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Numero do processo: 10314.011256/2005-85
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/09/2003
SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA.
Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte.
BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE.
O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de tê-lo.
O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho.
Numero da decisão: 9303-006.641
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/09/2003 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. APLICAÇÃO RESTRITA. Apenas as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos que versem sobre matéria idêntica àquela que seja objeto da lide deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. BENEFÍCIO FISCAL. REQUISITOS E CONDIÇÕES. COMPROVAÇÃO DE QUITAÇÃO DOS TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS. DESPACHO ADUANEIRO. OBRIGATORIEDADE. O Código Tributário Nacional determina que a concessão do benefício fiscal exige prova, apresentada pelo interessado, do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato. Não gera direito adquirido e o benefício será revogado sempre que ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor ou deixou de têlo. O reconhecimento do benefício fiscal instituído pelo Regime Automotivo depende da comprovação de quitação dos tributos e contribuições federais, inclusive no momento do despacho aduaneiro, o que pode ser verificado depois do despacho. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 12 56 /2 00 5- 85 Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10314.011256/200585 Acórdão n.º 9303006.641 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3201002.125, que negou provimento ao recurso voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido de restituição de imposto de importação protocolado pelo Contribuinte. Sustenta que pagou a maior imposto de importação por não haver aplicado o benefício fiscal de 40% previsto na legislação, notadamente na Lei n° 10.182/01. Mediante despacho decisório o pedido de restituição foi indeferido por não atender todas as condições legais no momento de ocorrência do fato gerador do imposto (CTN, art. 179, L. 9.069/95 art. 60, Dec. 4.543/2002, art. 109). Inconformado com a decisão, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que: habilitouse junto ao SISCOMEX para fruição dos benefícios da Lei 10.182/2001. Para tal, uma das condições era a comprovação de regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais, tendo apresentado ao DECEX todas as CNDS (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal); posteriormente, com fundamento no art. 60, da Lei nº 9.069/95, a requerente foi compelida à apresentação de CND a cada importação, visando demonstrar sua regularidade com o pagamento de todos os tributos e contribuições sociais federais. Assim, nos períodos nos quais se encontrava impossibilitada de apresentar a competente CND, segundo suas palavras, acabava não usufruindo o benefício fiscal da Lei nº 10.182/01, para o qual já se encontrava habilitada. diante do cenário exposto, o II referente à importação registrada na DI tratada neste processo foi integralmente recolhido, ou seja, a requerente não se valeu do benefício fiscal de redução do imposto do qual era detentora por estar, reiteradamente, sendo compelida a apresentar a respectiva CND e, naquele momento, encontrarse impossibilitada de apresentála; menciona a título de jurisprudência a Solução de Consulta SRF n° 10, de 04 de junho de 2003, referente à Lei n° 8.032, de 12 de abril de 1990 e ementas de dois julgados do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n° 413.934 e Recurso Especial n° 434.621) , ambos relacionados ao regime aduaneiro de “drawback”. Argumenta que o caso ora discutido guarda correlação com os tratados na jurisprudência mencionada; Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10314.011256/200585 Acórdão n.º 9303006.641 CSRFT3 Fl. 4 3 na Lei 10.182/2001 não há previsão para apresentação de CND’s (Certidões negativas de Débitos para com a Receita Federal) a cada despacho; à época do fato gerador já havia cumprido todos os requisitos e condições exigidos legalmente para usufruir a redução de caráter especial, e pagou indevidamente o imposto integral. Menciona o art. 109, III, do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/2001), para comprovar que caberá redução total ou parcial do imposto pago indevidamente, em diversos casos, entre os quais: “... III verificação de que o contribuinte , à época do fato gerador, era beneficiário de isenção ou de redução concedida em caráter geral, ou já havia preenchido as condições e requisitos exigíveis para concessão de isenção ou de redução de caráter especial (Lei 5.172/66, art. 144)”. Contudo, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ e, na sequência, o recurso voluntário apresentado teve o provimento negado pelo colegiado a quo. O Contribuinte interpôs, então, Recurso Especial suscitando divergência quanto à exigência de apresentação da Certidão Negativa de Débito em cada um dos processos de importação que utilizaram benefício tributário. O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, mediante despacho de admissibilidade do então Presidente da Segunda Câmara da Terceira Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões manifestando pelo não provimento do Recurso Especial do Contribuinte, mantendose o v. acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.633, de 10/04/2018, proferido no julgamento do processo 10314.010742/200586, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade e quanto ao mérito (Acórdão 9303006.633): "Da Admissibilidade Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10314.011256/200585 Acórdão n.º 9303006.641 CSRFT3 Fl. 5 4 O Recurso Especial do Contribuinte é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 234 e 235. Do Mérito A questão trazida a debate versa sobre o momento em que se deve exigir a certidão de regularidade fiscal para fruição da redução tarifária trazida no Regime Automotivo previsto na Lei n.º 10.182/01. De um lado, o sujeito passivo defende que a certidão negativa de débito deve ser apresentada, apenas, por ocasião do pleito do benefício, ou seja, no momento da concessão do benefício fiscal perante SECEX/MIDCT, enquanto a Fazenda Nacional exige que tal comprovação seja feita a cada despacho aduaneiro das mercadorias importadas ao abrigo desse regime." (...)1 "Em que pesem os robustos argumentos trazidas à colação pela i. Relatora do processo, ouso divergir da decisão que encaminhava, pelas razões que a seguir passo a declinar. De plano, releva destacar que o recurso especial repetitivo nº 1.041.237/SP, de lavra do Ministro Luis Fux, assim como a súmula 5692 do Superior Tribunal de Justiça, não se aplicam ao caso concreto. Para maior clareza, transcrevo a seguir a ementa do REsp nº 1.041.237. RECURSO ESPECIAL Nº 1.041.237 SP (2008/00604621) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX RECORRENTE : FAZENDA NACIONAL PROCURADORES : CLAUDIO XAVIER SEEFELDER FILHO MARIA FERNANDA DE FARO SANTOS E OUTRO(S) RECORRIDO : ROYAL CITRUS SA ADVOGADO : OSVALDO SAMMARCO E OUTRO(S) EMENTA PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais" . 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a 1 Deixouse de transcrever o voto vencido por não se aplicar à solução do litígio neste processo, uma vez que o entendimento nele expresso restou vencido. Contudo, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303 006.633). 2 Na importação, é indevida a exigência de nova certidão negativa de débito no desembaraço aduaneiro, se já apresentada a comprovação da quitação de tributos federais quando da concessão do benefício relativo ao regime de drawback. Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10314.011256/200585 Acórdão n.º 9303006.641 CSRFT3 Fl. 6 5 comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008 Como não é difícil perceber, o REsp nº 1.041.237 decidiu sobre o tratamento que deve ser concedido às importações processadas sob o Regime Aduaneiro Especial de Drawback, o que, definitivamente, não é o caso dos autos. Como é cediço, em se tratando de matéria sumulada ou decidida em regime de repercussão geral ou de recursos repetitivos, a norma abstrata que nasce da jurisprudência consolidada nesse rito processual é de aplicação restrita. Assenta entendimento válido para as circunstâncias específicas narradas no leading case de que decorre e, por conseguinte, não comporta extensão de efeitos. Assim, ainda que a cognição lógica da decisão tomada no REsp nº 1.041.237 sugira uma linha de entendimento que pudesse afetar a matéria ora controvertida, o fato é que naquele discutiase a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Especial de Drawback, enquanto, neste, discutese a exigência de certidão negativa no desembaraço de importações beneficiadas pelo Regime Automotivo. Não sendo o caso vertente um retrato fiel da matéria decidida pelo Superior Tribunal de Justiça, afastase a aplicação do REsp nº 1.041.237. E não tem melhor sorte a recorrente quando se adentra à essência da lide. Concessa venia, o art. 60 da Lei 9.069/95 não deixa margem de dúvidas sobre o momento no qual será exigida do contribuinte a comprovação da quitação dos tributos e contribuições federais. Tal como se lê, há expressa menção a dois momentos: o momento da concessão e o momento do reconhecimento, se não vejamos. “Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.” (grifos acrescidos) Mais uma vez pedindo vênia, entendo que a leitura empregada pela i. Relatora do voto vencido, no sentido de que a locução ou significa "num ou noutro momento", nunca nos dois, não me parece consentânea com a intenção do legislador ordinário. Por certo, o que pretendeu foi estabelecer uma exigência que estivesse de acordo com os ditames do Código Tributário Nacional, que atribui ao administrado o dever de comprovar o preenchimento dos requisitos e condições não somente no momento da concessão do benefício fiscal, mas também no da fruição do mesmo, sob pena de revogação do mesmo. Observese. Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (grifos acrescidos) Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10314.011256/200585 Acórdão n.º 9303006.641 CSRFT3 Fl. 7 6 § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. (grifos acrescidos) Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: I com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele; II sem imposição de penalidade, nos demais casos. Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode ocorrer antes de prescrito o referido direito. A toda evidência, a disciplina veiculada nas normas tributárias de hierarquia superior deixa claro que o benefício fiscal é concedido mediante prova apresentada pelo interessado do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato, não gera direito adquirido e será revogado não somente quando ficar comprovado que o beneficiário não tinha direito ao favor, mas também quando deixou de tê lo. Ou seja, aplicandose essas premissas à lide, concluise que a empresa beneficiada pelo Regime Automotivo deve atestar a regularidade de que ora se trata (i) no momento em que lhe é deferido o direito a participar do Programa, (ii) durante o despacho aduaneiro e (ii) depois dele. E nem se diga que o princípio da especificidade atrai a aplicação da Lei nº 10.182/2001, afastando a exigência contida no art. 60 da Lei 9.069/95. Não há nenhuma incompatibilidade entre as disposições normativas contidas num e noutro diploma legal. Definitivamente, não vejo como pudesse prosperar uma interpretação que remeta à uma espécie de revogação tácita do disposto no art. 60 da Lei 9.069/95 com a edição da Lei nº 10.182/2001. Outra questão de relevo, no caso concreto, é o fato de que a importação objeto da lide foi desembaraçada no canal verde de conferência. Neste canal, como se sabe, as mercadorias são liberadas sem qualquer tipo de controle ou verificação. Em tais circunstância, o preenchimento das condições e requisitos para a concessão do benefício fiscal somente poderá ser atestado em momento posterior. Por fim, em relação á referência feita pela relatora ao voto do conselheiro Winderley, observo que naqueles votos, conforme transcrito pela relatora, deu se o entendimento de que não cabia à unidade da Receita Federal exigir do contribuinte um documento, no caso a CND, cuja emissão é de sua responsabilidade, mas que o benefício fiscal somente poderia ser negado mediante comprovação de que o interessado não detinha a "regularidade fiscal", ou seja, a Receita Federal não tem que pedir ao contribuinte um documento emitido por ela própria, mas concessa venia, ele não afastou a necessidade de comprovar a regularidade fiscal para fruição do benefício. Por todo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte." Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10314.011256/200585 Acórdão n.º 9303006.641 CSRFT3 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 407DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.721679/2011-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA
Uma vez que os rendimentos em questão foram comprovados como sendo relativos à aposentadoria, deve ser excluído o lançamento de omissão de rendimentos.
