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Numero do processo: 10768.008260/2002-85
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1997, 1998
GLOSA DE DESPESAS. ACUSAÇÃO FISCAL DE PERDAS FORJADAS PARA REDUZIR O LUCRO REAL. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre ao fisco fazer prova cabal da fraude imputada ao contribuinte que teria implicado na geração de perdas para reduzir os resultados tributáveis da empresa. Diante da insuficiência de provas, resta confirmar a decisão de 1a. instância que exonerou a exigência.
Recurso de Oficio Negado.
Numero da decisão: 1402-001.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Antônio José Praga de Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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ACUSAÇÃO FISCAL DE PERDAS FORJADAS PARA REDUZIR O LUCRO REAL. INSUFICIÊNCIA DE PROVAS. Cumpre ao fisco fazer prova cabal da fraude imputada ao contribuinte que teria implicado na “geração” de perdas para reduzir os resultados tributáveis da empresa. Diante da insuficiência de provas, resta confirmar a decisão de 1a. instância que exonerou a exigência. Recurso de Oficio Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 82 60 /2 00 2- 85 Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.146 2 Relatório A 6a. TURMA DRJ NO RIO DE JANEIRO I RJ, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorreu a este Conselho em face da decisão de primeira instância, que julgou improcedente a exigência constituída contra a empresa ANGRA PARTICIPACOES LTDA, no valor total de R$ 2.866.609,83 (consectarios legais até maio de 2002, incluso a multa de oficio qualificada de 150%). O recurso foi apreciado pela 5a. Câmara do 1o. Conselho de Contribuintes que na assentada de 8/11/2006 proferiu o acórdão 10516.118, anulou a decisão recorrida, determinando que nova fosse proferida. Aludido acórdão traz a seguinte ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO DE OFÍCIO SUPRIMENTO DE OMISSÃO NA APRECIAÇÃO DOS ARGUMENTOS DE LANÇAR PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO Tendo a decisão recorrida se omitido na apresentação do exame das razões de mérito 'relativamente a períodos não alcançados pela decadência ou qualquer outra preliminar, é de se repetir o julgamento para sanar a omissão por outro julgamento limitado à omissão, tornando assim possível a apreciação do recurso necessário. A DRJ proferiu então nova decisão, mantendo a exoneração integral do credito tributário, fls. 894 e seguintes, sendo que, em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: 1. Em decorrência da ação fiscal determinada pela DEINF/RJ, foram lavrados dois autos de infração para exigir da interessada: 1.1. no primeiro (fls. 564/568), imposto sobre a renda de R$ 420.905,09 (IRPJ), juros de mora e multa agravada; e 1.2. no segundo (fls. 569/573), contribuição social sobre o lucro líquido de R$ 393.438,46 (CSLL), juros de mora e multa agravada. 2. O auto de infração que exige IRPJ decorreu da glosa de perdas ocorridas nos anoscalendário de 1996 e 1997, em função de serem, segundo o autuante, oriundas de operações simuladas com opções flexíveis de dólar. 3. Alicerçouse a glosa das perdas nos artigos 195, 197, 242 e 243 do Regulamento do Imposto sobre a Renda aprovado pelo Decreto nº 1.041, de 11.01.1994 (RIR/1994). 4. A exigência da CSLL, fundada também na falta de comprovação das mesmas perdas, decorreu meramente do auto de infração que exige IRPJ, e se embasou no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, no art. 19 da Lei nº 9.249, de 1995, alterado pelo art. 2º da Emenda Constitucional nº 10, de 1996, nos artigos 1º e 2º da Lei nº 9.316, de 1996, e no art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996. 5. No termo de verificação fiscal de fls. 518/563 (TVF), o autuante: 5.1. inicialmente, presta informações sobre a forma de constituição da interessada e os seus objetivos; Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.147 3 5.2. registra o seu entendimento acerca do mercado de opções, de derivativos e de opções flexíveis de dólar; 5.3. conceitua “hedge”; 5.4. diz que, após analisar o patrimônio da interessada, não verificou a existência de riscos que justificassem a contratação de operações de opções flexíveis a título de “hedge” no volume em que foi contratado; e 5.5. depois, relata, em síntese: 5.5.1. que, com base no Razão e nas notas de negociação e no relatório de movimentação, ambos emitidos pela Bolsa de Mercadorias & Futuros – BM&F (fls. 148/166), verificou a ocorrência de nove operações realizadas entre 29.01.1996 e 23.01.1997; 5.5.2. que o ativo objeto de oito dessas operações, segundo um demonstrativo apresentado no próprio termo de verificação fiscal (fls. 532), era o dólar americano, e o da operação restante era o IBV; 5.5.3. que, exceto a última, realizada em janeiro de 1997 e cuja contraparte foi uma empresa denominada Vic Ltda., as demais foram intermediadas pelas corretoras Quality e Somartec, e tiveram como contraparte essas mesmas corretoras; 5.5.4. que a terceira e a oitava operações apresentadas no referido demonstrativo foram realizadas em mercado de balcão e contabilizadas com base nas notas de negociação emitidas pela corretoras que as intermediaram; as demais foram registradas na BM&F, conforme comprova o relatório de fls. 130/133; 5.5.5. que, pelo fato de a interessada ter computado, como despesas dedutíveis, as perdas apuradas nas operações, decidiu verificar se os ganhos auferidos pelas contrapartes foram oferecidos à tributação; 5.5.6. que diligências realizadas na Quality e Somartec revelaram que elas intermediaram tais operações por conta de Swap Com. Imp. Exp., Maranduba Comercial, Construdino Eng. e Construções, Montreal Assessoria, Multipar Empreendimentos, Santa Juliana Construções e Empril Assessoria; 5.5.7. que os sistemas informatizados da então Secretaria da Receita Federal revelaram: a) que essas empresas se encontravam em situação não regular (por jamais ter apresentado declaração de rendimentos ou feito qualquer tipo de recolhimento) ou inapta (ausência de declarações desde o exercício de 1997); b) que não se localizavam e talvez jamais tenham se localizado nos endereços fornecidos à Secretaria da Receita Federal; e c) que não foram encontrados nem os seus proprietários nem as pessoas que constavam nos cadastros da SRF como seus representantes legais; 5.5.8. que, desse modo, tornouse impossível comprovar o registro e a tributação dos ganhos obtidos pelas contrapartes nos negócios que, em contrapartida, resultaram em perdas para a interessada; 5.5.9. que a ação fiscal foi deflagrada por uma representação da Delegacia de Instituições Financeiras em São Paulo, para investigar os envolvidos na CPI dos Títulos Públicos; 5.5.10. que, de acordo com as investigações procedidas pela Polícia Federal, várias empresas foram constituídas de forma fictícia, com o intuito de desviar recursos públicos; Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.148 4 5.5.11. que o resultado de tais investigações é mais uma prova de que a interessada, em 1996 e 1997, tinha pleno conhecimento de que as contrapartes das operações em questão eram inidôneas; 5.5.12. que essas operações, embora revestidas de uma série de formalidades, tais como boletos de operação, registros nos arquivos da BM&F e intermediação de corretoras de valores, nunca ocorreram de fato e tiveram como exclusivo objetivo apenas forjar prejuízos dedutíveis na apuração do imposto de renda e transferir recursos para terceiros; 5.5.13. que é bastante ilustrativo da premeditação do prejuízo, o fato de uma experiente instituição financeira, como era a interessada, perder R$ 448.000,00 que, à época, representavam em torno de US$ 448.000,00 em negócios financeiros realizados com empresas comerciais, de participação, de assessoria e até mesmo de construção, quando o corriqueiro é ocorrer exatamente o contrário; ou seja, nas vezes em que empresas não financeiras se aventuram nos mercados de risco, elas, em geral, acabam amargando prejuízos; e 5.5.14. que o dolo está caracterizado, ao menos em tese, pelo fato de a interessada, apesar de conhecer detalhadamente os procedimentos de registro e as características das operações de opções flexíveis, contratar operações desse tipo com pessoas inidôneas, para simultaneamente estabelecer um fluxo de pagamentos a terceiros não identificados e registrar uma despesa cuja conseqüência é a redução do recolhimento de impostos e contribuições. 6. Cientificada das exigências em 21.05.2002, a interessada as impugnou no dia vinte do mês seguinte (fls. 595/661). Alegou, em síntese: 6.1. que, por serem o IRPJ e a CSLL tributos submetidos a lançamento por homologação e terem os seus fatos geradores ocorrido nos meses de dezembro de 1996 e de 1997, já havia se expirado, à época da lavratura e ciência dos autos de infração maio de 2002, o prazo decadencial previsto no art. 150, § 4º, do CTN, pelo menos quanto aos fatos geradores ocorridos em 1996; 6.2. que ainda que se entenda que a suposta infração que lhe foi imputada estivesse eivada de dolo, fraude ou simulação, também já teria se consumado a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo a 1996; 6.3. que, verificado o dolo, a fraude ou a simulação em relação a tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a jurisprudência administrativa entende que a regra de decadência se desloca do § 4º do art. 150 do CTN para uma das hipóteses do art. 173 do mesmo código, como demonstram as ementas que transcreveu; 6.4. que, de acordo com o referido art. 173, operase a decadência, como regra geral, no prazo de cinco anos contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, e que, caso já tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, o prazo de decadência se inicia na data dessa notificação; 6.5. que a jurisprudência administrativa se consolidou no sentido de que a entrega da declaração de rendimentos é medida indispensável à constituição do lançamento e, por conseguinte, que o prazo decadencial do IRPJ e da CSLL se inicia na data da sua entrega e não no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 6.6. que, no presente caso, como a sua declaração de rendimentos relativa ao períodobase de 1996 foi apresentada em 28.04.1997 (fls. 733), o direito à Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.149 5 constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos naquele período decaiu em 28.04.2002; e 6.7. que, assim, o lançamento lavrado em 16.05.2002, do qual ela tomou ciência no dia vinte e um seguinte, foi fulminado pela decadência. 7. No que tange ao mérito, argumentou basicamente: 7.1. que, do início de 1996 a janeiro de 1997, acreditava na desvalorização do real frente ao dólar; 7.2. que, por isso, adquiriu, por meio de operações com opções flexíveis de câmbio, o direito de comprar dólares por valores previamente ajustados; 7.3. que, frustrandose a sua expectativa, deixou de exercer o direito de comprar a moeda norteamericana e, assim, sofreu perdas correspondentes aos prêmios pagos; 7.4. que tais perdas foram glosadas sob o argumento de que elas não eram necessárias e que decorreram de operações simuladas com opções flexíveis registradas na Bolsa de Mercadorias e de Futuros (BM&F); 7.5. que eram desnecessárias para suas atividades, segundo o autuante, porque: a) as opções tinham natureza de cobertura de riscos (hedge) e ela não corria riscos que justificassem a proteção; e b) que as perdas com opções não guardaram qualquer correlação lógica com os resultados positivos da sua atividade principal, a de intermediação financeira de títulos e valores mobiliários; 7.6. que foram simuladas as operações porque ela conhecia as contrapartes das operações e porque havia indícios de que as operações foram realizadas com fins outros que não os normais; 7.7. que o conhecimento das contrapartes por ela foi inferido a partir de declaração de representante da BM&F de que, nas operações com opções flexíveis sem garantia, os contratantes se conhecem; 7.8. que a presunção de que as operações não foram realizadas para seus fins normais partiu: a) da improbabilidade das perdas sofridas, uma vez que a sua experiência no mercado financeiro seria muito maior que a das contrapartes, empresas comerciais; b) do fato de não ter exigido qualquer tipo de garantia das contrapartes para efeito de recebimento de eventual ganho auferido nas operações; e c) da convicção de que elas, empresas inidôneas e inativas, não ofereceram à tributação os ganhos auferidos nas operações; 7.9. que, nesse particular, o auto é também improcedente, pois: 7.9.1. as operações com opções flexíveis não se prestam apenas a “hedge”; podem ser também especulativas; 7.9.2. as operações em questão tiveram finalidade especulativa, e essa é uma atividade típica das instituições de mercado, como é o seu caso, razão pela qual as respectivas perdas são inerentes ao seu negócio, conforme reconhecido em lei; 7.9.3. em decorrência do princípio da legalidade, a ocorrência do fato gerador do tributo deve ser provada, e não apenas presumida pela autoridade administrativa, como o foi; e 7.9.4. além de não ter havido a prova, as suposições do autuante foram extraídas de premissas equivocadas, haja vista: a) que ela não conhecia as contrapartes das operações, as quais foram liquidadas por intermédio de corretoras; b) que não auferiu nenhum benefício com as operações, uma vez que os prêmios pagos não lhe Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.150 6 foram restituídos nem mesmo indiretamente; c) que as operações foram efetuadas com o propósito normal de lucro, e o prejuízo sofrido decorreu do risco inerente à natureza especulativa do negócio; d) que as opções adquiridas foram regulares, tanto que foram objeto de registro na BM&F, e não apresentaram parâmetros artificiais nem nenhuma outra característica encontrada em operações fraudulentas; e e) que a dedutibilidade das perdas não está nem poderia estar condicionada à tributação dos ganhos auferidos pelas contrapartes nas operações. 8. Depois de dizer que o autuante argüiu que as operações contratadas não eram necessárias às suas atividades porque as opções flexíveis têm natureza de cobertura de riscos (“hedge”) e ela não corria riscos que justificassem essa cobertura, houve por bem a interessada explicar: 8.1. que as operações com opção flexível podem ser praticadas não só com finalidade de proteção, mas também com fins especulativos; 8.2. que “hedge” e especulação são propósitos antagônicos, mas podem legitimamente justificar a celebração de contratos de opção; 8.3. que foi exatamente o que ela fez sem qualquer simulação; 8.4. que a perda sofrida com a negociação de uma opção com fins de “hedge” é tão dedutível quanto uma com fins especulativos, não havendo lei que faça tal distinção; 8.5. que, muito pelo contrário, no caso de instituições de mercado, como ela era, há lei que permite deduzir as perdas sofridas nas operações de renda variável realizadas em bolsa ou no mercado de balcão, independentemente de terem fins de “hedge” ou de especulação; 8.6. que, com efeito, assim dispõem os artigos 76 e 77 da Lei nº 8.981, de 1995, com as alterações introduzidas pelas Leis nº 9.065 e nº 9.249, ambas de 1995: "Art. 76. O Imposto sobre a Renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável, ou pago sobre os ganhos líquidos mensais, será: § 4° Ressalvado o disposto no parágrafo anterior, as perdas apuradas nas operações de que tratam os arts. 72 a 74 somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o limite dos ganhos auferidos em operações previstas naqueles artigos. Art. 77. O regime de tributação previsto neste Capítulo não se aplica aos rendimentos e ganhos líquidos: I em aplicações financeiras de renda fixa de titularidade de instituição financeira, inclusive sociedade de seguro, previdência e capitalização, sociedade corretora de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários ou sociedade de arrendamento mercantil. III nas operações de renda variável realizadas em bolsa, no mercado de balcão organizado, autorizado pelo órgão competente, ou através de fundos de investimento, para a carteira própria das entidades citadas no inciso I; V em operações de cobertura (hedge) realizadas em bolsa de valores, de mercadoria e de futuros ou no mercado de balcão"; 8.7. que, no caso de “hedge”, as perdas sofridas em operações de bolsa ou de balcão são dedutíveis sem qualquer restrição tanto para as pessoas jurídicas nãofinanceiras Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.151 7 quanto para as instituições de mercado (art. 77, V). Todavia, em relação às perdas sofridas em operações especulativas realizadas em bolsa ou no mercado de balcão, a lei dispensou tratamento tributário diferenciado às instituições de mercado, até mesmo às distribuidoras de títulos e valores mobiliários, como era o seu caso; enquanto para as empresas nãofinanceiras tais perdas somente são dedutíveis até o limite dos ganhos auferidos em operações realizadas nos mesmos mercados (art. 76, § 4º), para as instituições de mercado tais perdas são dedutíveis na determinação do lucro real sem qualquer restrição (art. 77, III); e 8.8. que o autuante reconheceu o caráter especulativo das suas operações, na medida em que não identificou, nos seus saldos patrimoniais, riscos a serem cobertos por operações de “hedge”, mas equivocouse ao imaginar que a finalidade das operações com opções flexíveis seria, pelo fato de ela não possuir riscos, a de simular perdas. 9. Em seguida, a interessada passou a atacar a acusação de que teria havido simulação nas operações por ela realizadas. Assim, alegou, em resumo: 9.1. que, segundo o autuante, tais operações foram simuladas, uma vez que o seu real objetivo foi transferir recursos a terceiros e simultaneamente aumentar suas perdas dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL; 9.2. que, considerando que ninguém desembolsaria cem por cento (correspondentes às perdas) para auferir benefício tributário de apenas quarenta e oito por cento (correspondentes à aplicação das alíquotas do IRPJ e da CSLL, vigentes à época, sobre as perdas incorridas), cabia ao autuante provar que os respectivos prêmios não foram pagos ou que lhe foram de alguma forma, direta ou indiretamente, restituídos, para demonstrar a simulação existente nas operações realizadas com opções flexíveis; não há, porém, uma única prova nesse sentido nas quarenta e seis páginas do TVF; 9.3. que, ao contrário, constatase que as operações realizadas estão amparadas por documentação que comprova a sua efetividade e regularidade bem como a efetividade da respectiva liquidação financeira, a qual é sempre feita por intermédio das corretoras que representam os investidores; 9.4. que as operações foram intermediadas pelas corretoras Quality, Somartec e Liquidez, com a devida obediência às regras e aos parâmetros expedidos pela BM&F; 9.5. que todas elas estão suportadas por notas de negociação (fls. 738/747); 9.6. que, exceto a realizada em 29.05.1996, as demais constam do relatório emitido pela BM&F (fls. 749/752), que comprova o registro das operações naquela entidade; 9.7. que, nesse particular, cumpre ressaltar que o registro das operações na BM&F é de responsabilidade exclusiva das corretoras que as intermedeiam, e que a eventual falta de registro de uma operação não pode justificar a glosa da respectiva perda, considerandose que o prêmio referente à compra da opção foi pago por meio da corretora interveniente; 9.8. que a operação realizada em 29.01.1996 foi liquidada por meio de cheque em favor da Quality (fls. 754) e sacado por ela, conforme comprova o extrato bancário de fls. 756; 9.9. que as demais operações, até mesmo a não registrada na BM&F por omissão da corretora, foram liquidadas por intermédio da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP), conforme os documentos de fls. 758/766; Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.152 8 9.10. que, dos documentos acostados à impugnação, inferese que apenas as corretoras tinham relação direta com os investidores ditos inidôneos; 9.11. que o autuante afirmou que ela conhecia as contrapartes das operações com base na carta de fls. 469, na qual a BM&F declara que, nas operações com opções flexíveis sem garantia, as partes se conhecem; 9.12. que, no entanto, em uma outra carta (fls. 769 e 770), a BM&F, ao ser indagada se podem as corretoras intermediar, registrar e levar a termo as operações com opções flexíveis sem garantia e efetuar a liquidação sem que seus respectivos clientes se conheçam, respondeu que “tratandose de operações sem garantia que, portanto, oferecem risco de crédito para os contratantes, as partes devem se conhecer. Todavia, podem ocorrer situações em que as partes não se conhecem. Essas situações ocorrem quando uma corretora, em face do mandato que lhe é outorgado no contrato de intermediação corretora/cliente (administração da corretora), age por conta e ordem do cliente”; 9.13. que um ponto crucial da nova carta da BM&F, o qual não constava da carta anterior, a de fls. 469, é o de que o conhecimento recíproco entre os contratantes não pode ser atestado quando há corretora atuando por conta e ordem de cliente; e 9.14. que, assim, resta demonstrado que, em operações realizadas por corretoras por conta e ordem de seus clientes, não é obrigatório nem indispensável que as partes se conheçam, e que, de resto, a simples possibilidade de os contratantes não se conhecerem já é suficiente para impedir que se repute provada uma das premissas em que se baseou o autuante para presumir simuladas as operações. 10. No que tange à regularidade das operações em questão, ponderou a interessada, em suma: 10.1. que as perdas decorreram de uma estratégia especulativa centrada na expectativa de que o dólar iria se valorizar acima dos parâmetros da política cambial vigente à época; 10.2. que tal expectativa decorria, por sua vez, de diversos fatores macroeconômicos e até mesmo: a) da crise do México ocorrida em 1995, em razão da qual o Brasil alterou sua política monetária, aumentando a taxa de juros; e b) da introdução do sistema de bandas cambiais, sem um compromisso firme do Governo Federal em sustentar tal política cambial; 10.3. que, no entanto, a esperada desvalorização só veio a ocorrer tempos depois; 10.4. que, como argumento adicional para demonstrar a ausência de artificialismos nas operações realizadas, deve ser registrado que as perdas sofridas derivaram de pequena variação do dólar, pois, caso o real tivesse se desvalorizado acima dos percentuais de 1,73%, 0,63%, 0,41%, 0,74%, 1,10%, 0,43% e 2,81% quando da liquidação das operações cujos vencimentos ocorreram em março, junho, julho, agosto, outubro, novembro e dezembro de 1996, respectivamente, ela teria auferido lucros, por ter adquirido as opções; 10.5. que o fato de ela não exigir garantia quando da contratação das opções não serve como prova de simulação porque a exigência ou não de garantias depende exclusivamente da política de risco de cada investidor; 10.6. que, a propósito, ela não recebia nem oferecia garantias em suas operações de intermediação financeira; 10.7. que a sua garantia residia, em última análise, nas corretoras que atuavam por conta e ordem das contrapartes e não nestas últimas, que ela sequer conhecia; Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.153 9 10.8. que também obteve ganhos em operações com opções flexíveis (fls. 749/752), os quais lhe foram creditados pelas corretoras intervenientes; 10.9. que o fato de as contrapartes estarem em situação irregular perante a Receita Federal e não terem oferecido à tributação os ganhos obtidos não serve para demonstrar o intuito de fraude que, segundo o autuante, motivou as operações com opções flexíveis; 10.10. que é absurda a glosa das perdas sofridas, sob o fundamento de que os ganhos auferidos pelas contrapartes não foram oferecidos à tributação, porque, nos termos da legislação tributária, a eliminação de determinada despesa somente é justificada pela falta de comprovação ou pela desnecessidade dela; e 10.11. que, assim, restou demonstrado que os indícios levantados pelo autuante não são fatos comprovados e, portanto, não revelam irregularidade alguma nas operações discutidas nem caracterizam a alegada simulação das perdas. 11. A interessada reclamou também do procedimento fiscal, por ele ter desrespeitado, segundo ela, o princípio da legalidade e da tipicidade. Alegou, em síntese: 11.1. que o lançamento tributário só é válido se demonstrada a ocorrência do fato gerador do imposto, pois a exação baseada em mera possibilidade dessa ocorrência ofende os princípios da legalidade e da tipicidade; 11.2. que, no entanto, a autuação decorreu de presunção simples, que é aquela que parte de um fato conhecido (indício) e, depois de estabelecer uma relação de causalidade, chega a um fato desconhecido que é o resultado lógico de um encadeamento de fatos; 11.3. que, quando essa relação de causalidade é prevista em lei, a presunção é classificada como legal; 11.4. que, nestes autos, o autuante presumiu simuladas as operações realizadas a partir das premissas de que ela conhecia as contrapartes e de que tais operações foram praticadas com fins outros que não os normais; e 11.5. que, como essa presunção não está prevista em lei e não foi comprovada a relação de causalidade exclusiva entre as premissas e a simulação da perda, o procedimento fiscal não pode prevalecer. 12. Também reclamou a interessada: 12.1 que não foi considerada, na determinação da matéria tributável do IRPJ do anocalendário de 1996, a CSLL apurada de ofício; e 12.2. que a jurisprudência administrativa é no sentido de que tal contribuição era, até o anobase de 1996, dedutível na apuração do IRPJ, conforme comprovam as ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes transcritas na impugnação. 13. Por fim, a interessada investiu contra o auto de infração que lhe exige CSLL. Disse: 13.1. que, em razão da decorrência do de IRPJ, ele é improcedente pelas mesmas razões expostas contra aquele outro; 13.2. que, todavia, mesmo no caso de o auto de infração principal ser declarado procedente, a exigência da CSLL reflexa deve ser modificada, de forma que a alíquota empregada no seu cálculo seja igual à aplicável às pessoas jurídicas não financeiras e, assim, seja respeitado o princípio da isonomia; e Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.154 10 13.3. que o aumento da CSLL pela Emenda Constitucional nº 10, de 04.03.1996, ofendeu: a) a forma federativa de estado e o princípio da legalidade, uma vez que emenda constitucional não é lei da União Federal nem instrumento legislativo idôneo para aumento de tributos federais; e b) os princípios da anterioridade e da irretroatividade da lei, pois foi cobrado sobre fatos geradores iniciados em 01.01.1996. 14. Ao julgar os autos de infração, esta Turma de Julgamento, que, à época, tinha outra composição, proferiu o acórdão nº 8.893, de 17.11.2005 (fls. 815/817), assim ementado: “IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao imposto de renda decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo ocorrência comprovada de dolo, fraude ou simulação, em virtude de, desde o advento da Lei nº 8.383, de 1991, ser por homologação o lançamento do referido tributo”. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. DESPESAS OPERACIONAIS. NEGÓCIOS COM OPÇÃO FLEXÍVEL DE DÓLAR. PERDAS. COMPROVAÇÃO. Descabe a glosa das perdas verificadas em negócios com opção flexível de dólar, se a fiscalização não logra comprovar que tais perdas foram forjadas para reduzir a base de cálculo do tributo. Lançamentos Improcedentes” 15. Ao apreciar o recurso de ofício interposto pelo presidente da Turma de Julgamento, a Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes houve por bem: a) anular o referido acórdão, sob o argumento de que a decisão recorrida se omitiu “na apresentação do exame das razões de mérito relativamente a períodos não alcançados pela decadência ou qualquer outra preliminar”; e b) determinar a repetição do julgamento, com a recomendação de que ele deve se limitar à omissão. 16. Cientificada do acórdão em 15.03.2007, a interessada apresentou, na mesma data, a petição de fls. 870 e 871, na qual informou que não apresentará recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais por confiar que a total improcedência do lançamento será confirmada pela nova decisão de 1ª instância a ser proferida. 17. À petição ela anexou memorial dirigido aos conselheiros da câmara que julgou o recurso de ofício (fls. 872/875) e um parecer econômico de autoria da Tendências Consultoria Integrada sobre as suas operações com opções flexíveis realizadas em 1996 e 1997. A nova decisão recorrida. está assim ementada: LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir crédito tributário relativo ao imposto de renda decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, salvo ocorrência comprovada de dolo, fraude ou simulação, em virtude de, desde o advento da Fl. 1154DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.155 11 Lei nº 8.383, de 1991, ser por homologação o lançamento do referido tributo. CUSTOS OPERACIONAIS. NEGÓCIOS COM OPÇÃO FLEXÍVEL DE TAXA DE CÂMBIO. PERDAS. COMPROVAÇÃO. As efetivas perdas em negócios com opção flexível de taxa de câmbio são admissíveis como operacionais, por serem inerentes e normais ou usuais nas atividades das instituições financeiras, e reduzem regularmente, portanto, o seu lucro real, de acordo com o art. 242 do RIR/1994. DESPESAS OPERACIONAIS. NEGÓCIOS COM OPÇÃO FLEXÍVEL DE TAXA DE CÂMBIO. PERDAS. COMPROVAÇÃO. Descabe a glosa das perdas verificadas em negócios com opção flexível de taxa de câmbio quando não há comprovação de que tais perdas foram forjadas para reduzir a base de cálculo do tributo. Transcrevese os fundamentos do voto condutor do acórdão em tela: Mesmo suspeitando que o emprego da expressão “em tese” decorreu da orientação do referido manual, não deixa de ser sintomática a insistência do autuante em mencionála nos três primeiros parágrafos do tópico 2.11.3 do termo de verificação fiscal, dedicado ao assunto dolo. Ela é o primeiro sinal da desconcertante escassez de provas e da imensa fragilidade dos indícios de simulação reunidos durante a auditoria que ele tenta suprir com abundantes considerações e suposições. Nem mesmo a constatação de que a Swap Com. Imp. Exportação, a Maranduba Comercial, a Construdino Engenharia e as demais pessoas jurídicas indicadas no quadro de fls. 534 não passam de empresas de fachada, por assim dizer, constitui vestígio de que houve simulação nas operações examinadas, porque o autuante, afinal, nem conseguiu reunir dados que estabelecessem qualquer liame entre elas e a interessada. Provas há, no entanto, de que tais empresas eram clientes das corretoras Quality, Somartec e Liquidez e que as negociações foram realizadas entre a interessada e aquelas corretoras (fls. 738/747). Observo ainda que o autuante nem conseguiu apurar quem foi a verdadeira beneficiária dos lucros derivados das operações suspeitas, a qual, por sinal, teria que ser direta ou indiretamente a interessada, para se justificar a autuação. Afinal, não é admissível supor que alguém suporte despesa apenas com o fito de aproveitar a redução do ônus tributário que a sua escrituração implica, haja vista que este é significativamente menor que a própria despesa. Abro parêntesis aqui para registrar que estes autos são bastante semelhantes, quase idênticos, aos do processo nº 10768.011073/200289 cujo objeto é um auto de infração lavrado pela mesma Delegacia Especial de Instituições Financeiras no Rio de Janeiro (DEINF/RJ), acompanhado também de um termo de verificação fiscal. Naqueles autos, assim como nestes, a interessada especulou com opções flexíveis de taxa de câmbio em 1996, amargou perdas com tais operações e os ganhos produzidos em contrapartida foram colhidos por empresas de fachada, já que elas não foram encontradas nos endereços fornecidos à Receita Federal, ninguém as conhecia, não apresentavam declarações de rendimentos, etc. Coubeme relatar aquele processo quando ainda integrava a 9ª Turma desta Delegacia de Julgamento. No voto condutor ao acórdão nº 2.614, de 20 de dezembro de 2002, no qual aquela Turma acordou unanimemente julgar improcedente o lançamento, deixei claro que não ficou comprovado, nos autos, que foram forjadas Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.156 12 as perdas amargadas pela instituição financeira. O ponto central da acusação de que teria havido simulação nas operações que implicaram as perdas era a certeza do autuante de que a interessada naquele processo conhecia as clientes da corretora Quality, a qual figurava como contraparte naquelas operações. Tal certeza provinha de uma informação contida na carta enviada pela BM&F à DEINF/RJ da qual uma cópia se encontra às fls. 469 deste processo. Essa informação era a de que, na modalidade sem garantia como se operaram as opções flexíveis negociadas parte e contraparte se conhecem. Talvez pelo fato de eu nutrir um certo interesse pelo mercado financeiro, de me sentir atraído pela Bolsa de Mercadorias e Futuros e pela Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) a ponto de me aventurar em operações nesta última, por não ser, enfim, totalmente leigo nesse assunto, não reputei convincente a informação prestada pela BM&F. Ela não era peremptória e não me pareceu muito segura nem sei bem por quê. Não posso negar que me chamou a atenção o fato de ela ter sido assinada por um advogado, profissional que, em geral e sem nenhum preconceito, não morre de amores pelo mercado financeiro e tampouco pelas vísceras das Bolsas de Valores e de Mercadorias. Estou certo, porém, que não foi essa a razão da minha suspeição. Como, nas minhas incursões pelo mercado de capitais, seja no pregão, seja no mercado de balcão, eu não sei quem me vende ações e opções nem quem compra as minhas posso saber apenas quais são as corretoras envolvidas nas negociações resisti a confiar nessa informação, a qual, para mim, longe de ser uma prova cabal, era apenas um indício, não mais que um simples indício de que nas operações flexíveis sem garantia parte e contraparte se conheciam. Assim, ela não foi suficiente para me convencer da simulação das operações, até porque não havia nada mais nos autos que sugerisse que a interessada e as empresas de fachada se conheciam. (...) à vista das informações contidas na nova carta da BM&F esta firmada pelo seu diretor geral (fls. 769/770) e autenticada, conforme documento de fls. 814 ratificariam aquela decisão. Merece memorização o seguinte trecho daquela carta: “Tratandose de operações sem garantia que, portanto, oferecem risco de crédito para os contratantes, as partes devem se conhecer. Todavia, podem ocorrer situações em que as partes não se conhecem. Essas situações ocorrem quando uma corretora, em face do mandato que lhe é outorgado no contrato de intermediação corretora/cliente (administração da corretora), age por conta e ordem do cliente (o negrito não é do original). Como bem acentuou a interessada na impugnação, um ponto crucial da nova carta da BM&F é o de que o conhecimento recíproco entre os contratantes não pode ser atestado quando há corretora atuando por conta e ordem de cliente. E provas há, nos autos, de que corretoras intermediaram as operações (fls. 738/766). Diante do exposto, querme parecer que ruiu o alicerce do acórdão proferido pela 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes e que a resposta à indagação formulada no início deste voto deve ser “Não. Não há prova nos autos de que houve dolo, fraude ou simulação”. Desse modo, insisto que a norma a ser aplicada aqui é sem dúvida a do art. 150, § 4º, do CTN, o que conduz à conclusão segura de que, à época do lançamento do imposto de renda, já havia decaído o direito de a Fazenda Pública lançálo relativamente aos fatos geradores ocorridos até 31.12.1996. (...) “No que tange à operação realizada em 23.01.1997, é certo que o lançamento efetuado não é extemporâneo. Contudo, não tendo sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação na sua realização, consoante o que Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.157 13 se viu acima, reputoo também improcedente, porque as despesas computadas no resultado do exercício correspondem a efetivas perdas inerentes às atividades da interessada à época do fato gerador e, dessa forma, reduziram regularmente o seu lucro real, de acordo com o art. 242 do RIR/1994. Observei que essa operação foi a única cuja nota de negociação (fls. 747) aponta, como contraparte, a Vic Indústria e Comércio, uma das empresas de fachada. Esse fato, porém, não é suficiente para comprovar que ela e a interessada se conheciam, porque a operação foi intermediada pela corretora Liquidez e, como disse a BM&F, as partes, nesses casos, podem não se conhecer. Quanto à CSLL, não se trata de decadência do direito de constituir crédito tributário, pois, no seu caso, esse direito decai somente com o decurso do prazo de dez anos, conforme estabelece o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Todavia, por não ter sido comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação nas operações examinadas, consoante o que se viu acima, o lançamento é também improcedente”. Admito que, na apreciação do mérito, fui bem simples, bem rápido e bem objetivo. Aliás, no meu modesto entendimento, assim deveriam ser todas as apreciações. Todavia, observo que tive até mesmo o cuidado de iniciar o antepenúltimo parágrafo advertindo que, no que tange à operação realizada em 23.01.1997, é certo que o lançamento efetuado não é extemporâneo. Em outras palavras, quis dizer que o fato gerador deflagrado pela operação realizada em 23.01.1997 não foi alcançado pelo instituto da decadência; ou seja, que não era a decadência que determinava a rejeição do lançamento, mas, sim, o fato de as despesas corresponderem a efetivas perdas inerentes às atividades da interessada à época do fato gerador, uma vez que não houve a comprovação da simulação apontada. Assim, o custo dos ativos adquiridos (as opções de compra de taxa de câmbio) não poderia ser desprezado, uma vez que reduziu regularmente o seu lucro real, de acordo com o art. 242 do RIR/1994, por ter se convertido em perda. É bom lembrar, por oportuno, que se não for atacada a documentação comprobatória da compra ou da venda de um ativo, só mesmo a comprovação de ter havido simulação no negócio autoriza a rejeição dos respectivos valores, para efeitos tributários. No tocante à CSLL, aí mesmo é que não tem cabimento a afirmação de que não apreciei o mérito da autuação. Afinal, ao iniciar o parágrafo que trata dessa matéria, afastei, de plano, a hipótese de decadência, e no mínimo deixei implícito que a falta de comprovação da simulação me obrigava a reputar regular a perda computada no resultado do exercício, uma vez que ela decorria dos negócios aos quais a interessada se dedicava à época do fato gerador. Exatamente por isso julguei o lançamento da CSLL também improcedente. O processo retornou a 5a. Câmara do 1CC e na sessão de 16/04/2008 foi convertido em diligencia, consoante Resolução 10501.382, cujo relatório e voto abaixo transcrevo parcialmente: Relatório (...) A ciência da decisão acima se deu por Edital (fls. 852) publicado no DOU em 26.01.2006 (fls. 853, retificado o Edital em 30.01.2006 (fls. 854). Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.158 14 Em 15.03.2006 a empresa protocolou petição sob a forma de Memorial reiterando suas razões impugnatórias, reafirmando a preliminar de decadência e juntando Parecer Econômico da Tendência Consultoria Integrada. A decisão Relativa à nova apreciação dos fatos prolatada pela 6a Turma da DRJ (I) do Rio de Janeiro, RJ, cancelou a exigência sob ementa (fls. 894): (...) Considerando alterações na composição desta 5a Câmara, procedo à leitura em plenário do relatório e voto correspondentes à decisão contida no Acórdão n° 105 16.118, para conhecimento de todos acerca dos antecedentes do processo. A nova decisão ensejadora do presente recurso de ofício confirmou a decisão anterior, tendo apreciado inicialmente a preliminar de decadência, necessitou examinar a situação caracterizada pela aplicação da multa qualificada de 150%, que corresponderia à excludente de aplicação do § 4o, do artigo 150 do CTN. São datas que interessam: • Ciência dos autos de infração em 21.05.2002; fls. 564 IRPJ e 569 CSLL; • Fatos Geradores: 31.12.96 e 31.12.97; O voto esclarece que após a Lei n° 8.383/91, tanto o IRPJ quanto a CSLL estão regidas pelas disposições do artigo 150 do CTN, submetidas à homologação e, portanto se aplica o prazo estabelecido no seu parágrafo 4o. Esclarece ainda que oito das nove operações que deram causa às glosas de despesas foram realizadas no anocalendário de 1996 e apenas uma no anocalendário de 1997. O relator repete em sua grande maioria o voto da decisão anteriormente formalizada, apenas inovando nos parágrafos derradeiros (fls. 924 em diante). O voto reitera as queixas contra a decisão prolatada por esta 5a Câmara no processo n° 10768.011073/200289, que deixo de apreciar por se referir a outro processo, inclusive de outro contribuinte, admitindo apenas ser possível existir a analogia informada pelo Sr. Relator. Reitera também as afirmativas de ser o relator um conhecedor de operações de mercado e nelas embasa sua decisão. Informa o relator (fls. 926), que: "No tocante à CSLL, aí mesmo é que não tem cabimento a afirmação de que não apreciei o mérito da autuação. Afinal, ao iniciar o parágrafo que trata dessa matéria, afastei, de plano, a hipótese de decadência, e no mínimo deixei explicito que a falta de comprovação da simulação me obrigava a refutar regular a perda computada no resultado do exercício, uma vez que ela decorria dos negócios aos quais a interessada se dedicava à época do fato gerador". Isso demonstra que o questionamento alinhavado acerca da expressão "... em tese ficou demonstrada a prática de ilícito que justifica a formalização da Representação", conduziu o relator a entender que, em não havendo fraude ou dolo, as operações inquinadas eram legítimas e portanto, plenamente dedutíveis. O relator entendeu que a correspondência da BM&F endereçada à DEINF/RJ (fls. 469) não era peremptória e não lhe pareceu muito segura, e que poderia servir apenas como um indício, longe de ser uma prova cabal de que nas operações flexíveis sem garantia parte e contraparte se conheciam, e por isso não se convencia Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.159 15 da simulação das operações, até porque não havia nada mais nos autos que sugerisse que a autuada e as empresas de fachada se conheciam. Foi formalizada declaração de voto vencido (fls. 928 e 929), com base no entendimento de discordância quanto à empresa, que não saberia quem estava na outra ponta das operações. No caso, intermediadas pelas corretoras Quality e Somartec.. Não fica a argumentação do voto vencido nisso, como se expõe (fls. 928 e 929): "Entretanto, devo discordar de tal entendimento. Se a análise do dolo dependesse apenas do conhecimento recíproco das partes, com efeito tal situação não ficou comprovada nos autos e não se poderia cogitat da ocorrência de dolo. Porém, o conjunto probatório aponta para o fato de que a interessada apresentou prejuízos consideráveis exatamente em favor de nove empresas inidôneas, cujos endereços e responsáveis não foram localizados, apesar das diligências, digase de passagem, insistentes, do autuante, como descrito no TVF. A interessada alega ainda que o autuante se baseou em presunção não autorizada por lei, uma vez que não apresentou provas da irregularidade que a ela atribui. Entretanto, no presente caso o autuante se amparou em um conjunto probatório formado pela reincidência das operações com nove empresas fictícias ou inidôneas. Ou seja, não se amparou ou autuante em apenas uma operação com uma empresa inidônea, mas em nove situações semelhantes. O fato de a interessada contar com a intermediação de corretoras em nada releva o conteúdo doloso das operações, caracterizado pela contratação de contrapartes fictícias. Tanto é assim que a interessada, em sua extensa impugnação, não produziu nenhum argumento que contrariasse o fato de que negociou com empresas que ela própria não encontraria para cobrar caso fosse ganhadora, visto que as operações não eram garantidas pelas corretoras intermediadoras das operações. Os alegados pagamentos à corretora nada atestam a licitude das operações questionadas ou que a estas se destinavam, uma vez que não ficou comprovada a destinação do desembolso, além de não haver coincidência de datas e valores. Desse modo, entendo ser procedente a glosa levada a efeito, tendo em vista a ocorrência de dolo nas operações contratadas pela interessada nos anos de 1996 e 1997. Nessa linha, não teria se operado a decadência quanto aos fatos geradores ocorridos em 1996, uma vez que a contagem do prazo decadencial se daria na forma do art. 173,1, do CTN." Tudo isso posto, diante da modificação da composição desta 5a Câmara, leio em plenário o relatório e voto por mim elaborado quando do julgamento anterior, na sessão de 08 de novembro de 2006. Assim se apresenta o processo para julgamento. Voto (...) Com relação à observação contida no início do voto condutor da decisão recorrida, de que, apesar da determinação desta Câmara para que fosse apreciado o mérito questão, e que iria ampliar o exame a todas as Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.160 16 É de se adotar a mesma seqüência de análise adotada pela autoridade recorrida, qual seja antecipar a preliminar pela apreciação da qualificação da multa para se concluir sobre a excludente contida no § 4o, do Artigo 150 do CTN. A repetição da decisão de Io grau não produziu os efeitos esperados, mas entendo que o prolator do voto condutor da decisão recorrida pretendeu apenas reafirmar seus argumentos genéricos acerca da exigência, não sem indicar suas razões de decidir, contrapostas por outras razões trazidas na declaração de voto. Parece que importante prova a ser apreciada é a correspondência de fls. 469. Tratase de correspondência expedida pela BM&F, em 17.07.2000, ao Sr. Leonardo de Andrade Couto em atendimento a termo de diligência MPF 2000 00082 4, de 13 de julho de 2000. Trago a exame o teor da correspondência (fls. 469 e 470): "Ref: Termo de Diligência MPF 2000 00082 4, de 13 de julho de 2000. Prezados Senhores: Em atendimento ao Termo de Diligência em epígrafe, seguem, abaixo, os esclarecimentos solicitados por V.Sas.: As operações de Opções Flexíveis ocorrem no mercado de balcão, nas modalidades com e sem garantia. Na modalidade "com garantia”, as partes não se conhecem e a Corretora intermédia a operação, registrandoa com outra Corretora ou com ela mesma. Na modalidade "sem garantia", onde parte e contraparte se conhecem, após o acordo quanto às características da operação, tais como o preço de exercício, prazo, data de pagamento do prêmio, etc., ambas as partes escolhem uma ou duas Corretoras para registrarem o negócio no Sistema Eletrônico da BM&F. Nessa modalidade, a(s) Corretora(s) somente presta(m) o serviço de registro, estando eximida(s) de quaisquer responsabilidades financeiras, bem como o(s) respectivo(s) Membro(s) de Compensação e a própria Bolsa. Em qualquer circunstância a corretora estará, sempre, agindo por conta e ordem do cliente. Para complementar os esclarecimentos, encaminhamos, em anexo, cópias das Especificações do Contrato de Opções de Compra e de Venda Flexíveis de Taxa de Câmbio de Reais por Dólar dos Estados Unidos e cópia do Contrato de Intermediação Corretora/Cliente. 5. Com relação às operações relacionadas em seu Termo de Diligência de 04/07/1996, referido em epígrafe, temos a esclarecer que a sua formalização foi realizada diretamente entre as partes, que informaram os dados às corretoras para registro. No período de janeiro a março de 1996, a BM&F permitia que as Corretoras cadastrassem clientes por conta, ou seja, se, identificação do nome perante a BM&F, com a obrigação de, "quando solicitadas, identificarem os clientes para a Bolsa. A partir de dezembro de 1996, a BM&F reestruturou seu Sistema de Cadastro, tornando obrigatória a identificação dos clientes. 5. Anexamos, ainda, cópia da regulamentação para cadastro de clientes das corretoras associadas à BM&F. Sendo o que se apresentava para o momento, e permanecendo à disposição dessa Delegacia para quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários, subscrevemonos," Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.161 17 O item 3., contém a afirmativa de que as operações relacionadas no termo de diligência de 04.07.96 foram realizadas diretamente entre as partes, que informaram os dados às corretoras para registro (destaquei). Observei que na correspondência de fls. 469 e 470 não consta o elenco de operações mencionadas no item 3., da correspondência e que o termo de intimação respondido é datado de 13.07.2000. Portanto, a correspondência deve se referir a outro termo de intimação. Na montagem do processo estão alocados a fls. 466 a 475 documentos relativos à diligência junto à BM&F, sendo o MPF de n° 2000 00082 4. Entre eles não encontrei qualquer termo de diligência com a data de 04.07.1996 mencionada na correspondência da BM&F, o que dificulta a correlação documental. Com relação a essa prova, que entendo ser fundamental ao deslinde da questão, é visível que dentro da sistemática descrita na correspondência, as partes podem se conhecer, porém a afirmativa explícita acerca de uma relação de operações elencada em um termo de diligência identificado como sendo datado de 04.07.1996, faz com que a concretização da afirmativa seja identificada com as operações ali elencadas. E, não consegui localizar no processo o termo de diligência nem outro documento oferecido formalmente à BM&F que contivesse a relação de operações que possam fazer conexão entre o termo de diligência de 04.07.1996 e o rol de operações sob questionamento. Entre as hipóteses a avaliar ocorreme ser possível que eu não tenha encontrado, entre as 563 primeiras páginas do processo, que antecedem os autos de infração o referido termo de diligência; ter constado na correspondência da BM&F a data equivocada; não ter o referido termo de diligência sido inserido no processo; A importância da correspondência de fls. 469 fica patente no relatório da fiscalização que, a fls. 557: "o que está descrito no parágrafo anterior é tão notório, que além de declarar textualmente o que aqui relatamos, a BM&F não exigia para a operação nenhum tipo de garantia, servindo como mero agente de registro da operação. Conforme a Bolsa de Mercadorias e Futuros mesmo declarou em atendimento a um de nossos Termos de Diligência "na modalidade sem garantia, onde parte e contraparte se conhecem, quanto às características da operação, tais como preço de exercício, prazo, data de pagamento do prêmio, etc., ambas as partes escolhem uma ou duas corretoras para registrarem o negocio no sistema eletrônico da BM&F. (grifas nossos)" (fls. 469). Não estamos tratando de uma interpretação do contrato de opções flexíveis, e sim de uma declaração expressa do agente responsável pelo registro da operação aqui em questão." Assume, portanto, capital importância a confirmação de que as operações questionadas são aquelas a que se refere a correspondência da BM&F (fls. 469), mas a declaração nela contida carece de adequação, quanto aos detalhes nela contidos. Enquanto a descrição genérica das operações instala razoável possibilidade de as partes se conhecerem, a afirmativa contida na correspondência pode traduzir certeza acerca disso, eliminando tergiversações e conflito de entendimentos, como aquele verificado no julgamento de primeiro grau. Conflito esse que só ocorreu por não ter a decisão recorrida atacado objetivamente as provas trazidas pela fiscalização e as alegações expressas da impugnante. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.162 18 Assim, entendo que o deslinde da questão será revestido de maior segurança e baseado em prova concreta se o julgamento for convertido em diligência para que o processo retorne á repartição de origem e a autoridade administrativa indique objetivamente se o termo de diligência mencionado na correspondência da BM&F se encontra no processo (não o encontrei) e, seja solicitado explicitamente à BM&F para que relacione objetivamente quais as operações a que se refere em sua correspondência de fls. 469 e 470 do processo. Caso tenha ocorrido equívoco de data, que seja restabelecida a correlação mediante consideração comprovada da data correta. Tudo isso visando o esclarecimento das questões levantadas acima, elaborandose relatório circunstanciado a ser levado à ciência da recorrente, para, querendo, manifestese no prazo de 30 dias, para após retornar o processo a este colegiado para prosseguir o julgamento. Assim, diante do que consta do processo, voto por conhecer do recurso de oficio e converter o julgamento em diligencia. Os novos trabalhos de diligência resultaram no relatório de fls. 965 e seguintes, abaixo reproduzido: Atendendo à solicitação do Primeiro Conselho de Contribuintes da Quinta Câmara do Ministério da Fazenda, constante às fls 940 a 946, que converteram o julgamento do processo acima mencionado em diligência, objetivando esclarecer as informações da BM&F prestadas através da correspondência 177/00 JUR de 17/07/2000. Cabe esclarecer que em julho de 2000 INTIMAMOS a BM&F para esclarecer como ocorriam as Operações no Mercado de Opções Flexíveis. Em sua resposta a BM&F informa que estas operações ocorriam no mercado de balcão, nas modalidades COM E SEM GARANTIAS. Sendo que na modalidade "Com Garantia", as partes não se conhecem e a Corretora intermedia a operação, registrandoa com outra Corretora ou com ela mesma. Enquanto, na modalidade "SEM GARANTIAS" a BM&F de uma forma bem clara afirma que a parte e contraparte se conhecem, e após o acordo quanto às características da operação, tais como o preço de exercício, prazo, data de pagamento do prêmio, etc., ambas as partes escolhem uma ou duas Corretoras para registrarem o negócio no Sistema Eletrônico da BM&F. Acrescentando ainda, que nesta modalidade "SEM GARANTIAS" a Corretora(s) somente presta(m) o serviço de registro, estando eximida(s) de quaisquer responsabilidades financeiras, bem como o(s) respectivo(s) Membro(s) de Compensação e a própria Bolsa. Portanto, de uma forma bem clara a BM&F afirmou em sua correspondência (fls. 469), que as operações no Mercado de Opções Flexíveis, ocorridas no Mercado de Balcão, na modalidade Sem Garantia, a parte e a contraparte se conhecem e procuram uma ou duas Corretoras só para registrarem o negócio previamente acertado pelos comitentes. Cabe esclarecer aos ilustres conselheiros que tanto a nossa pergunta através de termo de intimação, assim como, a resposta da Bolsa se referem as operações realizadas de um modo geral nas modalidades Com e Sem Garantia. E como regra geral, qualquer operação no mercado de renda variável, onde não existe Garantia jamais uma Corretora de Mercadorias ou a própria BM&F iriam se responsabilizar pela sua liquidação, o que faz todo sentido a explicação desta Bolsa, que afirma que ambas as instituições financeiras estão eximidas de quaisquer responsabilidade financeira na sua liquidação, e que as partes se conhecem. Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.163 19 Em outras palavras nenhum cliente estaria disposto a efetuar negócios futuros (Opções Flexíveis) com elevado nível de risco, sem nenhuma garantia se não conhecesse o cliente contraparte na operação, visto que, a Corretora interveniente e a BM&F se eximem de quaisquer responsabilidade pela liquidação financeira do negócio. Visando atender solicitação dos ilustres conselheiros intimamos a para que com base na correspondência entregue a fiscalização em 17/07/2000 177/00JUR, informasse se as operações listadas a seguir foram realizadas no mercado de Opções Flexíveis na modalidade COM ou SEM GARANTIA. Operações de Opções Flexível da Angra Participação no Mercado de Balcão Número do Contrato de Opção Data Ativo Corretora Interveniente Valor da Operação 601023781 29.01.1996 Dólar Qualiy 61.600,00 605129504 28.05.1996 Dólar Qualiy 164.500,00 605031649 29.05.1996 Dólar Qualiy 66.300,00 607010754 11.07.1996 IBV Qualiy 399.900,00 607020504 25.07.1996 Dólar Qualiy 448.000,00 610015435 16.10.1996 Dólar Qualiy 220.000,00 610020137 18.10.1996 Dólar Qualiy 92.500,00 610019295 18.10.1996 Dólar Qualiy 100.000,00 701029935 23.01.1997 Dólar Qualiy 195.000,00 TOTAL 1.747.800,00 Em sua resposta em 19/08/2008 a BM&F (fls ), através da correspondência 269/2008DIDJU afirma que as operações anteriormente listadas foram registradas no mercado de balcão, na modalidade "SEM GARANTIA". Adicionalmente mais uma vez como já havia feito através da correspondência 177/00 de 17/07/00 a Bolsa esclarece que não dispõe de dados sobre a sua liquidação, confirmando que não teve nenhuma participação na sua liquidação financeira, por se tratar de operação na modalidade sem garantia, portanto, fica claro que a Bolsa somente registrou a operação que previamente teria sido montada entre as partes. Adicionalmente, cabe esclarecer que a BM&F não estabelece um tipo de contrato para cada operação, com características inerentes às operações que são realizadas. Assim, na modalidade de Opções Flexíveis há duas possibilidades: a) Com Garantias e b) Sem Garantias. Dadas as características só há uma conclusão possível e imaginável o contrato celebrado entre as partes tem como pressuposto o conhecimento prévio e o acordo prévio entre as partes. Ademais, os procedimentos de auditoria realizados nas empresas contrapartes, em relação a todos os contratos celebrados indicaram sempre as mesmas conclusões: a) por uma enorme coincidência os contribuintes que teoricamente auferiram os ganhos, em contraponto com as perdas registradas e deduzidas pela Angra, não puderam ser localizados através das diligências realizadas pela Receita Federal e pela Polícia Federal; b) em todos os casos das perdas relatadas, uma experiente instituição financeira como a Angra DTVM chega em alguns casos a perder em uma única operação o valor de R$ 448.000,00 (lembrando que naquela época vivíamos na política da âncora cambial, quando a cotação do Real em relação ao Dólar era de Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.164 20 aproximadamente 1 para 1) para empresas comerciais, de participação, de assessoria e até mesmo de construção; c) vastos eram os contratos existentes no mercado financeiro que proporcionariam o mesmo tipo de perspectiva de rentabilidade procurado pela Angra, porém ela só direciona seus recursos para contratos Sem Garantias e com empresas inidôneas, que provavelmente nunca negociariam na modalidade Com Garantias, pois teriam que efetuar depósitos na BM&F e não teriam Capital de Giro para efetuálos; d) a Angra DTVM andando na contramão das demais Instituições Financeiras procura especificamente realizar operações sem liquidez e de altíssimo risco no mercado de balcão, em que a contraparte não proporciona nenhum tipo de garantia. Em função do exposto sugerimos o envio do presente processo aos ilustres Conselheiros da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, e permanecendo à disposição para quaisquer outros esclarecimentos que se mostrarem necessários. Cientificada da diligência, a contribuinte apresentou manifestação de fls. 972 a 979, aduzindo que: 1. Desrespeito. É o mínimo que se pode dizer da diligência fiscal que culminou no referido Termo de fls. 964 a 967 (doravante "Termo de Conclusão da Diligência"). 2. Desrespeito às determinações da Resolução n° 1051.382 desta E. 5a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Desrespeito ao direito de defesa da RECORRIDA. Desrespeito aos mais elementares princípios, inclusive os de ordem lógica, que visam a busca da verdade e a promoção da Justiça. 3. Com efeito, a Resolução n° 1051.382, de 16.04.2008, desta E. 5 Câmara determinou a realização de diligência para: (...) 4. Vejase o propósito da diligência fiscal nas exatas palavras do Conselheiro Relator JOSÉ CARLOS PASSUELLO: (...) 5. Portanto, era de se esperar que a fiscalização diligenciasse no sentido de cumprir essas duas determinações da 5a.Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. 6. Contudo, não foi o que ocorreu. 7. Quanto à primeira determinação, o fiscal não informou se consta dos autos deste processo o termo de diligência de 04.07.1996 referido no item 3. da carta da BM&F 177/00JUR, de 17.07.2000, que não foi encontrado pelo Conselheiro Relator. Ficou a dúvida quanto à própria existência de tal termo. 8. Pior, o fiscal não intimou a BM&F a esclarecer se as operações objeto da carta BM&F 177/00JUR, de 17.07.2 000 são especificamente as operações realizadas pela RECORRIDA e objeto da autuação de que trata este processo. 9. Em vez de cumprir a Resolução n° 1051.382, o fiscal simplesmente perguntou à BM&F o que é fato incontroverso e totalmente irrelevante ao deslinde do caso: se as operações realizadas pela RECORRIDA eram da modalidade "sem garantia" (vide fls. 951 a 953 dos autos). As operações serem "com garantia" ou "sem garantia" nada provam quanto ao conhecimento prévio das partes contratantes nem, muito menos, se as mesmas teriam, de forma espúria, prédeterminado perdas para a RECORRIDA. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.165 21 Como não poderia deixar de ser, a BM&F confirmou que as operações eram "sem garantia", o que, repitase, não se discute, e o fiscal, então, aproveitou o Termo de Conclusão da Diligência para reiterar suas convicções pessoais totalmente equivocadas de que nas operações "sem garantia" as partes necessariamente se conhecem e que, no caso, a RECORRIDA teria prédeterminado, fabricado, as suas perdas com as contrapartes das operações. 0 fiscal que realizou a diligência foi o próprio fiscal que lançou o auto de infração contra a RECORRIDA, e o Termo de Conclusão da Diligência nada mais é do que uma repetição de argumentos que já foram rejeitados pela Decisão de Ia Instância, que, com todo o acerto, cancelou o auto. Os equívocos do fiscal são evidentes. Vejase, em primeiro lugar, o seguinte trecho do Termo de Conclusão da Diligência: (...) 14. O fiscal concluiu que havia um prévio acordo espúrio entre as partes porque as operações eram da modalidade "sem garantia" e a BM&F não participou da liquidação financeira das operações. 15. Como já visto, o fato de as operações serem "sem garantia" nada prova quanto ao conhecimento entre as partes. 0 fator relevante é, sim, terem as partes contratado diretamente ou por intermédio de sociedades corretores, agindo por conta e ordem de clientes cuja identidade não é revelada à contraparte da operação. 16. No caso, as operações realizadas pela RECORRIDA foram intermediadas por uma sociedade corretora (Quality, Liquidez ou Somartec, conforme o caso) agindo por conta e ordem do seu cliente. E, mais, todas as operações foram liquidadas financeiramente através do CETIP. Isso também é fato incontroverso, provado documentalmente nos autos. Ou seja, não houve contratação direta nem sequer contato entre as partes nem mesmo na liquidação financeira das operações. 17. A propósito, também nas operações “com garantia" a BM&F não participa da liquidação financeira das operações, que igualmente ocorre através das corretoras que intermediaram o negócio. Ademais, a RECORRIDA realizou um enorme número de operações “sem garantia", que era a modalidade da maioria das suas operações (e não apenas das operações objeto da autuação), sem que isso jamais tivesse sido aventado contra si como indício de qualquer irregularidade. 18. E, mais ainda, nas operações "sem garantia" intermediadas por corretora, esta passa a ser o risco de crédito da contraparte da operação, e não o cliente por conta e ordem de quem a referida corretora está agindo. Esse ponto foi destacado em parecer do Sr. Gustavo Loyola, exPresidente do Banco Central do Brasil (DOC. 01), nos seguintes termos: “Na Seção 4, concluise que, em operações com opções flexíveis, em que não são exigidas garantias, mas que a corretora atua "por conta e ordem" do comitente vendedor, o lançador não pode ser identificado pela parte detentora da opção de compra. Ademais, a liquidação das transações se dá entre as corretoras, seja diretamente, seja por meio de entidades como a CETIP. Quando estas condições se verificam, as corretoras que atuaram "por conta e ordem" do lançador tornamse responsáveis pela liquidação dos montantes apurados pela compensação da BM&F. Como conseqüência, o risco de crédito incorrido pelo comprador da opção é transferido, do cliente final para a corretora que atuou "por sua conta e ordem".(páginas 15 e 16 do parecer.) Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.166 22 19. Basta a leitura desinteressada da carta 269/2008DIDJU, de 19.08.2008, para ver que a BM&F não disse que, no caso, a liquidação financeira teria ocorrido diretamente entre as partes porque as mesmas se conheciam. Disse a BM&F: “esta Bolsa não dispõe de dados sobre a sua liquidação, que pode ter sido efetuada, conforme o caso, diretamente entre as partes ou entre cada uma das contrapartes e o intermediário envolvido (a sociedade corretora)" (fl. 965 dos autos.) 20. A BM&F pode mencionar, em tese, uma e outra forma de liquidação. Mas o fiscal não poderia ter deixado de considerar que, no caso concreto, as operações da RECORRIDA foram liquidadas por intermédio das corretoras, através do CETIP, conforme prova constante dos autos. 21. Depois de apresentar a sua equivocada conclusão, o fiscal aduz argumentos já rechaçados pela Decisão de Ia Instância. A rigor, ilações e suposições, nem sempre jurídicas, tais como a de que uma experiente instituição financeira como a RECORRIDA não poderia perder dinheiro para empresas comerciais. Ilações e suposições nada condizentes com o que se esperava da diligência requerida pela E. 5a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Tais ilações e suposições sequer merecem novos comentários por parte da RECORRIDA, que simplesmente reitera, aqui, todos os argumentos desenvolvidos em sua impugnação e memoriais constantes dos autos deste processo. Em suma, a diligência realizada nada esclareceu, nada provou, nada contribuiu para o julgamento do caso. 24. Mas o retrato da diligência é ainda pior. 25. Em 18.07.2008, a RECORRIDA peticionou para requerer que o fiscal, aproveitando a intimação que fazerseia da BM&F, incluísse dois quesitos que pudessem colaborar com o julgamento do caso. A RECORRIDA junta cópia da referida petição protocolada na Receita Federal (DOC. 02). Pois bem, o fiscal intimou a BM&F em 14.08.2008 (portanto, quase um mês após o protocolo da referida petição) e não incluiu os quesitos solicitados pela RECORRIDA. Nenhuma surpresa, pois, afinal, o fiscal não atendeu a Resolução da própria 5a Câmara, como visto acima. E nem se diga que o fiscal não atendeu a RECORRIDA porque considerou os seus quesitos inapropriados. Fosse essa a razão, mesmo que o fiscal não tivesse a delicadeza de comunicar o indeferimento à RECORRIDA, ele deveria, no mínimo, ter mencionado no Termo de Conclusão da Diligência a existência da petição e a sua motivação para desprezála. Antevendo a resistência do fiscal em verdadeiramente diligenciar atrás de esclarecimentos para o julgamento do caso, a RECORRIDA enviou carta diretamente à BM&F (DOC. 03). 29. Em resposta, a RECORRIDA recebeu da BM&F a carta 318/2008DIDJU, de 16.09.2008 (DOC. 04), na qual é esclarecido que as operações referidas na carta BM&F 177/00 JUR, de 17.07.2000, são os contratos de opção de n2s. 601.014936, de 17.01.1996, e 603.009867, de 11.03.1996. 30. Tais contratos nada têm a ver com a RECORRIDA ou este processo. Os números e as datas dos contratos mostram que não são operações envolvendo a RECORRIDA. Só para facilitar a comparação das datas e números, segue abaixo a relação das operações realizadas pela RECORRIDA e objeto da autuação: Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.167 23 Opção N° do Contrato Data Ativo Corretora Perda em RS 1 601.023781 29.01.96 Dólar Quality 61.600,00 2 605.129504 28.05.96 Dólar Quality 164.500,00 3 605.031649 29.05.96 Dólar Quality 66.300,00 4 607.010754 11.07.96 IBV Quality 399.900,00 5 607.020504 25.07.96 Dólar Quality 448.000,00 6 610.015435 16.10.96 Dólar Quality 220.000,00 7 610.020137 18.10.96 Dólar Quality 92.500,00 8 610.019295 18.10.96 Dólar Somartec 100.000,00 9 701.029935 23.01.97 Dólar Liquidez 195.000,00 TOTAL 1.747.800,00 31. Portanto, mesmo diante da falha da diligência fiscal, a RECORRIDA traz aos autos a resposta da BM&F aguardada pelo Conselheiro Relator JOSÉ CARLOS PASSUELLO: as operações referidas na carta BM&F 177/00JUR, de 17.07.2000 não são as realizadas pela RECORRIDA, objeto deste processo, mas sim outras operações completamente estranhas ao caso sob análise. Mas não é só. A nova carta da BM&F serve para reiterar o que já constava de outra carta constante dos autos deste processo: a carta BM&F 194/2002DG, de 12.06.2002, anexada como DOC. 11 da impugnação apresentada pela RECORRIDA, justamente para eliminar as dúvidas que haviam sido suscitadas pela carta BM&F 177/00JUR, de 17.07.2000. Tanto a carta BM&F 194/2002DG, de 12.06.2002, quanto a nova carta da BM&F (318/2008DIDJU, de 16.09.2008), ressaltam que nas operações "sem garantia" as partes contratantes podem não se conhecer quando existe a intermediação de uma corretora, agindo por conta e ordem de cliente. Transcrevase:"tratandose de operações sem garantia que, portanto, oferecem risco de crédito para os contratantes, as partes devem se conhecer. Todavia, podem ocorrer situações em que as partes não se conhecem. Essas situações ocorrem quando uma corretora, em face do mandato que lhe é outorgado no contrato de intermediação corretora/cliente (administração da corretora), age por conta e ordem do cliente." {negrito da RECORRIDA.) 34. Em operações realizadas com o intermédio de corretoras agindo por conta e ordem de seus clientes (como é o caso das operações celebradas pela RECORRIDA) não é obrigatório nem indispensável que as partes conheçam uma a outra. Tal fato foi reconhecido expressamente pela BM&F e, ainda, pelo Sr. FRANCISCO DA COSTA E SILVA, exPresidente da Comissão de Valores Mobiliários CVM, e pelo Sr. GUSTAVO LOYOLA, ex Presidente do Banco Central do Brasil, em pareceres elaborados a pedido da RECORRIDA e juntados aos autos deste processo. 35. Portanto, a conclusão baseada nos esclarecimentos prestados pela BM&F é oposta a que chegou o fiscal no seu Termo de Conclusão da Diligência. A conclusão é que sequer podese afirmar que, nas operações realizadas pela RECORRIDA, que contaram com a intermediação de corretora (Quality, Liquidez ou Somartec) agindo por conta e ordem do cliente, as partes se conheciam. Muito menos que as partes teriam artificialmente engendrado perdas para beneficiar fiscalmente a RECORRIDA. Enfim, as provas são contrárias às suposições e ilações feitas pelo fiscal quando da autuação e, agora, repetidas vaziamente por ocasião da diligência. Não há qualquer prova de que as partes se conheciam nem, muito menos, de que fabricaram perdas para favorecer fiscalmente a RECORRIDA. Ao contrário, há provas de que as operações foram regularmente registradas na BM&F e liquidadas Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.168 24 financeiramente via CETIP, através de contas das corretoras, demonstrando que, de fato e de direito, a RECORRIDA incorreu nas perdas que deduziu para fins de apuração do seu lucro real. 38. E nunca é demais lembrar: considerando que ninguém desembolsaria 100%, correspondente às perdas, para auferir benefício tributário de apenas 48% (correspondente à aplicação das alíquotas do IRPJ e da CSL, vigentes à época, sobre as perdas incorridas), caberia à fiscalização, a fim de pela RECORRIDA, provar que os respectivos prêmios não foram efetivamente pagos pela RECORRIDA ou que os mesmos lhe foram de alguma forma, direta ou indiretamente, restituídos. No entanto, nas quase 1.000 páginas deste processo, não há e nem poderia haver uma única prova nesse sentido. 