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Numero do processo: 10680.904635/2016-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.524
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 35 /2 01 6- 03 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904635/201603 Acórdão n.º 3201003.524 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.501, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.904635/201603 Acórdão n.º 3201003.524 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917748/2011-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-000.544
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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PIS/COFINS. Recorrente Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A Recorrida Fazenda Nacional Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Valcir Gassen, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado), Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. A DRF, no despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para restituição ou compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, o Pedido de Restituição foi indeferido e a compensação declarada não foi homologada, conforme o caso. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, aduzindo que o crédito apurado é legítimo em virtude do reconhecimento de inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Logo, a base de cálculo do PIS e da COFINS é o faturamento, assim entendido como a totalidade das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, excluindo "outras receitas". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .9 17 74 8/ 20 11 -9 5 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10830.917748/201195 Resolução nº 3301000.544 S3C3T1 Fl. 3 2 A 2ª Turma da DRJ/BHE indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02054.428. A negativa do reconhecimento do crédito pela DRJ se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da ausência de DCTF retificadora e outros documentos que comprovassem as alegações da Recorrente. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF; · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas extraordinárias; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento; · Anexou planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre “outras receitas” (inclusive as receitas financeiras), DCTF, DIPJ e cópia de parte do livro razão analítico. · Ao fazer a juntada do seu livro razão, entende ser suficiente para conferência e comprovação do recolhimento indevido sobre “outras receitas”. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3301000.538, de 19 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.904018/201124, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução 3301000.538): "O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Resta pacificado no STF o entendimento sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10830.917748/201195 Resolução nº 3301000.544 S3C3T1 Fl. 4 3 Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico das operações empresariais típicas, que constitui a base de cálculo do PIS. O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Em decorrência, apenas o faturamento decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias (não se podendo incluir outras receitas, tais como aquelas de natureza financeira) pode ser tributado pelo PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Com isso, é obrigatória a observância da decisão proferida no RE nº 585.235/MG, nos termos do RICARF. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10830.917748/201195 Resolução nº 3301000.544 S3C3T1 Fl. 5 4 Todavia, a Recorrente juntou documentos apenas em seu Recurso Voluntário DCTF, DIPJ e livro razão , justificando: Diante da plausibilidade da alegação da Recorrente, entendo necessária a conversão em diligência deste processo para a confirmação da tributação indevida pelo PIS sobre outras receitas (inclusive as financeiras). Por conseguinte, voto pela conversão do julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. É como voto." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que seja solicitado à unidade de origem que: a) Examine a documentação juntada pela Recorrente: DCTF, DIPJ, livro razão, planilha e guia de pagamento; Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10830.917748/201195 Resolução nº 3301000.544 S3C3T1 Fl. 6 5 b) Verifique, com base nessa documentação, se houve a indevida inclusão das receitas nãooperacionais e receitas financeiras (chamadas pela empresa de “receitas extraordinárias”), na base de cálculo do PIS/COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; c) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; d) Intime o sujeito passivo para prestar outros esclarecimentos que entender necessários; e) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe prazo para manifestação; f) Por fim, retorne o processo ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.002492/2003-35
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do Fato Gerador: 01/01/2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso na matéria inovada.
SIMPLES. CONDIÇÃO VEDADA. EXCLUSÃO.
Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples quando a fiscalização verificar que a empresa contribuinte se enquadra em uma das condições vedadas de que trata o artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, devendo os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal observar o disposto na legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado
Sem crédito em Litígio
Numero da decisão: 1002-000.200
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de que a validade dos efeitos jurídicos do ato de exclusão deveria se iniciar apenas a partir de 02 de agosto de 2006, com fundamento no princípio da irretroatividade da lei tributária e, no mérito, por unanimidade, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do Fato Gerador: 01/01/2002 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificando-se a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso na matéria inovada. SIMPLES. CONDIÇÃO VEDADA. EXCLUSÃO. Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples quando a fiscalização verificar que a empresa contribuinte se enquadra em uma das condições vedadas de que trata o artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, devendo os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal observar o disposto na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio
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PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO CONSTANTE NA IMPUGNAÇÃO QUE INSTAUROU O LITÍGIO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose preclusa a matéria que não tenha sido diretamente indicada ao debate. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria nova não apresentada por ocasião da impugnação ou manifestação de inconformidade. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada em impugnação, verificandose a preclusão consumativa em relação ao tema. Impossibilidade de apreciação da temática, inclusive para preservar as instâncias do processo administrativo fiscal. Não conhecimento do recurso na matéria inovada. SIMPLES. CONDIÇÃO VEDADA. EXCLUSÃO. Consoante o que dispõe a legislação, é cabível a exclusão das pessoas jurídicas do Simples quando a fiscalização verificar que a empresa contribuinte se enquadra em uma das condições vedadas de que trata o artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, devendo os efeitos do ato de exclusão do Simples Federal observar o disposto na legislação de regência. Recurso Voluntário Negado Sem crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 24 92 /2 00 3- 35 Fl. 115DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de que a validade dos efeitos jurídicos do ato de exclusão deveria se iniciar apenas a partir de 02 de agosto de 2006, com fundamento no princípio da irretroatividade da lei tributária e, no mérito, por unanimidade, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 102/111) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância, datada de 25 de setembro de 2007, consubstanciada no Acórdão n.º 0215.830 (efls. 79/83), da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/MG (DRJ/BHE), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 16/17), que pretendia desconstituir o Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/FNS nº 69, de 14 de outubro de 2004 (efl. 15), que exclui a contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), Simples Federal, com fulcro no artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996, em razão de auferir receita de comissões e corretagens decorrentes de exercício de representação comercial, surtindo a exclusão efeitos a partir de 1º de janeiro de 2002, conforme inciso II do parágrafo único do artigo 24, da IN nº 355, de 29 de agosto de 2003, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE • IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003 VEDAÇÕES À OPÇÃO Não poderá optar pelo Simples a pessoa jurídica que se dedique ao agenciamento de cargas, por constituir atividade assemelhada à de representante comercial. Solicitação indeferida. Na manifestação de inconformidade (efls. 16/17), a contribuinte defendeu nunca ter recebido pagamento por meio de comissão ou corretagem, informando tratarse de empresa que trabalha com a comercialização de fretes, prestando contas às Companhias Aéreas, ocasião em que "paga a matéria prima (o frete) comercializada" e retém "a diferença", Fl. 116DF CARF MF Processo nº 11516.002492/200335 Acórdão n.º 1002000.200 S1C0T2 Fl. 116 3 sendo esta a sua fonte de receita. Afirma que a documentação utilizada pela fiscalização foi garimpada em arquivo morto, já que, a partir de 2001, descontinuou sua atividade de agenciamento de carga e que, no início de 2004, passou a atender exclusivamente aos correios, mediante contratos de prestação de serviço de transporte de malotes postais. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ/BHE (efls. 79/83), tendo ponderado que a "A interessada descreve sua atividade, em essência, como a aquisição e revenda de fretes e, com base neste argumento, nega exercer tarefas próprias de um representante comercial. À guisa de exemplo da natureza de suas atividades, apresenta dois 'Acordos Comerciais' pactuados por ela e VARIG S.A. (fls. 56 a 60)". Ao final, a DRJ/BHE concluiu que da "leitura destes Acordos, não se depreende — malgrado o emprego da palavra comercialização — que a interessada adquirisse um bem econômico (no caso, um dado valor em fretes) – de um fornecedor (ou seja, uma companhia aérea) e assumisse o risco de revendêlo a seus próprios clientes. Muito ao contrário, o que emerge dos instrumentos de fls. 56 a 60 é uma relação de prestação de serviços, salientada pelo compromisso assumido pela interessada em atingir uma determinada meta, a qual foi estabelecida não pela própria interessada, mas pela transportadora à qual a interessada deve prestar contas (vejase item 2.0 do 'Acordo' acima). Reforça este entendimento o fato de a interessada, em suas próprias palavras, prestar periodicamente contas às companhias aéreas de suas atividades. Por fim, aponta na mesma direção o fato de VARIG S.A. haverlhe feito pagamentos com retenção de IRRF. Assim sendo, verificase que a interessada opera de modo similar ao de um representante comercial das companhias aéreas; logo, sua participação do Simples é vedada pela legislação de regência". O recurso voluntário (efls. 102/111), inconformado com a decisão a quo, reiterou os termos e fundamentos presentes na impugnação, acrescentando que a validade do ato administrativo da exclusão do Simples deve se dar a partir da intimação da contribuinte, ou seja, 02 de agosto de 2006; que impera o princípio da irretroatividade da lei em relação aos efeitos jurídico do ADE. Requereu, ao final, o cancelamento da ADE para reenquadramento da recorrente no Simples; alternativamente, que a validade da exclusão se dê a partir de 02 de agosto de 2006. Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário apresentase tempestivo (ciência do acórdão em 13/11/2007, efl. 85, e protocolo do recurso em 12/12/2007, efl. 102), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Isto porque cuida os autos de exclusão do Simples Fl. 117DF CARF MF 4 desvinculada de exigência de crédito tributário, a indicar a aplicação do art. 23B, inciso I, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. No entanto, o recurso não atende a todos os pressupostos de admissibilidade intrínsecos. O recurso é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade, inexiste fato impeditivo ou modificativo do poder de recorrer, mas, em contra fluxo, existe fato extintivo do poder de recorrer relativo a preclusão consumativa que se operou quanto a matéria não apresentada em impugnação e discutida unicamente no recurso voluntário, a saber, a validade dos efeitos jurídicos do ato de exclusão iniciando apenas a partir de 02 de agosto de 2006, com fundamento no princípio da irretroatividade da lei tributária. A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n.º 70.235, de 1972, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Desta forma, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto n.º 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou a impugnação, contendo as matérias que delimitam expressamente os limites da lide, sendo elas submetidas à primeira instância para apreciação e decisão, tornando possível a veiculação de recurso voluntário em caso de inconformismo, não se admitindo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial", de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Se não foi impugnada ocorreu a preclusão consumativa, Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11516.002492/200335 Acórdão n.º 1002000.200 S1C0T2 Fl. 117 5 tornando inviável aventála em sede de recurso voluntário como uma inovação. O CARF não pode apreciar matéria não deliberada pela DRJ, caso contrário, estarseia, inclusive, diante de uma evidente supressão de instância. Nesse sentido, o Egrégio CARF tem decidido por não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, a teor dos Acórdãos ns.º 9303004.566 (3.ª Turma/CSRF), bem como precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária da Primeira Seção de Julgamentos a exemplo dos Acórdãos ns.