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Numero do processo: 10315.001024/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício:2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE.
Presume-se, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE
"A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32)
Numero da decisão: 2202-004.662
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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EMISSÃO REGULAR. IMPESSOALIDADE. IMPARCIALIDADE. Presumese, até prova contrária a cargo de quem alega, que ação fiscal suportada por Mandado de Procedimento Fiscal regularmente emitido foi planejada atendendo os princípios da impessoalidade, imparcialidade e isonomia. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITO BANCÁRIO. TITULARIDADE "A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." (Súmula CARF nº 32) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 10 24 /2 01 0- 76 Fl. 251DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos adoto, resumidamente, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) (fls. 199/204): Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração às fls. 03/09, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física do anocalendário 2005, exercício 2006, no valor total de R$ 123.497,60, assim composto: (...) O demonstrativo de apuração do imposto devido, multa e juros de mora encontramse às fls. 08/09. Em 06/08/2009, conforme fls. 19/21, o interessado foi cientificado do início do procedimento fiscal e intimado a apresentar elementos/esclarecimentos relativos a: Extratos bancários de contas correntes e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança e de todas as contas mantidas pelo contribuinte, seu cônjuge e dependentes, junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2007; Comprovantes dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF: 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$ 12.000,00 e R$ 12.000,00, respectivamente, conforme informado na DIRPF/2006, no quadro 10 Dividas e Ônus reais, bem como a descrição com comprovante da forma de quitação de tais empréstimos. Houve pedido de prorrogação de prazo para entrega de documentos (fl. 22) e apresentação de documentos às fls. 23/43. Através do Termo de Intimação de fl. 44, cuja ciência ocorreu em 16/10/2009 (fl. 56), o interessado foi instado a: Comprovar, com documentação hábil e idônea, coincidente com data e valor com cada lançamento, a origem dos recursos lançados à crédito da conta corrente n° 187933, mantida na Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 252 3 Agência nº 04332 do Banco do Brasil; da conta corrente n ° 001.113142, Agência 0032 e da Poupança n° 013.3153211, Agência 0032, mantidas na CaixaEconômica Federal, no período de 01/2004 a 12/2007, conforme planilhas anexadas; Descrever, com comprovantes, a forma de quitação dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$12.000,00 e R$12.000,00, respectivamente. Na seqüência, houve 3 pedidos de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos (fls. 57/59). O interessado foi reintimado em 18/02/2010 (fls. 60/61). O interessado apresentou os documentos de fls. 64/140 e solicitou prorrogação do prazo à fl. 64 para apresentar o restante dos comprovantes. A autoridade autuante intimou o Sr. Expedito Casimiro da Silva, a confirmar o empréstimo feito ao interessado em 10 de março de 2005, no valor de R$ 30.000,00; a informar e comprovar a forma como se deu a transação (transferência bancária, cheque, dinheiro, etc); a prestar informações a respeito da quitação; a informar a origem dos recursos emprestados, uma vez que apresentou declaração de isento no exercício em destaque; bem como a informar qual a relação de parentesco com o interessado (fl. 141). A fiscalização intimou o Sr. Francinilton Caetano Araújo, a confirmar o empréstimo feito ao interessado em 15 de março de 2005, no valor de R$ 12.000,00; a informar e comprovar a forma como se deu a transação (transferência bancária, cheque, dinheiro, etc); a prestar informações a respeito da quitação; a informar a origem dos recursos emprestados, uma vez que apresentou declaração de isento no exercício em destaque; bem como a informar qual a relação de parentesco com o interessado (fl. 142). Também foi intimado o Sr. José Hamilton Brito Silva a confirmar o empréstimo feito ao interessado em 15 de março de 2005, no valor de R$ 12.000,00; a informar e comprovar a forma como se deu a transação (transferência bancária, cheque, dinheiro, etc); a prestar informações a respeito da quitação; a informar a origem dos recursos emprestados, uma vez que apresentou declaração de isento no exercício em destaque; bem como a informar qual a relação de parentesco com o interessado (fl. 143). Em resposta, o Sr. Francinilton Caetano Araújo confirmou o empréstimo efetuado, informou que não houve quitação (sem vencimento), que a origem dos recursos advém de recursos adquiridos e acumulados em anos anteriores e dentro do limite Fl. 253DF CARF MF 4 legal de isenção e declarou que mantém uma relação amigável com vínculo profissional com o interessado (fl. 148). O Sr. José Hamilton Brito Silva também confirmou o empréstimo efetuado, informou que não houve quitação (sem vencimento), que a origem dos recursos advém de recursos adquiridos e acumulados em anos anteriores e dentro do limite legal de isenção e declarou que mantém uma relação amigável com o interessado (fl. 149). Em 06/09/2010, haja vista resposta do interessado no sentido de que os valores movimentados em suas contas correntes originamse de valores auferidos pela empresa Clip Construtora Ltda, houve a intimação de fls. 152/153 para que fosse: i) informado e comprovado o motivo do crédito da empresa nas contas correntes de titularidade do interessado (pessoa física); ii) comprovada e descrita minuciosamente o tipo de transação efetuada; iii) comprovada, com documentação hábil e idônea, coincidente com data e valor com cada lançamento, a origem dos recursos lançados à crédito da conta corrente n° 187933, mantida na Agência nº 04332 do Banco do Brasil; da conta corrente n ° 001.113142, Agência 0032 e da Poupança n° 013.3153211, Agência 0032, mantidas na Caixa Econômica Federal, no período de 01/2004 a 12/2007, conforme planilhas; e iv) descrita e comprovada a forma de quitação dos empréstimos tomados junto aos senhores Expedito Casimiro da Silva, CPF 092.162.78315, José Hamilton Brito Silva, CPF 895.072.66372 e Francinilton Caetano Araújo, CPF 906.016.96387, nos valores de R$30.000,00, R$12.000,00 e R$12.000,00, respectivamente; v) descrita a função ou relação com a referida empresa no período fiscalizado; vi) apresentadas cópias de documentos referentes a lançamentos a débito (cheques emitidos, transferências efetuadas, etc) das contas bancárias, com valores superiores a R$ 5.000,00. Houve pedidos de prorrogação de prazo para a apresentação de documentos (fls. 155/156). O interessado foi reintimado em 29/10/2010 (fls. 157/159). Conforme Termo de Início de Diligência de fl. 162, a empresa Clip Construtora Ltda, a fim de subsidiar a ação fiscal em andamento, foi intimada a apresentar Livro Caixa, com escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive bancária, ou Livros Diário e Razão; Livro de Registro de Inventários; todos os Livros Registros de Entradas, Registros de Saídas e de Registro de Apuração de ICMS; cópia dos atos constitutivos da empresa e alterações posteriores; documentos de identificação do representante da empresa; ações judiciais versando sobre tributos internos federais nas quais figure como parte. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 253 5 Em complementação, a referida empresa foi intimada a apresentar todas as notas fiscais de prestação de serviços no período de 2005 a 2007; cópia de todos os contratos firmados no período em referência e justificativa, com a devida comprovação, para a emissão dos cheques nominais e transferências bancárias para o interessado; bem como informar a participação ou relação do interessado com a empresa (fls. 164/165). A empresa foi reintimada (fls. 166/167). Foi encerrada parcialmente a autuação, tendo sido lavrado o auto de infração referente ao anocalendário de 2005 (fls. 168/169). Esclarece a autoridade autuante à fl. 173 que a ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte foi autorizada pelo MPF n° 03.1.02.200900447, e foi aberta em virtude da representação fiscal encaminhada através do MEMO 063/2009Escor03, juntamente com dados levantados no curso de investigação patrimonial autuada no processo n° 10380.006957/200851, conforme o teor da Portaria RFB n° 11.311, de 27/11/2007, abrangendo o período de 01/01/2004 à 31/12/2007. Acrescentou a fiscalização que, a fim de evitar a decadência do direito da Fazenda Pública lançar o crédito tributário, foi lavrado o presente Auto de Infração relativo ao anocalendário 2005 e efetuado o encerramento parcial da fiscalização cujos procedimentos relativos à 2006 e 2007 continuam em andamento, motivo pelo qual foram juntadas, no presente processo, apenas as cópias dos documentos produzidos até o presente momento. Procedeuse ao lançamento da infração concernente à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no valor de R$ 311.512,24. (...) Cientificado do lançamento pela via postal em 08/12/2010 (AR à fl. 170), o interessado apresentou impugnação em 06/01/2011 (fls. 174/181) em que contesta parcialmente o lançamento aduzindo em síntese: (...) 2. Dos Fatos a autoridade fiscal competente valeuse de parte dos créditos efetuados nas três contas bancárias mantidas pelo interessado, durante o anocalendário de 2005; todavia há inconsistências na autuação; 3. Dos limites a serem considerados para efeito da presunção de renda Fl. 255DF CARF MF 6 devem ser excluídos da base de cálculo os valores de pequena monta, assim considerados os depósitos iguais ou inferiores a R$ 12.000,00, cujo somatório não supere o montante de R$ 80.000,00, a teor do inc. II, § 3º, art. 42 da Lei nº 9.430/96; considerando todos os valores inferiores a R$ 12.000,00, foram depositados apenas R$ 55.974,24 nas contas bancárias mantidas pelo interessado, conforme demonstrado a seguir: (...) 4. Indenização por danos materiais o crédito na conta corrente nº 003153211, Ag. 0032, da Caixa Econômica Federal, em fevereiro de 2005, cujo montante é bem maior do que os corriqueiramente lançados, referese à indenização por danos materiais; em novembro de 2004, houve um incêndio na Cooperativa Agrícola de Juazeiro do Norte, da qual o interessado era vice presidente, com prejuízos atinentes ao estoque, máquinas, móveis, computadores, indenizados através de seguro mantido junto ao Banco Industrial do Ceará; como parte do seu patrimônio pessoal (máquinas, estantes, computadores) havia sido cedido temporariamente à entidade e o interessado havia também promovido investimentos na manutenção do prédio, lhe foi paga a quantia de R$ 242.883,00 por todos os seus prejuízos, incluindose os danos ao prédio vizinho; como tais valores não têm a natureza de renda, mas de indenização reparatória por danos materiais sofridos, o valor correspondente não é tributável; são reproduzidas ementas relativas a jurisprudência administrativa e judicial. Em 27 de janeiro de 2014, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) deu parcial provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 198/199): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Deve ser mantida a matéria não contestada, atinente a parte da omissão de rendimentos oriunda dos depósitos de origem não comprovada. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 254 7 não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RECEITA OMITIDA. CRÉDITOS DE VALOR IGUAL OU INFERIOR A R$ 12.000,00. EXCLUSÃO. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos são analisados individualizadamente, observado que não são considerados, no caso de pessoa física, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. A mera identificação do depositante não é suficiente para comprovar a origem do depósito e afastar a presunção legal de omissão de rendimentos. A comprovação de origem que a lei exige deve ser suficiente para possibilitar a averiguação acerca do cumprimento de obrigações tributárias pelo beneficiário do depósito, submetendoo às normas de tributação específicas vigente à época em que auferidos os rendimentos. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Cientificado em 02/02/2014 (AR fls. 212), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 215/241, no qual reitera as alegações já suscitadas quando da Impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES AUSÊNCIA DE INFORMAÇÃO SOBRE O MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. Alega o Recorrente que o lançamento é nulo, pois a autoridade fiscal não possuía o MPF e não intimou o recorrente sobre a existência deste. Fl. 257DF CARF MF 8 Ao contrário do afirmado pelo Recorrente o lançamento em questão estava amparado pelo MPF nº 03.1.02.00.200900447 mencionado às fls. 10 de 12 dos Anexos ao Auto de Infração, bem como em todos os termos de intimação fiscal enviados quando do procedimento de fiscalização. Além disso, é importante registrar que, no âmbito deste Conselho, a posição predominante é a de que o Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária. Sendo assim, irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. Tal posicionamento fica claro pela leitura das duas decisões da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF abaixo transcritas. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado.(Acórdão nº 920201.637; sessão de 12/04/2010; Relator Moisés Giacomelli Nunes da Silva) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF.ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional.(Acórdão nº 920201.757; sessão de 27/09/2011; Relator Manoel Coelho Arruda Junior) Concordo com a interpretação adotada e, pela clareza com que aborda a questão, transcrevo abaixo o seguinte trecho do voto proferido no Acórdão nº 920201.637: A portaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB n° 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece rotinas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF — Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 255 9 mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fisco contribuinte ,que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada à legitimidade do agente que o pratica, isto é, ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática do ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. Improcedente a preliminar suscitada. 2) MÉRITO 2.1) DA INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS. A Recorrente reitera a alegação de que o depósito de R$ 242.883,00 referese à indenização por danos materiais decorrentes de incêndio na Cooperativa Agrícola de Juazeiro do Norte, da qual o Recorrente era vicepresidente. Conforme observa a decisão recorrida, embora o contribuinte tenha comprovado a ocorrência do sinistro, não comprovou o valor exato do seguro recebido pela Cooperativa, bem como o valor e a relação do Contribuinte com o sinistro. É o que se verifica pela passagem abaixo transcrita: Contudo, além de não ter sido comprovado o exato valor do seguro recebido pela Cooperativa, pois no termo de fl. 187 há menção ao valor de R$ 855.892,81 e a observação de que “o presente termo não implica, por parte da Seguradora, na obrigação do pagamento pelo sinistro reclamado, a qual fica sujeita as Condições Contratuais que regem o seguro”; não foi demonstrado se os depósitos feitos na conta corrente da referida empresa no mês de fevereiro de 2005(fl. 188) referemse a este pagamento. Nesse contexto, apesar da coincidência de datas e valores entre os cheques compensados (R$ 125.716,00 e R$ 89.694,00) na contacorrente da Cooperativa (fl. 189) e os depósitos feitos na Fl. 259DF CARF MF 10 mesma data (01/02/2005) na conta corrente do interessado (fl. 28), impõe registrar que não foi comprovada a relação do interessado com o sinistro, muito menos a correlata indicação de que fazia jus à reparação e o montante exato. A mera identificação do depositante não é capaz de revelar a natureza tributária dos valores. Tal informação, conforme visto, é indispensável para que se verifique o correto cumprimento das obrigações tributárias pelo contribuinte e aplicação do disposto no § 2.º do art. 42 da Lei n.º 9.430/96. A comprovação de origem que a lei exige deve ser suficiente para possibilitar a averiguação acerca do cumprimento de obrigações tributárias pelo beneficiário do depósito, submetendoo às normas de tributação específicas vigentes à época em que auferidos os rendimentos. Insta registrar, ainda, que, quanto ao crédito de R$ 21.888,00, feito em 16/02/2005, na conta corrente nº 003153211, Ag. 0032 da Caixa Econômica Federal (fl. 28), o interessado não logrou identificar o depositante. Então, como não foi satisfatoriamente demonstrado, sem margem a dúvidas, o liame entre o pagamento de seguro pelo sinistro ocorrido na Cooperativa Agrícola de Juazeiro do Norte e os créditos no valor de R$ 215.410,00 na conta corrente do interessado, nem identificado o depositante do crédito no valor de R$ 21.888,00, impõese manter o lançamento correspondente. 2.2) USO DA CONTA BANCÁRIA POR TERCEIROS. CRÉDITOS ORIUNDOS DE RECEITA DE PESSOA JURÍDICA DA QUAL FOI SÓCIO O RECORRENTE Alega o Recorrente que grande parte dos depósitos bancários eram provenientes de receitas de pessoa jurídica da qual era sócio, conforme comprovado pelas notas fiscais e cheques juntados aos autos. Todavia, a simples juntadas de cheques e notas fiscais sem a precisa correlação destes com os depósitos efetuados não permite identificar a origem dos depósitos e a utilização da conta por terceiros. Ademais, conforme disposto da súmula CARF nº 32: "a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros." 2.3) DA ILEGITIMIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO APENAS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS AUSÊNCIA DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL ART. 43 DO CTN Alega do Recorrente que a fiscalização não se comprovou a ocorrência do fato gerador do imposto de renda, o que só seria possível mediante a demonstração de sinais exteriores de riqueza ou do efetivo acréscimo patrimonial. É correta a afirmação do Recorrente no sentido de que o simples depósito em conta corrente não significa renda. No entanto, é pacífico que uso de presunções em matéria tributária é admitido, desde que tais presunções sejam relativas, como é o caso da presunção estabelecida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, abaixo transcrito: Fl. 260DF CARF MF Processo nº 10315.001024/201076 Acórdão n.º 2202004.662 S2C2T2 Fl. 256 11 Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Como destaca Ricardo Mariz de Oliveira1 as razões que justificam a aceitação do uso de presunções relativas no direito tributário são as seguintes: a ocorrência do fato gerador é constatada a partir de fatos conhecidos e comprovadamente existentes; há correlação lógica entre o fato conhecido (índices de produção, consumo de materiais, sinais exteriores de riqueza, acréscimos patrimoniais, saldo credor de caixa) e o fato desconhecido cuja existência se quer provar (fato gerador); o método de interpretação e aplicação da lei a partir da presunção é previsto e autorizado por lei, e não decorre apenas de suposição do agente lançador; a presunção não é absoluta, admitindo prova em contrário pelo contribuinte, característica implícita em toas as citadas hipóteses legais, quando não expressa; 1 OLIVEIRA, Ricardo Mariz de Presunções no Direito Tributário. In Martins Ives Gandra da Silva (coord.). Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Centro de Estudos de Extensão Universitária e Editora Resenha Tributária, 1984. (Caderno de Pesquisas Tributárias, 9) p. 299300 Fl. 261DF CARF MF 12 tratase de mero meio de prova, com inversão do ônus da prova da inocorrência do gerador, pela comprovação de outros fatos, também desconhecidos, mas hábeis a excluir a incidência tributária. (grifamos) A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. A legitimidade da inversão do ônus da prova, no caso em questão, é matéria que já se encontra sumulada pela jurisprudência do CARF, conforme se constata pela Súmula nº 26 abaixo transcrita: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 262DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.721477/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP.
