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Numero do processo: 15956.000022/2007-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 10/03/2002, 20/03/2002, 31/03/2002, 10/04/2002, 20/04/2002, 30/04/2002, 20/12/2002, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 6. 00 00 22 /2 00 7- 32 Fl. 853DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Antônio Lisboa Cardoso Relator Andrea Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de decisão da DRJ de Salvador (BA), que julgou procedente o auto de infração de fls. 08/16, cientificado à contribuinte em 13/02/2007 (fl. 07), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados– IPI, sintetizado na ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 10/03/2002, 20/03/2002, 31/03/2002, 10/04/2002, 20/04/2002, 30/04/2002, 20/12/2002, 31/03/2003, 10/04/2003, 20/04/2003, 30/04/2003, 10/05/2003, 20/05/2003, 31/05/2003, 10/06/2003, 30/06/2003, 31/08/2003, 30/09/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. ILEGITIMIDADE ATIVA. In cabíveis a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. No caso de produtos fabricados por estabelecimentos cooperados que vierem a ser exportados pela sociedade cooperativa, eventual crédito pertence ao estabelecimento produtor e não à cooperativa. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI INDEVIDO. LANÇAMENTO DO IPI. FALTA DE RECOLHIMENTO. A concessão e o aproveitamento de qualquer benefício ou incentivo fiscal estão subordinados ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação de regência. É lícito ao Fisco proceder à glosa do crédito presumido do IPI irregularmente apropriado pela sociedade cooperativa, e, verificado o aproveitamento dos créditos presumidos indevidamente apurados, mediante recebimento de créditos por transferência, cabe o lançamento de ofício do imposto que deixou de ser pago em razão da redução indevida do tributo a recolher. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 854DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000022/200732 Acórdão n.º 3301001.735 S3C3T1 Fl. 843 3 De acordo com a decisão recorrida, em relação ao item 001, consta que a empresa fiscalizada, COPERSUCAR, CNPJ 61.149.589/013752, ora Recorrente, firmou com a Usina Açucareira de Jaboticabal S. A., CNPJ 50.376.912/000130, Regime Especial de Substituição Tributária do IPI, consubstanciado no Termo de Acordo nº 24, de 23/12/1997, cópia às fls.664/6 66, assumindo a condição de responsável tributária relativamente ao IPI devido nas operações realizadas pela empresa citada, considerada substituída, inclusive quanto à apuração e pagamento do imposto na forma ali estabelecida, exclusivamente, quanto ao produto "açúcar " quando remetido pelo substituído ao substituto. Por consequência, a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar), apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial (CNPJ nº 61.149.589/013752) para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, relativo ao 1º decêndio de março de 2003 ao 3º decêndio de setembro de 2003, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996. Consta ainda que a contribuinte impetrou contra a União ações de mandado de segurança relativamente às safras de 2001/2002, 2002/2003 e 2003/2004, através dos processos ora discriminados respectivamente, de n°:MS 2001.61.00.0084924 (obteve em 1ª Instância Liminar e Sentença favorável, a qual foi cassada, pelo Tribunal Regional Federal, em 18/09/2006, fl. 387; MS 2002.61.00.0047968 (a contribuinte não obteve liminar e nem sentença favorável, inclusive em 2ª instância, fl. 388; e MS 2003.61.00.0077588 (fls. 386/638, foi indeferida a liminar e julgado improcedente o pedido, no recurso de apelação pela impetrante na esfera do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, foi negado provimento, por unanimidade, em 06/09/2006, indeferida concessão de segurança para que fosse eximido do destaque e recolhimento do IPI nas saídas do produto "Açúcar ", considerando alíquota de 5% conforme dispõe o Decreto nº 2.917, de 19 98, fl. 389); no processo de Medida Cautelar nº 2005.03.00.0 727229 (fl.391),que tem como objeto obstar a exigibilidade do IPI incidente sobres as operações de saída de açúcar da Safra de 2003/2 004, foi concedido "liminar para restaurar a eficácia da tutela concedida nos autos de agravo de instrumento até que haja pronunciamento da turma julgadora ". Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem sido apurados de forma concentrada no estabelecimento matriz que recebeu os créditos, nos termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus cooperados, com base na então vigente Instrução Normativa SRF nº 64, de 13 de agosto de 1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. Cientificada em 27/01/2012 (AR – fl. 164) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 166 e seguintes, em 27/02/2012, em relação ao mérito afirma que, na condição de uma das filiais operadoras da Cooperativa – Matriz (CNPJ 61.149.589/000189), utilizouse de créditos presumidos de IPI, calculados e transferidos por aquela Matriz para a filial, ora Recorrente, creditandose no seu Livro de Registro de Apuração do IPI, pelos créditos transferidos, por meio de Notas Fiscais de Transferência, correspondentes ao período de 2003 a 2005, utilizandoos para compensação com débitos do mesmo IPI. Fl. 855DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Argui preliminar de nulidade afirmando que a decisão recorrida, acolheu a argumentação de que a cooperada tem direito ao crédito presumido de IPI, por ser um estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. Aduz ainda que as vendas efetuadas são dos cooperados, visto que, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado, sendo a cooperativa mera mandatária legal em todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos os cálculos do incentivo em discussão, possuindo todos os dados necessários, visto que também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96. Sustenta por fim, quanto è elaboração do DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) a Nota Cosit nº 234/2003, por não acolher a tese de que as vendas em comum devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria admitido a transferência de crédito presumido entre estabelecimentos de pessoas jurídicas distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições legais, devendo o mesmo ser conhecido. Conforme relatado, o presente auto de infração é decorrente da glosa da compensação de valores originários de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado pelo estabelecimento matriz da COPERSUCAR e transferido por meio de notas fiscais de transferência para o estabelecimento filial, ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. Inicialmente deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, vez que, o reconhecimento pela decisão recorrida no sentido de ser a cooperada produtora e exportadora, com direito à fruição do crédito presumido de IPI, apenas reflete o entendimento do julgador a quo quanto ao real beneficiário do incentivo, não caracterizando qualquer agravamento da exigência. A decisão recorrida está baseado no fato da Nota Cosit n° 234, de 01 de agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedandose à cooperativa centralizadora Fl. 856DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000022/200732 Acórdão n.º 3301001.735 S3C3T1 Fl. 844 5 de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: "21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas especificas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na condição de responsável, mas só a parcela que di2a respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias." Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; Fl. 857DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; [...] Assim sendo, o fato da Recorrente ter centralizado a apuração do crédito presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de impedimento para a fruição do benefício, pelo contrário, está de acordo com a legislação que rege o crédito presumido. Da mesma forma dispõe a Lei nº 9.363, de 1996, constando que o crédito presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia ser utilizado e requerido pelo produtor exportador, entretanto, de acordo com a Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de seu art. 79, define o que seja atos cooperativos, os quais não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características Fl. 858DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000022/200732 Acórdão n.º 3301001.735 S3C3T1 Fl. 845 7 [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifado) Conquanto o produtorexportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas físicas associados à cooperativa, todo o processo de industrialização e exportação é feito através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, é o que depreendese do art. 83, da citada lei: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, logo o benefício fiscal concedido se destina ao produtor exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se falar em apropriação pela cooperativa do resultado obtido com a exportação, que será revertido aos produtores rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. Para fins de definição do ato cooperado, especialmente no que se refere à entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº 5.764, de 1971, a jurisprudência do colendo Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto depende do exame dos fatos, isto é, depende da forma em que o negócio ocorre entre a cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O ACÓRDÃO LOCAL, ANTE O EXAME DOS FATOS, ESPECIALMENTE A EXECUÇÃO DADA PELAS PARTES, DEFINIU COMO CONTRATO ESPECIFICO ENTRE COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 5.764, DE 16.11.71), E NÃO COMO CONTRATO DE DEPOSITO IRREGULAR (ART. 1.280 DO CÓDIGO CIVIL). APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. (RE 92902, Relator(a): Min. DÉCIO MIRANDA, Segunda Turma, julgado em 07/10/1980, DJ 24101980 PP08610 EMENT VOL0118903 PP00727 RTJ VOL0009503 PP 01380). Fl. 859DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 No mesmo sentido, entendendo que a exportação através da cooperativa, como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in verbis: PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EXPORTAÇÃO POR COOPERATIVA, QUE TERIA FUNCIONADO COMO MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO PARA CUJO REEXAME NÃO CABE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02061975 PP*****) O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: “É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo não adquire o produto de seus cooperados. Funciona ela como mandatária No exercício das funções para as quais fora criada, podendose mesmo dizer que atua como autêntica “manus longa” dos cooperados.” Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 279, 280 e 454 desta Corte. 1. O Tribunal local, com base nos elementos probatórios do autos e na legislação infraconstitucional (Leis nºs 5.764/71, 5.641/89, 7.640/99, 8.464/02 e 8.725/03), consignou que a agravada presta serviços aos seus próprios cooperados. Alterar esse entendimento para análise dos argumentos expendidos pelo agravante requereria reexame das leis em comento, do contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, fato vedado nesta instância recursal. Incidência, na espécie, das Súmulas nºs 279, 280 e 454 do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo regimental não provido. (AI 645954 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 21/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe176 DIVULG 05092012 PUBLIC 06092012) (grifado). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firme no sentido de que o ato cooperado não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. INCIDÊNCIA. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000022/200732 Acórdão n.º 3301001.735 S3C3T1 Fl. 846 9 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). (AgRg no REsp 653.489/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No caso concreto, entendo que o estão presentes os pressupostos estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 12 e 13 (Capítulo III – Dos Objetivos e Operações), do Estatuto Social da COPERSUCAR (CNPJ nº 61.149.589/000189, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão vejamos: “Capítulo III Dos Objetivos e Operações [...] Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus associados: receber, financiar e vender a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel de seus associados. [...] Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, venderá a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel, de seus associados, de forma a conciliar os interesses dos produtores e consumidores. A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social da Cooperativa: Art. 15. No curso da safra, o associado terá direito a adiantamento em valor igual aos financiamentos obtidos pela Cooperativa de qualquer estabelecimento de crédito, com garantia do produto que lhe foi entregue para venda, e proporcional à entrega. Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos entregues para venda em comum, a Cooperativa rateará aos associados, as margens líquidas que forem resultando, respeitados os valores dos ágios e deságios por qualidade, que houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. Fl. 861DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 79 e 83, da Lei Geral das Cooperativas, permitindo concluir que não se não houve ato mercantil entre Cooperativa e seus associados. Por último, conforme demonstrado, o fato do crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, o que no caso não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso, Relator Fl. 862DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 15956.000022/200732 Acórdão n.º 3301001.735 S3C3T1 Fl. 847 11 Voto Vencedor Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora Peço vênia para divergir do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, especialmente pelo fato do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, ter sido apurado pela cooperativa, no caso a Recorrente, a COPERSUCAR, ainda que tenha sido transferido por meio de notas fiscais de transferência para os estabelecimentos filiais, da ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. Ao contrário da conclusão do i. Relator, a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. Em relação às ações judiciais noticiadas nos autos, não consta nenhuma autorização para a apuração ou aproveitamento dos benefícios fiscais usufruídos por seus cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo alcançar os fatos discutidos no presente processo. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido constitui um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora Fl. 863DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 12 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Andréa Medrado Darzé, Redatora Fl. 864DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 19311.720399/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERADOS - NÃO CONFIGURADO
Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/91, é necessária que a prestação dos serviços pelas cooperativas à autuada fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91
Não restou comprovado a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, já que a autuada não celebrou contrato de prestação de serviços, mas sim contrato de permissão de serviço público de transporte coletivo de passageiros.
Numero da decisão: 2301-003.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2008 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS POR COOPERADOS - NÃO CONFIGURADO Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/91, é necessária que a prestação dos serviços pelas cooperativas à autuada fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Não restou comprovado a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, já que a autuada não celebrou contrato de prestação de serviços, mas sim contrato de permissão de serviço público de transporte coletivo de passageiros.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 99 /2 01 1- 24 Fl. 763DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Fl. 764DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720399/201124 Acórdão n.º 2301003.986 S2C3T1 Fl. 763 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à 15% sobre o valor dos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativa de trabalho Conforme Relatório Fiscal, a autuada foi contratante de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho, e deixou de recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação dos serviços, em desacordo com o que estabelece o art. 22 da Lei 8.212/91, em seu inciso IV, incluído pela Lei 9.876/99. Segundo a fiscalização, a autuada, na condição de tomadora dos serviços de cooperativa, deve recolher 15% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema local da ÁREA 1, no município de São Paulo, prestado pelo CONSÓRCIO TRANCOOPER FÊNIX. A autoridade lançadora traz o histórico da legislação municipal que trata do transporte público da cidade de São Paulo e discorre sobre a criação do Consórcio Transcooper, com o qual foi firmado Termo de Permissão Para Prestação do Serviço de Operação de Transporte Coletivo de Passageiros, na Área 01 do Subsistema Local, no Município de São Paulo. Informa que a gestão financeira das receitas e despesas do Serviço de Transporte Coletivo Público permanece a cargo da São Paulo Transportes S/A e que a SPTrans é responsável pelo pagamento das remunerações das cooperativas que operam no sistema de transporte coletivo, conforme estabelecido nos instrumentos de outorga das permissões (“contratos de adesão”). Discorre sobre a forma de remuneração das cooperativas, e conclui que, como contratante de cooperativas de trabalho para prestação de serviços, a autuada enquadrase na condição de sujeito passivo da contribuição previdenciária prevista no art.22, inciso IV, da Lei 8.212/91, a partir de março de 2000, em razão da alteração promovida pela Lei 9.876/99. O agente autuante demonstra, a seguir, o cálculo utilizado para apuração do crédito previdenciário, esclarecendo que a base de cálculo foi aferida indiretamente, uma vez que não houve previsão contratual dos valores correspondentes aos materiais ou equipamentos utilizados, observando que, após 02/2007, além dos juros, foi cobrada multa de mora, conforme previsto no art. 259, §4o, da IN SRP 971/09. Esclarece, ainda, que foi feito um comparativo entre as multas vigentes antes e depois da MP 449/2008, e aplicada a mais benéfica ao contribuinte para os fatos geradores anteriores a 04/12/2008, conforme o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inciso II, “c”, do CTN, ou seja, aplicouse a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, nas competências de 04/2007 a 11/2008, haja vista ter se demonstrado mais benéfica ao contribuinte, e a multa de 75% da legislação vigente na competência 12/2008. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 O Município de São Paulo apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, que não há que se falar em ausência de recolhimento de contribuição previdenciária, por falta de previsão legal. Sustenta que a contribuição prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/91 é sobre o valor pago pelo tomador quanto aos serviços que lhe são prestados por cooperado por intermédio de cooperativa de trabalho, e que, no caso em tela, a contratação da cooperativa teve como intuito a prestação de serviço público de transporte à população por meio de permissionários, os quais recebem, como contrapartida, as tarifas pagas pelos usuários. A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05039.639, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 714), julgou a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário e recorrendo dessa decisão a este Conselho de Contribuintes. Entenderam os julgadores de primeira instância que a prestação dos serviços noticiados nos autos, pelo Consórcio Transcooper Fênix, não constitui fato gerador da contribuição prevista no inciso IV, do art. 22, da Lei 8.212/91. Cientificada da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, a autuada não se manifestou. É o relatório. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720399/201124 Acórdão n.º 2301003.986 S2C3T1 Fl. 764 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. A 6a Turma da DRJ/CPS recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou procedente as impugnações apresentadas e que exonerou o débito lançado contra o MUNICÍPIO DE SÃO PAULO e outros. Entenderam os julgadores de primeira instância, assim como a autuada, que não houve fato gerador da contribuição de que trata o inciso IV, ar. 22, da Lei 8.212/91. Já a fiscalização entende que o serviço de transporte coletivo público de passageiros do Município de São Paulo foi prestado à autuada por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho. Impõe, portanto, verificar a modalidade com que os serviços públicos de transporte de passageiros do município foram prestados. A fiscalização alega que o Município tomou serviços dos cooperados das cooperativas que integram o CONSÓRCIO TRANCOOPER FÊNIX e, nessa condição, deveria recolher 15% sobre o valor da prestação dos serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema local da ÁREA 1. A autuada se defende do débito argumentando que a contratação da cooperativa teve como intuito a prestação de serviço público de transporte à população por meio de permissionários, os quais recebem, como contrapartida, as tarifas pagas pelos usuários. É fato que a Administração Pública pode recorrer à colaboração de terceiros para melhor cumprir suas atividades e realizar suas funções. Contudo, há que se distinguir terceirização na Administração Pública, das chamadas concessões e permissões de serviços públicos. A terceirização é o instituto pelo qual a Administração busca a parceria com o setor privado para a realização de suas atividades. Tudo aquilo que não é objetivo institucional do órgão público pode ser transferido para terceiros. A Lei nº 8.666/93 define “serviços” como a atividade destinada a obter determina utilidade de interesse para a Administração (art. 6º, II). Portanto, o serviço objeto de terceirização é uma tarefa prestada pelo particular (contratado), imediatamente à Administração, para apoio ao exercício de suas atribuições. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Ou seja, o Órgão Público contrata uma cooperativa ou empresa para prestar serviços de limpeza, para manutenção de suas instalações, ou de segurança, para guardar suas repartições, ou mesmo de transporte de passageiros, para transportar seus funcionários. Assim, a Administração estaria terceirizando suas atividadesmeio. O objetivo da terceirização restringese ao repasse a empresas privadas ou cooperativas de trabalho especializadas em determinadas atividadesmeio ou atividades executivas e bucrocráticas de apoio (serviços administrativos), realizadas no âmbito interno da Administração Pública, a fim de que o ente ou órgão público possa se empenhar nas suas competências finalísticas dispostas em lei. Já as atividades fins são voltadas diretamente aos administrados, e sua prestação é obrigatória pelo Estado, que o fará como serviço público, sob regime de direito público. Constatase que, cada vez mais, prestações de serviços públicos vêm sendo repassadas para a iniciativa privada, por meio dos institutos da concessão e da permissão, formas de descentralização de serviços por colaboração. Da mesma forma, a Administração vem enxugando seus quadros e dinamizando a execução de suas atividades através da contratação de terceiros, vale dizer, por meio da terceirização. No entanto, a diferença é que, na terceirização, a Administração Pública apenas transfere a execução material de determinadas atividades, ao passo que as concessionárias e permissionárias de serviços públicos também recebem a gestão operacional. O art. 175 da CF/88, estabelece que Art. 175 "Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos". Segundo Maria Sylvia Di Pietro (2005, p. 239): A concessão tem por objeto um serviço público; não uma determinada atividade ligada ao serviço público, mas todo o complexo de atividades indispensáveis à realização de um específico serviço público, envolvendo a gestão e a execução material. [...] A Administração transfere o serviço em seu todo, estabelecendo as condições em que quer que ele seja desempenhado; a concessionária é que vai ter a alternativa de terceirizar ou não determinadas atividades materiais ligadas ao objeto da concessão. A locação de serviços tem por objeto determinada atividade que não é atribuída ao Estado como serviço público e que ele exerce apenas em caráter acessório ou complementar da atividadefim, que é o serviço público." Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 703): [...] Nos simples contratos de prestação de serviço, o prestador do serviço é simples executor material para o Poder Público contratante. Daí que não lhe são transferidos poderes públicos. Persiste sempre o Poder Público como o sujeito diretamente relacionado com os usuários e, de conseguinte, como responsável direto pelos serviços. O usuário não entretém relação jurídica alguma com o contratadoexecutor material, mas com a entidade pública à qual o serviço está afeto. Por isto, quem cobra pelo serviço prestado – e o faz para si próprio – é o Poder Público. O contratado não é remunerado por tarifas, mas pelo valor avençado com o contratante governamental. Em suma: o serviço continua a ser prestado diretamente pela entidade pública a que está afeto, a qual apenas se serve de um agente material. Já na concessão, tal como se passa igualmente na permissão – e em contraste com o que ocorre nos meros contratos administrativos de prestação de serviços, ainda que públicos –, o concedente se retira do encargo de prestar diretamente o serviço e transfere para o concessionário a Fl. 768DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720399/201124 Acórdão n.º 2301003.986 S2C3T1 Fl. 765 7 qualidade, o título jurídico, de prestador do serviço ao usuário, isto é, o de pessoa interposta entre o Poder Público e a coletividade. A Locação de Serviços é regida pela Lei 8.666/93, e a Concessão/Permissão de Serviços Públicos pela Lei Federal 8.987/95. Na Terceirização não há a transferência da gestão do Serviço Público ao Privado. É só uma modalidade de execução. No caso dos presentes autos, verificase que o Município firmou um contrato de Permissão de um serviço público, o de transporte coletivo. Constatase que a Administração não teve ônus algum, já que não arcou com o custo de tais serviços. Da análise dos contratos firmados entre a Prefeitura do Município de São Paulo e o Consórcio Um, constatase que não houve contratação de cooperativa para prestação de serviços à Prefeitura, mas sim uma permissão de execução do serviço de transporte coletivo de passageiros. Verificase que o Consórcio Um assumiu a prestação de serviços públicos como um todo, diretamente ao usuário. E a fiscalização não demonstrou, nos autos, que houve prestação de serviços pelas cooperativas à Prefeitura. Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 22, IV, da Lei 8.212/91, é necessária que a prestação dos serviços pelas cooperativas à autuada fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Assim entendo que a fiscalização não demonstrou que o serviço público de transporte de passageiros prestado pelo Consórcio Um se enquadra na situação prevista no inciso IV, art. 22, da Lei 8.212/91. A atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142: E, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que os requisitos necessários para configuração da prestação de serviços foram cumpridos, ou seja, que o serviço prestado se enquadra no conceito legal de fato gerador da contribuição previdenciária. No caso em estudo, verificase que houve transferência da execução e exploração de um serviço público, e são as cooperativas concessionárias que desenvolvem as atividades materiais, por sua conta e risco, e diretamente em face dos usuário, com a finalidade de atender as necessidades de “deslocamento da população” urbana do município de São Paulo. Não restou comprovado que a autuada tomou serviço das cooperativas contratadas, pois os serviços eram prestados diretamente aos passageiros, usuários finais, e não à Prefeitura Municipal. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 O contrato apresentado demonstra que houve, sim, um deslocamento do serviço público da Administração Pública para o Consórcio Transcooper Fênix, que ficou incumbido do desempenho das atividades materiais. Portanto, reiterase, o serviço não foi prestado à Prefeitura Municipal de São Paulo, que celebrou o contrato de permissão com as cooperativas, mas sim ao usuário do transporte público urbano do município. Dessa forma, entendo que não restou configurada a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária nos moldes do art. 22, IV, da Lei de Custeio da Previdência Social, já que a autuada não celebrou com o Consórcio Transcooper contrato de prestação de serviços, mas sim contrato de permissão de serviço público de transporte coletivo de passageiros. Conforme bem observado pelo relator do acórdão recorrido, a Orientação Normativa 01/2002PREF, que consta do contrato de permissão, e citado pela autoridade autuante, dispõe sobre as providências a serem adotadas pela Prefeitura do Município de São Paulo,relativamente à contribuição prevista no inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, mas apenas “nos casos de contratação de prestação de serviço a ser efetuada por intermédio de cooperativas de trabalho”. Não há, no referido normativo, evidências de que as disposições ali contidas sejam igualmente aplicáveis aos casos de permissão de serviço público a cooperativas. E, reiterase, o contrato firmado entre a autuada e o Consórcio Trancooper Fênix foi de permissão para execução de serviço público de transporte de passageiros, e não de contratação de cooperativa para prestação de serviço à Prefeitura. Por tudo que foi exposto, entendo que não restou configurada a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, assistindo razão à primeira instância administrativa em julgar o lançamento improcedente. Nesse sentido e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 770DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10380.727226/2012-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração:01/01/2009 a 28/02/2011
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E DOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVIDAS.
O lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente, das contribuições dos segurados não declaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE FÉRIAS GOZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. IMPORTÂNCIAS PAGAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO FUNCIONÁRIO DOENTE OU ACIDENTADO E VALORES PAGOS A TÍTULO DE SALÁRIO MATERNIDADE.GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL.
Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto.
MULTA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. SITUAÇÕES COMPROVADAS.APLICAÇÃO DA MULTA JUSTIFICADA.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançarem títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
PERÍCIA. PROVAS SUPERVENIENTES. DESNECESSIDADE.
Não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Prescinde-se de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica.Com relação à produção de provas supervenientes à apresentação da impugnação, compreende-se que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento.
Numero da decisão: 2302-003.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
NOME DO PRESIDENTE - Presidente.
Liege Lacroix Thomasi - Presidente
Leonardo Henrique Pires Lopes Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração:01/01/2009 a 28/02/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E DOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVIDAS. O lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente, das contribuições dos segurados não declaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE FÉRIAS GOZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. IMPORTÂNCIAS PAGAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO FUNCIONÁRIO DOENTE OU ACIDENTADO E VALORES PAGOS A TÍTULO DE SALÁRIO MATERNIDADE.GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto. MULTA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. SITUAÇÕES COMPROVADAS.APLICAÇÃO DA MULTA JUSTIFICADA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançarem títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. PERÍCIA. PROVAS SUPERVENIENTES. DESNECESSIDADE. Não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Prescinde-se de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica.Com relação à produção de provas supervenientes à apresentação da impugnação, compreende-se que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/01/2009 a 28/02/2011 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A REMUNERAÇÃO DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS E DOS SEGURADOS EMPREGADOS. DEVIDAS. O lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente, das contribuições dos segurados não declaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDENTE SOBRE FÉRIAS GOZADAS E RESPECTIVO ADICIONAL. IMPORTÂNCIAS PAGAS NOS 15 (QUINZE) PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO FUNCIONÁRIO DOENTE OU ACIDENTADO E VALORES PAGOS A TÍTULO DE SALÁRIO MATERNIDADE.GLOSA DE COMPENSAÇÃO. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto. MULTA. AUSÊNCIA DE LANÇAMENTO DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. SITUAÇÕES COMPROVADAS.APLICAÇÃO DA MULTA JUSTIFICADA. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de lançarem títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. PERÍCIA. PROVAS SUPERVENIENTES. DESNECESSIDADE. Não existe questão controversa que tenha deixado margem a dúvidas. Prescinde se de perícia nos casos em que os elementos de prova podem ser trazidos aos autos, sem que se necessite de parecer técnico complementar ou ainda no caso de matéria puramente jurídica.Com relação à produção de provas supervenientes à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 72 26 /2 01 2- 20 Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 2 apresentação da impugnação, compreendese que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. NOME DO PRESIDENTE Presidente. Liege Lacroix Thomasi Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Relatório Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.019.3870,lavrado em 21/06/2012, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., no valor deR$ 116.535,96(cento e dezesseis mil, quinhentos e trinta e cinco reais e noventa e seis centavos),referente a contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais incidentes sobre as remunerações pagas e não declaradas em GFIP, descontadas e não repassadas à Seguridade Social em época própria, abrangendo as competências 01/2009 a 13/2010. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD n° 51.019.3889, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., lavrado em 21/06/2012, no valorde R$ 13.535,95 (treze mil, quinhentos e trinta e cinco reais e noventa e cinco centavos), referente a contribuições previdenciáriasincidentes sobre as remunerações, pagas ou creditadas aos segurados empregados, bem como, sobre as remunerações pagas ou creditadas a freteiros, abrangendo as competências de 01/2009 a 12/2009. Tratase, também, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.019.3897, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA.,lavrado em 21/06/2012, no valor de R$ 422.729,20 (quatrocentos e vinte e dois mil, setecentos e vinte e nove reais e vinte centavos), referente às contribuições previdenciárias, Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 3 3 parte patronal, incidentes sobre a remuneração dossegurados empregados e contribuintes individuais, não declaradas em GFIP, abrangendo as competências de 01/2009 a 13/2010. Tratase, ainda, do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal,DEBCAD n° 51.019.3900, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., lavrado em 21/06/2012, no valor de R$ 519.122,20 (quinhentos e dezenove mil, cento e vinte e dois reais e vinte centavos), referente à glosa de compensação indevidaabrangendo as competências 01/2009 a 02/2011. Por fim, tratase Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD n° 51.019.3919, em face de MWN COMERCIAL DE ALIMENTOS LTDA., lavrado em 22/006/2012, no valor de R$ 16.190,98 (dezesseis mil, cento e noventa reais e noventa e oito centavos)referente à multa por deixar a empresa de lançar em títulos próprios da contabilidade, os fatos geradores de todas as contribuições, os valores que foram descontados a título de contribuição previdenciária dos segurados, os valores devidos pela empresa também a título de contribuições previdenciárias e os valores totais que foram recolhidos. Segundo consta o Relatório Fiscal, o cálculo das contribuições devidaspela empresa sobre as remunerações dos segurados empregados foi efetuado tomandoseporbase o maior valor da base de cálculo encontrada obtidas através do batimento da folha depagamento com aqueles constantes em GFIP.Já os valores da contribuição devida pela empresa sobre as remuneraçõesdos contribuintes individuais foram encontrados por meio de batimento entre as importânciasconstantes das folhas de pagamento com as da GFIP, salientando que não havia declaradonenhum valor referente aos contribuintes individuais autônomos e freteiros. Apresentada impugnação pelaempresa, o lançamento foi mantido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC, cuja ementa foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 28/02/2011 AI nº 51.019.3870, de 21/06/2012, AI nº 51.019.3889, de 21/06/2012, AI nº 51.019.3897, de 21/06/2012, AI nº 51.019.3900, de 21/06/2012, e AI nº 51.019.3919, de 22/06/2012. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. INFORMAÇÃO EM GFIP. LANÇAMENTO FISCAL. Constatada compensação indevida de contribuição previdenciária informada em GFIP, cabível o lançamento fiscal para se exigir o crédito tributário pago a menor. CONCOMITÂNCIA DE LITÍGIO SOBRE O MESMO OBJETO NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. Importa renúncia a julgamento administrativo a propositura de ação judicial com o mesmo objeto. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. NÃO AFETAÇÃO AO DIREITO DE EFETUAR O LANÇAMENTO DO TRIBUTO. Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 4 A suspensão da exigibilidade do crédito não obsta a realização do lançamento pela Fazenda Pública a fim de prevenir a decadência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, aEmpresa interpôs Recurso Voluntário tempestivo, apresentando as seguintes razões: a) Aduz que, em relação aos contribuintes individuais, a empresa não declarou as remunerações pagas a estes profissionais em GFIP e, consequentemente, não recolheu as contribuições previdenciárias, por entender que as contribuições previdenciárias são de responsabilidade única dos próprios contribuintes individuais. Sendo assim, agiu de boafé; b) Alega que as compensações feitas pela empresa não seguiram a legislação vigente. E mais, que tais glosassão indevidas, posto quefoi proferida decisão liminar favorável à empresa nos autos do Agravo de Instrumentonº 006246474.2006.4.05.0000,decisão esta que autorizou as compensações e que teria sido confirmada em sede de recurso; c) Argui que não cabe a aplicação de qualquer penalidade à empresa pela compensação tida como indevida, uma vez que a empresase compensou de com crédito que o Poder Judiciárioo conferira através do Agravo de Instrumento supramencionado; d) Assevera que o fisco,ao exigir o recolhimento da contribuição socialprevidenciária sob a importância paga nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento de funcionário doente ou acidentado, sob os valores pagos a título de salário maternidade, bem como, sob os valores pagos a título de férias e adicional de férias, age incorretamente, posto que nestes casos não háremuneração por serviços prestados. Sendo assim, tendo a empresa recolhido contribuições previdenciárias sobre estas verbas fez jus à compensação dos valores pagos indevidamente com débitos próprios. e) Sustenta que, conforme o disposto no art. 20 da Lei nº 8.212/91, o saláriodecontribuiçãoé a base de cálculo da contribuiçãodevida pelos segurados, mas não a base de cálculo da contribuição patronal. Assim, indevida é exigência feita pelo fiscobaseadana citada IN RFB 971/09, dispositivo infralegal, desrespeitandoflagrantemente ao principio da legalidade. f) Por fim, protesta provar o alegado por todos os meios em direitoadmitidos, notadamente a juntada posterior de documentos e, especialmente, pela realização deperícia técnica. Sem contrarrazões. Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 4 5 Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos de admissibilidade, passo ao seu exame. Do Mérito I – Contribuição Previdenciáriasobre a remuneração dos contribuintes individuais e dos segurados empregados. Antes de quaisquer argumentos, é imperioso destacar que o art. 22, inciso III, da Lei 8.212/91 prevê a arrecadação de 20% (vinte por cento) das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais a título de contribuição previdenciária pela empresa tomadora dos serviços destes profissionais, logo, tratase de obrigação legalmente estabelecida e em perfeita consonância com os dispositivos constitucionais. Citado nos Autos de Infração para embasamento legal da autuação, o artigo 4º da Lei nº 10.666/2003 é ainda mais direto e preciso e impõe às empresas tomadoras de serviços a obrigação de arrecadar a contribuição do contribuinte individual a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração, e devendo proceder com o devido recolhimento do valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo para os demais segurados até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior no caso de não haver expediente bancário naquele dia: Art. 4o Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. (Lei 10.666/2003 Dispõe sobre a concessão da aposentadoria especial ao cooperado de cooperativa de trabalho ou de produção e dá outras providências.) Cabe ainda salientar que, antes mesmo da Lei 9.876/1999 que incluiu deu a nova redação ao já mencionado artigo 22, inciso III, da Lei 8.212, já havia na Constituição Federal previsão para a incidência da contribuição social, sobre os rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 6 I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” Da leitura dos excertos legais aqui colacionados, inferese quesobre a remuneração paga a pessoas físicas que prestem serviços a determinada empresa deve incidir as contribuições previdenciárias, haja vista que as remunerações pagas aos autônomos estão compreendida na categoria de contribuintes individuais a que se refere a Lei 8.212/1991. Resta, portanto, indubitável ante a clarividência da lei a obrigação atribuída à empresa de reter e recolher as contribuições incidentes sobre as remunerações dos segurados contribuintes individuais. Diante do exposto, incabível se mostra a alegação de boa fé feita pela empresa como forma de eximirse de sua obrigação fundamentada com a alegação de que a empresa não procedeu com a declaração em GFIPs e consequente recolhimento das contribuições previdenciárias sob as remunerações pagas aos contribuintes individuais que lhes prestaram serviços por acreditar que esta responsabilidade caberia unicamente ao segurado contribuinte individual, sobretudo porque, como bem posto no acórdão de julgamento guerreado,“em matéria tributária, o lançamento deve obedecer unicamente os comandos da lei, não havendo espaço para perquirição a respeito de atributos subjetivos da conduta da contribuinte”. No que concerne às contribuições dos segurados empregados,o cálculo das contribuições devidaspela empresa sobre as remunerações destes foi efetuado tomando seporbase o maior valor da base de cálculo encontrada obtidas através do batimento da folha depagamento com aqueles constantes em GFIP. Assim, conforme preceitua o Artigo 11, Parágrafo único, alínea a da Lei 8.212/91, devidas são tais contribuições sociais. Ademais, nada há nos Autos que comprove que este lançamento se fez de forma indevida. Desta feita, o lançamento operado pelo fisco em nome da tomadora dos serviços, ora Recorrente,das contribuições dos segurados nãodeclaradas e não recolhidas foi acertada e deve ser mantido. II Contribuição previdenciária incidente sobre férias gozadas e respectivo adicional, importâncias pagas nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado e valores pagos a título de salário maternidade. A Recorrente tanto no recurso, quanto na impugnação, aduz em sua defesa que os valore as férias gozadas e seu respectivo adicional, as importânciaspagas nos 15(quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado, bem como, osvalores pagos a título de saláriomaternidade não seria alvo de incidência de contribuição previdenciária. Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 5 7 Ocorre que, a contribuinte, ora Recorrente, já discute na esfera judicial, o caráter não tributário das verbas em comento, ou seja, existe processo judicial instaurado sobre o mesmo assunto tratado nesta esfera administrativa, o que configura a coexistência de duas demandas com o mesmo objeto, o que não pode acontecer. Pela clareza e alto grau elucidativo, transcrevese nas próximas linhas excerto do acórdão de Impugnação, onde o relator expõe o levantamento que realizou sobre o Mandado de Segurança nº 2006.81.00.0122759,protocolizadona 2ª vara da Seção Judiciária do Ceará pela ora Recorrente: “Por meio de aresto proferido pelo TRF 5 em sede de apelação da MWN,extraiseque referida ação mandamental foi manejada no intuito de obter provimento jurisdicional no sentido de que se determinasse, inclusive, em sede de medida liminar, o direitoà compensação dos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária patronal sobre osalário, por motivo de doença ou acidente, bem como, aquelas recolhidas a título de saláriomaternidade,férias e adicional de férias, inclusive, os acrescidos referentes a juros de mora de1%, correção monetária e taxa SELIC, a partir de 01.01.96. No entanto, o juiz de 1º grau indeferiu o pedido liminar, por entender quese fariam presentes os requisitos legais necessários à outorga da medida reclamada, em vista davedação constante na Súmula de nº 212 do STJ e, bem assim, no artigo 170Ado CTN, queimpedem odeferimento de liminar para fins de compensação. Irresignada, a requerente impetrou Agravo de Instrumento nº2006.05.00.0624644no Tribunal Regional Federal da 5ª Região, a fim de reverter a decisão de1ª instância. Em julgamento ao recurso manejado, foi lavrado acórdão, cuja ementareproduzo abaixo: AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. AUXÍLIODOENÇA,AUXÍLIOACIDENTE.PRIMEIROS 15 DIAS. SALÁRIOMATERNIDADE E 1/3 DEFÉRIAS. PAGAMENTO PELA EMPRESA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO INDEVIDO. FÉRIAS. NATUREZA JURÍDICASALARIAL. TRIBUTO DEVIDO. 1Agravode Instrumento contra a decisão que, em sede de Mandado de Segurança, indeferiu o pedido de medida liminar do Impetrante/Agravante, determinando que fosse suspensa a exigibilidade da contribuição previdenciáriapatronal sobre o salário por motivo de doença ou acidente, bem como, aquelasrecolhidas a título de saláriomaternidade,férias e adicional de férias, inclusive,os acrescidos referentes a juros de mora de 1%, correção monetária e taxaSELIC, a partir de 01.01.96. 2 O pagamento efetuado pela empresa ao empregado nos primeiros 15 (quinze)dias por motivo de doença, acidente de trabalho Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 8 ousaláriomaternidade,nãopossui natureza jurídica de remuneração salarial, não devendo, portanto, incidircontribuição previdenciária. 3Quantoao adicional de 1/3 de férias gozadas, não deve servir de base de cálculo para contribuição previdenciária, posto que não será percebido pelo servidor quando de sua aposentadoria. 4Quantoao adicional de férias não gozadas e 1/3 de férias não gozadas, nãodeve incidir contribuição previdenciária, ao passo em que, se não foramgozadasas férias, o empregado irá recebelasem caráter indenizatório, e não, em carátersalarial. 5Emrelação às férias gozadas, deve incidir a contribuição previdenciária, hajavista que, no gozo da mesma, não se interrompe o contrato de trabalho, configurando, assim, natureza jurídica salarial. Agravo de Instrumento providoem parte. Já no dispositivo do acórdão ficou assentado:Ante todo o exposto, dou provimento, em parte, ao Agravo de Instrumento, paraque o empregador/Agravante não recolha a contribuiçãoprevidenciária emrelação aos primeiros 15 dias do auxíliodoençae auxílioacidente;ao salário maternidade, as férias apenas as não gozadas e 1/3 de férias gozadas ou não. Écomo voto. Após isso, em sentido diametralmente oposto, sobreveio sentença no juízosingular julgando o pedido improcedente sob o fundamento de ser a contribuiçãoprevidenciária devida em virtude do princípio da solidariedade da Previdência Social, defiliação obrigatória.Restou então ao autor da demanda ingressar com apelação no TRF 5, como propósito de ver tutelada a sua pretensão. Do recurso impetrado, adveio a decisão do Tribunal, abaixo ementada: MANDADO DE SEGURANÇA. TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO.CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. BASE DE CÁLCULO. AUXÍLIOACIDENTE.AUXÍLIODOENÇA. SALÁRIOMATERNIDADE.FÉRIAS.ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS. COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. ART. 170A DO CTN. LEI Nº 9.129/95. 1.A Impetrante pretende excluir da base de cálculo da ContribuiçãoPrevidenciária os valores pagos a título de férias,do adicional de 1/3 (um terço)de férias, do auxíliodoença,do auxílio acidente e do saláriomaternidade; 2. Todavia, apenas os valores pagos a título de auxíliodoença(os primeiros 15dias) e do adicional de 1/3 de férias,quando gozadas, não devem ser incluídos nabase de cálculo daContribuição Previdenciária, haja vista que possuem naturezaindenizatória. Precedentes Jurisprudenciais; 3. As Férias e o SalárioMaternidadepossuem natureza salarial, devendointegrar a base de cálculo da contribuição; 4. O auxílioacidenteé pago integralmente pela Previdência Social, destarte, nãohá interesse da Impetrante em sua exclusão. Precedentes Jurisprudenciais; 5. O Egrégio STJ, no âmbito da Primeira Seção, órgão regimentalmentecompetente para analisar questões atinentes ao direito tributário, é firme quantoà aplicação, para fins de compensação, da lei em vigor ao tempo do ajuizamentoda ação (Resp 853.903/SP), in casu na data de 12/07/06, portanto, na vigênciada Lei nº 10.637/02, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96; Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 6 9 6. Os juros de mora passaram ser devidos pela taxa SELIC a partir dorecolhimento indevido, não mais tendo aplicação o art. 161 c/c o art. 167,parágrafo único, do CTN; 7. A limitação à compensação, imposta pela Lei nº 9.129/95, deve ser aplicada,uma vez que o crédito não decorreu de tributo declarado inconstitucional.Obediência ao art. 170A do CTN; 8. Apelação da Impetrante provida em parte para reconhecer a aplicação daprescrição decenal aos valores pagos indevidamente até a data do início davigência da Lei Complementar nº118/05, ocorrida em 09.06.2005, assim comodeterminar a exclusão dos valores pagos a título de auxíliodoença(os primeiros15 dias) e do adicional de um terço constitucional das férias da base de cálculoda Contribuição Previdenciária Patronal. Pesquisando a movimentação processual no sitio eletrônico do TRF 5 nainternet, verifiquei que contra o acórdão do TRF foram desafiados embargos de declaraçãopela MWN e pela Fazenda. No entanto, ambas não foram providas. Inconformada, a MWN, por sua vez, ingressou com Recurso Especial e aFazenda, com Recurso Especial e Recurso Extraordinário. O Recurso da MWN (Resp 1269341), em consulta processual no sítio doSTJ, ainda se encontra pendente de julgamento de decisão até a presente data.O mesmo ocorre com os recursos desafiados pela Fazenda Nacional. Ressalteseque Desembargador Federal Vice–Presidente do TRF 5, aoanalisar aadmissibilidade do Recurso Extraordinário, determinou o sobrestamento do processo,em virtude de a questão constitucional objeto de recurso estar submetida à análise do STF, emrelação ao qual já foi reconhecida a repercussão geral. Desse modo, o processo ficarásobrestado até o pronunciamento definitivo daquela corte. Essa é, portanto, a atual situação do processo judicial.” Pela descrição narrativa supra, verificaseclaramente a concomitância deste processo administrativo e de processo judicialtratando do mesmo objeto, qual seja, a incidência de contribuição previdenciária sobre as férias gozadas e de seuadicional, do valor pago pela empresa pelos quinze primeiros dias em que o empregado esteveafastado por doença e do saláriomaternidade. Ante o exposto, devese recordar o ordenado no Ato Declaratório de nº 03/1996, da Coordenação Geral do Sistema de Tributação da Secretaria da Receita Federal, segundo o qual “a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto”. O referido Ato Declaratório foi formulado em observância ao art. 1º, § 2º, do Decreto Lei nº 1.737/1979 e ao art. 38, parágrafo único, da Lei nº 6.830/1980, que deixam claro que a propositura, pelo contribuinte, de mandado de segurança, ação anulatória ou declaratória de nulidade de crédito da Fazenda Nacional, importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 10 A concomitância de processo administrativo e de processo judicial tratando do mesmo objeto já é matéria sumulada por este órgão: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. No caso em tela, a ação judicial interposta pelaRecorrente poderárefletir no presente lançamento, uma vez que o resultado definitivo com o seu julgamento noPoder Judiciário poderá substituir integralmente um suposto julgamento administrativo, motivo pelo qualse tornadispensável, neste momento, a análise a respeito a matéria em discussão. Desta forma, o presente processo administrativo resta ineficaz em face da identidade de questionamentos com a ação judicial já proposta pelaRecorrente e ainda em trâmite, haja vista que o setor competente deverá observar a decisão final a ser proferida na ação judicial em comento. III Glosa de Compensação A Recorrente alegou que as compensações por ela efetuadas não poderiam ter sido glosadas pelo fisco, posto que foi proferida decisão liminar favorável à empresa nos autos do Agravo de Instrumento nº 006246474.2006.4.05.0000, decisão esta que autorizou as compensações e que teria sido confirmada em sede de recurso; De logo insta destacar que o direito à compensação também é matéria da ação judicial Já mencionada e, assim, pelas razões já expostas, cabe apenas declarar a renúncia também neste ponto do recurso apresentado pela Recorrente na esfera administrativa. Todavia, ainda sobre este ponto, cabem algumas considerações: Da análise do já mencionado processo judicial em trâmite, viuse que, de fato, houve a concessão da antecipação da tutela pelo TRF5 em sede deagravo de instrumento. Ocorre que, ao contrário do que foi posto pela Recorrente, a concessão da tutela antecipada não se deu na forma como foi pleiteada por ela.A antecipação dos efeitos da tutela foi parcial, tãosomente para que a empresa não recolhesse a contribuição previdenciária em relação aosprimeiros 15(quinze) dias do auxíliodoençae auxílioacidente,aosaláriomaternidade,às fériasnão gozadas e 1/3 de férias gozadas ou não e quanto ao pedido de compensação o TRF5pronunciousecontrariamente à pretensão da Recorrente, determinando a obediência aoartigo 170A do CTN, que veda a realização de compensação mediante o aproveitamento de tributo,objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgadoda respectiva decisão judicial. Ademais, o entendimento das cortes superiores é pacífico quanto a este tema, sendo inclusive, objeto da Súmula 212 do Superior Tribunal de Justiça: “STJ Súmula nº 212 11/05/2005 DJ 23.05.2005 Compensação de Créditos Tributários Medida Liminar A compensação de créditos tributários não pode ser deferida por medida liminar.” Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 7 11 Por fim, é importante destacar que o lançamento realizado temtambém uma função de prevenir a decadência, e sobre esteponto no acórdão de julgamento ora combatido há um excerto bastante esclarecedor: “Não seria razoável imaginar uma situação emque, havendo umademanda judicial e esta tivesse o fim de impedir o lançamento, a FazendaPública, tendo obtido decisão a si favorável, não pudesse mais exigir o tributo, em virtude deter operado adecadência, principalmente em casos em que o processo se arrastasse por algumtempo.” Assim, não restando prejudicado o direito potestativo daFazenda Pública de efetivar a constituição do crédito tributário, acertado se mostra o lançamento efetuado pelo fisco com a glosa das compensações realizadas indevidamente pela Recorrente. IV –Da Multa Aplicada A fiscalização lavrou o Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Acessória, DEBCAD n° 51.019.3919, referente à multa por deixar a empresa de lançar em títulos próprios da contabilidade, os fatos geradores de todas as contribuições, os valores que foram descontados a título de contribuição previdenciária dos segurados, os valores devidos pela empresa também a título de contribuições previdenciárias e os valores totais que foram recolhidos. Pois bem, Tal fato ensejou a adequação ao disposto na Lei 8.212/91, art. 32, II, art.92,art.102, c/c Decreto 3.048/99 – RPS, art.225, II, parágrafos 13 a 17 e art. 283, II, ‘a’ , inverbis: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001) § 1o O disposto neste artigo não se aplica às penalidades previstas no art. 32A desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o O reajuste dos valores dos saláriosdecontribuição em Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 12 decorrência da alteração do saláriomínimo será descontado por ocasião da aplicação dos índices a que se refere o caput deste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). ************************************************** Art. 225. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; (...) Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Ademais, na aplicação da multa, foram constatadas circunstâncias agravantes da penalidade prevista no inciso V do artigo 290 do RPS, qual seja, aquela do art. 292, IV, do RPS, in verbis: Art. 292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: (...) IV a agravante do inciso V do art. 290 eleva a multa em três vezes a cada reincidência no mesmo tipo de infração, e em duas vezes em caso de reincidência em infrações diferentes, observados os valores máximos estabelecidos no caput dos arts. 283 e 286, conforme o caso; e Por todo exposto, correta a lavratura do Auto de infração ora tratado, sendo cabível a aplicação da multa pelo descumprimento de obrigação acessória. V Do Pedido de Perícia e Produção de Provas Supervenientes Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 8 13 Quanto ao pedido de perícia, o Decreto n° 70.235/72, é claro ao estabelecer, em seu artigo 18, que: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) O dispositivo legal acima destacado é expresso ao afirmar que a realização de perícias ou diligências apenas será determinada pela autoridade julgadora quando entendêlas necessárias...'', ou seja, é condição determinante para a produção pericial o convencimento do julgador acerca de sua necessidade. Destarte, o eventual indeferimento de sua produção não caracteriza cerceamento de defesa. No contexto do presente processo, a produção de provas periciais serviria apenas para prorrogar indevidamente a discussão sobre o lançamento, cuja procedência não há mais, em virtude do até agora exposto, que ser questionada. Diante disso, rejeito o pedido de produção da prova pericial. Com relação à produção de provas supervenientes à apresentação da impugnação, compreendese que, no Processo Administrativo Fiscal, a fase adequada para contraditar os termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação. Sendo assim, consoante dispõe o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, após a apresentação da impugnação, passase à frase processual seguinte. Esta frase é destinada à preparação e à complementação da instrução do processo para que esteja apto ao julgamento. Frisase que esta ocasião tem caráter probatório complementar, uma vez que a prova documental já deve ter sido apresentada pelo contribuinte na fase instauratória, por ocasião da impugnação, em conjunto com a indicação das provas diligenciais, realização de perícia e respectivos quesitos. Nesse diapasão, a juntada de novos documentos deverá ser requerida fundamentadamente à autoridade julgadora, nos termos dos §§4º e 5º do art. 16 do Decreto70.235/72: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES 14 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Diante disso, percebese que apenas poderá ser admitida a apresentação de provas extemporâneas no Processo Administrativo Fiscal quando houver o requerimento da parte interessada à autoridade julgadora do lançamento ou do recurso, mediante petição escrita na qual reste demonstrado, com fundamentos idôneos e comprovados, a impossibilidade de sua apresentação no momento próprio e oportuno, nos casos em que haja motivo de força maior que tenha impedido o seu oferecimento simultâneo à apresentação da impugnação ou, na primeira oportunidade, em que o documento refirase a fato ou direito superveniente à impugnação, ou ainda, que se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 10380.727226/201220 Acórdão n.º 2302003.148 S2C3T2 Fl. 9 15 Perlustrando este entendimento, na hipótese do Recorrente não atender a nenhuma das assertivas elencadas no referido §5º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, este Colegiado não possui competência para autorizar a juntada de novas provas ou apreciação de documentos juntados em fase posterior à impugnação. Devendo, portanto, esse direito ser pleiteado perante o Poder Judiciário. IV Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para no mérito NEGAR LHE TOTAL PROVIMENTO e manter o crédito fiscal constantes nos DEBCADS de ns°51.019.3870, 51.019.3889, 51.019.3897, 51.019.3900 e 51.019.3919. É como voto. Sala das Sessões, em 12 de maio de 2014. Leonardo Henrique Pires Lopes,Relator Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 1 0/06/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.011382/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006
ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE LALUR.
