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Numero do processo: 10680.020243/2007-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. CONCEITO DE RECEITAS PRÓPRIAS. ISENÇÃO. COFINS.
Os serviços sociais autônomos (SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR), são instituições criadas e reguladas por lei, as quais exercem atividades complementares e auxiliares ao Poder Público, com dotações orçamentárias específicas e previstas em lei, e constituem suas receitas próprias todas aquelas destinadas ao alcance de seus objetivos institucionais, estando por isso albergada pelo benefício da isenção da Cofins, nos termos dos arts. 13, VI e 14, X, da MP nº 2.158-35/ 2001.
Numero da decisão: 3302-005.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Renato Pereira de Deus - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JOSE RENATO PEREIRA DE DEUS
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CONCEITO DE RECEITAS PRÓPRIAS. ISENÇÃO. COFINS. Os serviços sociais autônomos (SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR), são instituições criadas e reguladas por lei, as quais exercem atividades complementares e auxiliares ao Poder Público, com dotações orçamentárias específicas e previstas em lei, e constituem suas receitas próprias todas aquelas destinadas ao alcance de seus objetivos institucionais, estando por isso albergada pelo benefício da isenção da Cofins, nos termos dos arts. 13, VI e 14, X, da MP nº 2.15835/ 2001. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (suplente convocado), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 02 02 43 /2 00 7- 91 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10680.020243/200791 Acórdão n.º 3302005.669 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar os fatos adotase o relatório do acórdão nº 0223.128, da 1ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte MG, prolatado na sessão se 27 de junho de 2009: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Inf`ração de fls. 03/10, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 2.368.346,21, incluindo multa de oficio e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 05. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 05. Segundo o Termo de Verificação da Ação Fiscal (TVF), fls. 11/15, a empresa alegou imunidade e isenção para a falta de recolhimento da Cofins. As receitas que não se enquadraram no conceito de atividades próprias foram tributadas pela Cofins, conforme disposto no artigo 47 da IN SRF 247/2002. Cientificado em 18/12/2007 (fls. 03), o interessado apresentou, em 16/01/2008, impugnação ao lançamento, confonne arrazoado de fls. 109/124, acompanhado dos documentos de fls. 125/165, com as suas razões de defesa, assim resumidas: O impugnante é isento da Cofins por expressa determinação do inciso 'X, do artigo 14, da MP 215835, de 24/08/2001, pelo que suas receias, oriundas de suas atividades próprias, não podem estar sujeitas à tributação da contribuição social em questão. O Fisco não pode cobrar a Cofins com base em uma IN que, sem ter poderes para tanto, alterou o conteúdo e o alcance de uma Medida Provisória. No presente caso, pretendeu o parágrafo segundo, do inciso II, do artigo 47 da IN/SRF 247/02 restringir o alcance da MP n° 215835/01, ao estabelecer quais receitas deveriam ser consideradas como derivadas de atividades próprias da entidade. A SRF restringiu a expressão “receitas relativas às atividades próprias”, que abrange todas aquelas atividades exercidas nos limites do fim social da entidade, para substituila por “receitas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas em lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores”. Além disso, criou uma nova condição para as receitas sujeitas à isenção da Cofins: que elas não tenham “caráter contraprestacional direto”. Dúvidas não restam, todavia, de que o parágrafo segundo do inciso II da IN/SRF n° 247/02 está eivado de ilegalidade, não Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10680.020243/200791 Acórdão n.º 3302005.669 S3C3T2 Fl. 4 3 podendo, portanto, ser fundamento para a exigência da Cofins, como pretende a Autoridade Fiscal. Por fim, ressaltese que diversos dispositivos legais citados pela Autoridade Fiscal no relatório constante do TVF, tais como art. 150, VI, da CF; Lei 9532/97; Lei n° 8.742/93 e Lei 8.212/91 não se aplicam ao presente caso, seja porque não está se tratando aqui de imunidade de impostos, prevista na CF, mas de isenção de contribuição social, seja por não se enquadrar o impugnante na categoria de entidade de assistência social. Requer o cancelamento do Auto de Infração. A decisão da qual foi retirado o relatório acima transcrito, julgou improcedente a impugnação ao lançamento feita pela recorrente, onde em apertada síntese restou decidido que "as receitas não próprias, mesmo para entidades que pratiquem atos beneficentes, independentemente da classificação contábil, devem ser tributadas pela Cofins", recebendo a seguinte ementa: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Receitas próprias Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão acima mencionada, a recorrente interpôs recurso voluntário onde repisa os argumentos trazidos na peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Renato Pereira de Deus, Relator Os recursos atendem aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Não há apontamento relacionada a preliminares ou prejudiciais de mérito, razão pela qual passase a apreciálo diretamente. I RECEITAS DECORRENTES DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO PELOS SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10680.020243/200791 Acórdão n.º 3302005.669 S3C3T2 Fl. 5 4 A questão principal do presente processo versa sobre a exigência da Cofins sobre as receitas decorrentes da prestação de serviços pelos serviços sociais autônomos, aqueles denominados como do sistema "S", no caso o Serviço Social da Indústria SESI. A MP nº 1.8586, de 1999, e reedições posteriores, até a atual MP nº 2.158 35, de 24/08/2001, que assim dispõe sobre o PIS/PASEP e a Cofins, dos serviços sociais autônomos, in verbis: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; (...) Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. Desta forma, os serviços sociais autônomos, como o SESI, que se dedica à assistência social do trabalhador, criados por lei, em benefício dos respectivos trabalhadores, tem a seu favor o benefício da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas de suas atividades próprias. Na presente demanda, insurgese o recorrente face a manutenção da r. decisão de piso dos lançamentos feitos pela fiscalização, ao considerar que as receitas verificadas com as atividades de aplicação financeira/correção monetária, receitas com aluguel, arrendamento, cessão e locação de máquinas, além dos serviços comerciais, administrativos de saúde, educacionais, de lazer, etc., sob o argumento de não se enquadrarem no conceito de receitas próprias. Conforme disciplinado pelo art. 12, da Lei nº 2613/1955, os serviços sociais autônomos gozam de ampla isenção fiscal como se fosse a própria Uni"ao, vejamos: Art. 12. Os serviços e bens do S. S. R. gozam de ampla isenção fiscal como se fôssem da própria União. Art. 13. O disposto nos arts. 11 e 12 desta lei se aplica ao Serviço Social da Indústria (SESI), ao Serviço Social do Comércio (SESC), ao Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI) e ao Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). (Vide Lei nº 8.706, de 1993) A lei que institui os serviços sociais autônomos já trouxe suas fontes de custeio, sem qualquer ressalva quanto às suas receitas, vale dizer, são próprias, inclusive, as receitas operacionais mesmo que contraprestacionais, bem assim porque apenas as receitas compulsórias não seriam suficientes para atender toda a sua demanda, observese: Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10680.020243/200791 Acórdão n.º 3302005.669 S3C3T2 Fl. 6 5 DECRETOLEI Nº 9.853 DE 13 DE SETEMBRO DE 1946 DOU DE 16/09/46 (REF. SESI) Art. 4º O produto da arrecadação feita em cada região do país será na mesma aplicado em proporção não inferior a (75%) setenta e cinco por cento. Art. 5º Aos bens, rendas e serviços da instituição a que se refere êste decretolei, ficam extensivos os favores e as prerrogativas do Decretolei número 7.690, de 29 de junho de 1945. Parágrafo único. Os govêrnos dos Estados e dos Municípios estenderão ao Serviço Social da Indústria as mesmas regalias e isenções. DECRETO Nº 57.375, DE 2 DE DEZEMBRO DE 1965 (Regulamento do SESI): Art. 48. Constituem receita do Serviço Social da Indústria: a) as contribuições dos empregadores da indústria dos transportes, das comunicações e de pesca, previstas em lei; b) as doações e legados; c) as rendas patrimoniais; d) as multas arrecadadas por infração de dispositivos legais, regulamentares e regimentais; e) as rendas oriundas de prestações de serviços e de mutações de patrimônio, inclusive as de locação de bens de qualquer natureza; f) as rendas eventuais; Parágrafo único. A receita do SESI se destina a cobrir suas despesas de manutenção e encargos orgânicos, o pagamento de pessoal e serviços de terceiros, a aquisição de bens e valores, as contribuições legais e regulamentares, as representações, auxílios e subvenções, os compromissos assumidos, os estipêndios obrigatórios e quaisquer outros gastos regularmente autorizados. Como podemos verificar não há distinção quanto às receitas, todas elas são consideradas próprias destinadas ao alcance dos objetivos institucionais, o que não foi diferente quanto às da recorrente, conforme exposto no art. 48, do DecretoLei nº 57.375/1965, transcrito acima. Em que pese o lançamento realizado pela fiscalização, a lei, em sentido contrário, considerou como receitas próprias do SESI, todas as suas receitas, até mesmo aquelas ditas como acessórias, complementares ou nãooperacionais, vez que, todas elas se destinam a cobrir suas atribuições legais e estatutárias, pois somente as receitas compulsórias Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10680.020243/200791 Acórdão n.º 3302005.669 S3C3T2 Fl. 7 6 não seriam suficientes para a consecução de seus propósitos, sendo esse o motivo pelo qual a lei instituidora fez prever um leque mais abrangente de receitas que a entidade poderia utilizar para fazer frente às sas obrigações. Ressaltase que a matéria aqui em debate já foi apreciada pela CSRF, e podemos destacar as conclusões que foram trazidas no acórdão n. 9303005.780, de relatoria da I. Conselheira Tatiana Midori Migiyama, o qual recebeu a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 SERVIÇOS SOCIAIS AUTÔNOMOS. ISENÇÃO. COFINS. Considerando que os serviços sociais autônomos SESI, SENAI, SESC, SENAC, SEST, SENAT, SENAR entidades paraestatais instituídas por lei específica, exercem atividades e prestam serviços em caráter complementar às atividades do Estado, devese considerar como rendas relacionadas às suas finalidades essenciais, não sujeitas a cobrança da Cofins, nos termos do art. 14, inciso X, da MP 2.15835/ 01, aquelas destinadas ao atendimento e à manutenção de seus objetivos institucionais, independentemente de sua natureza e origem. Não nos distanciemos da máxima de que a isenção não é concedida de forma aleatória, sem a necessidade de se cumprir determinados requisitos, vez que a recorrente está sujeita ao cumprimento das regras estabelecidas no art. 9º e art. 14, e, para que a isenção fosse cancelada seria necessária a comprovação de que as regras foram descumpridas, o que na presente demanda não foi demonstrado. Vale ressaltar ainda a aplicação ao presente caso, da aplicação da Súmula CARF 107 no que diz respeito às receitas verificadas com a contraprestação de serviços educacionais, vejamos: Súmula CARF nº 107 A receita da atividade própria, objeto da isenção da Cofins prevista no art. 14, X, c/c art. 13, III, da MP nº 2.15835, de 2001, alcança as receitas obtidas em contraprestação de serviços educacionais prestados pelas entidades de educação sem fins lucrativos a que se refere o art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Desta forma, acolhendo a tese esposada pela recorrente, entendo que as regras estabelecidas pela IN nº 247/2002, que restringiu sem previsão legal a restrição do conceito de receitas próprias dos serviços sociais autônomos para o fim da isenção, não são aplicadas ao caso em comento. Todas as receitas sobre as quais foram apontadas pela fiscalização como passíveis de incidência da Cofins, conforme o exposto, são receitas próprias, mesmo aquelas percebidas com a exploração do patrimônio da entidade, sem se distanciar ainda do fato de tais receitas serem aplicadas nas ações destinadas ao cumprimento de seus objetivos institucionais. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10680.020243/200791 Acórdão n.º 3302005.669 S3C3T2 Fl. 8 7 Por tais razões, voto por dar total provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) José Renato Pereira de Deus Relator. Fl. 227DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.724312/2016-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
RRA. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO.
1. Incide IRPF sobre os juros moratórios de complementação de aposentadoria recebidos acumuladamente em razão de reclamatória trabalhista.
2. A inclusão dos rendimentos recebidos acumuladamente na ficha de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica configura opção irretratável de tributação pelo ajuste anual.
3. O art. 12 da Lei 7.713/88 é inconstitucional. (STF - RE 614.406/RS)
4. Os rendimentos de previdência complementar recebidos acumuladamente no ano-calendário 2014 são tributáveis pelo regime de competência.
Numero da decisão: 2002-000.187
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja efetuado o recálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observando-se a renda auferida pelo contribuinte mês a mês (regime de competência).
(Assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(Assinado digitalmente)
Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: FABIA MARCILIA FERREIRA CAMPELO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 RRA. RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. 1. Incide IRPF sobre os juros moratórios de complementação de aposentadoria recebidos acumuladamente em razão de reclamatória trabalhista. 2. A inclusão dos rendimentos recebidos acumuladamente na ficha de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica configura opção irretratável de tributação pelo ajuste anual. 3. O art. 12 da Lei 7.713/88 é inconstitucional. (STF - RE 614.406/RS) 4. Os rendimentos de previdência complementar recebidos acumuladamente no ano-calendário 2014 são tributáveis pelo regime de competência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja efetuado o recálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observando-se a renda auferida pelo contribuinte mês a mês (regime de competência). (Assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (Assinado digitalmente) Fábia Marcília Ferreira Campêlo - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil.
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RECLAMATÓRIA TRABALHISTA. JUROS MORATÓRIOS. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR. TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO. 1. Incide IRPF sobre os juros moratórios de complementação de aposentadoria recebidos acumuladamente em razão de reclamatória trabalhista. 2. A inclusão dos rendimentos recebidos acumuladamente na ficha de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica configura opção irretratável de tributação pelo ajuste anual. 3. O art. 12 da Lei 7.713/88 é inconstitucional. (STF RE 614.406/RS) 4. Os rendimentos de previdência complementar recebidos acumuladamente no anocalendário 2014 são tributáveis pelo regime de competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que seja efetuado o recálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observandose a renda auferida pelo contribuinte mês a mês (regime de competência). (ASSINADO DIGITALMENTE) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 43 12 /2 01 6- 58 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10580.724312/201658 Acórdão n.º 2002000.187 S2C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni, Virgílio Cansino Gil. Relatório Lançamento Tratase de notificação de lançamento de IRPF1 nos seguintes valores (fl. 47): Rubrica Valor em reais Imposto 12.932,59 Multa de ofício 9.699,44 Juros de mora 1.819,61 Total à época 24.451,64 As bases do lançamento foram: Natureza Valor Descrição dos fatos Rendimentos Recebidos Acumuladamente 132.268,95 Não foram tributados os juros incidentes sobre as verbas do processo trabalhista, bem como, não ocorreu rescisão do contrato de trabalho ou quebra do vínculo empregatício. Neste caso os juros são tributáveis (Parecer PGFN/CDA nº 2025/2011). Valor liberado alvará judicial 230.383,96; IRRF 36.076,66; Rendimento Bruto 266.460,62; Base de cálculo 266.460,62; Honorários pagos 85.267,40; Rendimento tributável a declarar 181.193,22; Rendimento do trabalho assalariado 49.196,79; Total dos rendimentos tributáveis a declarar 230.390,01 (fl. 53) Pressupostos de admissibilidade da impugnação A impugnação preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 15) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do lançamento no dia 24/05/2016 (fl. 17) e protocolou sua peça no dia 14/06/2016 (fl. 4), dentro do prazo de 30 dias2 portanto. Impugnação Em sua impugnação (fl. 2), em síntese, o contribuinte argui: a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; 1 Imposto de Renda Pessoa Física 2 Art. 15 do Decreto 70.235/72 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10580.724312/201658 Acórdão n.º 2002000.187 S2C0T2 Fl. 4 3 a prioridade na tramitação, tendo em vista ser pessoa idosa; que a fonte pagadora cobrou tributo no RRA equivocadamente, induzindo o contribuinte a erro no preenchimento da declaração (erro material); que o valor de 181.193,22 deve ser reclassificado para a ficha de RRA em sua declaração para corrigir a cobrança irregular, levandose em consideração o número de meses, 78, conforme doc. anexo, resultando em uma base de cálculo de 2.323,00 que incide alíquota de 7,5% da tabela para RRA de novembro de 2014 e resulta em um tributo de IRRF de 3.131,10 ao invés de 36.076,66, sendo que 32.945,56 foram cobrados indevidamente; o art. 42 da IN RFB 1.500/2014 prevê que no caso de erro da fonte pagadora, pode ser efetuado o ajuste na apuração do imposto do RRA. Como a fonte pagadora não fez esses procedimentos, deve ser reformada a notificação, deferindose o pleito da impugnação; segundo o art. 41, § 2º, II, b da IN RFB 1500/14 estabelece que no caso de a fonte pagadora não ter fornecido o comprovante ou quando fornecido de modo incompleto ou impreciso, fica prejudicado o exercício da opção, como no presente caso. a correção da declaração, sem exclusão dos juros de mora, resulta na tributação correta aplicada inclusive sobre os juros de mora, incluídos na base de cálculo dos RRA, declarados corretamente na Ficha própria; pelo princípio da eventualidade contesta o IRPF sobre os juros moratórios, de início citando o art. 7º da IN RFB 1500/2014 que isenta rendimentos decorrentes de indenizações; os rendimentos em questão foram corretamente declarados como não tributáveis por possuírem natureza indenizatória, por isso devem ser excluídos dos RRA para efeitos de incidência do IRRF e IRPF; houve indisponibilidade econômica e jurídica dos rendimentos trabalhistas sofrida pelo impugnante e que gerou perda patrimonial durante longo tempo. Por isso, sua natureza é indenizatória em função das perdas representadas pela mora. Assim não podem os juros serem enquadrados no art. 43 do CTN, pois é impossível provar que existiu a disponibilidade econômica ou que não existiu tal indisponibilidade, ou que essa indisponibilidade não representou perda ou prejuízo ao impugnante, condição do CC para que os juros de mora se configurem verba indenizatória; o Parecer PGFN/CDA 2025 foi emitido para um caso específico cujo teor não explicito e vai de encontro a jurisprudência; a Fazenda já havia reconhecido por meio dos Pareceres PGFN/CRJ 2872009 e 815/2010 a inutilidade de continuar insistindo na procedência de sua teses equivocada perante os tribunais pátrios, passando a deixar de contestar e recorrer em ações judiciais movidas pelos contribuintes em tema de incidência de imposto de renda sobre RRA; o assunto já foi objeto de ação civil pública contra o INSS, menciona jurisprudência e cita o art. 404 do Código Civil; Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10580.724312/201658 Acórdão n.º 2002000.187 S2C0T2 Fl. 5 4 não houve omissão mas interpretação diversa do Fisco quanto à natureza indenizatória dos juros de mora declarados como isentos pelo contribuinte, tratase de RRA tributados indevidamente. Assim requer: a) a nulidade do lançamento; b) a reclassificação do RRA na fica própria; c) a extinção do crédito tributário; d) a procedência da impugnação; e) o deferimento das preliminares, o conhecimento da impugnação e a atribuição de efeito suspensivo; f) o reconhecimento da improcedência do lançamento. Documentos impugnação Após a impugnação constam os seguintes documentos: documento de identidade do contribuinte (fl. 16); lançamento (fl. 18 e ss); alvará judicial (fl. 23); atualização de cálculos (fl. 24 e ss); comprovantes bancários (fl. 26); extrato de processamento IRPF (fl. 27); comprovantes de rendimentos (fls. 28 e 40); recibo e declaração (fl. 29 e ss); informe de rendimentos (fl. 39); comprovante de despesas médicas e empréstimos (fl. 41); Decisão de 1ª instância A DRJ3 julgou a impugnação improcedente (fl. 62 e ss). A decisão foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2014 3 Delegacia da Receita Federal de Julgamento Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10580.724312/201658 Acórdão n.º 2002000.187 S2C0T2 Fl. 6 5 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVA. OPÇÃO IRRETRATÁVEL. São tributáveis exclusivamente na fonte os rendimentos de aposentadoria recebidos acumuladamente, referentes a anos anteriores ao do recebimento, podendo integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual DAA do ano calendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. É irretratável a opção, feita através da última declaração entregue pelo contribuinte até o término do prazo fixado para a entrega da DAA, pela tributação do rendimento recebido acumuladamente no ajuste anual no IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. INFORME DE RENDIMENTOS. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Descabe invocar falha cometida pela fonte pagadora no comprovante de rendimentos fornecido, uma vez que compete ao beneficiário dos rendimentos, como contribuinte direto, elaborar a declaração de ajuste anual, independentemente de informação da fonte pagadora, sendo sua a responsabilidade pelas informações ali declaradas. NATUREZA JURÍDICA DAS VERBAS. COISA JULGADA. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL A natureza jurídica das verbas decididas pela Justiça do Trabalho não faz coisa julgada material em matéria tributária, sendo que apreciação sobre a tributação das verbas trabalhistas deve ser feita pelo Auditor Fiscal. JUROS DE MORA. NATUREZA DO PRINCIPAL. Não comprovada natureza da verba principal, os juros correspondentes devem ser tributados. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aplicam a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário O recurso voluntário preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual (fl. 105) e tempestividade, haja vista que o contribuinte tomou ciência do acórdão de impugnação no dia 15/03/2017 (fl. 92) e protocolou sua peça no dia 03/04/2017 (fl. 95), dentro do prazo de 30 dias4 portanto. Recurso voluntário 4 art. 33 do Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10580.724312/201658 Acórdão n.º 2002000.187 S2C0T2 Fl. 7 6 Em seu recurso voluntário (fl. 95 e ss), em síntese, o contribuinte reafirma os argumentos exarados na impugnação e alega que: a decisão recorrida não enfrentou a questão da retratabilidade da opção dos RRAs, conforme art. 42, § 3º da IN 1500/14 e 1558/15 e por isso merece ser declarada nula por ausência de apreciação da impugnação; requer a manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário; houve IRRF de 36.902,81 retido indevidamente em virtude da aplicação da alíquota de 27,5% ao valor de 134.192,02, haja vista tratarse de RRA de ação judicial trabalhista; tratase de erro material com cobrança indevida e que por isso deve ser corrigido, sob pena de se configurar a prática de confisco fiscal e excesso de exação; a decisão recorrida menciona falha cometida pela fonte pagadora, sendo que na impugnação não há qualquer referência a essa matéria, o que comprova a não apreciação da impugnação; defende que os juros de mora tem natureza indenizatória e por isso são isentos de imposto de renda reafirmando os argumentos da impugnação; a matéria se encontra sob repercussão geral no STF RE 705.941 precedido do RE 855091 que decidirá sobre a inconstitucionalidade da cobrança do IR sobre juros de mora incidente sobre verbas salariais e previdenciárias pagas em atraso; se os juros moratórios sobre verbas do art. 39, XX do RIR são indenizatórios, não há justificativa para não terem a mesma natureza os juros moratórios de outras verbas salariais; o juros moratórios não constituem exatamente um acessório das verbas trabalhistas, pois decorrem de fato diverso, a mora pelo não pagamento à época em que eram devidas, ou seja, a indisponibilidade econômica e ou jurídica. Assim, há que se reconhecer que descabe a incidência do IR sobre juros de mora em questão que é indevida e ilegal, devendo ser, portanto, objeto da devida restituição a que faz jus o contribuinte. Assim requer: 1. o provimento do recurso; 2. o deferimento da opção pela tributação exclusiva do RRA em questão; 3. a retificação do IRRF indevidamente retido a maior; 4. os demais ajustes com a reclassificação e retificações cabíveis da declaração; 5. que seja tornado sem efeito o crédito tributário; 6. que seja reformada a decisão de 1ª instância; Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10580.724312/201658 Acórdão n.º 2002000.187 S2C0T2 Fl. 8 7 7. que se proceda a restituição do indébito tributário, acrescido de juros de mora e correção monetária. Voto Conselheira Fábia Marcília Ferreira Campêlo Relatora Admissibilidade O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade no que tange à representação processual e tempestividade, conforme acima demonstrado, portanto dele conheço. Prioridade processual Em consulta ao sistema informatizado de processos, verifico que os presentes autos já estão previamente marcados como prioritários em razão do Estatuto do Idoso. Assim, considerando que o pedido do contribuinte já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão. Suspensão da exigibilidade do crédito De acordo com informação constante dos autos (fl. 58 e 59), o referido crédito tributário já está suspenso. Assim, considerando que o pedido do contribuinte já está antecipadamente atendido, não há o que analisar quanto a esta questão também. Mérito Matérias e argumentos Inicialmente, é importante destacar que, para a decisão estar completa é preciso que haja um posicionamento claro e o respectivo fundamento sobre todas as temáticas questionadas no recurso, contudo, o julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos trazidos pelo recorrente sobre cada matéria. Somente os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada no decisum necessitam ser enfrentados. Quando o julgador já encontrou motivos suficientes para fundamentar sua decisão, por uma questão de lógica, tornase despiciendo manifestarse sobre todas as demais alegações incompatíveis com o fundamento acolhido. Assim, não configura omissão interna do acórdão o não confronto de cem por cento dos argumentos trazidos pela parte. Erro da fonte pagadora O contribuinte alega que a retenção equivocada da fonte pagadora o induziu a erro no preenchimento da declaração. Contudo, a questionada retenção de imposto não justifica a declaração dos juros morátórios como isentos, não havendo nexo de causalidade entre os dois fatos. Pelo contrário, a alegada retenção poderia levar à conclusão de que os rendimentos seriam tributáveis e não isentos como o contribuinte informou. Em caso de erro da fonte pagadora, o art. 42 da IN RFB 1.500/2014 autoriza a pessoa física beneficiária a fazer o ajuste específico em sua DAA. O contribuinte, no Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10580.724312/201658 Acórdão n.º 2002000.187 S2C0T2 Fl. 9 8 entanto, não procedeu o referido ajuste da forma correta e declarou os juros moratórios como isentos, o que gerou o lançamento em questão. O art. 41, § 2º, II, b da mesma IN referese a declarações do anocalendário 2010, o lançamento objeto dos autos, no entanto, referese ao anocalendário 2014, dessa forma, as alegações do recorrente quanto a estes pontos não procedem. Opção irretratável pelo ajuste anual O art. 12A, § 5º da Lei 7.713/88 estabelece que: Art. 12A. Os rendimentos recebidos acumuladamente e submetidos à incidência do imposto sobre a renda com base na tabela progressiva, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. [...] § 5o O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2o, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. Pela letra da norma, o contribuinte poderia optar por integrar os rendimentos à base de cálculo do imposto. Contudo, os rendimentos foram informados como isentos. Tal declaração não integrou os rendimentos à base de cálculo, mas sim os excluiu dela. A meu ver, a declaração de rendimentos como isentos não equivale à opção pela integração dos rendimentos na base de cálculo do imposto de renda. Dessa forma, entendo que não houve opção irretratável pelo ajuste anual. Tributação dos juros moratórios de verbas de reclamatória trabalhista Estabeleceu o STJ, da conjugação do julgado no Resp n. 1.227.133/RS com o Resp n. 1.089.720/RS, que em regra incide IRPF sobre os juros de mora. Contudo, o tributo será afastado quando: 1. os juros de mora decorrem do recebimento em atraso de verbas trabalhistas decorrentes da perda do emprego , independentemente da natureza destas (se remuneratória ou indenizatórias), pagas no contexto da rescisão do contrato de trabalho, em reclamatória trabalhista ou não (art. 6, V, da Lei n. 7.713/88) ou; 2. os juros de mora decorrem do recebimento de verbas principais que não acarretem acréscimo patrimonial ou que são isentas ou não tributadas (em razão da regra de que o acessório segue o principal) 5. Por força de lei6, a decisão em questão vincula7 a Receita Federal a partir da ciência da Nota Explicativa PGFN/CRJ/Nº 1.582/2012 que delimitou os efeitos do julgado. A 5 Nota/PGFN/CRJ/Nº 1582/2012, item 3 6 Art. 19, IV e V e §§ 4º, 5º e 7º da Lei nº 10.522/2002 c/c art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014 7 Importante: Não haverá a vinculação da RFB nas matérias em que a PGFN decidir continuar contestando e recorrendo, mesmo tendo havido julgamento desfavorável à Fazenda Nacional sob os ritos da Repercussão Geral ou dos Recursos Especiais Repetitivos. Nestas hipóteses, também será emitida uma Nota Explicativa pela PGFN, Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10580.724312/201658 Acórdão n.º 2002000.187 S2C0T2 Fl. 10 9 teor do disposto no artigo 62, § 2º do RICARF8, tratase de decisão de observância obrigatória também por este colegiado. O recorrente alega que tratase de rendimentos de indenização e que por isso são isentos de IRPF, todavia, não lhe assiste razão. A ação trabalhista em questão referese à suplementação de aposentadoria (fl. __ e ss) e por isso não se enquadra nem no item 1 nem no item 2 supra. Não se trata de verba decorrentes de perda de emprego. No mais, incide IRPF sobre a complementação de aposentadoria, pois esta acarreta acréscimo patrimonial. Logo, os juros de mora dela decorrentes seguem a sorte do principal e por isso são também tributáveis. Tributação dos Rendimentos Recebidos Acumuladamente O recorrente declarou os juros moratórios decorrentes de reclamatória trabalhista como isentos. A fiscalização lançouos pela sistemática do art. 12 da Lei 7.713/88 (ajuste anual) por entender que os valores são tributáveis. O contribuinte pleiteia a reclassificação dos rendimentos para a ficha de RRA levandose em consideração o número de meses, 78 (fl. 24). Contudo, os rendimentos pagos por entidades de previdência complementar não estavam acobertados pelo art. 12A da Lei 7.713/88 (tributação em separado) à época. Não obstante, em 23.10.2014, no julgamento do RE 614.406/RS, o STF declarou, com repercussão geral, a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/88 que dispunha sobre a incidência do imposto de renda sobre rendimentos recebidos acumuladamente9, com a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Por força de lei10, a decisão em questão vincula11 a Receita Federal a partir de 04/11/2015, data da ciência da Nota Explicativa PGFN/CRJ/Nº 981/2015. A referida nota delimitou os efeitos do julgado somente ao art. 12 da Lei 7.713/88. Dessa forma, a partir de 04/11/2015, o Fisco não mais deverá constituir créditos tributários de RRA sob o regime do art. 12 da Lei 7.713/88 e aqueles créditos já constituídos deverão ser revistos de ofício. A teor do disposto no artigo 62, § 2º do RICARF12, tratase de decisão de observância obrigatória também por este colegiado. conforme dispõe o caput do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, explicitando os motivos da não vinculação. 8 Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015) 9 Nota PGFN/CRJ/Nº 981/2015, item 6. 10 Art. 19, IV e V e §§ 4º, 5º e 7º da Lei nº 10.522/2002 c/c art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014 11 Importante: Não haverá a vinculação da RFB nas matérias em que a PGFN decidir continuar contestando e recorrendo, mesmo tendo havido julgamento desfavorável à Fazenda Nacional sob os ritos da Repercussão Geral ou dos Recursos Especiais Repetitivos. Nestas hipóteses, também será emitida uma Nota Explicativa pela PGFN, conforme dispõe o caput do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014, explicitando os motivos da não vinculação. 12 Regimento Interno do CARF (Portaria MF 343/2015) Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10580.724312/201658 Acórdão n.º 2002000.187 S2C0T2 Fl. 11 10 Desse modo, deverá ser afastada nos julgamentos do CARF a aplicação do art. 12 da Lei 7.713/88, prestigiandose o regime de competência para apuração do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente. Diante disso, considerando que o art. 12 da Lei 7.713/88 foi declarado inconstitucional pelo STF e que esta decisão vincula o Fisco e o próprio CARF, os rendimentos de previdência complementar recebidos acumuladamente em questão não devem ser tributados pela sistemática do referido artigo, mas sim pelo regime de competência. Dessa forma, necessário se faz o recálculo do tributo com base nos dados da ação judicial. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer o recurso voluntário para, no mérito, dar lhe provimento parcial, para que seja efetuado o recálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que estes eram devidos, observandose a renda auferida pelo contribuinte mês a mês (regime de competência). (ASSINADO DIGITALMENTE) Fábia Marcília Ferreira Campêlo Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 10730.008180/2006-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA APURADA POR PRESUNÇÃO DE OMISSÃO. REFLEXO NA EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Não se decide sobre a nulidade do auto de infração no processo que cuida exclusivamente da exclusão do SIMPLES por excesso de receita bruta. A matéria processual é diversa.
