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Numero do processo: 10516.720006/2012-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a omissão no enfrentamento de matérias suscitadas no recurso voluntário, cabe a admissibilidade dos embargos para o enfrentamento das matérias suscitadas no recurso voluntário.
VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3201-002.985
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para incluir no voto, o julgamento das matérias suscitadas em sede preliminar no recurso voluntário. Foi suscitado preliminar pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário para rever a admissibilidades dos embargos e admitir as matérias quanto ao mérito, que não foram admitidas no despacho de admissibilidade. Por maioria de votos decidiu-se por manter o despacho de admissibilidade dos embargos, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade que votaram por rever o despacho de admissibilidade. Fez sustentação oral, pela Recorrente, o Advogado Carlos Amorim, OAB/RS nº 40.881. Ficou de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a omissão no enfrentamento de matérias suscitadas no recurso voluntário, cabe a admissibilidade dos embargos para o enfrentamento das matérias suscitadas no recurso voluntário. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentar-se comprovada no processo. Embargos Acolhidos
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado a omissão no enfrentamento de matérias suscitadas no recurso voluntário, cabe a admissibilidade dos embargos para o enfrentamento das matérias suscitadas no recurso voluntário. VÍCIO NO ATO ADMINISTRATIVO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A motivação e finalidade do ato administrativo são supridas quando da elaboração do relatório fiscal que detalham as conclusões do trabalho fiscal e as provas dos fatos constatados. As discordâncias quanto às conclusões do trabalho fiscal são matérias inerentes ao Processo Administrativo Fiscal e a existência de vícios no auto de infração deve apresentarse comprovada no processo. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para incluir no voto, o julgamento das matérias suscitadas em sede preliminar no recurso voluntário. Foi suscitado preliminar pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário para rever a admissibilidades dos embargos e admitir as matérias quanto ao mérito, que não foram admitidas no despacho de admissibilidade. Por maioria de votos decidiuse por manter o despacho de admissibilidade dos embargos, vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade que votaram por rever o despacho de admissibilidade. Fez sustentação oral, pela AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 06 /2 01 2- 92 Fl. 6964DF CARF MF 2 Recorrente, o Advogado Carlos Amorim, OAB/RS nº 40.881. Ficou de apresentar declaração de voto os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário e Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. Relatório Tratase de embargos opostos pelo Sujeito Passivo, ao amparo do art. 65 do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº343/2015, em face do Acórdão nº 3201001.552 complementado em decisão de embargos pelo Acórdão nº 3201002.113, que foram assim ementados: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 CESSÃO DO NOME PARA UTILIZAÇÃO EM OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. MULTA PREVISTA NO ART. 33, DA LEI Nº 11.488/07. A cessão do nome para operações de comércio implica na aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor da mercadoria, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07. (Acórdão nº 3201001.552) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 14/05/2008 a 21/12/2011 EMBAROS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Os embargos de declaração são cabíveis quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos. No caso concreto, comprovado que o voto vencedor não corresponde a decisão adotada, cabe a retificação do acórdão para alteração do voto vencedor. Embargos Providos (Acórdão nº 3201002.113) Alega a recorrente, a existência de omissão no julgamento das seguintes matérias suscitadas em sede preliminar: i) irretroatividade da Lei nº 12.350/2010 aos fatos anteriores à sua vigência e sua repercussão ao presente auto de infração; ii) ilegitimidade ativa pela incompetência das autoridades autuantes Fl. 6965DF CARF MF Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.985 S3C2T1 Fl. 3 3 iii) nulidade em face da ausência de convênio específico na fiscalização e protocolo de autoridades incompetentes; iv) preclusão lógica e da falta de motivação para revisão aduaneira, sem o competente lançamento de revisão de ofício; v) a existência de precedentes judiciais; vi) Inveracidade da premissa do fisco pena de perdimento afastada anulação do processo administrativo nº 10909001.939/200704; vii) reconhecimento do poder judiciário da inexistência de relação jurídica tributária de IPI sobre as operações de "revendas" da ora embargante; viii) Inexistência de dano ao erário; ix) condenação da união para restituir à ora embargante os valores de IPI sobre "revenda"; x) inexigibilidade de IPI nas operações de "revenda", por força de antecipação de tutela na sentença; xi) represália imposta pela fiscalização em razão do ajuizamento das ações judiciais; xii) nulidade da fiscalização e do auto de infração em face das provas obtidas de forma ilícita; xiii) ausência de motivação fática e impossibilidade jurídica para capitular fato diverso; xiv) capitulação formal em fato diverso do apresentado, face à impossibilidade de enquadramento do dano ao erário "ocultação" x "interposição de terceiros"; xv) decadência parcial do lançamento; A embargante alega ainda a existência de contradição no mérito da decisão, afirmando que o voto vencedor do Acórdão afirmou que o presente julgado não se tratava de falta de comprovação de origem de recursos da importadora, para, adiante, se contradizer ao afirmar que diverge do Conselheiro Relator, alegando que a operação comercial e econômica das duas empresas foram simuladas. Alega ainda a existência de omissão, em razão do não enfrentamento dos fundamentos de defesa da embargante, que demonstram a capacidade financeira, a lucratividade, autonomia estrutural e comprovação de operações da embargante. Os embargos foram admitidos parcialmente para dar seguimento a omissão no enfrentamento das preliminares, sendo negado o seguimento das alegações de omissão e contradição no mérito da decisão, nos termos do despacho de fls. 6935 a 6938. Fl. 6966DF CARF MF 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Consultando os autos e o acórdão embargado é possível comprovar a existência da omissão alegada pela Recorrente quanto as preliminares suscitadas no recurso voluntário. è mister ressaltar, que não foi dado seguimento aos embargos quanto ao mérito da decisão. Entendo correta a decisão exarada pelo Presidente desta Primeira Turma Ordinária. Nos termos bem detalhados no despacho de admissibilidade o acórdão guerreado foi omisso quanto as matérias suscitadas em sede preliminar, entretanto, não assiste razão a Recorrente quanto as alegações de omissão e contradição quanto ao mérito da decisão. Portanto, não existe nenhum reparo a ser feito no despacho de admissibilidade que deram seguimento parcial aos embargos. Antes de iniciar a análise das questões preliminares suscitadas no recurso voluntário é necessário esclarecer que o presente lançamento versa unicamente da exigência da multa de 10% do valor da mercadoria, por cessão de nome para operações de comércio exterior, prevista no art. 33, da Lei nº 11.488/07. As alegações preliminares que tratam da multa de conversão da pena de perdimento em pecúnia não podem ser objeto de análise neste processo. i) irretroatividade da Lei nº 12.350/2010 aos fatos anteriores à sua vigência e sua repercussão ao presente auto de infração; Quanto a esta matéria, a Recorrente tece alegações quanto a procedência da aplicação da pena de conversão da pena de perdimento em pecúnia, prevista no art. 23, do Decreto nº 1.455/76. Conforme já abordado neste voto, o presente processo trata da multa por cessão de nome e portanto, alegações estranhas a esta discussão não podem ser apreciadas neste julgamento. ii) ilegitimidade ativa pela incompetência das autoridades autuantes; iii) nulidade em face da ausência de convênio específico na fiscalização e protocolo de autoridades incompetentes; A embargante alega ilegitimidade da autoridade autuante, em razão dos Auditores Fiscais responsáveis pelo lançamento estarem lotados na Inspetoria da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre 10ª Região da RFB e a empresa possuir seu domicílio na cidade de São José no Estado de Santa Catarina na 9ª Região RFB. Quanto a competência do Auditor Fiscal para o lançamento fiscal em domicilio diverso do contribuinte, este Conselho já enfrentou a matéria existindo posição pacifica pela validade do lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil independente de sua lotação ou do domicilio do sujeito passivo. Posição formalizada na Súmula CARF nº 27. Fl. 6967DF CARF MF Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.985 S3C2T1 Fl. 4 5 Súmula CARF nº 27: É valido o lançamento formalizado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. iv) preclusão lógica e da falta de motivação para revisão aduaneira, sem o competente lançamento de revisão de ofício; Alega a Recorrente, que a revisão aduaneira prevista no art. 638 do Decreto nº 6.759/09, somente poderia ocorrer nas hipóteses previstas no art. 149 do CTN, que segunda a Recorrente, traz um rol taxativo de situações em que a revisão de ofício seria possível e por consequência a Revisão Aduaneira. Os diplomas legais alegados pela Recorrente são os seguintes: Art. 638, do Decreto nº 6.759/09. Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II do registro de exportação. § 3ºo Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Art. 149, do CTN. Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; Fl. 6968DF CARF MF 6 III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Entendo, não assistir razão ao Recurso, a redação do art. 638 do RA deixa cristalino que a revisão aduaneira é o procedimento de verificação da regularidade da operação de importação, podendo a atividade da Fiscalização revisar todos as informações prestadas pelo importador. A alegação que a revisão aduaneira por tratarse de revisão de ofício não poderia existir sem a comprovação de um dos itens previstos no art. 149 do CTN, não guarda nenhuma relação com a legislação tributária. Por mais que a Recorrente tente fazer ligações entre os dois diplomas legais previstos no Regulamento Aduaneiro e no Código Tributário Nacional, não vislumbro nenhuma ilegalidade no procedimento de revisão aduaneira adotado pela Fiscalização Aduaneira da Receita Federal. O procedimento de revisão existe em previsão própria do Regulamento Aduaneiro e ocorrendo dentro do prazo de 5 (cinco) anos previstos na legislação, não possui restrições vinculadas ao art. 149 do CTN. v) a existência de precedentes judiciais; vi) Inveracidade da premissa do fisco pena de perdimento afastada anulação do processo administrativo nº 10909001.939/200704; vii) reconhecimento do poder judiciário da inexistência de relação jurídicatributária de IPI sobre as operações de "revendas" da ora embargante; ix) condenação da união para restituir à ora embargante os valores de IPI sobre "revenda"; x) inexigibilidade de IPI nas operações de "revenda", por força de antecipação de tutela na sentença; xi) represália imposta pela fiscalização em razão do ajuizamento das ações judiciais; Quanto a alegação de obediência a precedentes judiciais, é mister ressaltar que o julgador administrativo somente está vinculado a decisões judiciais em que a Recorrente esteja atuando como parte e que trate de matéria referente ao objeto submetido ao julgamento administrativo. Decisões judiciais que não tratem especificamente da mesma matéria tratada no presente processos não interferem no presente julgamento. Fl. 6969DF CARF MF Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.985 S3C2T1 Fl. 5 7 As alegações que existiria uma represália da Fiscalização em razão da ações judiciais movidas com a União são argumentos que carecem de base legal para alterar o lançamento. A irresignação da Recorrente necessita de argumentos jurídicos, questões genéricas desamparadas de comprovação não interferem no julgamento. viii) Inexistência de dano ao erário; Alega a Recorrente a inexistência da incidência do IPI nas operações de revenda, confirmaria a inexistência de dano ao erário. Também para esta matéria entendo não assistir razão ao recurso. A turma já analisou as alegações da Recorrente quanto ao mérito da existência da cessão de nome, conforme bem esclarecido no mérito da decisão, portanto, tendo a turma decidido pela existência da interposição fraudulenta com a cessão de nome para terceiros, a incidência do IPI não é condição exigida para que seja declarada a interposição e a cessão de nome. Ademais a matéria já foi objeto de deliberação por parte da turma e os embargos no que concernem ao mérito da decisão da turma não foi admitido. Portanto, mantendose a decisão de mérito, tornase irrelevante a discussão sobre a incidência do IPI na revenda como matéria possível de alterar o julgamento, já decidido no mérito. xii) nulidade da fiscalização e do auto de infração em face das provas obtidas de forma ilícita; Alega a Recorrente que a obtenção de provas a partir da operação realizada na sede da empresa, deveria ocorrer com amparo de medida judicial e que os procedimentos da Autoridade Fiscal ofenderam os princípios constitucionais previstos no Art. 5ª, incisos X, XI, XII. Entendo não assistir razão a Recorrente, nos termos constantes do relatório fiscal todos os documentos apreendidos foram objeto da operação dentro da sede da empresa, em nenhum momento ocorreu operação fora do estabelecimento da pessoa jurídica. ou que tenha apreendido ou utilizado documentos pessoais dos sócios ou quaisquer outros funcionários da empresa. Todos os documentos e correspondência eletrônicas apreendidas tratam de documentos comerciais e referentes as atividades da pessoa jurídica fiscalizada. Assim, descabe a alegação de violação de individualidade e residência. Quanto a alegada falta de competência do Auditor Fiscal em buscar documentos referentes a contas bancárias e correspondências eletrônicas, a legislação é robusta em permitir ao Auditor Fiscal que realize as diligência e retenções de documentos necessários ao trabalho da auditoria fiscal, conforme pode ser verificado nos diplomas normativos a seguir transcritos: Art. 159 do CTN. Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, Fl. 6970DF CARF MF 8 documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Lei nº 9.430/96 Art. 34. São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida. Art. 35. Os livros e documentos poderão ser examinados fora do estabelecimento do sujeito passivo, desde que lavrado termo escrito de retenção pela autoridade fiscal, em que se especifiquem a quantidade, espécie, natureza e condições dos livros e documentos retidos. § 1º Constituindo os livros ou documentos prova da prática de ilícito penal ou tributário, os originais retidos não serão devolvidos, extraindose cópia para entrega ao interessado. § 2º Excetuado o disposto no parágrafo anterior, devem ser devolvidos os originais dos documentos retidos para exame, mediante recibo. Portanto, a Autoridade Fiscal possui competência legal para acessar e se necessário realizar as apreensões de documentos, inclusive arquivos magnéticos em procedimento de auditoria fiscal levado a termo em pessoa jurídica. Não existindo nenhuma ilegalidade no procedimento realizado pela Auditoria Fiscal constante do Procedimento Fiscal, que deu origem ao lançamento fiscal controlado no presente processo. xiii) ausência de motivação fática e impossibilidade jurídica para capitular fato diverso; xiv) capitulação formal em fato diverso do apresentado, face à impossibilidade de enquadramento do dano ao erário "ocultação" x "interposição de terceiros"; Não vislumbro assistir razão as alegações do recurso também quanto a estas matérias. O auto de infração teve origem em auditoria realizada pela Fiscalização da Receita Federa, fartamente detalhada em relatório fiscal, onde consta a motivação para o lançamento e as provas que conduziram a autoridade autuante à lavratura do auto de infração. A Recorrente foi cientificada da exigência fiscal e apresentou impugnação que foi apreciado em julgamento realizado na primeira instância. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, foi interposto recurso voluntário, rebatendo as posições adotadas pela autoridade de primeira instância, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, portanto, as motivações para o lançamento, bem como, as do julgamento na primeira instância foram claramente identificadas. Com todo este histórico de discussão administrativa, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no lançamento ou no julgamento da primeira instância, todo o procedimento previsto no Decreto 70.235/72 foi observado, tanto quanto ao lançamento tributário, bem como, o devido processo administrativo fiscal. Fl. 6971DF CARF MF Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.985 S3C2T1 Fl. 6 9 xv) decadência parcial do lançamento; Também quanto a esta matéria não assiste razão ao recurso. A ciência do auto de infração ocorreu em 03/08/2012 e a Declaração de Importação mais antiga citada no auto de infração, foi registrada em 14/05/2008, prazo inferior aos 5 (cinco) anos previstos para a revisão aduaneira. Portanto, não é aplicado o instituto da decadência ao lançamento em discussão nos autos. Diante do exposto voto no sentido de conhecer e acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para alterar o voto vencedor do Acórdão 3201001.552, nos termos expostos acima para incluir no voto o julgamento quanto as matérias suscitadas em sede preliminar no recurso voluntário, mantendo a decisão de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Declaração de Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase esta declaração de voto. De início é importante registrar que a divergência desta declaração de voto se limita ao provimento e aos efeitos infringentes dos Embargos de Declaração apresentados pelo contribuinte com relação ao tópico “xiii) ausência de motivação fática e impossibilidade jurídica para capitular fato diverso;” conforme relatório da minuta de Acórdão do nobre colega relator. Foi discutido durante o julgamento, de acordo com a natureza da alegação de capitulação de fatos estranhos aos autos, se seria questão de mérito ou questão preliminar, uma vez que o Despacho de Admissibilidade admitiu somente as questões preliminares apresentadas nos Embargos de Declaração. Sobre esta discussão, a doutrina cível, tributária, administrativa e penal brasileira não divergem: a não subsunção dos fatos à norma é matéria preliminar e não de mérito. Fl. 6972DF CARF MF 10 Isto porque um lançamento de ofício que não apresente a verificação da ocorrência do fato gerador, a matéria tributável e o cálculo do montante devido, é um lançamento que pode ser considerado nulo por vício material. Logo, se considerado nulo, tratase de preliminar e não de mérito. Não há a necessidade de julgar o mérito de uma lide administrativa fiscal, se os fatos não correspondem às normas, à capitulação legal utilizada no Auto de Infração. Esta premissa encontra respaldo sistêmico e em toda a legislação correlata, pra citar uma, encontra respaldo no Art. 142 do Código Tributário Nacional, que obriga a autoridade fiscal a descrever os fatos, de forma que estes fatos correspondam ao fato gerador do tributo e à infração capitulada, conforme transcrito a seguir: “CAPÍTULO II Constituição de Crédito Tributário SEÇÃO I Lançamento Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” E na mesma linha o Art. 113 do CTN garantiu que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, conforme transcrito a seguir: “TÍTULO II Obrigação Tributária CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente.” Ora, se não há fato gerador, não surge a obrigação principal. Ciente destes direitos, o contribuinte muito bem solicitou que fossem excluídas do lançamento as vendas de mercadorias realizadas a empresas estranhas aos fatos que fundamentaram o lançamento para a caracterização da cessão do nome para utilização em operações de comércio exterior, com pena/multa prevista no art. 33, da lei nº 11.488/07. Assim, sendo incontroverso nos autos que a fiscalização aplicou a multa de 10% da infração acima mencionada em operações de comércio exterior estranhas à lide, não há como o contribuinte responder por estas penas/multas, dentro deste lançamento específico, que delimitou qual seria a empresa interposta (a que cedeu o nome) e qual seria a real adquirente. Fl. 6973DF CARF MF Processo nº 10516.720006/201292 Acórdão n.