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Numero do processo: 11020.001797/2010-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PIS/PASEP. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, busca-se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte.
Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço.
COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. PALLETS DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO STRETCH. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO.
Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os pallets utilizados para armazenagem e movimentação das matérias-primas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte - plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" - são insumos pois indispensáveis ao adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens.
Numero da decisão: 9303-006.067
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CRÉDITO. EMBALAGENS DE TRANSPORTE. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA SANTA CLARA LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS/PASEP. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária", na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. COOPERATIVA PRODUTORA DE LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. PROCESSO DE "PALLETIZAÇÃO". DIREITO AO CRÉDITO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. Assim, os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, devem ser considerados como insumos. Da mesma forma, os materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo "stretch" são insumos pois indispensáveis ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 17 97 /2 01 0- 21 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 3 2 adequado armazenamento e transporte das mercadorias produzidas pela Contribuinte, face ao tamanho reduzido das embalagens. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire (suplente convocado), Valcir Gassen (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3802001.640, proferido em 28/02/2013, que possui ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 PIS/PASEP. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. CUSTO DE PRODUÇÃO. DESPESAS DE VENDA. EXIGÊNCIAS REGULATÓRIAS INDISPENSÁVEIS AO EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA. O conceito de insumo, ressalvadas as exceções expressamente previstas na Lei nº 10.833/2003, abrange o custo de produção (DecretoLei n. 1.598, de 1977, art. 13, § 1º; Decreto n. 3.000/1999, arts. 290 e 291) e as despesas de venda do produto industrializado, quando incorridas para atender exigências regulatórias indispensáveis ao exercício de determinada atividade econômica ou à comercialização de um produto. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 4 3 LACTICÍNIOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. AQUISIÇÃO DE “PALLETS” DE MADEIRA. PLÁSTICO DE COBERTO. FILME PLÁSTICO DO TIPO “STRETCH”. INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO RECONHECIDO. Não cabe, à luz das disposições da Instruções Normativas n° 247/2002 e n° 404/2004, restringir o direito ao crédito às embalagens incorporadas ao produto no processo de industrialização. No segmento de laticínios, a paletização que envolve o acondicionamento no “pallet”, plástico de coberto e colocação do filme “strecht” não é realizada apenas para fins de transporte, mas para a própria estocagem do produto no estabelecimento industrial. Decorre ainda de normas de controle sanitário na área de alimentos (Portaria SVS/MS nº 326, de 30 de julho de 1997), que exigem o acondicionamento dos produtos acabados em estrados (item 5.3.10), de forma a impedir a contaminação e a ocorrência de alteração ou danos ao recipiente ou embalagem (item 8.8.1). Tratandose, assim, de acondicionamento diretamente relacionado à produção do bem e que decorre de exigências sanitárias, deve ser reconhecido o direito ao crédito. RECEITAS DECORRENTES DA VENDA DE PRODUTOS SUJEITO À ALÍQUOTA ZERO. CRITÉRIO DE RATEIO PROPORCIONAL. O critério de rateio proporcional, nos termos do art. 3º, §§ 7º e 8º, II, da Lei nº 10.883/2003, deve considerar a totalidade da receita bruta auferida no mês, e não apenas as receitas do estabelecimento produtor de bens sujeitos à alíquota zero. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Em face da referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao reconhecimento do direito de crédito das contribuições não cumulativas com relação a materiais de embalagem, acondicionamento e transporte – empregados na “palletização” – concedidos em sede de julgamento de recurso voluntário. Colacionou como paradigmas os acórdãos 3302002.027 e 310100.795. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido por meio de despacho proferido pelo Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. A Cooperativa Santa Clara apresentou contrarrazões postulando a negativa de provimento ao recurso especial. Na mesma oportunidade apresentou recurso especial, que, todavia, teve o seguimento negado, razão pela qual não será objeto de exame por este Colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 303DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.045, de 12/12/2017, proferido no julgamento do processo 11020.001732/201085, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.045): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação se pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS/Pasep os gastos incorridos com os materiais utilizados para a “palletização” – material de embalagem, acondicionamento e transporte dos produtos finais para a venda. Cumpre observar ter sido deferido nos presentes autos o direito ao creditamento das aquisições de matérias de embalagem (pallets de madeira), plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch”, com fulcro na atividade econômica desempenhada pela Contribuinte; na essencialidade dos referidos insumos para a produção e, ainda, nas exigências sanitárias correspondentes para o processo produtivo e de transporte, além da própria estocagem no estabelecimento industrial. Para o reconhecimento do direito ao crédito e reforma da decisão proferida pela DRJ, o acórdão recorrido passou ao largo da apresentação de provas pela Contribuinte, razão pela qual esse aspecto encontrase superado na presente demanda. Portanto, a discussão a ser travada no recurso especial referese à possibilidade de deferimento de créditos de PIS/Pasep dos valores relativos à aquisição de “pallets” de madeira, plástico de coberto e colocação do plástico filme “stretch”. Inicialmente, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 6 5 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 305DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 7 6 operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processo no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo Fl. 306DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 8 7 de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações Fl. 307DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 9 8 se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Ainda no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema está novamente em julgamento no recurso especial nº 1.221.170 PR, pela sistemática dos recursos repetitivos, contendo votos pelo reconhecimento da ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério amplo/próprio na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não cumulativo. O julgamento não foi concluído até a presente data. A posição do Superior Tribunal de Justiça, para definição de insumo, mantémse pela adoção de critério próprio/amplo em função da receita, atendendo aos requisitos da pertinência, relevância e essencialidade. Embora existam casos isolados cujas decisões adotaram o critério restritivo (IPI), não há fato novo ou mudança de entendimento do Tribunal da Cidadania suficiente para acarretar mudança de posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Do contrário, estarseia adotando premissa de julgamento equivocada e, ainda, violando frontalmente o princípio da segurança jurídica. Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. De posse do critério a ser adotado para definição dos insumos aptos a gerar créditos de PIS e COFINS não cumulativos, adentrarseá a análise do caso concreto. A Contribuinte é pessoa jurídica que, nos termos do art. 2º do seu Estatuto Social (fls. 41 a 63), exerce atividade econômica na área de alimentos e tem por objetivos sociais: Art. 2º A Sociedade objetiva, com base na colaboração recíproca a que se obrigam seus associados, promover: I o estímulo, o desenvolvimento e a defesa de suas atividades econômicas de caráter comum; II A importação, a exportação, a industrialização e a comercialização em comum de sua produção agrícola, produção animal em geral, pecuária e de hortifrutigranjeiros, industrializada ou em espécie, tais como carnes, ovos, peixes, frutas, cereais, verduras, legumes, gorduras, condimentos em geral; café e ervas para infusão, laticínios, margarinas e derivados de soja, massas alimentícias, farinhas e fermentos em geral; doces, pós para fabricação de doces, açúcar e adoçantes em geral, bebidas alcoólicas e não alcoólicas, xaropes e sucos em geral; animais vivos e ovos para incubação; alimentos para animais; plantas e flores naturais, etc, nos mercados locais, nacionais ou internacionais; Fl. 308DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 10 9 [...] Em razão de sua atividade econômica, sujeitase a controles e exigências de diversos órgãos públicos, exemplificativamente: Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, Ministério da Agricultura, Serviço de Inspeção Federal, Ministério da Saúde. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, fica obrigada a atender rígidas normas de higiene e limpeza, sendo que eventual não atendimento das exigências de condições sanitárias das instalações levaria à impossibilidade da produção ou na perda significativa da qualidade do produto fabricado. No que concerne às embalagens utilizadas para transporte no processo produtivo da Contribuinte, uma vez essenciais, pertinentes e relevantes para obtenção do produto final, há de se considerarem as mesmas como insumos. As embalagens são realmente necessárias à armazenagem/conservação do produto nas diversas fases do processo produtivo. Considerandose a atividade própria da Contribuinte, temse que os “pallets” utilizados para armazenagem e movimentação das matériasprimas e produtos na etapa da industrialização e na sua destinação para venda, também devem ser considerados como insumos. Para atendimento das exigências sanitárias impostas pelos órgãos públicos responsáveis pelo controle e fiscalização, na movimentação e na armazenagem das matériasprimas e dos bens a serem utilizados na fabricação do produto final, e dos produtos finais em si, não pode haver contato com o chão, justamente para se evitar a contaminação por microorganismos, constituindose em mais uma das razões pelas quais é imprescindível a utilização dos “pallets” na cadeia produtiva. Levandose em conta a significativa quantidade de matériasprimas e produtos que serão empregados no processo produtivo e que precisam ser armazenados e transportados no ambiente fabril, é indispensável à Contribuinte utilizarse de mecanismos e ferramentas que, além de garantirem a observância das normas de higiene e limpeza, impostas pela ANVISA, otimizem o seu processo produtivo. Há de ser destacada, nesse aspecto, a desnecessidade do consumo do produto em contato direto com o bem produzido, admitindose o emprego indireto no processo de produção para caracterizarse determinado bem como insumo. Assim, os pallets guardam nítida relação de pertinência, relevância e essencialidade com a atividade produtiva do Sujeito Passivo, constituindose em insumos do processo produtivo e da fase de comercialização passíveis de creditamento de PIS e COFINS não cumulativos. Com relação a esse item, essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu decisão em casos análogos, nos processos administrativos nºs 10925.720046/2012 12 e 10925.720686/201222, na sessão realizada, em que receberam a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INDÚSTRIA AVÍCOLA. INDUMENTÁRIA. A indumentária de uso obrigatório na indústria de processamento de carnes é insumo indispensável ao processo produtivo e, como tal, gera direito a crédito DO PIS/COFINS. PIS/COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. ALÍQUOTA. Após a alteração veiculada pela Lei nº 12.865, de 2013, expressamente interpretativa, indiscutivelmente, os insumos da indústria alimentícia que processem produtos de origem animal classificados Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 11 10 códigos 15.17 e 15.18, adquiridos de não contribuintes farão jus ao crédito presumido no percentual no percentual de 60% do que seria apurado em uma operação tributada. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS As leis instituidoras da sistemática nãocumulativa das contribuições PIS e COFINS, ao exigirem apenas que os insumos sejam utilizados na produção ou fabricação de bens, não condicionam a tomada de créditos ao "consumo" no processo produtivo, entendido este como o desgaste em razão de contato físico com os bens em elaboração. Comprovado que o bem foi empregado no processo produtivo e não se inclui entre os bens do ativo permanente, válido o crédito sobre o valor de sua aquisição. PIS/COFINS NÃOCUMULATIVOS. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. Nos termos do § 4º do art. 3º das Leis 10.637 e 10.833 "o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes". Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. REP Provido em Parte e REC Provido em Parte Acordam os membros do Colegiado, por maioria, em dar provimento parcial aos recursos especiais da Fazenda Nacional e do sujeito passivo, nos seguintes termos: I) recurso especial da Fazenda Nacional: a) limpeza e desinfecção: por maioria, em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto; b) embalagens utilizadas para transporte: por maioria em negar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres e Carlos Alberto Freitas Barreto; c) despesas de períodos anteriores: por maioria, em negar provimento. Vencido o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres; d) serviços de lavagem de uniformes: pelo voto de qualidade, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Valcir Gassen, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e) percentual de crédito presumido: por unanimidade, em negar provimento; f) juros sobre multa de ofício: por maioria, em dar provimento. Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martinez López; e II) recurso especial do sujeito passivo: a) indumentária: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Júlio César Alves Ramos, Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto; e b) pallets: por maioria, em dar provimento. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator) e Carlos Alberto Freitas Barreto. Designados para redigir os votos vencedores o Conselheiro Júlio César Alves Ramos em relação às letras "a", “b” e “c” do item I e letra “b” do item II; e o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho em relação à letra a do item II. (grifouse) Há, ainda, de se examinar a caracterização dos materiais de acondicionamento e transporte plástico de coberto e filme plástico do tipo “stretch” – como insumos passíveis de gerar crédito de PIS/Pasep. Na linha relacional traçada no presente voto, considerandose que as mercadorias para serem devidamente armazenadas e transportadas após a produção, até chegarem ao consumidor final, exigem a utilização do plástico de coberto e do filme plástico do tipo “stretch”, é nítida a relação de pertinência, relevância e essencialidade com o processo produtivo, sendo imprescindível o seu reconhecimento como insumo. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11020.001797/201021 Acórdão n.º 9303006.067 CSRFT3 Fl. 12 11 Por fim, cumpre consignar que os itens, analisados no presente recurso especial, são empregados na “palletização” dos produtos a serem estocados e transportados pela Contribuinte, procedimento indispensável à correta armazenagem dos produtos face ao tamanho reduzido das embalagens individuais e, mais ainda, ao atendimento de exigências das normas de controle sanitário da área de alimentos, consoante Portaria SVS/MS (Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde) nº 326/1997. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, mantendose o reconhecimento ao direito creditório da Contribuinte. " Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 311DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15922.000267/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/03/1996 a 30/09/1997
PREVIDENCIÁRIO, NFLD. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE
SOCIAL,PRAZO DECADENCIAL,
A teor da Súmula Vinculante n° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.339
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Apresentará Declaração de Voto a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL,PRAZO DECADENCIAL, A teor da Súmula Vinculante n° 08, o prazo para constituição de crédito relativo às contribuições para a Seguridade Social segue a sistemática do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em declarar a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Apresentará Declaração de Voto a Conselheira Elain~ina Monteiro e Silva Vieira. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente ' KLEBER FERREIRA DE A AÚJO — Relatar Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 Processo n° 15922.000267/2007-57 82-C41-1 Acórdão n ° 2401-01339 FL 277 Relatório Trata-se de crédito lançado pela fiscalização que, de acordo com o Relatório Fiscal de fis, 23/28, refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social correspondentes à parte dos segurados, da empresa e ao financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho- SAT (competências até junho/97) e financiamento dos beneficios concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho RAT (competências a partir de julho/97), no período de 03/1996, 04/1996, 08/1996, 04/1997 e 09/1997„ Afirma-se que são fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações relacionadas com os empregados envolvidos na execução de obras de construção civil pela empresa Engemac de Jundiá Sist Elétricos Ltda, empresa optante pelo regime de tributação "SIMPLES, contratada pela empresa Hopi Hari S/A para a execução de serviços de elétrica, colocação de postes e outros serviços relacionados com a construção civil matriculada sob o n°21569.05496/74 devidamente detalhados no tem 03 do Relatório Fiscal, às fis. 24". Apenas a empresa Hopi Hari apresentou impugnação, cujas razões foram parcialmente aceitas pelo órgão de primeira instância, que julgou parcialmente procedente o lançamento, com exclusão da apuração de notas fiscais de venda de materiais de construção. Inconformado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, no qual alega que: a) os seus diretores devem ser excluídos do pólo passivo; b) as contribuições lançadas foram alcançadas pela decadência; c) o arbitramento não tem razão de ser, posto que o fisco não esgotou todos os meios para verificar a ocorrência dos fatos geradores; d) não há o que se falar em responsabilidade solidária, posto que a prestação de serviços foi realizada nas dependências da contratada; e) sua responsabilidade é subsidiária, assim, deve-se buscar a satisfação do crédito inicialmente no devedor direto; f) é inconstitucional a utilização da taxa SELIC para fins tributários. A Quarta Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social — CRPS decidiu converter o julgamento em diligência para que a empresa prestadora fosse cientificada da decisão a quo. Também a autoridade notificante deveria informar se houve fiscalização com contabilidade na empresa contratada, englobando o período do presente crédito. Em cumprimento à diligência o órgão preparador informa que a empresa prestadora, tendo sido devidamente intimada da decisão original, não se pronunciou. Também se registra a inexistência de ação fiscal ou de parcelamentos para a referida empresa. É o relatório. Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso da empresa Hopi Hari merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Vamos à alegação da decadência do direito de lançar as contribuições em questão. Na data da lavratura, o fisco previdenciário aplicava, para fins de aferição da decadência do direito de constituir o crédito, as disposições contidas no art. 45 da Lei n.° 8.212/1991, todavia, tal dispositivo foi declarado inconstitucional com a aprovação da Súmula Vinculante n.° 08, de 12/06/2008 (UI 20/06/2008), que carrega a seguinte redação: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5' do decreto- lei n" L569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n" 8,212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. É cediço que essas súmulas são de observância obrigatória, inclusive para a Administração Pública, conforme se deflui do comando constitucional abaixo: Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Então, uma vez afastada pela Corte Maior a aplicação do prazo de dez anos previsto na Lei n.° 8,212/1991, aplica-se às contribuições a decadência qüinqüenal do Código Tributário Nacional — CTN. Para a contagem do lapso de tempo, a jurisprudência vem lançando mão do art, 150, § 4.°, para os casos em que há antecipação do pagamento (mesmo que parcial) e do art. 173, I, para as situações em que não ocorreu pagamento antecipado. É o que se observa da ementa abaixo reproduzida (EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL ri9, 674497/PR, Relator: Ministro Mauro Campbell Marques, julgamento em 05/11/2009, DJ de 13/11/2009): PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA CONSUMADA, MATÉRIA SUBMETIDA AO REGIME DO ART 543-C DO CPC (RECURSOS REPETITIVO).OMISSÃO NÃO OCORRÊNCIA. REDISCUSSÃO DO MÉRITO CARÁTER PROTELATÓRIO, MULTA 1, O aresto embargado foi absolutamente claro e inequívoco ao consignar que "em se tratando de constituição do crédito tributário, em que não houve o recolhimento do tributo, como o caso dos autos, o fisco dispõe de cinco anos contados do 4 Processo tf 15922.000267/2007-57 S2-C4T1 Acórdão n ° 2401-01339 Fl. 278 primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Somente nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do ,fato gerador (art. 150, 4", do CTN)",. 2. Devem ser repelidos os embargos declaratórios manejados com o nítido propósito de rediscutir matéria já decidida, 3. Embargos de declaração rejeitados com aplicação de multa de 1% (um por cento) sobre o valor da causa atualizado. No caso vertente, a ciência do lançamento pela prestadora (última a ser cientificada) deu-se em 15105/2005 e o período do crédito é de 0.3/1996 a 09/1997. Nesse sentido estão decadentes as contribuições lançadas, por quaisquer das regras de contagem do prazo decadencial. Reconhecida a decadência, deixo de me pronunciar sobre as demais alegações. Voto, então, pelo provimento do recurso, ao reconhecer a decadência de todas as contribuições lançadas. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2010 EBER ERREIRAKLEBER FERREIRA DE ARAUJO - Relator ( Declaração de Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Concordo com a conclusão do ilustre relator quanto ao fato de que as contribuições descritas na NFLD encontrarem decaídas, porém divirjo do entendimento de que a data a ser considerada deve ser a da última ciência, qual seja da ciência do prestador de serviços. No meu entender a aplicação da responsabilidade solidária permite o lançamento em relação a qualquer dos coobrigados, independente da necessária cientificação dos demais. Portanto, a aplicação do prazo decadencial deve ter por início a data da cientificação de cada um dos notificados, razão porque acompanho o relator por suas conclusões. Sala das Sessões, em 19 de agosto de 2010 ELAINE CRISTINA MQNTEIRO E SILVA VIEIRA - Conselheira 6 /MINISTÉRIO DA FAZENDA Pe .* -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n': 15922.000267/2007-57 ,-Recurso n': 166,534 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial ri° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tornar ciência do Acórdão n° 2401-01,3.39 Brasi1ia,P0 de dutubro de 2010 ELIAS SAlVfPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência [ Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 18470.726213/2011-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jan 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02
Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1001-000.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2011 SIMPLES NACIONAL. INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. ALEGAÇÃO DE CONTRARIEDADE A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 02 Aplicação da Súmula CARF nº. 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 62 13 /2 01 1- 55 Fl. 46DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 47 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 14ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento I no Rio de Janeiro (RJ), mediante o Acórdão nº 1244.402, de 12/03/2012, objetivando a reforma do referido julgado. Em 21/01/2011, a empresa fez a opção pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional, relativo ao anocalendário 2011, que foi indeferida, mediante o “Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional”, de 11/05/2011 (efl. 28), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débitos com a Secretaria da Receita Federal de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não está suspensa: Lista de Débitos: 1) Débito:369208889 Lista de Competências 1)Competência – 02/2010 Valor: R$ 3.055,45 2)Competência – 03/2010 Valor: R$ 3.381,27 3)Competência – 04/2010 Valor: R$ 3.581,05 4)Competência – 05/2010 Valor: R$ 3.612,62 5)Competência – 06/2010 Valor: R$ 3.602,37 6)Competência – 07/2010 Valor: R$ 3.749,01 7)Competência – 08/2010 Valor: R$ 3.866,71 8)Competência – 09/2010 Valor: R$ 3.501,80 9)Competência – 10/2010 Valor: R$ 3.315,52 10)Competência – 11/2010 Valor: R$ 2.530,96 O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância bem sintetiza o ocorrido, pelo que peço vênia para transcrevêlo na parte que interessa: Fl. 47DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 48 3 2. Em suas razões de impugnação, argui a nulidade do Termo de Indeferimento por cerceamento de defesa, tendo em vista que a interessada não recebeu qualquer comunicação formal do indeferimento de sua opção pelo Simples Nacional. Questiona, ainda, a legalidade dos procedimentos adotados por entender incompatíveis com o tratamento diferenciado aplicável às microempresas e empresas de pequeno porte. 3. Logo, requer o deferimento de seu pedido, bem como o seguinte: · Reconhecimento da prescrição relativamente aos débitos existentes contra a requerente e anteriores a cinco anos; · Recálculo dos débitos existentes à razão do que preceitua a Lei da Usura, combinada com o CTN, no tocante ao limite de juros; · Elaboração de planilha demonstrativa e concessão de prazo para análise dos débitos eventualmente existentes e, na hipótese de aceitação, requer a concessão de parcelamento. A DRJ considerou procedente o Termo de Indeferimento de Opção ao Simples Nacional e proferiu acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO EXIGÍVEL. INCLUSÃO NÃO ADMITIDA. A existência de débito exigível para com a Receita Federal do Brasil impede a opção pelo Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio. Ciente da decisão de primeira instância em 10/04/2012, conforme Aviso de Recebimento à efl. 37, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 10/05/2012 (efls. 39 a 42), conforme carimbo aposto à efl. 40. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava Fl. 48DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 49 4 suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006, verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (grifo não consta do original) Nesse particular, mediante o art 6º, §§1º e 2º, da Resolução CGSN nº 94/2011, o Comitê Gestor de Tributação das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (CGSN), assim dispôs sobre a forma de ingresso no regime especial: DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL Art. 6º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio do Portal do Simples Nacional na internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação e acrescenta, ainda, que a DRJ não enfrentou a questão da ilegalidade, da obediência e observância ao texto constitucional. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados na decisão da DRJ, pelo que peço vênia para transcrever, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: 8. De acordo com o Termo de Indeferimento de fl. 28, as pendências impeditivas à opção pelo Simples Nacional, para o anocalendário 2011, correspondem à existência de débitos de natureza previdenciária decorrentes do batimento GFIPxGPS, nas competências 02/2010 a 11/2010, e débito de natureza previdenciária consubstanciado no DCG nº 36.920.8889, todos com exigibilidade não suspensa. Sobre o tema, o inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, assim estabelece: (omissis) Fl. 49DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 50 5 9. Da análise dos elementos de convicção trazidos aos autos restou evidenciado que a empresa não conseguiu regularizar as pendências que a impediam de optar pelo Simples Nacional, no anocalendário 2011, dentro do prazo fatal que terminou em 31/01/2011. 10. A legislação de regência é clara: todas as pendências devem ser regularizadas enquanto não vencido o prazo para opção. Logo, o Interessado deve agir com diligência, não deixando para o último dia a resolução de múltiplas exigências. 11. No caso em exame, a interessada protesta por não ter sido intimada pelos correios ou através de publicação em diário oficial do indeferimento de sua opção pelo regime especial do Simples Nacional. Ocorre que tal possibilidade está prevista no art. 8º, §1º da Resolução CGSN nº 4/2007, nos seguintes termos: Art. 8º Na hipótese de a opção a que se refere o art. 7º ser indeferida, será expedido termo de indeferimento da opção pelo Simples Nacional por autoridade fiscal integrante da estrutura administrativa do respectivo ente federado que decidiu o indeferimento, inclusive na hipótese de existência de débitos tributários. §1º Será dado ciência do termo a que se refere o caput à ME ou à EPP pelo ente federativo que tenha indeferido a sua opção, segundo a sua respectiva legislação. (Redação dada pela Resolução CGSN nº 50, de 22 de dezembro de 2008) 12. Considerando que o Termo de Indeferimento foi emitido pela RFB, a legislação aplicável é o Decreto nº 70.235/72, que, em seu art. 23, III, expressamente contempla as intimações eletrônicas, validando a regra segundo a qual a opção pelo Simples Nacional implica aceitação do sistema de comunicação eletrônica que visa cientificar o sujeito passivo de atos relativos a indeferimento, exclusão, ações fiscais, encaminhamento de notificações e intimações, bem como a expedição de avisos em geral. 13. Logo, não houve comportamento ilegal imputável à Fazenda Nacional. 14. No que tange aos pedidos de recálculo, declaração de prescrição, elaboração de planilhas e concessão de parcelamento, tratase de petitório estranho ao objeto do processo. Em verdade, o presente feito cingese à discussão da legalidade do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, não se tratando de um processo de cobrança de dívidas tributárias propriamente dito, foro pertinente a discussões deste jaez. 15. No caso concreto, não obstante o Termo de Indeferimento apresentar de forma discriminada a relação de débitos exigíveis de imediato, a inconformidade manifestada pela interessada é meramente genérica, o que atrai a aplicação do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que assim estabelece: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) 16. Outrossim, igualmente ineptos são os pedidos que tenham por fundamento a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo que discipline a cobrança dos tributos ou acréscimos legais devidos, na medida em que sua apreciação é Fl. 50DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 51 6 expressamente vedada pelo art. 26A do Decreto nº 70.235/72, acrescentado pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, in verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 17. Em face do exposto, nego provimento à manifestação de inconformidade oposta pelo contribuinte, para indeferir o seu pedido de inclusão na sistemática do Simples Nacional no anocalendário 2011. Como acertadamente consignou a decisão recorrida em relação às supostas inconstitucionalidades alegadas, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula CARF nº. 02: Súmula CARF nº. 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Outrossim, a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, papel este incumbido aos tribunais competentes. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, entendo que a decisão recorrida não merece ser reformada quanto aos pontos alegados pela recorrente. Por todo o exposto, face à comprovada existência de débito não suspensos perante a Fazenda Nacional na data limite para a opção, voto por negar provimento ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 51DF CARF MF Processo nº 18470.726213/201155 Acórdão n.º 1001000.252 S1C0T1 Fl. 52 7 Fl. 52DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018413/2008-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2006 a 28/02/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2006 a 28/02/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 84 13 /2 00 8- 11 Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 1294DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 15504.018413/200811 Acórdão n.º 9202005.911 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 1303DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.722803/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Nov 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013
JULGAMENTO EM 1ª INSTÂNCIA. QUÓRUM MÍNIMO REGIMENTAL.
