Parecer Normativo Cosit nº 07, de 22 de agosto de 2014, ato da Administração Tributária tratando do tema da concomitância: "Da identidade de objetos dos processos administrativo e judicial 9. Poderseia questionar quanto à definição da expressão “mesmo objeto” a que se reportam o ADN Cosit nº3, de 1996, a Súmula nº1 do CARF e a Portaria MF nº341, de 2011. Aqui, fazse mister diferenciar o objeto da relação jurídica substancial ou primária do objeto da relação jurídica processual. Aquele consiste no bem da vida sobre o qual recaem os interesses em conflito, in casu, o patrimônio do contribuinte; este, por sua vez, diz respeito ao serviço que o Estado tem o dever de prestar, e nos procedimentos de que este se utiliza para tanto, resultando no proferimento de decisões administrativas ou judiciais em cada processo, guardando relação de instrumentalidade com a real demanda do autor (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Constituição Federal Comentada. 2. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2009. p. 179). 9.1. Assim, só produz o efeito de impedir o curso normal do processo administrativo a existência de processo judicial para o julgamento de demanda idêntica, assim caracterizada aquela em que se verificam as mesmas partes, a mesma causa de pedir (fundamentos de fato – ou causa de pedir remota e de direito – ou causa de pedir próxima) e o mesmo pedido (postulação incidente sobre o bem da vida) a chamada teoria dos três eadem, conforme definida no art. 301, § 2ºda Lei nº5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), o qual ora se aplica por analogia. 9.2. Levase em consideração o objeto da relação jurídica substancial; se a discussão judicial se refere a questões instrumentais do processo administrativo, contra as quais se insurge o sujeito passivo da obrigação tributária, não há que se falar em desistência da instância administrativa nem em definitividade da decisão recorrida, quando nesta se discute alguma questão de direito material. Se, no entanto, a discussão administrativa gira em torno de alguma questão processual, como a tempestividade da impugnação, por exemplo, questão esta também levada à apreciação judicial, configurase a renúncia à esfera administrativa quanto a este ponto específico. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11128.000903/200241 Acórdão n.º 9303005.680 CSRFT3 Fl. 401 8 9.3. Seguindo esse raciocínio, encontrase entendimento na doutrina e na jurisprudência de que só se caracteriza a identidade de ações quando se verificam as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir: 19. Identidade de ações: caracterização. As partes devem ser as mesmas, não importando a ordem delas nos pólos das ações em análise. A causa de pedir, próxima e remota [...], deve ser a mesma nas ações, para que se as tenha como idênticas. O pedido, imediato e mediato, deve ser o mesmo: bem da vida e tipo de sentença judicial. Somente quando os três elementos, com suas seis subdivisões, forem iguais é que as ações serão idênticas. (JUNIOR, Nelson Nery; NERY, Rosa Maria de Andrade. Código de Processo Civil Comentado. 11. ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2010. p. 595) Litispendência. Identidade de pedidos. A identidade de pedidos não caracteriza a litispendência. Somente se verifica a litispendência com a identidade de ações: as mesmas partes, o mesmo pedido e a mesma causa de pedir. (TRF5 ª, 1ª T., Ap 17299RN, rel. Juiz Ridalvo Costa, v.u., j. 10.12.1992, STJ 47/583) 9.4. Vale reproduzir o seguinte excerto do Parecer PGFN/Cocat nº 2/2013: 49. Dito disso, conferimos ao instituto da concomitância no PAF o mesmo tratamento da litispendência no processo civil, pois a verificação da ausência desses dois pressupostos negativos têm como finalidade precípua evitar o processamento de causas iguais quando houver: (i) identidade das partes, (ii) da causa de pedir e (iii) do pedido (art. 301, §§ 1ºe 2º, do CPC; e Súmula nº1/CARF). 50. Com efeito, na linha do que foi afirmado no item 26, tanto a concomitância quanto a litispendência constituem requisitos de validade objetivos extrínsecos da relação processual. São pressupostos negativos, ou seja, fatos que não podem ocorrer para que o procedimento se instaure validamente. Representam acontecimentos estranhos à relação jurídica processual (daí o adjetivo "extrínseco") que, uma vez existentes, impedem a formação válida do processo (procedimento). (grifos conforme original) 9.5. Feitos esses esclarecimentos, e à vista da terminologia utilizada nos normativos retromencionados, adotarseá, neste parecer, o entendimento de que a expressão “mesmo objeto” diz respeito àquilo sobre o qual recairá o mérito da decisão, quando sejam idênticas as demandas. Portanto, temse como critérios de aplicação da impossibilidade do prosseguimento do curso normal do processo administrativo, em vista da concomitância com processo judicial, tanto o pedido como a causa de pedir, e não somente o pedido. 9.6. Seguindo essa lógica, caso o processo administrativo fiscal contenha pedido mais abrangente que o do processo judicial, ele deve ter seguimento somente em relação à parte que não esteja sendo discutida judicialmente. Se, por exemplo, a ação judicial requer a anulação de um lançamento em relação a determinada multa, mas nada diz sobre a base de cálculo do tributo, e a impugnação administrativa tratar também da discussão sobre a base de cálculo, esta parte deverá ser objeto de julgamento administrativo. 10.A prevalência, nesses casos, do curso do processo judicial se deve ao princípio constitucional da unicidade de jurisdição, insculpido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal (“a lei não excluirá da apreciação do Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11128.000903/200241 Acórdão n.º 9303005.680 CSRFT3 Fl. 402 9 Poder Judiciário lesão ou monopólio do controle jurisdicional, não sendo necessário que se configure a efetiva lesão a direito, bastando a simples ameaça para que se dê o ingresso em juízo. Ademais, o caráter de não definitividade das decisões administrativas consiste na possibilidade de sua apreciação pelo Judiciário. Registrese, ainda, a desnecessidade do esgotamento da via administrativa para o acesso ao Poder Judiciário, como ocorria no sistema constitucional revogado (CF/1967, art. 153, § 4º). (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 312). 10.1. Outra justificativa que se pode invocar para a inadmissibilidade da concomitância entre as discussões sobre a mesma matéria nas instâncias judicial e administrativa, sob pena de se admitir um dispêndio desnecessário de recursos públicos, além do risco de se obterem decisões conflitantes, passa pelo princípio da economia processual, o qual, segundo lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco (CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 26. ed. São Paulo: Malheiros, 2010. p. 79), “preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais”. Tratase do mesmo princípio que inspira os efeitos do instituto da litispendência no processo civil (arts. 219, 267 e 301 do CPC)." [...] No presente litígio, reafirmese, o deferimento da pretensão da Contribuinte em âmbito judicial necessariamente adentra à análise de ser devida ou não a multa por falta de licenciamento da importação, e concluindo o Juízo pela sua inadmissibilidade, determinou o desembaraço da mercadoria retida na repartição alfandegária. Pertinente a transcrição de trecho da sentença que trata da multa, in verbis: "A questão dos autos resumese na verificação se há ou não legalidade na exigência da multa prevista no artigo 526, II, do Regulamento Aduaneiro, subsumindose a conduta da impetrante ao preceito legal.[...] Acontece que somente após o pagamento da diferença dos tributos, a Alfândega houve por bem exigir a alteração da descrição da mercadoria, sem, contudo, exigir outras diferenças tributárias. Neste sentido, concluo que esta exigência de nova descrição da máquina visou, precipuamente, legitimar a exigência da multa prevista no artigo 526, II, RA, que sequer havia sido aplicada por auto de infração. [...]" Caracterizada está a existência de concomitância entre as instâncias judicial e administrativa, razão pela qual aplicável ao caso o comando da Súmula CARF nº 01. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 11128.000903/200241 Acórdão n.º 9303005.680 CSRFT3 Fl. 403 10 Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 403DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.722401/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO PELO CONTRIBUINTE.
