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Numero do processo: 11762.720084/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 04 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE.
A ocultação, pelo importador, do real adquirente do produto importado, mediante fraude ou simulação, tipifica a figura da interposição fraudulenta, punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FALHAS NA SUA EMISSÃO OU PRORROGAÇÃO. NÃO OBSERVÂNCIA, PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, DE SUAS DETERMINAÇÕES.
O MPF é mero instrumento de controle administrativo, de modo que não há falar em nulidade em virtude de eventuais falhas na sua emissão ou na sua prorrogação, assim como a não observância das determinações que foram inseridas pela autoridade competente.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3201-002.838
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Winderley Morais Pereira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. A ocultação, pelo importador, do real adquirente do produto importado, mediante fraude ou simulação, tipifica a figura da interposição fraudulenta, punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FALHAS NA SUA EMISSÃO OU PRORROGAÇÃO. NÃO OBSERVÂNCIA, PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, DE SUAS DETERMINAÇÕES. O MPF é mero instrumento de controle administrativo, de modo que não há falar em nulidade em virtude de eventuais falhas na sua emissão ou na sua prorrogação, assim como a não observância das determinações que foram inseridas pela autoridade competente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário negado.
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MULTA Recorrente EMINÊNCIA COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. A ocultação, pelo importador, do real adquirente do produto importado, mediante fraude ou simulação, tipifica a figura da interposição fraudulenta, punível com a pena de perdimento, convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). FALHAS NA SUA EMISSÃO OU PRORROGAÇÃO. NÃO OBSERVÂNCIA, PELA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA, DE SUAS DETERMINAÇÕES. O MPF é mero instrumento de controle administrativo, de modo que não há falar em nulidade em virtude de eventuais falhas na sua emissão ou na sua prorrogação, assim como a não observância das determinações que foram inseridas pela autoridade competente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 76 2. 72 00 84 /2 01 3- 29 Fl. 941DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Winderley Morais Pereira, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da aplicação de multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria importada, no montante de R$ 410.356,08. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Trata o presente processo de lançamento no valor de R$ 410.356,08 (quatrocentos e dez mil, trezentos e cinquenta e seis reais e oito centavos), relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas através das Declarações de Importação (DI) analisadas, as quais foram identificadas como praticadas mediante interposição fraudulenta em operações de comércio exterior. Foi interposta impugnação. Em sede preliminar, foi arguida nulidade dos lançamentos por vício relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Aduziu a defesa que o MPF delimitava o objeto da fiscalização ao exercício 2012 e ao tributo IRPJ. Prosseguiu afirmando que, uma vez tendo sido objeto dos lançamentos as contribuições PIS e COFINS, não haveria outra solução senão a anulação do MPF e, consequentemente, do auto de infração. No mérito, a impugnante aduziu a ausência de provas e que a autoridade fiscal lançou com base em presunção, sem qualquer amparo legal. Ainda, postulou a inexistência de solidariedade com base no art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN). Segundo a defesa, todas as operações se caracterizam simplesmente como aquisição de mercadorias no mercado interno. Também foi alegado desproporcionalidade das multas aplicadas e caráter confiscatório, tendo a defesa afirmado que: “A MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO SOMENTE Fl. 942DF CARF MF Processo nº 11762.720084/201329 Acórdão n.º 3201002.838 S3C2T1 Fl. 941 3 PODE SER APLICADA QUANDO A MERCADORIA AINDA NÃO TIVER SIDO DESEMBARAÇADA” (fl. 790). Outro pleito trazido pela impugnante é o da aplicação da retroatividade benéfica da multa aplicada com o advento da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, mormente por seu art. 33, que prevê multa de 10% do valor da operação por cessão de nome para a realização de operações de comércio exterior. Em suas considerações finais, a ora impugnante pleiteou juntada posterior de outros elementos probatórios, dilação de prazo para impugnação e realização de diligência. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/JFA n.º 0925.550, de 13/08/2009 (fls. 466 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/01/2011, 26/01/2011, 02/02/2011, 13/05/2011, 06/06/2011, 13/06/2011, 15/06/2011, 20/06/2011, 24/06/2011, 06/07/2011, 11/07/2011, 23/09/2011, 26/09/2011, 28/09/2011 IMPORTAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA. A lei prevê a presunção de interposição fraudulenta de terceiros na operação de comércio exterior quando a origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados na importação de mercadorias estrangeiras não for comprovada. A interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior, é considerada dano ao erário, punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou tenham sido consumidas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 854 e ss., por meio do qual basicamente alega, depois de relatar os fatos, os mesmos argumentos já delineados em sua impugnação. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Fl. 943DF CARF MF 4 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Segundo consta dos autos, a fiscalização constatou que a Recorrente era a real adquirente de mercadorias importadas pelas empresas PRINCIPAL COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO DE PRODUTOS ELETRONICOS LTDA., ASIAMEX IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA. e BRASPLANET COMERCIO EXTERIOR LTDA., que, portanto, ocultaramna em suas importações, o que caracterizou a interposição fraudulenta no comércio exterior. Mantido o lançamento pela instância a quo, a Recorrente apresentou recurso voluntário a este Colegiado Administrativo, no qual, preliminarmente, sustenta ter havido vícios no MPF, o que acarretaria a nulidade do auto de infração. Como reforço à tese, reproduz ementas de decisões administrativas, as quais consubstanciaram o entendimento de que a inobservância de regras sobre a emissão e a vigência do MPF acarretariam a nulidade do procedimento. Ocorre que este entendimento adotado nos precedentes citados no recurso voluntário encontrase hoje absolutamente superado, como comprovam as seguintes ementas de decisões, todas proferidas pela CSRF: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. (...). (CARF, Acórdão 920200.637, CSRF 2ª Turma da 2ª Câmara, DOU em 12/04/2010). NORMAS PROCESSUAIS MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado (Acórdão CSRF/0202.187) NORMAS PROCESSUAIS MPF. É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Recurso especial negado (CSRF/0106.085, Sessão de 11.11.08). É que, ainda que tenha havido qualquer deslize da autoridade que subscreveu o MPF ou da autoridade que foi nele indicado, essa falha, por si só, não torna nulo o auto de infração. As irregularidades na emissão ou na prorrogação do MPF, bem como a eventual não observância das determinações que lhe foram inseridas, não invalidam o lançamento que da Fl. 944DF CARF MF Processo nº 11762.720084/201329 Acórdão n.º 3201002.838 S3C2T1 Fl. 942 5 ação fiscal resultou (tampouco respaldam a alegação de cerceamento ao direito de defesa), porque o MPF é mero instrumento de controle interno e planejamento das atividades de fiscalização, daí que não restringe, por impossível, a competência das autoridades administrativas, as quais se encontram plasmadas em normas de maior hierarquia. Alega a Recorrente que a lavratura de um auto de infração contra as empresas BRASALES/PRINCIPAL/ASIAMEX configuraria uma causa de nulidade, pois haveria “...a necessidade de autos de infração distintos para cada contribuinte, conforme art. 9º, § 1º, do Decreto nº 70.235/72”, o que encerraria uma falha de procedimento. O § 1º do art. 9º do Decreto nº 70.235/72 prevê que “Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova”. Como se vê, o dispositivo tem apenas a óbvia finalidade de evitar decisões conflitantes, nada dizendo a respeito da necessidade de lavrarse, em determinado contexto, mais de um auto de infração para cada contribuinte isoladamente considerado. Ultrapassada a questão, digase, agora com relação à impossibilidade de a multa de conversão ter sido aplicada em revisão aduaneira, que inexiste, por determinação legal, a demarcação de uma fase procedimental (momento do desembaraço, revisão aduaneira etc.) apropriada para a formalização da exigência objeto dos autos, que obviamente pode ser cominada até que opere a decadência do direito de o Fisco fazêlo. Sustenta, ainda, a Recorrente que a multa somente poderia ser aplicada no caso de as mercadorias não terem sido localizadas ou terem sido consumidas. Todavia, as mercadorias importadas foram desembaraçadas e comercializadas no país, não entregues ao importador de forma precária (como exemplifica a Recorrente, para garantia de futura discussão). Essa pena de conversão é de ser aplicada não só quando a mercadoria não for localizada (não encontrada) ou tiver sido consumida (utilizada), mas, também, quando tiver sido revendida (vendida, pelo real importador, no mercado interno). Ora, as mercadorias importadas foram revendidas no mercado interno pela Recorrente. Isso é fato inequívoco. Destarte, não resta a menor dúvida que uma das situações ensejadoras da aplicação da multa de conversão encontrase plenamente caracterizada. Por fim, cabe ressaltar que o lançamento encontrase devidamente motivado, vale dizer, a fiscalização enfrentou, com sobras, as razões de fato e de direito em que se fundamentou, tanto que nas duas oportunidades em que compareceu aos autos a Recorrente demonstrou inteira compreensão da controvérsia. Afastadas as preliminares de nulidade, passamos à análise das razões de mérito. E, ao fazêlo, vemos que os fatos sobejam a seu desfavor. É o que se passa a demonstrar. A Medida Provisória – MP n.º 66, de 2002, posteriormente convertida na Lei n.º 10.637, de 2002, encartou, no inciso V do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, nova hipótese de dano ao Erário, autônoma em relação às demais, mediante a eleição da figura que se costumou chamar genericamente de “interposição fraudulenta no comércio exterior” (aqui a autuação se deu com base no inciso V c/c os §§ 1º e 3º do art. 23 do Decretolei n.º 1.455, de 1976, não com base na presunção estabelecida no § 2º do mesmo dispositivo): Fl. 945DF CARF MF 6 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) § 4o O disposto no § 3o não impede a apreensão da mercadoria nos casos previstos no inciso I ou quando for proibida sua importação, consumo ou circulação no território nacional. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) (g.n.) De logo percebese que o legislador não previu, pura e simplesmente, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, do comprador ou do responsável pela operação de importação ou de exportação como hipótese configuradora de dano ao Erário, mas qualificou tais condutas, pospondo, à preposição “mediante”, os meios por intermédios dos quais se pode entender, no caso, configurado. Portanto, não basta, por exemplo, ocultar o sujeito passivo, mas há de se fazer mediante fraude ou simulação, que podem se dar por qualquer meio (o legislador não o predeterminou!), inclusive (ou seja, até mesmo, olha aí o advérbio!) a interposição fraudulenta de terceiros. Então, quernos parecer que a interposição fraudulenta de terceiros configura uma entre tantas situações em que se entende haja, na hipótese, fraude ou simulação, as quais, portanto, àquela não se limitam. A responsabilidade no caso é, a nosso sentir, subjetiva, devendo a fiscalização comprovar se fraude ou simulação houve, as quais, como cediço, são defeitos dos atos jurídicos – a vontade manifestada não tem, na realidade, a intenção pura e de boafé que enuncia. A primeira é o engano malicioso, promovido de máfé, para fugir ao cumprimento de um dever. Diferenciase do puro dolo, porque, neste, o engano não é oculto. Sempre se caracteriza pela tentativa de furtarse a obrigações contratuais ou legais (como o pagamento de tributo). Já a simulação é uma declaração fictícia de vontade com o propósito de fugir a obrigações também legais ou contratuais. É, digamos assim, o puro fingimento. É, também, uma conduta dolosa, mas a diferença é que, no dolo, a máfé é de uma parte contra a outra, enquanto que, na simulação, é de ambas as partes contra terceiros. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 11762.720084/201329 Acórdão n.º 3201002.838 S3C2T1 Fl. 943 7 No comércio exterior, os motivos que levam os operadores a simular as importações como se diretas fossem são bem conhecidos. Podemse destacar: dificultar os controles do Fisco sobre o real importador (inclusive quanto as suas vendas no mercado interno), reduzir o IPI devido pelo contribuinte equiparado a industrial e auferir benefícios fiscais concedidos no âmbito estadual. Traçadas, em poucas linhas, a interpretação que entendemos melhor se ajusta ao caso genericamente chamado de “interposição fraudulenta no comércio exterior”, passamos à análise do caso concreto. Entre os inúmeros fatos elencados pela fiscalização, destacamse os seguintes, todos devidamente comprovados nos autos (não se trata, portanto, de simples presunção, repitase de novo!): 1ª fato: com base no cruzamento de informações e das notas fiscais emitidas pela empresa ASIAMEX, ficou comprovada a integral transferência das mercadorias importadas à Recorrente, a EMINÊNCIA, em datas muito próximas ao desembaraço. Embora a ASIAMEX declarese como real adquirente das mercadorias importadas pela PRINCIPAL (no período de 2010 e 2011, 98% das importações por esta realizadas destinaramse à ASIAMEX), ela é, de fato, uma prestadora de serviços que opera através de encomenda de terceiros. 2ª Fato: a totalidade das mercadorias importadas são miudezas, como bolsas, malas, carregadores de celular, abajures, minirádios, enfeites para festa, carteiras, pastas para notebook, portamoedas, lanternas, secadores de cabelo, mouses, fones de ouvido, enfeites para celular, etc., que compreenderam, somente no ano de 2011, cerca de vinte milhões de itens, a despeito de a ASIAMEX possuir poucos funcionários, nenhum vendedor, showroom, lojas físicas ou virtuais. Embora localizada no Estado do Rio de Janeiro, a ASIAMEX utilizavase, em suas importações, da PRINCIPAL, porque esta era beneficiária de incentivos fiscais concedidos pelo Estado de Rondônia, onde se situava. Esta empresa, a PRINCIPAL, não mantinha nenhuma atividade empresarial no município de Porto Velho, conforme Termo de Diligência e Constatação datado de 6/11/2012 (fl. 25 e ss.). 3º Fato: as operações de importação realizadas pela BRASPLANET foram declaradas como importações por conta própria. Todavia, as mercadorias desembaraçadas eram revendidas quase que imediatamente após o seu desembaraço. Entre as destinatárias das mercadorias importadas, encontrase a Recorrente. 4º Fato: a habilitação da Recorrente para operar no comércio exterior se deu na modalidade simplificada, com estimativa de importações de US$ 150.000,00 e de exportações de US$ 300.000,00, a cada seis meses. Em consulta realizada em 25/5/2013, verificouse que nos 24 (vinte e quatro) meses anteriores a esta data, operou importações, em valor CIF, no valor de US$ 233.807,37, não tendo importado por conta e ordem de terceiros nem como adquirente de mercadoria importada por intermédio de terceiros, tampouco como exportadora. 5º Fato: questionada sobre a origem dos recursos despendidos com as importações realizadas pela PRINCIPAL/ASIAMEX e BRASPLANET, a Recorrente afirmou ter feito os pagamentos parceladamente, que teriam sido quitados com recursos oriundos de faturamento. Afirmou que a quitação se dava através de boleto bancários. Contudo, nenhum boleto foi entregue à fiscalização. 6º Fato: os sócios da Recorrente são proprietários de veículos de luxo, apesar de declararem auferir rendimentos que totalizam valores próximos da isenção do Imposto de Renda. Fl. 947DF CARF MF 8 Esses razões – devidamente comprovadas nos autos – sãonos suficientes para avalizar a autuação. Afinal, juntas – a Recorrente e as empresas PRINCIPAL/ASIAMEX e BRASPLANET – importaram mercadorias, de forma reiterada, em prejuízo dos controles do Fisco, sem que as DIs tenham espelhado a realidade das operações engendradas. A Recorrente foi a destinatária das importações realizadas pelas pessoas jurídicas mencionadas, que, todavia, declararam importar diretamente, quando a realidade, como se viu, era outra. Assim agiram mediante a clara intenção de burlar os controles do Fisco e reduzir, inclusive, o pagamento de tributos devidos nas operações internas, tanto que a Recorrente sequer logrou êxito em comprovar a origem dos recursos utilizados nos pagamentos supostamente realizados às empresas importadoras. Cabível, portanto, a aplicação da multa de conversão da pena de perdimento. Sobre a alegação de que seria de cominar, no caso, a multa prevista no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, sabese que esta penalidade, como facilmente se percebe, destinase a penalizar as pessoas jurídicas que cedem o seu nome a terceiros, para operar no comércio exterior. Vejase: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (g.n.) Seria o caso de aplicála às empresas PRINCIPAL/ASIAMEX e BRASPLANET, não à Recorrente, o que, aliás, foi feito, conforme noticia, à fl. 86, o Relatório de Fiscalização. A propósito, digase absolutamente impertinente o pedido formulado pela Recorrente para que seja levado ao seu conhecimento o conteúdo das peças de defesa apresentadas nestes processos administrativos. Isso porque, neles, nada foi exigido da Recorrente. O caráter confiscatório da multa de ofício aplicada é matéria cujo conhecimento refoge à competência das autoridades administrativas, impedidas que estão de apreciar a constitucionalidade de diplomas legais vigentes com a Constituição Federal (Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Pelo exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 948DF CARF MF Processo nº 11762.720084/201329 Acórdão n.º 3201002.838 S3C2T1 Fl. 944 9 Fl. 949DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.900730/2013-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Oct 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/11/2011
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO.
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado.
Recurvo Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-003.106
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira- Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/11/2011 DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posteriormente a procedimento fiscal, exige comprovação material. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. O direito à restituição/ressarcimento/compensação deve ser comprovado pelo contribuinte, porque é seu o ônus. Na ausência da prova, em vista dos requisitos de certeza e liquidez, conforme art. 170 do CTN, o pedido deve ser negado. Recurvo Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 07 30 /2 01 3- 23 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10805.900730/201323 Acórdão n.º 3201003.106 S3C2T1 Fl. 3 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila. Relatório PETROLOG SERVIÇOS E ARMAZÉNS GERAIS LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição e que procedera à retificação da DCTF, com observância de todos os trâmites administrativos adequados à compensação e que inexistia motivo para a negativa do pleito. Juntou cópia da DCTF retificadora. Nos termos do Acórdão nº 02056.969, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF original. Destacouse que a retificação da DCTF, operada após a ciência do despacho decisório e sem suporte em nenhum outro elemento de prova, não se presta, por si só, para a comprovação do pagamento indevido ou a maior. Em seu recurso voluntário, o Recorrente alega, sucintamente, que o crédito pleiteado decorre de ativo imobilizado, obtido em atenção à prerrogativa legal outorgada pelas Leis nº 10.865/2002 e 12.546/2011. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201003.103, de 30/08/2017, proferido no julgamento do processo 10805.900727/201318, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.103): O recurso é tempestivo e não havendo outros óbices, dele conheço. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10805.900730/201323 Acórdão n.º 3201003.106 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente, reproduzo quadro da decisão recorrida, para mostrar as datas do Darf, da DCTF, do Despacho Decisório e da DCTF retificadora. A retificação da DCTF foi feita após a ciência do Despacho Decisório, e não houve apresentação de provas ou alegação de direito na Manifestação de Inconformidade. O crédito pretendido não foi demonstrado e provado. Com efeito, o débito de Pis, no valor integral do Darf, foi confessado em DCTF. A DCTF é o instrumento formal para confissão de débito, no lançamento por homologação (Decretolei 2.124/84), de modo que o crédito tributário representado pelo valor integral do Darf foi formalmente constituído. A DCTF retificadora foi apresentada após o início do procedimento fiscal, e desse modo, não substitui a DCTF original, cf. art. 9º, §2º1 da Instrução Normativa da Receita Federal 1.110/2010, combinada com art. 138, § único2 do CTN e art. 16 da Lei 9.779/963. Estando o crédito tributário formalmente constituído, para que se pudesse retificálo, depois do início do procedimento fiscal, seria necessária prova de sua inexatidão, para o alcance da verdade material, que é objetivo do processo administrativo fiscal. Seria preciso demonstrar, documentalmente, a composição da Base de Cálculo e as deduções permitidas em lei, com os livros oficiais, tais como Diário, Razão, ou qualquer escrituração ou documento legal que se revista do caráter de prova. Ora, o ônus da prova cabe ao interessado (art. 36 da Lei 9.784/994, art. 373, I do CPC5). 1 Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. 2 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. 3 Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. 4 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. 5 Art. 373. O ônus da prova incumbe: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10805.900730/201323 Acórdão n.º 3201003.106 S3C2T1 Fl. 5 4 A recorrente aduz, genericamente, tratarse de direito de crédito relativo a ativo imobilizado, referindo a Lei 12.546/2012. Não aponta especificamente o dispositivo legal que lhe daria direito. (...) O documento trazido como comprovação do alegado crédito relaciona alguns bens do imobilizado, sem demonstrar qualquer cálculo que se assemelhe ao valor requerido. (...) Desse modo, não havendo qualquer argumentação consistente quanto ao direito de crédito, e a ausência de documentos que comprovem o crédito pretendido, não há como ultrapassar os requisitos de certeza e liquidez exigidos para a Declaração de Compensação, cf. art. 170 do CTN6. Pelo exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação da compensação. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; 6 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 85DF CARF MF
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Numero do processo: 13884.001826/2007-14
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano calendário:2005
Ementa:
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da DCTF, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. A entrega extemporânea da DCTF se configura como uma infração formal, impossibilitando a utilização do instrumento da denúncia espontânea.
