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Numero do processo: 10480.723802/2010-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2005, 2006
REVISÃO ADUANEIRA. PRAZO PARA CONCLUSÃO E LANÇAMENTO DE TRIBUTOS.
Nos lançamentos decorrentes de revisão aduaneira, o prazo para conclusão da revisão aduaneira e lançamento de tributos é de 5 (cinco) anos, contados da data de registro da declaração de importação, conforme disposto no artigo 54 do Decreto Lei nº 37/1966.
ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. DESCRIÇÃO. FUNDAMENTOS LEGAIS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO. REGULAMENTO ADUANEIRO.
De acordo com o Art. 142 do CTN e Art. 10 do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal), a fiscalização deve fundamentar e descrever o lançamento. Também, em acordo com o Art. 94 do Regulamento Aduaneiro de 2002, as classificações fiscais de mercadorias devem ser realizadas em observância ao disposto nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado.
Não cumpridas estas expressas disposições, taxativas e legais, em razão de não ter sido juntado ao lançamento nenhuma análise técnica ou pericial válida, em razão da re-classificação não ter descrito ou utilizado nenhuma Regra Geral de interpretação do Sistema Harmonizado, o lançamento, no que diz respeito à re-classificação, não merece prosperar.
Assunto: Classificação de Mercadorias
Exercício: 2005, 2006
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. COMPETÊNCIA DA RFB. ANÁLISE TÉCNICA. COMPETÊNCIA DE ÓRGÃOS CREDENCIADOS PELA RFB.
A classificação de mercadorias é atividade cuja atribuição é de competência exclusiva da RFB. Empresa não credenciada pela RFB para realizar a identificação fiscal de mercadorias, ainda que competente para identificar mercadoria para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA, não tem competência e não tem previsão legal para identificar mercadoria para fins de re-classificação fiscal.
A análise de mercadoria, realizada por empresa não credenciada pela RFB, de forma isolada, não deve servir de subsídio para a re-classificação fiscal, por não possuir autorização legal ou tecnicidade suficiente para analisar a classificação de mercadorias em observação às Regras de Classificação de Mercadorias estabelecidas pelo Sistema Harmonizado.
LICENÇA E CERTIFICADO DE ORIGEM. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA.
Comprovadas as origens da mercadoria e não havendo dano ao erário, assim como não comprovado o erro na classificação das mercadorias, devem ser consideradas as licenças e certificados de origem juntadas aos autos, porque válidas. Precedentes deste Conselho: Acórdãos de n.º 301-27667, 03.04.321, 302-34163 e 302-34226.
DESCRIÇÃO INCORRETA OU INCOMPLETA DE MERCADORIA. MULTA REGULAMENTAR DE 1%. POSSIBILIDADE. DISPOSIÇÃO EXPRESSA.
De acordo com o determinado na legislação aduaneira, ao contribuinte que descrever de forma incorreta ou incompleta mercadoria importada, cabe a multa regulamentar de 1% do valor da mercadoria.
Numero da decisão: 3201-004.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. E por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para manter a exigência da multa de 1% (um por cento) sobre os valores referentes às adições em que utilizado o termo "glaceado" em vez de "não glaceado" das DIs nº 06/0137748-0 e 06/0187002-0. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento integral ao Recurso, e o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe dava provimento parcial em menor extensão. Ficou de apresentar declaração de voto o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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PRAZO PARA CONCLUSÃO E LANÇAMENTO DE TRIBUTOS. Nos lançamentos decorrentes de revisão aduaneira, o prazo para conclusão da revisão aduaneira e lançamento de tributos é de 5 (cinco) anos, contados da data de registro da declaração de importação, conforme disposto no artigo 54 do Decreto Lei nº 37/1966. ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. DESCRIÇÃO. FUNDAMENTOS LEGAIS. REGRAS GERAIS DE INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO. REGULAMENTO ADUANEIRO. De acordo com o Art. 142 do CTN e Art. 10 do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal), a fiscalização deve fundamentar e descrever o lançamento. Também, em acordo com o Art. 94 do Regulamento Aduaneiro de 2002, as classificações fiscais de mercadorias devem ser realizadas em observância ao disposto nas Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado. Não cumpridas estas expressas disposições, taxativas e legais, em razão de não ter sido juntado ao lançamento nenhuma análise técnica ou pericial válida, em razão da reclassificação não ter descrito ou utilizado nenhuma Regra Geral de interpretação do Sistema Harmonizado, o lançamento, no que diz respeito à reclassificação, não merece prosperar. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2005, 2006 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. COMPETÊNCIA DA RFB. ANÁLISE TÉCNICA. COMPETÊNCIA DE ÓRGÃOS CREDENCIADOS PELA RFB. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 38 02 /2 01 0- 70 Fl. 2734DF CARF MF 2 A classificação de mercadorias é atividade cuja atribuição é de competência exclusiva da RFB. Empresa não credenciada pela RFB para realizar a identificação fiscal de mercadorias, ainda que competente para identificar mercadoria para o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA, não tem competência e não tem previsão legal para identificar mercadoria para fins de reclassificação fiscal. A análise de mercadoria, realizada por empresa não credenciada pela RFB, de forma isolada, não deve servir de subsídio para a reclassificação fiscal, por não possuir autorização legal ou tecnicidade suficiente para analisar a classificação de mercadorias em observação às Regras de Classificação de Mercadorias estabelecidas pelo Sistema Harmonizado. LICENÇA E CERTIFICADO DE ORIGEM. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIA. Comprovadas as origens da mercadoria e não havendo dano ao erário, assim como não comprovado o erro na classificação das mercadorias, devem ser consideradas as licenças e certificados de origem juntadas aos autos, porque válidas. Precedentes deste Conselho: Acórdãos de n.º 30127667, 03.04.321, 30234163 e 30234226. DESCRIÇÃO INCORRETA OU INCOMPLETA DE MERCADORIA. MULTA REGULAMENTAR DE 1%. POSSIBILIDADE. DISPOSIÇÃO EXPRESSA. De acordo com o determinado na legislação aduaneira, ao contribuinte que descrever de forma incorreta ou incompleta mercadoria importada, cabe a multa regulamentar de 1% do valor da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. E por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para manter a exigência da multa de 1% (um por cento) sobre os valores referentes às adições em que utilizado o termo "glaceado" em vez de "não glaceado" das DIs nº 06/01377480 e 06/01870020. Vencidos os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario e Laercio Cruz Uliana Junior, que davam provimento integral ao Recurso, e o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe dava provimento parcial em menor extensão. Ficou de apresentar declaração de voto o conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Fl. 2735DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.735 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício do valor exonerado e de Recurso Voluntário de fls. 2.236 em face da decisão de primeira instância da DRJ/PE de fls. 2.193 que manteve parcialmente o lançamento de II e infrações aduaneiras com multas e juros, em resumo, diante de indícios de importação de outro produto que não o Arroz descrito pelo contribuinte. A autoridade lavrou o Auto de Infração às fls. 03 e Relatório de Ação Fiscal em fls. 1.422. Como é de costume desta Turma de julgamento a transcrição do relatório do Acórdão de primeira instância, segue para apreciação conforme fls. 2.193 apontadas acima: “Contra JOSAPAR JOAQUIM OLIVEIRA S/A PARTICIPAÇÕES foi expedido auto de infração onde é formalizada exigência de imposto de importação, multa de ofício, multa de 30% do valor aduaneiro, por falta de licenciamento, e multa de 1% do valor aduaneiro, por imprecisão na descrição da mercadoria. Somadas, tais parcelas totalizam exigência fiscal no valor de R$ 12.744.579,03. I. Da Autuação Segundo consta do relatório fiscal, apurouse que a contribuinte, no período de janeiro de 2005 a fevereiro de 2006, promovera a importação de arroz e, quando da formulação dos despachos de importação, descrevera incorretamente o produto importado e o classificara erroneamente nos código 1006.30.19 e 1006.30.29, quando deveria classificálo nos códigos 1006.30.11 e 1006.30.21. Segundo aduz, ora os produtos eram descritos como “arroz semibranqueado, não parboilizado, glaceado, máximo de 10% de grãos quebrados”, ora eram descritos como “arroz semibranqueado, não parboilizado, não glaceado, máximo de 10% de grãos quebrados”. Acrescenta que o termo “glaceado” equivaleria a “brunido” e determinaria, em cumprimento às notas explicativas do Sistema Harmonizado (NESH), a classificação dos produtos no código NCM aplicado de ofício (1006.30.21). Ademais, tanto no que se refere aos produtos descritos como “glaceados”, quanto no que diz respeito aos descritos como “não glaceados”, aponta a autoridade fiscal que teria sido omitida a informação de que se tratava de arroz polido, essencial para a definição da classificação e que, igualmente, atrai a aplicação dos códigos 1006.30.11 e 1006.30.21 da NCM. Observa, nesse particular, que as operações estavam sujeitas a emissão de Laudo de Classificação do Arroz, exigido pelo Ministério de Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, de acordo com Portaria MAPA 269/88 (Lei no 9.952/2000, Decreto no 3.664/2000 e Decreto no 6.268/2007). Fl. 2736DF CARF MF 4 No que tange à classificação fiscal do produto, aduz a autoridade fiscal que, nos termos das regras de classificação que integram o Sistema Harmonizado de Codificação de Mercadorias, e das respectivas notas de seção e de capítulo e de suas notas explicativas (NESH), a classificação das mercadorias nos códigos adotados pelo contribuinte exigiria que o produto em questão fosse não polido e não brunido. Destaca que, caso o arroz houvesse sido polido ou brunido, a classificação recairia sobre os códigos 1006.30.11 e 1006.30.21 (parboilizado e não parboilizado, respectivamente). Nesse ponto, destaca o autuante que todos os laudos emitidos pelo MAPA quando do ingresso das mercadorias no país certificam tratarse de arroz polido, inviabilizando a adoção da classificação proposta pela impugnante. Conclui, portanto, a autoridade fiscal que os produtos deveriam ter sido classificados nas posições 1006.30.11 e 1006.30.21 (parboilizado e não parboilizado, respectivamente). Nesse particular, a autoridade lançadora assenta suas conclusões nas definições técnicas expressas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado e na Norma de Identidade, Qualidade, Embalagem e Apresentação do Arroz, do Ministério da Agricultura, Pecuária e do Abastecimento, que estabelece as diretrizes a serem observada pela autoridade sanitária para fins de emissão dos laudos de classificação do arroz. A convergência dos conceitos empregados nas duas esferas (no âmbito internacional, pelo SH, e em âmbito nacional, pelo MAPA), particularmente no que tange ao processo de polimento do arroz, levaria à convicção de que o produto importado e periciado pelo MAPA tratarseia de arroz polido (parboilizado ou não, conforme o caso), inclusive para fins de classificação fiscal, ensejando a adoção das posições 1006.30.11 e 1006.30.21. Anota a autoridade fiscal que o caso em tela não trata de mero erro de classificação fiscal, vez que a mercadoria estaria indevidamente descrita como “arroz semibranqueado”, ou seja, não polido, nas declarações e nos demais documentos que Fl. 2737DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.736 5 instruíram os despachos de importação, inclusive no que se refere às faturas e aos certificados de origem apresentados. Quanto às conseqüências dos erros e imprecisões apurados, anota inicialmente a autoridade fiscal que a adoção de classificação fiscal incorreta de arroz descrito como glaceado (brunido), que deveria recair sobre os códigos 1006.30.11 e 1006.30.21, independentemente de eventuais infrações tributárias e administrativas, implicaria a imposição de multa correspondente a 1% do valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do art. 636 do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/02 e alterações posteriores). Da mesma forma, estariam igualmente sujeitas à multa de 1% sobre o valor da mercadoria, as declarações nas quais a descrição da mercadoria omitira o termo “polido”, essencial para determinação da classificação correta dos produtos. Reafirma neste ponto a autoridade fiscal que, em todas elas, os laudos de classificação de qualidade do MAPA atesta tratarse de arroz polido, tendo a contribuinte indicado indevidamente os códigos 1006.30.19 e 1006.30.29. Aduz, outrossim, que as mercadorias efetivamente importadas, sendo diversas das declaradas (inclusive para fins de licenciamento), estariam desamparadas das necessárias licenças de importação, o que configuraria infração ao controle administrativo das importações, ensejando a aplicação de multa de 30% sobre o valor aduaneiro, nos termos do art. 633 do Decreto 4.534/02 (Regulamento Aduaneiro), e alterações posteriores. Na mesma linha, argumenta finalmente a autoridade fiscal que os certificados de origem apresentados não acobertariam o produto efetivamente importado, fato que ensejaria a perda da preferência tarifária pretendida e, por conseguinte, a cobrança do imposto de importação com base na Tarifa Externa Comum (TEC), acrescido de multa de ofício e juros de mora. II. Da Impugnação Devidamente cientificada em 13 de dezembro de 2010, comparece a Contribuinte ao processo para pleitear a reforma do lançamento, essencialmente, em razão dos argumentos a seguir expostos: 1Decadência da fração do lançamento relativa a operações registradas em data anterior a 13/12/2005. As declarações de importação para as quais alegase haver decaído o direito à constituição do crédito tributário teriam sido registrados em prazo superior a cinco anos, contados da ciência do lançamento. Cita, nessa linha, o art. 570, § 2º, I do Regulamento Aduaneiro (Decreto 4.543/02). Cita o § 4º do art. 150 e o art. 156, VII, do CTN e transcreve jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2Exatidão da classificação fiscal empregada. A totalidade do arroz importado representaria insumos destinados à Fl. 2738DF CARF MF 6 industrialização, por meio da execução de diversas etapas, inclusive a de polimento. Ressalta que, no ano de 2009, realizou importações idênticas às que são alvo da exigência litigiosa e que tais importações foram encaminhadas para o canal vermelho de conferência e, para a realização das verificações inerentes, solicitouse a assistência da engenheira química Vera lúcia Timóteo de Oliveira, para quem teriam sido formuladas as seguintes quesitos: 1. Detalhe cada processo pelo qual passa o arroz, da colheita até a chegada ao supermercado. 2. Em quais destes processos podese dizer que há algum tipo "polimento"? 3. O arroz, objeto desta importação, passou por quais processos? 4. Quais processos ele ainda poderia ser submetido até a chegada ao consumidor final? 5. Podese dizer que o arroz, objeto deste laudo, é um arroz polido? 6. O que diferencia o arroz branqueado do semibranqueado? Quais processos cada um destes tipos se submete? 7. O arroz, objeto da análise, é branqueado ou semibranqueado?" Mereceriam destaque, as seguintes respostas: a) o arroz se submeteria a mais de duas etapas de polimento; b) o polimento ocorreria após a etapa de branqueamento; c) o arroz importado passara pelas etapas de colheita/secagem, peneira, descascador, separador e branqueamento. Ou seja, não passara por polimento; d) até a venda a consumidor final, o arroz poderia passar pela etapa de brunição, polimento, peneiras, separação e polimento final; e) o arroz objeto do laudo não teria sido polido, mas apenas branqueado, apresentando aspecto baço e sem brilho, apresentando, ademais resíduo de farelo e estrias longitudinais; f) a diferença entre arroz branqueado e semibranqueado estaria no processo pelo qual os mesmos se submetem: no arroz branqueado seria retirado todo o pericarpo e no semi branqueado, apenas parte deste; g) o arroz identificado seria branqueado. Acrescenta que foram juntadas fotos do processo produtivo da impugnante e laudo da pessoa jurídica Clacereais Classificação de Produtos Vegetais, em que se atesta que a amostra referente à Declaração de Importação 09/16996489, não recebera tratamento de polimento ou brunimento. Cita excerto que encerra tal afirmação. Aponta para a elaboração de seis outros laudos técnicos (todos baseados em análise d um mesmo perito da Clacereais) que convergem para as mesmas conclusões. Junta cópia dos laudos e das declarações de importação. Fl. 2739DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.737 7 Finalmente, sustenta que, apesar do decurso de prazo entre as importações objeto de laudo e as que foram objeto da presente exigência, seu processo produtivo sempre foi o mesmo. 3Correção da Descrição. Não procederia a informação de que o arroz importado por meio das declarações de importação 05/06006861, 05/06067240, 05/06683340, 05/06848307, 05/06848315: 05/07649545: 05/07704333: 06/01377480 e 06/01870020, seria glaceado. Argumenta que quando do preenchimento de tais declarações de importação indicara corretamente o código 1006.30.21, mas que, quando do preenchimento da segunda ficha, copiara a descrição da nota fiscal, cuja interjeição “não” faria referência aos termos “glaceado” e “polido”. Assim, a expressão “não parboilizado glaceado” deveria ser lida como “não parboilizado e não glaceado”. Afirma que o arroz é semibranqueado e relembra a descrição do processo produtivo levada a efeito por meio de laudo técnico. Com base em tais premissas, conclui que só se procede ao glaceamento após a execução do branqueamento, polimento, peneiração, classificação ótica dos grãos e polimento final e argumenta que a etapa de glaceamento só ocorre após a execução. Reitera que o arroz importado apresentaria aspecto baço, sem brilho, com resíduo de farelo e estrias longitudinais. 4Completude da Descrição Rejeita a acusação de que omitira a informação acerca do grau de polimento do arroz, reafirmando suas alegações acerca do seu processo produtivo e das conclusões dos laudos técnicos, acrescentando que, com raras exceções, sempre importou o mesmo produto e, finalmente, procurando demonstrar que se dedica inclusive à comercialização de farelo produzido nas etapas de beneficiamento executadas em seu estabelecimento. Segundo aponta, tratandose de arroz semibranqueado e não polido, a classificação dos produtos deveria ser levada a afeito por meio a aplicação da Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado nº 4. Consequentemente, o arroz deveria ser classificado 1006.30.19 ou 1006.30.29, conforme fosse parboilizado ou não. Destaca, outrossim, que o arroz importado foi devidamente fiscalizado pelo MAPA, que concedeu as correspondentes autorizações para despacho, e pela própria Receita Federal do Brasil. 5Multa por Falta de Licenciamento Descaberia aplicar a multa por falta de licença, eis que o produto em questão era não polido, o que afastaria a premissa sobre a qual se assentara a acusação: imprecisão da descrição. Fl. 2740DF CARF MF 8 Reitera as conclusões dos laudos técnicos acostados, inclusive no que se refere ao seu valor probante, e as alegações acerca da fiscalização pelo MAPA e pela RFB. 6Cumprimento das Regras de Origem Após descrever sua convicção no sentido de que o fundamento para o afastamento da preferência tarifária seria o acusado erro de classificação e reiterar suas alegações acerca da precisão da informação de que o arroz importado não seria polido, argui que o erro de classificação não é suficiente para que se deixe de aplicar o benefício. Cita jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes. Reforça que as importações encontramse amparadas pelos devidos Certificados de Origem, que se encontram anexados aos extratos de declaração de importação colacionados aos autos. Distribuídos os autos a esta relatora, foi solicitada, em 27 de dezembro de 2011, diligência no sentido de detalhar o tratamento administrativo atinente às posições tarifárias litigiosas. Concluída a diligência requerida, colacionou a autoridade fiscal a legislação pertinente, enfatizando que toda a posição 1006 estaria sujeita a anuência por parte do Ministério da Agricultura e destacando que, especificamente no que tange à posição 1006.30.21 (arroz polido), seria necessária licença por parte do Decex. Anexou telas do Siscomex no intuito de sustentar tais afirmações. Devidamente intimada a se manifestar acerca do resultado da diligência fiscal, após fazer uma descrição dos fatos que considera relevantes, acrescentou a impugnante: a) que, nos autos do processo 11968.000043/201062, logrou êxito em obter restituição das multas decorrente de erro de classificação e que tal sucesso decorreria da comprovação da higidez, tanto da classificação fiscal empregada, quanto da descrição do produto. Segundo o laudo técnico produzido, o arroz foi identificado como não polido. b) que a autoridade autuante, de maneira irregular, emendara o relatório fiscal, acrescentando a informação de que a embalagem do produto consignaria a sua condição de “polido”, informação que não constaria da acusação original. c) que a ausência de identificação da declaração alegadamente maculada de erro violaria o exercício do seu direito de defesa e que tal informação não seria suficiente para infirmar as declarações elaboradas em 2005 e 2006. d) que as informações de classificação do MAPA somente se prestariam para aplicação do regulamento do arroz, não se prestando a serem empregadas como laudo técnico; e) que foram colacionados dispositivos legais acerca do tratamento administrativo das importações que não foram mencionados no auto de infração original; Reiterou os termos da sua impugnação e pleiteou o cancelamento integral da autuação ou, caso não seja acatado esse pedido, o afastamento das multas. Fl. 2741DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.738 9 É o Relatório." A Ementa deste Acórdão de primeira instância da Delegacia Regional de Julgamento/PE, foi publicada da seguinte forma: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se fala em violação aos direitos à ampla defesa quando os fundamentos da autuação foram devidamente citados, não tendo sido imposta limitação ao direito do sujeito passivo rebater ou contestar fatos, argumentos e interpretações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2005, 2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE TRIBUTO. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE ADMINISTRATIVA. CONTAGEM DO PRAZO. O direito de impor penalidade administrativa relativamente a operações de importação extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da infração. Por outro lado, a contagem do prazo decadencial para fins de constituição de crédito tributário relativo a imposto de importação, que não tenha sido objeto de antecipação na Declaração de Importação, iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o imposto poderia ter sido lançado. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Exercício: 2005, 2006 ARROZ POLIDO. O produto identificado como “arroz polido”, com grau de polimento “polido”, em laudos e certificados de classificação de qualidade subordinados à regulamentação do Ministério da Agricultura, classificase nas NCM 1006.30.11 (caso parboilizado) e 1006.30.21 (caso não parboilizado). DIVERGÊNCIA NA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MERCADORIA SUJEITA A LICENCIAMENTO NÃO AUTOMÁTICO. CONSEQUÊNCIAS. Constatado erro na classificação fiscal, estando a descrição da mercadoria em divergência com aquela efetivamente importada e sujeita a licenciamento não automático, cabe imposição de penalidade por falta de Licença de Importação (LI). Fl. 2742DF CARF MF 10 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. MULTA ADMINISTRATIVA DE 1%. CABIMENTO. Constatada imprecisão na descrição da mercadoria e erro na classificação fiscal do produto importado, cabível a imposição de multa correspondente a 1% do valor aduaneiro do produto. DIVERGÊNCIA NA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA. ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. REGIME DE ORIGEM DO MERCOSUL. CONSEQUÊNCIAS. Constatada diferença entre a descrição apresentada e a mercadoria importada, inclusive no que diz respeito à classificação consignada no Certificado de Origem e a resultante da verificação aduaneira da mercadoria, resta afastada a preferência tarifária própria do regime do Mercosul. Cabível o lançamento do imposto de importação acompanhado da multa de ofício. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Em razão da exclusão parcial das penalidades dos lançamentos que ultrapassaram os cinco anos da data da infração, a DRJ/PE recorreu de ofício. Em Recurso Voluntário o contribuinte reforçou as argumentações da impugnação. Os autos forma distribuídos e pautados em acordo com as regras do regimento interno deste Conselho. Esta Turma de julgamento, em fls. 2656, converteu o julgamento em diligência com o objetivo de averiguar os laudos apresentados pela empresa classnor, nos seguintes moldes: "Entendo que os laudos ou certificados colacionados nos autos serão aptos na identificação do arroz se cumulativamente atenderem aos requisitos de identificação da mercadoria, assim sintetizados nos questionamentos a seguir: 1. O laudo/certificado é emitido pelo MAPA ou por empresa credenciada? 2. O laudo/certificado foi efetuado a partir de amostras do arroz importado conforme identificado no próprio certificado? 3. Há correlação com documentos instrutivos do despacho aduaneiro? 4. O laudo/certificado informa o método e/ou equipamento utilizado para se obter a identificação da mercadoria? 5. O laudo/certificado é taxativo em identificar o arroz importado como "polido" ou não polido"? Respostas positivas para os cinco quesitos permitem constatar, com grande margem de certeza, que a identificação é suficiente e segura para atestar o acerto ou não da fiscalização ao reclassificar o arroz importado. Fl. 2743DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.739 11 Pois bem, compulsando os autos, utilizandose de amostragem, verificouse que exemplares dos laudos/certificado encontramse ilegíveis, impedindo sua leitura e compreensão. Ademais, verificouse também que os documentos foram colacionados em determinada disposição que, a princípio, não se permite concluir que todas as DIs possuem um laudo/certificado correspondente. Essa constatação preliminar fezme impelir à proposta de conversão do julgamento em diligência para que os autos retorne à Unidade de Origem com fins ao saneamento, exclusivamente, para que: 1. Os laudos/certificados ilegíveis sejam substituídos por cópias idênticas e legíveis, vedada a inclusão de documento novos não juntados por ocasião da autuação fiscal; 2. Seja elaborado(s) quadro(s) demonstrativo(s) que realize(m) a correspondência entre número e data de registro da DI, a denominação e numeração do documento instrutivo do despacho consignado no laudo/certificado, o número do laudo/certificado correspondente, e as folhas nos processos de cada um dos documentos indicados no(s) demonstrativo(s). Como sugestão, poderá(ão) o(s) demonstrativo(s) ter os formatos utilizados nas folhas 107/140 do processo nº 10480.723715/201012 (formalizado na mesma unidade de origem) 3. Elabore relatório final da diligência, acompanhado dos documentos substituídos; 4. Seja dada ciência ao contribuinte, com a entrega de uma via do Relatório, para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma única vez, exclusivamente em relação ao resultado da diligência, não sendo cabível revolver questões de defesa já suscitadas quando do oferecimento do recurso voluntário. 5. Seja dada ciência à Procuradoria da Fazenda Nacional; 6. Retorne os autos com as providências solicitadas." Em fls. 2689, o Relatório de diligência fiscal traz planilha e confirma a ausência de laudos, mas conclui o seguinte: "Interpretandose o Quadro acima, temse que, mesmo na ausência de alguns dos laudos, subsistem as infrações, uma vez que, conforme se pode verificar, a empresa importou, durante todos os meses de 2005 (média superior a 6 operações/mês) e em parte de 2006 período escopo da presente fiscalização , arroz de diversos, mas repetidos fabricantes/exportadores, o que nos permitiu manter a nossa convicção de que tratavase do mesmo tipo do produto e prescindir dos exemplares dos citados documentos que não nos foram apresentados para dar seguimento à ação fiscal." Por fim, em fls. 2700 o contribuinte juntou a sua manifestação em face do relatório de diligência fiscal, nos seguintes moldes (trechos selecionados): "Entretanto, observase que a Autoridade Fiscal de origem tangenciou a diligência. Por exemplo, não atendeu ao quesito 1 e Fl. 2744DF CARF MF 12 deixou de substituir as cópias ilegíveis por outras cópias idênticas e legíveis. Apenas, realizou quadroresumo elencando as DI’s, as folhas dos processos em que se encontram e indicou que os laudos de classificação do MAPA estariam em demais folhas. Ademais, na quase totalidade das vezes afirmou que as folhas estavam legíveis, quando, na verdade, ao consultar o processo, não era possível qualquer identificação no suposto laudo da Classnor. Desta forma, a ora Manifestante entende que a referida diligência apenas serviu para demonstrar a invalidade do auto de lançamento, lavrado sem suporte em provas suficientes, o que enseja o cancelamento do auto de infração, como passa a expor. ... Na sua análise do relatório fiscal, foi possível verificar: 1. Os laudos vegetais indicados referemse ao BL, não havendo laudo específico para cada DI; 2. A quase totalidade dos laudos suscitados pela Autoridade Fiscal estão ilegíveis e a mesma não se manifestou sobre as informações constantes nas DI’s, de que as operações foram homologadas sem a presença de laudo. 3. A Autoridade Fiscal deixou de dizer porque não aplicou a classificação fiscal da NESH, preferindo aplicar a classificação vegetal do MAPA, restrita à classificação vegetal e imprópria para a classificação fiscal. ... Inicialmente, cabe dizer que a Autoridade Fiscal buscou vincular os supostos laudos de classificação vegetal da Classnor, com o número do Bill of Lading (BL) que seria analisado pelo referido laudo vegetal. A primeira questão que se traz à tona, é que o BL é o conhecimento de transporte internacional que acoberta várias mercadorias, trazidas em vários containers. Ou seja, um BL não se vinculou a uma DI específica, mas, ao transporte várias DI’s que correspondem a todos os containers que estão sendo importados naquela data. ... Na planilha abaixo, será possível constatar, em relação às 77 declarações de importação que fazem parte da presente autuação: 42 laudos ilegíveis; 8 laudos ausentes; 27 laudos que se referem apenas ao BL, sem observação à DI; 75 DI’s com a observação expressa de que, na anuência do MAPA, inexiste laudo de classificação; Fl. 2745DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.740 13 Apenas 2 (duas) DI’s que não constam a observação da anuência." Os autos retornaram e foram pautados nos moldes do regimento interno deste conselho. Relatório proferido. Voto Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresento e relato o seguinte Voto. Em razão do presente processo tratar de matéria preventa à esta 3.