Torna-se inevitável o arbitramento do lucro, quando é apresentado Lalur em branco, o que equivale a sua não-apresentação.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA.
Sem que se configure as hipóteses do art, 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação.
Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital.
Numero da decisão: 1302-001.322
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em: a) dar provimento aos recursos voluntários de Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a responsabilidade tributária deles; e b) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, Propace Ind. e Com. de Embalagens S/A. Os Conselheiros Waldir Rocha e Márcio Frizzo ficaram vencidos, em questão preliminar, pois entendiam que a DRJ/BSB deveria ser representada para apresentar recurso de ofício, relativa à parte da decisão que retirou Cesar Antônio de Paula Silva do polo passivo.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Hélio Araújo e Guilherme Pollastri.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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E COM. DE EMBALAGENS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 ARBITRAMENTO DO LUCRO. FALTA DE LALUR. Tornase inevitável o arbitramento do lucro, quando é apresentado Lalur em branco, o que equivale a sua nãoapresentação. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. AFASTADA. Sem que se configure as hipóteses do art, 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social), não há como responsabilizar pessoa que já não era sócio da sociedade no momento em que houve a liquidação. Inaplicável o art. 134, VII, do CTN, para responsabilizar sócios se, à época da liquidação, a sociedade já era uma sociedade de capital. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em: a) dar provimento aos recursos voluntários de Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a responsabilidade tributária deles; e b) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, Propace Ind. e Com. de Embalagens S/A. Os Conselheiros Waldir Rocha e Márcio Frizzo ficaram vencidos, em questão preliminar, pois entendiam que a DRJ/BSB deveria ser representada para apresentar recurso de ofício, relativa à parte da decisão que retirou Cesar Antônio de Paula Silva do polo passivo. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Hélio Araújo e Guilherme Pollastri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 01 13 82 /2 00 9- 31 Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0348.325 da 2ª Turma da DRJ/BSB, cuja ementa assim dispõe: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 SUJEITO PASSIVO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. RESPONSÁVEL. SOLIDARIEDADE De acordo com a Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominado Código Tributário Nacional CTN o sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária na qualidade de responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. LUCRO ARBITRADO. APLICABILIDADE O imposto devido será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado quando o contribuinte deixar de apresentar á. autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou a escrituração a que estiver obrigado revelar evidentes erros ou deficiências que a tornem imprestável para a determinação do lucro real. IRPJ. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DISCRICIONARIEDADE NA ATUAÇÃO DA AUTORIDADE FISCAL O recurso ao arbitramento, nos casos previstos na lei, não é uma faculdade que o Fisco possa, a seu livre critério, exercer ou não. Constatada a ocorrência das hipóteses previstas em lei, a adoção do lucro arbitrado não se sujeita ao juizo discricionário da autoridade fiscal. PERÍCIA. INDEFERIMENTO Inacolhiveis são os pedidos de perícia, quando se destinam estes ã. produção de prova que não demanda conhecimento técnico especializado complementar. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUID() CSLL Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 LANÇAMENTO DECORRENTE DA MESMA MATÉRIA FÁTICA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO. A tributação reflexa é matéria consagrada na jurisprudência administrativa e amparada pela legislação de regência, devendo o entendimento adotado em relação ao imposto de renda acompanhar o lançamento da contribuição social a partir da mesma matéria Mica. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INDEFERIMENTO. De acordo com o Decreto n° 7.574, de 29 de setembro de 2011 que regulamentou o processo de determinação e exigência de créditos tributários da Unido, e outros processos que especifica, sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, as formas de intimação são: pessoal, por via postal, por meio eletrônico ou por edital. As intimações pessoais, por via postal ou por meio eletrônico, não estão sujeitas a ordem de preferência. As intimações serão endereçadas ao domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal, telegráfico ou por qualquer outro meio ou via por ele fornecido, para fins cadastrais. Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.441 3 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido” A contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 31/07/2012 (cf. Edital a fls. 1365) e interpôs recurso voluntário (doc. a fls. 1.410 e segs.) em 22/08/2012 (cf. despacho da unidade preparadora a fls. 1.437), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que a pretensão fiscal descrita nos autos de infração, em última análise ora questionados, é baseada no suposto descumprimento de obrigações acessórias de escrituração contábil, o que implicou no arbitramento de tributos federais IRPJ, CSLL, PIS e COFINS com base na presunção do lucro auferido pela ora RECORRENTE; b) que a primeira instância administrativa pretende manter a cobrança de tributo, juros e multa, incidentes sobre os referidos supostos rendimentos arbitrados, apesar da apresentação de balancetes contábeis, dos Livros Diário e Razão e de todas as obrigações acessórias do exercício autuado, o que, por conseguinte, malfere frontalmente no presente caso o principio da verdade material, o qual, digase de passagem, deve reger a conduta da autoridade administrativa; c) que se encontra presente uma NULIDADE processual, pois a Delegacia de julgamento não esgotou os meios que possuía em busca da verdade material, tendo em vista que preferiu desconsiderar os documentos contábeis e os livros a ela apresentados; d) que foram apresentados pela RECORRENTE os Livros Fiscais – Razão e Diário Balancetes e todas as obrigações acessórias relativas ao período de apuração autuado, os quais são documentos hábeis e idôneos a provarem a real contabilização da empresa, haja vista que estes são instrumentos de escrituração obrigatória; e) que a mantença do referido arbitramento, apesar da entrega dos Livros Razão e Diário, afronta a jurisprudência administrativa deste E. Conselho; f) que irrazoável se mostra a atuação da Autoridade Julgadora de primeira instância, que manteve o arbitramento de tributo supostamente devido em razão da realização de vendas sem levar em consideração todas as despesas inerentes à atividade da empresa autuada, as quais, repitase, estão demonstradas nos Livros Razão e Diário que foram anexados ao presente feito; g) que requer seja determinado 0 RETORNO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, pois a Autoridade Administrativa de primeira instância, em dissonância com o entendimento deste E. Conselho e com os princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório, desconsiderou os documentos contábeis colacionados no presente feito, cuja apreciação deve ser determinada para se apurar o verdadeiro lucro da ora RECORRENTE. Os responsáveis tributários, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida tomaram ciência da decisão recorrida em 25/06/2012 (AR a fls. 1362 e 1364) e interpuseram recurso voluntário (doc. a fls. 1.366) em 24/07/2012 (cf. despacho da unidade preparadora a fls. 1.437), no qual alegam, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que o auto de infração, com fundamento no art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II, art. 128 e 134, inciso VII, atribuiu responsabilidade solidária aos sócios da época de ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária; Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 b) que a própria decisão ora recorrida afastou a aplicabilidade do art. 134, VII, do CTN, pois este somente poderia ser utilizado no caso de liquidação da sociedade de pessoas, o que, como deduzido nas respectivas impugnações, não se apresentou; c) que o Julgador de primeira instância, não querendo se dar por vencido, com o devido acatamento, buscou caracterizar os RECORRENTES como "responsáveis tributários" dos tributos ora cobrados; d) que, assim, entendese que a decisão em referência quer impingir a responsabilidade tributária aos exsócios sob o manto do art. 135, III, do CTN; e) que não é possível admitir que o redirecionamento se dê contra o sócio porquanto não seja demonstrado que o mesmo agiu com excesso de poderes ou infração à lei, fatos esses que não se caracterizam pela simples inadimplência tributária; f) que vislumbrase, a partir da decisão ora recorrida, a manobra utilizada pela Delegacia de Julgamento, para forçar a inclusão do sócio como coresponsável tributário para, quiçá, poder exigir a cobrança dos tributos em referência em futura execução fiscal; g) que chamar o sócio para responder por débitos da pessoa jurídica sem que se prove ter havido excesso de mandato ou infração à norma representa afastar totalmente a figura da limitação da responsabilidade insita nas sociedades; h) que o Min. Fux, no REsp. 200502069717 (DOU 18/09/06) sustentou que: “o Superior Tribunal de Justiça sedimentou entendimento segundo o qual é imprescindível a prova, a cargo da exequente, de que o sócio, com poderes de gerência, tenha infringido a Lei ou desbordado dos limites do estatuto social, a fim de redirecionar contra ele o executivo fiscal”; i) que dúvida não há quanto a inaplicabilidade do dispositivo em tela ao caso presente, uma vez que so é possível a execução recair sobre os sócios com base no art. 135 do CTN se houver excesso de poder ou infração a lei, contrato social ou estatuto; os quais deverão ser trazidos com fundamentos concretos, devendo haver comprovação do alegado; j) que requer que seja considerado INSUBSISTENTE O RE DIRECIONAMENTO da autuação aos ora RECORRENTES, pois estes não podem ser considerados como responsáveis tributários, haja vista que não há, nos autos, comprovação de comportamento fraudulento por parte destes, conforme preconizado pelo art. 135, III, do CTN; l) que requer, em não sendo esse o entendimento, seja determinado o RETORNO DO PRESENTE PROCESSO EM DILIGÊNCIA, pois a Autoridade Administrativa de primeira instância, em dissonância com o entendimento deste E. Conselho e com os princípios da verdade material, ampla defesa e contraditório, desconsiderou os documentos contábeis trazidos pelos RECORRENTES, cuja apreciação deve ser determinada para se apurar o verdadeiro lucro da empresa autuada. O responsável tributário Milton Rui Jaworski tomou ciência da decisão recorrida em 25/06/2012 (AR a fls. 1363) e interpôs recurso voluntário (doc. a fls. 1.428 e segs.) em 24/07/2012 (cf. despacho da unidade preparadora a fls. 1.437), no qual alegam, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que Ata da Assembléia Geral é documento hábil, que fora devidamente registrado na Junta comercial, devendo ser considerado como prova cabível para desvendar a solução questionada, pois, descreve que o endereço da autuada é na Rua Capistábos, n° 350, Setor Santa Genoveva, Goiânia, Goiás, e não o que consta do auto de infração; b) que há no presente caso erro processual quanto à intimação do sujeito passivo principal, pois, na intenção de receber o tributo, o erário preferiu utilizar de meios mais fáceis e cômodos, mas, entretanto, em desconsonância com os princípios constitucionais; Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.442 5 c) que indispensável dessa forma, a realização de diligência para confirmar se a intimação foi endereçada ou não corretamente, uma vez que a falha processual resulta em nulidade do auto de infração e tal vicio deve ser sanado a qualquer tempo, não se restringindo apenas na via judicial; d) que, ao realizar a diligência e for constatada que a intimação fora feita em local diverso onde a empresa se encontra, configurado estará que a afirmação de dissolução irregular da empresa, feita pelo erário, foi indevida e prejudicial; e) que, mesmo que não seja levada em consideração a possibilidade da dissolução irregular ser imprópria, o sujeito passivo ora recorrente não deve fazer parte da lide por vários motivos, um deles é que sua renúncia ao cargo de administrador se deu em 02/05/2007, muito antes da data em que a empresa foi declarada inapta, em 19/01/2009; f) que, quando o Sr. Milton Rui Jarwoski se afastou da administração, ele o fez de forma legal, estando ainda a empresa em pleno exercício, isto é, não existia a manifestação do fisco em relação a irregularidade; g) que auto de infração fora lavrado em 16/11/2009, referindo a fato gerador ao período de 03/2006, 06/2006, 09/2006 e 12/2006, sendo a intimação do sujeito passivo denominado responsável, emitida em 19/11/2009; h) que o entendimento majoritário nos tribunais referente a responsabilidade dos sócios que se retira da sociedade sobrevive até 2 (dois anos) e o no caso do recorrente já havia mais de dois anos; i) que o Sr. Milton Rui Jarwoski não tem nenhuma responsabilidade pelas dividas tributárias da empresa após a sua retirada; j) que a denominada solidariedade, constante no art. 134, VII, do CTN, não é aplicada a empresa autuada, pois, não se trata de sociedade de pessoas e sim sociedade anônima; l) que autos devem ser retornados a instância anterior para que se manifeste quanto ao fato de não caber a solidariedade dos sócios, como descreve o art. 134, VII, CTN, pois, o sujeito passivo principal é uma empresa de capital e não de pessoa; m) que o fiscal autuante, adequado seria ter realizado todos os procedimentos cabíveis para receber o tributo da empresa, para depois cobrar dos sócios e atuais administradores e não dos exsócios e exadministradores; n) que a recorrente não era sócio da empresa, não tendo motivo a sua inclusão no pólo passivo da lide, atuando em pequeno período apenas como administrador da empresa autuada; o) que na lavratura do auto de infração não foi mencionado nenhum dispositivo legal que responsabilizasse o exadministrador como solidário com divida tributária da empresa; p) que o posicionamento dos tribunais quanto a responsabilidade do administrador com as dividas tributárias da empresa não é objetiva, mas sim, subjetiva, devendo ater para o animus do agente; q) Sr. MILTON RUI JAWORSKI não deve estar incluído no pólo passivo da lide, pois, não agiu com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatuto, nem tendo qualquer outra atitude que o torne responsável por divida tributária da Propace; Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 r) que requer seja: o presente recurso recebido e provido para julgar NULO o presente auto de infração, com base no erro na identificação das impugnantes como sujeitos passivos solidários, sendo todos consequentemente retirados do polo passivo da lide; e seja realizada diligência para sanar a falha que se encontra nos autos e retorne este a instância anterior para manifestação dos julgadores quando foram 'omissos quanto ao questionamento feito pelo sujeito passivo na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. Os recursos voluntários são tempestivos e foram subscritos por mandatário com poderes para tal, conforme procurações a fls. 1305/1398/1400/1402/1403, razão pela qual deles conheço. Inicialmente, submeto a este Colegiado questão preliminar, qual seja, que a DRJ/BSB não recorreu de ofício, embora tenha retirado o responsável tributário César Antônio de Paula Silva do polo passivo da relação tributária, sendo que o crédito tributário objeto está acima do limite de alçada. Conheço a posição de alguns dos meus pares, razão pela qual tenho a preocupação de atentar para esta questão. Não obstante, ouso divergir dos que entendem que cabe recurso de ofício nesta hipótese, pois entendo que a simples retirada de um dos responsáveis solidários não implica na exoneração de crédito tributário de que trata o art. 34, I, do Decreto 70.235/72. Ao meu ver, apenas e tãosomente na hipótese em que a decisão de primeira instância reduz tributo e multa em mais de um milhão por processo é que se torna obrigatória a interposição de recurso de ofício. Observo que o crédito tributário deste processo restou incólume com a decisão da DRJ/BSB, logo, correto o entendimento daquela instância ao não recorrer de ofício. Passo a analisar os recursos em conjunto, tendo em vista que os argumentos expendidos pelo contribuinte e responsáveis ora são os mesmo ora são complementares. DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA Preliminarmente, cabe ressaltar que a realização de diligências e auditorias nesta fase do processo tem como destinatário o julgador e só ele pode avaliar a sua necessidade, a qual, conforme restará demonstrado mais a frente, não se faz necessário para conhecimento e solução das questões postas em julgamento nos presentes autos. DA SUJEIÇÃO PASSIVA DOS RESPONSÁVEIS Fazse mister, para análise das sujeições passivas dos responsáveis tributários, que, inicialmente, verifiquemos o que consta do auto de infração a fls. 1089, in verbis: “Conforme comprova a 23ª alteração contratual registrada na Juceg sob NIRE n° 52060292814, a partir de 07/03/2006, a pessoa jurídica passou Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.443 7 a ser administrada pelos senhores Milton Rui Jaworski, CPF n° 157.483.83934, Antônio Augusto Fernandes Rapetti, CPF n° 392.891.09904, e Renato Antônio Almeida, CPF n° 539.302.23953. Mediante procuração outorgada por instrumento público perante o 2° Tabelionato de Notas da Comarca desta Capital, transcrito no Livro n° 724, às folhas 35/37, a partir de 21/03/2006 foram conferidos poderes de gestão ao senhor Cesar Antônio de Paula Silva, CPF n° 056.087.91134. A sociedade limitada foi transformada em sociedade anônima, mediante ato registrado na Juceg em 04/07/2006 sob NIRE n° 52300010527; entretanto, não houve alteração dos gestores da pessoa jurídica. Por meio de resposta protocolizada em 17/04/2009 sob n° 093740, o senhor César Antônio de Paula Silva alegou haver emprestado recursos para as pessoas físicas dos sócios, tendo por garantia os bens da pessoa jurídica. Isto explicaria a outorga de poderes mediante instrumento público de mandato, com a finalidade de lhe propriciar amplo acesso às dependências, livros e documentos da empresa para aferir a aplicação dos recursos emprestados. O documento mencionado na parte final do n° 19 do item "DOCUMENTOS PRODUZIDOS" entregue pelos ex sócios Pedro Paulo Gonçalves de Avila e José Vicente Vieira – trata de Instrumento Particular de Compromisso de Compra e Venda de Participação Societária e Outras Avenças, firmado em 08/02/2006 entre César Antônio de Paula Silva como comprador, e como vendedores: Agrochão Participações e Administração Ltda, Light Point Incorporação Ltda e Jaworski Consultoria Empresarial Ltda. De acordo com a cláusula segunda, o contrato tem por objeto assegurar "o direito de subscrever ações representativas de 40% do capital social da PROPACE ou da EMBALAGENS (a que remanescer após a incorporação descrita na alínea 'f' da cláusula anterior).". Na cláusula terceira, estão previstos os aportes de recursos a que o comprador se obriga a realizar. Embora o mandatário alegue que não exerceu os poderes de gerência, não foram trazidas provas da ausência de seu comando na empresa. Desta forma, mantemos a responsabilidade tributária sobre o mandatário. Ante o exposto, com fundamento no CTN art. 121 inciso II, art. 124 incisos I e II, art. 128 e art. 134 inciso VII, atribuímos responsabilidade solidária aos sócios da época de ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária. A sujeição passiva do mandatário está amparada pelo art. 134 inciso III do CTN.” Notese que o mandatário César Antônio de Paula Silva já foi retirado do polo passivo da relação tributária pela decisão recorrida, assim, o que nos cabe analisar é a sujeição passiva dos demais, a qual foi enquadrada nos art. 121 inciso II, art. 124 incisos I e II, art. 128 e art. 134 inciso VII do CTN. Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Com relação a aplicação do art.134, VII, do CTN, a primeira questão que temos que verificar é se a recorrente era uma sociedade de pessoas. O contrato social na sua cláusula sétima (a fls. 119) não deixa dúvida que ela foi constituída como uma sociedade de pessoas, se não vejamos: “Cláusula Sétima As quotas são indivisíveis e não poderão ser cedidas ou transferidas a terceiros sem o consentimento do outro sócio, a quem fica assegurado, em igualdade de condições e preço direito de preferência para a sua aquisição se postas a venda, formalizando, se realizada a cessão delas, a alteração contratual pertinente.”. Verificase, assim, perfeitamente configurado a affectio societatis, pois o animus contrahendi societatis estava diretamente vinculado as pessoas dos sócios, tanto que a entrada de qualquer outra pessoa no quadro societário dependia do consentimentos dos demais sócios. Ocorre, porém, que o próprio autuante informa que a sociedade recorrente passou a ser uma sociedade anônima a partir de 04/07/2006, ou seja, prima facie, uma sociedade de capital. Antes de perquirir o efeito de tal transformação sobre a aplicação do art. 134, VII do CTN, vale ressaltar que, em condições muito particulares, o Superior Tribunal de Justiça tem considerado sociedades anônimas fechadas como sociedade de pessoas, se não vejamos a ementa do REsp 917531/RS, da relatoria do Min. Luís Salomão, o qual talvez melhor resuma a posição dominante no STJ, in verbis: DIREITO SOCIETÁRIO E EMPRESARIAL. SOCIEDADE ANÔNIMA DE CAPITAL FECHADO EM QUE PREPONDERA A AFFECTIO SOCIETATIS. DISSOLUÇÃO PARCIAL. EXCLUSÃO DE ACIONISTAS. CONFIGURAÇÃO DE JUSTA CAUSA. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DO DIREITO À ESPÉCIE. ART. 257 DO RISTJ E SÚMULA 456 DO STF. 1. O instituto da dissolução parcial erigiuse baseado nas sociedades contratuais e personalistas, como alternativa à dissolução total e, portanto, como medida mais consentânea ao princípio da preservação da sociedade e sua função social, contudo a complexa realidade das relações negociais hodiernas potencializa a extensão do referido instituto às sociedades "circunstancialmente" anônimas, ou seja, àquelas que, em virtude de cláusulas estatutárias restritivas à livre circulação das ações, ostentam caráter familiar ou fechado, onde as qualidades pessoais dos sócios adquirem relevância para o desenvolvimento das atividades sociais ("affectio societatis"). (Precedente: EREsp 111.294/PR, Segunda Seção, Rel. Ministro Castro Filho, DJ 10/09/2007) ............................................................................................................................. 5. Caracterizada a sociedade anônima como fechada e personalista, o que tem o condão de propiciar a sua dissolução parcial – fenômeno até recentemente vinculado às sociedades de pessoas , é de se entender também pela possibilidade de aplicação das regras atinentes à exclusão de sócios das sociedades regidas pelo Código Civil, máxime diante da previsão contida no art. 1.089 do CC: "A sociedade anônima regese por lei especial, aplicando selhe, nos casos omissos, as disposições deste Código." ............................................................................................................................. De acordo com o entendimento pacificado no STJ, por meio da 2ª seção de direito privado, a sociedade anônima poderá ser considerada uma sociedade de pessoas se atendidos três requisitos: primeiro, a sociedade anônima deve ser fechada; segundo, a sociedade deve ser estritamente familiar; terceiro, a existência de cláusulas estatutárias restritivas à livre circulação das ações. Ora, o Estatuto da recorrente, no seu art. 7º (a fls. 122), expressamente declara que: “É livre a alienação ou transferência de ações a terceiros que não Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.444 9 sejam acionistas da sociedade”, ou seja, não restringe a circulação das ações, razão pela qual, mesmo à luz da jurisprudência do STJ, a recorrente, a partir de 04/07/2006, passou a ser uma sociedade de capital. Voltemos, então, a perquirir qual o efeito dessa transformação em 04/07/2006, sobre a aplicação do art. 134, VII, do CTN no lançamento em tela. Nos termos do art. 144 do CTN, o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, isso para se definir os aspectos da hipótese de incidência, inclusive a sujeição passiva direta quem é contribuinte. Assim, o dever de o contribuinte pagar o tributo (schuld) nasce no momento da ocorrência do fato gerador, algo que não se confunde com a responsabilidade do sócio (haftung), a qual depende, na hipótese do art. 134, VII, do CTN, que seja impossível de cobrar da sociedade de pessoa por ter sido liquidada. Assim, por exemplo, impossibilitado o Fisco de cobrar tributos de uma sociedade de pessoas já liquidada, deverá efetuar o lançamento contra os seus últimos sócios, aqueles que a liquidaram e que receberam o seu acervo líquido. Ora, sem que tenha se configurado as hipóteses do art, 135, III, do CTN (infração à lei ou ao contrato social) não vejo como responsabilizar pessoa que já não era sócio da recorrente no momento em que houve a liquidação (vide item 3.2 do doc. a fls. 114), razão pela qual já retiro do polo passivo da relação tributária em tela o Sr. Milton Rui Jarwoski. Ademais, no caso em tela, não houve uma liquidação de uma sociedade de pessoas, pois essa sofreu uma transformação em 04/07/2006, passando a ser uma sociedade anônima (sociedade de capital) e foi já sob esta constituição que foi declarada inapta pelo ADE nº 3/2009 (transcrito na decisão recorrida), logo, inaplicável o art. 134, VII, do CTN. Nesse ponto concordo com a decisão recorrida, pois não há como sustentar que a dissolução irregular da recorrente tenha acontecido em 2006, se o ADE nº 3 é de 2009. Nesse ponto, vale trazer à colação o seguinte excerto da decisão da DRJ/BSB, quando sustenta que: “É de se perguntar porque tal dispositivo foi aplicado e a resposta está estampada na representação para inaptidão do CNPJ (fls. 93 a 95) assim redigida: ‘Esgotadas todas as possibilidades de entregar o Termo do Inicio de Fiscalização, a ação fiscal considerará os elementos e provas que a Receita Federal do Brasil dispuser, tendo prosseguimento em relação aos sócios, diretores, administradores e mandatários da época de ocorrência dos fatos geradores.’ Cuja conclusão e pela inexistência de fato da Pessoa Jurídica, eis o teor: ‘Diante do exposto, fundamentado no item III do art. 34 combinado com os incisos II e III e com o parágrafo único do art. 41 da IN RFB n° 748, de 28 de junho de 2007, está evidenciado que se trata de Pessoa Jurídica inexistente de fato.’ Para que não pairem dúvidas trazemos a redação literal dos dispositivos citados e contidos na IN RFB n° 748, de 28 de junho de 2007: Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: (.) III inexistente de fato; (g. n.) (.) Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: (.) II não for localizada no endereço informado a RFB, bem como não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; (g. n.) III se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Assim, resta autorizada a presunção de ter a sociedade encerrado irregularmente suas atividades. Tal entendimento é corroborado pelo seguinte julgado: Ementa; .... I. A nãolocalização da empresa executada no endereço que consta no CNPJ, cuja atualização é de sua responsabilidade, autoriza a presunção juris tantum de ter a sociedade encerrado, irregularmente, suas atividades, e, consequentemente, o deferimento do redirecionamento da execução contra os sócios (CTN, art. 134, VII). ...." (TRF 1" Região. Ag 2006.01.00.0201339/BA. Rel.: Des. Federal Antônio Ezequiel da Silva. 7" Turma. Decisão: 22/05/07. DJ de 13/07/07, p. 82.) Neste sentido, recentemente foi publicada pelo STJ a Súmula n° 435, com o seguinte enunciado: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicilio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Contudo, em que pese todo o esforço despendido pela autoridade fiscal e a presunção legal da dissolução irregular, não há como, ao caso em comento, acatar a aplicação do art. 134, VII, pois, como se pode ver abaixo (extrato do DOU n° 108, terçafeira, 9 de junho de 2009) a empresa, em questão, foi declarada inapta por motivo de Inexistência de Fato somente a partir de 19 de janeiro de 2009, vejamos: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO N°3, DE 2 DE JUNHO DE 2009 Declara inapta inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica. O CHEFE DO SERVIÇO DE CONTROLE E ACOMPANHAMENTO TRIBUTÁRIO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE GOIANIA/GO, no uso das atribuições que lhe são conferidas no art. 6° da Portaria n° 154/2009 (DOU 22/05/2009), e tendo em vista o disposto no inciso III do artigo 34 da Instrução Normativa RFB n° 748, de 28 de junho de 2007, resolve; Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.445 11 Art. 1º Declarar INAPTA a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), em nome de PROPACE INDUSTRIA E COMÉRCIO DE EMBALAGENS S.A., CNPJ le 02.160.034/0001 79, por motivo de Inexistência de Fato, conforme processo n°10120.004398/200997; Art. 2º Que serão considerados inidôneos, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros interessados, os documentos emitidos pela empresa acima citada, desde 19 de janeiro de 2009; Art. 3º O presente Ato Declaratório Executivo entra em vigor na data de sua publicação. De acordo com o disposto na cláusula quinta da vigésima terceira alteração contratual, a administração da sociedade pelos ora Impugnantes, ocorre a partir de 07/03/2006 (fls. 105): A administração da sociedade cabe aos Srs. Milton Rui Jaworski, Renato Antonio Almeida, ambos já qualificados e ao Sr. Antônio Augusto Fernandes Rapetti que passam a contar, todos, com a designação de Diretores. Portanto, como a sociedade foi declarada inapta após 19/01/2009, não há como falar em liquidação de sociedade de pessoas no período de 07/03/2006 a 31/12/2006, via de consequência deve ser afastada a aplicação do dispositivo 134, inciso VII, do CTN. Entretanto, a responsabilidade dos Impugnantes deve persistir e neste ponto, vale a pena destacar que, responsabilidade tributária, em sentido estrito, ‘é a submissão, em virtude de disposição legal expressa, de determinada pessoa que não é contribuinte, mas está vinculada ao fato gerador da obrigação tributária, ao direito do fisco de dirigir a prestação respectiva’. O conceito aí enunciado decorre do texto do Código Tributário Nacional, que define "responsável" pelo método da exclusão; vale dizer, define "contribuinte", que é o sujeito que pratica o verbonúcleo da norma hipotética tributária, e, por exclusão, denomina de "responsável" todo sujeito passivo que responde pela obrigação tributária sem ser "contribuinte", compondo essas espécies o gênero de "sujeito passivo" — arts. 121 e 128 do CTN. ... Assim, uma vez demonstrada a necessidade de trazer para o pólo passivo da exação os responsáveis tributários legais (sócios administradores da época de ocorrência dos fatos geradores da obrigação tributária), cujos fundamentos estão em consonância com o CTN art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II e art. 128, Renato Antônio Almeida e Antônio Augusto Fernandes Rapetti devem permanecer como responsáveis tributários.”. Divirjo da decisão recorrida,. Antes de abordarmos a Súmula STJ 435, saliento que divirjo da decisão recorrida, pois entendo que os art. 121, inciso II, art. 124, incisos I e II e art. 128 do CTN não dão suporte legal para responsabilizar o sócio no caso em tela, pois, se o mero interesse econômico fosse suficiente para reponsabilizar o sócio por tributos devidos pela sociedade, Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 restaria baldada a regra do art. 135, III, do CTN, já que independentemente, de ter agido com infração a lei ou ao contrato social, já seria responsàvel pelos tributos devidos pela sociedade, pelo simples fato de ter interesse nos lucros. Ademais, entendo, como já sustentado anterioremnte, equivocada a responsabilização de pessoa que já não era mais sócio à época da publicação do ADE nº 03/2009. O acórdão recorrido, para concluir pela responsabilidade tributária dos recorrente, cita na sua fundamentação a Súmula STJ 435, a qual assim dispõe: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicilio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Ao se consultar os precedentes que deram ensejo a tal Súmula, deparase com os seguintes julgados: "Hipótese em que o Tribunal a quo decidiu pela responsabilidade dos sóciosgerentes, reconhecendo existirem indícios concretos de dissolução irregular da sociedade por 'impossibilidade de se localizar a sede da empresa, estabelecimento encontrado fechado e desativado, etc.'. 2. Dissídio entre o acórdão embargado (segundo o qual a nãolocalização do estabelecimento nos endereços constantes dos registros empresarial e fiscal não permite a responsabilidade tributária do gestor por dissolução irregular da sociedade) e precedentes da Segunda Turma (que decidiu pela responsabilidade em idêntica situação). 3. O sóciogerente que deixa de manter atualizados os registros empresariais e comerciais, em especial quanto à localização da empresa e à sua dissolução, viola a lei (arts. 1.150 e 1.151, do CC, e arts. 1º, 2º, e 32, da Lei 8.934/1994, entre outros). A nãolocalização da empresa, em tais hipóteses, gera legítima presunção iuris tantum de dissolução irregular e, portanto, responsabilidade do gestor, nos termos do art. 135, III, do CTN, ressalvado o direito de contradita em Embargos à Execução." (EREsp 716412 PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/09/2007, DJe 22/09/2008) "In casu, o ajuizamento da execução fiscal deuse contra a pessoa jurídica, amparada em certidão de dívida ativa da qual não constam os nomes dos sóciosgerentes. 2. Consoante o entendimento pacífico deste STJ, constando da CDA apenas o nome da pessoa jurídica, inferese que a Fazenda Pública, ao propor a execução, não vislumbrou a responsabilidade dos sóciosgerentes pela dívida, razão pela qual se, posteriormente, pretende voltarse contra eles, precisa demonstrar a infração à lei, ao contrato social ou aos estatutos ou, ainda, a dissolução irregular da empresa [...] 3. 'Se a empresa não for encontrada no endereço constante do contrato social arquivado na junta comercial, sem comunicar onde está operando, será considerada presumidamente desativada ou irregularmente extinta' [...]". (REsp 980150 SP, Rel. MIN. CARLOS FERNANDO MATHIAS (JUIZ CONVOCADO DO TRF 1ª Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.446 13 REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 12/05/2008) "Em matéria de responsabilidade dos sócios de sociedade limitada, é necessário fazer a distinção entre empresa que se dissolve irregularmente daquela que continua a funcionar. 4. Em se tratando de sociedade que se extingue irregularmente, impõese a responsabilidade tributária do sóciogerente, autorizandose o redirecionamento, cabendo ao sóciogerente provar não ter agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder. [...] uma empresa não pode funcionar sem que o endereço de sua sede ou do eventual estabelecimento se encontre atualizado na Junta Comercial e perante o órgão competente da Administração Tributária, sob pena de se macular o direito de eventuais credores, in casu, a Fazenda Pública, que se verá impedida de localizar a empresa devedora para cobrança de seus débitos tributários. Isso porque o art. 127 do CTN impõe ao contribuinte, como obrigação acessória, o dever de informar ao fisco o seu domicílio tributário, que, no caso das pessoas jurídicas de direito privado, é, via de regra, o lugar da sua sede. Assim, presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixa de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, comercial e tributário, cabendo a responsabilização do sóciogerente, o qual pode provar não ter agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder, ou ainda, que efetivamente não tenha ocorrido a dissolução irregular. No direito comercial, há que se valorizar a aparência externa do estabelecimento comercial, não se podendo, por mera suposição de que a empresa poderia estar operando em outro endereço, sem que tivesse ainda comunicado à Junta Comercial, obstar o direito de crédito da Fazenda Pública. Ainda que a atividade comercial esteja sendo realizada em outro endereço, maculada está pela informalidade, pela clandestinidade. Assim, entendo presente indícios de dissolução irregular, e neste caso, é firme a jurisprudência desta Corte no sentido de que, nesta hipótese, não há que se exigir comprovação da atuação dolosa, com fraude ou excesso de poderes, por parte dos sócios, para se autorizar o redirecionamento da execução fiscal. Necessário apenas que haja indícios da dissolução irregular. Portanto, reconhecida a ocorrência da dissolução irregular da empresa é legítimo o redirecionamento da execução contra os sócios." (REsp 1017732 RS, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/03/2008, DJe 07/04/2008) Dessa forma, presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixa de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação a Receita Federal, cabendo a responsabilização do sóciogerente, o qual pode provar não ter agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder, ou ainda, que efetivamente não tenha ocorrido a dissolução irregular. Bem, o autuante não imputou dolo, fraude ou excesso de poder aos responsáveis tributários, então, resta saber apenas quem poderia ser responsabilizado pela dissolução irregular, ou seja, quem era o sóciogerente à época da dissolução irregular. Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 O Termo de Início de Procedimento Fiscal, a fls. 3, está datado de 19/01/2009, logo, há que se questionar como presumir que a recorrente teria se dissolvido irregularmente em 2006, se foi em 2009 que a Fiscalização se deu conta de que o endereço, nos cadastros da Receita Federal, estavam, no mínimo, desatualizado. Tanto é verdade, que, só em 02/06/2009, é expedido o ADE nº 03, o qual deixa muito claro que os seus efeitos são a partir de 19 de janeiro de 2009. Nesse ponto, reside, conforme tratado, a outra inconsistência da autuação e da decisão recorrida, qual seja, é que não se pode responsabilizar os sóciosgerentes à época do fato gerador em tela, 2006, se não ocupavam essa função à época da dissolução irregular. Ora, na Representação Fiscal – Pessoa Jurídica Inapta, a fls. 96, é informado que: “Os diretores apontados no quadro societário do CNPJ afirmaram não possuir mais poder de direção sobre a empresa, e indicaram o senhor Angelo de Paiva Teixeira, CPF n° 465.535.506/97, como administrador da sociedade anônima. Uma vez expedido o Oficio n° 11/2009/DRF/GOI/Sefis, a Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) nos encaminhou a documentação arquivada, confirmandose que a empresa era administrada pelo senhor Angelo de Paiva Teixeira.”. Diante desse quadro, ou a fiscalização provava ser o Sr. Angelo de Paiva Teixeira uma interposta pessoa (“laranja”) e que os sócios Antônio Rapetti e Renato Almeida continuavam na gerência da sociedade, ou a fiscalização só poderia colocar no polo passivo, em virtude da dissolução irregular, o Sr. Angelo de Paiva Teixeira. Como não há acusação de ser o Sr. Angelo de Paiva Teixeira uma interposta pessoa, entendo equivocada a responsabilização tributária dos exsóciosgerentes Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida. Assim, voto por afastar a responsabilidade tributária de Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida. DO ARBITRAMENTO O auto de infração assim resume as infrações apuradas: “Com base no Registro de Apuração do ICMS, destacamos as saídas onerosas mediante verificação do CFOP, e inserimos no Demonstrativo de Apuração de Tributos. Constatada a receita mensal de vendas, foram apurados os tributos federais. A escrituração contábil do contribuinte apresentase inviável para apurar o lucro real anual ou trimestral, diante dos seguintes motivos: a) não foi apresentado o livro de apuração do lucro real (Lalur); b) o Razão apresentado restringiuse a registrar as operações realizadas no 1° trimestre do anocalendário 2006, e as contas não estão ordenadas, em descumprimento às exigências contábeis e legais; c) o contribuinte não exerceu opção pelo lucro presumido, arbitrado ou lucro real anual, posto que não pagou IRPJ, não apresentou DCTF com Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10120.011382/200931 Acórdão n.º 1302001.322 S1C3T2 Fl. 1.447 15 débitos de IRPJ, não parcelou nem compensou débito de IRPJ, e não apresentou DIPJ.”. Na verdade, como já apontado na decisão recorrida, a contribuinte apresentou Lalur em branco, o que, ao meu ver, equivale a nãoapresentação dele, pois a escrituração fiscal vale pelo seu conteúdo. Aliás, está expressamente previsto no inciso VIII do art. 47 da Lei 8.981/95 que a não apresentação do Lalur implica no arbitramento do lucro do contribuinte. Assim, resta plenamente configurada a impossibilidade de apuração do lucro real, pois, sem ele não é possível apurar o IR sobre o lucro real e não cabe à autoridade fiscal levantálo, sob pena de estarmos transferindo para o Fisco uma obrigação acessória que é do contribuinte. Notese que nem mesmo a parte A do Lalur que é transcrito na DIPJ estava à disposição do Fisco, já que a contribuinte não apresentou a DIPJ. Friso que a DIPJ não substitui o Lalur, como algumas equivocadas decisões tem sugerido, pois as informações da Parte B do Lalur não estão disponíveis na DIPJ, logo, impossível se apurar o lucro real sem se ter conhecimento dos lucros, receitas e depesas diferidas que eventualmente teriam de impactá lo no período. De qualquer sorte, ainda para os que entendem que a DIPJ pode suprir a ausência de Lalur, no presente caso nem isso estava a disposição do Fisco, pois o contribuinte não a apresentou. Por sua vez, a apresentação de documentos já na fase de impugnação não tem o condão de desconstituir o arbitramento do lucro, se foi oportunizado ao contribuinte, por via postal no endereço que constava no seu CNPJ, a entrega de sua escrituração antes da lavratura do auto de infração. São inúmeros termos de início de ação fiscal, intimações e até pedido de prorrogação deferido, em um esforço enorme da Fiscalização para tentar encontrar a recorrente ou seu representante legal Sr. Angelo Teixeira, que durou mais de 9 meses entre o início de fiscalização e a lavratura do auto de infração, restando todas as tentativas frustadas. Algums documentos coligidos pela Fiscalização foram apresentados por exsócios. Além do mais, a recorrente apenas informa que juntou escrituração sem articular qualquer argumento de defesa que pudesse ter suporte em tais documentos. No contexto que ora enfrentamos, só se a recorrente conseguisse provar que os dados do Livro de ICMS eram incorretos e que o ICMS que certamente pagou era indevido, para concluirmos que não havia ela deixado de pagar tributos federais, pois repito a contribuinte não apresentou DIPJ, não pagou IRPJ e nem apresentou DCTF com débitos declarados. Em face do exposto, voto por: a) dar provimento aos recursos voluntários de Milton Rui Jaworski, Antônio Augusto Fernandes Rapetti e Renato Antônio Almeida, para afastar a reponsabilidade tributária deles; e b) negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte, Propace Ind. E Com. de Embalagens S/A. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10880.001021/00-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr.,Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Hélio Araújo e Guilherme Pollastri.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma resolvem, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr.,Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo, Hélio Araújo e Guilherme Pollastri. Versa o presente processo sobre recurso voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 1626.127 da 10ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 1997 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. DEDUÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .0 01 02 1/ 00 -1 1 Fl. 476DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.001021/0011 Resolução nº 1302000.304 S1C3T2 Fl. 477 2 O imposto de renda retido na fonte (IRRF) somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se (i) o contribuinte apresentar comprovante d retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora e (ii) se os rendimentos correspondentes tiverem sido incluídos na declaração. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. É de ser indeferido o pedido de perícia quando a prova que se pretende formular é de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo, inclusive no tocante a sua produção e guarda. As diligências e perícias devem se limitar ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal, nem para produzir provas as quais o autuado tinha o dever de trazer A. colação junto com a peça impugnatória. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob a responsabilidade da contribuinte, não implicam a necessidade de realização de diligência/perícia com o objetivo de produzir essas provas. VERDADE MATERIAL. Do Principio da Verdade Material, ao qual se sujeita o contencioso administrativo fiscal, não decorre obrigação ao julgador de aceitar todo e qualquer pedido de formação probatória. 0 mandamento apenas anula as amarras da verdade formal, que impede a apreciação de provas que não estejam nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 20/08/2010 (cf. AR a fls. 379) e interpôs recurso voluntário em 17/09/2010 (doc. a fls. 398 e segs.), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: quanto aos fatos: a.1) que, tendo apurado saldo negativo do referido imposto no exercício de 1998, anocalendário 1997, e visando a reaver os valores recolhidos indevidamente, pleiteou a sua devolução, valendose do disposto na Instrução Normativa n.° 21/1997, utilizandose, para isso, do formulário "Pedido de Restituição" devidamente preenchido e protocolado, o qual originou o presente Procedimento Administrativo; a.2) que foi proferida a decisão ora recorrida que houve por bem reconhecer parcialmente o direito da Recorrente de restituir os valores pretendidos, homologando, ato contínuo, compensações efetuadas até o montante deferido; a.3) que inconformada, com o não acolhi en pedido em sua totalidade, a Recorrente apresentou nova Manifestação Inconformidade, a qual foi julgada improcedente, dando en interposição do presente recurso voluntário pelas razões d fato direito a seguir expostas. b) quanto ao pedido de perícia: b.1) que a D. Autoridade Julgadora houve por bem indeferir o pedido de perícia formulado pela Recorrente; Fl. 477DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.001021/0011 Resolução nº 1302000.304 S1C3T2 Fl. 478 3 b.2) que ao contrário do propugnando pela D. Autoridade Fiscal a Recorrente busca, através da perícia requerida, atestar a correção dos valores pretendidos em restituição, com base nos livros de apuração, nas Declarações de Imposto de Renda e demais documentos contábeis trazidos aos autos; b.3) que a D. Autoridade Fiscal, inobstante aos documentos acostados aos autos do presente procedimento administrativo, deixou de reconhecer parte do crédito pleiteado Recorrente, razão pela qual fez e se faz necessária a realização do pedido de perícia solicitado; b.4) que a pois, ser indispensável ao presente caso a realização de perícia, nos termos em que requeridos por ocasião da Manifestação de InconfOrmidade. Digase, outrossim, que perpetrar tal conduta poderia ferir o principio da moralidade administrativa insculpido no artigo 37, da Carta Magna; c) quanto ao mérito: c.1) que a a Recorrente protocolou o presente Pedido de Restituição buscando reaver os valores relativos ao Imposto de Renda, recolhidos indevidamente em virtude da apuração de saldo negativo do imposto, crédito este objeto de pedido de compensação com débito de terceiros, conforme já explicitado; c.2) que a decisão ora recorrida indeferiu a manifestação apresentada, em síntese, por entender que "(...) o imposto de renda retido na fonte (IRRF) somente pode ser deduzido na declaração de rendimentos se (i) o contribuinte apresentar comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora e (ii) se os rendimentos correspondentes tiverem sido incluídos na declaração. (...)"; c.3) que a D. Autoridade Julgadora afirma que as retenções de IR "(...) somente podem ser abatidas do imposto devido se os rendimentos correspondentes foremoferecidos à tributação (...)"; c.4) que, como se pode verificar na DIPJ/1997 (anocalendário 1996), especificamente na ficha 6, linha 6, a receita decorrente dos Juros sobre Capital Próprio — JCP, foram declarados no montante de R$ 20.079.558,00 (Doc. 02), sendo, assim, evidente que tais valores foram devidamente declarados e oferecidos tributação; c.5) que se aplicarmos a essa receita a alíquota correspondente ao IRRF devido sobre JCP, qual seja, 15%, encontramos o valor de R$ 3.011.933,70, correspondente ao somatório dos DARFs acostados aos autos pela Recorrente; c.6) que que a própria D. Autoridade Julgadora reconhece que o somatório dos DARFs de recolhimento de IRRF, monta R$ 3.011.933,70; c.7) a D. Autoridade Julgadora afirma que "(...) a soma dos valores dos três DARF (R$ 3.011.933,70) difere do valor alegado pela manifestante como sendo saldo de IRRF(R$ 2.953.669,41)"; c.8) que do total de R$ 3.011.933,70, a Recorrente apenas compensou no ano de 1997, o montante de R$ 2.953.669,41; Fl. 478DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.001021/0011 Resolução nº 1302000.304 S1C3T2 Fl. 479 4 c.9) que não existe qualquer diferença entre os valores alegados pela Recorrente, posto que restou comprovado que a existência de um montante de IRRF de JCP acumulado no ano de 1996 de R$ 3.011.933,70, sendo que desse montante apenas R$ 2.953.669,41, foi compensado em 1997, como se pode verificar da Ficha 09, linha 11, nos meses de outubro e novembro da DIPJ/1998 (Doc. 03); c.10) que a Recorrente, em atendimento à intimação emanada pela Fiscalização procedeu a juntada dos comprovantes de arrecadação do IRRF, nos valores de R$ 1.649.746,08; R$ 537.187,62 e R$ 825.000,00, incidente sobre a receita oriunda do recebimento de juros sobre o capital próprio — código 5706 (Doc. 04); c.11) que que no "Resumo de Beneficiários PJ", acostados pela Fiscalização aos autos do presente Procedimento Administrativo às fls. 154/158, o montante de R$ 1.400.100,00, também são relativos a recolhimentos efetuados sobre a receita oriunda do recebimento de juros sobre o capital próprio — código 5706 (Doc. 05), no ano de 1997; c.12) que se pode verificar na DIPJ/1998 (anocalendário 1997), especificamente na ficha 6, linha 6, a receita decorrente dos Juros sobre Capital Próprio — JCP, foram declarados no montante de R$ 9.333.997,38 (Doc. 06), sendo, assim, evidente que tais valores foram devidamente declarados e oferecidos à tributação; c.13) que se aplicarmos a essa receita alíquota correspondente ao IRRF devido sobre JCP, qual seja, 15%, encontramos o valor de R$ 1.400.100,00, correspondente ao somatório dos DARFs acima mencionados (vide documento 05); c.14) que os juros sobre o capital próprio foram pagos pelas empresas Citibank Leasing S/A Arrendamento Mercantil — CNPJ/MF, n.° 34.112.128/000169; Citibank Corretora de Seguros S/A — CNPJ/MF n.° 63.058.648/000139 e Citifinancial Promotora de Negócios & Cobrança Ltda. — CNPJ/MF n.° 31.918.584/000102, em que 99,99% do capital pertence a Recorrente, consoante se observa da Ficha 14, da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ, exercícios de1996 e 1997 (Doc. 07); c.15) que os valores pagos a titulo de JCP, foram devidamente oferecidos à tributação, razão pela qual não haveria óbice ao abatimento de tais quantias; c.16) que o valor de que R$ 2.953.669,41, (originários R$ 2.499.710,05), foi suprimido do crédito pleiteado pela Recorrente nos autos do Procedimento Administrativo n.