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E LESÃO À AMPLA DEFESA.
Tendo a decisão recorrida abordado todos os temas suscitados na peça de defesa, não houve cerceamento de defesa ou prejuízo à ampla defesa.
OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. RELAÇÃO COM A SUPERAÇÃO DO LIMITE LEGAL PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES.
Se os débitos decorrentes de lançamento de ofício correspondentes a receitas omitidas foram confessados mediante adesão a parcelamento, deixa de existir dúvida quanto à efetiva percepção das receitas pelo contribuinte.
REINCLUSÃO NO SIMPLES. ADE PUBLICADO EM 2008 E EFEITOS A PARTIR DE 2003. READEQUAÇÃO NOS ANOS SEGUINTES AO LIMITE DE RECEITA PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES.
A opção pelo SIMPLES deve ser feita pelo contribuinte, na estrita observância do § 1.º do art. 8.º da Lei n.º 9.317/96. Conhecendo o contribuinte sua receita bruta anual, ele deve: a) comunicar a Receita Federal quando ultrapassa o limite que veda a opção, e b) promover alteração cadastral para reinclusão no SIMPLES, quando reenquadrar-se no referido limite. O ADE somente supre a falta de comunicação pelo contribuinte, para efeito de exclusão do SIMPLES, não afastando a verificação compulsória pelo optante quanto ao atendimento das exigências legais.
Numero da decisão: 1002-000.300
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Angelo Abrantes Nunes e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA APURADA POR PRESUNÇÃO DE OMISSÃO. REFLEXO NA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não se decide sobre a nulidade do auto de infração no processo que cuida exclusivamente da exclusão do SIMPLES por excesso de receita bruta. A matéria processual é diversa. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E LESÃO À AMPLA DEFESA. Tendo a decisão recorrida abordado todos os temas suscitados na peça de defesa, não houve cerceamento de defesa ou prejuízo à ampla defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. RELAÇÃO COM A SUPERAÇÃO DO LIMITE LEGAL PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES. Se os débitos decorrentes de lançamento de ofício correspondentes a receitas omitidas foram confessados mediante adesão a parcelamento, deixa de existir dúvida quanto à efetiva percepção das receitas pelo contribuinte. REINCLUSÃO NO SIMPLES. ADE PUBLICADO EM 2008 E EFEITOS A PARTIR DE 2003. READEQUAÇÃO NOS ANOS SEGUINTES AO LIMITE DE RECEITA PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES. A opção pelo SIMPLES deve ser feita pelo contribuinte, na estrita observância do § 1.º do art. 8.º da Lei n.º 9.317/96. Conhecendo o contribuinte sua receita bruta anual, ele deve: a) comunicar a Receita Federal quando ultrapassa o limite que veda a opção, e b) promover alteração cadastral para reinclusão no SIMPLES, quando reenquadrar-se no referido limite. O ADE somente supre a falta de comunicação pelo contribuinte, para efeito de exclusão do SIMPLES, não afastando a verificação compulsória pelo optante quanto ao atendimento das exigências legais.
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Recorrente COMERCIAL DE MÓVEIS LEAL AZEVEDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA APURADA POR PRESUNÇÃO DE OMISSÃO. REFLEXO NA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não se decide sobre a nulidade do auto de infração no processo que cuida exclusivamente da exclusão do SIMPLES por excesso de receita bruta. A matéria processual é diversa. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA E LESÃO À AMPLA DEFESA. Tendo a decisão recorrida abordado todos os temas suscitados na peça de defesa, não houve cerceamento de defesa ou prejuízo à ampla defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO. RELAÇÃO COM A SUPERAÇÃO DO LIMITE LEGAL PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES. Se os débitos decorrentes de lançamento de ofício correspondentes a receitas omitidas foram confessados mediante adesão a parcelamento, deixa de existir dúvida quanto à efetiva percepção das receitas pelo contribuinte. REINCLUSÃO NO SIMPLES. ADE PUBLICADO EM 2008 E EFEITOS A PARTIR DE 2003. READEQUAÇÃO NOS ANOS SEGUINTES AO LIMITE DE RECEITA PARA PERMANÊNCIA NO SIMPLES. A opção pelo SIMPLES deve ser feita pelo contribuinte, na estrita observância do § 1.º do art. 8.º da Lei n.º 9.317/96. Conhecendo o contribuinte sua receita bruta anual, ele deve: a) comunicar a Receita Federal quando ultrapassa o limite que veda a opção, e b) promover alteração cadastral para reinclusão no SIMPLES, quando reenquadrarse no referido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 81 80 /2 00 6- 81 Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10730.008180/200681 Acórdão n.º 1002000.300 S1C0T2 Fl. 68 2 limite. O ADE somente supre a falta de comunicação pelo contribuinte, para efeito de exclusão do SIMPLES, não afastando a verificação compulsória pelo optante quanto ao atendimento das exigências legais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Angelo Abrantes Nunes e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Uma vez que refletem com bastante clareza os fatos, transcrevo o relatório elaborado pela DRJ/RJ1: [...] Através do Ato Declaratório n° 15 — (fls 11), de 03 de março de 2008, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Niterói procedeu à exclusão da interessada do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, indicando como causa do ato a superação, no ano calendário de 2002, do limite máximo de receita bruta. O excesso de receitas relativamente ao limite foi constatado em procedimento de oficio formalizado no processo de n° 10730008176/200612, no qual foi apurada omissão de receitas. Nos termos do parágrafo 3° do artigo 15 da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que assegura à pessoa jurídica excluída de oficio do SIMPLES o direito ao Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10730.008180/200681 Acórdão n.º 1002000.300 S1C0T2 Fl. 69 3 contraditório e à ampla defesa, ingressou a interessada, em 14/10/2008, com a impugnação de fls 31, na qual requer sua inclusão no regime simplificado a partir de 01/01/2004 e alega a seu favor que: • A exclusão do Simples por excesso de receita bruta só deve prevalecer para o ano de 2003 tendo em vista que para os anos de 2004, 2005 e 2006 a interessada respeitou o limite legal e entregou as declarações de rendimentos próprias para o regime simplificado; • Como o Ato Declaratório Executivo foi emitido em 03/03/2008, não foi possível à pessoa jurídica formalizar opção válida a partir de 2004; • O contribuinte que é excluído do Simples por excesso de receita e no ano subseqüente volta a faturar dentro dos parâmetros legais, pode retomar ao Regime Simplificado; • Nos casos em que o contribuinte não formaliza sua opção pelo Simples mas apresenta as declarações simplificadas e efetua os recolhimentos devidos, a SRFB promove o enquadramento ex oficio e regulariza a opção pelo Simples. [...] Enfrentada a impugnação apresentada pelo contribuinte, foi exarado o acórdão n.º 1222.229 pela 8.a Turma da DRJ/RJ1 (efls. 47 a 50), que manteve a exclusão do SIMPLES, a partir de 01/01/2003, que havia sido declarada via Ato Declaratório Executivo (ADE) DRF/NIT n.º 15, de 03/03/2008, efl. 13. Contra a decisão de primeira instância o recorrente apresentou recurso voluntário, com as alegações assim sintetizadas: 1) reedição das preliminares que assinala terem constado de sua impugnação, sustentando ter havido cerceamento de defesa e lesão à ampla defesa, apontando que a decisão a quo não as considerou e não buscou a verdade material, especialmente no que envolve os aspectos sobre a omissão de receitas relativa a diferença de estoques, o que levaria à decisão pela nulidade do lançamento de ofício que identificou receitas que causaram a ultrapassagem do limite anual de receita bruta; 2) que falta previsão legal para o lançamento fiscal fundado em omissão de receitas cuja constatação decorre de diferença de estoque; e 3) que deve ser reincluído no SIMPLES a partir do ano 2004, uma vez que o ADE de exclusão foi emitido em 2008 com efeitos retroativos, e por isso não pôde já em 2004 solicitar sua reinclusão . É o relatório. Voto Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10730.008180/200681 Acórdão n.º 1002000.300 S1C0T2 Fl. 70 4 Conselheiro Angelo Abrantes Nunes Relator O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. O Ato Declaratório Executivo DRF/NIT n.º 15, de 03/03/2008, efl. 13, tem como fato motivador a superação de limite de receita bruta balizador para a permanência no SIMPLES. Segue a análise dos argumentos nos quais se amparou o recorrente. Preliminar de nulidade do lançamento de ofício. Neste item o recorrente infere que a decisão da DRJ/NIT não buscou a verdade material, na medida em que todas as preliminares foram ali rejeitadas, e por isso são reiteradas no recurso voluntário. Entende ainda que o colegiado de 1.º grau não formou livremente seu convencimento porquanto "demonstra não haver entendido suficientemente e por isso mesmo enfrentado as relevantes questões que lhe foram submetidas, notadamente a que envolve a impossibilidade jurídica de aplicação direta da presunção de omissão de receita, em DIFERENÇA DE ESTOQUE, caracterizada por "passivo não comprovado" no anocalendário de 2002, alcançado pela exação, dada a inexistência de previsão legal". Segue dizendo a peça recursal que deveria ter sido declarada a nulidade do lançamento, dadas as questões preliminares contidas na impugnação, pois a imposição fiscal consubstanciada no lançamento de ofício se tratava de notório cerceamento do direito de ampla defesa e impossibilitava o contraditório, e a matéria tributável haveria de constar perfeitamente definida no edital de exclusão do SIMPLES. Conclui que a decisão da DRJ ocorreu no interesse exclusivo da Administração Tributária de reduzir o estoque de processos, sem compromisso com a verdade dos fatos e justiça fiscal. É de se registrar de antemão que o lançamento de ofício no qual constam as receitas omitidas que somadas às declaradas pelo sujeito passivo ultrapassam o limite legal para permanência no SIMPLES é matéria afeta ao processo administrativo fiscal (PAF) n.º 10730.008176/200612, cujos créditos, ali lançados de ofício, foram integralmente inseridos pelo recorrente em parcelamento, e, consequentemente, foram objeto de confissão de dívida. Outra constatação importante diz respeito à alegação de que todas as preliminares exibidas na impugnação foram desconsideradas pelo julgamento de piso. Não é isso que se verifica após o exame dos textos da impugnação (efl. 33) e da decisão recorrida (e fls. 47 a 50). A uma porque na peça impugnatória não há qualquer destaque ou referência a aspectos preliminares, mostrandose todo o teor dos argumentos como suporte para as alegações de mérito. A duas, porque, o único cerceamento ali levantado dirigese ao fato de que ao contribuinte teria sido restringido o seu direito de exercer a opção pelo SIMPLES relativamente ao ano calendário 2004, pois o ADE fora emitido só em 2008. Quanto a este último item, a decisão recorrida manifestouse pela falta de previsão legal para a inclusão Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10730.008180/200681 Acórdão n.º 1002000.300 S1C0T2 Fl. 71 5 retroativa, e pela regência dos procedimentos pelo art. 8.º, § 1.º, da Lei n.º 9.317/96. Isso tudo é muito distante das circunstâncias que seriam caracterizadoras de a decisão ter ocorrido no interesse exclusivo da Administração Tributária, sem compromisso com a verdade dos fatos e justiça fiscal, e de a decisão ter desconsiderado todas as preliminares exibidas na impugnação, como pretende fazer crer o recurso voluntário. A única coisa que importaria para o colegiado de 1.º grau, relacionada ao processo que controlava os autos de infração que motivaram a representação fiscal — esta a que fundamentou o ADE DRF/NIT n.º 15/2008 —, seria verificar se as receitas ali consignadas como omitidas poderiam ou não ser reconhecidas. Isso se encontra abordado no acórdão recorrido, pois ali se expressa a posição que revela que o reconhecimento foi confirmado pelo próprio contribuinte recorrente, uma vez que aderiu a parcelamento de débitos, confessando os créditos tributários decorrentes daquelas receitas omitidas e antes discutidos administrativamente. Logo, a despeito de o recorrente não ter indicado qual verdade material teria sido desprezada nas razões de decidir do acórdão recorrido, supondo que esta se trata da falta de exame das questões acerca da presunção de omissão de receitas em diferença de estoque, o que também seria indicativo de ausência de formação livre do convencimento dos julgadores, é de se registrar que esse tipo de alegação é absolutamente incompatível com o ato de adesão ao parcelamento praticado pelo recorrente, que caracteriza o abandono da contestação do lançamento de ofício, que inclui abandono das contestações sobre as receitas ali consignadas. Isso o porquê da decisão da DRJ, fundamentadamente, ter deixado de abordar o assunto. O mesmo raciocínio se aplica para mostrar descabida a pretensão do recorrente de que fosse declarada a nulidade do lançamento porque este provocou cerceamento de defesa e impossibilitou o contraditório, e de que a matéria tributável deveria constar do edital de exclusão do SIMPLES. Pelo exposto, não cabe declaração de nulidade do lançamento referente às receitas que repercutiram na exclusão do SIMPLES, controladas em processo diverso, tampouco foram identificadas matérias propriamente preliminares, cuja apreciação seria cabível. Não merecem prosperar as alegações do recorrente trazidas no recurso como matéria preliminar. Mérito. O recorrente destaca dois temas na discussão de mérito: 1) A impossibilidade de a presunção de omissão de receita, amparada na apuração de diferenças de estoque, servir de base para exclusão de empresas do SIMPLES, por absoluta falta de previsão legal, e que dita omissão deveria ter sido alvo de aprofundamento de exames pela fiscalização; 2) A impropriedade da exclusão do SIMPLES, dado que o ADE DRF/NIT n.º 15 é de 2008 e seus efeitos a partir de 01/01/2003, e nos anos 2003 a 2008 o contribuinte Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10730.008180/200681 Acórdão n.º 1002000.300 S1C0T2 Fl. 72 6 manteve suas receitas operacionais dentro dos limites descritos em lei para opção pelo SIMPLES, ou permanência. Quanto ao item "1", repitase que a adesão do recorrente ao parcelamento torna inútil a apreciação ou exploração de aspecto relacionado à procedência ou não do crédito tributário lançado de ofício e da receita apurada correlata. A confissão de dívida do recorrente manifestada no ato de adesão ao parcelamento afasta qualquer propósito de contestação a respeito. Já no que tange ao item "2", é preciso investigar a legislação regente à época do descumprimento do requisito correspondente a limitação da receita bruta. Assim, seguem transcritos os dispositivos da Lei n.º 9.317/96, de interesse, verbis: (...) Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) II na condição de empresa de pequeno porte, que tenha auferido, no anocalendário imediatamente anterior, receita bruta superior a R$ 1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais); (...) Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: (...) II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9°; (...) Art. 14. A exclusão darseá de ofício quando a pessoa jurídica incorrer em quaisquer das seguintes hipóteses: I exclusão obrigatória, nas formas do inciso II e § 2° do artigo anterior, quando não realizada por comunicação da pessoa jurídica; (...) Ora, nessa matéria também não há nada a opor quanto ao que concluiu o acórdão recorrido. Vejase que, ocorrido o fato impeditivo, o contribuinte é legalmente obrigado a informar sobre. No caso concreto, a desistência do contraditório, mediante confissão, relativamente às receitas omitidas que infligiram o lançamento de ofício controlado no outro processo administrativo convalida a efetividade das receitas brutas omitidas apuradas pela fiscalização. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10730.008180/200681 Acórdão n.º 1002000.300 S1C0T2 Fl. 73 7 Embora neste processo, 10730.008180/200681, não se discuta o mérito do crédito lançado, é visível a influência indireta da conclusão pela concretude ou não das receitas brutas apuradas de ofício e que resultaram no auto de infração controlado no outro processo administrativo. Observese que, nessa linha, importa constatar que o recorrente ao tempo em que não trouxe a estes autos sequer um elemento de prova com teor desconstitutivo da presunção de omissão de receita que acarretou o auto de infração controlado no outro PAF, ao aderir ao parcelamento, também reconhece a efetividade desta receita. Então se revela uma situação na qual se deve inferir que o contribuinte incorreu em hipótese legal de comunicação obrigatória da condição impeditiva, mas não o fez. Aí justificase a exclusão de ofício com efeitos reconhecidos em período anterior à data de publicação do ADE de exclusão, restando compreender que a reversão da condição impeditiva — reenquadramento ao limite legal de receita bruta anual —, permitiria a reinclusão ao regime simplificado de tributação, por opção do contribuinte, atendida a forma exigida no art. 8.º , § 1.º da Lei n.º 9.317/96, abaixo reproduzido. (...) Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. (...) A opção do sujeito passivo pelo SIMPLES, regido pela Lei n.º 9.317/96, deve ser manifestada na forma do art. 8.º da referida Lei, observada a sua responsabilidade pela convicção quanto ao nãoenquadramento nas vedações legais. A exclusão por comunicação decorrente de obrigatoriedade é feita na forma do art. 13, II, "a", da citada Lei. Verificada a falta da comunicação obrigatória, a exclusão de ofício é formalizada mediante ADE. O seus efeitos podem ser reconhecidos, assim, a partir de data anterior, conforme o caso. O recolhimento efetuado na modalidade do SIMPLES, superveniente ao ano calendário em que houve o excesso de receita que veda a opção, não supre o procedimento legal exigido pelo art. 8.º, § 1.º, da Lei n.º 9.317/96, transcrito. Pelo exposto, não cabe razão ao recorrente também nessa parte de sua contestação em recurso voluntário. Conclusão: Por todas as razões demonstradas, VOTO por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10730.008180/200681 Acórdão n.º 1002000.300 S1C0T2 Fl. 74 8 É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes. Fl. 74DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.000314/2011-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 24/03/2006 a 02/09/2010
OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃOCOMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA.
A falta de comprovação da origem e disponibilidade dos recursos utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no §2º do artigo 23 do Decretolei n. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n. 10.637/2002.
PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA.
Constituem dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras importadas com ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERESSE COMUM. DEMONSTRAÇÃO
A responsabilidade solidária da empresa como real adquirente das mercadorias está devidamente respaldada nos autos e na legislação específica, tendo sido comprovada a efetiva ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, simulada pela documentação que respaldou a importação (art. 95, V, Decreto-lei n.º 37/1966).
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO.
O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA APLICADA. MATÉRIA SUMULADA NO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.501
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Pelo voto de qualidade, rejeitada a exclusão de Ofício da empresa importadora PARTNER proposta pela Conselheiro Diego Diniz Ribeiro face a previsão legislativa específica da sanção pela cessão de nome. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 24/03/2006 a 02/09/2010 OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃOCOMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. A falta de comprovação da origem e disponibilidade dos recursos utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no §2º do artigo 23 do Decretolei n. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n. 10.637/2002. PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Constituem dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras importadas com ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERESSE COMUM. DEMONSTRAÇÃO A responsabilidade solidária da empresa como real adquirente das mercadorias está devidamente respaldada nos autos e na legislação específica, tendo sido comprovada a efetiva ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, simulada pela documentação que respaldou a importação (art. 95, V, Decreto-lei n.º 37/1966). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaura-se com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerando-se não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada. CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA APLICADA. MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Pelo voto de qualidade, rejeitada a exclusão de Ofício da empresa importadora PARTNER proposta pela Conselheiro Diego Diniz Ribeiro face a previsão legislativa específica da sanção pela cessão de nome. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 24/03/2006 a 02/09/2010 OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. NÃOCOMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. FATO PRESUNTIVO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. A falta de comprovação da origem e disponibilidade dos recursos utilizados na operação de importação caracteriza, por presunção, a prática da interposição fraudulenta no comércio exterior, definida no §2º do artigo 23 do Decretolei n. 1.455/1976, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n. 10.637/2002. PERDIMENTO DA MERCADORIA. CONVERSÃO EM MULTA. Constituem dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras importadas com ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros, sujeita à pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. SUJEIÇÃO PASSIVA. INTERESSE COMUM. DEMONSTRAÇÃO A responsabilidade solidária da empresa como real adquirente das mercadorias está devidamente respaldada nos autos e na legislação específica, tendo sido comprovada a efetiva ocorrência de importação por conta e ordem de terceiros, simulada pela documentação que respaldou a importação (art. 95, V, Decretolei n.º 37/1966). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação ou manifestação de inconformidade, que devem ser expressas, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 03 14 /2 01 1- 01 Fl. 602DF CARF MF 2 CARÁTER CONFISCATÓRIO DE MULTA APLICADA. MATÉRIA SUMULADA NO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Pelo voto de qualidade, rejeitada a exclusão de Ofício da empresa importadora PARTNER proposta pela Conselheiro Diego Diniz Ribeiro face a previsão legislativa específica da sanção pela cessão de nome. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz e Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Relatório Tratase de processo de Auto de Infração, lavrado contra as empresas PARTNER TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (doravante denominada de PARTNER TRADING) e INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BALÕES S/A (doravante denominada de IBB), esta arrolada como solidária responsável, devidamentes qualificadas nos autos deste processo, por em sede do procedimento especial de Fiscalização Aduaneira, o Fisco concluiu que na Declaração de Importação (DI) n° 09/04061374, registrada pela PARTNER em 01/04/2009 (por conta e risco próprios), ter restado apurado a infração tipificada como “Dano ao Erário” decorrente da ocultação do real adquirente (no caso a empresa IBB), mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, em face da impossibilidade de apreensão das mercadorias, vez que não foram localizadas ou já tenham sido consumidas. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 603 3 Como resultado, a Fiscalização lavrou o Auto de Infração em causa para o lançamento do crédito tributário total de R$ 82.888,45, composto das seguintes parcelas: (i) Diferença de imposto apurada entre o preço declarado e o preço arbitrado acompanhada de seus consectários legais (PIS, COFINS, Juros Moratórios e Multa de Ofício de 150% exasperada em face do disposto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996 c/c os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964); (ii) Multa de 100% sobre a diferença entre o preço declarado e o preço arbitrado ou o preço efetivamente praticado na importação (art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001; c/c art. 703, caput, do Decreto nº 6.759/09 (Regulamento Aduaneiro); (iii) Multa de 10% pela Cessão do Nome da Pessoa Jurídica com vistas ao Acobertamento dos Reais Intervenientes ou Beneficiários da Operação (art. 33 da Lei nº 11.488/2007); (iv) Multa equivalente a 100% do valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de sua apreensão, vez que estas não foram encontradas ou já destinadas a consumo (art. 23, §3º do Decretolei nº 1.455/76, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637/02, combinado com o art. 73 e o art. 81, inciso III, da Lei nº 10.833/03). Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida de nº 1143.365, prolatada pela 6ª Turma da DRJ em Recife (PE), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 440/476): "(...) O procedimento teve início em 23/Setembro/2010 com a ciência ao contribuinte do Termo de Início de Procedimento Especial expedido pela Equipe de Fiscalização Aduaneira (EFA) da DRFItajaí em sede de cumprimento do Mandado de Procedimento Fiscal n° 09.2.06.002010004187 destinado à verificação da sua capacidade operacional bem como da origem lícita, efetividade e transferência dos valores requeridos para o financiamento das operações do comércio exterior praticadas no período fiscalizado (24/03/2006 a 02/09/2010), consoante a disciplina prevista na IN SRF nº 228/2002. A Fiscalização relatou inicialmente que a empresa PARTNER, ora impugnante, é uma empresa prestadora de serviços de comércio exterior atuando fundamentalmente, no ramo de assessoria do comércio exterior, promovendo a introdução no mercado nacional de mercadorias adquiridas por terceiros, bem como outros serviços conexos. Nos anos de 2009 e 2010, a empresa promoveu o registro de 17 DI’s na modalidade de importação efetuada por conta e risco próprios. Entre estas dezessete, encontrase a operação objeto do presente processo (Declaração de Importação n° 09/04061374, de 01/04/2009). Consignou ainda a Fiscalização que na página eletrônica que a PARTNER mantém na internet (Disponível em <http:/www.partnertrading.com.br/partnertrading/partnerempres Fl. 604DF CARF MF 4 a.html > Acesso em 26/11/2010) ela assim se apresenta (fls. 81 e 82 do processo digital): “A PARTNER TRADING Importação e Exportação Ltda., empresa detentora de Regime Especial, proporciona aos seus clientes significativa redução nos custos de um processo de importação, com o consequente aumento de competitividade em um mundo cada vez mais globalizado. A empresa é composta por profissionais experientes e especializados, dispondo de uma sólida estrutura organizacional, com serviços doortodoor, com o objetivo de atender com agilidade e segurança as necessidades e expectativas de seus clientes. A PARTNER também informa oferecer importação por conta de ordem, esclarecendo que "esta modalidade de importação que é regulamentada pela Receita Federal e pelo BACEN, e tem por objetivo promover o despacho aduaneiro de mercadorias adquiridas em nome de uma comercial importadora, mercadorias estas, adquiridas por outra empresa, através de contrato previamente firmado. A PARTNER TRADING realiza esse tipo de operação, garantindo facilidades operacionais, redução de custos e com toda comodidade no fechamento de câmbio, que pode ser efetuado pelo adquirente da mercadoria negociada”. A Fiscalização relatou um extenso rol de providências investigatórias sobre as atividades do comércio exterior praticadas pela empresa (coleta de documentos, arquivos magnéticos e informações de interesse fiscal, bem como a tomada a termo do depoimento de diversas pessoas, direta ou indiretamente relacionadas com a fiscalizada); assim como uma larga sequência de reintimações fiscais (seguidamente desatendidas, total ou parcialmente) que, ao final, possibilitaram a apuração de diversos fatos e elementos indiciários, dos quais destacaremos os principais, como segue. 1. Que até 04/12/2008, a PARTNER TRADING era denominada AIRGNV DO BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS AUTOMOTIVOS LTDA., domiciliada no município de Camboriú/SC, tendo por objeto social a importação, exportação, fabricação e comércio atacadista de equipamentos e acessórios de gás natural para veículos, possuindo dois sócios argentinos, José Di Lenarda e Leandro José Lenarda. 2. Naquela data (04/12/2008) foi assinado o 7º Instrumento de Alteração Contratual, por meio do qual os sócios argentinos transferiram suas cotas sociais para AUGUSTO CÉSAR RAMOS (CPF nº 591.398.54949), LUÃ KAUER PEDROSA (CPF n° 386.390.66833)e MÁRCIO DE SOUZA (CPF nº 834.764.82987). Cada um deles passando a deter um terço das cotas sociais. 3. Que em função dessa alteração no instrumento societário o objeto social foi alterado para abranger uma nova gama de atividades; a denominação foi alterada para a atual PARTNER TRADING; o domicilio foi alterado para a rua Dr. Pedro Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 604 5 Ferreira n° 155, sala 1600A, Centro, em Itajaí/SC. Consignou, nesse ponto, que dessa forma, embora a pessoa jurídica permanecesse a mesma, tratavase efetivamente de um novo empreendimento, de uma empresa totalmente nova. 4. Que em 19/01/2009 foi firmado o 8° Instrumento de Alteração Contratual para formalizar a retirada da sociedade (ao menos formalmente) de AUGUSTO CÉSAR RAMOS, ingressando em seu lugar o seu pai, ALDO LUIZ RAMOS, CPF nº 004.518.94049, bem como para alterar o domicilio para o endereço Av. Marcos Konder nº 1.313, sala 606, Bairro Centro, Itajaí/SC. 5. Que trinta dias após, em 18/02/2009, foi firmada a 9ª alteração, retirandose da sociedade ALDO LUIZ RAMOS e retornando em seu lugar AUGUSTO CÉSAR RAMOS. 