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Numero do processo: 13502.720251/2014-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3302-000.515
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para elaboração de laudo técnico com vistas a melhor identificação do produto.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para elaboração de laudo técnico com vistas a melhor identificação do produto. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para elaboração de laudo técnico com vistas a melhor identificação do produto. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. RELATÓRIO Trata o presente de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário de IPI, no período de 01/01/2011 a 31/12/2011, por falta de lançamento de imposto na saída de produto tributado devido à utilização indevida do instituto da suspensão, devido a erro na classificação fiscal, e devido à falta de recolhimento ou recolhimento a menor nos prazos legais. Conforme Termo de Verificação Fiscal, a fiscalização apurou saldo devedor no Livro Registro de Apuração de IPI, contabilizados no Livro Diário, sendo que declarou em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .7 20 25 1/ 20 14 -1 7 Fl. 538DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 3 2 DCTF, nos meses de janeiro a julho, valores da ordem de 10 a 15% dos escriturados, e zerando a declaração nos meses de agosto a dezembro. Verificouse, ainda, que os arquivos de notas fiscais entregues no ambiente SPEDEFD estavam zerados e que não haviam sido retificados até o término da ação fiscal. Para esta infração, a multa foi qualificada em 150%. A infração relativa à suspensão indevida referiuse à saída de bobinas, rolos e sacolas de plásticos, classificadas nos códigos 3923.21.10 e 3923.21.90, por infringência aos requisitos estabelecidos no artigo 29 da Lei nº 10.637/2002 e na IN RFB nº 948/2009. Por fim, a fiscalização reclassificou os produtos descritos como “composto colorido”, “composto master branco” e “composto master branco especial”, do código NCM 3206.11.30 para o código 3901.20.19. Em decorrência da infração apenada com multa qualificada, foram responsabilizados os sóciosadministradores José Sanchez Oller e Túlio Monte Azul Pereira de Mello, em conformidade com o artigo 135, inciso III do CTN. Os recorrentes impugnaram o lançamento, alegando: 1. O cancelamento do lançamento por cerceamento de defesa em relação ao enquadramento legal das multas aplicadas; 2. A falta de motivação da infração falta de declaração/recolhimento do saldo devedor de IPI, o erro de subsunção dos fatos ao enquadramento legal da penalidade, sendo devida a multa moratória e a de 75% ou 150%; 3. Que possuía as declarações dos adquirentes e que se estes não preenchiam os requisitos estabelecidos para a suspensão, a recorrente não pode ser penalizada; alegou, ainda, a inaplicabilidade da multa de ofício, por falta de clareza na tipificação e propugnou pelo cancelamento do lançamento do tributo, ou, alternativamente, da multa de ofício; 4. A fiscalização procedeu à reclassificação dos produtos sem possuir conhecimento técnico específico, ao passo que deveria se socorrer de laudo técnico; repete as mesmas alegações quanto à multa de ofício; 5. A falta de comprovação do evidente intuito doloso para a qualificação da multa em 150%, devendo a mesma ser reduzida a 75%, ou mesmo cancelada em vista do já exposto relativamente ao enquadramento legal; 6. A falta de prova quanto a atos praticados pelos sócios administradores com abuso de poder e infração à lei capazes de justificar a atribuição de responsabilidade; que a responsabilidade do artigo 135 do CTN é pessoal, exclusiva ao sócio, somente se aplicando quando à revelia da sociedade; que a infração à lei é de natureza societária; 7. A não incidência de juros sobre multas; Pediram ao final, o cancelamento do lançamento, ou, sucessivamente, o afastamento das multas de ofício, o afastamento da qualificação, a conversão do julgamento em diligência, para que sejam coletadas as cópias das declarações que comprovem a suspensão e para que seja produzida a prova pericial relativa à classificação fiscal. Fl. 539DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 4 3 A DRJ proferiu o Acórdão nº 0954.416, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Comprovada a objetividade, a coerência e a clareza da peça de lançamento, complementada por Termo de Verificação Fiscal com os mesmos atributos, não há de se falar em direito de defesa cerceado. IPI. INSUFICIÊNCIA DE VALORES DECLARADOS NA DCTF. DIFERENÇA A SER LANÇADA DE OFÍCIO. Deixar de recolher aos cofres públicos valores devidos não declarados em DCTF enseja lançamento de ofício do montante inadimplido nos termos do artigo 5º, §1º, do DL 2124/84. IPI. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. LANÇAMENTO DA DIFERENÇA DO IMPOSTO DEVIDO. Reza o §1º do art.30 do Decreto nº 70.235/72 que a classificação fiscal de produtos não constitui aspecto técnico passível de exigir laudo técnico especializado, restando legítima, por conseqüência, a livre convicção do autuante, fundada sempre na observância das normas de interpretação do Sistema Harmonizado. IPI. SAÍDAS COM SUSPENSÃO. CONDICIONANTES. As saídas com suspensão a que alude o art.29 da Lei nº 10.637/2002 só serão legítimas se atendidas as condicionantes estatuídas no art.21, §1º, da IN SRF 948/2009, dentre elas a obrigatoriedade de que as empresas adquirentes deverão declarar ao vendedor, de forma expressa e sob as penas da lei, que atendem a todos os requisitos estabelecidos para gozo do benefício. IPI. MULTA QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO NOS CASOS DE DECLARAÇÃO A MENOR EM DCTF. Na qualificação da multa, a intenção do legislador foi proteger o núcleo da obrigação tributária, qual seja o fato gerador a que se vincula todo o desdobramento jurídico que culminará com um direito creditório em favor do Erário Público. Ocultar o fato ou retardar o seu conhecimento significa omitir documentação base de ocorrência, deformar circunstâncias materiais ou a natureza do negócio jurídico praticado, não se enquadrando em tal perfil a declaração a menor em DCTF, que bem pode gerar agravamento, mas não qualificação. RESPONSABILIZAÇÃO DOS SÓCIOS. JURISPRUDÊNCIA DOMINANTE. OCORRÊNCIA DE DOLO GENÉRICO. A conduta da contribuinte ao preencher a menor, reiteradamente, as DCTFs atreladas aos meses de janeiro a dezembro de 2011 configurouse como ação dolosa de desafio a comandos legais específicos que tratam dessa obrigação acessória, o que autoriza a Fl. 540DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 5 4 responsabilização daqueles que detinham a administração da empresa ao tempo do ocorrido, tudo nos termos do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em razão da exoneração acima do limite estabelecido na Portaria MF nº 3/2008, o colegiado a quo recorreu de ofício. Irresignados, os recorrentes interpuseram recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. As infrações imputadas à recorrente foram três: a falta de declaração e recolhimento do saldo devedor de IPI escriturado no Livro Registro de Apuração de IPI, a utilização indevida do instituto da suspensão e erro na classificação fiscal na saída de determinados produtos. Concernente à autuação decorrente de erro na classificação fiscal, a fiscalização reclassificou os produtos “composto master branco”, “composto master branco especial” e "composto" do código NCM nº 3206.11.30 para o código 3901.20.19. A recorrente defendeu em impugnação que a fiscalização não adotou qualquer critério técnico, em especial laudo técnico, para demonstrar a efetiva composição dos produtos para efetuar a reclassificação fiscal, tendo apenas visitado o estabelecimento e utilizado informações obtidas em outro processo de fiscalização de períodos anteriores. Aduziu que por os produtos possuírem composição química particular, seriam necessários conhecimentos específicos para empreender a classificação fiscal de acordo com as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, não havendo prova hábil de que o produto se enquadrasse na Nota 3 do Capítulo 39, nem na Nota de Subposição 1, a), 3º da NESH e que, portanto, seria necessário um laudo técnico para definir a composição química e, consequentemente, a classificação correta. Em recurso voluntário, a recorrente adiciona ainda a ocorrência de erro na reclassificação procedida pela fiscalização, alegando que aplicandose a Regra Geral nº 1 e a Regra Geral Complementar nº 1 seria incorreta a reclassificação fiscal no código 3901.20.19. Aduz que o intuito da autoridade fiscal era puramente de autuar, que não questionou como era de fato produzido o composto master branco, induzindo a recorrente a apresentar uma planilha de insumos aplicados para a fabricação de tal composto. Continua reprisando as alegações de que a fiscalização não adotou qualquer critério técnico, não foram realizados laudos técnicos, Fl. 541DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 6 5 tendo os elementos de convicção lastreados em sites de internet e processo de fiscalização anterior e que a própria fiscalização possuía dúvida quanto à correta classificação fiscal, vez que na planilha de apuração considerou o código 3901.10.91 ao passo que no Termo de Verificação Fiscal considerou o código 3901.20.19. Verificase que as alegações da recorrente são no sentido de descaracterizar a classificação fiscal pela falta de laudo técnico que pudesse corroborar as conclusões fiscais. Em momento algum, a recorrente defende a classificação fiscal no código utilizado ou apresenta as especificações e composições técnicas de forma a corroborar sua classificação fiscal. Por outro lado, a fiscalização intimou a recorrente no Termo de Intimação Fiscal nº 001, efls. 116 e 117, a informar, para os produtos "composto master branco" e "composto colorido" a função de cada insumo na fabricação, especificar as características de cada insumo e dos produtos (cor, densidade, estado de fornecimento, resina veículo, índice de fluidez de resina, resistência química/térmica etc). Em resposta, a recorrente apresentou a ficha técnica do produto, efl. 219, reproduzida no Termo de Verificação Fiscal, sem especificar a quantidade de cada insumo, nem as características físicoquímicas dos insumos e dos produtos. Informou, ainda, a descrição do processo produtivo do produto "composto" na efl.86. Constatase que a fiscalização, diante das informações insuficientes, utilizouse das respostas prestadas em procedimento fiscal anterior relativa ao produto “composto”, ocasião em que a recorrente apresentou as quantidades de insumos utilizados para a fabricação do produto, efls. 363 a 366. Referido procedimento resultou em lavratura de auto de infração formalizado no processo de nº 13502.720832/201106, cujo julgamento foi convertido em diligência em 15/10/2014, conforme excerto abaixo reproduzido: “Vencido em minha proposta de nulidade do lançamento por falta da comprovação do conteúdo intrínseco do produto descrito pela Recorrente como “composto máster”, acompanhei ao final a proposta de diligência para elaboração de lado técnico específico, haja vista que entendo que a fiscalização demonstrou à saciedade que o produto não pode ser classificado na posição NCM nº 3206.11.30 (lanço mão das razões de decidir do Acórdão recorrido, nesse ponto). Contudo não há prova capaz de subsidiar a classificação fiscal indicada pelo Fisco como a mais adequada, tão somente a descrição apresentada pela Recorrente do seu processo produtivo, indicando a quantidade de matériasprimas utilizadas na industrialização, conforme planilha abaixo, com as matériasprimas utilizadas e suas proporções para fabricação do “composto máster”: [tabela de percentuais de composição dos insumos no produto composto master] Com base nessas informações e na evidente conclusão de que o produto não é um “composto máster”, entendeu o Fisco que as características extrínsecas dos produto (em grânulos, conter material corante, utilizado para moldagem) atendem àquelas previstas na Nota 3 do Capítulo 39 da NESH. Diz a fiscalização que: “a conclusão a que se chega é que o produto descrito pela empresa... deve ser definido como um composto plástico granulado, à base de polietileno, onde forma adicionados em pequena quantidade, substâncias inorgânicas, com destaque para o carbonato de cálculo. Conforme tabelas de propriedades extraída do endereço eletrônico da Brasken, fornecedora do contribuinte, os polietilenos utilizados em maior proporção pela empresa (HF0144, HF 0146 e HF 0150), tem densidade superior a 0,94. Assim, a classificação fiscal que deve ser utilizada é a NCM 3901.20.19, assim definida: ‘Polímeros de etileno, em formas primárias. Polietileno de densidade igual ou superior a 0,94. Com carga. Outros’”. Resume a DRJ aduz: “O autuante, com base nas informações prestadas pela contribuinte e considerando a descrição do processo produtivo, os insumos utilizados Fl. 542DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 7 6 na composição do produto e os conceitos estabelecidos na NESH, conclui que o produto em comento é um composto plástico granulado, à base de polietileno, onde foram adicionadas, em pequenas quantidades, substâncias inorgânicas, com destaque para o carbonato de cálcio.” Considerando que não e possível afirmar categoricamente que a densidade do produto final seja a mesma dos insumos acima referidos, converto o julgamento em diligência à repartição de origem para que seja designado perito técnico especializados para que analise o produto descrito pela Recorrente como “composto máster” com as composição de matériasprimas referidas no quadro acima, e responda: descreva o produto final industrializado pela Recorrente; tratase de um Polímeros de etileno, em formas primárias? A densidade final do produto é igual ou superior a 0,94? A Recorrente deverá ser intimada para, querendo indicar assistente técnico par acompanhar a perícia.” Concluise que a recorrente deixou de prestar as informações sobre as características físicoquímicas dos insumos e dos produtos, em evidente descumprimento do dever legal de colaboração estabelecido no artigo 4º da Lei nº 9.784/1999 e artigo 23 do Decreto 7.574/2011, deixando de apresentar informações que, certamente, possui a respeito dos produtos que fabrica. Como afirmado no voto do processo 13502.720832/201106, a classificação fiscal feita pela recorrente no código 3206.11.30 não é cabível, por se referir a preparações à base de matérias corantes, destinados a colorir qualquer matéria ou utilizados como ingredientes na fabricação de preparações corantes, contendo 80% ou mais de dióxido de titânio, tendo a fiscalização comprovado a aquisição de apenas 3,33%, em peso, de dióxido de titânio em comparação com a quantidade de produto vendido. Por outro lado, como afirmado no voto da resolução proferida no processo anterior, a partir das informações prestadas, não se pode afirmar, peremptoriamente, a classificação fiscal feita pela fiscalização, especialmente em relação à densidade indicada nos textos das subposições da TIPI. Assim, diante do descumprimento do dever de colaboração por parte da recorrente e em homenagem ao princípio da busca da verdade material, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, de acordo com os termos abaixo. A autoridade preparadora cientificará servidor, que servirá como assistente pela Fazenda Nacional, e a recorrente, para apresentarem quesitos adicionais aos formulados nesta resolução, se desejarem, e indicar a nomeação de peritos assistentes, no prazo de 5 (cinco) dias, dilatado até o dobro mediante comprovada justificação, conforme artigo 24 e parágrafo único da Lei 9.784/1999. Os quesitos abaixo formulados, juntamente com os adicionais formulados pelas partes, deverão ser encaminhados a perito técnico credenciado ou ao Instituto Nacional de Tecnologia para realização da perícia em relação aos produtos “composto máster branco”, “composto máster branco especial” e “composto colorido”: 1. Descrever o produto fabricado, com suas características físicoquímicas e (cor, densidade, estado de fornecimento, resina veículo, índice de fluidez etc), bem como sua utilização comercial; 2. Descrever a composição em peso dos insumos utilizados e suas características físicoquímicas; Fl. 543DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13502.720251/201417 Resolução nº 3302000.515 S3C3T2 Fl. 8 7 3. Informar se os produtos podem ser classificados como polímeros de polietileno, em formas primárias, ou seja, sob as seguintes formas: a) Líquida ou pastosa. Tratase, geralmente, quer de polímeros de base que devem ainda ser submetidos a um tratamento, térmico ou outro, para formar a matéria acabada, quer de dispersões (emulsões e suspensões) ou de soluções de matérias não tratadas ou parcialmente tratadas. Além das substâncias necessárias ao tratamento (tais como endurecedores (agentes de reticulação) ou outros correagentes e aceleradores), estes líquidos ou pastas podem conter outras matérias tais como plastificantes, estabilizantes, cargas e corantes que se destinam, principalmente, a conferir ao produto acabado propriedades físicas especiais ou outras características desejáveis. Estes líquidos ou pastas devem ser trabalhados por vazamento, perfilagem (extrusão), etc., e são igualmente utilizados como produtos de impregnação, como indutos, bases de vernizes ou de tintas, como colas, como espessantes, como agentes de floculação, etc; ou b) Grânulos, flocos, grumos ou pós. Sob estas formas, estes produtos podem ser utilizados para moldagem, para fabricação de vernizes, colas, etc., como espessantes, agentes de floculação, etc. Podem consistir quer em matérias desprovidas de plastificantes, mas que se tornarão plásticas durante a moldação e tratamento a quente, quer em matérias às quais já tenham sido adicionados plastificantes. Estes produtos podem, além disso, conter cargas (farinha de madeira, celulose, matérias têxteis, substâncias minerais, amidos, etc.), matérias corantes ou outras substâncias enumeradas no número 1) acima. Os pós podem ser utilizados, particularmente, no revestimento de objetos diversos sob a ação do calor com ou sem a aplicação de eletricidade estática; ou c) Blocos irregulares, pedaços ou massas não coerentes contendo ou não matérias de carga, matérias corantes ou outras substâncias listadas no número 1), acima. Os blocos de forma geométrica regular não se consideram como formas primárias e são abrangidos pelos termos “chapas, folhas, películas, tiras e lâminas 4. Especificar a densidade final do produto e se é superior ou igual a 0,94. Após concluídas as etapas acima, elaborar relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 544DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10976.000695/2009-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 28/02/2007
LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 48
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração.
MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NÃO CABIMENTO DE MULTA DE OFÍCIO.
A existência de medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, em momento anterior ao início do procedimento fiscal, impede a aplicação de multa de ofício, nos termos do caput e §1º do artigo 63 da Lei nº 9.430/1996.
REVENDA DE MP, PI E ME. ADQUIRENTES NÃO INDUSTRIAIS OU NÃO REVENDEDORES. OPERAÇÃO NÃO SUJEITA À INCIDÊNCIA DO IPI. NECESSIDADE DE ESTORNO DOS CRÉDITOS RELATIVOS À AQUISIÇÃO DE MP, PI E ME.
Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME, adquiridos de terceiros, a pessoas que não sejam industriais ou revendedores, não serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção, não sendo equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações, nos termos do §4º do artigo 9º do Decreto 4.544/2002. Entretanto, deve-se efetuar o estorno dos créditos relativos às aquisições das referidas MP, PI e ME, conforme artigo 193 do Decreto nº 4.544/2002.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a concomitância no que se refere ao crédito tributário correspondente aos produtos emulsões asfálticas, asfaltos modificados e polímeros e asfaltos oxidados e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir a multa de ofício e determinar a suspensão de todo o crédito relacionado a esses mesmos produtos. Também por unanimidade, foi excluído o crédito tributário relativo às vendas dos produtos realizadas a não industriais ou não revendedores, conforme especificação no voto.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 48 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. MEDIDA JUDICIAL SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO ANTERIOR AO INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. NÃO CABIMENTO DE MULTA DE OFÍCIO. A existência de medida judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, em momento anterior ao início do procedimento fiscal, impede a aplicação de multa de ofício, nos termos do caput e §1º do artigo 63 da Lei nº 9.430/1996. REVENDA DE MP, PI E ME. ADQUIRENTES NÃO INDUSTRIAIS OU NÃO REVENDEDORES. OPERAÇÃO NÃO SUJEITA À INCIDÊNCIA DO IPI. NECESSIDADE DE ESTORNO DOS CRÉDITOS RELATIVOS À AQUISIÇÃO DE MP, PI E ME. Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME, adquiridos de terceiros, a pessoas que não sejam industriais ou revendedores, não serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção, não sendo equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações, nos termos do §4º do artigo 9º do Decreto 4.544/2002. Entretanto, devese efetuar o estorno dos créditos relativos às aquisições das referidas MP, PI e ME, conforme artigo 193 do Decreto nº 4.544/2002. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 06 95 /2 00 9- 01 Fl. 887DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em reconhecer a concomitância no que se refere ao crédito tributário correspondente aos produtos emulsões asfálticas, asfaltos modificados e polímeros e asfaltos oxidados e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir a multa de ofício e determinar a suspensão de todo o crédito relacionado a esses mesmos produtos. Também por unanimidade, foi excluído o crédito tributário relativo às vendas dos produtos realizadas a não industriais ou não revendedores, conforme especificação no voto. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração lavrado para constituição de crédito tributário de IPI, no período de 01/01/2005 a 28/02/2007, com ciência em 03/12/2009, por falta de destaque em produtos cujas saídas ocorreram de 01/01/2005 a 31/12/2006, classificados pela empresa nos códigos 2715.00.00 com alíquota de 5%, no código 2713.20.00, com alíquota de 4% e equivocadamente no código 2715.00.99, inexistente, e reclassificado para o código 2715.00.00, pela fiscalização. Para as saídas de revenda nos CFOP 5102 e 6012, a fiscalização considerou o estabelecimento equiparado a industrial nos termos do artigo 9º, §4º do RIPI/2002, como estabelecimentos comerciais de bens de produção, informando, ainda, que a recorrente, embora não tenha apurado débito de IPI nas saídas, apurou crédito na entrada, os transferindo para aproveitamento em sua matriz. A autuada ajuizou ação ordinária declaratória com pedido de antecipação de tutela em fevereiro de 2007 sob o nº 2007.34.00.0026277, visando a garantia do direito de não ter os produtos asfalto em emulsão, asfalto modificado por polímero e asfalto oxidado tributados pelo IPI, por considerálos protegidos pela imunidade prevista no § 3° do artigo 155 da Constituição Federal. A antecipação dos efeitos da antecipação da tutela foi denegada, tendo a empresa efetuado depósitos judiciais dos valores do IPI por ela apurados a partir do fato gerador de fevereiro de 2007. Em novembro de 2008, a recorrente obteve sentença favorável, sendo que em março de 2009, obteve decisão de acolhimento de embargos de declaração, na qual foi concedida a antecipação dos efeitos da tutela na sentença apra suspender a exigibilidade do IPI, conforme certidão de efls. 869. Fl. 888DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 4 3 Em impugnação, alegou que o Auto de Infração não pode ser mantido em razão da obtenção de decisão judicial com antecipação de tutela reconhecendo a imunidade do IPI sobre os produtos por ela fabricados, bem como por ser indevida a exigência sobre o CAP (Cimento Asfáltico de Petróleo) e o CM30 (Asfalto Diluído de Petróleo), por tratarem de operação de comercialização, sem ter havido qualquer beneficiamento pela recorrente e por serem produtos imunes. Defendeu, ainda, a existência de devoluções de vendas não consideradas pela fiscalização, o caráter confiscatório das multas, a ilegalidade da aplicação da taxa Selic, que a matéria versada na impugnação é inteiramente diversa do objeto da ação judicial e pugnou, ao final, pela realização de diligência, para verificar os produtos que são objeto de mera revenda e as devoluções não consideradas. A DRJ converteu o julgamento em diligência para que fosse apurada a eventual existência de devoluções de vendas não consideradas pela fiscalização. Realizada a diligência, sem que a recorrente apresentasse qualquer manifestação a respeito, a Terceira Turma da DRJ em Belém proferiu o acórdão nº 0129.155, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. VÍCIO. INEXISTÊNCIA. Inexiste nulidade no lançamento de ofício que se tenha revestido das formalidades previstas no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações da Lei nº 8.748, de 1993. MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A incidência de multa de ofício de 75% e exigência da taxa Selic como juros moratórios encontra supedâneo na legislação vigente, não possuindo a autoridade administrativa atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. REQUISITOS. Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando reputadas incabíveis nos contornos em que pretendidos pelo impugnante. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. EXISTÊNCIA DE DISCUSSÃO JUDICIAL. CABIMENTO. Mesmo quando se encontre a matéria sub judice é cabível, mesmo porque obrigatória, a “constituição” do crédito tributário por meio de lançamento de ofício, inexistindo óbice legal para tanto. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MÉRITO. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Fl. 889DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 5 4 A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo implica renúncia à discussão, nas instâncias administrativas, do mérito relativo à pretensão caracterizada pelo mesmo objeto. IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. SAÍDAS TRIBUTADAS. Quando o produto encontra na Tabela de Incidência do IPI TIPI, no período de apuração objeto de lançamento de ofício, alíquota positiva do imposto, sua saída do estabelecimento industrial não pode efetivarse sem o lançamento do tributo devido. IPI. CRÉDITOS. DEVOLUÇÕES OU RETORNOS. É permitido ao estabelecimento industrial creditarse do imposto relativo a produtos tributados recebidos em devolução ou retorno, desde que mantenha escrituração e controles que lhe permitam comprovar sua condição de detentor de tal direito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, alegando: 1. A impossibilidade de autuação em decorrência de decisão proferida em ação judicial anterior à lavratura do Auto de Infração, com antecipação de tutela, reconhecendo a imunidade tributária e não sujeição ao IPI, relativo aos produtos fabricados objeto da ação judicial; 2. A inaplicabilidade do ADN Cosit nº 3/1996, que versa sobre a concomitância de processos na esfera administrativa e judicial, pois a sentença proferida antes da lavratura é circunstância que impede a existência do Auto de Infração e não de sua concomitância; 3. A inobservância do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, pois que o Auto de Infração não se consubstancia em mero lançamento para prevenir decadência, pois está sendo cobrada a multa de ofício, o que seria inadmissível neste tipo de lançamento. Junta a decisão da ação judicial; 4. A indevida inclusão do CAP (Cimento Asfáltico de Petróleo) e do CM30 (Asfalto Diluído de Petróleo) na autuação, por se tratarem de mera revenda dos produtos, acrescentando a argumentação de que os destinatários finais (municípios e empresas de engenharia) são consumidores finais e não estabelecimentos industriais ou revendedores, pois aplicam os produtos em serviços de pavimentação em geral, juntado decisão administrativa sobre a questão. 5. Que os produtos são derivados de petróleo e, portanto, imunes nos termos do artigo 155, §3º da Constituição Federal; 6. A necessidade de realização de diligência para se averiguar a condição de mera revenda do CAP e do CM30. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. Fl. 890DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 6 5 É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos demais pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A primeira questão abordada pela recorrente foi de que o reconhecimento da imunidade e a suspensão da exigibilidade anteriores ao lançamento possuem o condão de impedir a lavratura do Auto de Infração. Porém, a questão é pacificada neste conselho, nos termos da Súmula CARF nº 48: Súmula CARF nº 48: A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. Assim, a existência de medida judicial, ainda que anterior ao lançamento, não elide a possibilidade de lavratura de Auto de Infração, pois o que se suspende é apenas a exigibilidade do crédito tributário. Obviamente, enquanto perdurar a medida judicial, não haverá possibilidade de cobrança do referido crédito. É o que se depreende do artigo 63 da Lei nº 9.430/96, ou seja, o lançamento de ofício pode ocorrer, mesmo com a exigibilidade suspensa: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. (Vide Medida Provisória nº 75, de 2002) A recorrente argüiu, ainda, a inaplicabilidade do ADN COSIT nº 3/1996 ao caso concreto. Referido ato normativo tratava da propositura de ação judicial com o mesmo objeto discutido em processo administrativo, nos seguintes termos: O COORDENADORGERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso da atribuição que lhe confere o art. l47, item III, do regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda nº 606, de 03 de setembro de l992, e tendo em vista o Parecer COSIT nº 27/96. Fl. 891DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 7 6 DECLARA, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente á autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto ; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (p.ex., aspectos formais do lançamento, base de cálculo etc.); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida,se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no art. 149 do CTN; d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em dívida ativa, deixando se de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança),do art.l5l, do CNT; e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (art.267 do CPC). Este ato está revogado pelo Parecer Normativo Cosit nº 7/2014, cujas conclusões foram: Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; b) por conseguinte, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que concerne à matéria distinta; c) a renúncia às instâncias administrativas abrange os processos de constituição de crédito tributário, de reconhecimento de direito creditório do contribuinte (restituição, ressarcimento e Fl. 892DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 8 7 compensação), de aplicação de pena de perdimento e qualquer outro processo que envolva a aplicação da legislação tributária ou aduaneira; d) a decisão judicial transitada em julgado, seja esta anterior ou posterior ao término do contencioso administrativo, prevalece sobre a decisão administrativa, mesmo quando aquela tenha sido desfavorável ao contribuinte e esta lhe tenha sido favorável; e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN; f) o mesmo raciocínio se aplica, no que couber, aos processos administrativos em que não se discuta a exigibilidade do crédito tributário lançado de ofício, mas envolvam quaisquer outras matérias de interesse do sujeito passivo, que ele opte por submeter ao exame do Poder Judiciário (nestes casos, de igual modo, o curso do processo administrativo não será suspenso, ressalvada decisão judicial incidental determinando sua suspensão); g) a competência para declarar a concomitância de instâncias e seus efeitos é da autoridade competente para decidir sobre a matéria na fase processual em que se encontra o processo administrativo, qualquer que seja o rito a que esteja submetido; h) se, no ato da impugnação do lançamento, da manifestação de inconformidade ou da interposição de qualquer espécie de recurso, o interessado não informar que a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, em desobediência ao disposto no inciso V do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, e ficar constatada a concomitância total ou parcial com processo judicial, deverá o Delegado ou o InspetorChefe da RFB negar o seguimento da impugnação ou da manifestação quanto ao objeto coincidente; i) é irrelevante, na espécie, que o processo judicial tenha sido extinto sem resolução de mérito, na forma do art. 267 do CPC, pois a renúncia às instâncias administrativas, em decorrência da opção pela via judicial, é definitiva, insuscetível de retratação; j) a definitividade da renúncia às instâncias administrativas independe de o recurso administrativo ter sido interposto antes ou após o ajuizamento da ação; k) o disposto neste Parecer aplicase de igual modo a qualquer modalidade de processo administrativo no âmbito da RFB, ainda Fl. 893DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 9 8 que sujeito a rito processual diverso do Decreto nº 70.235, de 1972; l) a configuração da concomitância entre as esferas administrativa e judicial não impede a aplicação do disposto no art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, c/c a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1, de 12 de fevereiro de 2014; m) ficam revogados o Parecer MF/SRF/COSIT/GAB nº 27, de 13 de fevereiro de 1996 e o ADN Cosit nº 3, de 14 de fevereiro de 1996. No caso presente, a recorrente ajuizou ação ordinária declaratória com pedido de antecipação de tutela em fevereiro de 2007 sob o nº 2007.34.00.0026277, visando a garantia do direito de não ter os produtos asfalto em emulsão, asfalto modificado por polímero e asfalto oxidado tributados pelo IPI, por considerálos protegidos pela imunidade prevista no § 3° do artigo 155 da Constituição Federal, conforme excerto extraído da certidão de efls. 127, abaixo transcrito: “CERTIFICA que da Ação Ordinária nº 2007.34.00.002627 7, ajuizada por CENTROOESTE ASFALTOS LTDA., ASFALTOS CONTINENTAL LTDA. e NTA NOVAS TECNICAS DE ASFALTOS LTDA. contra a UNIÃO, consta o seguinte : PEDIDO : Declarar a não incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI sobre os produtos asfálticos (asfaltos em emulsão, asfaltos modificados por polímeros e asfaltos oxidados). SENTENÇA: Acolhido o pedido para "declarar que gozam de imunidade em relação ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, com base no art. 155, § 3º da Constituição, os produtos asfálticos em emulsão, modificados por polímero e oxidados, fabricados pelas autoras, desde que: (a) os asfaltos em emulsão obedeçam às normas contidas no Regulamento Técnico DNC 01191, aprovado pela Portaria Minfra NO 16, de 17.1.1991; (b) os`asfaltos modificados por polímero 'sejam constituídos por, no mínimo, 94 % de Cimento Asfáltico de Petróleo ' CAP, e no máximo, 6% de polímeros e copolímeros, e obedeçam às normas contidas no Regulamento Técnico ANP n 0 312007, aprovado pela Resolução ANP, n0 31, de 9.10.2007; e (c) os asfaltos oxidados sejam preparados a partir do Cimento Asfáltico de Petróleo e obedeçam a normalização da Associação Brasileira . de Normas Técnicas ABNT sob n 0 NBR 9910, de junho de 1982': Foi concedida a antecipação dos efeitos da tutela na sentença para suspender a exigibilidade do IPI; nos termos anteriormente mencionados. ULTIMO ANDAMENTO : Autos aguardando a publicação da sentença que acolheu os embargos de` declaração para antecipar os efeitos da tutela. Brasília, 30 ge março de 2009.” Constatase, assim, a existência de concomitância em relação à alegação de não incidência de IPI sobre os asfaltos em emulsão, asfaltos modificados por polímeros e asfaltos oxidados, com fundamento na imunidade de que trata o §3º do artigo 155 da Constituição Federal, sendo aplicável o revogado ADN Cosit nº 3/1996, então vigente à época dos fatos, bem como o Parecer Normativo Cosit nº 7/2014. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 10 9 Seguindo em sua defesa, a recorrente propugnou pela aplicação do artigo 63 da Lei nº 9.430/96. Verificase nas efls. 868 e 869, decisão de acolhimento dos embargos, reconhecendo a antecipação da tutela e a suspensão da exigibilidade do IPI sobre os produtos asfálticos em emulsão, modificados por polímero e oxidados, fabricados pela autora, em 09/03/2009 e certidão exarada em 30/03/2009, anteriormente ao início da diligência para apuração dos fatos, ocorrida em 12/08/2009, conforme informação do Termo de Verificação Fiscal de efl.63 e 72. Não há nos autos, informação sobre a suspensão dos efeitos da sentença e de acordo com o Parecer PGFN/CAT nº 1.405/1999, a sentença que confirma a concessão de tutela impede a cobrança do crédito tributário até que sobrevenha ordem suspendendoa: 32. Isso posto, e objetivamente respondendo às dúvidas suscitadas pela Secretaria da Receita Federal, é de se concluir que: a) além das liminares concedidas em mandado de segurança, as demais medidas liminares e as antecipatórias de tutela, concedidas em outras espécies de ações, por serem ordens judiciais, devem ser observadas durante o período em que conservam sua eficácia. A unidade local da Procuradoria da Fazenda, em tais casos, deve ser cientificada para que se tomem as providências legais cabíveis; b) a sentença de mérito proferida na primeira instância ou instância única, concedendo a segurança, suspende a exigibilidade do crédito tributário, até que sobrevenha decisão em sentido contrário, quando cabível; c) a sentença de mérito proferida na primeira instância ou instância única favorável ao contribuinte, nos processos onde foram concedidos tutela antecipada ou liminar em outras espécies de ação judicial, impede a cobrança do crédito tributário, até que se obtenha, via judicial, a suspensão da ordem; d) em tais casos deve a Secretaria da Receita Federal fornecer certidão positiva de débito, com efeitos de certidão negativa, sendo de bom alvitre que conste da certidão a ressalva de que esta está sendo emitida por determinação judicial; Verificase que a fiscalização efetuou o lançamento por entender que a ação ordinária declaratória interposta em fevereiro de 2007 somente produzia efeitos a partir de fevereiro de 2007, fato gerador a partir do qual passou a efetuar depósitos judiciais. O entendimento é equivocado, pois as ações declaratórias visam a declaração da existência ou não de uma relação jurídica, ou a autenticidade ou falsidade de documento (art. 4º do Código de Processo Civil vigente), e, no caso aqui tratado, referiuse à declaração de inexistência de relação jurídica relativa à incidência do IPI sobre as saídas dos produtos que fabrica, e, portanto, não se limita aos fatos geradores subsequentes à sua interposição. A DRJ afastou, implicitamente, o entendimento da fiscalização, mas negou provimento ao recurso, em razão de que a recorrente não ter apresentado a decisão judicial confirmatória da concessão dos efeitos da antecipação de tutela, bem como não comprovara que os produtos vendidos se enquadravam no conteúdo decisório. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 11 10 Verificase, porém, que a fiscalização considerou que a decisão judicial obtida pela recorrente não alcançou as saídas de emulsões asfálticas convencionais, as modificadas com polímeros ou os asfaltos modificados por ter entendido que seus efeitos não se aplicavam aos fatos geradores anteriores a fevereiro de 2007, e não pelo fato de os produtos não se enquadrarem no conteúdo decisório da sentença. De fato, depreendese, justamente, o contrário, pois a ação fiscal iniciouse para a verificação do período de janeiro de 2005 a dezembro de 2008 (Termo de Intimação nº 0507/2009, efl. 72), mas resultou em autuação apenas de 2005 e 2006, o que demonstra que foi considerado que a ação judicial e os depósitos judiciais, a partir de fevereiro de 2007, abrangiam os produtos fabricados pela recorrente. Se a fiscalização tivesse considerado que produtos fabricados pela recorrente não atendiam ao conteúdo decisório, certamente, haveria lançamento de ofício quanto a estes produtos não abrangidos pela decisão judicial, no período de 2007 a 2008. A conclusão fica mais reforçada quando se verifica que a recorrente apresentou em resposta à intimação, a composição química das emulsões asfálticas e dos asfaltos modificados, não tendo sido feita nenhuma observação a respeito. Pontuese que o lançamento especificou apenas a NCM dos produtos envolvidos e não se preocupou com o enquadramento dos produtos nos atos normativos referidos na decisão judicial. Portanto, devem ser exoneradas as multas de ofício referentes aos lançamentos de crédito tributário relativos aos produtos asfaltos em emulsão, asfaltos modificados por polímeros e asfaltos oxidados. Esclareçase que de acordo com o alínea “e” 1 do Parecer Normativo Cosit nº 7/2014, esta decisão relativa ao lançamento concernente aos produtos de que trata o parágrafo anterior é formalmente definitiva no âmbito administrativo e reconhece a suspensão dos créditos tributários em vista da certidão acostada aos autos, cabendo à unidade administrativa de origem a verificação do atual andamento processual e os efeitos de novas decisões sobre a suspensão aqui reconhecida. Quanto à tributação dos produtos CAP e CM30, a recorrente pugna pelo cancelamento, em vista de serem operações de mera revenda, sem qualquer operação de industrialização e pelo fato de que tais produtos são imunes, de acordo com o artigo 155, §3º da Constituição Federal. No que tange à imunidade, salientase que não há lide quanto à classificação fiscal dos produtos, restando incontroversa a classificação nas posições 2713.20.00 e 2715.00.00: 27.13 COQUE DE PETRÓLEO, BETUME DE PETRÓLEO E OUTROS RESÍDUOS DOS ÓLEOS DE PETRÓLEO OU DE MINERAIS BETUMINOSOS 2713.1 Coque de petróleo 2713.11.00 Não calcinado 4 2713.12.00 Calcinado 4 2713.20.00 Betume de petróleo 4 1 e) a renúncia às instâncias administrativas não impede que a Fazenda Pública dê prosseguimento normal aos seus procedimentos, a despeito do ingresso do sujeito passivo em juízo; proferirá, assim, decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, e deixará de apreciar suas razões e de conhecer de eventual petição por ele apresentada, encaminhando o processo para a inscrição em DAU do débito, quando existente, salvo a ocorrência de hipótese que suspenda a exigibilidade do crédito tributário, nos termos dos incisos II, IV e V do art. 151 do CTN Fl. 896DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 12 11 2713.90.00 Outros resíduos dos óleos de petróleo ou de minerais betuminosos 4 2715.00.00 MISTURAS BETUMINOSAS À BASE DE ASFALTO OU DE BETUME NATURAIS, DE BETUME DE PETRÓLEO, DE ALCATRÃO MINERAL OU DE BREU DE ALCATRÃO MINERAL (POR EXEMPLO: MÁSTIQUES BETUMINOSOS E "CUTBACKS") 5 As alíquotas adotadas pela TIPI são positivas, representando, em última análise, o entendimento do Poder Executivo a respeito da não imunidade relativa a estes produtos, pois o contrário implicaria a adoção da notação NT às referidas posições. A TIPI é aprovada mediante decreto presidencial, no caso os Decretos nº 4.542/2002 e 6.006/2006, e argumentação de que o CAP e o CM30 seriam produtos imunes, ainda que o decreto estabelecesse alíquotas positivas, pressupõe juízo de inconstitucionalidade dos referidos decretos, o que não pode ser deduzido neste Conselho, a teor da Súmula CARF nº 022. Concernente à operação de revenda, a fiscalização efetuou o lançamento de saída de produtos nos CFOP 5.102 e 6.102 (venda de mercadorias adquiridas ou recebidas de terceiros), enquadrando a operação na equiparação prevista no §4 do artigo 9º do Decreto 4.544/2002: Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: [...] § 4º Os estabelecimentos industriais quando derem saída a MP, PI e ME , adquiridos de terceiros, com destino a outros estabelecimentos, para industrialização ou revenda, serão considerados estabelecimentos comerciais de bens de produção e obrigatoriamente equiparados a estabelecimento industrial em relação a essas operações (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso IV, e Decretolei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 1ª). Já o artigo 193 do regulamento prevê o estorno de créditos nas hipóteses: Anulação do Crédito Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25, § 3º, Decreto lei nº 34, de 1966, art. 2º, alteração 8ª, Lei nº 7.798, de 1989, art. 12, e Lei nº 9.779, de 1999, art. 11): I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: [...] f) vendidos a pessoas que não sejam industriais ou revendedores; II relativo a bens de produção que os comerciantes, equiparados a industrial: a) venderem a pessoas que não sejam industriais ou revendedores; b) transferirem para as seções incumbidas de vender às pessoas indicadas na alínea a; ou 2 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Fl. 897DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 13 12 c) transferirem para outros estabelecimentos da mesma firma, com a destinação das alíneas a e b; Por sua vez, a recorrente alega que as vendas de CAP e CM30 são meras revendas, sem qualquer processo de industrialização, e que os destinatários são municípios ou empresas de engenharia, que utilizam estes produtos em pavimentação, sendo consumidores finais. Na impugnação, relaciona em planilha as notas fiscais que deveriam ser excluídas do lançamento, efls. 295 a 302. Os requisitos para a caracterização da equiparação são: 1) o estabelecimento a ser equiparado deve ser industrial; 2) a operação é de revenda; 3) os produtos revendidos são matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem; 4) os adquirentes devem ser estabelecimentos industriais que utilizam estes produtos como insumos ou estabelecimentos que os revenda. No caso, os três primeiros requisitos são constatados, ou seja, a recorrente é estabelecimento industrial, o CAP e o CM30 são matériasprimas de seu processo produtivo e a operação autuada foi de revenda. Entretanto, controvérsia reside na condição do adquirente. A recorrente afirma que os adquirentes são usuários finais, sendo a operação realizada pela recorrente de mera revenda. Porém, se isto de fato tivesse ocorrido, a recorrente deveria ter estornado o crédito decorrente das aquisições destes produtos, segundo o artigo 193 do RIPI/2002, o que não foi realizado, conforme afirmação da fiscalização no Termo de Verificação Fiscal, efls. 69, abaixo transcrita e não contestada pela recorrente: “Observese que embora não tenha tributado as saídas dos produtos por ela industrializados, certamente por entender que não estão sujeitos à incidência do IPI (nãotributados), conforme se depreende do teor da ação ordinária anteriormente comentada, a empresa creditouse do IPI pago na aquisição de matériasprimas, verificado nas notas fiscais de entrada apresentadas conforme protocolo de entrega de fl. e nos respectivos Livros de Registro de Entrada. Se o produto não é sujeito à incidência do IPI, não há que se creditar do IPI pago na aquisição da matériaprima, produto intermediário material de embalagem empregados na sua produção.” A falta de estorno dos créditos é incompatível com a alegação de que se trataria de mera revenda. Seria talvez o caso de uma diligência para esclarecer a verdade dos fatos. Porém, entendo que a diligência a ser realizada em terceiros não integrantes do litígio para verificar a utilização de produtos adquiridos em 2005 e 2006 revelase impraticável dado o lapso temporal de dez anos ou mais, quando não mais se poderá exigir a apresentação de documentação probatória do efetivamente ocorrido. Verificase, contudo, que na relação de notas fiscais indicadas pela recorrente na impugnação, efls. 294 a 302 em comparação com a planilha de fiscalização, efls. 28 a 62, identificamse os seguintes adquirentes, que não podem ser considerados como industriais ou revendedores de produtos asfálticos, posto se tratarem de prefeituras municipais, laboratório farmacêutico, empresas de água e esgoto municipais, associação, órgãos públicos, indústria alimentícia, pessoas físicas, a saber: Prefeitura Municipal de Pirapora, Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Pirapora, Prefeitura Municipal de Itabira, Laboratório Farmacêutico Neo Química, Luciana J Penido, Prefeitura Municipal de Buritis, Assoc. Educ. Irmãos De N. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10976.000695/200901 Acórdão n.º 3302003.091 S3C3T2 Fl. 14 13 Senhora, Assoc M. Micro R. Vertente Oc. Caparão, Assoc Benef. Da Rodov. Da Mudança, 9º Batalhao De Engenh De Construção, 9º Batalhao De Engenh De Construção, Prefeitura Municipal de Querência, Prefeitura Municipal de Itumbiara, Prefeitura Municipal de Senador Canedo, Prefeitura Municipal de João Pinheiro, Prefeitura Municipal de Machado, Perdigão Agroindustrial, Prefeitura Municipal de Caçu, Ipanema Agrícola Ltda, Codaíba Agroindustrial Ltda, Prefeitura Municipal de Nova Glória, Prefeitura Municipal de Mineiros, Prefeitura Municipal de Bom Jesus, Prefeitura Municipal de Berilo. As notas relativas a tais adquirentes estão listadas na planilha de efls. 294 a 302, apresentada pela recorrente em sua impugnação. Assim, em relação a tais adquirentes, a revenda de CAP e CM30 pela recorrente não se enquadra na equiparação prevista no §4º do artigo 9º do Decreto 4.544/2002. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo do lançamento as multas de ofício lançadas sobre as emulsões asfálticas, sobre os asfaltos modificados por polímeros e sobre os asfaltos oxidados em razão da existência da decisão judicial que suspendia a exigibilidade do crédito tributário, bem como excluindo do lançamento o crédito relativo à revenda de CAP e CM30 aos adquirentes não industriais ou revendedores, acima especificados. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 899DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10580.002854/2003-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996
PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91.
Aplica-se o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita.
PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72.
A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição, ressalvando o direito de a Autoridade Administrativa apurar o valor do direito creditório mediante a aplicação da semestralidade.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1992 a 31/12/1996 PRAZO PARA EFETUAR O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVO. SÚMULA CARF Nº 91. Aplica-se o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.
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SÚMULA CARF Nº 91. Aplicase o prazo de dez anos contados do fato gerador ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação tácita. PASEP. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. DECRETO Nº 71.618/72. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses, até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar a decadência do pedido de restituição, ressalvando o direito de a Autoridade Administrativa apurar o valor do direito creditório mediante a aplicação da semestralidade. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 00 28 54 /2 00 3- 51 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.002854/200351 Acórdão n.º 3302003.024 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de pedido de restituição de PIS/Pasep em 16/04/2003, decorrente da declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445/88 e 2.449/88, suspensos pela Resolução do Senado nº 49/1995, relativo a pagamentos efetuados de 1992 a 1996, atualizados até 30/09/2002, propugnando pela aplicação da semestralidade, sem correção monetária da base de cálculo, no valor de R$ 2.405.766,02. O despacho decisório indeferiu o pedido em razão de a recorrente não estar abrigada pelos efeitos da resolução senatorial e por decadência do direito de pedir a restituição referente a períodos de 1992 a 1996. Em manifestação de inconformidade, alegou que o prazo a ser aplicado seria de dez anos a partir da publicação da Resolução nº 49/1995. A DRJ julgou a lide, decidindo pela inaplicabilidade da semestralidade e pelo prazo decadencial de cinco anos, previsto no artigo 168, inciso I do CTN. A recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações da manifestação de inconformidade. O julgamento do recurso voluntário foi convertido em diligência nos seguintes termos: "À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para que a delegacia de origem, onde a autoridade lançadora deverá incluir as informações pertinentes às questões abaixo formuladas, e outras que julgar necessárias à boa apreciação da preliminar e do mérito do presente recurso: 1 se a contribuinte solicitou parcelamento correspondente aos períodosbase compreendidos entre 1992 e 1996, a quais fatos geradores se referiram, quais foram as bases de cálculo declaradas e quais os valores envolvidos, assim como as parcelas relativas à atualização monetária e multa moratória porventura consignada, e se foram efetivamente recolhidos conforme alega a recorrente; e 2 informação sobre se o parcelamento fora feito considerando as bases de cálculo, alíquotas, atualização monetária e multa moratória constantes dos DecretosLeis nº 2.445/88 e 2.449/88 Fl. 84DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.002854/200351 Acórdão n.º 3302003.024 S3C3T2 Fl. 4 3 ou se pertinentes à Lei Complementar n 2 8/70 e ao Decreto n 2 71.618/72." Em cumprimento da diligência, a autoridade fiscal informou os seguintes parcelamentos cadastrados: 10580.012163/9215, (débitos parcelados relativos a fatos geradores de 01/1990 a 09/1992), 10580.000824/9610 (débitos parcelados de 04/1994 a 11/1995), 10580.009598/9391 (débitos parcelados de 06/1993 a 10/1993 e transferido para o processo 10580.007020/9308), 10580.004015/9434 (débitos parcelados de 01/1994 a 04/1994 e transferidos para o processo 10580.007020/9308), 10580.007020/9308 (débitos parcelados de 10/1992 a 12/1992) , 10580.007019/9311 (débitos parcelados de 01/1993 a 05/1993), conforme extratos de efls. 55 a 71. Relativamente ao parcelamento 10580.000824/9610 consta informação de envio à PFN para inscrição, com data de início em 02/06/2004. Os demais constam como encerrado com percentual de amortização de 100%. Concernente às bases de cálculo, a autoridade fiscal informou que não dispunha de informações para responder, intimando a recorrente a esclarecer o regime jurídico dos débitos parcelados, tendo esta respondido que foram os débitos parcelados foram calculados com base nos Decretoslei nº 2445/88 e 2449/88. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Duas são as questões postas em julgamento: o prazo decadencial para efetuar o pedido de restituição e a aplicação da semestralidade ao Pasep aos recolhimentos efetuados de acordo com a LC nº 08/1970 e o Decreto nº 71.618/72. Concernente ao prazo para efetuar o pedido de repetição de indébito, a matéria está pacificada pelo julgamento do RE 566.621, com repercussão geral reconhecida nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil, cuja decisão definitiva deve ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho, por força da aplicação do artigo 62A1 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. O julgamento consolidou a tese dos "cinco mais cinco" contados do fato gerador, pela aplicação combinada dos artigos 150, §4º, 156, inciso VII e 168, inciso I do CTN, afastando a natureza interpretativa da Lei Complementar nº 118/2005 e aplicando o prazo de 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.002854/200351 Acórdão n.º 3302003.024 S3C3T2 Fl. 5 4 cinco anos estabelecido no artigo 168 do CTN, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, às ações ajuizadas a partir de 09/06/2005, conforme ementa abaixo transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Decisão Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.002854/200351 Acórdão n.º 3302003.024 S3C3T2 Fl. 6 5 Após os votos da Senhora Ministra Ellen Gracie (Relatora) e dos Senhores Ministros Ricardo Lewandowski, Ayres Britto, Celso de Mello e Cezar Peluso (Presidente), conhecendo e negando provimento ao recurso, e os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes, dando lhe provimento, foi o julgamento suspenso para colher o voto do Senhor Ministro Eros Grau. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Falaram, pela recorrente, o Dr. Fabrício Sarmanho de Albuquerque e, pelo recorrido, Ruy Cesar Abella Ferreira, o Dr. Marco André Dunley Gomes. Plenário, 05.05.2010. Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, negou provimento ao recurso extraordinário, contra os votos dos Senhores Ministros Marco Aurélio, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes. Ausente, licenciado, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Presidiu o julgamento o Senhor Ministro Cezar Peluso. Plenário, 04.08.2011. A decisão proferida foi reconhecida no REsp 1.269.570/MG, superando o julgado no REsp 1.002.932/SP, conformandose à jurisprudência do STF, nos termos da seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.002854/200351 Acórdão n.º 3302003.024 S3C3T2 Fl. 7 6 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. De outro lado, a Fazenda Nacional reconheceu a aplicação dos julgados aos pleitos administrativos, mediante o Parecer PGFN/CRJ/Nº 1247/2014 (confirmado na Nota PGFN/CRJ/Nº 1217/2014), cuja conclusão em seu item 122 recomendou a adoção de orientação mais flexível, privilegiando a razão de decidir do RE 566.621, estendendo a sistemática da tese dos "cinco mais cinco" aos pleitos administrativos formulados anteriormente à vigência da LC nº 118/2005, ou seja, anteriores a 09/06/2005. Por fim, foi editada a Súmula CARF nº 91, de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, a teor do artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador Assim, aos pleitos administrativos protocolados antes de 09/06/2005, devese aplicar o prazo de restituição de indébito de cinco anos previsto no artigo 168 do CTN a partir da homologação tácita do pagamento antecipado de que trata o artigo 150 do CTN, a qual ocorre cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, nos casos de tributo sujeito a 2 12. Não se está, aqui, a afastar a plausibilidade da orientação plasmada no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, perfeitamente adequada ao cenário em que proferida, afinal a Administração Tributária, independentemente da LC nº 118/05, defendia a tese prevista em seu art. 3º, o que, à época, justificou uma interpretação mais restritiva do decidido no RE 566.621/RS. Todavia, os já mencionados precedentes posteriores, bem como o atual contexto, recomendam a adoção de orientação mais flexível, entendendo, sob a ótica da ratio decidendi do julgado em repercussão geral (Tema nº 04), que, em se tratando de pleito administrativo anterior à vigência da LC nº 118/2005 ou de demanda judicial que, embora posterior, seja a este (anterior) relativa (art. 169 do CTN), deve ser observada a sistemática da “tese dos cinco mais cinco”. 13. São essas as considerações que esta CRJ reputa úteis ao deslinde das questões jurídicas trazidas à sua apreciação, sugerindo, em caso de aprovação, (i) a revogação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 1528/2012, (ii) ampla divulgação do presente Parecer às unidades da PGFN e da RFB, a fim de conferir tratamento uniforme à matéria, (iii) o encaminhamento de cópia deste Parecer à CASTF, para possível desistência dos agravos regimentais pendentes, mencionados na Nota PGFN/CASTF/Nº 683/2014, por incidência do disposto no art. 1º, V, da Portaria PGFN Nº 294/2010 e (iv) a adequação, à orientação aqui contida, do tópico correspondente ao RE 566.621/RS na Lista do art. 1º, V e § 1º, da Portaria PGFN Nº 294/2010. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.002854/200351 Acórdão n.º 3302003.024 S3C3T2 Fl. 8 7 lançamento por homologação, ressalvada a hipótese da data da homologação expressa como termo inicial para contagem do prazo de cinco anos de que trata o artigo 168. Este processo trata de pedido de restituição protocolado em 16/04/2003, relativo a Pasep recolhido de 1992 a 1996. Assim, devese afastar a decadência declarada em despacho decisório, relativa aos recolhimentos efetuados de maio/1993 a 1996, que se refiram a fatos geradores posteriores a 16/04/1993, ou seja, fato gerador de abril/1993, inclusive, em diante. Relativamente à semestralidade, após a declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei nº 2.445/88 e nº 2.449/88 pelo Supremo Tribunal Federal e a suspensão da execução dos referidos decretos pela Resolução nº 49/1995 do Senado Federal, as contribuições para o PIS e para o Pasep voltaram a ser reguladas pelas Leis Complementares nº 07/70 e nº 08/70, respectivamente, até a edição da MP nº 1.212/95. Para o PIS, a questão restou pacificada no REsp nº 1.127.713/SP3 e com a edição da Súmula CARF nº 15, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 15: A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. De fato, a Lei nº 07/70 assim dispunha em seu artigo 6º: Art. 6.º A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea b do art. 3º será processada mensalmente a partir de 1º de julho de 1971. Parágrafo único A contribuição de julho será calculada com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com base no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente. Por sua vez, o Decreto nº 71.618/72, regulamentando a Lei Complementar nº 8/70, assim dispôs: Art. 13. A contribuição dos Estados e Municípios, bem como das respectivas entidades de administração indireta e fundações supervisionadas, para o PASEP, será devida a partir de 1 de julho de 1971 (Artigo 2º, item II, da Lei Complementar nº 8, de 3 de dezembro de 1970), qualquer que seja a data de expedição na norma legislativa, referida no artigo 8º da mencionada Lei Complementar. Art. 14. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no 6º (sexto) mês imediatamente anterior. 3 TRIBUTÁRIO. PIS. SEMESTRALIDADE. ART. 6º, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LC 7/70. NORMA QUE SE REFERE À BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. 1. O art. 6º, parágrafo único, da Lei Complementar 7/70 não se refere ao prazo para recolhimento do PIS, mas à base de cálculo do tributo, que, sob o regime da mencionada norma, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.002854/200351 Acórdão n.º 3302003.024 S3C3T2 Fl. 9 8 Art. 15. As contribuições devidas ao PASEP serão recolhidas até o último dia do mês em que forem devidas. Portanto, é de se reconhecer que as razões que levaram à edição da Súmula CARF nº 15 devem ser aplicadas ao Pasep, no sentido de que o cálculo da contribuição deve ser efetuado considerando a aplicação da semestralidade, ou seja, a base de cálculo deve ser as receitas e transferências apuradas no sexto mês imediatamente anterior ao fato gerador, sem correção monetária, até a edição da MP nº 1.212/95. Neste sentido, citamse acórdãos do Antigo Conselho de Contribuintes e deste Conselho: Acórdão nº 20179.086: BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. ALÍQUOTA. Com a declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, de 1988, a base de cálculo da contribuição para o Pasep, eleita pela Lei Complementar 112 8/70 e pelo Decreto n2 71.618/72, permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP n9 1.212/95. O mesmo ocorreu com a alíquota. Acórdão nº 3201001.473: SEMESTRALIDADE PASEP. O art. 14 do Decreto nº 71.618/72 trata de base de cálculo e não de prazo de recolhimento da contribuição para o PASEP, que está disciplinado no artigo seguinte. Frisese, ainda, que a recorrente mencionou na resposta ao termo de intimação que as seguintes declarações de compensação utilizaram créditos demonstrados nos pedidos de restituição anteriormente mencionados: 10580.004601/200312, 10580.002855/200304, 10580.001864/200370, 10580.000445/200311, 10580.001227/2003 01, 10580.013402/200214, 10580.012202/200244 e 10580.011634/200238. Assim, a apuração de crédito a restituir deve ser efetuada, considerando os créditos porventura já utilizados nas referidas declarações de compensação, a afim se evitar a duplicidade de utilização do mesmo direito creditório. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a decadência do pedido de restituição de pagamentos efetuados entre maio/1993 e 1996, vinculados a fatos geradores da contribuição de abril/1993 em diante, ressalvado o direito de a autoridade administrativa apurar a liquidez e certeza do direito creditório, mediante a aplicação da semestralidade prevista no Decreto 71.618/72 até a edição da MP nº 1.212/95. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.002854/200351 Acórdão n.º 3302003.024 S3C3T2 Fl. 10 9 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 10/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16624.000479/2005-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo.
Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-002.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Fez sustentação oral: Dr. Carlos Eduardo Marino Orsolon OAB - 222242 - SP.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dr. Carlos Eduardo Marino Orsolon OAB 222242 SP. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 62 4. 00 04 79 /2 00 5- 08 Fl. 958DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Declaração de Compensação protocolada em 29/11/2005, na qual a contribuinte buscava compensar seus débitos relativos a tributos administrados pela Receita Federal utilizando crédito de Cofins nãocumulativa, relativo ao período de apuração setembro de 2005, no importe de R$ 2.397.869,22. Analisada a pretensão da contribuinte, o Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório nº 535, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, notadamente:(grifei). Contratos de Fechamento de Câmbio e telas do siscomex de todas as operações de exportação; Notas fiscais de serviços utilizados como insumos; Comprovantes de despesas de armazenagem e frete; Documentos comprobatórios de créditos a descontar de PIS importação, entre outros. Argumentou a autoridade do Seort que, nos termos da lei n° 9.784/99, caberia à contribuinte provar os fatos que tenha alegado, e que a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderia condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos que comprovassem o crédito, conforme o disposto na Instrução Normativa RFB n° 900/2008. A autoridade salientou que, embora a contribuinte tenha atendido parcialmente às intimações, a documentação apresentada ainda careceu dos elementos imprescindíveis à análise do direito creditório, tornando inviável a apuração do crédito de Cofins referente ao mês de setembro/2005. Finalizou o Despacho aditando que, uma vez não comprovados os créditos informados na declaração de compensação, tornou se obrigatória a cobrança dos débitos compensados. Cientificada do Despacho Decisório em 15/12/2009, no dia 14/01/2010 a contribuinte apresentou manifestação de Fl. 959DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 845 3 inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 270/551, alegando, em síntese, o que segue. Inicialmente, a contribuinte alegou que a declaração de compensação foi protocolada em conformidade com a Instrução Normativa n° 460, de 18 de outubro de 2004, norma vigente à época do feito. Entende a interessada que o crédito em questão possui um tratamento próprio e específico no que diz respeito à sua recuperação, que está previsto no § 2° do artigo 22 da referida instrução normativa. Sustenta que, de acordo com este dispositivo, a liquidez e a certeza do direito ao ressarcimento de créditos dessa natureza é verificada, em princípio, no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Segundo afirma a interessada, as informações contidas no DACON seriam completas e detalhadas e a IN SRF n° 460, de 2004, não exigiria da contribuinte a apresentação de qualquer outro documento adicional a fim de demonstrar o seu direito creditório. A contribuinte prossegue alegando que, “de acordo com a disposição contida no artigo 24” da referida norma, “depreendese que a autoridade fiscal competente para analisar o pedido de ressarcimento nestes casos, poderá, se for o caso, exigir do contribuinte a apresentação de outros documentos comprobatórios do respectivo crédito, assim como determinar a realização de diligência fiscal com vistas à comprovação do direito creditório do contribuinte” (o destaque é do original). A contribuinte alegou ainda que o DACON possuiria, por si só, presunção relativa de veracidade, e seria, portanto, o único documento exigido pela IN SRF n° 460, de 2004; assim, apenas em caso de necessidade de verificação da exatidão das informações prestadas no DACON é que esta instrução normativa faculta às autoridades fiscais exigir outros documentos para a apreciação do pedido de ressarcimento; reitera que “em princípio, o DACON conhecido pelas autoridades fiscais já lhes fornece todas as informações necessárias à revisão do direito creditório requerido, não sendo, via de regra, necessária a apresentação de outros documentos”. Na sequência, afirmou: (...) A contribuinte prosseguiu exaustivamente neste tema e concluiu afirmando que: não havia obrigação legal de apresentar qualquer outro documento conjuntamente com o formulário de Declaração de Compensação e respectivos formulários de detalhamento de crédito, uma vez que a IN SRF 460/04 somente exigia, nestes casos, que o DACON fosse conhecido pelas autoridades fiscais; Fl. 960DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 em caso de dúvida adicional acerca do direito creditório devidamente informado no DACON, caberia às autoridades fiscais requerer a apresentação de documentos adicionais ou, então, determinar a realização de diligência fiscal à sede da empresa (conforme artigo 24 da IN SRF 460/04); não se dando por satisfeita com os esclarecimentos e documentos adicionais apresentados, as autoridades fiscais deveriam emitir um Despacho Decisório justificado, apontando detalhadamente as inconsistências não comprovadas que levaram a sua conclusão pelo indeferimento do pedido de ressarcimento. Depois, registrando que o fazia “apenas para evitar qualquer alegação no sentido da preclusão de seu direito a apresentar uma documentação que (...) entende não estar obrigada a apresentar”, a contribuinte afirma estar juntando documentos, e discorre sobre os documentos que juntou à manifestação de inconformidade. Ao final, pleiteou que, caso fosse determinada por esta DRJ a conversão do julgamento em diligência, fossem respondidos os seguintes quesitos: (i) Os documentos fiscais e contábeis da Requerente estão em conformidade com os valores de créditos por ela informados no DACON? (ii) O detalhamento do crédito informado nos formulários “Créditos do PIS/COFINS” anexos à DCOMP estão de acordo com a efetiva utilização do crédito feita pela Manifestante no período discutido no Despacho Decisório? (iii) É procedente o crédito de PIS/COFINS utilizado na DCOMP analisada no presente processo? Em face das alegações e, especialmente, dos documentos apresentados pela contribuinte junto com sua manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.966, de 14/06/2010, da qual destacamos o trecho a seguir transcrito: Como já abordado anteriormente, somados à presente manifestação de inconformidade, a contribuinte juntou outros documentos que não haviam sido apresentados à autoridade da DRF em Guarulhos que analisou inicialmente o processo. Sendo assim, por conta da glosa total dos créditos calculados sobre insumos, e, por terem sido juntados novos documentos pela contribuinte na presente manifestação de inconformidade, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, encaminhando o presente processo à DRF de origem para que a autoridade responsável designada por esta verifique: se as exportações contidas na listagem de fls. 114/121 verso realizadas pela contribuinte estão, em quantidade e valor, confirmam as informações contidas no DACON para o mês analisado; Fl. 961DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 846 5 se foram observadas as normas para o rateio proporcional indicado pela contribuinte, na relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa, auferida no mês, para o cálculo do crédito de PIS do mercado externo; se as importações contidas na listagem de fls. 123/141 verso foram de bens utilizados como insumos nas mercadorias exportadas, e se houve recolhimento pela contribuinte da contribuição nestas importações; se são comprovados os gastos com energia elétrica, com base nos documentos apresentados de fl. 358 verificando a correta correspondência ao mês de janeiro/2005, considerando que a contribuinte pleiteou o direito creditório deste mês específico, e não do trimestre (o crédito de COFINS do mercado externo referente ao mês de abril/2005, por exemplo, foi pleiteado no processo n° 10875.721093/200911);(sic). se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as aquisições de bens utilizados como insumos, da listagem de fls. 247/349; se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, da listagem de fl. 357; se são comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, os serviços utilizados como insumos, da listagem de fls. 351/361; se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, da listagem de fls. 353/356. Ficará a critério da unidade de origem a metodologia a ser aplicada nos exames solicitados. Ao final, manifestese conclusivamente acerca do trabalho fiscal, informando acerca da existência e disponibilidade do crédito aproveitado na DCOMP, cientificando a contribuinte do resultado, bem como dos respectivos demonstrativos das comprovações acima solicitadas, e reabrindo o prazo regulamentar para a interessada, se for de seu interesse, complementar suas razões de manifestação de inconformidade. Os autos retornaram à DRF/Guarulhos, que adotou as medidas que entendeu necessárias ao atendimento do solicitado na Resolução n° 2.966. É oportuno registrar que a autoridade competente procedeu conjuntamente à análise relativa a diversos processos, que tratam de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos referentes a vários períodos de apuração. No decorrer da análise, após diversas intimações não integralmente atendidas e dilações de prazo solicitadas e concedidas, no dia 02/07/2013 a autoridade incumbida da diligência emitiu Termo de Constatação Fiscal, no qual reafirmava a impossibilidade da análise que se fazia necessária, Fl. 962DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 em face do não atendimento integral às intimações e, consequentemente, decidia por retornar os autos à DRJ/Campinas com sugestão de não reconhecimento do direito creditório. Cientificada em 03/07/2013, no dia 01/08/2013 a contribuinte manifestouse acerca do referido Termo procurando justificarse quanto ao não atendimento integral das intimações e solicitando que os processos permanecessem por mais algumas semanas na DRF/Guarulhos, sob alegação de que, em assim sendo, teria condições de apresentar os documentos faltantes. A autoridade responsável pela diligência não se manifestou expressamente sobre este pedido, o qual, no entanto, foi acolhido, posto que novos documentos foram apresentados pela contribuinte e, no dia 05/05/2014, referida autoridade apresentou suas conclusões em novo Termo de Constatação Fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DILIGÊNCIA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser ressarcido/restituído ou utilizado em compensação. Apresentados novos documentos com a manifestação de inconformidade e, mediante realização de diligência fiscal, comprovado parcialmente o crédito alegado, e no silêncio da contribuinte acerca do resultado da diligência, reconhecese parcialmente o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 14/10/2014, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 739, apresenta tempestivamente em 12/11/2014, fls. 742/775 e documentos anexados, fls.743/837, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Inicialmente recompõe os fatos que deram origem à apresentação das Declarações de Compensação apresentadas pela Recorrente no anocalendário de 2005 visto que estava sujeita ao regime nãocumulativo de apuração da Contribuição para o Programa de Integração (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), tendo apurado nos termos das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, créditos referentes às referidas contribuições no tocante às suas receitas de exportação, os quais foram utilizados em compensações administrativas com tributos federais; destaca que em 2005 a Recorrente auferiu tanto receitas no mercado interno, sujeitas ao PIS e à COFINS de acordo com o regime nãocumulativo, como receitas não sujeitas ao PIS e à COFINS, visto que decorrentes de exportação de mercadorias ao exterior ou Fl. 963DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 847 7 de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim de exportação ou ainda a empresas situadas na Zona Franca de Manaus; aduz argumentos já colacionados à Manifestação de Inconformidade, notadamente quanto à suposta ausência de fundamentação do Despacho Decisório nº 535; reproduz os quesitos que motivaram a o pedido de diligência pela DRJ; porém a matéria nuclear de sua peça recursal consiste em demonstrar o equívoco da decisão DRJ ao ratificar o segundo Termo de Constatação Fiscal e a elencar segundo seu entendimento os equívocos do referido segundo Termo de Constatação Fiscal, como a seguir se resume, exemplificativamente, o item 52 da peça recursal: a) o aumento do débito de PIS e de COFINS nos meses de 2005, antes do desconto de créditos é indevido, em razão da decadência do direito de se rever em 2014 a base de cálculo do PIS e da COFINS de 2005; b) a glosa de crédito do mercado interno é indevida pelos mesmos motivos, já que serviu apenas para majorar os débitos de PIS e de COFINS de 2005. Nesse sentido, a diligência foi solicitada para se verificar os créditos de PIS e de COFINS apenas vinculados às receitas de exportação; c) o direito das autoridades fiscais de analisarem os créditos vinculados ao mercado interno está decaído, já que nunca houve DCOMP pleiteando tais créditos. Ainda que a análise dos créditos vinculados às receitas de exportação pudesse estar correlacionada com a verificação dos créditos de mercado interno, ainda assim estaria decaído o direito de a fiscalização se utilizar do novo valor apurado (menor) de crédito de mercado interno, na medida em que ele acaba alterando o valor do suposto novo débito de PIS ou COFINS apurado para mais; d) não se mostra preciso o método adotado pela fiscalização para a apuração de diferenças entre as despesas incorridas pela Recorrente informadas em seu DACON e aquelas consideradas no Termo de Constatação Fiscal; e) há erros pontuais cometidos pela fiscalização , como, em relação à COFINS do mês de janeiro, o valor da linha "NF não apresentada" está erroneamente duplicado; f) no tocante aos créditos de PIS e COFINSImportação apropriados pela Recorrente na apuração de seus créditos, verificase que a fiscalização verificou recolhimentos de tais tributos de valores superiores àqueles indicados em DACON, mas não houve apropriação dos valores pagos a maior na reapuração do PIS e da COFINS, o que demonstra uma total parcialidade na condução da diligência por parte da fiscalização; g) os créditos de PIS e COFINS não englobam todos os meses de 2005, assim não houve o protocolo de qualquer DCOMP visando compensar créditos de PIS e COFINS relativos às exportações referentes aos meses de março e agosto/2005, ainda assim a fiscalização efetuou a reapuração do PIS março e agosto em um procedimento sem qualquer base legal, com impacto os meses seguintes; Ainda complementa que : Fl. 964DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 Não se alegue como pretenderam as decisões de primeira instância administrativa da DRJRibeirão Preto que não existia controvérsia acerca dos valores creditórios passíveis de recolhimento, pois a Recorrente não teria se manifestado acerca do Termo de Constatação Fiscal; Referido tipo de presunção não encontra guarida no processo administrativo fiscal. O Decreto nº 70.235, de 1972 é muito claro , no sentido de que concluída a diligência, o processo deve retornar à DRJ para análise, independentemente de ter havido não manifestação contra o relatório de conclusão da diligência, uma vez que o processo administrativo é pautado pela legalidade e pela busca da verdade material; Ao receber o segundo Termo de Constatação Fiscal e ter sido informada verbalmente que ainda poderia apresentar a documentação indicada como faltante, entendeu a Recorrente que, semelhantemente ao que havia ocorrido quando recebeu o primeiro Termo de Constatação, os 12 processos não seriam remetidos à DRJ; A recorrente está em vias de concluir a localização da documentação e que apresentará organizada e integralmente a E. CARF, a fim de refutar as alegações do Termo de Constatação Fiscal, em vista disso, em prol do princípio da verdade material, protestase desde já pela posterior juntada da referida documentação. Ao final requer: a) a apensação do presente processo aos processos nºs: 10875.001972/200507, 10875.001032/200518, 10875.001627/200565, 10875.002155/200568, 10875.002303/200544, 160875.721091/200921, 10875.721093/200911, 160098.000064/200955, 16098.000065/200908, 16624.000479/200508, 16624.000858/200590; b) a reforma do acórdão proferido pela DRJ Ribeirão Preto com a consequente anulação do Despacho Decisório, ou caso assim não se entenda, pelo menos a anulação do segundo Termo de Constatação Fiscal e da decisão da DRJ Ribeirão Preto que o ratificou. Quando da sustentação oral, entre os argumentos apresentados da tribuna, notadamente quanto a não apresentação de inconformidade quando da ciência do segundo Termo de Constatação Fiscal, arguiu o Patrono: a Recorrente não apresentou manifestação de inconformidade visto que não houve encerramento da ação fiscal, apenas a emissaõ de um mero Termo de Constatação; em face do grande volume de documentos coletados não foi possível fazer a solicitação de juntada destes antes do julgamento. Em 15/12/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada, fl.844 apresenta petição e documentos diversos. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Fl. 965DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 848 9 Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do ônus probatório Da análise preliminar da peça recursal verificase que o litígio prendese a duas questões principais: a responsabilidade sobre o ônus probatório no caso dos autos e o direito de litigar acerca de matéria não suscitada em sede de primeira instância administrativa. Com o intuito de balizar a discussão inicial é importante trazer à colação as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)(grifei). Das disposições legais acima citadas inferese que há dois pilares essenciais na discussão acerca das declarações de compensação que podem ser identificados nas seguintes questões: a) deflagração do pleito pelo sujeito passivo [entrega pelo sujeito passivo de declaração quanto aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados]; b) a extinção do crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Fl. 966DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 É digno de realce que os pilares acima destacados como a seguir se verá têm importância tanto no aspecto material quanto no aspecto formal, já que a partir de tal disposição normativa verificase que no tocante ao direito creditório pleiteado, conforme o primeiro pressuposto indicado, a deflagração do ato é do sujeito passivo mediante a entrega da declaração de compensação, sendo esta uma confissão de dívida, atribuição conferida pelo § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. O segundo pressuposto é de que o crédito tributário é extinto sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Com os pressupostos acima estabelecidos, em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão quanto ao ônus probatório, bem como o regramento processual quanto à via contenciosa na esfera administrativa. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil CPC, verificase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. Nesse sentido disciplina a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, DOU de 31/12/2008: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito Fl. 967DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 849 11 passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.(grifei). Cabe ainda destacar que o dever de apresentação ao fisco da documentação exigida repousa em base legal como se verá, a título exemplificativo: · Código Tributário Nacional CTN, artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.(grifei). · Lei nº 9.430, de 1996, art. 34: Acesso à Documentação Art.34.São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida.(grifei). Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: · Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório nº 535, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a não homologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não Fl. 968DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 270/551. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.966, de 14/06/2010. Da diligência solicitada temse os seguintes resultados: 1) Termo de Constatação Fiscal, fls. 618/623, do qual se destaca: Decorrido 7 meses da solicitação da apresentação das notas fiscais (15 de agosto a 26 de março) e maior tempo de outras intimações anteriores, a empresa ainda iria pedir as caixas no arquivo externo, demonstrando a falta de dedicação ao atendimento às solicitações feita pela fiscalização.(grifei). É importante ressaltar excertos da decisão de piso acerca do referido termo: No decorrer da análise, após diversas intimações não integralmente atendidas e dilações de prazo solicitadas e concedidas, no dia 02/07/2013 a autoridade incumbida da diligência emitiu Termo de Constatação Fiscal, no qual reafirmava a impossibilidade da análise que se fazia necessária, em face do não atendimento integral às intimações e, consequentemente, decidia por retornar os autos à DRJ/Campinas com sugestão de não reconhecimento do direito creditório. Cientificada em 03/07/2013, no dia 01/08/2013 a contribuinte manifestouse acerca do referido Termo procurando justificar se quanto ao não atendimento integral das intimações e solicitando que os processos permanecessem por mais algumas semanas na DRF/Guarulhos, sob alegação de que, em assim sendo, teria condições de apresentar os documentos faltantes. A autoridade responsável pela diligência não se manifestou expressamente sobre este pedido, o qual, no entanto, foi acolhido, posto que novos documentos foram apresentados pela contribuinte e, no dia 05/05/2014, referida autoridade apresentou suas conclusões em novo Termo de Constatação Fiscal, a seguir transcrito: 2) Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. A decisão de piso assim se manifesta: A contribuinte não se manifestou sobre o resultado da diligência solicitada. Todavia, o silêncio da interessada não afasta o dever de examinarmos as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade e a repercussão, sobre o Despacho Decisório, das conclusões a que chegou a AFRFB responsável pela diligência acerca do direito creditório pleiteado. Fl. 969DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 850 13 Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório nº 535 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: Conforme já anteriormente mencionado, a autoridade fiscal responsável pela realização da diligência analisou conjuntamente os créditos de PIS e Cofins alegados pela contribuinte em 12 processos administrativos. Nesta análise conjunta concluiu que os créditos a que a contribuinte tinha direito eram inferiores aos pleiteados, pois a interessada teria 1 Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: (...) IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. Fl. 970DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 substimado as bases de cálculo das contribuições devidas e superstimado as bases de cálculo dos créditos a serem descontados. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 713/715, integralmente transcrito no Relatório deste Acórdão, e nos arquivos digitais que o integram e complementam, referida autoridade detalhou as razões das glosas relativas aos créditos, bem como as receitas que a contribuinte teria excluído indevidamente das bases de cálculo das contribuições devidas.(grifei). Nos arquivos digitais denominados “Dem. Apuração Saldo de Créditos –Cofins” e “Dem. Apuração Saldo de Créditos – PIS”, nas planilhas denominadas “Saldo de Céditos pCompens.”, a autoridade fiscal apresentou, para cada um dos meses em exame, os valores dos saldos de créditos disponíveis para utilização em declarações de compensação. No quadro a seguir, reproduzimos as informações constantes das referidas planilhas:(sic) Como vimos, a contribuinte, regularmente cientificada, não se manifestou acerca das conclusões a que chegou a autoridade responsável pela realização da diligência. Assim, não existe controvérsia acerca dos valores dos direitos creditórios passíveis de reconhecimento. Consequentemente, deverão ser reconhecidos os créditos pleiteados, limitados aos valores constantes do quadro acima. No quadro a seguir, relacionamos os doze processos examinados na diligência, os créditos neles pleiteados e os valores dos créditos a serem reconhecidos: Fl. 971DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 851 15 Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. Por oportuno, cabe registrar que quando da sustentação oral, entre os argumentos para justificar a não contestação do segundo Termo de Constatação arguiu o Patrono que não houve encerramento da ação fiscal, apenas um mero Termo de Constatação. Compulsandose os autos, verificase que não assiste razão à defesa haja vista está expressamente consignado no segundo Termo de Constatação Fiscal de fls. 713/717, a informação quanto ao encerramento da ação fiscal bem como quanto a abertura de prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação de inconformidade, como a seguir se demonstra através dos seguintes excertos: "Dos exames realizados para atendimento da solicitação, com relação a existência dos créditos aproveitados nas DCOMPs, esta ação fiscal está sendo concluída, com os resultados discriminados abaixo:"(grifei). (...) Acerca dos fatos expostos, dos demonstrativos e dos novos valores dos créditos a serem aproveitados na DCOMP, fica Fl. 972DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 16 facultado à contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação de inconformidade.(grifei). Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 15/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 15/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a)fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c)destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 6.º. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997).(grifei). Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 713/717, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 973DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16624.000479/200508 Acórdão n.º 3302002.899 S3C3T2 Fl. 852 17 Fl. 974DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 12466.724115/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 31/05/2006 a 24/11/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 3302-003.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 31/05/2006 a 24/11/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência do crédito tributário constituído. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 41 15 /2 01 1- 66 Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 3 2 Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A, de EASY SERVIÇOS E COMÉRCIO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS LTDA e EXIMLAB COMÉRCIO DE EQUIPAMENTOS PARA LABORATÓRIOS LTDA. A fiscalização acusou que a GEMAX importou ora por modalidade direta ora por encomenda para a EASY, porém que tal artifício seria para acobertar importações por conta e ordem da EXIMLAB. Inicialmente, foi aberto procedimento especial de controle aduaneiro e de revisão de habilitação no comércio exterior, tendo a GEMAX não apresentado documentos que demonstrassem a origem e aplicação dos recursos financeiros, razão pela qual foi instaurado o procedimento previsto na IN SRF 228/2002, de acordo com o §3º do artigo 21 da IN SRF nº 650/2006. Em procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, previsto na IN SRF 228/2002, apurouse a prática de ocultação do real adquirente EXIMLAB , mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, em razão do seguinte: 1. A GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica para fazer frente ao volume de importações por ela transacionado devido a: a. movimentação em torno de R$ 30.000.000,00 de 2005 a 2007, para capital social da ordem de R$ 50.000,00 (aumentados para R$ 400.000,00 no quarto trimestre de 2006, decorrentes de lucros acumulados); b. aumento de capital social por reavaliação de bens, adquiridos por R$ 45 mil e reavaliados para R$ 2.774.000, em datas próximas, não havendo qualquer aumento de disponibilidade financeira; b. lucro líquido auferido no período foi em torno de R$ 980.000,00, muito inferior ao volume transacionado; c. Inexistência de quaisquer empréstimos e financiamentos tomadas de terceiros, conforme confirmados pela recorrente; 2. As operações somente puderam ser viabilizadas mediante adiantamentos de caixa recebidos pelos reais adquirentes para liquidação de contratos de câmbio e pagamentos dos tributos pagos no registro da DI, configurando a aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002; Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 4 3 3. Por várias vezes, a emissão das notas fiscais de venda era realizada no mesmo dia da emissão das notas fiscais de entrada, revelando giro imediato do estoque, indicando a encomenda da mercadoria; 4. A GEMAX é uma empresa de pequeno porte que atua, basicamente, como prestadora de serviços de comércio exterior, incluindo logística e financeiros, conforme informação colhida no próprio site da empresa, que jamais importa com ânimo próprio, mas por conta e ordem ou por encomenda; 5. As vantagens financeiras oferecidas pela GEMAX em seu site se coadunam com os objetivos pretendidos com a prática da ocultação do real adquirente: ausência de agregação de margem de lucro, implicando redução de carga tributária, redução de 33,3% no ICMS, com menor alavancagem dos tributos subsequentes (PIS, Cofins, ICMS), menor alavancagem do IPI, com recolhimento feito pela GEMAX sobre o custo da mercadoria e não sobre o preço de venda ao consumidor final. 6. Todas as vendas eram realizadas pelo custo das mercadorias pagas ao exportador, acrescido dos tributos pagos na importação e nacionalização e incidentes na venda ao mercado interno; 7. Todo o lucro obtido pela GEMAX decorre do FUNDAP que consiste em diferimento no pagamento do ICMS incidente na importação, financiamento de longo prazo de cerca de 70% do ICMS recolhido, com juros fixos a 1% a.a., com carência de 5 anos e mais 20 anos para amortização e realização de leilões de recompra de dívida, com existência de liquidação de contratos, por 10 a 15% do saldo devedor, em média; 8. A ocultação da EXIMLAB propiciaria: sua não equiparação a industrial para evitar a incidência de IPI; diminuir receitas de vendas sujeitas a PIS/Pasep, Cofins, IRPJ, CSLL e ICMS; usufruir indiretamente dos benefícios do FUNDAP (incentivo fiscal no âmbito do ICMS no Espírito Santo); não se submeter aos procedimentos fiscais de habilitação para atuar no comércio exterior, a qual foi habilitada apenas 22/09/2010; fugir ao controle quanto à avaliação de risco (parametrização), em função do perfil histórico e cadastral. Ao final foi elaborada representação fiscal para fins penais. Em impugnação, a GEMAX pediu: "a1) restou comprovado que a Impugnante tinha origem de recursos para suas operações, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% (FUNDAP) mais lucro operacional médio de 3% e que o capital social das S.A. não guarda relação direta com a origem dos recursos utilizados no comércio exterior; a2) Também porque a Receita não comprovou que houve adiantamentos por parte do destinatário em relação às Dl's, restou comprovado que a Impugnante tinha origem para a operação, decorrente de receita .financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3%; a.3)Também porque os valores depositados na conta da Impugnante foram posteriores aos registros da DI´s e, consequentemente, após a contratação com o exportador e o Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 5 4 embarque dos bens, não podendo ser considerados "adiantamentos"; a4) Também pela impossibilidade de se estender as "impressões" de procedimento especial de fiscalização da IN 228/02 a todas as importações do contribuinte, nos termos do ACÓRDÃO N° 17 38398 de 23 de Fevereiro de 2010, do ACÓRDÃO N° 1735664 de 20 de Outubro de 2009, do ACÓRDÃO N° 0715421 de 13 de Março de 2009 e do ACÓRDÃO N° 0715356 de 06 de Março de 2009 e 17¬ 52.140, de 07 de Julho de 2011; a5) Também porque o artigo 27 da Lei n.° 10.637/2002 prevê uma presunção relativa da ocorrência de importação por conta e ordem quando a operação de comércio exterior for realizada mediante utilização de recursos de terceiro, presunção esta que restou afastada, haja vista que: > o Fisco não afastou a declaração e comprovação do importador de que obteve financiamento para gerir suas atividades no período em que foram realizadas as importações objeto dos autos, nos termos do Acórdão n° 0721519, de 15/10/2010, da e. 2a Turma desta e. DRJ > restou comprovado que a Impugnante foi a responsável por todas as tratativas com o exportador, figurando, inclusive, nos documentos que acobertaram a operação, não tendo sido produzida qualquer prova apta a afastar a veracidade de tais informações, nos termos dos Acórdãos 1752151, de 07 de julho de 2011 e 1752.140; a6) Também porque a operação foi feita na modalidade por encomenda, aplícandose, em conseqüência, o disposto no artigo 417, 418 e 483 do Código Civil c/c artigo 313 do RIPI, bem como o disposto no ACÓRDÃO N° 0721519 de 15 de Outubro de 2010 e na Solução de Consulta N° 5 de 07 de Janeiro de 2010, razão pela qual pequenos adiantamentos não são suficientes para afastar tal modalidade, mormente se comprovada que a importadora obteve financiamento para gerir suas atividades; a7) Também porque a pena aplicável seria multa diversa (art. 33 da lei n° 11.488/2007), nos termos da Orientação COANA/COFIA/DIFIA e consoante Acórdãos DRJ no S 17¬ 25849, de 17/06/2008, e 17 26798, de 13/08/2008 b) Sucessivamente ao pedido (a) acima, ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração, por impedimento do AFRF, nos termos da Portaria RFB n° 11.371/2007, artigos 2o c/c 12 c/c 14 e 15, parágrafo único, nos termos do Acórdão n° 302¬ 37.093, do 3o Conselho de Contribuintes; Também porque o Auto de Infração não descreve as supostas irregularidades praticadas em todas as DIS mencionadas nos autos, violando o disposto no artigo 10, inciso III e no artigo 59, ambos do Decreto nº 70.235/72 [...] Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 6 5 Também porque não foi permitido o acesso aos autos do procedimento, assim como todos os livros fiscais permanecem em posse do AFRFB atuante; c) Sucessivamente ao pedido (b) acima, reconheça a decadência do lançamento em relação às DI´s, todas registradas há mais de 5 anos; d) Sucessivamente ao pedido (b) supra, que DEVOLVA o prazo para impugnação do presente auto de infração, a ser contado a partir da data em que a requerente receber de volta todos os seus livros e documentos fiscais, ora em poder da Administração, baixando o feito em diligência solicitando esclarecimentos e/documentos à Impugnante para posterior análise desta impugnação, nos termos do artigo 16, § 4o do Decreto n° 70.235/72, considerandose em especial o cerceamento do direito de defesa e a impossibilidade de juntar os livros contábeis como prova documental, por estarem de posse do fiscal autuante. A responsável solidária EASY impugnou o lançamento alegando: 1. Em preliminares: devolução do prazo de trinta dias, pois não participou da fiscalização, nem da produção de provas e não recebeu cópias de vários documentos; decadência por aplicação do artigo 138 e 139 do Decretolei nº 37/66; nulidade do Auto de Infração por ausência de MPF; nulidade por motivação incongruente. 2. No mérito, que as negociações com a GEMAX eram rápidas em razão da alta capacidade de distribuição da EASY, procedendo a entrega dos produtos logo após o desembaraço; a revenda concentrada a um único cliente ( a EASY) representaria baixo risco para a GEMAX, o que explicaria a baixa margem de lucro; ainda que as operações pudessem ter a conformação jurídica acusada pela fiscalização, não houve dolo ou fraude por parte da EASY; que os tributos não deixaram de ser recolhidos; não se aplica a tese da responsabilidade objetiva do artigo 136 do CTN; que a avaliação da capacidade financeira para deve ser realizada pelo conceito de capital de giro, necessidade de capital de giro e índices de liquidez, que no decorrer das operações, o pagamento das operações mais antigas passaram a financiar as operações mais novas; que a afirmação fiscal de que as operações com a EASY não trouxeram lucro à GEMAX não foi comprovada; os efeitos elencados no relatório fiscal quanto à interposição fraudulenta não se verificaram. Por seu turno, a responsável EXIMLAB alegou: 1. Em preliminares, a decadência do lançamento e a prescrição da cobrança da multa; prova ilícita por quebra de sigilo fiscal; 2. No mérito, que realizou operações de compra e venda com a GEMAX e a EASY; que não se pode exigir do adquirente do bem que pesquise toda a cadeia de transmissão do bem a fim de exigir a regularidade da importação; que não houve dano ao erário em razão da inexistência de recolhimento de IPI, pois que as alíquotas eram sujeitas à alíquota zero; que não pode responder por eventuais erros de escrituração promovidos pela GEMAX e pela EASY; boafé por ausência de conluio, ausência de intenção de prejudicar outrem e ignorância da situação anterior que prejudica ato posterior; a aplicação do artigo 112 CTN;inexistência de responsabilidade por solidariedade; a inexistência de ofensa à ordem econômica; Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 7 6 Em 16/01/2012, foi lavrado Termo de Ocorrência, no qual restou consignado a tentativa de devolução integral dos documentos e livros contábeis e fiscais à Sra. Maria Emília de Almeida e Souza, sócia e responsável pela GEMAX, que recebeu pessoalmente o Sr. Renato Felz de Oliveira, motorista da Alfândega do Porto de Vitória/ES, mas se recusou a receber a documentação após contato telefônico com terceiro, ficando voluntariamente com uma via do Termo de Devolução. A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1653.134, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário: 2006 Descumprimento das normas relativas à importação por conta e ordem de terceiro. Dano ao Erário. Pena de perdimento. Multa substitutiva. Restando comprovada na Declaração de Importação a ausência de informação sobre a real adquirente da carga importada, adicionada à falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, além da presença de recursos de terceiros na operação, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo Artigo 23, Inciso V, do Decretolei 1.455/76, considerada dano ao Erário, punida com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos do § 1.º, do mesmo Artigo, ou, no caso destas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro. Arguição de cerceamento de direito de defesa. O fato de o contribuinte não ter tido acesso, no curso da ação fiscal, aos documentos obtidos pela Fiscalização junto a terceiros, não configura cerceamento de direito de defesa. A fase de investigação é uma etapa meramente inquisitória, de coleta de provas, durante a qual a Fiscalização não tem nenhuma obrigação de dar ciência ao investigado dos resultados preliminares de suas ações. Só depois de formalizada a acusação, através do auto de infração, é que surge para a autoridade lançadora o dever de cientificar o contribuinte dos elementos de prova que serviram de base para a formulação da pretensão fiscal. Infração. Responsabilidade solidária. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, respondendo pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie (Art. 124, I, do CTN). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 8 7 Cientificada em 06/01/2014, a GEMAX interpôs recurso voluntário, tempestivamente, alegando: 1. Em preliminares, nulidade do auto de infração por negativa de acesso aos autos e obtenção de cópia, nulidade por irregularidade na emissão de MPF, decadência do lançamento relativo às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência da autuação, necessidade de reforma por ausência de descrição específica das irregularidades, impossibilidade de utilizar conclusões de outros processos administrativos; 2. No mérito, a existência de receitas financeiras FUNDAP, imóvel avaliado em R$ 2.374.000 e capital social de R$ 400.000, suficientes a afastar a presunção relativa de incapacidade financeira, que importou em benefício próprio e depois revendeu, que não houve adiantamentos, pois os depósitos ocorreram depois de nacionalizadas as mercadorias, o caráter confiscatório da multa aplicada, a aplicação da multa de dez por cento por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. De suas partes, as recorrentes EASY e EXIMLAB interpuseram recurso voluntário, tempestivamente, reprisando, em síntese, as alegações deduzidas na impugnação. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os recursos interpostos atendem aos pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Preliminarmente, as recorrentes pugnam pela decadência das infrações relativas às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência do Auto de Infração. A decadência para constituição de crédito relativo a multa por infrações aduaneiras é dada pelos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/1966: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. O Decreto nº 4.543/2002 – RA/2002 reproduziu a mesma disposição do artigo 139 em seu artigo 669, sem qualquer ressalva: Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 9 8 Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139) A multa aplicada decorre da conversão da pena de perdimento por não ter sido a mercadoria localizada ou ter sido consumida, nos termos do §1º1 do artigo 618 do RA/2002, por ocultação do sujeito passivo a ser considerada ocorrida no registro da Declaração de Importação, documento onde são prestadas as informações pertinentes à identificação do adquirente das mercadorias importadas. Portanto, tendo as ciências do Auto de Infração ocorridas em 21/12/2011 (relativo à GEMAX), 22/12/2011 (relativo à EASY) e 20/12/2011 (relativo à EXIMLAB), os lançamentos referentes às DI´s registradas de 31/05/2006 a 24/11/2006 devem ser exonerados. Neste sentido, os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3403002.865: PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei no 37/1966. Acórdão nº 3201001.884: DECADÊNCIA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para aplicação das penalidades referentes a interposição fraudulenta prevista no art. 23, Inciso V do DecretoLei nº 1.455/76 é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos previstos no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. 1 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei no 37, de 1966, art. 105, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.724115/201166 Acórdão n.º 3302003.074 S3C3T2 Fl. 10 9 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 16327.002698/2003-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
LANÇAMENTO EM DUPLICIDADE.