39. Por essas razões, a RECORRIDA confia na imediata subida dos autos à 5ft Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que, no julgamento, negará provimento ao recurso de ofício. O processo retornou a pauta em 25/02/2011, tendo sido baixado novamente em diligência, mediante resolução 140200.044, nos seguintes termos: Segundo informou o representante da contribuinte, tratarseia do arquivamento da investigação criminal contra a empresa, Inquérito Policial Federal No. 2003.51.01.5013156, cuja origem seria a representação fiscal para fins penais de que trata o presente processo. Aliás, no Relatório Fiscal e nos autos são citados outros Inquérito Policial Federal, este de São Paulo, de No. 97.01050207 (fl.453) e 120082/97 (fl. 460), ambos relativo a chamada “operação Monte Cristo” da Policia Federal. Este processo está em curso há quase 9 anos e foi objeto de uma diligência fiscal determinada por este Conselho, cujos objetivos a meu ver foram incipientes e os resultados não forma e dificilmente seriam conclusivos. Isso porque penso que não teria tanta relevância saber se a contribuinte e as demais empresas parte nas operações se conheciam. Ora, ainda que ficasse comprovado esse conhecimento dificilmente seria em uma profundidade que indicasse relações estreitas das partes. Todas as empresas existiam formalmente, tanto que foram cadastradas pela Corretora. Logo, os dirigentes da contribuinte até poderia conhecelas, mas daí a saber que eram apenas empresas de fachada... Afinal quantas pessoas e empresas realizam operações com pessoas jurídicas dessa natureza, tentam se cercar de cuidados mínimos, e acabam nem sabendo dessa condição. Ora, um ponto incontroverso nos autos é que os pagamentos foram mesmo realizados, logo, há que ser possível determinar o destino de ao menos parte desses 1,7 milhões de reais. No meu entendimento, além das peças dos 3 inquéritos acima citados, o que poderá também elucidar a questão é o rastreamento dos valores pagos pela contribuinte nessas operações. Consta às fls. 33 e 34 da peça impugnatória, fls. 628629 dos autos, que : 8.23. A operação de n° 1 foi liquidada através de cheque n° 001155 do Banco Dimensão S.A., de 29.01.1996, cruzado em preto em favor da QUALITY (DOC. 08) . Tal valor foi devidamente sacado pela QUALITY, conforme atestam os anexos extratos bancários (DOC. 09). As demais operações foram Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.169 25 liquidadas através da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP), inclusive a operação n° 3 eventualmente não registrada na BM&F por omissão da corretora, conforme comprovam os relatórios emitidos pela própria CETIP, que indicam os saldos liquidados pela IMPUGNANTE em cada data de pagamento dos prêmios das opções flexíveis (DOC. 10). Diante do exposto, voto no sentido de converter novamente o julgamento em diligência para que a fiscalização: 1) Oficie às autoridades pertinentes para obter e juntar aos autos cópias dos citados inquéritos policiais que possam elucidar a questão, se possível o inteiro teor; 2) Solicite autorização judicial e/ou colaboração policial para rastrear os pagamentos feitos pela empresa. Ao menos 3, o primeiro feito em cheque e outros 2 via CETIP. Tal rastreamento deve ter como objetivo verificar se há prova se os recursos voltaram à empresa, ainda que parcialmente. Sei da dificuldade do procedimento, ainda mais 15 anos depois, por outro lado os Bancos guardam microfilmes dos cheques e transferências e uma vez identificadas as contas dos envolvidos, a exemplo da conta que a Quality depositou o cheque emitido pela contribuinte, há possibilidade de verificar o destino dos recurso. Aliás, há possibilidade de os próprios inquéritos policiais da operação “Monte Cristo” conterem alguma informação quanto a isso. 3) A Fiscalização pode fazer outras verificações e procedimentos, em estrita consonância com o escopo da diligencia visando seu êxito, qual seja, elucidar nos autos o destino mediato dos pagamentos efetuados pela autuada. Ao final, deverá lavrar termo consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestarse no prazo de 30 dias. A nova diligência fiscal resultou na juntada dos documentos de fls. elaboração do relatório de fls. 1022 a 1043, bem como na informação fiscal de fls. 1044 e seguintes. Intimado, o contribuinte se manifestou às fls. 1120 e seguintes. É o relatório. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.170 26 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Consoante extenso relato, em litígio a veracidade de operações, com opções flexíveis de dólar, que a contribuinte teria realizado nos anos de 1996 e 1997, com expressivas perdas, que segundo a fiscalização seriam simuladas, tendo aplicado a multa qualificada de 150%. Tanto a recorrente quanto o ilustre julgador, relator do voto condutor do acórdão recorrido, centraram suas alegações e fundamentos em 2 pontos: 1o. Não há prova cabal nos autos de que a contribuinte conhecia as empresas com a quais realizou as operações, haja vista que todas foram intermediadas por corretoras e que, segundo a própria BMF: "tratandose de operações sem garantia que, portanto, oferecem risco de crédito para os contratantes, as partes devem se conhecer. Todavia, podem ocorrer situações em que as partes não se conhecem. Essas situações ocorrem quando uma corretora, em face do mandato que lhe é outorgado no contrato de intermediação corretora/cliente (administração da corretora), age por conta e ordem do cliente." 2o. Embora as empresas beneficiárias jamais tenham existido de fato. Os pagamentos das operações pela Angra foram feitos por intermédio do sistema CETIP, ou seja, foram realizados de fato, e não há prova nos autos, qualquer que seja, de que os valores voltaram para a recorrente ou pessoas ligadas. Logo, segundo a recorrente e o lançamento estaria calcado apenas em presunção. Em que pese a contribuinte e o julgador terem razão quanto esses dois pontos, não foram apenas esses que levaram a convicção fiscal. O Auditor trouxe aos autos uma série de indícios ou provas indiretas que levaram a concluir de que as operações foram simuladas, logo, fazse necessário apreciar todo esse conjunto indiciário, e a partir daí formar convencimento quanto a procedência ou não da acusação fiscal. A partir dessas premissas apreciarei as operações de que tratam o presente processo. Mérito Do Termo de Verificação Fiscal, de fls. 518 a 540, parte integrante do auto de infração, extraise os pontos que entendo relevantes: (...) 2 Fato Apurado em Decorrência dos Procedimentos de Auditoria Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.171 27 2.10 que foi apurado Perdas (custos) não comprovados pela instituição, com "opções flexíveis" no montante de R$ 1.552.800,00 (Um Milhão Quinhentos e Cinqüenta e Dois Mil e Oitocentos Reais), referente ao resultado apurado no anocalendário de 1996 e no montante de R$ 195.000,00 (Cento e Noventa e Cinco Mil Reais) relativamente ao anocalendário de 1997. (...) .2.2 O Mercado de Opções O Mercado de Opções é um instrumento do mercado de derivativos que garante este tipo de proteção, conhecido como "hedge". Neste mercado, se o investidor tiver adquirido uma opção de compra de um determinado ativo (ações, por exemplo) ele estará exercendo uma modalidade denominada "posição comprada", neste caso, no futuro ele poderá comprar o ativo (ações no nosso exemplo) pelo preço anteriormente predefinido. A título de exemplo, seria o caso de um determinado investidor adquirir hoje uma opção de compra das ações de uma determinada industria para vencimento em 60 dias, pelo valor de R$ 1,00. Decorridos o prazo predeterminado, independente do valor da ação na bolsa de valores (maior ou menor do que R$ 1,00) ele terá o direito a comprar a ação pelo valor previamente definido ou seja, R$ 1,00. (...) 2.2.3 Opções Flexíveis de Dólar Estas opções são ditas flexíveis como o próprio nome diz, porque são menos rígidas do que as demais opções, sendo tradicionalmente negociadas nos pregões da Bolsa de Mercadorias e de Futuros BM&F e nas Bolsas de Valores. Seus parâmetros não são padronizados. Ao contrário, sua maleabilidade permite às partes estabelecerem, livremente, a dimensão e ordem de grandeza dos contratos e seus preços de exercício, negociar a formatação de prêmios específicos, inclusive diferíndo os no tempo, bem como estabelecer prazos e datas de liquidação totalmente compatíveis com as estratégias individuais e específicas. A abertura é tão ampla a ponto de que nas opções "sem garantias" a parte e a contraparte se conhecem e escolhem uma ou duas Corretoras para registrar o negócio no Sistema Eletrônico da BM&F. Nesta modalidade de operação a Corretora somente presta o serviço de registro, estando eximida de quaisquer responsabilidades financeiras, assim como a própria Bolsa. A liquidação do contrato não está garantida pelo sistema de liquidação da BM&F, sendo realizada diretamente entre as partes. As especificações acima transmitidas de forma simples e resumidas podem ser aprofundadas através do documento emitido pela BM&F denominado "Especificações do Contrato de Opções de Compra Flexíveis de Taxa de Câmbio de Reais por Dólar dos Estados Unidos" 2.3 O que é "HEDGE" Conforme foi abordado no tópico anterior, uma das principais funções do mercado de opções é ser um instrumento de proteção, normalmente conhecido como "hedge". Cabe então explicar de forma simples o que é uma operação de "hedge". Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.172 28 Pela legislação tributária "Hedge" é uma operação de cobertura, realizada em bolsas de valores, de mercadorias e de futuros ou no mercado de balcão, destinado, exclusivamente, à proteção contra riscos inerentes às oscilações de preços e taxas. (...) 2.4 A necessidade de "hedge" da Angra DTVM. Efetuamos uma análise dos saldos patrimoniais mensais (ativos e passivos), mantidos pela instituição durante todo anocalendário de 1996 e não identificamos contratos, operações ou quaisquer outros riscos que justificassem a contratação de Operações de Opções Flexíveis como Instrumento de "hedge" no volume em que foi negociado pela Instituição Financeira sob fiscalização. (...) 2.6 Das Receitas e Despesas contabilmente registradas pela Angra D.T.V.M. Conforme anteriormente mencionado nosso trabalho de auditoria é conseqüência da representação efetuada pela Delegacia de Instituições Financeiras de São Paulo (fls jfâJlâ) que solicita a verificação do adequado tratamento tributário de uma operação realizada pela Angra Distribuidora em 11 de julho de 1996, no valor de R$ 399.900,00 e tendo como contraparte a empresa Montreal Assessoria Consultoria e Planejamento S/C Ltda., sendo esta última a empresa que obteve todo o lucro da operação em contrapartida do mesmo valor registrado como perda na Angra Distribuidora. Como passo inicial, intimei o contribuinte a apresentar os balancetes do ano calendárío de 1996 (fls.... ). De posse dos balancetes, elaboramos as planilhas a seguir apresentadas, com as principais receitas e despesas diretamente relacionadas com a atividade do contribuinte no anocalendário de 1996. As seguintes constatações podem ser efetuadas com base na análise dos resultados operacionais (receitas e despesas diretamente relacionadas com a atividade típica de uma instituição financeira): • As contas de rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez e as de despesas de captação, ao longo de todos os meses do ano de 1996 demonstram que a principal atividade da Angra DTVM é a intermediação financeira de títulos e valores mobiliários. Ainda com relação a evolução dos resultado da atividade de intermediação financeira de títulos e valores mobiliários (receitas menos despesas), podemos observar que estas guardam durante todo o ano uma relação percentual lógica, ou seja, quando comparamos um mês com o mês anterior e constatamos uma elevação no volume das receitas, o mesmo aumento é verificado em relação ao montante das despesas de captação e viceversa. O fato dos resultados mensais da atividade de intermediação financeira de títulos e valores mobiliários apresentar uma relação lógica ao longo do exercício demonstra que a instituição, neste caso, está trabalhando dentro do esperado para esta atividade, ou seja, o resultado líquido das operações é o "spread" que representa a margem de lucro na intermediação financeira. (...) Conclusão: a análise anterior revelou uma grande distorção entre resultado da intermediação financeira (principal atividade da instituição) e as perdas ocorridas com ativos financeiros. Para o melhor entendimento do que aqui quero demonstrar basta observar a relação percentual mensal entre o resultado Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.173 29 da intermediação financeira (rendas de aplicações interfinanceíras de liquidez e as de despesas de captação) e resultados negativos com ativos financeiros. Os números acima, além de começar a revelar a possibilidade de registro de custos não comprovados em linha com o conteúdo dos textos da Deliberação CVM N° 14, de 23 dezembro de 1983 e com Pareceres Normativos N° 28/83 e N°46/87, demonstraram também a probabilidade do contribuinte ter efetuado outras operações com ativos financeiros que foram objeto de representação por parte da Delegacia de Instituições Financeiras de São Paulo. Sendo assim, efetuei um trabalho de auditoria mais detalhado para as contas que registraram as perdas com ativos financeiros, principalmente nos meses de janeiro, maio, julho e outubro. 2.7 Da auditoria das perdas com ativos financeiros nos meses de janeiro, maio, julho e outubro. Com base nas minhas intimações (fls...) e na documentação apresentada pelo contribuinte como resposta (razão contábil fls...) notas de negociação (fls. ...) relatório de movimentação emitido pela Bolsa de Mercadorias & Futuros BM&F fls....) identifiquei as operações a seguir relacionadas que julgamos a princípio, serem merecedoras de testes detalhados de auditoria. (...) Diante dos fatos e com objetivo de identificar as empresas contrapartes (queoem todos os casos auferiram ganho nas operações) relacionadas com as operações n°s 1, 2, 3, 5, 6, 7, e 8 decidi então, efetuar procedimentos de diligência diretamente na Quality Corretora de Mercadorias Ltda. e Somartec Corretora de Mercadorias & Futuros Ltda. Tal procedimento foi adotado em virtude da Quality e Somartec, com base na documentação apresentada pela Angra Distribuidora, terem intermediado e na maioria dos casos, terem registrado junto a BM&F as operações com ativos financeiros objetos de nossa fiscalização. (...) 2.8 Diligências nas Instituições Financeiras Quality Corretora de Mercadorias Ltda. e Somartec Corretora de Mercadorias & Futuros Ltda. Intermediadora das operações realizadas pela Angra DTVM. Realizei trabalho de diligências na Qualjty Corretora e Somartec Corretora através dos termos de fiscalização (fls...) onde intimei as instituições a apresentar toda a documentação suporte das operação realizadas com a Angra Distribuidora. Com base na documentação apresentada e nos procedimentos efetuados no estabelecimento da Quality Corretora e Somartec Corretora, verifiquei que todas as operações constantes do quadro apresentado no item 2.7 deste termo, foram efetivamente intermediadas pelas Corretoras e tiveram como contraparte as empresas relacionadas no quadro a seguir: (...) . 2.9 Dos procedimentos de auditoria efetuados nos contribuintes que receberam valores a título de ganhos nas operações realizadas com Angra Distribuidora. (...) Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.174 30 Concluímos: que os procedimentos de auditoria já relatados nas empresas diligenciadas neste termo, foi por mim considerado suficiente para demonstrar ser impossível comprovar o registro e a posterior tributação dos ganhos com as operações com ativos financeiros na empresa Empril Assessoria Consultoria e Planejamento S/C Ltda., cujas perdas em contrapartida, foram contabilizadas e deduzidas para fins de pagamento dos tributos na Angra Distribuidora. 2.10 Dos Procedimentos executados pela Polícia Federal (...)as investigações efetuadas pela Polícia Federal caminharam no mesmo sentido do nosso trabalho, sendo mais uma prova de que o contribuinte Angra DTVM em 1996 e1997, já tinha pleno conhecimento de que as contrapartes das operações com opções flexíveis eram empresas inidôneas. Solicitamos então, ao Ministério Público o envio de cópias do inquérito policial n° 97.01050207 para a melhor instrução do presente processo. Várias outras empresas, além das que aqui foram citadas faziam parte, segundo a Polícia Federal, de um grupo chamado grupo Monte Cristo chefiado pelo aqui já citado Sr. Samir Assad. Porém as peças que aqui serão juntadas serão aquelas que guardam intima relação com as operações com opções flexíveis efetuadas pelo contribuinte Angra DTVM. Entre os vários procedimentos policiais executados, destaquei os que se seguem: Em 24 de junho de 1997 os policiais federais compareceram ao endereço da empresa Montreal Assessoria Consultoria Planejamento Ltda. e constaram que póJocal funcionava de forma regular a Casa de Repouso Monte Sião (fls. ... ); Ainda em 26 de julho de 1997 a polícia esteve no endereço da empresa Vic Comercial Importação e Exportação Ltda. e verificou que o imóvel, estava a venda e que nunca havia sido utilizado para fins comerciais (fls. ); A Polícia Federal verifica ainda, em 26 de junho de 1997, que o imóvel localizado na Rua Henrique Martins n° 394, funcionava a empresa Master Engenharia e Construções Ltda e que provavelpnenie seria o local sede de todas as operações do grupo Monte Cristo (fls. ); Em 10 de setembro de 1997 o agente policial conclui parte dos trabalhos de investigação demonstrandoa inexistência fática de mais 30 empresas do Grupo Monte Cristo (fls. ); A 16 de outubro de 1997, na Delegacia de Combate ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais da Polícia Federal em São Paulo, a Sra. Maria Delfina Fazzani Nicoli presta depoimento, onde declara ter sido tesoureira do Grupo Monte Cristo por vinte anos tendo presenciado diversas operações ilegais do grupo, sendo algumas delas ligadas ao desvio de recursos de titulos públicos com a interveniência de algumas instituições financeiras (fls..... ). As investigações da Polícia Federal em São Paulo além de acarretaram um inquérito que visa a apuração de crime, comprovam a falta de idoneidade das empresas com quem a Angra DTVM mantinha um próximo relacionamento comercial. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.175 31 Pois bem, analisei os elementos trazidas aos autos e constatei que são insuficientes para comprovar que operações realizadas pelo contribuinte, objeto da glosa, foram mesmo simuladas, no intuito de produzir perdas e, consequentemente, reduzir os tributos devidos. De fato, a empresa vinha, durante o ano de 1996, obtendo registrando razoáveis, constantes e seguros ganhos em suas operações normais de corretagem, conforme cabalmente comprovado pela fiscalização. Na Declaração do Imposto de Renda relativa àquele ano, fl. 65/67, as receitas contabilizadas e declaradas de suas operações financeiras e serviços totalizaram 7,8 milhões de Reais. Por sua vez, as despesas totais foram de 7,6 milhões de Reais, incluindo tais perdas, chegando ao lucro liquido de 186mil Reais (fl.s 67/68). Sem as aludidas perdas, o resultado da empresa é de 1,7milhões de Reais de lucro tributável. Alem disso, as únicas perdas expressivas da empresa foram com nessas operações de compras de opções flexíveis de taxas de cambio de Real x Dólar, isso em 1996, quando o cambio no Brasil era fixo, controlado pelo Banco Central. Obviamente a empresa perdeu em todas as operações. Todas essas perdas foram em operações realizadas com empresas comprovadamente inexistentes, consoante provado em diligencias da Receita Federal e Policia Federal, sendo que as operações foram sem garantia, ou seja, na remota hipótese da contribuinte lograr êxito em sua “aposta” certamente nada receberia. É possível que a contribuinte não tivesse conhecimento de que as empresas eram de fachadas, conforme certificou a BMF e insiste a recorrente, haja vista que as operações foram intermediadas por corretoras. A fiscalização efetuou análise dos saldos patrimoniais mensais (ativos e passivos) mantidos pela instituição durante todo anocalendário de 1996 e não identificou contratos, operações ou quaisquer outros riscos que justificassem a contratação de Operações de Opções Flexíveis como Instrumento de "hedge" no volume em que foi negociado pela empresa. Ou seja, a fiscalização provou que a contribuinte não necessitava dessas operações como Hedge. Conforme asseverado pela fiscalização, vastos eram os contratos existentes no mercado financeiro que proporcionariam o mesmo tipo de perspectiva de rentabilidade procurado pela Angra, enquanto “aposta” porém ela só direciona seus recursos para contratos Sem Garantias e com empresas inidôneas, que provavelmente nunca negociariam na modalidade Com Garantias, pois teriam que efetuar depósitos na BM&F e não teriam Capital de Giro para efetuálos. Angra DTVM andando na contramão das demais Instituições Financeiras procurou especificamente realizar operações sem liquidez e de altíssimo risco no mercado de balcão, em que a contraparte não proporciona nenhum tipo de garantia. Porém, é certo que a fiscalização não trouxe aos autos prova material cabal de que houve contato. Mas isso não é o usual nesse tipo de operação, conforme também atestado pela BMF. E mais, foram infrutíferos os esforços da fiscalização par provar que as “perdas”da Angra retornaram aos seus sócios ou pessoas ligadas, haja vista que as operações não foram liquidadas pelo sistema CETIP (via corretoras), sendo certo que os pagamentos ocorreram, ainda que destinados a empresas inexistentes de fato. Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10768.008260/200285 Acórdão n.º 1402001.323 S1C4T2 Fl. 1.176 32 Além disso na nova diligencia, relatório às fls. 1044 e seguintes, foi realmente constatado que o Inquérito policial foi arquivado e, por sua vez, a Fiscalização reconheceu a impossibilidade de fazer prova de que de alguma forma os recursos, ou parte deles, voltaram para a contribuinte ou seus sócios. Assim, diante da insuficiência de provas, resta mesmo cancelar as exigências. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de oficio. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 15/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10735.000056/2003-84
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
Ementa:
PASSIVO NÃO COMPROVADO. OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO.
A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita (Lei nº 9.430, art. 40).
Numero da decisão: 1301-001.146
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
documento assinado digitalmente
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernades Júnior e Cristiane Silva Costa.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. A manutenção, no passivo, de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada, caracteriza, também, omissão de receita (Lei nº 9.430, art. 40). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. “documento assinado digitalmente” Plínio Rodrigues Lima Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Plínio Rodrigues Lima, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernades Júnior e Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 00 56 /2 00 3- 84 Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10735.000056/200384 Acórdão n.º 1301001.146 S1C3T1 Fl. 1.019 2 Relatório Trata o presente processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS), relativas ao anocalendário de 1999, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, caracterizada por passivo não comprovado. Inconformada, a autuada interpôs impugnações (fls. 87/90; 100/104; 114/118; e 128/131), momento em que trouxe os seguintes argumentos: que as parcelas objeto de glosa corresponderiam ao saldo devido em favor dos seguintes fornecedores: LÓTUS DEVELOPMENT CORP. e SYMANTEC CORPORATION; que referidos créditos teriam sido liquidados nos anos subseqüentes por meio de remessas processadas com a assistência do Banco Central do Brasil e sobre as quais teria incidido, quando exigido, o imposto de renda retido na fonte; que, tratandose de auto de infração lavrado com base em elemento de fato, protestava pela realização de perícia (apresentou quesitos). A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, apreciando as razões trazidas pela defesa inaugural, decidiu, por meio do acórdão nº 10.543, de 20 de abril de 2006, pela procedência dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PASSIVO FICTÍCIO. OBRIGAÇÕES NÃO COMPROVADAS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO. A manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada faz presumir a ocorrência de omissão de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. AUTOS REFLEXOS. COFINS. PIS E CSLL. O decidido no mérito no processo de IRPJ repercute da mesma forma na tributação reflexa. Fl. 1019DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10735.000056/200384 Acórdão n.º 1301001.146 S1C3T1 Fl. 1.020 3 Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 155/157), em que, renovando a argumentação expendida na peça impugnatória, sustentou que o indeferimento do pedido de perícia tornaria nula a decisão recorrida, em razão de cerceamento do direito de defesa. A Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da Resolução nº 1051.344, de 17 de outubro de 2007, decidiu converter o julgamento em diligência para que fossem adotadas as seguintes providências: a) a contribuinte fosse intimada a, no prazo de trinta dias, apresentar demonstrativo indicativo da composição do passivo que, de acordo com a Fiscalização, já havia sido pago no anocalendário de 1999, apresentando documentação que individualizasse os débitos; b) demonstrasse que os pagamentos teriam ocorrido no anocalendário de 2000; c) fossem examinados o citado demonstrativo e a correspondente documentação de suporte, confrontandoos com a escrita contábil da diligenciada; e d) fosse elaborado Relatório, que deveria ser cientificado à contribuinte para que ela se manifestasse no prazo de quinze dias. Em atendimento, a Delegacia da Receita Federal em Nova Iguaçu produziu o Relatório de fls. 628/629, em que informa que a contribuinte, apesar de regularmente intimada e reintimada: i) não apresentou demonstrativo que indicasse, especificadamente, a composição do Passivo; ii) não apresentou a documentação correspondente à individualização dos débitos; e iii) não demonstrou, por meio de remissão em sua escrita contábil, que o pagamento dos débitos em questão só ocorreu no anocalendário de 2000 ou posteriormente. Cientificada do resultado da diligência, a contribuinte aportou ao processo o documento de fls. 631/632, esclarecendo que elaborou planilha na qual relaciona a composição do passivo no anocalendário de 1999, individualiza os débitos e as datas dos respectivos pagamentos no anocalendário de 2000. Adita que a documentação acostada aos autos comprova as informações consignadas na referida planilha. Pronunciandose acerca da documentação trazida pela contribuinte, o agente fiscal responsável pela diligência assinala, in verbis: As peças de fls. 631/992 encaminharam cópias das faturas relacionadas às fls. 993/994, comprovando remessas no montante de R$ 472.125,46 (valor remetido). O contribuinte não forneceu, entretanto, informações adicionais ou qualquer remissão aos seus livros contábeis que permitissem a identificação dessas faturas com os itens não comprovados listados às fls. 58/59 no montante de R$ 3.628.400,61. Assim, dou por encerrada a presente diligência e, em cumprimento à determinação do Primeiro Conselho de Contribuintes (fls. 440) de devolução do presente processo àquele Colegiado após a elaboração de relatório de diligência (fls. 628/629) com ou sem manifestação do contribuinte, proponho o encaminhamento àquele Conselho. É o Relatório. Fl. 1020DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10735.000056/200384 Acórdão n.º 1301001.146 S1C3T1 Fl. 1.021 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 64/65, a irregularidade imputada à contribuinte deriva de aplicação de presunção legal de omissão de receitas, caracterizada pela constatação de passivo não comprovado (art. 40 da Lei nº 9.430, de 1996). A matéria tributável apurada foi a seguinte: i) conta FORNECEDORES Saldo de Balanço em 31/12/99: R$ 2.064.213,91 Valor Comprovado: R$ 116.085,14 Passivo não Comprovado (diferença a tributar): R$ 1.948.128,77 ii) OUTRAS CONTAS: R$ 1.135.067,46 Saldo de Balanço em 31/12/99: R$ 4.348.593,78 Valor Comprovado: R$ 3.213.562,32 Passivo não Comprovado (diferença a tributar): R$ 1.135.067,46 Total a Tributar: R$ 3.083.196,23 Diante da manutenção das exigências formalizadas pela Turma Julgadora de primeira instância, a contribuinte impetrou recurso voluntário, por meio do qual sustenta, basicamente, que o fato de a decisão recorrida ter indeferido o seu pedido de perícia, por revelar cerceamento do direito de defesa, deve levar à decretação da sua nulidade. Afirmando ter anexado à peça recursal notas fiscais relativas a transações efetuadas com as empresas LOTUS DEVELOPMENT e SYMANTEC CORPORATION e relação dos valores das remessas realizadas no ano de 2000 em favor das citadas empresas (que, segundo alega, se encontravam lançadas ao final de 1999 como obrigações a pagar), argumenta que a comparação de tais informações com a glosa efetuada pela Fiscalização é o que pretendia que fosse realizado pela perícia requerida. Como suporte para as suas alegações, a contribuinte aportou aos autos: demonstrativo da composição da rubrica OUTRAS CONTAS (fls. 164); e cópia de notas fiscais e de comprovantes de importação (fls.165/413). Referida documentação, apresentada sem qualquer elemento de vinculação com os valores questionados pela Fiscalização, com a devida permissão, não se presta para comprovar os valores apontados na autuação. Fl. 1021DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10735.000056/200384 Acórdão n.º 1301001.146 S1C3T1 Fl. 1.022 5 Não obstante, em convergência com o pedido de perícia1 formalizado pela Recorrente, a Quinta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu converter o julgamento em diligência, pois, para aquele Colegiado, a solução da controvérsia carecia “de exame aprofundado da documentação carreada aos autos com o apelo”. Nessa linha, o julgado da Quinta Câmara determinou que a contribuinte fosse intimada a apresentar demonstrativo que indicasse, especificadamente, a composição do passivo que afirmou a Fiscalização já estar pago no anocalendário de 19992. A intimada deveria, ainda, apresentar documentação individualizando os débitos e demonstrando o pagamento das obrigações no ano de 2000. Intimada a apresentar documentos e informações capazes de viabilizar o atendimento à requisição da Quinta Câmara (Termo de Início da Ação Fiscal – fls. 455), a contribuinte requereu prorrogação do prazo para atendimento (fls. 457). Reintimada em duas ocasiões (fls. 467 e 469), a contribuinte apresentou o documento denominado RELAÇÃO DE REMESSAS EFETUADAS SOBRE AQUISIÇÃO DE SOFTWARES (fls. 471) e uma relação dos livros apresentados à Receita Federal (fls. 472). Juntou, aos referidos documentos, cópia de DARF, de extratos de câmbio, de correspondências, etc., todas, supõese, relacionadas aos registros feitos no Passivo (fls. 473/573). Diante da forma como os documentos foram entregues à Fiscalização, a contribuinte foi intimada a apresentar demonstrativo capaz de indicar, de forma especificada, a composição do Passivo; a demonstrar, por meio da escrita contábil, que os pagamentos haviam sido realizados no ano de 2000 ou posteriormente; e a apresentar cópias autenticadas dos comprovantes de pagamento (fls. 575). Mais uma vez, a contribuinte requereu prorrogações do prazo para atendimento (fls. 576 e 577). Posteriormente, por meio de correspondência (fls. 580), juntou aos autos, tão somente, cópia de folhas do Livro Diário do ano de 2000 (fls. 583/626). Cientificada do resultado da diligência, que, em razão da documentação apresentada em resposta às intimações formalizadas, concluiu pela não comprovação do passivo questionado, a Recorrente apresentou, mais uma vez, o documento denominado RELAÇÃO DE REMESSAS EFETUADAS SOBRE AQUISIÇÃO DE SOFTWARES (fls. 633), desta vez fazendo correlação com os documentos a ela anexados. Trouxe aos autos, ainda, demonstrativo em que relaciona a documentação anexada (fls. 634/636). A documentação anexada (fls. 637/992), em que pese encontrarse organizada e acompanhada de demonstrativo que a discrimina, comprova, apenas, a efetivação de remessas para pagamentos a fornecedores nos anos de 2000 e de 2001. Não autoriza concluir, entretanto, que tais pagamentos dizem respeito a obrigações contraídas em 1999 que integravam o PASSIVO da empresa em 31 de dezembro daquele ano. 1 Apesar de a contribuinte falar em perícia, deduzse facilmente que o procedimento almejado por ela, que tinha por objetivo confirmar as alegações trazidas por meio de suas peças de defesa, não poderia ser outro que não a diligência, eis que, no caso, tratandose de mera análise documental, não há de se falar em intervenção de perito de qualquer natureza. 2 Penso que, aqui, incorreu em equívoco o Ilustre Relator da Resolução emitida pela Quinta Câmara, vez que a imputação foi de PASSIVO NÃO COMPROVADO, e não de PASSIVO FICTÍCIO (considerado como tal aquele em que se constata a manutenção no passivo de obrigações já pagas). Não encontro, pois, nos presentes autos, afirmação da Fiscalização de que a contribuinte manteve no passivo, em 31.12.99, obrigações que já haviam sido pagas. Fl. 1022DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 10735.000056/200384 Acórdão n.º 1301001.146 S1C3T1 Fl. 1.023 6 O que a Recorrente deveria ter apresentado e não o fez, não obstante as inúmeras oportunidades que lhe foram franqueadas, era a comprovação, por meio de documentos e registros contábeis, das obrigações que constituíram o passivo em 31 de dezembro de 1999, segregando aquelas que a Fiscalização considerou como comprovadas. Não encontro, pois, reparo a ser feito na observação apresentada pelo responsável pela diligência fiscal acerca da documentação em referência, no sentido de que “o contribuinte não forneceu, entretanto, informações adicionais ou qualquer remissão aos seus livros contábeis que permitissem a identificação dessas faturas com os itens não comprovados listados às fls. 58/59 no montante de R$ 3.628.400,61.” Assim, considerado tudo que do processo consta, conduzo meu voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Fl. 1023DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 18/0 3/2013 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por PLINIO RODRIGUES LIMA
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Numero do processo: 10280.005071/2001-42
Turma: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. A autoridade fiscal tem competência para, de forma unilateral, constituir o crédito tributário. Contudo, há que observar os procedimentos necessários previstos em lei, dentre os quais a correta identificação da matéria tributável, data, materialidade e base imponível correspondente à infração. Descumpridos tais requisitos no auto de infração, admite-se o lançamento complementar, à luz do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, desde que não ocorrida a decadência, e o julgamento administrativo. Portanto, não é cabível manter os itens do lançamento original que estão alicerçados em descrição, datas e provas especificadas no Termo de Verificação Complementar lavrado após o transcurso do prazo decadencial.