Não existe permissivo legal a autorizar o arbitramento dos lucros por opção do contribuinte. Arbitramento dos lucros, quer pela fiscalização, quer pelo contribuinte, deve ser precedido da ocorrência de qualquer das hipótese do art. 47, da Lei nº 8.981/95. Mantém-se as autuações de IRPJ e CSLL pela sistemática do Lucro Real quando não caracterizada a existência das hipóteses legais.
MULTA AGRAVADA. INOCORRÊNCIA DOS REQUISITOS.
Constatado o atendimento à intimação por parte do contribuinte, justificando a não apresentação da documentação solicitada, mesmo que desacompanhada da documentação, demonstra o atendimento e impede a aplicação do agravamento da multa.
Numero da decisão: 1401-001.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício para restabelecer os lançamentos em relação ao auto arbitramento. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin; II) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício em relação ao agravamento da multa, reduzindo-a ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento).
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva. Ausente justificadamente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 LUCRO ARBITRADO. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Não existe permissivo legal a autorizar o arbitramento dos lucros por opção do contribuinte. Arbitramento dos lucros, quer pela fiscalização, quer pelo contribuinte, deve ser precedido da ocorrência de qualquer das hipótese do art. 47, da Lei nº 8.981/95. Mantém-se as autuações de IRPJ e CSLL pela sistemática do Lucro Real quando não caracterizada a existência das hipóteses legais. MULTA AGRAVADA. INOCORRÊNCIA DOS REQUISITOS. Constatado o atendimento à intimação por parte do contribuinte, justificando a não apresentação da documentação solicitada, mesmo que desacompanhada da documentação, demonstra o atendimento e impede a aplicação do agravamento da multa.
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IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Não existe permissivo legal a autorizar o arbitramento dos lucros por opção do contribuinte. Arbitramento dos lucros, quer pela fiscalização, quer pelo contribuinte, deve ser precedido da ocorrência de qualquer das hipótese do art. 47, da Lei nº 8.981/95. Mantémse as autuações de IRPJ e CSLL pela sistemática do Lucro Real quando não caracterizada a existência das hipóteses legais. MULTA AGRAVADA. INOCORRÊNCIA DOS REQUISITOS. Constatado o atendimento à intimação por parte do contribuinte, justificando a não apresentação da documentação solicitada, mesmo que desacompanhada da documentação, demonstra o atendimento e impede a aplicação do agravamento da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos seguintes termos: I) Por maioria de votos, negar provimento ao recurso de ofício para restabelecer os lançamentos em relação ao auto arbitramento. Vencidas as Conselheiras Lívia De Carli Germano e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin; II) Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício em relação ao agravamento da multa, reduzindoa ao patamar de 75% (setenta e cinco por cento). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 24 01 /2 01 1- 91 Fl. 245DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antônio Bezerra Neto (Presidente), Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto (Relator), José Roberto Adelino da Silva. Ausente justificadamente o Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes. Fl. 246DF CARF MF Processo nº 11516.722401/201191 Acórdão n.º 1401001.895 S1C4T1 Fl. 246 3 Relatório Iniciemos com o relatório da decisão de Piso sobre o caso. Fl. 247DF CARF MF 4 Fl. 248DF CARF MF Processo nº 11516.722401/201191 Acórdão n.º 1401001.895 S1C4T1 Fl. 247 5 Fl. 249DF CARF MF 6 Da análise do caso resultou a Decisão abaixo. Da referida decisão a Delegacia de Julgamento recorreu de ofício em razão do valor exonerado. A PGFN apresentou razões para apoiar o recurso às fls. 232/241. É o relatório do essencial. Fl. 250DF CARF MF Processo nº 11516.722401/201191 Acórdão n.º 1401001.895 S1C4T1 Fl. 248 7 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator A discussão do presente caso decorre da existência de possibilidade ou não de o contribuinte realizar opção pelo autoarbitramento para apuração do IRPJ e da CSLL devida no ano de 2009; As correntes que interpretam a favor da possibilidade, assim como a decisão de Piso, consideram o Lucro Arbitrado como uma das hipóteses que os contribuintes podem se utilizar para a apuração do lucro devido. Assim, conforme este entendimento, as empresas teriam três opções de apuração do IRPJ e CSLL devidos que seriam o Lucro Real, Lucro Presumido e o Lucro Arbitrado. Em sentido contrário existem correntes que defendem a impossiblidade de exercício de opção, ao entenderem que a única opção possível é pelo lucro presumido, sendo o lucro arbitrado uma imposição legal condicionada a determinados casos. Tendo em vista a complexa discussão acerca de o autoarbitramento ser uma opção ou não a cargo do contribuinte, decidimos por elaborar a tabela abaixo na qual tentamos distinguir as diversas formas possíveis de tributação pelo IRPJ e CSLL, Vejamos a tabela. AÇÃO REALIZADA LUCRO REAL PRESUMIDO ARBITRADO AUTO ARBITRAMENTO Opção ou Obrigação? Obrigação: Lei 9.718/98, art.14 Opção para quem não é obrigado ao Lucro Real: Lei nº 9.718/98, art. 13 Não há estabelecimento de opção. Apenas a determinação de que será arbitrado nas hipóteses estabelecidas na legislação: Lei n 8.981/95, art. 47 Não há opção. Existe a abertura de hipótese, quando ocorridas as situações descritas na seção da norma, art. 47, de o contribuinte que, impedido de apurar o lucro real e conhecedor da sua receita bruta, pode EFETUAR O PAGAMENTO do imposto com base nas regras da seção. Lei 8.981/94, art. 47, par. 1º e 2º. Momento da OPÇÃO Não existe opção para quem é obrigado.. Opção para quem não é obrigado LR. Opção pode ser feita no pagamento da primeira cota ou cota única do exercício. Lei 9.430, art. 26, 1º. Não há opção. Procedimento realizado quando aplicáveis as hipóteses. Lei 8.981/95, caput Não há opção. Se houvesse haveria semelhante à do L.Presumido. Os requisitos para o contribuinte poder pagar desta forma são os mesmo aplicáveis à fiscalização. Lei 8.981/95, art. 47, par. 1º. Fl. 251DF CARF MF 8 Forma de Proceder Contribuinte com contabilidade regular apura o lucro real e paga desta forma Contribuinte que pode optar, faz a opção e recolhe sobre o presumido. Fiscalização constata a ocorrência de alguma das hipóteses do art 47, da Lei 8.981/95 e descrevendo o caso, aplica o arbitramento Contribuinte que durante o ano ou parte dele verifica a ocorrência de uma das hipóteses e, constatado o impedimento de apurar pelo lucro real e, sendo conhecida a receita bruta, efetua o pagamento com base nas mesmas regras. Lei 8.981/95, art. 47, par. 1º. Responsável pela apuração Contribuinte Contribuinte Fisco Contribuinte Justificativa da Aplicação da Norma Obrigação legal Permissão legal (poder de opção da norma) Atribuição Legal (Dever de aplicação da norma no caso excepcional) Atribuição Legal Condicionada (Possibilidade excepcional de aplicação da norma) Dicção do Dispositivo "Estão obrigadas" "Poderá optar" "Será arbitrado" "Quando conhecida a RB" "com base nas regras desta seção" Quando inexistir hipótese de conhecimento da RB Lançamento feito, de ofício, com base na norma do art. 51, da Lei 8.981/95 Não é possível ao contribuinte recolher desta forma quando não conhecida a RB. Terá de aguardar procedimento de ofício. Requisitos para realização do procedimento Ocorrência das hipóteses do art. 47, da Lei 8.981/95 Procedimento de ofício Conhecida ou não a RB Ocorrência das hipóteses do art. 47, da Lei 8.981/95 Antes do início procedimento de ofício Se conhecida a RB Repercussão da Irregular utilização do método Arbitramento do lucro quando ocorridas hipóteses do art. 47, da Lei 8.981/95 Arbitramento do lucro quando realizada opção irregular Anulação do lançamento fiscal e determinação para apurar pelo Lucro Real Desconsideração do lançamento e lançamento pelo Lucro Real Consoante o quadro acima, e na tentativa de realizar uma interpretação sistêmica acerca das possibilidades de tributação do IRPJ e da CSLL sobre os ganhos auferidos pelas empresas temos a seguinte entendimento: REGRA GERAL Em primeiro lugar devemos definir qual é a regra geral de imposição do IRPJ e CSLL? Estas resposta parecenos simples. A questão é respondida pela norma do art. 14, da Lei nº 9.718/98, onde está expresso as pessoas jurídicas que são obrigadas à tributação pelo lucro real. Art. 14. Estão obrigadas à apuração do lucro real as pessoas jurídicas: I cuja receita total no anocalendário anterior seja superior ao limite de R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou proporcional ao número de meses do período, quando inferior a 12 (doze) meses; (Redação dada pela Lei nº 12.814, de 2013) (Vigência) II cujas atividades sejam de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas Fl. 252DF CARF MF Processo nº 11516.722401/201191 Acórdão n.