NORMAS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
A inobservância de obrigação tributária acessória constitui se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada.
OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA.
O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária.
Destarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.
Numero da decisão: 1802-001.186
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Marco Antonio Nunes Castilho
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário:2005 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da DCTF, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. A entrega extemporânea da DCTF se configura como uma infração formal, impossibilitando a utilização do instrumento da denúncia espontânea. NORMAS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui se fato gerador do auto de infração, convertendo-se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Destarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária.
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. ART. 138 DO CTN. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da DCTF, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. A entrega extemporânea da DCTF se configura como uma infração formal, impossibilitando a utilização do instrumento da denúncia espontânea. NORMAS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui se fato gerador do auto de infração, convertendose em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Destarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 51 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em NEGAR provimento recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 52 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas – SP (“DRJ/CPS”), que julgou improcedente a Impugnação apresentada pela IACIT AERONÁUTICA E TELECOMUNICAÇÕES LTDA (“Recorrente”). Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Tratase de exigência de multa por atraso na entrega de DCTF correspondente ao ano calendário 2005. Impugnando, argumenta o contribuinte, em síntese, a espontaneidade da entrega (art. 138 do CTN).” Em sua decisão, a DRJ/CPS houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 0521/665 de 22 de Abril de 2008, conforme ementa transcrita abaixo: “Assunto: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA O cumprimento da obrigação acessória – apresentação de declaração – fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator às penalidades legais. A entrega de declaração em atraso não caracteriza a denúncia espontânea referida no art. 138 do CTN.” Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou, em 27/05/08, Recurso Voluntário (fls. 29/36) no qual aduziu, em síntese, os mesmos argumentos apresentados na Impugnação, requerendo, ao final, que o recurso seja totalmente provido, decretandose a nulidade do Auto de Infração. É o relatório, passo a decidir. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 53 4 Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Durante a construção da sua tese de defesa a Recorrente alega que o adimplemento voluntário e anterior a procedimento administrativo de fiscalização, de obrigação fiscal acessória, muito embora intempestivo, ensejaria a exclusão do pagamento de multa por atraso da entrega da declaração. No discorrer de sua defesa a Recorrente apropriase de algumas decisões administrativas que defendem a inaplicabilidade de penalidade nos casos de denúncia espontânea baseandose no disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. A tese da recorrente não deve prosperar. O artigo em comento trata da responsabilidade do agente pela ocorrência da infração tributária e, dentro deste contexto a legislação prescreve que o adimplemento espontâneo da obrigação tributária, antes da ocorrência de procedimento administrativo fiscal, ensejaria a exclusão da responsabilidade tributária do agente, conforme explicitado no trecho abaixo transcrito: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.” “Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Entretanto, considero que o preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional, não deve ser aplicado no caso de multa proveniente do inadimplemento de obrigação acessória, uma vez que esta tem natureza autônoma. As responsabilidades acessórias autônomas, as quais não guardam qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não são cobertas pelo dispositivo legal supracitado. A entrega intempestiva da DCTF é caracterizada como uma infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, elegível ao instrumento da denúncia espontânea. Fl. 53DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 54 5 Saliento que o Superior Tribunal de Justiça já se pronunciou no mesmo sentido, conforme extraído do Acórdão n°.246.963/PR, publicado em 05/06/2000, abaixo transcrito: “Tributário. Denúncia espontânea. Entrega com atraso de declaração de contribuições e tributos federais – DCTF. A entidade “denúncia espontânea” não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso especial provido.” Cumpre salientar que o objeto do Auto de Infração foi a não observância do prazo de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, referente ao segundo semestre do anocalendário 2005, fato este, inclusive, reconhecido, expressamente pela Recorrente. O referido inadimplemento ensejou o lançamento fiscal, este sim, objeto de contestação pela Recorrente. Considero que o lançamento fiscal por inadimplemento de obrigação acessória é autônomo, subsistindo mesmo nos casos de inexistência de obrigação principal, tal como ocorre no caso ora analisado. Este entendimento encontra subsídio no art. 113, do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória”. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. “§ 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. (nosso grifo) Corrobora este entendimento a jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se conclui do trecho abaixo extraído do Acórdão n°. 230200.856 da 3° Câmara, da 2a Turma Ordinária: Fl. 54DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 55 6 OBRIGAÇÕES ACESSORIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA.AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Destarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. (nosso grifo) No mesmo sentido, destaco trecho do Acórdão n°. 230200.969, proferido pela 3° Câmara, da 2a Turma Ordinária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, abaixo transcrita: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES CADASTRAIS, FINANCEIRAS E CONTÁBEIS DE INTERESSE DO FISCO. AUTO DE INFRAÇÃO CFL 35. Constitui infração às disposições inscritas no art. 32, III da Lei n° 8212/91 c/c art. 283, II, ‘b’ do RPS, aprovado pelo Dec. n° 3048/99, deixar a empresa de prestar ao Instituto Nacional do Seguro Social todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis do interesse desta Autarquia, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. A inobservância de obrigação tributária acessória constitui se fato gerador do auto de infração, convertendo se em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária aplicada. (nosso grifo) OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS E PRINCIPAIS. INDEPENDÊNCIA. AUTONOMIA. O simples fato da inobservância da obrigação acessória é condição bastante e suficiente para a conversão de sua natureza de obrigação acessória em principal, relativamente à penalidade pecuniária. Dessarte, nos termos da lei, ainda que não tenha ocorrido a obrigação principal ou esta, mesmo tendo ocorrido, já tenha sido adimplida, tais fatos não são suficientes para afastar a observância e/ou os efeitos das obrigações acessórias correlatas impostas pela legislação tributária. (nosso grifo) Recurso Voluntário Negado Fl. 55DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13884.001826/200714 Acórdão n.º 180201.186 S1TE02 Fl. 56 7 Sendo assim, considero que o atraso na entrega da declaração é motivo suficiente para a incidência da multa em razão da não entrega tempestiva de obrigação acessória, a qual independe da obrigação principal. Dessa forma, o adimplemento voluntário, fora do prazo, não enseja a exclusão da multa prevista na legislação fiscal. Diante de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão da DRJ/SP Marco Antonio N. Castilho (documento assinado digitalmente) Fl. 56DF CARF MF Impresso em 15/05/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 14 /05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 08/05/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 16327.721258/2012-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA.
Conforme o entendimento do STJ, em decisão proferida sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, o lançamento de ofício em que o tributo exigido encontra-se com a exigibilidade suspensa por força de depósito do seu montante integral deve ser cancelado. Decisões tais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno.
Numero da decisão: 1401-002.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 TRIBUTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR FORÇA DO DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. IMPROCEDÊNCIA. Conforme o entendimento do STJ, em decisão proferida sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, o lançamento de ofício em que o tributo exigido encontra-se com a exigibilidade suspensa por força de depósito do seu montante integral deve ser cancelado. Decisões tais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves.
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IMPROCEDÊNCIA. Conforme o entendimento do STJ, em decisão proferida sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, o lançamento de ofício em que o tributo exigido encontrase com a exigibilidade suspensa por força de depósito do seu montante integral deve ser cancelado. Decisões tais devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, a teor do § 2º do art. 62 do seu Regimento Interno. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Lívia De Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 58 /2 01 2- 42 Fl. 367DF CARF MF 2 Arcângelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Daniel Ribeiro Silva, José Roberto Adelino da Silva e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 16327.721258/201242 Acórdão n.º 1401002.021 S1C4T1 Fl. 368 3 Relatório Por bem refletir os fatos constantes dos autos, adoto o Relatório da decisão recorrida, consubstanciada no Acórdão nº 1654.712 10ª Turma da DRJ/SP1 (v. efls. 133/143), objeto de julgamento em sessão realizada em 30 de janeiro de 2014. Conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls.42/45, em fiscalização empreendida junto à Real Seguros Vida e Previdência S.A., CNPJ 04.884.104/000167, empresa sucedida pela Zurich Santander Brasil Seguros e Previdência S.A., CNPJ 87.376.109/000106, o autuante verificou em síntese que: 1. Em 09/11/2009, a contribuinte entregou a DIPJ 2009, por meio da qual, na linha 74 da Ficha 17 (Cálculo da CSLL – fls.34/35), sob a rubrica "() CSLL Mensal Paga por Estimativa", foi declarada uma dedução de R$20.681.018,90, correspondente à soma das contribuições mensais declaradas nas linhas 11 da Ficha 16 (Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa – fls.30/33), sob a rubrica "CSLL A PAGAR". 2. Considerandose que no valor de R$20.681.018,90 estão incluídas a CSLL Retida por Órgãos, Autarquias e Fundações Federais (Lei n° 9.430/1996), no valor de R$155,58, e a CSLL Retida na Fonte por Pessoas Jurídicas de Direito Privado (Lei n° 10.833/2003), no valor de R$743.584,76, temos que o valor líquido das estimativas deduzidas foi de R$19.937.278,56. 3. Ocorre que foi paga somente uma parte das estimativas mensais do ano calendário de 2008, no valor de R$13.592.046,78; isso significa dizer que a dedução declarada na linha 74, da Ficha 17, contemplou também as parcelas das estimativas de maio a dezembro de 2008 que tinham a exigibilidade suspensa por força de depósitos judiciais, no montante de R$6.345.231,74 (planilha de fls.44), e, assim procedendo, a Ficha 17 da DIPJ 2009 ficou com o ajuste anual de 2008 reduzido a "zero"; neste caso, a dedução correta seria apenas das estimativas pagas, o que geraria um saldo de “CSLL A PAGAR” no exato valor de R$6.345.231,74, a ser declarado também na correspondente DCTF, sob o código de receita 675801. 4. Destaquese, no tocante às parcelas com exigibilidade suspensa, que a impugnante impetrou mandado de segurança em trâmite na 23ª Vara Federal Cível da Seção Judiciária de São Paulo, nos autos do processo n° 2008.61.00.0143091, o qual teve a segurança denegada (sentença às fls.13/19). Houve rejeição de embargos de declaração (despacho de fls.20/21), permanecendo a sentença tal como prolatada, pelo que a autora interpôs recurso de apelação junto ao TRF da 3ª Região. 5. Face às decisões desfavoráveis, a contribuinte apresentou os depósitos judiciais correspondentes às importâncias questionadas, conforme comprovantes da Caixa Econômica Federal (fls.22/29), suspendendose, assim, a exigibilidade do crédito tributário, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN. 6. No caso, a dedução indevida das estimativas com exigibilidade suspensa afetou o cálculo do ajuste anual que, não tendo seu valor declarado em DCTF sob o código de receita apropriado, sujeitase ao lançamento de oficio. 7. Cumpre observar que, em função dos depósitos judiciais efetuados mensalmente, o crédito tributário será constituído com exigibilidade suspensa, ficando tais Fl. 369DF CARF MF 4 depósitos vinculados não somente aos valores das estimativas mensais declaradas, mas também ao valor do ajuste anual aqui apurado. Sendo assim, em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 19/10/2012 foi lavrado Auto de Infração de CSLL (fls.46/50), com os valores a seguir discriminados: DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou a impugnação de fls.55/83, protocolizada em 14/11/2012 e acompanhada dos documentos de fls.84/129, expondo, em síntese, que: 1. Quando há depósito judicial, o crédito tributário é constituído pelo contribuinte (autolançamento), sendo desnecessário e indevido o lançamento de ofício por parte do Fisco, pois, com o depósito do montante integral, temse um verdadeiro lançamento por homologação, nos termos do art.150, §4º, do CTN. 2. O julgamento do presente processo administrativo deve ser sobrestado, até que seja proferida decisão definitiva nos autos do Mandado de Segurança nº 0014309 59.2008.4.03.6100 (antigo n° 2008.61.00.0143091), nos termos do art.265, IV, do CPC. 3. Os valores que compõem o presente auto de infração estão eivados de inconstitucionalidade, em razão de ofensa ao princípio da referibilidade, no que diz respeito à majoração da alíquota da CSLL de 9% para 15% pela MP nº 413/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.727/2008. 3.1. A distinção da exigência da CSLL promovida pela MP nº 413/08 representa desrespeito ao princípio da solidariedade. 3.2. Considerando que o §9º, do art.195, da CF, teve sua redação alterada em 1998 pela Emenda Constitucional nº 20, sua regulamentação pela MP nº 413/08 é inconstitucional, por ofensa ao art.246, da CF. 3.3. Em relação ao anocalendário de 2008, a majoração de alíquota da CSLL deve ser afastada, já que ofende os princípios da irretroatividade e anterioridade. 4. Não merecem subsistir os juros de mora, pois não há atraso no recolhimento, visto que o crédito tributário está garantido por meio do depósito judicial, o qual está sujeito à respectiva atualização monetária. 4.1. Estando a matéria objeto do presente processo sub judice e com a exigibilidade suspensa por conta do depósito judicial dos valores em discussão, não há que se manter a exigência dos juros de mora. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 16327.721258/201242 Acórdão n.º 1401002.021 S1C4T1 Fl. 369 5 A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I. Abaixo reproduzo a ementa do Acórdão proferido pelo Colegiado a quo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. ALÍQUOTA DA CSLL. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias administrativas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CABIMENTO. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, mesmo na hipótese de crédito tributário sub judice. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, impondo à Administração impulsionar o processo até o seu término. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 JUROS DE MORA. CABIMENTO. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, calculados até a data do efetivo pagamento, seja qual for o motivo determinante da falta. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A Contribuinte foi cientificada do referido Acórdão em 25/03/2014, v. efls. 147, apresentando o seu Recurso Voluntário em 23/04/2014, v. efls. 228/260. Suas alegações no Recurso Voluntário são exatamente as mesmas proferidas quando da apresentação da impugnação, razão pela qual deixo de enunciálas, para não ser repetitivo. Afinal, vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 371DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Da impossibilidade de lançamento do crédito tributário suspenso por depósito judicial do montante integral Passo diretamente à apreciação da preliminar de nulidade do auto de infração em decorrência de pronunciamento do STJ, vazado no REsp nº 1140956/SP, da Relatoria do Ministro Luiz Fux, em que adotado o rito dos recursos repetitivos previsto no art. 543C do Código de Processo Civil. Segundo a Recorrente, os termos da referida decisão, combinado com o disposto no § 2º do art. 62 do Regimento Interno do CARF, levam à conclusão de que o Auto de Infração deve ser declarado nulo. Assim dispõe o aludido dispositivo do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Abaixo reproduzo a precitada decisão proferida pelo STJ: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. AÇÃO ANTIEXACIONAL ANTERIOR À EXECUÇÃO FISCAL. DEPÓSITO INTEGRAL DO DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO (ART. 151, II, DO CTN). ÓBICE À PROPOSITURA DA EXECUÇÃO FISCAL, QUE, ACASO AJUIZADA, DEVERÁ SER EXTINTA. 1. O depósito do montante integral do débito, nos termos do artigo 151, inciso II, do CTN, suspende a exigibilidade do Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16327.721258/201242 Acórdão n.º 1401002.021 S1C4T1 Fl. 370 7 crédito tributário, impedindo o ajuizamento da execução fiscal por parte da Fazenda Pública. (...) 2. É que as causas suspensivas da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN) impedem a realização, pelo Fisco, de atos de cobrança, os quais têm início em momento posterior ao lançamento, com a lavratura do auto de infração. 3. O processo de cobrança do crédito tributário encarta as seguintes etapas, visando ao efetivo recebimento do referido crédito: a) a cobrança administrativa, que ocorrerá mediante a lavratura do auto de infração e aplicação de multa: exigibilidade autuação; b) a inscrição em dívida ativa: exigibilidadeinscrição; c) a cobrança judicial, via execução fiscal: exigibilidade execução. 4. Os efeitos da suspensão da exigibilidade pela realização do depósito integral do crédito exequendo, quer no bojo de ação anulatória, quer no de ação declaratória de inexistência de relação jurídicotributária, ou mesmo no de mandado de segurança, desde que ajuizados anteriormente à execução fiscal, têm o condão de impedir a lavratura do auto de infração, assim como de coibir o ato de inscrição em dívida ativa e o ajuizamento da execução fiscal, a qual, acaso proposta, deverá ser extinta. 5. A improcedência da ação antiexacional (precedida do depósito do montante integral) acarreta a conversão do depósito em renda em favor da Fazenda Pública, extinguindo o crédito tributário, consoante o comando do art. 156, VI, do CTN, na esteira dos ensinamentos de abalizada doutrina, verbis: (...) 6. In casu, o Tribunal a quo, ao conceder a liminar pleiteada no bojo do presente agravo de instrumento, consignou a integralidade do depósito efetuado, às fls. 77/78: (...) 7. A ocorrência do depósito integral do montante devido restou ratificada no aresto recorrido, consoante dessumese do seguinte excerto do voto condutor, in verbis: (...) 8. In casu, o Município recorrente alegou violação do art. 151, II, do CTN, ao argumento de que o depósito efetuado não seria integral, posto não coincidir com o valor constante da CDA, por isso que inapto a garantir a execução, determinar sua suspensão Fl. 373DF CARF MF 8 ou extinção, tese insindicável pelo STJ, mercê de a questão remanescer quanto aos efeitos do depósito servirem à fixação da tese repetitiva. 9. Destarte, ante a ocorrência do depósito do montante integral do débito exequendo, no bojo de ação antiexacional proposta em momento anterior ao ajuizamento da execução, a extinção do executivo fiscal é medida que se impõe, porquanto suspensa a exigibilidade do referido crédito tributário. 10. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008." (grifei) Como visto, o entendimento firmado no Tribunal, adotado em acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC, não admite a lavratura de Auto de Infração para constituição de crédito tributário quando o respectivo tributo (objeto da autuação) encontrase com a exigibilidade suspensa em face de seu depósito integral. In casu, a Recorrente efetuou o depósito integral, fato este acolhido pela própria Autoridade Fiscal e pela Turma Julgadora a quo (v. efls.140). Portanto, os fatos ora em apreço se amoldam perfeitamente à decisão proferida pelo STJ, razão pela qual devese cancelar o Auto de Infração, dando provimento ao recurso da Contribuinte. Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, determinando o cancelamento do auto de infração na sua íntegra. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 374DF CARF MF
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Numero do processo: 12448.905172/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
PROCEDIMENTO DE COMPENSAÇÃO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXIGIBILIDADE.