º 3201002.985 S3C2T1 Fl. 7 11 E verificase nos autos que o Acórdão nº 3201001.552, que julgou a lide no mérito, não tratou desta solicitação do contribuinte, que foi apresentada desde a impugnação. O ponto central desta lide administrativa são as operações de importação de mercadorias entre a Free Trade Importadora e Exportadora Ltda e Madeireira Herval, como a real adquirente. Mas a apuração também envolveu operações de importação que não foram realizadas entre estas duas empresas. Desse modo, da mesma forma que se alega a ilegitimidade passiva (Art. 525 e 535 do CPC), por exemplo, o contribuinte alegou preliminarmente que as operações de importação que não envolvesse as duas mencionadas empresas, fossem excluídas do lançamento. Esta alegação de natureza preliminar encontra mais respaldo ainda na individualização e na pessoalidade da pena, conquistas seculares da humanidade que foram positivadas na CF/88, Art. 5, XLV e XLVI. É garantido ao cidadão (pessoa física ou jurídica) brasileiro que a pena, a multa ou qualquer infração que seja, primeiro, correspondam aos fatos e, segundo, sejam aplicadas nas medidas doa fatos. E dentro desta instância administrativa de recursos fiscais, a verdade dos fatos deve prevalecer, premissa que também não encontra divergência significante nos precedentes desta casa. A Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo fiscal, deixou claro que os atos administrativos devem ser realizados com respeito à moralidade, assim como devem respeitar a verdade dos fatos, conforme disposto nos Art. 1.º, 2.º, 27.º, 50.º e 53.º. Portanto, visto que no despacho de admissibilidade dos embargos não consta negação específica com relação à alegação preliminar de que os fatos não correspondem às normas, a negação da admissibilidade do mérito foi genérica. Sendo genérica e, admitidas as preliminares no despacho e, sendo esta alegação uma preliminar (de que vendas estranhas ao processo foram mantidas no lançamento), a negação parcial da admissibilidade no mérito, não pode impedir os efeitos infringentes dos embargos de declaração, porque não há previsão legal para tanto. A similitude dos fatos possui conexão direta com o devido processo legal, garantia inquestionável do contribuinte. Diante do exposto, com fundamento nos dispositivos legais citados e nos trechos do regimento interno deste conselho que tratam dos Embargos de Declaração, votei para que fossem providos e concedidos os efeitos infringentes aos Embargos de Declaração, reconhecendo a omissão no Acórdão nº 3201001.552, para que fossem excluídas do lançamento as penas aplicadas em operações de importação estranhas à esta lide administrativa fiscal. Fl. 6974DF CARF MF 12 Declaração de voto proferida. Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 6975DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.000824/2008-26
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004
IMPORTAÇÃO DE INSUMOS. SAÍDAS COM SUSPENSÃO DO IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica a suspensão do IPI, prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, nas saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de estabelecimento equiparado a industrial. A lei prevê o benefício fiscal somente aos estabelecimentos industriais. Interpretação literal da Lei por força do que dispõe o art. 111 do CTN.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004
TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 9303-005.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(Assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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SAÍDAS COM SUSPENSÃO DO IPI. ESTABELECIMENTO EQUIPARADO A INDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a suspensão do IPI, prevista no art. 29 da Lei nº 10.637/2002, nas saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, de estabelecimento equiparado a industrial. A lei prevê o benefício fiscal somente aos estabelecimentos industriais. Interpretação literal da Lei por força do que dispõe o art. 111 do CTN. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 TAXA SELIC. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama (relatora), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 08 24 /2 00 8- 26 Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 3 2 Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (Assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 3301001.821, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/04/2004 PRODUTOS. IMPORTAÇÃO. SAÍDAS. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. A suspensão do IPI nas saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem importados diretamente pelo vendedor para adquirentes que industrializam produtos classificados nos capítulos, códigos e posições da TIPI, expressamente elencados em lei, beneficia apenas os estabelecimentos industriais, de fato, fabricantes dos bens, excluídos os equiparados, salvo exceções previstas na lei. VALORES LANÇADOS. APURAÇÃO. ERRO. RETIFICAÇÃO. A retificação dos valores lançados está condicionada à apresentação de documentos fiscais e contábeis, inclusive demonstrativo, comprovando erro na apuração daqueles valores. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 4 3 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. NOTA FISCAL. IMPOSTO. LANÇAMENTO. MULTA. A falta de lançamento do valor do imposto na respectiva nota fiscal de saída dos produtos do estabelecimento industrial e/ ou equiparado enseja o lançamento de oficio de multa, nos termos da legislação tributária vigente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Fiscal contra o r. acórdão que determinou que os juros de mora incidam sobre a multa de ofício após o trigésimo dia da ciência da decisão administrativa definitiva. Traz a Fazenda Nacional, entre outros, que: · A multa de ofício foi aplicada com fundamento no art. 44, inciso I, da Lei 9.430/2007; · Os juros de mora incidentes sobre os valores correspondentes à multa de ofício encontram amparo no art. 61, § 3º, da Lei 9.430/96; · O art. 61, caput, e seu § 3º da Lei 9.430/96 utilizam, respectivamente, as expressões “débitos para com a União” e “débitos a que se refere este artigo”. Assim, é importante definir a que “débitos” se referem o art. 61, caput, e seu § 3º do mencionado diploma legal; · Com a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, surge o direito subjetivo público do sujeito ativo a receber o crédito tributário e o respectivo dever do sujeito passivo (devedor) de pagálo no prazo previsto na legislação específica; se não pago o tributo no prazo estipulado legalmente, o Fisco efetuará o lançamento do crédito tributário, expressão que abrange o tributo e os acréscimos legais multa e juros; · A Lei 9.430/96 dispôs de modo diverso do § 1º do art. 161 do CTN e expressamente mandou aplicar aos créditos tributários da União a “taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento”, que é a taxa SELIC. Requer, assim, que a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício devese dar desde a ciência da decisão administrativa. Em Despacho às fls. 394 a 396, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 5 4 Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que consignou o entendimento de que a saída de produtos com suspensão de IPI, nas hipóteses previstas em lei, só é aplicável a estabelecimento industrial, não alcançando o produto saído de estabelecimento equiparado a industrial. Traz o sujeito passivo, entre outros, que: · A equiparação do estabelecimento a industrial decorre de expressa disposição de lei e não pode ser restringida, quanto mais por ato infralegal; · Em não havendo exceção expressa em lei, não pode haver tratamento discriminatório entre o “estabelecimento industrial” e o “equiparado à industrial”, pois a regra genérica da equiparação é “para todos os efeitos da Lei”, atribuindo ao importador e ao industrial os mesmos direitos e obrigações em relação ao IPI; · A Lei 4.502/64, que é a regra matriz de incidência do IPI, além de definir o que se deve entender por “estabelecimento produtor” (art. 3º), estabeleceu no seu art. 4º regra específica de equiparação. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · A taxa SELIC tem o objetivo de remunerar, diante do atraso, receita sempre esperada pela Fazenda Pública, daí a sua vocação para incidir unicamente sobre o tributo (principal), e não sobre a multa que nunca é esperada; · A SELIC nunca incide sobre a multa de mora, e de forma coerente, nunca poderá incidir sobre a multa de ofício. Em Despacho às fls. 536 a 538, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Contrarrazões foram apresentadas pela Fazenda Nacional, que expôs, entre outros, que se deve negar seguimento ao recurso especial manejado, diante da ausência de demonstração da divergência na interpretação da legislação tributária e, no mérito, que seja negado provimento ao citado recurso. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 6 5 É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise dos recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlos, eis que atendidos os pressupostos de admissibilidade constantes do art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. No que tange ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, é de se considerar que traz discussão acerca da decisão dada no acórdão recorrido – qual seja, de que a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário. Traz discussão acerca do termo inicial para a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, requerendo que seu recurso seja provido para que a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício se dê desde a ciência da decisão administrativa. Para tanto, indica como paradigma acórdãos: · 910100.539: ü Ementa: “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” ü No voto do acórdão consta: “A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União”. · 10516.698: Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 7 6 ü Ementa: “MULTA DE OFÍCIO JUROS MORATÓRIOS Na execução das decisões administrativas, os juros de mora à taxa Selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação.” Vêse, então, que foi comprovada a divergência jurisprudencial quanto ao termo inicial para a aplicação da taxa Selic sobre a multa de ofício, eis que no acórdão recorrido entendeuse que seria depois de decorridos 30 dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário; enquanto nos acórdãos paradigmas, a partir do vencimento do prazo para a impugnação. Sendo assim, é de se conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. No que tange ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo que ressurgiu com a discussão acerca da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei 10.637/02 se seria aplicável a estabelecimento equiparado a industrial, importante mencionar que a divergência de jurisprudência foi comprovada. Eis que restou consignado o seguinte entendimento no acórdão recorrido: “PRODUTOS. IMPORTAÇÃO. SAÍDAS. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SUSPENSÃO DO IMPOSTO. A suspensão do IPI nas saídas de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem importados diretamente pelo vendedor para adquirentes que industrializam produtos classificados nos capítulos, códigos e posições da TIPI, expressamente elencados em lei, beneficia apenas os estabelecimentos industriais, de fato, fabricantes dos bens, excluídos os equiparados, salvo exceções previstas na lei. [...]” Sendo assim, o colegiado do acórdão recorrido entendeu que a saída de produtos com suspensão de IPI, nas hipóteses previstas em lei, só é aplicável a estabelecimento industrial, não alcançando o produto saído de estabelecimento equiparado a industrial. Enquanto em um dos acórdãos indicados como paradigma, entendeuse que a o instituto de Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 8 7 suspensão do IPI sempre alcançou os estabelecimentos equiparados a industrial. O que resta, por conseguinte, comprovada a divergência jurisprudencial. Em vista do exposto, entendo que o recurso especial interposto pelo sujeito passivo deve ser conhecido. Passadas tais considerações, passo a analisar a lide posta pela Fazenda Nacional – termo inicial para a aplicação dos juros Selic sobre a multa de ofício. A priori, é de se destacar que a Fazenda Nacional requer em seu Recurso Especial que o termo inicial para a aplicação dos juros sobre a multa de ofício se dê a partir da decisão administrativa, e não a partir do vencimento do prazo para a impugnação – tal como exposto nos acórdãos paradigmas e também não depois de decorridos 30 dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário – tal como exposto no acórdão recorrido. O que, já antecipo que, independentemente de entender que não cabe juros Selic sobre a multa de ofício, considerando que essa Conselheira deve trazer somente a matéria que foi conhecida em recurso – qual seja, discussão acerca do termo inicial da aplicação dos juros, entendo que não assiste razão à Fazenda Nacional. Eis que não seria aplicável no presente caso juros Selic sobre a multa de ofício a partir da decisão administrativa. Se entendesse cabível os juros Selic sobre a multa de ofício, refletiria o entendimento de que os juros deveriam se dar a partir do 30º dia contadas da ciência do auto de infração, vez que tais juros vedem incidir a partir da constituição em mora do devedor. Efetivamente, no caso de multa de ofício, que tem como fato gerador o lançamento de ofício, somente há a constituição em mora após decorridos 30 dias da ciência do auto de infração. Frisese tal entendimento do termo inicial as Súmulas CARF nºs 4 e 5 reproduzidas a seguir: “Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 9 8 “Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. ” Dessa forma, sendo a data de vencimento da multa de ofício o 30º dia contados da data da ciência do auto de infração, entendo que a partir dessa data é que caracterizaria a mora do devedor, restando considerála como termo inicial, e não a partir da data da decisão administrativa tal como requer a Fazenda Nacional. Importante considerar, nesse caso, o pedido expresso da Fazenda Nacional, o que entendo que essa Conselheira não poderia abranger indiretamente pedido não compreendido no “pedido” constante do recurso interposto pela Fazenda Nacional, eis que o pedido deve ser “certo”, nos termos do art. 322 do CPC/15. Em vista de todo o exposto, nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. No que tange ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo que ressurgiu com a discussão acerca da suspensão do IPI prevista no art. 29 da Lei 10.637/02 se seria aplicável a estabelecimento equiparado a industrial, entendo que assiste razão ao sujeito passivo. Importante recordar a priori que o sujeito passivo exerce a atividade de importação e fabricação de ‘bolsas plásticas especialmente preparadas para a indústria alimentícia’, produto que exige rigoroso processo de higienização, assepsia e esterilização em razão da finalidade em que é empregado, o que a coloca como estabelecimento industrial por equiparação. O art. 4º do Decreto 4.544/02 – vigente à época traz: “Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 10 9 II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados.” Sendo assim, considerando que exerce rigoroso processo de higienização, assepsia e esterilização nas bolsas plásticas importadas, é de se considerar que exerce atividade de industrialização passível de fruição da suspensão de IPI, eis que somente com esses procedimentos o produto poderia ser efetivamente utilizado para consumo e ser vendido com tal finalidade. Ademais, vêse que a Lei 4.502/64 definir o que deve se entender por “estabelecimento produtor” (art. 3º), trazendo em seu art. 4º regra específica de equiparação, in verbis: “Art . 4º Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: I os importadores e os arrematantes de produtos de procedência estrangeira; [...]” Tal dispositivo é abrangente ao dispor que a equiparação deve valer “para todos os efeitos” da lei do IPI. A equiparação a industrial teve a finalidade de colocar os distintos estabelecimentos na mesma condição, no mesmo patamar, sujeitandose às mesmas obrigações e adotando os mesmos procedimentos previstos na legislação do IPI. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 11 10 Não há que se falar em tratamento discriminatório entre os produtos de fabricação nacional e os importados, no tocante ao IPI. É isso que faz a Lei 4.502/64 ao equiparar o importador a estabelecimento industrial. Cumprindo esse indicativo da Lei 4.504, vêse que no art. 29 da Lei nº 10.637/02 assegurouse idêntico tratamento de suspensão do IPI, inclusive na importação direta desses insumos pelos estabelecimentos industriais que fabricam os produtos ali contemplados – tal como ocorre com o ramo da indústria alimentícia segmento praticado pela ora Recorrente. Frisese dispositivo: § 4º. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, importados diretamente por estabelecimento de que tratam o caput e o § 1º serão desembaraçados com suspensão do IPI. Tal dispositivo traz que o benefício da “suspensão do IPI” não é restrito para o produto de fabricação nacional, alcançando também o insumo importado. O que, por conseguinte, não há razão na pretensão da autoridade fazendária em exigir o destaque do IPI na saída de insumo importado para uma indústria alimentícia, com base na mesma lei que autoriza o desembaraço dos mesmos insumos sem incidência de IPI, na hipótese de importação direta pela mesma indústria alimentícia. Dessa forma, considero que a Instrução Normativa nº 296, de 2003, especificamente o art. 23 é de discutível legalidade: “Art. 23. O disposto nesta Instrução Normativa não se aplica: I [...] II a estabelecimento equiparado a industrial, salvo quando se tratar da hipótese de equiparação prevista no art. 4º.” Eis que restringe dispositivo de lei que trata de equiparação industrial, em confronto aos ditames do art. 100 do CTN. Em vista de todo o exposto, conheço dos recursos especiais interpostos: Pela Fazenda Nacional, negandolhe provimento; Pelo sujeito passivo, dandolhe provimento. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 12 11 É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator designado. Com todo respeito ao voto da Ilustre Relatora, mas penso que a matéria deve ser tratada de modo diferente tanto em relação ao entendimento dado por ela ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, quanto ao do Contribuinte. Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, aplicada ao crédito tributário não liquidado, no vencimento estabelecido nas normas tributárias, a Fazenda Nacional defende sua incidência desde a data do vencimento estabelecida no auto de infração e não a partir do trigésimo dia depois da data de intimação do contribuinte sobre a decisão administrativa definitiva, conforme decidiu a Câmara Baixa. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 13 12 legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Neste mesmo sentido, transcrevo abaixo algumas decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 14 13 Em seu voto a relatora manifestou entendimento de que a Fazenda Nacional, em seu recurso especial, pede que a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, dêse somente a partir da ciência da decisão administrativa definitiva e que não poderia ser dada uma decisão além do que não foi pedido. Na verdade, a Fazenda Nacional equivocouse no parágrafo final de seu recurso especial. Em todo o corpo do recurso, inclusive nos acórdãos paradigmas citados, ela sustenta que os juros de mora sobre a multa de ofício devem incidir desde a data de vencimento do auto de infração. Porém ao efetuar o pedido, equivocouse. Mas tratase de um erro manifesto evidente e a turma julgadora, por maioria, entendeu que o objeto do pedido estava claro no corpo do recurso. Sobretudo pelo fato de que fosse aquele o pedido não deveria haver recurso, pois foi exatamente o que concedeu a decisão recorrida. Diante do exposto voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, devendo os juros de mora incidirem sobre a multa de ofício desde a data do vencimento do auto de infração. Já em relação ao recurso do contribuinte, o litígio se refere à suspensão do IPI, prevista no art. 29 da Lei 10.637/02, nas operações realizadas por estabelecimento equiparado a industrial. A fiscalização entendeu que a suspensão de IPI prevista em tal dispositivo legal somente é aplicável para os estabelecimentos industriais e não aos equiparados a industrial. O contribuinte argumenta que essa restrição não existe na Lei e foi introduzida de forma ilegal pela IN SRF nº 296/2003. Entendo que não cabe razão ao contribuinte. A restrição está na própria Lei e referida instrução normativa só fez manifestar de forma clara o conteúdo que já estava prescrito na Lei. Nesse sentido, importante transcrever os atos normativos que tratam da referida suspensão: Lei nº 10.637, de 30/12/2002, conversão da MP nº 66, de 2002: “Art. 29. As matériasprimas, os produtos intermediários e os materiais de embalagem, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2, 3, 4, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 15, 16, 17, 18, 19, 20, 23 (exceto códigos 2309.10.00 e 2309.90.30 e Ex01 no código 2309.90.90), 28, 29, 30, 31 e 64, no código 2209.00.00 e 2501.00.00, e nas posições 21.01 a 21.05.00, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 15 14 inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (não tributados), sairão do estabelecimento industrial com suspensão do referido imposto. [...].” Decreto nº 4.544, de 26/12/2002, que aprovou o RIPI/2002: “Art. 44. Sairão do estabelecimento industrial com suspensão do imposto: I as MP, PI e ME, destinados a estabelecimento que se dedique, preponderantemente, à elaboração de produtos classificados nos Capítulos 2 a 4, 7 a 9, 11, 12, 15 a 20, 30 e 64, no código 2209.00.00, e nas posições 21.01 a 2105.00, da TIPI, inclusive aqueles a que corresponde a notação NT (Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 31, e Medida Provisória nº 75, de 2002, art. 30); [...]. § 1º O disposto nos incisos I e II aplicase ao estabelecimento industrial cuja receita bruta decorrente dos produtos ali referidos, no anocalendário imediatamente anterior ao da aquisição, houver sido superior a sessenta por cento de sua receita bruta total no mesmo período (Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 31, § 2º). [...}. § 3º Para os fins do disposto neste artigo, as empresas adquirentes deverão (Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 31, § 7º): I – atender aos termos e às condições estabelecidas pela SRF (Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 31, § 7º, inciso I); e Cumpre destacar que já no dispositivo legal, acima transcrito, art. 29 da Lei 10.637/2002, estabeleceuse que o benefício fiscal da suspensão do IPI seria decorrente da saída de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens do estabelecimento industrial. Preliminarmente é importante ressaltar que regras de suspensão devem ter interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 16 15 III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de suspensão, isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Portanto resta cristalino que não cabe uma leitura abrangente do dispositivo legal como pretende a recorrente. A Lei concessiva da suspensão não estendeu o benefício para os estabelecimentos equiparados a industrial. A ilustre relatora, em seu voto, aborda suposto processo produtivo da contribuinte para com base no art. 4º do Decreto nº 4544/2002 (RIPI/2002) concluir que faria jus ao benefício da suspensão por realizar processo de industrialização nos insumos importados. Assim ela se manifesta: "considerando que exerce rigoroso processo de higienização, assepsia e esterilização nas bolsas plásticas importadas, é de se considerar que exerce atividade de industrialização passível de fruição da suspensão de IPI, eis que somente Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10830.000824/200826 Acórdão n.º 9303005.434 CSRFT3 Fl. 17 16 com esses procedimentos o produto poderia ser efetivamente utilizado para consumo e ser vendido com tal finalidade". Com a devida venia, mas essa matéria não foi objeto do recurso especial do contribuinte. Não consta de seu recurso e nem poderia constar, pois não foi objeto da decisão recorrida, ou seja, não foi prequestionada. Diante do exposto voto por negar provimento ao recurso especial apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 568DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723328/2012-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância.
Numero da decisão: 2202-004.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1395; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 407 1 406 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.723328/201256 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202004.066 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 06 de julho de 2017 Matéria Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Recorrente LUIZ CARLOS PAIVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Márcio Henrique Sales Parada, Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto e Fernanda Melo Leal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 33 28 /2 01 2- 56 Fl. 407DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, no que couber, o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC): DO LANÇAMENTO1 Tratase de Auto de Infração (AI) decorrente de ação fiscal levada a efeito contra a contribuinte, no qual foi apurado imposto de renda pessoa física no valor de R$ 26.609,67, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, cujo valor consolidado em 25/09/2012 corresponde a R$ 52.844,61, referente aos anos calendário 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, conforme Auto de Infração e Demonstrativos às fls. 266 a 281. (...) Relata a autoridade de fiscal que o Instituto de Previdência do Estado de Santa Catarina (IPREV) enviou cópia de processos administrativos instaurados com o objetivo de apurar possíveis irregularidades na concessão de aposentadorias por invalidez de servidores da ALESC. No que concerne ao contribuinte a comissão daquela autarquia previdenciária descreveu que foi aposentado por invalidez no ano de 1982 por ser portador de cardiopatia grave (CID 412 + 413, revisão de 1965) e que reavaliado pela Junta Médica Oficial da Gerência de Perícia Médica da Secretaria da Administração do Estado de Santa Catarina, restou constatado que apenas apresenta limitações funcionais inerentes a sua idade, não restando comprovado o quadro incapacitante que originou a aposentadoria. Narra que a Presidência do IPREV suspendeu o benefício previdenciário, com remessa dos autos à ALESC para fins de revisão do ato de aposentadoria. A autoridade fiscal arrolou a legislação que trata dos requisitos para isenção do imposto de renda (Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988) e, diante dos fatos que indicaram não estar presente a moléstia grave apta ao benefício fiscal, foi solicitado à fonte pagadora (ALESC) cópia dos comprovantes de rendimentos nos anos aqui referidos, sobre os quais efetuou o lançamento fiscal, tendo considerado e deduzido no cálculo de apuração dos rendimentos tributáveis, a parcela isenta dos proventos de aposentadoria do contribuinte com 65 anos ou mais. DA IMPUGNAÇÃO Foi apresentada impugnação na data de 16 de janeiro de 2013, por intermédio de procurador (fls. 291 a 319), com documentos anexos (fls. 320 a 341). Em preliminar aponta a tempestividade da impugnação, ao argumento de que não recebeu a notificação pessoalmente, pelo que considera não válida, por Fl. 408DF CARF MF Processo nº 11516.723328/201256 Acórdão n.º 2202004.066 S2C2T2 Fl. 408 3 considerar ser a intimação nesta forma requisito essencial ao lançamento, citando o art. 15 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, pelo que pugna pelo reconhecimento da tempestividade, bem como reabertura do prazo de trinta dias, considerandose como notificado a partir da apreciação da peça ora apresentada. Discorre sobre a aposentadoria, os fatos que levaram a apuração das irregularidades nos benefícios previdenciários dos servidores inativos da ALESC; considera hígida sua aposentadoria; discute aspectos relacionados à perícia médica, entre outros, propugnando pelo cancelamento da exigência fiscal, por entender ser portador da moléstia grave. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), não conheceu da Impugnação em razão da sua intempestividade. A decisão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2007, 2008, 2009, 2010, 2011 FORMAS DE INTIMAÇÃO. A Administração Tributária Federal pode se utilizar de quaisquer um dos meios de intimação na forma pessoal, postal ou eletrônica, sem ordem de preferência, ressalvado o meio editalício, quando resultarem improfícuas quaisquer das as anteriores. É válida a intimação do lançamento fiscal pela via postal ao sujeito passivo. IMPUGNAÇÃO. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência.Apresentada peça de defesa após o trintídio, temse por não conhecida,limitando se o colegiado à apreciação da preliminar de tempestividade. IMPUGNAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO. A impugnação apresentada intempestivamente não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário e nem comporta julgamento de primeira instância quanto às alegações de mérito. Fl. 409DF CARF MF 4 O contribuinte foi intimado da decisão em 19/07/2013 (AR fls. 352) e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 359 em 07 de outubro de 2013, por meio do qual tece considerações sobre o mérito da questão sem impugnar a intempestividade reconhecida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso não merece ser conhecido em razão dos seguintes motivos. Em primeiro lugar, em razão da sua intempestividade. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 (trinta) dias contados da data da assinatura do aviso de recebimento da intimação do acórdão de primeira instância. Conforme se verifica pelo Aviso de Recebimento (fls. 352) o domicílio do contribuinte constante da correspondência (Rua Luiz Oscar de Carvalho, 75, Ap. 21 BL A5, Trindade, Florianópolis SC) é exatamente o mesmo constante do cadastro da Receita Federal do Brasil conforme se verifica pelo documento de fls. 2. O contribuinte foi intimado da decisão em 19/07/2013 (AR fls. 352) e apresentou o Recurso Voluntário de fls. 359 em 07/10/2013 o que demonstra sua intempestividade. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário." Diante do exposto, não conheço do recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 410DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.912115/2012-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/10/2011
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.829
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/10/2011 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 21 15 /2 01 2- 71 Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.856, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 191DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10830.912115/201271 Acórdão n.º 3301003.829 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003688/2003-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO
PORTE - SIMPLES
Exercício: 2000
CRECHE. PRÉ-ESCOLA. ENSINO FUNDAMENTAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Não podem permanecer no Simples Federal as pessoas jurídicas que tenham se dedicado a atividades de creche, pré-escola e ensino fundamental que, optantes da sistemática antes de 25 de outubro de 2000, foram dela excluídas de ofício, com os efeitos desta exclusão fixados para terem lugar antes da edição da Lei no. 10.034, de 2000.
Numero da decisão: 1801-000.456
Decisão: ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Relator
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Maria de Lourdes Ramirez
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ME. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Exercício: 2000 CRECHE. PRÉ-ESCOLA. ENSINO FUNDAMENTAL. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não podem permanecer no Simples Federal as pessoas jurídicas que tenham se dedicado a atividades de creche, pré-escola e ensino fundamental que, optantes da sistemática antes de 25 de outubro de 2000, foram dela excluídas de ofício, com os efeitos desta exclusão fixados para terem lugar antes da edição da Lei no. 10.034, de 2000. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do Relator. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Editado em 25/01/2011. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmem Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Sandra Maria Dias Nunes e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 1ª Turma da Delegacia de Julgamento em Campinas/SP que, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade da interessada apresentada contra a decisão que concedeu, em parte, o seu pleito de (re)inclusão retroativa à 01/01/1999 na sistemática do Simples Federal, exarada pelo SEORT da DRF em Campinas/SP, deferindo-o, apenas, a partir de 01/01/2001. A interessada já havia sido excluída do Simples Federal, a partir de 01/03/1999, por meio do Ato Declaratório Executivo no. 115.103, de 2000, no âmbito de outros autos. Na manifestação de inconformidade apresentada contra o deferimento parcial do pleito a interessada alega que a Lei no. 10.034, de 2000, lhe garantiria o acesso à disputada sistemática tributária. Apreciando o litígio a DRJ/CPS, apoiando-se nas disposições da IN SRF no. 115, de 27 de dezembro de 2000, indeferiu o pleito. Cientificada, em 29/05/2008, do indeferimento de sua solicitação, como comprova o Aviso de Recebimento de fl. 81, apresenta, a contribuinte, em 24/06/2008, Recurso Voluntário em face deste Colegiado. Nas razões de defesa discorre extensamente sobre o princípio do tratamento tributário favorecido às micro e pequenas empresas, sobre a inconstitucionalidade das vedações ao ingresso no Simples, significado de empresa e empresário, significado de microempresa e empresa de pequeno porte, receita bruta anual, significado da expressão pessoa jurídica, para, ao final requerer a improcedência do ato de exclusão do simples, de 01/03/1999 a 31/12/2000. É o relatório. Voto Conselheiro Maria de Lourdes Ramirez, Relatora O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. Quanto às alegações de inconstitucionalidade do artigo 9 o . da Lei no. 9.317, de 1996, cumpre reproduzir a Súmula Carf no.02: Fl. 2DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES Processo nº 10830.003688/2003-11 Acórdão n.º 1801-00.456 S1-TE01 Fl. 101 3 Súmula CARF no. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Feitas estas considerações passa-se ao exame do mérito. E nesse contexto melhor sorte não socorre a recorrente. A autoridade julgadora, no pronunciamento de suas decisões, deve se pautar pelos ditames da legislação e, nesse sentido, como bem ressaltou a autoridade julgadora da DRJ em Campinas/SP, a IN SRF no. 115 de 2000, dispôs que somente ficaria assegurada a permanência no Simples de pessoas jurídicas que efetuassem a opção antes de 25 de outubro de 2000 e não fossem excluídas de ofício. Observe-se que as condições são cumulativas. No presente caso a recorrente efetuou a opção antes de 25 de outubro de 2000. Contudo, foi excluída da sistemática a partir de 01/03/1999 por meio do Ato Declaratório Executivo Declaratório Executivo no. 115.103, de 2000. Nesse contexto cumpre observar que os atos administrativos possuem eficácia e validade a partir do momento em que entram em vigor, produzindo efeitos jurídicos imediatos a partir de sua vigência até que outro ato administrativo o revogue, se for o caso. Portanto, in casu, a partir da vigência do ADE de exclusão a empresa foi excluída da sistemática, e se encontrava nessa condição, de excluída, por ocasião da interposição dos competentes recursos, razão pela qual devem ser respeitadas as disposições da IN SRF no. 115, de 2000. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, 25 de janeiro de 2011. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 3DF CARF MF Emitido em 02/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Assinado digitalmente em 26/01/2011 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, 27/01/2011 por ANA DE BARROS FERNA NDES
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Numero do processo: 11020.002566/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE.
Não estando a fiscalização de posse de todas as informações necessárias à apuração dos tributos devidos e pagos a maior, e de outras informações necessárias ao convencimento da autoridade tributária de que não há dívidas com o fisco em aberto, não deve a fiscalização devolver o montante alegado pelo contribuinte. E dever de quem solicita a restituição apresentar todos os documentos necessários à comprovação do direito alegado.
Numero da decisão: 3201-000.862
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: Judith Amaral Marcondes Armando
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ementa_s : Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. IMPOSSIBILIDADE. Não estando a fiscalização de posse de todas as informações necessárias à apuração dos tributos devidos e pagos a maior, e de outras informações necessárias ao convencimento da autoridade tributária de que não há dívidas com o fisco em aberto, não deve a fiscalização devolver o montante alegado pelo contribuinte. E dever de quem solicita a restituição apresentar todos os documentos necessários à comprovação do direito alegado.
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Numero do processo: 11060.002300/2006-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004
COFINS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados.
Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições.
Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 28/01/2002 a 31/12/2004
PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA.
É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados.
Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições.
Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
Numero da decisão: 3401-003.817
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou novamente pela recorrente, em função de alteração do colegiado, o advogado Amílcar Barca Teixeira Júnior, OAB/DF no 10.328.
ROSALDO TREVISAN Presidente.
ANDRÉ HENRIQUE LEMOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 COFINS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/01/2002 a 31/12/2004 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016).
