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Numero do processo: 13710.002514/99-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 27/06/2002
COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO.
É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado.
Numero da decisão: 3401-003.901
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 27/06/2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 1.103 1 1.102 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13710.002514/9967 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.901 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de julho de 2017 Matéria IPI RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO Recorrente BARRENE INDÚSTRIA FARMACÊUTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 27/06/2002 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO. NÃO CABIMENTO. É incabível a compensação diante da ausência de comprovação da existência e da liquidez do crédito informado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Pedidos de Ressarcimento de Imposto sobre AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 71 0. 00 25 14 /9 9- 67 Fl. 1103DF CARF MF 2 Produtos Industrializados – IPI (PER) (fls. 3 a 7, 97 a 101, e 196 a 200)1, protocolizados em 23/12/1999, nos valores de R$ 3.646,80, R$ 4.471,41, e R$ 3.093,97, referentes ao primeiro, ao segundo e ao terceiro trimestres de 1999, com o seguinte fundamento “CRED IPI MP/ME/PI NA FABRIC. PROD. TRIB. ALIQ. ZERO CONF. IN DA SRF No 33/99 E 21/97”. À fl. 454, consta ainda Pedido de Compensação, registrado em 27/06/2002, no valor de R$ 27.673,11, utilizando créditos referentes ao presente processo (R$ 11.212,18) e aos de no 13710.002166/0098 (R$ 451,45) e no 13710.002513/9902 (R$ 16.009,48). Intimada a especificar o amparo legal para o pedido, e a informar a classificação fiscal (NCM) e a alíquota correspondente ao produto que ela dá saída (fl. 310), a empresa reiterou que o fundamento para o pedido residia nas IN SRF no 21/1997 e no 33/1999, relacionando os produtos a que dá saída, classificados nas NCM 3003.90.99 e 3003.40.90, tributadas à alíquota zero (fl. 313) – cópias dos Livro de Registro de Apuração do IPI às fls. 316 a 448. No parecer de fls. 459 a 462, informa a fiscalização que não houve escrituração do estorno de saldo credor, no Livro de Registro de Apuração do IPI, em desconformidade com a legislação de regência (art. 17 da IN SRF no 460/2004), impedindo o ressarcimento, sem exame da legitimidade dos créditos, e obstando a homologação da compensação. Com base no referido parecer é emitido o Despacho Decisório de fl. 462, em 04/02/2005 (com ciência à empresa em 18/04/2005 fl. 464). A empresa apresenta Manifestação de Inconformidade em 16/05/2005 (fl. 468), alegando que: (a) o pedido, com fundamento no artigo 11 da Lei no 9.779/1999 e nas IN SRF no 21/1997 e no 33/1999, está lastreado nos documentos então exigidos, entre os quais não constava o estorno nos livros fiscais, exigido somente após o advento da IN SRF no 460/2004; e (b) para comprovar que os créditos pleiteados não foram aproveitados em períodos subsequentes, anexase cópia do Livro de Registro de Apuração de IPI até o período onde consta o estorno (fls. 470 a 544). A decisão de primeira instância, proferida em 10/11/2005 (fls. 550 e 551) foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) a obrigação de estorno já existia na IN SRF no 125/1989; e (b) nem após a edição da IN SRF no 460/2004 a empresa promoveu os estornos citados. Após ciência da decisão da DRJ, em 03/04/2006 (fl. 553), a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 556 a 559, em 28/04/2006, sustentando que o aproveitamento de créditos tem origem no artigo 11 da Lei no 9.779/1999, e que tem direito à compensação tendo em vista que, embora o estorno dos créditos tenha sido feito somente no momento em que foi solicitada a compensação, este fato não trouxe nenhum prejuízo ao fisco tendo em vista a impossibilidade de estes créditos terem sido aproveitados em períodos posteriores em razão da inexistência de débitos, pois os produtos finais têm alíquota zero, e que, diferentemente do que consta na decisão de piso, os créditos foram efetivamente estornados, porém somente no momento em que foram objeto de pedido de compensação com outros impostos, em 2002 (folha 72 do Livro de Registro de Apuração do IPI, em 2002). Para comprovar o alegado, anexa cópias completas dos Livros de Registro de Apuração do IPI de 1999 a 2002, e de notas fiscais de venda dos produtos (fls. 598 a 1028). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência, de forma unânime, em 06/11/2008, pela Resolução no 20201.274 (fls. 1032 a 1035), para que fossem “... examinados 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 13710.002514/9967 Acórdão n.º 3401003.901 S3C4T1 Fl. 1.104 3 os documentos juntados pela recorrente por ocasião do recurso, devendo a unidade fiscal de origem se manifestar conclusivamente sobre os mesmos” (sic). A unidade local intima a empresa a apresentar os documentos de fls. 1045, em 13/03/2009, a fim de verificar a existência e quantificar eventuais créditos, tendo a empresa, após deferimento de prorrogação de prazo, deixado de apresentar os documentos referentes a 1999, alegando prescrição (fl. 1050). Na Informação Fiscal de fl. 1099, revelase que, diante da ausência de apresentação de documentos pela empresa, fica impossibilitada a análise do pleito de ressarcimento de IPI, e resta prejudicado o cumprimento dos quesitos formulados na conversão em diligência. Em agosto de 2016 o processo foi a mim distribuído, por sorteio, visto que o relator original não mais compunha o colegiado. O processo não foi indicado para pauta no mês de dezembro de 2016, por estarem as sessões suspensas por determinação do CARF. O processo, derradeiramente, não foi indicado para o mês de janeiro de 2017, por ser a pauta mera reprodução da referente ao mês de outubro de 2016, que também teve a sessão suspensa por determinação do CARF. De fevereiro a junho de 2017 o processo foi indicado para pauta, mas não pautado, em função do excesso de número de processos a julgar. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. A demanda por crédito de IPI, com fundamento no artigo 11 da Lei no 9.779/1999, até a conversão em diligência, sequer havia sido analisada, no mérito. Isso restou claro no despacho decisório (fl. 464): Fl. 1105DF CARF MF 4 Bastou, tanto à unidade local da RFB quanto à DRJ o fato de não ter havido estorno no Livro de Registro de Apuração de II para o indeferimento do pleito. No CARF, aparentemente, decidiuse ir além, tomando em conta o argumento de que a necessidade de estorno se presta somente a evitar a tomada de créditos em períodos subsequentes. Por isso demandouse que a unidade local analisasse a farta documentação carreada aos autos pela recorrente, sequer analisada no mérito até então. Daí a conversão em diligência. Nas palavras do julgador (fl. 1035): Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 13710.002514/9967 Acórdão n.º 3401003.901 S3C4T1 Fl. 1.105 5 Não demandou o CARF, como resta cristalino no resultado do julgamento, aqui transcrito, uma nova análise fiscal do período, mas tão somente o exame dos documentos apresentados no recurso, com manifestação conclusiva da fiscalização a seu respeito. Assim, a nosso ver, a fiscalização ou compreendeu mal o objeto da diligência ou, para manifestarse conclusivamente, entendeu necessário cotejar os documentos carreados aos autos com outros sob a guarda da empresa, demandandoos. Na primeira hipótese (má compreensão, necessária seria outra diligência, restrita à análise dos documentos carreados a este processo). No entanto, não é preciso muito esforço intelectual para perceber que a carga da expressão “manifestarse conclusivamente”, presente na demanda do CARF, requer análise maisdoqueperfunctória dos documentos acostados, devendo a fiscalização, para tanto, certificarse da exatidão e da veracidade das informações neles presentes. E, por isso é que foram solicitados, pela fiscalização, documentos adicionais à empresa, que, após demandar prorrogação de prazo para apresentálos, externou (fl. 1050) que: Se a empresa está a solicitar créditos de IPI referentes a 1999, deve manter em sua posse tais documentos até que seja apreciada sua demanda, não operando em seu favor a ausência de guarda dos documentos, ainda que após o período decadencial (digase, para lançamento tributário). Ainda que este CARF afastasse a alegação fiscal de que a ausência de estorno dos créditos impossibilita o ressarcimento e a consequente compensação, isso não seria suficiente para garantir o direito de crédito. É preciso recordar que não se está diante de um lançamento, mas de uma demanda de crédito a ser utilizado em compensação, e que, portanto, deve ser líquido e certo. Deve a empresa comprovar a liquidez e a certeza de seu direito, sob pena de não ter homologada a compensação. No presente processo, permanecem carentes de comprovação tanto o direito creditório quanto a liquidez do crédito utilizado em compensação pela postulante. É de se acrescentar, por derradeiro, que no caso concreto, ainda que considerados os documentos apresentados em sede de recurso voluntário, distante estaria a segurança do julgador para atestar a existência e/ou a liquidez do crédito. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 1107DF CARF MF 6 Fl. 1108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000222/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
APURAÇÃO ANUAL. IRRF. COMPROVAÇÃO.
Comprovado em diligência o valor do IRRF, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
APURAÇÃO ANUAL. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO.
Comprovado em diligência o valor da CSLL retida na fonte, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. SÚMULA CARF Nº105.
Até o ano-calendário 2006, não cabe a cobrança de multa isolada concomitante com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF nº 105.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO DEVIDAS.
Não havendo valor de CSLL a pagar por estimativa mensal, em face de retenções na fonte, não cabe o lançamento da multa isolada.
Numero da decisão: 1201-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, diminuindo o valor do IRPJ lançado para R$ 22.909,05 (já deduzido o valor cobrado em processo apartado), que deverá ser acrescido dos consectários legais, e exonerando a CSLL lançada, em sua totalidade, assim como as multas isoladas relativas ao IRPJ e à CSLL. Vencido o Conselheiro José Carlos, que negava provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: PAULO CEZAR FERNANDES DE AGUIAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 APURAÇÃO ANUAL. IRRF. COMPROVAÇÃO. Comprovado em diligência o valor do IRRF, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 APURAÇÃO ANUAL. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovado em diligência o valor da CSLL retida na fonte, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. SÚMULA CARF Nº105. Até o ano-calendário 2006, não cabe a cobrança de multa isolada concomitante com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF nº 105. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO DEVIDAS. Não havendo valor de CSLL a pagar por estimativa mensal, em face de retenções na fonte, não cabe o lançamento da multa isolada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, diminuindo o valor do IRPJ lançado para R$ 22.909,05 (já deduzido o valor cobrado em processo apartado), que deverá ser acrescido dos consectários legais, e exonerando a CSLL lançada, em sua totalidade, assim como as multas isoladas relativas ao IRPJ e à CSLL. Vencido o Conselheiro José Carlos, que negava provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 APURAÇÃO ANUAL. IRRF. COMPROVAÇÃO. Comprovado em diligência o valor do IRRF, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 APURAÇÃO ANUAL. RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Comprovado em diligência o valor da CSLL retida na fonte, este deve ser considerado para fins de dedução na apuração anual. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. SÚMULA CARF Nº105. Até o anocalendário 2006, não cabe a cobrança de multa isolada concomitante com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL, nos termos da Súmula CARF nº 105. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO DEVIDAS. Não havendo valor de CSLL a pagar por estimativa mensal, em face de retenções na fonte, não cabe o lançamento da multa isolada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, diminuindo o valor do IRPJ lançado para R$ 22.909,05 (já deduzido o valor cobrado em processo apartado), que deverá ser acrescido dos consectários AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 02 22 /2 00 9- 09 Fl. 853DF CARF MF 2 legais, e exonerando a CSLL lançada, em sua totalidade, assim como as multas isoladas relativas ao IRPJ e à CSLL. Vencido o Conselheiro José Carlos, que negava provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Presidente (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. Relatório Adoto o relatório da Resolução nº 1802000.557 da então 2ª Turma Especial: Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por economia processual, passo a adotar o relatório da DRJ: “Em decorrência de ação fiscal levada a efeito pela DEFIS/RJ, foram lavrados os Autos de Infração, decorrentes do MPF 0719000/00001/08, para exigência do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ (fl. 108/114) no valor de R$ 51.303,65 e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fl. 115/119) no valor de R$ 27.109,31, montantes estes acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, bem como da multa exigida isoladamente no valor de R$ 53.327,43 (fl. 108/114). De acordo com a Descrição dos Fatos constante dos Autos de Infração (fl. 110 e 117) e do Termo de Constatação de Infração (fl. 102/107), com base na escrituração e na DIPJ retificadora do anocalendário de 2004 apresentadas pela interessada durante o procedimento de fiscalização, foram apuradas as seguintes irregularidades: • Falta de recolhimento / declaração do imposto de renda: O contribuinte intimado (fl. 99) deixou de comprovar o pagamento, a declaração do IRPJ devido em DCTF, assim como o valor informado como retido na fonte, ocasionando a reconstituição do cálculo da Ficha 12A da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e a apuração do IRPJ devido no valor de R$ 51.303,65; Fl. 854DF CARF MF Processo nº 12898.000222/200909 Acórdão n.º 1201001.889 S1C2T1 Fl. 3 3 • Falta de recolhimento / declaração da contribuição social sobre o lucro líquido: O contribuinte intimado (fl. 99) deixou de comprovar o pagamento, a declaração da CSLL devida em DCTF, assim como o valor informado como retido na fonte p/outras PJ, ocasionando a reconstituição do cálculo da Ficha 17 da Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e a apuração da CSLL devida no valor de R$ 27.109,32; • Multas isoladas – falta de recolhimento do IRPJ sobre base de cálculo estimada: O contribuinte intimado (fl. 84) a comprovar o recolhimento do Imposto de Renda devido mensalmente por estimativa e o Imposto de Renda declarado como retido na fonte, nada comprovou durante os trabalhos de fiscalização, justificando assim o lançamento da multa isolada no valor de R$ 36.299,59; • Multas isoladas – falta de recolhimento da CSLL sobre base de cálculo estimada: O contribuinte intimado (fl. 84) a comprovar o recolhimento da CSLL devida mensalmente por estimativa e a CSLL declarada como retida na fonte, nada comprovou durante os trabalhos de fiscalização, justificando assim o lançamento da multa isolada no valor de R$ 17.027,84; Os enquadramentos legais encontramse às fl. 110, 111 e 117. 2 – DA IMPUGNAÇÃO Cientificada dos Autos de Infração em 13/03/2009 (fl. 109 e 116), apresentou a interessada em 14/04/2009 a impugnação de fl. 133/141, juntamente com os documentos de fl. 142/505, através da qual argúi, em síntese, que: • Os débitos fiscais em questão foram lançados exclusivamente em virtude do suposto fato de que a interessada teria deixado de comprovar o pagamento, a declaração do IRPJ/CSLL e o valor informado na DIPJ retificadora a título de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF); • No que tange ao IRPJ, a autoridade fiscal deixou de observar que houve a retenção na fonte da quantia de R$ 32.713,28 a título de imposto de renda incidente sobre serviços prestados pela interessada, bem como do montante de R$ 14.024,78 a título de imposto de renda incidente sobre aplicações financeiras, conforme se verifica das notas fiscais em anexo (doc. nº 04); • Sendo assim, diferentemente do que entendeu a autoridade lançadora, não há que se falar na falta de recolhimento do montante de R$ 51.303,65 a título de IRPJ, mas tão somente do valor originário de R$ 4.565,59, cabendo esclarecer que a interessada providenciará o recolhimento da mencionada quantia, considerando os acréscimos legais incidentes; • Vale esclarecer que é descabido qualquer argumento no sentido de que parte dessas retenções não teria sido informada Fl. 855DF CARF MF 4 na DIPJ apresentada pela interessada, pois os documentos fiscais em anexo, postos à disposição da Fiscalização, são suficientes para comprovação das alegações daquela; • Por essas razões, fica clara a insubsistência do débito fiscal de IRPJ apurado; • No que tange à CSLL, a autoridade fiscal lançadora entendeu que a interessada teria deixado de comprovar o recolhimento da quantia de R$ 27.109,31, a título de CSLL. Contudo, como se verifica das notas fiscais em anexo (doc. nº 04), houve retenção na fonte da contribuição em questão do montante equivalente a R$ 41.788,61; • Portanto, não obstante a inexistência de débito de CSLL a ser recolhido pela interessada, na verdade foi apurado crédito no montante de R$ 14.679,29; • Ressaltase que, em seu relato, a autoridade fiscal informa que baseou seu entendimento nos documentos apresentados pela interessada, bem como na DIPJ retificadora apresentada (doc. nº 05). Entretanto, se a douta autoridade fiscal tivesse analisado os documentos postos à sua disposição, teria verificado os créditos existentes em favor da interessada; • Por esses motivos, fica igualmente claro o descabimento do pretenso débito fiscal de CSLL apurado pela douta autoridade fiscal; • Em decorrência, não restam dúvidas, ainda, quanto ao descabimento das multas aplicadas em face da interessada; • Acaso os elementos apresentados sejam considerados insuficientes para conduzir ao provimento de seu pedido, o que se admite apenas para fins de argumentação, a mesma requer, desde já a realização de diligências para saneamento do feito; • Cita o art. 18 do Decreto nº 70.235/1972; • Afirma, ainda, que caso as provas não sejam suficientes a demonstrar a insubsistência dos débitos fiscais que constituem o objeto do auto de infração ora impugnado, com vistas a proporcionar à interessada o pleno exercício do direito à ampla defesa, requer a mesma seja determinada a realização de perícia técnica, nos termos dos art. 16, IV e 18, ambos do Decreto nº 70.235/1972, elencando os requisitos; • Indica o Sr. Marcelo dos Santos para atuar no feito na qualidade de assistente técnico da interessada contribuintes.” A DRJ do Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDO DE PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Fl. 856DF CARF MF Processo nº 12898.000222/200909 Acórdão n.