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Numero do processo: 10880.925295/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.620
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.925294/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 25 29 5/ 20 09 -6 1 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.925295/200961 Resolução nº 1201000.620 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado que o crédito tinha origem em "antecipações" de IRPJ do anocalendário de 2003. Também, que: ao final do ano de 2003 foi apurado prejuízo fiscal e que então a empresa passou a ter o direito de compensar os créditos; o crédito utilizado na PER/DCOMP foi informado tomandose como base o DARF recolhido, quando na verdade deveria ter sido utilizado o "Saldo Negativo" de IRPJ; "foram feitas as devidas correções na DIPJ, onde equivocadamente não havia sido lançado o 'Saldo Negativo' de IRPJ, porém todas as antecipações foram informadas bem como o resultado (prejuízo) do exercício". A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, "os equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte". Consta ainda de decisão que "não há como acatar a solicitação da contribuinte de se considerar que o crédito utilizado no PER/DCOMP é parte da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003". No Recurso Voluntário foi alegado que a) "o artigo 4° da IN/SRF n° 600/2005, vigente à época dos fatos, estabelecia expressamente que a autoridade fiscal deveria determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No caso em tela, este procedimento não foi adotado"; b) "... na hipótese de ocorrer erro no preenchimento de DCTF, e/ou de DIPJ, que não corresponda à verdade dos fatos como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará sendo privado de fazer valer um direito seu, direito este amparado por nosso Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária"; c) "... tendo ocorrido manifesto erro de preenchimento de declaração, caracterizando o erro de fato, e tendo em vista que o despacho decisório e o acórdão recorrido Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10880.925295/200961 Resolução nº 1201000.620 S1C2T1 Fl. 4 3 não foram prolatados com fundamento na verdade material dos fatos, requerse desde já a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja lavrado levandose em consideração os princípios do Direito Tributário" d) "... o crédito utilizado na PERD/COMP foi informado tomandose como base o 'DARF recolhido', enquanto o correto deveria ter sido o 'Saldo Negativo de IRPJ'"; e) "... foram feitas as devidas retificações na DIPJ, na qual equivocadamente não havia sido lançado o saldo negativo de IRPJ"; f) "... todas as antecipações foram informadas, bem como o resultado (negativo) do exercício"; g) "tendo em vista a clareza do mero erro formal perpetrado, com fundamento no comezinho principio tributário da verdade material, é imperioso que se considere que o crédito utilizado é parte da composição do saldo negativo de IRPJ da DIPJ/2003". É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10880.925295/200961 Resolução nº 1201000.620 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.619, de 16/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.619): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, o crédito indicado na Dcomp referese a pagamento de estimativa. No entanto, esse pagamento foi considerado para compor o saldo negativo do período conforme parte da DIPJ (ficha 12A) constante dos autos, este a efetiva origem do crédito. Ocorre que não consta dos autos a DIPJ integral do período, assim como as DCTFs correspondentes, pelo que não é possível verificar o total dos valores pagos por estimativa e se conferir o valor do saldo negativo do ano em tela. Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ integral do período e a demonstração do saldo negativo apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) que sejam juntadas as cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação dos pagamentos/compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo; c) verificação quanto à não utilização desse saldo negativo em outras Dcomps; O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10880.925295/200961 Resolução nº 1201000.620 S1C2T1 Fl. 6 5 Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.722571/2016-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Matéria de prova, o ônus da prova é do contribuinte demonstrar seu direito.
Numero da decisão: 2002-000.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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Matéria de prova, o ônus da prova é do contribuinte demonstrar seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 25 71 /2 01 6- 52 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11020.722571/201652 Acórdão n.º 2002000.432 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.78/81) contra decisão de primeira instância (fls.68/72), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Para o(a) contribuinte, já qualificado(a) nos autos, foi lavrada Notificação de Lançamento pela DRF/Caxias do Sul/RS, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 10.071,83, atualizado até 31/08/2016. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA – entregue pelo(a) interessado(a), relativa ao exercício financeiro de 2015, quando foi constatada, conforme a Descrição dos Fatos, dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$ 19.030,82. O(A) notificado(a), por intermédio de procurador(a) habilitado(a), apresentou impugnação, instruída por elementos, os quais, no seu entender, comprovam a dedução glosada pela autoridade fiscal, argumentando, em resumo, o que segue: · Está anexando as folhas de pagamento mensal do INSS e do IPAM onde constam os descontos para o plano de saúde, sendo que o total pago é relativo a este impugnante, pois não há dependentes. · Esta anexando também os recibos fornecidos pela profissional Paula Pulga Pereira com as informações que faltavam (endereço e carimbo com o registro no Conselho de Classe). Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 03/03/2017 (fl.75); Recurso Voluntário protocolado em 31/03/2017 (fl.78), assinado por procurador legalmente constituído (fl.87). Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11020.722571/201652 Acórdão n.º 2002000.432 S2C0T2 Fl. 4 3 Responde o contribuinte, nestes autos, por ter feito deduções indevidas de despesas médicas, face ao Instituto Nacional do Seguro Social, do Instituto de previdência e Assistência Municipal e, com a profissional de saúde Paula Pulga Pereira. Irresignado o autor apresentou impugnação, sendo que a r. decisão primeira, afastou da condenação as despesas médicas com a profissional de saúde, mantendo as outras deduções. O Termo de Intimação Fiscal de fl. 67, foi solicitado ao contribuinte a apresentação, dentre outros documentos, dos comprovantes originais e cópias de despesas médicas com planos de saúde, com valores discriminados por beneficiários (titular e dependentes). A r. decisão de origem estribou fundamento nos termos do art. 80, §1º, II do RIR/1999, dizendo assim: “com efeito, a falta de identificação individual dos beneficiários impede as autoridades fiscal e julgadora de saber se as despesas médicas foram em favor do próprio contribuinte, de seus dependentes para fins tributários ou de terceiros”, diz ainda que “vale lembrar que uma pessoa pode se enquadrar como dependente para fins do plano de saúde e não o ser para fins tributários”. Em sua peça de resistência, o recorrente alega que, com os documentos apresentados, a r. decisão considerou, que o Fisco não tinha como saber, se as despesas médicas foram em favor do próprio contribuinte ou de seus dependentes para fins tributários ou de terceiros. Sendo certo que, neste ponto, a r. decisão deve ser reformada. O recorrente juntou aos autos novos documentos, que segundo suas razões são suficientes para a reforma do decidido. 1º) O recorrente conta com o plano de saúde familiar (GEAP Autogestão em Saúde), contratado por meio do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, possuindo como dependente sua esposa, Sra Iara de Jesus Miguel. 2º) O recorrente conta ainda com o plano de saúde familiar (IPAM), contratado por meio do Instituto de Previdência Municipal – IPAM, possuindo como dependente, sua esposa, Sra Iara de Jesus Miguel. Destaca ainda o recorrente, que por se tratar de planos familiares, o montante pago mensalmente resta fixo, independentemente ou não de um ou mais dependentes. O documento de fl. 82, juntado em sede de recurso Voluntário, é uma Declaração feita pelo INSS, informando que o Sr. Rachid Miguel é titular do plano de saúde GEAP e, sua esposa Iara de Jesus Miguel é sua dependente. Por primeiro esclareço que, quanto ao plano de saúde do IPAM, não foi apresentada nenhuma declaração. Em seu recurso, o recorrente requer a procedência total de seu apelo, ou então, que seja considerado no percentual de 50% para o recorrente e 50% para sua única dependente. Na declaração do IR do recorrente, anoto que o mesmo não possui dependente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11020.722571/201652 Acórdão n.º 2002000.432 S2C0T2 Fl. 5 4 Já na declaração do GEAP, consta a esposa do recorrente como dependente. Pois bem, com a juntada de novos documentos, entende este relator, que os mesmos não satisfazem as dúvidas que o Fisco teve, bem como dos julgadores. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003956/2004-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002
DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. POSSIBILIDADE.
Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente art. 83, inc. I, da Lei nº 4502/64. Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 10.637/2002 não é possível a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1455/76 c/c art. 105, inc. VI do Decreto-Lei nº 37/66.
Numero da decisão: 9303-007.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2002 DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. POSSIBILIDADE. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente art. 83, inc. I, da Lei nº 4502/64. Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 10.637/2002 não é possível a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1455/76 c/c art. 105, inc. VI do Decreto-Lei nº 37/66.
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AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Recorrente TCE SERVICOS EM TECNOLOGIA E INFORMATICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002 DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. POSSIBILIDADE. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente art. 83, inc. I, da Lei nº 4502/64. Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 10.637/2002 não é possível a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1455/76 c/c art. 105, inc. VI do DecretoLei nº 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 39 56 /2 00 4- 20 Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.065 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, contra Acórdão n° 3402 01.395, proferido pela 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para excluir da sujeição passiva a empresa SWD Serviços Empresariais Ltda, cuja ementa teve a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. É legítimo o lançamento cujo teor contenha os elementos necessários para o sujeito passivo saber do quê, como e diante de quem se defender, possibilitando o devido processo legal, com contraditório e ampla defesa, mesmo quando efetuado.efetuado com base em documentos que, durante o procedimento fiscal, não se encontravam com o sujeito passivo. LICITUDE DA PROVA. É licita a prova obtida no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão concedido pelo Judiciário, em cujo termo de busca e apreensão consta a assinatura de duas testemunhas, bem como a descrição genérica dos documentos apreendidos. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INCABÍVEL. A participação no julgamento de auditorfiscal nomeado para a função de julgador na DRJ que, anteriormente, tenha assinado o MPF relativo ao procedimento fiscal instaurado não configura nulidade da decisão recorrida. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DE PARECER. NULIDADE. INCABÍVEL. O órgão julgador não está obrigado à apreciação de Parecer elaborado por encomenda das partes, apresentado após o transcurso do prazo impugnatório. PEDIDO DE PERÍCIA. INCABÍVEL. É despicienda a realização de perícia quando constam dos autos todos os documentos necessários à solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.066 3 Anocalendário: 2002 MULTA REGULAMENTAR. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. A instrução da Declaração de Importação com fatura comercial internacional falsa configura importação irregular e fraudulenta, que reclama a aplicação da multa regulamentar correspondente ao valor comercial da mercadoria importada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE NÃO COMPROVADA. É incabível o lançamento contra duas pessoas jurídicas distintas quando não se comprovar a solidariedade por uma das hipóteses contempladas no capítulo V do CTN, devendo ser mantida no pólo passivo a pessoa jurídica responsável pela maioria das infrações, desde que seja possível separar as infrações cometidas por cada pessoa jurídica. Devidamente cientificada, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados por meio do Acórdão nº 3402 002.537. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, aduz dissídio jurisprudencial a respeito das seguinte matérias: (1) à configuração da infração de importação irregular fraudulenta, e; (2) à nulidade da decisão de primeira instância, pela participação no julgamento de autoridade que participou da atividade de fiscalização e pela falta de apreciação de parecer jurídico. Para comprovar a divergência jurisprudencial, indica como paradigmas os acórdãos nºs 30238.072, 20213.944, para a divergência (1) 310100.361 e 302 39.260, para a divergência (2). Em seguida, o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, deu seguimento parcial ao recurso, com relação a divergência nº 1, à configuração da infração de importação irregular fraudulenta, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 2.958/2.963 Houve reexame de admissibilidade, o Presidente do CARF decidiu em manter na integra o despacho do presidente da 4º Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso interposto. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, ás fls. 2.967/2968, pugna pelo improvimento do Recurso interposto. No essencial é o Relatório. Fl. 3066DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.067 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. In caso, a decisão recorrida apoiada nos fundamentos do voto vencido no Acórdão nº 20403.680, de 03 de fevereiro de 2009, analisando a prova constante dos autos, considerou que as faturas comerciais que instruíram os despachos aduaneiros em questão não eram originais; e que não foram emitidas pelos exportadores; sim produzidas pelas recorrentes; não foram assinadas pelos exportadores; com divergências em relação às originais (nome do importador e exportador diferentes, descrição das mercadorias, etc), interferindo na essência do negocio jurídico; foram emitidas por terceiros sem legitimidade para tal; contêm informações inverídicas (assinatura não é a do exportador); não se revestem de legitimidade; não poderiam servir para instruir os despachos aduaneiros de importação, concluiu tratarse de documentos falsos. Nesse sentido, interpretando o art. 463, inc. I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 – RIPI/1998, em conjugação com os arts. 602 e 603 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030 de 5 de março de 1985 – RA/1985, concluiu que a importação realizada pelas autuadas é irregular e fraudulenta, incidindo a multa prevista no art. 463 do RIPI/98. Com efeito, quanto a validade da aplicação de multa correspondente ao valor comercial da mercadoria colocada a consumo, art. 83, I da lei 4502/64, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303004.236, de 13 de setembro de 2016, de relatoria do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: "Aplicação da multa de ofício Como bem relatado, tratase de auto de infração lavrado para se exigir a multa perpetrada às importações realizadas durante o ano de 2000, em decorrência da acusação de que o sujeito passivo entregou a consumo ou Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.068 5 consumiu produtos de procedência estrangeira importados de forma fraudulenta, por violação ao art. 83, inciso I, da Lei 4.502/64, e ao art. 1º, do DecretoLei 400/68, regulamentado pelo art. 463, inciso I, do Decreto 2.637/98. O voto da relatora entendeu por dar provimento ao recurso especial, fundamentando seu entendimento com base no voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza proferido no acórdão nº 3202001.340, o qual transcreve em seu voto. Por sua vez, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza utilizou o voto da ilustre Conselheira Irene Souza da Trindade Torres no Acórdão nº 3202000.586. Ocorre que nesse citado Acórdão, da Conselheira Irene, o fato gerador da infração deuse em 2004 e no presente processo estamos falando de fato gerador ocorrido em 2000. Tal informação faz uma grande diferença e, inequivocamente, as conclusões constantes do voto da Conselheira Irene não são aplicáveis às infrações apuradas no anocalendário de 2000. Tanto é verdade, que o próprio Conselheiro Charles, reconhecendo o equívoco, votou agora contra o seu próprio entendimento exarado no citado acórdão. A Conselheira Irene, no Acórdão nº 3202000.586, concluiu que na data do fato gerador, 2004, apesar de ainda estar vigente o art. 83, inc. I, da Lei nº 4.502/64, existia uma penalidade mais específica prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1455/76 com sua redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Abaixo transcrições do referido voto em que fica claro esse entendimento: Assim, diante do arcabouço legal que trata a matéria, acima disto, fica cristalina a tipificação da situação fática importação de mercadorias com falsificação de documentos (fatura comercial) necessários ao seu desembaraço como dano ao Erário e a procedência da aplicação de pena de perdimento e de sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em razão de sua não localização. Deste modo, irretocável o entendimento esposado pela DRJ quando afirma: Vejase que, nos casos configuradores de dano ao Erário, o suporte fático sobre o qual incide a multa prevista no citado § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, é precisamente o mesmo que foi aventado pela autoridade autuante para a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, qual seja, a entrega para consumo (implicando a não localização) do produto estrangeiro importado fraudulentamente. Todavia, além de a penalidade prevista nos termos do § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, ter sido instituída por norma legal mais recente, fato é que decorre de situações de fraude ou irregularidades cuja definição é mais específica, ao passo que a disposição contida no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, referese de forma genérica à hipótese de importação irregular ou fraudulenta do produto estrangeiro. Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.069 6 (destaquei) Adequandose, portanto, os fatos à norma, temse que as infrações apuradas pela Fiscalização guardam identidade com a hipótese de dano ao Erário previsto no art. 23, IV, do DecretoLei nº 1.455/76 c/c o art. 105, VI, do Decretolei nº 37/66. No caso, temse aplicável a pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa, conforme previsto nestes mesmos diplomas legais, não sendo aplicável a penalidade prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, por constituirse o dano ao Erário na tipificação adequada para o caso em questão. (...) Porém, no presente processo estamos lidando com fato gerador da infração de 2000, quando não havia uma penalidade mais específica para as situações em causa. A única infração prevista era a do art. 83, inc. I da Lei nº 4.502/64, a qual se amolda perfeitamente aos fatos relatados. Veja a sua redação: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I – Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, conforme o caso; Agora, transcrevese a acusação fiscal retirada do auto de infração, fl. 8386, a qual demonstra a prática da infração cuja tipicidade, no meu entendimento, se encaixa no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64: As autuadas, TCE Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda (denominada a seguir como "TCE") e SDW Serviços Empresarias Ltda (referida aqui como "SDW) consumiram e entregaram a consumo produtos de procedência estrangeira importados fraudulentamente. Diversas infrações cambiais e fiscais, além de crimes, foram cometidas pelas empresas auditadas, razão da lavratura deste Auto de Infração com fundamento, principalmente, no art. 83, inciso I, da Lei n°4.502/64, no art. 1º , alteração 2ª, do DecretoLei n°400/68regulamentado pelo art.463, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), in verbis: (...) Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.070 7 Por isso, ficam os autuados sujeitos ao pagamento de multa regulamentar de RS 94.734.141,08 (noventa e quatro milhões, setecentos e trinta e quatro mil, cento e quarenta e um reais e oito centavos), equivalentes ao valor da mercadoria constante do demonstrativo anexo, às fls.628/640. Neste caso, a fraude consistiu, principalmente, na falsificação/adulteração de invoices e na constituição fraudulenta das autuadas. As infrações constatadas e provadas nesta peça são referentes às operações internacionais de comércio exterior ocorridas em 2000. (...) Além do mais todas as jurisprudências colacionadas no voto da relatora referemse a fatos geradores ocorridos após a vigência da Lei nº 10.637/2002. Nesse sentido, apenas para ilustrar, colaciono abaixo duas ementas em que houve a manutenção da multa prevista no art. 83, inc. I da Lei nº 4502/64 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. Recurso Especial do Procurador Provido.(Acórdão CSRF nº 9303003818, de 27/04/2016, relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Processo nº 13971.000404/200408). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2004, 2005 MULTA Lei 4.502/1964, artigo 83, inciso I. Deve ser mantida a multa correspondente ao valor comercial da mercadoria quem entrega a consumo mercadorias (1) importadas irregularmente, por ausência de prova da regular importação, e (2) que tenham entrado no estabelecimento desacompanhadas de nota fiscal, caracterizada a infração pelo emprego de notas falsas. Recurso Improvido. .(Acórdão nº 3301002119, de 26/11/2013, relatoria do Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Processo nº 10830.720952/200890). Por fim, não tem razão a relatora ao defender a retroatividade da Lei 10.637/2002 com base no § 1º do art. 144 do CTN. Veja o que dispõe referido dispositivo: Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.071 8 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (Destaquei) Óbvio que o dispositivo legal está referindose a retroatividade da Lei quando determina novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ou seja, está tratando de direito processual e não de direito material. As infrações tributárias e suas correspondentes penalidades é assunto correspondente a direito material não se aplicando a retroatividade pretendida. Abaixo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a respeito do alcance do § 1º do art. 144 do CTN: TRIBUTÁRIO – NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL – APLICAÇÃO INTERTEMPORAL – UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º DO CTN. 1. O artigo 144, § 1º, do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 2. Não existe direito adquirido de impedir a fiscalização de negócios que ensejam fatos geradores de tributos, máxime porque, enquanto não existe o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. Agravo regimental improvido. (STJ AgRg no REsp: 1011596 SP 2007/02877312, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 17/04/2008, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 05/05/2008) (Destaquei) Por fim, deixo de enfrentar a ocorrência ou não da fraude na emissão das invoices, pois essa matéria, por equívoco da relatora, não foi levada à discussão e ao debate da turma julgadora. Como foram julgados dois processos da mesma pessoa jurídica na mesma sessão de julgamento, esqueceuse de destacar as matérias diferenciadas entre eles e o debate restringiuse à possibilidade ou não da aplicação da multa, que é o objeto desse voto vencedor". Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.072 9 Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 3072DF CARF MF
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Numero do processo: 15375.002221/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 1999
LANÇAMENTO. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ERRO NA CONSTRUÇÃO.
