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Numero do processo: 10980.912266/2012-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.794
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 66 /2 01 2- 14 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912266/201214 Acórdão n.º 3201003.794 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 02 065.639, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912266/201214 Acórdão n.º 3201003.794 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912266/201214 Acórdão n.º 3201003.794 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912266/201214 Acórdão n.º 3201003.794 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16048.000006/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA
Caracterizada a omissão no enfrentamento da matéria suscitada em recurso voluntário, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado.
Integra-se o acórdão embargado com os fundamentos para manter a decisão que negou provimento ao recurso voluntário.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE.
O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matérias-primas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto.
Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 2).
Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891.
Numero da decisão: 3201-004.158
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos, sem efeitos infringentes, para manter a decisão recorrida, integrando-a com os fundamentos assentados no voto.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA Caracterizada a omissão no enfrentamento da matéria suscitada em recurso voluntário, acolhem-se os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado. Integra-se o acórdão embargado com os fundamentos para manter a decisão que negou provimento ao recurso voluntário. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matérias-primas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 2). Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos, sem efeitos infringentes, para manter a decisão recorrida, integrando-a com os fundamentos assentados no voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.313 1 1.312 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16048.000006/200755 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3201004.158 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria IPI RESSARCIMENTO Embargante LG ELECTRONICS DO BRASIL LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. EXISTÊNCIA Caracterizada a omissão no enfrentamento da matéria suscitada em recurso voluntário, acolhemse os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para que seja sanado o vício apontado. Integrase o acórdão embargado com os fundamentos para manter a decisão que negou provimento ao recurso voluntário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 DIREITO CREDITÓRIO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. AQUISIÇÃO DE MATÉRIA PRIMA ISENTA. ZONA FRANCA DE MANAUS. IMPOSSIBILIDADE. O Supremo Tribunal Federal já entendeu, no passado, pelo direito de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas isentas (RE 212.484), o que chegou a ser estendido às aquisições sujeitas à alíquota zero (RE 350.446), mas este entendimento foi posteriormente alterado, passando a mesma Corte a entender que não há direito de crédito em relação às aquisições não tributadas e sujeitas à alíquota zero (RE 370.682), depois estendendo o mesmo entendimento em relação às aquisições isentas (RE 566.819), de maneira que a jurisprudência atual é no sentido de que nenhuma das aquisições desoneradas dão direito ao crédito do imposto. Nada obstante o Supremo Tribunal Federal tenha reconhecido existir a Repercussão Geral especificamente em relação à aquisição de produtos isentos da Zona Franca de Manaus ZFM (Tema 322; RE 592.891), isto não equivale ao reconhecimento do direito de crédito, além de que, não pode este Tribunal Administrativo analisar a constitucionalidade das leis (Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 8. 00 00 06 /2 00 7- 55 Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 16048.000006/200755 Acórdão n.º 3201004.158 S3C2T1 Fl. 1.314 2 Conjuntura dos fatos que autoriza a aplicação ao presente caso do entendimento do STF no RE 566.819, visto não haver decisão em contrário no RE 592.891. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração interpostos, sem efeitos infringentes, para manter a decisão recorrida, integrandoa com os fundamentos assentados no voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o presente processo de embargos de declaração opostos pela contribuinte, em face do Acórdão 3201001.764, prolatado por esta Turma na sessão de 14/10/2014. O acórdão embargado deu parcial provimento ao recurso voluntário, cuja ementa foi assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE CRÉDITO BÁSICO DE IPI. O sistema de compensação de débitos e créditos do IPI e decorrente do principio constitucional da não cumulatividade; tratandose de instituto de direito público, deve o seu exercício darse nos estritos ditames da lei. Não há direito a crédito referente à aquisição de insumos isentos. IPI CRÉDITO POR DEVOLUÇÃO DE MERCADORIAS. SISTEMA DE CONTROLE ALTERNATIVO. O direito ao crédito decorrente de produtos devolvidos está condicionado às exigências regulamentares previstas no RIPI, Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 16048.000006/200755 Acórdão n.º 3201004.158 S3C2T1 Fl. 1.315 3 entre as quais está a obrigatoriedade de escrituração do Livro Registro de Controle de Produção e Estoque. Dispensase tal requisito quando o estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, e o comercial atacadista dispõem de sistema de controle quantitativo de produtos permitindo a perfeita apuração do estoque permanente. IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO DE IPI. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/1999. DEMORA NA APRECIAÇÃO. OBSTÁCULO DO FISCO. RECURSO REPETITIVO DO STJ. SÚMULA 411/STJ. ART. 62A DO RICARF. A Primeira Seção do STJ, no julgamento do Resp 1.035.847/RS, Relator Min. Luiz Fux, submetido ao rito dos recursos repetitivos, e a Súmula 411/STJ, pacificaram entendimento quanto a incidir correção monetária sobre créditos de IPI. Havendo obstáculo ao aproveitamento de créditos escriturais por ato estatal, administrativo ou normativo, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Seguindo tais orientações, a jurisprudência do STJ tem entendido que a demora na apreciação dos pedidos administrativos de ressarcimento é equiparável à resistência ilegítima do Fisco, o que atrai a correção monetária, inclusive com o emprego da Selic (AgRg no AREsp 335.762/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, julgado em 01/10/2013, Dje 07/10/2013; e REsp 1240714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013). Nesse contexto, deve ser seguido o mesmo entendimento do STJ, nos termos do art 62A do RICARF, autorizandose a incidência da Taxa SELIC. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs embargos de declaração sustentando que a decisão recorrida é omissa pois utilizou o conceito genérico de isenção para manter a glosa dos créditos sem adentrar na questão da nãocumulatividade da Zona Franca como área incentivada. No despacho de admissibilidade, o Presidente da Turma entendeu intempestivos os embargos em razão da interposição da peça após o prazo de 05 (cinco) dias da ciência do acórdão. Considerouse a ciência realizada na data do pedido de cópia dos autos pelo patrono. Assim, os embargos não foram conhecidos em decorrência de sua intempestividade. Irresignada, a contribuinte socorreuse do Poder Judiciário e obteve liminar em Mandado de Segurança no processo nº 100223022.2017.4.01.3400, concedida em 04/04/2017, junto à 14ª Vara Cível da SJDF, nos seguintes termos: Pelo exposto, defiro a liminar para determinar a suspensão do curso Processo Administrativo n.° 16048.000006/200755 e a Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 16048.000006/200755 Acórdão n.º 3201004.158 S3C2T1 Fl. 1.316 4 consequente suspensão da exigibilidade dos débitos compensados com o crédito pleiteado, de modo que não constem como pendência no Relatório de Situação Fiscal da Impetrante e, consequentemente, à emissão de sua Certidão de Regularidade Fiscal, obstando, inclusive, a inscrição da sociedade no CADIN Federal, até final julgamento da presente demanda. Sobreveio sentença no referido Mandado Segurança determinando aquele Juízo a apreciação dos embargos de declaração e o prosseguimento deste processo administrativo, com a decisão: Ante o exposto, confirmo a liminar e concedo a segurança para determinar à autoridade impetrada que aprecie os embargos de declaração opostos pela impetrante no bojo do processo administrativo nº 16048.000006/200755, com a consequente nulidade do Despacho nº 3201S/Nº, com o regular prosseguimento do feito na esfera administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator Admitidos os embargos nos termos do relatado linhas acima, o processo foi a mim distribuído, o qual incluí em pauta de julgamento. Conforme relatado, o vício apontado pela embargante é a omissão motivada pela falta de enfrentamento na decisão embargada dos seus argumentos para a manutenção dos créditos de IPI sobre insumos provenientes da Zona Franca de Manaus, na forma preconizada pelo art. 9º do DecretoLei nº 288/97, com a redação dada pelo Art. 1º da Lei nº 8.387/91. Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF), cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. O vício de omissão se dá quando a decisão deixar de apreciar ponto relevante para a solução do litígio. Caracterizase no silêncio do julgador frente à matéria, fato ou direito, invocado pelas partes ou que deva se pronunciar de ofício. A decisão embargada, adotou as razões de decidir do Acórdão nº 0203.071, de 05/05/2008, para afastar todo e qualquer possibilidade de crédito do IPI nas aquisições isentas em razão da sistemática da nãocumulatividade adotada na Constituição, mantendose silente quanto à diversidade de origem do insumo ou incentivos fiscais concedidos atinentes à operação ou localização geográfica. No recurso voluntário, a contribuinte dissertou longamente identificando pronunciamentos doutrinários e jurisprudenciais quanto à possibilidade de creditamento do Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 16048.000006/200755 Acórdão n.º 3201004.158 S3C2T1 Fl. 1.317 5 Imposto nas aquisições isentas, quando decorrem de incentivos fiscais regionais, bem como de outros, de igual estatura constitucional em relação ao princípio da não cumulatividade do IPI. De fato, a omissão se caracteriza eis que o julgador utilizouse de fundamento genérico para sustentar a glosa dos créditos com a aquisição de insumos isentos. Contudo, no caso da embargante, a origem da mercadoria Zona Franca de Manaus tem suscitado debates e decisões de tribunais superiores no sentido de sopesar princípios constitucionais para distinguila quanto à regra de concessão de crédito do IPI na aquisição de insumos isentos. Passemos à análise. Conquanto a matéria acerca do creditamento de insumos isentos adquiridos de pessoa jurídica situada na Zona Franca de Manaus teve a repercussão geral reconhecida no RE 592.891, não há decisão definitiva que implique a reprodução obrigatória nas decisões deste Conselho, nos termos do § 2º do art. 62 do RICARF. Assim sendo, no caso dos produtos isentos adquiridos da ZFM não há previsão legal para o aproveitamento do crédito, e portanto, segue a regra geral de não cumulatividade na qual o direito ao crédito decorre de aquisição de produto que teve tributação do IPI. Esse entendimento alinhase à decisão no STF no RE nº 566.819 na qual assentou que as aquisições de matéria prima isentas não dão direito ao crédito do IPI: IPI CREDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI CRÉDITO INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI CRÉDITO DIFERENÇA INSUMO ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. (RE 5668/9, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 29/09/2010) Em sede de embargos de declaração foi suscitada a possibilidade do creditamento de aquisições isentas quando provenientes da ZFM que assim restou ementado: IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO – ABRANGÊNCIA. No julgamento deste recurso extraordinário, não se fez em jogo situação jurídica regida quer pela Lei nº 9.779/99 – artigo 11 –, quer por legislação especial acerca da Zona Franca de Manaus. Esta última matéria será apreciada pelo Plenário ante a admissão da repercussão geral no Recurso Extraordinário nº 592.891/SP, outrora sob a relatoria da Ministra Ellen Gracie e hoje redistribuído à Ministra Rosa Weber. (Embargos de Declaração no RE 5668/9, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 29/09/2010) Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 16048.000006/200755 Acórdão n.º 3201004.158 S3C2T1 Fl. 1.318 6 É verdade que decisões do STF intercalaramse ao longo de determinado período ora concedendo o crédito nas aquisições isentas, ora negandoo, até culminar com o reconhecimento da repercussão geral no indigitado RE 592.891. Esta matéria foi abordada com maestria no Acórdão nº 3403003.050, sessão de 22/07/2014, de Relatoria do Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, decidido pela turma por unanimidade de voto. A reprodução da ementa é suficiente para a compreensão do tema: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 PRODUTO ISENTO. CRÉDITO DE IPI. Após um período em que vigorou o crédito para as aquisições isentas, decorrente do RE nº 212.484/RS), conforme afirmado pela própria Recorrente, posteriormente estendido para as aquisições com alíquota zero (RE nº 350.446/PR) que posteriormente veio a ser revista (RE nº 370.682), finalmente, aquele entendimento inverteuse para um posicionamento diametralmente oposto, passando a entender o Supremo Tribunal Federal que nenhuma das aquisições desoneradas outorgam o direito ao crédito presumido (RE nº 566.819/RS). Desse modo, a regra constitucional da não cumulatividade prevalece na legislação do IPI e se aplica às aquisições isentas ainda que da ZFM, sendo inafastável pelos julgadores deste Conselho, a teor da Súmula CARF nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Conclusão Por todo exposto, voto por ACOLHER os Embargos de Declaração interpostos, sem efeitos infringentes, para manter a decisão recorrida, integrandoa com os fundamentos assentados neste voto. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 1318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002632/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005
RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO.
O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe tão somente aos casos em que o limite de alçada supera o previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento conforme Súmula CARF 103.
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO.
Ante ao pedido de desistência formal apresentado pelo contribuinte o Recurso Voluntário não merece ser conhecido.
Numero da decisão: 2402-006.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado para os impedimentos).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2005 RECURSO DE OFÍCIO. LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe tão somente aos casos em que o limite de alçada supera o previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento conforme Súmula CARF 103. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Ante ao pedido de desistência formal apresentado pelo contribuinte o Recurso Voluntário não merece ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado para os impedimentos).
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LIMITE DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO. O reexame de decisões proferidas no sentido de exoneração de créditos tributários e encargos de multa se impõe tão somente aos casos em que o limite de alçada supera o previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, sendo aplicável o limite vigente na data do julgamento conforme Súmula CARF 103. RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA DA LIDE. NÃO CONHECIMENTO. Ante ao pedido de desistência formal apresentado pelo contribuinte o Recurso Voluntário não merece ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 26 32 /2 00 8- 92 Fl. 2375DF CARF MF Processo nº 18471.002632/200892 Acórdão n.º 2402006.437 S2C4T2 Fl. 2.376 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos recursos de ofício e voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior, Mario Pereira de Pinho Filho, José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado para os impedimentos). Fl. 2376DF CARF MF Processo nº 18471.002632/200892 Acórdão n.º 2402006.437 S2C4T2 Fl. 2.377 3 Relatório Tratase de Recursos Voluntário e de Ofício interpostos em oposição ao Acórdão nº 1663.897 12ª Turma da DRJ/SPO, que manteve parcialmente os levantamentos realizados pela NFLD – Debcad nº 35.745.2143, lavrada em 30/09/2004, de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e devidas a Outras Entidades e Fundos – Terceiros, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, abrangendo o período de 01/1999 a 12/2000, 01/2001 a 11/2001, 03/2002, 04/2002, 09/2002 a 06/2003, para matriz e filiais, no montante de R$7.328.737,11 (sete milhões, trezentos e vinte e oito mil, setecentos e trinta e sete reais e onze centavos), consolidado em 28/09/2004. O julgado em lide assim se manifestou: "Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 12ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedentes em parte as impugnações, mantendo parcialmente o crédito tributário, no valor de R$ 5.177.902,83 (cinco milhões, cento e setenta e sete mil, novecentos e dois reais e oitenta e três centavos), consolidado na mesma data do lançamento originário Às fls. 2.282, no entanto, consta desistência formal apresentada pela Contribuinte, não alcançando, contudo, a parte referente ao recurso de ofício. Às fls. 2.308 consta, por parte do Presidente deste Conselho, determinação de análise e processamento da petição de desistência e reanálise processual. Após o desmembramento dos valores, os autos retornaram para julgamento. É o relatório. Fl. 2377DF CARF MF Processo nº 18471.002632/200892 Acórdão n.º 2402006.437 S2C4T2 Fl. 2.378 4 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. A Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, porém optou por sua desistência, conforme se pode verificar à fl. 2.282, não merecendo ser conhecido. Assim restando pendente de julgamento tão somente o Recurso de Ofício, manejado por força de reexame necessário, em face de o crédito tributário exonerado estar acima do limite de alçada fixado na Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008. Originariamente, a lide tratava de NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito Debcad nº 35.745.2143, lavrada em 30/09/2004, de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, empresa e financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e devidas a Outras Entidades e Fundos – Terceiros, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, abrangendo o período de 01/1999 a 12/2000, 01/2001 a 11/2001, 03/2002, 04/2002, 09/2002 a 06/2003, para matriz e filiais, no montante de R$7.328.737,11 (sete milhões, trezentos e vinte e oito mil, setecentos e trinta e sete reais e onze centavos), consolidado em 28/09/2004. Em julgamento da Impugnação interposta, a DRJ assim se manifestou: "Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 12ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedentes em parte as impugnações, mantendo parcialmente o crédito tributário, no valor de R$ 5.177.902,83 (cinco milhões, cento e setenta e sete mil, novecentos e dois reais e oitenta e três centavos), consolidado na mesma data do lançamento originário. Tendo em vista que o valor exonerado atinge o limite de que trata o art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03/01/2008, cabe recurso de ofício desta decisão." Confrontando os valores globais, sem excluir os juros moratórios, o valor exonerado foi de R$2.150.834,28, superior, portanto, ao previsto no Art. 1º da Portaria MF nº 03, de 03/01/2008. Contudo, tal portaria foi revogada pela Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017 que, em seu art. 1º, fixou em R$ 2.500.000,00 o novo limite de alçada para dispensa do reexame necessário, vejamos seus termos: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total Fl. 2378DF CARF MF Processo nº 18471.002632/200892 Acórdão n.º 2402006.437 S2C4T2 Fl. 2.379 5 superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação no Diário Oficial da União. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. Ainda que à época do julgamento de primeira instância tal valor permitisse a interposição do Recurso de Ofício ora julgado, deve ser aplicado ao caso a Portaria vigente conforme transcrito, sendo esse o entendimento consolidado neste Conselho, nos termos da Súmula CARF 103: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Conclusão Ante ao exposto, voto por não conhecer do Recurso Voluntário em razão da desistência formal apresentada pelo contribuinte e, seguidamente, por não conhecer do Recurso de Oficio, em razão do crédito exonerado ser inferior ao limite de que trata no Art. 1º Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017, aplicável ao caso conforme Súmula Carf 103. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 2379DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001323/2007-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF.
Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à obrigação acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN.
Numero da decisão: 2202-004.491
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Waltir de Carvalho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: WALTIR DE CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1999 DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à obrigação acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
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APLICAÇÃO DA SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. Nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do STF, deve ser reconhecida a decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário relativo à obrigação acessória quando se constata o esgotamento do prazo do art. 173, inciso I, do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 13 23 /2 00 7- 80 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 11330.001323/200780 Acórdão n.º 2202004.491 S2C2T2 Fl. 127 2 Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 23/08/2007 para constituir crédito tributário referente às Contribuições Sociais Previdenciárias, período de apuração 01/01/1997 a 31/12/1999. O Contribuinte, cientificado da autuação em 23/08/2007, interpôs impugnação, levando a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Janeiro I (DRJ/RJ01) a proferir o Acórdão nº 1217.642 10ª Turma DRJ/RJ01 (fls. 94/100), de 20/12/2007, onde os membros daquele colegiado julgaram improcedente a defesa apresentada. Em face do referido acórdão, o Contribuinte, irresignado, interpôs Recurso Voluntário de fls. 104/119, ora em julgamento. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo e adoto o relatório da DRJ de origem: "DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI DEBCAD 37.115.7986 CFL 30 consolidado em 23/08/2007) lavrado contra a empresa acima identificada, no montante de RS 1.195,13. 2. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração (fls. 08), temos que: 2.1. A interessada deixou de informar em folha de pagamento a remuneração paga ou creditada a trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviços, bem como não elaborou folha de pagamento por estabelecimento, o que constituiu infração ao artigo 32, inciso I, da Lei 8.212/1991 combinado com o artigo 225, inciso I, § 9o , do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999; 2.2. Para as infrações ocorridas no período anterior a 06/05/1999, além do dispositivo legal supra mencionado, aplicamse as disposições do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social ROCSS, aprovado pelo Decreto 2.173/1997, artigo 47, inciso I, § 4 o , e o ROCSS aprovado pelo Decreto 612/1992, artigo 47, inciso I e § 4. 3 . A multa aplicada, foi apurada conforme previsto nos artigos 92 e 102, da Lei 8.212/1991, combinado com o artigo 283, inciso I, alínea "a", e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, em seu valor mínimo, atualizada pela Portaria MPS n° 142, de 11/04/2007; Fl. 127DF CARF MF Processo nº 11330.001323/200780 Acórdão n.º 2202004.491 S2C2T2 Fl. 128 3 3.1. Não foram configuradas as circunstâncias agravantes previstas no artigo 290, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. DA IMPUGNAÇÃO 4. A interessada manifestouse (fls. 20/61), alegando em síntese que: Das Preliminares Da decadência 4.1. O Código Tributário Nacional CTN prevê duas regras, uma geral, outra específica, acerca do prazo decadencial para a Fazenda Pública realizar o lançamento (artigos 173 inciso I e 150 § 4o ); 4.2. A auditoria fiscal constatou que o impugnante deixou de informar em folha de pagamento a remuneração paga ou creditada a trabalhadores autônomos que lhe prestaram serviço no período auditado, bem como por não ter elaborado folha de pagamento por estabelecimento para o período fiscalizado de 01/1997 a 10/1999; 4.3. Desta forma podemos concluir que resta operada a decadência, uma vez que o lançamento foi realizado depois de mais de 10 (dez) anos (01/1997) e quase 08 (oito) anos (10/1999) da ocorrência do fato gerador; Da necessidade de Lei Complementar e da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991 4.4. Se a Constituição Federal de 1988 reservou à Lei Complementar a competência para disciplinar matéria atinente à decadência tributária e se a Lei 5.172/1966 (CTN), recepcionada como Lei Complementar, estabelece prazo decadencial de 05 (cinco) anos para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário, e se as contribuições sociais são espécies de tributos, a Lei Ordinária 8.212/1991 não poderia ter cuidado da matéria, muito menos de forma diversa; 4.5. Em recentíssimo julgado, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991, no julgamento do AI em Resp n° 616.348 MG (2003/02290040); Do mérito 4.6. Informa que j á realizou todas as retificações, objeto deste Auto de Infração; 4.7. Requer sejam acolhidas as prejudiciais para reconhecer a decadência e a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/1991, declarando nula a sanção imposta; Fl. 128DF CARF MF Processo nº 11330.001323/200780 Acórdão n.º 2202004.491 S2C2T2 Fl. 129 4 4.8. Requer relevação da multa uma vez que: corrigiu a falta até o prazo final para impugnação; pediu a relevação dentro do prazo de impugnação; é primário e não houve circunstância agravante, solicitando o seu arquivamento. 5. É o Relatório." Em seu Recurso Voluntário, o Contribuinte reafirma que já se operou a decadência para a constituição do crédito tributário lançado no auto de infração combatido. Quanto ao mérito, argumenta, novamente, que já realizou todas as retificações de GFIP, objeto do Auto de Infração, tendo requerido a relevação da multa dentro do prazo de impugnação. É o relatório Voto Conselheiro Waltir de Carvalho Relator O recurso voluntário é tempestivo, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Da decadência. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal (CF), o Supremo Tribunal Federal (STF) pode editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública nas esferas federal, estadual e municipal. Observese, inclusive, que o próprio RICARF (Portaria MF nº 343, de 2015) amoldouse a tal vinculação obrigatória, conforme previsto na alínea "a" do inciso II, § 1º do art. 62 de seu Anexo II. No tocante ao prazo decadencial do direito do Fisco de constituir as contribuições sociais previdenciárias, foi publicada, em 20/06/2008, a seguinte súmula do STF: Súmula Vinculante nº 8: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. No precedente representativo da Súmula, o RE nº 556.664, julgado em 12/06/2008, foi explicitado pelo relator Ministro Gilmar Mendes que "o Fisco está impedido, fora dos prazos de decadência e prescrição previstos no CTN, de exigir as contribuições da seguridade social". Portanto, o prazo decadencial que rege o lançamento dessas contribuições segue as normas insculpidas no Código Tributário Nacional (CTN), no § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos. Ainda que o Recorrente não tenha invocado, em sua defesa, a aplicação da Fl. 129DF CARF MF Processo nº 11330.001323/200780 Acórdão n.º 2202004.491 S2C2T2 Fl. 130 5 Súmula Vinculante nº 8, por força de sua vinculação obrigatória, deverseá analisar o presente caso à luz do comando normativo por ela veiculado. No caso em tela, a autuação versa sobre fatos geradores compreendidos entre 01/01/1997 a 31/12/1999, e a ciência ao contribuinte do lançamento deuse em 23/08/2007 (fls. 03). Adotamos a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que, havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º, CTN. Nesse sentido, a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser seguida, por força do disposto no artigo 62, § 1º, II, "b", RICARF. Contudo, tratandose de descumprimento de obrigação acessória, não há que se falar em homologação de pagamento, razão pela qual aplicase a regra prevista no artigo 173, inciso I, do CTN. Sabendose que, no caso, o período verificado está compreendido entre 01/1997 a 12/1999 e que a ora Recorrente foi intimada do Auto de Infração em 23/08/2007, verificase que estão decadentes as contribuições apuradas em sua totalidade, uma vez que anteriores a 12/2001. Portanto, quando lavrada a NFLD, já havia se escoado o prazo para o exercício do direito do Fisco de constituir o crédito tributário mediante o lançamento de ofício. Por consequência, deve ser reconhecida a decadência do crédito tributário veiculado no presente processo, dandose provimento ao recurso voluntário. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Waltir de Carvalho Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.722010/2016-55
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 09/11/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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AÇÃO COLETIVA. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando o retorno dos autos à DRJ para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 20 10 /2 01 6- 55 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 227 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o Acórdão 1678.936 da DRJ/SPO, que manteve integralmente o Crédito Tributário lançado pelo Auto de Infração, que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. A partir desse ponto, transcrevo o relatório do Acórdão recorrido por bem retratar as vicissitudes do presente processo: "Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 5.000,00, referente à multa por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Segundo relato da fiscalização, a agente de carga autuada registrou a destempo, em 09/11/2012 às 16h38, no sistema Siscomex Carga, a carga desconsolidada referente ao Conhecimento Eletrônico (CE) HBL 151205218688710, relativo ao MHBL 151205198271879, cuja carga objeto dessa desconsolidação foi trazida ao Porto de Santos pelo Navio "MSC CAROLINA”, com atracação registrada em 21/10/2012, às 05h31. Referido Conhecimento Eletrônico, portanto, veio a ser incluído no sistema em prazo inferior às quarenta e oito horas antes do registro da atracação, em desacordo com o disposto no art. 22, II, “d”, da Instrução Normativa RFB nº 800/2007. Considerando que a autuada é, enquanto Agência de Carga, a pessoa responsável pela prestação das informações sobre o veículo e cargas, nos termos da IN RFB 800/2007, a fiscalização aplicou a multa prevista no art. 107, IV, “e”, do DL 37/66, por deixar de prestar informação sobre carga no prazo estabelecido. Cientificada do auto de infração em 06/09/2016 (fls. 103/104), a interessada apresentou impugnação, na mesma data, juntada às fls. 41 e seguintes, alegando em síntese que: a) em preliminar, ressalta a ilegalidade da autuação sofrida, uma vez que vai de encontro à decisão judicial emanada pela 14ª Vara Federal de São Paulo, nos autos do Processo nº 0005238 86.2015.403.6100, devendo o auto de infração ser anulado; Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 228 3 b) aduz que embora a autuação se funde na não prestação de informações, esta alegação não se sustenta, uma vez que as informações foram efetivamente prestadas, uma vez que, se assim não fosse, não poderiam ter sido efetuadas quaisquer operações de carga e descarga, conforme o disposto no §2º do art. 37 do DL 37/66. Tendo havido comprovadamente a operação de descarga da embarcação, a anulação da autuação é medida necessária para assegurar a segurança jurídica; c) observa que com a recente modificação da IN RFB 800/2007 pela IN RFB nº 1.473/2014, foi ratificado o entendimento de que eventual atraso na prestação de informações, previsto pelo art. 22, seria imputável somente ao armador transportador, visto que somente este manifesta carga; d) a penalidade tem efeito confiscatório, ferindo os princípios da proporcionalidade e isonomia. Ademais, o desrespeito ao art. 729, II, do Decreto 6.759/2009 é flagrante, posto que a multa combatida não poderia superar o valor de R$ 5.000,00 por navio, e não por CE mercante, como tem erroneamente aplicado a impugnada; e) o eventual atraso na prestação de informações por parte do contribuinte não causa qualquer dano à fiscalização, que autua por mero formalismo (princípio da legalidade). Tanto é assim que a autuação é, sem exceção, sempre muito posterior à prestação das informações pelo contribuinte, que se beneficia do instituto da Denúncia Espontânea por essa razão; f) cita diversos normativos para referendar sua tese de que a estipulação de limite ao valor da penalidade imposta é mecanismo necessário a se evitar desproporção. Tais multas não tem natureza arrecadatória (ou não deveriam ter), de modo que a pena de R$ 200,00 (duzentos reais) por informação omitida, limitada ao valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por veículo é medida de rigor para que se respeitem os Princípios da Isonomia e da Proporcionalidade; g) no caso, além da ausência de dolo especifico, que é o elemento subjetivo da norma, ainda deve ser analisada a inexistência da hipótese de incidência tributária imputada erroneamente pela autoridade à impugnante, porque as informações exigidas pelo artigo 22 da IN 800/07 foram prestadas; h) considerando que a autoridade aduaneira em nenhum momento conseguiu provar que a impugnante deixou de prestar informações necessárias ao devido controle da Receita Federal do Brasil, é de se concluir que o auto de infração padece de motivação, além de ferir também o princípio da razoabilidade; i) como a impugnante não deixou de prestar as informações, aplicamse ao caso sob análise os dispositivos do art. 138 do CTN e art. 102 do DL 37/66 que tratam da denúncia espontânea, em alinhamento com a jurisprudência judicial e administrativa que cita; Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 229 4 j) requer, ao final, seja julgada insubsistente a autuação e cancelada a multa sob comento." Analisando as argumentações da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPO) julgou a Impugnação de modo a não conhecêla, quanto à matéria objeto de ação judicial, e julgála improcedente, quanto à matéria diferenciada, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 09/11/2012 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. O recurso ao Poder Judiciário para discussão de matéria coincidente com aquela objeto do lançamento de ofício, antes ou após a lavratura do Auto de Infração, importa renúncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem às administrativas, sendo analisados apenas os argumentos não levados à apreciação judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seqüência, após ser cientificada dessa decisão, a contribuinte apresenta Recurso Voluntário (183/197), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando e reforçando argumentos jurídicos já apresentados e argumentando que não há concomitância entre o processo judicial e o administrativo, pois a recorrente figuraria apenas como substituída naquele. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 230 5 A principal controvérsia posta sob análise cingese à existência ou não de concomitância entre o processo administrativo e o judicial em casos de ações coletivas propostas por associações de classe, da qual o contribuinte faça parte. Essa matéria se mostra, atualmente, pacificada no âmbito desta Corte, como demonstram os recentes Acórdãos: Acórdão 1402001.629: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. PROCESSO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. INOCORRÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. A renúncia à instância administrativa de que trata o art. 38 da Lei n. 6.830/80 pressupõe ato de vontade do contribuinte expressado mediante litisconsórcio com a associação na ação coletiva ou propositura de ação individual de objeto análogo ao processo administrativo, o que não se verifica na hipótese. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA. NÃO ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO. Afastadas a concomitância e a renúncia à discussão administrativa, é de se reconhecer a nulidade da decisão de primeira instância que deixou de apreciar todos os argumentos de impugnação. Nova decisão deve ser proferida, em atenção ao duplo grau de jurisdição previsto nas regras de regência do processo administrativo fiscal. Acórdão 9303005.472: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1999 a 30/09/2004 Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 231 6 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Especial do Procurador negado. Acórdão 9303005.057 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/10/1995 a 31/10/1998 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo por associação de classe não impede que o contribuinte associado pleiteie individualmente tutela de objeto semelhante ao da demanda coletiva, já que aquele (mandado de segurança) não induz litispendência e não produz coisa julgada em desfavor do contribuinte nos termos da lei. Ainda que haja alcance dos efeitos jurídicos da decisão para os representados da entidade, não se materializa a identidade entre os sujeitos dos processos, ou seja, autor da medida judicial e recorrente no âmbito administrativo, diante da qual é possível aferir a manifestação de vontade (critério subjetivo) que exige a renúncia. Assim, a existência de Medida Judicial Coletiva interposta por associação de classe não tem o condão de caracterizar renúncia à esfera administrativa por concomitância. Embora seja certo que as entidades de classe, quando propõem ações coletivas, estão agindo no interesse de seus filiados, também é correto supor que estes podem não ter manifestado sua concordância com a propositura daquelas ações. Mesmo quando assembléias aprovam o caminho judicial a ser seguido pela entidade, ainda assim, devemos ter em conta que a decisão da maioria não reflete, necessariamente, a vontade de todos os filiados. Creio oportuno trazer a colação as Súmulas do Supremo Tribunal Federal que ratificam a independência das entidades de classe, quanto à propositura de ações coletivas: Súmula STF nº 629 A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11128.722010/201655 Acórdão n.º 3002000.212 S3C0T2 Fl. 232 7 Súmula STF nº 630 A entidade de classe tem legitimação para o mandado de segurança ainda quando a pretensão veiculada interesse apenas a uma parte da respectiva categoria. (grifos nossos) Assim, pareceme não ser razoável o reconhecimento da concomitância somente pela existência de uma ação coletiva movida por entidade de classe, da qual o contribuinte faça parte, sem que esteja clara a vontade deste, pois diferentemente das ações individuais, nas quais resta cristalina a intenção de o contribuinte optar pela via judicial, nas coletivas, isto, em princípio, não ocorre. Ademais, quando o sujeito passivo impetra uma ação individual versando sobre a mesma matéria discutida em processo administrativo, ocorre uma presunção legal absoluta da desistência tácita ao contencioso administrativo. Contudo, em ações coletivas, ajuizadas por substitutos processuais, não se aplica tal presunção, pois do contrário, estaria se violando os Direitos Constitucionais ao Contraditório e à Ampla Defesa. Desta forma, entendo não existir concomitância no presente caso. Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, afastando a concomitância e determinando a devolução do processo à instância a quo para que profira novo julgamento analisando todas as alegações da Impugnação. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 233DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.724541/2010-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 01/01/2006
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REVISÃO DA OPÇÃO.