Se no julgamento do processo na DRJ, a turma julgadora estava composta por 3 (três) julgadores, o quórum mínimo previsto no §6º do art. 4º da Portaria MF nº 341/2011 foi atendido, devendo-se afastar pedido de nulidade da decisão proferida.
FORMAS DE INTIMAÇÃO. INTIMAÇÃO VIA ELETRÔNICA. POSSIBILIDADE.
Conforme alínea "a" do inciso III do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade fiscal pode intimar a empresa sobre os atos processuais por meio eletrônico, endereçada a seu domicílio tributário eletrônico (DTE), conforme adesão da empresa ao DTE. Sendo assim, as intimações feitas por meio do DTE carregam a legitimidade necessária ao bom andamento do processo administrativo fiscal.
CARTÓRIO. DECLARAÇÃO FIRMADA. PERÍODO POSTERIOR À CIÊNCIA ELETRÔNICA.
A declaração firmada em cartório não tem o condão de infirmar a forma de ciência conferida por uma lei fiscal, no caso, o Decreto nº 70.235/1972, ainda mais quando a referida declaração remete a período muito posterior à ciência via eletrônica.
RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO A DESTEMPO. NÃO CONHECIMENTO.
Se a empresa apresentou recurso voluntário após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do resultado do acórdão da DRJ, o recurso voluntário não deve ser conhecido, por sua intempestividade.
Numero da decisão: 1401-002.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em não conhecer do recurso voluntário, por sua intempestividade. Votou pelas conclusões a Conselheira Livia De Carli Germano.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: LUIZ RODRIGO DE OLIVEIRA BARBOSA
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QUÓRUM MÍNIMO REGIMENTAL. Se no julgamento do processo na DRJ, a turma julgadora estava composta por 3 (três) julgadores, o quórum mínimo previsto no §6º do art. 4º da Portaria MF nº 341/2011 foi atendido, devendose afastar pedido de nulidade da decisão proferida. FORMAS DE INTIMAÇÃO. INTIMAÇÃO VIA ELETRÔNICA. POSSIBILIDADE. Conforme alínea "a" do inciso III do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972, a autoridade fiscal pode intimar a empresa sobre os atos processuais por meio eletrônico, endereçada a seu domicílio tributário eletrônico (DTE), conforme adesão da empresa ao DTE. Sendo assim, as intimações feitas por meio do DTE carregam a legitimidade necessária ao bom andamento do processo administrativo fiscal. CARTÓRIO. DECLARAÇÃO FIRMADA. PERÍODO POSTERIOR À CIÊNCIA ELETRÔNICA. A declaração firmada em cartório não tem o condão de infirmar a forma de ciência conferida por uma lei fiscal, no caso, o Decreto nº 70.235/1972, ainda mais quando a referida declaração remete a período muito posterior à ciência via eletrônica. RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO A DESTEMPO. NÃO CONHECIMENTO. Se a empresa apresentou recurso voluntário após o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência do resultado do acórdão da DRJ, o recurso voluntário não deve ser conhecido, por sua intempestividade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 28 03 /2 01 4- 19 Fl. 1249DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a arguição de nulidade da decisão recorrida e, no mérito, em não conhecer do recurso voluntário, por sua intempestividade. Votou pelas conclusões a Conselheira Livia De Carli Germano. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro 1 (DRJ/RJ1), que, por meio do Acórdão 1272.619, de 06 de fevereiro de 2015, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa. Reproduzo, por oportuno, o teor do relatório constante no acórdão da DRJ: (início da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco do auto de infração de IRPJ (fls. 03/29), no valor de R$ 3.028.445,50 e de CSLL (fls. 31/55) no valor de R$ 1.090.240,46, acrescidos da multa de ofício de 150% e dos juros de mora. Foram lançadas, ainda, as multas isoladas sobre o não recolhimento da base estimada tanto para o IRPJ quanto para a CSLL, respectivamente nos valores de R$ 2.597.919,71 e R$ 938.352,14. Os fundamentos para a autuação encontramse no Relatório Fiscal (fls. 57/71), cujo teor, em síntese, a seguir reproduzo: a) Em verificações preliminares realizadas na contabilidade do ano de 2011, observouse que o contribuinte apresentou Escrituração Contábil Digital (ECD) e Fcont em que constava deste e não daquela a amortização de R$ 8.689.516,15 anuais (a partir de 2009), em razão ao equivalente a 1/7 do total de R$ 60.568.913,98, referente a ágio sobre investimentos em participações societárias; Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.250 3 b) Ao se analisar a documentação apresentada pelo contribuinte, verificouse que foi registrado na contabilidade ágio sobre investimentos fundamentada na expectativa de rentabilidade futura em razão de laudo de avaliação; c) Será demonstrado no corpo deste relatório que o crédito tributário do presente processo deveuse em razão da convicção formada pelo fisco de que a amortização do ágio pretendida é insusceptível de diminuir o lucro real; d) Observouse que o contribuinte engendrou uma série de atos societários e contábeis perseguindo envolver com formalidades cada pequena parte para emprestar legalidade ao conjunto de seu planejamento tributário; Da Análise Fiscal a) No ano de 2008, houve vários atos societários (criação de empresaveículo, transferência de quotas, atas de assembleias geral, incorporação reversa, extinções de empresas) e contábeis realizados entre a fiscalizada GUERRA S/A, as incorporadas GUERRA Participações Ltda. e TOLSTOI Participações Ltda. (esta, sua controladora, em incorporação reversa), com o intento de gerar ágio (interno ao grupo) exclusivamente para fins tributários; b) Existe um aspecto material que subsiste ao final das operações engendradas que é a intenção da aquisição de participação societária da fiscalizada, empresa produtiva, GUERRA S/A, pela holding TOLSTOI INVESTIMENTOS S/A; c) Todavia, a aquisição dáse por intermédio de uma “empresaveículo”, a TOLSTOI Participações Ltda., empresa criada ostensivamente com vida efêmera para gerar um ágio que será transferido ao fim de diversas manobras societárias para a empresa produtiva, a investida GUERRA S/A; d) Demonstrase que o ágio em tela foi suportado economicamente pela holding, gerado na empresaveículo e transferido à empresa produtiva via incorporação reversa para obter a inadmitida vantagem tributária; e) Ao fim, o ágio transferido subsiste apenas no abuso de forma, haja vista que a real intenção de controle acionário da empresa produtiva GUERRA S/A pela holding TOLSTOI INVESTIMENTOS S/A prescinde da criação da empresa veículo, sua única razão de existir é a manipulação contábilsocietária para a criação do ágio sobre o investimento na empresa produtiva GUERRA S/A que é por sua vez deduzido do lucro real, mas não do lucro líquido (societário) da própria investida, GUERRA S/A; Da Cronologia e do Controle Acionário a) O ponto de partida dáse na vontade de aquisição da empresaprodutiva pela holdinginvestidora que desencadeia o planejamento tributário para a geração de ágio dentro do grupo de controle; b) Faz parte de holdinginvestidora a empresa Tolstoi Investimentos S/A que manterá o restante das empresas sob seu controle enquanto cria, sob artifícios, o ágio; A(s) empresa(s)alvo no caso são GUERRA S/A e GUERRA PARTICIPAÇÕES, cujos patrimônios pretensamente defasados em relação ao valor de mercado serão reavaliados na ocasião da alienação para gerar o ágio sobre o Patrimônio Líquido; Fl. 1251DF CARF MF 4 c) A parte da empresaveículo é da holding Tolstoi Participações Ltda. que servirá para a contabilização do ágio a ser criado e sua posterior transferência à empresa produtiva que poderá diferir imposto; d) O primeiro ato societário realizado consolidase na criação da empresa veículo em 05 de março de 2008; duas pessoas físicas, os senhores Nicolas Arthur Jacques Wollak e José Augusto de Carvalho criam a Tolstoi Participações Ltda., com capital social de R$ 1.000,00; e) O próximo ato é a transferência das quotas dos sócios a uma pessoa jurídica em 15 de maio, os sócios transferem suas quotas à Tolstoi Investimentos S/A que passa a deter 100% do capital Tolstoi Participações Ltda.; f) Em 30 de maio, Tolstoi Investimentos decide aumentar o capital social da Tolstoi Participações para R$ 82.000.000,00; g) Em 09 de junho, Tolstoi Participações faz as seguintes operações: Adquire 100% da participação societária em GUERRA S/A, registrando no seu ativo o ágio sobre investimento de R$ 15.439.784,51; Adquire 100% da participação societária de GUERRA PARTICIPAÇÕES Ltda., registra no ativo conta de ágio sobre investimento de R$ 45.129.129,47; h) Neste ponto do planejamento, observese que a Tolstoi Investimentos S/A controla Tolstoi Participações e, através desta, detém também o controle societário de GUERRA S/A e GUERRA PARTICIPAÇÕES LTDA., conforme abaixo: i) As aquisições acima somadas fazem surgir na contabilidade de TOLSTOI PARTICIPAÇÕES LTDA. o total do ágio no valor de R$ 60.568.913,98; j) Em 30 de setembro, GUERRA S/A, controlada de TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, incorpora a também controlada pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES LTDA., a GUERRA PARTICIPAÇÕES LTDA.; k) Em 31/12, a GUERRA S/A incorpora sua controladora TOLSTOI PARTICIPAÇÕES LTDA., ato contínuo esta última é extinta e o ágio sobre os investimentos (originados na aquisição de participação da própria GUERRA S/A e GUERRA PARTICIPAÇÕES LTDA.) passa a ser aproveitado nos ajustes do Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.251 5 Regime Tributário de Transição (RTT) para diminuir o lucro real devido pela empresa produtiva, sem a devida fundamentação econômica; Da contabilização a) A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), através das suas instruções, não tem a pretensão de alterar princípios contábeis e, de fato, há a previsão legal na Lei nº 6.404/1976, ao determinar de que maneira a companhia manterá sua escrituração, ao empregar expressões como “princípios de contabilidade geralmente aceitos”, “critérios contábeis”, “mutações patrimoniais”, “regime de competência” (art. 177); b) A legislação prevê para as companhias abertas a obrigatoriedade de constituir uma provisão na incorporada, no mínimo no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente de sua amortização; c) Portanto, antes da incorporação da investidora pela investida (incorporação reversa), a incorporada (investidora) deve realizar a provisão da alínea “a” do art. 6º, § 1º, no montante da diferença entre o valor do ágio e do benefício fiscal decorrente da sua amortização; d) Após a incorporação, o Lucro Real é influenciado diretamente pelo valor da despesa com amortização do ágio, mas havendo a reversão da provisão obterseá a neutralidade pela sua exclusão no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR); e) Todavia, a fiscalizada contabilizou suas operações de forma diversa; f) O registro do ágio foi contabilizado pela empresaveículo TOLSTOI PARTICIPAÇÕES LTDA. em contas do ativo permanente: 1.3.1.02.0002 Ágio em Investimentos – Guerra Participações, sem contas de reservas ou de provisão; g) Na ocasião da incorporação, o ágio contabilizado no ativo da empresa veículo é carreado para a conta do ativo intangível na empresa produtiva, Guerra S/A, conta 1.3.03.01.01.002 Ágio, com o saldo de R$ 60.568.913,98; h) Como foi observado anteriormente, a fiscalizada, a partir do lucro societário utilizou a amortização do ágio nos ajustes do Fcont para diminuir o lucro real (Demonstrativo do Cálculo do Imposto de Renda, linha 6, “Amortização de Ágio – RTT”) nos valores anualmente alocados de R$ 8.652.702,00, relativos ao aproveitamento anual de 1/7 do total do ágio, conforme declarado também em suas DIPJ, ficha 07 A, Linha 55 () Amort. Ágio. Invest. Aval. PLINCORP., Fusão ou Cisão; Da Ausência de Substrato Econômico a) A empresaveículo teve seu capital social aumentado em 30/05/2008 de mil reais para 82 milhões de reais. Todavia, essa subscrição se deu de forma estritamente contábil, não havendo modificação do Ativo ou aumento de Patrimônio Líquido; b) Vejase a contabilização da aquisição de participação acionária nas empresas Guerra Participações e Guerra S/A, em 09 de junho, lembrando que na data a empresaveículo não tinha disponibilidades financeiras, pois o aumento de capital social encontravase a subscrever; Fl. 1253DF CARF MF 6 c) Contabilizando um fato contábil permutativo, um aumento no Ativo com proporcional aumento nas obrigações, novamente, sem alteração do patrimônio líquido ou ingressos de recursos; d) Em 17/06, ocorre a “quitação” da aquisição acionária dos investimentos societários da empresaveículo: e) Todavia, como a conta OutrasObrigações a Pagar estava alimentada em 109 milhões pelos lançamentos da compra de participação acionária (inclusive o ágio), temse, de fato, uma obrigação alimentando o Patrimônio Líquido da Sociedade; f) Até mesmo os mil reais devidos pelos exsócios Nicolas Arthur Jacques Wollak e Jose Augusto de Carvalho são integralizados na operação; g) A aquisição societária através da empresaveículo se deu de forma estritamente formal perante a contabilidade, não se demonstrando o efetivo pagamento, e que nunca houve, na espécie, capacidade econômica; h) De fato, até mesmo o lançamento acima para pagamento dos diversos adiantamentos, não foram suportados pela empresaveículo, mas através de novas obrigações mediante mútuos, inclusive da própria “adquirida” Guerra S/A; i )Vejase a contabilização de 17/06: j) É obviamente uma operação da qual não discutimos legalidade (estritamente o mútuo), porém reforça a ausência de capacidade da empresaveículo de suportar economicamente suas obrigações e o exercício de decisões/ações dentro de um mesmo bloco de controle; Apreciação da Legalidade a) A amortização de ágio sobre investimentos societários pretendida pelo contribuinte é insuceptível de diminuir o lucro real, pois se trata de ágio criado Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.252 7 internamente entre empresas do mesmo grupo econômico e não há na sua raiz propósito negocial, tratase, pois de uma criação fictícia de despesa, vez que a parte adquirida pertence aos mesmos sócios da adquirente, somada à ausência de substrato econômico; b) O planejamento tributário realizado mira certamente no dispositivo legal previsto no art. 7º e no art. 8º, alínea “b”, da Lei nº 9.532/1997; c) Cumpre observar também o artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/1977; d) Certamente há, sob condições, a admissibilidade de amortização de ágio sobre invetimentos societários, assim como a manutenção deste em situações de incorporações reversas (quando a investida incorpora a investidora); e) Todavia, a utilização de empresaveículo, de duração efêmera, com propósito único servir para a transferência do ágio para a empresa produtiva e a observação de que as decisões societárias têm um núcleo de controle, fere o princípio da independência entre as partes e demonstra a artificialidade das operações contábeis e societárias; f) E, de fato, não é admitido, e nunca foi, a amortização realizada dentro do mesmo grupo econômico, i.e., entre empresas do mesmo bloco de controle; g) Observase a reiterada apreciação da CVM sobre a geração artificial de ágio, expressas nas Instruções nº 319/99; 349/01 e 247/96; h) Além disso, o Ofício Circular CVM/SNC/SEP nº 01/2007 não deixa dúvidas: Fl. 1255DF CARF MF 8 i) O Conselho Federal de Contabilidade editou, ainda, a Resolução CFC nº 1.110/2007 que, em seu item 120, assim determina: j) A partir do anocalendário de 2009, através dos novos conceitos de contabilidade introduzidos no país pela Lei nº 11.638/2007 ficou ainda mais claro o entendimento adotado pelas normas contábeis (CPC 13: item 50); k) Se a legislação comercial não autoriza o ágio interno ou intragrupo como um ativo para a sociedade, tampouco deve ser reconhecido para a base de cálculo do IRPJ que parte do lucro líquido, apurado com observância da lei comercial, considerando o disposto nos arts. 248 e 274 do RIR/1999 e alínea “c” do § 1º do art. 2º da Lei nº 7.689/1988; l) A amortização de ágio não constitui encargo necessário ou útil às atividades do contribuinte e à manutenção da respectiva fonte produtora, a mais não possui substrato econômico necessário e não é admitido seu aproveitamento pela legislação comercial e tributária, razão pela qual não deve reduzir as base de IRPJ e CSLL; Da Multa pela Insuficiência de Recolhimento – Base Estimada a) Devido à falta ou insuficieência de recolhimento de estimativa mensal de IRPJ e CSLL após o término do anocalendário, deve ser exigida multa isolada incidente sobre a redução indevida das estimativas mensais (50%) a que se refere o art. 44, II da Lei nº 9.430/1996, além da diferença de contribuição devida no ajuste anual (art. 16 da IN SRF nº 93/1997); b) Destacase que tal procedimento tem sua matriz legal na Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso II, alínea “b”; c) Como se vê, a aplicação da multa isolada decorre do descumprimento de obrigação de se efetuar o pagamento (ou declaração), por estimativa, nos prazos e condições estabelecidas na legislação tributária; d) Fazse necessário esclarecer que a multa isolada incidente sobre a redução indevida das estimativas mensais não se refere à mesma infração fiscal que ensejou a multa de ofício incidente sobre o tributo anual, independentemente de apurar, no fechamento do períodobase, imposto a pagar ou não; e) Quanto à multa de ofício, ela incide sobre a parcela do imposto de renda e CSLL anuais, apurados no fechamento do períodobase, e que não recolhidos ou não declarados, não apresentando qualquer relação com a multa isolada sobre redução das estimativas que lhe foi imposta; f) A multa isolada e a de ofício têm base de cálculo, alíquotas e fatos geradores diversos; Da Multa de Ofício Qualificada a) Todo o conjunto de atos praticados buscando conferir legalidade ao planejamento tributário demonstra a ação dolosa presente na execução dos diversos atos societários, na realização da contabilidade e na condução de um planejamento tributário com vistas à sonegação dos tributos; Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.253 9 b) Logo, sujeitase à qualificação da multa nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, para os fins penais e tributários conseqüentes, conforme o disposto no art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/1996 (150%). Devidamente cientificada (fls. 408), em 16/09/2014 (403/404), a interessada, em 15/10/2014, apresentou impugnação (fls. 413//490), cujo teor, em síntese, abaixo reproduzo: a) Até a data de 08 de junho de 2008, conforme evidenciam os quadros de composição societária reproduzidos abaixo e os atos e livros societários, a impugnante era controlada pelos membros da Família Guerra, seja diretamente (participação de 20,183%), seja por intermédio da Sociedade Guerra Participações Ltda. (Guerra Participações), com 79,817% de participação: Fl. 1257DF CARF MF 10 b) A partir de 09 de junho de 2008, ambas as sociedades passaram a ser controladas indiretamente pelo Natixis Mercosul Fund. L. P. , antiga denominação da NATEXIS MERCOSUL FUND. L. P. (NATEXIS), de nacionalidade francesa, que detém participação societária em diversas empresas no mundo, dos mais diversos setores da economia, incluindo, mas não se limitando, a empresas atuantes no ramo da engenharia mecânica, tecnologia da informação, serviços de telecomunicações, construção civil, indústria farmacêutica, biotecnologia, indústria básica e agricultura; c) A aquisição do controle acionário da impugnante, realizado por intermédio de um processo de compra e venda, foi efetuada pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES e iniciouse em 25/04/2008, quando juntamente com as pessoas físicas então sócias da GUERRA PARTICIPAÇÕES e com as acionistas diretas da impugnante, firmou se o Instrumento Particular de Compra e Venda de Participação Societária (Instrumento de Compra e Venda); d) Conforme se observa do Instrumento de Compra e Venda e respectivos aditivos firmados em 15/05/2008 e 04/06/2008 a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES assumiu o compromisso firme, as condicionado à observância das condições precedentes estabelecidas de ambas as partes de adquirir as participações direta e indireta da impugnante pelo preço de R$ 109.000.000,00, nas seguintes proporções: e) Como desdobramento da aquisição de participação e do preço pago, a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES apurou ágio no montante de R$ 60.568.913,98 em consonância com as normas contábeis e fiscais aplicáveis à época da realização da operação, e devidamente fundamentado com base na perspectiva de rentabilidade futura da impugnante, conforme Laudo de Avaliação Econômica produzido pela empresa especializada “Apsis Consultoria Empresarial Ltda.”, o qual foi devidamente apresentado ao Fisco em resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº 02, protocolado na data de 03/06/2013; f) Apesar da efetiva demonstração da regularidade formal e substancial das operações procedidas, o Fisco basicamente desconsiderou os reflexos tributários da incorporação do acervo patrimonial da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, meses após essa sociedade ter concluído seu respectivo papel como sociedade holding para aquisição e consolidação do controle acionário da impugnante; g) Assim, as deduções fiscais realizadas entre os anos de 2009 a 2013 das amortizações do ágio efetivamente pago pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES em 2008 foram glosadas pelo Fisco, por meio da lavratura de autos de infração que, conforme demonstrativo consolidado do crédito tributário do processo, exigem o recolhimento das diferenças de IRPJ e CSLL supostamente devidas, acrescidas de multa de ofício qualificada, juros selic e exigência concomitante de Multa Isolada por suposta falta de recolhimento das estimativas do IRPJ e da CSLL; Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.254 11 h) A operação