° 10880.001022/0083, conforme se pode comprovar da decisão proferida naqueles autos (Doc. 08), sendo certo que a Recorrente optou por não recorrer da aludida decisão; c.17) que a D. Autoridade Fiscal no bojo da decisão acima mencionada reconhece que o montante de R$ 2.499.710,05, foi retido e oferecido a tributação, como se verifica do excerto a seguir reproduzido: "(...) Verificações procedidas no Sistema IRF/Consulta (fls. 149 a 154) e DIRPJ/1997 (fls. 147 e 148) demonstram que tal valor foi efetivamente retido no decorrer do anocalendário de 1996 e que as receitas correspondentes foram oferecidas tributação. Sendo assim, o valor do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1996 é de R$ 23.624.747,87, valor esse que foi objeto de compensação parcial no valor de R$ 2.499.710,05, sem formalização de Pedido de Compensação por parte do contribuinte (...)". Fl. 479DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.001021/0011 Resolução nº 1302000.304 S1C3T2 Fl. 480 5 c.18) que o montante de R$ 344.837,62, referente as estimativas de IRRF do anocalendário de 1997, apontados na Ficha 09, linha 06, nos meses de outubro e novembro da DIPJ/1998, foi utilizado nas antecipações do próprio ano de 1997, razão pela qual tal valor está embutido no montante de R$3.298.507,03, apontado na ficha 08, linha 17, da mesma declaração (Doc. 09); c.19) que padece de fundamento a alegação da d. Autoridade Fiscal de que "(...) embora a contribuinte tenha declarado na DIPJ do anocalendário de 1997 o valor de R$ 3.298.507,03 como imposto de renda mensal por estimativa (linha 17 da DIPJ, fls. 150), não houve saldo de imposto de renda a pagar em nenhum mês de 1997, conforme a empresa declarou na DIPJ (fls. 151 — 153), razão pela qual não procede sua alegação de que o valor em questão teria sido utilizado para pagamento de estimativa. (...)"; c.20) que se verifica da Ficha 09, nos meses de outubro e novembro da DIPJ/1998, a Recorrente efetuou o recolhimento do IR com base na receita bruta, razão pela qual os valores ali apontados foram computados nos pagamentos realizados. É o relatório. Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 385, razão pela qual dele conheço. O Despacho Decisório, a fls. 161, terminou sendo confirmado pela Acórdão recorrido, o qual assim decidiu: O pleiteado saldo negativo do IRPJ verificado no ano calendário de 1997 decorre das retenções na fonte do IR sofridas pela requerente (R$ 15.152.070,21) e das estimativas do IR (R$ 3.298.507,03) haja vista a inexistência de imposto de renda, conforme demonstrado em declaração na Ficha 08 da DIPJ/98 à fl. 150, resultando no saldo negativo de R$ 18.450.577,24 cuja restituição é pleiteada. Entretanto, verificações procedidas no decorrer desse exame contestam essas informações. Assim, o total de imposto de renda retido na fonte declarado em DIRF pelas fontes pagadoras em função da interessada em epigrafe é de R$ 14.704.707,82 (fls. 154/156) devendo, portanto, esse montante ser considerado na composição do saldo negativo do IRPJ em análise. Por outro lado, as estimativas totais de R$ 3.298.507,03 incluídas pela interessada na linha 17 da Ficha 08 não correspondem à realidade. De suas próprias informações constantes da Ficha 09 (fls. 151/153) se constata que em nenhum mês do ano calendário de 1997 restou saldo do IR a pagar, motivo pelo qual nenhum recolhimento a esse titulo foi efetuado de acordo com pesquisa ao SINAL08 à fl. 157. Em decorrência, para efeito do cálculo do saldo negativo do IRPJ, esse item deve ser "zerado". Fl. 480DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10880.001021/0011 Resolução nº 1302000.304 S1C3T2 Fl. 481 6 ... DEFIRO PARCIALMENTE o pedido de restituição de fl. 01 e, em consequência, RECONHEÇO o direito creditório contra a Fazenda Nacional de FNC COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES LTDA., CNPJ 34.061.077/000193, no valor de R$ 14.704.707,82 (quatorze milhões, setecentos e quatro mil, setecentos e sete reais, oitenta e dois centavos), conforme relato constante do Despacho Decisório retro, acrescidos os juros equivalentes à taxa SEL1C, de acordo com legislação em vigor e, HOMOLOGO a compensação declarada no presente processo até o limite desse valor.”. Embora, o Despacho Decisório afirme que em nenhum mês do ano calendário de 1997 restou saldo do IRPJ – Estimativa a pagar, verificase, na Ficha 09 da cópia da Declaração juntada pela recorrente ( a fls. 449 e 460), que houve IRPJ – Estimativa em outubro e novembro de 1997, os quais foram compensados/deduzidos pelos seguites valores: PA Nov/1997 (R$) Out/1997 (R$) IRPJ – Estimativa 2.519,623,00 778.884,03 () IRRF 31.304,40 313.533,22 () SNIRPJ períodos anteriores 2.448.818,60 465.350,81 Saldo de IR a pagar 39.500,00 nihil A recorrente, ainda que de maneira obscura, alega que o SNIRPJ de períodos anteriores compensados com o IRPJ – estimativa de outubro e novembro de 1997 teria como origem o SNIRPJ AC 1996 e cita trecho do Despacho Decisório proferido nos autos do PAF 10880.001022/0083, cuja cópia consta a fls. 466 destes autos. Ocorre que, apenas pelo teor do referido despacho decisório, não se pode ter certeza que a origem do SNIRPJ compensado em 1997 seja realmente o SNIRPJ AC 1996. O despacho decisório afirma que houve compensação de R$ 2.499.710,05, sem formalização de Pedido de Compensação, razão pela qual, embora estivesse reconhecendo todo o direito creditório da recorrente, havia que deduzir o valor já compensado. Em face do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora: a) informe se houve compensação, em DCTF ou na escrita contábil, do IRPJ – estimativa de outubro e novembro de 1997 com o SNIRPJ AC 1996; b) junte, aos autos, o inteiro teor da DIRPJ/98 (AC 97) da recorrente e apense, a estes autos, ainda que por cópia, o PAF 10880.001022/0083. Após cumprida a diligência, seja dada ciência à recorrente do relatório de diligência, concedendolhe prazo para falar nos autos. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 481DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19311.720393/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RETENÇÃO 11% - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA -. NÃO CONFIGURADA
Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mão-de-obra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91
A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-003.991
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 93 /2 01 1- 57 Fl. 968DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à retenção de 11% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços. Conforme Relatório Fiscal, a autuada foi contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e deixou de reter e recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto dos serviços, em desacordo com o que estabelece o art. 31 da Lei 8.212/91. Segundo a fiscalização, a autuada, na condição de tomadora dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema estrutural da ÁREA 3, no município de São Paulo, prestado pelo CONSÓRCIO PLUS. A autoridade lançadora traz o histórico da legislação municipal que trata do transporte público da cidade de São Paulo para tentar demonstrar que as empresas que prestaram os serviços deixaram de ser permissionárias, passando a efetiva condição de contratadas, com a remuneração fixada em função do custo do serviço prestado, considerando a frota de veículos, equipamentos, mãodeobra e instalações alocados à disposição do sistema. Informa que a operadora deixa de ser remunerada diretamente pela apropriação da tarifa paga pelo usuário, sendo que a arrecadação tarifária centralizada pela contratante é a principal fonte de recursos para o pagamento das empresas contratadas, modelo estabelecido por lei e que ficou conhecido como “municipalização do sistema de transporte”. Esclarece que os contratados têm obrigação de colocar permanentemente à disposição do usuário os serviços especificados pela contratante, nos horários, percursos e demais critérios operacionais, conforme cláusulas contratuais “Das Obrigações da Contratada”, e que a tomadora do serviço determina estritamente todas as condições para sua adequada execução, especificando o percurso e os horários dos ônibus, bem como a quantidade e a qualidade dos recursos (materiais e humanos) a serem disponibilizados pela cedente. A seguir, discorre sobre contratos e como o serviço era prestado, trazendo a legislação correlata sobre a matéria e reafirma o entendimento de que incide retenção de 11% sobre os serviços de operação de transportes de passageiros, pois prestados mediante cessão de mãodeobra, nos termos da Lei 8.212/1991. Conclui que, em que pese as concessionárias prestadoras de serviços de transporte coletivo urbano de passageiros na cidade de São Paulo terem deixado de destacar os valores das retenções, a Secretaria Municipal de Transportes, contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra é a responsável pelo recolhimento das importâncias que deixou de reter, por expressa determinação legal. Defende ainda que o lançamento deva ser feito em face da tomadora do serviço, com fundamento no art. 31, caput e § 1º e art. 33, § 5º da Lei 8.212/91, ficando a prestadora de serviços solidariamente responsável pelo débito, nos termos dos arts. 124, I e II e Fl. 969DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 2301003.991 S2C3T1 Fl. 967 3 128 do CTN, bem como art. 71 da Lei 8.666/93, pois entende que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota, uma vez que a lei não excluiu a responsabilidade do contribuinte nesses casos em que não há retenção pelo tomador, nem destaque na nota, permanecendo ambos (tomador e prestador) responsáveis pelo recolhimento das contribuições devidas, também com fulcro no artigo 128 do CTN. A autoridade lançadora esclarece, ainda, que foi feito um comparativo entre as multas vigentes antes e depois da MP 449/2008, e aplicada a mais benéfica ao contribuinte para os fatos geradores anteriores a 04/12/2008, conforme o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inciso II, “c”, do CTN, ou seja, aplicouse a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, nas competências de 02/2007 a 11/2008, haja vista ter se demonstrado mais benéfica ao contribuinte, e a multa de 75% da legislação vigente na competência 12/2008. O Município de São Paulo apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, que não há notícia de que a auditoria tenha averiguado se as concessionárias recolheram ou não as contribuições cuja ausência de retenção é objeto do auto de infração impugnado. No mérito, defende que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãodeobra e, por isso, ausente a ocorrência do fato gerador relativo ao tributo cobrado no AI em tela. O Consórcio Plus que, no entendimento da fiscalização, é responsável solidário pelo débito, também apresentou defesa, por sua empresa líder Vip Transportes Urbano Ltda, alegando, em síntese, que o débito relativo à retenção de 11% é restrito ao tomador de serviços, e consiste em obrigação acessória que somente diz respeito ao mesmo, não podendo ser comungada com o prestador. Sustenta que a contribuição devida e instituída pelo art. 31, da lei 8.212/91, não pode ser considerada como devida também pelo prestador de serviços na qualidade de solidário, enfatizando que o referido dispositivo legal não criou novo tributo, mas apenas uma forma de antecipação de recolhimento da contribuição, de forma que o tomador de serviços é o responsável único pelo recolhimento que deixou de fazer ao não proceder a retenção. A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05039.633, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 867), julgou a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário e recorrendo dessa decisão a este Conselho de Contribuintes. Entenderam os julgadores de primeira instância que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra. Cientificadas da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, a autuada e a responsável solidária não se manifestaram. É o relatório. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. A 6a Turma da DRJ/CPS recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou procedente as impugnações apresentadas e que exonerou o débito lançado contra o MUNICÍPIO DE SÃO PAULO e outros. Entenderam os julgadores de primeira instância, assim como a autuada, que não houve cessão de mão de obra nos serviços prestados. Já a fiscalização entende que o serviço de transporte coletivo público de passageiros do Município de São Paulo foi realizado com cessão de mão de obra. Impõe, portanto, verificar a modalidade com que os serviços públicos de transporte de passageiros do município foram prestados. A fiscalização alega que o Município tomou serviços com cessão de mãode obra das empresas que compõem o Consórcio Plus e, nessa condição, está diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros, fundamentando a autuação no art. 31, da Lei 8.212/91. A autuada se defende do débito argumentando que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãode obra e, sim, uma concessão de prestação de serviços públicos, e que a prestação de serviços/terceirização não se confunde com a concessão/permissão De fato, a Administração Pública pode recorrer à colaboração de terceiros para melhor cumprir suas atividades e realizar suas funções. Contudo, há que se distinguir terceirização na Administração Pública, das chamadas concessões e permissões de serviços públicos. A terceirização é o instituto pelo qual a Administração busca a parceria com o setor privado para a realização de suas atividades. Tudo aquilo que não é objetivo institucional do órgão público pode ser transferido para terceiros. A Lei nº 8.666/93 define “serviços” como a atividade destinada a obter determina utilidade de interesse para a Administração (art. 6º, II). Portanto, o serviço objeto de terceirização é uma tarefa prestada pelo particular (contratado), imediatamente à Administração, para apoio ao exercício de suas atribuições. Ou seja, o Órgão Público contrata uma empresa de limpeza, para manutenção de suas instalações, ou de segurança, para guardar suas repartições, ou mesmo de construção Fl. 971DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 2301003.991 S2C3T1 Fl. 968 5 civil, para reformas e obras em suas edificações, ou mesmo de transporte de passageiros, para transportar seus funcionários. Assim, a Administração estaria terceirizando suas atividadesmeio. O objetivo da terceirização restringese ao repasse a empresas privadas especializadas de determinadas atividadesmeio ou atividades executivas e bucrocráticas de apoio (serviços administrativos), realizadas no âmbito interno da Administração Pública, a fim de que o ente ou órgão público possa se empenhar nas suas competências finalísticas dispostas em lei. Já as atividades fins são voltadas diretamente aos administrados, e sua prestação é obrigatória pelo Estado, que o fará como serviço público, sob regime de direito público. Constatase que, cada vez mais, prestações de serviços públicos vêm sendo repassadas para a iniciativa privada, por meio dos institutos da concessão e da permissão, formas de descentralização de serviços por colaboração. Da mesma forma, a Administração vem enxugando seus quadros e dinamizando a execução de suas atividades através da contratação de terceiros, vale dizer, por meio da terceirização. No entanto, a diferença é que, na terceirização, a Administração Pública apenas transfere a execução material de determinadas atividades, ao passo que as concessionárias e permissionárias de serviços públicos também recebem a gestão operacional. O art. 175 da CF/88, estabelece que Art. 175 "Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos". Segundo Maria Sylvia Di Pietro (2005, p. 239): A concessão tem por objeto um serviço público; não uma determinada atividade ligada ao serviço público, mas todo o complexo de atividades indispensáveis à realização de um específico serviço público, envolvendo a gestão e a execução material. [...] A Administração transfere o serviço em seu todo, estabelecendo as condições em que quer que ele seja desempenhado; a concessionária é que vai ter a alternativa de terceirizar ou não determinadas atividades materiais ligadas ao objeto da concessão. A locação de serviços tem por objeto determinada atividade que não é atribuída ao Estado como serviço público e que ele exerce apenas em caráter acessório ou complementar da atividadefim, que é o serviço público." Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 703): [...] Nos simples contratos de prestação de serviço, o prestador do serviço é simples executor material para o Poder Público contratante. Daí que não lhe são transferidos poderes públicos. Persiste sempre o Poder Público como o sujeito diretamente relacionado com os usuários e, de conseguinte, como responsável direto pelos serviços. O usuário não entretém relação jurídica alguma com o contratadoexecutor material, mas com a entidade pública à qual o serviço está afeto. Por isto, quem cobra pelo serviço prestado – e o faz para si próprio – é o Poder Público. O contratado não é remunerado por tarifas, mas pelo valor avençado com o contratante governamental. Em suma: o serviço continua a ser prestado diretamente pela entidade pública a que está afeto, a qual apenas se serve de um agente material. Já na concessão, tal como se passa igualmente na permissão – e em contraste com o que ocorre nos meros contratos administrativos de prestação de serviços, ainda que públicos –, o Fl. 972DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 concedente se retira do encargo de prestar diretamente o serviço e transfere para o concessionário a qualidade, o título jurídico, de prestador do serviço ao usuário, isto é, o de pessoa interposta entre o Poder Público e a coletividade. A Locação de Serviços é regida pela Lei 8.666/93, e a Concessão/Permissão de Serviços Públicos pela Lei Federal 8.987/95. Na Terceirização não há a transferência da gestão do Serviço Público ao Privado. É só uma modalidade de execução No caso dos presentes autos, verificase que o Município firmou um contrato de concessão de um serviço público, o de transporte coletivo. E, entendo que não restou demonstrada, nos autos, a cessão de mãodeobra nos serviços prestados pela concessionária Consórcio Plus. O conceito legal de cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. Por colocação à disposição da empresa contratante entendese a cessão do trabalhador, em caráter nãoeventual, respeitados os limites do contrato. Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. Da análise dos contratos firmados entre a Prefeitura do Município de São Paulo e o Consórcio Plus, constatase que não houve contratação de serviços de mero fornecimento de mão de obra, mas sim uma concessão de execução do serviço de transporte coletivo de passageiros. Verificase que o Consórcio Plus assumiu a prestação de serviços públicos como um todo, diretamente ao usuário. E a fiscalização não demonstrou, nos autos, que houve cessão de mão de obra à Prefeitura nos serviços prestados. Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Assim entendo que a fiscalização não demonstrou que o serviço público de transporte de passageiros prestado pelo Consórcio Plus se enquadra na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção se realizados mediante cessão de mãodeobra. A atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142: Fl. 973DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 2301003.991 S2C3T1 Fl. 969 7 E, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que os requisitos necessários para configuração da cessão de mãodeobra foram cumpridos, ou seja, que o serviço prestado se enquadra no conceito legal de cessão de mãodeobra, que houve colocação de empregados à disposição do contratante, submetidos ao seu poder de comando, e que o serviço tenha sido prestado no estabelecimento do tomador ou de terceiros. No caso em estudo, verificase que houve transferência da execução e exploração de um serviço público, e as empresas concessionárias é que desenvolvem as atividades materiais, por sua conta e risco, e diretamente em face dos usuário, com a finalidade de atender as necessidades de “deslocamento da população” urbana do município de São Paulo. Mesmo estando a modalidade de concessão de transporte de passageiros no rol do § 2o, do art. 219, do Decreto 3.048/99, entendo que para o implemento da condição expressa no caput tem que ficar demonstrada a cessão de mão de obra, o que não ocorreu nos autos. Não restou comprovado que a autuada tomou mão de obra das contratadas, pois os serviços eram prestados diretamente aos passageiros, usuários finais, e não à Prefeitura Municipal. O contrato apresentado não demonstra que a concessionária tenha se obrigado a colocar mão de obra por ela contratada à disposição da Prefeitura. Pela cláusula 4.1.5, citada no Relatório Fiscal, verificase apenas que a empresa assumiu o compromisso de operar com pessoal devidamente capacitado e habilitado, e de cumprir as obrigações decorrentes da legislação trabalhista. E, como observou com muita propriedade o relator do acórdão recorrido, a constituição, manutenção e a permanente utilização de uma estrutura material e humana na execução dos serviços contratados se trata “de uma das mais elementares obrigações de qualquer concessionária de serviço público”. E o fato de os serviços serem executados nas vias públicas, indicadas pela contratante, não configura, por si só, a cessão de mão de obra que enseja a retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91. Da mesma forma, a determinação de condições e especificação do percurso e dos horários dos ônibus são características dos contratos administrativos em geral, conforme disposto na Lei 8.987/95, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, pois, nesse tipo de contrato, as cláusulas são fixadas unilateralmente pela Administração, já que o serviço continua público, sendo delegada à concessionária apenas a execução dos serviços. Como também é incumbência do poder público concedente a fiscalização dos serviços prestados, nos termos do art. 29, da citada Lei 8.987/95, que também não conceituou a forma de remunerar a concessionária pela execução dos serviços. Fl. 974DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Assim, a forma como o Consórcio Plus foi remunerado pelos serviços de transporte público não descaracteriza a concessão, como não também não demonstra a ocorrência da situação fática do art. 31, da Lei 8.212/91. Observase ainda que a autuada não teve ônus algum, já que não arcou com o custo de tais serviços. Conforme palavras do próprio auditor notificante, “Com o total da arrecadação da tarifa (fonte primária de recursos), mais os subsídios autorizados (quando previstos), a SPTrans efetua os pagamentos às empresas prestadoras, de acordo com a participação das mesmas no custo total do sistema...”.(...) Os pagamentos aos operadores do transporte são registrados na contabilidade da SPTrans em uma conta própria (“Conta Sistema”), que não afeta seu resultado, ou seja, não gera receita, nem despesa para a empresa. (...). Basicamente, temos a entrada de recursos representada pela venda dos bilhetes de passagem (atualmente venda de créditos do Bilhete Único), mais os valores repassados pela Prefeitura (gratuidades e compensação tarifária) e as saídas quando do pagamento aos operadores que prestam serviços no sistema de transporte coletivo. O fato de constar, da cláusula 19.1.25, do contrato de concessão do serviço público de transporte de passageiros, a previsão de criação de Grupo de Trabalho para apresentar critérios para desconto da parcela da remuneração de cada concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS, não prova que tal parcela se refere à retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, ou que tenha sido efetivado o desconto. Mesmo porque, se se tratasse da retenção de 11%, não seria necessária a constituição de um Grupo de Trabalho para apresentação de critérios, uma vez que a aplicação do referido art. 31 é imediata e obrigatória. Por tudo que foi exposto, entendo que não restou configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviço público de transporte urbano no Município de São Paulo, assistindo razão à primeira instância administrativa em julgar o lançamento improcedente. A fiscalização imputou à concessionária, ainda, a responsabilidade solidária pelo débito. Fundamenta seu entendimento nos arts. 124, I e II e 128 do CTN, bem como no art. 71 da Lei 8.666/93, argumentando que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota. Contudo, não assiste razão ao auditor autuante. Após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Portanto, não há que se falar em solidariedade pelo débito correspondente à retenção de 11%, nos casos em que não houve a retenção pelo tomador, como entendeu de forma equivocada a fiscalização, pois, conforme consta do próprio relato fiscal, o desconto se presume feito pela empresa a isso obrigada, nos termos do § 5o, do art. 33, da Lei 8.212/91. A fiscalização é contraditória em seu relatório, pois, ao mesmo tempo em que cita o mencionado § 5o para fundamentar o débito, o auditor autuante retira a aplicabilidade do Fl. 975DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720393/201157 Acórdão n.º 2301003.991 S2C3T1 Fl. 970 9 referido dispositivo legal ao afirmar que permanece a responsabilidade solidária da tomadora nos casos em que ela “não realizar a obrigação que está a seu cargo”. A retenção é uma obrigação principal legal imposta à empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Ou seja, a obrigação é somente da contratante, de proceder ao recolhimento da retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91 e, ao contrário do que afirma a autoridade lançadora, não há omissão de qualquer natureza nesse sentido na lei de custeio. Nesse sentido e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 976DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11065.723442/2011-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PERÍCIA INDEFERIMENTO
A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente protelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas.
DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO-
Na ocorrência da simulação, é atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado
JUROS E MULTA DE MORA
A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34, 35 e 35A da Lei 8.212/91.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI
Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
Numero da decisão: 2301-003.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a)
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PERÍCIA INDEFERIMENTO A perícia será indeferida sempre que a autoridade julgadora entender ser prescindível e meramente protelatória e quando não houver dúvidas a serem sanadas. DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO- Na ocorrência da simulação, é atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34, 35 e 35A da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo.
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DESCARACTERIZAÇÃO DE VÍNCULO PACTUADO Na ocorrência da simulação, é atribuída à fiscalização a prerrogativa de, seja qual for a forma de contratação, desconsiderar o vínculo pactuado JUROS E MULTA DE MORA A utilização da taxa de juros SELIC e a multa de mora encontram amparo legal nos artigos 34, 35 e 35A da Lei 8.212/91. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Impossibilidade de apreciação de inconstitucionalidade da lei no âmbito administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a) Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 34 42 /2 01 1- 51 Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.723442/201151 Acórdão n.º 2301003.999 S2C3T1 Fl. 1.936 3 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra a empresa acima identificada, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa e à destinada ao financiamento dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (DEBCAD n° 50.007.9331), e aos Terceiros (DEBCAD n° 50.007.9340) Conforme Relatório Fiscal, o fato gerador da contribuição lançada, é o pagamento de remuneração dos empregados e contribuintes individuais da empresa INDÚSTRIA DE CALÇADOS TRÊS AMÉRICA LTDA, considerada pela fiscalização como pertencente à empresa autuada. A autoridade lançadora expõe os motivos pelos quais entende que a empresas Três América foi criada com a finalidade de registrar empregados em seu nome, aderir ao regime tributário do SIMPLES, e se aproveitar indevidamente dos benefícios previstos no referido Sistema. Elabora quadros para demonstrar a transferência dos próprios empregados da Calçados Freitas para a empresa optante do SIMPLES, informando que, enquanto a empresa autuada manteve uma evolução ascendente de suas receitas, houve ao mesmo tempo um declínio gradual em seus custos com mão de obra, e elevação continua e expressiva de custos com mão de obra terceirizada. O agente autuante informa, ainda, que a empresa TRÊS AMÉRICAS, em todo o período auditado, produziu somente para a fiscalizada, em regime de exclusividade, e que tem total dependência econômica em relação à CALÇADOS FREITAS. Relata, também, que a TRÊS AMÉRICAS, apesar de possuir domicílio fiscal diverso, opera, de fato, em instalações dentro do parque fabril da fiscalizada, e que as atividades administrativas da contratante, como o Recursos Humanos, são executados por empregados registrados na contratada. Esclarece que as duas empresas são comandadas por pessoas da mesma família, como pai, filhos e neta. Segundo ainda relato fiscal, a empresa TRÊS AMÉRICAS desenvolve suas atividades em prédio de propriedade da FREITAS, com contrato de aluguel no valor de R$2.000,00, incluindo aí as despesas de água, energia elétrica, gás, alimentação dos empregados, manutenção de máquinas e equipamentos, conservação e limpeza do prédio, tudo por conta da FREITAS, sendo que se constatou que tais despesas superam em muito o valor do aluguel pago. A recorrente apresentou defesa e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1035.523, da 7a Turma da DRJ/POA, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo, repetindo basicamente as alegações trazidas na impugnação. Alega, em síntese, que: A decisão recorrida é nula tendo em vista o indeferimento da perícia técnica requerida em sua defesa; Em nenhum momento a recorrente se utilizou de empresa interposta como subterfúgio para reduzir a incidência de tributos, mas o que existiu de fato foi a prestação de serviços realizada por aquela empresa, o que é plenamente legal, havendo transparência nas relações comerciais entre elas; Os impostos devidos pela recorrente se encontram rigorosamente em dia, não havendo quaisquer valores a serem implementados, e a proximidade entre as empresas não autoriza a deduzir que estivessem com conluio para reduzir a incidência de tributos; Os documentos anexos comprovam que a fiscalização laborou em equívoco ao concluir que houve simulação, mormente porque as empresas se encontram instaladas em endereços distintos, conforme comprovam os alvarás e, mesmo que dividissem as instalações, tal fato não autoriza a conclusão feita pela fiscalização; O fato de a recorrente haver locado máquinas e equipamentos à empresa TRÊS AMÉRICAS é irrelevante e não pode servir de suporte para a conclusão fiscal da ocorrência da sonegação, sendo as assertivas declinadas pela fiscalização desprovidas de sustentação fática e jurídica; Mesmo que tivesse a recorrente sido beneficiada com a contratação de serviços de mão de obra, tal conduta não constituiria nenhum tipo de ilicitude, mas, quando muito, poderia caracterizar a elisão fiscal, o que é plenamente legal e jurídico; Sobre o valor apurado como devido, a fiscalização fez ainda incidir abusivamente dois encargos, denominados multa de ofício e multa de mora abusiva, constituindose em bis in idem, o que tornaria insubsistente o auto de infração, configurando verdadeiro confisco, o que é vedado pela legislação constitucional; Finaliza alegando inconstitucionalidade da taxa SELIC para fins tributários e requerendo o conhecimento e provimento do recurso. É o relatório. Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.723442/201151 Acórdão n.º 2301003.999 S2C3T1 Fl. 1.937 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros O recurso é tempestivo e não há óbice para o seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento de defesa, por ter o julgador indeferido a realização da prova pericial solicitada pela recorrente. Todavia, a necessidade de perícia para o deslinde da questão tem que estar demonstrada nos autos. O art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece que: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Verificase, dos autos, que não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o AI muito bem fundamentado. A fiscalização deixou claro, nos relatórios integrantes da autuação, quais os valores da base de cálculo utilizada na apuração da contribuição lançada e as alíquotas aplicadas. O AI foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. O Relatório Fiscal traz todos os elementos que motivaram a lavratura do AI e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à autuada. Portanto, as autoridades julgadoras de primeira instância, ao entenderem ser prescindível a produção de novas provas e a realização de perícia, indeferiram, por unanimidade, o pedido formulado pela recorrente. Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Dessa forma, como a recorrente não demonstrou que a elucidação do caso dependeria da produção de prova pericial, os julgadores indeferiram com muita propriedade o pedido de perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória. Ademais, a recorrente apenas alega que existem inconsistências nos valores lançados, sem apontar em quais competências e sem juntar aos autos, nem por amostragem, provas da incorreção do trabalho fiscal. Todas as alegações da recorrente poderiam ter sido comprovadas sem necessidade de perícia, apenas com a apresentação dos documentos pertinentes. Contudo, a recorrente não trouxe nenhum elemento que pudesse por em dúvida a correção dos valores lançados, ou que ensejasse uma diligência para a verificação dos fatos. Já a autoridade autuante junta, aos autos, elementos que comprovam a acusação fiscal, deixando claro que os dados foram coletados a partir dos documentos apresentados pelas próprias empresas envolvidas. E a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. Apenas alega, mas não prova, que os valores lançados estão incorretos, por falta de aproveitamento de guias recolhidas, ou por ausência de dedução de saláriofamília, entre outras alegações. Todavia, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. Em relação ao argumento de que não é legítimo o procedimento do fisco de transferir o ônus da prova à recorrente, cumpre observar que há mandamento expresso na Lei 9.784/99 quanto ao ônus probatório, conforme segue: ART 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. No caso presente, reiterase, não foram juntados ao recurso outros elementos que comprovem a afirmação da recorrente. Ademais, a autoridade julgadora deixou claro que a recorrente não cumpriu os requisitos formais. O Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: .................................. IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.723442/201151 Acórdão n.º 2301003.999 S2C3T1 Fl. 1.938 7 § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Da leitura do dispositivo, verificase que a recorrente não cumpriu os requisitos necessários à formulação de perícia pois limitouse a requerer a possibilidade de requerer produção de prova pericial contábil. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Portanto, rejeito a preliminar apresentada No mérito, a recorrente tece considerações sobre a diferença entre elisão fiscal e simulação, para tentar demonstrar que não há qualquer ilicitude na escolha pelo contribuinte de se beneficiar com a contratação de serviços de mão de obra. Todavia, em nenhum momento a fiscalização negou esse direito à recorrente. Na verdade, o que a autoridade autuante constatou em ação fiscal desenvolvida na empresa e demonstrou no relatório do AI foi a existência de uma simulação no procedimento de terceirização adotado pela autuada em relação à empresa Três Américas. Na definição de Clóvis Beviláqua, a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado (Código Civil dos Estados Unidos do Brasil Comentado – 15ª Edição). O Código Civil Brasileiro de 2002 traz, no § 1o, do art. 167, as hipóteses em que fica configurada a ocorrência de simulação: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados E, conforme demonstrado nos autos, a situação verificada pela auditoria fiscal se enquadra perfeitamente no dispositivo legal transcrito acima. Segundo Orlando Gomes, ocorre simulação quando em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiro (Introdução ao Estudo do Direito – 7ª Edição). E, de acordo com o art. 118, inciso I do CTN, a definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos Fl. 1941DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos. Assim, em respeito ao Princípio da Verdade Material e pelo poderdever de buscar o ato efetivamente praticado pelas partes, a Administração, ao verificar a ocorrência de simulação, pode superar o negócio jurídico simulado para aplicar a lei tributária aos verdadeiros participantes do negócio. Nesse sentido, citase o entendimento de Heleno Tôrres em sua obra Direito Tributário e Direito Privado – Autonomia Privada, Simulação, Elusão Tributária – Ed. Revista dos Tribunais – 2003 – pág. 371: “Como é sabido, a Administração Tributária não tem nenhum interesse direto na desconstituição dos atos simulados, salvo para superarlhes a forma, visando a alcançar a substância negocial, nas hipóteses de simulação absoluta. Para a Administração Tributária, como bem recorda Alberto Xavier, é despiciendo que tais atos sejam considerados válidos ou nulos, eficazes ou ineficazes nas relações privadas entre os simuladores, nas relações entre terceiros ou nas relações entre terceiros com interesses conflitantes. Eles são simplesmente inoponíveis à Administração, cabendo a esta o direito de superação, pelo regime de desconsideração do ato negocial, da personalidade jurídica ou da forma apresentada, quando em presença do respectivo “motivo” para o ato administrativo: o ato simulado” Portanto, na presença de simulação, a auditoria fiscal tem o deverpoder de não permanecer inerte, pois tais negócios são inoponíveis ao fisco no exercício da atividade plenamente vinculada do lançamento, que no caso em tela encontra respaldo ainda no artigo 149, inciso VII do CTN que dispõe o seguinte: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ......................................... VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; Restou demonstrado, pela fiscalização, que os expedientes utilizados pela recorrente tinham por objetivo simular negócio jurídico, no qual a intenção das partes é uma e a forma jurídica adotada é outra. As transferências de empregados que ocorreram entre as empresas citadas pela fiscalização corrobora a afirmação da auditoria fiscal de que não existem dois, mas apenas um empreendimento industrial, ou seja, apenas uma empresa. Outro elemento que reforça a convicção de que se trata de uma única empresa (matriz e filial), é o fato de a empresa Três Américas funcionar em um mesmo prédio, de propriedade da Calçado Freitas, e que era esta última quem arcava com as despesas de manutenção dos equipamentos de produção, de conservação dos prédios, de energia elétrica, água, etc, da empresa que, segundo a recorrente, é a terceirizada, contratada para prestação de serviços. Observase que a recorrente não afastou pontualmente nenhuma das acusações fiscais, se limitando a fazer alegações genéricas, afirmando que seus impostos estão rigorosamente em dia e que os alvarás provam que as empresas encontramse instaladas em endereços distintos. Fl. 1942DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.723442/201151 Acórdão n.º 2301003.999 S2C3T1 Fl. 1.939 9 Entretanto, não foi essa a situação fática encontrada pela fiscalização. Em visita à empresa, a fiscalização identificou um único parque fabril, instalado em um prédio de dois andares de propriedade da empresa FREITAS, com uma guarita, uma entrada principal onde está estampado o nome fantasia FREITAS, com recepcionista, sala de visitas e de criação, parte administrativa, comercial, financeira, tudo comum às duas empresas. A encarregada do RH encontrada no local afirmou aos agentes fiscais que ela responde pelas duas empresas. Outro fato que reforça a convicção de que, na verdade, tratase apenas de uma empresa, é que, de acordo com os contratos sociais, elas são compostas exclusivamente por pessoas da mesma família, ou seja, apenas o pai, filhos e neta é que possuem participações societárias nas empresas. Verificouse, ainda, que a empresa TRÊS AMÉRICAS produziu, de forma exclusiva, para a recorrente, participando do processo industrial da CALÇADOS FREITAS, fornecendo mãodeobra na execução dos serviços essenciais, e com total dependência econômica em relação à empresa autuada. Nada disso foi negado pela recorrente. É fato notório que a terceirização é um procedimento legal, com vistas a um planejamento tributário lícito. Entretanto, o que foi constatado na ação fiscal foi uma simulação nos serviços de terceirização, e isso não é lícito, não encontrando amparo legal. Se a intenção da empresa fosse, como ela insiste em afirmar, terceirizar alguns serviços, ela poderia ter contratado, de fato, uma empresa que cedesse mão de obra, ou realizasse serviços contratados. Mas não foi isso que ocorreu. No caso em tela, a simulação está muito clara quando a empresa contratada pertence à mesma família da contratante, funciona no mesmo parque fabril desta última, prestando serviços exclusivos, e com todas as suas despesas arcadas pela contratante. Restou demonstrado que quem remunerava os empregados da empresa INDÚSTRIA DE CALÇADOS TRÊS AMÉRICA LTDA era a INDÚSTRIA DE CALÇADOS FREITAS LTDA Portanto, a empresa de Calçados Freitas é contribuinte em relação aos fatos geradores relativos à remuneração auferida pelos empregados da empresa Calçados Três Américas. Ou seja, a INDÚSTRIA DE CALÇADOS TRÊS AMÉRICA LTDA foi criada com o único objetivo de deixar de recolher as contribuições sociais, sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados. Fl. 1943DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 Dessa forma e por tudo que foi exposto no Relatório Fiscal e trazido aos autos, entendo que restou caracterizada a existência de uma única organização empresarial, envolvendo as duas empresas apontadas pela fiscalização, restando clara a relação de matriz filial entre a recorrente e a empresa terceirizada. A autuada insurgese contra a multa aplicada, alegando possuir caráter confiscatório e natureza abusiva, e contra a aplicação da taxa SELIC, argumentando ilegalidade. Todavia, é oportuno esclarecer que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu e dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento. Assim, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. A multa aplicada no caso foi a de ofício, prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, e agravada conforme determina o § 1o do mesmo dispositivo legal, não havendo que se falar em bis in idem. No que concerne à aplicação da SELIC, há que se cumprir a determinação do art. 34 da Lei n°8.212/91 cuja regulamentação está no art. 239, II, do RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Nesse sentido, a Lei 8.212/91, em seus art 34, 35 e 35A, vigentes à época, autoriza a utilização das multas e juros aplicados aos débitos apurados. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Relativamente à alegação de inconstitucionalidade de lei, cumpre observar que, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Fl. 1944DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 11065.723442/201151 Acórdão n.º 2301003.999 S2C3T1 Fl. 1.940 11 Cumpre ressaltar que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Ademais, o Conselho Pleno, no exercício de sua competência, uniformizou a jurisprudência administrativa sobre tais matérias, por meio das Súmulas 02/2007 e 03/2007, transcritos a seguir: Súmula nº 02: O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. Súmula nº 03: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, entendo que deverá ser mantida a multa “moratória” tal como aplicada pela Autoridade Fiscal ao tempo do lançamento sob exame.. A recorrente protesta pela realização de perícia. Todavia, reiterase, não existem dúvidas a serem sanadas, já que o Relatório Fiscal está claro e o AI muito bem fundamentado Assim, com amparo no art. 18, do Decreto 70.235/72, indeferese o pedido de perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória. Nesse sentido e Considerando tudo mais que dos autos consta, Voto por CONHECER DO RECURSO e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relator Fl. 1945DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 12 Fl. 1946DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10882.004842/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2003
DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados ou se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543-C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF.
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. REQUISITOS.
A compensação de ofício de que trata o art. 7º do Decreto-lei nº 2.287, de 1986, e o artigo 73 da Lei nº 9.430, de 1996, pressupõe o pedido prévio de restituição ou ressarcimento e a existência de débitos constituídos a serem compensados.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tribitário Mantido.
Numero da decisão: 3302-002.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Mônica Elisa de Lima, que dava provimento integral ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto..
