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Numero do processo: 10909.721296/2016-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 07/03/2014, 10/04/2014, 11/04/2014
IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. DANO AO ERÁRIO. ARBITRAMENTO. MULTA E TRIBUTOS.
Comprovado dano ao Erário decorrente de fraude, aplicável multa de 100% do valor aduaneiro caso tenham sido as mercadorias revendidas, cobrança da diferença dos tributos incidentes nas operações e multa de ofício qualificada. Tratando-se de fraude atinente ao valor aduaneiro, arbitra-se o preço da mercadoria para fins de determinação da base de cálculo.
Recurso negado.
Numero da decisão: 3402-004.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
assinado digitalmente
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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SUBFATURAMENTO. DANO AO ERÁRIO. ARBITRAMENTO. MULTA E TRIBUTOS. Comprovado dano ao Erário decorrente de fraude, aplicável multa de 100% do valor aduaneiro caso tenham sido as mercadorias revendidas, cobrança da diferença dos tributos incidentes nas operações e multa de ofício qualificada. Tratandose de fraude atinente ao valor aduaneiro, arbitrase o preço da mercadoria para fins de determinação da base de cálculo. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 12 96 /2 01 6- 00 Fl. 1495DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.496 2 Relatório Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 31/104), a empresa First S/A promoveu o registro, por conta e ordem da empresa N3vo Comércio Internacional Ltda, das Declarações de Importação (DI) nº 14/04477138, 14/06961746, 14/07043678 e 14/07452519, as quais foram submetidas a procedimento especial de controle aduaneiro previsto na Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.169, de 29 de junho de 2011. Segundo o autuante, o valor declarado (preço médio FOB por quilograma líquido) foi inferior, inclusive, ao preço médio FOB das importações da principal matéria prima das bolsas importadas. Também apontou diferenças significativas unitárias e de peso no cotejo dos documentos instrutórios da importação com relatórios de verificação física. Ressalta que houve imediata alteração da classificação fiscal das mesmas mercadorias após a primeira DI em análise ter sido direcionada ao canal cinza de conferência (conforme quadro à fl. 37). No curso do procedimento fiscal instaurado, ambas as empresas foram intimadas a apresentar documentação relativa às operações de importação. Segundo a fiscalização, nem o importador, nem o adquirente comprovaram as transações comerciais e os valores acordados/negociados. Também foram apontados elementos que conduziram a autoridade fiscal a questionar a existência ou participação de fato do exportador/fabricante, o que a levou a considerar as faturas comerciais e packing lists materialmente falsos, situação caracterizadora de dano ao Erário passível de aplicação da pena de perdimento. Relativamente aos preços praticados, com base em pesquisas realizadas junto ao sistema Aliceweb1 e em perícias técnicas da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção ABIT (anexos 28 a 31), chegouse à conclusão de que os preços declarados são ideologicamente falsos, evidenciando manipulação e fraude. A partir dos procedimentos de verificação física das mercadorias objeto das referidas DI, foram apurados excedentes significativos de quantidade e peso nas operações (à exceção da DI nº 14/06961746), caracterizando falsa declaração de conteúdo. Entretanto, tendo a DI nº 14/04477138 sido direcionada para o canal cinza de conferência, nas operações seguintes, como dito, foi adotada classificação fiscal diversa, o que levou o sistema a direcionálas para o canal verde de conferência. Concluiu o fiscal autuante: "Da análise da documentação e das informações colhidas no precitado procedimento, restou constatada a ocorrência das infrações de USO DE DOCUMENTO FALSO NO DESPACHO ADUANEIRO das mercadorias relativas às Declarações de Importação n°s. 14/04477138, 14/06961746, 14/07043678 e 14/07452519, visto evidência de falsidade material, demonstrado no item 4 com a não existência de fato do Exportador declarado e a evidência de falsidade ideológica, conforme demonstrado no item 3 e 5, da não comprovação das negociações transacionadas e preços praticados, além da divergência de peso e quantitativo demonstrado no item 6" (fl. 87). Tal conclusão motivou a aplicação da multa qualificada. 1 ALICEWEB: Sistema de Análise das Informações de Comércio Exterior via Internet, da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) do MCDI, o qual fornece dados estatísticos das exportações e importações brasileiras. Fl. 1496DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.497 3 As mercadorias de todas as quatro DI foram entregues ao importador mediante prestação de garantia por força de decisão judicial, que em momento posterior deferiu o pedido de levantamento de tais valores, sem prejuízo do prosseguimento das atividades fiscalizatórias (Processo nº 500682102.2014.4.04.7208/SC). Constatado que a First repassou as mercadorias para a N3vo e que esta vendeu a totalidade delas, impossibilitada a apreensão, o AuditorFiscal aplicou a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme cálculos de fls. 9092. Em virtude da verificação de fraude, inaplicáveis as disposições previstas no Acordo de Valoração Aduaneira. In casu, socorreuse o autuante do art. 88 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Diante da impossibilidade de apuração do preço efetivamente praticado, foi arbitrado o preço das mercadorias de acordo com o critério apontado pelo inciso I daquele artigo 88, com adoção do menor preço unitário praticado dentre as DI que se enquadraram em critérios de importação determinados conforme a legislação. Haja vista base de cálculo superior à declarada por força do arbitramento, foram apuradas diferenças nos tributos recolhidos conforme quadro a seguir, aplicandose multa de ofício qualificada conforme previsão do art. 44, I e § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996: E concluiu o agentefiscal: "Diante dos fatos narrados ao longo do presente relatório, ficou evidenciado que a atuada fez uso de FATURA COMERCIAL FALSA para instruir o despacho aduaneiro bem como restou caracterizada a NÃO EXISTÊNCIA DE FATO DO EXPORTADOR/FABRICANTE NA IMPORTAÇÃO e a NÃO COMPROVAÇÃO DOS NEGÓCIOS TRANSACIONADOS E PREÇOS PRATICADOS. Além de ser detectado grande divergência de quantitativos e referências de bolsas para as DI´s 14/04477138, 14/07043678 e 14/07452519, caracterizando a FALSA DECLARAÇÃO DE CONTEÚDO para estas declarações" Diante das falsidades apontadas, foi aplicada a multa substitutiva à penalidade de perdimento com fulcro nas seguintes normas (fls. 103104): Fl. 1497DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.498 4 Impugnado o lançamento pelo sujeito passivo, First, e pela responsável que contratou a importação por conta e ordem, a N3VO, a DRJ/FNS julgou improcedente (fls. 1378/1396) as mesmas. A empresa responsável solidária (N3VO), apesar do julgado no MS acostado aos autos (fls. 14791493) assegurandolhe pleno acesso ao presente PAF para se pronunciar nos autos e reabertura de prazo para recorrer, não apresentou recurso voluntário, limitandose a peticionar (fls. 14711472) para que fosse intimada da pauta de julgamento, o que se deu por meio da publicação da pauta no Diário Oficial da União. Não resignada com a r. decisão, somente2 a empresa First recorreu (fls. 1415/1466) a este Colegiado, alegando, em suma: 1 Ao longo de 16 laudas, a incompetência funcional do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil para proceder ao lançamento, haja vista ser decorrente de aplicação de pena de perdimento, cuja competência é exclusiva dos Delegados e/ou InspetoresChefes das Aduanas; 2 Que, em virtude das operações terem sido efetuadas na modalidade de importação "por conta e ordem de terceiros", a First teria atuado meramente como prestadora de serviços ou mandatária do real adquirente das mercadorias. Entende, em resumo no ponto, que ela não se reveste da condição de sujeito passivo, pois deveria ter sido considerado os termos do contrato de prestação de serviço entre ela e a encomendante, sendo esta, em seu entender, "a empresa real adquirente e efetiva proprietária das mercadorias", assim como a plena responsabilidade pelas informações constantes na carga e nos documentos que instruem o despacho aduaneiro, a classificação fiscal, a quantidade de produtos importados, o preço unitário praticado, o país de origem e a qualidade das mercadorias. E assim conclui no tópico: Pleiteia, em consequência, a nulidade e insubsistência da autuação pois não foi apontada de forma específica e objetiva a conduta ou postura que ensejou ou resultou na infração (item 22). 3 Outro argumento lançado pela defesa referese à suposta nulidade decorrente do excesso de prazo para o lançamento, haja vista a Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.169, de 29 de junho de 2011 estabelecer um prazo de 90 (noventa) dias, prorrogável por outros 90, para conclusão do procedimento especial de fiscalização previsto na IN; 2 A solidária teve ciência da r. decisão conforme Termo de Abertura de Documento (fl. 1405). Fl. 1498DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.499 5 4 Quanto à apontada utilização de documento falso no despacho aduaneiro, alega que nenhuma das situações mencionadas na motivação do lançamento, "revela categoricamente infração ou irregularidade à aplicação da pena de perdimento", entendendo que somente os casos expressamente fixados no art. 105 do Decretolei 37/66, autorizam a decretação da pena de perdimento, os quais, afirma, não foram apontados na exação; 5 Contesta a afirmação de não existência de fato do exportador estrangeiro, pois entende que as faturas comerciais revelam que o exportador é também o fabricante das mercadorias. O fato de não haver nenhuma referência nas farturas comerciais de que a fábrica funcionaria juntamente com a estrutura do exportador "parte de premissa equivocada do auto de infração, pois o exportador está constituído no endereço RM905 WORKINGBERG COMM BLDG 4147 MARBLE RD, em HONG KONG, ao passo que a Fábrica, no endereço ROOM 401, UNIT 1 BUILDING 23, NORTH DISTRICT, QUINGKOU YIWU CITY, ZHEIJANG, CHINA". Conclui, no ponto, que "não há em nosso ordenamento jurídico vigente, qualquer dispositivo apontando alguma irregularidade na informação que sustente a aplicação da pena de perdimento nos casos onde a fábrica e o exportador, sejam a mesma pessoa (jurídica) e não funcionem no mesmo endereço ou no mesmo estabelecimento comercial, posto que cada qual, exerce atividades distintas e voltadas para o mesmo fim, que é a produção e posterior comercialização". 6 Por fim, averba ser inaplicável a pena de perdimento por não visualizar situação elencada dentre as situações previstas pelo art. 105 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. Alega que a afirmação do fiscal acerca da falsidade das faturas não procede, pois "(...) não há em nosso ordenamento jurídico vigente, qualquer dispositivo apontando alguma irregularidade na informação que sustente a aplicação da pena de perdimento nos casos onde a fábrica e o exportador, sejam a mesma pessoa (jurídica) e não funcionem no mesmo endereço ou no mesmo estabelecimento comercial, posto que cada qual, exerce atividades distintas e voltadas para o mesmo fim, que é a produção e posterior comercialização" (fl. 1182). É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lock Freire, Relator. I PRELIMINAR 1 COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL PARA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO Com a devida vênia, tal alegação não passa de mera tergiversação procrastinatória, pois notória a competência de AuditorFiscal do Tesouro Nacional (atualmente AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil) para constitui crédito tributário. Tal competência decorre do artigo 142 do CTN, complementada pelo art. 6º da Lei 10.593/2002 (com redação dada pela Lei 11.457/07), o qual discorre sobre as atribuições daquele agente público. Ora, embora o recurso levante essa questão com arrimo do teor do Decreto Lei 1.455/76, a multa objeto do lançamento tem seu rito de cobrança pelo Decreto 70.235/72, Fl. 1499DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.500 6 uma vez que não se trata o presente litígio de perda de mercadoria, mas sim de cobrança de multa equivalente a 100% do valor da mercadoria que foi dada a consumo após decisão judicial liberando a mercadoria, conforme relatei. E o fiscal na motivação do lançamento não deixou qualquer dúvida a respeito, até porque questão comezinha. Vejase o que consta do auto de infração: “ Mediante a impossibilidade de apreensão da mercadoria pelo fato da mesma ter sido revendida, tendo como base o parágrafo 1º do art. 689 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto 6.759/2009, c/c incisos VI e XXII e §§ 3ºA, 3ºB e 6º. do mesmo artigo (Decreto nº 6.759/09 com as alterações do Decreto nº 8.010/13) a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro arbitrado da mercadoria.” O § 3º do artigo 23 (com redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) do DecretoLei a que alude a recorrente (1.455/76), por si só, mesmo para um iniciante no Direito, espanca qualquer dúvida. Eis a norma: § 3o As infrações previstas no caput (perdimento por dano ao Erário) serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. Assim, rechaçase a pugnada nulidade por incompetência do autor. 2 A IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. Alega a recorrente que pelo fato de as mercadorias importadas pelas DI em questão terem sido efetuadas na modalidade por conta e ordem, ela teria atuado meramente como prestadora de serviços ou mandatária do real adquirente das mercadorias, o que, em seu entender a afastaria da sujeição passiva, uma vez não ser ela a proprietária das mercadorias. Ora, mais uma alegação desprovida de qualquer razoabilidade jurídica. Da análise dos EXTRATOS das Declarações de Importação nº. 14/0447713 8, 14/06961746, 14/07043678 e 14/07452519, é possível confirmar, inequivocamente, que as mercadorias importadas pertencem e foram adquiridas no exterior pela empresa N3VO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ nº. 05.012.360/000470, bem como, devidamente credenciada e habilitada no Siscomex para operar no Comércio Exterior. Contudo, para realizar essas importações, a recorrente figurou como mera importadora, e, por sua vez, a empresa N3VO COMÉRCIO INTERNACIONAL LTDA, figurou como sendo a real adquirente e efetiva proprietária das mercadorias importadas através das Cláusulas, Condições e Compromissos assumidos em virtude do CONTRATO PARTICULAR DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS relacionados às operações de Comércio Exterior para importação na modalidade de “importação por conta e ordem de terceiro”, submetendoo assim, PREVIAMENTE à análise e aprovação da Receita Federal. Fl. 1500DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.501 7 Nos termos da competência delegada à RFB pelo art. 803, I, da MP 2.158 35/2001, foi editada a IN SRF 225/2002, que dispõe, dentre outras questões, que: “Art. 1º. O controle aduaneiro relativo à atuação de pessoa jurídica importadora que opere por conta e ordem de terceiros será exercido conforme o estabelecido nesta Instrução Normativa. De seu turno, o artigo 12 da IN RFB 247/2002 estuiu: Art. 12. Na hipótese de importação efetuada por pessoa jurídica importadora, por conta e ordem de terceiros, a receita bruta para efeito de incidência destas contribuições corresponde ao valor da receita bruta auferida com: I – os serviços prestados ao adquirente, na hipótese da pessoa jurídica importadora; e II – da receita auferida com a comercialização da mercadoria importada, na hipótese do adquirente. § 1°. Para os efeitos deste artigo: I – entendese por importador por conta e ordem de terceiros a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial; Mas a meu juízo, embora essa normatização decorrente de delegação de competência à RFB, em virtude de comando legal específico, quanto às importações por conta e ordem sejam assaz definidoras, a questão poderia ser resolvida pela simples aplicação da norma geral veiculada pelo CTN em seu art. 121, pois o fato gerador do imposto de importação é o desembaraço aduaneiro (art. 46, I). Portanto, aquele que faz o desembaraço aduaneiro nas importações por conta e ordem é o sujeito passivo dos tributos incidentes na importação. Por tal, correto o lançamento ao colocar a recorrente no pólo passivo da relação jurídicotributária. Dessarte, rejeito essa preliminar de erro na indicação do sujeito passivo. 3 NULIDADE DECORRENTE DO EXCESSO DE PRAZO PARA O LANÇAMENTO Alega a defesa a suposta nulidade decorrente do excesso de prazo para o lançamento, haja vista a Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.169, de 29 de junho de 2011 estabelecer um prazo de 90 (noventa) dias, prorrogável por outros 90, para conclusão do procedimento especial de fiscalização previsto. Mais um argumento de natureza meramente procrastinatória. 3 “Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; Fl. 1501DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.502 8 À Receita Federal é possível fazer a revisão aduaneira dentro do prazo de até cinco anos, nos termos do que dispõe o art. 54 do Decretolei 37/66 (art. 638 do RA 2009). Todas as DI objeto da revisão tratamse de importações desembaraçadas em 2014, portanto não há que se falar em excesso de prazo para o lançamento. Pelo que se repele tal argumento, igualmente. MÉRITO As defesas negam quaisquer falsidades e, portanto, alegam inexistir previsão legal para aplicação da pena de perdimento. Focam seus argumentos no seguinte raciocínio: "(...) não há em nosso ordenamento jurídico vigente, qualquer dispositivo apontando alguma irregularidade na informação que sustente a aplicação da pena de perdimento nos casos onde a fábrica e o exportador, sejam a mesma pessoa (jurídica) e não funcionem no mesmo endereço ou no mesmo estabelecimento comercial, posto que cada qual, exerce atividades distintas e voltadas para o mesmo fim, que é a produção e posterior comercialização" (fl. 1182). O quadro abaixo aponta as fundamentações legais que embasaram a aplicação da pena de perdimento por dano ao Erário, em relação a cada DI, em específico: Veja o teor das referidas normas legais: Art. 689. Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decreto Lei nº 37, de 1966, art. 105; e DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, caput e § 1º, este com a redação dada pela Lei no 10.637, de 2002, art. 59): (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; (...) XII estrangeira, chegada ao País com falsa declaração de conteúdo; (...) XXII estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 1502DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.503 9 Atendendo intimação fiscal, a First apresentou documentos que foram analisados pelo Auditor Fiscal (fls. 4647): Em face de tal inconsistência, o agente fiscal coletou uma série de indícios, que tomados conjuntamente conduzem à conclusão de falsidade material das faturas comerciais e dos packing lists em virtude da inexistência e/ou não participação do exportador/fabricante declarados: é informado nas quatro operações que o exportador também é fabricante das mercadorias, com endereço em ROOM 401, UNIT 1 BUILDING 23, NORTH DISTRICT, QUINGKOU YIWU CITY, ZHEIJANG, CHINA (fls. 10091096); entretanto, quando da resposta à intimação fiscal, no item recém colacionado quanto à comprovação de existência do exportador, restou apresentada documentação relativa a empresa sediada em Hong Kong; Fl. 1503DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.504 10 no endereço em Hong Kong encontrase um prédio comercial e não uma unidade fabril, informação coletada com imagens do aplicativo Google Earth (fl. 60); em pesquisas junto a Internet, não foi localizado o nome da empresa exportadora, mas o endereço fornecido nas faturas coincide com o de outra empresa (fls. 62 63). Instadas a comprovar as negociações comerciais, não foram apresentados (fls. 5759): documentação comprobatória das tratativas das operações; pedidos de compra; catálogo, revista, publicação ou sítio da internet demonstrando e confirmando os preços; documentação comprovando a existência do exportador; fatura proforma; lista oficial de preços emitida pelo exportador; vias das fatura comerciais consularizadas. Quanto aos preços praticados, melhor sorte não assiste às defesas. A partir de laudos merceológicos solicitados à Associação Brasileira da Indústria Têxtil e Confecção ABIT (fls. 783897) e de pesquisa junto ao sistema Aliceweb, ficou demonstrado que os preços praticados nas operações são inclusive extremamente inferiores aos próprios custos das matérias primas (análises no relatório fiscal fls. 6472). Concluiu o autuante: Concluindo, tais laudos não pretendem apurar o valor comercial das mercadorias, apenas identificar sua composição e estimar seu custo mínimo, inclusive porque consideram apenas o material têxtil empregado. Os resultados, em conjunto com a análise dos demais itens já relatados, demonstram que os preços declarados são ideologicamente falsos. Importa ainda destacar que as bolsas importadas são de alta qualidade, conforme verificado pela própria composição das mesmas e que pode ser constatado pelas imagens dos produtos (anexos 32 a 35). Verificase também, que em cada uma das faturas comerciais YSIE201416840 (DI 14/04477138), YSIE201416959 (DI 14/06961746), YSIE201416754 (DI 14/07043678) e YSIE 201417017 (DI 14/07452519), foram praticados preços unitários iguais para todas as referências. Tal prática, além das demais descritas neste procedimento, evidencia a manipulação e fraude nos preços, visto se tratarem de bolsas com composições e tamanhos diferentes uma das outras. Quanto à questão dos quantitativos apresentados incorretamente, as defesas alegam que as diferenças são decorrentes do fato de que existiam espécie de kits de bolsas, ou seja, que em alguns casos existiam uma ou duas bolsas no interior de outra e que seriam Fl. 1504DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.505 11 comercializadas conjuntamente. Segue quadro demonstrativo de tais diferenças apuradas por relatórios de verificação física: Ou seja, não se trata pura e simplesmente de declaração incorreta de quantidades unitárias. O intuito fraudulento se confirma não só pela acondicionamento de bolsas dentro de bolsas (o que até poderia ser justificado como o foi), mas pela verificação das diferenças nos pesos. Portanto, a fraude não se cingia somente à declaração de preços unitários subfaturados, mas também pela declaração incorreta dos quantitativos importados, o que implica num valor final das operações muito inferior ao real, com claras implicações na base de cálculo a ser adotada na apuração dos tributos incidentes. Se de fato se tratavam de kits/conjuntos de bolsas, não haveria razão para diferenças de peso! Bem, a alegação defensiva referiuse à ausência de enquadramento legal dos fatos dos autos às hipóteses de dano ao Erário, especificamente com fulcro no art. 105 do DecretoLei nº 37/1966. Conforme quadro já exposto, o Auditor efetuou os lançamentos fulcrado no art. 689 do Decreto nº 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro, o qual regulamenta disposições previstas tanto no DecretoLei nº 37/1966 como no DecretoLei nº 1.455/1976. Portanto, sobejam fatos que se subsumem à legislação em referência, havendo mais de um enquadramento possível para perfeita caracterização do dano ao Erário punível com a pena de perdimento. Verificado, pois, que a situação ensejava aplicação da pena de perdimento, cabia verificar a disponibilidade das mercadorias, as quais haviam sido liberadas por ordem judicial mediante garantia. Na ausência da mercadoria, a legislação prevê a aplicação de multa substitutiva no valor de 100% do valor aduaneiro, conforme art. 689, § 1º, do Decreto nº 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro: § 1º As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972 (DecretoLei nº 1.455, de 1976, art. 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010, art. 41). (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) O autuante acostou (fl. 89) a seguinte tabela para comprovar a impossibilidade da aplicação da pena de perdimento em razão da revenda da mercadoria: Fl. 1505DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.506 12 Relativo à questão da classificação fiscal das mercadorias importadas bolsas femininas em poliuretano, esclarecedor o quadro trazido na fl. 37, referente às diversas operações de importação do mesmo importador, adquirente e exportador: A classificação fiscal adotada até 7 de março de 2014 era 4202.22.10, com parametrização para o canal verde de conferência aduaneira. Com o registro da DI nº 14/04477138, nessa data, com seu direcionamento ao canal cinza, as próximas operações passaram a apresentar a NCM 4202.92.00, com reflexo claro: as próximas três operações voltaram a ser direcionadas para o canal verde. E mais, informa a fiscalização: "Constatase também que após o mês de abril/2014, coincidentemente após a seleção das Declarações de Importações objeto deste Procedimento Especial, não houve mais registro de DI na unidade de Itajaí, passando o adquirente a operar suas operações em Volta Redonda e Porto de Itaguai para este tipo de mercadoria" Ora, notória a manobra dolosa com o fito de evitar as verificações físicas e de valor das mercadorias importadas. Portanto, vazia a alegação de ausência de laudo técnico para aferição do código NCM correto à espécie. Os laudos, conforme art. 30, caput e § 1º, Decreto nº 70.235 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), de 6 de março de 1972, quando necessários, serão adotados em seus aspectos técnicos, não se considerando como tal a classificação fiscal de Fl. 1506DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.507 13 produtos. Improcede, igualmente, o argumento de que é "(...) direito da empresa 'adquirente', promover o registro das suas mercadorias naquele que melhor considerar correta, bem como, está no direito de discordar da posição apontada pelo AuditorFiscal, sem que para isto, seja submetida a tratamento jurídico diferenciado e prejudicial aos seus interesses" (fl. 1288) e que "(...) a empresa 'adquirente' apenas buscou adequar melhor a identificação dos seus produtos aos seus interesses". Classificação é matéria técnica com regramento próprio e rigoroso, não sendo deferido aos interessados procederem à classificação de suas mercadorias conforme melhor lhes convier. As dúvidas podem ser objeto de soluções de consulta, mas, na ausência de uma, a decisão do Auditor Fiscal responsável prevalece administrativamente até manifestação das Delegacias de Julgamento e do Conselho de Contribuintes. Apurada, pois, a falsidade dos preços declarados, ou seja, comprovada a fraude, fazse necessário apurar o valor a ser empregado, tanto para efeitos de aplicação da multa substitutiva ao perdimento quanto para determinação da base de cálculo para cobrança das diferenças tributárias. Comprovada a fraude, inaplicável o Acordo de Valoração Aduaneira, devendose recorrer ao art. 88 da Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, como acertadamente procedeu o Fisco. Nas fls. 9698, resta demonstrado que o lançamento atendeu ao prescrito na legislação acima, ou seja, ante à fraude comprovada, e na impossibilidade de apuração do preço efetivamente praticado, foi levado a efeito o arbitramento com base no inciso I do art. 88 da MP 2.15835, conforme devidamente motivado na exação, conforme abaixo se transcreve: "(...) Não foram identificadas importações de mercadorias idênticas, dado o alcance muito restrito da expressão, a qual a simples descrição genérica das mercadorias constantes nas DIs não permite a adequação. Por outro lado, foi possível identificar a importação de mercadorias similares, originárias da China, embarcadas em período de tempo próximo, e valoradas pelo 1º método de apuração do valor aduaneiro (valor da transação) e produzidas no mesmo país que as mercadorias objeto de valoração. Foi desconsiderado as importações do Exportador/Fabricante YIWUSHI SHANGLUO IMPORT & EXPORT CO., LIMITED visto já demonstrado no tópico 4 da não existência de fato do mesmo. As características estão resumidas abaixo (fl. 98), preservandose, devido ao sigilo fiscal, o nome das partes, bem como as referências que possam identificar fisicamente as mercadorias ou detalhes da operação comercial. Fl. 1507DF CARF MF Processo nº 10909.721296/201600 Acórdão n.º 3402004.934 S3C4T2 Fl. 1.508 14 Nessas três operações, constatase que O MENOR PREÇO UNITÁRIO PRATICADO corresponde a US$ 4,33 por bolsa e referese à DI 14/04650204, cuja mercadoria embarcou em 14/02/2014, em data dentro do intervalo de embarque das mercadorias objeto do arbitramento. Diante do exposto e considerando também o princípio da razoabilidade que norteia o AVAGATT, optase por arbitrar o preço da mercadoria com base no valor unitário MAIS FAVORÁVEL AO AUTUADO, ou seja, o menor valor dentre os possíveis, o preço unitário de US$ 4,33 FOB" Deveras, sem reparos ao procedimento adotado para o arbitramento dos valores. CONCLUSÃO Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1508DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.689985/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa.