Numero da decisão: 2401-005.414
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(assinado digitalmente)
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros. Miriam Denise Xavier (Presidente), Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA Uma vez que os rendimentos em questão foram comprovados como sendo relativos à aposentadoria, deve ser excluído o lançamento de omissão de rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 16 79 /2 01 1- 65 Fl. 135DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros. Miriam Denise Xavier (Presidente), Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Relatório Da declaração de ajuste anual simplificada do exercício 2008: (Fls. 12 a 16) O Contribuinte informou em sua declaração de ajuste anual simplificada não ter recebido rendimentos tributáveis durante o anocalendário 2007, informando ter recebido R$228.200,36 como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva/definitiva (exceto 13º salário) e R$146.285,73 como demais rendimentos isentos e não tributáveis, com saldo zero de imposto a pagar ou a restituir. Da Notificação de Lançamento: (Fls. 5 a 8) Durante a fiscalização inicial, foi constatada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, decorrentes de ação trabalhista, no valor de R$ 159.332,67, com imposto retido na fonte de R$6.828,54, constando a seguinte descrição fática (Fls. 6): Omissão de rendimentos tributáveis de ação judicial, conforme a DIRF. OBS. O contribuinte apresentou os recibos de honorários dos advogados e o laudo pericial médico, isento desde 02/02/2005 e ação judicial é de nov.89. Da Impugnação: (Fls. 2 e 3) Não satisfeito com a autuação, o Contribuinte apresentou impugnação, por intermédio de sua viúva, a Sra. Marisa de Freitas Morais, refutando a alegação de que houve omissão de rendimentos, sob os seguintes argumentos: [...] não importa a que época se refere os direitos do contribuinte que geraram o recebimento do rendimento, mas sim a data em que o mesmo foi efetivamente recebido. Por esse motivo, todas as deduções e seus limites, a tabela de cálculo do imposto e as isenções previstas na legislação, são aquelas vigente na data em que o contribuinte recebeu seus rendimentos. No caso em questão, o contribuinte se encontra ISENTO DE IMPOSTO DE RENDA, POR MOTIVO DE MOLÉSTIA GRAVE, DESDE 02/02/2005, conforme documentação já apresentada. Face ao exposto, considerando que o contribuinte era isento do imposto de renda quando do recebimento dos rendimentos em função de decisão judicial, solicito que o presente lançamento de ofício seja considerado improcedente, com o consequente arquivamento do processo. Do Acórdão de Impugnação: (Fls. 21 a 24) Fl. 136DF CARF MF Processo nº 12448.721679/201165 Acórdão n.º 2401005.414 S2C4T1 Fl. 3 3 A 19ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, por meio do acórdão nº 1256.711, julgou improcedente a impugnação, sob o argumento de que não restou comprovado, pelo Impugnante, que os rendimentos eram provenientes de aposentadoria, como exigem as leis instituidoras da isenção, conforme artigo 39, inciso XXXIII, § 5º, do Decreto nº 3.000, de 1999 RIR/99, in verbis: Desta forma, apesar de o contribuinte possuir razão quanto ao fato de que a condição de portador de moléstia grave deve ser observada no momento do recebimento dos rendimentos, não há qualquer comprovação de que tais rendimentos se refiram à aposentadoria ou pensão. Conforme destacado acima, somente os rendimentos de aposentadoria ou pensão estão isentos do Imposto de Renda, quando percebidos por portador de moléstia grave. Além de o contribuinte não ter juntado a documentação comprobatória da moléstia grave, não verifico, nos autos, qualquer documento que comprove que tais rendimentos se refiram à aposentadoria ou pensão. [...] Dessa forma, as alegações desacompanhadas de documentos comprobatórios, quando esse for o meio pelo qual sejam provados os fatos alegados, não são eficazes. Em face dos argumentos expendidos, voto pela improcedência da impugnação, razão pela qual deve ser mantido o imposto suplementar apurado de R$ 27.476,45, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Do Recurso Voluntário: (Fls. 42 e 43) Após tomar ciência acerca do acórdão da DRJ em 05/05/2014, o Contribuinte interpôs, em 26/05/2014, Recurso Voluntário, requerendo a improcedência do lançamento de ofício e o arquivamento do processo sob os seguintes fundamentos: a) a ação judicial referese à equiparação salarial devida aos militares refromados e da reserva no período de 06/10/1988 a 09/01/1989; b) o contribuinte foi reformado por Decreto de 27/03/1947, nos termos do DecretoLei nº 3.940, de 1941, com as vantagens instituídas pelo DecretoLei 8.795, de 1946, e tem isenção dos seus proventos reconhecida pelo art. 39, inciso XXXV do Decreto nº 3.000, de 1999 RIR/99; c) Pede que o lançamento seja cancelado, pois o rendimento recebido pelo declarante referese a reajuste dos rendimentos de sua reforma, ocorrida com base no Decreto Lei nº 8.795, de 1946. Fl. 137DF CARF MF 4 Do acórdão do CARF – Conversão do julgamento em diligência (Fls. 59/62) Em análise inicial do Recurso Voluntário, a turma decidiu converter o julgamento em diligência, determinando o seguinte: Assim, para esclarecer e comprovar que se trata de proventos de reforma, recebidos no anocalendário de 2007, diretamente pelo declarante, solicito que os autos sejam encaminhados à Unidade preparadora para que seja providenciada a intimação à Representante para apresentar os documentos que comprovem a reforma do declarante, identificando, com precisão, o Decreto de reforma do militar, como afirmado na peça recursal. Do cumprimento da diligência: (Fls. 70/132) Após ser devidamente notificado, o Recorrente juntou petição e documentos. Em sua petição, o Recorrente expôs o seguinte: O processo que deu origem aos rendimentos, teor da questão do presente julgamento se trata de MANDADO DE SEGURANÇA Nº 115, registro 8974938 contra a União por não terem seus proventos reajustados em decorrência do novo valor de remuneração básica dos Ministros do Superior Tribunla Militar determinado pela Lei 7.723/89. Em anexo, cópia da petição inicial, do voto do relator, do relatório, do Acórdão, e da planilha de cálculo das diferenças devidas conforme sentença. Os rendimentos recebidos são proventos de reforma. Durante toda a sua vida SABINO DA SILVA MORAIS NETO declarou os seus rendimentos recebidos pelo Exercito Brasileiro como PROVENTOS DE REFORMA POR MOLÉSTIA GRAVE, rendimentos isentos e não tributáveis, conforme comprovante de rendimentos isentos e não tributáveis, conforme comprovante de rendimentos expedido pelo Centro de Pagamento do Exercito, por ter sido reformado em 1947, após ter participado da 2ª guerra mundial e ter sido ferido a bala o que lhe concedeu a isenção por moléstia grave sendo considerado incapaz para o serviço além da isenção como ex combatente. Sendo este o tratamento a todos os militares brasileiros que participaram da 2ª guerra mundial e que foram feridos em combate. Pela improcedência do lançamento e o arquivamento do processo uma vez que os rendimentos se referem a proventos de reforma e o contribuinte é isento de imposto desses proventos. Os documentos apresentados pelo Recorrente, para cumprimento da diligência, corroboram com sua tese, comprovando os direitos reconhecidos nos autos do Mandado de Segurança nº 115 (Fls. 91/97) e sua reforma, constatandose, inclusive, o Decreto de reforma do militar. É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 12448.721679/201165 Acórdão n.º 2401005.414 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recorrente foi cientificado do acórdão em 05/05/2014, conforme rastreamento extraído do sítio dos correios (fls. 38), e interpôs o Recurso Voluntário, tempestivamente, em 26/05/2014, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO O presente caso se refere à isenção do IRPF em decorrência de proventos de pensão, aposentadoria ou reforma, tema legislado pelo artigo 39, XXXI, XXXIII e XXXV, do Decreto nº 3.000/99. No Recurso Voluntário, o Recorrente afirma que o contribuinte foi reformado, pelo fato de ter sido ferido em combate durante a 2ª Guerra Mundial e foi incapacitado definitivamente para o serviço militar. Após o cumprimento da diligência, o Recorrente logrou êxito em demonstrar que os proventos eram recebidos em decorrência de reforma, havendo, inclusive, intervenção do Poder Judiciário para garantir o reajuste de seus vencimentos enquanto reformado. Ademais, demonstrou que sempre declarou os rendimentos recebidos pelo próprio Exército Brasileiro como sendo decorrentes de Reforma por Moléstia Grave, comprovando, inclusive, sua condição de reformado. Assim, o Recorrente demonstrou que preencheu as condições legais para a isenção do IRPF, mormente pela documentação apresentada quando do cumprimento da diligência requerida em julgamento anterior. Desta forma, o Recurso Voluntário merece provimento para excluir o lançamento de ofício. Fl. 139DF CARF MF 6 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para no mérito DARLHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11060.002451/2009-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
IRPF. BOLSA DE ESTUDOS. ISENÇÃO.
De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela
prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-002.128
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 IRPF. BOLSA DE ESTUDOS. ISENÇÃO. De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino. Recurso negado.