encabeçada pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES que culminou na aquisição direta e indireta da integralidade das ações da impugnante efetivamente implicou em desembolsos financeiros efetuados com ágio fundado em rentabilidade futura, comprovado por laudo de avaliação, em operação realizada entre partes não relacionadas feita com absoluta transparência e pleno atendimento às regras societárias, contratuais e concorrenciais vigentes no Brasil; Das questões incontroversas a) Não há controvérsia quanto aos critérios de mensuração dos ágios, em observância às normas contábeis e fiscais vigentes à época das respectivas aquisições (art. 385 do RIR/1999, combinado com a Lei nº 11.941/2009, que instituiu o RTT, conferindo neutralidade fiscal aos efeitos decorrentes da adoção dos padrões internacionais de contabilidade, que, no caso específico de ágio pago sob o fundamento de perspectiva de rentabilidade passou a ser deduzido fiscalmente via exclusão na Parte “A” do LALUR, vez que tal ágio deixou de ser amortizado para fins contábeis, a partir de 01/01/2009); b) Não há qualquer dúvida quanto ao fundamento que suportou o ágio, conforme certificado em Laudo de Avaliação Econômica emitido por empresa especializada; c) Verificase que as argumentações do fisco são no mínimo contraditórias e pautadas em premissas equivocadas assumidas unilateralmente pela fiscalização; d) Isto porque o lançamento foi fruto de um apressado procedimento fiscal que não diligenciou corretamente a interpretação dos fatos que envolveram a efetiva aquisição do controle acionário da impugnante; e) Todo o procedimento fiscal durou apenas 5 meses; f) Não houve prudência na averiguação dos fatos que envolveram a aquisição do controle acionário da impugnante e ao se desprezar o cuidado que normalmente esse tipo de operação deve receber ao ser analisada sob o viés formal e substancial, acabouse por incorrer em graves erros de premissas, dentre elas, principalmente as de que: (i) por meio de vários atos societários e contábeis a aquisição do controle acionário da impugnante objetivou, por fim, a execução de um planejamento tributário para a criação artificial do ágio; (ii) que a aquisição se dá por intermédio de uma “empresa veículo”, TOLSTOI PARTICIPAÇÕES; g) A aquisição em tela iniciase na data da celebração do instrumento de Compra e Venda, ou seja, em 24/04/2008, e se conclui em 09/06/2008, quando, nesta data, há celebração de Termo de Fechamento do Negócio; h) Desde o início das negociações, as partes envolvidas nas posições de comprador e vendedor são, respectivamente, TOLSTOI PARTICIPAÇÕES e os ex acionistas controladores da impugnante; i) Neste momento, a TOLSTOI INVESTIMENTOS sequer integrava o grupo NATIXIS. E mesmo que integrasse o grupo, o que se admite apenas para argumentar, como uma sociedade holding, assim como era a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, também não dispunha de recursos financeiros para suportar econômica e financeiramente a aquisição do controle acionário da impugnante, de modo que dependia, igualmente, à TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, de recursos financeiros advindos do NATIXIS (e de seu parceiro estratégico, “DEG”); Fl. 1259DF CARF MF 12 j) O fisco deixou à margem de seus trabalhos o contexto da aquisição do controle acionário da impugnante, que, efetivamente, transferiuse da família GUERRA para a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, sociedade que desempenhou o papel de holding para aquisição, e que teve seu capital social integralizado com os recursos financeiros advindos do NATIXIS e de seu parceiro estratégico alemão, embora não vinculado, o Deustche Investimentos (DEG); k) Fica claro que o ponto central que se coloca em discussão consiste na validade ou não, para fins tributários, da aquisição do controle acionário da impugnante, perpetrada pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES e, como conseqüência, na validade das deduções das amortizações de ágio levadas a efeito pela impugnante, como consequência na validade das deduções das amortizações de ágio levadas a efeito pela impugnante, como consequência da incorporação reversa do acervo patrimonial da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES; Da Preliminar de Nulidade a) Pela descrição, a acusação fiscal não define ao certo se haveria problema na geração do ágio, ou no preenchimento do requisito para a sua amortização ou ainda se a operação se tratava de ágio interno com reavaliação de ativos, com utilização do diferimento previsto no art. 36 da Lei nº 10.637/2002; b) Notese que a acusação de inexistência de “substrato econômico” da empresaveículo (TOLSTOI PARTICIPAÇÕES) e, portanto, não preenchimento do requisito de incorporação pela suposta real adquirente (TOLSTOI INVESTIMENTOS), pressupõe a legitimidade e validade do ágio interno. Portanto, as acusações explicitadas pelo FISCO são contraditórias e não complementares, evidenciando inequívoca nulidade do lançamento por falta de descrição clara e precisa da acusação; c) Se, por um lado, a descrição dos fatos não permite a adequada compreensão da acusação, indispensável para o exercício pleno da defesa, também o enquadramento legal não auxilia na identificação do ato infracional de que é acusada a impugnante; d) O Fisco também deixou de apontar o fundamento legal da autuação, haja vista que os dispositivos legais mencionados não se prestam a caracterizar a infração de que é acusada; Da Decadência para se questionar o registro do ágio a) No presente caso, o lançamento foi realizado após o transcurso do prazo decadencial. Isto porque o IRPJ e a CSLL são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, logo, sujeitamse ao prazo decadencial instituído pelo artigo 150, § 4º, do CTN, contado da ocorrência do fato gerador; b) No presente caso não houve qualquer dolo, fraude ou simulação, pelo que inaplicável o disposto no art. 173, I do CTN; c) Como ao IRPJ e à CSLL é aplicável a regra de decadência prevista no art. 150, § 4º do CTN, é possível verificar a ocorrência de decadência no presente caso, tendo em vista que a lavratura dos autos de infração ora impugnandos se deu em 16/09/2014; d) A operação que gerou o ágio glosado foi realizada em 09/06/2008, sendo que a incorporação da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES ocorreu em 31/12/2008; Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.255 13 e) A partir de janeiro de 2009 e ao longo dos anos seguintes, a impugnante nada mais fez que amortizar, como lhe assegura a legislação, o ágio para fins de apuração do IRPJ e da CSLL; f) Passados tantos anos da geração e registro contábil do ágio, da efetiva incorporação e do início do exercício do direito à amortização, como poderia o fisco questionar a legitimidade dos atos somente em setembro de 2014? g) Acredita a impugnante ter decaído o direito de a Receita Federal do Brasil de glosar as amortizações do ágio, em decorrência do transcurso do prazo de 5 anos verificado entre o lançamento tributário ora contestado e a data de formação/registro do ágio questionado, ou mesmo da incorporação da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES (dezembro de 2008) e da primeira amortização (janeiro de 2009), já que é neste momento que se materializa o evento, que, por força da legislação específica, tem seus efeitos diferidos no tempo; h) O fisco, então, não poderia ter glosado a dedução fiscal do ágio, uma vez que o prazo decadencial teria se encerrado, na melhor das hipóteses, em 31/01/2014 (primeira amortização); i) Se decaiu o direito de glosar o ágio, também está decaído o direito de glosar as despesas de suas amortizações; j) Importante observar que em todos os períodos de apuração objeto dos autos de infração houve efetivo pagamento de IRPJ e CSLL, o que se verifica através da análise das Fichas 12 e 57 das DIPJ transmitidas, as quais evidenciam as retenções na fonte que, conforme sedimentada jurisprudência da CSRF equivale ao pagamento antecipado, determinando a aplicação da regra decadencial disposta no art. 150, § 4º do CTN. Do Mérito Da Inexistência de ágio artificial ou interno a) As amortizações de ágio tiveram origem em um contexto real de aquisição de participação societária havida entre partes não relacionadas, fruto de negociações e precedida de efetivo desembolso de recursos financeiros (caixa) e geração de riqueza nova para os acionistas vendedores; b) Com efeito, antes de a presente operação ter sido concretizada, o capital social da impugnante era integralmente detido pela Guerra Participações e pelas pessoas físicas integrantes da Família Guerra; c) Por sua vez, o capital social da Guerra Participações era totalmente detido pelas pessoas físicas da FAMÍLIA GUERRA, conforme abaixo: Fl. 1261DF CARF MF 14 Impugnante Acionista Ações Perc. (%) Guerra Participações Ltda 12.095.879 79,817 Mauro Guerra 10.738 0,07125 Marcos Guerra 6.510 0,004325 Valmor Ernesto Zanandéa 2.854.675 18,837 Marinez Hermínia Lazzarotto 36.842 0,24325 Maurício Guerra 22.837 0,15025 Octaviano Luiz Guerra 7.546 0,049 Oneide Terezinha Machado 112.899 0,745 Espólio de Maximiliano Zini 3.276 0,022 Sadi Antônio Zini 3.276 0,022 Total 15.154.478 100,00 Guerra Participações Acionista Ações Perc. (%) Mauro Guerra 3.060.040 30,600 Marcos Guerra 2.926.373 29,264 Marinez Hermínia Lazzarotto 2.183.272 21,832 Maurício Guerra 1.473.872 14,740 Octaviano Luiz Guerra 178.221 1,782 Espólio de Maximiliano Zini 89.111 0,891 Sadi Antônio Zini 89.111 0,891 Total 10.000.000 100,00 d) No início de 2008, o NATIXIS MERCOSUL FUND. L.P, entidade devidamente constituída e validamente existente de acordo com as leis de CHANNEL ISLANDS, interessouse na aquisição da totalidade do controle acionário da impugnante; e) NATIXIS era um fundo de investimentos em private equity, que pertencia ao Grupo Financiere NATIXIS Banques Populaires, de nacionalidade francesa, o qual investia em participação em diversas companhias no mundo, envolvidas nos mais diversos setores da economia, incluindo, mas não se limitando a empresas atuantes no ramo de engenharia mecânica, tecnologia da informação e serviços de telecomunicações, construção civil, indústria farmacêutica, biotecnologia, indústria básica e agricultura. Em 2007, seus investimentos somavam cerca de US$ 100 milhões; f) O Natixis mantinha vínculo comercial no Brasil com a gestora de recursos Axxon Group, entidade que contava com extensa rede de contatos locais e internacionais, e que tinha a incumbência contratual de analisar oportunidades de negócios estratégicos e rentáveis para o NATIXIS e, sendo o caso, representálo nos seus investimentos, principalmente na qualidade de diretores e/ou membros de conselho de administração; g) O Axxon Group iniciou suas atividades no Brasil em 2001, sendo originário de um time de private equity que opera na região desde 1993; Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.256 15 h) Nesse contexto, considerando a agilidade exigida no mundo dos negócios e devido ao fato de o Natixis ser um fundo de investimento estrangeiro, os representantes legais do AXXON GROUP BRASIL constituíram a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES em 05/03/2008, a fim de negociarem e estarem preparados para a celebração imediata de contratos pertinentes à aquisição do controle acionário da impugnante, sem sujeição a grandes burocracias e atrasos, que poderiam inclusive ocasionar a perda da oportunidade de investimento; i) A TOLSTOI PARTICIPAÇÕES já nasceu com a finalidade de se tornar a holding que exerceria o papel de entidade adquirente do controle acionário da impugnante; j) Nesse contexto é que em 25/04/2008, a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES celebrou com a FAMÍLIA GUERRA o Instrumento Particular de Compra e Venda, no qual a impugnante e a GUERRA PARTICIPAÇÕES figuraram como intervenientes anuentes, pelo qual restou acordado, de forma vinculante, irrevogável e irretratável, que, caso cumpridas as condições precedentes, as partes deveriam praticar todos os atos para efetivar a transferência da totalidade das ações da impugnante e das quotas da Guerra Participações para a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES na data do fechamento; k) De se notar que a data do fechamento da operação estava prevista inicialmente para ocorrer em 30/05/2008, porém, após a assinatura do 1º e 2º Aditamentos ao Instrumento de Compra e Venda, tal data restou prorrogada, definitivamente, para o dia 09/06/2008; l) Entre a data em que a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES se comprometeu de forma vinculante a adquirir da Família Guerra a totalidade do capital social da impugnante e da Guerra Participações, e a data em que tal operação se efetivou, é dizer que, entre 25/04 e 09/06/2008, fatos supervenientes relevantes ocorreram e mudaram o desenho da estrutura de aquisição do controle acionário da impugnante; m) Com efeito, o fundo NATIXIS buscava o levantamento de recursos financeiros no exterior para suportar a obrigação assumida pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, relacionada ao pagamento do preço pela aquisição da participação acionária na impugnante; n) Neste ínterim, o DEG surgiu como parceiro estratégico, que sinalizou interesse no financiamento da operação, tanto via empréstimo, como por meio de aquisição de participação societária; o) O DEG é parte independente e não relacionada à Família Guerra e ao próprio NATIXIS, no decorrer das tratativas negociais, manifesta interesse no processo de aquisição compartilhada do controle acionário da impugnante; p) Como a condição da negociação era que parte dos recursos advindos do DEG viriam na forma de empréstimo e outra parte na forma de investimento direto, NATIXIS e DEG entenderam por bem que seus interesses individuais seriam melhor preservados se compartilhassem o controle de uma sociedade holding sob a forma jurídica de sociedade por ações, pois além de não requerer maiores burocracias para o ingresso de novos acionistas, bastando os respectivos registros das transferências de ações nos livros societários para que surta seus efeitos perante terceiros de imediato, poderia ser gerida por meio de Acordo de Acionistas sem que eventuais desentendimentos fossem resolvidos no âmbito dessa própria holding, sem afetar o direcionamento e interesses da sociedade operacional adquirida, a impugnante; Fl. 1263DF CARF MF 16 q) Por esta razão, em 08/05/2008 – após a celebração do Contrato de Compra e Venda, que se deu em 25/04/2008 – o NATAXIS adquiriu a totalidade das ações da Ulan Bator Administração de Bens S/A e, em seguida, em 12/05/2008, foi realizada AGE da referida sociedade, na qual foram aprovadas regras diversas, tais como exoneração dos antigos diretores e eleição de novos diretores ligados ao NATIXIS, alteração do nome empresarial da sociedade para TOLSTOI INVESTIMENTOS S/A e alteração do endereço; r) Tal aquisição nunca teve como finalidade promover a aquisição direta do capital social da impugnante, mas sim a de se afigurar como sociedade holding para poder acomodar e viabilizar o ingresso no DEG no negócio; s) Em 15/05/2008, os representantes legais do AXXON GROUP, que detinham a totalidade das cotas para a TOLSTOI INVESTIMENTOS por meio da competente alteração e consolidação do contrato social, passando a TOLSTOI INVESTIMENTOS a deter o controle societário da holding TOLSTOI PARTCIPAÇÕES, que, repitase, era quem havia celebrado o Instrumento de Compra e Venda e quem tinha o direito irrevogável de aquisição da totalidade do capital social da impugnante e de sua então controladora, GUERRA PARTICIPAÇÕES; t) Nesse sentido, é importante asseverar que a TOLSTOI INVESTIMENTOS, o NATIXIS e o DEG não tinham nenhuma relação contratual com os vendedores, nem sequer como intervenientes anuentes. Havendo qualquer tipo de infração contratual por parte dos vendedores, seria ela, e somente ela, a parte legítima para reclamar quaisquer direitos. Nesta mesma linha, havendo qualquer tipo de infração contratual por parte da compradora, como o não pagamento do preço acordado, os vendedores poderiam reclamar seus direitos exclusivamente da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, e somente dela; u) Notese que a transferência das cotas da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES para a TOLSTOI INVESTIMENTOS foi primordial para conferir segurança ao DEG em relação ao direito de aquisição da totalidade do capital social da impugnante. Conseqüentemente, as negociações entre NATIXIS e DEG restaram frutíferas, de forma que: Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.257 17 v) Dias depois, em 09/06/2008, foi firmado o Termo de Fechamento, concretizando o encerramento da operação de compra e venda da totalidade das ações da impugnante e da GUERRA PARTICIPAÇÕES pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, tendo sido cumpridas todas as formalidades societárias para efetivar as transferências de quotas/ações na referida data, notadamente: a celebração da alteração contratual da Guerra Participações para transferência da totalidade de suas quotas para a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, pela qual houve também a renúncia dos antigos administradores e eleição de novos pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, além de ter havido reformulação geral do contrato social; e os registros pertinentes nos livros societários da impugnante para transferência da totalidade das suas ações para a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES; w) Com isso, a partir de 09/06/2008, a impugnante e a GUERRA PARTICIPAÇÕES passaram a ter seu capital social integralmente detido pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, a qual, por fim, tinha o capital social detido de 61,1% pelo NATIXIS e 38,9% pelo DEG, ambos entidades estrangeiras; x) Nessa mesma data, ocorreu o pagamento da primeira parcela do preço de aquisição no montante de R$ 82.000.000,00. Os pagamentos subseqüentes das parcelas 2 e 3 ocorreram, respectivamente, em 12 e 17/06/2008, nos valores de R$ 16.350.000,00 e 10.650.000,00. Tais recursos tiveram origem em contribuições para futuro aumento de capital social por parte da TOLSTOI INVESTIMENTOS e em operações onerosas de mútuos de recursos financeiros disponibilizados pela impugnante, que a essa altura já era totalmente controlada pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES; y) A comprovação do efetivo pagamento do preço de aquisição e do ônus financeiro encontrase demonstrada nos Termos de Quitação emitidos pelos integrantes (vendedores) da Família GUERRA. Para maior visualização dos valores Fl. 1265DF CARF MF 18 pagos, reproduzse, abaixo, memória que individualiza os pagamentos apontados nos referidos Termos de Quitação por beneficiário: z) Não restam dúvidas de que se tratou de operação realizada entre partes não relacionadas e independentes, efetivada após intensas negociações. Tanto é verdade, que a operação em comento chegou a ser divulgada na imprensa, sendo notória a total independência das partes, conforme matérias ora acostadas; aa) A operação foi devidamente submetida à análise do CADÊ, tanto no primeiro momento, quando da celebração do Instrumento de Compra e Venda pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, como em momento posterior, quando da entrada do DEG no negócio; bb) Com isso, é nítida a constatação de que houve efetiva aquisição de participação societária por terceiros, que não eram partes relacionadas da Família Guerra, mediante inequívoco pagamento de preço de aquisição, o qual foi muito superior ao valor contábil do Patrimônio Líquido da Impugnante e de sua então controladora Guerra Participações, ou seja, gerando, assim, de um lado, ganho de capital sujeito à tributação pelo IRPF e do outro ágio legítimo e devidamente fundamentado em perspectiva de rentabilidade futura; Da utilização da holding TOLSTOI PARTICIPAÇÕES a) O fisco alega, ainda que sem precisão, que a real adquirente das participações societárias seria a TOLSTOI INVESTIMENTOS; b) A tese fiscal repousa na premissa de que a aquisição de participações societárias somente poderia ocorrer se efetuada diretamente pela TOLSTOI INVESTIMENTOS sem o intermédio de outra sociedade holding, isto é, sem o intermédio da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, porque tal seria disprovida de substrato e capacidade econômica; c) Entretanto, tal premissa não pode prosperar, em primeiro lugar pelo fato de a TOLSTOI INVESTIMENTOS ser uma holding, cujo capital social foi integralizado pelo NATIXIS e pelo DEG. Ou seja, seguindo a própria lógica fiscal, a TOLSTOI INVESTIMENTOS, que afirma ser a real adquirente, era à época uma holding, sem atividades operacionais e que recém havia recebido seus primeiros fundos via integralização de capital e empréstimo. E pior: a TOLSTOI INVESTIMENTOS quando da celebração de Instrumento de Compra e Venda com os acionistas vendedores da impugnante, nem sequer integrava o Grupo Natixis, sendo uma simples sociedade dormente, sem qualquer atividadade ou investimentos, com apenas R$ 1.000,00; d) Em segundo lugar, porque uma pessoa jurídica ou um grupo de pessoas jurídicas dispõem de diversas possibilidades legais para investir, sendo certo que o Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.258 19 investimento via constituição de uma ou mais sociedades holdings é uma das suas possibilidades; e) A escolha do melhor investimento cabe ao investidor, não podendo o fisco interferir; f) Os investidores NATIXIS e DEG valeramse de uma opção legalmente estabelecida para melhor estruturar a gestão se suas atividades; g) Tanto a criação de sociedade holding para fins de figurar como adquirente de participação societária é aceita pela legislação pátria, que foi o modelo jurídico adotado maciçamente durante os processos de privatização ocorridos, principalmente no final da década de 90; h) Nesse sentido, é público e notório que as sociedades estrangeiras, na ocasião, ao invés de adquirirem as empresas estatais diretamente, constituíram as sociedades holdings no Brasil, e