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Numero do processo: 10120.000407/2006-28
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. REQUISITO NECESSÁRIO.
A fim de obter a isenção quanto à Área de Preservação Permanente (APP) o sujeito passivo deve apresentar documentação sobre a existência.
No presente caso, o sujeito passivo apresentou apenas mapa, sem o devido e necessário Ato Declaratório Ambiental (ADA), motivo da não obtenção de isenção da citada área.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9202-002.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FISCAIS, pelo voto de qualidade dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO
Presidente
(assinado digitalmente)
Susy Gomes Hoffmann
Relatora
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. REQUISITO NECESSÁRIO. A fim de obter a isenção quanto à Área de Preservação Permanente (APP) o sujeito passivo deve apresentar documentação sobre a existência. No presente caso, o sujeito passivo apresentou apenas mapa, sem o devido e necessário Ato Declaratório Ambiental (ADA), motivo da não obtenção de isenção da citada área. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, pelo voto de qualidade dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Susy Gomes Hoffmann (Relatora), Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 04 07 /2 00 6- 28 Fl. 209DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digi talmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Relatora (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digi talmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.000407/200628 Acórdão n.º 9202002.383 CSRFT2 Fl. 187 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte. O caso, em síntese, é de exigência de crédito tributário, no valor de R$ 26.226,11, relativo ao ITR do exercício de 2002, acrescido de multa de ofício, incidentes sobre o imóvel rural denominado “Fazenda Cachoeira e Covas”, localizado no município de Jataí GO. Foram glosadas as áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, com, respectivamente, 40,9 ha e 505,2 ha, com fundamento em ausência de averbação da área de reserva legal tempestiva e de apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Com relação à averbação, o próprio Termo de Verificação Fiscal indica que a averbação ocorreu no ano de 2003, mas aqui o objeto é o exercício de 2002. O contribuinte apresentou impugnação às fls. 31/45. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento julgou procedente o lançamento, nos termos da seguinte ementa (fls. 54/68): “Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do auto de infração, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal — PAF. Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis os dados cadastrais informados na sua DITR. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DA MULTA LANÇADA (75,0%). Apurado imposto suplementar em procedimento de fiscalização, no caso de informação incorreta na declaração — ITR, cabe exigilo juntamente com a multa lançada, aplicada aos demais tributos. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 72/83). Fl. 211DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digi talmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 A 1° Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento do CARF negou provimento ao recurso do contribuinte (fls. 91/95). Eis a ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2002 Ementa: ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA (RESERVA LEGAL). COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE ADA. O contribuinte não logrou comprovar a efetiva existência das áreas declaradas a titulo de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, nem a protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Ibama ou órgão conveniado, em razão do que referidas áreas restam não comprovadas para fins de exclusão na apuração do ITR, nos termos da legislação aplicável. Recurso Voluntário Negado. O contribuinte interpôs o presente recurso especial, com fundamento em divergência jurisprudencial (fls. 100/122), relativamente à necessidade de apresentação do ADA para a comprovação da Área de Preservação Permanente e de averbação da Área de Reserva Legal. Alegou, o recorrente, que: “A Recorrente, ora Recorrente, foi autuada por suposta infração fiscal na DITR n°. 01.5132275, da sua propriedade denominada Fazenda Cachoeira e Covas (NIRF 4.991.4375), sob os seguintes os fundamentos de que, para fins de isenção de recolhimento do ITR, não averbou na época a Reserva Legal junto à matricula do imóvel no Cartório competente e, também, não apresentou o ADA relativo a Área de Preservação Permanente, aplicando multa e lançou "de oficio" o que o Fiscal entendeu devido. Da análise dos documentos apresentados quando da apresentação da Defesa Administrativa, podese extrair para efeito fiscal do fato gerador do ITR/2002, relativa ao imóvel supraqualificado, que das Áreas de 40a e 505,20ha, informadas pelo contribuinte nos itens 02 e 03, do quadro 08 da DITR/2002, respectivamente, como Áreas de preservação permanente e de utilização limitada do tipo reserva legal, que desta última, consignada pelo contribuinte na Declaração, encontrase averbada à margem da matricula n°. 27.040, no CRI da comarca de Jatai (GO), a partir de 23 de dezembro de 2003, 462,78ha, conforme Av2127.040, gravada à margem da matricula do imóvel naquela data. A Declaração, sob análise, referese ao exercício de 2002, no qual o Sr. Fiscal entendeu que haveria a obrigatoriedade, para se fazer valer o uso da prerrogativa de exclusão de Área tributável, declarada como Reserva Legal, de protocolizar o respectivo requerimento de existência e averbação dessa Área no Cartório de Registro no prazo de até 6 (seis) meses, contado a partir do término do prazo fixado para a entrega da DITR (no caso, DITR de 2002), conforme art. 10, § 3° , I, do Decreto n° 4.382/02, c/c, arts. 9°, da IN da SRF n° 256/02, decorrentes da Fl. 212DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digi talmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.000407/200628 Acórdão n.º 9202002.383 CSRFT2 Fl. 188 5 nova redação conferida ao art. 170, § 5°, da Lei n° 6.938/81, pelo art. 1°, da Lei n° 10.165/00. Além disso, o Sr. Fiscal também autuou a Recorrente por entender que ela não apresentou, na sua remessa de documentos, o Ato Declaratório Ambiental — ADA, do órgão competente, para satisfazer à condição de uso da prerrogativa de exclusão daquelas Área de preservação permanente e de utilização limitada como de natureza não tributável. Estes são os pontos centrais sobre os quais o Ilustre Auditor Fiscal erigiu o Auto de Infração ora impugnado e, de oficio, promoveu "à retificação da declaração" do ITR/2002 da Recorrente/Recorrente, apurando um suposto crédito no valor de R$26.226,11, sendo R$11.217,81 de principal, R$6.594,95 a titulo de juros de mora e R$8.413,35 de multa proporcional. Então, essa suposta diferença do Imposto Territorial Rural — ITR encontrada decorreu da desconsideração da distribuição das áreas de reserva legal de 505,18,18 hectares, mais 40,90 hectares de Área de Preservação Permanente assim declaradas e que foram desprezadas, sob a alegação de que a averbação constante da matricula do imóvel somente teria sido feita em 2003, bem como pela inexistência do Ato Declaratório Ambiental (ADA). E isso interferiu no percentual do grau de utilização do imóvel, passando de 100% para 76,85%, fazendo a alíquota subir de 0,30% para 1.60%, nos termos do artigo 6°, §1°, segunda parte da Lei n° 8.629/93. Mas é importante frisar, que a Área de reserva legal declarada (505,18 hectares) foi originariamente averbada na matricula do imóvel em 18.11.1991, conforme fez prova a certidão expedida em 28.02.2003, pelo Cartório de Registro de Imóveis de Jatai (GO) e que foi ignorada pelo Senhor AuditorFiscal. Além disso, com os esclarecimentos oferecidos em resposta à Intimação Fiscal n° 067, comprovouse que além da reserva legal de 505,18,18 hectares, há na propriedade uma Área de 122,10,28 hectares de preservação permanente, enquanto que a Recorrente informou na DITR/2002 uma área menor, ou seja, de apenas 40,90 hectares, conforme comprovado por mapa da área, devidamente firmado pela Técnica Agrimensora Neide Renato da Silva, CREA/GO 4714/TD. Nada disso foi considerado pelo Senhor Auditor Fiscal, que ao invés de proceder vistoria, se quisesse, no imóvel para a verificação da existência ou não das áreas de reserva legal e preservação permanente, simplesmente optou, de forma ilegal, por desconsiderar a prova documental colacionada e, com base em presunção própria, impôs à Recorrente o dever de pagar por um tributo indevido da diferença de ITR no exercício de 2002. E evidente, portanto, o equivoco cometido pelo Senhor Auditor Fiscal, porque, quanto a Reserva Legal, não há que se falar em Fl. 213DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digi talmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 comprovar sua averbação junto à matricula do Cartório de Registro competente para fins de isenção do ITR, nem mesmo dentro do prazo de 6 meses, bastando que o contribuinte demonstre por documento a sua existência (frisase, não precisa de averbação), bem como não há que se falar em apresentação do ADA de áreas de preservação permanente para fins de isenção do ITR. O direito é um, não podendo haver divergência de entendimento do direito ao qual o contribuinte faz jus, pois isso ferirá a moralidade administrativa, a eficácia administrativa, a legalidade administrativa (todos do art. 37 da CF/88) e, ainda, a isonomia entre contribuintes que são tratados de forma diferente em situações exatamente idênticas (art. 5°, II, da CR/88). Portanto, desnecessária a averbação da Reserva Legal e a apresentação do ADA para as áreas de preservação permanente, sendo o Decreto e a Instrução Normativa que as prevê inovaram o ordenamento jurídico e, com isso, são absolutamente inconstitucionais (CF/88, art. 84) e ilegais (CF/88, art. 5°), pois a Lei que especificadamente trata do ITR em momento algum as previu. E, caso, por absurda hipótese, isso não seja aceito, tendo a Recorrente demonstrado a veracidade das informações prestadas na DITR/2002, com prova documental, que o Sr. Fiscal diligenciasse na área, com profissional com competência técnica para tanto, e procedesse a vistoria e comprovasse, e assim iria constatar, a real existência de área de reserva legal e preservação permanente, e não efetuar o lançamento de oficio, por presunção, da diferença de ITR referente ao ano de 2002. Sustentou, por outro lado, a nulidade do auto de infração, com base na inobservância do devido processo legal e da ampla defesa. Suscitou a nulidade do auto de infração, ainda, com base na inexistência do fato jurídico tributário. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 173/185. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digi talmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.000407/200628 Acórdão n.º 9202002.383 CSRFT2 Fl. 189 7 Voto Vencido Conselheira Susy Gomes Hoffmann, Relatora O presente recurso especial é tempestivo. Preenche, também, os demais requisitos de admissibilidade no que tange à divergência apontada tendo em vista que a recorrente logrou comprovar a divergência jurisprudencial suscitada. Quanto à eventual alegação de nulidade, não há o que se conhecer posto que não foi objeto de demonstração de divergência. A autuação, na qual se glosou a Área de Preservação Permanente (40,9 ha) e a Área de Reserva Legal (505,2 ha), fundouse na ausência de apresentação do ADA e de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Referese, a autuação, ao exercício de 2002. Sobre o tema, entendo que a ausência do ADA tempestivo não importa, necessariamente, a glosa da área declarada como de preservação permanente, desde que o contribuinte traga aos autos provas outras que atestem a existência material da referida área. Assim, também, em relação à Área de Reserva Legal. A apresentação do ADA tempestivo, obviamente, torna indiscutível a não incidência do ITR, tendo em vista o disposto no artigo 17O, §1°, da Lei n° 6.938/81, que possui a seguinte redação: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000 § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) Mas sabese, também, que a Medida Provisória n° 2.16667, de 24/08/2001 veio inserir a redação do §7° do artigo 10 da Lei n° 9.393/96, veio estabelecer que: "§ 7° A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, §1°, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." Se a formalidade exigida para a comprovação da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal torna desnecessária a discussão acerca da existência Fl. 215DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digi talmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 efetiva, material, de tal área, a ausência, por outro lado, do cumprimento de tal formalidade, se tal descumprimento derase por completo, ou derase, o cumprimento, de forma intempestiva, a discussão acerca da existência material da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal assoma, passível de ser analisada pelo CARF. Isto porque, como é de se entender, a formalidade não pode sobrepujar a materialidade. A forma não pode imperar sobre o conteúdo. Aquele é meio. Este é fim. Não se pode relegar, neste sentido, a característica essencial do ITR: a sua função extrafiscal. Isto é, o ITR não tem finalidade meramente arrecadatória. Serve, tal imposto, como instrumento do Poder Público de disciplinamento da propriedade rural, de política agrária. Daí a razão subjacente de previsão, como área não tributável pelo ITR, das áreas de preservação permanente e de reserva legal (artigo 10, inciso II, “a”, Lei n° 9.393/96). Se estas encontramse efetivamente protegidas, conforme atestam os documentos constantes dos autos, não há como se privilegiar requisitos de ordem tão somente formal. Não atenderia, com efeito, à finalidade do imposto em tela a tributação infundada das áreas em questão, apenas em razão do descumprimento de formalidades, que não podem ser consideradas como essenciais aos fins a que servem. A preservação da consecução da sua finalidade demanda que se verifique a realidade do imóvel rural, a fim de que não se cometam injustiças para com o contribuinte. E a realidade que se infere dos autos, conforme acima explicitado, é de efetiva existência da área e preservação permanente. Com efeito, depreendese dos autos, que o próprio lançamento tem por pressuposto a existência da área de reserva legal, só que averbada em 2003, ou seja, depois da ocorrência do fato gerador (fls.20). Todavia, o documento de fls. 48/50 atesta a averbação da Área de Reserva Legal, feita junto ao IBAMA em 18/11/1991, conforme atesta a certidão de fls. 48/50 dos autos esta sim datada de 2003, nos seguintes termos: “consta a averbação, feita em 18111.991; da reserva legal, firmada com o IBAMA; com a Área de (505,1.8,18ha) não inferior a vinte (20%) por cento do imóvel”. Consta, também, dos autos, Mapa (fls. 15) que atesta a existência da Área de Preservação Permanente, em área maior inclusive do que a declarada. Neste sentido, não se pode negar a existência da referidas áreas. Ressaltese que a formalidade em questão (ADA), como toda formalidade, não se constitui num fim em si mesmo, mas é instituída com vistas à consecução de algum fim. No caso, o fim é a garantia de proteção da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal. Ora, se tal finalidade é atingida, conforme as provas apresentadas nos autos, o eventual descumprimento da respectiva formalidade tornase irrelevante. Diante do exposto, dou provimento ao recurso especial do contribuinte para afastar a glosa das áreas declaradas como de preservação permanente e de reserva legal. (assinado digitalmente) Susy Gomes Hoffmann Fl. 216DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digi talmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.000407/200628 Acórdão n.º 9202002.383 CSRFT2 Fl. 190 9 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira, Redator Designado. Com todo respeito à nobre e excelsa Relatora, divirjo de suas conclusões quanto à Área de Preservação Permanente (APP). Como demonstram os autos e atesta a Relatora, acima, para a comprovação da existência da APP o sujeito passivo apresenta somente mapa. Primeiramente, antes de nossa análise, cabe ressaltar a importância do Ato Declaratório Ambiental (ADA). O ADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental e possui como função cadastramento as áreas de interesse ambiental declaradas, permitindo o controle e verificação dessas áreas pelo órgão responsável pela área ambiental. Com essa declaração, aos órgãos responsáveis, e pela busca da preservação ambiental dessas áreas, o Estado concede isenção tributária quanto ao ITR. Cabe esclarecer que a isenção tributária, como a incidência, decorre de lei. É o próprio poder público competente para exigir tributo que tem o poder de isentar É a isenção um caso de exclusão tributária, de dispensa do crédito tributário, conforme determina o I, Art. 175 do Código Tributário Nacional (CTN). Com essa benesse estatal, isenção, buscase, portanto, uma conduta dos cidadãos. No caso, o objetivo é a preservação das áreas declaradas, pela fiscalização das áreas informadas pelo ADA. Buscase, portanto, estimular a preservação e proteção da flora e das florestas e, conseqüentemente, contribuir para a conservação da natureza e melhor qualidade de vida. Feito o ressalte, cabe analisarmos, no caso em questão, se o contribuinte agiu conforme a legislação. O lançamento referese ao ano de 2002 e nos autos não encontramos ADA entregue ao IBAMA. Na análise dos autos, é nosso dever verificar se a exigência está em consonância com o que determina a legislação sobre a matéria. Portanto, cabe a este colegiado decidir sobre a causa, aplicando o direito à espécie. Na legislação está expressa a determinação para a entrega do ADA. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digi talmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 Lei 6.938/1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1o A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Esclarecemos, também, que a exigência de entrega do ADA não foi alterada pela mudança da Lei 9.393/1996, incluída pela Medida Provisória (MP) 2.16667, de 2001: Lei 9393/1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. ... § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. De forma clara a legislação afirma que a declaração (ADA) para fim de isenção do ITR não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante. Ou seja, o declarante informa o que conceitua como correto, sem prévia comprovação da sua parte, cabendo aos órgãos da administração pública darem solicitarem, ou não, a posterior declaração. Não se deve confundir prévia comprovação do declarado com entrega de declaração, que são dois atos totalmente distintos. O Decreto regulamentador do ITR também possui determinação nesse sentido. Decreto 4.382/2002: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente; ... Fl. 218DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digi talmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10120.000407/200628 Acórdão n.º 9202002.383 CSRFT2 Fl. 191 11 § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e Portanto, como o ADA não foi apresentado para comprovação da APP, correto está o lançamento. Ressaltese pois consiste em informação desnecessária à solução, mas importante que o sujeito passivo apresenta mapa da área, para comprovar a real existência, no imóvel rural, de referidas áreas ambientais. Contudo, tal mapa encontrase desacompanhado da respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) que lhe asseguraria o caráter probatório, em conformidade com o contido no art. 1° da Lei n° 6.496/1977. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo, com a manutenção no lançamento somente das áreas referentes a Área de Preservação Permanente (APP), nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 219DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/03/2013 por SUSY GOMES HOFFMANN, Assinado digi talmente em 25/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 12466.004505/2006-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 03/08/2001 a 03/01/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE MATERIAL POR VÍCIO DE MOTIVO. PENDÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Estando a matéria objeto do auto de infração sendo discutida nos autos de ação rescisória ajuizada pela Fazenda Nacional para desconstituir decisão judicial transitada em julgada que deferiu a terceiro a cessão de seus créditos à Recorrida, não cabe a lavratura de auto de infração sob motivo de não pagamento com a exigência de multa de ofício, mas tão somente caberia o lançamento sob motivo de prevenção da decadência sem a exigência de multa de ofício. Caracterizou-se, nos autos, evidente vício de motivo, o que compromete a validade material do lançamento.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-002.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Nanci Gama - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: NANCI GAMA