º 1401001.895 S1C4T1 Fl. 249 9 de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização e entidades de previdência privada aberta; III que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior; IV que, autorizadas pela legislação tributária, usufruam de benefícios fiscais relativos à isenção ou redução do imposto; V que, no decorrer do anocalendário, tenham efetuado pagamento mensal pelo regime de estimativa, na forma do art. 2° da Lei n° 9.430, de 1996; VI que explorem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção e riscos, administração de contas a pagar e a receber, compras de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). VII que explorem as atividades de securitização de créditos imobiliários, financeiros e do agronegócio.(Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) REGRA ALTERNATIVA FACULTATIVA Passando da regra geral, chegamos à regra alternativa, na qual, esta sim, existe a opção que pode ser exercida pelo contribuinte para sair da obrigação ao lucro real e ser tributado pelo lucro presumido. Esta norma representa uma faculdade atribuída ao contribuinte pelo art. 13, da Lei nº 9.718/98. Neste dispositivo resta bem claro que o contribuinte pode de per si realizar a opção pela tributação na sistemática do Lucro Presumido Art. 13. A pessoa jurídica cuja receita bruta total no anocalendário anterior tenha sido igual ou inferior a R$ 78.000.000,00 (setenta e oito milhões de reais) ou a R$ 6.500.000,00 (seis milhões e quinhentos mil reais) multiplicado pelo número de meses de atividade do anocalendário anterior, quando inferior a 12 (doze) meses, poderá optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido. (Redação dada pela Lei nº 12.814, de 2013) (Vigência) § 1° A opção pela tributação com base no lucro presumido será definitiva em relação a todo o anocalendário. § 2° Relativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou de caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido. REGRA DE EXCEÇÃO IMPOSITIVA CONDICIONADA Chegamos, então, à última possibilidade de realização da apuração do lucro a ser submetido à aplicação das alíquotas de IRPJ e CSLL. Por meio da Seção V Do Regime de Tributação com Base no Lucro Arbitrado, artigos 47 a 55, a Lei nº 8.981/95, estabelece, logo em seu art. 47, caput e incisos, as hipóteses que obrigam à realização da apuração do lucro tributável sob a sistemática do Lucro Arbitrado. Fl. 253DF CARF MF 10 SEÇÃO V Do Regime de Tributação com Base no Lucro Arbitrado Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: I o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata o DecretoLei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal; II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. III o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o livro Caixa, na hipótese de que trata o art. 45, parágrafo único; IV o contribuinte optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido; V o comissário ou representante da pessoa jurídica estrangeira deixar de cumprir o disposto no § 1º do art. 76 da Lei nº 3.470, de 28 de novembro de 1958; VI o contribuinte não apresentar os arquivos ou sistemas na forma e prazo previstos nos arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; (Revogado pela Lei nº 9.718, de 1998) VII o contribuinte não mantiver, em boa ordem e segundo as normas contábeis recomendadas, livro Razão ou fichas utilizados para resumir e totalizar, por conta ou subconta, os lançamentos efetuados no Diário. VIII – o contribuinte não escriturar ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros ou registros auxiliares de que trata o § 2o do art. 177 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, e § 2o do art. 8o do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1º Quando conhecida a receita bruta, o contribuinte poderá efetuar o pagamento do Imposto de Renda correspondente com base nas regras previstas nesta seção. § 2º Na hipótese do parágrafo anterior: a) a apuração do Imposto de Renda com base no lucro arbitrado abrangerá todo o anocalendário, assegurada a tributação com base no lucro real relativa aos meses não submetidos ao arbitramento, se a pessoa jurídica dispuser de escrituração exigida pela legislação comercial e fiscal que demonstre o lucro real dos períodos não abrangido por aquela modalidade de tributação, observado o disposto no § 5º do art. 37; b) o imposto apurado com base no lucro real, na forma da alínea anterior, terá por vencimento o último dia útil do mês subseqüente ao de encerramento do referido período. Chegando neste ponto, devemos ressaltar que a regra acima transcrita, em momento algum, estabelece que o lucro arbitrado será tributado por opção do contribuinte ou Fl. 254DF CARF MF Processo nº 11516.722401/201191 Acórdão n.º 1401001.895 S1C4T1 Fl. 250 11 por opção do fiscal responsável. Vejase que a regra do arbitramento é a mesma e parte de uma premissa única: o estabelecimento das hipóteses que determinam QUANDO o lucro será arbitrado.. O parágrafo 1º, do art. 47, estabelece apenas que o contribuinte poderá efetuar o pagamento do IRPJ, com base nas regras da Seção V , se este tiver o conhecimento de sua receita bruta, ou seja, mesmo ocorridas as hipóteses do art. 47, quando se obriga á aplicação do lucro arbitrado pela impossibilidade de apuração do lucro real, o contribuinte pode efetuar nestes casos, já tendo conhecimento de que terá seu lucro arbitrado, o pagamento do IRPJ por esta sistemática. Não há no texto da seção, ressalto DA SEÇÃO INTEIRA, nenhuma norma autorizadora da opção do contribuinte pela sistemática de apuração do lucro pelo lucro arbitrado. Para bem confirmar este entendimento basta verificarmos que, no caso do Lucro Presumido, foi definido um momento de opção, qual seja o do primeiro recolhimento do período de apuração. Na seção que trata do Lucro Arbitrado não há nenhum momento em que seja autorizado ao contribuinte fazer tal opção. Não podemos interpretar a norma que autoriza o contribuinte a realizar o pagamento do IRPJ pelas normas da Seção, ou seja, quando ocorridas as hipóteses que obrigam ao lucro arbitrado, como norma que permite a opção pelo arbitramento a qualquer modo e sem obediência a qualquer requisito pelo contribuinte. Em sentido contrário, quantos autos de infração já foram anulados quando verificada a não da ocorrência das hipóteses do art. 47, da Lei nº 8.981/95. Ora, se para a realização da imposição da tributação do IRPJ pelo lucro arbitrado, quando realizada pelo fisco, fazse necessária a verificação da efetiva caracterização de uma das hipóteses da norma, porque poderia esta mesma seção, sem nenhum texto normativo adicional, permitir ao contribuinte autoarbitrarse sem a verificação da mesma exigência de se demonstrar a caracterização de uma das hipóteses determinantes para o arbitramento. Em matéria