6. Que em 07/05/2009, foi celebrada a 10ª alteração, quando se retirou novamente da sociedade (ao menos formalmente), AUGUSTO CÉSAR RAMOS, tendo cedido as suas cotas em partes iguais aos dois sócios remanescentes, LUÃ e MÁRCIO. 7. Que em 18/11/2009, houve nova alteração contratual, retirandose da sociedade MÁRCIO DE SOUZA, tendo este cedido suas cotas para TACYANA BORGHETTI VELASQUES (CPF n° 058.106.79919). A sociedade passou a contar então com dois sócios gerentes, LUÃ KAUER PEDROSA e TACYANA BORGHETTI VELASQUES. Por ocasião do inicio do Procedimento Especial de fiscalização, no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ), era este o quadro societário formalmente existente. 8. Registrou que os dois sócios LUÃ KAUER PEDROSA e TACYANA BORGHETTI VELASQUES além de muito jovens, não registravam vínculo anterior com atividades do comércio exterior nem experiência nesse ramo de negócios, bem como suas declarações de imposto de renda demonstravam que detinham parco patrimônio. 9. A sócia TACYANA BORGHETTI VELASQUES, nascida em 1987, apresentou declaração de isento em 2007 e não entregou declarações de imposto de renda nos anos de 2008 e 2009. Na declaração apresentada em 2010, informou que detinha como patrimônio, em 31/12/2008, R$ 78.000,00 em dinheiro, em espécie. Durante o ano de 2009, teria auferido rendas no montante de R$ 30.000,00 integralmente recebidos de pessoas físicas, suposta origem dos recursos empregados na aquisição das cotas sociais da PARTNER. 10. Consignou que a sócia TACYANA era companheira de AUGUSTO CÉSAR RAMOS, figurando na prática como sócia (representante) no lugar de AUGUSTO. Relatou que entre as razões para este comportamento, reside o fato de que a PARTNER TRADING efetuou importações de uma empresa de fachada situada nos Estados Unidos, denominada ATLAS Fl. 606DF CARF MF 6 CONTINENTAL PRODUCTS, que havia sido criada e dirigida por AUGUSTO CÉSAR RAMOS. Registrou que esse comportamento, ocultando o vínculo direto existente nas operações entre as empresas, denota a intenção de afastar os efeitos decorrentes dessa vinculação no que tange à valoração aduaneira. 11. Que posteriormente ao início do procedimento fiscal a PARTNER apresentou o 12° Instrumento de Alteração Contratual, que teria sido firmado em 18/05/2010, ocasião em que TACYANA cedeu suas cotas sociais para AUGUSTO, que então retornou (formalmente) à sociedade. Alertou que embora a alteração tenha sido firmada em maio, só foi apresentada para registro na Junta Comercial em 14/09/2010 e efetivamente averbada naquele órgão em 24/09/2010. 12. Que o sócio LUÃ KAUER PEDROSA, nascido em 1989, apresentou em 2007declaração de isento. Em 2008 não apresentou declaração. Na declaração apresentada em 2009, declarou que, em 31/12/2007, possuía um patrimônio de R$ 60.482,53, sendo que deste R$ 60.000,00 compunhase de dinheiro em espécie. Ao longo de 2008, afirmou ter auferido rendimentos no montante de R$ 7.344,00, recebidos da empresa WMS SUPERMERCADOS DO BRASIL LTDA. Já em 31/12/2008, seu patrimônio aumentou para R$ 135.701,55, em função, principalmente, da aquisição de cotas sociais da PARTNER TRADING (R$ 61.930,47) e da PJ MASTER COM. IMP. E EXP. LTDA. (R$ 33.330,00). Por outro lado, declarou dívidas e ônus reais existentes na mesma data, no montante de R$ 56.664,00, sendo R$ 30.000,00 relativos a empréstimo obtido de ALDO RAMOS (pai de AUGUSTO CÉSAR RAMOS). 13. Que assim sendo, deduzindose do seu patrimônio declarado em 31/12/2008 (R$ 135.701,55) as dívidas existentes (R$ 56.664,00) chegase a um patrimônio líquido de R$ 79.037,55, sendo este valor incoerentemente superior ao patrimônio existente no ano anterior (R$ 60.482,53) acrescido da renda auferida durante 2008 (R$ 7.344,00) que resulta no valor de R$ 67.826,53. Na declaração apresentada em 2010, afirmou ter auferido rendimentos, em 2009, no montante de R$ 20.130,00 recebidos da PARTNER TRADING. Foi informada a quitação do empréstimo obtido de ALDO RAMOS e a obtenção de novo, pelo mesmo valor, desta vez de AUGUSTO CÉSAR RAMOS (filho de ALDO RAMOS). 14. Que o sócio LUÃ prestou declarações conforme Termo de Declaração (fls. 66 e 67 do processo digital), em 23/09/2010, quando afirmou que suas atividades na empresa consistiam em elaborar documentação e ir ao banco quando necessário, pois ainda estava em fase de aprendizado, bem como que não se recordava de quem havia adquirido as cotas sociais da empresa, nem sabia qual havia sido o faturamento ou o lucro da empresa no ano anterior. 15. Que o sócio LUÃ KAUER PEDROSA é sobrinho de PAULO CÉSAR KAUER (CPF n° 417.420.79091)sendo este diretor da PARTNER TRADING, figurando seu sobrinho como seu "representante", por assim dizer, no quadro societário. Relatou Fl. 607DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 605 7 que PAULO CÉSAR é sócio de empresas prestadoras de serviços em comércio exterior desde 1999 e ainda consta como sócio da empresa Columbus Cargo Assessoria e Comércio Exterior Ltda (CNPJ nº 03.240.274/000146), estabelecida em São Paulo/SP. Nessa passagem, advertiu a Fiscalização que a situação cadastral de PAULO CÉSAR KAUER no Cadastro de Pessoas Físicas é "pendente de regularização", pois ele não entregou declarações do imposto de renda, embora legalmente obrigado, nos três anos anteriores ao início do procedimento (2008 a 2010). Consultas efetuadas na internet permitiram concluir que a razão para PAULO CÉSAR ocultarse do quadro societário da PARTNER TRADING, bem como não apresentar declarações de imposto de renda informando rendimentos e eventuais bens devese a existência de diversas ações monitórias na Justiça de São Paulo tendo por requeridos a Columbus Cargo e/ou Paulo César Kauer, envolvendo as operações desta empresa que teria encerrado suas atividades irregularmente, o que fundamentou o direcionamento das ações para esse sócio. Consignou ainda que mediante consulta aos extratos dos processos judiciais obtidos na internet, a tentativa de citação dos devedores tem resultado infrutíferas (incluindo nesse rol ação de execução da Fazenda Pública Nacional). Sendo assim, concluiu a Fiscalização que PAULO CÉSAR tem preferido manter oculto seu paradeiro e patrimônio para evitar a constrição judicial de seus bens. 16. Que sendo assim, a PARTNER TRADING tem sido efetivamente dirigida por AUGUSTOCÉSAR RAMOS e PAULO CÉSAR KAUER e, durante o período de dezembro/2008 a novembro/2009, também por MÁRCIO DE SOUZA. 17. Que a INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BALÕES (IBB), é domiciliada em São Roque/SP e que através da PARTNER TRADING, promoveu onze operações de importação de látex natural na condição de adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, no período compreendido entre abril e agosto de 2009. Antes disso, porém, já mantinha relacionamento comercial com os sócios da PARTNER, pois vinha efetuando importações da mesma mercadoria por meio de outra empresa, denominada TITAN TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA (CNPJ nº 07.651.321/000103). Registrou que AUGUSTO CÉSAR RAMOS foi sócio dessa empresa, até 19/03/2009, conforme dados constantes no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas. Já PAULO CÉSAR KAUER, por sua vez, era funcionário da TITAN TRADING desde 01/11/2007, com ocupação correspondente a "gerente de comercialização, marketing e comunicação". Por conseguinte, com a saída de AUGUSTO e PAULO CÉSAR da TITAN TRADING, muitas operações que vinham sendo intermediadas pela TITAN tiveram continuidade através da PARTNER TRADING, ora impugnante. 18. Que a Declaração de Importação objeto do presente processo foi registrada pela despachante aduaneira INDIANARA TAVES COSTA (CPF n° 948.025.9990), Fl. 608DF CARF MF 8 sendo ela sócia da prestadora de serviços em despachos aduaneiros SOULLER ASSESSORIA EM COMÉRCIO EXTERIOR LTDA (CNPJ 06.969.316/000172), estabelecida na Rua Pedro Ferreira n°155, sala 1500 e 1500A, bairro Centro, em Itajaí/SC. Esta empresa possui dois sócios, cada um com 50% das cotas sociais: INDIANARA TAVES COSTA e MÁRCIO DE SOUZA (CPF n° 834.764.82987). Sendo assim, a Fiscalização verificou que MÁRCIO DE SOUZA, além de sócio da empresa responsável pelos despachos aduaneiros, também foi sócio da PARTNER TRADING até o mês de novembro de 2009. Apontou ainda que conforme informações constantes no Cadastro Nacional de PJ’s a SOULLER promoveu alteração em seu contrato social em 27/10/2010 promovendo a retirada de MÁRCIO DE SOUZA do quadro societário, sendo que atualmente a SOULLER teria como sócia (ao menos formalmente) apenas INDIANARA. Entretanto, por ocasião dos fatos narrados no relatório da Fiscalização, MÁRCIO DE SOUZA figurava como sócio administrador da SOULLER. 19. Que o objeto do presente processo referencia a importação de 16.400 kgs de látex natural centrifugado, no valor declarado CFR de US$ 18.356,50, provenientes dos Países Baixos (Holanda), estando o respectivo despacho aduaneiro instruído com a fatura comercial (invoice) n° 547554, de 12/03/09 (fl. 202 do processo digital), emitida pelo exportador holandês Wurfbain Nordmann BV, onde consta expressamente que o comprador (“buyer”) é a INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BALÕES (IBB), figurando nessa operação como PJ importadora a empresa PARTER TRADING, evidenciando assim uma importação por conta e ordem. A Fiscalização destacou no procedimento que malgrado esse fato, a importação promovida ao amparo da Declaração de Importação n° 09/04061374, de 01/04/2009, foi registrada pela PARTNER na qualidade de importadora e adquirente dessa mercadoria, declarando tratarse de importação realizada por conta e risco próprios. 20. Que pela análise de diversas mensagens de correio eletrônico coletadas pela Fiscalização na empresa PARTNER verificouse que inicialmente o embarque no exterior ocorreu por iniciativa da TITAN TRADING, ainda em 2008. Entretanto, após a chegada da carga, a TITAN TRADING não teria ainda conseguido vendêla. Em 06/03/2009, HÉLIO AUGUSTO REZENDE, sócio da LAREDIS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA (CNPJ nº 43.639.707/000155), representante comercial do exportador, envia mensagem a CARLOS EDUARDO BONFANTE, diretor da IBB, questionando se a IBB não teria interesse em ficar com parte dos contêineres contendo látex que haviam chegado ao país em nome da TITAN (fls. 209 e ss. do processo digital). 21. Em 09/03/2009, o Sr. CARLOS BONFANTE respondeu informando que necessitaria de prazos de pagamento de 60/90 e 120 dias para ficar com a mercadoria. Em 10/03/2009, HÉLIO (LAREDIS) informa que o exportador concordou com os prazos solicitados e confirma a renegociação das mercadorias relativas a três contêineres de látex que se encontravam no país em nome Fl. 609DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 606 9 da TITAN TRADING, incluindo um contêiner "ao preço de 1.485 USD per ton CFR Itajaí para pagamento 120 dias da data da nova Fatura Comercial” (fls. 206 do processo digital). A carga havia chegado ao porto de Itajaí em 13/01/2009 e se encontrava armazenada aguardando o início do despacho aduaneiro. 22. Relatou que em 12/03/2009, o Sr. BONFANTE questionou HÉLIO em outra mensagem (fl. 209): "Você ficou de ver para reduzir do preço o valor que vocês estão devendo do látex que vazou, iremos descontar desses contêineres?". Ele se refere ao vazamento de carga ocorrida em importação anterior do mesmo exportador. HÉLIO então respondeu: "Estamos trabalhando o desconto de USD 5.997,50 conforme nota de crédito em anexo para o último contrato para pagamento 120 dias. Seu novo contrato S15874." O contrato citado é relativo à importação em questão, sendo que esta referência consta inclusive na fatura comercial, bem como o desconto citado é o que foi concedido na mesma fatura. Concluiu a Fiscalização que o desconto no valor a pagar refere se à importação anterior, que devido ao vazamento de parte da carga, o exportador assumiu a responsabilidade pelo sinistro concedendo o abatimento pretendido. 23. Que em 13/03/2009, HÉLIO encaminhou mensagem (fl. 210 do processo digital) anexando cópia da fatura comercial 547554 (fl. 211 do processo digital) e informando que o novo número do contrato é S15874. Informa também que o desconto foi concedido conforme solicitado pelo Sr. CARLOS BONFANTE (diretor da IBB) e anexa a respectiva nota de crédito (credit note) – fl.216 do processo digital endereçado à IBB. Encaminhou também cópia da letra de câmbio (draft) com vencimento em 10/07/2009 (120 dias da fatura, conforme o ajuste feito), documento que também indica expressamente que o devedor é a IBB (fl. 214 do processo digital). Em 18/03/2009, MÁRCIO DE SOUZA, sócio da PARTNER, encaminha para SIMONE da IBB (nome fantasia “Happy Day”) a solicitação de numerários para desembaraço da mercadoria relativa ao contrato S15874 (fl. 217 do processo digital), anexando planilha de cálculo (fl. 218 do processo digital) onde consta que o valor a ser depositado é de R$ 17.621,08. Na mesma data, SIMONE confirma que estava fazendo TED desse valor para o Banco Bradesco e solicita confirmação do recebimento (fl. 219 do processo digital). MÁRCIO DE SOUZA confirma, mais tarde, o recebimento desse valor (fl. 220 do processo digital). Através do extrato da conta corrente da PARTNER no Banco Bradesco a Fiscalização verificou que o valor de R$ 17.621,08 foi efetivamente recebido da IBB nesta data (fl. 255 do processo digital). A DI em causa foi então registrada em 01/04/2009. 24. Em 07/04/2009, PAULO CÉSAR enviou mensagem para a IBB (fls. 220221 do processo digital) esclarecendo que no que diz respeito ao desembaraço da mercadoria relativa ao contrato S15874, o numerário ainda não teria sido recebido (indicando ter Fl. 610DF CARF MF 10 havido troca do número de contrato na solicitação anteriormente relatada), mas que a PARTNER se utilizou do numerário relativo ao contrato S15726 (referese à outra operação de importação, DI n° 09/04333447, de 07/04/2009 e fatura n° 547059). Solicita ainda o depósito adicional de R$ 10.000,00 para dar andamento às operações. Em 13/04/2009, PAULO CÉSAR envia mensagem à IBB (fls. 223226 do processo digital) fazendo um resumo dos valores recebidos para pagamento das despesas das duas operações cujos despachos estavam se processando concomitantemente requerendo o depósito do valor adicional de R$ 12.810,57. PAULO CÉSAR esclarece que os numerários dos dois processos foram misturados e afirma ainda que "na oportunidade, face a nossa incapacidade de registrar por conta e ordem da IBB, em contato com o Sr. Bonfante, foi decidido registrarmos em nome da Partner Trading (importação própria), objetivando atender a demanda do cliente". Na mesma data, SIMONE/IBB confirma que estaria efetuando o depósito naquele data. 25. A DI foi desembaraçada em 20/04/2009. Em 30/04/2009, a PARTNER TRADING emitiu a nota fiscal de entrada n° 0014 (fl. 186 do processo digital) e, concomitantemente, a nota fiscal de saída n° 0015 (fl. 185 do processo digital) através da qual formalizou a venda de toda a mercadoria para a IBB. 26. No que tange ao pagamento da mercadoria ao exportador, a Fiscalização relatou que mensagem de PAULO CÉSAR endereçada aos Srs. BONFANTE e HÉLIO, em 14/04/2009 (fls. 231 do processo digital), esclarece que "quando chegar a hora de pagar, eu recebo da IBB pela minha NF de venda e realizo o pagamento ao fornecedor estrangeiro, atendendo evidentemente as taxas do dólar do dia". Na mesma data, PAULO CÉSAR envia outra mensagem confirmando que o procedimento se refere ao contrato S15874 (relativo à operação objeto do presente procedimento) fl. 230 do processo digital. Trocas de mensagens em data posteriores, entre os dias 21/07/2009 e 13/08/2009, todas com o assunto "Previsão/Fechamento de Câmbio" (fls. 230 e ss. do processo digital), demonstraram que o Sr. HÉLIO (LAREDIS) vinha solicitando posição, tanto da PARTNER, quanto da IBB, quando ao fechamento de câmbio para pagamento ao exportador. Em 12/08/2009, SIMONE/IBB solicita que lhe seja informada a taxa cambial para que ela possa efetuar a transferência (fl. 235 do processo digital) ao que o Sr. MÁRCIO DE SOUZA informa uma estimativa de valor para depósito no montante de R$ 34.129,53 (fl. 234 do processo digital). Posteriormente, SIMONE confirma que já enviou TED para a conta da PARTNER (fl. 236 do processo digital). Extrato de conta corrente da PARTNER junto ao Banco Bradesco (fl. 258 do processo digital) confirma o recebimento do adiantamento em 12/08/2009, bem como o fechamento do câmbio na mesma data (contrato de câmbio n° 09/008623 fls. 261 e ss. do processo digital). 27. Que a mercadoria foi adquirida do exportador pelo valor total CFR de US$ 24.354,00 (conforme fatura comercial/fl. 206 Fl. 611DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 607 11 do processo digital), correspondentes a 16.400kg de látex natural ao preço unitário de US$ 1,485/kg. Entretanto, o exportador concedeu um desconto de US$ 5.997,50 resultando num valor total a pagar de US$ 18.356,50. O exportador emitiu nota de crédito (Credit Note 49196/14168/1) endereçada à IBB (fl. 219 do processo digital), onde esclarece os motivos do crédito que se traduziu em desconto na fatura comercial relativa a operação: "We herewith credit you for the 2.500kg of Latex which has been spilt during the transport from the harbour Itajai to your production site. The reason of the leakage was a jlexibag with weak seams slowly releasing the 2.500 kgs" (em tradução livre: o exportador afirma que credita para a IBB por meio da referida nota os 2.500 kgs de látex que derramaram durante o transporte do porto de Itajaí até o local de produção Fábrica da IBB). O motivo do vazamento foi um flexibag (contêiner flexível utilizado para acondicionar líquidos) com suturas frágeis que liberou lentamente os referidos 2.500 kgs. Sendo assim, o desconto praticado foi, na verdade, uma compensação a IBB por problemas ocorridos em importação anterior devido à deficiência na embalagem do produto. 28. Observou a Fiscalização que dessa forma o valor aduaneiro da mercadoria deveria incluir o montante do desconto concedido, pois representa quantia já enviada ao exportador anteriormente representando assim um montante efetivamente pago. Considerou – para efeito de determinação do real valor aduaneiro que o valor efetivamente pago foi de US$ 24.354,00 (convertidos conforme a taxa cambial vigente na data do registro da DI = R$ 2,3297) ao qual devem ser acrescidos os custos de transporte (já embutido no valor pago, por se tratar de frete pré pago), descarga e manuseio (R$ 402,13), concluindo que o valor aduaneiro da mercadoria e que deveria ter servido de base de cálculo para os tributos e contribuições é de R$ 57.139,64. 29. Consignou a utilização de documentos falsos no despacho de importação em causa, vez que foram localizadas, entre a documentação coletada na PARTNER TRADING, duas versões diferentes da mesma fatura comercial (invoice) n° 547554, de 12/03/2009, ambas supostamente originais, mas com conteúdos diferentes. Numa primeira versão, consta que o valor efetivo da mercadoria foi de US$ 24.354,00 (CFR), correspondentes a 16.400kg de látex ao preço unitário de US$ 1,485 por kg. Nesse documento está informado que foi concedido um desconto de US$ 5.997,50, do que resultou o valor final a ser pago ao exportador de US$ 18.356,50. Registrou que essa é via original efetivamente emitida pelo exportador, pois o representante do exportador enviou uma cópia dessa mesma mensagem por email (fls. 213 e ss. do processo digital), conforme mensagem eletrônica de 13/03/2009. Nessa mensagem consta inclusive que a documentação estava sendo encaminhada ao Banco ABN Real S/A. Na pasta de documentos relativos à operação (coletada na PARTNER) foi localizado ainda boleto do Banco Real (fl. 207 do processo digital), endereçado à IBB, informando que "seguem anexos os documentos da cobrança estrangeira" e fazendo Fl. 612DF CARF MF 12 também referência à fatura n° 547554. Além disso, na fatura emitida pelo exportador, verificou ser visível a presença de uma marca d'água com a expressão "Orbit" não existente na “outra via desse documento”. 30. Registrou ainda que a segunda versão da fatura apresenta diferenças no cabeçalho (que corresponderia ao timbre do exportador); a assinatura, embora atribuída à mesma pessoa, é diferente da constante no documento emitido pelo exportador, não há a impressão da marca d'água e o desconto foi omitido, constando apenas o valor final (já reduzido) da mercadoria (fl. 202 do processo digital). O preço unitário foi modificado e reduzido para US$ 1,1193 por kg, resultando num montante de US$ 18.256,50. 31. Prosseguiu nessa passagem registrando que mediante diligência efetuada na SOULLER ASSESSORIA, foram coletados diversos arquivos digitais relativos às operações de importação intermediadas por esta empresa. Pela sua análise, a Fiscalização identificou que MÁRCIO DE SOUZA, na ocasião dos fatos em tela, era sócio concomitantemente da PARTER e da SOULLER. Verificou ainda que o conteúdo do arquivo denominado "Invoice Wurfbain.doc" (fls. 265267 do processo digital), elaborado no programa Microsoft Word, é idêntico à segunda versão da fatura que foi apresentada no despacho aduaneiro, demonstrando que o arquivo foi montado para ocultar o valor do desconto, condizendo com o valor declarado na DI. Concluiu esse ponto apontando que o documento apresentado à fiscalização é materialmente falso. 32. Concluiu o procedimento nos seguintes termos: “Diante dos fatos narrados neste Relatório Fiscal, restou demonstrado que a PARTNER TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA submeteu a despacho aduaneiro a Declaração de Importação n° 09/04061374, declarandose como IMPORTADORA E ADQUIRENTE da mercadoria, quando a efetiva responsável pela compra internacional e pelo aporte de recursos financeiros foi a INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BALÕES S/A. Estas duas pessoas jurídicas promoveram a importação mediante INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, dissimulando o negócio jurídico verdadeiramente ocorrido. Além disso, constatouse que a fatura comercial foi FALSIFICADA para reduzir o preço praticado na importação, reduzindo fraudulentamente os tributos e contribuições recolhidos”. De outra parte, contraditando o procedimento em causa, as contrarrazões apresentadas pelas impugnantes podem ser sinteticamente descritas como seguem. Antes, porém, cumpre esclarecer que considerando a pluralidade de sujeitos passivos identificados no procedimento em causa (PARTNER TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA E IBB INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BALÕES S/A), notadamente em face dos efeitos advindos da solidariedade passiva da imputação que lhes foi destinada, suas impugnações foram reunidas e agrupadas por temas semelhantes, de forma lógica e sistematizada, com o fito de, a uma, elencar todos os pontos impugnados; a duas, para evitar Fl. 613DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 608 13 duplicidades ou redundâncias temáticas e, a três, para permitir a congruência dos diversos argumentos articulados. (A) Arguiu a impugnante PARTNER, em sede preliminar, a nulidade do procedimento em face da “incompetência dos agentes autuantes para aplicar pena de perdimento de mercadorias aduzindo que esta competência, inicialmente exclusiva do Ministro de Estado, foi delegada ao Delegado da Receita Federal. Entretanto, para o caso em referência, a pena em questão foi decretada por agentes administrativos de grau hierárquico inferior, desprovidos de competência e determinação legal para tal ato”. (B) A impugnante IBB, por seu turno, arguiu a preliminar de nulidade aduzindo violação aos princípios constitucionais da legalidade, motivação e da ampla defesa. Sustentou que: “toda e qualquer conduta tida por infracional, deve estar descrita de forma clara e precisa no corpo do Auto de Infração, bem como deve estar devidamente motivada, com a respectiva indicação da base legal infringida, e com base em documentos hábeis à comprovação do alegado”. (C) Arguiu inconstitucionalidade da pena de perdimento de mercadorias que não teria sido recepcionada pela Constituição Federal de 1988 aduzindo que esta penalidade estaria condicionada ao devido processo legal que somente poderia ser instaurado perante o poder judiciário. (D) Que a prova não poderia ser constituída com base em trechos de mensagens eletrônicas trocadas entre agentes das impugnantes contidas em mídias (arquivos magnéticos) coletadas no procedimento, aduzindo, nesse ponto, que se trata de meros indícios não se prestando a servir de prova contundente da prática de ilícitos. (E) Que as provas carreadas aos autos foram obtidas violando o direito material das impugnantes, contaminando de ilicitude todas as demais provas derivadas de anterior transgressão praticada, originariamente, pelos agentes da persecução penal, que desrespeitaram a garantia constitucional da inviolabilidade domiciliar. Que a constituição da interposição fraudulenta para a DI (Declaração de Importação) referenciada está formalizada em informações obtidas (ilícitas) e diálogos havidos entre as empresas autuadas. (F) Que “os arquivos eram criados pela impugnante para que não houvesse erro por parte do exportador acerca das informações que deveriam conter os documentos enviados pelo mesmo. Assim, os modelos criados jamais foram utilizados como documentos originais, mas sempre foram criados como rascunhos para que o exportador obtivesse uma orientação no preenchimento final de seus documentos. Prova disto é que todos os rascunhos criados foram sempre repassados ao exportador para conferência e providências” (PARTNER). Fl. 614DF CARF MF 14 (G) Que grande parte dos fundamentos apostos no auto impugnado são pautados na suposição e presunção, sendo manifesto o risco de erro na determinação presuntiva de ilícitos, que ficam sempre abertos à prova em contrário. (H) Requereu perícia técnicocontábil para verificação da regularidade de suas operações. (I) Que inexistiu dano ao erário, posto que se tivesse existido deveria ter valor pecuniário para ser apurado, e não havendo a sua comprovação não há como acatar a tese de perdimento de mercadorias importadas. (J) Que “em 09/03/2009, quase 02 meses após a chegada da carga em território nacional, o Representante Legal da impugnante (IBB INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BALÕES S/A) manifestou interesse na aquisição da carga, no mercado interno, portanto, desde que fosse concedido um prazo para pagamento de 60/90 e 120 dias”. (K) Que “não houve, portanto, utilização de recursos de terceiros para a realização da importação em comento, e, consequentemente, não houve a pretensa interposição fraudulenta, pelo simples fato de que a mercadoria já se encontrava em território nacional quando da transação comercial estabelecida entre a impugnante (IBB) e a TITAN TRADING, por intermédio da empresa do mesmo grupo, PARTNER TRADING”. (L) Que as infrações apontadas no procedimento “não merecem prevalecer em relação Impugnante (IBB), pelo simples fato da importação não ter sido por ela realizada. E, considerando que a Impugnante efetuou a compra da mercadoria no mercado interno, não há que se falar em responsabilidade pelos dados informados na Declaração de Importação, diferença apurada entre o preço declarado e o Preço arbitrado, fraude, uso de documento falso, ou ocultação do sujeito passivo”. (M) Que “a suposta conduta de "INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO . IMPOSSIBILIDADE DE APREENSÃO DA MERCADORIA" igualmente não merece prevalecer em relação à Impugnante, tendo em vista que o pagamento da mercadoria foi realizado em momento posterior à entrada da mercadoria importada no território nacional”. (N) Que “conforme disposição expressa da legislação aduaneira, o adquirente da mercadoria importada somente será responsável pelas informações prestadas, e será solidariamente responsável pelo recolhimento dos tributos, na hipótese da importação ser feita por sua conta e ordem o que NÃO ocorreu no caso em exame”. (O) Que “a impugnante, em 09/03/2009, ou seja, em data posterior à chegada da mercadoria em território nacional, efetuou transação comercial com a PARTNER TRADING para adquirir a mercadoria, no mercado interno, importada pela TITAN TRADING”. Fl. 615DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 609 15 (P) Arguiu violação ao princípio da proporcionalidade em face da inadequação entre a infração praticada e a penalidade aplicada. (Q) Que é “ilegal a cobrança de juros moratórios sobre a multa aplicada porque a multa detém caráter acessório ao principal. Tratase, portanto, de uma sanção pelo não pagamento no prazo”. (R) Arguiu a “inconstitucionalidade da cobrança da Taxa "SELIC" e a impossibilidade de sua aplicação nos créditos tributários no caso em questão, razão pela qual devem ser afastada”. É o relatório." No entanto, a Delegacia da RFB de Julgamento em Recife (PE) julgou a Impugnação improcedente, nos termos do Acórdão de nº 1143.365, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos (fl. 440): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 24/03/2006 a 02/09/2010 IMPORTAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Aplicação concomitante da multa de 10% pela cessão do nome da pessoa Jurídica importadora com vistas ao acobertamento dos reais adquirentes ou Beneficiários da Operação (art. 33 da Lei nº 11.488/2007). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 24/03/2006 a 02/09/2010 SUJEIÇÃO PASSIVA. Respondem pela infração conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; a pessoa natural ou jurídica, em razão do despacho que promover, de qualquer mercadoria e o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A empresa PARTNER TRADING foi regularmente intimada por AR (Correios) em seu endereço cadastral na RFB, conforme documentos de fls. 481/483 e, verifica se que o Correio, em 14/11/2013, informa que o AR foi devolvido pelo seguinte motivo: "desconhecido" (fl. 482). Fl. 616DF CARF MF 16 Ato seguinte, por EDITAL, nos termos do art. 23, § 1º, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, pela empresa se encontrar em lugar incerto e ignorado, a ALF/Itajai (SC), publicou o Edital nº 43/2013, sendo afixado em 21/11/2013 e desafixado na data de 06/12/2013 (fl. 484). Quanto a responsável solidária IBB, a mesma foi regularmente intimada em seu endereço cadastral em 26/11/2013 (AR/Correios fls. 481 e 485). Compulsando os autos, verifico que a empresa PARTNER TRADING não apresentou seu Recurso Voluntário. Quanto a responsável solidária, INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BALÕES S.A. (IBB), CNPJ 07.003.744/000109, em 23/12/2013, apresenta seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 487/526, onde reprisa os argumentos esgrimidos em primeiro grau, reforçado com as seguintes razões, em resumo: Que a autuação se deu em desfavor da empresa PARTNER TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e equivocadamente a Fiscalização atribuiu a responsabilidade solidária à IBB, em razão de seu suposto envolvimento na operação tida por fraudulenta e que tal prática jamais foi adotada pela Recorrente, sendo que nunca realizou importações de produtos da espécie e do gênero daqueles indicados na autuação, o que explica o fato de não terem sido trazidos aos autos quaisquer elementos que comprovassem, efetivamente, a participação na operação em questão. Preliminarmente, alega que conforme se verifica da simples leitura do Auto de Infração, não tem ele condições de prosperar, uma vez que inexistem elementos necessários à formalização do crédito tributário, à imputação de responsabilidade tributária e à individualização de condutas tidas por ilícitas. Cita como premissa indelével a necessidade da presença dos requisitos mínimos do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelos artigos 9º e 10, do Decreto 70.235/72, e artigos 38 e 39, do Decreto n° 7.574/2011. Sendo completamente ausentes os elementos comprobatórios do envolvimento da Recorrente nos atos que ensejaram a autuação combatida e não tendo sido demonstradas as causas autorizativas da presunção, revestese o Auto de Infração de total nulidade no que concerne à responsabilização desta empresa, devendose, de plano, reconhecêlo como nulo. Dessa forma, argumenta pela nulidade do Auto de Infração por não preenchimento dos requisitos legais, uma vez que a não observância de qualquer das exigências constantes no artigo 142 do CTN ou no artigo 10, do Decreto n° 70.235/72, maculam essencialmente o Auto de Infração, tornandoo nulo. Aduz que as supostas condutas de "DECLARAÇÃO INEXATA DO VALOR DA MERCADORIA (VALOR DE TRANSAÇÃO INCORRETO)", "DIFERENÇA APURADA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O PREÇO ARBITRADO", "CESSÃO DO NOME DA PESSOA JURÍDICA COM VISTAS A ACOBERTAMENTO DOS REAIS INTERVENIENTES OU BENEFICIÁRIOS", "FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO, e FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA PIS/PASEP IMPORTAÇÃO", não merecem prevalecer em relação à Recorrente, pelo simples fato da importação não ter sido por ela realizada. E, considerando que a Recorrente efetuou a compra da mercadoria no mercado interno, não há que se falar em responsabilidade pelos dados informados na DI, diferença apurada entre o preço declarado e o preço arbitrado, fraude, uso de documento falso, ou ocultação do sujeito passivo; Fl. 617DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 610 17 que, conforme disposição expressa da legislação aduaneira, o adquirente da mercadoria importada somente será responsável pelas informações prestadas, e será solidariamente responsável pelo recolhimento dos tributos, na hipótese da importação ser feita por sua conta e ordem o que NÃO ocorreu no caso em exame; em 09/03/2009, ou seja, em data posterior à chegada da mercadoria em território nacional, efetuou transação comercial com a PARTNER TRADING para adquirir a mercadoria, no mercado interno, importada pela TITAN TRADING. Em razão de acordos comerciais anteriormente formalizados, a PARTNER TRADING teve que conceder um desconto de U$ 5.997,50, em especial, por ter havido um vazamento com uma carga anterior. argumenta que caberia à fiscalização comprovar que, (i) a totalidade do preço da mercadoria vendida para a Recorrente teria sido paga em momento anterior à entrada da mercadoria em território nacional, e (ii) a TITAN TRADING não teria capacidade econômico financeira para realizar as importações diretas no período; que, diferentemente da conclusão da fiscalização, a importação do contêiner de Látex, de 16.400 kg, posteriormente adquirido, foi realizada pela TITAN TRADING em 2008, consoante comprova o incluso conhecimento de transporte marítimo "Bill of Landing;" a carga chegou ao porto de Itajaí em 13/01/2009; após a chegada da carga no Brasil, a TITAN TRADING não conseguiu vendêla. Frisese que a TITAN TRADING já estava enfrentando dificuldades financeiras em razão dos desastres naturais (chuvas) ocorridos em Itajaí, conforme é de conhecimento público e notório, e tal fato era de conhecimento da Recorrente, em razão da relação comercial anteriormente estabelecida; em março de 2009, o Sr. Hélio Augusto Rezende, representante comercial do exportador, entrou em contato com o Representante Legal da Recorrente, questionandoo a respeito de eventual interesse na aquisição da mercadoria. Em 09/03/2009, quase 02 meses após a chegada da carga em território nacional, o Representante Legal da Recorrente manifestou interesse na aquisição da carga, no mercado interno, portanto, desde que fosse concedido um prazo para pagamento de 60/90 e 120 dias; no dia 10/03/2009, o Sr. Hélio manifestou concordância na realização da venda; em 12/09/2009, a Recorrente informou ao Sr. Hélio que havia que ser descontado o valor de U$ 5.997.50, em razão do vazamento de carga anterior; o desconto foi concedido e a letra de câmbio foi emitida para pagamento em 10/07/2009; os pagamentos de R$ 10.000,00 e de R$ 12.810,57 foram feitos pela Recorrente à PARTNER TRADING em razão de outras operações realizadas entre as partes. em resumo, a mercadoria, objeto da presente discussão, foi integralmente paga pela Recorrente, em 12/08/2009 (fls. 233/235 e 257 dos autos), ou seja após o decurso de mais de 07 meses da data da chegada da mercadoria no território nacional. Obviamente, que o valor efetivamente transferido não corresponde ao valor da mercadoria, justamente em razão da concessão do desconto, ajustado comercialmente, pelo fato de ter havido vazamento em carga anterior. Há comprovação nos autos de que a liquidação financeira ocorreu em 12/08/2009 (fls. 233/235 e 257 dos presentes autos). não houve, portanto, utilização de recursos de terceiros para a realização da importação, e, conseqüentemente, não houve a tipificação no disposto no artigo 27, da Lei n° 10.637/02, que determina que a presunção da realização da importação por conta e ordem, necessariamente, depende da comprovação da realização de operação de comércio Exterior MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS. Fl. 618DF CARF MF 18 aduz sobre o caráter confiscatório das multas aplicadas; Da impossibilidade de aplicação de juros moratórios sobre multa ocorrência de "bis in idem"; e da inconstitucionalidade da cobrança da Taxa "SELIC" e a impossibilidade de sua aplicação nos créditos tributários no caso em questão, razão pela qual devem ser afastada. Por todo o exposto, requer seja recebido e provido o presente Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do recurso Passase ao exame do Recurso Voluntário apresentado pela responsável solidária, INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BALÕES S.A. (IBB), que é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido por este Colegiado. Como relatado, a empresa PARTNER TRADING não apresentou seu Recurso Voluntário. Dada a hipótese de solidariedade na responsabilidade por infração à legislação aduaneira apontada na autuação fiscal, as razões de contestação apresentadas por um dos acusados em princípio aproveitam ao outro autuado, com exceção de eventuais alegações de caráter pessoal que possam importar na caracterização de dolo específico. 2. Preliminar Requisitos legais do Auto de Infração Aduz a Recorrente em seu Recurso que, (...) conforme se verifica da simples leitura do Auto de Infração, não tem ele condições de prosperar, uma vez que inexistem elementos necessários à formalização do crédito tributário, à imputação de responsabilidade tributária e à individualização de condutas tidas por ilícitas. Neste sentido, devese ter como premissa indelével a necessidade da presença dos requisitos mínimos do ato administrativo fiscal, requisitos estes expressamente determinados pelos artigos 9º e 10, do Decreto 70.235/72, e artigos 38 e 39, do Decreto n° 7.574/2011". Afirma que, estando completamente ausentes os elementos comprobatórios do envolvimento da Recorrente nos atos que ensejaram a autuação combatida e não tendo sido demonstradas as causas autorizativas da presunção, revestese o Auto de Infração de total nulidade no que concerne à responsabilização desta empresa, devendose, de plano, reconhecê lo como nulo para reformar o Acórdão recorrido e cancelar a autuação vergastada, liberandose a Recorrente da responsabilização solidária. No entanto, discordo da Recorrente. O lançamento atendeu plenamente às regras procedimentais, especialmente a norma estampada no art. 9º do Decreto nº 70.235 (com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Vejase: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, Fl. 619DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 611 19 depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) No mesmo sentido atende as regras do art. 10 do referido Decreto. O auto de infração foi lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e contem a qualificação do autuado; o local, a data e a hora da lavratura; a descrição fato; a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O procedimento fiscal resultou no Relatório Fiscal (Anexo ao Auto de Infração, fls. 19/46), que referenciou pormenorizadamente todos os elementos que permitiram identificar e caracterizar, na forma da lei, o ilícito tipificado como interposição fraudulenta de terceiros em operações do comércio exterior brasileiro, mediante a ocultação do real adquirente das mercadorias em causa, de sorte que foram plenamente atendidos os requisitos estabelecidos na lei para a validade do Auto de Infração, especialmente as disposições do Decreto nº 70.235/1972 (PAF) e artigos 38 e 39, do Decreto n° 7.574/2011. Na decisão de piso restou destacado a extensa documentação colacionada pela Fiscalização aos autos demonstrando o nexo lógico da motivação do procedimento que determinou ao final, o lançamento ora impugnado, bem como a descrição detalhada de todos os passos trilhados no curso do procedimento investigatório em fase preambular ao lançamento e a descrição clara e minudente das infrações praticadas bem como dos dispositivos legais infringidos. Desta forma, restou claro nos autos que os Recorrentes foram cientificados da exigência fiscal e apresentaram Impugnação que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas no Acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto o lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre o assunto, transcreve se o dispositivo que rege a matéria no processo administrativo fiscal. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 620DF CARF MF 20 Deste modo, não merece guarida a alegação de nulidade da decisão recorrida, uma vez que foram cumpridos todos os dispositivos legais vigentes no Decreto nº 70.235/72, não se enquadrando, portanto, em nenhum dos requisitos do citado art. 59 do referido Decreto. Portanto, não há que se falar quem de violação aos princípios constitucionais da legalidade, motivação e da ampla defesa vez que, a toda evidência, o procedimento assegurou aos autuados o inarredável cumprimento de todas as suas garantias legais e constitucionais. 3. Da sujeição passiva solidária Consta à fl. 26 do Relatório de Fiscalização (Anexo ao Auto de Infração), que: "(...) A INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BALÕES, doravante designada IBB, é domiciliada em São Roque/SP. Através da PARTNER TRADING, promoveu onze operações de importação de látex natural na condição de adquirente de mercadoria importada por sua conta e ordem, no período compreendido entre abril e agosto de 2009. Antes disso, porém, já mantinha relacionamento comercial com os sócios da PARTNER, pois vinha efetuando importações da mesma mercadoria por meio de outra empresa, denominada TITAN TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA., CNPJ 07.651.321/000103. Tratase de empresa da qual foi sócio, até 19/03/2009, conforme dados constantes no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas, o Sr.AUGUSTO CÉSAR RAMOS. Já PAULO CÉSAR KAUER era funcionário da TITAN TRADING desde 01/11/2007, conforme esta informava na GFIP (fl. 254), com ocupação correspondente a "gerentes de comercialização, marketing e comunicação". Por conseguinte, com a saída de AUGUSTO e PAULO CÉSAR da TITAN TRADING, muitas operações que vinham sendo intermediadas pela TITAN tiveram continuidade através da PARTNER TRADING". Nesse contexto, a legislação tributária e aduaneira determina que o adquirente de mercadoria importada por "sua conta e ordem" é responsável solidário pelos tributos e contribuições incidentes na operação de importação, nos termos do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66); art. 32, parágrafo único, alínea "c", do DecretoLei n° 37/66, com a redação dada pela Lei no 11.281/06; art. 6°, inciso I, da Lei n°10.865/04. Em complemento às disposições do Código Tributário Nacional, o Decreto Lei nº 37/66, em seu art. 95, definiu especificamente a responsabilidade pelas infrações aduaneiras (fl. 46, do Relatório Fiscal): “Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie;” (Negritei) (...). V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória n° 2.15835, de 2001) No Relatório do Fisco, demonstrouse que ocorreu conluio entre a IBB e a PARTNER TRADING, posto que ambas conjuntamente concorreram para a prática das infrações, com vontade e consciência dos efeitos do procedimento. Além disso, a PARTNER TRADING é responsável por ter promovido os despachos em seu nome, não apenas sabendo das irregularidades, mas sendo a mentora dos procedimentos adotados. A IBB, por sua vez, é responsável por ser a adquirente oculta, sendo a principal beneficiária das fraudes. Fl. 621DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 612 21 Segundo as normas acima citadas, a infração consubstanciada na "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" é imputável a quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie. Nesse sentido, entendo que encontrase perfeitamente correto o enquadramento legal procedido pela Fiscalização no art. 95 do Decreto Lei nº 37/66. Desta forma, a responsabilização solidária da IBB encontrase corretamente procedida pelo Fisco. 4. Quanto ao Mérito do Auto de Infração Constatase nos presentes autos que o foco e o resultado da ação fiscal levado a efeito pelo Fisco, restou demonstrado em seu Relatório que a PARTNER TRADING submeteu a despacho aduaneiro a Declaração de Importação n° 09/04061374, declarandose como IMPORTADORA e ADQUIRENTE da mercadoria, quando a efetiva responsável pela compra internacional e pelo aporte de recursos financeiros foi a IBB. Estas duas pessoas jurídicas promoveram a importação mediante INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, dissimulando o negócio jurídico verdadeiramente ocorrido. Além disso, constatouse que a fatura comercial foi adulterada para reduzir o preço praticado na importação, reduzindo fraudulentamente os tributos e contribuições recolhidos. No caso em tela, considerandose todos os fatos e elementos de prova coletados no curso das ações fiscais realizadas, restou comprovado que a empresa PARTNER TRADING, formalmente importadora e adquirente das mercadorias em causa, cedeu seu nome à outra PJ (IBB S/A) com vistas à ocultação desta última da condição de real adquirente das mercadorias importadas em causa (16.400 kgs de látex natural centrifugado provenientes da Holanda, promovida ao amparo da Declaração de Importação n° 09/04061374, de 01/04/2009) mediante artifícios simulatórios. A seguir, os dispositivos legais pertinentes aos fatos, lembrando que o artigo 59 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, alterou o texto do artigo 23 do Decretolei nº 1.455, de 07/04/1976, norma regulamentada pelo art. 618, XXII, do RA/2002, e atualmente regulamentada pelo art. 727 do Regulamento Aduaneiro (RA/2009), aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009; art. 33, § 3º, da Lei nº 11.488/07. É importante destacar que todos os documentos e mídias (arquivos computadores) coletados pela Fiscalização no curso do procedimento fiscal, referemse a livros, documentos e mensagens de natureza comercial, fiscal ou contábil, cuja exibição e auditoria estão expressamente autorizadas em lei cogente. Ademais, o acesso aos estabelecimentos diligenciados foi franqueado pelas próprias fiscalizadas e a coleta de arquivos, documentos e mídias se deu contra recibo das autoridades fiscais, consoante as normas legais e procedimentais vigentes. Assim, no processo administrativo tributário que reina o primado da verdade material dos fatos, e foi pelas provas do quadro indiciário reunido pela Fiscalização que desvelou a prática de infração tipificada como "Dano ao Erário" mediante o uso de artifícios simulatórios, como veremos a seguir. Como bem relatado pelo Fisco, destacase os seguintes elementos do quadro indiciário identificado durante o procedimento fiscal: Fl. 622DF CARF MF 22 (i) utilização de documentos falsos no despacho de importação em causa, vez que foram localizadas, entre a documentação coletada na empresa PARTNER TRADING, duas versões diferentes da mesma fatura comercial (invoice) n° 547554, de 12/03/2009, ambas originais, mas com conteúdos e formatos diferentes; (ii) farta correspondência comercial entre as empresas PARTNER, IBB e o exportador holandês Wurfbain Nordmann BV evidenciando claramente as tratativas comerciais havidas para a aquisição das mercadorias sob discussão precedentemente ao registro da Declaração de Importação n° 09/04061374 em 01/04/2009, demonstrando claramente que a IBB é a sua real adquirente; c) que os recursos financeiros requeridos para o financiamento da importação em questão foram integralmente provenientes da empresa IBB; e d) que o despacho aduaneiro (Declaração de Importação n° 09/04061374) foi instruído com a fatura comercial (invoice) n° 547554, de 12/03/09 (fl. 202), emitida pelo exportador holandês Wurfbain Nordmann BV, onde consta que o comprador (“buyer”) é a IBB, figurando a PARTER TRADING como importador, evidenciando assim uma importação por conta e ordem. Como se vê, de fato, a empresa PARTNER TRADING promoveu o registro da Declaração de Importação n° 09/04061374, de 01/04/2009, informando que o adquirente da mercadoria era o PRÓPRIO IMPORTADOR, ou seja, ela própria. Entretanto, conforme restou demonstrado acima, a PARTNER não negociou nem adquiriu a mercadoria e tampouco disponibilizou recursos financeiros para realizar a operação, posto que esses recursos foram integralmente provenientes da IBB. Vejase cópia da "invoice" nº 547554 (parte) que instruiu a Declaração de Importação, que encontrase apensada à fl. 202: Fl. 623DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 613 23 Sobre esse documento (invoice), vejase abaixo, transcrição de trechos do Relatório de Fiscalização elabora quando da conclusão dos trabalhos (fls. 19/46): "(...) A referida Declaração de Importação diz respeito à importação de 16.400kg de látex natural centrifugado, no valor CFR de US$ 18.356,50. O despacho aduaneiro foi instruído com a fatura comercial (invoice) n° 547554, de 12/03/09 (fl. 200), emitida pelo exportador holandês Wurfbain Nordmann BV, onde consta que o comprador (buyer) é a IBB (sendo a PARTER TRADING o importador, evidenciando uma importação por conta e ordem), com o packing list n° PK00052632, de 15/11/2008 (fl. 205), e com o conhecimento de transporte marítimo (Bill of Lading B/L) n° SUDUN84228370844, de 08/12/2008 (fl. 199). Conforme mensagens de correio eletrônico coletadas na PARTNER verifica se que inicialmente o embarque no exterior ocorreu por iniciativa da TITAN TRADING, ainda em 2008; Entretanto, após a chegada da carga, a TITAN TRADING não teria conseguido vendêla. Em 06/03/2009, HÉLIO AUGUSTO REZENDE, sócio da LAREDIS COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA, CNPJ 43.639.707/000155, representante comercial do exportador, envia mensagem a CARLOS EDUARDO BONFANTE, diretor da IBB, questionando se a IBB não teria interesse em ficar com parte dos cont8ineres contendo latex que haviam chegado ao Pais em nome da TITAN (fls. 206207). Em 09/03/2009, o Sr.BONFONTE informa que necessitaria de prazos de pagamento de 60/90 e 120 dias (fl. Fl. 624DF CARF MF 24 206). Em 10/03/2009, HÉLIO informa que o exportador concordou com os prazos solicitados e confirma a renegociação das mercadorias relativas a três cont8ineres de latex que se encontravam no Pais em nome da TITAN TRADING, incluindo um cont8iner "ao prego de 1485 USD per ton CFR Itajaí para pagamento 120 dias da data da nova Fatura Comercial (Antigo contrato da TITAN/S156.02 B/L SUDUN84228370844)" (fl. 206). Tratase do conhecimento de transporte instrutivo do despacho aduaneiro da DI em questão. A carga havia chegado ao porto de Itajaí em 13/01/2009 e se encontrava armazenada aguardando o inicio do despacho aduaneiro. Em 12/03/2009, o Sr. BONFANTE questiona HÉLIO (fl. 209): "Você ficou de ver para reduzir do prego o valor que vocês estão devendo do latex que vazou, iremos descontar desses containers?". Ele se refere a vazamento de carga ocorrida em importação anterior do mesmo exportador. HÉLIO responde "Estamos trabalhando o desconto de USD 5.997,50 conforme nota de crédito em anexo para o último contrato para pagamento 120 dias HU Seu novo contrato S15874." 0 contrato citado é relativo à importação em questão, sendo que esta referência consta inclusive na fatura comercial, bem como o desconto citado é o que foi concedido na mesma fatura. Temos, portanto, que o desconto no valor a pagar referese importação anterior, devido a vazamento de parte da carga, onde o exportador assumiu a responsabilidade pelo sinistro. Em 13/03/2009, HÉLIO encaminha mensagem (fl. 210) anexando cópia da fatura comercial 547554 (fl. 211) e informando que o novo número do contrato é S15874. Informa também que o desconto foi concedido e anexa a respectiva nota de crédito (credit note) fl. 216 endereçado à IBB. Encaminhou também cópia da letra de câmbio (draft) com vencimento em 10/07/2009 (120 dias da fatura, conforme combinado), documento que também indica que o devedor é a IBB (fl. 214). Em 18/03/2009, MÁRCIO DE SOUZA, sócio da PARTNER, encaminha para SIMONE da IBB (nome fantasia Happy Day) a solicitação de numerários para desembaraço da mercadoria relativa ao contrato S15874 (fl. 217), anexando planilha de cálculo (fl. 218) onde consta que o valor a ser depositado é de R$ 17.621,08. Na mesma data, SIMONE confirma que estava fazendo o TED para o Banco Bradesco e solicita confirmação do recebimento (fl. 219). MÁRCIO DE SOUZA confirma, mais tarde, o recebimento do valor (fl. 220). Através do extrato da conta corrente da PARTNER no Banco Bradesco é possível verificar que o valor de R$ 17.621,08 foi efetivamente recebido da IBB nesta data (fl. 255) 6. A DI, entretanto, so foi registrada em 01/04/2009. Em 07/04/2009, PAULO CÉSAR envia mensagem para a IBB (fls. 221222) esclarecendo que no que diz respeito ao desembaraço da mercadoria relativa ao contrato S15874, o numerário ainda não teria sido recebido (aparentemente houve troca do número de contrato na solicitação anteriormente relatada), mas que a PARTNER se utilizou do numerário relativo ao contrato S15726 (referese a outra operação de importação, DI n° 09/04333447, de 07/04/2009 e fatura n° 547059). Solicita ainda o depósito adicional de R$ 10.000,00 para dar andamento As operações. Em 13/04/2009, PAULO CÉSAR envia mensagem A IBB (fls. 223 226) fazendo um resumo dos valores recebidos para pagamento das despesas das duas operações cujos despachos estavam se processando concomitantemente e requer o depósito do valor adicional de R$ 12.810,57. PAULO CÉSAR esclarece que os numerários dos dois processos foram misturados e afirma ainda que "na oportunidade, face a nossa incapacidade de registrar por conta e ordem da /BB, em contato com o Sr. Bofante, foi decidido registrarmos em nome da Partner Trading ( importação própria), objetivando atender a demanda do cliente." Na mesma data, SI MONE/IBB confirma que está efetuando o depósito naquele data. Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 614 25 A DI foi desembaraçada em 20/04/2009. Em 30/04/2009, a PARTNER TRADING emitiu a nota fiscal de entrada n° 0014 (fl. 186) e, concomitantemente, a nota fiscal de saída n° 0015 (fl. 185) através da qual efetuou a venda de toda a mercadoria para a IBB". Vale esclarecer que a figura jurídica da importação "por conta e ordem de terceiros" foi introduzida na legislação tributária/aduaneira com o advento da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, a qual estabeleceu em seus art. 79 e 80 disposições sobre a matéria. Art. 80. A Secretaria da Receita Federal poderá: I estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; II exigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. (Grifei). A Administração Tributária, atendendo ao disposto no inciso I do art. 80, edita a IN SRF n° 225/02, que veio a regular as importações por conta e ordem de terceiros. É cediço que no caso de importações efetuadas na modalidade “por conta e ordem de terceiros” se diferencia da importação "por conta própria", pois na primeira, a pessoa jurídica que adquire a mercadoria no exterior contrata terceiro, um prestador de serviços, que como tal é remunerado, para que este operacionalize o procedimento de importação, promovendo, se assim for acordado, inclusive os contatos comerciais no exterior, bem como o embarque da carga, o despacho aduaneiro e o pagamentos dos tributos, contribuições e despesas, sendo que os recursos para tal fim lhe são disponibilizados pelo adquirente. Também deve ser obedecido o regramento próprio que disciplina a matéria. Nos termos da já citada IN SRF n° 225/02, tanto o importador, quanto o adquirente, devem obter HABILITAÇÃO PRÉVIA no Sistema Integrado de Comércio Exterior (RADAR), bem como o registro prévio neste sistema informatizado da vinculação dos envolvidos (art. 2°). Além disso, a fatura comercial deve espelhar a operação, apresentando o nome do adquirente (art. 3°, § 2°). Na Declaração de Importação, no caso de importação por conta e ordem de terceiros, deverá ser indicado o número de inscrição do adquirente no CNPJ no campo próprio destinado a esta informação (art. 3°, caput da IN SRF n° 225/2002). No caso, o real adquirente das mercadorias importadas encontravase oculto, sem nenhum registro de sua identificação nos campos próprios da Declaração de Importação n° 09/04061374, de 01/04/2009 ou dos documentos que instruíram o despacho; pelo contrário, em seu lugar estavam os dados da empresa PARTNER, simulando uma compra direta. E mais. Posteriormente, foi promulgada a lei n° 10.637, de 2002, que trouxe nova disposição sobre o tema, em seu art. 27: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. (...) Desde esta data, restou claro que o fluxo financeiro dos recursos empregados nas operações de comércio exterior deve ser considerado para determinar se a operação Fl. 626DF CARF MF 26 importação foi efetuada por conta própria ou por conta e ordem de terceiro. A própria denominação "conta e ordem" indica que os recursos serão disponibilizados pelo adquirente (por conta) e que a operação ocorrerá por determinação, decisão deste (por ordem). Dentro deste contexto, vejase como foi procedido o pagamento da operação referente a DI objeto destes autos, conforme apurado pelo Fisco (fl. 32): "(...) No que diz respeito ao pagamento da mercadoria ao exportador, mensagem de PAULO CÉSAR endereçada aos Srs. BONFANTE e HÉLIO, em 14/04/2009 (fl. 228), esclarece que "quando chegar a hora de pagar, eu recebo da IBB pela minha NF de venda e realizo o pagamento ao fornecedor estrageiro, atendendo evidentemente as taxas do dólar do dia." Na mesma data, PAULO CÉSAR envia outra mensagem confirmando que o procedimento se refere ao contrato S15874 (relativo à operação objeto do presente relatório) fl. 230. Trocas de mensagens em data posteriores, entre os dias 21/07/2009 e 13/08/2009, todas com o assunto "Previsão/Fechamento de Câmbio" (fls. 231237), demonstram que o Sr. HÉLIO vinha solicitando posição, tanto da PARTNER, quanto da IBB, quando ao fechamento de câmbio para pagamento ao exportador. Em 12/08/2009, SIMONE/IBB solicita que lhe seja informada a taxa cambial para que ela possa efetuar a transferência (fl. 235) e MÁRCIO DE SOUZA informa uma estimativa de valor para depósito no montante de R$ 34.129,53 (fl. 234). Posteriormente, SIMONE confirma que já enviou TED para a conta da PARTNER (fls. 233). Extrato de conta corrente da PARTNER junto ao Banco Bradesco (fl. 257) confirma o recebimento do adiantamento em 12/08/2009, bem como o fechamento do câmbio na mesma data (contrato de câmbio n°09/008623 fls. 258261). (Grifei) 4.1 Da aquisição das mercadorias após chegada no território nacional Alega a Recorrente em seu Recurso que, (...) a mercadoria, objeto da presente discussão, foi integralmente paga pela Recorrente, em 12/08/2009 (fls. 233/235 e 257 dos autos), ou seja após o decurso de mais de 07 meses da data da chegada da mercadoria no território nacional. Obviamente, que o valor efetivamente transferido não corresponde ao valor da mercadoria, justamente em razão da concessão do desconto, ajustado comercialmente, pelo fato de ter havido vazamento em carga anterior. Há comprovação nos autos de que a liquidação financeira ocorreu em 12/08/2009 (fls. 233/235 e 257 dos presentes autos). Conclui em sua peça recursal que não houve, portanto, utilização de recursos de terceiros para a realização da importação, e, conseqüentemente, não houve a tipificação no disposto no artigo 27, da Lei n° 10.637/02, que determina que a presunção da realização da importação por conta e ordem, necessariamente, depende da comprovação da realização de operação de comércio Exterior MEDIANTE UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS. Pois bem. Tal fato, registrese, encontrase muito bem esclarecido pela decisão recorrida. Em primeiro lugar, cabe pontuar que o momento da ocorrência do fato gerador do II (Imposto de Importação) é a data do registro da respectiva Declaração de Importação (DI) e não o momento do seu ingresso no país. Nesse compasso é válido e oportuno, para deslinde do ponto controvertido, realçar o fato de que, no caso de importação de mercadoria despachada para consumo, o fato gerador do Imposto de Importação (II) consuma se na data do registro da Declaração de Importação, inclusive quando o ingresso ocorrer com suspensão de tributos (art. 23 c/c 44 do Decretolei nº 37 /66 e art. 72 do Decreto nº 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro). Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 615 27 Como dito, nessa linha foi a forma que concluiu a decisão a quo, o qual me filio em seus fundamentos para o deslinde desta questão: "(...) Assim sendo, tendo o legislador eleito a data do registro da DI como marco temporal para ocorrência do fato gerador da obrigação, este é o momento que estabelece cronologicamente os efeitos tributários incidentes sobre a importação de mercadorias em face da legislação e dos parâmetros cambiais vigentes nesta data. Portanto, temos claro que cumpriria às impugnantes obedecer ao regramento previsto para as importações realizadas por conta e ordem de terceiros, vez que na data de registro da DI (01/abril/2009) já estava claro e determinado quem era o adquirente das mercadorias importadas em causa (IBB), mas que remanesceu oculto do Fisco até a realização do procedimento ora impugnado". Posto isto, resta claro que nas importações "por conta e ordem", a Declaração de Importação (DI) respectiva deverá indicar o adquirente, demonstrando a modalidade de importação que está sendo efetuada. Todavia, no caso sob exame, a operação foi declarada como se fosse efetuada "por conta própria" do importador PARTNER TRADING. Ademais os recursos financeiros para pagamento das mercadorias, tributos, contribuições e despesas provieram da IBB, caracterizando, por tal motivo, importação por conta e ordem NÃO DECLARADA, mediante ocultação do real adquirente. Assim, diante da numerosa quantidade de provas coletadas pela Fiscalização, é de se concluir pela ocorrência, do ilícito tipificado como “DANO AO ERÁRIO” decorrente da cessão do nome da PJ importadora (PARTNER) com vistas à ocultação do real adquirente das mercadorias importadas (IBB), presumida nos termos do artigo 59 da Medida Provisória n° 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30/12/2002, que alterou o art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 1976, que passou a vigorar com as seguintes alterações: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...). V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) §1º (...). § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) §3º (...). (Grifei) 5. Da falsidade de documentos Consta do Relatório Fiscal que, "(...) Foram localizadas, entre a documentação coletada na PARTNER TRADING, duas versões diferentes da fatura comercial (invoice) n° 547554, de 12/03/2009, ambas originais, mas com conteúdos diferentes. Numa primeira versão, consta que o valor efetivo da mercadoria foi de US$ 24.354,00 (CFR), correspondente a 16.400kg de látex ao prego unitário de US$ 1,485 por kg. No documento está informado que foi concedido um desconto de US$ 5.997,50, do que resultou o valor final a ser Fl. 628DF CARF MF 28 pago ao exportador de US$ 18.356,50. Tratase da via original efetivamente emitida pelo exportador, pois o representante do exportador enviou uma copia da mesma por email (fls. 210211), conforme mensagem de 13/03/2009, já mencionada. Nessa mensagem consta inclusive que a documentação estava sendo encaminhada ao Banco ABN Real S/A. Na pasta de documentos relativos à operação coletada na PARTNER foi localizado inclusive boleto do Banco Real (fl. 204), endereçado à IBB, informando que "seguem anexos os documentos da cobrança estrangeira" e fazendo referência a fatura n° 547554. Além disso, na fatura emitida pelo exportador, é visível a presença de uma marca d'água com a expressão "Orbit". Por tais motivos, não resta dúvida de qual é a versão da fatura emitida pelo exportador. A segunda versão da fatura apresenta diferenças no cabeçalho (que corresponderia ao timbre do exportador); a assinatura, embora atribuída à mesma pessoa, é diferente da constante no documento emitido pelo exportador e o desconto foi omitido, constando apenas o valor final da mercadoria (fl. 200). O preço unitário foi modificado e reduzido para US$ 1,1193 por kg, resultando num montante de US$ 18.256,50. Não há a impressão de marca d'água. Assim, é importante ressaltar que a partir da constatação da ocultação do real responsável pela operação, tal fato implica diretamente na inidoneidade de vários documentos que foram apresentados ao fisco, no intuito de possibilitar a prática do ilícito. Portanto, havendo a ocultação, necessariamente haverá documentos que têm o seu conteúdo ideologicamente falso na tentativa de conferir um aspecto de legalidade à operação praticada, conforme acima comprovado. 6. Da aplicação da pena de perdimento Considerando o alentado quadro indiciário construído pela Fiscalização neste processo, resta claro que estamos diante do ilícito tipificado como “Dano ao Erário”, decorrente da ocultação do real adquirente, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento da mercadoria, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. É o que define os §§1º e 3º do item V, do art. 23, do Decreto Lei nº 1.455/76: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V (...). § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). §2º. (...). § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no70.235, de 6 de março de 1972.(Redação pela Lei nº 12.350, de 2010). 7. Da multa cessão do nome para realização de operações de Comex Convém observar ainda que a partir da constatação da ocultação do real responsável pela operação, tal fato implica diretamente na inidoneidade de vários documentos que foram apresentados ao fisco, no intuito de possibilitar a prática do ilícito. Portanto, Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 616 29 havendo a ocultação, necessariamente haverá documentos que têm o seu conteúdo ideologicamente falso na tentativa de conferir um aspecto de legalidade à operação praticada. A cessão do nome de pessoa jurídica, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários caracteriza infração a legislação aduaneira prevista no artigo 33, caput, da Lei n° 11.488/2007. Assim como o legislador pretendeu coibir a prática da ocultação, também julgou por bem oferecer instrumento de punição para quem cedesse o nome em tal prática ilícita, ou seja, tipificou a conduta de ceder o nome em operação de comércio exterior, prevendo a multa de 10% em cima do valor da operação. Logo, havendo ocultação, consequentemente alguém cedeu o nome agindo como interposta pessoa. Por conseguinte, apesar de essas condutas estarem diretamente relacionadas, possuindo provas em comum e outras que se complementam, fornecendo todo o contexto da operação realizada, ensejam responsabilidades distintas, às quais estão cominadas penalidades também distintas. É o que dispões o art. 33 da Lei n° 11.488/07: Art. 33 A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 6.759/09, reproduz tal previsão legal no caput do artigo 727 e §3º: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários (Lei no 11.488, de 2007, art. 33, caput). (...). §3º A multa de que trata o caput não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias na importação ou na exportação. (Redação dada pelo Decreto nº 7.213, de 2010).” (Grifei) Como demonstrado no Relatório de Fiscalização e comprovado pelos documentos que o acompanham, a PARTNER TRADING cedeu seu nome para a realização de operação de comércio exterior promovida pela IBB. Conforme previsão do § 3º° do art. 727 do Regulamento Aduaneiro, acima transcrito, a multa se aplica independentemente do perdimento as mercadorias importadas, no caso representando um valor de R$ 5.713,96. Fl. 630DF CARF MF 30 8. Do Valor Aduaneiro diferença apurada entre o preço declarado e o preço arbitrado Afirma a Recorrente que, (...) o fato de ter havido um desconto no preço da mercadoria, no importe de U$ 5.997,50, em razão do vazamento de carga anterior, não significa que teria havido suposto subfaturamento da mercadoria. Tal fato é o resultado de uma transação comercial em razão de uma compra e venda no mercado interno, cuja ocorrência é perfeitamente possível e está devidamente amparada pela legislação estadual brasileira. Aliás, acaso houvesse alguma diferença de tributo a recolher em razão do referido desconto, esta deveria ser feita a título de ICMS, e em favor do Fisco Estadual, não do Federal. Pois bem. Sobre o argumento acima, tenho que ressaltar, no entanto, que a Recorrente não contestou em sua Impugnação o crédito lançado em face do subfaturamento do preço das mercadorias importadas em causa, ocorrendo no caso, a preclusão processual. Visando corroborar essa afirmação, vejase como restou consignado na decisão de piso, referente a este tópico (fl. 476): "(...) Registro, ao final, que não tendo sido impugnado o crédito lançado em face do subfaturamento do preço das mercadorias importadas em causa, cumpre observar que ocorre, nesse particular, o fenômeno da preclusão processual, não podendo mais o contribuinte impugnála em momento posterior na seara do contencioso administrativo fiscal, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532/1997: "Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante". (Grifei) A possibilidade de conhecimento e apreciação de novas alegações e novos documentos deve ser avaliada à luz das normas que regem o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235/72, o qual dispõe: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 617 31 (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). (Grifei) Como se vê, nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, acima transcritos, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a Impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que são os argumentos submetidos à primeira instância que determinam os limites do litígio, não se devendo conhecer de inovação recursal. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de forma que não se aprecia a matéria não impugnada ou não recorrida. Posto isto, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pela Lei nº 9.532/1997, deixo de tomar conhecimento da matéria trazida no Recurso Voluntário discutida neste tópico. 9. Do caráter confiscatório das multas aplicadas. Aduz a Recorrente em seu Recurso que, (...) Da leitura dos Autos de Infração,verificase que a imposição de multa se deu em percentual equivalente a: 13.896.17% (treze mil, oitocentos e noventa e seis virgula dezessete) por cento do Imposto de Importação lançado; e 165,15% (cento e sessenta e cinco vírgula quinze) por cento da CofinsImportação e do Pis/PASEPImportação lançados. De pronto verificase o caráter confiscatório das multas aplicadas. Frisee que a vedação ao efeito confiscatório, inerente aos tributos por força de disposição constitucional, aplicase, também, às multas e penalidades. Pois bem. Alega o Recorrente o caráter confiscatório das multas aplicadas. Todavia, no que concerne aos órgãos julgadores administrativos de litígios fiscais, na área federal, estes estão jungidos à observância do contido no art. 26A e § 6º do Dec. nº. 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº. 11.941, de 2009, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mesmo sentido, é vedado ao CARF se manifestar sobre a inconstitucionalidade de lei, nos termos da Súmula CARF nº 2, de observância obrigatória por parte deste colegiado. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 632DF CARF MF 32 10. Da inconstitucionalidade da cobrança da Taxa "SELIC" Argumenta que "(...) Assim, não resta dúvida sobre a inconstitucionalidade da cobrança da Taxa "SELIC" e a impossibilidade de sua aplicação nos créditos tributários no caso em questão, razão pela qual devem ser afastada". Quanto à pugnada inconstitucionalidade, o mesmo entendimento vale para a aplicação da taxa SELIC matéria sumulada pela Súmula CARF nº 2. Sobre a incidência dos juros moratórios, também igualmente sumulada pelo CARF, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 11. Da aplicação de juros moratórios sobre multa ocorrência de "bis in idem" Aduz a Recorrente que, (...) Não obstante, na remota hipótese de ser mantida a multa aplicada, é importante ressaltar a impossibilidade de serem aplicados juros moratórios sobre a multa. Como de conhecimento notório, a multa é definida como uma infração acessória aplicável ao devedor em razão de seu atraso no cumprimento da obrigação assumida". Em resumo afirma que é ilegal a cobrança de juros moratórios sobre a multa aplicada porque a multa detém caráter acessório ao principal. Tratase, portanto, de uma sanção pelo não pagamento no prazo. Há a ocorrência de "bis in idem". Matéria recorrente neste Colegiado, sendo minha posição conhecida no sentido de sua pertinência. Em seu recurso, defende a Recorrente ser incabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, por ausência de dispositivo legal. Contudo, pareceme induvidoso que a multa de ofício integra o conceito de obrigação tributária esposado pelo artigo 113 do Código Tributário Nacional. Como é cediço, o conceito de crédito tributário no Brasil engloba tributo e multa, como expressamente estabelece o artigo 43 da Lei nº 9.430/96: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifei) O artigo 5º, §3º, da Lei nº 9.430/96: As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (grifei) Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10909.000314/201101 Acórdão n.º 3402005.501 S3C4T2 Fl. 618 33 No mesmo sentido, impõe o Código Tributário Nacional que: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária.(grifei) Do exposto podemos concluir que há disposição expressa para a cobrança de juros sobre multas, porque incluídas no conceito de crédito tributário, e que a taxa aplicável à espécie é a referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Esse também é o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa da ementa a seguir transcrita (AgRgnoREsp1335.688/PR DJe de 10/12/2012): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1.Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel.Min.Teori Albino Zavascki, DJde2/6/2010. (grifei). E no CARF, a matéria vem sendo debatida exaustivamente, razão pelaqual colaciono alguns de seus julgados a respeito: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional.Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão nº 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão nº 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Assim, devem ser mantidos os juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 634DF CARF MF 34 12. Conclusão Posto isto, considerando os fatos acima exposto, conheço do recurso interposto pela empresa INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BALÕES S/A, para negarlhe provimento, mantendose a responsabilidade solidária à empresa IBB. É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 635DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.725119/2013-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008
ARBITRAMENTO DE LUCROS.
Sujeita-se ao arbitramento de lucros o contribuinte que, validamente intimado, não apresentar à fiscalização os livros e documentos que compõem sua escrituração contábil.
MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. IMPROCEDÊNCIA.
A não apresentação de documentos que respaldam a contabilidade e que serviram de fundamento para o arbitramento, por si só, não é suficiente à agravamento da multa de ofício.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA.
Para fundamentar a qualificação da multa de ofício há que haver nexo de causalidade entre a infração e a interposição. Não qualifica a interposição de pessoas se da infração não resultaria responsabilidade tributária.
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Presentes pagamentos e ausente a multa qualificada, há a incidência do § 4º do artigo 150 d CTN, contando-se o prazo decadencial da data do fato gerador do tributo.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS.
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso.
Numero da decisão: 1302-002.810
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade; e, por maioria, em acolher a decadência do lançamento do IRPJ e CSLL dos anos-calendário 2006 e 2007 e dos dois primeiro trimestres de 2008; e do PIS e Cofins, dos períodos de apuração mensal de 2006, de janeiro a novembro de 2007, e de março e junho de 2008, e ainda, por maioria de votos, em dar provimento parcial para cancelar a aplicação das multas qualificada e agravada, vencido o conselheiro relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
(assinado digitalmente)
Carlos Cesar Candal Moreira Filho - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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DOLO. SIMULAÇÃO. FRAUDE. ARBITRAMENTO DE LUCROS. MULTAS QUALIFICADA E AGRAVADA. Recorrente CENTRO VAREJISTA E ATACADISTA CEARENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 ARBITRAMENTO DE LUCROS. Sujeitase ao arbitramento de lucros o contribuinte que, validamente intimado, não apresentar à fiscalização os livros e documentos que compõem sua escrituração contábil. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. IMPROCEDÊNCIA. A não apresentação de documentos que respaldam a contabilidade e que serviram de fundamento para o arbitramento, por si só, não é suficiente à agravamento da multa de ofício. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. Para fundamentar a qualificação da multa de ofício há que haver nexo de causalidade entre a infração e a interposição. Não qualifica a interposição de pessoas se da infração não resultaria responsabilidade tributária. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Presentes pagamentos e ausente a multa qualificada, há a incidência do § 4º do artigo 150 d CTN, contandose o prazo decadencial da data do fato gerador do tributo. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 51 19 /2 01 3- 48 Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.094 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade; e, por maioria, em acolher a decadência do lançamento do IRPJ e CSLL dos anoscalendário 2006 e 2007 e dos dois primeiro trimestres de 2008; e do PIS e Cofins, dos períodos de apuração mensal de 2006, de janeiro a novembro de 2007, e de março e junho de 2008, e ainda, por maioria de votos, em dar provimento parcial para cancelar a aplicação das multas qualificada e agravada, vencido o conselheiro relator. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Cesar Candal Moreira Filho. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0251.269, de 13/11/2013, da 3ª Turma da DRJ de Belo Horizonte (MG) que, por unanimidade, rejeitou as preliminares suscitadas, rejeitou a prejudicial de decadência e, quanto ao mérito, julgou improcedente a impugnação, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos contados da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. ARBITRAMENTO DE LUCROS. Sujeitase ao arbitramento de lucros o contribuinte que, validamente intimado, não apresentar à fiscalização os livros e documentos que compõem sua escrituração contábil. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. O percentual da multa de ofício será duplicado se estiverem comprovadas as circunstâncias previstas em lei como caracterizadoras de infração qualificada. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Fl. 1094DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.095 3 O percentual da multa de ofício será aumentado de metade em caso de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. PIS. COFINS. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhes recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Adoto o relatório da Resolução nº 1302000.418, de 03/05/2016, desta Segunda Turma, a seguir transcrito: 1. Da Autuação A discussão travada nos autos se refere à cobrança de crédito tributário de IRPJ1 (fls2. 03/43), CSLL3 (fls. 44/79), COFINS4 (fls. 80/90) e PIS/PASEP5 (fls. 91/101), cujo total perfaz R$ 87.779.772,62 (fls. 02), relativo aos anoscalendários de 2006, 2007 e 2008, com aplicação de multa de 225%, cuja infração revela: (i) suposta não emissão de diversas notas fiscais em atividade de revenda de mercadorias, ocasionando omissão de receita, quantificada mediante o arbitramento do lucro (bruto mensal), em razão de o contribuinte não haver apresentado documentos contábeis/fiscais exigidos em notificação fiscal. 2. Do Termo de Verificação Fiscal TVF Para melhor compreensão fática do caso sob análise, cumpre observar que o TVF (fls. 103/119) determinou a fiscalização na empresa Maesio Candido Vieira ME, cujo início se deu em 10/11/2010 (TIF). Nesta, em virtude de suspeita de planejamento fiscal fraudulento com utilização de interpostas pessoas procedeu se à abertura de diligências em diversas empresas suspeitas, além da Recorrente, as empresas Ponto Econômico LTDA, Polo do Eletro Comercial de Móveis LTDA, Ponto do Eletro Móveis e Eletrodomésticos LTDA, VW Comercial de Móveis e Eletrodoméstico LTDA. 2.1 Solicitados a apresentar os livros e notas fiscais, nem contribuinte, nem Fisco Cearense os forneceram, o que levou o Fisco Federal a realizar auditoria na contabilidade digital, com fundamento nos arts. 529 a 532 do RIR/99, que apontou como atípicos os seguintes fatos contábeis, são eles: (i) a ausência de registro no balancete patrimonial das empresas da conta "Banco conta movimento", que no entanto dispunha da conta "Fornecedores e Duplicatas a Receber", o que levou à conclusão de que as transações eram realizadas em dinheiro; (ii) ainda no balancete digital, a fiscalização observou que as contas "Estoques", "Transferências de mercadorias", "Caixa" e "Clientes a Receber" apresentam valores relevantes; (iii) por fim, diz que os históricos não permitem identificar a procedência e o destinação das transações, o que se torna impossível sem a apresentação da documentação pela contribuinte, cita os artigos 256 e 267 do RIR/99. Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.096 4 2.2 Em relação às contas lançadas na escrita contábil/fiscal, vale registar que: (i) na conta "Caixa e Bancos" não há escrituração na conta "Banco Conta Movimento", mas mesmo assim registra as contas "Transferência de Mercadorias", "Clientes a Receber", "Outros Clientes a Receber" entre outras para lançar sua receita. Em razão da ausência da conta "Banco" a RFB não pode futilizar seu sistema de auditoria; (ii) na conta "Clientes Duplicatas a Receber", em razão da falta de documentos, notouse que as vendas não passavam pela conta de Receita da contabilidade. Além disso, há gastos elevados com "Manutenção, Conservação e Reparos, Material de Construção, entre outros", que não constaram no ativo imobilizado imóvel. Informa, ainda, que nos primeiros lançamentos ficou demonstrado que as vendas não passavam pelas contas de resultado, reduzindo o montante da receita declarada. O TVF revela, ainda, que a fiscalização chegou à conclusão de que a "recusa da apresentação se deu por motivo de ausência de documentação idônea". Vale registrar que o Sr. Máesio compareceu aos autos como sócio e requereu a prorrogação do prazo para apresentação dos documentos de todas as empresas, esse prazo durou, aproximadamente, 08 meses. 2.3 Foi aplicada multa qualificada sob a alegação de ocorrência de: (i) conduta reiterada e sistemática da contribuinte, pela não apresentação dos documentos que respaldariam a contabilidade nos anos de 2006 a 2008, e; (ii) uso continuado de interpostas pessoas, uma vez que Maesio Candido Vieira e Macavi Importadora e Exportadora de Móveis são denominações para um mesmo CNPJ. Sendo constituída como empresa individual em 10/10/89, permanece até hoje na mesma situação, e ao longo dos anos foram utilizadas interpostas pessoas (que ou eram parentes ou pessoas com próximas), cuja consequência é a sonegação fiscal. Ainda neste aspecto, o TVF aduz que as empresas foram constituídas entre 1999 e 2004, e que entre 2009 e 2011 o Sr. Maesio passa a participar de direito de todas elas, indício de "continuidade do uso de interpostas pessoas em um longo período de tempo", cujo principal beneficiário foi Maesio Candido Vieira ME, dados de um planejamento ilícito, averiguado mediante histórico das alterações contratuais de cada empresa. Por fim, no cadastro da RFB em 23/05/2013, constava que a empresa Macavi possuía 24 filiais, porém, no site de atendimento ao cliente constatouse o número de 42 estabelecimentos. Neste ponto, cumpre ressaltar que tal multa foi fundamentada da seguinte forma (fls. 43, 79, 90 e 101): 2.4 Por fim, revela ser incabível alegação de decadência (Resp Recurso Repetitivo n. 973.733SC) por restar estabelecido pela Corte Superior de Justiça que "qualquer medida preparatória necessária ao lançamento de ofício, interrompe a contagem do prazo decadencial". 3. Da Impugnação e da Decisão da DRJ/BHE Irresignada, a autuada apresentou Impugnação ao lançamento fiscal (fls. 854/884), peça comum a diversos processos6. Todavia, a DRJ/BHE rejeitou as preliminares e a decadência suscitadas e, julgando improcedente a Impugnação, Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.097 5 manteve a exigência fiscal (fls. 889/912). Foi dada ciência eletrônica a autuada em 27/12/2013 (fls. 919). 4. Do Recurso Voluntário Nesta mesma data, foi interposto Recurso Voluntário pela autuada (fls. 921/966), com os seguintes argumentos: i) acerca do cabimento (art. 33 do Decreto Lei. 70.235/72) e tempestividade (art. 56, do Decreto Lei n. 70.235/72) do recurso, aduz, serem pertinentes quando de decisões proferidas pela da Turma de Julgamento, total ou parcialmente, devendo ser interposto no prazo de 30 dias contados de sua ciência, que neste caso se deu via Sistema ECac em 27/10/13 (o acórdão foi assinado digitalmente em 14/11/13), considerando o prazo de 30 dias para a interposição, seu término ocorreu em 27/12/2013; ii) quanto à descontinuidade, validade e eficácia da ação fiscal, que enseja ausência de sua validade e eficácia, aduz que a fiscalização deve se encerrar a cada 60 dias, na ausência de qualquer outro ato que indique prosseguimento dos trabalhos, nos termos do art. 33, §3° do Decreto Federal n. 7.574/11. O primeiro documento levado à recorrente ocorreu no dia 10/11/2010 (fls. 138). Após, a recorrente solicitou 01 vez prorrogação de prazo, até 21/01/2011 e, novamente, prorrogandoo até 14/02/2011. Deste modo, o referido prazo teria se encerrado em 14/04/2011. Ressalta que até esta data não houve outro ato escrito da fiscalização; Em 29/10/2012, iniciouse a segunda diligência (fls. 126), dando continuidade à fiscalização, com a intimação da autuada. Desta forma, o referido prazo de 60 dias terminaria no dia 29/12/2012; Posteriormente, houve a terceira diligência (fls. 120), cuja ciência pela autuada se deu em 11/03/2013. Desta forma, o referido prazo de 60 dias terminaria em 21/06/2013. Ressalta que apenas em 10/07/2013 (fls. 850) houve o auto de infração e respectivo Termo de Encerramento. Deste modo, ao final de cada prazo de 60 dias, devolveuse a espontaneidade (art. 138 do CTN) à autuada, ensejando em virtude do decurso do prazo ausência de validade e eficácia da ação fiscal. Destarte, requer a reforma do acórdão recorrido para que, reconhecendose a referida descontinuidade da ação fiscalizatória, esta acarrete o reconhecimento da decadência do período pleiteado no impugnação, bem como do pleiteado no recurso (2006, 2007 e 2008). iii) A decadência de diversos períodos autuados; iv) Quanto à penalidade, questiona a aplicação da qualificação e o agravamento, alegando que: iv.1) a fiscalização teria justificado o arbitramento pela falta de entrega de documentos. Todavia, afirma que todos aqueles legalmente exigíveis foram entregues, não havendo motivo apto a imputar a aplicação do art. 530, III do RIR. Isto restaria evidente no Termo de Encerramento (fls. 752), o qual demonstra ter devolvido documentos; iv.2) inexistiu a figura de interpostas pessoas. Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.098 6 Com base no exposto, a Recorrente pleiteia o recebimento do recurso e a reforma do acórdão recorrido, para que: i) seja reconhecida a declaração da descontinuidade da ação fiscal, com fulcro no art. 33, §3° do Decreto Federal n. 7.574/11 e, por consequência, o reconhecimento da decadência de todo o período autuado (2006, 2007 e 2008). Momento em que faz menção ao julgamento ocorrido no PAT 10315.720696/2013 27, para empresa do mesmo grupo econômico (Polo do Eletro Comercial de Móveis LTDA). Neste tópico, defende a nulidade da cobrança tributária, apontando a razão pela qual trimestres (IRPJ e CSLL) e meses (PIS e COFINS) devem ser declarados decaídos, seja pelo transcurso do prazo de cinco anos, seja pelo pagamento do tributo; ii) a declaração de insubsistência/improcedência do auto de infração, em virtude de não estar pendente a entrega de qualquer documento, considerandose a decorrência do prazo legal; iii) o direito de se realizar sustentação oral. Por fim, juntou vários comprovantes de pagamento (fls. 967/974). Em síntese, é como relato. Relatório Fiscal de Diligência Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1302000.418, de 03/05/2016), nos termos do voto vencedor a seguir transcrito: Assim, voto por converter o julgamento em diligência, para que a DRF/Fortaleza: a) informe se a recorrente declarou débitos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS em outras DCTFs do ano de 2007, além daquelas dos meses de jan/2007 e dez/2007, respectivmente a efls. 794 e 254; b) informe os pagamentos efetuados pela recorrente a título de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS relativos a fatos geradores do ano de 2007, bem como as retenções na fonte sofridas no mesmo ano de 2007; e c) junte, aos autos, a documentação que suporta as respostas aos itens anterior. Ao final, seja dada ciência ao recorrente do relatório de diligência, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos, após o que, retornese os autos a este Colegiado para prosseguimento do feito. Em atendimento, a DRF apresentou o seguinte Relatório de Diligência Fiscal: INFORMAÇÃO FISCAL: Com relação ao item a), temos a informar que: A recorrente não declarou qualquer outro débito de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS em DCTFs do ano de 2007, além dos já informados na folha 254, conforme extrato, em anexo, do módulo CONSULTA EXTRATOS DE DÉBITOS do sistema CONSULTA DCTF, tendo como parâmetro de pesquisa os períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2007. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.099 7 Com relação ao item b), temos a informar que: 1) Com base em pesquisa realizada do sistema SIEFWeb, módulo Documentos de Arrecadação/Consulta, tendo como critério de pesquisa pagamentos de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, referentes aos períodos de apuração do ano de 2007, informamos que: a. Não há registro de pagamentos efetuados pela recorrente a título de COFINS ou PIS relativos a fatos geradores do ano de 2007; b. Há somente um pagamento de IRPJ e um de CSLL, efetuados pela recorrente, relativos a data de apuração de 31/12/2007, conforme quadro abaixo: PESQUISA Sistema: SINAL (DARF) Critérios: Período de Apuração (2007); Tributos (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS); CNPJ (05.248.330/0001‐14) Resultado da pesquisa: Tributo: IRPJ Receita destino: 0220 IRPJ Data de apuração: 31/12/2007 Data do vencimento: 31/03/2008 Data do pagamento: 30/06/2008 Código Tipo da Parcela Descrição Valor 0220 Principal IRPJ ‐ OB L REAL‐DEMAIS BAL TRIM 4.605,30 2807 Juros JUROS ‐ IRPJ 203,55 3252 Multa MULTA ‐ IRPJ 921,06 Tributo: CSLL Receita destino: 6012 CSLL Data de apuração: 31/12/2007 Data do vencimento: 31/03/2008 Data do pagamento: 30/06/2008 T OT A L 5.729,91 Código Tipo da Parcela Descrição Valor 1409 Principal MULTA CSLL 552,63 6012 Juros CSLL ‐ DEMAIS BAL TRIM 2.763,18 9443 Multa JUROS CSLL 122,13 T OT A L 3.437,94 2) Quanto a retenções na fonte sofridas pela recorrente no ano de 2007, embora esta não tenha informado em sua DIPJ/2008, AC 2007, qualquer retenção na fonte, como vemos no quadro abaixo, informamos que, de acordo com dados de DIRF 2007, a recorrente consta como beneficiária de rendimentos de aplicações financeiras com as devidas retenções, (outrossim, convém ressaltar que o declarante informou, como receita financeira, somente os valores de R$74,99, para o 3° trimestre de 2007 e R$103,94 para o 4° trimestre, Ficha 06A), conforme extrato pesquisa DIRF em anexo. Ficha 12A ‐ Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real ‐ PJ em Geral IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL 1° Trim 2° Trim 3° Trim 4° Trim 01.À Alíquota de 15% 0,00 0,00 0,00 4.589,71 02.Adicional 0,00 0,00 0,00 0,00 13.(‐)Imp. de Renda Ret. na Fonte 0,00 0,00 0,00 0,00 14.(‐)IR Retido na Fonte por Órgãos, Aut. e Fund. Fed. (Lei n° 9.430/1996) 0,00 0,00 0,00 0,00 15.(‐)IR Retido na Fonte p/ Demais Ent. da Adm. Púb. Fed. (Lei n° 10.833/03) 0,00 0,00 0,00 0,00 16.(‐)Imp. Pago Inc. s/ Ganhos no Mercado de Renda Variável 0,00 0,00 0,00 0,00 19.IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 0,00 0,00 0,00 4.589,71 Ficha 17 ‐ Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido DEMONSTRAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL 1° Trim 2° Trim 3° Trim 4° Trim 49.TOTAL DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 0,00 0,00 0,00 2.753,83 55.(‐)CSLL Retida p/ Órgãos, Aut. e Fund. Fed.(Lei n° 9.430/1996) 0,00 0,00 0,00 0,00 56.(‐)CSLL Ret. Fonte p/ Demais Ent. da Adm. Púb. Fed. (Lei n° 10.833/03) 0,00 0,00 0,00 0,00 57.(‐)CSLL Retida p/ Pes. Jur.de Dir.Priv. (Lei n° 10.833/2003) 0,00 0,00 0,00 0,00 58.(‐)CSLL Retida p/ Órgãos, Aut. e Fund. dos Est.,D.F. e Mun. 0,00 0,00 0,00 0,00 59.(‐)CSLL Mensal Paga por Estimativa 0,00 0,00 0,00 0,00 60.(‐)Parc. Formalizado de CSLL s/ a Base Cálc. Estimada 0,00 0,00 0,00 2.753,83 Ficha 06A ‐ Demonstração do Resultado ‐ PJ em Geral Discriminação 1° Trim 2° Trim 3° Trim 4° Trim 22.Outras Receitas Financeiras 0,00 0,00 74,99 103,94 Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.100 8 O sujeito passivo poderá verificar o TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DE PROCEDIMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL utilizando o aplicativo Consulta Procedimento Fiscal, disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, www.receita.fazenda.gov.br, onde deverão ser informados o número do CNPJ e o código de acesso constante neste termo. Por fim, cumprindo determinação da Resolução, fica facultado ao contribuinte, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência deste Relatório de Diligência Fiscal, a se manifestar nos autos. E, para surtir os efeitos legais, lavramos o presente documento, assinado digitalmente pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, cuja ciência do sujeito passivo se dará através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. A recorrente manifestouse sobre o Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1067/1086) enfatizando as razões já apresentadas de que teria havido a decadência dos créditos tributários relativos a 2006, 2007 e 2008, com base no art. 150, § 4º, do CTN. Reproduziu na petição colagens de suas escritas para demonstrar valores recolhidos, saldos negativos e retenções na fonte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator A tempestividade e os demais pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário foram apreciados por ocasião da referida Resolução, conhecendose o recurso. Verificase que, a diligência realizada (ano calendário de 2007), não alterou a situação da recorrente, registrada no Acórdão da DRJ, considerando que os valores verificados em suas declarações, ressaltados no Relatório de Diligência Fiscal retro reproduzido, relativas a pagamentos de IRPJ (R$5.729,91) e CSLL (R$3.437,94), fatos geradores de 2007, bem como as retenções na fonte por terceiros (aplicações financeiras), R$74,99, para o 3° trimestre de 2007 e R$103,94 para o 4° trimestre (Ficha 06A), não guardam coerência alguma com a apuração realizada pela fiscalização. Nesse sentido adoto as seguintes razões de decidir já contempladas no voto da Resolução nº 1302000.418, de 03/05/2016: 1. Preliminarmente (...) 1.2 Da Decadência Em preliminar a Recorrente pleiteia a nulidade dos AIIM (Autos de Infração e Imposição de Multa) sob a alegação de que os exercícios de 2006, 2007 e 2008 (i) foram atingidos pela decadência, ou, (ii) pelo fato de haverem sido quitados, conforme comprovantes de pagamento que anexa. Ato contínuo, a parte argumenta que os créditos cobrados neste auto "são claramente tributos sujeitos a lançamento Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.101 9 por homologação", estando, portanto, sujeitos ao prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Divergindo do posicionamento da contribuinte, entendo que o prazo decadencial a qual esta sujeita, em razão da imputação que lhe foi cometida, é o enunciado pelo art. 173, inciso I, do CTN, face à ocorrência de fraude nas operações que realizou. Assunto que será abordado no item seguinte, no mérito. Assim sendo, não obstante os autos tratarem de tributos sujeitos a lançamento por homologação, seria imprescindível que a contribuinte não houvesse incorrido na pratica de dolo, fraude ou simulação. Consoante reiterado, também, nas Súmulas CARF ns. 72 e 101, donde se lê que: Súmula CARF n. 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Súmula CARF n. 101: Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 1.3 Da relação entre a "decadência" e a "descontinuidade, validade e eficácia da ação fiscal" A contribuinte traça um paralelo entre "decadência" e o que intitula "descontinuidade, validade e eficácia da ação fiscal". E com base nestes institutos faz algumas afirmações com as quais discordo, por entender não possuir qualquer respaldo legal, são elas: 1.3.1 Que a lavratura do AIIM deveria ter ocorrido no período de 60 dias do prazo da fiscalização, que após o término deste prazo inexistiria qualquer pendência em aberto, e que lhe seria restabelecida a espontaneidade. De acordo com suas palavras, a Recorrente deseja que esta Turma Julgadora reconheça a "descontinuidade da ação fiscal preparatória", uma vez que os autos foram lavrados fora do período da fiscalização (60 dias), momento no qual, segundo entende, já haveria readquirido a sua espontaneidade, cuja consequência direta seria a decadência. Deste modo, alega em sua peça recursal que: (...) resta demonstrada a inexistência de validade e eficácia da ação fiscal, na qual foi devolvida a espontaneidade ao contribuinte, ponto primordial do presente Recurso que deve ser modificado por este respeitável órgão julgador e que se encontra substanciado na legislação colacionada na defesa e ratificada no presente Recurso. Diante do exposto, notase que a Recorrente aborda (como ponto primordial de sua defesa) a relação entre o período em que esteve sujeita à fiscalização e a validação desta, relação que não possui amparo legal, desde que respeitado o instituto da decadência, claro. E por concordar com a posição da DRJ, transcrevo parte de seu voto que, após citar os parágrafos 1o e 2o, do art. 7o, do Decreto n. 70.235/72, assim se manifesta: Nos termos do § 1o supra, o início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. Fl. 1101DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.102 10 Já o § 2° determina que, para os efeitos do disposto no § 1o, os atos que determinam o início do procedimento valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos. Como se vê, é tão somente para fins de exclusão da espontaneidade que ocorre a perda de validade, por decurso de tempo, do ato que determina o início do procedimento fiscal. Noutras palavras, a falta de continuidade do procedimento fiscal não produz nenhum outro efeito além de restituir a espontaneidade. Não há respaldo legal a validar o fato de que a ausência de continuidade da fiscalização influencie na contagem do prazo decadencial, ou mais absurdo ainda, que produza como consequência o efeito de "encerrar por decurso de prazo (validade) qualquer exigência que, à data do encerramento, perdera a exigibilidade". 1.3.2 Que a fiscalização não poderia ter sido realizada "virtualmente", mas sim in loco Defende a contribuinte que a fiscalização foi realizada "por correspondência", sem que os fiscais jamais houvessem ido à empresa. Ocorre que, em razão da escrituração digital e do cruzamento de dados contábeis/fiscais, é perfeitamente possível às fiscalizações federal, estaduais e municipais realizarem auditorias nas documentações dos contribuintes sem, necessariamente, precisarem ir até às empresas. 1.3.3 Que as exigências de apresentação de documentos, solicitadas pelo Fisco Federal, são ilegais, por serem tarefas privativas da fiscalização e por não ser a contribuinte obrigada a fazer prova contra si. Mais uma vez equivocase, de acordo com o inciso III, art. 530 do RIR/99, o contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, estará sujeito à tributação com base no lucro arbitrado. Assim, nos termos do acórdão da DRJ: (... ) por ter sido a impugnante intimada a prestar esclarecimentos mediante o uso de planilhas específicas, "a autoridade do lançamento transferiu os papéis de trabalho do auditor para o auditado". Mas nada há de censurável ou irregular no procedimento fiscal. Com efeito, todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos auditoresfiscais no exercício de suas funções. É o que dispõe o art. 927 do RIR, de 1999: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei n° 2.354, die 1954, art. 7°). Há incoerência lógica em se defender a impossibilidade de o Fisco Federal poder solicitar a apresentação de documentos do e pelo contribuinte. Se tal tarefa não for uma obrigação da parte, de quem seria? Quem poderia fazêlo em seu nome? Tarefa privativa da fiscalização, talvez, pudesse ser o fato de somente esta ter o poder de solicitar escrituração contábilfiscal do contribuinte. Nesta tônica, afasto todos os argumentos acima delineados, os quais são tratados pela Recorrente, em memorial, como preliminares. Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.103 11 2. Do Mérito Quanto ao mérito, inicio pela análise da imputação do arbitramento do lucro, para somente após passar à análise da aferição da decadência, tal inversão justifica se uma vez que a depender do posicionamento quanto à legitimidade, ou não, da aplicação do arbitramento, consequência natural será a tomada de posição quanto ao prazo inicial a ser adotado para contar o prazo decadencial (se art. 150, parágrafo 4o ou 173, inciso I, ambos, do CTN). Em outros termos, a decadência será diretamente influenciada pelo arbitramento. 2.1 Do Arbitramento dos Lucros A imputação que recai sobre a contribuinte versa sobre a suposta não emissão de diversas notas fiscais em atividade de revenda de mercadorias, ocasionando omissão de receita, quantificada mediante o arbitramento do lucro, em razão de não haver apresentado documentos contábeis/fiscais exigidos em notificações fiscais. (...) E consoante prescreve o inciso III, art. 530, do RIR/99, o lucro será arbitrado pela autoridade fiscal quando a escrituração a que estiver obrigado a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para (i) identificar a efetiva movimentação financeira, impedindo o (ii) conhecimento do lucro real. Seguindo lições de Maria Rita Ferragut, o arbitramento do lucro está intrinsecamente conectado à ocorrência de fraude, que possui como fatos tipificadores a ocorrência de: (i) interposta pessoa; (ii) apresentação de documentação fiscal inidônea/falsidade de informações; (ii) reiteração de conduta; (iv) simulação de negócios jurídicos e, (v) informações divergentes entre os fiscos. Pois bem, segundo informa o TVF cuja contraprova não foi produzida pela Recorrente 03 (três) das condutas acima mencionadas foram cometidas, conforme se infere das linhas que seguem. 2.1.1 Interpostas Pessoas A fiscalização, mediante análise dos contratos sociais e suas alterações, constatou que Maesio Candido Vieira e Macavi Importadora e Exportadora de Móveis são denominações para um mesmo CNPJ, cuja constituição ocorreu como empresa individual em 10/10/89, permanecendo nas mesmas condições até hoje. Ocorre que, ao longo dos anos foram utilizadas interpostas pessoas parentes ou pessoas que mantinham relacionamento muito próximo com o Recorrente para a constituição das empresas mencionadas no TVF. Referidas empresas foram criadas entre 1999 e 2004, e entre 2009 e 2011 o Sr. Maesio Candido Vieira passa a participar de direito de todas elas, o que a fiscalização atribui a nomenclatura de "continuidade do uso de interpostas pessoas em um longo período de tempo". Confirmando tais fatos, a Recorrente valida o procedimento adotado pela fiscalização ao afirmar que "a interposição de familiares não trouxe qualquer prejuízo à arrecadação de tributos e, em segundo ponto, não menos essencial, o sócio controlador e sua esposa assumiram a integralidade das quotas de todas as empresas, antes de qualquer procedimento fiscal (...)". A assertiva de que tal comportamento não trouxe danos ao erário público não procede. Quanto a este instituto, Maria Rita Ferragut, registra que: Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.104 12 O primeiro e mais contundente dos fatos tipificadores da fraude é a demonstração da utilização, pelo sujeito passivo, de interposta pessoa, considerada como sendo a pessoa física ou jurídica que oculta, esconde, encobre o verdadeiro interessado no negócio. (...) É assim denominada por 'interporse' entre o sujeito ativo e o 'real' sujeito passivo, com o objetivo central de evitar que este último integre a relação jurídica tributária. (...) Não temos dúvidas de que a constatação da existência de interposta pessoa é prova do dolo. Tais dados revelam indícios veementes da utilização de terceiros com o intuito de sonegação fiscal, o que respalda a atuação da fiscalização. 2.1.2 Apresentação de documentação fiscal inidônea/falsidade de informações O segundo fato tipificador da ocorrência de fraude, segundo informa e documenta o TVF, registra que a contribuinte cometeu uma série de ilícitos contábeis que impediram o Fisco Federal de conhecer o lucro por ela apurado. E vale mencionar que, além da contribuinte, o Fisco Estadual Cearense, quando solicitado a apresentar os livros e notas fiscais da mesma, também não o fez, situação que levou a fiscalização a realizar auditoria na contabilidade digital. E para registrar tais ilícitos, aponto: (i) a ausência de registro (no balancete patrimonial das empresas) da conta "Banco conta movimento", que no entanto dispunha da conta "Fornecedores e Duplicatas a Receber", o que levou à conclusão de que as transações eram realizadas em dinheiro; (ii) ainda no balancete digital, a fiscalização observou que as contas "Estoques", "Transferências de mercadorias", "Caixa" e "Clientes a Receber" apresentam valores relevantes; (iii) na conta "Clientes Duplicatas a Receber", em razão da falta de documentos, notouse que as vendas não passavam pela conta de Receita da contabilidade. Além disso, há gastos elevados com "Manutenção, Conservação e Reparos, Material de Construção, entre outros", que não constaram no ativo imobilizado imóvel. Informa, ainda, que nos primeiros lançamentos ficou demonstrado que as vendas não passavam pelas contas de resultado, reduzindo o montante da receita declarada; (iv) bem como, que os históricos não permitem identificar a procedência e o destinação das transações, o que se torna impossível ante a ausência de apresentação da documentação pela contribuinte. A contribuinte se defende informando que apresentou os documentos exigidos, bem como, que a fiscalização procedeu, de modo ilegal, ao solicitar a apresentação de planilhas, desejando que este "assumisse as tarefas privativas da auditoria fiscal, intimandoo a elaborar planilhas; em suma, a fazer provas contra si mesmo". Em tese procede a assertiva de que apresentou documentos, porém, não de forma válida, pois não comprovou os registros pertinentes aos fatos contábeis contestados pela fiscalização, situação que descredencia os lançamentos escriturados, permitindo a aplicação do método arbitral de lucros. Neste sentido, transcrevo trecho da decisão proferida pela DRJ, com a qual concordo, segue: Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.105 13 (... ) consta do termo de devolução de documentos anexado a fls. 331 que foram objeto de devolução apenas os livros Diário, Razão e de Apuração do Lucro Real (Lalur) referentes aos anoscalendários fiscalizados. Portanto, ao contrário do que sugere a impugnante, não houve devolução de nenhum documento comprobatório de sua escrituração. Vale ressaltar que, nos termos do art. 923 do RIR, de 1999, abaixo reproduzido, a escrituração só tem valor probatório em favor do contribuinte se os fatos nela registrados estiverem comprovados por documentos hábeis. Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 9°, § 1°). Alegase ainda que, por ter sido a impugnante intimada a prestar esclarecimentos mediante o uso de planilhas específicas, "a autoridade do lançamento transferiu os papéis de trabalho do auditor para o auditado". Mas nada há de censurável ou irregular no procedimento fiscal. Com efeito, todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos auditoresfiscais no exercício de suas funções. Deste modo, não havia outra alternativa ao Fisco Federal, se não o arbitramento do lucro, já que a irregularidade apontada diz respeito à ausência de documentação hábil10 a formalizar as operações realizadas pela contribuinte. 2.1.3 Reiteração da Conduta Como terceiro, e último, apontamento do fato tipificador da fraude, a contribuinte de modo sistemático e reiterado não apresentou a documentação relativa aos anoscalendários de 2006, 2007 e 2008. Para tratar melhor este tema, sigo me valendo das lições de Maria Rita Ferragut, que explica que: Errar de forma esporádica é possível e, isoladamente, não revela máfé do sujeito. Já a conduta repetitiva é forte indício da intenção de fraudar o Fisco. (... ) O Problema que se coloca, a partir dessa conclusão, é a definição 'conduta reiterada'. Quantas vezes o ilícito deve ser praticado, para que o fato assuma esse foro? Reiteração é conceito indeterminado. O erro esporádico uma ou duas vezes em largo espaço de tempo não se consubstancia numa conduta reiterada. Se, em contrapartida, tal erro ocorrer ao longo de todo o ano, restará configurada a reiteração. (... ) Há de se registrar, também, que a reiteração é relevante apenas se a conduta repetida for grave o suficiente à configuração da responsabilidade subjetiva inerente à fraude. Não qualquer conduta, mas somente aquela que leva à convicção de que o sujeito deve ter querido lesar os cofres públicos. Assim, deve ser mantido o arbitramento do lucro. 2.2 Da Aplicação de Penalidades Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.106 14 A Recorrente se insurge contra a aplicação (i) da qualificadora (75%) e do (ii) agravamento (150%) da multa de ofício, porém, restando caracterizado fortes e relevantes indícios de fraude em sua conduta, cabível e imprescindível é a aplicação de multa qualificada e agravada. Ressalvo que os dois pontos serão abordados em conjunto, neste tópico, em razão de sua relação intrínseca. Assim, segundo dispõe a legislação abaixo transcrita: O enunciado do art. 44, da Lei n. 9.430/96, já alterado pela Lei n. 11.488/07, resultado da conversão da MP n. 351 de 2007, prescreve que: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: 1 de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) §1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O inciso I, determina a aplicação do percentual de 75% "nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata", este, exatamente o caso dos autos. Nestes termos, elucida o acórdão da DRJ que: Tenhase em mente ainda que, relativamente aos anoscalendários de 2006 a 2008 e em razão das infrações apuradas neste processo, deixaram de ser recolhidos nada menos que R$ 22.797.636,93 de tributos em valores originais (sem juros e multas). Ademais, constatouse insuficiência de recolhimento, sem exceção, em todos os trimestres dos três anos fiscalizados. Ocorre que o parágrafo primeiro impõe a duplicação do percentual da multa (150%), agravamento, acaso o contribuinte se adeque a um dos dispositivos da Lei n. 4.502/64 (arts. 71, 72 e 73). E conforme amplamente registrado em linhas pretéritas, não restam dúvidas de que houve o cometimento de fraude (art. 72), sendo assim, de acordo com o Capítulo II (das penalidades), Seção II (da aplicação e gradação das penalidades), lêse que: Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Reforça ainda tal provimento as Súmulas CARF ns. 25 e 96, abaixo transcritas, respectivamente: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/64. Bem como: Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.107 15 A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Após mencionar a legislação de regência, e apenas a título de reforço, reitero os motivos determinantes à imputação das penalidades mencionadas transcrevendo por compreender a situação fáticojurídica nos mesmos moldes dos argumentos esposados no acórdão da DRJ parte de seus argumentos: (... ) a multa imposta ao empresário individual foi qualificada não por ter sido ele considerado interposta pessoa, mas sim porque, entre outras razões, ele teria se beneficiado do esquema fraudulento. Não vem a propósito, portanto, o argumento de que, "em se tratando de uma empresa individual, como é o caso da MAÉSIO CANDIDO VIEIRA, CNPJ n° 35.023.647/000113, o seu titular não pode ser laranja de si mesmo". Ainda segundo a impugnante, não haveria nenhum "proveito fiscal de colocar pai, mãe, esposa e colaboradores mais próximos à frente das novas empresas", as quais teriam sido criadas apenas "em prol do incremento de crédito bancário". Tais argumentos, contudo, não são hábeis para afastar a qualificação da multa. Pelo contrário, até reforçam a constatação fiscal de que houve fraude na composição do quadro social das empresas. E a interposição de pessoas é um modo de dissimular as condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Tenhase em mente ainda que, relativamente aos anoscalendários de 2006 a 2008 e em razão das infrações apuradas neste processo, deixaram de ser recolhidos nada menos que R$ 22.797.636,93 de tributos em valores originais (sem juros e multas). Ademais, constatouse insuficiência de recolhimento, sem exceção, em todos os trimestres dos três anos fiscalizados. Tudo isso num contexto em que se evidenciou o intuito de fraude na elaboração da escrituração, cujas inconsistências são de causar espécie, como, por exemplo: "omissões de informações financeiras com a falta na escrituração contábil da conta Banco conta movimento", "falta de escrituração da conta do ativo imobilizado" e "as vendas não passavam pelas contas de resultado, reduzindo o montante da receita declarada". Cumpre também considerar as inexatidões cadastrais encontradas: diversos estabelecimentos não foram informados no CNPJ. Mais grave ainda é a conduta reiterada e sistemática, sem nenhuma justificativa plausível, de não apresentar a documentação que teria embasado a escrituração, cujo propósito não pode mesmo ter sido outro senão o de ocultar do fisco a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Em suma, justificam a qualificação da multa não só a relevância dos valores e a habitualidade da conduta, mas todo o contexto fáticoprobatório dos autos. Por fim, não tem cabimento algum falar em exclusão de responsabilidade por denúncia espontânea da infração, uma vez que faltam, no caso, os seguintes requisitos previstos no art. 138 do CTN: pagamento do tributo devido e dos juros de mora ou depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Com o intuito de evitar lacunas entre o arguido pela parte e os motivos do "livre convencimento motivado", registrado neste voto, ressalvo que não há que se falar em "mais de uma punição pelo mesmo fato", em razão de: primeiro, não ser o Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.108 16 arbitramento do lucro uma metodologia punitiva; segundo, a qualificação decorre, também, da constatação e comprovação da prática de fraude (...). Ante todo o exposto, resta cristalino o correto posicionamento da fiscalização ao imputar penalidade mais gravosa à conduta realizada pela Recorrente. Conclusão Assim, com base em tais fundamentos, voto por rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o arbitramento do lucro, a inexistência de denúncia espontânea e a multa qualificada (150%). (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Voto Vencedor Carlos Cesar Candal Moreira Filho Redator designado Suporto a difícil tarefa de me opor ao sempre bem fundamentado voto do I. Relator. É que o fundamento apresentado pelo Auditor Fiscal responsável pela autuação para qualificar a multa de ofício foi a conduta reiterada de não apresentar os documentos que respaldariam a contabilidade e o uso continuado de interpostas pessoas, conforme Termo de Verificação Fiscal (TVF) (folhas 113 e 114). Como é cediço, a simples não apresentação de documentos visando a dificultar os trabalhos de fiscalização dá ensejo ao agravamento da multa de ofício, e não a sua qualificação, e a autoridade administrativa agravou a multa, conforme consta de "Conclusão" no TVF e nos autos de infração lavrados (225%). Portanto, a falta de apresentação de documentos (em tese) não seria motivo para a dupla pena: qualificação e agravamento, devendo ser afastada a primeira, pois não completa o silogismo tal qual a segunda. Por outro lado, esta Turma tem se posicionado que a utilização de interposta pessoa isoladamente não é motivo de qualificação, com fundamento na ausência de nexo causal entre a infração e a interposição, que só seria relevante se a infração desse azo à responsabilidade prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional (CTN). Não sendo o caso de responsabilidade tributária, uma vez que a qualificação e a interposição se confundem, noutras palavras, não há outro motivo para a qualificação invocado pela autoridade, o fato de haver outra pessoa à frente da Empresa em nada altera a relação jurídicotributária, uma vez que o sócio não seria chamado à responsabilidade. Quanto ao agravamento, notase que não foi alvo de fundamentação específica, sendo citado apenas nas conclusões do TVF em uma frase: "e majoração da multa em 50% pelo não atendimento do TERMO legalmente feito por Autoridade do Fisco Federal." A Empresa, por sua vez afirma ter apresentado toda a documentação que dispunha, pelo que se conclui que o agravamento não foi suficientemente fundamentado. Além Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10380.725119/201348 Acórdão n.º 1302002.810 S1C3T2 Fl. 1.109 17 disso, a contabilidade foi desconsiderada, tendo sido adotado o arbitramento do lucro exatamente pelas inconsistências que a autoridade pretende ensejem, também, o agravamento e a qualificação. Incide no caso a súmula CARF nº 96, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 96 A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. A autoridade invoca o julgamento do REsp 973.733 SC, na forma de recurso repetitivo, para afirmar que qualquer medida preparatória ao lançamento de ofício interrompe a contagem do prazo decadencial. A tese firmada no julgamento do leading case é a seguinte: O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. A tese invocada não dá suporte à conclusão da autoridade. Afastada a qualificação da multa de ofício, aplicase a hipótese do § 4º do artigo 150 do CTN, e, uma vez constatados pagamentos há que se reconhecer a decadência do IRPJ e CSLL dos anoscalendário 2006 e 2007 e dos dois primeiros trimestres de 2008; e do PIS e Cofins, dos períodos de apuração mensal de 2006, de janeiro a novembro de 2007, e de março e junho de 2008, uma vez que a ciência dos autos de infração ocorreu em 8 de julho de 2013. Agora sim, aplicase a citada tese , de repercussão geral. Assim, sendo, dou provimento parcial ao recurso voluntário, afastando a qualificação e o agravamento da multa de ofício e reconhecendo a decadência do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário de 2006 e 2007 e dos dois primeiros trimestres de 2008 e do PIS e da Cofins, dos períodos de apuração mensal de 2006, de janeiro a novembro de 2007 e de março e junho de 2008. É como voto (assinado digitalmente) Carlos Cesar Candal Moreira Filho Fl. 1109DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.903920/2009-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NECESSIDADE
Uma vez assegurada a restituição ou compensação de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ, nos termos da Súmula CARF 84, e, sendo este fundamento inicialmente utilizado para se negar reconhecimento ao direito creditório pleiteado, há de se proferir despacho decisório complementar, pela unidade de origem, para que se analise a liquidez do crédito apresentado, além de oportunizar ao contribuinte trazer aos autos novos elementos e esclarecimentos de que se tratava mesmo de erro de fato cometido na apuração do imposto que resultou no pagamento indevido e não mera reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual.