No caso concreto, a insuficiência na descrição dos fatos resultou devidamente caracterizada com a conversão do julgamento em diligência. O relatório da diligência composto de 42 páginas necessárias para indicar a infração cometida, a data em que ocorreu, a materialidade ou documentos caracterizadores e o montante correspondente à base imponível, demonstrou que o auto de infração, antes das infrações serem reescritas, não preenchia os requisitos necessários à constituição do crédito exigido.
AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE PARCIAL. EFEITOS. O lançamento de ofício que contempla a exigência tributária decorrente de múltiplas infrações é passível de nulidade parcial, desde que os vícios que implicaram nessa nulidade contaminem apenas parte das irregularidades tributadas.
In casu, a nulidade parcial do lançamento de ofício não atinge a parcela do crédito tributário relativo às matérias em que não se observou o cerceamento do direito de defesa, as quais não são objeto do litígio, sendo que os débitos foram incluídos em parcelamento.
Preliminar Acolhida. Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a nulidade parcial do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Moises Giacomelli Nunes da Silva - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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NULIDADE DO LANÇAMENTO POR INSUFICIÊNCIA NA DESCRIÇÃO DOS FATOS. A autoridade fiscal tem competência para, de forma unilateral, constituir o crédito tributário. Contudo, há que observar os procedimentos necessários previstos em lei, dentre os quais a correta identificação da matéria tributável, data, materialidade e base imponível correspondente à infração. Descumpridos tais requisitos no auto de infração, admitese o lançamento complementar, à luz do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, desde que não ocorrida a decadência, e o julgamento administrativo. Portanto, não é cabível manter os itens do lançamento original que estão alicerçados em descrição, datas e provas especificadas no Termo de Verificação Complementar lavrado após o transcurso do prazo decadencial. No caso concreto, a insuficiência na descrição dos fatos resultou devidamente caracterizada com a conversão do julgamento em diligência. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 50 71 /2 00 1- 42 Fl. 6498DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.499 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a nulidade parcial do auto de infração por cerceamento do direito de defesa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório AGROPECUARIA RIO BRANCO LTDA recorreu a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente em parte a exigência, pleiteando sua reforma, com fundamento no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972. Tratase de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ); de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); de Programa de Integração Social (PIS), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade (Cofins), referentes aos anoscalendário de 1996, 1997, 1998, 1999 e 2000 no valor total de R$ 12.694.857,75 (principal, multa e juros, calculados até 29.11.2002) – fl. 1.065). O termo de verificação fiscal consta das fls. 863/951 e o auto de infração, notificado à parte interessada em 20/12/2002, encontrase às fls. 952 e seguintes. Apresentada a impugnação de fls. 1.251 a 1.290, os autos foram encaminhados à DRJ que por meio do acórdão de fls. 1.313 e seguintes, julgou procedente o lançamento, sendo que desta decisão, de forma tempestiva, a parte interessada apresentou recurso alegando, dentre outros fundamentos, a nulidade do lançamento por impossibilidade de correlacionar os termos das acusações aos valores lançados. Ao apreciar o recurso, o Primeiro Conselho de Contribuintes, em julgamento da Sétima Câmara, por meio da Resolução n° 107 0.469, de 03 de dezembro de 2003 (fls. 1.506 ou 1.512 pela numeração digitalizada), converteu o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal fizesse elaborasse demonstrativo das parcelas correspondentes a cada matéria tributável constante do Auto de Infração, totalizandoas por períodos, e com indicação do item correspondente ao termo de verificação fiscal. aos valores objeto de lançamento. Neste sentido, para efeito de relato, transcrevo os seguintes fundamentos da Resolução: Fl. 6499DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.500 3 Com efeito, notese que, apesar das infrações estarem numeradas no TVF, a peça básica, em alguns casos, não indica o número do item do TVF a que corresponde cada parcela relacionada, embora diga "conforme discriminação no TVF que faz parte integrante do auto". E há também dificuldade, exatamente por isso, de se vincular fatos descritos no termo a cada infração, uma vez que há, na peça básica, diversos itens sobre omissão de receita, mas os títulos adotados não batem com os dos termo, obrigando a defesa a arriscar argumentos (fl. 1.547 numeração digitalizada). .... Não basta indicar as parcelas por períodos, como figura do auto de infração, sendo necessária sua remissão ao item correspondente ao TVF (quando integrante do auto de infração). E este determine cada notafiscal, ou outro documento que fundamente a acusação, com o respectivo valor, relacionandoos e totalizandoos por infração, com a indicação das fls. dos autos (volume o u anexo) onde se encontrem essas provas. (fl. 1.548 numeração digitalizada). O relatório da diligência consta das fls. 1.562 e seguintes (numeração digitalizada). Nesta ocasião o auditor fiscal elabora o demonstrativo de fl. 1.563 e seguintes especificando e correlacionando os seguintes elementos: a) identificação da matéria no termo de verificação fiscal; b) item correspondente à infração descrita; c) a denominação ou motivação da infração (exemplos: 1. receitas não contabilizadas notas fiscais; 2. Depósitos bancários não contabilizados; 3. Diferenças de estoque; 4. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (cheques); 5. pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (ordenados e salários); 6. Receitas não contabilizadas (controle de venda de animais); 7. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos de pagamentos não localizados na contabilidade); 8. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos apreendidos sem lançamentos a despesas); 9. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (Documentos obtidos por circularização); 10. Omissão de receitas (recuperação de despesas); 11. omissão de receita (diferença de pesagem) etc. d) Período de apuração; e) Base de cálculo; f) documentação que fundamentava a autuação. Em síntese, com a diligência realizada em 2004 a autoridade fiscal elabora termo demonstrativo de 42 páginas indicando: a) a infração cometida; b) quando esta ocorreu; c) o montante correspondente à infração (base imponível); e d) os documentos caracterizadores da infração cometida. (materialidade) Realizada a diligência, por meio do acórdão n° 107.08.108 (fl. 1645), retificado pela decisão dos embargos de declaração de fls. 1.653 e seguintes (acórdão 107 08.800), o Colegiado, de forma unânime, anulou a decisão de primeira instância que havia entendido que, da forma pela qual o auto de infração original tinha sido lançado, não tinha Fl. 6500DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.501 4 ocorrido cerceamento de defesa. Destacou o acórdão que a decisão da DRJ era nula porque simplesmente tinha ignorado as alegações da autuada acerca do cerceamento de defesa. Anulada a primeira decisão, os autos retornaram à DRJ que proferiu o acórdão de fls. 1.717 a 1.768, decidindo, por maioria de votos, julgar improcedente a alegação de cerceamento de direito de defesa do Contribuinte. Vencidos os julgadores ANTÔNIO MARCOS C. LIMA, e PAULO ROGÉRIO CARREIRO LIMA FERREIRA, que votaram pela nulidade do lançamento em decorrência de vícios na descrição dos fatos. E por unanimidade, no mérito, julgar parcialmente procedente o lançamento, cancelando parte dos créditos do IRPJ, IRRF, do PIS, da CSLL, e da COFINS. Intimada desta segunda decisão, a parte interessada apresentou o recurso de fls. 1.778 e seguintes1, reiterando os argumentos articulados quando da impugnação anterior, dando ênfase, dentre outras razões, ao argumento de que, ao atender ao que fora determinado na resolução a autoridade fiscal vez verdadeiro aperfeiçoamento do lançamento, visto que o anterior não se sustentava, fato este inclusive reconhecido por dois integrantes da DRJ. Os fatos até aqui expostos sintetizam as principais questões processuais. Contudo, em face à necessidade de descrever cada uma das infrações, procedimento já adotado pela decisão recorrida, doravante passo a transcrever o relatório daquela decisão, que apesar de extenso, sintetiza todos os detalhes. Como referido no parágrafo anterior Transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): (fl. 1.720) 2.Antes de discriminar as infrações à legislação tributária verificadas pela fiscalização, fazse necessário esclarecer as transações imobiliárias que culminaram na presente situação patrimonial do contribuinte autuado. 3.A Agropecuária Campo Maior Ltda., com sede na Fazenda denominada “Chão de Estrelas”, foi vendida pelos proprietários originais (os Srs. Lutfala de Castro Bitar, Eduardo Cateb Bitar, Antônio Marcos Loureiro e a empresa Estacon Engenharia S.A.) à empresa Têxtil Saint Germany Ltda., de propriedade do Sr. José Osmar Borges. Conforme o Instrumento Particular de Promessa de Compra e Venda de fls. 37 a 43, verificase que o valor da transação foi de R$2.200.000,00, a serem pagos até 15.5.1996. A efetivação da venda se deu em 30.5.1996, como prova o ofício de fl. 45. 4.Em 15.8.1996, de acordo com a certidão de fl. 46, a Agropecuária Campo Maior Ltda. era controlada por dois sócios: a Têxtil Saint Germany Ltda (detentora do capital social de R$1.744.800,00), e a sóciagerente Sra. Márcia Cristina Zahluth Centeno (detentora do capital social de R$207,00). 5.Por meio do contrato de compra e venda de fls. 52 e 53, datado de 5.1.1998, a Têxtil Saint Germany Ltda., por meio de seu proprietário Sr. José Osmar Borges, vendeu a sua participação na Agropecuária Campo Maior Ltda. para a Fazenda Rio Branco Ltda., por R$600.000,00, a serem pagos até 5.1.2000. 6.Através da alteração contratual de fls. 56 a 61, datada de 31.5.2000, foi realizada a incorporação da Agropecuária Campo Maior Ltda. pela Fazenda Rio Branco Ltda. Pelo mesmo contrato, alterouse a denominação da Fazenda Rio Branco Ltda. para 1 Numeração digitalizada. Doravante passo a adotar a numeração atribuída em face da digitalização, pois o acórdão recorrido só contém a numeração digitalizada. Fl. 6501DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.502 5 Agropecuária Rio Branco. Porém, a fiscalização manteve a denominação original, por ser esta a que consta nos cadastros da SRF. 7. A Fazenda Rio Branco Ltda. foi autuada por diversas infrações à legislação tributária, a saber: a)omissão de receita caracterizada pela falta de escrituração de notas fiscais de vendas, avulsas e de produtor2; b)omissão de receita operacional caracterizada pela falta de contabilização de depósitos bancários; c)omissão de receita operacional caracterizada por diferenças apuradas em estoques de touros e matrizes; d) omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, efetuados mediante emissão de cheques com especificação da aplicação, passagem pelo caixa, e dele não saído; e)omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas com ordenados e salários; f) omissão de receita de venda de gado apurada de acordo com controle paralelo denominado “Controle de Venda de Animais”; g)omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, para valores pagos sem emissão de cheques ou com cheques sem discriminação de aplicações; h)omissão de receita caracterizada pela não contabilização da saída de caixa de pagamentos de despesas operacionais; i)omissão de receita caracterizada pela não contabilização de pagamentos de despesas operacionais, cujos documentos foram obtidos por circularização; j)omissão de receitas na Declaração de Rendimento dos saldos das contas de recuperação de despesas; k) omissão de receita caracterizada pelas diferenças de pesagem de gado na venda e no abate; l)custos ou despesas não comprovados, referentes a animais vendidos; m) custos ou despesas não comprovados, referentes a ordenados e salários; n)custos ou despesas não comprovados, referentes a despesas comprovadas apenas com “sleeps” ou memórias de lançamentos; o) cotas de depreciação de bens do ativo imobilizado não dedutíveis, valores apurados em decorrência da não comprovação, com documentos hábeis e idôneos, de todo o seu ativo permanente, alegando antiguidade dos bens; p) remuneração indireta a beneficiário não identificado, decorrente de pagamentos de arrendamento de aeronave, cuja utilização para os sócios e terceiros não identificados foi informada pelo próprio contribuinte; 2 Quanto a este item, conforme petição de fls. 1.554, datada de 26/11/2003, e documentos de fl. 1.555, houve desistência do recurso para inclusão no PAES. Fl. 6502DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.503 6 q) remuneração indireta a beneficiário não identificado, decorrente de pagamentos de despesas com avião; r)despesas indedutíveis, por estarem lastreadas em documentos não considerados hábeis e idôneos, tais como: inidoneidade, contabilização em dobro, referentes a despesas fora do exercício de competência e concernentes a outra empresa (Agropecuária Campo Maior Ltda.), antes da incorporação; s)ausência da adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, do valor do imposto de renda debitado a despesas pela empresa, conforme DIPJ; t)ausência de adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, da contrapartida do ajuste dos investimentos em Imóveis Terrenos (conta 1.3.1.05.001), Edificações e Melhoramentos (1.3.1.05.002), Cercas (1.3.1.05.003) e Pastagem Artificial (1.3.1.05.004) da Agropecuária Campo Maior Ltda., em face da sua realização, em 31.1.2000, por estorno das contas na contabilidade da Agropecuária Campo Maior Ltda., sem a apresentação de qualquer laudo que comprovasse a redução do valor dos imóveis; u) redução indevida do lucro real, em virtude de débito a Conta de Resultado do Exercício de valor oriundo da conta Lucros do exercício; v) falta de realização do lucro inflacionário, pois o contribuinte, através de empresa incorporada, fez opção pela realização favorecida do lucro inflacionário acumulado, não o realizando quando da incorporação em 2000. 8.A descrição detalhada dos fatos encontrase no Termo de Verificação Fiscal de fls. 863 a 951, do qual foi dado ciência ao contribuinte, juntamente com o auto de infração, em 20.12.2002. II – DA IMPUGNAÇÃO 1 Em 17.1.2003, a empresa apresentou impugnação de fls. 1.251 a 1.290, na qual aduz os seguintes argumentos: a) como preliminar, argúi a nulidade do auto de infração, porque a prorrogação do mandado de procedimento fiscal (MPF), com validade até 26.1.2002, somente se deu em 6.5.2002, em afronta ao art. 12 da Portaria SRF nº 3.007/2001, que determina prazo máximo de validade de 120 dias para os MPFs; b) também como preliminar, que houve cerceamento do seu direito de defesa, elencando uma série de motivos: que não foi obedecida a ordem cronológica para a arrumação das folhas integrantes do auto, bem como não foram numeradas e rubricadas; que a descrição dos fatos não está na mesma seqüência das infrações descritas no auto, e que não há uma precisa remissão do auto de infração em relação ao Termo de Verificação Fiscal; que por mais que se leia e releia o auto de infração, na vã tentativa de descobrir qual o fato e o seu relacionamento com o enquadramento legal e as provas de acusação, a frustração é enorme; que as tabelas que fazem referência a valores não se reportam às folhas do processo; que por ser o resultado de fiscalização de duas empresas, no texto da descrição dos fatos não há uma referência clara contra qual empresa é a acusação; cita, como exemplo, que a informação contida no parágrafo “c” da fl. 870 referese à Agropecuária Campo Maior Fl. 6503DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.504 7 Ltda., mas que o item V.1.1.2 ao que o parágrafo pertence, referese à Fazenda Rio Branco Ltda.; que este processo representa apenas um braço longo das aleivosias a que foi submetido o contribuinte Jader Barbalho e suas empresas, a partir de denúncias infundadas (como já provado na Justiça), procurandose de todas as formas impedirlhe a ampla defesa; que requer o saneamento do processo com as remissões consistentes, com a definição clara de quem está sendo acusado (se a Fazenda Campo Maior ou se a Fazenda Rio Branco); que há nos autos signos desconhecidos da língua portuguesa (##) utilizados no enquadramento legal; c) ainda a título de preliminar, pugna pela decadência do lançamento referente a fatos geradores ocorridos em 1996 e até 20.12.1997, por força do art. 150, §4º, do Código Tributário Nacional (CTN), por tratarse de tributo lançado por homologação; d) requer a exclusão de todas as multas aplicadas contra a Fazenda Campo Maior Ltda., que foram exigidas da Fazenda Rio Branco Ltda. na qualidade de responsável tributário por sucessão. Segundo a impugnante, o disposto no art. 132 do CTN diz respeito apenas à responsabilidade pelo pagamento do tributo, excluindose desse conceito as multas, que têm caráter punitivo. Cita farta doutrina e jurisprudência que ampara sua tese. 02.Após expor suas teses acima, a empresa passa a repelir uma a uma das 22 infrações que lhe foram imputadas. 03.Para as infrações correspondentes à omissão de receitas, enumeradas de 001 a 011 na peça impugnatória, o contribuinte apresenta uma negação geral, na forma da seguinte assertiva: “Não está demonstrada, pela fiscalização, a ocorrência das hipóteses previstas no art. 281, inciso II, do RIR/99, caracterizadoras da omissão de receita, que a seguir transcreveremos. Lançamento improcedente.”. 04.Relativamente às infrações de nº 012 (glosa de custos de animais vendidos), nº 015 (depreciação de bens do ativo imobilizado), nº 018 (despesas indedutíveis pela documentação não considerada hábil e idônea) e nº 021 (exclusões indevidas), a impugnante afirmou que “Não está demonstrado no Termo de Verificação Fiscal o valor tributável apontado no lançamento de ofício. O lançamento é improcedente.” 05.Para as infrações de nº 013 (glosa de despesas de ordenados e salários), nº 014 (glosa de despesas comprovadas com sleeps ou memórias de lançamentos), nº 019 (adições não computadas na apuração do lucro real relativas à despesas indedutíveis) e nº 022 (imposto sobre o lucro inflacionário acumulado), a defendente afirma que desconhece “os caracteres estranhos (##) utilizados no enquadramento legal, desconhecidos ao mundo das letras jurídicas”, o que implica o cerceamento de seu direito de defesa. 06.Quanto às infrações relativas à remuneração indireta a beneficiário não identificado, enumeradas no lançamento como as de nº 016 (decorrente de arrendamento mercantil) e de nº 017 (decorrente de despesas com avião), a impugnante sustenta que existe outro auto de infração onde se exige o pagamento do imposto retido na fonte, o que se constitui em inaceitável bis in idem . Afirma que a fiscalização presumiu ingresso de receitas inexistentes e que um bem não poderia ser ao mesmo tempo fonte de receita pela qual se exigiria do usuário o respectivo pagamento e fonte de despesas pelo mesmo uso; que a fiscalização adaptou o conteúdo e a definição dos institutos do arrendamento mercantil e da locação, definidos em leis especiais de direito privado, para acomodar o uso das aeronaves por terceiros às normas de direito tributário previstas nos regulamentos de imposto Fl. 6504DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.505 8 de renda vigentes em cada época do lançamento, transformando um Termo de Constatação e Intimação/Reintimação Fiscal em fonte de direito para definição de fato gerador do imposto; que não houve arrendamento nem locação, contratos típicos de direito privado a que se exige forma expressa e não tácita, com a fixação do valor da prestação que não pode ser presumida; que a resposta da empresa à intimação aludida no Termo de Verificação foi no sentido de que os aviões eram utilizados por cessão gratuita que nada tem a ver com a onerosidade dos contratos de arrendamento e locação que a fiscalização deseja adaptar com finalidade de criar fato gerador de imposto. 07.Em relação à infração identificada no lançamento como a de nº 020, resultante da falta da adição ao lucro líquido do período, na determinação do lucro real, da contrapartida do ajuste dos investimentos da Agropecuária Campo Maior Ltda., a impugnante afirma que a redução do valor dos bens do ativo permanente da Agropecuária Campo Maior Ltda. deveuse às sucessivas invasões de trabalhadores semterra em fazenda de propriedade daquela agropecuária, e que o Relatório Técnico Agronômico produzido pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – Incra – comprova as suas assertivas, assim como a ampla cobertura sobre o fato pela imprensa nacional. Afirma, também, que o ajuste contábil na contabilidade da Agropecuária Campo Maior Ltda. não foi entendido pela fiscalização, pois não houve uma operação contábil decorrente de reavaliação de bens do ativo de coligada ou controlada, mas, sim, o uso do termo “reavaliação” na conta utilizada para reduzir o patrimônio líquido, ao invés de ter sido alterado contabilizandose o prejuízo provocado pelas invasões. Prossegue a defendente, afirmando que nunca existiu uma relação do tipo coligada ou controlada entre a Agropecuária Campo Maior Ltda. e a Fazenda Rio Branco, pois assumiu o patrimônio daquela em virtude de contrato de cisão. Por fim, requer a realização de perícia para que seja verificada a avaliação do imóvel. 08.E, quanto à aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, afirma que “ A multa de 150%, que corresponde a uma infração qualificada, não guarda relação com um evento real de omissão de receita.”. III – DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA Através do ACÓRDÃO DRJ/BEL Nº 1.127, de 27 de março de 2003, a impugnação do contribuinte foi julgada, e o lançamento foi considerado procedente em sua totalidade. Conforme ementas abaixo relacionadas(fls. 1.313 a 1.332): PRELIMINAR.NULIDADE. MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Não verificado no lançamento existência de vícios que impliquem prejuízo à defesa,e satisfeitos os requisitos do art. 142 do CTN, é de se afastar a preliminar argüida. DECADÊNCIA.Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em casos de dolo, fraude ou simulação, os termos para contagem de prazo é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO. As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela sucedida, Fl. 6505DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.506 9 independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. NEGAÇÃO GERAL. A impugnação que apresentar simples negação da ocorrência dos fatos constatados pela fiscalização, não satisfaz as exigências do art. 16, III, do Decreto 70.235/72, e não merece apreciação. REMUNERAÇÃO INDIRETA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Os pagamentos destinados ao pagamento de despesas com benefícios e vantagens a beneficiários não identificados devem ser tributados como remuneração indireta. LUCRO REAL. ADIÇÕES. Não comprovada com documentação hábil e idônea a efetiva redução do valor de bens do ativo permanente decorrente de depredações sofridas, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia não se presta a suprir omissão do contribuinte na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os lançamentos reflexos seguem a sorte do principal. IV – DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, com a decisão de primeiro grau, recorreu ao Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Recurso Voluntário, em 22/05/2003, de fls. 1342 a 1.389, anexando os documentos, às fls.1390 a 1.471, conforme abaixo discriminados: 1 – Cópias simples da Relação de Bens e Direitos para Arrolamento – fls. 1.390 a 1.400; 2 – Cópias simples de reportagens de retiradas de jornais – fls. 1.401 a 1.403; 3 – Cópias de Balancetes Analíticos, de 31/01/1996, da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda. 1.404 a 1.414, e sem assinaturas; 4 – Balancetes Analíticos, de 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/05/2000, da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda., sem assinaturas. – fls. 1.415 a 1.451; 5 – Cópias simples do Contrato de Compra e Venda de Quotas de Agropecuária Campo Maior Ltda. – fls. 1452 a 1457; 6 – Cópias simples do Laudo de Avaliação dos bens abrangidos pelo processo de cisão entre a Fazenda Rio Branco e Agropecuária Campo Maior Ltda. – fls. 1458 e 1.459; 7 – Cópias simples do Livro Diário nº 19, da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda., referente ao período de 01 a 31/01/2000; À fl. 1.547 consta a petição datada de 26/11/2003 por meio da qual a parte interessada informa que desiste do recurso, para inclusão no PAES, em relação às matérias especificadas às fls. 1.548 a 1.550, correspondente aos itens 01; 06; 07; 09; 10; 11; 12; 14; 18; 19 e 21 do auto de infração, a seguir descritos: 01 – RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS; Fl. 6506DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.507 10 06 – RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS ( Controle de Venda de Animais); 07 – PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS A CONTABILIDADE(Documentos de pagamentos não localizados na contabilidade); 09 – PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À CONTABILIDADE ( Documentos detidos por circulariazação); 10 – OMISSÃO DE RECEITA( recuperação de despesas); 11 – OMISSÃO DE RECEITA( recuperação de pesagem); 12 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS ( Custos de Animais Vendidos); 14 – CUSTOS DE DESPESAS NÃO COMPROVADA GLOSA DE DESPESAS (Comprovadas com “sleeps” ou memória de lançamentos); 18 – DESPESAS INDEDUTÍVEIS – DESPESAS INDEDUTÍVEIS (Documentos não considerados hábeis e idôneos); 19 – ADICÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL (Custos/Despesas indedutíveis); 21 – EXCLUSÃO/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÕES INDEVIDAS(Débito a Resultado do Exercício de Lucro Anterior). Os débitos referentes a estas infrações foram transferidos para o Processo nº 10280.002076/200466, tendo em vista a apartação dos créditos objeto da desistência do Recurso Voluntário. VII – DA MANIFESTAÇÃO DA DILIGÊNCIA Em 30/06/04, o contribuinte pronunciou a respeito da diligência e alega em síntese: 1 – que a responsabilidade da sucessora, Fazenda Rio Branco LTDA., está restrito aos tributos devidos, não havendo amparo legal para responsabilizála pelas penalidades (fl. 1602); 2 – que rechaça a interpretação maldosa da existência de casos de dolo, fraude ou simulação, nos itens e fatos administrativos que compõe as atividades executadas pela empresa, vez que, a documentação é hábil e idônea, não cabendo o alegado no julgamento de primeira instância, com a finalidade de negar que no ano calendário de 1996, está prescrito e conseqüentemente o direito de constituir o Crédito Tributário alcançado pela decadência, ainda que possível fosse identificar Fato Gerador(fl. 1603); 3 – que rechaça a cobrança da estimativa mensal, para os anoscalendário de 2001 e 2002, que tiveram como base a Lei nº 9.430/96, pois, ao ser intimado, apresentou os balancetes mensais, para suspensão ou redução na forma do art. 35 da Lei nº 8.981/95 ( fl. 1603); 4 – que os Autos de Infração foram entregues a autuada com as peças integrantes na mais completa desordem, dificultando sobremaneira o atendimento para a análise e preparo da defesa, que está sujeita a falhas na compreensão, prejudicando o contribuinte, que defrontase ainda com sinais gráficos estranhos, existentes nos componentes do processo oriundo da fiscalização(fl.1603); Fl. 6507DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.508 11 5 – que os Autos de Infração não guardam o mesmo ordenamento seqüencial e cronológico dos Termos de Verificação Fiscal colaborando para a elevação do grau de dificuldade ao exercício do direito de defesa; E em relação ao mérito impugna todos os itens lançados inclusive os que foram objeto de desistência do recurso voluntário. Vejamos a seguir as alegações: 6 – referente ao item I – OMISSÃO DE RECEITAS – RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS (NOTAS FISCAIS): a) Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência, e que ocorreu emissão em duplicidade das notas fiscais emitidas no Posto Fiscal da SEFA em 16/09/1996; b) Nos anos calendários de 1996 e 1998, ocorreram emissão em duplicidade das notas fiscais emitidas no Posto Fiscal da SEFA, em 16/03/97, 10.02.98; e 02/12/98. E que a nota fiscal nº 295027 foi emitida para transporte de um cavalo levado à exposição; c) Que não consta, para o ano calendário de 1999, referencia a infração autuada no Termo de Verificação Fiscal; d) Que o valor da autuação, do ano calendário de 2000, referese as notas fiscais de saída que foram emitidas pela Fazenda Rio Branco Ltda., para casar com notas fiscais de compras, emitidas pelo Frigorífico Simental Ltda., gerando duplicidade de Receita de Venda de Gado Bovino; e) E aponta a multa de 150% como sem fundamentação legal. 7 – Referente ao item II – OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS Que nos anos calendários de 1996 (alcançado pela decadência), 1997 e 1998, houve entrada e saída de numerários nos BIC Banco, e Safra (1998) sem qualquer ganho ou perda para o Tesouro Nacional, e que as operações encontramse refletidas nos livros contábeis a débito e a crédito da conta Caixa; 8 – Referente ao item III – OMISSÃO DE RECEITA – Diferença de Estoque, fl 1.605. Que no ano calendário de 1996 (alcançado pela decadência), assim como nos demais, não conseguiu vislumbrar as diferenças de estoques, pois a fiscalização não demonstrou como apurou no Termo de Verificação Fiscal; 9 – Referente ao item IV OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (cheques), fl. 1.606. a) Que no ano calendário de 1997 menciona fatos por suposição, pois, os recursos que derivam do Caixa, através de retiradas de Contas Bancárias, não diferem em nada, daquelas arrecadadas em espécie e registradas diretamente na Caixa, ou seja, contabilmente na conta Caixa, desta forma estas operações não devem ser considerados pagamentos efetivados e não contabilizado; b) Que no ano calendário de 1998, os recursos retirados das contas bancárias e levados a débito da conta caixa foram destinados a outros investimentos/aplicações e não a pagamentos de obrigações da empresa; Fl. 6508DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.509 12 c) Que no ano calendário de 1999, os recursos registrados na conta caixa, de dinheiro retirado do Banco através de cheque, nada espelha de estranho, e que as provas contidas no Processo contradizem as autuações por conclusões e deduções, sem fato gerador concreto, de tal forma que não incorpora as características exigidas por lei. 10 – Referente ao item V OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (Ordenados e salários), fl. 1.607. a) Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência, e que a descrição dos fatos, no Termo de Verificação Fiscal, da infração, confundiu o raciocínio, com intuito evidente de demonstrar a existência de Crédito Tributário; b) Que no ano calendário de 2000, o mapa demonstrativo, elaborado pela fiscalização, apresenta complexa disposição de dados com a conclusão de infração cometida pela empresa. E que a Fiscalização elaborou autos de infração com valores elevados, fora da realidade, e cuja prova é incoerente com a autuação. 11 – Referente ao item VI OMISSÃO DE RECEITAS – Receitas não contabilizadas(controle de vendas de animais), fl. 1.608. Que não conseguiu encontrar a infração caracterizada como omissão de receita, decorrente de Receita não contabilizada, estando prejudicada a autuação. 12 – Referente ao item VII OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos de pagamento não localizado na contabilidade), fl. 1.609. a) Que no ano calendário de 1997, a fiscalização não apresentou provas que a documentação base da autuação seja da empresa, pois, simples nota de balcão ou assemelhada não identifica ser o documento de responsabilidade da empresa; b) Que nos anos calendário de 1998 e 1999, a fiscalização não provou a entrada do material na empresa autuada; c) Que no ano calendário de 2000, o lançamento está prejudicado, por conter erro de valores, e divergências entre o valor constante no auto de infração e o apresentado no Termo de Verificação Fiscal. E que acha estranho, a infração com característica de existência de documentos, sem que a contabilidade tenha registrado, vez que a fiscalização diz ter obtido os documentos, mas não comprova a autenticidade, através de prova de entrada do material ou da prestação de serviços. 13 – Referente ao item VIII OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos apreendidos sem lançamento a Despesa), fl. 1.610. Que não prevalece a autuação, por erro de valores existentes entre o Termo de Verificação Fiscal e o Auto de Infração(mês de junho), e pelo fato de que, caso o dinheiro retirado do Banco, for levado a débito da conta Caixa se não utilizado, produziria a elevação do saldo da referida conta. 14 – Referente ao item IX OMISSÃO DE RECEITAS – Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos obtidos por circularização), fl. 1.611. Fl. 6509DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.510 13 a) Que no ano calendário de 1997, a Nota Fiscal avulsa, caracterizada, pela fiscalização, como omissão de receita, substitui a Nota Fiscal de receita, que por qualquer razão não foi emitida pela empresa, para casar com a Nota Fiscal de compra, que certamente encontrase contabilizada, logo improcedente a autuação; b) Que no ano calendário de 1998, e 2000, a fiscalização não comprovou a efetiva entrada do material que diz ter sido comprado ou serviços que supõe realizado; c) Que no ano calendário de 1999, o que o valor de R$ 50.633,98, que consta no quadro demonstrativo do Termo de Verificação, como relativo a abril/99, não foi incluído no Auto de Infração, o que demonstra a insegurança da Fiscalização, invalidando a autuação; 15 – Referente ao item X OMISSÃO DE RECEITAS – Omissão de Receita (recuperação de despesas), fl. 1.612. Que discorda do lançamento, pois caso confirmasse o entendimento da fiscalização, não haveria igualdade entre os valores do Prejuízo do exercício apontado no Balanço, constante no Livro Diário, e o apresentado na DIPJ; 16 – Referente ao item XI OMISSÃO DE RECEITAS – Omissão de Receita (diferença de pesagem), fl. 1.612. Que ocorre a perda do peso do gado, que é natural, entre o embarque e o abate, em função do tempo da condução e do descanso préabate; 17 – Referente ao item XII – CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS( Custos de animais vendidos) fl. 1.613. Que o custo do produto vendido, no caso do gado bovino, é operacionalizado contabilmente com a finalidade de apuração do resultado líquido da exploração, logo não tem cabimento a tributação de diferença pela contabilização de valor a maior ou a menor, vez que, a contrapartida que vem creditada também varia pelo mesmo valor, produzindo o equilíbrio contábil. Não ocorrendo, desta forma, ganho ou perda para a tributação; 18 – Referente ao item XIII – CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS (Ordenados e salários) fl. 1.613. Que é improcedente a autuação, pois em relação à diferença não contabilizada, apurada pelo comparativo entre RAIS e o Livro Razão, não houve elementos concreto de convicção, como sempre, ensejando o pleito de reconhecimento da improcedência da autuação, por absoluta inconsistência dos elementos que serviram de base ao procedimento. 19 – Referente ao item XIV – CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA DE CUSTOS (Comprovadas com ‘sleeps” ou memória de lançamentos) fl. 1.614. Que não procede a autuação, pois o trabalho fiscal apresenta diferença entre a soma dos valores constantes do Termo de Verificação e o do Auto de Infração. Além de que, os documentos que serviram efetivamente de base para os lançamentos, foram corretamente escriturados, conforme provas constantes no Processo. 20 – Referente ao item XV – DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO (Cotas de depreciação não dedutíveis)fl. 1.614.(anos 1996 a 1999) Fl. 6510DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.511 14 Que é improcedente a autuação, pois o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência, e que os bens do ativo fixo têm mais de 05(cinco) anos, com alguns comprovantes de aquisição mantidos em arquivo. Concernente às instalações agropecuárias, afirma que são formadas gradativamente com construção a granel, ou seja, com compra de material e pagamento de mão de obra no decorrer do exercício financeiro. Sendo descabida a exigência da comprovação nos moldes desejados pela fiscalização. 21 – Referente ao item XVI – REMUNERAÇÃO INDIRETA Remuneração indireta a beneficiário não identificado (arrendamento mercantil)fl. 1.615. Que a legislação brasileira admite que as parcelas das operações de leasing sejam contabilizadas como aluguel ou arrendamento, registrando que a empresa deixou de lado a questão da propriedade formal do bem, dando mais valor a substância do bem, em obediência a regulamentações das operações de leasing(amparada pela Lei nº 6.099/7 com alterações da Lei nº7.132/83), como deduzse diante do custo do arrendamento mercantil, até 31/12/2000, de R$ 1.259.409,48, ficando um saldo residual de R$ 209.882,12 na conta 1.2.1.01.001 – Arrendamento Mercantil. A fiscalização não mencionou o amparo legal, concernente que a aeronave tenha que conduzir somente os tripulantes, sob pena de estarem os passageiros sujeitos a tributação pelo uso do aparelho. E ao mencionar o art. 297 do RIR/94, conclui que: A contraprestação de arrendamento mercantil constituise: Da execução dos serviços ou aluguel a que se destina o bem utilizado, produto do leasing, utilização de imóvel, assim como as despesas com benefícios e vantagens, contidas no inciso II, alíneas”a”, “b”, “c” e “d”; É inexistente, o enquadramento legal que determine a utilização das parcelas do pagamento do contrato de leasing seja fato gerador da infração identificada, senão em função de ilícitos do próprio instrumento mercantil, sendo irrelevante assim, a alegação de haver sido o pagamento contabilizado na conta patrimonial ou diferencial encerrada com a apuração do resultado do exercício; O que existe de “Fato” é um contrato de cessão gratuita, que deveria está formalizado em contrato revestido das formalidades legais, o que não invalidaria o uso e na prática não modificaria os procedimentos, vez que, não produz redução de receita, e nem elevação de despesa para conseqüente autuação, por cometimento de infração; O ramo de atividade da empresa está restrito a agropecuária, sendo inadmissível a exploração de outra atividade, como locação de aeronaves, razão pela qual as remunerações atribuídas, com valores aleatórios, não têm amparo legal definido para o lançamento. 