de interpretação normativa tal permissão não tem qualquer fundamento. Se a norma que obriga a imposição da apuração do lucro pela sistemática arbitrada é a mesma aplicável à ação da fazenda e à ação do contribuinte, os requisitos nela estabelecidos tem, necessariamente, de ser atendidos por qualquer destas partes, seja o fiscal em procedimento de ofício, seja o contribuinte em procedimento espontâneo na forma do parágrafo 1º, do art. 47. Mais ainda, é salutar demonstrar que a oração descrita no caput do art. 47 é classificada como oração subordinada adverbial condicional, posto que a efetivação da determinação descrita no caput O lucro da pessoa jurídica será arbitrado, está condicionada à ocorrência das hipóteses estabelecidas nos seus incisos de I a VIII. Assim, sendo a ação de arbitramento condicionada às hipóteses estabelecidas, subsumese que o arbitramento somente pode existir com a constatação destas e não como um direito de opção da empresa. Por isso é que, em nosso entender a possibilidade de apuração do lucro tributável pela sistemática do lucro arbitrado pelo contribuinte somente é possível QUANDO, ou seja, hipótese condicionada, ocorrer quaisquer das hipóteses do art. 47, da Lei nº 8.981/95, que impeçam a apuração do lucro real pela empresa obrigada ao mesmo. Fl. 255DF CARF MF 12 Assim, a tributação pelo lucro arbitrado não pode ser realizada como opção pelo contribuinte. Não existe permissivo para tal opção. Não existe fixação forma de opção. A única possibilidade atribuída pela norma do art. 47 da Lei nº 8.981/95 é a de o contribuinte, QUANDO OCORRIDA uma das hipóteses que impedem à apuração do lucro real, realizar o pagamento pelo lucro arbitrado em procedimento espontâneo simplesmente para evitar a realização de procedimento de ofício e imposição de multa respectiva, que oneraria indevidamente a empresa que conhecesse a sua receita bruta. Para embasar juridicamente nossos entendimento nos socorremos das normas da Lei Complementar nº 95/2008, que dispõe sobre a elaboração, redação, alteração e consolidação das leis. Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: ....... III para a obtenção de ordem lógica: a) reunir sob as categorias de agregação subseção, seção, capítulo, título e livro apenas as disposições relacionadas com o objeto da lei; b) restringir o conteúdo de cada artigo da lei a um único assunto ou princípio; c) expressar por meio dos parágrafos os aspectos complementares à norma enunciada no caput do artigo e as exceções à regra por este estabelecida; d) promover as discriminações e enumerações por meio dos incisos, alíneas e itens. Ora, foi atendendo estes princípios normativos que o parágrafo primeiro do art. 47, estabeleceu os aspectos complementares à regra do caput. A complementação é simples, ela autoriza o contribuinte que se vê em situação de não ter condições de apurar seu lucro real a não esperar pelo lançamento do arbitramento pela autoridade fiscal. Permite, nos casos discriminados nos incisos que o contribuinte possa se adiantar à fiscalização de ofício e realizar o recolhimento do IRPJ apurado pelo lucro arbitrado com base na sua receita bruta. Nesta mesma câmara, recentemente, foi discutido processo que tratava da mesma matéria. Naquela sessão um dos argumentos adotados pelos que entendiam pela possibilidade do arbitramento era o fato de que, caso o contribuinte agisse de máfé e realizasse a destruição deliberada de seus livros e não apresentasse nada quando intimado pelo fisco, seria este beneficiado pela aplicação do arbitramento, enquanto que outro contribuinte, agindo de boafé para realizar o autoarbitramento, seria penalizado com o lançamento pelo lucro real. Para responder esta aparente distorção de interpretação devemos ter em mente que, em ambos os casos, o contribuinte está agindo à margem da lei para buscar se eximir da aplicação da norma que determina a obrigação de apuração de seus lucros pela sistemática do lucro real. Se existe uma norma determinando um determinado comportamento, qual seja, o de realizar a apuração pelo lucro real, qualquer ato que praticado com o objetivo de fugir à aplicação da norma é ato ilegal, passível de punição. Fl. 256DF CARF MF Processo nº 11516.722401/201191 Acórdão n.º 1401001.895 S1C4T1 Fl. 251 13 Não interessa, em matéria penal, tecer indagações acerca da realização de ato com maior ou menor grau de delinquência. Exemplifiquemos: um indivíduo que mata outrem comete homicídio doloso. Só que um o faz após uma discussão com a vítima e o outro planeja uma emboscada, captura a vítima e a mata ateando fogo à mesma. O que varia nos dois casos? A aplicação da pena. O crime é o mesmo, nos dois casos o resultado foi o mesmo: a morte da vítima, mas considerando os aspectos objetivos e subjetivos do cometimento do mesmo é que a autoridade penal fixará pena em maior ou menor grau. Da mesma forma devemos agir nos diferentes casos em que o contribuinte força a aplicação do arbitramento para fugir do lucro real. Nestes casos a dosimetria da pena será feita a partir dos diferentes tipos de ação desenvolvidos pelo mesmo em cada caso. Tal tarefa sai da esfera de interpretação do direito e recai na figura do aplicador da norma penal ao realizar a dosimetria penal no caso concreto. Além disso, para os casos em que o contribuinte, de forma deliberada, provoca a ocorrência dos fatos típicos o caso, desborda da simples esfera tributária. A destruição deliberada de livros e arquivos com vistas à aplicação do lucro arbitrado é crime tipificado no Código Penal, conforme abaixo: Falsidade ideológica Art. 299 Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante: Pena reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de um a três anos, e multa, se o documento é particular. Parágrafo único Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo se do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil, aumentase a pena de sexta parte. Ora, se acaso o contribuinte, deliberadamente tenta se autoimputar o arbitramento ao indicar ter ocorrido uma das hipóteses do art. 47, da Lei 8.981/95, sem que isto tenha efetivamente ocorrido, estará cometendo crime de falsidade ideológica ao informar, em sua DIPJ, que restou obrigado a realizar sua apuração de lucros pela sistemática do Lucro Arbitrado. Mais ainda, caso o contribuinte proceda à destruição deliberada de sua escrituração e, com isso, faça a informação de boletim de ocorrência falso, fica passível de imputação criminal também por este motivo, além de outras repercussões em outras esferas administrativas, como Banco Central, SUSEP, CMV, etc. Para concluir a análise fazse necessário, ainda, destacar outro ponto. As repercussões no mundo empresarial, da possibilidade em sede de julgamentos do CARF, de se autorizar o autoarbitramento pelo contribuinte. Estaremos contribuindo com uma distorção do mercado ao passo em que teremos contribuintes que ciosos da existência da norma que obriga ao lucro real, Fl. 257DF CARF MF 14 realizam seu integral cumprimento e, assim, ficam passíveis de sofrer tributação maior, enquanto que outros contribuintes, seus concorrentes, ao utilizar esta indevida forma de tributação de exceção sem causa justa, são tributados de maneira menor e assim, aumentam seus lucros e capacidade de concorrência. No presente caso, verificando que a recorrente, sendo sociedade anônima, está obrigada, na forma do art. 176 e seguintes, da Lei nº 6.404/76, e por isso tem de obrigatoriamente possuir contabilidade, publicar suas demonstrações financeiras e prestar contas ao Banco Central. Tanto que apresentou seus livros contábeis com exceção do LALUR. Desta forma, demonstrase que a empresa, em verdade não quis escriturar ou não apresentou o LALUR para justificar o autoarbitramento, Por isso entendo não ter ocorrido uma das hipóteses do art. 47, caput da Lei nº 8.981/95. Por todo o exposto e novamente pedindo a devida venia daqueles que entendem em sentido diverso, entendo por não ser possível ao contribuinte