As atividades efetivamente prestadas pelo contribuinte são exclusivas de programador, analista de sistemas e outras profissões de nível superior de graduação, cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. Sendo assim, a pessoa jurídica que se dedica a tais atividades não pode aderir ao Simples.
A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA.
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.
Numero da decisão: 1402-003.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do SIMPLES e os lançamentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Data do fato gerador: 01/01/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REVISÃO DA OPÇÃO. As atividades efetivamente prestadas pelo contribuinte são exclusivas de programador, analista de sistemas e outras profissões de nível superior de graduação, cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. Sendo assim, a pessoa jurídica que se dedica a tais atividades não pode aderir ao Simples. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do SIMPLES e os lançamentos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REVISÃO DA OPÇÃO. As atividades efetivamente prestadas pelo contribuinte são exclusivas de programador, analista de sistemas e outras profissões de nível superior de graduação, cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. Sendo assim, a pessoa jurídica que se dedica a tais atividades não pode aderir ao Simples. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 45 41 /2 01 0- 81 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 280 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do SIMPLES e os lançamentos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 280DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 281 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) assim ementado: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REVISÃO DA OPÇÃO. Os serviços de suporte técnico em informática impedem a opção pelo Simples, por caracterizar a prestação de serviços de analista de sistemas. Sendo assim, a pessoa jurídica que se dedica a tais atividades não pode aderir a este regime de tributação. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 28/02/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O caso foi relatado pela instância a quo, nos seguintes termos: "A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal nº 10.1.01.002010014957 que culminou com a Fl. 281DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 282 4 Representação Fiscal para exclusão do Simples a partir de 01/01/2006 e formalização de lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 02/2007, pela sistemática do Lucro Arbitrado. O auditor fiscal relata que, em procedimento fiscal junto ao contribuinte acima qualificado, iniciado em 16/09/2010 com a ciência do sujeito passivo, constatou que tanto no contrato social da empresa ( inicial e alterações que vigoraram até 30/06/2007 ), o objetivo social da empresa foi a “prestação de serviços de processamento de dados, comercialização de software, equipamentos, acessórios e suprimentos para o apoio do processamento de dados”. Foram apresentadas pela empresa cópias de dois contratos de prestação de serviços com a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul FAURGS, com datas de 19/10/2004 e 18/05/2005, onde consta que o interessado prestaria serviços de “análise de sistema, programação e testes de software básico, produtos e aplicativos bancários – suporte técnico, consultoria técnica, ...” entre outros. De acordo com o artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, a atividade exercida pela empresa é vedada à participação no Simples. Tal fato acarreta a exclusão de ofício do Simples, conforme art. 13, inciso II, “a” da citada Lei. Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; O artigo 9º, assim dispõe: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII que realize operações relativas a: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) Considerando a Representação Fiscal, foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº 200 de 18 de novembro de 2010, do Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, excluindo a empresa do Simples, em decorrência da prestação de atividades vedadas para a opção pelo Simples, conforme disposto no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996 ( fls. 42 ). A ciência pessoal do referido Ato deuse em 01/12/2010, fls. 138. Fl. 282DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 283 5 Em 03/01/2011, o contribuinte apresenta sua manifestação de inconformidade de fls. 186/191, alegando que: a base de cálculo e a alíquota dos tributos, bem como as exigências legais à inclusão da empresa no Simples deve se pautar pelos serviços efetivamente prestados pelo contribuinte; o instrumento contratual de prestação de serviços mantido entre entidades privadas não pode servir como fundamento único para embasar a exclusão da empresa do Simples; embora conste no instrumento contratual com a empresa FAURGS como objeto os mais variados serviços, o único efetivamente prestado pelo interessado foi o de suporte técnico, até porque, a prestação de serviços ocorria dentro das dependências do Banco Banrisul, e como tal não poderia prestar outro tipo de serviço senão suporte técnico, já que a análise de sistema e a programação, eram exclusivamente efetuadas por funcionários contratados diretamente ao Banrisul, ou seja, serviços que não podem ser terceirizados; e a atividade efetivamente desenvolvida pela empresa possibilita sua inclusão no Simples. A empresa, comunicada da continuação do procedimento fiscal, relativo aos tributos recolhidos pela sistemática do Simples, do período compreendido entre janeiro/2006 a junho/2007, foi intimada a apresentar livros fiscais e talonário de notas fiscais relativas ao período de janeiro/2006 a dezembro/2007 ( fls. 74 ). Os valores declarados à Receita Federal eram os mesmos que constavam nos Balancetes e nas Notas Fiscais. Foi o contribuinte intimado, em 29/11/2010 ( fls. 137 ) a optar pela forma de tributação para o período de 01/01/2006 a 30/06/2007, se seria pelo Lucro Arbitrado ou pelo Lucro Real, em vista da exclusão do Simples naquele período. Em 06/12/2010 o contribuinte informa que a opção seria pelo lucro arbitrado ( fls. 139 ). O lançamento de ofício relativo ao período de 01/2006 a 02/2007 está consubstanciado nos autos de infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 40.179,86, Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 4.048,45, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 17.286,66, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$ 11.780,90, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 73.295,87 (setenta e três mil, duzentos e noventa e cinco reais e oitenta e sete centavos), aí incluído o principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/11/2010. Os valores recolhidos no código 6106 – Simples foram distribuídos no IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de acordo com o percentual de participação de cada um, conforme o art. 2º, parágrafo único da Lei nº 10.034/2000 e IN/SRF/609/2006. O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 18/12/2010 (fls. 184 ) e apresenta, em 13/01/2011, sua impugnação de fls. 210/215, acrescentando aos argumentos já trazidos quando de sua manifestação de inconformidade, o seguinte: a Cláusula Segunda do contrato de prestação de serviços celebrado entre a empresa Ferrari Informática Ltda e a FAURGS previa que a efetiva prestação de quaisquer dos Fl. 283DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 284 6 serviços seria feita mediante encomenda e provocação exclusiva da FAURGS, o que implica que a demanda poderia se limitar, como de fato se limitou, a apenas uma parcela dos serviços prestados como objeto do contrato. Existe um contrato padrão firmado pela FAURGS com as inúmeras empresas que lhe prestam suporte nas mais diversas áreas de atuação; o único serviço prestado nos anos de 2006 e 2007 foi de “SUPORTE TÉCNICO”, hipótese que permite a inclusão da empresa no Simples; somente a partir de 2007 a empresa passou a prestar serviços de programação, não contemplados pelo Simples, tendo espontaneamente adotado a sistemática de tributação pelo Lucro Presumido; no período em que aderiu ao Simples, até 2007, todas as declarações e informações prestadas à SRF permitiram o exercício desta atividade fiscal, inclusive, se fosse de seu entendimento, a revisão/retificação de ofício pelo fisco da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica para fins de excluíla do Simples. Como nada foi feito pela Receita Federal, é de se presumir a total regularidade e adequação da empresa pela sistemática simplificada; referese ao princípio da segurança jurídica e que cabe à Administração anular seus próprios atos quando eivados de ilegalidade; e quanto à multa, diz que a mesma não deve ser aplicada, haja vista a inexistência de mora na conduta da empresa, e que ela somente tem lugar nas hipóteses em que devidamente cientificada a empresa acerca da irregularidade de sua situação fiscal, ela silencia. Ao final, requer seja anulado o ADE/Porto Alegre nº 200/2010, uma vez que a empresa somente exerceu atividade compatível com o Simples. É o relatório." Fl. 284DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 285 7 Do Recurso Voluntário Inconformado com a decisão o Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta as seguintes razões para a reforma do Acórdão de 1ª Instância: Dos serviços efetivamente prestados pela empresa recorrente 1. O agente fiscal tomou como fundamento para a edição do ato declaratório, ora recorrido, o único contrato de prestação de serviço vigente à época entre a empresa e a Fundação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul FAURGS, bem como todas as ordens de serviço emitidas no período, onde se constata efetivamente que o tipo de prestado pelo contribuinte foi o de "suporte técnico em informática". Fato devidamente comprovado e superado junto à fiscalização. 2. No entanto, para surpresa da Recorrente, a fiscalização, no afã de arrecadar, movida pela gratificação de produção, criada pelo Governo Federal, para medir a produtividade e melhor remunerar seus servidores da Receita Federal, MODIFICOU E INOVOU na interpretação de conceitos e atividades elencados na Portaria n° 397, de 09 de outubro de 2002, do Ministério do Trabalho e Emprego, que aprova a Classificação Brasileira de Ocupações CBO. 3. Segundo entendimento exarado no respeitável, mas equivocado acórdão da 6ª Turma da DRJ/POA, a saber: "A CBO/2002 inclui os "programadores de sistemas de informação" na família dos "técnicos de desenvolvimento de sistemas e aplicações" (código 3171) e fornece uma descrição sumária das atividades desenvolvidas por eles: Desenvolvem e implantam sistemas informatizados dimensionando requisitos e funcionalidade do sistema, especificando sua arquitetura, escolhendo ferramentas de desenvolvimento, especificando programas, codificando aplicativos. Administram ambiente Informatizado, prestam suporte técnico ao cliente e o treinam, elaboram documentação técnica. Estabelecem padrões, coordenam projetos e oferecem soluções para ambientes informatizados e pesquisam tecnologias em informática". O suporte técnico em informática é expressamente citado pela CBO/2002 como atividade de analista de sistemas, portanto, pela leitura das descrições acima, podese concluir que os serviços de programadores e analistas de sistemas configuram atividade intelectual, de natureza técnica, e, conseqüentemente, nos termos da Lei n° 9.317/1966, art. 9o, XIII, a empresa que desempenha tais atividades está impedida de optar pelo Simples." (vide acórdão)" Fl. 285DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 286 8 4. Primeiramente, importante esclarecer que SUPORTE na linguagem comercial, administrativa, na língua portuguesa, ou em qualquer outra, é entendido como sinônimo de APOIO, uma ajuda, um auxílio. 5. Segundo, suporte técnico em informática, nos remete a uma idéia de que alguém que tenha o conhecimento na área de informática, pode nos dar um apoio, nos fornecer uma ajuda ou até mesmo resolver um problema na área de informática. 6. Pois bem, para a fiscalização da RFB, conforme demonstrado no r. Acórdão, suporte técnico em informática é uma atividade de analista de sistemas, configurando uma atividade intelectual, de natureza técnica. 7. No entanto, não é preciso grande intelectualidade para saber que o Técnico de Suporte em Informática realiza manutenção preventiva e corretiva de equipamentos de informática, identificando os principais componentes de um computador e suas funcionalidades; identifica as arquiteturas de rede e analisa meios físicos, dispositivos e padrões de comunicação; avalia a necessidade de substituição ou mesmo atualização tecnológica dos componentes de redes; instala, configura e desinstala programas básicos, utilitários e aplicativos; realiza procedimentos de backup (cópia de segurança) e recuperação de dados. O Técnico pode atuar em Instituições públicas, privadas e do terceiro setor que demandem suporte e manutenção de informática. Pode ser autônomo ou empregado, tendo como requisito o Ensino fundamental completo. 8. O interessado em seguir carreira como técnico de suporte em Informática deve ter, no mínimo, o Ensino Médio completo. 9. Tanto que, TUDO O QUE UM TÉCNICO FAZ, UM ANALISTA DE SISTEMAS PODE TAMBÉM FAZER, mas não significa que só um analista possa dar suporte em informática. 10. Portanto, o entendimento exarado no r. acórdão não encontra qualquer fundamentação. Isso porque, a informática se divide em três áreas: Análise de Sistemas, que trabalha com o sistema de informações de uma rede de computadores; Engenharia da Computação, responsável pela criação dos computadores e seus acessórios e; Ciência da Computação, o qual desenvolve softwares. 11. Com a informatização crescente, são muitas as possibilidades de mercado para os profissionais destas áreas, pois a função é estratégica no mundo globalizado, visando descobrir como aplicar as novas tecnologias da informação aos processos de negócios, criar novos produtos e serviços e conquistar um diferencial para sua empresa, além de imprimir eficiência à administração, função clássica do emprego da informática. Nesse contexto, sempre vai existir o profissional de suporte técnico, que não precisa de curso superior como prérequisito, mas detém conhecimento técnico específico, capaz de auxiliar em todas as ramificações da informática, não sendo uma atividade privativa de analista de sistemas! Fl. 286DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 287 9 12. Portanto, os julgadores da 6a turma, ao interpretar as atividades descritas na Portaria n° 397, de 09 de outubro de 2002, do Ministério do Trabalho e Emprego, que aprova a Classificação Brasileira de Ocupações CBO, concluíram equivocadamente que a atividade de suporte técnico, por constar e fazer parte da família de atividades de um analista de sistemas deve obrigatoriamente ser uma atividade privativa de um analista. 13. O ato da fiscalização da Receita Federal, ao interpretar as atividades da empresa, ora Recorrente como atividade de análise e programação, que implicam na exclusão do SIMPLES, convolase em abuso de poder e conseqüente ilegalidade, passível de anulação pela própria administração, conforme dispõem os artigos 53 e 55 da Lei 9.784/99, que normatiza a anulação e a revogação dos atos administrativos no procedimento administrativo em âmbito federal, aplicável às três esferas de poder: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Da homologação, pela SRF, da inclusão da empresa no Simples nos anos de 2006 e 2007 14. No período em que a empresa aderiu ao SIMPLES, até 2007, quando migrou para a sistemática do lucro presumido, todas as declarações e informações prestadas à SRF, bem como os pagamentos regulares na modalidade e códigos corretos da Receita Federal, permitiram à SRF o exercício da atividade fiscal, inclusive, se fosse de seu entendimento, a revisão/retificação de ofício pelo fisco da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica para fins de excluíla do SIMPLES. No entanto, em momento algum foi realizada qualquer atividade fiscalizatória ou mesmo de retificação relativamente à opção da empresa pelo SIMPLES, motivo pelo qual é de se presumir a total regularidade e adequação da empresa pela sistemática simplificada. 15. Nesse entender, carece de razoabilidade o Ato Declaratório que excluiu do SIMPLES a empresa, quando ao tempo em que prestadas todas as declarações e informações da Empresa foram devidamente aceitas pela SRF. 16. Ademais, o ato da SRF fere visceralmente o Princípio da Segurança Jurídica no momento que tem por irregular determinada situação jurídica, tida anteriormente por regular e com homologação tácita dos atos praticados pelo próprio fisco. 17. Face ao Princípio da Cautela e no intuito de entender a razão da Edição do Ato Declaratório ora atacado, há de se esclarecer que o fato de a empresa, no ano de 2007, ter adotado a sistemática de tributação pelo Lucro Presumido não pode ser tido como indício ou mesmo presunção de que a atividade desenvolvida no período anterior a esse exercício seja incompatível com o SIMPLES. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 288 10 18. Por absoluta incongruência com a realidade das atividades efetivamente desenvolvidas pela Empresa nos exercícios 2006 e 2007, há de ser anulado o Ato Declaratório Executivo DRF/POA n° 195, que exclui a empresa do SIMPLES, haja vista a evidente ilegalidade que o macula. Da inexigibilidade da multa inexistência de mora 19. Subsidiariamente, caso essa SRF entenda pela manutenção da decisão que excluiu a Empresa do SIMPLES, desde logo importa salientar a inaplicabilidade da multa de ofício na hipótese posta em debate, haja vista a inexistência de mora na conduta da empresa contribuinte. 20. O cabimento e a incidência da multa somente tem lugar nas hipóteses em que devidamente cientificada a empresa acerca da irregularidade de sua situação fiscal e essa silencia. Na presente hipótese, encontramos situação diversa, haja vista que desde o anocalendário 2003 a empresa contribuinte vinha efetuando suas declarações e recolhendo regularmente os tributos pelo sistema SIMPLES, com códigos e formulários corretos, sem que houvesse qualquer recusa ou notificação pela SRF. 21. Inequívoca, portanto, a presunção de legalidade no procedimento adotado pela empresa que, face ao princípio da segurança jurídica não pode ser surpreendida com onerosa cobrança de multa fiscal moratória. 22. Em face do exposto, REQUER seja o presente recurso recebido, para reformar a decisão proferida pela 6a Turma da DRJ/POA, dandolhe provimento para reconhecer a atividade exercida pela Recorrente nos anos de 2006 e 2007 como compatível com o SIMPLES, anulando o Ato Declaratório Executivo DRF/POA n° 195 de 04.11.2010, bem como o Auto de Infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. PIS/Pasep e COFINS. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 289 11 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Do Mérito Dos serviços efetivamente prestados pela empresa recorrente O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº 9.317, de 1996, que dispõe sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e institui o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte – Simples, e alterações posteriores, determina: Art. 9º Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: [...] XIII – que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor ou assemelhado, e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida; (grifei). Alega o recorrente que a atividade efetivamente exercida por ele foi a de “suporte técnico”. Do texto legal acima, depreendese que é vedada a opção pelo Simples à pessoa jurídica que preste serviços de programador, analista de sistema e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida, cabendo então analisar a atividade “prestação de serviços de suporte técnico”. A prestação de serviços de suporte técnico em informática podese caracterizar ou não de cunho intelectual, dependendo das atividades exercidas. No Simples federal quando a atividade se caracteriza como de cunho intelectual, cujo profissão dependia de habilitação profissional legalmente exigida, era vedado a sua opção e permanência nesse regime. Com a criação do Simples Nacional permitiuse que essa atividade fosse possível optar pelo enquadramento desde que em anexo distinto, conforme quadro seguinte*. Fl. 289DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 290 12 *Quadro extraído do site https://www.contabilizei.com.br/contabilidade online/enquadramentoanexoiiiouanexovisimplesnacional/ Ressaltase que, evidentemente, não se quer adotar a legislação do Simples Nacional para o presente caso. O objetivo é esclarecer que há atividades de suporte que não se caracterizam de cunho intelectual, por exemplo instalação de programas de informática e de software, e há atividades de suporte que se caracterizam de cunho intelectual, por exemplo manutenção de programa e sistemas de informática. Fazse necessário a análise documentos comprobatórios para verificarmos se a atividade do recorrente se caracteriza ou não de cunho intelectual. Consta no registro do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) que o recorrente tem como objetivo social a "Manutenção e reparação de máquinas de escrever, calcular e de outros equipamentos nãoeletrônicos para escritórios" (CNAE 3314709). Consta na 3ª Cláusula da 9ª alteração do contrato social(fls. 219 a 221) da recorrente, o objeto de "prestação de serviços de instalação, manutenção e reparação de máquinas de escritório e de informática, conforme ilustrado a seguir. Fl. 290DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 291 13 Contudo, o recorrente informou, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal, que tem como objeto social a prestação de serviços de processamento de dados e comercialização de software, hardware, equipamentos, acessórios e suprimentos de apoio de processamento de dados. Verificase que a prestação de serviços, informada pelo recorrente, está em desacordo com o disposto em seu contrato social e no registro do CNPJ. Quanto à prestação de serviços, o recorrente declarou que prestou serviços para entidades públicas e privadas dentro da área de suporte em informática, tanto de equipamentos como de serviços administrativos de apoio em tecnologia da informação. Esses serviços era, desde o concerto de equipamentos no local do cliente ou na sede da empresa, até a identificação de problemas de software e o imediato restabelecimento do funcionamento da máquina. Os contratos de prestação de serviços a serem desenvolvidos pela recorrente em favor da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), com datas de 19/10/2004 e 18/05/2005, têm como objeto a prestação de serviços de na área de informática, com as seguintes abrangências: análise de sistemas, programação e testes de software básico, produtos e aplicativos bancários suporte técnico, consultoria técnica, treinamento, pesquisa e implementação tem todas as atividades tais como: ambientes e sistemas operacionais, redes de computadores, telecomunicação e teleprocessamento, banco de dados, segurança, integridade dos dados, automação, metodologias, ferramentas e arquitetura de sistemas voltados a orientação a objetos, cliente/servidor, internet, entre outros e linguagem de programação. Segue ilustração de um dos contratos. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 292 14 Percebese que, conforme contrato, as atividades envolvidas na prestação de serviços são, em sua maioria, de cunho intelectual. Sendo prestadas por analista de sistemas e outros profissionais de nível superior de graduação. A atividade de suporte não está especificada de forma a identificarmos se essa é ou não de cunho intelectual, contudo pela descrição o suporte técnico pareceme restrito aos produtos e aplicativos bancários. Constatase que não está previsto no contrato de serviço o "concerto de equipamentos no local do cliente ou na sede da empresa, até a identificação de problemas de software e o imediato restabelecimento do funcionamento da máquina". Não constam do processo as ordens de serviço, apesar do recorrente fazer referência a essas em seu recurso voluntário. As notas fiscais de serviço (fls. 78 a 136) trazem discriminação genérica de prestação de serviços e não esclarecem o tipo da atividade do serviço prestados. Como exemplo, ilustramos a Nota Fiscal de Serviço nº 140. Conforme a análise realizada da atividade de suporte técnico e dos documentos comprobatórios, Concluise que: · A atividade de suporte técnico em informática pode ser caracterizada como sendo ou não de cunho intelectual. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 293 15 · As atividades da recorrente previstas no contrato social e especificadas nos contratos de prestação e ordens de serviço não são exclusivas de suporte técnico, e se caracterizam com cunho intelectual. · os contratos de prestação de serviços constantes dos autos prevêem que a Policarpo & Ferrari Informática Ltda. exercerá as atividades de “Análise de sistema, programação e testes de software básico, produtos e aplicativos bancários – suporte técnico, consultoria técnica, treinamento, pesquisa e implementação em todas as atividades tais como: ambientes e sistemas operacionais, redes de computadores, telecomunicação e teleprocessamento, banco de dados, segurança, integridade dos dados, automação, metodologias, ferramentas e arquitetura de desenvolvimento de sistemas voltadas a orientação a objeto, cliente/servidor, internet, entre outros, e linguagens de programação”, não havendo prova de que não tenha efetivamente prestado tais serviços. · As atividades prestadas pelas recorrente são exclusivas de programador, analista de sistemas e outras profissões de nível superior de graduação, cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. · Estando as atividades de programador, analista de sistemas e consultor, vedadas pelo inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/1996 à opção pelo Simples, correta a não aceitação do recorrente neste sistema de tributação. Portanto devem ser rejeitados todos os argumentos da recorrente quanto à interpretação da matéria , e ao alegado abuso de poder e ilegalidade do ato da Autoridade Fiscal. Da homologação, pela SRF, da inclusão da empresa no Simples nos anos de 2006 e 2007 A recorrente alega no período em que a empresa aderiu ao SIMPLES, até 2007, quando migrou para a sistemática do lucro presumido, todas as declarações e informações prestadas à SRF, bem como os pagamentos regulares na modalidade e códigos corretos da Receita Federal, permitiram à SRF o exercício da atividade fiscal, inclusive, se fosse de seu entendimento, a revisão/retificação de ofício pelo fisco da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica para fins de excluíla do SIMPLES. No entanto, em momento algum foi realizada qualquer atividade fiscalizatória ou mesmo de retificação relativamente à opção da empresa pelo SIMPLES, motivo pelo qual é de se presumir a total regularidade e adequação da empresa pela sistemática simplificada. O fato de o recorrente ter efetuado opção, sem que houvesse manifestação do Fisco já naquele momento, não impede a apreciação posterior da legalidade daquele ato, haja vista que essa opção é faculdade do próprio contribuinte, que a exerce se e quando o quiser, sujeitandose, apenas, à fiscalização posterior da Receita Federal, tendente a verificar a regularidade da opção, uma vez que somente os contribuintes que atendam às condições previstas na lei podem exercer esse direito. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 294 16 Ressaltase que a exclusão do Simples foi realizada mediante procedimento fiscal, cujo lançamento do crédito tributário decorrente pode ser realizado enquanto não atingido pelo instituto da decadência. A formalidade de apresentar declarações e pagamentos no regime do Simples não tem o condão de transformar a situação fática do exercício de atividade vedada pelo regime de tributação favorecido. Também não é aplicável o Princípio da Cautela pois a situação em nenhum momento foi regular e os atos não foram praticados pelo fisco e sim pelo contribuinte. Assim, quando o Fisco apura que a empresa optou indevidamente pelo regime simplificado pode, e deve, excluílo de tal sistemática. Por conseguinte, apenas nesse momento, e não antes, a Receita Federal praticará ato comunicando o contribuinte da irregularidade que cometeu, que é exatamente o ato de exclusão de que também trata este processo. Portanto devem ser rejeitado o requerimento de anulação do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, com base na alegação de incongruência com a realidade das atividades efetivamente desenvolvidas pela Empresa Policarpo & Ferrari Informática Ltda. no período de apuração de 01/01/2006 a 28/02/2007 Da exigibilidade da multa de mora A recorrente alega que a inaplicabilidade da multa de ofício, haja vista a inexistência de mora em sua conduta. Argumenta que o cabimento e a incidência da multa somente tem lugar nas hipóteses em que devidamente cientificada a empresa acerca da irregularidade de sua situação fiscal e essa silencia. A multa lançada é a prevista no artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96 aplicada aos casos de lançamento de ofício que, expressa e objetivamente, prevê: Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ao constatar a ocorrência de uma infração, como no caso, a Autoridade Fiscal deve, obrigatoriamente, lavrar o auto e aplicar a multa, porque a lei não lhe dá discricionariedade. Tal característica implica ser a lei o único referencial para delimitar a atuação fiscal. É importante ressaltar, no caso presente, que a imposição de penalidades tributárias, independe de qualquer elemento subjetivo por parte do sujeito passivo, ou seja, não há que se indagar se o contribuinte teve ou não intenção de lesar o Fisco, acarretandolhe prejuízo. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11080.724541/201081 Acórdão n.º 1402003.138 S1C4T2 Fl. 295 17 Portanto, devemse ser rejeitadas as alegações da recorrente, e ser considerado correta a aplicação da multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor dos tributos não recolhidos. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do SIMPLES e os lançamentos. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 295DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.724423/2011-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72.
SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA DO RITO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Os trâmites relativos ao processo administrativo de suspensão da imunidade e dos presentes autos de infração, respeitaram os ditames normativos constantes do Decreto nº 70.235/72, da Lei nº 9.784/99 e o rito do artigo 32, da Lei nº 9.430/06. O inconformismo do sujeito passivo não pode ser confundido com violação ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. O processo de suspensão da imunidade foi julgado na sessão de 09/04/2014 de forma desfavorável ao contribuinte.
EFEITOS DA DECISÃO PLENÁRIA. ADI 1.802/DF. IMPOSSIBILIDADE DE DESQUALIFICAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO.
A motivação da suspensão via Ato Declaratório e o consequente lançamento dos créditos tributários respectivos, decorrem da violação aos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN, com observância do rito disposto no artigo 32, da Lei nº 9.430/96, todos plenamente válidos e constitucionais até o presente momento. Com exceção artigo 12, § 1° (inconstitucionalidade formal e material) e alínea "f", do § 2º e artigos 13 e 14 da Lei nº 9.532/1997 (inconstitucionalidade formal), os demais dispositivos legais foram considerados constitucionais, inclusive o artigo 12, §2º, alínea "a", do mesmo diploma legal.