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COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 28/01/2002 a 31/12/2004 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. EXCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DAS RECEITAS DECORRENTES DOS ATOS PRATICADOS COM SEUS ASSOCIADOS, DESIGNADOS ATOS TÍPICOS, PRÓPRIOS. LANÇAMENTO PELA SUA INCLUSÃO. IMPROCEDÊNCIA. É assente na jurisprudência pátria que há diferença entre atos praticados pelas cooperativas com terceiros tomadores de serviços não associados e atos em prol dos cooperados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 23 00 /2 00 6- 39 Fl. 507DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 497 2 Atos praticados com terceiros não associados são receitas tributáveis para fins de PIS e COFINS. Atos cooperativos são ingressos, logo, fora do campo de incidência das referidas contribuições. Precedentes do STF em sede de repercussão geral (RE 598.085/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime e 599.362/RJ, DJe 10/02/2015, votação unânime) e do STJ em regime de recursos repetitivos (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016 e REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Sustentou novamente pela recorrente, em função de alteração do colegiado, o advogado Amílcar Barca Teixeira Júnior, OAB/DF no 10.328. ROSALDO TREVISAN – Presidente. ANDRÉ HENRIQUE LEMOS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Cleber Magalhães, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator), Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de recurso voluntário, cujo nascedouro da relação jurídicotributária se deu por meio de autos de infração de PIS e COFINS, em razão de a Recorrente ter excluído da base de cálculo das referidas contribuições, as receitas decorrentes dos atos praticados com seus associados (atos cooperativos), referente ao período de apuração de 01/01/2002 a 31/12/2004, e sobre tal lançamento, incidiu ainda, a multa de ofício de 75%. A Recorrente apresentou impugnações para ambas autuações (COFINS, fls. 200239 e para o PIS, fls. 240282), pedindo a insubsistência dos lançamentos, principalmente porque os ingressos decorrentes do ato cooperativo NÃO geram receita ou faturamento para si, posto que goza de nãoincidência sobre os atos cooperativos, devendo pagar tais contribuições sobre o faturamento oriundo da prestação de serviços a terceiros não cooperados. Alternativamente, requereu a exclusão da base de cálculo apurada as despesas de captação na forma da planilha Anexa a IN/SRF 247/02. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 498 3 Às fls. 410422, sobreveio decisão da DRJ de Santa Maria/RS, a qual, por unanimidade de votos, julgou procedente os lançamentos da COFINS e do PIS, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CALCULO. A base de cálculo para as cooperativas de crédito corresponde à totalidade das receitas, com as exclusões admitidas na legislação para as instituições financeiras. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CALCULO. A base de cálculo para as cooperativas de crédito corresponde à totalidade das receitas, com as exclusões admitidas na legislação para as instituições financeiras. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2004 PRELIMINAR. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade de atos legais regularmente editados é privativa do Poder Judiciário. Lançamento Procedente. A contribuinte desafiou o referido acórdão, por intermédio da interposição de recurso voluntário (fls. 430462), no qual praticamente repisou os argumentos expendidos em suas impugnações, acrescentando jurisprudências dos Tribunais Superiores (REsp. 591.298/MG; EDcl no RESp. 625.607/MG) e deste Tribunal (acórdãos 10516989; 10708906; 20307489 e 20178429), as quais vão ao encontro de seu entendimento pela não incidência da COFINS e do PIS para as sociedades cooperativas quanto ao ato cooperativo desenvolvido por estas configurando, na sua visão um "serviço para si próprio" , hipótese em que não gera faturamento para estas sociedades. Advoga a Recorrente que os lançamentos são insubsistentes, mormente porque os ingressos decorrentes do ato cooperativo não geram receita ou faturamento para si, posto que goza de nãoincidência sobre os atos cooperativos próprios, devendo pagar tais contribuições sobre o faturamento oriundo da prestação de serviços a terceiros não cooperados. Também defende que sobreveio a Lei 11.051/2004, cujo artigo 30 esclareceu o assunto, Lei esta, fruto de decisões judiciais do E. STJ, nos autos dos Recursos Especiais 388.921; 523.554 e 616.219 as quais reconheceram a não incidência do PIS e da COFINS sobre os ingressos oriundos dos atos cooperativos praticados por cooperativas aos seus cooperados , e por tal razão, esta seria interpretativa, e por conseguinte, aplicável de modo retroativo, cuja possibilidade encontra respaldo no art. 106, I, do CTN. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 499 4 Por fim, alternativamente, argui sobre deduções permitidas, dizendo que a fiscalização não observara a legislação tributável aplicável às cooperativas de crédito, posto que, na qualidade de instituição financeira, tem o direito de efetuar deduções com despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, inicialmente por meio do artigo 2o da MP 1.807/99, posteriormente pela MP 2.15825/01 (dando nova redação ao § 6°, do artigo 3o, da Lei 9.718/98), o que depois, por intermédio da reedição da MP 1.8587/99, novas alterações trataram da matéria. Ainda neste tópico, disse que o Decreto 4.524/02, dispôs sobre as duas contribuições objeto dos lançamentos e que foram normatizadas pela IN/SRF 247/02, sendo que, esta, em seu artigo 26, permitiu que as cooperativas de crédito deduzissem as despesas incorridas nas operações de intermediação financeira para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, dentre outras, dedução das despesas de captação (Cosif 8.1.1.00.008). Disse que a fiscalização não observou/considerou esta despesa (custo de captação dos recursos), apurando uma base de cálculo superior a legalmente admitida e arremata na fl. 238: Desta forma, a base de cálculo (se não considerarmos a exclusão do ato cooperativo) deve ser a seguinte: Faturamento/Receita bruta (—) Reversão de Provisões/Recebimento de Créditos em Prejuízo (—) Despesas de Captação ( ) Demais despesas legalmente permitidas (=) Base de cálculo do PIS e da COFINS Diante disso, pediu a declaração da insubsistência da autuação. É o relatório. Voto Conselheiro André Henrique Lemos, relator A ciência do acórdão da DRJ foi recebido em 02/10/2008 (fl. 429), sendo o recurso voluntário interposto dia 30/10/2009 (fl. 430), portanto, tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A celeuma encaminhada para este E. Tribunal diz respeito a 2 (dois) autos de infração, um de PIS e outro da COFINS, por ter a Recorrente excluído da base de cálculo das referidas contribuições, as receitas decorrentes dos atos praticados com seus associados (atos cooperativos), referente ao período de apuração de 01/01/2002 a 31/12/2004, e sobre tal lançamento, incidiu ainda, a multa de ofício de 75%. Fl. 510DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 500 5 Como se viu, a Recorrente defende a insubsistência dos autos de infrações, centrandose basicamente: 1) Que os ingressos oriundos do ato cooperativo não geram receita ou faturamento, passíveis de serem tributados pelo PIS e COFINS, vez que a Recorrente goza de nãoincidência sobre tais atos cooperativos próprios. 2) Que em razão de vários precedentes do STJ (Recursos Especiais 388.921; 523.554 e 616.219), os quais reconheceram a nãoincidência do PIS e da COFINS sobre os ingressos resultantes dos atos cooperativos praticados por cooperativas aos seus cooperados (próprios), criouse a Lei 11.051/2004, portanto, uma Lei interpretativa que, em seu artigo 30, esclareceu o assunto, e sendo interpretativa, sua aplicação é retroativa, conforme artigo 106, I do CTN. 3) Alternativamente, disse ter direito de efetuar deduções com despesas incorridas nas operações de intermediação financeira, nos termos artigo 2o da MP 1.807/99, posteriormente pela MP 2.15825/01 (a qual deu nova redação ao § 6°, do artigo 3o, da Lei 9.718/98), e que depois, por meio da reedição da MP 1.8587/99, novas alterações trataram da matéria. Finalizou seu recurso dizendo que o Decreto 4.524/02, dispôs sobre as duas contribuições objeto dos lançamentos e que foram normatizadas pela IN/SRF 247/02, sendo que, em seu artigo 26, permitiu às cooperativas de crédito deduzirem as despesas incorridas nas operações de intermediação financeira para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, dentre outras, dedução das despesas de captação (Cosif 8.1.1.00.008). Pois bem, como se viu do relatório e se verá ao longo do presente voto, a matéria é rica tanto em normatização Constituição Federal, Lei Ordinária, Medidas Provisórias, Decreto, Instrução Normativa, Resolução BACEN e Resolução do Conselho Federal de Contabilidade , quanto na doutrina, como também, nas decisões judiciais e/ou administrativa, demandando muitas reflexões até que se pudesse trazer algo conciso, porém com conteúdo para este Colegiado e às partes. Em meio a este arcabouço, temse como missão primeira decidir se em atos cooperativos praticados pela Recorrente em prol de seus associados ou seja, em atos cooperativos próprios, típicos (numa relação interna entre a Cooperativa e seus associados, repetese) , geraria receita ou mero ingresso passível de tributação ou não do PIS e da COFINS. Em segundo, se a Lei 11.051/2004 tem aplicação retroativa. E, por fim, em terceiro, e alternativamente, se seriam dedutíveis das bases de cálculo do PIS e da COFINS, as despesas de captação (custo de captação dos recursos). Tentando decifrar o assunto, se começará a analisar as fontes normativas sobre as sociedades cooperativas, passando pelas decisões judiciais (STJ e STF) e administrativas (CARF); o mesmo método se fará com o chamado ato cooperativo, e ao final, se analisará a presente casuística, qual seja, uma Cooperativa de Crédito. I. DAS SOCIEDADES COOPERATIVAS NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO Fl. 511DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 501 6 As sociedades cooperativas são reguladas pela Lei 5.764/71, recepcionada pela Constituição Federal com força de lei complementar, havendo incentivo à criação de sociedades cooperativas, nos termos dos artigos 5o, XVIII, 146, III, "c", 170 e 174, § 2°: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XVIII a criação de associações e, na forma da lei, a de cooperativas independem de autorização, sendo vedada a interferência estatal em seu funcionamento; Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: c) adequado tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado. § 2º A lei apoiará e estimulará o cooperativismo e outras formas de associativismo. Como é de sabido as sociedades cooperativas possuem forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil não sujeitas à falência e são constituídas para prestar serviços aos seus associados, como preceitua o artigo 4o da Lei 5.764/71. Tais sociedades são formadas por grupos de pessoas com o intuito de cooperar entre si, visando o proveito comum e sem fins lucrativos (artigo 3o da Lei 5.764/71), cujas sobras voltam, direta ou indiretamente para quem gerou a fonte de receita. Portanto, com estas brevíssimas considerações, percebese a singularidade desta espécie de sociedade, o que a diferencia, digase de passagem, das sociedades comerciais, por exemplo. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 502 7 II. DO ATO COOPERATIVO. A DIFERENÇA ENTRE ESTE E UMA ATIVIDADE EMPRESARIAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO DO PIS E DA COFINS O conceito de ato cooperativo, por seu turno, encontra arrimo no artigo 79 da Lei 5.764/71: Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Vêse que o chamado ato cooperativo é aquele praticado entre a cooperativa e seus associados, ou seja, atos "típicos", "diretos","internos", conforme dicção do caput do artigo 79 acima, estes, não implicando operação e mercado, leiase, ato de mercancia, assim entendido, uma mudança de titularidade de um bem (material ou imaterial) a um terceiro não associado, de acordo com a exegese do parágrafo único, do mesmo dispositivo legal. Entrementes, esta disposição não é isentiva, mas declaratória da nãoincidência, como, precisamente, nos ensina o professor Renato Lopes Becho, in RDDT 41/85. Deste modo, se a Cooperativa presta um serviço para si mesma, ou melhor dizendo, para seus associados, não há se falar em faturamento1 ou receita típica para fins de incidência do PIS e da COFINS. Haverá prestação de serviços quando houver uma obrigação de fazer, um facere para um terceiro neste caso, um terceiro tomador dos serviços, não associado da cooperativa , que, no caso, não há, repetese. A Lei 5.764/71 esclarece que ato praticado por cooperativos a terceiros não associados é renda tributável: Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados em separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento 1 Faturamento é o conjunto de faturas emitidas, a soma dos contratos de venda (de mercadoria e/ou serviço, por exemplo), logo, a cooperativa não realizando contratos de venda não haverá incidência do PIS e da COFINS (Renato Lopes Becho, Na Tributação das Cooperativas, Dialética, 1999). Noutro falar, somente haveria a incidência das referidas contribuições, caso a cooperativa prestasse serviço para um terceiro não associado, cujo auferimento seria oriundo de "receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza". Fl. 513DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 503 8 de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. Por outro lado, a Resolução CFC 920/2001, aprovou a Norma Brasileira de Contabilidade NBC T 10 Dos Aspectos Contábeis Específicos em Entidades Diversas Entidades Cooperativas NBC T 10.8, merecendo destaques: 10.8.1.2 – Entidades Cooperativas são aquelas que exercem as atividades na forma de lei específica, por meio de atos cooperativos, que se traduzem na prestação de serviços diretos aos seus associados, sem objetivo de lucro, para obterem em comum melhores resultados para cada um deles em particular. Identificamse de acordo com o objeto ou pela natureza das atividades desenvolvidas por elas, ou por seus associados. 10.8.1.4 – A movimentação econômicofinanceira decorrente do ato cooperativo, na forma disposta no estatuto social, é definida contabilmente como ingressos e dispêndios (conforme definido em lei). Aquela originada do ato nãocooperativo é definida como receitas, custos e despesas. Já o Poder Judiciário, por seu turno, seja pelo STJ (AgRg no Ag 1.418.104/MG, DJe 14/09/2015; EDcl no REsp. 1.382.587/ES, DJe 04/08/2015; AgRg no AREsp. 674.512/SP, DJe 18/05/2015; REsp. 600.458/MG, DJe 17/04/2015), seja por meio do STF (RE 598.085/RJ; RE 599.362/RJ, estes julgados no mérito de repercussão geral, temas 177 e 323, respectivamente), entenderam de maneira pacificada que os atos praticados por cooperativa com terceiros não se inserem no conceito de atos cooperativos, revelandose uma atividade empresarial típica (escusas pela repetição desta expressão, também usada para ato cooperativo, porém, de toda proposital, convencido que são atividades típicas, contudo, diversas, cada qual para seus respectivos segmentos), cuja receita auferida está no campo de incidência do PIS e da COFINS. Logo, por exclusão, não há incidência das contribuições nos atos cooperativos. De acordo com o artigo 62, § 2° do RICARF2, diante de decisões de definitivas de mérito em repercussão geral proferidas pelo STF e de repetitivos pelo STJ, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, portanto, seguem as ementas dos RE 598.085/RJ (DJe 10/02/2015, votação unânime) e 599.362/RJ (DJe 10/02/2015, votação unânime), respectivamente: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. TRIBUTÁRIO. ATO COOPERATIVO. COOPERATIVA DE 2 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 514DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 504 9 TRABALHO. SOCIEDADE COOPERATIVA PRESTADORA DE SERVIÇOS MÉDICOS. POSTO REALIZAR COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (NÃO COOPERADOS) VENDA DE MERCADORIAS E DE SERVIÇOS SUJEITASE À INCIDÊNCIA DA COFINS, PORQUANTO AUFERIR RECEITA BRUTA OU FATURAMENTO ATRAVÉS DESTES ATOS OU NEGÓCIOS JURÍDICOS. CONSTRUÇÃO DO CONCEITO DE “ATO NÃO COOPERATIVO” POR EXCLUSÃO, NO SENTIDO DE QUE SÃO TODOS OS ATOS OU NEGÓCIOS PRATICADOS COM TERCEIROS NÃO ASSOCIADOS (COOPERADOS), EX VI, PESSOAS FÍSICAS OU JURÍDICAS TOMADORAS DE SERVIÇO. POSSIBILIDADE DE REVOGAÇÃO DO BENEFÍCIO FISCAL (ISENÇÃO DA COFINS) PREVISTO NO INCISO I, DO ART. 6°, DA LC Nº 70/91, PELA MP Nº 1.8586 E REEDIÇÕES SEGUINTES, CONSOLIDADA NA ATUAL MP Nº 2.158 35. A LEI COMPLEMENTAR A QUE SE REFERE O ART. 146, III, “C”, DA CF/88, DETERMINANTE DO “ADEQUADO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO AO ATO COOPERATIVO”, AINDA NÃO FOI EDITADA. EX POSITIS, DOU PROVIMENTO AO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. 1. As contribuições ao PIS e à COFINS sujeitamse ao mesmo regime jurídico, porquanto aplicável a mesma ratio quanto à definição dos aspectos da hipótese de incidência, em especial o pessoal (sujeito passivo) e o quantitativo (base de cálculo e alíquota), a recomendar solução uniforme pelo colegiado. 2. O princípio da solidariedade social, o qual inspira todo o arcabouço de financiamento da seguridade social, à luz do art. 195 da CF/88, matriz constitucional da COFINS, é mandamental com relação a todo o sistema jurídico, a incidir também sobre as cooperativas. 3. O cooperativismo no texto constitucional logrou obter proteção e estímulo à formação de cooperativas, não como norma programática, mas como mandato constitucional, em especial nos arts. 146, III, c; 174, § 2°; 187, I e VI, e 47, § 7º, ADCT. O art. 146, c, CF/88, trata das limitações constitucionais ao poder de tributar, verdadeira regra de bloqueio, como corolário daquele, não se revelando norma imunitória, consoante já assentado pela Suprema Corte nos autos do RE 141.800, Relator Ministro Moreira Alves, 1ª Turma, DJ 03/10/1997. 