Restando comprovado, por meio de diligência fiscal, que a autoridade fiscal procedeu o lançamento e a cobrança em duplicidade, há que se cancelar o Auto de Infração.
RO Negado e RV Provido
Numero da decisão: 3302-003.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, para negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, que negavam provimento.
(assinado digitalmente)
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 22/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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Restando comprovado, por meio de diligência fiscal, que a autoridade fiscal procedeu o lançamento e a cobrança em duplicidade, há que se cancelar o Auto de Infração. RO Negado e RV Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, para negar provimento ao Recurso de Ofício e, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos Conselheiros José Fernandes do Nascimento e Ricardo Paulo Rosa, que negavam provimento. (assinado digitalmente) RICARDO PAULO ROSA Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 22/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente da turma), Paulo Guilherme Deroulede, José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 26 98 /2 00 3- 14 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório que consta da Resolução nº 3401.00.425 de fls. 192193: O processo trata de auto de infração eletrônico do PIS Faturamento lavrado em 17/06/2003, períodos de apuração de 01/01/1998 a 31/12/1998, cujos valores principais foram lançados com juros de mora e multa de ofício. A 10ª Turma da DRJ deu provimento parcial à impugnação para exonerar a multa de ofício, em razão de suspensão da exigibilidade do crédito tributário determinada no Mandado de Segurança nº 97.00576868. Da parte exonerada coube recurso de ofício, por ultrapassar o limite de alçada. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte inova em relação à impugnação e alega duplicidade do lançamento, referindose ao processo nº 16327.001916/200395. Informa que o Auto de Infração desse outro processo contempla o PIS nos períodos de janeiro de 1998 a abril de 2002, que nele a CSRF negou provimento a Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional de modo a reconhecer a decadência dos meses de janeiro a abril de 1998, e que em relação aos períodos de maio a dezembro de 1998, não decaídos, efetuou depósito judicial nos autos do Mandado de Segurança acima já mencionado. Informa também que autoridade fiscal desmembrou daquele processo nº 16327.001916/200395 os períodos de maio a dezembro de 1998, dando origem ao processo nº 16327.000178/200873, e junta documentos referentes a esses dois processos. Requer, em face da duplicidade de lançamento, o cancelamento do presente Auto. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. O voto proferido na referida Resolução, por unanimidade, foi no sentido de "...converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem junte cópia do Auto de Infração do PIS do processo nº 16327.001916/200395, de sua ciência à contribuinte e informe do desfecho desse processo, especialmente se os períodos de apuração de maio a junho de 1998 foram (e quando, se for o caso) cancelados." Atendendo a solicitação de diligência, a Receita Federal do Brasil (fls. 225 226) prestou as seguintes informações: Cuida o presente de auto de infração de DCTF, o qual originouse em declaração do contribuinte no tocante aos débitos de PIS de janeiro à dezembro de 1998. Tais débitos foram, como acima expresso, declarados pelo contribuinte com suspensão da exigibilidade em razão de ação judicial (MS 97.00576868). Retornou o processo do CARF em decorrência da Resolução nº 3401.000.425 – 4ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, onde os membros do Colegiado resolveram converter o julgamento em diligência , para que se acostasse ao presente cópia do auto de infração consubstanciado no PAF 16327.001916/200395 (já acostado), em Fl. 260DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.002698/200314 Acórdão n.º 3302003.086 S3C3T2 Fl. 3 3 razão das alegações do contribuinte de duplicidade, bem como se desse ciência ao contribuinte da conclusão da diligência, abrindose lhe o prazo de 30 (trinta) dias para, em querendo manifestarse. Informou o contribuinte, em síntese, que os débitos de janeiro a abril de 1998 foram extintos do processo 16327.001916/200395, visto que foi declarada a decadência do direito de lançálos, bem como foi aberto o processo 16327.000178/200873, para onde foram transferidos os períodos de maio a dezembro de 1998. No que pertine aos débitos de janeiro a abril de 1998, não há que se falar em duplicidade, visto que os débitos aqui controlados, conforme já explanado são oriundos de declaração do próprio contribuinte, que constitui confissão de dívida. Os débitos excluídos do processo 16327.001916/200395, o foram por diferente fundamento, assim os períodos de janeiro a abril de 1998, devem ser tratados neste processo. Cumpre informar que a decisão judicial vigente no MS 97.00576868 é o acórdão proferido na apelação nº 2004.03.99.0262021, cujos principais excertos colacionamse: "Não bastasse tudo quanto dito, insta ter em conta que a linguagem da constituição, por se tratar de documento de índole política, evidentemente não tem o mesmo rigor de significado que razoável esperar de uma lei civil ou penal, sendo aquela mais ampla de significação e de consequências. Portanto, quando o inciso V, do artigo 72, do ADCT, com a redação da Emenda Constitucional 17/97, se refere à receita bruta operacional, relativamente às instituições financeiras, reportase, indubitavelmente, à receita bruta oriunda da prestação de serviços e das operações financeiras decorrentes do exercício da atividade bancária. Em suma, no caso dos autos, a contribuição é devida, no período de 01 de julho de 1997 a 23 de fevereiro de 1998, na forma da Lei Complementar 7/70, em face da inconstitucionalidade da norma contida no artigo 4º da Emenda Constitucional nº 17/97, por violação do princípio da anterioridade nonagesimal, aplicável às contribuições previdenciárias por força do disposto no artigo 195, §6º, da Constituição Federal de 1988. Ante o exposto, nego provimento às apelações e à remessa oficial, para manter íntegra a sentença recorrida." Assim, verificase que para o período em tela, amparo judicial, existe apenas para o mês de janeiro de 1998, visto ser a apuração do tributo no final do mês. Relativamente aos períodos de maio a dezembro de 1998, constatase a efetiva duplicidade com processo 16327.000178/200873 (o qual já integra a base do e processo), e encontrase suspenso por medida judicial em razão dos depósitos que perfizeram o montante integral dos valores, efetuados no MS supra. Face ao exposto, e em cumprimento à resolução do CARF, proponho seja cientificado o contribuinte do presente despacho para, em querendo se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, findos os quais deverá o processo retornar ao CARF. . Devidamente intimada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 230233) alegando em síntese que: (i) é incontroverso que a Receita Federal do Brasil lançou duas vezes o valor discutido e, nesse sentido, a duplicidade deve ser Fl. 261DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 4 reconhecida; (ii) a decisão proferida pela CSRF no PAF nº 16327.001916/200395, que reconheceu a decadência do período relativo a 01/98 a 04/98, não pode ser rediscutida neste ou naquele processo, pois já possui caráter de definitividade; (iii) em relação aos débitos do período de 05/98 a 12/98 não há nada a acrescentar, à medida que a própria Autoridade Fiscal reconheceu a efetiva duplicidade de cobrança com o processo 16327.000178/200373. Assim, concluiu a Recorrente que os débitos tributários não são exigíveis, devendo ser anulado o auto de infração objeto do presente processo. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator. Recurso de Ofício O recurso de ofício é dirigido para revisão da decisão proferida no acórdão de nº 1630.746, da 10ª Turma da DRJ/SP1, que afastou a cobrança da multa de ofício nos termos do artigo 63, §2º, da Lei 9.430/96, conforme trecho da referida decisão destacado abaixo: No entanto, verificada a suspensão da exigibilidade, incabível a exigência da multa de ofício, a teor do disposto no art. 63, da Lei nº 9.430/96: “Art.63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo.” No presente caso, restou demonstrado e confirmado pela própria fiscalização às fls. 225226 que os débitos exigidos estão com a exigibilidade suspensa em razão da decisão proferida em 15.12.1997, nos autos do Mandado de Segurança nº 97.0057686 8 (fls.77120). Desta forma, a teor do que determina o dispositivo anteriormente citado, o ajuizamento de ação judicial favorecida com medida liminar e com depósito do montante integral interrompe a incidência da multa de ofício. Portanto, em relação a cobrança da multa de ofício, não merece reparo a decisão proferida pela primeira instância. Recurso Voluntário O recurso apresentado é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. O princípio da verdade material Fl. 262DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.002698/200314 Acórdão n.º 3302003.086 S3C3T2 Fl. 4 5 O primeiro aspecto que deve ser destacado decorre do fato que a Recorrente (contribuinte) não apresentou em sede de impugnação argumentos atinentes a duplicidade de lançamento, o que em tese acarretaria preclusão do direito de alegar tal fato em sede recursal. A matéria relativa a duplicidade de lançamento somente foi arguida no recurso voluntário por ela interposto e, confirmado no resultado de diligência determinada pela 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária. Em resposta a diligência, a Receita Federal do Brasil (fls. 225226) confirmou a duplicidade de lançamento, exceção feita apenas ao período compreendido entre jan/98 a abr/98, pelas razões já mencionadas anteriormente. E por esse motivo, em observância ao princípio da verdade material, e que deve prevalecer, entendo que não há como deixar de analisar os fatos suscitados pela Recorrente em sede recurso voluntário, ainda mais, considerando que a própria autoridade fiscal confirmou a existência de duplicidade de lançamento. Assim, passo à análise das questões envolvendo a duplicidade de lançamento. A duplicidade de lançamento Neste ponto, a Recorrente sustenta a ocorrência de duplicidade de lançamento, uma vez que os débitos exigidos nestes autos foram constituídos no processo administrativo nº 16327.001916/200395. Conforme relatado, trata o presente processo de Auto de Infração eletrônico do PIS Faturamento lavrado em 17/06/2003, para cobrança de débitos apurados no período de 01/01/1998 a 31/12/1998. Para os mesmos períodos de apuração e para cobrança do mesmo tributo, PIS Faturamento, a autoridade fiscal também constituiu os créditos tributários por meio do processo administrativo nº 16327.001916/200395 (fls.202223). O demonstrativo abaixo, comprova a similitude de exigências realizadas pela autoridade fiscal, indicando que, de fato, ocorreu a duplicidade de lançamento: Todavia, a Receita Federal do Brasil desconsiderou parcialmente tais fatos e admitiu a duplicidade de lançamento somente em relação ao período compreendido entre mai/98 a dez/98, pleiteando o prosseguimento da cobrança em relação aos débitos de jan/98 a abr/98. Processo jan/98 fev/98 mar/98 abr/98 mai/98 jun/98 16327.002698/200314 857.872,83 924.223,65 772.121,18 706.255,18 905.099,34 934.337,16 16327.001916/200395 857.872,83 924.223,65 772.121,18 706.255,18 905.099,34 934.337,16 Processo jul/98 ago/98 set/98 out/98 nov/98 dez/98 16327.002698/200314 935.719,30 869.813,92 959.149,53 954.800,15 962.164,56 886.099,46 16327.001916/200395 935.719,30 869.813,92 959.149,53 954.800,15 962.164,56 886.099,46 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO 6 Os argumentos apresentados pela autoridade fiscal para justificar o prosseguimento da cobrança em relação aos débitos de jan/98 a abr/98 (fls. 225226) estão assim descritos: No que pertine aos débitos de janeiro a abril de 1998, não há que se falar em duplicidade, visto que os débitos aqui controlados, conforme já explanado são oriundos de declaração do próprio contribuinte, que constitui confissão de dívida. Os débitos excluídos do processo 16327.001916/200395, o foram por diferente fundamento, assim os períodos de janeiro a abril de 1998, devem ser tratados neste processo. Cumpre informar que a decisão judicial vigente no MS 97.00576868 é o acórdão proferido na apelação nº 2004.03.99.0262021, cujos principais excertos colacionamse: Não bastasse tudo quanto dito, insta ter em conta que a linguagem da constituição, por se tratar de documento de índole política, evidentemente não tem o mesmo rigor de significado que razoável esperar de uma lei civil ou penal, sendo aquela mais ampla de significação e de consequências. Portanto, quando o inciso V, do artigo 72, do ADCT, com a redação da Emenda Constitucional 17/97, se refere à receita bruta operacional, relativamente às instituições financeiras, reportase, indubitavelmente, à receita bruta oriunda da prestação de serviços e das operações financeiras decorrentes do exercício da atividade bancária. Em suma, no caso dos autos, a contribuição é devida, no período de 01 de julho de 1997 a 23 de fevereiro de 1998, na forma da Lei Complementar 7/70, em face da inconstitucionalidade da norma contida no artigo 4º da Emenda Constitucional nº 17/97, por violação do princípio da anterioridade nonagesimal, aplicável às contribuições previdenciárias por força do disposto no artigo 195, §6º, da Constituição Federal de 1988. Ante o exposto, nego provimento às apelações e à remessa oficial, para manter íntegra a sentença recorrida. Assim, verificase que para o período em tela, amparo judicial, existe apenas para o mês de janeiro de 1998, visto ser a apuração do tributo no final do mês. Relativamente aos períodos de maio a dezembro de 1998, constatase a efetiva duplicidade com processo 16327.000178/200873 (o qual já integra a base do e processo), e encontrase suspenso por medida judicial em razão dos depósitos que perfizeram o montante integral dos valores, efetuados no MS supra. Face ao exposto, e em cumprimento à resolução do CARF, proponho seja cientificado o contribuinte do presente despacho para, em querendo se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias, findos os quais deverá o processo retornar ao CARF" Como se vê, o entendimento da autoridade fiscal para justificar a manutenção da cobrança relativa aos débitos do período de jan/98 a abr/98 foi no sentido de que "os débitos aqui controlados, conforme já explanado são oriundos de declaração do próprio contribuinte, que constitui confissão de dívida. Os débitos excluídos do processo 16327.001916/200395, o foram por diferente fundamento, assim os períodos de janeiro a abril de 1998, devem ser tratados neste processo." Contudo, razão não assiste a autoridade fiscal. Com efeito, a decisão proferida nos autos do processo administrativo nº 16327.001916/200395 que reconheceu a decadência dos débitos não pode ser desconsiderada. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO Processo nº 16327.002698/200314 Acórdão n.º 3302003.086 S3C3T2 Fl. 5 7 Isto porque, referida decisão não foi alvo de nenhum recurso interposto pelas partes litigantes, tornandose, assim, definitiva a teor do que determina o inciso III, do artigo 42, do Decreto 70.235/72, disciplinado da seguinte forma: Art. 42. São definitivas as decisões: (...) III de instância especial. Desta forma, não resta dúvida de que a decisão proferida naquele processo, independentemente dos fundamentos utilizados pelo julgador para aplicar o prazo decadencial, deve ser cumprida para o fim de afastar a cobrança dos débitos aqui discutido, sob pena infringir o ato jurídico perfeito e o princípio da segurança jurídica. Portanto, considerando que já houve reconhecimento do prazo decadencial, tornase despicienda a manutenção da cobrança no presente feito, posto que, repitase, a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 16327.001916/200395, tornouse definitiva a teor do que determina o inciso III, do artigo 42, do Decreto 70.235/72. Deste modo, entendo que não deve prevalecer a cobrança dos débitos relativos ao período de jan/98 a abr/98, posto que (i) é incontroverso a duplicidade de lançamento; e (ii) a decisão proferida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais no processo administrativo nº 16327.001916/200395 deve ser totalmente cumprida para o fim de afastar a cobrança nestes autos. Para o período de mai/98 a dez/98, considerando que a autoridade fiscal admitiu a duplicidade de cobrança, o cancelamento de tais débitos também é medida que se impõe, sob pena de acarretar enriquecimento ilícito. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso de Ofício e, dar provimento ao Recurso Voluntário, para cancelar o lançamento realizado neste processo, por evidente duplicidade de lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 265DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por RI CARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por WALKER ARAUJO
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Numero do processo: 10980.004946/97-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1990 a 31/12/1995
EFEITOS DO PROCESSAMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS REMANESCENTES.
Restando demonstrado nos autos que o direito creditório reconhecido em última instância administrativa foi insuficiente para compensar os débitos informados pelo sujeito passivo nos referidos pedidos de compensação, o processamento da manifestação de inconformidade, via Mandado de Segurança reinaugurou a via contenciosa, suspendendo a exigibilidade dos saldos devedores remanescentes.