RAZÕES COMPLEMENTARES. INTEMPESTIVIDADE. APRESENTAÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por serem intempestivos, desconsidero os pleitos adicionais constantes das razões finais apresentadas, nos termos dos artigos 17 e 33, do Decreto nº 70.235/72.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009
LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL.
Correta a autuação efetuada sobre o lucro real apuração anual, relativamente a anos-calendário encerrados, em entidade cuja imunidade foi objeto de suspensão de ofício e que, intimada, apresentou balancetes contábeis de apuração de resultados anuais, e tendo sido excluídas as alternativas de apuração pelo Simples e pelo lucro presumido.
CONTRATOS DE CONCESSÃO E DE ALUGUEL ENTRE FUNDAÇÃO IMUNE E EMPRESA DE PROPRIEDADE DO SEU PRESIDENTE. VALORES OBTIDOS DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS DO CONTRIBUINTE.
A autoridade fiscal apurou os valores lançados com base na própria contabilidade da contribuinte. Em seus instrumentos de defesa, não trouxe documentação complementar hábil a respaldar suas alegações e afastar a glosa.
PESSOA LIGADA. ALUGUÉIS ACIMA DO VALOR DE MERCADO.
No caso de presunção de distribuição disfarçada de lucros, os valores dos alugueis em montante superior ao valor de mercado (excedente) não são dedutíveis para a determinação do lucro real.
OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
As provas apresentadas demonstram que a P&N tomava empréstimos e os repassava à Fundação, o que é confirmado pelos balancetes de verificação e fichas razão. Logo, tais valores não caracterizam omissão de receita com base legal em suprimento de caixa.
DESPESAS DE MANUTENÇÃO DE BENS PELA LOCATÁRIA. PREVISÃO CONTRATUAL.
Descabida a glosa de despesas de manutenção de prédios e equipamentos pela entidade locatária, vez que previstas em contrato de aluguel.
DESPESA DE VIAGEM. PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO.
Descabida a glosa de despesas de viagens sob o fundamento de que somente cabe ao Coordenador Geral da Fundação a atribuição de arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências para a Fundação. É senso comum que o Presidente de determinada entidade, independente as obrigações constantes do Estatuto, acaba por representar institucionalmente o órgão.
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. PAGAMENTOS INDEVIDOS A PESSOA VINCULADAS.
Deve ser mantida a glosa de valores contabilizados como retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente da Fundação e de sua empresa, em vista da ausência de documentação probatória capaz de contradizer a conclusão das autoridades fiscal e julgadora.
RETENÇÕES NA FONTE. IR E CSLL.
Cabe deduzir da exigência de ofício os valores retidos pelas fontes pagadoras sobre receitas objeto da autuação.
LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL. COFINS. PIS.
Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009
DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONTAGEM NA FORMA DO ART. 173, I, DO CTN.
De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional.
APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA.
A autoridade fiscal trouxe elementos probatórios capazes de demonstrar que o contribuinte teria praticado as condutas dolosas descritas artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.
MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA.
A aplicação do agravamento da multa, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. Aplicação da Súmula CARF nº 96.
MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM.
São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIO. ARTIGO 135, III, DO CTN.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
Numero da decisão: 1201-002.253
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários para afastar a glosa de despesas de viagem do presidente da fundação e o agravamento da multa de ofício, reduzindo-a de 225% para 150%. Vencida a conselheira Eva Maria Los que dava parcial provimento aos recursos voluntários em menor extensão para manter o agravamento da multa de ofício de 225%. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA DO RITO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Os trâmites relativos ao processo administrativo de suspensão da imunidade e dos presentes autos de infração, respeitaram os ditames normativos constantes do Decreto nº 70.235/72, da Lei nº 9.784/99 e o rito do artigo 32, da Lei nº 9.430/06. O inconformismo do sujeito passivo não pode ser confundido com violação ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. O processo de suspensão da imunidade foi julgado na sessão de 09/04/2014 de forma desfavorável ao contribuinte. EFEITOS DA DECISÃO PLENÁRIA. ADI 1.802/DF. IMPOSSIBILIDADE DE DESQUALIFICAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. A motivação da suspensão via Ato Declaratório e o consequente lançamento dos créditos tributários respectivos, decorrem da violação aos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN, com observância do rito disposto no artigo 32, da Lei nº 9.430/96, todos plenamente válidos e constitucionais até o presente momento. Com exceção artigo 12, § 1° (inconstitucionalidade formal e material) e alínea "f", do § 2º e artigos 13 e 14 da Lei nº 9.532/1997 (inconstitucionalidade formal), os demais dispositivos legais foram considerados constitucionais, inclusive o artigo 12, §2º, alínea "a", do mesmo diploma legal. RAZÕES COMPLEMENTARES. INTEMPESTIVIDADE. APRESENTAÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE. Por serem intempestivos, desconsidero os pleitos adicionais constantes das razões finais apresentadas, nos termos dos artigos 17 e 33, do Decreto nº 70.235/72. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL. Correta a autuação efetuada sobre o lucro real apuração anual, relativamente a anos-calendário encerrados, em entidade cuja imunidade foi objeto de suspensão de ofício e que, intimada, apresentou balancetes contábeis de apuração de resultados anuais, e tendo sido excluídas as alternativas de apuração pelo Simples e pelo lucro presumido. CONTRATOS DE CONCESSÃO E DE ALUGUEL ENTRE FUNDAÇÃO IMUNE E EMPRESA DE PROPRIEDADE DO SEU PRESIDENTE. VALORES OBTIDOS DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS DO CONTRIBUINTE. A autoridade fiscal apurou os valores lançados com base na própria contabilidade da contribuinte. Em seus instrumentos de defesa, não trouxe documentação complementar hábil a respaldar suas alegações e afastar a glosa. PESSOA LIGADA. ALUGUÉIS ACIMA DO VALOR DE MERCADO. No caso de presunção de distribuição disfarçada de lucros, os valores dos alugueis em montante superior ao valor de mercado (excedente) não são dedutíveis para a determinação do lucro real. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As provas apresentadas demonstram que a P&N tomava empréstimos e os repassava à Fundação, o que é confirmado pelos balancetes de verificação e fichas razão. Logo, tais valores não caracterizam omissão de receita com base legal em suprimento de caixa. DESPESAS DE MANUTENÇÃO DE BENS PELA LOCATÁRIA. PREVISÃO CONTRATUAL. Descabida a glosa de despesas de manutenção de prédios e equipamentos pela entidade locatária, vez que previstas em contrato de aluguel. DESPESA DE VIAGEM. PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO. Descabida a glosa de despesas de viagens sob o fundamento de que somente cabe ao Coordenador Geral da Fundação a atribuição de arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências para a Fundação. É senso comum que o Presidente de determinada entidade, independente as obrigações constantes do Estatuto, acaba por representar institucionalmente o órgão. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. PAGAMENTOS INDEVIDOS A PESSOA VINCULADAS. Deve ser mantida a glosa de valores contabilizados como retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente da Fundação e de sua empresa, em vista da ausência de documentação probatória capaz de contradizer a conclusão das autoridades fiscal e julgadora. RETENÇÕES NA FONTE. IR E CSLL. Cabe deduzir da exigência de ofício os valores retidos pelas fontes pagadoras sobre receitas objeto da autuação. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL. COFINS. PIS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplica-se aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONTAGEM NA FORMA DO ART. 173, I, DO CTN. De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal trouxe elementos probatórios capazes de demonstrar que o contribuinte teria praticado as condutas dolosas descritas artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. A aplicação do agravamento da multa, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. Aplicação da Súmula CARF nº 96. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindo-se na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIO. ARTIGO 135, III, DO CTN. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.
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NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos dos artigos 10 e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. OBSERVÂNCIA DO RITO LEGAL. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Os trâmites relativos ao processo administrativo de suspensão da imunidade e dos presentes autos de infração, respeitaram os ditames normativos constantes do Decreto nº 70.235/72, da Lei nº 9.784/99 e o rito do artigo 32, da Lei nº 9.430/06. O inconformismo do sujeito passivo não pode ser confundido com violação ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. O processo de suspensão da imunidade foi julgado na sessão de 09/04/2014 de forma desfavorável ao contribuinte. EFEITOS DA DECISÃO PLENÁRIA. ADI 1.802/DF. IMPOSSIBILIDADE DE DESQUALIFICAÇÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. A motivação da suspensão via Ato Declaratório e o consequente lançamento dos créditos tributários respectivos, decorrem da violação aos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN, com observância do rito disposto no artigo 32, da Lei nº 9.430/96, todos plenamente válidos e constitucionais até o presente momento. Com exceção artigo 12, § 1° (inconstitucionalidade formal e material) e alínea "f", do § 2º e artigos 13 e 14 da Lei nº 9.532/1997 (inconstitucionalidade formal), os demais dispositivos legais foram considerados constitucionais, inclusive o artigo 12, §2º, alínea "a", do mesmo diploma legal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 72 44 23 /2 01 1- 02 Fl. 3080DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 3 2 RAZÕES COMPLEMENTARES. INTEMPESTIVIDADE. APRESENTAÇÃO DE NOVOS FUNDAMENTOS DE DIREITO. IMPOSSIBILIDADE. Por serem intempestivos, desconsidero os pleitos adicionais constantes das razões finais apresentadas, nos termos dos artigos 17 e 33, do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL. Correta a autuação efetuada sobre o lucro real apuração anual, relativamente a anoscalendário encerrados, em entidade cuja imunidade foi objeto de suspensão de ofício e que, intimada, apresentou balancetes contábeis de apuração de resultados anuais, e tendo sido excluídas as alternativas de apuração pelo Simples e pelo lucro presumido. CONTRATOS DE CONCESSÃO E DE ALUGUEL ENTRE FUNDAÇÃO IMUNE E EMPRESA DE PROPRIEDADE DO SEU PRESIDENTE. VALORES OBTIDOS DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS DO CONTRIBUINTE. A autoridade fiscal apurou os valores lançados com base na própria contabilidade da contribuinte. Em seus instrumentos de defesa, não trouxe documentação complementar hábil a respaldar suas alegações e afastar a glosa. PESSOA LIGADA. ALUGUÉIS ACIMA DO VALOR DE MERCADO. No caso de presunção de distribuição disfarçada de lucros, os valores dos alugueis em montante superior ao valor de mercado (excedente) não são dedutíveis para a determinação do lucro real. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. As provas apresentadas demonstram que a P&N tomava empréstimos e os repassava à Fundação, o que é confirmado pelos balancetes de verificação e fichas razão. Logo, tais valores não caracterizam omissão de receita com base legal em suprimento de caixa. DESPESAS DE MANUTENÇÃO DE BENS PELA LOCATÁRIA. PREVISÃO CONTRATUAL. Descabida a glosa de despesas de manutenção de prédios e equipamentos pela entidade locatária, vez que previstas em contrato de aluguel. DESPESA DE VIAGEM. PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO. Descabida a glosa de despesas de viagens sob o fundamento de que somente cabe ao Coordenador Geral da Fundação a atribuição de arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências para a Fundação. É senso comum que o Presidente de determinada entidade, independente as obrigações constantes do Estatuto, acaba por representar institucionalmente o órgão. Fl. 3081DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 4 3 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. PAGAMENTOS INDEVIDOS A PESSOA VINCULADAS. Deve ser mantida a glosa de valores contabilizados como retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente da Fundação e de sua empresa, em vista da ausência de documentação probatória capaz de contradizer a conclusão das autoridades fiscal e julgadora. RETENÇÕES NA FONTE. IR E CSLL. Cabe deduzir da exigência de ofício os valores retidos pelas fontes pagadoras sobre receitas objeto da autuação. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL. COFINS. PIS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. CONTAGEM NA FORMA DO ART. 173, I, DO CTN. De acordo com a Súmula CARF nº 72, caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, consubstanciada na qualificação da multa de ofício, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional. APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA. CARACTERIZAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. A autoridade fiscal trouxe elementos probatórios capazes de demonstrar que o contribuinte teria praticado as condutas dolosas descritas artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA DE 225%. IMPROCEDÊNCIA. A aplicação do agravamento da multa, nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96, deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal, o que não restou configurado. Aplicação da Súmula CARF nº 96. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Aplicável o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da Fl. 3082DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 5 4 obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. Cabível a aplicação do artigo 124, inciso I, do CTN. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. SÓCIO. ARTIGO 135, III, DO CTN. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento aos recursos voluntários para afastar a glosa de despesas de viagem do presidente da fundação e o agravamento da multa de ofício, reduzindoa de 225% para 150%. Vencida a conselheira Eva Maria Los que dava parcial provimento aos recursos voluntários em menor extensão para manter o agravamento da multa de ofício de 225%. E, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório 1. O presente processo administrativo versa sobre lançamentos relativos aos anocalendário 2006, 2007, 2008 e 2009 (neste ano referentes somente a PIS e COFINS), na sistemática do lucro real anual, onde foram constatadas as seguintes infrações: 1.1. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, fls. 369/382 e 2.110, no valor de R$ 1.128.017,72, devido a: i. Item 001 Omissão de receitas por presunção legal relativa a suprimento de recursos no caixa, por sócios e administradores, de origem e efetividade da entrega não comprovados: fatos geradores em 31/12/2006 e 31/12/2007; ii. Item 002 Receitas operacionais escrituradas mas não declaradas: fato gerador em 31/12/2006; Fl. 3083DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 6 5 iii. Item 003 Custos, despesas e encargos não necessários, que foram glosados: fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008; iv. Item 004 Custos, despesas e encargos pagos a pessoas físicas vinculadas, em relação aos quais a entidade não logrou comprovar a efetiva prestação do serviço, que foram glosados: fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008; v. Item 005 Distribuição disfarçada de lucros (negócios em condições de favorecimento a pessoa ligada): fato gerador em 31/12/2006; vi. Item 006 Distribuição disfarçada de lucros (pagamentos a pessoas ligadas em valores superiores aos do mercado): fatos geradores em 31/12/2007 e 31/12/2008; vii. Item 007 Falta de adição da CSLL ao lucro líquido do período, na apuração do lucro real: fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007 31/12/2008. 1.2. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, fls. 383/393 e 2.111, no valor de R$ 396.336,13, devido a: i. Falta/insuficiência de recolhimento sobre receitas operacionais escrituradas, mas não declaradas: fato gerador em 31/12/2006; ii. Falta/insuficiência de recolhimento sobre de receitas omitidas, por presunção legal relativa a suprimento de recursos no caixa, por sócios e administradores, de origem e efetividade da entrega não comprovados: fatos geradores em 31/12/2006 e 31/12/2007; iii. Custos, despesas e encargos pagos a pessoas físicas vinculadas, em relação aos quais a empresa não logrou comprovar a efetiva prestação do serviço, que foram glosados: fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008; iv. Custos, despesas e encargos não necessários, que foram glosados: fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007, 31/12/2008; v. Distribuição disfarçada de lucros (negócios em condições de favorecimento a pessoa ligada e pagamentos a pessoas ligadas em valores superiores aos do mercado): fatos geradores em 31/12/2006, 31/12/2007 e 31/12/2008. 1.3. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, fls. 502/517 e 2.114, nos valores de R$ 1.073.020,42 e R$45.641,18, respectivamente, devido a: i. Falta/insuficiência de recolhimento sobre de receitas omitidas, por presunção legal relativa a suprimento de recursos no caixa, por sócios e administradores, de origem e efetividade da entrega não comprovados: fatos geradores em 31/12/2006 e 31/12/2007; ii. Insuficiência de recolhimento, conforme descrito no Relatório Fiscal do Auto de Infração: fatos geradores mensais desde 31/01/2006 até 31/12/2009. 1.4. Contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, fls. 518/531, 2.112 e 2.113, nos valores de R$ 74.352,16 e R$ 9.888,93, respectivamente, devido a: Fl. 3084DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 7 6 i. Falta/insuficiência de recolhimento sobre de receitas omitidas, por presunção legal relativa a suprimento de recursos no caixa, por sócios e administradores, de origem e efetividade da entrega não comprovados valores apurados com incidência cumulativa padrão: fatos geradores em 31/12/2006 e 31/12/2007; ii. Insuficiência de recolhimento, da contribuição ao PIS, incidente sobre a folha de salários: fatos geradores mensais desde 31/01/2006 até 31/12/2009. 2. Sobre os impostos e contribuições devidos exigese a multa de ofício de 225%, do artigo 44, inciso I e de 150%, do artigo 44, inciso II e § 2º da Lei nº 9.430/1996, e artigo 44, §§ 1º e 2º da mesma lei. 3. A autoridade fiscal apresentou Representação Fiscal para Fins Penais – IRPJ, em relação à Fundação Hospitalar de Saúde, processo nº 10950.724915/201190. 4. No mais, foram lavrados os Termos de Sujeição Passiva Solidária nºs 7, 8 e 9, de Jorge Abou Nabhan, Ana Maria Pletsch Nabhan e Pletsch & Nabhan Ltda (fls. 2.116/2.121), bem como o Termo de Responsabilidade Tributária Pessoal TRTP, de Jorge Abou Nabhan (fls. 2.122/2.123) e os Termos de Arrolamento de Bens e Direitos, em relação à Fundação Hospitalar de Saúde (autuada), à P&N e ao Jorge Abou Nabhan (fls. 2.124/2.128). 5. Devidamente cientificados em 27/12/2011 (fls. 2.144) apresentaram, tempestivamente e conjuntamente, a impugnação administrativa de fls. 2.151/2.178, onde trazem, de acordo com o relatório constante da decisão de primeira instância, as seguintes questões de fato e de direito: "PRELIMINARES 9. Em preliminar, requerem que seja sobrestado o julgamento da presente impugnação, até julgamento do recurso interposto junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 98 DRF/MGA, de 5 de novembro de 2010, que suspende a imunidade tributária da Fundação Hospitalar de Saúde, de Cianorte, nos anos calendário de 2005 a 2008, objeto do processo nº 10950.004285/201052, mantido em primeira instância pela DRJ/CTA; justificam que, se o CARF declarar sem efeito o ADE, então os presentes autos de infração perderão objeto e serão cancelados. 10. Ainda em preliminar, pleiteiam nulidade dos autos de infração, reclamando de cerceamento ao direito de defesa, de violação aos princípios do contraditório, da eficiência e da causalidade (CRFB/88, art. 5º, LV e 37, ambos CRFB/88; art. 142, parágrafo único do CNT (sic) e arts. 332 e 333 do CPC) ao argumento de que o Relatório Fiscal contém vícios que aniquilam o princípio da liquidez, certeza e exigibilidade do ato, porque não identificou o regime jurídico da Fundação nem a forma de manutenção da mesma e ocultou dos impugnantes as bases de cálculo e fatos geradores das exações; que, em vez de elaborar o usual “Termo de Verificação Fiscal” por escrito, o autoridade fiscal gravou em DVD 2.109 (dois mil, cento e nove) itens, consistentes em documentos, relatórios e, aqui e acolá, Fl. 3085DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 8 7 demonstrativos, de forma desconexa, resultantes de 2 (dois) anos de investigações fiscais, a ponto de os impugnantes não entenderem o seu raciocínio de forma a poderem se defender adequadamente, no exíguo prazo de 30 (trinta) dias concedido. 11. Pugnam pela realização de diligência e perícia, a fim de identificar tudo que consta do DVD (2.109 itens) e os fatos omitidos sobre a história e regime jurídico da Fundação Hospitalar Intermunicipal de Saúde – FHISA; e descrevem que, em 1992, foi realizada ata de aprovação dos estatutos, registrada em cartório, o que fez surgir a Fundação, instituída por leis municipais dos municípios de Rondon, Cidade Gaúcha, Guaporema, Jussara, Cianorte, São Tomé, Indianópolis, integrantes do Consórcio de Municípios autorizado pelo art. 241 da Constituição Federal, disciplinado pela Lei Federal nº 11.107, de 2005, e Decreto nº 6.017, de 2007, e citam a Lei nº 1.471, de 25 de maio de 1996, do município de Cianorte que determinou dotações do Fundo Municipal de Saúde e imunidade a impostos e taxas municipais à Fundação; aduz que o Dr. Jorge Abou Nabhan apresentouse como instituidor da Fundação, devido ao comodato para uso do acervo de bens de ativo, móveis e imóveis do pioneiro Hospital Cianorte, conforme arts. 2º e 7º dos Estatutos; que o Dr. Jorge Abou Nabhan entregou para utilização pela Fundação o acervo de bens: móveis e 5.564,89 m² de edificações nos terrenos urbanos de propriedade da empresa Plesch & Nabhan Ltda (P&N), anteriormente Jorge Abou Nabhan e Cia Ltda (Hospital Cianorte), por empréstimo, sem ônus; os municípios mantenedores referendaram: a) o Contrato de Comodato com a P&N, b) foi celebrado “Contrato de Concessão”, em 22/09/1992; que a contraprestação até 31/12/2006, quando cessou o contrato, consistia em uma comissão ajustada conforme a letra “b” da cláusula quinta do contrato, 17% do montante arrecadado pela FHISA em verbas de manutenção, do movimento financeiro de atendimentos particulares e de contratos e/ou convênios firmados; que o curador das Fundações em Cianorte comandou as alterações dos Estatutos de 10/10/2000, tendo sido mudada a denominação para Fundação Hospitalar de Saúde, mantenedora da Santa Casa de Cianorte, e tolerou a validade dos contratos de Comodato e de Concessão; que, em 2005, foi instalado inquérito civil e o mesmo curador questionou o Contrato de Concessão, consequentemente, o negócio jurídico foi alterado em 16/06/2007, com efeitos retroativos a 01/01/2007, para contrato de locação entre a Fundação e a P&N, sendo revogadas as comissões, passando a Fundação a pagar aluguel mensal; que, por insistência da Corregedoria do TJ/PR, o curador ajuizou as Ações Civis Públicas: processo nº 694, de 22/08/2008; processo nº 408 de 03/04/2009; processo nº 1.142 de 18/09/2009; processo nº 2.082, de 2010, e Cautelar Incidental ao processo nº 408/2009, questionando o contrato de terceirização da administração – essas ações judiciais motivaram a emissão do Ato Declaratório Executivo nº 98 da DRF/MGA e a consequente ação de fiscalização; que, afinal, o Dr. Jorge Abou Nabhan foi afastado da presidência da Fundação, por força de ato judicial, Fl. 3086DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 9 8 liminar deferida em 05/09/2008, fls. 19/20 da ACP nº 694, de 2008. 12. Para o deferimento desse pedido de perícia ou diligência, indicam perito e apresentam os quesitos às pags. 2.158/2.159; aduzem que é necessária a constatação física e os valores investidos pela Fundação na expansão projetada, além de esclarecer as omissões do autoridade fiscal, na ação fiscal, as quais podem e devem ser elucidadas na diligência e perícia suplementar. MÉRITO. 13. No mérito, advogam a decadência dos lançamentos sobre os fatos geradores dos anoscalendário 2005 e dos fatos geradores de 31/01 a 30/11/2006; afirmam serem confiscatórias as multas de ofício de 225% e invocam interpretação mais favorável; e pugnam pela irretroatividade do ADE que suspendeu a imunidade. Decadência. Fatos geradores do anocalendário 2005. 14. Com base no art. 172, I do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, tendo sido os autos cientificados, em 26/12/2011, afirmam que, sem ter tempo ou condições para identificar os elementos referentes ao ano 2005, pugnam pela extinção desse crédito tributário, pela decadência; transcrevem jurisprudência. Decadência. Fatos geradores 31/01 a 30/11/2006. 15. Invocam os art. 142, 149, 150, §4º c/c o art. 175, I e ainda os arts. 173, c/c os §§ 1º e 4º do art. 150, do CTN, para arguir a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores de 31/01 a 30/11/2006, por se tratarem de lançamentos por homologação e, se provadas as antecipações de pagamentos, mesmo que parciais, nas diligências requeridas, fica provada a decadência do direito de lançamento de ofício. Multa de ofício de 225%, confiscatória. 16. Afirmam que consta do Relatório Fiscal entregue no DVD, sob o título “Qualificação e agravamento da multa de ofício”, a justificativa desta multa, porém sem levar em consideração o regime jurídico da Fundação; que o auditor imputou as figuras penais tributárias (arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964; art. 44, §§ 1º e 2º, II; arts. 11 e § 3º da Lei nº 8.218, de 1991) e as tomou por fundamento ao agravamento da multa que acusa ser de natureza confiscatória e punitiva, além de indevida; que o foco da infração imputada projeta sobre os Contratos de Concessão e Comodato firmados entre a P&N e a Fundação, negócios jurídicos motivadores das comissões pagas à primeira, até o final do ano 2006, caracterizados como distribuição disfarçada de patrimônio da Fundação, em 2005, 2006 e 2007, embora renunciado pelo impugnante, Dr. Jorge Abou Nabhan. Fl. 3087DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 10 9 17. Negam a acusação fiscal de que houve conluio e simulação; citam a definição de simulação do art. 167, § 1º e 2º do Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, e descrevem os seguintes fatos: a. O art. 18 da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, outorgou autonomia aos municípios o que implicou na responsabilidade compartilhada em liderar e organizar os serviços de saúde dos municípios; e os arts. 4º e 10 da Lei nº 8.080 de 19 de setembro de 1990, instituiu o SUS e autorizou os municípios a constituírem consórcios para desenvolver em conjunto as ações e serviços de saúde; b. Foi constituído o consórcio de 7 (sete) municípios já descritos, porque municípios menores vivem à míngua de recursos, devido aos arranjos partidários governamentais, fincados em interesses partidários; esse consórcio instalou a Fundação; c. A Fundação foi criada sem fins lucrativos; então surgiu a necessidade de recursos; em vez de dotarem verbas necessárias nos respectivos orçamentos municipais e as transferirem espontaneamente, os municípios consorciados articularam os contratos de Concessão e de Comodato e “jogaram no colo” do Dr. Jorge Abou Nabhan a responsabilidade extraadministração de prover os recursos, o que significou peregrinar e mendigar recursos públicos nas Secretarias de Governo do Estado, na Assembléia legislativa, nos Ministérios do Poder Executivo da República e Câmara de Deputados Federais; assim, definida essa sua responsabilidade, que implicava em viagens e contatos, paciência e perseverança, os municípios consorciados propuseram a remuneração na forma da cláusula 5º, “b”do contrato de Concessão; destaca que tal contrato e negócio jurídico foi referendado e assinado pelas curadoras de Fundações. 18. Afirma que a contabilidade da Fundação evidencia a ausência de verbas públicas orçamentárias para suprir as necessidades de recursos, desde 1992 até 2008. 19. Diz que o que deu margem às figuras penais de dolo de conduta e de dano foram as ações e omissões volitivas dos gestores dos municípios consorciados, no plano arquitetado no interior do Consórcio. Ajuste doloso. Sonegação. 20. Acerca da acusação fiscal de ajuste doloso nos Contratos de Concessão, Comodato e Locação com a P&N, destacam que fluíram 19(dezenove) anos desde 22/09/1992 até a notificação dos lançamentos de ofício; que foram firmados os contratos com a assinatura das Promotoras Curadoras de Fundações; que o Curador de Fundações participou da reforma dos Estatutos em 10/10/2000, tendo tido oportunidade de fiscalizar os contratos e distratálos mediante a aplicação do art. 168 do Código Civil. Fl. 3088DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 11 10 21. Cita que o que motiva e induz o dolo de conduta é quando o agente se nega a cumprir a norma tributária; lembra o art, 18, I do Código Penal, de que há dolo quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo; que o fiscal não examinou fatos, indícios e provas, nem se inteirou da origem e regime jurídico da Fundação, nem identificou os responsáveis, quando, se houve dolo dano tributário na forma de sonegação, foi devido à conduta e ação oculta dos municípios integrantes do Consórcio, que são os verdadeiros agentes da conduta omissiva, porque deixaram de usar recursos de seus orçamentos para manter a Fundação e se valeram da habilidade do Dr. Jorge Abou Nabhan, por uma “comissão”, mediante o compromisso deste de angariar recursos públicos. 22. Pelo exposto, afirma, conluio ou simulação, dolo de dano, sonegação, não podem ser atribuídos aos impugnantes, que não lhes deram causa nem motivo, ao contrário, foram obrigados a gerir a Fundação com escassez de recursos motivada pelo não cumprimento, por parte dos municípios consorciados, da sua obrigação de repassarem recursos de seus respectivos orçamentos os quais, dessa forma, visaram valeremse tão somente de recursos arrecadados junto à União e Estado. 23. Em síntese, quem deveria figurar no pólo passivo dos lançamentos de ofício são os municípios consorciados, causadores do desvio de finalidade, por induzirem o Dr. Jorge Abou Nabhan ao erro. In dúbio pro contribuinte. 24. Invocam em seu benefício o art. 112 do CTN. IMPUGNAÇÃO AO ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO (ADE) Nº 98 DRF/MGA, DE 5 DE NOVEMBRO DE 2010. 25. Em relação ao Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 98 DRF/MGA, de 5 de novembro de 2010, que suspende a imunidade tributária da Fundação Hospitalar de Saúde, de Cianorte, nos anoscalendário de 2005 a 2008, objeto do processo nº 10950.004285/201052, advoga a imunidade e a irretroatividade do ADE; que a imunidade conferida pelo art. 150, VI “c” da CF, de 1988, e art. 9º, IV, “c” do CTN é pré requisito do art. 14 deste, porque o art. 111 do CTN determina a interpretação literal da legislação tributária, enquanto que, sem conhecer as causas e a realidade da Fundação, o Fisco presumiu a prática de danos ao patrimônio da mesma; e transcreve decisão do CARF que restabeleceu a imunidade que havia sido afastada pela autoridade administrativa, em caso semelhante. 