4. O legislador ordinário de cada pessoa política poderá garantir a neutralidade tributária com a concessão de benefícios fiscais às cooperativas, tais como isenções, até que sobrevenha a lei complementar a que se refere o art. 146, III, c, CF/88. O benefício fiscal, previsto no inciso I do art. 6º da Lei Complementar nº 70/91, foi revogado pela Medida Provisória nº 1.858 e reedições seguintes, consolidada na atual Medida Provisória nº 2.158, tornandose tributáveis pela COFINS as Fl. 515DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 505 10 receitas auferidas pelas cooperativas (ADI 1/DF, Min. Relator Moreira Alves, DJ 16/06/1995). 5. A Lei nº 5.764/71, que define o regime jurídico das sociedades cooperativas e do ato cooperativo (artigos 79, 85, 86, 87, 88 e 111), e as leis ordinárias instituidoras de cada tributo, onde não conflitem com a ratio ora construída sobre o alcance, extensão e efetividade do art. 146, III, c, CF/88, possuem regular aplicação. 6. Acaso adotado o entendimento de que as cooperativas não possuem lucro ou faturamento quanto ao ato cooperativo praticado com terceiros não associados (não cooperados), inexistindo imunidade tributária, haveria violação a determinação constitucional de que a seguridade social será financiada por toda a sociedade, ex vi, art. 195, I, b, da CF/88, seria violada. 7. Consectariamente, atos cooperativos próprios ou internos são aqueles realizados pela cooperativa com os seus associados (cooperados) na busca dos seus objetivos institucionais. 8. A Suprema Corte, por ocasião do julgamento dos recursos extraordinários 357.950/RS, 358.273/RS, 390.840/MG, Relator Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 15082006, e 346.084/PR, Relator Min. ILMAR GALVÃO, Relator p/ Acórdão Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, DJ 01092006, assentou a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à COFINS, promovida pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, o que implicou na concepção da receita bruta ou faturamento como o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços. 9. Recurso extraordinário interposto pela UNIÃO (FAZENDA NACIONAL), com fulcro no art. 102, III, “a”, da Constituição Federal de 1988, em face de acórdão prolatado pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. COOPERATIVA. LEI Nº. 5.764/71. COFINS. MP N°. 1.858/99. LEI 9.718/98, ART. 3°, § 1° (INCONSTITUCIONALIDADE). NÃOINCIDÊNCIA DA COFINS SOBRE OS ATOS COOPERATIVOS. 1. A Emenda Constitucional nº 20, de 15 de dezembro de 1998 (DOU de 16/12/1998) não tem força para legitimar o texto do art. 3°, § 1°, da Lei nº. 9.718/98, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação, em 28 de novembro de 1998. 2. É inconstitucional o § 1° do artigo 3º da Lei n° 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RREE. 357.950/RS, 346.084/PR, 358.273/RS e 390.840/MG) 3. Prevalece, no confronto com a Lei nº. 9718/98, para fins de determinação da base de cálculo da Cofins o disposto no art. 2° da Lei n° 70/91, que considera faturamento somente a receita bruta das vendas de mercadorias, de Fl. 516DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 506 11 mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. 4. Os atos cooperativos (Lei nº. 5.764/71 art. 79) não geram receita nem faturamento para as sociedades cooperativas. Não compõem, portanto, o fato imponível para incidência da Cofins. (grifei). 5. Em se tratando de mandado de segurança, não são devidos honorários de advogado. Aplicação das Súmulas 512 do STF e 105 do STJ. 6. Apelação provida. (fls. 120/121). 10. A natureza jurídica dos valores recebidos pelas cooperativas e provenientes não de seus cooperados, mas de terceiros tomadores dos serviços ou adquirentes das mercadorias vendidas e a incidência da COFINS, do PIS e da CSLL sobre o produto de ato cooperativo, por violação dos conceitos constitucionais de “ato cooperado”, “receita da atividade cooperativa” e “cooperado”, são temas que se encontram sujeitos à repercussão geral nos recursos: RE 597.315RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 02/02/2012, Dje 22/02/2012, RE 672.215RG, Relator Min. ROBERTO BARROSO, julgamento em 29/03/2012, Dje 27/04/2012, e RE 599.362RG, Relator Min. DIAS TOFFOLI, Dje13122010, notadamente acerca da controvérsia atinente à possibilidade da incidência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, tendo em vista o disposto na Medida Provisória nº 2.15833, originariamente editada sob o nº 1.8586, e nas Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998. 11. Ex positis, dou provimento ao recurso extraordinário para declarar a incidência da COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela recorrida com terceiros tomadores de serviço, resguardadas as exclusões e deduções legalmente previstas. Ressalvo, ainda, a manutenção do acórdão recorrido naquilo que declarou inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta. Recurso extraordinário. Repercussão geral. Artigo 146, III, c, da Constituição Federal. Adequado tratamento tributário. Inexistência de imunidade ou de não incidência com relação ao ato cooperativo. Lei nº 5.764/71. Recepção como lei ordinária. PIS/PASEP. Incidência. MP nº 2.15835/2001. Afronta ao princípio da isonomia. Inexistência. 1. O adequado tratamento tributário referido no art. 146, III, c, CF é dirigido ao ato cooperativo. A norma constitucional concerne à tributação do ato cooperativo, e não aos tributos dos quais as cooperativas possam vir a ser contribuintes. 2. O art. 146, III, c, CF pressupõe a possibilidade de tributação do ato cooperativo ao dispor que a lei complementar estabelecerá a forma adequada para tanto. O texto constitucional a ele não garante imunidade ou mesmo não incidência de tributos, tampouco decorre diretamente da Constituição direito subjetivo das cooperativas à isenção. Fl. 517DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 507 12 3. A definição do adequado tratamento tributário ao ato cooperativo se insere na órbita da opção política do legislador. Até que sobrevenha a lei complementar que definirá esse adequado tratamento, a legislação ordinária relativa a cada espécie tributária deve, com relação a ele, garantir a neutralidade e a transparência, evitando tratamento gravoso ou prejudicial ao ato cooperativo e respeitando, ademais, as peculiaridades das cooperativas com relação às demais sociedades de pessoas e de capitais. 4. A Lei nº 5.764/71 foi recepcionada pela Constituição de 1988 com natureza de lei ordinária e o seu art. 79 apenas define o que é ato cooperativo, sem nada referir quanto ao regime de tributação. Se essa definição repercutirá ou não na materialidade de cada espécie tributária, só a análise da subsunção do fato na norma de incidência específica, em cada caso concreto, dirá. 5. Na hipótese dos autos, a cooperativa de trabalho, na operação com terceiros – contratação de serviços ou vendas de produtos não surge como mera intermediária de trabalhadores autônomos, mas, sim, como entidade autônoma, com personalidade jurídica própria, distinta da dos trabalhadores associados. 6. Cooperativa é pessoa jurídica que, nas suas relações com terceiros, tem faturamento, constituindo seus resultados positivos receita tributável. 7. Não se pode inferir, no que tange ao financiamento da seguridade social, que tinha o constituinte a intenção de conferir às cooperativas de trabalho tratamento tributário privilegiado, uma vez que está expressamente consignado na Constituição que a seguridade social “será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei” (art. 195, caput, da CF/88). 8. Inexiste ofensa ao postulado da isonomia na sistemática de créditos conferida pelo art. 15 da Medida Provisória 2.158 35/2001. Eventual insuficiência de normas concedendo exclusões e deduções de receitas da base de cálculo da contribuição ao PIS não pode ser tida como violadora do mínimo garantido pelo texto constitucional. 9. É possível, senão necessário, estabeleceremse diferenciações entre as cooperativas, de acordo com as características de cada segmento do cooperativismo e com a maior ou a menor necessidade de fomento dessa ou daquela atividade econômica. O que não se admite são as diferenciações arbitrárias, o que não ocorreu no caso concreto. 10. Recurso extraordinário ao qual o Supremo Tribunal Federal dá provimento para declarar a incidência da contribuição ao PIS/PASEP sobre os atos (negócios jurídicos) praticados pela Fl. 518DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 508 13 impetrante com terceiros tomadores de serviço, objeto da impetração. Cumpre informar ainda, no toada do artigo 62, § 2° do RICARF, citado acima, duas decisões do E. STJ, ambas de 2016, as quais, em sede de recurso representativo de controvérsia, também se manifestaram sobre o tema: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL PARCIALMENTE PROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 124), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O Parecer do douto Ministério Público Federal é pelo provimento parcial do Recurso Especial. 5. Recurso Especial parcialmente provido para excluir o PIS e a COFINS sobre os atos cooperativos típicos e permitir a compensação tributária após o trânsito em julgado. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp. 1.141.667/RS, 1a Seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 509 14 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. (REsp. 1.164.716/MG, 1a seção do STJ, v. u., DJe 04/05/2016). Diante disso, reduzindose o raciocínio à simplicidade, temse o ponto de corte: ato cooperativo é aquele prestado pela cooperativa em prol de seus associados, por conseguinte, não mercancia, logo, nãoincidência de PIS e da COFINS. Prestação de serviços da cooperativa para terceiros não associados não é ato cooperativo, é uma atividade empresarial, portanto, receita tributável para fins das citadas contribuições. Dispositivo Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, cancelando os autos de infração. André Henrique Lemos Fl. 520DF CARF MF Processo nº 11060.002300/200639 Acórdão n.º 3401003.817 S3C4T1 Fl. 510 15 Fl. 521DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723631/2013-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-004.024
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a exigência do imposto de renda com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal, vencidos os Conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Denny Medeiros da Silveira e Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, que deram provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos pagos acumuladamente as tabelas e alíquotas do imposto de renda vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 36 31 /2 01 3- 05 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 11080.723631/201305 Acórdão n.º 2202004.024 S2C2T2 Fl. 97 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Fernanda Melo Leal, Denny Medeiros da Silveira, Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 11080.723631/201305, em face do acórdão nº 1043.718, julgado pela 8ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), na sessão de julgamento de 29 de abril de 2013, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Mediante Notificação de Lançamento, de fls. 06/10, exigese do contribuinte acima qualificado o recolhimento do imposto de renda pessoa física, acrescido de multa de mora e juros de mora no valor total de R$ 21.314,89, calculados até 28/02/2013, em virtude da constatação de irregularidades na declaração de ajuste anual referente ao exercício de 2010, anocalendário de 2009. A fiscalização informa às fls. 08, ter constatado compensação indevida do imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 33.255,82. O contribuinte apresentou impugnação, conforme instrumento de fls. 02/04, informando que nas certidões de cálculos (da Justiça do Trabalho) expedidas em 17/10/2007 e 06/01/2008, constava retenção do imposto no valor de R$ 57.713,62. Em 2008, recebeu valores parciais, com retenção do imposto de renda no valor de R$ 20.398,01. Em 2009 recebeu valores com retenção do imposto de renda no valor de R$ 33.255,82. A diferença entre o valor que constou nas certidões – R$ 57.713,62 – e o valor recolhido em 2008 – R$ 20.398,01 – corresponde a R$ 37.315,61 que é praticamente igual ao valor declarado. Em 31/01/2012 foi efetuado recolhimento através de DARF no valor de R$ 9.048,96 e em 21/05/2012 outro recolhimento no valor de R$ 14.840,74. O CNPJ dos DARF´s – 03.422.707/000184 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 11080.723631/201305 Acórdão n.º 2202004.024 S2C2T2 Fl. 98 3 Diverge do que consta da Notificação 03.422.707/ 001660. Requereu a reconsideração da glosa promovida pela fiscalização. A 8ª Turma da Delegacia Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA) entendeu pela manutenção do crédito tributário. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 70/72, reiterando as alegações expostas em impugnação. Na oportunidade, junta alvarás e recibo de escritório de advocacia, a fim de comprovar os fatos de seu direito. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Verificase que a contribuinte foi cientificada, por aviso de recebimento, em 08/05/2013, tendo apresentado recurso voluntário em 04/06/2011, consoante data do carimbo que consta no recurso voluntário. No entanto, o extrato do processo de fl. 92 refere que o recurso voluntário teve entrada em 04/06/2013. Ora, em 2011 este processo sequer existia, pois somente teve início com o protocolo da impugnação em 02/04/2013. O acórdão da DRJ é de 29/04/2013. Logo, a data do carimbo que consta no recurso voluntário não pode ser considerada como correta. Em razão disso, considerase tempestivo o recurso voluntário por força da informação que consta no extrato do processo, de fl. 92 dos autos, onde lá consta que este teve sua entrada em 04/06/2013. Logo, considero tempestivo o presente recurso. Assim, sendo o recurso voluntário apresentado dentro do prazo legal e reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, entendo por conhecêlo. Cabe referir, antes de adentrar no mérito do recurso, que em relação aos documentos juntados em fase recursal, entendo que estes devem ser recebidos como prova do alegado pelo contribuinte, por força do princípio da verdade material e do formalismo moderado. A contribuinte alega que sofreu o ônus da retenção do imposto de renda e que, portanto, não poderia estar lhe sendo exigido tal valor. No entanto, pela documentação existente nos autos, a contribuinte não logra êxito em demonstrar tal fato. Contudo, o lançamento tributário deriva da contribuinte ter recebido valores decorrentes de reclamação trabalhista movida pela contribuinte em face do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial – SENAC, através de processo autuado sob o n° 009892003023 04004, com trâmite perante a 23a. Vara do Trabalho de Porto Alegre. Assim, verificase que a contribuinte recebeu os valores da referida ação judicial no anocalendário 2009, de forma acumulada. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 11080.723631/201305 Acórdão n.º 2202004.024 S2C2T2 Fl. 99 4 Portanto, fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. O lançamento em questão não pode prosperar. Isso porque a constitucionalidade da utilização do art. 12 da Lei nº 7.713/88 para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nº 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da repercussão geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil. De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. O julgamento recebeu a seguinte ementa: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) O entendimento da Suprema Corte, em sede de repercussão geral, é de observância obrigatória pelos membros deste Conselho, conforme disposto no art. 62, § 2º da Portaria nº 343, de 09 de junho de 2015 (novo Regimento Interno do CARF), assim descrito: Art.62 (...) §2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar a exigência fiscal. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 11080.723631/201305 Acórdão n.º 2202004.024 S2C2T2 Fl. 100 5 (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.900020/2009-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 09 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 15/06/2004
ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO
O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação deve ser mantido.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-004.644
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