21 – Referente ao item XVII – REMUNERAÇÃO INDIRETA Remuneração indireta a beneficiário não identificado (despesa com avião)fl. 1.618. Alega o contribuinte que não há base de cálculo precisamente definida para esta infração, pois as parcelas do contrato de leasing, nos três anos calendários, foram escrituradas algumas em conta patrimonial e outras em conta de resultado, além de que as despesas, com revisão, abastecimentos, e conservação de aeronaves, foram custeadas pela empresa e por terceiros, que se usuários, já pagam diretamente o Fl. 6511DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.512 15 aluguel, desta forma, a empresa a não foi onerada com custos/despesas das viagens, atendendo interesses interno da empresa, e as aeronaves foram conservadas pelo uso. Que há divergência entre os valores dos documentos, referente ao ano calendário de 1998, o constante no Termo de Verificação Fiscal, e o apresentado no Auto de Infração, e que os valores referentes ao ano calendário de 1999, elencados no Auto de Infração, apesar das buscas, 04 (quatro) não constam no Termo de Verificação Fiscal, prejudicando inteiramente o direito de defesa do contribuinte, quanto a esse item da autuação. Registrase, também, a alegação do contribuinte no sentido de que as documentações foram entregues pela própria empresa, e outros conseguidos em estabelecimentos de terceiros, que se considerados produzirão duplicidades de operações, por constarem dos registros contábeis representado despesas e custos da manutenção/conservação /operações dos aviões, e não devendo integrar a base de cálculo aleatória aplicada pela fiscalização como “despesas de aviões”. 22 – Referente ao item XVIII – DESPESAS INDEDUTÍVEIS – Despesas indedutíveis (documentos não considerados hábeis e idôneos)fl. 1619. Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência. Alem de que, a fiscalização apresentou um quadro complexo, sem controle numérico, de documentos avaliados como irregulares. Para o ano calendário de 2000, apresentou um demonstrativo confuso e sem relacionamento com a infração em lide, apresentando diferença glosada por encontrar valor excedente de Arrendamento Mercantil, o que na verdade na tem fundamento, por ser produto do entendimento fiscal, em referência a conta contábil utilizada na escrituração dos pagamentos do Contrato de leasing. 23 – Referente ao item XIX – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL CUSTOS/DESPESAS INDEDUTÍVEL.fl. 1620. Que o lançamento do ano calendário de 1996 foi alcançado pela decadência. Para os anos de 1996, 1999, e 2000 não existe valor a tributar, pois o resultado do exercício foi negativo; O valor apontado no ano calendário de 1998, consta na DIPJ de 1998; Logo, a fiscalização levantou elementos inconsistentes, tornando a autuação improcedente. 24 – Referente ao item XX ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – REAVALIAÇÃO DE BENS NA COLIGADA OU CONTROLADA – ALIENAÇÃO/LIQUIDAÇÃO DO INVESTIMENTO OU CAPITALIZAÇÃO DA RESERVA DE REAVALIAÇÃO.fl. 1620. Alega o contribuinte que, a fundamentação da fiscalização concernente ao estorno da Reserva de Reavaliação, na contabilidade da Empresa Agropecuária Campo Maior Ltda., ocorreu 31/01/2000, antes do balanço de encerramento e incorporação definitiva pela Fazenda Rio Branco, que ocorreu em 31/05/2000”, e fundamentando a tributação por força do art. 132 do CTN, é sem fundamento, pois: O estorno foi procedido em igual momento estático da situação patrimonial, ou seja, logo após o levantamento do Balanço do ano calendário de 1999, após o qual nenhuma outra operação, foi realizada ou pudesse produzir modificação, então, a Fl. 6512DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.513 16 questionada Reavaliação, que segundo a fiscalização datava de 1993, teve os registros contábeis de origem revertidos, pura e simplesmente, por ter sido inócua não existindo razão que justificasse sua permanência na contabilidade, e ainda mais, prejudicial seria, transpor para a sucessora “ Agropecuária Rio Branco Ltda.”, a anomalia fisicamente inexistente. Não encontra cabimento sólido a alegação da existência de Lucro Inflacionário Realizada, quando na realidade suporta a empresa os representativos Perdas/Prejuízos, causados pelas sucessivas invasões sofridas”. 25 – Referente ao Item XXI – EXCLUSÃO/COMPENSAÇÕES NÃO AUTORIZADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL – EXCLUSÃO INDEVIDAS (débito a Resultado do Exercício de Lucro Anterior). FL. 1621. O entendimento da fiscalização não está correto, pois em ambos os anos, objeto do lançamento, ocorreram prejuízos fiscais nas DIPJ entregues via internet. 26 – Referente ao item XXII – IMPOSTO SOBRE LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO – Imposto sobre o lucro inflacionário acumulado. Fl. 1622. Em relação a este item alega o contribuinte: “Ano calendário de 2000, insistem os Auditores fiscais na existência de Lucro Inflacionário não realizado na incorporação, neste ano calendário, agora classificado de Diferido da Agropecuária Campo Maior Ltda., quando a incorporou em maio de 2000, alegando como documento prova, o Demonstrativo de Lucro Inflacionário da empresa Agropecuária campo Maior Ltda., cuja origem remonta ao ano calendário de 1993, ( fls. 3638/3695, do anexo XVII), conforme consta do Termo de Verificação Fiscal. Com referência ao assunto, vamos recorrer a Lei nº 3000, ou seja ao Regulamento do Imposto de Renda, de 1999: Art.249.Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º): I............. II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real. Art.390.A contrapartida do ajuste por aumento do valor do patrimônio líquido do investimento em virtude de reavaliação de bens do ativo da coligada ou controlada, por esta utilizada para constituir reserva de reavaliação, deverá ser compensada pela baixa do ágio na aquisição do investimento com fundamento no valor de mercado dos bens reavaliados (art. 385, §2º, inciso I)(DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 24). Esta claro que, os dispositivos legais se aplicariam, se fosse a Agropecuária Campo Maior Ltda., uma Coligada ou Controlada, o que na realidade nunca foi e quando da incorporação, já não existia mais aquela reavaliação, por haver sido revertida após o Balanço de 1999 e antes da incorporação, ou melhor da fusão, tida como Cisão, e vejamos que não somente isso........ Art. 24, Parágrafo 2º, Do DecretoLei nº 1.598. de 1977 § 2º O valor da reserva constituída nos termos do parágrafo anterior, deverá ser computado na determinação do Lucro real, do período de Fl. 6513DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.514 17 apuração em que o contribuinte alienar ou liquidar o investimento, ou seja que usar a Reserva de Reavaliação para aumento do seu Capital Social Mais uma vez está claro que, os dispositivos legais se aplicariam, no caso da eliminação dos investimentos, o que não ocorreu, vez que os investimentos com seus valores base de custo permaneceram, não foram alienados nem liquidados, porém, apenas transferidos para a sucessora Agropecuária rio Branco Ltda., após destituídas e injustificáveis, pela inexistência de suporte aos valores esdrúxulos que ostentavam os Bens/Investimentos, comprovando se ao mesmo tempo, que as reservas de Reavaliação não foram usadas para aumento de Capital, mais sim também anuladas da reversão. Art.435.O valor da reserva referida no artigo anterior será computado na determinação do lucro real (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 35, §1º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VI): Ino período de apuração em que for utilizado para aumento do capital social, no montante capitalizado, ressalvado o disposto no artigo seguinte; II em cada período de apuração, no montante do aumento do valor dos bens reavaliados que tenha sido realizado no período, inclusive mediante: a)alienação, sob qualquer forma; b)depreciação, amortização ou exaustão; baixa por perecimento. Nenhuma das hipóteses ocorreu com se comprova pelo contido no Processo nº 10280.005071/200142, razão pela qual, é insubsistente a autuação, e deve ser o lançamento reconhecido improcedente pelas autoridades julgadoras. Das fls. 1624 a 1.628, da manifestação da diligência, o contribuinte destaca as bases de cálculos do IRPJ, CSLL, PIS, COFINS, e do IRRF. E nas fl. 1629, apresenta impugnação sobre a autuação por falta de antecipação mensal do IRPJ e da CSLL, instituída pela Lei nº 8.981/95, corroborada com a INSRF nº 93/97, que estabelece a faculdade de suspender ou reduzir o valor dos pagamentos mensais. E conclui: O procedimento acima exposto foi atendido pela autuada, com apresentação dos Balancetes mensais, não acatados pela fiscalização, para fins de suspensão, mas sim utilizado para o lançamento de ofício, razão pelo qual, com base no contido Processo nº 10280.005071/200142, deve ser a autuação declarada insubsistente, pela autoridade julgadora. VIII – DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A decisão de primeira instância foi anulada, por unanimidade, pelo ACORDÃO Nº 10708.108, de 15 de junho de 2005, por cerceamento do direito de defesa, pois, não considerou, a falta de vinculação adequada das infrações descritas no Termo de Verificação Fiscal ao Auto de Infração(fl. 1645). O Relator fundamentou o seu voto com as seguintes ponderações: Aqui também me reporto ao voto que proferi ao ensejo da resolução de fls. 1506/1544, oportunidade em que ficou demonstrada a dificuldade do Fl. 6514DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.515 18 contribuinte em defenderse da exigência fiscal, incorporando a este voto as razões ali apresentadas e leio perante o Plenário (lê). A elaboração do demonstrativo de 42 laudas para vincular o Auto de Infração ao Termo de Verificação Fiscal e Documentação demonstra a grande dificuldade que realmente enfrentou o contribuinte que, apesar disso, não pleiteou a nulidade do auto de infração, mas apenas melhor esclarecimento das infrações de que era acusado. Na verdade não teria sentido anularse o auto de infração por cerceamento do direito de defesa porque o auto de infração não cerceia a defesa do contribuinte que poderá fazêla, inclusive para dizer que ele é insubsistente.(grifo nosso) Desta forma, o cerceamento somente ocorre após a lavratura da peça básica, seja pela repartição preparadora, seja pela autoridade julgadora. E o cerceamento do seu direito de defesa ocorreu no julgamento de sua impugnação, posto que as suas alegações de que não tinha condições de defenderse amplamente, sendo forçada a defenderse genericamente, foram simplesmente recusadas pela decisão de primeira instância.( grifo nosso). IX – DO EMBARGO DE DECLARAÇÃO Ao tomar conhecimento do Acórdão que anulou a decisão administrativa de primeira instância, o Procurador da Fazenda Nacional opôs Embargo de Declaração para que fosse sanada a contradição existente no referido acórdão( fl. 1651). A contradição foi sanada através Acórdão nº 10708.800, de 19 de outubro de 2006, (fl. 1653). Por não concordar com a decisão prolatada no Acórdão acima mencionado, o contribuinte interpôs o Recurso Especial de fl. 1662, o qual foi negado seguimento, conforme Despacho DDC nº 107135560_011. Cientificado da negativa de seguimento do Recurso Especial de Divergência, o contribuinte manifestouse as fls. 1687 a 1689 propugnando pela suspensão da exigibilidade do crédito tributário em litígio até que proferida decisão administrativa em definitivo, encaminhandose os autos à DRJ. A nova decisão de 1a. Instância recorrida está assim ementada: PRELIMINAR DE NULIDADE POR VICIO FORMAL MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. PRELIMINAR. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Rejeitase a preliminar de nulidade do lançamento, quando este obedeceu a todos os requisitos formais e materiais necessários para a sua validade, em especial no que tange a garantia do contraditório e da ampla defesa, não estando caracterizado o cerceamento do direito de defesa. Fl. 6515DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.516 19 DECADÊNCIA.Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, no caso de ausência de pagamentos, assim como na ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o termo para contagem de prazo decadêncial é aquele previsto no item I do artigo 173 do CTN. RESPONSABILIDADE DO SUCESSOR. MULTA DE OFÍCIO. As multas estão abrangidas pelo conceito de crédito tributário. Assim, por força do art. 129 do CTN, a sucessora responde pelas multas devidas pela sucedida, independentemente da data do lançamento, desde que relativas a obrigações tributárias surgidas até a data da sucessão. OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS. Caracterizamse omissão de receitas a não contabilização de notas fiscais de vendas, emitidas pela empresa, e de notas fiscais avulsas, e do produtor, emitidas pela a SEFA. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS.Caracterizamse omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a sua contabilização, e o seu oferecimento à tributação. OMISSÃO DE RECEITAS DIFERENÇA DE ESTOQUE.Caracterizamse omissão de receitas as diferenças de estoques de gado bovino, apuradas no comparativo entre os dados fornecidos pelo contribuinte e os apurados no decorrer da ação fiscal. OMISSÃO DE RECEITAS PAGAMENTOS EFETUADOS COM RECURSOS ESTRANHOS A CONTABILIDADE .Caracterizamse omissão de receitas, pagamentos de obrigações da empresa, com recursos estranhos à contabilidade, devidamente comprovado pela fiscalização. LUCRO REAL. ADIÇÕES CUSTO OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. Não comprovados, com documentação hábil e idônea, os custos e despesas com ordenados e salários, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. LUCRO REAL. ADIÇÕES DEPRECIAÇÃO DE BENS DO ATIVO IMOBILIZADO Não comprovada, com documentação hábil e idônea, a efetiva aquisição dos bens objetos da depreciação, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. REMUNERAÇÃO INDIRETA A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Os pagamentos destinados ao pagamento de despesas com benefícios e vantagens a beneficiários não identificados devem ser tributados como remuneração indireta. LUCRO REAL. ADIÇÕES. Não comprovada, com documentação hábil e idônea, a efetiva redução do valor de bens do ativo permanente decorrente de depredações sofridas, o valor reduzido, que transitou pelo resultado, deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. LUCRO REAL. ADIÇÕES LUCRO INFLACIONÁRIO Não comprovado que no ato da incorporação, o lucro inflacionário da incorporada foi integralmente realizado, nos termos da legislação vigente, o referido valor deve ser adicionado ao lucro líquido para a apuração do lucro real. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. Pela conduta do contribuinte em retardar total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, conduta essa prevista expressamente no artigo 71, inciso I, da Lei n° 4.502/1964, como espécie de sonegação. Fl. 6516DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.517 20 PEDIDO DE PERÍCIA. A perícia não se presta a suprir omissão do contribuinte na produção de provas que tinha obrigação de trazer aos autos. LANÇAMENTOS REFLEXOS. Os lançamentos reflexos seguem a sorte do principal. Impugnação Procedente em Parte. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou em 3/8/2009 extenso recurso voluntário, fls. 1768 e seguintes, no qual repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer (fls. 1861 e 1862, verbis): “IV Dos Pedidos Posto isso, a recorrente requer a esse Conselho: a) que seja recebido o presente recurso, por ser tempestivo e estar dentro das formalidades legais; b) que, desconsiderando a suposta convalidação do ato viciado, seja declarado nulo por vício material o procedimento fiscal ora combatido e o respectivo Auto de Infração, com a conseqüente extinção do crédito tributário; c) que seja decretada a decadência de todas as exações retroativas ao qüinqüênio precedente ao aperfeiçoamento do auto infracional, realizado em junho de 2004. d) seja julgada insubsistente a imposição de multa de ofício ao sucessor e pelos motivos expostos a multa qualificada. e) descaracterizadas todas as demais alegadas inexações fiscais, suas cargas acessórias, reflexos e decorrências f) a realização da perícia. São os termos em que a par das razões supra e das que se anexam por cópia, acostadas às fls. 1.600/1.629), requerse sejam também incorporadas, integralmente, as razões de mérito, deduzidas no precedente recurso voluntário de fls. 1.342/1.389, porque totalmente compatíveis com a presente manifestação recursal, que são assim no seu incindível conjunto submetidas à doutíssima apreciação e julgamento dessa Colenda Corte, junto à qual nos penitenciamos pela extensividade do trabalho.” Ato continuo, os autos foram reenviados a este Conselho. Tendo em vista que o relator original deste processo no CARF, conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes (in memoriam), não mais compõe os colegiados, foi realizado no sorteio, sendo contemplado este Relator. É o relatório. Fl. 6517DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.518 21 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado, tratamse de exigências tributárias decorrente de auditoria fiscal ampla do IRPJ e Reflexos, que foi apreciada neste Conselho anteriormente em 3 (três) oportunidades, tendo sido proferidos a Resolução nº. 10700.459 de 3/12/2003, o Acórdão 107 08.108 de 15/06/2005 e o Acórdão 10708.800 de 19/10/2006, que confirmou a nulidade da decisão de 1a. instância originalmente proferida pela DRJ Belém. De inicio, em longo arrazoado, suscita a recorrente as seguintes preliminares (verbis): 2.2 (...) NULIDADE MATERIAL DO PROCEDIMENTO FISCAL, POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, EM RAZÃO DA RECONHECIDA AUSÊNCIA DE VINCULACÃO ADEQUADA DAS INFRAÇÕES DESCRITIVAS NO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL AO AUTO DE INFRAÇÃO, INOBSERVÂNCIA DOS PRECEITOS CONSTITUCIONAIS E, NO MÍNIMO, DEVE SER RECONHECIDO QUE O LANÇAMENTO FOI "APERFEIÇOADO", ATRAVÉS DA DILIGÊNCIA DETERMINADA, EM JUNHO DE 2004, TORNANDO DECADENTES AS EXIGÊNCIAS RELATIVAS AOS ANOSCALENDÁRIO DE 1996, 1997, 1998 E PARTE DE 1999, ATÉ 30 DE JUNHO. (...) 2.3 (...)TENTATIVA DE SE PROVER À EMENDA DO AUTO DE INFRAÇÃO, MEDIANTE CONVALIDAÇÃO DE NULIDADE ABSOLUTA, DECORRENTE DE VÍCIOS FORMAIS E MATERIAIS, E' INÓCUA, POR SE TRATAR DE MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA, PORTANTO INSANÁVEL, DEVENDO SER CONHECIDA DE OFICIO PELA DIGNA AUTORIDADE JULGADORA. (...) 2.4 (...) DECADÊNCIA OU CADUCIDADE DO LANÇAMENTO DE TODAS AS EXAÇÕES E DECORRÊNCIAS DO PERÍODO COMPREENDIDO NO QÜINQÜÊNIO ANTERIOR A 30 DE JUNHO DE 2004, DATA EM QUE SE PROVEU AO "APERFEIÇOAMENTO" DO AUTO DE INFRAÇÃO, JÁ IMPUGNADO E SE INTIMOU A RECORRENTE PARA SE PRONUNCIAR (...). Pois bem, compulsando os autos, verifico que essas questões não foram apreciadas no acórdão10708.108, muito menos no 10708.800. Em verdade o Colegiado da 7a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes reconheceu o cerceamento do direito de defesa em face da precariedade do auto de infração, tal qual registrado no voto condutor da Resolução 107.0459, assim redigido (fls. 1541 e seguintes, verbis): “A autuada, desde a impugnação ao recurso, vem sustentando cerceamento do seu direito de defesa, dentre outras razões, pela concomitância de inúmeros atos em datas próximas que reduziram o prazo de defesa, além de falta de observância da ordem cronológica, dificuldade de compreensão dos fatos objeto da acusação fiscal, Fl. 6518DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.519 22 falta de vinculação das infrações apontadas no auto de infração com os itens do Termo de Verificação Fiscal, pelos motivos que descreve, confundindo a defesa, e em assim a adoção de simbologia imprópria no enquadramento legal. O exame detido dos autos revela que o contribuinte tem razão quando afirma a falta de vinculação das infrações apontadas no Auto de Infração ao item ou itens, quando mais de um, do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que, registrese, possui 89 páginas, e que não se consegue com a necessária segurança, vincular os valores consignados na peça básica ao referido termo, dificultandolhe a defesa. Com efeito, notese que, apesar das infrações estarem numeradas no TVF, a peça básica, em alguns casos, não indica o número do item do T V F a que corresponde cada parcela relacionada, embora diga "conforme discriminação no TVF que faz parte integrante do auto". E há também dificuldade, exatamente por isso, d e se vincular fatos descritos no termo a cada infração, uma v e z q u e há, na peça básica, diversos itens sobre omissão de receita, mas o s títulos adotados não batem com o s dos termo, obrigando a defesa a arriscar argumentos. A dificuldade de se vincular cada parcela do auto ao T V F é manifesta, ainda porque o próprio termo, em alguns casos, não relaciona as parcelas referentes a cada infração. Atribuir a responsabilidade por deficiências do Auto de Infração e do Termo de Verificação à falta de colaboração do contribuinte "data vênia", não procede por dupla razão. Primeiro, porque ele não teve participação na elaboração dessas duas peças que são de autoria exclusiva da fiscalização, e que devem ser claras e precisas; em segundo lugar, porque a má qualidade de uma escrita não significa mávontade ou falta de colaboração da empresa. Não basta indicar as parcelas por períodos, como figura do auto de infração, sendo necessária sua remissão ao item correspondente ao T V F (quando integrante do auto de infração). E este determine cada notafiscal, ou outro documento que fundamente a acusação, com o respectivo valor, relacionandoos e totalizandoos por infração, com a indicação das fls. dos autos (volume ou anexo) onde se encontrem essas provas. Diante da dificuldade encontrada pela defesa, realmente não lhe restaria senão defenderse de forma a sucinta, como o fez nos itens 001 a 015, 018, 2 1 , dizendo, que o item não está vinculado a nenhum item do TVF que contém 89 páginas; o valor tributável indicado não corresponde a nenhum ponto do TVF. E ainda que desconhece o significado dos caracteres estranhos (##) utilizados no enquadramento legal dos itens 013, 019, 022, que a. multa de 150% que corresponde a uma infração qualificada, não guarda relação com um evento real de omissão de receita, etc. Em razão desses fatos, a empresa, em seu recurso a este Colegiado requer que se determine o retorno dos autos à origem para que ali sejam saneados os vícios de ordem do processo, reabrindose prazo à defesa, com novo julgamento de primeira instância, salvo se a Câmara, com base no princípio da eventualidade, dê provimento ao recurso (fls. 1362 e 1371). A Constituição Federal assegura no inciso LV do seu art. 5º , o contraditório e a amplitude do direito de defesa do acusado, seja em processo judicial ou administrativo. Deste modo, de nada adianta manter um julgamento de primeiro grau com preterição do direito de defesa, uma vez que inevitavelmente a exigência correspondente será anulada pelo Poder Judiciário, com custas e honorários de Fl. 6519DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.520 23 advogado para a Fazenda Nacional, mais ainda quando, na instância administrativa, se pode devolver à parte a ampla defesa e assegurar a certeza e liquidez do lançamento, como requerido expressamente pela Recorrente. Isto posto, voto no sentido de s e converter o julgamento em diligência para que a fiscalização: 1 elabore demonstrativo das parcelas correspondentes a cada matéria tributável constante do Auto de Infração, totalizandoas por períodos, e com indicação: a) do item correspondente no Termo de Verificação Fiscal; b) das folhas dos Volumes e Anexos d'onde figuram os documentos referentes às parcelas relacionadas. 2 dê ciência a o sujeito passivo desse demonstrativo, fixandolhe o prazo de 30 (trinta) dias para que se pronuncie a respeito das infrações assim identificadas; 3 preste as informações que julgar necessárias a o perfeito esclarecimento da matéria e à realização da Justiça Fiscal.” (Grifei). Em atendimento à essa Resolução foi elaborado em junho/2004 o relatório da diligência fls. 1562 e seguintes3, composto 42 páginas, nas quais são correlacionadas os seguintes elementos: a) identificação da matéria no termo de verificação fiscal; b) item correspondente à infração descrita; c) a denominação ou motivação da infração (exemplos: 1. receitas não contabilizadas notas fiscais; 2. Depósitos bancários não contabilizados; 3. Diferenças de estoque; 4. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (cheques); 5. pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (ordenados e salários); 6. Receitas não contabilizadas (controle de venda de animais); 7. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos de pagamentos não localizados na contabilidade); 8. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (documentos apreendidos sem lançamentos a despesas); 9. Pagamentos efetuados com recursos estranhos à contabilidade (Documentos obtidos por circularização); 10. Omissão de receitas (recuperação de despesas); 11. omissão de receita (diferença de pesagem) etc. d) Período de apuração; e) Base de cálculo; f) documentação que fundamentava a autuação. Em síntese, com a diligência realizada em 2004 a autoridade fiscal elabora termo demonstrativo de 42 páginas indicando: a) a infração cometida; b) quando esta ocorreu; c) o montante correspondente a infração (base imponível); e d) os documentos caracterizadores da infração cometida. Na prática, ao descrever a infração cometida, quando esta ocorreu, especificar a base de cálculo imponível e os documentos caracterizadores da infração cometida, reabrindo o prazo de defesa, temse um novo lançamento, restando patente a insuficiência da descrição 3 numeração digitalizada. Fl. 6520DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.521 24 dos fatos do auto de infração original, não só comprometendo o direito de defesa, assim como maculandoo de eficácia para produzir os efeitos jurídicos previstos no ordenamento jurídico, quais sejam, constituir, de forma válida, o crédito tributário (art. 142, do CTN). Diante desse inconteste vício material, o então Colegiado da 7a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes poderia, já naquela ocasião, anular o lançamento. Contudo, para não suprimir o exame por uma das instâncias, optou por anular apenas a decisão da DRJ, pedindo que esta, por primeiro, analisasse as questões inerentes ao cerceamento do direito de defesa, em relação às quais o referido órgão havia tangenciado. Os fundamentos do acórdão nº 10708.108, (fl. 1645), podem ser sintetizados por meio da seguinte ementa: “CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE Comprovado nos autos que a fiscalização não vinculara adequadamente as infrações descritas no Termo de Verificação Fiscal ao Auto de Infração e que a decisão de primeira instância não considerou esse fato, caracterizase o cerceamento do direito constitucional do contraditório e da amplitude do direito de defesa do acusado, com a nulidade do julgado, "ex vi" do disposto no art 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por FAZENDA RIO BRANCO LTDA ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, ANULAR a decisão de primeira instância, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” Do voto condutor da lavra do ilustre conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, destaco os seguintes fundamentos: “(...) A elaboração do demonstrativo em 42 laudas para vincular o Auto de Infração ao Termo de Verificação Fiscal e Documentação demonstra a grande dificuldade que realmente enfrentou o contribuinte que, apesar disso, não pleiteou a nulidade do auto de infração, mas apenas melhor esclarecimento das infrações de que era acusado. Na verdade não teria sentido anularse o auto de infração por cerceamento do direito de defesa porque auto de infração não cerceia a defesa do contribuinte que sempre poderá fazêla, inclusive para dizer que ele é insubsistente. Desta forma, o cerceamento somente ocorre após a lavratura da peça básica, seja pela repartição preparadora, seja pela autoridade julgadora. E o cerceamento do seu direito de defesa ocorreu no julgamento de sua impugnação, posto que suas alegações de que não tinha condições de defenderse amplamente, sendo forçada a defenderse genericamente, foram simplesmente recusadas pela decisão de primeira instância. (Grifei). Aqui verificase fragrantes equívocos do nobre Relator. Isso porque, a Contribuinte havia sim pleiteado a nulidade do auto de infração desde a peça impugnatória, reforçada no recurso voluntário original, às fls. 1354 a 1362, seja pelo Fl. 6521DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.522 25 vícios do MPF (item 2, fls. 1354), seja pelo cerceamento do direito de defesa (item 3, fl. 1357). Por outro lado, a jurisprudência pacífica neste Conselho é no sentido de que o cerceamento do direito de defesa no auto infração pela insuficiência ou falta da descrição dos fatos, acarreta em descumprimento do disposto no artigo 142 do CTN e no art. 10, inciso IV do PAF (Decreto 70.235/1972), implicando em sua nulidade, por vicio formal ou material, conforme o caso. É certo que as decisões administrativas, tanto em 1a. instância, quanto neste Conselho, não têm o condão de refazer e muito menos aperfeiçoar o auto de infração para indicar a infração cometida; quando esta ocorreu; o montante correspondente a infração (base imponível); e os documentos caracterizadores das infrações. Constatados os vícios no auto de infração original, vícios estes relacionados à indicação da infração cometida; quando esta ocorreu; a base de cálculo imponível e os documentos ou provas materiais das infrações, o procedimento correto seria ter anulado o auto de infração, com lançamento complementar nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Porém, em 2004, optouse em manter o auto de infração original inserindo nele elementos para readequar ou permitir a identificação da descrição dos fatos; data da infração; da base de cálculo imponível e indicação das provas. Contudo, tal procedimento só é cabível mediante lançamento complementar e antes do prazo decadencial. Observo que no caso concreto o litígio foi retomado tendo por base o auto de infração original, sendo que seus vícios, detectados no curso do processo administrativo, não foram sanados mediante lavratura de competente auto de infração complementar, nos termos do art.18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Nesse sentido é vasta a jurisprudência do CARF, inclusive da CSRF: “NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO LANÇAMENTO É nula a exigência fiscal constituída através de lançamento que não atenda às normas previstas nos artigos 142 do CTN e 11 do Decreto nº 70.235/72.” 1º Conselho de Contribuintes / 6a. Câmara / ACÓRDÃO 10611.055 de 11/11/1999. “VÍCIOS DE NULIDADES Após formalizado o lançamento e instaurada a fase litigiosa com a impugnação tempestivamente apresentada, é defeso a autoridade lançadora rever de ofício o lançamento.” 1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.170 em 24.05.2007. Publicado no DOU em: 20.08.2007. “REQUISITOS DO LANÇAMENTO A ausência de enquadramento legal, associada à deficiente descrição dos fatos, autorizam a decretação da nulidade do auto de infração por inobservância dos requisitos básicos para a sua validade, estatuídos no artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, propiciadores do exercício do amplo direito de defesa por parte do sujeito passivo e livre formação de convencimento por parte dos julgadores.” CSRF 1ª Turma / ACÓRDÃO CSRF/0104.473 em 14.04.2003. Publicação DOU: 07.03.2005. No que diz respeito à imprecisão na descrição dos fatos, a título de exemplo, observo o item 02 do auto de infração, que trata de omissão de receita caracterizada por depósitos bancários, tendo por fundamento legal os artigos 195, II, 197 e parágrafo único, 226, 229, do RIR de 1994, art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995; artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996; artigo 249, II; art. 251 e parágrafo único; artigos 279, 282, 287 e 288, do RIR de 1999. Em síntese, a matéria correspondente a esta infração diz respeito à presunção de omissão caracterizada por depósito bancário em relação aos quais o contribuinte, Fl. 6522DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.523 26 regularmente intimado, não comprove a origem dos mesmos. Destaca o parágrafo § 1º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, e o artigo 287, § 1º, que as receitas serão consideradas auferidas no mês do recebimento. Assim, nas autuações caracterizadas com base na presunção de omissão de receita a autoridade fiscal deve especificar, no termo de verificação fiscal, que o contribuinte foi regularmente intimado e, no referido termo ou em planilha anexa, deve individualizar os depósitos em relação aos quais o contribuinte não logrou comprovar a origem. Nada impede que a totalização, no termo de verificação, seja feita de forma mensal, desde que Termo faça referência à planilha anexa. A especificação de valores totalizados por mês ou anocalendário, sem a correspondente planilha, impede a identificação individualizada do depósito, inviabilizando tanto a devesa quanto o exame por quem deve revisar o lançamento. Ao efetuar o lançamento com base em depósito bancário, ainda que considerando o fato gerador em 31 de dezembro de cada ano, com base de fato imponível correspondente à soma de todos os depósitos durante o anocalendário, no termo de verificação fiscal, além da demonstração de intimação prévia para comprovar a origem, que no caso concreto se efetivou, deve a autoridade fiscal, ainda que em planilha vinculada ao termo, individualizar os depósitos cuja origem não foi comprovada. Fixadas estas premissas, verifico que no auto de infração, no que diz respeito aos depósitos bancários decorrente de presunção de omissão de receita, encontramse os seguintes lançamentos: De posse dos lançamentos acima referidos procurei identificar a respectiva individualização, quer no Termo de Verificação Fiscal, quer em planilha integrante deste, não localizando, conforme passo a demonstrar nos parágrafos seguintes. À fl. 900, cuja numeração antes de ser digitalizada era 894, encontrase o item V.1.5, identificado pelas expressões "ativo circulante" e, logo em seguida, o subitem V.1.5.1, identificado pela expressão Bancos. Neste item a autoridade fiscal destaca que, dentre outras solicitações, intimou a recorrente para apresentar justificativa da não inclusão na contabilidade da movimentação financeira constantes dos extratos do Banco BIC nos meses de Fl. 6523DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.524 27 dezembro de 1996 e dezembro de 1998. Procedimento semelhante foi realizado em relação à conta do banco Bradesco. nos meses de março, abril, maio, julho, agosto e setembro de 1997. Após tais destaques a autoridade fiscal elaborou o quadro existente à fl. 902, que segue transcrito,correspondente aos lançamentos de depósitos bancários de origem não comprovada. "in verbis": Os valores identificados como "débitos" no quadro acima correspondem, no auto de infração, a um lançamento feito a título de depósito bancário. Contudo, não há no Termo de Verificação Fiscal nenhuma planilha por meio da qual pudesse de chegar à individualização dos depósitos que compõem o montante lançado. A previsão legal de que as receitas consideramse auferidas no mês em que se efetivaram os depósitos, não dispensa a autoridade fiscal de, individualizar, no Termo de Verificação Fiscal, os valores considerados omitidos. À fl. 869 e seguintes, ou 863 e seguintes pela numeração não digitalizada, a autoridade fiscal ainda elabora o seguinte quadro: Fl. 6524DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.525 28 Observase que apesar de fazer referência aos meses de setembro e dezembro de 1886, no quadro que cita e que acima foi transcrito, a autoridade fiscal especifica a soma dos valores dos meses de março, abril, maio, julho, agosto e setembro de 1997. Procurando buscar alguma correlação fui ao extrato bancário do mês de março de 1997, que segue fotocopiado: Do exame do extrato acima referido, referente ao mês de março de 1997, aqui usado como exemplo, conjugado com o lançamento feito a título de depósito bancário, não é possível se identificar, com algum grau de precisão, de onde advém os valores lançados. Ao meu sentir e no entendimento dos dois votos vencidos da DRJ, a descrição dos fatos, no caso concreto, tanto estava deficiente que, convertido o processo em diligência a autoridade fiscal necessitou de termo composto de 42 laudas para especificar cada infração; quando esta ocorreu; a base imponível e os elementos de prova (documentos). A autoridade fiscal tem a prerrogativa para, de forma unilateral, constituir o crédito tributário. Contudo, há que observar os procedimentos necessários, dentre os quais a correta identificação da matéria tributável, quando a infração ocorreu, a base imponível e as provas que caracterizam a materialidade da infração. Fora destas hipóteses, e o lançamento aqui analisado não se encaixa na exigência descrita, deve a autoridade competente, em procedimento de revisão, cancelar a exigência quanto as infrações contaminadas por tal vício. Fl. 6525DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.005071/200142 Acórdão n.º 1402001.320 S1C4T2 Fl. 6.526 29 Repito: no caso concreto, a insuficiência na descrição dos fatos resultou devidamente caracterizada com a conversão do julgamento em diligência. O relatório da diligência composto de 42 páginas necessárias para indicar a infração cometida, a data em que ocorreu, a materialidade ou documentos caracterizadores e o montante correspondente à base imponível, demonstrou que o auto de infração, antes das infrações serem reescritas, não preenchia os requisitos necessários à constituição do crédito exigido. Outrossim, cumpre esclarecer que o lançamento de ofício que contempla a exigência tributária decorrente de múltiplas infrações é passível de nulidade parcial, desde que os vícios que implicaram nessa nulidade contaminem apenas parte das irregularidades tributadas, tal qual aqui verificado. Reiterese: no caso concreto A anulação parcial do lançamento não contamina as matérias em relação às quais não houve a instauração do litígio e os débitos foram incluídos em parcelamento. Nesse diapasão, a nulidade aqui reconhecida não contempla as matérias em relação às quais não houve continuidade do litigio, tendo o contribuinte requerido a dos débitos em parcelamento, quais sejam: itens 001; 006; 007; 009; 010; 011; 012; 014; 018; 019 e 021 do auto de infração do IRPJ e dos Reflexos. Portanto, a exigência de tais valores permanece incólome. ISSO POSTO, voto no sentido de acolher a alegação de nulidade parcial dos autos de infração por cerceamento do direito de defesa, por vício material, em relação às infrações descritas nos itens 002 a 005; 008; 013; 015 a 017; 020 e 022 do auto de infração. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Fl. 6526DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 23/03/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000157/99-85
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2000
Data da publicação: Wed Feb 23 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IRPF - MULTA POR ATRASO NA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS - O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN.