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BOLSA DE ESTUDOS. ISENÇÃO. De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 24 51 /2 00 9- 30 Processo nº 11060.002451/200930 Acórdão n.º 2101002.128 S2C1T1 Fl. 762 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Eivanice Canário da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 693/704) interposto em 12 de abril de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) (fls. 678/690), do qual o Recorrente tomou ciência em 05 de abril de 2011 (fl. 756), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 03/06, lavrado em 14 de setembro de 2009, em decorrência de omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas e de classificação indevida de rendimentos na DIRPF, verificadas nos anoscalendário de 2004, 2005, 2006 e 2007. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 e 2007 NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas por Conselhos de Contribuintes, e as judiciais, excetuandose as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. INCONSTITUCIONALIDADE. O exame da constitucionalidade ou legalidade das leis é tarefa estritamente reservada aos órgãos do Poder Judiciário. BOLSAS DE ESTUDO E PESQUISA. Somente são isentas as bolsas de estudo caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos e pesquisas e desde que os resultados dessas pesquisas não representem vantagem para o doador e nem importem contraprestação de serviços. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Os valores apurados em procedimento fiscal deverão ser submetidos à devida tributação com a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora. Impugnação improcedente. Crédito tributário mantido” (fl. 678). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 693/704), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Processo nº 11060.002451/200930 Acórdão n.º 2101002.128 S2C1T1 Fl. 763 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No tocante ao mérito, verificase que a questão cingese à discussão da natureza dos rendimentos percebidos pelo contribuinte e caracterizados como bolsa de estudos, na forma da Lei n.º 8.958/94, se estariam amoldados à espécie de rendimentos isentos ou não tributáveis, tal como pleiteado pelo contribuinte, ou, de outra sorte, se as bolsas de estudos deveriam ser entendidas como rendimentos tributáveis. Em brevíssima síntese, o contribuinte alega, em seu recurso, que as bolsas de estudos concedidas pela Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência – FATEC, na forma do disposto pela Lei n.º 8.958/94, deveriam ser caracterizadas como doações com encargos em favor do contribuinte, concedidas em razão do trabalho de pesquisa por ele realizado em benefício da FATEC, razão pela qual tais rendimentos seriam isentos, em consonância com o estatuído pelo art. 7º do Decreto n.º 5.205/04. Pois bem. Antes de adentrar nas especificidades do caso concreto, cumpre tecer breves comentários acerca do tratamento às bolsas de estudos pela legislação tributária. Como se sabe e em consonância com o quanto destacado pelo decisum recorrido, as bolsas de estudo concedidas por instituições de ensino são, via de regra, consideradas como rendimentos tributáveis, tal como estabelecido pelo art. 43, I, do RIR/99, na medida em que, acrescendo ao patrimônio do contribuinte, devem ser consideradas riquezas novas, passíveis de tributação. Nada obstante o tratamento geral conferido pela legislação tributária, verificase que o legislador buscou, no tratamento e qualificação dos referidos rendimentos, estremar duas espécies de bolsas de estudo, eventualmente concedidas pelas instituições de ensino, a saber: (i) aquelas que constituem mera liberalidade do cedente em favor do beneficiário, sem significar o pagamento de contraprestação, e (ii) aquelas outras em que a sua concessão esteja vinculada ao cumprimento de contraprestação pelo beneficiário em favor da instituição de ensino e possa, desta forma, representar benefício econômico em favor desta última. Nesse sentido, aliás, é a dicção expressa do art. 39, VII (fundamentado no art. 26 da Lei n.º 9.250/95), in verbis: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26).” Esse mesmo entendimento se aplica, também, às bolsas de ensino e pesquisa previstas pelo art. 4º., §1º, da Lei n.º 8.958/94, consoante se infere de uma análise conjunta do Processo nº 11060.002451/200930 Acórdão n.º 2101002.128 S2C1T1 Fl. 764 4 referido dispositivo e do disposto pelo Decreto n.º 5.205/2004, responsável por regulamentar a legislação em espeque, conforme se infere dos seguintes dispositivos, ora colacionados: Lei n.º 8.958/94 “Art. 4º. As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º. desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º. A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1º. desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento.” Decreto n.º 5.205/04 “Art. 6o As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4o, § 1o, da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) Art. 7o As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991.” Como se extrai da legislação em vigor, portanto, as bolsas de estudo apenas se caracterizam como rendimentos isentos ou não tributáveis nas hipóteses em que tais verbas possam ser consideradas como doações, na forma da legislação cível (art. 110 do CTN), por parte da instituição de ensino em favor do beneficiário, sem qualquer exigência de contraprestação por parte deste em favor do doador. Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça e, também, deste CARF, consoante se extrai dos seguintes precedentes: “TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido.” (STJ, 2ª Turma, REsp 959.195/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, julgado em 25/11/2008, DJe 17/02/2009) Processo nº 11060.002451/200930 Acórdão n.º 2101002.128 S2C1T1 Fl. 765 5 *** “IRPF. BOLSA DE ESTUDOS. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos a título de bolsa de estudos, desde que caracterize doação, ou seja, quando recebidos exclusivamente para proceder a estudo ou pesquisa e o resultado dessas atividades não represente vantagem para o doador e não caracterize a contraprestação de serviços.” (CARF, 2ª Seção, 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, j. em 16/03/2011) Feitos esses breves esclarecimentos, cumpre mover à análise específica do caso concreto, de modo a verificar se, de fato, os valores recebidos pelo contribuinte da FATEC poderiam ser qualificados juridicamente como doações, importando, destarte, mera liberalidade em favor do Recorrente, sem a exigência de qualquer contraprestação em favor da instituição de ensino. Quanto à qualificação das bolsas de estudo recebidas pelo contribuinte, entendo elucidativos os esclarecimentos constantes no relatório de fiscalização, acostado às fls. 07/13, os quais passo, doravante, a analisar. De fato, verificase, à luz dos documentos dos autos, que as bolsas de estudos pagas ao contribuinte pela FATEC decorreram de sua participação em diversos projetos desenvolvidos em conjunto pela FATEC e a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), os quais ora se passa a analisar. Nesse exato sentido, ao PROJETO 90132, cujo escopo declarado era a “formação de uma Rede de Pesquisa e Desenvolvimento de Competências em Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC)”, houve a destinação de verba no montante de R$ 1.8 milhão de reais, resultando na criação de um software em benefício da instituição de ensino. O custeio do referido projeto, que resultou na concessão de bolsas de estudos em favor do Recorrente, resultou, como destacado pela fiscalização e não corretamente afastado pelo recurso voluntário, de financiamentos originários de diversos órgãos e instituições, como a Universidade Federal do Acre, Prefeitura Municipal de Canoas, Centro Federal de Educação Tecnológica Celso S. da Fonseca. Além deste, o contribuinte também atuou no PROJETO 95925, cujo objetivo era a “disponibilização e implantação do SIE em Instituições Federais de Ensino Superior, e a transferência da tecnologia desenvolvida e utilizada pela equipe técnica do projeto nestas instituições”, ao qual foi destinado o montante de R$ 4 milhões de reais. Referido projeto, executado em parceria entre a FATEC e a UFSM, previa não apenas uma remuneração à FATEC pela administração do projeto (taxa de administração), referente a importância de 3% do custo total do projeto, mas, também, à UFSM em decorrência da disponibilização do software e utilização da infraestrutura (7% do custo do projeto). Em decorrência da execução do referido projeto, consta nos autos a cessão de direitos de uso do software à Universidade Federal do Acre, o que também reverteu em benefícios econômicos em favor da FATEC. Também foi objeto de convênio entre a FATEC e a UFSM, segundo consta dos autos, o PROJETO 95934, responsável por “impulsionar o desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Sul, com a instalação de cursos superiores da Universidade Federal de Santa Processo nº 11060.002451/200930 Acórdão n.º 2101002.128 S2C1T1 Fl. 766 6 Maria, nos municípios de Frederico Westphalen e Palmeira das Missões, por meio da instalação do Centro de Educação Superior NorteRS/UFSMCESNORS e dos 5 campi nos municípios de São Borja, São Gabriel, Alegrete, Uruguaiana e Itaqui, por meio da instalação de Centro de Tecnologia de Alegrete, Centro de Ciências da Saúde de Uruguaiana e Centro de Ciências Agrárias de Itaqui, visando à expansão da educação pública superior (sic).” As atribuições conferidas ao Recorrente em função de sua participação no referido projeto, como se percebe, reverteram em benefício econômico da UFSM, na medida em que viabilizou a expansão institucional da instituição, e também da própria FATEC, na uma vez que os recursos levantados para a execução do projeto decorreram de verba disponibilizada pelo SESU/MEC no valor de R$ 20 milhões de reais. Por fim, a bolsa de estudos também decorreu da colaboração do Recorrente na execução do PROJETO 95955, cujo escopo era de “implantar nos dez campi da Universidade Federal do Pampa – UNIPAMPA coordenados pela UFSM e pela UFPEL, o Sistema de Informação para Ensino – SIE”, custeado por convênio firmado junto ao SESU/MEC no valor de R$ 600 mil reais. À luz das informações constantes dos autos acerca dos projetos executados pelo Recorrente, portanto, verificase a completa ausência do atributo da liberalidade, inerente aos contratos de doação, e necessários à configuração da isenção preconizada pelo art. 39, VII, do RIR/99. De fato, como corretamente destacado pela fiscalização, os projetos em que participou o Recorrente como requisito para fruição da bolsa de pesquisa oferecida pela FATEC são, todos eles, de interesse econômico da instituição, revertendo financeiramente tanto para a própria FATEC, como também para a UFSM, da qual, não se pode esquecer, o contribuinte é funcionário. Em outras palavras, as bolsas fruídas pelo contribuinte não decorrem de mera liberalidade por parte da instituição financeira, mas, de outra sorte, do convênio existente entre a FATEC e a UFSM para a realização de projetos específicos, dos quais decorrem benefícios econômicos para ambas as instituições. Tratase, em outras palavras, de rendimentos pagos para a participação do contribuinte na execução dos projetos de interesse financeiro das instituições, ou, em outras palavras, de autêntica contraprestação pelos serviços prestados pelo Recorrente. E nem se alegue que se trataria de doação com encargos, na forma como capitulada no art. 553 do Código Civil, tal como alegado pelo Recorrente. Com efeito, muito embora não se possa dizer, como pretendeu a decisão recorrida, não ser passíveis de isenção as chamadas doações com encargos, previstas pela legislação cível, na medida em que referida interpretação consistiria em evidente alteração do regime jurídico próprio do referido contrato, em violação ao art. 110 do CTN, fato é que a hipótese vertente jamais poderia ser confundida com referida espécie de doação. Na realidade, os contratos de doação, conforme salienta em uníssono a doutrina, dependem da comprovação da existência do chamado animus donandi, que repousa sobre a essência de liberalidade inerente aos contratos de doação, Em outras palavras, o Processo nº 11060.002451/200930 Acórdão n.º 2101002.128 S2C1T1 Fl. 767 7 contrato de doação, ainda que sujeito a encargo, mantém a sua essência de contrato gracioso, no qual apenas uma das partes é onerada em benefício da outra. Nesse sentido, o encargo inerente à doação jamais poderia ser equiparável ao benefício econômico auferido por uma das partes, na medida em que, se tal ocorrer, estarseá diante de contrato oneroso e não gratuito, ou, no máximo, contrato misto, em que a doação estará atrelada, apenas e tãosomente, à parcela de liberalidade inerente ao contrato e não à contraprestação ou encargo concedidos. No caso vertente, entendo que o benefício econômico auferido pela instituição de ensino nos projetos em que o Recorrente participou desnatura o animus donandi inerente aos contratos de doação, razão pela qual as bolsas se equiparariam à remuneração pelos serviços prestados pelo contribuinte e não pela liberalidade da FATEC, razão pela qual o recurso voluntário não merece prosperar. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator
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Numero do processo: 10880.914320/2010-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999
TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91)
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecidio
Numero da decisão: 3302-005.493