º 1201001.889 S1C2T1 Fl. 4 5 Deve ser indeferido o pedido de perícia/diligência quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver todos os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Se a interessada concorda com uma parcela da autuação ou deixa de impugnála, a matéria correspondente situase fora dos limites da lide, descabendo a sua apreciação pelo órgão julgador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO. FALTA DE DECLARAÇÃO. IRPJ. A falta de declaração de débito de IRPJ na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), bem como a ausência de seu recolhimento, impõe o lançamento de ofício. IRRF. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. É incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRRF que não esteja confirmado por comprovante de retenção. IRRF. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. Somente é possível a dedução do IRRF devidamente retido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura o lucro real quando restar devidamente comprovada a tributação da receita correspondente. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. Constatada a falta ou a insuficiência de recolhimento mensal por estimativa, é devido o lançamento de multa exigida isoladamente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. Anocalendário: 2004 CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO. FALTA DE DECLARAÇÃO. Aplicase à CSLL o mesmo entendimento do lançamento do IRPJ, na medida em que não há fatos novos a serem apreciados. CSLL RETIDA. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Fl. 857DF CARF MF 6 É incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de CSLL que não esteja confirmada por comprovante de retenção. CSLL. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. Somente é possível a dedução da CSLL devidamente retida para efeito de determinação do saldo de contribuição social a pagar ou a ser compensada pelo beneficiário que apura o lucro real / base de cálculo da contribuição social quando restar devidamente comprovada a tributação da receita correspondente. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVA NÃO PAGA. Constatada a falta ou a insuficiência de recolhimento mensal por estimativa, é devido o lançamento de multa exigida isoladamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada com essa decisão da qual tomou ciência em 17/10/2013, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (efls. 531) em 18/11/2013, onde em apertada síntese reitera todas as alegações feitas por ocasião de sua impugnação. Por meio da citada resolução, o julgamento foi convertido em diligência para que a delegacia de origem examinasse a documentação acostada à impugnação e: a) verificasse se, à luz da escrita contábil e notas fiscais emitidas, era possível a comprovação de que os tributos foram retidos pela fonte pagadora; b) intimasse a Recorrente para demonstrar por meio da contabilidade e dos livros fiscais que as receitas em questão foram oferecidas à tributação. c) intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifestasse no prazo de 30 (trinta) dias. O relatório de diligência foi acostado às fls. 845 a 848. Nele consta: Retenção da CSLL 4. Os lançamentos contábeis referentes às retenções da CSLL estão demonstrados na conta 1.1.4.01.005, fls. 194/204 do presente processo. No histórico de cada lançamento consta a nota fiscal de prestação de serviços que gerou o crédito. Esta diligência verificou que nestas notas fiscais, cópias folhas 209 à 432, existe a informação de retenções da CSLL, juntamente com Pis e Cofins (CSLL 1%; Pis 0,65; Cofins 3%; total 4,65%). Tendo em vista o grande número de documentos, foram analisadas as notas emitidas com valores mais relevantes, de modo a formar convicção. 5. Em resumo, se consideradas apenas a escrituração contábil e as notas fiscais emitidas, que constam juntadas aos autos, ficam comprovadas as retenções da CSLL pelos valores informados. Retenção do IR Fl. 858DF CARF MF Processo nº 12898.000222/200909 Acórdão n.º 1201001.889 S1C2T1 Fl. 5 7 6. Diante da inexistência de informação de retenção do imposto de renda em grande parte das notas fiscais emitidas, esta fiscalização intimou a diligenciada a comprovar os recebimentos dos valores líquidos referentes a estas notas, à vista dos extratos bancários. Entendemos que somente os lançamentos contábeis, conta n° 1.1.4.01.008 fls. 205/208, eram insuficientes para se ter um mínimo de convicção das retenções, apesar de demonstrarem detalhadamente as operações. 7. Em resposta datada de 20/05/2016, fls. 670/675, o contribuinte demonstra em planilha os depósitos bancários referentes a várias notas fiscais, dentre elas aquelas com a alegada retenção do I.R., além do extrato bancário, fls. 676/764. Tratamse de valores líquidos depositados, sem as retenções. Os valores planilhados coincidem com os depósitos bancários. 8. Por esta planilha apresentada pela empresa, verificamos o total de IRRF no valor de R$ 23.829,01. Comprovação do oferecimento à Tributação 9. Em resposta aos termos fiscais lavrados, o contribuinte apresentou copia do livro razão com as contas que representam as receitas obtidas, assim como a Demonstração do Resultado do Exercício, referentes ao ano de 2004, sendo constatado que as notas fiscais que geraram os referidos créditos de IR e CSLL, estão devidamente contabilizadas e assim foram oferecidas à tributação. A ciência quanto ao resultado da diligência deuse em 7 de outubro de 2016, conforme AR à fl. 850. Não houve manifestação da recorrente. O processo foi redistribuído por sorteio em face da reestruturação do CARF e a extinção das turmas especiais. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Relator. Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Por primeiro, cumpre observar que não há nenhuma dúvida quanto aos valores do IRPJ e da CSLL devidos ao final do anocalendário: R$ 51.303,65 e R$ 27.109,32, Fl. 859DF CARF MF 8 respectivamente. Isso pode ser visto tanto na DIPJ (fls. 15 e 20), quanto no Termo de Constatação (fl. 104). A questão centrase no valor a pagar desses tributos, em face de retenção de IRPJ e CSLL na fonte. Pela decisão de piso, não foi reconhecida a dedução de tributos retidos na fonte em face de não ter sido apresentado o correspondente comprovante de retenção e não ter sido comprovado o oferecimento das receitas à tributação, conforme ementas abaixo: IRRF. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. É incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRRF que não esteja confirmado por comprovante de retenção. IRRF. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. Somente é possível a dedução do IRRF devidamente retido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura o lucro real quando restar devidamente comprovada a tributação da receita correspondente. Os autos baixaram em diligência para que fosse verificado "se, à luz da escrita contábil e notas fiscais emitidas, era possível a comprovação de que os tributos foram retidos pela fonte pagadora" e demonstrado "por meio da contabilidade e dos livros fiscais que as receitas em questão foram oferecidas à tributação". Os termos da diligência estão em consonância com o entendimento exarado neste CARF por turma ordinária da 3ª Seção de Julgamento e pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: COFINS. ENERGIA ELÉTRICA. RETENÇÃO DE ÓRGÃOS PÚBLICOS. A prova da retenção não se faz exclusivamente pela apresentação da DIRF, podendo ser feita pela apresentação de documentos contábeis e bancários que permitam identificar que houve o pagamento do valor líquido, em relação a notas fiscais ou faturas que indicam tanto o valor líquido a pagar quanto os valores de tributos que devem ser retidos. Deste modo, se a fatura indica o pagamento do valor líquido e a necessidade de retenção dos tributos, então o pagamento da fatura torna forçoso entender que houve a retenção do tributo. (Acórdão nº 3403001.758 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2012). RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. INFORME DE RENDIMENTOS E DIRF. DESNECESSIDADE. Ausência do documento específico elencado na norma infralegal, qual seja o informe de rendimentos e a DIRF, instituídos pela SRFB em obediência ao artigo 943 do RIR/99, não pode ilidir o direito do Contribuinte, desde que outros meios possam provar a retenção e recolhimento. (Acórdão nº 9101002876 Câmara Fl. 860DF CARF MF Processo nº 12898.000222/200909 Acórdão n.º 1201001.889 S1C2T1 Fl. 6 9 Superior de Recursos Fiscais 1ª Turma Sessão de 6 de junho de 2017) No voto condutor dessa última decisão está assim consignado: MATÉRIA: APLICABILIDADE DO ARTIGO 943, §2º, RIR/99 Sobre esse ponto, a Turma a quo decidiu que o comprovante de retenção não é o único meio de prova para fins de dedução da retenção pelo beneficiário do rendimento, até porque seu direito não pode ser inviabilizado pela conduta omissiva da fonte pagadora, no seguinte sentido: Possivelmente por não identificar a declaração da retenção pela fonte pagadora Embraer S/A em DIRF (fls. 112/120), a autoridade fiscal exigiu a apresentação de cópia autenticada do informe de rendimentos que a fonte pagadora deveria ter apresentado à contribuinte. De outro lado, porém, também exigiu esclarecimentos acerca do reconhecimento das receitas de juros sobre o capital próprio, e na resposta de fls. 123/124 a contribuinte informou que oferecera à tributação valor superior àquele consignado na intimação, no total de R$ 318.493.770,07. É certo que a Lei nº 7.450/85 estabelece, em seu art. 55, que o imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Por sua vez, o art. 86 da Lei nº 8.981/95 obriga as fontes pagadoras a fornecer tais documentos e fixa multa de cinqüenta Ufirs por documento que deixar de ser fornecido ou fornecido com inexatidão. Todavia, o comprovante de retenção não é o único meio de prova para fins de dedução da retenção pelo beneficiário do rendimento, até porque seu direito não pode ser inviabilizado pela conduta omissiva da fonte pagadora. No presente caso, a contribuinte apresenta o aviso de pagamento que lhe foi enviado pela fonte pagadora possivelmente à época do crédito, demonstra o reconhecimento de receitas compatíveis com a dedução pretendida, e a autoridade fiscal nada questionou acerca do eventual recebimento destes créditos sem a retenção pretendida pela contribuinte. Penso de forma semelhante, eventual ausência do documento específico elencado na norma infralegal, qual seja o informe de rendimentos e a DIRF, instituídos pela SRFB em obediência ao artigo 943 do RIR/99, não pode ilidir o direito do Contribuinte, desde que outros meios possam provar a retenção e recolhimento. De forma consentânea também com esse entendimento, acatase o resultado da diligência realizada. Quanto ao IRPJ, na declaração constou valor retido (apuração anual) de R$ 18.328,20. Na impugnação e no recurso voluntário, a contribuinte informa que esse valor seria de R$ 32.713,28 a título de retenção por recebimento de serviços prestados e mais R$ 14.024,78 a título de IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras, num total de R$ Fl. 861DF CARF MF 10 46.738,06, restando a pagar somente R$ 4.565,59 (esse valor já foi inclusive apartado para cobrança por se caracterizar como matéria não impugnada). No entanto, como visto no resultado da diligência, o valor de IRPJ retido foi de R$ 23.829,01. Não ficou provado o IRRF sobre rendimentos de aplicações financeiras. Em face do exposto, o valor lançado deve ser diminuído para R$ 27.474,64 (incluídos os R$ 4.565,59 já reconhecidos pela recorrente). No que tange à CSLL, na DIPJ constou valor retido (apuração anual) de R$ 41.788,61. Na impugnação e no recurso voluntário, a contribuinte reitera esse valor como o efetivamente retido. Em diligência, foi confirmado o valor retido de CSLL inserido no campo próprio da DIPJ e alegado no recurso voluntário, sendo apurado saldo negativo da contribuição no período. Multas isoladas. Ao final da peça que veicula o recurso voluntário consta o seguinte pedido: "sejam integralmente cancelados/desconstituídos os débitos fiscais objeto do processo administrativo em referência". Embora não haja nenhuma alusão específica às multas isoladas em face do nãorecolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL durante o anocalendário em questão, farse á a análise quanto à incidência destas, nos termos seguintes. Uma vez que, quanto ao IRPJ apuração anual (anocalendário 2004), foi mantido parte do lançamento, as multas isoladas devem ser afastadas, em face da Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Quanto à CSLL, contudo, o lançamento foi afastado. Assim, não restou nenhuma multa de ofício por falta de pagamento, apurada no período anual, não havendo, pois, motivo para a aplicação da referida súmula. Entretanto, há que se reavaliar a incidência das multas em face do reconhecimento das retenções mensais que alteram o valor da CSLL devida por estimativa (balancete de suspensão), o que se faz conforme abaixo: AGOSTO/2004 Base Estimada apurada com base em balancete de suspensão Base de cálculo da CSLL: R$ 37.037,43 CSLL apurada: R$ 3.333,37 CSLL retida até o mês: R$ 28.583,66 CSLL Mensal a Pagar por estimativa: R$ 0,00 Multa isolada 50%: R$ 0,00 SETEMBRO/2004 Base Estimada apurada com base em balancete de suspensão Base de cálculo da CSLL: R$ 123.497,36 CSLL apurada: R$ 11.114,76 Fl. 862DF CARF MF Processo nº 12898.000222/200909 Acórdão n.º 1201001.889 S1C2T1 Fl. 7 11 CSLL devida em meses anteriores: R$ 0,00 CSLL retida até o mês: R$ 32.139,91 CSLL Mensal a Pagar por estimativa: R$ 0,00 Multa isolada 50%: R$ 0,00 OUTUBRO/2004 Base Estimada apurada com base em balancete de suspensão Base de cálculo da CSLL: R$ 266.218,09 CSLL apurada: R$ 25.939,63 CSLL devida em meses anteriores: R$ 0,00 CSLL retida até o mês: R$ 35.633,99 CSLL Mensal a Pagar por estimativa: R$ 0,00 Multa isolada 50%: R$ 0,00 NOVEMBRO/2004 Base Estimada apurada com base em balancete de suspensão Base de cálculo da CSLL: R$ 378.396,77 CSLL apurada: R$ 34.055,71 CSLL devida em meses anteriores: R$ 0,00 CSLL retida até o mês: R$ 39.094,72 CSLL Mensal a Pagar por estimativa: R$ 0,00 Multa isolada 50%: R$ 0,00 Verificase, pois, não restar nenhum valor de multa isolada de CSLL a ser cobrada. Conclusão. Em face do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE provimento parcial, diminuindo o valor do IRPJ lançado para R$ 22.909,05 (já deduzido o valor cobrado em processo apartado), que deverá ser acrescido dos consectários legais, e exonerando a CSLL lançada, em sua totalidade, assim como as multas isoladas relativas ao IRPJ e à CSLL. (assinado digitalmente) Paulo Cezar Fernandes de Aguiar Fl. 863DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.720154/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS QUE NÃO REPERCUTEM NO LANÇAMENTO DA MULTA EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE JUROS MORATÓRIOS. CONHECIMENTO EM PARTE.
1. O sujeito passivo desistiu parcialmente da irresignação, considerando ter aderido ao parcelamento.
2. De conformidade com o § 2º do art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso, o que implica o seu não conhecimento na parte em que houve desistência.
3. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros) não repercutiram no lançamento atinente à não informação de fatos geradores em GFIP, não subsistindo, diante da decadência das citadas contribuições, interesse recursal no seu questionamento.
4. No lançamento atinente ao descumprimento de obrigação acessória, também não houve a constituição de juros moratórios, igualmente não se vislumbrando a existência de interesse recursal.
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN.
1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial.
2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101.
1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública.
2. Conforme preleciona a Súmula CARF 101, "na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado".
CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL.
Os pagamentos efetuados aos trabalhadores da empresa por meio de cartões de incentivo são remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. COMPETÊNCIA.
1. Verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento.
2. Na dicção do parágrafo único do art. 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade.
3. O art. 33 da Lei 8212/91 delegou ao auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para fiscalizar as contribuições nela previstas, não havendo que se cogitar de qualquer excesso de limites de competência.
MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Súmula CARF nº 2: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2402-005.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, acolher a preliminar de decadência dos fatos geradores das obrigações principais relativas aos períodos de dezembro de 2006 a novembro de 2007. Votaram pelas conclusões em relação à decadência os Conselheiros Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 30/04/2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS QUE NÃO REPERCUTEM NO LANÇAMENTO DA MULTA EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE JUROS MORATÓRIOS. CONHECIMENTO EM PARTE. 1. O sujeito passivo desistiu parcialmente da irresignação, considerando ter aderido ao parcelamento. 2. De conformidade com o § 2º do art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso, o que implica o seu não conhecimento na parte em que houve desistência. 3. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros) não repercutiram no lançamento atinente à não informação de fatos geradores em GFIP, não subsistindo, diante da decadência das citadas contribuições, interesse recursal no seu questionamento. 4. No lançamento atinente ao descumprimento de obrigação acessória, também não houve a constituição de juros moratórios, igualmente não se vislumbrando a existência de interesse recursal. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101. 1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. 2. Conforme preleciona a Súmula CARF 101, "na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. Os pagamentos efetuados aos trabalhadores da empresa por meio de cartões de incentivo são remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. COMPETÊNCIA. 1. Verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento. 2. Na dicção do parágrafo único do art. 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade. 3. O art. 33 da Lei 8212/91 delegou ao auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para fiscalizar as contribuições nela previstas, não havendo que se cogitar de qualquer excesso de limites de competência. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Súmula CARF nº 2: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. INEXISTÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS QUE NÃO REPERCUTEM NO LANÇAMENTO DA MULTA EM GFIP. INEXISTÊNCIA DE LANÇAMENTO DE JUROS MORATÓRIOS. CONHECIMENTO EM PARTE. 1. O sujeito passivo desistiu parcialmente da irresignação, considerando ter aderido ao parcelamento. 2. De conformidade com o § 2º do art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso, o que implica o seu não conhecimento na parte em que houve desistência. 3. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros) não repercutiram no lançamento atinente à não informação de fatos geradores em GFIP, não subsistindo, diante da decadência das citadas contribuições, interesse recursal no seu questionamento. 4. No lançamento atinente ao descumprimento de obrigação acessória, também não houve a constituição de juros moratórios, igualmente não se vislumbrando a existência de interesse recursal. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para o lançamento é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. 2. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 72 01 54 /2 01 2- 71 Fl. 1028DF CARF MF 2 parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 173, INC. I, DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. TERMO INICIAL QUE CORRESPONDE AO PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. SÚMULA CARF 101. 1. O prazo decadencial para constituição de obrigações tributárias acessórias é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN, vez que, nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pela Fazenda Pública. 2. Conforme preleciona a Súmula CARF 101, "na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado". CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. Os pagamentos efetuados aos trabalhadores da empresa por meio de cartões de incentivo são remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. COMPETÊNCIA. 1. Verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento. 2. Na dicção do parágrafo único do art. 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade. 3. O art. 33 da Lei 8212/91 delegou ao auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para fiscalizar as contribuições nela previstas, não havendo que se cogitar de qualquer excesso de limites de competência. MULTA. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER CONFISCATÓRIO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Súmula CARF nº 2: o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1029DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, acolher a preliminar de decadência dos fatos geradores das obrigações principais relativas aos períodos de dezembro de 2006 a novembro de 2007. Votaram pelas conclusões em relação à decadência os Conselheiros Ronnie Soares Anderson e Mário Pereira de Pinho Filho (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felicia Rothschild. Fl. 1030DF CARF MF 4 Relatório Inicialmente, adotase o relatório da Resolução CARF 2402000.507, que bem reflete os fatos e os fundamentos do lançamento, da impugnação, do acórdão da DRJ e do recurso voluntário: Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, concernente à parcela desses segurados não descontas em época própria (DEBCAD nº 37.378.8207, AIOP) e à parcela patronal (DEBCAD nº 37.378.8193, AIOP), incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (DEBCAD nº 37.378.8215, AIOP). Competências do lançamento 01/2006 a 04/2008. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigações acessórias, para as competências 01/2006 a 04/2008, lavrado por apresentação da GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias (DEBCAD nº 37.378.8185, AIOA, CFL 68). O Termo de Verificação Fiscal (fls. 35/42) informa que foram apurados valores referentes às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre remunerações oriundas de créditos efetuados através de "cartões incentivo", pagas pela empresa a segurados obrigatórios da previdência social, constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. CE – CARTÃO INCENTIVO EXPERTISE – período do débito: 01/2006 a 01/2008; e 2. CE1 – CARTÃO INCENTIVO EXPERTISE – período do débito: 08/2006 a 04/2008. Do Termo de Verificação e Conclusão Fiscal, item 2, no tópico denominado: “2. DOS INDÍCIOS DE FRAUDE”. Consta que: 1. o contribuinte contratou a prestação dos serviços da empresa Expertise Comunicação Total Ltda. com a finalidade de efetivar a premiação de beneficiários por ele indicados, mediante a utilização de cartões fornecidos pela contratada e entregues aos favorecidos, para que estes pudessem promover o saque das respectivas quantias creditadas nos cartões, conforme contrato número 2057, do qual junta cópia (doc.06), fls. 35/42; 2. nas notas fiscais, (doc. 16), fls. 476/528, acostadas aos autos a CONTRATADA, (Expertise Comunicação Total S/C Ltda), identificou como "TRIBUTADOS" e "NÃO TRIBUTADOS ISS", as importâncias, como descrito no campo: "DISCRIMINAÇÃO Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 4 5 DOS SERVIÇOS E DESPESAS", correspondentes, respectivamente, a "Expert Card BPN/Exchange Card Campanha de incentivo", portanto, tais importâncias destinavamse à remuneração pelos serviços que deveriam ser prestados pela CONTRATADA para aquisição de cartões carregados com valores a serem entregues a beneficiários indicados pela CONTRATANTE; 3. com os documentos apresentados o contribuinte fez comprovar o pagamento do valor total das notas fiscais a Expertise Comunicação Total S/C Ltda, os quais foram levados a resultado do exercício com o registro contábil em contas de despesas, como "SERVIÇOS PREST PJ", sem identificar os beneficiários dos pagamentos efetuados por meio dos cartões denominados '"Expert Card BPN / Exchange Card" Relação das Notas Fiscais, (doc. 17), fls. 529; 4. com o procedimento contábil adotado (doc. 14), fls. 165/469, o contribuinte fez ocultar a causa e os beneficiários destes pagamentos. Restaram constatado que o contribuinte deixou de incluir em suas folhas de pagamento e respectivas GFIP's as remunerações pagas por conta dos valores creditados nos cartões emitidos, a seu pedido, pela Expertise, conforme consta em cláusula contratual, e tão pouco identificou os reais beneficiários e os respectivos valores pagos aos mesmos. [...] Para apuração do salário de contribuição foi utilizado o critério da aferição indireta, com respaldo no art. 33, § 3º, da Lei 8.212, de 24/07/1991, pela falta de identificação dos beneficiários do programa de gerenciamento de premiação, mediante o uso do cartão "Exchange Card", assim como dos valores estabelecidos a cada um dos premiados. O Fisco aplicou o princípio da norma mais benéfica, expresso no art. 106, II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), na apuração da multa exigível sobre a contribuição não recolhida tempestivamente, mediante cotejo, competência a competência, entre a soma da multa moratória incidente sobre a contribuição devida com a multa por descumprimento da obrigação acessória (não declaração, em GFIP, da contribuição devida), calculadas de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e a multa de ofício de 75% sobre a contribuição devida, prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 11.941/2009. [...] A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 545/580 e fls. 594/658), alegando, em síntese, que: 1. sua impugnação seja conhecida e provida para anular o Auto de Infração nº 10803.720154/201271; para os valores do período anterior a novembro de 2007, seja decretada a decadência dos créditos presentes no Demonstrativo Fl. 1032DF CARF MF 6 Consolidado; Da Ausência de Indícios de Fraude. Afirma que, no caso, não se verifica em nenhum momento indícios de fraude e não houve intenção da empresa em ludibriar o Fisco, ao contrário do que foi mencionado no Auto de Infração. A empresa é uma prestadora de serviço, conforme se verifica em seu contrato social que anexa, e possui com a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda um contrato particular e, assim não incidindo sobre esses prêmios o tributo referente à contribuição social providenciaria, não há essa relação jurídica tributável. Assim, a empresa entende não ser devido esse tributo e não poderia ter usado de má fé com o fisco, não existindo o elemento subjetivo dolo; 2. Da Multa Confiscatória. Afirma que o Auto de Infração é nulo vez que ao caso é aplicada multa fora dos padrões econômicos do nosso pais, ou seja, multa de 75% do valor do imposto devido, portanto confiscatória. No Auto o valor da multa aplicada é de 75% do valor do suposto imposto devido, transcreve os artigos 5º, LIV e 150,IV, da Constituição Federal e, afirma que a multa aplicada tem caráter sancionatório (penal) por ter o Fisco o objetivo de penalizar o sujeito passivo; Da Não Incidência dos Juros de Mora. Afirma que o termo mora indica demora, inexecução, inadimplemento, descumprimento obrigacional e, que os juros de mora só podem ser cobrados a partir do momento em que o contribuinte se torna inadimplente. A conseqüência gerada pelo atraso é a multa, cita lições de Hugo de Brito Machado; Álvaro Villaça Azevedo e conclui que para cobrança dos juros de mora, o contribuinte deve estar primeiramente em mora e, que antes de ser autuada estava apenas em atraso no cumprimento de sua obrigação, que os juros de mora seriam cabíveis somente após a autuação. Assim, a multa e juros são penalidades que não devem ser cobradas juntas, a multa é a penalidade inicial e que poderá dar margem à cobrança de juros de mora se não for paga a partir do momento em que for estabelecida; Da Contribuição ao Incra e ao FNDE. Afirma que a contribuição destinada ao INCRA não está contemplado pelo artigo 240 da Constituição Federal, dada a sua natureza e, como a Lei 8.212/91 não incluiu o INCRA entre as contribuições que devem ser cobradas para o custeio da seguridade social tem por certo que esta norma também extinguiu sua cobrança. Cita decisão do Judiciário; 3. Da Contribuição do SEBRAE. Inconstitucionalidade. Afirma que a contribuição ao SEBRAE surgiu com a Lei 8.154/90 de uma majoração das contribuições ao SESI/SENAI como um verdadeiro adicional às alíquotas dessas contribuições, ocorre que a contribuição ao SEBRAE destinase ao auxilio às micro e pequenas empresas, enquanto a contribuição ao SESI/SENAI tem destinação diversa e, além disso, a contribuição ao SEBRAE necessitaria de Lei Complementar para a sua criação; 4. Das Contribuições ao SESI/SENAI. Alega que não é sujeito passivo das contribuições ao SENAI e SESI por não se tratar de uma empresa de caráter industrial; Do Direito Administrativo. Alega que a Autoridade Fiscal ultrapassou os limites de sua competência quando passou a realizar tarefas além do permitido, além de investigar atos fiscais, passou a investigar atos civis/comerciais pautados pelo Contrato de prestação de Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 5 7 Serviço entre a empresa Geosonda e a empresa Expertise Comunicação Total Ltda., interferindo no âmbito de relações de Direito Privado, no momento em que solicita os nomes e a causa deste pagamento; Da Legalidade do Contrato de Prestação de Serviço. Alega que toda a operação é decorrente do contrato entre a empresa Geosonda S.A e a Expertise Comunicação Total Ltda, sendo o objeto do contrato uma prestação de serviço, que por parte da Geosonda a operação é legitima, não havendo qualquer necessidade de uma Ação Fiscal, bem como de um Auto de Infração seguido multa e muito menos qualquer indício de possibilidade de fraude, por ser operação oriunda da iniciativa privada encontrase dentro da total legalidade. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão 1649.483 da 14a Turma da DRJ/SP1 – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que declarou a decadência até a competência 11/2006, a teor do art. 173, inciso I, do CTN. A DRJ deixou de recorrer de ofício a este Conselho, uma vez que a sua decisão estava amparada em Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal (art. 27, inc. VI, da Lei 10522/02. A recorrente foi intimada da decisão em 18 de setembro de 2013 (fl. 764) e interpôs recurso voluntário em 14 de outubro daquele mesmo ano (fls. 765 e seguintes), no qual suscitou preliminar de decadência e reiterou os demais fundamentos da sua impugnação. Através da petição de fls. 840/844, a recorrente, já sob o patrocínio de outros advogados, requereu (a) a desistência parcial da discussão e a renúncia ao direito sobre o qual ela se funda em relação aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 2007 a abril de 2008; (b) a adequação do valor cobrado nestes autos, com a exclusão dos débitos referentes ao citado período; e (c) o prosseguimento dos autos no tocante ao período de janeiro de 2006 a novembro de 2007, mantendose, inclusive, todas as alegações de direito a ele pertinentes. Às fls. 855 e seguintes, a recorrente acostou aos autos os comprovantes de recolhimentos parciais alusivos ao período controvertido. Diante dos citados comprovantes de recolhimento, em sessão de julgamento realizada em 09 de dezembro de 2015, este Colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, para que o Fisco confirmasse se houve ou não recolhimentos parciais, os quais foram confirmados por intermédio da informação fiscal de fl. 1008. A recorrente foi intimada da aludida informação e apresentou a manifestação de fls. 1015/1020, na qual reafirmou o pedido de decadência do crédito remanescente, período de apuração dezembro de 2006 a novembro de 2007. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Fl. 1034DF CARF MF 8 Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento Farseá a apreciação do recurso voluntário, visto que interposto no prazo legal, o que não significa que será totalmente conhecido. Isso porque o sujeito passivo, às fls. 840/844, requereu (a) a desistência parcial da discussão e a renúncia ao direito sobre o qual ela se funda em relação aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 2007 a abril de 2008; (b) a adequação do valor cobrado nestes autos, com a exclusão dos débitos referentes ao citado período; e (c) o prosseguimento dos autos no tocante ao período de janeiro de 2006 a novembro de 2007, mantendose, inclusive, todas as alegações de direito a ele pertinentes. Por outro lado, e ao se manifestar sobre a informação fiscal prestada pela unidade de origem acerca dos recolhimentos parciais, a recorrente corrigiu a sua insurgência, para manter a controvérsia, ante a decadência, do crédito remanescente, de dezembro de 2006 a novembro de 2007 (fl. 1020), mesmo porque a decisão a quo reconhecera o advento do prazo extintivo até a competência novembro de 2006. Assim sendo, deve ser aplicado o disposto no § 2º do art. 78 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), segundo o qual o pedido de parcelamento importa a desistência do recurso. Vejase: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. (destacouse) Logo, o recurso voluntário não deve ser conhecido em relação aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 2007 a abril de 2008, mantendose a controvérsia apenas em relação ao período de apuração de dezembro de 2006 a novembro de 2007. Ademais, a recorrente não tem interesse recursal nos seguintes pontos deduzidos em seu recurso: a) da não incidência dos juros de mora; b) das contribuições ao INCRA, ao FNDE, ao SEBRAE e ao SESI/SENAI; e c) das deduções para o IRPJ. Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 6 9 Quanto aos itens "a" e "b", verseá no tópico 2.1, que remanescerá no presente processo apenas parte do Auto de Infração por descumprimento de obrigação acessória, uma vez que a obrigação principal ou está atingida pela decadência ou foi objeto de parcelamento pelo sujeito passivo. As consequências do parcelamento já foram traçadas nos parágrafos acima. As contribuições destinadas a outras entidades ou fundos (terceiros) não repercutiram no lançamento atinente à não informação de fatos geradores em GFIP. Compulsandose o cálculo da multa do Código de Fundamentação Legal CFL 68 (fls. 530/535), assim como a própria legislação que ampara a incidência da sanção pecuniária (Lei 8212/91), observase que a autoridade fiscal fez o comparativo tomandose por base o número de segurados e/ou o valor da contribuição dos segurados, da empresa e do adicional SAT/RAT, mas não das contribuições de terceiros. De outro vértice, o CFL 68 não sofre a incidência de juros moratórios (vide demonstrativo de fl. 3). Significa dizer que não remanesce qualquer interesse recursal por parte do sujeito passivo nesses pontos, que não têm qualquer impacto no lançamento atinente à GFIP. Quanto ao item "c", a dedutibilidade ou não das despesas do contrato de prestação de serviços não é o escopo da fiscalização e dos lançamentos, igualmente não se vislumbrando interesse recursal a esse respeito. 2 Da controvérsia 2.1 DA DECADÊNCIA Como se depreende dos autos, remanesce controvérsia apenas em relação aos fatos geradores ocorridos de dezembro de 2006 a novembro de 2007. Com efeito, e em primeiro lugar, a própria decisão a quo decotou do lançamento as competências de janeiro de 2006 a novembro de 2006. Em segundo lugar, e ao desistir parcialmente de seu recurso, a recorrente o fez em relação aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 2007 a abril de 2008. Para o período controvertido, a recorrente alega ter ocorrido a decadência, mantendose as demais alegações. Pois bem. O critério de determinação da regra decadencial (art. 150, § 4º ou art. 173, inc. I, ambos do CTN) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de Fl. 1036DF CARF MF 10 ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Nesse sentido, eis o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). [...] 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Neste caso, a própria unidade de origem informou ter havido recolhimentos parciais nas competências controvertidas. E a decisão a quo se equivocou ao entender que o fato de não ter havido "pagamento antecipado da contribuição exigida nos lançamentos que constituem os autos de infração em comento" (v. fl. 731) impediria a aplicação do § 4º do art. 150. Ora, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento do valor considerado devido pelo contribuinte na competência, mesmo que não tenha sido incluída na sua base a rubrica específica exigida no auto, na dicção da Súmula CARF 99: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 7 11 considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No mais, qualquer análise acerca da existência de indícios de fraude para efeito de contagem do prazo decadencial está prejudicada, uma vez que o acórdão de impugnação entendeu que tal ocorrência em nada alteraria a aplicabilidade do prazo decadencial. Vejase (fl. 729): 31. Inicialmente temos que a ocorrência de fraude em nada altera a aplicabilidade do prazo decadencial nas regras do art. 173, I, do CTN, senão vejamos: É sabido que o recurso somente devolve à instância ad quem o conhecimento da matéria impugnada e que apenas serão objeto de apreciação e julgamento as questões suscitadas e discutidas, desde que relativas ao capítulo impugnado, na dicção do caput e do § 1º do art. 1013 do CPC: Art. 1.013. A apelação devolverá ao tribunal o conhecimento da matéria impugnada. § 1o Serão, porém, objeto de apreciação e julgamento pelo tribunal todas as questões suscitadas e discutidas no processo, ainda que não tenham sido solucionadas, desde que relativas ao capítulo impugnado. A decisão recorrida não enfrentou a questão atinente aos indícios de fraude no capítulo designado à decadência e o Termo de Verificação Fiscal apenas lhes aludiu para tratar da Representação Fiscal para Fins Penais, sem ter, no entendimento desta relatoria, se aprofundado no tema. Isto é, além de não ter sido devolvida a esta instância o conhecimento da fraude para efeito de contagem do lustro extintivo, observase que a acusação fiscal não empreendeu maiores esforços para a caracterização do ilícito, tendo aludido, pelo contrário, a meros indícios e a existência de crime em tese. Outrossim, não faria o menor sentido este Conselho converter o julgamento em diligência, para apurar a existência de recolhimentos parciais nas competências controvertidas, se tivesse havido fraude. Em sendo assim, deve ser acolhida a preliminar de decadência dos fatos geradores das obrigações principais relativas aos períodos de dezembro de 2006 a novembro de 2007, uma vez que as autuações somente ocorreram em 20 de dezembro de 2012 (fls. 4/7), quando já havia transcorrido período de tempo superior a cinco anos. Quanto ao Auto de Infração DEBCAD 37.378.8185, alusivo ao descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa apresentado a GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições, é aplicável a sistemática de contagem prevista no inc. I do art. 173 do Código. Tal obrigação (ou dever) é mais instrumental do que acessória, no sentido de que não necessariamente segue o principal, a exemplo da obrigação de a empresa informar em Fl. 1038DF CARF MF 12 folhas de pagamento as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração de seus empregados (inc. IV do § 9º do art. 225 do Regulamento Geral da Previdência Social RGPS) e das entidades imunes de observar o disposto no art. 14 do CTN. Na dicção do § 2º do art. 113 do Código, a obrigação acessória decorre da legislação tributária (compreendendo as leis, os tratados, as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares) e tem por objeto as prestações positivas (fazer) ou negativas (não fazer), que não necessariamente decorrem da existência da obrigação principal, mas sim existem no interesse de eventual arrecadação ou fiscalização. A inexcedível doutrina do professor Luciano Amaro1 assim ensina: A acessoriedade da obrigação dita "acessória" não significa (como se poderia supor, à vista do princípio geral de que o acessório segue o principal) que a obrigação tributária assim qualificada dependa da existência de uma obrigação principal à qual necessariamente se subordine. Logo, a contagem do prazo da obrigação instrumental segue uma regra distinta da obrigação principal, podendose afirmar que o prazo decadencial para constituir obrigações acessórias é contado na forma do inc. I do art. 173 do CTN (do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Nesta hipótese, não há pagamento a ser homologado pelo Fisco, sendo inaplicável o disposto no § 4º do art. 150 (se a lei não fixar prazo para a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação). Eis o entendimento deste Colegiado a respeito da matéria: DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE 08 DO STF. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. APLICAÇÃO ART. 173, I, CTN. De acordo com a Súmula Vinculante 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional (CTN). Sujeitamse ao regime referido no art. 173 do CTN os procedimentos administrativos de constituição de créditos tributários decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, uma vez que tais créditos tributários decorrem sempre de lançamento de ofício, jamais de lançamento por homologação, circunstância que afasta, peremptoriamente, a incidência do preceito estampado no § 4º do art. 150 do CTN. O prazo de decadência para constituir as obrigações tributárias acessórias, relativas às contribuições previdenciárias, é de cinco anos e deve ser contado nos termos do art. 173, inciso I, do CTN. [...] (PAF 10803.720155/201216, Recurso Voluntário, Data da Sessão 09/12/2015, Relator Ronaldo de Lima Macedo; Acórdão 2402004.781) 1 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 14. ed. rev. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 249. Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 8 13 Na Câmara Superior de Recursos Fiscais, parece não haver controvérsia a respeito do tema, como revela o precedente abaixo, julgado por unanimidade no ponto relativo à decadência: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DECADÊNCIA. No caso de aplicação de multa pelo descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento por parte do sujeito passivo. Assim, para fins de contagem do prazo decadencial, há que se aplicar a regra geral contida no art. 173, inciso I do CTN.APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. (PAF 10830.721019/201135; Relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Acórdão 9202005.373, Sessão de 25/04/2017) Expressandose de outra forma, o reconhecimento da decadência da obrigação principal não atingiu o dever instrumental de informar os fatos geradores em GFIP, mantendose, neste ponto, a decisão recorrida, que reconheceu a decadência até a competência novembro de 2006. Quanto à competência dezembro de 2006, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde a 1º de janeiro de 2008, e não a 1º de janeiro de 2007, ex vi da Súmula CARF 101: Súmula CARF nº 101 : Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (destacouse) Outro não é o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como se vê no seguinte precedente, julgado por unanimidade: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. ART. 173, I DO CTN. COMPETÊNCIA DEZEMBRO. SÚMULA CARF Nº 101. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (PAF 15922.000269/200827, Acórdão 9202005.294, Relatora Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira) Fl. 1040DF CARF MF 14 Em 1º de janeiro de 2007, a autoridade ainda não teria como efetuar o lançamento relativo à competência dezembro de 2006, mais especificamente porque o pagamento da remuneração e a obrigação de informar em GFIP ocorrem dentro do próprio ano de 2007, o que explica o fato de o termo a quo recair em janeiro de 2008 (primeiro dia do exercício seguinte). Como se pode concluir, na medida em que foram mantidas as demais alegações de direito relativas ao período controvertido, e como não foi acolhida a preliminar de decadência quanto à obrigação instrumental de informar todos os fatos geradores em GFIP, fazse necessário enfrentar as demais razões recursais pertinentes à controvérsia. 2.2 DA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO E DA LEGALIDADE DO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO A discussão acerca da existência de remuneração paga por meio de cartões de incentivo ou de premiação é recorrente neste Conselho, tendo se firmado o entendimento já pacificado, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela incidência das contribuições devidas à seguridade social. Este Colegiado, ademais, já julgou os demais Autos de Infração lavrados em face do sujeito passivo, por descumprimento de obrigação acessória (CFL 78, 30 e 34), decorrentes exatamente dos mesmos fatos apurados na fiscalização ora combatida, PAF 10803.720155/201216. Ali se decidiu, por unanimidade, que os pagamentos efetuados por meio de cartões de premiação se constituem em remuneração tributável. Eis a ementa do decisum, no ponto em questão: [...] REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. [...] (PAF 10803.720155/201216, Relator Ronaldo de Lima Macedo, Acórdão 2402004.781, Sessão de 09/12/2015). Para evitar tautologia, devem ser adotados como razões de decidir os seguintes fundamentos: Considerando o Relatório Fiscal (fls. 35/42) e o contrato firmado entre a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda e a Recorrente, constatase que era fornecido cartão de premiação aos segurados empregados, destinado a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionado ao alcance de metas de desempenho, conforme registro no contrato de prestação de serviço, que tem como objeto “Prestação de serviços de marketing de relacionamento, Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10803.720154/201271 Acórdão n.º 2402005.900 S2C4T2 Fl. 9 15 incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização do cartão eletrônico denominado Exclusive Card”, no qual foi estabelecido: [...] Assim, os referidos “colaboradores” são escolhidos e indicados pela própria empresa contratante como beneficiários dos prêmios, pela razão mais óbvia possível, são subordinados à Recorrente. É importante esclarecer que os contratos firmados entre a Recorrente e a referida empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda não têm o condão de afastar a incidência da lei, pois, pouco importa que nestes contratos esteja previsto expressamente que os prêmios não configuram salários nem remunerações. Isso está em consonância com o art. 126 do Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 –, in verbis: [...] Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. [...] A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. [...] O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Portanto, e também por força do art. 126 retro mencionado, é desnecessária qualquer análise acerca da legalidade dos contratos, bastando que se apure, como apurou a fiscalização, a existência do fato gerador das contribuições lançadas (art. 142 do CTN). Logo, negase provimento ao recurso neste ponto. 2.3 DO DIREITO ADMINISTRATIVO A recorrente afirmou que a autoridade fiscal ultrapassou os limites de sua competência. Fl. 1042DF CARF MF 16 Isso não é verdade. Verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, a autoridade administrativa tem o dever legal e funcional de efetuar o lançamento. Na dicção do parágrafo único do art. 142 do Código, a atividade administrativa de lançamento não é apenas vinculada, mas também obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O art. 33 da Lei 8212/91, de seu turno, delegou ao auditor fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para fiscalizar as contribuições nela previstas, não havendo que se cogitar de qualquer excesso de limites de competência. 2.4 DA MULTA CONFISCATÓRIA A cláusula de não confisco está prevista na Constituição Federal e, para se concluir pela existência de sanção confiscatória, seria necessário declarar a inconstitucionalidade da Lei 8212/91. Como sabido, este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejase, nesse sentido, a Súmula CARF 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Isto é, a verificação de que a norma implicaria infringência ao desenho constitucional da exação tributária exacerba a competência originária desta Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, negandose provimento ao recurso neste particular. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de CONHECER parcialmente do recurso voluntário para, na parte conhecida, ACOLHER A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA dos fatos geradores das obrigações principais relativas aos períodos de dezembro de 2006 a novembro de 2007. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1043DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.903279/2008-34
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Oct 17 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano calendário: 2002 Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado.
Numero da decisão: 1802-001.002
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Incabível embargos de declaração quando inexiste omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os embargos interpostos pela Fazenda Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Marco Antonio Nunes Castilho, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marciel Eder Costa. Ausente momentaneamente o conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional com base no artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009 e alterações posteriores), sob alegação de que no acórdão nº 1802000. 851 de 30/03/2011, este colegiado deu provimento ao recurso voluntário para homologar a compensação de R$ 3.382,83, embora não tenha ficado demonstrada nos autos, a certeza quanto a existência do crédito compensável e a liquidez quanto ao seu valor. O acórdão foi recepcionado na Procuradoria da Fazenda Nacional, em 10/05/2011, conforme Relação de Movimentação – RM nº 18905 à fl.57, considerandose intimada 30 (trinta) dias após. (§§ 7º ao 9º, do art.23, do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 11.547, de 16/03/2007, D.O.U de 19/03/2007). Cientificado o Procurador em 08/06/2011, os embargos foram apresentados no mesmo dia (fl. 56). A Embargante para justificar os embargos, transcreve o seguinte excerto da DRJ, transcrito à fl.59: "15. Não há amparo para a solicitação do interessado para que 'seja acatada a compensação havida na DCTF original', porque é a lei que determina que a compensação em matéria tributária é 'efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados' (pár. 1° do art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996). 16. A declaração de que trata o mencionado art. 74, da Lei n° 9.430, de 1996, é a Declaração de Compensação, e não a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Ainda que assim não fosse, embora o interessado, na Manifestação de Inconformidade As fls.1/3, protocolada em 01.08.2008, refirase à compensação havida na DCTF original', a rigor não se está referindo à primeira DCTF entregue em cada trimestre. 17. A uma, porque as DCTFs que junta não são as originais (fls.8/13), e, a duas, porque as DCTFs de 2002 foram várias vezes retificadas (até mesmo após a Manifestação de Inconformidade): seis vezes (no período de 15.05.2002 a 17.11.2006), a do primeiro trimestre;três vezes (no período de 15.08.2002 a 19.07.2005), a do segundo; três vezes (no período de 14.11.2002 a 19.07.2005), a do terceiro; e, quatro (de 13.02.2003 a 16.09.2009), a do quarto, de sorte que faltaria certeza acerca dos valores a que o interessado se refere (fls.34)". (Grifos nossos) A Embargante alega que este colegiado “além de afastar a aplicação do art. 170 do CTN e do art. 74, §1° da Lei n° 9.430/96, afastou também o ônus da prova que competia ao contribuinte. Contudo, não apresentou fundamentação para tanto”. Diz que, o julgador tem liberdade para apreciar as provas e deliberar da forma que melhor entender, segundo suas convicções, por outro lado, é também dever seu fundamentar as Fl. 72DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.903279/200834 Acórdão n.º 1802001.002 S1TE02 Fl. 72 3 decisões, apontando os elementos de prova que justificaram o acolhimento das alegações do contribuinte. Finalmente requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja sanada omissão exposta. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa Os Embargos de declaração foram apresentados em 08/06/2011, portanto, tempestivos, deles conheço. Primeiramente, a Embargante alega que, no julgado embargado este colegiado ao dar provimento ao recurso, para homologar a compensação de R$ 3.382,83, não demonstra a certeza quanto a existência do crédito compensável e a liquidez quanto ao seu valor. Conforme o relatório do acórdão embargado, o presente processo traz como peça inicial a Manifestação de Inconformidade (fls.01/03) interposta em face do Despacho Decisório (fl.04), em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 36679.46184.021204.1.3.047068, fls.05/06, transmitida em 02/12/2004, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código 5993: R$ 4.205,21 e 3.465,37) por estimativa apurados em julho e agosto/2002, respectivamente, no total de R$ 7.670,58, com alegado crédito decorrente de estimativa de IRPJ (código 5993:Data de Arrecadação: 31/07/2002) no valor de R$ 7.670,58. Por meio do mencionado despacho decisório de 12/08/2008, fl.04, foi indeferido parcialmente o pedido, e declarada parcialmente homologada a compensação no valor de R$ 4.287,75, ante a constatação de que o valor do crédito original de R$ 7.670,58 , a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foi parcialmente utilizado no pagamento da estimativa de IRPJ (código 5993) apurada em 30/08/2002 no valor de R$ 3.382,83. O acórdão embargado está assim ementado: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Ano calendário: 2002 Ementa: DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.ESTIMATIVA. Restando comprovado nos autos que houve recolhimento de IRPJ por estimativa relativo a determinado período de apuração no curso do ano calendário, mas não utilizado para o mesmo período, não há óbice que o valor seja indicado para compensação de IRPJ por estimativa em período de apuração posterior no mesmo ano calendário. A Embargante alega que este colegiado “além de afastar a aplicação do art. 170 do CTN e do art. 74, §1° da Lei n° 9.430/96, afastou também o ônus da prova que competia ao contribuinte. Contudo, não apresentou fundamentação para tanto”. Diz que, o julgador tem liberdade para apreciar as provas e deliberar da forma que melhor entender, segundo suas convicções, por outro lado, é também dever seu fundamentar as decisões, apontando os elementos de prova que justificaram o acolhimento das alegações do contribuinte. Fl. 74DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.903279/200834 Acórdão n.º 1802001.002 S1TE02 Fl. 73 5 Aduz a Embargante que, no caso dos autos, o contribuinte não se desincumbiu da obrigação da prova e menciona que a própria Relatora reconheceu essa falha. Faz a transcrição: "A recorrente alega equivoco do julgador, mas, não expressa o seu intento de modo claro" (fls. 55). Em primeiro lugar, é preciso que a Embargante compreenda que a prova para a convicção do julgador não se faz apenas com elementos a ser apresentados pelo contribuinte e sim, com todo o conjunto probatório que se encontre nos autos. No presente caso, os dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo, a saber: DARF, DCTF e PER/DCOMP. Nesse sentido labora a Lei nº 9.784, de 1999 que estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Vejamos: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Pelo visto a Embargante cita a frase constante do voto condutor do acórdão embargado mas sem a contextualização necessária dos fatos conforme transcrito a seguir. A motivação para a conclusão do acórdão embargado em que se fundamenta a certeza quanto a existência do crédito compensável e a liquidez quanto ao seu valor foi a seguinte: No recurso, a recorrente alega que no acórdão o julgador considerou equivocadamente a utilização parcial do DARF no pagamento da estimativa do IRPJ apurado em 30/08/2002, fato inexistente conforme se verifica da DCTF retificadora transmitida 19/07/2005 (demonstrativo fl.43). Ora, consta dos autos que o PER/DCOMP (fls.22/26) foi apresentado em 02/12/2004, a DIPJ/2003 retificadora em 25/01/2005, as DCTF retificadoras transmitidas em 19/07/2005, relativas ao 3º trimestre/2002, fls.08/13 (demonstrativo fl.43), e o Despacho Decisório, fl.42, fora expedido em 11/08/2009 e entregue ao interessado em 20/08/2009 (fl.44), o que significa dizer que as DCTF retificadoras surtiram os efeitos que lhes são próprios, porque apresentadas antes do despacho decisório em comento. O DARF mencionado no Despacho Decisório é o mesmo discriminado no PER/DCOMP em questão, que em nada se alterou porque apresentada a dita DCTF Retificadora. Confrontando o PER/DCOMP (fls.22/26) e as DCTF retificadoras transmitidas em 19/07/2005 (fls.10/13) relativas ao 3º trimestre, constatase que houve indicação do PER/ DCOMP nº 36679.46184.021204.1.3.047068 para utilizar o DARF (código 5993:Data de Arrecadação: 31/07/2002) no valor de R$ 7.670,58 para quitar os débitos de IRPJ (código 5993: R$ 4.205,21 e 3.465,37) por estimativa apurados em julho e agosto/2002, respectivamente, no total de R$ 7.670,58. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 A recorrente alega equívoco do julgador, mas, não expressa o seu intento de modo claro. Observo que a DCTF 3º Trim./2002 (fls.12/13), declara o débito do IRPJ ( código: 5993 Agosto/2002), no valor de R$ 15.606,63, vinculando pagamento no valor de R$ 3.791,56 e compensação de pagamento indevido no valor de R$ 11.815,07. A recorrente juntou aos autos a parte das DCTFs que declara a compensação no valor de R$ 4.205,21 relativa ao mês de Julho/2002 e de R$ 3.465,37 relativa ao mês de Agosto/2002, mediante o PER/DCOMP) nº 36679.46184.021204.1.3.047068 restando obscura a informação relativa à diferença da compensação mencionada de R$ 11.815,07 em relação ao mês de agosto de 2002. Por outro lado, temse como controverso o Despacho Decisório de que tratam os presentes autos sob o fundamento de que foi indeferido parcialmente o PER/DCOMP Retificador nº 36679.46184.021204.1.3.047068, e declarada parcialmente homologada a compensação no valor de R$ 4.287,75 ante a constatação de que o valor do crédito original de R$ 7.670,58 , a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foi parcialmente utilizado no pagamento da estimativa de IRPJ (código 5993) apurada em 30.08.2002 no valor de R$ 3.382,83. Vale repisar que o presente processo trata do PER/DCOMP nº 36679.46184.021204.1.3.047068, transmitido em 02/12/2004, fls.05/06, em que a contribuinte pretende compensar débitos de IRPJ (código 5993: R$ 4.205,21 e 3.465,37) por estimativa apurados em julho e agosto/2002. Depreendese que, do DARF no valor de R$ 7.670,58 (Data da Arrecadação em 31/07/2002) a autoridade administrativa ao reconhecer o crédito de R$ 4.287,75, mediante o Despacho Decisório homologa a compensação do débito de IRPJ código 5993 R$ 4.205,21 relativa ao mês de Julho/2002, bem como R$ 3.465,37 relativa ao mês de Agosto de 2002, pois adotando como fundamento para o indeferimento parcial o valor de R$ 3.382,83 utilizado no pagamento da estimativa de IRPJ (código 5993) apurada em 30.08.2002, tal montante resta incluso na parte indeferida.Ou seja, R$ 7.670,58 () R$ 4.205,21 = R$ 3.465,37. Observo, que o Despacho Decisório (fl.02) é contraditório na medida em que reconhece que o DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foi parcialmente utilizado no pagamento da estimativa de IRPJ (código 5993) apurada em 30.08.2002 no valor de R$ 3.382,83 e mesmo assim não homologa a compensação (PER/DCOMP) com o objeto de compensar a parcela de estimativa de IRPJ (código 5993) apurada em 30.08.2002 no valor de R$ 3.382,83. Com efeito, não constando dos autos que o DARF no valor de R$ 7.670,58 ((código 5993:Data de Arrecadação: 31/07/2002) fora utilizado para quitar débito de junho/2002, não há óbice para que tal valor seja utilizado para quitar os débitos de IRPJ (código 5993: R$ 4.205,21 e 3.465,37) por estimativa apurados Fl. 76DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10783.903279/200834 Acórdão n.º 1802001.002 S1TE02 Fl. 74 7 em julho e agosto/2002, respectivamente, no total de R$ 7.670,58 como parte do IRPJ por estimativa de que tratam as DCTFs referentes ao 3º trimestre/2002, fls.10/13 e, por conseqüência homologar a compensação declarada no PER/DCOMP sob comento. Nesse contexto a frase ressuscitada pela Embargante : "A recorrente alega equivoco do julgador, mas, não expressa o seu intento de modo claro" (fls. 55) tem por objetivo apenas registrar a vagueza na alegação da recorrente, mas não tem o condão de invalidar as provas constantes dos autos que devem ser analisadas pelo julgador independentemente de serem juntadas pelo próprio Fisco ou o contribuinte, pois não se pode olvidar a verdade material dos fatos consignada nos documentos, mormente o DARF que comprova o pagamento efetuado pelo contribuinte. Ora, se o DARF no valor de R$ 7.670,58 ((código 5993:Data de Arrecadação: 31/07/2002), o qual é líquido e certo, não fora utilizado para quitar débito por estimativa de junho/2002, não há óbice para que tal valor seja utilizado para quitar os débitos de IRPJ (código 5993: R$ 4.205,21 e 3.465,37) por estimativa apurados em julho e agosto/2002, respectivamente, no mesmo total de R$ 7.670,58 como parte do IRPJ por estimativa de que tratam as DCTFs referentes ao 3º trimestre/2002, fls.10/13 e, por conseqüência homologar a compensação declarada no PER/DCOMP de que tratam os presentes autos. Como se vê é inadmissível a falta de fundamentação na decisão embargada como alega a douta PFN. Desse modo, repetese, restando comprovado nos autos que houve recolhimento de IRPJ por estimativa relativo ao mês de junho/2002, mas não utilizado para o mesmo período, não há óbice que o valor seja indicado para compensação do IRPJ por estimativa em período de apuração relativo aos meses de julho e agosto do mesmo ano calendário. Vale lembrar que o assunto dos autos diz respeito a pagamento por estimativa de IRPJ efetuado no ano calendário de 2002, apurado provisoriamente, pois, o saldo a pagar do IRPJ ou a ser restituído somente se considera devido em 31/12/2002. Fica cristalino, portanto, que inexiste qualquer OMISSÃO ou falta de fundamento no acórdão embargado.Ao contrário, os fundamentos fáticos utilizados foram suficientes para embasar a decisão. De sorte que, não há qualquer fundamento para que sejam acolhidos os Embargos apresentados sob o pretexto de que o julgado embargado foi omisso. Portanto, da análise dos autos entendo não estarem presentes no acórdão embargado qualquer das situações previstas no dispositivo regimental, qual seja, o artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Diante das considerações acima, voto no sentido de que sejam rejeitados os Embargos de declaração em comento por inexistir qualquer omissão, obscuridade ou contradição no acórdão embargado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 Fl. 78DF CARF MF Emitido em 01/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 01/ 11/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10830.900299/2013-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 14/09/2012
RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO.
Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-003.723
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Ausência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Recorrente FUNDAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/2012 RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE. AUSÊNCIA DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. Para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez. No presente caso, não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Recurso Voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório eletrônico que indeferiu Pedido de Restituição Eletrônico PER referente a alegado crédito de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 02 99 /2 01 3- 16 Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 3 2 pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF, código de receita 8301 (PIS – Folha de Pagamento). Segundo o Despacho Decisório, o DARF informado no PER foi integralmente utilizado na quitação do respectivo débito, não restando crédito disponível para restituição. Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Discorre sobre sua condição de imune. Requer que seja declarada como Entidade Beneficente de Assistência Social. Ao analisar o caso, a DRJ em Juiz de Fora (MG), entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 09051.757, com base primordialmente nos seguintes fundamentos: (i) a imunidade das contribuições sociais está sujeita às exigências estabelecidas pela Lei 12.101/2009; (ii) a Recorrente não possui CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social); (iii) o PIS não está abrangido pela imunidade estabelecida no art. 195, § 7º da Constituição Federal; e (iv) a Recorrente está sujeita ao PIS sobre a Folha de Salários e não sobre o Faturamento. Intimado da decisão e insatisfeito com o seu conteúdo, o contribuinte interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário através do qual alegou, resumidamente: (i) que o STF já teria pacificado seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, que teve repercussão geral reconhecida; (ii) que a Recorrente atende a todos os requisitos da Lei 12.101/2009 para fins de usufruto da imunidade, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS protocolizado (trata sobre cada um dos requisitos); (iii) que a emissão do CEBAS é um ato administrativo vinculado, constituindo obrigação legal uma vez constatado o atendimento dos requisitos legais para gozo da imunidade; (iv) que a emissão do CEBAS tem caráter declaratório, sendolhe conferidos efeitos retroativos. Requer, ao final, que seja dado provimento ao seu recurso, para fins de deferir o pedido de restituição, por se tratar de instituição imune às contribuições previdenciárias. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.674, de 27 de junho de 2017, proferido no julgamento do processo 10830.900254/201333, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.674): Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 4 3 "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante acima narrado, tratase de Pedido de Restituição Eletrônico PER nº 23871.62072.130912.1.2.040241 referente a alegado crédito de pagamento indevido ou a maior da contribuição previdenciária sobre a folha de salários a cargo do empregador, efetuado por meio do DARF no valor original de R$ 42.011,75. Como é cediço, para fins de concessão de pedido de restituição e/ou compensação de indébito fiscal, é imprescindível que o crédito tributário pleiteado esteja munido de certeza e liquidez, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte. No caso concreto ora analisado, portanto, há de se verificar se o crédito tributário alegado pelo contribuinte encontrase revestido de tais características, sem as quais o pleito não pode ser deferido. Alega o contribuinte que o seu pleito decorre do seu direito seria líquido e certo ao gozo da imunidade. A DRJ, por seu turno, entendeu de forma diversa, conforme se extrai da passagem do voto a seguir transcrita: A imunidade relativa às pessoas jurídicas que prestam assistência social está prevista nos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] VI instituir impostos sobre:(Vide Emenda Constitucional nº 3, de 1993) a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros; b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. [...] Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: [...] § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. A imunidade prevista no artigo 150 acima transcrito é especifica para impostos não abrangendo às contribuições sociais. Portanto, não alcança o PIS/PASEP –Folha de Salários. A imunidade prevista no artigo 195, § 7º, é específica para contribuições para seguridade social e depende da caracterização da entidade como beneficente Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 5 4 de assistência social que atenda às exigências estabelecidas em lei, entre elas a certificação de que trata a Lei 12.101/2009, conforme dispositivos transcritos a seguir: Art. 1o A certificação das entidades beneficentes de assistência social e a isenção de contribuições para a seguridade social serão concedidas às pessoas III do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, quanto às entidades de assistência social. (...) Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos (grifo não original) Com base nos atos acima transcritos, que vinculam este colegiado de 1ª instância administrativa, a contribuinte, por não ser detentora do certificado de entidade beneficente de assistência social, não faz jus à imunidade prevista no artigo 195, § 7º, da CF/88, por descumprir exigência contida em lei. Com lastro no artigo 21 supra, não compete à RFB decidir sobre a concessão de certificados de entidade beneficente de assistência social, não tendo força vinculante as decisões judiciais e o posicionamento da doutrina mencionados pela defesa. De modo que, o pedido, para que seja declarada como Entidade Beneficente da Assistência Social, com força substitutiva do registro e da certificação de que trata o art. 21 da Lei nº 12.101/2009, não pode ser atendido no âmbito desse colegiado. A contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 2007.61.05.0129681, junto à 2ª Vara Federal de Campinas, que atualmente tramita no TRF 3º Região, com sentença proferida reconhecendo o direito à imunidade prevista no art. 195, 7º, da CF/88, no tocante à Cofins, desde que cumpridos os requisitos do art. 14 do CTN e os deveres instrumentais acessórios estabelecidos pela legislação fiscal. Portanto, mantida a exigência do certificado de entidade beneficente de assistência social para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. Concordo com a conclusão a que chegou a DRJ no trecho acima, por entender que não restou comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte. Embora a Recorrente tenha protocolizado pedido de emissão do CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social) desde 18/12/2013, é certo que este pedido ainda não foi deferido, encontrandose atualmente na situação de "encaminhado". E sendo esta emissão um requisito essencial ao gozo da imunidade pleiteada, nos termos do que determina a Lei nº 12.101/2009, não há como se entender que o crédito tributário objeto da presente demanda seja líquido e certo. Notese que o art. 29 da referida lei dispõe que fará jus à isenção a entidade beneficente certificada. Ademais, como bem destacou a DRJ em sua decisão, a análise quanto ao atendimento dos requisitos dispostos na Lei n. 12.101/2009 e a consequente concessão do Fl. 175DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 6 5 CEBAS não é de competência da Receita Federal do Brasil, ou mesmo deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Nesse contexto, ainda que o ato administrativo de concessão do CEBAS seja plenamente vinculado, e que os seus efeitos sejam declaratórios, conferindolhe aplicação retroativa, tais fatores não afastam a necessidade de que haja a análise quanto a tal pleito por parte da autoridade competente. Sendo assim, não há como se deferir o pleito do contribuinte de restituição apresentado, por faltarlhe certeza e liquidez. De outro norte, importante ainda que se analise o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: Ainda que a contribuinte fosse detentora de tal certificado, o entendimento da administração tributária é que o PIS/PASEP não está abrangido pelo artigo 195 da Carta Magna, sendo devido o seu recolhimento na forma da lei. No caso vertente, o crédito pretendido decorre de pagamento de PIS/PASEP – Folha de Salários. Cabe, então, observar o disposto no art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, reconhecidas como entidades beneficentes de assistência social com a finalidade de prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação, e que atendam ao disposto nesta Lei. (...) Art. 21. A análise e decisão dos requerimentos de concessão ou de renovação dos certificados das entidades beneficentes de assistência social serão apreciadas no âmbito dos seguintes Ministérios: I da Saúde, quanto às entidades da área de saúde; II da Educação, quanto às entidades educacionais; e VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e Fl. 176DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 7 6 X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. [...].” [Grifei]. Por sua vez, os mencionados arts. 12 e 15 da Lei nº 9.532, de 1997, assim dispõem1: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.18949, de 2001) (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: [...] Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. [...] § 3º Às instituições isentas aplicamse as disposições do art. 12, § 2°, alíneas "a" a "e" e § 3° e dos arts. 13 e 14. Nesse sentido, o Decreto nº 4.527, de 17 de dezembro de 2002, ao regulamentar a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado em geral, assim dispõe: Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13): [...] III instituições de educação e de assistência social que preencham as condições e requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532, de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; [...] Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 8 7 Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º , e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e [...] Art. 50. A base de cálculo do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários mensal, das entidades relacionadas no art. 9º, corresponde à remuneração paga, devida ou creditada a empregados. [...].” [Grifei]. Portanto, considerando as normas legais supracitadas e que a contribuinte se declara imune em razão da atividade por ela exercida (atividades de apoio à educação – exceto caixas escolares), não há incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre o faturamento. Entretanto, é devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88. Assim, diante da ausência de certeza do crédito pleiteado, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando o Despacho Decisório que indeferiu a restituição pretendida. Sobre este ponto, o contribuinte alegou em seu recurso voluntário que o STF já pacificou seu entendimento quanto à submissão do PIS à imunidade tributária das contribuições previdenciárias fixada pelo art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal, conforme acórdão proferido no RE 636.941/RS, publicado em 04/04/2014, que teve repercussão geral reconhecida. Da análise do referido julgado, extraise que o STF chegou à seguinte conclusão: A pessoa jurídica para fazer jus à imunidade do art. 195, § 7º, CF/88, com relação às contribuições sociais, deve atender aos requisitos previstos nos artigos 9º e 14, do CTN, bem como no art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98 e Lei nº 12.101/2009, nos pontos onde não tiveram sua vigência suspensa liminarmente pelo STF nos autos da ADIN 2.2085. As entidades beneficentes de assistência social, como consequência, não se submetem ao regime tributário disposto no art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e no art. 13, IV, da MP nº 2.15835/2001, aplicáveis somente àquelas outras entidades (instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos) que não preencherem os requisitos do art. 55, da Lei nº 8.212/91, ou da legislação superveniente sobre a matéria, posto não abarcadas pela imunidade constitucional. A inaplicabilidade do art. 2º, II, da Lei nº 9.715/98, e do art. 13, IV, da MP º 2.15835/2001, às entidades que preenchem os requisitos do art. 55 da Lei nº 8.212/91, e legislação superveniente, não decorre do vício da inconstitucionalidade desses dispositivos legais, mas da imunidade em relação à contribuição ao PIS como técnica de interpretação conforme à Constituição. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 9 8 Ou seja, o STF concluiu que as entidades beneficentes de assistência social não se submetem ao regime tributário disposto no art. 13, IV da MP n. 2.15835/2001, por fazerem jus à imunidade do art. 150, § 7º, da CF/88. E como restou conferida à tese ali assentada repercussão geral e eficácia erga omnes e ex tunc, tal entendimento deverá ser observado por este Conselho, por força do que dispõe o Regimento Interno deste Conselho, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverãoser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Com base no entendimento do STF expresso no RE 636.941/RS, há de se reconhecer, portanto, a insubsistência da conclusão constante da decisão recorrida no sentido de seria "devida a contribuição para o PIS/Pasep calculada sobre a folha de salários, conforme definido no art. 13 da MP nº 2.15835, de 2001, independentemente de sua imunidade decorrer do disposto no artigo 150 ou 195 da CF/88". Contudo, para que se possa concluir pela aplicação do julgado do STF ao caso vertente, seria necessário verificar se a Recorrente se enquadra como entidade beneficente de assistência social e se atende os requisitos legais dispostos na legislação pertinente. Ocorre que, consoante anteriormente apontado, o pedido de concessão da CEBAS (Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social), um dos requisitos para o gozo da imunidade, ainda não foi deferido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário, a Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10830.900299/201316 Acórdão n.º 3301003.723 S3C3T1 Fl. 10 9 quem compete analisar o atendimento dos requisitos dispostos na legislação pertinente (art. 14 do CTN, art. 55, da Lei nº 8.212/91, alterada pelas Lei nº 9.732/98, e Lei nº 12.101/2009). É válido destacar, inclusive, que o STF, ao julgar o RE 636.941/RS tratou expressamente desta certificação, concluindo que "a definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade". É o que se infere da passagem a seguir transcrita, extraída do voto do Ministro Luiz Fux, relator do mencionado RE: Pela análise da legislação, percebese que se tem consagrado requisitos específicos mais rígidos para o reconhecimento da imunidade das entidades de assistência social (art. 195, § 7º, CF/88), se comparados com os critérios para a fruição da imunidade dos impostos (art. 150, VI, c, CF/88). Ilustrativamente, menciono aqueles exigidos para a emissão do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social – CEBAS, veiculados originariamente pelo art. 55 da Lei nº 8.212/91, ora regulados pela Lei nº 12. 101/2009. A definição dos limites objetivos ou materiais, bem como dos aspectos subjetivos ou formais, atende aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, não implicando significativa restrição do alcance do dispositivo interpretado, qual seja, o conceito de imunidade, e de redução das garantias dos contribuintes. Com efeito, a jurisprudência da Suprema Corte indicia a possibilidade de lei ordinária regulamentar os requisitos e normas sobre a constituição e o funcionamento das entidades de educação ou assistência (aspectos subjetivos ou formais). Diante do acima exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo não logrou o contribuinte comprovar que faria jus à imunidade alegada, em razão da ausência da Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social (CEBAS), requisito este essencial ao gozo da imunidade, nos termos do que determina o art. 29 da Lei 12.101/2009. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário, mantendo o indeferimento do pedido de restituição, conforme fundamentos acima expostos, em razão da não comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 180DF CARF MF
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Numero do processo: 10410.002280/2009-69
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
LANÇAMENTO CANCELADO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL.
Vício formal é, via de regra, aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que normalmente não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. Se o problema que ensejou o cancelamento do lançamento está situado na própria essência da relação jurídico-tributária, na não comprovação da ocorrência do fato gerador do IRPJ, no errado dimensionamento de sua base de cálculo, mais especificamente na falta de cômputo de custos/despesas que apenas não estavam registrados na DIPJ/original, não há como reconhecer a ocorrência de vício de natureza meramente formal.