26. Protesta pela irretroatividade do ADE, cujos efeitos, segundo o art. 32, § 5º da Lei nº 9.430, de 1966, tem como termo inicial a data da prática da infração, o que significa efeito “ex tunc”, pois se trata de suspensão, que não admite efeitos retroativos, como no caso de cassar ou de anular o benefício; por isso, Fl. 3089DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 12 11 conclui, o ADE nº 98 da DRF/MGA, de 5 de novembro de 2010, não tem o condão de: a. Autorizar o lançamento tributário de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins incidente sobre a infração tipificada como distribuição disfarçada de patrimônio da Fundação, porquanto os valores tomados como fatos geradores foram indispensáveis para manter a atividade da Fundação; b. Regulamentar o art. 9º, I e II e §§ 1º e 2º, por meio do art. 32 e § da lei nº 9.430, de 1996, por se tratar de dispositivo inconstitucional, que conflita com o caput do art. 146, II da CF, de 1988, porque não é lei complementar; c. Desautorizar lição do autor Paulo de Barros Carvalho, na exegese de que suspender equivale a sobrestar e parar o efeito da imunidade, portanto, produz seus efeitos a partir da data da edição do ADE, jamais retroagindo. 27. Destacam que a Fundação não praticou qualquer infração capitulada no art. 150, VI “c” da CRFB/88 e art. 9º, IV, “c” do CTN, nem o art. 14, I a III e §§ do CTN e os gastos de viagens e comissões fora necessários à manutenção das atividades de prestação de serviços de saúde, sem fins lucrativos, à população, e afirmam que os incisos I a III e § 1º do art. 14 do CTN não autorizam a retroatividade do ADE de suspensão da imunidade, que produz somente efeitos ex tunc, a partir de 09/2009; que o § 5º do art. 32 da Lei ordinária nº 9.430, de 1996, fere o art. 146, II da CF de 1988, pois deveria ser lei complementar a regular o dispositivo do CTN. Conclusão. 28. Requerem que sejam afastados os ônus da responsabilidade solidária e supletiva de P&N, Ana Maria Pletsch Nabhan e de Jorge Abou Nabhan, a qual deve ser atribuída aos municípios consorciados. 29. Requerem diligência suplementar, com base no art. 16, IV e 18, §§ 1º e 3º do decreto nº 70.235, de 1972 e alterações, a fim de reordenar, quantificar mês a mês os fatos geradores de 01/2006 até 31/10/2011 e apurar se houve ou não transferências de recursos dos orçamentos dos Municípios Consorciados mantenedores, para a Fundação. 30. Requer prazo de 60 (sessenta) dias para juntar ao processo, laudos periciais da diligência requerida e de 10 (dez) dias para juntar procuração de Ana Maria Pletsch. 31. Aqui se conclui o resumo da impugnação. Adendo à impugnação, fls. 2.355/2.418. 32. Em 21/05/2012, quatro meses depois de esgotado o prazo para impugnação, a Fundação Hospitalar de Saúde, o dr. Jorge Abou Nabhan, Ana Maria Pletsch Nabhan e a P&N solicitaram, fls. 2.355/2.418, juntada de laudo do auditor particular Agnaldo Fl. 3090DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 13 12 Aparecido de Souza, CRC PR038047/00, detentor do Ato Declaratório CVM nº 9.340, de 25 de maio de 2007, documentos relacionados à pág. 2.418, e petição, advogando ser direito assegurado no art. 3º, III, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, de modo a contraditar as convicções do autoridade fiscal (CRFB/88. art. 5°, LV, e CPC, art. 333, II), no concernente às bases de cálculo e fatos geradores do IRPJ, CSLL, Cofins, PIS, juros e multas lançados de oficio. 33. Inicialmente, pedem a juntada de laudo realizado por auditor Agnaldo Aparecido de Souza, citando o nº do seu CRC e Ato declaratório CVM, e outros documentos. 34. A seguir apresentam histórico dos fatos, conforme a seguir: a. Sobre o planejamento, constituição e natureza jurídica da Fundação, transcrevem declaração do Dr. Arlei Hernandes de Biazzi, exprefeito de município de São Tomé, sobre os motivos, causa e finalidade do surgimento da Fundação, pág. 2.356; transcrevem os dispositivos das leis municipais, sobre a instituição e manutenção conjunta, pelos municípios signatários do Convênio Fundação Hospitalar Intermunicipal de Saúde, com sede em Cianorte/PR. b. Relatam que, desprendido, o dr. Jorge Abou Nabhan, sócio administrador da Jorge Abou Nabhan & Cia Ltda, sucedida pela P&N, cedeu bens imóveis e todos os móveis e equipamentos do Hospital Cianorte, para, em seu lugar, passar a operar a Santa Casa de Cianorte, a ser mantida pelo Consórcio (previstos no art. 10 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990) dos municípios instituidores, que dessa forma cumpriam exigência Constitucional. c. Que, em 28/10/1992, esses municípios se reuniram e aprovaram os Estatutos da Fundação Hospitalar Intermunicipal de Saúde – FHISA; a promotora Curadora de Fundações de Cianorte emitiu parecer favorável; o ato de constituição foi publicado e foi registrado no registro Civil de Pessoas Jurídicas da comarca de Cianorte/PR; destaca os arts. 2º, 7º e 21 dos Estatutos que especificam que a Fundação será sustentada pelos municípios consorciados, autorizados por leis municipais, que funcionará nas dependências da Jorge Abou Nabhan & Cia Ltda, atendendo sem ônus os pacientes; que dará “concessão a um órgão instituidor da Fundação, de modo a obter o trabalho de Secretaria Executiva e toda Administração Geral”; que poderá firmar convênios e se financiará com as contribuições orçamentárias dos municípios consorciados e estabelece o critério de cálculo, prestação de serviços diferenciados dos padrões de atendimentos do Sistema Único de Saúde – SUS, e contribuições de entes e pessoas naturais qualificados como mantenedores – portanto foi constituída como fundação de direito público, pois ao abrigo de leis municipais, que se obrigavam à sua manutenção financeira; que, em seguida, postulou e recebeu das administrações tributárias a certificação Fl. 3091DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 14 13 da imunidade do art. 150, VI, “c” da CF de 1988 c/c os arts. 9º, IV, “c” e 14, I do CTN. d. Contudo, o Curador das Fundações administrou a reforma do Estatuto da Fundação, em 10/10/2000, que passou a ser de direito privado e, consequentemente, descaracterizou o regime jurídico de fundação de direito público, retirando dos municípios a obrigação de manter a Santa Casa de Cianorte, passando a Fundação a ser mantida, exclusivamente, com recursos privados e eventuais verbas públicas remanejadas de convênios; criou a Secretaria Executiva a ser gerida por um coordenador eleito pela Diretoria e alterou o nome para Fundação Hospitalar de Saúde, mantenedora da Santa Casa de Cianorte; porém o Curador das Fundações manteve intocável a legalidade dos contratos de Concessão e de Comodato que haviam sido celebrados de boafé e sob proteção dos Estatutos de 22/09/1992, autorizando que a comissão continuasse sendo paga à P&N, até que fosse celebrado o primeiro contrato de Locação, em 11/06/2007. e. Afirmam que os contratos de Concessão e Comodato estavam autorizados no Estatuto de 1992, o qual foi referendado pelo Curador das Fundações (visto instrumental de 28/10/97) e pelo presidente do Consórcio de Municípios e da Instituição que representou a FHISA na celebração desses contratos com a então Jorge Abou Nabhan & Cia Ltda (sucedida pela P&N), sendo que a Concessão previa: manter o controle financeiro e dos atendimentos da FHISA, alocar o corpo clínico necessário, criar e manter plano de atividades e proposta orçamentária, propor requisição de servidores municipais necessários, elaborar os demonstrativos, relatórios e prestação de contas anuais; e arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências à FHISA; em contrapartida seria remunerada com 17% desse montante, excetuadas doações recebidas e financiamentos obtidos; os contratos foram a registro público. f. Que, em 2006, foi questionado o contrato de Concessão (que vigeu por 14 anos, 8 meses e 11 dias), pois o Curador das Fundações o considerou imoral; assim foi substituído pelo primeiro contrato de Locação, por valor avaliado por imobiliárias de R$ 41.000,00 mensais, em 11/05/2007; porém tal valor foi contestado pelo Curador das Fundações, que diligenciou para que fosse depositado em juízo pela FHISA e propôs Ações Civis Públicas de Intervenção nº 694/2008, de Reparação de Danos nº 826/2008; de exclusão do Dr. Jorge Abou Nabhan como Conselheiro Diretor da Fundação nº 408/2009 e de exclusão de Conselheiros Antigos e Constituição de Novo Conselho Diretor n° 1142/2009; d) a extinção da Ação de Despejo n° 633/2009, com a liberação de todo o valor depositado em juízo a título de aluguel, por força da liminar (aproximadamente R$ 41.000,00), tendo em contrapartida fixação de um aluguel de R$32.000,00, a partir de 01/12/2009, num contrato de aluguel com prazo de 25 anos (300 meses), nele incluindose a locação dos terrenos onde está construído o Centro Médico e o comodato dos terrenos com a nova Fl. 3092DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 15 14 construção (efetuada com recursos públicos) consistente em Centro Cirúrgico e UTI, Obstetrícia, Cozinha, Lavanderia e 2 quatros (fls. 2.629 e 2.631) que foram cedidas em comodato pelo prazo de 300 meses; assim, foi assinado o segundo contrato de Locação, em 28/10/2010, os depósitos judiciais dos aluguéis foram liberados. g. Afirmam que a Plestsch & Nabhan Ltda renunciou a R$ 258.251,46 de créditos de “comissões” acumulados até a data do primeiro contrato de locação em 11/06/2007, fato avalizado por auditor particular devidamente credenciado, no Relatório de Auditoria Específica da Fundação Hospitalar de Saúde FHISA”, Anexos I a XI, que reproduzem às fls. 2.368/2.371. h. Relatam a “Intervenção Ministerial na FUNDAÇÃO HOSPITALAR DE SAÚDE: Denúncia à SRFB MPF n° 09.1.05.0020090066519 PAF n° 10950.004285/201052”: que o Curador das Fundações ajuizou Ação Civil Pública, para denunciar irregularidades e exonerar da administração da FHISA os médicos Jorge Abou Nabhan e Evandro Terra Peixoto e nomear interventor, denunciando a administração e o contrato de Concessão; que, de má fé, não considerou a origem da Fundação de direito público, constituída pelo Consórcio de municípios e que o contrato estava amparado pelo Estatuto e referendado pela então Curadora das Fundações; relata que a liminar requerida foi deferida e sucessivamente, foram nomeados vários interventores até que, já depois de alterado o Estatuto e transformada em Fundação de direito privado, foi eleito novo Presidente, Sr. João Carlos Raddi, em 26/06/2010; que tal intervenção provocou a fiscalização pela RFB, culminando com a emissão do ADE nº 98, de suspensão da imunidade da Fundação nos anos 2005 a 2008 e dos autos e termos do presente processo. 35. Acerca dos autos de infração, afirmam que, sem meios e possibilidades de conciliar valores distribuídos nos anos de 2005 a 2008, os impugnantes valeramse do auditor particular, a fim de verificar os demonstrativos do lucro real elaborados pela fiscalização (fls. 82, 192/194 e 295), que reproduzem às fls. 2.378/2.381 e as exações apenadas com multa de 225%. 36. Em preliminar ao mérito, advogam a ilegalidade do ADE nº 98, de 2010, com base nos arts. 146, II, 150, VI, “c” da CF, de 1988, e art. 14, I e § 1º do CTN, pelo seu pretendido efeito retroativo aos anos de 2005 a 2008, e requerem o cancelamento dos autos, por perda de objeto, e que se reconheça o contido no Decreto nº 2.194, de 1997, e no Parecer PGFN/CRF nº 439, de 1996, e se manifeste sobre a inconstitucionalidade declarada em Plenário do Supremo Tribunal Federal – STF, na ADI 18023, especialmente do § 5º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, e do art. 14 da Lei nº 9.532, de 1997; requerem: “Considerando que a corte Administrativa de Recursos Fiscais CARF, entende que a impugnação oposta em face do Ato Declaratório n° 98, de 05 de novembro de 2010, deverá ser Fl. 3093DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 16 15 julgada juntamente com os lançamentos de ofícios e impugnados, requerem a Vossas Excelências se dignem avocar do CARF, no retorno do Recurso Voluntário no PAF n° 10950.004285/201052, na expectativa de ser reapreciado nesta Impugnação. Na impossibilidade da avocação pedem, então, comuniquem a Corte Administrativa Superior para sobrestar o julgamento daquele recurso, até que conheça o efeito "ex nunc" do ato e a r. Decisão proferida neste feito, em Primeira Instância”. 37. Também em preliminar de mérito, advogam a decadência dos lançamentos de: IRPJ e CSLL dos fatos geradores de 2005 e até 11/2006, alegando que os lançamentos são por homologação, regidos pelos arts. 150, § 4º e 173, do CTN, e art. 38 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, tendo o autoridade fiscal adotado regime do lucro real trimestral; de Cofins e PIS, também até 11/2006, com base nos mesmos artigos do CTN e por se tratar de lançamentos por homologação, em base mensal. 38. No mérito, contesta a acusação de distribuição disfarçada de lucros; as responsabilizações solidárias e tributária pessoal, a multa de ofício de 225%. 39. Quanto à pretensa distribuição disfarçada de lucros, transcreve a legislação, arts. 464, I a VI e §§ e 466 do RIR de 1999, afirmando que não comporta aplicação analógica nem extensiva, transcreve textos e acórdãos, ressalta que a análise dos fatos a seguir evidencia a ausência de dolo: a. No caso do Contrato de Concessão, firmado em 22/09/2012, dizem que é de natureza comutativa e negócio jurídico bilateral com base na autonomia de vontade do Consócio de Municípios e amparado no Estatuto da FHISA aprovado em assembléia e referendado pela então Curadora das Fundações; que a autoridade fiscal ao criticálo não levou em conta a causa, motivo e finalidade da FHISA, não tendo razão quando afirmou que foi descumprido o art. 64 do CC, de 2002, pois a Pletsch & Nabhan disponibilizou os bens do seu ativo imobilizado à Fundação, mediante o contrato de Comodato e que a CF de 1988, lhe assegura o direito de propriedade e, se forem desapropriados os bens, será necessário valor justo e depósito judicial antecipado; que o contrato de Concessão vigeu até 11/06/2007 e foi revogado com a assinatura do primeiro contrato de Locação, quando então se modificou a relação jurídica entre as partes; à pág. 2.393, transcreve valores da movimentação do razão da conta “comissões”, seguindo apurados pelo auditor particular que contrataram: demonstra saldo credor de R$ 348.640,21 em 31/12/2005, explicando que foram pagos R$ 283.050,00 e estornados R$258.251,46; e em 31/12/2006, tendo sido estornados R$ 822.509,25, restou saldo zero. Destaca que houve estorno de “comissões” do ano 2006 e até 05/2007 e renúncia da P&N a R$1.000.000,00, objeto de contrato de confissão de dívidas assinado pela FHISA e que foi autorizado o estorno desse crédito no ajuste do 2º contrato de Fl. 3094DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 17 16 Locação liberação pela FHISA dos depósitos judiciais dos aluguéis anteriores; que, por isso, a “comissões” não caracterizam distribuição disfarçada de lucros (art. 464, I a VI, do RIR de 1999, e arts. 60 a 62 do Decretolei nº 1.598, de 1977) e comparam o contrato com o de locação de lojas em shoppings. b. Sobre os contratos de Locação, embasados no art. 5º, XXII a XXVI da CF, de 1988, e nos arts. 565 e 1.228 e § 1º do Código Civil Brasileiro, Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, e seu art. 565, disciplinado pela Lei nº 8.245, de 18 de outubro de 1991; afirma que o autoridade fiscal glosou os aluguéis, incorrendo nos erros materiais: violou o direito de propriedade da locadora e, em 2007, do total depositado em juízo de R$492.000,00, incluiu como distribuição disfarçada de lucro, o dobro, R$ 984.000,00 e exigiu tributos, o que configura excesso de exação; i. afirma que os valores pagos foram: 1. em 2005, R$177.670,21, no contrato de Comodato; 2. em 2006, R$ 393.598,09 no contrato de Comodato; 3. em 2007, R$ 307.841,33, no contrato de Aluguel, pagos e depositados, 4. em 2008, R$ 492.000,00 creditados/depositados judicialmente; em 2006; ii. Que a soma das parcelas demonstradas pelo autoridade fiscal foram: 1. em 2006, R$393.598,00, no contrato de Comodato; 2. em 2007, R$ 984.000,00, no contrato de Locação, o dobro do que foi pago, que corresponde a 12 x R$41.000,00, isto é, R$ 492.000,00; 3. em 2008, R$1.009.397,20, no contrato de Locação, sendo que os alugueres depositados em juízo e depois liberados, também foram no total de R$ 492.000,00, mas o autoridade fiscal adicionou, erroneamente, R$ 517.387,20. iii. Afirmam que os erros descritos fulminam de nulidade as exações lançadas de ofício, dada a falta de liquidez, certeza e exigibilidade dos créditos (arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972; art. 142 e 204 do CTN, art. 618, I do CPC) c. Quanto ao financiamento rotativo, conta corrente, afirmam que a P&N supria as necessidades urgentes de dinheiro da Fundação, emprestando dinheiro a título gratuito, sem juros nem correção e destaca que o art. 60, V e § 1º do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, afirma que não se aplica a distribuição disfarçada de lucros nessas operações: i. Apresenta demonstrativo, na pág. 2.399, “da razão contábil dos Anexos I a XI”, em que o saldo credor evoluiu de R$ Fl. 3095DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 18 17 621.547,34 em 31/12/2004, para R$ 172.458,69 em 31/12/2008, três meses e mais após a destituição do Dr. Jorge Abou Nabhan; ii. Afirma que o autoridade fiscal incluiu empréstimos que a Fundação tomou da P&N, como sendo distribuição disfarçada de lucros, tratandose de notórios resgates de empréstimos rotativos, dívidas que a Fundação devolveu à P&N: 1. em 31/12/2005, R$54.456,19, da conta credora P&N, cujo histórico é “Cheques compensados não identificados” – afirma que o razão contábil conciliado com os extratos bancários integrantes do processo comprovam que os cheques sacados de movimento bancário da P&N foram entregues a título de empréstimos e depositados nas contas bancárias da Fundação e que os cheques sacados das contas desta são devoluções desses empréstimos e foram depositados nas contas da P&N; 2. em 31/12/2006, R$884.804,13, da mesma conta, cujo histórico é “Empréstimo resgatado no ano de 2006”; 3. em 31/12/2007, da mesma conta, cujo histórico é “Resgate de empréstimo no ano 2007”; d. Quanto às despesas de manutenção e reparação de bens cedidos pela P&N à Fundação, afirmam que: i. consta do parágrafo segundo da cláusula primeira do contrato de Comodato, que estes deverão ser devolvidos “no estado em que se encontram, quando findo o contrato, salvo depreciação natural”; ii. sobre os terrenos 17/18, também cedidos em comodato, foram construídos 1.282,20 m², com recursos dos convênios nº 2263/2000 e 4.182/2001, com o Ministério da Saúde, contendo centro cirúrgico, UTI neonatal e Adultos, cozinha, lavanderia e equipamentos médicos; em consequência, o comodato foi pactuado para 25 anos, ao fim dos quais, depois de esgotado o seu prazo de vida útil, deverão ser devolvidos à P&N “em perfeitas condições de manutenção, conservação e funcionamento” (cláusula segunda); iii. o autoridade fiscal não atentou para a cláusula oitava, letra “d”, que remete ao art. 442 do CC, de 2002; por isso, as glosas são ilegais; e. Despesas de viagem e outras, resumo pág. 2.405: i. Afirmam que tais gastos efetuados pelo Dr. Jorge Abou Nabhan, eram indispensáveis ao desenvolvimento das atividades da Fundação, pois deslocouse às repartições do Ministério da Saúde, Câmara de Deputados e Senado Federal, para buscar recursos para aquisição dos equipamentos e construção, conforme provam os convênios com a Funasa e outros, nº 2.263/2000, 4.182/2001, 1.467/2003, 1.264/2005, 2.658/2003, 3.836/2001, 1.164/2002, 2.054/2002, 1.321/1999, 1.267/2005, 1.174/2002, 2.679/2000, 5.632/2005, 4.182/2001 e 4.740/2004, Fl. 3096DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 19 18 no total de 15 convênios, resultando nos 17 leitos de UTI, 1.336,36 m² de ampliação e equipamentos, que justificam as despesas de com viagens a Brasília de R$18.609,41, em 2005, 2006 e 2007; ii. quanto às demais despesas presumidas do expresidente, nos anos 2005, 2006, 2007 e 2008, R$25.821,81, culpa os contadores, que não instruíram a P&N a emitir fatura mensal do aluguel de R$41.000,00 e por isso a P&N emitiu notas fiscais de prestação de serviços (NFPS) com históricos das suas obrigações que pagaria com o aluguel recebido, listadas à pág. 2.407, quando, na realidade, eram receitas de bens de capital da P&N; apresenta à pág. 2.407, os registros possíveis das partidas contábeis do aluguel mensal na contabilidade da P&N; e o contador da Fundação incorreu no mesmo erro, porque, conforme a “Ficha Razão Contábil, Anexo V, VI”, fls. 2.407/2.408, contabilizou o aluguel como despesa operacional/custo dos serviços hospitalares/aluguel e como passivo/outras contas a pagar/P&N, registrado as NFPS; que, na verdade, são notas fiscais referentes ao aluguel. 40. Sobre as responsabilizações tributárias solidárias e pessoal, apontam erro de direito nas responsabilizações pessoais ao Dr. Jorge Abou Nabhan e a Ana Maria Pletsch Nabhan: a. afirmam que as pessoas físicas não se confundem com a jurídica (P&N), com qual foram lavrados os Contratos de Comodato e Concessão (vigentes de 22/09/1992 a 11/06/2007) e os de Locação (o primeiro de 11/06/2007 a 28/10/2010 e o seguindo, de 28/10/2010 a 24/10/2035), e invoca o art. 20 do CC, de 1916, e arts. 44 a 50, 981 a 985, 1.052 e 1.060 do CC, de 2002; que os dispêndios de comissões e aluguel foram para a P&N, portanto cabe a esta a responsabilização solidária e que, para que os seus sócios fossem responsabilizados, haveria que provocarem a dissolução irregular da empresa, conforme arts. 124, II, 128, 135, III e 137, VI do CTN; b. afirmam que o art. 79, VII da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, revogou o art. 13 da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993, que determinava a responsabilidade solidária, com seus bens pessoais, dos sócios das sociedades por cotas de responsabilidade limitada, pelos débitos junto à Seguridade Social e também que o art. 195, I, “a”, “b”, “c” da CF, de 1988, determina que o custeio das exações autuadas é do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada e por isso não podem ser responsabilizados pessoalmente o Dr. Jorge Abou Nabhan e Ana Maria Pletsch Nabhan; c. lembram também que foram atingidos pela decadência os lançamentos até 11/2006; requerem a liberação dos bens imóveis arrolados. 41. Acerca da multa de 225%, reiteram as acusações de ser confiscatória, pois o autoridade fiscal pretende expropriar o patrimônio da Santa Casa Cianorte, e o pleito de “in dúbio pro contribuinte” e requerem seu cancelamento. Fl. 3097DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 20 19 42. Concluem requerendo: “Considerando que os Impugnantes pediram a Vossas Excelências a instalação da perícia, auditoria e o prazo para investigar e analisar fatos geradores, capitulação legal e bases de cálculos distribuídos entre mais de 5.000 itens gravados nos seis (6) DVDs, pleito fundado no artigo 3º, inciso III, da Lei n° 9.784, de 29/01/1999, requerem juntada desta petição e documentos esclarecedores, antes de julgarem em PRIMEIRA INSTÂNCIA”. 43. À fls. 79/80, procuração de Ana Maria Pletsch e às fls. 2.649/1.651, de Jorge Abou Nabhan.” 6. Em sessão de 31 de janeiro de 2013, a 2ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, nos termos do voto da relatora, Acórdão nº 0639.126 (fls. 2863/2927), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO:NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 SUSPENSÃO DE IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. RITO. Determina a legislação que o ato declaratório suspensivo da imunidade tributária de entidade dita beneficente de assistência social, devido à constatação de descumprimento dos requisitos, suspende a imunidade a partir da data da prática da infração e, se for o caso, a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, e a impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. ADE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. DRJ. JULGAMENTO. SOBRESTAMENTO. Não se justifica sobrestar o julgamento pela Delegacia de JulgamentoDRJ de impugnação a autos de infração lavrados devido à suspensão da imunidade de fundação no período autuado, à espera do resultado final de julgamento de ato declaratório de suspensão previamente emitido, contestado pelo interessado e já julgado pela DRJ, e cujo recurso já aguarda julgamento de segunda instância no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. RETORNO DE PROCESSO PELO CARF. SOBRESTAMENTO. Delegacias de Julgamento DRJ não detém jurisdição sobre o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, portanto descabelhes requerer o sobrestamento do julgamento de processo que se encontra naquela instância ou avocar a si tal julgamento. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Fl. 3098DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 21 20 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DE DEFESA. REGIME JURÍDICO. FUNDAÇÃO. Descabe a acusação de cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que o autoridade fiscal não identificou o regime jurídico de imunidade da Fundação, se está provado no processo o descumprimento dos requisitos para tal, bem como estão explicados os parâmetros que levaram à autuação no regime do lucro real anual. CERCEAMENTO DEFESA. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. BASES DE CÁLCULO. Descabe a acusação de cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que o autoridade fiscal ocultou as bases de cálculo e fatos geradores das exações, se provado que todos estão demonstrados e explicados, e constante a base legal, nos documentos que foram cientificados aos interessados. CERCEAMENTO DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. MEIO DIGITAL. AUTORIZAÇÃO LEGISLATIVA. Descabe a acusação de cerceamento do direito de defesa, sob alegação de que o extenso e detalhado relatório da fiscalização foi entregue em meio digital e não em papel, se o próprio contribuinte mantém e apresentou à fiscalização, a sua contabilidade, também em meio digital, e ambos assim procederam em conformidade com a legislação. CERCEAMENTO DE DEFESA. FORMA DE MANUTENÇÃO. FUNDAÇÃO. O argumento de que a fundação, criada sem fins lucrativos, viu se obrigada a remunerar o seu fundador e presidente, porque os municípios consorciados não dotaram nem transferirem verbas, atribuindo àquele a responsabilidade de prover os recursos, é descabido, pois a suspensão da imunidade se deveu ao desatendimento dos requisitos para tanto, sendo irrelevante a forma como foi mantida, passando a receita e resultados a serem tributáveis. PERÍCIA DESNECESSÁRIA. Desnecessária perícia para: comprovar renúncia a créditos indevidos, se o alegado estorno não consta dos documentos acostados, nem o contribuinte apresenta novas provas; para descaracterizar pagamentos indevidos, se estes estão documentados e o contribuinte não apresenta provas em contrário; para consolidar os fatos geradores de cada espécie tributária autuada, se tal consolidação resulta nos próprios valores constantes nos autos de infração; para destacar os valores pagos, retidos e recolhidos pelo autuado se, no Fl. 3099DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 22 21 julgamento pela DRJ, foi possível identificalos e consideralos; para avaliar o aluguel de imóvel locado pelo fundador e dirigente de Fundação à mesma, se o valor não foi motivo de questionamento fiscal, porém foi a sua existência que, entre outros, motivou a suspensão da imunidade da Fundação. ARROLAMENTO DE BENS. A apreciação do procedimento de arrolamento efetivado pela autoridade lançadora não se insere no âmbito de competência das Delegacias de Julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL. Correta a autuação efetuada sobre o lucro real apuração anual, relativamente a anoscalendário encerrados, em entidade cuja imunidade foi objeto de suspensão de ofício e que, intimada, apresentou balancetes contábeis de apuração de resultados anuais, e tendo sido excluídas as alternativas de apuração pelo Simples e pelo lucro presumido. CONTRATOS DE CONCESSÃO E DE ALUGUEL ENTRE FUNDAÇÃO IMUNE E EMPRESA DE PROPRIEDADE DO SEU PRESIDENTE. VALORES OBTIDOS DE DOCUMENTOS CONTÁBEIS DO CONTRIBUINTE. Procedem os valores apurados pelo autoridade fiscal, obtidos na contabilidade do contribuinte, contraditados pelo impugnante apenas com argumentos não respaldados por documentação comprobatória. PESSOA LIGADA. ALUGUÉIS ACIMA DO VALOR DE MERCADO. No caso de presunção distribuição disfarçada de lucros com base em pagamentos, pela pessoa jurídica, a empresa ligada, de aluguéis em montante que excederam notoriamente ao valor de mercado, esse montante excedente, não é dedutível para a determinação do lucro real. PAGAMENTO SEM CAUSA. Valores pagos, quando não for indicada a operação ou a causa que lhe deu origem, são indedutíveis na apuração do lucro real. OMISSÃO DE RECEITA. SUPRIMENTO DE CAIXA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Valores contabilizados como pagamentos de empréstimos tomados pela entidade, de empresa de propriedade do seu Diretor, não caracterizam omissão de receita com base legal em suprimento de Caixa por administrador cuja efetividade da Fl. 3100DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 23 22 entrega e origem dos recursos não foram comprovadamente demonstrados. DESPESAS DE MANUTENÇÃO DE BENS PELA LOCATÁRIA. PREVISÃO CONTRATUAL. Descabida a glosa de despesas de manutenção de prédios e equipamentos pela entidade locatária, se previstas em contrato de aluguel que, apesar de objeto de ação civil pública que culminou em acordo, foi substituído por outro contrato de aluguel em que constam as mesmas obrigações. DESPESA DE VIAGEM. PRESIDENTE DA FUNDAÇÃO. São indevidas despesas de viagem de Presidente da Fundação, alegadamente realizadas para arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências destinadas à Fundação, se o Estatuto da entidade determina que tais atribuições são, estatutariamente, do Coordenador Geral e não do Presidente. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. PAGAMENTOS INDEVIDOS A PESSOA VINCULADAS. Procedente a glosa de valores contabilizados como retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente da Fundação e de sua empresa, se a impugnação não apresenta qualquer documento que contradiga a conclusão fiscal, mas apenas argumentos. RETENÇÕES NA FONTE. IR E CSLL. Cabe deduzir da exigência de ofício os valores retidos pelas fontes pagadoras sobre receitas objeto da autuação. LANÇAMENTOS REFLEXOS: CSLL. COFINS. PIS. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01//2006 a 31/12/2009 PIS. FOLHA DE PAGAMENTO. FUNDAÇÃO. O PIS é exigido das Fundações privadas e públicas, sobre a folha de pagamento. PIS/FOLHA DE PAGAMENTO. RECOLHIMENTOS. Devem ser deduzidos da exigência de ofício os valores recolhidos espontaneamente pelo contribuinte. PIS. RECEITA OMITIDA. Descabe a exigência de PIS sobre receitas omitidas, se estas restaram descaracterizadas. Fl. 3101DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 24 23 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/12/2005 a 31/12/2009 DOLO. SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. No caso de dolo e simulação, o art. 150, § 4º do CTN, remete a contagem do prazo decadencial ao art. 173, I do CTN, isto é, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DOLO. CONLUIO E SIMULAÇÃO. Caracteriza simulação e conluio entre a entidade e seu Presidente, a entidade se declarar imune/isenta, enquanto remunera seu Presidente de várias formas, mediante ajuste doloso entre as partes, visando a sonegação, ou seja, impedir o conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições individuais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. MULTA QUALIFICADA. DOLO. Caracterizada a presença do dolo, elemento específico da sonegação, cabível a aplicação da multa qualificada nos termos de legislação em vigor. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PERCENTUAL. LEGALIDADE O percentual de multa de ofício qualificada é o determinado expressamente em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação que embasou a autuação, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. Os percentuais de multa de ofício aplicada são aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para apresentar os arquivos ou sistemas de que trata o art. 11 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA DA LEI TRIBUTÁRIA EM CASO DE DÚVIDAS, ART. 112 DO CTN. Se, diante dos elementos nos autos inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, Fl. 3102DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 25 24 não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vinculado. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. DIRETOR PRESIDENTE DE FUNDAÇÃO E SÓCIO DE EMPRESA LIGADA. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este, nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis, os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. FUNCIONÁRIA E SÓCIA DE EMPRESA LIGADA. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este, nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis, os administradores dos bens do contribuinte, pelos tributos devidos por estes. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EMPRESA LIGADA. São solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA PESSOAL. PRESIDENTE DO CONSELHO DIRETOR DE FUNDAÇÃO PRIVADA CUJA IMUNIDADE FOI SUSPENSA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, os diretores de pessoas jurídicas de direito privado. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. 7. A DRJ/ CTA não acatou os argumentos da Recorrente, em síntese, sob os seguintes fundamentos: Questões Preliminares I. Sobrestamento do julgamento 7.1. A contribuinte solicitou o sobrestamento do presente processo até que o recurso interposto contra decisão da DRJ no processo nº 10950.004285/201052, relativo ao Ato Declaratório Executivo (ADE), que suspendeu a imunidade tributária, fosse julgado pelo CARF. 7.2. O r. voto condutor da DRJ considerou que tal pretensão não procede, pois no momento que se evidenciou o descumprimento dos requisitos para a imunidade da Fundação, a limitação de tributar foi suspensa e foram lavrados os autos de infração em Fl. 3103DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 26 25 discussão neste processo. As discussões relativas ao ADE e aos autos de infração são, portanto, distintas e o objeto dos processos independentes. 7.3. A contribuinte solicita ainda (i) que o processo referente ao ADE retorne à DRJ para reapreciação ou (ii) que a DRJ/CTA solicite ao CARF o sobrestamento do julgamento do recurso referente ao processo nº 10950.004285/201052. Essas pretensões são descabidas e não podem ser atendidas, pois a DRJ não tem jurisdição sobre o CARF. II. Nulidade: Inocorrência 7.4. São nulos os atos que se enquadrem nos termos do artigo 59, do Decreto nº 70.234/72. As demais irregularidades, por não resultarem em prejuízo para o contribuinte, não importam em nulidade, nos termos do artigo 60, do Decreto nº 70.234/72. No presente caso, a r. DRJ considerou que não há nulidade dos autos de infração, pois não houve ofensa aos dispositivos legais citados, tampouco cerceamento do direito de defesa do contribuinte. 7.5. A autoridade fiscal identificou de forma clara o regime jurídico a que passou a estar sujeita a Fundação no período de 2005 a 2008; as bases de cálculo e critérios de apuração foram minuciosamente descritos no Relatório Fiscal; o órgão autoridade fiscal procedeu em conformidade com a legislação ao ter encaminhado o processo eletrônico gravado na mídia eletrônica; e, diferentemente do alegado pela contribuinte, existe no processo o Termo de Verificação Fiscal sob o nome “Relatório Fiscal do AI – Auto de Infração” e consta nas fls. 2017/2109. III. Perícia 7.6. Não se demonstrou necessário realizar perícia para: (i) comprovar renúncia aos créditos indevidos; (ii) consolidar os fatos geradores de cada espécie tributária autuada; (iii) destacar os valores pagos, retidos e recolhidos pelo autuado; e (iv) avaliar o aluguel de imóvel locado pelo fundador e dirigente de Fundação à mesma. IV. Decadência 7.7. Nenhuma exigência relativa aos fatos geradores de 2005 e 2006 foi atingida pela decadência, pois em caso de dolo, fraude ou simulação aplicase a contagem de prazo prevista no artigo 173, I, do CTN. Questões de Mérito I. Da Indedutibilidade dos Contratos de Concessão e Aluguel 7.8. A autoridade julgadora considerou ser o contrato de Concessão irregular e indevido, por se tratar de lucro distribuído disfarçadamente à P&N, Jorge Abou Nabhan e Ana Maria Pletsch Nabhan. O pagamento consistiu em infração ao disposto no artigo 15 da Lei nº 9.532/97, visto que a Fundação Hospitalar se declarava imune/isenta. 7.9. A partir de 2007 o Contrato de Concessão foi encerrado e substituído por um contrato de aluguel. Partindo do valor de aluguel firmado em acordo entre a Fundação e a P&N em R$32.000,00, a r. DRJ verificou que o valor deflacionado pelo IGPM para 10/2007 resulta em R$ 26.541,82 e para 10/2008, resulta em R$29.809,86. Fl. 3104DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 27 26 7.10. A partir da presunção de distribuição disfarçada de lucros com base em pagamentos de alugueis pela pessoa jurídica à empresa ligada em montante que excederam ao valor de mercado, a r. DRJ considerou ser este excedente indedutível para fins de determinação do lucro real. II. Da Indedutibilidade de Cheques não Identificados 7.11. A adição pelo autoridade fiscal do montante de R$ 54.465,19, referente a cheques não identificados na apuração do lucro real, é justificada pelo artigo 358, § 3º, inciso II do RIR/99, dispositivo este que remete ao artigo 304 do RIR/99, que determina a não dedução na apuração do lucro real valores pagos sem a devida indicação da operação ou da causa que lhe deu origem. 7.12. A r. DRJ entendeu que a defesa não foi capaz de justificar a origem desses valores apresentando apenas alegações sem documentação hábil e idônea. III. Dos Valores Referentes a Empréstimos 7.13. A r. DRJ considerou que os lançamentos referentes à omissão de receita, com base nos valores de empréstimos que apenas transitaram no caixa, são improcedentes, pois a autoridade fiscal apurou os valores referentes a estes lançamentos com base em mero pressuposto de que tais valores teriam suprido o Caixa. IV. Da Manutenção de Bens 7.14. Tendo em vista o teor de ambos os Contratos de Aluguel e nenhuma menção à manutenção no Acordo, não se vislumbra motivo para considerar indevidas as despesas de manutenção de prédios e equipamentos objetos de locação, pactuadas em ambos os contratos, o anterior e o posterior ao Acordo. Portanto, conclui ser procedente o pleito da contribuinte em relação à glosa das despesas de manutenção e reparação de bens cedidos pela P&N à Fundação. V. Das Despesas de Viagem do Presidente da Fundação 7.15. A autoridade fiscal glosou como despesas não necessárias os gastos com as viagens realizadas pelo Dr. Jorge Abou Nabhan, enquanto Presidente, relativas aos anos de 2005, 2006 e 2009. 7.16. Os contribuintes argumentam que essas despesas contabilizadas como viagens do Dr. Jorge Abou Nabhan, Presidente da Fundação, decorrem do cumprimento de atribuições como arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências destinadas à Fundação. Contudo, a r. DRJ, com base no Estatuto da Fundação vigente em 2005, 2006 e 2009, considerou devidas as glosas, pois tais atribuições cabiam ao Coordenador Geral e não ao Presidente da Fundação. VI. Dos Pagamentos Indevidos à Jorge Nabhan e à P&N 7.17. Como os contribuintes não apresentaram provas hábeis a afastar a conclusão da autoridade fiscal de que os pagamentos apontados se referiam a retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente e de sua empresa P&N, a r. DRJ manteve a glosa destes valores. Fl. 3105DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 28 27 VII. Das Bases de cálculo não Impugnadas 7.18. A r. DRJ consignou que não foram impugnadas as diversas bases de cálculo e, portanto, manteve os valores trazidos pela douta autoridade fiscal de IRPJ e CSLL relativos aos anoscalendário de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009. VIII. Da Multa de 225% 7.19. Os motivos para a qualificação e agravamento da multa de ofício foram descritos pela fiscalização, são eles: (i) mediante os contratos de concessão, comodato e locação, a Fundação e os demais interessados visaram impedir o conhecimento do Fisco das condições irregulares quanto à imunidade; e (ii) a contribuinte não apresentou os arquivos digitais e sistema de escrituração contábil na forma e prazo estabelecido. 7.20. A autoridade julgadora considerou que a defesa não foi capaz de contestar diretamente as infrações descritas no Relatório Fiscal (fls. 2017/2109) que motivaram a qualificação e agravamento da multa. 7.21. Quanto à alegação de a multa ter caráter confiscatório e punitivo, a legislação determina a qualificação e agravamento conforme o artigo 44, inciso I e §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 14 da Lei nº 11.488/2007. 7.22. No mais, em relação à alegação de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação que embasou a autuação, não cabe às Delegacias da Receita Federal de Julgamento apreciar conformidade de lei válida e vigente. IX. Da Verificação de Conluio, Sonegação, Dolo e Simulação 7.23. Durante o procedimento fiscalizatório foram verificadas diversas práticas irregulares da Contribuinte e dos responsáveis solidários, caracterizando simulação e conluio entre a Fundação e seu Presidente, em razão de a entidade se declarar imune/isenta, enquanto remunera seu Presidente de várias formas, mediante ajuste doloso entre as partes, visando à sonegação, e consequentemente, impedindo o conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições individuais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. X. Do ADE de Suspensão da Imunidade Tributária 7.24. A alegação de violação ao princípio da irretroatividade da lei tributária não é cabível neste caso, pois, a legislação determina que o ato declaratório que suspende imunidade tributária emitido em razão da constatação de descumprimento dos requisitos têm efeitos a partir da data da prática da infração. Os recursos apresentados pela entidade com imunidade suspensa não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. 7.25. No mais, não é cabível discutir impugnação ao ato em si, pois essa questão é relativa a processo administrativo fiscal diverso. XI. Da Responsabilidade Passiva Solidária e Tributária Pessoal 7.26. A contribuinte e os interessados responsabilizados pretendem que os Municípios Consorciados sejam responsabilizados ao invés deles. A r. DRJ entendeu ser Fl. 3106DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 29 28 incabível tal anseio, pois no período da autuação (2005 a 2009) os Municípios já tinham sido afastados de suas funções, seja como mantenedores ou agentes com poder de decisão sobre o destino da Fundação. 7.27. Em relação à responsabilização dos interessados, a DRJ considerou ter sido demonstrado, durante o procedimento fiscalizatório, que eles foram diretamente beneficiados e tinham interesse comum nas situações descritas. 7.28. Sobre a Pletsch & Nabhan Ltda, esta e a Fundação constituíram, na prática, no período de 2005 a 2009, uma única organização. Logo, a autoridade fiscal bem caracterizou esta união como grupo econômico de fato, ao qual não cabia imunidade de impostos/contribuições. 7.29. Por fim, em relação à responsabilização pessoal do Dr. Jorge Abou Nabhan, ficou demonstrado pela fiscalização que este interessado infringiu cláusula do estatuto da Fundação e legislação que determinam a não remuneração dos cargos de administração. Foram verificados ainda conluio e simulação na negociação do contrato de comodato, casado com o contrato de concessão e, posteriormente, do contrato de aluguel, com valores superiores ao de mercado, além de outras remunerações indevidas recebidas de forma direta e indireta pelo interessado. 8. As Recorrentes (Fundação Hospitalar de Saúde, Jorge Abou Nabhan, Ana Maria) apresentaram, conjuntamente, Recurso Voluntário (fls. 2975/3024) em 25/04/2013, reiterando parcialmente as razões já expostas em sua Impugnação (fls. 2151/2176), em especial para que seja: (i) declarada a irretroatividade do ADE nº 98, da DRJ/Maringá/PR, de 05/11/2010, que suspendeu o benefício de isenção nos anoscalendário 2005 a 2008, ante a inaplicabilidade dos artigos 12 a 14, da Lei nº 9.532/97, e do §5º, do artigo 32, da Lei nº 9.430/96, por força da cautelar deferida pele E. Supremo Tribunal Federal, no julgamento inicial da ADI nº 1.802; (ii) declarada a decadência dos créditos tributários relativos ao ano calendário de 2006, com fundamento no artigo 150, §4º, do CTN (faturamentos e receitas operacionais); (iii) confirmado o cancelamento parcial dos débitos lançados; e (iv) cancelados os demais lançamentos e autuações de ofício referentes a esse processo administrativo fiscal. 9. Como o sujeito passivo foi exonerado de crédito tributário (principal mais multas) em valor superior ao limite de alçada (R$ 2.500.000,00), a Turma Julgadora recorreu de ofício a este Colegiado, nos termos da Portaria MF 63/2017. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora. 10. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. I. Síntese dos fatos Fl. 3107DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 30 29 11. Conforme documentos acostados ao processo, a empresa Jorge Abou Nabhan & Cia Ltda, cuja razão social foi posteriormente alterada para Pletsch & Nabhan Ltda (que será aqui citada como P&N), foi constituída desde 09/02/1978, com o nome fantasia Hospital Cianorte, tendo como sócio responsável o Dr. Jorge Abou Nabhan e como sócia sua esposa Ana Maria Pletsch Nabhan (fls. 977/978). 12. Em 28/10/1992 (fls. 1.010 e 2.236/2.251), foi aprovado Estatuto da Fundação Hospitalar Intermunicipal de Saúde (FHISA), por consórcio de municípios fundadores autorizados pelas respectivas leis municipais, publicado na Imprensa Oficial em 09/12/1992 e registrado no Cartório de Registro de Títulos e Documentos em 15/12/1992 (itens 158 a 159, fls. 2.032/2.033). 13. A FHISA passou a operar nas dependências da então Jorge Abou Nabhan & Cia Ltda (atual P&N), dependências estas constituídas de terrenos, prédio e instalações, onde vinha funcionando a P&N. 14. A FHISA visava atendimento hospitalar e de saúde dos munícipes e outras entidades conveniadas. Confirase alguns trechos relevantes do Estatuto, verbis: "Artigo 7º, § único. Para o cumprimento de suas finalidades a fundação poderá: (...) e) Dar concessão a um órgão instituidor da Fundação, de modo a obter o trabalho de Secretaria Executiva e toda Administração Geral." “Artigo 11. A Secretaria Executiva é o órgão executivo constituído por um Coordenador Geral e pelo apoio técnico e administrativo integrado pelo quadro de pessoal a ser aprovado pelo Conselho Diretor”. "Artigo 12, § único. para o desempenho de suas funções, o Coordenador Geral não receberá nenhum valor a título de remuneração”, “qualificandose, também como membro instituidor pela cessão dos bens de uso hospitalar, em comodato, (...), por prazo indeterminado, o Dr. Jorge Abou Nabhan (...)” "Artigo 12, § único. Para desempenho de suas funções, o Conselho Diretor não receberá nenhum valor a título de remuneração". " Artigo 14, § único. Para desempenho de suas funções, o Presidente do Conselho Diretor não receberá nenhum valor a título de remuneração". "Artigo 17, § único. Para desempenho de suas funções, o Conselho Diretor não receberá nenhum valor a título de remuneração". 15. No mais, ao Coordenador Geral, dentre outras atribuições, competia arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências destinadas à Fundação. No artigo 20, parágrafo único, o Estatuto dispunha que “Quando da cessão em comodato de equipamentos e/ou instalações físicas para utilização pela Fundação, deverseia emitir um Contrato de Cessão em Comodato...” e, adicionalmente, também previa dotações orçamentárias dos municípios integrantes. Fl. 3108DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 31 30 16. A Ata da Assembléia que aprovou o Estatuto também aprovou a assinatura de Contrato de Comodato do imóvel de propriedade do Dr. Jorge Abou Nabhan e o Contrato de Concessão. 17. Não foi constituído patrimônio para a FHISA e foi firmado, em 22/09/1992, contrato de “Cessão em Comodato” sem ônus das instalações da P&N, por 25 anos (fls. 933/944 e 2.278/2.280, instalações de propriedade do Diretor Presidente, Dr. Jorge Abou Nabhan). 17.1. O contrato é sem ônus, a Fundação é responsável pela manutenção preventiva e corretiva do prédio e instalações e pelo pagamento do IPTU e outras obrigações legais, a Fundação poderá fazer benfeitorias e ampliações autorizadas pelo Comodante, as quais “automaticamente se incorporarão ao imóvel, fazendo parte integrante de sua estrutura física, com vínculo indenizatório por parte da Comodante ou do proprietário e constituindo direito de retenção, quando da entrega do imóvel, conforme prevê o art. 526 do Código Civil Brasileiro (...)”, prazo indeterminado, podendo ser rescindido a qualquer momento por qualquer das partes. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916 Código Civil. Art. 516. O possuidor de boa fé tem direito a indenização das benfeitorias necessárias e úteis, bem como, quanto as voluntarias, se lhe não forem pagas, ao de levantálas, quando o puder sem detrimento da coisa. Pelo valor das benfeitorias necessárias e úteis, poderá exercer o direito de retenção 18. Foi firmado também Contrato de Concessão, com a mesma empresa deste (fls. 2.274/2.277), em 22/09/1992 (antes de formalizada a Fundação), para administrar a FHISA por 25 anos, remunerado mediante cobertura total da folha de pagamento e encargos sociais dos funcionários da P&N e ainda 17% do montante de arrecadação de verbas de manutenção oriundas das contribuições e complementações das mantenedoras, do movimento financeiro de atendimento a particulares, das receitas de contratos e convênios: 18.1. Seu objeto “serviços de administração interna, funções estas consideradas pelos estatutos como Secretaria Executiva (...)”, inclui “arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências destinadas à FHISA”, executados com "quadro de pessoal da Concessionária (P&N).” 18.2. Remunerada pela “cobertura total da Folha de Pagamentos (...) incluindo obrigações sociais (...) 17% do montante arrecadado”, contra emissão de NFPS. 18.3. Prazo de validade 25 anos. 19. Em 05/12/1992 (fls. 2.446/2.451), a Promotoria de Justiça das Fundações atestou que a FHISA havia protocolado pedido de instituição da Fundação sem fins lucrativos, com parecer favorável da Promotoria, sendo aprovado o Estatuto e autorizado ser cadastrada no Ministério Público Estadual, para todos os efeitos legais. 20. Em 27/12/1996, obteve isenção de impostos (fls. 898) como entidade de utilidade pública. Fl. 3109DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 32 31 21. Na AGE do dia 25/11/1996 (fls. 2.002) foi alterado o Estatuto para prever que a Fundação não mais seria presidida por prefeito de um dos municípios mantenedores, mas por pessoa natural. Em 26/12/1996 (fls. 1.999/2.000), o Sr. Kalil Abou Nabhan (pai do Dr. Jorge Abou Nabhan) foi eleito Presidente do Conselho Diretor para o biênio 1997/1998 e indicou seu filho como Coordenador Geral (responsável pela Secretaria Executiva, que executa a administração da Fundação, atividade para a qual havia o Contrato de Concessão para a P&N). 22. O Dr. Jorge Abou Nabhan assumiu a Presidência a partir de 1999 (fls. 1.023), passou a representar a contribuinte, presidir as reuniões do Conselho Diretor, com direito ao voto de qualidade, sendo que o seu pai figurava como membro do órgão e tinha direito a voto. 23. No mais, o Dr. Jorge Abou Nabhan era e é sócio da empresa P&N que executava as funções estatutárias da Secretaria Executiva, remunerada em 17% do montante arrecadado, na qual, no departamento de faturamento, trabalhava a sua cônjuge e sócia, Ana Maria Pletsch (fls. 1.657). 24. No extrato do sistema CNPJ da RFB (fls. 2.655/2.656), consta inicialmente como “Associação”, a partir de 11/06/1999, como “Fundação mantida com recursos privados” e a partir de 12/09/2005, “Fundação privada”. 25. O Estatuto foi alterado em 10/10/2000 (fls. 11/22 e 2.193/2.206), para Fundação Hospitalar de Saúde, mantenedora da Santa Casa de Cianorte/Paraná, não sendo mais sustentada por consórcio de Municípios fundadores, mantendo a mesma estrutura administrativa, com o órgão administrativo denominado Secretaria Executiva chefiada pelo Coordenador Geral. Na ocasião, o Dr. Jorge Abou Nabhan exercia o cargo de DiretorPresidente (fls. 3, 973/976 e 987/998). 26. Em 24/11/2006, consta da Ata da Assembléia Geral de fls. 973/976: (i) o registro da presença do Curador das Fundações do Ministério Público Estadual; (ii) a necessidade de revisão do Contrato de Concessão remunerado com os já referidos 17%; e (iii) a informação do Auditor do Ministério Público que ingressaria com ação judicial, em virtude da constatada desorganização, falhas e irregularidades na contabilidade da Fundação. 27. Em 04/12/2006 e 12/12/2006 (fls. 979/986), as Atas das Assembléias Gerais registram discussão acerca da substituição do Contrato de Concessão por Contrato de Aluguel de R$ 41.000,00 mensais, mais R$ 8.000,00 de remuneração do Diretor, bem como o fato da Fundação possuir dívida de R$ 1.000.000,00 para com a P&N. Em 31/01/2007, a Ata de fls. 987/991 registra que o Curador das Fundações do MP Estadual exige a extinção do Contrato de Concessão, levantamento detalhado da alegada dívida de R$ 1.000.000,00 da Fundação com a P&N, prestação de contas e contabilidade refeitas. 28. O sócio fundador Dr. Jorge Abou Nabhan, no Agravo de Instrumento n.º 5257063, reconheceu não existir a dívida de R$ 1.000.000,00 do sujeito passivo com a P&N (fl. 2.100). 29. Em 11/06/2007, em substituição ao Contrato de Concessão, foi firmado Contrato de Aluguel entre a Fundação e a P&N, com vigência a partir de 01/01/2007, por 5 (cinco) anos, podendo ser prorrogado, valor do aluguel R$ 41.000,00 mensais, com reajustes IPCIBGE (fls. 1.106/1.111 e 2.281/2.286). Fl. 3110DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 33 32 30. As irregularidades na administração e da contabilidade da Fundação, constam de relatório de auditoria (prestação de contas, fls. 994/998) Ata da Assembléia Geral de 10/04/2008. 31. Na ata de Assembléia Geral de 15/08/2008 (fls. 999), o Dr. Jorge Abou Nabhan expressa intenção de transformar a Fundação em Fundação Nabhan, da família Nabhan, e aprova o ingresso de 3 (três) membros da família para integrar o Conselho Diretor da Fundação. 32. Em 22/08/2008 (fls. 2.309/2.341), o Ministério Público do Estado do Paraná, por meio de seu Promotor de Justiça, no exercício da função de Curador de Fundações, propôs Ação Civil Pública de Intervenção (autos ACP de Intervenção 694/2008 de 22/08/2008) em face da Fundação Hospitalar de Saúde (figuravam nos autos o Dr. Jorge Abou Nabhan (Diretor) e Dr. Evandro Terra Peixoto (Coordenador Geral)). 33. Foi concedida liminar para afastar os dirigentes e o Promotor, após descrever os Contratos de Comodato e Concessão, juntamente com as irregularidades na administração da Fundação, afirma que: "Em verdade, havia uma situação esdrúxula, o Dr. Jorge Abou Nabhan ao mesmo tempo em que era Coordenador Geral ou Presidente do Conselho Diretor da Fundação era sócioproprietário da empresa concessionária responsável pela administração da Fundação (Jorge Abou Nabhan & Cia. Ltda. Hospital Cianorte). Os atos administrativos da Fundação eram praticados pelo Dr. Jorge Abou Nabhan, na qualidade de coordenador ou presidente do Conselho Diretor, porém, a Fundação pagava os 17% do montante arrecadado pela FHISA ao Hospital Cianorte em virtude do contrato de concessão da administração, bem como era responsável pelo pagamento dos salários (incluídos encargos) de todos os funcionários da concessionária envolvidos na administração da Fundação. Na realidade, a única finalidade do contrato de concessão era remunerar o coordenador e depois presidente da Fundação, Dr. Jorge Abou Nabhan. A simulação foi utilizada porque seria exorbitante se remunerar um coordenador geral com tais valores e também porque havia expressa proibição de que qualquer conselheiro da Fundação pudesse ser remunerado. (...) Em verdade, a Fundação sempre funcionou sob o comando do Dr. Jorge Abou Nabhan que a conduziu como uma propriedade particular, à margem das disposições estatutárias e das normas vigentes. Mister destacar que as vantagens da manutenção da natureza jurídica fundacional é o fato de ser beneficiária de isenções e benefícios públicos referentes a financiamentos e custeios de serviços de saúde, possuindo declarações de utilidade pública nas esferas federal, estadual e municipal. Fl. 3111DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 34 33 (...) Por interferência deste órgão ministerial, o contrato de concessão foi rescindido. Por outro lado, a pedido do Dr. Jorge Abou Nabhan, também foi rescindido o contrato de comodato, que foi substituído por um contrato de aluguel predial e de equipamentos (digase, deteriorados) do antigo Hospital Cianorte à Fundação (atual P&N.), no valor de R$ 41.000,00 (quarenta e um mil reais). (...) 1.3. DA BUSCA DO SANEAMENTO. Importante esclarecer que esta administração irregular permaneceu silente até que em meados de 2003, quando a Fundação realizou a prestação das contas do ano 2000 e seguintes pelo Sistema de Cadastro e Prestação de Contas SICAP instituído pela Resolução 2434/2002, da ProcuradoriaGeral de Justiça. A partir daí (evidenciadas as irregularidades), a Fundação não teve mais as suas contas aprovadas pelo Ministério Público do Estado do Paraná. Condicionouse a aprovação de contas a regularização total da Fundação. (...) Em outras palavras, foi concedido o prazo de mais de ano para que a Fundação buscasse soluções internas e as apresentasse de forma a demonstrar a regularidade de seu funcionamento e também de suas contas. (...) 1.8. DA NECESSIDADE DA INTERVENÇÃO JUDICIAL. A intervenção judicial justificase diante da recusa do Dr. Jorge Abou Nabhan, enquanto Presidente da Fundação, de cumprir as normas estatutárias e as decisões do Conselho Diretor, em especial a decisão de intervenção interna, bem como pela necessidade de se promover mudanças contratuais, verificação contábil, levantamento patrimonial, realização de adequações sanitárias e alterações estatutárias. (...) 4. DOS PEDIDOS E REQUERIMENTOS. Ante o exposto, requer o Ministério Público: l.a) seja concedida liminar, inaudita altera parte e sem justificação prévia, em face aos documentos apresentados, determinandose a intervenção imediata na Fundação Hospitalar de Saúde, com a nomeação da Sra. Madalena Aparecida Volpato como interventora, com poderes do Coordenador Geral e do Presidente do Conselho Diretor previstos no Estatuto, suspendendose todos os poderes do atual Coordenador Geral c do atual Presidente do Conselho Diretor; Fl. 3112DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 35 34 (...) 3. DA LIMINAR. O caso exige a imediata intervenção na Fundação pata conter os desmandos e se iniciar o necessário processo de regularização da entidade Fundacional, o que não é possível se o Dr. Jorge Abou Nabhan continuar a manter o controle (absoluto) da Fundação com a anuência do Coordenador Geral, Dr. Evandro Terra Peixoto." 34. A liminar foi deferida em 05/09/2008 (fls. 2.338/2.339), foi negado o agravo de instrumento interposto pela Fundação em face da ACP de Intervenção 694/2008, confirmandose o afastamento dos citados gestores da Direção, por 2 (dois) anos, em 10/03/2009 (fls. 1790/1792). 35. Em continuidade ao reporte fático, temos que: (i) em 15/10/2009, “a continuidade da intervenção se faz ainda necessária” (fl. 1.734); (ii) em 24/03/2010 (fls. 1.617/1.618) o processo foi extinto com julgamento de mérito para reconhecer o pedido de destituição do Conselho Diretor da FHISA (Processo nº 1.142/2009, fl. 908). A própria intervenção tinha como objetivo afastar o antigo administrador (Dr. Jorge Abou Nabhan). Nos autos foi constatada “desorganização geral em contabilidade, ausência de prestação de contas real, vários empréstimos bancários, utilização de verbas destinadas a outros empreendimentos e dificuldade de sua manutenção”, “o Ministério Público já ter conseguido colher todos os dados necessários para avaliar a antiga gestão e, por conseguinte, instruir eventuais ações (...) homologo a intervenção, ao tempo em que julgo extinto o processo”. 36. O contrato de aluguel firmado em 11/06/2007 não foi aceito pelo MP. Por meio da Ação Civil Pública nº 826/2008 (fls. 1.735/1.736), em 06/10/2008, o MP questionou a validade dos contratos de Comodato, de Concessão e o de Aluguel. 37. A P&N, por sua vez, moveu a Ação de Despejo 633/2009, contra a Fundação (fls. 1.727/1.732), em razão do não pagamento dos aluguéis. 38. Em 31/03/2010 foi firmado Acordo entre a Fundação e a P&N referente aos aluguéis. O Acordo de Transação foi homologado perante o Poder Judiciário, em 28/10/2010 (fls. 1.735/1.736), com o seguinte teor (fls. 906/911): 38.1. A P&N aceita: (i) alterar o Contrato de Aluguel para R$ 32.000,00 mensais, com reajuste IGPM prazo de 25/10/2010 a 24/10/2035 (25 anos), podendo a Fundação rescindir unilateralmente o contrato caso fosse extinta ou mudasse sua sede (fls. 2.599/2.603); (ii) concluir as obras do Centro de Diagnose; e (iii) cancelar a Ação de Despejo nº 633/2009; 38.2. A Fundação aceita pagar à P&N R$ 113.258,68, referente ao Alvará Judicial 193/2010 e R$ 306.764,28 de alugueis referentes ao período 01 a 09/2010. 39. Em 22/03/2010 (fls. 899/902) foi discutido em Assembléia Geral a necessidade de reforma do Estatuto Social para fins de prever a contratação de administrador profissional; também foi consignado que, por decisão liminar da juíza da vara cível da Comarca de Cianorte, autos nº 408/2009, a chapa encabeçada por Dr. Jorge Abou Nabhan não Fl. 3113DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 36 35 poderia concorrer à eleição do Conselho Diretor. Foram eleitos o Presidente Alcides Nascimento Oliveira e o vice Presidente João Carlos Raddi. 40. Em 25/05/2010 (fls. 948/963 e 2.207/2.235) houve alteração no Estatuto Social da Fundação Hospitalar de Saúde, mantenedora da Santa Casa de Cianorte/PR. Cumpre destacar os seguintes trechos: "Artigo 9º. A administração da fundação será feita pelos seguintes organismos: I Conselho Diretor; II Diretoria Executiva; III Conselho Fiscal; IV Superintendência de gestão de convênios. Artigo 10. O conselho Diretor é um órgão deliberativo e será constituído por 14 (quatorze) Membros, cuja formação será a seguinte: (...) IV a pessoa do Dr. Jorge Abou Nabhan. Artigo 14. Ao Conselho Diretor compete: (...) VI escolher o Administrador a ser contratado, decidir sobre sua remuneração e demissão. Artigo 37. A Fundação será administrada por um Administrador, devidamente graduado em Curso Superior de Administração de Empresas e inscrito no Conselho Regional de Administração CRA, contratado, remunerado e demitido na forma do artigo 14, VI, e 30, V, conforme a legislação trabalhista aplicável. Parágrafo Único: O Administrador não poderá ser Membro dos Conselhos Diretor e Fiscal. Artigo 39. A Fundação poderá nomear um Superintendente de Gestão de Convênios, o qual será investido nas atribuições constantes no parágrafo primeiro desta disposição. (...) Parágrafo Segundo: Ao Superintendente de Gestão de Convênios reservamse as seguintes atribuições: I Captação de recursos, públicos ou não, para a Fundação Hospitalar de Saúde; II Desenvolvimento e gestão de projetos objetos de financiamentos pelos recursos a serem captados na forma do inciso anterior, conforme a vontade e a necessidade da Fundação Hospitalar de Saúde; Artigo 41. O Superintendente de Gestão de Convênios não poderá ser remunerado pela Fundação Hospitalar de Saúde, Fl. 3114DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 37 36 mas tão somente reembolsado pelas despesas que realizar relativamente ao desempenho de suas funções, tais como transporte, hospedagem, alimentação, etc. Artigo 50. A fundação honrará, desde sua instituição, todos os contratos e convênios realizados. Parágrafo Único. No caso de extinção da Fundação, os contratos de comodato, por ventura existentes, serão extintos e o bem, objeto deste instrumento, será devolvido ao seu proprietário, observado o direito de retenção previsto no artigo 516 do Código Civil Brasileiro. 