É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA.
Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora).
Numero da decisão: 1201-002.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora).
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INOCORRÊNCIA. Não configura cerceamento do direito de defesa a formulação de cobrança motivada na não homologação de crédito objeto de pedido de restituição já indeferido, notadamente quando o contraditório restou assegurado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO JÁ INDEFERIDO EM PEDIDO ANTERIOR. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. É vedada a apresentação de DCOMP para compensar débitos com crédito objeto de pedido de restituição já indeferido pela Receita Federal, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, devendo o pleito ser considerado não homologado. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos que implicam análise de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA. Os débitos indevidamente compensados e não pagos nos prazos previstos na legislação específica estão sujeitos aos acréscimos moratórios (multa e juros de mora). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 72 14 77 /2 01 5- 92 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Despacho Decisório que não homologou o crédito de estimativa pleiteado pelo contribuinte, sob o fundamento de que ele já teria sido objeto de indeferimento em outro processo administrativo. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: houve cerceamento de defesa e nulidade do Despacho Decisório por falta de informação quanto ao alegado fato para a não homologação das compensações. Ressalta que a Instrução Normativa citada IN nº 1.300/2012 não estava vigente à época dos fatos e também contesta a citação genérica do art. 74 da Lei nº 9.430/1996; a partir da revogação do art. 10 da Instrução Normativa RFB nº 600/2005, que restringia a compensação da estimativa a apuração do saldo negativo, o Despacho Decisório negando a restituição/compensação do valor pago a maior por estimativa passou a condição de improcedente ou equivocado, legitimando o crédito; o art. 10 da IN RFB nº 600/2005 é ilegal, destacando que a Receita Federal não pode se utilizar de mera Instrução Normativa para restringir a recuperação de créditos. Requer a aplicação retroativa do art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 vigente à época de 2010, que permite a restituição de valores de estimativas pagos indevidamente ou a maior; deixou de apresentar defesa administrativa contra o primeiro Despacho Decisório e optou pelo pagamento dos débitos. Assim, quando realizou os pagamentos constante da PER/DCOMP não homologada, o crédito existente, e sem vedação na legislação, sem dúvida voltou a existir; Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 4 3 o art. 74 da Lei nº 9.430/1996 veda que débitos não homologados sejam passíveis de compensação, porém no presente caso os débitos foram quitados. Assim, conclui que não há qualquer impedimento legal para solicitar o crédito de pagamento indevido ou a maior novamente; a liquidez do crédito oriundo de pagamento a maior restou evidenciada; é indevida a exigência de Multa e Juros no atraso dos débitos compensados em DCOMP. A DRJ, por maioria de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O contribuinte interpôs recurso voluntário. Repisa os argumentos de defesa e pede que seu direito creditório seja reconhecido. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.196, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10882.721445/2015 97, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.196): O recurso voluntário é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo a apreciálo. Primeiramente, cabe rejeitar a alegação de nulidade do Despacho Decisório por cerceamento do direito de defesa. Isso porque, apesar de parecer bastante sucinto o Parecer que embasa o despacho decisório, ele deixa claro o motivo e o fundamento legal para o indeferimento da DCOMP, tendo sido oferecido à impugnante o pleno exercício do direito de defesa e contraditório. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 5 4 Na impugnação e recurso voluntário, aliás, a contribuinte demonstra que compreendeu os fatos e os motivos que levaram aos indeferimentos dos pleitos. Apenas para recapitular, a Recorrente teve sua Declaração de Compensação não homologada em face do inciso VI do § 3o do art. 74 da Lei nº 9.340/1996, verbis: "Artigo 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o [...] VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa." Nesse contexto, a autoridade fiscal responsável pela análise do direito creditório se certificou, e comprovou, que o crédito já havia sido objeto de indeferimento em outro pedido, fato este que, como determina a lei, enseja a não homologação da "nova" DCOMP que indicou saldo credor indeferido anteriormente. Além disso, parece que o contribuinte ainda pretende um efeito repristinatório da norma de estimativa, o que não se sustenta. A autoridade fiscal, portanto, ao não homologar a DCOMP em tela, nada mais fez do que cumprir a lei, e não mera IN, não merecendo nenhum reparo o procedimento adotado. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente entende violados, cumpre frisar que este Conselho não possui poderes para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula CARF nº 2. Falece ao presente julgador, contudo, competência para analisar os argumentos de cunho constitucional invocados. Finalmente, e tendo em vista a não homologadas das compensações, os débitos indevidamente compensados passam a se sujeitar aos acréscimos moratórios como decorrência lógica. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10882.721477/201592 Acórdão n.º 1201002.204 S1C2T1 Fl. 6 5 Débitos vencidos, mas não liquidados no prazo legal, estão sujeitos à multa e juros. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 277DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15754.000247/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2006
EXCLUSÃO. ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE.
Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõe-se que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitir-se que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza.
Numero da decisão: 1401-002.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves- Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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ATO DECLARATÓRIO. EFEITOS RETROATIVOS. POSSIBILIDADE. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado Simples. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado, pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica, seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente momentaneamente a conselheira Lívia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 75 4. 00 02 47 /2 00 9- 27 Fl. 119DF CARF MF 2 Letícia Domingues Costa Braga Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Letícia Domingues Costa Braga e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário interposto contra decisão da DRJ em que o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade contra Ato Declaratório Executivo n.º 35, de 11 de dezembro de 2009, que excluiu a contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples, a partir de 01 de janeiro de 2007, por ausência da comunicação obrigatória ao ultrapassar, no anocalendário de 2006, os limites de receita bruta, para permanecer no Simples. A Contribuinte tomou ciência do ADE em 18/12/2009 e apresentou sua manifestação de inconformidade aduzindo os seguintes argumentos: 01) Preliminar de desobediência ao princípio da publicidade Argumenta a Contribuinte que não encontrou cópia do ato publicado na imprensa oficial. 02) Da preliminar de violação à regra de irretroatividade do ato administrativo O Ato Declaratório Executivo 35, de 11/12/2009, que o fisco aplicou à contribuinte em 2009 a penalidade de exclusão do simples a partir de 1/1/2007, produziu efeitos em momento anterior a sua existência jurídica. Entretanto, a imposição de penalidade, inclusive em matéria tributária, não alcança o tempo histórico do passado porque deve ter sua eficácia a partir de sua vigência, de sua publicação, ou melhor, a partir do instante atual com projeção para o futuro. Se se admite que o ato declaratório vige desde 11/12/2009, não pode ter eficácia ou efeito em data anterior à sua existência ou em data anterior à da entrada em vigor, sob pena de violar o direito adquirido, enfim, a segurança jurídica na relação entre o fisco e o contribuinte. 03) Da violação de direitos assegurados à contribuinte Quando instaurou o processo administrativo fiscal 15754 000247/200927, a autoridade administrativa deveria imediatamente abrir o prazo para que a contribuinte pudesse exercer a defesa e o contraditório. Apenas ao termino do processo será possível ou não a exclusão da contribuinte, ou seja, será possível ou não a edição do ato. E não antes, como fez a Fl. 120DF CARF MF Processo nº 15754.000247/200927 Acórdão n.º 1401002.501 S1C4T1 Fl. 118 3 administração tributária. O agir da administração corresponde, grosso modo, a aplicar a penalidade ao acusado antes que o mesmo possa se defender 04) Da violação do direito adquirido A empresa desde sua formação obteve o direito de exercer suas atividades em regime tributário diferenciado. O fisco não pode excluíla desta relação jurídica, de direito adquirido e, portanto, não pode negar o direito ao exercício de atividade econômica ou profissional. 05) Da aplicação de penalidade à períodos sem fiscalização O processo originouse dos autos do processo administrativo fiscal 1578.000487/200991 de exigência de crédito do período 01/01/2006 a 31/12/206, enquanto o ADE foi excluída a partir de 2007, período não fiscalizado. Não se pode dizer que a receita bruta ultrapassou o limite legal neste período. 06) Da inexistência de Auto de Infração A contribuinte não tem conhecimento da existência de auto de infração à legislação tributária porque o fisco não intimou/notificou a parte, que sequer teve acesso ao processo. Antes que a autoridade administrativa aplicasse a penalidade por suposta infração à legislação tributária, não deveria lavrar o auto de infração? 07) Da aplicação da teoria dos motivos determinantes A autoridade fiscal que lavrou os autos de infração e encerrou a fiscalização de IRPJ no processo 15758.000487/200991 é a mesma que, em seguida representou a contribuinte para exclusão do simples, ato contínuo, a autoridade administrativa editou o ADE 35. Tratase da aplicação da teoria dos motivos determinantes: se verificada a improcedência do motivo – receita bruta superior ao limite legal, o ADE deverá desaparecer. Assim sendo, é necessário aguardar o encerramento do processo principal para da impulsão de ofício ao processo acessório, nos termo do art 2º , parágrafo único e inciso XII da Lei 9784/1999. Portanto, precipitouse o fisco ao instaurar o presente processo administrativo de exclusão do Simples, razão pela qual deve ser sobrestado o processo. 08) Da Decisão da DRJ A decisão da DRJ com relação à manifestação de inconformidade, restou assim ementada: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES AUSÊNCIA DA COMUNICAÇÃO OBRIGATÓRIA AO ULTRAPASSAR OS LIMITES DA RECEITA BRUTA PARA PERMANECER NO SIMPLES. Fl. 121DF CARF MF 4 Confirmado através de Autos de Infração que o contribuinte ultrapassou o limite de receita bruta em 2006 para permanecer no Simples, constatase a procedência da exclusão processada pelo ADE. Impugnação Improcedente Sem Crédito em Litígio Do Recurso Voluntário Na interposição do recurso Voluntário a recorrente argumenta basicamente dois pontos, já delimitados previamente no relatório acima: a) desobediência ao princípio da publicidade; b) violação à regra da irretroatividade do ato administrativo. Requereu a improcedência do ADE. É o relatório. Voto Conselheiro Letícia Domingues Costa Braga Relatora Conheço do recurso, por tempestivo. Trata o presente processo de Exclusão do Simples Nacional, em conjunto com Auto de Infração do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e reflexos (CSLL, PIS, COFINS e INSS). O contribuinte, apresentou manifestação de inconformidade contra a sua exclusão do Simples Nacional, tendo rejeita as razões da Manifestação de Inconformidade, apresentou o contribuinte esse Recurso Voluntário. O Ato Declaratório Executivo nº 35, de 11 de dezembro de 2009 foi lavrado em decorrência de a empresa ter ultrapassado no anocalendário de 2006 os limites da Receita bruta para permanecer no simples. A constatação foi feita pelo Auditor que lavrou os Autos de Infração processo administrativo 15758.000487/200991. Com relação à alegada desobediência ao princípio da publicidade, não há necessidade de publicação do Ato de exclusão do Simples pois não existe na Lei que rege o Simples e nem no Decreto 70235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, previsão de publicação do Ato Executivo de Exclusão do Simples. Notase que a Interessada recebeu o ADE e teve prazo para apresentar Manifestação de Inconformidade, Manifestação esta devidamente apreciada pela DRJ. Notase também que o efeito atribuído ao ADE, ora em julgamento está em consonância com as disposições da Lei 9317/97, sendo que não existe previsão para lavratura de auto de infração à legislação tributária para as empresas excluídas do Simples. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15754.000247/200927 Acórdão n.º 1401002.501 S1C4T1 Fl. 119 5 Assim, notase que a emissão do ADE respeitou as regras do Processo Administrativo Fiscal, e, por tudo que foi exposto acima concluise que não é possível acatar os requerimentos de nulidade e ou improcedência do ADE apresentados pela Interessada. Importante destacar que o Art. 16 da Lei 9317/96 determina que “a pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas”. Com relação ao alegado direito adquirido, o simples é uma opção de tributação diferenciada e, tem juntamente com essa opção, algumas obrigações que devem ser cumpridas sob pena de exclusão dessa opção. Não há qualquer direito adquirido em se manter nesse tipo de tributação. O que há, na verdade é uma opção que tem condicionantes para a sua manutenção. Tendo o recorrente desobedecido as condicionantes, a sua exclusão se opera, inclusive com efeitos retroativos, como foi o caso. Assim, o momento da exclusão e o direito à manutenção da opção pelo SIMPLES depende do constante cumprimento pela pessoa jurídica dos requisitos fixados em lei. Por outro lado, tendo o contribuinte ultrapassado os limites da Receita Bruta no ano de 2006, por si só, produziria os efeitos impeditivos para a continuidade no SIMPLES. O ato administrativo que formalizou a exclusão do Simples, tem como função a declaração das infrações cometidas e o termo inicial da exclusão. Tal questão encontrase devidamente pacificada pelo STJ em recurso repetitivo: TEMA 341 DO STJ EMENTA 1. Controvérsia envolvendo a averiguação acerca da data em que começam a ser produzidos os efeitos do ato de exclusão do contribuinte do regime tributário denominado SIMPLES. Discutese se o ato de exclusão tem caráter meramente declaratório, de modo que seus efeitos retroagiriam à data da efetiva ocorrência da situação excludente; ou desconstitutivo, com efeitos gerados apenas após a notificação ao contribuinte a respeito da exclusão.[...] 3. No caso concreto, foi vedada a permanência da recorrida no SIMPLES ao fundamento de que um de seus sócios é titular de outra empresa, com mais de 10% de participação, cuja receita bruta global ultrapassou o limite legal no anocalendário de 2002 (hipótese prevista no artigo 9º, inciso IX, da Lei 9.317/96), tendo o Ato Declaratório Executivo n. 505.126, de 2/4/2004, da Secretaria da Receita Federal, produzido efeitos a partir de 1º/1/2003. 4. Em se tratando de ato que impede a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES em decorrência da superveniência de situação impeditiva prevista no artigo 9º, incisos III a XIV e XVII a XIX, da Lei 9.317/96, seus efeitos são produzidos a partir do mês subsequente à data da ocorrência da circunstância excludente, nos exatos termos do artigo 15, inciso II, da mesma lei. Precedentes. Fl. 123DF CARF MF 6 5. O ato de exclusão de ofício, nas hipóteses previstas pela lei como impeditivas de ingresso ou permanência no sistema SIMPLES, em verdade, substitui obrigação do próprio contribuinte de comunicar ao fisco a superveniência de uma das situações excludentes. 6. Por se tratar de situação excludente, que já era ou deveria ser de conhecimento do contribuinte, é que a lei tratou o ato de exclusão como meramente declaratório, permitindo a retroação de seus efeitos à data de um mês após a ocorrência da circunstância ensejadora da exclusão. 7. No momento em que opta pela adesão ao sistema de recolhimento de tributos diferenciado pressupõese que o contribuinte tenha conhecimento das situações que impedem sua adesão ou permanência nesse regime. Assim, admitirse que o ato de exclusão em razão da ocorrência de uma das hipóteses que poderia ter sido comunicada ao fisco pelo próprio contribuinte apenas produza efeitos após a notificação da pessoa jurídica seria permitir que ela se beneficie da própria torpeza, mormente porque em nosso ordenamento jurídico não se admite descumprir o comando legal com base em alegação de seu desconhecimento. (REsp 1124507 MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/04/2010, DJe 06/05/2010) Com relação à teoria dos motivos determinantes, aqueles autos da Autuação serão necessariamente julgados antes desses. Assim, não resta qualquer razão à recorrente. Pelo acima exposto, julgo por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Nacional. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 124DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722047/2017-65
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. DIRF.
Quando declarada em Dirf, a compensação de IRRF é devida.
Numero da decisão: 2002-000.227
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. DIRF. Quando declarada em Dirf, a compensação de IRRF é devida.