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NULIDADE MATERIAL POR VÍCIO DE MOTIVO. PENDÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. Estando a matéria objeto do auto de infração sendo discutida nos autos de ação rescisória ajuizada pela Fazenda Nacional para desconstituir decisão judicial transitada em julgada que deferiu a terceiro a cessão de seus créditos à Recorrida, não cabe a lavratura de auto de infração sob motivo de “não pagamento” com a exigência de multa de ofício, mas tão somente caberia o lançamento sob motivo de “prevenção da decadência” sem a exigência de multa de ofício. Caracterizouse, nos autos, evidente vício de motivo, o que compromete a validade material do lançamento. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Marcos Aurélio Pereira Valadão e Otacílio Dantas Cartaxo, que davam provimento. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Nanci Gama Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 45 05 /2 00 6- 59 Fl. 2403DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 56, inciso II do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, bem como no artigo 7º, incisos I e II do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, ambos os regimentos aprovados pela Portaria nº 147/2007, em face ao acórdão de nº 302 39.443, proferido em 19/05/2008, o qual, por maioria de votos, acolheu a preliminar de nulidade do auto de infração por vício material, tendo, entretanto, rejeitado as demais preliminares, conforme ementa a seguir: “DA COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL PARA LAVRAR O AUTO DE INFRAÇÃO É competente para lançamento de tributos a autoridade fiscal do domicílio do contribuinte, forte no Regimento Interno da Receita Federal do Brasil e, ainda, no caso, com base no art. 9º do PAF. DA COMPETÊNCIA PARA DESCONSTITUIR A APROVAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO Não sendo os autos caso de desconstituição de pedido de compensação de crédito, mas mera obediência à decisão judicial e administrativa determinando o lançamento de tributos, não há que se tratar de competência para desconstituição de pedido de compensação. NORMAS PROCESSUAIS – NULIDADE. Afora as hipóteses de expressa dispensa do MPF, é inválido o lançamento de crédito tributário formalizado por agente do Fisco sem aquele documento. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. Ultrapassadas as preliminares quanto à competência do agente fiscal, os requisitos formais do auto de infração são aqueles que estão listados no art. 10 do Decreto 70.235/72, os quais estão presentes no caso em exame. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. O vício material de motivo ocorre quando a matéria, de fato ou de direito, em que se fundamenta o auto de infração, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido, ou seja, quando o fato narrado pela autoridade fiscal não ocorreu ou ocorreu de maneira distinta daquela lançada. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” O acórdão recorrido entendeu, em síntese, que a fiscalização não poderia ter lavrado auto de infração para constituir crédito tributário de II e de IPI pela falta de pagamento com exigência simultânea de multa de ofício, mas tão somente poderia têlo feito para prevenir a decadência sem multa de ofício em conformidade ao disposto no artigo 63 da Lei 9.430/96, Fl. 2404DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.004505/200659 Acórdão n.º 9303002.065 CSRFT3 Fl. 2.309 3 tendo em vista que o crédito tributário objeto do presente auto de infração estaria com a exigibilidade suspensa. Com efeito, fundamentou que a exigibilidade do crédito tributário estaria suspensa pelo fato de a Fazenda Nacional ter obtido medida cautelar de ação rescisória que teria suspendido os efeitos da decisão judicial transitada em julgado que autorizou a cessão de créditos da SAB COMPANY EXPORTADORA para a autuada, que, por sua vez, teria os utilizado para compensar os débitos de II e de IPI objeto do presente lançamento. Assim, entendeu o acórdão recorrido que o auto de infração teria incorrido em vício de motivo, o que acarretaria na sua nulidade material. Inconformada, a Fazenda Nacional, em 05/06/2009, interpôs recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas, aduzindo, em síntese, que o acórdão recorrido teria sido proferido em contrariedade aos artigos 10, 59 e 60 do Decreto 70.235/72, bem como aos artigos 63 da Lei 9.430/96 e 151 do CTN e, ainda, teria contrariado as provas colacionadas aos autos às fls. 04/06 e 141/194, nas quais restarseia comprovado que a decisão judicial transitada em julgado, a qual haveria o cunho suspensivo, teria sido proferida em favor de terceiro estranho ao presente processo administrativo, quem seja, a SAB COMPANY EXPORTADORA, não havendo que se falar em suspensão da exigibilidade dos débitos objeto do presente auto de infração, o qual não teria sido lavrado apenas para prevenir a decadência. Além disso, a Recorrente alegou que independentemente do fato de o auto de infração ter sido ou não lavrado para prevenir a decadência, isso não constituiria o seu motivo, mas sim a sua finalidade, que, por sua vez, é efeito automático de todo e qualquer lançamento, não cabendo a decretação da nulidade material do lançamento por essa razão. Em exame de admissibilidade de fls. 2.187/2.189, o i. Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas interposto pela Fazenda Nacional com fulcro no artigo 4º do atual Regimento Interno do CARF, o qual prevê a possibilidade de interposição de recurso por contrariedade à lei ou à evidência das provas contra os acórdãos proferidos na época da vigência da Portaria MF nº 147/2007. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 2.202/2.232, requerendo não fosse conhecido o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência das provas, ou que, caso assim não se entendesse, lhe fosse negado integral provimento para manutenção do acórdão a quo. É o relatório. Voto Conselheira Nanci Gama, Relatora O recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência das provas interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, razão pela qual passo a analisar sua admissibilidade. Fl. 2405DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Como é cediço, o recurso especial por contrariedade à lei ou à evidência das provas não mais é cabível de ser interposto em face de decisões proferidas após a vigência do atual Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF 256/2009. No entanto, tendo o acórdão recorrido sido proferido em 19/05/2008, época que ainda vigia o antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, em seu artigo 7º, I previa que “compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão nãounânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência da prova”, mister se faz a aplicação desse antigo Regimento. E, para corroborar esse entendimento, o atual Regimento Interno do CARF, prevendo exatamente essa hipótese, previu, em seu artigo 4º, que “os recursos com base no inciso I do art. 7º, no art. 8º e no art. 9º do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, interpostos contra os acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16, no art. 18 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento”. Dessa forma, conheço do recurso especial por contrariedade à lei e à evidência das provas interposto pela Fazenda Nacional, tendo em vista que os demais requisitos de admissibilidade previstos no antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais foram atendidos. Passo ao exame do mérito. Conforme se depreende do relatório, cingese a controvérsia em dirimir se o auto de infração em epígrafe restou eivado de vício material de motivo. Primeiramente, mister se faz mencionar que o próprio auto de infração, no campo relativo à descrição dos fatos, previu que “a empresa SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S/A, CNPJ 42.354.274/000129, através de decisões proferidas no Mandado de Segurança preventivo n° 1999.61.00.0509823/SP, no Agravo de Instrumento n° 1999.03.00.0607404/SP, na Medida Cautelar n° 2002.03.000527070/SP, no Mandado de Segurança preventivo n° 99.00166582/RJ, no Agravo n° 99.02.294464/RJ e na Apelação em Mandado de Segurança n° 2001.02.01.0470300/RJ, tudo conforme explicitado na Informação Fiscal n° 77/2004 da SAORT da Alfândega do Porto de Vitória, (cujas cópias encontramse anexas ao presente auto), obteve o direito a utilização dos créditosprêmio de IPI para compensação com débito de terceiros.” Dentro desse trecho “débito de terceiros”, estava inserido o débito de II e de IPI da autuada SAB SP TRADING COMPANY S.A. (atualmente denominada de SERVER COMPANY COMÉRCIO INTERNACIONAL S.A.), o qual foi constituído no presente lançamento juntamente à multa de ofício, sob motivo afeto à “falta de recolhimento”. A autuada (SAB SP TRADING COMPANY S.A.), com base em decisão judicial transitada em julgado em favor da SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S.A., se utilizou do crédito que lhe foi cedido por esta para compensar os débitos ora exigidos, e, confiando na segurança jurídica que a coisa julgada lhe proporcionara, acreditou ter extinto o crédito tributário objeto do presente auto de infração por força de aludida decisão judicial transitada em julgado bem como do disposto no artigo 156, II do CTN que prevê que “extinguem o crédito tributário: a compensação”. Fl. 2406DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 12466.004505/200659 Acórdão n.º 9303002.065 CSRFT3 Fl. 2.310 5 No entanto, para a surpresa da Recorrida, a Fazenda Nacional ajuizou ação rescisória visando desconstituir a decisão judicial transitada em julgado que deferiu à SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S.A a cessão dos seus créditos a terceiros. E, para maior surpresa ainda, a Fazenda Nacional obteve medida cautelar que suspendeu os efeitos de aludida decisão judicial transitada em julgado, o que fez com que os débitos, anteriormente entendidos como extintos por compensação, passassem a ter suas exigibilidades suspensas até o julgamento final da ação rescisória por força do artigo 151, V do CTN. E foi observando isso que, conforme descrição dos fatos do auto de infração, “o Sr. Inspetor da Alfândega do Porto de Vitória – ES, conforme despacho exarado às fls. 217 do processo n° 12466.002362/0020 (cópia anexa), determinou a lavratura do competente auto de infração visando prevenir a decadência dos créditos tributários em tela, acatando parecer do SECAT às fls. 204 e 205 do mesmo processo (cópia anexa)”. No entanto, em que pese a própria descrição dos fatos prever aludida determinação para lavratura de auto de infração para prevenir a decadência, a conclusão de aludida descrição fática surpreendentemente se deu nos seguintes termos: “Por fim, lavramos este auto de infração para constituição do crédito tributário correspondente aos valores do II que deixaram e ser recolhidos nas Declarações de Importação objeto do presente auto, acrescido dos juros e multa de ofício pelo não pagamento”. Ora, como é possível manter a validade material de um auto de infração que ao mesmo tempo que descreve a existência de uma série de ações judiciais que resultaram na suspensão dos efeitos da decisão judicial que autorizava o contribuinte a se utilizar de créditos da SAB TRADING COMERCIAL EXPORTADORA S.A para compensar seus débitos, aplica multa de ofício e conclui por lavrar um auto de infração sob motivo de “não pagamento”? Restase notória a contradição da descrição fática do lançamento, bem como das conclusões práticas do mesmo. E foi tentando sanar referida contradição que o julgador de primeira instância excluiu a aplicação da multa de ofício sob a justificativa de que “se trata de matéria cuja apreciação depende de decisão a ser proferida pelo poder judiciário em sede de Ação Rescisória impetrada contra o acórdão que, transitado em julgado, reconheceu o direito ao créditoprêmio do IPI requerido pela cedente desse direito”. Exatamente pelo fato de a matéria objeto do presente auto de infração estar sendo discutida nos autos da ação rescisória é que o mesmo deveria ter sido lavrado para prevenir a decadência e não para constituir o crédito tributário pelo “não pagamento”. Considerar o auto de infração em tela como sendo um ato materialmente válido seria desconsiderar que a compensação dos débitos objeto do presente auto de infração está sendo discutida judicialmente em sede de ação rescisória, bem como seria uma afronta ao princípio da segurança jurídica que a decisão judicial transitada em julgado proporcionou em um dado momento tanto para o cedente do crédito quanto para o cessionário do mesmo. Em face do exposto, considerando que o motivo invocado pelo fiscal, qual seja, o “não pagamento”, não coincide com o motivo de fato pelo qual o auto de infração deveria ter sido lavrado, qual seja, a prevenção da decadência, voto no sentido de conhecer o Fl. 2407DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 6 recurso especial interposto pela Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento no sentido de manter a nulidade material do auto de infração. Nanci Gama Fl. 2408DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/12/2012 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por NANCI GAMA, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10830.011074/2002-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000
NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE Á LEI - DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS -
Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não se conhece do recurso da Fazenda Nacional fundado no descumprimento daquela norma.
NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE DO LANÇAMENTO PROMOVIDO POR AUTORIDADE JULGADORA - ADMISSIBILIDADE. DO RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. -
Além de os paradigmas tratarem de situações fáticas totalmente distintas da tratada no recorrido, não se prestando para o confronto, não houve divergência jurisprudencial, pois todos os acórdãos confrontados afastaram a majoração promovida pela decisão de primeira instância.
NORMAS PROCESSUAIS - DECADÊNCIA - ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. -
No que respeita à decadência, não se configura divergência jurisprudencial entre o acórdão guerreado, que afastou a majoração feita pela decisão de primeira instância, seja porque o novo lançamento estaria parcialmente abarcado pela decadência, seja porque não foram seguidos os trâmites legais do lançamento de ofício, e os acórdãos paradigmas que afastaram o aperfeiçoamento do lançamento porque já se havia operado a decadência.
Numero da decisão: 9101-001.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso da Fazenda Nacional. Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso do contribuinte. Ausente, justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
(documento assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto, Mario Sérgio Fernandes Barroso (Substituto), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente justificadamente a Conselheira Suzy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE Á LEI DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não se conhece do recurso da Fazenda Nacional fundado no descumprimento daquela norma. NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO LANÇAMENTO PROMOVIDO POR AUTORIDADE JULGADORA ADMISSIBILIDADE. DO RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Além de os paradigmas tratarem de situações fáticas totalmente distintas da tratada no recorrido, não se prestando para o confronto, não houve divergência jurisprudencial, pois todos os acórdãos confrontados afastaram a majoração promovida pela decisão de primeira instância. NORMAS PROCESSUAIS DECADÊNCIA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. No que respeita à decadência, não se configura divergência jurisprudencial entre o acórdão guerreado, que afastou a majoração feita pela decisão de primeira instância, seja porque o novo lançamento estaria parcialmente abarcado pela decadência, seja porque não foram seguidos os trâmites legais do lançamento de ofício, e os acórdãos paradigmas que afastaram o aperfeiçoamento do lançamento porque já se havia operado a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 10 74 /2 00 2- 22 Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso da Fazenda Nacional. Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso do contribuinte. Ausente, justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto, Mario Sérgio Fernandes Barroso (Substituto), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente justificadamente a Conselheira Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório São objeto deste processo Autos de Infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, alcançando fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1997 a 2000, dos quais o contribuinte tomou ciência em 20/12/2002. A fiscalização arbitrou o lucro do contribuinte para o período alcançando o 2º trimestre de 1997 ao 1º trimestre de 2002, pela falta de apresentação dos livros e documentos da sua escrituração. Foi também constatada omissão de receitas: (i) da revenda de mercadorias sem emissão da(s) respectiva(s) nota(s) fiscal (is) no 3º e 4º trimestres de 1997 e no 2º trimestre de 1998, apurada pelo confronto da totalidade dos valores extraídos das notas fiscais de venda exibidas pelo contribuinte e os valores e rendimentos efetivamente declarados pelo mesmo; (ii) de prestação de serviços gerais em todos os trimestres de 1997 ao 1º de 2002 e (iii) apurada com base na confrontação dos totais de depósito/créditos bancários não comprovados com os totais de faturas. Em razão das alegações de defesa apresentadas na impugnação, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal, entre outros esclarecimentos pedidos pelo julgador, se manifestasse a respeito das divergências existentes na determinação do valor das receitas de serviços constantes das notas fiscais emitidas no período fiscalizado, precisando se elas provocam alterações nos valores exigidos e prestasse esclarecimentos de forma a determinar se há valores que, por sua natureza, deveriam ser excluídos dos créditos/depósitos de origem não comprovada. A partir do resultado da diligência, a autoridade fiscal recalculou todos os créditos, com majoração dos valores em alguns períodos. Cientificado em 26/12/2003, o contribuinte apresentou manifestação em 22/01/2003. O julgador de primeira instância, apreciando as duas impugnações apresentadas, considerou parcialmente procedentes as exigências, afastando, porém, em virtude da decadência, os acréscimos formulados em diligência, relativos à exigência do lRPJ no 2° e 3° trimestres de 1997. As exigências de CSLL, PIS e COFINS relativas a este período, aumentadas pela revisão do cálculo pelo agente fazendário no procedimento de diligência, foram mantidas, dado o entendimento exposto pela DRJ de Campinas quanto ao prazo de dez anos para constituição dos créditos atinentes a tais contribuições. Apresentado recurso ao Conselho, foi o julgamento convertido em diligência em sessão de 18 de maio de 2005. Como resultado, a autoridade fiscal executora da diligência recalculou as infrações fiscais de OMISSÃO DE RECEITA DE DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (1998), cujo resultado consta do Termo de Verificação Diligência Fiscal, às folhas 1656 a 1777. Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 5 4 No prazo de 30 dias concedido para impugnar as majorações decorrentes da diligência, o contribuinte contraditouas e requereu, afinal, que o Conselho reconhecesse a natureza de decisãolançamento no ato expedido pela DRJCampinas, que requalificou matérias e incluiu novas operações que não constavam do lançamento primitivo, majorando as exigências iniciais, bem como o reconhecimento da decadência para os fatos geradores compreendidos nos anos de 1997, 1998.e primeiro trimestre de 1999, uma vez que a decisão lançamento só foi cientificada à empresa em 22.04.04 (fls.1798 a 1817). Em 31 de agosto de 2006 o contribuinte desistiu parcialmente do recurso, permanecendo o litígio apenas em relação aos tributos lançados para os anoscalendário de 1997 e 1998. Em sessão de 21/09/2006 o recurso foi julgado pela 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para: (1) reduzir as multas de oficio de 225% e 150% para o percentual' de 75%; (2) por decorrência, reconhecer a decadência para o 2° e3° trimestres de 1997 para o IRPJ e CSL e até novembro de 1997 para o COFINS e PIS; (3) afastou todas as majorações efetuadas pela fiscalização nas diligências requeridas nos julgamentos de primeira e segunda instâncias; (4) excluiu os valores apontados pela diligência de fls. 16578 como não oriundas de terceiros, conforme planilha retificada pela fiscalização (Acórdão 10809.009). O voto condutor apresentou a seguinte motivação para afastar as majorações efetuadas nas diligências: Finalmente, quanto aos ajustes efetuados nas diligências solicitadas, que implicaram em majoração do lançamento, verificase que nesta parte houve novo lançamento. Se houve novo(s) lançamento(s), todas as majorações efetuadas nas diligências ocorridas no curso do julgamento em primeira e segunda instância devem ser afastadas, seja porque estaria abarcado (parcialmente) pela decadência, seja porque não foram seguidos os trâmites legais do lançamento de ofício (abertura de prazo para impugnação ou pagamento com redução de multa, dentre outros). A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, ao qual foi dado seguimento, contestando a não observância do prazo de dez anos para a decadência das contribuições sociais. Para a Cofins e a CSLL, cujas decisões foram não unânimes, alega contrariedade à lei. Para o PIS, invoca divergência com o decidido pelo Acórdão 20306655 de 05/07/2000. Em face da planilha elaborada pela DRF/Campinas (executora da decisão) para demonstrar a aplicação do acórdão do Conselho de Contribuintes, o contribuinte apresentou embargos de declaração alegando: (a) obscuridade/dúvida, pois entendeu que o Conselho teria decidido que os únicos valores possíveis de cobrança seriam os constantes nos Autos de Infração, mas que no demonstrativo elaborado pela DRF os valores exigidos continuam a ser definidos na decisão exarada pela primeira instância; (b) omissão quanto aos rendimentos tributados com base no artigo 42 da Lei 9.430/96, pois o acórdão embargado não trouxe, em detalhes, exame do tópico "6 — VALORES DE DEPÓSITOS JÁ Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 6 5 COMPROVADOS CONTINUAM RELACIONADOS NO DEMONSTRATIVO PÓS DILIGÊNCIA”. Pelo Acórdão nº 10809.590 (sessão de 16 de abril de 2008) os embargos foram acolhidos para sanar dúvidas de execução, sem contudo alterar a decisão contida no Acórdão n° 10809.009 de 21/09/06. Ciente, o contribuinte interpôs recurso especial, que foi admitido em relação a duas divergências de interpretação apontadas (quanto à formalização da exigência por autoridade incompetente e quanto à argüição de decadência para o lançamento feito por meio de decisão de primeira instância), as quais estão assim apresentadas: DIVERGÊNCIA UM — Nulidade do lançamento, tendo em vista vício na formalização da exigência por autoridade (julgadora) incompetente. Entende o recorrente ter havido "novo lançamento" pela autoridade julgadora, incompetente para o feito, já que a exigência inicial formalizada pelo auto de infração foi agravada com base no resultado de diligência realizada na fase de julgamento em primeira instância. Tenta demonstrar sua alegação transcrevendo parte o voto da relatora dado no acórdão recorrido (n° 10809.009), e parte do que foi decidido no acórdão proferido após os embargos de declaração (n° 10809.590), como abaixo reproduzido: Acórdão n° 10809.009 "Finalmente, com os ajustes efetuados nas diligências solicitadas, que implicaram em majoração do lançamento, verificase que nesta parte houve novo lançamento”. Acórdão n° 10809.590 "No que tange à obscuridade/dúvida quanto às exclusões das majorações efetuadas após instaurado litígio, entendo que a decisão restou clara que o que existe é erro no cumprimento do decidido, o que pelo princípio da economia processual, acolho, como dúvida a ser sanada. Pois bem, o acórdão embargado deixa claro que os ajustes efetuados na diligência implicaram novo lançamento. Ao mencionar momento em que estes ajustes foram feitos, expressamente referiuse às diligências ocorridas no curso do julgamento, não só em segunda instância, mas também em primeira instância” Os acórdãos paradigmas e suas ementas são os seguintes: Acórdão 10320754 fl. 2145 LR.P.J. INOVAÇÃO QUANTO AO LANÇAMENTO NO ATO DECISÓRIO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE O dever poder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não cabendolhe aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência. CSLL ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO IMPOSSIBILIDADE DE APERFEIÇOAMENTO POR ESTE ÓRGÃO JULGADOR Não tendo a autoridade lançadora obedecido aos preceitos legais para afixação da base de cálculo Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 7 6 da contribuição, não cabe a este órgão aperfeiçoar o lançamento, mas apenas afastar a exigência, diante do erro ocorrido: PIS e COFINS OMISSÃO DE RECEITAS SIMULAÇÃO DESCONSTITUIÇÃO DE CONTRATO PARA EFEITOS TRIBUTÁRIOS Verificada mácula nos contratos celebrados pelo contribuinte por decorrência de simulação, não deve persistir, para efeitos tributários, o negócio jurídico praticado, restando, via de conseqüência, reconhecida a omissão de receitas e, portanto, a subsunção do fato às normas pertinentes a estes tributos. Acórdão n° 10417.447 fl. 2146 IRPF DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA LANÇAMENTO Desconstituindo a autoridade julgadora o lançamento inicial, não tem a mesma competência ao decidir, exigir valores não reclamados no Auto de Infração, sob nova acusação, uma vez que o lançamento é ato de competência privativa da autoridade lançadora. DIVERGÊNCIA DOIS: Reconhecimento da decadência para novo lançamento. Argui a embargante que, em se tratando de segundo lançamento, ou melhor, de "novo lançamento", como descrito no argumento precedente; é preciso reconhecer que somente em 22/04/2004, conforme Aviso de Recebimento de fl. 1587, se consumou a sua regular notificação, impondose que a decadência seja estendida ao anocalendário de 1988. Como prova de que a contagem do prazo de decadência, na situação em exame, tem como termo final a "decisãolançamento", posição já adotada em outras Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, traz as ementas a seguir reproduzidas, na parte objeto da discussão: Acórdão 10513.336 ementa de fl. 2147 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECADÊNCIA INOVAÇÃO DA EXIGÊNCIA INICIAL NA DECISÃO DE 1° GRAU O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário somente se extingue após decorridos cinco anos da entrega da declaração de rendimentos do período de apuração correspondente, salvo se a entrega ocorrer a partir do exercício seguinte a que se referir. É legítimo o agravamento da exigência por parte do julgador singular, desde que observado o prazo decadencial e assegurado o pleno exercício do direito de defesa, o que pressupõe, no processo administrativo fiscal, a devolução do prazo para impugnação da matéria agravada, em homenagem ao princípio do duplo grau de jurisdição. Acórdão 10614.542 ementa de fls. 2148/2149 Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 8 7 AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR — CABIMENTO PRAZO PARA O LANÇAMENTO Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à parte modificada (§ 3º, do art. 18, do Dec. no 70.235, de 1972, com a redação dada pelo artigo lo da Lei no 8.748, de 1993). No entanto, o aperfeiçoamento do lançamento de oficio limitase temporalmente, vez que somente pode ocorrer enquanto não ultrapassado o prazo determinado para que a Fazenda Pública efetue o lançamento, conforme exposto no parágrafo único, do artigo 149 do CIN. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Do Recurso da Fazenda Nacional Conforme se depreende do relatório, a questão levantada pela PFN reside no fato de não ter sido considerada, no caso, a aplicabilidade do art. 45 da Lei 8.212/91, que estabelece o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições para a seguridade social. Ocorre que o dispositivo legal cuja aplicação pleiteia a PFN foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que editou, a respeito, a Súmula Vinculante nº 8. Dessa forma, nos termos do que dispõe o art. 103 da Constituição Federal, referido dispositivo não pode ser invocado como contrariado, para justificar recurso especial. Da mesma forma, os Acórdãos que decidiram de forma contrária à Súmula não se prestam como paradigma. Isto posto, NÃO conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Do Recurso do Contribuinte. Como visto do relatório, duas são as divergências de interpretação apontadas pelo contribuinte e admitidas como ensejadoras de recurso especial, ambas ligadas à questão do agravamento da exigência pela decisão de primeira instância, a partir de resultado de diligência. Na petição recursal, a Recorrente centra sua exposição no anocalendário de 1998, esclarecendo que o grande volume de crédito tributário remanescente a ele diz respeito, em razão de já ter liquidado, em fase anterior ao julgamento, as exigências tributadas nos anos calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, e do acatamento da decadência para o IRPJ e CSLL lançados nos três primeiros trimestres do ano de 1997, assim como da decadência das contribuições do PIS e COFINS cujos fatos geradores ocorreram até novembro de 1997. Inicialmente, diz o contribuinte que o Acórdão recorrido, embora tenha reconhecido que "os ajustes efetuados na diligência implicaram novo lançamento", a Câmara pecou pela convalidação da exigência requalificada, quando deveria ter pronunciado a nulidade do novo lançamento com apoio no art. 59 do Decreto 70.235/72, uma vez que aperfeiçoado por autoridade incompetente. Traz decisões das antigas Terceira e Quarta Câmaras do Primeiro Conselho alegando que a 3ª Câmara rejeita a possibilidade de convalidação, por vício de competência que implica (Ac. 10320754), e a 4ª Câmara que, ante a inovação do lançamento pela autoridade julgadora, não titubeou sobre o vício de competência e, à unanimidade, deliberou pelo provimento integral do recurso, cancelando o lançamento viciado (Ac. 10417.477). Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 10 9 As situações fáticas tratadas nos acórdãos confrontados são as seguintes: I Acórdão recorrido: a. Auto de infração apurou omissão de receitas de revenda de mercadorias, de prestação de serviço, e apurada com base na confrontação dos totais de depósito/créditos bancários não comprovados com os totais de faturas. b. Diligência determinada pela Delegacia de Julgamento alterou os valores das omissões apuradas, para mais ou para menos. Foi dado prazo ao contribuinte para impugnar o resultado da diligência. c. DRJ, ao julgar as duas impugnações, manteve os valores de omissões apuradas na diligência, afastando apenas os aumentos relativos aos períodos que, quando da diligência, estavam alcançados pela decadência. d. O Conselho afastou todos os aumentos resultantes de diligência (ou seja, não prevaleceram às alterações para maior procedidas em relação ao que constou do auto de infração). II Paradigma Ac. 10320.754 a. Auto de infração apurou omissão de receita e tributou na forma do arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 (tributação em separado de 100% da receita omitida); b. Decisão de primeira instância considerou inaplicável a tributação em separado dos artigos 43 e 44 da lei 8.542 para as empresas sujeitas à tributação pelo lucro presumido, hipótese da autuada, e reformulou o lançamento de IRPJ para reduzir a receita omitida ao percentual de 50%; c. O Conselho cancelou o lançamento ao fundamento de que o Delegado de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não tendo poderes para reformular lançamentos equivocados. III Paradigma Ac. 104 17447 a. Auto de Infração inicial é composto de dois itens (Acréscimo Patrimonial a Descoberto de Bens e Direitos e Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos, pela venda de um deles; b. A decisão de 1ª instância considerou justificados os acréscimos patrimoniais, excluindo os respectivos valores da exigência, porém, além do ganho de capital, exigiu o IRPF relativos aos rendimentos recebidos de pessoas físicas e pessoas jurídicas nos anoscalendário de 1994 e 1995, tomando por base os valores Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 11 10 informados pelo contribuinte, muito embora tal exigência não conste do lançamento; c. O Contribuinte recorreu apenas quanto ao IRPF relativos aos rendimentos recebidos de pessoas físicas e pessoas jurídicas nos anoscalendário de 1994 e 1995; d. O Conselho cancelou a exigência ao fundamento de que, se a autoridade lançadora não exigiu o tributo, a autoridade julgadora não pode fazêlo, inovando o lançamento, já que lhe falta competência para tal. Como se vê, as situações fáticas são totalmente distintas, não se prestando para identificar divergência jurisprudencial. No presente processo, a alteração promovida pela decisão de primeira instância foi apenas na apuração do valor da receita omitida. No primeiro paradigma, a decisão de primeira instância alterou o regime de tributação, de “em separado” para “lucro presumido”. No segundo paradigma, a decisão de primeira instância incluiu infração que sequer foi cogitada pela autoridade lançadora. Além disso, ainda que os paradigmas indicados se prestassem ao confronto, não há divergência, pois nos três julgados (o guerreado e os paradigmas) não foi mantida a majoração promovida pela decisão de 1ª instância, que caracterizaria um “novo lançamento”. A segunda divergência apontada diz respeito ao termo inicial do prazo de decadência para o “segundo lançamento”. Postula o contribuinte que uma vez reconhecida à natureza de “decisãolançamento” no ato expedido pela DRJ Campinas, como expressamente declarado no voto condutor do Acórdão Recorrido, “é preciso reconhecer que somente em 22.04.2004 (AR de fls. 1.587) é que se consumou a sua regular notificação, impondose que a decadência reconhecida pela 8ª Câmara seja estendida para o anocalendário de 1998, ainda objeto de litígio”. Indica, como paradigma, acórdão da Quinta Câmara (10513.336), que assentou que “É legítimo o agravamento da exigência por parte do julgador singular, desde que observado o prazo decadencial e assegurado o pleno exercício do direito de defesa, o que pressupõe, no processo administrativo fiscal, a devolução do prazo para impugnação da matéria agravada, em homenagem ao princípio do duplo grau de jurisdição”. Indica, ainda, como paradigma, o Ac. 106.542, que trata de auto de infração complementar lavrado para agravamento da exigência inicial, tendo a 6ª Câmara decidido ser legítimo o aperfeiçoamento do lançamento de ofício que, contudo, somente pode ocorrer enquanto não ultrapassado o prazo determinado para que a Fazenda Pública efetue o lançamento, conforme exposto no parágrafo único, do artigo 149 do CTN. Também nesse tema não foi feliz o Recorrente. Os paradigmas consideraram válida a majoração feita pela decisão de primeira instância ou pelo autocomplementar, mas cancelaramna porque, à data da ciência da decisão ou ciência do auto complementar, já se havia operado a decadência. Por seu turno, o Acórdão guerreado não validou a majoração feita pela DRJ (que considerou segundo lançamento), afastandoa seja porque o novo lançamento estaria abarcado (parcialmente) pela decadência, seja porque não foram seguidos os trâmites legais do Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 12 11 lançamento de ofício (abertura de prazo para impugnação ou pagamento com redução de multa, dentre outros). Portanto, não configurada a alegada divergência jurisprudencial, não cabe recurso especial. Pelas razões acima expostas, NÃO conheço de ambos os recursos. É como voto. Sala das Sessões, em 20 20 de fevereiro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 16327.002203/2001-87
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1997
RECONHECIMENTO JUDICIAL, EM CARÁTER LIMINAR, DE INCONSTITUCIONALIDADE DA ALTERAÇÃO DA ALÍQUOTA PARA FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE A 1º DE JUNHO DE 1996.
Tendo a liminar judicial reconhecido que, para os fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da norma veiculada pelo art. 72, III, do ADCT, com a redação dada pela EC nº 10/76, a incidência ocorre com base na legislação infraconstitucional vigente, correta a apuração do ajuste em bases proporcionais, a fim de permitir a aplicação de nova alíquota apenas em relação aos meses se junho a dezembro de 1996.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. MULTA. INAPLICABILIDADE.
Tributo e multa não se confundem, eis que esta tem caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9101-001.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte na parte admitida, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo Presidente
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: CSL - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ARRENDAMENTO MERCANTIL (INCORPORADA POR BRADESCO LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL). Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1997 RECONHECIMENTO JUDICIAL, EM CARÁTER LIMINAR, DE INCONSTITUCIONALIDADE DA ALTERAÇÃO DA ALÍQUOTA PARA FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE A 1º DE JUNHO DE 1996. Tendo a liminar judicial reconhecido que, para os fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da norma veiculada pelo art. 72, III, do ADCT, com a redação dada pela EC nº 10/76, a incidência ocorre com base na legislação infraconstitucional vigente, correta a apuração do ajuste em bases proporcionais, a fim de permitir a aplicação de nova alíquota apenas em relação aos meses se junho a dezembro de 1996. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. MULTA. INAPLICABILIDADE. Tributo e multa não se confundem, eis que esta tem caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte na parte admitida, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 22 03 /2 00 1- 87 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo – Presidente (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Fl. 554DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.002203/200187 Acórdão n.º 9101001.527 CSRFT1 Fl. 3 3 Relatório BCN LEASING S/A. ARRENDAMENTO MERCANTIL (INCORPORADA POR BRADESCO LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL), contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob o nº 62.868.302/000133, com domicílio fiscal na cidade de Barueri Estado de São Paulo, na Alameda Madeira, nº 222, Bairro Alphaville, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras em São Paulo SP, inconformado com a decisão de Segunda Instância prolatada pela então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10516.233, de 24/01/2007 (fls. 327/346) cuja decisão, por maior de votos, negou provimento ao seu Recurso Voluntário (fls. 327/346), recorre, em 07/05/2007, a esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do seu Recurso Especial (354/356). O pleito do contribuinte busca amparo no art. 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, atualmente regido pelo art. 64, II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos que contra o contribuinte foi lavrado, em 18/10/2001, o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 02/06), com ciência, em 18/10/2001 (fls. 02) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.889.974,68, a título de contribuição social, relativo ao exercício de 1997, correspondente ao anocalendário de 1996. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver apuração incorreta de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Infração capitulada no art. 2º e §§, da Lei nº 7.689, de 1988 e art. 19, § único, da Lei nº 9.249, de 1995, alterado pelo art. 2º da Emenda Constitucional nº 10/96. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 07/08, lavrado em 18/10/2001, entre outros, os seguintes aspectos: que no ano de 1996 a empresa apresentou, conforme DIRPJ 97, ficha 11, a Base de Cálculo da CSLL no valor de R$ 41.026.536,38 e CSLL no valor de R$ 8.392.802,76. 2. O valor da CSLL devida foi apurado pelo contribuinte com base em sentença obtida no Mandado de Segurança n° 96.00067252 (anexa a este termo). A referida sentença determinava que em 31 de dezembro de 1996 deveria ser aplicada a alíquota de 30% sobre a base de cálculo da CSLL. 4. Uma vez que a empresa apresentou sua Declaração de ajuste —DIRPJ/97 tendo como base a apuração anual, temse que o fato gerador da CSLL aperfeiçoouse somente no final do período base, ou seja, no último dia do ano; que a norma aplicável no momento em que o fato gerador da CSLL tornou se perfeito e acabado, 31/12/96, era o Art.19, parágrafo único, da Lei n°9.249/95, alterado pelo Fl. 555DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 art. 2°, da Emenda Constitucional n°10/96, que determinava a aplicação da alíquota de 30% sobre a base de cálculo da CSLL apurada para o ano de 1996. Impugnado o lançamento, de forma tempestiva, em 19/01/2001 (fls. 56/92) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante a 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP decide, em 22/11/2005, julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 209/221), amparado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que o prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo As contribuições sociais é de 10 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido constituído; que a multa de oficio, aplicada pela autoridade fiscal por infração praticada pelo contribuinte à lei tributária, não possui caráter de pessoalidade, típica das penas criminais, mas ostenta caráter econômico e integra o passivo patrimonial das pessoas jurídicas, sendo, assim, transferível para o sucessor, da mesma forma que os demais elementos do passivo; que no regime de apuração anual, o fato gerador da CSLL se dá no último dia do anocalendário, tendo como base de cálculo o lucro liquido ajustado, situação essa que não se altera pela obrigação de o contribuinte efetuar antecipações mensais com base na receita bruta; que a finalidade primeira do lançamento fiscal é apurar o valor devido, consoante estipulado no artigo 142, do CTN. Inexiste norma que obrigue a autoridade fiscal a proceder à compensação no próprio lançamento da CSLL, de eventual pagamento realizado a maior de IRPJ, em decorrência do próprio lançamento, para que se apure somente o valor liquido a pagar; que as autoridades administrativas preparadoras e julgadoras compete apenas agir dentro do ordenamento jurídico aplicando as normas existentes aos casos concretos, carecendolhes poderes para negar vigência tanto as infralegais como à legais, com fundamento em ilegalidade ou inconstitucionalidade, poder esse atribuído pela CF exclusivamente ao Judiciário. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 06/02/2006, conforme Termo constante às fls. 222/224, e com ela não se conformando, o recorrente interpôs, tempestivamente, em 14/03/2006, o seu Recurso Voluntário (fls. 225/258), o qual, ao ser apreciado pela então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10516.233, de 24/01/2007, teve seu provimento negado, por maioria de votos, conforme se verifica de sua ementa e decisão: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO EXERCÍCIO: 1997 DECADÊNCIA No anocalendário de 1996, os contribuintes submetidos ao regime de apuração com base no lucro real poderiam determinar o valor do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro liquido de duas formas: mensalmente, apurando a base de cálculo das exações de forma definitiva; ou, anualmente, promovendo recolhimentos mensais, recolhimentos esses feitos por valores estimados com base na receita bruta ou com base em balanços ou balancetes mensais. Tratandose, pois, de regime anual de apuração da contribuição, em que o fato gerador correspondente é Fl. 556DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.002203/200187 Acórdão n.º 9101001.527 CSRFT1 Fl. 4 5 considerado ocorrido em 31 de dezembro, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário desaparecerá após o prazo de cinco anos, contado dessa data. RESPONSABILIDADE TRIBUTARIA DE SUCESSORES A expressão "crédito tributário" contida no art. 129 do Código Tributário Nacional (CTN) alcança tanto o valor do tributo porventura devido, como os demais acréscimos incidentes sobre estes, incluídas ai as multas de oficio regularmente aplicadas. TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — SELIC para títulos federais. CSLL ANOCALENDÁRIO DE 1996 EC N° 10/96 MAJORAÇÃO DE ALÍQUOTA – Na esteira de manifestações advindas do Supremo Tribunal Federal (STF), no caso de contribuições que se destinam a financiar a seguridade social, é inviável a aplicação da teoria do fato gerador complexivo, sob pena de se tornar inócua a denominada "anterioridade mitigada" do art. 195, parágrafo 6°, da Constituição Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por BCN LEASING S/A. ARRENDAMENTO MERCANTIL (INCORPORADA POR BRADESCO LEASING S/A ARRENDAMENTO MERCANTIL ACORDAM os Membros da QUINTA CÂMARA do PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Roberto William Gonçalves (Suplente Convocado), Roberto Bekierman (Suplente Convocado) e José Clóvis Alves que afastavam a multa de oficio. Cientificado da decisão de Segunda Instância, em 07/05/2007, conforme Termo constante às fls. 354/356, o contribuinte interpôs, tempestivamente, em 23/05/2007, o seu Recurso Especial de fls. 359/398, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que, de inicio, os signatários da presente declaram, nos termos do artigo 37 da Lei n° 9.784/99, que os Acórdãos cujas cópias são anexadas presente, e servirão de paradigma para fins de comprovação da divergência de interpretação da legislação tributária, encontramse registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo, cabendo a. Administração Tributaria a ratificação das mesmas, encontrandose superada, pois, a necessidade da juntada de cópias autenticadas em Cartório; que conforme se depreende da análise do presente auto de infração, alegou a recorrente em seu Recurso Voluntário três questões distintas, sendo duas delas em preliminar e uma relativa ao mérito. Desta forma, argüiu a recorrente (i) a decadência do direito de ação, (ii) a inaplicabilidade da multa, vez que a ora recorrente pessoa jurídica de direito privado, incorporadora da pessoa jurídica que, supostamente, haveria cometido as irregularidades apontadas, bem como, com relação mérito, (iii) haver sido favorecida por decisão judicial Fl. 557DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 transitada em julgado, que lhe garantia o direito de proceder ao recolhimento da CSLL à alíquota de 18% no período de janeiro à maio de 1996; que, no que diz respeito a decadência, é de se dizer, que para melhor elucidar a questão e, ante à imensa semelhança do caso supra transcrito com a matéria ora debatida, oportuno destacarse alguns trechos do voto do Exmo. Relator, Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral, especificamente sobre a questão da decadência de CSLL sobre determinados meses, consagrando amplamente a tese ora defendida (integra do Acórdão em anexo); que o Auto de Infração é datado de 18.10.01, o que no entendimento da ora Recorrente somente poderia abranger o período de cinco anos para trás, ou seja, 18 de outubro de 1996. Estaria, portanto decaído o direito de a fiscalização analisar o período de janeiro a setembro daquele ano; que ainda que a fiscalização entenda que se operaria a decadência a partir da declaração de 1997, relativa ao exercício de 1996, baseada na premissa de que a declaração é o instrumento de lançamento, a partir da edição da Lei 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e a instituição do regime de apuração mensal, a declaração de 1996 tornouse apenas instrumento de verificação; que, no que diz respeito a questão da responsabilidade da sucessora — inaplicabilidade da multa, e de se dizer, que o artigo 132 do CTN, determina clara e expressamente que a pessoa jurídica sucessora/incorporadora, é responsável pelos tributos devidos pela pessoa jurídica de direito privado incorporada, deixando patente que essa responsabilidade limitarseia aos tributos, e não às multas; que, assim, mesmo que devido fosse o tributo objeto do presente Auto de Infração, o que se admite apenas ad argumentandum e por amor ao debate, apenas os valores devidos referentes A Contribuição Social sobre o Lucro Liquido cm si poderiam ser imputados a ora recorrente, jamais a multa; que concluise pela absoluta inaplicabilidade da multa de oficio ao caso cm tela, vez que a ora recorrente é pessoa jurídica de direito privado, sucessora de outra sociedade, e, nos termos do artigo 132 do CTN, somente o tributo em si — se devido fosse, repitase — poderia a ela ser imputado; que, no que diz respeito a alíquota aplicável, é de se dizer, que conforme declarado pelo D. Agente Fiscal, em seu Termo de Verificação Fiscal, a recorrente ajuizou o Mandado de Segurança n° 96.00067252, obtendo, através de decisão judicial transitada em julgado, o direito líquido e certo de proceder ao cálculo e ao recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido à alíquota de 18% (dezoito por cento), no período de janeiro a maio de 1996, conforme se constada pela parte dispositiva da R. Sentença concessiva da segurança; que, assim, nos precisos termos da decisão judicial o recorrente procedeu ao cálculo e ao recolhimento da CSLL, no período de janeiro a maio de 1996, à alíquota de 18%, e, no período de junho a dezembro daquele ano, alíquota de 30%, conforme estabelecido na E.C. 10/96, conforme demonstrado abaixo e comprovado pelas anexas guias de recolhimento e Declaração de Renda; que toda controvérsia apontada pelo D. Agente autuante, concentrase no fato de que, no entendimento daquela Autoridade Fiscal, o fato gerador da CSLL seria o lucro apurado em 31 de dezembro de 1996, não constituindose os meses de janeiro a maio de 1996 Fl. 558DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.002203/200187 Acórdão n.