estas realizaram aquisições; posteriormente, estas mesmas holdings foram incorporadas pelas empresas investidas, para que, nos termos do art. 386 do RIR/1999, os investidores obtivessem o retorno parcial do preço pago, tendo em vista a amortização do respectivo ágio; Do Papel Efetivamente Desempenhado pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES a) É imprópria a alegação de ausência de substrato econômico na operação que envolveu a aquisição do controle acionário da impugnante, uma vez que tal aquisição se mostrou real, condizente com a vontade de cada uma das partes envolvidas, fundamentadas à luz do ordenamento jurídico vigente à época de cada etapa da operação, precedida de efetivos pagamentos em espécie aos ex controladores, conduzida entre partes não relacionadas que estiverem na mesa de negociação para discussão das condições do negócio e concluída com a mais absoluta transparência; b) O propósito negocial está baseado na motivação real, verdadeira que justificou a aquisição, com pagamento de ágio, de participação societária no capital social da impugante; c) O fato de ter tido a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES seu capital social integralizado às vésperas da operação de aquisição nada significa além de uma decisão estratégica de negócios; d) Registrese ademais que a constatação de que a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES teve seu capital social contribuído e integralizado com recursos provenientes do NATIXIS e DEG, via TOLSTOI INVESTIMENTOS, os quais, posteriormente, foram destinados à compra do controle acionário da impugnante, não tem o condão, por si só, de desnaturar a juridicidade do negócio pelo qual a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES participou como real adquirente do controle acionário da impugnante; e) Não é relevante para a análise do propósito negocial e da substância econômica o fato de a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES ter sido financiada com recursos dos sócios NATIXIS e DEG, via TOLSTOI INVESTIMENTOS, mediante subscrição e integralização de aumento de capital social; Fl. 1267DF CARF MF 20 f) O propósito negocial está na aquisição da participação societária e não propriamente na integralização do capital realizada como forma de gerar liquidez para a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES efetuar os pagamentos em nome próprio; g) A TOLSTOI PARTICIPAÇÕES não foi uma sociedade veículo efêmera; h) Em primeiro lugar porque a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES não teve sua existência limitada a um dia, semana ou um mês. Depois de cumprir seu papel fundamental na operação teve uma vida duradoura, respectivamente, de 9 meses até sua incorporação em 31/12/2008; i) Em segudo, porque no caso específico da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, além de atuar como adquirente da participação no capital social da impugante e da GUERRA PARTICIPAÇÕES, celebrando o instrumento de compra e venda e todos os demais atos pertinentes à operação, exerceu plenamente o direito de voto em pelo menos 15 Assembleias Gerais convocadas pela diretoria da impugnante; j) Com efeito, nesses 9 meses de existência não só votou nas Assembleias Gerais de 09/06/2008; 16/06/2008; 18/06/2008; 18/07/2008; 30/07/2008; 31/07/2008; 01/09/2008; 30/09/2008; 28/11/2008; 05/12/2008; 10/12/2008; 10/12/2008; 29/12/2008; 31/12/2008, mas também celebrou contratos com a impugnante e submeteuse a diversar obrigações de natureza fiscal, principal e acessória, tanto na qualidade de responsável tributária, quanto na qualidade de sujeito passivo da obrigação; k) Há ainda que se ponderar que a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES e TOLSTOI INVESTIMENTOS passaram a integrar o grupo NATIXIS e DEG às vésperas da aquisição. Sob este viés, se levada a “ferro e fogo” a argumentação fiscal, por dedução lógica, nem mesmo a TOLSTOI INVESTIMENTOS poderia ser rotulada como real adquirente do controle da impugnante, haja vista que os recursos necessários para o financiamento da atividade de holding provieram do NATIXIS e DEG. Ou seja, sob esse prisma, TOLSTOI INVESTIMENTOS também seria uma sociedade veículo sem propósito negocial; l) O argumento do fisco acerca da simulação, dolo ou fraude não passa de um estratagema para manifestar sua indignação quanto aos efeitos fiscais que, naturalmente, originaramse da legislação tributária, que autorizam a dedutibilidade do ágio pago na aquisição de participação societária quando há junção do patrimônio da controlada (investida) com o da controladora (investidora) e vice versa; Da Incorporação da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES a) Após a conclusão da aquisição do controle acionário da impugnante e da sua então controladora Guerra Participações, NATIXIS e DEG passaram a “arrumar a casa”, mediante implementação de diversas ações de profissionalização da gestão das empresas integrantes do Grupo Guerra; b) Nesse contexto, em 30/09/2008, a TOLSTOI PARTICIPAÇÕES aprovou a incorporação pela impugnante do acervo patrimonial da GUERRA PARTICIPAÇÕES, antiga holding de controle da família GUERRA e, em 31/12/2008, a TOLSTOI INVESTIMENTOS aprovou a incorporação pela impugnante do acervo patrimonial da TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, restando, dessa forma, um única holding de controle da impugnante; c) Embora avaliada a hipótese, tanto a NATIXIS quanto a DEG entenderam por bem não autorizar a incorporação da TOLSTOI INVESTIMENTOS, tendo em vista a existência de endividamento (empréstimo) com o DEG; Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.259 21 d) Caso a hipótese aventada fosse concretizada, todo o endividamento da TOLSTOI INVESTIMENTOS seria assumido pela impugnante, o que na visão do NATIXIS e DEG poderia gerar um efeito indesejado no âmbito financeiro e de balanço patrimonial da impugnante; e) Há previsão para a incorporação às avessas; f) Não se furta a impugnante da afirmação de que a incorporação de TOLSTOI PARTICIPAÇÕES justificouse, sim, pela faculdade da legislação fiscal de utilização do benefício fiscal pelo período mínimo de 5 anos do ágio incorrido na aquisição da impugnante fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, cuja condições é exatamente a incorporação da pessoa jurídica detentora do ágio fundamentado em rentabilidade futura pela pessoa jurídica que efetivamente gera a referida rentabilidade e viceversa; Da inaplicabilidade da multa de ofício A multa de ofício deve ser cancelada, tendo em vista que a impugnante agiu em conformidade com a orientação jurisprudencial firmada anteriormente, razão pela qual não pode sofrer qualquer punição. Da inaplicabilidade da multa qualificada a) A operação realizada foi devidamente comunicada ao CADE e por ele aprovado, tanto no primeiro momento, quando da celebração do Instrumento de Compra e Venda pela TOLSTOI PARTICIPAÇÕES, como em momento posterior, quando da entrada no DEG no negócio; b) De forma alguma houve dolo na operação; Da improcedência aplicação concomitante de multa isolada com multa de ofício e em valor superior ao valor apurado após o encerramento do exercício a) Houve a imposição de pena duplamente sobre o mesmo fato; b) A jurisprudência do CARF se posiciona contra tal imposição; c) A multa deverá ser cancelada; Do erro da apuração da multa isolada a) Com relação aos anoscalendário de 2010 e 2013, após a recomposição das estimativas mensais das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, por um equívoco, o Fisco aplicou a multa isolada de 50% sobre o resultado obtido a partir da subtração do IRPJ e CSLL a pagar, ora apurado por ela, versus as antecipações negativas de IRPJ e CSLL declarados pela impugnante na DIPJ; b) Ao subtrair sobre um valor negativo o fisco obteve o oposto; uma soma; Fl. 1269DF CARF MF 22 c) Abaixo a impugnante demonstra o efeito descrito na apuração da multa isolada de IRPJ e CSLL: d) Conforme demonstrado acima, o fisco, nos meses de Abril e Junho do ano de 2010 e Agosto de 2013, apurou base de cálculo para aplicação da multa isolada sobre os valores não recolhidos de IRPJ e CSLL superior àquela que seria efetivamente verificada nos respectivos meses após a recomposição das bases de cálculo de IRPJ e CSLL da impugnante; e) Como não havia IRPJ e CSLL a serem recolhidos pela impugnante nos referidos meses, deveria o fisco ter utilizado como base de cálculo da multa isolada os valores das estimativas de IRPJ e CSLL por ela apurados, ao invés de somálos àqueles suspensos pela impugnante; f) Apresentamse a seguir os quadros comparativos entre a base de cálculo da multa isolada apurada pelo fisco e a identificada pela impugnante: Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.260 23 g) Em resumo, verificase que o montante exigido a título de multa isolada pela suposta ausência de recolhimento da estimativa mensal de IRPJ e CSLL seria consideravelmente reduzido se a composição de sua base de cálculo fosse efetuada de forma correta: Mês Diferença de Multa 50% ABR/10 IRPJ 110.260,90 JUN/10 IRPJ 110.260,90 AGO/13 IRPJ 123.870,10 ABR/10 CSLL 41.038,90 JUN/10 CSLL 41.038,90 AGO/13 CSLL 44.952,10 TOTAL 471.421,80 h) A não observância pelas autoridades fiscais da sistemática de apuração das referidas estimativas mensais de IRPJ e CSLL pode implicar em incorreções na base de cálculo sobre a qual será aplicado o percentual da multa isolada em função da ausência/insuficiência de tais recolhimentos. Alega, ainda, que não se pode aplicar juros moratórios sobre a multa de ofício. (término da transcrição do relatório do acórdão da DRJ) A DRJ por meio do Acórdão 1272.619, de 06 de fevereiro de 2015, julgou procedente em parte a impugnação apresentada pela empresa, conforme a seguinte ementa: Fl. 1271DF CARF MF 24 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não está inquinado de nulidade o auto de infração lavrado por autoridade competente em consonância com a legislação de regência. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. SIMULAÇÃO. PROVA. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida, se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, tais como: a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal. DECADÊNCIA. REGRA GERAL. INAPLICABILIDADE. No caso de observância de simulação, dolo ou fraude em ação fiscal (parte final do artigo 150, § 4º), a regra geral para contagem do prazo decadência descrita na primeira parte do artigo 150, § 4º, transmudase para o artigo 173, I do mesmo diploma legal, cujo marco inicial passa a ser o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA PROPORCIONAL NO LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA COM MULTA ISOLADA. Nada impede seja exigido concomitantemente com a multa de ofício a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas, já que a interessada à época, em face das infrações constatadas, deixou de recolher os respectivos valores, conduta, portanto, típica, subsumida à norma legal constante no artigo 44, inciso II, alínea b da Lei nº 9.430/1996. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA COM O TRIBUTO. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, logo sofre a incidem juros Selic se não for paga tempestivamente. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgão colegiado, sem lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. FUNDAMENTO ECONÔMICO EM EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. TRANSAÇÃO DOS SÓCIOS COM ELES MESMOS. AUSÊNCIA DE SUBSTÂNCIA ECONÔMICA. Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.261 25 É descabida a amortização de ágio interno, com fundamento econômico em expectativa de rentabilidade futura da empresa investida, pois não é possível reconhecer uma maisvalia de um investimento quando originado de transação dos sócios com eles mesmos, haja vista a ausência de substância econômica na operação e de não resultar de um processo imparcial de valoração, num ambiente de livre mercado e de independência entre as duas companhias. AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. RECUPERAÇÃO DO VALOR PAGO ANTECIPADAMENTE POR CONTA DA EXPECTATIVA DE RENTABILIDADE FUTURA. É condição indispensável para apuração do ágio que haja sempre um preço ou custo de aquisição, ou seja, um dispêndio para se obter algo de terceiros; o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais lucros futuros, pois as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora por eles pagou antecipadamente, devendo baixar o ágio contra esses valores. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS. Pela relação de causa e efeito, aplicase ao lançamentos reflexo de CSLL, o mesmo tratamento dispensado ao de IRPJ. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Após a decisão da DRJ cuja ciência se deu via eletrônica em 19/02/2015 (efl. 981), a empresa apresentou recurso voluntário apenas em 05/05/2015 (via protocolo de efl. 1.005) e também na data de 14/05/2015 (via eletrônica conforme termo de análise de solicitação de juntada de efl. 1.167). Inicialmente, a empresa apresenta pedido de nulidade da decisão da DRJ, por não respeitar o quórum regimental mínimo necessário para julgamento. Segundo a recorrente, o julgamento na DRJ foi composto por apenas dois julgadores. Além disso, a empresa ressalva que o recurso fora apresentado tempestivamente, tendo em vista erro no acesso ao sistema do eCAC, que impossibilitou acesso, via eletrônica, de seu procurador, ao processo. Para tentar comprovar o erro técnico no sistema, juntou certificação, por tabelião, reproduzida parcialmente abaixo, de ata notarial datada de 08/04/2015, referente a "Consulta a processos digitais", conforme efls. 1.113 e 1.114: 1º) Fui encaminhada ao computador da funcionária identificada como Cleonice Monteiro Padilha; Fl. 1273DF CARF MF 26 2º) Foi efetuado pela mesma conexão por meio do cartão denominado eCPF; 3º) Após o reconhecimento do cartão, foi efetuado o acesso ao seguintes endereço eletrônico: idg.receita.fazenda.gov.br; 4º) Nesta página foi clicado no link denominado Atendimento Virtual (e CAC), o qual nos remeteu ao seguinte endereço: idg.receita.fazenda.gov.br/interface/portalecaccentrovirtualdeatendimentoao contribuinte/portalecaccentrovirtualdeatendimentoaocontribuinte; 5º) Nesta página a funcionária clicou no ícone do Centro Virtual de Atendimento, que remeteu para: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx; 6º) Novamente clicou no ícone do Certificado digital, e nele surge o quadro que solicita a introdução do código PIN, o qual foi digitado pela funcionária que acessou automaticamente o seguinte endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/defautl.aspx, no qual podese verificar na margem superior a seguinte frase: Titular do certificado: 699.280.29001 MARCELO SCHUSTER SILVA:69928029091, tratandose portanto dita consulta da pessoa física; 7º) Após foi clicado no ícone alterar perfil de acesso, o qual direcionou para: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/default.aspx#, no qual abriu uma janela, e nela foi selecionado: Procurador de pessoa jurídica CNPJ, que foi digitado pela funcionária, e então foi alterado o perfil, de acesso na página: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/default.aspx#, no qual se visualiza na margem superior que aparece: Titular do certificado: 699.280.29001 MARCELO SCHUSTER SILVA:69928029091, tratandose portanto dita consulta da pessoa física, e, abaixo: Procurador de 88.665.146/000105 Guerra S.A IMPLEMENTOS RODOVIÁRIOS; 8º) Clicado pela funcionária no link Consulta a Processo Digital, a página remete ao endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/Aplicacao.aspx?id=00051&origem=destaqu e, e a página fica inoperante; 9º) Nesta página foi clicado novamente no ícone ecac Centro Virtual de Atendimento, no link Consulta Pendências Situação Fiscal Relatório Complementar, remete imediatamente ao endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/Apklicacao.aspx?id=OOI01&origem=mais acessados." (g.n.) A PGFN apresentou contrarrazões ao recurso voluntário em que pede, primeiramente, pelo não reconhecimento do recurso voluntário, por sua intempestividade, e, se vencida neste proposta, pede pela manutenção integral do auto de infração. No CARF, coube a mim a relatoria do processo. É o relatório. Voto Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.262 27 Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Relator Nulidade Quórum mínimo na DRJ A recorrente alega que não foi respeitado o quórum mínimo de 3 (três) julgadores para julgar o processo de 1ª instância, conforme se observa no acórdão 1272.619 4ª Turma da DRJ/RJ1, da sessão de 06 de fevereiro de 2015. Invoca, para tanto, violação ao §6º do art. 4º da Portaria MF nº 341, de 12 de julho de 2011. Vejase o que traz a redação legal: § 6º O Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento pode designar julgador ad hoc para participar de sessão específica em Turma de julgamento, visando a garantir o quorum mínimo de 3 (três) julgadores para a realização da sessão. Verificando o acórdão da DRJ, é de constatar que participaram do julgamento 3 (três) julgadores. O julgador Gastão da Silva Canario também participou do julgamento deste processo (efl. 927), veja: c) MANTER O IRPJ no valor de R$ R$ 3.028.445,70; a CSLL no valor de R$ 1.090.240,46, acrescidos da multa de ofício qualificada de 150% e dos juros de mora. Vencido o julgador Gastão da Silva Canario que votou pela aplicação da multa de ofício de 75%; (negritei) Mais abaixo (na mesma efl. 927), consta a seguinte informação: Assinado Digitalmente Andréa Duek Simantob Presidente e Relatora Participou também do presente a julgadora Nair Castaño Martinez Borges. Ausentes justificadamente os julgadores William da Silva Siqueira e Eduardo Araujo da Rocha Leão. Como visto, o julgador Gastão da Silva Canario participou do julgamento deste processo, juntamente com os demais julgadores: Andréa Duek Simantob presidente de turma e relatora e Nair Castaño Martinez Borges. Assim, respeitado o quórum mínimo necessário ao julgamento do processo em primeiro grau, devese afastar a arguição de sua nulidade. Desta forma, passo a analisar a tempestividade do recurso voluntário. Tempestividade Como visto no relatório deste acórdão, o recurso voluntário foi apresentado intempestivamente. Fl. 1275DF CARF MF 28 A ciência do acórdão da DRJ à recorrente se deu via eletrônica em 19/02/2015 (efl. 981), conforme se pode observar do Termo de Ciência por Abertura de Documento, reproduzido abaixo: TERMO DE CIÊNCIA POR ABERTURA DE MENSAGEM COMUNICADO O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal na data de 19/02/2015 16:33:45, ciência esta realizada por seu procurador 699.280.29091 MARCELO SCHUSTER DA SILVA. Data do registro do documento na Caixa Postal: 12/02/2015 09:47:34 Acórdão de Impugnação Intimação de Resultado de Julgamento Darf DATA DE EMISSÃO : 20/02/2015 Logo, o início do prazo para interposição de recurso voluntário se deu em 20/02/2015 (sextafeira dia útil). O caput do art. 33 determina o prazo para interposição de recurso voluntário: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Da redação do dispositivo acima, vêse que o recurso voluntário deveria ter sido protocolado até a data de 23/03/2015 (segundafeira), pois seria o primeiro dia útil após o encerramento do prazo de 30 (trinta) dias, que seria em 21/03/2015 (sábado). Uma vez que o recurso voluntário proposto pela recorrente foi apresentado em 05/05/2015 (conforme protocolo de efl. 1.005), ou em 14/05/2015 (via eletrônica conforme termo de análise de solicitação de juntada de efl. 1.167) temse que, por ambas as datas, o recurso voluntário foi proposto intempestivamente. E, mesmo que a ciência via eletrônica tivesse se dado no prazo de 15 (quinze) dias contados após da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo (ciência ficta), a empresa também teria protocolado o recurso intempestivamente. Isto porque a Receita disponibilizou a intimação do resultado do julgamento da DRJ na data de 12/02/2015 quintafeira (efl. 980) e, uma vez que o prazo inicial para interposição do recurso voluntário se daria na data de 27/02/2015 (quinze dias após 12/02/2015), a empresa deveria protocolar o recurso voluntário até a data de 31/03/2015 (trinta dias após a ciência), o que também não ocorreu. A recorrente alegou que tomara ciência do acórdão da DRJ em 06/04/2015. Para afastar o não conhecimento do recurso voluntário pela intempestividade, alega que o sistema da RFB apresentou falhas, que impediramna de ter acesso ao processo em questão, apresentando, para comprovar suas alegações, documento firmado por tabelião. Entretanto, o referido documento não comprova que a empresa estava impossibilitada de acessar os sistemas da RFB durante o período em que poderia apresentar o recurso voluntário. Como visto, o fato que ensejou a constatação do tabelião ocorreu na data de Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 11020.722803/201419 Acórdão n.º 1401002.106 S1C4T1 Fl. 1.263 29 08/04/2015, sendo que a empresa teve todo o período de 20/02/2015 sextafeira (um dia após a data da ciência do acórdão da DRJ) até a data de 23/03/2015 segundafeira, que é a data final para apresentação do recurso, para acessar o documento, o que torna inviável o pedido da recorrente. Ou seja, na data em que se constatou suposto erro no acesso do sistema da Receita Federal (08/04/2015), o prazo para interposição do recurso voluntário já havia sido atingido. Assim, a decisão a quo deve ser mantida na íntegra. Conclusão Diante do exposto, voto por REJEITAR o pedido de nulidade da decisão da DRJ, e voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por sua intempestividade. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 1277DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.726715/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011
EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002.
DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE
LANÇAMENTO.
A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de
lançamento.