º Seção e por ser tempestivo o Recurso Voluntário, este deve ser conhecido. Em análise da lide e busca de sua solução, verificase que necessariamente este Relator e o colegiado deverão considerar também as normas gerais de Direito Tributário. Isto porque não se trata de um simples processo de classificação fiscal. Existem peculiaridades nos autos, ligadas ao prazo da revisão aduaneira e à reclassificação da mercadoria, que precisam ser analisadas sob as garantias presentes no Direito Tributário. Além disto, a legislação, as provas e a jurisprudência deste Conselho levam à uma mesma conclusão, na visão deste Relator. DA REVISÃO ADUANEIRA, DA DECADÊNCIA E DO RECURSO DE OFÍCIO. A revisão aduaneira tem prazo para ser realizada, de forma que, expirado este prazo, esta já não poderá mais ser realizada. Da mesma forma, os lançamentos realizados por autoridade fiscal que dependam de prévia revisão aduaneira devem respeitar o prazo, prévio e antecedente, estabelecido para a revisão aduaneira. Logicamente, se expirado o prazo da revisão aduaneira, os lançamentos realizados pelas autoridades fiscais que dependam de revisar uma situação aduaneira, não poderão ser realizados, justamente porque dependem da revisão aduaneira e são posteriores à esta. Fl. 2746DF CARF MF 14 Logo, qualquer lançamento que dependa de revisão aduaneira, não poderá prosperar se realizado após o prazo de 5 anos da Declaração de Importação. Esta garantia não tem divergência significante neste Conselho, posto que diversos Acórdãos precedentes e de Conselheiros que têm seus trabalhos conhecidos e respeitados, externaram esse mesmo entendimento. A exemplo citase o Acórdão 3402002.948, proferido pelo presidente da 2.ª Turma/4.ª Câmara, senhor Antonio Atulim e, citase também Acórdão desta própria Turma (1.ª Turma/2.ª Câmara), de n.º 3201002.191. Na mesma linha, citase o Acórdão 3401003.252 do nobre colega Augusto Fiel, da 1.ª Turma/4.ª Câmara/3.ª Seção, que tratou do tema de forma completa e demonstrou largo conhecimento e equilíbrio em sua análise minuciosa que tratou da evolução legislativa do tema e da necessária interpretação sistemática que a problemática exige. Inclusive, aproveitase para transcrever trecho do seu voto, que ganhou destaque entre os recentes votos proferidos neste Conselho, conforme segue: "(...) Por sua vez, a Recorrente defende a ocorrência da decadência, alegando ser aplicável, para fins de lançamento no caso ora em discussão, o artigo 54 do Decreto Lei nº 37/1966, que prevê um prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de importação, e, caso assim não se entenda, requer a aplicação do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, que prevê um prazo de 5 (cinco) anos, contado do fato gerador, sob o entendimento que a homologação é do lançamento e não do pagamento. Segundo o conceito de Câmara Leal7, a decadência é “a extinção do direito pela inércia de seu titular, quando sua eficácia foi, de origem, subordinada à condição de seu exercício dentro de um prazo prefixado, e este se esgotou sem que esse exercício se tivesse verificado”. No direito tributário, a decadência se caracteriza pela extinção do direito de crédito da Fazenda Pública face ao contribuinte, motivado pela inércia e inatividade durante certo decurso de tempo. Caso o contribuinte não efetue o recolhimento de determinado tributo ou o efetue a menor, o fisco terá certo lapso de tempo para realizar o lançamento tributário, a fim de constituir definitivamente o crédito tributário e promover todos os procedimentos competentes para a sua cobrança. E, na hipótese de se manter inerte e não tomar nenhuma providência, deixando de fazer o lançamento no prazo previsto na Lei, dizse que se operou a decadência, com a conseqüente extinção do crédito tributário (artigo 156, inciso V, do CTN), pois não poderá o contribuinte ficar ad eternum sujeito às ações do fisco, sob pena de séria afronta ao princípio da segurança jurídica. Nos termos do artigo 146, inciso III, “b”, da Carta da República, cabe à lei complementar dispor a respeito de normas gerais de direito tributário, “especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários”. Com isso, o Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/1966), editado em 25/10/1966 e com vigência a partir de 01/01/1967, Fl. 2747DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.741 15 recepcionado com status de lei complementar, estabelece como regra geral que o início da contagem do prazo é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, segundo dispõe o artigo 173, inciso I8. Porém, no que se refere aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, prevalece a regra especial esculpida no artigo 150, parágrafo 4º, do CTN9, nos quais o prazo para a contagem da decadência tem início com a ocorrência do fato gerador. No caso de lançamentos referentes ao Imposto de Importação, importante ainda destacar o DecretoLei nº 37/1966, editado em data posterior à do CTN, em 18/11/1967, porém, com vigência a partir da mesma data, 01/01/1967, que traz as seguintes regras: “Art. 54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988)” ***** “Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração”. Quanto ao instituto da revisão aduaneira, observase que o dispositivo legal que dele tratava, em sua redação original, anterior ao DecretoLei nº 2.472/1988, não previa, de forma expressa, qualquer prazo para a sua realização. Veja a seguir a redação anterior do artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966: “Art 54. A revisão para apuração da regularidade dorecolhimento de tributos e outros gravames devidos à Fazenda Nacional será realizada na forma que estabelecer o regulamento, cabendo ao funcionário revisor 5% (cinco por cento), das diferenças apuradas, revogado o art. 4º do Decretoleinº 8.663, de 14 de janeiro de 1946”. Por sua vez, o Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/1985 (RA/1985), ao regulamentar esse dispositivo, assim dispôs: “Art. 455 Revisão aduaneira é o ato pelo qual a autoridade fiscal, após o desembaraço da mercadoria, reexamina o despacho aduaneiro, com a finalidade de verificar a regularidade da importação ou exportação quanto aos aspectos fiscais, e outros, Fl. 2748DF CARF MF 16 inclusive o cabimento de beneficio fiscal aplicado (DecretoLei n°37/66, art. 54). Art. 456 A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário (Lei n° 1172/66, art. 149, parágrafo único)”. (grifos nossos) Como se percebe, como a revisão aduaneira é o ato pelo qual se verifica a regularidade fiscal da importação ou exportação quanto aos seus aspectos fiscais, deveria ser realizada no mesmo prazo de que dispõe o Fisco para realizar o lançamento de tributos porventura não pagos. Daí, a regulamentação ter deixado expresso a coincidência de prazos para a realização do procedimento e do respectivo lançamento. Posteriormente, com a edição do DecretoLei nº 2.472/1988, a redação do artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966 foi alterada, para estabelecer expressamente uma limitação temporal à realização da revisão aduaneira, que deveria ser “processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei”. Como o fato gerador do Imposto de Importação “considerase ocorrido o fato gerador na data do registro, na repartição aduaneira, da declaração a que se refere o artigo 44” (artigo 23 do DecretoLei nº 37/1966), o legislador pretendeu desde logo, entre a regra geral do artigo 173, inciso I, do CTN, e a regra especial do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, adotar um prazo para realização da revisão aduaneira e do lançamento dela decorrente alinhado com essa última, do artigo 150, parágrafo 4º, do CTN. A regulamentação desse dispositivo permaneceu sem modificação até a edição do Regulamento Aduaneiro de 2002, que é seguida pelo Regulamento Aduaneiro de 2009, este último com a seguinte redação: “Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o; e DecretoLei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I do registro da declaração de importação correspondente (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2o); e (...)§ 3º Considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado”. (grifos nossos) Pela análise da evolução legislativa e regulamentar do instituto da revisão aduaneira, verificase que a regulamentação mais recente parece querer dissociar prazos que até então andavam juntos e eram coincidentes, quais sejam, o prazo para a realização Fl. 2749DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.742 17 do procedimento e o prazo para lançamento dos tributos dele decorrente. Se antes a regulamentação indicava expressamente que o prazo de realização do procedimento deveria ser o mesmo do lançamento e que esse era de 5 (cinco) anos contados do registro da declaração, como prevê o artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966, a atual regulamentação prevê no artigo 638, §1º, do RA de 2009, um prazo decadencial, e no artigo 638, §2º, do RA de 2009, um prazo para a conclusão do procedimento. Apesar disso, é o próprio Regulamento, no parágrafo seguinte (§ 3º, do artigo 638), que prevê, uma vez lançado o crédito tributário e cientificado o sujeito passivo, o procedimento de revisão aduaneira é encerrado, a indicar que a revisão aduaneira e o lançamento andam lado a lado. É ler: "considerase concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado". A meu ver, o prazo estipulado para a realização do procedimento serve como limite de prazo para a própria constituição do crédito tributário. Isso porque, se o Fisco só poderá realizar a revisão de importações realizadas nos últimos cinco anos, contados do registro das declarações de importação, e a revisão aduaneira é condição, um ato antecedente ao próprio lançamento, a interpretação do artigo 54 do DecretoLei nº 37/1966 mais adequada, no meu sentir, é que tal prazo de realização do procedimento se traduz em um próprio prazo decadencial. Se o Fisco só pode examinar operações de importação realizadas dentro de um limite de tempo, como poderá lançar para além daquele limite? Os prazos poderiam até não ser coincidentes, mas, para tanto, o prazo decadencial haveria de ser mais curto que o prazo de revisão, o que não ocorre. Diante desse quadro normativo, para o caso ora analisado, lançamento decorrente de revisão aduaneira, entendo que deve ser aplicado o prazo de 5 (anos) contados do registro da declaração de importação do artigo 54 do Decreto Lei nº 37/1966, por ser norma especial para o imposto de importação e para o instituto da revisão aduaneira, que prevalece frente às normas gerais de decadência previstas no CTN, repetidas no artigo 138, caput e parágrafo único, do Decreto Lei nº 37/1966. Em decorrência, como a Recorrente teve ciência do lançamento em 13/07/2012, em relação a todas as declarações de importações registradas antes de 13/07/2007, a revisão aduaneira não foi concluída no prazo previsto no artigo 54 do Decreto Lei n° 37/66, motivo pelo qual o crédito tributário relativo a esse período deve ser afastado." Revogado o entendimento do Art. 456 (RA/1985), de que "A revisão poderá ser realizada enquanto não decair o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário" e, superado tal conceito por outros que determinam exatamente o contrário, não há fundamento legal para reconhecer que a revisão aduaneira poderá ser realizada enquanto não decair o direito da Fazenda Nacional constituir o credito tributário. Fl. 2750DF CARF MF 18 O Art. 54 do DL 37/66 determina expressamente que somente poderá ser realizada em 5 anos da DI a apuração da regularidade do pagamento do imposto. É evidente que os Art. 23, 44 e 541 do DL 37/66, assim como os Art. 669 (RA/2002) e 7532 (RA/2009), tratam de garantia vigente aos contribuintes e uma regra que deve ser respeitada pelo poder público: fato gerador e prazo da revisão aduaneira. Sua ineficiência e mora nos trabalhos não pode sobrepor aos direitos coletivos e/ou individuais da sociedade e do contribuinte, é o que determina a própria concepção do Direito Tributário, instituição social criada para limitar o poder de tributação e imposição de penalidades. Considerando os ensinamentos da Sociologia Jurídica e das escolas positivas do Direito, foi muito difundido que o Direito é a forma específica de controle social nas sociedades complexas. Tratase de um controle formal, determinado por normas de conduta, que regulam o comportamento social, seja do próprio Estado, do cidadão ou das instituições. 3 Os Brasileiros vivem formalmente sob um Estado Democrático de Direito, o que permite aos cidadãos sua participação no controle social, exercido indiretamente pela instituições sociais, legítimas e formais, como o Direito Tributário, por exemplo4. Ou seja, aos cidadãos foi atribuído legalmente o poder de controle social. De forma que, dentro do Estado Democrático de Direito, é permitido o exercício de suas garantias e princípios constitucionais como liberdade, livre comércio, dignidade humana e igualdade, por exemplo para limitar o poder do Estado por meio das instituições sociais, materializando o controle social sobre o principal agente de controle social, o próprio Estado. Por meios adequados para garantir o funcionamento do sistema, o direito privado tem o poder de fazer que o Estado constranja a si próprio, sendo que nesta lide o meio adequado para "constranger" o lançamento proferido pelo Estado (como poder público), é o presente procedimento administrativo de recursos fiscais. 5 As necessidades e interesses dentro de uma sociedade são em grande quantidade conflitivos e sempre haverá resistência de indivíduos ou grupos e, diante desta premissa sociologicamente aceita, dentro de um Estado Democrático de Direito não há um poder absoluto do Estado em impor sua vontade e fazer cumprir suas ordens em situações que conflitam com direitos e garantias individuais ou coletivas. Em resumo, existem limites para a convivência social, de forma que a Lei deveria representar uma declaração pública e solene da vontade geral, o que certamente inclui a vontade do cidadão e do povo (vide Rousseau, Jean Jacques. "Do Contrato Social). Esta linha de raciocínio reforça o próprio papel do Direito no processo de legitimação do Poder do Estado, formal e material. O Direito dá ao poder o que o filósofo Carl Shimitt chamou de "mais valia política"6. Este termo representa o seguinte: por meio do Direito é possível criar legitimidade para um governo, que passa a usufruir vantagens que são 1 Art.54 A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de 5 (cinco) anos, contado do registro da declaração de que trata o art.44 deste DecretoLei. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) 2 Art. 753. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, contados da data da infração (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 139). 3 fls. 28, Sabadell, Ana Lucia. "Manual de Sociologia Jurídica Introdução a uma leitura externa do Direito." 4 fls 115, Sabadell, Ana Lucia. "Manual de Sociologia Jurídica Introdução a uma leitura externa do Direito". 5 fls. 24. Sundfeld, Carlos Ari. "Fundamentos de Direito Público". 6 fls. 98, Sabadell, Ana Lucia. "Manual de Sociologia Jurídica Introdução a uma leitura externa do Direito". Fl. 2751DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.743 19 originadas com a aceitação popular, como a estabilidade social, a diminuição de conflitos e a obediência espontânea. Para então reforçar a segura conclusão deste posicionamento, é necessária uma observação a respeito do determinado no Resp 973.733/SC do STJ, porque em razão do disposto no Art. 62 do regimento interno deste Conselho, por se tratar de julgamento em sede de recurso repetitivo, é obrigatória sua aplicação aos conselheiros. É claro que a obrigatoriedade da aplicação do entendimento externado pelo STJ deve guardar similitude fática e temática com cada processo em concreto, razão pela qual sua aplicação não é necessária neste, porque não guarda similitude fática idêntica. Além do caso de que tratou o Resp 973.733/SC não ser proveniente de uma revisão aduaneira e não tratar desta situação de nenhuma forma, já foi deixado claro neste voto que a avaliação da revisão aduaneira antecede a avaliação dos dispositivos que tratam da decadência dos tributos (art. 150, §4.º e 173 do CTN) e, ao mesmo tempo, podem extinguir o direito da autoridade fiscal realizar o lançamento após o prazo de 5 anos da DI, por disposição vigente e expressa. Em conclusão, verificase que o contribuinte tomou Ciência do AI em 13/12/2010 conforme fls 2 a 2236, logo, não há como manter o lançamento realizado sobre as DIs anteriores a 13/12/2005, visto que extinto o direito do poder público apurar a regularidade dos impostos (Art. 54 do DL 37/66). Razão pela qual se reconhece a decadência parcial nos autos para cancelar não somente as penalidades como entendeu a primeira instância, mas também para cancelar a cobrança dos tributos. Dessa forma, o Recurso de Ofício deve ser negado e o Recurso Voluntário deve ser provido neste tópico. DA RECLASSIFICAÇÃO FISCAL DO ARROZ IMPORTADO, DA AUSÊNCIA DE CREDENCIAMENTO DA EMPRESA CLASSNOR, DA AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DO LANÇAMENTO NO SISTEMA HARMONIZADO, DA INOBSERVÂNCIA DO REGULAMENTO ADUANEIRO E DO ÔNUS DA PROVA DA FISCALIZAÇÃO. De acordo com o voto proferido acima sobre o período da revisão aduaneira e extinção do direito do fisco de apurar a regularidade dos impostos, parte do lançamento e da revisão aduaneira ocorreu em tempo, o lançamento que se refere às DIs posteriores a 13/12/2005. Presentes algumas dessas DIs nos autos, necessariamente a conclusão deste julgamento deverá considerar e analisar o mérito do lançamento. De acordo com a fiscalização, no Auto de Infração e Relatório de Ação Fiscal fls 2 e 1422, em resumo, o contribuinte importou arroz polido e não o arroz classificado na NCM 1006.3019 "Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/parboilizado/outros" e NCM 1006.30.29 "Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/não parboilizado/outros" e fundamentou o lançamento nos documentos apresentados pela empresa Classnor (vide os ilegíveis "Laudos" às fls. 334, Fl. 2752DF CARF MF 20 733, 1074, 1092 a exemplo), que "classificaram" o arroz como polido, empresa credenciada somente no Ministério da Agricultura para avaliar as mercadorias para fins de inspeção específica do Ministério da Agricultura. Em diligência deste conselho, a própria fiscalização confirma a ausência de laudos, inclusive a falta de registro dos laudos que estão ilegíveis, assim como apontou outras irregularidades, que foram bem resumidas no seguinte trecho da manifestação do contribuinte de fls 2700, reproduzido a seguir: "Na planilha abaixo, será possível constatar, em relação às 77 declarações de importação que fazem parte da presente autuação: 42 laudos ilegíveis; 8 laudos ausentes; 27 laudos que se referem apenas ao BL, sem observação à DI; 75 DI’s com a observação expressa de que, na anuência do MAPA, inexiste laudo de classificação; Apenas 2 (duas) DI’s que não constam a observação da anuência." O lançamento não utilizou de nenhuma Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado, à míngua do que dispõe o Art. 142 do CTN, o Art. 10 do Decreto 70.235/72 e Art. 94 do Regulamento Aduaneiro de 2002, o que pode ser verificado nas fls. 2 e 1422. A fiscalização, pretendeu fundamentar o lançamento somente com base na Portaria n.º 269/88 do Ministério da Agricultura, no sentido de que a classificação deveria ter sido realizada nas NCM's 1006.30.11 e 30.21, porque representariam somente os arrozes polidos. Mas vejamos as posições oficiais e as notas técnicas do Sistema Harmonizado, na sua íntegra: Fl. 2753DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.744 21 Fl. 2754DF CARF MF 22 De início verificase que o Sistema Harmonizado não titula nenhuma das posições com o Termo Polido, o que, de certo, já demonstra a diferença das descrições da Portaria 269/88 do Ministério da Agricultura com o as descrições oficiais do Sistema Harmonizado, justamente porque a característica do polimento é secundária. Veja que, conforme as notas técnicas acima, o termo corretamente utilizado, que mais se aproximaria do polimento, é o termo "arroz branqueado". Também de início, é possível verificar que o lançamento não cumpre os requisitos de reclassificação de mercadoria, porque nas classificações adotadas pelo contribuinte claramente constam a palavra "polido", conforme demonstrado acima (NCM 1006.3019 "Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/parboilizado/outros" e NCM 1006.30.29 "Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/não parboilizado/outros"). Logo, é de se ressaltar que, por constar no texto a palavra "polido", de acordo com a Regra Geral n.º 01 do Sistema Harmonizado, a classificação utilizada pelo contribuinte continua correta, havendo arroz "polido" dentre os importados ou não. Fl. 2755DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.745 23 Nas posições entendidas como corretas pela fiscalização, NCM's de n.º 1006.30.11 e 30.21, somente poderiam subsumir os arrozes polidos ou brunidos, parboilizados ou não. No entanto, como fez crer a fiscalização, é possível concluir que as mercadorias importadas são todas arrozes polidos ou brunidos, parboilizados ou não? De acordo com as fls 954 a 1032, não é possível concluir. Algumas das mercadorias são identificadas como arroz "polido" e algumas não. Portanto, de acordo com a Regra Geral n.º 01 do Sistema Harmonizado, correta é a classificação adotada pelo contribuinte, que atribui a possibilidade de, dentre as mercadorias importadas, haverem arrozes polidos ou não, nas seguintes posições: "NCM 1006.3019 Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/parboilizado/outros; NCM 1006.30.29 Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido/não parboilizado/outros" De acordo com o contribuinte em Impugnação e Recurso Voluntário de fls 1442 e 2236, em resumo, este importa o arroz nas classificações adotadas corretamente, porque realiza o polimento final somente após a importação (doc. 15 da impugnação). Possui todas as licenças e Certificados de Origem, que desembaraçou as mercadorias sem quaisquer questionamentos, que o fato gerador do II é a DI e que o desembaraço implica na concordância do lançamento, solicitou a decadência em observação ao prazo da revisão aduaneira e ao Art. 150, §4.º do CTN e juntou laudos técnicos de outras DIs favoráveis à sua classificação, assim como demonstrou que o polimento se dá no mínimo em 2 etapas e por fim, no mérito, solicitou a aplicação da RG 4 da NESH, solicitou que sejam desqualificados os laudos da empresa Classnor para fins de reclassificação fiscal pela NESH não ter sido cumprida em tais análises, arguiu que em ambas as classificações (fisco e contribuinte) a importação era isenta do II e solicitou o cancelamento das multas." Após análise dos autos, de acordo com os princípios e garantias constitucionais, é importante considerar que o Poder Público, em cumprimento do compromisso com a melhoria das condições sociais e da população no Brasil, compôs um planejamento econômico de incentivo ao comércio, dentro do âmbito do MERCOSUL, como país signatário, situação em que sequer a autoridade de origem poderia alegar qualquer Dano ao Erário, porque isento o contribuinte do II em qualquer das classificações adotadas (fisco e contribuinte). A Livre Iniciativa é fundamento da República Brasileira (Art. 1.º, IV, CF) e especificamente da ordem econômica (Art. 170, CF), que tem por fim assegurar a todos a existência digna, conforme os ditames de justiça social. 7 O princípio da legalidade foi violado neste lançamento porque não há nos autos prova de credenciamento na RFB e não há na legislação qualquer previsão legal para adotar o documento da empresa Classnor como "laudo" suficiente para reclassificação fiscal de produto. 7 fls. 766, Melo, Celso Antonio Bandeira de. "Curso de Direito Administrativo". Fl. 2756DF CARF MF 24 De modo que outro princípio se encontra violado, o da igualdade 8, porque o procedimento correto e utilizado em casos semelhantes é a análise técnica, consubstanciada em laudo realizado por órgão legitimado à colher amostra e apresentar a posição técnica oficial, em nome da RFB, para a reclassificação do produto. Situação que, em efeito sequencial, leva à violação do princípio da segurança jurídica9. Sendo este processo uma situação entre contribuinte e fisco que pode ser solucionada com a aplicação das garantias previstas nos Art. 113 e 142 do CTN, somase em favor do contribuinte a grave violação de princípios10. Não há como considerar que a mercadoria é outra que não Arroz Semi Branqueado ou Branqueado, mesmo polido ou brunido, parboilizado ou não. Sobre a valoração da principal prova do lançamento (documentos da Classnor, empresa credenciada somente pelo Ministério da Agricultura de fls 954 a 1032), ainda que o livre convencimento permita "valorar" esta prova, é importante ressaltar que o convencimento do julgador administrativo é vinculado à legislação. A partir desta premissa, verificase conforme precedentes deste Conselho (Acordão 320200.080) que o próprio Ministério da Agricultura admite não possuir o mesmo rigor que outros laudos ou entidades legitimas para avaliar e fundamentar a reclassificação fiscal de mercadorias importadas. Assim, como já mencionado, materializada nos autos a falta de técnica e preparo para tanto, verificase nas fls 954 a 1032 que alguns destes documentos admitem a característica "polido" e outros não. Situação diretamente contraditória ao lançamento (AI e Relatório Fiscal), que afirmou claramente que o lançamento é decorrente da suspeita do contribuinte ter importado arroz polido, ao invés do não polido, com a clara conclusão de que o contribuinte teria importado outra mercadoria que não o Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, parboilizado ou não. E diretamente vinculado à classificação da mercadoria estão os lançamentos do certificado de origem e da licença de importação e, claramente não merecem prosperar, porque o lançamento não comprovou tratarse de mercadoria diversa que a importada e a descrita pelo contribuinte, razão pela qual a classificação fiscal do contribuinte deve ser mantida. Inclusive porque presentes nos autos os Certificados de Origem e Licenças das importações. Situação que tem precedentes favoráveis ao contribuinte neste Conselho, no sentido de não desqualificar o Certificado de Origem ou a licença da importação em situações que não houve dano ao Erário e que a origem em si, foi comprovada, sendo esta, no caso dos autos, Uruguai e Argentina (vide Acórdãos 30127667, 03.04.321, 302 34163 e 30234226). Tais precedentes têm uma razão muito clara para existir: o propósito de proteger a participação de empresas no Acordo Tarifário do MERCOSUL em situações que 8 fls. 55, Grinover, Ada Pelegrini. "Teoria Geral do Processo" 9 fls. 118, Melo, Celso Antonio Bandeira de. "Curso de Direito Administrativo". 10 fls. 923, Melo, Celso Antonio Bandeira de. "Curso de Direito Administrativo". Fl. 2757DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.746 25 não levam ao extremo da exclusão do contribuinte aos benefícios do Acordo. Verdadeira segurança jurídica sendo materializada nas decisões deste Conselho, de forma que não se pode banalizar tais situações de exclusão. Tratando da classificação em si, se polido ou não polido, justamente, não há como concluir tratarse de um arroz polido, pelos motivos já expostos, de forma que o contribuinte realmente possa ter importado arroz não polido e, desta forma, correta a classificação fiscal que diz Arroz Semi Branqueado ou branqueado, mesmo polido ou brunido, parboilizado ou não. Alegou o contribuinte que o Ministério da Agricultura não possui a classificação vegetal "não polido" e diante disto, não haveria uma única situação em que o arroz não polido importado pelo contribuinte não fosse questionado perante as classificações deste Ministério. Esta alegação pode ser confirmada ao observar os documentos, supostos "laudos" da empresa Classnor. Possuem somente 3 opções de classificação e nenhuma é arroz "não polido", conforme print screen: Fl. 2758DF CARF MF 26 A premissa legal e principiológica, que norteia o presente voto, também pode ser reforçada no próprio regimento interno do Ministério da Agricultura, que dispõe a respeito da atividade coadjuvante, do "apoio" que o MAPA pode prestar ao Ministério da Fazenda: "DECRETO Nº 7.127, DE 4 DE MARÇO DE 2010 Aprova a Estrutura Regimental e o Quadro Demonstrativo dos Cargos em Comissão e das Funções Gratificadas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, e dá outras providências. ANEXO I ESTRUTURA REGIMENTAL DO MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO CAPÍTULO I DA NATUREZA E COMPETÊNCIA Art. 1º O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, órgão da administração direta, tem como área de competência os seguintes assuntos: (...) VII classificação e inspeção de produtos e derivados animais e vegetais, inclusive em ações de apoio às atividades exercidas pelo Ministério da Fazenda, relativamente ao comércio exterior;" Verificase que o próprio regimento interno do Ministério da Agricultura reconhece que sua atuação serve unicamente de apoio às atividades do Ministério da Fazenda, nada mais. Em contraste, é possível confirmar a expressa e principal competência da RFB para realizar a classificação de mercadorias: "Portaria MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA MF nº 30 de 25.02.2005 . D.O.U.: 04.03.2005 REGIMENTO INTERNO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL CAPÍTULO CATEGORIA E FINALIDADE Art. 1º A Secretaria da Receita Federal, órgão específico singular, diretamente subordinado ao Ministro de Estado da Fazenda, tem por finalidade: XVIII dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e Fl. 2759DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.747 27 origem de mercadorias, inclusive representando o País em reuniões internacionais sobre a matéria; (...) Estrutura Regimental (Decreto nº. 7.482/11) ESTRUTURA REGIMENTAL DO MINISTÉRIO DA FAZENDA CAPÍTULO I DA NATUREZA E COMPETÊNCIA Art. 15. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: XIX dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar as atividades relacionadas com nomenclatura, classificação fiscal e econômica e origem de mercadorias, inclusive representando o País em reuniões internacionais sobre a matéria;" O lançamento exigiu prova técnica adicional não produzida pela autoridade fiscal. Toda e qualquer mudança de entendimento em relação à classificação fiscal de mercadorias deve ser devidamente fundamentada pelas autoridades fiscais e respeitar os direitos e garantias dos contribuintes constantes da Constituição Federal e do CTN. O método incerto da autoridade no presente lançamento, ao se utilizar de prova emprestada de mera análise passageira de empresa não credenciada pela RFB, terá de ser posto de lado para fins de incidência de cobranças e multas tributárias, porque produzirá, se mantido, apenas uma obediência hipócrita e passageira (vide Beccaria, Cesare. "Dos Delitos e das Penas", fls. 107). Devese evitar aumento do número de autuações lavradas pelas autoridades fiscais sem o respectivo supedâneo técnico e sem o devido respeito aos direitos assegurados aos contribuintes. A elaboração de laudos periciais, por parte das autoridades aduaneiras, em caso de dúvida sobre a natureza de um produto, em operação de comércio exterior, deve pautarse pelo disposto na legislação que trata do credenciamento de órgãos, entidades e peritos, positivados nas Instruções Normativas RFB n.