No caso de atribuição da responsabilidade solidária prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, é equivocada a constituição do crédito tributário tão-somente em nome do responsável solidário (empresa tomadora de serviços), sem qualquer a indicação do contribuinte principal prestador dos serviços. A mencionada responsabilidade solidária, sem benefício de ordem, é voltada para a cobrança do crédito e não para a sua constituição, na qual é indispensável a identificação do sujeito passivo principal.
A falta de identificação do sujeito passivo principal no ato de constituição do crédito tributário importa em erro na construção do lançamento
Numero da decisão: 2201-004.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que votou por negar provimento ao recurso, por considerar regular o lançamento efetuado exclusivamente no responsável solidário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 1999 LANÇAMENTO. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ERRO NA CONSTRUÇÃO. No caso de atribuição da responsabilidade solidária prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, é equivocada a constituição do crédito tributário tão-somente em nome do responsável solidário (empresa tomadora de serviços), sem qualquer a indicação do contribuinte principal prestador dos serviços. A mencionada responsabilidade solidária, sem benefício de ordem, é voltada para a cobrança do crédito e não para a sua constituição, na qual é indispensável a identificação do sujeito passivo principal. A falta de identificação do sujeito passivo principal no ato de constituição do crédito tributário importa em erro na construção do lançamento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que votou por negar provimento ao recurso, por considerar regular o lançamento efetuado exclusivamente no responsável solidário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ERRO NA CONSTRUÇÃO. No caso de atribuição da responsabilidade solidária prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, é equivocada a constituição do crédito tributário tãosomente em nome do responsável solidário (empresa tomadora de serviços), sem qualquer a indicação do contribuinte principal prestador dos serviços. A mencionada responsabilidade solidária, sem benefício de ordem, é voltada para a cobrança do crédito e não para a sua constituição, na qual é indispensável a identificação do sujeito passivo principal. A falta de identificação do sujeito passivo principal no ato de constituição do crédito tributário importa em erro na construção do lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que votou por negar provimento ao recurso, por considerar regular o lançamento efetuado exclusivamente no responsável solidário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 22 21 /2 00 9- 88 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 398 2 Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação nº 11.401.4/0235/2002, que julgou procedente o lançamento. A descrição fática do presente lançamento está delineada no relatório da decisão de 1ª instância, o qual adotamos por sua clareza e precisão: Tratase de crédito lançado pela fiscalização previdenciária contra a empresa acima identificada no valor de R$ 143.630,75 (cento e quarenta e três mil, seiscentos e trinta reais e setenta e cinco centavos) e que, consoante Relatório Fiscal de fls. 116/121, referese a contribuições incidentes sobre a remuneração paga à mãodeobra incluída em notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, inclusive trabalho temporário, e serviços de construção civil, as quais estão sendo exigidas em decorrência do instituto da solidariedade. A empresa, inconformada com a notificação fiscal, apresentou defesa, dentro do prazo legal, Impugnando o lançamento em sua inteireza, consoante fls. 149/162 o documentos de fls. 163/172, alegando em síntese o que segue. A Impugnante argumenta, de início, que as empresas Ipê Administração e Participação Lida. e CCG Administração e Participação Ltda, constante a relação de coresponsáveis, foram pessoalmente intimadas para oferecimento de defesa e, assim, não se estabeleceu contra elas qualquer processo administrativo. Em seguida, alega que o lançamento não pode prevalecer, pois não há como se exigir da recorrente a posse e a exibição dos documentos que comprovem que outras empresas efetuaram o recolhimento das contribuições e, de outro lado, porque somente após a intimação daquelas mesmas empresas, para comprovação do recolhimento, é que poderia ser apurado eventual saldo devedor. Para corroborar a sua tese, a impugnante reproduz textos doutrinários. Acrescenta, ainda, que exigência de contribuições devidas por outras empresas, com aplicação do Instituto da solidariedade, afronta os artigos 128 e 142 do Código Tributário Nacional e os artigos 146, III e 145, § 1° da Constituição Federal. Por último argumenta que os valores das multas aplicadas são extorsivos, caracterizando o confisco repudiado nos artigos 5º e 150, IV, da Constituição Federal. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 399 3 O lançamento foi julgado procedente através da DecisãoNotificação nº 11.401.4/0235/2002, que restou assim ementado: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO ELISÃO. A empresa responde solidariamente pelas contribuições previdenciárias não adimplidas pelo contratado para executar serviços de construção civil, nos termos do art. 30, VI, da Lei n.° 8.212/91, bem como do contratado pera executar serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive trabalho temporário, nos termos do art. 31 da Lei n.° 8.212/91, em sua redação dada pela Lei nº 9.528/97 vigente até 01/99. Cientificada da decisão de piso em 15/04/2002 (fl. 185), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 30/04/2002, reiterando exatamente os mesmos termos da impugnação acima relatada. É o relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator AAddmmiissssiibbiilliiddaaddee O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da configuração da cessão de mãodeobra Os fatos geradores objeto da presente autuação ocorreram quando ainda estava em vigor o disposto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991 com a redação dada pela Lei 9.528/1997, segundo o qual: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2° Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão deobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 400 4 § 3° A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4° Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. A configuração da cessão de mãodeobra depende, conforme dispositivo legal, da configuração dos seguintes requisitos: 1) Serviço colocado à disposição do contratante; 2) Realização dos serviços nas dependências do contratante ou de terceiros; 3) Serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade da empresa. Ora, o contrato de cessão de mãodeobra tem por objeto a obtenção da própria mãodeobra para a realização de determinada finalidade. Em outras palavras, a mão deobra contratada é a razão nuclear da conclusão do contrato, ao contrário das relações de empreitada, nas quais a mãodeobra é meio para a concretização de obra ou tarefa desejada pelo contratante. Sabese que a empreitada é “o contrato em que uma das partes (empreiteiro) se obriga, sem subordinação ou dependência, a realizar certo trabalho para a outra (dono da obra), com material próprio ou por este fornecido, mediante remuneração global ou proporcional ao trabalho executado.” (PEREIRA, 2006). Tratase, portanto, de contrato oneroso e bilateral, e que, ainda, possui a característica de ser limitado no tempo, pois a empreitada deve ter início, meio e fim. É contratação que já nasce destinada a morrer, quando atinge o fim pactuado pelas partes. O contrato de cessão de mãodeobra, por sua vez, tem objeto diferente, o qual, conforme já afirmado, consiste na disponibilização contínua da própria mãodeobra, em sentido amplo, contratada para realização de um determinado serviço necessário ao salutar e adequado funcionamento da empresa contratante. A título de exemplo, destacase a seguinte situação: uma empresa terceiriza seu serviço de limpeza predial, e, para tal, contrata determinada prestadora de serviço. A objetivo de realizar o serviço de limpeza, de maneira que o objeto do contrato é a força de trabalho, isto é, a própria mão deobra para que esta fique à disposição da contratante, ou seja, sob o seu poder de comando. Nesse contexto, é valente destacar que a determinação da disponibilidade como requisito para a caracterização do conceito de cessão de mãodeobra demonstra a atenção do legislador para a lógica que rege a relação contratual em comento. Ora, como o objeto do Fl. 400DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 401 5 contrato de cessão consiste na obtenção da própria mãodeobra pelo contratante, é mais do que esperado, para não dizer óbvio, que deverá aquela ficar à disposição deste para a realização do serviço contratado. Também é necessário, para que seja considerada cessão de mãodeobra, que a prestação dos serviços seja realizada de forma contínua, nas dependências da contratante ou nas de terceiros, relacionada ou não a sua atividade fim. A caracterização da continuidade dos serviços deve ser analisada sob a ótica da empresa, isto é, a partir da consideração de se os serviços prestados importam, ou não, para o desenvolvimento da sua atividade. Dizse contínuo o serviço de que a empresa depende constantemente, de modo que a mãodeobra empregada não será utilizada apenas um vez ou por um período determinado de tempo. Dessa forma, inexiste continuidade quando o serviço contratado destinase ao atendimento de uma necessidade específica da empresa para determinado momento, não restando configurado, portanto, nestes casos, o conceito de cessão de mãodeobra previsto §2° do artigo 31 da Lei 8.212/91. Se o caráter contínuo na prestação relacionase com a essencialidade do serviço contratado para o andamento regular das atividades da empresa, podese afirmar que a continuidade do serviço é uma consequência lógica da colocação da mãodeobra contratada à disposição do contratante. Todavia, a verificação da efetiva prestação continuada do serviço contratado demanda uma análise meticulosa a partir das peculiaridades do caso concreto, uma vez que, embora seja pressuposto da caracterização da continuidade prevista no §2° do artigo 31 da Lei 8.212/91, a não utilização única, eventual ou por um determinado período de tempo da mão obra contratada, não se pode olvidar que o negócio jurídico contratual realizado entre as partes poderá ser extinto pelas várias formas de extinção de contratos previstas em nosso ordenamento jurídico, por exemplo, o advento do termo final do prazo entre elas convencionado. Ora, o contrato movimentase na direção indicada por seu fim, ou seja, a satisfação do interesse do contratante. No caso da cessão de mãodeobra, considerada dentro da ótica do direito previdenciário, essa faceta teleológica é verificada na colocação da mãode obra contratada à disposição do contratante para a execução de um serviço essencial à empresa de forma não eventual. Assim, não resta caracterizada a continuidade, para fins de cessão de mãode obra, à luz da legislação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores quando, por exemplo, em um contrato de prestação de serviços com prazo de duração de 12 meses, o obreiro responsável pela manutenção das instalações elétricas da empresa contratante apenas procede com a execução do serviço diante de um problema pontual nas referidas instalações ou limitase a ir às dependências da contratante uma única vez no mês. Nesse contexto, portanto, não há que se falar em dever de retenção, uma vez que a prestação do serviço pela mãodeobra contratada se deu, neste caso, de maneira preponderantemente eventual, o que contraria a melhor interpretação do conceito de continuidade previsto no §2° do artigo 31 da Lei 8.212/91. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 402 6 Reiterese que a verificação da continuidade, ou não, na prestação do serviço pela mãodeobra contratada não pode se dar, unicamente, à luz do prazo de duração do contrato firmado entre as partes, visto que o estabelecimento de um termo final é uma característica comum à celebração de grande parte dos negócios jurídicos, em especial, as relações contratuais. Assim, deve o caráter contínuo do serviço contratado ser analisado a partir de considerações fáticas, dentro da perspectiva pragmática, considerandose, sobretudo, a sua maneira de execução, no mundo fenomênico, pela mãodeobra contratada, isto é, de forma contínua e nãoeventual. Destarte, para efeitos previdenciários, a expressão “serviços contínuos”, relacionase, intrinsecamente, com a realização de atividades consideradas de necessidade contínua pela empresa contratante, razão pela qual carecem de mãodeobra que fique a sua disposição para a execução do serviço tido como necessário. Todavia, não é requisito para a configuração da continuidade legalmente exigida a contratação constante de uma determinada empresa, como também não é necessário que sejam sempre os mesmos funcionários os responsáveis pela prestação dos serviços contratados. O que se exige, portanto, é a disponibilização contínua da própria mãodeobra, em sentido amplo, contratada para realização de um serviço, e não a do prestador ou de determinado trabalhador, razão pela qual podem ser, por exemplo, efetuadas trocas do próprio prestador ou dos trabalhadores envolvidos, desde que seja mantido, na essência, o serviço anteriormente prestado, restando caracterizada, portanto, a continuidade legalmente exigida. Do pressuposto acima destacado, podese afirmar, ainda, que existe outro requisito, não expressamente previsto no artigo 31 da Lei 8.212/91, necessário à configuração do conceito previdenciário de cessão de mãodeobra, qual seja, a impessoalidade na execução do serviço contratado, uma vez que a realização deste não leva em conta a pessoa do responsável pela sua execução, como é típico nas relações empregatícias. E diferente não poderia ser, pois, consoante o já afirmado, a cessão de mão de obra tem por objeto apenas a obtenção da própria mãodeobra para a realização de determinada finalidade, não se considerando, portanto, as qualificações pessoais do prestador de serviços, o qual pode, por uma série de razões, ser intermitentemente substituído por outro trabalhador ao longo da concretização dos serviços pactuados. Destarte, podese afirmar que o contrato de cessão de mãodeobra tem por característica a fungibilidade pessoal dos responsáveis pela concretização dos serviços contratados, uma vez que não se leva em consideração a pessoa do obreiro, tendo por conteúdo exclusivo a colocação de prestadores de serviços sob o poder de comando da pessoa contratante para a execução, em suas dependências ou nas de terceiros, de serviços contínuos relacionados ou não com a atividadefim da empresa. Quanto ao local de execução, o art. 31 da Lei 8.212/91 deixa claro que os serviços contratados devem ser prestados nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiras, compreendendo estas os locais indicados pela contratante, que não sejam seus próprios e que, também, não pertençam à empresa contratada. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 403 7 No caso dos autos, a autuação decorreu do não recolhimento da contribuição devida pela tomadora de prestados através de cessão de mãodeobra, que eram realizados na própria empresa tomadora, configurandose, portanto, a exigência quanto ao local da prestação. O relatório fiscal aponta os seguintes levantamentos: 1) Responsabilidade Solidária em relação aos serviço prestados por subempreiteiros (código levantamento RS1, conforme Anexo I. 2) Responsabilidade Solidária em relação aos serviços prestados por empresas prestadoras de serviços através de cessãodemão de obra (código levantamento RMI), conforme Anexo II; 3) Responsabilidade Solidária em relação à prestação de serviço por empresa de trabalho temporário (código levantamento RT1, conforme Anexo III. Assim, verificada a ocorrência da cessão de mãodeobra no período autuado, fica a tomadora dos serviços responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias em relação aos serviços que lhe foram prestados, somente se eximindo da obrigação caso comprovasse que o prestador recolheu previamente as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura (art. 31, §3° da Lei n° 8.212/1991). Contudo, verificase pelo teor da peça impgunatória, bem como inferese das razões recursais que a recorrente não refuta a realização dos serviços em si. Reconhece, portanto, que ocorreu o fato gerador, argumenta, apenas, que não pode haver responsabilidade baseada em presunção, da impossibilidade de se imputar à recorrente a responsabilidade solidária e que a multa aplicada tem caráter confiscatório. Não assiste razão à recorrente quando afirma que não pode lhe ser atribuída a responsabilidade solidária baseada em presunção. Ora, a insurgência da empresa não parece ser contra o lançamento entelado, mas contra o próprio ordenamento jurídico. Com relação às alegações da recorrente acerca da responsabilidade solidária, na prestação de serviços de construção civil, empreitada, clara é a possibilidade legal nesse sentido. Conforme destacado no art. 30, VI da Lei n ° 8.212/1991, o proprietário, incorporador ou dono da obra não importa qual seja o tipo de contratação é solidário com o construtor pelo cumprimento das obrigações perante a previdência social. Assim, descreve o texto legal: Art. 30 (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem; Fl. 403DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 404 8 LEI 8212/91 Artigo 30 inciso VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. Decreto 612 de 21/07/92 Art. 42. O proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1° A responsabilidade solidária pode ser elidida, desde que seja exigido do construtor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma , abelecida pelo INSS. Decreto 2173 de 05/03/97 Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. §1° A responsabilidade solidária somente será elidida, se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. §2° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimentos distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra,quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada daguia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (grifamos) Fl. 404DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 405 9 §3° Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. A recorrente, portanto, na qualidade de tomadora de serviços contratou a diversas empresas, para prestação de diversos serviços de subempreitada, conforme registrado contabilmente. Assim, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN e do art. 30, VI da Lei n ° 8.212/1991, benefício de ordem. Essa matéria já foi tema de inúmeros debates nesse Conselho, com destaque para o voto da Eminente Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nos autos do processo nº 37048.299900/200661, acórdão nº 2401002.758 4a Câmara / 1a Turma Ordinária: Entendo que ao atribuir responsabilidade solidária pelo cumprimento da obrigação tributária, abriu o legislador a possibilidade de a autoridade previdenciária cobrar a satisfação da obrigação de qualquer das solidárias, sendo desnecessária a averiguação inicial na prestadora dos serviços. Se assim o fosse, estaríamos alterando o instituto jurídico para responsabilidade subsidiária, tornando inócuo o dispositivo legal. A constituição do crédito pode ocorrer tanto no prestador como no tomador de serviços. Tal questão foi, inclusive, objeto de apreciação pelo Conselho Pleno do CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social que detinha a competência para julgar os casos da espécie, a qual foi transferida para o Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Por meio do Enunciado n° 30, editado pela Resolução n°. 1, de 31 de Janeiro de 2007, publicada no DOU de 05/02/2007, o CRPS assim decidiu: “Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” O lançamento foi efetuado pelo fato da recorrente haver contratado a prestadora de serviços e não haver apresentado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária em todas as competências, quais seja, cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante. Como a ação fiscal foi realizada na tomadora, a base de cálculo foi apurada por aferição indireta, tomando por base as notas fiscais de serviços emitidas pela prestadora, em procedimento previsto no § 3° do art. 33 da Lei n° 8212/1991, que dá à auditoria fiscal a prerrogativa de ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, inscrever de ofício importância que Fl. 405DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 406 10 reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Ressaltese que, mesmo que o voto, cujo excerto se transcreveu acima, não tenha sido vencedor, o redator designado concordou a desnecessidade fiscalização prévia na prestadora de serviços para apuração de créditos dessa natureza. A divergência de entendimento se deu porquanto se comprova a ocorrência de fiscalização na empresa, o que não é o caso dos autos. Assim sendo, não merece provimento o recurso voluntário quanto a este tocante. Dos corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão das empresas CCO Administração e Participações Ltda IPE Administração e Participação Ltda, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos diretores da empresa no polo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem Fl. 406DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 407 11 comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Desse modo, não merece prosperar o inconformismo recursal. Das alegações de inconstitucionalidade efeito confiscatório da multa Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, da Constituição Federal. Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infringência aos princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Voto Vencedor Fl. 407DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 408 12 Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Redator designado Em que pese a qualidade do voto do Relator, assim como os lógicos argumentos e o seu costumeiro acerto, com a devida vênia, ouso dele discordar. Não obstante os esclarecedores argumentos expostos sobre o contrato de cessão de mãodeobra e a relação entre contratante e prestadora dos serviços, com a disponibilização contínua da própria mãodeobra e a impessoalidade na execução do serviço contratado, o que caracterizaria, em síntese, a responsabilidade solidária da tomadora dos serviços (RECORRENTE) pelo recolhimento das contribuições previdenciárias em relação aos serviços que lhe foram prestados, entendo que tal fato não exime a autoridade fiscal de efetuar o lançamento também em nome da própria prestadora de serviços. No presente caso, o Relatório da Notificação Fiscal (fls. 140/145) aponta os seguintes levantamentos em face da RECORRENTE: 2.1 Responsabilidade Solidária em relação aos serviço prestados por subempreiteiros (código levantamento RSS), conforme Anexo I; 2.2 Responsabilidade Solidária em relação aos serviços prestados por empresas prestadoras de serviços através de cessão de mão de obra (código levantamento RSM), conforme Anexo II; 2.3 Responsabilidade Solidária em relação à prestação de serviço por empresa de trabalho temporário (código levantamento RST), conforme Anexo III. Ainda no Relatório Fiscal, a autoridade lançadora expôs que: 3 Em virtude da não comprovação dos recolhimentos as contribuições previdenciárias a cargo das empresas prestadoras de serviços sob o regime de subempreitada, cessão de mão de obra, e trabalho temporário, contratadas pela notificada, foi o presente crédito constituído em decorrência de Responsabilidade Solidária, pelas obrigações desta empresa para com a Seguridade Social, na condição de contratante/tomadora dos serviços de terceiros conforme anexos citados no item acima. (...) 