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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CIÊNCIA VIA POSTAL. SÚMULA CARF Nº 9. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999 TRIBUTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO . RESTITUIÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. Na hipótese de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário (CTN, artigo 165, inciso I; LC nº 118/2005; RE 566.621/RS; e Súmula CARF nº 91) Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecidio Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 43 20 /2 01 0- 14 Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.914320/201014 Acórdão n.º 3302005.493 S3C3T2 Fl. 121 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida (fls.1 592/595), o qual passo a transcrever: "Relatório 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação nº 01594.54905.270906.1.3.049320 em 27/09/2006 (fls. 01/05), pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela RFB, com créditos da Contribuição Para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, decorridos de suposto pagamento a maior ou indevido efetuado em 30/04/2002, referente ao período de apuração de abril de 1999. 2. À fl. 06, encontrase Termo de Intimação, o qual informa que o DARF indicado no PER/DCOMP em análise não foi localizado nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e que a data de arrecadação do DARF é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. Solicita a conferência dos dados, a transmissão de PER/DCOMP retificador se houver divergência nos dados, ou o comparecimento à RFB, se necessário. Por fim, intima o contribuinte a sanar irregularidades. 3. O contribuinte tomou ciência do referido Termo de Intimação em 02/07/2009 (fls. 08/09), porém, não consta nos autos, resposta à intimação. 4. Ressaltase, que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil, no DARF ora analisado, referente ao período de apuração de abril de 1999 (anexo à fl. 40), a data de arrecadação é 10/05/1999, ou seja, diferente daquela informada no PER/DCOMP. 5. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 10, emitido em 09/03/2010, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que, analisadas as informações prestadas no PER/DCOMP, não foi confirmada a existência do crédito informado, pois o DARF nele discriminado não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. 6. Observese que os números de folha mencionados no presente processo se referem à numeração digital do arquivo denominado “Volume – V1”. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.914320/201014 Acórdão n.º 3302005.493 S3C3T2 Fl. 122 3 7. Cientificado da decisão em 15/03/2010 (fl. 12), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 13/29) alegando, em síntese, que: 7.1 O débito constante da não homologação da compensação está suspenso pela Manifestação de Inconformidade. 7.2 Solicita anexação do AR ao processo. 7.3 O despacho decisório foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante. 7.4 O representante legal da manifestante é seu sócio gerente, razão pela qual, somente ele poderia ter recebido a correspondência. 7.5 A assinante da intimação postada com AR exerce a função de auxiliar de escritório. Não é a pessoa habilitada para receber ou representar a empresa, pois não é sócia, não é procuradora, e nem legitimada. 7.6 Cita art. 215 do CPC e jurisprudências para corroborar com seu entendimento. 7.7 A correta intimação possibilita o exercício do contraditório e da ampla defesa, e tem também a finalidade de dar ciência ao intimado do inteiro teor dos atos e termos específicos. 7.8 Não observando os lindes estabelecidos, acarreta o cerceamento de defesa e a nulidade dos atos processuais praticados. 7.9 Para eficácia da intimação e sua validade, deve a mesma ser revestida na forma da lei. 7.10 Em preliminares requer seja declarada a nulidade da notificação do despacho decisório. 7.11 Transmitiu o PER/DCOMP compensando um débito referente à apropriação de quantia paga a maior, usando o preceito normativo contido no caput do art. 66, da Lei nº 8383/91. 7.12 Tece comentários sobre as IN SRF que regulamentavam a compensação e cita que com a IN SRF 320/2003, o contribuinte ficou obrigado a efetuar a compensação ou restituição de seus créditos por meio de PER/DCOMP. 7.13 Este sistema, na hipótese de crédito proveniente de decisão judicial, somente aceita quando o PER/DCOMP seja regularmente preenchido se for informada a data do trânsito em julgado da ação judicial que reconheceu o direito creditório. 7.14 A exigência é descabida, visto que a compensação que geralmente se busca é proveniente de lançamento por homologação. 7.15 Temos um processo eletrônico de pedido de compensação, da qual o contribuinte não tem como esclarecer a origem do crédito, (declaração expressa de inconstitucionalidade do STF) e nem como usar do direito de peticionar, restando na manifestação de inconformidade o direito de peticionar, esclarecer, e requerer. 7.16 O direito a petição possui eficácia constitucional (art; 5º . XXXIV, CF/88). Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.914320/201014 Acórdão n.º 3302005.493 S3C3T2 Fl. 123 4 7.17 Através da edição da lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo majorou a alíquota da COFINS de 2% (dois por cento) sobre o faturamento para 3% (três por cento), sobre todas as receitas das empresas, inclusive aquelas obtidas no mercado financeiro. 7.18 O aumento da alíquota da COFINS é manifestamente inconstitucional e ilegal, não se podendo exigir da manifestante, o recolhimento da COFINS sob alíquota superior a 2%, nos termos da Lei nº 70/91. 7.19 A Lei nº 9.718/1998 foi promulgada sob égide da redação original do art. 195 da Constituição Federal de 1988" 7.20 O legislador editou a Lei Complementar nº 70/91, que descreveu a regra matriz de incidência da COFINS, sendo sua base de cálculo o faturamento. 7.21 O Governo Federal editou a MP nº 1.724/1998, que alterou a base de cálculo da COFINS para receita bruta, ao invés do faturamento, bem como majorando a alíquota dessa exação de 2% para 3%. 7.22 O governo não poderia ter modificado a Constituição por Lei Ordinária, pois a regra constitucional do art 155 (sic) só outorgava competência para a instituição de contribuições sobre o "faturamento". 7.23 A inclusão das receitas financeiras no cálculo da COFINS somente foi permitida com a edição da Emenda Constitucional nº 20, que alterou a redação do art. 155 (sic) da CF/88, em dezembro de 1998. 7.24 A Lei nº 9.718/98 foi editada em data anterior à emenda e deveria ter respeitado o antigo texto do art. 195 da CF. 7.25 É inconstitucional a alteração da base de cálculo da COFINS por lei ordinária, que não se convalida com a superveniência de Emenda Constitucional. 7.26 Sendo a Lei nº 9.718/98 inconstitucional na data de sua edição, e, portanto nula, nenhuma obra posterior poderia validar os dispositivos contidos. 7.27 É legítima a pretensão da manifestante em ver homologada a compensação efetuada, perante a ilegalidade da majoração da COFINS de 2% para 3%. 7.28 Sobre a prescrição, sendo a COFINS um tributo sujeito à lançamento por homologação, se revela entendimento uníssono entre a doutrina pátria e a jurisprudência judicial e administrativa, que a extinção do crédito tributário se dá no momento em que o fisco realiza a conferência do lançamento homologação expressa. 7.29 Nos casos em que não haja conferência pelo sujeito ativo, ocorre a homologação tácita, que se dá com o decurso do prazo de 5(cinco) anos da data do efetivo pagamento (antecipado pelo contribuinte) e só a partir da homologação, que se começa a fluir o prazo decadencial. 7.30 A empresa efetuou a restituição da COFINS dentro do prazo prescricional. A Manifestante tem 10 anos para pedir de volta o que foi pago indevidamente. 7.31 Cita doutrina e julgado administrativo e judicial para corroborar com seus entendimentos. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.914320/201014 Acórdão n.º 3302005.493 S3C3T2 Fl. 124 5 7.32 O prazo prescricional para repetição do indébito tributário é de 5 (cinco) anos da homologação e como normalmente esta ocorre tacitamente somada mais com 5 (cinco) anos, a manifestante tem 10 (dez) anos do pagamento para restituir o que foi pago indevidamente. 7.33 Requer a reforma do Despacho Decisório, e que se mantenha vinculada a compensação ao processo, nos moldes da MP 135/03 transformada na Lei 10833/03, em seu Art. 17º § 11 (sic), e deste modo, os valores compensados estarão suspensos. 8. É o relatório. A decisão de primeira instância, proferida em 24/11/2011 (fls. 72/89), foi pelo não provimento da manifestação de inconformidade, cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITOS. SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA. Não compete às Turmas das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ apreciar a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em razão da interposição de Manifestação de Inconformidade. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. A apreciação de constitucionalidade de norma é atribuição do Poder Judiciário. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada. CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões administrativas ou judiciais proferidas em processos dos quais não participe o interessado ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. CIÊNCIA DA INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO FISCAL. VALIDADE. É válida a intimação via postal remetida ao endereço da pessoa jurídica cadastrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil. A lei processual não exige que a ciência de recebimento da intimação seja dada a representante legal da empresa, sendo válido o recebimento e ciência aposta por qualquer pessoa que receber o AR no endereço indicado. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Ante a regular ciência, o direito à ampla defesa e ao contraditório se perfaz mediante o exercício do direito de recorrer do ato com a apresentação de manifestação de inconformidade, na forma estabelecida na legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 1999 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10880.914320/201014 Acórdão n.º 3302005.493 S3C3T2 Fl. 125 6 Deve ser afastada a aplicação do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, tendo em vista que o diploma legal em análise foi julgado inconstitucional em decisão definitiva do plenário do STF (art. 59 do Decreto nº 7.574/2011). RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. Restituição/Compensação O direito de pleitear restituição de tributo ou contribuição pago a maior ou indevidamente extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados da data da extinção do crédito tributário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). Negado o direito creditório a que se refere uma Declaração de compensação, não há como se homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Após ciência ao acórdão de primeira instância (AR à fl. 91), em 23/01/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 92/97, em 09/02/2012, em essência, reprisando a manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase Declaração de Compensação DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 01/05), transmitida, em 27/09/2006, para a compensação de débitos de IRPJ lucro presumido (PA 06/2006) com créditos tributários (PA 04/1999) relativos à COFINS cumulativa, de que trata a Lei nº 9.718/98. PRELIMINAR Reitera a ora recorrente que a intimação para instaurar processo administrativo foi recebido e assinado por pessoa não credenciada e não habilitada para receber qualquer correspondência da empresa manifestante e sendo seu sócio gerente seu representante legal, somente ele poderia ter recebido a correspondência. Direito ao ponto, pela perfeita subsunção dos fatos alegados ao enunciado da Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10880.914320/201014 Acórdão n.º 3302005.493 S3C3T2 Fl. 126 7 Não há de se falar em retroação dos efeitos do supracitado enunciado, visto, simplesmente consolidar jurisprudência2, antiga e pacífica, nos antigos Conselhos de Contribuintes e no atual CARF, baseadas na legalidade, especificamente do art. 23, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, justificada que a ênfase dada pelo caput a que a intimação seja provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, não tem o rigor que suponha necessária a pessoalidade do ato, sendo que a maioria das notificações e das intimações administrativas são promovidas por via postal, com prova de recebimento (AR) e que a entrega da intimação no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo é o quanto basta para que a relação processual se tenha completado, sendo irrelevante se o recibo foi assinado por quem não era representante legal do contribuinte. Tida como válida a ciência, por conveniente, refuto, também, a alegação de ter sido rasgada as regras dos princípios constitucionais e administrativos, como sugere o recorrente, haja vista a definição das normas impostas pelo Decreto nº 70.235/72, não havendo porque afastarse a aplicação ou deixar de observar leis válidas, estando, mesmo, vedado aos Conselheiros do CARF fazêlo, sob fundamento de inconstitucionalidade (art. 62, da Portaria MF nº 343 de 09/06/15RICARF/15), no mesmo sentido do enunciado da Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face de todo o exposto, voto por não acatar as preliminares argüidas. MÉRITO A ora recorrente, manifestou inconformidade ao não reconhecimento do direito creditório, defendendo que efetuou recolhimentos a maior em DARF, em razão das ilegalidade e inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo e majoração da alíquota, de 2% à 3%, da COFINS, pela Lei nº 9.718/98. Diante desses argumentos, entendeu a decisão recorrida, improcedente a manifestação de inconformidade, por considerar prescrito o direito de pleitear a repetição do indébito; e por entender não socorrer o interessado eventuais efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. Quanto ao fundamento do indébito estar em possíveis inconstitucionalidades da Lei nº 9.718/98, entendo não ser papel dos órgão julgadores administrativos discorrer sobre direitos em tese, visto não existir nos autos uma única prova sequer da natureza do indébito, limitandose a ora recorrente a protestar pela posterior juntada de outros documentos e demonstrativos que comprovariam o direito alegado, desnecessários pelos efeitos da patente questão prejudicial de mérito (prescrição) que segue. Quanto à prescrição, o crédito tributário pleiteado via DCOMP nº 01594.54905.270906.1.3.049320 (fls. 02/05), transmitida em 27/09/2006, diz respeito à COFINS cumulativa do Período de Apuração PA 04/1999. 2 Acórdãos nºs 20168026, de 20/05/1992; 20209572, de 14/10/1997; 20171773, de 02/06/1998; 20306545, de 09/05/2000; 10707076, de 20/03/2003; 20208457, de 21/05/2003; 10807562, de 16/10/2003; 10614266, de 21/10/2003; 10246574, de 01/12/2004; 10420408, de 26/01/2005. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10880.914320/201014 Acórdão n.º 3302005.493 S3C3T2 Fl. 127 8 Notase, nas informações constantes da DCOMP, que o interessado informou data de arrecadação em 30/04/2002 (fls. 02), porém, conforme consta no DARF (fl. 40), o recolhimento foi efetuado em 10/05/1999. Sobre a repetição de indébito tributário, o Código Tributário Nacional CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), assim dispõe: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (Vide art 3º da LCp nº 118, de 2005) Sobre o prazo para repetição de indébito tributário, o Supremo Tribunal Federal STF, no julgamento do RE 566.621/RS, com fundamento na sistemática da repercussão geral, do art. 543B, do CPC, firmou o seguinte entendimento: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10880.914320/201014 Acórdão n.º 3302005.493 S3C3T2 Fl. 128 9 estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Tratandose de DCOMP transmitida em 27/09/2006 e inexistindo medida judicial, prévia à 09/06/2005, individualizando a garantia do direito ao interessado, aplicase o prazo reduzido para repetição ou compensação de indébitos, fixado pela LC nº 118/2005, prescrevendo o direito de pleitear administrativamente a restituição de valores recolhidos indevidamente, em 5(cinco) anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inciso I, do artigo 165, do CTN, e entendimentos firmados pelo RE 566.621/RS e pelo enunciado da Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10(dez) anos, contado do fato gerador. Portanto, conforme consta no DARF (fl. 40), ao recolhimento efetuado em 10/05/1999, encontravase prescrito o direito à repetição do alegado indébito, pedido via DCOMP transmitida em 27/09/2006, por força do inciso I, do artigo 165, do CTN, do RE 566.621/RS e da Súmula CARF nº 91. Pelo exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.002742/2002-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997
PAGAMENTO DOS VALORES DO TRIBUTO AINDA EXIGIDOS. PERDA DE INTERESSE RECURSAL.
