Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,988)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,445)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,536)
- Primeira Turma Ordinária (13,108)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,534)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,777)
- Terceira Câmara (68,236)
- Segunda Câmara (57,099)
- Primeira Câmara (21,379)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,096)
- Segunda Seção de Julgamen (115,765)
- Primeira Seção de Julgame (77,654)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,458)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,581)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,683)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,662)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,340)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10880.909042/2006-05
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1003-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ no valor original de R$214.226,86, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do ano-calendário de 2000, observando que deste montante já foi reconhecida a quantia de R$10.666,74 em sede de Despacho Decisório DERAT/SIORT/SP de 26.09.2008, fls. 21-24.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.909042/2006-05
anomes_publicacao_s : 201810
conteudo_id_s : 5921588
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 31 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.012
nome_arquivo_s : Decisao_10880909042200605.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10880909042200605_5921588.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ no valor original de R$214.226,86, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do ano-calendário de 2000, observando que deste montante já foi reconhecida a quantia de R$10.666,74 em sede de Despacho Decisório DERAT/SIORT/SP de 26.09.2008, fls. 21-24. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
id : 7485922
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:30:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051150554497024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1665; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 979 1 978 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.909042/200605 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1003000.012 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Data 02 de outubro de 2018 Assunto PER/DCOMP Recorrente KURITA DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ no valor original de R$214.226,86, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2000, observando que deste montante já foi reconhecida a quantia de R$10.666,74 em sede de Despacho Decisório DERAT/SIORT/SP de 26.09.2008, fls. 2124. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 11803.26305.091003.1.3.020641 em 09.10.2003, fls. 0106, utilizandose do saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor original de R$214.226,86, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2000 para compensação dos débitos ali confessados. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 09 04 2/ 20 06 -0 5 Fl. 979DF CARF MF Processo nº 10880.909042/200605 Resolução nº 1003000.012 S1C0T3 Fl. 980 2 Consta no Despacho Decisório DERAT/SIORT/SP de 26.09.2008, fls. 2124, os seguintes fundamentos: Examinandose o extrato do IRPJCONS às fls. 07 a 11, verificamos que o contribuinte apurou na Ficha 12A Cálculo do IR sobre o Lucro Rela Linha 18 um crédito de Imposto de Renda no montante de R$ 214.226,86 (fls. 11); como não apurou IR devido, este valor corresponde à soma de antecipações (linha 16) no valor de R$ 192.776,19 com IRFonte (linha 13) de R$ 21.450,67. [...] Pesquisa no sistema SinaI08 (fls. 11) informa que não houve nenhum pagamento no período de 01/01/00 a 31/01/01. [...] Pesquisa no sistema DCTFGER informa antecipações declaradas no montante de R$ 192.776,19 (fls. 13); contudo, constatase que todos os pagamentos mensais foram quitados por compensação sem processo com saldo do anocalendário de 1999 (fls. 13/14). [...] Por este motivo, tornouse imperativo o exame dos valores apresentados no ano calendário de 1999 e neste caso, verificase que não foram apresentadas DCTFs com informações relativas ao Imposto de Renda (fls. 15). No exame da Ficha 13A Cálculo IR sobre o Lucro Real Linha 18, foi informado apenas um crédito de Imposto de Renda no montante de R$ 39.554,48 (fls. 12); este valor é substancialmente inferior aos R$ R$ 192.776,19 empregados pelo contribuinte no ano seguinte. [...] Conforme se observa nos extrato da DCTGER às fls. 17 e 18, O contribuinte empregou o saldo negativo apurado em 2000 em compensações sem processo no decorrer no anocalendário de 2001. Entretanto, o contribuinte, para essas compensações, dispunha apenas do saldo apurado em 31/12/99 no valor de R$ 39.554,48 (fls. 12) e do crédito relativo ao Imposto de Renda Retido na Fonte do anocalendário de 2000 de R$ 21.450,67, comprovado pelo sistema Sief às fls. 16. [...] Com o apoio do sistema SAPO (fls. 19 e 20), deduzidos os valores compensados em 2001, verificase que resta ao contribuinte um crédito de saldo negativo de IR no montante de R$ 10.666,74. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa e excerto do voto condutor do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/SPOI/SP nº 16 24.230, de 10.02.2010, fls. 463467: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2000 DCOMP. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. À falta de comprovação documental do erro de preenchimento alegado, prevalecem os valores informados na DCTF considerada pela autoridade administrativa para análise do crédito pretendido. Manifestação de Inconformidade Improcedente [...] Contudo, verificase dos autos que a requerente entregou a DCTF retificadora apenas em 30/10/08 (fl. 392), um dia antes de protocolar sua Manifestação de Inconformidade. Ou seja, a retificação noticiada foi efetuada após a ciência do Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10880.909042/200605 Resolução nº 1003000.012 S1C0T3 Fl. 981 3 despacho decisório, que apontou a insuficiência do crédito apurado em 1999 para composição do crédito pleiteado pela requerente no PER/DCOMP analisado. Em face do exposto, voto no sentido de a MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE apresentada ser julgada IMPROCEDENTE, para ratificar os temos do despacho decisório recorrido. Notificada em 17.03.2010, fl. 468, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 15.04.2010, fls. 469476, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: 9. A alegação do douto Órgão Julgador para considerar improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente foi a falta de elemento que demonstrasse o erro alegado, o que viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato. Haja vista que a Recorrente sempre cumpriu suas obrigações com estrita observância aos ditames da legislação que rege a tributação no país, foram apresentados como anexos à Manifestação de Inconformidade todos os documentos fiscais que comprovam a formação do o crédito tributário e suas consequentes compensações. 11. O que ocorreu na prática foi tão somente erro de indicação da origem do crédito no preenchimento da obrigação acessória DCTF, a qual foi retificada após .o início do procedimento de fiscalização por dois motivos distintos: primeiramente porque não envolvia diretamente a compensação indeferida por meio do Despacho Decisório (PER/DCOMPS l6580.03434.091003.1.3.020087 e 34088.47050.091003.1.3.035590); em segundo lugar porque a retificação da DCTF foi absolutamente necessária a fim de justamente comprovar ainda que de modo fiscal a formação do crédito tributário tão largamente difundida no Acórdão. 12. Nada obstante toda a evidenciação fiscal da existência do crédito, a Recorrente valese do presente recurso para demonstrar, como tenciona o Acórdão proferido, que as compensações informadas na DCTF refletem exatamente os dados contidos na escrituração contábil da empresa e que foram devidamente registrados à época dos eventos, conforme lançamentos efetuados no Livro Diário da Recorrente [...]. Concernente ao pedido expõe que: 17. Em face do exposto, a Recorrente requer o regular conhecimento e o integral provimento do presente Recurso Voluntário, a fim de arquivar o Processo Administrativo n° 10880.909042/200605, e por conseqüência, anular a Intimação n° 2045/2010, por ser esta medida de JUSTIÇA! É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 981DF CARF MF Processo nº 10880.909042/200605 Resolução nº 1003000.012 S1C0T3 Fl. 982 4 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente suscita que o direito creditório deve ser reconhecido e procura demonstrar suas alegações mediante apresentação de DCTF retificadoras do anocalendário de 2000. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Sobre este procedimento, o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015, assim determina: Conclusão 22. Por todo o exposto, concluise: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do Fl. 982DF CARF MF Processo nº 10880.909042/200605 Resolução nº 1003000.012 S1C0T3 Fl. 983 5 PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. (grifos acrescentados) Tendo em vista a apresentação das DCTF retificadoras em sede de litígio de Per/DComp nos presentes autos, bem como do início de prova produzido pela Recorrente e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto em converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente cotejar as informações fornecidas pela Recorrente com os registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência das informações constantes no Per/DComp nº 11803.26305.091003.1.3.020641, fls. 0106, em face da apresentação das DCTF retificadoras dos anoscalendário de 1997 a 2000, das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anoscalendário de 1997 a 2000, cuja cópias devem ser juntadas aos presentes autos, e das orientações constantes no Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015. Ainda os autos devem ser instruídos, se houver, com a relação dos pagamentos efetuados nos anos calendário de 1997 a 2000 e os Per/DComp em que foram utilizados os direitos creditórios dos saldos negativos de IRPJ dos anos calendário de 1997 a 2000. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ no valor original de R$214.226,86, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2000, observando que deste montante já foi reconhecida a quantia de R$10.666,74 em sede de Despacho Decisório DERAT/SIORT/SP de 26.09.2008, fls. 2124. Fl. 983DF CARF MF Processo nº 10880.909042/200605 Resolução nº 1003000.012 S1C0T3 Fl. 984 6 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1 . (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 984DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910612/2015-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/10/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/10/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.910612/2015-49
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940370
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.280
nome_arquivo_s : Decisao_10680910612201549.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680910612201549_5940370.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7551309
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051150556594176
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910612/201549 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.280 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/10/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 12 /2 01 5- 49 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.511. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910612/201549 Acórdão n.º 3301005.280 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13985.000157/2005-63
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2003
EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES.