Recurso negado.
Numero da decisão: 102-44137
Decisão: PELO VOTO DE QUALIDADE, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. VENCIDOS OS CONSELHEIROS VALMIR SANDRI, LEONARDO MUSSI DA SILVA, MÁRIO RODRIGUES MORENO E DANIEL SAHAGOFF.
Nome do relator: Antonio de Freitas Dutra
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Sessão de : 23 DE FEVEREIRO DE 2.000 Acórdão n°. : 102-44.137 IRPF — MULTA POR ATRASO NA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS — O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por DARLI DOLORES SERRATO IBANHEZ. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Valmir Sandri, Leonardo Mussi da Silva, Mário Rodrigues Moreno e Daniel Sahagoff. ANTONIO DIdREITAS DUTRA PRESIDENTE E RELATOR • FORMALIZADO EM: 25 FEV 2000 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOSÉ CLOVIS ALVES, CLÁUDIO JOSÉ de OLIVEIRA e MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS. DFSL , MINISTÉRIO DA FAZENDA =4' PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES , SEGUNDA CÂMARA .>; Processo n°. : 13909.000157/99-85 Acórdão n'. : 102-44.137 Recurso n°. : 120.610 Recorrente : DARLI DOLORES SERRATO IBANHEZ RELATÓRIO DARLI DOLORES SERRATO IBANHEZ CPF n° 934.491.519-91, jurisdicionada à ARF/CORNÉLIO PROCÓPIO-PR, recebeu o Auto de Infração de fl. 05 onde é cobrada multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos do exercício de 1997 no valor de R$ 165,74. Tempestivamente a contribuinte ingressou com impugnação de fls. 01/03 alegando a seu favor o instituto da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do Código Tributário Nacional — CTN. Transcreve algumas decisões do Poder Judiciário favoráveis ao sujeito passivo. Às fls. 11/15 decisão da autoridade de primeiro grau assim ementada: "Assunto: Imposto de Renda Pessoa Física — I RP F Exercício: 1997 Ementa: ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O contribuinte que, obrigado à entrega da declaração do IRPF, a apresenta fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita-se à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, inocorrendo a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional, tendo em vista o descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. LANÇAMENTO PROCEDENTE." 1/6 2 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES P1 1 SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13909.000157/99-85 Acórdão n°. : 102-44.137 Da decisão acima o contribuinte tomou ciência em 09/08/99 (A.R. de fl. 18), e tempestivamente ingressou com recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes pela petição de fls. 19/38 usando a mesma argumentação da inicial e transcrevendo inúmeras ementas dos Conselhos de Contribuintes e do Poder Judiciário. É o Relatório. 3 - MINISTÉRIO DA FAZENDA, PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ›. k. SEGUNDA CÂMARA ,- Processo n°. : 13909.000157/99-85 Acórdão n°. : 102-44.137 VOTO Conselheiro ANTONIO DE FREITAS DUTRA, Relator O recurso preenche as formalidades legais dele conheço. Como já mencionado no relatório, a matéria trazida a julgamento desta Câmara trata-se de multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos do exercício de 1.997. A questão basilar para o deslinde da matéria é que o lançamento é ato privativo da autoridade administrativa e para tanto a Lei atribui à administração o "jus império" para impor ônus e deveres aos particulares, genericamente denominados de "obrigação acessória" a qual decorre da legislação tributária (e não apenas da lei) e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadacão ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 30 do CTN). Desta forma é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. No caso concreto, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração de rendimentos, como também, o dever de fazê-lo no prazo previamente determinado. O fato do contribuinte ter entregue a declaração de rendimentos, por si só não o exime da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. 4 -,„ MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA ) -, , .Ç'.›'---, -, Processo n°. : 13909.000157/99-85 Acórdão n°. :102-44.137 Qualquer outro entendimento em contrário implicaria tornar letra morta os dispositivos legais em comento, o que viria a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. A norma instituidora da multa ora questionada esta insculpida no artigo 88 da Lei n° 8.981/95 que transcrevo para melhor entendimento da matéria: "Art. 88 — A falta de apresentação da declaração de rendimentos ou a sua apresentação fora do prazo fixado, sujeitará a pessoa física ou jurídica: I — omissis. il — à multa de duzentos UFIR a oito mil UFIR, no caso de declaração que não resulte imposto devido." Por outro lado, a teor do artigo 136 do CTN, a responsabilidade pelo cumprimento da obrigação é objetiva, como objetiva é a penalidade pelo seu descumprimento, devendo esta ser aplicada, mesmo na hipótese de apresentação espontânea, se esta se deu fora do prazo estabelecido em Lei. Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça - STJ tem dado mesmo entendimento à matéria em recentes julgados a saber: Recurso Especial n° 190388/G0 (98/0072748-5) da Primeira Turma cujo Relatar foi o Ministro José Delgado em Sessão de 03/12/98 e Recurso Especial n° 208.097 — PARANÁ (99/0023056-6) da Segunda Turma cujo Relator foi o Ministro Hélio Mosimann em Sessão de 08/06/99. Transcrevo abaixo a ementa e o voto das duas decisões do STJ acima mencionadas: /N,- 5 , , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 4k- SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13909.000157/99-85 Acórdão n°. : 102-44.137 RECURSO ESPECIAL n° 190388/ GO (98/0072748-5) Ementa "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. I. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do imposto de renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4. Recurso provido." VOTO O EXMO. SR. MINISTRO JOSÉ DELGADO (RELATOR): Conheço do recurso e dou-lhe provimento. A configuração da denúncia espontânea como consagrada no art. 138, do CTN, não tem a elasticidade que lhe emprestou o venerado acórdão recorrido, deixando sem punição as infrações administrativas pelo atraso no cumprimento das obrigações fiscais. O atraso na entrega da declaração do imposto de renda é considerado como sendo o descumprimento, no prazo fixado pela norma, de uma atividade fiscal exigida do contribuinte. É regra da conduta formal que não se confunde com o não pagamento de tributo, nem com as multas decorrentes por tal procedimento. 6 t - MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES .41/4 SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13909.000157/99-85 Acórdão n°. :102-44.137 A responsabilidade de que trata o art. 138, do CTN, é de pura natureza tributária e tem sua vinculação voltada para as obrigações principais e acessórias àquelas vinculadas. As denominadas obrigações acessórias autônomas não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Elas se impõem como normas necessárias para que possa ser exercida a atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem qualquer laço com os efeitos de qualquer fato gerador de tributo. (grifos do original). RECURSO ESPECIAL n° 208.097-PARANÁ (99/0023056-6) Ementa TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA PELO ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. RECURSO DA FAZENDA. PROVIMENTO. VOTO O SENHOR MINISTRO HÉLIO MOSIMANN: Decidiu a instância antecedente, ao enfrentar o tema — aplicação de multa por atraso na entrega da declaração do imposto de renda — que, 'em se tratando de infração formal, não há o que pagar ou depositar em razão do disposto no art. 138 do CTN, aplicável à espécie". A egrégia Primeira Turma, em hipótese análoga, manifestou-se na conformidade de precedente guarnecido pela seguinte ementa:L_ 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA ;2+ Processo n°. : 13909.000157/99-85 Acórdão n°. : 102-44.137 "TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. 1. A entidade denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. 3. Há de se acolher a incidência do art. 88, da Lei n° 8.981/95, por não entrar em conflito com o art. 138, do CTN. Os referidos dispositivos tratam de entidades jurídicas diferentes. 4. Recurso provido." (Resp n° 190.388-GO, Rel. Min. José Delgado, DJ de 22.3.99). Assim sendo, pelo acima exposto e por tudo mais que dos autos consta voto por NEGAR, provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões - DF, em 23 de fevereiro de 2.000. ANTONIO DE/i/ REITAS DUTRA 8 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 13956.000174/2002-03
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2004
Data da publicação: Fri Oct 22 00:00:00 UTC 2004
Ementa: INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO – IMUNIDADE TRIBUTÁRIA – SUSPENSÃO DA IMUNIDADE – LANÇAMENTO DE OFÍCIO – CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS – DECORRÊNCIA – Sendo reconhecida a inaplicabilidade da suspensão da imunidade tributária de instituição de educação em relação ao IRPJ, da mesma forma, também incabível o lançamento de ofício decorrente da mesma suspensão, a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS.
Numero da decisão: 101-94.751
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Roberto Cortez
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE ENSINO E CULTURA - APEC. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. MANOEL ANTON O GADELHA DIAS PRESIDEN PAU e 0BE- • CORTEZ RELATO/ FORMALIZADO EM ' • 7 NOV 2004 _ Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL, VALMIR SANDRI, SANDRA MARIA FARONI, CAIO MARCOS CÂNDIDO, ORLANDO JOSÉ GONÇALVES BUENO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JUNIOR. Processo n°. : 13956.000174/2002-03 Acórdão n°. : 101-94.751 Recurso n°. : 141.355 Recorrente : ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE ENSINO E CULTURA - APEC RELATÓRIO ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE ENSINO E CULTURA - APEC, já qualificada nestes autos, recorre a este Colegiado, por meio da petição de fls. 128/158, do Acórdão n° 4.353, de 22/08/2003, prolatado pela 3 a Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba - PR, fls. 106/124, que julgou procedente o crédito tributário constituído nos autos de infração a título de COFINS, fls. 35. Trata-se de exigência fiscal decorrente do processo principal n° 13956.000178/2002-83, de IRPJ, no qual foi suspensa a imunidade tributária da interessada, com a exigência, além do imposto de renda, das contribuições decorrentes. A instituição impugnou a exigência, apresentando em síntese, os mesmos argumentos expendidos na defesa em relação ao processo de imposto de renda. 3' Turma de Julgamento da DRJ em Curitiba - PR, manteve a exigência, nos termos do acórdão acima referido, cuja ementa tem a seguinte redação: "CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS PROCESSO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. INEXISTÊNCIA. Sendo a suspensão de imunidade, discutida em processo próprio, relativa a impostos, espécies tributárias diversas das contribuições sociais, não havendo relação de causa e efeito com a exigência da contribuição para o PIS, descabe a unificação de processos e o julgamento - simultâneo das lides. 2 Processo n°. : 13956.000174/2002-03 Acórdão n°. : 101-94.751 INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. RECEITAS DE NATUREZA CONTRAPRESTACIONAL. INCIDÊNCIA. Ainda que a instituição de educação atenda aos requisitos para o gozo da imunidade tributária relativa a impostos, sujeita-se à Co fins em relação às suas receitas de natureza contraprestacional. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RELATIVA A IMPOSTOS. INAPLICABILIDADE. É inaplicável às contribuições sociais e imunidade tributária a que se refere o art. 150, VI, "c", da CF de 1988, dado que essa é adstrita aos impostos. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. NÃO-APLICAÇÃO. Pelas atividades desempenhadas, as instituições de educação, ainda que sem fins lucrativos, não se confundem com as entidades beneficentes de Assistência social, não se lhes aplicando o beneficio constitucional a essas restrito. LANÇAMENTO PROCEDENTE" Na fase recursal (fls. 155/179), a contribuinte reitera o pedido apresentado na impugnação. O recurso interposto no processo principal, protocolizado neste Conselho sob n° 138.261, foi julgado por esta Câmara, que decidiu, à unanimidade, dar provimento, conforme o Acórdão n° 101-94.609, prolatado na sessão realizada em 17 de junho de 2004. Às fls. 187, o despacho da DRF em Maringá - PR, com encaminhamento do recurso voluntário, tendo em vista o atendimento dos pressupostos para a admissibilidade e seguimento do mesmo. É o Relatório. A 3 Processo n°. : 13956.000174/2002-03 Acórdão n°. : 101-94.751 VOTO Conselheiro PAULO ROBERTO CORTEZ , Relator O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Conforme visto do relatório, trata-se de recurso contra decisão da DRJ em Curitiba, que manteve a exigência fiscal constituída contra a recorrente. Mesmo sendo exigências de contribuições sociais, a competência para julgar o presente recurso voluntário recai sobre esta colenda Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, conforme ficará demonstrado a seguir. Contra a instituição ora recorrente foi expedido o Ato Declaratório Executivo n° 47, de 20/05/2002, suspendendo-lhe a imunidade tributária, implicando na exigência do IRPJ, além da CSLL, do PIS e da COFINS, conforme os autos de infração que resultaram lavrados para cada uma das espécies tributárias, os quais, indevidamente passaram a compor quatro processos separados. Os motivos e fatos que ensejaram a suspensão da imunidade são os mesmos para todas as exigências, conforme circunstanciado no Termo de Verificação Fiscal que fundamentou o único ato suspensivo. De tal sorte, sendo induvidoso que o ato suspensivo deu conseqüência à lavratura dos quatro autos de infração, lavrados simultaneamente, deveriam as autuações compor um único processo de exigência fiscal, porém, como já citado, compuseram quatro processos separados. Explica-se: a sorte de cada auto de infração depende, necessariamente, do resultado do julgamento exarado no processo de cassação da imunidade. Todos os autos de infração existem tão-somente porque existe o mencionado ato declaratório. É inegável que sem o referido ato inexistiria qualquer auto de infração, seja de impostos ou contribuições sociais. (ri> 4 Processo n°. : 13956.00017412002-03 Acórdão n°. : 101-94.751 Com efeito, todos os autos de infração deveriam compor um único processo porque os fatos que ensejaram a suspensão da imunidade são os mesmos tanto para o imposto quanto para as contribuições sociais, conforme circunstanciou o próprio autor de todo o procedimento fiscal. O próprio Termo de Verificação Fiscal, peça integrante do auto de infração sob exame, vincula esta exigência à suspensão da imunidade da recorrente, expressa no Ato Declaratório n° 47. A vinculação entre as exigências tributárias e a suspensão da imunidade da recorrente não se caracteriza como um fator isolado, pois a vinculação surge das próprias conclusões da Notificação referente à suspensão da imunidade, que encerra as diligências nos seguintes termos: "Diante de tudo o que foi exposto, considerando que a fiscalizada infringiu a legislação tributária, violando o instituto da IMUNIDADE previsto no art. 150, VI, 'c' da CF/88, conforme ficou demonstrado e provado ao longo deste trabalho, por medida de JUSTIÇA, propomos ao Sr. DELEGADO DA RECEITA FEDERAL EM MARINGÁ — PR, nos termos dos artigos 14, § 1 0 da Lei n° 5.172/66 — CTN, 12, 13 e 14 da Lei n° 9.532/97, c/c o artigo 32 da Lei n° 9.430/96, segundo procedimentos normatizados pela IN SRF n° 113/98, a expedição do competente Ato Declaratório suspensivo do benefício da IMUNIDADE da ASSOCIAÇÃO PARANAENSE DE ENSINO E CULTURA — CNPJ: 75.517.151/0001-10 mantenedora da UNIPAR, nos anos-calendário 1997, 1998, 1999 e 2000, o que na ação fiscal que prossegue, implicará na tributação dos seus resultados como pessoa jurídica (sem os benefícios da imunidade), que serão apurados segundo as normas aplicáveis ao lucro real, presumido ou arbitrado, conforme o caso, relativamente a todos os anos-calendário em tela, além de se exigir as contribuições pertinentes (PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO — CSLL)." 5 Processo n°. : 13956.000174/2002-03 Acórdão n°. : 101-94.751 Conforme se observa da citação no Termo de Verificação Fiscal há menção expressa à suspensão da imunidade como fator determinante das demais exigências fiscais: "dai a exigência da contribuição em referência". Logo, a vinculação da presente exigência tributária com a suspensão da imunidade é obrigatória e inafastável. Deve-se registrar que o § 9° do artigo 32 da Lei n° 9.430/96, determina que, em casos de lavratura de auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência do crédito tributário sejam reunidas em um único processo para serem decididos simultaneamente. A análise do referido artigo 32, deve ser realizada em conjunto e de forma sistemática. A e. Turma de Julgamento, ao analisar as impugnações da recorrente, deixa de mencionar o § 10, atendo-se, tão-somente, às determinações do § 9°, ao sustentar que a determinação alcançaria apenas impostos. Ainda que fosse insuficiente a argumentação de que o próprio Ato Declaratório vincula os processos dele resultantes, evidentemente, o argumento de que a conexão somente seria válida quando se tratasse de impostos não tem guarida por si próprio. O texto referido menciona a locução crédito tributário, não tendo em momento algum feito qualquer restrição. o § 10 do artigo 32, determina que: "os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicam-se, também, às hipóteses de suspensão das isenções condicionadas." Finalmente, o tema resta definitivamente sacramentado, quanto à reunião dos processos para julgamento simultâneo, ao se analisar a recente Instrução Normativa SRF n° 456, de 05 de outubro de 2004, a qual reflete, com perfeição, o pensamento atual, ao dispor regras aplicáveis às instituições que aderirem ao Programa Universidade para todos e que sofram suspensão da imunidade. Assim dispõe o artigo 5°, §§ 9° e 10, verbis: - 6 Processo n°. : 13956.000174/2002-03 Acórdão n°. : 101-94.751 "Art. 50. Caso a instituição seja desvinculada do PRO UNI, a suspensão da isenção das contribuições e do imposto de que trata o art. 1° dar-se-á a partir da data da ocorrência da falta que ensejar a suspensão, alcançando todo o período de apuração do imposto e das contribuições. (--); § 8°. Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declara tório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. § 9°. Os procedimentos estabelecidos neste artigo aplicam-se, também, às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas, quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência." Diante do exposto, é de se reconhecer que não há possibilidade de entendimento diferente daquele que é defendido pela recorrente, pois a legislação determina que os processos decorrentes de um esmo ato sejam julgados em conjunto, ou seja, simultaneamente. Registre-se ainda, que após a edição da Medida Provisória n° 1.858-6, que trouxe em seu bojo a isenção da COFINS sobre as receitas das atividades próprias das entidades educacionais sem fins lucrativos, a recorrente requereu, em 27/08/99, à Delegacia da Receita Federal em Maringá — PR, a restituição dos valores recolhidos nos meses compreendidos entre fevereiro e julho daquele ano. Ao apreciar o pleito, a DRF/Maringá, deferiu o pedido, nos seguintes termos: "O pedido de restituição do indébito foi requerido tendo como fundamento a MP n° 1.858-8 de 27/08/99, mais precisamente em seu artigo 14, item X, que isentou do pagamento da COFINS, a partir de 01 de fevereiro de 1999, entre outras, as instituições de educação que se enquadrassem nas condições previstas pela lei n°,,, 9.532/97. 7 Processo n°. : 13956.000174/2002-03 Acórdão n°. : 101-94.751 O artigo 12 da Lei n° 9.532/97, diz: 'Art.12 — Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea 'c', da Constituição, considera-se imune a Instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 2° Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar anualmente, declaração de rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim, cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda as condições para o gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considera-se entidade sem fins lucrativos a que não apresenta superávit em suas contas 8 Processo n°. : 13956.000174/2002-03 Acórdão n°. : 101-94.751 caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado.' Verificando documentos contábeis apresentados constatou-se que os dirigentes, Srs. Amaury Teixeira Custódio e José Maria Claret de Oliveira não perceberam rendimentos da Associação desde a sua posse em 02/01/98. Conforme demonstrativo de fls. 48 a 53, confirmado a confrontação com dados da contabilidade, a requerente aplicou o superávit apresentado, integralmente, em ativo imobilizado diretamente ligado à sua atividade própria. A Associação mantém escrituração contábil regular e vem entregando regularmente a declaração de Imposto de Renda, conforme documentos anexados às folhas 42 a 46. Também não constam débitos vencidos em nome da Associação, conforme fls. 27 a 33 e informação às fls. 34. Pelo acima exposto, constata-se que a Associação Paranaense de Ensino e Cultura, enquadra-se nas normas previstas pela Lei n° 9.532/97, como instituição de educação imune, estando no gozo da imunidade para os tributos alcançados pela norma. A MP 1858/99, em seu artigo 14, prevê: 'Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: X — relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13'. O art. 13 citado diz respeito à isenção de PIS/PASEP e lista diversas atividades alcançadas pela isenção e, em seu inciso III relaciona as instituições de educação. Conforme se verifica, a Medida Provisória 1.858-8, de 1999, incluiu, a partir de 01/02/99, a COFINS como contribuição alcançada pela imunidade prevista pela Constituição Federal em seu artigo 150, alterada pela Lei n° 9.532,97, em seu artigo 12. Por todo exposto, constata-se que a requerente recolheu indevidamente a COFINS, a partir de 01/02/99." Do despacho decisório acima, depreende-se que a própria autoridade administrativa que jurisdiciona e administra as atividades tributárias onde está localizada a recorrente, além de reconhecer o direito à restituição sobre os 9 — , Processo n°. : 13956.000174/2002-03 Acórdão n°. : 101-94.751 valores recolhidos indevidamente, confirmou expressamente o direito de isenção da COFINS sobre as receitas de suas atividades próprias. Portanto, o lançamento ora sob exame, refere-se exclusivamente à suspensão da imunidade tributária, conforme detalhado no termo fiscal. Ora, como ficou decidido por esta Câmara, no processo n° 10835.001483/2001-90, Acórdão n° 101-94.609, de 17 de junho de 2004, não ocorreram as hipóteses previstas em lei para a suspensão da imunidade, razão pela qual a presente exação não deve ser mantida. Tendo em vista que as questões de mérito já foram apreciadas por esta Câmara em relação quanto à suspensão da imunidade pela inocorrêcicia das irregularidades apontadas na peça fiscal, entendeu incabível a tributação do IRPJ. Assim, e coerentemente com o pronunciamento anterior do Colegiado, voto pelo provimento ao recurso, tendo em vista que, da mesma forma como foi decidido no processo relativo à suspensão da imunidade, sendo, portanto, incabível a exigência do IRPJ, também o é a exigência relativa à contribuição para a COFINS. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. iSala das S--sõ/ és DF, em 22 de outubro de 2004 a (./ PAULO : a z RTO ORTEZ 7 i r 11' 10 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1
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Numero do processo: 13925.000032/97-11
Turma: Quinta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 15 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Wed Jul 15 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IRPF - ERRO DE FATO - RETIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO - Poderá ser levada a efeito, qualquer que seja a natureza do erro que viciou o lançamento, desde que não possa ser invocada a mudança de critério jurídico, como previsto no art. 146 do C.T.N.
Recurso provido.
Numero da decisão: 102-43141
Decisão: POR UNANIMIDADE DE VOTOS, DAR PROVIMENTO AO RECURSO.
Nome do relator: Valmir Sandri
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Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RICARDO YUJI KOMORI. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO DE/ FREITAS DUTRA PRESIDENTE NDRI RELATOR FORMALIZADO EM: 2 5 SET 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros URSULA HANSEN, JOSÉ CLÓVIS ALVES, CLÁUDIA BRITO LEAL IVO, SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO, MARIA GORETTI AZEVEDO ALVES DOS SANTOS e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIFFONI. MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA o'• Processo n°. : 13925.000032/97-11 Acórdão n°. : 102-43.141 Recurso n°. : 13.455 Recorrente : RICARDO YUJI KOMORI RELATÓRIO Trata o presente processo de Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física - exercício de 1996 - ano-calendário de 1995, mediante a qual é exigido do Contribuinte, imposto suplementar no valor de R$ 2.484,65, acrescido de multa de ofício; imposto esse que teria sido recolhido através do "carne-leão", consoante Declaração de Ajuste Anual, mas que na verdade, corresponde ao valor do imposto pago sobre rendimentos auferidos no exterior (Japão). O Contribuinte apresentou SRL (Solicitação de Retificação de Lançamento), de fls. 04, junto à DRF de Cascavel-PR, afirmando que o IR-Fonte teria sido retido no Japão quando dos recebimentos dos rendimentos, sendo referida SRL julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal. Tempestivamente, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando em síntese, que os rendimentos oferecidos à tributação foram auferidos nos exercícios de 1991 e 1992 e que os comprovantes de rendimentos com as respectivas fontes, só lhe foram encaminhados, via Embaixada, em 20 de janeiro de 1995 ( fls. 07/12.). Alega ainda, que a entrega de sua declaração buscou cumprir rigorosamente a legislação fiscal e tributária vigentes, não podendo, portanto, sofrer qualquer sanção da Receita Federal, principalmente com relação a cobrança da multa de 100%, por suposta irregularidade cometida. 2 MINISTÉRIO DA FAZENDA 9' . PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES; . 1 SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13925.000032/97-11 Acórdão n°. : 102-43.141 Destaca ainda que, residindo e trabalhando no Japão, somente poderia apresentar sua declaração com os rendimentos auferidos à época do efetivo recebimento do crédito e conversão para a moeda nacional, o que só ocorreu no dia 31 de janeiro de 1995. Alega também que o regulamento do Imposto de Renda é claro e taxativo quando diz: O imposto é devido na época do efetivo recebimento do crédito; não podendo, dessa forma, gerar tributação antecipadamente dos valores ainda não convertidos em moeda corrente, o que ocorreu quando do retorno do requerente do Japão para o Brasil. Por fim, alega que se os referidos valores fossem lançados nas declarações dos exercícios relativos aos créditos auferidos no Japão, os valores seriam menores, uma vez que a conversão foi efetuada com base na cotação de 31 de janeiro de 1995, superiores aos valores de 1992 e 1993, consequentemente, o Imposto de Renda a pagar seria relativamente menor ao Imposto de Renda pago no exercício. A autoridade julgadora a quo, entendeu que os documentos de fls. 07/12, realmente atestam que em 1991 e 1992, o Contribuinte recebeu rendimentos no Japão que sofreram retenção de Imposto de Renda naquele país, mas apresentou declaração de ajuste do ano-calendário de 1995, tributando rendimentos percebidos em janeiro de 1995, não havendo como vincular tais rendimentos com os que foram recebidos em 91/92, e, que sendo verdadeiras as afirmações do Contribuinte, o correto seria apresentar declarações referentes àqueles anos-calendário. A toda evidência, entendeu o julgador monocrático que os rendimentos tributados em janeiro de 1995, não têm qualquer relação com o que foi alegado, e o 3 _J MINISTÉRIO DA FAZENDA ‘2"; p PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Ps., SEGUNDA CÂMARA);.-;)›. Processo n°. : 13925.000032/97-11 Acórdão n°. : 102-43.141 "carne-leão" glosado pela falta de recolhimento não se confunde com o imposto pago no exterior nos anos de 1991 e 1992. Por fim, e com base no artigo 44, inciso I, da Lei n. 9.430, reduziu para 75% a multa por lançamento de ofício, de que trata o artigo 4°., inciso 1 da Lei 8.218/91, aplicada à presente notificação, e julgou procedente a Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 11). Intimado da decisão a quo, tempestivamente apresentou recurso voluntário a esse Colegiada, alegando os mesmos argumentos de sua impugnação, e vem requer o seguinte: a) autorização para a retificação da declaração de ajuste anual, relativas aos exercícios de 1992 e 1993 - anos-calendário de 1991 e 1992, para deduzir do saldo do imposto a pagar, os valores descontados na fonte no exterior (Japão); b) compensação do imposto efetivamente pago no exercício de 1996, ano-calendário de 1995, devidamente recolhido na época da apresentação de sua Declaração de Ajuste-Anual - exercício de 1996 - ano-calendário 1995; c) sejam excluídos de sua Declaração de Ajuste-Anual - exercício de 1996 - ano-calendário 1995, os rendimentos tributados no referido exercício, para apresentá-los nas declarações de 1992/1993 - ano-calendário de 1991/1992, como entendeu a Secretaria da Receita Federal em Foz do Iguaçu. 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA • PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13925.000032/97-11 Acórdão n°. : 102-43.141 d) diante da atual situação, concorda com o pagamento dos juros e multas, por atraso no pagamento dos tributos de 1992/1993, quando deveriam ser declarados, se, efetivamente, tivesse recebido a documentação hábil, para apresentar sua declaração de ajuste anual. A Procuradora da Fazenda Nacional, apresentou suas contra-razões ao recurso, entendendo que não merecem amparo as razões do recurso, mantendo-se na íntegra a decisão atacada. É o Relatório. 11110, 5 , MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n°. : 13925.000032/97-11 Acórdão n°. : 102-43.141 VOTO Conselheiro VALMIR SAN DRI, Relator O recurso é tempestivo. Dele, portanto, tomo conhecimento, não havendo preliminares a serem analisadas. Do exame do processo, constata-se que o Contribuinte equivocou-se quando da apresentação de sua Declaração de Rendimentos - ano-calendário 1995 - exercício 1996, ao lançar o total dos rendimentos auferidos no exterior nos anos- calendário de 1991 e 1992, como rendimentos de janeiro de 1995, época em que foi expedida a certidão de recolhimento de impostos pela Delegado da Receita Nacional do Japão. O artigo 58, inciso VII do RIR/94, dispõe que são também tributáveis os rendimentos recebidos no exterior, transferidos ou não para o Brasil, decorrentes de atividade desenvolvida ou de capital situado no exterior, estando sujeito ao pagamento mensal do imposto no forma do artigo 115 do Regulamento do Imposto de Renda. É de se observar que existe entre Brasil e Japão o tratamento de reciprocidade de tratamento em relação aos rendimentos produzidos naquele país pelo Contribuinte, podendo dessa forma, ser compensado o imposto de renda pago sobre os rendimentos percebidos naqueles exercícios, o que foi feito pelo Recorrente erroneamente no ano-calendário de 1995. Nota-se, também, que afora os comprovantes de rendimentos apresentados pelo Contribuinte relativos aos anos-calendário de 1991 e 1992, e que 6 44 MINISTÉRIO DA FAZENDA • •-• PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES: SEGUNDA CÂMARA 40- Processo n°. : 13925.000032/97-11 Acórdão n°. : 102-43.141 foram lançados erroneamente em sua Declaração de Ajuste Anual relativo ao ano-base de 1995, nenhum rendimento a mais foi apurado pela Secretaria da Receita Federal, razão pela qual deva ser reformada a r. decisão de 1 a . Instância, no sentido de aproveitar o imposto de renda pago no exterior, sobre os rendimentos oferecidos a tributação no Brasil. Por tais razões, conheço do recurso por tempestivo, para no mérito CONCEDER-LHE PROVIMENTO, no sentido alocar os rendimentos auferidos no exterior, nos respectivos meses do efetivo recebimento, assim como, a compensação do imposto de renda pago no exterior e no Brasil sobre referidos rendimentos. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 14 de julho de 1998. MI~1: ffil..1-"DRI 7 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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Numero do processo: 14041.000887/2005-87
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Mar 30 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Fri Mar 30 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IRPF - PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO A UNESCO/ONU - TRIBUTAÇÃO – São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura – UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005).