EDITADO EM: 07/08/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 15/06/2004 ÔNUS DA PROVA. DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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DIREITO CREDITÓRIO O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, a manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação deve ser mantido. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. EDITADO EM: 07/08/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 00 20 /2 00 9- 58 Fl. 124DF CARF MF 2 Aguiar, Charles Pereira Nunes, José Renato Pereira de Deus, Lenisa Rodrigues Prado, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araujo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo o relatório da decisão de piso de fls. 3943: Trata o presente processo de apreciação de compensação declarada no PER/DCOMP nº 16790.97139.140904.1.3.048040, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/06/2004, a título de Cofins, com débito de Cofins relativo a agosto de 2004, no valor original de R$ 98.838,32. A Derat/RJO, por meio do despacho decisório de fl. 8 não reconheceu o direito creditório pleiteado, sob a alegação de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitar o débito de Cofins do PA 31/05/2004. Cientificada do despacho e da cobrança do débito declarado no PER/DComp, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 10/11, na qual alega que: Efetuou o pagamento do COFINS, referente ao período de apuração de 31/05/2004, através de DARF, no valor de R$ 4.509.138,95 e compensações nos valores de R$ 1.004.285,12 e de R$ 10.042,85, totalizando a quantia de R$ 5.523.466,92. Acontece que ao conferir a base de cálculo do tributo, constatou a existência de um débito de R$ 5.433.837,33, via de conseqüência, restou configurado o pagamento a maior do valor de R$ 89.629,59. Inobstante disto, restando configurado que o valor real do débito é na verdade de R$ 5.433.837,33, configurado pagamento a maior do valor de R$ 89.629,59, o qual não foi retificado na DCTF, tendo em vista que os lançamentos acima mencionados se deram sob o comando do CNPJ de n° 33.041.260/000164, pertencente a Matriz da mesma a época, contudo, a recorre promoveu a mudança da sua sede para outra localidade, tendo sido fornecido novo número de CNPJ, deste modo, ao tentar comandar eletronicamente a retificação que se faz necessária, não logrou êxito, pois, o sistema desse r. Órgão não aceita transmitila com o CNPJ do antigo estabelecimento Matriz, já que a certificação digital se deu através do novo cadastro de contribuintes. Ao proceder desta forma a recorrente nada mais fez do que exercer o seu direito regulado nas normas editadas pela SRF, e previstas na legislação federal. Porém, a autoridade fiscal sem um motivo justo qualquer não homologou a compensação solicitada pela recorrente, formalizando a sua decisão através do despacho decisório ora combatido. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 15374.900020/200958 Acórdão n.º 3302004.644 S3C3T2 Fl. 3 3 Portanto, a decisão da autoridade fiscal em não homologar a compensação efetuada sem considerar outros elementos atinentes ao caso e que eram de fácil é totalmente desprovida de razoabilidade e fere o direito da recorrente. Já é de conhecimento da maioria que no âmbito federal as empresas de grande porte são obrigadas a declarar as suas informações por meio eletrônico e com certificação digital. Contudo, a recorrente vem sendo prejudicada, pois não consegue retificar a sua DCTF, em decorrência dos problemas mencionados. Por fim requer a revisão do lançamento e, via de conseqüência, reconhecida a existência do crédito para fins de homologar a compensação declarada. Em 07.03.2013, a Turma de piso julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito crédito apurado pela Recorrente, conforme se verifica na ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/06/2004 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Intimada da decisão em 17.07.2013 (fls.121), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 16.08.2013 (fls.6874), reiterando, em síntese, os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Walker Araujo I Tempestividade A Recorrente foi intimada da decisão de piso em 17.07.2013 (fls.121) e protocolou Recurso Voluntário em 16.08.2013 (fls.6874), dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no artigo 33, do Decreto 70.235/721. Desta forma, considerando que o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Questões de Mérito 1 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Fl. 126DF CARF MF 4 Conforme exposto anteriormente, o crédito utilizado pela Recorrente declarado no PER/DCOMP nº 16790.97139.140904.1.3.048040 referese a valor que teria sido recolhido a maior, em 15/06/2004, a título de Cofins, no montante de R$ 89.629,59. Segundo a Recorrente, o crédito tem origem no erro cometido na apuração da base de cálculo da referida contribuição (5.523.466,92 5.433.837,33=R$ 89.629,59), o qual não foi retificado na DCTF, tendo em vista que os lançamentos acima mencionados se deram sob o comando do CNPJ de n° 33.041.260/000164, pertencente a Matriz da mesma a época, contudo, a recorre promoveu a mudança da sua sede para outra localidade, tendo sido fornecido novo número de CNPJ, deste modo, ao tentar comandar eletronicamente a retificação que se faz necessária, não logrou êxito, pois, o sistema desse r. Órgão não aceita transmitila com o CNPJ do antigo estabelecimento Matriz, já que a certificação digital se deu através do novo cadastro de contribuintes. Juntou inicialmente apenas o PER/DCOMP 16790.97139.140904.1.3.048040 para comprovar suas alegações. Por sua vez, a Turma "a quo" afastou o direito da Recorrente por total ausência de provas capaz de comprovar/demonstrar a origem do crédito pleiteado, conforme trecho destacado da decisão: No caso em tela, o contribuinte deveria apresentar ao Fisco os comprovantes fiscais e contábeis – documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis – relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste. Em vez de comprovar como apurou o novo valor devido da Cofins em maio de 2004, o interessado limitouse a afirmar que efetuou pagamento indevido, sem demonstrar contabilmente como teria sido apurado este novo valor, o que deveria ter feito. Em sede recursal, a Recorrente trouxe aos autos cópia da DCTF (fls.114115) e apresentou planilha com apuração do crédito pleiteado (fls.117119). Pois bem. O ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC2). Não sendo produzido nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o indeferindo do crédito é medida que se impõe. Nesse sentido: "Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/07/2009 a 30/09/2009 VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios 2 Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor Fl. 127DF CARF MF Processo nº 15374.900020/200958 Acórdão n.º 3302004.644 S3C3T2 Fl. 4 5 correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. (...)" (Processo n.º 11516.721501/201443. Sessão 23/02/2016. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3401003.096 grifei) Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado)3 Somase a isso, que a escrituração somente faz prova a favor do sujeito passivo se acompanhada por documentos hábeis à comprovar a origem do crédito pleiteado, conforme previsão contida no artigo 26, do Decreto nº 7574/20114. No presente caso, a Recorrente não trouxe aos autos documentos necessários e substanciais à comprovar suas alegações e demonstrar a origem do crédito utilizado no PER/DCOMP nº 16790.97139.140904.1.3.048040, justificando, assim, a manutenção do despacho decisório que não homologou referido pedido de compensação. Com efeito, a DCTF juntada a destempo pela Recorrente, em total inobservância a determinação contida no §4º, do artigo 16, do Dec. 70.235/725, não demonstra o erro cometido pelo contribuinte na apuração da base de cálculo da contribuição sob análise. 3 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. 4 Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o). 5 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 128DF CARF MF 6 Do mesmo modo, a planilha elaborada pela Recorrente sem o devido suporte documental é insuficiente para comprovar seu pretenso direito, na medida em que não há como confirmar a veracidade dos cálculos apresentados elaborados pelo contribuinte. Em resumo, não há como validar o crédito da Recorrente com base em meras suposições e alegações genericamente apresentadas. III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator Fl. 129DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.001198/2005-26
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2000
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. A
falta de indicação da lei formal (Lei 9.964/2000, que instituiu o REFIS e que dispôs que os valores comprados poderiam ser utilizados para a compensação de multas e juros devidos no âmbito do REFIS) não implica em nulidade do lançamento, tendo em vista que os fatos estão bem descritos no Termo de Verificação Fiscal que é peça integrante dos Auto de Infração e sobre os fatos
o contribuinte no exercício do direito à ampla defesa e do contraditório se defendeu demonstrando pleno conhecimento das imputações que lhe foram feitas.
IRPJ e CSLL DESÁGIO
NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E
BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS – VALOR DO GANHO TRIBUTÁVEL
A diferença apurada entre o preço pago e o valor do crédito compensável, advindo de prejuízos fiscais adquiridos de terceiros, no âmbito do Refis, constitui ganho de capital, devendo, pois, ser acrescido à base de cálculo de apuração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e da
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL).
IRPJ e CSLL DESÁGIO
NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS ASPECTO TEMPORAL O momento de escrituração do fato e reconhecimento do deságio (receita) para fins tributários, ocorre desde quando o contribuinte adquiriu o direito ao crédito
de terceiros e formalizou junto a Receita Federal o Pedido de Utilização de Créditos de Terceiros Decorrentes de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas, que passou de imediato a produzir os efeitos que lhe são próprios, qual seja, a redução ou liquidação de acréscimos legais (multa e juros ) na consolidação dos débitos incluídos no REFIS. O fato de posteriormente a
Receita Federal haver verificado e, indeferido parcialmente o crédito cedido em razão de insuficiência de prejuízo fiscal da cedente para efeito de cessão aos terceiros, não retira os efeitos da liquidação dos débitos no limite do crédito existente, conforme se depreende do artigo 3º da mencionada IN SRF
nº 044, de 25/04/2000.
MULTA DE OFÍCIO O
descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, conforme prevista no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96.
EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – Súmula CARF nº 2: O
CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de
abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tributação Reflexa: CSLL O lançamentos reflexo de CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS/Pasep e Cofins.
BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI N2 9.718/98.
INCONSTITUCIONALIDADE.
Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente
ao ser editada a mencionada norma legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO
ADMINISTRATIVA.
Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluise, portanto, da tributação do PIS/Pasep e da Cofins, o deságio apurado na ação fiscal.
LANÇAMENTOS REFLEXOS PIS/ COFINS DESÁGIO NA
AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL O deságio obtido na aquisição de prejuízos
fiscais e bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro não integram a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins.
Numero da decisão: 1802-000.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento PARCIAL ao recurso para excluir a exigência relativa ao PIS e à Cofins, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. A falta de indicação da lei formal (Lei 9.964/2000, que instituiu o REFIS e que dispôs que os valores comprados poderiam ser utilizados para a compensação de multas e juros devidos no âmbito do REFIS) não implica em nulidade do lançamento, tendo em vista que os fatos estão bem descritos no Termo de Verificação Fiscal que é peça integrante dos Auto de Infração e sobre os fatos o contribuinte no exercício do direito à ampla defesa e do contraditório se defendeu demonstrando pleno conhecimento das imputações que lhe foram feitas. IRPJ e CSLL DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS – VALOR DO GANHO TRIBUTÁVEL A diferença apurada entre o preço pago e o valor do crédito compensável, advindo de prejuízos fiscais adquiridos de terceiros, no âmbito do Refis, constitui ganho de capital, devendo, pois, ser acrescido à base de cálculo de apuração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). IRPJ e CSLL DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS ASPECTO TEMPORAL O momento de escrituração do fato e reconhecimento do deságio (receita) para fins tributários, ocorre desde quando o contribuinte adquiriu o direito ao crédito de terceiros e formalizou junto a Receita Federal o Pedido de Utilização de Créditos de Terceiros Decorrentes de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas, que passou de imediato a produzir os efeitos que lhe são próprios, qual seja, a redução ou liquidação de acréscimos legais (multa e juros ) na consolidação dos débitos incluídos no REFIS. O fato de posteriormente a Receita Federal haver verificado e, indeferido parcialmente o crédito cedido em razão de insuficiência de prejuízo fiscal da cedente para efeito de cessão aos terceiros, não retira os efeitos da liquidação dos débitos no limite do Fl. 219DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 crédito existente, conforme se depreende do artigo 3º da mencionada IN SRF nº 044, de 25/04/2000. MULTA DE OFÍCIO O descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de ofício no percentual de 75%, conforme prevista no artigo 44, inciso I da Lei nº 9.430/96. EXAME DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI – Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tributação Reflexa: CSLL O lançamentos reflexo de CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. PIS/Pasep e Cofins. BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 32 DA LEI N2 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluise, portanto, da tributação do PIS/Pasep e da Cofins, o deságio apurado na ação fiscal. LANÇAMENTOS REFLEXOS PIS/COFINS DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL O deságio obtido na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro não integram a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir a exigência relativa ao PIS e à Cofins, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fl. 220DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 187 3 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel, André Almeida Blanco e João Francisco Bianco. Relatório Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.150/153 ) que a seguir transcrevo: Trata o presente processo do Auto de Infração de fls.075 a 078, o qual exige da interessada o recolhimento da importância de R$ 107.917,23, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora, a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, fato gerador em 31/12/2000. Conforme Descrição dos Fatos (076) do Auto de Infração, trata se de "Omissão de receita operacional, caracterizada pela falta de contabilização de deságio auferido na aquisição de créditos fiscais (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL) de terceiros, para liquidação de valores correspondentes a multa e juros moratórios, relativos a tributos ou contribuições incluídos no Refis, conforme consta devidamente explicitado no Termo de Verificação de Infração — IRPJ e Reflexos, que é parte integrante do presente Auto de Infração." Como decorrentes do lançamento do IRPJ, correspondente a fato gerador ocorrido em 31/12/2000, foram ainda lavrados Autos de Infração a título de Contribuição para o PIS (fls.79 a 82), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls.83 a 96) e de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL (fls.87 a 91), nas importâncias de R$ 3.346,32, de R$ 15.444,57 e de R$ 46.333,73, respectivamente, também acrescidas de multa de oficio de 75% e juros de mora. De se reproduzir excertos do Termo de Verificação de Infração — IRPJ e Reflexos (fls.054 a 074) que é parte integrante do presente Auto de Infração: (...) DO DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL, DE TERCEIRO, UTILIZÁVEL NA LIQUIDAÇÃO DE MULTAS E JUROS DE DÉBITOS FISCAIS INSCRITOS NO REFIS, COMO RECEITA TRIBUTÁVEL 11.1 — Do deságio como receita tributável pelo IRPJ e CSLL Fl. 221DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 9 — A contribuinte fiscalizada, em 30 de junho de 2000, firmou contrato particular de compra e venda de créditos fiscais com a empresa Eletro Metalúrgica Nardelli Ltda., conforme fls.06/07. No referenciado contrato, a contribuinte fiscalizada adquire Prejuízo Fiscal no montante de RS 2.332.447,31 e Base de Cálculo negativa da CSLL no montante de R$ 3.303.961,75. Esta operação de compra e venda resulta para a contribuinte fiscalizada (adquirente) um montante de crédito fiscal, que totaliza R$ 614.184,03 (15% de R$ 2.332.447,31 + 8% de R$ 3.303.961,75), passível de utilização para reduzir multas e juros de débitos .fiscais inscritos no Refis; 10— Conforme dispõe a cláusula segunda do referenciada contrato de compra e venda de créditos fiscais, a contribuinte fiscalizada ajustou com a vendedora (cedente) dos referenciados créditos fiscais o pagamento da importância de R$ 35.000,00 em troca de tais créditos. Além disso, conforme a cláusula terceira, a contribuinte fiscalizada se comprometeu a pagar tal importância no momento da assinatura do mencionado contrato, que foi em 30 de junho de 2000; (...) 12 — Ora, como visto nos parágrafos anteriores, a contribuinte fiscalizada adquiriu um crédito fiscal no montante de R$ 614.184,03 estipulando pagar pelo mesmo a importância de R$ 35.000,00, conseqüentemente, o fato da aquisição de tais créditos provocou a ocorrência de um deságio no montante de R$ 579.184,04 (R$ 614.184,04 — R$ 35.000,00). Este, por sua vez, representa uma receita operacional para a fiscalizada que integra o seu lucro liquido do período. (...) II.2 — Do deságio como receita tributável para efeito de PIS e COFINS 16— Do que foi visto nos parágrafos anteriores, o deságio na aquisição de créditos tributários representa uma receita e integra o lucro liquido do período. Além disso, os arts. 2º e 3º da Lei 9.718/98, a seguir transcritos, alteraram o conceito de ,faturamento, ampliando o campo de incidência do PLS/PASEP e da COFINS. III — DA INFRAÇÃO VERIFICADA QUE CONSISTE NA NÃO APROPRIAÇÃO DO DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS, PARA EFEITO DE CÁLCULO DO IRPJ, DA CSLL, DO PIS E DA COFINS. III.1 — Da infração à legislação tributária representada pela omissão de receita tributável. (...) 21. Embora a contribuinte fiscalizada tenha informado, fls.14, que o ganho decorrente da aquisição dos créditos fiscais foi contabilizado como receita e considerado no cálculo do 1RPJ e Fl. 222DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 188 5 da CSLL, esta afirmação, conforme será demonstrado no tópico III.3, não corresponde à realidade dos fatos representados em sua escrita contábil; 22 — De tudo o que se apurou neste procedimento, restou constatado que, embora a contribuinte reconheça o referenciado deságio como receita tributável somente para efeito de IRPJ e CSLL, tal deságio não foi computado, em nenhum momento, como receita de modo que tivesse repercutido no IRPJ e na CSLL. Assim, além do aspecto de que o fato gerador do deságio ocorreu em 30/06/2000 (data da aquisição dos créditos fiscais de terceiros), há também a constatação de que o mencionado deságio não foi computado como receita em 2003, conforme afirmou a contribuinte fiscalizada Conseqüentemente, inaplicável, ao caso em análise, a hipótese de postergação de tributo. 111.2 — Da quantificação da infração verificada (omissão de receita tributável decorrente do deságio). 