Diante da fixação da data de exclusão do SIMPLES surge a obrigação de entrega da DCTF nos limites previstos na legislação tributária.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo: Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
Numero da decisão: 1003-000.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2003 EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do SIMPLES surge a obrigação de entrega da DCTF nos limites previstos na legislação tributária. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo: Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária".
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13985.000157/2005-63
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940526
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.341
nome_arquivo_s : Decisao_13985000157200563.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
nome_arquivo_pdf_s : 13985000157200563_5940526.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7552256
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:49 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051150575468544
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1424; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 54 1 53 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13985.000157/200563 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.341 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria MULTA ATRASO DCTF Recorrente TRANSFORMADORES SÃO MIGUEL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2003 EXIGÊNCIA DA ENTREGA DCTF. TERMO INICIAL. EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. Diante da fixação da data de exclusão do SIMPLES surge a obrigação de entrega da DCTF nos limites previstos na legislação tributária. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE NORMA INFRALEGAL. À autoridade administrativa, via de regra, é vedado o exame da constitucionalidade ou legalidade de lei ou ato normativo: Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 5. 00 01 57 /2 00 5- 63 Fl. 54DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 55 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Sérgio Abelson e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela Recorrente por discordar do acórdão de nº 0713.767, de 05 de setembro de 2008, proferido pela 3ª Turma da DRJ/FNS, às fls. 2831, julgando procedente o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao 1°, Trimestre/2003, nos moldes da ementa abaixo transcrita: Assumo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Anocalendário: 2003 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de ementa de acordo com a Portaria SRF n9 1.364, de 10 de novembro de 2004. Lançamento Procedente Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 3846, requerendo sua reforma, e, para tanto, argumentou, em síntese: (i) preliminarmente : a) que o auto de infração fundamentouse em normas revogadas, as quais devem ser tidas como inexistentes, e, que, portanto, o auto de infração é nulo em sua integralidade; (ii) no mérito, que: a) estava dispensada da entrega da DCTF até o segundo semestre de 2003 por ser optante do SIMPLES, ainda que tenha ocorrido sua exclusão do referido sistema com efeitos retroativos a 01.01.2002; (b) são inconstitucionais as multas previstas na Lei n°10.426/02, e, como a multa mantida é relativa ao 1° Trimestre de 2003, não caberia a aplicação retroativa do inciso I do § l° do art. 3° da IN 255/2002, para sua exigência; c) a multa isolada aplicada não pode persistir por conta da MP n. 303/06, dando nova redação ao referido art. 44 da Lei n° 9.430/96; que deixou de impor tal penalidade; d) a multa em questão deve ser afastada pela denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 56 3 Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que a Recorrente foi cientificada do Acórdão 0713.767, proferido pela 3ªTurma da DRJ/FNS, em 02/10/2008 (fls. 37) e apresentou o recurso competente em 03/11/2008 (fls. 3846). O recurso voluntário interposto pela Recorrente, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. PRELIMINARMENTE Em sede de preliminar, alega a Recorrente que o auto de infração é nulo, pois fundamentouse em normas revogadas1 pela IN 255/2002. Neste ponto, por entender que as considerações realizadas pela DRJ no r. acórdão são irretocáveis, colaciono parte de seu texto neste voto: "Não procede a arguição de nulidade pelo fato de terem sido citados no Auto de Infração dispositivos pertencentes a diplomas revogados pela IN SRF n° 255/2002, quais sejam: o art. 4° c/c art. 2° da IN SRF 73/96, e os arts. 2° e 6° da IN SRF 126/98, pois referidos dispositivos mantiveram sua força normativa nos períodos em que vigeram, inclusive no período tratado no lançamento, conforme se vê abaixo: Instrução Normativa SRF n°255, de II de dezembro de 2002: Art. 11. Ficam formalmente revogadas, sem interrupção de sua força normativa, as Instruções Normativas editadas pela Secretaria da Receita Federal nº 073/96, de 19 de dezembro de 1996, nº 45/98, de 05 de maio de 1998, nº 126/98, de 30 de outubro de 1998; nº 15/99, de 12 de fevereiro de 1999; nº083/99, de 12 de julho de 1999; nº018/00, de 23 de fevereiro de 2000. Acrescentese que referidos dispositivos não trouxeram problema de nenhuma espécie para a defesa da interessada, que demonstrou pleno domínio na legislação que rege da obrigação acessória e da multa em debate. Ademais, o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada, consoante redação do art. 144 do Código Tributário Nacional, salvo as seguintes exceções previstas no mesmo dispositivo e que não se aplicam no caso em análise. Logo, impossível prosperar preliminar de nulidade do auto de infração. 