º 9101001.527 CSRFT1 Fl. 5 7 fatos geradores da contribuição, em 31.12.96 a alíquota seria de 30%. resultando na diferença apurada; que, em verdade, a ação fiscal, de maneira inequívoca, nega validade a uma decisão judicial transitada em julgando, deixando o D. Agente Fiscal de acatar uma ordem clara e expressa, de absterse de exigir a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido à alíquota de 30%, anteriormente e até 90 dias após a edição da E.C. 10/96. O contribuinte indicou como paradigmas os acórdãos abaixo relacionados, cuja ementa se transcreve na parte que interessa (fls. 399/487): Acórdão nº 101.95.558 RECONHECIMENTO JUDICIAL, EM CARÁTER LIMINAR, DE INCONSTITUCIONALIDADE DA ALTERAÇÃO DA ALÍQUOTA PARA FATOS GERADORES OCORRIDOS ANTERIORMENTE A 1 2 DE JUNHO DE 1996. Tendo a liminar judicial reconhecido que, para os fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da norma veiculada pelo art. 72, III, do ADCT, com a redação dada pela EC nº 10/76, a incidência ocorre com base na legislação infraconstitucional vigente, correta a apuração do ajuste em. bases proporcionais, a fim de permitir a aplicação de nova alíquota apenas em relação aos meses se junho a dezembro de 1996. Acórdão nº 10193.726 I.R.P. J — PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RESPONSABILIDADE DOS SUCESSORES. MULTA. Tributo e multa não se confundem, eis que esta tem caráter de sanção, inexistente naquele. Na responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva aplicada à empresa. Inteligência dos artigos 3. ° e 132 do CTN.» (Decisão do STF no RE n.° 90.834MG, relator Ministro DJACI Falcão, RTJ n.° 93, pág. 862). Acórdão nº 10193.300 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DECADÊNCIA — I.R.P.J. E CSLL — O imposto de renda pessoa jurídica e a Contribuição Social sobre o Lucro se submetem à modalidade de lançamento por homologação, eis que é exercida pelo contribuinte a atividade de determinar a matéria tributável, o cálculo do imposto e pagamento do "quantum" devido, independente de notificação, sob condição resolutória de ulterior homologação. Assim, o fisco dispõe de prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, para homologálo ou exigir seja complementado o pagamento antecipadamente efetuado, caso a lei não tenha fixado prazo diferente e não se cuide da hipótese de sonegação, fraude ou conluio (e.,T vi do disposto no parágrafo 4° do art. 150 do GIN). A ausência de recolhimento do imposto não altera a natureza do lançamento, vez que o contribuinte continua sujeito aos encargos decorrentes da obrigação inadimplida (atualização, multa, juros etc. a partir Fl. 559DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 da data do vencimento originalmente previsto, ressalvado o disposto no art. 106 do CTN). Ao proceder ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo recorrente (fls. 359/398), o Presidente da então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por intermédio do Despacho nº 105036/2008, de 15/02/2008 (fls. 493/496), o admitiu de forma parcial, considerando que a recorrente lograra comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade fática e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas relativo as seguintes matérias: multa na sucessão e alíquota da CSLL em 1996. Encaminhado os autos para ciência da Fazenda Nacional, nos termos do art. 70, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 24/04/2008), foram apresentadas, em 24/04/2008, as contrarrazões (fls. 499/507), argumentando, em síntese: que, no que diz respeito a multa na sucessão, é de se dizer, que não devem prosperar os argumentos levantados pelo contribuinte, a fim de que seja afastada sua responsabilidade, como pessoa jurídica sucessora, pelas infrações cometidas pela pessoa jurídica sucedida; que constituindose em regra geral, o art. 129 do Código Tributário deve ser aplicado a todas as disposições sobre a responsabilidade dos sucessores. Portanto, os artigos 132 e 133 devem ser interpretados como se referindo a "créditos tributários" (o que inclui multa de oficio e juros de mora), e não apenas a "tributos", como ocorreria numa interpretação literal do art. 132 do CTN; que observese, ainda, que o preceito do art. 132 do CTN, diversamente do que alega o contribuinte, não impede a imputação de multa à sociedade sucessora, por fatos praticados pela sociedade sucedida, isso porque deve ser interpretado sistematicamente com o art. 129 do mesmo diploma; que, no que diz respeito a alíquota da CSLL em 1996, é de se dizer, que no regime de apuração anual, pelo qual optou o contribuinte, o fato gerador da CSLL ocorre no Ultimo dia do anocalendário, tendo como base de cálculo o lucro liquido ajustado, circunstância esta que não se modifica pela obrigação de o contribuinte efetuar antecipações mensais com base na receita bruta; que, forçosa, portanto, também quanto a este ponto, a preservação do que decido pelo colegiado a quo, que, considerando a opção do contribuinte pelo lucro real anual (fl. 116), com fato gerador da CSSL em 31.12.1996, aplicou a alíquota de 30% a todo o ano calendário. É o relatório Fl. 560DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.002203/200187 Acórdão n.º 9101001.527 CSRFT1 Fl. 6 9 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator Tendo o Contribuinte tomado ciência do decisório recorrido em 07/05/2007 (fls. 354/356) e tendo protocolizado o presente apelo em 23/05/2007 (fls. 359/398), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos do processo verificase, que ao proceder ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo recorrente (fls. 359/398), o Presidente da então Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por intermédio do Despacho nº 105036/2008, de 15/02/2008 (fls. 493/496), o admitiu de forma parcial, considerando que a recorrente lograra comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade fática e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas relativo as seguintes matérias: multa na sucessão e alíquota da CSLL em 1996. É de se observar, que o Contribuinte cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Divergência, já que demonstrou que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se tratam das mesmas matérias fáticas e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é com relação a multa na sucessão e alíquota da CSLL em 1996. Assim, o mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com as ementas e votos dos acórdãos paradigmas já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, questionase a multa na sucessão e alíquota da CSLL em 1996. Enquanto, os acórdãos paradigmas defendem a tese de que o legislador ao utilizar a expressão "tributos" no artigo 132 do CTN e no artigo 5° e inciso III do Decretolei n 1.598/77 e não a expressão "obrigação tributária", indica que a responsabilidade se resume aos tributos e não as penalidades por infrações cometidas pelo sucedido, bem como defende a tese de que lei dispõe, expressamente, no seu artigo 27, que o imposto pago mensalmente, apurado por estimativa, se refere ao fatos geradores ocorridos em cada mês. Por conseguinte, qualquer alteração na base de cálculo ou na alíquota não pode alcançar os fatos geradores relativos aos meses anteriores, ainda que para efeito de declaração anual de ajuste. Por sua vez, o acórdão recorrido ao contrário defende a tese de que na expressão "créditos tributários" prevista no art. 129 do Código Tributário Nacional alcança tanto os tributos como as multas por ventura lançadas. E mais, consoante disposição contida no próprio artigo 129 do Código Tributário Nacional, o disposto naquela seção, que trata especificamente da responsabilidade dos sucessores, aplicase, por igual, aos créditos Fl. 561DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição a data dos atos nela referidos, e aos constituídos ou em curso de constituição a data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data, não merecendo guarida, assim, o argumento de que a multa passível de ser transmitida seria tãosomente aquela que já se encontrava formalizada a época da sucessão, bem como defende a tese de que a alíquota é de 30% pois em 31/12/1996 quando ocorreu o fato gerador anual da CSLL, estava em vigor tal percentual. Assim não poderia a empresa segregar os percentuais em 18 % até maio e 30% de junho em diante. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito a aplicabilidade da multa de ofício na sucessão e quais seriam as alíquotas da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido vigentes durante o anocalendário de 1996. No que diz respeito a aplicação de multa de ofício na sucessão, é de se dizer, que a incidência da penalidade de oficio nas situações previstas no artigo 132 e seu § único, do Código Tributário Nacional – CTN, alcance da responsabilidade tributária, nos casos de fusão, transformação, ou incorporação de outra pessoa jurídica ou em outra, ou, de extinção de pessoa jurídica quando a exploração da respectiva atividade seu a continuada por qualquer outro sócios remanescente, ou seu espolio, sobre a mesma ou outra denominação social, ou sob firma individual. O contexto do Capitulo V da Lei n° 5.172, de 1966 trata da responsabilidade tributária, em seus desdobramentos nos artigos 128 a 138. A seção II do Capitulo V do Código Tributário Nacional, ao tratar da extensão da responsabilidade a terceiros, evidencia que as disposições contidas na seção se aplicam por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição data dos atos na mesma seção referenciados, consoante disposto em seu artigo 129. Por fim, em seus desdobramentos, a Seção II, em comento, ora se referencia a crédito tributário, artigos 128, 129 e 130, ora a tributo devido, a dizer de seus artigos 131, 132, 133 134, 135 e 138. Isto posto, se o próprio Código Tributário Nacional define o conceito de tributo, relacionao, também, ao contexto conceitual de crédito tributário, a dizer de seu artigo 139, não o confundindo com o conceito de penalidade, artigo 157. Do mesmo modo, diferencia crédito tributário, em sua essência, como decorrente de tributo, dos juros moratórios sobre ele incidente. Igualmente, ao somatório de crédito tributário, penalidade e juros de mora, o mesmo Código Tributário Nacional denomina débito, consoante exposto em seu artigo 163. Mesmo porque o Código Tributário Nacional não trata de penalidades. Apenas as admite, a dizer de artigos 142 e 157. A legislação ordinária introduziu o conceito de crédito para dividas com a Fazenda Nacional, conforme artigo 9º do Decretolei n° 1.893, de 1981, ao mencionar "créditos da Fazenda Nacional decorrentes de multas ou penalidades pecuniárias" aplicados até a data de decretação de falência. Dai, tornarse comum referenciarse a crédito tributário como débito junto à Fazenda Nacional. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.002203/200187 Acórdão n.º 9101001.527 CSRFT1 Fl. 7 11 Se o Código Tributário Nacional já estabelecera juros moratórios, encargos pecuniários que se adicionam ao crédito tributário (= crédito originário de tributo, definição do CTN), como constitutivo de débitos para com a Fazenda Nacional, no mesmo diapasão a legislação ordinária instituiu distintas fontes do agora denominado crédito da Fazenda Nacional (= débitos junto à Fazenda Nacional) em matéria de tributo ou crédito tributário. A saber: tributo (definição originaria do CTN, do qual se exemplifica o IRPF, IPPJ, o IPI e as contribuições apuradas pelos contribuintes; tributo e penalidade decorrentes de lançamento de oficio (Decretolei n° 5.844/43, artigo 49; Lei n° 2.354/54, artigo 32, c; Lei no 9.430/96, art. 44); juros moratórios (CTN, artigo 161); penalidade de mora (Lei n°§ 9.430/96, artigo 61); penalidade de oficio isolada (artigo 44, § 1°, II a V); penalidade por descumprimento de obrigação acessória (Lei n°.8981/95, artigo 86, § 2° , Lei n° 9.249/95, art. 30, Decretolei n° 1.968/82, artigo 11, §§ 2° e 30 ; Decretolei n° 2.065/83, art. 10; Decretolei n° 2.287/86, art. 11; Decretolei n° 2.323/87, artigos 5° e 6°, Decretolei n° .2396/897, artigo 13, § 2°; Lei n° 7.799189, art 66, Lei n° 8.383/81, artigos 3° e 86, § 2°, Lei n° 9.249/95, artigo 30); infrações regulamentares sem penalidade especifica (Decretolei n° 40168, art. 22; Lei n° 8.383;91, artigo 3°, I, Lei n° 9.249/95, art. 30). Por pertinente, a própria legislação tributária ordinária, ao se referenciar a crédito tributário, por vezes utiliza a terminologia original do Código Tributário Nacional, denominandoo débito. De que são exemplos, dentre outros: o artigo 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se relacionar à multa de mora; a Lei n° 8.981, de 1995, artigo 84, § 2°, ao se referenciar a juros de mora sobre débito vencido; o artigo 63, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996 acerca da incidência de mora sobre débito com exigibilidade suspensa por medida judicial. Portanto, nos termos da própria legislação o conceito de crédito tributário (= débito junto à Fazenda Nacional) pode ser originário: apenas do tributo devido; do tributo acrescido juros moratórios; do tributo acrescido de multa moratória; do tributo acrescido de penalidade proporcional, porque apurado de oficio; de penalidade de oficio isolada; de penalidade de oficio não proporcional (infrações acessórias). Isto posto, a prescrição dos artigos 131, 132, 133, 134, 135 e 138, todos do Código Tributário Nacional, ao se referenciarem, expressamente, a limites da responsabilidade tributária, vinculandoa, exclusivamente a tributo devido (= crédito tributário, na definição do Fl. 563DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 12 mesmo CTN), nos casos objetos desses artigos da legislação infraconstitucional, não pode, por isso mesmo, ser estendidos à penalidades tributárias, quaisquer que sejam, por expressa vedação do mesmo Código Tributário Nacional. Mesmo a legislação ordinária, ao conceituar crédito tributário como sinonímia de débito junto à Fazenda Nacional, não autoriza, nem poderia autorizar, a apropriação desse conceito para exigirse penalidade onde a legislação tributária maior. O Código Tributário Nacional veda, expressa e explicitamente, a exigência. Ainda que amparada a pretensão na também sinonímia conceitual de que a penalidade é patrimonial. Evidentemente, penalidade pecuniária, de qualquer natureza, por sua essência mesma, é necessariamente patrimonial. Por outro lado, o reexame de ato administrativo por provocação de oficio, ou por iniciativa do contribuinte, junto aos Conselhos de Contribuintes, provocando efeito devolutivo ao ato litigado, obrigatoriamente se ater aos pressupostos da legalidade estrita e objetiva e da verdade factual. Se o pressuposto da verdade factual é necessariamente trazido aos autos pela autoridade administrativa lançadora, como fundamento material da exação, ou, pelo contribuinte, em ratificação a alegações processuais, o preceito da legalidade estrita e objetiva decorre de imposição do artigo 37 da Carta Constitucional L:e 1988. Por isso mesmo, independe até de manifestação prévia de qualquer das partes, uma vez que a legalidade de um ato administrativo é condição sublimar e inafastável de sua substancialidade. Ocioso mencionar que as decisões emanadas de órgãos colegiados tributários decidem sobre a vida econômico/financeira dos cidadãos/contribuintes. Não, sobre teses acadêmicas. Devem, portanto, deve aterse, exclusivamente, à legalidade estrita da exigência e à materialidade da hipótese de incidência, prescrita em lei, como condição da sustentabilidade, por legalidade, objetividade e legitimidade da exigência tributária. Afastados tais pressupostos e operarseá em favor de enriquecimento sem causa. Assim, se o disposto no artigo 129 do mesmo Código Tributário Nacional impõe a aplicação das normas dos artigos 130 a 138: aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos referenciados na mesma seção, constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Impõese observar, preliminarmente, que, além do conceito de crédito tributário (= crédito de tributo) do Código Tributário Nacional, antes referenciado, o crédito tributário é constituído pelo lançamento — ato meramente declaratório que não cria, não extingue, nem altera um direito. Apenas o reconhece. Ora, o lançamento, tanto pode advir de iniciativa do contribuinte, por imposição da legislação ordinária, estribada no artigo 150 e seus §§, do mesmo Código Tributário Nacional — lançamento por homologação, como pode decorrer de iniciativa da autoridade administrativa fundada no artigo 142 do mesmo Código Tributário Nacional, em particular, nas regras atuais de tributação, o lançamento de oficio, através do qual se propõe, em sendo o caso, a aplicação da penalidade cabível. Nessas condições, conforme o ensina o Mestre Aliomar Balleeiro, in Direito Tributário Brasileiro, 9 a. edição, forense, pág. 437: Fl. 564DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.002203/200187 Acórdão n.º 9101001.527 CSRFT1 Fl. 8 13 Definido os casos de responsabilidade por sucessão, nos arts. 130 a 133, o CTN, previamente, estabelece que essas normas se aplicam tanto aos créditos (o texto não se refere ás obrigações tributárias) constituídas à data dos atos nela referidos quanto aos que estejam em curse ou venham a ser constituídos posteriormente, desde que relativos a obrigações surgidas até aquela data. Por outras palavras, a responsabilidade de terceiro, por sucessão do contribuinte, tanto pode ocorrer quanto ás dividas fiscais deste, preexistentes, quanto ás que vierem a ser lançadas ou apuradas posteriormente á sucessão, desde que o fato gerador haja ocorrido até a data dessa sucessão. Em síntese, nos casos de sucessão ressalva o artigo 129 que ao sucessor não escapa a responsabilidade do crédito tributário, conforme definido no próprio Código Tributário Nacional — crédito de tributo, artigos 139 e 142. Ora, a penalidade não pode ultrapassar do infrator. Dai, a coerência do Código Tributário Nacional, de fixação de limites à responsabilidade tributária nas hipóteses elencadas no capitulo V. No que diz respeito a alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido vigente no anocalendário de 1996, é de se dizer, que o deslinde da controvérsia cingese em definir se o Recorrente estava autorizado a calcular a contribuição social no anocalendário de 1996 utilizando a alíquota de 18% para o período até maio de 1996, aplicando a alíquota de 30% para os meses seguintes. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 07/08/ deixa claro que o contribuinte possui liminar, concedida nos autos de ação de Mandado de Segurança, que estipula a aplicação da alíquota de 18% até a entrada em vigor da EC nº 10/96. Também é induvidoso, porque assim o atesta a fiscalização, que para atender a determinação judicial, quando da apuração da CSLL devida no período, o contribuinte segregou o lucro anual em 2 (dois) períodos, aplicando a alíquota de 18% até 31/05/1996, e 30% a partir de 01/06/1996, apurando um montante devido de CSLL de R$ 8.392.802,76. Sendo que a autoridade fiscal lançadora apurou um montante de R$ 9.467.662,24. É de se destacar, portanto, que a CSLL exigida no presente Auto de Infração é exclusivamente decorrente da diferença entre o valor obtido pela aplicação de alíquota de 30% sobre todo o ano de 1996, e aquele apurado pelo contribuinte, coma aplicação de 18% no período de janeiro a maio e de 30% no período de junho a dezembro. A análise há que ser feita à luz da legislação do Imposto de Renda, eis que A Contribuição Social sobre o Lucro se aplicam as normas estabelecidas para o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas. Os fatos ocorreram sob a vigência da Lei n° 8.981, de 1995, que cuidou de estabelecer que: (a) o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive das equiparadas, será devido à medida em que os rendimentos, ganhos e lucros forem sendo auferidos (art. 26); (b) para apuração do imposto relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mediante a aplicação de determinado percentual sobre a receita bruta registrada na escrituração, auferida na atividade (arts. 27 e 28); (c) as pessoas jurídicas Fl. 565DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 14 tributadas pelo lucro real poderão: (c.1) optar pelo pagamento do imposto mensalmente por estimativa, deduzindo o valor pago do apurado com base no lucro real em 31 de dezembro do ano calendário, para efeito de determinar o saldo do imposto a pagar ou a compensar ; ou (c.2) determinar, mensalmente, o lucro real e a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, de acordo com a legislação comercial e fiscal (art. 37, § 6º). A lei dispõe, expressamente, no seu artigo 27, que o imposto pago mensalmente, apurado por estimativa, se refere aos fatos geradores ocorridos em cada mês. Por conseguinte, qualquer alteração na base de calculo ou na alíquota não pode alcançar os fatos geradores relativos a meses anteriores, ainda que para efeito da declaração anual de ajuste. Vejase que a motivação da decisão que deferiu a liminar foi a de que “a cobrança da exação a partir de 1º de janeiro de 1996, como estatuído pelo ar. 71 do ADCT, com a redação dada pela EC nº 10/96, não se compatibiliza com os princípios da irretroatividade das leis e da anterioridade (,„)" A apuração do ajuste em bases proporcionais, a fim de permitir a aplicação de nova alíquota apenas em relação aos meses se junho a dezembro de 1996, está acobertada pela liminar concedida nos autos do Mandado de Segurança. Assim, tendo a liminar judicial reconhecido que, para os fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da norma veiculada pelo art. 72, III, do ADCT, com a redação dada pela EC nº 10/76, a incidência ocorre com base na legislação infraconstitucional vigente, correta a apuração do ajuste em bases proporcionais, a fim de permitir a aplicação de nova alíquota apenas em relação aos meses se junho a dezembro de 1996. Nestas condições, conheço do recurso especial interposto pelo Contribuinte, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, doulhe provimento na parte admitida. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 566DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/201 3 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 18/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA
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Numero do processo: 10980.004872/2003-65
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997, 2002
TRIBUTO SUBMETIDO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PAGAMENTO - DECADÊNCIA - ART. 150. §4º DO CTN.
Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 150, §4º do CTN.
Numero da decisão: 9900-000.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS, por maioria de votos, em dar PARCIAL provimento ao Recurso Extraordinário. Vencidos o Relator, Susy Gomes Hoffman, Maria Tereza Martinez Lopes, José Ricardo da Silva, Pedro Anan, Karem Jureidini Dias e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Carlos de Lima Junior.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA Relator.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Redator designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Amir Soares, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Júnior, Gonçalo Bonet Allage, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva.
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Nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, havendo pagamento, deve ser aplicado o prazo decadencial inserto no artigo 150, §4º do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar PARCIAL provimento ao Recurso Extraordinário. Vencidos o Relator, Susy Gomes Hoffman, Maria Tereza Martinez Lopes, José Ricardo da Silva, Pedro Anan, Karem Jureidini Dias e Valmir Sandri. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro João Carlos de Lima Junior. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 48 72 /2 00 3- 65 Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABEL O DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10980.004872/200365 Acórdão n.º 9100000.291 CSRF‐PL Fl. 21 2 (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Redator designado. Participaram do julgamento os Conselheiros: Manoel Coelho Arruda Junior, Maria Teresa Martinez Lopez, Amir Soares, Claudemir Rodrigues Malaquias, Nanci Gama, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Júlio César Alves Ramos, João Carlos de Lima Júnior, José Ricardo da Silva, Alberto Pinto Souza Júnior, Gonçalo Bonet Allage, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Miranda, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Nas fls. 2844/2862 Recurso Extraordinário articulado pela Contribuinte DM Construtora de Obras Ltda., como forma de insurgimento ao acórdão nº 202125.185 de fl. 2.834, que por maioria de votos negou provimento ao Recurso Especial quanto à decadência e por unanimidade de votos quanto ao remanescente. Nas fls. 2874/2875 Despacho de admissibilidade nº 910000.412 confirmando o dissídio jurisprudencial relativamente aos prazos decadenciais emanados do art. 45, I da Lei nº 8212/91 e dos acórdãos paradigmas. Inicia argüindo não constar do relatório do voto condutor da decisão recorrida a argumentação expendida pela Recorrente de que te m a COFINS caráter tributário na conformidade do disposto no art. 149, c.c o art. 195 da CF/88 e, assim sendo, a decadência do direito de lançar deve ser disciplinado por lei complementar e na ausência dela a subsunção aos ditames do Código Tributário Nacional. Estende fundamentos sobre a tramitação processual que ampara o Recurso Extraordinário. Situa precisamente o ambiente do litígio como sendo a aplicação do art. 150 do CTN ou o art. 45, I, da Lei 8.212/91. Transcreve excertos decisionais do TRF da 4ª Região e do E. STF para sustentar a inconstitucionalidade do art. 45, I, da Lei nº 8.212/91 e, a final, registra a edição da Súmula Vinculante nº8 que decreta a inconstitucionalidade do dispositivo. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator. Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABEL O DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10980.004872/200365 Acórdão n.º 9100000.291 CSRF‐PL Fl. 22 3 O Recurso preenche condições para ser conhecido, no tocante a matéria que envolve o instituto da decadência. Tendo sido o art. 45 da Lei nº 8.212/91 declarado inconstitucional com a edição da Súmula Vinculante nº 8, fica certo que o prazo para a efetivação de lançamento pelo Fisco será o do art. 150, §4º ou do art. 173 ambos do CTN, o primeiro para os casos em que houve qualquer parcela de recolhimento do tributo alvejado e o segundo quando o contribuinte nada recolheu. Os períodos alcançados pelo Auto de Infração da COFINS, lavrado em 12.05.2003, contemplaram os meses de janeiro, março a setembro e dezembro de 1997; fevereiro a novembro de 1998, janeiro a julho e outubro a dezembro de 2000, fevereiro, julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 2001. Dos autos não consta, apesar da quantidade volumosa de documentos, como balanços, balancetes, notas fiscais, etc., comprovação de que a ora Recorrente efetuou qualquer percentual de recolhimento nos períodos constituídos pelo lançamento o que me faz adotar o comando do inciso I do art. 173 do CTN. Diante de todo o exposto, acompanhando o entendimento da Câmara Superior e sendo o tema enquadrado pelo Poder Judiciário no 543 – C do CPC voto pelo parcial provimento deste Recurso para afastar da imposição os lançamentos levados a efeito para o exercício de 1997. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva – Relator. Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABEL O DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10980.004872/200365 Acórdão n.º 9100000.291 CSRF‐PL Fl. 23 4 Voto Vencedor Conselheiro João Carlos de Lima Junior. Em relação à definição do prazo decadencial aplicável ao lançamento tributário para exigência da COFINS o entendimento adotado pelo relator foi no seguinte sentido: Tendo sido o art. 45 da Lei nº 8.212/91 declarado inconstitucional com a edição da Súmula Vinculante nº 8, fica certo que o prazo para a efetivação de lançamento pelo Fisco será o do art. 150, §4º ou do art. 173 ambos do CTN, o primeiro para os casos em que houve qualquer parcela de recolhimento do tributo alvejado e o segundo quando o contribuinte nada recolheu. E a conclusão alcançada pelo ilustre relator, no caso dos autos, foi de que: Dos autos não consta, apesar da quantidade volumosa de documentos, como balanços, balancetes, notas fiscais, etc., comprovação de que a ora Recorrente efetuou qualquer percentual de recolhimento nos períodos constituídos pelo lançamento o que me faz adotar o comando do inciso I do art. 173 do CTN. Peço vênia para discordar da conclusão do ilustre relator na parte em que, por ausência de prova do pagamento, foi direcionada ao artigo 173 do CTN, pois da análise do processo administrativo é possível constatar a existência de pagamento. Do termo de encerramento de ação fiscal (fls. 15/20) consta que a autuação não decorreu de ausência de pagamento do tributo devido no período compreendido entre janeiro de 1997 a outubro de 2002, mas sim da insuficiência de recolhimentos, senão vejamos: “A AÇÃO FISCAL objetivou verificar o cumprimento das obrigações tributárias da COFINS, do período de apuração de janeiro/1997 a outubro/2002. Constatamos a INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS, que deu origem ao auto de infração lavrado, ora cientificados ao contribuinte....” Assim, a conclusão da diligência fiscal realizada para a apuração do crédito tributário e lavratura do auto de infração, por si só demonstra que, no caso dos autos, houve pagamento, ainda que parcial, no período fiscalizado. Pelo exposto, entendo que no caso a regra aplicável para a contagem do prazo decadencial é a do art. 150, §4º, do CTN. Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABEL O DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº 10980.004872/200365 Acórdão n.º 9100000.291 CSRF‐PL Fl. 24 5 Nesse ponto, vale transcrever o que dispõe o artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade, administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §4° Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Portanto, tendo em vista que os fatos geradores constantes no processo ocorreram entre 01/1997 e 10/2002 e a Recorrente obteve a ciência do lançamento em 14/05/2003, entendo que a decadência do direito de lançar do Fisco se operou para os créditos apurados entre 01/1997 a 05/1998, por haver pagamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. É como voto. João Carlos de Lima Junior – Redator designado. Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por FRANCISCO MAURICIO RABEL O DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13832.000151/99-49
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/09/1989 a 31/03/1992
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Negado
Numero da decisão: 9900-000.649
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/09/1989 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 2. 00 01 51 /9 9- 49 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 22/09/1999, relativo ao período de apuração de 01/09/1989 a 31/03/1992. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13832.000151/9949 Acórdão n.º 9900000.649 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, não houve a perda do direito a se pleitear a restituição em relação a todo o período objeto da solicitação. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo não provimento do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora para a análise do mérito. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 386DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 13502.000867/2006-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de
recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da
segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no recolhimento de tributo.
Numero da decisão: 9101-001.401
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª TURMA DA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS
FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: KAREM JUREIDINI DIAS
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ementa_s : APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstancia-se no recolhimento de tributo.
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INDÚSTRIA DE PLÁSTICOS APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidades estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal que, por sua vez, consubstanciase no recolhimento de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 11ªª TTUURRMMAA DDAA CCÂÂMMAARRAA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS,, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Relatora Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Alberto Ponto Souza Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire, Valmir Sandri e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional, contra o Acórdão n° 10709.613, proferido pela então Sétima Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes. O Auto de Infração exige IRPJ e CSLL, bem como multas isoladas relativas à falta de recolhimento mensal dos referidos tributos, referentes a períodos dos anoscalendário de 2003 e 2004. Impugnado o lançamento, sobreveio acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgando o lançamento procedente em parte, a fim de reduzir os valores da multa isolada, aplicandose o percentual de 50%, previsto na nova redação da Lei nº 9.430/96. Sobrevieram, então, Recurso Voluntário e o Acórdão nº. 10709.613, o qual, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa isolada. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ PRELIMINAR DE NULIDADE — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O prazo de 20 dias para o sujeito passivo efetuar o pagamento de que trata o art. 47 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo art. 70 da Lei 9.532/97 referese a tributos e contribuições já declarados, o que não interfere nestes autos, porque nenhum crédito tributário declarado foi constituído. PRELIMINAR DE NULIDADE — CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — PRAZO PARA ATENDIMENTO DE INTIMAÇÕES. O Termo de Início de Fiscalização referese a intimação para apresentação de informações e documentos relativos a fatos que deveriam estar registrados na escrituração contábil ou fiscal do sujeito passivo ou em declarações já apresentadas, cujo prazo é de cinco dias úteis. Em relação à intimação que se deu a seguir foi concedido prazo de 5 dias, entretanto, mesmo que devesse ser concedido prazo de 20 dias, a contribuinte atendeu parcialmente a intimação no prazo de 20 e de 27 dias. Assim, não está caracterizado cerceamento do direito de defesa ou ofensa ao devido processo legal. Fl. 416DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 3 3 PRELIMINAR DE NULIDADE — INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Não tendo a contribuinte apresentado os documentos comprobatórios das exclusões do lucro líquido, bem como outros documentos, e tendo os autos sido lavrados com os elementos necessários para a formalização do lançamento, não há elementos que sejam suficientes para que seja acatada a preliminar de nulidade, pois não está caracterizado que tenha havido irregular inversão do ônus da prova. Ademais, com o início da fase litigiosa, a contribuinte tem o direito de exercer plenamente seu direito de defesa, podendo apresentar todos os elementos de prova contra o lançamento. EXCLUSÃO DO LUCRO LÍQUIDO – VALORES RECUPERADOS – IMPOSSIBILIDADE. Ainda que a contribuinte tenha apresentado algumas informações sobre as ações judiciais que teriam reconhecido o indébito tributário em parte, estas não são suficientes para justificar a exclusão do lucro real, uma vez que não apresentou as memórias de cálculo dos valores excluídos, não demonstrou a que períodos se referem os supostos créditos e não comprovou que esses valores não foram deduzidos em período anterior no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro real ou que se refiram a período no qual tenha se submetido ao regime de tributação com base no lucro presumido ou arbitrado, nos termos da Lei 9.430/96. PENALIDADE MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOB BASE ESTIMADA CONCOMITÂNCIA. Não cabe a aplicação concomitante da multa de ofício incidente sobre o tributo apurado, e da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas prevista no art. 44, § 1°, inciso IV da Lei n° 9.430/96, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS TRAVA DE 30% SÚMULA N° 3 DO 1° CC. Conforme dispõe a súmula n° 3 do 1°CC, para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do anocalendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. PENALIDADE – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – DECLARAÇÃO INEXATA MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de oficio por declaração inexata, aplicase a multa prevista no • art. 44, I, da Lei 9.430/96, com a redação vigente à época do lançamento. Não há base legal que permita a este colegiado reduzir o percentual aplicado. JUROS SELIC – SÚMULA N°4 DO 1° CC. Conforme dispõe a Súmula n° 4 do 1° CC, a partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados Fl. 417DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 4 4 pela Secretaria da Receita Federal são devidos no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003, 2004. CSLL RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. A Emenda Constitucional n° 33/2001 dispõe que as contribuições sociais não incidem sobre a receita de exportação, o que alcança apenas as contribuições instituídas com base na alínea "b" do inciso I do art. 195, que são aquelas que incidem sobre a receita ou faturamento, não alcançando a CSLL, que incide sobre o lucro. CSLL — GLOSA DA COMPENSAÇÃO — INEXISTÊNCIA DE BASE NEGATIVA. Nr6 tendo sido apresentado argumento específico em relação à glosa da compensação de base negativa da CSLL inexistente, deve ser mantida a glosa. A Fazenda Nacional apresentou, então, Recurso Especial (fls. 383/391), no qual argumenta ser possível a aplicação da multa isolada concomitantemente à multa de ofício sobre estimativas não recolhidas. Em Despacho de fls. 395/397, foi dado seguimento ao Recurso Especial. O contribuinte apresentou suas contrarrazões às fls. 403/415. É o relatório. Voto Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora O Recurso Especial da Fazenda Nacional requer a reforma do acórdão na parte em que cancelou a multa isolada, em razão de o lançamento ter sido feito após o encerramento do anocalendário, sendo a multa isolada concomitante com a multa de ofício. Conheço do Recurso Especial porquanto interposto em face de divergência jurisprudencial, conforme despacho de fls. Sobre o tema, já me manifestei por diversas vezes nessa Câmara Superior de Recursos Fiscais. Neste passo, para que se firme o adequado entendimento da questão que ora se coloca, fazse necessário ponderar a natureza das penalidades e os critérios para a aplicação da multa. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 5 5 ESTRUTURA E NATUREZA DA SANÇÃO A sanção é instrumento jurídico utilizado pelo Estado para desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe. Significa dizer que a desobediência de um dever estabelecido por uma norma jurídica corresponde a um ilícito – negativa da observância da relação jurídica prevista no conseqüente da norma primária dispositiva que, por sua vez, é a razão da imposição de sanção (conseqüência jurídica). Segundo Sacha Calmon Navarro Coelho “os ilícitos correspondem às hipóteses de incidência das sanções” (in Teoria Geral do Tributo e da Exoneração Tributária). A norma jurídica que estabelece a sanção contém no antecedente um fato jurídico correspondente ao evento ilícito que se pretende desestimular. No conseqüente da norma primária sancionadora está a própria sanção, com as indicações precisas dos sujeitos vinculados em razão do ilícito, e da forma de cálculo da penalidade a ser imputada ou, na hipótese de aplicação de sanção não pecuniária, a determinação do dever a que estará obrigado aquele que cometeu o ilícito. A natureza jurídica da sanção está diretamente relacionada com a natureza jurídica da norma de comportamento desobedecida, já que a sanção é conseqüência jurídica da desobediência da relação jurídica prevista na norma primária dispositiva. SANÇÕES EM MATÉRIA TRIBUTÁRIA A sanção de natureza tributária decorre do descumprimento de obrigação tributária – qual seja, obrigação de pagar tributo. A sanção de natureza tributária pode sofrer agravamento ou qualificação, esta última em razão de o ilícito também possuir natureza penal, como nos casos de existência de dolo, fraude ou simulação. O mesmo auto de infração pode veicular, também, norma impositiva de multa em razão de descumprimento de uma obrigação acessória obrigação de fazer – pois, ainda que a obrigação acessória sempre se relacione a uma obrigação tributária principal, revestese de natureza administrativa. Sobre as obrigações acessórias e principais em matéria tributária, vale destacar o que dispõe o artigo 113 do Código Tributário Nacional: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 6 6 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária.” Fica evidente da leitura do dispositivo em comento que a obrigação principal, em direito tributário, é pagar tributo, e a obrigação acessória é aquela que possui características administrativas, na medida em que as respectivas normas comportamentais servem ao interesse da administração tributária, em especial, quando do exercício da atividade fiscalizatória. O dispositivo transcrito determina, ainda, que em relação à obrigação acessória, ocorrendo seu descumprimento pelo contribuinte e imposta multa, o valor devido convertese em obrigação principal. Vale destacar que, mesmo ocorrendo tal conversão, a natureza da sanção aplicada permanece sendo administrativa, já que não há cobrança de tributo envolvida, mas sim a aplicação de uma penalidade em razão da inobservância de uma norma que visava proteger os interesses fiscalizatórios da administração tributária. Assim, as sanções em matéria tributária podem ter natureza (i) tributária principal quando se referem a descumprimento da obrigação principal, ou seja, falta de recolhimento de tributo; (ii) administrativa – quando se referem à mero descumprimento de obrigação acessória que, em verdade, tem por objetivo auxiliar os agentes públicos que se encarregam da fiscalização; ou, ainda (iii) penal – quando qualquer dos ilícitos antes mencionados representar, também, ilícito penal. Significa dizer que, para definir a natureza da sanção aplicada, necessário se faz verificar o antecedente da norma sancionatória, identificando a relação jurídica desobedecida. Aplicamse às sanções o princípio da proporcionalidade, que deve ser observado quando da aplicação do critério quantitativo. Neste ponto destacamos a lição de Helenilson Cunha Pontes a respeito do princípio da proporcionalidade em matéria de sanções tributárias, verbis: “As sanções tributárias são instrumentos de que se vale o legislador para buscar o atingimento de uma finalidade desejada pelo ordenamento jurídico. A análise da constitucionalidade de uma sanção deve sempre ser realizada considerando o objetivo visado com sua criação legislativa. De forma geral, como lembra Régis Fernandes de Oliveira, “a sanção deve guardar proporção com o objetivo de sua imposição”. O princípio da proporcionalidade constitui um instrumento normativo constitucional através do qual podese concretizar o controle dos excessos do legislador e das autoridades estatais em geral na definição abstrata e concreta das sanções”. O primeiro passo para o controle da constitucionalidade de uma sanção, através do princípio da proporcionalidade, consiste na perquirição dos objetivos imediatos visados com a previsão abstrata e/ou com a imposição concreta da sanção. Vale dizer, na perquirição do interesse público que valida a previsão e a imposição de sanção”. (in “O Princípio da Proporcionalidade e o Direito Tributário”, ed. Dialética, São Paulo, 2000, pg.135) Assim, em respeito a referido princípio, é possível afirmar que: se a multa é de natureza tributária, terá por base apropriada, via de regra, o montante do tributo não recolhido. Se a multa é de natureza administrativa, a base de cálculo terá por grandeza Fl. 420DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 7 7 montante proporcional ao ilícito que se pretende proibir. Em ambos os casos as sanções podem ser agravadas ou qualificadas. Agravada, se além do descumprimento de obrigação acessória ou principal, houver embaraço à fiscalização, e, qualificada se ao ilícito somarse outro de cunho penal – existência de dolo, fraude ou simulação. A MULTA ISOLADA POR NÃO RECOLHIMENTO DAS ANTECIPAÇÕES A multa isolada, aplicada por ausência de recolhimento de antecipações, é regulada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, verbis:1 “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (...) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” A norma prevê, portanto, a imposição da referida penalidade quando o contribuinte do IRPJ e da CSLL, sujeito ao Lucro Real Anual, deixar de promover as antecipações devidas em razão da disposição contida no artigo 2º da Lei nº 9.430/96, verbis: “Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1º O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2º A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. 1 Redação Original: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 8 8 §3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo.” A natureza das antecipações, por sua vez, já foi objeto de análise do Superior Tribunal de Justiça, que manifestou entendimento no sentido de considerar que as antecipações se referem ao pagamento de tributo, conforme se depreende dos seguintes julgados: “TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. CSSL. RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ESTIMATIVA. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. 1. "É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96" (AgRg no REsp 694278RJ, relator Ministro Humberto Martins, DJ de 3/8/2006). 2. A antecipação do pagamento dos tributos não configura pagamento indevido à Fazenda Pública que justifique a incidência da taxa Selic. 3. Recurso especial improvido.” (Recurso Especial 529570 / SC Relator Ministro João Otávio de Noronha Segunda Turma Data do Julgamento 19/09/2006 DJ 26.10.2006 p. 277) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSSL APURAÇÃO POR ESTIMATIVA PAGAMENTO ANTECIPADO OPÇÃO DO CONTRIBUINTE LEI N. 9430/96. É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de cálculo do IRPJ e da CSSL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2° da Lei n. 9430/96. Precedentes: REsp 492.865/RS, Rel. Min. Franciulli Netto, DJ25.4.2005 e Fl. 422DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 9 9 REsp 574347/SC, Rel. Min. José Delgado, DJ 27.9.2004.Agravo regimental improvido.” (Agravo Regimental No Recurso Especial 2004/01397180 Relator Ministro Humberto Martins Segunda Turma DJ 17.08.2006 p. 341) Do exposto, inferese que a multa em questão tem natureza tributária, pois aplicada em razão do descumprimento de obrigação principal, qual seja, falta de pagamento de tributo, ainda que por antecipação prevista em lei. Debates instalaramse no âmbito desse Conselho Administrativo sobre a natureza da multa isolada. Inicialmente me filiei à corrente que entendia que a multa isolada não poderia prosperar porque penalizava conduta que não se configurava obrigação principal, tampouco obrigação acessória. Ou seja, mantinha o entendimento de que a multa em questão não se referia a qualquer obrigação prevista no artigo 113 do Código Tributário Nacional, na medida em que penalizava conduta que, a meu ver à época, não podia ser considerada obrigação principal, já que o tributo não estava definitivamente apurado, tampouco poderia ser considerada obrigação acessória, pois evidentemente não configura uma obrigação de caráter meramente administrativo, uma vez que a relação jurídica prevista na norma primária dispositiva é o “pagamento” de antecipação. Nada obstante, modifiquei meu entendimento, mormente por concluir que tratase, em verdade, de multa pelo não pagamento do tributo que deve ser antecipado. Ainda que tenha o contribuinte declarado e recolhido o montante devido de IRPJ e CSLL ao final do exercício, fato é que caberá multa isolada quando o contribuinte não efetua a antecipação deste tributo. Tanto assim que, até a alteração promovida pela Lei nº 11.488/07, o caput do artigo 44 da Lei nº 9.430/96, previa que o cálculo das multas ali estabelecidas seria realizado “sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. É bem verdade que melhor seria se a penalidade em comento fosse tratada como uma pena aplicada pela postergação do pagamento de imposto ou contribuição, mas existe regra específica para o caso de ausência de pagamento ou pagamento a menor de antecipação devida de IRPJ e CSLL, sobrepondose, portanto, à regra da postergação. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 10 10 Adotada a premissa de que a imputação da multa isolada tem por fundamento norma primária sancionadora, em cuja hipótese está o descumprimento de obrigação principal, então a multa isolada é prevista para as hipóteses de não recolhimento ou recolhimento a menor do tributo na forma antecipada. Entendo que não há como se admitir que o valor da antecipação seja, após o encerramento do anocalendário, um tributo isolado. A antecipação não é inconstitucional, nem ilegal. Isto porque, como o próprio nome enseja, é mera antecipação de tributo – IRPJ e CSLL – apurado de forma definitiva após o encerramento do anocalendário, no caso de apuração na forma de lucro real anual. O disposto no artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 veicula norma que estabelece a imputação de penalidade isolada pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL, de forma antecipada. Dado o fato do não recolhimento do tributo no prazo estipulado para sua antecipação, deve ser imputada a multa isolada. No conseqüente desta norma resta claro que, como critério pessoal, temse de um lado o contribuinte sujeito ao pagamento da antecipação, de outro a União como sujeito ativo. Como critério quantitativo temse o percentual atual de 50% do tributo devido e não pago. Utilizase o termo tributo porque a sanção é aplicada sobre o descumprimento de obrigação principal. Neste passo, até o encerramento do anocalendário o que se tem por tributo devido é o IRPJ e a CSLL, apurados conforme cálculo previsto para antecipação. Já após o encerramento do anocalendário e apuração do IRPJ e CSLL pelo lucro real, não há como negar que o montante do tributo devido é aquele definitivamente apurado, após as adições, exclusões e compensações previstas em lei. Considerando que o IRPJ e a CSLL são auferidos ao final do anocalendário, sendo provisório o montante calculado nas antecipações, concluise que: i) Quando a multa isolada é aplicada durante o anocalendário, a base é o tributo até então apurado, conforme cálculo das antecipações, já que outro não existe a substituílo por definitividade naquele momento. ii) Quando a multa isolada é imputada após o encerramento do ano calendário e apuração definitiva do tributo devido, sem dúvida a hipótese de aplicação é a mesma, falta de recolhimento das antecipações, não obstante, sua base de incidência terá por limite o valor do tributo definitivamente apurado. Nem há que se imaginar que se nega vigência à norma em questão. O que ocorre é a eliminação, pela interpretação, de eventual contrariedade. Ressaltese que não se trata sequer de contradição, mas de mera e aparente contrariedade. Isto porque, tanto a multa isolada, quanto a multa de ofício têm seu lugar, bem como a multa isolada pode ser aplicada inclusive após o encerramento do anocalendário, mas, em se tratando de multa de natureza tributária, a base é o tributo que deixou de ser recolhido. Este tributo – IRPJ e CSLL – é aquele apurado conforme cálculo de antecipação até o encerramento do período e é aquele apurado pelo lucro real após o encerramento do período. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 11 11 Neste ponto, peço vênia para novamente transcrever trecho do voto do brilhante Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, proferido no julgamento do recurso nº l05l39.794, já mencionado anteriormente, verbis: “(...) Vale dizer, após o encerramento do período, o balanço final (de dezembro) é que balizará a pertinência do exigido sob a forma de estimativa, pois esse acumula todos os meses do próprio anocalendário. Nesse momento, ocorre juridicamente o fato gerador do tributo e podese conhecer o valor devido pelo contribuinte. Se não há tributo devido, tampouco há base de cálculo para se apurar o valor da penalidade.(...).” Se o lançamento é efetuado antes do fim do exercício – portanto antes dos ajustes / apuração do lucro, base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos – a base para imposição da sanção é aquela devida por antecipação e calculada até aquele momento. Naquele momento, inclusive, não há autorização para constituição de obrigação principal definitiva – tributo – especialmente porque o mesmo ainda não se quantificou definitivamente porque não concluído o fato gerador. Nestes termos dispõe o caput do artigo 15 da Instrução Normativa nº 93/97, verbis: “Art. 15. O lançamento de ofício, caso a pessoa jurídica tenha optado pelo pagamento do imposto por estimativa, restringirse á à multa de ofício sobre os valores não recolhidos.” De outra feita, em momento posterior ao encerramento do anocalendário, já existe quantificação do tributo devido definitivamente pelos ajustes determinados em legislação de regência, então esta é a limitação ao critério quantitativo da imposição de multa isolada. Vale destacar a lição de Marco Aurélio Greco a respeito do tema, verbis: “(...) mensalmente o que se dá é apenas o pagamento por imposto determinado sobre base de cálculo estimada (art. 2º, caput), mas a materialidade tributada é o lucro real apurado em 31 de dezembro de cada ano (art. 3º do art. 2º). Portanto, imposto e contribuição verdadeiramente devidos, são apenas aqueles apurados ao final do ano. O recolhimento mensal não resulta de outro fato gerador distinto do relativo período de apuração anual; ao contrário, corresponde a mera antecipação provisório de um recolhimento, em contemplação de um fato gerador e uma base de cálculo positiva que se estima venha ou possa vir a ocorrer no final do período. Tanto é provisória e em contemplação de evento futuro que se reputa em formação – e que dele não pode se distanciar – que, mesmo durante o período de apuração, o contribuinte pode suspender o recolhimento se o valor acumulado pago exceder o valor calculado com base no lucro real do período em curso (art. 35 da Lei n° 8.891/95)”. (In: “Multa Agravada em Duplicidade” São Paulo, Revista Dialética de Direito Tributário n° 76, p. 159). Fl. 425DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 12 12 Tampouco é de se questionar esta interpretação com base no fato de que a multa em questão é aplicável até mesmo em casos de apuração de base negativa da CSLL e de prejuízo fiscal no anocalendário correspondente, conforme dispõe a alínea “b”, do inciso II, do artigo 44, da Lei nº 9.430/96, anteriormente capitulado no § 1º do citado artigo. O direito, in casu, deve ser analisado à luz da relação de coordenação existente entre a norma veiculada pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 e aquela veiculada pelo artigo 39, parágrafo segundo, da Lei nº 8.383/91, verbis: “Art. 39. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderão optar pelo pagamento, até o último dia útil do mês subseqüente, do imposto devido mensalmente, calculado por estimativa, observado o seguinte: (...) § 2° A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto mensal estimado, enquanto balanços ou balancetes mensais demonstrarem que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto calculado com base no lucro real do período em curso.(...)” Referido dispositivo, conforme é possível constatar, autoriza que o contribuinte interrompa ou reduza os pagamentos devidos por antecipação desde que demonstre, por meio de balancete mensal, que o valor da estimativa anteriormente paga e, portanto, acumulada no período, excede o valor do tributo apurado com base no lucro ajustado no período em curso. Portanto, se a legislação possibilita o não recolhimento de antecipação, desde que apresentado o balancete mensal que comprove que as antecipações recolhidas superam o valor do tributo até aquele momento apurado, então é evidente que a multa instituída pelo artigo 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 não é devida em casos de prejuízo fiscal ou base negativa, sendo aplicável, somente, se não houver a apresentação do referido balancete. Significa dizer que a multa isolada deve ser aplicada em casos de apuração negativa e prejuízo fiscal desde que, no próprio anocalendário, o contribuinte não faça prova de que, mensalmente, inexiste tributo devido, o que se realiza através da apresentação dos balancetes mensais e desde que, ainda, inexistente o balanço final do período. Se a multa é de natureza tributária e, portanto, tem por base o tributo devido, o balanço final do exercício é prova suficiente para afastar a multa isolada por falta de recolhimento da estimativa, no caso de apuração de prejuízo fiscal e base negativa da CSLL, bem como, para determinar o limite da multa – cuja base não pode ultrapassar o valor do tributo, quando devido sob pena de descaracterizar sua natureza de multa imputada em razão de descumprimento de obrigação principal. CONCOMITÂNCIA DA MULTA ISOLADA E DA MULTA DE OFÍCIO Por tudo quanto exposto na interpretação da norma que dispõe sobre a multa isolada em razão do não pagamento, ou pagamento a menor de antecipações, concluise que esta é devida e calculada sobre a obrigação principal até então apurada. O mesmo ocorre com a Fl. 426DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 13 13 multa de ofício que acompanha o lançamento referente à totalidade ou diferença de tributo que deixou de ser constituído pelo contribuinte, ao final do anocalendário. Verifico identidade quanto ao critério pessoal e material de ambas as normas sancionatórias, pois ambas alcançam o contribuinte sujeito passivo e têm por critério material o descumprimento da relação jurídica que determina o recolhimento integral do tributo devido. Inevitável, portanto, concluirse que impor sanção pelo não recolhimento do tributo apurado conforme lançamento de ofício que apura IRPJ e CSLL devidos ao final do anocalendário e impor sanção pelo não recolhimento ou recolhimento a menor das antecipações devidas, relativamente aos mesmos tributos, é penalizar o mesmo contribuinte duas vezes por ter deixado de recolher integralmente o tributo devido. Portanto, nestes casos, uma penalidade é excludente da outra. Se o que prevalece para fins de quantificação da obrigação principal é o valor decorrente da apuração final, consolidada e definitiva do tributo – justamente porque as antecipações são apurações provisórias do mesmo tributo – também assim deve ser em relação a aplicação das penalidades: prevalece a multa aplicada quando o contribuinte não recolhe o tributo devido em conformidade com a apuração definitiva. Além disso, é inegável que no caso em análise a aplicação da multa isolada é mera penalização de conduta meio de deixar de recolher tributo, uma vez que, por meio do mesmo lançamento, foi constituída, também, multa de ofício pelo não recolhimento de tributo apurado quando da consolidação da obrigação principal devida no exercício e não constituída/recolhida pelo contribuinte. Neste ponto vale destacar outro trecho do bem elaborado voto proferido pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, em julgamento já referido, realizado nesta mesma Turma, a respeito da matéria ora sob análise, tratando do princípio da consunção da condutameio pela condutafim, verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão, menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa Fl. 427DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 14 14 mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam “princípio da consunção”. (Recurso do Procurador nº 105139.794 – Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – Rel. Marcos Vinícius Neder de Lima – Sessão de 04/12/2006) Adicionalmente, vale notar que é possível valorar as duas penalidades e estabelecer qual delas deve ser aplicável porque, em casos como o ora analisado, senão em razão da identidade de critérios pessoal e material das duas penalidades, ou por força da impossibilidade de se apenar conduta meio e conduta fim, também porque a lei que estabelece as referidas multas não determina expressamente que deve haver concomitância. A lei não estabelece concomitância, não se tratando in casu de contradição. E como não há determinação legal de que ambas sejam aplicadas, o que vemos é um caso de aparente contrariedade. Ou seja, há aplicação normativa por excludência, segundo o que se determina a aplicação de uma ou de outra penalidade, a depender do caso, da valoração do bem maior a ser protegido, e das condutas incorridas pelo contribuinte. Se somente houve falta de recolhimento das antecipações esta é a conduta fim. Se, por outro lado, o contribuinte além de não recolher as antecipações, também deixou de constituir/recolher o tributo devido conforme a apuração definitiva, ocorrida após o encerramento do anocalendário, então aquela é conduta meio desta que é a condutafim. No mesmo sentido, é o entendimento outrora pacificado nesta Câmara Superior, conforme se demonstra por meio dos julgados abaixo transcritos: “PENALIDADE – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO – PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal.” (Recurso n.º : RD/101134.520 Sessão de : 18/09/2006, Acórdão n.º : CSRF/0105.503). “CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS Processo nº 13502.000867/200650 Acórdão n.º 910101.401 CSRF‐T1 Fl. 15 15 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA – Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação”. (Recurso nº: 105139794, Sessão: 04/12/2006, Acórdão nº : CSRF/0105.552). “PENALIDADE – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DE OFÍCIO FALTA DE RECOLHIMENTO – PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de multa isolada por falta de recolhimento de tributo por estimativa concomitante com a multa de lançamento de ofício, ambas calculadas sobre os mesmos valores apurados em procedimento fiscal. Não pode ser base de cálculo valor que não integra a base de calculo do tributo que deveria ser calculado por estimativa.” (Recurso nº : 107139.896 Sessão : 11/06/2007. Acórdão nº : CSRF/01 05.675) Assim, no presente caso não pode prosperar a multa isolada em razão de insuficiência nos recolhimentos mensais de IRPJ e CSLL, pois foi também constituída multa de ofício em razão do lançamento para constituição do tributo. Pelo exposto, voto por NEGAR ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Karem Jureidini Dias Fl. 429DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS
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Numero do processo: 13839.000604/99-59
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito.