Numero da decisão: 3302-004.908
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011 EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/06/2011 EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Paulo Guilherme Dèrouléde - Presidente (assinatura digital) Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária ubro de 2017 ubro de 2017 Contribuição para o PIS/Pasep Contribuição para o PIS/Pasep FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL VISE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA. VISE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA. AA Fl. 711DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Dèrouléde (Presidente), Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Prado. Relatório Submete-se a apreciação deste Colegiado o Recurso de Ofício em tela, em obediência aos ditames do art. 34 do Decreto n. 70.235/1972, e as alterações introduzidas pela Lei n. 9.532/1997, e Portaria MF n. 63, de 09/02/20171, uma vez que a decisão proferida pela 14ª Turma da Delegacia de Julgamentos de Ribeirão Preto resultou na exoneração de R$ 3.223.160,06 equivalentes em créditos tributários. Trata-se de auto de infração lançado em decorrência da falta/insuficiência de recolhimento de PIS/Pasep no período de julho/2006 a junho/2011. O Termo de Constatação Fiscal, fls. 330/340, relata que o auto de infração decorre de Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte em 1997, visando eximir-se do recolhimento do PIS previsto na Medida Provisória n° 1.212 de 28/11/95 e suas reedições. Após decisão transitada em julgado em favor da União, a contribuinte foi intimada a comprovar a apuração e o recolhimento de PIS de junho de 2006 a julho de 2010, sendo constatada a correta apuração das bases de cálculo da contribuição e a prática de ajustes diminuindo o PIS a recolher, a título de retenções na fonte e compensações, que não foram comprovados nas respostas às intimações feitas. Visando apurar a existência das retenções, a autoridade fiscal levantou nas bases de dados da RFB as DIRFs existentes com informações de retenção de PIS sob os códigos 5952, 5979 e 6190 sobre pagamentos efetuados à contribuinte. Considerando essas retenções comprovadas, calculou os valores a serem lançados de ofício. A autoridade fiscal apurou o faturamento da contribuinte escriturado em seus livros contábeis e fiscais; sobre esse faturamento calculou o PIS à alíquota de 0,65% (do regime cumulativo); do PIS calculado deduziu os valores do PIS retido na fonte que levantou e também os valores efetivamente recolhidos em DARF pela contribuinte. A diferença encontrada foi considerada como PIS devido e não recolhido e lançada de ofício com fundamento legal nos art.s 1° e 3° da LC n.07/70 e nos art.s 2°, I, "a" e § único, 3°, 10, 22 e 51 do Decreto n° 4.524/02, que regulamentou a Contribuição para o PIS/Pasep e a COFINS devidas pelas pessoas jurídicas em geral, anteriormente à previsão legal do regime da não- cumulatividade. Foi lançado PIS no valor de R$ 3.527.846,10, acrescido de multa de ofício de 75% (R$ 2.645.884,33) e de juros de mora calculados até 30/04/2012 (R$ 1.033.199,40). A contribuinte tomou ciência do auto de infração em 31/05/2012 e em 29/06/2012 apresentou a impugnação, de fls. 377/404, alegando que havia comprovado todas 1 Art. 1º. O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). Fl. 712DF CARF MF Processo nº 12448.726715/2012-68 Acórdão n.º 3302-004.908 S3-C3T2 Fl. 712 3 as retenções de PIS na fonte através dos Dacon do período autuado, sendo, por isso, improcedente o lançamento que considerou válida apenas parte das retenções. Que também havia comprovado todos os valores de PIS compensados por PER/Dcomps, sendo que tais valores não poderiam ter sido lançados de ofício enquanto não definitivamente analisadas as compensações, uma vez que os créditos estariam com a exigibilidade suspensa até sua homologação ou não-homologação. Diz a impugnante ser descabida a aplicação de multa de ofício sobre os valores lançados, já que se encontravam declarados em DCTF. Por fim, alega que não poderiam ser exigidos juros de mora corrigidos pela taxa Selic, por tratar-se de taxa de cálculo de juros remuneratórios dos Títulos da Dívida Pública e não de juros moratórios, previstos no art. 161 do CTN. em 1% ao mês, só podendo ser superior a isto por disposição expressa em lei. A aplicação da Selic ainda feriria o princípio da segurança jurídica por ser ditada pelo credor - a União Federal - à sua conveniência e feriria o inciso v do art. 97 do CTN, por não ter sido criada por lei, mas pela Resolução n° 1.124/86 do Conselho Monetário Nacional. Encaminhados os autos para julgamento, em 12/08/2013, propôs-se a conversão do processo em diligência, pela Resolução n° 1.753 da 14a Turma da DRJ/RPO, retornando os autos à DRF de origem para verificação da existência de filiais da contribuinte, de retenções de PIS sobre pagamentos às filiais, de débitos de PIS compensados por Dcomps e informados nas DCTFs do período e, se fosse o caso, para recalculo das diferenças de PIS a pagar. Realizada a diligência, deu-se ciência à contribuinte por via postal em 28/11/2013, reabrindo o prazo para sua manifestação, o que não ocorreu. Retornados os autos a esta DRJ/RPO verificou-se que o relatório da diligência efetuada sugeria o agravamento dos valores a serem lançados, principalmente por considerar que a contribuinte deveria se submeter ao cálculo do PIS à alíquota de 1,65%, e não de 0,65% como aplicado no auto de infração, além de considerar em alguns meses (mar/09, abr/09, out/09, mai/10 e jul/10) base de cálculo maior que a apurada no auto de infração. Não obstante, o relatório da diligência trouxe o levantamento de cinco filiais da contribuinte e das retenções de PIS na fonte sobre seus recebimentos (cujas informações estavam disponíveis nas bases da RFB) e considerou os efeitos extintivos do débito fiscal nas compensações informadas por Dcomps e nas DCTFs do período. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada parcialmente procedente pela instância de origem, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 AUTO DE INFRAÇÃO. ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL. CORREÇÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE Fl. 713DF CARF MF 4 É possível a correção de ofício de eventuais erros na capitulação legal da autuação descrita no auto de infração, sem que isso implique em nulidade do lançamento lavrado. Ainda mais quando os fatos apurados na ação fiscal e o fundamento legal da autuação são corretamente indicados no Termo de Constatação Fiscal. EMPRESA DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA. PIS CUMULATIVO. As empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COBRANÇA PRESCINDE DE LANÇAMENTO. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Havendo não homologação da compensação, o débito confessado é motivo de cobrança e não de lançamento. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. RETENÇÃO NA FONTE NÃO COMPROVADA. Apuradas diferenças de valores referentes a retenções na fonte não comprovadas, restando, portanto, tributo declarado/recolhido a menor, é cabível a aplicação de penalidade prevista no inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/1996. TAXA SELIC. APLICAÇÃO PARA CÁLCULO DOS JUROS DE MORA. O Art. 161, § 1°, do CTN estatui que a lei pode dispor sobre juros de mora adotando outro percentual que não o de 1% ao mês. A exigência dos jurosde mora com base na taxa SELIC está determinada na Lei n° 9.065/1995, art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A contribuinte não apresentou recurso sobre a parte do crédito tributário que foi mantido. Fl. 714DF CARF MF Processo nº 12448.726715/2012-68 Acórdão n.º 3302-004.908 S3-C3T2 Fl. 713 5 Por força do que dispõe o art. 34 do Decreto n. 70.235/1972, e as alterações introduzidas pela Lei n. 9.532/1997, e Portaria MF n. 63, de 09/02/2017, os autos deste processo administrativo em tela ascenderam a este Conselho É o relatório. Voto Conselheira Relatora Lenisa Prado O auto de infração foi lavrado porque constatou-se a falta/insuficiência de recolhimento do PIS incidente no regime cumulativo. Assim foi registrada a conclusão do fiscal: "As planilhas anexas apresentam, por período de apuração, o faturamento escriturado, sobre o qual foi aplicada a alíquota de 0,65% resultando nos valores de PIS calculado, assim como a soma das retenções declaradas em DIRF com os códigos mencionados acima e o PIS comprovadamente informado recolhido pelo contribuinte, para, por diferença entre o PIS calculado e a soma do PIS retido com o PIS recolhido, demonstrar o PIS a pagar apurado, que configura, obrigatoriamente, o PIS devido e não recolhido, a ser lançado e cobrado de ofício, através do Auto de Infração, na forma do disposto nos art. 1º e 3º da Lei Complementar n. 07/70 e art. 2º, inciso I, alínea "a" e parágrafo único, 3º, 10,22 e 51 do Decreto n. 4.524/02, aplicada a multa de 75% e os juros de mora" (fl. 331). Em 12/08/2013, a 14ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto decidiu por converter o julgamento da impugnação em diligência para que fossem apurados os seguintes quesitos: "1) Seja verificada a existência de filiais da contribuinte. 2) Seja verificada a existência de DIRFs informando retenções de PIS sobre pagamentos feitos às filiais da contribuinte. 3) Sejam verificadas as DCTFs da contribuinte, para que sejam considerados os efeitos das DCOMPs informadas. 4) Sejam refeitas as planilhas de apuração mensal dos valores do PIS a recolher, do período de julho de 2006 a junho de 2011, considerando todas as retenções de PIS na fonte tendo como beneficiários a matriz e as filiais da contribuinte, e os valores totais dos débitos confessados em DCTF, incluindo tanto quitados por compensações quanto por recolhimentos em DARF. 5) Que sejam juntados aos autos os documentos verificados e as planilhas produzidas na diligência". (Resolução n. 1.753, às folhas 433 a 437 dos autos eletrônicos) Fl. 715DF CARF MF 6 Em resposta a diligência ordenada, a autoridade preparadora apresentou várias planilhas em que organiza as informações obtidas 2. Dentre elas, a autoridade considera que o PIS é devido à 1,65%, por considerar que a contribuinte está submetida ao regime não cumulativo (item c da folha 446). Esclarece que: "Com efeito, podemos verificar nas 'Telas do Sistema CNPJ' (Anexo 1) que, por um lado, o contribuinte é tributado pelo Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ com base no Lucro Real e que, pelo outra lado, a receita decorrente de sua atividade econômica (CANAE 8011-1-01 Atividades de Vigilância e Segurança Privada) não está contemplada dentre aquelas que lhe permitiriam a manutenção do regime cumulativo de cobrança de PIS, conforme preconiza a Lei n. 10.637, de 30 de dezembro de 2002". Outro ponto que merece destaque é que o fiscal não considera os pagamentos realizados pelo contribuinte através das compensações, apesar de reconhecer que esta é uma forma legítima de extinção do crédito tributário: "g) Coluna 'Total do PIS à Pagar' - é a diferença apurada entre o valor do PIS devido, apurado através das aplicações da alíquota de 1,65% menos os valores das retenções efetuadas pelos clientes do contribuinte (declarantes do DIRF) e dos débitos por ele declarados em DCTF. (...) Portanto, nesta linha de raciocínio, não há que se falar em formas de extinção do crédito tributário, ou seja, não importa, no presente caso, se a extinção do correspondente crédito tributário (débitos em DCTF) tenha se dado através de pagamento (DARF) ou compensação (PER/DCOMP)" (fl. 447) A instância de origem exonerou parte dos créditos tributários objeto do auto de infração3, em síntese, pelos seguintes motivos: 1) A autuação se deu, em parte, porque interpretou-se que a contribuinte estaria submetida ao regime não-cumulativo de apuração das contribuições sociais. A Relatora do acórdão recorrido corrige esta assertiva ao esclarecer que: "Cabe-nos dizer que as empresas de vigilância e segurança, referidas na Lei 7.102/83, mesmo que optem pelo Lucro Real, devem apurar PIS e Cofins pela sistemática cumulativa, ou seja, com base nos percentuais de, respectivamente, 0,65% e 3,0% sobre a receita bruta, sem o aproveitamento de créditos, conforme determinam os 2 Documento acostado às folhas 441 a 448 dos autos eletrônicos. 3 "De todo o exposto voto por considerar a impugnação procedente em parte, reformando os valores da contribuição lançados no auto de infração, exonerando crédito tributário no total de R$ 3.223.160,06 e mantendo crédito tributário no total de 304.686,04, em decorrência da consideração nos cálculos: a) dos efeitos das compensações declaradas; b) dos valores de PIS retidos na fonte sobre pagamentos feitos às filiais da contribuinte, informados nas DIRFs entregues pelas fontes pagadoras à RFB. Fl. 716DF CARF MF Processo nº 12448.726715/2012-68 Acórdão n.º 3302-004.908 S3-C3T2 Fl. 714 7 incisos I, do art. 10 da Lei n° 10.833/2003 e I, do art. 8° da Lei n° 10.637/2002". Razão assiste ao pronunciamento da julgadora da instância de origem. Isso porque a Lei n. 7.102/1983 disciplina o funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores, que é a atividade precípua da contribuinte. E o artigo 8º da Lei n. 10.637/2002 expressamente determina que as pessoas jurídicas referidas na Lei n. 7.102/1983 "permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º ao 6º". Portanto, ao contrário do que defende a autoridade autuante, a contribuinte é submetida ao regime cumulativo das contribuições e, por esse motivo, deve recolher o PIS à base de 0,65%. 2) Na oportunidade da lavratura do auto não foram consideradas as compensações realizadas pela contribuinte via DCOMPs. Segue trecho do acórdão combatido: "Como sabido, a compensação, assim como o pagamento, são modos de extinção do crédito tributário conforme previsto no art. 156, incisos I e II, do CTN, ainda que a compensação seja feita sob condição resolutória. A Dcomp surgiu como instrumento da compensação tributária a partir da redação dada pela Lei n° 10.637/2002 ao art. 74 da Lei n° 9.430/96. Com o a Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, a Dcomp passou a ser instrumento de confissão de dívida. Seu art. 17 acrescentou ao art. 74 da Lei n° 9430, de 27 de dezembro de 1996, o § 6° cuja redação segue transcrita: '§ 6° A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.' Assim, as compensações, informadas nas Dcomps entregues anteriormente à ação fiscal deveriam ter sido consideradas na apuração de eventual falta de recolhimento. Analisando as DCTFs do período vê-se que essas trazem as informações sobre as DCOMPs utilizadas para 'quitar' débitos de PIS em vários períodos de apuração. Caso não homologadas as DCOMPs, o débito já foi confessado, não havendo necessidade de lançá-lo novamente em auto de infração, bastando sua cobrança". Diante do equívoco perpetrado na autuação, a Relatora da impugnação diligentemente apresentou planilha onde apresenta novos cálculos considerando os seguintes fatores: a) Base de Cálculo: é a apurada pela auditoria nos registros contábeis da impugnante; b) PIS devido: foi calculado à alíquota de 0,65%, de incidência cumulativa; Fl. 717DF CARF MF 8 c) PIS retido na fonte: retenções sobre pagamentos feitos à matriz e filiais da contribuinte. Informações existentes nas bases da RFB, conforme DIRFs das fontes pagadoras; d) PIS declarado em DCTF: considerando os efeitos das Dcomps informadas; e) PIS a lançar no auto de infração: "b" - "c" - "d" = "e" Período Apuração Base de Cálculo PIS devido PIS retido na fonte PIS declarado em DCTF PIS a lançar no auto de infração jul/06 7.713.020,58 50.134,63 39.153,46 7.429,01 3.552,16 ago/06 7.749.157,39 50.369,52 42.541,65 5.547,13 2.280,74 set/06 7.726. 573,22 50.222,73 39.163,99 9.677,88 1.380,86 out/06 7.360.674,59 47.844,33 37.503,37 9.321,86 1.019,15 nov/06 7.298.880,94 47.442,73 36.595,64 9.702,32 1.144,77 dez/06 8.090.551,89 52.588,59 39.079,93 14.009,27 ---- jan/07 7.987.401,11 51.918,11 38.019,75 13.898,36 fev/07 8.280.446,77 53.822,90 41.710,84 12.112,06 mar/07 9.179.859,75 59.669,09 43.314,10 16.354,99 abr/07 9.862.299.77 64.104,95 45.353.83 18.751.12 mai/07 9.964.141,10 64.766,92 62.103,48 2.663,44 jun/07 10.101.323,67 65.658,60 42.133,94 23.524,66 jul/07 10.067.044,54 65.435.79 61.712.19 458.96 3.264.64 ago/07 10.476.917,30 68.099,96 53.380,01 13.824,95 895,00 set/07 9.886.026,41 64.259,17 49.886,50 12.501,37 1.871,30 out/07 10.150.637.16 65.979.14 58.665.22 5.103.20 2.210.72 nov/07 9.845.298,90 63.994,44 50.910,56 11.936,95 1.146,93 dez/07 9.746.720,91 63.353,69 54.752,01 7.445,19 1.156,49 jan/08 9.888.695,37 64.276,52 51.540,24 12.736,28 fev/08 10.510.821,83 68.320,34 54.923,53 13.396,81 mar/08 10.184.658,61 66.200,28 57.604,76 8.595,52 abr/08 10.418.627,92 67.721,08 58.640,21 9.080,87 mai/08 10.264.294,39 66.717,91 57.136,49 9.581,42 jun/08 10.992.297,99 71.449,94 58.739,37 12.710,57 jul/08 11.202.766,48 72.817,98 66.465,06 5.409,80 943,12 ago/08 10.303.148,79 66.970,47 54.458,83 7.940,75 4.570,89 set/08 10.031.576,68 65.205,25 58.689,24 5.172,90 1.343,11 out/08 10.646.514,79 69.202,35 58.545,68 7.871,03 2.785,64 nov/08 10.361.806,14 67.351,74 54.043,69 10.362,79 2.945,26 dez/08 10.864.693,78 70.620,51 65.007,82 4.049,86 1.562,83 jan/09 10.620.990,51 69.036,44 57.709,29 9.179,80 2.147,35 Fl. 718DF CARF MF Processo nº 12448.726715/2012-68 Acórdão n.º 3302-004.908 S3-C3T2 Fl. 715 9 fev/09 10.689.358,71 69.480,83 50.356,38 15.636,71 3.487,74 mar/09 12.193.545,13 79.258,04 63.839,20 13.716,24 1.702,60 abr/09 12.584.264,98 81.797,72 66.689,69 11.942,65 3.165,38 mai/09 12.475.180,06 81.088,67 79.840,97 961,63 286,07 jun/09 11.927.075,20 77.525,99 73.048,13 8.106,48 - jul/09 12.069.292,58 78.450,40 63.006,33 13.309,90 2.134,17 ago/09 12.500.664,36 81.254,32 69.302,40 11.384,13 567,79 set/09 12.225.089,80 79.463,08 70.268,18 6.376,30 2.818,60 out/09 11.946.777,76 77.654,06 60.948,18 15.161,65 1.544,23 nov/09 12.866.839,72 83.634,46 67.863,92 11.977,86 3.792,68 dez/09 12.304.385,08 79.978,50 69.232,22 8.313,84 2.432,44 jan/10 11.761.325,19 76.448,61 61.846,77 9.035,34 5.566,50 fev/10 11.808.736,48 76.756,79 55.056,49 17.132,76 4.567,54 mar/10 12.392.887,13 80.553,77 67.537,07 5.429,98 7.586,72 abr/10 11.294.457.96 73.413.98 57.331.95 12.954,06 3.127.97 mai/10 11.707.073.13 76.095.98 56.540.64 17.559,77 1.995.57 jun/10 14.281.674,43 92.830.88 58.521.85 24.386.07 9.922.96 jul/10 12.485.228.71 81.153.99 84.172.10 85.34 - ago/10 12.555.621.50 81.611.54 56.806.39 9.978.23 14.826.92 set/10 11.761.521,45 76449,89 65.164,97 4.282,08 7.002,84 out/10 12.210.647,56 79.369,21 53.439,55 18.885,80 7.043,86 nov/10 12.294.431,29 79.913,80 61.442,89 10437,35 8.033,56 dez/10 12.595.965,30 81.873,77 68.320,18 9.177,56 4.376,03 jan/11 11.191.046,13 72.741,80 57.620,54 12450,39 2.670,87 fev/11 10.841.936,43 70.472,59 52.084,84 15.378,10 3.009,65 mar/11 11.060.274,69 71.891,79 54.307,72 10.768,44 6.815,63 abr/11 9.926.934,19 64.525,07 56.875,13 2.920,55 4.729,39 mai/11 9.636.673,27 62.638,38 54.185,05 6.602,06 1.851,27 jun/11 12.336.890,47 80.189,79 52.397,96 28.303,95 - Total R$ 304.686,04 E de outra forma não poderia ter concluído a turma julgadora, já que o artigo 156 do Código Tributário Nacional trás em seu inciso II a compensação como meio hábil para extinção do crédito tributário. E, como bem demonstrado pela relatora em seu voto, a DCOMP é o mecanismo próprio para efetivar a compensação pretendida. Por tudo que foi exposto, não vislumbro motivos para reformar a decisão recorrida, de modo que voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 719DF CARF MF 10 Lenisa Prado - Relatora (assinatura digital) Fl. 720DF CARF MF
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Numero do processo: 10835.901990/2009-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 19 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos.
SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217.
Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindo-se as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'."
Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002.