º 157/98 e n.º 152/2002, procedimento que não foi sequer comentado pela autoridade no lançamento. Seguem trechos dos dispositivos legais previstos nas Instruções Normativas RFB n.º 157/98 e n.º 152/2002, vigentes e aplicáveis à época do lançamento: "Instrução Normativa SRF nº157,de22 de dezembro de 1998: Dispõe sobre a prestação de assistência técnica para identificação e quantificação de mercadoria, importada e a exportar, e regula o processo de credenciamento de entidades, órgãos e técnicos. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições, e tendo em vista o disposto no art. 567 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto No 91.030, de 5 de março de 1985, resolve: Fl. 2760DF CARF MF 28 CAPÍTULO I Disposições Preliminares Art. 1o A assistência técnica para identificação ou quantificação de mercadoria importada ou a exportar, quando necessária no curso de procedimento fiscal, será efetivada de acordo com os procedimentos estabelecidos nesta Instrução Normativa. Art. 2o A assistência técnica será prestada por: I instituição pública; ou II perito, autônomo ou vinculado a empresa privada. Parágrafo único. A assistência técnica prestada por instituição pública poderá ser realizada nos laboratórios instalados na própria unidade local da Secretaria da Receita Federal SRF. Art. 3o Os procedimentos destinados ao credenciamento de instituições ou peritos serão adotados sempre que se fizerem necessários, a juízo do titular da Delegacia da Receita Federal DRF ou da Inspetoria da Receita Federal IRF. CAPÍTULO IICredenciamento de Instituições Públicas Art. 4o O credenciamento de instituição pública darseá mediante convênio, por prazo indeterminado, celebrado entre a unidade local da SRF e órgãos da Administração Direta, autarquias ou fundações públicas. § 1o O credenciamento a que se refere este artigo será requerido ao titular da unidade local da SRF, devendo o pedido ser instruído com os seguintes documentos: a) ato de criação da instituição; b) relação e qualificação profissional dos peritos que prestarão os serviços em nome da instituição, por área de especialização. § 2o O credenciamento fica condicionado à regularidade da instituição perante a SRF. § 3o O documento mencionado na alínea "a" do parágrafo anterior poderá ser apresentado em fotocópia. § 4o A relação referida na alínea "b" do parágrafo anterior será atualizada, pela instituição conveniada, sempre que ocorrer qualquer alteração. § 5o O convênio estabelecerá, ainda, a forma de recolhimento da remuneração devida pela assistência técnica prestada, que poderá ser efetivado diretamente à instituição conveniada ou à instituição a ela vinculada, observado o disposto no Capítulo V. Art. 5o O convênio poderá ser denunciado por qualquer das partes conveniadas, mediante simples correspondência dirigida à outra, com antecedência mínima de trinta dias. Art. 6o Os credenciamentos de instituições públicas, em vigor na data de publicação desta Instrução Normativa, deverão ser adaptados às normas dos arts. 4o e 5o, até 31 de março de 1999. Fl. 2761DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.748 29 (...) Instrução Normativa SRF nº152,de08 de abril de 2002: Altera a Instrução Normativa SRF nº 157/98, de 22 de dezembro de 1998. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e tendo em vista o disposto no art. 567 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, resolve: Art. 1o Os arts. 36 e 37 da Instrução Normativa SRF nº 157/98, de 22 de dezembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação, renumerandose os atuais art. 36 e art. 37 para, respectivamente, art. 38 e art. 39: "Art. 36. Os laudos técnicos emitidos por instituições e peritos credenciados, destinados a identificar e quantificar mercadoria importada ou a exportar, deverão conter, expressamente, conforme o caso, os seguintes requisitos: I explicitação e fundamentação técnica das verificações, testes, ensaios ou análises laboratoriais empregados na identificação da mercadoria; II exposição dos métodos e cálculos utilizados para fundamentar as conclusões do laudo referente à mensuração de mercadoria a granel; III indicação das fontes, referências bibliográficas e normas internacionais empregadas na elaboração do laudo, e cópia daquelas que tenham relação direta com a mercadoria objeto de verificação, teste, ensaio ou análise laboratorial. Parágrafo único. Os laudos não poderão conter quaisquer indicações sobre posições, subposições, itens ou códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM)." " Art. 37. Os laudos técnicos que se apresentem sem os requisitos previstos no artigo anterior não serão aceitos podendo, entretanto, ser sanadas as falhas ou omissões, no prazo de cinco dias úteis da ciência da intimação da autoridade fiscal, da Divisão de Administração Aduaneira (Diana) ou da CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (Coana), conforme o caso." Art. 2o Os laudos técnicos emitidos antes da publicação desta Instrução Normativa poderão ser objeto de solicitação de revisão ou complementação, a prudente critério da autoridade competente para decidir ou emitir parecer sobre a classificação fiscal da mercadoria, com vistas ao fornecimento das informações técnicas exigidas nos termos do artigo anterior. Fl. 2762DF CARF MF 30 Parágrafo único. A aplicação do disposto neste artigo não exclui a possibilidade de solicitação de novo laudo, quando as informações prestadas não forem suficientes para dirimir as dúvidas sobre a identificação da mercadoria a ser classificada. Art. 3o Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. EVERARDO MACIEL." O lançamento não merece prosperar em todos os tópicos relacionados ao suposto erro na classificação fiscal, de modo que merece provimento o Recurso Voluntário do contribuinte com relação a sua classificação ser correta e, portanto, diretamente ligado à classificação, não merecem prosperar os seguintes tópicos de lançamento de fls. 3 e seguintes do AI: "Inexatidão do Certificado de Origem", "Importação Desamparada de Guia de Importação ou Documento Equivalente" e "Mercadoria Classificada Incorretamente". Importante mencionar que este Conselho, em recente precedente, o Acórdão 3302002.930, assim decidiu quanto à multa isolada por erro de classificação fiscal: “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS (…) MULTA POR CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO PARA A PERFEITA IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA NA AUTUAÇÃO. INTERPRETAÇÃO BENIGNA AUTORIZADA PELO ARTIGO 112 DO CTN. Restando demonstrado nos autos que a fiscalização não se utilizou de assistência técnica para identificar a mercadoria importada na autuação, requisito indispensável no caso da espécie dos autos pela especificidade técnica, aplicase a interpretação benigna autorizada pelo artigo 112 do CTN. Recurso Voluntário Provido.” Por fim, a seu favor, o contribuinte juntou provas do beneficiamento do arroz após a importação, conforme fls. 1953 a 1960. Foram juntadas NFs de venda de farelo e arroz gessado, o que normalmente ocorre após o beneficiamento e, este, sempre ocorre antes do polimento final. Logo, o contribuinte não poderia ter importado arroz polido. É possível crer que, conforme declarou, importou arroz semibranqueado e descreveu e classificou corretamente. Inclusive, segundo o contribuinte e documentos comprobatórios juntados, o arroz polido é produto final (vide documentos anexos à impugnação e RV em fls. 1442 e 2236). Portanto, deve ser cancelado o lançamento no que diz respeito ao suposto "erro" na classificação do arroz. DA DESCRIÇÃO INCORRETA OU INCOMPLETA. Fl. 2763DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.749 31 De forma paralela à questão central do lançamento (arroz polido ou não polido), uma questão que não altera a classificação fiscal adotada pelo contribuinte, verificase nos autos que o contribuinte realmente apresentou uma descrição incorreta ou incompleta das DIs 06/01377480 e 06/01870020, conforme lançamento de fls 82 do AI e 1424 do TVF. O Auto de Infração e o Relatório fiscal fundamentaram corretamente o lançamentos nos seguintes dispositivos legais, que expressamente vinculam a multa de 1% à descrição incorreta: Basta conferir que em tais DIs, não decaídas, consta o termo "glaceado", principalmente em fls.200 a 284 e 523 a 610, quadro 1 do lançamento. O erro em utilizar o termo "glaceado", o próprio contribuinte confessa/reconhece em sua peça recursal em fls 1463 ao afirmar que tratase de arroz "não glaceado", conforme reproduzido a seguir: Dessa forma, deve ser mantida a multa regulamentar de 1% e o juros somente sobre as DI 06/01377480 e 06/01870020, nas adições que usou o termo "glaceado" em vez de "não glaceado". CONCLUSÃO Diante do exposto, com fundamento no regimento interno deste Conselho, no regimento interno da RFB, nos princípios e garantias Constitucionais, na jurisprudência deste Conselho e com fundamento nos Art. 112, 113 e 142 do CTN, Art. 10 do Decreto 70.235/72 e Art. 94 do RA/02, merece PROVIMENTO PARCIAL o Recurso Voluntário do contribuinte. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 2764DF CARF MF 32 Declaração de Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Consignou a Ata da Reunião do Julgamento meu posicionamento em dar provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão. Assim, cabeme explicitar o voto para expressar meu entendimento em manter a reclassificação efetuada pela fiscalização, com a exceção de algumas DIs em que o Laudo de identificação se mostrou imprestável à necessária comprovação; desclassificar o certificado de origem em razão de consignar mercadoria com descrição e classificação divergente do que restou apurado; e manter a multa por falta de LI, pois o novo código tarifário exige licenciamento nãoautomático. Decadência A decadência do fisco lançar os tributos vinculados ao comércio exterior e aplicar penalidades em matéria aduaneira é regido pelo DecretoLei nº 37/1966, em seus artigos 138 e seguintes, in verbis: Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Contudo, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8 segunda a qual " São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário". Ou seja, em síntese, o pronunciamento da Corte é no sentido de que decadência é matéria reservada à lei complementar, nos exatos termos do art. 146, inciso III, "b", da Constituição Federal. Prescreve o art. 146, inciso III, alínea b da CF/88 que é competência de lei complementar estabelecer regras gerais sobre decadência e prescrição tributárias: Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) Fl. 2765DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.750 33 b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Como se vê, o desígnio cometido à espécie legislativa é estabelecer as linhas mestras que pautarão o instituto da decadência, o que de fato compreende fixar os prazos iniciais e finais que delimitam o interstício válido do exercício do direito dos sujeitos da relação obrigacional tributária. Dessa forma, o Código Tributário Nacional fixou como regramento ao direito do Fisco constituir o crédito tributário os dispositivos dos artigos 150, § 4º e 173: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entendo que a norma introduzida pelo art. 150 é conjugada com o seu § 4º no sentido que se aplica exclusivamente à tributo, e este de modalidade "por homologação", ou "autolançamento", cuja característica é o dever do contribuinte antecipar o pagamento a contar da ocorrência do fato gerador e não tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação. Por outro lado, na ausência de pagamento a decadência segue a regra art. 173, inciso I.: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Neste sentido o STJ no julgamento do recurso especial nº 973.733/SC na sistemática dos recursos repetitivos decidiu que “o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. Tal decisão é vinculante para as Turmas do Carf, consoante art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do Carf – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Fl. 2766DF CARF MF 34 Em adição, o mesmo Tributal editou a Súmula nº 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) Os julgados permitem concluir que a contagem do prazo de decadência segundo o art. 173, I darseá em duas situações: 1ª não há previsão para pagamento antecipado; 2ª há previsão do pagamento antecipado, o tributo é apurado, não se declara o valor devido e tampouco se paga. Esta segunda conclusão é o caso dos autos. As importações foram realizadas com a transmissão de declarações de importação DIs com a informação de que no entender do importador não haveria tributos a pagar. Na revisão das DIs a autoridade fiscal contatou classificação incorreta com alíquota positiva para o imposto de importação. Dessa forma, houve o lançamento e diante da inexistência de pagamento antecipado do II o prazo decadencial teve início nos termos do art. 173, I do CTN. Assim, como a ciência do lançamento deuse em 13/12/2010 e o início do prazo decadencial em 01/01/2006 (DIs registradas em 2005, sem pagamento antecipado), o Fisco teria até 31/12/2011 para efetuar o lançamento de ofício, do que se conclui que nenhuma das DIs foram alcançadas pela decadência. A identificação do arroz pelo Mapa e a reclassificação pela autoridade fiscal Uma primeira questão que surge é acerca da prestabilidade de aplicação do resultado do "laudo" elaborado por entidade credenciada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento MAPA na "classificação" do arroz importado pela recorrente. Em outros dizeres, o laudo é apto para identificar a mercadoria para efeitos de classificação tarifária e se reveste da qualidade de prova? Antes, porém, impende afirmar que não se trata de laudo de classificação fiscal, mas de "LAUDO DE CLASSIFICAÇÃO DE ARROZ", e para a expressão "classificação" compreendese a identificação da mercadoria. Estabelecese a distinção: o que é classificação para o MAPA, tem o efeito de identificação das características do produto para efeitos fiscais; e ainda, tratase de um Certificado cujos efeitos é o mesmo de um laudo. O art. 30 do Decreto nº 70.235/72 prescreve: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos Fl. 2767DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.751 35 federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Laudos de órgãos federais serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, ou seja na identificação e qualificação da mercadoria, especialmente as que tiverem sob controle do órgão, como o caso do arroz, que esteve sob procedimento de classificação, que engloba a identificação e qualificação do MAPA ou entidade credenciada por este, por força da Portaria MA 269/8811, situação dos autos em que o trabalho de identificação foi realizado pela credenciada CLASSNOR Classificações Nordeste Ltda. É nesse sentido que os Certificados emitidos pela Classnor/MAPA foram utilizados no procedimento fiscal: meramente de identificação, aproveitandose da competência formal e uso de técnicas de "classificação" para esclarecer suas características/propriedades, como a de arroz "POLIDO". A Classnor realizou a retirada de amostra no momento da entrada na mercadoria estrangeira no território nacional e a submeteu à análise visando a verificação do atendimento a padrões estabelecidos em seus atos normativos que a qualificam ao consumo interno, ainda que necessite de etapas ulteriores de beneficiamento. Dessa análise resultou a identificação da mercadoria, em termos de suas propriedades e características, o que foi utilizada no procedimento fiscal. O conteúdo do certificado trouxe informações hábeis à perfeita identificação da mercadoria objeto do procedimento de reclassificação fiscal que esteve em curso; senão vejamos: Assinalou que a amostra referiase à produto importado, em sacos, com indicação do nº do BL, o que permite concluir que o Laudo/Certificado não tem por objeto somente produtos embalado/acondicionado para a comercialização, como se pronto para a venda a consumidor final; Foi efetuado a partir de amostras do arroz importado conforme identificado no próprio certificado. A fiscalização, na maioria dos casos, demonstrou a perfeita correspondência entre a DI e o Certificado, por meio do Conhecimento de Carga. A fiscalização diante das inúmeras informações consignadas nos Laudos, inclusive com a indicação inconteste de que se trata de arroz POLIDO não teve dúvidas quanto à exata identificação e classificação fiscal a ser empreendida segundo as regras próprias. A inspeção para classificação pela Classnor/MAPA, segundo as regras da Portaria 269/88 permitiram identificar, com precisão, que o arroz importado de que trata estes 11 Anexo 1. Objetivo A presente Norma tem por objetivo definir as características de identidade, qualidade, embalagem apresentação do arroz em casca (natural e parboilizado), e do arroz beneficiado (integral, parboilizado, parboilizado integral e polido), e dos fragmentos de arroz que se destinam à comercialização. Fl. 2768DF CARF MF 36 autos é polido, segundo o que consta expresso nos campos "Especificações Qualitativas" e "Discriminação do Resultado da Classificação" que apontaram para arroz beneficiado, POLIDO e com limites máximos de tolerância de defeitos/tipos que se enquadram no ANEXO VI, da Portaria 269/88, que trata do ARROZ BENEFICIADO POLIDO. Não há portanto, que se pretender correlacionar as classificações efetuadas pela Classnor nas normativas do MAPA (que na verdade tratase de identificação para fins de aptidão ao consumo) com os códigos tarifários dispostos na TEC e, mormente, com as diversas regras de interpretação do Sistema Harmonizado. A uma, não cabe ao órgão pretender realizar classificação fiscal de produtos, e tal não fora feito; a duas, a classificação é atribuição exclusiva da autoridade fiscal e esta utilizouse de identificação do órgão competente ao controle e certificação do produto. Identificado o arroz importado como semibranqueado ou branqueado e "polido", os códigos tarifários a serem atribuídos seriam: 1006.30.11 (parboilizado) e 1006.30.21 (nãoparboilizado), conforme a reclassficiação elaborada pela autoridade fiscal. Para as DIs relacionadas que não tiveram correspondência comprovada com o laudo, seja por este ser ilegível, divergências do BL ou não apresentar a expressão POLIDO, haveria de se afastar as reclassificações. 05/01371952, 10/02/2005 05/01711257, 18/02/2005 05/03121660, 28/03/2005 05/03229150, 30/03/2005 05/03331052, 01/04/2005 05/03336550, 01/04/2005 05/03820541, 14/04/2005 05/04027330, 20/04/2005 05/04993393, 16/05/2005 05/06006861, 09/06/2005 05/06683340, 27/06/2005 05/08763953, 17/08/2005 05/08764003, 17/08/2005 05/10937041, 10/10/2005 05/11004669, 11/10/2005 05/11382299, 20/10/2005 05/11615960, 26/10/2005 05/12037307, 07/11/2005 05/13355043, 21/11/2005 05/13082039, 07/12/2005 06/01377480, 03/02/2006 06/01870020, 15/02/2006 Desclassificação do Certificado de Origem Segundo as regras do Regime de Origem internalizadas em nosso ordenamento jurídico, a deficiência na identificação da mercadoria conduz à perda da preferência tarifária. Sempre que a mercadoria descrita no Certificado de Origem não corresponder àquela identificada na verificação física, o certificado de origem será Fl. 2769DF CARF MF Processo nº 10480.723802/201070 Acórdão n.º 3201004.252 S3C2T1 Fl. 2.752 37 desclassificado e, consequentemente, cobrados os tributos próprios de uma importação realizada por meio de terceiro país, a teor do que determina a IN SRF nº 149/2002, em seu art. 10, caput e parágrafo único: “Art. 10. O Certificado de Origem apresentado será desqualificado pela autoridade aduaneira, para fins de reconhecimento do tratamento preferencial, quando ficar comprovado que não acoberta a mercadoria submetida a despacho, por ser originária de terceiro país ou não corresponder à mercadoria identificada na verificação física, conforme os elementos materiais juntados, bem assim quando: (...) Parágrafo único. Na hipótese de desqualificação do Certificado de Origem, a importação ficará sujeita à aplicação do tratamento tributário estabelecido para mercadoria originária de terceiro país, mediante a constituição do correspondente crédito tributário em Auto de Infração.” Verificase nos dispositivos normativos do Regime de Origem aprovado pelo Quadragésimo Quarto Protocolo ao Acordo de Complementação Econômica 18, promulgado pelo Decreto nº 5.455/2005 que a indicação de classificação fiscal no Certificado de Origem não caracteriza mero erro formal. Com efeito a alínea “e”, do Item “A”, do Anexo IV do referido protocolo, aponta o que se entende por mero erro formal, que, uma vez sanado, não implicaria prejuízo ao tratamento tarifário diferenciado: “e) Em caso de se detectarem erros formais na confecção do certificado de origem, avaliados como tais pelas as Administrações Aduaneiras, caso, por exemplo de inversão no número de faturas, ou em datas, menção errônea do nome ou domicílio do importador, etc. não se demorará o despacho da mercadoria, sem prejuízo de resguardar a renda fiscal através da aplicação dos mecanismos vigentes em cada Estado Parte. Serão considerados erros formais todos aqueles erros que não modificam a qualificação de origem da mercadoria....” Em segundo, a alínea “f” do mesmo item é categórica ao definir o tratamento legal a ser dispensado a erros diversos daqueles constantes da já transcrita alínea “e”: “f) Não serão aceitos Certificados de Origem que mereçam observações diferentes daquelas descritas na alínea “e”. Finalmente, a alínea “h” deixa claro que, para efeito do regime de origem do Mercosul, a classificação fiscal não se inclui no rol dos chamados vícios formais. Confirase: Fl. 2770DF CARF MF 38 “h) Os casos enumerados na alínea “e” deverão ser comunicados pela administração aduaneira à repartição oficial quando se aplique o tratamento tarifário correspondente ao âmbito de extrazona. Também serão comunicados os casos em que exista diferença entre a classificação consignada no Certificado de Origem e a resultante da verificação aduaneira da mercadoria, sem prejuízo da aplicação dos procedimentos aduaneiros previstos em cada Estado Parte para tais infrações.” Em verdade, ao fazer a ressalva de que, além dos erros formais (previstos na alínea “e”), deveriam ser também comunicados as divergências de classificação fiscal, o texto do Acordo esclarece que essas últimas não se inserem no rol dos considerados erros formais. Assim sendo, não há margem para dúvida de que, estando incorretamente classificada a mercadoria, não poderia ser aceito o certificado emitido, mormente quando o erro detectado alcança a própria descrição literal do produto, omitindose sua característica essencial à correta classificação tarifária arroz polido. Portanto, o Certificado de Origem apresentado, o qual descrevia e classificava mercadoria diversa da efetivamente importada e objeto de reclassificação pela autoridade lançadora, não produziu os efeitos para o gozo da redução a zero da alíquota do II incidente sobre a mercadoria, nos termos do Acordo de Complementação Econômica nº 18, Capítulo III, artigo 3º, inciso b). Multa por falta de licença de importação Decorre da classificação incorreta laborada pela contribuinte a exigência, ainda comprovada no julgamento da impugnação, de outra posição tarifária sujeita ao licenciamento nãoautomático. Ademais, sendo também incorreta e incompleta a descrição da mercadoria afastase qualquer possibilidade de aplicação do ADN Cosit nº 12/97. Dessa forma, em razão da desqualificação do certificado de origem, a incorreta descrição do produto e sua classificação tarifária errônea atraem a aplicação da multa de 30% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada, por ausência de licenciamento não automático nos termos do art. 633 do Decreto nº 4.543/2002. Diante de tudo ante exposto, votei no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Fl. 2771DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.914402/2009-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ.
A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento.
Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância.
Numero da decisão: 3002-000.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar nulidade da decisão de primeira instância.
(assinado digitalmente).
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente).
Alan Tavora Nem - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator).
Nome do relator: ALAN TAVORA NEM
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RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. INTIMAÇÃO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO PELA DRJ. A retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos fiscais e contábeis, comprovando o erro cometido no seu preenchimento. Com fundamento no art. 60 do Decreto nº 70.235/72, os autos deverão retornar à DRJ para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, sob pena de supressão de instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar nulidade da decisão de primeira instância. (assinado digitalmente). Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 91 44 02 /2 00 9- 18 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10580.914402/200918 Acórdão n.º 3002000.435 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da 4ª Turma da DRJ/FNS (fls. 27/29) exarado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de Declaração de Compensação (Dcomp) eletrônica nº 15980.71940.290909.1.7.042587, transmitida em 29 de setembro de 2009, por meio da qual a contribuinte solicita compensação de débito com crédito, no valor de R$ 10.336,08, que teria sido indevidamente recolhido a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), mediante Darf código 5856, em 15 de março de 2006, no valor de R$ 74.549,62, relativo ao período de apuração de 28 de fevereiro de 2006. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador BA pela não homologação da compensação declarada, mediante Despacho Decisório, à folha 7, emitido em 20 de novembro de 2009, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o valor do crédito pleiteado é proveniente de serviços de administração de obra, conforme notas fiscais que junta aos autos, os quais estão sujeitos ao regime cumulativo até 31 de dezembro de 2006. A contribuinte informa que não retificou a DCTF e o Dacon referente ao período de apuração do crédito porém, após a constatação do erro (com a ciência do Despacho Decisório) transmitiu as declarações retificadoras, em relação aos períodos de apuração de fevereiro, março e abril de 2006, conforme documentação que anexa." Importante ressaltar que apesar do relatório da DRJ ter mencionado que fora juntado documentos, da análise dos autos verificase que nada foi juntado. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 08), alegando, em resumo, que deveria ser reconsiderado o r. Despachos Decisório uma vez que juntou todas as notas fiscais, declaração retificadora da DCTF, bem como da Dacon, planilha de apuração da base de cálculo do tributo pleiteado e, por fim, cópia dos pagamentos por regime não cumulativo a fim de reconhecer a totalidade do crédito compensado, com base na Lei nº 8.666/93, artigos 57, 58 e 65. Analisando os argumentos do contribuinte, a DRJ votou por indeferir a manifestação de inconformidade, por considerar que o contribuinte "na data de apresentação Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10580.914402/200918 Acórdão n.º 3002000.435 S3C0T2 Fl. 4 3 da Dcomp, não havia retificado a DCTF", conforme sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: "COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é indevido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF." O contribuinte cientificado da decisão, ingressou com Recurso Voluntário (fls. 33/39) requerendo a reforma da r. decisão recorrida, tendo em vista: a) o direito subjetivo à compensação, o qual não se pode ser afastada por mero erro formal da DCTF. É o relatório. Voto Conselheiro Alan Tavora Nem Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. De inicio, é valido observar que a DRJ deixou de analisar a certeza e liquidez do crédito tributário alegando que "ainda que a contribuinte, posteriormente à entrega da Dcomp, tenha tratado de retificar formalmente a DCTF, esta não teria o efeito de validar retroativamente a compensação instrumentada por Dcomp" afirmando que "créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida" e, por fim, "que não se está aqui a afirmar que o crédito contra a Fazenda Nacional existe ou não existe, dado que não é isto que importa para o caso concreto que aqui se tem.". Contudo, em razão da retificação da DCTF que só foi feita após o despacho decisório (fls. 07), o que impossibilitou a análise da DRF acerca da regularidade da correção ali realizada, entendo que os autos deverão ser remetidos à repartição competente, para que esta se manifeste expressamente acerca da certeza e liquidez do crédito tributário em comento. Do transcrito acima, extraise que a DRJ ao assim proceder, ou seja, deixando de analisar à DCTF retificada, por considerar "créditos relativos a valores confessados e não retificados antes de qualquer procedimento de ofício, não têm existência jurídica válida (em termos tanto de liquidez quanto de certeza), em razão dos efeitos legais atribuídos à DCTF." prejudicou o sujeito passivo, pois, tendo em vista a adoção de premissa equivocada (impossibilidade de análise de DCTF retificadora), deixou de apreciar o mérito da contenda Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10580.914402/200918 Acórdão n.º 3002000.435 S3C0T2 Fl. 5 4 (existência ou não do crédito tributário). E, uma vez constatada tal falha, tornase imperativa a sua correção, com amparo no art. 60 do Decreto nº 70.235/1972, "in verbis": "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Por oportuno, importante mencionar que ainda que a DCTF tenha sido transmitida posteriormente ao Despacho Decisório, é certo que a declaração retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, nos termos do art. 19, da MP 199026/1999, dessa forma, prevalece a declaração retificadora. Outrossim, por meio do Parecer Normativo COSIT nº 02/15, a administração tributária se manifestou favoravelmente quanto à possibilidade de retificação de DCTF posterior ao pedido de compensação e depois do indeferimento do pedido, exarado nos seguintes termos: "RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. (...) Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010." Corroborando com o entendimento acima disposto, conforme Acórdão nº 9303006.266 da CÂMARA SUPERIOR de 25/01/2018, "in verbis": "COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN)." Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, tão somente para fins de reconhecer a possibilidade de análise da DCTF retificadora enviada após a DCOMP, e, por consequência, determinar o retorno dos autos à DRJ, para que profira nova decisão, em que seja analisada a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. É como voto. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10580.914402/200918 Acórdão n.º 3002000.435 S3C0T2 Fl. 6 5 (assinado digitalmente). Alan Tavora Nem Fl. 58DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720173/2013-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 07/01/2009 a 28/12/2010