A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL.
O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
Numero da decisão: 1402-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 NULIDADE. DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido.
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DECISÃO COM TERMOS IGUAIS AOS DE OUTRAS PROFERIDAS EM PROCESSOS ADMINISTRATIVOS DO MESMO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO DE DEFESA. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A simples verificação da existência de decisões de mesmo teor e termos em processos administrativos distintos, mas de um mesmo contribuinte, não configura, objetivamente, cerceamento de defesa. A verificação de nulidade das decisões administrativas pela constatação de ocorrência de cerceamento de defesa depende, primeiramente, da demonstração clara, concreta e específica de como o decisório causou prejuízo às prerrogativas postulatórias da parte e seu direito. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CRÉDITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. AUSÊNCIA DE RETIFICADORA. NECESSIDADE DE PROVA HÁBIL. O reconhecimento de direito creditório oriundo pagamento utilizado para a quitação de débito declarado e constituído pelo próprio o contribuinte demanda a comprovação, mediante documentação adequada, hábil e pertinente, da ocorrência de recolhimento a maior ou indevido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 68 99 85 /2 00 9- 41 Fl. 2444DF CARF MF Processo nº 10880.689985/200941 Acórdão n.º 1402002.864 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Julio Lima Souza Martins, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Lizandro Rodrigues de Sousa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que expressamente deixou de homologar suposto crédito de IRPJ, declarado em DCOMP, por não ter sido constatada qualquer monta de recolhimento a maior ou indevido. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que apurou novos valores para seus débitos de PIS e de COFINS do período, verificando que havia recolhido tais tributos indevidamente ou a maior sobre receitas derivadas da venda de alguns produtos sujeitos à alíquota zero e por não ter excluído o ICMS sobre vendas das bases de cálculo dessas contribuições. Também afirma que teve reconhecido em Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito n° 94.00116799, créditos de FINSOCIAL compensados com débitos da mesma espécie. Tal suposto recolhimento indevido ou a maior teria gerado uma base de cálculo de IRPJ e CSLL (lucro) maior e incorreta, devido ao estornos dos créditos de PIS e de COFINS sobre receitas sujeitas a alíquota zero, gerando um aumento do custo. Assim, procedeu o Contribuinte a dezenas de compensações de PIS, COFINS, IRPJ e CSLL, incluindo a presente. Também relata que fora indevidamente autuada (Processo Administrativo n° 19515.000772/200754), sendo na ocasião alertada pelo próprio Agente Fiscal que estava recolhendo tributos sobre uma base de cálculo majorada, especificamente em relação àquelas contribuições. Alega que procedeu à retificação das DACONs correspondentes, mas não foi possível retificar a DCTF pois estava sob fiscalização naquela época. Afirma que o processo deve ser baixado em diligência para que seja confirmada a regularidade das compensações efetuadas e, ao final, requer a homologação integral da compensação em tela. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento integral à defesa, por não ter a Contribuinte logrado êxito na comprovação da sua pretensão creditória. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, alegando, preliminarmente, a nulidade do v. Acórdão recorrido e de outros, pelo fato destas decisões possuírem termos idênticos em suas razões. No mérito, em suma, limitase a repetir as razões da Manifestação de Inconformidade. Fl. 2445DF CARF MF Processo nº 10880.689985/200941 Acórdão n.º 1402002.864 S1C4T2 Fl. 4 3 Ainda, acostou complementos ao Recurso Voluntário, referentes a estudo e Laudo emitido por Auditores Independentes, acostandoos aos autos, bem como noticiando o julgamento do E. Supremo Tribunal Federal referente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto Relator Nos presentes autos o contribuinte solicita a restituição do pretenso pagamento indevido de IRPJ. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.855, de 26.01.2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.689993/200997. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.855): O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente ser nulo o v. Acórdão recorrido (bem outros decisórios de mesma instância, proferidos em feitos atinentes a outras de suas DCOMPs noticiadas nestes autos) pelo fato destes repetirem ipsis litteris seus termos, denotando teor idêntico. O ocorrido implicaria em cerceamento de defesa. Primeiramente, temos que atualmente, no processamento e julgamento de causas, administrativas e judiciais, a adoção de decisões repetitivas, ou mesmo de minutas padrão, é a inquestionável realidade, erigida sobre os corolários da praticidade, da racionalidade, da economia processual e da duração razoável do processo. Per si, o fato de decisões possuírem semelhante ou até igual teor não é capaz de representar, objetivamente, cerceamento de defesa do contribuinte (ou mesmo da Fazenda Nacional). Para tanto seria necessária a demonstração, concreta e específica, pela parte, da ocorrência de prejuízo ao seu direito, explicando e apontando como tal repetição feriu a defesa empreendida na demanda. Fl. 2446DF CARF MF Processo nº 10880.689985/200941 Acórdão n.º 1402002.864 S1C4T2 Fl. 5 4 Posto isso, ausente tal demonstração, deve ser rejeitada a preliminar alegada pela Recorrente. Ainda, deve anteceder a devida apreciação do mérito a decisão sobre o conhecimento da nova documentação acostada pela Recorrente, inclusive após seu Recurso Voluntário, tratandose de Laudos emitidos por Auditores Independentes. Este Conselheiro entende que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 deve ser interpretado à luz do princípio da busca pela verdade material, vez que na esfera administrativa de jurisdição não pode prevalecer o prestígio da instrumentalidade do processo em detrimento do materialidade dos direitos alegados no curso do processo. Também deve ser feita uma interpretação sistemática do referido Decreto, que não só veicula exceções ao determinado no § 4º de seu art. 16, assim como autoriza o Julgador a solicitar diligências quando mostramse necessários outros elementos e providências para a formação da sua livre convicção. Assim, apresentase viável o conhecimento de documentação após a apresentação da Impugnação ou da Manifestação de Inconformidade. Porém, cabe ao Julgador, nesse caso, uma verificação prévia de pertinência, necessidade e colaboração dos elementos novos acostados com o desfecho técnico da demanda. Tais Laudos acostados neste feito resumemse a planilhas elaboradas pelos Auditores Independentes, com breves e poucos comentários, sem conter qualquer documentação contábil ou fiscal, bem como, expressamente, versam sobre cálculos referente a apuração de PIS e COFINS. Nada se menciona sobre o IRPJ e eventuais reflexos. Primeiramente, tabelas elaboradas pelo próprio contribuinte, ou mesmo por terceiros, têm valor probante extremamente relativo (ou nenhum, digase) se desacompanhados da documentação contábil e fiscal em que foram baseados. Não obstante e principalmente, o processo administrativo em tela tem como origem suposto crédito de IRPJ, o qual não fora homologado por ausência de verificação e comprovação da existência de recolhimento a maior ou indevido em relação ao documento de arrecadação apontado. Dessa forma, o novo cálculo de apuração de PIS e COFINS devidos no período, seja por exclusão de operações sujeitas à alíquota zero ou pela exclusão do ICMS da sua base de cálculo, não possui qualquer relevância ou conexão direta para a demonstração de que o recolhimento de IRPJ, que especificamente teria dado origem ao crédito pretendido, foi efetuado a maior ou indevidamente. Posto isso, não se conhece da documentação acostada após a interposição do Recurso Voluntário. No que tange ao mérito, assim como procedido pela DRJ a quo, todas as matérias alheias a esta demanda, referentes as informações e alegações trazidas pela Recorrente acerca de Fl. 2447DF CARF MF Processo nº 10880.689985/200941 Acórdão n.º 1402002.864 S1C4T2 Fl. 6 5 supostos créditos de FINSOCIAL, de PIS e de COFINS, Autuações e Ações Judiciais relacionadas a tais tributos, que não são objeto do DCOMP apreciado, serão devidamente desconsideradas e não conhecidas, inclusive colaborando para uma decisão mais hígida e clara. O que fora alegado pela Contribuinte que realmente se relaciona com seu pleito compensatório é que, ao constatar que considerou indevidamente créditos de PIS e COFINS sobre produtos tributadas sob alíquota zero, efetuou o estorno desses créditos em sua contabilidade, o que teria resultado na redução do lucro e, consequentemente, ao pagamento de IRPJ e CSLL a maior no mesmo período, dando margem, então, ao seu pretendido crédito. É certo que tal alegação é plausível. Todavia, o Recorrente não procedeu a qualquer demonstração de como, efetivamente, teria se operado tal redução em sua apuração do IRPJ e muito menos produzido qualquer prova sobre tal ocorrência contábil, com reflexos tributários. Em suas razões consta apenas tal afirmação, abstrata e genérica, de redução das bases tributáveis do IRPJ pelo estorno de crédito de PIS e COFINS. Ora, a simples afirmação textual em peças de defesas da ocorrência de um fato que levou à redução da apuração de um determinado tributo, claramente, não basta para configurar e provar um recolhimento a maior ou indevido, sobretudo quando confirmada pela Unidade de Fiscalização a precisão quantitativa do débito que o recolhimento em questão extinguiu. Nos processos administrativos referente a restituição e compensação é ônus do contribuinte a prova de seu crédito, devendo trazer aos autos demonstrações precisas e conjunto fáticoprobatório que ateste cabalmente sua existência, certeza e liquidez, desconstruindo, assim, os fundamentos de sua não homologação. Em acréscimo, frisese que a própria Contribuinte afirma que não teria procedido à retificação da DCTF em que o débito de IRPJ, saldado com o DARF que teria dado origem ao crédito agora perquirido (vez que supostamente alterada a monta de tal débito, revelando pagamento a maior/indevido). Em momento algum foi acostada sua versão retificadora. Por sua vez, a entrega de DCTF constitui confissão de débito tributário. E, como já mencionado, o pagamento supostamente a maior/indevido que gerou o crédito ora pleiteado foi precisamente alocado para saldar tal obrigação constituída, perfeitamente no seu valor. Assim, juridicamente e para todos os fins fiscais, não foi apresentado nenhum elemento (DCTF retificadora ou provas contábeis) que possa desconstituir ou alterar tal débito, devido e exigível monta pela qual declarado na DCTF do período. Desse modo, não foi devidamente comprovada a existência crédito de IRPJ alegado na DCOMP em tela. Fl. 2448DF CARF MF Processo nº 10880.689985/200941 Acórdão n.º 1402002.864 S1C4T2 Fl. 7 6 E digase que, ainda que a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS possa, em alguns casos, ter reflexos diretos na apuração do IRPJ, não foi devidamente alegado, demonstrado ou mesmo provado pela Contribuinte como tal redução teria, também, culminado no recolhimento a maior/indevido que originou crédito especificamente pleiteado na DCOMP objeto do presente feito. Por fim, frisese que não há qualquer necessidade da realização de diligência, vez que presentes e demonstrados todos elementos necessários ao convencimento motivado e à devida fundamentação do presente voto, observado o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o v. Acórdão recorrido, para não reconhecer o crédito pretendido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 2449DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.721938/2016-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/07/2016, 12/08/2016, 15/08/2016
AUTO DE INFRAÇÃO - NULIDADE - IMPROCEDÊNCIA
Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência. Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeita-se a alegação de nulidade.
RECURSO DE OFÍCIO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LAUDO TÉCNICO.
Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres.
RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01.