A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
Numero da decisão: 1401-002.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. Recorrente CENTRO PRUDENTINO DE IMAGEM S/S LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente. Se o contribuinte apresenta DCTF contendo tributos a pagar e depois a retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. SERVIÇOS HOSPITALARES. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAIS DE PRESUNÇÃO. ALÍQUOTAS REDUZIDAS. REPETITIVO STJ TEMA 217. Conforme a tese firmada no Tema 217 Repetitivo do STJ, "A expressão serviços hospitalares, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'." Matéria que não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 90 19 90 /2 00 9- 82 Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Livia De Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin. Relatório Tratase PER/DCOMP em que o contribuinte pretende compensar débitos de CSLL, PIS e COFINS com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. O despacho decisório não homologou a compensação ante a constatação de que o pagamento indicado pelo contribuinte foi integralmente utilizado para quitação de débitos de sua responsabilidade, não restando crédito disponível para compensação. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi assim julgada pela DRJ: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 14/03/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimado em 20 de dezembro de 2012 (fl. 105), apresentou recurso voluntário em 21 de janeiro de 2013 (fl. 107), alegando, em síntese: Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 4 3 Preliminarmente: que resposta a consulta por ele apresentada lhe confere o direito à utilização dos percentuais de 8% e 12%, respectivamente, para apuração do IRPJ e CSLL, na medida em que se enquadra como empresa prestadora de serviços hospitalares; que demonstrou que o crédito utilizado na compensação é oriundo do pagamento indevido correspondente a quota do IRPJ, cuja declaração foi retificada tendo em vista a resposta da consulta. Nesse sentido, comprovou que o apontamento do débito pela Autoridade Fiscal não levou em consideração a retificação da DIPJ, a qual foi alterada gerando respectivo crédito. que por ocasião da manifestação de inconformidade juntou aos autos cópia do CNPJ, contrato social, solução de consulta SRRF/8ª RF/DISIT nº 466, de 15 de dezembro de 2008; PER/DCOMP; DIPJ; DCTF e os comprovantes de pagamento indevido, e sustenta que tais documentos são hábeis e suficientes para demonstrar que exerce atividade de prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos, na medida em que (i) o seu objeto social está circunscrito, pura e simplesmente, no exercício das referidas atividades; (ii) no seu CNPJ estão cadastrados os seguintes CNAES: 86.40299 Atividades de serviços de complementação diagnóstica e terapêutica não especificadas anteriormente; 86.40206 Serviços de ressonância magnética; 86.40204 Serviços de tomografia; 86.40 205 Serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante, exceto tomografia; 86.40207 Serviços de diagnóstico por imagem sem uso de radiação ionizante, exceto ressonância magnética; (iii) sua DIPJ revela que toda a receita operacional percebida pela Recorrente tem sua origem única e exclusivamente na prestação de serviços de radiologia e radiodiagnósticos. que, não obstante, a documentação acima foi considerada insuficiente pela DRJ, do que resta configurada a hipótese do artigo 16 do Decreto 70.235/72, que lhe autoriza a juntada de documentação complementar para contrapor os argumentos dessa decisão, qual seja: declaração do contador da empresa de que a Recorrente exerce exclusivamente serviços de radiologia (142); Licença de Funcionamento da Vigilância Sanitária em que se verifica que a atividade de "serviços de diagnóstico por imagem com uso de radiação ionizante exceto tomografia" (143). Alega ter juntado ainda cópia da folha do livro razão, mas o documento não se encontra nos autos. afirma, ainda, a necessidade superveniente de realização de diligência, haja vista que "emite, em média, um número muito grande de notas fiscais por mês, o que tornaria inviável carrear aos autos todas as notas fiscais". Discorre sobre a necessidade de a autoridade administrativa na busca de efetividade nas suas decisões perquirir sempre em busca da verdade material, alegando que esta tinha por dever funcional determinar a realização de diligências para se determinar a efetiva natureza da atividade exercida pela empresa. Aponta assistente técnico para tanto. que a DRJ pretende uma prova impossível de ser produzida por meio de documentos contábeis, pois nem mesmo se a recorrente juntasse aos autos todas suas notas fiscais juntamente com todos seus registros contábeis a Autoridade Julgadora não poderia chegar à conclusão pretendida quanto à exclusiva prestação de serviços hospitalares. Sustenta, assim, que cabe à Administração Pública comprovar que a Recorrente não exerce efetivamente as atividades de serviços de radiologia e radiodiagnóstico. reitera o argumento referente à nulidade do despacho decisório pois os dispositivos legais invocados seriam inadequados para a conclusão que o Fisco pretende alcançar, vez que tratam da possibilidade de compensação entre pagamentos indevidos de imposto e débitos de imposto a pagar, em nenhum momento estabelecendo em quais condições Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 5 4 uma Declaração de Compensação apresentada por determinado contribuinte pode ser considerada como irregular, e, portanto, nãohomologável. Além disso, foram aplicados correção monetária, juros e multa, sem no entanto se invocar nenhum dispositivo legal que legitimasse tal pretensão. No mérito: afirma que uma das razões para julgar improcedente a manifestação de inconformidade foi o pretenso descumprimento do requisito: “ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil;”. Todavia, o STJ já julgou em sede de recurso repetitivo que "para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão ‘serviços hospitalares’, constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde).". Transcreve ementas de julgados do STJ e deste CARF neste sentido. sustenta que ainda que assim não se entenda, é cediço que a natureza empresária da sociedade deve ser analisada mais sob o aspecto material do que sob o aspecto formal, ou seja, é plenamente possível que uma sociedade constituída sob a forma de sociedade simples, mas que ostente todas as características de uma sociedade empresarial, seja assim considerada. por fim, sustenta que na verdade o que ocorreu foi uma presunção por parte das autoridades fiscais sem qualquer respaldo probatório, sendo certo que as provas carreadas aos autos demonstram a efetividade da existência do indébito tributário utilizado na compensação. É o relatório. Voto Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.124, de 19.10.2017, proferido no julgamento do Processo nº 10835.901284/200931. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.124): O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. No mérito, primeiramente vislumbro um equívoco quanto à premissa adotada pelo despacho decisório proferido, já que este indeferiu a compensação sob a alegação de que inexistem créditos de IRPJ em um contexto em que a DIPJ e a DCTF, tais como retificadas (em retificações ocorridas antes do despacho decisório), contemplavam tais valores. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 6 5 De fato, o Recorrente transmitiu o PER/DCOMP pleiteando a compensação dos créditos ora em análise e alega, ademais, que o direito creditório a seu favor teria sido gerado por ocasião da retificação da DIPJ e da DCTF, após o que o valor do IRPJ a pagar foi reduzido para zero. O despacho decisório que não homologou a compensação foi emitido meses depois. Assim, à época do despacho decisório, o cenário que a autoridade fiscal tinha era a de que o IRPJ "autolançado" em DCTF pelo ora Recorrente era zero e de que a DIPJ contemplava os créditos pleiteados na DCOMP. De fato, a legislação em vigor prevê que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente (art. 19 da MP 1.99026/1999, em vigor em virtude da EC 32/2001). Assim, em regra, a última declaração apresentada pelo contribuinte é a que prevalece para todos os fins. No caso, se a empresa apresenta DIPJ e DCTFs contendo tributos a pagar e depois as retifica para indicar valores zerados, a cobrança do tributo apenas pode ocorrer após a constituição do crédito tributário por meio do lançamento de ofício de tais débitos. Isso porque, no mundo jurídico, o débito de IRPJ passou a não mais existir após a transmissão das declarações retificadoras. Assim, se o fisco pretendia cobrar o IRPJ no valor tal como transmitidas a DIPJ e DCTF originais ou seja, se pretendia de alguma forma questionar as retificações deveria ter constituído o crédito tributário por meio do lançamento do tributo. Portanto, da forma como se mostra, o cenário na época da homologação das compensações em questão era de inexistência de débito (lançado ou autolançado) de IRPJ e, por consequência, de aparente existência do crédito pleiteado na compensação tal como declarado na DIPJ retificadora, devendo ser verificada apenas a regularidade de tal crédito ou seja: se os alegados pagamentos efetivamente foram efetuados (e, em se tratando de IRRF, também se os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação). Assim, a DRF deveria ter analisado o crédito pleiteado nas compensações levando em consideração que o débito de IRPJ do anocalendário constante das DIPJ e DCTF retificadoras era zero, conforme declarações retificadoras. Pois bem. Em segundo lugar, noto que a razão para negar a retificação das declarações seria a não concordância com matéria que já foi julgada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo. No caso, verificase a existência do Tema no. 217 em sede de Recurso Repetitivo do STJ, que assim dispôs sobre os serviços hospitalares sujeitos à alíquota reduzida do lucro presumido: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 7 6 Tema/Repetitivo 217 Situação do Tema Trânsito em Julgado Ramo do Direito DIREITO TRIBUTÁRIO Questão submetida a julgamento Questionase a forma de interpretação e o alcance da expressão serviços hospitalares, prevista no artigo 15, § 1º, inciso III, alínea "a", da Lei 9.429/95, para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL com base em alíquotas reduzidas. Tese Firmada Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), devendo ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. Anotações Nugep Incide o Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSSL com alíquotas reduzidas, na forma do art. 15, § 1º, III, da Lei 9.249/1995, sobre a receita proveniente da prestação de 'serviços hospitalares' (não receita bruta total da empresa), neles compreendidas as atividades de natureza hospitalar essenciais à população, independente da existência de estrutura para internação, excluídas as consultas realizadas por profissionais liberais em seus consultórios médicos. Informações Complementares "As modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95." Repercussão Geral Tema 353/STF Enquadramento de pessoas jurídicas da área de saúde na qualidade de prestadoras de serviço hospitalar para fins de obtenção do benefício de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro líquido (CSLL) e do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) com base de cálculo reduzida. Observese que o critério apresentado pelo STJ para a interpretação da Lei nº 9.249/1995 é simples e objetivo: são enquadrados como serviços hospitalares os serviços de atendimento à saúde , independentemente do local de prestação, excluindose, apenas, os serviços de simples consulta. A natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Anvisa. Vejase (grifamos): Art. 15 ... Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 8 7 III trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Observo que tal questão não pode mais ser contestada pela Receita Federal tendo em vista o disposto no § 5º do art. 19 da Lei 10.522/2002: Lei nº 10.522/02 Art. 19. Fica a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) ... V matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. § 5º As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6º (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7º Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) De fato, a matéria está na lista de temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016, publicada pela a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (disponível em http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoe normas/documentosportaria502/listadedispensade contestarerecorrerart2ovviiea7a73oa8odaportaria pgfnno5022016, acesso em 15 de outubro de 2017): "Alíquotas reduzidas Serviços hospitalares REsp 1.116.399/BA (tema nº 217 de recursos repetitivos) Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 9 8 Resumo: Para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão "serviços hospitalares", constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Para fins de redução da alíquota, devem ser considerados serviços hospitalares "aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde", de sorte que, "em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos". Ficou consignado que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. OBSERVAÇÃO: O benefício não se aplica às consultas médicas, nem mesmo quando realizadas no interior de hospitais, de modo que só abrange parcela das receitas da sociedade que decorre da prestação de serviços hospitalares propriamente ditos. Ressaltamos que o STF não reconheceu repercussão geral com relação a este tema (AI 803.140). OBSERVAÇÃO 2: Deve ser apresentada contestação e interposto recurso quando se tratar de sociedade simples, tendo se em vista a alteração introduzida pela Lei 11.718/08* no art 15, III, da Lei 9.249/95, segundo a qual a alíquota reduzida será aplicável apenas quando a prestadora de serviços for organizada sob a forma de sociedade empresária." *Nota desta Relatora: na verdade tratase da Lei 11.727/08 que estabelece alíquota de 32% para " a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)" Ante o exposto, voto por julgar procedente o recurso voluntário, determinando que a DRF analise o crédito pleiteado nas Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10835.901990/200982 Acórdão n.º 1401002.133 S1C4T1 Fl. 10 9 compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12% nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário e determino que a DRF analise o crédito pleiteado nas compensações, levando em consideração os débitos de IRPJ e CSLL constantes das DIPJs e DCTFs retificadoras apresentadas antes da emissão do despacho decisório. Considerar ainda que o IRPJ deve ser apurado conforme as alíquota de 8% e a CSLL de 12%, nos termos do Tema 217 Repetitivo do STJ, visto que a natureza do prestador (sociedade empresária) só passou a ser limitador com a alteração introduzida pela Lei 11.727/2008 no art 15, III, da Lei 9.249/1995, em vigor a partir de 1o de janeiro de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 155DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.732559/2011-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
ADESÃO A PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA INTEGRAL DO RECURSO.
A adesão a programa de parcelamento tributário implica em desistência integral do recurso voluntário, com a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta, §§ 2º e 3º do art. 78 do Regimento Interno do CARF (PortariaMFnº343/2015).
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 2401-005.113
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Ricardo Gouveia Coutinho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess.
Nome do relator: FRANCISCO RICARDO GOUVEIA COUTINHO
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DESISTÊNCIA INTEGRAL DO RECURSO. A adesão a programa de parcelamento tributário implica em desistência integral do recurso voluntário, com a renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta, §§ 2º e 3º do art. 78 do Regimento Interno do CARF (PortariaMFnº343/2015). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Rayd Santana Ferreira, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 73 25 59 /2 01 1- 37 Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 203 2 Relatório Tratase de recurso voluntário manejado em face do Acórdão 0736.630 (fls. 150/161) da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO DO CUSTO DAS AÇÕES VENDIDAS. CUSTO MÉDIO PONDERADO. O custo das ações alienadas é apurado dividindose o custo total das ações em estoque pelo número total de ações em estoque e multiplicandose o resultado encontrado pelo número das ações vendidas. GANHO DE CAPITAL. DATA DO PAGAMENTO DOS VALORES RETIDOS PARA CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO CONTRATUAL. DATA DA RESPECTIVA RETENÇÃO. Os valores retidos de pagamento pela venda participação societária são considerados como efetivamente recebidos pelo vendedor, para fins de apuração de ganho de capital, na exata data em que ocorreu a respectiva retenção. GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA. PARCELA DO PREÇO SEM VALOR DETERMINADO. A parcela do valor da operação de alienação de participação societária auferida a título de valor suplementar integra o preço de venda da participação societária e deverá ser tributada como ganho de capital quando do seu auferimento. RENDIMENTOS AUFERIDOS PELA ENTREGA DE RECURSOS A PESSOA JURÍDICA. SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA/EXCLUSIVA. Está sujeito ao Imposto de Renda, à alíquota de vinte por cento, sob a forma de tributação exclusiva/definitiva, os rendimentos auferidos pela entrega de recursos a pessoa jurídica, sob qualquer forma e a qualquer título, independentemente de ser ou não a fonte pagadora instituição autorizada a funcionar pelo Banco Central do Brasil e em operações de empréstimos em ações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O procedimento fiscal teve início em 25/07/2011 (fls. 3/5), no qual foi o sujeito passivo intimado a prestar informações e apresentar documentos relativos à alienação de participação societária na empresa Expresso Mercúrio S.A. Atendendo ao termo de intimação, juntou cópia do Contrato de compra e venda de ações da empresa citada, bem como demonstrativos de apuração do custo de aquisição, quantidade de ações e valores relativos ao imposto de renda incidente sobre o ganho de capital (fls. 6/27). O sujeito passivo foi novamente intimado a apresentar informações e documentos, Fl. 207DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 204 3 nos termos das intimações fiscais de fls 97/103. Acostou aos autos os documentos e esclarecimentos constantes da fls. 104/108. Em decorrência da ação fiscal, o Serviço de Fiscalização da DRF/POA lavrou o Auto de Infração (fls. 122/129), no qual consta o lançamento do crédito tributário no montante de R$ 84.017,47 (oitenta e quatro mil e dezessete reais e quarenta e sete centavos), correspondente a omissão de rendimentos de juros recebidos de pessoa jurídica, fato gerador 09/07/2007, e a apuração incorreta de ganhos de capital na alienação de ações/quotas não negociadas em bolsa de valores, fato gerador 09/01/2007. Reproduzo abaixo excertos do relatório fiscal (fls. 130/137) que detalha o procedimento administrativo: [...] 5. DOS PROCEDIMENTOS FISCAIS [...] 5.2 Do contrato de Compra de Ações A seguir apresentamos um resumo do referido contrato: a) Objeto do contrato: Venda de 100% das ações pelos acionistas da empresa Expresso Mercúrio S.A. à empresa TNT Brasil Participações Two Ltda., CNPJ nº 08.278.666/000118; b) Preço de Venda; Conforme estabelecida na cláusula 2.1 a compradora pagou aos vendedores a quantia de R$ 434.686.495,00 (quatrocentos e trinta e quatro milhões, seiscentos e oitenta e seis mil, quatrocentos e noventa e cinco reais) sendo o preço de aquisição alocado pro rata, de acordo com as participações acionárias dos vendedores, correspondendo ao Sr. Luiz o valor de R$ 6.440.465,00 (fls. 117) c) [...] d) Forma de pagamento: O fiscalizado recebeu em três parcelas, sendo: I Primeira parcela, recebida em 09/01/2007 constituída do preço de venda (R$ 6.440.465,00) menos a parcela retida para transição ( R$ 500.000,00), item 2.4.1 do contrato, e menos a parcela retida para contrato de fiança (R$ 449.676,00), item 7.7 do contrato, (demonstrativo fls. 117) II Segunda parcela, recebida em 07/05/2007 constituída do valor de ajuste, no valor de R$ 200.239,28 item 2.3 do contrato, (demonstrativo fls. 107); III Terceira Parcela, recebida em 09/07/2007 relativo ao pagamento da parcela retida para transição (R$ 500.000,00) mais encargos de correção monetária entre 31/10/2006 e 09/01/2007 (R$ 6.006,30) e mais acréscimos de juros entre 09/01/2007 e 09/07/2007 ( R$ 30.242,50), totalizando R$ 536.248,80 (demonstrativo de fls. 119 e 120); [...] Fl. 208DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 205 4 6. DAS INFRAÇÕES APURADAS 6.1 Ganho de Capital [...] Uma vez que a isenção de Imposto de Renda incidente sobre o ganho de apurado na venda de ações adquiridas antes de 31/12/1983 e das ações bonificadas posteriormente a esta data, mas delas decorrentes, encontram se sub judice (Processo nº 2007.71.00.0058517), existindo depósito judicial do tributo questionado, esta fiscalização procedeu a verificação da correta apuração e recolhimento do tributo devido apenas pela venda de ações adquiridas posteriormente a 31/12/1983. [...] Entre o demonstrativo elaborado pela fiscalização (fls. 115) e o quadro nº 01 do contribuinte (fls. 8 e 9) identificase as divergências que justificam as diferenças no resulta final do imposto, como sendo: a) o fiscalizado deixou de incluir no valor da alienação, que é determinante para apurar o percentual do ganho que incidirá sobre cada parcela recebida, os valores de ajuste (item 2.3 do contrato) e a correção monetária, anterior a data da alienação, sobre a parcela retida ( item 2.4.1 do contrato), e b) atribuiu integralmente às ações adquiridas a partir de 1984, sobre as quais houve o recolhimento do IR, o diferimento sobre a parcela não recebida decorrente da retenção para fiança bancária. Intimado (fls.97) a justificar por que tal diferimento foi integralmente atribuído à alienação das ações adquiridas a partir de 1984 e suas bonificações, o contribuinte respondeu (item 2 da fls. 89)" que a parcela retida foi integralmente atribuída às ações tributáveis, na medida em que o diferimento do imposto se dá sobre o valor não recebido da transação, ou seja, em face do regime de caixa; não é certo o recebimento de tais valores, de modo que, na hipótese do efetivo recebimento serão devidamente tributados". [...] 6.2 Omissão de rendimentos de juros recebidos de pessoa jurídica: [...] Nos demonstrativos de fls. 119 e 120 consta que o Sr. Luiz recebeu, em 09/07/2007, a importância de R$ 536.248,80 a título de devolução da parcela retida com encargos financeiros e juros. [...] Intimado (fls.97) a informar como foram tributados os valores dos acréscimos financeiros recebidos, co contribuinte respondeu (fls. 104) "que os valores dos acréscimos financeiros recebidos de TNT Brasil Participações Two Ltda. foram tributados na forma do art. 730, III do Fl. 209DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 206 5 regulamento do Imposto de Renda (IRRF), conforme se comprova pela guia de recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte, cujo valor corresponde a soma total do IRRF recolhido pela fonte pagadora referente a todos que receberam os referidos acréscimos". [...] Assim, após verificar que os juros recebidos juntamente com a liberação da parcela retida não foram oferecidos à tributação na declaração de ajuste anual, esta fiscalização tratou o valor de R$ 30.242,50 como rendimento tributável na Declaração de Ajuste Anual, com fundamento no art. 639 do RIR/99 e art. 19, § 3º da Instrução Normativa SRF nº 84/2001, e somou os respectivos valores à base de cálculo apurada na declaração de rendimentos. Intimado da decisão do colegiado de primeira instância em 24/02/2015 (fls. 165), por meio de procurador constituído nos autos, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 20/03/2015 (fls. 167/183). Em resumo, apresento os principais argumentos do seu recurso: a) informa que, pela leitura do relatório fiscal, o Auto de Infração foi lavrado, resumidamente, por duas razões: 1º Apuração incorreta de imposto de renda sobre o ganho de capital, na venda de ações da empresa Expresso Mercúrio S. A.; 2º Omissão de rendimentos de juros recebidos de Pessoas Jurídicas, pela venda de ações. b) Aduz que o r. acórdão recorrido, apesar de manter incólume parte do lançamento tributário, o fez por meio de fundamento diverso daquele apresentado pela Fiscalização quando da lavratura do auto de infração. c) Diz que a Turma Julgadora entendeu que a parcela cujo valor, ao menos naquele momento, era indeterminado não deve ser incluído no cálculo de apuração de ganho de capital, porém, tributado se e quando recebido, atribuindose custo zero a essa parcela. Prossegue informado que a Turma Julgadora resolveu inovar e conferir novo tratamento tributário às demais parcelas da alienação à prazo prevista no contrato, e considerálas como parte do valor à vista recebido pelo recorrente, o que desvirtuou o cálculo do ganho de capital e alterou inclusive o imposto lançado pela Fiscalização. d) Transcreve passagem do r. acórdão recorrido para concluir que não compete à Turma Julgadora promover o recálculo do imposto lançado, utilizandose de novos fundamentos para apuração do ganho de capital, sob pena de supressão de instância e claro cerceamento de defesa. Neste sentido, cita decisões do CARF. e) Como fez na impugnação, pugna pela realização de prova pericial e que o colegiado de primeira instância, ao decidir pela improcedência do pedido, restringiu seu direito de defesa, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Apresenta os seguintes quisitos: 1) apure a perícia, de acordo com o custo de aquisição apresentado pelo Recorrente em suas planilhas e com base nas informações existentes na data da assinatura do contrato de compra e venda (09.01.2007), o ganho de capital e o respectivo imposto de renda incidente; Fl. 210DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 207 6 2) diga a perícia se apuração do custo das ações alienadas através da simples utilização percentual de quantidade de ações adquiridas até 31.12.1983 e às posteriores, permite apurar corretamente o ganho de capital existente. f) Quanto a alegada incorreção da apuração do ganho de capital, aponta o recorrente que, como o fez na impugnação, a fiscalização acabou por, indiscriminada e equivocadamente, aplicar os percentuais, informados pelo recorrente, de 62,92% para as ações adquiridas até 31.12.1983 e de 37,08% para às posteriores. Afirma que a parcela recebida apenas em maio de 2007 (cláusula 2.3.1) era desconhecido à época de apuração do ganho de capital e que não era possível apurar o ganho sobre um valor incerto. Quanto a parcela sem valor determinado, cita entendimento da Solução de Consulta nº 282 Cosit, de 14/10/2014. g) ainda em relação a apuração do ganho de capital, diz que o novo fundamento trazido pelo r. acórdão recorrido se resume pela interpretação equivocada de que duas das parcelas pactuadas fariam parte da parcela inicial recebida pelo recorrente. Realça que não recebeu a parcela retida, especialmente pelo fato de que o seu recebimento estaria condicionado a materialização ou não de contingências na primeira hipótese e na segunda pelo cumprimento de determinada condição prevista em contrato. h) Declara que, em relação a correção monetária, anterior à data de alienação, sobre a parcela retida (item 2.4.1 do contrato), houve equívoco na apuração da ora Recorrente, de modo que se mostra necessário que esta Fiscalização promova o recálculo do imposto de renda sobre o ganho de capital apurado sobre esse rendimento recebido em julho de 2007. i) Ao final, requer o conhecimento do presente Recurso Voluntário, para reformar o r. Acórdão proferido pela 6ª Turma da DRJ/FNS, sendo, em preliminares, seja declarado nulo o julgado em face da inovação no fundamento e a consequente supressão de instância, cerceamento do direito de defesa e a necessidade de realização de prova pericial, e que na hipótese de não acolhimento das preliminares arguidas seja provido o recurso para cancelar o lançamento e extinção do crédito tributário. É o relatório. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 208 7 Voto Conselheiro Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia desses autos referese, basicamente, ao valor do custo de aquisição na apuração do ganho de capital na alienação de participação societária. Ocorre que, no dia 29/09/2017, sobreveio pedido de desistência, vez que o sujeito passivo aderiu ao Programa Especial de Regularização Tributária (PERT). O art. 78, § 2º e § 3º, do RICARF (2015) prescreve que o pedido de parcelamento implica em desistência do recurso pendente de julgamento, bem como configura a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável: PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015. Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso Fl. 212DF CARF MF Processo nº 11080.732559/201137 Acórdão n.º 2401005.113 S2C4T1 Fl. 209 8 pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. §5ºSe a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento,os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornando se insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Conclusão Diante disso, considerando que o processo já havia sido iniciado o julgamento em 13/09/2017, com pedido de vistas, portanto, retornando na sessão do dia 04/10/2017, voto no sentido que o presente recurso voluntário não deve ser conhecido, já que a adesão a parcelamento implica em desistência integral e renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação proposta. (assinado digitalmente) Francisco Ricardo Gouveia Coutinho Fl. 213DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002566/2010-84
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado a divergência dos resultados alcançados para situações similares e prequestionamento das matérias recorridas.