Ementa:
VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES RELATIVOS A USO DE MARCA E DIREITOS AUTORAIS.
De acordo com o artigo 8, item 1(c), do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 1355, de 1994 e artigo 12 - Inciso II da IN SRF 327/2003, na determinação do valor aduaneiro deve ser acrescentado ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas o valor de royalties ou direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, desde que tais royalties devam ser pagos, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias no país de importação e na medida em que não estejam incluídos em seu preço.
Nos termos da Solução Consulta no. 483 - SRRF 08/DISIT, são passíveis de tal acréscimo os royalties devidos e pagos pelo importador a empresa vinculada sediada no exterior, em virtude de contrato com essa celebrado, relativos ao uso de marca e direitos autorais, sobre produtos importados para serem comercializados no Brasil, ainda que estes produtos não sejam importados daquela empresa, titular dos referidos direitos, mas, sim de outra empresa do mesmo grupo econômico, portanto, também vinculada ao importador. Entende-se que, nessas circunstâncias, os royalties a serem pagos constituem condição de venda das mercadorias, pois estão intrínseca e indissociavelmente ligados à possibilidade de sua comercialização no País, não podendo esta ocorrer sem o pagamento daqueles direitos, sem os quais, por conseguinte, é também inviável sua importação com o objetivo de prática da mercancia.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO
Constatados os elementos necessários à caracterização de grupo econômico de fato e a simulação das operações entre as empresas desse, deve a autoridade fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito tributário a todas as empresas integrantes daquele grupo. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei tributária
RECURSO VOLUNTÁRIO. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM
Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, mantêm-se a solidariedade.
Numero da decisão: 3201-004.170
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe dava provimento parcial, para afastar a responsabilidade da UBI até maio de 2010. Acompanhou o relator os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
(assinatura digital)
Leonardo Correia Lima Macedo - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 07/01/2009 a 28/12/2010 Ementa: VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES RELATIVOS A USO DE MARCA E DIREITOS AUTORAIS. De acordo com o artigo 8, item 1(c), do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 1355, de 1994 e artigo 12 Inciso II da IN SRF 327/2003, na determinação do valor aduaneiro deve ser acrescentado ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas o valor de royalties ou direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, desde que tais royalties devam ser pagos, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias no país de importação e na medida em que não estejam incluídos em seu preço. Nos termos da Solução Consulta no. 483 SRRF 08/DISIT, são passíveis de tal acréscimo os royalties devidos e pagos pelo importador a empresa vinculada sediada no exterior, em virtude de contrato com essa celebrado, relativos ao uso de marca e direitos autorais, sobre produtos importados para serem comercializados no Brasil, ainda que estes produtos não sejam importados daquela empresa, titular dos referidos direitos, mas, sim de outra empresa do mesmo grupo econômico, portanto, também vinculada ao importador. Entendese que, nessas circunstâncias, os royalties a serem pagos constituem condição de venda das mercadorias, pois estão intrínseca e indissociavelmente ligados à possibilidade de sua comercialização no País, não podendo esta ocorrer sem o pagamento daqueles direitos, sem os quais, por conseguinte, é também inviável sua importação com o objetivo de prática da mercancia. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO Constatados os elementos necessários à caracterização de grupo econômico de fato e a simulação das operações entre as empresas desse, deve a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 73 /2 01 3- 55 Fl. 1999DF CARF MF 2 autoridade fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito tributário a todas as empresas integrantes daquele grupo. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da lei tributária RECURSO VOLUNTÁRIO. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM Havendo interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, mantêmse a solidariedade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso. Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima (relator), que lhe dava provimento parcial, para afastar a responsabilidade da UBI até maio de 2010. Acompanhou o relator os conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. (assinatura digital) Leonardo Correia Lima Macedo Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Leonardo Correia Lima Macedo, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Laercio Cruz Uliana Junior, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 1959 em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida no âmbito da DRJ/SP em fls 1912, que julgou improcedente a Impugnação de fls. 1848 e manteve o lançamento de IPI, Pis e Cofins importação consubstanciado no Relatório Fiscal de fls. 3 e Autos de infração em folhas subseqüentes. Como de costume nesta Turma de julgamento, transcrevese o mesmo relatório exposto na decisão de primeira instância, para a fiel leitura dos fatos e matérias submetidas ao presente litígio administrativo fiscal: Tratase de processo de crédito tributário lançado através de auto de infração (fls. 1816 a 1821), lavrado contra a empresa UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA., CNPJ 01.615.814/000101, doravante denominada impugnante, no Fl. 2000DF CARF MF Processo nº 16561.720173/201355 Acórdão n.º 3201004.170 S3C2T1 Fl. 2.000 3 valor de R$ 5.749.790,75 (Cinco milhões, setecentos e quarenta e nove mil, setecentos e noventa reais e setenta e cinco centavos). O crédito lançado referese a diferença de impostos e multas, decorrente do acréscimo do valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impugnante no período de 07/01/2009 a 28/12/2010, devido a inclusão dos royalties pagos com a venda dos produtos importados. A base legal para inclusão dos royalties no valor aduaneiro, encontrase no Regulamento no Artigo 8.1 alínea "c", do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto n° 1.355/94 O auto de infração em análise, referese a mesma ação fiscal dos processos 16561720.175/201344 e 16561720.174/201308, onde encontramse lavrados dois outros autos de infração conforme quadro demonstrativo que segue: Foram lançados créditos para o estabelecimento matriz e para as filiais conforme demonstrativo que segue: Observese que os créditos lançados referemse às filiais da impugnante de CNPJ´s 01.615.814/0045 14 e 01.615.814/0064 87 e a empresa Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza Ltda. CNPJ 03.085.759/000102, por ela incorporada. No auto de infração em análise existe o termo de sujeição passivo, onde é colocada como responsável solidária a empresa Unilever Brasil Ltda., CNPJ 61.068.276/000104. O Auto de Infração Consta do Relatório de Auditoria Fiscal que acompanha o Auto de Infração: Durante os anos de 2009 e 2010, Unilever Brasil Ltda. (CNPJ nº 61.068.276/000104) – licenciada – pagou a Unilever N.V. – licenciante royalties incidentes sobre mercadoria estrangeira importada por Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza Ltda. (CNPJ nº 03.085.759/000102) p(UBHPL) e Unilever Brasil Fl. 2001DF CARF MF 4 Industrial Ltda. (CNPJ nº 01.615.814/004514 e 01.615.814/006487) (UBI). Tal mercadoria, classificada na NCM 33072010 (desodorantes corporais, antiperspirantes, líquidos), com descrição nas declarações de importação (DIs) resumível como aerossóis da marca Rexona, Dove ou Axe, consta do demonstrativo de mercadorias valoradas (documento anexo nº 01). Esses aerossóis foram fabricados e exportados por Unilever Argentina S.A e, após sua importação por UBHPL1 e UBI, foram revendidos integralmente para UBR, que os distribuiu no mercado nacional, quando então se tornaram devidos royalties ao licenciante Examinados os contratos de royalties (documentos anexos nº 02 e 03) e as circunstâncias das transações comerciais acima descritas, a fiscalização concluiu que: 1º) os royalties estavam relacionados com a mercadoria importada; 2º) os royalties condicionaram a venda entre exportador e importador; 3º) os royalties foram pagos indiretamente. Durante a fiscalização foram examinados os seguintes contratos de royalties: Segundo a fiscalização, o pagamento de royalties como condição para a realização de importação, estaria expresso no primeiro contrato realizado entre a Unilever NV e a Unilever Brasil Ltda., conforme transcrição que segue: “Sujeito aos termos e às condições estabelecidos neste Contrato, a Licenciadora neste ato concede à Licenciada uma licença não exclusiva da Tecnologia para fabricar, providenciar, usar, manter (quer para alienação ou de outra forma), oferecer para venda, vender e importar Produtos e serviços que incorporarem ou utilizem a Tecnologia (coberta por qualquer Direito de Propriedade Intelectual ou não) no Território, durante a vigência do Contrato.“ (cláusula 2.1. do primeiro contrato). Estas condições segundo a fiscalização seriam aplicáveis também as importações realizadas pela UBHPL, uma vez que esta é empresa do grupo da UBR conforme consta da cláusula 1.4. do primeiro contrato. Sobre o segundo contrato, a fiscalização menciona que neste, diferentemente do primeiro, não há menção ao direito das empresas licenciadas (UBR e UBI) importarem produtos licenciados. Contudo existe no mesmo contrato a menção Fl. 2002DF CARF MF Processo nº 16561.720173/201355 Acórdão n.º 3201004.170 S3C2T1 Fl. 2.001 5 genérica ao direito de providenciar os produtos licenciados, que seria suficiente para abarcar as operações de compra e importação. Ainda sobre as empresas relacionadas nas operações referentes ao primeiro e segundo contrato cabe a constatação que todas empresas importadoras e exportadoras são do grupo UNILEVER NV, para os quais o contrato de pagamento de royalties seriam válidos em decorrência do disposto na cláusula 1.4 do primeiro contrato e cláusulas 1.5 e 1.6 do segundo contrato. 1.4. “Empresa do Grupo” significa a Unilever N.V,, a PLC ou uma sociedade de propriedade ou controlada, individual ou conjuntamente direta ou indiretamente, pela Unilever N.V. ou pela Unilever PLC. (cláusula do primeiro contrato). Com base nas constatações mencionadas concluiu a fiscalização: Assim, por conta desse controle exercido pelo Grupo Unilever sobre todas as partes envolvidas, o pagamento de royalties se torna tacitamente condição de venda das mercadorias ora valoradas. Desta forma os royalties considerados para a valoração aduaneira, que majorou a base de cálculo dos impostos e contribuições incidentes nas importações da impugnante, são aqueles referentes aos produtos aerosóis da marca Rexona, Dove e Axe. Consta ainda do auto de infração que os créditos referentes às importações da UBHPL foram lançados contra a UBI, uma vez que esta sucedeu a UBHPL, e que em todos os créditos tributários mencionados considerase a UBR como solidariamente obrigada. Do auto de infração a impugnante tomou ciência em. 12/12/2013 e apresentou a impugnação em 13/01/2014. A Impugnação Cabe mencionar que as empresas UNILEVER BRASIL LTDA., e UNILEVER BRASIL INDUSTRIAL LTDA. apresentaram somente uma impugnação, de forma conjunta para os três processos mencionados (16561720.173/201355, 16561 720.174/201308 e 16561720.175/201344). As contestações ao auto de infração iniciamse no item 3 da impugnação (DO MÉRITO DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA) onde é alegado que: beira ao absurdo que considerar que o fato das sociedades pertencerem a um mesmo grupo reflete a obrigatoriedade do pagamento de royalties; a fiscalização ao narrar a forma como as operações eram realizadas, traz provas que refutam a conclusão a que chegou; Fl. 2003DF CARF MF 6 referente ao primeiro contrato, a empresa Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza nem era licenciada; sobre o segundo contrato na ausência do termo que se referisse a importação, o Fisco apegouse a palavra “providenciar’, aplicandoa como sinônimo de importar. Alega que são palavras completamente distintas. Alega que no caso a impugnante também não possuía licença para importar as mercadorias. Diante das alegações apresentadas, a impugnante considera que o pagamento de royalties não era condição de venda. Na seqüência passa a discutir o Artigo 8o do Acordo de Valoração Aduaneira. Alega que uma vez incorporados os royalties ao valor aduaneiro, seria afrontado o disposto no artigo 146, Inciso III. Segundo a impugnante somente lei complementar poderia mudar a base de cálculo do imposto. Afirma ainda em sua impugnação que deverá existir no tratado internacional observância ao que menciona a constituição, não podendo o tratado prever majoração de base de cálculo de imposto, sem a devida lei complementar. Alega que é empresa habilitada a operar no Despacho Aduaneiro Expresso (linha azul) previsto na IN SRF 476/2004, e que devido a isso é submetida a auditoria e vistorias realizadas pela RFB, que no caso nunca exigiu a inclusão dos supostos royalties na formação do valor aduaneiro das importações. A decisão da Delegacia de Julgamento, que julgou improcedente a impugnação apresentada, foi assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 07/01/2009 a 28/12/2010 Ementa: VALOR ADUANEIRO. ROYALTIES RELATIVOS A USO DE MARCA E DIREITOS AUTORAIS. De acordo com o artigo 8, item 1(c), do Acordo de Valoração Aduaneira, promulgado pelo Decreto nº 1355, de 1994 e artigo 12 – Inciso II da IN SRF 327/2003, na determinação do valor aduaneiro deve ser acrescentado ao preço efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas o valor de royalties ou direitos de licença relacionados com as mercadorias objeto de valoração, desde que tais royalties devam ser pagos, direta ou indiretamente, como condição de venda dessas mercadorias no país de importação e na medida em que não estejam incluídos em seu preço. Nos termos da Solução Consulta no. 483 – SRRF 08/DISIT, são passíveis de tal acréscimo os royalties devidos e pagos pelo importador a empresa vinculada sediada no exterior, em virtude de contrato com essa celebrado, relativos ao uso de marca e direitos autorais, sobre produtos importados para serem comercializados no Brasil, ainda que estes produtos não sejam importados daquela empresa, titular dos referidos direitos, mas, sim de outra empresa do mesmo grupo econômico, portanto, também vinculada ao importador. Entendese que, nessas Fl. 2004DF CARF MF Processo nº 16561.720173/201355 Acórdão n.º 3201004.170 S3C2T1 Fl. 2.002 7 circunstâncias, os royalties a serem pagos constituem condição de venda das mercadorias, pois estão intrínseca e indissociavelmente ligados à possibilidade de sua comercialização no País, não podendo esta ocorrer sem o pagamento daqueles direitos, sem os quais, por conseguinte, é também inviável sua importação com o objetivo de prática da mercancia. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido." O Recurso Voluntário reforçou as argumentações da impugnação. Após os autos foram distribuídos e pautados para julgamento nos moldes do regimento interno deste Conselho. Relatório proferido. Voto Vencido Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Do mérito. Conforme se depreende dos autos, o objeto principal de discussão é a incidência de tributos sobre os valores de royalties e se estes devem compor as operações ou não. Conforme demonstrado no lançamento, o contribuinte possui contratos (fls. 488 a 542) que revelam as regras das operações entre as empresas e, expressamente, estabelecem o pagamento de royalties nestas operações, assim como estabelecem regras gerais de direitos autorais, conforme exposto a seguir em alguns trechos selecionados: Fl. 2005DF CARF MF 8 ... ... O contribuinte, por sua vez, alega que a palavra providenciar não se refere à importar e por isso o lançamento não deveria proceder, conforme exposto a seguir em trecho recortado do Recurso Voluntário: Portanto, de fato, os pagamentos ocorreram ou deveriam ter ocorrido, por conta do firmado nos mencionados contratos, que possuem valor de negócio jurídico em razão Fl. 2006DF CARF MF Processo nº 16561.720173/201355 Acórdão n.º 3201004.170 S3C2T1 Fl. 2.003 9 do princípio constitucional e cível da pacta sunt servanda e a autonomia da vontade entre as partes. Posto isto, é necessário verificar a próxima e principal alegação do contribuinte, exposta a seguir: De fato, existem precedentes neste Conselho que registraram o entendimento da ocorrência concomitante dos três requisitos acima, positivados no art. 8.1 do Acordo de Valoração Aduaneira. Mas como demonstrou o lançamento e como é possível concluir da leitura dos contratos e das operações autuadas, os royalties estavam relacionados com as mercadorias, foram condição de venda e foram pagos indiretamente, por terem composto o valor das mercadorias. Nenhuma prova em contrário foi apresentada pelo contribuinte. Logo, o lançamento deve prosperar. As demais alegações foram tratadas de forma específica na decisão de primeira instância e não foram rebatidas com o mesmo rigor da decisão, uma vez que o contribuinte limitouse à reforçar as argumentações da impugnação, conforme selecionados trechos da decisão de primeira instância expostos a seguir: "A alegação de que no primeiro contrato a Unilever Brasil Higiene Pessoal e Limpeza nem era licenciada; não é capaz de mudar nosso entendimento, uma vez que: Fl. 2007DF CARF MF 10 esta empresa vendeu/ transferiu toda a mercadoria importada para a UNILEVER BRASIL LTDA., empresa do mesmo grupo que detinha a Licença; para efeitos de faturamento, as vendas de uma empresa para outra do Grupo Unilever, não eram consideradas para efeito de royalties, conforme consta das cláusulas 1.7 dos contratos, já mencionada; para efeitos de royalties contam as vendas para o cliente que não seja empresa do grupo, logo pelo conceito interno do grupo de empresas a que pertence a impugnante, a mercadoria importada pelo grupo, só será efetivamente comercializada quando a operação de venda envolver uma empresa que não pertence ao grupo; ... Sobre a ausência do termo “importação” no segundo contrato, considero correto o entendimento da fiscalização, que considerou que o termo “providenciar” cobria as importações realizadas pelas empresas do grupo, uma vez que providenciar mercadorias no mercado externo, nada mais é do que fazer uma compra no mercado externo, assim como comprar mercadorias no mercado externo para uma empresa do mercado interno, nada mais é do que realizar uma importação. ... Finalmente, entendemos que o fato da impugnante ser empresa habilitada a operar no Despacho Aduaneiro Expresso (linha azul) previsto na IN SRF 476/2004, e ser submetida a auditorias, não significa que os seus despachos aduaneiros foram homologados pela RFB, uma vez que: na linha azul o despacho é expresso, não é analisado pela Receita Federal, tendo todos tratamento de canal verde; ou seja desembaraço sem conferência física e documental; ... Diante de todo o exposto, entendo que os royalties pagos pela impugnante, deve ser incluído no valor aduaneiro das mercadorias, motivo pelo qual julgo improcedente a impugnação e voto pela manutenção do crédito tributário." Por serem adequados, corretos, legais, fazerem sentido e corresponderem às expectativas do devido processo legal, estes mesmos fundamentos e razões de decidir da decisão de primeira instância devem ser utilizados neste julgamento. Por fim, com relação à inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo dos tributos, este Conselho possui Súmula sobre a matéria, exposta a seguir: "Súmula CARF nº 2O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Responsabilidade da UBI. Fl. 2008DF CARF MF Processo nº 16561.720173/201355 Acórdão n.º 3201004.170 S3C2T1 Fl. 2.004 11 Conforme demonstrado, o contribuinte possui 2 (dois) contratos (fls. 488 a 542) que revelam as regras das operações entre as empresas, contudo, ao analisar as partes dos contratos, é possível verificar que a UBI não consta como parte em um dos contratos, nos moldes do quadro explicativo apresentado no próprio relatório: Assim, não sendo licenciada da Unilever NV no contrato que vigorou até maio de 2010, não há como a UBI ser responsabilizada por este período. Por uma questão fática temporal, não há nexo causal da cobrança tributária nesse período, o que equivale a concluir que não há fato gerador que possibilite a cobrança de tributo da UBI neste período, nos moldes dos Artigos 114 e 115 do CTN. Não havendo fato gerador, não há fato imponível. Cobrar tributo da UBI neste período se equivale a cobrar tributo de um outro contribuinte qualquer, estranho à presente lide administrativa fiscal, algo inadmissível dentro dos parâmetros do atual estado democrático de direito. Conclusão. Diante do exposto, votase para que seja DADO PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para afastar a responsabilidade da UBI até maio de 2010. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo Redator Designado. Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do Recurso Voluntário. O litígio cuida de ajustes obrigatórios efetuados no valor aduaneiro conforme disposição do Art. 8 do Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do GATT 1994 (Acordo sobre Valoração Aduaneira), internalizado no País por meio do Decreto nº 1.355, de 30 de dezembro de 1994. Fl. 2009DF CARF MF 12 O relator Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, após análise do caso proferiu seu voto com as seguintes conclusões: a) Incluir os royalties pagos no valor aduaneiro das mercadorias, ou seja, mantendo o lançamento nesse ponto; e b) Afastar a responsabilidade da Unilever Brasil Industrial Ltda (UBI) no período até 16/05/2010, em razão da mesma não constar como licenciada no primeiro contrato de licenciamento de tecnologia da Unilever NV. Mérito – Responsabilidade UBI Inicialmente, como consta do voto do Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, cabe manter o primeiro ponto relativo a inclusão dos royalties pagos no valor aduaneiro das mercadorias importadas. Já com relação ao segundo ponto, onde afasta a responsabilidade da Unilever Brasil Industrial Ltda (UBI), cabe esclarecer que prevaleceu o entendimento contrário, ou seja, o entendimento majoritário da turma de julgamento foi de que a UBI é responsável pelo período até 16/05/2010. Assim, este voto vencedor trata apenas de reconsiderar a responsabilidade da empresa UBI para o período até 16/05/2010. Nesse sentido, cabe demonstrar, as razões de decidir que levaram a turma de julgamento a concluir que a empresa UBI, apesar de não constar expressamente do primeiro contrato de licenciamento, deve ser responsabilizada para o período até 16/05/2010. As empresas Unilever Brasil Ltda (UB) e Unilever Brasil Industrial Ltda (UBI) devem ser consideradas responsáveis solidárias pelas seguintes razões: a) As empresas UB e UBI são do mesmo grupo econômico e a mera ausência do nome de uma delas em um dos contratos não pode ser razão suficiente para a exclusão da responsabilidade pelas obrigações decorrentes da lei tributária; b) A criatividade na escolha das palavras e a ausência de certos termos, quando da redação dos contratos internacionais é irrelevante para a caracterização das obrigações tributárias, incluídos os ajustes obrigatórios ao valor aduaneiro constantes do Art. 8 do Acordo sobre Valoração Aduaneira. c) As empresas UB e UBI, pertencentes ao mesmo grupo econômico possuem interesse comum, com operações exclusivas entre si, ausência de terceiras empresas, conforme demonstrado nos autos. d) Mesmo que as empresas UB e UBI não fossem do mesmo grupo econômico, demonstrado o interesse comum mantêmse a solidariedade. Cabe reforçar tais conclusões citando trecho do voto do juízo de primeira instância, onde comenta trechos dos contratos. Ainda sobre as empresas relacionadas nas operações referentes ao primeiro e segundo contrato cabe a constatação que todas Fl. 2010DF CARF MF Processo nº 16561.720173/201355 Acórdão n.º 3201004.170 S3C2T1 Fl. 2.005 13 empresas importadoras e exportadoras são do grupo UNILVER NV, para os quais o contrato de pagamento de royalties seriam válidos em decorrência do disposto na cláusula 1.4 do primeiro contrato e cláusulas 1.5 e 1.6 do segundo contrato. 1.4. “Empresa do Grupo” significa a Unilever N.V., a PLC ou uma sociedade de propriedade ou controlada, individual ou conjuntamente direta ou indiretamente, pela Unilever N.V. ou pela Unilever PLC. (cláusula do primeiro contrato). (efl. 1915) O fato é que a empresa matriz UNILEVER NV é quem determina as obrigações para o pagamento de royalties, controlando também todo o processo de distribuição das mercadorias a serem importadas, compradas, fabricadas ou exportadas no Brasil. As empresas do grupo no Brasil somente são autorizadas a negociar entre si ou exportar para outra empresa os produtos e serviços relacionados nos Contratos citados mediante autorização da matriz. Os royalties pagos a empresa matriz UNILEVER NV guardam estrita relação com as mercadorias objeto de importação e revenda no mercado interno para empresas do mesmo grupo, seja UB ou UBI. É de se concluir, portanto, que UBI é responsável solidária pelos ajustes obrigatórios ao valor aduaneiro constantes do Art. 8 do Acordo sobre Valoração Aduaneira em todas as operações, incluindo aquelas até 16/05/2010. Conclusão Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo Fl. 2011DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.004438/97-91
Turma: Segunda Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2000
Ementa: IMUNIDADE/ISENÇÃO = A imunidade e a isenção prevista em lei
para entidades criadas pelo Estados no interesse da coletividade, não ampara as atividades de natureza comercial que extrapolam seus
objetivos sociais instituídos nos seus atos constitutivos - COFINS
Entidade assistencial sem fins lucrativos que exerce atividade de
natureza comercial privada, sujeita-se ao recolhimento da
contribuição sobre o faturamento gerado por essa atividade
especifica
Recurso especial provido
Numero da decisão: CSRF/02-00.925
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara Superior de Recursos Fiscais, pelo voto de qualidade, em DAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os conselheiros Luiza Helena Galante de Moraes, Sérgio Gomes Velloso, Sebastião Borges Taquary (Relator) e Carlos Alberto Gonçalves Nunes Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Otacilio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: Sebastião Borges Taquary