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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NIELSEN DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. PAGAMENTO ANTECIPADO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO ANEXO II DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo às contribuições para a Seguridade Social regese pelo art. 173, inciso I, do CTN, quando inexistem pagamentos antecipados ou se verifica a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, conforme julgamento proferido pelo STJ, no REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida no âmbito do CARF. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. REQUISITOS. A compensação de ofício de que trata o art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 1986, e o artigo 73 da Lei nº 9.430, de 1996, pressupõe o pedido prévio de restituição ou ressarcimento e a existência de débitos constituídos a serem compensados. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tribitário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a conselheira Mônica Elisa de Lima, que dava provimento integral ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 48 42 /2 00 8- 71 Fl. 355DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 356 2 Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Mônica Elisa de Lima, Maria da Conceição Arnaldo Jacó e Paulo Guilherme Déroulède. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. . Relatório Tratase de Auto de Infração relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Remessas ao Exterior, cientificado à recorrente em 19/12/2008, constituindo crédito tributário no valor de R$ 1.533.935,04, sendo R$ 620.605,55 de CIDE, R$ 447.875,34 de juros de mora, e R$ 465.454,15 de multa de ofício (calculados até a data da lavratura), em virtude da falta de recolhimento e de declaração da contribuição referente a fatos geradores ocorridos no ano de 2003 (fls.231 a 234). As infrações detectadas foram a falta de recolhimento e de declaração de CIDE sobre as remessas ao exterior a título de licença de uso e serviços administrativos, conforme Termo de Verificação Fiscal, fls. 214 a 225 (numeração digital). A recorrente apresentou impugnação, concordando com os lançamentos efetuados sobre as remessas para o exterior a título de licenças de uso e efetuando a quitação dos respectivos créditos constituídos, mas discordou dos lançamentos relativos às remessas a título de serviços administrativos, alegando que: 1. Preliminarmente, a decadência do direito de constituição do crédito tributário, nos termos do art. 150, §4º do CTN; 2. No mérito, reconhece a incidência sobre a remessas relativas a serviços administrativos, mas propugna pelo batimento com o recolhido a maior de IRRF, pois utilizou, equivocadamente, a alíquota de 25%, com fulcro no art. 685, inciso II, “a” do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99, quando deveria ter utilizado a alíquota de 15%. Deste batimento resultaria que os pagamentos a maior efetuados de IRRF seriam superiores aos valores lançados de CIDE e, portanto, não haveria diferença a ser tributada, devendo o Auto de Infração ser cancelado. A Primeira Turma da DRJ de Campinas proferiu o Acórdão nº 0539.872, no qual decidiuse por considerar a impugnação improcedente, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Anocalendário: 2003 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 357 3 IMPUGNAÇÃO PARCIAL. Consolidase administrativamente a parcela não impugnada. CIDE. REMESSAS AO EXTERIOR. LICENÇA DE USO DE CONHECIMENTOS TECNOLÓGICOS. SERVIÇOS DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA E SEMELHANTES. A CIDE é devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. A partir de 1o de janeiro de 2002, a CIDE passou a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, tendo havido apuração e pagamento antecipado do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa e ausente imputação de má fé, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 (cinco) anos a contar da data da ocorrência do fato gerador, nos termos do disposto no parágrafo 4o do artigo 150 do Código Tributário Nacional, impondose o cancelamento da exigência formalizada a destempo. Nas circunstâncias em que fique caracterizada a ausência de pagamento antecipado, o prazo decadencial regese pela norma contida no artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente foi cientificada do Acórdão nº 0539.872 em 22/02/2013, tendo interposto recurso voluntário em 25/03/2013, reprisando as mesmas alegações apresentadas na impugnação. Ao final, pede o cancelamento do lançamento relativo à incidência da CIDE sobre as remessas ao exterior para pagamento de serviços administrativos. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Fl. 357DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 358 4 O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. DECADÊNCIA Concernente à decadência, a matéria está pacificada no STJ, com o julgamento do REsp 973.733/SC, submetido à sistemática prevista no artigo 543C do CPC (recursos repetitivos), cuja decisão deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Transcrevese a ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos Fl. 358DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 359 5 sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Assim, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário dos tributos sujeitos lançamento por homologação regese pelo art. 150, §4º do CTN, quando ocorre pagamento antecipado, ainda que inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em dolo, fraude ou simulação. Inexistindo pagamento ou ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo passa a ser regido pelo art. 173, inciso I do CTN (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado), ou seu parágrafo único, se verificada a existência de medidas preparatórias indispensáveis ao lançamento. A lide remanescente referese à constituição de crédito tributário nos períodos de junho, julho, outubro e novembro de 2003, sendo incontroverso que não foram realizados pagamentos antecipados de CIDE, devendo o prazo decadencial regerse pelo art. 173, inciso I, do CTN e não pelo art. 150, §4º do mesmo diploma, como defendido pela recorrente. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 19/12/2008, portanto, dentro do prazo decadencial. Afastase a decadência argüida. MÉRITO A recorrente renova as alegações apresentadas na impugnação, defendendo que os valores recolhidos a maior de IRRF devem ser abatidos dos valores lançados de CIDE, propugnando pela aplicação da compensação de ofício prevista no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 1986. O procedimento invocado pela recorrente consiste, sim, em procedimento de compensação. Ressaltase que não há lide sobre a incidência da CIDE sobre as remessas autuadas, nem sobre a base de cálculo e o tributo devido, mas somente sobre a necessidade de Fl. 359DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 360 6 se utilizar os valores recolhidos a maior de IRRF para abater dos valores devidos de CIDE, o que denominase compensação. De fato, a recorrente recolheu IRRF em valores superiores ao devido e isto lhe confere o direito à repetição do indébito, facultandolhe ainda compensálos com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Já a autoridade fiscal procedeu corretamente ao constituir o crédito tributário, pois é atividade vinculada e obrigatória, conforme a norma do art 1421 do CTN. No caso, a autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício, previsto no art. 1492 do CTN, em razão da constatação da existência de tributo devido, não recolhido e não declarado, a teor dos artigos 2º e 3º da Lei nº 10.1683, de 2000. 1 Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. 2 Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: ... V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; 3 Art. 2o Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. (Vide Medida Provisória nº 510, de 2010) § 1o Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1oA. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) § 2o A partir de 1o de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 3o A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2o deste artigo.(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 4o A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento).(Redação da pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 5o O pagamento da contribuição será efetuado até o último dia útil da quinzena subseqüente ao mês de ocorrência do fato gerador.(Parágrafo incluído pela Lei nº 10.332, de 19.12.2001) § 6o Não se aplica a Contribuição de que trata o caput quando o contratante for órgão ou entidade da administração direta, autárquica e fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e o contratado for instituição de ensino ou pesquisa situada no exterior, para o oferecimento de curso ou atividade de treinamento ou qualificação profissional a servidores civis ou militares do respectivo ente estatal, órgão ou entidade. (Incluído pela Lei nº 12.402, de 2011) (Produção de efeito) Art. 3o Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto no 70.235, de 6 de março Fl. 360DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 361 7 Por outro lado, o mencionado art. 73 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que a compensação de ofício será efetuada mediante procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal: Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição A recorrente alega que as autoridades fiscais deveriam realizar a compensação de ofício, entretanto tal medida requer a observância de procedimentos normatizados. A IN SRF nº 600, de 2005, vigente à época da fiscalização, assim dispunha sobre a matéria: Art. 34. Antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional relativo aos tributos e contribuições de competência da União, a autoridade competente para promover a restituição ou o ressarcimento deverá verificar, mediante consulta aos sistemas de informação da SRF, a existência de débito em nome do sujeito passivo no âmbito da SRF e da PGFN. § 1 º Verificada a existência de débito, ainda que parcelado, inclusive de débito já encaminhado à PGFN para inscrição em Dívida Ativa da União, de natureza tributária ou não, ou de débito consolidado no âmbito do Refis, do parcelamento alternativo ao Refis ou do parcelamento especial de que trata a Lei n º 10.684, de 2003, o valor da restituição ou do ressarcimento deverá ser utilizado para quitálo, mediante compensação em procedimento de ofício. § 2 º Previamente à compensação de ofício, deverá ser solicitado ao sujeito passivo que se manifeste quanto ao procedimento no prazo de quinze dias, contado do recebimento de comunicação formal enviada pela SRF, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. § 3 º Na hipótese de o sujeito passivo discordar da compensação de ofício, a autoridade da SRF competente para efetuar a compensação reterá o valor da restituição ou do ressarcimento até que o débito seja liquidado. de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis Fl. 361DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 362 8 § 4 º Havendo concordância do sujeito passivo, expressa ou tácita, quanto à compensação, esta será efetuada e o saldo credor porventura remanescente será restituído ou ressarcido ao sujeito passivo. ... Art. 41. A decisão sobre o pedido de restituição de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, bem como sobre o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal (DRF), da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) ou da Delegacia Especial de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, ressalvado o disposto nos arts. 42 e 44. Parágrafo único. A restituição ou o ressarcimento dos créditos a que se refere o caput , bem como sua compensação de ofício com os débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, caberá ao titular da DRF, da Derat ou da Deinf que, à data da restituição, do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Art. 42. O reconhecimento do direito creditório e a restituição de crédito relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF incidente sobre operação de comércio exterior caberão ao titular da DRF, da Inspetoria da Receita Federal de Classe Especial (IRFClasse Especial) ou da Alfândega da Receita Federal (ALF) sob cuja jurisdição for efetuado o despacho aduaneiro da mercadoria. Parágrafo único. Reconhecido, na forma prevista no caput , o direito creditório de sujeito passivo em débito para com a Fazenda Nacional, a compensação de ofício do crédito do sujeito passivo e a restituição do saldo credor porventura remanescente da compensação caberão à autoridade administrativa a que se refere o parágrafo único do art. 41. Concluise que são vários os requisitos para que haja a compensação de ofício. Primeiro, destacase que a competência para realizar a compensação de ofício é do titular da DRF, da Derat ou da Deinf, que à época da compensação possuísse jurisdição sobre o domicílio do contribuinte. Assim, falece competência à autoridade fiscal durante à fiscalização, ou à DRJ, ou a este Conselho realizar tal procedimento. Segundo, para que haja compensação de ofício, é necessário que haja um prévio pedido de restituição ou de ressarcimento, o que não ocorreu neste caso, já que este pedido deveria seguir os ditames da IN SRF nº 600, de 2005, ou, posteriormente, da IN RFB nº 900, de 2008, e não ser realizado mediante a impugnação que instaurou este processo, cujas decisões não cabem ao titular da DRF que jurisdiciona a recorrente. Terceiro, e crucial, é necessário que existam débitos, como referido no §1º do art. 34 acima transcrito, a serem compensados. Ora, tais débitos foram justamente constituídos Fl. 362DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10882.004842/200871 Acórdão n.º 3302002.589 S3C3T2 Fl. 363 9 por este lançamento de ofício, já que a recorrente não efetuou qualquer parcelamento ou declaração em DCTF. Não há que se falar em compensação de ofício a ser efetuada, se não há débitos a serem compensados, os quais somente foram constituídos neste lançamento. Já o direito de a recorrente efetuar a compensação está previsto nos artigos 170 e 170A do CTN e é regido pelo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, e disciplinados pela Secretaria da Receita Federal, em cumprimento ao disposto no §14 do mesmo artigo, em instruções normativas, nos períodos de 2003 em diante, a saber: IN SRF nº 210, de 2002, IN SRF nº 460, de 2004, IN SRF nº 600, de 2005, IN RFB nº 900, de 2008 e IN RFB nº 1.300, de 2012, o que foi reconhecido pela própria recorrente no item 27 da peça recursal. No caso, a compensação somente poderia ser realizada pela recorrente com a entrega da declaração de compensação, conforme §1º do artigo 74. Concluise, portanto, que o lançamento é correto e necessário para a constituição do crédito tributário relativo à CIDE sobre remessas ao exterior a título de serviços administrativos, sendo a compensação de ofício procedimento disciplinado em instruções normativas e, neste caso concreto, somente seria (ou será) possível com a lavratura deste Auto de Infração. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 363DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06 /2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10242.000077/2010-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 19/01/2007 a 01/09/2009
AMAZÔNIA OCIDENTAL. VENDA DE PNEUS PARA DESTINATÁRIO DE OUTRA REGIÃO. SAÍDA DE MERCADORIA.
A venda de pneus para destinatário estabelecido fora da Amazônia Ocidental caracteriza a saída de mercadorias dessa região, ainda que sejam entregues diretamente a preposto do adquirente, em trânsito pela área incentivada.
AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA IRREGULAR DE MERCADORIA. CONTRABANDO. PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA
A saída de mercadoria da Amazônia Ocidental para outras regiões do país, sem a observância das exigências legais estabelecidas, é considerada contrabando e submetese à pena de perdimento, que se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta não seja localizada ou tenha sido consumida.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
EDITADO EM: 28/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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VENDA DE PNEUS PARA DESTINATÁRIO DE OUTRA REGIÃO. SAÍDA DE MERCADORIA. A venda de pneus para destinatário estabelecido fora da Amazônia Ocidental caracteriza a saída de mercadorias dessa região, ainda que sejam entregues diretamente a preposto do adquirente, em trânsito pela área incentivada. AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA IRREGULAR DE MERCADORIA. CONTRABANDO. PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA A saída de mercadoria da Amazônia Ocidental para outras regiões do país, sem a observância das exigências legais estabelecidas, é considerada contrabando e submetese à pena de perdimento, que se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta não seja localizada ou tenha sido consumida. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 2. 00 00 77 /2 01 0- 71 Fl. 493DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 2 EDITADO EM: 28/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevo o relatório produzido pela DRJ de Fortaleza: Tratase de auto de infração referente à conversão de perdimento em multa, decorrente da saída irregular da Amazônia Ocidental de mercadorias que não foram localizadas, e que haviam sido importadas para essa região com os benefícios fiscais do Decretolei 288/1967 c/c Decretolei 356/1968. O lançamento totalizou R$ 179.104,88 à época de sua emissão (16/12/2009). Da Autuação Em operação conduzida pela Divisão de Repressão ao Contrabando e Descaminho – DIREP da Superintendência Regional da Receita Federal na 2ª Região Fiscal foi constatada, na sede da empresa autuada, a existência de notas fiscais de saídas de mercadorias da Amazônia Ocidental, sem a devida autorização da Secretaria da Receita Federal do Brasil e sem o recolhimento dos tributos considerados devidos, referentes a pneus importados com os benefícios fiscais estabelecidos pelo DecretoLei nº 356/68, abrangendo o período 19/01/2007 a 31/07/2009. Intimada a apresentar a documentação de entrada e comprovar o recolhimento dos tributos, relativamente à saída das mercadorias beneficiadas pelo Decretolei nº 356/68, a empresa fiscalizada informou que não recolheu os tributos, "haja vista que jamais houve a saída de referidas mercadorias para comercialização em outro Estado não integrante da Amazônia Ocidental". Diante dessa informação, a fiscalização passou a discorrer sobre a legislação aplicável aos fatos, nos seguintes termos: A Zona Franca de Manaus, tal como estabelece o artigo 1° do DecretoLei 288/67, é uma área de livre comércio de importação e exportação e de incentivos fiscais especiais, estabelecida com a finalidade de criar no interior da Amazônia um centro industrial, comercial e agropecuário dotado de condições econômicas que permitam seu desenvolvimento, em face dos fatores locais e da grande distância, a que se encontram, os centros consumidores de seus produtos. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10242.000077/201071 Acórdão n.º 3302002.570 S3C3T2 Fl. 494 3 Vejamos, também, o que prescreve o art. 3° do Decreto Lei n° 288/67, in verbis: “Art 3º A entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca, destinadas a seu consumo interno, industrialização em qualquer grau, inclusivebde indústrias e serviços de qualquer natureza e a estocagem para reexportação, será isenta dos impostos de importação, e sobre produtos industrializados.” A regulamentação do ato legal acima transcrito se deu com a edição do Decreto n° 61.244/1967, cujo art. 3° dispõe: “Art 3° Farseá com suspensão dos impostos de importação e sôbre produtos industrializados a entrada, na Zona Franca de Manaus, de mercadorias procedentes do estrangeiro e destinadas: 1 a seu consumo interno; (...) § 4° As obrigações tributárias suspensas, nos termos deste artigo: I se resolvem efetivandose a isenção integral nos casos dos incisos I, III, IV e V, com o emprego da mercadoria nas finalidades previstas nos mesmos incisos; II se resolvem, quanto à parte percentual reduzida do imposto, nos casos dos incisos II, quando atendido o disposto no inciso II do artigo 7º; III – tornamse exigíveis, nos casos do inciso VI, quando as mercadorias forem remetidas para outro ponto do território nacional.” Assim, se a empresa retira da ZFM mercadorias beneficiadas com incentivo fiscal, descumprindo as finalidades citadas acima, fica obrigada a recolher os tributos suspensos, de acordo com o art. 37 do DecretoLei n° 1.455/76, in verbis: “Art. 37. As mercadorias estrangeiras importadas para a Zona Franca de Manaus, quando desta saírem para outros pontos do Território Nacional, ficam sujeitas ao pagamento de todos os impostos exigíveis sobre importações do exterior. (Redação dada pela Lei n° 8.387, de 30.12.1991)” (grifouse) Os benefícios fiscais concedidos pelo DecretoLei n° 288/67 e seu regulamento foram estendidos também, segundo o que dispõe o artigo 1° do DecretoLei nº 356/68, transcrito abaixo, às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental, quanto aos produtos de origem estrangeira, segundo pauta fixada pelos Ministros Fl. 495DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 4 de Estado da Fazenda e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. DECRETOLEI N° 356/68 “Art. 1º Ficam estendidos às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental favores fiscais concedidos pelo DecretoLei número 288, de 28 de fevereiro de 1967 e seu regulamento, aos bens e mercadorias recebidos, oriundos, beneficiados ou fabricados na Zona Franca de Manaus, para utilização e consumo interno naquelas áreas. §1° A Amazônia Ocidental é constituída pela área abrangida pelos Estados do Amazonas e Acre e os Territórios Federais de Rondônia e Roraima, consoante o estabelecido no § 4º do Art. 1º do DecretoLei número 291, de 28 de fevereiro de 1967. (...)” (grifouse) Verifica se, da descrição dos fatos, que as mercadorias, constantes da Tabela 01, saíram da Amazônia Ocidental sem a devida autorização prévia da Receita Federal do Brasil. Nesse caso específico, a saída de mercadorias da Amazônia Ocidental é equiparada à saída de mercadorias da Zona Franca de Manaus, conforme dito acima. Esta autorização darseia pelo registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), perfil importador, na opção "Mercadoria com admissão anterior para...", na subopção "Internação de ZFMPE (Produto Estrangeiro)"; Em anexo encontrase um "print screen" da tela da referida opção do sistema. O antigo Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 4.543, de 26 de dezembro de 2002, define o instituto da internação no seu artigo 456, in verbis: “Art. 456. Denominase internação, para os efeitos deste Capitulo, a entrada, no restante do território aduaneiro, de mercadoria saída da Zona Franca de Manaus, nos termos dos arts. 457 e 460.” Por fim, não prospera a alegação da empresa, para o não recolhimento do Imposto de Importação, de que as mercadorias foram consumidas na área da Amazônia Ocidental, visto que as notas fiscais relacionadas nas Tabelas 01, 02 e 03 foram emitidas para outros Estados. Ademais, a autuada, ao recolher o IPI referente ao período de 01/01/2007 a 31/07/2009 sobre saídas da Amazônia Ocidental, conforme Anexo I do Termo de Apresentação de Documentos – MPF 0250200200900056, corrobora o entendimento de que as mercadorias efetivamente saíram da Amazônia Ocidental. Considerando estar caracterizada a saída de mercadorias admitidas em área incentivada com os benefícios próprios do regime, sem autorização da autoridade aduaneira e sem o regular recolhimento dos tributos devidos, a fiscalização Fl. 496DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10242.000077/201071 Acórdão n.º 3302002.570 S3C3T2 Fl. 495 5 concluiu ser cabível a aplicação da pena de perdimento que, devido à não localização das referidas mercadorias, convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro delas, consoante dispõem as seguintes normas: DECRETOLEI N° 288/67 Art. 39. Será considerado contrabando a saída de mercadorias da Zona Franca sem a autorização legal expedida pelas autoridades competentes. DECRETO N° 61.244/67 Art. 13. A saída de qualquer mercadoria da Zona Franca de Manaus para o estrangeiro ou qualquer parte do território nacional ficará sujeita ao controle das autoridades aduaneiras e de rendas internas, para os efeitos legais, respeitados os incentivos fiscais criados pelo Decretolei n° 28867. DECRETO N° 4.543/2002 Art. 623. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 453, por configurar crime de contrabando (Decretolei nº 288, de 1967, art. 39). DECRETO N° 6.759/2009 Art. 696. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 505, por configurar crime de contrabando (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 39). DECRETOLEI N° 37/66 Art. 105. Aplicase a pena de perda de mercadoria: I em operação de carga já carregada, em qualquer veiculo ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito da autoridade aduaneira ou não cumprimento de outra formalidade especial estabelecida em texto normativo; (grifouse) DECRETOLEI N° 1.455/76 Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas "a" e "b" do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (grifei) (Parágrafo incluído pela Lei n° 10.637, de 2002). Fl. 497DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 6 Em seguida, a fiscalização demonstrou como foi obtido o valor aduaneiro das mercadorias saídas irregularmente, e relacionou a documentação que anexou ao auto de infração. Da Impugnação Cientificada pessoalmente do auto de infração em 5/3/2010, a empresa autuada apresentou impugnação em 1/4/2010 (fls. 352/362), na qual sustenta que não houve a saída das mercadorias objeto do lançamento da Amazônia Ocidental, com base nos seguintes argumentos: A empresa ora autuada, é estabelecida em frente do "corredor da soja" a Rodovia BR 364, que liga o Porto Graneleiro de Porto Velho/RO as cidades de Campos de Júlio/MT, Sapezal/Mt, Comodoro/MT, Campo Novo/MT, cidades conhecidas no cenário nacional como grandes produtoras de grãos. E por esta rodovia, transitam milhares de veículos que ora estão em Rondônia ora no Mato Grosso, veículos que são de propriedade de empresas estabelecidas em outros Estados da Federação, mas transitam no trecho entre Porto Velho/RO e Mato Grosso. Por isso o consumo das mercadorias dáse no trânsito geográfico entre Rondônia e Mato Grosso. Como pode ser entendida e definida essa situação de itinerário dos transportadores de grãos, adquirentes de pneus beneficiados pelas isenções do Imposto de Importação e do Imposto de Produtos Industrializados, visto que entram e saem toda semana da Amazônia Ocidental e cumprem o que determina a legislação de que é isenta a mercadoria destinada a consumo... Visto que os pneus são consumidos na Rodovia BR 364 localizada na Amazônia Ocidental. Essa é uma situação atípica, que ocorre em função da atividade de transporte de grãos e que não pode ser tratada como imputam os Senhores Auditores como um contrabando, passível de apreensão e perdimento da mercadoria. A alegação de não haver remessa para fora da Amazônia Ocidental é fundamentada nesse fato de direito, que toda mercadoria é entregue na porta da empresa e montada nos veículos que utilizam os pneus dentro da Amazônia Ocidental, não existindo remessa para comercialização em outro Estado, fato que exigiria a comunicação da remessa e o recolhimento dos tributos devidos, considerando o transporte físico, a passagem física e o registro de 1ª e 2ª fase nos postos fiscais de vários Estados chamando a atenção dos Auditores Fiscais nos postos de fiscalização. Comprovando nesse caso a remessa para outro Estado, fato esse que nunca aconteceu. [...] Somente esse argumento que o endereço do faturamento da Nota Fiscal, é evidencia de saída da mercadoria incentivada para fora da Amazônia Ocidental, é no todo insuficiente para que se impute uma alegação de "remessa de mercadoria para fora da Amazônia Ocidental, Fl. 498DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10242.000077/201071 Acórdão n.º 3302002.570 S3C3T2 Fl. 496 7 sem a devida autorização e recolhimentos dos devidos tributos". [...] sendo que a mercadoria nunca foi remetida ou estariam essas mercadorias embarcadas nos veículos sendo transportadas para fora da Amazônia Ocidental num processo de descumprimento as normas acima citadas. Sendo sim de fato montadas, e instaladas nas rodas dos eixos dos caminhões que transitam na Rodovia BR 364. Reforço esse entendimento no fato de, não conter as Notas Fiscais apreendidas pelos Senhores Auditores, quantidades que configurem remessa para comercialização em outro Estado, e sim quantidade que é verdadeiramente evidencia de consumo pelas Empresas Transportadoras. Ao final, a impugnante questiona o fato de não ter sido investigado o destino final das mercadorias objeto da autuação, o que comprovaria o uso e o consumo delas, e requer a nulidade do auto de infração por falta de prova concreta das infrações nele relatadas. A par dos argumentos lançados na Impugnação apresentada, a DRJ entendeu por bem manter o lançamento em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 19/01/2007 a 01/09/2009 AMAZÔNIA OCIDENTAL. VENDA DE PNEUS PARA DESTINATÁRIO DE OUTRA REGIÃO. SAÍDA DE MERCADORIA. A venda de pneus para destinatário estabelecido fora da Amazônia Ocidental caracteriza a saída de mercadorias dessa região, ainda que sejam entregues diretamente a preposto do adquirente, em trânsito pela área incentivada. AMAZÔNIA OCIDENTAL. SAÍDA IRREGULAR DE MERCADORIA. CONTRABANDO. PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA A saída de mercadoria da Amazônia Ocidental para outras regiões do país, sem a observância das exigências legais estabelecidas, é considerada contrabando e submetese à pena de perdimento, que se converte em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, caso esta não seja localizada ou tenha sido consumida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário, onde se pugna incialmente pela aplicação do principio da verdade material para com base em novos argumentos contestar o lançamento. Aduz o Recurso Voluntário, em síntese: Fl. 499DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 8 a) nulidade do lançamento pela ausência de subsunção do fato a norma, tendo em vista que o fundamento legal utilizado (art. 23, inciso IV, § 3º do Decreto Lei 1.455/76) trata de importações fraudulentas, o que não ocorreu no caso concreto, não havendo a pratica de nenhuma das condutas listadas no art. 105 inciso I ao XIX do Decreto Lei 37/66 já que as importações ocorreram de forma legal e incontroversa. b) que o auto de infração não informa qualquer parâmetro para a determinação do valor das mercadorias, já que não se apontou o valor da moeda estrangeira na data da conversão; c) que, quanto ao mérito, não houve a saída de mercadorias para fora da Amazônia Ocidental, já que as mercadorias (pneus) apontadas foram comercializadas na sede da Recorrente e instalados caminhoes de tranportadoras que os utilizam dentro da Amazônia Ocidental; É o relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme consta do relatório acima transcrito o presente processo trata de multa aduaneira decorrente da saída de mercadorias importadas sob albergue de benefícios fiscais estipulados pelo Decreto Lei nº 288/67 que assim prevê: Art 3º A entrada de mercadorias estrangeiras na Zona Franca, destinadas a seu consumo interno, industrialização em qualquer grau, inclusive de indústrias e serviços de qualquer natureza e a estocagem para reexportação, será isenta dos impostos de importação, e sobre produtos industrializados. No caso sob análise pesa contra a Recorrente a afirmação de que houve a venda para outras unidades da federação, sem a devida autorização da Receita Federal de pneus importados com a isenção prevista no dispositivo supra citado. A Recorrente em sua defesa alega que não houve a venda dos pneus para outras unidades da federação uma vez que seus clientes retiravam as mercadorias na sede desta. As referidas mercadorias eram instaladas na própria empresa e depois seus clientes seguiam viajem para seus destinos. Esta afirmação consta da Impugnação e do Recurso Voluntário, com se vê: A empresa ora autuada, é estabelecida em frente do "corredor da soja" a Rodovia BR 364, que liga o Porto Graneleiro de Porto Velho/RO as cidades de Campos de Júlio/MT, Sapezal/MT, Comodoro/MT, Campo Novo/MT, cidades conhecidas no cenário nacional como grandes produtoras de grãos. E por esta rodovia, transitam milhares de veículos que ora estão em Rondônia ora no Mato Grosso, veículos que são de propriedade de empresas estabelecidas em outros Estados da Federação, mas transitam no trecho Fl. 500DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10242.000077/201071 Acórdão n.º 3302002.570 S3C3T2 Fl. 497 9 entre Porto Velho/RO e Mato Grosso. Por isso o consumo das mercadorias dáse no trânsito geográfico entre Rondônia e Mato Grosso. O dispositivo que alberga a isenção das importações foi regulamentado pelo DecretoLei nº 61.244/67, nos seguintes termos: Art 3º Farseá com suspensão dos impostos de importação e sôbre produtos industrializados a entrada, na Zona Franca de Manaus, de mercadorias procedentes do estrangeiro e destinadas: I a seu consumo interno; II a industrialização de outros produtos, no seu Território; III à pesca e à agropecuária; IV à instalação e operação de industrias e serviços de qualquer natureza; V à estocagem para reexportação; VI à estocagem para comercialização ou emprêgo em outros pontos do território nacional. § 1º Excetuamse do sistema fiscal previsto no " caput " dêste artigo e não gozarão de isenção as seguintes mercadorias: armas e munições, perfumes, fumo, bebidas alcoólicas e automóveis de passageiros. § 2º Mediante proposta justificada da Superintendência aprovada pelos Ministérios do Interior, Fazenda e Planejamento, a lista de mercadorias constantes do parágrafo 1º pode ser alterada por decreto. § 3º Os favores de que trata êste artigo alcançam apenas as mercadorias entradas pelo pôrto ou aeroporto da Zona Franca, exigida consignação nominal a importador nela estabelecido. § 4º As obrigações tributárias suspensas, nos têrmos dêste artigo: I se resolvem efetivandose a isenção integral nos casos dos incisos I, III, IV e V, com o emprêgo da mercadoria nas finalidades previstas nos mesmos incisos; II se resolvem, quanto à parte percentual reduzida do impôsto, nos casos dos incisos II, quando atendido o disposto no inciso II do artigo 7º; III tornamse exigíveis, nos casos do inciso VI, quando as mercadorias forem remetidas para outro ponto do território nacional. Assim está claro que as mercadorias importadas pela Recorrente não poderiam ser vendidas, ainda que retiradas e instaadas na sede da Recorrente, para empresas Fl. 501DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES 10 situdas em outras unidades da federação sem o recolhimento dos tributos que deixaram de ser recolhidos. As notas fiscais emitidas pela Recorrente corroboram o entendimento de que houve saídas de mercadorias para outras unidades da federação, tendo em vistas que seus clientes estão sediados em cidades como Mato Grosso, por exemplo. Até mesmo a alegação de que estas mercadorias seriam consumidas no transporte de grãos apenas na Amazônia Ocidental, ainda que fosse relevante para o deslinde do presente caso é desprovida de qualquer prova. Quanto a aplicação da pena de perdimento e sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, correto o lançamento efetuado. Com relação a pena de perdimento aplicáveis os dispositivos dos Decretros abaixo listados: DECRETO N° 4.543/2002 Art. 623. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 453, por configurar crime de contrabando (Decretolei nº 288, de 1967, art. 39). DECRETO N° 6.759/2009 Art. 696. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria saída da Zona Franca de Manaus sem autorização da autoridade aduaneira, quando ingressada naquela área com os benefícios referidos no art. 505, por configurar crime de contrabando (DecretoLei nº 288, de 1967, art. 39). A multa aplicada, em substituição a pena de perdimento, foi corretamente aplicada, uma vez que as mercadorias irregularmente comercializadas não poderiam ser mais locaizadas. Em relação as preliminares apontas em sede de Recurso Voluntário, também sem razão a Recorrente. Em que pese a previsão expressa do Decreto 70.235/72 que prevê que os argumentos de defesa devem ser trazidos com a impugnação (art. 16 e 17) sob pena de preclusão, tenho defendido neste órgão colegiado que tal previsão deve ser vista com resalvas, diante da imperiosa aplicação do principio da verdade material que deve sempre prevalecer no âmbito da administração pública. Contudo, analisando as preliminares apontadas pela Recorrente não vislumbro como acatálas. Quanto a multa aplicada e o valor adotado, entendo como correto o enquadramento efetuado pela autoridade fiscal e pela decisão recorrida, a qual faço a remissão como razão de decidir. P.or todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário nos termos da decisão acima trasncrita em complemneto a decisão recorrida a qual faço remissão nos termos do art. 50, § 1º da Lei nº 9.874/99. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10242.000077/201071 Acórdão n.º 3302002.570 S3C3T2 Fl. 498 11 (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 503DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/05/2014 por ALEXANDRE GOMES
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Numero do processo: 15374.002181/2001-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997
DEDUTIBILIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSÁRIA À ATIVIDADE EMPRESARIAL.