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 01-04.987 de 15/06/2004).
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 102-48.399
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do lançamento a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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MINISTÉRIO DA FAZENDA -ç-w- 2--,-W PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA _ Processo n" 14041.000887/2005-87 Recurso n° 152.536 Voluntário Matéria IRPF - Exercício de 2003 Acórdão n° 102-48.399 Sessão de 30 de março de 2007 Recorrente ELISA CAZUE SUDO Recorrida 3a TURMA/DRJ-BRASÍLIA/DF Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2002 Ementa: IRPF - PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO A LTNESCO/ONU - TRIBUTAÇÃO — São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU, quando recebidos por nacionais contratados no País, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. (Acórdão CSRF 04-00.024 de 21/04/2005). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA - MESMA BASE DE CÁLCULO - A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF n° 01-04.987 de 15/06/2004). Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para excluir do lançamento a multa isolada, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ) 634 ,,,_á LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO Presidente ....„..... / 1 Processo n,° 14041.000887/2005-87 CC01/CO2 Acórdão n.° 102-48.399 Fls 2 ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Relator FORMALIZADO EM 02 M A rmrn tWij Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: NAURY FRAGOSO TANAKA, LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, SILVANA MANCINI KARAM, MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA e ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. Processo n.° 14041 000887/2005-87 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-48.399 Fls 3 Relatório ELISA CAZUE SUDO recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância proferida pela 3' TURIVIA/DRJ-BRASÍLIA/DF, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto n° 70.235 de 1972 (PAF). Trata-se de exigência de IRPF no valor original de R$ 37.658,89 (inclusos os consectários legais). Em razão de sua pertinência, peço vênia para adotar e transcrever o relatório da decisão recorrida (verbis): "Contra a contribuinte em epígrafe foi emitido o auto de infração do Imposto de Renda da Pessoa Física — IRPF, referente ao exercício 2003, ano-calendário de 2002, lavrado por AFRF da DRF/Brasília/DF. A ciência do lançamento ocorreu em 17/11/2005, conforme Aviso de Recebimento de fl. 53. O valor do crédito tributário apurado está assim constituído (...) O referido lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: - Omissão de Rendimentos de Fontes no Exterior omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismos Internacionais (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU), no valor de R$ 66232,63, informados indevidamente como rendimentos isentos e não tributáveis na DIRPF/2003. Enquadramento legal: arts. 1° a 30 e 8° da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 1° a 4° da Lei n° 8.134, de 1990; art. 6° da Lei n° 9.250, de 1995; art. 1° da Lei n° 10.541, de 2002; arts. 55, VII e 995 do RIR/1999; arts. 22 e 23 da IN SRF n° 073, de 1998 e arts. 21 e 22 da IN SRF n° 208, de 2002. - Multa Exigida Isoladamente pela Falta de Recolhimento do IRPF Devido a Título de Carnê-Leão: falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê-leão, tendo em vista a omissão de rendimentos do trabalho recebidos de Organismos Internacionais, caracterizada pela constatação de que os rendimentos foram declarados como isentos e não tributáveis na DIRPF/2003. Enquadramento legal: art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988 c/c arts. 43 e 44, §1°, III da Lei n° 9.430, de 1996; art. 957, parágrafo único, III do RIR11999; art. 22 da IN SRF n° 073, de 1998 e art. 21 da IN SRF 208, de 2002. Em 22/11/2005, o lançamento foi impugnado, em petição de fls. 55/66, acompanhada dos documentos de fls. 67/72, na qual se alega, resumidamente, o quanto segue: Inicialmente, relata que trabalhava para a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU, sob o regime de dedicação exclusiva, sem solução de continuidade no vinculo empregatício, com carga horária de oito horas diárias, salário mensal e período de férias anuais remuneradas pelo empregador. Além disso, suas tarefas habituais incluíam a participação em treinamentos e viagens a serviço. Então, de acordo com o previsto na Lei n° 4.506, de 1964 e em tratados e convenções internacionais promulgados pelo Brasil, deveria gozar de isenção de imposto de renda em virtude de ser funcionária de Organismo Internacional. A base legal para a isenção pleiteada é o art. 5°, II da Lei n° 4.506, de 1964, repetido no art. 22, II do RIR11999, que isenta de imposto de renda os rendimentos auferidos por Processo n '14041 000887/2005-87 CCO 1/CO2 Acórdão n ° 102-48399 Fls 4 servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção. Discorda da interpretação dada ao parágrafo único do artigo supracitado que limita a isenção aos residentes no exterior e esclarece que o art. 30 da Lei n° 7.713, de 1988 reconheceu a isenção do art. 5° da Lei nO 4.506, de 1964. Logo, é inócua a obrigação de recolhimento mensal do Imposto prevista nos arts. 1° a 3° e 8° da Lei n° 7.713, de 1988, em face da isenção a que faz jus. Defende que a lei concessiva da isenção seja interpretada e aplicada nos moldes previstos nos artigos 98, 111 e 112 do Código Tributário Nacional — CTN (Lei n° 5.172, de 1966). Quanto aos tratados e convenções internacionais, esclarece que a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 27.784, de 1950, dispõe na Seção 18 do artigo V, que os funcionários da ONU serão isentos de todo o imposto sobre os vencimentos e emolumentos pagos pela Organização das Nações Unidas. Idêntica linha de raciocínio é adotada pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, promulgada pelo Decreto n° 52.288, de 1963, ao declarar que os funcionários gozarão de isenções de impostos, quanto aos salários e vencimentos a eles pagos pelas agências especializadas e em condições idênticas as de que gozam os funcionários das Nações Unidas. Os privilégios e imunidades foram, por força da Resolução n° 76, de 1946, da Assembléia Geral das Nações Unidas, outorgados a todo o pessoal das Nações Unidas, excluindo somente os funcionários recrutados no local e remunerados por hora. Novamente volta ao tema da relação de trabalho havida entre ela e o Organismo Internacional, para concluir que o termo funcionário da ONU deve ser entendido como empregado da ONU a luz da ordem jurídica pátria. A interpretação adotada segue o disposto no art. 16 da Lei de Introdução ao Código Civil — LICC. Seu entendimento é corroborado por orientações emanadas pela Receita Federal, contidas no Parecer Normativo CST n° 717, de 06/04/1979 e na pergunta 172 do Manual Perguntas e Respostas de 1995, transcritos. Transcreve, também, jurisprudência do Primeiro Conselho e da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes, favoráveis à sua tese. Acredita se encontrar em situação idêntica aos contribuintes que obtiveram a isenção/imunidade reconhecida pelo Conselho de Contribuintes nos julgados transcritos na defesa, logo, de acordo com o art. 5°, II, § 2° c/c 150, II da Constituição Federal, a Receita Federal não poderia fazer distinção entre os contribuintes e exigir dela imposto de renda sobre os rendimentos auferidos do Organismo Internacional. Em relação à multa isolada, sustenta ser incabível a cobrança em virtude da não incidência de imposto sobre os rendimentos auferidos do Organismo Internacional e, se cabível, defende a aplicação somente da multa de ofício. Para ela, a cobrança cumulativa da multa isolada e da multa de ofício constitui bis in idem. Por fim, solicita a declaração de insubsistência do lançamento e a conseqüente inexigibilidade das multas (multa isolada e de oficio) aplicadas cumulativamente ou, alternativamente, seja aplicado o art. 112, I e II do CTN, para que o ônus do imposto recaia sobre o empregador. (.) A DRJ proferiu em 24/02/06 o Acórdão n° 16617, do qual se extrai as seguintes conclusões do voto condutor (verbis): Processo n,° 14041 000887/2005-87 CC01/CO2 Acórdão n ° 102-48 399 Fls 5 "(..)Não restam dúvidas, de acordo com as alegações e provas contidas nos autos, que a contribuinte não pertencia ao quadro efetivo da UNESCO, ou seja, não era funcionária do Organismo, tal como exigido pela legislação que concede a isenção. Assim, podemos concluir que sua relação era apenas contratual e, portanto, sem privilégios de natureza tributária, por falta de previsão em Tratado ou Convênio Internacional. Após verificar que os rendimentos auferidos estão sujeitos à incidência do imposto de renda, cabe perquirir de quem é a responsabilidade pelo pagamento. As Agências Especializadas, segundo o disposto no Artigo 2° do Decreto n° 52.288, de 1963, tem personalidade jurídica própria e, no que se refere a tributos, é exonerada de todo imposto direto (9° Seção do Artigo 30 do citado diploma legal). Conjugando os dispositivos mencionados, vê-se que a personalidade jurídica das Agências Especializadas é diversa de seus agentes, funcionários e prestadores de serviço e que a exoneração de tributos a elas concedidas não se estende às pessoas físicas que delas participam. Por conseguinte, as Agências Especializadas não são responsáveis pelo recolhimento de tributos incidentes sobre os salários e emolumentos pagos, dado que lhe é reconhecida por convenção internacional a imunidade (Decreto n° 52.288, de 1963). Em sendo devidos os tributos sobre os salários e emolumentos pagos, exonera-se a obrigação pela retenção e recolhimento da fonte pagadora e transfere-se tal responsabilidade para o contribuinte, sujeito passivo direto da obrigação tributária, a ser feito sob a forma de recolhimento mensal obrigatório. No que concerne às jurisprudências invocadas, há que ser esclarecido que as decisões administrativas não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, pois se aplicam somente à questão em análise, vinculado as partes envolvidas naqueles litígios. Recentemente, contudo, o Conselho de Contribuintes adotou entendimento diverso sobre o tema, conforme julgado da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que decidiu da seguinte forma: (...) Temos, então, que os rendimentos recebidos pela contribuinte da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU, decorrente da prestação de serviços contratuais, não gozam de isenção do imposto de renda por falta de previsão legal, e estão sujeitos à tributação mensal sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão) no mês do recolhimento, sem prejuízo do ajuste anual. A contribuinte reclama, ainda, da aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio. Ocorre, contudo, que se tratam de duas multas distintas, aplicadas por força do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e que não são excludentes uma da outra. O art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988, estabelece que fica sujeito ao pagamento do imposto de renda, calculado de acordo com o disposto no art. 25 desta Lei (recolhimento mensal obrigatório — camê-leão), a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no País. O imposto é calculado sobre os rendimentos efetivamente recebidos no mês, conforme dispõe o inciso I do art. 40 da Lei n° 8.134, de 1990. Os rendimentos de que trata o art. 8° da Lei n° 7.713, de 1988, além de estalem sujeitos ao recolhimento mensal, compõem, também, a base de cálculo do imposto de renda no ajuste anual, a ser feito por ocasião da apresentação da declaração de rendimentos. Processo n.° 14041.000887/2005-87 CCO I/CO2 Acórdão n.° 102-48.399 Fls 6 Portanto, em relação aos rendimentos sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório, verifica-se que o contribuinte deverá observar duas condutas: calcular e efetuar o recolhimento do imposto mês a mês e incluir os rendimentos na declaração, apurando, se for, o caso, o saldo do imposto a pagar. A inobservância das obrigações legais acima constitui infração à legislação tributária e sujeita o contribuinte ao lançamento de ofício feito pela Autoridade Fiscal, para exigência do imposto e da(s) multa(s) de ofício. O art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, dispõe da seguinte forma sobre as multas aplicadas nos casos de lançamento de ofício: (...) Diante dos dispositivos citados, depreende-se que duas são as multas de ofício aplicáveis ao lançamento, uma sobre o imposto mensal devido e não recolhido (multa isolada), e outra sobre o imposto suplementar apurado na declaração de rendimentos, se for o caso. Isso porque duas são as infrações cometidas, quais sejam, declaração inexata e falta de pagamento do carnê-leão. Logo, como a contribuinte deixou de incluir na declaração de rendimentos os valores recebidos de fontes situadas no exterior, bem como deixou de recolher, tempestivamente, o imposto devido a título de carnê-leão sobre os valores por ele recebidos, é cabível a aplicação das duas multas de 75%, a isolada, que deve incidir sobre o valor do imposto que deixou de ser pago em cada mês do ano-calendário, e a incidente sobre o imposto apurado no ajuste anual. Assim, mantém-se a cobrança da multa isolada sobre o valor do IRPF devido a título de carnê-leão. Por último, esclareça-se que o Termo de Conciliação homologado no Processo n° 1.044/2001, da 15a Vara do Trabalho de Brasília, juntado aos autos, não obriga a fonte pagadora (Organismo Internacional) a recolher o imposto de renda incidente sobre os rendimentos pagos. Em resumo, VOTO pela PROCEDÊNCIA do lançamento. )" Cientifica, a aludida decisão foi objeto de recurso voluntário que, em síntese, reitera e aprofunda as alegações da peça impugnatória. A unidade da Receita Federal responsável pelo preparo do processo, efetuou o encaminhamento dos autos a este Conselho, tendo sido verificado atendimento à Instrução Normativa SRF n° 264/2002. E o Relatório. Processo n,° 14041000887/2005-87 CC01/CO2 Adnclão n ° 102-48 399 Fls 7 Voto Conselheiro ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Câmara. O litígio versa sobre exigência de IRPF sobre valores recebidos por serviços prestados em território brasileiro a organismo internacional (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura — UNESCO/ONU), declarados como rendimentos isentos. Exige-se também a multa de oficio isolada pela falta de recolhimento mensal obrigatório do IRPF sobre tais rendimentos. De início cumpre registrar que nos procedimento de auditoria, bem assim na lavratura do auto de infração, foram observadas as pertinentes normas do Decreto 70.235 de 1972 (PAF) e da Lei 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional — CTN), especialmente os art. 10 do PAF e art. 142 do CTN. Logo, não se observam vícios ou falhas tendentes a macular a exigência tributária. A matéria de fundo, rendimentos pagos por "Organismos Internacionais, em face de prestação de serviços por nacionais, contratados no País, mas sem vínculo empregatício", já é por demais conhecida no Primeiro Conselho de Contribuinte, sendo que a jurisprudência predominante está refletida nos recentes acórdãos da 4a. Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, senão vejamos: Tipo do Recurso: RECURSO DE DIVERGÊNCIA Data da Sessão: 21/06/2005 Acórdão: C SRF/04-00 .024 Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD - TRIBUTAÇÃO — São tributáveis os rendimentos decorrentes da prestação de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, quando recebidos por nacionais contratados no Pais, por faltar-lhes a condição de funcionário de organismos internacionais, este detentor de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária. Recurso especial provido Peço vênia para aqui adotar, como razões de decidir, os fundamentos da Ilustre Conselheira MARIA HELENA COTTA CARDOZO, presidente da 4a. Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, manifestados em declaração de voto no Acórdão n° 104-20.451 de 23/02/2005 (verbis): "(.. )A solução da lide requer a análise sistemática de toda a legislação que rege a matéria, e não apenas a invocação de alguns dispositivos legais que, citados de forma isolada, podem induzir o Julgador a uma conclusão precipitada, divorciada da 'ultima ratio que norteia a concessão da isenção em tela Processo n.° 14041.000887/2005-87 CCO 1/CO2 Acórdão n.° 102-48.399 Fls 8 O artigo 5 0 da Lei n° 4.506/64, reproduzido no artigo 23 do RIR/94 e no artigo 22 do RIR199, assim estabelece. `Art 5° Estão isentos do imposto os rendimentos do trabalho auferidos por. 1- Servidores diplomáticos de governos estrangeiros; - Servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte e aos quais se tenha obrigado, por tratado ou convênio, a conceder isenção; III - Servidor não brasileiro de embaixada, consulado e repartições oficiais de outros países no Brasil, desde que no pais de sua nacionalidade seja assegurado igual tratamento a brasileiros que ali exerçam idênticas funções Parágrafo único. As pessoas referidas nos itens II e In deste artigo serão contribuintes como residentes no estrangeiro em relação a outros rendimentos produzidos no país.' (grifei) Quanto aos incisos I e III, não há dúvida de que são dirigidos a estrangeiros, sejam eles servidores diplomáticos, de embaixadas, de consulados ou de repartições de outros países No que tange ao inciso II, este menciona genericamente os 'servidores de organismos internacionais', nada esclarecendo sobre o seu domicílio, o que conduz a uma conclusão precipitada de que dito dispositivo incluiria os domiciliados no Brasil. Entretanto, o parágrafo único do artigo em tela faz cair por terra tal interpretação, quando determina que, relativamente aos demais rendimentos produzidos no Brasil, os servidores citados no inciso II são contribuintes como residentes no estrangeiro Ora, não haveria qualquer sentido em determinar-se que um cidadão brasileiro, domiciliado no País, tributasse rendimentos como sendo residente no exterior, donde se conclui que o inciso II ao contrário do que à primeira vista pareceria, também não abrange os domiciliados no Brasil. Assim, fica demonstrado que o art 5° da Lei n° 4 506/64, acima transcrito, não contempla a situação do Recorrente - brasileiro residente no Brasil. Ainda que pudesse ser aplicado a um nacional residente no País - o que se admite apenas para argumentar -, o dispositivo legal em foco é claro ao determinar que a isenção concedida aos servidores de organismos internacionais de que o Brasil faça parte tem de estar prevista em tratado ou convênio. Nesse passo, tratando-se de rendimentos pagos pelo PNUD - Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, verifica-se a existência do 'Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica', promulgado pelo Decreto n° 59.308, de 23/09/1966, que assim prevê. 'ARTIGO V Facilidades, Privilégios e Imunidades 1. O Governo, caso ainda não esteja obrigado a fazê-lo, aplicará aos Organismos, a seus bens, fundo e haveres, bem como a seus funcionários, inclusive peritos de assistência técnica: a) com respeito à Organização das Nações Unidas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'; b) com respeito às Agências Especializadas, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas', Processo n ° 14041000887/2005-87 CCO1 /CO2 Acórdão n ° 102-48.399 Fls 9 c) com respeito à Agência Internacional de Energia Atômica o 'Acordo sobre Privilégios e Imunidades da Agência Internacional de Energia Atômica' ou, enquanto tal Acordo não for aprovado pelo Brasil, a 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas (grifei) Ressalte-se que o PNUD é um programa das Nações Unidas, e não uma das suas Agências Especializadas que, conforme a própria 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas', são . Organização Internacional do Trabalho, Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, Organização Mundial de Saúde, Associação Internacional de Desenvolvimento, Corporação Financeira Internacional, Fundo Monetário Internacional, Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, Organização de Aviação Civil Internacional, União Internacional de Telecomunicações, União Postal Universal, Organização Meteorológica Mundial e Organização Marítima Consultiva Intergovernamental. Sendo o PNUD um programa especifico da Organização das Nações Unidas, as respectivas facilidades, privilégios e imunidades devem seguir os ditames, conforme comando do artigo VI a, acima, da 'Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas'. Esta, por sua vez, foi firmada em Londres, em 13/02/1946 e promulg-ada pelo Decreto n° 27.784, de 16/02/1950 Dita Convenção assim prevê: 'ARTIGO V Funcionários Seção 17 O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VIL Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros Seção 18. Os funcionários da Organização das Nações Unidas: a) gozarão de imunidades de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais (inclusive seus pronunciamentos verbais e escritos), b) serão isentos de qualquer imposto sobre os salários e emolumentos recebidos das Nações Unidas; c) serão isentos de todas as obrigações referentes ao serviço nacional; d) não serão submetidos, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, às restrições imigratórias e às formalidades de registro de estrangeiros; e) usufruirão, no que diz respeito à facilidades cambiais, dos mesmos privilégios que os funcionários, de equivalente categoria, pertencentes às Missões Diplomáticas acreditadas junto ao Governo interessado, fl gozarão, assim como suas esposas e demais pessoas da família que deles dependam, das mesmas facilidades de repatriamento que os funcionários diplomáticos em tempo de crise internacional; g) gozarão do direito de importar, livre de direitos, o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado. Processo n.° 14041,000887/2005-87 CCOI/CO2 Acórdão n ° 102-48399 Fls 10 Seção 19. Além dos privilégios e imunidades previstos na Seção 13, o Secretário Geral e todos os sub-secretários gerais, tanto no que lhes diz respeito pessoalmente, como no que se refere a seus cônjuges e filhos menores gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos (grifei) De plano, verifica-se que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos é dirigida a funcionários da ONU e encontra-se no bojo de diversas outras vantagens, a saber: imunidade de jurisdição; isenção de serviço militar, facilidades imigratórios e de registro de estrangeiros, inclusive para sua família, privilégios cambiais equivalentes aos funcionários de missões diplomáticas,. facilidades de repatriamento idênticas às dos funcionários diplomáticos, em tempo de crise internacional; liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal, quando da primeira instalação no país interessado. Embora a Convenção ora enfocado utilize a expressão genérica funcionários, a simples leitura do conjunto de privilégios nela elencados permite concluir que o tei-mo não abrange o funcionário brasileiro, residente no Brasil e aqui recrutado. Isso porque não haveria qualquer sentido em conceder-se a um brasileiro residente no País, benefícios tais como facilidades imigi-atórias e de registro de estrangeiros, privilégios cambiais, facilidades de repatriamento e liberdade de importação de mobiliário e bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Pais. Assim, fica claro que as vantagens e isenções — inclusive do imposto sobre salários e emolumentos — relacionadas no artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas não são dirigidas aos brasileiros residentes no Brasil, restando perquirir-se sobre que categorias de funcionários seriam beneficiárias de tais facilidades A resposta se encontra no próprio artigo V da Convenção da ONU na Seção 17, que a seguir se recorda ARTIGO V Funcionários Seção 17. O Secretário Geral determinará as categorias dos funcionários aos quais se aplicam as disposições do presente artigo assim como as do artigo VIL Submeterá a lista dessas categorias à Assembléia Geral e, em seguida, dará conhecimento aos Governos de todos os Membros. O nome dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos Governos dos Membros.' A exigência de tal formalidade, aliada ao conjunto de beneficios de que se cuida, não deixa dúvidas de que o funcionário a que se refere o artzgo V da Convenção da ONU — e que no inciso II do art. 5° da Lei n°4 506/64 é chamado de servidor — é o funcionário internacional, integrante dos quadros da ONU com vínculo estatutário, e não apenas contratual. Portanto, não fazem jus às facilidades, privilégios e imunidades relacionados no artigo V da Convenção da ONU os técnicos contratados, seja por hora, por tarefa ou mesmo com vinculo contratual permanente. Destarte, verifica-se que o artigo V da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas harmoniza-se perfeitamente com o Inciso II, do art. 5 0, da Lei n° 4.506/64 (transcrito no início deste voto), já que ambos prevêem isenção do imposto de renda apenas para os não residentes no Brasil Com efeito, conjugando-se esses dois comandos legais, conclui-se que os servidores/funcionários neles mencionados são aqueles funcionários internacionais, em relação aos quais é perfeitamente cabível a tributação de outros rendimentos produzidos no País como de residentes no Processo n,° 14041.000887/2005-87 CC01/CO2 Acórdão n ° 102-48399 Fls 11 estrangeiro, bem como a concessão de facilidades imigratórias, de registro de estrangeiros, cambiais, de repatriamento e de importação de mobiliário/bens de uso pessoal quando da primeira instalação no Brasil Afinal, esses funcionários não são residentes no Pais, dai a justificativa para esse tratamento diferenciado. Quanto aos técnicos brasileiros, residentes no Bt-asil e aqui recrutados, não há qualquer fundamento legal ou mesmo lógico para que usufruam das mesmas vantagens relacionadas no artigo V da Convenção da ONU, muito menos para que seja pinçado, dentre os diversos beneficios, o da isenção de imposto sobre salários e emolumentos, com o escopo de aplicar-se este — e somente este — a ditos técnicos. Tal procedimento estaria referendando a criação — à margem da legislação — de uma categoria de funcionários da ONU não enquadrável em nenhuma das existentes, a saber os 'técnicos residentes no Brasil isentos de imposto de renda', o que de forma alguma pode ser admitido Corroborando esse entendimento, o artigo VI da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas assim dispõe: ARTIGO VI Técnicos a serviço das Nações Unidas Seção 22. Os técnicos (independentes dos funcionários compreendidos no artigo V), quando a serviço das Nações Unidas, gozam enquanto em exercício de suas funções, incluindo-se o tempo de viagem, dos privilégios ou imunidades necessárias para o desempenho de suas missões Gozam em particular, dos privilégios e imunidades seguintes: a) imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais, b) imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas missões (compreendendo-se os pronunciamentos verbais e escritos). Esta imunidade continuará a lhes ser concedida mesmo depois que os indivíduos em questão tenham terminado suas funções junto à Organização das Nações Unidas. c) inviolabilidade de todos os papéis e documentos; d) direito de usar códigos e de receber documentos e correspondências em malas invioláveis para suas comunicações com a Organização das Nações Unidas; e) as mesmas facilidades, no que toca a regulamentação monetária ou cambial, concedidas aos representantes dos governos estrangeiros em missão oficial temporária. fi no que diz respeito a suas bagagens pessoais as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos. Seção 23. Os privilégios e imunidades são concedidos aos técnicos no interesse da Organização das Nações Unidas e não para que aufiram vantagens pessoais O Secretário Geral poderá e deverá suspender a imunidade concedida a um técnico sempre que, a seu juízo impeçam a justiça de seguir seus trâmites e quando possa ser suspensa sem trazer prejuízo aos interesses da Organização ' Processo n ° 14041000887/2005-87 CCO 1/CO2 Acórdão a,° 102-48399 Fls 12 Como se vê, a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não consta — e nem poderia constar — da relação de beneficios concedidos aos técnicos a serviço das Nações Unidas. Constata-se, assim, a existência de um quadro de funcionários internacionais estatutários da ONU, que goza de um conjunto de beneficios, dentre os quais o de isenção de imposto sobre salários e emolumentos, em contraposição a uma categoria de técnicos que, ainda que possuindo vínculo contratual permanente, não é albergada por esses beneficios Tal constatação é corroborada pela melhor doutrina, aqui representada por Celso D. de Albuquerque Mello, no seu 'Curso de Direito Internacional Público (11a edição, Rio de Janeiro. Renovar, 1997, pp 723 a 729). 'Os funcionários internacionais são um produto da administração internacional, que só se desenvolveu com as organizações internacionais. Estas, como já vimos, possuem um estatuto interno que rege os seus órgãos e as relações entre elas e os seus funcionários Tal fenômeno fez com que os seus funcionários aparecessem como uma categoria especial, porque eles dependiam da organização internacional, bem como o seu estatuto jurídico era próprio Surgia assim uma categoria de funcionários que não dependia de qualquer Estado individualmente ( ) Os funcionários internacionais constituem uma categoria dos agentes e são aqueles que se dedicam exclusivamente a uma organização internacional de modo permanente. Podemos defini-los como sendo os indivíduos que exercem funções de interesse internacional, subordinados a um organismo internacional e dotados de um estatuto próprio. O verdadeiro elemento que caracteriza o funcionário internacional é o aspecto internacional da função que ele desempenha, isto é, ela visa a atender às necessidades internacionais e foi estabelecido internacionalmente. A admissão dos funcionários internacionais é feita pela própria 07-ganização internacional sem interferência dos Estados Membros. ( .) O funcionário é admitido na ONU para um estágio probatório de dois anos, prorrogável por mais um ano Depois disto, há a nomeação a título permanente, que é revista após 5 anos. (..) A situação jurídica dos funcionários internacionais é estatutária e não contratual (..) Já na ONU o estatuto do pessoal (entrou em vigor em 1952) fala em nomeação, reconhecendo, portanto, a situação estatutária dos seus funcionários. Este regime estatutário foi reconhecido pelo Tribunal Administrativo das Nações Unidas, mas que o amenizou, considerando que os funcionários tinham certos direitos adquiridos (ex a vencimentos). ( ) Os funcionários internacionais, como todo e qualquer funcionário público, possuem direitos e deveres. (.) Os funcionários internacionais, para bem desempenharem as suas funções, com independência, gozam de privilégios e imunidades semelhantes às dos agentes diplomáticos. Todavia, tais imunidades diplomáticas só são concedidas para os mais altos funcionários internacionais (secretário-geral, secretários-adjuntos, diretores-gerais etc ). E o Secretário-Geral da ONU quem declara quais são os funcionários que gozam destes privilégios e imunidades. Processo n,° 14041000887/2005-87 CC01/CO2 Acórdão n ° 102-48.399 Fls. 13 Cabe ao Secretário-Geral determinar quais as categorias de funcionários da ONU que gozarão de privilégios e imunidades. A lista destas categorias será submetida à Assembléia Geral e 'os nomes dos funcionários compreendidos nas referidas categorias serão comunicados periodicamente aos governos membros'. Os privilégios e imunidades são os seguintes: a) 'imunidade de jurisdição para os atos praticados no exercício de suas funções oficiais', b) isenção de impostos sobre salários; c) a esposa e dependentes não estão sujeitos a restrições imigratórios e registi-o de estrangeiros; d) isenção de prestação de serviços, e) facilidades de câmbio como as das missões diplomáticas; facilidades de repatriamento, como as missões diplomáticas, em caso de crise internacional, estendidas à esposa e dependentes, g) direito de importar livre de direitos, 'o mobiliário e seus bens de uso pessoal quando da primeira instalação no país interessado'. Além dos privilégios e imunidades acima, o Secretário-geral e os sub- secretários-gerais, bem como suas esposas e filhos menores, 'gozarão dos privilégios, imunidades, isenções e facilidades concedidas, de acordo com o direito internacional, aos agentes diplomáticos'. Os técnicos a serviço da ONU, mas que não sejam funcionários internacionais, gozam dos seguintes privilégios e imunidades- a) 'imunidade de prisão pessoal ou de detenção e apreensão de suas bagagens pessoais', b) 'imunidade de toda ação legal no que concerne aos atos por eles praticados no desempenho de suas funções', c) 'inviolabilidade de todos os papéis e documentos, d) 'direito de usar códigos e de receber documentos e correspondência em malas invioláveis para se comunicar com a ONU, e) facilidades de câmbio, fi quanto às 'bagagens pessoais, as mesmas imunidades e facilidades concedidas aos agentes diplomáticos' (grifei) Como se pode constatar a doutrina mais abalizada, acima colacionada, não só reconhece a existência, dentro da ONU, de dois grupos distintos — funcionários internacionais e técnicos a serviço do Organismo — como identifica o conjunto de beneficios com que cada um dos grupos é contemplado, deixando patente que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos não figura dentre os privilégios e imunidades concedidos aos técnicos a serviço da ONU que não sejam funcionários internacionais. Diante do exposto, constatando-se que o interessado não é funcionário internacional pertencente ao quadro estatutário da ONU, incluído em lista fornecida pelo seu Secretário-Geral, mas sim técnico residente no Brasil, a serviço do PNUD, não há como conceder-lhe a isenção pleiteada (.. )." Os brilhantes fundamentos acima transcritos, aplicam integralmente ao presente litígio. Reitere-se, outrossim, que as