Numero da decisão: 9101-003.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 LANÇAMENTO CANCELADO. VÍCIO MATERIAL. VÍCIO FORMAL. ASPECTOS QUE ULTRAPASSAM O ÂMBITO DO VÍCIO FORMAL. Vício formal é, via de regra, aquele verificado de plano no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade representada (declarada) por meio do ato administrativo de lançamento. Espécie de vício que normalmente não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, ao fato gerador, à base de cálculo, ao sujeito passivo, etc. Se o problema que ensejou o cancelamento do lançamento está situado na própria essência da relação jurídicotributária, na não comprovação da ocorrência do fato gerador do IRPJ, no errado dimensionamento de sua base de cálculo, mais especificamente na falta de cômputo de custos/despesas que apenas não estavam registrados na DIPJ/original, não há como reconhecer a ocorrência de vício de natureza meramente formal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 22 80 /2 00 9- 69 Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 3 2 Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial quanto à identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento contido nos presentes autos (vício material x vício formal). A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 110100.654, de 17/01/2012, por meio do qual a 1a Turma Ordinária da 1a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, deu provimento a recurso voluntário anteriormente apresentado pela contribuinte acima identificada, para fins de cancelar o lançamento objeto dos presentes autos. O Acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005 DADOS DECLARADOS. POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO. PROVA. Se o lançamento se baseia exclusivamente em dados informados pelo contribuinte em declaração e se o contribuinte infirma estes dados na sua defesa, o lançamento perde a sua base fática. LANÇAMENTO. PROVA DOS FATOS. O lançamento deve ser feito com elementos que permitam a convicção dos fatos. Caso a tese que fundamenta o lançamento seja refutável por mera alegação do contribuinte, o Fisco fica sujeito a ver cancelado o lançamento. Antes de apresentar o referido recurso especial, a contribuinte apresentou embargos de declaração contra o acórdão acima referido, e esses embargos foram rejeitados pelo Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção do CARF, conforme o Despacho nº 110000 000.016, de 22/01/2014, pelas seguintes razões: [...] A Procuradoria da Fazenda Nacional aponta contradição e omissão porque o Colegiado, embora reconhecendo a nulidade da decisão de 1ª instância, não determinou o retorno dos autos para novo julgamento e omitiu manifestação sobre supressão de instância. Cita ementas de julgados administrativos em sentido diverso do que adotado nestes autos. Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 4 3 Ocorre, porém, que o voto condutor do acórdão embargado assim expõe, ao seu final: [...] Como se vê, a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância deixou de ser promovida em virtude da possibilidade de se decidir o mérito em favor do sujeito passivo, em clara referência ao disposto no art. 59, §3º do Decreto nº 70.235/72. Assim, se a Fazenda Nacional entende que esta providência é inadequada, deve se valer da via do recurso especial para demonstrar à Câmara Superior de Recursos Fiscais que entendimento diverso vem sendo aplicado por Colegiados deste Conselho. Assim, não se confirmando a omissão e contradição apontadas, proponho que sejam rejeitados os embargos de declaração aqui opostos pela Fazenda Nacional. Nessa fase de recurso especial, a PGFN não mais contesta o ponto abordado nos embargos, ou seja, o tratamento que deveria ter sido dado à nulidade apontada para a decisão de 1ª instância administrativa. A matéria tratada no recurso especial diz respeito aos vícios contidos no próprio lançamento fiscal. De acordo com a PGFN, a decisão recorrida deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, especificamente quanto à identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento contido nos presentes autos (vício material x vício formal). Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: DO CABIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado pela e. Turma a quo, e está representado em acórdãos, cujas ementas estão abaixo transcritas na forma do art. 67, §9º do RICARF: Acórdão n° 320100.248 É nulo, por vicio formal, o lançamento tributário quando não estiverem presentes todos os elementos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, bem como, quando se constatar confusa contextualização dos elementos de prova que visavam determinar o fato gerador da obrigação, e os que forem formalizados com erro na determinação da matéria tributável, posto que, por representar preterição de uma formalidade essencial, caracterizase cerceamento do direito de defesa. Recurso de Oficio Negado. Acórdão n° 20309.332 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL IMUNIDADE NULIDADE POR VÍCIO FORMAL A imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica, macula o lançamento de vicio insanável, tornando nula a respectiva constituição. Processo anulado ab initio. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 5 4 a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento ao recurso do contribuinte para cancelar o Auto de Infração, em virtude de deficiência na descrição e na comprovação dos fatos atribuídos ao contribuinte; por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam que esse tipo de vício ou qualquer outra contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal; verificase, portanto, que diante de fatos semelhantes, os acórdãos, recorrido e paradigmas, entenderam de modo divergente. Enquanto um cancela o auto de infração, os outros anulam, por vício de forma; dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial, encontramse presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial; DOS FUNDAMENTOS PARA REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO rezam os arts. 10 do Decreto 70.235/72 e 142 do CTN: [...]; pela leitura desses dispositivos, percebese que os requisitos neles elencados possuem natureza formal, ou seja, determinam como o ato administrativo, in casu, o auto de infração, deve exteriorizase; desse modo, temse que um lançamento tributário é anulado por vício formal quando não se obedece às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua feitura; na hipótese em apreço, a falha na descrição dos fatos imputados ao contribuinte/motivação é causa de anulação do lançamento por vício formal, vez que foi preterido o método estabelecido em lei. A propósito, a jurisprudência do CARF é farta em decisões que anulam o auto de infração por vício de forma, em razão da falta de preenchimento de alguns dos requisitos estipulados no art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e/ou art. 142 do CTN. A título de exemplo, seguem as ementas dos seguintes julgados: [...]; por tudo, concluise que o acórdão recorrido mostrase equivocado, pois o vício apontado pelo Relator acarreta a anulação do auto de infração, e não o seu cancelamento; DO PEDIDO. em face do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer o conhecimento e o provimento do presente recurso para que seja anulado por vicio formal o Auto de Infração, e lavrado um novo, revestido de todos os requisitos legais. Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 17/04/2015, reconheceu a ocorrência de divergência jurisprudencial e deu seguimento ao recurso, nos seguintes termos: [...] A Recorrente trouxe ao dissídio os Acórdãos ns 320100.248 e 203 09.332, cujas ementas trazem: Fl. 307DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 6 5 [...] Nessas decisões, adotouse o entendimento de que deficiências ou imprecisões na descrição dos fatos imputados ao contribuinte devem ocasionar a anulação do lançamento, e não o seu cancelamento. Assim, num exame prelibatório, como o é o exame de admissibilidade de recurso especial, entendo que estão presentes os elementos capazes de comprovar a divergência argüida pela Procuradoria, e ensejar a subida dos autos ao exame da Câmara superior de Recursos Fiscais. IV Conclusão Em razão de terem sido preenchidos os requisitos do art. 67 do RICARF, DOU SEGUIMENTO AO RECURSO ESPECIAL POR DIVERGÊNCIA. A contribuinte tomou ciência do despacho que deu seguimento ao recurso especial da PGFN, e não apresentou contrarrazões ao recurso. É o relatório. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para constituição de crédito tributário a título de IRPJ referente aos trimestres do anocalendário de 2005, apurado na modalidade do lucro real trimestral. O relatório constante do acórdão recorrido explicita bem os fundamentos da autuação fiscal: Em 30/04/2009, é lavrado auto de infração (proc. fls. 85 a 93). Conforme o auto de infração, foi constatado que a empresa apresentou DIPJ indicando IRPJ a pagar maior que o pago e que o declarado em DCTF. Também, foi verificado que não existe PER/Dcomp informando compensação da divida. O contribuinte foi intimado e reintimado a explicar porque os valores informados em DIPJ, referentes ao imposto de renda a pagar, são superiores que os informados em DCTF. No entanto, ficou silente. Tais fatos, implicaram na autuação do anocalendário de 2005, com base no imposto a pagar declarado na DIPJ. Os mesmos fatos são registrados no termo de encerramento (proc. fl. 94 e 95). A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à identificação da espécie do vício que ensejou o cancelamento do lançamento pela decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). Em seu recurso, o que a PGFN procura demonstrar é que a insuficiência na comprovação e na descrição dos fatos imputados ao contribuinte é causa de anulação do lançamento por vício formal, e não de cancelamento (por vício material), vez que foi preterido o método estabelecido em lei. Para o Direito Tributário, essa questão de compreender e identificar se o vício é formal ou material tem grande relevância, porque o Código Tributário Nacional CTN, nos casos de vício formal, prolonga o prazo de decadência para constituição de crédito tributário, nos termos de seu art. 173, II: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Fl. 309DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 8 7 Os prazos de decadência tem a função de trazer segurança e estabilidade para as relações jurídicas, e é razoável admitir que o prolongamento desse prazo em favor do Fisco, em razão de erro por ele mesmo cometido, deve abranger vícios de menor gravidade. Com efeito, o sentido do CTN não é prolongar a decadência para todo o tipo de crédito tributário, mas apenas para aqueles que tenha sido anulados por ocorrência de "vício formal" em sua constituição. Nem sempre é tarefa fácil distinguir o vício formal do vício material, dadas as inúmeras circunstâncias e combinações em que eles podem se apresentar. O problema é que os requisitos de forma não são um fim em si mesmo. Eles existem para resguardar direitos (p/ ex., o direito ao contraditório e à ampla defesa). É a chamada instrumentalidade das formas, e isso às vezes cria linhas muito tênues de divisa entre o aspecto formal e o aspecto substancial das relações jurídicas. É esse o contexto quando se afirma que não há nulidade sem prejuízo da parte. Nesse sentido, vale trazer à baila as palavras de Leandro Paulsen: Não há requisitos de forma que impliquem nulidade de modo automático e objetivo. A nulidade não decorre propriamente do descumprimento do requisito formal, mas dos seus efeitos comprometedores do direito de defesa assegurado constitucionalmente ao contribuinte já por força do art. 5º, LV, da Constituição Federal. Isso porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. Alegada eventual irregularidade, cabe, à autoridade administrativa ou judicial verificar, pois, se tal implicou efetivo prejuízo à defesa do contribuinte. Daí falarse do princípio da informalidade do processo administrativo. (PAULSEN, Leandro. Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 13ª ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2011.) A Lei nº 4.717/1965 (Lei da Ação Popular), ao tratar da anulação de atos lesivos ao patrimônio público, permite, em seu art. 2º, uma análise comparativa entre os diferentes elementos que compõe o ato administrativo (competência, forma, objeto, motivo e finalidade): “Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo anterior, nos casos de: a) incompetência; b) vício de forma; c) ilegalidade do objeto; d) inexistência dos motivos; e) desvio de finalidade. Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observarseão as seguintes normas: Fl. 310DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 9 8 a) a incompetência fica caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou; b) o vício de forma consiste na omissão ou na observância incompleta ou irregular de formalidades indispensáveis à existência ou seriedade do ato; c) a ilegalidade do objeto ocorre quando o resultado do ato importa em violação de lei, regulamento ou outro ato normativo; d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.” (grifos acrescidos) Pela enumeração dos elementos que compõe o ato administrativo, já se pode visualizar o que se distingue da forma, ou seja, o que não deve ser confundido com a aspecto formal do ato (a competência, o objeto, o motivo e a finalidade). No contexto do ato administrativo de lançamento, vício formal é, via de regra, aquele verificado de plano, no próprio instrumento de formalização do crédito, e que não está relacionado à realidade jurídica representada (declarada) por meio deste ato. O vício formal normalmente não diz respeito aos elementos constitutivos da obrigação tributária, ou seja, à verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, à determinação da matéria tributável, ao cálculo do montante do tributo devido e à identificação do sujeito passivo, porque aí está a própria essência da relação jurídicotributária. O vício formal a que se refere o artigo 173, II, do CTN abrange, por exemplo, a ausência de indicação de local, data e hora da lavratura do lançamento, a falta de assinatura do autuante, ou a falta da indicação de seu cargo ou função, ou ainda de seu número de matrícula, todos eles configurando elementos formais para a lavratura de auto de infração, conforme art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, mas que não se confundem com a essência/ conteúdo da relação jurídicotributária, apresentada como resultado das atividades inerentes ao lançamento (verificação da ocorrência do fato gerador, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, etc. CTN, art. 142). Aliás, um erro nos elementos que identificam a essência/conteúdo da relação jurídicotributária até pode ser considerado como um vício formal desde que, por exemplo, ele se apresente como resultado de uma evidente discrepância entre o que se pensou e o que se exteriorizou pela escrita (as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo), quando todo o contexto do que está sendo dito aponta num determinado sentido, e um ponto específico, desconexo do conjunto das ideias, aponta em outro, ou dá uma informação simplesmente fora de contexto, etc. Mas mesmo diante desse tipo de situação, ou seja, quando se está tratando do conteúdo da relação jurídicotributária, vale mais uma vez lembrar que não há nulidade sem prejuízo da parte. Fl. 311DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 10 9 Penso que a verificação da possibilidade de refazimento (repetição) do ato de lançamento, com o mesmo conteúdo, para fins de apenas sanear o vício detectado, é um referencial bastante útil para se examinar a espécie do vício. Se houver possibilidade de o lançamento ser repetido, com o mesmo conteúdo concreto (mesmos elementos constitutivos da obrigação tributária), sem incorrer na mesma invalidade, o vício é formal. Isso é um sinal de que o problema está nos aspectos extrínsecos e não no núcleo da relação jurídicotributária. Há uma decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, o Acórdão nº 9101 00.955, que explicita bem esse aspecto: Acórdão nº 910100.955 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 NULIDADE DO LANÇAMENTO. VÍCIO MATERIAL. A verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do montante do tributo devido e a identificação do sujeito passivo, definidos no art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN, por serem elementos fundamentais, intrínsecos, do lançamento, sem cuja delimitação precisa não se pode admitir a existência da obrigação tributária em concreto, antecedem e são preparatórios à formalização do crédito tributário, a qual se dá no momento seguinte, mediante a lavratura do auto de infração, seguida da notificação ao sujeito passivo, quando, ai sim, deverão estar presentes os seus requisitos formais, extrínsecos, como, por exemplo, a assinatura do autuante, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula; a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado, com a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Voto [...] Como visto, há um ponto comum em todos os mestres citados: o lançamento substitutivo só tem lugar se a obrigação tributária já estiver perfeitamente definida no lançamento primitivo. Neste plano, haveria uma espécie de proteção ao crédito público já formalizado, mas contaminado por um vicio de forma que o torna inexeqüível.... Bem sopesada, percebese que a regra especial do artigo 173, II, do CTN, impede que a forma prevaleça sobre o fundo. [...] [...] 4.0 VÍCIO FORMAL NÃO ADMITE INVESTIGAÇÕES ADICIONAIS Neste contexto, é licito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob Fl. 312DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 11 10 o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providencias forem necessárias, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Deveras, como visto anteriormente, a adoção da regra especial de decadência prevista no artigo 173, II, do CTN, no plano do vicio formal, que autoriza um segundo lançamento sobre o mesmo fato, exige que a obrigação tributária tenha sido plenamente definida no primeiro lançamento. Vale dizer, para usar as palavras já transcritas do Mestre Ives Gandra Martins, o segundo lançamento visa "preservar um direito já previamente qualificado, mas inexeqüível pelo vicio formal detectado". Ora, se o direito já estava previamente qualificado, o segundo lançamento, suprida a formalidade antes não observada, deve basearse nos mesmos elementos probatórios colhidos por ocasião do primeiro lançamento. [...] O que a referida decisão esclarece é que se houver inovação na parte substancial do lançamento (seja através de um lançamento complementar, seja através do resultado de uma diligência), não há como sustentar que a nulidade então existente decorria de vício formal. Nesse passo, vale transcrever os fundamentos utilizados pelo acórdão recorrido para cancelar a autuação fiscal: Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme visto, o lançamento foi feito porque a DIPJ informava valor de IRPJ a pagar maior do que o confessado na DCTF e o contribuinte, apesar de intimado e reintimado, não esclareceu a razão desta divergência. Analisando a questão, percebese que o fato de o Fisco ter intimado o contribuinte a explicar a divergência entre a DIPJ e a DCTF indica que o próprio Fisco considerava possível haver uma explicação para tal divergência. Porém, o contribuinte não respondeu às intimações nem justificou a divergência e abriuse ao Fisco algumas possibilidades: 1°) ou investigar para descobrir exatamente os fatos tributáveis e verificar se foram confessados corretamente na DCTF ; 2') ou entender que a DIPJ retratava corretamente os fatos tributáveis e fazer o lançamento de oficio tendo por base fática exclusivamente a DIPJ. Como visto, a fiscalização optou por não efetuar qualquer investigação e adotou as informações da DIPJ corno verdadeiras, mesmo frente às suas inconsistências internas e à divergência desta com a DCTF. De outra banda, no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DIPJ. A única restrição feita no Código sobre retificação de Fl. 313DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 12 11 declaração, é posta no art. 147, e referese à retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e assim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal para retificação se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigência de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse à regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demonstrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Portanto, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DIPJ poderia estar errada e que poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. Assim, o Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DIPJ. Inclusive, destaquese que estas informações eram inconsistentes e divergiam das prestadas na DCTF. Ora, para fins de lançamento, o Fisco pode, ao invés de investigar a matéria tributável, utilizar informações declaradas sobre a matéria tributável. Mas, caso opte por usar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação desta declaração. Por isso, no caso em concreto, boa parte da fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Além disso, a circunstância de usar dados de uma declaração que conflitavam com outra aumenta a fragilidade da autuação. Mas, o que torna mais frágil a autuação é o fato da declaração utilizada como fonte de dados para autuação conter inconsistências internas que justificariam a divergência entre declarações. Não obstante, foi lavrado o auto de infração e o contribuinte impugnou, informando que a divergência entre sua DIPJ e DCTF decorria de que a primeira não informava os custos corretamente. De fato, analisando se a DIPJ juntada ao processo pela fiscalização, percebese que não há qualquer informação sobre as compras do período (proc. fls. 6 a 38). Com isso há uma redução dos custos e um aumento do lucro que confirmam a explicação do contribuinte e poderia justificar a divergência entre as declarações. Porém, a DRJ ao invés de julgar a lide com base no lançamento e impugnação, entendeu que a impugnação consistia em pedido de retificação e que não tinha competência para apreciar tal pedido. Pior que isso, ao perceber a evidente divergência entre a receita de revenda de mercadoria e o custo dos bens vendidos, tal como explicitou na fl. 179, entendeu que deveria encaminhar o processo para que a DRF investigasse os efetivos custos. Com isso, ao invés de julgar a lide, determinou fiscalização de matéria diferente da lançada. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 13 12 Feita a diligência solicitada, a DRJ considerou improcedente a impugnação porque entendeu que os custos não foram comprovados. Assim, acabou julgando a própria fiscalização que determinou e não a lide originariamente apresentada. Por tais razões, a decisão da DRJ é nula. No entanto, apesar da nulidade da decisão recorrida, a matéria pode ser decidida favoravelmente ao contribuinte, pois o exame da DIPJ e sua retificadora demonstram que a divergência entre a DIPJ retificada e a DCTF decorre de erro na primeira, que não informou as aquisições do período e, portanto, informou seus custos a menor e, em conseqüência, seu lucro a maior. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Está bem claro que a decisão ora recorrida, embora tenha tratado de alguns aspectos que, segundo ela, poderiam ensejar a declaração de "nulidade" da decisão de primeira instância administrativa (e não do lançamento), cancelou a autuação fiscal pelo julgamento de seu mérito. Em relação às divergências entre DIPJ e DCTF, ela registra que, "de fato, analisandose a DIPJ juntada ao processo pela fiscalização, percebese que não há qualquer informação sobre as compras do período (proc. fls. 6 a 38). Com isso há uma redução dos custos e um aumento do lucro que confirmam a explicação do contribuinte e poderia justificar a divergência entre as declarações." Além disso, a decisão ora recorrida afirma que "o exame da DIPJ e sua retificadora demonstram que a divergência entre a DIPJ retificada e a DCTF decorre de erro na primeira, que não informou as aquisições do período e, portanto, informou seus custos a menor e, em conseqüência, seu lucro a maior." Também é oportuno destacar que o próprio despacho decisório que rejeitou os embargos de declaração contra a decisão ora recorrida, consignou que "a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância deixou de ser promovida em virtude da possibilidade de se decidir o mérito em favor do sujeito passivo, em clara referência ao disposto no art. 59, §3º do Decreto nº 70.235/72." O que se vê, portanto, é que a motivação do lançamento não subsistiu, que seu fundamento foi afastado claramente num julgamento de mérito. O que se vê também é que o saneamento do vício apontado pela decisão ora recorrida em relação ao lançamento, se isso fosse possível (já que estaríamos adentrando em aspectos de valoração de prova, o que extrapola o âmbito do recurso especial), demandaria ajustes nos aspectos essenciais da relação jurídica, especificamente no que toca ao dimensionamento da base de cálculo (cômputo de custos/despesas), o que também confirma que o problema aqui não é de natureza meramente formal. Não há dúvida de que o problema apontado pela decisão ora recorrida em relação ao lançamento está situado na própria essência da relação jurídicotributária, na não comprovação da ocorrência do fato gerador do IRPJ, no errado dimensionamento de sua base de cálculo, mais especificamente na falta de cômputo de custos/despesas que apenas não estavam registrados na DIPJ/original. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10410.002280/200969 Acórdão n.º 9101003.039 CSRFT1 Fl. 14 13 Por tudo o que se disse, não há como vislumbrar no problema que ensejou o cancelamento do lançamento um vício de natureza formal. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 316DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.901912/2008-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 16 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO.