º 1002000.101, 1002000.102, 1002000.103, 1002000.084, 1002.000.136 e 1002.000.137. Por consequente, não conheço o recurso neste ponto, que diz respeito da limitação da validade do ADE à data de 02 de agosto de 2006, com fundamento no princípio da irretroatividade da lei tributária. No mérito, entendo que não assiste razão a recorrente. Vejase. A contribuinte foi excluída do Simples Nacional em virtude de enquadrarse em condição vedada por auferir receita de comissões e corretagens decorrentes de exercício de representação comercial, nos termos do artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Em seu recurso, argumenta que não afere receita a título de comissão ou corretagem, pois, segundo entende, realiza comercialização de serviço de frete, ofertandoo à preço de mercado, para, depois, em prestação de contas com as Companhias aéreas contratantes, pagar o valor do produto adquirido (o frete), retendo a diferença a título de receita ou lucro. Finaliza afirmando que afere receita pelo cumprimento de metas e não através de comissões. Da análise dos fólios eletrônicos deste eprocesso, constato que a exclusão da contribuinte do Simples teve por origem representação formalizada em desfavor da contribuinte (efl. 12) no qual a DRF – Florianópolis constatou, ao analisar um pedido de restituição relativo a IRRF feito pela própria contribuinte, que esta aferia rendimentos a partir de comissões, incorrendo na vedação prevista no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317/1996. De fato, da leitura do Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte – Pessoa Jurídica (efl. 6), constato que a contribuinte foi beneficiária de rendimentos totais no valor de R$ 25.737,19 (vinte e cinco mil e setecentos e trinta e sete reais e dezenove centavos), pagos pela VARIG S.A., no anocalendário de 2001, declarandose a natureza do rendimento como comissões, sob o código 8045, a saber, "Comissões e Corretagens Pagas à Pessoa Jurídica", com retenção na fonte de R$ 276,80 (duzentos e setenta e seis reais e oitenta centavos). No anocalendário de 2002, novamente, foi beneficiária de R$ 26.679,23 (vinte e seis mil e seiscentos e setenta e nove reais e vinte e três centavos), pagos pela VARIG LOGÍSTICA S.A., também a título de comissões (código 8045), com retenção na fonte de R$ 363,23 (trezentos e sessenta e três reais e vinte e três centavos) (efl. 11). Assim, mesmo a par dos argumentos apresentados pela recorrente, bem como dos documentos anexados à sua impugnação, não verifico como desconstituir a conclusão obtida pelo Juízo a quo no sentido de que, com efeito, a contribuinte não comercializava, em nome próprio, serviços (frete) adquiridos de terceiros, mas, Fl. 119DF CARF MF 6 efetivamente, vendia em nome de outrem referidos serviços, aferindo, como receita, um percentual aplicado sobre o valor total comercializado, o que se equipara a receita aferida a título de comissão ou corretagem, vedada para o fim de enquadramento no Simples. Ressalto que a contribuinte possui, desde 1995, quando constituída, como objeto social (efl. 20/51) o agenciamento de cargas e encomendas em geral e, segundo a doutrina civilista de Flávio Tartuce, ao tratar sobre os Contratos de Agência e Distribuição no seu Manual de Direito Civil, 7ª Edição, Saraiva, 2017, p. 549, "o agente ou distribuidor terá direito à remuneração correspondente aos negócios concluídos dentro de sua zona, ainda que sem a sua interferência. Essa remuneração, prevista no artigo 714 da codificação material, é denominada comissão". Logo, nessa esteira, é certo que a recorrente encontravase em situação vedada para permanência no Simples, nos termos do artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996. Logo, no momento em que a fiscalização constata que a contribuinte está enquadrada em uma das condições elencadas nos incisos do artigo 9º da Lei 9.317, de 1996, é consectário lógico da atividade fiscalizatória atentarse para a realidade concreta dos fatos, no dever que possui em sua atividade vinculada. Demais disto, a ninguém é permitido alegar o desconhecimento da lei, o descumprimento das condições para enquadramento no Simples enseja a exclusão de ofício, nos termos do artigo 14, inciso I, da Lei nº 9.317/1996. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, deixando de conhecer no que se refere a alegação de que a validade dos efeitos jurídicos do ato de exclusão deveria se iniciar apenas a partir de 02 de agosto de 2006, com fundamento no princípio da irretroatividade da lei tributária, e, quanto ao mérito, em lhe negar provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 120DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.900940/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-004.937
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Robson Jose Bayerl, Tiago Guerra Machado, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Lázaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 09 40 /2 00 8- 18 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13884.900940/200818 Acórdão n.º 3401004.937 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior. A DRF de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação, em razão da inexistência de crédito disponível. Cientificada desse despacho, a manifestante protocolou sua manifestação de inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, que: recolheu aos cofres públicos tributos superiores aos efetivamente devidos, pois não considerou os termos do parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/98, quando apurou as bases de cálculos das contribuições; o único fundamento para a glosa das compensações é uma pretensa inexistência de crédito; não foi sequer solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não o crédito; tivesse a autoridade intimado o contribuinte, teria acesso As planilhas de apuração, podendo verificar a regularidade do encontro de contas efetuado; pelas razões alegadas, deve ser anulado o despacho decisório, determinando que a autoridade efetue as diligências necessárias para comprovar a origem e existência do crédito utilizado, alternativamente, requer que seja logo homologada a compensação. Ao final pede deferimento da presente manifestação de inconformidade" . A Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Campinas (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 0530.599, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, sob o fundamento de que "os valores faturados, ainda que repassados a terceiros, compõem a base tributável da contribuição social, em face da inexistência de permissivo legal para sua exclusão". Devidamente notificada desta decisão, a recorrente interpôs tempestivamente o recurso voluntário ora em apreço, no qual reitera as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13884.900940/200818 Acórdão n.º 3401004.937 S3C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.923, de 21 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo 13884.900342/200831, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.923): "O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Reproduzse, abaixo, a decisão recorrida proferida pelo julgador de primeiro piso: Conforme relatado, a não homologação da DCOMP em tela decorreu do fato de estar o Darf informado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos da contribuinte. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejandoos com os demais por ela informados A. Receita Federal em outras declarações (DCTFs, DIPJ, etc), bem como com outras bases de dados desse órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de débito de Cofins da interessada. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13884.900940/200818 Acórdão n.º 3401004.937 S3C4T1 Fl. 5 4 Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito liquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Dai a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste voto, revelase procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela contribuinte Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Não obstante, agora, em sede de manifestação de inconformidade, pretende a contribuinte demonstrar que seus débitos de contribuição social antes declarados e pagos são indevidos, pois não havia considerado, quando da apuração da base de cálculos das contribuições, o disposto no parágrafo 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei n° 9.718/1998. Em termos legais, significa ver excluídos da receita bruta os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para terceiros, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo. Neste ponto, fazse necessário destacar que, por força de sua vinculação aos atos legais, assim como àqueles emanados por autoridades que lhe são hierarquicamente superiores, este colegiado está adstrito à interpretação que a própria administração pública dá legislação tributária. 110 A Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Ato Declaratório SRF n°56, de 20 de julho de 2000, já se posicionou a respeito da situação em exame: Ato Declaratório SRF n° 56, de 2000: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do art. 20 do art. 3° da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, condição resolutória para sua eficácia; Considerando que o referido dispositivo legal foi revogado pela alínea b do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.99118, de 9 de junho de 2000; Considerando, finalmente, que, durante sua vigência, o aludido dispositivo legal não foi regulamentado, não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de I° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13884.900940/200818 Acórdão n.º 3401004.937 S3C4T1 Fl. 6 5 tenha sido feita a titulo de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica" (destacouse). Esse entendimento torna sem força a argumentação alegada pela Contribuinte no sentido de que as provas dos alegados créditos, consistentes em planilhas de apuração da contribuição social, deveriam ser examinadas na busca da constatação da regularidade do encontro de contas, uma vez que o crédito calcado neste dispositivo é inexistente. Diante de tudo exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o disposto no despacho decisório da unidade de origem. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato",1 postura consentânea com o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal. 2 Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401 003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. 2 Lei nº 9.784/1999 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13884.900940/200818 Acórdão n.º 3401004.937 S3C4T1 Fl. 7 6 Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Acrescese a tal constatação o intento da contribuinte de ver compensado seu débito com crédito fundado em quaestio jurídica que busca inaugurar em fase de instauração de contencioso administrativo posterior à apresentação de sua declaração de compensação, com a apresentação de sua impugnação, sob o pálio do argumento de que devem ser expurgados da receita bruta, ainda que assim escriturados, os valores que tenham sido transferidos para terceiros, nos termos do § 2°, do inciso III, do artigo 3°, da Lei no 9.718/1998, argumento que se encontra em contrariedade com o preceptivo normativo do Ato Declaratório SRF n° 56, de 20/07/2000. Independentemente da discussão respeitante à matéria, no entanto, o que se constata é que a compensação tem por base direito creditório ilíquido e incerto, carente de prova de sua constituição definitiva, uma vez que a contribuinte somente poderia utilizar, na compensação de débitos próprios relativos a tributos administrados pela RFB, crédito passível de restituição ou de ressarcimento. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 66DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.723079/2013-01
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
Numero da decisão: 1001-000.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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PRAZO LEGAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência o prazo para apresentação de Recurso Voluntário. Não podendo se conhecer de recurso apresentado fora do prazo legalmente estipulado, sem justificativa válida. Recurso Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 30 79 /2 01 3- 01 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 18470.723079/201301 Acórdão n.º 1001000.448 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues, José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 63 a 67) interposto contra o Acórdão nº 0129.702, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 55 a 59), que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. INÍCIO DE ATIVIDADE. OPÇÃO. PRAZO. É incabível a inclusão no Simples Nacional desde a data de abertura constante do cadastro CNPJ, na condição de empresa em início de atividades, quando comprovado que a opção não foi efetuada de acordo com o previsto no artigo 7º, § 6º da Resolução CGSN nº 04/2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte acima identificada contra o Despacho Decisório da DRF/Rio de Janeiro II, de fls. 29, com ciência em 21/06/2013, AR de fls. 31, que indeferiu seu pedido de inclusão no Simples Nacional. Inconformada, em 05/07/2013, a interessada apresentou manifestação de inconformidade ao Despacho retro, fls. 33/35, alegando, em síntese, como razões: 1) Foi constituída em 15/12/2011, conforme Contrato Social arquivado na Junta Comercial em anexo. No entanto, sua última inscrição obtida, o Alvará Municipal, só foi expedido em 25/02/2013, devido aos trâmites internos da Prefeitura Municipal do Rio de Janeiro; 2) Cita jurisprudência administrativa; 3) Solicita sua inscrição no Simples Nacional, retroativa a data de sua constituição, ou seja, 25/03/2013, prazo este de 30 (trinta) dias após a saída da ultima inscrição obtida, Alvará Municipal, em 25/02/2012; 4) Informa que o sistema bloqueou sua inscrição com a data de abertura da empresa, tendo em vista já ter se passado seis meses da constituição da mesma." Fl. 71DF CARF MF Processo nº 18470.723079/201301 Acórdão n.º 1001000.448 S1C0T1 Fl. 4 3 O Contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância na data de 15/08/2014, conforme declarou no AR de fls. 61. Somente em data de 20/09/2014 (conforme carimbo de protocolo) protocolou o presente Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Conforme se abstrai do relatório, a ora Recorrente apresentou o presente Recurso Voluntário 04 dia após o termo final do prazo de 30 dias legalmente estabelecido pelo art. 33 do Decreto 70.235/72. Desta forma, não tendo a Recorrente apresentado qualquer argumento que justifique este atraso, não resta outra possibilidade que não reconhecimento da intempestividade do recurso. Diante disto, VOTO pelo NÃO CONHECIMENTO do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.017602/2010-67