Verificado (pelo que consta nos autos) que o sujeito passivo pagou os valores exigidos que restaram após as desonerações levadas a efeito no contencioso, mais consectários legais, nada mais há que se discutir no processo, o que caracteriza a perda de interesse recursal.
COBRANÇA EM DUPLICIDADE. EXONERAÇÃO. UNIDADE DE ORIGEM.
A Unidade de Origem é o órgão competente para a liquidação de acórdãos do CARF, sendo que cabe ainda a revisão de ofício por inexatidão quanto aos cálculos efetuados (Parecer Normativo Cosit nº 2/2016).
Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-005.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PERDA DE INTERESSE RECURSAL. Verificado (pelo que consta nos autos) que o sujeito passivo pagou os valores exigidos que restaram após as desonerações levadas a efeito no contencioso, mais consectários legais, nada mais há que se discutir no processo, o que caracteriza a perda de interesse recursal. COBRANÇA EM DUPLICIDADE. EXONERAÇÃO. UNIDADE DE ORIGEM. A Unidade de Origem é o órgão competente para a liquidação de acórdãos do CARF, sendo que cabe ainda a revisão de ofício por inexatidão quanto aos cálculos efetuados (Parecer Normativo Cosit nº 2/2016). Recurso Especial do Contribuinte Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (Suplente convocado), Valcir Gassen (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 27 42 /2 00 2- 17 Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10735.002742/200217 Acórdão n.º 9303005.853 CSRFT3 Fl. 449 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência (fls. 374 a 382), interposto pelo contribuinte, contra o Acórdão 3403002.197, de 22/5/2013, proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 341 a 344), sob a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1997 a 31/12/1997 INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. O prazo fixado pelo ordenamento processual administrativo para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias contados do primeiro dia seguinte ao recebimento da intimação da decisão do julgamento de primeiro grau. Exaurido o tempo fixado, impõe não conhecer do recurso interposto por intempestivo. Recurso não Conhecido. O contribuinte, inicialmente, apresentou Embargos de Declaração (fls. 351 a 355), que foram rejeitados (fls. 365 a 367). Ao seu Recuso Especial (datado de 28/11/2014) foi dado seguimento (fls. 439 a 441), sendo que nele argumenta que na decisão guerreada não foi observado o Princípio da Verdade Material, o qual nortearia o Processo Administrativo Fiscal, ao ter a Turma julgadora simplesmente não tomando conhecimento do Recurso Voluntário, pois intempestivo, ignorando alegação substancial, a ser reconhecida de ofício (por se tratar de ordem pública), em razão ter sido ignorado o fato de que o sujeito passivo estaria sendo cobrado em duplicidade, em outro Processo. O contribuinte não mais discute a tempestividade do Recurso Voluntário, o que fica bem caracterizado (ainda que indiretamente), no seguinte parágrafo (fl. 380, com grifo meu): "Como é cediço, versando sobre ordem pública, o feito deve ser apreciado de ofício pelo julgador, independentemente do fato se o recurso foi interposto a destempo". O que ele alega, como já dito, é que estaria sendo cobrado em duplicidade, "na medida em que o suposto crédito ... foi também objeto de lançamento no Processo nº 15364.001961/9929 (já extinto pelo pagamento), no qual a apuração baseouse no faturamento da matriz e de todas as filiais, inclusive esta, no período compreendido entre março de 1996 e dezembro de 1998". A PGFN, em suas Contrarrazões, datadas de 10/08/2015 (fls. 443 a 446), em primeiro lugar, pede que o Recurso Especial não seja conhecido, pois os Acórdãos paradigmas não trariam a necessária divergência jurisprudencial. Em caráter secundário, alega que, sendo o Recurso Voluntário intempestivo, a decisão da instância de piso é definitiva, não sendo admissível, portanto, qualquer recurso a Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10735.002742/200217 Acórdão n.º 9303005.853 CSRFT3 Fl. 450 3 respeito, e, mesmo que a matéria fosse de ordem pública, ela seria referente a processo pendente, e não a processo cujas decisões se tenham tornado definitivas por conta da preclusão. Para corroborar o seu entendimento, cita a Súmula nº 456 (do STF): “O Supremo Tribunal Federal, conhecendo do recurso extraordinário, julgará a causa, aplicando o direito à espécie.” Ocorre que se encontra algo, que considero fundamental, na parte final do Processo: a comprovação do pagamento dos tributos (fls. 425 a 437) ainda exigidos no Auto de Infração, após as desonerações levadas a efeito pela instância de piso, mais consectários legais. Isto não foi, em momento algum, suscitado tanto pelo contribuinte, como pela Fazenda Nacional , tendo sido simplesmente os comprovantes de pagamento anexados aos autos razão pela qual foi surpreendido este Relator, que só atentou para este fato por ter analisado todo o desenrolar do Processo, folha a folha. O Auto de Infração (fls. 53 a 57) foi emitido eletronicamente, como decorrência de uma auditoria interna feitas na DCTF, na qual constatouse que alguns débitos declarados com a "exigibilidade suspensa" estavam vinculados a Processo Judiciais não localizados pela autoridade fiscal (Motivo: "Proc. jud. não comprovado", na linguagem adotada em lançamentos daquela natureza). Os valores (do principal) lançados da Contribuição para o PIS cumulativa (Código de Arrecadação 8109), foram os seguintes, conforme pode ser visto à fl. 55: Período de Apuração Vencimento Valor Principal Lançado Julho/1997 15/08/1997 12.413,37 Agosto/1997 15/09/1997 15.700,29 Setembro/1997 15/10/1997 21.954,16 Outubro/1997 14/11/1997 27.714,09 Novembro/1997 15/12/1997 26.269,24 Dezembro/1997 15/01/1998 21.769,98 O lançamento também contemplou a multa de ofício, de 75 %, mas esta foi afastada pela instância de piso (vide Acórdão da DRJ, às fls. 105 a 110). Efetivamente, causa muita estranheza que nada tivesse levantado a respeito no Processo, por ambas as partes. Mas pode haver uma explicação razoável para tal. De forma mais que "inusitada", a solicitação de juntada dos comprovantes dos supostos pagamentos se deu em 26/01/2015 (vide Termo de Solicitação de Juntada, às fl. 424) e a anexação foi levada a efeito apenas em 18/06/2015 (vide Termo de Análise de Solicitação de Juntada, à fl. 438), ou seja, quase cinco meses depois. Nestes documentos é apresentado, para cada pagamento, o DARF (que pode ser gerado no site da Internet da RFB), e a cópia (simples), da segunda via do Comprovante de Pagamento, emitido pelo SISBB Sistema de Infrações do Banco do Brasil, que confirmariam a quitação como realizada em 11/12/2014, com multa e juros de mora. É o Relatório. Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10735.002742/200217 Acórdão n.º 9303005.853 CSRFT3 Fl. 451 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Não vou me adentrar aqui na discussão se o Recurso Especial pode ser admitido ou não, em função da ausência de divergência jurisprudencial, pelo fato de que, admitido o pagamento integral da exação combatida, nada há mais a ser discutido. Mesmo sendo cópias simples, não é razoável supor estes comprovantes tenham sido "fabricados, e não tem esta instância julgadora acesso aos Sistemas da RFB consulta na qual ficaria comprovada a efetiva realização dos pagamentos. Temos que nos ater, então, ao constante nos autos, o que só me permite concluir que, efetivamente, houve o pagamento da exigência aqui discutida, levando à absoluta perda de interesse recursal. E, ainda que a Turma entender pelo conhecimento do mesmo, a cobrança em duplicidade não claramente caracterizada nos autos, que, repito, traçam os limites de autuação desta instância julgadora , com o perdão da redundância, é questão de cobrança, a qual é de competência da Unidade de Origem, e a Administração Tributária não pode cobrar tributo que se sabe indevido, a teor do art. 3º do CTN (e, mais ainda, do Princípio da Legalidade, basilar em todo o nosso ordenamento jurídico), pelo que, se o fizer, ainda caberia pedido de revisão de ofício, conforme Parecer Normativo Cosit/RFB nº 2, de 23/08/2016: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. LIQUIDAÇÃO DE ACÓRDÃO DO CARF. DECISÃO ADMINISTRATIVA DEFINITIVA EM ÂMBITO ADMINISTRATIVO. PARTE INTEGRANTE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA DE RECURSO. REVISÃO DE OFÍCIO POR ERRO DE FATO. Inexiste recurso contra a liquidação pela unidade preparadora de decisão definitiva no processo administrativo fiscal julgando parcialmente procedente lançamento, tendo em vista a coisa julgada material incidente sobre esta lide administrativa, sem prejuízo da possibilidade de pedido de revisão de ofício por inexatidão quanto aos cálculos efetuados. Ex positis, voto por não conhecer do Recurso Especial interposto pelo contribuinte (cabendo, no entanto, à Unidade de Origem a verificação da efetiva realização dos aventados pagamentos, na liquidação da sentença). (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 451DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.003066/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Simples Federal. Opção. Benefícios Fiscais Específicos. Renúncia.
A opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte-SIMPLES implica a renúncia a todos os benefícios fiscais específicos dos tributos abrangidos nessa forma de tributação.