O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal.
PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO.
Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-005.073
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇOES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. ENFRENTAMENTO DA FUNDAMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CONHECIMENTO. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo acórdão. Recurso Especial do Contribuinte Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 19 12 /2 00 8- 27 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os conselheiros Charles Mayer de Castro Souza e Júlio César Alves Ramos, que não conheceram do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento, com retorno dos autos ao colegiado de origem para análise dos novos documentos juntados pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3803000.957, de 28/10/2008, proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) PROVA AUSÊNCIA DA ESCRITURAÇÃO A ausência nos autos de material comprobatório consistente na escrituração contábil e fiscal que justifique a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, impede formar convicção sobre as alegações de existência de crédito. Contra a decisão, a contribuinte apresentou embargos de declaração, que, acolhidos, mas sem modificação do julgamento, resultou em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (...) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. REDISCUSSÃO DA MATÉRIA JULGADA. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração são modalidade recursal de integração e objetivam, tão somente, sanar obscuridade, contradição ou omissão, de maneira a permitir o exato conhecimento do teor do julgado. ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Embargos Acolhidos Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 4 3 A contribuinte, então, apresentou novos embargos, aos quais, todavia, foi negado seguimento. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto à inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão, à luz do que reza o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido no Acórdão nº 902001.634. Mediante Despacho do Presidente da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela contribuinte. Cientificada, a Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.065, de 16/05/2017, proferido no julgamento do processo 10166.900706/200808, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303005.065): Da Admissibilidade "Com a devida vênia ao bem fundamento voto do Ilustre Conselheiro Relator, a maioria dos membros do Colegiado divergiu do seu entendimento quanto à admissibilidade do recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte, prevalecendo o entendimento pelo prosseguimento do apelo especial. O presente processo administrativo originouse de pedido de compensação transmitido pela Contribuinte, em 11/03/2004, de créditos de COFINS decorrentes de pagamento indevido ou a maior, para liquidação de débitos próprios. Sobreveio despacho decisório não homologando o pedido de compensação, sob o fundamento de inexistência de crédito disponível para compensação com os débitos informados. Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 5 4 Tendose insurgido a Contribuinte por meio de manifestação de inconformidade, a DRJ entendeu por manter a não homologação da compensação em razão do saldo insuficiente para compensar e, ainda, acrescentou os seguintes argumentos: a Contribuinte não trouxe aos autos elemento de prova de erro material no preenchimento da DCTF; e a simples apresentação das cópias da DIPJ e da DCTF, bem como de planilha elaborada pelo Sujeito Passivo, sem a devida escrituração, não são suficientes para comprovar as suas alegações. Em sede de julgamento de recurso voluntário, sobreveio o acórdão nº 380300.949, ora recorrido, que lhe negou provimento em razão da ausência de provas nos autos, consistente na escrituração contábil e fiscal da empresa, que justificassem a redução da base de cálculo da contribuição na DCTF retificadora, conforme trecho destacado acima pelo nobre Relator, in verbis: [...] No entanto, a contribuinte não trouxe aos Autos material probatório que comprovasse o erro cometido no preenchimento da DCTF, o que demonstraria a existência do crédito alegado referente ao DARF recolhido, bem como a possibilidade de utilizálo para quitar os débitos apurados em outros períodos. Apresentar apenas cópias da DIPJ, da DCTF e da planilha elaborada pela própria contribuinte, sem a devida escrituração, não é suficiente para comprovar as alegações da contribuinte, não sendo, portanto, capaz de "desconstituir o que foi constituído". [...] Opostos embargos de declaração pela Contribuinte, a decisão de negativa de provimento ao recurso voluntário foi complementada, nos termos do acórdão nº xxx, para acrescentar considerações quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos sobre o equívoco das informações prestadas em DCTF, in verbis: [...] Compulsando o voto condutor da decisão embargada, há que se dar razão à Embargante, já que, aparentemente, o relator limitou se a refutar o poder probante das provas acostadas aos autos até o momento processual da Manifestação de Inconformidade, sem nada acrescentar quanto aos documentos e esclarecimentos trazidos aos autos no recurso voluntário, no sentido de evidenciar o erro cometido nas informações prestadas em DCTF. [...] Talvez tal omissão expliquese pela preclusão temporal que se operou. É que, de acordo com as normas processuais, é na manifestação de inconformidade que a lide é demarcada e o processo administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria Tereza Martínez López asseveram que “a inicial e a impugnação fixam os limites da controvérsia, integrando o objeto da defesa as afirmações contidas na petição inicial e na documentação que a acompanha”. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 6 5 As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. [...] Este colegiado já teve oportunidade de manifestarse nesse sentido, por meio do Acórdão nº 380302.042, de 6 de outubro de 2011: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003, 2004 ALEGAÇÕES E PROVAS APRESENTADAS SOMENTE NO RECURSO. PRECLUSÃO. Consideramse precluídos, não se tomando conhecimento, os argumentos e provas não submetidos ao julgamento de primeira instância, apresentados somente na fase recursal. Ainda que, por liberalidade injustificada, se conhecesse dos documentos aportados aos autos intempestivamente, o recorrente o recorrente não se preocupou em identificar, inequivocamente, a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, limitandose a apresentar planilha de demonstração do valor recolhido a maior de cálculo e demonstrativos outros, sem resguardo de qualquer formalidade e, principalmente, sem o necessário lastro na sua escrita contábil e em documentação idônea e hábil para atestar a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada. [...] Conforme se depreende da fundamentação do acórdão que acolheu os embargos de declaração, não houve alteração do resultado do julgamento do recurso voluntário, nem mesmo acréscimo de argumentos à decisão, mas sim restou esmiuçado e detalhado o entendimento de que a não apresentação das provas do crédito tributário em momento oportuno implica na preclusão de o contribuinte fazêlo. Além disso, no acórdão de embargos de declaração não houve a apreciação dos documentos juntados com o recurso voluntário, conforme pretendia o Recorrente, mas simplesmente foram listados e concluiu o julgador, nos mesmos termos do acórdão então embargado, ser imprescindível a juntada de escrita fiscal e contábil para comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário pretendido compensar. A Contribuinte interpôs, ainda, novos embargos de declaração por entender que permanecia a omissão no julgado quanto à documentação apresentada, e a existência de contradição e obscuridade, tendo sido os mesmos rejeitados consoante despacho nº 3803000.154, de 21/09/2012 (fls. 581 a 584), de cujo inteiro teor extraise que: Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 7 6 [...] Inexiste no acórdão embargado qualquer omissão a reclamar o acolhimento dos presentes embargos, pois tanto os fatos quanto os fundamentos da decisão foram expostos de forma clara, concisa e nítida. Digno de nota, a decisão recorrida enfrentou expressamente a questão, ao declinar que os documentos apresentados na manifestação de inconformidade não eram hábeis e suficientes para atestar a liquidez e certeza dos créditos opostos em compensação e que a documentação aportada aos autos juntamente com o recurso voluntário, ainda insuficiente para o mesmo fim, não seria conhecida em razão de sua intempestividade. Inexiste vício a sanar na decisão embargada. [...] Portanto, com a devida vênia ao entendimento contrário, um único fundamento prevaleceu para negar provimento ao recurso voluntário: a não apresentação de documentos hábeis a comprovar a pretensão compensatória da empresa quando da apresentação da manifestação de inconformidade, nesses compreendidos a escrita fiscal e contábil, acarreta a preclusão e impede o julgador de formar convicção quanto ao direito creditório. Não há de se falar, assim, em fundamentos autônomos e suficientes, cada um por si só, para manutenção da decisão recorrida. O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte face à negativa de provimento ao recurso voluntário, atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009 e reproduzido na Portaria MF nº 343/2015, devendo ter prosseguimento. Ao invocar a existência de dissenso jurisprudencial quanto à "inadmissibilidade da prova apresentada pela Recorrente, apenas no recurso voluntário, tendo sido aplicado ao caso o princípio da preclusão", colacionou o acórdão paradigma nº 902001.634, comprovando a divergência de entendimentos, conforme se extrai da ementa do julgado paradigmático: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 1999 APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO PROCESSUAL E PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos processos de determinação e exigência de crédito tributário, a impugnação fixará os limites da controvérsia, sendo considerada como não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10166.901912/200827 Acórdão n.º 9303005.073 CSRFT3 Fl. 8 7 No entanto, a noção de preclusão não pode ser levada às últimas conseqüências, devendo o julgador ponderar sua aplicação no caso concreto à luz dos elementos constantes dos autos e que conduzem à identificação plena da matéria tributável, em homenagem ao princípio da verdade material. Recurso especial negado. O recurso especial de divergência que combate a fundamentação do acórdão recorrido, demonstrando a comprovação do dissenso jurisprudencial, deve ser conhecido, consoante art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Além disso, mesmo após complementada a decisão ora recorrida com relação à ocorrência da preclusão para a produção de provas, pela via dos embargos de declaração, não se caracterizou a hipótese de fundamentos autônomos suficientes, cada um por si só, para manutenção do julgado, estando correta a insurgência pela via especial enfrentando o argumento da possibilidade de apresentação e análise de documentos novos em sede recursal. Diante do exposto, entendeu a maioria do Colegiado por conhecer do recurso especial da Contribuinte, nos termos do voto que me coube redigir apenas quanto à admissibilidade do recurso." Do Mérito (...) Todavia, como este não foi o entendimento da Turma, aderimos à tese prevalecente quanto ao mérito do litígio, uma vez que, no caso, a Recorrente sequer foi intimada a apresentar provas do direito que alegava seu antes de proferido o Despacho Decisório, em desconformidade com o que preceitua o art. 3º, III, da Lei nº 9.784, de 1999. Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do Contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, determinando o envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 558DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900874/2008-84
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Período de Apuração: 31/12/1999 Ementa: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional - CTN).