7 Não tendo a notificada comprovado os recolhimentos das contribuições previdenciárias a cargo de suas contratadas, incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal, correspondente aos serviços executados constante das relações em anexo, responde a notificada solidariamente, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. (...) 11 Cumpre estabelecer, que o instituto da solidariedade na legislação previdenciária, está disciplinado no item VI do art. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 409 13 30, e nos parágrafos do art. 31, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, e. alteraçõesposteriores. Percebese que o crédito tributário foi constituído tãosomente em face da RECORRENTE (tomadora de serviços), não havendo qualquer outra prestadora de serviços indicada no auto de infração. Sobre o tema envolvendo a solidariedade, vejamos o que disciplina o art. 31 da Lei n° 8.212/1991 (com redação em vigor à época dos fatos): Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2° Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão deobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 3° A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4° Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Neste sentido, entendo que foi equivocada a constituição do crédito tributário em nome somente do responsável solidário (a empresa tomadora de serviços), sem qualquer a indicação do contribuinte principal prestador dos serviços. Deveria o crédito ter sido constituído em nome do sujeito passivo principal (a empresa prestadora de serviços), ainda que constasse no lançamento a indicação da ora RECORRENTE como solidária, nos termos do art. 31 da lei 8.212/91. Ao meu ver, esta responsabilidade solidária, sem benefício de ordem, é voltada para a cobrança do crédito e não para a sua constituição. Por tal razão, acredito que a construção do lançamento deveria envolver a contribuinte principal (prestadora de serviço) e, na fase da cobrança, a tomadora poderia ser executada sem benefício de ordem. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 410 14 Caso contrário, como a tomadora de serviço pode se esquivar de um eventual lançamento desta natureza? Conforme bem delineou a RECORRENTE em suas razões recursais, não é razoável exigir que a tomadora de serviços fiscalize rigorosamente a prestadora de serviços com a finalidade de constatar o adimplemento do recolhimento das obrigações previdenciárias. Se, por exemplo, a prestadora de serviços agir com fraude na elaboração de sua escrita contábil, o seu inadimplemento em face das obrigações previdenciárias não irá ser detectado mesmo diante de uma “fiscalização” minuciosa por parte da tomadora. Com isso, entendo que a constituição do crédito tributário deve, necessariamente, recair sobre a prestadora de serviços (contribuinte principal), com a indicação da tomadora como solidária e, na fase de cobrança, a tomadora de serviços poderá/deverá ser acionada para o cumprimento da obrigação, sem benefício de ordem. Portanto, a melhor interpretação do art. 31 da Lei n° 8.212/1991 deve ser no sentido de que a responsabilidade solidária é relativa à cobrança do crédito, e não acerca da sujeição passiva para a sua constituição. Neste sentido, o art. 142 do CTN disciplina o seguinte: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Na falta de um dos requisitos expostos no art. 142 do CTN, haverá erro na construção do lançamento, o que importa em sua nulidade. No presente caso, conforme explanado, a constituição do crédito ocorreu exclusivamente em nome da RECORRENTE na qualidade de responsável solidária (empresa tomadora de serviços), com base no art. 31 da lei 8.212/91, ao passo que, no meu entendimento, o crédito deveria ter sido constituído em nome do sujeito passivo principal (a empresa prestadora de serviços), ainda que constasse no lançamento a solidariedade do art. 31 da lei 8.212/91. Ante a equivocada identificação do sujeito passivo, entendo que ocorreu o erro na construção do lançamento, o que importa em sua nulidade. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento efetuado tãosomente em nome da responsável solidária. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Redator designado Fl. 410DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 411 15 Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.016233/2007-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/10/2005, 10/10/2005, 09/11/2005, 12/11/2005
MULTA. EMBARQUE DA CARGA PARA O EXTERIOR SEM CONCLUIR O TRÂNSITO DE EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. OCORRÊNCIA.
O embarque da carga para o exterior pelo transportador, sem a conclusão do trânsito aduaneiro de exportação, impede a realização dos procedimentos de finalização do regime de trânsito e a verificação da integridade da carga, configurando hipótese para a aplicação da multa por embaraçar ou impedir a fiscalização aduaneira, prevista no art. 107, inciso IV, alínea c do Decreto-Lei nº 37/1966.
MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA.
A prestação de informação no Siscomex sobre o embarque de carga para o exterior em prazo superior a sete dias da data do vôo configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação dentro do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DOLO OU DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/10/2005, 10/10/2005, 09/11/2005, 12/11/2005
OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete ao Carf apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade de legislação tributária por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Incabível a análise de violação dos Princípios Constitucionais da Legalidade, Razoabilidade, Proporcionalidade, da Função Social da Empresa e do Não-Confisco.
Numero da decisão: 3002-000.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade. Em relação à parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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MULTA REGULAMENTAR. Recorrente COMPANIA PANAMENA DE AVIACION S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/10/2005, 10/10/2005, 09/11/2005, 12/11/2005 MULTA. EMBARQUE DA CARGA PARA O EXTERIOR SEM CONCLUIR O TRÂNSITO DE EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. OCORRÊNCIA. O embarque da carga para o exterior pelo transportador, sem a conclusão do trânsito aduaneiro de exportação, impede a realização dos procedimentos de finalização do regime de trânsito e a verificação da integridade da carga, configurando hipótese para a aplicação da multa por embaraçar ou impedir a fiscalização aduaneira, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c” do Decreto Lei nº 37/1966. MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA. A prestação de informação no Siscomex sobre o embarque de carga para o exterior em prazo superior a sete dias da data do vôo configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação dentro do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DOLO OU DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 62 33 /2 00 7- 98 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 158 2 prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/10/2005, 10/10/2005, 09/11/2005, 12/11/2005 OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete ao Carf apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade de legislação tributária por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Incabível a análise de violação dos Princípios Constitucionais da Legalidade, Razoabilidade, Proporcionalidade, da Função Social da Empresa e do Não Confisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade. Em relação à parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o presente processo de auto de infração para a aplicação de duas multas à empresa, por embaraço à fiscalização aduaneira e por deixar de prestar informação sobre carga no prazo estabelecido, cada multa aplicada a duas declarações de exportação, embarcadas em dias distintos, o que resultou em um lançamento no valor de 20 mil reais (fls. 3 a 15). De acordo com o auto de infração e seus anexos, a recorrente embarcou as mercadorias para o exterior antes da conclusão do trânsito aduaneiro de exportação, motivo para a aplicação da multa por embaraço à fiscalização, e informou os dados relativos ao embarque da carga no Siscomex quase dois anos após a sua efetiva saída do país, motivo para a multa pela não prestação de informação no prazo, multas previstas no art. 107, inciso IV, alíneas “c” e “e”, respectivamente, do DecretoLei nº 37/1966, transcritas a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 159 3 c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (grifado) A autuada apresentou impugnação (fls. 20 a 26), na qual alegou que a conferência final do trânsito é procedimento a ser adotado apenas em casos excepcionais (segundo os arts. 12 e 32 da Instrução Normativa SRF nº 510/2005), uma vez que já foi verificada na unidade de origem do trânsito, e que a adoção dessa medida deve ser justificada pela autoridade fiscal, já que se trata de transporte aéreo e não há a possibilidade de desvio de carga como pode ocorrer no transporte rodoviário. Alega também que houve erro na quantificação do crédito tributário, uma vez que foram consideradas as quantidades de declarações emitidas e não o fato, em si, do ato praticado, não sendo razoável ou proporcional aplicar quatro multas diante de um único fato. Requer a nulidade do auto de infração. A Delegacia de Julgamento em São Paulo II proferiu o Acórdão nº 1741.450 (fls. 59 a 65), por meio do qual decidiu pela improcedência da impugnação, com base nos fundamentos que se seguem. Em relação à multa por embaraço, o embarque para o exterior antes da conclusão do trânsito é fato incontroverso, não refutado pela interessada; a legislação citada não suporta as contestações, já que em seu art. 34 está expressa a necessidade de conclusão do trânsito aduaneiro, momento em que deve ser atestado no Siscomex a integridade da carga; e a multa deve ser aplicada por embarque, estando correta a exigência de uma multa por embaraço para cada declaração. Em relação à multa por não prestação de informação sobre carga, é inconteste a perda do prazo de dois dias após o efetivo embarque para a inserção da informação no Siscomex, o que também é feito de forma individualizada, por declaração de exportação, sendo igualmente correta a aplicação de uma multa por declaração. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 07/10/2005 a 09/11/2005 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. EMBARQUE AÉREO. MULTA O embarque de mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão do trânsito, ocasião em que as mesmas seriam submetidas a controle por parte da Unidade de Embarque, caracteriza embaraço à fiscalização, ficando o importador sujeito à penalidade correspondente. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 160 4 Cabível a aplicação da multa quando caracterizado o descumprimento do prazo de dois dias para registro no SISCOMEX dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 08.07.2010, conforme AR constante à fl. 70, e protocolizou o recurso voluntário em 30.07.2010, conforme carimbo na página inicial do recurso fl. 71. Em seu recurso voluntário (fls. 71 a 108), a recorrente alega: i) em relação à multa por embaraço à fiscalização, a ausência de tipicidade da conduta, uma vez ausente o dolo e não demonstrado que a recorrente visou burlar ou embaraçar a fiscalização, motivo pelo o qual deve ser anulado o auto de infração; ii) em relação à multa por prestação de informação fora do prazo, a ausência de evidência no auto de infração de que a recorrente deu causa ao atraso, ônus que caberia à fiscalização; a precariedade do procedimento de despacho aduaneiro de exportação, que gera divergências que impedem o cumprimento do prazo de dois dias; o descumprimento do art. 723 do Regulamento Aduaneiro, que dispõe que a autoridade aduaneira alertará e orientará o exportador quando ocorrerem erros ou omissões na exportação, que não caracterizem intenção de fraude e que possam ser de imediato corrigidos; a extinção da punibilidade pela denúncia espontânea, tendo em vista o saneamento da situação por meio da inserção dos dados de embarque; e iii) a ofensa aos princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade, da função social da empresa e do nãoconfisco. Por fim, requer a anulação do auto de infração por ofensa ao princípio da razoabilidade e por ausência de tipicidade no caso concreto. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Serão abordadas inicialmente as alegações específicas de cada multa e, após, as alegações genéricas, que se dirigem a ambas as situações. Multa por Embaraço à Fiscalização No que concerne a esta multa, a defesa está centrada na nulidade do lançamento pela ausência de tipicidade entre o fato descrito e a imposição legal, uma vez Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 161 5 inexistir dolo ou demonstração de que a recorrente tenha tido a intenção de burlar ou de criar embaraço à fiscalização. De acordo com o auto de infração, esta multa foi lançada com base no fato de a autuada ter embarcado para o exterior mercadoria que não teve o trânsito aduaneiro de exportação concluído. A carga amparada pela Declaração Simplificada de Exportação (DSE) 2050167971/5 saiu do território nacional em 07.10.2005 e, no caso da DSE 2050186028/2, a saída se deu em 09.11.2005. Em procedimento de auditoria, constatouse que, apesar do efetivo embarque, passados quase dois anos o trânsito ainda estava aberto. Diante da evidência, foi providenciada a conclusão do trânsito no Siscomex pela fiscalização aduaneira em 02.05.2007 e lavrada a multa, aplicada por declaração de exportação (fls. 14 e 15). Para a adequada compreensão dos fatos, fazse necessário esclarecer como se dá o fluxo em um trânsito de exportação, levando em conta as especificidades do modal aéreo. Os trâmites aduaneiros para exportação ocorrem geralmente na unidade alfandegada (porto, aeroporto ou fronteira terrestre, entre outros) pela qual a mercadoria irá deixar o país, pela simples razão que o desembaraço na exportação tem como consequência a alteração da situação jurídica do bem, que passa a ter tratamento de mercadoria desnacionalizada, sujeita a restrições e a controle aduaneiro. A movimentação de uma carga sob controle aduaneiro é bem mais complicada e onerosa do que a movimentação de carga nacional. Daí o costume de se fazer o desembaraço na mesma unidade pela qual o bem irá deixar o país. Todavia, o exportador tem a liberdade de escolher uma unidade de embarque para o exterior diferente da unidade onde realizou o despacho aduaneiro, o que é o caso destes autos. Nesta situação, após o desembaraço aduaneiro, a unidade de despacho dá início ao trânsito de exportação, que deve ser concluído na unidade de destino previamente ao embarque da carga para o exterior. No procedimento de conclusão do trânsito serão conferidos os dados informados no registro do trânsito e a integridade dos elementos de segurança, se houver, e da carga. O objetivo da conclusão do trânsito é assegurarse de que não houve extravio durante o trajeto ou mesmo dentro do recinto alfandegado, de origem ou de destino, após a carga ser “desnacionalizada”. Este controle visa a prevenir a ocorrência de exportação fictícia e outras fraudes relacionadas à exportação. Em não havendo divergência, o trânsito será concluído. Com esse fluxo em mente, é inevitável a conclusão de que configura embaraço à fiscalização aduaneira o fato de um transportador embarcar para o exterior mercadoria já desnacionalizada que não passou pelo procedimento de verificação da integridade do lacre e da carga quando da sua chegada na unidade onde seria embarcada para o exterior, ou seja, não passou pela conclusão do trânsito. Tal entendimento está expresso na Instrução Normativa SRF nº 28/1994, que determina que o trânsito será concluído na unidade de destino previamente ao embarque para o exterior, cabendo ao transportador entregar à fiscalização a documentação que ampara o trânsito para que seja efetuada a sua conclusão. E, ainda, caso ocorra embarque sem a conclusão do trânsito, o despacho aduaneiro de exportação deve ser cancelado de ofício, cabendo a aplicação das penalidades fiscais e sanções administrativas apropriadas. A ver os dispositivos pertinentes, na redação vigente à época dos fatos: Art. 34. A conclusão do trânsito será realizada pela fiscalização aduaneira da unidade da SRF de destino, que deverá: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 162 6 I exigir do exportador ou do transportador a entrega dos documentos de instrução do despacho; e II atestar, no Sistema, a integridade da unidade de carga ou dos volumes e dos elementos de segurança aplicados. Parágrafo único. Constatada, nesta fase, violação dos elementos de segurança ou outros indícios de violação da carga, que possam levar à alteração dos dados do despacho aduaneiro, o AFTN, antes de atestar a conclusão do trânsito, poderá realizar nova verificação da mercadoria, registrando, no SISCOMEX, essa ocorrência e seu resultado, nos termos do art. 28. Art. 35. O embarque ou a transposição de fronteira de mercadoria destinada a exportação somente poderá ocorrer após o seu desembaraço e, quando for o caso, a conclusão de trânsito aduaneiro, devendo ser realizado sob controle aduaneiro, ressalvado o disposto no art. 36. § 1º Aplicase o disposto na alínea "a" do inciso II do art. 31 [cancelamento de ofício do despacho] desta Instrução Normativa sempre que o depositário liberar para embarque mercadoria não desembaraçada pela fiscalização aduaneira, bem assim quando o transportador realizar operação de embarque, transbordo, baldeação ou transposição de fronteira de mercadoria não desembaraçada, sem a pertinente conclusão de trânsito aduaneiro de exportação ou sem expressa autorização da fiscalização aduaneira. § 2º O disposto no § 1º não elide a aplicação das penalidades fiscais e sanções administrativas cabíveis. (grifado) Portanto, entendo por perfeita a subsunção dos fatos ao texto legal, que prevê a multa a quem, por qualquer meio ou forma, embaraçar, dificultar ou impedir a ação de fiscalização aduaneira, descabendo a alegação de ausência de tipicidade, motivo pelo qual afasto esta preliminar de nulidade. No que tange à alegação de que não caberia a aplicação da multa por não ter sido demonstrado nos autos a intenção de burlar ou embaraçar a fiscalização, temse também por improcedente, uma vez que o DecretoLei nº 37/1966 estabelece a responsabilização objetiva nas infrações à legislação aduaneira, independentemente da intenção do agente ou mesmo da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato, como se vê na transcrição do dispositivo legal: Art. 94. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 163 7 § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifado) Assim, basta a demonstração do cometimento do ato vedado para a imposição da penalidade a quem deu causa, não havendo qualquer mácula no auto de infração quanto a este aspecto. Multa por Não Prestar Informação no Prazo Em relação a esta multa, temos inicialmente alegações relacionadas à ausência de demonstração de que a recorrente deu causa ao atraso e à precariedade do procedimento de despacho aduaneiro de exportação, que gera divergências que impedem o cumprimento do prazo de dois dias. Como explicado anteriormente, a caracterização do cometimento de infração aduaneira independe da intenção do agente, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, bastando o descumprimento da norma por quem estava obrigado a fazêlo. O art. 37 da IN SRF nº 28/1994, com a redação dada em 2010, estabelece em seu caput que cabe ao transportador informar os dados relativos ao embarque da carga para o exterior em até sete dias da data de embarque, o que, no modal aéreo, corresponde à data do vôo, in verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (...) Art. 39. Entendese por data de embarque da mercadoria: (...) II nas exportações por via aérea, a data do vôo; (grifado) Consta do auto de infração que a inserção dos dados no Siscomex se deu quase dois anos após a data do vôo (fl. 6), sendo incontestável o descumprimento da norma por quem detinha essa responsabilidade, não assistindo razão à recorrente também neste ponto. Quanto às divergências que decorreriam de precariedade no procedimento de exportação, constatase apenas desconhecimento acerca do funcionamento do sistema. A tal divergência apontada somente pode ser gerada se o transportador informar dado divergente daquele previamente informado pelo exportador. No caso em tela, como o transportador nada inseriu, impossível falar em divergência que, de resto, jamais impediria o registro dos dados de embarque, pois a divergência somente existe se houver dados de embarque informados, tempestivamente ou não. Prossegue a recorrente com a argumentação de que, previamente à lavratura do auto de infração, a fiscalização aduaneira deveria ter aplicado o art. 723 do Regulamento Aduaneiro/2009, que dispõe sobre a correção e erros ou omissões na exportação nos seguintes termos: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 164 8 Art.723. Quando ocorrerem, na exportação, erros ou omissões que não caracterizem intenção de fraude e que possam ser de imediato corrigidos, a autoridade aduaneira alertará o exportador e o orientará sobre a maneira correta de proceder. Apenas para contextualizar, tal dispositivo originase da Lei nº 5.025/1966, que é uma lei genérica sobre o comércio exterior, com ênfase na exportação, e que trata de temas diversos como a criação do Conselho Nacional de Comércio Exterior, competências dos órgãos ou agentes que atuem na exportação, armazéns alfandegados e orçamento, dentre várias outras matérias. Logo, vêse que a Lei possui dispositivos, como este acima, que se prestam somente a expressar a política desejada para a exportação. Este artigo integra o capítulo que se dedica às fraudes e crimes na exportação, abordando tanto as penalidades como as consequências administrativas para os intervenientes, como cassação de registro e, dentro do contexto deste capítulo específico, o texto legal ressalva o tratamento a ser dado ao mero erro, como medida de incentivo à exportação. A despeito desse preâmbulo, realizado apenas para que se compreenda a finalidade do dispositivo legal, o artigo, considerado isoladamente, não tem força para afastar a aplicação de uma penalidade decorrente da prática incontroversa de conduta vedada. A uma, porque o dispositivo aplicase aos erros ou omissões cometidos pelo exportador, e não pelo transportador, que é o caso da recorrente. A duas, porque destinase aos erros que possam ser corrigidos de imediato, indicando ser norma de aplicação durante o transcorrer do despacho aduaneiro de exportação, quando ocorre interação entre exportador e fiscalização aduaneira. A três, porque a inserção dos dados após a perda do prazo não reconstitui o prejuízo causado ao controle aduaneiro, não estando configurada a hipótese do artigo citado – inserir o dado intempestivamente não é o mesmo que corrigir, tomado no sentido de reconstituir a situação original. A quatro, porque no artigo citado não há previsão expressa para o afastamento de penalidade nos casos em que a fiscalização se depara com a conduta vedada, tendo mais um caráter de diretriz, a ser seguida quando possível tanto pelo AuditorFiscal, no momento do despacho, quanto pela Receita Federal, na concepção das normas infralegais relativas à matéria. A cinco, porque, por força do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, verificada a ocorrência de hipótese de incidência, a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por fim, em relação à alegação de aplicação do instituto da denúncia espontânea, tal matéria foi recentemente sumulada pelo Carf, o que implica a adoção obrigatória do entendimento professado pelo Conselho nos seguintes termos: Súmula Carf nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (grifado) Esta Súmula foi publicada exatamente para a situação de que trata este auto de infração – aplicação de multa por não prestar informação à fiscalização aduaneira no prazo previsto em norma. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 165 9 Neste ponto do voto, faço um aparte para registrar a utilização de injúria e calúnia pela recorrente ao abordar a matéria que acaba de ser analisada. Transcrevo o trecho exatamente na forma como se encontra no recurso voluntário: 138. Agora, voltando ao caso em estudo, cumpre asseverar o modo como se dá o registro intempestivo. 139. Uma vez ultrapassado o prazo de 2 (dois) dias para o registro no sistema ou nos casos de divergência entre os dados apontados entre transportador e exportador, o registro dos dados deve se dar manualmente, o que deve ser feito tão somente pela autoridade aduaneira. 140. Ora, sendo assim, é notório que não somente a autoridade aduaneira tinha plena consciência da violação dos prazos, como por vezes era esta a verdadeira causadora! 141. Não obstante tal fato tornase assaz curioso o fato de que desde sempre a autoridade aduaneira além de ter consciência da inobservância dos prazos, para esse foto (sic) concorria comissivamente e JAMAIS DEMOSNTROU (sic) QUALQUER INTENSÃO (sic) DE MUDAR A SITUACÃO NEM TÃO POUCO DE PENALIZAR A RECORRENTE PELO DESCUMPRIMENTO DO PRAZO e, quase cinco anos depois dos atos praticados em concurso pela Recorrente e pela autoridade aduaneira, essa última venha cobrar multas pelos atos tolerados ao longo de todos esses anos. 142. Ressaltase, A AUTORIDADE ADUANEIRA SEMPRE SOUBE E SEMPRE COLABOROU PARA A SITAÇÃO (sic) APONTADA COMO INFRATORA. Mediante tal fato, como pode agora incutir a Recorrente a culpa exclusiva pela dita infração? Mais do que isso, se durante todos esses anos conscientemente concorreu para o comportamento, como pode agora querer penalizar a Recorrente? 143. A partir do momento que o ente público, aquele que somente pode fazer o que a Lei lhe permite ou impõe, pratica concorrentemente com a Recorrente e incentiva o comportamento agora condenado pode ele vir e lavrar autos de infração? Se assim for, o ARFB (sic) estará se valendo de sua própria torpeza! 144. Sob essa égide, da mesma forma que o Perdão Tácito permeia os mais diversos ramos do direito, como já demonstrado, é notório que tal instituto deve ser aplicado ao Direito Tributário. Este Conselho preza por uma discussão técnica, dentro dos padrões desejáveis de urbanidade, veracidade, dignidade e decoro que certamente também fazem parte dos deveres do advogado. Absolutamente desnecessária tal abordagem, em que se insinua o cometimento de ato ilícito por servidores públicos, sem qualquer indício de veracidade do que se alega, certamente sem prova, servindo apenas para sugerir que, na ausência de razão, recorre a expedientes grosseiros, agressivos e inócuos. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 166 10 Lembro ao patrono que, além de inócua, tal conduta é vedada pelo Decreto nº 70.235/ 1972, ipsis litteris: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. Concluído o aparte, retomo a última parte das alegações, que se destinam ora a uma das multas, ora a ambas. Ofensa aos Princípios da Legalidade, Razoabilidade, Proporcionalidade, da Função Social da Empresa e do NãoConfisco No tocante a esta parte das alegações, de nulidade do lançamento por afronta aos Princípios Constitucionais da Legalidade, Razoabilidade, Proporcionalidade, da Função Social da Empresa e do NãoConfisco, não conheço da matéria por absoluta incompetência do julgador administrativo em tratar de inconstitucionalidade de lei ou norma. Tal limitação decorre de previsão expressa, que se encontra no Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe sobre o tema: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(grifado) O Regimento Interno do Carf trata da matéria, igualmente, em seu art. 62, além de ter emitido súmula, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (grifado) Dessa forma, temos que à Administração Fazendária, bem como ao julgador no contencioso administrativofiscal, cabe realizar o confronto dos atos praticados com a norma posta, vedada a perquirição relativa à existência de vício em lei ou ato normativo infralegal. Para esse propósito, deve a recorrente se socorrer nas instâncias judiciais. Por todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade. Em relação à parte conhecida, voto por afastar a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 167 11 Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.913822/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.913812/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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MONTREAL INFORMATICA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 82 2/ 20 12 -4 6 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10680.913822/201246 Resolução nº 1302000.686 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação a Acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao ano calendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Na primeira oportunidade em que apreciou o Recurso Voluntário do contribuinte, esta Turma Julgadora resolveu converter o julgamento em diligência, para o esclarecimento dos montantes liquidados no âmbito dos processos nº 13009.000190/0046 e 13009.000062/200504. Após a diligência, o processo retornou para julgamento, conforme Relatório de Diligência Fiscal e Manifestação do Recorrente. É o Relatório. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.913822/201246 Resolução nº 1302000.686 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.676, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.676): "Apesar de haver sido realizada a Diligência determinada por esta Turma, conforme relatado, as informações constantes do Relatório de Diligência Fiscal de fls. [...] não esclareceram os pontos questionados, de forma conclusiva. É que o citado Relatório informa, inicialmente, que "o processo 13009.000062/200504, do qual constam as estimativas da CSLL, foi extinto por quitação do parcelamento e controla as estimativas da CSLL do anocalendário de 1999". Mais à frente, informa que o total de débitos parcelados no âmbito do referido processo foi de R$ 258.873,49 e o extrato de fls. [...] revela todos esses débitos extintos, sem, contudo, discriminar quais pagamentos foram utilizados para esta quitação. Além disso, à fl. [...], são listados os pagamentos relativos ao processo nº 13009.000062/200504, sendo que ali há apenas 13 pagamentos no valor principal de R$ 9.810,81, o que não seria suficiente para quitar o saldo parcelado de R$ 258.873,49. Não há qualquer detalhamento de possíveis pagamentos que o sujeito passivo possa ter realizado em relação ao saldo de estimativas parceladas no processo nº 13009.00062/200504, no âmbito do parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 (após a rescisão, em agosto de 2006, do parcelamento de que trata o processo nº 13009.00062/200504), bem como no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (após a rescisão do PAEX, em setembro de 2009), de modo a justificar a extinção. Ademais, segundo a Discriminação de débitos a parcelar (Dipar) constante do processo nº 13009.000062/200504, o montante ali parcelado foi de R$ 588.468,60, conforme imagem a seguir: Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.913822/201246 Resolução nº 1302000.686 S1C3T2 Fl. 5 4 Como registrado na Resolução anterior, a quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. É que, ao contrário do afirmado no Relatório de Diligência Fiscal, houve sim, por parte do Recorrente, pedido de restituição/compensação referente ao saldo de CSLL do ano calendário de 1999, tratado no âmbito do processo administrativo nº 13009.000190/0046 e que reconheceu, em lugar de saldo negativo, a existência de saldo a pagar de CSLL, no montante de R$ 241.202,59. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne, mais uma vez, à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte), para que: a) discrimine a forma de extinção de todas as estimativas de CSLL parceladas no âmbito do processo nº 13009.00062/200504 (diretamente naquele processo ou em parcelamentos especiais posteriores); b) informe sobre eventuais saldos disponíveis dos pagamentos realizados no âmbito do referido processo; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.913822/201246 Resolução nº 1302000.686 S1C3T2 Fl. 6 5 Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.000908/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.).
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 09 08 /2 00 8- 59 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10580.013931/200722, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada. Consoante o Relatório Fiscal e Relatório Fiscal Substitutivo, a recorrente Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia — Coelba, é tomadora de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, referente aos serviços de construção e manutenção programada em redes aéreas de distribuição de energia elétrica, na competência 02/1999, realizadas junto à empresa Construtora ou Incorporadora, ambas incluídas no polo passivo do lançamento fiscal para responderem solidariamente pelo crédito tributário relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, tendo sido o crédito apurado por correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, tomando como base os valores constantes em notas fiscais de prestação de serviço, referentes à mãodeobra contratada de pessoa jurídica, no período de apuração 02/99. É fundamento do lançamento o art. 33, §3º, da Lei 8.212, de 1991, o art. 52 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto 2.173, de 1997, e o art. 74 da Instrução Normativa INSS/DC n° 70, de 2002 (40% do valor dos serviços constantes das notas fiscais), uma vez que a recorrente não apresentou as guias de recolhimento prévio solicitadas. Os serviços de construção civil em subestação, executados pela empreiteira (ampliação/construção), fazem parte do Anexo III, 45.322 da IN 69, de 2002 e as notas fiscais, data de emissão, valor total e tipo de serviço foram relacionados na tabela anexa ao Relatório de Fatos Geradores. A DRJ julgou o lançamento procedente (e improcedente a impugnação da responsável solidária, Coelba atual recorrente) e da contribuinte, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA TOTAL Fl. 206DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 4 3 O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato (Art. 30, VI da Lei 8.212/91). A partir da competência 02/99 a solidariedade na construção civil somente é admitida quando há empreitada total. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A solidariedade do contratante de serviços de construção civil, somente é elidida se for comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada, devendo ser apresentadas guias de recolhimento e folhas de pagamento específicas, ou seja, vinculadas às notas fiscais de serviço respectivas. BENEFÍCIO DE ORDEM. NÃO CABIMENTO. A solidariedade aqui prevista não comporta benefício de ordem, sendo desnecessária a fiscalização prévia da empresa contratada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para revisão do procedimento fiscal quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Lançamento Procedente". Após a decisão proferida, tanto a responsável quanto a tomadora dos serviços foram devidamente cientificadas. Cabe mencionar que a DRJ de origem não recebeu a impugnação da contribuinte, uma vez que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, sendo considerada intempestiva. A Coelba, apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, é alegado: (a) a inexistência do suposto saldo devedor objeto do lançamento fiscal impugnado; (b) a não configuração dos pressupostos para apuração do montante supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento); (c) a elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço; e (d) a cobrança em duplicidade. Os pedidos consistem em: (i) anular/reformar o acórdão recorrido, com a devolução do processo à DRJ, para a adequada análise da farta documentação comprobatória da quitação anexada aos autos pela Recorrente; alternativamente, reformar o acórdão recorrido, a fim de julgar totalmente improcedente a notificação fiscal ora impugnada; Fl. 207DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 5 4 (ii) declarar a ausência de responsabilidade solidária da Recorrente pelos supostos débitos objeto da notificação fiscal ora impugnada; (iii) ultrapassados os pleitos acima, afastar a metodologia de aferição indireta (arbitramento) indevidamente utilizada para calcular o montante supostamente devido, assim como afastar a duplicidade (bitributação) da cobrança, que está sendo feita simultânea e cumulativamente em relação à Recorrente e à a empresa construtora. A responsável, empresa construtora, não apresentou recurso voluntário. Diante dos fatos narrados, é o relatório.” Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no julgamento do Recurso Voluntário objeto do processo n° 10580.013931/200722, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Wesley Rocha, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018: Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conselheiro Wesley Rocha – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO SALDO DEVEDOR OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL A recorrente alega a inexistência de saldo devedor objeto do lançamento, uma vez que há suficiência probatória dos documentos acostados aos autos, havendo necessidade de observância do princípio da verdade material; diz que a notificação fiscal foi lavrada pelo fato de, no momento da realização da fiscalização em seu estabelecimento, não terem sido apresentados os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes ao contrato de prestações serviços firmado entre ela (tomadora) e a empresa construtora (prestadora). Diante disso, o valor lhe foi imputado, como responsável solidária, tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também que não existe o suposto débito e a Fazenda Pública tem o poder de Fl. 208DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 6 5 constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser desconstituídas mediante prova em contrário. Apresentou toda a documentação hábil, idônea e suficiente à comprovação da quitação dos supostos débitos; de modo que nada se encontra pendente a esse título; tais documentos devem ser pormenorizadamente analisados, a fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as guias de recolhimento anexadas são prova suficiente para desconstituição do débito, assim como as cópias das folhas de pagamento correspondentes. Entretanto, conforme se verifica dos autos, não assiste razão a recorrente. No caso de construção civil, vige a solidariedade tributária do proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991: Art. 30 (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17: ROCSS Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condôminio de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento Fl. 209DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 7 6 distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifouse.) Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura: 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifouse.) (...) 16 O recolhimento das contribuições será individualizado por obra, mediante matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: (...) b) EMPREITEIRA, no caso de empreitada parcial, e SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra): campo 01 apor o carimbo padronizado do CGC ou sua transcrição. campo 02 registrar o nome da empreiteira/subempreiteira; campos 03 a 07 apor o endereço da obra; campo 08 registrar a matrícula CEI da obra e o nome do proprietário ou dono da obra. Em se tratando de recolhimento Fl. 210DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 8 7 prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas; campo 09 registrar o nº 1; campo 10 registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira. campo 11 registrar o código FPAS. Os percentuais retroreferidos encontramse definidos no item 5, quais sejam: V APURAÇÃO DE SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO CONTIDO EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mão deobra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriodecontribuição, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal de serviço. 31.2 Tratandose de serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá à aplicação dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura: 31.2.1 Nos demais serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá a aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura. 31.2.1.1 Estes percentuais refletem os custos da mãodeobra direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por conseguinte, serem aplicados sobre o valor total da nota fiscal de serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a utilização de equipamentos mecânicos. Pavimentação 3% (três por cento) Terraplenagem 5% (cinco por cento) Concreto Preparado 5% (cinco por cento) Obras Complementares (ajardinamento, recreação etc) 7% (sete por cento) Obras de Arte (pontes e viadutos) 15% (quinze por cento) Drenagem 17% (dezessete por cento) Fl. 211DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 9 8 Diante do exposto, é necessário verificar o contrato de empreitada que originou as contribuições exigidas no presente processo, bem como das notas fiscais de prestação de serviços juntadas ao feito. Nesse sentido, foram juntados na impugnação os seguintes documentos, relacionados à prestadora de serviços realizada: (a) Guia de Recolhimento da Previdência Social (GRPS), competência 02/99. (b) Guia de Recolhimento do FGTS (Gre) do período 02/99; e (c) folhas de pagamento do período 02/99. Pois bem, como assentou a decisão recorrida, nenhum dos documentos referidos se relaciona às notas fiscais concernentes ao contrato de prestação de serviços. Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco, os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos tributos devidos, cuja base de cálculo é diversa da apontada pela recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das “notas fiscais, por competência, uma vez que a empresa contratante fornece todo o material utilizado. Entrelaçando a responsabilidade pela empreitada global, em mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Ainda, A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Como já visto, os recolhimentos juntados aos autos não são condizentes com s fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito). Fl. 212DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 10 9 Desse modo, deve ser mantida a responsabilidade solidária, com a inclusão de capítulo específico abaixo, bem como o valor do crédito tributário constituído pelo lançamento. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É alegado que a imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de determinado tributo exige a previsão expressa em lei, assim como a estrita observância dos moldes e requisitos ali discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento; no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária da tomadora de serviço quando for comprovado o recolhimento por parte da prestadora, de acordo com o art. 30, §3° da Lei 8.212, de 1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art. 16 da Ordem de Serviço INSS n° 83; inferese de tais normas que a imputação de responsabilidade solidária à tomadora do serviço tem como pressuposto indispensável a ausência de recolhimento por parte da prestadora; na hipótese em questão, encontramse devidamente comprovados os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço, não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da empresa tomadora, devendo ser inteiramente reformado o acórdão recorrido; o acórdão recorrido, ao centrar esforços apenas na ocorrência de suposta responsabilidade solidária, sem ao menos verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu a lógica para imputação de tal responsabilidade, porque a atribuição de responsabilidade solidária tem como pressuposto necessário o não pagamento por parte do prestador, o que não foi analisado adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos autos deixa clara a idoneidade e suficiência dos documentos juntados por si para comprovar a plena quitação dos supostos débitos em comento; deve ser afastada, portanto, qualquer responsabilidade solidária por parte da tomadora do serviço. Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do capítulo abaixo, os documentos ofertados à fiscalização não são condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem com as formalidades nem com os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito). DOS PRESSUPOSTOS PARA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA Assevera a recorrente que: os documentos por ela juntados aos autos são hábeis, idôneos e suficientes à comprovação do pagamento dos supostos débitos que estão sendo lhe sendo imputados, afastando a presunção gerada pelo método da aferição indireta; a aferição indireta do montante supostamente devido é um expediente cuja utilização pela Fazenda Pública possui caráter excepcional, só podendo ser utilizada Fl. 213DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 11 10 na ocorrência das hipóteses e requisitos estritamente definidos pelo art. 33, §§ 3ºa 6º da Lei 8.212, de 1991, que não ocorrem no caso, quais sejam: a) a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação; ou b) a verificação de indícios de inidoneidade da documentação fiscal e contábil, que aponte para o registro de informações destoantes da realidade dos fatos; não houve qualquer recusa ou sonegação de documentos por sua parte, nem qualquer indicio de inidoneidade da sua estrita fiscal e contábil. Não há qualquer mácula no lançamento, quanto a essa questão. Por primeiro, ressalto que os documentos juntados aos autos pela recorrente não são hábeis, idôneos ou suficientes à comprovação do pagamento dos créditos tributários exigidos. Por sua vez, a Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6º é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; (b) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) No caso em apreço, é evidente a apresentação deficiente da documentação, uma vez que, como visto, não foram apresentadas as guias de recolhimento da Previdência Social referentes à obra em questão. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE Fl. 214DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 12 11 É alegado que, ao cobrar os débitos em questão simultaneamente da Recorrente e da contatado de modo cumulativo, a Fazenda Pública está efetuando nítida cobrança em duplicidade, bitributação, o que é absolutamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, principalmente em virtude da proibição do enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, adstrita à moralidade administrativa; na verdade, tratase de uma cobrança tripla, pois a cobrança dúplice está sendo feita sobre um débito que já foi devidamente pago pela empresa prestadora na época da ocorrência do fato gerador. Não lhe assiste razão. Como visto, as guias de recolhimentos juntadas aos autos não se relacionam com o crédito tributário ora lançado, e não se comprovou nenhum bis in idem; Ademais, não se está cobrando um montante do crédito tributário da recorrente (responsável solidária) e outro montante de igual valor da empreiteira (contribuinte): é o mesmo crédito tributário que está sendo exigido, apenas uma vez, da contribuinte e da responsável solidária; não há falar, portanto, em duplicidade de tributação. CONCLUSÃO Voto, portanto, por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator” Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 215DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.720330/2007-95
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, no presente caso em que a CSLL sujeita a lançamento por homologação declarada pela Recorrente, recolhida fora do prazo de vencimento e antes da entrega da DCTF.