41. Em 28/10/2010 foi firmado Contrato de Aluguel dos terrenos e prédio do hospital com os equipamentos e móveis, pelo prazo de 25/10/2010 até 24/10/2035, no valor de R$ 32.000,00, com correção anual pelo IGPM. A Fundação poderia rescindir unilateralmente contrato caso fosse extinta ou mudasse sua sede. Determina, ainda, a entrega à Fundação em Comodato, sem ônus, pelo mesmo prazo, dos terrenos e prédios referentes ao Centro Cirúrgico e Unidade de Terapia Intensiva – UTI, 1.336,36 m², construídos com recursos públicos. II. Da suspensão da imunidade da Fundação, durante o período de 01/01/2005 a 31/12/2008 42. O Ato Declaratório Executivo DRF/MGA nº 98, de 5 de novembro de 2010 (fls. 2.847), suspendeu a imunidade tributária da entidade nos anoscalendário 2005 a 2008. 43. A base legal da suspensão foi o artigo 32, § 3º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que remete aos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN: Art. 9º É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV cobrar imposto sobre: (...) c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; (Redação dada pela Lei Complementar nº 104, de 10.1.2001) Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, a qualquer título; (Redação dada pela LCP nº 104, de 10.1.2001); II aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; Fl. 3115DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 38 37 manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. § 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. § 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. 44. Por sua vez a Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, determinou: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da MPV 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001). § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei nº 10.637, de 2002) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no Fl. 3116DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 39 38 caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. (grifos nossos) 45. O rito estabelecido pelo artigo 32, da Lei nº 9.430/96, prevê que, emitido o ADE, a suspensão de imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. Fl. 3117DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 40 39 Contudo, é assegurada à entidade o direito de impugnar o ADE, seguindo o rito do processo administrativo tributário. 46. In casu, a Fundação apresentou sua impugnação, julgada improcedente pela DRJ/CTA, Acórdão nº 0633.786, de 29 de setembro de 2011 (fls. 2.848/2.862). 47. A mesma legislação determina que, simultaneamente, a fiscalização de tributos federais lavre, se for o caso, os competentes autos de infração, bem como que eventual impugnação e recurso apresentados pela entidade não tenham efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado, verbis: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. Fl. 3118DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 41 40 § 9º Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações contra o ato declaratório e contra a exigência de crédito tributário serão reunidas em um único processo, para serem decididas simultaneamente. 48. No presente caso, o ADE foi emitido em 05/11/2010, publicado no DOU em 09/11/2010. A contribuinte apresentou impugnação ao Ato e em 29/11/2011 teve resultado desfavorável. Com efeito, foi apresentado recurso ao E. CARF (Processo nº 10950.004285/201052). 49. Em sessão de 09 de abril de 2014, a 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso da contribuinte, nos termos do voto relator, Acórdão nº 1802002.111, cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. O descumprimento de qualquer dos requisitos legais para a fruição da imunidade tributária suspende o benefício da entidade. 50. Logo, restou evidenciado, em consonância com o Relatório Fiscal do AI, itens 723/741 (fls. 2.095/2.101), que houve descumprimento do artigo 14, incisos I, II e III, do Código Tributário Nacional (CTN), devido a distribuição de parcelas de suas rendas na forma de remunerações e benefícios à P&N e seus sócios, Dr. Jorge Abou Nabhan (também Presidente do Conselho Diretor da Fundação) e à sua esposa Ana Maria Pletsch Nabhan. 51. Assim, não merece ser acatado o argumento da Recorrente de inobservância do procedimento previsto no artigo 32, da Lei nº 9.430/96. Claramente, não houve cerceamento do seu direito de defesa, seja no curso do processo administrativo de suspensão da imunidade seja nos presente autos. O inconformismo do sujeito passivo não pode ser confundido com violação ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa. III. Dos Efeitos da ADI nº 1.802/DF 52. De fato, conforme alegado pela Recorrente em seus instrumentos de defesa, foi proferida decisão de mérito pelo plenário do Supremo Tribunal Federal na ADI 1.802/DF, de relatoria do Min. Dias Toffoli, em que o Tribunal declarou a inconstitucionalidade do artigo 12, § 1° (formal e material) e alínea "f", do § 2º e artigos 13 e 14 da Lei nº 9.532/1997 (os três últimos por inconstitucionalidade formal). Segue ementa da decisão: EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Pertinência temática verificada. Alteração legislativa. Ausência de perda parcial do objeto. Imunidade. Artigo 150, VI, c, da CF. Artigos 12, 13 e 14 da Lei nº 9.532/97. Requisitos da imunidade. Reserva de lei complementar. Artigo 146, II, da CF. Limitações constitucionais ao poder de tributar. Inconstitucionalidades Fl. 3119DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 42 41 formal e material. Ação direta parcialmente procedente. Confirmação da medida cautelar. (...) 3. A orientação prevalecente no recente julgamento das ADIs nº 2.028/DF, 2.036/DF, 2.228/DF e 2.621/DF é no sentido de que os artigos de lei ordinária que dispõem sobre o modo beneficente (no caso de assistência e educação) de atuação das entidades acobertadas pela imunidade, especialmente aqueles que criaram contrapartidas a serem observadas pelas entidades, padecem de vício formal, por invadir competência reservada a lei complementar. Os aspectos procedimentais necessários à verificação do atendimento das finalidades constitucionais da regra de imunidade, tais como as referentes à certificação, à fiscalização e ao controle administrativo, continuam passíveis de definição por lei ordinária. 4. São inconstitucionais, por invadir campo reservado a lei complementar de que trata o art. 146, II, da CF: (i) a alínea f do § 2º do art. 12, por criar uma contrapartida que interfere diretamente na atuação da entidade; o art. 13, caput, e o art. 14, ao prever a pena se suspensão do gozo da imunidade nas hipóteses que enumera. 5. Padece de inconstitucionalidade formal e material o § 1º do art. 12 da Lei nº 9.532/97, com a subtração da imunidade de acréscimos patrimoniais abrangidos pela vedação constitucional de tributar. 6. Medida cautelar confirmada. Ação direta julgada parcialmente procedente, com a declaração i) da inconstitucionalidade formal da alínea f do § 2º do art. 12; do caput art. 13; e do art. 14; bem como ii) da inconstitucionalidade formal e material do art. 12, § 1º, todos da Lei nº 9.532/91, sendo a ação declarada improcedente quanto aos demais dispositivos legais." (ADI 1802, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLl, Tribunal Pleno, julgado em 12/04/2018, Processo Eletrônico, DJe085 Divulg 02/05/2018, publicado em 03/05/2018) 53. De acordo com o artigo 62, §1º, inciso I, do RICARF, os membros das turmas de julgamento do CARF podem afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade quando, por decisão definitiva plenária do STF, tenha sido declarada inconstitucional. 54. A ADI 1.802/DF teve seu julgamento proferido em decisão plenária e houve seu trânsito em julgado em 11/05/2018. Portanto, tal decisão deve ser observada por este E. CARF. 55. Contudo, no presente caso, a motivação da suspensão via Ato Declaratório e o consequente lançamento dos créditos tributários respectivos, decorrem da violação aos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN, com observância do rito disposto no artigo 32, da Lei nº 9.430/96, todos plenamente válidos e constitucionais até o presente momento. Fl. 3120DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 43 42 56. Ademais, tal declaração inconstitucionalidade não desqualifica o mérito deste caso, vez que as alíneas "a" à "h", com exceção da "f", foram consideradas, neste mesmo precedente, constitucionais: "sendo a ação declarada improcedente quanto aos demais dispositivos legais." 57. Logo, as infrações constantes do TVF e dos respectivos lançamentos, especialmente quanto à impossibilidade de "remunerar, sob qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados" continuam em vigor. 58. E, por mais que a alínea "a" do § 2º do artigo 12 da Lei nº 9.532/97 tenha sofrido sucessivas alterações, in casu, a redação vigente à época dos fatos geradores era a mais restritiva (supra) e, ainda que assim não fosse, as questões fáticoprobatórias assistidas neste processo levam, inevitavelmente, a constatação de violação não só da alínea "a" (mesmo se, à título de argumento, considerarmos a redação atual) como de outras alíneas, bem como dos preceitos constantes dos artigos 9º, § 1º, e 14, do CTN. IV. Inocorrência de Decadência no AnoCalendário de 2005 59. Com fundamento no artigo 173, inciso I, do CTN, os Recorrentes, tendo sido os autos cientificados em 27/12/2011, consideram que operouse a decadência dos créditos tributários relativos ao anocalendário 2005. 60. No referido anocalendário, a contribuinte contabilizou resultados negativos em sua contabilidade. Contudo, a douta autoridade fiscal, na apuração de lucro real em 31/12/2005, cancelou o prejuízo fiscal apurado. 61. Partindo da ocorrência do fato gerador em 31/12/2005 e iniciando a contagem do prazo de decadência a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, temse que o prazo decadencial se iniciou no dia 01/01/2007. 62. E em 27/12/2011, não havia ainda se completado o prazo de 5 (cinco) anos. 63. Por fim, cabe esclarecer que o prejuízo contábil de 31/12/2005 foi corrigido para lucro real (fl. 82), porém a autoridade fiscal se limitou a glosar as compensações daquele prejuízo indevido e não exigiu IRPJ nem CSLL em relação ao lucro real que apurou em 31/12/2005. V. Inocorrência de Decadência relativamente aos Fatos Geradores até 30/11/2006 64. Invocam os artigos 142, 149, 150, §4º c/c o art. 175, I e ainda os artigos 173, c/c os §§ 1º e 4º do art. 150, todos do CTN, para arguir a decadência dos lançamentos relativos aos fatos geradores de 31/01 a 30/11/2006, por se tratarem de lançamentos por homologação e, se provadas as antecipações de pagamentos, mesmo que parciais, ficaria demonstrada a decadência do direito de lançamento de ofício. 65. A legislação invocada pela Recorrente determina que: Fl. 3121DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 44 43 "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. §4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, s alvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue se após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" 66. Os autos de infração foram cientificados aos interessados em 27/12/2011 (fl. 2.144), e se referem a exigências de IRPJ e CSLL, no regime do lucro real anual (fatos geradores em 31 de dezembro de 2006, 2007 e 2008); exigências de PIS e COFINS sobre omissão de receitas (fatos geradores em 31/12/2006 e 31/12/2007); COFINS sobre as receitas próprias da Fundação e PIS/Folha de Pagamento, sobre fatos geradores mensais, a partir de 01/2006. 67. Quanto aos pagamentos por parte da Fundação, cumpre consignar que não ocorreram antecipações de pagamentos de IRPJ, CSLL ou COFINS, somente ocorreram recolhimentos parciais de PIS/Folha de pagamento, a partir de 03/2007. 68. No mais, diante da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o artigo 150, §4º, do CTN, remete a contagem do prazo decadencial ao artigo 173, inciso I, do CTN. 69. Portanto, nenhuma exigência relativa a fato gerador de 2006 foi atingida pela decadência. Fl. 3122DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 45 44 Mérito I. Desembolsos contrato de concessão e contrato de aluguel: Despesa indedutível 70. Os Recorrentes afirmam terem sido pagos R$ 283.050,00 e em outro momento o valor de R$ 177.670,21. A conta que apresentaram às fls. 2.393, intitulada “Comissão”, aponta que foram pagas comissões de R$ 283.050,00. 71. A autoridade fiscal considerou como pagamentos referentes ao Contrato de Concessão de 2005, R$ 454.020,00 (item 34 do Relatório Fiscal do AI), valor este constante do Balancete de Verificação de 31/12/2005 da Fundação (fls. 105), ali registrado como “Despesa c/Adm FHISA”, sendo que à fl. 98, no Passivo, a P&N está identificada como “Adm FHISA". 72. Por isso, procede o valor considerado do pagamento em 2005 de R$ 454.020,00, obtido em documento contábil fornecido pela própria entidade, documento este não contraditado pelos Recorrentes por meio de outra prova idônea. 73. Às fls. 2.788/2.790, verificase que a P&N declarou R$ 523.405,64 de receitas na DIPJ retificadora do anocalendário 2005, portanto, o valor do pagamento é compatível. 74. A autoridade fiscal descreveu o valor como lucro distribuído disfarçadamente, nos termos do artigo 464, inciso V, do RIR/1999 (pagamento a pessoa ligada de aluguéis, royalties ou assistência técnica, em montante que excede notoriamente o valor de mercado), e adicionou o valor ao resultado contábil, conforme artigo 467, inciso IV, do RIR/1999. 75. Isso porque, em se tratando de Fundação e sendo o Dr. Jorge Abou Nabhan seu Presidente e sócioresponsável pela P&N junto com sua esposa Ana Maria Pletsch Nabham, funcionária registrada na Fundação, ambos pessoas ligadas, considerou indevido na totalidade o pagamento. 76. Como a entidade se declarava imune, tais pagamentos caracterizaram infração ao disposto no artigo 15 da Lei nº 9.532/97, destacandose o parágrafo único do artigo 13 dessa lei, que determina tratarse de despesa indedutível, devendo ser adicionada ao lucro: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: Fl. 3123DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 46 45 a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; (Vide Lei nº 10.637, de 2002) b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público; h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3° Considerase entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, c aso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998). Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anoscalendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considerase, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas Fl. 3124DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 47 46 consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. (...) Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. 77. Vejam que, o fato do contrato de concessão ter sido cancelado mediante o Acordo firmado na ACP nº 826/2008 e o Estatuto ter sido alterado para que as figuras do Coordenador e da Secretaria Executiva (cargos não remunerados) fossem substituídas por administrador profissional (contratado e remunerado como tal), demonstram que o referido instrumento era irregular e indevido. II. Do Contrato de Concessão relativo ao AnoCalendário de 2006 78. A autoridade fiscal e julgadora consideraram o pagamento à P&N de R$ 473.869,04, conforme Balancete de Verificação de 31/12/2006 (fls. 121), conta Despesas c/Adm FHISA. Este valor está confirmado às fls. 1.112/1.113 na Ficha Razão de Custos Despesas c/ Adm FHISA. 79. Por isso, procede o valor considerado de R$ 473.869,04, no item 006 do auto de infração, obtido a partir de documentos contábeis fornecidos pela própria entidade, e não contraditados pelas Recorrentes por outro documento idôneo. Portanto, o estorno reclamado pelos contribuintes não restou comprovado. 80. Destaquese que, o embasamento legal é o mesmo do anocalendário 2005, comentado no item anterior. 81. Na DIPJ retificadora que a P&N entregou, as receitas declaradas totalizam R$ 364.956,55 (fls. 2.791/2.803) e a empresa informou 1 (um) empregado, o que evidencia que o valor considerado é compatível com a DIPJ e ao mesmo tempo é desproporcional em relação ao objeto do Contrato de Concessão, assim remunerado, pois com apenas 1 (um) empregado a P&N teria executado as atividades de Secretaria Executiva. III. Do Contrato de Aluguel relativo aos Anoscalendário de 2007 e 2008 Fl. 3125DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 48 47 82. A partir de 01/01/2007 o Contrato de Concessão foi encerrado e substituído inicialmente pelo 1º Contrato de Aluguel (R$ 41.000,00 mensais), posteriormente cancelado e objeto do Acordo, sendo firmado novo Contrato de Aluguel (R$ 32.000,00 mensais a partir de 10/2010) e os aluguéis do período de 01/01/2007 a 31/12/2009 foram contestados pelo MP na ACP nº 826/2008, que foi encerrada com a celebração do Acordo já descrito. 83. O Balancete de Verificação de 31/12/2007 (fls. 132), aponta pagamentos de “Aluguel ref Prédio FHISA” de R$ 492.000,00, o que equivale a R$ 41.000,00 vezes 12; às fls. 1.203/1.208, o razão da conta do passivo “Aluguéis a Pagar” aponta que foram creditados R$ 492.000,00, havia um saldo anterior de R$ 138.314,59, foram pagos R$ 322.473,59, restando saldo a pagar de R$ 307.841,33. 84. O Balancete de Verificação de 31/12/2008 (fl. 143), aponta pagamentos de “Aluguel do Prédio FHISA” de R$ 492.000,00, o que equivale a R$ 41.000,00 vezes 12; às fls. 1.209/1.213, o razão da conta do passivo “Aluguéis a Pagar” aponta que foram creditados R$ 492.139,49, havia um saldo anterior de R$ 307.841,33, foram pagos R$ 746.853,23, restando saldo a pagar de R$ 53.139,45. 85. Às fls. 1.557/1.565, a autoridade fiscal elaborou planilha intitulada “Aluguel”, na qual computou os desembolsos com aluguéis pela Fundação para a P&N, referentes aos anos de 2007 e 2008, apurando o total de R$ 1.069.326,54 (que é exatamente a soma de dos valores pagos em 2007 R$ 322.473,59 (2007) e em 2008 R$ 746.853,23); à fl. 1.566, deduziu R$ 45.510,72 de “Total de Despesas”, concluindo pelo valor de aluguéis pagos em 2007 e 2008 de R$ 1.023.815,82. 86. Portanto, de fato cabe razão aos Recorrentes no que tange aos aluguéis de 2007 e 2008. 78.1. Para o ano de 2007, com base no razão da conta “Aluguéis a Pagar” e planilha da autoridade fiscal, que consignou no item 52 (fls. 2.203) que R$ 6.301,89 são despesas de 2007, concluise que o valor do aluguel pago foi de R$ 316.171,70. 78.2. Para o ano 2008, com base no razão da conta “Aluguéis a Pagar” e planilha do autoridade fiscal, o valor do aluguel pago foi de R$ 707.644,40. 87. A soma desses dois valores perfaz o total apontado pela autoridade fiscal de R$ 1.023.815,82, referente aos dois anos. 88. Consultandose a DIPJ retificadora do anocalendário 2007, temse que a P&N declarou R$ 419.892,46 de receitas e no anocalendário 2008, R$ 825.406,06, fls. 2.807/2.832, valores compatíveis com a conclusão supra. 89. Os valores dos aluguéis pagos foram objeto de lançamento fiscal item 005 do auto de infração, como distribuição disfarçada de lucros, artigos 464, inciso V, 466 e 467, inciso IV do RIR/1999, descritos nos itens 51 e 59 do Relatório Fiscal do AI. Os valores de aluguel aqui discutidos, pagos pela Fundação à empresa de propriedade do Diretor da Fundação, foram considerados despesa indedutível na totalidade. Confirase o teor do artigo467, do RIR/ 1999: Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica: (...) Fl. 3126DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 49 48 IV No caso do inciso V do art. 464, o montante dos rendimentos que exceder ao valor de mercado, não será dedutível; (grifos nossos) 90. No caso de presunção distribuição disfarçada de lucros com base em pagamentos, pela pessoa jurídica, a empresa ligada, de aluguéis em montante que excederam notoriamente ao valor de mercado, esse montante excedente, não é dedutível para a determinação do lucro real. IV. Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica 91. Os Recorrentes anexaram, fls. 2.567/2.598, Parecer Técnico de Avaliação Mercadológica, elaborado por empresa imobiliária, que conclui ser o valor de mercado do aluguel, em 09/07/2010, R$ 42.285,30 (fl. 2.596). 92. No entanto, resta desmentido este valor, dado que a P&N, representada pelo seu sócio Dr. Jorge Abou Nabhan, assinou o Acordo referendado pela Justiça, concordando com o valor do aluguel mensal de R$ 32.000,00, com reajuste anual pelo IGPM, a partir de 25/10/2010, conforme Contrato de Aluguel de fls. 2.599/2.603, firmado em 28/10/2010. Esse valor deflacionado pelo IGPM para 10/2007 resulta em R$ 26.541,82. E, para 10/2008, resulta em R$ 29.809,86. 93. O montante de aluguéis em 2007 resulta da soma de 9 (nove) meses pelo valor reajustado em 10/2006 e de 3 (três) meses do valor reajustado em 10/2007; os montantes dos anos 2008 e 2009 são apurados analogamente. 94. Do exposto, concluise que os valores excedentes ao valor de mercado, desembolsados pela Fundação para a P&N, pessoa jurídica associada por ser de propriedade do Presidente do Conselho Diretor da Fundação, objeto da autuação item 005, são os a seguir: 2007: R$316.171,70 () 205.684,32 = 11.033,38 2008: R$707.644,40 () 328.303,76 = 379.340,64 V. Cheques compensados, não identificados 95. A autoridade fiscal adicionou os seguintes valores na apuração do lucro real: “cheques compensados não identificados” – anocalendário 2005 – R$ 54.456,19; explica no item 35 (fl. 2.021), que a Fundação pagou à P&N, cheques no total de R$ 54.456,19 (fls. 438 e 452), valor adicionado ao lucro com base no artigo 358, § 3º, inciso II, do RIR/1999, este dispositivo remete ao artigo 304, que determina não serem dedutíveis na apuração do lucro real, valores pagos, quando não for indicada a operação ou a causa que deu origem ao rendimento. 96. À fl. 438, Consta do Razão da conta do ativo “Valores não identificados no exercício – Cheques compensados e não identificados”, o lançamento a crédito (saída) do citado valor; à fl. 452, o mesmo valor está registrado a débito (saída) da conta do passivo “Fornecedores – Pletsch&Nabhan Ltda”, isto é, o recurso foi pago à P&N, conforme evidenciam os lançamentos contábeis apresentados pela Fundação, sendo não identificada a Fl. 3127DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 50 49 causa desse dispêndio; as justificativas apresentadas no adendo aos instrumentos de defesa não estão documentadas. 97. Cabe relembrar que, o alegado demonstrativo/laudo de perito do “razão contábil dos Anexos I a XI”, não foi apresentado, apenas valores transcritos no adendo à Impugnação e ao Recurso Voluntário, sem documentos a respaldálos. VI. Empréstimos P&N x Fundação: Anoscalendário 2006 e 2007 98. A autoridade fiscal adicionou os seguintes valores na apuração do lucro real de 2006 e 2007, com o título de “valores de empréstimos que apenas transitaram no caixa”: Anocalendário 2006 R$ 884.804,13 Anocalendário 2007 R$ 636.568,61 Anocalendário 2006 99. A autoridade fiscal explica no item 46 (fl. 2.022) que no ano 2006, adicionou o citado valor ao lucro real, demonstrado na planilha de fl. 1.753, que resume lançamentos extraídos do razão das contas do ativo: Banco Conta Movimento Unicred, Caixa Econômica Federal; do passivo: Empréstimos Unicred, Empréstimos e Financiamento – Pletsch Nabhan, fls. 1.740/1751; identifica que R$ 227.830,58 foram pagos diretamente ao Dr. Jorge Abou Nabhan e R$ 656.976,45 à P&N, com cheques, sendo os valores oriundos de contas de: Unicred Empréstimo, Banco Unicred, Caixa Econômica, Banco do Brasil. 100. Por sua vez, o razão da conta do passivo Empréstimos e Financiamento – Pletsch Nabhan aponta um saldo credor inicial em 02/01/2006 de R$ 621.547,35, créditos adicionais de R$ 571.667,03 e débitos (isto é pagamentos contabilizados à conta da P&N) no total de R$ 884.804,13, restando saldo em 29/12/06 de R$ 308.410,25. 101. Os históricos dos créditos são: crédito B. Brasil, depósito Unicred cta 730963 ref empréstimo, Vlr empréstimo Pletsch Nabhan (Unicred), Unicred ref Empréstimo FHISA, cfe cx. 06/11/06, Empréstimo Pletsch Nabhan, Crédito B.Brasil ref empréstimo Pletsch Nabhan, Vlr empréstimo CEF Pletsch. Anocalendário 2007 102. Quanto ao ano 2007, a autoridade fiscal esclarece no item 54 (fl. 2.023), que adicionou o citado valor, demonstrado na planilha de fl. 1.773, ao lucro real; este valor foi obtido da ficha razão da conta do passivo Empréstimos e Financiamentos – Pletsch Nabhan, fls. 1.760/1.761, na qual consta saldo credor inicial de R$ 308.410,25, créditos de novos empréstimos tomados de R$ 600.381,61, débitos (pagamentos à P&N e ao Dr. Jorge Abou Nabhan) de R$ 636.568,61 e saldo credor final de R$ 272.223,25. 103. Na ata de Assembléia em 10/04/2008, fls. 994/998, o relatório de auditoria apontou: "3.5 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS R$ 889.612,74 A entidade tem pleiteado empréstimos junto à instituições bancárias, porém o limite cadastral da mesma não tem sido suficiente para garantir os aportes necessários. Em decorrência Fl. 3128DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 51 50 tem se utilizado da empresa PLETSCH & NABHAN com a qual mantêm transações, para obter os referidos empréstimos, cujo valor em 31/12/2006 era de R$ 708.157,25. Ocorre que os valores são creditados pelos bancos na conta da empresa (Pletscli & Nabhan) pelo valor líquido, não sendo evidenciados na entidade os valores dos juros e encargos financeiros correspondentes. Recomendamos uma análise criteriosa destes eventos e a elaboração pelo Departamento Jurídico da entidade dos competentes contratos de mútuo, formas de pagamento e valor dos juros, na forma do contrato de financiamento do estabelecimento bancário concedente, para os devidos respaldos documental junto a entidade, evitandose assim implicações que caracterizem transações irregulares com partes relacionadas. Alertamos para as implicações fiscais junto a tomadora dos empréstimos, uma vez que os juros pagos não estão relacionados com as suas próprias atividades." 104. Os desembolsos de pagamentos de empréstimos para a P&N e seu sócio foram objetos de autuação como omissão de receitas com base no artigo 282 do RIR/1999 (item 001 do auto de infração), que determina que a omissão de receita pode ser quantificada com base no valor dos recursos de Caixa fornecidos à empresa por administradores, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas. 105. Temse que a transcrita ata de assembléia é um indício de que a P&N tomava empréstimos e os repassava à Fundação, o que é confirmado pelos balancetes de verificação e fichas Razão citadas. 106. O autoridade fiscal buscou os valores no razão do passivo Empréstimos e Financiamentos – Pletsch Nabhan, sendo lógico o pressuposto de que valores que a P&N emprestou à Fundação deram entrada no Caixa ou em Bancos, para pagamento de dispêndios, mas não foram apurados a partir de valores que deram entrada na conta Caixa, mas apenas no pressuposto de que tais valores teriam suprido o Caixa; além do que, eventuais valores entregues ao Caixa ou Bancos para pagamentos de dispêndios da Fundação teriam sido aqueles contabilizados como novos empréstimos tomados: R$ 571.667,03 em 2006 e R$ 600.381,61 em 2007 e não os desembolsos, como considerou o autoridade fiscal. 107. Em linha com a decisão de piso, é de se considerar improcedentes os lançamentos referentes à omissão de receita, com base nos “valores de empréstimos que apenas transitaram no caixa” apurados a partir de valores de empréstimos pagos, obtidos em conta do passivo. VII. Da Manutenção dos Bens 108. Os contribuintes insurgiramse contra as glosas de despesas de manutenção e reparação de bens cedidos pela P&N à Fundação, invocando o Contrato de Comodato, que não mais vigia porque, analisandose a autuação, verificase no lançamento fiscal, item 005 (fls. 370/371), que tais valores glosados se referem aos anoscalendário 2007 (no valor de R$ 190.516,34) e 2008 (no valor de R$ 340.738,33), quando os Contratos de Fl. 3129DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 52 51 Comodato e Concessão, foram substituídos por Contrato de Aluguel; e para o ano 2009, não objeto de exigência fiscal. 109. O Contrato de Aluguel firmado com vigência a partir de 01/01/2007, fls. 1.106/1.111, e que foi objeto da ACP 826/2008 que culminou com o Acordo, determinava: CLÁUSULA TERCEIRA O prazo do presente contrato de locação é de sessenta meses, iniciado em 01 de janeiro de 2.007 e o término em 31 de dezembro de 2.011 podendo ser renovado, automaticamente, por iguais período sucessivos, até o limite de sessenta meses, data em que a LOCATÁRIA se obriga a restituir o imóvel locado no estado de conservação em que o recebeu, salvo as deteriorações decorrentes do uso normal, inteiramente livre e desocupado. CLÁUSULA SÉTIMA: A LOCATÁRIA será responsável, enquanto durar a locação, por: (...) b)todas as despesas de conservação do prédio; CLÁUSULA OITAVA A LOCATÁRIA, exceto as obras que importem na segurança do imóvel, obrigase por todas as outras, devendo trazêlo em perfeito estado de conservação, e em boas condições de utilização, para assim restituílo com todas as instalações sanitárias, elétricas, e hidráulicas; fechos, vidros, torneiras, ralos e demais acessórios, quando findo ou rescindido este contrato, sem direito a retenção ou indenização por benfeitorias ainda que necessárias, as quais ficarão a ele incorporadas, devendo ainda a locatária fazer a manutenção preventiva e corretiva. PARAGRAFO PRIMEIRO Sendo necessárias benfeitorias no imóvel, para adaptálo às atividades sociais da LOCATÁRIA, esta apresentará projeto a LOCADORA, o qual no prazo de 15 (quinze) dias apresentará sua resposta por escrito, de concordância ou não com a sua execução. PARAGRAFO SEGUNDO No caso de introdução de benfeitorias no imóvel realizadas pela LOCATÁRIA com a concordância da LOCADORA, caberá a este aceitála na entrega do imóvel de forma incondicional. CLÁUSULA DEZESSETE A LOCATÁRIA assume neste ato a responsabilidade em promover a manutenção periódica necessária a conservação dos utensílios, máquinas e equipamentos que lhe são neste momento locados, cujo custo é de sua exclusiva responsabilidade, objetivando a entrega dos mesmos ao final do período de locação em iguais condições de recebimento, conforme termo de Vistoria anexo, ressalvandose o desgaste natural decorrente do uso normal dos bens do desenvolvimento da atividade de prestação de serviços médico hospitalares. 110. Já o 2º Contrato de Locação previa: Fl. 3130DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 53 52 CLÁUSULA SEGUNDA: PRAZO Este contrato vigorará pelo prazo de 300 (trezentos) meses, iniciandose aos 25 de Outubro de 2010 e findandose aos 24 de outubro de 2035, ocasião esta em que a LOCATÁRIA se obriga a restituir os imóveis locados e d ados em comodato completamente limpos e desocupados, juntamente com os utensílios, máquinas e equipamentos hospitalares constantes no Anexo I deste contrato, todos e m perfeitas condições de manutenção, conservação e funcionamento, independente de qualquer notificação ou interpelação, judicial ou extrajudicial. Salvo as obras que importem na segurança do imóvel, a LOCATÁRIA obriga se por todas as outras, devendo trazer o imóvel locado, e seus acessórios, em perfeitas condições de higiene, limpeza, manutenção, conservação e funcionamento, bem como proceder a devida manutenção corretiva e preventiva para assim restituílo. D) A LOCATÁRIA será responsável, enquanto durar a locação, por: todos os encargos tributários incidentes sobre a propriedade do imóvel, exceto as contribuições de melhorias; todas as despesas de conservação do prédio, de seguro, de consumo de água, luz, telefone, conservação e manutenção do imóvel c outras ligadas ao uso do imóvel; todas as multas pecuniárias provenientes de atraso no pagamento de encargos tributários e fiscais sob sua responsabilidade. 111. A autoridade fiscal consignou no item 53 do relatório Fiscal do AI que: “Segundo o contrato de comodato, depois locação, a conservação do imóvel, das instalações e dos equipamentos nele contidos, pertencentes ao Presidente Jorge Abou Nabhan, representou despesa do sujeito passivo nos valores respectivos de R$ 116.013,56 e R$ 74.502,78 (fls. 1118 a 1133), segundo determinado pelo inc. IV do art. 467 (...) do RIR/1999.” 112. No item 61, analogamente, em relação ao ano 2008, com base nos documentos de fls. 1.155/1.177. 113. E no item 68, analogamente, em relação ao ano 2009, com base nos documentos de fls. 1.178/1.201. 