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Sujeito Passivo: SERVtç6 SOCIAL DA INDÚSTRIA - SESI Sessão 'de: '08 'DE JÜ"iN'fiODE 2000 Acórdão £10: CSRFI02-0.925 IMtJNIDADEUSENÇÃO. - A imur:ridade e a isenção prevrsta em íei~ para entidades criadas pelo Estado., no interesse da coletividade, não ampara as a'tividades âenatureza 'comerciai 'que 'extrapolam -seus obietivos sociais instituídos nos seus atos constitutivos..,., COFINS - Entidade assistencial"sem fins Iucratívos que exerce a:tividade de natureza comercia! privada, sujeita-se ao recolhimenfoda contribUição sobre o faturamento gerado por essa atividade especifIca. Recurso especial provido, int~osto pe\aFAZENDA, NAC\ONAL Recursos F\.s~is, pe\o \toto de "qua\idaoe, em-DAR prov\mento ao recurs~.nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os conselheiros lPiza Helena Galante de Moraes, Sérgio Gomes Velloso, Sebastião Borges Taquary (Reiator)~ e Cartos Alberto- Gonçalv.es Nunes. Designado para. r.edigir -q voto vencedora Con$eJheiroOtaciJiaDantas GartaX£J. ••.' ON, PERi:: PRESIDENT /' mA C', .~ "~';ll."..ÂS .r-;r,.,:;:;<.. T;r,. v,,r;"U"l "/"'l"ILIV ...,•.•.,"\1' 'I"";.' 'vl"'\",.-II"'\I';(,", RELATOR-DESI NADO Acórdão nO : 1.1.080,004438/97-9.1: : CSRF/02-0.925 FORM.AUZAOOEM: 09ABR 2001 Participaram,. ainda,. da. preseílte julgamento, os seguintes Conselheiras:. t;ll.ARGOS VINiCiUS NEDERDE UMA e MARIA- TERESAAMRTiNEZ LÓPEZ Defendeu o .. Sujeito Passivo o Sr. Dilson Gerent - QAB/RJnr. 22.484. Defendeu ,;1 Fazenda Nacional o Sr. Procurador Dr. Rodrigo Pereira de Mello. Prcr..£sso n~ Acórdão nO : t1.080.004438!97-9t : CSRF/02-0.925 Recorrente: FAZENDA NACIONAL SujoPassivo: SERViÇO: SOCiAL DA INDÚSTRIA - SESI ReLATÓRiO O.Termo de Verificação Frs:caf:noticia: que o SERViÇO SOCIAL DA. lNDÚSTR1.A- SESJ venratuando no comércio'varejista'de produtos f::lrmac~utjcos; ..em farmácias desvinculadas da sua. atividade fim e, por isso, foi lavrado o auto. de infração, com ba.se nos artigos 1° a 5°, da Lei Complementar nO70, de 30.12.91, dete :exigindo-fi Ç~ibuiçãopara o Financiamenroda Seguridade Social - COfiNS. Defendendo-se, o at::1uado impugnOtic a exigência,. ao argumento de .quegoza da.imunidade inseáa.noalÍ: 195, S 7°,daCF!88,. porque,desdesu8 função em 1946,. é entidade sem fim lucrativo, atuando nas áreas de .educação e assistência social, para os trabalhadores na indústria. :da peça bás\ca,aofundamen\o de' que. a atividade mercantil, 'mercado '",are}}sta de produtos farmacêuticos, não está alcançada pela imunrdad.e invocada. Sustentando a tese da imunidade do S 7°. do art. 1:95, da Carta PoJític..a,.interpôs recurso voluntário. que resultou provido peJa ooJenda SEGUNDO CÂfAARA DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES DO MINISTÉRIO DA FAZENDA" ci;ljos fundamentos estão assim,ementados:, "COHNS - ~MUNfüAnE DE EN'HOADES BENEFiCENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Art. 159s7°, CF/ªª,Aprºpri~ l~i que previu a instituição do SESl o caracterizou como instituição de educação e aS$j~t~nÇjê social, de acordo com o que pr~~jWê a Constituiç?Ç> Fgderatknprc'OOdea exigência dao:mtrjbu~ção ..rende ~m 'Vista que a lei Complementar n° 7Çf~1, çom base na .norma constitucional, 3 Processon~ Acórdão nO :,tt080,004438/97-91 : CSRF/02-0.925 'f-alteraaimuflidade dessas 'entidades--{art.-6-o , -incIsolll, 'lei n° 70191). Recurso Provido.n Naciooa\,com -apoio 'no art. '3.2,iooso \oa Portaria Mfno55'de1~ 'demarço de 1~9~,postu[aa,reforma desse Acórdão,. que} ao entender d,a Recorrente} contraria a legislação tributária aplicada à espécie, a par de estar em desacordo com as provas dos autos, eis que ac exercer a atividade mercantit de farmácia. (com prca ,e venda de medic~entos), passou a €-x.ercer atividade.estranha B'suafmalidade oojet.c da imunidade. N-asrazões do recurso espedai-. enfati~,..se Que a minofiadaCâmaf8J -' - a- quo,B.o-examil1ar a matéria à v'4sta da aft 195; ~ 7°, da.cF~afirmou ,que a imunidade da interessada - SESI, não .tem ,a extensão que lhe conferiu a maioria do Colegiado em segundo grau. E, em síntese, sustenta a Recorrente que a imunidade constrtuciona\(art. -195,~_1°,daCf/ea}. Presidência da Câmara 'recorrida, foi contrariado pe\osui~topassi\1oe chegou à CSRF, onde foi distribufdo ..em regular tramitação. - É relatório; 4 Processo. [19 Acórdão nO :.t t080~.004438197-9t : CSRF/02-0.925 VOTO '\l.ENCtOO CONSELHEIRO. SEBASTiÃO BORGES. TAQl:JARY {;) :SESI - ,SERViÇO .SOC1Al DA -lNDÚSTR1A ':foi .criado, :pela CONFEDERAÇÃO NAClONAl DA \NDÚSl:R1A, durante o. gov.erno do marechat EURJCO GASPAR DUTRA (Lej nO 9.403, de 1946), na seQüênda de uma poJWc.a voltada para o social, iniciada pelo governo de GETÚLIO VARGAS. E,. desde: sua criação" o SESI..é uma. entidade sem: fins lucrativos,. com ativ.idade nas áreas de educação e de assistência sooa'., com objeti,vos .fins, conforme se pode inferir do seu Regulamento e, por conseqüência, goza de imunidade (art 6° da Lei Complementar nO70/91) e de isenção (arts. 9° e 14, do {'Tal ,.o .~<4 1Q';;; t:. '7~ ..-la ,Cf:'fc$l.:O\'-',I-:i'~.,~ ~i;l. :I."",,,",'~ ~ "" '":U ' t .rs.:iO) ... Segundo informa a-.própria Fiscalização,. as. farmácias do SESI. são. empresas inscritas nq CNPJ do Ministério da Fazenda, ,têm endereços .conhecidos~ emitem cup.ons fi.scai.s em máquinas registradoras, inclusive, Com autorização pelo regulamento do ICMS. Ent'endc :que.não .assiste ,razão .â Reoorrente ..A oondlçãc:ôe :entldade 'carate\izaoa .como -de f\mnão \ucraü\l'o,.com .at"ridade na 'área 'educac\ona\ .e .de a$$istência sQcial, deSQe sua criação, nã().Joiretirada. do SERVIÇO SPCIALDA INDÚSTRIA - SESI, e, por isso, não se lhe retirou, também, a condição de beneficiário da: imunidade ou: da isenção.. legais e eonstitustonais.. E nem, se lhe poderia Jazê-lo tão:..somentepeJo fato de pralir..Ar-oíXJmércio -varejista 'de produtos. farmacêutico. Essa prática insere,..se no. eampo. amplo da finalidade do. SESt,. tal: comoexpr.esso no DecretGJei n09A03J46.~.art 1~~"Gem:com()em dispositivos outros 5 Processa0!> Acórdão nO :. ttQ80J)04438f9T-9.1 : CSRF/02-0.925 de ~4staçãof."i'Ostetior,ou 'Seja, assistir o trabalhador uroarlO, da :indústria, do transporte e da pesca, no que conceme a saúde, educação, \azer. E, nesse ffilster ,.o SESI age com função delegada do poder público. Assilll,_ entendo que 0- simples' fato de estar: esse serviço- social~ vendendo remédios para seus assistidos, não sjgnificaestar -auferindo ,1ucros,ou praticando mercância que o afastem do beneficio da imunidade ou isenção. E mais: esse benefício está deferido de forma expressa, em ato administrativo, conforme se prévia declaração anela\ de perdimento dele, como. pretendida pelo fisco. i\ustre conse\he\fO LU\ZA HELENA. GAlANTE DE MORAES, ex,t;>endidosem votos anteriores, que acompanhei.. deles sendo exemplo o proferido, de forma didática, no RP/202-{t201 - Prec. 11080.004299/97-97, entre partes as mesmas e na mesma ordem:, em 5.6-.,00, de que se originou o v. Acór:dão AI) CSRFlQ2:-O~_8-6-1,_doqUBf:, aqui). transcrevo os seguintes trechos, como também minhas faZÕesde .decidir: o entendimento majoritário }ouva~se no art 195.,g 7°, da CFe nos arts. 14 e 9°, do CTN, enquanto o Procurador embasa seu recurso especial na incIôêncIa da COflNS, face às alterações ôa Lei n~ 8.212, pela Lei nO 9.752/98, afirmando ele que a imunidade da ,- . . _~ .. ~_ .. - . ~ L- -I. <e~ -em-pt-asa .S&ar1S O":""JIDprc-met:tua :peru nao OJmprnnenlU u8S a~teraço-es trazidas pelo inciso " do art. 55 da lei 8.212/91, não bastando o <> regimento da.empresa para qualificá~!a no art. 195, 91 da CF e. nem o disposto no art. 14 do CTN, a enquadraria cQmo imune. Assim o recurso do Sr. Procurador comporta duas matérias autônomas, a-saber:- . , 1"'}Ainddên:cta da COHtiS, comat.1ode :infração Tl.mdamenfado nc'S arts. 1°, 2°, 3°, 4° e 5° da Lei Complementar nO 70 /91, pela não aplicação dos art 6°, inciso tIl do.mesmo diploma fegai, e ans 1:4e 9° do CTN. A imunidade da empresa, face o seu regulamento, entidade be'-'7teficentedefinallGade assistenda~ e educaciofta~ não .preer.;-cne os requisitos "das ~JSjg~nçj_ªsestabelecida em lei", por não se aplicar a o.~en~ao-.. "or;. "'rI'. 1.Q5c R70 ct.a.. C.F de... 1.088-. Os a..-Io.s' QI) e'.1.4. dO' C"Tt'>l~vAt .I-r~ _ ' W..J- Qi:l;.... o'V - ::J~f. ,," "'-v'' .... . - i:l -~, ov- "I:, U" , "'i.J e'I./Ii_ Processon9 Acórdão nO : 1:1080.004438/97-9-1: : CSRF/02-0.925 não bastam para a ap{j:cação da imunidade dartr...nmda (argUtl':h,ontos contidos no auto de infração, impugnação e recurso do Procurador). 2P) A não aplicação do art. 1:95,~7° da. CF de t988 , pois a empresa; apesar de ser entidade de assistência social e educacional não preenche 'os'reqUisitos .da lei nC 'a.212l91 , com as alterações .do art. 55 e incisos, principalmente o inciso li do art. 55 do referido diploma legal. Os art. 9° e 14 do CTN' e' o regulamento da empresa não suprem as axigências .estabeleeidas naparíefinaldo 87° .do .art. 195 da CF: "que atendam as exigênCias estabelecidas em 'Iei. '''0 representante da. fa2enda Nacional 'assume 'Os argumentos, dos votos vencidos, afirmando que as alterações da lei nO 8 212/91 v.l'D~m "'''prir ""8 evigênl'"'i",,'"es~~,I.oro;rl~s ~/O. ~7.().do""ri -1,(1&:,-"Ia .CF.~,,~-"Q_.~_.~, !!~_g Ai!. "'"'~.~o. lavc:f~V!.'-J!So.oI!. :;v_, .::si :\1: Q~'.L ".v-v-u: ... 'J e desta forma a empresa não é imune ao COFINS. (argumento dos votos vencidos, considerado no Recurso do Sr. Procurador da Fazenda Nacional, matéria não unânime). ""a "....•~•.•"...fJ J~~&"" ""0 Ari- '7D .Ii:. 1,0 d-r.. n'o.•..•imen:f"" ln;/--..-no .ria c.~..,."""".u, vve:'~e-u~v 'U. .jil~ -.f ~, .~ :1 ',v ,ThvY.te. -t "=f.,"~ .'\,.\:lcf~•.:t. ,v ". -c;~:n,l-f;,U.CA Superior de Recursos Fiscais, Portaria MF n° 55/98, ou seja havendo matérias autônomas,. o recurso. especial alcançará apenas a.parte da. decisão não unânime. Assim .de 'oonfmrridadeoom Q Regimentc'intemo, o ReCJJrs>~ do Sr. Procurador, esposando a parte relativa aos votos vencidos, matéria não unânime, constitui o objeto do Recurso Especial" e não deve ser conhecido e não merece ser provido. Registre-se tr:\lB a Lei nO 8..212191 não fuj ,objeto de prequestionamento na Câmara Recorrida. Em nenhum momento o voto vencedor faz referência à Lei.na 8.212191. A.té porque o auto de infração não t~m como embasamento legal a Lei nO8.212/91. Frise-seque em nenhh'm momento deste prO""vesso, (} regulamento da empresa e seus dispositivos foram objeto de controvérsia. É a própria fisc.alização e o digno Procurador da Fazenda N.acionat que afirmam ser a emRr~ªª ~ntigªge de assist~nçi? social e educacional. Até porque, não seria a Secretarta da Reoota Federal, ° "Órgão apropriado para conferir tal outorga. Registre-se ainda, que a fiscalização ao formularem o- auto de COFINS, alegam provas contra 8 empresa pelo pagamento do ICMS. O 8u10 demfraçãose refereàCcntribtrição Social .e as fJi'OVas carreadas nos autos dizem resp~i19 ê30 imposto estadual ICMS. Nos limites estabetecidos, que passe a ao,-a-!isar, no contexio do auto de infração, na leitura dos argumentos do Recurso do Sr. Pfc~.jffidQr1 nQ, entenàirrle'1to do voto ~~encedor.e vencidos da Câmara Recortida, onde destaco como vencidos os Srs. Consetheims Tarásio Campelo Borges" Maria Teresa f'iliarnnez 7 Processo no., Acórdão nO ::t t080JXM43S!97 -9:1 : CSRF/02-0.925 L6pes, e i/arcos \tlnfcius t~eder; tle l':ldo o exame do processo, proclama-se a controvérsia aprisionada à incidência da COFINS ou 66.... {,.,....•6. a'''''''''' "'rt~,..."", •.•. ,400' 20' "'n. 41).. £:0' ., 6'0. ..t.", t _o, C. R'!"'i"<n"0'......".,.-~ ••- ""a. 1:IG4V' J " I"Q\JÇ- _\J.";'. a: :~i~V~ ;; '0 . J' ~',- : T v e f" Ua", t...er-- ',;.,ilf.l~iç:,n:lç'c~ltc;n: 1:1: 70/91, imunidade da COFINS, pela não aplicação do art. 195. ~ 7° da Carta Maior, e peta não :aplicação :tlos amo 9° e 14 do CTN, e pelo não cumprimento pela interessada das exigências contidas no art. 55, incisos t,. tI'~.lU, tVe V da: lei n~a: 21219:t. É <imp-vrtante tr:azer .alguns pronunciamentos :dos Tribunais Superiores: o Superior Tribunal de Justiça na fala do Ministro Reinaldo Demócrito, em 23.08.99, assim se manifestou no MS 5930/DF: "As entidades fitantróprcgs e beneficentes' de asststêncra s'Ooat,. reconhecidas como de utilidade pública federal, de acordo com a leg~stação pertlt-ter.íteeamenormente :à promulgação do Decreto-Iei nO 1.577/77, tem direito adquirido à imunidade trrbutárfi:l e, em: coFlseqüênci'a,. aO' Certmcado de Entfffi:1de de Fins Filantr9pjçç>S.Precedentes do STF". n Sr.- r-v'li:r:"ii.""*1'"~ i'~""','~f'G'5k,~",. d'L"<STÇ 1"''''''''''~~'I'd',-~~,~, é<:d'"" ••• ,~6-.>"ii. &~'-" ,,~, "....ln.'.;:)l~-v h-r.i:i~. O"t-'ttt;.tv," V '..1.. ,,".G~r~' d.Uv I.~V J\.Ü~.QH-«••••.-i',ttv. va-, Primeira Turma do STF, assim embasa seu entendimento no RMS "Dada a condição de entidade b'enencente de assrstêrlCfél scciat reconhecida de utilidade pública federal em datà anterior à edição do Dl nO t.fi72fT7" a recorrente leve a sua sITuação isencional relativamente .? guota patronal de contribuição I"'ir.?"' •. tid..••.•.•''"'r.a.ria.. l'.pl.~,f.'<õt",a.,... &"' ..+,5""0 ~r.VhHi'r.t"5'; r:"i<stFl', Dri"",Gt~ T ".fr.i:'ft.6 . ••••.n.JY-1 _Çjrf. 'v ,:J '~. n u:~~,.t UQ. ~'v\;j a,tll-U\ .•u-YQ.t"".a. ,- I-I-I.I-I~ •• --Q. '.Uf.+.-.Q'. do STF no RMS nO22192.9, Relator Ministro Celso Meloo" ~ 1,..- ••• ' •••• Com essas premlssas, há ne'""vessidadede se -fazer glgumas considerações: 2} V Recursode Procurador. pmpugf'.ape!'él não apncação do art. 195, ~ 7°, da CF, argumentando que a Lei 8 212/9, no seu art. 55 e incisos, veio oomp!e.~entar {) sentido deue-mgências!eg-ats" çgntiç;18Sno parágrafo 7° do art. 195 da Carta Maior. Não concorda que o regulamento da empresa supre o termo:' "e,dgêncras tegaIs". 8 Processon~ Acórdão nO : t t080.004438/97 -9t : CSRF/02-0.925 Argumenta que os arts. -go e 14 do CTN não suprem também o termo de exigências legais. 3} O voto vencedor apltca:o an. 1,95,S7° da Carta Maior peta. imunidade da empresa, e rebate que o regimento interno da empresa supre "ase~êntias ',legats" estabêfetidas noS 71°do art t95 daCF. Aplica também as disposições do art. 90 e 14 do CTN. Desta forma, o recurso do Sr. Procurador: não.-deveser. prm.tfdo,. face à matéria não unânime, que afirma ser o art. 55 e inçj~Ç>~da lei 8 '''}''''')101 .a ."....."""'n.le1'Y.le~"""'"'ça.-n ri •.••~f>'M'no ~ ''':e;yj~ .•.•t.=- JA.~" ~ .~...£.:;..£J"".", """'.1\ •.•••' U,I i:l:.;IoQ"" v vV .,"'Vl:t.l,'l .• ""t~,",l:i.VlQ,;;t 'I-",~Q'--t;) ,"'lioAe~ V reconhecimento da imunidade da interessada. O recurso do procurador esposa. os voros vencidos que sã!} cttados nomrna!mente~. O recurso do Sr. Procurador carece de objeto. A lei nO8212/91 nª9 embasou co :f{~to de infração, que ,inaug-m -opresemeprocessn. A contFovérsta em, julgamento trat.a. da: COF.lNS. o A matéria,'o art. lS'5, $7 .daCF, já "fol,objeto.de julgamerito, ,em liminar, pelo STF. Assim peço licença aos meus pares para adentrar à Preliminar de Mérito; conforme pronunciamento do Ministro' Moreira Alves, na ADI 2036JDF, STF, que perante ° trjbunaJ pleno, à unanimidade, esposou o entendimento sobre a matéria, em comento: "Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de "assistência social - e que é admitido pela 'Constfu1içãoé co que parece deva ser admado para a çar~çtªri~ª~9 9a assistência prestada por entidades beneficemes, tendo em: vrsta. o ct:nho nitidamente sociat da Carta Magna. Em se tratando de pedido de liminar, e sendo '~,'af~= .,.,.".1e\:fa--"- .a :fese ".•..~mn.a .a "1:>0 ,ri.., .:r-:ot:>~o~ ~.t~U l;U~;.'U.x.. :e",i .y ,i:i.\'J":"': i.J~;H.1l;t'Cõt. -,' ''1'\:h", \,;jt1L. ;t"~~"",,",-i::lV ;r;.c reqYJ~.it9sa ser observados por -entidades para que possam gozar da imunidade,. os drspc;sitivos especificas ao: extgtr.ern: apenas lei, constituem exceção ao princípio". 'Neste diapasão, o Reet.ifSo do Sr_ ProcuradOr trata tle 'matérias autônomas, sendo objeto do recurso apenas a parte não unânime, ou seja os argumentos dos votO$ vencidOs':. Não merece' prO\tfmentc o apelo do Sr. Procurador da Fazenda Nacional, devendo permanecer a detisão'reooffiáa. o julgamento do recurso especiaJ. d'eve estelar -se rias premissa~ gÇ>acórdão recorrido. E desta forma, não havendo 11iolaçãoao M.les, '9 1~ú:aCFe:arts.14 e '9°doCTN, que de\'"'em ser aplicados, o Acórdão recorrido deve prevalecer. A.."h'" pt"ífn'U':O:' a', ~."..J'.lÓr,i:."... er.l!'f: h:.:Ig, '''''~.6J('O.t-""" i:a".. ~1:"if; O'ki:61':r.i, d.'~u.;... _ '"f ""'J' ,i'"UCU, ..,,",i:íQ. ..,... J"""" Q'.I,"~'I:',"'V,~ J ,1"';1. tJJ'-''"'V v pronunciamentc;> º9 Suprema Corte deste País, em liminar deferida Q J Processon~ Acórdão nO :.t 1080,..004438/97-9t : CSRF/02-0.925 em fl1n1m de 1:999 e referendada :pelo f)!enáTIo em ncvembro de 1999. Portanto antes da data do presente julgamento: 5 de junho de 200(l. E conforme jurisprudência. interativa dos nossos tribunais e da- doutrina, cabe ao Juiz aplicar a lei aos fatos, quando o processo amda se enoontra em :julgamento, mesmo 'q'Je a denúncia Olf aoJtc de infração se calcaram em legislação, ~jn953 não considerada sem eficácia-.pelo,STF. Entretam.c é de se registrar,. que o at!tc):de infração não, teve embasamento legal na lei 8.212/91, e sim na Lei Complementar n° 7:Qf91..O (f~'Ostth,~ ~ega~{foostiunado no Hecurso do Sr.,procurador da Fazenda Nacional, toma a peça recursal vazia, e sem objeto. O Recurso carece de fundamentação pertinente. E não se digaqL"eB legistcryão:apHoada é a ;que ê~iyura na éP9Ç? dos fatos geradores, pois a legislação citada e objeto no Rect:.H:so,do Sr. Procurador: não consta na peça,.que. ccnstgna: o auto de infração. Tal ato legal não é vislumbrado no presente -;r...-,r,....""..4ir-r:;cr,fr. ria J~~~ ,""tVV",UU,I.,",I,~- ••_ ~""' .lo..t:i!~.,,;i.~iji.V .. Observa,..se neste processo.,.que a legrsfação citada por oessão' dos fatos geradores e do auto de infração, constitue nas disposições .~..,.~10 ?2 .-,0-40 :o.r:;o rl.~ J '.e1'r~! ,..,.a 7.o.1~1. 1'--1;1""""'''''o •..~~a.4e'Uv;GU:l;:t•.• 'f..Lo.'I U 'f "J ." V -_ll;/l: ,:L 'V'~Ui"\tJ .• :i~i " VI:;;; " ....:F-:\ 'u ~'''fg .~u.,\';VU'~ U lançadora não questionou a lei nO 8.212/91, que só veio a ser questionado, no, ReCtlfSC do Sr. Procurador d~lFazenda. Nacimral', apfl?Sentada como argumento dos votos vencidos na Câmar~ :reocmda,cc11stanre no yom de declaração ~entidn. A. matéria autuada,. está entrelaçada. ao argumenta da: impugnação e ao voto vencedor da Segunda Câmara do Segundo Cnnseftm de Omrtribüinle5. -No -presente ,caso, há t.-?ffiapreJudicial, a sei :questionada .. -Ou seja o Recurso do Sr. Procurador, nos termos do art. 32, I, do RI dos Conselhos de Contribuintes,. esposa. argumen+.:.Osdos vetos vencidOs .. Até aí tudo seria pertinente, se os Conselheiros prolatores dos votos ~•.~~~ '.n~ ~""~m ...r;.~"..f.a .r~"'a ~',""en~ ;,0"" ..".0 ~ ~=~~voj,lvH,;h,;t:S ,1:t.QV ,1.U::~~\;,jr <I,f ,,,,,io:r.i,,t:::;l.;i 'V'.I';A1:;,~l;,U. ,",VY"V'l: .., .U ~'" v :U-£''ÇoW!:.;;n;;;;'~'.l, ~everiam remanejar o instituto da substituição regimental. A exemplo de rmpedimento', cite-se, em: sessão. de novembro de 1997, estando reunida a Segunda Turma da Câmara Superior de Reo.Jrsos F~js, 'SeSSão de "Ef;q:;~iente;em .A~rm."O regimental, a Conselheira Luiza Helena Galante de Moraes, julgou- Processo 1J9' Acórdão nO : 1:1080c004438!S7-9t : CSRF/02-0.925 = '~m~irl.... -nA ;jd~m""""tft .."......fi-a"" a .;,..,~.,.""",""''''''~'''''''''' _;Cd'''''n~~:t.;)'" :li. ,.t.h,.,~J-~i:1J;'i,'iV l",",Ii~~:••.:!.'i.;"Gi-i.!":V-J '\oI.i!:;;;' '~U'S;i. ;tI ...u';'-!¥~vau.u """,,,':0.:0. "V'_n:í"tlt~:;)'U Válvulas União, o relator do Reexame era o ilustre Conselheiro Dr., sebastião Taquary e o relator da Câmara Recomda ffnha- srdo- o marido da Conselheira Luiza Helena, o digno e saudoso Antônio Canos d-ed''I1k:.<faes. Frrse-se mais que o Recurso, do Sr::.Procurador, foi a-lçado à CSRF pelo poder decisório do Sr. Presidente da Câmara Recorrida. r-taalJséncia desta admissibilidade, UBé,,>eria de :prevalecer oac6roão da Câmara Recorrida. A ape!'açáo" os roctu:sos Especiais e E..xtr:aordinários são recursos interpostos nos próprios autos. Neste Tribunal AdH'liui~traft'l;,"O,~me ao recursn \.~~Lmátioe aos ,reCtllSuS especiais, obedecidos os prazos de preparo. Não, se pode perder: de vis+.:a a flnall,dade do recumo Especiat que é aplicação uniforme da legislação tributªri~; Portanto, o Rec1JiSO Espetiaf é recursu de natureza extraordinária, apto a impugnar acórdão das Câmaras do Conselho de Contribuintes , que divirja de dedsão de outra Câmara ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais. '" .ç' J ' ffrt ffl f fi .- ',' A~~U rect.'fSo-.....speClâl e •••,;err~ •.vOOlhJa ,,",ecmau Ja,"""""",LtIUa, tendo-se pois esgotada a recorribilidade ordinária. Desta forma, o agraV(l d:e f:f1.s1rurrlen!o'J" (J agra.\/o- reg.irnerrtaf e- OS-. emb~fggs infringentes deverão ser interpost9~ antes do Recurso Especial. Opr~&...t'.;;;'Stionamento é reqtrisit3 'que dew/aplcin{a ,fatie :do próprio -efeito devolutivo dos recursos. Em síntese, somente poderá ser: submetida: à reapre~ da: Câmara SMpenor de R:eG!.lfS.~.i.~ Fiscais a matéria que foi previamente controvertida e decidida pe.I9 ", -- -A r' hf..., . • ,~ , ,Acrgao reOOlT."iUO. 'V'laroqli""S ~T"areCtrrso,queexce,::,'rm:rrla "t;;;~i;;;;< regra. J"\ A~I~ç?9 Sl9 r~çurso voluntário, é o recurso por excelência, PC~SSMÜ1dc: devc:t•.'twidad'e ampla, podendo inCltlff a, mg.t..éri~!: impugnada( art. 515 do CPC ), todas as questões suscitadas e rlrscíJtidas no :p.~cesso,:amdaque a sentença não as tenha fl.:lfgado por inteiro( art. 515, $ ( do CPC, e outras que não foram decididas (E:;'tA\ a!e" ,", .,to. f...+,..~ P:'I'OUFiS ~,.t,~ n''-'OP:\"osrça- r., amo.riftr. "'-'r, ir.ft>!':C,~í"-l.Otl".U I-V/T 1 I.U. v-~ l-a.tV~ 1.1,- ~,V J' VYj-Q-, tJt. 'tJ' I V '.U.!:JI,I'V'I- iVl. 1-1.,1,1""';l::h~!.~,-" aQ r~corrente por motivo de fprça maior (517). Mas a regra g~r?I para :os reCtffSOS é restrniv8 qU!m'dcse trata ,óeefeitc de'-,roh,Jm,fO" que -se opera somente sobre a matéria decidida ~ impugnada. A demanda: é pwposta" a defesa é feif.a:e at está O' fimtt-e do contraditório instalado. Em cada um dos momentos dessa sucessão de atcrslogicar:Henteordenados, qL"e é-Q~~sn'J ::BSpartes, o juiz, dev8Tll--estar atentos para a solução de questões que surgem nessa dtnâmfC8:,.sem perder: de vista: ao qtIes+.ã<J c:entrat , O'beRI: da 'l/ida qr.•'e: PwcessonJ> Acórdão nO : 1t08tl004438197-9l : CSRF/02-0.925 () objeto da ação_ O ponto omisso da rleds~3,sobreoqua1 não foram opostos embargos declaratórios, não pode ser objeto de Recurso Especial. Para. que seja. cumprido o requisit(l do. prequestíonamentc} ,. a o o matéria já deve ser objeto de conhecimento e julgamento em 1 e 2 ç graus, não ~1Sdendotrataf'-'se de questão nova, impossivei de ser apreciada quando somente argüida no recurso ~fÇtremo. A não ser f"tI-IO. 14,' ••••a: "'espoó",,",: a' "'''''''''0.: "'''a~~=.Ac. p.•.~~.m. O~-'"'" "'uoc rlot.CiJ"'r.nino- a-.'1,t",a-'-'" U-:::I . (.; -~I"l.V . v I.VI ~.f~ ;v.\J U""f.v~vl." ~i:ltiJJ' "'1Uv _v(.vl~H~U'-tv- . nulidade da decis~9, ou implique em negativa da prestação .jurisdicional v-eto.órgãorecornrlo,pOOendc-cs-aem cases extremos e raros, aventar a má fé pr9C8ssual do órgão a quo. Depreend&-se que é desnecessária a refer.ência. expressa ao art. de lei, desde que a matéria de lei tenha sido discutida no aoordãore'"..;Onido,o,tle remerepara os fundamentes da sentença .,OS Q~ Qvtros acórdãos que fundamentam a lei, ou a legislação. Assim integrando a motivação do. acórdão recorridO, tem,..se por discutida a mat~riê pelo órgão recorrido. n ~T f fom <F'~ft"" fi fi~t,,,,,,,,,f:Ü';.ft"""""''''''''lt.,,,,, i-.;n:<", •.H.••~f"", ""r.~,..,...•.•t."", ~ .~ -'V;.e-'Q ~~._;I -:GtiJalc:iuv 'U .'fJ-f'''''~-U\;i:..;;t""l'V1::,I-e;.u- ..e-.U~,;,••T-I,''V :..t.'-.lt-'l.t"-i.U.V ..;.tv.n:"\""r'-t-t.~""" :,".UJ.;) casos em que as questões possam ser conhecidas, por expressa disr.'<l"is.r'r'M. lol"t_",.!. o.m.', t"fUaJ:n.l ,o... +_e •• :>:><'!ft. o. '-".••a.... Ae' . ;J.••6.Sdit--:~ffii ~Aini...4'r.Jê>,I t""v. y-V ~-v~o."f' V .J..I- 'iV- ''i-Uvl- U::;;1~~".'fJV\,;, ~.l. u- V - J\.4I.1 \;',H-3""""'V .•, 1~-II.f;.!J:;"'ll-V Pádua Ribeiro e Ministro Costa Leite( palestra proferida na OAB- SP .e.:r:<u-ht~rfp' ~n :i?~~:I .i=C"f.!: ••-jI..,..Ae ~;li~ '0""'._.:1••.•-\v:tJ..UH'VC4UU .l.;_ Jv.t'-e:-ec~t! ~..,;t~~v 'u V-CAV"' lCA.veVI- No entanto, não. se pode conf.undir a !i!t1eraHdg:dedo Tribunat aEÍ: quem no trato do prequestionamento , com suprimento de eventyªiª omiss--6es dO'mbunai :g qu3~ " !:rnpossíve!: o ar-v8SSO' ao recurso especial se o tema. nele inserto não foi objeto de debate na Corte de origem. Tal ~. -, '3 1 . - A j.,aL'"Senmnao ,e supnaa~e mt:rao?r,.~m;aoúe -em.J'afgos declaratórios. Faz-se imprescindível que os embargos sejam acolhidos pelo T ribunai de origem, para-. que seJõasanada.. a possível omissão". RESP. no. 45955-9 MG, reI. Min. Eduardo R.~, f3J)fL94." o reexame de prova que toma incabrve!: o. recurso. especial é o da hipótese da prova livre , quando o fato donde decorre o direito pede serprrrvadopuf qua'fqL'ef mejc :lícito .emUr~irrli::ntB 'legitimo. Há casos em que a prova de -determin-ado ato jurídico se faz apenas da f~F.'I':1.a. rt:u,o. a. Io.i e.~.+,~ho.l~ (J. ("'O(' ad'....t"l. '-". s,,,,+,,,,,~.,,,,, d-c.. !';UF.'o.UI-fi".i _' "1'\"1,,,", . Iv-t- ~\'QU",-"f~-., V '-11- "-" Ui.:Glt,. v !vt..Gl.I-IQ" .I-~.'~v convenciment9 do juiz e da persuasão racional, 0l;>rjg~ng9 o magi~fêsúo.aanálise da 'pr-ova para fÜndawtBl,tara -decisão.Ê de se dizer, ainda, que só com o recurso especial é que se verifica se a decisão recorrida contrariou- a legislação. 12 Processon9 Acórdão nO : 11080-..004438J9T ..9t : CSRF/02-0.925 Assim, :ao órgão a que só é permttido .realizar o juízo de admissibilidade. O juízo do mérito é da competência do órgão ad quem ..O:Tribunal a quo-não pode negar trânsito ao recurso especial: porque não vislumbra ferimento à matéria de lei, pois está adstrito à .- ~ <tM • 'ffi ~.- ,~"..j'aprecaçao •.•'v~ pressupc .••JJSgeratse £spec •oos,oouenao se ~,-y•.••tUl a matéria de mérito. (} Supremo Triburtaf Federal h'B sessão.de 1L11_W, :pela fata do Ministro Moreira Alves, referendou a concessão de mªdida\-," liminar provisória que garawJu a isençâ{)' de pagameuto' de contribuições sociais e previdenciárias de hospitais e escolas que r••."""",~•••.•~""",-;.=.f:ê.n""".~.."•.••••••;"":1f~k. •.•~.ir-.,.:).tJ,I""G.~.tVJ..e.e u~~~-\.Vt;}VI'U '.~.;n••h..,,"lU' 'yt-tl:~;J".t'U'UjJl~. o'. OPlenárin confirmem a liminar concedida pelo rrnntstr:o ~Jia£oo: Aurélio na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2028-5, movida pela Confederação. Nactooai de Saúde e Hospitats -t: SenriÇO"S,que representa as santas casas e hospitais b~n~fjçentes, contra a Lei nº 9-73")/QR ~.fe ;.,"nEi~ "es4-:.;",;;~s "'ar.<õ>. õ.",on"'ça.-ft. &"""'. "'ft~f.r.ih'-';r.';;as.•. 1. '-','w1V," "1'to.,I I-n:l,....v~ I. - ,U:iyvv fJ' I.U. r-v~l,t V y~~ '=A.I1.h •.•.I-V\..uTV'" providenciarias e outras cont/ipuições desses estabelecimentos. A dec'rsão do STF também fa'loreceas demais enudarlesatingidas pela lei. Os fundamentos. d~lconfirmação da liminar da ADiN n~ 2028--5 sendo relator o ministro Moreira Alves, tiveram como base legal os -seguintes dispositi'v"Os: art. Sº, XXÃVi; 'S 7£ do art. 195; art. 197;-art. 199, caput e ~.1Q~ art, 203, I, 11 e IV e art, 204, inciso li da Constituição Federal' de 1988, e art. 55, inciso 111, S 3£, 42 e 52 da Lei .nºB.212J91 e-art. 4~,5ºe7ºda Leinº -9.732/98. Peço vênia, aos meus-pares para transcrever parte do \foto do i\ustre ministro Moreira Alves na ADIN nº 2028-5, cuja ementa é a seguinte: '''Efld'T',,'nADES' .B.E1>i.E,.....j.",.~""~TE.S 'nf-s'.c-n"f"'fl\. ••"1cf .•••• fO TIE1'111lU":' . .n t"IVCI"\l" .. -UI-. .1r'L'I-l'i.'"'\, 'v I~I \J' FORMA E DE FUNDO. MITIGAÇÃO DO PRECEITO CONSTITUCIONAL REGEDOR DA' MATÉRIA. liMINAR DEFERlDA SOB CONDJÇÃO: REFERENDO DO PLENÁRJO." Dois v\cios são argüidos na in\da~ desta ação direta de inconstitucionalidade, redigida .cpm insuprantáver esmero. Prefere no e¥Eme, oprimeira,Qoo diz respeito à torma_ A Lei aº 9.732/98 -veiaa dar nova redação ao artigo 055, inciso 111, da lei nº 8.212/91, acrescentando,..\he os S:S: 3~, 4~ e 5~ , e àlspondo sobre a matéf'l& também nos artigos 4º, 5º e 7º . Apanhou quadro que, até então, era ha\~do -como harmônico ooma -:C-artae 'qL"'e'SemostravBem sm1:ooia como o -Código Tributário Nacional. A cláusula inserta na parte final 13 Processo n!l Acórdão nO :, 1,t080'.004438-/97-91: : CSRF/02-0.925 """o8 -.:Q AO _ •.•..:go '1fl5 •• nue --.c......ca.m ,.:.-exig::-n'Gl'a.s e-'~•...~toMA_-'U' J" \;l' 'cu-u. ' . ':iJ'. - • ',- ''1' .Cl.l•••••I.IU .. 'Cl~ ...•. t::l,. - .~lau'O=\.:;.uCl~ em lei."- era revelada, sob o ângulo próprio, pelos artigos sº e 14 do Código' Tributário- N'acíonal; no-que-estabelecem: "'Art. ,gQ- :É vedado à União, -aosEstados, ao -Distrito Federa! .e Municípios: (...) \V - cobrar \mposto sobre: (.~.) c} o patrimêni-o, a renda ou serviços de. partidos ponticos e- de- instituição. de educação ou de assistência social, observados os requisit{>'S fixadas na Ser-yâo J( desse Capítuio; Ait. l4 - O disposto: na: alínea e- do inciso IV do artigo ~ é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas -entidades nele referidas: t - não: distribuírem qualquer parcela. de, seu patrimônio- ou: de suas rendas, a título de lucro ou participação no seu resultado; ii- aplicar integralmente, no País, OS seus recursos, na manutenção dos seus objetivos institucionais; Ul - manterem escrituração de suas receitas e despesas: em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua 1:xatidoo," Esta último artrgn velo a' definir, para os efeitos: alusivos à imunidqg~, as entidades detentoras do benefício. 'Oleglstador, .aoeditar 'a lel:riº- :a.212191 ,teria -obser>tado, .emsi, a regência complementar, e, aí, quanto às entidades beneficentes de assistência socia1, inserira- nos incisos i, Jl~ lil, IV e V do arti90 55 disposições próprias, considerado o sentido maior do Texto Constitucional: "Art. 5-5 --Fica ;semfl dás' contribuições. de' crde'tratam: osarngos: 22 e 23 desta Lei, a entidade beneficente e de assist~nçiê soaal.-que-:at:eflda ..G~segtlintes t:equ=isito'S ç"'L~u1ativam.ente,~ lo - seja reconhecida como de utiHdade púbHca.. federete estadual ou do Distrito Federal ou municipal; 14 Processo n!l Acórdão nO : t 1:080.004438197:-9,t : CSRF/02-0.925 U - "Seja portadora do Certfficado e 11'0 Regtstro"ôe Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência, Social., renovaooacadatr:êsanos; m ~p"fomova aasslstênd:asociafbe.~cente,jooh.lsi\.~ educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas Câ:rentes;. i\l - rtãop.sroebam'os'Sells diretores, mnsefheiros, -sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefIcios' a:qual{fuertillifo;. V -ap1~qL"emtegr~memeoe: •••entüal re&Ji'iado:operaaonat na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anuafmente aO' órgão do' INSS,. relatório' circunstanciado de suas atividades." Poisbem,~~tedesses .parâmetfG'S, da.tomaáadeempréstimo ;'CÍo que contido no Código Tributário Nacional, relativamente aos impostos; pelo ieg1siador da, Lei: n:º'. 8.21:2í9'1:, partiu-se, para: modificação e, aí, introduziu-se regência vinculando a imunidade ronstitucionaià ne-...essária 'gratuidade 'dos serviços,tmpondo-asob a forma da exclusividade ou) então) no mínimo de que sessenta por cento destes fosSêrn tltre-cib'hatibS ao ãtentiime'l1to tib Si'steftla Únit"o ,de -Saúde. .Eis como ficaram DS prec.eitos -88 Lei nº 8.212/91, com o advento da 'lei nº 9.732198: "Ali. 5-5~-Ficaisen1a das-con+,xibuiç-õe-s sociais de que. tratam, os artigos 22 e 23 desta lei, a entidade beneficente de assistência :.social 'queatenda,cumufath!'am-ente: c...} lU .. - promova; gr.~.llitamente~ e- em" caráter:- exclusivo~. assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial .a'criarças, 'adotescenres,idosose ;porraooras-dedeficiêocta. c...,}. ~. 3º' - Para: os fins ..deste artigo; -entende ...se por assistência social beneficente a prestação gratuitas de benefícios e serviços a -quem -dela necessitar. ~ 4º' - O.lnstittito Nacional: do Seguro: Sociai: - INSS cancelará a: isenção se verificado o descumprimento do dispostQ neste ' artigo. 15. Processo,n?' Acórdão nO :..t 108!L004438f91:-9,t : CSRF/02-0.925 :~ 'Sº..-""Considera-se também .de .:assistência :socialbenef.icente, para fins oeste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de-pelo' menos sessenta porcento'ao"Sístema -Único"de'Saúde; nos termos do regulamento.» 'Por sua vez. os artigos4'º,S2 e 12 da "Le'j '02 "9.732198, .também atacados mediante esta ação direta de inconst\tuc\onahdade, dispõem: ""Art. 4Q -As .entidades sem flns'lucra'tivos ..educaciOnals-e.as que atendam ao Sistema Único de Saúde, mas não praticam de forma exclusiva e gratuita atendimento a pessoas carentes, 90zarão de jsenção das contribujções de Que trata os artjgos 22 e 23 da 'Le'jn2 8.212 de "1991, na proporção do valor das vagas cedidas, integral e gratuitamente, a ea{entes e do 'Ialor do atendimento à saúde de caráter assistenciar. desde que satisfaçam.as tequis.iíasteferidas na~ incisas 1,11~.1V.e V .da artigo 55 da citada lei, na forma do .regulamento. Ali 5Q: O' d'l's'pos~o'no. a-ri' 5.5 d'a. I'-e:' n.2o: "'. "):"t."), de' 1'9' 9':1, na- s"'a .......... - .. l '1;;;, I t:),L.I'L" . ''','' • "" . nova redação, e no artigo 42 desta Lei, terá aplicação a partir da 'competência abrilde1999. (_ ...•.): . Art. 7.20 - Fica cancelada; a partir de-.01: de: abril de. 1999:, toda:e. qualquer isenção concedida, em caráter geral ou especial, de -contribuição para a Seguridade Social em 'desconformidade com o artigo 55 da Lei .028212, de 1991, na sua nova redação, OU' com artigti 42 desta- leÍ'. » ..:A toda evidêflcia,adentrou..,se acampo da limitação ao .poder de tributar e procedeu-se - ao menos é a conclusão neste primeiro exame - sem: obSêntância da: norma: cogente do inciso: 11:do artigo. 146 da Constituição Federal. Cabe à lei complementar regular as limitações ee-fiSuwcronars ac ':poder -de tributar- :Ainda -que se diga da aplicabilidade do Código Tributário Nacional apenas aos impostos, tem-se que veio à barla', me-cUante veiculo impróprio, a: regêrtc'l3', das condições suficient~~ a ter-se o benefício, considerado o instituto da . 'd d' - d' - ...•I - • (. .- -:-,0 -ri-. rt'nnum .a e e nao o -.a .isençao, 'lé'll :como preV1Sl0 no ~ .(- 'U\;1 .3 .IQO 195 da Constituição Federal. Assim, tenho como confi.9urada a reJevâncja suficiente a caminhar",se. para a concessão da' liminar, no que a inicial desta a'ção 'direta de 1f\OOf\st\tuc\onal\dade'Iersa sobre o \{\c\o de procedimento, o defeito dé forma . .Relalnfamente à .:questão.de fundo, ..atente",se_.para,o.caráterlineaLe abrangente do ~ 79. do artigo 195 da Constituição Federal: 16.,. Processe:, o?' Acórdão nO :..t tOHO.OO4438197' •.9t : CSRF/02-0.925 ~.72 - São isentas de: contribuição. para: a: seguridade social as' entidades beneficentes de assistência social que atendam as exigências estabelecidas em .leí.'" No: preceito;. Guida-se' de" entidades' beneficentes de assistência. social, não estando restrito, portanto, às instituições filantrópicas. inârspensáve1, écerto, que se lenha o ue~~mento da ativ.idade voltada aos hipossuficientes, àqueles que, sem prejuízo do próprio sustemo e o da. família, não possam dirigil':'-Sê aos particulares que atuam no ramo buscando lucro, dificultada que está, pela insuficiência de estrutura, '8 :prestação doserviÇQ pelo Estado ..Ora, no caso, chegou-se à mitigação do preceito, olvidando-se que nele não se contém: a impôssibiHdade de rec'Jnhedmento. do benefício .quando a prestadora de serviços at~ê de forma gratuita em relação .aos necessitados,:procedendo -ã eobrança junto àqueles 'que possuam recursos suficientes. A cláusula que remete à disciplina legal - a, ai,. tem,..:sea conjugação com o disposto no inciso 11dó artigo 146 da Carta da República, pouco importando que nela prqpriê não 'Se haja ronsignadoa -especificidade de aro normafu/o - não .