Numero da decisão: 1003-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, no presente caso em que a CSLL sujeita a lançamento por homologação declarada pela Recorrente, recolhida fora do prazo de vencimento e antes da entrega da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração nº 1006558 às fls. 95101, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$1.412,02 a título de multa de mora paga a menor, código 6094, em relação aos recolhimentos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) informados na Declaração de Débitos e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 03 30 /2 00 7- 95 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 144 2 Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 20052010074057 referente ao primeiro trimestre de 2004. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: O presente Auto de Infração da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminadas [...], conforme INSRF n° 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos la ou Ib), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV). [...] PAGAMENTO DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO APÓS O VENCIMENTO. COM FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS (Multa de Mora e/ou Juros de Mora parcial ou total), conforme Anexo IV DEMONSTRATIVO DE MULTA E/OU JUROS A PAGAR NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR". em anexo. JUROS: ART 160 L 5172/66; ART 43 L 9430/96; ART 9 L 10426/02 . MULTA: ART 160 L 5172/66; ARTS 43 E 61 E PARS 1 E 2 L 9430/96; ART 9 E PAR UN L 10426/02. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 10ª Turma/DRJ/SPOI/SP nº 1634.539, de 03.11.2011, efls. 105109: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A multa de mora é devida sempre que o pagamento de tributo ou contribuição se der após o vencimento. O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional, exclui apenas as penalidades de natureza punitiva, não as de natureza moratória. Impugnação Improcedente Notificada em 06.01.2012, el. 113, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.02.2012, efls. 114140, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Em relação ao lançamento diz que: III. Do PAGAMENTO TEMPESTIVO DAS COTAS DO TRIBUTO 3.1 . Passou despercebida pela Egrégia 10a Turma d Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos a alegação de pagamento tempestivo das cotas do tributo erigida na impugnação (item 4). 3 . 2 . Com efeito, a recorrente, sujeitandose à apuração do IRPJ com base no lucro real trimestral, declarou em DCTF débito de CSLL (referente ao 4 o trimestre de 2004) no importe de R$ 23.432,44. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 145 3 3.2. Como à CSLL aplicamse às mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas ao IRPJ1 , aludido débito foi objeto de pagamento parcial efetuado pela recorrente no montante de R$ 8.927,72, tendo o saldo remanescente (R$ 14.504,72) sido integralmente quitado, no vencimento e com as devidas correções, em duas parcelas iguais e sucessivas. Tudo em conformidade com o artigo 5 o da Lei n° 9.430/96, verbis: [...] IV. A DENÚNCIA ESPONTÂNEA EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA 4.1.1. Para evidenciar a relevância da questão de direito suscitada no presente recurso, convém anotar que, nos termos da Súmula 360/STJ, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" (grifouse). 4.1.2. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso!!!. O que a jurisprudência pátria afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. 4.1.3. A contrario sensu, e essa é a situação dos autos (já que a DCTF retificadora foi entregue posteriormente ao pagamento efetuado) podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo aquele sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. [...] 4.2. Posto isso, ainda que a comprovação do pagamento integral e tempestivo das cotas da CSLL referentes ao 4 o trimestre de 2004 seja bastante para afastar a aplicação da multa de mora e fulminar a pretensão fiscal, a recorrente, por amor ao debate, demonstrará que não agiu com o costumeiro acerto a Turma Julgadora ao não estender à multa de moratória os benefícios da denúncia espontânea. 4. 3 . Como razão de decidir entendeu a Egrégia 10a Turma que o instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, aplicase apenas às penalidades de natureza punitiva, não se estendendo àquelas de caráter moratório que buscam compensar o erário pelo atraso no recolhimento do tributo devido. Por essas razões, integralmente mantido restou o lançamento. [...] 4.4.1. Com efeito, a lei que pune a impontualidade do devedor de obrigação tributária com a cominação de multa de mora, mesmo que graduada em função do atraso, não tem em mira a recomposição do patrimônio do credor pelo tempo transcorrido após o vencimento (função dos juros de mora e da correção monetária), mas sim, tem como objetivo fixar penalidade suficiente para intimidar a mora do devedor, utilizandose de instrumento que permite agravar o valor global da obrigação, se liquidada após o vencimento. [...] 4.4.2. Nesse contexto, caso a denúncia espontânea não afastasse a multa moratória, não se alcançaria o objetivo de mitigar a situação do contribuinte que se autodenuncia, visto que ele receberia o mesmo tratamento dado àquele surpreendido pela atividade fiscalizatória da administração fazendária. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 146 4 Ademais, como o legislador no artigo 138 do CTN não previu o pagamento da multa nos casos de denúncia espontânea, é totalmente irrelevante a discussão levantada no acórdão recorrido acerca da natureza dessa sanção. 4.4.3 . Portanto, por ser a multa uma consequência do descumprimento de determinada regra, seja sua natureza formal ou substancial, a ela se agregará a característica de sanção, devendo, portanto, ser afastada com a denúncia espontânea da infração cometida, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido. 4.4.4. Induvidoso que a aplicabilidade do artigo 138 do Código Tributário Nacional, em situações análogas ao presente caso, já foi objeto de dezenas de julgamentos nos Conselhos de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, onde gerou grandes embates e, durante muito tempo, pouca unanimidade. Inobstante a pluralidade de posicionamentos dos membros deste E. Conselho, o Regimento Interno do CARF, sofreu algumas alterações pela Portaria n° 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, segundo o qual as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, bem como pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. [...] No que concerne ao pedido conclui que: 5.1. Por todo o exposto, demonstrado o pagamento integral e tempestivo das cotas de CSLL referentes ao 4º trimestre de 2004, bem como a impossibilidade da aplicação da multa de mora na hipótese de pagamento extemporâneo em razão da denúncia espontânea, requer a recorrente seja dado integral provimento ao presente recurso voluntário para anular o lançamento combatido. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do lançamento ao argumento de que está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 147 5 favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais1. A Instrução Normativa RFB nº 45, de 05 de maio de 1998, que vigorava à época, previa: Art. 1º As Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF relativas aos trimestres do anocalendário de 1998 e anteriores serão elaboradas com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 073, de 19 de dezembro de 1996, e nesta Instrução Normativa. Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 2º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. § 3º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os parágrafos anteriores, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos (art. 14, art. 15 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Pertinente à denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, temse que exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tão somente a 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 148 6 obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal2. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 3, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel.Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 2 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 3 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=1149022&repetitivos=REPETITIVOS&&tipo_visualiz acao=RESUMO&b=ACOR>. Acesso em: 31 ago.2018. 4 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 149 7 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a matéria, a Nota Técnica Cosit nº 19, de 12 de junho de 2012, prevê: A Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e a Coordenação Especial de Ressarcimento, Compensação e Restituição (Corec) enviaram a Nota Conjunta Codac/Corec nº 1, de 14 de março de 2012, à Coordenação Geral de Tributação (Cosit) para solicitar a revisão da Nota Técnica Cosit nº 1, de 18 de janeiro de 2012. 2. A Nota Técnica Cosit nº 1, de 2012, teve por escopo orientar as unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) acerca das consequências dos Atos Declaratórios da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) nºs 4 e 8, de 20 de dezembro de 2011: ATO DECLARATÓRIO Nº 4, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 150 8 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional". JURISPRUDÊNCIA: REsp 922.206, rel. min. Mauro Campbell Marques; REsp 1062139, rel. min. Benedito Gonçalves; REsp 922842, rel. min. Eliana Calmon; REsp 774058, rel. min. Teori Albino Zavascki. ATO DECLARATÓRIO Nº 8, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 1 0.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2124/2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente". JURISPRUDÊNCIA: RESP 1.149.022/SP, REL. MINISTRO LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 9/6/2010, DJE 24/6/2010. 2.1. Os atos declaratórios s e embasaram nos Pareceres PGFN/CRJ nºs 2113/2011 e 2124/2011. Sua base legal foi o art. 19 da Lei nº 10.522, de 10 de outubro de 1997, com a redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004. A orientação às unidades da RFB decorreu da sua vinculação automática ao s atos do Ministro da Fazenda. 2.2. Tendo em vista os mais diversos questionamentos acerca dos atos, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2012, objetivou responder os já formulados, principalmente na definição (não feita pela Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 151 9 PGFN em seus atos e pareceres) das situações que podem ser definidas como denúncia espontânea e que a multa de mora não mais deve ser cobrada (Ato PGFN nº 4); e em quais situações a retificação da declaração por parte do sujeito passivo pode ser considerada denúncia espontânea (Ato PGFN nº 8). 3. A Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, nos seus arts. 18 e 19, teve por objetivo flexibilizar a atuação processual da PGFN nas matérias que dificilmente teria ganho de causa. Afinal, um processo judicial tributário no âmbito federal gera diversos custos. Além dos custos ao erário, o acúmulo de processos sem chance de ganho prejudica a todos os jurisdicionados, incluindo a própria Fazenda Pública, uma vez que processos com reais chances de sucesso ou execuções fiscais com probabilidade real de recuperação ficam com o seu andamento prejudicado. 3.1. O objetivo ainda é evitar a atuação contraditória da Administração Pública: se ela não vai mais defender determinada matéria em juízo, não faz mais sentido insistir em proceder de maneira contrária administrativamente. No caso do inciso II do art. 19, o ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda, quando aprovado pelo Ministro da Fazenda, já vincula a RFB. 4. A Nota Técnica Cosit nº 1, de 2012, foi feita em decorrência das diversas dúvidas que os atos da PGFN geraram, pois desde a publicação dos atos declaratórios, assinados pelo Ministro, a RFB já estava vinculada a eles. Alguns dos entendimentos da Nota devem ser revistos, bem como a interpretação dos atos da PGFN, a fim de se limitar aos precedentes que os embasaram. 4.1. Segundo o Ato Declaratório PGFN nº 8, de 2011, somente na situação em que o contribuinte declara a menor, paga integralmente o débito declarado e depois retifica a declaração para maior, quitando concomitantemente o débito, configura se a denúncia espontânea. 4.2. O ato da PGFN não trata das seguintes situações constantes da Nota Técnica nº 1, de 2012: contribuinte não apresenta declaração, mas paga o débito; contribuinte declara o débito a menor, não paga e posteriormente retifica a declaração pagando concomitantemente todo o débito e; o contribuinte não declara o débito em DCTF, porém efetua a compensação dele em Dcomp. Desse modo, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, deve ser considerada ocorrida a denúncia espontânea apenas na sua acepção primária de pagamento do débito concomitantemente a apresentação da declaração e na forma delimitada no próprio Ato Declaratório PGFN nº 8, de 2011, como descrito no item 4.1. 6. Em conseqüência, concluise: a) pelo cancelamento da Nota Técnica Cosit nº 1, de 18 de janeiro de 2012; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 152 10 b) que se considera ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: b1) quando o sujeito passivo confessa a infração, inclusive mediante a sua declaração em DCTF, e até este momento extingue a sua exigibilidade com o pagamento, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 4, de 20 de dezembro de 2011; b2) quando o contribuinte declara a menor o valor que seria devido e paga integralmente o débito declarado, e depois retifica a declaração para maior, quitandoo, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 8, de 20 de dezembro de 2011; c) não se considera ocorrida denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: c1) quando o sujeito passivo paga o débito, mas não apresenta declaração ou outro ato que dê conhecimento da infração confessada; c2) quando o sujeito passivo declara o débito a menor, mas não paga o valor declarado e posteriormente retifica a declaração, pagando concomitantemente todo o débito confessado; c3) quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de Dcomp; c4) quando o sujeito passivo declara o débito, mas o paga a destempo; d) que os eventuais pedidos de revisão de lançamento, restituição e/ou compensação dos créditos já constituídos nas situações do item “b” acima devem ser analisados com base no entendimento exarado nos Atos Declaratórios PGFN nºs 4 e 8, de 2011. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no Anexo IV do Auto de Infração o Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor, fl. 99: VALORES EM R$ CÓDIGO DE RECEITA INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA DE OFÍCIO/ISOLADA BASE DE CALC. VAL. DEVIDO NÚMERO DO DÉBITO (1) NÚMERO DA DECLARAÇÃO (2) INFORMADO NA DCTF (3) PARA PGTO DO AI (4) PERÍODO DE APURAÇÃO (5) DATA DE VENCIMENTO (6) DATA P/ PGTO DO AI (7) MULTA DE MORA PAGA A MENOR (8) JUROS DE MORA NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR (9) PRINCIPAL RECOLHIDO PAGO E CONFIRMADO (10) 75% DO PRINCIPAL RECOLHIDO PAGO E CONFIRMADO (11) 3342748361 20052010074057 6012 6094 0110/2004 31.01.2005 30.03.2007 1.412,02 0,00 0,00 0,00 TOTAL 1.412,02 0,00 0,00 0,00 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 153 11 Está registrado no Anexo IIb do Auto de Infração os Demonstrativos de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento, fl. 98: VALORES EM R$ CÓDIGO DE RECEITA INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS NÚMERO DO DÉBITO (1) NÚMERO DA DECLARAÇÃO (2) INFORMADO NA DCTF (3) PARA PGTO DO AI (4) PERÍODO DE APURAÇÃO (5) DATA DE VENCIMENTO (6) DATA DO PAGAMENTO (7) MULTA DE MORA PAGA A MENOR (8) JUROS DE MORA NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR (9) 334274836 20052010074057 6012 6094 0110/2004 31.01.2005 28.02.2005 1.412,02 0,00 TOTAL 1.412,02 0,00 Verificase que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 20052010074057 referente ao primeiro trimestre de 2004 foi entregue em 20.09.2005. O pagamento foi efetuado em 28.02.2005. A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, no presente caso em que a CSLL sujeita a lançamento por homologação declarada pela Recorrente, recolhida fora do prazo de vencimento e antes da entrega da DCTF. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15375.002224/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2001
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
Constitui infração à legislação previdenciária previdenciária a empresa apresentar GFIP com omissões em relação aos fatos geradores e/ou incorreções em seus campos.