realizar o autoarbitramento sem a caracterização da ocorrência das hipóteses do art. 47, da Lei nº 8.981/95. Portanto, em nossa opinião, devem ser mantidos os lançamentos do IRPJ e da CSLL decorrentes da desconsideração do autoarbitramento realizado pelo contribuinte e da correta apuração dos lucros pela norma do Lucro Real, devendo ser dado provimento ao recurso de ofício neste ponto. Do Agravamento da Multa Com relação ao agravamento da multa de ofício o fiscal responsável entendeu que houve desatendimento à intimação realizada em função da não apresentação do LALUR e concluiu da seguinte forma: Os acréscimos legais incidentes sobre o imposto não adimplido encontramse capitulados e determinados no “DEMONSTRATIVO DE MULTA E JUROS DE MORA –Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica”, peça juntada às fls. 119. No que concerne à penalidade aplicada releva registrar que, diante do comportamento omissivo do sujeito passivo, acarretando prejuízos/dificuldades ao desenvolvimento da atividade administrativotributária de fiscalização, é de se aplicar o agravamento da multa, em conformidade com a norma positivada no artigo 44, inciso I e parágrafo 2°, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488/2007. A despeito da exigência regularmente formalizada para a apresentação do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), especificadamente por intermédio da Intimação Fiscal n° 01 (fls. 12 a 13), o contribuinte não se dignou a apresentar o aludido assento de escrituração obrigatória, consoante determina o artigo 275 do RIR/99. A singela informação apresentada em resposta à aludida Intimação (fls. 14 a 15), no sentido de que não poderia atender o solicitado porque tributou os resultados pelo Lucro Arbitrado, não cumpre a exigência formalizada e nem esclarece aspectos que poderiam eventualmente afastar a manutenção do assento requisitado. Que o contribuinte havia apurado os resultados pelo lucro arbitrado já era de conhecimento do fisco, fato inclusive ressaltado na aludida Intimação, de sorte que a resposta apresentada em nada cumpriu à exigência regularmente formalizada. Apesar de entendermos que, para o fiscal, a não apresentação do LALUR configura efetivamente uma dificuldade no procedimento, esta câmara tem adotado o entendimento que a resposta à intimação, apresentando justificativas quanto à não entrega da documentação Fl. 258DF CARF MF Processo nº 11516.722401/201191 Acórdão n.º 1401001.895 S1C4T1 Fl. 252 15 solicitada, mesmo desacompanhada da documentação, configura atendimento à intimação e, para tanto, não caracteriza infração passível de agravamento. Assim, em consonância com o entendimento majoritário desta câmara e considerando que o contribuinte efetivamente atendeu à intimação, entendo por ser necessário o cancelamento do agravamento da multa, posto ter havido a comprovação de atendimento à intimação, mesmo que não satisfatório na opinião do fiscal. Concluindo a análise deste recurso, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso de ofício da Delegacia de Julgamento a fim de que sejam mantidos integralmente os autos de infração de IRPJ e CSLL e seja retirado o agravamento da multa de ofício aplicada, reduzindoa para 75%. Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10845.001966/2003-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 1999
PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA.
Não há fundamento para negar a inclusão de pessoa jurídica no regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se as provas coligidas não demonstram que fiscalizada prestou os serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social.
Numero da decisão: 9101-003.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento
Rodrigo Costa Pôssas- Presidente em exercício.
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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ATIVIDADE VEDADA. ARTIGO 9º, XIII, DA LEI Nº 9.317/1996. PROVA. Não há fundamento para negar a inclusão de pessoa jurídica no regime do SIMPLES por desrespeito ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, se as provas coligidas não demonstram que fiscalizada prestou os serviços constante da acusação, que se baseara apenas na previsão do contrato social. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento Rodrigo Costa Pôssas Presidente em exercício. Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Adriana Gomes Rêgo. Relatório Tratase de Recurso Especial (fls. 231/239) interposto em face do acórdão nº 310200281 (efls. 225/228) da 1ª Turma/2ª Seção/3ª Câmara, assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 19 66 /2 00 3- 37 Fl. 262DF CARF MF Processo nº 10845.001966/200337 Acórdão n.º 9101003.266 CSRFT1 Fl. 263 2 “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES. INCLUSÃO. OFICINA MECÂNICA. Não há vedação à opção de firma individual que atue como oficina mecânica à sistemática de tributação do Simples. SIMPLES. INCLUSÃO. OBJETO MÚLTIPLO. Quando há mais de uma atividade econômica ou profissional inclusa no objeto social do contribuinte, cabe ao Fisco a prova de que este efetivamente praticou alguma atividade vedada à opção da sistemática de tributação do SIMPLES, sendo impossível exigir prova negativa do contribuinte.” Por determinação da Turma recorrida, realizouse diligência fiscal no curso da qual pôdese coletar os documentos de efls. 209/222 e efetivar a vistoria descrita em relatório de efls. 223/224, nos seguintes termos: " [...] 3. O contribuinte não possui empregados contratados. 4. O contribuinte firmou contrato de prestação de serviços com a empresa Transbrasa Transitaria Brasileira Ltda., CNPJ 45.557.022/000195, situada na Rua Joaquim Távora n" 500, bairro Marapé, SantosSP, com vistas ao gerenciamento do setor de manutenção de veículos e equipamentos da Transbrasa, nas dependências da contratante ou eventualmente fora dela. 5. Em oficina mecânica localizada dentro das dependências da contratante, executa serviços de assistência técnica na manutenção da frota de veículos, de caráter preventivo e corretivo, na qual gerencia os setores de mecânica, elétrica, funilaria, pintura, borracharia, inspeção de equipamento, lavagem e lubrificação, almoxarifado e compras. Dispõe de ferramentais de manutenção, tais como: furadeira de bancada, bancada de serviços com morsa, máquina de solda (eletrodo), aparelho de oxigênio/acetileno, lava jato para limpeza de peças e veículos, aparelho de carga de baterias, compressor de ar, esmeril de bancada e ferramentas manuais de uso geral na manutenção de veículos. 6. Em visita às instalações do contribuinte na Transbrasa, realizei as fotos da referida oficina de fls. 204/208, bem como recebi do contribuinte o contrato de prestação de serviços de fls. 209/211 e amostra do documento "requisição de serviços de manutenção ", no qual se verifica alguns dos serviços executados e materiais aplicados em veículos (fls. 212/215)." De acordo com o voto condutor, restou comprovado, mediante a juntada de notas fiscais de serviços sequenciais emitidas entre 1999 e 2006, que o recorrido não desenvolveu a atividade negada pela norma do Simples (engenharia), pois se tratava de simples oficina mecânica. Além disso, ressaltouse que o processo não cuida de exclusão do regime do Simples, mas da inclusão nessa sistemática de tributação a partir de 1999. O processo foi encaminhado à PGFN em 13/11/2009 (RM de encaminhamento de efl. 230). De acordo com o disposto no artigo 79, do Anexo II, do Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10845.001966/200337 Acórdão n.