Ao tempo de sua existência, o mandado de procedimento fiscal não era exigível para fins de instauração do procedimento de compensação.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
OFENSA À NORMA DE EXECUÇÃO CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. IMPROCEDÊNCIA.
Eventual desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 não constitui violação às garantias do contraditório e da ampla defesa.
DECISÃO RECORRIDA VICIADA. DÉFICIT DE TRANSPARÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. COMPREENSÃO DO CRITÉRIO DO JULGADOR. IMPROCEDÊNCIA.
Inexiste o alegado déficit de transparência na decisão recorrida, que se baseara em razoável critério para o cálculo do direito de crédito da recorrente, quando esta explicita que pôde compreender o critério empregado pela instância a quo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. VERIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. CTN, ARTIGOS 150, § 4º, ou 173, I. IMPROCEDÊNCIA.
A certificação da certeza e liquidez do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ não se submete às regras de decadência dos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE IRRF. CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE.
Não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de imposto de renda na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações coligidas das fontes de receitas permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, deve-se admitir o crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz o IRPJ devido e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de IRPJ.
Numero da decisão: 1301-002.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
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MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INEXIGIBILIDADE. Ao tempo de sua existência, o mandado de procedimento fiscal não era exigível para fins de instauração do procedimento de compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 OFENSA À NORMA DE EXECUÇÃO CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. IMPROCEDÊNCIA. Eventual desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 não constitui violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. DECISÃO RECORRIDA VICIADA. DÉFICIT DE TRANSPARÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. COMPREENSÃO DO CRITÉRIO DO JULGADOR. IMPROCEDÊNCIA. Inexiste o alegado déficit de transparência na decisão recorrida, que se baseara em razoável critério para o cálculo do direito de crédito da recorrente, quando esta explicita que pôde compreender o critério empregado pela instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. VERIFICAÇÃO. DECADÊNCIA. CTN, ARTIGOS 150, § 4º, ou 173, I. IMPROCEDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 90 51 72 /2 01 4- 13 Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.695 2 A certificação da certeza e liquidez do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ não se submete às regras de decadência dos artigos 173, I, e 150, § 4º, do CTN. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DE IRRF. CONSTATAÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. CRITÉRIO DA PROPORCIONALIDADE. Não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de imposto de renda na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações coligidas das fontes de receitas permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, devese admitir o crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz o IRPJ devido e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Amelia Wakako Morishita Yamamoto, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Flávio Franco Corrêa, Jose Eduardo Dornelas Souza, Milene de Araujo Macedo, Roberto Silva Junior e Bianca Felicia Rothschild. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada em contestação a Despacho Decisório, que homologou parcialmente a compensação declarada pelo PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361, e não homologou as compensações declaradas pelos PER/DCOMP nº 29994.78605.040210.1.7.020095 e nº 21688.27067.131011.1.7.029319, com vistas à efetivação de encontros de contas entre débitos tributários e crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre do ano calendário de 2008, no valor de R$ 524.413,58. Alega a recorrente que o saldo negativo supracitado é o total do IRPJ retido na fonte, no valor de R$ 524.413,58, tendo em conta que o IRPJ calculada na DIPJ é igual a zero, para o referido trimestre. Todavia, consta no Despacho Decisório, à fl. 11, que a Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.696 3 autoridade fiscal só confirmou a importância de R$ 74.771,06, a título de IRPJ retido na fonte. Assim, a autoridade fiscal apurou saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre de 2008 igual a R$ 74.771,06, o que não bastou para compensar integralmente o débito de IRRF – Rendimento do Trabalho Assalariado no País/ Ausente no Exterior a Serviço do País (código 05617), de R$ 323.773,50, conforme PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361. Nesses termos, não restou saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre de 2008 disponível para as compensações intentadas mediante os PER/DCOMP nº 05084.38536.220310.1.7.033008, 09179.54728.240310.1.3.032950 e 22332.51072.231112.1.3.033562. Com o julgamento da manifestação de inconformidade, proclamouse que o total de retenções na fonte alcançou a importância de R$ 421.156,55, por força do reconhecimento do crédito adicional de R$ 346.385,49, uma vez acolhidos “os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Assim, deduzindose o IRPJ devido no período (zero), determinouse que a recorrente dispunha de saldo negativo de IRPJ, para o primeiro trimestre de 2008, no valor de R$ 421.156,55 (R$ 421.156,55 – zero). Decisão de primeira instância assim ementada: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. RETENÇÃO NA FONTE. CRÉDITO. Tendo havido retenção na fonte de IRPJ, o correspondente saldo negativo pode ser utilizado como crédito para fins de compensação com outros tributos.” Ciência da decisão de primeira instância no dia 06/11/2015, à fl. 922. Recurso a este Colegiado às fls. 927/953, com entrada na repartição de origem no dia 07/12/2015, conforme fl. 927. Nessa oportunidade, aduz que é pessoa jurídica de direito privado, submetida ao regime de tributação com base no lucro real trimestral, e que apurou, no segundo trimestre de 2008, saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 524.413,58, oriundo de retenções efetuadas pelas fontes pagadoras, no total de R$ 524.413,58, de acordo com o indicado na DIPJ do exercício. Além disso, acrescenta o seguinte: 1) considerando aquele crédito, coubelhe transmitir, como de fato transmitiu, o PER/DCOMP n° 06009.05774.230310.1.7.023361, com objetivo de proceder ao encontro de contas necessário à extinção da dívida tributária; 2) não obstante a entrega regular do referido PER/DCOMP, tomou ciência de que o Despacho Decisório reconhecera parcialmente o crédito pleiteado, limitando o saldo negativo disponível de IRPJ do segundo trimestre de 2008 ao valor de R$ 74.771,06, sob a justificativa de que inexistia comprovação suficiente das retenções na fonte; 3) irresignada com o citado Despacho Decisório, apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade à primeira instância, perante a qual comprovou a efetiva existência do crédito informado no PER/DCOMP, mediante documentos hábeis e idôneos; Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.697 4 4) contudo, a DRJ julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendo um crédito adicional de R$ 346.385,49, o que implicou desprezar parte das retenções sofridas, por deixar de validar informações sobre o IRPJ retido na fonte, em função da aplicação do limite percentual de 80,31%, resultante da relação entre as receitas declaradas na DIPJ do exercício de 2009 (DIPJ/2009) e as receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras, para o mesmo anocalendário; 5) não é admissível a adoção do percentual de 80,31%, anteriormente citado, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal, com base em critério estimado, a limitar crédito proveniente de saldo negativo formado por retenções de tributo pela fonte pagadora de rendimentos, presumindo a inexistência de tributação na declaração; 6) a decisão recorrida valeuse da receita anual informada pelas DIRF, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo do IRPJ do segundo trimestre de 2008, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente; 7) o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração do IRPJ do segundo trimestre de 2008 sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142, do CTN; 8) qualquer questionamento a respeito do valor apurado no anocalendário de 2008, no que diz respeito aos elementos da formação da base de cálculo e das informações escrituradas na DIPJ correspondente, deveria observar o prazo decadencial de cinco anos, à luz do artigo 150, § 4o, CTN; 9) a autoridade julgadora jamais demonstrou como encontrara os valores que embasaram a decisão recorrida, pois simplesmente alegou que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que havia diferenças, embora, pelo exame das DIRF anexadas aos autos, seja inviável localizar os valores apresentados; 10) nas referidas DIRF, verificase que os valores indicados se referem ao total de impostos e contribuições retidos no anocalendário de 2008. Podese ver que não há como verificar os valores referentes ao segundo trimestre do mesmo anocalendário; 11) impõese que se afaste o mencionado limitador, reconhecendose o crédito na integralidade, diante da ausência de fundamentação legal para a aplicação deste critério, até porque a recorrente comprova, por meio da documentação acostada, a existência do crédito relativo ao segundo trimestre do anocalendário de 2008; 12) uma vez atribuída à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento do IRPJ, o contribuinte não fica obrigado ao recolhimento do tributo já retido pela fonte pagadora, podendo deduzir o valor do imposto retido em sua declaração de rendimentos, em consonância com o entendimento exarado no Parecer Normativo nº 1/2002, com base no qual expediuse a Solução de Consulta Cosit nº 377/2014, que dispõe no sentido de que, “na hipótese de a compensação ser considerada não homologada ou não declarada, eventual cobrança do débito retido e não extinto recairá exclusivamente sobre a fonte pagadora”; Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.698 5 13) a glosa de parte do valor oferecido à compensação sob a premissa de não confirmação do tributo retido pelas fontes pagadoras anula o direito creditório em questão, já que equivale a cobrar o imposto em dobro, considerando que este já foi retido na forma de antecipação pelo responsável tributário (fonte pagadora); 14) cabe ainda frisar o decurso do prazo decadencial para a revisão dos valores apurados, referentes ao saldo negativo da DIPJ/2009 e lançados em DCTF, já que transcorrido o interregno superior a cinco anos do fato gerador (31/12/2008); 15) podese afirmar que a ocorrência da decadência fulminou, de plano, a pretensão da autoridade fiscal de glosar o crédito pleiteado, porquanto, na data de ciência do Despacho Decisório (20/06/2014), já havia passado o prazo para a contestação do crédito apurado pela recorrente, na DIPJ/2009; 16) caso se entenda que a decadência que afeta o caso em pauta regerseia pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, ainda assim terá sido superado o prazo de cinco anos para a Fazenda Pública rever a apuração do ano calendário de 2008; 17) não bastassem os documentos já juntados, como as notas fiscais correspondentes aos maiores tomadores de serviços, a recorrente anexa ao presente recurso os extratos bancários do mesmo período, a fim de comprovar definitivamente a integralidade do crédito pleiteado; 18) à luz do extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto da nota fiscal, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário; 19) malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 346.385,49, em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois deixou de explicar o modo pelo qual apurou o valor do antedito adicional, já que se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos; 20) a respeito do subitem anterior, chama a atenção o fato de ter declarado crédito proveniente de retenções de imposto de renda, efetuadas pela fonte inscrita no CNPJ com raiz nº 33.781.055, no valor total de R$ 439.514,33 (R$ 300.535,48 + R$ 138.978,85), enquanto o julgador a quo só reconheceu o montante de R$ 413.280,34 (R$ 274.301,51 + R$ 138.978,83), sem justificar o critério e a metodologia de apuração do valor encontrado; 21) as DIRF juntadas aos autos pelo julgador denotam que os valores nelas indicados se referem ao total de impostos e contribuições retidos durante todo o ano calendário de 2008, por cada fonte pagadora, não sendo possível identificar os valores a título de IRRF relativos, apenas, ao segundo trimestre do anocalendário de 2008; 22) percebese, por conseguinte, a falta de transparência no critério utilizado pelo acórdão recorrido, o que impossibilitou a discussão das razões determinantes ao provimento parcial do crédito de R$ 524.413,5, declarado em PER/DCOMP; Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.699 6 23) a glosa de parte do valor oferecido à compensação sob a premissa de não confirmação do imposto de renda retido pelas fontes pagadoras anula o direito creditório em exame, já que equivale a cobrar o tributo em dobro, considerando que este já foi retido na forma de antecipação pelo responsável tributário (fonte pagadora); 24) em casos análogos, a jurisprudência administrativa pátria tem reiterado que, uma vez demonstrado o erro no preenchimento de documentos fiscais e constatada a existência do crédito, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, reconhecendose o crédito e homologada a compensação declarada; 25) mesmo quando o CARF não homologa diretamente as compensações transmitidas com equívocos materiais, este órgão julgador determina o retorno dos autos à DRF de origem, para que seja reapreciado o crédito postulado em PER/DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento; 26) caso o Colegiado entenda pela impossibilidade de apreciar o mérito, a recorrente deve ser chamada a demonstrar a legitimidade do crédito, porquanto a autoridade fiscal deixou de intimála para justificar as diferenças e apresentar documentos hábeis à comprovação de seu direito creditório, incorrendo em total violação ao princípio da verdade material, que rege o processo administrativo tributário; 27) não fosse assim, a Receita Federal do Brasil não teria editado a Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, a qual, ao definir procedimentos relativos ao tratamento de pedidos de restituição, ressarcimento e declarações de compensação formalizadas mediante PER/DCOMP, determinou que, nas verificações de divergências relacionadas ao crédito tributário utilizado nas declarações, a Receita Federal do Brasil deve previamente intimar o contribuinte a demonstrar a regularidade do crédito; 28) tal entendimento é corroborado pela jurisprudência administrativa, em consonância com o que se depreende do acórdão n° 1239.074, pelo qual a 7a Turma da DRJ/Rio de Janeiro anulou despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo n° 10725.900.095/200815, ao argumento de que a ausência de intimação do contribuinte para comprovar a regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação viola a Norma de Execução CODAC/COSIT/ COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007; 29) portanto, a expedição de Despacho Decisório sob o fundamento de que o crédito não seria suficiente, sem a prévia intimação ao contribuinte, ou mesmo a baixa dos autos para realização de diligência fiscal, incorre em nulidade, nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72 (Regulamento do Processo Administrativo Fiscal Federal reproduzido pelo art. 12, inciso II, do Decreto n° 7.574/11); 30) diante deste cenário, é preciso ressaltar que a autoridade fazendária deve obediência às regras positivadas, sejam elas estabelecidas por diplomas legais ou por atos normativos internos de conduta e execução, emanados dos órgãos da Administração Pública, como é o caso da Receita Federal do Brasil; 31) uma vez presentes os fatos acima expostos, não resta alternativa distinta da pronúncia de nulidade parcial da decisão recorrida, em face da violação aos princípios da verdade material, contraditório e ampla defesa, afora o descumprimento da Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007, motivos que impelem a Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.700 7 conversão do julgamento em diligência para que a recorrente seja intimada a provar a legitimidade da parcela do crédito vindicado não reconhecida pelo acórdão recorrido; 32) por todo o exposto, a recorrente requer: (a) seja admitido, processado e julgado o presente recurso voluntário, produzindo os efeitos que lhe são próprios, com a suspensão da exigibilidade de todos os créditos tributários objeto de compensação com crédito de saldo negativo de IRPJ do 2º trimestre de 2008, mormente aqueles do processo de cobrança nº 12448.905724/201485; (b) sejam acolhidas as razões ora aduzidas, a fim de que se reconheça o direito creditório ora discutido, homologandose integralmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 21683.27067.131011.1.7.029319, cancelandose os valores apontados como devidos no processo de cobrança nº 12448.905724/201485, pelos seguintes motivos: b.1) decurso do prazo decadencial de a Fazenda Pública glosar o aludido crédito; b.2) impossibilidade de utilização do limitador de 80,31% estimado e definido pelo julgador, haja vista a inexistência de previsão legal; b.3) violação aos princípios da confiança legítima, verdade material, legalidade, razoabilidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, eficiência e impossibilidade de enriquecimento sem causa, que regem o processo administrativo fiscal; e (c) caso se entenda pela impossibilidade de julgamento do mérito, seja determinado o retorno dos autos à DRJ para o efetivo exame dos documentos juntados aos presentes autos, relativamente à parcela do crédito não reconhecido pelo acórdão recorrido e, em cumprimento à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/CACAJ/ COTEC Nº 6/ 2007, seja convertido em diligência o presente julgamento, de forma que haja intimação da recorrente para demonstrar a legitimidade dos créditos, declarandose parcialmente nulo o acórdão recorrido na parcela que não reconhece o direito do crédito da recorrente. É o relatório. Voto Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.701 8 Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator Na interposição do recurso voluntário, foram observados os requisitos de recorribilidade. Dele conheço. Primeiramente, a questão alusiva à decadência estabelecida no § 4º do artigo 150 do CTN, para "qualquer questionamento a respeito do valor apurado no anocalendário de 2008, bem como dos elementos da formação da base de cálculo e das informações escrituradas na DIPJ correspondente". Para o deslinde da questão, mostrase necessário descortinar que o PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361 foi transmitido pela recorrente no dia 23/03/2010 (fl. 830), em retificação ao PER/DCOMP nº 16702.53307.170109.1.3.028364, com vistas à compensação entre o alegado crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre do anocalendário de 2008, no valor de R$ 524.413,58, e o débito de IRRF (código 05617), de dezembro 2008, na importância de R$ 304.877,22. A diferença entre o crédito e o débito mencionados, de R$ 219.536,36 (R$ 524.413,58 – R$ 304.877,22), também foi objeto de compensação com débitos tributários informados nos PER/DCOMP nº 29994.78605.040210.1.7.020095 e nº 21688.27067.131011.1.7.029319, conforme fl.901 e 905. A compensação veiculada por PER/DCOMP pode se tornar definitiva, por homologação tácita, após o intervalo de cinco anos, contados da data da transmissão do documento que a veicula, na forma do § 5º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996: “Art. 74 ...... .................. 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” Levandose em conta que a transmissão do PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361 data de 23/03/2010, a homologação tácita da compensação por ele veiculada só poderia ocorrer em 23/03/2015. Entretanto, o Despacho Decisório, à fl. 11, data de 04/06/2014, cientificado à recorrente no dia 20/06/2014, à fl. 851. Nesses termos, revelase patente que não houve homologação tácita da compensação declarada, pois a autoridade fiscal agiu dentro do lapso temporal de que dispunha para revêla. E se podia revêla dentro desse interregno, podia averiguar a certeza e a liquidez do crédito oferecido ao encontro de contas. Porém, nada nos autos demonstra que autoridade fiscal tenha alterado a base de cálculo do tributo, efetuando adição de receitas omitidas ou de despesas ou custos indedutíveis, como também não há o que aponte a efetivação de recálculo do tributo devido, por ato de ofício, com a aplicação de alíquota ou coeficiente de apuração distinto daquele que fora empregado pela recorrente. Enfim, nada nos autos denota que houve lançamento tributário, como tal definido "o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível", nos termos do artigo 142 do CTN. Distintamente, o que se vê nos autos é a atuação da autoridade fiscal em busca da comprovação dos créditos que a recorrente registrou como antecipação do tributo devido apurado na DIPJ. Por conseguinte, é descabida a afirmação de Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.702 9 que a autoridade fiscal burlou a regra decadencial do artigo 150, § 4º, do CTN, ou do artigo 173, inciso I, do mesmo Código. Tal argumento tem o objetivo de iludir o julgador, desviando o para um tema que não diz respeito ao fenômeno jurídico ocorrido. Em face, pois, do exposto, proponho a rejeição da preliminar de decadência. Quanto ao tema seguinte, defende a recorrente que o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração do IRPJ do segundo trimestre de 2008, sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142, do CTN. Antes de tudo, vale salientar que o mandado de procedimento fiscal (MPF), hoje extinto, foi instituído pelo artigo 2º do Decreto n° 3.724/2001, cuja redação, na época da expedição do Despacho Decisório, já havia sido alterada pelo Decreto nº 6.104/2007 (já revogado), verbis: “Art. 2o Os procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil serão executados, em nome desta, pelos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil e somente terão início por força de ordem específica denominada Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído mediante ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Redação dada pelo Decreto nº 6.104, de 2007)” Na ocasião, coube aos artigos 2º e 3º da Portaria RFB nº 3.014/2011 (revogada pela Portaria RFB nº 1.687/2014) a regulação das espécies de MPF e dos tipos de procedimentos fiscais sujeitos a controle mediante mandado: “Art. 2º Os procedimentos fiscais no âmbito da RFB serão instaurados com base em Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e deverão ser executados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, observada a emissão de: I Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (MPFF), para instauração de procedimento de fiscalização; e II Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência (MPFD), para realização de diligência. Art. 3º Para fins desta Portaria, entendese por procedimento fiscal: I de fiscalização, as ações que objetivam a verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela RFB, bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior, podendo resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais; e II de diligência, as ações destinadas a coletar informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual. Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.703 10 Parágrafo único. O procedimento fiscal poderá implicar a lavratura de auto de infração, a notificação de lançamento ou a apreensão de documentos, materiais, livros e assemelhados, inclusive por meio digital. No que tange à natureza do MPF, consolidouse na jurisprudência administrativa o entendimento de que tal instrumento constituía mero meio de controle administrativo, despido, como tal, “de aptidão para interferir no procedimento fiscal regulado pelo Decreto nº 70.235/1972, como também carecia de força jurídica suficiente à subtração do poder de fiscalização conferido à autoridade fiscal por ato normativo aprovado pelo Parlamento, no curso de devido processo legislativo” (acórdão nº 1301002.102, 1ª TO/3ª CA/1ª SJ, relator Conselheiro Flávio Franco Corrêa). Quanto à aplicação do MPF, é preciso precedentemente distinguir que o procedimento de compensação abarca atos relacionados entre si e encadeados numa sequência lógica com vistas à extinção do crédito tributário já constituído, ao passo que o MPF se destinava ao controle dos designados: (i) procedimentos de fiscalização, assim considerados os trabalhos fiscais de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, por parte do sujeito passivo, relativas aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), bem como da correta aplicação da legislação do comércio exterior. Essas verificações são aquelas que podem resultar em lançamento de ofício com ou sem exigência de crédito tributário, apreensão de mercadorias, representações fiscais, aplicação de sanções administrativas ou exigências de direitos comerciais (artigo 3º, inciso I, da Portaria RFB nº 3.014/2011); e (ii) procedimentos de diligência, assim chamadas os trabalhos fiscais voltados à coleta de informações ou outros elementos de interesse da administração tributária, inclusive para atender exigência de instrução processual (artigo 3º, inciso II, da Portaria RFB nº 3.014/2011). Destaquese do exposto que o procedimento de compensação não visa à constituição de crédito tributário, porque só os créditos tributários já constituídos podem ser compensados. Por outro lado, a lei estabelece que o sujeito passivo deve ser punido com a multa isolada, quando se comprove falsidade da declaração apresentada, na forma do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Logicamente, a multa em referência deve ser aplicada após a conclusão do procedimento de compensação. Ou seja, uma vez constatada a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, deve a autoridade fiscal, ao cabo do procedimento de compensação, determinar a abertura de procedimento de fiscalização para a imposição da multa isolada. Assim, é preciso salientar que o procedimento de compensação não resulta em lançamento de ofício, porque se esgota com a decisão sobre a compensação pretendida. Portanto, procedimento de compensação não se confunde com Fl. 1703DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.704 11 procedimento de fiscalização. Este pode decorrer daquele, quando for constatada a falsidade da declaração apresentada. Entretanto, não é de se estranhar que, no curso do procedimento de compensação, o sujeito passivo ou terceiros sejam intimados a prestar esclarecimentos. Nessas circunstâncias, o procedimento de compensação pode dar ensejo à abertura de procedimento de diligência para a obtenção de informações necessárias à conclusão do procedimento de compensação. Aí o que se vê é a instrumentalidade do procedimento de diligência, pois este, nessas situações, apenas se destina à conclusão do procedimento de compensação. Diante disso, realçase a improcedência do argumento de que o acórdão recorrido criou metodologia de fiscalização não prevista em lei, ao tentar modificar a apuração do IRPJ do segundo trimestre de 2008, sem que tenha havido a emissão de mandado de procedimento fiscal específico, em respeito às regras do processo administrativo fiscal, nos termos do art. 142 do CTN. Como adiantado, não houve procedimento de fiscalização, porque não se verificou o cumprimento da legislação tributária, mas apenas se havia prova de retenções de imposto de renda na fonte em montante suficiente à formação do saldo negativo informado. E de modo algum alterouse o IRPJ apurado na DIPJ. Tudo o que se fez não foi além de averiguar se as retenções de imposto de renda na fonte superavam, ou não, o IRPJ que o próprio sujeito passivo apurou em sua DIPJ. Assim vistos os fatos, rejeitase a preliminar arguida. Avançando, no passo subsequente, à questão referente à suposta violação às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. A Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007 é mera norma interna corporis que disciplina, no âmbito do órgão fiscal, a atuação de vários agentes que intervêm no procedimento de compensação. De modo algum podese acolher a tese de que o eventual desrespeito a tal disciplina administrativa reflita possível violação às garantias do contraditório e da ampla defesa. Como é cediço, no procedimento de compensação, o direito ao contraditório e à ampla defesa nasce apenas no momento em que a autoridade fiscal não homologa a compensação declarada pelo contribuinte, conforme § 9º do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, introduzido pela Lei nº 10.833/2003, verbis: “Art. 74 ....... § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) E mais: a teor do § 10 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, cabe recurso ao CARF da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Já por força do § 11 do citado artigo 74 da Lei nº 9.430/1996, é lícito afirmar que o recurso voluntário ao CARF e a manifestação de inconformidade são espécies do recurso previsto no inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional, além de se submeterem ao rigor do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Fl. 1704DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.705 12 § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) A linha diretiva que ressai dos §§ 9º a 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996 está espelhada no artigo 119, caput e §§, do Decreto nº 7.574/2011: “Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). § 1o Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 10, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17; Decreto no70.235, de 1972, art. 25, inciso II, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). § 2o A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam o caput e o § 1o obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento), e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 11, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). Como se vê, há um conjunto de regras jurídicas que instituiu, no plano legal, o esquema das garantias do contraditório e da ampla defesa plasmadas no texto constitucional, especificamente direcionadas à efetivação do diálogo entre o Estado Fiscal e o administrado, quando este manifesta que pretende compensar, na forma prevista em lei, débitos tributários e supostos créditos em face do mesmo Estado. Nesse esquema, o desenhista institucional estabeleceu que a decisão que não homologa, total ou parcialmente, a compensação declarada pode ser contestada, não os atos anteriores a ela. Portanto, é descabida a assertiva de que a ausência de intimação do contribuinte, destinada à comprovação da regularidade do crédito utilizado em procedimento de compensação, deve acarretar a pronúncia de invalidade da decisão recorrida, por cerceamento ao contraditório e à ampla defesa, tendo em conta que, no esquema legal de defesas do contribuinte, o direito à manifestação de inconformidade não surge antes da emissão da decisão não homologatória da compensação. Tal é o juízo a ser proferido com suporte nos aludidos preceitos normativos, embora exista outra perspectiva que também acena para idêntica conclusão. Reparese: as disposições normativas do artigo 74, caput e §§ 1º, 2º e 5º da Lei nº 9.430/1996 permitem asselar que a transmissão do PER/DCOMP é um ato material pelo qual o contribuinte manifesta a vontade consciente de efetuar a compensação entre débitos e créditos tributários, desde logo concretizada, tal a simultaneidade da execução do ato (transmissão do PER/DCOMP) com os efeitos compensatórios imediatamente gerados, embora a definitividade de tais efeitos esteja Fl. 1705DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.706 13 condicionada à homologação da compensação pela autoridade fiscal, que dispõe do lapso temporal de cinco anos para realizála, sob pena de homologação tácita. Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Por sua vez, a homologação é um ato administrativo mediante o qual a autoridade estatal examina a legalidade de um ato anterior. Nesse cenário, a homologação não tácita da compensação tributária declarada não dispensa a certificação, pela autoridade homologante, da existência e da suficiência do crédito alegado. Essa certificação implica verificação dos supostos fatos geradores do crédito, o que é executado ao longo de uma etapa logicamente antecedente à homologação. Como já foi dito, o direito ao contraditório e à ampla defesa surge apenas após a edição do ato administrativo que não homologa a compensação declarada. Logo, as verificações anteriores ao ato final da autoridade homologante, enquanto atos despidos de conteúdo decisório, não se submetem às determinações legais que fixaram o contraditório e a ampla defesa. Em outras palavras, antes do despacho decisório da autoridade com atribuição para a homologação da compensação declarada, o trabalho fiscal percorre uma fase administrativa de índole inquisitória, indispensável ao exame da legalidade do declarado encontro de contas. Assim, não procede a tese defensiva que advoga a prática de ato atentatório às garantias do contraditório e da ampla defesa, por desrespeito à Norma de Execução CODAC/COSIT/COFIS/COCAJ/COTEC n° 6/2007. Na questão subsequente, a recorrente salienta que, malgrado o reconhecimento do crédito adicional de R$ 346.385,49, em sede de primeira instância, a autoridade julgadora a quo não foi transparente na prolação da decisão recorrida, pois se limitou a dizer que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que os valores retidos seriam diversos. A tal respeito, examinando a decisão recorrida, à fl. 876, vislumbrase o seguinte trecho do voto onde o relator da instância a quo conecta os fatos apurados à decisão tomada em relação a cada uma das fontes pagadoras, registrando, no quadro anexo, o resultado da análise por ele efetuada: Fl. 1706DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.707 14 “Tendose (sic) em vista as “Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas” constantes do detalhamento da análise de crédito referido no parágrafo anterior e em face da manifestação, fezse a comparação dos valores nela indicados e que não foram confirmadas ou o foram parcialmente no despacho decisório, com as Dirfs apresentadas pelas fontes pagadoras informadas (fls. 862 a 873). O valor efetivamente comprovado, já deduzido do reconhecido parcialmente no despacho decisório (considerado o valor zero para o caso de valor reconhecido nesse despacho ser maior do que o confirmado em Dirf), consta na última coluna de quadro ao final deste voto (fls. 877 e 878). Conforme destacado no referido quadro, foram aceitos os valores informados em Dirfs das fontes pagadoras, mesmo que com códigos de arrecadação e CNPJs diversos dos indicados na manifestação e na Dcomp, desde que o código seja relativo ao tributo em tela e os CNPJs básicos sejam coincidentes.” Com o trecho acima reproduzido, o relator da instância a quo expôs os critérios e a metodologia empregados na elaboração do quadro anexo ao acórdão recorrido, que apresenta a configuração abaixo: Fl. 1707DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.708 15 Fl. 1708DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.709 16 Está claro que o acórdão recorrido admitiu todos os valores declarados em DIRF, independentemente (i) do código de retenção e (ii) da distinção entre CNPJ da matriz e CNPJ de filial. Também não há dúvida de que, confirmandose a retenção em DIRF, o acórdão recorrido limitouse ao valor que fora aposto no PER/DCOMP, quando este era inferior ao valor confirmado em DIRF, o que está correto, pois o julgador não pode alterar o planejamento do contribuinte, aumentando, ex officio, o montante do crédito a ser compensado, cujo aproveitamento se submete a prazo prescricional. Percebase, nesses termos, a aglutinação de todas as retenções, independentemente de código, no que toca ao CNPJ com raiz nº 33.781.055, a traduzir um bloco de um mesmo CNPJ. Por todas essas razões, o acórdão recorrido autorizaria o crédito de R$ 413.280,34 (R$ 274.301,51 + R$ 138.978,83), em relação a este CNPJ com raiz nº 33.781.055, não fosse o limitador de 80,31 %. Não obstante o exposto acima, a apreciação do suscitado vício de transparência ainda reclama o exame de outros aspectos trazidos à baila, na peça recursal. Nessa toada, diz a recorrente que não é admissível a adoção do percentual de 80,31%, resultante da relação entre as receitas declaradas na DIPJ do exercício de 2009 (DIPJ/2009) e as receitas informadas em DIRF pelas fontes pagadoras, para fins de aferir o crédito proveniente do saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre do anocalendário de 2008, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal a realizar tal Fl. 1709DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.710 17 inferência com base em estimativa. Também sustenta que, para proceder ao cálculo mencionado, a decisão recorrida valeuse da receita anual informada pelas DIRF, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo do IRPJ do segundo trimestre de 2008, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente. Nesse contexto, defende que a autoridade julgadora jamais demonstrou como encontrara os valores que embasaram a decisão recorrida, pois simplesmente alegou que verificara, nas DIRF dos tomadores de serviços, que havia diferenças, embora os valores indicados nessas DIRF se refiram ao total de impostos e contribuições retidos no ano calendário de 2008. Assim, não seria possível verificar os valores referentes ao segundo trimestre do mesmo anocalendário, a acarretar o afastamento do mencionado limitador, reconhecendose o crédito na integralidade, diante da ausência de fundamentação legal para a aplicação deste critério, até porque haveria prova, por meio da documentação acostada, da existência do crédito relativo ao segundo trimestre do anocalendário de 2008. Com efeito, podese ver que a própria recorrente menciona, à fl. 930, que o percentual de 80,31 % decorre da relação entre o total das receitas declaradas em DIPJ, para os quatro trimestres de 2008, e o total da receita anual informada em DIRF, para o mesmo período. Portanto, não há o indigitado déficit de transparência que poderia comprometer a efetividade da defesa. Diante disso, propõese a rejeição da nulidade suscitada. Em face do exposto, rejeitamse as nulidades requeridas. Agora, passando ao exame do mérito, constatase que a decisão recorrida valeuse de um critério segundo o qual o crédito decorrente das retenções de imposto de renda na fonte não pode ultrapassar a relação percentual entre a receita anual declarada na DIPJ e a receita anual informada nas DIRF. No caso concreto, a receita anual declarada na DIPJ correspondeu a 80,31 % da receita anual informada em DIRF. Tal percentual foi aplicado pela instância julgadora a quo sobre o total das retenções da imposto de renda na fonte, declarado no PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361, no valor de R$ 524.413,58, apurando se o crédito de saldo negativo de IRPJ disponível para compensação, na importância de R$ R$ 421.156,55. Segundo a recorrente, não é admissível a adoção do percentual anteriormente citado, pois inexiste na legislação tributária disposição normativa que autorize o agente fiscal, com base em critério estimado, a limitar o crédito proveniente de saldo negativo formado por retenções de tributo pela fonte pagadora de rendimentos, presumindo a inexistência de tributação na declaração. Além disso, a defesa destaca que a decisão recorrida balizouse pela receita anual, quando deveria ter considerado receitas e retenções relativas ao saldo negativo do IRPJ do segundo trimestre de 2008, em consonância com o regime de tributação trimestral adotado pela recorrente. A recorrente pleiteia o reconhecimento do crédito indicado no PER/DCOMP nº 06009.05774.230310.1.7.023361, escorandose nas provas documentais juntadas na impugnação e no recurso voluntário, a partir das quais alega que, como traduz o extrato da conta corrente, em anexo, o valor bruto das notas fiscais acostadas aos autos, descontando as retenções, equivale ao valor pago à recorrente, razão por que o Fisco Federal não pode, sob pena de enriquecimento sem causa, cobrar algo que já foi retido pelas tomadoras de serviços e recolhidos ao Erário, afinal a retenção do imposto de renda na fonte é forma de antecipação do IRPJ devido ao final do trimestre. Nessas circunstâncias, assinala que as consequências da omissão das pessoas jurídicas tomadoras de serviço que não apresentaram DIRF devem ser Fl. 1710DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.711 18 imputadas às próprias fontes responsáveis pelos pagamentos efetuados em benefício da recorrente, jamais à beneficiária. Diante dos argumentos da recorrente, é necessário sublinhar os seguintes fatos, que devem ser levados em conta: 1) as cópias de notas fiscais reunidas na impugnação, às fls. 28/826, não estão acompanhadas dos respectivos lançamentos contábeis e de extratos bancários aptos a comprovar o recebimento do valor bruto do preço do serviço prestado, descontado do imposto de renda retido na fonte. Tal evidência afasta, por si só, a utilidade dessas notas fiscais para os fins esperados pela recorrente. Isso porque, ainda que as fontes pagadoras das receitas não tenham transmitido a DIRF, admitese a comprovação do tributo retido na fonte à vista dos registros contábeis acompanhados da nota fiscal (ou fatura) respectiva e do recebimento do valor líquido. Confirase: “RETENÇÕES DE IMPOSTO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. Na hipótese de a fonte pagadora não fornecer o comprovante anual de retenção, sua prova pode se dar por meio dos registros contábeis do beneficiário, acompanhados da nota fiscal ou fatura e da comprovação do valor líquido quitado pela fonte pagadora.” (Acórdão nº 1101000.988 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária – sessão de 10/10/2013, rel. Conselheira Edeli Pereira Bessa) Ressaltase do julgado selecionado a exigência de comprovação da entrada de divisas, o que não se revela factível sem o lastro de terceira pessoa, afinal “ninguém pode constituir título de prova a favor de si mesmo, porque é justificável a suspeita de que quem afirma, ou negue, um dado de fato o faça, ainda que contra a realidade, porém unicamente para favorecer seu próprio interesse”1; 2) já as cópias de notas fiscais inseridas nos autos no recurso voluntário, às fls. 1020/1678, não estão acompanhadas dos registros contábeis das receitas recebidas e do crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, o que é imprescindível para a demonstração da existência do crédito e da comprovação de que este decorre da retenção sobre receita contabilizada e submetida à tributação do IRPJ na DIPJ. O imposto de renda retido na fonte poderá formar o saldo negativo a ser restituído ou compensado, sabendose que este saldo negativo é o excedente das deduções legais (nas quais se inclui o imposto de renda retido na fonte), em relação ao IRPJ devido, apurado na DIPJ. Ora, o cômputo, entre os créditos, do imposto de renda retido na fonte, que incidiu sobre rendimento sonegado à tributação do IRPJ na DIPJ, aumenta indevidamente o saldo negativo. Por isso, surgidos os indícios do recolhimento de imposto de renda retido na fonte, a autoridade se depara com o pressuposto lógico da restituição/compensação da respectiva importância: a submissão da receita tributada na fonte ao IRPJ apurado na DIPJ, pois, não sendo assim, podese incorrer no erro de se deferir a compensação de imposto de renda incidente sobre receita não tributada na DIPJ. Aliás, tal questão é de ordem pública, já que, em nome do interesse público, impõese a necessária cautela, vedandose a restituição de qualquer valor a título de imposto de renda excedente, se não restar comprovado que ocorreu a 1 MESSINEO apud SEIXAS FILHO, Aurélio Pitanga. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo Tributário – Função Fiscal, 2ª ed.. Rio de Janeiro: Forense, 1996, p. 56. Fl. 1711DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.712 19 tributação da receita na DIPJ. Consignese que esta Turma já registra precedente em sua jurisprudência, verbis: "RESTITUIÇÃO. IRRF.COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DO RENDIMENTO. Negase a restituição do imposto de renda retido na fonte se o requerente não comprovar que submeteu à tributação do IRPJ o rendimento sobre o qual incidiu a retenção." (Acórdão nº 1301002.075, relator Cons. Flávio Franco Corrêa) Tal entendimento está em sintonia com a Súmula Carf nº 80: “Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto.” Considerando, pois, todo o arcabouço probatório, não há necessidade de diligências. Estas só se justificam quando existe dúvida a ser solucionada, o que não se confunde com a carência de prova do alegado. Ademais, não há censura ao critério empregado pelo julgador de primeira instância, que se valeu da proporção entre a receita total anual, informada em DIRF pelas fontes retentoras do imposto de renda, e o total anual informado pela recorrente em sua DIPJ. Digase, a propósito, que esta Turma registra decisão recente compatível com a posição ora assumida: "IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RENDIMENTOS PARCIALMENTE OFERECIDOS À TRIBUTAÇÃO. PROPORCIONALIDADE. É direito do sujeito passivo computar, no saldo negativo apurado ao final do exercício, o imposto retido as sobre as receitas de aplicação financeira efetivamente contabilizadas e reconhecidas na base de cálculo, pois o tributo não pode ser utilizado como sanção pela omissão parcial de receitas, nos termos do art. 3º do CTN, respeitado o princípio da proporcionalidade." (acórdão nº 1301002.483, relator Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza) O cotejo entre os dados da DIPJ e das DIRF fez surgir o indício de receitas omitidas. Obviamente, não se pode reconhecer o crédito decorrente das retenções de imposto de renda na fonte incidente sobre a totalidade da receita auferida, já que o cotejo de informações permitiu a conclusão de que parte desse total não foi tributado na declaração. Nessa situação, devese admitir o crédito decorrente do imposto de renda retido na fonte, na proporção das receitas tributadas na DIPJ, tendo em conta que a sonegação de receitas tributáveis na DIPJ reduz o IRPJ devido e, por consequência, aumenta indevidamente o saldo negativo de IRPJ. Desse modo, o estabelecimento de um limite ao crédito derivado do imposto de renda retido na fonte, equivalente à proporção das receitas tributadas na DIPJ, obsta a Fl. 1712DF CARF MF Processo nº 12448.905172/201413 Acórdão n.º 1301002.546 S1C3T1 Fl. 1.713 20 dedução de parcela do imposto de renda retido na fonte incidente sobre as receitas sonegadas à tributação do IRPJ na DIPJ Também não há incompatibilidade entre a aplicação de um redutor do crédito fundado na proporção da receita total anual e as retenções trimestrais de imposto de renda na fonte, desde que o anocalendário considerado no cálculo da proporção das receitas tributadas na DIPJ abarque o período trimestral das retenções objeto da compensação declarada. De acordo com essa linha de raciocínio, a recorrente deve fazer jus a um montante de crédito originário das retenções de imposto de renda na fonte na mesma proporção de 80,31 %, aplicado sobre o valor anual total das retenções comprovadas. Acontece, porém, que o total anual confirmado em DIRF das retenções de imposto de renda, segundo a instância julgadora a quo, é igual a R$ 424.430,10, conforme fl. 878. Tal montante compreende as retenções de imposto de renda na fonte sobre receitas tributadas na DIPJ, bem como as retenções de imposto de renda na fonte sobre receitas sonegadas à tributação na DIPJ. Logo, o crédito da recorrente, derivado das retenções de imposto de renda na fonte sobre as receitas submetidas ao IRPJ apurado na DIPJ, deve ser calculado na proporção de 80,31 %, resultando na quantia de R$ 340.859,81. Entretanto, o Despacho Decisório já reconheceu o crédito proveniente de retenção de imposto de renda na fonte na importância de R$ 74.771,06, enquanto a autoridade julgadora de primeira instância garantiu uma parcela de crédito adicional de R$ 346.385,49, totalizando o montante de R$ 421.156,55. Portanto, a recorrente já assegurou o reconhecimento de saldo negativo de IRPJ do segundo trimestre do anocalendário de 2008 na importância de R$ 421.156,55, valor superior àquele que lhe seria devido, como resultado da aplicação do percentual de 80,31 % sobre o total das retenções do imposto de renda na fonte, informadas em DIRF. Diante de tais conclusões, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1713DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.016792/2005-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Aug 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002
COFINS. ISENÇÃO DOS ARTS. 13 C/C 14, INCISO X DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.518-35 DE 2001. RESTRIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PELO §2°, ART. 47, INSRF N. 247/2002 NÃO PREVISTAS NO TEXTO LEGAL.