Numero da decisão: 3302-003.003
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Sem Crédito em Litígio
Recurso Voluntário Negado
Sem Crédito em Litígio
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência arguída em plenário pelo Conselheiro Domingos de Sá, vencido o proponente. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a preterição do direito de defesa pela impossibilidade de compreensão dos cálculos e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Sem Crédito em Litígio Recurso Voluntário Negado Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência arguída em plenário pelo Conselheiro Domingos de Sá, vencido o proponente. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a preterição do direito de defesa pela impossibilidade de compreensão dos cálculos e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA - Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
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INEXISTÊNCIA. Estando os valores finais de débitos remanescentes, por insuficiência do direito creditório reconhecido, perfeitamente identificados nos extratos e demonstrativos respectivos, com relação ao tributo, período de apuração e vencimento, incabível a arguição de nulidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1990 a 31/12/1995 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A DCTF possui o efeito de confissão de dívida, elidindo a necessidade de constituição formal do crédito pelo fisco. Estando os débitos remanescentes declarados em DCTF, é dispensada qualquer outra providência por parte do fisco. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/1990 a 31/12/1995 EFEITOS DO PROCESSAMENTO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. MANDADO DE SEGURANÇA. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS REMANESCENTES. Restando demonstrado nos autos que o direito creditório reconhecido em última instância administrativa foi insuficiente para compensar os débitos informados pelo sujeito passivo nos referidos pedidos de compensação, o processamento da manifestação de inconformidade, via Mandado de Segurança reinaugurou a via contenciosa, suspendendo a exigibilidade dos saldos devedores remanescentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 49 46 /9 7- 81 Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Recurso Voluntário Negado Sem Crédito em Litígio Recurso Voluntário Negado Sem Crédito em Litígio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de diligência arguída em plenário pelo Conselheiro Domingos de Sá, vencido o proponente. Por maioria de votos, em rejeitar as preliminares, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, que reconhecia a preterição do direito de defesa pela impossibilidade de compreensão dos cálculos e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Deroulede, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por IVAI ENGENHARIA DE OBRAS SOCIEDADE ANONIMA, com CNPJ 76.592.542/000162, em face do Acórdão nº. 47.603, de 21/11/2013, proferido pela 2ª Turma da DRJ/POA, que, à unanimidade, deu provimento parcial à manifestação de inconformidade para excluir a exigência de acréscimos legais na compensação/abatimento dos débitos de PISRepique, homologando as compensações até o limite do crédito. Para a cognição da situação fática dos autos demonstrase a seguir a cronologia dos atos processuais, ressaltando que a referência às folhas do processo correspondem à numeração do eprocesso e em parêntese, quando necessário, será indicada a folha do processo físico: 1 Pedidos de compensação protocolizados a partir de 19/05/1997, fls. 1.238/1.243, (vol.1) originariamente solicitando o reconhecimento de direito creditório de R$ 2.554.309,10, decorrentes de recolhimentos de contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, efetuados na forma prescrita pelos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, a partir de janeiro de 1990, para a compensação de débitos de contribuição para o PIS, na modalidade PIS/Repique, dos anoscalendário de 1990 a 1995, e para que fosse autorizada a utilização de valor remanescente em compensações com tributos e contribuições de espécies diferentes. 2 Despacho Decisório das fls. 1.924 a 1.929 (fls.644/649), de 12/03/2001, cientificado ao contribuinte em 25/03/2003, fl.1.929, (vol 1_371) reconheceu o direito Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.618 3 creditório de 1.589.000,61 Ufir, equivalentes a R$ 1.316.804,81, em valores de 01/01/96. Os pagamentos efetuados até 19/05/92 não foram considerados, em face do transcurso do prazo decadencial de cinco anos, em relação à data do protocolização do processo (19/05/1997), a teor do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 96, de 26 de novembro de 1999, ressaltando que as decisões judiciais que beneficiaram a interessada apenas concederam o direito de recolher a contribuição para o PIS com base na Lei Complementar nº 7, de 1970, não fazendo menção a compensações ou restituições. Foram efetivadas as compensações até o limite do crédito. 1º CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO 3 Manifestação de inconformidade, fls. 2.076/2.080 (vol.2) apresentada em 24/04/2003, fl.2076 na qual, em síntese, contesta a limitação temporal ao direito de reaver recolhimentos anteriores a 19/05/92, aduzindo que o Poder Judiciário já consolidou o entendimento que, em tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o prazo decadencial ou prescricional de cinco anos somente se conta a partir de cinco anos do fato gerador, perfazendo o prazo de dez anos. 4 Acórdão DRJ/CTA nº 4.765/2003, fls. 2.096/2.103 (vol.2) indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos a seguir ementados: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1990 a 19/05/1992 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. 5 Recurso Voluntário em 20/07/2004, fls.2.134/2.138 (vol.2); 6 Acórdão 20215.928, de 09/11/04, fls.2.159/2.163 (vol.2), assim ementado: PIS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.PRESCRIÇÃO. O termo inicial do prazo prescricional de cinco anos para a compensação do PIS recolhido a maior, por julgamento da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nºs2.445/88 e 2.449/88, flui a partir do nascimento do direito à compensação/restituição, no presente caso, a partir da data de publicação da Resolução do Senado Federal nº 49/95.(grifei). Excertos do voto (parte dispositiva): Por estas razões, voto no sentido de dar PARCIAL PROVIMENTO Recurso Voluntário, para assegurar à Recorrente seu direito de compensar as parcelas indevidamente recolhidas a título de Contribuição ao PIS com base nos malsinados Decretoslei nºs 2.445/88 e 2.449/88 no período compreendido entre 10.04.90 e 19.05.92, assegurando ao Fisco, por outro lado, seu direito/dever quanto à verificação da adequação do montante postulado. Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 Recurso parcialmente provido. 7 Recurso especial da PFN, fls.2165/2.175 argui que o acórdão recorrido diverge da nova orientação firmada pela 1ª seção do STJ, na apreciação do ERESP 423.994/MG, assim como supera os termos do Ato Declaratório SRF no.096, de 26/11/99, (...) o qual determina que o termo a quo contase da extinção do crédito tributário(...)(sic) 8 Despacho nº 202230 fls.22/04/2205 cientificar o sujeito do Acórdão 20215.928 e assegurar o prazo para o oferecimento de contrarrazões; 9 Contrarrazões ao RE/PFN, fls.2.209/2.213 argui que a jurisprudência administrativa está consolidada em sentido contrário ao do pleito da PFN. Indica os acórdãos paradigmas: CSRF/0201.790, AC 20176527 e CSRF/0201.834; 10 Acórdão CSRF nº 0203.334, de 01/07/2008, fls.2.219/2.221, assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1995 PIS. RESTITUIÇÃO.DECADÊNCIA.PRAZO. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo como termo inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional. Recurso Especial de Divergência da Fazenda Nacional Negado. 11 Recurso Extraordinário impetrado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN) , fls.2.225/2.234 argui divergência jurisprudencial, indicando os acórdãos paradigmas: CSRF/0105.858 e CSRF/0105.773, cujos colegiados recorridos decidiram que é no momento do pagamento que se inicia a contagem do prazo de cinco anos para que o contribuinte possa pleitear a restituição; 12 Despacho CSRF Nº 102, de 10/03/2009, fls. 2.239/2.240 foi negado seguimento ao recurso extraordinário interposto pela PFN, tornandose definitivo o Acórdão CSRF nº 0203.334, de 01/07/2008, fls.2219/2221. ATOS EXECUTÓRIOS 13 Despacho Decisório Complementar, fls. 2.244 a 2.270 (fls.950/976), com ciência da interessada em 09/07/2010 , fl.976 o AuditorFiscal designado refez todos os cálculos, agregando o período anterior, conforme determinado na decisão administrativa, sendo reconhecido o direito creditório complementar, passível de compensação, no valor de R$ 928.033,75, a ser acrescido de taxa selic de juros SELIC a partir de 01/01/96; 14 Listagens de débitos/saldos remanescentes fls.2.282/2.283 fls.(987/988); 15 Demonstrativo de Compensação, fls.2.284/2.292 (fls.989/997); 16 Despacho Decisório Complementar, fls. 2.293 a 2.295 (fls.998/1000), de 07/07/2011: Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.619 5 3. Os débitos atrelados ao presente processo com pedidos de compensação são aqueles discriminados nas planilhas, de fls. 731 e 732, e os débitos que foram compensados a partir do crédito mencionado no articulado 1 são aqueles informados na planilha de fl.731( saldo zero + parte do débito 8109 PA 05/98).(grifei). 4. Com base em acórdão do CARF foram estendidos os períodos de apuração dos créditos e, consequentemente, foi reconhecido direito creditório suplementar de R$ 928.033, 75 a ser acrescido de taxa de juros SELIC a partir de 01/01/1996 (fls.950 a 976). 5. Tendo em vista o direito creditório suplementar, imputei os dados do crédito e dos saldos devedores dos débitos (conforme estampados nas planilhas de fls. 731 e 732) no Sistema de Apoio Operacional, sendo que o resultado, conforme fls.987 a 997, demonstra que o crédito não foi suficiente para proporcionar o deferimento das compensações de todos os débitos havendo remanescido débitos cujas compensações não foram deferidas conforme a planilha de fl. 987. 6. Dessa forma, proponho: · Sejam deferidas as compensações dos débitos elencados na planilha de fl. 987, cujos saldos devedores são zero. · seja deferida parcialmente a compensação do débito 2172 COFINSPA 05/1999 até o valor de R$ 46.625,61. · Não sejam deferidas as compensações dos demais débitos elencados na planilha de fl.987. De acordo. RESOLVO. · deferir as compensações dos débitos elencados na planilha de fl. 987, cujos saldos devedores são zero. · deferir parcialmente a compensação do débito 2172 COFINSPA 05/1999 até o valor de R$ 46.625,61. · Não deferir as compensações dos demais débitos elencados na planilha de fl.987. Encaminhese (..) para as seguintes providências: · com relação à implementação das compensações no SIAFI(SAPO fls.987 a 997). · Implementar a Cobrança dos débitos cujas compensações não foram deferidas, observandose que o contribuinte já foi cientificado do despacho decisório complementar, de fls. 950 a 976 (ver fl. 976). Referências: Fl. 2621DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 · fls. (731 e 732) fls.2.013/2.014; · fls. (950/976) fls. 2.244 a 2.270; · fls.(987/997) fls.2.282/2.292; 17 Extratos do processo fls.2.296/2.314 (fls.101/1019); 18 Despacho de fl. 2.315 (1020), de 05/10/2011: Com o crédito remanescente da compensação acima foram feitas novas compensações como se observa às fls.760 a 769, resultando na planilha de fl. 767 e o saldo credor do despacho decisório de fls. 644 a 649 foi utilizado até o limite. Assim, as planilhas de débitos remanescentes são encontradas às fls. 768 e 769. Observamos que o saldo devedor do PIS/PASEP(8109), PA 05/1998, venc.15/06/1998 é de R$ 20.424, 01 após as novas compensações, divergindo da planilha de fl.731/732 que era de R$ 4.288,02 (cancelada). Juntamos extratos do sistema PROFISC dos processos nº 10980.004.946/9781 e 10980.005.947/200325 nos quais foram cadastrados os débitos compensados com o saldo credor do presente processo e verificamos que os saldos devedores remanescentes estão cadastrados no processo nº 10980.005.929/200343, juntado ao presente processo raiz. Assim sendo, encaminhese o presente processo à EQARC para revisão do Despacho Decisório Complementar de fls.998 a 1000. 19 Listagens de Créditos/Saldos Remanescentes, fl. 2.316 (fl.1.021); 20 Listagens de Débitos/Saldos remanescentes, fl. 2.317 (fl.1.022); 21 Demonstrativo de Compensação, fls. 2.318/2.321 (1.023/1.026) 22 Despacho Decisório Complementar Retificador, fls.2.327/2.329 (1.032/1.034), de 11/10/2011: 1. Tendo em vista a informação do SEORT/EQLIQ, de fl.1020, é providenciado o presente despacho decisório para alterar o saldo do débito 8109 PA 05/1998 de R$ 4.288,02 para R$ 20.424,01. (...) 4. Dessa forma, proponho: · Seja anulado o despacho decisório, de fls. 998 a 1000, para ser substituído pelo presente despacho decisório complementar. · Sejam deferidas as compensações dos débitos elencados na planilha de fl.1022, cujos saldos devedores são zero. Fl. 2622DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.620 7 · Seja deferida parcialmente a compensação do débito 2172 COFINS PA05/1999 até o valor de R$ 79.091,61. · Não sejam deferidas as compensações dos demais débitos elencados na planilha de fl. 1022. De acordo. RESOLVO. · Anular o despacho decisório, de fls. 998 a 1000, para ser substituído pelo presente despacho decisório complementar. · Deferir as compensações dos débitos elencados na planilha de fl.1022, cujos saldos devedores são zero. · Deferir parcialmente a compensação do débito 2172 COFINS PA05/1999 até o valor de R$ 79.091,61. · Não deferir as compensações dos demais débitos elencados na planilha de fl. 1022. (...) · Implementar a Cobrança dos débitos cujas compensações não foram deferidas, observandose que o contribuinte já foi cientificado do despacho decisório complementar, de fls.950 a 976 (ver fl.976). 23 Listagens de Débitos/Saldos remanescentes/Demonstrativo de Compensação, fls. 2.330/2.363 (fls.1.035/1.068); 24 CartaCobrança, fls.2.364 (fl.1.069) Ofício nº 1.998/2011 , com ciência do contribuinte em 01/12/2011, fl.2.366 comunica que após a compensação efetuada restaram débitos que deverão ser recolhidos ou apresentar, dentro de 30 dias, manifestação de inconformidade de acordo com o art. 17, III, § 9º da Lei nº 10.833/2003 que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, alterado pelo art. 49 da Lei nº 10.637/2002; 25 Manifestação de Inconformidade, fls. 2.373 a 2.393 (fls.1.077/1.092), (não consta a data de protocolo) Indica que foram lançados débitos de Cofins do período, mas não de IRPJ, CSLL e PIS, contidos na cobrança recebida. Alega que já ocorreu a decadência em relação aos débitos em questão. Questiona a aplicação retroativa da legislação a partir da MP 135/2003, de outubro de 2003, posterior à manifestação de inconformidade original, que previu a suspensão dos débitos não compensados, uma vez que a legislação aplicável é a da época da efetivação da compensação. Cita jurisprudência do STJ. Entende que tal procedimento agride o princípio da irretroatividade. Alega que nunca foi oportunizada a discussão dos débitos. Argumenta que, se válida a aplicação da legislação posterior, também é igualmente válida a determinação da lei que fixa o prazo de homologação do pedido em cinco anos. Sob todos os aspectos, entende caracterizada a decadência. Fl. 2623DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 Com relação ao cálculo, se irresigna contra a incidência de multa e juros sobre os débitos de PISRepique, uma vez que o crédito é anterior. Alega que a Ufir de conversão seria a do momento do pedido, 0,9108, e não 0,8287. Argumenta, por fim, que o cálculo é incompreensível, ensejando nulidade dos atos. Requer, julgar procedente a manifestação, para declarar a nulidade da cobrança e da compensação de ofício realizada, comunicar aos autos do processo de Cofins e existência de saldo de crédito compensável e, alternativamente, reconhecer a procedência dos questionamentos sobre o cálculo. 26 Informação Fiscal , fls.2.428/2.437 (fls.1.131/1.140), de 06/01/2012, com ciência em 11/01/2012 A DRF/CTA acata parcialmente as razões apresentadas: 43. A compensação dos débitos contestados pelo interessado deveria ter sido feita sem os acréscimos de juros e multa. 44. Na realidade, ocorreu uma situação particularíssima em que tais débitos não deveriam ter sido compensados mediante o Sistema de Apoio Operacional com os acréscimos de juros e multas como ocorreu com os cálculos de fls. 743 a 769. 45. A situação é a seguinte: os débitos elencados para compensação referemse a períodos de apuração de 12/1990 até 12/1995 e o Pedido de Compensação foi protocolado em 1997, ou seja, após o vencimento dos débitos. 46. Como os Pedidos de Compensação se converteram em Declarações de Compensação entregues após os vencimentos dos débitos são homologadas com os acréscimos de juros e multas devido ao atraso de sua entrega, esta é a razão dos acréscimos incluídos na compensação. 47. No entanto, o crédito utilizado para compensação teve sua constituição iniciada desde 04/1990 (situação particularíssima de crédito de constituição complexiva determinado por ação judicial transitada em julgado), ou seja, quando da compensação do 1º débito referente ao período de apuração de 12/1990, já existia crédito suficiente para compensar tal débito e, portanto, não deve ser cobrado multa e juros na compensação desses débitos. 49. A soma dos débitos elencados pelo interessado conexos aos débitos do PIS código 8205 (Pedido de Compensação de fl.01) soma R$ 76.666,85. 50. Assim, do valor do crédito reconhecido de R$ 1.316.8904,81 será abatido o valor acima (sem multa e juros) e o restante R$ 1.240.137,96 utilizado para compensar os demais débitos. 27 Manifestação de Inconformidade, fls. 2.440/2.441, de 24/02/2012 argui que os débitos relacionados não se encontravam com a exigibilidade suspensa, a despeito da manifestação de inconformidade entregue, que não havia sido encaminhada à DRJ, situação que está lhe ocasionar prejuízos pois em breve sua Certidão Negativa será extinta, e não será possível obter nova Certidão. Fl. 2624DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.621 9 28 Mandado de Segurança (MS) 501085618.2012.404.7000/ PR, fls.2.442/2.443 teve liminar parcialmente deferida. Após, sobreveio a sentença, cujo dispositivo foi assim redigido (fls. 2.466 a 2.470): Em decorrência, impetrou o Mandado de Segurança (MS) 501085618.2012.404.7000/ PR, que teve liminar parcialmente deferida, com o fito de determinar ao impetrado que expeça a certidão positiva com efeitos de negativa (...). 29 CartaCobrança, fls.2463/2464, Ofício nº 671/2012, com ciência em 04/05/2012, fl.2465 Fica anulada a cartacobrança referente ao Ofício nº 1.998/2011 de acordo com os artigos nº 53, 54 e 55 da Lei nº nº 9.784, de 1999; 30 Sentença, fls. 2.466/2.470: “Ante o exposto, CONCEDO a ordem para determinar ao impetrado o recebimento e processamento da manifestação de inconformidade apresentada no EVENTO 1 PROCADM 7, relativo aos feitos administrativos já referidos, bem como forneça à impetrante a certidão positiva com efeitos de negativa, nos termos da fundamentação.” Na fundamentação, consta trecho que cumpre transcrever: “A partir de tal dispositivo, introduzida na legislação a figura da manifestação de inconformidade, conforme não deixa qualquer resquício de dúvida o contido no art. 74 da Lei 9.430/96, é evidente que, enquanto pendente de decisão final, há a suspensão do crédito tributário, eis que não poderia exsurgir, do exercício de direito, o efeito deletério da recusa quanto à regularidade fiscal.” 31 A DRF/CTA encaminha o processo à DRJ para apreciação, atestando a tempestividade da manifestação. 2º CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL 32 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu a lide conforme demonstram a ementa e parte dispositiva da decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1990 a 31/12/1995 CRÉDITO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. A autoridade fiscal deverá apurar o recolhimento a maior, caso a quantificação do crédito já não tenha sido objeto da decisão judicial. A certeza e liquidez do crédito é condição para a restituição/compensação, conforme determina o art. 170 do CTN. DECISÃO JUDICIAL. CÁLCULO. INDÉBITO. ATUALIZAÇÃO. Fl. 2625DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 Se a decisão judicial determinou a exigibilidade do PIS pela sistemática da Lei Complementar 07/70, desconsideradas as alterações dos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, os valores de PISRepique serão deduzidos sem a imposição de acréscimos legais, no caso de pagamentos realizados antes ou na data de vencimento dos débitos. O valor do indébito, para fins de compensação, quando expresso em UFIR, deverá ser convertido para Real utilizandose a UFIR vigente em janeiro de 1996, no valor de 0,8287. A partir de janeiro/1996, serão acrescidos juros equivalentes à taxa SELIC, acumulada mensalmente até o mês anterior, mais o percentual de 1% relativamente ao mês do encontro de contas. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A entrega da DCTF pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal tem efeito constitutivo do crédito tributário, sendo dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. PROCESSO ANTERIOR. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. A homologação tácita das declarações de compensação foi introduzida pela Lei 10.833/03. Não se aplica a homologação tácita aos pedidos/declarações de compensação já apreciados pela unidade de jurisdição. O termo a quo para a contagem da homologação tácita referese a data de entrega de cada declaração ativa. Por todo o exposto, voto por conhecer da manifestação de inconformidade, reconhecendo a suspensão do saldo de débitos, rejeitar a alegação de nulidade e dar provimento parcial à manifestação de inconformidade para excluir a exigência de acréscimos legais na compensação/abatimento dos débitos de PISRepique, homologando as compensações até o limite do crédito e dando prosseguimento à cobrança dos débitos não compensados. Cientificada da decisão de primeira instância em 03/09/2014, conforme Aviso de Recebimento de fl. 2.574, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 2.579/2.596 em 02/10/2014, fl.2.579, onde reitera os mesmos argumentos já aduzidos na manifestação de inconformidade, notadamente quanto à decadência quanto aos débitos, o valor da UFIR utilizado e o valor do PISREPIQUE, acrescentando , porém os a seguir transcritos, em apertada síntese: A DRJ menciona que o processo tem trajetória peculiar, isso por conta da terrível prática administrativa de se obstruir um direito do contribuinte, que no presente caso ocorreu em algumas situações:a ) quando a Receita Federal não aceitou a Manifestação de Inconformidade, recorrendo portanto o Recorrente ao Poder Judiciário; b) A Receita Federal desconsiderou jurisprudência pacífica e remansosa quanto ao prazo decadencial de dez anos para restituição, tendo a Recorrente que ingressar com Recurso Voluntário para ver seu direto reconhecido; c) mesmo sabendo que não prosperaria sua tese recorreu à Câmara Superior; d) agora também a Receita Federal insiste em não reconhecer a decadência dos créditos tributários cobrados. Da decadência Fl. 2626DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.622 11 Assim, mais uma vez a Recorrente se vê na obrigação de se utilizar de recurso voluntário para ver resguardado um direito cristalino: o de não ter cobrado contra si créditos tributários já atingidos pela decadência. A decadência pode ser arguída sob dois prismas: Primeiro, porque em processo que se desdobra desde 1997, a Receita Federal entendeu por bem aplicar retroativamente uma legislação que foi editada em 30/03/03. Portanto não há como aplicar o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.440/96 (sic), ao presente caso, pois a compensação realizada, bem como a manifestação de inconformidade apresentada à época pela peticionária (protocolada em 20.04.2003, contra decisão que reconheceu apenas parcialmente o direito creditório) se referem a períodos anteriores ao advento da MP 135 de 30.10.03. Aplicar mudança legislativa posterior seria, na esteira da retrocitada jurisprudência, agredir o princípio da irretroatividade, bem como ao princípio da igualdade, pois quando a mudança legislativa é benéfica ao contribuinte o Fisco não admite a retroatividade, mas quando é prejudicial ao mesmo, o Fisco não pensa duas vezes em aplicála. Cita respeitável jurisprudência em socorro de sua tese. Em uma segunda perspectiva, a decadência também pode ser vislumbrada, porque nunca houve discussão da peticionaria quanto ao mérito dos débitos objeto de compensação. Os únicos débitos que a peticionária resolveu questionar são aqueles de COFINS, em razão de auto de infração, datado de junho de 2003 (PAF 10980.005998/2003 57). Quando foi proferido o primeiro Despacho decisório (fls.644649 do PAF 10980.004946/9781), do qual a contribuinte foi notificada em 25.03.03, esta somente ingressou com a Manifestação de Inconformidade contra o reconhecimento da decadência. A Peticionária não questionou o mérito do crédito, nem mesmo a utilização da UFIR de 0,8287. Portanto, mesmo que fosse possível aplicar retroativamente o º 11 do art. 74 da Lei 9430/96, o fato é que a inconformidade da peticionária seria apenas parcial; isto é apenas em relação à decadência. Ou seja, desde 25.03.03 (data que a peticionária tomou ciência do Despacho em questão fls. 649), os débitos poderiam ter sido lançados. Portanto o crédito de R$ 928.033,75 somente poderia ser compensado co o crédito de COFINS constante do (PAF 10980.005998/200357). Se a DRJ entende que não precisa ser lançado, pois o pedido de compensação já serviria de lançamento, então os débitos já poderiam ter sido executados. Fl. 2627DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 Aqui entra em questão o problema da prescrição, que se dá em cinco anos após o lançamento definitivo (1997, com o pedido de compensação) e, portanto, já em 15.5.2002 os créditos estariam extintos porque prescritos, nos termos do art. 174 do CTN. Em uma quarta perspectiva de aplicação do prazo decadencial, decorre do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, promovida pela MP 135/03. Se a receita entende que pode aplicar imediatamente uma mudança de legislação, o mesmo critério tem que ser utilizado em favor do contribuinte. Com base em tal raciocínio, o direito da Receita Federal homologar o pedido de compensação da peticionária apresentado em 15.5.97, no valor de R$ 2.554.309,10, decaiu em 15.5.2002. Se o Despacho Decisório de reconhecimento do crédito em favor do Fisco é de 25.03.2003(fls.644649 do do PAF 10980.004946/9781), então já havia operado a decadência. Em última perspectiva, mesmo sendo possível aplicar o § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, este não tem o condão de suspender o prazo decadencial, uma vez que por força da Súmula Vinculante nº 08 do STF, está pacífico que somente Lei Complementar é que tem competência para tratar do tema de prescrição e decadência em matéria tributária. O quer se quer demonstrar é que a aplicação do supracitado § 11, não impediria o dever de realizar o Lançamento de Ofício, apenas para fins de interrupção da decadência Da UFIR utilizada A Receita Federal tomou como valor de UFIR R$ 0,8287, enquanto que o valor correto da UFIR é o da data do pedido de compensação, que seria, em 15.5.97, de R$ 0,9108. Do efeito suspensivo quanto à incidência de juros e multa Há que se questionar a exigência do PISRepique, constante das fls. 762. O Acórdão DRJ agiu bem ao expurgar multa e juros, no entanto, há uma dificuldade da peticionária em compreender os critérios e a metodologia empregada pelo r. Despacho Decisório Retificador (fls. 1.032 e ss). A Receita Federal não apresenta de forma clara porque não aceitou os cálculos da peticionária. Essa presunção de que o contribuinte deve entender o que está escrito e planilhado é uma agressão ao princípio do dever de fundamentação e todas as decisões administrativas. Assim, em razão da decadência, em verdade a peticionária tem créditos e não débitos. O caso é tão peculiar que quando a Recorrente recebeu a notificação relacionada a análise das compensações e débitos, não lhe foi encaminhada o cálculo final, assim é imperioso que seja suspensa a incidência de juros e multa aos alegados valores decorrentes dos pretensos débitos, visto que caso queira a Recorrente efetuar o pagamento de eventual débito, não lhe seria possível em razão de não ter o valor determinado. Ao final requer: Fl. 2628DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.623 13 seja o presente Recurso Voluntário aceito e provido, para que, provendose a Manifestação de Inconformidade, seja reconhecida a decadência e/ou prescrição extintiva dos créditos tributários cobrados pela Receita Federal ou, alternativamente, seja reconhecido o direito de utilizarse o cálculo com base na UFIR supracitada ou, ainda, e por fim, seja anulado o cálculo do PIS/REPIQUE, porquanto não há explicação alguma apresentada pela Receita Federal, apenas uma planilha indicando valores que não se sabe como foram alcançados. Ademais, ainda se requer que seja atribuído efeito suspensivo a cobrança de eventuais juros e multa em razão da falta de informação acerca do alegado valor devido. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: PRELIMINARMENTE Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 1Inicialmente, cabe realinhar a discussão quanto às questões postas na peça recursal para que se tenha delimitada a matéria objeto de apreciação por esse colegiado. Da inexistência de nulidade Preliminarmente se insurge o Recorrente em síntese, pela tramitação longa do presente processo, decorrência, segundo suas razões. de não ter a Administração Tributária, acolhido ab initio sua tese, desconhecendo inclusive jurisprudência que respaldaria sua tese, tendo recorrido ao Poder Judiciário para fazer valer o seu alegado direito, bem como por não ter perfeita cognição dos cálculos apresentados como débitos remanescentes. Embora já relatado, é importante de plano consignar que o objeto do presente processo é o pleito inicial do recorrente, pedido de compensação , fl.1.823, protocolizado em 19/05/1997, solicitando o reconhecimento de direito creditório de R$ 2.554.309,10, decorrentes de recolhimentos de contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, efetuados na forma prescrita pelos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, a partir de janeiro de 1990, para a compensação de débitos de contribuição para o PIS, na modalidade PIS/Repique, dos anoscalendário de 1990 a 1995, acrescido de outros pedidos de compensação conforme fls. 558 e 559 (compensação de PIS faturamento código 8109 dos períodos de apuração 03/96 a 08/97). fl. 568 (compensação de PIS Repique código 8205 que o contribuinte já havia anexado à fl. 01 do processo) e 572 (compensação de PIS Faturamento código 8109 para o período de apuração 09/97), conforme item 12 do Despacho Decisório Complementar fls.2.244/2.270, de 08/05/09. 1 A numeração citada no presente voto é a do processo digitalizado, no entanto para facilitar a identificação das processuais, quando se fizer necessário, indicarseá entre parênstese o nº do processo físico. Fl. 2629DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 Pelo relatório do presente voto restou destacado que o Recorrente teve seu pleito analisado, conforme estabelece a competência regimental da RFB, tendo sido reconhecido ainda na unidade de origem, conforme Despacho Decisório de fls. 1.924/1.929 (649/662), anexado novamente às fls. 2.117/2.122 o direito creditório de 1.589.000,61 UFIR, equivalentes a R$ 1.316.804,81, em valores de 01/01/96. Os pagamentos efetuados até 19/05/92 não foram considerados, por entender referida autoridade que houve o transcurso do prazo decadencial de cinco anos, cujo termo a quo foi estabelecido em relação à data do protocolização do processo (19/05/1997), a teor do Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal nº 96, de 26 de novembro de 1999. Com efeito, o Recorrente foi regularmente cientificado do referido despacho decisório, em 23/03/03, o que lhe oportunizou o exercício do contraditório e da ampla defesa, princípios constitucionais, corolários do devido processo legal, que assim exercidos, materializados na manifestação de inconformidade apresentada em 24/04/03, fl. 2026, foi o processo submetido ao rito do Decreto nº 70.235, de 1972, inaugurando a fase contenciosa, sendo apreciado em primeira instância administrativa pela 2ª Turma da DRJ/POA, que manteve o indeferimento quanto ao direito resistido ( pagamentos efetuados até 19/05/92) e definitivamente pela segunda instância administrativa, através do Acórdão nº 20215.928 do então Conselho de Contribuintes que em sessão de 09/11/04, afastou a decadência, determinando a inclusão dos pagamentos pleiteados para o período 10/04/90 a 19/05/92, uma vez que a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao Recurso Especial impetrado pela Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), em 01/07/08 e posteriormente, foi negado seguimento ao recurso extraordinário interposto pela PFN. Estando seu pleito acolhido na via contenciosa administrativa, coube à Administração Tributária proceder à execução do direito proclamado no acórdão, no entanto estando sua atuação informada pelos princípios constitucionais dispostos art. 37 da CF/88, entre os quais o da legalidade, fezse mister efetuar os exames fiscais pertinentes ao caso, haja vista as prescrições do art. 3º do Decreto nº 2138, de 1997, que atribui à Secretaria da Receita Federal referidos procedimentos quando do reconhecimento de direito creditório, uma vez que tem a Administração Tributária o poderdever de cobrar um tributo devido, por ser um direito indisponível, porém somente no exato "quantum" devido. Assim tendo em vista os pedidos de compensação acrescidos ao original, abrangendo o pleito em sua totalidade vários períodos de apuração de diferentes tributos a serem analisados nesse encontro de contas, percebese que equívocos existiram e foram reconhecidos pela unidade, tanto de oficio, como por solicitação do sujeito passivo, de forma que os despachos e informações fiscais colacionados aos autos tiveram o condão de apurar a liquidez necessária dos valores, ex vi do princípio da estrita legalidade a que se submete os atos da Administração Tributária. Notese que os valores a título de créditos e débitos foram informados pelo próprio sujeito passivo, demonstrando os extratos do processo, a exemplo dos extratos e demonstrativo de compensação, fls. 2.317/2.321 (1.021/1.031), de 11/10/11, o encontro de contas efetuado, distinguindose perfeitamente ao analisálos o tributo e respectivo período de apuração, inexistindo nos extratos e demonstrativos em destaque alteração dos valores informados pelo sujeito passivo, seja a título de crédito ou de débito. Ultimado o encontro de contas, o direito creditório reconhecido no presente processo em última instância administrativa, foi insuficiente para compensar os débitos informados pelo sujeito passivo nos referidos pedidos de compensação, conforme demonstram os vários atos e termos processuais, a exemplo do Despacho Decisório Complementar/Retificador fls.2.327/2.329 (1.032/1.034), de 11/10/11, Listagem de Débitos Fl. 2630DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.624 15 Remanescentes, fl.2.330 (1.035) e Informação Fiscal, fls. 2.428/2.436 (1.131/1.139) de 06/01/2012, com ciência do contribuinte em 11/01/12. Vejase o teor da Cartacobrança nº 671/2012, fls. 2.463/2.464, de 27/04/12, da qual o contribuinte teve ciência em 04/05/2012, conforme AR de fls. 2.465, expedida quando finalizada a operacionalização da compensação: OFÍCIO Nº 671/2012 CARTACOBRANÇA Sr.Contribuinte, Foi reconhecido direito creditório suplementar conforme despacho decisório complementar retificador e informação fiscal(fl.1131). Efetuouse a compensação de acordo com os valores deferidos. Após efetuada a compensação, restaram débitos não compensados por insuficiência de crédito conforme extrato do processo(em anexo). Assim sendo, solicitamos efetuar o recolhimento do saldo devedor em aberto, dentro do prazo de 30 dias, contados a partir desta (data da assinatura do "AR"). [...]O nãoatendimento da solicitação acima implicará na adoção das medidas cabíveis. Segue em anexo: Demonstrativo de débito; Extrato do processo (compensações efetuadas); Guia DARF. Encerrado o encontro de contas e cientificado o sujeito passivo da insuficiência do crédito reconhecido, bem como da existência de débitos remanescentes, o contencioso administrativo foi novamente restabelecido ao presente processo por força de decisão judicial, Sentença em Mandado de Segurança nº 501085618.2012.404.7000/PR, fls. 2.466/2.470, de 11/06/2012 que determinou o processamento da manifestação de inconformidade, de fls.2.440/2.441, de 24/02/2012 e por consequência e observância da referida decisão, procedeuse ao julgamento em primeira instância. Assim, resta demonstrado: a) que o processo foi analisado pelas autoridades revestidas de competência nas diversas fases processuais; b) que o interessado teve ciência dos despachos e decisões lavrados no presente processo, acompanhados dos respectivos demonstrativos da compensação e dos débitos remanescentes, comparecendo aos autos em diversas oportunidades aduzindo razões de fato e direito invocados; c) que o direito creditório reconhecido em última instância administrativa foi submetido ao encontro de contas, nos termos da legislação de regência, a partir dos valores (de débitos/créditos) informados nos pedidos de compensação protocolados pelo sujeito passivo interessado, estando os valores finais de débitos remanescentes, por insuficiência do direito Fl. 2631DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 16 creditório reconhecido, demonstrados nos extratos e demonstrativos respectivos, e perfeitamente identificados com relação ao tributo, período de apuração e vencimento, portanto escorreitamente apurados; d) que força de decisão judicial, o interessado teve novamente inaugurada a via contenciosa, cujos fundamentos de sua inconformidade estão aduzidos na peça processual de fls.2.440/2.441, de 24/02/2012, objeto do provimento judicial. Ante a análise acima resta explicada a razão da longa duração processual, depreendendose também que o cerceamento de defesa alegado na peça recursal, ainda que indiretamente arguido, não pode ser acolhido, uma vez que os atos e termos processuais do presente processo submeteramse ao regramento do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), lei que rege o processo administrativo fiscal e ainda às disposições da Lei nº 9784, de 1999, lei que rege o processo administrativo no âmbito da administração direta e indireta, aplicada subsidiariamente quando inexistente disposição específica no PAF, não se vislumbrando qualquer vício no processo enquadrável no art. 59 do já referido Decreto nº 70.235de 1972, que trata das hipóteses de nulidade, entre as quais o cerceamento do direito de defesa, visto que demonstrado à saciedade a observância nos autos das diretrizes constitucionais do art. 5º, LV, da CF, de 1988. Estando afastada qualquer ilação quanto à hipótese de nulidade nos autos e constatandose que se exauriu o objeto do presente processo quanto ao direito creditório resistido, na via contenciosa, analisarseá a seguir as demais razões da peça recursal à luz da legislação de regência aplicável ao caso. Da inaplicabilidade do instituto da decadência A compensação no âmbito do direito tributário tem seu fundamento de validade no art. 170 do Código Tributário Nacional CTN, conforme a seguir transcrito: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Os arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 permitem a compensação quando há crédito do contribuinte decorrente de restituição ou ressarcimento com quaisquer tributos e contribuições, desde que administrados pela SRF: "Art. 73. Para efeito do disposto no art. 7º do Decretolei nº 2.287, de 23 de julho de 1986, a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal, observado o seguinte: I o valor bruto da restituição ou do ressarcimento será debitado à conta do tributo ou da contribuição a que se referir; II a parcela utilizada para a quitação de débitos do contribuinte ou responsável será creditada à conta do respectivo tributo ou da respectiva contribuição. Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele Fl. 2632DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.625 17 restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração." O Decreto nº 2.138, de 1997 que dispõe sobre a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, a ser efetuada pela Secretaria da Receita Federal assim disciplina a matéria: Art. 1° É admitida a compensação de créditos do sujeito passivo perante a Secretaria da Receita Federal, decorrentes de restituição ou ressarcimento, com seus débitos tributários relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da mesma Secretaria, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. Parágrafo único. A compensação será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, a requerimento do contribuinte ou de ofício, mediante procedimento interno, observado o disposto neste Decreto. Art. 2° O sujeito passivo, que pleitear a restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, pode requerer que a Secretaria da Receita Federal efetue a compensação do valor do seu crédito com débito de sua responsabilidade. Art. 3° A Secretaria da Receita Federal, ao reconhecer o direito de crédito do sujeito passivo para restituição ou ressarcimento de tributo ou contribuição, mediante exames fiscais para cada caso, se verificar a existência de débito do requerente, compensará os dois valores. Parágrafo único. [...] Art. 4° Quando o montante da restituição ou do ressarcimento for superior ao do débito, a Secretaria da Receita Federal efetuará o pagamento da diferença ao sujeito passivo. Parágrafo único. Caso a quantia a ser restituída ou ressarcida seja inferior aos valores dos débitos, o correspondente crédito tributário é extinto no montante eqüivalente à compensação, cabendo à Secretaria da Receita Federal adotar as providências cabíveis para a cobrança do saldo remanescente.(gn). Art. 5° A unidade da SRF que efetuar a compensação observará o seguinte: I certificará: a) no processo de restituição ou ressarcimento, qual o valor utilizado na quitação de débitos e, se for o caso, o valor do saldo a ser restituído ou ressarcido; b) no processo de cobrança, qual o montante do crédito tributário extinto pela compensação e, sendo o caso, o valor do saldo remanescente do débito; (gn). Fl. 2633DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 18 II emitirá documento comprobatório de compensação, que indicará todos os dados relativos ao sujeito passivo e aos tributos e contribuições objeto da compensação necessários para o registro do crédito e do débito de que trata o parágrafo único do artigo 3°; III expedirá ordem bancária, na hipótese de saldo a restituir ou ressarcir, ou aviso de cobrança, no caso de saldo do débito; IV efetuará os ajustes necessários nos dados e informações dos controles internos do contribuinte. (gn). Art. 6° A compensação poderá ser efetuada de ofício, nos termos do art. 7° do DecretoLei n° 2.287, de 23 de julho de 1986, sempre que a Secretaria da Receita Federal verificar que o titular do direito à restituição ou ao ressarcimento tem débito vencido relativo a qualquer tributo ou contribuição sob sua administração. O Despacho Decisório de fls. 1.924/1.929 (649/662), com ciência em 23/03/03 anexado novamente às fls. 2.117/2.122 que reconheceu o direito creditório de 1.589.000,61 UFIR, equivalentes a R$ 1.316.804,81, em valores de 01/01/96 foi proferido sob a égide da legislação acima referida. Nesse mister restando já demonstrado que o direito creditório reconhecido foi insuficiente para compensar os débitos informados pelo sujeito passivo nos referidos pedidos de compensação, os saldos devedores remanescentes foram cadastrados no processo nº 10980.005.929/200343, em observância às disposições do art. 5º e incisos do Decreto nº 2.138, de 1997. Notese que o crédito tributário referente ao lançamento de COFINS formalizado no PAF 10980.005998/200357 não é objeto de discussão na presente lide, como bem destacou a Informação Fiscal de fls. 2.428/2.436 (1.131/1.139), de 06/01/2012, com ciência do contribuinte em 11/01/12: " A discussão no âmbito do processo de Auto de Infração nº 10980.005998/200357 é matéria separada e a impugnação por parte do interessado teve como objetivo a suspensão da exigência dos débitos do Auto de Infração, matéria objeto do processo. Neste processo, os débitos não são o objeto principal do processo. No presente caso é o crédito pleiteado pelo interessado. Os débitos são administrados por dependência do crédito. Caso seja confirmado o crédito pleiteado e suficiente para a compensação dos débitos, os débitos serão extintos por compensação, caso contrário, os débitos serão exigidos total ou parcialmente, caso o crédito não se confirme ou então seja confirmado apenas parcialmente." Aclarese que os débitos remanescentes em atendimento à legislação vigente à época do referido despacho decisório não comportavam lançamento de ofício, uma vez que estavam declarados pelo próprio sujeito passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, [Ver DCTF, fls. 1.992/2.004 (710/722)], constituindo confissão Fl. 2634DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.626 19 de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito, nos termos do 2§ 1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de Junho de 1984 c/c Instrução Normativa SRF nº 126, de 1998, posteriormente revogada pela IN SRF nº 255, de 2002. Assim, nos termos da legislação acima citada a entrega pelo contribuinte de uma Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF possui o efeito de confissão de dívida, elidindo a necessidade de constituição formal do crédito pelo fisco. A própria DCTF , por si, já constitui o crédito tributário, sendo que, após o decurso do prazo de vencimento do tributo declarado, passa este a ser imediatamente exigível. Somente na hipótese em que os citados débitos remanescentes não estivessem confessados em instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito é que haveria a necessidade de lançamento mediante Auto de Infração com a observância do prazo decadencial. Nesse sentido dispõe o Parecer PGFN/CAT/Nº 632/2011: O CTN elegeu o lançamento como via ordinária para a constituição do crédito tributário. Porém, a par desse ato administrativo, conferese à declaração o mesmo efeito, quando dela constarem o reconhecimento do débito e os dados suficientes à correspondente inscrição em dívida ativa. Nesses casos, o contribuinte informa a ocorrência do fato gerador, apura o tributo devido e reconhece formalmente o débito, não restando nada mais a fazer ao Fisco no que concerne ao lançamento. O entendimento de que essas declarações são suficientes à constituição do crédito tributário encontrase pacificado no âmbito do STJ. (STJ, Resp nº 962379/RS, rel. Min. Teori Albino Zavascki, julg. em 22/10/2008, DJ de 28/10/2008). Súmula 436/STJ. A entrega de declaração pelo contribuinte reconhecendo débito fiscal constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do fisco.1 (STJ, Súmula 436, 1ª S., j. em 14/04/2010, DJe de 13/05/2010). Com efeito, a decadência e a prescrição são institutos que regulam a extinção de direitos por decurso de prazo e que se encontram relacionados ao princípio constitucional da segurança jurídica. 2 Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º Não pago no prazo estabelecido pela legislação o crédito, corrigido monetariamente e acrescido da multa de vinte por cento e dos juros de mora devidos, poderá ser imediatamente inscrito em dívida ativa, para efeito de cobrança executiva, observado o disposto no § 2º do artigo 7º do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa de que tratam os §§ 2º, 3º e 4º do artigo 11 do Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, com a redação que lhe foi dada pelo Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 2635DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 20 No âmbito do Direito Tributário, podemos distinguir a decadência e a prescrição do direito da Fazenda da seguinte forma: a decadência significa a extinção do direito de a Fazenda Pública efetuar o lançamento, enquanto a prescrição extingue o direito de exigir o crédito tributário definitivamente constituído. De relevo salientar que, na hipótese de o contribuinte confessar a sua dívida, não há que se falar em decadência (em relação à parte confessada), uma vez que a declaração por parte do contribuinte constitui o crédito tributário. Assim, estando o crédito quanto aos débitos remanescentes regularmente constituído como acima explicitado, fazse mister a análise do instituto da prescrição. O prazo de prescrição da ação para a cobrança do crédito tributário e as hipóteses de interrupção do referido prazo prescricional foram estabelecidos pelo art. 174 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). O art. 174 do CTN trata da prescrição da ação para a cobrança do crédito tributário e fixa, como termo inicial da contagem do prazo prescricional, a data da constituição definitiva do crédito tributário, que se dá quando não mais cabível recurso ou após o transcurso do prazo para sua interposição na esfera administrativa. Como a manifestação de inconformidade apresentada, por força da ação judicial impetrada, reabriu o litígio na esfera administrativa e ambos (manifestação de inconformidade e recurso) têm efeito suspensivo da exigibilidade do crédito tributário, constatase que o prazo prescricional de cobrança do crédito tributário, somente tem sua contagem reiniciada na data em que a nãohomologação da compensação tornase definitiva na esfera administrativa, logo, durante o período de que a Administração dispõe para homologar ou não a compensação efetuada, não se há de falar em prescrição. Afinal, enquanto não expressar sua discordância com o encontro de contas realizado pelo sujeito passivo, resta impossível o exercício do direito de ação, pois não há crédito a ser cobrado. No caso em apreço, como demonstra a cronologia dos atos processuais há um pleito de direito creditório, plenamente acolhido na via contenciosa, em última instância administrativa, porém diante da existência de débitos confessados pelo contribuinte em DCTF, procedeuse à compensação de ofício dos débitos remanescentes nos termos da legislação de regência à época, cuja remissão legal já foi reproduzida na presente peça. Logo, desde 2003, a partir da ciência (25/03/03 data da ciência) do Despacho Decisório, e a subsequente interposição de recursos administrativos por parte da impetrante, a RFB esteve impedida de prosseguir na cobrança dos débitos, inexistindo portanto inércia da administração na cobrança dos referidos débitos remanescentes. Reiterese que os débitos remanescentes não são objeto deste processo, mas consequência da compensação de ofício implementada em face da insuficiência do direito creditório reconhecido, os quais estão sendo controlados no processo nº 10980.005.929/2003 43, em observância às disposições do art. 5º e incisos do Decreto nº 2.138, de 1997. Ante a fundamentação acima, não podem ser acolhidos os fundamentos quanto à decadência ou prescrição aduzidos na peça recursal. Efeitos do processamento da manifestação de inconformidade Cabe esclarecer que as disposições da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003, DOU de 31/10/2003, não foram aplicadas ao caso, como argui ainda o Recorrente, Fl. 2636DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.627 21 no entanto, referida MP nº 135, de 2003, posteriormente convertida na Lei nº 10.833, de 29/12/2003, DOU de 30/12/2003, alterou a Lei nº 9.430, de 1996. Referida lei que regula o procedimento da compensação, com a novel alteração, passou a prever, no § 9º do seu art. 74, a faculdade de apresentação de “manifestação de inconformidade”, com observância ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, e eficácia suspensiva nos termos do art. 151, III, do CTN. Conforme já aduzido no presente voto, a Sentença em Mandado de Segurança nº 501085618.2012.404.7000/PR, fls. 2.466/2.470, de 11/06/2012 determinou o processamento da manifestação de inconformidade, de fls.2.440/2.441, de 24/02/2012, cujos efeitos atendem ao preceito do art. 151, III, do CTN, sendo apta, pois, a suspender a exigibilidade do crédito tributário, que no presente caso se efetiva com a suspensão dos atos executórios quanto aos débitos remanescentes declarados em DCTF. Inferese portanto que a legislação foi corretamente aplicada nas diferentes fases processuais já mencionadas, sendo incabível também a homologação tácita invocada, visto que esta advém das prescrições do § 5º da Lei nº 9.430, de 1996, alterada pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, DOU de 30/12/2003, hipótese não aplicável ao caso uma vez que não havia pendência de apreciação, já que o Despacho Decisório de fls. 1.924/1.929 (649/662), que apreciou originalmente o direito creditório pleiteado teve a ciência do interessado em 23/03/03. Nesse mister, apropriadamente fundamentou a r. decisão de primeira instância: Primeiro, a chamada homologação tácita foi introduzida pela Lei 10.833/03, que deu nova redação ao § 5º do art. 74 da Lei 9.430/96, com efeitos a partir de 01/01/97. Essa legislação, de fato, poderia ser aplicável às compensações protocoladas antes de sua vigência, mediante a aplicação do § 4º da mesma Lei que determinou que os pedidos pendentes de apreciação serão considerados declaração de compensação desde o seu protocolo. Ora, o pedido em questão já havia sido apreciado quando publicada a Lei. Conforme consta do corpo do ato e confirma a própria empresa em sua manifestação, a decisão foi cientificada em 25/03/2003. Depois, após correções de débitos, juntada de pedidos em outros processos e realização de todos os procedimento de compensação, foi novamente a empresa cientificada em 24/06/2003 (fl. 2.059). Já havia, inclusive, apresentado recurso, tendo sido apreciado pela DRJ/CTA em sessão de 22/10/2003 (embora só cientificado em 2004). A homologação tácita não poderia ser aplicada aos pedidos já apreciados quando da edição da lei que a instituiu. Segundo, a homologação referese a cada compensação realizada, que extingue o crédito tributários sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Os pedidos de compensação pendentes de apreciação transformaramse em declarações de compensação por força da alteração da redação do art. 74 da Lei 9.430/96 promovido pela Lei 10.637/02. Na manifestação, a empresa cita o pedido de 15/05/97. Porém, neste pedido inicial, constam apenas os débitos de PISRepique. Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 22 Para estes, o caso nem seria propriamente de compensação a pedido, uma vez que o abatimento de tais débitos é reflexo inclusive da determinação judicial, que declarou a inconstitucionalidade dos já referidos DecretosLeis, mantendo a sistemática da Lei Complementar 07/70. Como será visto no item posterior, isto é, inclusive, um dos argumentos para alegar inexistência de multa e juros no caso da compensação destes débitos. Após, foram entregues diversos pedido de compensação e retificados outros. De qualquer modo, aqui interessa apenas a data da compensação dos débitos em cobrança. Isso porque a homologação tácita impede alteração ou invalidação do encontro de contas promovido pela empresa, mas nunca liberação de crédito aproveitado. Tal procedimento implicaria dispor dos recursos públicos sem causa, duplicando o uso do indébito existente. Na utilização do crédito nos débitos compensados, não há diferença se ela foi expressa ou tácita. Já no caso dos débitos com compensação não homologada, objeto do questionamento, não ocorreu o transcurso do prazo de cinco anos entre a declaração de compensação e o pedido. Tal conclusão pode ser obtida apenas considerando os períodos dos débitos. Vejase que os débitos mais antigos cobrados, de maio ou junho de 1999, só poderiam ser compensados a partir do mês do fato gerador, quando apurados. Portanto, em março de 2003 não havia transcorrido cinco anos. Com efeito, o pedido/declaração de compensação referente ao mês 05/99 foi entregue em 28/06/99 (fl. 1.957).(grifos do original). Da correta aplicação da UFIR Com relação ao valor da UFIR, com acerto decidiu a decisão de primeira instância, reproduzindose na íntegra a fundamentação respectiva: Quanto à conversão da UFIR, temse como correta a aplicação da conversão pela Ufir de 0,8287. O crédito convertido em reais passou a ser acrescido de selic a partir daí. Assim dispunha já a IN SRF 210/2002: “Art. 39. Os valores sujeitos a restituição, apurados em declaração de rendimentos, bem assim os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior, passíveis de compensação ou restituição, apurados anteriormente a 1 o de janeiro de 1996, quantificados em Unidade Fiscal de Referência (Ufir), deverão ser convertidos em Reais, com base no valor da Ufir vigente em 1 o de janeiro de 1996, correspondente a R$ 0,8287. § 1º O valor resultante da conversão referida no caput constituirá a base de cálculo dos juros de que trata o art. 38. (...)” Ressaltese ainda que o próprio Recorrente afirma estar correta a UFIR utiliza, discordando porém quanto à legalidade do ato normativo: Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 10980.004946/9781 Acórdão n.º 3302003.003 S3C3T2 Fl. 2.628 23 É verdade que, desde a IN 22/96, a Receita Federal entende que o valor da UFIR a ser tomado para efeitos de compensação é de R$ 0,8287. Todavia, tal regramento é ilegal e desproporcional. Isto porque, a UFIR correta a ser considerada é a da data do pedido de compensação, que, no presente caso, era de R$ 0,9108. Ante os fundamentos acima expendidos inferese que o direito creditório pleiteado, foi plenamente acolhido na via contenciosa, em última instância, insurgindose a Recorrente quanto aos cálculos para execução do acórdão, no entanto resta sobejamente demonstrado nos autos pelos vários extratos do processo acima referenciados a existência de saldo remanescentes de débitos confessados pelo contribuinte em DCTF, débitos estes não controlados neste processo. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 08/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 19679.005734/2005-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995, 1996
PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Nos termos do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF".
Numero da decisão: 3302-003.082
Decisão: Recurso Voluntário Provido em Parte
Aguardando Nova Decisão
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição, ressalvado o direito da Autoridade Fiscal ao exame do efetivo direito ao crédito pleiteado.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Nos termos do § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF". Recurso Voluntário Provido em Parte Aguardando Nova Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição, ressalvado o direito da Autoridade Fiscal ao exame do efetivo direito ao crédito pleiteado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 57 34 /2 00 5- 53 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. A empresa acima identificada ingressou, em 08/06/2005, com Pedido de Restituição (fls. 01/05), no valor de R$ 283.385,28 (duzentos e oitenta e três mil, trezentos e oitenta e cinco reais e vinte e oito centavos), sob a alegação de ter efetuado, no período de 30/11/1995 a 15/03/1996, recolhimentos indevidos de PIS relativos aos fatos geradores de 10/1995 a 02/1996 (fls. 06/08). 2. Posteriormente, em 31/08/2005, o Interessado protocolizou a petição de fls. 89/90, solicitando a retificação do pedido de restituição para a quantia de R$ 283.284,71 (duzentos e oitenta e três mil, duzentos e oitenta e quatro reais e setenta e um centavos) com base nas planilhas de fls. 91/93. 3. A DERAT/DIORT/EQITD proferiu, em 23/04/2008, Despacho Decisório de fls. 95/98 com ciência à empresa em 19/05/2008 (fls. 99/99v), por intermédio do qual indeferiu o Pedido de Restituição no montante de R$ 283.284,71 (duzentos e oitenta e três mil, duzentos e oitenta e quatro reais e setenta e um centavos) com fulcro nos arts. 165, I, 168, I, do CTN, art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 e AD SRF n° 096/1999 (fls. 97). 4. Em virtude desta decisão, a empresa apresentou, tempestivamente, a manifestação de inconformidade de fls. 100/128, acompanhada de documentos (fls. 129/156), alegando, em síntese, que: 4.1. A decisão proferida pela DIORT não merece prevalecer, pois carece de fundamentação fática e jurídica. 4.2. É detentora de créditos, pois incorporou, em 31/12/2002, a empresa Companhia Química Metacril, conforme documentos societários contidos nos autos, créditos estes passíveis de restituição e oriundos de diferenças entre os pagamentos de PIS efetuados no período da vacância da MP n° 1.212/1995 e o que seria devido pela LC n° 7/1970 em razão da declaração de inconstitucionalidade dos Decretoslei n° 2.445/1988 e n° 2.449/1988. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 19679.005734/200553 Acórdão n.º 3302003.082 S3C3T2 Fl. 227 3 4.3. A referida Medida Provisória, ao estabelecer a modificação da base de cálculo da contribuição para o PIS, determinando sua apuração mensal com base no faturamento do mês, e dispondo sobre sua aplicação aos fatos geradores ocorridos a partir de outubro de 1995, afrontou disposições constitucionais (arts. 150, III, “a” e 196, § 6°). Neste sentido, têm se posicionado os órgãos administrativos, conforme decisões transcritas às fls. 106/108, devendo a Administração Tributária envidar todos os esforços para que lhe sejam restituídos os valores recolhidos indevidamente com base na sistemática desta MP. 4.4. Devem ser considerados no cômputo do indébito os índices de correção e expurgos inflacionários, cuja matéria já se encontra pacificada na esfera administrativa e judicial sob pena de enriquecimento sem causa e afronta aos princípios informadores da Administração Pública (fls. 108/114). 4.5. Não ocorreu a decadência na hipótese dos autos, pois, por se tratar de lançamento por homologação, o prazo para pleitear a restituição é de 10 (dez) anos (tese dos 5 + 5). Ademais, a Lei Complementar n° 118/2005 não teve o condão de afastar a aplicação deste prazo. Caso não seja este o entendimento, deve se contar o prazo de 5 (cinco) anos a partir de 23/03/2001, data da publicação do acórdão da ADIN 1417/DF (fls. 115/127). 4.6. Diante do exposto, requer a reforma do Despacho Decisório e o reconhecimento de seu direito à restituição. 5. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Anocalendário: 1995, 1996 RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição extingue se com o decurso do prazo quinquenal contado da data da extinção d O crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado nos casos de lançamento por n° 96/1999 e dos arts. 3° e 4° da Lei Complementar n° 118/2005. NORMA INTERPRETATIVA. RETROATIVIDADE. O art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005, dado o seu caráter eminentemente interpretativo, possui eficácia retroativa, consoante dispõe o art. 106,1, do CTN. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o Interessado ou que não possuam eficácia erga omnes. DECADÊNCIA. EXISTÊNCIA. OUTRAS MATÉRIAS. PREJUDICIALIDADE. Reconhecida a decadência do direito de o contribuinte pleitear a restituição de supostos créditos, fica prejudicada a apreciação de outras matérias suscitadas pela Manifestante na solução do contencioso administrativo. Cientificada da decisão de primeira instância em 13/01/2010, conforme Aviso de Recebimento de fl. 172, a interessada apresentou Recurso Voluntário de fls. 173/189 e documentos anexados, fls. 190/205, em 11/02/2010, onde reitera os mesmos argumentos já aduzidos na manifestação de inconformidade e ao final requer seja acolhido o presente Recurso Voluntário, a fim de que seja REFORMADO o Acórdão DRJISP2 n° 1623.733, de 07 de dezembro de 2009 e reconhecido o direito da Requerente à restituição dos valores indevidamente recolhidos a título de Contribuição do PIS. É o relatório. Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Matéria sumulada pela CSRF O pedido de restituição foi apresentado em 08/06/2005, relativo à Contribuição para o PIS referente ao período de apuração de outubro/1995 a fev/1996, no valor de R$ 283.284,71. A matéria em exame foi decidida pela CSRF, a exemplo dos Acórdãos nºs 9303001.831, 9303001.845, 846 e 847, de 02/02/2012 e 9900000.943, 09/12/2014. Nesse sentido trago à colação o voto do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, exarado no Acórdão nº 9900000.943, de 09/12/2014, cujos fundamentos adoto como razão de decidir: O pedido de restituição foi apresentado em 30/06/1999, relativo ao período de apuração de 01/09/1989 a 31/01/1992. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 19679.005734/200553 Acórdão n.º 3302003.082 S3C3T2 Fl. 228 5 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido.(grifei). Ante o exposto, constatase na lide ora em exame que a petição ocorreu em data anterior à vigência em 09/06/2005 da LC nº 118, de 2005, de modo que conforme se demonstra na tabela abaixo, não estava prescrito o direito do contribuinte à restituição dos valores recolhidos conforme planilhas de fls. 93/94. PEDIDO EM 08/06/2005 NÃO PRESCRITOS FATO GERADOR VENCIMENTO outubro/1995 fevereiro/1996 30/11/1995 31/03/1996 Assim conforme as disposições regimentais do § 2º do art. 62 do Anexo II à Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade do prazo prescricional de 10(dez) anos a partir do fato gerador. A matéria em exame já foi sumulada por este E. Conselho conforme a seguir transcrita: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Desse modo, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição com respeito aos recolhimentos efetuados de 30 de outubro de 1995 a 31 de março de 1996 (relativo a fatos geradores ocorridos de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, consoante planilhas de fls. 93/94, devendo retornar os autos para que a unidade competente proceda ao exame do efetivo direito ao crédito pleiteado. É como voto. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
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Numero do processo: 13897.001652/2002-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002
IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROVAS. APRECIAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar os documentos apresentados pelo sujeito passivo junto à impugnação ao lançamento ou à manifestação de inconformidade.
Decisão de Primeira Instância Anulada
Numero da decisão: 3302-003.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão de primeira instância.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 15/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PROVAS. APRECIAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar os documentos apresentados pelo sujeito passivo junto à impugnação ao lançamento ou à manifestação de inconformidade. Decisão de Primeira Instância Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declarar nula a decisão de primeira instância. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 15/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 16 52 /2 00 2- 36 Fl. 337DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de manifestação de inconformidade, apresentada pela empresa em epígrafe, ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal do Brasil que indeferiu integralmente o pedido de ressarcimento e não homologou a compensação solicitada, pois a compensação fora efetivada com crédito inferior ao débito, em decorrência deste último, à data da compensação, estar vencido. A empresa solicitou o Ressarcimento do saldo credor de IPI do 1º Trimestre de 2002, fundamentandose no artigo 11 da Lei n° 9.779/99, no valor de R$ 97.143,14, cumulado com Declarações de Compensação (fls. 01). O pedido foi indeferido pela autoridade administrativa sob a fundamento de não estar instruído corretamente, em conformidade com os documentos previstos no artigo 6° da Ordem de Serviço nº 08/2005, pois mesmo o requerente tendo sido regularmente intimado não apresentou a relação dos produtos fabricados e que tenham saído do estabelecimento, contendo nome comercial, classificação fiscal e alíquota, identificandoos como isentos, tributados a alíquota zero ou não tributados pelo IPI (NT), fato que prejudicou a verificação/apuração do crédito. Regularmente cientificada do despacho denegatório, a empresa apresentou manifestação de inconformidade alegando, inicialmente, que o ato administrativo estaria eivado de nulidade, tendo em vista que as exigências referentes à documentação constam de norma interna da Secretaria da Receita Federal, qual seja, Ordem de Serviço elaborada pela 8ª SRRF n° 08, de 13 de setembro de 2005, cujo teor não esta disponível aos contribuintes, não cabendo à Receita Federal impor obrigação de apresentar documentação, sob pena de violação do principio da legalidade. Diante do fato, requereu seja declarada a nulidade da decisão que não reconheceu o direito creditório e, conseqüentemente, o pedido de compensação. Em relação às formalidades que revestem o Livro Registro de Apuração do IPI, afirmou que os dados constantes do Livro em questão foram devidamente remetidos ao SP RIBEIRAO PRETO DRJ Fl. 226 Impresso em Fiscal, restando apenas os termos de abertura e encerramento, que, com como bem asseverou a autoridade administrativa, tratase de mera formalidade. Já no que diz respeito à classificação dos produtos que saíram do estabelecimento no período em questão, alegou que faltou apenas a distinção individualizada do que estaria sujeito à alíquota zero ou do que seria não tributado (NT). Porém, considerando que classificação fiscal dos produtos, bem como as colunas dos Livros Registro de Entradas e Registros de Saídas foram devidamente informadas à Receita Federal, a informação faltante não obstaria a análise do Fisco. Ou seja, a suposta insuficiência de documentos probatórios não tem o condão de causar o indeferimento do direito creditório, nem da compensação realizada, uma vez que, as lacunas de informação poderiam ser cumpridas pela própria Receita Federal, mediante o exame dos seus registros e das normas atinentes ao IPI. Acrescentou que o principio da verdade material, justificaria o suprimento das lacunas de informações pela própria Autoridade Fiscal ou ainda pela ora juntada dos documentos (em anexo). Juntamente com a manifestação a empresa apresentou além do termo de início e encerramento do livro de apuração do IPI, cópias do registro de entradas e saídas com descrição do produto, classificação fiscal, alíquota e IPI destacado. Fl. 338DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13897.001652/200236 Acórdão n.º 3302003.045 S3C3T2 Fl. 3 3 Em 21/02/2008, a empresa apresentou documento alegando ter operado a decadência do direito de o Fisco constituir o crédito tributário em cobrança, de acordo com o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional – CTN. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 Ementa: NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. RESSARCIMENTO DO IPI. COMPROVAÇÃO. Quando dados ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará o indeferimento do pleito. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. É ônus processual da interessada fazer a prova dos fatos constitutivos de seu direito. RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃOTRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em saídas nãotributadas (N/T) pelo imposto. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO POR DISPOSIÇÃO LEGAL. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Insatisfeito com a decisão de primeira instância administrativa, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na Manifestação de Inconformidade, acrescentando pedido de nulidade da decisão a quo por não terem sido examinadas as provas apresentadas. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 Sem adentrar às demais questões auguídas pelo contribuinte em sede de preliminar e de mérito, necessário que se examine e se decida acerca do entendimento expresso pelo i. Julgador de primeira instância em relação à possibilidade de apresentação de provas junto à manifestação de inconformidade e do dever que tem a Administração de valorálas enquanto elemento probante do direito requerido. Assim expressouse o i. Julgador da instância a quo. Para que a Administração Pública se pronuncie a respeito da demanda do particular, por meio de despacho decisório, é necessário que investigue se efetivamente os créditos escriturados são proveniente de insumos que foram utilizados na industrialização do produto fabricado, se houve o estorno do crédito correspondente ao valor solicitado no pedido de ressarcimento, se o insumo refere se a aquisições oneradas pelo imposto e se foram escriturados de maneira a respeitar a legislação de regência, o que não consta no presente processo. Não traduz boafé da requerente a elucidação posterior de circunstâncias essenciais do pedido. Neste ponto, fazse necessário destacar que a busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que, regularmente intimado, tenha deixado de apresentar as provas solicitadas, visando à comprovação dos procedimentos efetuados por ele na apuração do crédito a seu favor. Deve ficar claro aqui que a comprovação do crédito é dever do contribuinte e não do fisco. (...) Assim, a falta de atendimento da intimação já seria motivo suficiente para o indeferimento sumário da solicitação, providência equivalente, na seara tributária, ao arquivamento referido na lei. Como se vê, o Despacho Decisório proferido pelo órgão competente, à luz da norma supracitada, não é insubsistente, nem nulo, como quer a interessada, mas sim imposição legal decorrente da preclusão ocorrida. Ainda que se invocasse o princípio do informalismo, não se pode imaginar que o contribuinte possa produzir provas a qualquer momento, segundo sua vontade, ignorando os dispositivos legais que impõe a concentração dos atos em determinados momentos processuais. Se por um lado existe a garantia do contraditório e do direito de defesa, por outro, o Estado é protegido contra injustificáveis protelações do processo, que possibilitem ao contribuinte a proposital ocultação dos fatos em determinada fase processual, ou mesmo procedimental, para sua apresentação em momento posterior que julgue mais oportuno ou favorável. Por sua vez, sobressai incontroverso do Relatório Fiscal no qual baseouse o Despacho Decisório que indeferiu a compensação, que a razão foi justamente a falta de apresentação dos documentos solicitados. Observese. Considerando o disposto na Ordem de Serviço elaborada pela 8º SRRF n° 08, de 13 de setembro de 2005, que padronizou os procedimentos no sentido de agilizar a análise dos pedidos de Ressarcimento de IPI que não tenham sido formulados mediante utilização do programa PER/DCOMP e que ainda não haviam sido encaminhados para a programação junto ao serviço de fiscalização, verifico que o presente não está instruído, em sua totalidade, mesmo com o requerente regularmente intimado (fls. 61/88) com os documentos previstos no artigo 6º da O.S. referenciada, procedimento a ser seguido conforme Despacho à. fl. 59, a saber: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13897.001652/200236 Acórdão n.º 3302003.045 S3C3T2 Fl. 4 5 (...) No corpo da Manifestação de Inconformidade, misturado com considerações, data maxima venia, inadmissíveis acerca dos efeitos possam ser atribuídos à verdade material no processo administrativo fiscal, o contribuinte deixa claro que está apresentando os documentos negligenciados, se não vejamos. Além disso, em nome do mesmo principio, é dever da Autoridade Fiscal apreciar a documentação faltante, ora juntada pela AstraZeneca, qual seja: Cópia das Folhas do Livro Registro de Apuração do IPI, modelo 8, referentes ao trimestre que proporcionou o crédito, assim como do período no qual constou o estorno, contendo os Termos de Abertura e Encerramento e demais formalidades Discriminação entre produtos que tenham saído do estabelecimento, contendo nome comercial, classificação fiscal e alíquota, identificando os como isentos, tributados a alíquota zero, não tributados pelo IPI (NT), ou que tenha saída imune. A Lei 9.430/96, com redação introduzida pela Lei 10.833/03, é muito clara ao equiparar o processo de julgamento da declaração de compensação, ao de julgamento do auto de infração. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (grifos meus) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (grifos meus) Conforme dispõe o Decreto 70.235/72, o prazo para apresentação das provas do direito requerido expira na data limite para apresentação da impugnação. No caso, com base nas disposições legais acima transcritas, da manifestação de inconformidade. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos meus) Creio que compreendo perfeitamente o descontentamento manifestado pela instância inicial ao afirmar que não traduz boafé da requerente a elucidação posterior de circunstâncias essenciais do pedido. Contudo, peço vênia para dizer que, ao meu sentir, no caso concreto, a recorrente não está ignorando os dispositivos legais que impõe a concentração dos atos em determinados momentos processuais. Segundo entendo, a legislação lhe autoriza tomar tal providência no momento da apresentação da manifestação de inconformidade. Uma vez que isso ocorra, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, a seu critério, poderá determinar a conversão do julgamento em diligência, para exame dos documentos carreados aos autos. Inobstante, na situação em que se encontra o processo, não vejo outra solução se não a de declarar nula a decisão de primeira instância, por preterição ao direito de defesa. É como Voto. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator Fl. 342DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 15/02/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 12466.721267/2011-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 11/01/2006 a 17/07/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA.
Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966.
MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento.
ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27.
A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.158-35/2001.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 3302-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito tributário vinculado às Declarações de Importação registradas até 16/03/2006.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 11/01/2006 a 17/07/2006 Ementa: DECADÊNCIA. PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do Decreto-Lei no 37/1966. MPF - MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.158-35/2001. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte
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PENALIDADE ADUANEIRA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o artigo 139 do DecretoLei no 37/1966. MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 12 67 /2 01 1- 15 Fl. 669DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito tributário vinculado às Declarações de Importação registradas até 16/03/2006. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para aplicação da multa substitutiva de pena de perdimento, pela prática de ocultação do real adquirente mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, definida como dano ao erário, lavrado em face de GEMAX TRADING COMPANY S/A como importador e THINNETWORKS PRODUTOS DE INFORMÁTICA LTDA, como real adquirente. A GEMAX registrou declarações de importação DI na modalidade direta (por sua própria conta e ordem) no período de 2005 a 2006. Inicialmente, foi aberto procedimento especial de controle aduaneiro e de revisão de habilitação no comércio exterior, tendo a GEMAX não apresentado documentos que demonstrassem a origem e aplicação dos recursos financeiros, razão pela qual foi instaurado o procedimento previsto na IN SRF 228/2002, de acordo com o §3º do artigo 21 da IN SRF nº 650/2006. Em procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, previsto na IN SRF 228/2002, apurouse a prática de ocultação do real adquirente THINNETWORKS mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, em razão do seguinte: 1. A GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica para fazer frente ao volume de importações por ela transacionado devido a: a. movimentação em torno de R$ 30.000.000,00 de 2005 a 2007, para capital social da ordem de R$ 50.000,00 (aumentados para R$ 400.000,00 no quarto trimestre de 2006, decorrentes de lucros acumulados); b. aumento de capital social por reavaliação de bens, adquiridos por R$ 45 mil e reavaliados para R$ 2.774.000, em datas próximas, não havendo qualquer aumento de disponibilidade financeira; b. lucro líquido auferido no período foi em torno de R$ 980.000,00, muito inferior ao volume transacionado; Fl. 670DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 4 3 c. Inexistência de quaisquer empréstimos e financiamentos tomadas de terceiros, conforme confirmados pela recorrente; 2. As operações somente puderam ser viabilizadas mediante adiantamentos de caixa recebidos pelos reais adquirentes para liquidação de contratos de câmbio e pagamentos dos tributos pagos no registro da DI, configurando a aplicação do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002; 3. Por várias vezes, a emissão das notas fiscais de venda era realizada no mesmo dia da emissão das notas fiscais de entrada, revelando giro imediato do estoque, indicando a encomenda da mercadoria; 4. A GEMAX é uma empresa de pequeno porte que atua, basicamente, como prestadora de serviços de comércio exterior, incluindo logística e financeiros, conforme informação colhida no próprio site da empresa, que jamais importa com ânimo próprio, mas por conta e ordem ou por encomenda; 5. As vantagens financeiras oferecidas pela GEMAX em seu site se coadunam com os objetivos pretendidos com a prática da ocultação do real adquirente: ausência de agregação de margem de lucro, implicando redução de carga tributária, redução de 33,3% no ICMS, com menor alavancagem dos tributos subsequentes (PIS, Cofins, ICMS), menor alavancagem do IPI, com recolhimento feito pela GEMAX sobre o custo da mercadoria e não sobre o preço de venda ao consumidor final. 6. Todas as vendas eram realizadas pelo custo das mercadorias pagas ao exportador, acrescido dos tributos pagos na importação e nacionalização e incidentes na venda ao mercado interno; 7. Todo o lucro obtido pela GEMAX decorre do FUNDAP que consiste em diferimento no pagamento do ICMS incidente na importação, financiamento de longo prazo de cerca de 70% do ICMS recolhido, com juros fixos a 1% a.a., com carência de 5 anos e mais 20 anos para amortização e realização de leilões de recompra de dívida, com existência de liquidação de contratos, por 10 a 15% do saldo devedor, em média; 8. A ocultação da THINNETWORKS propiciaria: sua não equiparação a industrial para evitar a incidência de IPI em suas revendas; subtrair receitas das bases de cálculo dos demais tributos incidentes sobre o faturamento (PIS, Cofins, IRPJ, CSLL e ICMS); usufruir indiretamente dos benefícios do FUNDAP (incentivo fiscal no âmbito do ICMS no Espírito Santo); fugir ao controle quanto à avaliação de risco (parametrização), em função do perfil histórico e cadastral. Ao final foi elaborada representação fiscal para fins penais. Em impugnação, a GEMAX pediu: "a1) restou comprovado que a Impugnante tinha origem de recursos para suas operações, decorrente de receita financeira líquida de 5,8% (FUNDAP) mais lucro operacional médio de 3% e que o capital social das S.A. não guarda relação direta com a origem dos recursos utilizados no comércio exterior; Fl. 671DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 5 4 a2) Também porque a Receita não comprovou que houve adiantamentos por parte do destinatário em relação a maior parte das DI´ e, em relação a uma DI, restou comprovado que a Impugnante tinha origem para a operação, decorrente de receita .financeira líquida de 5,8% mais lucro operacional médio de 3%; a3) Também pela impossibilidade de se estender as "impressões" de procedimento especial de fiscalização da IN 228/02 a todas as importações do contribuinte, nos termos do ACÓRDÃO N° 17 38398 de 23 de Fevereiro de 2010, do ACÓRDÃO N° 1735664 de 20 de Outubro de 2009, do ACÓRDÃO N° 0715421 de 13 de Março de 2009 e do ACÓRDÃO N° 0715356 de 06 de Março de 2009 e 17¬ 52.140, de 07 de Julho de 2011; a4) Também porque o artigo 27 da Lei n.° 10.637/2002 prevê uma presunção relativa da ocorrência de importação por conta e ordem quando a operação de comércio exterior for realizada mediante utilização de recursos de terceiro, presunção esta que restou afastada, haja vista que: > o Fisco não afastou a declaração e comprovação do importador de que obteve financiamento para gerir suas atividades no período em que foram realizadas as importações objeto dos autos, nos termos do Acórdão n° 0721519, de 15/10/2010, da e. 2a Turma desta e. DRJ > restou comprovado que a Impugnante foi a responsável por todas as tratativas com o exportador, figurando, inclusive, nos documentos que acobertaram a operação, não tendo sido produzida qualquer prova apta a afastar a veracidade de tais informações, nos termos dos Acórdãos 1752151, de 07 de julho de 2011 e 1752.140; a5) Também porque a operação foi feita na modalidade por encomenda, aplícandose, em conseqüência, o disposto no artigo 417, 418 e 483 do Código Civil c/c artigo 313 do RIPI, bem como o disposto no ACÓRDÃO N° 0721519 de 15 de Outubro de 2010 e na Solução de Consulta N° 5 de 07 de Janeiro de 2010, razão pela qual pequenos adiantamentos não são suficientes para afastar tal modalidade, mormente se comprovada que a importadora obteve financiamento para gerir suas atividades; a6) Também porque as operações acobertadas pelas Dl's 06/00422717 (11/01/2006), 06/00716761 (18/01/2006), Dl 06/01987262 (17/02/2006) e Dl 06/03061820 (16/03/2006) foram feitas na modalidade por encomenda, anteriormente à IN SRF n° 634/06, aplicandose o princípio da irretroatividade da norma penal tributária (Acórdãos DRJ n o S 0719.952, de 21/05/2010 e 0814514, de 28/11/2008), bem como o entendimento das Soluções de Consulta n° 45, de 05/02/1999 (item 288, acima) e 05 de janeiro de 2010 (item 276, acima), e da exposição de motivos da MP n° 267, convertida na Lei n° 11.281/06; Fl. 672DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 6 5 a7) Também porque inexistente o dolo específico de fraudar, nos termos do detalhado nos itens 317/320 supra e nos termos da solução de consulta n° 05/01/2010, assim como dos Acórdãos no S 30239.026 e 10248607 do CARF; e a8) Também porque a pena aplicável seria multa diversa (art. 33 da lei n° 11.488/2007), nos termos da Orientação COANA/COFIA/DIFIA e consoante Acórdãos DRJ no S 17¬ 25849, de 17/06/2008, e 17 26798, de 13/08/2008 b) Sucessivamente ao pedido (a) acima, ANULE o lançamento do crédito objeto do auto de infração, por impedimento do AFRF, nos termos da Portaria RFB n° 11.371/2007, artigos 2o c/c 12 c/c 14 e 15, parágrafo único, nos termos do Acórdão n° 302¬ 37.093, do 3o Conselho de Contribuintes; Também porque o Auto de Infração não descreve as supostas irregularidades praticadas em todas as DIS mencionadas nos autos, violando o disposto no artigo 10, inciso III e no artigo 59, ambos do Decreto nº 70.235/72 [...] c) Sucessivamente ao pedido (b) supra, que DEVOLVA o prazo para impugnação do presente auto de infração, a ser contado a partir da data em que a requerente receber de volta todos os seus livros e documentos fiscais, ora em poder da Administração, baixando o feito em diligência solicitando esclarecimentos e/documentos à Impugnante para posterior análise desta impugnação, nos termos do artigo 16, § 4o do Decreto n° 70.235/72, considerandose em especial o cerceamento do direito de defesa e a impossibilidade de juntar os livros contábeis como prova documental, por estarem de posse do fiscal autuante. Pugnou, ainda, pela ulterior juntada de documentos, e solicitou que o resultado do julgamento dessa impugnação seja pessoalmente comunicado à Dra. Liana Benjó, inscrita na OAB/RJ sob o n° 103.345, com escritório à Av. Rio Branco, n° 245, grupo 1401, Centro, Rio de Janeiro, RJ. Por seu turno, a THINNETWORKS impugnou o lançamento alegando o abaixo, conforme trecho do relatório do acórdão recorrido: "2. Informa que, em algumas oportunidades, procurou a GEMAX para que esta efetuasse importações de mercadorias necessárias para o desenvolvimento de sua atividade econômica, em outras, a GEMAX procuroua ofertando mercadorias, porém, sempre esteve presente a lisura e certeza de que a referida empresa realizava importações de forma direta, utilizando recursos próprios e atendendo as exigências da RFB; 3. Não caberia a impugnante fazer auditoria na GEMAX, exigir documentações fiscais e levantar suspeitas relativamente às operações por ela realizadas, pois a presunção de legalidade sempre esteve presente nessas relações; Fl. 673DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 7 6 4. A atuação como importador implica em prévia habilitação como operador no comércio exterior junto à Secretaria da Receita Federal, mediante o atendimento de determinadas condições, portanto, cabe à RFB verificar tais condições, e não quem se utiliza dessas empresas e de seus serviços; 5. Discorda do entendimento da fiscalização de que esta impugnante agiu como importadora de fato, a mandante da importação, que efetivamente fez vir a mercadoria de outro país, utilizando uma interposta pessoa para tanto, a GEMAX; 6. Questiona quais teriam sido as vantagens que a impugnante obteve. Somente as teria se estivesse trabalhando em conluio com a GEMAX; 7. Afirma que não trabalhou em conluio com a GEMAX; 8. Se é que existe irregularidade, ela estaria na conduta da GEMAX, empresa de quem a impugnante contratou, a título de compra e venda, mercadorias para o desenvolvimento de sua atividade econômica; 9. Reafirma que a GEMAX desenvolvia atividade de importação direta, utilizando recursos próprios e atendendo as exigências da RFB; 10. Descreve a conduta da interposição fraudulenta; 11. Descreve sonegação, fraude e conluio e conclui pela necessidade da condição dolosa para caracterização da infração que lhe foi imputada; 12. Discorre sobre a conduta dolosa. Alega que realizou com a GEMAX operação de compra e venda, para desenvolvimento de sua atividade econômica; 13. Reproduz na integra a descrição de fatos apresentada pela fiscalização relativa às mercadorias objeto da DI n.º 06/03061820; 14. Também foi intimada a fornecer informações e documentos relacionados às operações objeto do presente auto. Atendeu a intimação, confirmando as operações que participou e apresentando os respectivos documentos; 15. Depreendese boafé nos negócios entabulados pela impugnante, não restando caracterizado em nenhum momento o dolo, conluio e simulação, como quer o Auditor Fiscal em suas conclusões; 16. O fato de a impugnante ter adiantado recursos em favor da GEMAX é prática comum de mercado, onde é exigido um sinal para garantia e continuidade do negócio. Cita doutrina e artigos do Código Civil; 17. Não se sustenta a afirmação de que a impugnante utilizouse de simulação para contratar a GEMAX como mera mandatária; Fl. 674DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 8 7 18. As afirmações relativas aos possíveis lucros ou prejuízos percebidos e crescimento do patrimônio da GEMAX são de inteira responsabilidade daquela empresa, já que não responde por ela; 19. Concluiu a fiscalização que a impugnante, ao ter ocultado a sua condição de real adquirente das mercadorias importadas e nacionalizadas, logrou afastar obrigações tributárias principais e acessórias, dentre as quais, deixar de ser equiparada a estabelecimento industrial e, por conseguinte, fugir ao recolhimento do IPI devido pelo valor agregado na venda destas mercadorias ao consumidor final e reduzir a base de recolhimento dos demais tributos devidos sobre o seu faturamento; 20. Tal conclusão ficou eivada de vício, pois ele não se desincumbiu do ônus de provar o alegado, pois para configurar a tipificação da ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta na importação, é necessário provar o dolo, o intuito de lesar, os desígnios da vontade, o consilium fraudis; 21. Meras coincidências e alegações vazias não prestam para imputar cominações penais a quem quer que seja. Isso não é permitido em nosso sistema jurídico, isso é exceção; 22. À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer o acolhimento da impugnação e o cancelamento do débito fiscal reclamado. Em 16/01/2012, foi lavrado Termo de Ocorrência, no qual restou consignado a tentativa de devolução integral dos documentos e livros contábeis e fiscais à Sra. Maria Emília de Almeida e Souza, sócia e responsável pela GEMAX, que recebeu pessoalmente o Sr. Renato Felz de Oliveira, motorista da Alfândega do Porto de Vitória/ES, mas se recusou a receber a documentação após contato telefônico com terceiro, ficando voluntariamente com uma via do Termo de Devolução. A Vigésima Quarta Turma da DRJ/SP1 em São Paulo proferiu o Acórdão nº 1653.379, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Anocalendário:2006 "Descumprimento das normas relativas à importação por conta e ordem de terceiro. Dano ao Erário. Pena de perdimento. Multa substitutiva. Restando comprovada na Declaração de Importação a ausência de informação sobre a real adquirente da carga importada, adicionada à falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, além da presença de recursos de terceiros na operação, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo Artigo 23, Inciso V, do Decretolei 1.455/76, considerada dano ao Fl. 675DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 9 8 Erário, punida com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos do § 1.º, do mesmo Artigo, ou, no caso destas não serem localizadas ou terem sido consumidas, com a multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro. Nulidade por cerceamento de defesa. Ausência. Presente nos autos o fundamento legal do procedimento fiscal, bem como os elementos necessários ao conhecimento pelo contribuinte do que está lhe sendo imputado, viabilizado está o exercício de seu direito de defesa, pelo que não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. Prova emprestada. Validade. Não há impedimento à aplicação no processo administrativo do instituto da prova emprestada coligida mediante a garantia do contraditório, desde que, por óbvio, guarde pertinência com os fatos cuja prova se pretende oferecer. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada mediante edital, a GEMAX interpôs recurso voluntário, tempestivamente, alegando: 1. Em preliminares, nulidade do auto de infração por negativa de acesso aos autos e obtenção de cópia, nulidade por irregularidade na emissão de MPF, nulidade da autuação por ausência de descrição específica das irregularidades, impossibilidade de utilizar conclusões de outros processos administrativos; 2. No mérito, a existência de receitas financeiras FUNDAP, imóvel avaliado em R$ 2.374.000 e capital social de R$ 400.000, suficientes a afastar a presunção relativa de incapacidade financeira, que efetuava a importação direta e, posteriormente, realizava a revenda, que não houve adiantamentos, pois os depósitos ocorreram depois de nacionalizadas as mercadorias, o caráter confiscatório da multa aplicada, a aplicação da multa de dez por cento por cessão de nome de que trata o artigo 33 da Lei nº 11.488/2007. Por sua vez, a THINNETWORKS apresentou recurso voluntário, tempestivamente, alegando, em síntese: 1. Que procurou a GEMAX algumas vezes e, em outras, foi por ela procurada, para entabular negociações para que esta operasse importações de mercadorias para aquela; 2. Que não caberia à recorrente a fiscalização da GEMAX; 3. Que a GEMAX desenvolvia a atividade de importação direta com recursos próprios e atendendo à exigência da RFB; 4. Que não houve dolo ou máfé por parte da recorrente; 5. Que os adiantamentos são arras ou sinal; Fl. 676DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 10 9 Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade e deles tomo conhecimento. Preliminarmente, embora as recorrentes não tenham pugnado pela decadência das infrações relativas às DI´s registradas há mais de cinco anos da ciência do Auto de Infração, a matéria pode ser reconhecida de ofício, por ser de ordem pública. A decadência para constituição de crédito relativo a multa por infrações aduaneiras é dada pelos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/1966: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. O Decreto nº 4.543/2002 – RA/2002 reproduziu a mesma disposição do artigo 139 em seu artigo 669, sem qualquer ressalva: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei no 37, de 1966, art. 139) A multa aplicada decorre da conversão da pena de perdimento por não ter sido a mercadoria localizada ou ter sido consumida, nos termos do §1º1 do artigo 618 do RA/2002, por ocultação do sujeito passivo a ser considerada ocorrida no registro da Declaração de Importação, documento onde são prestadas as informações pertinentes à identificação do adquirente das mercadorias importadas. Portanto, tendo a ciência do Auto de Infração ocorrida em 24/06/2011 (relativo à THINNETWORKS) e em 22/06/2011 (relativo à GEMAX), os lançamentos referentes às DI´s registradas até 16/03/2006 devem ser exonerados. 1 Art. 618. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei no 37, de 1966, art. 105, e Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23 e § 1o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) [...] § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei no 1.455, de 1976, art. 23, § 3o, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). (Redação dada pelo Decreto nº 4.765, de 24.6.2003) Fl. 677DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 11 10 Neste sentido, os acórdãos abaixo: Acórdão nº 3403002.865: PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei no 37/1966. Acórdão nº 3201001.884: DECADÊNCIA. IMPORTAÇÃO DE MERCADORIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA PREVISTA NO DL 1.455/76, ART. 23, INCISO V. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para aplicação das penalidades referentes a interposição fraudulenta prevista no art. 23, Inciso V do DecretoLei nº 1.455/76 é de 5 (cinco) anos contados a partir da data do registro da Declaração de Importação DI, nos termos previstos no art. 139 do DecretoLei nº 37/66. Recurso Voluntário Provido Passase ao recurso da GEMAX. Quanto ao pedido de anulação por vício formal na emissão do MPF, a GEMAX alega que foi emitido MPF com indicação de mesmo auditor fiscal responsável que teria sido indicado em MPF já extinto, infringindo o parágrafo único do artigo 15 da Portaria RFB nº 11.371/2007. Ocorre que o primeiro MPF emitido 07.2.76.002007011890 teve validade até 23/03/2008, ao passo que o MPF 07.2.76.002008001481 foi emitido em 14/03/2008, portanto, antes da extinção do MPF anterior, não configurando a situação alegada pela recorrente. Ademais, salientase que o MPF é um instrumento administrativo, cujo descumprimento poderia levar a efeitos administrativofuncionais, mas não é requisito essencial do lançamento, nem altera a competência do auditor fiscal para a lavratura do Auto de Infração, cuja atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do parágrafo único do artigo 142 do CTN. Destacase ainda que a Lei nº 10.593/2002, em seu artigo 6º, dispõe sobre a competência do auditor fiscal, estabelecendo que o Poder Executivo poderia regulamentar as atribuições, o que foi efetivado pelo Decreto nº 6.641/2008, que em seu artigo 2º2 dispôs sobre a competência para constituir o crédito tributário e praticar os atos relacionados ao controle aduaneiro etc. 2 Art. 2o São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições [...] c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; Fl. 678DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 12 11 Já a Portaria RFB nº 11.371/2007, instituidora do MPF, disciplinou apenas a forma como seriam emitidos os procedimentos fiscais, não se imiscuindo na competência legal conferida ao auditor fiscal, nem configurando requisito essencial do lançamento, nos termos do artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972. Neste sentido, citase Acórdão nº 9101001.798, proferido em 19/11/2013, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, cuja ementa, parcialmente, transcrevese: NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração. Em outra vertente, a recorrente alega cerceamento de defesa por ausência de descrição específica das irregularidades supostamente praticadas. Neste ponto, a GEMAX se opõe ao lançamento pela falta de descrição específica da irregularidade cometida em cada DI, infringindo o inciso III do artigo 10 do Decreto nº 70.235/72. Entretanto, da análise dos autos, inferese que não foi o efetivamente ocorrido. O relatório fiscal descreveu todos os procedimentos efetuados desde a instauração de procedimento especial com base na IN SRF 206/2002, passando pela revisão de habilitação de que trata a IN SRF 650/2002, culminando na abertura de nova ação com base na IN SRF 228/2002. Em seguida, apontou os elementos que caracterizavam a falta de capacidade econômica e financeira, apresentando quadro com a evolução do capital social e do Patrimônio Líquido em comparação com o volume de importações, sobre a reavaliação de ativos para aumento do capital social, sobre a inexistência de empréstimos e financiamentos, exceto o FUNDAP. Passou então a descrever como seriam os adiantamentos feitos para cada DI, tendo em vista a falta de capacidade financeira para quitar as obrigações relativas às importações. Neste ponto, a fiscalização juntou quatro modelos de planilhas entregues pela recorrente em resposta às intimações, contendo as seguintes informações: Modelo 1: "Traz informações acerca das correspondentes Dls que estão relacionadas às "vendas" das mercadorias importadas da GEMAX para o real adquirente, tais como o n° da Dl e o n° das correspondentes Adições, a descrição das mercadorias, suas quantidades e seu posicionamento na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nome do exportador e valores de tributos vinculados à importação"; Modelo 2: " Traz as informações acerca das liquidações cambiais das obrigações junto a exportadores, relacionadas a cada uma das Dls, tais como o n° do contrato de câmbio, a data e o valor de liquidação do câmbio, o beneficiário do crédito das divisas no exterior e a /identificação do meio pelo qual a liquidação foi efetuada; Fl. 679DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 13 12 Modelo 3: " Traz as informações acerca das "vendas" das mercadorias importadas no mercado interno, relacionadas a cada uma das Dls, tais como o n° e a data das correspondentes Notas Fiscais de "venda" de emissão da GEMAX, a descrição e quantidades das mercadorias, a identificação do destinatário (o adquirente), os valores de tributos e as condições de pagamento em foram celebradas as "vendas"; Modelo 4: "Traz as informações acerca dos valores recebidos em função das "vendas", tais como a identificação do autor dos pagamentos, o meio pelo qual este efetuou os pagamentos, junto com a correspondente identificação bancária, assim como as datas e respectivos valores recebidos." A fiscalização juntou aos autos as notas fiscais de venda de emissão da GEMAX, o Livro Registro de Saídas das mercadorias importadas, o Livro Diário e os extratos bancários da GEMAX. A partir destes elementos, detalhou as operações realizadas concernentes a uma DI, não o fazendo para as demais DI´s. É este o ponto rebatido pela recorrente, que entende ser causa de nulidade a falta da demonstração específica para cada DI. Entretanto, a falta de demonstração pode ensejar mais esforço para a recorrente, mas não inviabiliza sua defesa, no sentido de rebater as informações produzidas nas planilhas Modelos 1 a 4, especialmente quanto às datas de liquidação de câmbio e as datas de recebimentos dos valores da THINNETWORKS , mesmo porque todas as informações foram obtidas da própria recorrente. O relatório fiscal mencionou a forma de se constatar o adiantamento: "Ou seja, este tipo de arranjo consistia numa "venda" previamente entabulada, pela qual a GEMAX era remunerada previamente a cada desembolso que necessitava efetuar. Essa constatação fica nítida ao se comparar as datas que a GEMAX liquidava os compromissos financeiros das importações (fechamento de câmbio para remessa de divisas ao exportador) com aquelas relacionadas aos recursos creditados a seu favor ("recebimentos das supostas vendas") pelos reais adquirentes." Ressaltase que a recorrente defendeu em toda sua impugnação a necessidade de devolução de prazo para exercer seu direito de defesa, em razão de os livros contábeis e fiscais não terem sido devolvidos, alegando imprescindíveis para rebater a acusação de utilizar de adiantamentos para quitar as obrigações relativas às importações, como alegado no excerto da impugnação: "27 É inegável, portanto, que a retenção de livros e documentos fiscais pela autoridade fiscal no prazo para apresentação da impugnação ao auto de infração viola frontalmente o princípio da ampla defesa, uma vez que tais documentos são imprescindíveis para demonstração da origem dos recursos financeiros utilizados no comércio exterior. 28. É fato que algumas folhas dos Livros Fiscais da autuada foram juntadas ao auto de infração pelo fiscal autuante, mas também é fato que os livros não foram copiados em sua integralidade (apenas as folhas que interessavam à acusação), e que há inclusive partes ilegíveis, o que torna imperioso o acesso da Autuada à integralidade dos seus Livros Fiscais, direito líquido e certo do contribuinte, que deveria terlhe sido Fl. 680DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 14 13 assegurado desde o início do prazo de impugnação, mediante termo de devolução de documentos, contemporâneo ao encerramento da ação fiscal[...]". Estranhamente, em 16/01/2012, numa tentativa de devolução dos referidos documentos, a sócia da GEMAX decidiu recusar o recebimento de tal documentação, quando enfim poderia rebater a acusação de falta de capacidade financeira e econômica, uma vez que teria o lapso temporal de 24 meses para produzir tal defesa, já que o recurso voluntário foi protocolado em janeiro de 2014. Rejeito, portanto, a preliminar arguida. Ainda em preliminares, a recorrente defende a nulidade do Auto de Infração, em razão de ter a fiscalização utilizado de conclusões obtidas em outros procedimentos fiscais, sem fazer qualquer juízo crítico neste processo. Aparentemente, a recorrente está alegando que a ausência de capacidade financeira e econômica foi verificada em outro procedimento fiscal. Entretanto, o relatório fiscal expôs um histórico dos procedimentos realizados, a fundamentação jurídica quanto às modalidades de importação, o dano ao erário e a interposição fraudulenta, descreveu os efeitos que poderiam ser auferidos com a prática da interposição fraudulenta, analisou a capacidade financeira e econômica, com quadros de evolução patrimonial, no Tópico A) A CAPACIDADE FINANCEIRA E ECONÔMICA DA GEMAX É INCOMPATÍVEL COM O VOLUME DOS NEGÓCIOS, concluindo que o baixo capital social aportado, a inexistência de financiamentos e empréstimos e a baixa margem de lucro seriam insuficientes para fazer frente ao volume de importações. Em seguida, a partir desta conclusão, partiu para demonstrar que as operações somente foram possíveis de serem realizadas mediante a antecipação de recursos por parte dos clientes da GEMAX, especialmente a liquidação dos contratos de câmbio. Analisou, ainda, as informações prestadas em sua página na internet quanto ao modelo negocial desenvolvido pela GEMAX, e, terminou por expor o encadeamento de elementos de prova para se concluir pela inter posição fraudulenta. Ao final, discorreu sobre os enquadramentos legais relativos à interposição fraudulenta, à solidariedade e responsabilidade tributárias, o valor aduaneiro da mercadoria e a representação fiscal para fins penais. Enfim, depreendese que as conclusões foram produzidas no próprio procedimento e expostas no próprio relatório fiscal, possibilitando à recorrente o exercício do contraditório e da ampla defesa, não havendo que se falar em empréstimo de conclusões, nem em cerceamento de defesa, razões pelas quais, rejeito preliminar arguida. Ainda, em preliminares, a GEMAX alega reforma da decisão recorrida e nulidade do auto de infração, por negativa de acesso aos autos e obtenção de cópias. Entretanto, não localizei no acórdão atacado tal passagem, nem nos autos a situação descrita. Aparentemente, a matéria referese a outro processo, razão pela qual não a conheço. Ultrapassadas as preliminares, passase à análise do mérito relativo à interposição fraudulenta. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 15 14 A recorrente defende, em síntese, que possuía recursos próprios para a realização das operações de importação, pois auferiu receitas financeiras provenientes do FUNDAP de 5,8% da receita líquida, possuía terreno avaliado em R$ 2.734.000 e capital social de R$ 400.000,00, que seriam suficientes a demonstrar a saúde financeira da GEMAX, o que afastaria a presunção relativa de incapacidade financeira. Primeiramente, destacase que a legislação prevê três modalidades de importação: importação direta, importação por "conta e ordem" e importação por encomenda. Na importação direta, o destinatário da mercadoria é o próprio importador que a utilizará para consumo próprio ou para revenda, possuindo a característica de não haver um destinatário prédeterminado e atualmente normatizada pela IN SRF nº 680/2006. O excerto abaixo extraído do artigo publicado na obra “Tributação Aduaneira à luz da jurisprudência do CARF” 3 esclarece: “I.1. Importação por conta própria A importação por conta própria é a tradicional modalidade de importação. É aquela modalidade de importação em que o importador adquire a mercadoria do exportador no exterior, fecha o câmbio em nome próprio, com recursos próprios, paga os tributos e a utiliza ou a venda no mercado interno para diversos compradores” Quanto às outras duas modalidades, o site da Receita Federal esclarece seus contornos4: Importação por conta e ordem: A importação por conta e ordem de terceiro é um serviço prestado por uma empresa a importadora , a qual promove, em seu nome, o Despacho Aduaneiro de Importação de mercadorias adquiridas por outra empresa a adquirente em razão de contrato previamente firmado, que pode compreender ainda a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial (art. 1º da IN SRF nº 225/2002 e art. 12, § 1°, I, da IN SRF nº 247/2002). Assim, na importação por conta e ordem, embora a atuação da empresa importadora possa abranger desde a simples execução do despacho de importação até a intermediação da negociação no exterior, contratação do transporte, seguro, entre outros, o importador de fato é a adquirente, a mandante da importação, aquela que efetivamente faz vir a mercadoria de outro país, em razão da compra internacional; embora, nesse caso, o faça por 3 Tributação Aduaneira: à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais/Ana Clarissa M. dos Santos Araújo...[et al.]; coordenação Marcelo Magalhães Peixoto,Ângela Sartori, Luiz Roberto Domingo. 1º ed. São Paulo; MP Editora, 2013. Artigo: "Dano ao Erário pela Ocultação Mediante Fraude a Interposição Fraudulenta de Terceiros nas Operações de Comércio Exetrior", página 53. 4 http://idg.receita.fazenda.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/despachodeimportacao/topicos1/importacao porcontaeordemeimportacaoporencomenda1/importacaoporcontaeordem/oqueeaimportacaopor contaeordem Fl. 682DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 16 15 via de interposta pessoa a importadora por conta e ordem , que é uma mera mandatária da adquirente. Dessa forma, mesmo que a importadora por conta e ordem efetue os pagamentos ao fornecedor estrangeiro, antecipados ou não, não se caracteriza uma operação por sua conta própria, mas, sim, entre o exportador estrangeiro e a empresa adquirente, pois dela se originam os recursos financeiros. Importação por encomenda: A importação por encomenda é aquela em que uma empresa adquire mercadorias no exterior com recursos próprios e promove o seu despacho aduaneiro de importação, a fim de revendêlas, posteriormente, a uma empresa encomendante previamente determinada, em razão de contrato entre a importadora e a encomendante, cujo objeto deve compreender, pelo menos, o prazo ou as operações pactuadas (art. 2º, § 1º, II, da IN SRF nº 634/2006). Assim, como na importação por encomenda o importador adquire a mercadoria junto ao exportador no exterior, providencia sua nacionalização e a revende ao encomendante, tal operação tem, para o importador contratado, os mesmos efeitos fiscais de uma importação própria. Em última análise, em que pese à obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, é aquele e não este que pactua a compra internacional e deve dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação, pela via cambial. Da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. Outro efeito importante desse tipo de operação é que, conforme determina o artigo 14 da Lei nº 11.281/2006, aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que tratam os artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430/1996. Em outras palavras, se o exportador estrangeiro, nos termos dos artigos 23 e 24 dessa lei, estiver domiciliado em país ou dependência com tributação favorecida e/ou for vinculado com o importador ou o encomendante, as regras de “preço de transferência” para a apuração do imposto sobre a renda deverão ser observadas. Salientase, ainda, que a importação por conta e ordem foi regulamentada pela Receita Federal do Brasil mediante a edição da IN SRF 225/2002, conforme autorizado pelo art. 80 da MP nº 2.15835/20015 e impõe ao real adquirente conseqüências relevantes 5 Artigo 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 17 16 como a prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; a sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas); a responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; a responsabilidade conjunta ou isolada, quanto às infrações aduaneiras; a sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; a sujeição aos pagamentos de PIS/Pasep e Cofins sob as normas de incidência sobre a receita bruta do importador. A acusação fiscal é de que a GEMAX teria simulado importação direta quando na realidade teria importado por conta e ordem da THINNETWORKS por presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, em razão de adiantamentos de recursos fornecidos pela THINNETWORKS para a liquidação dos contratos de câmbio, uma vez que a GEMAX não possuía capacidade financeira e econômica próprias para suportar os custos das importações: O artigo 27 da Lei nº 10.637/2002 dispõe que: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Por sua vez, os artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001 dispõem: Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. ................................................... ................................................... Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: " V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: Fl. 684DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 18 17 I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora ou exportadora por conta e ordem de terceiro; e (Redação dada pela Lei nº 12.995, de 18 de junho de 2014) II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Art. 81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador. Por outro lado, a partir da Lei nº 11.281/2006, foi disciplinada a figura da importação por encomenda, com regulamentação dada pela IN SRF nº 634/2006, nos seguintes termos: Art. 11. A importação promovida por pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado não configura importação por conta e ordem de terceiros. § 1o A Secretaria da Receita Federal: I estabelecerá os requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora na forma do caput deste artigo; e II poderá exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do encomendante. § 2o A operação de comércio exterior realizada em desacordo com os requisitos e condições estabelecidos na forma do § 1o deste artigo presumese por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. § 3o Considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior. (Incluído pela Lei nº 11.452, de 2007) Art. 12. Os arts. 32 e 95 do DecretoLei no 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art. 32. .............................................................................. .............................................................................. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 19 18 Parágrafo único. .............................................................................. .............................................................................. c) o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora; d) o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) "Art. 95. .............................................................................. .............................................................................. VI conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora." (NR) Art. 13. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art. 14. Aplicamse ao importador e ao encomendante as regras de preço de transferência de que trata a Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nas importações de que trata o art. 11 desta Lei. IN SRF nº 634/2006: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL , no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005 , e tendo em vista o disposto no art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999 , e nos incisos I e II do § 1º do art. 11 e nos arts. 12 a 14 da Lei nº 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, resolve: Art. 1º O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que adquire mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. Parágrafo único. Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente. Art. 2º O registro da Declaração de Importação (DI) fica condicionado à prévia vinculação do importador por encomenda ao encomendante, no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex). § 1º Para fins da vinculação a que se refere o caput, o encomendante deverá apresentar à unidade da Secretaria da Fl. 686DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 20 19 Receita Federal (SRF) de fiscalização aduaneira com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz, requerimento indicando: I nome empresarial e número de inscrição do importador no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ); e II prazo ou operações para os quais o importador foi contratado. § 2º As modificações das informações referidas no § 1º deverão ser comunicadas pela mesma forma nele prevista. § 3º Para fins do disposto no caput, o encomendante deverá estar habilitado nos termos da IN SRF nº 455, de 5 de outubro de 2004 . Art. 3º O importador por encomenda, ao registrar DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ. Parágrafo único. Enquanto não estiver disponível o campo próprio da DI a que se refere o caput, o importador por encomenda deverá utilizar o campo destinado à identificação do adquirente por conta e ordem da ficha "Importador" e indicar no campo "Informações Complementares" que se trata de importação por encomenda. Art. 4º O importador por encomenda e o encomendante são obrigados a manter em boa guarda e ordem, e a apresentar à fiscalização aduaneira, quando exigidos, os documentos e registros relativos às transações em que intervierem, pelo prazo decadencial. Art. 5º O importador por encomenda e o encomendante ficarão sujeitos à exigência de garantia para autorização da entrega ou desembaraço aduaneiro de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou patrimônio líquido do importador ou do encomendante. Parágrafo único. Os intervenientes referidos no caput estarão sujeitos a procedimento especial de fiscalização, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002 , diante de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira citada. Art. 6º Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. A caracterização como encomendante predeterminado traz conseqüências relevantes como o cumprimento das obrigações acessórias previstas na IN SRF 634/2006; a sujeição ao procedimento especial previsto na IN SRF 228/2002 (verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas); a prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com seu capital social ou o patrimônio líquido; a responsabilidade solidária quanto ao imposto de importação; a responsabilidade conjunta ou Fl. 687DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 21 20 isolada, quanto às infrações aduaneiras; a sujeição ao pagamento dos tributos relativos ao IPI de sua saída por contribuinte por equiparação; a aplicação das regras de preços de transferência de que trata a Lei nº 9.430/96. A inobservância das condições e requisitos por parte da pessoa jurídica importadora previstos na IN SRF 634/2006 acarreta a presunção de que a operação tenha sido realizada por conta e ordem de terceiros, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001, nos termos do §2º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006. Outro aspecto que deve ser frisado é que o disposto no §3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006 “considerase promovida na forma do caput deste artigo a importação realizada com recursos próprios da pessoa jurídica importadora, participando ou não o encomendante das operações comerciais relativas à aquisição dos produtos no exterior” juntamente com a disposição do parágrafo único do artigo 1º da IN SRF nº 643/2006 "Não se considera importação por encomenda a operação realizada com recursos do encomendante, ainda que parcialmente" implicam a conclusão de que a figura da importação por encomenda não admite a antecipação dos recursos pelo encomendante, ainda que parcialmente. Em complemento, a antecipação dos recursos torna presumida a operação por conta e ordem, conforme disposto no artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. Defluise que a operação por encomenda, na qual o importador realiza toda a transação comercial e revende a mercadoria a um adquirente predeterminado, e este não antecipa qualquer recurso, é sujeita a um controle aduaneiro específico e acarreta todos os efeitos já acima mencionados. Destacase que a antecipação de recursos por parte do encomendante retira a figura da importação por encomenda (parágrafo único do artigo 1º da IN SRF 634/2006 e §3º do artigo 11 da Lei nº 11.281/2006) e a desloca para a figura da importação por conta e ordem, por ficção jurídica, representada pelas presunções de que trata o §2º do artigo 11 da Lei 11.281/2006 e o artigo 27 da Lei nº 10.637/2002. Estabelecido este entendimento, retornamse às alegações. Relativamente à sua capacidade financeira, a GEMAX alega que a fiscalização desconsiderou que o financiamento do BANDES, decorrente das operações com o FUNDAP, teria gerado uma receita financeira em torno de R$ 3.740.000,00, o que, aliado à existência de imóvel e do montante do capital social, no valor de R$ 400.000,00, comprovaria a origem dos recursos. Constatase que o valor de R$ 400.000 decorreu de integralização de lucros acumulados, passando de R$ 50.000 para os referidos quatrocentos mil. Já o valor de R$ 2,374 milhões relativo a imóvel decorreu de reavaliação de custo de aquisição de R$ 45 mil. Estes montantes não refletem capacidade financeira a suportar o volume de importações. Na realidade, a fiscalização considerou como recursos financeiros, o lucro líquido acumulado de 2005 a 2007 no valor de 980.000,00 em sua análise da capacidade econômicofinanceira da GEMAX, o que incluiu as receitas financeiras auferidas. No quadro 05 do relatório fiscal, constam receitas financeiras consideradas da ordem de R$ 3.921.000 para 2005 e 2006, e R$ 5.160.000, incluindo 2007. A questão esquecida pela recorrente é de que existem despesas operacionais, financeiras e não operacionais contabilizadas, que, por certo, absorveram parte das receitas financeiras auferidas. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 22 21 O fato é que no período de 2005 a 2007, houve aporte financeiro mediante integralização de capital da ordem de R$ 50.000,00 e lucro líquido da ordem de R$ 853.923,00 (soma do lucro do exercício do quadro 05), consideradas todas as receitas e despesas contabilizadas, para um volume de importações da ordem de R$ 30.000.000,00. Os valores referemse a receitas auferidas e despesas incorridas por regime de competência, o que, não necessariamente, corresponde ao fluxo financeiro. Entretanto, para fazer frente aos pagamentos das liquidações de câmbio com recursos próprios seria necessária uma engenharia financeira na qual os recebimentos das vendas fossem utilizados em liquidações de outras aquisições a serem posteriormente revendidas, e isto deveria acontecer em volume de R$ 29.000.000,00 dos R$ 30.000.000, operados no período de 2005 a 2007. Tal engenharia não foi provada pela recorrente que se limitou a alegar que o FUNDAP comprovava a origem dos recursos. Ressaltase que a fiscalização intimou a GEMAX a apresentar o Demonstrativo Sumário das Origens e Aplicações de Recursos referentes aos anos de 2005, 2006 e 2007, de acordo com o modelo do Anexo IC do Ato Declaratório Executivo Coana nº 3/2006, o qual contém um fluxo de caixa sumário. A recorrente apresentou o quadro com informações inconsistentes com a movimentação financeira de caixa e bancos registrada nos livros contábeis, tendo sido consignado em Termo de Constatação e Reintimação, datado de 11/06/2008. Tal demonstrativo foi reintimado em termo datado de 12/08/2008, não tendo sido apresentado pela recorrente, conforme constatado no relatório fiscal. Embora reconheçase que o financiamento proveniente do FUNDAP possa servir como comprovação da origem de recursos para a realização da algumas importações, a recorrente não demonstrou quais importações teriam sido realizadas com tais recursos. Assim, considero que está devidamente provada a incapacidade financeira e econômica da GEMAX para suportar os custos da importação do volume de R$ 30 milhões entre 2005 e 2007. Ainda referente ao procedimento especial da IN SRF nº 228/2002, a GEMAX foi intimada a apresentar a condição de real adquirente, mediante a disponibilização dos instrumentos de negociação, correspondências comerciais entre comprador e vendedor, ordens, pedidos de compra, publicações especializadas, cotações de preço, não tendo sido apresentados tais documentos, corroborando a tese fiscal. Neste aspecto, a IN SRF 228/2002 dispõe: Art. 11. Concluído o procedimento especial, aplicarseá a pena de perdimento das mercadorias objeto das operações correspondentes, nos termos do art. 23, V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, na hipótese de: I ocultação do verdadeiro responsável pelas operações, caso descaracterizada a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias; II interposição fraudulenta, nos termos do § 2º do art. 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976, com a redação dada pela Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em decorrência da Fl. 689DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 23 22 não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados, inclusive na hipótese do art. 10. Quanto aos adiantamentos, a recorrente alega que não ocorreram, pois os depósitos foram efetuados após a nacionalização das mercadorias. Por outro lado, a fiscalização acusou que os adiantamentos eram destinados a suportar as liquidações de câmbio e os pagamentos dos tributos devidos na importação. Neste aspecto, a tabela seguinte demonstra os valores de liquidação e datas com os valores recebidos decorrentes das vendas aos clientes: DI Dt. registro Dt liq. câmbio Valor Dt. rec. vendas antec. Valor Nota Fiscal Valor Dt. emissão 06/0799587 10/7/06 31/5/06 70.547 23/5/06 32.145 1125 121.223 12/7/06 24/5/06 38.648 06/0832359 17/7/06 13/6/06 131.308 8/6/06 126.276 1254 194.977 4/9/06 8/6/06 5.603 1255 1.832 4/9/06 Verificase que houve adiantamentos de valores significativos, em data anterior à do registro da DI, para suportar os custos da liquidação de câmbio. Destacase, ainda, que as contabilizações dos lançamentos relativos aos adiantamentos para liquidação de câmbio refletiam a operação no histórico: "PROC GMX 0090 REC. ADIANTAM. DE PROC GMX 0090 32.145,80" (efl. 187). Sob outro prisma, a fiscalização transcreveu no relatório fiscal as informações constantes na página da GEMAX da internet, na qual consta a informação que a empresa atua na área de prestação de serviços na área de comércio exterior, como assessoria de importação e exportação (contratação de frete, pickup (coleta) da mercadoria na fábrica, em qualquer localidade, logística completa do transporte internacional aéreo, marítimo e rodoviário, registro Siscomex – credenciamento, emissão de licenciamentos ( LI´s s no Decex, Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura; registro de operação financeira (ROF) no Banco Central Bacen; contratação de seguro sobre transporte internacional com cobertura ampla porta a porta, com melhores taxas do mercado e outros constantes na página), assessoria especial (importações especiais, admissões temporárias e exportação temporária), serviços relacionados ao fechamento do câmbio (assessoria; conferência e exame da documentação recebida do exterior (Bancos e Exportadores) e devida adequação às normas cambiais no Brasil; orientações nos pedidos de abertura de Carta de Crédito confirmação, negociação e discrepâncias; contratação do câmbio pré e pósembarque), serviços de logística (contratação de fretes internacionais e nacionais, seguros e acompanhamento de todo desembaraço, desde a saída da mercadoria no exterior; nacionalização e entrega/distribuição para o cliente final). Além disso, oferece vantagens financeiras como expressamente dispostas na página da internet: custo operacional: ausência de margem de lucro; ICMS interestadual 33,3% menor; menor alavancagem de IPI. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 24 23 Todas as informações se coadunam com a condição de prestadora de serviços e não de revendedora direta de mercadorias, o que aliado à falta de capacidade financeira, aos adiantamentos recebidos, à forma como são contabilizadas as operações, à não apresentação de instrumentos negociais que comprovassem a condição de real adquirente, revelam que as operações foram por conta e ordem, corroborando a presunção do artigo 27 da Lei nº 10.637/2002, sendo improcedente a alegação da recorrente de que os pagamentos foram depositados após as mercadorias serem nacionalizadas. Concernente à alegação de caráter confiscatório da multa aplicada, esclareça se que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer desta alegação, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 626 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, quanto à aplicação da Lei nº 11.488/2007, a recorrente propugna que, na hipótese de admitida a imputação fiscal, a multa a ser aplicada seria a prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 e não a multa de 100% do valor aduaneiro resultante da conversão da pena de perdimento. Nesta matéria, o Decreto nº 6.759/2009 assim dispõe: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º,este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): [...] XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. § 1o A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59). § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, 6 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 25 24 ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) [...] Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 1o A multa de que trata o caput não poderá ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) (Lei nº 11.488, de 2007, art. 33, caput). § 2o Entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica, para a operação em que tenha ocorrido o acobertamento. § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. § 3o A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Observase que o §3º do artigo 727 do decreto prevê a hipótese de cumulação entre as duas multas. A respeito da matéria, peço vênia para transcrever voto do ilustre Conselheiro Ricardo Rosa, proferido no Acórdão nº 3102002.195, cujos fundamentos adoto, na forma do § 1º do art. 50 da Lei no 9.784/19997: "A multa de dez por cento do valor da operação, aplicável à pessoa jurídica que cede o nome não revogou a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias aplicada nos casos de infração por interposição fraudulenta. A Orientação Coana/Cofia/Difia s/n, datada de 11 de julho de 2007, que trata da aplicação de multa na cessão de nome a terceiro, em operações de comércio exterior, chega à seguinte conclusão. Em resumo, concluise que se aplicam as seguintes disposições legais, às hipóteses abaixo enumeradas: 7 § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 26 25 Interposição fraudulenta presumida pela não comprovação da origem dos recursos: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Proposição de inaptidão da inscrição do CNPJ da pessoa jurídica (art. 81, § 1º, da Lei nº 9.430/96, e art. 41, caput e parágrafo único, da IN RFB nº 748/2007); Interposição fraudulenta comprovada, seja pela identificação da origem do recurso de terceiro, seja pela constatação da ocultação por outros meios de prova: Pena de perdimento da mercadoria, com base no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; Multa de 10% do valor da operação acobertada, aplicada sobre o importador, conforme dispõe o art. 33 da Lei nº 11.488/2007. De fato, não tenho qualquer dúvida de que jamais a intenção do legislador foi no sentido cominar penalidade mais branda nos casos de interposição fraudulenta de pessoas. Basta observar que em nenhum momento se disse que a multa decorrente da conversão da pena de perdimento, especificamente nos casos de interposição fraudulenta, deixaria de ser equivalente ao valor aduaneiro e passaria a ser de dez por cento do valor da operação. Seria de se perguntar por que razão o legislador teria destacado uma das ocorrências tipificadas como dano ao Erário, que sujeitam a mercadoria à pena de perdimento, para, em circunstâncias nas quais a mercadoria não pudesse ser apreendida, o perdimento fosse convertido não em valor compensatório, mas em inexpressivos dez por cento deste. Creio que, fosse essa a idéia, a primeira medida deveria ter sido no sentido de determinar a exclusão da infração do rol de situações compreendidas no conceito de dano ao Erário, já que a este deve ser necessariamente associado penalidade gravíssima de perdimento das mercadorias, ou, alternativamente, de multa no valor desta. Além do mais, as disposições legais a respeito são claras ao indicar, como consequência da aplicação da multa de dez por cento, a exclusão da hipótese de declaração de inaptidão, a teor do parágrafo único do artigo 33 da Lei nº 11.488/07. Dito dispositivo esclarece que, à hipótese prevista no caput (aplicação da multa de dez por cento pela cessão do nome) não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (declaração de inaptidão). Também não creio que se esteja negligenciando o princípio que protege o apenado da aplicação de mais de uma penalidade à mesma conduta. Fl. 693DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 27 26 Primeiro, devemos lembrar que é grande a quantidade de situações para as quais há previsão legal de aplicação de mais do que uma penalidade em vista de uma mesma ocorrência, bastando que as infrações decorrentes sejam de natureza distinta. Vejase o caso do erro de classificação. Ele sujeita o infrator à multa de um por cento do valor da operação, multa de setenta e cinco por cento da diferença de tributos e, muitas vezes, multa de trinta por cento do valor das mercadorias. E nem se fale dos casos de subfaturamento na importação. Segundo, é preciso compreender que, desde o começo, todas as disposições legais foram sendo concebidas à luz da interpretação jurídica dada às ocorrências identificadas no mundo real, a partir do que forjaramse instrumentos capazes de alcançar todas as pessoas envolvidas. Um dos pontos de partida deste empreendimento foi a interpretação de lavra da Procuradoria da Fazenda Nacional – Parecer PGFN CAT 1.316/01, por meio da qual ficou assentado que o contribuinte do imposto é sempre a pessoa cujo nome consta no conhecimento de carga, independentemente de quem estiver efetivamente interessado na aquisição das mercadorias ou fizer as negociações prévias. Como consequência, as autuações obrigatoriamente passaram a indicar como contribuinte do Imposto a pessoa informada nas declarações de importação como sendo o importador das mercadorias, restando incluir o adquirente no mercado interno como solidário na operação. Por isso, ao aplicar a multa compensatória nos casos de mercadorias sujeitas à pena de perdimento, forçosamente identificase como contribuinte a pessoa que registrou a declaração de importação, embora pretendase apenar o verdadeiro proprietário destas mercadorias, que figura como responsável solidário. Finalmente, cumpre destacar que o assunto está hoje claramente regulamentado no Regulamento Aduaneiro em vigor – Decreto 6.759/09. Art. 727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...) § 3o A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas." Assim, não procede a alegação de aplicação da multa por cessão de nome por retroatividade benigna de que trata o artigo 112 do CTN. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 28 27 Relativamente ao recurso voluntário da THINNETWORKS, destacase que a consideração de que as operações foram por conta e ordem da recorrente já foi suficientemente analisada nos parágrafos anteriores. Em seu recurso, a própria recorrente reconhece que procurou a GEMAX, ou foi procurada por ela, para entabular as negociações para realizar as importações, o que, por si só, caracteriza tratarse, ao menos, de importações por encomenda. Entretanto, foi provado pela fiscalização, a partir das planilhas entregues pela GEMAX, que houve adiantamentos de recursos financeiros para liquidar os contratos de câmbio, o que caracteriza as operações como importações por conta e ordem. Na sistemática da Lei nº 11.281/2006, o adiantamento de recursos retira a figura da importação por encomenda e a desloca para a importação por conta e ordem. A afirmação feita pela recorrente de que a GEMAX teria importado de forma direta com recursos próprios não é verdadeira, pois reconhecida a encomenda pela própria recorrente e confirmados os adiantamentos pela própria GEMAX. Finalmente, quanto à sujeição passiva da recorrente, pontuese que a responsabilização decorre expressamente da lei, especificamente o artigo 95 do Decretolei nº 37/1966 e alcança quem concorre ou se beneficia da infração e ainda o adquirente no caso de importação por conta e ordem, nos termos abaixo: Art.95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...] V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) Restou demonstrado que a recorrente adiantou recursos em operações por conta e ordem, embora a documentação tenha sido produzida como se fossem importações diretas, evitando sua equiparação a industrial e, consequentemente, à incidência do IPI, escapando aos parâmetros de avaliação de risco, à sujeição aos procedimentos especiais para verificação da capacidade financeira. Neste sentido, citamse acórdãos deste Conselho: Acórdão nº 3201001.876: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DA MERCADORIA IMPORTADA. ART. 95, INCISO V, DO DL 37/66. Responde pela infração conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importador, nos termos previstos no art. 95, inciso V, do DecretoLei nº 37/66. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 12466.721267/201115 Acórdão n.º 3302003.066 S3C3T2 Fl. 29 28 Acórdão nº 3202001.610: LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. RESPONSABILIDADE Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, bem como o adquirente da mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Acórdão nº 3403002.593: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IMPORTAÇÃO POR “CONTA E ORDEM” DE TERCEIRO. De acordo com o artigo 27, da Lei no. 10.637/02, a importação realizada com a utilização de recursos antecipados ao importador por terceiro, presumese por conta e ordem deste. E se é assim, os artigos 32 e 95, do DecretoLei no. 37/66, atribuem ao adquirente a responsabilidade solidárias pelos tributos e infrações aduaneiras cometidas pelo importador. Diante do exposto, voto para dar provimento parcial aos recursos voluntários, exonerando os lançamentos referentes às DI´s registradas até 16/03/2006. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 696DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 05/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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