º 9101003.266 CSRFT1 Fl. 264 3 RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com a redação da Portaria MF nº 39/2016, a intimação pessoal do procurador da Fazenda Nacional ocorreu em 16/12/2009 (efl. 229). Recurso Especial da PGFN (efls. 231/239) interposto no dia 17/12/2009 (e fl. 231). Nessa oportunidade, a recorrente aduz que o contrato social da recorrida prevê a realização de atividade econômica assemelhada à de engenharia e, como tal, é vedada pela Lei do Simples. Nesse ponto, sustenta que a diligência fiscal não assegura que, futuramente, a pessoa jurídica não venha a desenvolver a atividade impeditiva à opção pelo SIMPLES e, mesmo assim, permanecer nessa modalidade. Para demonstrar a divergência, a recorrente apresenta os seguintes acórdãos ofertados como paradigmas: "SIMPLES. EXCLUSÃO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE IMPEDITIVA. A lei veda a opção pelo SIMPLES por pessoa jurídica que exerça atividade de engenheiro ou a este assemelhado. (Acórdão nº 30132268, 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes) "PROVAS. O recurso deve vir acompanhado das provas ou da solicitação daquelas que se pretende produzir. A recorrente não atendeu à intimação visando à produção de provas. Apresentou argumentos em sede de recurso desacompanhados dos meios de prova. EXCLUSÃO. SIMPLES. Cabível a exclusão da sistemática do SIMPLES quando consta do contrato social que a pessoa jurídica exerce atividades vedadas pela Lei n.º 9.317/2006." (Acórdão 30134340, 1ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes) A recorrente alega haver interpretação divergente conferida por outro colegiado à lei tributária, quando este anuncia, no acórdão nº 30133349, que bastaria constar, no objeto social, atividade vedada para levar à exclusão do regime simplificado, "pois se não poderia ter optado pelo Simples, e sequer ter sido cadastrada como optante, presente situação de exclusão, ainda que formal, cabe a exclusão da sistemática do Simples". Cabe assinalar que o Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial menciona que o voto do relator do acórdão recorrido concluiu que, apesar de constar no contrato social do recorrido a possibilidade de exercício de atividade vedada, não restou comprovada a efetiva prestação destes serviços pela Fiscalização. Já os acórdãos ofertados como paradigma caminham em sentido inverso, isto é, o objeto social da pessoa jurídica de qualquer das atividades vedadas pela Lei 9.317/96 é o suficiente para excluíla do Simples, mormente quando o contribuinte, sobre o qual recai o ônus da prova, não logrou comprovar que não exerce efetivamente a atividade impedida. Contrarrazões às efls. 250/256. É o relatório. Voto Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10845.001966/200337 Acórdão n.º 9101003.266 CSRFT1 Fl. 265 4 Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. O presente Recurso Especial é tempestivo. De início, cabe destacar que o recorrido peticionou à autoridade local com a pretensão de ser incluído no regime do Simples. Reparese, nessa linha, que o relator do acórdão recorrido encerrou seu voto com provimento ao recurso voluntário para "reconhecer o direito do contribuinte a sua inclusão na sistemática de tributação do Simples, por não ser oficina mecânica atividade vedada a esta opção", já que "não houve prova do efetivo exercício de atividade vedada", não obstante o objeto social múltiplo. Por outro lado, os acórdãos ofertados com paradigmas retratam casos de exclusão do Simples. A despeito das características factuais que bem distinguem exclusão e inclusão, é inquestionável que o essencial à demonstração da similitude fática, observando o que o acórdão recorrido e os acórdãos ofertados como paradigmas têm em comum, está na existência de atividade vedada constante do contrato social, que propõe objeto social múltiplo. Portanto, não há dúvida sobre a similitude fática. No que tange à disposição legal interpretada, também é irretorquível que os acórdãos que se põem em colisão divergem sobre o conteúdo normativo que irrompe do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, já revogada. A divergência em lume decorre do fato de que tal dispositivo de imediato proibia a opção pelo Simples, isto é, a inclusão no aludido regime por parte de pessoa jurídica que prestasse certos serviços. Porém, os artigos 13, inciso II, "a", e 14, inciso I, todos da referida Lei nº 9.317/1966, fixavam regras que determinavam a exclusão do citado regime, caso a pessoa jurídica viesse a prestar os serviços componentes do rol do inciso XIII do artigo 9º da mesma Lei. Por conseguinte, o que se vê, quando contrapostos os acórdãos recorrido e os ofertados como paradigma, é o claro dissenso interpretativo em relação ao inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Presentes, pois, os requisitos acima comentados, conheço do Recurso Especial, que visa à fixação do conteúdo normativo deflagrado pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, cuja redação é a seguinte: "Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000)." Consoante o acórdão recorrido, as provas documentais acostadas aos autos patenteiam que "o contribuinte comprovou, através (sic) da juntada de cópia de notas fiscais de serviço seqüenciais desde 1999 até 2006, sua atividade, reafirmando que não exerce qualquer atividade negada, o que foi confirmado pela diligência realizada". Logo, pelo prisma do Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10845.001966/200337 Acórdão n.º 9101003.266 CSRFT1 Fl. 266 5 acórdão recorrido, a vedação à opção pelo Simples só poderia incidir, a teor da norma legal em referência, sobre a pessoa jurídica que efetivamente prestasse serviços constantes da relação inscrita no texto que a veiculava. Por essa óptica, o objeto social consignado no contrato social, por si só, é insuficiente para atrair a restrição do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Como já adiantado, aqui está o centro da discórdia, postos os acórdãos recorrido e paradigmas face a face, uma vez que estes últimos revelam que o exame do contrato social é o bastante ao julgador, liberado, imerso em tal cenário, do encargo de cientificarse da atividade concretamente exercida. A Fazenda Nacional não tem razão. É certo, pois, que o serviço prestado em dissonância com o artigo 9º da antedita Lei implica vedação ao ingresso no regime do Simples. Entretanto, o recorrido ponderou (efl. 254) que somente "presta serviços de manutenção e reparo de veículos, e não a montagem e manutenção de equipamentos industriais, ou de quaisquer das atividades vedadas pelo artigo 9º da Lei nº 9,317/1996." Por sua vez, no laudo de vistoria realizada em diligência fiscal consta que o recorrido, "em oficina mecânica localizada dentro das dependências da contratante, executa serviços de assistência técnica na manutenção da frota de veículos, de caráter preventivo e corretivo, na qual gerencia os setores de mecânica, elétrica, funilaria, pintura, borracharia, inspeção de equipamento, lavagem e lubrificação, almoxarifado e compras. Dispõe de ferramentais de manutenção, tais como: furadeira de bancada, bancada de serviços com morsa, máquina de solda (eletrodo), aparelho de oxigênio/acetileno, lava jato para limpeza de peças e veículos, aparelho de carga de baterias, compressor de ar, esmeril de bancada e ferramentas manuais de uso geral na manutenção de veículos." O cerne da questão se situa no verbo "prestar" ao qual se associa o objeto "serviços profissionais", ambos inscritos no tipo legal do inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. Diante disso, é lícito concluir que a efetiva prestação de serviço fixado no texto desse dispositivo legal é determinante da vedação à opção pelo regime do Simples. No entanto, as provas já coligidas demonstram que o recorrido não se subsome à regra que proíbe o ingresso, pelo simples fato de não ter prestado os serviços que se amoldavam a tal previsão normativa, motivo por que se deve negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10845.001966/200337 Acórdão n.º 9101003.266 CSRFT1 Fl. 267 6 Fl. 267DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000364/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3402-001.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire Presidente
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo.