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COMPENSAÇÃO. DIRF. Quando declarada em Dirf, a compensação de IRRF é devida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 20 47 /2 01 7- 65 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10830.722047/201765 Acórdão n.º 2002000.227 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento (fl. 4 e ss) por meio da qual foi cancelada restituição de 1.525,15 (fl. 6) em virtude da glosa de compensação de IRRF. O lançamento se deu em razão da divergência entre as declarações da fonte pagadora e do contribuinte. No mais, a fiscalização informa que a retenção relativa ao rendimento de aluguel está em nome de Anna Lourdes Ansetti Zeganin e não do Sr. Ricardo e este não apresentou documentos de propriedade do imóvel, nem documentos que o vinculem a Sra. Anna (fl. 5). Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fls. 3 e 7) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 21/03/2017 (fl. 23) e protocolou sua peça no dia 10/04/2017 (fl. 3), dentro do prazo de 30 dias1 portanto. Impugnação Em sua impugnação o contribuinte alega, em síntese, que (fl. 2 e ss) não concorda com a infração e apresenta documento de propriedade do imóvel e certidão de casamento que comprova o vínculo conjugal. Decisão de 1ª Instância O contribuinte impugnou o lançamento apresentando novos documentos. A DRJ entendeu que os documentos apresentados comprovam a propriedade do imóvel e o vínculo do contribuinte com a Sra. Anna. Porém o IRRF continua sem confirmação na Dirf da fonte pagadora tanto para o contribuinte como para sua esposa. Assim a DRJ julgou pela improcedência da impugnação. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 35 e ss) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 14/07/2017 (fl. 30) e protocolou sua peça no dia 10/08/2017 (fl. 34), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Recurso voluntário Em seu recurso voluntário (fl. 34 e ss), em síntese, o contribuinte alega que a fonte pagadora providenciou a Dirf 2014/2013 retificadora regularizando, portanto, as informações na base de dados da Receita Federal. Alega apresentar recibo de entrega da Dirf e a sua fl. 14 com os alugueis pagos e as respectivas retenções de IR. Por fim, pede o cancelamento do débito fiscal. 1 Art. 15 do Decreto 70.235/72 2 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10830.722047/201765 Acórdão n.º 2002000.227 S2C0T2 Fl. 4 3 Documentos do recurso voluntário Após o recurso voluntário constam os seguintes documentos: documento de identidade da procuradora (fl. 36 e ss); procuração (fl. 38); Dirf 2014/2013 (fl. 39); Recibo de entrega da Dirf (fl. 40); Folha 13 da Dirf (fl. 41). Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Mérito Em sede de recurso voluntário o contribuinte traz aos autos documentos que comprovam que as falhas apontadas pela DRJ foram sanadas, ou seja, que a fonte pagadora retificou a Dirf informando a retenção objeto da lide (fls. 39 a 41). Segundo o documento da fl. 41, o valor total da retenção foi 3.050,30, sendo que a retenção informada pelo marido foi metade disso, 1.525,15, cabendo o restante à esposa, conforme disposto no art. 7º, § 1º do Decreto 3.000/99 a seguir transcrito. Art.7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. §1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, dar lhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10830.722047/201765 Acórdão n.º 2002000.227 S2C0T2 Fl. 5 4 Fl. 49DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.912242/2012-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.268
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 42 /2 01 2- 57 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912242/201257 Acórdão n.º 3401004.268 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 0265.615, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912242/201257 Acórdão n.º 3401004.268 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912242/201257 Acórdão n.º 3401004.268 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912242/201257 Acórdão n.º 3401004.268 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.723918/2014-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 01/05/2014
DESACATO A AUTORIDADE ADUANEIRA, MULTA PREVISTA NO ART. 107, III, DO DECRETO-LEI Nº37/66.
O desacato a autoridade aduaneira, previsto na legislação fiscal, caracteriza-se pela ofensa e tratamento desrespeitoso com falta ao dever de urbanidade dirigido à autoridade aduaneira no exercício de suas atribuições de controle aduaneiro no recinto alfandegário.
Numero da decisão: 3302-005.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 01/05/2014 DESACATO A AUTORIDADE ADUANEIRA, MULTA PREVISTA NO ART. 107, III, DO DECRETO-LEI Nº37/66. O desacato a autoridade aduaneira, previsto na legislação fiscal, caracteriza-se pela ofensa e tratamento desrespeitoso com falta ao dever de urbanidade dirigido à autoridade aduaneira no exercício de suas atribuições de controle aduaneiro no recinto alfandegário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
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O desacato a autoridade aduaneira, previsto na legislação fiscal, caracteriza se pela ofensa e tratamento desrespeitoso com falta ao dever de urbanidade dirigido à autoridade aduaneira no exercício de suas atribuições de controle aduaneiro no recinto alfandegário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Transcrevese o relatório elaborado no acórdão recorrido, por bem retratar a realidade dos fatos: “Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 02/05/2014, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 72 39 18 /2 01 4- 13 Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 85 2 exigência de multa regulamentar, no valor de R$ 10.000,00, em virtude dos fatos a seguir escritos. Na noite de 01/05/2014, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil LUCIANA PIRES, matricula 880.831, em procedimento de vigilância aduaneira, por volta das 21:25h, estava realizando seu rotineiro trabalho de fiscalização na área restrita do desembarque internacional do terminal 1 do Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP quando foi selecionada para vistoria a passageira SABINNE MARIE TELLES DE CERJAT, Passaporte Brasileiro n° YA644123, CPF 864.863.22934, procedente de Nova Iorque, no voo da TAM JJ8083, que saia pelo canal "NADA A DECLARAR". A vistoria indireta sugeriu a existência de grande quantidade de roupas, motivo pelo qual a passageira foi encaminhada a uma bancada para a vistoria direta da sua bagagem. Durante a vistoria direta, o ATRFB MARCO ANTÔNIO GONÇALVES, matricula 26.953, constatou a existência de roupas novas, passiveis de tributação. O recolhimento dos tributos se deu por meio do DARF 07.15.14121.45132498, relativo à ocorrência 081760014033503RTE02. Quando a passageira retornou do Banco Safra, apresentou o DARF devidamente recolhido à AFRFB LUCIANA PIRES, dizendo: "Toma, vocês estavam precisando de dinheiro". A passageira foi questionada sobre o que acabara de afirmar ao que respondeu: "quero somente ir embora". Em seguida, passou a organizar seus bens dentro das malas, proferindo palavras desrespeitosas e em tom ameaçador, conforme transcrevo: "Você vai ver o que vai acontecer com você essa semana. Você tem filhos? Algo terrível vai acontecer com eles ainda nesta semana e com você também; eu tenho seu nome". A passageira foi alertada pela AFRFB LUCIANA PIRES sobre o desacato à autoridade, sugerindo que se controlasse. A despeito do alerta dado, a passageira continuou gritando palavras com esse teor. A passageira solicitou que alguém a ajudasse a organizar seus bens dentro das malas, motivo pelo qual a AFRFB LUCIANA PIRES autorizou a na área restrita do Agente de Aeroporto da TAM ALEXANDRE ALEX CORRÊA, CPF 364.772.43865, que auxiliou a passageira até a saída da área restrita. Enquanto saia, a passageira gritava de forma que todos os presentes puderam ouvir, as seguintes palavras, para a AFRFB LUCIANA PIRES: "Você vai morrer, sua filha da puta. Você vai ver o que vai te acontecer.". Lavrouse um Termo de Ocorrência, subscrito pelos servidores da Receita Federal do Brasil, pelo Vigilante Líder da empresa de segurança Lógica e pelo Agente de Aeroporto da empresa TAM que testemunharam os fatos. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 86 3 Assim sendo, procedeuse à lavratura deste Auto de Infração, para fim de aplicação da penalidade pecuniária por desacato à autoridade, nos termos do artigo 728, inciso III, alinea "a" do Regulamento Aduaneiro. Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 21/05/2014 (fls. 30), a contribuinte, protocolizou impugnação, tempestivamente em 18/06/2014, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574/2011, de fls. 11 à 16, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. O impugnante alegou que: Conforme se extrai do Auto de Infração ora impugnado, em 01.05.2014, às 22h50, a Auditora Fiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela fiscalização no desembarque internacional do terminal 1 no Aeroporto Internacional de São Paulo, aplicou pena de multa à Impugnante por suposto de desacato à autoridade. Ocorre que não corresponde a realidade da '‘circunstância, pois em momento alguma a Impugnante agiu com rispidez contra a agente aduaneira. Pelo contrário, em um momento de descontrole emocional de ambas as partes, houve um início de discussão entre a Impugnante e a autoridade, mas inexistindo qualquer ofensa ou ameaça. A Impugnante retornava dos Estados Unidos da América, após dias de férias naquele país, quando ao desembarcar no Aeroporto Internacional de São Paulo foi conduzida pelas autoridades alfandegárias pura averiguação de sua bagagem. Ocorre que por ser um momento de grande tensão e de desconforto, inclusive para as autoridades que ali trabalham, a condução da Impugnante até a vistoria não foi das mais tranquilas, dotadas de austeridade pelas autoridades, deixando a Impugnante temerária com a forma bruta de tratamento. Ressaltese que a Impugnante havia sofrido um leve acidente antes de embarcar para o Brasil, oportunidade em que acabou machucando o braço direito, dificultando sua mobilidade com o membro, inclusive recebeu ajuda de funcionários da Companhia Área para colocar suas bagagens no carrinho. Mesmo percebendo que o braço da Impugnante estava imobilizado com tipoia, as autoridades foram duramente rude na averiguação, jogando todas as roupas e pertences pessoais da Impugnante ao chão. Após este ocorrido, tributaram as roupas se supuram ser novas e adquiridas nos EUA, encaminhando a Impugante até o Banco Safra para que efetuasse o pagamento da DARF. Ao retornar para pegar seus pertences, já extremante estremecida psicologicamente pela circunstância e pelo trato ríspido e desrespeitoso das autoridades aduaneira, em especial Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 87 4 da Sra. Luciana Pires, a Impugante se deparou com todos os seus pertences ainda no chão, que foram arremessados na hora da vistoria. Reclamou com a Sra. Luciana Pires das roupas e entregou a DARF de pagamento, neste momento ambas as partes iniciaram uma discussão, em que a Autoridade aduaneira fiscal e a Impugnante levantaram a voz em um momento de descontrole mútua, mas sem haver troca de ofensas e, principalmente, ameaças. Posteriormente, a Impugnante pediu ajuda as autoridades para pegar seus pertences que tinham sido jogados na bancada e no chão sem motivo algum, reiterando seu problema no braço, mas a Sra. Luciana Pires, apenas deu prosseguimento a discussão, afirmando enfaticamente que não ajudaria a á impugnante, dizendo “você que se vire”. Em assim sendo, a Impugnante perguntou se poderia então pedir que alguém ajudasse a pegar suas roupas, respondido pela Sra. Luciana que poderia chamar alguém, pois ela não lhe ajudaria. A Impugnante pediu para um rapaz da companhia área, que entrou no local, colocando as roupas na mala. Neste momento, todos estavam extremamente exaltados e a Sra. Luciana e a Impugnante permaneciam conversando em um tom mais alto que o costume, pois ambas estavam com os ânimos abalados, quando por fim a Impugnante se retirou do local. Destarte, as partes tiveram uma conversa em tom mais ríspido, mas primeiro quem deu causa aos aborrecimentos foram as próprias autoridades alfandegárias, que trataram a Impugnante a todo o momento de forma hostil. Em segundo lugar, a discussão se deu por ambas as partes, em que a Impugnante e a Sra. Luciana Pires se exaltaram e começaram a conversar de modo mais agudo. Ora a Sra. Luciana é um autoridade aduaneira, profissional que lida com estas circunstâncias dia a dia, sendo inadmitido que haja de forma ríspida e desrespeitosa pela viajando que ali transitando. Por fim, e mais importante, a Impugnante em momento algum desacatou a autoridade da Sra. Luciana e muito menos proferiu qualquer palavra ameaçadora, não passando de mero aborrecimento por uma discussão em que próprio tratamento da Sra. Luciana veio a ocasionar. Assim, impõese o reconhecimento de insubsistência do Auto de Infração ora combatido, com a exclusão da multa e consequente arquivamento do procedimento administrativo. ⊙ INEXISISTÊNCIA DA PRÁTICA DO CRIME – AUSÊNCIA DOS REQUISITOS ENSEJADORES CRIME NÃO RECEPCIONADO PELA CF/88 – INCONSTITUCIONALIDADE DO CRIME DE ABUSO DE AUTORIDADE Noutro vértice, a Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 88 5 conduta da Impugnante decorre que seu estado de ira e descontrole emocional, mas em nenhuma momento teve o dolo de desqualificar a pessoa do funcionário público. Destaquese que o crime de abuso de autoridade pressupõe o dolo, a livre vontade, do agente desprestigiar o cargo do funcionário público, ou seja, exige um fim específico em humilhar a função exercida pelo funcionário público. Desta forma, o simples descontrole emocional e mero ato de grosseria não caracteriza o abuso de autoridade, poderia caracterizar outro crime subjetivo a pessoa do funcionário pública, mas de forma alguma resta configurado o crime de desacato. Junta textos da doutrina de Fernando Capez: (CAPEZ, Fernando. Curso de Direito Penal Parte Especial. Vol. 3. Editora Saraiva. São Paulo, 2004. Pág. 494/495) Diante disto, resta latente que não houve a configuração do crime de abuso de autoridade, haja vista inexistir ânimo de ofensa à função exercida pelo funcionário público. Ainda, importante salientar que o crime de abuso de autoridade decorre do uma período lamentável na nação brasileira, na qual vigorava o estado ditatorial, que afastava toda e qualquer direito fundamental ao cidadão. Junta textos da doutrina: (Jornal do advogado. Ano XXXVII, mai/2012, número 372, p.15). Não obstante a isto, a Pacto São José da Costa Rica, ratificado pelo Brasil,também afasta a possibilidade de incidência desta prática delituosa, no qual afirma em seu artigo 11 que o crime de desacato atenta a liberdade de expressão. Diante do exposto, não merece prosperar o presente auto de infração, tendo em vista que a tipificação do abuso de autoridade não recepcionado pela Constituição Federal de 1988, bem como via contra os ditames do Pacto de São José da Costa Rica, acordo internacional ratificado pelo Brasil. ⊙ REQUERIMENTO Diante de todo o exposto, solicita a Vossa Senhoria seja julgado insubsistente o Auto de Infração n° 0817600/00189/14, com a anulação da multa imposta à Impugnante no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), tendo em vista que inexistiu qualquer desacato ou ameaça a autoridade aduaneira, bem cc o mero ato grosseiro não caracteriza crime de desacato e, por fim, que o desacato à autoridade não foi recepcionado pela CF/88 e vai contra o Pacto de São José da Costa Rica, acordo internacional ratificado pelo Brasil. Protesta pela produção de todas as provas admitidas em direito, inclusive oitiva da autoridade aduaneira. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 89 6 É o relatório" A Vigésima Terceira Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 16064.273, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 01/05/2014 Desacato à autoridade fiscal no estrito exercício de sua função, decorrente da vistoria direta da bagagem. Foram proferidas palavras desrespeitosas e em tom ameaçador à fiscalização. Conduta tipificada cuja sanção é a multa regulamentar de R$ 10.000,00 (dez mil reais). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas na impugnação. Na sessão de 23/05/2017, esta turma converteu o julgamento em diligência, mediante a Resolução nº 3302000.590, para que a unidade de origem juntasse o Termo de Ocorrência mencionado no Auto de Infração e na decisão recorrida, feito às efls. 79 e ss. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso voluntário atende aos pressupostos processuais e dele tomo conhecimento. A controvérsia se estabeleceu em torno da ocorrência ou não da conduta prevista no artigo 728, inciso III1 do Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009) e da não recepção do crime de desacato pela Constituição Federal. Quanto ao argumento relativo à não recepção do crime de desacato pela Constituição Federal, descabem maiores considerações, uma vez que é vedado a este Conselho conhecer de alegações de inconstitucionalidade, a teor da Súmula CARF nº 2. Concernente à ocorrência da conduta tipificada como desacato, os fatos narrados por ambas as partes são divergentes quanto à ocorrência de ofensa ou ameaça. Enquanto a autoridade fiscal afirmou ter sido tratada de forma desrespeitosa e ameaçadora, reproduzindo as expressões mencionadas pela recorrente, a recorrente negou tal fato e alegou ter sido tratada com rudeza e rispidez na averiguação de sua bagagem. 1 Art. 728. Aplicamse ainda as seguintes multas (DecretoLei no 37, de 1966, art. 107, incisos I a VI, VII, alínea “a” e “c” a “g”, VIII, IX, X, alíneas “a” e “b”, e XI, com a redação dada pela Lei no 10.833, de 2003, art. 77): (...) III de R$ 10.000,00 (dez mil reais), por desacato à autoridade aduaneira Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10814.723918/201413 Acórdão n.º 3302005.638 S3C3T2 Fl. 90 7 O processo foi baixado em diligência para juntada do Termo de Ocorrência,lavrado em 1º/05/2014, e que fora subscrito pela AuditoraFiscal Luciana Pires, pelo AuditorFiscal Luiz Del Nero da Costa Marques, pelo AnalistaTributário Marcelo Miranda Prado, pelo AnalistaTributário Marco Antônio Gonçalves, pelo Agente de Aeroporto da TAM Alexandre Alex Corrêa e pelo Vigilante da Líder Lógica Risonaldo José de Oliveira. No dizer de Celso Demanto2: "O núcleo desacatar traz o sentido de ofender, menosprezar, humilhar, menoscabar. Na definição de Hungria, desacato é a "grosseira falta de acatamento, podendo consistir em palavras injuriosas, difamatórias ou caluniosas, vias de fato, agressão física, ameaças, gestos obscenos, gritos agudos etc", ou seja, "qualquer palavra ou ato que redunde em vexame, humilhação, desprestígio ou irreverência ao funcionário". Verificase que o Termo de Ocorrência, subscrito por cinco testemunhas, comprova que a recorrente ofendeu e ameaçou a AuditoraFiscal Luciana Pires, e, inclusive, seus filhos. Por outro lado, a recorrente afirmou que ambas estavam exaltados e que foram as autoridades fiscais que deram causa aos aborrecimentos. Entretanto, não fez qualquer prova de tais acusações. Neste sentido, o Acórdão nº 320100.286: DESACATO A AUTORIDADE ADUANEIRA, MULTA PREVISTA NO ART. 107, III, DO DECRETOLEI Nº37/66. O desacato a autoridade aduaneira, previsto na legislação fiscal, caracterizase pela ofensa e tratamento desrespeitoso com falta ao dever de urbanidade dirigido à autoridade aduaneira no exercício de suas atribuições de controle aduaneiro no recinto alfandegário. Diante do exposto voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède 2 Código Penal Comentado/Celso Demanto ...[et al] 6º ed. atual. e ampl. Rio de Janeiro, Renovar, 2002, página 665 Fl. 90DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.729059/2015-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA.