O §2°, do art. 47, INSRF n. 247/2002 ao determinar o alcance do conceito de receitas decorrentes de atividades próprias, extrapolou norma isentiva, ao restringi-la apenas aos ingressos decorrentes de aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores.
As receitas de mensalidades escolares de sociedade civil, filantrópica, sem fins lucrativos e que tem por finalidade proporcionar educação integral em todos os níveis, e assistência social, estão abrangidas pela norma isentiva.
COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI9.718/98
No RE 585235, a questão foi julgada sob a sistemática de repercussão geral, sendo, portanto, de aplicação obrigatória por este Colegiado, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e implica afastar as receitas financeiras.
COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. AUSÊNCIA DE DECISÃO DO STF. RE 599.658/SP. RECEITA NÃO ALCANÇADA PELA ISENÇÃO DO INCISO X, MP 2.158/2001.
A incidência de PIS e Cofins sobre receitas provenientes de locação de imóveis é tema (nº 630) de repercussão geral no STF, não se confundido pois com aquelas exoneradas com a decisão exarada no RE 585235.
A isenção prevista no inciso X, do art. 14 da MP nº 2.158/2001 não abrange atividades de locação de imóveis por não se caracterizar atividade própria da entidade de educação.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3201-002.884
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade dar parcial provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (relatora), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que davam provimento integral ao recurso voluntário. Designado para o voto vencedor e formalização do Acórdão o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, a Advogada Marina Santana Oliveira de Sá, OAB/MG nº 132.791
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: ANA CLARISSA MASUKO DOS SANTOS ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 COFINS. ISENÇÃO DOS ARTS. 13 C/C 14, INCISO X DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.518-35 DE 2001. RESTRIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PELO §2°, ART. 47, INSRF N. 247/2002 NÃO PREVISTAS NO TEXTO LEGAL. O §2°, do art. 47, INSRF n. 247/2002 ao determinar o alcance do conceito de receitas decorrentes de atividades próprias, extrapolou norma isentiva, ao restringi-la apenas aos ingressos decorrentes de aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores. As receitas de mensalidades escolares de sociedade civil, filantrópica, sem fins lucrativos e que tem por finalidade proporcionar educação integral em todos os níveis, e assistência social, estão abrangidas pela norma isentiva. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI9.718/98 No RE 585235, a questão foi julgada sob a sistemática de repercussão geral, sendo, portanto, de aplicação obrigatória por este Colegiado, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e implica afastar as receitas financeiras. COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. AUSÊNCIA DE DECISÃO DO STF. RE 599.658/SP. RECEITA NÃO ALCANÇADA PELA ISENÇÃO DO INCISO X, MP 2.158/2001. A incidência de PIS e Cofins sobre receitas provenientes de locação de imóveis é tema (nº 630) de repercussão geral no STF, não se confundido pois com aquelas exoneradas com a decisão exarada no RE 585235. A isenção prevista no inciso X, do art. 14 da MP nº 2.158/2001 não abrange atividades de locação de imóveis por não se caracterizar atividade própria da entidade de educação. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade dar parcial provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (relatora), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que davam provimento integral ao recurso voluntário. Designado para o voto vencedor e formalização do Acórdão o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, a Advogada Marina Santana Oliveira de Sá, OAB/MG nº 132.791 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo- Relatora (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira - Redator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
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ISENÇÃO DOS ARTS. 13 C/C 14, INCISO X DA MEDIDA PROVISÓRIA N° 2.51835 DE 2001. RESTRIÇÕES PARA FRUIÇÃO DA ISENÇÃO PELO §2°, ART. 47, INSRF N. 247/2002 NÃO PREVISTAS NO TEXTO LEGAL. O §2°, do art. 47, INSRF n. 247/2002 ao determinar o alcance do conceito de “receitas decorrentes de atividades próprias”, extrapolou norma isentiva, ao restringila apenas aos ingressos decorrentes de “aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores”. As receitas de mensalidades escolares de sociedade civil, filantrópica, sem fins lucrativos e que tem por finalidade proporcionar educação integral em todos os níveis, e assistência social, estão abrangidas pela norma isentiva. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI9.718/98 No RE 585235, a questão foi julgada sob a sistemática de repercussão geral, sendo, portanto, de aplicação obrigatória por este Colegiado, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e implica afastar as receitas financeiras. COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE LOCAÇÃO DE IMÓVEIS. AUSÊNCIA DE DECISÃO DO STF. RE 599.658/SP. RECEITA NÃO ALCANÇADA PELA ISENÇÃO DO INCISO X, MP 2.158/2001. A incidência de PIS e Cofins sobre receitas provenientes de locação de imóveis é tema (nº 630) de repercussão geral no STF, não se confundido pois com aquelas exoneradas com a decisão exarada no RE 585235. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 67 92 /2 00 5- 07 Fl. 761DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 94 2 A isenção prevista no inciso X, do art. 14 da MP nº 2.158/2001 não abrange atividades de locação de imóveis por não se caracterizar atividade própria da entidade de educação. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade dar parcial provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo (relatora), Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que davam provimento integral ao recurso voluntário. Designado para o voto vencedor e formalização do Acórdão o Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. Acompanhou o julgamento, pela Recorrente, a Advogada Marina Santana Oliveira de Sá, OAB/MG nº 132.791 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo Relatora (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira Redator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de auto de infração para a exigência de COFINS e seus consectários legais. Para bem descrever os fatos, transcrevese o relatório da Delegacia de Julgamento: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 03/13,relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 260.398,25, incluindo multa de oficio e juros moratórios,correspondente aos períodos especificados em fls. 04/05. A autuação ocorreu em virtude de diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 06. Fl. 762DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 95 3 Para a compreensão dos fatos referentes ao processo em tela, seguemse excertos do Termo de Verificação Fiscal (TVF). fls. 14/19, elaborado pela Fiscalização: Consta do estatuto que a instituição fiscalizada constituise em uma sociedade civil, filantrópica, sem fins lucrativos e que tem por finalidade proporcionar educação integral em todos os níveis, e assistência social. É detentora de Declaração de Utilidade Pública Municipal e Federal, possuindo registro no Conselho Nacional de Assistência Social e Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, bem como Registro na Secretaria de Educação do Estado de MG. Intimada a comprovar o recolhimento da Cofins e a apresentar peças processuais da justiça, respondeu que sendo uma instituição filantrópica de ensino não recolheu a Cofins, tampouco ajuizou ação sobre a contribuição. A fiscalizada auferiu receitas de atividades tais como: prestação de serviços de ensino (mensalidades escolares, matrículas, taxas por aulas de recuperação), aluguéis de imóveis e aplicações financeiras. A fiscalização procedeu ao levantamento dos valores da Cofins devidos, tendo como base de cálculo as receitas recebidas em caráter de contraprestação pelos serviços prestados na área de educação infantojuvenil, dos aluguéis recebidos, bem como das receitas decorrentes das aplicações financeiras efetuadas, de acordo com os registroscontábeis e com as planilhas apresentadas pela fiscalizada. Cientificado em 30/11/05 (fls. 03), o interessado apresentou, em 29/12/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 154/165, acompanhado dos documentos de fls. 166/195, com as suas razões de defesa, assim resumidas: Diante do que consta no Auto de Infração, temse que a autuação não encontra amparo legal, impondo seja a mesma desconsiderada, por ser a entidade Instituto Padre Machado, sociedade civil, sem fins lucrativos e de caráter assistencial, a teor do que consta da documentação acostada, reconhecida como isenta do pagamento da Cofins. Indica a Auditora Fiscal que a recorrente não pode ser considerada como de Assistência Social pelo fato da CF ter tratado, em capítulos distintos, as entidades de caráter assistencial e as de educação. que a questão da imunidade é matéria eminentemente constitucional, indiscutível que o reconhecimento do caráter de assistência social é do atual Conselho Nacional de Assistência Social, a quem compete expedir o respectivo certificado. Fl. 763DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 96 4 Assim estando a instituiçãoimpugnante, regularmente inscrita junto aquele Conselho, e preenchendo todos os demais requisitos para manter não só o título de filantrópica, não distribuindo lucros e não remunerando seus dirigentes, indiscutível que o AI não tem como se sustentar, quanto a natureza jurídica da entidade educacional. Da mesma forma, o Auto de Infração está eivado de vício no que se refere ao adotado conceito de receitas próprias atribuído pela fiscalização. É de se registrar, em que pese, a equivocada redação contida na CF, as entidades beneficentes de assistência social, que reúnam as exigências estabelecidas na legislação infraconstitucional estão imunes das contribuições para a Seguridade Social, a teor do disposto no art. 195, § 70, as quais ficam obrigadas a seguir os requisitos fixados no CTN, em especial no artigo 14. Se com o advento do artigo 14, inciso X, da MP 185861999 as receitas relativas às atividades próprias estavam isentas da Cofins, indiscutível que o conceito não mudou com o passar dos tempos. Conforme julgamento, ocorrido no dia 9 de novembro de 2005, o STF conheceu do RE, deu provimento, em parte, para declarar a inconstitucionalidade do § 1° do artigo 3o , da Lei 9718, de 27/11/98. Como resultado prático do julgamento, temos que volta o regime anterior definido pela LC 70/91, ou seja, receita bruta ou faturamento é o que decorra da venda de serviços ou mercadorias e serviço, não se considerando receita de natureza diversa. É sobre esse conceito de receita que passarão a incidir o PIS e a Cofins, tornando inócua a tentativa de tributação sobre o impugnante, restando prejudicado o Auto de Infração, vez que permanece intacta a isenção prevista no texto da MP 2.15835. A impugnante como instituição de educação filantrópica, que presta serviços para os quais foi instituída e os coloca à disposição, sem fins lucrativos, recolhe o PIS à razão de 1% sobre a folha de salários, estando isenta da Cofins no que se refere à sua receita própria. Também pode ser citado, em abono da tese de que o impugnante é isento da Cofins, o disposto no art. 12 da Lei 9532/97. A receita decorrente de atividade própria do Instituto Padre Machado, somente decorre das mensalidades pagas pelos alunos, podendo ocorrer a percepção de doações e contribuições de terceiros, estas por mera liberalidade. O texto legal que trata das isenções em nenhum momento estabeleceu o referido requisito, tendo ao contrário mencionado Fl. 764DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 97 5 que a mesma — a isenção — atingia as instituições de educação e de assistência social, bem como as entidades filantrópicas, sem fins lucrativos, o que dá legalidade à situação, vez que pautada no disposto no art. 176 do CTN. O caráter contraprestacional mencionado na IN 247/2002 é o direto, o que não é o caso do impugnante que percebe mensalidade dos alunos. A imposição feita pelo Fisco, pode ser considerada abusiva e ilegal, vez que o autuado em condições de igualdade com as demais entidades de educação, que além de não serem filantrópicas, possuem fins lucrativos, atribuindolhe maior carga tributária, quando resta comprovado que o impugnante está amparado e é isento da referida contribuição. Sendo o impugnante uma entidade sem fins lucrativos e que oferece um serviço — educação básica — suprindo o Estado a quem compete tal atividade, nada mais correto e justo que o mesmo tenha uma desoneração proporcional da carga tributária, sendo imperioso, ainda, lembrar que todo o valor da mensalidade percebida é destinado aos serviços prestados aos seus alunos. De todo o exposto, temse que o Instituto Padre Machado tem direito à imunidade prevista no § 7° do art. 195 da CF, estando de posse de seu título de entidade de assistência social, além de gozar da isenção da Cofins no que toca as suas receitas próprias, vez que é uma entidade de educação sem fins lucrativos nos termos do disposto no art. 15 da Lei n° 9.532/97, e que presta os serviços para os quais foi instituída colocandoos à disposição da sociedade, não remunerando seus dirigentes. Requer o cancelamento do auto de infração. A Delegacia de Julgamento proferiu decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada, em decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2002 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Lançamento Procedente Fl. 765DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 98 6 Em sede de recurso voluntário, a Recorrente reitero os argumentos de impugnação, no sentido de que reuniria as exigências estabelecidas na legislação infraconstitucional, estando imune das contribuições para a Seguridade Social, nos termos do disposto no art. 195, §7° da CF, sendo obrigada a seguir os requisitos fixados no CTN, em especial no artigo 14. Ademais, afirmou que as mensalidades pagas pelos alunos são receitas de sua atividade própria. Por ocasião do julgamento do recurso voluntário, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Antes de adentrar ao mérito do litígio, devese comprovar a situação de regularidade da recorrente junto ao Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS. Portanto, persistem nos autos questões fáticas que precisam ser esclarecidas. Destarte, deve ser propiciada ampla oportunidade às partes (Fisco e Recorrente) para que esclareçam os fatos e demonstrem o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referem se à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte para que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, assim como informar e comprovar a situação dos pedidos de renovação pendentes de julgamento (71010.002499/200370 e 71010.004831/200683). A diligência foi cumprida, retornando o relatório a informação fiscal de que a Recorrente detinha Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, bem como Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nos períodos compreendidos pela autuação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Relatora O presente recurso preenche as condições de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. De acordo com o relatório de autuação, a Recorrente a fiscalizada não teria declarado em DCTF os valores devidos da COFINS, não teria recolhido em DARF, nem Fl. 766DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 99 7 efetuado depósitos judiciais nem compensação de qualquer natureza, receitas decorrentes de atividades de prestação de serviços de ensino (mensalidades escolares, matrículas, taxas por aulas de recuperação), aluguéis de imóveis e aplicações financeiras. Primeiramente, observese que a autuação deuse com base na interpretação da isenção veiculada pela Medida Provisória n° 2.158, de 2001, de sorte que a decisão recorrida acabou por inovar os critérios do lançamento, ao se manifestar sobre o cumprimento dos requisitos para fruição de isenção. A interpretação da isenção do art. 13, I, veiculada pela Medida Provisória n° 2.158, de 2001 c/c § 2°, art. 47, INSRF n. 247/2002, especificamente, do conceito de “receitas decorrentes de atividades próprias”. Portanto, é de se analisar o conceito de “receitas decorrentes de atividades próprias”, para, após, analisar a aplicação da Lei n. 9718/98. A Medida Provisória n° 2.158, de 2001, prescreveu que: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1o da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Art.13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: I templos de qualquer culto; [...] Fl. 767DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 100 8 Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. A Instrução Normativa n° 247, de 21 de novembro de 2002, art. 47 §2° determina que as receitas consideradas como originadas de atividade própria, para fins de isenção de COFINS, não podem ter “caráter contraprestacional direto”, como se depreende: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9° desta Instrução Normativa: I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2° Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Nos termos da autuação temse que: Entendese assim, como atividades próprias aquelas que não ultrapassam a órbita dos objetivos sociais das respectivas entidades. Estas normalmente alcançam as receitas auferidas que são típicas das entidades sem fins lucrativos, tais como: doações, contribuições, inclusive sindical e assistencial, mensalidades e anuidades recebidas de profissionais inscritos, de associados, de mantenedores e de colaboradores, sem caráter contraprestacional direto, destinada ao custeio e manutenção daquelas . ,entidades e à execução de seus objetivos estatutários. Portanto, a isenção não alcança as receitas que são próprias de atividade de natureza econômica financeira ou empresarial, como as resultantes da prestação de serviços, inclusive as receitas de matrículas e mensalidades dos cursos ministrados pelas entidades educacionais, ainda que exclusivamente a seus associados e em seu beneficio, aluguel cobrado pela utilização de salas e outras dependências da instituição, receitas de aplicações financeiras em fundos de renda fixa e variável, juros e multas cobrados pelo atraso do pagamento das mensalidades escolares, conforme o disposto nos arts. 2° e 3°, § 1°, da Lei 9718 de 27/11/1998. Fl. 768DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 101 9 Assim, foi cobrada a COFINS relativa a receitas oriundas de mensalidades escolares, aluguéis e receitas financeiras, pois nos termos do auto de infração, tais receitas não se subsumiriam ao conceito de receitas originadas de “atividades próprias”. Ora, inicialmente salta à vista que a restrição contida no §2° do art. 47 da Instrução Normativa n° 247, de 21 de novembro de 2002, ao determinar o alcance semântico de “atividades próprias” extrapola o disposto no art.14, X da Medida Provisória 215835/2001, pois não há nada no dispositivo que aponte que as atividades próprias de uma entidade educacional, filantrópica ou qualquer uma das elencadas no art.13 do mesmo diploma legal, restrinjase a donativos, anuidades ou mensalidades pagas pelos seus associados. Essa constatação, por si só, já seria suficiente para afastar a restrição veiculada por norma administrativa, pois é certa a regra segundo o qual não é possível à norma administrativa inovar ou extrapolar as disposições de lei, no caso, de medida provisória, fortes no Princípio da Estrita Legalidade. Seja como for, da mesma forma é certo que, para esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apenas lhe é vedada a apreciação de constitucionalidade de lei e decreto, o que não abrange a apreciação de legalidade de instruções normativas. E, nessa senda, impõese reconhecer que a aludida instrução normativa criou condicionamentos ao gozo da isenção, que inovaram em relação ao dispositivo legislativo, amesquinhando o direito do contribuinte, não se olvidando, da mesma forma, que o Código Tributário Nacional, em seu art. 111, II, prescreve que será interpretada literalmente a isenção. Ainda que grande parte da doutrina defenda que a “interpretação literal” seja uma contradição em termos, da mesma forma, é inconteste que o que