é idônea a solapar o comando constitucional, sob pena de caminhar-se nO.sentido de reconhecer a pos"SIDtfidaue de o legislador comt..tnt vir a. mitigá-lo, a temperá-lo. As exigências estabelecidas em lei não f"Y'Jem jn~-.;af \.~iladeifO eonflito com 'O sentido, fe',fetauo pelos costumes, da expressão "entidades beneficentes de assistência soctaf'. Em: síntese; a circonstãnda: de' a entidade,. diante,. are- mesmo, do princípio isonômico, mesclar a prestação de serviços, fazenóo'-Q '9ffituitan1eflteaosmenosfavoroodose 'de forma 'Onerosa aos afortunados pela sorte, não a descaracteriza, não lhe retira a condição' de beneficente. Antes,: em face.à escassez' de doaçOOs.oos . dias de hoje, viabiliza. a continuidade dos serviços, devendo ser .te:~~o -emronta o somatórioúe {iespesãs':resultantes 'do funcionamento e que é deçgfn3ncia do caráter impiedoso da vida econômica. Portanto, também sob o prisma. do vício df?fundo, tem,.se a relevância do pedido inicial, notando~se, mesmo, a preocupação do Exceientíssimu r,,'1inistrurle Estado da Saúde .com !Os 'Ônus :indireros 'advindos da normatividadê"cia Lei nº 9.732/98, no que veio a restringir,. sobremaneira, a imunidade. constituc.-iona!, praticamef:lt~ inviabilizando - repita-se uma vez que não são comuns, nos dias de hoje,'as 'grandes tioaçôe.s, a-1i:lantropia :pelOSmats -aquinhoados-1:I assistência social, a par da precária prestada pelo Estado, que o .~7º do artigo 195 da Cõnstjtuj~9 Feooral vis-a a estimular. Tudo recomenda, '-assim,~mmafitidos, -até 'fi uecisão final. 9~sta ação dir~ta de inconstitucionalidade, os parâmetr9f;; çja L~i nº 8.212191, na redação primitiva." 17 Processore Acórdão nO :. 1:1080.0044:38197-91: : CSRF/02-0.925 A ~e••••.e'.li.- .As iímifi.""" por ,.•.,.'60ft ••••••.I._d-A.a """''''-'''-fi.,;!'''''U '60- ftftfli"a.s~a--oRu.-v'>;;>o.Ov .in -.u~c", .. -,...,-.g,',nHOa",v n"re!e-l.uv . -9-."•..••••••"''''' :.s da medida liminar para suspender até a decisão final da ação direta a eficácia do art. 1:!!,na parte que: aiterou: a: redação do art. 55, inciso 111, da Lei nº 8.212 de 24.07.91, e acrescentou-lhe os 99 3º, 4º e Sº, l.._ -. rt"A:Q.eQ -o d 1 ~ (l a""3"" A.,. 11 1~ 98\Tem romo'Oos a s. '"t , '-' .e t- .a Lei rr- v. { ;l, ue--. - z.: . A decisão do Plenário foi: em 11.11.99. A declsão de mérito ainda não publicada, teve como incidente conexo as ADINS nOs 2036-6 e 1589,que tinham'o~~mp :(ibjeto. Assim, d~sta forma,_COflsidero que a.COFitiS não incide sobre as vendas e serviços efetuados pelo SESI, conforme art. 195, ~ 7º orloTe~9 Constitucional.defeSa. As- exigências previstas- no -art. 22 e 55. da: Lei: n2. 8.21:2, de 1991, trazidas pela Lei nº 9.732, de 1988, não se aplicam ao presentejuigamento,-atéporque a falado STF, -emfim1narde AD1N, neste caso, torna-se vinculante, a partir de julho de 1999. " AdarBumentaeJum" , mesmo. _queo recurso .de -Sr, Pro.curador fosse examinado pelo digno Colegiado, é de se ressálvar a data da pre\\minar do STF, cuio efeito ex nunc, a partir de iU!..ho de 1999, tornaria o julgamento inócuo. Sendo que ao Juiz compete conhecer -da teie ,ªpfk'~lªo .EnãD SB diga ,{{usá é.pese.B dos :fatos_geradores., por ocasião do auto de infração vigia a lei 8212/91 com suas alterações, ou que o auto de Infração tenha sido embasado neste dispositivo legal. Ora, .nãu 'se visiumbra no auto de infração 'qualquer referenda à lei 8.212/91. Só este fato, ocasionaria a identificação da legislação ciíado.no,recurso ..como-impertinente. O Recurso do- Sr:. Procurador: é carecedor de objeto. R~istfe-se, Grirn:ia, que a não cumprimento da rlecisãodo STF poderá ocasionar reclamação, tanto na esfera judicial como na esfera admin151rali:va. Apenas merece repam que'~os 'votos vencidos na~Câmara::. Recorrida e o Recurso do Sr. Procurador fazem referência ao inciso ~,,~ .•..•.•••.--,.4 ... -n-ú,- •••~ d ...•..••.". ~s...•... " - ~ . ,".4 , lH,,-'U-'CUl. 'o1>uaL6irf'ó,LI:L, e -1v61 ,-uvjel.oae.:cr~o ueclaratonaue inconstitucionalidade, com liminar com efeito " ex nunc" desde julho de .t999; esãoimprestáveís para-a-contrm,:-émia-. inicfada com-o auto de infração. Ref0gem à discussão do 'processo, PJ.é?Qfq~e a \egis\ação comum não pode. macular o art. 146, U da Carta Maior, sob pena dé caminhar no sentidó dé reconhecer a 18: PmCeSS(UlO Acórdão nO : 11080.0044-38/97:-9.1 : CSRF/02-0.925 PQssibi.!ióade do legisiador.comum y«.:amitigáJo, temperá,.1o.-Só atei complementar poderá regular tal dispositivo. Por último,. quero-Iernbrar aos Senhores Conselhe1rc.'Sque () RE nº 115510/RJ, de 18.10.1988, sendo relator, o Ministro Carlos Madeira, .já~b 1) manto .da ConStituição -de .t98S,ãSSimse pronunciou: "Certificado. de filantropia. A expedição do certifiC?go de filantropia tem caráter declaratório e como tal gera efeitos ex- tunc. :Sê a entidade reqL"efêU () Certifl:Cado :antesda determinação administrativa que arquivem os .P.~9çeSSOS respectivos, mª~ veio tê--lo deferido anos depois, quando revogada a medida, o seu direito às vant~g~n~ conferidas pela iej:rerroagemâ .daia .do requerimento. -Recurso .0000:tt~ido .ê provido." Para. não .delof:lg~r."me.-mãis..e-Cãnsaf. os .senhores.con.selheiros. tomq emprestado da ADIN nº 2058, a ementa deste voto: . ""'Et~TtDADES BENEFICENTES -Ü1SClPUNA viClO DE FORMA. E DE FUNDO. MITIGAÇÃO DO PRECEITO CONSTITUCIONAL REGEDOR DA MATÉRIA. O art. 1-46, Il da CF deverá ser obedecido sob o ânguJo da forma, em Jei compiementat ..0 art. '1"95,9 7º daCF/88 dita a imunidade das ent\dades benencentes que. não possui 'fins \uc-rat\'Jos, dedicando-se a alguma forma a assistência aos necessitados. -oscontomas estatutáriasGa empre...~ .conduzem ao entendimento da imunidade." Desta forma. nego provim.enta ao: apeIo.db Sr:..PrõCuradorda.- Fazenda Nacional, pelos seguintes motivos: - O Reç.ursc.do Sr. 'Procurador .da FazendaNaciúnal,nadata de 5 de junho de 2000 carece de objeto. Há uma liminar em ADIN , com eficáciadesd~.julho de 1999, que reveste.o- Recurso. dõ. Sr. Procurador da Fazenda Nacional de carência jyrfgiçp. Porderfê.igeko, regisiro_ em nome do orgulho, seriedade- e. respeito que me merece o Conselho de Contribuintes, matéria não :examinada ..~tosmembros-do .Seg.Jnda"Turma .na -sflSsãúde :5Jie junho de 2000, cujo objeto carecia de necessário pronunciamento. ouse}a.a.compo~~ção.dõs ..membros que atUªfar-n no jUlgamento dõ processo. 19 Processo_n() Acórdão nO : 110BO..00443:819T ..9J. : CSRF/02-0.925 Nasessã'Oºe 05 'de junho .de .2000, a .segunda Turma .d'O Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria ilustrada, com voto de qualid~Qe,deu provimento. ao Recurso do Sr, Procurador, ao. argumento que o auto de infração tratava da incidência da COFINS e .quenãa :seapltcava '0 entendim~~da AOfti202ô ..•5, que apenas portava liminar. Ressalvo ..meu entendimento, nest? decl~raçãQde vott...l, como. ressalvei em sessão, que tenho entendimento contrário, pois a ADIN :2628-8 veto :suspender, .~m.Hmtnaf,:as ,alterações .da .lei .,np. ,8 212/91, e isto se deu em julho'de 1999 ,'referendado em novembro de. 1999, eeenq.uanto perdUfâr o liminar referendada pelo pleno' do Supremo Tribunal Federal, a redação original da lei 8212/91 deve prevate-:-....er.E prevalecendo a re9ãção originai .da .lei .8 .212191, .,a imunidade da reeç>rr!ºª fªce ao art. 195, $ 7° da CF deve prevalecer. Registre-se imunidade referente a COFlt-.tS. Desta forma J neste julgamento de 5 de junho de 2000 , o Recurso do Senhor Procurador .~m~-e.Seinócuo. Ressaltei na.ocasioo, sessão de. 05-dejunhõ.de, 2000; que.se o. entendimento da ilustrada maioria , por voto de qualidade, ...pfe.~eceSse,.aAOIN 1'10. 1.9706 .óe .t6 ..tíL9.9, .cuja .liminar ..foi indeferida pelo mesmo ministro Moreira Alves, não haveria de prevª'ecer. E assim o Conselho. de. Contribuintes poçíeria. estar recebendo para julgamento os processos administrativos em .Segunda Jnstância, .sem .(L:áep6sito:recursal ;da lr:intapor :oonto ..uo crédito'1ributário autuado. Frise-se que -a liminar em Ação Direta de Inconstituciooaliçtêçle. temefeit-o." erga. omnes,~, com efeito'. ex nunc. a partir da liminar( julho de 1999). E como julgadora aplico-a no ..pr:esente.r€CUrso.n Isto. posto. e. por tudo. mais,que_.dos,.autos~consta7' voto, no,sentido.dé. negar provimento ao r.ec..urso.e...speciaJ,para ronf1rmar'.o venerando acórdão ,rec..o.rrido, por seus Judiciosos fundamentos. £ .como voto. Sala.d~s.Sessões.,.DF, em 06:.dejunl"lo.da.200o-. '.. 20: Processo. 1)0 Acórdão nO : 11080c00.443.8!97,,-9J : CSRF/02-0.925 '!lO T:OVENCE0 OH Conse'he"i.ro O.LA'r.', .• lr, DA..N.-"AS C'AR.-I' AVO. R'eiator:'. n ,. I.' .Iv LIV ..... ,... ...J"4d\', ,... ; o presente ..litfgiocversasobre.o alcance.daimunidadeou.da'.isençãõ. da Contribl..liç.ão para Fi.nanciamento da Seguridade Social (COFINS) prevjsta,em relação às atividades desenvolvidas pelo Serviço Social da Indústria, especificamente nas vendas de "cestas básicas" e medicamentos em .estabeleclmentos,oomerciats.criados.peio-SESt A defesa. da- recorrente. funda.,..secna il}lUfíidade. previsl(L no. art. 1qQ;. V], "c" da Constituiç..ão Federal/88 elc 8rt 9°, lV, "c", .do CTN e no 81t 195, S l°, da Carta Magna~ e também na isenção subjetiva concedida pelo art. 6°, 1lI, da Lei Complementar nO70/91. «Art. 150 ~ Sem prejuizo.. de. outras garantias. asseguradas. ao,. contribuinte, é vedado à União, aos Estados e aos Municípios: h.••miC!';;:.i .••.~•.,) ,l'V!.-t.!.t'-"Y.l!Vj VI - instituir impostos sobre: (omissis] c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive !utJd.ações, .ftas .entidades-sirIdicais .dos .tmiJa/hadams, ,das ins(;fuiçõ(?$ çJe educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos.os.requisitÇJs-daJei: " «9'. 4° - As vedações expressâS. no. inciSÇJêVJ, aclfneas'. b, ê~c; compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, ..ffl:facicJtJ~dosÇQü1<as.fiüatidades .~~nciais ,das ,entidades nelas mencionados." 21 ProcessoxiO Acórdão nO : 11080.0044~8/9T..91 : CSRF/02-0,925 .Olspõe s,obreO ãssunio pc6digO TnbutárioNaciõnat ,nosar.tigosê inclscs.ababtolranscfitos: "Art. 9.° -É vedado á-união; aos Esladosi ao.Distrito.,FedéFal-e-aos- Municípios: '(umissis) IV - cobrar imposto, sobre:, (omissis) .c),patrimônJo, a renda ,pu .,setViçasde .,partido$ .pofftir;lJS ,e .de instituições de educação ou de assistência social, observados os requisitos .fixados, na,Seção. J1 déste, capítulo;" \\mita a ap\\c.ab\\ldade da \!edar~o pre'llsta. no na a\lnea "c", do inciso \V , do art.. 90: «~2? -Os,Sêr:'..r.'ÇOs,a .q{.,~se ..refe.re ,aaffneaçrJoinciso lV.do .art ,g-o são exclusivamente os diretamente relacionados. com os. objetivos institucionais das, entidades de. que trata este. anigoe T" previstos nos respectivos estatutos ou atos constitutivos. " (grifei) Constituição de 1988 - Sistema TTibutário,ea ed. Editora forense; 1994, pág. 349, assim coloca: a.'1.. ,imt-i.n-l'.'.-!;n~ _4~. t'fl.~t'.'f>U-k<TD.. e {l-'a ~U'-'T""~(:;;"" e -.-.3"".C.;sti5fl ••.•.i-.3 'efV ..••i~f .""'.,S..1"1. .-.,f; • _ u. '. UVU,v _:Uu~ ., ~,j9 u. .yv~_~.- v ',w.U, 'Y"U:r:~V -. _>O~.•n;H.. , .yU',Vl.U _~V~"",'Ul .U protege da incidência (/9 IR, dos impostos sobre o patrimônio e dos impostos. sobre. serviços, não de ovtrosT quer sejQ-m instituições contribuintes de jure ou de facto. Destes outros só se livrarão rflf¥.1iante.isenção .expressa,uma:questão .f1ivensa.A Jfm.1rtid&~e .em tela visa preservar o patrimônio, os serviços e as rendas das instituições de, educação, e assistenciais porque. seus fins sã.oc elevados, nobres, e, de uma certa maneira, emparelh?m com as ,fin.atid:~Jese .deveres ,do.próprro £$tado:proteção .ea.ssistência social, promoção da cultura e incremento da educação lato sensu. " Já ª,doutrina. de Pautocde 8arcfOs Cal'Vafbo~ pôr c.iração de. Roque. Antônio -CarrA7R, in Curso de Direito Constituc.JonalTributário, 7aed~ MRlheiros Editores, pág. 369, nos ensina, "in verbis": Processo. n° Acórdão nO : 11080,004438/97 -9c1 : CSRF/02-0.925 "AI - d " d - . . .)"'90 -$J!el"rJOS JlOS .esqu:ecer -que .a,s Ye açOe.s:expressa .np ..mcf,SO VI, alíneas b e c, compreendem somenteo patrimônio, a renda e os serviçosfefacionadoscom.as.finaJidades-ess:enciais-das.entidades. n.efas.me.ncionados17(ar1.150, ~ ~ -.da .CF)..Logo,se, .por-exemplo, um pariido político abrir uma loja, vendendo, ao público em geral, m~"'c'!3rd"YÍa's' r-lª't;:;;; •.•6' p'''''gar ..'/.CMS ""'l'nda. qu'CA.OS. lU. "'.""OS. ''''''''-''eft-.rn .. ômIf;,fl., ,U,YV'.' __.' Yv-V.y'.(;{- ,(;t. ". _' ". _, Qi,.,f,' - .v- "'"vl,~ ,'..lv.V.1 . a, .-v'I.-- benefício das suas atividades. Por quê? Porque a pratica de -'- TfiG.-. t~ .-ft -c-a fii3.'f-~- - . n. .. _. ";fl7-d'- ~ ~.O~a'''.r~'Hk.fÇãt1, 1'$~nav-9]v " ••••crc;.;JrlP,:oo,nme:sff1O.",Um::.l~H:<, -comas finalidades deum pariido político. 17 Quanto. as contribuições. destinadas para. o. financiamento- da. seguridade SbCi::rl, dispõe o art 195 da Constituiç.ão Federal: "Ar!,. 19.5- - Aseguridade.$ocia! será. ffnanciadf). PQrtod8,-a.sociedade, de forma direta e indireta; nos termos da lei, mediante recursos .ptyverlient~s.dos .{)rçam~ntos .da ~ynfãQ,dos -Estados, .,Do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: r - do. empregador,. da. empresa. e da.entidadfit ELefaequiparadt:Ln(j., forma da lei, incidentes sobre: .(omissis) b) a receita ou faturamento" Segundo.o-s 7", do.mesmO.8Ft.. 195da.CF!88, ..determina. a.-seguinte imunjdadê: as: 7~ São. isentas.- de contribuição para. 8, seguridf)de- social as- entidades beneficentes de' assistência social que atendam as -f:f:(igências-fJ:stabe(ecidas,ewJei. " 0S,7° do. artigo é 195-da-CF é norma. de constitucional de eflGácia- limitada, .ouseja, .dependede normacompleme.ntar~ no c.asole.i,p.4!raque possa gerar apJenjtude.dosseusefeitosiurídicos . .Portanto, essa norma não é:pura e simplesmente auto aplicável, dependendo de lei regulamentadora para a sua ..aplicação. Interpretanáosistematicamente a situação- de. imunidade- dELcaráter subjetivo, para efeitos de incidência da Contribuição para o PIS, o Parecer CST/SIPR processo. nO Acordãono : 11080_004438/9:7-9-1 .. : CSRF/02.;O.925 .nO 1:624 determina. que as -en~idadés assistenciais .:que.tâmbém-mrcem .atiVidade comerciat sujeitam-se ao reco\himentoda contribuição devida, com base na 'receita bruta, acrescentando que a prática de atos' de natureza econômico-financeira; .concorrendocom organizações. que não gozem da isenção, desvirtua a nature~ de suas atividades, .oque.pode.lhe-acarretar ..a.perda~do-favorlegaL .. .Oa.mêsma forma, a isençãosúbjétiVa ..prevista. no. art. J5~,lU, .daLei Comptementarno 70/91, remete atei oestabe\ecimento das condiÇÕes necessár\as para fruição do benefício aliprevisto. PeIQ.exposto,.concluocque ..a. im.unidacle.do:arL 195, .~...7° e-doart 150, VJ, "c" da Constituição Federal, eaisenção subjetiva prevista noalt6°, JJJ,da Lei Complementar 'no 70/91 não são de naturezajlimitada,.irrestritae incondicional que alcance toda e qualquer atividade exercida pelas entidades privilegiadas. Essas jmunidades .e.isenç6es ,subjetivas .estão Ninculadás. aoS -objetivos -originais.previstos nos estatutos das entidades benef\ciadas. h09.403146: "Art. 1:0 - Fica atribuído à Confederação. Nacional da Indústria ..o encargo de criar o Serviço Social da indústria (SESI), com a finalidade .de -estfÍdar,-p(anejar -e .a(:cutar,fii$ta .ou indiretamente, medidas que contribuam para o bem estar social dos trabalhadores na: indústria:. e: n8$ atividades~ assern~fhadas;c;onCf)rrenc:.'O-.para::'a,-' melhoria do padrão geral de vida no país e, bem assim, para o .aperfeiçóamento mora/.s _civioo -e -o.desenvolvimento .do .espiriJo-de solidariedade entre as classes. s: 10- Na. execução,dessasfirTalidades;. o Serviço SociardalndustrlfJ. terá em. vista, especificamente, providências no sentido da defesa .das .sa/átfos - reais -do traba/hador(melhoria ~d.as,çondições.de habitação, nutrição e higiene), a assistência em relação aos problemas. domésticos: decorrentes da. dificuld'âde:. de:. vida, ...aS~ pesquisas sociais-econômicas e atividades educacionais e culturais, visandt1: Q.- valorização .. do.. homem .. e-..os .. incentivos-. à~.atividaqec produtora. " 24 Processo ..I19 Acórdão .,,0 : 11080.004438/91-9.1 : CSRF102-0.925 Já o oeérét6 nO 57.375165, que .aProvou o ,Regulamento do Serviço Socia\ da\ndústna,especrnca me\horos objetivos doSES\e ass\md\spõe nos artigos pertinentes. ao.'caso: Art. 1° _. O Serviço Social da indústria (SES!X oriado pela ,. Confederação Nacional da Indústria, a 1° de julho de 1946; ~nsoante o.Decreto-Lei:no 9.403, de 25 de junho do mesmo ano, tem por escopo estudar," p/anejar,e executar medidasqúe contribuam diretamente, para o bem-estar social dçs trabalhadores " .-na inf;Jústrfa e nas atividades as~emefhadas,co.f1oorrend.o parna melhoria do padrão de vida no país, e, bem assim, para o desenvolvimento. do.espirito ..da.-S,OJiQartedadeentre.8s.classes .. 3 te Na execução .dessafinafidades, :0 -Serviço .Soc;aLdaindústria terá em vista, especialmente, providências no sentido da defesa dos salários. reais .do..frabalhador'. (melhoria das. condições. de..habitação,. nutrição e higiene); a assistêncitJl em relação aos problemas do:mésticosdecorrontes da.difjculdade'de.vida, as pesqf.jisasscciais- econômicas e atividades educacionais e culturais, visando a valorizaçãó do homem e.os.incentivos i{aiiviáade.produtora, .. Dmissis Art. 8~-para.consecução.dos.seusfins, incumbec8o,SES1: JJ) .organizar .:osseryiçcsrociais .adequadosà.strecessidades .e possibifidades locais, regionais'e nacionais; b) utilizar os' recursoseáucativos .e. assistenciais . existentes,. tanto. públicos como particulares; .'c) .estabe!ecerconvênios, ..contratós, eacordos ..cofTJ,6rgãospúblicos, profissionais e particulares; d). promover quaisquer. modalidades: de; cursos e- atividat)es. especializadas de serviço social; .s) .co.ncederbofsas .de .estudo, no país .eJ1P.-estrangeiro, .aos ,.seu pessoal técnico, para formação e aperfeiçoamento; f) cOhtratar técnicos, dentro. e fora do. território' m:tciona!, quandO necessários ao desenvolvimento' e aperfeiçoamento. de. seus .serYiços; 25 Processon9 Acórdão-no : 11080~004438197-9t : CSRF/02-0;925 g) psrticiparde eóngressos .técnicos.. relacionados com suas finalidades; h).realiJw> diretamente ou indiretamente, no !nteresse- do- desenvolvimento economico-social do país, estudos. e pesquisas, -sobre aS -circtmstfmcias viyenciais dos -seus .usuários, sobre a eficiência da produção individual e .coletiva, --sobrê'aspectos ligados à vida do trabalhador e sobre' as' condições sócio- '.... , l- econômicas da comunidades; .i) servir--se. dos recursos -audiovisuais. e. dos instn1mentos de formação da opinião pública, para interpretare realizar a.sua obra educativa e divulgar os prinoípios~ métodos' e técnicàs'(je serviço-- social." .Na análise.do ,Regulamento~.oSESI.a~fO\"ado .pélG .Decreto 57.375/65, "errnco ;que a at\,,\dade de comercialização de mercadorias,' sejam medicamentos ou. cestas' básicas não"constados seus objetivos específicos. Não há no texto legal mencionado .qualquer .autori~ação .para 'que a entidade .promovaa abertura de -estabelecimentos .destinados.a.comercialização de produtos.' Dessa forma, vejo que a ,receita oriunda da venda de cestas .básicas 'e'de'med\~mentos, não "está\mune e nem isenta da incidência daContribu\ção para Financiamento' da Seguridade Social. pois eSsa' atividade ultrapassa" os objetivos. sociais do SESI. Ademais,. a"rede.de~estabelecimentos 'ou:lojas :destinadas 'às 'vendas' " das sacolas edonômicas.e dos medicamentos pelo SESJ' estão lranqueadas ao público :em geral, sem 'qualquerdistinção, e não SÓ' aostrabalhadore's da indústria e das atividades assemelhadas, como previsto em seu Regimento. e-àbe àindá ressaltar, que as vendas roram,efetivadas .por 'estabelec\mentos 'comerc\als des'll\ncu'ados da parte ass\stenda\ do SES',que possuem endereços e CGC próprios,. que' emitem cupons fiscais em: máquinas 'registradoras ou POVs,. devidamenteautorizado$ .pelo FISCO Estadual, que, por seu 26.. '11 , Processo nO Acórdão nO : :11080.004438!97~91 : CSRF102-0.925 turno, cpbra. e arrecada o !CMS6riundo das :qpefÇlçOOs,conformereaistra o termo de .. 7 ~ ...~ ~--~. ~ velincação nscal. Entidades"como o SESI, pessoas 'jurígicas"criadás' pelo Estado,'no- . . interesse da coletividade, embora sob a forma de pessoa jurídica de direito privado, têrnconferidas por lei certas regalias e vantagens não concedidas às demais pessoas jurídicas de direito privado em geral, desde que limitem suas atividades à oonsecu,ção dos.:seus qpjetivos soCiais eleitos nos aros constitutivos. ç,ªso~esenvolvj1m.atividagesque extraf30r~m.seus objetivos soci~is, como venda de mercadorias a varejo, porefeito.dodisposto no artigo 173,31.°, da Constituição Federal, submetem-se essas entidades às normas tributárias aplicáveis às demais empresas privadas. :f<:fão:setrata de. equiparar o SESI ao regime tributário que preside as relações do Estado comas- empresas privadas em geral. no campo tributário, ou de negar a rec.oITente os. privilégio,S, frs.cais"que, lhe. foram outorgado:s. em lei, mas:,s"imde:.. ..- . .fixar.os .limites .da .isenção .ou .imunidade que .não .pode .ser .irrestrita, .ilimitada e incondicional. Na verdade da leitura dos textos legais invocados e transcritos' se ... depreendequeos Jimitesda isenção e da imunidade .estão fiXados.em' duas- instânçias: -na lei 'Que as -concedem -e'nosatos ..legais --constitutivos -:da-:ef)1:idade beneficiária que determinam o seus objetivos eleitos. 98. primeiros limites ,podem ser denominados de limites legais eos segundos ..de\imitesconstitut\\los,'ousejam, traçados .nosatosconstltutivos-da entidade: o SESI não se mantém através de doaÇÕes pias, da generosidade da' popu\açãoou de transferências vo\untálias do poder público_ Como ente portador de privilégios legais, consignad.os na COhstituiÇão Federal e nas de-m'ais Leis; possui 27 arrecadaçã<:l,própria, não dependendo -da boa vontade -do -particular ou -do, -poder Pelo:_exposto,-_dou..provimento _80 recurso .'especial da, Procuradoria, da Fazenda Nacional. público. Não fOi autuaPQ por lhe faltar requis\tQ ou cert\ncado, mas pela prática de atos mercantis não previstos no seu estatuto. :_t t080c004438191,,9J_ : CSRF/02-0.925 Processo- n9 Acórdão nO 28. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009 00000010 00000011 00000012 00000013 00000014 00000015 00000016 00000017 00000018 00000019 00000020 00000021 00000022 00000023 00000024 00000025 00000026 00000027 00000028
score : 1.0
Numero do processo: 15375.002225/2009-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2201-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, acatando proposta formulada por Conselheiro, em sede preliminar, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora elabore relatório circunstanciado evidenciando eventuais reflexos em lançamento decorrente de descumprimento de obrigação principal relacionados aos mesmos empregados listados na presente autuação. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que entendeu que os elementos disponíveis nos autos são suficientes ao julgamento da lide administrativa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
(Assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Relatório
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1612; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 238 1 237 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15375.002225/200966 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2201000.324 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 06 de novembro de 2018 Assunto Resolução Recorrente CCO ENGENHARIA E TELECOMUNICACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, acatando proposta formulada por Conselheiro, em sede preliminar, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora elabore relatório circunstanciado evidenciando eventuais reflexos em lançamento decorrente de descumprimento de obrigação principal relacionados aos mesmos empregados listados na presente autuação. Vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que entendeu que os elementos disponíveis nos autos são suficientes ao julgamento da lide administrativa. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator (Assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 75 .0 02 22 5/ 20 09 -6 6 Fl. 238DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 239 ___________ Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação nº 11.401.4/0223/2002, que julgou procedente o lançamento. A descrição fática do presente lançamento está delineada no relatório da decisão de 1ª instância, o qual adotamos por sua clareza e precisão: Conforme o descrito no Relatório Fiscal do Infração (fl. 07) tratase de infringência ao inciso I do art. 32 da Lei 8.212/91, combinado com o art. 47, I, §4° dos Regulamentos da Previdência Social, aprovados pelos Decretos nº (612/91 2.172/97 e art. 225, inciso I, § 9o do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/99. tendo em vista que as Folhas de Pagamento elaboradas pelo contribuinte, no período 05/96 a 07/01, deixaram de Incluir as remunerações pagas aos segurados listados nos anexos de fls. 10/136. O Auto de Infração foi regularmente lavrado em 07/12/01, tendo o autuado dele tomado conhecimento em 12/12/01, como comprova a assinatura de seu representante legal às fls. 01 e informação constante de fls. 138. Foi aplicada a penalidade no valor de R$ 759,11 (setecentos e cinquenta e nove reais e onze centavos) na forma descrita no Relatório de aplicação da multa de fls. 08. DA IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar a autuada apresentou defesa requerendo a relevação da multa nos termos do art. 291 do Decreto 3.048, e, não sendo atendida, a DA IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar a autuada apresentou defesa requerendo o relevação da multa nos termos do art. 291 do Decreto 3.048, e, não sendo atendida, a anulação do Auto de Infração tendo em vista que a multa aplicada afronta dispositivos constitucionais, cujos argumentos podem ser assim resumidos: Argumenta, inicialmente que as empresas CCO Administração e Participações Ltda IPE Administração e Participação Ltda, constantes da relação de coresponsáveis não foram pessoalmente intimadas para oferecimento de qualquer defesa e, assim, não se estabeleceu contra elas qualquer processo administrativo. Ressalta, em seguida, que incluiu em parcelamento o valor da obrigação principal, ou seja, o valor das contribuições devidas e que motivaram a aplicação da multa em discussão. Estão presentes todos os requisitos para a aplicação do art. 291 e §1° do Decreto 3.048/99, quais sejam: as contribuições devidas foram incluídas em parcelamento, portanto, a falta foi corrigida; o seu pedido de relevação é tempestivo; a impugnante é Infratora primária e não ocorreram circunstâncias agravantes. Acrescenta que, presentes os requisitos, o citado dispositivo impõe, não faculta, relevação. Na hipótese de não relevação da multa, seja reduzida a patamar legalmente aceitável, pois aplicada em valor abusivo, carecendo de qualquer amparo legais ou fictício, Fl. 239DF CARF MF Processo nº 15375.002225/200966 Resolução nº 2201000.324 S2C2T1 Fl. 240 3 caracterizando o confisco repudiado pelo art. 5o, LIV e art. 150, IV, ambos da Constituição Federal. Para corroborar a sua tese, reproduz lições doutrinárias do professor Sacha Calmon Navarro Coelho e Ives Gandra Martins. O lançamento foi julgado procedente através da DecisãoNotificação nº 11.401.4/0223/2002, que restou assim ementado: INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INSCRIÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. Constitui infração ao art 17 do Lei 8.213/91 combinado cem o art 18, inciso I, § 1o do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/91, deixar a empresa de inscrever segurado empregado a seu serviço. Cientificada da decisão de piso em 15/04/2002 (fl. 185), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 30/04/2002, reiterando exatamente os mesmos termos da impugnação acima relatada. É o relatório. Voto Vencido Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da configuração da infração A ocorrência do descumprimento da obrigação acessória é fato incontroverso, uma vez que a recorrente admite expressamente que deixou de preparar as folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, mas que já incluiu a dívida relacionada a obrigação principal em parcelamento. Ressalte, contudo, que a presente autuação por descumprimento de obrigação acessória independe do adimplemento da obrigação principal, revestindose de autonomia em relação àquela. Com efeito, requer a relevação da multa aplicada, arguindo possuir os requisitos para a benesse normativa. Todavia, como bem assinalado pela decisão de piso, falta ao recorrente o requisito primordial, qual seja, a correção da falta. Não há nos autos prova da formalização dos contratos de trabalho e inscrição dos segurados respectivos na Previdência Social. Desse modo, incabível a relevação da multa aplicada. Assim sendo, não merece provimento o recurso voluntário quanto a este tocante. Fl. 240DF CARF MF Processo nº 15375.002225/200966 Resolução nº 2201000.324 S2C2T1 Fl. 241 4 Dos corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão das empresas CCO Administração e Participações Ltda IPE Administração e Participação Ltda, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Desse modo, não merece prosperar o inconformismo recursal. Das alegações de inconstitucionalidade efeito confiscatório da multa Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 15375.002225/200966 Resolução nº 2201000.324 S2C2T1 Fl. 242 5 Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, da Constituição Federal. Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infringência aos princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Redator designado 1 Em que pese o brilhantismo demonstrado pelo culto Relator, a quem lhe rendo as minhas homenagens, no caso concreto, quanto ao questionamento do contribuinte sobre a relevação da multa aplicada, antes de adentrar a esse mérito e até mesmo para fins de uma melhor análise quanto a eventual aplicação do princípio da consunção ou absorção das multas, sugiro a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade lançadora elabore relatório circunstanciado evidenciando eventuais reflexos em lançamento decorrente de descumprimento de obrigação principal relacionados aos mesmos empregados listados na presente autuação dos segurados arrolados no e fls. 11/138. Conclusão 2 – Pelo exposto, converto o julgamento em diligência. Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 242DF CARF MF Processo nº 15375.002225/200966 Resolução nº 2201000.324 S2C2T1 Fl. 243 6 Fl. 243DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.914770/2008-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 14 77 0/ 20 08 -9 2 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10880.914770/200892 Resolução nº 3401001.527 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10880.914770/200892 Resolução nº 3401001.527 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10880.914770/200892 Resolução nº 3401001.527 S3C4T1 Fl. 123 4 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10880.914770/200892 Resolução nº 3401001.527 S3C4T1 Fl. 124 5 o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10880.914770/200892 Resolução nº 3401001.527 S3C4T1 Fl. 125 6 de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.914770/200892 Resolução nº 3401001.527 S3C4T1 Fl. 126 7 se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.014371/2001-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1997
PAGAMENTO A MENOR DE CSLL. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO.