Havendo sido realizada compensação com créditos não comprovados, e descumpridos os termos do art. 170-A do CTN, bem como determinação judicial expressa, cabe glosar a compensação indevida, restando também evidenciada falsidade de declaração apta a justificar a aplicação da multa prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INCIDÊNCIA DOS ARTS. 124, I E 135, III DO CTN.
Não restando comprovada pela fiscalização a existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador, ou de atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, não persiste a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da pessoa jurídica autuada.
Numero da decisão: 2202-004.496
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a responsabilidade solidária dos sócios, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) não votou por se tratar de questão já votada pela conselheira Rosy Adriane da Silva Dias
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Redator designado
(assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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CRÉDITOS NÃO COMPROVADOS. GLOSA. DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO. FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. MULTA ISOLADA. Havendo sido realizada compensação com créditos não comprovados, e descumpridos os termos do art. 170A do CTN, bem como determinação judicial expressa, cabe glosar a compensação indevida, restando também evidenciada falsidade de declaração apta a justificar a aplicação da multa prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. SÓCIOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INCIDÊNCIA DOS ARTS. 124, I E 135, III DO CTN. Não restando comprovada pela fiscalização a existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador, ou de atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, não persiste a imputação de responsabilidade solidária aos sócios da pessoa jurídica autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a responsabilidade solidária dos sócios, vencidos os conselheiros Júnia Roberta Gouveia Sampaio (relatora), Martin da Silva Gesto e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que lhe deram provimento parcial em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ronnie Soares Anderson. O conselheiro Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) não votou por se tratar de questão já votada pela conselheira Rosy Adriane da Silva Dias (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 90 59 /2 01 5- 41 Fl. 1142DF CARF MF 2 Ronnie Soares Anderson Presidente e Redator designado (assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos e Ronnie Soares Anderson. Ausente justificadamente a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP): DO LANÇAMENTO 1. Tratase de processo administrativo resultante de ação fiscal precedida do Mandado de Procedimento Fiscal – nº 10.1.01.00.2015.00122, que teve por escopo a verificação da regularidade procedimental do Sujeito Passivo, no que se refere às compensações de natureza previdenciária informadas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social). 1.1. A ação fiscal teve início com o Termo de Início de Procedimento Fiscal, enviado por Aviso de Recebimento AR, com ciência da empresa em 28/04/2015. Outros três Termos de Intimação Fiscal foram emitidos, sendo o último o Termo de Ciência e de Continuação de Procedimento Fiscal: os de n° 1 e n° 2, com ciência do sujeito passivo em 15/06/2015; 28/07/2015 e, 18/09/2015, respectivamente. 1.2. Foram apurados os seguintes créditos tributários: b) Debcad nº 51.080.331 8 – referese à aplicação de multa isolada por falsidade da declaração o crédito tributário, no período de fevereiro/2012 a 07/2014. 1.3. Consta no Relatório Fiscal que o fato gerador das obrigações previdenciárias objeto do lançamento fiscal teve por origem a glosa de compensações de contribuições previdenciárias, efetuadas no período de 01/2012 a 13/2013, informadas em GFIP, sendo que para apuração da base de cálculo, a fiscalização utilizouse da Planilha 1, parte Integrante do seu Refisc., que contam as Relações das Compensações nos anos de 2012 e 2013, que foram fornecidas pelo contribuinte e confrontadas pela autoridade fiscal, com os valores das compensações lançadas em GFIP e com os registros contábeis do contribuinte arquivados no SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Constatase que as bases de cálculo foram Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.143 3 lançadas nos levantamentos GL Glosa Compensação Indevida e MI Multa Isolada. 1.4. A Fiscalização demonstra que o Levantamento GL GLOSA COMPENSAÇÃO INDEVIDA destinase ao lançamento dos valores compensados indevidamente e declarados em GFIP, uma vez que as ações judiciais que embasam a compensação, ainda não transitaram em julgado. Os valores de tais compensações constam discriminados, por filial e competência, na planilha denominada "VALORES DAS COMPENSAÇÕES EM GFIP". 1.5. A Auditoria também informa que no Levantamento MI MULTA ISOLADA – foi apurado o montante referente à aplicação de MULTA ISOLADA, em virtude da compensação ter sido realizada mediante inserção de créditos considerados inexistentes em GFIP, que resulta falsidade da declaração, que corresponde a 150% dos valores compensados indevidamente, informados pelo sujeito passivo no campo "Compensação" da GFIP nas competências de 01/2012 a 12/2013, bem como naquela relativa ao 13° salário de 2013. 1.6. Por outro lado, conforme apontado nos Termos de Sujeição Passiva Solidária, a responsabilidade solidária pelos débitos apurados foi atribuída aos senhores Fernando Vico da Cunha, Francisco Antonio Santa Helena, Luiz Cláudio Leopoldo e César Franco de Lima, sócios administradores da empresa, com base no disposto no art. 135 do Código Tributário Nacional, tendo em vista a compensação indevidamente realizada em GFIP objetivando reduzir pagamento de tributo 1.7. Constam nos autos: Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fls. 02); IPC – Instruções para o Contribuinte (fls. 122/123); Relatório de Vínculos (fls. 135); Termo de Início de Procedimento Fiscal, Termo de Início de Procedimento Fiscal Complementar e AR´s – Avisos de Recebimento (fls. 124/133); Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal – TEPF (fls.134). 1.8 Além do Relatório Fiscal, (fls. 136/141) integram os Autos de Infração (fl. 03 e 63), os seguintes documentos: DD – Discriminativo do Débito (fls 04/60; 64/120); FLD – Fundamentos Legais do Débito (fl. 61/62; 121). 1.9. A Fiscalização ainda fez juntada de: a) Resposta do contribuinte quanto ao questionamento da existência de ações judiciais relacionadas à legislação das contribuições previdenciárias; b) Planilha apresentada pelo contribuinte que a Auditoria denominou de “Planilha 1”; c) Planilha "Valores das Compensações em GFIP" e d) Planilha "Multa Isolada". Da Impugnação 2. Devidamente intimada em 19/10/2015 (fls. 191), a autuada, em 09/11/2015 , contestou o lançamento por meio do instrumento de fls.311/336 , onde em síntese: Fl. 1144DF CARF MF 4 2.1. Alega que baseou suas compensações no entendimento corroborado pelas decisões proferidas pelos Tribunais Superiores, em sede de repetitivo, as quais devem ser observadas pelo Fisco, conforme disposto no parágrafo § 2° do art. 62 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF n° 343/2015). 2.2. Informa que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu em sede do Recurso Especial n° 1.230.957/RS, processado segundo o regime previsto no art. 543C do Código de Processo Civil (CPC), que é inexigível a contribuição social previdenciária incidente sobre os 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílioacidente), adicional de 1/3 (um terço) de férias e aviso prévio indenizado; 2.3. Enfatiza que, no âmbito daquele processo, o STJ rejeitou os embargos de declaração que haviam sido opostos pela Fazenda Nacional, e, portanto, manteve na íntegra a decisão colegiada, que tem aplicação imediata, inclusive na esfera administrativa, não havendo mais dúvidas quanto à inexigibilidade da cobrança das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos nos primeiros quinze dias de afastamento do funcionário doente ou acidentado (antes da obtenção do auxíliodoença ou do auxílio acidente), terço constitucional de férias e aviso prévio indenizado. 2.4. Argumenta que diante deste quadro e do disposto no o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que torna obrigatória a aplicação pelos seus Conselheiros das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal no bojo de demandas submetidas ao regime da Repercussão Geral e pelo Superior Tribunal de Justiça, nos casos submetidos ao regime dos Recursos Repetitivos, em recente julgamento (PAF n° 10972.720024/201114 Acórdão n° 2302003.133), a Terceira Câmara da Segunda Turma do CARF julgou insubsistente o Auto de Infração por meio do qual havia sido glosada a compensação das verbas em comento, em outras palavras, restou mantida a compensação de tais verbas realizada pelo contribuinte antes do trânsito em julgado da ação judicial, em função da decisão proferida pelo STJ, em sede do Recurso Representativo da Controvérsia (Resp n° 1.230.957); 2.5. No tópico que intitula “Inaplicabilidade do art. 170A no Mandado de Segurança”, sustenta que o mencionado dispositivo do Código Tributário Nacional (CTN) não se enquadra na sistemática do procedimento do Mandado de Segurança, tendo em vista que a sentença prolatada em sede da ação mandamental deve ser cumprida de forma imediata, nos termos do § 3°, do art. 14, da Lei n.º 12.016, de 2009, visto que não há efeito suspensivo na apelação. 2.6. Enfatiza que o auto de infração, ora guerreado, atribuiu à impugnante infração por ter efetuado compensação de crédito objeto de ação judicial, chancelando a suposta legalidade da aplicação da multa de 150% sob o fundamento que a autoridade fazendária exerce atividade administrativa plenamente vinculada, o que a impõe aplicar a sanção cogente a matéria. Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.144 5 Argumenta que tal fundamento não merece prosperar, pois em se tratando de tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, incumbe à administração homologar ou não as informações contidas em GFIP e não aplicar multa à impugnante. 2.7. Sustenta que é necessário que o órgão autuante comprove a falsidade da declaração para que seja aplicada a referida multa, comprovação da falsidade essa que é o núcleo da hipótese de cabimento da multa e que, no caso em questão, não ocorreu tendo em vista que todas as informações necessárias para a configuração do crédito foram prestadas, sem que tenha havido qualquer omissão ou, menos ainda, falsidade de declaração em GFIP. 2.8. Esclarece que o CARF recentemente se manifestou no sentido de que é incabível a multa isolada no patamar de 150% quando o contribuinte detenha decisão judicial determinando a compensação após o trânsito em julgado (cita decisão): 2.9. Ademais, apenas a título informativo, é possível perceber que a multa instituída se afeiçoa inconstitucional, porquanto viola o direito de petição (artigo 5o, inciso XXXIV da CF/88); a garantia do devido processo legal (artigo 5o, inciso VI, da CF/88); os princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade, eis que excessiva, configurando verdadeira sanção política, execrada pelo Supremo Tribunal Federal, que já mencionou diversas vezes que o Poder Público não pode utilizar meios indiretos de coerção. 2.10. Por fim, sustenta o STF reconheceu a REPERCUSSÃO GERAL do tema suscitado no processo, observando que o caso em questão possui grande potencial de repetição, pois muitos entes federados também adotam a técnica das "multas isoladas". 2.11. No tópico intitulado “Da Ausência de Sujeição Passiva ...”, a impugnante contesta a atribuição da responsabilidade solidária pelo crédito constituído aos sócios diretores, alegando que efetuou e declarou a compensação que entende cabível com base em entendimento corroborado por decisões dos Tribunais Superiores. 2.12. Frisa que para haver a responsabilização dos sócios é imprescindível que o ato por eles cometido seja totalmente dissonante das atribuições de gestão ou administração, de maneira que o representado ou administrado e o Fisco sejam vítimas dessa ilicitude, ou seja, conforme disposto nos artigos 124, inciso I e 135, inciso III, ambos do CTN, utilizados para embasar a sujeição passiva pela Autoridade Fiscal, somente podem ser responsabilizados os sócios ou diretores que agem com excesso de poder e/ou infração de lei. 2.13. Sustenta que se trata de infração subjetiva e, como tal, o dolo não se presume, conforme pacífica orientação doutrinária e pretoriana constatada na Súmula n° 430 da Primeira Seção do STJ., evidenciando que a ofensa à lei que pode ensejar a Fl. 1146DF CARF MF 6 responsabilidade do sócio nos termos do artigo 135, inciso III, do CTN, é aquela que tenha relação direta com a obrigação tributária objeto da execução. 2.14. Argumenta que não restam dúvidas que a responsabilização prevista no artigo 135 do CTN é excepcional, e, assim, para configurála, o Fisco deve comprovar o ato que implicou excesso de poderes ou violação da lei, estatuto ou contrato social. 2.15.Volta a enfatizar que para a incidência normativa do art. 135 do CTN, especificamente aos dirigentes, fazse necessário que exista um ato doloso, que esteja direta e pessoalmente imputado à pessoa física do administrador, praticado com excesso de poderes, infração de lei, contrato social ou estatuto que resulte em uma obrigação tributária não autorizada (dano ou prejuízo), devidamente comprovado pela autoridade. 2.16. Por fim, alega que, no caso em apreço, não restou caracterizado nenhum dos requisitos para imputar aos dirigentes a cobrança do débito tributário, razão pela qual devem ser anulados os Termos de Sujeição Passiva e procedida a retirada do nome dos seus dirigentes das autuações. Do Pedido 3. Pelo exposto, foi requerido: a) o afastamento da sujeição passivados sócios srs. César de Lima CPF 228.867.53068 Fernando Vico da Cunha CPF 251.568.02887, Francisco Antônio Santa Helena CPF 184.963.85000 e Luiz Cláudio Leopoldo CPF 168.830.63072. b) a anulação dos Autos de Infração – DEBCAD 51.080.3300 e 51.080.3318 e a extinção do presente processo, ensejando, assim, a convalidação da compensação efetuada. c) que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam sempre lançadas em nome do patrono Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, inscrito na OAB/SP sob o nº 128.341. Das Impugnações dos Responsáveis Solidários 4. Também devidamente intimados, os senhores Fernando Vico da Cunha, Francisco Antonio Santa Helena, Luiz Cláudio Leopoldo e César Franco de Lima, sócios administradores da empresa, contestaram a inclusão da responsabilidade solidária dos mesmos pelo crédito constituído, por meio dos instrumentos de fls. 206/216, 227/237, 270/280 e 290/300, onde em síntese, alegam os mesmos argumentos feitos pela empresa na sua impugnação, no tópico intitulado “Da Ausência de Sujeição Passiva”, já reproduzidos nos itens 2.11 a 2.16 deste relatório. 4.1. Por fim, requerem a anulação dos respectivos Termos de Arrolamento de Bens e Direitos lavrados em fase do Processo Administrativo nº 11080.729059/201541, uma vez que não são sujeitos passivos de qualquer obrigação tributária, nem mesmo como responsáveis tributários. Solicitam, ainda, que as publicações e/ou intimações referentes ao presente feito sejam Fl. 1147DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.145 7 sempre lançadas em nome do patrono Nelson Wilians Fratoni Rodrigues, inscrito na OAB/SP sob o nº 128.341. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 382): PROCESSO ADMINISTRATIVO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação de impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIASÓCIOS . São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, os mandatários, prepostos e empregados, bem como os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. INTIMAÇÃO DIRIGIDA AO PATRONO DA EMPRESA. IMPOSSIBILIDADE. É descabida a pretensão de intimações, publicações ou notificações dirigidas ao Patrono da Impugnante em endereço diverso do domicílio fiscal do contribuinte tendo em vista o artigo 23 do Decreto nº 70.235/72. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei, decreto ou ato normativo, sob fundamento de inconstitucionalidade/ilegalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. GLOSA DE COMPENSAÇÃO. A compensação de crédito oriundo de decisão judicial somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da respectiva sentença, a teor do disposto nos artigos 170A do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96 e alterações. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaraçãoapresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. Fl. 1148DF CARF MF 8 Cientificados (AR´s fls. 436 à 440) a empresa e dos devedores solidários apresentaram os recursos voluntários de fls 442/671, nos quais reiteram as razões já suscitadas quando da impuganação. É o relatório Voto Vencido Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Os recursos preenchem os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, deles conheço. 1)DA LEGITIMIDADE DOS CRÉDITOS UTILIZADOS PARA COMPENSAÇÃO E GLOSADOS NO PRESENTE LANÇAMENTO. Alega a Recorrente que os créditos utilizados não poderiam ser glosados, uma vez que à época em que realizada as compensações glosadas existiam decisões dos tribunais superiores, algumas proferidas pela sistemática dos recursos repetitivos, que reconheciam a legitimidade dos referidos créditos. Todavia, o CARF não pode analisar o mérito dos referidos créditos, uma vez que , conforme atesta resposta do contribuinte ao Termo de Início de Procedimento Fiscal a empresa optou por discutir o mérito dos mencionados créditos em juízo. Com efeito, informou o contribuinte que: (...) Respondendo ao questionamento exposto no Termo, informa a Empresa estar discutindo judicialmente aspecto relativo à legislação das contribuições previdenciárias no Mandado de Segurança n. 501055363.2010.4.04.7100, bem como, no processo n° 501551243.2011.4.04.7100, da Associação de Medicina de Grupo do Estado do Rio Grande do Sul ABRAMGERS, ao qual tem adesão, cuja discussão se dá sobre a inexigibilidade da contribuição previdenciária patronal incidente sobre verbas trabalhistas. (...) Sendo assim, não cabe a este conselho a análise do mérito da natureza dos referidos créditos, uma vez que, nos termos Súmula CARF nº 1, "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". 2) DA INAPLICABILIDADE DO ART. 170A do CTN. Por outro lado, a alegação de que a vedação do art. 170A do CTN não se aplicaria às hipóteses de mandado de segurança é matéria que não está abarcada pela discussão judicial sendo, inclusive, o cerne da discussão jurídica travada nesse processo. Fl. 1149DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.146 9 O contribuinte alega que a sentença em mandado de segurança possui eficácia imediata a qual ficaria prejudicada com a vedação do art. 170A. Os mecionados efeitos estariam previstos no art. 14, §3º da Lei nº 12.016/09, que assim dispõe: Art. 14. Da sentença, denegando ou concedendo o mandado, cabe apelação. (...) § 3o A sentença que conceder o mandado de segurança pode ser executada provisoriamente, salvo nos casos em que for vedada a concessão da medida liminar.(grifamos) O §3º do artigo 14 acima transcrito não deixa dúvida de que a sentença de mandado de segurança poderá ser executada provisoriamente, salvo nos casos em que for vedada a concessão da medida liminar. Dessa forma, tratandose de hipótese em for vedada a concessão de medida liminar a sentença não poderá produzir efeitos imediatos. E essa é exatamente a hipótese dos autos. O art. 7º, §2º da Lei nº 12.016/09 veda a concessão de medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, nesses termos: Art. 7º (...) § 2o Não será concedida medida liminar que tenha por objeto a compensação de créditos tributários, a entrega de mercadorias e bens provenientes do exterior, a reclassificação ou equiparação de servidores públicos e a concessão de aumento ou a extensão de vantagens ou pagamento de qualquer natureza. (grifamos) Sendo assim, a ação de mandado de segurança não possui qualquer incompatibilidade com o disposto no art. 170 A do CTN. Ao contrário do alegado pelo contribuinte, o art. 7º, §2º da Lei 12.016/09 acolheu textualmente a vedação anteriormente prevista no CTN. Ademais, como bem esclarece a decisão recorrida: 5.21. Verificase, assim, que o contribuinte já parte do pressuposto de que dispunha de créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições previdenciárias efetuados indevidamente, de modo que lhe seria legítimo efetuar a compensação. Contudo, como visto nos autos, à época da compensação (01/2012 a 12/2013) o contribuinte somente dispunha de sentenças reconhecendo parcialmente seu direito, sem que sobre tais atos judiciais houvesse o trânsito em julgado, de forma a tornar o entendimento neles constante definitivo e oponível à Fazenda Pública. 5.22. E mais, nas decisões proferidas tanto no MS n° 5015512 43.2011.4.04.7100 como no MS n° 501055363.2010.404.7100, já transcritas nos itens 5.5 a 5.14 deste voto, estabelecem que a compensação seja efetuada nos termos do art. 170A do CTN e art. 89 da Lei nº 8.212/91, com as alterações da Lei nº 11.941/09. Ou seja, referidas decisões judiciais não acataram a tese da impetrante quanto à inaplicabilidade do referido art. 170A do CTN e determinaram, expressamente, que as compensações somente poderiam ser efetuados após o trânsito em julgado. Fl. 1150DF CARF MF 10 5.23. Neste ponto, cabe destacar que se o próprio contribuinte entende que as decisões proferidas em Mandado de Segurança impõem uma obrigação a ser cumprida, e de forma imediata, nos termos do § 3º do art. 14 da Lei nº 12.016/09, deveria, portanto, ter cumprido a determinação das sentenças, no sentido de aguardar o trânsito em julgado da decisões judiciais, para posteriormente, efetuar a compensação dos valores ali discutidos, em observância ao art. 170A do CTN. Ou seja, em termos práticos, deveria ter recolhido a totalidade das contribuições incidentes sobre a sua folha de pagamento (remunerações declaradas em GFIP), do período do lançamento (01/01/2012 a 31/12/2013), pois não havia créditos, líquidos e certos, para serem compensados. 5.24. A compensação é um direito do contribuinte, como decorre do próprio Código Tributário Nacional – CTN, ao prevêla, como causa de extinção anômala do crédito tributário (artigo 156, inciso II). Contudo, o próprio CTN, atribui à lei a função de regulamentar o exercício do direito de compensação, conforme expresso no art. 170 e parágrafo único. Mais ainda, após inovação legislativa levada a efeito pela Lei Complementar nº 104, de 10/01/2001, houve a regulação da específica hipótese da análise dos créditos estar sob o crivo do Poder Judiciário, dispondo o artigo 170A... Em face do exposto, improdecentes as alegações. 3) DA MULTA ISOLADA DE 150% REQUISITOS O Recorrente opõese também à incidência da multa isolada, de que trata o artigo 89 da Lei n° 8.212/1991 e artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, alegando, em síntese, que não estaria caracterizada a sonegação ou a máfé. Nesse ponto, entendo corretas as alegações do contribuinte. Isso porque o erro quanto a matéria jurídica (natureza indenizatória ou não das verbas e prescrição dos créditos) não se confunde com a fraude elemento essencial do tipo penal. Nesse sentido, valiosa a decisão do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Habeas Corpus nº 72.5848: CRIME CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA ICMS ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS CREDITAMENTO FRAUDE. A fraude pressupõe a vontade livre e consciente. Longe fica de configurála, tal como tipificada no inciso II do art. 1º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, o lançamento de crédito, considerada a diferença de alíquotas praticadas no Estado de destino e no de origem. Descabe confundir interpretação errônea de normas tributárias, passível de ocorrer quer por parte do contribuinte ou da Fazenda, com o ato penalmente glosado, em que se presume o consentimento viciado e objetivo de alcançar proveito sabidamente ilícito. Esclarecedor o seguinte trecho do voto do Ministro Relator Marco Aurélio> "conforme salientado pelo Juízo, ao proferir sentença absolutória, passouse ao fisco a informação de que o creditamento resultava da diferença de alíquota, isso mediante lançamento claro e preciso, nas respectivas guias. Como, então, falar em fraude? O que houve foi impropriedade da Fl. 1151DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.147 11 interpretação conferida à legislação tributária, e issopode acontecer, sem configuração de crime, na vida de qualquer contribuinte e, também, no atuar da própria Fazenda, o que, aliás, é repetitivo. A "informação falsa" que justifica a imputação da penalidade qualificada de 150% está relacionada a ocultação de fato e não questionamento sobre o seu significado jurídico. Essa distinção fundamental fica mais clara com os exemplos fornecidos por HUGO DE BRITO MACHADO em sua obra "Estudos de Direito Penal Tributário". Vejamos: Primeiro exemplo: dizer que ocorreu ou não ocorreu, um acréscimo patrimonial, em determinada empresa, é uma questão de fato. Dizer que esse acréscimo patrimonial está, ou que não está, determinado de acordo com a legislação tributária é uma questão de direito, como é também uma questão de direito saber se o dito acréscimo patrimonial é, ou não é, tributável pelo imposto de renda. Segundo exemplo: dizer que determinado produto industrializado tem determinadas características materiais, ou que não as tem, é uma questão de fato. Dizer que o mesmo produto está classificado nesta ou naquela posição da Tabela de Incidências do IPI é uma questão de direito. (...) Muitos outros exemplos podem ser citados. Importante, porém, é perceber que, nas questões de fato, a divergência não se estabelece a respeito do significado jurídico dos fatos, mas sobre os próprios fatos, nos aspectos perceptíveis independentemente de conhecimento jurídico. Dessa forma, para que se pudesse falar em "informação falsa" seria necessário demonstrar, por exemplo, que o Recorrente alegou o recolhimento de salário maternidade quando não possuía qualquer empregada. Inteiramente distinto é entender que o valor recolhido à título de salário maternidade não integra o salário de contribuição e, por isso, foi um recolhimento indevido. Em face exposto, entendo correta a exclusão da redução da multa isolada em face da ausência de subsunção dos fatos contidos no processo àqueles previsto no dispositivo legal. 4) RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS SÓCIOS Conforme mencionado no relatório, a fiscalização atribuiu responsabilidade solidária à empresa Centro Clínico Gaucho e aos sócios Fernando Vico da Cunha, Francisco Antônio Santa Helena, Luiz Cláudio Leopoldo e César Franco de Lima. O motivo utilizado, tanto para a aplicação da responsabilidade solidária (art. 124, I do CTN), como da responsabilidade pessoal (art. 135, III do CTN), foi o mesmo, o fato de a empresa ter utilizado de informações falsas para realizar a compensação. Conforme exposto no item anterior, entendo que o equívoco quando a possibilidade jurídica das verbas indenizatórias serem tomadas como crédito antes mesmo do Fl. 1152DF CARF MF 12 trânsito em julgado das ações, não pode ser entendido como falsidade, uma vez que está se refere aos fatos. Para esclarecer a amplitude da expressão "interesse comum" constante do artigo 124 do CTN é importante atentarmos que, em matéria tributária, os sujeitos passivos da obrigação principal são de dois tipos: contribuinte e responsável. O inciso I do art. 124 do CTN trata da chamada solidariedade de fato entre as pessoas que tenham "interesse comum" na situação que constitua fato gerador. Todavia, a sujeição passiva por responsabilidade tributária, nos termos do artigo 128 do CTN, depende de disposição expressa de lei. A interpretação conjunta desses dispositivos ajuda a esclarecer o alcance da expressão "interesse comum" constante do artigo 124, I do CTN. Isso porque, se admitirmos que a expressão "interesse comum" equivale à "interesse econômico" "interesse de fato" esvaziaríamos de sentido tanto o inciso II do mencionado artigo, como da norma do artigo 128 do Código Tributário Nacional. Assim, ao mencionar "interesse comum" na situação que configura o fato gerador, o Código está dispondo que a obrigação que surge é uma só, originada por um só fato gerador, na qual existe mais de uma pessoa concorrendo no acontecimento do mesmo fato, por isso, todos assumem a condição de sujeitos passivos da obrigação, solidariamente. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça não destoa desse entendimento, conforme se verifica pela decisão abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido (AgRg no AREsp 21073 / RS, ReL. in. Humberto Martins, DJ 26/10/2011) (grifamos) No que se refere à atribuição da responsabilidade pessoal (de terceiros), nos termos do art. 135, III do CTN, entendo que não restou comprovada a prática de atos dos atos com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos. Não se deve imputar responsabilidade pessoal sem a exata e necessária descrição dos atos pessoais praticados de forma dolosa, de modo que não pode servir de subsunção à hipótese o fato de haver elevado percentual de participação societária. Nesse sentido, já se manifestou, de forma pacífica, a 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial nº 1101728, submetido à sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973, nestes termos: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE. Fl. 1153DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.148 13 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DISPENSA. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. TRIBUTO NÃO PAGO PELA SOCIEDADE. 1. A jurisprudência desta Corte, reafirmada pela Seção inclusive em julgamento pelo regime do art. 543C do CPC, é no sentido de que "a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco" (REsp 962.379, 1ª Seção, DJ de 28.10.08). 2. É igualmente pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que a simples falta de pagamento do tributo não configura, por si só, nem em tese, circunstância que acarreta a responsabilidade subsidiária do sócio, prevista no art. 135 do CTN. É indispensável, para tanto, que tenha agido com excesso de poderes ou infração à lei, ao contrato social ou ao estatuto da empresa (EREsp 374.139/RS, 1ª Seção, DJ de 28.02.2005). 3. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08 (grifamos) Em face do exposto, dou provimento aos Recursos Voluntários apresentados por entender que não restou caracterizada, no caso dos autos, as situações previstas nos artigo 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, dou parcial provimento ao recurso para excluir a multa isolada de 150%, bem como a responsabilidade sólidária dos sócios. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson Redator Designado Dissinto da relatora apenas no que tange à imputação da multa prevista no § 10º art. 89 da Lei de Custeio, a qual entendo por bem aplicada no particular. Notese que a compensação de contribuições previdenciárias regrada pelo art. 89 da Lei nº 8.212/91 submetese aos termos dispostos no art. 170 e no já mencionado art. 170 A do CTN, normas que disciplinam, de uma maneira geral, a compensação na esfera do direito tributário, forma de extinção do crédito tributário: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à Fl. 1154DF CARF MF 14 autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Logo, cabe ao pretenso credor provar a existência de créditos líquidos e certos a serem compensados, como já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, no REsp 98.899/SC, DJe de 29/10/1996: TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO DE CRÉDITOS. FINSOCIAL COM O CONFINS. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS AUTORIZATIVOS. LEI 8.383/91. ART. 170 DO CTN. A Lei no 8.383/91 não revogou normas consignadas no Código Tributário Nacional (art. 170), que é Lei Complementar e dispõe acerca dos pressupostos necessários a autorizar o instituto da compensação. Hipótese expressa na legislação (art. 156 do CTN) de extinção do crédito tributário, a compensação, nos termos em que está definida em lei (art. 170 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza. Líquidos e certos, na definição legal (para justificarem a compensação), são os créditos tributários expressamente declarados pelo Fisco e os reconhecidos, como tais, por sentença judicial com trânsito em julgado. A liquidez e certeza do crédito é pressuposto indesjungível da compensação, tal qual como concebida na legislação pertinente e devem ser provados pelo credor, sendo inválido, para tal fim, a confissão ficta da Fazenda respectiva. A jurisprudência se firmou no sentido de que a compensação da contribuição para o FINSOCIAL paga indevidamente depende do reconhecimento judicial da inconstitucionalidade em cada caso concreto, desservindo de título para esse fim os precedentes judiciais que, incidentalmente, deixaram de aplicar o art. 92 da Lei no 7.689/88. Recurso provido. Decisão unânime. (grifei) Com efeito, se a incidência tributária que daria suporte aos créditos está sob litígio judicial, não restando assente por essa via a existência dos cogitados créditos contra a Fazenda Pública, não há falar em sua certeza ou liquidez, para fins de respaldar o encontro de contas com débitos tributários e sua consequente extinção. Oportuno frisar ainda, que, uma vez que o contribuinte optou por discutir a existência dos indigitados créditos na esfera judicial, no âmbito administrativo ficou obstado o exame desse tema, a teor da Súmula CARF nº 1, restando a exigência de observância dos termos das decisões exaradas naquela esfera, o que inclui a verificação da conformidade da atuação da contribuinte com tais decisões. E, na espécie, atentando o procedimento da referida Fl. 1155DF CARF MF Processo nº 11080.729059/201541 Acórdão n.