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS AO FPAS E AO FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DE TRABALHO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DESTINADAS AO FPAS E AO FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS CONCEDIDOS EM RAZÃO DO GRAU DE INCIDÊNCIA DE INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DE RISCOS AMBIENTAIS DE TRABALHO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 76 02 /2 01 0- 67 Fl. 1197DF CARF MF 2 Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2301002.928 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em 10 de julho de 2012, no qual restou consignada a seguinte ementa, fls. 961: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 NULIDADE. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. DESPESAS DE VIAGEM. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. DIFERENÇA DE DISSÍDIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. APLICAÇÃO. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. MULTA DE MORA. OBSERVÂNCIA DA NORMA MAIS BENÉFICA. A autuação, na parte subsistente, não apresenta vícios em sua motivação jurídica, pois a legislação, que serviu de fundamento do ato administrativo, foi devidamente explicitada. Não integra o saláriodecontribuição a participação nos lucros ou resultados da empresa. Integram o saláriodecontribuição, com fundamento na Lei 8.212/91, as diárias de viagem que excedam a 50% da remuneração mensal. Os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Conforme consta do Relatório Fiscal, fls. 7 a 16, o auto de infração trata das contribuições devidas pelo sujeito passivo acima identificado à Seguridade Social, destinadas Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 10830.017602/201067 Acórdão n.º 9202006.673 CSRFT2 Fl. 3 3 ao Fundo de Previdência e Assistência Social FPAS e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais de trabalho RAT, arrecadadas pela Receita Federal do Brasil. Ainda consoante o relato da fiscalização, o crédito previdenciário lançado referese às contribuições sociais, a cargo do empregador, incidentes sobre parcelas pagas, devidas ou creditadas, a seus segurados empregados, não declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP), a título de remunerações especificadas em folhas de pagamento de salários e/ou lançamentos contábeis. Dentro do prazo regulamentar, a Contribuinte apresentou impugnação, fls. 427 a 444. Com a análise da impugnação apresentada, a Delegacia da Receita Previdenciária em Campinas/SP julgou procedente em parte o lançamento fiscal, com a seguinte conclusão, fls. 706 a 735: Ante o exposto, voto pela procedência parcial da impugnação, excluindo da autuação: as contribuições relativas às competências 01/2005 a 11/2005 por decurso do prazo decadencial; os levantamentos A4, A41, B11, D1, D11, G11, G2 e G21, relacionados a parcelas pagas em período não decadente consideradas isentas pela empresa, mas cuja natureza remuneratória não foi demonstrada pela Fiscalização; o levantamento E1, atinente às “despesas de viagem” pagas pela empresa como “diárias de viagem”, mantendo os segurados que perceberam a parcela em percentual superior a 50% de sua remuneração. Em decorrência da análise do Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte, foi dado provimento parcial ao recurso, nos termos abaixo transcritos, 961 a 972: 50. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para: a) decotar do lançamento os valores referentes às contribuições destinadas à participação nos lucros ou resultados; b) reduzir a multa aplicada conforme determina o artigo 35, da Lei n.º 8.212/91, nos termos da redação dada pela Lei 11.941/09, se mais benéfica ao contribuinte. Posteriormente, foi interposto Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, fls. 974 a 990, por entender a recorrente que o aresto merece reforma, visto que o acórdão recorrido diverge do paradigma, em síntese, no que diz respeito ao critério de comparação para fins de aferição da multa mais benéfica, em virtude das alterações dos dispositivos da Lei 8.212/91, que tratam dessa matéria, pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Fl. 1199DF CARF MF 4 Foi realizado exame de admissibilidade, fls. 1033 a 1038, sendo dado seguimento ao citado Recurso para a rediscussão da questão suscitada. No que se refere ao mérito, a Recorrente aduz, em síntese, que: a) o artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na nova redação conferida pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, não pode ser entendido de forma isolada do contexto legislativo no qual está inserido, sobretudo de forma totalmente dissociada das alterações introduzidas pela MP nº 449 à legislação previdenciária; b) impende considerar que a Lei nº 11.941, de 2009 (fruto da conversão da MP nº 449 de 2008), ao mesmo tempo em que alterou a redação do artigo 35, introduziu na Lei de Organização da Previdência Social o artigo 35A, a fim de instituir uma nova sistemática de constituição dos créditos tributários previdenciários e respectivos acréscimos legais de forma similar à sistemática aplicável para os demais tributos federais; c) verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido e não declarou no documento próprio (GFIP) todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, cumpre à fiscalização realizar o lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96; d) a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91 em sua redação antiga (revogada) está inserida em sistemática totalmente distinta da multa de mora prescrita no art. 61 da Lei nº 9.430/96. Logo, por esse motivo não se poderia aplicar à espécie o disposto no art. 106 do CTN, pois, para a interpretação e aplicação da retroatividade benigna, a comparação é feita em relação à mesma conduta infratora praticada, em relação à mesma penalidade; e) cumpre voltar a atenção para o disposto na Instrução Normativa RFB nº 971 de 13/11/2009, sobre as regras a serem observadas em razão do advento da MP nº 449/2008; f) NFLD em testilha deve ser mantida, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Por meio de contrarrazões, fls. 543 a 548, a Contribuinte se insurgiu relativamente ao conhecimento e ao mérito do recurso, sustentando, em síntese, : a) que os paradigmas não divergem do entendimento adotado no acórdão recorrido ou não tratam da mesma matéria, razão pela qual não dão à lei tributária em comento interpretação divergente; o acerto da decisão recorrida ao determinar a observância da nova redação conferida ao art. 35 da Lei n.º 8.212/91 pela Lei Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 10830.017602/201067 Acórdão n.º 9202006.673 CSRFT2 Fl. 4 5 n.º 11.941/09 e limitar a multa de mora no patamar estabelecido pelo art. 61 da Lei n.º 9.430/96, qual seja, em, no máximo 20%. Ao Recurso Especial interposto pela Contribuinte foi negado seguimento, de acordo com o Despacho de Admissibilidade de fls. 1.189 a 1.190. Houve reexame de admissibilidade do Recurso, contudo foi mantida a negativa de seguimento, fls. 1189a 1190. É o relatório Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora 1. Do conhecimento. Alega a Recorrida que os paradigmas colacionados pela Recorrente não divergem do entendimento adotado no acórdão recorrido ou não tratam da mesma matéria, razão pela qual não dão à lei tributária em comento interpretação divergente. Extraise do Acórdão paradigma n.º 240100.120 que não foi aplicada a retroatividade, nos termos abaixo: Com relação à solicitação da recorrente, para a aplicação do disposto na Medida Provisória 449, relativamente à multa de mora, importa salientar que a referida MP, alem de alterar o art. .35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: (...). Entretanto, se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior ao índice previsto na antiga redação do art. 35 da Lei 8.212/1991, correspondente ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância. E o Acórdão paradigma n.º 2301.00.283 assim dispõe: Quanto à possibilidade de retroatividade da multa prevista na Medida Provisória n ° 449 de 2008, entendo que a mesma não se aplica. A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de oficio a situação gerada Fl. 1201DF CARF MF 6 por meio da Medida Provisória n ° 449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75%. A multa moratória prevista no art. 61 da Lei n ° 9.430 somente se aplica para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação. O Despacho de Admissibilidade deixa evidente a divergência, conforme abaixo transcrito: A recorrente afirma que o acórdão recorrido diverge do paradigma, em síntese, no que diz respeito ao critério de comparação para fins de aferição da multa mais benéfica, em virtude das alterações dos dispositivos da Lei 8.212/91, que tratam dessa matéria, pela MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Sustenta que o acórdão recorrido entendeu que a multa mais benéfica para o sujeito passivo deve ser aferida comparandose a multa prevista na redação antiga do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (vigente à época dos fatos) em confronto com a multa prevista no art. 35, caput, da mesma lei, alterado pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, o qual, por fazer remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, limita a multa ao percentual de 20%. Acrescenta que os acórdãos paradigmas, por sua vez, afastam expressamente a aplicação retroativa do art. 61 § 2º da Lei nº 9.430/1996, sob o fundamento de que a antiga redação do art. 35 da Lei 8.212/91 deve ser comparada com o art. 35A da mesma lei, acrescentado pela Lei 11.941/2009, que, por sua vez, faz remissão ao art. 44 da Lei nº 9.430/96. Pelo exposto, razão não assiste à recorrida quanto ao conhecimento, pois identificada a divergência jurisprudencial apontada pela Recorrida e o devido prequestionamneto do tema. 2. Da retroatividade benigna. Conforme narrado, a controvérsia reside na aplicação das penalidades relativas às contribuições previdenciárias previstas na Lei n.º 8.212/91, com alterações promovidas pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Sobre o tema, utilizome do voto de lavra do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos abaixo transcrito. Cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 10830.017602/201067 Acórdão n.º 9202006.673 CSRFT2 Fl. 5 7 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei Fl. 1203DF CARF MF 8 nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 10830.017602/201067 Acórdão n.º 9202006.673 CSRFT2 Fl. 6 9 I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. Fl. 1205DF CARF MF 10 No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº Fl. 1206DF CARF MF Processo nº 10830.017602/201067 Acórdão n.º 9202006.673 CSRFT2 Fl. 7 11 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3ºA análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1207DF CARF MF 12 § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº14, de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 1208DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10945.004518/2007-91
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 14.
É conhecido recurso especial que trate da interpretação das normas a respeito da multa qualificada, mesmo se para avaliar a aplicabilidade da Súmula CARF 14.
MULTA QUAILIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. SÚMULA CARF N. 14.
No sentido que proposto pela Súmula CARF n. 14, a qualificação da penalidade requer uma conduta além da omissão de receitas, que revele indubitavelmente o intuito fraudulento do contribuinte.
Numero da decisão: 9101-003.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: DANIELE SOUTO RODRIGUES AMADIO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOVANE JOSÉ DA SILVA E CIA LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SÚMULA CARF 14. É conhecido recurso especial que trate da interpretação das normas a respeito da multa qualificada, mesmo se para avaliar a aplicabilidade da Súmula CARF 14. MULTA QUAILIFICADA. OMISSÃO DE RECEITAS. SÚMULA CARF N. 14. No sentido que proposto pela Súmula CARF n. 14, a qualificação da penalidade requer uma conduta além da omissão de receitas, que revele indubitavelmente o intuito fraudulento do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio (relatora), André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negarlhe provimento. Votaram pelas conclusões os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 00 45 18 /2 00 7- 91 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio – Relatora (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. Relatório Tratamse de autos de infração (Efls. 208 ss.) para a exigência de IRPJ, CSLL, Contribuição ao PIS, COFINS e Contribuição para a Seguridade Social – INSS, no regime do SIMPLES, decorrente da acusação fiscal de (i) omissão de receitas evidenciada pelo saldo credor de Caixa identificado nos períodos de apuração de 29/02/2004 a 31/12/2004 e (ii) omissão de receitas evidenciada a partir de depósitos bancários não escriturados, nos períodos de apuração 31/07/2004 e 31/08/2004, com imputação de multa qualificada de 150%, conforme detalhado no Termo de Verificação Fiscal (Efls. 184 ss.), transcrito abaixo: "Diligências As diligências foram iniciadas através do Termo de Inicio de Fiscalização de 17/01/2006 (fls. 06), do qual o responsável pela contribuinte tomou ciência pessoalmente naquela data, juntamente com o MPFF citado. Em resposta à intimação citada, a contribuinte encaminhou sua correspondência de 20/01/2006 (fls. 07) juntamente com parte da documentação solicitada pela fiscalização, inclusive seu "Instrumento de Consolidação e Adequação Contratual" (fls. 08 a 11). Em 29/03/2007, a contribuinte encaminhou os extratos de suas contascorrentes no HSBC e UNIBANCO (fls. 12 a 38). Através do Termo de Intimação Fiscal no 093, de 04/04/2007 (fls. 39), a contribuinte foi intimada a informar a destinação dos pagamentos decorrentes de cheques emitidos pela empresa (constantes em relação anexa à intimação — fls. 40 a 49) que em seus extratos bancários figuram como "cheques compensados" mas que foram contabilizados como ingresso de dinheiro na conta "Caixa" da empresa, e a informar a origem de créditos e depósitos também constantes em seus extratos bancários, mas que não foram contabilizados (constantes em relação anexa A intimação — fls. 50). Com a intenção de atender à intimação da fiscalização, a contribuinte encaminhou documentos acompanhando suas correspondências de 18/05/2006 (fls. 52), de 09/06/2006 (fls. 53), de 13/07/2006 (fls. 54). Nesta última, encaminhou os extratos de sua contacorrente no Banco IWO S.A. (fls. 55 a 79). Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 4 3 Através do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal n° 40/06 (fls. 80), a empresa foi cientificada do MPFComplementar n° 0910600 2005 01294 5 (fls. 03), relativo à alteração do Auditor Fiscal responsável pela continuidade dos trabalhos de fiscalização. Termo de Verificação Fiscal — Jovane Jose da Silva & Cia. Ltda. Aparecido Sidnei Romaro CNPJ 02.893.280/000130 SIMPLES —2004 AFRFB — Matr. 0076050 Em 0066//0077//22000077, foi elaborado o Termo de Constatação e Intimação SEFIS no 177/07 (fls. 84 a 86), através do qual a contribuinte foi informada do andamento dos trabalhos da fiscalização, e intimada a esclarecer se os cheques listados em planilha anexa A intimação (fls. 87 a 93) referemse a compras a prazo e o motivo pelo qual as mesmas não foram contabilizadas. Também foi intimada a justificar a origem de depósitos e créditos bancários constantes de planilha anexa A intimação (fls. 94). Através de sua correspondência de 20/07/2007 (fls. 95), o responsável pela contribuinte declarou que: 1. Os valores constantes da relação de créditos bancários não contabilizados referemse a: vendas com cartão de crédito e depósito por parte de clientes, na forma de adiantamentos por conta de compra de mercadorias; 2. Os cheques listados na planilha "Supostas Compras Com Cheques Pré Datados" referemse de fato a compras a prazo. Análise da documentação colecionada Analisando a documentação colecionada durante a ação fiscal, a fiscalização constatou o que segue: 1. A contribuinte contabilizou sua movimentação bancária de forma imprecisa, debitando de seu "Caixa" o valor de seus cheques emitidos e creditando no "Caixa" os valores depositados em suas contas bancárias. Entretanto, não contabilizou a totalidade de seus créditos e depósitos bancários, pois não comprovou a origem dos valores constantes da relação anexa às intimações de n° 93/06 (fls. 50) e n° 177/07 (fls. 94). 2. A empresa não contabilizou a totalidade de suas compras (o que foi confirmado pela mesma em sua correspondência de 20/07/2007). Os cheques que emitiu para pagamento de compras a prazo foram contabilizados como "suprimento de caixa", debitandose o valor dos cheques emitidos para terceiros na conta "Caixa". Irregularidades constatadas Conquanto a contribuinte tenha sido regularmente intimada e tenha sido seu direito de defesa devidamente respeitado, da análise da documentação apresentada, e em consonância com as diligências realizadas, a fiscalização apurou as irregularidades a seguir descritas, relativas ao anocalendário de 2004: 01 OMISSÃO DE RECEITAS — SALDO CREDOR DE CAIXA PAGAMENTOS DE COMPRAS A PRAZO DEBITADOS NA CONTA CAIXA Através análise dos extratos bancários, foi verificada a existência de cheques compensados que foram contabilizados a débito da conta Caixa. A empresa foi intimada a identificar a efetiva destinação 'dos 'cheques, ocasião em que confirmou que os mesmos foram utilizados para pagamento de compras a prazo não contabilizadas, portanto não foram utilizados para suprir o caixa da empresa. Com base na conta "Caixa" do Razão da contribuinte (fls. 96 a 142) na planilha "Glosas de Débitos em Conta Caixa — Compras com Cheques PréDatados" (fls. 143 a 151), que é um rearranjo da planilha "Supostas Compras com Cheques Pré Datados" (fls. 87 a 93), a fiscalização recompôs os saldos da Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 5 4 conta Caixa, expurgando os referidos cheques, conforme podese observar na planilha "FLUXO DE CAIXA AJUSTADO — ANOCALENDÁRIO DE 2004" (fls. 152 a 157). Na planilha citada: 1. Na coluna "SALDO" está transcrito o saldo final do dia ("DATA") escriturado pela empresa em seu Razão; 2. Na coluna "AJUSTE" está transcrito a soma dos cheques debitados pela empresa em sua conta Caixa (naquela data, ou naquele mês), entretanto, por terem sido utilizados para pagamento de compras a prazo, estão sendo creditados na conta Caixa; 3. A coluna "AJUSTE ACUMULADO" indica a somatória dos valores constantes na coluna "AJUSTE" até aquela data; 4. A coluna "SALDO REVISADO" é obtida do resultado da diminuição do valor da coluna "SALDO" o valor do "AJUSTE ACUMULADO" da data anterior; 5. A coluna "SALDO AJUSTADO" indica o saldo calculado pela fiscalização diminuindose da coluna "SALDO REVISADO" o valor da coluna "AJUSTE"; A partir da planilha acima explicada, a fiscalização verificou a ocorrência de saldo credor de caixa. Considerandose que a contribuinte está inscrita no SIMPLES, a fiscalização considerou o maior valor de saldo credor de caixa de cada mês como omissão de receita daquele mês (a titulo de saldo credor de caixa), considerandose zerado o "SALDO AJUSTADO" naquela data. Na planilha, na mesma data foi indicado um lançamento a débito na coluna "AJUSTE" e recalculado o valor da coluna "AJUSTE ACUMULADO", valor que será considerado nas datas subseqüentes. O Artigo 199 do Decreto n° 3000/99, Regulamento do Imposto de Renda, determina que ao amparo da Lei n° 9.317/96, as presunções de omissão de Receitas aplicamse também às microempresas e empresas de pequeno porte. Desta forma, está se efetuando o lançamento de oficio da omissão de receita relativa aos saldos credores da conta Caixa, decorrentes da falta de escrituração de compras a prazo — falta de escrituração de pagamentos efetuados, que foram indevidamente contabilizados como débitos da conta caixa, exclusivamente para o anocalendário de 2004. 02 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS A contribuinte deixou de escriturar em seus livros contábeis toda a sua movimentação financeira, pois não foram consideradas todas as operações ocorridas em sua conta bancária n°1197311, na agência n°254, do Unibanco S.A Conquanto tenha sido regularmente intimado e tenha sido seu direito de defesa devidamente respeitado, o contribuinte não esclareceu, com documentação hábil e idônea, a regularidade tributária dos recursos que circularam na conta corrente citada e que deixara de escriturar. Assim, nos termos do Art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/96, ficaram caracterizados como omissão de receitas os valores creditados na conta corrente e que o contribuinte deixou de escriturar. Os depósitos, que consubstanciaram a omissão de receita, fazem parte do anexo do Termo de Intimação Fiscal n° 093 (fls. 50) e do Termo de Constatação e Intimação SEFIS n° 177/07 (fls. 94), cuja soma mensal resumimos a seguir: . Mês• Total do nibs julho/2004 7.724,84 agosto/2004 902,16 ,Total '", 8.627,00 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 6 5 A soma mensal desses valores depositados foi transcrita para o Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração. Desta forma, está se efetuando o lançamento de oficio do SIMPLES referente à omissão de receita relativa aos valores supra mencionados, uma vez que a contribuinte deixou de escriturar em seus livros contábeis a totalidade da movimentação da conta corrente de sua titularidade, e em decorrência de depósitos e créditos bancários para os quais, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados, exclusivamente para o anocalendário de 2004. 03 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS As Omissões de Receita, descritas nos itens anteriores, consubstanciam valores de receita que deveriam ter sido considerados, pela contribuinte, como recebidos durante os meses de janeiro a dezembro de 2004. Tais valores influem na receita acumulada até cada um dos meses, e em conseqüência na base de cálculo do SIMPLES por todo o anocalendário de 2004. Tais diferenças foram apuradas utilizandose o "Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta", e os valores de "Receita Bruta Acumulada no mês / Percentual Aplicado" declarados pelo contribuinte em sua Declaração PJSI 2005 — SIMPLES — anocalendário de 2004 (fls. 158 a 175). Desta forma, está se efetuando o lançamento de oficio das diferenças citadas, exclusivamente durante o anocalendário de 2004. Da multa de oficio e da qualificação da mesma Considerando o lançamento de oficio, foi aplicada, conjuntamente, multa pela falta de pagamento ou recolhimento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 44— Art. 957 do RIR/99) A contribuinte entregou sua Declaração PJSI 2005 — SIMPLES — ano calendário de 2004, sem declarar a totalidade de suas receitas, uma vez que omitiu compras e pagamentos a fornecedores, contabilizando tais pagamentos como suprimentos de seu Caixa, quando excluídos tais valores da conta Caixa, resultaram saldos credos de caixa, que caracterizam omissão de receitas. A contribuinte também não contabilizou a totalidade de suas receitas consubstanciadas por depósitos e créditos bancários, nem os ofereceu tributação. Em tese, a contribuinte, omitiu informação às autoridades fazendárias. Em tudo, e em tese, a contribuinte cometeu crime tributário ao omitir declaração sobre fatos para eximirse, parcial ou totalmente, do pagamento de tributos. Pelo acima exposto, os valores não recolhidos a titulo do SIMPLES, relativos as omissões de receita, serão cobrados exoficio com a aplicação da multa prevista no inciso II do art. 957 do Decreto 3.000/99, ou seja, multa de 150%, uma vez que, em tese, houve evidente intuito de sonegação, conforme o art. 71 da Lei n° 4.502, de 30/11/64. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavrase o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte/preposto da fiscalizada, que neste ato be uma das vias." Insurgindose, a contribuinte apresentou impugnação (Efls. 256 ss.) sustentando os pontos enumerados pelo relatório da decisão de primeira instância: " 6. Reclama de cerceamento do direito de defesa, invocando os incisos XXXIII. XXXIV, LIV e LV da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 7 6 1988, porque, conforme atesta o Darf que anexa, a litigante foi obrigada a desembolsar esse valor para poder obter cópia de parte da documentação que embasou a autuação, quando competia ao Fisco ofertálas graciosamente devido aos comandos constitucionais que asseguram a ampla defesa e a presunção da inocência; transcreve jurisprudência acerca de cerceamento de defesa pela falta de entrega ao interessado de cópia de documento que ensejou a autuação; e requer que o Fisco lhe forneça cópia de todos os documentos que instruem o processo, reabrindo o prazo para a impugnação. 7. Argüi a nulidade do auto de infração, por incorreta capitulação legal, uma vez que, sendo os fatos geradores do anocalendário 2004, a legislação aplicável é a que vigia A época, no entanto, observase do Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta, que o enquadramento legal foi baseado na Lei ri° 9.317, de 1997, que, quando da sua aplicação, já não mais existia no mundo jurídico, posto que revogada pela Lei Complementar n° 123, de 14 de dezembro 2006; citando o art. 60 do Decreto n° 70.235, de 1972, afirma que, uma vez que a possibilidade de a administração sanar incorreções e omissões está limitada na possibilidade de as incorreções alterarem o resultado do litígio, impõese a anulação do auto; afirma que a ação fiscal se viu contaminada porque se comprometeu o contraditório, tendo o fisco enveredado pelo caminho da responsabilidade presumida, desatendendo ao principio da ampla defesa e violando o art. 5°, LV da CF de 1988. 8. Acerca do saldo credor de caixa, afirma que ficou caracterizado nos autos que ocorreu, quanto muito, equivoco de escrituração de cheques compensados, não se caracterizando a omissão de receita; contudo, mesmo que se admitindo, apenas por força de argumentação, a sua ocorrência, o saldo credor a ser considerado não é o maior valor de cada mês, como pretende o Fisco, mas sim o saldo apurado ao final das operações de urn determinado dia ou mês. 9. Protesta contra o agravamento da multa, argumentando que não ficou comprovadano processo a ocorrência de dolo, não se podendo falar na existência de crime ou a intenção de suprimir ou reduzir tributo intencionalmente, que justifique tal penalidade. 10. Reclama dos juros de mora apurados conforme a taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais — Selic, tachandoa de inconstitucional; discorre acerca da natureza dos juros: remuneratórios, indenizatórios e de compensação de dano sofrido, para concluir que os juros moratórios também possuem caráter de indenização, pois seu pressuposto é a mora, e que a taxa Selic não reflete a natureza dos juros moratórios, por possuir natureza remuneratória, devido a ser calculada pela variação do rendimento do valor de mercado de diversos títulos públicos, de cujo sistema apenas instituições financeiras podem participar; transcreve jurisprudência nesse sentido; conclui requerendo o afastamento da apuração dos juros de mora pela taxa Selic." Na sequência, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba/PR proferiu o acórdão n. 0616.539 (Efls 270 ss.), mantendo o lançamento em questão, pelas razões resumidas na seguinte ementa: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 8 7 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. LANÇAMENTO PELO MAIOR SALDO DE CADA PERiODO. O lançamento tributário relativo ao saldo credor de caixa deve ocorrer pelo maior saldo do período, em face da presunção de que o valor respectivo provém integralmente de receitas omitidas. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. A Lei n° 9.430, de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. LANÇAMENTOS REFLEXOS: PIS, CSLL, Cofins e INSSSIMPLES. Dada a intima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 SIMPLES. ANOCALENDÁRIO 2004. APLICAÇÃO DA LEI N° 9.317, DE 1996, REVOGADA PELA LC N° 123, DE 2006. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. MULTA DE OFÍCIO. DOLO. Caracterizado o dolo, impõese a multa de 150%, por infração qualificada. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa qualificada exigível em lançamento de oficio é o determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. SELIC Aplicamse os juros de mora apurados pela taxa Selic, por expressa previsão legal ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. A apreciação de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE ACESSO AOS DOCUMENTOS DO PROCESSO FISCAL. Descabe a reclamação de cerceamento no direito de defesa se todos os documentos que compõem o processo, ou foram entregues graciosamente, ou foram fornecidos à RFB pela própria interessada. Lançamento Procedente." Em face da decisão da DRJ, a contribuinte interpôs recurso voluntário (Efls. 292 ss.) basicamente nos mesmos termos de sua impugnação administrativa. Do julgamento do recurso pela Primeira Turma Especial resultou o acórdão n. 1801002.206 (Efls. 312 ss.), em que substancialmente se manteve o Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 9 8 lançamento, mas se afastou a qualificação da multa uma vez que não consubstanciada a fraude. Leiase a sua ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2004 ALEGAÇÃO DE INCOSNTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE PELO CARF. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 2 DESTE CONSELHO. A jurisprudência deste Conselho consolidouse no sentido de que a análise de constitucionalidade de atos normativos é de competência exclusiva do Poder Judiciário. AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA DE OFENSA. A simples cobrança, pela União, de uma contraprestação pela disponibilidade de cópias reprográficas de processos administrativos não ofende a ampla defesa, principalmente se restar comprovado que o contribuinte teve acesso a todos os atos do processo e que a referida cobrança não impediu e nem sequer dificultou o conhecimento do conteúdo dos autos. CAPITULAÇÃO LEGAL DA INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE EQUÍVOCO. APLICAÇÃO DO CAPUT DO ART. 144 DO CTN. O lançamento é regido pelas normas de direito material vigentes à época do fato gerador. A alteração do direito material, superveniente à ocorrência do fato gerador, não produz efeitos sobre a obrigação tributária, que nasce desde a ocorrência do fato gerador e apenas se extingue por uma das formas previstas no art. 156 do CTN. Inteligência do caput do art. 144 do CTN. SALDO CREDOR DE CAIXA. CÁLCULO COM BASE NO MAIOR SALDO CREDOR DE CADA MÊS. Verificandose a existência de vários saldos credores em um mesmo período, o cálculo do imposto deve ser feito considerando o maior valor de saldo credor desse período, conforme jurisprudência deste Conselho. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO DAS SÚMULAS 14 E 25 DO CARF. NECESSIDADE DE EFETIVA COMPROVAÇÃO DA ATIVIDADE DOLOSA. Como é pacífico neste Conselho, a qualificação da multa de ofício só é possível quando restar cabalmente comprovada alguma das hipóteses previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. A mera constatação de movimentação financeira não contabilizada não possui o condão de qualificar a multa de ofício aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente)] ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Presidente. (assinado digitalmente) FERNANDO DANIEL DE MOURA FONSECA Relator." Contra o referido acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (Efls. 322 ss.), alegando divergência em relação ao acórdão paradigma n. 110300.049, pretendendo fosse restabelecida a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150% por ter se configurado a ação dolosa, ao qual dado seguimento pelo despacho de admissibilidade às Efls. 353 ss. Intimada, a contribuinte não apresentou contrarrazões (Efls. 368 ss.). Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 10 9 Passase, assim, à apreciação do recurso especial da Fazenda Nacional. Voto Vencido Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio Relatora CONHECIMENTO O conhecimento do Recurso Especial condicionase ao preenchimento de requisitos enumerados pelo artigo 67 do Regimento Interno deste Conselho, que exigem analiticamente a demonstração, no prazo regulamentar do recurso de 15 dias, de (1) existência de interpretação divergente dada à legislação tributária por diferentes câmaras, turma de câmaras, turma especial ou a própria CSRF; (2) legislação interpretada de forma divergente; (3) prequestionamento da matéria, com indicação precisa das peças processuais; (4) duas decisões divergentes por matéria, sendo considerados apenas os dois primeiros paradigmas no caso de apresentação de um número maior, descartandose os demais; (5) pontos específicos dos paradigmas que divirjam daqueles presentes no acórdão recorrido; além da (6) juntada de cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas, da publicação em que tenha sido divulgado ou de publicação de até 2 ementas, impressas diretamente do sítio do CARF ou do Diário Oficial da União quando retirados da internet, podendo tais ementas, alternativamente, serem reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. Observase que a norma ainda determina a imprestabilidade do acórdão utilizado como paradigma que, na data da admissibilidade do recurso especial, contrarie (1) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 103A da Constituição Federal); (2) decisão judicial transitada em julgado (arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil; e (3) Súmula ou Resolução do Pleno do CARF. Voltandose ao caso concreto, considerandose estar diante da prova suficiente à omissão de receita, mas não do evidente intuito de fraude, como prevaleceu no acórdão recorrido, considerase que o acórdão paradigma vai de encontro à Súmula CARF n. 14, transcrita a seguir: "Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." Assim sendo, VOTA POR NÃO CONHECER o recurso especial. Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 11 10 MÉRITO Na eventualidade de restar vencida na questão anterior, devolvese a julgamento com o recurso especial da Fazenda Nacional a qualificação da multa de ofício para o percentual de 150%, já adiantando que se entende pela sua não aplicação. Objetivamente, anúise com a desqualificação da multa uma vez que, debruçandose sobre o Termo de Verificação Fiscal, apenas se recohece a presença de elementos sufientes a caracterizar a presunção da omissão de receitas, mas não a prova necessária ao agravamento, que precisa demonstrar cabalmente o intuito do sujeito de praticar uma das condutas descrritas nos artigos 71, 72 ou 73 da Lei n. 4502/64. Isso porque sustenta a qualificação no fato de haver omissão de receitas evidenciada a partir de depósitos bancários não escriturados, mas pessoalmente acreditase não bastarem tais alegações, que se prestam tão somente a demonstrar a referida omissão de receitas, uma vez que não acompanahada do apontamento de outros vícios. É a leitura que se faz do Termo de Verfiicação Fiscal: "Diligências As diligências foram iniciadas através do Termo de Inicio de Fiscalização de 17/01/2006 (fls. 06), do qual o responsável pela contribuinte tomou ciência pessoalmente naquela data, juntamente com o MPFF citado. Em resposta à intimação citada, a contribuinte encaminhou sua correspondência de 20/01/2006 (fls. 07) juntamente com parte da documentação solicitada pela fiscalização, inclusive seu "Instrumento de Consolidação e Adequação Contratual" (fls. 08 a 11). Em 29/03/2007, a contribuinte encaminhou os extratos de suas contascorrentes no HSBC e UNIBANCO (fls. 12 a 38). Através do Termo de Intimação Fiscal no 093, de 04/04/2007 (fls. 39), a contribuinte foi intimada a informar a destinação dos pagamentos decorrentes de cheques emitidos pela empresa (constantes em relação anexa à intimação — fls. 40 a 49) que em seus extratos bancários figuram como "cheques compensados" mas que foram contabilizados como ingresso de dinheiro na conta "Caixa" da empresa, e a informar a origem de créditos e depósitos também constantes em seus extratos bancários, mas que não foram contabilizados (constantes em relação anexa A intimação — fls. 50). Com a intenção de atender A intimação da fiscalização, a contribuinte encaminhou documentos acompanhando suas correspondências de 18/05/2006 (fls. 52), de 09/06/2006 (fls. 53), de 13/07/2006 (fls. 54). Nesta última, encaminhou os extratos de sua contacorrente no Banco IWO S.A. (fls. 55 a 79). Através do Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal n° 40/06 (fls. 80), a empresa foi cientificada do MPFComplementar n° 0910600 2005 01294 5 (fls. 03), relativo A alteração do Auditor Fiscal responsável pela continuidade dos trabalhos de fiscalização. Termo de Verificação Fiscal — Jovane Jose da Silva & Cia. Ltda. Aparecido Sidnei Romaro CNPJ 02.893.280/000130 SIMPLES —2004 AFRFB — Matr. 0076050 Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 12 11 Em 0066//0077//22000077,, foi elaborado o Termo de Constatação e Intimação SEFIS no 177/07 (fls. 84 a 86), através do qual a contribuinte foi informada do andamento dos trabalhos da fiscalização, e intimada a esclarecer se os cheques listados em planilha anexa A intimação (fls. 87 a 93) referemse a compras a prazo e o motivo pelo qual as mesmas não foram contabilizadas. Também foi intimada a justificar a origem de depósitos e créditos bancários constantes de planilha anexa A intimação (fls. 94). Através de sua correspondência de 20/07/2007 (fls. 95), o responsável pela contribuinte declarou que: 1. Os valores constantes da relação de créditos bancários não contabilizados referemse a: vendas com cartão de crédito e depósito por parte de clientes, na forma de adiantamentos por conta de compra de mercadorias; 2. Os cheques listados na planilha "Supostas Compras Com Cheques Pré Datados" referemse de fato a compras a prazo. Análise da documentação colecionada Analisando a documentação colecionada durante a ação fiscal, a fiscalização constatou o que segue: 1. A contribuinte contabilizou sua movimentação bancária de forma imprecisa, debitando de seu "Caixa" o valor de seus cheques emitidos e creditando no "Caixa" os valores depositados em suas contas bancárias. Entretanto, não contabilizou a totalidade de seus créditos e depósitos bancários, pois não comprovou a origem dos valores constantes da relação anexa As intimações de n° 93/06 (fls. 50) e n° 177/07 (fls. 94). 2. A empresa não contabilizou a totalidade de suas compras (o que foi confirmado pela mesma em sua correspondência de 20/07/2007). Os cheques que emitiu para pagamento de compras a prazo foram contabilizados como "suprimento de caixa", debitandose o valor dos cheques emitidos para terceiros na conta "Caixa". Irregularidades constatadas Conquanto a contribuinte tenha sido regularmente intimada e tenha sido seu direito de defesa devidamente respeitado, da análise da documentação apresentada, e em consonância com as diligências realizadas, a fiscalização apurou as irregularidades a seguir descritas, relativas ao anocalendário de 2004: 01 OMISSÃO DE RECEITAS — SALDO CREDOR DE CAIXA PAGAMENTOS DE COMPRAS A PRAZO DEBITADOS NA CONTA CAIXA Através análise dos extratos bancários, foi verificada a existência de cheques compensados que foram contabilizados a débito da conta Caixa. A empresa foi intimada a identificar a efetiva destinação 'dos 'cheques, ocasião em que confirmou que os mesmos foram utilizados para pagamento de compras a prazo não contabilizadas, portanto não foram utilizados para suprir o caixa da empresa. Com base na conta "Caixa" do Razão da contribuinte (fls. 96 a 142) na planilha "Glosas de Débitos em Conta Caixa — Compras com Cheques PréDatados" (fls. 143 a 151), que é um rearranjo da planilha "Supostas Compras com Cheques Pré Datados" (fls. 87 a 93), a fiscalização recompôs os saldos da conta Caixa, expurgando os referidos cheques, conforme podese observar na planilha "FLUXO DE CAIXA AJUSTADO — ANOCALENDÁRIO DE 2004" (fls. 152 a 157). Na planilha citada: 1. Na coluna "SALDO" está transcrito o saldo final do dia ("DATA") escriturado pela empresa em seu Razão; Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 13 12 2. Na coluna "AJUSTE" está transcrito a soma dos cheques debitados pela empresa em sua conta Caixa (naquela data, ou naquele mês), entretanto, por terem sido utilizados para pagamento de compras a prazo, estão sendo creditados na conta Caixa; 3. A coluna "AJUSTE ACUMULADO" indica a somatória dos valores constantes na coluna "AJUSTE" até aquela data; 4. A coluna "SALDO REVISADO" é obtida do resultado da diminuição do valor da coluna "SALDO" o valor do "AJUSTE ACUMULADO" da data anterior; 5. A coluna "SALDO AJUSTADO" indica o saldo calculado pela fiscalização diminuindose da coluna "SALDO REVISADO" 0 valor da coluna "AJUSTE"; A partir da planilha acima explicada, a fiscalização verificou a ocorrência de saldo credor de caixa. Considerandose que a contribuinte está inscrita no SIMPLES, a fiscalização considerou o maior valor de saldo credor de caixa de cada mês como omissão de receita daquele mês (a titulo de saldo credor de caixa), considerandose zerado o "SALDO AJUSTADO" naquela data. Na planilha, na mesma data foi indicado um lançamento a débito na coluna "AJUSTE" e recalculado o valor da coluna "AJUSTE ACUMULADO", valor que será considerado nas datas subseqüentes. O Artigo 199 do Decreto n° 3000/99, Regulamento do Imposto de Renda, determina que ao amparo da Lei n° 9.317/96, as presunções de omissão de Receitas aplicamse também às microempresas e empresas de pequeno porte. Desta forma, está se efetuando o lançamento de oficio da omissão de receita relativa aos saldos credores da conta Caixa, decorrentes da falta de escrituração de compras a prazo — falta de escrituração de pagamentos efetuados, que foram indevidamente contabilizados como débitos da conta caixa, exclusivamente para o anocalendário de 2004. 02 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NM) CONTABILIZADOS A contribuinte deixou de escriturar em seus livros contábeis toda a sua movimentação financeira, pois não foram consideradas todas as operações ocorridas em sua conta bancária n°1197311, na agência n°254, do Unibanco S.A Conquanto tenha sido regularmente intimado e tenha sido seu direito de defesa devidamente respeitado, o contribuinte não esclareceu, com documentação hábil e idônea, a regularidade tributária dos recursos que circularam na conta corrente citada e que deixara de escriturar. Assim, nos termos do Art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/96, ficaram caracterizados como omissão de receitas os valores creditados na conta corrente e que o contribuinte deixou de escriturar. Os depósitos, que consubstanciaram a omissão de receita, fazem parte do anexo do Termo de Intimação Fiscal n° 093 (fls. 50) e do Termo de Constatação e Intimação SEFIS n° 177/07 (fls. 94), cuja soma mensal resumimos a seguir: . Mês• Total do nibs julho/2004 7.724,84 agosto/2004 902,16 ,Total '", 8.627,00 A soma mensal desses valores depositados foi transcrita para o Demonstrativo de Apuração do Auto de Infração. Desta forma, está se efetuando o lançamento de oficio do SIMPLES referente à omissão de receita relativa aos valores supra mencionados, uma vez que a contribuinte deixou de escriturar em seus livros contábeis a totalidade da movimentação da conta corrente de sua titularidade, e em decorrência de depósitos e créditos bancários para os quais, regularmente Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 14 13 intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados, exclusivamente para o anocalendário de 2004. 