1 Art. 2° da IN SRF 73/96, e arts. 2° e 6° da IN SRF 126/98. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 57 4 MÉRITO No tocante ao mérito, a Recorrente argumenta que, como optante do SIMPLES, estaria dispensada da entrega da DCTF até o segundo semestre de 2003, quando então foi excluída do sistema simplificado. Ocorre que, à exclusão da Recorrente do SIMPLES, foram atribuídos efeitos retroativos a 01/01/2002, conforme se comprova às fls. 21. Baseada neste motivo, bem como pela análise da legislação vigente à época, a DRJ concluiu, com cuja decisão concordo, estar correta a imposição da multa em relação ao 1° Trimestre/2003. Por isso, transcrevo parte da decisão da DRJ como fundamento deste voto: Até a entrada em vigor da Instrução Normativa SRF n° 255, publicada em 12/12/2002, vigorava a Instrução Normativa SRF n° 126, de 30 de outubro de 1998, que nos termos do inciso I, do parágrafo único do art. 3°, estipulava que somente a partir do 1° trimestre do ano subseqüente ao da exclusão, a pessoa jurídica excluída do SIMPLES, deixava de estar dispensada da apresentação da DCTF. Confirase (grifei): Art. 3º "Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (...) IV os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas. Parágrafo único. Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica: I excluída do SIMPLES, a partir do II trimestre do ano subseqüente ao da exclusão"; Essa norma vigorou até a entrada em vigor da Instrução Normativa SRF n° 255, publicada no DOU de 12/12/2002, momento desde o qual a pessoa jurídica excluída do SIMPLES estava obrigada à apresentação da DCTF a partir, inclusive, do trimestre que compreender o mês em que a exclusão surtir seus efeitos. Confirase (grifei): Art. 3° "Estão dispensadas da apresentação da DCTF: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), relativamente aos trimestres abrangidos por esse sistema; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 58 5 (...) § 1º Não está dispensada da apresentação da DCTF, a pessoa jurídica: I excluída do Simples, a partir, inclusive, do trimestre que compreender o mês em que a exclusão surtir seus eƒeitos;” Nesta senda, considerando o caso em concreto, em que à exclusão da empresa do SIMPLES, foram atribuídos efeitos retroativos a partir de 01/01/2002 (fl. 21), a Recorrente não estava dispensada de apresentar DCTF a partir do primeiro trimestre do ano subseqüente ao da exclusão, ou seja, desde o primeiro trimestre de 2003, nos termos da legislação aplicada. Portanto, não deve ser reformada a decisão que manteve o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao 1°, Trimestre/2003, consoante disposto na IN SRF n° 255, em 12/12/2002. A Recorrente questiona a constitucionalidade das multas previstas na Lei n°10.426/02 e da aplicação retroativa da IN 255/2002. Contudo, é vedado ao CARF pronunciarse sobre questões de constitucionalidade e legalidade de leis tributárias. Esse entendimento está consolidado pela Súmula CARF nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, segundo a Recorrente o lançamento deve ser julgado improcedente, ante a retroatividade benigna (art. 106, II, "c", do CTN) da MP nº 303/06, mesmo com a perda de seus efeitos com a restauração da dicção contida no art. 44, da Lei nº 9.430/96. Todavia, equivocase a Recorrente! A redação dos dispositivos citados diz respeito à exclusão/redução da penalidade aplicada nas hipóteses de pagamento do tributo efetuado após o vencimento, mas sem a multa de mora, face a impossibilidade da cobrança cumulada da multa isolada e da multa de ofício. Ora, exigência aqui não é de multa isolada em razão de pagamento de tributo em atraso não acrescido de mora, mas sim de lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Ou seja, o auto de infração referese à incidência de multa pelo cumprimento intempestivo de obrigação acessória (art. 113, CNT). Assim, mostra cabível, in casu, a aplicação retroativa dos efeitos da MP nº 303/06. Fl. 58DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 59 6 Ante o exposto, voto pela rejeição da preliminar suscitada no recurso e, no mérito, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o lançamento a título de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF referente ao 1° Trimestre/2003. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 59DF CARF MF Processo nº 13985.000157/200563 Acórdão n.º 1003000.341 S1C0T3 Fl. 60 7 (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 60DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.721114/2017-23
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2009
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 11128.721114/2017-23
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5930204
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3002-000.422
nome_arquivo_s : Decisao_11128721114201723.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
nome_arquivo_pdf_s : 11128721114201723_5930204.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
id : 7529603
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051150594342912