Numero da decisão: 2201-004.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária previdenciária a empresa apresentar GFIP com omissões em relação aos fatos geradores e/ou incorreções em seus campos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação nº 11.401.4/0222/2002, que julgou procedente o lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 22 24 /2 00 9- 11 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 15375.002224/200911 Acórdão n.º 2201004.755 S2C2T1 Fl. 216 2 A descrição fática do presente lançamento está delineada no relatório da decisão de 1ª instância, o qual adotamos por sua clareza e precisão: Conforme o descrito no Relatório Fiscal do Infração (fl. 07), tratase de infringência ao inciso e anexos de fls. 09/105, tratase de infringência ao art. 32, inciso IV, §5º, da Lei 8.212/91, cem a redação dada pata Lei 9.528/97, por ter m empresa entregue GFIP, período 01.99 a 07/01, sem o registro dos valores pagos aos segurados, consoante anexos de ris. 11 a 105 (levantamento autônomos diversos referente ao CNPJ 86.438.777/000153”; "levantamento CV caracterização do segurado empregado referente ao CNPJ 86.438.777/000158’; levantamento de transportador autônomo/frete referente ao CNPJ 86.438.777/000158; levantamento CS complemento salarial referente ao CNPJ 86.438.777/000158; levantamento de produção não lançada FP referente ao CNPJ 86438.777/000158. O Auto de Infração foi regularmente lavrado em 07/12/01, tendo o autuado tomado conhecimento em 12/12/01, como comprova a assinatura de seu representante legal de fl. 01. Foi aplicada a penalidade no valor de RS 150.718,12 (cento e cinquenta mil, setecentos e dezoito reais e doze centavos) na forma descrita no Relatório de aplicação da multa de fls. 07. DA IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar a autuada apresentou defesa requerendo a relevação da multa nos termos do art. 291 do Decreto 3.048, e, não sendo atendida, a DA IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar a autuada apresentou defesa requerendo o relevação da multa nos termos do art. 291 do Decreto 3.048, e, não sendo atendida, a anulação do Auto de Infração tendo em vista que a multa aplicada afronta dispositivos constitucionais, cujos argumentos podem ser assim resumidos: Argumenta, inicialmente que es empresas empresas CCO Administração e Participações Ltda IPE Administração e Participação Ltda, constantes da relação de coresponsáveis não foram pessoalmente intimadas para oferecimento de qualquer defesa e, assim, não se estabeleceu contra elas qualquer processo administrativo. Ressalta, em seguida, que incluiu em parcelamento o valor da obrigação principal, ou seja, o valor das contribuições devidas e que motivaram a aplicação da multa em discussão. Estão presentes todos os requisitos para a aplicação do art. 291 e §1° do Decreto 3.048/99, quais sejam: as contribuições devidas foram incluídas em parcelamento, portanto, a falta foi corrigida; o seu pedido de relevação é tempestivo; a impugnante é Infratora primária e não ocorreram circunstâncias agravantes. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 15375.002224/200911 Acórdão n.º 2201004.755 S2C2T1 Fl. 217 3 Acrescenta que, presentes os requisitos, o citado dispositivo impõe, não faculta, relevação. Na hipótese de não relevação da multa, seja reduzida a patamar legalmente aceitável, pois aplicada em valor abusivo, carecendo de qualquer amparo legal ou fictício, caracterizando o confisco repudiado pelo art. 5o, LIV e art. 150, IV, ambos da Constituição Federal. Para corroborar a sua tese, reproduz lições doutrinárias do professor Sacha Calmon Navarro Coelho e Ives Gandra Martins. O lançamento foi julgado procedente através da DecisãoNotificação nº 11.401.4/0222/2002, que restou assim ementado: INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA, GFIP, DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDINCIÁRIAS, Constitui infração ao art. 32, inciso IV, § 5o da Lei 8.212/91, com a redação dada peia Lei 9.528/97, a apresentação de GFiP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Cientificada da decisão de piso em 15/04/2002 (fl. 185), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 30/04/2002, reiterando exatamente os mesmos termos da impugnação acima relatada. É o relatório. Voto AAddmmiissssiibbiilliiddaaddee O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. DDaa ccoonnffiigguurraaççããoo ddaa iinnffrraaççããoo A ocorrência do descumprimento da obrigação acessória é fato incontroverso, uma vez que a recorrente admite expressamente que deixou de preparar as folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, mas que já incluiu a dívida relacionada a obrigação principal em parcelamento. Ressalte, contudo, que a presente autuação por descumprimento de obrigação acessória independe do adimplemento da obrigação principal, revestindose de autonomia em relação àquela. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 15375.002224/200911 Acórdão n.º 2201004.755 S2C2T1 Fl. 218 4 Com efeito, requer a relevação da multa aplicada, arguindo possuir os requisitos para a benesse normativa. Todavia, como bem assinalado pela decisão de piso, falta ao recorrente o requisito primordial, qual seja, a correção da falta. Não há nos autos prova da formalização dos contratos de trabalho e inscrição dos segurados respectivos na Previdência Social. Desse modo, incabível a relevação da multa aplicada. Assim sendo, não merece provimento o recurso voluntário quanto a este tocante. DDooss ccoorrrreessppoonnssáávveeiiss Quanto à solicitada exclusão das empresas CCO Administração e Participações Ltda IPE Administração e Participação Ltda, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 15375.002224/200911 Acórdão n.º 2201004.755 S2C2T1 Fl. 219 5 Desse modo, não merece prosperar o inconformismo recursal. DDaass aalleeggaaççõõeess ddee iinnccoonnssttiittuucciioonnaalliiddaaddee eeffeeiittoo ccoonnffiissccaattóórriioo ddaa mmuullttaa Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, da Constituição Federal. Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infringência aos princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 220DF CARF MF Processo nº 15375.002224/200911 Acórdão n.º 2201004.755 S2C2T1 Fl. 220 6 Fl. 221DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.726941/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sua natureza tributária.
OPERAÇÃO DE MÚTUO - REQUISITOS DE PROVA
Para comprovação da operação de mútuo, além do registro público do contrato, é indispensável documentação hábil e idônea que demonstre a efetiva ocorrência do pactuado, o cumprimento das cláusulas acertadas, como pagamentos em datas e valores convencionados; a simples apresentação de documentos particulares e/ou seu lançamento na contabilidade, por si sós, são insuficientes para opor a operação a terceiros e, principalmente, para afetar a tributação.
PRESUNÇÃO JURIS TANTUM - INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
Na presunção legal juris tantum do Fisco, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário, sem comprovação de origem, corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos omitidos da tributação, pois, neste caso, inverte-se o ônus da prova para o contribuinte, cabendo-lhe demonstrar que o fato presumido não existiu na situação concreta, ou comprovar da natureza de tais rendimentos, se já teriam sido tributados ou são isentos.
Numero da decisão: 2201-004.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sua natureza tributária. OPERAÇÃO DE MÚTUO REQUISITOS DE PROVA Para comprovação da operação de mútuo, além do registro público do contrato, é indispensável documentação hábil e idônea que demonstre a efetiva ocorrência do pactuado, o cumprimento das cláusulas acertadas, como pagamentos em datas e valores convencionados; a simples apresentação de documentos particulares e/ou seu lançamento na contabilidade, por si sós, são insuficientes para opor a operação a terceiros e, principalmente, para afetar a tributação. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Na presunção legal juris tantum do Fisco, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário, sem comprovação de origem, corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos omitidos da tributação, pois, neste caso, invertese o ônus da prova para o contribuinte, cabendolhe demonstrar que o fato presumido não existiu na situação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 69 41 /2 01 4- 54 Fl. 1122DF CARF MF 2 concreta, ou comprovar da natureza de tais rendimentos, se já teriam sido tributados ou são isentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 231/241 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados: Da exigência tributária Exigese do interessado o pagamento do seguinte Crédito Tributário constante do Auto de Infração AI de fls. 0002 a 0009 lavrado com base no Relatório Fiscal e Planilhas em Anexo de fls. 0010 a 0054, que integram o AI: Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.123 3 Do procedimento fiscal – Descrição dos fatos Enquadramento Legal 2. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado foi efetuado o presente lançamento de ofício, nos termos dos artigos 904 e 926, do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, em face da apuração das infrações aos dispositivos legais extensamente descritas no Termo de Verificação Fiscal e seus anexos que integram o AUTO DE INFRAÇÃO e que a seguir se reproduz sinteticamente: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Relatório Fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2009 11.500.153,98 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: Arts. 37, 38, 83 e 849 do RIR/1999 e art. 58, da Lei nº 10.637/02 combinado com o art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172/1966 e art. 42, da Lei nº 9.430/1996 Art. 1º, inciso III e parágrafo único da Lei nº 11.482/2007, com a redação dada pela Lei nº 11.945/2009 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. 3. Na sequência constam Demonstrativos de Apuração do Imposto de Renda e Demonstrativo de Apuração Detalhada do Crédito Tributário (imposto, multa e juros de mora). Do Relatório Fiscal 4. Autoridade Fiscal estruturou seu Relatório em seis títulos: 1 Do Procedimento Fiscal; 2 Das Diligências Realizadas; 3 Da Descaracterização do Mútuo CEMISA; 4 Da Utilização da Presunção do art. 42, da Lei nº 9.430; 5 Da Incidência da Multa de Ofício e; 6 Da Conclusão. 5. Em 1 Do Procedimento Fiscal o Auditor explica e demonstra, detalhadamente, das várias intimações e reintimações, dilações de prazo e das respostas do sujeito passivo para esclarecimentos a respeitos do grande número de recursos depositados em suas contas correntes. Fl. 1124DF CARF MF 4 6. Reproduzimos alguns trechos deste item do Relatório, relativamente do exame dos documentos apresentados pelo interessado ao Fisco: Da análise dos extratos apresentados pelo contribuinte, bem como da planilha contendo os lançamentos/transferências a crédito da conta do sr. Daniel, a título de mútuo, temse o seguinte: – há valores constantes nos extratos bancários da conta mantida no BANCO ARBI (agência 019 c/c 300177)que NÃO constam na planilha apresentada pela empresa CEMISA, créditos estes que restaram sem justificativa. Tais créditos estão listados na planilha III anexa a este Termo e totalizam R$ 58.617,80. – Os valores depositados/transferidos para a conta do sr. Daniel durante o anocalendário de 2009, informados na planilha 01, elaborada pela empresa CEMISA PARTICIPAÇÕES somam R$ 11.419.111,01; importância superior ao total pactuado no contrato de mútuo apresentado a esta fiscalização, que limita o montante a ser emprestado em R$ 8.500.000,00. Por fim, considerando o vencimento do contrato de mútuo, em 04 de janeiro de 2014, foi encaminhada a intimação 03, no dia 20.03.2014, ao sr. Daniel Benasayag Birmann, solicitando a apresentação de: – Documentos que comprovem a quitação do mútuo contraído com a empresa CEMISA janeiro/2009, conforme contrato apresentado a esta Fiscalização em resposta à intimação 01. – Documentos que comprovem a natureza jurídica dos valores creditados em sua c/c que excedem o valor pactuado no mútuo suprarreferido. Em resposta o sr. Daniel Benasayag informou que não houve valor excedente mútuo pactuado uma vez que o saldo devedor em 31.12.2009 era R$ 8.069.392,25; inferior ao valor contratado de R$ 8.500.000,00 (oito milhões e quinhentos reais). Apresentou um Termo Aditivo Ao Contrato de Mútuo celebrado em 04 de janeiro de 2009, prorrogando por mais 36 meses o vencimento da divida, que passou de 04.01.2014 para 04.01.2017. 7. Em 2 Das Diligências Realizadas, o Fisco diligenciou junto à empresa CEMISA, que enviou, praticamente, os mesmos documentos já apresentados pelo fiscalizado, razão pela qual foram solicitados outros documentos, tais como contrato social registrado na Junta Comercial, Ata da Assembléia que deliberou a concessão do mútuo ao interessado. 8. Considerando que dos Autos consta uma via do Relatório Fiscal e o sujeito passivo foi cientificado do mesmo com outra via, mostrase dispensável repetir aqui todo o tratado em cada um dos temas desse documento. Porém, para ilustrar de forma mais próxima ao voto deste Acórdão, reproduziremos a parte que resume as razões do Fisco para desconsiderar o contrato de Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.124 5 mútuo firmado entre o interessado e a CEMISA, constante do item 3 Da Descaracterização do Mútuo CEMISA: Em resumo, são as seguintes as razões levadas em conta pela fiscalização para desconsiderar a origem (natureza) das operações listadas na planilha 1 (transferências da CEMISA, ARBI e DSV informadas como mútuo): a) falta de registro das operações A falta de registro do contrato de mútuo, por si só, não é suficiente para afastar a existência de fato do mútuo, da mesma forma que o registro do mesmo não seria, isoladamente, prova cabal de sua existência. No entanto, considerando a precariedade do conjunto probatório apresentado à fiscalização, que se resume a cópia NÃO REGISTRADA de ata de assembléia firmada pelos sócios da CEMISA, as empresas CHARLES LIMITED e BSB PARTICIPAÇÕES, contendo autorização genérica para conceder empréstimos para o sr. DANIEL por 20 (vinte) anos, aliado aos contratos particulares de mútuo, também sem registro, assinados pelo sr. Daniel na qualidade de mutuário e representante da mutuante, a falta de pagamento, não só do IOF, mas do próprio montante emprestado reduzem a credibilidade na operação defendida pela empresa. Até mesmo porque, pelo que fazem crer as lacônicas respostas da empresa e ausência de resposta do sr. Daniel, nem mutuário nem mutuante têm interesse em manter efetivo controle sobre a dívida, tampouco na sua quitação, pois, em vez de executar o contrato, conforme previsto na cláusula 2 do contrato original, a empresa concedeu uma dilação do prazo para pagamento, abriu mão dos já reduzidos encargos financeiros e correção monetária. b) falta de motivação – A empresa é prestadora de serviços (conforme contrato social), tem como objeto, entre outros, a participação em outras empresas, a administração dos seus próprios bens e a recuperação empresarial. Não se trata de instituição de crédito, tampouco filantrópica. Desta forma, considerando que, à vista dos elementos apresentados, a empresa não está auferindo receita financeira pela concessão dos empréstimos e, de acordo com a sua DIRPJ referente ao anocalendário 2009, apresentou prejuízo contábil, há de se concluir que não há motivação econômica para a concessão de mútuos aos sócios, principalmente em se tratando de mútuo gracioso (pois não há previsão de juros e atualização no período de 5 anos). c) incongruência entre o valor contratado e o montante transferido. Como já explicitado, o valor transferido no ano calendário de 2009 ao sr. Daniel ultrapassa o limite máximo de R$ 8.500.000,00 supostamente emprestados pela empresa. d) ausência de disponibilidade de recursos da empresa, vez que informou prejuízo CONTÁBIL no anocalendário da ordem de R$ 36 milhões de reais. Qual o sentido da empresa apresentar um saldo na conta de passivo realizável a longo prazo no valor de R$ 121.553.182,88 (conforme dados da declaração Fl. 1126DF CARF MF 6 0001820311) e não ter dinheiro em caixa para alocar aos seus fins econômicos? e) Por fim, vale registrar que a escrituração contábil, por si só, não faz prova a favor do contribuinte, se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que comprovem os fatos nela registrados. Qualquer um desses elementos, isoladamente, não é suficiente para descaracterizar o empréstimo, mas quando contextualizados, levam a conclusão que, de fato, não houve mútuo, e com isso não restou comprovada a origem dos depósitos efetuados pela CEMISA em conta bancária do sr. Daniel Benasayag. 9. Em 4 Da utilização da Presunção do art. 42, da Lei nº 9.430, como o nome indica, tratou dos depósitos de origem não comprovada, objeto desse dispositivo legal. 10. Prosseguindo, como já visto, constam 5 da incidência da Multa de Ofício e; 6 Da conclusão, seguidos dos anexos relacionando os valores creditados nas contas correntes analisadas e, na sequência consta a documentação que embasou o Procedimento. 11. O sujeito passivo tomou ciência do AI em 30/08/2014, sábado, fls. 0904 e 0905 e solicitou cópia do processo. Da impugnação 12. Foi apresentada impugnação em 01/10/2014, fls. 0914 a 0937, na qual o sujeito passivo, través de seus advogados, explanou sobre I – A Exigência Fiscal; 2 –Os fatos que antecederam à autuação, onde tratou das intimações e das razões do lançamento, com o destaque da descaracterização pelo Fisco do Contrato de Mútuo, onde, inclusive, reproduziu trechos do Relatório Fiscal. 13. Em 3 As alegações e as conclusões da Fiscalização são inteiramente equivocadas, como o título indica, discorda das razões do Fisco. Disse que a própria fiscalização teria reconhecido expressamente que a origem de todos os depósitos realizados nas contas bancárias do impugnante estaria materialmente comprovada, pois, tais depósitos provieram, sem exceção, de recursos pertencentes aos patrimônios de pessoas jurídicas existentes, de fato e de direito, o que afastaria a materialização da hipótese descrita no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996. 14. Com isso disse que poderia interromper a petição, pois estaria convicto de vêla deferida, dada a absurdez dos argumentos da fiscalização, que teria se olvidado de que, por força do artigo 142, do Código Tributário Nacional – CTN, o lançamento é ato vinculado e o Fisco teria invocado circunstâncias estranhas à configuração da hipótese de incidência legal, tais como sua opinião pessoal a respeito da necessidade de registro público de atos cuja validade jurídica a lei não subordina a essa formalidade. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.125 7 15. Destaca que contrato de mútuo não estaria sujeito a registro na Junta Comercial e mesmo que estivesse, a prova de sua existência não dependeria dessa formalidade e prossegue com o rechaço da alegação de que o fato de o contrato de mútuo e a ata não terem sido levados a registro na Junta Comercial denotaria precariedade do conjunto probatório apresentado. 