pessoas que prestam serviço em projetos realizados por Organismos Internacionais no Brasil, contratados no território Nacional, não são funcionários da Organização das Nações Unidas. Ou são prestadores de serviços autônomos ou são empregados celetistas em função das características trabalhistas com que desempenham suas atividades. Neste caso, conforme asseverou o insigne Conselheiro Jose Ribamar Penha Barros no Acórdão n° CSRF/04-0.209: "...não é pelo fato de não receberem o devido amparo da legislação do trabalho que a relação laborai vai se tornar estatutária ... a legislação tributária a respeito da isenção não acolhe interpretação extensiva ... A vista do exposto, a conclusão inevitável é que os prestadores de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento — PNUD, contratados em território brasileiro por tempo ou projetos Processo n ° 14041 000887/2005-87 CC01/CO2 Acórdão n ° 102-48399 Fls. 14 certos não são funcionários internacionais da ONU. Não sendo funcionários não há como estender a estes trabalhadores a isenção do imposto de renda sobre as remunerações advindas de tais contratos, aos exatos termos que a eles não se aplica a isenção do IPI e ICMS na aquisição de veículos." No presente caso, não há que atribuir a responsabilidade tributária à fonte pagadora, que deixou de efetuar a retenção do imposto. Isto porque a legislação, em especial a Lei n° 9.250, de 26/12/1995, nos artigos 7° e 8°, ao disciplinar a elaboração da declaração anual de rendimentos, expressamente determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano-base, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte. Caso o Fisco constate, antes do prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, que a fonte pagadora não procedeu à retenção e o recolhimento do imposto de renda na fonte, devido por antecipação, o imposto deve ser dela exigido, porquanto não aparecerá, ainda, para o contribuinte (beneficiário do rendimento) o dever de oferecer eventuais rendimentos à tributação. Entretanto, passado o tempo legal para entrega tempestiva da declaração de ajuste anual, caso seja constatado a não retenção do imposto, caberá também ao contribuinte (beneficiário do pagamento) a responsabilidade pela exigência, eis que a legislação de regência determina que submeta todos os rendimentos à tributação, independentemente de ter ou não havido retenção na fonte, sendo-lhe então exigido o imposto suplementar, os juros de mora e a multa de oficio; situação verificada no presente processo. Repita-se: A Regra geral é que a tributação recaia sobre o contribuinte e não sobre a fonte pagadora, pois a falta de retenção do Imposto de Renda na Fonte sobre esse rendimento não exclui a sua natureza tributável, nem exonera o beneficiário do rendimento da obrigação de incluí-lo, para tributação, na Declaração de Ajuste Anual, porquanto o contribuinte do imposto de renda é o adquirente da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, conforme prescreve o art. 45 do Código Tributário Nacional — CTN. Quando a legislação tributária impõe à fonte pagadora a obrigação de reter o imposto, não modifica o sujeito passivo da obrigação tributária apurada na Declaração de Ajuste, que continua sendo a pessoa que adquiriu a disponibilidade jurídica ou econômica da renda ou dos proventos tributáveis (CTN, arts. 45 e 121, parágrafo único, I). A partir da edição da Lei n° 8.134, de 27 de dezembro de 1990, além da responsabilidade atribuída à fonte pagadora para a retenção e recolhimento do imposto de renda na fonte, à medida em que os rendimentos forem percebidos, a legislação determina que a apuração definitiva do Imposto de Renda da Pessoa Física seja efetuada na Declaração Anual de Ajuste. Estamos diante de um fato gerador complexivo, com duas modalidades de incidência no ano calendário de apuração, em momentos distintos e responsabilidades bem definidas. Em um primeiro momento a retenção do imposto na fonte, constituindo mera antecipação do imposto efetivamente devido, calculado mensalmente, à medida em que os rendimentos forem percebidos e de exclusiva responsabilidade da fonte pagadora; e, em um Processo n,° 14041,000887/2005-87 CC01/CO2 Acórdão n,° 102-48399 Fls. 15 segundo momento, o acerto definitivo, para cálculo do montante do imposto devido apurado anualmente na declaração de ajuste, sob inteira responsabilidade do contribuinte beneficiário do rendimento. Do exposto, conclui-se que, ao auferir rendimentos sem a devida retenção do imposto na fonte, a pessoa fisica deverá, por ocasião da apresentação da Declaração de Ajuste Anual, incluí-los como rendimentos tributáveis, de acordo com a natureza desses rendimentos. O descumprimento dessa regra sujeitará a pessoa física ao lançamento de oficio do imposto, acrescido dos encargos legais e penalidades aplicáveis. E farta a jurisprudência administrativa emanada do Primeiro Conselho de Contribuintes, da qual destaca-se a ementa do seguinte acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais — CSRF: "RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL — ANTECIPAÇÃO - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA — Em se tratando de imposto em que a incidência na fonte se dá por antecipação daquele a ser apurado na declaração, inexiste responsabilidade tributária concentrada, exclusivamente, na pessoa da fonte pagadora, devendo o beneficiário, em qualquer hipótese, oferecer os rendimentos à tributação no ajuste anual." (Acórdão CSRF/04-00.198 - Data da Sessão: 14/03/2007) Em relação à exigência cumulativa da multa isolada, por falta de recolhimento do Carnê-Leão, com a multa de oficio, vejamos o que prevê a Lei 9.430/96, no seu art. 44, in verbis: "Art 44 - Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição. 1- de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ,sç 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I - juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos, II - isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III - isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnê-leão) na forma do art.. 8° da Lei n° 7 713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazê-lo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, IV - isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazê-lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a Processo n.° 14041.000887/2005-87 CCOI/CO2 Acórdão n ° 102-48 399 Fls 16 contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário coiTespondente" (grifo nosso). Da leitura da lei, conclui-se facilmente que existem duas modalidades de multa imponíveis ao contribuinte: a multa de 75% por falta de pagamento, pagamento após o vencimento, falta de declaração ou por declaração inexata e a multa qualificada de 150% em casos de evidente intuito de fraude. O § 1° vem apenas explicitar a forma de cobrança das multas definidas no capuz', posto que podem ser cobradas juntamente com o imposto devido ou isoladamente. Verificado que o contribuinte deixou de efetuar o recolhimento mensal obrigatório (Camê-Leão), sobre rendimentos que também foram objeto de lançamento do lançamento de oficio, ou seja, havendo a dupla incidência da penalidade sobre a mesma base de cálculo, a multa isolada não deve prevalecer. Nesse é a interpretação dada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: "MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO — CONCOMITÂNCIA -- MESMA BASE DE CALCULO—A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do sr 1°, do art. 44, da Lei n° 9 430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II do art 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo." (Câmara Superior do Conselho de Contribuintes / Primeira turma, Processo 10510.000679/2002-19, Acórdão n° 01-04.987, julgado em 15/06/2004) Portanto, a multa isolada deve ser excluída no lançamento, mantendo-se a exigência da multa de oficio de 75%, incidente sobre o imposto devido no ajuste anual. Registre-se que apuração de infrações em auditoria fiscal é condição suficiente para ensejar a exigência dos tributos mediante lavratura do auto de infração e, por conseguinte, aplicar a multa de oficio proporcional de 75% nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996. Essa multa é devida quando houver lançamento de oficio, como é o caso. De qualquer forma, convém esclarecer, que o princípio do não confisco insculpido na Constituição Federal (art. 150, IV), dirige-se ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtar-se à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Ademais, tal princípio não se aplica às multas, conforme entendimento já consagrado na jurisprudência administrativa, como exemplificam as ementas de decisões que ora reproduzo: "CONFISCO — A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal" (Ac. 102-42741, sessão de 20/02/1998). Por sua vez, a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros de mora também está prevista em normas legais em pleno vigor, regularmente citada no auto de infração (artigo 61, § 3° da Lei 9.430 de 1996), portanto, deve ser mantida. Nesse sentido dispõe a Súmula n° 4 do Primeiro Conselho de Contribuintes: `A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." Processo n ° 14041000887/2005-87 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-48,399 Fls 17 No que tange à exclusão dos juros de mora e das multas aplicadas, em virtude do disposto no art. 100, parágrafo único do CTN c/c os Pareceres Normativos n°. 17/1979 e n° 3/1996, ambos da Secretaria da Receita Federal, reitero que a recorrente encontra-se em situação diversa da tratada nos aludidos Pareceres. Isso porque não se enquadra na condição de funcionário do Organismo, logo, não há que falar na exclusão de penalidade, prevista no art. 100 do CTN, por observância das orientações contidas nos Pareceres. Conclusão Voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a multa de oficio isolada por falta do recolhimento mensal obrigatório (Camê-Leão). Sala das Sessões— DF, em 30 de março de 2007. o ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1 _0001700.PDF Page 1
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Numero do processo: 13923.000145/95-11
Turma: Primeira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 1999
Data da publicação: Tue Aug 17 00:00:00 UTC 1999
Ementa: RECURSO “EX OFFICIO” - IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - Devidamente justificada pelo julgador “a quo” a insubsistência das razões determinantes da autuação por glosa de despesas, é de se negar provimento ao recurso de ofício interposto contra a decisão que dispensou o crédito tributário irregularmente constituído.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 101-92772
Decisão: Por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: Edison Pereira Rodrigues
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Sessão de : 17 de agosto de 1999 Acórdão n°. : 101-92.772 RECURSO "EX OFFICIO" - IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA - Devidamente justificada pelo julgador "a quo" a insubsistência das razões determinantes da autuação por glosa de despesas, é de se negar provimento ao recurso de ofício interposto contra a decisão que dispensou o crédito tributário irregularmente constituído. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso "ex officio" interposto pelo DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO em FOZ DO IGUAO - PR. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ED *NP- 1DRIGUES - ESIDE 1 TE E- - ELATOR 1999FORMALIZADO EM: 23 AGO PROCESSO N°. :13923.000145195-11 ACÓRDÃO N°. :101-92.772 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: JEZER DE OLIVEIRA CÂNDIDO, FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, KAZUKI SHIOBARA, CELSO ALVES FEITOSA e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros RAUL PIMENTEL e SANDRA MARIA FARONI. 2 PROCESSO N°. :13923.000145195-11 ACÓRDÃO N°. :101-92.772 RECURSO N°. :115.819 INTERESSADA : BUENO CONSTRUÇÃO CIVIL LTDA. RELATÓRIO O Delegado da Receita Federal de Julgamento em Foz do Iguaçú - PR, recorre de oficio a este Colegiado contra a sua decisão de fls. 399/413, que julgou parcialmente procedentes os lançamentos a título de IRPJ, fls. 123 e seus decorrentes, IRFonte, fls. 134 e Contribuição Social sobre o Lucro, fls. 145. Da descrição dos fatos consta que a exigência refere-se aos exercícios de 1991 e 1992, tendo origem na constatação de omissão de receitas operacionais e na glosa de despesas não necessárias. Tempestivamente a contribuinte insurgiu-se contra a exigência, através da impugnação de fls. 1581212. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu pela manutenção parcial do lançamento através da decisão de fls. 3991413, cuja ementa tem a seguinte redação: "IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA IRPJ IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO — CSLL GLOSA DE DESPESAS — Descabe a glosa de despesas amparadas por notas fiscais emitidas por empresa em situação irregular (inidônea) quando a fiscalização não comprovar a má-fé ou o envolvimento da contribuinte, ou mesmo que os serviços descritos não foram prestados. 3 PROCESSO N°. :13923.000145/95-11 ACÓRDÃO N°. :101-92.772 PAGAMENTO PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO — Tendo a contribuinte realizado recolhimentos parciais do crédito tributário, especificando as infrações a que se referem, descabe a apreciação dos argumentos apresentados contra as mesmas, posto que não há instauração do contencioso quando extinto seu objeto, ou seja, o próprio crédito tributário. SUPRIMENTO DE CAIXA — Devem ser comprovados, com documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, os suprimentos de caixa efetuados pelos sócios da empresa, inclusive quanto a sua origem. A simples prova da efetiva entrega não é suficiente para elidir a presunção legal de omissão de receitas. SALDO CREDOR DE CAIXA — A comprovação, por meio de documentos hábeis, que a contribuinte realizou pagamentos em datas anteriores às registradas em sua contabilidade, enseja a reconstituição do saldo da conta caixa. Correta, portanto, a tributação a título de omissão de receitas dos saldos credores de caixa apurados. LANÇAMENTOS DECORRENTES — Tratando-se de lançamento reflexivo, a decisão proferida no procedimento matriz, Imposto de Renda Pessoa Jurídica, é aplicável aos procedimentos decorrentes, face à relação de causa e efeito entre eles existente. LANÇAMENTOS PARCIALMENTE PROCEDENTES." Nos termos da legislação em vigor, a autoridade monocrática recorreu de ofício a este Conselho. É o Relatório. 4 PROCESSO N°. :13923.000145/95-11 ACÓRDÃO N°. : 101-92.772 VOTO Conselheiro ED1SON PEREIRA RODRIGUES, Relator O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Recurso assente em lei (Decreto n° 70.235/72, art. 34, c/c a Lei n° 8.748, de 09112193, arts. 1° e 3°, inciso!), dele tomo conhecimento. Como se depreende do relatório, tratam os presentes autos, de recurso de ofício interposto pelo Sr. Delegado da Receita Federal de Julgamento em Foz do Iguaçú — PR, que declarou parcialmente procedente a autuação levada a efeito contra a recorrente. Sobre a glosa de custos, a autoridade "a quo" assim se manifestou em sua decisão: "As notas fiscais glosadas não apresentam qualquer característica de irregularidade, inclusive a impressão foi devidamente autorizada pelo fisco estadual. As irregularidades nas empresas prestadoras de serviços está cabalmente provada no processo, contudo nada evidencia que houve má-fé, ou envolvimento, por parte da Contribuinte. Definitivamente, a Contribuinte não pode ser penalizada, pois a princípio, os serviços foram regularmente prestados. Portanto, mesmo que não houvesse pagamento, os custos contratados poderiam ser apropriados face ao regime de competência. A Fiscalização teve ampla oportunidade, inclusive por meio de diligência fiscal, para provar que os serviços não foram 5 PROCESSO N°. :13923.000145/95-11 ACÓRDÃO N°. :101-92.772 prestados. Neste caso a prova é de quem acusa, ou seja, o fisco." Como visto acima, parte da autuação por glosa de custos, que a fiscalização considerou comprovada através de documentação inidônea, a autoridade de primeira instância entendeu incorreto o lançamento por falta de comprovação da irregularidade. Em decorrência da citada decisão monocrática, foi formalizado o presente recurso de ofício. A matéria aqui discutida insere-se no contexto do artigo 142 do CTN, "Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível". Ou seja, o ônus da prova, na determinação do lançamento, compete à autoridade administrativa, unicamente a ela. Ora, no caso dos autos, à evidência, constata-se que a recorrente contraiu despesas de prestação de serviços, conforme comprovam os documentos juntados aos autos, bem como pela escrituração comercial da recorrente. A documentação acostada pela recorrente, apesar de eventuais irregularidades das empresas prestadoras dos serviços, tais como a falta de registro contábil ou mesmo, confirmam a efetiva realização dos serviços. 6 PROCESSO N°. :13923.000145/95-11 ACÓRDÃO N°. : 101-92.772 Nesse contexto, não podia a autoridade administrativa, de forma alguma, simplesmente glosar a totalidade das despesas, salvo se aos autos do processo, concretamente, produzisse outras provas que a tanto conduzisse o procedimento que adotou. Cabível de nota a citação do Dr. Ricardo Mariz de Oliveira, abordando a questão das presunções, ao responder à questão formulada no XII Simpósio Nacional de Direito Tributário, se, em face do artigo 142 do CTN, aplica-se ao lançamento a presunção de legitimidade do ato administrativo que atribui o ônus da prova ao administrado: "Não, por ser atividade vinculada, pela qual o autor do lançamento deve verificar a ocorrência efetiva do fato gerador da obrigação correspondente ao crédito que está constituindo, o ônus da prova do fato incumbe a ele. Ao sujeito passivo incumbe apenas as contra-provas de fatos que possam se opor ao lançamento, mas este tem como pressuposto essencial a prova efetiva do fato oponível, feita durante o procedimento administrativo. Mesmo nos casos legais de presunções juris tantum de ocorrência do fato gerador ou da quantificação da matéria tributável, o ônus da prova dos fatos em que assentam as presunções é da autoridade lançadora, cabendo então ao sujeito passivo o ônus das provas que ilidem essas presunções" (In "Caderno de Pesquisas Tributárias", vol. 12 págs. 138/9)." Como visto, faltou à fiscalização, o devido aprofundamento nas investigações para que comprovasse a alegada irregularidade cometida pela contribuinte. Dessa forma, não merece reparos a decisão prolatada pela autoridade monocrática. 7 PROCESSO N°. :13923.000145/95-11 ACÓRDÃO N°. : 101-92.772 Isto posto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício interposto. Sala das Sessões - DF, em 17 de agosto de 1999 E s ëN PEREIR' , - • 'è -IGUES 1 8 PROCESSO N°. :13923.000145/95-11 ACÓRDÃO N°. :101-92.772 INTIMAÇÃO Fica o Senhor Procurador da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho de Contribuintes, intimado da decisão consubstanciada no Acórdão supra, nos termos do parágrafo 2°, do artigo 44, do Regimento Interno, aprovado pela Portaria Ministerial n.° 55, de 16 de março de 1998 (D.O.U. de 17/03/98). Brasília-DF, em 2 3 AG° 1999 E ON PEREIIDRIGUES PRESIDENTE Ciente em a -1 AG() 199! RO* " ' O P -/. /DE MELLO PROCU' DOR DA NDA NACIONAL 9 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13931.000190/96-30
Turma: Oitava Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 1998
Data da publicação: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 1998
Ementa: IRPJ - FALTA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO APURADO PELO REGIME DE LUCRO REAL MENSAL - Apurado lucro real e não demonstrado o pagamento do imposto de renda correspondente, há de se entender que houve falta de recolhimento.
Recurso negado.
Numero da decisão: 108-05.387
Decisão: NEGADO PROVIMENTO POR UNANIMIDADE
Nome do relator: José Henrique Longo
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ementa_s : IRPJ - FALTA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO APURADO PELO REGIME DE LUCRO REAL MENSAL - Apurado lucro real e não demonstrado o pagamento do imposto de renda correspondente, há de se entender que houve falta de recolhimento. Recurso negado.
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Recorrida : DRJ EM CURITIBA (PR) Sessão de : 13 DE OUTUBRO DE 1998. Acórdão n° : 108-05.387 IRPJ — FALTA DE RECOLHIMENTO DE IMPOSTO APURADO PELO REGIME DE LUCRO REAL MENSAL — Apurado lucro real e não demonstrado o pagamento do imposto de renda correspondente, há de se entender que houve falta de recolhimento. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por IBERKRAFT — INDÚSTRIA DE PAPEL E CELULOSE LTDA. ACORDAM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ''srJeY MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE - .s . LO GO R- FORMALIZADO EM:EM: 1 3 OU 99B Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR, TÂNIA KOETZ MOREIRA, MARCIA MARIA LORIA MEIRA e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. Ausentes por motivo justificado os Conselheiros JOSÉ ANTONIO MINATEL e NELSON LOSSO FILHO. Processo n° : 13931.000190/96-30 Acórdão n° : 108-05.387 Recurso n° : 116.522 Recorrente : IBERKRAFT — INDÚSTRIA DE PAPEL E CELULOSE LTDA. RELATÓRIO O contribuinte IBERKRAFT — INDÚSTRIA DE PAPEL E CELULOSE LTDA., com endereço em Alto Xarquinho, no Município de Guarapuava, PR, inscrito no CGC/MF sob n° 77.124.634/0001-80, sofreu lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — IRPJ, relativo aos meses de janeiro a agosto do ano-calendário de 1996, por não ter recolhido mensalmente o tributo, conforme a legislação em vigor. A empresa foi intimada a apresentar os livros de sua escrituração comercial e fiscal desde 1/1/96 até a data da intimação, 23/9/96, bem como a preencher o Quadro de Informações Gerais e o Demonstrativo de Apuração Mensal do IRPJ e Contribuição Social (fl. 1). Apresentou o contribuinte o Quadro solicitado, a Declaração de IRPJ do ano anterior, as Demonstrações de Resultado dos Meses e Demonstração do Lucro Real Mensal mediante cópia da parte A do Livro de Apuração do Lucro Real — LALUR, Demonstração do Custo dos Produtos Vendidos (mensal), Demonstração de Resultados (mensal) e balancetes mensais. O auditor fiscal recalculou o IRPJ, mês a mês, excluindo da base de cálculo a Contribuição Social lançada de ofício, e apurou os valores devidos a título de IRPJ no período de janeiro a agosto de 1996. Esses valores mensais serviram de base para a lavratura do auto de infração, tomando-se por pressuposto que o contribuinte nada recolhera naquele período. 2 GS2' Pffn Processo n° : 13931.000190/96-30 Acórdão n° : 108-05.387 Nas razões de impugnação, afirma o contribuinte que o trabalho fiscal baseou-se unicamente em presunções, e mencionou jurisprudência administrativa e judicial. Pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba, o lançamento foi julgado procedente. No recurso voluntário, foram expostas as mesmas argumentações expedidas na impugnação. As fls. 129/133 e 142, consta informação da concessão de medida liminar em mandado de segurança impetrado pelo contribuinte para afastar a exigibilidade do depósito administrativo para a interposição do recurso, nos termos da Medida Provisória 1.621-30, art. 32. É o Relatório. 3 Processo n° : 13931.000190/96-30 Acórdão n° : 108-05.387 VOTO Conselheiro JOSÉ HENRIQUE LONGO, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade e, portanto, deve ser conhecido. O autuante constatou que o contribuinte deixou de recolher o IRPJ pelo fato de não ter escriturado na Demonstração de Resultado do Mês, constante da parte A do LALUR, a provisão correspondente. De fato, na linha "PROVISÕES P/ IR/CSSL" não há qualquer valor lançado para os meses em que se apurou lucro real mensal, sendo o valor do item "RESULTADO ANTES DAS PROVISÕES" igual ao do "RESULTADO LÍQUIDO DO PERÍODO". É certo que o procedimento investigatório deveria ter sido mais exaustivo, com intimação do contribuinte a apresentar os comprovantes de recolhimentos mensais de IRPJ. Porém, à empresa caberia em sua impugnação apenas e tão somente apresentar neste processo os DARFs comprobatórios dos recolhimentos devidos. Outro aspecto que confere veracidade à constatação é a falta, no cálculo de contribuinte, de abatimento do valor da CSL (que também deveria ter sido recolhida) do lucro real, como elaborado pela fiscalização às fls. 83/96. Também não se pode cogitar de eventual medida judicial contra a limitação de 30% à compensação de prejuízos (Lei 8.981/95, art. 42, e Lei 9.065/95, art. 15), porque nas Demonstrações do Lucro Real, elaboradas pelo próprio contribuinte, foi mencionado e respeitado o limite, e, após a compensação parcial, foi apurado lucro real. 4 eitt ihAlk Processo n° : 13931.000190/96-30 Acórdão n° : 108-05.387 lnobstante o auditor fiscal não ter seguido rigorosamente o art. 142 do Código Tributário Nacional, no sentido de exaurir a verificação da falta de recolhimento do tributo, há que ser considerada a inércia da recorrente na demonstração de que sua obrigação fiscal estaria cumprida, mediante a mera apresentação das guias de recolhimento. Dessa forma, diante da falta da prova de pagamento do IRPJ devido, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões - DF, em 13 de outubro de 1998 1 -- JOSÉ HE I _ • , GVQ- 5 Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024600.PDF Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024800.PDF Page 1
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Numero do processo: 14041.000008/2004-36
Turma: Segunda Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2008
Ementa: DEPÓSITO BANCÁRIO - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 102-48.999
Decisão: Acordam os Membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para manter a tributação sobre a renda omitida de 60.000,00 em 31/05/99, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que provia em menor extensão e não
excluía os valores de Ria 4.000,00 e 14.000,00.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: José Raimundo Tosta Santos
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I , MINISTÉRIO DA FAZENDA te) PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEGUNDA CÂMARA Processo n° 14041.000008/2004-36 Recurso n° 148.634 Voluntário Matéria IRPF - Ex(s): 2000 e 2001 Acórdão no 102-48.999 Sessão de 23 de abril de 2008 Recorrente ROSÂNGELA MARIA DE MACEDO RODRIGUES XAVIER Recorrida 32 TURMAJDRJ-BRASILIA/DF ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Exercício: 2000, 2001 DEPÓSITO BANCÁRIO - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Recurso parcialmente provido. Acordam os Membros da SEGUNDA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para manter a tributação sobre a renda omitida de 60.000,00 em 31/05/99, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que provia em menor extensão e não excluía os valores de Ria 4.000,00 e 14.000,00. iirpr e• • MA SIM: ' SSOA MONTEIRO PRESIDE • n JOSÉ RA .4-4, TA SANTOS RELATOR FORMALIZADO EM: 0 1 JUL 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Naury Fragoso Tanaka, Silvana Mancini Karam, Alexandre Naoki Nishioka, Vanessa Pereira Rodrigues Domene e Moisés Giacomelli Nunes da Silva. 3 Processo n° 14041.000008/2004-36 CCO I/CO2 Acórdão n.° 10248.999 Fls. 2 Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão DRJ/BSB n° 14.602 (fls. 769/774), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o Auto de Infração às fls. 628/636, sob a acusação de omissão de rendimentos creditados durante os anos-calendário de 1999 e 2000, em contas de depósito ou de investimento, mantida em instituições financeiras, cujas origens não foram comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Incidiu sobre referida omissão multa de oficio de 75% e juros de mora. Ao apreciar o litígio instaurado com a impugnação às fls. 647/649, o Órgão julgador de primeiro grau excluiu da tributação os montantes de R$127.921,60 para o exercício de 2000 e R$26.664,00 para o exercício de 2001. Considerou em seus fundamentos que a declaração à fl. 671 dos autos é insuficiente para comprovar que os depósitos mensais de R$5.000,00 (de janeiro a novembro/2000) e R$7.080,00 (em dezembro/2000), efetuados pelo Banco do Brasil, decorreram de doações feitas pelo ex-cônjuge e pai dos seus dois filhos, Sr. José Carvelo Xavier Júnior; que a defesa não indicou quais depósitos são oriundos de transferência da mesma titularidade, sendo inexistente históricos de lançamentos bancários com esta descrição. Em sua peça recursal (fls. 781/801), a contribuinte nos anexos n° 01 e 02 apresenta novos elementos de prova das doações feitas pelo pai aos filhos. O anexo n° 03 (reproduzidos às fls. 760/767), contém comprovantes de que lançamentos na conta do BRB decorrem de resgate de aplicações financeiras de anos anteriores. No anexo n° 04, consta comprovante de R$60.000,00 depositados no Banco Safra têm proveniência de indenização recebida na desapropriação de terra feita pelo Estado do Tocantins, cujo imposto foi recolhido (anexo 05). Argumenta que os depósitos feitos em dinheiro têm origem no saque de R$235.000,00, feito em espécie em agosto/1998 no Banco de Boston (fl. 725), por orientação do advogado, no mesmo dia em que seu marido saiu de casa por conta da separação. O erro de não ter declarado esta quantia na DIRPF do exercício de 1999 não justifica a cobrança do imposto, de tudo que depositou de volta nos meses seguintes no Banco Safra, que não dispõe do nome do depositante, posto que o Banco Central (Circular no anexo n° 06) só exige o registro de depósitos acima de R$10.000,00. O anexo n° 07 apresenta comprovantes da origem dos valores indicados nos Demonstrativos elaborados pela fiscalização às fls. 665/666. Ao final, a recorrente elaborou as tabelas às fls. 784/800, especificando cada um dos valores e indicando os respectivos comprovantes (anexos Ifs 08 a 17). Arrolamento de bens controlado no processo administrativo n° 11835.000401/2005-68. É o Relatório. 2 Processo n° 14041.000008/2004-36 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-48.999 Fls. 3 Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confira-se: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1° O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3° Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: 1- os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa fisica ou jurídica; II - no caso de pessoa fisica, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. A recorrente objetivamente enfrentou o ônus de provar a origem dos créditos bancários. 3 Processo n° 14041.000008/2004-36 CCOI/CO2 Acórdão n.° 102-48.999 Fls. 4 A Declaração à fl. 671, considerada insuficiente no julgamento de primeiro grau, para comprovar a origem dos depósitos em cheque efetuados na conta do Banco do Brasil (Demonstrativo à fl. 637), foi complementada pelos documentos às fls. 810/827 (anexo n's 01 e 02), apresentados juntamente com o recurso voluntário, e espancam qualquer dúvida sobre os fatos alegados pela contribuinte. Em relação aos créditos efetuados no BRB no ano de 1999 (oriundos de aplicações em anos anteriores), desnecessária qualquer manifestação deste Colegiado, pois os valores que compõem o Demonstrativo à fl. 664 — anexo ao Auto de infração — foram excluídos no julgamento de primeiro grau, ou seja, não remanesce nenhuma tributação sobre depósito bancário sem origem comprovada em conta do BRB, nos anos de 1999 e 2000. A mesma decisão excluiu da base de cálculo da omissão os valores que compõem os Demonstrativos às fls. 665 e 666, sendo desnecessária qualquer manifestação a respeito dos documentos que compõem o anexo n°07 (fls. 844/856). O Demonstrativo de fl. 637 refere-se a c/c 014.432-5 do Banco Safra (anexo I do Auto de Infração). A decisão a quo já considerou com origem comprovada o depósito efetuado em 18/06/1999, 22/02/2000, 10/03/2000, 31/03/2000 e 05/10/2000, nos valores de R$26.000,00, R$4.200,00, R$4.200,00, R$4.400,00 e R$4.400,00, respectivamente. A reCorrente pretende justificar a origem do depósito em dinheiro no valor de R$60.000,00, efetuado em 31/05/1999, com a indenização recebida do Estado de Tocantins (anexo 04 — fls. 837/839). Entretanto, o documento refere-se a evento ocorrido em junho de 2001, sendo o ganho de capital recolhido no último dia do mês seguinte (31/07/2001 — fl. 840 — anexo 05 do recurso). De maneira alguma este depósito pode ter sua origem vinculada à referida indenização recebida no ano seguinte, como pretende a recorrente, razão pela qual prevalece a presunção do artigo 42 da Lei n°9.430, de 1996. Os depósitos de R$9.400,00 (efetuado em 20/01/2000), R$4.200,00 (21/02/2000), R$1.200,00 (16/03/2000), R$2.500,00 (06/09/2000), R$3.000,00 (11/09/2000), R$3.000,00 (14/12/2000), R$6.312,05 (14/07/2000) e R$1.900,00 (16/06/2000) — Demonstrativo à fl. 638 — têm sua origem comprovada pelos cheques CPMFO e TB, compensados no mesmo dia, de contas bancária da autuada, conforme comprovantes às fls. 863/865, fl. 867, fl. 869, fl. 871, 873, 878/879, 881 e 883, respectivamente. Os demais depósitos submetidos à tributação na referida conta, no ano de 2000, de valor inferior a R$12.000,00, somados com os depósitos do ano 2000 indicados nos Demonstrativos às fls. 638 e 640, alcançam o montante anual de apenas R$14.098,58. Na mesma situação — depósitos de valor inferior a R$12.000,00 que não ultrapassam a quantia anual de R$80.000,00 — remanescem para tributação no ano de 1999 o montante de R$23.930,01. Sobre esses valores, portanto, não devem ser aplicados a presunção, por expressa determinação do § 3°, inciso II, do artigo 42 da Lei ° 9.430, de 1996. 4 Processo n° 14041.0000082004-36 CCO I/CO2 Acórdão n.• 10248.999 lis. 5 Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso, para manter a tributação apenas sobre a renda omitida o depósito de R$ 60.000,00 efetuado na c/c 014.432-5 do Banco Safra, em 31/05/1999. Sala das Sessõe Pi , 23 de abril de 2008. ata , JOSÉ RA O NiiSTA SANTOS Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028000.PDF Page 1 _0028100.PDF Page 1 _0028200.PDF Page 1
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