27 (...) b) a IN SRF 044 de 2000 dispõe que desde o momento do pedido administrativo para compensação de créditos de terceiros com débitos (multas e juros) inscritos no REF1S, estes serão liquidados de imediato. No entanto, dispõe também que caso a autoridade administrativa, ao apreciar o pedido de compensação, constate irregularidade em relação aos créditos cedidos por terceiros que implique em redução total ou parcial, os juros e as multas liquidados pelo adquirente serão restabelecidos e incluídos no débito consolidado remanescente. Ou seja, aquela compensação de juros e multas que havia sido de plano efetuada será, na liquidação, desfeita pela autoridade administrativa na proporção da redução dos créditos cedidos. (...) 29 Examinando o processo administrativo n. 13975.000081/00 91, que trata do pedido de utilização de crédito de terceiros, constatase que a autoridade administrativa quando da liquidação dos créditos, em 19/12/2003, em razão da insuficiência de prejuízo fiscal da cedente para efeito de cessão a terceiros, indeferiu parcialmente o crédito cedido. Assim, o montante de prejuízo fiscal adquirido pela contribuinte fiscalizada, que originariamente era de R$ 2.332.447,31, foi reduzido para R$ 1.877.418,41, conforme f1.18. Conseqüentemente, tal redução provocou uma menor liquidação no débito da fiscalizada Fato este que reflexamente implicou na constatação de que o deságio auferido foi menor do que aquele que se supôs originariamente. Fl. 223DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Assim, o deságio que era inicialmente de R$ 579.184,04 (R$ 614.184,04 — R$ 35.000,00) sofreu, após a liquidação operada no citado processo administrativo, uma diminuição, pois o poder liberatório do crédito adquirido que era de 614.184,04 passou a ser de R$ 545.929,70 (15% de R$ 1.877.418,41 + 8% de R$ 3.303.961,75). Todavia, a cláusula quarta do contrato obriga a cedente a devolver o preço em caso de não aceitação do crédito pela receita federal. Isto implica dizer que, com a redução do prejuízo fiscal cedido por insuficiência da cedente, é preciso recalcular o custo do crédito adquirido. Ou seja, se o crédito inicial de R$ 614.184,04 custava R$ 35.000,00, então o crédito efetivamente liquidado de R$ 545.929,70 passa a custar R$ 31.110,44. Desse modo, temse que o deságio inicial que era de R$ 579.18404 passou a ser, após a liquidação, de R$ 514.819,26 (R$ 545.929,70 — R$ 31.110,44). (...) III.3 Da não apropriação do deságio na aquisição de créditos fiscais no ano calendário 2003, como afirmado pela contribuinte fiscalizada. 33 — Como já anteriormente visto, a contribuinte alegou (fl.14) que apropriou o deságio na aquisição dos referenciados créditos fiscais como receita tributável em 2003. Para comprovar a citada apropriação, apresentou os seguintes elementos de prova: 1 — Cópia do Razão relativo á conta 2.03.01.30.00001 — Tributo Consolidado a Recolher, movimento do período de 01/12/03 a 31/12/03 (fl.08); 2 — Consulta extrato da conta REFIS, emitido pelo sitio eletrônico (www.receita.fazenda.gov.br) da SRF, (fl.09); 34 — Como já visto também, no caso em análise, a liquidação não admitiu a compensação solicitada de modo integral, pois o crédito adquirido de terceiro só foi liquidado parcialmente, uma vez que o cedente cedeu mais do que dispunha para tal. Assim, reconheceuse o montante de R$ 552.338,55, que corresponde a soma de R$ 6408,85 (créditos próprios) com Rs 545.929,71 (crédito de terceiro). 35 — A tabela a seguir mostra um comparativo entre os lançamentos de ajuste realizados pela Receita Federal, em razão da liquidação, nas contas do Refis (fls, 09 e 44), e, reflexamente, os lançamentos realizados pelo contribuinte em sua conta 2.03.01.30.00001 — Tributo Consolidado a Recolher (fls.08, 47/48): (...) Com relação a referida tabela, os autuantes explicam que houve uma incorreção na conta Refis, e que a contribuinte simplesmente ajustou sua contabilidade para permanecer com seu saldo igual ao saldo incorreto da conta do Refis, onde conclui: Fl. 224DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 189 7 37 — Diante do que foi exposto neste tópico, resta evidenciado que a receita que a contribuinte fiscalizada alegou ter oferecido à tributação em 2003, a titulo de apropriação do deságio na aquisição de créditos fiscais de terceiros, não corresponde à verdade expressa nos lançamentos registrados em sua escrita contábil, pois a alegada receita prendese tão somente à contrapartida dos lançamentos efetuados a débito na conta 2.03.01.30.00001 — Tributo Consolidado a Recolher, motivados unicamente pela redução indevida no saldo da conta do Refis, em decorrência dos lançamentos incorretos ocorridos em 11/12/2003. 0.08, 47/48): (...) A autuada apresentou sua impugnação (fls.94 a 142), que a seguir se resume: ERRO NA CAPITULAÇÃO LEGAL (fls.95 a 99) preliminarmente, alega a ausência de fundamentação legal que ampare o lançamento, pois analisandose a legislação mencionada como fundamentação legal, percebese que ela é inaplicável ao caso (fls.95 a 97); conclui que "Se a operação realizada pela impugnante tratouse de um ganho de capital ou de um deságio não oferecido a tributação, a autuação deveria ter se fundamentado em tais dispositivos legais e não em artigos totalmente diversos, que levam a crer que os fiscais simplesmente desconsideraram a contabilização efetuada pela impugnante como se a mesma em momento algum tivesse existido." e, ainda, "O auto de infração objeto desta impugnação não contém em seu corpo, a capitulação legal da infração, isto é, não conte'm qualquer dispositivo legal que dê suporte jurídico à exigência..."; ASPECTO TEMPORAL DO FATO GERADOR (fls.98 a 100) que durante a fiscalização do ano calendário de 2000, verificouse que a escrituração contábil de deságio deuse em dezembro de 2003, momento no qual a mesma foi 'homologada' pela Receita Federal; menciona c transcreve o art.114 do CTN (f1.99), para concluir que "No caso em tela houve uma condição suspensiva, prevista em contrato, que tratava da homologação do crédito pela Receita Federal, na qual o negócio seria desfeito e os valores devolvidos se o crédito não fosse aceito pela Receita Federal." que isto demonstra que o fato gerador não ocorreu na celebração do contrato, mas na homologação que só veio a ocorrer em dezembro de 2003, como identificou a fiscalização em seus relatório fls.15; não há pois, como desenvolver um cálculo de deságio na assinatura do contrato e outro cálculo na homologação como valores de devolução do ato negociai, pois sequer houve devolução de qualquer valor; não há provas de que o negócio Fl. 225DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 tenha sido concluído em R$ 31.110,44, como se houvessem a devolução de valores como querem os fiscais; que não pode haver dois momentos distintos para definir o fato gerador; afinal o fato é um só; aquisição de créditos de terceiro, e só ocorre no momento em que estiver implementado, neste caso homologado e aceito definitivamente como crédito na conta corrente Refis por parte da receita Federal; que na Notificação em comento os Fiscais elegeram o aspecto temporal em 2000 (data do contrato) e o aspecto quantitativo em 2003 (data da homologação), cometendo um erro grosseiro na definição básica do fato gerador, desassociando a base de cálculo do tempo de sua ocorrência em dois momentos distinto o que é impossível em direito tributário; como poderia a impugnante antever o valor a ser utilizado para abatimento da multa e juros dos valores inclusos no REF1S se o mesmo encontravase em condição suspensiva, ou melhor, pendente de homologação pela própria autuante?, CESSÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO COMO FATO GERADOR DO IMPOSTO DE RENDA E CSLL (fls.100 a 101) que na operação em comento ocorreu mera cessão de direitos que serviu para reduzir o passivo fiscal não equivalendo a nenhum ingresso de receita e sequer movimentando a conta caixa, exceto no exato valor do pagamento do crédito sem que isso possa a equivaler a um ganho; o que ocorreu no caso em tela foi a reversão de obrigações a pagar com reflexos na reversão de despesas; por esta razão somente vicissitudes que digam respeito a receitas é que poderão estar alcançadas pela norma de incidência das contribuições em exame, delas não participando as que digam respeito as despesas; isto implica reconhecer que as vicissitudes das despesas não compõem a base de cálculo das contribuições, nem mesmo quando, por via inversa, tenham algum reflexo no seu dimensionamento, reduzindoas; mesmo não configurando uma receita o contribuinte ofereceu a tributação os valores creditados na conta Refis por entender que houve uma reversão de despesa; esta operação foi realizada na data da homologação dos valores na conta Refis e oferecidas a tributação conforme documento (livro razão e diário) anexos; desta forma quer a Receita Federal exigir tributo duas vezes sobre a mesma operação; DOS REGISTROS CONTÁBEIS PERTINENTES todos os valores ora exigidos na presente notificação já foram oferecidos a tributação, conforme prova os documentos anexos, nos registros contábeis da conta 2.03.01.30.0001 — TRIBUTOS CONSOLIDADOS A RECOLHER onde além do valor confirmado R$ 326.946,34, o valor atualizado da TJLP de R$ 450.569,35; estes valores foram oferecidos a tributação e computados na base de cálculo do IRPJ e CSLL e foram completamente desconsiderados pela fiscalização que dispôs no tópico 36 que Fl. 226DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 190 9 estes lançamentos nada tem a ver com a cessão de créditos do Refis; ora estes lançamentos tratam do que então? A título de que o contribuinte iria oferecer estes valores a tributação? que os valores homologados são R$ 552.338,55 e TJLP R$ 213.340,76 totalizando R$ 765.679,31, enquanto que os valores contabilizados são R$ 450.569,35 e R$ 326.946,34 totalizando R$ 777.515,69, portanto o contribuinte contabilizou adequadamente os valores objetos da cessão de crédito não corroborando com os erros cometidos pela Receita Federal nos lançamentos a conta Refis; portanto, não há como não associar os lançamentos contábeis, realizados corretamente nos valores exatos da homologação da Receita Federal, momento este que coincide com os do ordenamento jurídico do art.116 e 117 do CTN, que é o momento do implemento do ato perfeito e acabado, e que estão sendo oferecidos a tributação; ou seja, o TRIBUTO JÁ ESTÁ PAGO, não podendo o Fisco exigir um valor QUE JÁ FOI OFERECIDO A TRIBUTAÇÃO, não pode o Fisco desclassificar a escrita contábil do contribuinte ou desassociar os lançamentos como se fossem não verdadeiros; DA INEXIGIBILIDADE DO PIS E COFINS DA REVERSÃO DE DESPESA das fls.102 a 115, trata a Impugnante de contestar a tributação ora feita e incidente sobre as contribuições do PIS e da COF1NS, onde transcreve artigos da Lei 9.718/98, que alargaram a base de cálculo destas contribuições, mas que, em seu entendimento, a operação em análise não possui o conteúdo de receita; discorre longamente acerca de conceitos de receita, trazendo excertos doutrinários e ementas de julgados do CC; DA MULTA das fls.115 a 120, discorre sobre conceitos de tributo, crédito tributário, que a multa é excessivamente onerosa e das fls.120 a 127, salienta que CF/88 ao vedar a utilização de tributo com efeito de confisco, também aí se inclui a multa; que toda multa em patamares exorbitantes (esta de 75%) deve ser considerada confiscatória (fl.124) e que pela equidade tributária (art.108 do CTN, fl.124/125) é necessário abrandar o texto da lei; Da Aplicação de Juros Ilegais/ O Conceito de juros e suas Espécies (fis.127 a 129), da Taxa SELIC / Impossibilidade de sua Aplicação em Débitos Tributários (fis.140 a 140); nestes tópicos, faz considerações acerca da natureza remuneratória da taxa SELIC, para, após longo arrazoado, concluir que "[...] não poderia o Fisco reclamar o pagamento de juros de mora sobre tributos vencidos, calculado por taxas de juros de natureza remuneratória, sob pena de ofensa ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios, e de ferir os Fl. 227DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 mandamentos contidos no parág. 1º do art.161 do Código Tributário Nacional e no parág. 3° do art.192 da Constituição Federal." Em 05 de setembro de 2008, a 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC conheceu da impugnação e julgou procedente em parte os lançamentos, nos termos do Acórdão DRJ/FNS n° 0713.772 (fls.149/157), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2000 Deságio Obtido na Aquisição de Prejuízos Fiscais de Terceiros. Utilização no Refis. Tratamento Fiscal. Receita Tributável. A diferença (deságio) entre o preço pago e o valor do crédito compensável advindo de prejuízo fiscal/base negativa de CSLL adquirido de terceiro, se constitui em acréscimo patrimonial a ser reconhecido e tributado pelo IRPJ na data de sua aquisição para utilização no pagamento de multa e juros no âmbito do Rfiss. Se o crédito confirmado (homologado)revelarse inferior ao cedido, permanece o custo de aquisição firmado no contrato de aquisição dos créditos fiscais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2000 Lançamento de Oficio. Multa Aplicável As multas de oficio não possuem natureza confiscatória, constituindose antes em instrumento de desestimulo ao sistemático inadimplemento das obrigações tributárias, atingindo, por via de conseqüência, apenas os contribuintes infratores, em nada afetando o sujeito passivo cumpridor de suas obrigações fiscais. A exigência de multa de oficio, processada na forma dos autos, está prevista em normas regularmente editadas, não tendo o julgador administrativo competência para apreciar argüições contra a sua cobrança ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2000 Argüições de Inconstitucionalidade e Ilegalidade da Legislação Tributária. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. LANÇAMENTOS DECORRENTES CSLL. PIS. COFINS. Lançamento Decorrente. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 191 11 Efeitos. Mantida a matéria tributável apurada no lançamento do IRPJ, sendo a mesma que deu causa ao lançamento das contribuições, permanece inalterado o lançamento destas, face à íntima relação de causa e efeito entre os lançamentos de IRPJ (principal) e os ditos decorrentes. ASSUNTO: CONTR/BUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2000 BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A COFINS será calculada com base no seu faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P/S/PASEP Data do fato gerador: 31/12/2000 BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. A contribuição para o PIS/Pasep será calculada com base no seu faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, entendendose por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Cientificada do Acórdão acima mencionado em 23/09/2008 (AR à fl.), a autuada, interpôs, em 21/10/2008, o Recurso voluntário de fls.161/184, ao Conselho de Contribuintes, apresentando essencialmente os mesmos argumentos expendidos na impugnação. Em síntese, a recorrente insiste que: os valores exigidos no auto de infração já foram oferecidos à tributação e computados na base de cálculo de apuração do IRPJ e da CSLL; há erro na capitulação legal, ou seja, que o auto de infração não contém qualquer dispositivo legal que dê suporte jurídico à exigência e o lançamento que faz, com total abstração da norma legal que devia constar do próprio auto, mas dele foi omitida; que o fato gerador não ocorreu na celebração do contrato, pois o crédito não havia sido homologado pela Receita Federal; que a homologação do crédito só veio a ocorrer em dezembro de 2003, como identificou a fiscalização em seu relatório, fl. 15; que não há como desenvolver um cálculo de deságio na assinatura do contrato e outro cálculo na homologação como valores de devolução do ato negocial, pois sequer houve devolução de qualquer valor, portanto, não pode haver dois momentos distintos para definir o fato gerador. Fl. 229DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 12 Afinal o fato é um só; aquisição de créditos de terceiro, e só ocorre no momento em que estiver implementado, neste caso homologado e aceito definitivamente como crédito na conta corrente Refis por parte da Receita Federal (sic); que, desta forma, correta está a contabilização efetuada pela recorrente, que levou o deságio a tributação em 2003, quando da confirmação dos créditos pela recorrida. que tanto o PIS quanto a Cofins são inexigíveis, conforme discorre às fls.171/183; que, é ilegal a aplicação da multa de ofício de 75% pelo caráter confiscatório e os juros de mora, pois, não obstante inexistir Lei que institua a SELIC para fins tributários, é também índice de cunho remuneratório, e não moratório, como quer a Lei (CTN/66 — art. 161, parág. 1º). Finalmente, a recorrente requer seja conhecido e provido o recurso, determinandose o cancelamento do débito apontado eis que, inexistente nos termos expostos. É o relatório. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 192 13 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e suas alterações posteriores. Dele tomo conhecimento. Os presentes autos tratam de omissão de receita, decorrente do deságio na aquisição de créditos fiscais passíveis de utilização na amortização de juros e multas de débitos fiscais incluídos no REFIS. O deságio verificado referese ao custo de aquisição menor que o valor do crédito proporcionado por prejuízo fiscal e base de calculo negativa adquirido de terceiro. A operação de compra de tal crédito foi expressamente autorizada pela Lei 9.964/2000, que instituiu o REFIS e que dispôs que os valores comprados poderiam ser utilizados para a compensação de multas e juros devidos no âmbito do REFIS. A mencionada lei assim estabeleceu no parágrafo 7° do artigo 2°, verbis: ... § 7º Os valores correspondentes a multa, de mora ou de oficio, e a juros moratórios, inclusive as relativas a débitos inscritos em divida ativa, poderão ser liquidados, observadas as normas constitucionais referentes à vinculação e à partilha de receitas, mediante: I — compensação de créditos, próprios ou de terceiros, relativos a tributo ou contribuição incluído no âmbito do Refis; II — a utilização de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da contribuição social sobre o lucro líquido, próprios ou de terceiros, estes declarados à Secretaria da Receita Federal até 31 de outubro de 1999. Os procedimentos para a liquidação dos débitos (multa e juros de mora) mediante a utilização do prejuízo fiscal, de terceiros, foram disciplinados pela Receita Federal mediante a Instrução Normativa 44 em 25/04/2000. Ainda de acordo com o parágrafo 8° do artigo 2° da citada lei 9.964, os valores a serem utilizados devido à compra de prejuízos fiscais são os seguintes: § 8º Na hipótese do inciso II do § 7º, o valor a ser utilizado será determinado mediante a aplicação, sobre o montante do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa das alíquotas de 15% (quinze por cento) e de 8% (oito por cento), respectivamente. Fl. 231DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 14 Consta do Contrato Particular de Compra e Venda datado e assinado em 30/06/2000 (fls.06/07, cláusulas 2a e 3a ) que, “O preço certo e ajustado para a compra e venda é de R$ 35.000,00 (Trinta e cinco mil reais)” e que “O pagamento deverá ser feito em dinheiro, na data da assinatura do presente contrato”. A recorrente alega que no auto de infração em comento os Fiscais elegeram o aspecto temporal em 2000 (data do contrato) e o aspecto quantitativo em 2003 (data da homologação), cometendo um erro grosseiro na definição básica do fato gerador, desassociando a base de cálculo do tempo de sua ocorrência em dois momentos distintos o que é impossível em direito tributário. Consta do Termo de Verificação Fiscal, fl.68, o seguinte: 29 Examinando o processo administrativo n° 13975.000081/00 91, que trata do pedido de utilização de crédito de terceiros, constatase que a autoridade administrativa quando da liquidação dos créditos, em 19/12/2003, em razão de insuficiência de prejuízo fiscal da cedente para efeito de cessão o terceiros, indeferiu parcialmente o crédito cedido. Assim, o montante de prejuízo fiscal adquirido peia contribuinte fiscalizada que originalmente era de R$ 2.332.447,31, foi reduzido para R$ 1.877.418,41, conforme fl. 18. Conseqüentemente, tal redução provocou uma menor liquidação no débito da fiscalizada. Fato este que reflexamente implicou na constatação de que o deságio auferido foi menor do que aquele que se supôs originalmente. Assim, o deságio que era inicialmente de R$ 579.184,04 (R$ 614.184,04 R$ 35.000,00), sofreu, após a liquidação operada no citado processo administrativo, uma diminuição, pois o poder liberatório do crédito adquirido que era de R$ 614.184,04 passou a ser de R$ 545.929,70 (15% de R$ 1.877.418,41 + 8% de R$ 3.303361,75). Todavia, a cláusula quarta do contrato obriga a cedente a devolver o preço em caso de não aceitação do crédito pela Receita Federal. Isto implica dizer que, com a redução do prejuízo fiscal cedido por insuficiência da cedente, é preciso recalcular o custo do crédito adquirido. Ou seja, se o crédito inicial de R$ 614.184,04 custava R$ 35.000,00, então o crédito efetivamente liquidado de R$ 545.929,70 passa a custar R$ 31.110,44. Desta forma, tendo o contribuinte adquirido da empresa Eletro Metalúrgica Nardelli Ltda R$ 1.877.418,41 de prejuízo fiscal e R$ 3.303.961,75 de base de cálculo negativa de CSLL, ele pode utilizar o valor de R$ 545.929,70 (15% de R$ 1.877.418,41 + 8% de R$ 3.303.961,75), para liquidar multas e juros de débitos fiscais inscritos no REFIS. No auto de infração a receita tributável considerada foi na ordem de R$ 514.819,26 (545.929,70 31.110,44) porém a DRJ julgou parcialmente procedente o lançamento por entender que a receita a ser tributada é a diferença entre o crédito adquirido e o valor pago (R$ 545.929,70 R$ 35.000,00), ou seja, R$ 510.929,70. Sobre a tributação do mencionado ganho assim dispõe o § único do artigo 219 Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Fl. 232DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 193 15 Art.219.A base de cálculo do imposto, determinada segundo a lei vigente na data de ocorrência do fato gerador, é o lucro real (Subtítulo III), presumido (Subtítulo IV)ou arbitrado (Subtítulo V), correspondente ao período de apuração (Lei nº 5.172, de 1966, arts. 44, 104 e 144, Lei nº 8.981, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º). Parágrafo único.Integram a base de cálculo todos os ganhos e rendimentos de capital, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio que, pela sua finalidade, tenha os mesmos efeitos do previsto na norma específica de incidência do imposto (Lei nº 7.450, de 1985, art. 51, Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 25, inciso II, e 27, inciso II). Dúvida não há que a adquirente obteve um ganho tributável (Deságio = Valor do direito adquirido — valor pago pelo direito) na mencionada operação (deságio obtido na compra de prejuízos fiscais e bases negativas de terceiros para utilização no Refis), ou seja, a adquirente obteve um ganho operacional a ser tributado no montante de R$ 510.929,70 (R$ 545.929,70 R$ 35.000,00). Quanto ao momento de escrituração do fato e reconhecimento dessa receita para fins tributários, entendo que a razão está com o Fisco, pois, na medida em que no ano calendário de 2000, o contribuinte adquiriu o direito ao crédito de terceiros e formalizou junto a Receita Federal o Pedido de Utilização de Créditos de Terceiros Decorrentes de Prejuízos Fiscais e Bases de Cálculo Negativas, este passou a produzir os efeitos que lhe são próprios, qual seja, a redução ou liquidação de acréscimos legais (multa e juros ) na consolidação dos débitos incluídos no REFIS. O fato de posteriormente a Receita Federal haver verificado em 19/12/2003 e, indeferido parcialmente o crédito cedido em razão de insuficiência de prejuízo fiscal da cedente para efeito de cessão aos terceiros, não retira os efeitos da liquidação dos débitos no limite do crédito existente, conforme se depreende do artigo 3º da mencionada IN SRF nº 044, de 25/04/2000, verbis: Art. 3o Para fins de consolidação dos débitos prevista no art. 2o da Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, caso ainda não tenha ocorrido a decisão da autoridade administrativa quanto ao direito aos créditos a serem compensados, as multas e os juros serão liquidados com base nos valores informados pelo optante na Declaração Refis e pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, na hipótese de crédito de natureza previdenciária, cuja compensação deverá ser requerida perante aquele Órgão. Parágrafo único. Na hipótese de redução do valor do crédito que houver sido apresentado para fins de compensação, os juros e as multas liquidados serão restabelecidos na mesma proporção e incluídos no débito consolidado remanescente. Sobre o assunto é importante transcrever o acórdão nº 10516.722 da 5ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, em sessão realizada em 18 de outubro de 2007, vejamos: Acórdão nº 10516.722 Fl. 233DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 16 GANHO RESULTANTE DO EMPREGO DE PREJUÍZO E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE TERCEIROS NA QUITAÇÃO DE MULTA E JUROS NO REFIS — Sendo o custo de aquisição menor que o valor do crédito proporcionado por prejuízo e base de cálculo negativa adquiridos de terceiro a diferença deve ser tributada na ocasião em que o contribuinte formalizar, no âmbito do Refis o pedido para o seu emprego na quitação de multa e juros independentemente de ainda estar o pedido pendente de apreciação definitiva pela autoridade fiscal. (Destaquei). Assim, diferente do entendimento da recorrente, o deságio obtido na aquisição de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa de terceiros deve ser tributado no momento em que produz os efeitos que lhe são próprios e específicos (redução de acréscimos legais na consolidação dos débitos incluídos no REFIS) que se dá na formalização do pedido de liquidação dos débitos no âmbito do Refis. A recorrente afirma que os valores exigidos no auto de infração já foram oferecidos à tributação e computados na base de cálculo de apuração do IRPJ e da CSLL. O Termo de Verificação de Infração (fls.70/73) demonstra de forma cristalina que o valor do ganho/deságio em comento não fora objeto de contabilização pela contribuinte. O autuante conclui do seguinte modo à fl.73: 37 — diante do que foi exposto neste tópico, resta evidenciado que a receita que a contribuinte fiscalizada alegou ter oferecido à tributação em 2003, a titulo de apropriação do deságio na aquisição de créditos fiscais de terceiros, não corresponde à verdade expressa nos lançamentos registrados em sua escrita contábil, pois a alegada receita prendese tão somente à contrapartida dos lançamentos efetuados a débito na conta 2.03.01.30.00001 — Tributo Consolidado a Recolher, motivados unicamente pela redução indevida no saldo da conta do refis, em decorrência dos lançamentos incorretos ocorridos em 11/12/2003. Com efeito, a recorrente alega mas não traz provas firmes nos autos de que o valor do ganho operacional de que tratam os presentes autos tenha efetivamente transitado pelas contas de resultado e integrado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, seja no ano calendário de 2000 ou mesmo no ano calendário de 2003, que permita ilidir todo arrazoado demonstrado pelo autuante. A recorrente alega que há erro na capitulação legal, ou seja, que o auto de infração não contém qualquer dispositivo legal que dê suporte jurídico à exigência e o lançamento que faz, com total abstração da norma legal que devia constar do próprio auto, mas dele foi omitida. Conforme o auto de infração em que se exige o IRPJ, o lançamento encontrase fundamentado nos 244, 248, 251 e parágrafo único, 277 e 288, Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza RIR/99, os quais tratam, respectivamente, dos conceitos de “pessoa vinculada” e “lucro líquido”, “dever de escriturar”, “disposições gerais” do lucro operacional e “tratamento tributário” quando constatada a omissão de receita. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 194 17 Ora, o fato gerador (ganho/deságio/receita) deve ser escriturado, compor o lucro operacional bem como o lucro líquido do período de apuração (31/12/2000) e como tal integrar à base de cálculo do imposto de renda (IRPJ) e da CSLL, haja vista que inexiste previsão legal para sua exclusão do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Consta do Termo de Verificação Fiscal o enunciado e subsunção dos fatos à Lei 9.964/2000, que instituiu o REFIS e que dispôs que os valores comprados poderiam ser utilizados para a compensação de multas e juros devidos no âmbito do REFIS). Vale lembrar que os autos de infração tratam de omissão de receita operacional, caracterizada pela falta de contabilização e tributação do deságio auferido na aquisição de créditos fiscais (prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL) de terceiros (Eletro Metalúrgica Nardelli Ltda), para liquidação de valores correspondentes a multa e juros moratórios, relativos a tributos ou contribuições incluídos no Refis. A omissão de receita verificada e relatada pela autoridade tributária é o elemento móvel para o lançamento de ofício e conseqüente lavratura dos autos de infração com a descrição dos fatos e enquadramento legal nos artigos 248, 251 e parágrafo único, 277 e 288, Decreto n°3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). Ad argumentandum tantum, a falta de indicação da lei formal não implica em nulidade do lançamento, tendo em vista que os fatos estão bem descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls.54/74) que é peça integrante dos Auto de Infração e sobre os fatos o contribuinte no exercício do direito a ampla defesa e do contraditório se defendeu demonstrando pleno conhecimento das imputações que lhe foram feitas. Nesse sentido há jurisprudência assentada no âmbito desse conselho administrativo, conforme se depreende da seguinte ementa do acórdão nº 1070.829, DOU de 02/01/1997, p.41, vejamos: AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA. Não dá causa a nulidade do lançamento fiscal o fato de a capitulação legal da irregularidade não se referir especificamente à mesma, se os fatos estão descritos na peça básica e sobre os quais se defendeu de forma alentada, demonstrando pleno conhecimento das acusações. Portanto, não merece guarida à argumentação da recorrente sobre o assunto em comento. Quanto à multa de ofício e aos juros de mora, a recorrente alega que é ilegal a aplicação da multa de ofício de 75% pelo caráter confiscatório e os juros de mora, pois, não obstante inexistir Lei que institua a SELIC para fins tributários, é também índice de cunho remuneratório, e não moratório, como quer a Lei (CTN/66 — art. 161, parág. 1º). No tocante à aplicação da multa de 75%, assim prescreve o artigo 44 da Lei nº 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 235DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 18 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Portanto, o descumprimento da obrigação tributária impõe a aplicação da multa de ofício de 75%, conforme prevista no inciso I do dispositivo legal acima descrito. Sobre a formalização do crédito com os juros moratórios, o artigo 161 do CTN, não deixa margem a serem afastados, seja qual for o motivo determinante da falta de pagamento do crédito tributário, verbis: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito Os juros de mora são calculados pela taxa Selic conforme dispõe o artigo 13 da Lei nº 9.065/1995. Portanto, o cálculo fiscal está em perfeita consonância com a legislação vigente. A exigência fiscal tratada nos autos de infração acrescida da multa de ofício e dos juros selic decorre de expressa disposição legal, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo deixar de aplicála, encontrando óbice, inclusive nas Súmulas nº 2 e 4 desse E. Conselho Administrativo, verbis: Súmula CARF No 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Tributação Reflexa: CSLL O lançamento reflexo de CSLL, observa o mesmo procedimento adotado no auto de infração do IRPJ, devido à relação de causa e efeito que os vincula. LANÇAMENTOS REFLEXOS PIS/COFINS DESÁGIO NA AQUISIÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES NEGATIVAS DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Sobre os mencionados lançamentos, a alegação da recorrente é no sentido de que não são devidos os valores exigidos a titulo de PIS e COFINS no que se refere a dita receita à título de deságio. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fls.59/61) que os artigos 2° e 3° da lei 9.718/98 alteraram o conceito de faturamento, ampliando o campo de incidência do PIS e da Cofins. Fl. 236DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 13971.001198/200526 Acórdão n.º 180200.783 S1TE02 Fl. 195 19 A exigência do PIS e da Cofins sobre o deságio apurado pela fiscalização nos respectivos autos de infração tem como fundamentação legal os artigos 2° e 3° da lei 9.718/98. Tal matéria já se encontra pacificada no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) quanto ao entendimento de que a decisão plenária definitiva do STF que tenha declarado a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 deve ser estendida aos julgamentos efetuados pelo CARF, de modo a excluir da base de cálculo do PIS e da Cofins outras receitas que não sejam as receitas da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta) da pessoa jurídica, conforme se extrai da ementa do Acórdão nº 20218.536 de 22 de novembro de 2007, in verbis: (...) BASE DE CÁLCULO. AMPLIAÇÃO. ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. Ao julgar os recursos extraordinários nºs 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840, em 09/11/2005, o Pleno do STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 12, da Lei nº 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins por meio de lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DO STF. EXTENSÃO ADMINISTRATIVA. Nos termos do art. 42, parágrafo único, do Decreto nº 2.346/97, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Excluemse, portanto, da tributação, as variações monetárias e demais receitas financeiras Cabe ainda salientar que referida matéria se encontra em lista de RE e RESP julgados em desfavor da Fazenda Nacional na forma dos arts. 543B e 543C do CPC, com dispensa para recurso da PFN, nos termos da Portaria PGFN 292/2010, disponível na página da internet da PGFN (http://www.pgfn.fazenda.gov.br/legislacaoenormas/listasdedispensade contestarerecorrer/lista%20de%20dispensa.pdf), de seguinte teor: 1.1 – Lista de temas julgados pelo STF sob a forma do art. 543B do CPC, e que não mais serão objeto de contestação/recurso pela PGFN 1 RE n. 585.235 Relator: Min. Cezar Peluso Recorrente: UNIÃO Recorrido: IRMAZI – Administração e Participações LTDA. Data de julgamento: 10/09/2008 Resumo: É inconstitucional o alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, promovido pelo art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, Fl. 237DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 20 eis que tais exações devem incidir, apenas, sobre as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços (conceito restritivo de receita bruta), e não sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica (conceito ampliativo de receita bruta). Observação: Como visto, o STF entendeu que a COFINS/PIS somente pode incidir sobre receitas operacionais das empresas (ligadas às suas atividades principais), sendo inconstitucional a sua incidência sobre as receitas não operacionais (p.ex. aluguel de imóvel). Sendo assim, percebese que a COFINS/PIS incidem sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira), eis que as mesmas possuem natureza de receitas operacionais. Ou seja, a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98, não impede que a COFINS/PIS incidam sobre as receitas decorrentes dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Tal entendimento restou firmado no Parecer PGFN/CAT n. 2773/2007,e, posteriormente, foi reiterado pelas Notas PGFN/CRJ n.178/2009 e n. 842/2009. Assim, diante disso, as unidades da PGFN devem continuar contestando/recorrendo em face de demandas/decisões que invoquem o precedente acima referido (declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei n. 9.718/98) a fim de afastar a incidência de PIS/COFINS sobre as receitas oriundas dos serviços financeiros prestadas pelas instituições financeiras. Sobre o tema, confiramse as ME/PGFN/CRJ 554, 642 e 748, disponíveis na intranet. Com efeito, o deságio obtido na aquisição de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da contribuição social sobre o lucro não integra a receita bruta, devendo, portanto, ser excluído da base de cálculo do PIS e da Cofins. Isto posto, voto no sentido de DAR provimento PARCIAL ao recurso para EXCLUIR as exigências relativas ao PIS e à Cofins. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 238DF CARF MF Emitido em 24/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Assinado digitalmente em 18/02/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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