114. Os citados documentos referentes a 2007, 2008 e 2009, são a fichas Razão das contas de Despesas Gerais e Administrativas, Manutenção de Bens e Instalações e Despesas Gerais e Administrativas, Manutenção de Equipamentos. Tendo em vista o teor de ambos Contratos de Aluguel e nenhuma menção à manutenção no Acordo, não se vislumbra motivo para considerar indevidas as despesas de manutenção de prédios e equipamentos objetos de locação, pactuadas em ambos contratos, o anterior e o posterior ao Acordo. 115. Por isso, em consonância com a decisão de piso, merece ser afastada a glosa destas despesas. VIII. Despesas de Viagem do Presidente da Fundação Fl. 3131DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 54 53 116. A autoridade fiscal glosou despesas de viagem relativamente aos anos 2005 (R$ 3.556,83 não objeto de exigência fiscal, mas que alterou de ofício o prejuízo fiscal); 2006 (R$ 14.216,26), item 003 do auto de infração; e em 2009 (R$ 3.382,04 não objeto de exigência fiscal, mas que alterou de ofício o prejuízo fiscal do contribuinte), como despesas não necessárias às operações da Fundação. 117. Os Recorrentes argumentam que tais gastos efetuados pelo Dr. Jorge Abou Nabhan, eram indispensáveis ao desenvolvimento das atividades da Fundação, pois deslocou se às repartições do Ministério da Saúde, Câmara de Deputados e Senado Federal, a fim de buscar recursos para aquisição dos equipamentos e construção, conforme provam os convênios. 118. Nos itens 39, 47 e 69 do Relatório Fiscal do AI, o autoridade fiscal cita os documentos de fls. 480, 1.798/1.800 e 1.803, que são fichas Razão da conta Despesas Gerais e Administrativas, Despesas de Viagens e Estadias e registram os valores com o histórico “Despesas de Viagem do Dr. Jorge Abou Nabhan”. 119. O Estatuto da Fundação vigente em 2005, 2006 e 2009, determinava que era de competência do Coordenador Geral, entre outras atribuições, arrecadar as rendas, doações, subvenções e transferências destinadas à Fundação. 120. Os Recorrentes argumentam que as despesas de viagem em epígrafe contabilizadas como viagens do Dr. Jorge Abou Nabhan, Presidente da Fundação, foram no cumprimento de atribuições que, estatutariamente, cabiam ao Coordenador Geral. 121. Sob este argumento, as autoridades fiscal e julgadora consideram descaber razão as Recorrentes. Contudo, é senso comum que o Presidente de determinada entidade, independente as obrigações constantes do Estatuto, acaba por representar institucionalmente o órgão. E mais, não é porque o Estatuto prevê essa atribuição ao Coordenador Geral que o Presidente não deve exercêla na prática. 122. Por fim, há documentação contábil idônea que demonstra a ocorrência da despesa. Nesse sentido, considero que deve afastada a glosa destas despesas. IX. Dos Pagamentos ao Presidente Dr. Jorge Abou Nabhan e à P&N 123. Os Recorrentes culpam os contadores de não terem instruído a P&N à emitir fatura mensal do aluguel de R$ 41.000,00 e, por essa razão, a empresa acabou por emitir notas fiscais de prestação de serviços (NFPS) (fls. 2047). 124. De acordo com a “Ficha Razão Contábil, Anexo V, VI”, fls. 2.407/2.408, foi contabilizado o aluguel como despesa operacional/custo dos serviços hospitalares/aluguel e como passivo/outras contas a pagar/P&N. 125. Os Recorrentes não apresentaram qualquer documento hábil a afastar a conclusão da autoridade fiscal de que tais pagamentos se referiam a retiradas e pagamentos de despesas pessoais do Presidente e de sua empresa P&N. 126. Nesse sentido, em linha com a decisão de piso, a glosa deve ser mantida. Fl. 3132DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 55 54 X. Das Base de Cálculo do IRPJ e CSLL: Anoscalendário 2005 a 2009 127. Considero incontroversas as bases de cálculo constantes do AIIMs apuração com base no lucro real anual. 128. Em vista do decidido no item VIII, a adição de R$ 3.372,04 de despesas de viagem do Dr. Jorge Abou Nabhan (anocalendário de 2009), deve ser afastada. XI. COFINS e PIS: Receita Omitida 129. Registro que a questão não foi trazida em sede de Recurso Voluntário. Portanto, considero incontroverso o tema. XII. Do Agravamento da Multa (de 150% para 225%) 130. O agravamento da multa de ofício foi levado a efeito com base no artigo 44, § 2°, inciso I, da Lei n° 9.430/96, que assim prevê: (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1 o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 131. A aplicação do agravamento da multa deve ocorrer apenas quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal. 132. No mais, de acordo com a Súmula CARF nº 96: "A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros". 133. Dessa forma, ainda que no presente caso a Recorrente e os solidários não tenham atendido as intimações de forma satisfatória (não apresentação dos arquivos digitais e sistema de escrituração contábil na forma e prazo estabelecidos pela RFB (fls. 2.028/2.030), ao meu ver, tal dispositivo deve ser interpretado com cautelas, dirigindose apenas às situações de reiterado não atendimento às intimações feitas ao longo do procedimento fiscalizatório. E, digase, "não atender" não é "sinônimo de "mal atender". 134. O campo de aplicação do agravamento da penalidade não contempla a hipótese de prestação deficitária ou insuficiente de documentos e esclarecimentos por parte dos contribuintes, o que, a meu ver, foi o que ocorreu na presente situação. 135. A Câmara Superior de Recursos Fiscais, aliás, vem afastando o agravamento da multa quando não há prejuízos ao trabalho fiscal, conforme atesta a ementa do seguinte julgado: MULTA AGRAVADA ARTIGO 44, § 2º, LEI 9.430/96 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO LANÇAMENTO POR Fl. 3133DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 56 55 PRESUNÇÃO. A aplicação do agravamento da multa nos termos do artigo 44, § 2º, da Lei 9.430/96 deve ocorrer quando a falta de cumprimento das intimações pelo sujeito passivo impossibilite, total ou parcialmente, o trabalho fiscal. Na hipótese em que a fiscalização se vale de regra que admite o lançamento por presunção, a atitude do sujeito passivo tornase irrelevante para o deslinde do trabalho fiscal, de modo a tornar se inaplicável o agravamento da multa. (Acórdão nº 9202 004.290, publicado em 17/08/2016) 136. Inaplicável, portanto, o agravamento da penalidade. 137. Quanto às alegações de caráter constitucional, consigno que não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Ora, como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. 138. Essa é a diretriz da Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". 139. Com efeito, rejeito a tese defensiva de que a multa de ofício destes autos tem caráter confiscatório ou que viola a capacidade contributiva dos sujeitos passivos. XIII. Da Presença de Pressupostos para Aplicação da Multa Qualificada 140. Não podemos olvidar que a aplicação de multa qualificada é medida de caráter excepcional. A r. autoridade fiscal deve comprovar que a Recorrente teria praticado quaisquer das condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64. 141. Conforme disposto no artigo 71 da Lei nº 4.502/64, sonegar é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do evento tributário, sua natureza ou circunstâncias materiais, bem como das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente: “Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” 142. Da leitura, é possível concluir que a sonegação implica em descumprimento por parte do sujeito passivo de dever instrumental prejudicando a constituição da obrigação do crédito tributário. Em termos fáticos, a autoridade fiscal deve provar que a conduta do contribuinte impediu a apuração dos créditos tributários e, consequentemente, prejudicou o lançamento. Fl. 3134DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 57 56 143. A segunda hipótese de aplicação de multa qualificada é a fraude, definida sobre a ótica tributária, do seguinte modo: “Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.” 144. Fraude no sentido da lei é ato que busca ocultar algo para que possa o contribuinte furtarse do cumprimento da obrigação tributária. Ao contrário do dolo, que busca induzir terceiro a praticar algo, a fraude é ato próprio do contribuinte que serve para lograr o fisco. 145. Apesar disso, o artigo 72 supra, utilizouse do conceito de dolo para a definição de fraude. O "dolo" referido no artigo é o dolo penal, não o civil, porque o segundo ocorre sempre com a participação da parte prejudicada. Não por acaso, tais ilícitos tributários tem repercussões penais, nos termos dos artigos 1º e 2º, da Lei nº 8.137/90. 146. Conforme o artigo 18 do Código Penal, crime doloso ocorre quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo, assim, o dispositivo legal está conforme a teoria da vontade adotada pela lei penal brasileira. Para que o crime se configure, o agente deve conhecer os atos que realiza e a sua significação, além de estar disposto a produzir o resultado deles decorrentes. Assim, a responsabilidade pessoal do agente deve ser demonstrada/provada. 147. Portanto, é imperioso encontrar evidenciado nos autos o intuito de fraude, não sendo possível presumir sua ocorrência. A própria Súmula CARF nº 14, afasta a presunção de fraude e deixa clara a necessidade de comprovação do "evidente intuito de fraude do sujeito passivo". “Súmula CARF nº 14. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” 148. Em linha este raciocínio, para o Alberto Xavier1, a figura da fraude exige três requisitos. O primeiro, que a conduta tenha finalidade de reduzir o montante do tributo devido, evitar ou diferir o seu pagamento; o segundo, o caráter doloso da conduta com intenção de resultado contrário ao Direito; e, o terceiro, que tal ato seja o meio que gerou o prejuízo ao fisco. 149. Na prática, a comprovação da finalidade da conduta, do seu caráter doloso e do nexo de causalidade entre a conduta ilícita do contribuinte e o prejuízo ao erário é condição sine qua non para enquadrar determinada prática como fraudulenta. 150. Logo, para restar configurada a fraude, a autoridade fiscal deve trazer aos autos elementos probatórios capazes de demonstrar que o sujeito passivo praticou conduta 1 XAVIER, Alberto. Tipicidade da Tributação, Simulação e Norma Antielisiva. São Paulo: Dialética, 2000, p. 78. Fl. 3135DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 58 57 ilícita e intencional hábil a ocultar ou alterar o valor do crédito tributário, bem como que tal ato afetou a própria ocorrência do fato gerador. 151. A terceira hipótese de aplicação da multa qualificada é a prática do conluio que visa o dolo ou fraude por meio de ato intencional entre duas ou mais pessoas: “Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72.” 152. Como se nota, o conluio é qualquer ato intencional praticado por mais uma parte visando o dolo ou a fraude. O que qualifica o conluio, distinguindoo de outra espécie de conduta dolosa ou fraudulenta, é o aspecto subjetivo, isto é, a existência de mais de um sujeito que ajustem atos que visem à sonegação ou fraude. 153. É importante reforçar que o reconhecimento de quaisquer destas práticas deve ser comprovado pela autoridade fiscal através do nexo entre caso concreto e a suposta sonegação, fraude ou conluio e caracterização efetiva do dolo. 154. No presente caso, as imputações de simulação (Fundação que supostamente cumpria o requisitos para usufruir da imunidade), de conluio (entre a Fundação, seu Presidente e a empresa deste (P&N)) e dolo (intenção), bem como de sonegação de impostos e contribuições, na medida em que se declarava imune, enquanto remunerava seu diretor de várias formas e não reinvestia seus resultados em suas atividades. 155. A intervenção pelo Ministério Público, suscitada pelo Curador das Fundações do Ministério Público do Estado do Paraná e decretada judicialmente, foi desencadeada a partir do ajuizamento da ação ACP 694/2008, em 22/08/2008, sendo que, conforme relatado, desde 2006 (dois anos antes), o Curador (Ata da Assembléia de 24/11/2006) apontou desorganização, falhas e irregularidades na contabilidade, estas apontadas por auditoria independente e descritas também na Ata (fls. 994/998) da Assembléia presidida pelo próprio Dr. Jorge Abou Nabhan em 10/04/2008. 156. No mais, todo o esforço despendido pelo MP foi no sentido de eliminar essa remuneração irregular do membro da Diretoria da Fundação e os fatos demonstram que, efetivamente, houve conluio e ajuste doloso na contratação do Contrato de Concessão entre a P&N e a Fundação, desde a sua origem, só sanados pela alteração do Estatuto e substituição do Contrato de Concessão, pelo de Aluguel em valor compatível com o mercado, consubstanciado no 2º Contrato de Aluguel. 157. Cabe destacar também que o Dr. Jorge Abou Nabhan foi afastado do cargo de Diretor, mediante a já citada ACP 684/2008, porque havia irregularidades financeiras, como empréstimos tomados pela Fundação, que beneficiaram a P&N e outras, conforme Relatório Fiscal. 158. Portanto, em vista dos elementos trazidos pela autoridade fiscal, mantenho a qualificação da multa de ofício. XIV. Lançamento Reflexo de CSLL 159. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. Fl. 3136DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 59 58 XV. Da Responsabilidade Solidária e Pessoal 160. Acerca da aplicabilidade do artigo 124, inciso I, do CTN no caso concreto, vale trazer algumas ponderações de ordem técnicointerpretativas. Determina tal dispositivo legal que: “Art. 124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; 161. Para fins da correta aplicação da responsabilidade prevista no artigo 124, inciso I, é imprescindível considerar que o "interesse comum" constante do dispositivo supra não é um interesse qualquer, de fundo econômico, sancionador, monetário ou de cunho inespecífico, mas interesse exclusivamente jurídico, relativo à prática do fato gerador da obrigação tributária. 162. O interesse econômico, reconhecemos, até pode servir de indício para a caracterização de interesse comum, mas, isoladamente considerado, não constitui prova suficiente para aplicar a solidariedade. E também não é suficiente que a pessoa tenha tido participação furtiva como interveniente num negócio jurídico, ou mesmo que seja sócio ou administrador da empresa contribuinte, para que a solidariedade seja validamente estabelecida. 163. Pelo contrário, a comprovação de que o sujeito tido por solidário teve interesse jurídico, o que se faz com a demonstração cabal da relação direta e pessoal dele com a prática do ato ou atos que deram azo à relação jurídico tributária, é requisito fundamental para fins de aplicação de responsabilidade solidária. 164. Dito de outra forma, para haver solidariedade tributária, as pessoas a que se refere o dispositivo devem efetivamente participar (i.e., ser partes) do negócio jurídico que deflagra a incidência tributária ("situação que constitua o fato gerador...") no mesmo polo da relação jurídica, como os coproprietários de um imóvel no caso do IPTU ou os herdeiros no caso do ITCMD incidente na sucessão. 165. Tratase, pois, da chamada comunhão de interesses entre duas ou mais pessoas, que tenham relação pessoal e direta com a situação que deflagra a obrigação de pagar o tributo. É nesse caso que se aplica a norma, de modo tal em que seja impossível a identificação de um único contribuinte, pois todos os envolvidos possuem tal qualidade e, consequentemente, obrigamse perante o Fisco. 166. Logo, pessoas que se encontrem em posições diversas da relação jurídica (vendedor vs comprador, e.g.) ou pessoas que não tenham qualquer ligação com a "situação que constitui o fato gerador" não possuem a comunhão de interesses jurídicos a que alude o artigo 124, inciso I, do CTN. Como tal, não podem ser responsabilizadas, sob pena de permitirse a inclusão de qualquer pessoa no polo passivo da obrigação tributária, o que não se pode admitir senão em virtude de lei, a teor do artigo 124, inciso II, do CTN. 167. Nesse sentido, são os ensinamentos de Luciano Amaro a respeito da solidariedade tributária: "Sabendose que a eleição de terceiro como responsável supõe que ele esteja vinculado ao fato gerador (art. 128), é Fl. 3137DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 60 59 preciso distinguir, de um lado, as situações em que a responsabilidade do terceiro deriva do fato de ter ele 'interesse comum no fato gerador' (o que dispensa previsão na lei instituidora do tributo) e, de outro, as situações em que o terceiro tenha algum outro interesse (melhor diria, as situações com as quais ele tenha algum vínculo) em razão do qual ele possa ser eleito como responsável. Neste segundo caso é que a responsabilidade solidária do terceiro dependerá de a lei expressamente estabelecer. Por outro lado, o só fato de o Código Tributário Nacional dizer que, em determinada operação (p. ex. alienação de imóvel), a lei do tributo pode eleger qualquer das partes como contribuinte não significa dizer que, tendo eleito uma delas, a outra seja solidariamente responsável. Poderá sêlo, mas isso dependerá de expressa previsão da lei Oá agora nos termos do item li do art. 124). Até porque nessa hipótese o interesse de cada uma das partes no negócio não é comum, não é o mesmo; o interesse do vendedor é na alienação, o interesse do comprador é na aquisição. Se, porém, houver dois vendedores ou dois compradores (copropriedade), aí sim teremos interesse comum (dos vendedores ou dos compradores, respectivamente), de modo que se a lei definir como contribuinte a figura do comprador, ambos os compradores serão responsáveis solidários, não porque a lei tenha eventualmente vindo a proclamar essa solidariedade, mas sim porque ela decorre do interesse comum de ambos no fato da aquisição. O mesmo se diga em relação ao imposto predial. Havendo copropriedade, ambos os proprietários são devedores solidários". 168. É, também, o entendimento já fixado em definitivo pelas Turmas de Direito Público do Superior Tribunal de Justiça STJ sobre a matéria: "1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. (...) Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: (...) Conquanto a expressão "interesse comum" encarte um conceito indeterminado, é mister procederse a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Fl. 3138DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 61 60 Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação... Segundo doutrina abalizada, in verbis: "... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato. o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratandose, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos , a solidariedade vai instalarse entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. E o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador." (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed Saraiva, 8ª ed, 1996, p. 220)... Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível. 10. "Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador sendo irrelevante a mera participação no resultado dos eventuais lucros auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico." (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, DJe 15/12/2008). (...) 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A" (REsp 884.845/SC, 1ª T., Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJ: 18/02/2009). "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMPRESA DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. Fl. 3139DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 62 61 Inexiste solidariedade passiva em execução fiscal apenas por pertencerem as empresas ao mesmo grupo econômico, já que tal fato, por si só, não justifica a presença do 'interesse comum' previsto no artigo 124 do Código Tributário Nacional. Precedente da Primeira Turma (REsp 859.616/RS, Rei. Min. Luiz Fux, DJU de 15.10.07). Recurso especial não provido" (REsp 1.001.450/RS, 2ª T., Rel. Min. Castro Meira, DJ: 27/03/2008). 169. Portanto, de acordo com a doutrina e a jurisprudência, somente se pode cogitar de interesse comum nas situações em que duas ou mais pessoas concorrem, em pé de igualdade, para a realização do fato descrito em lei como deflagrador da obrigação tributária. 170. No presente caso, a autuação se deu sobre a Fundação e os Termos de Sujeição Passiva Solidária são direcionados a: (i) o então Presidente da Fundação e sócio de empresa concessionária de serviços de Secretaria Executiva da Fundação; (ii) sua esposa, também sócia desta empresa e funcionária da Fundação; e (iii) a empresa concessionária. 171. Os responsáveis solidários, Dr. Jorge Abou Nabhan e de Ana Maria Pletsch Nabhan, geriram a Fundação via a empresa P&N, em que são proprietários. Não se pode negar que foram diretamente beneficiados. Há efetivo interesse comum (artigo 124, inciso I, do CTN). 172. No que tange à P&N, esta e a Fundação, conforme resumiu o autoridade fiscal nos itens 723 a 741, de fls. 2.095/2100, constituíram no período de 2005 a 2009 uma única organização, cujos lucros eram consumidos em remuneração à P&N e seus sócios, Dr. Jorge Abou Nabhan e Ana Maria Pletsch Nabhan, restando a Fundação com prejuízos acumulados. 173. Por isso, o autoridade fiscal caracterizou a união da Fundação com a P&N como formação de grupo econômico de fato, ao qual não cabia imunidade de impostos/contribuições, e a autuação se deu na pessoa jurídica da Fundação, os pagamentos de despesas não necessárias e indevidas e a distribuição disfarçada de lucros foram adicionados aos resultados tributáveis; apuraramse receitas omitidas e lucros/resultados negativos reais e a P&N foi responsabilizada solidariamente pelo IRPJ e contribuições incidentes, artigo 124, inciso I, do CTN. 174. Por outro lado, a P&N por meio dos seus sócios Dr. Jorge Abou Nabhan e seu cônjuge Ana Maria Pletsch Nabhan, administravam os bens da P&N, cedidos em comodato e, posteriormente, locados ao sujeito passivo. Ademais, também administravam os recursos financeiros da Fundação por meio da Secretaria Executiva, objeto do Contrato de Concessão à P&N e através do Dr. Jorge Abou Nabhan como Presidente do Conselho Diretor da Fundação. 175. Portanto, a suspensão da imunidade decorre das ações por eles executadas. A Fundação que não pode ser responsabilizada exclusivamente pela exigência fiscal resultante, de onde se evidencia ser necessária e correta a responsabilização solidária do Dr. Jorge Abou Nabhan e de Ana Maria Pletsch Nabhan, conforme artigo 134, III do CTN. Fl. 3140DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 63 62 176. Em relação ao Dr. Jorge Abou Nabhan, foi emitida responsabilização pessoal, nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, vez que infringiu os estatutos da Fundação, que determinavam não ser remunerado o cargo de Presidente do Conselho Diretivo. 177. Ademais, o Dr. Jorge Abou Nabhan ao mesmo tempo que exercia a Presidência do Conselho Diretor da Fundação, figurava como sócio administrador da P&N, com a qual foi verificado conluio e simulação na contratação do Contrato de Comodato, casado com o Contrato de Concessão e, posteriormente, no Contrato de Aluguel a valores superiores aos de mercado, além de outras remunerações recebidas direta e indiretamente, objetos da autuação que se analisou neste voto. 178. Diante do exposto e em consonância com a decisão de piso, não acolho o pedido dos Recorrentes pela anulação dos termos de sujeição passiva solidária e “exclusão”da responsabilidade solidária dos Recorrentes, pois entendo satisfatórios os ajustes e demais provas/indícios apresentados pela autoridade fiscal. 179. Do mesma forma, cabível a responsabilização pessoal do Dr. Jorge Abou Nabhan. XVI. Da Intempestividade dos Novos Argumentos de Direito 180. Por fim, cumpre salientar que as razões finais apresentadas pelos Recorrentes em 08/06/2018 tiveram o condão de adicionar novos argumentos ao Recurso Voluntário apresentado, tempestivamente, em 25/04/2013 (fls. 2975/3024). 181. Nos termos dos artigos 17 e 33, do Decreto nº 70.235/72, deve ser considerada não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada e o prazo para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias contados da ciência da decisão. Confira se: "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." "Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão." 182. No mais, os documentos apresentados nas referidas razões, em nada afetam a análise de mérito aqui formulada, devendo a Recorrente observar os ditames constantes do artigo 16, §§ 4º à 6º, do Decreto nº 70.235/72. 183. Assim sendo, diante da intempestividade dos pleitos adicionais constantes da razões finais (questões de direito e não de fato), desconsidero as seguintes alegações complementares trazidas nestes autos e sequer suscitadas no curso do processo administrativo de suspensão da imunidade: (i) "Da Nulidade do Auto de Infração para exigência de PIS e COFINS. Imunidade Tributária. Inaplicabilidade do artigo 13, da MP nº 2.15835/2001. Entendimento firmado pelo STF em sede de repercussão geral. Observância Obrigatória por Força do Art. 62 do RICARF" (item 3 das razões); e (ii) "Da Nulidade do Auto de Infração para exigência de IRPJ e CSLL decorrentes de isenção. Inexistência de ato declaratório de suspensão de isenção de IRPJ e CSLL. Inaplicabilidade do artigo 15 da Lei nº 9.532/1997. Erro de Direito. Vício Insanáve." (item 4 das razões). Fl. 3141DF CARF MF Processo nº 10950.724423/201102 Acórdão n.º 1201002.253 S1C2T1 Fl. 64 63 Conclusão 184. Diante do exposto, CONHEÇO do RECURSO DE OFÍCIO para NEGARLHE PROVIMENTO e CONHEÇO dos RECURSOS VOLUNTÁRIOS para DAR LHE PARCIAL PROVIMENTO para afastar a glosa de despesas de viagem do presidente da fundação e o agravamento da multa de ofício, reduzindoa de 225% para 150%. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Fl. 3142DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.900596/2006-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3002-000.013
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente SANTA VERÔNICA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. (INCORPORADA POR SAINTGOBAIN DO BRASIL PRODUTOS INDUSTRIAIS E PARA CONSTRUÇÃO LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais da Cofins e d) os efetivos recolhimentos realizados. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 00 59 6/ 20 06 -3 9 Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 166 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP 24990.07322.080703.1.3.049041 (fl. 02/06), transmitido em 08/07/2003, cujo crédito teria origem em recolhimento do PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme Despacho Decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Após ser intimada dessa decisão em 24/06/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade em 22/07/2008 (fl. 14/17), na qual alegou que recolheu errado a contribuição para o PIS eferente a março/2003, R$ 4.502,35, assim como informou este valor incorreto na DCTF original. Contudo, o valor realmente devido, R$ 784,22, foi declarado corretamente na DIPJ 2004. A ora recorrente continuou suas alegações, informando que, após ter verificado a inconsistência por meio do Despacho Decisório, transmitiu DCTF retificadora regularizando a situação em 18/03/2008. Ademais, o Sujeito passivo segue discorrendo sobre a legislação aplicável ao caso e apresenta tabela explicativa dos valores realmente devidos, dos valores efetivamente pagos e dos créditos utilizados em compensações. Para comprovar o seu suposto crédito, a recorrente juntou cópia do DARF e cópias parciais das DCTF´s, original e retificadora, da Dacon e da DIPJ 2004. Em seqüência, analisando as argumentações da contribuinte e os documentos juntados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2003 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. DCTF. RETIFICAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio sujeito passivo com o fito de reduzir tributo — mormente quando feita após a ciência de despacho decisório fundado na informação que se pretende alterar — só é admissível mediante comprovação documental. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 167 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 77/88), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, repisando fatos e argumentos já apresentados e acrescentando que o DARF apresentado já seria documento hábil e idôneo para garantir o direito creditório, devendo ser analisado em conjunto com a ficha 21 da DIPJ, com a Dacon e com a DCTF retificadora. Além disso, a recorrente informou que a movimentação das contas de receitas financeiras, no montante de R$ 47.528,25, deu origem a base de cálculo da contribuição no mês de março. Por outro lado, a contribuinte alegou que não possuía todos os documentos necessários, quando da apresentação de sua Manifestação de Inconformidade, devido ao tempo decorrido e por estarem guardados em arquivo externo. Por fim, a recorrente alegou que, para corroborar o seu direito, anexou ao Recurso Voluntário planilha com a base de cálculo do PIS utilizada durante o anocalendário de 2003 e o balanço patrimonial datado de 30/04/2004. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Entendo que a questão fundamental a ser decidida no presente julgamento se refere ao direito probatório em processos administrativos fiscais. O art. 173 do Código de Processo Civil (CPC) estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao autor, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, em regra, incumbe à parte fornecer os elementos de prova das alegações que fizer, visando prover o julgador com os meios necessários para o seu convencimento, quanto à veracidade do fato deduzido como base da sua pretensão. Seguindo essa mesma linha, o art. 36 da Lei nº 9.784, de 1999, que regula os processos administrativos federais, dispõe que cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Quanto ao processo administrativo fiscal, o art. 16 do Decreto 70.235/72 assim estabelece: Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 168 4 Art. 16. A impugnação mencionará: I omissis ......................................................................................................... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Inciso com redação dada pela Lei nº 8.748, de 9/12/1993) ......................................................................................................... § 1° omissis ......................................................................................................... § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluíndo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira se a fato ou a direito superveniente; c) destine se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Parágrafo acrescido pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997) ................................................................................................................... Como se percebe dos dispositivos transcritos, o dever de provar incumbe a quem alega. Assim, creio que o ônus da prova atua de forma diversa em processos decorrentes de lançamento tributário e processos decorrentes de pedido de restituição, ressarcimento e compensação. Nestes, cabe ao contribuinte provar a liquidez e a certeza do seu crédito, naqueles, cabe ao fisco provar a ocorrência do fato gerador. Por certo, não se pode olvidar do Princípio da Verdade Material, que norteia o processo administrativo, devendo o julgador buscar o esclarecimento dos fatos, adotando as providências necessárias no sentido de firmar sua convicção quanto a verdade real. Contudo, a atuação do julgador somente pode ocorrer de forma subsidiária à atividade probatória, que deve ser desempenhada pelas partes. Assim, não pode o julgador usurpar a competência da autoridade fiscal e intentar produzir provas, que validem um lançamento fiscal fracamente instruído, assim como, lhe é vedado desincumbir, pela sua atuação ativa no processo, o sujeito passivo de trazer aos autos o conjunto probatório mínimo necessário para comprovar o seu direito creditório. Dessa forma, a busca pela verdade material não pode ser entendida como ilimitada. Em realidade, nenhum Princípio é soberano e outros também regem o processo administrativo, tais como: os Princípios da Celeridade, Imparcialidade, Eficiência, Moralidade, Legalidade, Segurança Jurídica, dentre outros. Por conseguinte, será lastreado nas circunstâncias fáticas do caso concreto, que o julgador deverá ponderar e sopesar a influência de cada um dos diversos Princípios, visando a maior justeza em seu julgamento. Fl. 168DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 169 5 Ainda sobre o mesmo tema, devese tecer alguns comentários sobre o valor probatório do material eventualmente apresentado. Não basta a juntada de documentos, estes devem possuir valor probatório, mínimo que seja, considerandose as vicissitude do caso concreto posto em análise. Assim, determinado documento pode guardar conteúdo probatório das alegações em um processo e, em outro, não se configurar prova. Por certo, em regra, as declarações fiscais transmitidas pelo contribuinte, assim como, seus registros contábeis, fazem prova em seu favor. Contudo, esses elementos, para possuírem algum valor probatório, devem ter sido elaborados segundo os ditames legais e em época apropriada. Vejamos, por exemplo, a DCTF retificadora. Como vem se manifestando, reiteradamente, este Conselho, a apresentação da DCTF retificadora antes da transmissão do pedido de compensação, em casos de pagamento indevido ou a maior, ou mesmo antes da ciência do Despacho Decisório, não é condição para a homologação da compensação pleiteada, pois o direito creditório não surge com a declaração, mas com o efetivo pagamento indevido ou a maior. Entretanto, a mera apresentação da DCTF retificadora não tem o condão de, por si só, comproválo. Nessa linha, outras declarações prestadas à RFB, tais como DIPJ e Dacon, poderiam fazer prova da veracidade dos dados registrados na DCTF retificadora, desde que transmitidas antes do Despacho Decisório e possuíssem informações compatíveis com o conteúdo da retificadora. Então, nesse caso, a juntada de outras declarações ao processo se constituiria num conjunto com força probatória, ainda que relativa e, por isso mesmo, não afastaria a necessidade de apresentação de outros elementos, visando a comprovação das alegações. De forma diversa, deveriam ser consideradas essas mesmas declarações se fossem transmitidas extemporaneamente, pois não passariam de documentos sem nenhum valor probatório. Nesse ponto, creio ser oportuno discorrer sobre o momento para a apresentação de provas. Como é cediço, a autoridade fiscal tem como limite temporal para a juntada de provas, usualmente, a lavratura do Auto de Infração. Em contrapartida, o sujeito passivo está limitado, em regra, ao momento de instauração da fase litigiosa do processo, isto é, quando da apresentação de sua Impugnação/Manifestação de Inconformidade, sob pena de preclusão, conforme o § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72. Entretanto, o próprio dispositivo citado enumera três circunstâncias , as quais permitiriam ao contribuinte carrear provas aos autos em outro momento processual: a) fique demonstrado a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente e c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Considerandose os Princípios da Igualdade, Moralidade, Imparcialidade e o da Verdade Material, entendo, data venia, que as exceções dispostas só podem ser validamente consideradas se estendidas a ambas as partes. A jurisprudência desse Conselho mostra que, em várias ocasiões, temse admitido a juntada de provas em fase posterior àquela definida na legislação e em circunstâncias diversas daquelas exceções legais, que afastam a preclusão. Tudo em nome do Princípio da Verdade Material. Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 170 6 Creio que isso é possível, legal, justo e desejável. Entretanto, somente em condições bastante específicas. Entendo que somente devese admitir tais provas, quando no momento oportuno, o sujeito passivo já tenha carreado aos autos provas mínimas do que alega. Importante frisar que não basta ter apresentado documentos, que não guardam nenhum valor probatório no caso concreto analisado, há que ter sido juntado na Impugnação/Manifestação de Inconformidade um conjunto probatório mínimo. Assim, as provas excepcionalmente juntadas de forma extemporâneas são aceitáveis, quando apenas reforçam o valor probatório do material já anteriormente apresentado. Agir de forma diversa, aceitando qualquer tipo de prova, em qualquer circunstância, sem que tenha sido apresentado um conjunto probatório no momento fatal definido em lei, a fim de privilegiar a verdade material, significaria, data venia, se emprestar uma força absoluta e soberana a um Princípio em detrimento aniquilar dos outros. Ademais, estariase diante de uma verdadeira derrogação do § 4º do art. 16 do Decreto 70.235, realizada pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, o seu disposto não seria aplicado em hipótese alguma, excluindoo do ordenamento jurídico, fato que somente poderia ser realizado por lei. No presente caso em análise, a ora recorrente restringiuse apenas a fazer alegações sobre seu suposto crédito e a juntar cópias parciais das DCTF's, original e retificadora, da Dacon e da DIPJ 2004. Se, por um lado, é certo que a Dacon e a DIPJ fazem prova em favor da contribuinte, por outro, seu valor probatório é tênue e, por isso mesmo, não afasta a necessidade de apresentação de outros documentos contábeis e fiscais, que também comprovem o crédito de forma mais robusta. Então, considerandose todo o raciocínio lógicojurídico sobre o direito probatório desenvolvido ao longo do presente voto e nas circunstâncias do caso concreto, isto é, já ter sido apresentada uma prova mínima, Dacon, transmitida em 31/03/2004, e DIPJ, transmitida em 28/06/2004, entendo que é admissível a apresentação de novas provas juntamente com o Recurso Voluntário. Assim, analisando os novos documentos apresentados, constatase que, a princípio, os lançamentos contábeis confirmam as afirmações da contribuinte. Entretanto, entendo que tais documentos ainda não são suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, tendo em vista que não foram juntados os documentos fiscais que embasaram os lançamentos contábeis. Porém, por outro lado, compulsando os autos, percebese que o voto condutor do Acórdão recorrido mencionou a necessidade de juntada apenas de livros contábeis. Dessa forma, embora fosse ônus da recorrente comprovar seu crédito de forma inequívoca, entendo que o teor do Acórdão recorrido pode têla induzido a considerar suficientes os documentos contábeis. Dessa forma, a fim de privilegiar o Direito à Ampla Defesa, voto por converter o julgamento em diligência para a unidade de origem intimar a contribuinte a apresentar os livros e documentos necessários, visando a elaboração de relatório conclusivo e justificado sobre: a) as receitas mensais auferidas no 1º trimestre de 2003; b) as respectivas exclusões mensais pertinentes; c) as corretas bases de cálculo mensais do PIS e d) os efetivos recolhimentos realizados. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10880.900596/200639 Resolução nº 3002000.013 S3C0T2 Fl. 171 7 Por fim, deverá ser dada ciência à contribuinte do teor do relatório de diligência e oportunizado prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após, os autos deverão retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 171DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720964/2011-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2006 a 31/08/2006
MASSA FALIDA. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON. CABIMENTO.
É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon referente à Massa Falida.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.996
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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MULTA. ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon referente à Massa Falida. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 64 /2 01 1- 96 Fl. 52DF CARF MF Processo nº 16327.720964/201196 Acórdão n.º 3201003.996 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). Cientificado, o contribuinte apresentou Impugnação e requereu o cancelamento do auto de infração, alegando o seguinte: a) a decretação da falência de uma empresa afasta o falido da posse de seus bens, passandoos para uma administração forçada destinada a liquidálos em favor dos credores, interrompendose a atividade econômica exercida até então pelo falido, que só poderá ser exercida em casos excepcionais, com as operações sendo lançadas em livros especiais; b) a massa falida não é uma pessoa jurídica, principalmente por não resultar da vontade de qualquer pessoa, sendo a lei, por meio do seu poder de expropriação dos bens do devedor, que, para atingir efeitos práticos, mantém todos os credores reunidos em uma massa subjetiva, sem, contudo, personalizála; c) por não ser pessoa jurídica e nem praticar qualquer atividade econômica é que a Massa Falida não pode, a princípio, ser sujeito passivo de obrigações tributárias; d) as atividades próprias da Administração da Massa Falida são a arrecadação e a realização dos ativos. bem como o pagamento aos credores, não produzindo nenhuma disponibilidade patrimonial, pois é a liquidação dos bens do devedor uma manifestação do Poder Público, designadamente uma execução coletiva; e) não há absolutamente nada em um processo falimentar que possa gerar resultados próprios de uma atividade empresarial, sendo inconsistente a exigência de apresentação de dados voltados à apuração de lucro e de base para uma contribuição social; f) diferentemente das empresas em atividade, a Massa Falida não vende bens e não presta serviços, ou seja, não aufere resultados operacionais e nem tampouco resultados não operacionais, já que, fundamentalmente, o movimento mais exaurível é do próprio Estado quando adota medida de execução dos bens do devedor; g) extraordinariamente, pode concluir a administração da Massa Falida uma operação transacional, sendo apenas nos casos anormais que seria válido o argumento previsto na lei de tributar as entidades submetidas a falência, ou seja, nessas circunstâncias particulares, durante o período necessário para a realização dos seus ativos em que vier a ser praticada uma operação, um fato econômico gerador de receita, arrimado em um negócio jurídico; h) a não ser que seja dado continuidade às operações do objeto social da sociedade falida pelo Administrador Judicial, inconcebível exigir qualquer obrigação tributária, sob pena de violação da Constituição Federal; i) com o encerramento das atividades da empresa falida, não há meios de se fitar um resultado como efeito decorrente da execução dos bens do devedor pelo Estado; Fl. 53DF CARF MF Processo nº 16327.720964/201196 Acórdão n.º 3201003.996 S3C2T1 Fl. 4 3 j) a Massa na promoção de sua função, não adquire disponibilidade de acréscimo patrimonial, sendo absurdo obrigar a massa falida , a cada ato do Estado que realiza um ativo com a finalidade de satisfazer o direito dos credores, a recolher impostos que tem como fato gerador resultados positivos, receitas ou acréscimo patrimonial; k) seria uma ofensa ao artigo 153, III, da Constituição Federal se a execução dos bens do devedor fosse considerada como fato gerador de impostos; l) a venda de bens do ativo não acarreta acréscimo patrimonial para os credores e muito menos acréscimo patrimonial para o falido, sendo sua realização revertida exclusivamente para reparar os danos da insolvência do devedor; m) à luz do artigo 60 da Lei nº 9.430/1996, a verificação de eventual lucro tributável, se existir, ocorreria apenas com o encerramento do processo falimentar. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 16 038.648, julgou improcedente a Impugnação sob os seguintes fundamentos: 1) a apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon fora do prazo fixado enseja a cobrança da multa prevista na legislação pertinente; 2) as entidades submetidas aos regimes de liquidação extrajudicial e de falência (massa falida) sujeitamse às mesmas regras de incidência dos tributos e contribuições aplicáveis às pessoas jurídicas em geral, inclusive no que se refere à obrigatoriedade de apresentação de declarações e demonstrativos, enquanto perdurarem os procedimentos para a realização de seu ativo e o pagamento do passivo. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa e arguindo que a decisão recorrida era equivocada em relação ao contido no § 2º do art. 146 do RIR/99 e que não tinha aplicação o contido na Instrução Normativa SRF nº 590/2005. É o relatório. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 16327.720964/201196 Acórdão n.º 3201003.996 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.988, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 16327.720956/201140, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.988): Não obstante os argumentos expendidos em sede recursal, razão não assiste à recorrente. Perfilho o entendimento de que as massa falidas não estão desobrigadas ao cumprimento das obrigações acessórias tributárias. Entendimento diverso seria permitir que as massas falidas simplesmente deixassem de cumprir com obrigações legalmente estatuídas. O Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON tratase de um demonstrativo instituído com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: Fl. 55DF CARF MF Processo nº 16327.720964/201196 Acórdão n.º 3201003.996 S3C2T1 Fl. 6 5 "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 16327.720964/201196 Acórdão n.º 3201003.996 S3C2T1 Fl. 7 6 O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Neste sentido, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Embora não tenha sido alegado pela recorrente, perfilho o entendimento de que não é o caso de aplicação das Súmulas 192 e 565 do Supremo Tribunal Federal STF a seguir transcritas, pois se assim o fosse, as massas falidas estariam desoneradas do cumprimento de obrigações acessórias, tais como a entrega de declarações, informações e demonstrativos. "Súmula 192 Não se inclui no crédito habilitado em falência a multa fiscal com efeito de pena administrativa." Fl. 57DF CARF MF Processo nº 16327.720964/201196 Acórdão n.º 3201003.996 S3C2T1 Fl. 8 7 "Súmula 565 A multa fiscal moratória constitui pena administrativa, não se incluindo no crédito habilitado em falência." Vejase que, ambas as súmulas, tratam da habilitação da multa aplicada como crédito na falência, o que não impede o seu lançamento, até pelo fato de tal atividade ser vinculada e obrigatória, como prescreve o art. 142 do Código Tributário Nacional, verbis: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional." Assim, somente no processo falimentar, se habilitado o crédito pelo ente credor contra a massa falida, é possível afastar tal parcela. Especificamente, em relação ao cumprimento das obrigações acessórias por parte das massas falidas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF assim se posiciona sobre o tema: "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida. MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – REDUÇÃO – MICROEMPRESA LEI Nº 10.426/2002 – APLICAÇÃO RETROATIVA – ART. 106, I DO CTN. Para Microempresas, o art. 7º, §3º, I da Lei nº 10.426/2002, estabeleceu em R$ 200,00 o valor da multa no caso de atraso na entrega da Declaração de Imposto de Renda, o que pode ser aplicado, inclusive, retroativamente, por força do art. 106 do CTN." (Processo nº 10675.001779/200352; Acórdão 10708.355; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) "MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – DECADÊNCIA – INOCORRÊNCIA. A jurisprudência desse e. Conselho de Contribuintes acolhe a tese de que o Lançamento de Multa por atraso na entregada da Declaração tem seu prazo decadencial regido pelo art. 173, I do CTN e não pelo art. 150, §4º do CTN. MASSA FALIDA MULTA – ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO – CABIMENTO. É cabível a multa pela não entrega da Declaração de Imposto de Renda referente à Massa Falida." (Processo nº 10675.001791/200367; Acórdão 10708.362; Relator Conselheiro Octávio Campos Fischer; Sessão de 10/11/2005) Fl. 58DF CARF MF Processo nº 16327.720964/201196 Acórdão n.º 3201003.996 S3C2T1 Fl. 9 8 Em recente julgado de relatoria do Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, deliberouse pela manutenção da multa contra massa falida. A decisão está ementada nos seguintes termos: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2003 MULTA DE MORA. EXIGIBILIDADE DIANTE DE MASSA FALIDA. As multas fiscais, ainda que não possam ser reclamadas em processos de falência em vista do art. 23, III, da Lei 7.661/88 em seu período de vigência, devem ser lançadas de ofício, por força do § único do art. 142 do CTN, e da independência dos respectivos trâmites processuais. Recurso Voluntário Negado" (Processo nº 13005.720005/200739; Acórdão 3301003.449; Relator Conselheiro Marcelo Giovani Vieira; Sessão de 26/04/2017) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 59DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.915147/2006-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/1999
COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. RITO PROCESSUAL INADEQUADO. NULIDADE FORMAL.
Tendo sido o Despacho Decisório e o acórdão recorrido proferidos em desacordo com o art. 74 da Lei nº 9.430/96, deve ser reformado o ato administrativo de modo a assegurar ao contribuinte a aplicação do devido processo legal.
Numero da decisão: 3201-003.701
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso e em declarar a nulidade formal do acórdão recorrido, devendo os autos retornar à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese de compensação como não declarada.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RITO PROCESSUAL INADEQUADO. NULIDADE FORMAL. Tendo sido o Despacho Decisório e o acórdão recorrido proferidos em desacordo com o art. 74 da Lei nº 9.430/96, deve ser reformado o ato administrativo de modo a assegurar ao contribuinte a aplicação do devido processo legal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso e em declarar a nulidade formal do acórdão recorrido, devendo os autos retornar à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese de compensação como não declarada. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 51 47 /2 00 6- 95 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.915147/200695 Acórdão n.º 3201003.701 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório BF UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA. apresentou Declaração de Compensação (PER/DCOMP) relativa a alegado pagamento indevido da Cofins. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório não homologando a compensação na extensão declarada pelo contribuinte, em razão da inexistência do crédito na amplitude pretendida. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou o cancelamento do despacho decisório e a homologação total da compensação, com a consequente extinção do crédito tributário, arguindo o seguinte: a) obtivera concessão de segurança para afastar a incidência do art. 3°, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, garantindolhe a observância das Leis Complementares nº 7/1970 e 70/1991 no que se refere à base de cálculo do PIS e da Cofins, observandose as alíquotas determinadas nas Leis n° 9.715/1998 e 9.718/1998 e reconhecendo o direito à compensação das quantias pagas "a maior" com parcelas vincendas das próprias contribuições; b) a Autoridade Fiscal fundamentou de forma singela o Despacho Decisório, deixando de se aprofundar sobre a questão da inexistência do direito pleiteado; c) o crédito pleiteado é líquido e certo, conforme se depreende da leitura dos demonstrativos anexados; d) homologação tácita do seu pedido, formalizado em data anterior ao Despacho Decisório; e) em razão da regra geral da decadência, o Fisco tem o prazo de 5 anos para conferir e homologar expressamente a atividade do contribuinte referente à apuração e quitação de tributo, conforme disposto no art. 150, § 4º, do CTN; f) ainda que não fosse aplicável o § 4° do art. 150 do CTN, o art. 74, § 5°, da Lei nº 9.430/1996 dispôs que o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação; g) no momento da ciência do despacho decisório, já havia transcorrido o prazo de cinco anos para a autoridade administrativa pronunciarse quanto ao crédito utilizado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópia de documentos dos patronos, procuração, alteração e consolidação do Contrato Social, PER/DCOMP, Despacho Decisório, planilhas demonstrativas e sentença judicial. Nos termos do Acórdão nº 1629.447, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido nos seguintes termos: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.915147/200695 Acórdão n.º 3201003.701 S3C2T1 Fl. 4 3 1) o despacho decisório encontravase devidamente motivado; 2) o reconhecimento do crédito exigia a sua comprovação, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo; 3) a compensação de crédito oriundo de decisão judicial somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da respectiva sentença, a teor do disposto nos artigos 170 A do CTN e 74 da Lei n° 9.430/1996 (e alterações posteriores); 4) considerarseá não declarada a compensação realizada pelo Contribuinte quando o suposto direito creditório decorre de ação judicial não transitada em julgado, por força do disposto no § 12 do art.74 da Lei n° 9.430/96 (e alterações posteriores); 5) a ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos previsto no § 5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e alterações posteriores. Transcorrido este prazo sem manifestação da Administração Pública, homologam se as compensações declaradas, não sendo aplicável a homologação tácita às situações em que a compensação é considerada como não declarada nos termos dos §§ 12 e 13 do mesmo artigo. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário e reiterou os argumentos de defesa apresentados, defendendo a (i) ocorrência da homologação tácita das declarações de compensação, (ii) nulidade do despacho decisório por violação ao princípio da verdade material e carência de fundamentação/improcedência das alegações e (iii) inaplicabilidade do art. 170A do CTN a fatos geradores ocorridos anteriormente à sua vigência. É o Relatório. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.915147/200695 Acórdão n.º 3201003.701 S3C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.695, de 23/05/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915140/200673, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.695): Existe questão preliminar no presente feito, que suscito de ofício, prejudicial ao exame do mérito. Nesse aspecto, introduzo o tema com a excelente fundamentação do Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, quando relator do Acórdão nº 3201003.407, proferido por unanimidade nesta Turma em sessão de 2 de fevereiro de 2018: Sobrepõese ao enfretamento das razões recursais da pessoa jurídica WAC e de seu sócio, Walter Alves Cavalcante, matéria processual precedente a qualquer outra a ser enfrentada neste julgamento em razão de sua indisponibilidade e dever de pronunciamento de ofício pelos julgadores administrativos. Tratase do (des)cumprimento do prazo legal para interposição de peças recursais de defesa perante os órgãos colegiados administrativos a tempestividade da impugnação considerada matéria de ordem pública. As questões de ordem pública são aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, em geral, referemse à existência e admissibilidade da ação, aos atos que impulsionam o desenvolvimento válido e regular do processo refletindose na própria segurança jurídica. A tempestividade dos recursos é pressuposto processual de que decorre tratarse de matéria de ordem pública, e assim tem decidido o STF, como nos EMB. DECL. no AG.REG. no Agravo de Instrumento AI nº 802.037/RJ, de relatoria do Min. Celso de Mello: A tempestividade que se qualifica como pressuposto objetivo inerente a qualquer modalidade recursal constitui matéria de ordem pública, passível, por isso mesmo, de conhecimento ex officio pelos juízes e Tribunais. A inobservância desse requisito de ordem temporal, por parte do interessado, provoca, como necessário efeito de caráter processual, a incognoscibilidade, do recurso interposto ou, quando ausente este, do pedido de reconsideração.(STF, AI nº 802.037/RJ, publicado DOU em 15/12/2014. Relat. Min. Celso de Mello) Ademais, determina o caput art. 64 da Lei nº 9.784/99, que "O órgão competente para decidir o recurso poderá confirmar, modificar, anular ou revogar, total ou parcialmente, a decisão recorrida, se a matéria for de sua competência." Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10880.915147/200695 Acórdão n.º 3201003.701 S3C2T1 Fl. 6 5 Pois bem. Como se verifica pelo relato dos fatos, tratase de procedimento administrativo fiscal originado de Despacho Decisório eletrônico proferido pela RFB que, num primeiro momento, informou a NÃO HOMOLOGAÇÃO da Compensação Declarada. Após apresentação de Manifestação de Inconformidade pelo contribuinte, apesar de afirmar que "configuramse os requisitos de admissibilidade da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo, visto que protocolizada no prazo legal (art. 15 do Decreto n° 70.235/72)" a DRJ proferiu julgamento concluindo por ter sido NÃO DECLARADA a compensação apresentada pelo contribuinte. Vale salientar que inicialmente a Compensação foi tida por NÃO HOMOLOGADA, e não, como deveria, NÃO DECLARADA, exclusivamente em razão de erro cometido pelo contribuinte no preenchimento da sua Declaração de Compensação. Confirase o seguinte trecho do Acórdão DRJ: 8.1 De pronto, a alegação apresentada pelo Contribuinte, confirmada pela existência da ação judicial supramencionada, acaba por demonstrar o incorreto preenchimento da declaração PER/DCOMP. Frisese que no item "Dados Iniciais" desse documento, constam campos específicos para informar se o crédito é oriundo de decisão judicial e, nesse caso, qual o número do processo judicial. A interessada, entretanto, declarou não se tratar de crédito discutido judicialmente (fl. 5). 8.2. Por outro lado, cumpre assinalar que, embora tenha a Requerente comprovado a existência de decisão judicial que lhe era favorável, não restou demonstrado que a ação judicial já estava transitada em julgado na data da apresentação do PER/DCOMP. Confirase, ainda, o seguinte trecho da ementa: COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Considerarseá não declarada a compensação realizada pelo Contribuinte em DCOMP quando o suposto direito credit6rio decorre de ação judicial não transitada em julgado, por força do disposto no § 12 do art. 74 da Lei n° 9.430/96 (e alterações posteriores). Ou seja, apenas depois de estar de posse dos documentos apresentados pelo contribuinte é que, constatado equívoco por parte do próprio contribuinte na prestação de declaração, é que o fundamento decisório pôde ser reformado pela Administração Tributária, por meio do Acórdão DRJ. Tratase de hipótese típica de revisão do lançamento tributário previsto no art. 149 do CTN: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: (...) IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.915147/200695 Acórdão n.º 3201003.701 S3C2T1 Fl. 7 6 (...) VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; Com efeito, não há dúvida de que, na situação fática dos autos, está se diante de situação de COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA, uma vez que o crédito declarado era decorrente de decisão judicial não transitada em julgado, encontrando, portanto, expressa vedação legal: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; Nos termos de decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recursos Representativos de Controvérsia, de aplicação obrigatória por esta Corte, a limitação imposta pelo art. 170A do CTN é válida para todas as ações ajuizadas após a sua vigência, ou seja, após 10 de janeiro de 2001, data da Edição da Lei Complementar nº 104/2001, que inseriu referido dispositivo. Veja entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. REQUISITO DO TRÂNSITO EM JULGADO. APLICABILIDADE A HIPÓTESES DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO RECOLHIDO. 1. Nos termos do art. 170A do CTN, "é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", vedação que se aplica inclusive às hipóteses de reconhecida inconstitucionalidade do tributo indevidamente recolhido. 2. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1167039/DF, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEI APLICÁVEL. VEDAÇÃO DO ART. 170A DO CTN. INAPLICABILIDADE A DEMANDA ANTERIOR À LC 104/2001. 1. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte. Precedentes. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10880.915147/200695 Acórdão n.º 3201003.701 S3C2T1 Fl. 8 7 2. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização "antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial", conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela LC 104/2001. Precedentes. 3. Recurso especial provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08. (REsp 1164452/MG, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/08/2010, DJe 02/09/2010) Na hipótese dos autos, o Mandado de Segurança nº 2001.61.00.0276539, por meio do qual se postulou o reconhecimento do credito utilizado, foi impetrado apenas em 31/10/2001, conforme consulta ao sítio da Justiça Federal no Estado de São Paulo: É de salientar que nem mesmo o contribuinte questiona o fato de que as compensações deixaram de ser aceitas exclusivamente em razão da vedação imposta pelo art. 170A do CTN (portanto, compensação não declarada), aduzindo, quanto a isto, que tal limitação apenas seria aplicável aos fatos geradores ocorridos após a vigência da redação do referido artigo. Não é esse, como visto, o entendimento do STJ. Assim, nos termos do §13 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, o rito processual previsto no Decreto Lei nº 70.235/72 não é cabível na presente espécie: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.915147/200695 Acórdão n.º 3201003.701 S3C2T1 Fl. 9 8 dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9oe 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto noinciso III do art. 151 da Lei no5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses: (...) II em que o crédito: (...) d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou (...) § 13. O disposto nos §§ 2oe 5oa 11 deste artigo não se aplica às hipóteses previstas no § 12 deste artigo. Não obstante ser claro o não cabimento da Manifestação de Inconformidade, não se pode afastar o fato de que foi concedido ao contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade e, mais do que isso, o acórdão da DRJ, a despeito de afirmar ser hipótese de COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA, afirmou textualmente que "configuramse os requisitos de admissibilidade da Manifestação de Inconformidade apresentada pelo sujeito passivo" e considerou "improcedente a manifestação de inconformidade, mantendose o Despacho Decisório de fls. 1". Pontuo que não se trata de hipótese na qual a decisão administrativa poderia suplantar disposição legal, atribuindo à defesa apresentada efeitos não previstos em lei. Tratase, outrossim, de evidente nulidade formal incorrida pela Autoridade Lançadora, ocasionada, como dito, em razão de informação equivocada prestada pelo contribuinte e, portanto, passível de retificação. Logo, em se tratando de hipótese de não cabimento de Manifestação de Inconformidade, resta prejudicada a análise dos argumentos do contribuinte acerca da ocorrência de homologação tácita. Ademais, o despacho decisório de não homologação e não de não declaração, como prevê a lei foi proferido em razão de erro do contribuinte que não informou, em sua declaração, que os créditos utilizados tinham origem em ação judicial não transitada em julgado. Assim, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário e declarar a NULIDADE FORMAL do Acórdão recorrido, devendo os autos retornarem à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.915147/200695 Acórdão n.º 3201003.701 S3C2T1 Fl. 10 9 Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese como compensação não declarada. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário e declarar a nulidade formal do Acórdão recorrido, devendo os autos retornar à Autoridade Preparadora para que, em face das informações trazidas pelo contribuinte em sede de Manifestação de Inconformidade e consoante juízo de conveniência e oportunidade, possa efetuar a revisão da sua decisão, nos termos do art. 149 do CTN, tratando corretamente a hipótese como compensação não declarada. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 145DF CARF MF
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