Numero da decisão: 1301-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: ROBERTO SILVA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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OPÇÃO. BENEFÍCIOS FISCAIS ESPECÍFICOS. RENÚNCIA. A opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno PorteSIMPLES implica a renúncia a todos os benefícios fiscais específicos dos tributos abrangidos nessa forma de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Amélia Wakako Morishita Yamamoto. Ausência justificada da Conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 30 66 /2 01 0- 11 Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10920.003066/201011 Acórdão n.º 1301003.038 S1C3T1 Fl. 521 2 Relatório Tratase de recurso interposto por BLW AUTOMÓVEIS EIRELI EPP, pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra o Acórdão nº 1458.854, da 5ª Turma da DRJ Ribeirão Preto, que negou provimento à impugnação da recorrente, mantendo o lançamento que dela exigia crédito tributário por omissão de receita. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Apurada a omissão de receitas, correta a tributação no âmbito do Simples Federal, adicionandose os valores omitidos às demais receitas declaradas, a seguir subtraindose do tributo apurado os tributos anteriormente recolhidos ou retidos. SIMPLES FEDERAL. REVENDA DE VEÍCULOS USADOS. É inaplicável às empresas tributadas pelo Simples a equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação. A recorrente interpôs recurso, arguindo a nulidade da intimação de fls. 60/61 (fls. 62/63 do processo eletrônico), que foi entregue no departamento financeiro, quando deveria ter sido feita na pessoa do proprietário da empresa. No mérito, alegou que, por atuar no ramo de revenda de veículos, a recorrente deveria ter sua receita apurada na forma do art. 5º da Lei nº 9.716/1998, o que não foi observado pela autoridade fiscal no lançamento. Com essas razões, pediu o provimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Silva Junior, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A preliminar de nulidade deve ser rejeitada. A intimação a que se refere a recorrente foi feita ainda na fase de fiscalização; e, apesar do vício alegado, a finalidade do ato foi alcançada, sem nenhum prejuízo à recorrente. No mérito, o recurso se limitou a pleitear a apuração da receita bruta, para fins de cálculo do valor devido no Simples, observando o critério fixado no art. 5º da Lei nº 9.716/1998, assim redigido: Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10920.003066/201011 Acórdão n.º 1301003.038 S1C3T1 Fl. 522 3 Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. Parágrafo único. Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitandose ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. No CARF prevalece o entendimento segundo o qual o art. 5º da Lei nº 9.716 se destina às pessoas jurídicas que apuram o IRPJ e a CSLL pelo lucro real, presumido ou arbitrado, não se aplicando ao Simples federal. Dessa jurisprudência são exemplos os seguintes acórdãos: OPERAÇÕES COM VEÍCULOS USADOS. A caracterização das operações como vendas em "consignação por comissão", por abranger prestação de serviços, exige não apenas registros específicos nos livros fiscais, que devem guardar coerência com a movimentação financeira da empresa, mas também a demonstração de toda uma lógica própria, com regras que evidenciem as condições para a prestação destes serviços, os percentuais de comissão, a apuração desta etc. Se a Contribuinte pratica a compra e venda de veículos usados, ou mesmo a "consignação por venda", a base para a incidência dos tributos deve abranger o total dos valores recebidos, e não apenas uma parcela destes, a título de comissão recebida. No caso, também não é aplicável a regra do art. 5º da Lei 9.716/1998, que permite a equiparação destas outras operações, para efeitos tributários, à operação de "consignação por comissão", uma vez que a Contribuinte é optante do Simples, e, portanto, já usufrui de um tratamento tributário diferenciado. Se a sistemática do regime simplificado tivesse que abarcar as normas que tratam de isenções específicas, creditamento, reduções de base de cálculo, substituição tributária, diferimentos, etc, restaria bastante comprometida a simplificação na apuração dos tributos, e é esta a razão pela qual os benefícios obtidos com o Simples (que é opcional) excluem os outros previstos para as pessoas jurídicas que adotam os regimes normais de tributação. (Acórdão nº 180200.870) SIMPLES FEDERAL. OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. EQUIPARAÇÃO DO ARTIGO 5º, DA LEI N.° 9.716, DE 1998. INAPLICABILIDADE. A equiparação das operações de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo SIMPLES Federal, que tenham por objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores, as quais devem efetuar os recolhimentos dos tributos e contribuições devidos com base na receita bruta mensal apurada integralmente, ou seja, a receita bruta a ser considerada é o produto da venda a terceiros dos veículos, excluídas tãosomente as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. (Acórdão nº 1101001.615) REGIME DE TRIBUTAÇÃO PELO SIMPLES. Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10920.003066/201011 Acórdão n.º 1301003.038 S1C3T1 Fl. 523 4 A equiparação das operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, às operações de consignação, não se aplica às empresas tributadas pelo SIMPLES. Para estas, se não houver efetivo contrato de consignação por comissão, a operação deve receber o tratamento de mera compra e venda de veículo, devendo ser utilizada, como base de cálculo do montante devido, relativo ao SIMPLES, a receita bruta mensal apurada integralmente. (Acórdão nº 140200.400) OPERAÇÕES COM VEÍCULOS. TRIBUTAÇÃO ASSEMELHADA ÀS OPERAÇÕES EM CONSIGNAÇÃO. A tributação diferenciada das operações envolvendo veículos usados, além de não ser facultada a optantes do SIMPLES FEDERAL, depende de prova documental das aquisições e revendas efetuadas. (Acórdão nº 1302001.731) Embora consistentes os argumentos dos que defendem entendimento contrário, a aplicação do art. 5º da Lei nº 9.716 exige rigoroso controle, mediante emissão de notas fiscais de entrada e de venda dos veículos, que a recorrente mostrou não possuir. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior Fl. 523DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000733/2010-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF. CORREÇÃO.
Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número da Turma, Câmara e Seção, bem como quanto ao número do Acórdão.
Numero da decisão: 2401-005.379
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para corrigir o erro material apontado referente ao número do acórdão, turma, câmara e seção.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF. CORREÇÃO. Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número da Turma, Câmara e Seção, bem como quanto ao número do Acórdão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para corrigir o erro material apontado referente ao número do acórdão, turma, câmara e seção. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000733/201068 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2401005.379 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado CENTRO EDUCACIONAL CASA DO ESTUDANTE LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ERRO MATERIAL. CONSTATAÇÃO. RECEPCIONADOS EMBARGOS INOMINADOS. ARTIGO 66 RICARF. CORREÇÃO. Nos termos do artigo 66 do Regimento Interno do CARF, restando comprovada a existência de erro material no Acórdão guerreado, cabem embargos inominados para sanear o lapso manifesto quanto ao número da Turma, Câmara e Seção, bem como quanto ao número do Acórdão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 33 /2 01 0- 68 Fl. 382DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, para corrigir o erro material apontado referente ao número do acórdão, turma, câmara e seção. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e Rayd Santana Ferreira. Fl. 383DF CARF MF Processo nº 15586.000733/201068 Acórdão n.º 2401005.379 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório CENTRO EDUCACIONAL CASA DO ESTUDANTE LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lançado Crédito Previdenciário correspondentes à parte da empresa e ao financiamento dos benefícios da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, em relação ao período de 01/2006 a 12/2007. Após regular processamento, interposto recurso voluntário à 2ª Seção de Julgamento do CARF, contra decisão de primeira instância, a egrégia 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, em 09 de setembro de 2014, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão, com sua ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. PAGAMENTO COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCONSTITUCIONALIDADE. O STF julgou , na data de 23/04/2014, o RE n° 595838, em sede e repercussão geral ( art. 543B, do CPC) reconhecendo a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei n° 8.212/91, que prevê a exigência do contribuição previdenciária sobre pagamentos às Cooperativa de Trabalho. LANÇAMENTO. FATO GERADOR.LEI DE REGÊNCIA. O artigo 144 do Código Tributário NacionalCTN aduz que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente. MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Fl. 384DF CARF MF 4 Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Interposto Recurso Especial pela Procuradoria da Fazenda Nacional, no momento da analise de admissibilidade deste, a Nobre Conselheira Liege Lacroix Thomasi, deparouse com a existência de erro material quanto ao número do Acórdão e na indicação da Turma e Câmara, apreciando de ofício como embargo inominado, com fulcro no art. 66 do RICARF. Diante do exposto, proponho os presentes embargos, a fim de que o processo administrativo seja novamente pautado para saneamento do erro material apontado, conforme despacho, às efls 378/379, com o devido "de acordo" da Presidente da Câmara. É o relatório. Fl. 385DF CARF MF Processo nº 15586.000733/201068 Acórdão n.º 2401005.379 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Com fulcro no art. 66 do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, adoto o despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Passo Fundo/RS como embargos inominados. Deixo de apreciar a questão da tempestividade, posto que, sendo adotado o despacho como embargos inominados, não há no RICARF prazo para sua interposição. Vejase o teor do artigo 66 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Como já devidamente lançado no Despacho que propôs o acolhimento dos presentes Embargos, a Conselheira Dra. Liege Lacroix Thomasi, com o "de acordo' da Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, constatou que houve erro material, inclusive, já se manifestando quanto ao seu posicionamento. Nesse sentido, procedem os Embargos Inominados, impondo seja acolhida sua pretensão para que aludidos erros sejam devidamente saneados. Com efeito, por este acórdão devese prover a correção da inexatidão material devida a lapso manifesto de erro de escrita do número do Acórdão, bem como a Turma e Câmara julgadora para: "Acórdão n° 2403002.679 proferido pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção", conforme consta da ATA DA REUNIÃO DE JULGAMENTO, questão objetiva sobre a qual não paira dúvida. Conforme verificamos na decisão efls. 355, onde se lê, no cabeçalho do acórdão: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Acórdão nº 1101002.679 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Leiase: CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Acórdão nº 2403002679 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Fl. 386DF CARF MF 6 Por todo o exposto VOTO NO SENTIDO DE ACOLHER OS EMBARGOS INOMINADOS de acordo com o artigo 66 do RICARF, para corrigir o erro material constante do Acórdão n° 2403002.679 nos termos da fundamentação, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira. Fl. 387DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.725085/2009-59
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO.
No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988.
Incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios decorrentes de valores recebidos à título de diferenças de URV por servidores públicos, face a nítida natureza salarial das verbas.
Numero da decisão: 9202-006.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MARCELO MIRANDA BRAGA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE URV. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. Incide Imposto de Renda sobre os juros moratórios decorrentes de valores recebidos à título de diferenças de URV por servidores públicos, face a nítida natureza salarial das verbas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe negaram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Votou pelas conclusões a conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 50 85 /2 00 9- 59 Fl. 322DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora designada Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 280201.186, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 104.642,03, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, consequentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese: que as verbas recebidas pelo impugnante foram a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; que o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; que apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN; que o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10580.725085/200959 Acórdão n.º 9202006.417 CSRFT2 Fl. 10 3 Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; que nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; que os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 158 e ss., julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, fls. 168/254, reiterando os argumentos feitos em sua impugnação. A 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 271/280, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para dar provimento parcial ao recurso para excluir da tributação o valor de R$ 28.022,86 em cada um dos três exercícios, recebidos a título de juros, bem como excluir a multa de ofício. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE NO REGIME DE ANTECIPAÇÃO. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. RESPONSABILIDADE DO CONTRIBUINTE PELO IMPOSTO DEVIDO APÓS O TÉRMINO DO PRAZO PARA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. A falta de retenção pela fonte pagadora não exonera o beneficiário e titular dos rendimentos, sujeito passivo direto da obrigação tributária, de incluílos, para fins de tributação, na Declaração de Ajuste Anual; na qual somente poderá ser deduzido o imposto retido na fonte ou o pago. Aplicação da Súmula CARF nº 12. REMUNERAÇÃO PELO EXERCÍCIO DE CARGO OU FUNÇÃO INCIDÊNCIA. Sujeitamse à incidência do imposto de renda as verbas recebidas como remuneração pelo exercício de cargo ou função, independentemente da denominação que se dê a essa verba. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. Fl. 324DF CARF MF 4 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. RECURSO ESPECIAL Nº 1.227.133/RS JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, cuja Ementa é “JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla” o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. Recurso provido em parte. Às fls. 283/288, a Fazenda Nacional apresentou Embargos de Declaração, arguindo omissão e obscuridade ao afastar a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora com amparo em precedente do STJ que não se aplica à espécie. Alegou que, na hipótese em análise, a verba principal recebida pelo autuado não tem natureza trabalhista nem foi recebida em virtude de sentença judicial, o que leva à conclusão de que não se aplicam a ela os fundamentos adotados pelo STJ para afastar a incidência do IRPF sobre os juros moratórios no julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS. Às fls. 290/291, a 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento rejeitou os Embargos de Declaração apresentado pela União. Às fls. 293/307, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando preliminarmente que, ao contrário do que consta do v. acórdão recorrido, não se aplica à espécie o REsp nº 1.227.133/RS, proferido pelo STJ sob o rito do art. 543C do CPC. Ainda, a verba recebida pelo autuado não decorre de despedida ou rescisão de contrato de trabalho. Por isso, não se aplica à hipótese destes autos o Recurso Repetitivo/STJ nº 1.227.133, no qual a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho. No mérito, apontou a divergência jurisprudencial em relação à exigência de IRPF sobre os juros de mora. Enquanto a decisão recorrida considerou não incidente o IRPF sobre os valores correspondentes aos juros de mora relativos a qualquer verba trabalhista reconhecida em sentença judicial, o primeiro paradigma afirmou que somente não é válida a cobrança do IRPF sobre os juros moratórios concernentes a verbas isentas ou não tributáveis ou sobre aquelas pagas em decorrência de rescisão do contrato de trabalho, nos termos em que decidido pelo STJ no rito dos recursos repetitivos previsto pelo artigo 543C do Código de Processo Civil (REsp. 1.227.133). Mais específica ainda é a divergência com o segundo paradigma. Enquanto a Turma “a quo” concluiu pela não incidência do IRPF sobre os valores correspondentes aos juros de mora aplicáveis sobre as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios URV” Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10580.725085/200959 Acórdão n.º 9202006.417 CSRFT2 Fl. 11 5 com amparo no REsp. Repetitivo n. 1.227.133, o segundo acórdão paradigma afirmou que esse recurso repetitivo que excluiu a exigência do IRPF sobre os juros de mora se aplica tão somente aos pagamentos efetuados em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, sendo, por conseguinte, perfeitamente cabível o IRPF sobre os juros devidos em virtude do pagamento em atraso das diferenças de remuneração ocorridas em razão da conversão de Cruzeiro Real para a URV. Às fls. 310/313, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à Incidência de Imposto de Renda sobre juros de mora. O Contribuinte tomou ciência do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da União, conforme fl. 316 e fl. 321, mantendose inerte, vindo os autos conclusos para decisão. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 104.642,03, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação à Incidência de Imposto de Renda sobre juros de mora. A questão merece debate, pois está longe de ter entendimento unânime no Tribunal Administrativo. A Fazenda Nacional sustenta a regularidade do auto de infração, pois defende que a interpretação correta do Repetitivo de Controvérsia RE 1227.133/RS, é a de que imposto de renda não incide sobre os juros de mora em apenas duas hipóteses. A primeira é condenação judicial no contexto de perda de emprego ou rescisão contratual. A segunda hipótese ocorre quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do imposto de renda. Sustenta assim que no caso em análise, a verba principal tem nítido caráter salarial, uma vez que corresponde a diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Se os valores recebidos têm natureza salarial, os juros moratórios, necessariamente, terão a mesma natureza, conforme dispõe o art. 92 do novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10/02/2002). Fl. 326DF CARF MF 6 Por sua vez a Contribuinte defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Sendo assim, insurgese contra o auto de infração, pois partindo do pressuposto de que a verba é isenta, estaria esta fora do campo de incidência do imposto de renda. O acórdão recorrido seguiu no sentido das argumentações do Contribuinte. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Sendo assim, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10580.725085/200959 Acórdão n.º 9202006.417 CSRFT2 Fl. 12 7 determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Cito aqui posicionamento adotado pelo Conselheiro Gerson Guerra, em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios "é importante destacar, que o acessório segue o principal. Nesse contexto, aplicase o que decidido pelo STJ (NUMÉRO DO RESP), fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil", no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Ressalto aqui que não desconheço a existência de Repercussão Geral sobre o tema, conforme esposado pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 6 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Fl. 328DF CARF MF 8 Tal dispositivo está reproduzido no art. 43, § 3º do Decreto 3.000/99 (RIR): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” Contudo a meu ver acredito que o encaminhamento a essa questão deva ser dado de modo diverso. Considerando a existência de Repetitivo de controvérsia atinente a questão, e que, este não foi sobrestado ao tema 808 admitido em sede de repercussão geral, por se tratar de julgado anterior a admissão deste é caso de se aplicar o repetitivo até posterior julgamento da repercussão geral. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito quanto a incidência de IRPF sobre juros moratórios negarlhe provimento. É o voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10580.725085/200959 Acórdão n.º 9202006.417 CSRFT2 Fl. 13 9 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL Peço licença a ilustre conselheira Ana Paula Fernandes para divergir do seu entendimento em relação a incidência de IR sobre os juros de mora pagos sobre rendimentos recebidos acumuladamente à título de URV. Do Mérito Em face do RE e do conteúdo do acórdão recorrido, cingese a discussão no Recurso Especial da Fazenda Nacional acerca da Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios sobre os rendimentos recebidos por membros do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Incidência de IRPF sobre Juros de Mora Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, as recentes decisões do STJ, no julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, restringiu o entendimento de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, por força da norma isentiva prevista no inciso V do art. 6º da Lei nº 7.713/1988: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA. JUROS DE MORA. CARÁTER REMUNERATÓRIO. TEMA JULGADO PELO STJ SOB A SISTEMÁTICA DO ART. 543C D O CPC. 1. Por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, pelo regime do art. 543C do CPC (recursos repetitivos), consolidouse o entendimento no sentido de que "não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla." Todavia, após o julgamento dos embargos de declaração da Fazenda Nacional, esse entendimento sofreu profunda alteração, e passou a prevalecer entendimento menos abrangente. Concluiuse neste julgamento que "os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, devidos no contexto de rescisão de contrato de trabalho, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do impo sto de renda, por força do art. 6º, V, da Lei 7.713/88, até o limite da lei". 2. Na hipótese, não sendo as verbas trabalhistas decorrentes de despedida ou rescisão contratual de trabalho, assim como por terem referidas verbas (horas extras) natureza remuneratória, deve incidir o imposto de renda sobre os juros de mora. Agravo regimental improvido. Fl. 330DF CARF MF 10 (AgRg no REsp 1235772 RS – julgado em 26/06/2012) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA. JUROS DE MORA DECORRENTES DO PAGAMENTO EM ATRASO DE VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA. MATÉRIA JÁ PACIFICADA PELA PRIMEIRA SEÇÃO. RECUR SO ESPECIAL REPETITIVO 1.227.133/RS. 1. A Primeira Seção, por ocasião do julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, fixou orientação no sentido de que é inexigível o imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg nos REsp 1163490 SC – julgado em 14/03/2012) Da análise do julgamento do Recurso Repetitivo 1.227.133/RS, verificase que são isentos do imposto de renda os juros de mora decorrentes do pagamento a destempo de verbas trabalhistas de natureza indenizatória, oriundas de condenação judicial, conforme a regra do “accessorium sequitur suum principale”. Contudo, no presente lançamento, tratase de verbas recebidas a título de diferenças de valores de URV advindas de diferenças salariais decorrentes da conversão da remuneração dos servidores beneficiados, quando da implantação do Plano Real. Em função disso, constatase que tais valores tem ligação direta com a remuneração, ou seja, se referem a remuneração (vencimentos) não percebidos anteriormente e acabam por importar diferenças ao longo dos anos subseqüentes. Nesse sentido, podemos concluir que o objetivo de ações judiciais sob esse fundamento foi simplesmente pagar ao recorrente aquilo que antes deixou de ser pago, ou seja, diferença de salários. Dessa forma, restando claro o nítido caráter salarial diferenças pagas a posteriori, os juros sobre elas aplicáveis, por conseqüência também devem ser tributados, já que afastada a natureza indenizatória da verba. Dessarte, não sendo as verbas trabalhistas de natureza indenizatória, o imposto de renda deve incidir sobre os juros de mora, razão pela qual encaminho por DAR PROVIMENTO ao REsp da Fazenda Nacional Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.904630/2016-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2011
CRÉDITO INTEGRALMENTE RECONHECIDO E DEFERIDO EM PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO.
Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição.
A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-003.519
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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DISCORDÂNCIA QUANTO À COMPENSAÇÃO EM PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. Não se conhece de recurso voluntário cujo direito creditório fora integralmente reconhecido e deferido em Pedido de Restituição. A negativa da unidade de origem em efetuar compensação de crédito deferido em razão de débito pendentes de liquidação não se constitui matéria a ser apreciada pela instância julgadora. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório MRV ENGENHARIA E PARTICIPAÇÕES S/A declarou compensação de crédito da contribuição (PIS/Cofins) com débito de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 46 30 /2 01 6- 72 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10680.904630/201672 Acórdão n.º 3201003.519 S3C2T1 Fl. 3 2 A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente requereu a anulação do despacho decisório e a homologação da compensação, alegando o seguinte: a) transmitira Pedido de Restituição (PER) para garantir o direito ao crédito de pagamento efetuado a maior, crédito esse objeto de compensação declarada posteriormente; b) devido a incompatibilidade do programa gerador da declaração, o número do PER não foi informado na declaração de compensação. Nos termos do Acórdão nº 06057.496, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que, por se encontrar retido o direito creditório reconhecido administrativamente até que fossem liquidados os débitos existentes em nome do contribuinte para com a Fazenda Pública, encontravase correto o despacho decisório de não homologação da compensação declarada. Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, aduzindo, inicialmente, que havia entendido que a glosa de seu crédito se dera por ocorrência de erro operacional nos sistemas da Receita Federal, fato esse esclarecido somente na decisão da DRJ. Arguiu o Recorrente que a decisão recorrida sustentarase na premissa equivocada de que o não deferimento do direito creditório decorrera da discordância do contribuinte quanto ao procedimento de compensação de ofício, procedimento esse que não alcança débitos que se encontrem com exigibilidade suspensa, de acordo com decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) REsp nº 1.213.082/PR , submetido à sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF,. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.508, de 20/03/2018, proferido no julgamento do processo 10680.904616/201679, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.508): O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. (...) Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.904630/201672 Acórdão n.º 3201003.519 S3C2T1 Fl. 4 3 Não há litígio a ser decidido nesta instância. A pretensão da contribuinte é ter reconhecido seu direito ao crédito informado em Pedido de Restituição. Ocorre que, conforme informado no voto da decisão recorrida, o crédito indicado já foi integralmente reconhecido e deferido no PER n° 39452.15834.310314.1.2.044815, tendo como resultado extraído da tela do Sief Processo: "DEFERIDO TOTALMENTE RDC AUTOMÁTICO". Ora, uma vez reconhecido e deferido o crédito não há o que se decidir quanto ao direito da contribuinte. A negativa da unidade de origem em efetuar a compensação, sob o fundamento de que o crédito está retido frente a débito pendente de liquidação, não se constitui matéria a ser apreciada pelo CARF, devendo negar conhecimento ao recurso da contribuinte. Conclusão Diante do exposto, voto para NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto, uma vez que na origem o crédito fora reconhecido e deferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à contribuição para o PIS. Além disso, devese ressaltar, que, neste processo, também ocorreram fatos da mesma natureza daqueles observados no processo paradigma que ensejaram o não conhecimento do recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira . Fl. 77DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000212/2007-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003
INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. NÃO INSTAURAÇÃO DA LIDE.