Numero da decisão: 9202-006.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL EISENMANN DO BRASIL EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado a divergência dos resultados alcançados para situações similares e prequestionamento das matérias recorridas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 66 /2 01 0- 84 Fl. 329DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração AI, DEBCAD nº 37.252.528 8, à efl. 02, no qual foram constituídos créditos referentes a contribuições dos segurados empregados, destinadas à Seguridade Social. O crédito lançado tem como fatos geradores das contribuições as parcelas de remunerações pagas aos segurados, não informadas em GFIP, em face de a empresa ter custeado vale alimentação aos seus trabalhadores sem a devida obediência à legislação. A empresa, mesmo intimada, não apresentou documento comprobatório de sua inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 21/08/2010 (efl. 68) e constituiu créditos, para as competências de 01/2005 a 12/2005, com multa e juros no valor de R$ 36.049,09, consolidados em 12/08/2010, e tem seu relatório fiscal de infração posto às efls. 46 a 50. O presente processo foi apensado ao de número 19515.002565/201030, conforme informado no termo de apensação à efl. 127, datado de 20/12/2011. O auto de infração foi impugnado, às efls. 72 a 86, em 21/09/2010. Já a 14ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 1636.237, prolatado em 23/02/2012, às efls. 128 a 142, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 23/10/2012, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 151 a 165, argumentando, em apertada síntese: · a decadência que teria alcançado os fatos geradores de janeiro a agosto de 2005, em face ao preconizado no art. 150, § 4º do CTN; Fl. 330DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 330 3 · ela estaria em consonância com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT e por isso não seria obrigada a incluir o auxílio alimentação na base de cálculo das contribuições previdenciárias; · há posicionamento judicial contrário ao entendimento do fisco de que o auxílioalimentação in natura sofra incidência das contribuições sociais; · é também descabida a aplicação do Parecer PGFN nº 2.117/2011 ao caso, pois editado posteriormente aos fatos que são objeto do auto de infração; e · doutrinadores afirmam que benefícios aos trabalhadores que não correspondam a contraprestações sinalagmáticas entre eles e as empresas não representam remuneração. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 14/08/2013, resultando no acórdão nº 2302002.667, às efls. 173 a 209, que tem as seguintes ementas: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, § 4°, DO CTN. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE VALE/CARTÕES ALIMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador na forma de vale/cartões alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos, para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. Fl. 331DF CARF MF 4 As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial à preliminar de decadência para afastar do lançamento as competências até 07/2005, em vista da homologação tácita do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, vencido o Conselheiro Relator que entendeu aplicarse o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Designado para fazer o voto divergente vencedor o Conselheiro André Luís Mársico Lombardi. No mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61, da Lei nº 9.430/96). Também no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à verba paga a título de alimentação fornecida em vales/cartão, por integrar o salário de contribuição, vencidos os Conselheiros Leo do Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda foi intimada do acórdão nº 2302002.667 e interpôs recurso especial de divergência, em 11/12/2013, às efls. 210 a 221. Em seu recurso, aponta entendimento expresso em acórdãos paradigmas de números: 2401002.453 e 920202.086, que vão de encontro ao recorrido no tocante à aplicação da retroatividade benigna às multas lançadas. Nos acórdãos paradigmas, de números: 2401002.453 e 920202.086, tratou se a matéria com o seguinte entendimento (efl. 216) : Fl. 332DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 331 5 ...em hipóteses como a dos presentes autos em que houve lançamento de ofício da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32 da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Já o Colegiado a quo, no acórdão recorrido sustenta ser desnecessária a soma da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35A da Lei nº 8.212/1991. De acordo com aquela Turma, a comparação deve ser feita separadamente. Primeiro, entre a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da norma revogada, com o novo art. 32A da Lei nº 8.212/91. Depois, entre a multa por descumprimento de obrigação principal prevista no art. 35, revogado, com o novo art. 35 na Lei n. 8212/91. Portanto, para o acórdão recorrido o art. 35A deveria ser sempre ignorado na comparação entre as multas. Por fim, requer que seja conhecido e provido o seu recurso especial para reforma do acórdão a quo a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010. O RE da Procuradora foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 222 a 226, datado de 31/05/2016, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso cumprir os demais requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte Houve encaminhamento de intimação (efl. 228) do acórdão nº 2302 002.667, do recurso especial de divergência da Fazenda e do seu despacho de admissibilidade, da qual a contribuinte teve ciência em 01/11/2016 (efl. 230). Em 09/11/2016, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Procuradoria, às efls. 298 a 304. Afirma que a aplicação de penalidades deve ser mantida conforme o recorrido, pela aplicação do princípio tempus regit actus, limitandose a multa a 75%, resultando essa a situação menos gravosa à contribuinte à luz do art. 106, inc. II, "c", do CTN, com rechaço ao disposto na IN RFB nº 1.207/210. Finaliza requerendo o recebimento de suas contrarrazões e a manutenção do benefício retroativo da multa do acórdão do recurso voluntário. RE da contribuinte Fl. 333DF CARF MF 6 Em 09/11/2016, a contribuinte também interpôs recurso especial de divergência, às efls. 233 a 242. Em seu recurso especial o representante da empresa salienta, com preliminar, que se considere alcançado pela decadência o período de apuração de janeiro a agosto de 2005, com base no art. 150, § 4º, do CTN, e não apenas até julho daquele ano, como definido no acórdão recorrido, pois teriam ocorrido pagamentos antecipados a menor. Esgrime como paradigmas os acórdãos nº 10192.642 e nº 2201002.858. Quanto ao mérito, sobre a exigência de tributação dos pagamentos de auxílio alimentação, a contribuinte afirma que cumpria os requisitos para participação do PAT desde 2001 e fora recadastrada em 01/03/2004. Aponta a divergência de entendimentos com base no acórdão nº 2401003.361, que para situação similar a sua entendeu que se deveria deduzir do montante lançado a parcela de auxílio alimentação paga in natura. Conclui requerendo que seja conhecido seu recurso especial de divergência e que ele seja provido para tornar totalmente improcedente a exigência fiscal. O recurso especial de divergência da contribuinte foi apreciado por este Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 312 a 315, datado de 30/05/2017, entendendo por darlhe seguimento, tanto em relação à preliminar quanto em relação ao mérito. Contrarrazões da Procuradoria Cientificada do recurso especial de divergência da contribuinte, a procuradoria da Fazenda Nacional a ele apresentou contrarrazões, às efls. 316 a 328, em 15/06/2017. Em breve resumo, argumenta pela não admissibilidade do recurso, relativamente à decadência, haja vista inexistir divergência, por ao menos duas razões: a) o recorrido enfrentou a questão da decadência apenas em relação à obrigação principal, enquanto o paradigma nº 2201002.858 tratava de obrigação acessória; b) tanto o acórdão a quo quanto os paradigmas, entendiam pela aplicação do art. 150, § 4º às situações fáticas, não havendo se falar em soluções divergentes. Quanto à matéria de mérito, também afirma inexistência de divergência, o que se observaria pela leitura do próprio acórdão do paradigma nº 2401003.631, que afirmava não ser possível afastar a exação do vale transporte, mas na sua ementa admitia a natureza salarial do vale, repercutindo o que fora expresso no voto da relatora. Além disso, na eventualidade de ser apreciada a segunda matéria, há que se considerar que os valores fornecidos em forma de pecúnia, inclusive desconto em folha, vale refeição e ticket aos empregados a título de auxílioalimentação integram o saláriode contribuição, já que não se enquadram como prestação in natura. O decreto nº 5/1991, que regulamenta o programa, em seu art. 4º , não inclui o pagamento em pecúnia nas modalidades de fornecimento de alimentação, independentemente da empresa estar, ou não, inscrita no programa. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 332 7 Finaliza requerendo que não seja conhecido o re da contribuinte, em razão da ausência de pressupostos de admissibilidade e, caso contrário, que seja a ele negado provimento nas matérias em discussão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Passo a analisar os recursos na ordem em que foram interpostos.. RE DA FAZENDA Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, e cumpre todos os requisitos para seu conhecimento. Mérito A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI Fl. 335DF CARF MF 8 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 336DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 333 9 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 337DF CARF MF 10 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 334 11 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Fl. 339DF CARF MF 12 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 335 13 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, há que se aplicar a de retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009 e o que se observa na apuração da multa, às efls. 15 e 16, é que foi esse o critério adotado pela fiscalização no presente processo. Por essas razões, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora, dandolhe provimento para reformar o acórdão a quo, retomando o critério utilizado no auto de infração. RE DA CONTRIBUINTE Conhecimento O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. A despeito de ter conhecido originariamente do recurso especial, em face dos argumentos da Procuradoria da Fazenda em contrarrazões, na análise agora realizada para prolação do acórdão, me vejo forçado a rever minha posição. Vejamos o porquê em cada matéria recorrida. a) Decadência De início cabe ressaltar que o paradigma nº 10192.642, trata de imposto de renda da pessoa jurídica, tributo distinto do que aqui se aprecia, contribuições sociais previdenciárias. Logo, a situação fática não pode ser considerada, de pronto, similar, ainda que a norma geral de decadência a ambos se aplique, porque a sistemática de apuração e recolhimento de cada tributo é diferente o que implica diferenças no cálculo dos prazos. Fl. 341DF CARF MF 14 Observese, ainda, que a legislação aplicada, seja pelo acórdão a quo, seja pelos paradigmas, é a mesma, o §4º do art. 150 do CTN. Isso enseja convergência na aplicação da legislação ao invés de divergência. O acórdão paradigma de nº 2201002.858, invoca de aplicação da mesma regra decadencial, tanto para o auto de infração de obrigação acessória, que era o caso lá enfrentado, quanto ao de obrigação principal, mas jamais foi essa a discussão no acórdão recorrido; nele apenas se discute se houve recolhimentos que pudessem ser homologados, independentemente do levantamento a que se refira. Além disso, o lançamento em testilha é de obrigação principal, para o qual o acórdão recorrido entendeu deverse aplicar o § 4º do art. 150 do CTN, não havendo como buscar espeque para divergência em acórdão que enfrenta lançamento de obrigação acessória que também aplicou a mesma norma no tocante à decadência. Na verdade, a contribuinte quer ver a decadência alcançar também o mês de agosto de 2005 na contagem que se fizesse com base no art. 150, § 4º, do Código, pois o acórdão a quo concluiu por atingir apenas o período de janeiro a julho daquele ano. Para que houvesse possibilidade de apreciação dessa matéria, haveria a contribuinte, ao menos, que manejar embargos de declaração no qual questionasse por que a contagem a partir da mesma norma decadencial deixou de excluir um mês (agosto/2005) dos períodos sujeitos à autuação. Se viu erro na contagem deveria indicálo claramente, questionandoo, e não buscar divergência onde não havia. Por isso, revejo minha posição e voto por não conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte nessa matéria. b) Exclusão do vale alimentação. Analisandose os acórdãos em confronto, verificase, na verdade, que tanto o paradigma quanto o recorrido entendem que em casos de parcelas pagas in natura, tais pagamentos podem ser excluídos do salário de contribuição, mesmo sem a inscrição da empresa empregadora no PAT, com base em julgados reiterados do STJ e no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. Na visão da recorrente, a divergência se estabeleceria porque, no presente caso, o acórdão recorrido adota o entendimento de que em havendo parcelas pagas que não sejam relativas ao fornecimento de alimentação pronta para consumo ao empregado não se trata de pagamento in natura. Já o paradigma admite que outras formas de pagamento, que não sejam em espécie, realizadas por empresa inscrita no PAT, se enquadrem no critério que leva à sua exclusão do salário de contribuição. Todavia, o relatório fiscal do auto de infração informa, à efl. 49, pagamento em pecúnia: A verificação da conta 3.5.01.01.012, nos balancetes de 01 a 12 do ano de 2005, constatou pagamentos a segurados empregados a titulo de Vale Refeição, bem como o respectivo desconto na folha de pagamento a mesmo titulo. (Negritei.) Ou seja, se está tratando de pagamentos em pecúnia. e tal fato já fora ressaltado no acórdão da DRJ, no item 8.2, à efl. 137: Fl. 342DF CARF MF Processo nº 19515.002566/201084 Acórdão n.º 9202006.324 CSRFT2 Fl. 336 15 Os pagamentos foram efetuados aos segurados empregados a titulo de Vale Refeição, com desconto na folha de pagamento a mesmo titulo, valor do desconto como definido e ajustado em Convenção Coletiva da categoria, ou seja, restou caracterizado o pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação, que integra a base de cálculo de Contribuição Previdenciária. Já no acórdão paradigma, temse informado no relatório (efl. 273): ...a empresa, no lugar de fornecer a alimentação nas modalidades previstas no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. instituído pela lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, fornece para alguns empregados o salário utilidade/alimentação em pecúnia, creditado como proventos em seus contracheques. Apesar de regularmente inscrita no PAT durante o período fiscalizado, o pagamento em espécie do salário utilidade/alimentação, modalidade que não está prevista para o cumprimento do Programa, faz com que esse beneficio seja considerado basedecálculo para fins da contribuição previdenciária. Adicionalmente, cumpre referir que, no acórdão recorrido não foi sequer enfrentado o fato de a contribuinte, estar ou não, inscrita no PAT. Assim, quando vemos a decisão final, não há verdadeira divergência entre os acórdãos cotejados. Como pontos em comum, quanto à situação fática no recorrido e no paradigma, temos pagamentos em pecúnia. Já o critério jurídico utilizado em ambos é o de inclusão desses pagamentos no salários de contribuição. Como pontos distintos, temos que no paradigma de pronto se admite a inscrição da empregadora no PAT, enquanto no acórdão recorrido tal informação não é apreciada, pois o simples fato de o pagamento ser desconsiderado como in natura, foi suficiente para que o relator entendesse que sobre ele incidiria a tributação de contribuição social. Todavia, ainda que no acórdão a quo se admitisse a inscrição da contribuinte no PAT, nada teria mudado, tornando ainda mais similares os entendimentos quanto à motivação para a tributação dos valores pagos. Apesar de os acórdãos revelarem distintos entendimentos jurídicos em alguns pontos, essas distinções não permitiram que houvesse divergência entre eles; decidiram no mesmo sentido em frente de pagamentos da mesma natureza. Logo, não há divergência quando paradigma e recorrido são consonantes quanto à possibilidade de tributar como parcela do salário de contribuição os valores pagos a título de alimentação quando esses não se qualificam como in natura, ainda que se admita a possibilidade teórica de discussão do que seria o pagamento in natura. Por outra banda, o argumento trazido pela contribuinte no tocante à comprovação de sua inscrição no PAT não poderia ser apreciado, tendo em vista que não foi enfrentado no acórdão recorrido, carecendo de prequestionamento, ou de embargos que levantassem essa omissão. Além disso, como já ficou claro, nada garante que isso afetaria o decidido. Fl. 343DF CARF MF 16 Finalizando, resumidamente, para que houvesse divergência comprovada, apta ao conhecimento do recurso especial da contribuinte, teria sido necessário: (1) embargar a decisão recorrida, para trazer à discussão a questão relativa à inscrição no PAT, como suficiente, ou não, para afastar a tributação dos valores pagos em pecúnia, através de ticket, para fins de prequestionamento, e (2) apresentar, a título de acórdão paradigma, uma decisão que tivesse entendido pela não tributação de pagamento de auxílio alimentação em pecúnia, realizado através de ticket por empresa inscrita no PAT. Como nada disso ocorreu, entendo não haver divergência a ser apreciada por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por: a) conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para darlhe provimento e reformar o acórdão a quo, devendo a DRF de jurisdição da contribuinte seguir as disposições da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, no momento da cobrança dos débitos ; e b) não conhecer do recurso da contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 344DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.903917/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Dec 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN.
A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.
PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84.
BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA.
A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99.
Numero da decisão: 1301-002.675
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologando-se as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
Milene de Araújo Macedo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior.