Numero da decisão: 1301-003.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em ratificar o decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas, e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, levando-se em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão, proferindo despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual habitual. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2305; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 550 1 549 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.903920/200932 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.174 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria PERDCOMP PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Recorrente DU PONT DO BRASIL S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 DIREITO CREDITÓRIO. INDÉBITO CORRESPONDENTE A PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. NECESSIDADE Uma vez assegurada a restituição ou compensação de recolhimentos a maior ou indevidos de estimativa mensal de IRPJ, nos termos da Súmula CARF 84, e, sendo este fundamento inicialmente utilizado para se negar reconhecimento ao direito creditório pleiteado, há de se proferir despacho decisório complementar, pela unidade de origem, para que se analise a liquidez do crédito apresentado, além de oportunizar ao contribuinte trazer aos autos novos elementos e esclarecimentos de que se tratava mesmo de erro de fato cometido na apuração do imposto que resultou no pagamento indevido e não mera reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em ratificar o decidido pela DRJ no sentido de superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas, e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, levandose em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. Vencido o Conselheiro Nelso Kichel que votou por negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 39 20 /2 00 9- 32 Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13896.903920/200932 Acórdão n.º 1301003.174 S1C3T1 Fl. 551 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado contra o acórdão nº 0257.270, proferido pela 4ª Turma da DRJ/BHE que, ao apreciar a Manifestação de Inconformidade apresentada, entendeu, por unanimidade de votos, julgála improcedente. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: A interessada transmitiu, em 12 de julho de 2006, a Declaração de Compensação (DCOMP) numerada 04537.23169.120706.1.7.047078, alegando direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior. DESPACHO DECISÓRIO Tal declaração foi examinada pela DRF de origem, que prolatou o Despacho Decisório de nº 831690302, de 20 de abril de 2009, nos seguintes termos: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 520.314,09 Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a Improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13896.903920/200932 Acórdão n.º 1301003.174 S1C3T1 Fl. 552 3 Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Ciente em 29 de abril de 2009 (fl. 46), a interessada apresentou, em 28 de maio de 2009, a manifestação de inconformidade de fls. 10 a 34, em que alegava: Processo de Crédito n°. 13896.904.920/200932 PER/DCOMP nº. 04537.23169.120706.1.7.047078 Despacho Decisório — n°. de Rastreamento: 831690302 [...] a MANIFESTANTE, em 31.10.2005, incorporou a sociedade DU PONT PERFORMANCE COATINGS S.A. ("INCORPORADA"), sucedendolhe em todos os direitos e obrigações, conforme se comprova da análise dos atos societários relativos ao evento (Anexo 5) e da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica 2005 de incorporação ("DIPJ") (Anexo 6). Em fevereiro de 2005, assim como nos meses de janeiro, março, abril, maio e junho do mesmo anocalendário, a INCORPORADA não apurou débito de IRPJ, conforme se comprova da análise da Ficha 11 da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica 2005 de incorporação ("DIPJ") e da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ("DCTF") (Anexos 6 e 7). Entretanto, mesmo não apurando débito de IRPJ, no mês de fevereiro de 2005 a INCORPORADA recolheu IRPJ no valor de R$ 520.314,09, por meio de Documento de Arrecadação ("DARF") (Anexo 8). Com base na simples comparação entre o IRPJ devido no mês de fevereiro de 2005, declarado na Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais ("DCTF") e na ficha 11 da DIPJ 2005 de incorporação (Anexos 6 e 7), e o recolhido por meio de DARF (Anexo 8), verificase claramente o efetivo recolhimento a maior/indevido do IRPJ no referido mês [...]. Ressalta o teor do artigo 11 da IN SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008 e invoca o disposto no artigo 106, inciso II, alínea a, do Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13896.903920/200932 Acórdão n.º 1301003.174 S1C3T1 Fl. 553 4 Extrai e apresenta dados da correspondente DIPJ – Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica e ressalta os princípios da verdade material, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, prejuízo, legalidade, ampla defesa, contraditório e insignificância. Entende que a Administração não se teria valido “de todos os meios de que dispunha para verificar a legitimidade do crédito”. Acoima de ilegalidade a IN SRF 600 nº 600, de 28 de dezembro de 2005 e aborda aspectos atinentes à cobrança do débito confesso em DCOMP. Junta excertos doutrinários e jurisprudenciais. Naquela oportunidade, a r.turma julgadora julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, cujo julgamento se encontra sintetizado pela seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2006 DIREITO CREDITÓRIO COMPENSAÇÃO Só é cabível o reconhecimento deste direito quando ele se reveste dos predicados de liquidez e certeza. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente em 04/05/2015 do acórdão recorrido (fls. 442), e com ele inconformado, a recorrente apresentou em 29/05/2015 (fl.443), tempestivamente, recurso voluntário, através de patrono legitimamente constituído, pugnando por provimento, onde apresenta argumentos que serão a seguir analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Resumo dos Fatos Inferese dos autos que a Recorrente reivindica a titularidade de direito creditório, oriundo de recolhimento indevido efetuado em 31.03.2005 a título de estimativa mensal de IRPJ, no valor de R$ 520.314,09, para utilizálo por compensação para quitar débito de IPI. Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13896.903920/200932 Acórdão n.º 1301003.174 S1C3T1 Fl. 554 5 Ao analisar seu pleito, a Autoridade Fiscal prolatora do Despacho Decisório, não reconheceu o direito creditório e conseqüentemente não homologou a compensação declarada, por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente poderia ter sido utilizado, no entendimento da administração tributária, na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Tal fato teria ocorrido em violação do artigo 10 da Instrução Normativa da Receita Federal do Brasil n° 600/2005 (vigente na época da transmissão da DCOMP), conforme consta na fundamentação do despacho decisório (o qual já consta no presente processo). Inconformada com o Despacho Decisório, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, sendo julgada improcedente pelo Colegiado da DRJ. Ressaltese que nesta decisão foi afastada a restrição imposta pelo artigo 10 da Instrução Normativa (IN) SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005, que impediu a homologação da DCOMP que ora se discute, ficando, portanto, superada tal violação. Porém, através de valoração das provas até então apresentadas, entendeu que não restaria comprovada a existência do indébito, pela inexistência de documentos que atestassem o cálculo da estimativa de IRPJ devida no período (fev/2005). Juntada Novos Documentos no Recurso Voluntário Preliminarmente, deve ser submetida à deliberação deste Colegiado a possibilidade de juntada de novos documentos, e que eles sejam admitidos como provas no processo. Esses documentos foram acostados ao processo quando da apresentação do recurso voluntário. Em relação a esse ponto, é importante destacar a disposição contida no §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da apresentação da prova documental na impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, a jurisprudência do CARF vem temperando essa disposição em nome do princípio da verdade material, para a consecução dos fins processuais No caso, penso ser possível a análise dos documentos juntados pela recorrente, em seu recurso, aplicandose a exceção do inciso “c” do mesmo dispositivo legal, que permite a juntada de provas em momento posterior quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Afinal, o contribuinte trouxe na defesa inicial os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, e, ao analisar os argumentos do julgador a quo, que não lhe foram favoráveis, trouxe provas complementares, para sustentar o alegado direito creditório. Assim, no caso concreto, a apresentação das novas provas é resultado da marcha natural do processo, sendo razoável sua admissão. Por outro lado, ainda que não se aceite a aplicação da regra estatuída no inciso "c", do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 ao caso presente, há outro Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13896.903920/200932 Acórdão n.º 1301003.174 S1C3T1 Fl. 555 6 fundamento autônomo no sentido de aceitar as provas juntadas quando do protocolo do seu recurso. Penso que não se deve cercear o direito de defesa do contribuinte, impedindo o de apresentar provas em sua defesa, em face do que prevê o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 e princípios da verdade material, da formalidade moderada, entre outros, devendo esta regra e princípios prevalecerem sobre a aplicação do dispositivo contido no 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, pela técnica da ponderação, pois os documentos apresentados podem revestir se de elementos suficientes para a confirmação, pelo menos em parte, do crédito pleiteado. Semelhante raciocínio chegou o CSRF, no julgamento do Acórdão nº 9101 002.781, que ocorreu na sessão de 06 de abril de 2017, onde foi reconhecida a possibilidade de juntada de documentos posterior à apresentação de impugnação administrativa, em observância a estes princípios e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/199 (G.N) Por entender pertinente, colaciono trechos extraídos do voto vencedor deste mesmo acórdão, exarado pela I. Conselheira Cristiane Silva Costa, cujos argumentos evidenciam o atual posicionamento da CSRF sobre a matéria: Com a devida vênia ao Ilustre Relator, divirjo da interpretação conferida ao artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972. Como mencionado pelo Ilustre Relator, prescreve o artigo 16, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) A interpretação isolada do artigo 16 e seu §4º poderia implicar na interpretação bastante rigorosa da impossibilidade de juntada de documentos depois da apresentação de impugnação administrativa, ressalvadas as hipóteses dos incisos do §4º, acima colacionado (impossibilidade de apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos). No entanto, não me parece seja o caso de adotar interpretação tão rigorosa. A Lei nº 9.784/1999 trata dos processos administrativos no âmbito da Administração Pública Federal, explicitando a necessidade de observância aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade proporcionalidade, ampla defesa e contraditório: Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13896.903920/200932 Acórdão n.º 1301003.174 S1C3T1 Fl. 556 7 Art. 2º A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade,proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: A mesma Lei acrescenta que os processos administrativos devem atender aos critérios dos quais se destacam: Art. 2º: (...) Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: I atuação conforme a lei e o Direito; (...) VI adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; VII indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio. Os processos administrativos, portanto, devem atender a formalidade moderada, com a adequação entre meios e fins, assegurandose aos contribuintes a produção de provas e, principalmente, resguardandose o cumprimento à estrita legalidade, para que só sejam mantidos lançamentos tributários que efetivamente atendam à exigência legal. Especificamente sobre a possibilidade de juntada de provas, o artigo 38, da Lei nº 9.784/1999 prescreve que: Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Ao tratar do artigo 16, §4º, do Decreto nº 70.235/1972, são as pertinentes considerações de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez López: Ao se levar às últimas conseqüências, as regras atualmente vigentes para o Decreto nº 70.235/72, estarseia mitigando a Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13896.903920/200932 Acórdão n.º 1301003.174 S1C3T1 Fl. 557 8 aplicação de um dos princípios mais caros ao processo administrativo que é o da verdade material. (...) Assim, revela destacar que a depender da situação é possível flexibilizar a norma, desde que evidentemente, a prova apresentada seja inconteste e nesse sentido independa da análise de uma instância inferior, eis que a preclusão ligase ao princípio do impulso processual. (...) Na prática, quer nos parecer que, o direito à parte à produção de provas comporta graduação a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade desejável e a segurança indispensável na realização da justiça. (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, 3ª edição, Dialética, 2010, fls. 305 e 306.) Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial do contribuinte, determinando a baixa dos autos para que a Turma a quo aprecie os documentos apresentados pelo contribuinte. Assim, embora o artigo 16, §4ª, do Decreto nº 70.235/72, estabeleça ser regra geral para efeito de preclusão a respeito da prova documental, enfatizando que a prova documental seja apresentada juntamente com a impugnação do contribuinte, isso não impede, segundo meu juízo, com base nos princípios mencionados e regra prevista no artigo 38, da Lei nº 9.784/1999, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, sobretudo quando se prestam a corroborar com tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo acórdão recorrido. Dessa forma, os documentos apresentados pelo recorrente quando do protocolo do recurso voluntário devem ser admitidos e apreciados. Preliminar: Alteração Critério Jurídico Em razões preliminares, sustenta a recorrente que a decisão recorrida utilizouse de forma indevida de novos critérios jurídicos pra manter o indeferimento do direito creditório pleiteado, ao arrepio do que prevê o art. 146 do CTN. Assim, entende que a decisão recorrida extrapolou os termos em foi posta a lide pelo despacho decisório, e por isso não poderia a decisão recorrida inovar no processo administrativo e manter o indeferimento do direito creditório por motivo absolutamente diverso. Esta prática que consiste em mudança de critério jurídico de lançamento é ilegal e contraria o princípio da boafé do contribuinte, de um lado. E de outro lado, quando ocorre, representa insubmissão da administração a seus próprios atos, o que é inadmissível por implicar violação do princípio da segurança jurídica. Porém , não foi isso que ocorreu no caso concreto. O indeferimento do pleito compensatório, mediante despacho decisório, não analisou a certeza e liquidez do crédito apresentado, vez entendeu a autoridade prolatora daquela decisão existir um obstáculo que o impediria uma apreciação mais profunda acerca desse direito. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13896.903920/200932 Acórdão n.º 1301003.174 S1C3T1 Fl. 558 9 Superado o obstáculo, o dever reside na aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado, o que de fato se incumbiu o colegiado da DRJ, quando da valoração das provas apresentadas, concluiu pelo indeferimento do pleito, por ausência de provas que evidenciasse o erro e o conseguinte pagamento indevido. Nesses termos, não há alteração do critério jurídico de lançamento. Assim, pois, absolutamente improcedente a alegação de inovação dos fundamentos que serviram de suporte para o indeferimento inicial do pleito formulado pela Recorrente, vez que o caminho percorrido impediu, inicialmente, a análise da certeza e liquidez do crédito apresentado, sendo possível, apenas, quando superado o obstáculo mencionado pelo despacho decisório. Preliminar: Da falta de enfretamento de argumentos Neste tópico, argüiu a recorrente ter a DRJ a quo deixado de enfrentar uma de suas alegações, qual seja, a impossibilidade de exigência de multa e juros, caso fosse mantida a não homologação da Declaração de Compensação, ensejando sua nulidade. Verificando o v. Acórdão a peça de defesa inicial apresentada, confirmase a veracidade dessa alegação da Recorrente. Como se observa da Manifestação de Inconformidade apresentada, o Contribuinte alegou, com base na eventualidade da manutenção do r. despacho decisório, a suposta incorreção de aplicação de multa e incidência de juros sobre os valores decorrentes da denegação sofrida. Tal argumentação jurídica depende, logicamente, da rejeição da tese meritória, pois ataca elementos distintos da homologação do crédito, tratandose, claramente, de matéria autônoma, sem qualquer vinculação com a procedência do crédito pleiteado. Podese até dizer que esta matéria é estranha à lide, pois a incidência ou não de multa e juros sobre débito decorrente da não homologação da compensação não é relevante ao deslinde da causa, devendo discutido sua incidência ou não em outro processo, e não neste. Desse modo, não é razoável exigir do julgador que se manifeste expressamente sobre fatos irrelevantes ao deslinde da causa, não havendo, no caso, que se falar em omissão, e muito menos em eventual nulidade do Acórdão recorrido. Sobre o assunto, vale a transcrição da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, pacificada no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. MILITAR. DESINCORPORAÇÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ART. 535 DO CPC. REJEIÇÃO. MULTA. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. OMISSÃO NÃO CARACTERIZADA. AUSÊNCIA DE CARÁTER PROTELATÓRIO. CASSAÇÃO DA SENTENÇA. PERÍCIA. ART. 130 DO CPC. DESNECESSIDADE. Não há omissão a inquinar de nulidade a decisão vergastada se os fatos relevantes ao deslinde da causa foram enfrentados, não se podendo exigir do órgão julgador que discorra sobre todos os dispositivos de lei suscitados para cumprir com plenitude a devida prestação jurisdicional. Visava Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13896.903920/200932 Acórdão n.º 1301003.174 S1C3T1 Fl. 559 10 a União ao opor os embargos prequestionar a matéria, os termos da Súmula 98 deste Superior Tribunal de Justiça. Afasta se o caráter protelatório dos declaratórios. Vigora, no ordenamento processual moderno, o princípio da livre apreciação das provas, segundo o qual não existe um escalonamento valorativo apriorístico dos elementos de convencimento do juiz. Não se pode ler o artigo 130 do estatuto adjetivo como imposição de realização de perícia judicial. Se o julgador sentese seguro para julgar o feito e demonstra na sentença os elementos que o convenceram do quadro fático que o motivou, exsurge demasiada a evocação de novos meios de prova. Precedentes. Recurso parcialmente provido com a retirada da multa e o restabelecimento da decisão de primeiro grau.(REesp. nº 651340, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca). Pelo exposto, deve ser indeferido o pedido de nulidade. Do Mérito Quanto ao mérito, verificase que o indeferimento do pleito, por meio do despacho decisório, está consubstanciado no entendimento de que, tratandose de antecipação obrigatória (estimativa), o eventual pagamento a maior ou indevido só pode ser aproveitado na determinação do resultado correspondente ao final do período de apuração. Em virtude desse entendimento, nenhum juízo foi feito acerca do pagamento efetuado pela Recorrente representar, efetivamente e à época em que foi realizado, pagamento a maior ou indevido. Nos termos do preconizado pelo art. 2º da Lei nº 9.430, de 1996, a pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real tem a opção de promover o pagamento do imposto mensalmente, de forma estimada, com base na receita bruta. O art. 35 da Lei nº 8.891, de 1995, recepcionado pela Lei nº 9.430/96, admite que o recolhimento com base na receita bruta possa ser suspenso ou reduzido, desde que o contribuinte demonstre, por meio de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o calculado com base no lucro real do período em curso. Resta evidente, assim, que, para que o pagamento seja caracterizado como tendo sido feito a maior ou indevidamente, é necessário, primeiro, definir qual a forma adotada pelo contribuinte para calcular o recolhimento mensal, se com base na receita bruta ou com suporte em balanços ou balancetes de suspensão ou redução, e, depois, confrontálo com o que foi apurado à época em que a estimativa era devida. Obviamente, se o contribuinte recolhe a estimativa com base na receita bruta e, em momento posterior, levanta um balanço de suspensão e redução que aponta para prejuízo fiscal no período acumulado, descabe falar em pagamento a maior ou indevido, eis que o recolhimento foi efetuado com base na legislação de regência. Nesse caso, o contribuinte simplesmente teria deixado de exercer a opção prevista pelo art. 35 da Lei nº 8.981/95 (elaboração de balanço de suspensão/redução). Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13896.903920/200932 Acórdão n.º 1301003.174 S1C3T1 Fl. 560 11 No caso vertente, embora o contribuinte tenha alegado recolhimento a maior ou indevido, ele não junta qualquer documento que demonstre efetivamente o erro cometido. Aliás, nem mesmo informa qual teria sido esse erro. Por outro lado, o despacho decisório rejeitou a homologação da compensação pleiteada sob o fundamento de que a legislação somente admitia a compensação de estimativas ao final do período de apuração (compondo eventual saldo negativo) sem, portanto, examinar o mérito da existência (ou não) do alegado pagamento à maior de estimativas. Por sua vez, o Acórdão recorrido, apesar de superar este obstáculo, analisou o pleito compensatório, através da valoração de documentos, imprestáveis, de fato, para comprovar a liquidez do crédito em debate, mesmo porque até aquele momento processual, como dito, não havia sequer discussão se o pagamento indevido de estimativa foi realizado com base na receita bruta, ou com base em levantamento de balanço de suspensão. Nesse cenário, a meu ver, antes de proferir a decisão, deveria o contribuinte ser intimado para trazer novos elementos e esclarecimentos de que se tratava mesmo de erro de fato cometido na apuração do imposto que resultou no pagamento indevido e não mera reapuração de estimativa promovida após a sua determinação e recolhimento regulares. Assim, por estes fundamentos, voto no sentido de ratificar o decidido pela DRJ, para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas, e dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito pleiteado, levandose em consideração não só a possibilidade de pagamento de estimativa com base na receita bruta, mas também a possibilidade de comprovação do indébito com base em levantamento de balanço de suspensão, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 560DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.001315/2004-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado.
Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3402-005.397
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e não acolher os Embargos de Declaração.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente)
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e não acolher os Embargos de Declaração. Waldir Navarro Bezerra - Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente)
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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Devem ser rejeitados os Embargos de Declaração quando não demonstrada omissão, contradição ou obscuridade no acórdão embargado. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e não acolher os Embargos de Declaração. Waldir Navarro Bezerra Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente) Relatório Tratase de embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional, ao amparo do artigo 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, por alegada omissão no Acórdão nº 3402002.370, de 23 de abril de 2014 (fls. 244 a 257), que recebeu a seguinte ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 13 15 /2 00 4- 78 Fl. 291DF CARF MF Processo nº 11065.001315/200478 Acórdão n.º 3402005.397 S3C4T2 Fl. 292 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS ACUMULADOS DE ICMS. TRIBUTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os valores provenientes do recebimento pela cessão onerosa de créditos de ICMS acumulados em conta gráfica pelo contribuinte exportador, revestemse da natureza jurídica de recuperação de custos, e, como tal, não podem ser tratados como receita para fins de incidência das contribuições ao PIS e à COFINS não cumulativas, conforme inclusive, é o entendimento pacificado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em sede de Repercussão Geral (Recurso Extraordinário n.º 606.107/RS, sessão de 22/5/2013). Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. ÓBICE CRIADO PELA ADMINISTRAÇÃO. INCIDÊNCIA. O art. 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que incide a correção pela SELIC. Recurso Voluntário Provido. O presente processo trata da análise fiscal das Declarações de Compensação em que o contribuinte indica créditos de COFINS nãocumulativo do primeiro trimestre de 2004. A DRF em Novo Hamburgo reconheceu parcialmente os créditos apontados, por ter constatado irregularidades em sua apuração. Regularmente cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, insurgindo contra a glosa, defendendo a legitimidade dos créditos apurados com base nos fretes por ele pagos em suas vendas. Insurgese também contra a aplicação da Taxa Selic sobre os débitos fiscais, os quais deveriam sofrer apenas a incidência dos juros moratórios previstos no §1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional e artigo 192, §3° da Constituição Federal. A 2ª Turma da DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, manifestandose expressamente sobre a incidência da Taxa Selic sobre os créditos tributários (Acórdão 1012.663 – 2ª Turma da DRJ/POA, fls. 170 a 173). Intimado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 176 a 191), alegando que os valores de transferência de ICMS estariam abrangidos pela imunidade das exportações, mencionando os arts. 149 e 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal, além de não constituírem receita tributável. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF, nos termos do Acórdão n° 340100.530 (fls. 196 a 199), deu provimento ao recurso voluntário. Destacase que a única matéria tratada dizia respeito à glosa relativa à transferência de créditos de ICMS. É a ementa da decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. COFINS NÃO CUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EXIGIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Fl. 292DF CARF MF Processo nº 11065.001315/200478 Acórdão n.º 3402005.397 S3C4T2 Fl. 293 3 A sistemática de ressarcimento da COFINS e do PIS nãocumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir. Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio. Recurso Provido. Contra o referido acórdão, a União interpôs recurso especial sob o fundamento de que o colegiado, sem qualquer questionamento por parte do contribuinte sobre o procedimento para a exclusão dos valores decorrentes de transferência de créditos de ICMS na apuração do crédito a ressarcir, considerou indevida esta exclusão no pedido de ressarcimento, cabendo o lançamento de ofício das diferenças encontradas pela fiscalização. Acordaram os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acórdão nº 930301.705, em dar provimento ao recurso, para anular as peças processuais a partir do acórdão recorrido, inclusive, determinando que outro julgamento seja realizado, observados os limites da lide. Segue a transcrição da ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 NORMAS PROCESSUAIS. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO, EM NENHUMA DE SUAS PEÇAS DE DEFESA. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, bases em que se assenta a atividade judicante. É extra petita o julgamento quando a matéria julgada não foi devolvida ao colegiado pelas partes. Recurso Especial do Procurador Provido. Devolvido às turmas baixas, o julgamento do processo foi sobrestado por decisão da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção, até que o julgamento pelo STF sobre a inclusão ou não dos valores recebidos por transferência do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e Cofins nãocumulativos, em cumprimento ao disposto no artigo 62A do Regimento Interno (Resolução 3401000.648, de 26/02/2013, fls. 239 a 242). Em reexame do recurso voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ªSeção, em sua composição anterior, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto a aplicação da Taxa Selic. A Fazenda Nacional opôs embargos de declaração (fls. 261 a 264) alegando a ocorrência de omissão na decisão embargada, por vício em sua fundamentação quanto à incidência da Taxa Selic, por entender que a referida matéria não teria sido alegada no momento processual oportuno, ocorrendo aí a preclusão. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 11065.001315/200478 Acórdão n.º 3402005.397 S3C4T2 Fl. 294 4 Os embargos foram admitidos pelo antigo Presidente desta turma julgadora (Despacho de Admissibilidade às fls.268 a 270). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Os Embargos de Declaração são tempestivos, conforme demonstrado no Despacho de Admissibilidade às fls.268 a 270. Nos termos do art. 65 do RICARF, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. A Fazenda Nacional alega que o Acórdão 3402002.370 foi omisso, por não ter sido devidamente fundamentada a decisão que admitiu a incidência da Taxa Selic na parte glosa dos créditos, tendo em vista que referida matéria não teria sido alegada no momento processual oportuno, ocorrendo aí a preclusão. Transcrevo excerto dos embargos, com as alegações da embargante: “Contudo, conforme se depreende do exame da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, o contribuinte nada suscitou, alegou ou pediu quanto à incidência da Taxa Selic sobre eventual saldo credor a ser ressarcido. Nesse contexto, observase omissão na decisão embargada que não se encontra devidamente fundamentada, porque não indicou os fundamentos para decidir pela incidência da Taxa Selic, tendo em vista que referida matéria não foi alegada no momento processual oportuno, ocorrendo aí a preclusão. Com efeito, de acordo com o disposto no art. 93, inciso IX, da Constituição Federal, no artigo 50 da Lei nº 9.784/99 e art. 31 e da Lei nº 9.784/99, e também em decorrência do princípio do devido processo legal e seus corolários (princípios do contraditório e da ampla defesa, princípio da publicidade, etc.), deve o órgão julgador motivar fundamentadamente suas decisões, indicando os fundamentos de fato e de direito que formaram seu convencimento, sob pena de assim não o fazendo, decretarse a decisão proferida nula.” Em reexame do recurso voluntário, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ªSeção, em sua composição anterior, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho quanto a aplicação da Taxa Selic. A turma julgadora considerou que o artigo 13 da Lei n° 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplicaria quando a mora no ressarcimento decorre de óbice criado pela própria Administração, caso em que incidiria a correção pela Taxa Selic. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 11065.001315/200478 Acórdão n.º 3402005.397 S3C4T2 Fl. 295 5 A turma julgadora considerou que a questão acerca da aplicação da Taxa Selic fazia parte das matérias devolvidas à turma julgadora para decisão, conforme consta do preâmbulo do voto condutor do acórdão embargado, cujo excerto transcrevo a seguir: “Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento. A análise dos autos e de todo o processado, dá conta que a contenda centralizase, basicamente, em duas questões, a saber: I) Inclusão dos valores relativos a transferências de créditos acumulados de ICMS, nas bases de cálculo das contribuições ao PIS e à COFINS; II) Aplicação da SELIC ao valor do crédito de PIS e de COFINS não cumulativos a serem ressarcidos/compensados. [...]” Fazendo parte das questões a serem julgadas, a turma julgadora apreciou a questão e decidiu pela aplicação da Taxa Selic na parte glosada dos créditos ressarciendos, com base nos fundamentos a seguir transcritos, extraídos do referido voto condutor: “II) Aplicação da SELIC ao valor do crédito de PIS e de COFINS não cumulativos a serem ressarcidos/compensados: Como bem se sabe, para que o ressarcimento ou a restituição ocorra de forma integral, o sujeito passivo tem direito à correção monetária e juros incidentes sobre os valores indevidamente pagos, salvo nos casos em que a proibição venha expressa, como forma de sanção por procedimento incorreto, indevido ou da desídia do próprio credor. No caso dos autos, a recorrente faz jus ao direito de uso dos créditos apontados pelo art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, apesar de uma aparente resistência criada pelo art. 13 deste último diploma legal, como passo a expor. Antes de mais nada, salientase que os créditos constantes no dispositivo supra mencionado passaram a fazer parte do sistema não cumulativo implantado, decorrendo como consequência um menor recolhimento das contribuições sociais ali disciplinadas, ou de desoneração da cadeia produtiva mediante um sistema de ressarcimento de saldos credores que se acumulem na escrita do contribuinte. Dessa forma, sempre que houver restrições à tomada de créditos, maior será o desembolso (ou o custo) do contribuinte. A premissa inicial é a de que, em sendo ilegítima a restrição ao desconto de créditos, o desembolso (ou o custo) equivalente ao crédito não tomado, importa em um recolhimento maior que o devido. Tendo em vista o acima exposto entendo que, embora possa se extrair do art. 13, da Lei nº 10.833/03, de forma literal, que possa existir uma aparente resistência à atualização monetária sobre os valores a serem ressarcidos nos termos do art. 3º das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, na verdade havendo resistência normativa ou através de ato expresso emitido pela Administração (como no caso e na parte que houve deferimento apenas parcial do crédito em face da inclusão de ofício dos valores de transferência de ICMS nas bases de cálculo da COFINS, diminuindo o valor a ressarcir), passa a existir o direito a correção monetária. Os créditos pleiteados nesses autos deixaram de ser utilizados por força de ato proibitivo emanado da própria Fazenda, necessitando da interferência deste Conselho CARF, para que se lhe declarasse o direito, transmudandose a sua natureza de mero crédito escritural, passando a se constituir uma “dívida” de Fl. 295DF CARF MF Processo nº 11065.001315/200478 Acórdão n.º 3402005.397 S3C4T2 Fl. 296 6 valor. E às dívidas de valor é inconteste a aplicação da SELIC, nos termos do §4º, do art. 39, da Lei n° 9.250/95. [...] Assim sendo, nos termos da fundamentação acima, voto pela admissão da incidência da taxa Selic sobre o valor dos créditos acumulados pelo contribuinte, na parte que houve o indeferimento pela adição dos valores decorrentes da transferência de créditos de ICMS e que fez diminuir o referido saldo credor.” Entretanto, a questão acerca da incidência da Taxa Selic não deveria ter sido apreciada por esta turma julgadora, em sua composição anterior, por não ter sido objeto de recurso voluntário. Conforme relatado, constou na Manifestação de Inconformidade a insurgência do contribuinte contra a aplicação da Taxa Selic sobre os débitos fiscais, os quais deveriam sofrer apenas a incidência dos juros moratórios previstos no §1º do artigo 161 do Código Tributário Nacional e artigo 192, §3° da Constituição Federal. A DRJ expressamente manifestouse pela incidência da Taxa Selic sobre os créditos tributários (Acórdão 1012.663, fls. 170 a 173). A questão não foi tratada no Recurso Voluntário, permanecendo válida e definitiva a decisão da DRJ que determinou a incidência da Taxa Selic sobre os créditos tributários. Destacase que não se trata de incidência da Taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos, mas sobre os créditos tributários devidos. Dessa forma, entendo que a matéria devolvida ao CARF se restringiu às glosas dos valores passíveis de restituição, e não à possibilidade de correção dos valores passíveis de ressarcimento pela Taxa Selic. Ainda assim, não há que se apontar omissão no acórdão embargado, visto que a turma julgadora apreciou as questões que entendia fazerem parte da lide, com fundamentos suficientes para suas razões de decidir. Certa ou errada, não há que se apontar qualquer erro na decisão passível de ser corrigido pelas vias de embargos de declaração, que seria indicado em caso de omissão, obscuridade ou contradição. Diante do exposto, negase provimento aos Embargos de Declaração. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 296DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001462/2003-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE.
Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada atividade vedada, nas hipóteses de que tratam os incisos V e XII do caput do art. 9° da Lei n° 9.317/96, opera-se a partir de 01/01/2002 quando a situação excludente tiver ocorrido até 31/12/2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002, nos termos do art. 24, II, da IN/SRF 355, de 2003.
Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir do trânsito em julgado administrativo ou da ciência do ato declaratório de exclusão.
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE
No âmbito do processo administrativo fiscal à autoridade julgadora não compete argüir sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial (Súmula CARF no. 2).