A impugnação apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do auto de infração não instaura o litígio, devendo ser decretada a revelia da parte silente. Mesmo que o recurso voluntário seja apresentado antes de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão da DRJ, também deve não deve ser conhecido, em razão da falta de aperfeiçoamento do processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 1401-002.518
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por não ter sido instaurado o processo administrativo fiscal. Ausente momentaneamente a conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2001, 2002, 2003 INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. NÃO INSTAURAÇÃO DA LIDE. A impugnação apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do auto de infração não instaura o litígio, devendo ser decretada a revelia da parte silente. Mesmo que o recurso voluntário seja apresentado antes de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão da DRJ, também deve não deve ser conhecido, em razão da falta de aperfeiçoamento do processo administrativo fiscal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por não ter sido instaurado o processo administrativo fiscal. Ausente momentaneamente a conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
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NÃO INSTAURAÇÃO DA LIDE. A impugnação apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do auto de infração não instaura o litígio, devendo ser decretada a revelia da parte silente. Mesmo que o recurso voluntário seja apresentado antes de 30 (trinta) dias da ciência do acórdão da DRJ, também deve não deve ser conhecido, em razão da falta de aperfeiçoamento do processo administrativo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por não ter sido instaurado o processo administrativo fiscal. Ausente momentaneamente a conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 02 12 /2 00 7- 73 Fl. 1095DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), que, por meio do Acórdão 1219.625, de 20 de junho de 2008, não conheceu a impugnação apresentada pela empresa, em razão de sua intempestividade. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 858/864, 865/869, 870/878, 879/885, 886/892, 893/902, 903/906, 907/910 e 911/920, respectivamente, lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu/RJ, por meio dos quais são exigidos da Interessada, antes identificada, o IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – SIMPLES – IRPJ/SIMPLES, no valor de R$ 16.642,92; a CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – SIMPLES – PIS/SIMPLES, no valor de R$ 16.642,92; a CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO –SIMPLES CSLL/SIMPLES, no valor de R$ 28.371,82, a CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – SIMPLES – COFINS/SIMPLES, no valor de R$ 56.743,62; CONTRIBUIÇÃO PARA A SEGURIDADE SOCIALINSS SIMPLES – CSSINSS/SIMPLES, no valor de R$ 107.028,07, mais multa de 150% e demais encargos moratórios; o IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ, no valor de R$ 77.431,45; a CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS, no valor de R$ 1.056,19; a CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL, no valor de R$ 5.687,27 e a CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS, no valor de R$ 8.191,09, mais multa de 75% e demais encargos moratórios. 2. A lavratura do auto relativo ao IRPJ/Simples, anocalendário de 2001 (fls. 858/864) decorre dos fatos descritos, também, no Termo de Verificação Fiscal – TVF1 (fls. 824/840). Para explanar as infrações o autuante, em suma, assim descreve: 2.1. Omissão de Receitas Receitas Não Escrituradas Item 001 do Auto de Infração (fls. 863/864) e item 2.1 do TVF1 (fls. 825/837): omissão de receita, no valor de R$ 2.579.269,74, apurado em razão de a Interessada, apesar de haver auferido receita de prestação de serviços durante o anocalendário de 2001 (fls. 218/588), declarouse inativa no ano em comento (fls. 14/15). O enquadramento legal citado pelo autuante referese aos seguintes dispositivos: art. 24 da Lei nº 9.249/1995; artigos 2º, §2º, 3º, §1º, alínea “a”, 5º, 7 º, §1º, 18 da Lei nº 9.317/1996; artigo 3º da Lei nº 9.732/1998 e artigos 186, 188 e 189 do Regulamento do Imposto de Renda 1999 RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/1999. 2.2. Insuficiência de Recolhimento. Item 002 do Auto de Infração (fl. 864) e item 2.2 do TVF1 (fl. 837): Quantia apurada em decorrência de a Interessada ter recolhido DARF/Simples relativo ao período de apuração 31/12/2001, no valor Fl. 1096DF CARF MF Processo nº 15563.000212/200773 Acórdão n.º 1401002.518 S1C4T1 Fl. 1.096 3 de R$ 1.543,50, (base de cálculo = R$ 51.450,00) utilizando alíquota de 3%, e não 10,32%, que seria a correta em razão de a mesma ter auferido receitas durante todo o anocalendário de 2001. O fato foi enquadrado nos termos dos seguintes dispositivos: artigo 5º da Lei nº 9.317/1996 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/1998 e artigos 186 e 188 do RIR/1999. 2.3. Os autos de infração relativos à Contribuição para o PIS/Simples, à Cofins/Simples, à CSLL/Simples e à CSSINSS/SIMPLES, foram lavrados em decorrência da apuração das infrações que ensejaram o lançamento principal. 3. A lavratura do auto relativo ao IRPJ, anoscalendário de 2002 e 2003 (fls. 893/902) decorre dos fatos descritos no Termo de Verificação Fiscal – TVF2 (fls. 841/848). Para explanar as infrações o autuante, em suma, assim descreve: 3.1. Receitas da Atividade. Item 001 do Auto de Infração (fls. 901/902) e item 2.2 do TVF2 (fls. 843/846): quantia lançada em razão de a Interessada ter auferido e escriturado receita de prestação de serviços porém, não as declarou. O enquadramento legal citado pelo autuante referese aos seguintes dispositivos: artigos 224, 518 e 519, §1º, inciso III, alínea “a” e §§ 4º a 7º, do RIR/1999. 3.2. Os autos de infração relativos à Contribuição para o PIS, à Cofins e à CSLL, foram lavrados em decorrência da apuração das infrações que ensejaram o lançamento principal. 4. O autuante formalizou ainda representação fiscal para fins penais, que constitui o processo nº 15563.000222/200717, apenso ao presente, por considerar que os fatos configurariam crime contra ordem tributária. 5. A autuada manifestase às fls. 963/973, alegando que: 5.1. foi notificada na segundafeira, dia 26 de junho de 2007, e o prazo para a interposição da impugnação expiraria no dia 26 de jullho de 2007, segundo o artigo 5º e 15º do Decreto nº 70.235/1972. sendo, portanto, tempestiva sua impugnação. 5.2. – informou ao Autuante, atendendo pedido para que apresentasse livros e documentos da contabilidade dos anos de 2001 a 2003, que no ano de 2001 já havia sido fiscalizada e a decisão sobre essa fiscalização lhe foi favorável (doc. 3, fls. 995/1003). Não obstante esse fato, o Autuante reiterou seu pedido, mesmo sabendo que o pertinente a este estaria de certo precluso, e com um agravante, por já existir julgamento da DRJ/RJ1. Apesar das circunstâncias expostas, os documentos foram entregues ao Autuante, o qual, após analisalos, lavrou o auto de infração em comento; 5.3. – o auto de infração está cobrando, novamente, tributos que já foram objetos de impugnação e que se encontram preclusos em razão da matéria, pois foi dado deferimento à sua impugnação, como consta do ‘documento 3’ (fls. 995/1003); 5.4. – não há como se analisar a parte do auto referente ao período de 2001, pois se encontra totalmente preclusa; 5.5. – como pode ser visto no Ato Declaratório Executivo nº 29, de 21 de junho de 2007 (fls. 1004/1005), sua exclusão só ocorreu em 21 de julho de 2007, pois deve ser assegurado ao sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa. Portanto, fica claro que a ausência da intimação ao ora Impugnante, Fl. 1097DF CARF MF 4 impossibilitou que este viesse a se defender, causandolhe grande lesão aos direitos citados; 5.6. – tendo em vista os fatos citados acima, se fosse feito o cálculo pelas alíquotas atribuídas aos impostos objetos do auto em apreço, terseia, na maior parte dos créditos, como lana caprina (insignificante), na planilha I (fls. 1006/1009); 5.7. –entende que devem ser aplicadas as alíquotas do Simples, em função do respeito às normas constitucionais e ao princípio do contraditório e da ampla defesa; 5.8. – caso não haja concordância com o exposto, entende que deve prosperar os fatos de direitos esmiuçados, explicitar sobre a ausência de inclusão nos cálculos do levantamento do Autuante, do imposto de renda retido na fonte por parte das empresas Sendas e Casa Show; 5.9. – Mesmo que viesse a se considerada devedora de alguma monta, tendo por espeque as três alíneas do inciso II do artigo 106 do CTN, as quais dispõem que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando deixe de definilo como infração; quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo e quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, deveria ser observado o princípio da retroatividade benigna. 6. Face aos fatos apresentados, protesta pela juntada de seus atos constitutivos e cartão do CNPJ, esperando e confiando, ainda, que a presente impugnação seja acolhida em todo os seus termos, deferindo, conseqüentemente, o cancelamento da cobrança e acolhendo o direito aos créditos supras. 7. É o relatório. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ, por meio do por meio do por meio do Acórdão 1219.625, de 20 de junho de 2008, não conheceu a impugnação apresentada pela empresa, em razão de sua intempestividade, conforme a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2001, 28/02/2001, 31/03/2001, 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001, 31/10/2001, 30/11/2001, 31/12/2001, 30/06/2002, 30/09/2002, 31/12/2002, 31/03/2003, 30/06/2003, 30/09/2003, 31/12/2003 IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. NÃO CONHECIMENTO. É intempestiva a impugnação apresentada após o prazo de trinta dias da ciência do Despacho Decisório. Eventual petição, apresentada fora do prazo, não comporta apreciação. Impugnação não Conhecida A recorrente tomou ciência do acórdão da DRJ na data de 07/07/2008 cf. ARECF de efl. 1.061 e apresentou o recurso voluntário na data de 30/07/2008, conforme protocolo de efl. 1.063. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. Fl. 1098DF CARF MF Processo nº 15563.000212/200773 Acórdão n.º 1401002.518 S1C4T1 Fl. 1.097 5 É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Intempestividade da Impugnação Inexistência de Processo Administrativo Fiscal Como visto no relatório deste acórdão, a impugnação apresentada pela empresa foi decretada intempestiva pela turma a quo. Por sua brevidade, reproduzo o referido voto da delegacia de piso: (início do voto da DRJ) 8. A impugnação é intempestiva, consideradas as datas de ciência do interessado (26/06/2007 fls. 840, 848, 862, 869, 876, 883, 890, 899, 905, 917, 950 e 951) e de apresentação da defesa (27/07/2007 fl. 963). Entretanto, tendo sido suscitada a tempestividade, como preliminar, passo a apreciála, em face do Ato Declaratório Normativo COSIT 15, de 12 de julho de 1996. 9. O interessado tomou ciência do auto de infração em 26/06/2007, conforme atestam as folhas acima indicadas (fls. 840, 848, 862, 869, 876, 883, 890, 899, 905, 917, 950 e 951). O prazo para a apresentação de defesa iniciouse em 27/06/2007 (3º feira) sic1 e encerrouse em 26/07/2007 (5º feira). A impugnação foi apresentada em 27/07/2007, conforme Carimbo de Recepção (fl. 963). 10. Deste modo, é intempestiva a impugnação, por ter sido apresentada após o decurso do prazo de trinta dias contado da ciência do auto de infração. 11. Configurada a intempestividade, cumpre perscrutar a competência desta Delegacia de Julgamento para apreciála. 12. Ao prever a hipótese de nãoapresentação tempestiva da peça impugnatória, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação expediu o Ato Declaratório Normativo nº 15/1996, dispondo: Declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados que, expirado o prazo para impugnação da exigência, deve ser declarada a revelia e iniciada cobrança amigável, sendo que eventual petição apresentada fora do prazo não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. (grifei) 13. A tempestividade constitui condição inarredável para o julgamento de processos administrativos fiscais. A intempestividade da petição acarreta a preclusão processual, o que impede o julgador de conhecer das razões de defesa. 1 dia 27/06/2012 foi quartafeira Fl. 1099DF CARF MF 6 14. Ante o exposto, voto por não tomar conhecimento do mérito da petição, por intempestiva a sua apresentação. (término do voto da DRJ) Pois bem. Vejo que não houve, por parte da DRJ, nenhum vício na decretação da intempestividade da impugnação: os documentos indicados pela delegacia de piso correspondem à realidade fática vivida à época da ciência do auto de infração e da protocolização da impugnação e demonstram que a impugnação foi apresentada com 1 (um) dia de atraso. Desta forma, não obstante o recurso voluntário ter sido apresentado tempestivamente, isto não requer que seja este recurso conhecido por esta turma ordinária. Conforme dispõe o 14 do Decreto nº 70.235/1972, transcrito abaixo, o processo administrativo fiscal somente nasce com a apresentação tempestiva da impugnação. No caso dos autos, portanto, é de se concluir que o litígio não restou aperfeiçoado: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Esta regra também está disposta no Ato Declaratório Normativo nº 15/1996 da Coordenação Geral do Sistema de Tributação, citado no voto da DRJ. O art. 21 do Decreto nº 70.235/1972, por sua vez, afirma que a impugnação não apresentada em tempo hábil ensejará a decretação de revelia da parte autuada: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. A recorrente não faz nenhuma alegação quanto à decretação de intempestividade por parte da DRJ, apenas limitandose a alegar a tempestividade do recurso voluntário. O que se vê é que o processo nem deveria ter sido encaminhado ao CARF, pois a DRJ já reconheceu a tempestividade e a empresa nada argumentou quanto a isso, tampouco trouxe algum elemento adicional. Desta forma, concluise que a decisão a quo deve ser mantida na íntegra. Conclusão Diante disso, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário por não ter sido instaurado o processo administrativo fiscal. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1100DF CARF MF Processo nº 15563.000212/200773 Acórdão n.º 1401002.518 S1C4T1 Fl. 1.098 7 Fl. 1101DF CARF MF
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