03 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS As Omissões de Receita, descritas nos itens anteriores, consubstanciam valores de receita que deveriam ter sido considerados, pela contribuinte, como recebidos durante os meses de janeiro a dezembro de 2004. Tais valores influem na receita acumulada até cada um dos meses, e em conseqüência na base de cálculo do SIMPLES por todo o anocalendário de 2004. Tais diferenças foram apuradas utilizandose o "Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis sobre a Receita Bruta", e os valores de "Receita Bruta Acumulada no mês / Percentual Aplicado" declarados pelo contribuinte em sua Declaração PJSI 2005 — SIMPLES — anocalendário de 2004 (fls. 158 a 175). Desta forma, está se efetuando o lançamento de oficio das diferenças citadas, exclusivamente durante o anocalendário de 2004. Da multa de oficio e da qualificação da mesma Considerando o lançamento de oficio, foi aplicada, conjuntamente, multa pela falta de pagamento ou recolhimento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 44— Art. 957 do RIR/99) A contribuinte entregou sua Declaração PJSI 2005 — SIMPLES — anocalendário de 2004, sem declarar a totalidade de suas receitas, uma vez que omitiu compras e pagamentos a fornecedores, contabilizando tais pagamentos como suprimentos de seu Caixa, quando excluídos tais valores da conta Caixa, resultaram saldos credos de caixa, que caracterizam omissão de receitas. A contribuinte também não contabilizou a totalidade de suas receitas consubstanciadas por depósitos e créditos bancários, nem os ofereceu tributação. Em tese, a contribuinte, omitiu informação às autoridades fazendárias. Em tudo, e em tese, a contribuinte cometeu crime tributário ao omitir declaração sobre fatos para eximirse, parcial ou totalmente, do pagamento de tributos. Pelo acima exposto, os valores não recolhidos a titulo do SIMPLES, relativos as omissões de receita, serão cobrados exoficio com a aplicação da multa prevista no inciso II do art. 957 do Decreto 3.000/99, ou seja, multa de 150%, uma vez que, em tese, houve evidente intuito de sonegação, conforme o art. 71 da Lei n° 4.502, de 30/11/64. E, para constar e surtir os efeitos legais, lavrase o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo Auditor Fis I da Receita Federal do Brasil e pelo contribuinte/preposto da fiscalizada, que neste ato be uma das vias." Assim, revelase significativa a verificação de que, no caso concreto, a qualificação teria partido de elementos que levam tão somente à presunção da omissão de receitas, mas não a uma efetiva causa de agravamento, razão pela qual se entende ser o caso de aplicação das Súmulas 14 e 25 do CARF, transcritas as seguir: “Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 15 14 “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Reforçase que, embora no caso concreto a fiscalização tenha imposto a multa qualificada após a narrativa de uma conduta que já não se entendeu suficiente ao referido agravamento , tal descrição foi insuficiente quanto ao evidente intuito fraudulento. Nesse sentido, mantenho o acórdão recorrido por suas razões: "4. Multa majorada. Necessidade de efetiva comprovação da ocorrência de sonegação, fraude ou conluio. Exigência do art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. A jurisprudência deste Conselho é firme no sentido de que o intuito doloso do contribuinte de sonegar, fraudar e estar em conluio deve estar cabalmente comprovado para se admitir a qualificação da multa. É ver alguns precedentes que seguem esse entendimento: MULTA QUALIFICADA INTUITO DE FRAUDE AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista, à época, no artigo art. 44, II, da Lei n 9,430/96 quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O desiderato fraudulento deverá ser minuciosamente justificado e comprovado nos autos. Nos termos da Súmula n° 14 do Conselho Administrativo de recursos Fiscais, não há que se falar em qualificação da multa de oficio nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem devida comprovação das hipóteses legais de fraude. (CARF, 1ª Sessão, 3ª Turma Especial, acórdão nº 180300.346, de 07/04/2010) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL SIGILO BANCÁRIO QUEBRA NULIDADE Tendo os elementos de prova sido obtidos via ordem judicial, simplesmente inexiste o pretenso ilícito relacionado com quebra de sigilo bancário. IRPF ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO É tributável como omissão de rendimentos o descompasso observado no estado patrimonial do contribuinte, não acobertado por recursos com origem comprovada. IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS Presumem omissão de rendimento os valores creditados em conta bancária cuja origem não restar comprovada, mormente quando a base tributável foi tida como recurso na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. IRPF MULTA QUALIFICADA FRAUDE A simples omissão de receitas não representa, por si só, fato relevante para a caracterização de fraude, que não se presume, devendo ser comprovada conduta material suficiente para sua caracterização. Preliminar acolhida. Recurso parcialmente provido. (Primeiro Conselho de Contribuintes, Quarta Câmara, Processo nº 283.100052/200280, Acórdão nº 0419.855, sessão de 17 de março de 2004) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF N. 14. A simples omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, devendo a autoridade fiscal fundamentar a caracterização do evidente intuito de fraude do sujeito passivo, não podendo os órgãos julgadores suprirem tal falta, Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 16 15 conforme já consagrado no enunciado da Súmula CARF n 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso especial negado. (Câmara Superior de Recursos Fiscais, acórdão nº 9202003.281, de 29/08/2014) Ou seja, a efetiva comprovação do intuito fraudulento do contribuinte é condição para a qualificação da multa. No presente caso, as autuações baseiamse em duas infrações cometidas pela Recorrente: (i) omissão de receitas evidenciada pelo saldo credor de Caixa identificado nos períodos de apuração de 29/02/2004 a 31/12/2001; (ii) omissão de receitas evidenciada a partir de depósitos bancários não escriturados, nos períodos de apuração 31/07/2004 e 31/08/2004. Quanto a esta segunda infração, não restou comprovado, a meu ver, o intuito da Recorrente em sonegar os tributos devidos. Tratouse de uma simples não escrituração de depósitos bancários, que foi facilmente constatada pelo Fisco pelo simples cotejo entre a escrituração contábil da Recorrente e sua movimentação bancária. A própria descrição da infração, pelo Termo de Verificação Fiscal de fls. 176180 demonstra isso: “A contribuinte deixou de escriturar em seus livros contábeis toda a sua movimentação financeira, pois não foram consideradas todas as operações ocorridas em sua conta bancária nº 1197311, na agência nº 254, do Unibanco S.A. Conquanto tenha sido regularmente intimado e tenha sido seu direito de defesa devidamente respeitado, o contribuinte não esclareceu, com documentação hábil e idônea, a regularidade tributária dos recursos que circularam na conta corrente citada e que deixara de escriturar. Assim, nos termos do Art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/96, ficaram caracterizados como omissão de receitas os valores creditados na conta corrente e que o contribuinte deixou de escriturar.” Portanto, como se trata de simples nãoescrituraçãp de depósitos bancários, sem nenhuma atituda da Recorrente que tentasse “maquear” o recebimento das receitas, deve ser, quanto a essa infrações, minorada a multa de 150% para 75%, aplicandose o art. 44, I, d, Lei nº 9.430/96. No entanto, à mesma conclusão não se pode chegar quanto a primeira infração acima descrita (constatação de saldo credor de caixa). Como já adiantado acima, a constatação de saldo credor de caixa não pode, a meu ver, ser considerada decorrente de um simples equívoco por parte da Recorrente. Isso porque ela não só deixou de escriturar as compras a prazo como também lançou os valores dos cheques compensados a débito da conta Caixa, como se fossem suprimentos de caixa. É como está relatado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 176180: A contribuinte entregou sua Declaração PJSI 2005 — SIMPLES — ano calendário de 2004, sem declarar a totalidade de suas receitas, uma vez que omitiu compras e pagamentos a fornecedores, contabilizando tais pagamentos como suprimentos de seu Caixa, quando excluídos tais valores da conta Caixa, resultaram saldos credos de caixa, que caracterizam omissão de receitas. A contribuinte também não contabilizou a totalidade de suas receitas consubstanciadas por depósitos e créditos bancários, nem os ofereceu tributação. Em tese, a contribuinte, omitiu informação às autoridades fazendárias. Em tudo, e em tese, a contribuinte cometeu crime tributário ao omitir declaração sobre fatos para eximirse, parcial ou totalmente, do pagamento de tributos. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 17 16 Ao escriturar as compensações dos cheques em sua conta caixa como sendo suprimentos de caixa, a Recorrente agiu de modo a ludibriar o Fisco e impossibilitar a ciência, por parte do Fisco, da ocorrência do fato gerador. Com a devida vênia, se a intenção da Recorrente não fosse induzir o Fisco a erro, não haveria razões para ela escriturar as compensações como suprimentos de caixa. Por essa razão, entendo que se encontra preenchida a hipótese de sonegação descrita pelo art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, de modo que a aplicação majorada da multa, nos termos do §1º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 é legítima e deve ser mantida. Assim sendo, voto no sentido de minorar a multa somente quanto à não escrituração dos depósitos bancários, mantendose a qualificação para a multa relativa à constatação de saldo credor de caixa, pois o modus operandi adotado pela Recorrente evidencia um intuito sonegador, que é censurado pelo Legislador de forma mais gravosa." Finalmente, anotase que os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Flávio Franco Corrêa e Adriana Gomes Rêgo, que votaram pelas conclusões, o fizeram por compreender que a conduta em julgamento não seria possível de subsunção à multa qualificada. Por essas razões, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Daniele Souto Rodrigues Amadio Voto Vencedor Conselheira Cristiane Silva Costa Redatora designada Como bem identificado pela D. Relatora, a Turma a quo utilizou como um dos seus fundamentos a Súmula CARF nº 14: "Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo." A aplicação da Súmula CARF poderia, em tese, impedir o conhecimento do recurso especial, nos termos do artigo 67, §3º, do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015). Ocorre que o recurso especial que trata de multa qualificada, usualmente tem por alegação a inaplicabilidade da Súmula CARF referida, interpretação que caberá a Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10945.004518/200791 Acórdão n.º 9101003.480 CSRFT1 Fl. 18 17 esta Turma da CSRF. Nesse sentido, não é aplicável a restrição regimental tratada pelo artigo 67, §3º, admitindose o recurso. Acrescento que o acórdão recorrido ainda tem por fundamento a falta de prova de dolo do contribuinte, o que interpretando a legislação federal seria fundamental para o Colegiado de origem para manutenção da multa agravada. Destaco trecho do acórdão: Ou seja, a efetiva comprovação do intuito fraudulento do contribuinte é condição para a qualificação da multa. No presente caso, as autuações baseiamse em duas infrações cometidas pela Recorrente: (i) omissão de receitas evidenciada pelo saldo credor de Caixa identificado nos períodos de apuração de 29/02/2004 a 31/12/2001; (ii) omissão de receitas evidenciada a partir de depósitos bancários não escriturados, nos períodos de apuração 31/07/2004 e 31/08/2004. Quanto a esta segunda infração, não restou comprovado, a meu ver, o intuito da Recorrente em sonegar os tributos devidos. Tratouse de uma simples não escrituração de depósitos bancários, que foi facilmente constatada pelo Fisco pelo simples cotejo entre a escrituração contábil da Recorrente e sua movimentação bancária. (...) Portanto, como se trata de simples nãoescrituraçãp de depósitos bancários, sem nenhuma atituda da Recorrente que tentasse “maquear” o recebimento das receitas, deve ser, quanto a essa infrações, minorada a multa de 150% para 75%, aplicandose o art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. A necessidade de comprovação do intuito de sonegação, em interpretação da lei tributária, é matéria que deve ser julgada por esta Turma da CSRF. Quanto aos demais requisitos de conhecimento, como a demonstração analítica da divergência, adoto as razões do Presidente de Câmara. Concluo, assim, pelo conhecimento do recurso especial. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 392DF CARF MF
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Numero do processo: 13819.001640/2003-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Sem que seja constatada a existência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado, não são conhecidos os embargos de declaração.
SIMPLES FEDERAL. IRRETROATIVIDADE. CRECHES E PRÉ-ESCOLAS. STJ. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. 543-C, CPC/1973. SÚMULA CARF 81. RICARF, ART. 62, §2º E ART. 72.
As creches e pré-escolas, por força da Lei nº 9.317/1996, não poderiam optar pelo Simples Federal. A autorização para esta opção, veiculada pela Lei nº 10.034/2000, não tem efeitos retroativos. Nesse sentido, decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em acórdão submetido ao regime de recursos repetitivos (Resp 1.021.263) e também o CARF, consolidando o entendimento na Súmula 81. Obrigatoriedade de reprodução das decisões do STJ e das Súmulas CARF, por força dos artigos 62, §2º e 72, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015).