Constatada a concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, aplica-se o teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e, quanto ao Recurso Voluntário apresentado, em rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração e não conhecê-lo na parte relacionada ao mérito da classificação fiscal das mercadorias objeto da DI n° 16/1206127-5.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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INDUSTRIA DE TELECOMUNICACAO ELETRONICA BRASILEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/07/2016, 12/08/2016, 15/08/2016 AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE IMPROCEDÊNCIA Não há que se falar em nulidade do auto de infração quando neste constam os fundamentos de fato e de direito que o embasaram, em conformidade com a legislação de regência. Não tendo sido constatado nenhum dos vícios apontados no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, rejeitase a alegação de nulidade. RECURSO DE OFÍCIO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LAUDO TÉCNICO. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. RECURSO VOLUNTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 01. Constatada a concomitância entre o processo administrativo e o processo judicial, aplicase o teor da Súmula CARF nº 01, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 19 38 /2 01 6- 62 Fl. 631DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso de Ofício e, quanto ao Recurso Voluntário apresentado, em rejeitar a preliminar de nulidade do Auto de Infração e não conhecêlo na parte relacionada ao mérito da classificação fiscal das mercadorias objeto da DI n° 16/12061275. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a empresa INTELBRAS S.A. INDUSTRIA DE TELECOMUNICACAO ELETRONICA BRASILEIRA (doravante denominada de INTELBRAS Recorrente), para constituição de crédito tributário no valor total de R$ 3.439.210,84, referentes Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Juros de Mora (calculados até 31/08/2016), Multa Regulamentar proporcional ao valor aduaneiro (classificação incorreta 1%) e multa proporcional (ofício 75%), em razão de reclassificação fiscal. A Recorrente por meio das Declarações de Importação n° 16/11587044, 16/12061275, 16/12473379 e 16/12567713, submeteu a despacho aduaneiro mercadorias indicadas como “gravadores reprodutores e editores de imagem e som”, de modelos diversos (HDCVI 1008Geração 2, HDCVI 1016Geração 2, HDCVI 3116, HDCVI 1032, HDCVI 1004Geração 2, NVD 1008, NVD 7032, NVD 1008P, NVD 3016, NVD 3016P, NVD 1108), classificando as mercadorias no código da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) 8521.90.10: 8521 APARELHOS VIDEOFÔNICOS DE GRAVAÇÃO OU DE REPRODUÇÃO, MESMO INCORPORANDO UM RECEPTOR DE SINAIS VIDEOFÔNICOS 8521.90 Outros 8521.90.10 Gravadorreprodutor e editor de imagem e som, em discos, por meio magnético, óptico ou optomagnético. Não concordando com a reclassificação fiscal adotada pelo Fisco, no curso dos despachos de importação, o importador protocolou Manifestações de Inconformidade (fls. 96 a 161). Também ingressou com ações junto ao Poder Judiciário (Mandado de Segurança n° 501215983.2016.4.04.7208/SC, para a Declaração de Importação (DI) n° 16/11587044 fls. 162/164 e Mandado de Segurança n° 501339048.2016.4.04.7208/SC, para a Declaração de Importação (DI) n° 16/12061275 fls. 166/168. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10909.721938/201662 Acórdão n.º 3402004.948 S3C4T2 Fl. 632 3 Cientificada da decisão, a Recorrente apresentou Impugnação de fls. 204/256. Em síntese traz as seguintes alegações: que a fiscalização alterou as conclusões apresentadas nos Laudos Técnicos elaborados por Perito Técnico credenciado pela RFB para fundamentar a autuação. Não houve comprovação da improcedência dos Laudos como prevê o artigo 30 do Decreto n° 70.235/72, portanto, há a nulidade; que a classificação fiscal adotada é correta. O texto da NCM não faz qualquer exigência ou especificação quanto a como deve ser a edição, assim como a Nesh e as Notas de Seção e Capítulo também não fazem. Apresenta os fundamentos que comprovam a retidão da classificação adotada; não importa se a edição é durante a gravação ou depois, se faz a edição, não se pode dizer que o produto não tem a capacidade de edição; que, a reclassificação fiscal foi realizada com base em conceitos trazidos em Solução de Divergência da COANA, lastreada em produto antigo, de outro fabricante e com características e funções diversas; caso realmente se fosse utilizar as conclusões da COANA para classificação, o produto atende exatamente, eis que altera a composição original da imagem e do som, resultando em algo diferente do original, conforme será demonstrado e os Laudos Técnicos comprovam, gerando arquivos editados que podem ser arquivados no próprio equipamento ou externamente; que, não foram apresentados os motivos que levaram ao entendimento para a reclassificação que caracteriza a existência de vício material no lançamento. De forma alguma o Auditor Fiscal poderia fundamentar sua autuação com base em leitura e interpretação incorreta e sem sentido dos Laudos Técnicos apresentados, deveria sim, buscar fundamento técnico que alterasse as conclusões dos Laudos ou caracterizasse as suas improcedências, o que não o fez e sequer teria como fazer; que, a denominação comercial não pode ser utilizada como argumento/fundamento para a reclassificação fiscal; a imagem do produto colacionada no auto de infração não se refere a nenhum dos produtos objeto de autuação; a inclusão de um “bip” é sim edição de som; em algumas declarações de importação a exigência formulada no sistema “Siscomex” é diversa da apresentada na autuação; há insegurança jurídica para os importadores, os produtos são importados há aproximadamente dez anos com a mesma classificação fiscal; a multa por erro de classificação fiscal não pode ser aplicada, tanto por ausência de erro, quanto por se verificar a exatidão das especificações da mercadoria, Ato Declaratório Normativo n° 29/80; Requer seja tornado nulo ou insubsistente o auto de infração. Caso entenda por necessário, requer a realização de diligências, indica assistente técnico, bem como os quesitos pertinentes. Em razão das já citadas ações impetradas juntos ao Poder Judiciário (bem como do registro (Nota de Processo) no sistema “eprocesso” de um terceiro Mandado de Segurança n° 501365720.2016.4.04.7208/SC), os autos foram baixados em diligência, para Fl. 633DF CARF MF 4 que a unidade preparadora anexasse a este processo cópia das petições iniciais, cópias de eventuais decisões/sentenças/acórdãos relacionadas aqueles processos (fls. 264/537). A empresa apresentou aditamento de sua Impugnação inicial face à juntada dos documentos (folhas 543/545). Em síntese aduz que as abordagens realizadas nos mandados de segurança atacavam o ato da retenção indevida das mercadorias, o que não é objeto da impugnação apresentada. No entanto, os argumentos aduzidos pela Recorrente, foram parcialmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão DRJ/FNS nº 0739.461, de 21/03/2017, abaixo transcrito (fl. 569): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 29/07/2016, 12/08/2016, 15/08/2016 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA. LAUDO TÉCNICO. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 08/08/2016 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Por meio do Acórdão nº 0739.461, de 21/03/2017, a 2ª Turma da DRJ Florianópolis deu provimento parcial à Impugnação, para manter a classificação fiscal adotada pelo contribuinte relacionada às Declarações de Importação (DI) n° 16/11587044, 16/12473379 e 16/12567713, cancelando parte do crédito tributário total no valor de R$ 3.342.742,16 (excluindo mais de 90% do crédito tributário lançado); não conheceu da impugnação quanto ao mérito da Classificação Fiscal das mercadorias objeto da Declaração de Importação (DI) n° 16/12061275 e julgar improcedente a impugnação nos demais aspectos. A DRJ/FNS interpôs Recurso de Ofício quanto a parte do crédito tributário exonerado. Regularmente notificado do julgado em 27/03/2017 (fl. 599) e não concordando, a Recorrente apresentou seu recurso voluntário em 29/03/2017 (fls. 602/622), Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10909.721938/201662 Acórdão n.º 3402004.948 S3C4T2 Fl. 633 5 reiterando os argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade, em resumo com as seguintes razões: em Preliminar, solicita a nulidade do Auto de Infração, de vez que permitir o lançamento de obrigação tributária em decorrência daquela verificação fiscal seria perpetrar verdadeiro desserviço ao contribuinte que, em nenhum momento agiu com dolo ou intenção de fraudar o erário público, mas sim usou de atos administrativos e pareceres técnicos para classificar seus produtos; da falta de motivação aduz que a Motivação é um princípio simples de direito administrativo, mas de aplicação importante, determinando que os atos de seus agentes, para terem eficácia, devem esclarecer os motivos, sendo inadmissível que, em quaisquer despachos ou decisões, as autoridades possam ficar alheias à referência ao fundamento de seus pronunciamentos; que, para autuação, a fiscalização deveria instruir o lançamento com todos os documentos necessários a sua correta e completa identificação, sendo que sequer juntou aos autos fotocópia dos documentos relacionados aos despachos de importação que deram origem ao lançamento lavrado, principalmente os Laudos Técnicos referentes às mercadorias supostamente classificadas erroneamente que dessem suporte as afirmações realizadas no Auto de Infração; em vários momentos o sr. Auditor Fiscal trouxe, fundamentandose nos Laudos Técnicos, informações incorretas, não presentes nos Laudos juntados. que, afastar da análise desse processo a Dl nº 16/12061275, pelo fato de ser objeto de Mandado de Segurança que visava garantir a classificação fiscal utilizada pela Recorrente, pelo fato de ter sido confirmada por Laudo Pericial, reconhecendose a classificação fiscal das demais DIs, é desconsiderar a verdade material em prol de um formalismo; destacase que referida ação, Mandado de Segurança, visava proteger direito líquido e certo, contra ato da autoridade aduaneira que, ilegalmente ou com abuso de poder, estava retendo/apreendendo mercadorias importadas como meio coercitivo à reclassificação fiscal e pagamento de tributos e multas decorrentes, desrespeitando inclusive Laudo Pericial solicitado/realizado pela RFB que confirmava as funções do equipamento que confirmavam a classificação fiscal utilizada pela Recorrente; em resumo, a Recorrente visava ordem Judicial que determinasse a fiscalização aceitar as conclusões do Laudo Pericial que ela mesmo solicitou, e, não se utilizasse apenas das partes e trechos que lhe eram convenientes; cumpre reforçar que o Mandado de Segurança, como era anterior a lavratura do Auto de Infração, atacava o ato da retenção indevida das mercadorias e desrespeito as conclusões do Laudo Pericial, enquanto a Impugnação apresentada neste processo administrativo, visa demonstrar e atacar várias irregularidades cometidas pelo Auditor Fiscal, tanto durante o despacho aduaneiro, quanto na lavratura do Auto de Infração, dentre as quais se destacam as seguintes, todas tratadas com mais detalhes na impugnação (a alteração das conclusões apresentadas nos Laudos Técnicos solicitados para tentar fundamentar a autuação, a determinação de reclassificação fiscal, contrariando os Laudos Técnicos elaborados por Perito Técnico credenciado pela RFB, etc); a decisão recorrida consignou que importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de Fl. 635DF CARF MF 6 matéria distinta da constante do processo judicial; que os pontos acima, alguns sequer relacionados ao mérito da classificação fiscal, merecem e devem ser avaliados e julgados neste processo administrativo, eis que não são objeto de discussão no Mandado de Segurança; a caracterização da renúncia à instância administrativa, quando da ímpetração do Mandado de Segurança, decorre da previsão do artigo 38, da Lei n.° 6.830/80, que se refere à discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública, sendo importante destacar que não há dívida ativa antes da coisa julgada administrativa. que a verdade material é outro princípio que objetiva descobrir se realmente ocorreu (ou não) o fato gerador, e se a respectiva obrigação (principal ou acessória) teve nascimento. No processo administrativo a autoridade não deve se ater, exclusivamente, à alegações, devendo tomar providências necessárias para buscar a realidade fática, uma vez que a pretensão à obrigação tributária não nasce apenas dos argumentos e elementos fazendários contrapostos pelo autuado. Ao final, requer provimento do recurso, de forma a reformar a parte do acórdão proferido, relacionado ao não conhecimento da impugnação relacionada a Dl 16/12061275, quanto aos aspectos não enfrentados no Mandado de Segurança e pendem de julgamento neste processo, para que o Auto de Infração seja julgado na íntegra insubsistente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do Recurso Os recursos de Ofício e Voluntário preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. 2. Do Recurso de Ofício O objeto do Recurso de Ofício é a decretação da improcedência da reclassificação fiscal das mercadorias relacionadas às Declarações de Importação (DI) n° 16/11587044, 16/12473379 e 16/12567713, cancelando parte do crédito tributário total no valor de R$ 3.342.742,16. Por força de recurso necessário, a DRJ submeteu à apreciação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 63, de 9 de fevereiro de 2017. Entendo que não merece nenhum reparo a decisão da DRJ/FNS nesta parte em que julgou improcedente o código NCM adotado pela fiscalização. Isto porque restou claro na decisão de piso, que o entendimento é de que, no caso das Declaração de Importação n°s 16/11587044; 16/12473379 e 16/12567713, a fiscalização não logrou demonstrar que as mercadorias se classificam no código NCM indicado na autuação, posto que, contrariamente ao entendimento por ela exarado, os Laudos Técnicos indicam que as mercadorias em trato, realizam as funções de “edição de imagem e som”. Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10909.721938/201662 Acórdão n.º 3402004.948 S3C4T2 Fl. 634 7 Da mesma forma não prospera a tese desenvolvida pela fiscalização de que as mercadorias não estariam aptas a desenvolver as funções controversas em razão do nome comercial dado às mesmas. Embora tal fato possa ser considerado um indício, o que restou demonstrado nos autos (por meio dos Laudos), é que as mercadorias relacionadas às DIs n°s 16/11587044; 16/12473379 e 16/12567713, realizam as funções questionadas com a autuação. É fato que a Recorrente ingressou com Mandados de Segurança por ocasião das Declarações de Importação acima citadas com vistas à conclusão do procedimento de fiscalização e liberação das respectivas mercadorias. Tal matéria não é discutida no presente processo administrativo fiscal, portanto, para o litígio relacionado ao crédito tributário decorrente de tais operações de importação devese proceder como disposto na alínea “b”, da Conclusão, do Parecer Normativo Cosit nº 07, de 22/8/2014. Assim, deve ser excluída da presente autuação o crédito tributário relacionado às Declaração de Importação (DI) n°s 16/11587044; 16/12473379 e 16/12567713. Com esses fundamentos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício para manter a decisão recorrida por seus próprios e jurídicos fundamentos. 3. Do Recurso Voluntário É importante frisar que no que tange ao recurso voluntário, houve pedido de declaração de nulidade do Auto de Infração e de solicitação de análise de matérias não tratadas no Mandado de Segurança referente à Declaração de Importação n° 16/12061275. 3.1 Da preliminar de Nulidade do lançamento Alega a Recorrente que não foram apresentados os motivos que levaram ao entendimento para a reclassificação, e que tal fato caracteriza a existência de vício material no lançamento. "(...) o Termo de Verificação e de Encerramento da Ação Fiscal, encontra se, permissa vênia, eivado de propriedades técnicas, bem como se constitui de per si, em flagrante agressão ao contribuinte ora Recorrente, razões bastante para tornalo nulo de pleno direito aos fins a que se destina, de vez que permitir o lançamento de obrigação tributária em decorrência daquela 'Verificação fiscal' seria perpetrar verdadeiro desserviço ao contribuinte que, em nenhum momento agiu com dolo ou intenção de fraudar o erário público, mas sim usou de atos administrativos e pareceres técnicos para classificar seus produtos. Tal alegação não prospera, é que muito embora se possa discordar dos fundamentos apresentados pela fiscalização, o Auto de Infração contem detalhadamente (fls. 17/31), todos os fundamentos, motivos de fato e de direito que a fiscalização entende aplicáveis ao caso concreto. Inclusive por declaração de importação. A discordância destes fundamentos não se confunde com a sua ausência. Tanto que a interessada apresentou peças de defesa (Impugnação e Recurso Voluntário) contrapondo coerentemente os motivos que dariam lastro ao entendimento fiscal. Fl. 637DF CARF MF 8 Neste aspecto não se vislumbra qualquer nulidade, basta uma simples leitura da peça de defesa para que se confirme o respeito ao contraditório e ampla defesa. O ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Quanto à alegação da ausência de prova para a conduta descrita, observo vasta colação de elementos probatórios trazidos aos autos entre as fls. 3/1.048, cabendo a análise de sua valoração quanto aos fundamentos fáticos e jurídicos do lançamento, matéria atinente ao exame de mérito do litígio, que se dará em ocasião oportuna, posterior ao exame das questões de ordem preliminar. Quanto ao Auto de Infração, devese ter como premissa indelével a necessidade de atendimento aos requisitos mínimos de formação válida do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelo artigo 142 do Código Tributário Nacional, e artigos 9º, 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72. O mesmo teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da RFB, fartamente detalhada em Relatório Fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade fazendária a sua lavratura. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância. Todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade, uma vez que foram cumpridos tais requisitos legais, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Por isso, rejeito a preliminar de nulidade. 3.2 Do não conhecimento do Recurso relacionado à DI nº 16/12061275 Quanto ao Mandado de Segurança n° 501339048.2016.4.04.7208/SC (fl. 306), que foi impetrado em 29/08/2016, por ocasião da Declaração de Importação n° 16/12061275 (registrada em 08/08/2016), diferentemente das ações judiciais atinentes às outras 03 DIs (analisadas no Recurso de Ofício), a Recorrente levou ao crivo do Poder Judiciário a questão relacionada à Classificação Fiscal das mercadorias. Reproduzse abaixo partes do pedido formulado (fls. 311, 328 e 331): "(...) No presente caso (DI 16/12061275, registrada em 08/08/2016), a Impetrante está em procedimento de desembaraço de algumas mercadorias, abaixo detalhadas: Qtde: 365,00000 PECA VUCV: 123,0000000 DOLAR DOS EUA GRAV DIG IMAG HDCVI 3116 GRAVADOR REPRODUTOR E EDITOR DE IMAGEM E SOM, EM DISCO, POR MEIO MAGNETICO (DVR) (PART NUMBER: 4580100 P.O:305.952). MARCA COMERCIAL: INTELBRAS. Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10909.721938/201662 Acórdão n.º 3402004.948 S3C4T2 Fl. 635 9 Produtos semelhantes a estes já vêm sendo importados há bastante tempo nesta mesma NCM, contudo, por ocasião do presente desembaraço o Sr. Auditor Fiscal, entendeu por INTERROPER o despacho aduaneiro e solicitar laudo técnico, conforme abaixo: (...)". "(...) Desta maneira, havendo Laudo Técnico, elaborado por Perito indicado pela Receita Federal, concluindo que o produto realiza a edição de imagem e som, outra não deve ser a classificação fiscal do produto, senão a 9521.90.10, sempre utilizada pela Impetrante". (Grifei) (...). V DO PEDIDO ISTO POSTO, REQUER: A distribuição com URGÊNCIA do presente Mandado de Segurança. Seja concedida medida liminar: (...). 2) determinando que a Autoridade Coatora não crie óbices, reconhecendo o direito da parte Impetrante de classificar na posição na NCM 8521.90.10 os equipamentos especificados nesta demanda e dos que vierem a ser importados no futuro que tenham a funcionalidade de edição de imagem e som, sendo compreendida esta inclusive a opção de simples corte, mesmo corte seco, ou ainda colagem com inserção de mascaramento, data/hora e título, independentemente mesmo de forem o caso de serem inseridos anterior, concomitante ou posteriormente à gravação. (Grifei) Quando da decisão, em sua fundamentação, dessa forma se posicionou a Justiça Federal da Seção Judiciária da 3ª Vara Federal de Itajaí/SC (fls. 166/168): "(...) Desta forma, tenho por razoável a fixação de 5 (cinco) dias para que a autoridade impetrada prossiga o despacho aduaneiro, excetuandose o caso de haver exigências pendentes de cumprimento pela impetrante diversas da ora tratada (reclassificação)". "(...) Quanto ao pedido de que a impetrante tem direito de classificar na posição na NCM 8521.90.10 os equipamentos especificados nesta demanda, deve ser submetido ao crivo do contraditório, uma vez que esse juízo não pode concluir apenas com os elementos da inicial qual a melhor interpretação a ser dada ao caso e, ainda, se há, de fato, elementos suficientes para essa conclusão sem a realização de uma perícia judicial, de modo que restaria afastada a possibilidade de utilização do mandamus para o desiderato pretendido. Também deve ser ponderado que há discussão administrativa, sendo que o impetrante pretende suplantar essa fase com a medida judicial, o que não se reveleria de todo adequado à situação. Tal será decidido em sede de sentença, após a oitiva da autoridade coatora". Como se vê, na Peça inicial do pedido Judicial constante às fls. 310/332, a INTELBRAS levou para a análise do Poder Judiciário, todas as questões inerentes à classificação fiscal das mercadorias objeto da Declaração de importação n° 16/12061275, e fundamentou com os mesmos argumentos apresentados na peça de defesa administrativa. No mesmo sentido foi o que decidiu o Poder Judiciário. Assim relativamente à matéria “classificação fiscal” de tais mercadorias (objeto da DI n° 16/12061275), deverá Fl. 639DF CARF MF 10 prevalecer, ao final, o entendimento exarado no âmbito daquele processo judicial (Mandado de Segurança n° 501339048.2016.4.04.7208/SC). No presente caso, em razão dos argumentos ofertados no recurso voluntário, em relação à Declaração de Importação (DI) n° 16/12061275, temse caracterizada a situação de que trata a alínea “a” da conclusão do Parecer Normativo COSIT nº 07, de 22/8/2014. "(...) Conclusão 21. Por todo o exposto, concluise que: a) a propositura pelo contribuinte de ação judicial de qualquer espécie contra a Fazenda Pública, em qualquer momento, com o mesmo objeto (mesma causa de pedir e mesmo pedido) ou objeto maior, implica renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso de qualquer espécie interposto, exceto quando a adoção da via judicial tenha por escopo a correção de procedimentos adjetivos ou processuais da Administração Tributária, tais como questões sobre rito, prazo e competência; (...)". E mais. Determina o § 2º do art. 1º do Decretolei nº 1.737/1979, que a "propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto". Também o art. 38 da Lei nº 6.830/80 traz disposição semelhante em relação às ações judiciais de Mandado de Segurança, repetição do indébito ou anulatória do Ato Declarativo da dívida. Nessa linha, o CARF aprovou o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, no sentido de que: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". O art. 87 do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011, regulamentou a matéria no mesmo sentido: Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada. Assim, o objeto deste recurso no que concerne à Declaração de Importação (DI) n° 16/12061275, é matéria discutida no Mandado de Segurança n° 5013390 48.2016.4.04.7208/SC, protocolado na Justiça Federal da Seção Judiciária da 3ª Vara Federal de Itajaí/SC, que ainda se encontra em julgamento nas instâncias superiores. Pelo que voto no sentido de não conhecer o recurso voluntário nesta parte. 4. Dispositivo Fl. 640DF CARF MF Processo nº 10909.721938/201662 Acórdão n.º 3402004.948 S3C4T2 Fl. 636 11 Posto isto, considerando todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto da seguinte forma: (i) negar provimento ao Recurso de Ofício; (ii) rejeitar a preliminar de nulidade, e (iii) não conhecer do Recurso Voluntário na parte relacionada ao mérito da classificação fiscal das mercadorias objeto da Declaração de Importação (DI) n° 16/12061275. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 641DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679899/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO.