Despesas financeiras, que são necessárias à atividade empresarial, a título de exemplo, taxas bancárias, taxas de administração, comissão bancária, juros de mora por atraso de pagamento de fornecedores e tributos, são despesas dedutíveis para apuração do IRPJ.
Numero da decisão: 1302-001.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Declarou-se impedido o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCIO RODRIGO FRIZZO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA
Nome do relator: MARCIO RODRIGO FRIZZO
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DESPESAS FINANCEIRAS. NECESSÁRIA À ATIVIDADE EMPRESARIAL. Despesas financeiras, que são necessárias à atividade empresarial, a título de exemplo, taxas bancárias, taxas de administração, comissão bancária, juros de mora por atraso de pagamento de fornecedores e tributos, são despesas dedutíveis para apuração do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Declarou se impedido o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) MARCIO RODRIGO FRIZZO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR (Presidente), EDUARDO DE ANDRADE, HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, MARCIO RODRIGO FRIZZO, WALDIR VEIGA ROCHA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 21 81 /2 00 1- 27 Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. Na origem foi lavrado auto de infração de IRPJ (R$ 48.640,60) (fls. 271/274) e de IRRF (R$ 1.487.166,73) (fls. 275/280). Em resumo, o AFRFB convenceuse pelas seguintes infrações: IRPJ: “001 – CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS NÃO NECESSÁRIOS” – Art. 195, inciso I, 197 e parágrafo único, 242 e 243, do RIR/94. IRRF: “001 – (...) FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR” – Art. 743 do RIR/94, art. 78 da Lei nº 8.981/95, art. 18 e 28, da Lei nº 9.249/95. Conforme exposto pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a fundamentação dos autos de infração encontrase descrita no próprio corpo dos autos de infração, nas folhas 247 e 251 – IRPJ e IRRF, respectivamente (fls. 452/453): 3.1 – em relação à infração do IRPJ a autoridade fiscal glosou todas as despesas financeiras, no valor de R$ 133.335,00, constantes da declaração de rendimentos do contribuinte, haja vista este ter emprestado graciosamente a quantia de R$ 5.444.461,03 à Viking Participações S/A, cujos sócios são os mesmos da empresa autuada; 3.2 – quanto à infração relativa ao IRRF, o autuante entendeu que a interessada, por ser representante da Companhia de Navegação da República Islâmica do Irã, conforme contrato anexado aos autos, é responsável pela falta de retenção e recolhimento dos valores correspondente ao IRRF sobre receitas de fretes recebidas por esta última, ou seja, atribuídas a residentes ou domiciliados no exterior; (...). Encerrada a fiscalização, a recorrente teve ciência dos autos de infração em 08/06/2001 (fls. 271 e 275). Na sequência, apresentou impugnação em 06/07/2001 (fls. 288/303), a qual foi julgada totalmente improcedente em relação ao IRPJ e parcialmente procedente em relação ao IRRF, nos termos da ementa do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamentos (DRJ) que adiante segue transcrita (fls. 449/472): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 Nulidade. Enquadramento Legal. Não ocorre nulidade do auto de infração por deficiência de enquadramento legal, quando descritos com precisão os fatos referentes ao lançamento, não havendo prejuízo à defesa, uma vez que a interessada deve se defender dos fatos que lhe foram imputados. Tal falha pode ser saneada, até pela autoridade julgadora, não constituindo agravamento ou aperfeiçoamento do lançamento. Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/200127 Acórdão n.º 1302001.344 S1C3T2 Fl. 1.385 3 Jurisprudência Administrativa. Consoante o art. 100, II, do Código Tributário Nacional, as decisões dos órgãos colegiados de jurisdição administrativa não constituem normas complementares da legislação tributária, tampouco vinculam a administração, haja vista não existir lei que lhes confira a efetividade de caráter normativo. Provas. Apresentação Prazo. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 Decadência. IRRF. Inocorrência. O fato gerador do imposto incidente sobre o pagamento a domiciliados no exterior é simples e de realização instantânea. Em princípio, é exigência submetida ao chamado lançamento por homologação, que tem como lustro decadencial o prazo de 5 anos contado a partir do fato gerador. Constituído o crédito tributário, mediante lançamento de oficio, em prazo inferior, a decadência não se opera. Prescrição Intercorrente. Instituto Inexistente na Esfera Administrativa Fiscal. Não se aplica a prescrição intercorrente na esfera do processo administrativo fiscal. Súmulas do 1° e 2° Conselho de Contribuintes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 Despesas Financeiras Desnecessárias. Dedutibilidade. Aquele que suporta encargos financeiros, em face da contratação de mútuo, não pode considerar como despesa necessária e dedutível do imposto de renda, os dispêndios, a título de despesas financeiras, relativa à parcela cedida graciosamente a pessoas ligadas, a título de empréstimo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRPJ Anocalendário: 1997 Afretamento. Responsabilidade Tributária. Fonte Pagadora. Remessa. Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 É responsável tributário pela retenção do imposto de renda na fonte aquele que, estando no País, credita, entrega, emprega ou remete, divisas à pessoa jurídica residente no exterior. Os fatos geradores em que as provas carreadas ao processo não identificam quem fez a remessa de numerário para pagamento do frete, devem ser cancelados. Afretamento. Incidência. Alíquota. Aplicável. Como rega geral, estão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, os rendimentos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos por pessoa jurídica domiciliada no Brasil às companhias de navegação aérea domiciliadas no exterior à título de afretamento, observado o tratamento dispensado, na legislação interna ou em acordos internacionais, aos rendimentos auferidos por companhias de navegação, aérea brasileiras que exercem o mesmo tipo de atividade. Ocorrendo afretamento para transporte das mercadorias, com ausência de informação sobre a aprovação das autoridades competentes, descartase a hipótese de aplicação da norma redutora de alíquota prevista no art. 1º, I, da Lei n° 9.481/97. Lançamento Procedente em Parte Intimada da decisão supracitada em 11/05/2009 (fl. 481), a recorrente apresentou, então, recurso voluntário em 22/05/2009 (fls. 489/501), no qual ventila as seguintes razões, em resumo: (i) Que, no tocante ao IRRF, o lançamento fiscal é nulo, uma vez que a autoridade fiscal não comprovou as datas em que teriam ocorrido os fatos geradores ou a composição da base de cálculo, e o saneamento, em sede de diligência da qual a recorrente foi intimada somente em 2008, não é capaz de sanar o referido lançamento, tendo ocorrido a decadência do direito de lançar e a prescrição intercorrente; (ii) Que, no tocante ao mérito do IRRF, nos termos do art. 1º da Lei nº 9.481/96, o frete pago à empresa iraniana é isento do imposto de renda na fonte e que essa isenção é condicionada à existência de convenção internacional ou reciprocidade; (iii) Que, ainda no mérito do IRRF, o fundamento legal adotado pela autoridade fiscal está errado, em se tratando de norma de isenção, não cabe à autoridade fiscal estabelecer condições para o gozo da alíquota zero, que a própria lei não estabeleceu; (iv) Que, no tocante ao IRPJ, o auto de infração é inepto, pois não fora identificado no auto de infração a ligação entre a indedutibilidade das despesas declaradas pela recorrente e o contrato de mútuo celebrado; que cabe à autoridade fiscal o ônus de provar a indedutibilidade das despesas glosadas, coisa que não se observou no auto de infração; (v) Que o período e o montante do contrato de mútuo (celebrado entre a recorrente a empresa ligada) é bem difente do período e do montante em que eventuais passivos da recorrente foram contraídos, assim, não há qualquer Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/200127 Acórdão n.º 1302001.344 S1C3T2 Fl. 1.386 5 relação entre a despesa financeira glosada e o mútuo com a empresa ligada (Viking); (vi) Que as despesas financeiras glosadas somam uma séria de valores (tarifas bancárias e tributos incidentes nas contas bancárias), assim, a autoridade fiscal não poderia simplesmente glosar a integralidade das despesas financeiras declaradas na DIPJ sem antes se desincumbir do ônus de provar a falta de necessidade dessas despesas. Após, em 22/06/2009, a recorrente juntou documentos que compõem a DIPJ/1998 (anocalendário: 1997) e dos livros razões das contas (comissão bancária, despesas bancárias, juros de mora, juros sem empréstimo nacional e juros passivos) (fls. 1136/1305), e informou (fls. 513/515): (i) Que a autoridade fiscal glosou a linha de despesas na DIPJ, pg. 6 anexo II: Outras Despesas Financeiras (R$ 133.335,00), considerando que a recorrente estaria tomando empréstimos no mercado financeiro e pagando juros e ao mesmo tempo, repassando para empresa coligada empréstimos sem juros; (ii) Que nunca ocorreram os referidos empréstimos e os repasses dos mesmos a alegadas empresas coligadas, ainda, os razões contábeis comprovam que a recorrente não tomou empréstimo no mercado; (iii) Que as despesas lançadas nos razões são de despesas e taxas bancárias pelo uso de serviços oferecidos por instituição financeira, por tratarse de operações de agenciamento com expressivo volume de pagamentos, totalmente necessárias à atividade da recorrente; (iv) Que, no caso em tela, a recorrente observou a legislação tributária, qual seja o art. 299 do Dec. 3.000/99; (v) Que o valor da conta de juros passivos (R$ 32.511,97) e o valor da conta juros sem empréstimo nacional (R$ 44,81) são taxas cobradas pela instituição financeira pela utilização da conta garantida, restando claro que a recorrente não possuía empréstimos contratados; (vi) Que por outro lado, em alguns momentos, durante o ano, fazia uso da conta garantida, o que gerou no ano um custo de R$ 32.566,78; se a glosa fosse correta e legal, argumentou por amor ao debate que a glosa deveria ser apenas sobre o valor de R$ 32.566,78, vez que os demais valores não são relacionados a empréstimos ou à conta garantida. A 2ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência para que a repartição de origem tomasse providências para desmembrar o processo administrativo fiscal, nos termos da Resolução nº 1302.000.064 (fls. 614/620): (...) Neste caso específico, o imposto de renda na fonte sobre pagamento ou crédito de frete a não residente não configura antecipação do IRPJ e também os fatos não guardam qualquer conexão com o mútuo ativo da autuada junto a empresa ligada que levou à glosa integral de suas despesas financeiras. Nessa Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 medida, os fatos que ensejaram a tributação do IRPJ não guardam qualquer relação com os fatos que ensejaram a tributação do IRF, razão pela qual esta primeira Seção é incompetente para julgar a matéria relacionada ao imposto de renda na fonte. Inexistindo previsão regimental para julgamento parcial do feito com envio do processo à 2ª Seção, vejo a necessidade de converter o processo em diligência para que a autoridade preparadora possa por favor efetuar o seguinte: 1 – Copiar na íntegra o teor deste processo e desmembrar esta processo, abrindo um novo processo com as cópias do inteiro teor deste para que nele possa ser levada à diante a discussão relacionada ao Imposto de Renda na Fonte. 2 – Citar o contribuinte para que tome ciência do desmembramento do processo para que este processo possa prosseguir com o recurso voluntário no que tange ao Imposto de Renda e o processo criado por desmembramento possa prosseguir com o recurso voluntário no que tange ao Imposto de Renda na Fonte. 3 – Conceder o prazo necessário ao contribuinte para o pedido de cópia administrativa do novo processo criado por desmembramento e para eventual pronunciamento sobre seu conteúdo, se oportuno. 4 – Juntar a cópia da citação e da manifestação de que tratam os itens 2 e 3 neste e no novo processo e encaminhar este processo novamente para julgamento do recurso voluntário no que tange o IRPJ por esta 1ª Seção, bem como encaminhar o processo desmembrado para julgamento do recurso voluntário no que tange o IRF pela 2ª Seção. A recorrente obteve cópia integral do presente processo administrativo em 16/08/2012, sendo cientificada da resolução supracitada (fl. 1316), e após, conforme demonstra o Termo de Solicitação de Juntada (fl. 1328), a recorrente manifestouse no presente processo para manter na íntegra as preliminares, as prejudiciais e o mérito de seu recurso voluntário, juntando no presente processo administrativo decisões exaradas no Recurso Especial nº 1.138.206/RS e decisão exarada no processo administrativo fiscal nº 18471.001396/200544. Por fim, a autoridade preparadora propôs o envio deste processo à 1ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para julgamento do IRPJ, nos termos da referida resolução supracitada (fl. 1382/1383). É o relatório. Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/200127 Acórdão n.º 1302001.344 S1C3T2 Fl. 1.387 7 Voto Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo O recurso voluntário apresentado é tempestivo e apresenta todos os requisitos de admissibilidade, então dele conheço. 1. Das Considerações Iniciais Com visto na parte inicial, o processo foi divido em razão da incompetência da 1ª Seção para julgar o IRRF, uma vez que não se trata de antecipação do IRPJ. Assim, deixo de tecer comentários sobre o aludido tributo. 2. Do IRPJ – Das Despesas Dedutíveis Inicialmente, como sabiamente decidido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (DRJ), mantevese integralmente o lançamento tributário no que toca ao IRPJ e expôs na fundamentação de seu voto (acórdão nº 1222.426) que existem despesas, a título de exemplo, taxas de administração, taxas bancárias e juros de mora, que não se comunicariam com o mútuo concedido à empresa ligada; e que a recorrente não informou ou detalhou as despesas glosadas, e apesar de afirmar que as mesmas estejam escrituradas, não apresentou as contas contábeis correlatas: Portanto, o sujeito ativo da relação tributário – fisco –, deverá demonstrar e provar esse direito, que in casu, se traduziu pela informação constante da DIRPJ 1998, anexada às fls. 17, enquanto ao sujeito passivo cumpre contraditar, mediante a prova de fatos extintivos, impeditivos ou modificativos do direito afirmado pelo fisco; Neste mister, ressalta a impugnante que algumas despesas financeiras não deveriam ser computadas como encargos financeiros decorrentes de mútuos contratados, haja vista, dentre eles, existirem despesas, que não estão relacionadas com qualquer contrato de mútuo, ou seja, que não se coadunam com as razões da infração; Em tese, assistiria razão à fiscalizada, pois existem despesas, tais como: taxas de administração, taxas bancárias outras, juros incorridos por atrasos de pagamentos por fornecedores, etc., que não se comunicariam com o mútuo concedido à empresa ligada, entretanto, em nenhum momento, a impugnantes informa, ou detalha estes valores, e, apesar de afirmar que os mesmos estejam escriturados, também não apresenta as contas contábeis correlatas que pudessem ilidir esta infração; Após, conforme exposto no relatório deste voto, em 22/06/2009, a recorrente juntou documentos que compõem a DIPJ/1998 (anocalendário: 1997) e dos livros razões das Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 contas (comissão bancária, despesas bancárias, juros de mora, juros sem empréstimo nacional e juros passivos) (fls. 1136/1305), e informou (fls. 513/515): (i) Que a autoridade fiscal glosou a linha de despesas na DIPJ, pg. 6 anexo II: Outras Despesas Financeiras (R$ 133.335,00), considerando que a recorrente estaria tomando empréstimos no mercado financeiro e pagando juros e ao mesmo tempo, repassando para empresa coligada empréstimos sem juros; (ii) Que nunca ocorreram os referidos empréstimos e os repasses dos mesmos a alegadas empresas coligadas, ainda, os razões contábeis comprovam que a recorrente não tomou empréstimo no mercado; (iii) Que as despesas lançadas nos razões são de despesas e taxas bancárias pelo uso de serviços oferecidos por instituição financeira, por tratarse de operações de agenciamento com expressivo volume de pagamentos, totalmente necessárias à atividade da recorrente; (iv) Que, no caso em tela, a recorrente observou a legislação tributária, qual seja o art. 299 do Dec. 3.000/99; (v) Que o valor da conta de juros passivos (R$ 32.511,97) e o valor da conta juros sem empréstimo nacional (R$ 44,81) são taxas cobradas pela instituição financeira pela utilização da conta garantida, restando claro que a recorrente não possuía empréstimos contratados; (vi) Que por outro lado, em alguns momentos, durante o ano, fazia uso da conta garantida, o que gerou no ano um custo de R$ 32.566,78; se a glosa fosse correta e legal, argumentou por amor ao debate que a glosa deveria ser apenas sobre o valor de R$ 32.566,78, vez que os demais valores não são relacionados a empréstimos ou à conta garantida. Ante a documentação apresentada pela recorrente (fls. 1136/1305), concordo com a parte recorrente no tocante às contas comissão bancária e despesas bancárias, pois entendo que são despesas e taxas bancárias decorrentes dos serviços das instituições financeiras, por tratarse de operações de agenciamento com altíssimas movimentações bancárias, sendo totalmente necessária à atividade da recorrente. Ainda, quanto à conta juros de mora, tratase de juros de mora por atraso no pagamento de fornecedores e tributos, sendo tais despesas consideradas plenamente dedutível no período de competência. Por fim, quanto às contas juros passivos e juros sem empréstimo nacional, como reconhecido pela própria recorrente (fls. 513/515), tratase de despesas cobradas por instituição financeira pela utilização de conta garantida e que, em alguns momentos, durante o ano, a recorrrente fazia uso da conta garantida, gerando um custo anual de R$ 32.566,78, sendo desnecessária à atividade da recorrente. Dessa forma, voto no sentido de manter a glosa de IRPJ apenas sobre o valor de R$ 32.566,78 (juros passivos e juros sem empréstimo nacional), afastando o crédito tributário lançado a título de IRPJ sobre despesas financeiras, referente às contas contábeis: comissão bancária, despesas bancárias e juros de mora. Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 15374.002181/200127 Acórdão n.º 1302001.344 S1C3T2 Fl. 1.388 9 3. Da Conclusão Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcialmente provimento ao recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto. (assinado digitalmente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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