º 2202004.496 S2C2T2 Fl. 1.149 15 contra o determinado no comando sentencial, escorreita a glosa da compensação levada a efeito pela fiscalização. A controvérsia remanescente referese à aplicação da multa isolada no percentual de 150%, prevista no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91, verbis: Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 9o Os valores compensados indevidamente serão exigidos com os acréscimos moratórios de que trata o art. 35 desta Lei. § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Partilho do entendimento de que a falsidade referida na norma supra transcrita, sob um prisma não só jurídico, mas também lógicosistemático, pressupõe a existência de uma conduta dolosa, pois, caso contrário, o simples descompasso entre a realidade tal como posta nos autos e as compensações realizadas por um dado interessado já seria suscetível de justificar a imputação da multa isolada no elevado percentual de 150%, o que não seria razoável. E, com vistas a sancionar tal conduta, o art. 89 já prevê, em seu § 9º supra transcrito, a multa de mora. A respeito do tema, aliás, tenho por bastante felizes as palavras do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, proferidas no julgamento, em 12/04/2016, do Acórdão nº 9202003.929 da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): Esclarecida a diferença entre o lançamento em geral e o caso da compensação de contribuições previdenciárias, passo a apresentar como interpreto sistematicamente os conceitos de:(a) fraude/sonegação/conluio, (b) falsidade e (c) mero erro. Por sonegação/fraude/conluio, entendo, em linha com o disposto nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964, que é ação dolosa tendente a impedir o conhecimento do fato pela autoridade ou a alteração de suas características, com ou sem a participação de duas ou mais pessoas. Por falsidade, referida no art. 89 da Lei n° 8.212, de 1991, entendo a consciência do agente, de que a conduta praticada consiste em inserção de informação, na declaração de compensação, que não corresponda à verdade. Fl. 1156DF CARF MF 16 Por fim, por mero erro escusável, temos a inserção de informações equivocadas na declaração, sem que esteja comprovada a consciência do agente acerca do fato. Concluindo, no caso de erro não cabe a exigência da multa prevista no art.89 Lei nº 8212, de 1991. Já no casos de falsidade e de fraude/sonegação/conluio, cabe a multa. Porém não é necessária a comprovação de fraude/sonegação/conluio, basta a comprovação da falsidade. No caso em tela, temse que o relatório fiscal circunstanciou adequadamente os fatos, demonstrando ter sido realizada compensação com créditos que não detinham os necessários atributos de liquidez e certeza, dado estarem eles submetidos à apreciação do poder judicante, ainda sem a prolação de decisão definitiva a respeito da controvérsia. Além disso, a contribuinte, a despeito de mandamento judicial, proferido em março/20111, no sentido de que esse direito à compensação só poderia ser exercido respeitados os limites do referido art. 170A "As diferenças apuradas, corrigidas pela SELIC desde a retenção, poderão ser objeto de compensação, após o trânsito em julgado desta decisão, nos termos dos artigos 170 e 170A do CTN" realizou as compensações em comento nos anos de 2012 e 2013, em acintoso descumprimento de decisão judicial, o que demonstra de maneira inequívoca seu afã em ocultar do Fisco o conhecimento da não extinção das obrigações tributárias relativas às contribuições previdenciárias em apreço. Mister destacar que a incidência das normas em evidência deve ser avaliada no contexto existente à época em que se realizaram as compensações, e não a posteriori, quando os créditos que as lastrearam podem eventualmente ser reconhecidos em sede judicial, ao final, como efetivamente existentes. Em outras palavras, nos anoscalendário 2012 e 2013 tais compensações foram realizadas com créditos incertos e em descumprimento de decisão judicial, sendo tal constatação mais do que suficiente para amparar a exigência da multa isolada guerreada relativamente àqueles fatos. Assim sendo, temse que o desrespeito aos termos da legislação de regência, particularmente o art. 170A do CTN, e a afronta à determinação judicial expressa no sentido de que o direito à compensação só poderia realizarse após o trânsito em julgado da decisão, constituemse em elementos robustos o suficiente para evidenciar a intencionalidade, ou seja, o dolo, inerente à conduta da recorrente de apresentar as declarações cuja falsidade ficou atestada. Escorreita, desse modo, a autuação com base no § 10º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para excluir a responsabilidade solidária dos sócios. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson 1 Ver consulta processual disponível do MS nº 501055363.2010.404.7100 no site www.trf4.jus.br. Fl. 1157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11040.901050/2011-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
CRÉDITO POR PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3302-005.443
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Jorge Lima Abud, Vinicius Guimarães, Diego Weis Junior, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 90 10 50 /2 01 1- 17 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 11040.901050/201117 Acórdão n.º 3302005.443 S3C3T2 Fl. 55 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela H W FERNANDES E CIA LTDA contra o Acórdão n. 0950.366 da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) – DRJ/JFA, assim ementado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. SALDO DE PAGAMENTO PARA HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA. Deve ser confirmado o despacho decisório de homologação parcial de compensação quando demonstrado que, do pagamento informado, não resulta saldo disponível para confirmar o crédito declarado. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DE DCOMP. INCOMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Falece competência às Delegacias de Julgamento para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em síntese, a Turma não reconheceu a pretensão da Recorrente por entender que inexiste crédito a ser compensado. A pretensão central da Recorrente é reverter despacho decisório não homologou a compensação declarada na DCOMP n. 06813.30975.291007.1.3.040397. Em sua manifestação de inconformidade fl. 10 o contribuinte alega que o crédito utilizado na DCOMP nº 06813.30975.291007.1.3.040397, referese à valores indevidamente recolhidos entre os anos de 2005 e 2006, período no qual equivocadamente os débitos da empresa foram apurados e recolhidos sob a forma do lucro presumido, quando na verdade deveriam ter sido incluídos no Simples Nacional. Admite, ainda, a existência de eventual erro de preenchimento do DCOMP, razão pela qual requer prazo para análise e correção. Quando do julgamento do Acórdão recorrido a Turma entendeu que no ano calendário de 2005, a interessada apresentou Declaração pelo Simples, sendo assim, neste período faz jus ao direito creditório sobre os valores recolhidos fora dessa sistemática. Entretanto o DARF informado na DCOMP já foi parcialmente utilizado em compensações anteriores não sendo possível a retificação da Declaração de Compensação em tempo de julgamento administrativo. Declarou ainda a instância a quo não deter competência para apreciar pedidos de retificação de Declaração de Compensação. Em recurso voluntário – fls. 43/44 – o contribuinte alega que recolheu tributos sob o regime do lucro presumido entre 2005 e 2006 por não ter sido informado sobre sua inserção no SIMPLES. Quando teve ciência do fato pagou a multa por declaração em atraso e entregou declaração simplificada, nos termos do Simples Nacional. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 11040.901050/201117 Acórdão n.º 3302005.443 S3C3T2 Fl. 56 3 Ao fim, requer o sujeito passivo “bem como achamos complexa a vossa comunicação de indeferimento, entendemos que para um melhor compreensão da nossa parte, a Receita Federal deveria nos fornecer uma conta corrente ou algo em que constasse, onde forma utilizados os valores que recolhemos indevido, ou pelo menos a informação que estes valores ora cobrado não foram compensado porque naquele tipo de contribuição já não tinha saldo para mais aquele valor, mas que em contra partida em outro imposto recolhido sobre determinado valor, pois como já nos reportamos tratava se de um valor bem superior”. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. Cumpre ressaltar que é patente a boa fé do contribuinte e a presença de elementos indicadores da existência de recolhimentos indevidos, porque pagos sob o regime incorreto de apuração. Contudo, ainda que haja indícios do direito creditório, não detém esta Corte poder para alterar os dados equivocadamente inseridos pelo contribuinte na Declaração de Compensação. Detendo apenas competência para analisar os dados informados pelo contribuinte e decidir pela existência ou não do direito creditório. Tendo em vista que a homologação da compensação de débito tributário, nos termos do §1º, do artigo 74, da Lei 9.430/96, depende exclusivamente da comprovação da existência de certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não há como homologar compensação cujo crédito não seja nesses termos confirmado. A compensação de tributos é, basicamente, um encontro de contas onde cabe ao contribuinte provar que detém o crédito que pretende compensar com os valores por ele devidos e que, por essa razão, nos termos do disposto no artigo 74, da Lei 9.430/96, c/c o art. 170 do CTN, faz jus compensação pretendida. Portanto, não tendo sido comprovada nos autos a certeza e liquidez do crédito a ser compensado, não resta a este tribunal outra decisão que não a manutenção do acórdão recorrido. Conforme dispõe o regimento interno deste colegiado em seu artigo 1º1, aos conselheiros cabe analisar os valores e documentos acostados aos autos, e, assim, julgar os 1 Art.1º O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11040.901050/201117 Acórdão n.º 3302005.443 S3C3T2 Fl. 57 4 recursos que lhes são apresentados. Neste caso, incumbe aos conselheiros desta Turma apenas a decisão acerca da confirmação ou não do direito creditório utilizado na compensação pretendida. Ocorre que o recorrente não trouxe aos autos qualquer documento capaz de demonstrar a liquidez e certeza do crédito pretendido compensar, não se podendo reconhecer a existência de tal direito. No caso em estudo, o contribuinte apresentou várias declarações de compensação cuja homologação foi negada, sendo cada uma delas tratada em um processo administrativo distinto, conforme tabela/resumo abaixo. DEMONSTRATIVO DAS COMPENSAÇÕES DECLARADAS Nº DCOMP APRESENTADA DCOMP INICIAL PROCESSO ADMINISTRATIVO ORIGEM DO CRÉDITO (DARF) 2 DÉBITO 29531.44582.291007.1.3.046560 15560.25031.291007.1.3.040430 11040.901048/201148 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 02.2005 62,77 02921.59675.291007.1.3.044312 13703.81870.291007.1.3.040938 11040901049/201192 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 04.2005 237,98 06813.30975.291007.1.3.040397 02782.67723.291007.1.3.048786 11040901050/201117 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 54,13 30624.33604.291007.1.3.044584 37260.89442.291007.1.3.046187 11040901051/201161 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 05.2005 286,20 36413.30105.291007.1.3.043678 20569.87623.291007.1.3.045162 11040901053/201151 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 09.2005 270,68 07870.23376.291007.1.3.046716 36413.30105.291007.1.3.043678 11040901054/201103 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 308,81 35821.57117.291007.1.3.049705 07870.23376.291007.1.3.046716 11040901055/201140 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 10.2005 57,21 35023.93042.301007.1.3.042367 22218.77856.291007.1.3.043173 11040901062/201141 PIS 28.02.2005 R$17,10 SIMPLES 01.2006 849,29 TOTAIS R$ 17,10 R$ 2.127,07 Conforme se percebe pela análise da tabela acima, a recorrente utilizou o mesmo pagamento como origem de todos os pedidos de compensação efetuados. O DARF apontado como origem do crédito foi relativo a um recolhimento de PIS, referente ao mês 02/2005, no valor de R$17,10, sendo este insuficiente para compensar qualquer um dos débitos apontados individualmente, máxime para compensar todos os débitos em conjunto. Resta evidente, portanto, que de fato ouve erro de preenchimento das DCOMP´s não homologadas. Contudo, conforme dito alhures, não cabe a este julgador proceder a retificação de tais declarações. Ademais, o reconhecimento do direito creditório, nos autos de processo administrativo, depende da comprovação documental da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. A falta das cópias dos DARF´s e dos respectivos comprovantes, pagos fora do regime simplificado de apuração quando neste já estava inserido o contribuinte, comprometeu totalmente a análise da liquidez do crédito alegado, impossibilitando o reconhecimento do direito creditório em discussão neste PAF. Diante do exposto, tendo em vista a falta de comprovação da certeza e liquidez do crédito alegado, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) 2 As informações sobre o DARF indicado como origem do Crédito, foram retiradas de cada um dos despachos decisórios que não homologaram as respectivas Declarações de Compensação. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11040.901050/201117 Acórdão n.º 3302005.443 S3C3T2 Fl. 58 5 Diego Weis Junior Relator Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10821.720077/2013-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 22/01/2013
MULTA SOBRE O VALOR ADUANEIRO. DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO. São documentos instrutivos do despacho aduaneiro os previstos no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 6.759, de 2009) e documentos específicos exigíveis por tipo de declaração de importação, além de documentos necessários à determinação do valor aduaneiro, quando exigidos por força do artigo 76 do mesmo diploma normativo e do artigo 3o da IN SRF n.º 327/2003. Os documentos apresentados na instrução do despacho aduaneiro devem ser os originais, conforme previsto no artigo 553 do Decreto 6759/2009. Documentos complementares ao despacho, como documentos comprobatórios de valor de frete e seguro, para fins de comprovação do valor aduaneiro, poderão ser originais ou cópias autenticadas, não se admitindo cópias simples, ex vi do artigo 10 da Lei 6932/2009.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE.
Não cabe ao julgador administrativo a análise da aplicação do princípio da proporcionalidade, e sim da legislação de regência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-004.744
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 22/01/2013 MULTA SOBRE O VALOR ADUANEIRO. DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO. São documentos instrutivos do despacho aduaneiro os previstos no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 6.759, de 2009) e documentos específicos exigíveis por tipo de declaração de importação, além de documentos necessários à determinação do valor aduaneiro, quando exigidos por força do artigo 76 do mesmo diploma normativo e do artigo 3o da IN SRF n.º 327/2003. Os documentos apresentados na instrução do despacho aduaneiro devem ser os originais, conforme previsto no artigo 553 do Decreto 6759/2009. Documentos complementares ao despacho, como documentos comprobatórios de valor de frete e seguro, para fins de comprovação do valor aduaneiro, poderão ser originais ou cópias autenticadas, não se admitindo cópias simples, ex vi do artigo 10 da Lei 6932/2009. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Não cabe ao julgador administrativo a análise da aplicação do princípio da proporcionalidade, e sim da legislação de regência. Recurso Voluntário Negado.