Nome do relator: MILENE DE ARAUJO MACEDO
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NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150, § 4º DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150, § 4ª do CTN, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PERDCOMP. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. POSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. Os valores de estimativa de IRPJ recolhidos a maior caracterizam indébito na data do seu recolhimento e são passíveis de restituição ou compensação, nos termos da Súmula CARF nº 84. BASE DE CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS. INCLUSÃO DAS DEMAIS RECEITAS NÃO COMPREENDIDAS NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA. A base de cálculo das estimativas é determinada mediante a aplicação dos percentuais definidos no art. 223 do RIR/99. As demais receitas não abrangidas pelo conceito de receita bruta são integralmente acrescidas à base de cálculo das estimativas, nos termos do art. 225 do RIR/99. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos dar provimento parcial para reconhecer o direito de crédito de R$ 786.828,18 (valor principal), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 39 17 /2 00 8- 15 Fl. 742DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 743 2 acrescido da multa de mora incidente sobre esse valor, homologandose as compensações declaradas até esse limite, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Ângelo Abrantes Nunes, Bianca Felícia Rothschild, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo e Roberto Silva Junior. Relatório Por bem relatar o ocorrido, valhome do relatório constante da Resolução nº 1802000.332, proferida pela 2ª Turma Especial na sessão realizada em 08/10/2013, complementandoo ao final: "Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que manteve a negativa de homologação em relação a declaração de compensação apresentada pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Os fatos que deram origem ao presente processo estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão n° 1433.109, às fls. 48 a 56: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJestimativa, código de arrecadação 2362), concernente ao período de apuração 01/2003. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese, de acordo com suas próprias razões: que o despacho decisório recorrido conteria equívoco em relação aos valores expressos no quadro "Utilização dos pagamentos encontrados para o Darf Fl. 743DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 744 3 discriminado no PER/DCOMP", os quais não corresponderiam aos efetivamente declarados. Os valores do alegado crédito apropriados nos PER/DCOMP n°s 28623.05598.250804.1.3.047067, 22743.16824.020904.1.3.040251, 08891.60465.080904.1.3.045809, 30276.47095.140904.1.3.049480 e 15738.53242.210906.1.7.045707, seriam, respectivamente, R$ 1.959,26, R$ 17.649,06, R$ 27.748,53, R$ 15.394,36 e R$ 2.042,88, e não os valores que constam no despacho decisório; que haveria saldo suficiente para compensação do tributo informado em PER/DCOMP, conforme demonstrativo de compensação juntado aos autos, relativo ao montante do alegado direito creditório, de R$ 858.160,00. Ao final requer seja reconhecido, conforme documentação anexa, "que nada é devido em relação à PER/DCOMP não homologada, improcedendo o valor constante no DARF encaminhado e vinculado ao Processo Administrativo em referência". Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP manteve a negativa em relação à compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/05/2011, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 17/06/2011, com os argumentos descritos abaixo: DOS FATOS dispõe a legislação que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto e adicional, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada; Fl. 744DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 745 4 assim procedeu a Recorrente, tendo recolhido as estimativas mensais do imposto durante todo o anocalendário; todavia, em virtude de problemas em sua escrituração contábil, a Recorrente recolheu aleatoriamente (posto que sem uma apuração efetiva da receita bruta auferida) mas de boafé, a fim de não se inserir em mora, a estimativa/guia embatida (período de apuração: 01/2003), a qual, inclusive, se mostra em "valores exatos" (R$ 800.000,00), corroborando o alegado; outrossim, após a devida correção de sua escrituração contábil, constatouse que o valor efetivamente devido desta estimativa seria de R$ 162.507,06, o qual fora quitado da seguinte forma: • R$ 56.470,37 Darf recolhido em 30/05/2003, com multa e juros, totalizando R$ 70.390,31; • R$ 10.711,46 mediante compensação por meio do DComp 21298.07778.21050.31304.9740; • R$ 76.208,64 mediante compensação por meio do DComp 16895.65143.21050.31304.8488; • R$ 19.116,06 mediante compensação por meio do DComp 17482.92249.03110.31304.8560 (já homologada). desta forma, se verifica que o valor integral da guia embatida não foi utilizado para a quitação da estimativa mensal de 31/01/2003, e este montante, portanto, corresponde ao crédito que a Recorrente possui junto a este órgão, tendo sido objeto de compensação com débitos do exercício de 2003 (o recurso traz uma tabela relacionando várias outras compensações realizadas a partir deste mesmo crédito); o Despacho Decisório apenas consignava insuficiência do crédito apontado, tendo a Recorrente demonstrado o equívoco dos números constantes no referido despacho, o que foi acatado pela 5a Turma de Julgamento da DRJ de Ribeirão Preto; contudo, a DRJ manteve a decisão de nãohomologação da compensação sob outro fundamento, extrapolando os limites da discussão a que lhe fora submetida e, conseqüentemente, sua esfera de competência, posto que o processo deveria ter retornado à Fiscalização para nova decisão quanto à homologação ou não da compensação declarada, devido ao fato da Autoridade Julgadora haver afastado o único óbice apontado pela Fiscalização; tal situação acarretou supressão de instância em face da Recorrente, posto que lhe foi cerceado seu direito à ampla defesa (apresentação de razões e juntada de documentos contábeis que se fizessem necessários, em virtude do novo fundamento utilizado), visto que sua Manifestação de Inconformidade não abrangeu a situação apontada no v. acórdão combatido, posto que esta era inexistente; em que pese o acima exposto e apenas para que não paire qualquer dúvida acerca da existência do crédito, destacase que o atual fundamento para a não homologação das compensações apenas apontaria um equívoco de interpretação quanto ao "Tipo do Crédito" a ser preenchido no Per/Dcomp, posto que ao invés de ter preenchido "Pagamento Indevido ou a Maior" defende que deveria a Recorrente ter escolhido a opção "Saldo Negativo do IRPJ" (anocalendário de 2003); Fl. 745DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 746 5 todavia, o montante do crédito informado é legítimo, não podendo eventual equívoco quanto ao "tipo de crédito" informado ser óbice ao direito da Recorrente de ter ressarcido valores recolhidos indevidamente, a título de imposto sobre a renda, razão pela qual junta aos autos toda a documentação contábil pertinente à demonstração do Saldo Negativo do período, assim como demonstrou em planilha como fora utilizado aludido crédito; por derradeiro, se coloca à inteira disposição para o fornecimento de quaisquer outros documentos que se fizerem necessários, requerendo, desde já, se necessário, diligência fiscal para a apuração do alegado, sendo medida de justiça a homologação das compensações efetuadas; DA DECADÊNCIA conforme dito no item anterior, a Fiscalização não homologou as compensações declaradas sob o fundamento (ÚNICO) de que o crédito era insuficiente, posto que já utilizado para o pagamento de outros débitos, demonstrando o alegado com números equivocados e distorcidos do efetivamente declarado; em face desta situação, a Recorrente apresentou suas razões de defesa, demonstrando a incorreção do apontado pela Fiscalização e juntando documentos hábeis a comprovar a matéria objeto de discussão; a incorreção foi ratificada pela 5a Turma da Delegacia de Julgamento, a qual reconheceu o erro da Fiscalização, acatando as razões de defesa da ora Recorrente; contudo, para total surpresa da Recorrente, a DRJ decidiu não homologar as compensações por novo fundamento, apontando que o tipo do crédito informado não seria passível de ressarcimento; caberia à DRJ julgar a controvérsia instaurada e não substituir a Fiscalização para o fim de homologar ou não a compensação declarada, sob fundamento diverso do apontado; se o óbice apontado no v. acórdão fosse causa de nãohomologação pela Fiscalização, esta deveria ter consignado também este fundamento no r. Despacho Decisório, posto que seria devidamente conferido ao Contribuinte a oportunidade de apresentar todas as suas razões de defesa já na Manifestação de Inconformidade, assim como juntar os documentos contábeis necessários à comprovação do alegado. Entretanto, isto não ocorreu; tal fato foi apenas apontado no v. acórdão e, assim, o seu acatamento culminaria em verdadeira supressão de instância, posto que não seria possível contestar algo de que ainda não se tinha ciência; se a fiscalização não apontou o "Tipo do Crédito" como óbice à compensação, não poderia a autoridade julgadora fazêlo, pois esta matéria não era objeto de discussão, não tendo sequer sido conferida a oportunidade ao Contribuinte de insurgirse em face dela; aos nobres Julgadores caberia apenas afastar o óbice apontado pela Fiscalização e, assim, eventualmente e na mais otimista das hipóteses, retornar os autos à DRF para nova análise acerca da homologação ou não da compensação; outrossim, tendo sido afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. despacho decisório, bem como já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para Fl. 746DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 747 6 que o Fisco pudesse, eventualmente, não homologar a compensação declarada por novo fundamento, é medida de justiça a reforma parcial do v. acórdão para o fim de afastar a decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela Fiscalização; DA COMPENSAÇÃO a compensação efetuada se encontra em perfeita sintonia com as normas legais vigentes, tendo ocorrido, eventualmente, apenas um equívoco quanto ao preenchimento do campo "tipo do crédito"; o não reconhecimento dos créditos decorrentes dos valores "pagos a maior" (estimativa), sob a rubrica de imposto sobre a "renda" ou contribuição social sobre o "lucro líquido", o que se cogita por mera argumentação, caracterizaria tributação de fato que não corresponde ao conceito de renda, nem tampouco ao de lucro líquido; desconsiderar os valores recolhidos a maior pela Recorrente, conforme demonstra a farta documentação contábil anexada à presente, seria o mesmo que tributar parcela não correspondente ao conceito de renda e de lucro líquido, hipótese, por óbvio, manifestamente inconstitucional; portanto, é medida de justiça o reconhecimento do crédito informado pela Recorrente na íntegra, sendo homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; DO PEDIDO dado o fato de a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto haver afastado o óbice apontado pela Fiscalização no r. Despacho Decisório e já tendo transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos para um eventual novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento, requer, respeitosamente, seja parcialmente reformado o v. acórdão, para o fim de afastar a "decisão de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização", considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade; caso assim não entendam V. Sas., o que se cogita por mera argumentação, requer, respeitosamente, a análise da documentação contábil ora apresentada, a qual demonstra a existência do crédito informado, não podendo eventual equívoco quanto ao tipo do crédito ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito e, assim, ao final, seja julgada totalmente procedente o recurso interposto, homologandose as compensações declaradas em sua integralidade, por ser esta medida de justiça. Este é o Relatório." Na sessão de julgamento realizada em 08/10/2013, a 2ª Turma Especial reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não tinha sido aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Contudo entendeu a Turma que a solução do presente processo ainda demandaria instrução complementar, e converteu o julgamento em diligência, através da Resolução nº 1802000.332, para: "Embora a indicação seja da existência e disponibilidade do alegado excedente referente à estimativa de janeiro/2003, há outras compensações que afetam este processo. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 748 7 A quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, está vinculada a outras compensações. É necessário, portanto, que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal em Limeira/SP, para que aquela unidade, à luz da documentação contábil e fiscal da Contribuinte: 1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 666 a 672, em que apresentou uma detalhada relação de todos PERDCOMPs que utilizaram o mesmo crédito aqui examinado e efetuou as constatações assim resumidas no voto da Resolução nº 1802000.543, de 30/07/2014: "Quanto à estimativa de IRPJ de janeiro/2003, esclareceu: que a receita constante da DIPJ foi confirmada no Livro Razão; que a estimativa de IRPJ sobre essas receitas deveria ser de R$ 175.678,89, e não R$ 162.507,07; que a divergência entre o valor apurado na diligência e o informado pela Contribuinte decorria da aplicação do coeficiente de 8% sobre receitas que não se enquadravam no conceito de "receita bruta" (variações cambias, outros ganhos financeiros, etc.); que o valor declarado tanto em DIPJ quanto em DCTF para a estimativa de IRPJ de janeiro/2003 era R$ 162.507,07, e que esse débito estava extinto por um outro DARF, distinto do que gerou o crédito aqui em debate, e por mais três PER/DCOMP; e que o pagamento indicado como crédito neste processo (R$ 858.160,00) não foi utilizado para a extinção do débito de estimativa de IRPJ de janeiro/2003, conforme declarado em DCTF. Quanto à disponibilidade do pagamento de R$ 858.160,00 para utilização no PER/DCOMP objeto destes autos, apresentou um extrato SIEF indicando que uma parte dele estava bloqueado/reservado em razão das compensações já homologadas e também em razão do processo n° 10865.906007/200967, referente ao PER/DCOMP n° 31174.29044.140704. 1.3.045847, que também se encontra no CARF, com recurso voluntário a ser apreciado." Fl. 748DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 749 8 O somatório dos valores bloqueados/reservados corresponde a R$ 411.919,88, e o saldo disponível de R$ 446.240,12 é exatamente a diferença entre os R$ 858.160,00 e os valores bloqueados/reservados. [...] Considerando, então, o saldo existente de R$ 446.240,12, conforme registrado no extrato SIEF, a Delegacia de origem apresentou um quadro indicando as compensações passíveis de serem homologadas, levando em conta a utilização parcial e sucessiva do referido saldo, ressaltando ainda que os saldos remanescentes não correspondiam à simples subtração do débito compensado, em razão do cômputo de acréscimos legais. Os encontros de contas e a evolução do saldo de crédito constam do Demonstrativo de Compensação às fls. 697 a 700 do processo n° 10865.903909/200861, que também está sendo examinado nesta mesma sessão de julgamento. De acordo com a Informação Fiscal, remanesceriam um PER/DCOMP passível de homologação parcial e nove PER/DCOMP não passíveis de homologação, por insuficiência de crédito. A Contribuinte foi intimada das conclusões da diligência, e o processo retornou ao CARF." Na sessão de julgamento realizada em 30/07/2014, a 2ª Turma Especial concluiu que o demonstrativo final da Informação Fiscal ainda não possibilitava uma decisão sobre a suficiência ou não do direito creditório para as várias compensações em julgamento naquela sessão, porque ele partia de um saldo de crédito que, tudo indicava, não estaria correto. Por este motivo o processo foi novamente enviado à unidade de origem, por meio da Resolução nº 1802000.543, para que fosse revisado o saldo de crédito constante do extrato SIEF, e se fosse o caso de modificálo, como parecia ser, fossem refeitos os demonstrativos (de encontro de contas e os demais) a partir do saldo correto, com nova ciência para manifestação da contribuinte. Em cumprimento à diligência solicitada, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 727 a 728, onde reconheceu que no documento anterior, partiuse do saldo do pagamento disponível o que involuntariamente manteve a falha no processamento da declaração de compensação que acarretou a não homologação da compensação em comento. Acrescentou que para evitar problemas desta natureza, foram refeitos os cálculos considerando se o crédito original que havia sido reconhecido automaticamente pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil com inclusão de todos os débitos, na ordem em que as declarações de compensação foram entregues. Ao final, concluiu que o crédito que havia sido automaticamente reconhecido seria suficiente para validar as compensações que utilizaram este crédito. Devidamente cientificada da Intimação Fiscal nº 37/2015, em 17/03/2015, a recorrente não apresentou manifestação. É o relatório. Voto Fl. 749DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 750 9 Conselheira Milene de Araújo Macedo, Relatora O recurso é tempestivo e dele conheço. PRELIMINAR Alega a recorrente que a fiscalização não homologou a compensação sob o fundamento de que o crédito seria insuficiente pois teria sido utilizado para o pagamento de outros débitos, entretanto, ao analisar a manifestação de inconformidade apresentada, a 5a Turma da DRJ/Ribeirão Preto afastou o óbice apontado pela fiscalização no Despacho Decisório e decidiu pela nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização. Fundamentouse no fato de que os recolhimentos por estimativa, por se tratarem de mera antecipação do tributo devido no final do ano, não se caracterizam como pagamento indevido ou a maior passível de restituição. Entende a recorrente que já tendo transcorrido o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, o Fiscal não poderia proferir novo despacho de nãohomologação, sob outro fundamento. Assim, requereu, a reforma do acórdão, para o fim de afastar a decisão de não homologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização, considerando homologadas as compensações declaradas em sua integralidade. Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifei) Dessa forma, procedeu corretamente o julgador de primeira instância que, após superar o motivo inicialmente apontado pela fiscalização para indeferimento do crédito, prosseguiu na verificação da certeza e liquidez do crédito e identificou situação, a seu juízo, igualmente capaz de retirar do crédito os atributos de certeza e liquidez. Com relação às alegações de que teria transcorrido o prazo decadencial de 5 anos para que o Fisco pudesse não homologar a compensação por novo fundamento, não assiste razão à recorrente. O prazo decadencial de cinco anos previsto no art. 150,§ 4º do CTN é aplicável aos lançamentos de ofício realizados para constituição de créditos tributários. A análise de direito creditório não está sujeita a prazo decadencial mas apenas ao prazo de cinco anos previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para homologação tácita das compensações, o que não ocorreu no presente caso. A declaração de compensação foi enviada em 28/09/2004 e o contribuinte foi cientificado do despacho decisório em 17/11/2008 (fls. 43 a 46), portanto, antes do decurso do prazo de 5 (cinco) anos. Diante do exposto não merece ser acolhido o pedido do recorrente para que sejam afastadas as decisões de nãohomologação sob fundamento diverso do apontado pela fiscalização e após o transcurso do prazo decadencial de cinco anos. MÉRITO Fl. 750DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 751 10 Relativamente ao mérito, a recorrente requereu a análise da documentação contábil anexada ao recurso voluntário, a qual demonstra a existência do crédito informado, alegando que eventual equívoco quanto ao tipo do crédito, ao invés de ter preenchido "Pagamento Indevido ou a Maior", deveria ter escolhido "Saldo Negativo de IRPJ", não poderia ser óbice ao legítimo direito de ressarcimento dos montantes indevidamente recolhidos, sob pena de locupletamento ilícito. Na sessão de julgamento realizada em 08/10/2013, a 2ª Turma Especial reconheceu a possibilidade de recolhimento a maior para a estimativa de janeiro/2003, e de que o excedente não foi aproveitado no ajuste anual, o que caracterizaria a disponibilidade do crédito pleiteado pela recorrente para as várias compensações por ela realizadas, nos termos da Súmula CARF nº 84. Entretanto, entendeu pela necessidade de conversão em diligência do presente processo, em virtude da existência de outras compensações que afetariam o presente processo, dentre elas a quitação da própria estimativa de janeiro, no valor que a Contribuinte reconhece como devido, estaria vinculada a outras compensações. Assim, foi determinada a realização de diligência fiscal para que a unidade de origem, à luz da documentação contábil e fiscal da contribuinte: "1)verifique e informe: a base de cálculo e o respectivo IRPJestimativa no mês de janeiro/2003; o valor pago a esse título, considerando os valores recolhidos em DARF e as compensações realizadas para a quitação deste débito; a existência e a disponibilidade do valor recolhido a maior, caso confirmado o excedente, esclarecendo ainda se ele realmente ficou desvinculado do ajuste anual, para compensação nos termos da Súmula CARF n° 84. 2) apresente relatório circunstanciado sobre os pontos referidos acima; 3) cientifique a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias." Em cumprimento à Resolução acima transcrita, a unidade de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 666 a 672, tendo prestado as seguintes informações: "O contribuinte foi intimado para cumprirmos a diligência solicitada pelo CARF e apresentou o Livro Razão e o Diário da época, juntamente com outros documentos, entre eles a apuração da base de cálculo do IRPJ. Na DIPJ/2004 retificadora foi assinalado que a base de cálculo foi apurada com base na receita bruta e acréscimos. As receitas informadas no demonstrativo da base de cálculo foram confirmadas no Livro Razão e, nos termos do artigo 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta é de oito por cento: "Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. " Conta Receita Valor Fl. 751DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 752 11 3.1.11.1 Vendas Produção Própria 8.093.340,95 3.1.12.1 Receita Exportação 18.093,60 3.1.31.1 Receita Vendas não Agrícolas 3.601,50 3.3.91 Outras Receitas Operacionais 3.885,67 Receita Bruta 8.118.921,72 Percentual 8% Base de Cálculo Operacional 649.513,74 3.3.61.1.1 Variações Cambiais Realiz. 51.687,09 3.3.61.3.2 Outros Ganhos Financeiros 4.294,02 3.5.11.2 Ganho Venda Bens do Imobilizado 3.478,53 3.5.21.3.1.001 Ganho c/Arrendamento Al 1.742,18 Base de Cálculo do Imposto de Renda 710.715,56 A Alíquota de 15% 106.607,33 Adicional 69.071,56 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR 175.678,89 Há divergência entre o valor apurado nesta diligência e o informado pelo contribuinte, porque ele aplicou oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta. 2 Valor Extinto do Débito O contribuinte declarou em DCTF que o IRPJ devido por estimativa em janeiro de 2003 era de apenas R$ 162.507,06 o qual teria sido extinto da seguintes forma: Valor Total do Débito Declarado em DCTF 162.507,06 DARF 56.470,37 Compensação 16896.65143.210503.1.3.048488 76.208,64 Compensação 21298.77782.10503.1.3.049740 10.711,46 Compensação 17482.92249.031103.1.3.048560 19.116,60 3 Existência e Disponibilidade do Valor Recolhido a Maior Notase que o pagamento indicado como crédito neste processo não foi utilizado para a extinção do débito, conforme declarado em DCTF. [...] O processo 10865.906007/200967 se refere à análise da declaração de compensação n.° 31174.29044.140704.1.3.045847, que também se encontra no CARF e os valores bloqueados se referem às declarações de compensação que já foram homologadas. Notase que os valores bloqueados coincidem com os valores informados pelo contribuinte na Manifestação de Inconformidade. Considerando o saldo existente de R$ 446.240,12 registrado no Sief/Documento de Arrecadação/Consulta/Pagos, seria possível homologar as seguintes compensações, ainda não homologadas automaticamente ou com valor do crédito reservado, ressaltando que o saldo remanescente não corresponde à simples subtração do crédito atual do débito compensado, porque sobre o crédito há incidência de Selic: Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 753 12 Declaração de Compensação Crédito Atual Débito Saldo Remanescente 10769.54888101203.1.3.048007 446.240,12 10.031,54 437.532,94 01850.16010.101203.1.3.040542 437.532,94 10.231,91 428651,85 33592.14380.151203.1.3.040927 428.651,85 99.374,63 306470,23 29074.46584.140104.1.3.045810 306.470,23 160.434,85 204.778,82 14871.19827.110204.1.3.043907 204.778,82 46.533,48 165.66,98 00276.82602.130204.1.3.046617 0,00 23.284,67 145.535,59 03485.14044.090304.1.3.040586 145.535,59 44.689,39 107.959,37 17367.95130.060404.1.3.048354 107.959,37 37.003,31 77.202,74 12913.16306.140404.1.3.049595 77.202,74 10.909,21 68.135,15 39244.91004.200404.1.3.043600 68.135,15 5.146,91 62.899,68 16381.41214.120504.1.3.043884 62.899,68 44.813,25 26.013,32 27295.85419.080604.1.3.048730 26.013,32 51.431,75 0,00 5863.47312240604.1.3.043488 0,00 16.821,20 0,00 34281.33318.070704.1.3.045417 0,00 44.805,76 0,00 31174.29044.140704.1.3.045847 0,00 18.036,19 0,00 07688.32390.110804.1.3.048105 0,00 50.405,87 0,00 26738.72508.270904.1.3.043147 0,00 158.244,77 0,00 23748.26956.280904.1.3.046545 0,00 30.767,32 0,00 16793.98742.051004.1.3.049914 0,00 38.499,23 0,00 00603.97859.131004.1.3.041724 0,00 12.763,10 0,00 11400.23324.091104.1.3.044442 0,00 35.867,86 0,00 Através da Resolução nº 1802000.543, de 30/07/2014, a 2ª Turma Especial identificou erro no valor do de crédito e devolveu, novamente, o processo à unidade de origem para que fosse revisado o saldo de crédito constante do extrato SIEF, e se fosse o caso de modificálo, como parecia ser, fossem refeitos os demonstrativos a partir do saldo correto. Na Informação Fiscal de fls. 727 a 728, a unidade preparadora reconheceu o equívoco no resultado da diligência anterior e refez os cálculos considerandose o crédito original que havia sido reconhecido automaticamente pelos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil com inclusão de todos os débitos, na ordem em que as declarações de compensação foram entregues, tendo sido verificado que o crédito que havia sido automaticamente reconhecido seria suficiente para validar as compensações que utilizaram este crédito. De fato, nos termos da Súmula CARF nº 84, os valores de estimativa recolhidos a maior caracterizam indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Assim, o valor do DARF recolhido em 19/03/2003, no valor total de R$ 858.160,00 seria passível de restituição, diversamente do decidido no Acórdão nº 14 33.109, pela 5ª Turma da DRJ/RPO. Todavia, como bem pontuado na Resolução nº1802 000.332 – 2ª Turma Especial de 08/10/2013, necessária a verificação, à luz da documentação contábil e fiscal, do valor da estimativa devido em janeiro/2003, comprovação de sua quitação, bem assim, a apuração de recolhimento a maior e sua disponibilidade, em virtude da existência de outras compensações com o mesmo crédito utilizado no presente processo. O Relatório de Diligência Fiscal (fls. 666 a 672) elaborado pela unidade de origem identificou divergência entre o valor da estimativa de janeiro/2003 apurado na diligência (R$ 175.678,89) e o valor informado pelo contribuinte (R$ 162.507,07). A diferença Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 754 13 decorre da aplicação indevida pela recorrente do percentual de oito por cento para receitas que não se enquadram no conceito de receita bruta definido pelo art. 224 do RIR/99, contrariamente ao disposto no art. 225 do RIR/99 que determina a adição integral das receitas nele relacionadas: Art. 225. Os ganhos de capital, demais receitas e os resultados positivos decorrentes de receitas não abrangidas pelo artigo anterior, serão acrescidos à base de cálculo de que trata esta Subseção, para efeito de incidência do imposto. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32 e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 1º O disposto neste artigo não se aplica aos rendimentos tributados pertinentes às aplicações financeiras de renda fixa e renda variável, bem como aos lucros, dividendos ou resultado positivo decorrente da avaliação de investimento pela equivalência patrimonial(Lei nº 8.981,de 1995, art. 32§ 1º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). § 2º O ganho de capital nas alienações de bens do ativo permanente e de aplicações em ouro não tributadas como renda variável, corresponderá à diferença positiva verificada entre o valor da alienação e o respectivo valor contábil. (Lei nº 8.981,de 1995, art. 32, § 2º e Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º ). Considerando que a recorrente foi regularmente cientificada do Relatório de Diligência Fiscal (fls. 673 a 675) que apurou divergência entre o valor nela apurado de R$ 175.678,89 e o valor informado pelo contribuinte de R$ 162.507,07, entretanto, não apresentou manifestação quanto à diferença apurada, tenho como correto o valor apurado na diligência fiscal. Dessa forma, entendo que a diferença a menor da base de cálculo apurada pela recorrente na estimativa de janeiro/2003, no valor de R$ 13.171,82, deve ser reduzida do crédito pleiteado sobre o recolhimento a maior, consubstanciado no DARF pago em 19/03/2003, com valor principal de R$ 800.000,00 acrescido de multa e juros de mora. Assim, deve ser reconhecido o direito creditório no montante de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa e juros de mora. Importante ressaltar que parte do valor reconhecido de R$ 786.828,18, foi utilizado nas compensações já homologadas, a seguir relacionadas, conforme Informação Fiscal prestada em procedimento de diligência fiscal nos autos do processo 10865.904653/200990 às fls. 1.085, que trata da análise de compensação utilizando o mesmo direito creditório do presente processo: PER/DCOMP Valor Débito Data Situação Atual Situação da Declaração Motivo da Situação da Declaração Processo Nº 39035.35092.280704. 1.7.044892 12.676,68 11/07/2012 HOMOLOGAÇÃO TOTAL AGUARDANDO PROCEDIMENTOS DE COMPENSAÇÃO 28623.05598.250804. 1.3.047067 2.453,78 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903912/200884 Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10865.903917/200815 Acórdão n.º 1301002.675 S1C3T1 Fl. 755 14 22743.16824.020904. 1.3.040251 22.331,36 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903913/200829 08891.60465.080904. 1.3.045809 35.110,22 21/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903914/200873 30276.47095.140904. 1.3.049480 19.478,48 06/1 1/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.903915/200818 15738.53242.210906. 1.7.045707 2.558,50 23/09/2008 HOMOLOGAÇÃO TOTAL HOMOLOGAÇÃO CONCLUÍDA 10865.902975/200813 Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto por reconhecer o direito creditório sobre o valor de R$ 786.828,18 (principal) acrescido de multa de mora, devendo as compensações efetuadas serem homologadas até o limite do crédito reconhecido. Na apuração do saldo disponível para as compensações ainda não homologadas devem ser considerados também os juros de mora recolhidos e excluídos os valores das compensações já homologadas que utilizaram o mesmo crédito ora reconhecido. (assinado digitalmente) Milene de Araújo Macedo Fl. 755DF CARF MF
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