A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
Numero da decisão: 2201-004.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 23/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 23/03/2018 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 99 /2 00 9- 20 Fl. 123DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Trata o presente de Declaração de Compensação formalizada por meio eletrônico e registrada sob o número 20730.06815.180607.1.3.043970, fl. 02 a 04, com a qual o contribuinte extinguiu, nos termos da legislação, débito com a utilização de suposto indébito tributário decorrente de pagamento efetuado a maior ou indevidamente. Tal documento foi analisado pelo Sistema da Controle de Créditos SCC, tendo sido emitido o Despacho Decisório de fl. 05, por meio do qual o Titular da unidade de jurisdição do sujeito passivo não homologou a compensação declarada, detalhando os motivos que lastrearam tal decisão que, em apertada síntese, seria a inexistência de saldo disponível do suposto pagamento indevido ou a maior, integralmente utilizado para extinguir débito declarado pelo contribuinte. Cientificado do Despacho Decisório de não homologação em 05/11/2009, fl. 07, não concordando com seus termos, o contribuinte apresentou, em 03/12/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 08 a 22. Os argumentos da defesa foram estruturados nos seguintes tópicos: Preliminar: do efeito suspensivo da presente manifestação de inconformidade; Pleiteia a atribuição de efeito suspensivo nos termos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. da carência de fundamentação do Despacho Decisório. Sustenta a nulidade do Despacho Decisório por entender que a carência de sua motivação ofende aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Mérito: O mero preenchimento incorreto da declaração não gera direito à crédito em favor da fazenda nacional da necessária observância aos princípios da busca pela verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que houve tão somente um erro de preenchimento de declaração. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.679899/200920 Acórdão n.º 2201004.343 S2C2T1 Fl. 124 3 Cita precedentes judiciais e administrativos, além de conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Informa já estar levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF que demonstrará a existência do crédito indicado na DCOMP. Por fim, após ratificar os pedidos de atribuição de efeito suspensivo e de reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que seja efetivamente examinada sua escrita fiscal para confirmação do seu direito creditório e a consequente homologação da compensação declarada. Posteriormente, o contribuinte apresenta nova petição objetivando complementar sua manifestação de inconformidade, fl. 43 a 45, na qual afirma que detectou recolhimentos superiores aos valores efetivamente devidos a título de IRRF, CIDE e COFINS, nos exercícios de 2004 a 2007, no valor total de R$ 2.735.307,23. Reafirma que, a despeito da efetiva existência do crédito pleiteado, deixou de retificar as DCTF do período em que ocorreu o recolhimento a maior, do que teria surgido a suposta falta de créditos para homologação da compensação declarada e que tal equívoco teria sido sanado com a apresentação de DCTF retificadora (fl. 59/71). Debruçada sobre os termos da manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP consideroua improcedente, nos termos do Acórdão de fl. 73 a 79, cujas conclusões podem ser assim resumidas: (...) Primeiramente, esclarecese à douta manifestante que, ao contrário do que alega, o despacho decisório do presente processo não é nulo pois, foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções e sem preterimento do direito de defesa da contribuinte. (...) A analise eletrônica do despacho decisório de fls. 03, demonstra que os alegados pagamentos indevidos foram utilizados para quitar débitos declarados em DCTF , não restando qualquer crédito para ser compensado. (...) Assim, de acordo com o art. 59 do Decreto n° 70.235/72, não há qualquer nulidade no despacho decisório em comento, não assistindo razão a reclamante. (...) Relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros , haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP , observase que a contribuinte limitase a declarar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova do que alega. De fato, a contribuinte limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório. (...) Fl. 125DF CARF MF 4 Alias a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original.. Assim, a contribuinte deveria ter acostado aos autos a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. (...) Tratandose de exibição de documentos, cuja guarda e apresentação compete à contribuinte, desnecessária se revela também a realização de diligencias, que se presta mais a elucidar detalhes cuja prova cabe ao Fisco Federal, não aplicável ao presente caso, conforme infere dos dispositivos do Decreto n° 70.235/1972 que tratam da matéria: Cientificado do Acórdão da DRJ em 26/11/2010, conforme AR de fl. 81, e ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o recurso voluntário de fl. 88 a 104, que, em sua essência, reafirma as alegações já produzidas na impugnação, e que serão detalhadas no curso voto abaixo. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. DA CARÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO Após resumir os fatos, o recorrente contesta a conclusão do Acórdão recorrido de que a motivação do despacho decisório e os demais elementos do mesmo são suficientemente claros. Afirma que tal ato administrativo é absolutamente carente de fundamentação, do que resulta sua nulidade. Alega que, embora o avanço da tecnologia imponha o tratamento de demandas de forma eletrônica, não se pode admitir que sua agilidade viole direitos expressos na Constituição federal, resultando em prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, já que desconhecidas as razões da negativa do crédito pleiteado. Não merecem acolhida as alegações recursais. A análise superficial do Despacho Decisório de fl. 05 não deixa nenhuma dúvida sobre os motivos que levaram à não homologação da compensação declarada. Tal documento indica claramente o número da DCOMP a que se refere, sua data de transmissão, o tipo de crédito pleiteado (pagamento indevido ou a maior), as características do DARF relativo ao suposto recolhimento em excesso, bem assim informa que tal recolhimento teria sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, indicando código de receita e data do vencimento de tal débito. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.679899/200920 Acórdão n.º 2201004.343 S2C2T1 Fl. 125 5 Diante de tais informações, não há necessidade de nenhuma outra motivação para se concluir pela inexistência de saldo disponível para lastrear a compensação pretendida. Portanto, presentes os elementos necessários ao pleno entendimento das razões que levaram à não homologação da compensação declarada, além de terem sido observados todos os requisitos de validade do ato administrativo, rejeito a preliminar de nulidade arguida. DA VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA ESTRITA LEGALIDADE, DA VERDADE MATERIAL, DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE Sustenta o recorrente que a lide administrativa em curso é fruto de um mero equívoco cometido na elaboração das DCTF originais apresentadas e da incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento destas com as informações prestadas via DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos. Afirma que, se fosse dada ao contribuinte a chance de apresentar explicações à Fazenda Nacional, poupariase tempo com cobranças infundadas, já que qualquer Agente Fiscal que analisasse a situação em tela notaria que não há justificativas válidas para a glosa ora em comento. Aduz que não merece amparo a conclusão do Julgador de 1ª Instância sobre a impossibilidade da DRJ e do Carf reconhecerem direito a crédito sem suporte documental produzido previamente pelo contribuinte. Cita precedentes administrativos e conclusões doutrinárias que apontam para a necessidade da Administração Pública investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo à cobrança, em particular se já possui dados para identificálos, não podendo se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo ao contribuinte. Afirma que a não homologação da compensação ofende ao Principio da Proporcionalidade, que impõe a adequação das medidas restritivas. Destaca que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada. Como é de elementar sabença, no exercício de seu mister, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais promove a verificação da legalidade dos atos administrativos produzidos no curso do procedimento fiscal e do julgamento em primeira instância, cotejando os fatos identificados e os efetivamente ocorridos com a legislação tributária correspondente. No caso ora sob análise, temos que o contribuinte, utilizando de indébito tributário decorrente de pagamento a maior ou indevido, extinguiu débitos de sua responsabilidade, nos termos do art. 74 da Lei 9.430/96: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 127DF CARF MF 6 § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Dentro do lapso temporal legal, a Autoridade Administrativa emitiu o Despacho Decisório de fl. 05, por identificar que o pagamento que lastreava o crédito utilizado na compensação estaria integralmente comprometido com a liquidação de débito confessado pelo contribuinte em DCTF. Por sua vez, o recorrente reconhece que houve erro nas informações prestadas na DCTF ativa na data análise da DCOMP, tendo apresentado a impugnação alegando que estaria levantando internamente toda a documentação probante do seu direito creditório e providenciando a retificação da DCTF. Como se vê, pelas palavras do próprio recorrente, o crédito utilizado na DCOMP apresentada em junho de 2007 ainda não havia sido levantado na época da manifestação de inconformidade, em 2009. A DCTF retificadora foi apresentada em 02/12/2009, evidentemente após ciência do inteiro teor do Despacho Decisório ora sob análise. Assim, dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Portanto, considerando que, no momento da ulterior homologação do procedimento compensatório, de fato, os valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência, não deixavam dúvidas da inexistência de crédito passível de restituição ou compensação. A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.679899/200920 Acórdão n.º 2201004.343 S2C2T1 Fl. 126 7 compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. Assim, não merece prosperar a alegação da defesa sobre a suposta incapacidade dos sistemas da RFB em cruzar informações. Ora, o sistema foi preciso em suas verificações e as alegações recursais sobre o erro no preenchimento da DCTF apenas corroboram a excelência do trabalho efetuado pelos sistemas da RFB. Afinal, nem mesmo o contribuinte havia apurado a efetiva existência do seu direito creditório quando da apresentação da DCOMP ou da impugnação. Menos procedente ainda é a argumentação recursal de que o contribuinte deveria ter sido instado a apresentar explicações à Fazenda Nacional. Se assim fosse, em particular nestes casos mais simples, do que teria adiantado a construção de um sistema eletrônico para tratamento de demandas dessa natureza, já que um simples cotejo de informações declaradas daria lugar a um lento e manual procedimento fiscal? Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Veja o que preceitua a Lei 13.105/2015 (Código de Processo Civil): Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, caso a retificação tivesse ocorrido antes do procedimento de homologação, decerto que caberia ao Fisco buscar elementos que apontassem eventual impropriedade na alteração para menor do débito anteriormente declarado. Contudo, efetuada a retificação em momento posterior àquele em que o Fisco exerce com precisão o seu direito, passa ser do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. Ocorre que o contribuinte limitase a contestar a Decisão recorrida afirmando a ocorrência de mero erro de informação e que teria providenciando o levantamento do seu crédito e a retificação da DCTF. Ora, não merece prosperar tais conclusões. Não foi trazida aos autos nenhuma documentação que tenha sido produzida em tal levantamento e que pudesse lastrear a alegação de erro. Por outro lado, a DCTF retificadora, ainda que não haja impedimento para que seja apresentada após a não homologação de uma compensação, por si só não se constituiu em elemento capaz de confirmar a correção dos dados nela inseridos. As manifestações doutrinárias e os precedentes administrativos colacionados no recurso não vinculam a presente análise, sendo certo que tantas outras decisões em sentido oposto poderiam ser citadas, com se verifica no Acórdão nº 3201001.713 da 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO Fl. 129DF CARF MF 8 A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Quanto à alegação de que a Autoridade recorrida desconsiderou seu protesto pela apresentação posterior da DCTF retificada, bem assim quanto à sugestão para conversão do julgado em diligência, é evidente que não poderia a DRJ suspender o julgamento sobre a procedência de um crédito pleiteado em 2007, quando já deveria ter sido apurada a sua liquidez e certeza, para aguardar o contribuinte a efetuar o levantamento de seu suposto direito. Notase que, mesmo sabendo da necessidade de apresentação de elementos probatórios, do mesmo modo agiu o recorrente ao apresentar seu recurso voluntário, lastreando o suposto direito ao crédito unicamente no erro que teria levado à retificação da DCTF levada a termo após o Despacho Decisório de não homologação, quando já decorridos quase 5 anos do fato gerador que pretende ver alterado. É inegável que, comprovada a ocorrência de erro que justifique a alteração de ato administrativo que tenha constituído crédito tributário em razão de infração à legislação tributária, ou mesmo negado direito pleiteado pelo contribuinte, pode a Administração, diante do seu dever de auto tutela, reconhecer efeitos de ofício. Contudo, não há nos autos nenhuma evidência da ocorrência de tal erro, que se mostra presente apenas nas alegações do recorrente. Assim, não tendo sido apresentado pelo recorrente elementos que justificassem a conversão do julgamento em diligência ou que comprovassem os supostos erros de fato que levaram à retificação da DCTF em momento posterior à Decisão administrativa, correta a decisão recorrida ao negar a conversão do julgamento em diligência e ao entender improcedente a manifestação de inconformidade. Por fim, não há nada nos autos que indique eventual ofensa aos Princípios da Estrita Legalidade, da Verdade Material, da Razoabilidade ou da Proporcionalidade. Afinal, todo o procedimento foi efetuado de acordo com os elementos de fato e de direito disponíveis; não foi efetivamente comprovada a ocorrência de erro de fato; a cobrança de um débito indevidamente compensado é medida que se impõe como consequência da não homologação da compensação, devendo sobre estes incidir os acréscimos legais previstos para os casos de pagamento a destempo. Assim, nego provimento ao recurso voluntário neste tema. DO ESCORREITO PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO REALIZADO PELA ORA RECORRENTE Sustenta a defesa que, apresentada a DCTF retificadora, a qual corrigiria equívoco contido na DCTF ativa no momento da análise da compensação declarada, cai por terra qualquer dúvida quanto à liquidez e certeza do crédito pleiteado. Afirma que tal equívoco é perfeitamente sanável até mesmo de ofício, já que o fisco que tem livre acesso à escrituração fiscal da recorrente. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.679899/200920 Acórdão n.º 2201004.343 S2C2T1 Fl. 127 9 Por fim, não tendo sido possível apresentar a manifestação de inconformidade com a instrução da documentação acostada ao recurso voluntário, requer sua apreciação. Ao contrário do que quer fazer crer a defesa, mesmo com o recurso voluntário, nenhuma documentação comprobatória do direito pleiteado foi apresentada. Os argumentos em tela foram aqui reproduzidos exclusivamente em respeito ao esforço argumentativo do recorrente, mas não merecem qualquer acolhida, devendo às questões do ônus da prova e do conteúdo probatório contido nos autos serem aplicadas as razões e fundamentos legais citados no item precedente, que adoto com razão de decidir para, da mesma forma, negar provimento ao recurso voluntário no tema em questão. Conclusão Por tudo que consta nos autos, bem assim nas razões e fundamentos legais que integram o presente, nego provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 131DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720158/2012-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição.
SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓS-INDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós-industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços.
2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições.
CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODO DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE.
1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito.
2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação.
GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-005.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para creditamento sobre fretes aplicados no transporte de gesso, vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus e Jorge Lima Abud que davam provimento também quanto ao crédito sobre remoção de resíduos sólidos; vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato e Diego Weis que davam provimento também quanto aos serviços de operação portuária e serviços logísticos (capatazia); vencidos os Conselheiros Jorge Lima e Paulo Guilherme que davam provimento também quanto aos serviços de apoio (mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes), por entender tratar de serviços de manutenção do parque industrial.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1.091 1 1.090 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.720158/201205 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302005.189 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2018 Matéria PIS RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO Recorrente COPEBRAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Não é admissível a apropriação de créditos sobre supostos valores de aquisição de bens utilizados como insumo de produção ou industrialização se não há comprovação da correspondente operação de aquisição. SERVIÇOS APLICADOS NA FASE PRÉ E PÓSINDUSTRIAL. INSUMO DE PRODUÇÃO NÃO CARACTERIZADO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem insumos aplicados na produção ou industrialização de bens destinados à venda, os gastos com os serviços aplicados na fase pré e pós industrial não asseguram a apropriação dos créditos das Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SERVIÇOS DE LOGÍSTICA E DE OPERAÇÃO PORTUÁRIA PRESTADOS NO PAÍS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. 1. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, somente em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços. 2. Os gastos com serviços de logística e operação portuária realizados no País, vinculados à operação de importação de insumos, por falta de previsão legal, não asseguram apropriação de créditos das referidas contribuições. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEO. APROPRIAÇÃO/APURAÇÃO EM PERÍODO DE APURAÇÃO SUBSEQUENTES. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 01 58 /2 01 2- 05 Fl. 1092DF CARF MF 2 1. Por expressa determinação legal (art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins somente é permitida (i) no mês em que adquirido os bens de revenda e os insumos aplicados na produção de bens de venda ou na prestação de serviços, ou (ii) no mês em que incorridos os encargos/despesas geradoras de crédito. 2. Além de não haver permissão legal para a apropriação/apuração de créditos de períodos de apuração anteriores em períodos de apuração subsequentes, tal procedimento, se efetivado, inviabiliza a verificação da apuração dos créditos e o cumprimento das condições de aproveitamento de saldo de créditos mediante ressarcimento ou compensação. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, os gastos com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte não admite a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Os gastos com frete na transferência de insumos de produção, inclusive de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para creditamento sobre fretes aplicados no transporte de gesso, vencidos os Conselheiros José Renato P. de Deus e Jorge Lima Abud que davam provimento também quanto ao crédito sobre remoção de resíduos sólidos; vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato e Diego Weis que davam provimento também quanto aos serviços de operação portuária e serviços logísticos (capatazia); vencidos os Conselheiros Jorge Lima e Paulo Guilherme que davam provimento também quanto aos serviços de apoio (mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes), por entender tratar de serviços de manutenção do parque industrial. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.092 3 Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Trata o presente processo de pedido de ressarcimento (fls. 5/8) de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep do período de abril a junho de 2007, no valor de R$687.074,41, e declarações de compensação de fls. 9/12. A Derat/SP, por meio do despacho decisório de fls. 440/441, reconheceu parcialmente o direito creditório (R$ 452.252,99), homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. Conforme Informação Fiscal de fls. 427/439, a interessada, que se dedica à fabricação de produtos químicos, foi intimada a apresentar a documentação comprobatória dos créditos informados em seu Dacon. Primeiramente, a fiscalização identificou valores declarados referentes a CFOPs incompatíveis com a linha 2 do demonstrativo (bens utilizados como insumos), por se tratarem de: CFOP 2551 – compra de bem para o ativo imobilizado, no valor de R$ 6.474,52 (abril de 2007) e CFOP 1556 – compra de material de uso e consumo, no valor de R$ 7.620,00 (maio de 2007). Assim, o crédito relativo a tais aquisições foram glosados. No que diz respeito aos serviços utilizados como insumos, a fiscalização identificou vários “que não se encaixam no conceito de insumo”, a saber: segurança e limpeza, detalhamento de engenharia, operação portuária (que não teriam sido detalhados), serviços logísticos (não detalhados e prestados no município de Santo André, onde a interessada não possui estabelecimento), serviços de apoio (mãodeobra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes). Quanto aos fretes em geral, a fiscalização considerou os créditos referentes ao transporte de produtos comprados de estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento da Copebrás (por integrarem o custo de aquisição), desconsiderandose os demais, por falta de comprovação de que se tratavam de frete da mesma espécie. Dos créditos calculado sobre as despesas de energia elétrica, a fiscalização glosou os que incidiram sobre “prestação de serviço de gerenciamento de energia”, por não serem gastos com energia elétrica, nem se enquadrarem no conceito de insumo. Com relação às despesa de armazenagem e frete na operação de venda, verificouse que “alguns dos serviços contratados não Fl. 1094DF CARF MF 4 geraram os créditos pretendidos, uma vez que os produtos transportados apresentaram CFOP incompatíveis com as operações de venda dos mesmos e em alguns casos as despesas de fretes não se referiam aos períodos declarados.” Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 450/487, na discorreu sobre suas atividades, a legislação a que está sujeita e os procedimentos adotados pela fiscalização. No mérito, discorreu longamente sobre a contribuição, que se sujeita a regras bastante específicas (tendo “pouco em comum com outros tributos federais, tais como o IRPJ e o IPI), e sobre o conceito de insumo. Defendeu que, não havendo definição de insumo na legislação de regência, não poderiam as normas da Receita Federal impor limites a ele, como fizeram. Citou julgados do STJ e do Carf, para defender “interpretação mais ampla ao conceito de insumo para fins de aproveitamento de créditos de PIS e Cofins, em prejuízo do conceito trazido pelas Instruções Normativas que refletem a legislação do IPI.” Em síntese, advogou que: (...) a interpretação mais adequada da legislação em vigor é no sentido de que mesmo os insumos que não são diretamente consumidos na produção de bens ou prestação de serviços, mas são relevantes na produção do produto final (i.e.: que são utilizados pelo contribuinte no desenvolvimento de seu objeto social), dão direito ao aproveitamento de créditos de PIS e COFINS. Esta interpretação também parece ter sido adotada pela doutrina e jurisprudência (judicial e administrativa) mais recentes. 