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PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 22/01/2013 MULTA SOBRE O VALOR ADUANEIRO. DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO. São documentos instrutivos do despacho aduaneiro os previstos no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 6.759, de 2009) e documentos específicos exigíveis por tipo de declaração de importação, além de documentos necessários à determinação do valor aduaneiro, quando exigidos por força do artigo 76 do mesmo diploma normativo e do artigo 3o da IN SRF n.º 327/2003. Os documentos apresentados na instrução do despacho aduaneiro devem ser os originais, conforme previsto no artigo 553 do Decreto 6759/2009. Documentos complementares ao despacho, como documentos comprobatórios de valor de frete e seguro, para fins de comprovação do valor aduaneiro, poderão ser originais ou cópias autenticadas, não se admitindo cópias simples, ex vi do artigo 10 da Lei 6932/2009. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Não cabe ao julgador administrativo a análise da aplicação do princípio da proporcionalidade, e sim da legislação de regência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 72 00 77 /2 01 3- 12 Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 564 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 134 a 147) interposto pelo Contribuinte, em 31 de julho de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 16047.000 (fls. 98 a 112), de 27 de maio de 2013, proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SPI), que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório da Resolução nº 3402000.641, de 25 de fevereiro de 2014, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, que converteu o julgamento do recurso em pedido de diligência (fls. 191 a 194): Trata o processo de auto de infração no valor do R$ 9.627.095,57 (nove milhões, seiscentos e vinte e sete mil, noventa e cinco reais e cinquenta e sete centavos), lavrado em 06/02/2013 e cuja descrição da infração, constante às fls. 11 – numeração eletrônica, no campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, restou consignada como sendo “Descumprimento de manter em boa guarda os documentos ou de apresentálos a fiscalização”. Por fielmente resumidos os fatos, transcrevo o trecho do relatório da DRJ que bem sintetizou os motivos ensejadores do lançamento: 1. por meio da Declaração de Importação (DI) 12/22405310, registrada em 29/11/2012, o impugnante submeteu a despacho de importação “Óleo diesel”, NCM 2710.19.21; 2. no tocante ao despacho de importação referente à D.I. supra, o impugnante não cumpriu o disposto na Instrução Normativa RFB n° 1.282, de 16 de julho de 2012, que estabelece o prazo de 50 (cinquenta) dias contados da data do término da descarga da mercadoria (que ocorreu em 03/12/2012), nos casos de importação de petróleo e seus derivados, e de gás natural e seus derivados, para a entrega dos documentos de instrução do despacho e da retificação da DI, para fins de execução do desembaraço aduaneiro no Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 565 3 Siscomex. Tal prazo (de 50 dias) findou, nos termos da autuação, em 22/01/2013; 3. os documentos não apresentados são os necessários para comprovação de frete e seguro, exigidos inicialmente em 25/01/2013; 4. no dia 25/01/2013, a D.I. foi interrompida no Sistema Siscomex, com exigência fiscal, no qual o impugnante foi intimado a apresentar documento comprobatório de frete no prazo de cinco dias úteis (até, portanto, o dia 01/02/2013); 5. até o dia da lavratura do Auto de Infração (06/02/2013), o impugnante não havia apresentado os documentos nem respondido à intimação; 6. o descumprimento da exigência, mencionado, constituise em infração prevista na alínea “b” do inciso II do artigo 70 da Lei 10.833, de 2003, à qual é imposta a penalidade de multa de 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas. DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA Cientificado do lançamento em 22/02/2013, conforme documento postal de fls. 18, o contribuinte apresentou tempestivamente Impugnação Administrativa em 18/03/2013 (fls. 21/34 numeração eletrônica), que por bem sintetizada pela DRJ/SPOI merece ser transcrita: 1. não pode ser punido por infração que não cometeu, uma vez que os documentos obrigatórios para a instrução do despacho de importação estão exaustivamente listados no artigo 553 do regulamento aduaneiro e foram devidamente apresentados. Sobre o assunto, após trasladar o referido dispositivo, menciona: “Inclusive este é o próprio entendimento do fiscal ao informar que o importador teria deixado de comprovar não os documentos obrigatórios, mas sim comprovantes de transação comercial, mais precisamente o frete.”; 2. os documentos relativos a frete e seguro não haveriam que ser exigidos, pois que comprobatórios da transação comercial; 3. que para a formalização (e validade jurídica) da exigência fiscal, haverseia que proceder à intimação fiscal na forma do art. 23 do PAF (Processo Administrativo Fiscal, regido pelo Decreto n.o 70.235, de 1972). E que a inteligência do art. 42 da Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal (IN/SRF) n.o 608, de 2006, é no sentido de que as exigências registradas no Sistema SISCOMEX devem preceder de intimação na forma citada (do art. 23 do PAF). 4. que, portanto, foi ilícita a forma da ciência da exigência; e que, além disso, o prazo de 5 (cinco) dias outorgado pela Autoridade Fiscal Aduaneira seria ilegal, tendo em vista que fundamentado em norma jurídica própria da legislação do imposto de renda, completamente alienígena aos tributos sobre o comércio exterior; Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 566 4 5. que é ilegal a aplicação da multa impugnada, por violar o princípio da proporcionalidade, ter caráter confiscatório, e não encontrar amparo em qualquer dos princípios gerais de Direito; e 6. que deve ser observado o disposto no artigo 736 do Decreto 6759/2009, que cuida da relevação de penalidade em casos de erro escusável e de equidade. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa, a 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (DRJ/SPOI), houve por bem em, por maioria de votos, considerar improcedente a impugnação apresentada, proferido Acórdão no. 16047.000, ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/01/2013 MULTA SOBRE O VALOR ADUANEIRO. DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO. São documentos instrutivos do despacho aduaneiro os previstos no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.o 6.759, de 2009) e documentos específicos exigíveis por tipo de declaração de importação, além de documentos necessários à determinação do valor aduaneiro, quando exigidos por força do artigo 76 do mesmo diploma normativo e do artigo 3° da IN SRF no 327/2003. Os documentos apresentados na instrução do despacho aduaneiro devem ser os originais, conforme previsto no artigo 553 do Decreto 6759/2009. Documentos complementares ao despacho, como documentos comprobatórios de valor de frete e seguro, para fins de comprovação do valor aduaneiro, poderão ser originais ou cópias autenticadas, não se admitindo cópias simples, ex vi do artigo 10 da Lei 6932/2009. PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Descabe ao julgador administrativo a análise da aplicação do princípio da proporcionalidade, tendo em vista que a atividade fiscal é plenamente vinculada e obrigatória, e norteiase na busca da verdade material dos fatos e sua inserção na legislação tributária, com rigorosa aplicação ao princípio da legalidade. RELEVAÇÃO DE PENALIDADES não se aplica à infração de que tenha resultado falta ou insuficiência de pagamento do Imposto de Importação. Não comprovado que não houve falta ou insuficiência de pagamento de imposto, devido a inércia do contribuinte em atender exigência da fiscalização para fins de comprovação do valor aduaneiro e consequente levantamento da base de cálculo dos tributos, não há falar em relevação de penalidades na importação. Em apertada síntese a DRJ competente para o julgamento entendeu que a alegação de que os documentos comprobatórios do valor do frete e do seguro não consistem em documentos instrutivos do despacho aduaneiro não deve prosperar, pois o documento comprobatório do valor do frete, bem como do seguro, quando requisitados pela Autoridade Aduaneira na fase do Despacho de Importação, passam a ser documentos integrantes do referido despacho, uma vez que, conforme previsão legal, expressa no artigo 76 do RA, toda mercadoria submetida a despacho de importação está sujeita ao controle do correspondente valor aduaneiro. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 567 5 Acerca da alegação de que, para a formalização e validade jurídica da exigência fiscal, haveria de se proceder à intimação fiscal na forma do art. 23 do PAF (Processo Administrativo Fiscal) regido pelo Decreto no. 70.235/72, não merece prosperar, uma vez que o despacho aduaneiro não é regido por tal Decreto e, por consequência, descabe a alegação de irregularidade na intimação efetuada exclusivamente no Sistema SISCOMEX. Quanto alegação prazo de 5 (cinco) dias para o cumprimento da exigência fiscal em exame carece de fundamentação legal válida e eficaz, entende a autoridade de 1a instância que não procede o argumento vez que há previsão no art. 19, § 1o, da Lei n.o 3.470, de 1958 (de cinco dias úteis, utilizado pela Autoridade Aduaneira). Entendeu ainda que poderseia, no entanto – e nesta seara haveria espaço para atuação discricionária – concederse o prazo do art. 24 da Lei n.o 9.784, de 1999, que também é de 5 (cinco) dias. Entendeu também a mencionada Delegacia, quanto à alegada aplicação da norma expressa no artigo 736 do Decreto n° 6.759/2009, que traz ao Regulamento Aduaneiro hipótese de relevação de penalidade, pelo não cabimento ao presente caso. Por fim, essencialmente a DRJ houve por bem em expor seu entendimento de que é inadequada a alegação de que o auto de infração é nulo, vez que a fiscalização não considerou as cópias simples dos documentos apresentados, isso porque a DRJ entendeu que em obediência ao disposto no artigo 10, da Lei n.o 6.932, de 2009, o documento exigido deve ser apresentado na sua forma original, ou então na sua forma autenticada, além do que, não constam dos autos sequer apresentação de cópias simples, exceto as juntadas na própria impugnação. DO RECURSO Cientificado do Acórdão supracitado em 05/07/2013, conforme Termo de Ciência de fls. 131 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 134) em 31/07/2013, oportunidade em que, além de repisar os argumentos trazidos quando de sua Impugnação, aduziu os fundamentos a seguir sintetizados: Que trouxe aos autos todos os documentos essenciais para o despacho aduaneiro, de forma tempestiva não tendo ocorrido, no mundo fenomênico, o antecedente previsto no art. 70, inciso II, alínea b, item 1, da Lei 10.833/03, que justifique a multa infracional no importe de 5%; Que comprovou o valor do frete através de documento elaborado de forma digital e transmitido por correio eletrônico, vez que a mercadoria foi contratada por meio de Afretamento por Viagem (VCP – Voyage Charter Party), e, em mesma situação encontrase o seguro; Que a multa impingida desnatura em caráter indenizatório, ferindo o princípio constitucional da proporcionalidade diante de suposto não reconhecimento de um documento dito não conforme pelo fiscal, sem fundamento legal para tanto. Ao final a recorrente pediu a procedência do recurso e o consequente cancelamento do auto de infração. DA DISTRIBUIÇÃO Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 568 6 Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico numerado até as folhas 177 (cento e setenta e sete), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Tendo em vista a conversão do julgamento em diligência, a Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Sebastião/SP apresentou documento às fls. 216 a 218 em razão do cumprimento da Resolução nº 3402000.641. O Contribuinte, por sua vez, apresenta Requerimento (fls. 227 e 228), em 16 de abril de 2014, em que solicita a juntada do contrato de Afretamento por Tempo no vernáculo (tradução juramentada) em meio físico devido a dificuldade de digitalização, visto a existência de selo de autenticidade que impede o seu desmembramento. Na mesma data, o Contribuinte também apresentou, Manifestação (fls. 456 a 459) em relação ao pedido de diligência e confirmar a apresentação de cópia do contrato de Afretamento por Tempo (TCP). É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 16047.000 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 22/01/2013 MULTA SOBRE O VALOR ADUANEIRO. DOCUMENTOS INSTRUTIVOS DO DESPACHO ADUANEIRO. NÃO APRESENTAÇÃO. São documentos instrutivos do despacho aduaneiro os previstos no artigo 553 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n.º 6.759, de 2009) e documentos específicos exigíveis por tipo de declaração de importação, além de documentos necessários à determinação do valor aduaneiro, quando exigidos por força do artigo 76 do mesmo diploma normativo e do artigo 3o da IN SRF n.º 327/2003. Os documentos apresentados na instrução do despacho aduaneiro devem ser os originais, conforme previsto no artigo 553 do Decreto 6759/2009. Documentos complementares ao despacho, como documentos comprobatórios de valor de frete e seguro, para fins de comprovação do valor aduaneiro, poderão ser originais ou cópias autenticadas, não se admitindo cópias simples, ex vi do artigo 10 da Lei 6932/2009. Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 569 7 PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. Descabe ao julgador administrativo a análise da aplicação do princípio da proporcionalidade, tendo em vista que a atividade fiscal é plenamente vinculada e obrigatória, e norteiase na busca da verdade material dos fatos e sua inserção na legislação tributária, com rigorosa aplicação ao princípio da legalidade. RELEVAÇÃO DE PENALIDADES não se aplica à infração de que tenha resultado falta ou insuficiência de pagamento do Imposto de Importação. Não comprovado que não houve falta ou insuficiência de pagamento de imposto, devido a inércia do contribuinte em atender exigência da fiscalização para fins de comprovação do valor aduaneiro e consequente levantamento da base de cálculo dos tributos, não há falar em relevação de penalidades na importação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte visa, por meio da interposição do Recurso Voluntário, reformar a decisão ora recorrida para que seja cancelada a aplicação da multa infracional de 5% por falta de apresentação de documentação exigida pela Fiscalização. Para tanto, o Contribuinte conclui requerendo o que se segue (fl. 147): Em suma, considerando que: A Impugnante apresentou todos os documentos essenciais para o despacho aduaneiro, de forma tempestiva não tendo ocorrido, no mundo fenomênico, o antecedente previsto no artigo 70, inciso II, alínea b, item 1, da Lei 10.833/03, que justifique o consequente multa infracional no importe de 5% (cinco por cento); e A multa aduaneira impingida desnatura em caráter indenizatório, ferindo o princípio constitucional da proporcionalidade diante de suposto não reconhecimento de um documento dito não conforme pelo fiscal, sem fundamento legal para tanto (eticidade/boafé objetiva versus proporcionalidade da multa) Requer seja recebido, conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, para o fim de reformar a decisão proferida pela 11ª Turma da DRJ/SP1 e a consequente anulação do auto de infração lavrado, protestando pela posterior juntada de documentos comprobatórios do alegado acima, por ser medida de rigor. Por meio da Resolução nº 3402000.641 a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento converteu o julgamento em diligência nestes termos (fls. 196): Convençome de que os documentos trazidos pela Recorrente causam dúvida razoável, justificando, portanto, a realização de diligência para que sejam esclarecidos os fatos invocados. Assim sendo, entendo que o processo não se encontra em condições de receber um julgamento justo. Consequentemente, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para: a) Intimar o contribuinte à apresentar num prazo não menor que 30 (trinta) dias, os documentos originais ou cópias autenticadas dos documentos comprobatórios de frete e seguro, bem como o contrato de Afretamento por Viagem (VCP – Voyage Charter Party) na sua forma original bem como na forma traduzida para o vernáculo; Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 570 8 b) Informar se os documentos relativos ao Afretamento por Viagem (VCP – Voyage Charter Party), contendo as informações de frete e seguro relativos a(s) DI ́s em questão, estava em Poder da Administração ou nos registros do SISCOMEX; c) Expirado o prazo e, uma vez juntados os documentos acima solicitados e ou prestadas as informações supra, sejam os mesmos analisados pela autoridade, seja então constatado se, do seu teor, teria havido falta de recolhimento dos tributos aduaneiros, e/ou algum tipo e qual espécie de prejuízo ao controle aduaneiro dos bens adentrados no mercado nacional através da(s) DI ́s pendente(s) de regularização pelos documentos em questão no prazo de 50 (cinquenta) dias referido neste processo. Ao final desta atividade, emitir Relatório conclusivo sobre a Diligência, dando vista à Recorrente para que dele se manifeste, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias, após o que, com ou sem manifestação do sujeito passivo, deverá o processo ser reenviado a esta Turma de julgamento para nova inclusão em pauta. Em resposta ao pedido de diligência assim se pronunciou a Inspetoria da Receita Federal do Brasil em São Sebastião/SP (fls. 217 e 218): O item “a” da fl. 196 da Resolução no 3402000.641 foi satisfeito pelo documento de fl. 212. O item “b” foi realizado, já que o sujeito passivo admite em sua manifestação, folha 5 do Dossiê no 10010.020551/041481 que: “ Por fim, informamos que os documentos relativos ao Afretamento por Tempo (TCP) e os relativos ao frete e ao seguro não estavam em Poder da Administração ou nos registros do SISCOMEX.” O item “c” solicita que “expirado o prazo e, uma vez juntados os documentos acima solicitados e ou prestadas as informações supra, sejam os mesmos analisados pela autoridade, seja então constatado se, do seu teor, teria havido falta de recolhimento dos tributos aduaneiros, e/ou algum tipo e qual espécie de prejuízo ao controle aduaneiro dos bens adentrados no mercado nacional através da(s) DI's pendente(s) de regularização pelos documentos em questão no prazo de 50 (cinquenta) dias referido neste processo.” O Auto de Infração foi fundamentado na falta de apresentação dos documentos comprobatórios de frete e seguro. O sujeito passivo confirmou que estes documentos não estavam em Poder da Administração, nem em cópia simples, ou nos registros do Siscomex. Passo analisar então se houve ou não falta de recolhimento dos tributos aduaneiros e/ou algum tipo de prejuízo ao controle aduaneiro. Lembro que o prejuízo ao controle sempre existe, já que se não temos todos os documentos para o despacho, não podemos ter a certeza de que o que foi declarado está correto e consequentemente qual o controle deve ser feito. Com relação ao seguro, foi apresentado pelo interessado o “Certificado de Seguro” de fl. 66 do Dossiê nº 10010.020551/041481, datado de 08/03/2013. Lembro que a DI foi registrada em 29/11/2012, a carga descarregada em 30/11/2012 e o AI lavrado em 06/02/2013. Este documento, se apresentado tempestivamente, com data próxima ao registro da DI, poderia ser aceito como prova do valor do seguro. Como foi elaborado apenas em 08/03/2013, somente com a análise da apólice nº 01.22.4010583, mencionada no “Certificado” é que realmente poderemos saber o que foi segurado e o seu valor. Fl. 570DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 571 9 Já em relação ao frete, como mencionado pelo AFRFB Fernando de Almeida Tozzi, Chefe do Siana, em sua mensagem eletrônica (fl. 215 deste processo), não foi apresentada a tradução juramentada do Afretamento por Tempo – TCP, em que pese o interessado alegar que o entregou, conforme documento de fl. 5 do Dossiê nº 10010.020551/041481. Neste caso, o único documento que podemos analisar é o “Cálculo de AFRMM” de fl. 65 do Dossiê nº 10010.020551/041481. Este documento possui assinatura de um Assistente Administrativo e de uma Coordenadora, mas não sabemos quem o produziu, se foi o sujeito passivo ou outra empresa. A falta, portanto, da tradução juramentada e da correta identificação do documento de fl. 65, inviabiliza a comprovação do valor do frete alegado pelo sujeito passivo. Do exposto, nenhum documento entregue pelo sujeito passivo comprova, no meu entender, o frete e o seguro declarados, o que resulta em prejuízo ao controle aduaneiro. A falta ou não do recolhimento dos tributos aduaneiros só pode ser verificada após a entrega de documentos hábeis, que efetivamente comprovem o frete e seguro alegados. (grifouse). O Contribuinte apresentou Requerimento alegando que não foi possível a juntada do contrato de Afretamento por Tempo traduzido porque o documento não pode ser digitalizado, uma vez que o selo de autenticidade do contrato impede o seu desmembramento para a digitalização, e requereu que seja juntado o contrato de forma física ao processo. Diante de tal requerimento, por intermédio do Termo de Análise de Solicitação de Juntada (fls. 453) foi anexado ao processo o contrato de Afretamento por Tempo (Tradução Juramentada nº 33578/2014) às fls. 229 a 452. Salientase que Contribuinte apresentou Manifestação frente a decisão que converteu o julgamento do recurso em diligência. Reforçou o pedido de que não seja aplicada a multa prevista no art. 70, II, b da Lei 10.833 de 2003 alegando que houve um erro material na redação do Recurso Voluntário, qual seja (fl. 443): Apesar de ser mencionado no Recurso Voluntário apresentado que o instrumento contratual firmado seria um Afretamento por Viagem (VPC – Voyage Charter Party), o contrato que foi celebrado, na realidade, foi um Afretamento por Tempo (TPC – Time Charter Party) Este erro meramente formal, todavia, em nada altera as razões de fato e de direito já trazidas pela Petrobras aos autos, não representando nenhum prejuízo ao julgamento do feito. Dessa forma, apresentamos em anexo a cópia do contrato de Afretamento por Tempo (TPC) na sua forma original, bem como a sua versão traduzida para o vernáculo (tradução juramentada). Diante da elucidação dos fatos envolvendo o presente processo administrativo cabe verificar o que dispõe a Lei nº 10.833/2003 que embasa o auto de infração: Art. 70. O descumprimento pelo importador, exportador ou adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, da obrigação de manter, em boa guarda e ordem, os documentos relativos às transações que realizarem, pelo prazo decadencial estabelecido na legislação tributária a que estão submetidos, ou da obrigação de os apresentar à fiscalização aduaneira quando exigidos, implicará: (...) Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10821.720077/201312 Acórdão n.º 3301004.744 S3C3T1 Fl. 572 10 II se relativo aos documentos obrigatórios de instrução das declarações aduaneiras: (...) b) a aplicação cumulativa das multas de: 1. 5% (cinco por cento) do valor aduaneiro das mercadorias importadas; e 2. 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação ou entre o preço declarado e o preço arbitrado. (...) Constatase que o auto de infração foi lavrado de acordo com o disposto no art. 70, II, b, da Lei nº 10.833/2003 no que tange a falta de apresentação dos documentos que comprovem o frete e o seguro no momento da importação. Fato este que o próprio Contribuinte reconhece, mas entende que esses documentos não são obrigatórios quando da Declaração de Importação, pois não integram os documentos exigíveis listados no art. 553 do Regimento Aduaneiro. Em que pese os argumentos do Contribuinte, compreendo que, de fato, como não houve apresentação de documentos que comprovem o frete e o seguro declarados quando da DI implicou prejuízo ao controle aduaneiro, pois não tem como a autoridade fiscal, com a falta destes documentos previstos em Lei, comprovar se os recolhimentos dos tributos aduaneiros foram realizados de forma correta pela ausência de documentação concernente ao frete e seguro. O Contribuinte também alega que a multa aduaneira ofende o princípio constitucional da proporcionalidade. Entendese que não cabe ao julgador administrativo a análise da aplicação de princípios, no caso, o alegado princípio da proporcionalidade, e sim, o respeito a correta aplicação da legislação tributária. Neste sentido afasto a análise dos argumentos concernentes a aplicação do princípio invocado. Portanto, tendo em vista os autos do processo, a legislação aplicável ao caso e especialmente as informações prestadas em atendimento a diligência, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário apresentado, mantendo o entendimento da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 572DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.720361/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991
COISA JULGADA. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL.