16. Aprofundase no tema dos requisitos para validade do negócio jurídico de acordo com o artigo 104, do Código Civil – CC, que condiciona apenas à capacidade do agente e à licitude do seu objeto, cuja eficácia poderia ser provada por qualquer dos meios admitidos em direitos, como os registros cantáveis da operação, as transferências bancárias, qualquer documento escrito, testemunhas, etc., como se infere do artigo 212, do CC. 17. Também comenta outra razão que integra o conjunto de motivos para a rejeição do contrato de mútuo, o fato de o impugnante ter assinado como mutuário e, ao mesmo tempo, representante da mutuante, CEMISA. Disse que isso não pode gerar estranheza, pois, o impugnante era, na ocasião, administrador dessa sociedade com poderes para representála em tais negócios, conforme alterações contratuais em anexo. 18. Também não concorda da outra razão de rejeição do contrato, o fato de o mesmo houver sido assinado em 01/01/2009 e a Ata da Reunião de Sócios Quotista para deliberação a respeito houver ser realizado, somente, em 03/06/2004 e explica que a CEMISA teria apenas dois sócios, BSB Participações Ltda., controlada pelo impugnante, e Charles Ltd., bem como nem haveria necessidade de reunião entre eles para deliberar sobre a matéria, como prescreve o § 3º, do artigo 1.072 do CC. 19. Disse que seria igualmente infundada a argumentação de que a falta de atualização monetária dos valores mutuados e de acréscimos de juros ao seu saldo, aliada à apuração de prejuízo pela mutuante, justificaria descaracterizar o mútuo, ou que ensejaria presunção de indisponibilidade de recursos em poder da mutuante para realizar empréstimo ao impugnante. 20. Entre outros argumento disse que nada mais absurdo do que somente poderia ser considerado como mútuo os fereatícios, negando essa natureza aos não onerosos, para dizer que a Autoridade Fiscal denotaria completo desconhecimento das regras jurídicas que disciplinam os mútuos, motivo pelo qual o impugnante não desperdiçaria o tempo dos julgadores refutando essa impropriedade. 21. Prossegue tratando das contas no balanço da empresa, do regime de competência, entre outros, comparando com as movimentações bancárias para alegar falta de familiaridade do Fiscal quanto à outra razão da rejeição do Contrato de Mútuo, que seria a falta de recurso da empresa para realizar empréstimo, pois, informou prejuízo contábil no anocalendário da ordem de R$ 36 milhões de reais, fato que teria levado a indagar qual seria o sentido da empresa apresentar um saldo na conta de passivo realizável a longo prazo no valor de R$ Fl. 1128DF CARF MF 8 121.553.182,88 e não ter dinheiro em caixa para alocar aos seus fins econômicos? 22. Na sequência esclarece que o prejuízo seria de R$ 30 milhões, que não haveria saldo na conta Passível Realizável a Longo Prazo, simplesmente porque não existiria esse grupo de conta em qualquer balanço, e detalhou os dados do Passivo não circulante e Ativo realizável a longo prazo, cujo saldo deste último seria o valor apontado pelo Fisco, R$121.553.182,88 em 31/12/2008 e R$ 113.420.669,62 em 31/12/2009, para, com isso, dizer que a Autoridade Lançadora não conhece os nomes dos grupos de contas do balanço e sequer consegue identificar o anocalendário a que se referem os valores da DIPJ e nem sabe distinguir ativo de passivo 23. Aprofundase na questão do prejuízo contábil, que não seria indicador de falta de dinheiro em caixa e em bancos que teria sido comprovado pelos extratos. 24. A respeito da dívida contraída de acordo com o contrato de mútuo afirma que nunca ultrapassou R$ 8.500.000,00, tendo em vista as amortizações ocorridas no ano de 2009 e, mesmo que tivesse ultrapassado, o excedente continuaria caracterizando mútuo comprovado pelos meios previstos no artigo 212, do Código Civil. 25. Copia trechos do Relatório Fiscal para afirmar que a existência de contrato de mútuo não dependeria de contrato escrito e que se provaria pela vontade das partes externada por qualquer meios relacionados no artigo 212, do CC; copia também a cláusula 1 do contrato, onde consta a concessão do crédito de R$ 1.500.000,00 e destaca o reconhecimento dos lançamentos contábeis de entrega das parcelas até o limite ajustado, para afirmar se tratar de uma abertura de crédito com limite préestabelecido. 26. Reproduziu parte das planilhas de fls. 550 a 557, elaborada com base nos lançamentos contábeis da CEMISA, e afirmou que a Auditora Fiscal as reconheceria, para dizer que no decorrer do ano de 2009 o impugnante teria realizado diversas amortizações, pagando diretamente à CEMISA ou a outras pessoas por ela designadas, em um total de R$4.430.582,30, expressiva amortização que jogaria por terra as afirmações da fiscalização de que...o suposto empréstimo jamais foi pago... sendo cristalina, portanto, a intenção de não devolver o dinheiro à CEMISA. 27. Dos valores transferidos pela ARBI e pela DFV, por conta e ordem da CEMISA, que o Fisco observou não houver sido apresentado qualquer documentação ou ordem expressa entre as empresas neste aspecto, com base em menção de folhas do razão o impugnante explica que a ARBI era devedora da CEMISA em decorrência de adiantamento para futuro aumento de capital e que por não ter sido convertido em aumento do capital, deveria lhe ser devolvido e a DFV era devedora da CEMISA por transações entre ambas no âmbito de contrato de conta corrente e, assim, em vez de cobrar dessas sociedades a dívida, a Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.126 9 CEMISA as instruía a entregar ao impugnante recursos que fazia jus em consonância com o contrato de mútuo. 28. Após outras argumentações disse que a falta de ordem escrita para consecução desse objetivo não deveria ser causa de admiração da autuante, por se tratar de prática normal entre sociedades do mesmo conglomerado e estar certificada pelos lançamentos contábeis apresentados à fiscalização. 29. Afirma que a situação não se enquadraria na hipótese de presunção prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, devendo se cancelar o AI por falta de tipicidade e para embasar essa afirmação copia trechos do Relatório Fiscal para compor seu raciocínio dizendo que a Autoridade Fiscal teria admitido francamente que a ...a origem material dos depósitos/transferências...está comprovada, mas, teria defendido as insólitas teses atacadas para concluir que...não obstante os documentos apresentados, ...a existência do mútuo entre a empresa CEMISA e o Sr. Daniel Benasayag Birmann, no qual residiria... natureza jurídica das transferências efetuadas, não estaria. 30. Disse que contradição dessa ordem não poderia prosperar, simplesmente porque o dispositivo legal em comento não a toleraria. 31. Com base nessas observações selecionadas constrói teses em que ou a) estaria comprovada a origem do depósito e, neste caso, advém de renda tributada não declarada, cuja tributação deveria ser conforme prescreve o § 2º, do próprio artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, ou b) a origem não estaria comprovada e, neste caso, operarseia a presunção de omissão de rendimentos tributados de origem ignorada. 32. Copia mais um trecho do Relatório Fiscal onde se observa a não devolução do capital da empresa, ou sequer alguma remuneração do mesmo e que a repactuação da dívida, ao derrubar as cláusulas 2 e seguintes do contrato original, praticamente, estaria transformando um contrato de mútuo, já mútuo vantajoso, em uma verdadeira doação, para observar que se de doação se esteja tratando, a autuação seria da mesma forma nula. 33. Observa o que não teria pertinência ser reconhecida a origem material dos depósitos, que provieram de recursos próprios de pessoas jurídicas e, concomitantemente, negar essa origem sob alegação de que a mutuante teria feito um mau negócio, favorecendo o impugnante, seu sócio, ou tecer comentários semelhantes e finaliza o parágrafo questionando: ou se caracteriza distribuição disfarçada de lucros, com sua tributação pertinente, ou se trataria de doação, então não tributável, o que também recomenda condenar o AI ao sepulcro. Fl. 1130DF CARF MF 10 34. Reproduz jurisprudência que trata da descaracterização da omissão de rendimentos pela presunção se o processo contiver provas que a impregnam de incerteza. 35. Finalizou sua impugnação com o seguinte IV Pedido: À vista de todo o exposto, demonstrada cabalmente a impossibilidade de prosperar o procedimento fiscal, o impugnante requer seja julgada procedente a impugnação, exonerandoo da exigência tributária dele decorrente. 36. Na sequência consta a documentação anexada à impugnação composta por procuração, documentos de identificação, aliterações contratuais da CEMISA, declaração do imposto de renda e extratos bancários. 2 – A decisão da DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 Omissão de Rendimentos Depósitos Bancários Caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sua natureza tributária. Operação de Mútuo Requisitos de Prova Para comprovação da operação de mútuo, além do registro público do contrato, é indispensável documentação hábil e idônea que demonstre a efetiva ocorrência do pactuado, o cumprimento das cláusulas acertadas, como pagamentos em datas e valores convencionados; a simples apresentação de documentos particulares e/ou seu lançamento na contabilidade, por si sós, são insuficientes para opor a operação a terceiros e, principalmente, para afetar a tributação. Presunção Juris Tantum Inversão do Ônus da Prova Na presunção legal juris tantum do Fisco, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário, sem comprovação de origem, corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos omitidos da tributação, pois, neste caso, invertese o ônus da prova para o contribuinte, cabendo lhe demonstrar que o fato presumido não existiu na situação concreta, ou comprovar da natureza de tais rendimentos, se já teriam sido tributados ou são isentos. Impugnação Improcedente Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.127 11 Crédito Tributário Mantido 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte às fls. 1.083/1.118. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 – O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – Após detida análise dos autos e dos argumentos do recorrente entendo que é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, constituise em repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. 6 Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3ºdo Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. Fl. 1132DF CARF MF 12 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). 7 Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. 8 Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida. Do Procedimento Fiscal 39. Versa o processo sobre Omissão de Rendimentos pela não comprovação da Origem de Depósitos Bancários. 40. O sujeito passivo foi intimado a comprovar a origem dos depósitos nas contas correntes de sua titularidade. Em resposta apresentou contrato de mútuo pactuado entre ele e a empresa CEMISA. Das diligências e demais procedimentos realizados, como intimações das demais pessoas envolvidas nas transferências de recurso para as contas do interessado, foram aceitos alguns esclarecimentos e não considerados na base de cálculo os valores pertinentes. O contrato de mútuo, por sua vez, por se detectar várias inconsistências, foi rejeitado pelo Fisco. 41. Procedidos os cálculos e demais verificações, lavrouse o Auto de Infração ora combatido. Da Impugnação 42. O contribuinte questiona o lançamento em sua totalidade. A discussão central é a não consideração do contrato. Alega que esse instrumento não estaria sujeito a Registro na Junta Comercial; que a falta de atualização monetária e juros, aliada à apuração de prejuízo pela mutuante não justifica descaracterizar o mútuo e; entre outros argumentos de crítica ao Fisco diz que não conhece os nomes dos grupos das contas de balanço, sequer consegue identificar o anocalendário a que se refere os valores da DIPJ, nem sabe distinguir ativo de passivo, não teria familiaridade com o regime de competência, entre outros; que a dívida contraída pelo impugnante nunca teria ultrapassado R$ 8.500.000,00; que o Fisco teria reconhecido a comprovação da origem, mas, se contradiz com a tese de que não teria sido comprovada a natureza jurídica; que estaria comprovada a origem e não se enquadra na presunção legal; Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.128 13 que o entendimento do Fisco de se tratar de doação também condena o AI. Da análise da questão por esta Delegacia 43. Examinado os documentos carreados aos autos, os trabalhos realizados pelo Fisco e os argumentos da impugnação, com base na legislação pertinente, verificase não caber razão ao sujeito passivo em seu questionamento. 44. Como visto, a razão principal da discussão é a rejeição do contrato de mútuo firmado entre a CEMISA e o sujeito passivo. Assim sendo, o foco do exame em pauta é a respeito deste documento: 45. Entre as razões para tal rejeição constam: a falta de registro público do contrato de mútuo; não registro de ata de assembléia que autorizou de forma genérica a concessão de empréstimo ao sujeito passivo; falta de recolhimento de imposto na operação de empréstimo; prazo muito longo e sem previsão de remuneração do empréstimo; dilações de prazo para pagamento; não comprovação de pagamento do empréstimo; não visualização de motivação da empresa para o referido empréstimo sem o auferir receita financeira do mesmo;valor superior ao contratado transferido para a conta corrente do interessado; ausência de disponibilidade de recurso da empresa, que demonstrava prejuízo contábil; entre outros. 46. O Fisco deixou claro que cada uma das razões, por si só, seria insuficiente para descaracterizar o referido contrato de mútuo, porém, quando em conjunto, contextualizados, esses elementos não deixam dúvida que não houve mútuo e, assim, a origem dos depósitos efetuados pela CEMISA não restou comprovada. Vejamos, na sequência, das razões do Fisco e de sua contestação pelo impugnante: 47. Do registro do contrato de mútuo. De fato, como observado pelo interessado, não há previsão para o registro deste tipo de instrumento na Junta Comercial, porém, está evidente que a menção deste órgão de registro de atividades empresariais foi feita pelo Fisco por mero equívoco, pois, deveria ser no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Isso teria ocorrido pelo fato de que, no decorrer do Procedimento Fiscal, teria sido solicitado ao interessado, também, a apresentação de Ata de Assembléia da empresa vinculada aos depósitos de recurso em sua conta corrente, esta sim, com registro na Junta e, assim, ao se lavrar o Termo de Intimação, relativo ao registro do contrato de mútuo, não teria sido excluída a frase Junta Comercial, fato que em nada prejudica a defesa do impugnante. O contrato apresentado, por sua vez, não consta de registro algum, quando o correto seria, como já dito, o seu registro no Cartório de Título e Documentos, requisito necessário para a validade deste tipo de documento particular perante terceiros, como consta do artigo 221, do Código Civil: Fl. 1134DF CARF MF 14 Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. 48. Da Ata de Assembléia sem registro. Como visto, o próprio sujeito passivo assinou o contrato em pauta na qualidade de mutuário e mutuante e a Ata de assembléia que teria autorizado, inclusive de forma genérica a concessão de empréstimo ao interessado, não consta de registro na Junta Comercial, situação que torna esse documento sem efeitos a respeito de terceiros. 49. Operação financeira ausente de tributação. Como visto, embora se tratar de alto valor o empréstimo em pauta, não houve recolhimento do Imposto sobre Operações Financeiras IOF. 50. Do longo prazo do contrato e sem previsão de remuneração Da falta de motivação. Empréstimo desta monta, sem previsão de remuneração e com prazo extremamente longo e ainda com dilações, não há como se sustentar, mesmo porque, como observado pelo Fisco, a empresa credora não se trata de empresa filantrópica e, além disso, demonstrou prejuízo contábil. De fato, desta maneira não se visualiza razão mercantil nenhuma, vai contra os princípios de qualquer empresa do comércio, que visa o lucro. 51. Do valor superior ao pactuado Do não pagamento do suposto empréstimo. Embora o interessado afirmar houver amortizado o empréstimo, cujo valor, aliás, ultrapassou o pactuado no pseudo contrato, não foi comprovada tal amortização. O demonstrativo apresentado não é suficiente para tal prova. Não foi visualizado a transferência dos supostos valores amortizados da conta do interessado para a credora. 52. Estas verificações são mais do que suficiente para demonstrar que o contrato de mútuo, realmente, não há como se sustentar e, assim, fica evidente que o sujeito passivo não conseguiu demonstrar a origem dos depósitos bancários detectados pelo Fisco. 53. Cabe esclarecer aqui que a origem que se busca não é a simples indicação de "quem efetuou" o depósito, ou, de onde "vieram" os recursos, mas, sim, sua natureza tributária, se já foram tributados ou se são isentos. Desta forma, embora juntado documentos que, em princípio, demonstrariam a origem material dos depósitos, cujo documento básico foi rejeitado, não foi demonstrada a referida origem da natureza tributária desses recursos. 54. Com isto fica, também, explicado as afirmações do Fisco que o impugnante, juntando trechos de contextos distintos, as interpretou como contradições e/ou seria opinião pessoal, quando diz que "a Autoridade Fiscal teria admitido francamente que a ...a origem material dos depósitos/transferências...está comprovada, mas, teria defendido as insólitas teses atacadas para concluir que...não obstante os documentos apresentados, ...a Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.129 15 existência do mútuo entre a empresa CEMISA e o Sr. Daniel Benasayag Birmann, no qual residiria... natureza jurídica das transferências efetuadas, não estaria." 55. O até aqui desenvolvido demonstram que o lançamento está correto. Porém, apenas para esclarecimento, na sequência serão tratados os demais itens de discussão levantados pelo impugnante, mas, que em nada afetam os temas acima desenvolvidos. 56. Do prejuízo contábil. A menção de R$ 36 milhões em vez de R$ 30.276.337,17 também se trata de mero erro de digitação. Observase que, na tentativa de encurtar o nome do valor, o Fisco mencionou só a parte milionária em pauta, com a mistura de números e palavras, e digitou "36" no lugar de "30". Este lapso, também, em nada prejudicou o Procedimento Fiscal, ou a compreensão do lançamento e/ou, ainda, a defesa do interessado. 57. Dos Grupos de Contas no Balanço. A menção equivocada pelo Fisco de Passivo no lugar de Ativo realizável a logo prazo, também nada de prejuízo acarretou ao contribuinte, que demonstrou entender corretamente o que houve, quando critica o equívoco do Fisco e aponta como deveria ser a construção desses argumentos. 