41. Concluise, portanto, que, no que diz respeito à legislação da COFINS, o conceito de insumo não pode ser limitado apenas aos bens e serviços consumidos no processo produtivo, devendo conceito também abranger todos os demais custos que tem participação relevante na consecução do objeto social do contribuinte. Feitas essas considerações, passou a tratar dos itens glosados pela fiscalização. No tocante aos bens adquiridos com CFOP que não dariam direito a crédito (2551 e 1256), argumentou trataremse de aquisições de insumos (Cal hidratada e Celufloc) que foram registradas com código incorreto (na realidade corresponderiam aos CFOPs 2101 e 1101 – compra para industrialização fora e dentro do Estado). Apresentou cópia da nota fiscal relativa à aquisição de cal hidratada, comprometendose a apresentar a nota fiscal de Celufloc tão logo fosse possível, colocandoa “à disposição do Fisco, para o caso de eventual diligência determinada por este Colegiado.” Insurgindose contra a glosa de créditos de serviços de limpeza, discorreu novamente sobre suas atividades, ressaltando a importância de tais serviços para cumprimento da legislação trabalhista e ambiental, defendendo serem essenciais para obtenção de licença de operação perante os órgãos fiscalizadores (Cetesb). Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.093 5 No quesito segurança, os gastos não se destinam apenas a prevenir danos ao patrimônio da requerente, mas também evitar o trânsito de pessoas não autorizadas em locais perigosos, prevenindo a exposição de funcionários ou visitantes a máquinas ou substâncias perigosas. Assim, tais despesas são absolutamente necessária, devendo ser considerados insumos geradores de crédito. Quanto aos serviços de detalhamento de engenharia, reclamou que a fiscalização não esclareceu os motivos da glosa, e que tais serviços não foram prestados à requerente no trimestre em questão, não cabendo qualquer glosa nesse sentido. No entanto, como foram mencionados no despacho decisório, optou por demonstrar a essencialidade de tais serviços, que se constituem em: (...) serviços de detalhamento de projetos de engenharia de natureza eletromecânica, instrumentação, construção civil e outros assemelhados de natureza industrial, e a locação de bens, na unidade fabril da CONTRATANTE, situada no município de Cubatão (...), de acordo com os desenhos, especificações e instruções fornecidas pela CONTRATANTE." Aduziu que, “sem estes serviços de engenharia, sequer teria sido possível implantar a linha de produção” da interessada. Além disso, a licença de operação concedida pela Cetesb deixa claro a necessidade de contratação de tais serviços, na medida em que o referido órgão pode exigir modificações e ajustes a seus equipamentos e estruturas, dependendo de complexos projetos de engenharia. Assim, também se enquadram no conceito de insumos e geram direito a crédito. Sobre os serviços de operação portuária, explicou serem operações “visando permitir a passagem da mercadoria desde o transporte marítimo até o transporte terrestre e viceversa”, incluindo movimentação de mercadoria, sua identificação, despacho aduaneiro, reconhecimento de avarias, etc. Esclareceu que os serviços prestados, em regra, pela Fertimport se referem à movimentação e eventual armazenagem de insumos importado para fabricação de produtos químicos (apresentou notas fiscais emitidas pela prestadora de serviços). Acrescentou ainda que a esses serviços deve ser dado o mesmo tratamento dispensado, pela fiscalização, aos fretes contratados para transportar os produtos comprados até o estabelecimento da interessada, reconhecendo o direito a crédito por igualmente comporem o custo de aquisição de insumos. Quanto aos serviços logísticos, prestados pela empresa Solvay Química Ltda., esclareceu trataremse de operações de descarregamento e movimentação de insumos (carbonato dissódico) adquiridos no exterior, fazendo parte da incumbência da referida empresa quanto à venda desses insumos à requerente. Acrescentou que, de fato, esses serviços foram realizados no município em que está baseado a Solvay, Santo André, mas que isso não impede o crédito, pois as notas fiscais fazem referência ao navio que continha o carregamento, Fl. 1096DF CARF MF 6 permitindo concluir que são despesas relativas à aquisição de insumos de seu processo produtivo. Em relação aos serviços de apoio (mão de obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes) prestados pela empresa Pinturas Ypiranga Ltda., argumentou estarem relacionados à manutenção e preservação do parque industrial da requerente, sendo essenciais para suas atividades, as quais dependem de máquinas e estruturas de grande porte, que devem ser objeto de inspeções e manutenções regulares. Remeteuse novamente à licença de operação emitida pela Cetesb, que dispõe claramente sobre a necessidade de se manter seus sistemas de controle de resíduos em perfeito funcionamento. Acrescentou que apenas as despesas relativas à manutenção de equipamentos e estruturas utilizados diretamente no processo produtivo é que foram consideradas como passiveis de gerar créditos. Mencionou decisão do Carf e Solução de Consulta (nº 140) acerca de direito a créditos nessa situação. No tocante aos “fretes em geral”, realizados dentro dos estabelecimentos da requerente, alegou referiremse a movimentação de gesso e movimentação de produtos acabados. A primeira seria essencial e inevitável do processo produtivo, devendo ser considerado insumo, enquanto a segunda deve ser considerada parte da operação de venda, que gera crédito, como já reconheceu o Carf em julgado que menciona. Para o item “despesa de energia elétrica”, refutou a glosa das despesas com serviços de gerenciamento de energia, transcrevendo trecho do contrato com a empresa Comerc (prestadora do serviço), o qual detalha o que poderia ser resumido como representação da requerente perante o Mercado Atacadista de Energia Elétrica. Tal atividade, essencial, teriam gerado despesas diretamente relacionadas à aquisição de energia elétrica, comprovandose o direito aos respectivos créditos. Refutou ainda a glosa de determinadas despesas de frete, parte por incompatibilidade de CFOPs de produtos transportados e parte por não se referirem aos períodos declarados. Apresentou lista dos CFOPs utilizados no período fiscalizado e anexou planilha detalhando as remessas feitas no período fiscalizado, reclamando que a “planilha fiscal disponibilizada no eCAC parece glosar créditos derivados de despesas realizadas sob CFOP n. 6101 (Venda de produção do estabelecimento)”. Mencionou algumas notas fiscais, a título de exemplo, com tal CFOP (6101), cujas despesas de frete teriam sido glosadas sem explicação alguma. No tocante a créditos referentes a períodos passados, argumentou que a legislação prevê o aproveitamento de crédito não utilizado em determinado mês em períodos posteriores, sendo que os únicos requisitos para tanto são a não incidência de atualização monetária ou juros e o prazo de cinco anos previstos no Decreto nº 20.910/1932. Tal entendimento estaria Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.094 7 consubstanciado em Solução de Divergência (nº 21, de 2011) da Cosit e decisão do STJ. Portanto, não é legítimo exigirse qualquer outra condição para tal aproveitamento, por ausência de previsão legal. Por fim, requereu o reconhecimento integral do direito creditório ou, alternativamente, a realização de diligência “para que sejam verificados e analisados todos os documentos fiscais relativos ao período fiscalizado e reste demonstrado, de uma vez por todas, a legitimidade” dos créditos apropriados pela requerente. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 842/865), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada procedente em parte, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 CRÉDITOS. SERVIÇOS E DESPESAS. Apenas geram créditos, para fins de cálculo das contribuições não cumulativas, os serviços utilizados diretamente como insumos na produção de bens ou na prestação de serviços, bem como as despesas expressamente listadas na legislação de regência. FRETE. CRÉDITOS. Apenas os fretes na operação de venda dão direito a crédito, não se enquadrando em tal conceito a transferência de mercadorias dentro do estabelecimento ou entre estabelecimentos. INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO. O custo de aquisição de insumos é o que consta da respectiva nota fiscal, sem acréscimo de quaisquer outras despesas. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. O aproveitamento de créditos extemporâneos pressupõe a retificação do Dacon e, se for o caso, da DCTF do período de sua apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 27/7/2015, a recorrente foi cientificada da decisão. Inconformada, em 25/8/2015, protocolou o recurso voluntário de fls. 859/900, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, apresentou longo Fl. 1098DF CARF MF 8 comentário discordante dos fundamentos apresentados na decisão recorrida, especialmente, em relação ao conceito de insumo adotado pelo órgão de julgamento de primeiro grau. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese a glosa de créditos apropriados (i) sobre os valores de aquisição de bens e serviços utilizados como insumo de produção e (ii) sobre os valores das despesas a título de energia elétrica e de armazenagem e frete na venda. I Das Glosas dos Créditos Apropriados Sobre Insumos De acordo com a Informação Fiscal de fls. 427/439, a fiscalização glosou parcela dos créditos apropriados sobre os valores de aquisição de bens de bens e serviços utilizados como insumo de produção. I.1 Da glosa dos bens utilizados como insumo Segundo a fiscalização, ao confrontar as informações do Dacon com as dos Memoriais apresentados pela recorrente, verificou a existência de CFOP incompatíveis com a créditos das contribuições informados na linha 02 do Dacon. Em consequência, procedeu a glosa dos aquisições de bens relativas aos seguintes CFOP 2551 (Compra de Bem para o Ativo Imobilizado, no valor de R$ 6.474,52) e 1556 (Compra de Material para uso e consumo, no valor de R$ 7.620,00). Na decisão de primeira instância, a primeira glosa foi afastada, em caráter de definitivo, sob o fundamento de que a recorrente comprovara que a aquisição era de insumo de produção e não de bens do ativo imobilizado. A segundo foi mantida, por ausência de comprovação. No presente recurso, a recorrente informou que lograra êxito em localizar a nota fiscal comprobatória da segunda operação, que trouxe à colacionada aos autos (fl. 1053), e o CFOP correto seria 1101. A preclusão decorrente da apresentação extemporânea do referido documento, no entendimento deste Relator, pode ser relevada, pois a situação excepcional enquadrase na exceção prevista no art. 16, § 4º, “a”, do Decreto 70.235/1972, com redação dada pela Lei 9.532/1997, portanto, admitese o referido documento apresentado como meio de prova na atual fase recursal. A análise da referido documento, comprova a operação de venda/compra de produto industrializado ou produzido pelo estabelecimento vendedor, CFOP 5101. O produto adquirido/descrito foi “Celufloc Celfil Resíduo de Celulose” (pasta celulósica em pó), que, pelas características, fora utilizado como de insumo aplicado na produção dos produtos destinados à venda pela recorrente. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.095 9 Assim, a glosa da operação de aquisição da “Celufloc Celfil Resíduo de Celulose” (pasta celulósica em pó), no valor de R$ 7.620,00, deve ser cancelada. I.2 Da glosa dos serviços utilizados como insumo Sob o argumento de que não atendiam ao conceito insumo, a fiscalização procedeu a glosa de alguns serviços informados como insumos de produção pela recorrente. Diversamente, a recorrente alegou que os valores dos serviços glosados enquadravamse no conceito de insumo e asseguravam o direito de apropriação dos correspondentes créditos da contribuição glosados. Assim, fica evidenciado que a controvérsia gira em torno do significado e alcance do conceito de insumo para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. O assunto encontrase disciplinado no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, especialmente, nos preceitos que seguem transcritos, extraídos do último diploma legal que tem redação idêntica: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...]; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeito) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 1100DF CARF MF 10 II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. [...] (grifos não originais) Duas correntes divergem sobre a extensão do conceito de insumo previsto no referido preceito legal. Para a Administração tributária, insumo compreende apenas as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens utilizados diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, que se assemelha, em termos gerais, a definição de insumo da legislação do IPI. Já para parte relevante da doutrina, insumo compreende os bens e serviços inerentes e essenciais ao regular funcionamento da pessoa jurídica, o que inclui os bens e serviços utilizados na produção ou fabricação, assim como aqueles bens e serviços necessários à manutenção da atividade da pessoa jurídica, conforme definição veiculada na legislação do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). No âmbito da jurisprudência deste Conselho, vem se firmando entendimento intermediário, que considera insumo tanto as matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados diretamente na produção ou fabricação do bem destinado à venda, que, em termos financeiros, equivalem aos custos diretos de produção ou fabricação, quanto os bens e serviços gerais utilizados indiretamente na produção ou fabricação dos citados bens, que, em termos financeiros, equivalem, em parte, aos custos indiretos de produção ou fabricação. No entendimento deste Relator, além das matérias primas, dos produtos intermediários e do material de embalagem aplicados na produção (insumos diretos de produção), também estão alcançados pelo conceito de insumo os serviços aplicados diretamente na produção ou fabricação e os demais bens e serviços utilizados na produção ou fabricação de forma indireta (insumos indiretos de produção), a exemplo dos bens e serviços agregados aos bens ou serviços aplicados no processo produtivo. De outra parte, o conceito de insumo não compreende os demais bens e serviços não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação ou que a estes não se agregam, bem como todos os demais bens e serviços utilizados antes e após a conclusão do processo produtivo, que compreendem os bens e serviços utilizados na etapa anterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, representam os gastos ou despesas préindustriais, e na etapa posterior ao processo de produção ou fabricação, que, em termos financeiros, constituem as despesas operacionais ou não operacionais da pessoa jurídica, tais como: as despesas de propaganda, administrativas, de vendas, financeiras etc. Com base nesse entendimento, passase a analisar as glosas dos créditos apropriados sobre serviços utilizados como insumo pela recorrente e glosados pela fiscalização. I.2.1 Da glosa dos serviços de segurança e limpeza Para a fiscalização, tais serviços não atendiam ao conceito de insumo, porque foram aplicados nas atividades de apoio e não estavam relacionados diretamente com o processo produtivo da empresa. Em relação aos serviços de limpeza, a recorrente alegou que, a atividade por ela desenvolvida envolvia a manipulação de produtos químicos em volume elevadíssimo que, Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.096 11 sem os devidos cuidados, eram extremamente nocivos à saúde de seus colaboradores e de terceiros. Logo, a contratação de serviços de limpeza de alta qualidade era essencial às atividades da empresa, tanto por razões de imagem, quanto por determinação de órgãos ambientais e regulatórios. Para comprovar o que alegou, a recorrente trouxe à colação dos autos o contrato de limpeza celebrado com a empresa Porã Sistema de Remoções Ltda., por meio do qual contratara “os serviços de umectação e lavagem de ruas, bem como de coleta interna de lixo” (doc. 8 da manifestação de inconformidade). A teor do referido contrato revela que os serviços de limpeza contratados pela recorrente da pessoa jurídica Porã Sistema de Remoções Ltda. consistiam na (i) umectação e lavagem de ruas, avenidas e logradouros e (ii) coleta nos recintos internos dos resíduos provenientes do processo industrial, conforme se lê no objeto do contrato, que segue transcrito: OBJETO 1.1 O presente contrato tem por objeto a prestação de serviços, pela CONTRATADA, de umectação e lavagem de ruas, avenidas e logradouros e a coleta Interna de lixo, no estabelecimento industrial da CONTRATANTE, situado na Rodovia Cônego Domenico Rangoni, km 62, Cubatão SP. na forma a seguir estabelecida. Tais serviços, embora essenciais ao regular funcionamento e à manutenção adequada da área fabril, inequivocamente não foram aplicados/utilizados no processo de industrialização dos produtos comercializados pela recorrente. Assim, dada essa característica, tais serviços não se enquadram no conceito de insumo anteriormente definido. Além disso, cabe o registro que, segundo os dados apresentados na planilha de glosas de fls. 18/34, nem todos os serviços de limpeza excluídos da base de cálculo dos créditos foram prestados pela pessoa jurídica Porã Sistema de Remoções Ltda. e, portanto, foram serviços de remoção de resíduos industriais. Assim, para os que, diferentemente deste Relator, entendem que os serviços de remoção de resíduos industriais são essenciais ou inerentes à atividade industrial da recorrente, na ausência de prova da natureza ou do tipo dos demais serviços de limpeza glosados, deve ser parcialmente cancelada a glosa dos referidos serviços, para excluir apenas os serviços de limpeza prestados pela pessoa jurídica Porã Sistema de Remoções Ltda. No que tange aos serviços de segurança, a recorrente alegou que a contratação de tais serviços não visava apenas prevenir danos ao seu patrimônio, mas também evitar a entrada e trânsito de pessoas não autorizadas em locais perigosos. Para comprovar o que alegou, a recorrente trouxe à colação dos autos o contrato de vigilância e segurança celebrado com a pessoa jurídica Gocil Serviços de Vigilância e Segurança Ltda. (doc. 9 da manifestação de inconformidade), cujo objeto segue descrito no trecho segue transcrito: 1. OBJETO 1.1. A CONTRATADA prestará serviços de vigilância e de segurança para a CONTRATANTE, no estabelecimento industrial desta situado no endereço constante do preâmbulo deste instrumento, observadas as especificações de Posto de Trabalho, Atividades Principais, Regime de Trabalho (Hs.), Fl. 1102DF CARF MF 12 Custo (R$) Homem/Hora e Gestor do Posto, constantes do Anexo I. 1.1.1. Por serviços de vigilância e de segurança entendemse as atividades preventivas a serem realizadas pelos vigilantes visando ao controle de entrada, saída e movimentação em geral de pessoas e bens nos domínios do estabelecimento da CONTRATANTE, bem como as de evitar ações ofensivas ou desrespeitosas ao patrimônio desta ou às pessoas que ocupam o estabelecimento, observados a legislação vigente e os regulamentos internos da CONTRATANTE. 1.1.1.1. Eventuais atividades não constantes do Anexo I, relacionadas às atividades de vigilância, poderão ser desenvolvidas pela CONTRATADA, desde que sejam necessárias para atendimento ao disposto no item 1.1.1 acima. 1.1.2. A CONTRATADA prestará os serviços objeto deste contrato, sem utilizarse do emprego de armas de fogo. (grifos não originais) O trecho em destaque esclarece que se trata de prestação de serviços normais e gerais de vigilância e de segurança, ou seja, atividades preventivas de controle de entrada, saída e movimentação em geral de pessoas e bens nos domínios do estabelecimento da contratante, bem como evitar ações ofensivas ou desrespeitosas ao patrimônio desta ou às pessoas que ocupam o estabelecimento. Dadas essas características, tais serviços não constituem insumo de produção, mas serviços gerais de vigilância e de segurança e como tais não se enquadra no conceito de insumo de fabricação anteriormente apresentado. Portanto, correta a glosa integral dos créditos apropriados sobre o custo de aquisição de tais serviços. I.2.2 Da glosa dos serviços de detalhamento de engenharia De acordo com a referida planilha de glosas, os serviços foram prestados pela empresa NEWCAD Engenharia S/A. Para a fiscalização, tais serviços não se enquadram no conceito de insumo Por sua vez, a recorrente alegou que o detalhamento de engenharia consistia na etapa subsequente aos estudos de investimento realizados na conceituação do Projeto e Engenharia Básica. Este detalhamento continha todos os parâmetros de engenharia da planta, sendo, portanto, “essencial para que se possa efetivamente dar andamento às atividades operacionais industriais da recorrente.” Inequivocamente, tratase de serviços aplicados na fase préindustrial, portanto, não se enquadra no conceito de insumo, pelas razões anteriormente demonstradas. I.2.3 Da glosa dos serviços de operação portuária Segundo a fiscalização, os serviços de operação portuária prestados não foram detalhados e foram realizados, em regra, pela empresa Fertimport S/A., como não se enquadrava no conceito de insumo foram glosados. A recorrente alegou os serviços de operação portuária eram um conjunto de operações que incluíam a permissão de passagem da mercadoria desde o transporte marítimo até o transporte terrestre e viceversa. Para a recorrente, o serviço envolvia mais que a simples Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.097 13 movimentação da mercadoria (carga, descarga, armazenagem etc), englobando também serviços complementares, tais como a identificação da mercadoria, os despachos aduaneiros, o reconhecimento de avarias, e os sistemas de informação, entre outros. Esclareceu ainda a recorrente que tais serviços referiamse, “na sua totalidade, à movimentação e eventual armazenagem de insumos (mais especificamente, enxofre, o principal insumo utilizado na produção de ácido sulfúrico) importados pela Recorrente para a fabricação de produtos químicos.” Os serviços de operação de portuária em destaque foram prestados na operação de importação de insumos utilizados pela recorrente no seu processo produtivo. Acontece que, no âmbito da operação de importação, o direito ao crédito somente é assegurado em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços, conforme expressamente determina o § 1º do art. 15 da Lei 10.685/2004, a seguir reproduzido: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1º desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeitos) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis e contraprestações de arrendamento mercantil de prédios, máquinas e equipamentos, embarcações e aeronaves, utilizados na atividade da empresa; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. (grifos não originais) As alegações da recorrente sobre o direito de apropriazção crédito sobre os gastos com fretes no transporte de insumos adquiridos no mercado nacional não se aplica ao caso em tela, uma vez que se trata de insumos importados, para os quais a legislação, expressamente, só admitiu o crédito relativos às contribuições efetivamente pagas pelo importador. Por essas razões, deve ser integralmente mantida a glosa em apreço. Fl. 1104DF CARF MF 14 I.2.4 Da glosa dos serviços logísticos Segundo a fiscalização, os serviços prestados não foram detalhados e foram realizados pela empresa Solvay Química Ltda. Constava na descrição das notas fiscais que os serviços foram prestados no município de Santo André, município em que a recorrente não possuía estabelecimentos. A recorrente esclareceu que serviços referiamse a operações de capatazia, envolvendo o descarregamento e movimentação de insumos (carbonato dissódico) adquiridos do exterior. Pelos mesmos fundamentos apresentados no item precedente, mantémse integralmente a glosa em apreço. I.2.5 Da glosa dos serviços de apoio A fiscalização informou que, em resposta à intimação, a recorrente informou que a Empresa Pinturas Ypiranga prestaralhe serviços de mão obra civil, pinturas industriais, montagens e desmontagens de andaimes. E tais serviços foram considerados serviços de apoio, não vinculados diretamente ao processo produtivo, por essa razão procedeu a glosa dos referidos serviços. A recorrente alegou que fazia jus ao crédito em questão por tratavase de serviços relacionados à manutenção e preservação do parque industrial da recorrente, portanto, serviços essenciais à atividade da recorrente. Com base no conceito de insumo adotado por este Relator, tais serviços não se enquadram no conceito de insumo de produção ou industrialização. Por essa razão, deve ser mantida a presente glosa. II Da Glosa das Despesas com Fretes em Geral Em relação a esse ponto, assim se manifestou a fiscalização: Intimamos o sujeito passivo a apresentar uma planilha em que púdessemos identificar a origem e a destinação dos produtos transportados. Não foram apresentadas as planilhas para estes serviços. Assim, não foi possível verificar o tipo de serviço prestado. Questionado o sujeito passivo nos informou que se tratava de transportes de insumos e produtos em elaboração. Por sua vez, a recorrente esclareceu no subitem 150 do presente recurso voluntário, que os gastos com “Fretes em geral” referiam a movimentações ocorridas dentro do estabelecimento da recorrente, relativas a duas situações distintas, a saber, in verbis: a) Movimentação de gesso: transporte de gesso no estabelecimento da Recorrente. Como se verá, esta movimentação é parte essencial e inevitável do processo produtivo da Recorrente, devendo ser, portanto, considerada um insumo; e b) Movimentações de Produtos acabados: transporte de produtos finais para armazenagem e subsequente venda. Estas movimentações devem ser consideradas parte da operação de venda, que, conforme expressamente reconhecido pela fiscalização, gera crédito. Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.098 15 Em vários votos proferidos em julgados anteriores deste Colegiado, após exaustiva fundamentação legal, este Relator chegou a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado pelo vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). De outra parte, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. Com base nesse entendimento, apenas os créditos relativos aos fretes aplicados no transporte de gesso devem ser integralmente restabelecidos, por se tratar de transporte de insumo entre estabelecimentos da recorrente. III Da Glosa das Despesas com Energia Elétrica De acordo com o subitem 1.4 da referida Informação Fiscal, a fiscalização assim esclareceu o motivo da glosa em apreço: Analisando os documentos físicos apresentados, encontramos faturas de serviços prestados classificadas pela tabela do ISS com o código N.º 03115 Assessoria ou Consultoria de qualquer natureza, não contida nos outros itens desta lista. As descrições dos serviços contidos nas NF, são: “Prestação de Serviço de Gerenciamento de Energia”. Fl. 1106DF CARF MF 16 Assim, a despesa apresentada é inadequada para a composição desta linha do DACON, e em última análise também não se encaixa no conceito de Insumo, motivo pelo qual glosamos os seus valores, conforme a Planilha de Glosa, que detalhamos a seguir: [...] No recurso em apreço, a recorrente esclareceu as referidas despesas eram relativas a serviços prestados pela empresa Comerc Comercializadora de Energia Elétrica Ltda. E como a energia elétrica era um produto importante para o seu processo produtivo, a fim de garantir que suas instalações estivessem sempre abastecidas por um fluxo constante de energia, celebrou contrato com a citada empresa, no qual esta se comprometia “a prestar uma série de serviços, todos eles relacionados à finalidade de obtenção de energia elétrica (doc. 21 da manifestação de inconformidade).” Como a própria recorrente confessou e confirmou o objeto do referido contrato colacionados aos autos, que os valores glosados não eram decorrentes de consumo de energia elétrica e os serviços de assessoria e consultoria prestados (glosados), no entendimento deste Relator, não se enquadra no conceito de insumo aplicado na produção, portanto, a glosa deve ser integralmente mantida. IV Da Glosa das Despesas com Armazenagem e Fretes na Operação de Venda No subitem 1.7 da referida Informação Fiscal, a fiscalização assim esclareceu o motivo da glosa em destaque: Analisamos os documentos apresentados, verificamos que alguns dos serviços contratados não geraram os créditos pretendidos, uma vez que os produtos transportados apresentaram CFOP incompatíveis com as operações de venda dos mesmos e em alguns casos as despesas de fretes não se referiam aos períodos declarados. Por sua vez, a recorrente alegou a planilha disponibilizada fiscalização só continha uma lista extensa com todas as notas fiscais que não foram consideradas para fins de crédito. Porém, a referida planilha não mencionava quais CFOPs foram considerados incompatíveis e, tampouco, quais despesas não se referiam aos períodos declarados, ou seja, não detalha em momento algum os motivos que levaram à glosa do crédito referente a cada nota fiscal. Dada essa circunstância, a recorrente alegou que tal fato configurava cerceamento de seu direito de defesa, visto que as informações disponibilizadas impossibilitava aferir quais foram as razões que levaram o fisco a efetuar a glosa ora combatida. Os motivos da glosa foram devidamente apresentados pela fiscalização, a saber: CFOP incompatíveis e despesas de fretes não pertencente aos períodos declarados. O fato de a recorrente não ter mencionado o motivo da glosa em cada nota fiscal, certamente, não representou cerceamento do direito de defesa da recorrente, especialmente, porque ela própria, com base nas referidas notas fiscais, fez a identificação/correlação com o respectivo CFOP, conforme se verifica na planilha apresentada na fase manifestação de inconformidade. Assim, na manifestação de inconformidade e no presente recurso, cabia a recorrente demonstrar que os valores dos fretes glosados não correspondiam aos motivos apresentados pela fiscalização. Nesse sentido, a recorrente limitouse em informar que foram glosados créditos oriundos de operações de fretes amparadas pelas notas fiscais nºs 287647, Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.099 17 287775 e 371977, todas emitidas pela empresa Transkompa Transportes de Cargas Ltda., sob o CFOP 5101. Acontece que, embora o CFOP fosse perfeitamente compatível com operações de venda, o motivo da mencionada glosa não foi a incompatibilidade do CFOP, mas impertinência do período de apuração do crédito, posto que se tratava de despesa com frete de meses anteriores ao período de apuração em que informados/registrados e a recorrente não logrou demonstrar que tais créditos não foram apropriados nos meses ou períodos de apuração pertinentes, o que era necessário, conforme a seguir demonstrado. Em relação aos créditos registrados em períodos posteriores, a recorrente ainda alegou que havia apenas dois requisitos para a apropriação de tais créditos, ou seja: a) que os créditos fossem apropriados dentro do prazo de cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram; e b) que os créditos fossem apropriados sem atualizaçãomonetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, consoante dispõe o art. 13 da Lei n° 10.833/2003. A recorrente confunde regime de apuração com regime de aproveitamento de créditos. Inequivocamente, tratamse de situações distintas que submetem a tratamento diferentes na legislação. Ambos os regimes encontramse disciplinados no art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, porém, enquanto o regime de apuração é determinado no § 1º o regime aproveitamento é disciplinado no § 4º e no art. 13 da Lei 10.833/2003, que seguem transcritos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. [...] § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê lo nos meses subseqüentes. [...] Fl. 1108DF CARF MF 18 Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3o, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6o, bem como do § 2º e inciso II do § 4oe § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (grifos não originais) O disposto no § 1º art. 3º, expressamente, determina que a apuração dos créditos será feita mensalmente, com base (i) nos custos dos bens e serviços adquiridos no mês, (ii) nas despesas/gastos com energia, aluguéis, arrendamento mercantil e armazenagem e frete incorridos no mês, (iii) encargos de depreciação e amortização incorridos no mês e (iv) os bens devolvidos no mês. E a fixação desse procedimento de apuração mensal tem por finalidade assegurar o controle e a verificação da correta apuração do crédito, especialmente, a natureza/tipo de crédito e valor apropriado. Em suma, esse procedimento visa a confirmação/comprovação dos requisitos da certeza e liquidez do crédito, condição indispensável para o aproveitamento sob as diversas modalidades prevista na legislação (dedução, ressarcimento ou compensação). E a segregação dos créditos por períodos de apuração também se justifica pelo fato de a forma passível/admitida de aproveitamento depender da composição do crédito no respectivo período de apuração, especialmente, nos casos de aproveitamento mediante ressarcimento e compensação, para os quais existem específicas restrições legais. Em outras palavras, é indispensável, sob pena de burla indireta às vedações legais, que, para cada período de apuração, exista uma perfeita definição da natureza dos créditos e de que forma o sujeito passivo chegou aos saldos passíveis de ressarcimento ou compensação. Dada essa exigência legal, o ressarcimento ou compensação de eventuais saldos de créditos não aproveitados (deduzidos) no período de apuração pertinente (créditos extemporâneos), necessariamente, deve ser precedida da revisão da apuração (confronto entre créditos e débitos) dos correspondentes períodos de apuração. Sem esse prévio e indispensável procedimento, não há como saber se o saldo de crédito era ou não passível de ressarcimento ou compensação. Portanto, a segregação da apuração dos créditos por período de apuração, inequivocamente, não se trata de mera exigência formal, sem efeito prático. Ao contrário, trata se de procedimento determinado por lei, que visa o controle e a verificação do estrito cumprimento dos requisitos legais. A relevação ou a desconsideração dessa formalidade, além da impossibilidade da verificação da legitimidade do crédito por parte da autoridade fiscal, inequivocamente, poderá resultar no descumprimento das condições legais estabelecidas para o ressarcimento ou a compensação dos saldos de créditos das referidas contribuições. Além da obrigatória apuração dos créditos nos respectivos meses do período de apuração, determinado no referido preceito legal, antes da utilização do Sistema Publico de Escrituração Digital (SPED) e da entrega do arquivo digital EFDContribuições, a apuração extemporânea de créditos deveria ser seguida da obrigatória retificação do Dacon e, se alterado o valor débito, da respectiva DCTF, conforme expressamente determinava o art. 11 da Instrução Normativa SRF 590/2005, a seguir reproduzido: Art. 11. Os pedidos de alteração nas informações prestadas no Dacon serão formalizados por meio de Dacon retificador, mediante a apresentação de novo demonstrativo elaborado com observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.100 19 qualquer alteração nos créditos informados em demonstrativos anteriores. [...] § 4º A pessoa jurídica que entregar o Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados em DCTF, deverá apresentar, também, DCTF retificadora. [...] (grifos não originais) Assim, na vigência do referida legislação que disciplinava o Dacon, apurada a existência de créditos não apropriados/registrados (créditos extemporâneos), além da obrigatória apuração nos pertinentes períodos de apuração, o contribuinte deveria informar a alteração dos valores dos créditos informados nos demonstrativos anteriores mediante apresentação do Dacon retificador e, se fosse o caso, acompanhada da DCTF retificadora. A propósito, cabe registrar que, não é verdade, como afirmado em alguns julgados deste Conselho1, que a “linha 06/31” do Dacon contemplavam o registro de operações de créditos extemporâneos. A simples leitura do texto explicativo do conteúdo da referida linha revela que ela destinavase ao registro de “ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30”, em que registradas às operações normais de créditos relativas às aquisições de embalagens. E a expressão “créditos não contemplados”, obviamente, não significa créditos extemporâneos. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, seguem transcritos os textos extraídos das orientações de preenchimento do Dacon: CRÉDITOS DECORRENTES DA APURAÇÃO DE EMBALAGENS PARA REVENDA (Lei nº 10.833/2003, art. 51, § 3º) Linha 06A/30 – Créditos Apurados A pessoa jurídica comercial que adquirir para revenda as embalagens referidas no art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, deve informar nesta linha o valor da Contribuição para o PIS/Pasep referente às embalagens que adquirir no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição (§ 3º do art. 51 da Lei nº 10. 833, de 2003, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 2004). Linha 06A/31 – Ajustes Positivos de Créditos Informar nesta Linha ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30. Linha 06A/32 – () Ajustes Negativos de Créditos Informar nesta Linha ajustes negativos de crédito não contemplados na Linha 06A/30, tais como: Com base nessas considerações, resta demonstrado que, somente quando definida a natureza, certeza e liquidez do saldo de crédito apurado em determinado período mensal cabe analisar as formas de aproveitamento previstas na legislação. Nesse sentido, 1 A título de exemplo, citase os acórdãos nºs 3202001.456 e 9303004.562. Fl. 1110DF CARF MF 20 dispõe o § 4º do art. 3º e o art. 13 que o saldo de crédito apurado em determinado mês pode ser aproveitado mediante dedução, ressarcimento ou compensação nos períodos mesais subsequentes, sem atualização monetária e incidência de juros. E desde que o aproveitamento ocorra dentro do prazo de 5 (cinco) anos, contado do dia seguinte ao mês de apuração do crédito, sob pena da extinção do direito de aproveitamento pela prescrição determinada no Decreto 20.910/1932. No presente caso, além de não demonstrar/comprovar que os créditos extemporâneos não foram apropriados/utilizados nos meses ou períodos de apuração pertinentes, o que era necessário por expressa determinação legal, a recorrente também não procedeu a retificação do Dacon, a que estava obrigada por expressa determinação do art. 11 da Instrução Normativa SRF 590/2005, vigente no período de apuração dos créditos em apreço. Enfim, em relação a esse tópico, a recorrente informou que, para fim de comprovar seu direito, juntara a estes autos planilha completa detalhando cada uma das remessas feitas no período fiscalizado (doc. 21 da manifestação de inconformidade). Ainda segundo a recorrente, as notas fiscais relativas a este ponto foram integralmente disponibilizadas à fiscalização, estando à disposição desse colegiado, na eventualidade de se entender pela necessidade de realização de diligência. Pelas mesmas razões anteriormente aduzidas, o pedido de diligência formulado pela recorrente revelase totalmente descabido e prescindível, pois além de não atender os requisitos determinados no art. 16, IV, do Decreto 70.234/1972, a própria fiscalização já relacionou e analisou tais notas fiscais, conforme explicitado na citada informação fiscal. No caso, em vez de solicitar de diligência, a recorrente deveria ter demonstrado que os CFOP era compatíveis com as operações de venda e que os créditos registrados nos períodos de apuração posteriores não foram apropriados nos pertinentes períodos de apuração, o que não ocorreu. Por todas essas razões, deve ser integralmente mantida a glosa dos créditos em apreço. V Da Conclusão Por todo o exposto, votase pelo provimento parcial, para cancelar apenas a glosa dos créditos calculados sobre os valores dos fretes relativos ao transporte de gesso entre estabelecimentos e da operação de aquisição da “Celufloc Celfil Resíduo de Celulose” (pasta celulósica em pó), no valor de R$ 7.620,00. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 12585.720158/201205 Acórdão n.º 3302005.189 S3C3T2 Fl. 1.101 21 Fl. 1112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915176/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/12/2007
DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação.
CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA.
Considera-se confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.
Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente não-homologação das compensações pleiteadas.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.201
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.915176/200908 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.201 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 1 de fevereiro de 2018 Matéria DCOMP PIS/COFINS Recorrente BF UTILIDADES DOMÉSTICAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/12/2007 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 51 76 /2 00 9- 08 Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.915176/200908 Acórdão n.º 3302005.201 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Diego Weis Junior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ/SP1, que manteve a não homologação da DCOMP, apresentada pela contribuinte recorrente, tendo em vista a constatação de não existência do crédito alegado. Cientificado, o Contribuinte, por seu representante legal, interpôs, tempestivamente Manifestação de Inconformidade, apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: De acordo com o principio da verdade material que rege o procedimento administrativo, a Administração deve buscar o que é realmente a verdade, não ficando adstrita apenas às provas e aos documentos apresentados pelas partes no de processo administrativo. A Autoridade Fiscal, ao decidir pela nãohomologação do direito creditório da Requerente, fundamentou de forma singela o DespachoDecisório, deixando de se aprofundar sobre a questão da inexistência desse direito. Também, o despacho decisório deve ser reformado em razão do crédito compensado ser liquido e certo, conforme se depreende da leitura da DCTF retificadora, enviada para correção de erro de fato, e demais demonstrativos anexados à Manifestação de Inconformidade. Nesses termos, requer o cancelamento do despacho decisório e a homologação da compensação e a conseqüente extinção do crédito tributário. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 1629.438. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que a mera alegação da existência do crédito, desacompanhada de elementos de prova, não é suficiente para reformar a decisão não homologatória de compensação. Valendose do direito que lhe é facultado pelo art. 33 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, a contribuinte manejou Recurso Voluntário, onde repisou os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.915176/200908 Acórdão n.º 3302005.201 S3C3T2 Fl. 4 3 junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.192, de 1 de fevereiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.690280/200976, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.192): " O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Não há indicação de questões preliminares, razão pela qual passase diretamente ao mérito. I Do Crédito do Contribuinte Sustenta, invocando o princípio da verdade material, que os créditos lançados no DCOMP, estariam demonstrado nos documentos acostados aos autos. Segundo seu entendimento, a correção de informações apresentadas em DCTF, digase, após o recebimento da intimação do despacho decisório que não reconheceu o direito pleiteado, observese: "Sendo assim, a correção das informações anteriormente dispostas na DCTF, que são decorrentes de erros no preenchimento, que resultaram num indevido indeferimento da compensação pretendida, traduzemse como a maneira mais adequada de coroar o principio da verdade material, e refletir a realidade dos fatos, como forma evidenciar a existência dos créditos declarados e, negar provimento a Manifestação fundamentada na correção das informações, caracterizase como afronta a um dos princípios que norteiam o processo administrativo federal." No que tange a possibilidade de se realizar a retificação da DCTF, temos que tal fato é permitido pelas normas tributárias que disciplinam o assunto, destacando os dispositivos trazidos pela IN RFB nº 1.110/2010, donde destacamos o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10880.915176/200908 Acórdão n.º 3302005.201 S3C3T2 Fl. 5 4 a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] (grifos não originais) Assim, conforme podemos observar, tanto a Administração Tributária, neste caso de ofício, quanto o próprio contribuinte podem retificar os valores informados na DCTF, desde que seguidos os parâmetros estabelecidos na norma mencionada. Pois bem. No que tange à possibilidade de compensação espontânea realizada diretamente pelo contribuinte, temos que há a necessidade de se promover tal procedimento, obedecendose o disposto no art. 170, do CTN, bem como o que esta disciplinado pelo art. 74, da Lei nº 9.430/96. Observemos os dispositivos indicados: Art. 170 CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10880.915176/200908 Acórdão n.º 3302005.201 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 74, Lei nº 9.430/76 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Nesse sentido, quando originário de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, além do cumprimento dos requisitos formais determinados na legislação específica, o contribuinte deve comprovar, com documentação adequada, que o alegado indébito é decorrente de alguma das causas especificadas no incisos I a III do art. 165 do CTN. Vale lembrar ainda que por se tratar de pedido de compensação de créditos por parte do próprio contribuinte, a este cabe a prova de seu direito, nos exatos termos do que disciplina o art. 373 do Código de Processo Civil: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; (...) No caso em tela, mesmo entendendo a possibilidade de retificação da DCTF após o recebimento da notificação do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação, não foram trazidos aos autos os documentos que comprovariam as informações apresentadas na DCTF retificadora. Conforme se verifica dos autos do processo, a contribuinte recorrente teve a oportunidade de juntar tais documentos e não o fez. Não há que se falar em ferimento ao direito ao contraditório e à ampla defesa, vez que, foram garantidos à contribuinte recorrente, como o fez, a oportunidade de se manifestar por meio de peças de defesa para a comprovação de seu direito, momento em que poderia requerer a juntada de todos os documentos que entenderia pertinentes a comprovação de suas alegações. Certo está que, em que pese a possibilidade de carrear aos autos os documentos que lhe garantiriam o direito à compensação, não o fez, bastouse a fazer alegações genéricas, tentando imputar a falta de apresentação de documentos ao fisco, o que, como demonstrado pela legislação acima mencionada, não se faz aceitável. Dessa forma, a falta de apresentação de documentos que comprovariam o erro na confecção da DCTF, alegado pela recorrente, fato esse que Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10880.915176/200908 Acórdão n.º 3302005.201 S3C3T2 Fl. 7 6 embasaria a confecção da retificadora, não pode ser considerada a compensação pleiteada. II Conclusão Por todo o exposto, voto por reconhecer o Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, no entanto, negarlhe provimento, mantendose em sua totalidade a decisão de piso." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar as informações apresentadas na DCTF retificadora, que embasariam o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 131DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720469/2013-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
CIDE-REMESSAS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ÔNUS ASSUMIDO PELA FONTE PAGADORA.