RELATÓRIO
Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos:
Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão DRF Limeira, que, ao examinar as compensações realizadas por Transportadora Simarelli Ltda., verificou a insuficiência dos créditos frente à totalidade dos débitos que a contribuinte tinha por compensados na DCTF. Diante dessa constatação, determinou a autoridade administrativa que fosse formalizado procedimento destinado à cobrança dos débitos remanescentes, especificados nos quadros de fls. 231 a 233.
Não resignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 256 a 270), alegando que a Fazenda já havia decaído do direito de constituir os débitos que estavam sendo exigidos. Aduziu que, na hipótese de ser afastada a decadência, a pretensão do Fisco estaria extinta por prescrição. Afirmou, por outro lado, ofensa ao direito de defesa, tendo em vista a exigibilidade imediata dos débitos, sem observar a suspensão a que se refere o §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996.
Quanto à compensação, em si, sustentou que a autoridade administrativa desobedeceu à determinação judicial relativa às regras de atualização do crédito. Disse ainda que houve erro na sua apuração. Por último, assinalou que o direito creditório engloba pagamentos desde janeiro de 1990, rechaçando a aplicação da norma introduzida pela Lei Complementar nº 118/2005.
No despacho decisório de fls. 409 a 433, o Chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário Secat da DRF Limeira contestou os argumentos da impugnante e ressaltou a validade e o acerto do despacho decisório.
Tendo sido intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 448 a 475), reiterando, no geral, os mesmos argumentos já expostos na manifestação anterior. Arguiu a invalidade do segundo despacho decisório.
Contra a exigência dos débitos insistiu na tese da decadência e da prescrição. Afirmou ter havido erro no cálculo da correção monetária, além de erro na apuração do crédito, em cujo montante alguns pagamentos não teriam sido considerados. Por fim, questionou a utilização do critério introduzido pela Lei Complementar nº 118/2005 em detrimento da chamada tese dos cinco mais cinco, adotada pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ.
Com esses fundamentos, pugnou pela homologação das compensações e a extinção dos débitos compensados.
Ato contínuo, a DRJ-CAMPO GRANDE (MS) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos:
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 Procedimento de Compensação. Exame pela DRJ. Existência e Valor do Crédito.
Nos procedimentos de compensação, o exame pela DRJ cinge-se à verificação da existência e do valor da crédito, não cabendo a análise do débito que é confessado pelo próprio contribuinte.
Compensação. Exame de Prescrição e Decadência. Não Cabimento.
Nos procedimentos de compensação não se examinam prescrição, nem decadência dos débitos declarados pelo contribuinte.
Compensação. Homologação Tácita. Lei nº 9.430/1996.
A figura da homologação tácita é inerente às compensações realizadas na forma da Lei nº 9.430/1996, não se aplicando a compensações feitas diretamente em DCTF por força de liminar concedida em ação judicial.
Correção Monetária. Alegação de Erro. Demonstração.
Ao contribuinte que alega a existência de erro na aplicação de índices de correção monetária cabe demonstrar a existência do fato.
Prescrição do Direito Creditório. Critério Definido em Decisão Judicial.
Quando o direito à compensação é reconhecido por decisão judicial, prevalece, para fins de prescrição, o critério fixado na decisão, ainda que menos favorável ao contribuinte.
Manifestação de Inconformidade Improcedente.
Direito Tributário Não Reconhecido.
Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão.
A Recorrente em seu Recurso Voluntário repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Manifestação de Inconformidade quanto ao seu direito creditório e informou que, após o acórdão da DRJ, obteve provimento jurisdicional transitado em julgado para considerar o prazo de prescrição da repetição do indébito de PIS decendial (5+5).
É o relatório.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta Câmara-Terceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão DRF Limeira, que, ao examinar as compensações realizadas por Transportadora Simarelli Ltda., verificou a insuficiência dos créditos frente à totalidade dos débitos que a contribuinte tinha por compensados na DCTF. Diante dessa constatação, determinou a autoridade administrativa que fosse formalizado procedimento destinado à cobrança dos débitos remanescentes, especificados nos quadros de fls. 231 a 233. Não resignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 256 a 270), alegando que a Fazenda já havia decaído do direito de constituir os débitos que estavam sendo exigidos. Aduziu que, na hipótese de ser afastada a decadência, a pretensão do Fisco estaria extinta por prescrição. Afirmou, por outro lado, ofensa ao direito de defesa, tendo em vista a exigibilidade imediata dos débitos, sem observar a suspensão a que se refere o §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Quanto à compensação, em si, sustentou que a autoridade administrativa desobedeceu à determinação judicial relativa às regras de atualização do crédito. Disse ainda que houve erro na sua apuração. Por último, assinalou que o direito creditório engloba pagamentos desde janeiro de 1990, rechaçando a aplicação da norma introduzida pela Lei Complementar nº 118/2005. No despacho decisório de fls. 409 a 433, o Chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário Secat da DRF Limeira contestou os argumentos da impugnante e ressaltou a validade e o acerto do despacho decisório. Tendo sido intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 448 a 475), reiterando, no geral, os mesmos argumentos já expostos na manifestação anterior. Arguiu a invalidade do segundo despacho decisório. Contra a exigência dos débitos insistiu na tese da decadência e da prescrição. Afirmou ter havido erro no cálculo da correção monetária, além de erro na apuração do crédito, em cujo montante alguns pagamentos não teriam sido considerados. Por fim, questionou a utilização do critério introduzido pela Lei Complementar nº 118/2005 em detrimento da chamada tese dos cinco mais cinco, adotada pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ. Com esses fundamentos, pugnou pela homologação das compensações e a extinção dos débitos compensados. Ato contínuo, a DRJ-CAMPO GRANDE (MS) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 Procedimento de Compensação. Exame pela DRJ. Existência e Valor do Crédito. Nos procedimentos de compensação, o exame pela DRJ cinge-se à verificação da existência e do valor da crédito, não cabendo a análise do débito que é confessado pelo próprio contribuinte. Compensação. Exame de Prescrição e Decadência. Não Cabimento. Nos procedimentos de compensação não se examinam prescrição, nem decadência dos débitos declarados pelo contribuinte. Compensação. Homologação Tácita. Lei nº 9.430/1996. A figura da homologação tácita é inerente às compensações realizadas na forma da Lei nº 9.430/1996, não se aplicando a compensações feitas diretamente em DCTF por força de liminar concedida em ação judicial. Correção Monetária. Alegação de Erro. Demonstração. Ao contribuinte que alega a existência de erro na aplicação de índices de correção monetária cabe demonstrar a existência do fato. Prescrição do Direito Creditório. Critério Definido em Decisão Judicial. Quando o direito à compensação é reconhecido por decisão judicial, prevalece, para fins de prescrição, o critério fixado na decisão, ainda que menos favorável ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Tributário Não Reconhecido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Recorrente em seu Recurso Voluntário repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Manifestação de Inconformidade quanto ao seu direito creditório e informou que, após o acórdão da DRJ, obteve provimento jurisdicional transitado em julgado para considerar o prazo de prescrição da repetição do indébito de PIS decendial (5+5). É o relatório.