Numero da decisão: 1802-001.229
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Fl. 78DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900874/200884 Acórdão n.º 1802001.229 S1TE02 Fl. 79 3 Relatório Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fl.53) que a seguir transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de fls. 01/05, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos (PIS/PASEP) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRPJ). Por intermédio do despacho decisório de fls. 06/09, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls.11/12, na qual alega, em síntese, que o despacho decisório não homologou a compensação declarada em razão das declarações (DIPJ e DCTF) originais apresentadas, utilizarem integralmente o valor recolhido para quitação de débitos. A par disso, a contribuinte encaminha em anexo as respectivas declarações retificadoras e os pagamentos de impostos indevidos ou maiores, que resultou no crédito utilizado nas compensações. Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade e a improcedência da cobrança dos valores compensados. Ou seja, na manifestação de inconformidade a interessada argúi que, a não homologação da compensação pela DRF — Bauru, foi motivada pela falta de conhecimento da nova base de cálculo do IRPJ, apurada conforme documentos retificadores anexados: 1. DIPJ — Declarações Informações Econômicas Fiscais Pessoa Jurídica (fls.14/25) 2. DCTFs — Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais. A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Ribeirão Preto/SP) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no venerando Acórdão nº 1422.310, de 19 de fevereiro de 2009 (fls.52/55), cientificado ao interessado em 20/04/2009. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.52): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 4 Data do fato gerador: 28/01/2000 RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do indébito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Solicitação Indeferida A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 14/05/2009, fls. 60/65, alegando, em síntese, o seguinte: PRELIMINARMENTE em decorrência da alteração da base de cálculo do Imposto de Renda, de 32% para 8% e das compensações efetuadas, " a empresa foi submetida à fiscalização conforme comprovam os anexos, Termo de Inicio de Ação Fiscal, datado de 06/08/2007 e Auto de Infração, datado de 18/03/2008; do procedimento resultou lavratura de Auto de Infração com lançamento tributário nos anos calendários de 2003, 2004 e 2005, tendo por matéria tributável o valor resultante da alteração da base de cálculo com a aplicação do percentual de 8% na presunção do lucro, mesmo fato gerador da exigência no presente processo, ou seja, o valor compensado com créditos originados do diferencial dos percentuais de apuração da base de cálculo de 32% para 8%; o Auto de Infração foi impugnado e encontrase pendente de julgamento na DRJ em Ribeirão Preto (SP), a mesma que produziu esse Acórdão combatido; embora neste processo o julgamento seja pela Procedência ou Improcedência da Manifestação de Inconformidade, o fato é que a contribuinte está intimada a recolher aos cofres da Fazenda Nacional os débitos discriminados, inclusive com a juntada dos Darfs correspondentes; por se tratar do mesmo débito já cobrado no Auto de Infração impugnado, ou seja, por se constituir em lançamento em duplicidade, requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de ser decidido pela improcedência da decisão de primeira instância e cancelamento do débito fiscal reclamado. Contestando a decisão recorrida alega que: as declarações retificadoras apresentadas alterando para menos o quantum da dívida originariamente declarada, foi para demonstrar o crédito pretendido apurado em razão da nova base de cálculo, pela aplicação do percentual de 8% ao invés de 32% na presunção do lucro; que, as retificações das declarações DIPJ e DCTF efetuadas em 24/04/2008 e 26/03/2008 respectivamente, devese ao fato de nessa data, haver demonstrado a autoridade fiscal, não ter conhecimento do quantum devido em razão da alteração do percentual de presunção do lucro; que, a empresa fora submetida à fiscalização, com motivação nas compensações pleiteadas, tendo por matéria tributável os mesmos valores daqueles solicitados nos PER/DCOMP, donde conclui que o assunto compensação, estivesse totalmente direcionado ao Auto de Infração, lavrado antes do Despacho Decisório; Fl. 81DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900874/200884 Acórdão n.º 1802001.229 S1TE02 Fl. 80 5 que, as compensações foram requeridas através do PER/DCOMP eletrônico, e com a fiscalização dentro da empresa, motivada pela referida compensação, toda documentação inerente foi colocada nas mãos dos senhores fiscais; que, os elementos para esse reconhecimento foram encaminhados a Receita Federal do Brasil em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, anexado ao presente, onde destaca, dentre outras solicitações, os Livros Caixa, Livros Registro de Prestação de Serviços, Notas Fiscais de Prestação de Serviços, Informes de Rendimentos das fontes pagadoras, etc.. Conclui que, todos outros processos (cinco), serão resolvidos com o julgamento do Auto de Infração, cuja impugnação se encontra na DRJ/RPO, e que exige todos os valores compensados no período. Finalmente, requer seja dado provimento a este Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 6 Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 38827.44118.081004.1.3.041667 (fls.01/05), transmitido em 08/10/2004, em que a contribuinte pretende compensar débito de R$ 712,46, relativo à PIS Faturamento de setembro de 2004, código 8109, com a utilização de crédito no valor original de R$ 19.481,54, decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ de janeiro/2000 (DARF: código – 2089; Período de Apuração: 31/12/1999; Vencimento: 31/01/2000, Valor: R$ 19.481,54). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fls. 06/08, emitido em 09/05/2008 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A manifestação de inconformidade deuse em 06/06/2008 (fls.11/12) na qual a interessada alega, em síntese, que o despacho decisório não homologou a compensação declarada em razão das declarações (DIPJ e DCTF) originais apresentadas, utilizarem integralmente o valor recolhido para quitação de débitos. A par disso, a contribuinte encaminha em anexo as respectivas declarações retificadoras e os pagamentos de impostos ditos indevidos ou maiores, que resultou no crédito utilizado nas compensações. Ao final, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e a improcedência da cobrança dos valores compensados. Na fase recursal, a Recorrente inicialmente alega que em decorrência da alteração da base de cálculo do Imposto de Renda, de 32% para 8% e das compensações efetuadas, " a empresa foi submetida à fiscalização que resultou na lavratura de Auto de Infração com lançamento tributário nos anos calendários de 2003, 2004 e 2005, tendo por matéria tributável o valor resultante da alteração da base de cálculo com a aplicação do percentual de 8% na presunção do lucro, mesmo fato gerador da exigência no presente processo, ou seja, o valor compensado com créditos originados do diferencial dos percentuais de apuração da base de cálculo de 32% para 8%, conforme comprovam os anexos, Termo de Inicio de Ação Fiscal, datado de 06/08/2007 e Auto de Infração, datado de 18/03/2008. Tal defesa não pode prosperar, pois, nos presentes autos se discute a compensação de débito de R$ 712,46, relativo à PIS Faturamento de setembro de 2004, código 8109, com a utilização de crédito no valor original de R$ 19.481,54, decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior do IRPJ de janeiro/2000 (DARF: código – 2089; Período de Apuração: 31/12/1999; Vencimento: 31/01/2000, Valor: R$ 19.481,54). A recorrente alega que, por se tratar do mesmo débito já cobrado no Auto de Infração impugnado, ou seja, por se constituir em lançamento em duplicidade, requer acolhido o presente recurso para o fim de ser decidido pela improcedência da decisão de primeira instância e cancelamento do débito fiscal reclamado. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900874/200884 Acórdão n.º 1802001.229 S1TE02 Fl. 81 7 Os autos de infração ditos pela recorrente, referemse a fatos geradores do IRPJ e CSLL dos anos calendário de 2003 a 2005. Com efeito, nos presentes autos, para compensação do débito (PIS/Faturamento – setembro/2004), o crédito alegado pela interessada referese ao IRPJ lucro presumido do quarto trimestre do ano calendário de 1999 que, em nada se comunica ou prejudica o diferencial dos percentuais de apuração da base de cálculo a ser tratado nos Autos de Infração, relativos a fatos geradores ocorridos nos anos calendários de 2003 a 2005. Ademais, não há qualquer prova nos autos que demonstre a conexão pretendida pela Recorrente. Desse modo, cai por terra qualquer argumento da recorrente no sentido de vincular o crédito de pagamento em janeiro/2000 declarado no PER/DCOMP em comento, com Autos de Infração relativos a fatos geradores de anos calendário (2003, 2004 e 2005) discutidos em outros processos administrativos. Consta da decisão recorrida o seguinte, que também adoto como razão de decidir: Com efeito, no que diz respeito ao IRPJ, atinente ao quarto trimestre do ano calendário de 1999, a contribuinte retificou a DIPJ/2000, para alterar, para menos, o imposto de renda a pagar, de sorte a delinear o crédito pretendido. Tenhase presente, ainda, que referido ato ocorreu somente em 24/04/2008. Nesse passo, relativamente à DCTF do 4° trimestre de 1999, a contribuinte retificou, em 26/03/2008, o débito apurado de IRPJ (código: 2089) originariamente declarado. A contribuinte, portanto, pretende que o indébito se exteriorize tão somente com os dados declarados na DIPJ/2000 e na DCTF do 4º trimestre de 1999, que foram retificadas quase oito/nove anos após a DIPJ e DCTF originais. Não obstante isso, cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação Mica em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o emus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois ha situações em que somente a contribuinte detém Fl. 84DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 8 em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais, acerca da base de cálculo do IRPJ, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. (...) Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). (...) Contestando tal assertiva, a Recorrente alega que, as declarações retificadoras apresentadas alterando para menos o quantum da dívida originariamente declarada, foi para demonstrar o crédito pretendido apurado em razão da nova base de cálculo, pela aplicação do percentual de 8% ao invés de 32% na presunção do lucro. E que, os elementos para esse reconhecimento foram encaminhados a Receita Federal do Brasil em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, anexado ao presente, onde destaca, dentre outras solicitações, os Livros Caixa, Livros Registro de Prestação de Serviços, Notas Fiscais de Prestação de Serviços, Informes de Rendimentos das fontes pagadoras, etc.. O Termo de Inicio de Ação Fiscal aludido, juntado pela Recorrente, fl.66, tem o seguinte teor: No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, com base nos arts. 835, 844, 904, 907, 911, 927 e 928 do Decreto n2 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/99) e demais legislação de regência, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal acima, damos início à ação fiscal, relativa ao IRPJ/Lucro Presumido e à Contribuição Social/CSLL, dos períodos de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, ficando o contribuinte acima identificado INTIMADO, no prazo de 20. (vinte) dias, a apresentar: : 1. Atos Constitutivos, Alterações posteriores; 2. Apresentar os demonstrativos de apuração de resultados DRE discriminativos trimestrais, relativos aos anos calendários de 2003, 2004 e 2005 3. Em consonância com as Leis n.° 7.689/88 c/c n.° 9.249/95 c/c n.° 9.430/96 e n.° 10.684/2003 ., e IN/SRF 390/2004 e demais legislação em vigor, apurouse as divergências em relação á base de cálculo do Imposto de Renda Lucro PresumidoIRPJ e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, para o período de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, conforme explicitado nas planilhas anexas ao presente Termo. Fica o , contribuinte intimado a apresentar o embasamento fático e legal para os valores divergentes Fl. 85DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10825.900874/200884 Acórdão n.º 1802001.229 S1TE02 Fl. 82 9 constantes das declarações e demais informações que se fizerem necessárias. 4. No caso de ações judiciais, apresentar respectivas decisões, certidões judiciais, certidões de objeto e pé, e demais documentos que embasaram as divergências apuradas. n 5. Apresentar relação dos bens móveis, veículos automotores, com respectivos registros públicos, dos bens e direitos constante do patrimônio da empresa. , I Os documentos deverão ser entregues no setor de fiscalização da Delegacia da Receita Federal, situada à Rua 13 de Maio n°720 Centro Bauru/SP. Os demais documentos que serviram de base para a escrituração nos períodos acima, deverão ficar à disposição desta auditoria fiscal. Outros elementos poderão ser solicitados no decorrer da ação fiscal. Como se vê, a Recorrente não comprova o crédito alegado, pois, a documentação que diz encaminhados a Receita Federal do Brasil NÃO se refere ao ano calendário de 1999. É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 712,46, adotando a via do PERDCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ relativo ao quarto trimestre do ano calendário de 1999. A busca da verdade material não autoriza o julgador a substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito. Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe, verbis: § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 86DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA 10 Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 08/10/2004, tomou ciência do despacho decisório expedido em 09/05/2008, e apresentou a manifestação de inconformidade em 06/06/2008. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 05 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 14/ 05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932725/2009-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006
INTEMPESTIVIDADE.
É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-004.590
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/11/2006 a 30/11/2006 INTEMPESTIVIDADE. É intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração/despacho decisório, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo. Recurso Voluntário Não Conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Vencida a Conselheira Lenisa Prado, que declarava a nulidade da decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Walker Araujo, José Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Charles Pereira Nunes e Lenisa Rodrigues Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 27 25 /2 00 9- 72 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10980.932725/200972 Acórdão n.º 3302004.590 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório A questão tem início em Declaração de Compensação em que se objetivava quitar débitos tributários utilizandose de créditos de COFINS. A justificativa apresentada pela autoridade fiscal para não homologar a compensação foi que: "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em decorrência da não homologação, as autoridades competentes formalizaram a cobrança dos valores indicados na DCOMP, acrescidos ainda de multa e juros. Cientificada sobre o teor do despacho decisório, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, oportunidade na qual alega que a decretação de inexistência do crédito se deu porque não foram apresentadas as retificadoras das DCTFs, DIPJs e DACONs, que se prestariam a notificar as autoridades sobre o recolhimento à maior realizado. Na manifestação de inconformidade a contribuinte informa que ao solicitar a Certidão Negativa de Débitos foi surpreendida com a informação sobre a existência de um novo processo administrativo fiscal, onde foi lavrada a exigência do exato valor que constava no despacho decisório, e que teria como documento de origem a mesma DCOMP motivadora do processo cuja cobrança acreditava que tivesse sido baixada. A contribuinte esclareceu, ainda, que apresentou manifestação de inconformidade naqueles autos, requerendo que os processos fossem unificados, posto que tratam sobre os mesmos fatos, e que fossem apreciadas as razões que fundamentam a existência de seu direito ao crédito, que é, essencialmente, a inconstitucionalidade da inclusão do valor do ICMS na base de cálculo da COFINS. Noticia, também, que procedeu à retificação dos DCTF, DACON e DIPJ relativamente ao período de apuração em debate, indicando o valor do ICMS que deveria ser destacado da base de cálculo da COFINS, o que geraria o saldo credor a seu favor a ser utilizado na compensação declarada. A instância de origem julgou improcedente a manifestação de inconformidade acima descrita, nos termos do Acórdão 06037.277. O fundamento adotado, em síntese, foi a intempestividade da impugnação/manifestação de inconformidade apresentada. Irresignada a contribuinte interpôs recurso voluntário, o que motivou a subida dos autos a este Conselho. É o relatório. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10980.932725/200972 Acórdão n.º 3302004.590 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.583, de 25 de julho de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.932718/200971, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.583) 1: "Em que pese as razões arroladas pela ilustre Relatora, peço licença para divergir dos fundamentos e do resultado dado ao presente o processo administrativo. Com efeito, a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente em sede de manifestação de inconformidade por considerar: i) intempestiva a impugnação/manifestação de inconformidade apresentada após o decurso do prazo de trinta dias, contados da data de ciência do auto de infração, não instaurando a fase litigiosa do procedimento nem comportando julgamento de primeira instância, exceto no tocante a arguição preliminar de tempestividade, acaso suscitada pelo sujeito passivo, nos termos do artigo 15, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 19722 c/c §2º, do artigo 56, da Lei nº. 7574/20113; e ii) que a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade ofertada pela Recorrente, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida, seja na revisão de ofício, seja em ulterior recurso voluntário eventualmente interposto pela impetrante. Neste contexto, entendo inexistir omissão no julgamento de primeira instância e desrespeito aos princípios do contraditório e ampla da defesa, posto que diante da apresentação de defesa fora do prazo previsto nas normas 1 Deixo de transcrever o voto vencido, que pode ser facilmente consultado no Acórdão paradigma, mantendo apenas o entendimento predominante da Turma expresso no voto vencedor. 2 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. 3 Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 2o Eventual petição, apresentada fora do prazo, não caracteriza impugnação, não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário nem comporta julgamento de primeira instância, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10980.932725/200972 Acórdão n.º 3302004.590 S3C3T2 Fl. 5 4 anteriormente citada, não houve instauração de fase litigiosa, afastando, assim, o dever/obrigação da autoridade julgadora analisar os argumentos suscitados pelo contribuinte. Não bastasse isso, e ao contrário do que restou defendido neste processo, a decisão proferido no Mandado de Segurança n. 5005529 63.2010.404.7000, em trâmite perante a 5ª Vara Federal de Curitiba/PR, não superou a questão concernente a intempestividade da manifestação de inconformidade, limitouse somente a determinar a suspensão da exigibilidade dos débitos tributários objeto das PER/DCOMP´s até a decisão final administrativa a ser proferida. Portanto, entendo não ser o caso de nulidade do julgamento de primeira instância, considerando que o julgadores aplicaram ao presente caso as determinações contidas no Decreto 70.235/72 e na Lei nº 7.574/2011. Diante do exposto, considerando que não houve instauração da fase litigiosa do procedimento administrativo, por intempestividade da manifestação de inconformidade, voto por não conhecer do recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo a decisão de piso deixou de apreciar os argumentos apresentados pela Recorrente, em sede de manifestação de inconformidade, em razão de sua intempestividade. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12268.000538/2008-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. RAT. VALE-TRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA DO CARF N.º 89.
A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia.
Numero da decisão: 2201-003.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
EDITADO EM: 20/07/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. RAT. VALE-TRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA DO CARF N.º 89. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. EDITADO EM: 20/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DA EMPRESA. RAT. VALE TRANSPORTE. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA DO CARF N.º 89. A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale transporte, mesmo que em pecúnia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. EDITADO EM: 20/07/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 8. 00 05 38 /2 00 8- 28 Fl. 950DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de crédito lançado e constituído pela fiscalização contra a empresa HSBC BANK BRASIL S.A. BANCO MÚLTIPLO, de acordo com o relatório fiscal de fls. 163/172, no montante de R$ 10.405.544,39, consolidado em 31/10/2008. O auto de infração (DEBCAD n.º 37.202.2294) teve como finalidade apurar e constituir o crédito relativo a contribuições arrecadadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB e destinadas à Seguridade Social correspondentes à contribuição da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, não recolhidas, incidentes sobre remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, no período de outubro de 2003 a dezembro de 2006. O fato gerador do crédito referese às remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a título de vale transporte, em moeda, corrente, mediante consignação em folha de pagamento e crédito em conta bancária dos empregados. (...) Conclui o AuditorFiscal que, na forma como foi operacionalizado pela empresa, efetuando o pagamento do vale transporte em dinheiro e sem qualquer desconto da parte que caberia aos seus empregados, contraria o estatuído na Lei nº 7.428, de 1985, não se enquadrando, portanto, na exclusão prevista no art. 28, § 9º, alínea "f", da Lei n.º 8.212/91. O pagamento do valetransporte não foi incluído na base de cálculo das contribuições sociais objeto do Auto de Infração e não foram incluídas em Guias de Recolhimento o FGTS e Informações à Previdência Social GFIPs. (...). O presente Auto de Infração se relaciona com os Autos de Infração nº37.202.2308, 37.202..2316 e 37.202.2324, constituindose no processo principal, no qual constam os elementos de prova citados, estando os demais apensados.(...). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2006 Fl. 951DF CARF MF Processo nº 12268.000538/200828 Acórdão n.º 2201003.735 S2C2T1 Fl. 3 3 VALETRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. INTEGRANTE DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Por estar em desacordo com a legislação própria, o vale transporte pago em dinheiro integra a base de cálculo das contribuições destinadas à Seguridade Social. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. VERBAS PAGAS. DETERMINAÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. VEDAÇÃO. A autonomia das convenções coletivas consagradas pela Constituição federal limitase ao âmbito das relações empregatícias, sendolhe vedada alterar a natureza jurídica das verbas pagas para fins de incidência tributária. CRIMES. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. ENCAMINHAMENTO. COMPETÊNCIA. MATÉRIA PENAL. Sempre que o AuditorFiscal constatar a ocorrência, em tese, de crime ou contravenção penal, deverá realizar Representação Fiscal para Fins Penais, inexistindo competência para apreciação de matéria penal no âmbito do contencioso administrativo tributário. JUROS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Possui previsão legal a incidência de juros com base na taxa SELIC para fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1995, sendo de caráter irrelevável. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. É vedado aos órgãos do Poder Executivo afastar, no âmbito administrativo, a aplicação de lei, decreto ou ato normativo, por inconstitucionalidade ou ilegalidade. Impugnação improcedente Crédito tributário mantido Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual o contribuinte reiterou os argumentos aduzidos em sede de impugnação no sentido da não incidência das contribuições sociais previdenciárias sobre o valetransporte pago em dinheiro. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 952DF CARF MF 4 Conheço do recurso, pois se encontra tempestivo e com condições de admissibilidade. A contribuinte dispôs sobre questão de nulidade que está diretamente relacionada ao mérito. Assim, adotei um único tratamento aos argumentos ligados pelo conteúdo. Conforme narrado, o objeto da controvérsia em análise é a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia. Cumpre esclarecer que foi editado o Enunciado de Súmula CARF n.º 89 acerca da matéria, que assim dispõe: A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de vale transporte,mesmo que em pecúnia.” Nos termos do art. n° 45 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, a mencionada Súmula é de aplicação obrigatória pelos Conselheiros desse colegiado. Nesse contexto, tornase imperioso o entendimento no sentido de que não deve ser exigida contribuição previdenciária sobre valores pagos em pecúnia a título de vale transporte. Quanto às alegações relativas à Representação fiscal para fins penais, cabe destacar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, consoante o Enunciado de Súmula CARF n.º 28. Assim, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 953DF CARF MF
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