O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide-Remessas) instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO
No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Fez sustentação oral a patrona Dra. Roberta de Lima Romano OAB/SP 235.459, escritório Trench Rossi e Watanabe Advogados.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ÔNUS ASSUMIDO PELA FONTE PAGADORA. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CideRemessas) instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Fez sustentação oral a patrona Dra. Roberta de Lima Romano OAB/SP 235.459, escritório Trench Rossi e Watanabe Advogados. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 69 /2 01 3- 08 Fl. 438DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE (Remessas ao Exterior), lavrado em 28/05/2013 e cientificado ao contribuinte nesta mesma data, formalizando crédito tributário no valor total de R$ 10.102.919,33, sendo R$ 5.017.387,12 de CIDE, R$ 1.322.491,79 de juros de mora, e R$ 3.763.040,42 de multa de ofício (calculados até a data da lavratura), em virtude da insuficiência de recolhimento da contribuição referente a fatos geradores ocorridos nos anos de 2009 a 2011 (fls. 99107). A Fiscalização verificou que a Recorrente não incluiu na base de cálculo da CIDE o valor referente ao IRRF, entendeu a Fiscalização que o valor referente ao pagamento do IRRF deveria compor a base da cálculo da contribuição, lavrando o presente lançamento para exigências das diferenças apuradas. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva onde questiona o lançamento, contestando o entendimento da autoridade tributária sobre o cômputo do IRRF na base de cálculo da CIDE. Transcreve o art. 2º da Lei nº 10.168/2000 com suas alterações e analisa os elementos constitutivos da regramatriz de incidência da CIDE: fato gerador (critério material), momento da ocorrência do fato gerador (critério temporal), local de abrangência da norma (critério espacial), sujeito passivo (critério subjetivo) e base de cálculo e alíquota (critério quantitativo). Dessa forma, conclui que a obrigação tributária, no caso em questão é o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa às operadoras no exterior, a título de remuneração decorrente de serviços técnicos pela Impugnante. Alega a Recorrente que a base de cálculo da CIDE, nos exatos termos da lei instituidora, não pode ser outra senão o valor da remuneração pelos serviços prestados pelas operadoras estrangeiras, nos termos dos contratos de serviços pactuados e o tributo incide apenas sobre o valor paga o ao residente no exterior beneficiário da renda, de forma que o recolhimento de IRRF não compõe a base de cálculo da CIDE, que não encontra amparo na legislação de regência, o que torna a cobrança invalida. Cita ainda a Solução de Consulta nº 357/2007 proferida pela DISIT da 8ª RF e as Soluções de Consulta nº 99/2001 e nº 103/2001 proferidas pela DISIT da 6ª RF as quais corroboram seu entendimento sobre a não inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDEREMESSAS. Após apresentar suas alegações sobre a base de cálculo da CIDE, o impugnante contesta a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, afirmando que este procedimento carece de base legal. Fl. 439DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 3201003.389 S3C2T1 Fl. 3 3 Argumenta que: “o art. 61 da Lei nº 9.430/1996 trata da possibilidade de cobrança de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de ofício, que sabidamente não são espécie tributária (vide definição prevista pelo art. 3º do Código Tributário Nacional)” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a impugnação, mantendo integralmente o lançamento. A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009, 2010, 2011 CIDEREMESSAS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO IMPOSTO RETIDO NA FONTE. ÔNUS ASSUMIDO PELA FONTE PAGADORA. O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) incidente sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos a residentes ou domiciliados no exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide Remessas) instituída pelo art. 2º da Lei nº 10.168, de 29 de dezembro de 2000, nas hipóteses em que esta seja devida, ainda que a fonte pagadora brasileira tenha assumido o ônus do imposto. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é considerada débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela SRF, para fins de aplicação do art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996. Sendo assim, configurase regular a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repisa alegações já trazidas na impugnação afirmando a ilegalidade da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE. A discussão sobre a incidência de juros sobre a multa de ofício não foi objeto de recurso voluntário. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Fl. 440DF CARF MF 4 O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Consta do recurso a alegação que os valores do IRRF não poderiam ser incluídas na base de cálculo da CIDE. A posição que vem sendo adotado por este Conselho na análise da matéria é de manter na base de cálculo da CIDE os valores recolhidos de IRRF, conforme entendimento adotado pela Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no Acórdão 9303.004.142, de relatoria do Conselheiro Demis Brito, que consignou a legalidade da inclusão do IRRF na base de cálculo da CIDE. Por concordar plenamente com a posição adotado no voto conduto daquele Acórdão, peço vênia para incluir no meu voto e fazer dele as minhas razões de decidir quanto a esta matéria. Trata o presente processo de ação fiscal levada a efeito em relação à Contribuinte em epígrafe da qual resultou Lançamento, consubstanciado no "Auto de Infração" de fls. 362/367, da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE no que tange a períodos de apuração dos anoscalendário de 2005 a 2008. A discussão cingese ao reajustamento da base de cálculo da CIDE, bem como, da obrigação do recolhimento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF sobre os valores remetidos ao exterior. A turma julgadora a quo em apertada votação deu provimento ao recurso voluntário da Contribuinte para, no mérito, determinar a exclusão do lançamento do crédito tributário apurado em decorrência do reajustamento da base de cálculo da CIDE, não obstante, não concordo com tal entendimento. Vejamos: Superada questões amiúdes, passase adiante na análise da divergência posta a esta Câmara Superior, observando que o cerne do litígio consiste na correta determinação da base de cálculo da CIDE Remessa incidente sobre os pagamentos efetuados a domiciliados no exterior, quando a fonte pagadora assume o ônus do pagamento do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. Para melhor nitidez, convém transcrever o art. 2° da Lei n.° 10.168, de 29/12/2000, com a redação dada pelo art. 6º da Lei n.° 10.332/01: Art. 2. Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos, bem como aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia, firmados com residentes ou domiciliados no exterior. § 1° Consideramse, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de tecnologia e prestação de assistência técnica. § 1A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia. (Incluído pela Lei n" 11.452, de 2007) Fl. 441DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 3201003.389 S3C2T1 Fl. 4 5 § 2° A partir de 1° de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas jurídicas que pagarem,creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties, a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação dada pela Lei n° 10.332, de 19.12.2001) (...) Nos termos do §3o do artigo acima transcrito, a base de cálculo da contribuição é o valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido ao residente no exterior em virtude das obrigações decorrentes de contratos que tenham por objeto, dentre outros, a prestação de serviços técnicos e a assistência administrativa. O ponto é, o que vem a ser realmente esse valor pago, creditado, entregue, empregado ou remetido ao exterior, nos casos em que o ônus do IRRF é assumido pela fonte pagadora? Para dirimir a essa questão, se faz necessário analisar a natureza da despesa representada pelo IRRF assumido pela fonte pagadora dos rendimentos, a qual é trazida pelo art. 344, § 3o , do Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (Decreto 3000/1999; Texto Republicado no D.O.U. de 17.6.99), aplicado subsidiariamente a CIDE. Vejamos: Art. 344. Os tributos e contribuições são dedutíveis, na determinação do lucro real, segundo o regime de competência (Lei n8.981, de 1995, art. 41). (...) § 3 A dedutibilidade, como custo ou despesa, de rendimentos pagos ou creditados a terceiros abrange o imposto sobre os rendimentos que o contribuinte, como fonte pagadora, tiver o dever legal de reter e recolher, ainda que assuma o ônus do imposto (Lei n 8.981, de 1995, art. 41, § 3). (...) Com efeito, o referido dispositivo, indica quando a fonte pagadora dos rendimentos assume o ônus do imposto de renda na fonte, a legislação considera tal parcela parte integrante do rendimento pago ou creditado. Ou seja, se o contribuinte do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ paga remuneração, por exemplo, por serviços técnicos prestados e toma para si o ônus do imposto de renda na fonte, o valor deste passa a integrar aquela remuneração, tanto que a fonte pagadora pode deduzilo na apuração do seu próprio Imposto de Renda. Destarte, uma vez que a legislação considera o imposto assumido pela fonte pagadora como despesa de mesma natureza dos rendimentos efetivamente pagos ou creditados, no caso, remetidos ao exterior, temse que a base de cálculo dá ÇIDI rendimento enviado ao exterior considerado líquido acrescido do imposto de renda na fonte assumido pela fonte pagadora. E não poderia ser diferente, pois o IRRF nasce do rendimento, tratase o IRRF de um imposto sobre a renda. Portanto, o valor correspondente ao IRRF está entranhado no rendimento total e dele faz parte. Fl. 442DF CARF MF 6 O artigo 725 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, leva a conclusão, quando a fonte pagadora toma para si o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue é considerada líquida. Vejamos: "Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n° 4.154, de 1962, art. 5o, e Lei n°8.981, de 1995, art. 63, § 2o). " Os dispositivos estabelecem que a importância remetida ao exterior é considerada líquida, enquanto o rendimento total, ou seja, o valor da operação, o valor do contrato de prestação de serviços, por exemplo, que será contabilizado como despesa dedutível pelo contribuinte, será o valor remetido ao exterior mais o imposto retido na fonte, fazendose necessário, pois, o reajustamento do rendimento. Logo, a inclusão no montante tributado pela CIDE dos valores retidos a título de imposto de renda é conseqüência da base de cálculo prevista no art. 2o , § 3o , da Lei n.° 10.168/2000. Tal assertiva é convalidada pelo art. 3o da mesma Lei n.° 10.168/2000: Art. 3 Compete à Secretaria da Receita Federal a administração e a fiscalização da contribuição de que trata esta Lei. Parágrafo único. A contribuição de que trata esta Lei sujeitase às normas relativas ao processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários federais, previstas no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores, bem como, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, especialmente quanto a penalidades e demais acréscimos aplicáveis. Sem embargo, a contribuição (CIDE) sujeitase, subsidiariamente e no que couber, às disposições da legislação do imposto de renda, a qual que conceitua o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, razão pela qual, mais uma vez na apuração da CIDE igualmente devese considerar o IRRF como integrante da importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue. Como a Contribuinte guerreia que se mantenha a decisão da turma baixa pelo reajustamento da base de cálculo da CIDE, convém verificar mais didaticamente se de fato há esse reajustamento. Para tanto, trago a declaração de voto do Ilustre Ex. CONSELHEIRO DOS CONTRIBUINTES Luiz Rogério Sawaya Batista, que discorda de todos os fundamentos utilizados pelo Relator do presente processo. Destaco: DECLARAÇÃO DE VOTO Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, "Ouso discordar do Emitente Relator. E o faço utilizando simples raciocínio matemático e lógico, com todo o respeito ao voto lançado. Isso porque, objetivamente, não há que se falar em aplicação cronológica da Lei no tempo, mas sim de se analisar com vagar como se dá a tributação do Imposto de Renda na Fonte e da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico. Fl. 443DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 3201003.389 S3C2T1 Fl. 5 7 Primeiro que tudo, há que se fixar a premissa singela de que o Imposto de Renda, como o seu próprio nome está a dizer, incide sobre a renda, o rendimento e/ou o provento de qualquer natureza. O Imposto sobre a Renda na Fonte incide, pois, no presente caso, sobre a renda percebida pelo não residente. Portanto, o contribuinte do Imposto de Renda na Fonte é o não residente, que aufere rendimento/renda decorrente de fonte pagadora situada no País (e, conforme a corrente adotada, que tenha fonte de produção no País, discussão esta que não pertence à presente Declaração de Voto). Pois bem, a legislação, ciente da dificuldade prática de se cobrar o Imposto de Renda do não residente, contribuinte deste Imposto, ressalto, previu o Imposto de Renda na Fonte, determinando que a fonte pagadora seja a responsável, na imensa maioria dos casos, pela retenção e pelo pagamento do Imposto ao Erário. Ora, e qual a noção mais básica acerca do responsável tributário. Sim. O Responsável tributário, designado como tal expressamente pela Lei, não sobre o ônus econômico do tributo, cabendolhe apenas a responsabilidade legal de reter, quando do pagamento, crédito, entrega, remessa ou emprego, do valor a pagar ao não residente, contribuinte, o Imposto de Renda na Fonte incidente e recolhêlo ao Fisco. Num exemplo matemático, assumindose uma alíquota de 15% do Imposto de Renda na Fonte e um contrato entre fonte pagadora brasileira e o não residente com valor de serviço de R$ 10.000,00, temse, pois, que o Imposto de Renda na Fonte a ser retido e recolhido pela fonte será de R$ 1.500,00, ao passo que o contribuinte, que auferiu renda de R$ 10.000,00, irá receber a quantia líquida de R$ 8.500,00. E qual seria o valor suportado pelo responsável tributário. Nenhum! O responsável tributário não sofre o ônus econômico do Imposto.Nesse patamar, fazse necessário apenas um parêntese para observar que com a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico a situação é completamente distinta, pois ainda que seu fato gerador, na realidade, seu aspecto temporal, seja idêntico ao Imposto de Renda na Fonte pagamento, remessa, crédito, entrega e/ou emprego nos contratos por ela abrangidos, o contribuinte, aquele que sofre o ônus econômico do tributo, é a pessoa jurídica brasileira, não guardando o não residente nenhuma relação com o Erário brasileiro. Dessa forma, no exemplo acima, tendo em vista que o valor contratado, a remuneração estabelecida entre as partes era de R$ 10.000,00, tendo em vista a aplicação da alíquota de 10% da CIDE, o valor a ser recolhido pela pessoa jurídica brasileira, contribuinte, é de exatamente R$ 1.000,00 aos cofres públicos. Verificase, pois, que são dois tributos totalmente distintos, com contribuintes diferentes, que possuem em comum apenas o aspecto temporal, pois tanto a CIDE como o IR Fonte devem ser pagos no momento do pagamento, remessa, crédito, entrega e/ou emprego, conforme estabelecem as respectivas legislações. Por vezes, dependendo da negociação entre o contratante brasileiro e o não residente, por exigência comercia expressa do Fl. 444DF CARF MF 8 não residente, as partes estabelecem que o encargo econômico do Imposto de Renda na Fonte será totalmente suportado pela pessoa jurídica brasileira. A legislação do Imposto de Renda na Fonte prevê tal possibilidade, inclusive na hipótese em que a fonte pagadora falhar em não reter e recolher o tributo, sendo relevante mencionar que tal convenção privada não tem o condão de alterar a natureza do tributo nem seus elementos essenciais, o que significa dizer, em outras palavras, que o contribuinte do Imposto de Renda na Fonte continuará sendo o não residente. Porém, nesse caso, obviamente, há uma alteração na condição comercial da negociação, pois uma vez que o não residente exige receber a quantia o preço contratado livre do Imposto de Renda na Fonte, significa, utilizando o exemplo acima, que ele não deseja receber R$ 8.500,00 líquido, mas sim R$ 10.000,00, livre de Imposto. Ora, não há mágica e sequer aplicação cronológica da Lei, mera neblina diante de situação tão clara, pois nesse caso, na realidade, a pessoa jurídica brasileira concordou, ao aceitar a referida cláusula, em pagar não R$ 10.000,00 ao não residente, mas sim R$ 11.764,71, que é justamente o valor com o denominado cálculo por dentro do Imposto de Renda na Fonte, também denominado “gross up”. Ou seja, a empresa brasileira toma os R$ 10.000,00 e divide a referida quantia por 85% (ou por 0,85) que é justamente 100% 15% ou – 0,85 — para incluir o Imposto de Renda na Fonte no preço, de modo que quando ela multiplicar os R$ 11.764,71 por 15%, a quantia resultante de R$ 1.764,71, após subtraída, seja exatamente os R$ 10.000,00 líquidos a serem recebidos pelo não residente. Portanto, a pessoa jurídica brasileira concordou em pagar R$ 11.764,71 na contratação ao assumir o encargo econômico do Imposto, que é simplesmente incluído no preço, não alterando o fato de que o não residente continua sendo o contribuinte do Imposto, podendo, inclusive, se aproveitar, caso haja Tratado para Evitar a Dupla Tributação de seu país com o Brasil, se aproveitar dos R$ 1.764,71 pago por ele aqui no Brasil a título de Imposto de Renda na Fonte. E sobre essa nova quantia de R$ 11.764,71, que é justamente o valor do contrato entre as partes, que irá incidir a CIDE, pois assim como na contratação de R$ 10.000,00, essa é a base de cálculo estipulada pelas partes. Dessa forma, por essas razões não tenho como concordar com o Relator, motivo pelo qual nego provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luiz Rogério Sawaya Batista" Com isso, não há dúvidas da incidência do IRRF nas remessas em questão e, por conseqüência, também não há que ser discutir a inclusão do valor daquele imposto da base de cálculo da CIDE. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 16682.720469/201308 Acórdão n.º 3201003.389 S3C2T1 Fl. 6 9 Winderley Morais Pereira Fl. 446DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.906891/2012-88
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006
DCOMP. COFINS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF.
Não deve prosperar o pedido de compensação, cujo argumento esbarra no lançamento do débito em DCTF.
Numero da decisão: 3001-000.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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COFINS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. DÉBITOS CONFESSADOS EM DCTF. Não deve prosperar o pedido de compensação, cujo argumento esbarra no lançamento do débito em DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Cleber Magalhães e Cássio Schappo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 68 91 /2 01 2- 88 Fl. 76DF CARF MF 2 Despacho Decisório 040064724 Tratase de decisão sobre pedido de Compensação efetuado em Per/Dcomp registrada sob n.º 07039.22536.070410.1.7.046100, referente a pagamento indevido ou a maior, sendo que o crédito analisado corresponde ao valor original na data de transmissão do Per/Dcomp no total de R$ 3.903,54. A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, no caso, os constantes no Per/Dcomp 31405.26119.131107.1.3.040006 não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp 07039.22536.070410.1.7.046100. Neste sentido, foi posto em cobrança o crédito tributário no valor de R$ 5.397,12 de principal, R$ 1.079,42 de multa e R$ 1.428,61 correspondente a juros. Manifestação de Inconformidade Em sua defesa, a Recorrente mencionou a equivocada declaração de débito na Dcomp. Erro no preenchimento da Dcomp Aduz a Recorrente, que embora tenha sido declarado débito no Per/Dcomp 31405.26119.131107.1.3.040006, tal valor não encontra respaldo na DCTF correspondente, havendo, portanto, mero erro de preenchimento na Declaração de Compensação. DRJ/RPO A manifestação de inconformidade foi julgada com a seguinte ementa: Acórdão 1449.464 4ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2006 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. DComp. RETIFICAÇÃO. Consideramse confissões de dívida os débitos declarados em Declaração de Compensação. Os débitos contidos na DComp podem ser retificados/cancelados por iniciativa da contribuinte, nos termos da norma de regência. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que se verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10380.906891/201288 Acórdão n.º 3001000.127 S3C0T1 Fl. 77 3 O relatório do mencionado acórdão, por bem retratar a situação fática, será aproveitado conforme a transcrição a seguir: Trata o presente processo de PER/Dcomp de crédito da Contribuição para a Cofins de junho de 2006, no valor de R$ 3.903,54. A DRF em Fortaleza, por meio do despacho decisório de fl. 07, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado ter sido parcialmente utilizado para quitação de débito confessado pela contribuinte na DComp 31405.26119.131107.1.3.040006, anteriormente entregue e não cancelada/retificada. Cientificada do despacho, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11/12. Argumenta que: Os débitos indicados no PER/DCOMP n° 31405.26119.131107.1.3.040006 não existem conforme se verifica na DCTF em anexo do período correspondente; Por fim, solicita a homologação da compensação apresentada. No voto, a autoridade julgadora de primeira instância firma seu entendimento no sentido de delimitar o tema a ser enfrentado, qual seja, a possibilidade de autorizar a compensação quando existe divergência entre débito declarado na Dcomp, e a ausência deste débito em DCTF. Saldo em aberto na Dcomp Necessidade de retificação Em seu voto, a autoridade administrativa de primeira instância indeferiu o pedido de compensação sob o argumento de ser essencial a retificação da Dcomp para o fim colimado. Segue trecho do voto com a justificativa sob os seguintes argumentos: o crédito indicado no PER/Dcomp já fora utilizado na DComp nº 31405.26119.131107.1.3.040006. Não existe, portanto, saldo passível de restituição além daquele indicado no Despacho Decisório. Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado ou cancelado a Dcomp anteriormente até a transmissão da nova PER/Dcomp. Como não o fez, não havia saldo de pagamento sobre o qual a autoridade fiscal tivesse que se manifestar. Não o tendo feito, não cabe à autoridade da RFB suprirlhe a falta, investigando um suposto débito inexistente e sendo este confessado pela contribuinte, tendo em vista que a Dcomp é documento com conteúdo confessional Falta de Prova Indo além no voto, percebese que a autoridade de primeira instância, além de julgar inexistente o crédito alegado, pela ausência de retificação da Dcomp, entendeu que, Fl. 78DF CARF MF 4 mesmo havendo o crédito, não teria condições de demonstrálo com a parca documentação acostada a esses autos. Seguese a trechos do voto com a exposição de seu raciocínio: ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível o reconhecimento do direito creditório, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior.. não juntou qualquer documento que comprovasse os valores recolhidos indevidamente ou maior que o devido. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. para desconstituir o débito confessado, a contribuinte deveria indicar o erro, o motivo do erro e juntar toda a documentação para comprovar a argumentação. Contudo, nada foi juntado, preferindo ficar somente nas alegações Recurso Voluntário A Recorrente, em sua defesa, apresentou resumo fático no qual destacou que protocolou o Per/Dcomp 07039.22536.070410.1.7.046100. O motivo foi o pagamento a maior relativo à competência de junho de 2006. Contornos desta Líde Sua divergência perante a decisão de primeira instância administrativa, parte da indicação, no Discriminativo do Débito (DD) e pela autoridade julgadora, ao Per/Dcomp 31405.26119.131107.1.3.040006, vez que o crédito pleiteado teria sido utilizado neste procedimento. Ainda, insurgese contra a necessidade de retificação de sua Perd/Dcomp 31405.26119.131107.1.3.040006, em que pese a argumentação oficial pela existência do débito tributário nela confessado. Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida Antes de adentrar no mérito, a recorrente introduz breve resumo sobre a legislação que disciplina o instituto da compensação, mencionando seus requisitos, quais sejam, a. autorização legal, b. obrigações recíprocas, e c. dívidas líquidas e certas. Validade da DCTF Retificadora Traz aos autos jurisprudência deste CARF, cuja ementa indica a possibilidade de formalização de informações através de DCTF retificadora. Ausência de Débito em DCTF Neste ponto, evidenciase a insurgência da recorrente em face da exigência, exposta na decisão de primeira instância administrativa, de haver, necessariamente, a Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10380.906891/201288 Acórdão n.º 3001000.127 S3C0T1 Fl. 78 5 retificação da Per/Dcomp 31405.26119.131107.1.3.040006 original, na qual constava a informação declarando o débito. Segundo consta, a recorrente busca legitimar seu direito no fato de a DCTF não conter a informação do débito, mas tão somente, na DComp; ainda, q ue seria a DCTF o meio para formalizar o crédito. Fundamenta seu raciocínio no artigo 8.º da IN 1.110/2010. Prescrição a partir da entrega da DCTF Por fim, a recorrente busca a declaração da prescrição da cobrança ora em curso, vez que transcorreramse mais de 05 anos da entrega da DCTF e da efetiva cobrança judicial. Alega não se tratar de decadência, justamente pelo motivo de o débito estar confessado, e, a partir daí, não se necessitar mais de lançamento para constituir o crédito tributário. Por fim, segundo a tese da recorrente, o fisco teria 5 anos para exigir o débito judicialmente. Do pedido Pugnou pela aplicação dos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. A legitimação do crédito pago a maior. Protestou por todos os meios de prova, inclusive perícia. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Mérito Ao analisar a documentação nos presentes autos, não se pôde evidenciar a alegação da ocorrência de pagamento indevido. Em 2007, a recorrente protocolizou a, a qual reclamava a utilização do crédito gerado com o alegado pagamento indevido que, acrescidos de juros, foi contraponto ao débito. Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida Houve o envio da DCTF acostada a estes eautos. Neste instrumento, não é possível destacarse, no grupo do tributo, a ocorrência de 'Saldo a Pagar do Débito'. Tal valor, segundo as informações encontradas na declaração prestada pela recorrente, adveio do encontro do débito e do pagamento constante em DARF. Já a DComp retificadora da Dcomp, ausente nestes autos No ano de 2012, em resposta à DComp 30614.63478.070410.1.7.040669, sobreveio o Despacho Decisório Eletrônico n.º 040064707, o qual houve por bem, homologar Fl. 80DF CARF MF 6 parcialmente a compensação declarada. O motivo exposto no mencionado DDE, fora que o crédito advindo do pagamento indevido de Cofins, maio de 2006 (R$ 913,32), teria sido absorvido pelo débito declarado no Per/Dcomp 33801.84370.131107.1.3.046885. Como visto em Relatório, as alegações em manifestação de inconformidade da recorrente, o argumento indicado para legitimar a utilização do crédito na Dcomp 30614.63478.070410.1.7.040669, e não na Dcomp 33801.84370.131107.1.3.048885, é a inexistência de débito constituído em DCTF válida, qual seja, a de n.º 1002.006.2009.2010430364, retificadora encaminhada em 2009. Ausência de Débito em DCTF Contudo, nesta DCTF, ao contrário do alegado pela recorrente, há débito de Pis, no mês em questão, março de 2006. Desta forma, não cabe a alegação da recorrente sobre o título 'Possibilidade de Compensação de Créditos Advindos de DCTF Válida', pois nessa DCTF 1002.006.2009.2010430364, há previsão de débito de PIS ('Saldo a Pagar do Débito' no valor de R$ 2.034,72), para o mês lançado na DComp 33801.84370.131107.1.3.048885. Ou seja, na Dcomp 107, ao contrário do alegado pela Recorrente em seu Recurso Voluntário, há, sim, débito de PIS, referente à declarado em DCTF Retificadora. Sendo assim, insuficiente o crédito para contrapor à compensação declarada na Dcomp 30614.63478.070410.1.7.040669. Desta forma, para desconstituir a formação dos débitos, constituídos tanto pela DComp 33801.84370.131107.1.3.048885 como pela DCTF 1002.006.2009.2010430364, é exigido da Recorrente a formação probatória exposta na decisão de primeiro piso. Prescrição a partir da entrega da DCTF Não existe prescrição em favor do contribuinte conforme postulado pela recorrente. Segue acórdão: Acórdão nº 1401002.067 COMPENSAÇÃO DCTF INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA A homologação tácita é previsão peculiar e exclusiva da compensação mediante DCOMP. Não pode ser estendida por analogia para outras formas de compensação. Desse modo, no caso de valores registrados na DCTF, assim como em outras declarações, como a DIPJ, a Fazenda Pública tem o direito de verificar as informações que julgar necessárias para reconhecer o indébito tributário e não se sujeitar a um suposto prazo decadencial não previsto em lei. Evidentemente que, esgotados os cinco anos da realização da compensação, o Fisco perde o direito de cobrar o crédito tributário, mas por força do fenômeno da prescrição do direito de cobrar. Isso não significa que tenha que acatar que a efetiva liquidação da dívida foi promovida para fins de aferir o direito de repetição do contribuinte. RESTITUIÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRESCRIÇÃO AQUISITIVA E DE DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO PERQUIRIR DIREITO CREDITÓRIO Não se pode transmutar uma disposição legal relativa a um prazo extintivo para um lapso aquisitivo. É ir muito além das fronteiras da interpretação, especialmente porque não haveria limites ao indébito. No caso Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10380.906891/201288 Acórdão n.º 3001000.127 S3C0T1 Fl. 79 7 de homologação do pagamento ou da compensação, o direito está limitado ao próprio valor do crédito tributário que se pretende extinguir, como na usucapião, que, apesar de se caracterizar como uma prescrição aquisitiva, está limitada ao próprio bem concreto que se pretende adquirir. Já a aquisição pura e simples de um valor monetário por decurso de prazo na verificação de informações redundaria na possibilidade de se consolidarem direitos contra a Fazenda Pública de montantes estratosféricos e totalmente irreais. Os prazos extintivos visam à pacificação social, à consolidação pelo tempo de situações já estabelecidas. Em razão disso, há dois tipos de prazos em matéria tributária, ambos relativos à extinção de direitos do Fisco em face do particular: a decadência que fulmina o poder de constituir o crédito tributário, e a prescrição que elimina o direito de cobrar. Ambos os casos consolidam situações concretas que se perpetuaram no tempo, ou seja, como o sujeito passivo até então não pagou, então por inércia do Fisco continuará a não pagar. Na prescrição aquisitiva da usucapião, há de igual sorte uma perpetuação no tempo, pois aquele que adquire a propriedade já dispunha da posse, vale dizer, a relação concreta com o bem permanece a mesma. Já uma suposta prescrição aquisitiva de pretenso indébito tributário geraria uma modificação no plano fático, qual seja, a transferência de recursos ilimitados de domínio público para a esfera privada. Em suma, no curso do processo administrativo de restituição, a Administração tem o poder de verificar e o particular o dever de manter todos os documentos que se referiram ao direito pleiteado. Conclusão Diante do exposto, conheço do Recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 82DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.727445/2009-57
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
Numero da decisão: 9202-006.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/2009-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para apreciação das demais questões constantes do recurso voluntário, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 74 45 /2 00 9- 57 Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 3 2 Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Ana Cecília Lustosa da Cruz (Suplente convocada). Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10580.726430/200971. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões onde pugna pela manutenção da decisão recorrida, que , em seu entendimento reflete a melhor interpretação jurídica quanto à aplicação do art. 106, II, "c" ao caso sob análise. Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”. Referidos rendimentos correspondem à diferença entre a transformação de Cruzeiros Reais para Unidade Real de Valor – URV, reconhecidas e pagas entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006, com base na Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 08 de setembro de 2003. Consoante tese esposada pela autoridade autuante, as diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994 e, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O sujeito passivo apresentou impugnação, que restou integralmente indeferida. Regularmente cientificado da decisão de 1a instância, interpôs Recurso Voluntário, tendo o Colegiado a quo dado provimento ao Recurso, por entender que os valores recebidos possuem natureza indenizatória, ao considerar o teor da Lei no. 9.655, de 02 de junho de 1998, Lei no. 10.477, de 27 de junho de 2002, da Resolução no. 245, de 2002, do Supremo Tribunal Federal e, ainda, da referida Lei Complementar do Estado da Bahia no 20, de 2003, concluindo, assim, pela não incidência de IRPF sobre as verbas sob análise. Enviados os autos à Fazenda Nacional para fins de ciência do Acórdão, sua Procuradoria apresentou, tempestivamente, Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do Anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009. O recurso contém alegação de existência de divergência interpretativa somente quanto à já referida nãoincidência do IRPF (mais especificamente quanto à natureza indenizatória ou não, declarada pela Turma a quo) sobre as (das) diferenças em discussão, Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 4 3 tendo restado integralmente admitido quando da realização do respectivo exame de admissibilidade. Requer a Fazenda Nacional que seja conhecido e provido o presente Recurso Especial, para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento em sua integralidade. Encaminhados os autos ao sujeito passivo para fins de ciência do recorrido e do despacho de admissibilidade recursal, este apresentou contrarrazões tempestivas, onde requer que se mantenha integralmente o acórdão recorrido, em virtude deste encontrarse em perfeita consonância com o ordenamento jurídico pátrio, não havendo violação ao princípio da legalidade tributária, conforme demonstrado em suas razões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.367, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10580.726430/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.367): Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma consistente e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade. Ainda, faço notar que o Acórdão paradigmático apresentado não se trata de jurisprudência superada ou ultrapassada, visto não ter sido objeto de reforma nem contrariar Súmula ou Resolução do Pleno deste Conselho. Noto que eventual mudança de posicionamento do Colegiado paradigmático decorrente de sua alteração de composição ou de qualquer outra motivação não se confunde com o conceito de jurisprudência superada. Assim, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Passandose à análise de mérito, noto que a matéria que permanece sob litígio é a não incidência do IRPF, a partir da natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da possível aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui, inicialmente, considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: Fl. 364DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 5 4 1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003. Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da referida Lei Complementar Estadual: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Complementar, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 6 5 destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, sim, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. De se reproduzir aqui a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no enquadramento legal do auto de infração à efl. 07, os quais devem ser respeitados de forma a se guardar obediência ao princípio da legalidade tributária, vedado seu afastamento, in casu, por dispositivo outro que não a lei, na forma do art. 97 do CTN . 2) Da Resolução n.° 245 do STF Baseiase a decisão recorrida, ainda, na Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2°. da Lei n°. 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 7 6 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar integralmente ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I. apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 8 7 nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, ainda que se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos dos referidos Despacho do PGR e dos Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados, repitase: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 07, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e a Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dos dispositivos legais que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Finalmente, ressalvo que, quanto às alegações da contribuinte, no sentido de não incidência do IRPF sobre os juros de mora, tratase de matéria estranha ao presente pleito recursal e, que, ainda, notese, não restou apreciada pelo Colegiado recorrido, dada a tese ali adotada de nãoincidência. Destarte, esta matéria deve ser objeto de apreciação quando do retorno do presente feito à Turma a quo, proposto no âmbito do Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10580.727445/200957 Acórdão n.º 9202006.386 CSRFT2 Fl. 9 8 presente voto, visto que imprescindível, sob pena de supressão de instância quanto a esta e também quanto a qualquer outra matéria não apreciada pelo inicial reconhecimento do caráter indenizatório das verbas em questão. Conclusivamente, diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, dar lhe provimento, para afastar a natureza indenizatória da verba, com retorno do feito ao Colegiado a quo, para exame das matérias ainda não apreciadas por força da adoção inicial da tese, aqui reformada, de não incidência do IRPF pelo caráter indenizatório das verbas em questão. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 369DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.925971/2009-78
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo.
Numero da decisão: 3002-000.034
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso normal do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros, Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Diego Weis Junior, Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 92 59 71 /2 00 9- 78 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 92 2 Relatório Em 11.10.2006 o sujeito passivo transmitiu Declaração de Compensação de nº 22732.16641.131006.1.3.049007 (fls 6 a 11), declarando a compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de COFINS, relativo ao período de apuração de novembro/2005 com débito da mesma contribuição, relativo a Setembro de 2006. Em 14.07.2009 o contribuinte tomou ciência (fl. 05), por meio de DESPACHO DECISÓRIO (fls 02), da NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação declarada, sob o fundamento de que o pagamento mencionado havia sido "integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em 29.07.2009 foi protocolada MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 12 a 17), cuja síntese dos argumentos foi: a) Que o contribuinte apurou crédito tributário de PIS e COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo STF no RE 357950; b) Que o valor das receitas financeiras auferidas no período de apuração em comento foi de R$31.462,89, que submetido a alíquota de 3,0%, resultou em um recolhimento a maior de PIS no valor de R$943,89; c) Que no processamento do referido PER/DECOMP o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras, no valor de R$943,89; d) Que segundo o disposto no art. 170 do CTN, art. 74 da Lei nº 9.430/96 e também segundo a jurisprudência do CARF (acórdão 20402819) e do TRF da 4 região (Apelação em MS 2006.71.08.0007709/RS), a compensação com crédito legítimo é uma das formas de extinção do crédito tributário; e) Ao fim, requer a homologação da compensação efetuada. Por meio do Acórdão nº 0633.119, a 3ª Turma da DRJ/CTA decidiu, sob a alegação de incompetência para apreciação de questões relativas à inconstitucionalidade, não acolher as razões contidas na manifestação de inconformidade, mantendose a não homologação da compensação realizada pelo contribuinte e exigindo o pagamento da COFINS relativa a 09/2006, acrescida de multa, juros e encargos de mora. Cientificado desta decisão em 13.02.2012, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao CARF em 29.02.2012. Tal recurso foi apreciado e provido em parte pela 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em sessão de 27.02.2013, com acórdão de nº 3802001.613 assim ementado: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 93 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/11/2005 a 30/11/2005 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão. Em 29.11.2013 foi determinado o encaminhamento dos autos à DRJ/CTA para análise. Em novo julgamento, a 3ª Turma da DRJ/CTA manteve o não acolhimento das razões contidas na manifestação de inconformidade apresentada, mantendose a não homologação da compensação em litígio. Desta vez, as razões da negativa se fundaram na ausência de qualquer prova material apresentada pelo contribuinte, comprometendo a liquidez e certeza do crédito tributário. Invocouse o disposto no art. 74 e seus §§, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei nº10.637/2002, c/c os arts. 4º e 26, §§1º e 2º da IN SRF nº600/2005, bem como o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº70.235/1972, dentre outros dispositivos. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 94 4 O contribuinte foi cientificado do conteúdo da nova decisão em 28.11.2014 por meio de correspondência com AR. (fls 75) Em 22.12.2014, apresentou novo Recurso Voluntário ao CARF, alegando em sua defesa que: a) Que o contribuinte apurou crédito tributário de PIS e COFINS em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718/98, proferida pelo STF no RE 357950; b) Se a DRJ entende que as declarações apresentadas oficialmente pela recorrente (DCOMP e DIPJ) não são suficientes para demonstrar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, deveria intimar a contribuinte a apresentar a documentação hábil, por meio de diligência, e não simplesmente negar de plano o requerimento formulado na esfera administrativa; c) Houve afronta ao princípio da verdade material e cerceamento do direito de defesa; d) Que não se pode cogitar alegar a inadmissibilidade dos novos documentos ora apensados aos autos, vez que o CARF já tem se manifestado pela possibilidade de juntada de documentos em fase recursal; e) Seja homologada a declaração de compensação em litígio, tendo em vista a inconstitucionalidade do artigo 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98; f) Anexou Planilha de Cálculo da COFINS e páginas do Razão Contábil da conta "Rendas de Aplicações Financeiras". É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O Valor do Crédito tributário é inferior a (60) sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. I Do ônus probatório e da preclusão. A compensação enquanto modalidade de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do CTN, operase mediante a existência de crédito líquido e certo oponível à fazenda pública, sem o que não há como efetivar o encontro de contas pretendido pelo contribuinte. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 95 5 Assim, têmse que o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do contribuinte. Não restando comprovadas a certeza e liquidez do crédito do contribuinte, não há como operacionalizar a compensação. Atualmente, a compensação pode ser declarada pelo próprio contribuinte, em meio eletrônico, mediante preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação DCOMP, na qual se indicará em detalhes o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose a ulterior homologação por verificação fiscal. A verificação fiscal das compensações declaradas pelos contribuintes se opera em dois momentos distintos, a saber: 1) Verificação Eletrônica: Consiste no cruzamento de informações fiscais do contribuinte, disponíveis na base de dados dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil, objetivando verificar a consistência e coerência da compensação declarada. Detectada, nesta fase de verificação, qualquer inconsistência ou divergência entre valores e informações do contribuinte, não homologase a compensação realizada, oportunizando ao interessado o contraditório e ampla defesa em processo administrativo fiscal específico. 2) Verificação Documental: Uma vez instaurado o processo administrativo fiscal, pela apresentação de Manifestação de Inconformidade à não homologação decorrente da verificação eletrônica, tem início a nova etapa de análise do direito creditório, que passa a se operar mediante verificação de documentos hábeis e idôneos que comprovem a existência do crédito utilizado pelo contribuinte. Neste segundo momento de verificação, devem ser observadas todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Em outras palavras, na etapa de verificação eletrônica antes de instaurado o contencioso administrativo são consideradas somente as informações e dados constantes dos sistemas utilizados pela Receita Federal do Brasil. Contudo, uma vez constatada a inconsistência/divergência das informações existentes nos sistemas informatizados, não homologase a compensação declarada e iniciase a etapa de verificação documental, nos autos de processo administrativo fiscal, onde incumbe ao contribuinte comprovar a existência de certeza e liquidez do crédito que pretende utilizar. Resta evidente que todas as contendas que chegam para julgamento a este Conselho Administrativo de Recurso Fiscais se enquadram na etapa de verificação documental, sujeitas, portanto, a todas as regras e princípios aplicáveis ao processo administrativo fiscal. Importante destacar ainda que o início da etapa de verificação documental faz com que as informações anteriormente prestadas pelo contribuinte, nas declarações eletrônicas transmitidas ao fisco, precisem ser comprovadas por outros meios no processo administrativo fiscal. Ou seja, uma vez que as declarações anteriormente apresentadas pelo contribuinte ao fisco não foram suficientes para a homologação da compensação na etapa de verificação eletrônica, não terão elas, quando desacompanhadas de outros documentos que as ratifiquem, força probatória suficiente para atestar a certeza e liquidez do crédito na etapa de verificação documental. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 96 6 No caso em estudo, ao declarar que o sistema da RFB não localizou o crédito porque na DCTF o débito foi declarado integralmente, inclusive com a parcela inconstitucional incidente sobre as receitas financeiras no valor de R$943,891, o contribuinte reconhece ter emitido declarações contraditórias ao fisco, dando azo à não homologação da compensação durante a etapa de verificação eletrônica. Ocorre, contudo, que até a decisão de primeira instância o contribuinte não apresentou qualquer prova documental que evidencie a efetiva inclusão de receitas financeiras na apuração da COFINS referente ao mês de novembro/2005, comprometendo a análise do direito ao crédito utilizado na compensação e prejudicando o andamento processual. Nos termos do §4º do art. 16 do Decreto Lei nº 70.235/1972, a prova documental deve ser trazida aos autos juntamente com a impugnação. No presente caso, deveria o contribuinte ter produzido suas provas por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade. A desobediência a este comando enseja a preclusão do direito de produção das provas documentais em outro momento processual. Nessa senda, a divergência entre as declarações apresentadas pelo contribuinte ao fisco (DCTF e DCOMP), combinada com a falta de apresentação de provas documentais da certeza e liquidez do crédito tributário no momento oportuno, dificultou a análise da autoridade fiscal, ofendendo aos princípios da celeridade e da economicidade processual. Não há comprovação do atendimento a qualquer dos requisitos previstos nas alíneas a) a c) do §4º do art. 16 do DEL 70.235/72, que permitiriam justificar a admissão de novas provas documentais neste momento processual. Não pode o princípio da verdade material ser utilizado como argumento para o afastamento injustificado das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal, de modo a acobertar a inércia do contribuinte em comprovar as suas alegações. Nesse sentido entendeu a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226. "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. Pelo exposto, não pode prosperar a alegação do recorrente, de que caberia ao fisco o impulso para a produção de provas da certeza e liquidez do direito creditório pretendido. Isso porque, por ocasião da manifestação de inconformidade, o interessado sequer apresentou indícios da efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS, tendo se limitado a fazer a alegações de direito. 1 Trecho extraído da Manifestação de Inconformidade, fl. 14. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 97 7 Tivesse o contribuinte apresentado alguma prova de liquidez e certeza do direito alegado junto à manifestação de inconformidade, ainda que insuficiente por si só, admitirseia, em homenagem ao princípio da verdade material, a juntada de novas provas no mesmo sentido em fase recursal. Portanto, não se pode conhecer de provas trazidas ao processo somente em fase recursal, sob pena de afronta aos demais princípios e normas que regem o processo administrativo fiscal. II Da Não Comprovação da Certeza e Liquidez do Crédito Pleiteado nos autos do PAF. Tendo em vista que a preclusão do direito de produção de novas provas, em momento posterior à manifestação de inconformidade, ainda é objeto de divergência entre conselheiros, a fim de evitar a interposição de novos recursos, comprometendo ainda mais a celeridade e a eficiência do processo administrativo, este julgador analisou os documentos trazidos pelo contribuinte junto ao Recurso Voluntário. No presente caso, ainda que admitida fosse a apresentação de provas documentais juntamente com o Recurso Voluntário, deixou o contribuinte de anexar documentos que comprovem que as receitas financeiras relativas ao mês de novembro/2005 foram incluídas na base de cálculo da COFINS do mesmo período. Vejamos. Foram apresentados, juntamente com o Recurso Voluntário: a) Planilha de Cálculo da COFINS; b) Razão Analítico da Conta "RENDAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS". Destacase que planilhas, declarações ou demonstrativos elaborados ou preenchidos pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo e confirmem a sua exatidão, não possuem força probatória para constituir direito creditório oponível à fazenda pública. Ocorre, contudo, que valor do recolhimento da COFINS, referente ao período de novembro/2005, declarado na Planilha de Cálculo da COFINS (R$11.606,12, fl. 86), diverge daquele informado na DCOMP, relativo ao mesmo período (R$12.550,01, fl. 09), materializando a inexatidão do demonstrativo apresentado e comprometendo sua força probatória. Ademais, não foi apresentado nenhum outro documento que detalhe quais os valores que efetivamente compuseram a base de cálculo da apuração de COFINS relativa ao período em comento. Assim, não ficou provado nos autos que as receitas financeiras relativas ao período de novembro/2005 foram efetivamente incluídas na base de cálculo da COFINS do mesmo período, razão pela qual não foram comprovadas a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o NÃO RECONHECIMENTO do direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.925971/200978 Acórdão n.º 3002000.034 S3C0T2 Fl. 98 8 Fl. 98DF CARF MF
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