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-11-25T23:14:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-11-25T23:14:14Z; Last-Modified: 2018-11-25T23:14:14Z; dcterms:modified: 2018-11-25T23:14:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-11-25T23:14:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-11-25T23:14:14Z; meta:save-date: 2018-11-25T23:14:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-11-25T23:14:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-11-25T23:14:14Z; created: 2018-11-25T23:14:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2018-11-25T23:14:14Z; pdf:charsPerPage: 1632; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-11-25T23:14:14Z | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 160 1 159 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.721114/201723 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.422 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 16 de outubro de 2018 Matéria NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ Recorrente EXPEDITORS INTERNATIONAL DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2009 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Há de ser decretada a nulidade de decisão recorrida por preterição do direito de defesa do contribuinte, quando esta possuir vício de motivação, tendo deixado de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda (art. 59 do Decreto nº 70.235/1972). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada e dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem à primeira instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 11 14 /2 01 7- 23 Fl. 160DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 101 dos autos: Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco de auto de infração para exigência de penalidade prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003. Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela desconsolidação da carga lançaram a destempo o conhecimento eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. Caso não se concluindo nesse prazo é aplicável a multa. Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. O contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese: i) nulidade do auto de infração por ausência de informações que prejudica o direito de defesa; ii) ocorrência da denúncia espontânea; iii) o atraso se deveu a supostas inconsistências do sistema mercante no dia 23/06/2014, quando iria retificar as informações que alega terem sido prestadas tempestivamente em 20/06/2014, oportunidade em que teve que excluir as informações e só as conseguiu reincluilas após a restauração do sistema; além disso, alegou inexistir amparo legal para a aplicação de penalidade pela retificação das informações prestadas tempestivamente. Requereu, caso ultrapassada a preliminar de nulidade, que sejam prestadas informações pelo chefe da unidade da SRFB a fim de se verificar a alegada inconsistência do Sistema Mercante no dia 23/06/2014. Requereu, ao fim, reconhecimento da nulidade do auto de infração, ou, caso superada a preliminar e apreciado o mérito, pediu julgamento no sentido da insubsistência do auto de infração. Juntou, com a impugnação, os documentos de fls. 66/94. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação. Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 99/104) consignou, inicialmente, deixar de acolher preliminares aduzidas pelo contribuinte e quaisquer argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, ou ocorrência de denúncia espontânea. Em seguida, discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 11128.721114/201723 Acórdão n.º 3002000.422 S3C0T2 Fl. 161 3 Prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho. Concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 01/03/2018 (vide Termo de ciência por abertura de mensagem à fl. 109 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, tempestivamente (vide Termo de Análise de Solicitação de Juntada à fl. 112, com data de 14/03/2018), Recurso Voluntário (fls. 113/141). Em seu recurso, o contribuinte alegou, inicialmente, que o acórdão recorrido deixou de se manifestar sobre vários pontos de sua defesa, e que todos seriam capazes de afastar o lançamento. Em seguida, repisou os argumentos de sua impugnação, que são: i) nulidade do auto de infração por ausência de informações que prejudica o direito de defesa; ii) ocorrência da denúncia espontânea; iii) o atraso se deveu a supostas inconsistências do sistema mercante no dia 23/06/2014, quando iria retificar as informações que alega terem sido prestadas tempestivamente em 20/06/2014, oportunidade em que teve que excluir as informações e só as conseguiu reincluílas após a restauração do sistema; além disso, alegou inexistir amparo legal para a aplicação de penalidade pela retificação das informações prestadas tempestivamente. Nos pedidos, requereu o reconhecimento da nulidade do auto de infração e, no caso de se adentrar no mérito, pediu julgamento no sentido de sua insubsistência. Juntou, com o recurso, os documentos de fls. 142/157. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da nulidade do acórdão recorrido O Recorrente inicia a argumentação do seu Recurso Voluntário dispondo sobre como o acórdão recorrido deixou de se manifestar sobre vários pontos de sua impugnação administrativa, ressaltando que estes fundamentos de defesa trazidos seriam capazes de afastar o lançamento. Embora não tenha chegado a requerer o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida, mas apenas a sua reforma, trouxe argumentos que demonstram a nulidade daquele acórdão proferido, consoante será analisado em sucessivo. Consoante acima narrado, o contribuinte argumentou, em sua impugnação, em síntese: i) nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, pois o documento fiscal não teria apresentado informações essenciais ao direito de defesa; ii) ocorrência da denúncia Fl. 162DF CARF MF 4 espontânea; iii) o atraso se deveu a supostas inconsistências do sistema mercante no dia 23/06/2014, quando iria retificar as informações que alega terem sido prestadas tempestivamente em 20/06/2014, oportunidade em que teve que excluir as informações e só as conseguiu reincluilas após a restauração do sistema; além disso, alegou inexistir amparo legal para a aplicação de penalidade pela retificação das informações prestadas tempestivamente. O acórdão recorrido, por seu turno, relata da seguinte forma o conteúdo da impugnação apresentada: Devidamente cientificada, a interessada traz como alegações, além das preliminares de praxe, acerca de infringência a princípios constitucionais, prática de denúncia espontânea, ilegitimidade passiva, ausência de motivação, tipicidade, e que tragam ao auto de infração a ineficiência e a desconstrução do verdadeiro cerne da autuação que foi o descumprimento dos prazos estabelecidos em legislação norteadora acerca do controle das importações, a argumentação de que de fato as informações constam do sistema, mesmo que inseridas, independente da motivação, após o momento estabelecido no diploma legal pautado pela autoridade aduaneira. Notase, portanto, que há uma clara dissonância entre o efetivo conteúdo da impugnação apresentada e a narração constante do acórdão recorrido. Em decorrência desta dissonância, o acórdão recorrido assim consignou: (i) que não acolheria as preliminares aduzidas pelo contribuinte, visto que as arguições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo; (ii) afastou o argumento de ocorrência de denúncia espontânea, sob o fundamento de que este instituto não seria aplicável ao caso concreto; (iii) afastou os argumentos de ausência de tipicidade, motivação, legitimidade ou responsabilidade do contribuinte, por entender que não se coadunavam com a hipótese dos autos. Como se vê, o único argumento preliminar analisado que possui relação com a presente contenda é o disposto no item (ii), relativo à denúncia espontânea. Todos os demais argumentos não foram objeto da impugnação apresentada. Sendo assim, não resta dúvidas que o acórdão recorrido trouxe em seus fundamentos razões que não estão relacionadas à presente contenda, levando à compreensão de que o caso não fora analisado com o devido cuidado pelos Julgadores naquela oportunidade. Como se não bastasse, verificase que o acórdão recorrido, além de ter tratado sobre temas não relacionados à presente contenda, deixou de discorrer sobre tópicos específicos constantes da impugnação apresentada, quais sejam: nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, pois o documento fiscal não teria apresentado informações essenciais ao direito de defesa; o atraso se deveu a supostas inconsistências do sistema mercante no dia 23/06/2014, quando iria retificar as informações que alega terem sido prestadas tempestivamente em 20/06/2014, oportunidade em que teve que excluir as informações e só as conseguiu reincluilas após a restauração do sistema; além disso, alegou inexistir amparo legal para a aplicação de penalidade pela retificação das informações prestadas tempestivamente. Da leitura do acórdão recorrido, verificase que a DRJ não dedicou uma única linha a nenhum desses argumentos apresentados pelo contribuinte em sua impugnação. Ao analisar o caso, o acórdão recorrido discorreu sobre a necessidade de se respeitar os prazos estabelecidos no artigo 22 da IN SRF 800/2007 para possibilitar o controle aduaneiro, prosseguiu afirmando que os registros devem representar fielmente as mercadorias Fl. 163DF CARF MF Processo nº 11128.721114/201723 Acórdão n.º 3002000.422 S3C0T2 Fl. 162 5 para se possibilitar que a aduana defina no tratamento a ser dado em cada caso, racionalizando os procedimentos e agilizando o despacho e concluiu que o julgador administrativo está adstrito ao Decretolei 37/66, que prevê as penalidades administrativas. Ou seja, verificase que o acórdão recorrido, de fato, julgou a presente contenda de forma genérica, sem que tivesse feito qualquer consideração acerca das particularidades alegadas pelo contribuinte neste caso concreto e da referida documentação anexada aos autos. No meu entender, portanto, a decisão recorrida revestese de vício intransponível de motivação, apta a configurar a preterição do direito de defesa do contribuinte, nos moldes do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Isso porque, além de ter incluído argumentos não levantados pelo contribuinte em sua impugnação administrativa, deixou de analisar fundamentos específicos e peculiares ao presente caso, essenciais à solução da contenda. Sendo assim, os autos deverão retornar àquela instância de julgamento, para nova decisão. Ademais, o retorno dos autos à DRJ também se apresenta essencial para fins de evitar supressão de instância. 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao Recurso Voluntário interposto, para fins de, acolhendo a preliminar levantada, decretar a nulidade do acórdão recorrido, determinando, por consequência, que os autos retornem àquela instância de julgamento, para que seja proferida nova decisão, em que sejam analisados todos os argumentos constantes da impugnação administrativa apresentada. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720268/2014-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DA ALEGADA OMISSÃO.