De acordo com o Art. 502 do Código de Processo Civil, com aplicação inconteste no âmbito dos procedimentos administrativos fiscais, é indiscutível a decisão judicial de mérito não sujeita a recurso.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991
CRÉDITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL.
O crédito líquido e certo reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu e delimitou o valor do crédito, deve ser considerado para que a decisão judicial seja cumprida no âmbito administrativo fiscal. Fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 3201-003.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito obtido judicialmente a ser calculado sobre os pagamentos reconhecidos pela unidade de origem, em conformidade com o documento de fl. 823/824, inclusive os confirmados por microficha.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. De acordo com o Art. 502 do Código de Processo Civil, com aplicação inconteste no âmbito dos procedimentos administrativos fiscais, é indiscutível a decisão judicial de mérito não sujeita a recurso. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 CRÉDITO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. FINSOCIAL. O crédito líquido e certo reconhecido em decisão judicial transitada em julgado, que reconheceu e delimitou o valor do crédito, deve ser considerado para que a decisão judicial seja cumprida no âmbito administrativo fiscal. Fundamento no Art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito obtido judicialmente a ser calculado sobre os pagamentos reconhecidos pela unidade de origem, em conformidade com o documento de fl. 823/824, inclusive os confirmados por microficha. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 03 61 /2 01 1- 11 Fl. 859DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls 281 em face de decisão de primeira instância administrativa da DRJ/SP de fls. 263 que decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade do contribuinte de fls 227, restando o direito creditório de Finsocial não reconhecido. Como de costume nesta Turma de Julgamento, transcrevese o relatório e ementa do Acórdão da Delegacia de Julgamento de primeira instância, DRJ/SP de fls. 263, para a apreciação dos fatos e trâmite dos autos: "Trata o presente processo de Pedido de Restituição e Declarações de Compensação (fls. 5/58) de crédito da contribuição para o Finsocial de outubro de 1989 a fevereiro de 1991, no valor de R$ 20.284.980,85, com débitos de diversos tributos. A DRF de Limeira(SP), por meio do despacho decisório de fl. 212/214, homologou parcialmente as compensações declaradas, em razão da insuficiência dos créditos pleiteados. Conforme a decisão, intimada a apresentar os Darfs de recolhimento do Finsocial, a contribuinte apresentou apenas três relativos a esse tributo, sendo os demais com código de receita 0561 – Imposto sobre a Renda Retido na Fonte. Assim, o reconhecimento do direito creditório foi apurado apenas em relação aos três recolhimentos comprovados da contribuição. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 227/237, alegando que a exigência da Receita Federal, quanto à apresentação dos Darfs de recolhimento do Finsocial, pode configurar desobediência à decisão judicial, pois o procedimento já havia sido analisado em dois momentos: a ação de conhecimento e a ação de execução, sendo que nesta última a Fazenda Nacional questionou valores, tendo ocorrido o trânsito em julgado da decisão que reconheceu os valores analisados. Argumentou que os Darfs são os mesmos que constaram na ação judicial e orientaram os cálculos apresentados e discutidos em sede de embargos de execução, não havendo razão plausível capaz de invalidar os efeitos da coisa julgada. Acrescentou que, embora os citados Darfs consignem o código 0561, trazem todos, indistintamente, a menção de que se trata de recolhimento de Finsocial, destacando inclusive o cálculo elaborado em relação à conversão em BTNF. Assim, bastaria Fl. 860DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Acórdão n.º 3201003.685 S3C2T1 Fl. 860 3 que a RFB procedesse à consulta do histórico de recolhimentos a título de Finsocial, que encontraria os referidos recolhimentos com código 0561 alocados no código de receita 6120. A respeito da intimação recebida durante o trâmite do presente processo, para apresentar livros contábeis dos anos de 1989 a 1991, refutoua sob o argumento de que o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900/2008, em seu Capítulo VI, não se aplica ao caso, uma vez que se presta para avaliação da possibilidade de reconhecimento do direito creditório, enquanto aqui o direito creditório já fora reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, objeto de capítulo específico da referida Instrução, o de nº VIII. Reiterou que os documentos que embasaram os cálculos judiciais jamais foram contestados pela União Federal, ao contrário, foram por ela utilizados para apuração do montante do indébito a que fazia jus a contribuinte. Transcreveu trecho da decisão judicial, que especificaria o valor do “quantum repetendo”, conferindolhe liquidez e certeza que não pode ser objeto de contestação pela Receita Federal. Requereu a reforma da decisão, para que sejam homologadas integralmente suas compensações e cancelada a cobrança decorrente da não homologação." A Ementa deste Acórdão de primeira instância administrativa fiscal foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1991 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido." Após o protocolo do Recurso Voluntário os autos foram distribuídos e pautados conforme regimento interno deste Conselho. Esta Turma de julgamento proferiu Resolução em fls 308 e determinou a seguinte diligência: "Desta feita, com fundamento no Art. 2.º da lei n. 9.784/99, Art. 165 e 170 do CTN, determinase que seja realizada a diligência pela autoridade de origem nos seguintes termos: 1. Intimese o contribuinte para juntar em 30 dias todas as cópias de todas as ações, peças e decisões judiciais relativas ao Fl. 861DF CARF MF 4 direito creditório, de primeira e segunda instância, fase de conhecimento e execução, assim como os mencionados cálculos das fls. 11 a 15 dos autos do Processo 2001.61.00.0174135 do TRF 3.ª Região, fls. em que consta o valor apontado em âmbito judicial como o valor a ser restituído, calculados pela Embargante (Fazenda Nacional). 2 Ao juntar as cópias, o contribuinte deverá apontar as principais decisões judiciais, tabelas e cálculos que delimitam o crédito reconhecido. Após, intimese o Contribuinte e a Procuradoria para manifestação e retornem os autos a este Conselho para a continuidade do julgamento.” A diligência foi cumprida e os autos retornaram para julgamento. Em fls. 788 esta Turma de julgamento novamente converteu o julgamento em diligência nos seguintes moldes: "Sendo assim, o trânsito em julgado poderia corresponder à desistência (como o desfecho final da fase executiva) e não ao valor apresentado pela união em sede de execução judicial e, com isso, o valor determinado na decisão judicial proferida pelo TRF da 3.ª Região (fls. 771 do eprocesso),transitada em julgado (fls. 780 do eprocesso), em fase de execução judicial, como sendo aquele apresentado pela Embargante, constante nas planilhas apresentadas (fls. 684 a 688 do eprocesso) em conjunto com os Embargos a Execução de fls. 673 do eprocesso, não teria efeito de coisa julgada, mas somente serviria de referência. Diante do exposto, considerando que valores foram apresentados pela própria União durante execução judicial e que existem indícios de que os pagamentos são realmente de Finsocial, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: que a unidade de origem verifique, por meio das diligências que entender necessárias, se os recolhimentos de Finsocial estão disponíveis e se foram ou não utilizados previamente em alguma compensação, se os valores estão alocados, utilizados e/ou liberados para algum tipo de pagamento ou não. A procuradoria deve ser cientificada do resultado da diligência e por último, o contribuinte deve ser cientificado, com possibilidade de manifestação. Após, retornem os autos a este Conselho para julgamento." A diligência foi cumprida e a fiscalização apresentou seu relatório em fls 823 com a seguinte conclusão: "Após efetuadas as pesquisas, os únicos pagamentos encontrados são os discriminados abaixo e as telas de alocação estão anexadas aos autos, conforme fls.820 a 822 : Fl. 862DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Acórdão n.º 3201003.685 S3C2T1 Fl. 861 5 Os pagamentos efetuados no período de 15/01/1990 a 17/12/1990 não foram localizados pelo sistema (ver fls. 812 a 818). Pagamentos anteriores a 1990 não foram recuperados e sua confirmação foi efetuada por microfichas, essa confirmação foi realizada em 31/10/94, conforme fls. 84/85 do processo. Pelo exposto acima, só foi possível localizar os dois pagamentos acima mencionados e somente para esses pagamentos podemos afirmar que houve alocação aos débitos de Finsocial. Em relação aos pagamentos efetuados no período de 02/1989 a 12/1990 só foi possível confirmálos pelas microfichas." Por fim, em fls. 833 e 853 o contribuinte e a União, respectivamente apresentaram suas manifestação, no mesmo sentido de dar prosseguimento ao feito. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Nesta Turma de julgamento já foi analisado que no presente processo, a interessada está executando, administrativamente, crédito advindo de provimento judicial, nos períodos de janeiro a 1989 e fevereiro de 1990, instruída pelos Darfs de fls. 71 a 83. Vejamos trecho da certidão da Quinta Vara Cível, primeira Subseção Judiciária do Estado de São Paulo da Justiça Federal de fls 111, que certifica tanto o período como o trâmite judicial, conforme segue: Fl. 863DF CARF MF 6 Ao solicitar por via administrativa o direito obtido, em regra o interessado é submetido às regras aplicadas pela RFB aos procedimentos de restituição e compensação, desde que elas não colidam com as disposições judiciais fixadas na decisão que reconheceu o direito creditório. Para melhor compreensão do direito obtido, transcrevese o teor do provimento judicial (em fase de conhecimento) da Justiça Federal de São Paulo, conforme fls 95 dos autos, decisão transitada em julgado, conforme segue: A apelação da Fazenda Nacional foi negada conforme fls. 99 dos autos. Logo, a decisão acima permaneceu válida e não alterada. Como referência, também é importante citar que, em decisão de Embargos da própria Fazenda Nacional, na fase executória judicial (já extinta após desistência do contribuinte, exigida pela administração fiscal, conforme fls. 105 dos autos), ficou delimitado que o quantum respeite o valor apresentado pela Embargante (Fazenda Nacional) em fls. 11 a 15 dos autos judiciais. Foi corrigida divergência de cálculo com relação ao valor de restituição em março de 2000 (apresentado pela contadoria judicial), para o valor de R$ 6.008.655,15 (apresentado pela União) conforme Acórdão 862379 do Processo 2001.61.00.0174135, T.R.F, 3.ª região, reproduzido a seguir conforme fls. 234 dos autos (transcrito em peça de Recurso Voluntário): Fl. 864DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Acórdão n.º 3201003.685 S3C2T1 Fl. 862 7 Ao pesquisar os autos, inicialmente verificouse a ausência de peças e decisões judiciais que delimitassem com clareza o valor e alcance do reconhecimento do direito creditório no âmbito judicial. A exemplo, como mencionado acima, não foi possível identificar com clareza nos autos a cópia do valor apresentado pela Embargante (Fazenda Nacional) em fls. 11 a 15 dos autos judiciais, Processo n.º 2001.61.00.0174135, TRF 3.ª Região. Por esta razão foi determinada a Resolução de fls. 308, para instruir os autos com relação à matéria em lide, o crédito de Finsocial e o pedido de restituição/compensação. A diligência foi cumprida e o contribuinte juntou aos autos, em ordem, as principais peças, decisões e andamentos judiciais. Dessa forma, está comprovado que a decisão judicial de fase executória, proferida pelo TRF da 3.ª Região (fls. 771 do eprocesso), devidamente transitada em julgado (fls. 780 do eprocesso), determinou o valor a ser restituído/compensado, como sendo aquele apresentado pela Embargante, constante nas planilhas apresentadas (fls. 684 a 688 do e processo) em conjunto com os Embargos a Execução de fls. 673 do eprocesso. Logo, foi definido em âmbito judicial a certeza e liquidez do crédito de Finsocial, com amparo nos documentos que comprovaram o crédito, em especial, os DARFs juntados tanto em âmbito judicial quanto neste procedimento administrativo em fls 71 a 83. Desse modo, de acordo com o Art. 502 do Código de Processo Civil, com aplicação inconteste no âmbito dos procedimentos administrativos fiscais, é indiscutível a decisão judicial de mérito não sujeita a recurso. 1 Portanto, com relação ao Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações, porque considerou somente os Darfs com código 6120 e não os de código 1 Art. 502. Denominase coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Fl. 865DF CARF MF 8 0561, é importante lembrar que, apesar desta lide administrativa tratar de possível erro de preenchimento do código de Finsocial no DARF, porque verificase que em todos os Darfs juntados está escrito "Finsocial" no corpo do documento, apesar do código ser de outro tributo, a solução desta lide está no cumprimento da coisa julgada, consubstanciada em decisão judicial transitada em julgado que já havia considerado os Darfs juntados com ambos os códigos. Por fim, é importante registrar que, sem qualquer mal à decisão inicial que reconheceu o direito ao crédito em fase de conhecimento, este colegiado discutiu a respeito da validade da decisão que determinou o valor a ser restituído, uma vez que esta foi proferida em execução judicial, com posterior desistência. Sendo assim, o trânsito em julgado poderia corresponder à desistência (como o desfecho final da fase executiva) e não ao valor apresentado pela união em sede de execução judicial e, com isso, o valor determinado na decisão judicial proferida pelo TRF da 3.ª Região (fls. 771 do eprocesso), transitada em julgado (fls. 780 do eprocesso), em fase de execução judicial, como sendo aquele apresentado pela Embargante, constante nas planilhas apresentadas (fls. 684 a 688 do eprocesso) em conjunto com os Embargos a Execução de fls. 673 do e processo, não teria efeito de coisa julgada, mas somente serviria de referência. Diante do exposto, considerando que valores foram apresentados pela própria União durante execução judicial e que existem indícios de que os pagamentos são realmente de Finsocial, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência nos seguintes termos: que a unidade de origem verifique, por meio das diligências que entender necessárias, se os recolhimentos de Finsocial estão disponíveis e se foram ou não utilizados previamente em alguma compensação, se os valores estão alocados, utilizados e/ou liberados para algum tipo de pagamento ou não. Como relatado, a fiscalização observou a existência das microfichas, a alocação de dois dos pagamentos no Finsocial e a não utilização prévia em outras compensações, relatório conclusivo que permite o prosseguimento do feito, conforme solicitado pelas partes. Durante esta sessão de julgamento verificouse que vários DARFs possuem o código correto, dos que possuem o código errado (0561), ficou comprovado que foram alocados no Finsocial, o que leva a crer na legitimidade dos DARFS juntados e possibilidade de presumir que todos tratam de Finsocial, conforme solicitado pelo contribuinte. Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito obtido judicialmente, a ser calculado sobre os pagamentos reconhecidos pela unidade de origem, em conformidade com o documento de fl. 823/824, inclusive os confirmados por microficha. Voto proferido. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 10865.720361/201111 Acórdão n.º 3201003.685 S3C2T1 Fl. 863 9 Fl. 867DF CARF MF
score : 1.0