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Segunda Turma da Quarta CâmaraTerceira Seção do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire (presidente da turma), Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Thais de Laurentiis Galkowicz, Diego Diniz Ribeiro e Pedro Sousa Bispo. RELATÓRIO Por bem relatar os fatos, adoto o Relatório da decisão recorrida com os devidos acréscimos: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão DRF Limeira, que, ao examinar as compensações realizadas por Transportadora Simarelli Ltda., verificou a insuficiência dos créditos frente à totalidade dos débitos que a contribuinte tinha por compensados na DCTF. Diante dessa constatação, determinou a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 00 36 4/ 20 09 -1 0 Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10865.000364/200910 Resolução nº 3402001.177 S3C4T2 Fl. 742 2 autoridade administrativa que fosse formalizado procedimento destinado à cobrança dos débitos remanescentes, especificados nos quadros de fls. 231 a 233. Não resignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 256 a 270), alegando que a Fazenda já havia decaído do direito de constituir os débitos que estavam sendo exigidos. Aduziu que, na hipótese de ser afastada a decadência, a pretensão do Fisco estaria extinta por prescrição. Afirmou, por outro lado, ofensa ao direito de defesa, tendo em vista a exigibilidade imediata dos débitos, sem observar a suspensão a que se refere o §9º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Quanto à compensação, em si, sustentou que a autoridade administrativa desobedeceu à determinação judicial relativa às regras de atualização do crédito. Disse ainda que houve erro na sua apuração. Por último, assinalou que o direito creditório engloba pagamentos desde janeiro de 1990, rechaçando a aplicação da norma introduzida pela Lei Complementar nº 118/2005. No despacho decisório de fls. 409 a 433, o Chefe do Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – Secat da DRF Limeira contestou os argumentos da impugnante e ressaltou a validade e o acerto do despacho decisório. Tendo sido intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 448 a 475), reiterando, no geral, os mesmos argumentos já expostos na manifestação anterior. Arguiu a invalidade do segundo despacho decisório. Contra a exigência dos débitos insistiu na tese da decadência e da prescrição. Afirmou ter havido erro no cálculo da correção monetária, além de erro na apuração do crédito, em cujo montante alguns pagamentos não teriam sido considerados. Por fim, questionou a utilização do critério introduzido pela Lei Complementar nº 118/2005 em detrimento da chamada “tese dos cinco mais cinco”, adotada pelo Superior Tribunal de Justiça STJ. Com esses fundamentos, pugnou pela homologação das compensações e a extinção dos débitos compensados. Ato contínuo, a DRJCAMPO GRANDE (MS) julgou a manifestação de inconformidade do contribuinte nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1990, 1991, 1992, 1993, 1994, 1995 Procedimento de Compensação. Exame pela DRJ. Existência e Valor do Crédito. Nos procedimentos de compensação, o exame pela DRJ cingese à verificação da existência e do valor da crédito, não cabendo a análise do débito que é confessado pelo próprio contribuinte. Compensação. Exame de Prescrição e Decadência. Não Cabimento. Nos procedimentos de compensação não se examinam prescrição, nem decadência dos débitos declarados pelo contribuinte. Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10865.000364/200910 Resolução nº 3402001.177 S3C4T2 Fl. 743 3 Compensação. Homologação Tácita. Lei nº 9.430/1996. A figura da homologação tácita é inerente às compensações realizadas na forma da Lei nº 9.430/1996, não se aplicando a compensações feitas diretamente em DCTF por força de liminar concedida em ação judicial. Correção Monetária. Alegação de Erro. Demonstração. Ao contribuinte que alega a existência de erro na aplicação de índices de correção monetária cabe demonstrar a existência do fato. Prescrição do Direito Creditório. Critério Definido em Decisão Judicial. Quando o direito à compensação é reconhecido por decisão judicial, prevalece, para fins de prescrição, o critério fixado na decisão, ainda que menos favorável ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Tributário Não Reconhecido. Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. A Recorrente em seu Recurso Voluntário repisou os mesmos argumentos utilizados na sua Manifestação de Inconformidade quanto ao seu direito creditório e informou que, após o acórdão da DRJ, obteve provimento jurisdicional transitado em julgado para considerar o prazo de prescrição da repetição do indébito de PIS decendial (5+5). É o relatório. VOTO Noticiase no Recurso ora analisado que houve a alteração da decisão judicial que fundamentou os pedidos de compensação e o superveniente trânsito em julgado da ação. Conforme aduz a Recorente, a Turma do TRF 3ª Região em procedimento de revisão da Turma Julgadora, nos termos do art.543C, §7º, II, do CPC, por conta de orientação sedimentada pelo C. Superior Tribunal de Justiça, procedeu a retratação da sua decisão, que adequou o acórdão anteriormente proferido para reconhecer o cabimento do pleito de restituição visando recuperar os montantes indevidamente recolhidos no prazo de dez anos contados do ajuizamento da demanda (tese do 5+5). Posteriormente, em 30/09/2013, foi certificado o trânsito em julgado do acórdão que reconheceu, definitivamente, além do prazo decendial citado, os seguintes itens: I) o direito da Recorrente de não se submeter à exigência da Contribuição ao PIS nos termos trazidos pelos Decretoslei nº2.445/88 e 2.449/89; II) o seu direito de aproveitar os montantes indevidamente recolhidos mediante compensação, nos termos da Lei nº9.430/96 e alterações; e III) bem assim, que ao indébito é aplicável correção monetária, na forma da Resolução 561 do CJF, além da SELIC a partir de 01/1996. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10865.000364/200910 Resolução nº 3402001.177 S3C4T2 Fl. 744 4 Pelo exposto, constatase que sobreveio fato novo após o acórdão da DRJ com o trânsito em julgado da ação que estabilizou definitivamente a situação para determinar a ampliação do prazo do indébito de cinco para dez anos e a aplicação da correção monetária na forma na Resolução 561 do CJF, além da SELIC a partir de 01/1996. Assim, com fundamento no §4º, b do art. 16, do Dec. nº 70.235/72, entendo que antes de proferir decisão de mérito, necessitase que a unidade preparadora adeque os cálculos da compensação aos termos da decisão judicial transitada em julgado em epígrafe e preste os esclarecimentos solicitados. Diante do exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Autoridade Tributária realize os procedimentos a seguir: a) refazer os demonstrativos de cálculos referentes ao quantum a repetir e compensações, considerando que o prazo do indébito foi alterado de cinco para dez anos, nos termos da decisão judicial transitada em julgado; b) aplicar a correção na forma da Resolução 561 do CJF, além da SELIC a partir de 01/1996, nos termos da decisão judicial; c) informar se todos os pagamentos comprovados por DARF abrangidos pela decisão judicial constante do processo foram utilizados no encontro de contas. No caso de algum pagamento não tiver sido utilizado, indicálos e informar por qual motivo não houve a utilização; e d) elaborar relatório fiscal conclusivo detalhando os procedimentos realizados, anexar todos os documentos gerados na diligência e facultar à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto. Assinatura Digital Pedro Sousa Bispo Relator Fl. 748DF CARF MF
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