58. Do pseudo empréstimo Verdadeira doação. A observação do Fisco quando diz ... A repactuação da dívida, ao derrubar as cláusulas 2 e seguintes do contrato original, na prática, transformou um contrato de mútuo já muito vantajoso em uma verdadeira doação, não há dúvida de que se trata de uma mera força de expressão para demonstrar quão frágil é o referido contrato de mútuo, que não se sustenta de forma alguma como tal. Em nenhum momento essa afirmação foi dita que, oficialmente, se trataria de doação. Desta forma, não há como considerar o argumento do interessado quando diz que se de doação se esteja tratando, a autuação seria da mesma forma nula. 59. Resumindo: o contrato de mútuo foi, corretamente, descaracterizado pelo Fisco e, assim, não há dúvida alguma que o sujeito passivo não conseguiu demonstrar quando do procedimento Fiscal e nem com a impugnação a origem dos depósitos bancários detectados, sua natureza tributária, se já foram tributados ou se são isentos, situação que não permite rever o lançamento corretamente efetuado. Da Conclusão 60. Isto posto, e considerando tudo mais que dos autos consta, voto pela improcedência da impugnação e por manter o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração AI, cuja cobrança deverá prosseguir. Fl. 1136DF CARF MF 16 9 Apenas complementando o quanto acima indicado e tomado como razões de decidir, entendo que quanto ao empréstimo, impõese destacar que a análise da sua comprovação, tomado como justificativa da origem do recurso, deve ser promovida de forma bastante cautelosa, em especial no caso em exame, em função dos valores envolvidos. 10 A alegação de empréstimo, seja pela sua aquisição (mutuário), seja pelo seu recebimento em sua liquidação (mutuante), é, em função de sua natureza tributária, a forma mais usual de se encobrir rendimentos tributáveis. 11 Nesse sentido, entendo que o agente fiscal deva se certificar, minimamente, quanto à existência da formalização do negocio (existência de contrato registrado em cartório ou com firma reconhecida à época do acordo); reconhecimento da obrigação e do direito nas declarações e/ou contabilidade do mutuário e do mutuante, respectivamente; assim como se lá declarado há o lastro para a transferência e o controle, por parte dos envolvidos, do fluxo de sua amortização, para demonstrar a liquidação do empréstimo diretamente pelos envolvidos ou a sua repactuação, conforme o caso. 12 Veja a respeito a título de exemplo as cláusulas do contrato indicado no TVF às fls. 12: 13 Causa espécie um valor expressivo como esse de empréstimo em um contrato, não prever qualquer tipo de correção ou juros após o um prazo de 60 meses e que fora repactuado, para mais 96 meses fls. 13, enfim. Com isso, podese dizer que, a rigor, nenhuma operação de empréstimo foi comprovada pelos mutuantes, tampouco pelo recorrente, que nada apresentou a esse título. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.130 17 14 Muito menos as alegações de que a planilha de fls. 550/557 de que houve diversas amortizações do contrato "seja diretamente à CEMISA, seja mediante pagamentos a outras pessoas, por conta e ordem da CEMISA' como alegado pelo contribuinte, pois a análise dos documentos, avaliados também pela decisão recorrida, não trazem nenhum esclarecimento claro e concreto que são relativos à amortização do alegado empréstimo a fim de refutar os apontamentos da autoridade fiscal, bem como dos extratos do mutuante de fls. 563/706 com os de fls. 67/159 através de apontamentos meramente manuscritos (como informado pelo contribuinte). 15 Nesse tópico, ainda que os termos do art. 42 da Lei 9.430/96 inverta o ônus da prova, de modo que caiba ao contribuinte a comprovação da origem dos créditos em sua conta bancária, como, nos casos em que comprovada a origem, a fiscalização necessita avaliar a natureza dos rendimentos para fins de aplicação da legislação correlata, é também dever do fiscalizado demonstrar a natureza tributária, não tributária ou de tributação exclusiva dos seus rendimentos, agora sob o amparo do que prevê os art. 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda. 16 A respeito do assunto, tomo como razões de decidir os fundamentos do voto do I. Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, no Ac. 2201.004.702 J. 12/09/2018, verbis: Depreendese da leitura do Relatório Fiscal produzido no curso da Fiscalização, que parte dos valores considerados omitidos tem origem identificada, mas não sua natureza, o que levou o Agente Fiscal a considerar como omissão de rendimentos. Neste ponto, convém trazer à balha o teor do art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Grifouse. Como se vê, os valores cuja origem foram comprovadas no curso do procedimento fiscal devem ser submetidos às normas de tributação específicas às respectivas natureza, pois, havendo a comprovação da origem e não tendo sido computados tais Fl. 1138DF CARF MF 18 rendimentos na base de cálculo do tributo, não mais há que se falar da presunção de omissão de rendimentos de que trata o citado art. 42, mas de efetiva omissão de rendimentos. Não compartilho do entendimento de que a palavra "origem" constante do caput do art. 42 apresente significado mais abrangente do que efetivamente tem. Origem é o lugar de onde provém alguém ou alguma coisa, é a fonte, é a procedência. Parece evidente que o espírito da norma é evitar que o titular da movimentação financeira, que é quem teria a maior facilidade de indicar a fonte dos recursos, deixasse para o fisco toda a tarefa de identificar a origem dos créditos em suas contas bancárias. Assim, a lei inverteu o ônus da prova, atribuindo ao titular da conta bancária o dever de aclarar a origem dos valores. Feito isto, não há mais que se falar em presunção legal de omissão de rendimentos, devendo a tributação, se for o caso, considerar as normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Não obstante, a comprovação da origem não desobriga o contribuinte de comprovar a natureza dos rendimentos, em particular para que possa o Agente Fiscal aplicar as normas de tributação específicas. Tal obrigação está prevista no Decreto 3.000/99 (RIR), expressamente indicado no Termo de Início do Procedimento Fiscal de fl. 4, e assim dispõe: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal. O mesmo Regulamento prevê, ainda: Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79): I arbitrandose os rendimentos mediante os elementos de que se dispuser, nos casos de falta de declaração; II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios; III computandose as importâncias não declaradas, ou arbitrando o rendimento tributável de acordo com os elementos de que se dispuser, nos casos de declaração inexata. Analisando o Auto de Infração de fl. 2391 a 2399, constatase que a Autoridade lançadora indicou expressamente a Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.131 19 fundamentação legal do lançamento, apontando para o art. 42 da Lei 9.430/96, mas apontou, também, outros fundamentos, dentre os quais merece destaque os seguintes artigos do já citado Regulamento do Imposto de Renda: Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Como se vê, os artigos acima constituem a regra geral de tributação do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza. Naturalmente, há rendimentos específicos que não são alcançados pela tributação do IR, como os expressamente elencados no art. 39 do mesmo regulamento, bem assim os que estão sujeitos a tributação diferenciada, a exemplo daqueles tributados exclusivamente na fonte, como os decorrentes de 13º salário ou de Participação nos Lucros ou Resultados. Contudo, tendo em vista que a regra, no caso de pessoa física, é a tributação na Declaração de Ajuste Anual, a necessidade de que o contribuinte demonstre não apenas a origem de seus rendimento é para que tenha a oportunidade de demonstrar a natureza dos valores recebidos para que, sendo estes isentos, não haja qualquer incidência tributária ou, sendo estes submetidos à tributação diferenciada, sejam aplicadas as respectivas normas tributárias. 17 Entendo que o contribuinte traz muitos argumentos, inclusive vários já devidamente analisados pela decisão de piso, mas não identifica de forma clara e precisa as provas que invalidam tal conclusão da decisão de piso e ao trabalho fiscal mas sem qualquer objetividade para o deslinde eficaz do presente caso. Fl. 1140DF CARF MF 20 18 – A respeito do assunto quanto a comprovação do mútuo cito trecho do voto no AC 2201003.235 j. 15/06/16 de Relatoria do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira dessa C. Turma, verbis: “Novamente se verifica que o presente recurso é constituído somente de alegações. A dialética da provas exige que o contribuinte apresente, e comprove, fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito de crédito do Fisco constante do lançamento e, no caso, devidamente corroborado por provas. Tal exegese, no sentido da exigência de comprovação dos fatos alegados pelas partes constantes do processo administrativo tributário, consta do Decreto nº70.235 em especial dos artigos9º e 15. Como bem apontado pela 3ª Turma da DRJ SPO II no acórdão 1718551 (fls.452). não pôde o Recorrente se desvencilhar do encargo probatório, não se permitindo, portanto, admitir tal argumento. ‘Em relação à alegação de empréstimos tomados pata justificar o acréscimo. tratase de matéria já extensamente examinada pelos tribunais administrativos e a jurisprudência, inclusive desta Turma de Julgamento, firmouse no sentido de só acolher as alegações de empréstimos quando acompanhadas não somente do respectivo contrato de mútuo, mas também de provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário, com indicação de valor e data coincidentes. Abaixo seguem alguns acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes, que ratificam este entendimento: (...)’ Padece do mesmo vício a alegação da falta de comprovação, pelo Fisco, da desconsideração dos empréstimo bancários tomado pelo Recorrente e que, segundo ele, comprovam parte da origem dos recursos aplicados. Tal comprovação é ônus do Recorrente, não cabendo à Administração Tributária tal encargo. A esta coube o ônus da comprovação do acréscimo patrimonial, da obtenção de proventos de qualquer natureza que ensejem tal acréscimo. Recordemos, a lógica presente na ação fiscal. O Fisco, verificando variação patrimonial, intima o contribuinte a comprovar a origem dos recursos. A ausência da comprovação, segundo a legislação tributária, enseja o lançamento. No processo administrativo fiscal instaurado pela impugnação, o Contribuinte deve comprovar suas alegações. Observase no presente caso, que o Recorrente não o fez no procedimento inquisitório fiscalizatório e não produziu suas provas novamente aqui. Não se pode considerar os empréstimos alegados por falta de comprovação. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.132 21 Novamente não pode dar provimento ao recurso.” 19 – O contribuinte que junta aos autos centenas de documentos arrasta para si o ônus de identificar, em cada um desses documentos, os dados que lhe forem favoráveis e ao mesmo tempo proceder a uma acurada análise de natureza técnica do conjunto desses dados e, finalmente, cotejar, de maneira circunstanciada, os seus resultados e conclusões para infirmar os elementos trazidos pela Fiscalização. 20 – O julgador não pode ser visto como patrono da contribuinte ou do Fisco, nem seu assistente técnico, motivo pelo qual não lhe cabe pesquisar, nos autos, dentre as centenas de documentos, os dados que poderiam, em tese, ser favoráveis a ela nem mesmo sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão, nessa análise. 21 Considero como razões de decidir o quanto consignado nesse tópico os termos da fundamentação do TVF às fls. 3 – DA DESCARACTERIZAÇÃO DO MÚTUO CEMISA Cumpre ressaltar, primeiramente que, como já explicitado acima, a primeira intimação à empresa CEMISA foi encaminhada em termos genéricos, sem informar valores e datas. Visava a alcançar TODAS as transferências efetuadas para a(s) conta (s) do sr. Daniel. Na resposta à intimação 001, a empresa listou somente as transferências que informa ter ocorrido a título de mútuo, transferências estas que coincidem, na sua maioria, com os valores creditados na contacorrente mantida pelo sujeito passivo junto ao BANCO ARBI, que totalizam, conforme a planilhas apresentadas pela empresa e pelo (anexo I) R$ 11.419.111,01. Quanto ao suposto mútuo celebrado com a empresa CEMISA, controlada pela empresa BSB PARTICIPAÇÕES (da qual sr. Daniel é principal acionista e sócio controlador) temse que: – a empresa informou tratarse de mútuo feneratício não oneroso porquanto não havia previsão de juros e atualização monetária caso o valor fosse restituído no prazo originalmente pactuado (cinco anos). – O prazo é extremamente longo (oito anos, contando com a repactuação) para uma empresa abrir mão de receita financeira Fl. 1142DF CARF MF 22 e manter o seu capital indisponível, ainda mais se se considerar que a própria empresa aplica o seu capital no mercado financeiro, como mostram os extratos de aplicações em CDB da CEMISA no banco BRADESCO (anexos à resposta a intimação 01 da CEMISA). Além do mais temse que, considerando os documentos apresentados, há uma nítida incongruência entre o valor pactuado e o valor efetivamente transferido, decorrente, pelo que a resposta à intimação 03 apresentada pelo sr. Daniel Benasayag leva a crer, de um erro conceitual, porquanto este confunde SALDO DEVEDOR com VALOR EMPRESTADO. Cabe esclarecer agora que eventuais amortizações efetuadas no período, são PAGAMENTOS da dívida e não se confundem com o valor total emprestado. Ou seja, se, por exemplo, uma pessoa toma por empréstimo R$ 5.000,00 e efetua dois pagamentos de R$1.000,00; o valor mutuado continua sendo R$ 5.000,00, e o saldo da dívida passa a ser 3.000,00. Segundo esta linha de raciocínio, deve ser considerado como transferido ao sr. Daniel Benasayag o total dos créditos efetuados em sua conta. Sendo que a quantia supostamente “emprestada” pela companhia cingese aos 8.500.000,00 pactuados. O valor excedente, no caso R$ 2.919.111.01, podem ser consideradas, de pronto transferências sem justificativa. Outro fator a ser levado em consideração é que o suposto empréstimo JAMAIS FOI PAGO. Quanto instado a comprovar o pagamento da dívida, através da intimação 03, o sr. Daniel apresentou um pacto adjeto ao contrato original, dilatando o prazo de pagamento em mais 36 meses, não fez menção a qualquer amortização efetuada nos anos seguintes (2009 em diante). Ou seja, até o momento a empresa não teve o seu capital de volta. Sequer teve alguma remuneração pelo seu capital. A repactuação da dívida, ao derrubar as cláusulas 2 e seguintes do contrato original, na prática, transformou um contrato de mútuo já muito vantajoso em uma verdadeira doação. Cristalina, portanto, a intenção de NÃO devolver o dinheiro à CEMISA. Mesmo porque, conforme informações contidas na DIRPF 2010 – 10/26.158.991 o valor da dívida do sr. Daniel com a CEMISA, naquele anocalendário, atingiu a cifra de R$ 62 milhões de reais. De onde se pode inferir que este não foi o primeiro empréstimo que o mutuário deixou de pagar. Não foi pago IOF relativamente a este mútuo. Nem todas as transferências foram efetuadas diretamente da empresa CEMISA para o sr. Daniel, há créditos provenientes das empresas ARBI RIO (CNPJ 28.280.576/000179 – empresa cujo sócioadministrador é o sr. Bernardo Simões Birmann e DSV participações (CNPJ 35.759.208/000173). Ambas Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.133 23 empresas têm sede no mesmo endereço da CEMISA PARTICIPAÇÕES (Avenida Niemeyer, nº 2 – parte). Por fim, cabe ressaltar que, à vista dos documentos apresentados, temse que a alteração contratual que nomeou o sr. Daniel administrador da empresa e conferiu poderes para que ele pudesse assinar os contratos em seu nome (registrada em 09 de setembro de 2009) é posterior a data do contrato (assinado em 04 de janeiro de 2009). Ou seja, ao contribuinte sequer logrou comprovar a validade jurídica do contrato que concedeu o suposto mútuo. Em resumo, são as seguintes as razões levadas em conta pela fiscalização para desconsiderar a origem (natureza) das operações listadas na planilha 1 (transferências da CEMISA, ARBI e DSV informadas como mútuo): a) falta de registro das operações A falta de registro do contrato de mútuo, por si só, não é suficiente para afastar a existência de fato do mútuo, da mesma forma que o registro do mesmo não seria, isoladamente, prova cabal de sua existência. No entanto, considerando a precariedade do conjunto probatório apresentado à fiscalização, que se resume a cópia NÃO REGISTRADA de ata de assembleia firmada pelos sócios da CEMISA, as empresas CHARLES LIMITED e BSB PARTICIPAÇÕES, contendo autorização genérica para conceder empréstimos para o sr. DANIEL por 20 (vinte) anos, aliado aos contratos particulares de mútuo, também sem registro, assinados pelo sr. Daniel na qualidade de mutuário e representante da mutuante, a falta de pagamento, não só do IOF, mas do próprio montante emprestado reduzem a credibilidade na operação defendida pela empresa. Até mesmo porque, pelo que fazem crer as lacônicas respostas da empresa e ausência de resposta do sr. Daniel, nem mutuário nem mutuante têm interesse em manter efetivo controle sobre a dívida, tampouco na sua quitação, pois, em vez de executar o contrato, conforme previsto na cláusula 2 do contrato original, a empresa concedeu uma dilação do prazo para pagamento, abriu mão dos já reduzidos encargos financeiros e correção monetária. b) falta de motivação – A empresa é prestadora de serviços (conforme contrato social), tem como objeto, entre outros, a participação em outras empresas, a administração dos seus próprios bens e a recuperação empresarial. Não se trata de instituição de crédito, tampouco filantrópica. Desta forma, considerando que, à vista dos elementos apresentados, a empresa não está auferindo receita financeira pela concessão dos empréstimos e, de acordo com a sua DIRPJ referente ao anocalendário 2009, apresentou prejuízo contábil, há de se concluir que não há motivação econômica para a concessão de mútuos aos sócios, principalmente em se tratando de mútuo gracioso (pois não há previsão de juros e atualização no período de 5 anos). Fl. 1144DF CARF MF 24 c) incongruência entre o valor contratado e o montante transferido. Como já explicitado, o valor transferido no ano calendário de 2009 ao sr. Daniel ultrapassa o limite máximo de R$ 8.500.000,00 supostamente emprestados pela empresa. d) ausência de disponibilidade de recursos da empresa, vez que informou prejuízo CONTÁBIL no anocalendário da ordem de R$ 36 milhões de reais. Qual o sentido da empresa apresentar um saldo na conta de passivo realizável a longo prazo no valor de R$ 121.553.182,88 (conforme dados da declaração 0001820311) e não ter dinheiro em caixa para alocar aos seus fins econômicos? e) Por fim, vale registrar que a escrituração contábil, por si só, não faz prova a favor do contribuinte, se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que comprovem os fatos nela registrados. Qualquer um desses elementos, isoladamente, não é suficiente para descaracterizar o empréstimo, mas quando contextualizados, levam a conclusão que, de fato, não houve mútuo, e com isso não restou comprovada a origem dos depósitos efetuados pela CEMISA em conta bancária do sr. Daniel Benasayag. 22 Portanto, não se pode admitir que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, contendo apenas uma mera formalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, sendo que no presente caso o contribuinte não se desincumbiu do ônus em comprovar a veracidade do mútuo após a sua desconsideração pela Fiscalização, e muito menos a presunção legal do art. 42 da LEi 9.430/96. Conclusão 23 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito Negolhe provimento. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.134 25 Fl. 1146DF CARF MF
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