Para que rechaçar Auto de Infração lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, torna-se mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
Não há ocorrência de prescrição intercorrente em PAF, conforme atesta o teor da Súmula Vinculante CARF n° 11
Numero da decisão: 1002-000.489
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
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ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. AUSÊNCIA DE PROVAS A CORROBORAR O RECHAÇO AO AUTO DE INFRAÇÃO LAVRADO. Para que rechaçar Auto de Infração lavrado em função de elementos probatórios não apresentados pelo Contribuinte, tornase mister a apresentação de elementos suficientes a apontar o equívoco da Autoridade Fiscal. Alegações genéricas de quitação desacompanhadas de seus respectivos comprovantes não são suficientes para mitigar a autuação. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE EM PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não há ocorrência de prescrição intercorrente em PAF, conforme atesta o teor da Súmula Vinculante CARF n° 11 Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 01 43 71 /2 00 1- 53 Fl. 75DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 56 à 65) interposto contra o Acórdão n° 1288.445, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (efls. 45 à 49), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação, tocante à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, mantendo integralmente o crédito tributário remanescente, no valor de R$ 3.138,47, decorrente do procedimento de revisão de ofício, bem como o valor de R$ 2.353,85 a título de multa e juros de mora. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: Tratase do Auto de Infração–AI nº 004129 CSLL/1997 (fls.08/09), em decorrência de Auditoria Interna em DCTF, no valor (principal) de R$ 9.362,75, acrescido de multa de mora de 75% e juros de mora. 2. A exigência decorreu da nãolocalização dos pagamentos vinculados a débitos informados em DCTF (conforme tabela de fl. 16): 3. Não consta dos autos a data de entrega do AR de fl. 32, tendo sido considerada o dia 28/12/2001 como data de ciência (fl. 53). O Aviso de Recebimento, no entanto, foi emitido no dia 01/12/2001, conforme tela da fl. 32, tendo o contribuinte apresentado Impugnação em 28/12/2001, conforme fls 04/06, e anexos de fls. (07/30). Em sua peça defensiva, alegou, em síntese o seguinte: · Recolheu os tributos corretamente, sendo que a inconsistência do auto de infração encontrase nas tabelas a seguir: Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.014371/200153 Acórdão n.º 1002000.489 S1C0T2 Fl. 76 3 · Requereu o acolhimento e o cancelamento do débito fiscal reclamado. DA REVISÃO DE OFÍCIO 3.1 Em procedimento de revisão de ofício, a DICAT/DERAT/SPO, após a apresentação da Impugnação e das provas documentais, analisou individualizadamente os créditos, reconhecendo a improcedência parcial da exação conforme tela abaixo (fl. 34), tendo informado que o pagamento no valor de R$ 3.737,26, efetuado em 28/02/1997 já se encontrava parcialmente alocado no Sincor/CCPJ, ao débito de CSLL do 1º trimestre de 1997 (fls. 35 e 36), sendo aproveitado apenas o saldo disponível. O débito foi originado da DIPJ 98/97 (fls. 37 e 38): Importa, ainda, transcrever o teor do Despacho Decisório n° 1.047/2014 (efl. 42): 1. Trata o presente processo de Auto de Infração n.º 0004129 (CSLL/1997), lavrado contra o interessado acima identificado, em decorrência de inexatidão de valores declarados por meio de DCTF, conforme descrição dos fatos e fundamentação legal à fl. 10. 2. Cientificado do lançamento e não concordando com a exigência, o interessado apresentou a impugnação de fls. 03 a 05 com seus argumentos de defesa. 3. Na pesquisa no Sucop/Imagem (vide fl. 30), não foi possível verificar a data da ciência do referido Auto. Foi considerada então a data de ciência padrão (28/12/2001), conforme Nota Técnica Corat n.º 13/2001, e sendo assim, tempestivo o recurso interposto em 28/12/2001. 4. Os demonstrativos de consolidação e recálculo de fls. 31 a 34 apresentam o resultado da análise do lançamento. Fl. 77DF CARF MF 4 5. Cumpre salientar que o pagamento no valor de R$ 3.737,26, efetuado em 28/02/1997 (vide fl. 17), se encontrava parcialmente alocado no Sincor/CCPJ, ao débito de CSLL do 1.º trimestre de 1997 (vide fls. 35 a 36). Deste modo, foi aproveitado somente o saldo disponível no Recálculo (vide fl. 32). 6. Verificase que o débito CCPJ teve origem na DIRPJ 98/97. Assim, foram juntadas telas de consulta da referida declaração (vide fls. 37 a 38), bem como a DCTF do 1.º trimestre de 1997, que deu origem ao lançamento ora impugnado no Sief/Fiscel (vide fls. 39 a 41). 7. Diante do exposto, nos termos dos artigos 145, inciso III, e 149, inciso VIII, ambos da lei 5.172/66 (CTN), proponho o prosseguimento da exigência dos créditos tributários procedentes e o cancelamento dos créditos tributários improcedentes, constantes dos demonstrativos de Recálculo. Já em sede de Recurso Voluntário, o Contribuinte renova seus argumentos apresentados em primeira instância, acrescentando duas preliminares: uma alusiva à demora de julgamento do PAF, calcada no art. 24 da Lei n° 11.457/07 (pelo que se pressupõe o reconhecimento de prescrição intercorrente, embora nenhum pedido tenha sido formulado tendo como base o período transcorrido); e a segunda, "em caráter liminar, requerse a correção do DARF quanto ao código, período de apuração e vencimento, uma vez que é ele que representa o exato valor do imposto apurado e devido". Quanto ao mérito, cumpre transcrever o teor recursal, para garantir integral acurácia: DO MÉRITO 8. Tratase de Recolhimento de Contribuição Social devidamente apurado declarado pelo contribuinte, PAGO ANTES DA DATA DE VENCIMENTO, constando apenas alguns enganos no preenchimento do DARF. Incontestes os valores, e período a que se refere o faturamento que gerou os encargos. A Recorrente efetivamente recolheu os impostos referentes aos primeiro e segundo trimestres do ano calendário 1997, fatos que podem ser atestados pelos comprovantes representados e pela Declaração de Imposto de Renda Anual. Conforme comprovado pelo recolhimento dos Darfs, o total das guias é o total declarado como apurado em todas as declarações daquele período. Ocorre que por não observância no preenchimento das guias de recolhimento, os Darfs apresentaram período de apuração e vencimento no próprio mês em que foram recolhidos. Além de o Darf de valor R$3.737,26, apresentar código de recolhimento diverso do que seria o correto. O contribuinte foi obstado no seu direito de corrigir os erros materiais no preenchimento dos DARFs, pelo fato de lavratura de auto de infração que permitia apenas o pagamento ou apresentação de defesa. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.014371/200153 Acórdão n.º 1002000.489 S1C0T2 Fl. 77 5 De toda forma, o que se apresenta como injusto e desarrazoado, é a Fazenda querer receber o mesmo valor referente a mesma competência; é dizer, do mesmo faturamento, e um imposto já pago, somente pelo fato de preenchimento incorreto de campos que não interferem no total arrecadado pela Receita Federal. Ora! Onde está então o valor que o contribuinte pagou e que a Receita informa que não pode compensar/consolidar?! O "dinheiro" está lá, desde antes do vencimento, e isso a Fazenda sequer comenta. Seria punição 7/10 extremamente severa para o contribuinte por um engano desta natureza, no preenchimento do documento sem que isso tenha modificado qualquer valor do imposto já recebido pela Receita Federal. É esse o valor devido. Não há outro. Assim, a discussão ou dúvida não é sobre os valores recolhidos, sobre o imposto pago no seu correto valor. O que a Receita Federal, após 16 anos argumenta é: Se há engano no preenchimento do Darf, falta pagar o imposto! Ora, então onde foram alocados pela Receita Federal os pagamentos efetuados pelo contribuinte? É pergunta pertinente e relevante. 9. Vale ressaltar que a jurisprudência dos nossos Tribunais, vem decidindo sobre a possibilidade da retificação dos Darfs e alocação devida dos valores efetivamente recolhidos aos cofres públicos: (...) DA CONCLUSÃO e do PEDIDO 10. Assim, demonstrado e comprovado o recolhimento dos Darfs, para que seja reconhecido o pagamento do imposto cobrado e extinto o processo administrativo, evitando maiores discussões fora do âmbito administrativo, requer: a) sejam acatados as preliminares, para declarar o imposto pago; b) sejam os erros de preenchimento dos Darfs corrigidos de Oficio pela Receita Federal, tendo em vista estarem comprovadamente de acordo com todas as declarações e documentos contábeis apurados e apresentados naquele período. Considerando então as informações corretas conforme lista abaixo: Código 2372 // Apuração 31/03/97 // Vencimento 30/04/97 // R$ 3.737,26 Código 2372 // Apuração 30/06/97 // Vencimento 31/07/97 // R$ 1.648,99 Código 2372 // Apuração 30/06/97 // Vencimento 31/07/97 // R$ 3.976,50 Fl. 79DF CARF MF 6 c) Alternativamente, Requerse como medida de justiça e restauração da verdade sobre os fatos, autorizando o contribuinte a Retificar o DARF para que nele constem os dados que a Receita considere importante para apropriação de tal valor de forma correta, uma vez que não há controvérsia quanto ao efetivo pagamento do exato valor que indevidamente a Receita insiste em cobrar em duplicidade. d) Não sendo acatado pedido de retificação do DARF, embora robusta prova, protesta pelo crédito a favor do contribuinte Recorrente do valor pago, corrigido no mesmo formato desta cobrança que a Receita faz para o contribuinte, e isto se justifica pelo excessivo tempo para uma resposta sobre o recurso administrativo interposto tempestivamente pelo contribuinte há 16 anos, para então compensar o crédito a favor do contribuinte com o valor cobrado. e) À vista de todo o exposto, e, em especial da robusta prova do pagamento do imposto, espera e requer a recorrente seja dado provimento ao presente recurso, cancelandose o débito fiscal reclamado, por inexistente, extinguindo por fim o processo administrativo instaurado, tendo em vista a comprovação do pagamento dos impostos cobrados. Não restou juntada nenhuma prova adicional quando da apresentação recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira, Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, supre os pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo, tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Preliminar Conforme relatado, o Recorrente apresentou duas preliminares: (i) demora de julgamento do PAF, calcada no art. 24 da Lei n° 11.457/07, pelo que se pressupõe o pedido de prescrição intercorrente, pressupondo ser este o fulcro do pedido do Contribuinte; Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.014371/200153 Acórdão n.º 1002000.489 S1C0T2 Fl. 78 7 (ii) "em caráter liminar, requerse a correção do DARF quanto ao código, período de apuração e vencimento, uma vez que é ele que representa o exato valor do imposto apurado e devido". Quanto ao primeiro item, em que pese a recalcitrância do Contribuinte alusiva à demora na análise de seu pleito, não há que se reconhecer violação ao art. 24 da Lei n° 11.457/07, tampouco eventual "prescrição intercorrente", pois esta não é admissível no PAF, conforme já claro o teor da Súmula Vinculante CARF n° 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 10321113, de 05/12/2002 Acórdão nº 10419410, de 12/06/2003 Acórdão nº 10419980, de 13/05/2004 Acórdão nº 10515025, de 13/04/2005 Acórdão nº 10707733, de 11/08/2004 Acórdão nº 20207929, de 22/08/1995 Acórdão nº 20302815, de 23/10/1996 Acórdão nº 20304404, de 11/05/1998 Acórdão nº 20173615, de 24/02/2000 Acórdão nº 20176985, de 11/06/2003 No que cinge à retificação liminar do DARF, vale ressaltar que não cabe a esta Corte Administrativa conceder medidas cautelares, devendo o Recorrente adotar suas providências contábeis e administrativas por sua própria iniciativa, independentemente de autorização e chancela do CARF. Rejeito, portanto, as preliminares. Mérito Quanto ao mérito, não tem razão o Recorrente. Percebese que a Autoridade Fiscal procedeu de ofício com todas as providências atinentes ao reconhecimento dos valores pagos. Desse modo, ainda que os códigos dos DARFs tenham apresentado inconsistência material, os respectivos pagamentos foram devidamente considerados pelo Fisco. Este fato está evidenciado nos demonstrativos acostados às efls. 31 à 34. Portanto, o valor residual a ser pago pelo Contribuinte decorre justamente de análise das informações prestadas e posteriormente corrigidas, em respeito à verdade material e à superação do erro de fato. Para melhor ilustrar a situação sobredita, colaciono aqui os indigitados demonstrativos. Fl. 81DF CARF MF 8 a. Demonstrativo efl. 31 b. Pagamentos alocados efl. 32 c. Demonstrativo após análise da impugnação efl. 33 d. Resumo dos créditos tributários efl. 34 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.014371/200153 Acórdão n.º 1002000.489 S1C0T2 Fl. 79 9 Aliás, tais aspectos foram detalhadamente expostos em sede de Acórdão a quo, os quais utilizo como parte integrante do presente decisum, em homenagem ao §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999, e no § 3° do artigo 57 do Anexo II do RICARF: 5.1 Trata o presente processo de débitos confessados em DCTF objeto de lançamento de ofício por falta de quitação integral. 5.2 Após a efetivação da revisão de ofício, a exação foi mantida de forma parcial, como já relatado, pois o pagamento no valor de R$ 3.737,26, efetuado em 28/02/1997 já se encontrava parcialmente alocado junto ao Sincor/CCPJ, ao débito de CSLL do 1º trimestre de 1997 (fls. 35 e 36), sendo aproveitado apenas o saldo disponível. O débito teria sido originado da DIPJ 98/97 (fls. 37 e 38): 5.3 O contribuinte informou em sua Impugnação que o pagamento acima referido estaria vinculado ao débito cód. 2372 (CSLLlucro presumido ou arbitrado), referente ao PA JANEIRO/1997 (fl. 06), informação essa que é incoerente, uma vez que, se a forma se apuração de seu lucro foi a presumida/arbitrada, os períodos de apuração deveriam ser trimestrais, não havendo PA Janeiro/1997, mas sim 1º trimestre de 1997, ao passo que o DARF foi recolhido sob o código 2484 (lucro real anual, com estimativas mensais). Assim, correto o procedimento do fisco ao alocar parte do valor do DARF ao débito de primeiro trimestre, verificado na DIPJ transmitida. CONCLUSÃO 6. Por todo o exposto, consolido o voto, para NEGAR Provimento à Impugnação, mantendo na íntegra o crédito tributário remanescente, no valor de R$ 3.138,47, decorrente do procedimento de revisão de ofício, conforme tabela de fl. 34. Logo, concluise que não há elementos probatórios suficientes a macular o saldo residual cobrado em decorrência do auto de infração. Nesse espeque, repiso que os documentos juntados em sede recursal reforçam o teor da prova que foi outrora analisada pela Autoridade a quo, de modo que os valores dos DARFs já foram devidamente levados em consideração quando do recálculo da quantia devida. Portanto, em respeito à verdade material e à escorreita instrução carreada neste Processo Administrativo Fiscal, tornase mister desacatar o pleito do Contribuinte. Fl. 83DF CARF MF 10 Dispositivo Ante o exposto, voto para conhecer do recurso voluntário, rejeitando as preliminares, e, no mérito, negarlhe provimento. É como Voto. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.720165/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.435
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Inicialmente é necessário esclarecer que o presente feito compreende um lote de 36 processos conexos, todos eles relativos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS apurados pelo regime da nãocumulatividade nos anos calendários de 2003 a 2008. Tratamse dos seguintes processos: PROCESSO ACÓRDÃO DRJ TRIBUTO PERÍODO 10320.720149/201020 0830.513 PIS 2ª Trim 2003 10320.720150/201054 0831.407 PIS 3ª Trim 2003 13338.000103/200441 0831.247 PIS 1ª Trim 2004 RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .7 20 16 5/ 20 10 -1 2 Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 3 2 10320.720152/201043 0830.749 PIS 2ª Trim 2004 13338.000011/200542 0831.246 PIS 3ª Trim 2004 10320.720169/201009 0831.237 COFINS 4ª Trim 2004 10320.720047/201012 0830.748 COFINS 1ª Trim 2005 10320.720155/201087 0830.750 PIS 1º Trim 2005 19647.012516/200542 0825.611 COFINS Abril/2005 13338.000155/200680 0830.757 COFINS 2ª Trim 2005 10320.720156/201021 0830.751 PIS 2º Trim 2005 19647.007420/200562 0822.687 PIS 3ª Trim 2005 10320.720157/201076 0830.752 PIS 3º Trim 2005 10320.720170/201025 0830.755 COFINS 3º Trim 2005 10320.720158/201011 0830.753 PIS 4ª Trim 2005 10320.720171/201070 0830.931 COFINS 4º Trim 2005 10320.720159/201065 0830.936 PIS 1º Trim 2006 10320.720172/201014 0831.238 COFINS 1º Trim 2006 10320.720160/201090 0830.927 PIS 2º Trim 2006 10320.720161/201034 0830.928 PIS 3ª Trim 2006 10320.720174/201011 0830.933 COFINS 3º Trim 2006 10320.720162/201089 0830.929 PIS 4º Trim 2006 10320.720175/201058 0830.934 COFINS 4º Trim 2006 10320.720163/201023 0830.930 PIS 1º Trim 2007 10320.720164/201078 0830.937 PIS 2º Trim 2007 10320.720177/201047 0830.938 COFINS 2º Trim 2007 10320.720165/201012 0831.233 PIS 3º Trim 2007 10320.720178/201091 0831.239 COFINS 3º Trim 2007 10320.720166/201067 0831.234 PIS 4º Trim 2007 10320.720179/201036 0831.240 COFINS 4º Trim 2007 10320.720167/201010 0831.235 PIS 1º Trim 2008 10320.720180/201061 0831.241 COFINS 1º Trim 2008 10320.720168/201056 0831.236 PIS 2º Trim 2008 10320.720181/201013 0831.242 COFINS 2º Trim 2008 10320.720182/201050 0831.243 COFINS 3º Trim 2008 10320.720183/201002 0831.408 COFINS 4ª Trim 2008 Desse modo, a presente Resolução será replicada em todos os processos acima referidos, devendose, na execução do julgado, observarse aquilo que se aplica a cada um dos fatos geradores abrangidos. Como dito, tratamse de diversos Pedidos de Ressarcimento de créditos de PIS e COFINS oriundos da aquisição de bens e serviços utilizados na fabricação de bens exportados para o mercado externo, apurados trimestralmente, além de um Auto de Infração. Conforme Relatório Fiscal integrante do Despacho Decisório: (...) o não reconhecimento do crédito se deu em virtude de vários fatores, compreendendo cômputo de outras receitas registradas na escrituração contábil (livro razão) e fiscal (livros registro de entrada, registro de saída, apuração de IPI, inventário etc) não informadas pelo Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuinte no Dacon, bem como glosa de créditos informados no Dacon, mas não respaldados na contabilidade, incidentes sobre gastos ou despesas: Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 5 4 A Recorrente apresentou Manifestações de Inconformidade e Impugnação solicitando o reconhecimento integral do crédito postulado. Após exame, a DRJ proferiu acórdão assim ementado (ajustandose, apenas, para cada processo, o tributo PIS ou COFINS e o período de apuração): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PEDIDO DE PERÍCIA. CARÁTER TÉCNICO DA PROVA. A perícia é meio de prova destinado a exames que requeiram conhecimento técnico específico. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 6 5 processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas os autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. A partir de dezembro de 2002, a base de cálculo da contribuição é o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. RECEITA FINANCEIRA. ALÍQUOTA ZERO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir de agosto de 2004, estão sujeitas à alíquota zero as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas submetidas ao regime nãocumulativo. As receitas submetidas à alíquota zero não integram a base de cálculo da contribuição. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Quando adquiridos, os bens e serviços utilizados como insumo geram direito ao crédito na incidência nãocumulativa da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OPTANTE PELO SIMPLES. O fato de a pessoa jurídica fornecedora do bem enquadrado como insumo ser optante pelo Simples não obsta o direito de crédito do adquirente, relativamente ao valor pago. INSUMO. FORNECEDOR PESSOA FÍSICA. Não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. INSUMO. FORNECEDOR OU PRESTADOR. SITUAÇÃO FISCAL IRREGULAR. A situação fiscal irregular do fornecedor ou prestador não constitui obstáculo ao creditamento sobre o valor de bens e serviços. FALTA DE PROVA. UTILIZAÇÃO COMO INSUMO. Incumbe ao manifestante comprovar que determinado bem ou serviço, sobre o qual pleiteia creditamento, foi utilizado como insumo na fabricação de produtos destinados à venda. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 7 6 RESSARCIMENTO. INSUMO CORPÓREO. Para configurar insumos para os fins de creditamento na forma do disposto no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, as matérias primas, os produtos intermediários e o material de embalagem, utilizados na fabricação de bens destinados à venda, devem sofrer alterações, tais como o desgaste, o dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. RESSARCIMENTO. SERVIÇO. INSUMO. Na apuração do PIS/Pasep e da Cofins, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados sobre gastos incorridos com serviços utilizados como insumo, desde que pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. RESSARCIMENTO. ENERGIA ELÉTRICA. Podem ser descontados créditos da Cofins e do PIS/Pasep Nãocumulativos sobre os gastos totais com a energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. RESSARCIMENTO. COMBUSTÍVEIS. O gasto com combustíveis utilizados como insumos na fabricação de produtos gera crédito na apuração da Cofins e do PIS/Pasep Não Cumulativos, ainda que submetidos à tributação monofásica com base em alíquota diferenciada, sendo os créditos calculados, todavia, com base nas alíquotas padrões. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS. Não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em ParteA O acórdão recorrido, portanto, afastou as seguintes glosas: (i) receitas financeiras (determinou a exclusão das receitas financeiras da base de cálculo das contribuições); (ii) bens adquiridos e não integralmente pagos aos fornecedores no mesmo trimestre de apuração (aplicação do regime de competência); (iii) bens adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 8 7 (iv) créditos adquiridos de pessoas jurídicas com irregularidades, posto que não comprovado pela Fiscalização a inaptidão do respectivos CNPJs; As glosas mantidas foram as seguintes: (v) receitas de recuperação de despesas (manteve as receitas de recuperação de despesas na base de cálculo das contribuições) (vi) carvão adquirido de produtores rurais pessoas físicas, portanto, não sujeitos à incidência do PIS e da COFINS; (vii) serviços utilizados como insumos, em razão destes não estarem devidamente escriturados em DACON e, também, pela ausência de demonstração da sua inserção no "conceito funcional de insumo"; (viii) aquisição de energia elétrica em razão de divergências entre os livros fiscais e os balancetes de verificação; (ix) frete sobre operações de compra, por ausência de previsão legal; (x) "outros valores com direito a crédito", por ausência de comprovação da natureza de tais créditos Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido, requerendo: (a) o afastamento da declaração de preclusão do direito à apresentação de documentos probatórios; (b) o afastamento do critério físico na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, com a utilização dos conceitos de custos necessários à obtenção de receita, conforme legislação do Imposto de Renda; (c) a autorização para a apropriação de créditos sobre a aquisição de carvão de pessoas físicas, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; (d) a autorização para apropriação de créditos decorrentes da aquisição de insumos, ainda que não escriturados corretamente em DACON (erro material), bem como pela negativa imposta de comprovação da sua essencialidade; (e) a autorização para apropriação de créditos em decorrência da aquisição de energia elétrica, consumida no processo produtivo, devendo ser afastadas eventuais inconsistências verificadas em DACON; (f) a legitimidade da apropriação de créditos sobre quisição de fretes, seja nas operações de venda, seja nas aquisições; (g) autorização para a apropriação de créditos diversos decorrentes da aquisição de insumos (bens ou serviços) essenciais ao seu processo produtivo; Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 9 8 (h) requer a conversão do feito em diligência para a realização de perícia contábil para a verificação dos alegados erros de declaração e, também, da essencialidade dos insumos adquiridos; (i) por fim, requer seja determinada a aplicação da correção monetária sobre o crédito tributário a ser ressarcido. Após os autos foram remetidos a este CARF e a mim distribuídos por sorteio ou por redistribuição em razão de conexão. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Conforme se verifica pelo relato dos fatos, o presente feito abrange tanto discussões exclusivamente de direito, como aspectos relacionados à materialidade do crédito tributário, quanto questões relativas aos cálculos de apuração do crédito tributário. Nesse aspecto, 2 (duas) questões sobressaltam e, a meu ver, demandam melhor análise dos fatos: (i) existência de divergências entre valores declarados em DACON e escriturados em documentos contábeis; (ii) essencialidade de itens ao processo produtivo da Recorrente. Quanto ao primeiro, tenho que deve se observar, na hipótese dos autos, o princípio da verdade material a ser perseguido no curso do procedimento administrativo de constituição do crédito tributário. Por óbvio, a aplicação de tal princípio deve estar calcada na necessária observância ao ônus da prova. Tratandose de apuração de créditos de PIS e COFINS, cabe ao contribuinte demonstrar a existência do seu direito. Verifico que a Recorrente, em sua defesa e em seu Recurso Voluntário, apresentou alegações e documentos pelos quais busca legitimar os valores dos créditos considerados em sua apuração, especialmente com relação aos seguintes pontos, conforme redação utilizada pelo Acórdão recorrido: "(...)despesas incorridas com serviços prestados por pessoa jurídica, declaradas pelo contribuinte no Dacon como utilizados como insumo, mas não verificadas na sua escrituração (...)". "(...) despesas com energia elétrica, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas não integralmente comprovadas na escrituração (...)" Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 10 9 "(...) despesas com armazenagem e frete, declaradas pelo contribuinte no Dacon, mas em valores significativamente inferiores aos comprovados na escrituração (...)" "(...) crédito relativo a outras operações com direito a crédito, identificada na linha 13 da ficha 6 do Dacon (...)" Embora o acórdão proferido tenha se manifestado acerca das alegações de erros cometidos pela Recorrente, não adentrou acerca da análise específica dos documentos apresentados, limitandose a concluir que competia ao contribuinte, ao prestar suas informações, trazer maiores especificações e detalhamentos. Assim, ainda sem concluir pela prestabilidade ou não dos esclarecimentos e documentos apresentados pela Recorrente, entendo que tais demonstrações não restaram devidamente examinadas pelo acórdão recorrido, merecendo melhor análise. Quanto ao segundo aspecto, atinente aos insumos aplicados ao processo produtivo da Recorrente, sabese que, há muito, a jurisprudência deste CARF vinha se firmando no conceito da essencialidade como critério autorizador à tomada de créditos no regime não cumulativo do PIS e da COFINS. Tal entendimento foi recentemente chancelado pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de Recurso Representativo de controvérsia, portanto, de observância obrigatória por este órgão julgador: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10320.720165/201012 Resolução nº 3201001.435 S3C2T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 22/02/2018, DJe 24/04/2018) Assim, para a análise acerca da legitimidade das glosas efetuadas pela Fiscalização, necessário perquirir acerca da natureza de tais insumos e a sua essencialidade ao processo produtivo, aspecto não adentrado, seja em sede de lançamento, seja pela decisão de primeiro grau. Pelo exposto, voto por converter o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora intime o contribuinte para, no prazo de 60 (sessenta) dias, prorrogável por mais 30 (trinta) dias: (i) apresentar, de forma detalhada, quais os erros de declaração existentes em suas DACONs, indicando, com o devido lastro probatório, os corretos valores a serem observado, podendo a Autoridade lançadora solicitar especificamente os documentos que entenda necessários para tal comprovação; (ii) apresentar laudo descritivo da sua atividade operacional, indicando, para cada um dos itens (insumos) objeto de glosa, sua aplicação e essencialidade ao seu processo produtivo. Após, deverá a Autoridade Lançadora se manifestar acerca das informações e documentos apresentados pela Contribuinte, notadamente no que se refere aos alegados erros de preenchimento das DACONs e respectivos documentos probatórios, apresentando relatório conclusivo. Concluído, abrase novo prazo de (30) trinta dias para que a Recorrente se manifeste acerca do Relatório Fiscal. Ao final, retornemse os autos para julgamento. Esclareço que o prazo concedido é único e aplicase a todos os processos objeto da presente Resolução. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13819.721850/2011-33
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Súmula CARF n.º 49.
DBF. ATRASO NA ENTREGA. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO QUE DETERMINAVA A PENALIDADE (DERROGAÇÃO). RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 106 DO CTN.
Verificado que o dispositivo normativo correspondente à DBF, que estabelecia a penalidade que motivou o lançamento tributário, foi revogado, deixou de haver definição legal como infração do atraso na sua entrega.
Numero da decisão: 1002-000.479
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, ainda que o contribuinte o faça espontaneamente. Súmula CARF n.º 49. DBF. ATRASO NA ENTREGA. REVOGAÇÃO DO DISPOSITIVO QUE DETERMINAVA A PENALIDADE (DERROGAÇÃO). RETROATIVIDADE BENIGNA DO ART. 106 DO CTN. Verificado que o dispositivo normativo correspondente à DBF, que estabelecia a penalidade que motivou o lançamento tributário, foi revogado, deixou de haver definição legal como infração do atraso na sua entrega. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 18 50 /2 01 1- 33 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 55 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas SP (DRJ/CPS) mediante o Acórdão n.º 0537.403, de 27/03/2012 (efls. 24 a 29). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Versa o presente processo sobre Auto de Infração relativo ao anocalendário de 2010, donde se extrai a exigência do pagamento de multa por falta de entrega de Declaração de Benefícios Fiscais (DBF), no valor de R$ 30.000,00. Inconformado com a exigência, o Contribuinte impugnou o lançamento, sob a alegação, em breve síntese, de que a funcionária responsável pelo cumprimento da obrigação acessória desconhecia os procedimentos normativos. Salienta restar alcançado pelo instituto da denúncia espontânea. Pede o cancelamento da multa. [...] Sendolhe desfavorável a decisão de 1.ª instância administrativa, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário em 15/05/2012, efls. 36 a 45, pugnando pela ocorrência de denúncia espontânea e trazendo mais posições doutrinárias e alguns julgados, e associando o reconhecimento da denúncia espontânea ao princípio da isonomia. É o relatório. Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 56 3 Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pelo recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso1. A alegação relatada pelo defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente ao princípio da isonomia, que o recorrente aduz inerente à aplicação da denúncia espontânea, ressaltese que não há o que opor a essa assertiva, contudo, não se tratando o caso dos autos de hipótese de denúncia espontânea, como se verá, esvaziase tal associação com o princípio constitucional da isonomia, motivo pelo qual não há lógica em enfrentar o argumento proposto nesses termos. O recorrente suscita, então, que está amparado pela denúncia espontânea. A denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tãosomente a obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal. O instituto da denúncia espontânea não abrange a obrigação acessória. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo n.º 1149022/SP2, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01/09/2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3. Restou demonstrado que o presente caso tratase de descumprimento de obrigação acessória que não está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. Assim, denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF n.º 49, que é de observância obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015. A contestação aduzida pelo defendente, por isso, não pode ser sancionada quanto a este aspecto. Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Contudo, ajustamse ao presente processo as considerações abaixo, que se justificam pelo dever de observação do princípio da legalidade, pelos agentes e órgãos 1 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 2 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sLink=ATC&sSeq=10649420&sReg=2009013414 24&sData=20100624&sTipo=5&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 3 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62, § 2.º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 57 4 públicos, ainda que não envolvam matéria contestada na impugnação e no recurso voluntário. Dizem respeito à aplicação da lei tributária. No que se refere à aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, temse que essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Essas obrigações formais de emissão de documentos contábeis e fiscais decorrem do dever de colaboração do sujeito passivo para com a fiscalização tributária no controle da arrecadação dos tributos (art. 113 do Código Tributário Nacional). A imunidade tributária não afasta a obrigação do ente imune de cumprir as obrigações acessórias previstas na legislação tributária (art. 150 da Constituição Federal e art. 9.º do Código Tributário Nacional). O recorrente pede pela nulidade da Notificação de lançamento e que se declare a insubsistência da sua responsabilidade tributária. No exercício do seu poder regulamentar e com base no art. art. 16 da Lei n.º 9.779, de 19 de janeiro de 1999, no art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei n.º 12.766, de 27 de dezembro de 2012, a RFB instituiu a Declaração de Benefícios Fiscais (DBF), cuja apresentação é obrigatória para, entre outras entidades, os Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional, referentes às doações efetuadas aos Fundos dos Direitos da Criança e Adolescente. O programa e as instruções para preenchimento da DBF estão disponíveis na Internet, no endereço <http://www.receita.fazenda.gov.br>, e são de livre reprodução. A DBF deve ser apresentada até o último dia útil do mês de março, em relação ao ano calendário imediatamente anterior, por intermédio da Internet, utilizandose o Programa Receitanet, que está disponível no endereço do sítio institucional. O Recibo de Entrega é gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. A partir de 04/12/2007, restou estabelecido que a não apresentação da Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) no prazo legal ou a sua apresentação com incorreções ou omissões, acarretaria a aplicação das seguintes penalidades: (a) R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de entrega após o prazo e (b) cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas. Essa multa tem, por termo inicial, o primeiro dia subseqüente ao fixado para a entrega da declaração e, por termo final, o dia da apresentação da DBF ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração. A partir de 30/12/2010, para a apresentação da DBF relativa a fatos geradores ocorridos a partir do ano calendário 2010, tornouse obrigatória a assinatura digital da declaração mediante utilização de certificado digital válido. Até 27/12/2012 o descumprimento das obrigações acessórias exigidas pela legislação acarretaria a aplicação das seguintes penalidades: (a) R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados e (b) cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta (art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001). Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 58 5 A partir de 28/12/2012, com a nova redação dada pela Lei n.º 12.766, de 27 de dezembro de 2012, o sujeito passivo que deixasse de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos pela legislação ficaria sujeito às seguintes multas por apresentação extemporânea: (a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido, (b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mês calendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento, (c) por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ 1.000,00 (mil reais) por mês calendário e (d) por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Nesse sentido foi editada a Instrução Normativa RFB n.º 1.389/2013, que vigorou a partir de 02/09/2013 e revogou expressamente o art. 5.º da Instrução Normativa RFB n.º 1.307/2012 — o art. 5.ºA, I, "b", que insere a multa de R$ 1.500,00 para falta ou atraso de entrega da DBF por "demais pessoas jurídicas" foi inserido em dezembro de 2013, pela IN RFB n.º 1.426/2013 —, que previa que a não apresentação da DBF no prazo legal ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretava a aplicação das seguintes penalidades: (a) multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mês calendário, no caso de falta de entrega da Declaração ou de sua entrega depois do prazo, e (b) multa de 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das informações omitidas, inexatas ou incompletas (IN SRF n.º 311/2003, IN RFB n.º 789/2007, IN RFB n.º 1.113/2010, IN RFB n.º 1.120/2011, IN RFB n.º 1.307/2012 e IN RFB n.º 1.389/2013). Cumpre verificar a vigência dos dispositivos de interesse para este voto, mormente a aplicação do art. 57 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, com a nova redação dada pela Lei n.º 12.766, de 27 de dezembro de 2012, e consonância com o art. 5.ºA da IN RFB n.º 1.307/2012: MP n.º 2.15835/2001: (...) Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea: (Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) (...) Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 59 6 b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) (...) IN RFB n.º 1.307/2012: (...) Art. 5ºA A não apresentação da DBF no prazo estabelecido no art. 4º ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretará a aplicação das seguintes penalidades, definidas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1426, de 20 de dezembro de 2013) I por apresentação extemporânea: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1426, de 20 de dezembro de 2013) (...) b) R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1426, de 20 de dezembro de 2013) (...) Em razão do exame da revogação do art. 5.º e da data de inserção do art. 5.º A, ambos da IN RFB n.º 1.307/2012, penso que a discutida penalidade por atraso na entrega da DBF por "demais pessoas jurídicas" foi revogada (derrogada) em agosto de 2013 e só voltou ao ordenamento legal a partir de dezembro de 2013, quando a IN RFB n.º 1.426/2013 alterou a IN RFB n.º 1.307/2012, devendose aplicar ao caso em concreto o princípio tributário contido no artigo 106, do Código Tributário Nacional (CTN – Lei nº 5.172/66), conhecido por retroatividade benigna da norma tributária: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) a) quando deixe de definilo como infração; (...) Ao analisar as alterações legislativas, que extraíram da aplicação de multas por infração a obrigações acessórias a generalidade, passando a especificar na norma os sujeitos passivos alcançados e novos valores cominados, a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) editou o Parecer Normativo n.º 03 de 10 de junho de 2013, interpretando os efeitos da nova legislação sobre os casos que de trata. Vale reproduzir, a seguir, alguns de seus trechos, com destaques em negrito. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 60 7 Dispõe o referido Parecer: [...] 2.2. A Lei nº 12.766, de 2012, alterou a redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001, que passou a ser: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentá los ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: I por apresentação extemporânea: a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido; b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro real ou tenham optado pelo autoarbitramento; II por não atendimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, para apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital ou para prestar esclarecimentos, nos prazos estipulados pela autoridade fiscal, que nunca serão inferiores a 45 (quarenta e cinco) dias: R$ l.000,00 (mil reais) por mêscalendário; III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. § 1º Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Simples Nacional, os valores e o percentual referidos nos incisos II e III deste artigo serão reduzidos em 70% (setenta por cento). § 2º Para fins do disposto no inciso I, em relação às pessoas jurídicas que, na última declaração, tenham utilizado mais de uma forma de apuração do lucro, ou tenham realizado algum evento de reorganização societária, deverá ser aplicada a multa de que trata a alínea “b” do inciso I do caput. § 3º A multa prevista no inciso I será reduzida à metade, quando a declaração, demonstrativo ou escrituração digital for apresentado após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício.” (NR) [...] (iii) Como ficam as multas cuja base legal é a antiga redação do art. 57 da MP nº 2.15835, de 2001? (iv) Continuam vigentes as multas do art. 7º da Lei nº 10.426, de 2002, do art. 30 da Lei nº 10.637, de 2002, do art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, do art. 7º da Lei nº 9.393, de 1996, do art. 9º da Lei nº 11.371, de 2006, e do § 2º do art. 5ºda Lei nº 11.033, de 2004? Fl. 60DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 61 8 6.1. Em relação à Escrituração Contábil Digital (ECD), à Escrituração Fiscal Digital (EFD), ao Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (eLalur), à declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (Dimob), à Declaração de Benefícios Fiscais (DBF) e à Declaração de Rendimentos Pagos a Consultores por Organismos Internacionais (Derc), as multas constantes, respectivamente, do art. 10 da Instrução Normativa (IN) RFB n.º 787, de 2007, do art. 7º da IN RFB n.º 1.052, de 2010, do art. 7.º da IN RFB n.º 989, de 2009, do art. 4.º da IN RFB nº 1.115, de 2010, do art. 5.º da IN RFB n.º 1.307, de 2012, do art. 5.º da IN RFB n.º 1.114, de 2010, e do art. 6.º da IN RFB n.º 985, de 2009, deixaram de ter base legal, motivo pelo qual não podem mais ser cobradas. A sanção pelo descumprimento dessas condutas, entretanto, se amolda ao contido na nova redação do art. 57 da MP n.º 2.15835, de 2001. E, mais especificamente sobre a DBF (Declaração de Benefícios Fiscais), normatizou o Parecer no âmbito da RFB: 6.1.2. Quanto à IN RFB n.º 1.307, de 2012 (DBF) e à IN RFB n.º 1.114, de 2010 (Derc), a análise deve ser mais detalhada. A multa do art. 57 da MP possui como aspecto pessoal as pessoas físicas e jurídicas, tanto de direito público como privado. O aspecto quantitativo dos incisos I e III pressupõe a sanção à pessoa jurídica de direito privado com fins lucrativos, já que pessoa física, pessoa jurídica imune ou de direito público não têm forma de apuração de lucro presumido ou real (inciso I) nem receita bruta (inciso III). Como o direito tributáriopenal deve respeito ao princípio da tipicidade cerrada, não se pode aplicar analogia para a configuração da multa. Não há base legal, atualmente, para a multa por atraso na sua entrega (inciso I), bem como para informações inexatas, incompletas ou omitidas em relação a ela (inciso III). Somente é passível de aplicação da multa à situação do inciso II, ou seja, após a intimação para entrega dos arquivos digitais ou para prestar esclarecimentos. Impôs ainda necessária alteração normativa (o que foi providenciado posteriormente com a elaboração da IN RFB n.º 1.426, de 20/12/2013, incluindo o art. 5.ºA no texto da IN RFB n.º 1.307/2012): 6.1.3. Os dispositivos das IN devem ser alterados para conterem a sua nova base legal. E, ainda, destaca a observação do art. 106 do CTN: 6.1.4. Nas multas anteriormente lançadas que, no caso concreto, sejam mais gravosas que a nova multa, a lei nova mais benéfica deve retroagir, tratandose de ato não definitivamente julgado, conforme art. 106, inciso II, alíneas “a” e “c”, do CTN. (grifos acrescentados) 4. [...] Daí que estabeleceuse um hiato temporal de aproximados quatro meses entre a entrada em vigor da IN RFB n.º 1.389, de 30/08/2013, que revogou expressamente o artigo 5.º da IN RFB n.º 1.307, de 27/12/12, e o restabelecimento, através do art. 5.ºA, inserido pela IN RFB n.º 1.426, de 20 de dezembro de 2013, sob novo texto, da penalidade que havia sido expurgada do ordenamento: 4 Disponível em: <http://www.receita.fazenda.gov.br/Legislacao/PareceresNormativos/2013/parecer032013.htm>. Acesso em 03 set.2013. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 13819.721850/201133 Acórdão n.º 1002000.479 S1C0T2 Fl. 62 9 IN RFB n.º 1.389/2013: (...) Art. 2º Fica revogado o art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 1.30711, de 2012. (...) IN RFB n.º 1.426/2013: (...) Art. 2º A Instrução Normativa RFB nº 1.307, de 2012, passa a vigorar acrescida do art. 5ºA: “Art. 5ºA A não apresentação da DBF no prazo estabelecido no art. 4º ou a sua apresentação com incorreções ou omissões acarretará a aplicação das seguintes penalidades, definidas no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001: I por apresentação extemporânea: (...) b) R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas; (...) Pelo exposto, a penalidade imposta pela ausência da entrega de DBF – Declaração de Benefícios Fiscais, foi expressamente derrogada, nos casos em que os contribuintes obrigados não foram intimados a apresentála, por norma tributária posteriormente editada, fato reconhecido pelo órgão exator, não podendo subsistir a sua exigência contra a recorrente, por força do princípio da retroatividade benigna da norma tributária que deixa de cominar penalidade relativa a ato anteriormente considerado infração tributária. Voto, portanto, dada a questão de direito analisada de ofício, por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722897/2012-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. DECRETO Nº 70.235/72 E LEI Nº 9.784/99. NÃO CONHECIMENTO.