Numero da decisão: 9900-000.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, devendo ser aplicado o prazo conforme decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 00 06 04 /9 9- 59 Fl. 560DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 561DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13839.000604/9959 Acórdão n.º 9900000.505 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Extraordinário, fls. 0455 interposto dentro do prazo regimental pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0448, que decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso especial. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: PIS. RESOLUÇÃO DO SENADO. Na hipótese de suspensão da execução de lei por resolução do Senado Federal, o prazo de cinco anos para apresentação do pedido, relativamente aos recolhimentos efetuados sob a vigência da lei inconstitucional, iniciase na data da publicação da resolução. Como regra geral, a declaração de inconstitucionalidade de um certo ato normativo tem efeito "ex tunc", não cabendo buscar a preservação visando a interesses momentâneos e isolados. Precedentes jurisprudenciais. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso especial. Em seu recurso extraordinário a PGFN alega, em síntese, que: 1. O acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Terceira e Quarta Turmas da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos 930300.080 e CSRF/04 00.810); 2. A divergência ocorreu na medida em que desconsiderou que o Código Tributário Nacional, em seu art. 168, fixa, sem qualquer ressalva, a data do pagamento indevido como sendo o marco inicial para a contagem do prazo prescricional, além das disposições da LC 118; 3. O acórdão diverge das determinações do CTN (Art. 156 e 168) e da Lei Complementar 118/2005 (Arts. 3º e 4º); 4. Em razão do exposto, roga pelo conhecimento e pelo provimento do seu recurso. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 Por despacho, fls. 0517, deuse seguimento ao recurso extraordinário. O sujeito passivo, devidamente intimado, apresentou suas contra razões, fls. 0520, alegando, em síntese, que: 1. A PGFN busca discutir matéria já preclusa; 2. A insurgência da Recorrente somente poderia residir no especifico aspecto do prazo decadencial aplicável dos recolhimentos a serem repetidos/compensados, ou seja, eficácia retroativa da declaração de inconstitucionalidade dos dispositivos que ensejaram indevidos recolhimentos; 3. Não foi comprovada a divergência para a admissibilidade do recurso; 4. Não procedem as razões sustentadas pela PGFN; 5. Requer, por fim, que seja negado seguimento ao apelo fazendário. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 563DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13839.000604/9959 Acórdão n.º 9900000.505 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Para esclarecimento da questão, o(s) fato(s) geradores ocorreram em 07/1988 a 09/1995, fls. 003, e o pedido de restituição ocorreu em 07/04/1999, fls. 001. Nesse sentido, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) fixaram entendimentos que devem ser seguidos obrigatoriamente por este colegiado, conforme determinação regimental. O STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões Fl. 564DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça (STJ) firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” Fl. 565DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 13839.000604/9959 Acórdão n.º 9900000.505 CSRFPL Fl. 5 7 (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Fl. 566DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005 (07/04/1999), aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Para os pagamentos indevidos realizados em período igual ou inferior a dez anos entre a entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Por outro lado, no que diz respeito aos pagamentos realizados em período superior a dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, o pedido formulado pelo contribuinte não merece prosperar, em virtude de ter ultrapassado o decênio posto a sua disposição para o exercício de seu direito. CONCLUSÃO: Ante o exposto, voto por conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional e darlhe parcial provimento, para não acolher o direito de repetição de indébito do contribuinte para os fatos geradores ocorridos anteriormente à 07/04/1989. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 567DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 16327.001561/2004-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003
COOPERATIVA DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO TRIBUTAÇÃO.
A efetivação de aplicações financeiras por cooperativas de crédito no mercado constitui ato cooperativo não sujeito à tributação.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9101-001.535
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto)
(Assinado digitalmente)
José Ricardo da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Plínio Rodrigues de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausentes justificadamente, os Conselheiros Suzy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. NÃO TRIBUTAÇÃO. A efetivação de aplicações financeiras por cooperativas de crédito no mercado constitui ato cooperativo não sujeito à tributação. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto) (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto), João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Plínio Rodrigues de Lima, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva, Valmir Sandri, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Ausentes justificadamente, os Conselheiros Suzy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 15 61 /2 00 4- 15 Fl. 509DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 2 Relatório COOPERATIVA DE CRÉDITO RURAL COOPERCITRUS, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob o nº 54.037.916/000145, com domicílio fiscal na cidade de Bebedouro Estado de São Paulo, na Praça Monsenhor Aristides, nº 207, Bairro Centro, jurisdicionada a Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo SP, inconformada com a decisão de Segunda Instância prolatada pela 1ª TO – 1ª Câmara – 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 1101 00.206, de 29/09/2009 (fls. 374/376) cuja decisão, por unanimidade de votos, negou provimento ao seu Recurso Voluntário (fls. 271/294), recorre, em 17/02/2010, a esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos termos do seu Recurso Especial (381/395). O pleito do contribuinte busca amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos que contra o contribuinte foi lavrado, em 12/11/2004, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (fls. 179/185), com ciência, em 19/11/2004 (fls. 195) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 5.941.246,52, a título de imposto de renda, relativo aos exercícios de 2000 a 2003, correspondentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu que o contribuinte, desde o ano de 1999 até 2002, vem excluindo, sistematicamente, na apuração do Lucro Real todo o resultado positivo obtido no exercício. Tal exclusão é indevida, pois não está prevista na legislação do IRPJ Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal de fls. 188/193, lavrado em 08/11/2004, entre outros, os seguintes aspectos: que as sociedades cooperativas de crédito têm por objeto fomentar recursos financeiros e prestar serviços a seus associados. Regemse pelas disposições da Lei 5.764/71 e da Lei nº. 4.595/64, uma vez que são consideradas instituições financeiras; que o contribuinte auferiu, além de outras receitas, rendimentos com aplicações financeiras em títulos e valores mobiliários de Renda Fixa e Renda Variável. Tais operações foram efetuadas em várias instituições financeiras fora do âmbito do cooperativismo, conforme pode ser constatado nas DIRF's, cujas cópias podem ser encontradas de fls. de 89 até 118 deste processo de auto de infração; que essas aplicações financeiras acima não podem ser consideradas atos cooperativos visto que foram praticados entre lima cooperativa e uma instituição financeira, e tal situação não se enquadra na definição contida no art. 79 da Lei n° 5.764/71. Impugnado o lançamento, de forma tempestiva, em 13/12/2004 (fls. 198/212), instruído pelo documentos de fls. 213/251 e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante a 4ª Turma da Delegacia da Fl. 510DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 3 3 Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ I decide, em 31/10/2006, julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 254/266), amparado, em síntese, no argumento básico de que as aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, não se caracterizam como atos cooperados e o seu resultado se sujeita a incidência do imposto de renda. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 15/12/2006, conforme Termo constante às fls. 268/270, e com ela não se conformando, a recorrente interpôs, tempestivamente, em 15/01/2007, o seu Recurso Voluntário (fls. 271/294), instruído pelos documentos de fls. 295/347, o qual, ao ser apreciado pela 1ª TO – 1ª Câmara – 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 1101 00.206, de 29/09/2009, teve seu provimento negado, por unanimidade de votos, conforme se verifica de sua ementa e decisão: IRPJ — COOPERATIVA — RECEITAS FINANCEIRAS — TRIBUTAÇÃO. A legislação tributária isenta apenas os atos cooperados, sendo as receitas oriundas dos atos não cooperados tributadas pelo IRPJ. As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, não são atos cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado obtido pela cooperativa nessas aplicações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Cientificado da decisão de Segunda Instância, em 01/02/2010, conforme Termo constante às fls. 379/380, a contribuinte interpôs, tempestivamente, em 17/02/2010, o seu Recurso Especial de fls. 381/395, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que entende a Recorrente, com o respeito devido, que o caso ora trazido à apreciação dessa E. Câmara subsumese, perfeitamente, hipótese do dispositivo citado, viabilizando o processamento do presente recurso, pois conforme se verificará das razões que seguem adiante, não só comprova a Recorrente documentalmente o dissídio jurisprudencial havido entre o acórdão recorrido e os indicados como paradigmas como também demonstra, no corpo do recurso, o respectivo cotejo analítico das circunstâncias que identificam ou assemelham os casos confrontados; que como prova das divergências apontadas no recurso, junta a Recorrente, cópia integral dos acórdãos proferidos pela 3ª Câmara do 1° Conselho no julgamento do Recurso n° 157.972 e pela 1ª Turma dessa Câmara Superior, no julgamento do Recurso n° RD n° 1030.989, obtidas via internet, diretamente do site do site do CARF, tudo conforme o exige o § 7° do artigo 67 do Regimento desse E. Conselho; que ao ser apresentado o recurso, fundamentou a Recorrente que tal exigência se apresentava claramente indevida, pois que se tratando a Recorrente de cooperativa de crédito, toda a sua movimentação financeira constituise no denominado ato cooperativo, Fl. 511DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 4 que, por tipificação legal (artigo 79 da Lei n° 5.764/71) não se constitui em base de cálculo para a incidência de quaisquer tributos; que a decisão recorrida, no entanto, sob o argumento de que o que a legislação tributária isenta do IR apenas, são os atos cooperativos, não se incluindo nesse conceito a realização de aplicações financeiras por cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, houve por bem improver o recurso, mantendo, pois integralmente a exigência fiscal; que entende a Recorrente, contudo, que ao ser desconsiderado do conceito de ato cooperativo a realização de aplicações financeiras, por cooperativas de crédito, junto ao mercado a decisão recorrida não se houve com o necessário acerto, divergindo que está, inclusive, de outras decisões proferidas por esse E. Conselho, sobre o mesmo assunto; que como já esclarecido nos autos, constituise a Recorrente em uma cooperativa de crédito, formada por produtores rurais, tendo por objetivo, como reza o artigo 3° de seu Estatuto Social, prestar, sem fins especulativos, assistência financeira aos seus associados, visando fomentar e estimular as suas atividades próprias produção rural , bem como proporcionar melhores condições para a circulação e industrialização dos bens por eles produzidos; que como exaustivamente demonstrado nos autos, é que o artigo 79 da Lei n° 5.764/71 estabelece, em seu parágrafo único, que "o ato cooperativo não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria". E é também, exatamente por isso, que é entendimento de há muito pacificado tanto junto ao Poder Judiciário quanto junto a esse próprio Conselho, o de que, em se tratando de sociedades cooperativas, as (micas operações com aptidão para gerar "lucro", em seu sentido técnico, isto 6, maisvalia, ganho, acréscimo patrimonial, são aquelas de seu objeto social praticadas com não associados. Os resultados das operações praticadas com associados denominamse, por disposição da própria lei de regência, de "sobras", não havendo mínima possibilidade de se estabelecer qualquer confusão entre elas e o lucro suscetível de tributação tanto pelo Imposto de Renda quanto pela Contribuição Social sobre o Lucro Liquido; que a vista de tais considerações, especialmente de que as únicas operações capazes de gerar lucro para uma sociedade cooperativa são aquelas de seu objeto social praticadas com terceiros não associados, afirma a decisão recorrida, que a realização de aplicações financeiras no mercado não constitui ato cooperativo, porque praticadas junto a terceiros, não associados; que o argumento defendido pela decisão recorrida, repitase, somente estaria correto se tratasse de qualquer outra cooperativa que não a de crédito, porque nesta, a finalidade da cooperativa é, justamente, a prestação de serviços aos seus associados na área financeira, onde a aplicação dos recursos destes associados no mercado respectivo é da essência da própria atividade. Em uma cooperativa de crédito, como é o caso, somente seria possível falarse em resultados passíveis de tributação pelo imposto de renda ou pela contribuição social caso a cooperativa operasse com terceiros, não associados. Isso, no entanto, não é permitido pela legislação pertinente, como acima se viu. O contribuinte indicou como paradigmas os acórdãos abaixo relacionados, cuja ementa se transcreve na parte que interessa (fls. 398/422): Acórdão nº 10323.202 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Liquido – CSLL Fl. 512DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 4 5 Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 Ementa: COOPERATIVA. RESULTADO DO ATO COOPERADO. As sobras, entendendose como tal o resultado positivo do ato cooperado, não sofrem a incidência da CSLL por não se enquadrarem no conceito de lucro, base de cálculo dessa contribuição. COOPERATIVA DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERADO. A realização de aplicações financeiras no mercado pela cooperativa de crédito, com vistas À obtenção de recursos para o cumprimento de seus objetivos estatutários constituise em ato cooperado, não cabendo a incidência da CSLL sobre os rendimentos dai decorrentes. Acórdão CSRF/0103.278 COOPERATIVA — CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO— As sobras apuradas pelas Sociedades Cooperativas, resultado obtido através de atos cooperados não é considerado lucro. Ante a inexistência de lucros, não devera ser cobrada a contribuição Social sobre o Lucro, pela inexistência da sua base de cálculo. COOPERATIVAS — APLICAÇÕES FINANCEIRAS Inocorrendo a proporcionalização do resultado positivo de aplicações financeiras em relação às atividades não cooperadas, a tributação somente pode alcançar o rendimento real, expurgados os índices oficiais de inflação. Ao proceder ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pela recorrente (fls. 381/395), o Presidente da 1ª Câmara – 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por intermédio do Despacho nº 110100.031, de 11/07/2011 (fls. 494/496), o admitiu, considerando que a recorrente lograra comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade fática e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas. Encaminhado, em 23/08/2011, os autos para ciência da Fazenda Nacional, nos termos do art. 70, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 497), foram apresentadas, em 30/08/2011, as contrarrazões (fls. 499/505), argumentando, em síntese: que a e. Câmara a quo manteve corretamente a autuação ao argumento de que os resultados obtidos pela cooperativa de crédito em aplicações financeiras junto a terceiros estão submetidos à incidência do Imposto de Renda por não se caracterizarem como ato cooperado; que a especialidade das cooperativas de crédito face às demais sociedades cooperativas originase da natureza das operações mantidas junto aos associados. Os serviços prestados pela cooperativa de crédito aos associados equiparamse à intermediação financeira; Fl. 513DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 6 que, entretanto, os clientes da cooperativa são os seus sócios, os quais arcam, como qualquer cliente de instituição financeira, com os custos da intermediação de recursos promovida pela cooperativa. Sobre as quantias repassadas pela cooperativa ao associado, logicamente, são cobrados juros e demais encargos; que as aplicações de recursos realizadas pelas cooperativas de crédito dentro do sistema cooperativo associado são as que devem ser tratadas como efetivos atos cooperativos. Na hipótese dos autos, contudo, tais aplicações financeiras foram efetuadas junto a terceiros não cooperados, não havendo, portanto, como considerálos isentos e não geradores de lucros tributáveis pelo imposto de renda; que ressaltese que, eventuais mudanças de interpretação jurisprudencial proferidas pelo e. Superior Tribunal de Justiça, não podem ser fundamento bastante para justificar o acolhimento dos argumentos suscitados pelo recorrente, sobretudo quando se trata de tribunal que não possui posicionamento assente sobre a matéria, haja vista constantes mudanças de entendimento sobre os mais variados temas; que concluise, dessa forma, que o entendimento firmado no acórdão a quo está em total consonância com a legislação aplicável ao tema, na medida em que mantém a tributação incidente sobre resultado positivo decorrente das aplicações financeiras realizadas pela cooperativa em tela no mercado externo, ato este que deve ser considerado como não cooperativo e, portanto, não isento. É o relatório Fl. 514DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator Tendo o Contribuinte tomado ciência do decisório recorrido em 01/02/2010 (fls. 379/380) e tendo protocolizado o presente apelo em 17/02/2010 (fls. 381/395), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos do processo verificase, que ao proceder ao exame de admissibilidade do Recurso Especial apresentado pelo recorrente (fls. 381/395), o Presidente da 1ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por intermédio do Despacho nº 110100.031, de 23/08/2011 (fls. 494/496), o admitiu, considerando que o recorrente lograra comprovar a ocorrência de dissenso jurisprudencial, em face da identidade fática e de direito que instruem as respectivas decisões apresentadas. É de se observar, que o Contribuinte cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Divergência, já que demonstrou que a decisão deu a lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do simples confronto da ementa do acórdão recorrido com as ementas dos acórdãos paradigmas, é possível se concluir que houve o dissídio jurisprudencial. Isso porque se tratam das mesmas matérias fáticas e a divergência de julgados, nos termos Regimentais, referese a interpretação divergente em relação ao mesmo dispositivo legal aplicado ao mesmo fato, que no caso em questão é a discussão sobre a tributação das receitas financeiras auferidas pelas cooperativas de crédito rural. Enquanto, os acórdãos paradigmas defendem a tese no sentido de que os resultados positivos das cooperativas de crédito, decorrentes de aplicações financeiras no mercado, inseremse no conceito de resultado de atos cooperados, imunes à tributação. Por sua vez, o acórdão recorrido ao contrário expressou o entendimento de que os resultados de aplicações financeiras no mercado, por cooperativas de crédito, não se traduzem em resultados de atos cooperados devendo sofrer a incidência tributária, ao passo que em situações fáticas semelhantes, também se referindo, especificamente, a resultado de aplicações financeiras no mercado, por cooperativas de créditos. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pelo Contribuinte, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Depreendese do relatado que o Contribuinte ingressou com Recurso Especial de Divergência, com amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, insurgindose contra decisão da 1ª TO – 1ª Câmara 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, exarado pelo Acórdão 110100.206, de 29/09/2009, que, por unanimidade de votos, negou provimento ao Fl. 515DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 8 recurso voluntário interposto pelo contribuinte, baseado no entendimento de que a legislação tributária isenta apenas os atos cooperados, sendo as receitas oriundas dos atos não cooperados tributadas pelo IRPJ. As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, não são atos cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado obtido pela cooperativa nessas aplicações. Como visto do relatório, o cerne da questão cingese à discussão da tributação das receitas financeiras auferidas pelas cooperativas de crédito rural. O acórdão proferido pela Primeira Câmara a quo negou provimento ao Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte por considerar que objetivo social das cooperativas de credito não é captar recursos para aplicações financeiras, essas somente deverão ocorrer quando existir sobras ou recursos ociosos existentes no seu caixa devendo constituirse em transações eventuais e excepcionais, sob pena de desvirtuamento da finalidade precípua desse tipo de cooperativa, portanto, não haveria qualquer fato que justificasse a solicitada não tributação das receitas financeiras. O dispositivo legal que fundamenta o lançamento efetuado são o art. 79 da Lei n° 5.764, de 1971 e os arts. 182 e 183 do RIR/1999: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Art. 182. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto no legislação especifica não terão incidência do imposto sobre suas atividades econômicas, de proveito comum, sem objetivo de lucro (Lei n° 5.764, de 16 de dezembro de 1971, art. 3°, e Lei n° 9.532, de 1997, art. 69). § 1º É vedado às cooperativas distribuírem qualquer espécie de benefício as quotaspartes do capital ou estabelecer outras vantagens ou privilégios, financeiros ou não, em favor de quaisquer associados ou terceiros, excetuados os juros até o máximo de doze por cento ao ano atribuídos ao capital integralizado (Lei n° 5.764, de 1971, art. 24, § 3º). § 2º A inobservância do disposto no parágrafo anterior importará tributação dos resultados, na forma prevista neste Decreto. Art. 183. As sociedades cooperativas que obedecerem ao disposto na legislação especifica pagarão o imposto calculado sobre os resultados positivos das opera cães e atividades estranhas à sua finalidade, tais como (Lei n° 5.764, de 1971, arts. 85, 86, 88 e 111, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 1º e 2°): I de comercialização ou industrialização, pelas cooperativas agropecuárias ou de pesca, de produtos adquiridos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou para suprir capacidade ociosa de suas instalações industriais; Fl. 516DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 6 9 II de fornecimento de bens ou serviços a não associados, para atender aos objetivos sociais; III de participação em sociedades não cooperativas, públicas ou privadas, para atendimento de objetivos acessórios ou complementares Com efeito, dispõem os artigos 85, 86, 87 e 111 da Lei n.° 5.764, de 1971, litteris: Art. 85. As cooperativas agropecuários e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Parágrafo único. No caso das cooperativas de crédito e das seções de crédito das cooperativas agrícolas mistas, o disposto neste artigo só se aplicará com base em regras a serem estabelecidas pelo órgão normativo. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados 6 conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. [...] Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Como visto, as cooperativas de crédito são formadas para baratear o custo financeiro dos cooperados, atuando da mesma forma que as instituições financeiras, captando e emprestando recursos dos próprios associados. Ao negociar diretamente no mercado financeiro, conseguem financiar melhor a sua atividade produtiva, por obterem recursos mais facilmente do que se atuassem de forma isolada. As cooperativas de crédito assumem uma das formas permitidas pelo art. 5º da Lei nº 5.764, de 1971, subordinandose supletivamente às diretrizes fixadas pelo Conselho Monetário Nacional, consoante o disposto no art. 103 da mesma lei. Apesar disso, sua forma de tributação é especial e não pode ser simplesmente equiparada à das instituições financeiras, pois não descaracteriza a sua natureza de cooperativa o objetivo de ofertar crédito aos seus cooperados. A tributação deve atingir apenas atos não cooperativos e, neste ponto, é assente a posição deste Colegiado. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 10 A questão específica do presente recurso referese ao correto enquadramento do resultado das aplicações financeiras realizadas pela cooperativa com os recursos disponíveis. Do Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1.057.481 – CE (2008/1048520), de relatoria do Ministro Francisco Falcão, que trata da incidência do PIS e da COFINS, se extrai a seguinte fundamentação, verbis: (...) Também remanesce pacificado o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não auferem lucro, porquanto as despesas e os resultados são divididos entre seus cooperados. Esse entendimento está consagrado em inúmeros precedentes desta Corte, a exemplo dos que se seguem: REsp nº 573.393/RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 28/06/2004, p. 282; AgRg no REsp nº 650.656/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, DJ de 17/12/2004; AgRg nos EDcl no Ag 980095/SP, Rel. Min. LUIZ FUX, DJe de 29/09/2008, este último assim ementado, verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. PIS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. ATOS COOPERATIVOS. 1. A base de cálculo da COFINS e do PIS restou analisada pelo Eg. STF que, na sessão plenária ocorrida em 09 de novembro de 2005, no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, todos da relatoria do Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, consolidou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 2. Os atos normativos e exegese jurisprudencial descaracterizam as cooperativas de crédito como entidades bancárias assemelhadas, a saber: (Resolução 3.106/2003 BACEN, restringiu as atividades das cooperativas de crédito somente com cooperados, limitando as à prática de atos cooperados; Circular BACEN 3.238/2004, que, ao estabelecer o Plano Contábil do Sistema Financeiro Nacional COSIF, e aduzir à centralização financeira como sendo autêntico ato cooperativo, atesta, jurídicocontabilmente, a efetiva prática destes atos pelas cooperativas de crédito; Resolução 2.788/2000 CMN, que, ao permitir que somente as cooperativas centrais de crédito participem acionariamente de bancos, e como forma de viabilizar sua atividade, o que por si os diferencia; Parecer PGFN/CPA 1.088/99, que concluiu pelas diferenças estruturais e funcionais existentes entre as sociedades cooperativas de crédito e os bancos, obstando, assim, que aquelas atuassem como órgãos arrecadadores federais, posto não ostentarem natureza de agência ou posto bancário; RR 5.919/1988.2SP, Rel. Min. Ermes Pedro Pedrassani, DJU 25.08.1989; RR 214.732/1995.3MG, Rel. Min. Armando de Brito, DJU 16.05.1997). 3. Deveras, a Lei 5.764/71, mercê de posterior à Lei do Mercado de Capitais, é especial em relação à Fl. 518DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 7 11 mesma. Art. 2º, § 2º, da LICC. Lex generalis convive com a lex specialis. 4. No campo da exação tributária com relação às cooperativas, a aferição da incidência do tributo impõe distinguir os atos cooperativos através dos quais a entidade atinge os seus fins e os atos não cooperativos; estes extrapolantes das finalidades institucionais e geradores de tributação; diferentemente do que ocorre com os primeiros. Precedentes jurisprudenciais. 5. A cooperativa prestando serviços a seus associados, sem interesse negocial, ou fim lucrativo, goza de completa isenção, porquanto o fim da mesma não é obter lucro, mas, sim, servir aos associados. 6. Os atos cooperativos não estão sujeitos à incidência do PIS e da COFINS, porquanto o art. 79 da Lei 5.764/71 (Lei das Sociedades Cooperativas) dispõe que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 7. Não implicando o ato cooperativo em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, a revogação do inciso I, do art. 6°, da LC 70/91, em nada altera a não incidência da COFINS sobre os atos cooperativos. O parágrafo único, do art. 79, da Lei 5.764/71, não está revogado por ausência de qualquer antinomia legal. 8. A Lei 5.764/71, ao regular a Política Nacional do Cooperativismo, e instituir o regime jurídico das sociedades cooperativas, prescreve, em seu art. 79, que constituem 'atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais', ressalva, todavia, em seu art. 111, as operações descritas nos arts. 85, 86 e 88, do mesmo diploma, como aquelas atividades denominadas 'não cooperativas' que visam ao lucro. Dispõe a lei das cooperativas, ainda, que os resultados dessas operações com terceiros 'serão contabilizados em separado, de molde a permitir o cálculo para incidência de tributos (art. 87). 9. É princípio assente na jurisprudência que: "Cuidandose de discussão acerca dos atos cooperados, firmouse orientação no sentido de que são isentos do pagamento de tributos, inclusive da Contribuição Social sobre o Lucro". (Min. Milton Luiz Pereira, Resp 152.546, DJU 03/09/2001, unânime) 10. A doutrina, por seu turno, é uníssona ao assentar que pelas suas características peculiares, principalmente seu papel de representante dos associados, os valores que ingressam, como os decorrentes da conversão do produto (bens ou serviços) do associado em dinheiro ou crédito nas de alienação em comum, ou os recursos dos associados a serem convertidos em bens e serviços nas de consumo (ou, neste último caso, a reconversão em moeda após o fornecimento feito ao associado), não devem ser havidos como receitas da cooperativa. 11. Incidindo o PIS e a COFINS sobre o faturamento/receita bruta, impõese aferir essa definição à luz do art. 110 do CTN, que veda a alteração dos conceitos do Direito Privado. Consectariamente, faturamento é o conjunto de faturas emitidas em um dado período ou, sob outro aspecto vernacular, é a soma dos contratos de venda realizados no período. Conseqüentemente, a cooperativa, posto não realizar contrato de venda, não se sujeita à incidência do PIS ou da Fl. 519DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 12 COFINS. 12. Outrossim, a Primeira Seção, no julgamento do REsp 591298/MG, Relator para o acórdão o Ministro Castro Meira, sessão de 27 de outubro de 2004, firmou o entendimento de que os atos praticados pelas cooperativas de crédito não são passíveis de incidência tributária, uma vez que a captação de recursos e a realização de aplicações no mercado financeiro, com o intuito de oferecer assistência de crédito aos associados, constituem atos cooperativos. 13. A intributabilidade pelo PIS do ato cooperativo alcança todas as aplicações financeiras, conducentes à consecução dos objetivos sociais das cooperativas. 14. Agravo regimental desprovido. (grifei). No mesmo sentido: EDcl nos EDcl nos EDcl no REsp 611217 / MGEMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL 2003/02138920 Relator(a) Ministra ELIANA CALMON (1114) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 20/10/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 04/11/2009 Ementa PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – NÃO INCIDÊNCIA DO PIS SOBRE AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS PELAS COOPERATIVAS DE CRÉDITO. 1. Conforme jurisprudência sedimentada pelas Turmas da Primeira Seção, as aplicações financeiras das sociedades cooperativas de crédito não sofrem a incidência do PIS. 2. Embargos de declaração acolhidos para explicitação. Essa orientação ainda pode ser confirmada em julgado recente da Segunda Turma daquele Egrégio tribunal no AgRg no AgRg no REsp 717126 / SC, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, julgado em 09/02/2010, abaixo transcrito: Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado – constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não Fl. 520DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA Processo nº 16327.001561/200415 Acórdão n.º 9101001.535 CSRFT1 Fl. 8 13 analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. 5. Provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido quanto ao mérito, fazse necessária a apreciação pelo STJ dos honorários advocatícios devidos pelo sucumbente. Tratase de aplicação do direito à espécie. 6. No caso concreto, inverto os honorários advocatícios, restabelecendo os valores fixados na sentença, a qual condenou a União ao pagamento da verba honorária em 5% (cinco por cento) do valor atribuído à causa (R$ 805.433,30 – oitocentos e cinco mil, quatrocentos e trinta e três reais e trinta centavos), corrigido monetariamente, dado o elevado valor conferido à demanda. 7. Essa inversão é possível, pois, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal Superior, "1. O STJ, ao aplicar o direito à espécie, após conhecer do recurso especial, rejulga a causa (...). 2. Possibilidade de fixação de honorários advocatícios em percentual inferior ao mínimo de 10% (dez por cento), quando vencida a Fazenda Pública, mediante a aplicação do art. 20, § 4º do CPC" (AgRg no Resp 418.640/DF, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 2.6.2003). Na mesma linha de entendimento: "conhecido o recurso, é possível ao STJ, desde logo, aplicar o direito à espécie, nos termos do art. 257 do seu Regimento Interno, não havendo que se falar em supressão de instância. 3. O valor dos honorários foi fixado com razoabilidade, no mínimo legal, devendo ser ressaltado o fato de que a tese defendida pela parte só veio a ser acolhida na instância Superior, demandando acompanhamento profissional contínuo, que merece ser prestigiado" (EDcl REsp 1.130.634/RS. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, Dje 15.12.2009). 8. Agravo Regimental do Ministério Público não provido e Agravo da Fazenda Nacional parcialmente provido tãosomente para inverter os honorários advocatícios, restabelecendo a condenação da União, fixada na sentença, ao pagamento dos ônus sucumbenciais em 5% sobre o valor da causa, atualizado monetariamente. (grifouse) Diante da firme orientação jurisprudencial emanada da Corte judicial competente, em que pese não vinculante, e em homenagem ao princípio da economia processual e à segurança jurídica, a instância administrativa deve trilhar o mesmo caminho, considerando não tributáveis os resultados das aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito, porque enquadrados como atos cooperados. Nestas condições, conheço do recurso especial interposto pelo Contribuinte, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, voto por dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) José Ricardo da Silva Fl. 521DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA 14 Fl. 522DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/201 3 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 14/02/2013 por JOSE RICARDO DA SILVA
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Numero do processo: 13302.000053/2007-52
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO.
O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Art. 62-A do anexo II).
O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC definiu que o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação (Recurso Especial nº 973.733).
O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. O Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, através de alteração promovida pela Portaria do Ministro da Fazenda n.º 586, de 21.12.2010 (Publicada no em 22.12.2010), passou a fazer expressa previsão no sentido de que “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” (Art. 62A do anexo II). O STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC definiu que “o dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação” (Recurso Especial nº 973.733). O termo inicial será: (a) Primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 30 2. 00 00 53 /2 00 7- 52 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Compescal Comércio de Pescado Aracatiense Ltda., foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01/238, referente às contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, bem como da empresa incidente sobre a remuneração para àqueles, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa, além da contribuição da empresa destinada a Terceiros. A Terceira Câmara da Primeira Turma da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 230101.824, que se encontra às fls. 843/855 e cuja ementa é a seguinte: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Sumula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, tratandose de descumprimento de obrigação principal, aplicase o artigo 150, §4°. ARROLAMENTO DE BENS. LIBERAÇÃO. REVOGAÇÃO DO ART. 37, §2° DA LEI N° 8.212/1991 PELA LEI N° 11.941/2009. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13302.000053/200752 Acórdão n.º 9202002.539 CSRFT2 Fl. 8 3 O arrolamento de bens estava previsto no art. 37, §2° da Lei n° 8.212/91, sendo legitimamente aplicado quando do lançamento de crédito tributário como garantia do pagamento do débito. Ocorre que, após o advento da Lei n° 11,941/2009, o dispositivo que previa o arrolamento foi revogado, inexistindo qualquer outra norma no ordenamento jurídico com tal previsão, não mais subsistindo o fundamento legal para a manutenção daquela restrição, de modo que o arrolamento realizado antes do seu advento deve ser revogado. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. REMUNERAÇÃO E PRÓLABORE INDIRETO. PAGAMENTO DE UTILIDADES EM BENEFÍCIO DOS EMPREGADOS E DO SÓCIO GERENTE. O pagamento de seguro, aluguel e quaisquer outras despesas revertidas em beneficio direto dos empregados e do sócio gerente configuram remuneração e prólabore indireto, sendo, por isso, base de cálculo para a contribuição previdenciária. DESCONSIDERAÇÃO INDEVIDA DE COMPENSAÇÃO. PEDIDO FORMULADO PERANTE A RECEITA FEDERAL E O INSS. SUSPENSÃO DA EXIBILIDADE. NECESSIDADE DE PRÉVIA ANÁLISE NOS AUTOS DO REQUERIMENTO ADMINISTRATIVO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ CONSTITUÍDO. Não cabe a desconsideração pelo Fisco da compensação realizada pelo contribuinte se existe requerimento administrativo em que se apresenta o encontro de contras formulado anteriormente à própria fiscalização. Somente nos autos dos requerimento poderá ser afastada a compensação realizada e, em consequência, efetuar a cobrança do crédito tributário que, por sua vez, já estará constituído, nos termos do art. 74, §§ 6º e 8º da Lei 10.637/2002. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento e atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91. Período de apuração: 01/05/2000 a 31/12/2006.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 05/2002, devido a aplicação da regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, e por maioria (i) dar provimento parcial ao recurso para que seja aplicada a multa do artigo 61 da Lei nº 9.430/96, se mais benéfica ao contribuinte e (ii) dar parcial provimento ao recurso para excluir os valores lançados no P.A. 10830.010396/200542. Intimada do acórdão em 14/10/2011 (fls. 850), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 1153/1173, em que sustenta divergência entre o v. acórdão recorrido e o acórdão n° 202126.930 no tocante à decadência das contribuições sociais. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2300 129/2012, de 23/02/2012 (fls. 882/883). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte deixou de apresentar suas contrarrazões (fls. 886). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso, inicialmente, a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Como se verifica nos autos, o recurso foi interposto objetivando a reforma do v. acórdão no que diz respeito à declaração da decadência de parte do período em questão pela regra do artigo 150, § 4º, do CTN, para fosse aplicada a decadência com base no artigo 173, I, do CTN, em vista a divergência entre o v. acórdão recorrido e os acórdãos nº 910100460 e CSRF/0203.331. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados, in verbis: “EMENTA: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do artigo 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP nº 973.733 – SC, submetido no regime do art. 543 – C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” EMENTA: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante nº 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º).” Pois bem. No âmbito do Código Tributário Nacional, cabe examinar se deve ser aplicado ao caso o §4º do art. 150 ou art. 173, inciso I, do CTN, ambos para se determinar o termo inicial para contagem do prazo de decadência de 5 anos. Em diversas oportunidades já manifestei o entendimento segundo o qual, para os tributos sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para efetuar o lançamento de tal tributo seria, em regra, o do art.150, §4º do CTN. Dessa forma, o prazo decadencial para o lançamento seria de cinco anos a contar do fato gerador, independentemente da existência de pagamento antecipado. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13302.000053/200752 Acórdão n.º 9202002.539 CSRFT2 Fl. 9 5 Ocorre que o Regimento Interno deste E. Conselho, a partir de alteração promovida pela Portaria MF n.º 586, de 22 de dezembro de 2010, introduziu no artigo 62A do Anexo II dispositivo que determina, in verbis: “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF” E o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar em 18/09/2009 o RESP nº 973.733 na sistemática de recursos repetitivos, nos termos do artigo 543C do CPC, consolidou entendimento diverso no que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, considerando relevante a existência de antecipação do pagamento para a aplicação do art. 150, parágrafo 4º do CTN. O acórdão em questão encontrase assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Com o advento da decisão acima referida, temse que nos casos em que não houve antecipação de pagamento deve este Colegiado aplicar a regra do art. 173, I, do CTN, ou seja, contarse o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, sendo este entendido, segundo a ementa acima, como o primeiro dia seguinte à ocorrência do fato imponível. Nos casos em que há recolhimento, ainda que parcial, aplicase a regra do art. 150, § 4º do CTN, ou seja, o prazo iniciase na data do fato gerador. No presente caso, o próprio lançamento reconhece a existência de pagamentos em GPS (fls. 148/152). Nestas situações e diversamente da posição defendida pela Procuradoria da Fazenda Nacional, tenho me manifestado que o deslocamento da regra de contagem do prazo de decadência do artigo 150, §4º, para o artigo 173, I, ambos do CTN, requer a total ausência de recolhimento de contribuições previdenciárias pelo contribuinte relativamente aos períodos envolvidos nos fatos geradores questionados, o que não ocorreu no presente caso. Com base no referido raciocínio aplicase ao presente caso o disposto no artigo 150, §4º, do CTN, sendo que o início da contagem do prazo de decadência dáse com a ocorrência do fato gerador. Assim, no caso em questão, considerando que a contribuinte foi cientificada do lançamento em 21/06/2007 (fls. 01) deve ser mantida a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/2002, nos termos consignados no v. acórdão recorrido. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 13302.000053/200752 Acórdão n.º 9202002.539 CSRFT2 Fl. 10 7 Destarte, conheço do recurso especial interposto pela Procuradoria para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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