Numero da decisão: 1301-001.059
Decisão: Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao
recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002 EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada atividade vedada, nas hipóteses de que tratam os incisos V e XII do caput do art. 9° da Lei n° 9.317/96, opera-se a partir de 01/01/2002 quando a situação excludente tiver ocorrido até 31/12/2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002, nos termos do art. 24, II, da IN/SRF 355, de 2003. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir do trânsito em julgado administrativo ou da ciência do ato declaratório de exclusão. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal à autoridade julgadora não compete argüir sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial (Súmula CARF no. 2).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada atividade vedada, nas hipóteses de que tratam os incisos V e XII do caput do art. 9° da Lei n° 9.317/96, operase a partir de 01/01/2002 quando a situação excludente tiver ocorrido até 31/12/2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002, nos termos do art. 24, II, da IN/SRF 355, de 2003. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir do trânsito em julgado administrativo ou da ciência do ato declaratório de exclusão. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal à autoridade julgadora não compete argüir sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial (Súmula CARF no. 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 14 62 /2 00 3- 60 Fl. 167DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13971.001462/200360 Acórdão n.º 1301001.059 S1C3T1 Fl. 233 3 Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — Simples, por motivo de exercício de atividade vedada (locação de mão de obra), conforme Ato Declaratório Executivo n° 48, de 21 de outubro de 2004, embasado no art. 9°, inciso XII, alínea "f" da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, e art. 20, inciso XI, § 3°, alínea "e" da Instrução Normativa SRF n° 355, de 8 de agosto de 2003. (fls. 48). Consta que a exclusão decorreu de representação administrativa recebida do Instituto Nacional do Seguro Social, comunicando exercício de atividade de locação de mão de obra, limpeza, conservação e construção civil, vedadas pela legislação, consoante fls. 02 a 44. Inconformado o sujeito passivo se manifestou As fls. 50 a 55, discordando dos efeitos retroativos dados à exclusão, alegando que o ato de oficio, sem oportunidade de defesa, incorre em inconstitucionalidade. Aduz que, como já havia informado sua exclusão temse por inapropriado querer excluir a empresa de um sistema a que não mais pertence. Cita que, o que se pretende é afirmar que não poderia estar no Simples no período em que estava enquadrada, desde o ano de 2001, e discorda da forma retroativa pretendida. Diz que provavelmente, prevenindo o direito ao contraditório, a Instrução Normativa SRF n° 9, de 10/02/99, em seu art. 32, dispôs sobre o exercício da defesa, nos moldes da legislação do processo administrativo tributário. Fala que o ato de exclusão só se aperfeiçoa após o julgamento definitivo na esfera administrativa. Arrola jurisprudência e doutrina favorável ao seu entendimento. Por fim requer seja dado efeito à exclusão apenas a partir da decisão administrativa irrecorrível, ou alternativamente do momento em que foi dado ciência do ato administrativo. Não houve qualquer irresignação sobre as atividades vedadas objetos da exclusão. A autoridade julgadora de primeira instância (DRJ/FNS/SC) decidiu a matéria por meio do Acórdão 0715.500, de 27/02/2009 (fls. 66), julgando improcedente a manifestação de inconformidade, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Anocalendário: 2002 EFEITOS DA EXCLUSÃO. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE. Os efeitos da exclusão do sistema SIMPLES, quando constatada atividade vedada, nas hipóteses de que tratam os incisos V e XII do caput do art. 9° da Lei n° 9.317/96, operase a partir do mês subseqüente em que incorrida a situação excludente. Não há guarida na legislação para a adoção de efeitos a partir do trânsito em julgado administrativo ou da ciência do ato declaratório de exclusão. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado ao julgador afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13971.001462/200360 Acórdão n.º 1301001.059 S1C3T1 Fl. 234 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Vêse do relatório que a ora recorrente não se insurge quanto aos motivos que levaram sua exclusão do Simples — locação de mãodeobra, que se tem por incontroverso. Manifesta sua inconformidade somente com relação aos efeitos da exclusão a partir de 01/01/2002, pelo Ato Declaratório 31, de 21/10/2004 (fls. 48). Requer que se opere tais efeitos após a ciência da decisão administrativa irrecorrível ou, alternativamente, a partir da ciência do ato que a excluiu, por não concordar com os efeitos retroativos, bem como ao entendimento da inapropriada exclusão, uma vez que já havia informado sua exclusão a partir do ano de 2003. Na peça recursal a recorrente ratifica as alegações iniciais. Por pertinente transcrevo a legislação que rege a matéria, em especial, o art. 15, incisos II e V, da Lei 9.317, de 1.996 e IN/SRF 355, de 2003: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito:, II a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIX do art. 9o.; (Redação dada pela MP n° 2.15835, de 24.8.2001) (...) V A partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. O art. 24 da IN SRF 355/2003 (vigente a época da exclusão) complementa "a exclusão do Simples nas condições de que tratam os arts. 22 e 23 surtirá efeito: Parágrafo único: Para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 20, que tenham optado pelo Simples até 27 de julho de 2001, o efeito da exclusão dar seá a partir: () II — de 1o. de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada a partir de 2002". Compulsando os autos do presente processo, constato que a pessoa jurídica excluída do Simples requereu a opção pelo regime em 28/02/2001 (com efeitos em 01/01/2001). E, mais, mediante representação da fiscalização do Instituto Nacional da Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Previdência Social, a qual detectou que a contribuinte já exercia atividade vedada desde a sua opção, foi excluída do regime nos termos do art. 9o., inciso XII, letra “f”, da Lei 9.317/96. Portanto, a exclusão da pessoa jurídica (recorrente) do Simples Federal conforme os fatos relatados nestes autos, deuse de forma correta, ou seja, com efeitos retroativos a 01/01/2002, nos exatos termos da legislação de regência acima transcrito. Com relação a argumentação de que já estava fora do sistema do Simples por já ter procedido a comunicação para o ano de 2003 e, desta forma, afirma ser inapropriado o ato declaratório e seus efeitos retroativos, neste ponto, andou bem a autoridade julgadora de primeira instância, pois a legislação é clara ao determinar que, constatada a situação impeditiva/excludente, não pode a pessoa jurídica se beneficiar do regime diferenciado tributário, tal como o ora verificado, em que a situação foi detectada no ano de 2002 e, pelo que se constata na peça de defesa, pretendeu a empresa se excluir com base em outro motivo o faturamento , cujo efeito ocorre no exercício seguinte, diferentemente da atividade vedada, que remete ao momento da situação excludente. Da mesma forma com relação as alegações de inconstitucionalidade dos dispositivos da Lei n° 9.317/96, que trata da produção dos efeitos da exclusão, é certo que à autoridade julgadora administrativa não compete argüir sobre a inconstitucionalidade, ou ilegalidade, das normas tributárias vigentes, sendo essa matéria de competência exclusiva da Suprema Corte Judicial. Súmula CARF no. 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto voto por negar provimento ao recurso interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 11080.928612/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO.
Contatando-se que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa.
Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado.
Numero da decisão: 1401-002.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PAGAMENTOS INDEVIDOS DE ESTIMATIVA. AUTO DE INFRAÇÃO. LUCRO ARBITRADO. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS POR ESTIMATIVA. VALORES RECOLHIDOS COMPENSADOS NA AUTUAÇÃO. Contatandose que o período de apuração referente aos créditos solicitados foi objeto de desclassificação da escrita e arbitramento, não mais existem débitos devidos a título de estimativa. Também não mais existem os créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão de todos os pagamentos terem sido utilizados, durante a autuação, no abatimento dos tributos apurados pelo lucro arbitrado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente Julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 92 86 12 /2 00 9- 89 Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11080.928612/200989 Acórdão n.º 1401002.585 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP apresentado pela empresa no qual solicita a compensação de pretensos créditos relativos a pagamento a maior de IRPJ devido por estimativa. A origem dos créditos, consoante informado pelo recorrente desde sua impugnação, baseiase na retificação dos valores de apuração que, após a retificação das DIPJ e DCTF da empresa, resultaram como pagos a maior. Com base nestes créditos a empresa, por meio do PER/DCOMP objeto deste processo, a empresa realizou a compensação com débito da mesma contribuição de períodos subseqüentes. Quando da análise do PER/DCOMP o sistema informatizado reconheceu a existência do crédito mas, no entanto, considerou improcedente a utilização do crédito posto que o art. 10 da IN RFB nº 600/2005, veda a possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior de estimativa para a quitação dos valores devidos por estimativa de meses subseqüentes. O contribuinte, irresignado apresentou manifestação de inconformidade alegando a existência do crédito. A Delegacia de Julgamento, na análise da manifestação, a considerou improcedente. Ainda inconformado o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual entende que não é cabível o indeferimento do crédito com base no art. 10, da IN 600/2005, haja vista que, quando da prolação do despacho decisório de nãohomologação referida norma não mais estava em vigor. É o breve relatório. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11080.928612/200989 Acórdão n.º 1401002.585 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.578, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 11080.928620/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento a maior de CSLL devido por estimativa, relativo ao período de apuração de 30/09/2006, com débitos de mesma natureza de período subsequente. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ, do período de apuração de 31/08/2006, com débito de mesma natureza de período subsequente. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.578): A análise do presente processo prendese, em síntese, à verificação da possibilidade de utilização de créditos relativos a pagamentos a maior da CSLL com débitos da mesma contribuição de períodos subseqüentes e, ainda, a força impeditiva do art. 10, da IN RFB nº 600/2005. A norma questionada impedia a utilização, por parte do contribuinte, dos valores pagos a maior durante o ano calendário com outros débitos com base na justificativa de que os valores pagos a maior por estimativa deveriam ser levados ao ajuste do exercício, como se pagamentos por estimativas fossem, no sentido de que estes pagamentos a maior compusessem o saldo credor a vir ser apurado no exercício. Ocorre, no entanto, que referida norma impeditiva não encontra respaldo nos ditames da Lei nº 9.430/96, no que trata de restituição/compensação. Assim, se um pagamento foi realizado a maior em um determinado período. A existência do crédito relativo a este pagamento a maior exsurge desde a data do referido recolhimento, na forma do art, 170, do CTN, matriz legal de todas as normas de compensação. A limitação realizada pelo art. 10, da IN 600/2005 desborda dos limites impostos pela normas a ela superiores e, por isso, não pode produzir eficácia contra os direitos nestas inseridos. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11080.928612/200989 Acórdão n.º 1401002.585 S1C4T1 Fl. 5 4 Em conformidade com este entendimento é que o CARF já se posicionou de forma consolidada, emitindo a Súmula nº 84, conforme abaixo transcrita e consoante os acórdão paradigmas precedentes que a justificaram. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. Verificado o teor da Súmula acima apresentada, há de se rever as decisões atacadas pelo recorrente. Assim decorreria este voto, quando da época de sua elaboração. Ocorre, no entanto, que iniciada a sessão de julgamento a representante do contribuinte informou acerca da existência de auto de infração lavrado por meio do processo nº 11080.732426/201161, pela sistemática do lucro arbitrado, no qual os pagamentos a maior de IRPJ e CSLL por estimativa realizados no ano e solicitados pela empresa em PER/DCOMP, para a compensação das estimativas devidas do mês de dezembro/2006. Verificase, pela consulta ao processo de auto de infração que para o ano de 2006 foi desconsiderada a escrituração fiscal da empresa e foi realizado o lançamento pelo lucro arbitrado trimestral. Da realização do lançamento foram utilizados os pagamentos por estimativa que não compuseram os saldos negativos já utilizados pela empresa (fls. 8831/8835 do processo nº 11080.732426/201161). Mais ainda, verificase que, sendo arbitrado o lucro, deixam de ser existentes os débitos por estimativa do ano de 2006, dada a modificação da sistemática de apuração do lucro. Ainda em consulta ao referido auto de infração constatamos que o mesmo já foi julgado em última instância por este CARF e mantido em definitivo os valores lavrados, já estando em fase de execução judicial (fls. 93232/93241 do processo nº 11080.732426/201161). À vista do exposto temos então que o PER/DCOMP objeto do presente processo, no qual são utilizados os pagamentos a maior de estimativas do ano de 2006 para a compensação com débitos de estimativa do mesmo ano, perdeu totalmente seu objeto, tanto pelo desaparecimento dos créditos, quanto dos débitos, em face Fl. 109DF CARF MF Processo nº 11080.928612/200989 Acórdão n.º 1401002.585 S1C4T1 Fl. 6 5 da lavratura de auto de infração pelo lucro arbitrado já julgado em definitivo na esfera administrativa. Por estas razões, deixo de analisar o presente recurso apenas em relação às limitações que levaram ao indeferimento do pedido e, analisando o caso em vista da verdade material, verificandose que deixaram de existir os débitos declarados no PER/DCOMP objeto deste processo, havemos de julgar no sentido de deixar de reconhecer os créditos em face de sua atual inexistência e determinar o cancelamento dos débitos declarados no PER/DCOMP em razão de igualmente não mais existirem, tudo em razão da lavratura do auto de infração pelo lucro arbitrado que modificou integralmente a situação dos débitos e créditos objeto do presente processo. Neste sentido voto por dar provimento ao recurso para: 1) Deixar de analisar os créditos solicitados, relativos aos pagamentos a maior de estimativa em razão de os créditos terem deixado de existir em face da lavratura do auto de infração do mesmo ano, no qual os referidos pagamentos foram utilizados; 2) Determinar o cancelamento dos débitos compensados no presente processo, tendo em vista trataremse de débitos de estimativa do ano de 2006, em face, também, da lavratura de auto de infração que apurou o IRPJ pelo lucro arbitrado e por consequência desfaz qualquer obrigação de recolhimento por estimativa." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 110DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721507/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. DESIGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE NA AUTUAÇÃO COMO "ME" QUANDO DEVERIA SER "EPP". LAPSO FORMAL. AUSÊNCIA DE CONSEQUÊNCIAS. IRRELEVÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA.
A presença de simples lapso ao final da designação da razão social do contribuinte, indicando "ME" (microempresa), quando, à época da lavratura do Auto de Infração, revestia-se de "EPP" (empresa de pequeno porte) não configura erro na identificação do sujeito passivo.
Além de se proceder à identificação dos contribuintes pelo número do CNPJ/MF, não se revela que a outra pessoa jurídica, diferente daquela fiscalizada, foi imputado o crédito tributário e impostas as penalidades correspondentes às infrações colhidas. Ausente prejuízo à defesa ou mesmo afronta ao art. 142 do CTN.
NÃO CONFISCO E PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE DA MULTA DE OFÍCIO. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional.
Numero da decisão: 1402-003.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias constitucionais, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, no mérito, por unanimidade, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias constitucionais, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, no mérito, por unanimidade, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
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DESIGNAÇÃO DO CONTRIBUINTE NA AUTUAÇÃO COMO "ME" QUANDO DEVERIA SER "EPP". LAPSO FORMAL. AUSÊNCIA DE CONSEQUÊNCIAS. IRRELEVÂNCIA. IMPROCEDÊNCIA. A presença de simples lapso ao final da designação da razão social do contribuinte, indicando "ME" (microempresa), quando, à época da lavratura do Auto de Infração, revestiase de "EPP" (empresa de pequeno porte) não configura erro na identificação do sujeito passivo. Além de se proceder à identificação dos contribuintes pelo número do CNPJ/MF, não se revela que a outra pessoa jurídica, diferente daquela fiscalizada, foi imputado o crédito tributário e impostas as penalidades correspondentes às infrações colhidas. Ausente prejuízo à defesa ou mesmo afronta ao art. 142 do CTN. NÃO CONFISCO E PROPORCIONALIDADE. CONFISCATORIEDADE DA MULTA DE OFÍCIO. ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 15 07 /2 01 4- 41 Fl. 174DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer do recurso voluntário em relação às matérias constitucionais, divergindo o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves que o conhecia e, no mérito, por unanimidade, negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 175 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 161 a 168) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP (fls. 141 a 154) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 118 a 136), mantendo integralmente as Autuações sofridas pela Recorrente (fls. 40 a 115). A Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional, exigindose no presente feito créditos de IRPJ, CSLL, e Contribuição Patronal Previdenciária, referentes ao ano calendário de 2011, acrescidos de multa de ofício na monta de 75%, sob a acusação fiscal de diferença de base de cálculo (omissão de receitas), em face da declaração em DANS e oferta à tributação de valores inferiores àqueles escriturados em sua contabilidade, constatado pela Fiscalização em ação fiscal, bem como insuficiência de recolhimentos diante da tributação de receitas apuradas sob alíquotas menores àquelas efetivamente devidas, nos termos dos Anexos da Lei nº 123/2006. Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte acima identificada foi autuada em 21/11/2014 (fl. 41), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ, CSLL e Contribuição Patronal Previdenciária, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2011. A autuação pertinente ao período de janeiro/2012 a dezembro de 2012 foi lançada no processo 11516.723334/201475. 2. Conforme descrito nos Autos de Infração (fls. 40 a 106) e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 107 a 115), a contribuinte cometeu as seguintes infrações: 2.1. Diferença de Base de Cálculo Diferença de Base de Cálculo (código 33331001) – caracterizada pela diferença entre as receitas escriturada e declarada, com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, 25, e 26, Inciso II e § 2º, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e atualizações; 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, § 1º, 6º, e 18, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008 e alterações; 13, e 14, Inciso II, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. 2.2. Insuficiência de Recolhimento – Diferença de Alíquota (código 33332001) – decorrente da mudança de faixa de alíquota do Simples incidente sobre a receita declarada, em função do aumento da receita bruta acumulada devido ao cômputo da receita omitida, conforme demonstrativos às fls. 58 a 68, com fulcro nos artigos 3º, § 1º, 13, 18, e 25, da Lei Fl. 176DF CARF MF 4 Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 e atualizações; 1º, 2º, 3º, 4º, 5º, e 18, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008 e alterações; 13, e 14, Inciso III, da Resolução CGSN nº 30, de 7 de fevereiro de 2008. 3. O AI foi subdividido em Auto de Infração e Notificação Fiscal (fls. 40 e 41), Descrição dos Fatos e Enquadramento legal (fls. 42 a 44), Demonstrativo de Percentuais Aplicáveis Sobre as Receitas do Simples Nacional (fls. 45 a 57), Demonstrativo de Valores Apurados por Insuficiência de Recolhimento (fls. 58 a 68), Demonstrativo de Valores de Impostos/Contribuições Sobre Diferenças Apuradas (fls. 69 a 80), Demonstrativo de Multas e Juros e Enquadramento Legal (fls. 81 a 92), Demonstrativo de Valores Devidos (fls. 93 a 104) e Termo de Encerramento (fls. 105 e 106). 4. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: 4.1. IRPJ com base nos artigos 13, Inciso I, 18 §§ 1º, 2º, 3º e 4º, Inciso I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, 3º, Inciso II, 5º, § 1º ao 4º, 6º, Inciso I, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, e alterações, formalizando crédito tributário calculado até 11/2014 no montante de R$ 42.695,41. 4.2. CSLL com base nos artigos 13, Inciso III, 18 §§ 1º, 2º, 3º e 4º, Inciso I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, 3º, Inciso II, 5º, § 1º ao 4º, 6º, Inciso I, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, e alterações, formalizando crédito tributário calculado até 11/2014 no montante de R$ 42.601,23. 4.3. CPP com base nos artigos 13, Inciso VI, 18 §§ 1º, 2º, 3º e 4º, Inciso I, da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, 3º, Inciso II, 5º, § 1º ao 4º, 6º, Inciso I, da Resolução CGSN nº 51, de 22 de dezembro de 2008, e alterações, formalizando crédito tributário calculado até 11/2014 no montante de R$ 363.272,56. 5. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada é o artigo 44, Inciso I, da Lei nº 9.430/1996 (com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15/06/2007 c/c art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006, e os artigos 15 e 16, Inciso I, da Resolução CGSN nº 30, de 07/02/2008 (fl. 92); o enquadramento legal dos juros de mora aplicado é o artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996 c/c art. 35 da Lei Complementar nº 123/2006 e alterações. 6. Irresignada com os lançamentos, em 22/12/2014 a empresa apresentou a impugnação às fls. 118 a 126, instruída com os documentos às fls. 127 a 136, na qual alega, em síntese, o seguinte (ordem de apresentação e títulos de acordo com o registrado pela recorrente): Preliminar de Erro na Identificação do Sujeito Passivo Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 176 5 6.1. Como se pode observar ao longo do procedimento fiscal, a Impugnante apresentou documentos registrados na Junta Comercial que apontam que houve erro na denominação do contribuinte. Muito embora todos os AI sejam dirigidos à empresa CARLOS FERNANDO CARRICO ME, esta empresa não possui esta denominação, haja vista documento de atualização de registro da empresa junto à JUCESC que evidencia outro nome empresarial: CARLOS FERNANDO CARRICO EPP (comprovação em anexo – fl. 131). 6.2. Assim, os AI questionados não guardam correta relação com a empresa contribuinte, em virtude do erro na identificação do sujeito passivo. Do Viés Confiscatório do Tributo e do Descompasso com a Capacidade Contributiva da Empresa 6.3. O poder de tributar deve sempre guardar relação com o poder de conservar, não sendo minimamente razoável que a cobrança possa destruir financeiramente o contribuinte. In casu, na hipótese de serem levados a cabo os AI, estes teriam reflexo retumbante para a Impugnante. Neste processo, estáse claramente utilizandose a exação como instrumento fragorosamente confiscatório, que desborda sobremaneira as barreiras da razoabilidade e da capacidade contributiva. 6.4. O pequeno lucro obtido pela contribuinte varia entre 4 e 5%, valores normalmente praticados pelo mercado, e que está corretamente considerado na declaração original do Simples Nacional. 6.5. Importante consignar que o patrimônio da empresa é deveras acanhado e o seu único sócio, como faz prova a declaração anual de IRPF em anexo (acostou documento às fls. 132 a 136), possui somente dois bens um imóvel e um automóvel que somados representam R$ 125.000,00 (cento e vinte e cinco mil reais). 6.6. O arbitramento do lucro efetuado pela RFB é assaz equivocado, pois não reflete a capacidade financeira da empresa. Presumiuse um lucro totalmente fora da realidade da Impugnante e que esta jamais auferiu, vide o baixíssimo patrimônio da empresa e a declaração de IRPF de seu único sócio. 6.7. Tal anomalia é constitucionalmente vedada pelos art. 145, §1º, e 150, Inciso IV, da Carta Máxima, que se referem, respectivamente, aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco, e que impõem limitações ao poder de tributar. 6.8. Devese presumir o lucro a partir da diferença de valor entre as notas de saída e entrada, até porque, repisase, o lucro advém apenas e tão somente desta margem, não se perdendo de vista os custos da sua atividade econômica. Fl. 178DF CARF MF 6 Do Vezo Confiscatório das Multas 6.9. A simples soma aritmética das multas de ofício, sem levar em consideração a correção monetária, alcança o estrondoso montante de R$ 434.479,94, haja vista a equivocada base de cálculo sobrestimada e o elevadíssimo percentual de 75%. 6.10. Além de tributar sem se ater ao verdadeiro reflexo financeiro da empresa, as multas representam praticamente uma cobrança tributária duplicada. Reservandose apenas ao Al do Simples Nacional, temse uma multa de ofício equivalente a R$ 164.821,64, enquanto o tributo em apartado alcança pouco mais de duzentos mil reais. 6.11. Invocandose, novamente, o art. 150, Inciso IV, do Texto Supremo, notase a efusiva marca confiscatória da multa de ofício aplicada sobre tributos já ostensivamente talhados nos moldes confiscatórios, totalmente apartados da razoabilidade e da capacidade contributiva da Impugnante. 6.12. Para tentar conter os elevados patamares reservados às multas de ofício, a jurisprudência tem constantemente reduzido multas que superam a barreira de 20% ou 30%, como é o caso destes autos. (transcreve jurisprudência às fls. 121 a 125). 6.13. Deve ser afastada a incidência da taxa SELIC sobre as multas de ofício, dado o seu viés sancionatório, conforme firme posicionamento do CARF. (transcreve jurisprudência à fl. 125). 7. Ao final, a defendente pugna que o AI não se sustenta, pois eivado de diversas nulidades, como na identificação do sujeito passivo e, ainda, a transgressão aos inarredáveis princípios de vedação ao confisco e da capacidade contributiva. Processada a Defesa, foi proferido pela 2ª Turma da DRJ/SPO o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 PRELIMINAR. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. AUTOS REFLEXOS. CSLL.CPP. A procedência do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica implica manutenção das exigências fiscais dele decorrente. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 177 7 Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 OMISSÃO DE RECEITAS. DETERMINAÇÃO DO IMPOSTO. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Verificada a omissão de receita, o imposto a ser lançado de ofício deve ser determinado de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período base a que corresponder a omissão. RECEITA DA ATIVIDADE ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. Receitas da atividade da empresa escrituradas e não declaradas constituemse receitas omitidas ao Fisco. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Os optantes pelo Simples podem excluir da base de cálculo apenas o valor referente às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/12/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONFISCO. O crédito tributário lançado está de acordo com a legislação de regência, sendo incabível à instância administrativa manifestar se a respeito de eventual alegação de afronta ao princípio da vedação ao confisco. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Impugnação Improcedente Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo as mesmas alegações de Impugnação, repisando as supostas nulidades no lançamento. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 180DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Preliminarmente, alega a Recorrente em seu Recurso Voluntário a existência de erro na identificação do sujeito passivo. Tal vício do lançamento de ofício se operaria na medida que, muito embora todos os autos de infração sejam dirigidos à empresa CARLOS FERNANDO CARRICO — ME, esta empresa não possui esta denominação, haja vista documento de atualização de registro da empresa junto à JUCESC que evidencia outro nome empresarial: CARLOS FERNANDO CARRIÇO — EPP (fl. 131) Como se observa, a falha do Fisco na identificação do sujeito passivo residira exclusivamente na designação final da razão social do Contribuinte, utilizando "ME" (microempresa) quando o correto seria "EPP" (empresa de pequeno porte). Claramente, estáse diante de mero lapso formal, revestindose de mero e singelo equívoco em parte da denominação da Recorrente, procedida quando da lavratura das Autuações. Sem margens para dúvidas, não tratase de erro na identificação do sujeito passivo. Primeiramente, além da razão social, os contribuintes são identificados pelo número do CNPJ, emitido quando do seu registro perante o Ministério da Fazenda. Uma vez que tal erro não levou à imputação da infração a outro contribuinte, diferente daquele que fora efetivamente fiscalizado, não há qualquer vício em relação à sujeição passiva das obrigações tributárias colhidas e agora impostas à Contribuinte. Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 178 9 Em acréscimo, frisese que erros de tal natureza somente têm relevância e repercussão nas demandas administrativas fiscais se efetivamente representarem algum prejuízo à defesa do contribuinte ou conflito com as disposições do art. 142 do CTN, distorcendo a natureza e as características do crédito tributário lançado, ou ainda a identificação da infração cometida. Por fim, digase que tanto as Microempressas como as Empresas de Pequeno Porte estão abarcadas pelo mesmo Estatuto Nacional da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, veiculado pela Lei Complementar nº 123/2006, não havendo qualquer reflexo no tratamento fiscal dado à Recorrente, no presente feito, em razão da Fiscalização têla designado nas Autuações como "ME' ao invés de "EPP". Diante disso, não existindo qualquer necessidade de maior aprofundamento dessa questão, rejeitase a alegação preliminar de erro na identificação do sujeito passivo. Na sequência, a Recorrente alega em seu apelo que tanto as Autuações como o v. Acórdão recorrido possuem incongruência e descompasso com a capacidade contributiva da empresa, bem como as exigência teriam natureza confiscatória. Nesse sentido, alegase que in casu, na hipótese de serem levados a cabo os autos de infração, sobretudo o AI do SIMPLES porque o mais elevado, este seria o reflexo retumbante sentido pela Recorrente. Neste processo, estáse claramente utilizandose a exação como instrumento fragorosamente confiscatório que desborda sobremaneira as barreiras da razoabilidade e da capacidade contributiva. Além disso, afirmase que o ramo de atividade da empresa não suporta, nem de longe, o lucro arbitrado pela RFB que redundou num crédito confiscatório, cuia soma dos autos de infração ultrapassa a soma do patrimônio da empresa com o patrimônio pessoa física de seu sócio singular. Devese presumir o lucro a partir da diferença de valor entre as notas de saída e entrada, até porque, repisase, o lucro advém apenas e tão somente desta margem, não se perdendo de vista os custos da sua atividade econômica. Pois bem, para afastar qualquer dúvida sobre os procedimentos adotados pela Fiscalização na lavratura das Autuações e a matéria sob análise, ainda que, em mais de uma passagem de seu Recurso Voluntário a Recorrente utilize a expressa lucro arbitrado, não houve qualquer procedimento de arbitramento do lucro da Contribuinte, como veiculado no art. 530 do RIR/99. Fl. 182DF CARF MF 10 Como se comprova pelo TFV, pelos Autos de Infração e pelos documentos que lhes instruem (fls. 40 a 115), as exações de IRPJ, CSLL e CPP, que aqui são analisadas, foram quantificadas a partir da precisa diferença entre as receitas declaradas em DASN no período colhido e aqueles escriturados em sua contabilidade (Livros Diário e Razão, confrontados com espelho do Programa gerador das DASN e a DEFIS) . E sobre tal base, aplicouse as percentagens e alíquotas referentes aos regimes de tributação aos quais a Contribuinte se submetia à época dos fatos geradores. O tema do arbitramento do lucro é alheio aos autos. Em relação às demais alegações, quais sejam, violação da capacidade contributiva da Contribuinte, sendo as Autuações desvinculadas da razoabilidade, gerando efeito de confisco, temos que são estas exclusivamente arrimadas no art. 145, § 1º e 150, inciso IV da Constituição da República de 1988. Não há outra motivação ou argumento técnico para o cancelamento das Autuações que não estes apresentados. Tais alegações da Contribuinte em relação à monta da exação (em face do valor daquilo que supostamente seria sua margem), implicando em violação abstrata do princípio da capacidade contributiva, da razoabilidade e do proibição ao confisco, não prestamse a combater diretamente as Autuações sofridas, nessa esfera jurisdicional. O afastamento da exação sob tais argumentos e normas constitucionais encontra óbice no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer das alegações exclusivamente fundamentadas em dispositivos constitucionais. Ainda, alega a Recorrente ser confiscatória a percentagem de 75% da multa de ofício aplicada. Traz julgados de E. Tribunais Regionais Federais, que mantiveram a redução de tal apenamento fiscal. Todavia, mais uma vez, observase que a única base legal de seu argumento é o art. 150, inciso IV, da Constituição da República vigente e, ao seu turno, tais r. Acórdãos judiciais invocam o princípio do não confisco e, diretamente, dispositivos constitucionais para manter o afastamento a penalidade integral. Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 179 11 É também incidente aqui o disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer dessa alegação. Por fim, a Recorrente alega não incidir juros, indexados pela Taxa SELIC, sobre a multa de ofício. Em relação a tal tema, esta C. 2ª Turma Ordinária, acompanha o atual entendimentos da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que professa ser devida tal postura fiscal, inclusive com a correta eleição da Taxa SELIC. O trecho a seguir do Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra esse posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: (Acórdão nº 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 9202003.821,CSRF 2ª Turma) Fl. 184DF CARF MF 12 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão nº 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Sem necessidade de maiores aprofundamentos em relação a esse tema específico, reforçando tal posição, confirase trecho da ementa do recente Acórdão nº 9101 003.222, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como voto vencedor do I. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, publicado em 05/03/2018: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. (...) Por fim, ainda em relação à taxa adotada, incide ao caso o claro teor da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O mesmo entendimento foi adotado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.073.846/SP, de 25/09/2009, de relatoria do Exmo. Min. Luiz Fux, sob a dinâmica do art. 543C do Código de Processo Civil vigente à época. Diante do exposto, voto por não conhecer da matéria constitucional alegada e, na parte conhecida, negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente o v. Acórdão recorrido. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10983.721507/201441 Acórdão n.º 1402003.252 S1C4T2 Fl. 180 13 (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 186DF CARF MF
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