A porção do Recurso Voluntário que trata de matéria alheia ao processo, diversa da fundamentação e da base legal efetivamente empregada no lançamento de ofício, não deve ser conhecida. Corolário do princípio da dialeticidade e inteligência dos art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 60 da Lei nº 9.784/99.
MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO.
A imposição da multa qualificada mostra-se justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, INCISO I, DO CTN.
Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo art. 173, inciso I, do CTN.
TAXA SELIC E MULTA. CONFISCATORIEDADE ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO.
É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26-A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA.
Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional.
Numero da decisão: 1402-003.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias de inconstitucionalidade e alheias ao processo e, na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Veira e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) que davam provimento parcial para afastar a qualificação da multa de ofício e reconhecer a decadência para o período de julho a novembro de 2007, em face da aplicação do artigo 150, § 4º do CTN. Designado para redigir o voto vencedor em relação à qualificação da multa e inocorrência da decadência o Conselheiro Evandro Correa Dias.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Caio Cesar Nader Quintella - Relator.
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados).
Nome do relator: CAIO CESAR NADER QUINTELLA
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MATÉRIA ESTRANHA AO PROCESSO. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. DECRETO Nº 70.235/72 E LEI Nº 9.784/99. NÃO CONHECIMENTO. A porção do Recurso Voluntário que trata de matéria alheia ao processo, diversa da fundamentação e da base legal efetivamente empregada no lançamento de ofício, não deve ser conhecida. Corolário do princípio da dialeticidade e inteligência dos art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 60 da Lei nº 9.784/99. MULTA QUALIFICADA. APLICAÇÃO. A imposição da multa qualificada mostrase justificada quando demonstrados suficientes indícios da ação dolosa do contribuinte, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do tributo devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INCIDÊNCIA DO ART. 173, INCISO I, DO CTN. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. TAXA SELIC E MULTA. CONFISCATORIEDADE ARGUMENTOS EXCLUSIVAMENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. É vedada a discussão, em esfera administrativa, sobre o afastamento de normas sob o argumento de violação a dispositivos constitucionais, sendo tal matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. Não compete ao CARF analisar e declarar a inconstitucionalidade de lei ou normativo (Art. 26A do Decreto nº 70.235/72 e Súmula CARF nº 2). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 28 97 /2 01 2- 04 Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.281 2 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. PREVISÃO LÍCITA. Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora, calculados sob a Taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo (principal) e a multa de ofício proporcional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer das matérias de inconstitucionalidade e alheias ao processo e, na parte conhecida, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o Relator e os Conselheiros Lucas Bevilacqua Cabianca Veira e Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) que davam provimento parcial para afastar a qualificação da multa de ofício e reconhecer a decadência para o período de julho a novembro de 2007, em face da aplicação do artigo 150, § 4º do CTN. Designado para redigir o voto vencedor em relação à qualificação da multa e inocorrência da decadência o Conselheiro Evandro Correa Dias. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Relator. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Marco Rogerio Borges, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues e Edgar Braganca Bazhuni (Suplentes Convocados). Fl. 2282DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.282 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 2225 a 2245) interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/SP (fls. 2169 a 2178) que negou provimento à Impugnação apresentada (fls. 2144 a 2165), mantendo a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional, bem como a Autuação sofrida pela Recorrente, integralmente (fls. 1937 a 2135). No período colhido, a Contribuinte era optante pelo SIMPLES Nacional, exigindose no presente feito créditos de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e Contribuição Patronal Previdenciária, referentes ao segundo semestre do anocalendário de 2007, acrescidos de multa qualificada na monta de 150%, sob a acusação fiscal de omissão de receitas, em face da declaração em DANS e oferta à tributação de valores, referente a revenda de mercadorias automobilísticas e prestação de serviços, inferiores àqueles escriturados em sua contabilidade e, principalmente, inseridos em Notas Fiscais, como constatado e documentado pela Fiscalização em ação fiscal. Em face de tal infração, foi determinada a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional a partir de 1º de janeiro de 2008 (exercício seguinte ao do presente lançamento de ofício), vez que constatado o extrapolamento do limite da receita bruta, nos termos da Lei Complementar nº 123/2006 (fls. 2131 a 2139). Por bem resumir a contenda, adotase a seguir trechos do preciso relatório elaborado pela DRJ a quo: A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF nº 08.1.90.002011017731, que culminou com a Representação Fiscal para exclusão do Simples Nacional a partir de 01/01/2008 e formalização de lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos no período de 01/07/2007 a 31/12/2007, na modalidade Simples Nacional. De acordo com o Contrato Social da empresa e seu cadastro no CNPJ, tratase de uma sociedade empresária limitada, constituída em 19/08/1988, cujo objetivo social abrange atividades de comércio e prestação de serviços, e foi optante do Simples Nacional, na condição de empresa de pequeno porte, tendo apresentado para o período abrangido pela fiscalização a Declaração Anual do Simples Nacional ( DASN ), demonstrando uma receita bruta total de R$ 846.787,61. Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.283 4 O contribuinte foi intimado pessoalmente em 18/05/2011 a apresentar os Livros Caixa ou Diário e Razão, Livros de Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias e/ou Serviços, Livros Registro de Inventário, arquivos digitais de notas fiscais e notas fiscais de Entradas e Saídas e/ou Serviços, todos relativos aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Reintimado, apresentou parte da documentação solicitada. Posteriormente, em 15/08/2011, foi intimado a apresentar os extratos bancários de todas as contascorrente e de investimentos referentes aos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009. Não atendida a intimação, foi lavrado o Termo de Constatação e reintimação, sendo que nenhum documento ou esclarecimento foi apresentado. Foi lavrado, então, o termo de Embaraço, recebido via postal pelo contribuinte em 05/12/2011, onde foi consignado que os documentos ali listados não haviam sido entregues até aquela data, reintimandoo a apresentálos em cinco dias. Após vários pedidos de apresentação de esclarecimentos e documentos, atendidos parcialmente, em 17/05/2012 ele apresentou uma carta informando que em face da não localização dos documentos solicitados, teria efetuado o procedimento de “declaração à praça”, declarando o extravio das notas fiscais de saída e de prestação de serviços, assim como as notas fiscais de aquisição de mercadorias e de serviços prestados à empresa nos anos de 2007 a 2009. Anexa cópia de publicações em jornais. Do confronto das notas fiscais de saída de mercadorias com o Livro Registro de Saídas, a Fiscalização constatou que os valores escriturados eram menores do que constavam nas notas fiscais. No 2º semestre de 2007 consta da DASN que a venda de mercadorias foi de R$ 694.779,32, porém a receita com vendas, de acordo com as notas fiscais chegou a R$ 6.976.638,69, com uma omissão na DASN de R$ 6.281.859,37. Com relação a serviços, consta na DASN que a receita no 2º semestre/2007 foi no valor de R$ 152.008,29, mas as notas fiscais revelam um montante de R$ 1.712.925,57, sendo considerada omitida a receita de R$ 1.560.917,28. Somando a receita de venda de mercadorias e a de serviços, a receita bruta omitida no 2º semestre de 2007, objeto do presente processo, foi de R$ 7.842.776,65. Considerando que o contribuinte excedeu o limite da receita bruta de R$ 2.400.000,00 para empresas de pequeno porte no anocalendário de 2007, foi a empresa excluída do Simples Nacional a partir de 01/01/2008 conforme Ato Declaratório Executivo DERAT/DIORT/EQRES nº 06/2013, fls. 2.139. Com relação ao 1º semestre, a receita declarada à Receita Federal foi de R$ 358.851,22 e a receita bruta apurada foi de R$ 3.682.113,03, tendo ocorrido a omissão de R$ 3.323.261,81. Os valores de omissões de receita do 1º semestre de 2007 foram Fl. 2284DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.284 5 objeto de auto de infração formalizado através do processo nº 19515.722895/201215. No decorrer do procedimento fiscal ficou constatada a utilização de artifícios fraudulentos para omitir receitas que deixaram de ser escrituradas no Livro Registro de Saídas. Esta conduta deixa evidente que seu objetivo era eximirse do pagamento de tributos à Fazenda Pública, procedimento que caracteriza sonegação fiscal nos termos do inciso I e caput do artigo 71 da Lei nº 4.502/1964, configurando a existência de dolo, impondo a multa de 150% nos termos do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Caracterizada a sonegação fiscal, aplicouse a responsabilização solidária pelos créditos constituídos, abaixo informados, aos sócios da pessoa jurídica, Srs. Marcos Proença e Josué Ferreira dos Reis, conforme Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados pelos Agentes Fiscais. Também foi lavrada a Representação Fiscal para Fins Penais, uma vez que o comportamento das pessoas físicas responsáveis solidárias pelo crédito tributário configura, em tese, crime contra a ordem tributária conforme definido no artigo 1º da Lei nº 8.137/1990. A ciência do ADE deuse via postal em 05/03/2013 conforme fls. 2.131 dos autos. O lançamento de ofício está consubstanciado nos autos de infração – Simples Nacional: 1 Receitas de Revenda de mercadorias, exceto para o exterior, sem substituição tributária: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (fls. 2.047), no valor de R$ 127.864,75; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 2.051), no valor de R$ 127.864,75; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 2.055), no valor de R$ 378.637,14; Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 2.059), no valor de R$ 89.877,26, e Contribuição Patronal Previdenciária (fls. 2.063), no valor de R$ 1.089.068,25, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 1.813.312,15 ( um milhão, oitocentos e treze mil, trezentos e doze reais e quinze centavos ), aí incluído o principal, multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até o último dia útil de 12/2012. 2) Receitas de Prestação de serviços sujeitas ao Anexo III, sem retenção/substituição tributária de ISS, com ISS devido ao próprio Município do estabelecimento: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (fls. 2.102), no valor de R$ 39.007,29; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 2.106), no valor de R$ 38.058,90; Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (fls. 2.110), no valor de R$ 116.541,43; Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 2.114), no valor de R$ 27.429,42, e Contribuição Patronal Previdenciária (fls. 2.118), no valor de R$ 380.186,48, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 601.223,52 ( seiscentos e um mil, duzentos e vinte e três reais e cinqüenta e dois centavos ), aí incluído o principal, Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.285 6 multa de ofício de 150% e juros de mora calculados até o último dia útil de 12/2012. A ciência pessoal dos Autos de Infração deuse em 18/12/2012, fls. 2.067 e 2.121, e em 16/01/2013 o contribuinte apresenta a impugnação ao auto de infração, fls. 2.144/2.165, com os seguintes argumentos: 1 O artigo 150 da Constituição Federal veda expressamente a instituição de tributos com efeito de confisco e o estabelecimento de multas fiscais não pode induzir a violação ao princípio do não confisco, plasmada na Carta Maior; 2 Para que a multa de ofício qualificada no percentual de 150% possa ser aplicada é necessário que haja descrição e inconteste comprovação da ação ou omissão dolosa, na qual fique evidente o intuito de sonegação, fraude ou conluio; 3 A aplicação da taxa SELIC para a correção dos créditos de natureza tributária é inconstitucional, pois se trata de taxa que não foi criada por lei para fins tributários. Discorre sobre a taxa SELIC e conclui dizendo que a sua aplicação na seara fiscal infringe vários princípios constitucionais como o da legalidade, da segurança jurídica dentre outros; 4 Durante os procedimentos fiscalizatórios a autoridade lançadora não procedeu com a devida veracidade, devendo os atos serem reanalisados, desta feita à luz da verdade dos fatos, e não baseados em meras suposições; e 5 Referese ao prazo decadencial para concluir que no lançamento por homologação o termo de início do prazo decadencial iniciase a contar da ocorrência do fato gerador da respectiva obrigação tributária, nos termos expressos no parágrafo 4º do artigo 150 do CTN. No presente caso, as autoridades fiscais ignoraram esta regra, exigindo tributos devidos no período de 07/2007 a 12/2007, explicitamente decaídos, devendo de plano ser exonerados. Quanto à exclusão do Simples Nacional, o contribuinte não se manifestou. É o relatório. Processada a Defesa, foi proferido pela 6ª Turma da DRJ/POA o v. Acórdão, ora recorrido, negando provimento às razões apresentadas, mantendo integralmente o lançamento de ofício procedido e, em face da ausência de questionamento da exclusão do SIMPLES Nacional, mantevese tal medida: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Fl. 2286DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.286 7 Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. SONEGAÇÃO. Em se verificando a ocorrência de dolo relativo à sonegação dos fatos geradores, o prazo decadencial tem seu início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional CTN. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTOS DECORRENTES. A verificação de omissão de receitas constitui infração que autoriza a lavratura do competente auto de infração, para a constituição do crédito tributário. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicamse aos lançamentos reflexos o decidido no principal. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. SELIC. É cabível a aplicação da Taxa Selic enquanto juros de mora no tocante ao lançamento de crédito tributário relativo às contribuições devidas ao Simples Nacional, não recolhidas em época própria. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. SONEGAÇÃO. A conduta de omitir a receita bruta ao Fisco configura a sonegação, ensejando a qualificação da multa de ofício. Diante de tal revés, foi interposto o Recurso Voluntário, em suma, trazendo novas alegações além daquelas de Impugnação, inclusive atacando a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional, mas abandonando algumas linhas argumentativas antes invocadas. Ainda, a Recorrente foi intimada para regular a sua representação processual, procedendo a tal medida (fls. 2247 a 2279). Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.287 8 Voto Vencido Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella Relator O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Registrese que os sujeitos passivos solidários não apresentaram Impugnação e tampouco Recurso Voluntário. Preliminarmente, alega a Recorrente em seu Recurso Voluntário, sob a rubrica de matéria de ordem pública, a possibilidade de se conhecer, até ex officio, a ocorrência de erro na apuração da base de cálculo do lançamento. Contudo, neste mesmo tópico, a Parte não aponta o suposto erro. Então, como inclusive já este Conselheiro já posicionou em outros julgamentos, temse que procede a afirmação da Recorrente, podendo ser conhecida tal matéria, a qualquer tempo e mesmo espontaneamente pelo Julgador administrativo. Sequencialmente, passase a discorrer sobre a exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional. Cabe aqui esclarecer que, como registrado na decisão da DRJ a quo, na Impugnação apresentada tal matéria não foi aventada ou combatida. Diante de tal ocorrência, primeiro deveria se considerar a preclusão desse tema neste processo, posto que sequer ventilada na primeira Defesa da Recorrente, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Antes mesmo de se iniciar uma análise hermenêutica sistemática de tal dispositivo, e à luz do princípio da busca pela verdade material (assim como das prerrogativas Fl. 2288DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.288 9 do conhecimento de matéria de ofício pelo Julgador administrativo), esclarecese que toda a argumentação da Recorrente sobre tal tema é baseada nas disposições do art. 29, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006, tratando de prática reiteradas. Ocorre que a exclusão da Recorrente foi fundamentada no art. 29, inciso I, e em outros dispositivos da Lei Complementar nº 123/2006, como se verifica tanto nas fls. 2131 a 2139, como no próprio bojo do próprio ADE: Assim, concluise que a pratica reiterada de infração à legislação tributária é matéria alheia à exclusão da Contribuinte. A motivação da exclusão da ora Recorrente foi o extrapolamento do limite da receita bruta auferida no anocalendário e tanto assim foi que tal medida administrativa apenas deuse no ano seguinte da apuração da infração e não a partir do próprio mês da sua ocorrência, como a Lei Complementar em questão determina no caso da verificação da hipótese do art. 29, inciso V. Posto isso, e não havendo qualquer manifesta ilegalidade em tal Ato Declaratório Executivo, considerando a circunstância acima relatada, não deve ser conhecida a matéria referente à exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional. Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.289 10 Posteriormente, a Contribuinte passa a versar sobre o anunciado erro na apuração da base de cálculo da Autuação, mas partindo da premissa de que a exclusão deuse nos termos do art. 29, inciso V e do § 1º de Lei Complementar nº 123/2006. E, dentro de tal lógica, considerando os efeitos da exclusão já no período dos fatos geradores colhido, alega ter sido adotado modalidade equivocada na apuração do lucro. Confirase: (...) Ora, como relatado e anteriormente esclarecido, a exclusão deuse apenas no anocalendário seguinte àquele em que apurouse as infrações de omissão de receitas que motivaram o presente lançamento de ofício, tendo, então, sido lavradas as Autuações dentro da sistemática do SIMPLES Nacional, como optado pela Contribuinte. Mais uma vez, estáse diante de matéria alheia aos autos, não devendo, igualmente, se conhecer de tal alegação. Ainda, alega a Recorrente que foi indevida a aplicação da multa qualificada, na monta de 150%, posto que, em suma, não teria havido conduta dolosa, fraudulenta ou simulada, não se confundido a infração apurada com tais condutas, existindo documentação das operações colhidas, cuja a receita fora omitida. Invoca também a Súmula CARF nº 141. Para melhor contextualizar as afirmações da Contribuinte, colacionase a seguir o fundamento integral para a qualificação da penalidade: 1 Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Fl. 2290DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.290 11 (...) (fls. 1946) Entendese que, aqui, assiste razão à Recorrente. Como se observa, a motivação para a qualificação multa fora precisa e exclusivamente a própria infração de omissão de receitas. Não só tal circunstância atrai a aplicação da Súmula CARF nº 14, como não pode a infração tributária ordinária, já motivadora da aplicação da multa de ofício de 75%, confundirse com postura dolosa, fraudulenta ou simulada. A ausência de declaração e pagamento traduzse em mero inadimplemento tributário (descumprimento de obrigação principal e acessória), não podendo ser revestido, automática e objetivamente, em ocultação de fato jurídico tributário ou impedimento e retardamento da sua apuração pela Fiscalização. Ainda, entende este Conselheiro ser irrelevante para a qualificação da multa a ausência, parcial ou não, de escrituração dos valores colhidos, não podendo ser tal falha contábil o motivo determinante para o agravamento penal tributário. Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.291 12 Posto isso, afastase a multa qualificada, reduzindo a sanção fiscal para o percentual de 75%. Na sequência, a Recorrente alega a decadência dos débitos apurados, pugnando que, diante da ausência de dolo, fraude e simulação, deverá ser aplicado ao crédito tributário sob debate as disposições do art. 150, §4º, do CTN. E, nos termos de tal norma, já estariam os débitos decaídos, vez que lavradas as Autuações em 18/12/2012. Pois bem, como visto no tópico acima, realmente fora afastada a prática de dolo, fraude e simulação, sendo devido e correto o cômputo do prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do Codex Tributário. Confirmando a incidência de tal norma, no próprio TVF relatase a apuração e declaração parcial dos tributos no período, mêsamês, ainda que em monta inferior, não aventandose o inadimplemento de tal monta. Nas fls. 13 a 20 consta das DASN o registro das DAS pagas mensalmente, dentro dos valores apurados e declarados, sem qualquer questionamento da Fiscalização, a qual efetivamente excluiu da base de cálculo essas receitas, tratandoas como efetivo objeto de tributação prévia. Considerando o vencimento mensal dos tributos exigidos sob a sistemática do SIMPLES Nacional, tendo em vista que, da Autuação lavrada, tomou a Contribuinte ciência em 18/12/2012, é parcialmente procedente a alegação. In casu, são exigidos tributos precisamente de julho a dezembro de 2007. Considerando o prazo quinquenal, a contar do último dia de cada mês do anocalendário, apenas os créditos tributários referentes a dezembro de 2007 não foram extintos pela caducidade, nos termos do art. 156, inciso V do CTN. Dessa forma, merece provimento o Apelo para o cancelamento parcial das exações em tela, referente a todos os tributos colhidos no período de julho a novembro de 2007. Frisese que, mesmo diante de tal cancelamento, a receita bruta anual apurada no anocalendário de 2007, considerando aquilo já, anteriormente às Autuações, declarado pela Contribuinte, bem como os débitos remanescente de dezembro de 2007, prevalece o desrespeito ao limite de legal de receita bruta fixado na Lei Complementar nº 123/2006, vigente à época dos fatos apurados (R$ 2.400.000,00), como fica claro na tabela a seguir, extraída do TVF: Fl. 2292DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.292 13 Desse modo, confirmase a correção e a manutenção da exclusão da Recorrente do SIMPLES Nacional, a partir de 1º de janeiro de 2008. Por fim, a Recorrente alega a inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC na correção dos débitos sob exigência e o efeito confiscatório da sanção aplicada, com base legal exclusiva no o art. 150, inciso IV, da Constituição da República vigente. O afastamento da exação, ou qualquer de seus componentes legais, sob tais argumentos e norma constitucional encontra óbice no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, bem como a Súmula nº 2 deste E. CARF, não se podendo conhecer das alegações exclusivamente fundamentadas em dispositivos constitucionais. Apenas se acrescente quem em relação a utilização da Taxa SELIC, esta C. 2ª Turma Ordinária, acompanha o atual entendimentos da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, que professa ser devida tal postura fiscal. O trecho a seguir do Acórdão nº 1402.002.340, de relatoria do I. Presidente, Leonardo de Andrade Couto, publicado em 05/10/2016, ilustra esse posicionamento: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.293 14 (...) Por fim, no que se refere aos juros sobre a multa de ofício, tendo em vista que a peça recursal preocupouse em trazer a jurisprudência que embasaria os argumentos, cabe simplesmente registrar que o acórdão apresentado contem entendimento superado e a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentíssimos de todas as turmas da CSRF: (Acórdão nº 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão nº 9202003.821,CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão nº 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Sem necessidade de maiores aprofundamentos em relação a esse tema específico, reforçando tal posição, confirase trecho da ementa do recente Acórdão nº 9101 003.222, proferido pela C. 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, como voto vencedor do I. Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, publicado em 05/03/2018: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Fl. 2294DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.294 15 Sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem juros de mora à taxa SELIC. Compõem o crédito tributário o tributo e a multa de ofício proporcional. (...) Por fim, incide ao caso o claro teor da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O mesmo entendimento foi adotado pelo E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do REsp 1.073.846/SP, de 25/09/2009, de relatoria do Exmo. Min. Luiz Fux, sob a dinâmica do art. 543C do Código de Processo Civil vigente à época. Diante do exposto, voto por não conhecer das matérias constitucionais e alheias ao processo e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para i) cancelar o crédito exigido referente ao período de julho a novembro de 2007, em face da consumação da decadência, bem como ii) afastar a qualificação da multa aplicada, reduzindoa à percentagem ordinária de 75%, mantendose a exclusão da Contribuinte do SIMPLES Nacional. (assinado digitalmente) Caio Cesar Nader Quintella Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.295 16 Voto Vencedor Evandro Correa Dias Redator Designado O i. relator, no seu voto, por entender que não teria havido conduta dolosa, fraudulenta ou simulada do contribuinte ao praticar a infração de omissão de receitas, concluiu pelo provimento parcial para afastar a qualificação da multa de ofício e reconhecer a decadência para o período de julho a novembro de 2007, em face da aplicação do artigo 150, § 4º do CTN. Contudo, no entender do colegiado discordase do i. relator, decidindose, por maioria, negar provimento ao recurso voluntário nessas matérias. Da aplicação da Multa Qualificada A justificativa da Autoridade Fiscal para qualificar a multa reside no fato de que a Recorrente utilizouse de artifício fraudulento de omitir receitas mediante o "calçamento" dos valores escriturados no Livro Registro de Saídas. Reproduzse a seguir trechos do Termo de Verificação Fiscal que descrevem a conduta da recorrente: · Do confronto das notas fiscais de saída de mercadorias com o Livro Registro de Saídas, constatamos que os valores escriturados são menores do que constam nas respectivas notas fiscais. · Os valores das vendas foram escriturados no Livro Registro de Saídas, no decorrer de todo o 2º semestre de 2007, de forma reiterada, em valores expressivamente menores que aqueles constantes das notas fiscais. · Os valores declarados de receita de venda de mercadorias e de prestação de serviços na DASN/2008, em todo o 2º semestre de 2007, correspondem aos valores de venda escriturados no Livro de Saída e, portanto também são significativos menores que aqueles apurados na totalização mensal das notas fiscais emitidas nesse período. · A prática adotada abrangeu todo o 2º semestre de 2007. Aliás esta conduta adotada pelo contribuinte fiscalizado se repetiu no decorrer de todo o período compreendido pela ação fiscal (anoscalendário 2007 a 2009). · As receitas apuradas na presente atuação importaram em R$ 8.689.564.26, cerca de 10,26 vezes superior ao faturamento do período informado pelo contribuinte na DASN/2008 no respectivo período, 01/07/2007 a 31/12/2007, R$ 846.787,61. Concordase com as conclusões da fiscalização quanto à qualificação da multa, que entendeu que o Recorrente declarando a menor as receitas comprovadamente auferidas aliados à utilização de um padrão de procedimento sistemático, deixa evidente a voluntariedade da conduta adotada e o escopo de exonerarse do pagamento de tributos à Fazenda Pública, o que inclui a ação perpetrada pelo sujeito passivo na categoria delituosa de sonegação fiscal, que encontra definição no art. 71 da Lei n° 4.502/64. Fl. 2296DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.296 17 A conduta do Recorrente em agrupar diversas notas fiscais em um único lançamento no Registro de Saídas, mas registrando apenas parte do somatório, e consequentemente declarando e pagando valores menores que aqueles consignados nas notas fiscais, sistematicamente, agiu de forma a encobrir do Fisco os verdadeiros aspectos da situação de fato, capaz de provocar a incidência da norma tributária, com o intuito de dificultar ou impedir que a autoridade fiscal detectasse o pagamento de valores menores que os devidos. Da alegação de decadência Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN, conforme entendimento já pacificado no âmbito do CARF, através da Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 10422564, de 14/06/2007 Acórdão nº 240100249, de 08/09/2009 Acórdão nº 140200506, de 31/03/2011 Acórdão nº 210201186, de 18/03/2011 Acórdão nº 10517083, de 25/06/2008 Acórdão nº 1103 00486, de 29/06/2011. Verificada que a Recorrente utilizouse de artifício fraudulento de omitir receitas mediante o "calçamento" dos valores escriturados no Livro Registro de Saídas, deve ser aplicado o prazo decadencial conforme art. 173, I ,do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Notase que o primeiro dia do exercício seguinte, no presente caso, corresponde ao dia 01/01/2008, consequentemente, o crédito tributário poderia ter sido constituído até 31/12/2012, para os fatos geradores de julho a novembro de 2007, e até 31/12/2013, para o fato gerador de dezembro de 2007. Logo não se aplica o instituto da decadência aos tributos lançados no período de 01/07/2007 a 31/12/2007 já que a ciência dos autos de infração deuse em 18/12/2012. Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 19515.722897/201204 Acórdão n.º 1402003.418 S1C4T2 Fl. 2.297 18 Conclusão Do exposto, voto por manter a qualificação da multa de ofício e pela inocorrência da decadência, negando provimento ao recurso voluntário nessas matérias. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 2298DF CARF MF
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