Numero da decisão: 9101-003.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego -Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausentes, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura e, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Sem que seja constatada a existência de omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado, não são conhecidos os embargos de declaração. SIMPLES FEDERAL. IRRETROATIVIDADE. CRECHES E PRÉ ESCOLAS. STJ. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. 543C, CPC/1973. SÚMULA CARF 81. RICARF, ART. 62, §2º E ART. 72. As creches e préescolas, por força da Lei nº 9.317/1996, não poderiam optar pelo Simples Federal. A autorização para esta opção, veiculada pela Lei nº 10.034/2000, não tem efeitos retroativos. Nesse sentido, decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em acórdão submetido ao regime de recursos repetitivos (Resp 1.021.263) e também o CARF, consolidando o entendimento na Súmula 81. Obrigatoriedade de reprodução das decisões do STJ e das Súmulas CARF, por força dos artigos 62, §2º e 72, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 16 40 /2 00 3- 15 Fl. 171DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rafael Vidal de Araújo, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausentes, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura e, momentaneamente, a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório Tratase de processo originado pedido de inclusão retroativa no Simples Federal, apresentado em 29/05/2003 (fls. 2). O contribuinte aderiu ao Simples em 1997. Nestes autos, o contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 59/60), decidindo a Turma a quo por converter o processo em diligência, para que a unidade de origem “junte aos autos documentos concernentes à exclusão da empresa do Simples”, para análise da matéria à luz do Instrução Normativa 115/2000 (fls. 65/70). Nesse contexto, a DRF acostou aos autos documentos relacionados à exclusão do contribuinte do Simples em 1999 (Ato Declaratório 137.231), por consultas ao Sistema (SIVEX). Informa que não foi encontrada intimação da exclusão por via postal, mas que haveria ciência via edital afixado na ARF Diadema em 01/02/1999. Informa, ainda, que a informação de sistema é que o contribuinte requereu a revisão de exclusão do Simples em 26/02/1999, o que causou a suspensão da exclusão nesta data (26/02/1999) (fls. 79). A Turma a quo, assim, decidiu por dar provimento ao recurso voluntário, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 88/94): ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1999 SIMPLES INCLUSÃO. Com a edição da Lei n° 10.034, de 14/10/2000, foi alterado o disposto no artigo 9°, da Lei n° 9.317/96, no sentido de excetuar da restrição de que trata o inciso XIII do referido diploma legal as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, préescola e estabelecimentos de ensino fundamental. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Destaquemse razões do voto condutor do acórdão da Turma a quo para o provimento ao recurso: Verificase que existe uma suposição (não respaldada por documentação acostada aos autos) de que a Interessada tenha Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13819.001640/200315 Acórdão n.º 9101003.594 CSRFT1 Fl. 172 3 tomado ciência de sua exclusão, visto que protocolizou SRS dentro do prazo legal. Inobstante a resposta à diligência, em respeito ao Princípio da Economia Processual, passo à análise do feito com base nos documentos constantes do presente processo. No caso dos autos, conforme mencionado, a Interessada pretende ser reincluída no SIMPLES tendo em vista sua exclusão por exercer atividade econômica não permitida pelo regime, isto é, prestação de serviços profissionais de professor e assemelhados. Ocorre que, com a edição da Lei n° 10.034, de 24/10/2000, foi alterado o disposto no Artigo 9°, da Lei n° 9.317/96, ficando excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do referido diploma legal as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental. Aliás, mister se faz destacar que a Instrução Normativa/SRF n° 250, de 26/11/2002, que dispõe sobre o SIMPLES, também exclui das atividades vedadas ao SIMPLES aquelas referentes a creche, préescola e estabelecimento de ensino fundamental, nos termos do disposto em seu artigo 20, parágrafo 5°. Da leitura do "Contrato Social" (fls. 40/42) verificase a razão social da empresa, qual seja: "Centro de Recreação Infantil Pingo de Gente S/A Ltda. ME". Ademais, conforme consta do mesmo instrumento particular, a cláusula terceira dispõe o que segue: "CLÁUSULA TERCEIRA: O objeto social será a exploração do ramo de: prestação de serviços de recreação e educação infantil." Ainda, do mesmo documento também se extrai a informação de que, ambas as sócias são comerciantes. Ora, tendo em vista que a Interessada, sem sobra de dúvidas: (i) não exerce atividade que obrigue a participação de professor; (ii) as sócias sequer são professoras; (iii) o contrato social prevê recreação infantil e, ademais, considerando: (i) o teor da Lei n° 10.034/00 que excluiu da restrição de que trata o inciso XIII, do Artigo 9°, da Lei n° 9.317/96 as pessoas jurídicas que se dediquem às atividades de préescolas; e, (ii) o disposto no artigo 105, do Código Tributário Nacional, que determina ser a legislação tributária aplicável imediatamente aos fatos futuros e pendentes, entendo que deve a Interessada ser reincluida no regime do SIMPLES. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, deferindo a solicitação da Interessada para ser reincluída no SIMPLES, desde 21/03/97, data do seu Termo de Opção (fls. 02). Fl. 173DF CARF MF 4 Os autos foram remetidos à Procuradoria em 08/01/2009 (fls. 96), que interpôs recurso especial em 16/01/2009 (fls. 98), sustentando divergência a respeito da retroatividade da Lei nº 10.034/2000 para legitimar a permanência da contribuinte no Simples Federal, com o acórdão paradigma nº 30335.161, no qual se decidiu que “Tendo os efeitos da exclusão ocorridos antes da edição da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, a pessoa jurídica com atividade de creches, préescola e ensino fundamental, somente pode submeterse à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do ano calendário de 2001, desde que a opção tenha sido efetuada no anocalendário de 2000 ou até o último dia útil do mês de janeiro de 2001”. O recurso especial foi admitido, tendo sido julgado por esta Turma da CSRF, que lhe deu parcial provimento, conforme acórdão assim ementado (acórdão nº 9101003.262): Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 SIMPLES FEDERAL. IRRETROATIVIDADE. CRECHES E PRÉESCOLAS. STJ. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO. 543 C, CPC/1973. SÚMULA CARF 81. RICARF, ART. 62, §2º E ART. 72. As creches e préescolas, por força da Lei nº 9.317/1996, não poderiam optar pelo Simples Federal. A autorização para esta opção, veiculada pela Lei nº 10.034/2000, não tem efeitos retroativos. Nesse sentido, decidiu o Superior Tribunal de Justiça, em acórdão submetido ao regime de recursos repetitivos (Resp 1.021.263) e também o CARF, consolidando o entendimento na Súmula 81. Obrigatoriedade de reprodução das decisões do STJ e das Súmulas CARF, por força dos artigos 62, §2º e 72, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015) Os autos foram remetidos à Procuradoria da Fazenda Nacional em 25/01/2018 (fls. 161), que apresentou embargos de declaração, em 07/02/2018, sustentando “omissão / contradição / obscuridade”, em síntese porque: Entretanto, pela leitura do interior teor do acórdão, não restou claro o ponto no qual a União restou sucumbente a ensejar o provimento parcial, porque, inclusive, um dos argumentos do recurso especial pela irretroatividade é de que a aplicação da Lei 10.034 de 24/10/2000 só é permitida a partir do primeiro dia do anocalendário de 2001. Assim, necessário seja integrado o acórdão para que reste claro o motivo pelo qual o provimento foi parcial. (...) Outrossim, outro ponto que merece ser aclarado é a conclusão da fundamentação do acórdão, que assim dispôs: (...) No caso a conclusão restou obscura, porquanto não se sabe se o contribuinte “poderia” in tese, caso tivesse cumprido os requisitos formais, obter a inscrição retroativa. Ou se, no caso concreto entendeu a nobre Relatora que o contribuinte faz jus à inscrição retroativa quanto aos anos 2001, 2002 e 2003, o que a princípio, digase de passagem, seria extra petita, uma vez que não foi levado tal discussão à instância superior. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13819.001640/200315 Acórdão n.º 9101003.594 CSRFT1 Fl. 173 5 Ademais, ainda que tenha constado na conclusão tão somente em tese que poderia o contribuinte obter a inscrição retroativa após a vigência da Lei 10.034/00, por oportuno, cumpre ainda registrar que, conforme apontou a DRF, a empresa já havia sido excluída da sistemática do Simples, por meio do Ato Declaratório 137231, de 09/01/999, pelo exercício de atividade então vedada para ingresso na sistemática. Sendo que tal Ato foi objeto de Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples (SRS), a qual, como consta do sistema Sivex (f1.49), foi indeferida, tornandose definitiva a exclusão em 28/09/99. Assim, contraditório falarse em uma inclusão com efeitos retroativos, ainda que em tese, quanto aos anos de 2001, 2002 e 2003 ao amparo da Lei nº 10.034/00, com base no Termo de Opção apresentado em 1997, quando esse termo já perdera sua eficácia, pela contraposição de ato administrativo em sentido contrário, antes mesmo da publicação da citada Lei nº 10.034/00. Os embargos foram admitidos em parte pela Presidente da 1ª Turma da CSRF, verbis: Nos presentes embargos, a Fazenda Nacional afirma que o acórdão embargado contém "omissão/contradição/obscuridade". Afirma que a decisão não apontou de forma clara "o motivo pelo qual o provimento foi parcial". Afirma que a decisão restou obscura quanto ao seu alcance, não deixando claro se o contribuinte deverá ter seu pleito atendido a partir de 2001 ou se apenas declara seu direito de pleitear, ressalvados os requisitos formais, conforme o seguinte excerto (fls. 163) (...) Entendo que assiste razão ao embargante, na medida em que não foi apontado, de forma expressa, a parte do pedido contido no recurso especial para a qual não foi dado provimento. Também entendo que não restou clara, na decisão, a providência a ser adotada pela Administração Tributária, entre realizar a inscrição retroativa a partir de 2001, atendendo em parte ao pedido original do contribuinte, ou dar deferimento a eventual novo pedido de inclusão retroativa, limitado a 2001 O embargante ainda reclama de contradição na decisão embargada, caso esta seja no sentido de acatar a inclusão retroativa a partir de 2001, considerando que o contribuinte foi excluído do Simples em 1999, antes mesmo da vigência da Lei que levantou a barreira contra a atividade por ele exercida, conforme o seguinte excerto (fls. 164): (...) Entendo que esta última reclamação não pode ser aferida no presente momento, exatamente em razão da incerteza quanto ao alcance da decisão, conforme apontado anteriormente. Não se pode supor que a decisão tenha determinado alcance para, a partir daí, afirmar a sua contradição. Com isso, entendo que os embargos de declaração não devem ser admitidos quanto a esse tópico. Fl. 175DF CARF MF 6 Diante do exposto, acolho em parte os embargos de declaração em tela, para que a Turma Julgadora esclareça a parte do pedido do recurso especial que não foi contemplada e esclareça o alcance da decisão prolatada, nos termos acima exarados, em conformidade com o artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF). É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Como acima relatado, a Turma a quo havia decidido por deferir o pedido de inclusão retroativa (formalizado em 2003), legitimando a permanência do contribuinte no Simples desde março de 1997. Trecho do voto condutor no acórdão recorrido nesse sentido: "Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, deferindo a solicitação da Interessada para ser reincluída no SIMPLES, desde 21/03/97, data do seu Termo de Opção (fls. 02)." O recurso especial, julgado por esta Turma, havia sido interposto pela Procuradoria, que pleiteou o restabelecimento da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, que, por sua vez, entendeu pela impossibilidade inclusão retroativa no Simples. A despeito disso, a Procuradoria trata no recurso o processo como de exclusão do Simples, como se extrai das razões do seu recurso especial: 1. O presente feito teve início com a impugnação da contribuinte a despacho que determinou a sua exclusão do SIMPLES, motivada pelo exercício de atividade econômica vedada, no caso, prestação de serviços de recreação e educação infantil. (...) 9. Visualizase no acórdão paradigma a necessidade de que os efeitos da exclusão sejam posteriores à vigência da Lei 10.034/2000, o que não é o caso dos autos, em que os efeitos da exclusão remontam ao anocalendário de 1999. 10. Constatouse nos autos que a empresa, quando da sua exclusão do simples, ou seja, em 1999, data anterior à vigência da Lei 10.034 de 24/10/2000, praticava atividades de recreação e educação infantil (fls. 87). 11. Dessa forma, demonstrada a divergência entre a decisão recorrida e o(s) paradigma(s) colacionado(s) (inteiro teor anexo), encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial, consoante o disposto no artigo 7°, II, e 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 147/2007). No entender desta relatora, o equívoco da Procuradoria está em interpretar que o seu pedido no recurso especial – ou mesmo o pedido inicial do contribuinte para inclusão retroativa – era unicamente para o período anterior à Lei nº 10.034/2000. A leitura dos autos revela que o pedido de inclusão retroativa tratava de 1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13819.001640/200315 Acórdão n.º 9101003.594 CSRFT1 Fl. 174 7 Ademais, equivocase a Procuradoria ao interpretar que pedido de inclusão retroativa é idêntico ao pedido de revisão por exclusão do Simples. O caso dos autos é de pedido de inclusão retroativa formalizado em 2003, quando já vigia a Lei nº 10.034/2000, sem que existam provas da exclusão do contribuinte quanto ao Simples anteriormente. Nesse sentido, destaco trecho do acórdão recorrido: Verificase que existe uma suposição (não respaldada por documentação acostada aos autos) de que a Interessada tenha tomado ciência de sua exclusão, visto que protocolizou SRS dentro do prazo legal. Feitos tais esclarecimentos iniciais, lembro teor do voto condutor no acórdão embargado, que explicita as razões pelas quais entendeu pelo acolhimento parcial do pedido de inclusão retroativa a partir de 2001, quando vigente a Lei nº 10.034/2000: Nesse contexto, a Lei nº 10.034/2000 passou a estabelecer que a restrição do artigo 9º, XIII, da Lei nº 9317/1996 não se aplicaria às creches e préescolas, nos termos expressos no artigo 1º: Art. 1º Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: creches, pré escolas e estabelecimentos de ensino fundamental. A previsão da aplicabilidade da Lei nº 10.034/2000 foi expressa por seu artigo 4º: Art. 4o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação. A lei 10.034, portanto, entrou em vigor no dia 25/10/2000, aplicandose a partir do ano calendário seguinte (2001). Esclareçase que o artigo 1º, da Lei nº 10.034/2000 foi alterado pela Lei nº 10.684/2003, sem alteração relevante quanto às creches e préescolas: Art. 1o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem exclusivamente às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 2003) I – creches e préescolas; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003) II – estabelecimentos de ensino fundamental; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003) III – centros de formação de condutores de veículos automotores de transporte terrestre de passageiros e de carga; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003) IV – agências lotéricas; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003) V – agências terceirizadas de correios; (Incluído pela Lei nº 10.684, de 2003) Pois bem. Fl. 177DF CARF MF 8 A Lei nº 10.034/2000 e a Lei nº 10.684/2003 não foram instituídas no sistema jurídico como normas interpretativas, que pudessem retroagir para legitimar a opção pelo Simples Federal quanto às creches, em anos anteriores. Oportuno lembrar que o legislador federal foi expresso quando editou norma interpretativa, como se observa do artigo 4º, §1º, §2º e §3º, 3º, da Lei nº 10964/2004, ao tratar de serviços distintos dos analisados no presente processo: Art. 4o Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I – serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) II – serviços de instalação, manutenção e reparação de acessórios para veículos automotores;(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) III – serviços de manutenção e reparação de motocicletas, motonetas e bicicletas; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) IV – serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V – serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art. 9o da Lei no 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal – SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3º Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2o deste artigo ter ocorrido durante o anocalendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal – SRF promoverá a reinclusão de ofício dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) Ademais, é pertinente lembrar que a Instrução Normativa SRF nº 115, de 29/12/2000, interpretava o tema da forma seguinte: Art. 1º As pessoas jurídicas que se dediquem às atividades de creches, préescolas e estabelecimentos de ensino fundamental Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13819.001640/200315 Acórdão n.º 9101003.594 CSRFT1 Fl. 175 9 poderão optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. § 1º A opção efetuada no anocalendário de 2000 ou até o último dia útil do mês de janeiro de 2001, pelas pessoas jurídicas inscritas no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário de 2001. § 2º No caso de início de atividade, no anocalendário de 2000, a partir de 25 de outubro de 2000, a opção formalizada na Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica FCPJ, submete a pessoa jurídica ao SIMPLES no próprio anocalendário de 2000. § 3º Fica assegurada a permanência no sistema das pessoas jurídicas, mencionadas no caput, que tenham efetuado a opção pelo SIMPLES anteriormente a 25 de outubro de 2000 e não foram excluídas de ofício ou, se excluídas, os efeitos da exclusão ocorreriam após a edição da Lei nº 10.034, de 2000, desde que atendidos os demais requisitos legais. A própria Receita Federal, portanto, admitia a permanência no Simples de pessoa jurídica que se dedicasse à atividade de creche ou préescola, com opção anterior à Lei nº 10.034/2000. A única condição era que não tivessem estas pessoas jurídicas sido excluídas anteriormente, ou, se excluídas, com efeitos posteriores à citada lei. Ocorre que o E. Superior Tribunal de Justiça decidiu, sob o regime de recursos repetitivos: (...) 6. A irretroatividade da Lei 10.034/2000, que excluiu as pessoas jurídicas dedicadas às atividades de creche, pré escola e ensino fundamental das restrições à opção pelo SIMPLES, impostas pelo artigo 9º, da Lei n.º 9.317/96, restou sedimentada pelas Turmas de Direito Público desta Corte consolidaram o entendimento da irretroatividade da Lei uma vez inexistente a subsunção a quaisquer das hipóteses previstas no artigo 106, do CTN, verbis: (...) (REsp 1021263, Primeira Seção, Relator Ministro Luiz Fux, DJ de 18/12/2009) (...) Pondero, por fim, que a Súmula CARF 81 veda a aplicação retroativa de lei que altere as atividades cujo ingresso no Simples seja permitido: Súmula CARF 81 É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples. Analisando os precedentes que originaram esta Súmula, há um precedente que trata especificamente de atividade da Recorrente (creches e préescola) – acórdão nº 9101000.843. Fl. 179DF CARF MF 10 Os Conselheiros do CARF também estão vinculados às Súmulas editadas na forma do artigo 72, do RICARF (Portaria MF nº 343/2015). Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. Por tais razões, voto por: conhecer e dar parcial provimento ao recurso especial da Procuradoria, reconhecendo a irretroatividade da Lei nº 10.034/2000, mas a vigência desta Lei a partir de 2001, razão pela qual o contribuinte poderia obter inscrição retroativa do Simples quanto aos anos de 2001, 2002 e 2003.(...) Diante disso, entendo que não há qualquer “omissão / contradição / obscuridade”, afinal, esta Turma analisou o pedido de inclusão retroativa no Simples decidindo pela aplicação da Lei nº 10.034/2000 sem efeitos retroativos, em respeito à Súmula CARF e repetitivo do STJ. Exatamente por isso o provimento ao recurso especial foi parcial (pois a Procuradoria pleiteava a negativa total da inclusão retroativa, quanto aos anos de 1997 a 2003), sem que configure julgamento extra petita. Caso os autos tratassem de exclusão do Simples, como equivocadamente entendeu a Procuradoria, a solução adotada pela Turma poderia ser diferente. Para que não restem quaisquer dúvidas, a providência a ser adotada pela Administração Tributária é atender em parte o pedido original do contribuinte, para reconhecer a possibilidade de inclusão retroativa na forma da decisão embargada. Assim, entendo por não conhecer os embargos de declaração da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 13504.000030/2003-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998
NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO.
Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento eletrônico que tem por fundamentação proc. jud. de outro CNPJ.
Numero da decisão: 9303-006.673
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. de outro CNPJ”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3801004.364, de 18/09/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da 1ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme ementa transcrita abaixo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 4. 00 00 30 /2 00 3- 48 Fl. 256DF CARF MF Processo nº 13504.000030/200348 Acórdão n.º 9303006.673 CSRFT3 Fl. 257 2 "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1998 a 31/12/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ART. 149 DO CTN. NULIDADE. A ausência de qualquer um dos elementos listados no artigo 149 do CTN como justificativa para que a DRJ altere a fundamentação do auto de infração, dá causa à nulidade do lançamento por defeito da estrutura, e não apenas por vício formal, caracterizado pela inobservância de uma formalidade exterior ou extrínseca necessária para a correta configuração desse ato jurídico." No recurso especial, a Fazenda Nacional insurge contra o cancelamento do auto de infração, alegando, em síntese, que o fundamento utilizado para o lançamento foi "a falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata"; o Contribuinte entendeu o fundamento da autuação, tanto que, em suas manifestações traz informações sobre as ações judiciais por ele intentada e serviram como fundamento para a compensação dos débitos, objeto do lançamento em discussão; só há nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, nos casos que ficar caracterizado o óbice ao exercício do direito; ainda que se considerasse que houve alteração de motivação do lançamento, isto não teria o condão de modificar a situação prática verificada no processo administrativo, tendo em vista que o lançamento é uma imposição legal, da qual o contribuinte não pode se furtar. Por meio do despacho às fls. 196/200, o Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Intimado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho de sua admissibilidade, o Contribuinte apresentou contrarrazões, requerendo preliminarmente o não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, sob o argumento de que não preenche os requisitos necessários, faltou comprovar a divergência; e, no mérito, o seu improvimento, alegando, em síntese, que não houve falta de pagamento ou declaração inexata; a autuação em questão decorreu da suposta inexistência de comprovação do processo judicial que amparou as compensações dos valores declarados em DCTF que posteriormente foi devidamente comprovada a existência. É o relatório. Voto Conselheiro Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O recurso apresentado atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A preliminar de não conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional, suscitada pelo Contribuinte, não procede. Conforme demonstrado no respectivo despacho de admissibilidade de recurso especial, foi demonstrado e comprovado o atendimento dos Fl. 257DF CARF MF Processo nº 13504.000030/200348 Acórdão n.º 9303006.673 CSRFT3 Fl. 258 3 pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matéria oposta nesta instância especial restringese ao cancelamento do lançamento por falta e/ ou alteração da motivação e fundamentação legal. O auto de infração em discussão decorreu da auditoria interna da DCTF do primeiro trimestres de 1997, conforme consignado às fls. 89/90, onde consta: "4 Demonstrativo de Crédito Tributário"; "4.1 Contribuição (ANEXO III DEMONSTRATIVO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO A PAGAR"; À fl. 40, consta: "DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL PIS/1998". No campo intitulado "Descrição", temse "FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL. DECLARAÇÃO INEXATA, conforme Anexo III", "DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO TRIBUTADO A PAGAR, em anexo". Na sequência, consta todo o enquadramento legal. Já no "Anexo I DEMONSTRATIVO DOS CRÉDITOS VINCULADOS NÃO CONFIRMADOS", consta na coluna "OCORRÊNCIA" o fundamento "Proc. jud. de outro CNPJ" O colegiado da Câmara baixa entendeu que o "auto de infração peca pela ausência do motivo, porquanto seu fundamento fático é DECLARAÇÃO INEXATA consubstanciada expressão PROC JUD NÃO DE OUTRO CNPJ. E nestes autos, com as cópias das decisões judiciais anexadas, a recorrente comprova ser falso o suporte fático que se apara o auto de infração, sendo ela parte na ação judicial indicada na DCTF". Conforme demonstrado no acórdão recorrido e se verifica do auto de infração, sua fundamentação está incompleta e equivocada. O processo judicial nº 98.1122216 indicado na DCTF, de fato existe, e o Contribuinte é parte na ação. Se o contribuinte não pode apresentar as razões corretas para sua defesa, em ambas as instâncias administrativas, não pode a autoridade julgadora superior suprir procedimentos próprios da autoridade lançadora, agravando sua exigência ou modificando os argumentos, fundamentos e motivação, implicando em inovação. A motivação do ato administrativo, no ordenamento pátrio é obrigatória como pressuposto de existência ou como requisito de validade, conforme entendimento da doutrina, confirmada por meio da norma positiva, nos termos do art. 2º da Lei nº 4.717/1965, Mas recentemente, a Lei nº 9.784/1999, corroborou a imprescindibilidade da motivação como sustentáculo do ato administrativo, literalmente: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; (...). § 1ª A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...)." Fl. 258DF CARF MF Processo nº 13504.000030/200348 Acórdão n.º 9303006.673 CSRFT3 Fl. 259 4 Também, a doutrina ensina que a falta de congruência entre a situação fática anterior à prática do e seu resultado, invalidao por completo. Disto resulta a teoria dos motivos determinantes. Segundo Hely Lopes Meirelles, "tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade" (Manual de Direito Administrativo, José dos Santos Carvalho Filho, Ed. Lumen Juris, 1999, pág. 81). Assim, demonstrado e comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e que a compensação foi amparada nele, mostrase incorreto o pressuposto fático que deu suporte ao auto de infração, em relação aos débitos lançados sob o fundamento de "Proc jud não comprovado". Neste mesmo sentido, existem precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme transcrito abaixo: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 30/06/1997 NORMAS PROCESSUAIS. IMPROCEDÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO DO LANÇAMENTO. Comprovado que o processo judicial informado na DCTF existe e trata do direito creditório que se informa ter utilizado em compensação, deve ser considerado improcedente o lançamento “eletrônico” que tem por fundamentação “proc. jud. não comprova”. Recurso negado.” (Ac. nº 9303002.326, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres, unânime, sessão de 20/06/2013). “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 LANÇAMENTO. FUNDAMENTAÇÃO EM FALTA DE COMPROVAÇÃO DE PROCESSO JUDICIAL. DEMONSTRAÇÃO DA REGULARIDADE DO PROCESSO JUDICIAL. IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO. O lançamento motivado em "declaração inexata" em razão de "processo judicial não comprovado" deve ser julgado improcedente, caso o contribuinte comprove a existência e regularidade do processo judicial e, portanto, da situação do crédito tributário corretamente declarado na DCTF. Recurso negado.” (Ac. nº 9303.002914, 3ª Turma CSRF, Rel. Cons. Maria Teresa Martínez López, unânime, sessão de 10/04/2014). À luz do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 259DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.913814/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.558
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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MONTREAL INFORMÁTICA S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 09053.517, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra o Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, em 29/07/2005, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao anocalendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 81 4/ 20 12 -0 8 Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10680.913814/201208 Resolução nº 1302000.558 S1C3T2 Fl. 3 2 O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Previamente à apreciação dos Recursos, fazse necessário esclarecimento, de modo que deixo de detalhar as razões recursais e passo à elucidação dos pontos a serem esclarecidos. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302 000.556, de 16.03.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.556): O exame dos documentos constantes do processo nº 13009.00062/200504 indica que o sujeito passivo parcelou, em janeiro de 2005, débitos relativos a estimativas de CSLL, referente ao anocalendário de 1999, no total de R$ 588.468,60. Em agosto de 2006, contudo, o referido parcelamento foi rescindido, para adesão ao parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006. Em setembro de 2009, nova rescisão, desta vez para adesão ao parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Extrato constante à fl. 292 daquele processo, ainda, faz parecer que todo o débito teria sido quitado no âmbito deste último parcelamento. A quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.913814/201208 Resolução nº 1302000.558 S1C3T2 Fl. 4 3 É que o presente processo constitui paradigma em relação a lote de processos com fundamento em idêntica questão de direito (repetitivos), na forma permitida pelo art. 47, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. PROCESSO DATA DO PAGAMENTO VALOR TOTAL DO PAGAMENTO 10680.913813/201255 30/06/2005 23.178,06 10680.913814/201208 29/07/2005 23.523,58 10680.913815/201244 31/08/2005 23.851,71 10680.913816/201299 30/09/2005 24.212,44 10680.913817/201233 31/10/2005 24.538,40 10680.913818/201288 30/11/2005 24.844,81 10680.913819/201222 29/12/2005 25.144,69 10680.913821/201200 31/01/2006 25.464,13 10680.913820/201257 24/02/2006 25.774,89 10680.913822/201246 31/03/2006 26.024,79 10680.913823/201291 28/04/2006 26.333,37 10680.913824/201235 31/05/2006 26.568,06 10680.913816/201299 30/06/2006 26.846,21 Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, converto o julgamento em diligência para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte/MG), para que: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10680.913814/201208 Resolução nº 1302000.558 S1C3T2 Fl. 5 4 a) informe sobre o saldo a pagar referente ao processo nº 13009.000190/0046, e, em caso de extinção total ou parcial, detalhar a forma de extinção do referido saldo; b) informar se os pagamentos realizados no processo nº 13009.00062/200504 foram utilizados para quitação de débitos, discriminadamente, bem como sobre eventual saldo disponível; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Cumpridas as diligências, reencaminhese o processo a este Colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 158DF CARF MF
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