no caso concreto, não se encontra seja na letra da lei, ou em quaisquer outros diplomas normativos que sistematicamente possam constituir o significado da norma jurídica, enunciados normativos que possam compor norma jurídica isentiva, da forma como estabeleceu a aludida instrução normativa.. De acordo com o Dicionário Houaiss da língua portuguesa, uma das acepções do termo “atividade” “é faculdade ou possibilidade de agir, de se mover, de fazer, empreender coisas”. É dizer: pela locução “atividade própria” podese depreender as formas de ação, empreendimento, de determinada entidade para a realização das finalidades inscritas em seu objetivo estatutário, que, por expressa determinação legal, não poderão ter escopo empresarial, além de que, o predicado “própria” aponta que o resultado dessa atividade, deverá se reverter à manutenção da própria entidade. Assim não há nada na legislação que sustente a premissa segundo a qual tais entidades devam ter como único instrumento para a manutenção de suas atividades, o recebimento de doações ou mensalidades, o que, digase, restringiria sobremaneira sua atuação, comprometendo , até mesmo, sua subsistência. No caso em apreço, é indubitável que as mensalidades escolares estão em consonância com o objetivo social da Recorrentes, instituto de ensino que é. Caberia à fiscalização apenas verificar se os resultados dessas atividades foram revertidos para a manutenção da própria Recorrente, o que, contudo, não ocorreu, considerandose que a norma administrativa, inclui no campo de incidência, de plano, quaisquer receitas que sejam “contraprestacionais”. Em suma, quanto a esse item do recurso, entendo que merece acolhida a pretensão da Recorrente, na medida em que a instrução normativa deu interpretação extensiva à isenção do art.14, X da Medida Provisória 215835/2001, ao mesmo tempo que por “atividade Fl. 769DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 102 10 próprias” , devem ser entendidas como aquelas que constam das finalidades estatutárias de determinada entidade, revertidas para a sua manutenção. Finamente, o último ponto a ser enfrentado, concerne à abrangência do conceito de faturamento, para efeitos de fixação da base de cálculo da COFINS, para efeitos de se verificar a legitimidade da exigência para as receitas de aluguéis e financeiras. Em relação ao argumento da Recorrente segundo o qual base de cálculo alargada da COFINS, prescrita pela Lei n° 9.718/98. foi julgada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, devendose excluir os valores relativos que não se refiram a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, ou seja, no caso, as receitas financeiras. Com efeito, a despeito de a decisão recorrida afirmar que a decisão da Suprema Corte não lhe seria vinculante, por ser proferida no âmbito de controle difuso de constitucionalidade, o fato é que pelo RE 585235 / MG, DJe 27112008, a questão foi julgada sob a sistemática de repercussão geral, sendo, portanto, de aplicação obrigatória por este Colegiado, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Confirase a ementa do referido julgado: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria,aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Considerandose que o referido dispositivo declarado inconstitucional, foi revogado apenas a partir da publicação da Lei n° 11.941 de 28 de maio de 2009, os períodos de apuração ora discutidos são abrangidos pelo entendimento esposado. Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso. Fl. 770DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 103 11 (assinado digitalmente) Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Voto Vencedor Conselheiro, Paulo Roberto Duarte Moreira Peço vênia para discordar apenas quanto o alcance da isenção sobre as receitas de locações, uma vez que a decisão em repercussão geral no RE 585235 / MG, implica o afastamento da incidência da Contribuição em relação às receitas financeiras, com as quais as de locações de imóveis não se confundem. Especificamente em relação à incidência do PIS e Cofins sobre as receitas de locação há decisão do Supremo Tribunal Federal no sentido de reconhecer a repercussão geral sobre o tema no RE 599.658/SP, que ainda aguarda julgamento, conforme ementa: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 599.658 SÃO PAULO CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE A LOCAÇÃO DE IMÓVEIS, INCLUSIVE SOBRE A RENDA AUFERIDA NA LOCAÇÃO DE IMÓVEL PRÓPRIO. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. Decisão: O Tribunal, por maioria, reputou constitucional a questão, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Rosa Weber. O Tribunal, por maioria, reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada, vencido o Ministro Marco Aurélio. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes, Cármen Lúcia e Rosa Weber.(Relatoria do Min. Luiz Fux. Sessão do Plenário de 07/02/2013.) Assim, entendo que as receitas de locações de salas e outras partes do imóvel da recorrente incluemse dentre as operacionais; contudo, não relacionadas às atividades próprias das entidades de educação para fins de fruição do benefício da isenção de que trata o inciso X, do art. 14 da MP nº 2.158/2001. Devem, portanto, as receitas provenientes de "locação" ou "aluguel", lançadas na conta "4357 4.1.05.01.001", do livro Razão, submeteremse à incidência da contribuição para a Cofins. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para excluir da tributação da Cofins as receitas levadas à base de cálculo, exceto as relacionadas à locação. Paulo Roberto Duarte Moreira Redator Fl. 771DF CARF MF Processo nº 10680.016792/200507 Acórdão n.º 3201002.884 S3C2T1 Fl. 104 12 Fl. 772DF CARF MF
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Numero do processo: 13116.901574/2012-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.923
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 15 74 /2 01 2- 93 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.555, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13116.901574/201293 Acórdão n.º 3201002.923 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.720646/2014-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
INCENTIVOS FISCAIS ICMS. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Demonstrado que o recorrente ofereceu os valores dos créditos de ICMS à tributação, insubsiste a acusação fiscal de não oferecimento à tributação dos benefícios.
Numero da decisão: 1401-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. A Conselheira Lívia De Carli Germano acompanhou o voto pelas conclusões. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarou-se impedido.
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 INCENTIVOS FISCAIS ICMS. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Demonstrado que o recorrente ofereceu os valores dos créditos de ICMS à tributação, insubsiste a acusação fiscal de não oferecimento à tributação dos benefícios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. A Conselheira Lívia De Carli Germano acompanhou o voto pelas conclusões. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Jose Roberto Adelino da Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva declarouse impedido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 06 46 /2 01 4- 29 Fl. 10285DF CARF MF 2 Relatório Iniciemos com a transcrição do relatório da decisão de Piso. I – DOS ATOS ADMINISTRATIVOS – fls. 02 a 34 Foram lavrados os autos de infração para exigência do IRJP e CSLL, referentes aos anos calendário de 2010, no total de R$ 26.694.156,16, sob o fundamento de resultados escriturados e não declarados referentes a crédito presumido de tributo estadual não considerado no cálculo da correspondente dedução da receita bruta. O Termo de Verificação Fiscal, depois de apresentar histórico dos procedimentos fiscais, registra que: “20. Em análise à Escrituração Contábil Digital (ECD) transmitida pelo sujeito passivo no curso da corrente ação fiscal e, em obediência ao Decreto nº 6.022, de 2007, foi constatado que houve falha na apuração da dedução declarada por meio da Linha 11. () ICMS da Ficha 06A – Demonstração do Resultado – PJ em Geral da DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICOS FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA (DIPJ): R$ 69.754.554,43, na forma do que se passa a explicitar. 21. Digase de passagem, o valor mencionado consta tanto na declaração transmitida antes do início da ação fiscal como naquela apresentada à autoridade que presidiu a ação fiscal em virtude da recuperação da espontaneidade da fiscalizada. 22. Por oportuno, esclarecese que, por meio da Resolução n° 001/2010 (segue documento anexo) da COMISSÃO DA POLÍTICA DE INCENTIVOS AO DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO DO ESTADO DO PARÁ, foi concedido benefício fiscal conhecido como crédito presumido de ICMS para o contribuinte, o qual foi calculado sobre o débito fiscal do tributo. O artigo 3° da referida Resolução disciplina a forma como será calculado o referido crédito, conforme abaixo: (...) 23. Em cumprimento a obrigação acessória estabelecida pela referida resolução estadual, consta no plano contábil da fiscalizada as contas de ns° 341100 – “Crédito presumidos de ICMS Dec. 2.738” e 323110 “Crédito presumidos de ICMS Dec. 2.738”. 24. Ao se observar o comportamento dessas contas, constatase que a cada venda contemplada pelo benefício fiscal era lançamento a credito na conta 323110 com contrapartida na conta do passivo de n° 213000 – “ICMS a Recolher”, o que reduzia o valor da dívida do sujeito passivo com o ente estadual por força do benefício citado. 25. Em seguida, ao fim de cada mês, era feito novo lançamento com o intuito de transferir o montante apurado de crédito presumido no período para a conta 341100, isto é debitavase a conta de registro das operações (323110) com contrapartida na conta de apuração (341100). Notese que todo procedimento relatado até então está em prefeita consonância com as exigências do fisco federal. Fl. 10286DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.281 3 26. Ocorre, contudo, que, por ocasião do encerramento do ano calendário, o saldo final da conta 341100:R$ 60.144.004,01, o qual apura o montante integral do benefício concedido pelo fisco estadual foi transferido diretamente para a conta 244000 – “Lucros e Prejuízos Acumulados”, ou seja, não transitou pelo resultado do exercício. 27. Paralelamente, por meio da conta registrada sob o n° 323100 – “ICMS sobre Vendas” foram registradas todas as operações realizadas pela fiscalizada que constituíram base de cálculo do IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS E SERVIÇOS (ICMS). Registrese que, ao final do período foi transferido ao resultado do exercício um montante de R$ 69.754.554,43, ou seja, a soma dos débitos do tributo estadual, o que obviamente reduziu a base decálculo do IRPJ e a da CSLL. 28. Em resumo, o sujeito passivo ao apurar seu resultado operacional levou em conta os débitos de ICMS, mas não os correspondentes créditos presumidos. 29. Ainda, o comportamento da conta de n° 213000 – “ICMS a Recolher” corroborou o que já foi explicitado no item anterior, i.e, o real dispêndio com o tributo estadual (calculado da seguinte forma: saldo final da conta + total de baixas, pagamentos, compensações, etc saldo inicial da conta) é compatível com a diferença entre os débitos com o ICMS e o crédito presumido. 30. Simplificandose, a questão resumese a integração ou não do montante apurado como crédito presumido do ICMS no cálculo da dedução da receita bruta e por consequência na receita operacional líquida. Em outras palavras, se o valor do benefício fiscal estadual deve ou não ser subtraído dos débitos com o imposto estadual a fim de se calcular o resultado operacional. 31. Sobre o tema, trazemos ao debate a inteligência do Acórdão DRJ Nº 16 59047 de 2014 da DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO DE SÃO PAULO: (...) 32. Percebase que o crédito presumido de ICMS deve sim ser considerado no cálculo da dedução da receita bruta. Entretanto, quando o benefício for vinculado a aquisição de bens e direitos referentes a implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado, o valor deste investimento pode ser excluído por meio do LALUR e da Linha 57. () Doações e Subvenções para Investimento da Ficha 09A – Demonstração do Lucro Real – PJ em Geral da DIPJ. 33. Contudo, o benefício em questão não está vinculado a nenhum projeto de implantação ou investimento. Tampouco a suposta exclusão foi apurada no livro fiscal (LALUR) ou na declaração pertinente (DIPJ). 34. Dessa forma, o sujeito passivo deduziu ao calcular sua receita operacional líquida e por consequência seu resultado operacional um montante de R$ 69.754.554,43, quando somente poderia informar R$ 9.610.550,42 na referente linha da DIPJ. 35. Tal conduta configura omissão no cálculo do resultado operacional no valor de R$ 60.144.004,01.” A fiscalização informa ainda que foi realizada de ofício a compensação de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa de períodos anteriores, conforme demonstrado no Termo de Verificação Fiscal. Fl. 10287DF CARF MF 4 Esclarece que a fiscalizada goza de benefício fiscal de isenção de IRPJ em montante calculado por meio do lucro da exploração de fabricação e venda de aço. No entanto, complementa que não há possibilidade de recomposição do lucro da exploração por falta de amparo legal. Entretanto, continua, como houve diferença entre o benefício calculado R$ 11.297.321,55 e o utilizado (na verdade R$ 10.387.284,48, pois o valor do imposto de renda a pagar somente pode ser negativo por excesso de valores efetivamente recolhidos), coube à autoridade deduzir o valor possível: R$ 910.037,07. II – DA DEFESA fls. 9.580 a 9.592, Em sua peça de defesa, a interessada, depois de tecer considerações sobre a tempestividade e os fatos que originaram a autuação, afirma que, diversamente do sustentado no Demonstrativo de Apuração, comprovou documentalmente na Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica que efetuou o lançamento contábil do crédito presumido do ICMS, objeto do incentivo, complementando: “9. Em sua apuração, o auditor fiscal autuou a Impugnante por não ter descontado, na “linha”, da ficha 6 A, da DIPJ – que se refere ao lançamento contábil dos valores de ICMS – a quantia relacionada às atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica e que foi objeto de benefício pelo regime de tratamento tributário diferenciado concedido pelo Governo do Estado do Pará, no valor total de R$ 60.144.004,01. 10. Ocorre que a referida quantia, que não foi deduzida pela impugnante na “linha 11” de sua DIPJ (DOC. 05), foi efetivamente deduzida na “linha 17” da mesma ficha 6 A, quando a Impugnante deixou de acrescentar o referido valor em seus custos de produção dos bens e serviços vendidos (Linha 17), senão vejase: 11. De fato, a “Linha 17”, que trata do “Custo dos Bens e Serviços Vendidos”, deveria ter o valor de R$ 414.884.057,95, conforme registros no SPED contábil e Balanço (DOC. 08), e conforme detalhado do quadro abaixo: Fl. 10288DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.282 5 12. Portanto, a partir de uma rápida análise no Balancete contábil de 2010, bem assim do SPED Contábil da Impugnante, constatase que não houve qualquer irregularidade, e que, ao invés de contabilizar uma dedução de ICMS (no valor de R$ 60.144.004,01) na “linha 11”, acima reproduzida, a impugnante contabilizou a redução na “linha 17”, como demonstrado. 13. Nesse sentido, quer o valor do credito presumido de ICMS (R$ 60.144.004,01, tenha sido debitado na linha 17 da ficha 6 A, como ocorrido, ou na linha 11 da mesma ficha, como entendido pelo fiscal, de qualquer modo seria deduzido de suas receitas, como de fato foi, não tendo impacto algum no cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. 14. Portanto, ao contrário do que aduzido pelo auditor fiscal, o crédito presumido do ICMS foi sim considerado no cálculo da dedução da receita bruta. Apenas isso se deu na linha 17, e não na linha 11, conforme demonstrado. 15. Não há, pois, que se falar em “RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS”, como fundamente o auditor fiscal. 16. Ademais disso e, sobretudo, é de se reforçar que, em nenhum momento houve prejuízo ao fisco, uma vez que todo o valor do ICMS decorrente do Incentivo Fiscal (R$60.144.004,01) foi submetido à tributação pelo IRPJ e CSLL, mesmo quando nem precisaria sêlo, uma vez que já é pacífico o entendimento de que não incidem IRPJ ou CSLL sobre os Incentivos Fiscais caracterizados como Subvenções para Investimento. 17. Sobre essa questão, o valor do IRPJ foi pago mediante compensação integral com o Incentivo do Lucro da exploração, consoante se mostra por meio dos documentos anexos. Já a CSLL sobre a base de cálculo ora apurada foi devidamente recolhida, conforme se demonstra através dos comprovantes de arrecada anexos (DOC. 09).” No tópico IV a interessada defende a não tributação do incentivo fiscal de ICMS como subvenção para investimento, assinalando que o incentivo por ela recebido enquadrase com subvenção para investimento, em que pese ter oferecido à tributação todo o montante a ele relativo. Ao final protesta pela produção de provas, inclusive a pericial. Para tanto, indica assistente técnico. III – DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Fl. 10289DF CARF MF 6 Mediante a Resolução 1.908, de 30 de abril de 2015, o julgamento foi convertido em diligência para que a fiscalização examinasse os registros contábeis da impugnante notadamente no que diz respeito à composição dos seus custos, com o objetivo de se verificar a efetiva dedução do valor indicado, bem como se houve o recolhimento do IRPJ e da CSLL. Em atendimento à citada Resolução, a fiscalização intimou a empresa para prestar esclarecimentos. Depois de analisar o entendimento apresentado em resposta à intimação, a fiscalização concluiu que a) foi deduzido do Lucro Líquido o valor de R$ 69.754.554,43 (encargo de ICMS); b) o saldo de R$ 60.144.004,01 é transferido para a conta 244000 (Lucro e Prejuízo Acumulado) e não para contas de resultado. Ou seja, as contas de ICMS Presumido só envolvem contas do Balanço Patrimonial, que são as contas 21300 (ICMS a Recolher e conta 24400 (Lucro/Prejuízo Acumulado); c) no valor de R$343.775.000,08, indicado como Custos da Atividade em Geral, não foi utilizado nem o ICMS presumido nem o ICMS sobre vendas; d) Encontramos também como subtração do lucro o valor de R$ 69.754.554,43 (encargo de ICMS), porém o valor de ICMS presumido (benefício fiscal) não é contabilizado; e) Não é seguro supor que este valor de ICMS Presumido, de grande valor (mais de R$ 60 milhões), não seja indicado no cálculo do Lucro Líquido Antes da CSLL da DIPJ, LALUR entre outros. No SPED Contábil este mesmo valor tramita apenas nas contas de Balanço Patrimonial e não tramita pelas contas de Estoque, Custo do Produtos Vendidos, Produto Acabado, Matéria Prima e ICMS sobre Vendas. Em contraposição, a interessada argumenta que: “A grande questão da autuação fiscal paira no entendimento de que os valores registrados nas contas 341100 e 323110, a título de registro do crédito presumido de ICMS, não foram computados no resultado, visto que tais valores foram transferidos para conta 244000 – Lucro/Prejuízos Acumulados, conta esta pertencente ao grupo de patrimônio líquido. Novamente venho afirmar que os valores registrados a título de crédito presumido de ICMS foram computados no resultado da empresa. Cabe destacar, fato não observado pelos auditores, que o registro de transferência de saldo da conta 341100 – Credito Presumido ICMS para a conta 244000 – Lucro/Prejuízo Acumulado se trata de lançamento de encerramento de exercício conforme podemos observar no próprio SPED Contábil: De acordo com as normas de contabilidade, ao final de cada exercício, todos os saldos registrados nas contas de resultado são zerados e transferidos para as contas de Patrimônio Líquido. Dessa forma, para todos os saldos das contas de resultado foi gerado um lançamento contábil a título de encerramento do exercício conforme demonstro com os exemplos abaixo: Fl. 10290DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.283 7 Quanto a informação do valor do Crédito Presumido na ficha 6A da DIPJ, mais uma vez informo que o valor foi alocado na linha 17. Segue abaixo composição dos valores mais relevantes informados na linha 17: Da análise da impugnação junto com os elementos de autuação a DRJ/BHE emitiu a seguinte decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. CARACTERÍSTICAS A subvenção para investimento apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. não basta apenas o "animus" de subvencionar para investimento. impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, Fl. 10291DF CARF MF 8 a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como subvenção para investimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010 PEDIDO DE PERÍCIA Deve ser indeferido o pedido de perícia, quando esta providência revelase prescindível para instrução e julgamento do processo. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. As subvenções correntes, para custeio ou operação, devem ser computadas na determinação do lucro operacional, visto que, para fins tributários, elas são consideradas como receitas operacionais. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2010 LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento decorrente com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão da Delegacia de Julgamento a empresa apresentou Recurso Voluntário às fls. 9839/9862, na qual aduziu o seguintes argumentos: Que possui incentivo fiscal de ICMS concedido pelo Governo do Estado do Pará, conforme Lei nº 6.913/2006, Decreto nº 2.490/2006 e Resolução 001/2006 e que tal incentivo caracteriza subvenção para investimento por terem destinação específica imposta pelo Poder Público e estarem contabilizadas em reserva de capital. Apresenta Parecer Normativo CST nº 112/78 que trata do assunto. Que a recorrente contabilizou o valor dos créditos presumidos de ICMS concedidos como subvenção para investimento na conta de reserva de capital, do que não foi questionado. Apresenta trecho da Lei nº 6.913/2006 do Governo do Pará, no qual em seu art. 1º, § 3º, informa que os incentivos previstos nesta lei consideramse como subvenção governamental para investimento. Que recebeu o incentivo em virtude da instalação de uma usina siderúrgica no Pará. E que a partir da sua instalação e do recebimento destes incentivos aumentou significativamente a quantidade de empregados da empresa. Fl. 10292DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.284 9 Que no período do recebimento deste incentivo realizou a aquisição de bens relativos ao ativo imobilizado em montantes vultosos conforme planilha do imobilizado dos anos de 2006 a 2010 e, por isso, alega que tal crescimento somente foi possível com a utilização dos incentivos de subvenção para investimento por crédito presumido do ICMS. Alega que os valores dos incentivos foram oferecidos à tributação conforme se demonstra do relatório do sistema SAP. Por fim, requer a realização de perícia para confirmar suas alegações e requer o provimento de seu recurso e a improcedência total da autuação. É o relatório do necessário. Fl. 10293DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. Quanto à solicitação do recorrente de realização de perícia, entendo por desnecessária, visto que a matéria probatória a ser coligida depende apenas da apresentação das provas da forma de utilização do benefício por parte da empresa e não de algum conhecimento técnico específico que necessite de auxílio pericial. Assim, neste ponto, voto por não admitir o pedido de perícia. Para analisar o presente caso há de se tentar buscar a resposta a uma indagação simples: Os recursos oriundos da renúncia de receita de ICMS estabelecido pela Lei do Governo do Estado do Pará que, em tese, seriam objeto de subvenção para investimento foram efetivamente utilizados pela empresa para a realização de investimento ou foram objeto de gastos de custeio pela empresa? Tal resposta é imprescindível à nossa análise haja vista que o tratamento tributário a ser conferido a cada tipo de despesa é diverso consoante os seguintes dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda: Subseção V Subvenções e Recuperações de Custo Art. 392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); III as importâncias levantadas das contas vinculadas a que se refere a legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (Lei nº 8.036, de 1990, art. 29). Seção IV Subvenções para Investimento e Doações Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, § 2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): Fl. 10294DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.285 11 I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. Neste ponto merece destaque verificar as alegações da empresa em relação ao fato de ter contabilizado os créditos presumidos de ICMS como custo da mercadoria durante o exercício e, no final, ter informado este na linha de dedução da receita bruta e ter realizado a exclusão, nos custos das mercadorias vendidas, da parcela do ICMS que era relativa ao crédito presumido. Tal constatação implicaria, em verdade que a empresa não utilizou indevidamente o benefício já que em vez de contabilizar os créditos como redução do ICMS incidente sobre as vendas, teria contabilizado este valor junto ao custo das mercadorias e, quando do preenchimento da DIPJ, excluiu o valor do CMV e informou na linha de ICMS sobre vendas. Utilizamos para a verificação as informações constantes das notas explicativas ao balanço emitidas pela empresa de auditoria externa KPMG. Nelas encontramos as seguintes informações que detalham o tratamento do crédito presumido de ICMS e informam como a sua contabilização foi feita conforme acima. Planilha de fls. 10168/10172 Notas explicativas da DRE do ano de 2009 Item (j) fls. 10125 Notas explicativas reversão do lançamento em custos fls. 10123 (j) Impostos sobre faturamento: corresponde a crédito de imposto sobre a circulação de mercadoria e serviços ICMS, anteriormente apresentado na linha de Impostos sobre faturamento, reclassificado para custos dos produtos vendidos, para fins de melhor apresentação dada sua natureza nos termos do CPC 23. Com base nestas informações elaboramos exemplos de contabilização dos referidos créditos para empresas normais, empresa com crédito presumido contabilizado da forma normal e com o crédito presumido contabilizado junto ao CMV. Vejamos os exemplos abaixo: EMPRESA INCENTIVADA CMV s/créd CMV c/créd RB 10.000,00 10.000,00 () ICMS s/vendas 1.000,00 1.000,00 (+) Créd Presumido 500,00 RL 9.500,00 9.000,00 () CMV 8.000,00 7.500,00 Lucro 1.500,00 1.500,00 Fl. 10295DF CARF MF 12 EMPRESA Não Incentivada DRE RB 10.000,00 () ICMS s/vendas 1.000,00 RL 9.000,00 () CMV 8.000,00 Lucro 1.000,00 Como se por demonstrar dos exemplos acima o efeito quando se considera a contabilização do crédito juntamente ao CMV a apuração do resultado não sofre influência quer seja contabilizado junto ao CMV ou da forma tradicional como redutor do ICMS sobre as vendas. Para melhor robustecer o entendimento em relação à empresa especificamente, apresentamos um comparativo entre os valores da apuração do resultado informados na DIPJ e o resultado apurado pelas demonstrações financeiras da empresa. DIPJ CONTABIL receita liquida DIPJ 491.381.069,91 479.117.000,00 custo DIPJ 343.775.000,00 343.775.000,00 lucro bruto 147.606.069,91 135.342.000,00 demais (receitas e despesas) 204.577.414,07 135.342.000,00 lucro líquido 56.971.344,16 48.811.000,00 DIPJ LUCRO ANTES DA CSLL DIPJ 54.164,00 CSLL 3.748,00 LUCRO LIQUIDO 50.416,00 BALANÇO LUCRO ANTES DA CSLL BAL. 54.165,00 CSLL ANO 3.748,00 CSLL DIFERIDA 1.606,00 LUCRO LIQUIDO 48.811,00 DIFERIDO 1.605,00 Como se pode observar, mesmo realizando a contabilização de forma não usual dos créditos presumidos de ICMS, estes não foram utilizados como redução do resultado do exercício, vez que se demonstra que valor do lucro líquido antes da CSLL foi idêntico tanto no balanço da empresa, quanto na DIPJ, embora as informações tenham sido apresentadas de maneira diferente. Ou seja, mesmo por vias transversas, que podem até ser questionadas tecnicamente, os valores dos créditos presumidos de ICMS não influenciaram no resultado do exercício no ponto em que, sua informação como dedução de vendas foi neutralizada pela exclusão de sua contabilização inusual como custo das mercadorias vendidas. Fl. 10296DF CARF MF Processo nº 10218.720646/201429 Acórdão n.º 1401002.005 S1C4T1 Fl. 10.286 13 Assim, tendo em vista que, apesar de toda a dificuldade, conseguimos demonstrar que a peculiar forma de contabilização dos créditos presumidos de ICMS não foi utilizada como redução da apuração do resultado da empresa, não nos resta outra solução que não a de considerar procedente o recurso voluntário quando alega que os créditos presumidos não foram utilizados como redução do resultado do exercício e, assim, improcede a glosa realizada. De todo o exposto, voto no sentido de dar integral provimento ao recurso voluntário. Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 10297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 35166.000064/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Sep 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2005
EMBARGOS INOMINADOS. CABIMENTO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°.
Numero da decisão: 2301-005.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher e dar provimento aos embargos de declaração, com o objetivo de sanar o erro material e considerar decaídos os lançamentos anteriores a 11/2000 (inclusive).
(assinado digitalmente)
Andréa Brose Adolfo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Fábio Piovesan Bozza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (suplente), Fábio Piovesan Bozza, Luis Rodolfo Fleury Curado Trovareli, Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Andréa Brose Adolfo (presidente em exercício).
Nome do relator: FABIO PIOVESAN BOZZA
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score : 1.0
Numero do processo: 11543.003095/2005-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 21 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação.
Recurso voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3201-003.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Deve-se anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido
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FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), apreciase a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava do despacho original. Devese anular a decisão da primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes no despacho decisório. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri, Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Avila. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 30 95 /2 00 5- 15 Fl. 1284DF CARF MF 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Tratase de reconhecimento de direito creditório de Cofins decorrente do regime de nãocumulatividade, no período de 01/07/05 a 30/09/05, no valor de R$4.114.874,46 (fl. 03), para fins de compensação. A autoridade fiscal decidiu A autoridade fiscal decidiu (fl. 193) homologar parcialmente as compensações efetuadas, porque entendeu que a contribuinte não possuía o direito creditório no montante declarado. Reconheceu, no entanto, o valor de R$3.262.889,51, argumentando por meio do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 2.980/09 (fls. 255 e ss), em resumo, que: 1. a requerente tem por objeto social o comércio atacadista de café, comércio atacadista de algodão em pluma, fabricação de óleos vegetais e fiação de fibras de algodão, todas atividades com vendas no mercado interno e no mercado externo; 2. em razão da atividade desenvolvida e tendo em vista a apuração do IRPJ com base no lucro real no ano calendário 2005, neste ano ficou sujeita ao regime de incidência nãocumulativa da contribuição para a Cofins; 3. a contribuinte informou despesas (manutenção e reparos) não passíveis de aproveitamento de crédito, visto que não se enquadraram na definição de insumos esboçada pela legislação tributária, e em outras situações, não discriminou os serviços efetivamente incorridos; 4. há compras de mais de 200 diferentes fornecedores, porém uma amostragem de mais de 80% das compras de café acabou por definir análise da situação dos 29 maiores fornecedores; 5. aproximadamente 94% destes fornecedores analisados, enquadramse como pessoas jurídicas que se declararam à Receita Federal do Brasil em situação de inatividade, ou simplesmente estão omissas perante o órgão, outras ainda, quando prestaram tais informações, o fizeram de maneira irregular, eis que a receita declarada é totalmente incompatível com o valor das vendas realizadas, isto considerando apenas as operações mercantis com a requerente; 6. se tomados os valores de aquisição que foram declarados, das empresas analisadas, o percentual de aquisições que, em tese, sofreu a incidência da Cofins na etapa anterior é de impressionantes 9,18%, sublinhando que o levantamento se contentou em esquadrinhar apenas os valores declarados, independentemente do efetivo recolhimento de tais exações; 7. no caso examinado há presunção de que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 51,72% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002, quando foi publicada a Medida Provisória n° 66/2002, que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas; 8. assim, o Fl. 1285DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 3 3 que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas, que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da nãocumulatividade para as contribuições em comento; 9. não se está afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho; 10. nesse contexto, a ausência de provas que unam a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor, todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal; 11. não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual; 12. nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé; 13. com estes fundamentos foi providenciado o reenquadramento dessas compras, consideradas irregulares pela presente fiscalização, para aquisições de pessoas físicas garantindose o direito ao crédito presumido, de acordo com a planilha de apuração das contribuições nãocumulativas; 14. o sujeito passivo apurou créditos referentes a embalagens adquiridas, de acordo com o DACON/Demonstrativo Analítico de apuração da Cofins, referidas aquisições estão enquadradas nos CFOP de n°s 1920 e 2920, os quais se referem à entrada de sacaria e vasilhame; 15. foram desconsideradas as entradas de mercadorias sob os CFOP de n°s 1122, 2122, 1125 e 2125, visto que referidas aquisições foram contempladas no item Compras Terceiros PJ, conforme declaração do próprio contribuinte às fls. 115/116; 16. verificase, pelo somatório da documentação apresentada, que o contribuinte não logrou êxito em confirmar as despesas de aluguel informadas, razão pela qual essa diferença foi desconsiderada para fins de apuração dos créditos a descontar; 17. o contribuinte ofereceu à base de cálculo dos créditos despesas de condomínio, mas não há previsão no texto legal para a inclusão desta despesa no âmbito da despesa de aluguel, visto que possuem naturezas jurídicas distintas, desta forma, despesas de condomínio não foram consideradas como créditos passíveis de aproveitamento, tendo sido glosadas pela fiscalização; 18. procedeuse, então, à utilização dos créditos na dedução do débito da Cofins apurado no mês, além dos créditos vinculados ao mercado interno, consumiram Fl. 1286DF CARF MF 4 se, também, créditos atrelados ao mercado externo, de sorte que restou saldo credor, a ser utilizado nas compensações de outros tributos ao final do 3º Trimestre de 2005 no montante de R$3.262.889,51. Cientificada da Decisão (fl. 292), em 08/03/10, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 312 e seguintes), em 07/04/10, onde alegou, em resumo, que: 1. o Parecer DRF/VIT/SEORT n° 2.980/2009 tem razões conexas aos Pareceres DRF/VIT/SEORT n.° 2.986/2009, mister se faz o apensamento dos autos correspondentes com vistas a que sejam julgados simultaneamente, evitandose, destarte, decisões conflitantes acerca da mesma matéria; 2. teve limitado seu direito a uma parcela do crédito pleiteado sem que tenham sido dados os fundamentos para a glosa, portanto, pleiteia a nulidade do processo; 3. as despesas pagas às pessoas jurídicas responsáveis pela manutenção e reparos de seus ativos se enquadram verdadeiramente no conceito de insumos albergado pela legislação fiscal de regência; 4. o direito ao crédito da contribuição nascerá em relação a toda e qualquer aquisição de bens e serviços, desde que: (i) tratemse de elementos sem os quais a receita de vendas não se realizaria; e, (ii) não haja vedação legal à apropriação de créditos calculados sobre tais dispêndios; 5. a Requerente esclarece que as tais despesas são registradas na conta 752.600 e referemse à utilização de serviços no beneficiamento do algodão, e que anexará notas fiscais posteriormente; 6. se o art. 3º, II da Lei n.° 10.637/02, ou da Lei nº 10.833/03, não restringiu o direito ao crédito apenas para as hipóteses em que os serviços são aplicados ou consumidos na produção, o ato administrativo ora mencionado (IN nº 247/02 com redação dada pela IN º 358/03) não poderia criar este limite, sob pena de ofensa ao Princípio da legalidade, alçado a patamares constitucionais por força do art. 150, I da Constituição Federal; 7. em relação aos fornecedores inidôneos, a Requerente acosta notas fiscais, comprovantes de pagamentos e de entrada de mercadorias, que comprovam as transações elencadas pelo Sr. AFRF; 8. cumpre destacar que a Lei nº 10.637/2002, ou da Lei nº 10.833/03, não condicionou a apropriação de créditos ao pagamento do produto adquirido, mas sim a sua aquisição; 9. exigir que a Requerente tome os créditos apenas de pessoas jurídicas que estejam em dia com suas obrigações tributárias (principais e acessórias) é no mínimo paradoxal, na medida em que a Requerente não dispõe do mesmo aparato que o Fisco detém para constatar irregularidades tributárias; 10. ainda que existisse regra condicionando o crédito ao pagamento na etapa anterior, tratar seia de dispositivo absolutamente inócuo, na medida em que em virtude do sigilo fiscal (arts. 198 e 199 do CTN) não há como a Requerente constatar se seus fornecedores estão em dia com o Fisco; 11. assim, solicita o cancelamento da glosa referente às aquisições de pessoas jurídicas inidôneas; 12. o Parecer equivocouse ao glosar o crédito pleiteado pela Requerente (registrado na linha 02 da ficha 04 do DACON), na medida em que as embalagens registradas nessa linha do DACON (contabilizadas na conta 755.000) referemse àquelas consumidas na industrialização do óleo de algodão, não guardando qualquer/relação com aquelas adquiridas, sob o CFOP n°s 1.122, 2122, 1125 e 2125; 13. as demais despesas com embalagens citadas referemse às aquisições de sacaria Fl. 1287DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 4 5 utilizada na exportação, de café (linha 01 do DACON); 14. não há registro em duplicidade e, consequentemente, não há valores à serem glosados; 15. não há como prosperar a glosa efetuada em relação à aluguel, pois todos os dispêndios encontramse devidamente suportados por recibos e comprovantes de pagamento que à Requerente anexará posteriormente; 16. os dispêndios de condomínio compõem o valor da própria despesa de aluguel e, dessa forma, também geram direito ao crédito. A Inconformada cita legislação e jurisprudência, requerendo, ao final, reconhecimento do direito de crédito e homologação das compensações efetuadas. O processo fora baixado em diligência (fl. 357) para a Unidade a quo examinar, em resumo, se há alguma repercussão, na controvérsia aqui instaurada e no crédito pleiteado, dos mesmos fatos apurados nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, pedindo ainda esclarecimentos acerca de outros itens glosados. A Delegacia de origem no “Relatório Fiscal”, à fl. 680 e seguintes, responde positivamente a tal indagação, junta variados documentos, e, em síntese, justifica que: 1. a operação fiscal “TEMPO DE COLHEITA” foi deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, que resultou na operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão e prisão; 2. no rol de supostos fornecedores da contribuinte, é importante mencionar a ACÁDIA, COLÚMBIA, DO GRÃO, L&L, J.C. BINS e V. MUNALDI, hipotéticas atacadistas de café localizadas na cidade de COLATINA, norte do ES, uns dos principais alvos na “Operação Tempo de Colheita”, deflagrada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória – ES; 3. a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; 4. dezenove (53%) das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; 5. ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; 6. entre os documentos obtidos ao longo da operação “TEMPO DE COLHEITA” estão declarações de produtores rurais, maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada, e, ainda, documentos relacionados a tais empresas; 7. do Ministério Público e da Polícia Federal a Fiscalização recebeu documentos fiscais e contábeis em papel e meio magnético, relativos às empresas de fachada; 8. com o objetivo de colher provas sobre o modus operandi do esquema, coletouse, durante as mencionadas operações, documentos, além de realizar diligências nas atacadistas e principais empresas exportadoras de café; 9. junto aos produtores rurais foi apurado que havia uma negociação direta, ou por meio de corretores, entre os produtores rurais e tradicionais maquinistas e empresas do ramo Fl. 1288DF CARF MF 6 atacadistas, exportadoras ou indústrias, porém, nas notas fiscais apareciam como compradores pseudoatacadistas, tais como, Colúmbia, Do Grão, V. Munaldi, JC Bins, e outras; 10. os produtores rurais, via de regra, não preenchiam as notas fiscais, sendo que as mesmas eram preenchidas nos escritórios dos corretores e/ou compradores; 11. os corretores de café convergiram para firmar os pontos levantados pelos produtores rurais, especialmente, no que tange à utilização das pseudoempresas jurídicas para intermediar a venda do café do produtor para a comercial atacadista, inclusive, do pleno conhecimento da empresa, ora autuada, de tais operações; 12. os corretores afirmaram que as próprias empresas tradicionais de exportação e industrialização do café passaram a dificultar a compra com nota fiscal do produtor rural, exigindo notas em nome de pessoas jurídicas; 13. os corretores afirmaram que algumas empresas foram constituídas com a única e exclusiva finalidade de vender notas fiscais, e, ainda, que as Exportadoras/Indústrias tinham pleno conhecimento do esquema fraudulento; 14. a migração para empresas laranjas foi um movimento orquestrado, onde exportadoras e indústrias caminharam no mesmo sentido, com exigência inclusive de que as notas fiscais anotassem ficticiamente a incidência do PIS/COFINS, bem como as mesmas cautelas adotadas de consultar os cadastros fiscais no momento do recebimento do café por meio de empresas laranjas na tentativa de evitar problemas futuros; 15. restou demonstrado que a EISA não só tinha pleno conhecimento do esquema fraudulento como dele se beneficiava, apropriandose de créditos fictícios sobre notas fiscais ideologicamente falsas gerados por empresas atacadistas de fachada. Intimada do resultado da diligência (fl. 844), em 05/10/13, a contribuinte ratificou os termos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando (fls. 846 e ss), em resumo, que: 1. nenhum dos sócios, administradores ou empregados da Requerente foi investigado no âmbito do Inquérito Policial nº 541/2008 DPF/ SR/ES ou denunciado nos autos do Processo Criminal n° 2008.50.05.0005383, ou em qualquer outro processo criminal oriundo das operações "Tempo de Colheita" e "Broca"; 2. ao revés, em momento algum das investigações ocorridas houve a vinculação da Requerente ao suposto sistema fraudulento; 3. assim, resta evidente a precariedade da acusação da d. autoridade fiscal de que a Requerente teria se utilizado de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores, com o intuito exclusivo de apropriação de créditos da Contribuição ao PIS e da COFINS; 4. o volume de operações mantido com pessoas físicas pouco sofreu alterações com a instituição da nãocumulatividade das contribuições e previsão de direito ao crédito (anoscalendários 2002 e 2003), e com a mudança da legislação aplicável ao setor em 2012 (Lei n° 12.599/2012); 5. ainda que o nome do produtor rural, da fazenda de café e/ou da região fosse informado ao adquirente em referidas situações, como até hoje o é, este adquire o produto da empresa atacadista, que ao final é responsável pela entrega do produto em determinada quantidade, em boa qualidade e em determinado prazo e local; 6. as empresas atacadistas, comerciantes e exportadoras de café cru em grão não necessitam de estrutura física própria para operarem a não ser uma sala, Fl. 1289DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 5 7 onde localizado o estabelecimento comercial utilizado para a formalização da compra e venda do café, na medida em que referido produto, após adquirido, pode perfeitamente permanecer depositado em armazém geral até a ocasião da revenda; 7. em nenhum dos depoimentos constantes dos autos é feita menção à pessoa da Requerente ou de algum administrador/funcionário seu como participante do alegado esquema fraudulento; 8. em sendo inegável a boafé da Requerente, verificase a completa improcedência da glosa dos créditos apurados sobre aquisições de café cru em grão de pessoas jurídicas no período compreendido entre o 1º trimestre de 2004 e o 3° trimestre de 2005; 9. demonstrou a completa improcedência da glosa dos créditos originais das contribuições apurados pela Requerente sobre aquisições de café de pessoas jurídicas; 10. considerando a indiscutível boafé da empresa e nos termos do artigo 82, parágrafo único, da Lei n° 9.430/96, deve ser cancelada a glosa dos créditos levada a efeito em razão da suposta inidoneidade dos fornecedores da Requerente; 11. na remota hipótese da glosa em questão ser mantida, o que se admite apenas para fins de argumentação, há que ao mínimo se reconhecer o direito à apuração do crédito presumido de que trata a Lei n° 10.925/04, como fora inicialmente realizado pela d. autoridade fiscal; 12. ainda que não tivesse ocorrido a decadência para inovação dos fundamentos da glosa, apenas a título de argumentação, restará comprovado que a posição da 16ª Turma da DRJ/RJ1 quanto à apuração de crédito presumido de aquisições de café de produtores rurais não deve prosperar; 13. um dos requisitos para a apropriação do crédito presumido na aquisição de produto in natura consiste no fato de que o adquirente exerça a atividade agroindustrial, e a Requerente, na condição de encomendante, é considerada, para todos os fins fiscais, produtora de café e, por conseguinte, beneficiária do crédito presumido. Reitera, “com base nos argumentos constantes da Manifestação de Inconformidade apresentada, somados aos argumentos que aqui são apresentados”, pela reforma da decisão que não homologou os pedidos de compensação, a fim de que seja reconhecido o crédito pleiteado em sua integralidade." A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve integralmente o despacho decisório. A decisão foi assim ementada: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 Créditos a Descontar. Incidência nãoCumulativa. Não dá direito a crédito gastos ou despesas com bens ou serviços utilizados nas atividades da Empresa, quando não corresponderem ao conceito de insumo ou a outra expressa hipótese legal. Fl. 1290DF CARF MF 8 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificada da decisão, a autuada interpôs recurso voluntário, alegando em sede preliminar que a decisão da primeira instância inovou a matéria discutida nos presentes autos, ao trazer argumentos para manutenção do lançamento resultante de diligência realizada, que trariam afirmações que a Recorrente teria participado de suposto esquema visando gerar, fraudulentamente, créditos da Contribuição ao PIS e da Cofins. No restante do recurso são repisadas as alegações já apresentadas na impugnação. Ao apreciar o recurso voluntário, a turma resolveu converter o julgamento em diligência, nos seguintes termos: Nos termos aqui expostos, entendo que os documentos e informações constantes dos autos não são suficientes para definir com exatidão quais são os insumos glosados pela Fiscalização e quais deles o contribuinte tenta pleitear seus créditos. Assim, fazse necessário a baixa dos autos em diligência para que seja determinada com acuracidade, quais são as aquisições de bens e as despesas de serviços que foram utilizadas a título de crédito pela Recorrente, quais foram glosadas pela Fiscalização e qual a implicação destes bens e serviços no processo produtivo. Diante do exposto, buscando os esclarecimentos necessários ao prosseguimento do julgamento, voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as Fl. 1291DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 6 9 informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. A Unidade de Origem procedeu a diligência determinada pelo CARF, elaborando relatório fiscal. Informando que a Recorrente apresentou documentos referentes à glosa de despesas de manutenção e reparos e de aquisição de embalagens. A auditoria fiscal concluiu por manter a glosa referente a despesas com manutenção e reparo, por entender, que não estariam ligados a atividade de produção da Recorrente. Quanto as aquisições de embalagem, entendeu por acatar as alegações da Recorrente e afastar a glosa referente a este item. Cientificada da diligência, a Recorrente apresentou manifestação ,concordando com o afastamento da glosa sobre as aquisições de embalagem e afirmando que as despesas de manutenção e reparo estariam vinculados a atividade da empresa e portanto, também estariam aptas a serem utilizadas como créditos na apuração das contribuições. Com estas considerações, o processo retornou ao CARF para o prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Os recursos são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. Nos termos detalhados no relatório, em sede de recurso voluntário, a Recorrente alega a nulidade da decisão da primeira instância, sob o arrimo que o acórdão teria inovado nos fundamentos inicialmente citados no despacho negatório do pedido de compensação. Consultando a decisão da primeira instância é possível identificar o enfrentamento de matérias referentes a glosa de créditos, por entender que tais operação não estariam incluídas no conceito de insumo e outra discussão quanto a possibilidade de creditamento sobre operações realizadas com empresas que foram identificadas como inaptas ou inexistentes de fato. Para a segundo grupo de créditos glosados, a decisão recorrida trata de dois fundamentos para negar os créditos. O primeiro seria a inexistência de recolhimento das contribuições na etapa anterior e o segundo a existência de fraude na criação e operação de empresas declaradas inexistentes de fato ou declaradas inaptas pela receita federal. O acórdão da primeira instância adotou como fundamento da decisão, a fraude nas operações realizadas com empresas, conforme pode ser verificado no trecho abaixo, extraído no voto condutor do Acórdão da DRJ. Fl. 1292DF CARF MF 10 Assim, considerando os fatos descritos, e sustentados por conjunto probatório robusto constante dos autos, é imperativo concluir que as ‘compras’ efetuadas pelo contribuinte, ora recorrente, de pessoas jurídicas artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária no contexto da nãocumulatividade do PIS/Cofins, além de simular negócios de fato inexistentes para dissimular o negócio real entre o produtor rural/pessoa física e o contribuinte, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública. A análise exposta acima leva à rejeição peremptória de eventual alegação de planejamento tributário, pois demonstra que o autuado participou da criação ou utilizou de pessoas jurídicas de existência fantasmagórica, a fim de interpor elo fictício na cadeia produtiva e, assim, escapar do pagamento de tributo de sua responsabilidade, por meio de compensação de créditos inexistentes de fato, e ainda com vultosos valores de ressarcimento em dinheiro. O trabalho fiscal, por ocasião da diligência realizada, fundouse em amplo material probatório, permitindo o exercício do direito de defesa e ao contraditório. No Relatório é comprovado detalhadamente o acerto das glosas efetuadas. Neste contexto, perderam relevância as notas fiscais e comprovantes de pagamento. Na decisão recorrida é possível identificar claramente que o enfrentamento da matéria, que nega o direito creditório da recorrente, possui como fundamento a aquisição de produtos de pessoas jurídicas, quando na verdade tratariamse de pessoas físicas. A decisão da primeira instância considerou que os dois fundamentos teriam sido enfrentados no despacho decisório, tanto a questão da ausência de recolhimento das contribuições nas etapas anteriores, bem como, a existência de aquisições de "pseudoatacadistas". Quanto ao primeiro fundamento discutido na decisão da DRJ é inequívoco a sua utilização pelo despacho decisório, que consta de forma explicita na sua conclusão, conforme se depreende do trecho abaixo do despacho decisório, exarado pela Unidade de Origem. Em resumo: . Restou demonstrado que não houve incidência econômica dos tributos na maior parte das aquisições realizadas; . A ocorrência da incidência jurídica é duvidosa, uma vez que as pessoas jurídicas que poderiam realizar o aspecto material da hipótese de incidência (faturamento), aparentam ser meros instrumentos para realização de práticas ilegais; . Sob o ponto de vista econômica, não houve qualquer oneração da cadeia produtiva em relação a tais operações; . Em não havendo tal oneração perde o sentido o dualismo cumulatividade x nãocumulatividade que justificou o escopo da alteração da legislação; . Em conclusão, não ocorrendo a indesejada cumulutividade que ensejou a mudança da sistemática da apuração das contribuições em apreço não há que se falar em saldo credor possível de ressarcimento. Fl. 1293DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 7 11 Quanto ao segundo fundamento, a decisão da Delegacia de Julgamento da RFB afirma existir no despacho decisório menção ao fato de existir fraude na criação e operação dos atacadistas revendedores de café, cito trecho abaixo constante da decisão da DRJ, que detalha estes argumentos. 2º argumento: Compras de “pseudoatacadistas” Se a instrução processual se encerrasse neste ponto, dificilmente poderia prosperar a glosa procedida sub examen. Porém, com a diligência veio o relatório, onde se concluiu que parte dos créditos de PIS/Cofins reivindicados nos pedidos de ressarcimento e utilizados nas declarações de compensação foi gerada através de simulação de aquisições de pessoas jurídicas, quando realmente o foi de aquisições de produtores rurais pessoas físicas. Tratase agora da hipótese já contida Parecer DRF/VIT/SEORT (fls. 247 e ss) de considerar as compras, correspondentes aos fornecedores irregulares, transações fictícias: No caso em questão, aparentemente existiria a intermediação comercial por pessoa jurídica. Entretanto, se ditas "pessoas jurídicas" forem apenas instrumentos para práticas fraudulentas, acobertando vendas realizadas por outros sujeitos, muito provavelmente pessoas físicas, não haveria que se falar em hipótese de incidência de PIS/Pasep e Cofins não cumulativos e, muito menos, em créditos da não cumulatividade como ora pretendido. Entendese que a prova colacionada aos autos no âmbito da diligência lançou nova luz sobre os créditos relativos às compras de café pela contribuinte, que foram glosados pela Autoridade Fiscal. O quadro amplo traçado a partir das Operações Broca e Tempo de Colheita milita desfavoravelmente à contribuinte no que concerne a seu alegado direito de crédito. Além disso, há elementos nos autos que não permitem simplesmente entender pela completa “isenção” do contribuinte na frustração da Receita Federal em sua legítima pretensão de caráter constitucional de amealhar recursos ao Erário. Quanto a este segundo fundamento para afastar os créditos referentes a aquisição das empresas atacadistas consideradas inidôneas, divirjo do entendimento da decisão da primeira instância. Apesar de existir a citação da existência de operações realizadas com empresas inidôneas, o despacho decisório é claro ao afirmar que matéria não esta sendo objeto de enfrentamento e discussão, conforme consta do trecho abaixo extraído do despacho decisório. Fl. 1294DF CARF MF 12 52. No caso examinado há uma presunção que a abertura destas "pessoas jurídicas" era meramente casuística, indicando objetivos escusos, bastando verificar que aproximadamente 33% (trinta e três inteiros percentuais) destas "sociedades" analisadas iniciaram suas "operações" após 09/2002 (fls. 210;219), quando foi publicada a Medida Provisória nº 66/2002 que instituiu a nãocumulatividade para a contribuição para o PIS/Pasep, o que reforça ainda mais as suspeitas. 53. Assim, o que se verifica deste quadro é que, a bem da verdade, estas "pseudopessoas jurídicas" são apenas figuras formais, longa manus de pessoas inescrupulosas que as utilizam em suas práticas ilegais, onde funcionam como intermediárias, com o único propósito de "fabricar" créditos da não cumulatividade para as contribuições em comento. 54. Deixese claro, neste interim, que não se está com isto afirmando que a requerente agiu em conluio ou mesmo que tivesse conhecimento de tal situação, ao passo que não houve nenhuma investigação neste sentido e não há prova que aponte tal realidade, pois não é este o escopo deste trabalho. De forma alguma. Até porque, se isto ocorreu ou vem ocorrendo, estar seia diante de um crime contra a ordem tributária. 55. Nesse contexto, a ausência de provas que una a requerente aos seus fornecedores gera uma presunção de boafé em seu favor. Todavia, em que pese tal circunstância, pressuposta inocência não pode lhe garantir o cômputo normal de tais créditos, justamente porque também foi vítima do procedimento ilegal. Demais disso, não se concebe que a adquirente, neste ato requerente do crédito, possa transferir o seu pretenso prejuízo ao Estado, sob pena de se admitir a distribuição por toda a sociedade de um ônus individual. 56. Frisese: nesta peça opinativa não se questiona a existência das operações de venda, mas sim, a inclusão das compras em um debate no cálculo dos créditos a descontar dos valores devidos a título de PIS/Pasep e Cofins nãocumulativos, haja vista que sendo Fisco e contribuinte vítimas de um mesmo golpe, não é possível a socialização do prejuízo sofrido pelo adquirente, exigindose que o Estado arque com um prejuízo dobrado, qual seja, além de nada receber ainda ter de ressarcir aquilo que deveria ter sido recolhido e não foi, ainda que o adquirente tenha agido de boafé. Neste pormenor aplicase o princípio da prevalência dos interesses públicos sobre os particulares. 57. Como se pode extrair, a situação é paradoxal porquanto a Fazenda Nacional é instada a ressarcir um direito creditório que, como contrapartida, não possui o competente recolhimento dos tributos devidos na etapa imediatamente anterior. 58. Diante do que descortinado, a plausível conclusão conduz à inadmissibilidade do pleito formulado integralmente, no que toca às ditas compras de PJ, sob pena de gerar um claro enriquecimento sem causa em detrimento dos cofres públicos, o que representaria uma cessão de interesses públicos.(grifo nosso) Fl. 1295DF CARF MF Processo nº 11543.003095/200515 Acórdão n.º 3201003.032 S3C2T1 Fl. 8 13 A leitura do despacho decisório deixa evidente que não existiu o aprofundamento da matéria referente a aquisição de empresas inidôneas, tampouco tal fato foi utilizado como fundamento para negar o creditamento das operações da Recorrente. O Processo Administrativo Fiscal tem seu desenvolvimento a partir da existência de um lançamento ou decisão fiscal, que é objeto de questionamento por parte do contribuinte, que utilizando dos instrumentos da impugnação ou da manifestação de inconformidade, define as matérias sobre a qual discorda da decisão da autoridade fiscal. A delimitação da lide, submetida a apreciação dos julgamentos administrativos, está restrita aos fundamentos e fatos arrolados no despacho decisório, delimitado pelos argumentos trazidos pelo contribuinte nos seus recursos. No caso em tela, ao meu sentir, restou claramente identificado como fundamento utilizado no despacho decisório para negar os créditos referentes a aquisição de empresas atacadistas consideradas inidôneas, o fato de não existir o recolhimento das contribuições nas etapas anteriores. Assim, entendo que existiu na decisão da primeira instância, a utilização de fundamentos que não constariam do despacho decisório, determinando que tal decisão seja cancelada para realização de um novo julgamento adstrito aos fundamentos constantes do despacho decisório. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão da primeira instância e a realização de um novo julgamento considerando unicamente os fundamentos constantes do despacho decisório. Winderley Morais Pereira Fl. 1296DF CARF MF
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