Constatada não a omissão, mas a obscuridade, os embargos devem ser acatados e aclarados, sem efeitos infringentes.
Numero da decisão: 1301-003.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar a obscuridade apontada e ratificar o decidido no acórdão 1301-002.616.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DA ALEGADA OMISSÃO. Constatada não a omissão, mas a obscuridade, os embargos devem ser acatados e aclarados, sem efeitos infringentes.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 16327.720268/2014-22
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5937765
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1301-003.509
nome_arquivo_s : Decisao_16327720268201422.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
nome_arquivo_pdf_s : 16327720268201422_5937765.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar a obscuridade apontada e ratificar o decidido no acórdão 1301-002.616. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (Assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7543681
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051150598537216
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1082; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2.097 1 2.096 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.720268/201422 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1301003.509 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2018 Matéria PerdComps Embargante BANCO SAFRA S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA DA ALEGADA OMISSÃO. Constatada não a omissão, mas a obscuridade, os embargos devem ser acatados e aclarados, sem efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar a obscuridade apontada e ratificar o decidido no acórdão 1301002.616. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (Assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 68 /2 01 4- 22 Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.098 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente de embargos de declaração (fls. 2080) opostos por BANCO SAFRA S/A, em face do Acórdão nº 130102.616, de 19/09/2017 (fls. 2046), que negou seguimento ao recurso voluntário do contribuinte. Valhome do relatório realizado no Despacho de Admissibilidade, às fls. 2091 e ss. A decisão foi formalizada no Acórdão nº 130102.616 (fls. 2046), o qual adotou a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 INEXISTÊNCIA. DE IMPROPRIEDADE NO ACÓRDÃO. DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO INDEFERIDO. MANIFESTAÇÃO IMPROCEDENTE. Considerase improcedente a manifestação de inconformidade quando não há o reconhecimento de qualquer parcela do direito creditório pretendido. AUSÊNCIA DE PRAZO PARA VERIFICAÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. NÃO SUJEIÇÃO AO PRAZO DECADENCIAL PREVISTO NO ART. 150. § 4o DO CTN. A investigação da origem do crédito, com o escopo de verificar sua certeza e liquidez, não está sujeita ao prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 150. § 4a do CTN. para os tributos sujeitos a lançamento por homologação. Inexiste na legislação tributária prazo limite para verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado. PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. AFASTAMENTO. Considerando que no mérito, a decisão quanto à dedutibilidade da despesa com remuneração, é favorável á recorrente, a nulidade apontada não foi apreciada pela Turma Julgadora. DESPESAS COM NATUREZA REMUNERATÓRIA DEDUTIBILIDADE. Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.099 3 Os valores contabilizados como empréstimos, porém reclassificados pelo Fisco como despesas de natureza remuneratória para cobrança de penalidades relativas à falta de retenção de IRRF, são despesas operacionais dedutíveis na apuração do lucro real. IRRF. FALTA DE COMPROVAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE. Os valores de IRRF utilizados na dedução do imposto apurado, para determinação do saldo de imposto a pagar, devem ser comprovados mediante apresentação de comprovantes de retenção hábeis a permitir a restituição dos valores. A falta de apresentação de documentos comprobatórios das retenções enseja a glosa dos valores de IRRF utilizados indevidamente nas deduções. IRRF. RENDIMENTOS REMETIDOS PARA SUCURSAIS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. DEDUTIBILIDADE. E permitida a compensação do IRRF sobre os rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, coligada ou controlada domiciliada em paraísos fiscais ou países com tributação favorecida, enquadrados nas disposições do art. 24 da Lei n° 9.430/96. com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada domiciliada no Brasil, quando esses resultados forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica domiciliada no Brasil. IRRF SOBRE RENDIMENTOS PAGOS A SUCURSAIS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO FAVORECIDA. RETENÇÕES EFETUADAS POR TERCEIROS O IRRF sobre os rendimentos pagos à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil pode ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil, não havendo distinção o entre IRRF retido pela própria matriz, controladora ou coligada no Brasil e o imposto retido por terceiros. IRRF. CORREÇÃO SELIC. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para correção dos valores de Imposto de Renda Retidos na Fonte pela taxa Selic. IRRF UTILIZADOS EM PERÍODOS ANTERIORES. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DIVERSA. A falta de apresentação de documentos comprobatórios de que os valores compensados em 1999 e 2000 tiveram como origem remessas e IRRF diversos dos utilizados na compensação realizada em 2005. enseja a dedução desses valores do saldo disponível em 2005. O contribuinte foi cientificado dessa decisão em 04/12/2017 (fls. 2077). Os presentes embargos foram apresentados em 07/12/2017 (fls. 2078), portanto, dentro do prazo previsto no art. 65, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. O processo tem origem em declaração de compensação em que o contribuinte utilizou como crédito alegado pagamento a maior de IRPJ relativo a 2006. A Administração Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.100 4 Tributária não reconheceu o crédito declarado (fls. 1761). Iniciado o contencioso administrativo, a decisão de primeira instância considerou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 1957). A decisão ora recorrida negou provimento ao recurso voluntário (2046), dando ensejo aos presentes embargos de declaração. Os embargos de declaração contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis apenas quando estas contiverem obscuridade, contradição ou omissão, nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. O embargante opõese ao referido acórdão em face de alegada contradição e de alegada omissão, a seguir analisadas. 1. Prazo decadencial na análise de DCOMP contradição A primeira reclamação do embargante diz respeito à alegada contradição em relação ao alcance da ação fiscal, no tempo, para averiguar declarações de compensação. O embargante aponta que a decisão embargada, em um momento, teria afirmado que o prazo decadencial previsto no CTN não se aplicava à averiguação de DCOMP e depois teria afirmado que o Fisco teria cinco anos para averiguar a DCOMP. Tais afirmações, no entender do embargante, seriam contraditórias, conforme o seguinte excerto (fls. 2083): Apesar de ter reconhecido, no mérito, o direito do Embargante à dedutibilidade da despesa com o pagamento de salários no valor de R$ 23.011.000,00, o Acórdão Embargado acabou por decidir não reconhecer o direito creditório pleiteado, vez que permitiu a análise de fatos ocorridos em anoscalendário anteriores (1998 a 2005), já atingidos pela decadência. E para afastar os argumentos do Embargante a respeito da impossibilidade do Fisco de, a pretexto de verificar a existência de crédito a restituir/compensar, reabrir a análise de fatos ocorridos em período já abrangido pela decadência, o voto do aresto embargado apresentou a seguinte conclusão: [...] Como se vê, o aresto embargado é contraditório em suas proposições, pois de um lado afirma que o Fisco não se sujeita aos prazos decadenciais previstos no CTN para analisar a origem do direito creditório, e de outro afirma que o Fisco tem o prazo de cinco anos contados da data de entrega da DCOMP para analisar e homologar o crédito pleiteado, nos termos do §4° do art. 74 da Lei 9.430/96. O trecho do acórdão embargado que foi citado pelo embargante é o que se segue (fls. 2054): A investigação da origem do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado em 31/12/2005 e pago em 24/02/2006 tratase de análise não sujeita aos prazos decadenciais previstos no CTN. O prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º do art. 150 do CTN, para o tributos sujeitos aos lançamentos por homologação, aplicase às investigações em que a autoridade fiscal verifica a apuração efetuada pelo sujeito passivo e, discordando do tributo por ele apurado, constitui o lançamento de ofício. Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.101 5 Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: [...] O ônus da prova do direito creditório é do contribuinte, por outro lado, o Fisco tem o prazo de cinco anos, contados da data de entrega da Declaração de Compensação, conforme o § 4º, do art. 74 da Lei n° 9.430/96, para promover a análise e homologar o crédito pleiteado pelo contribuinte, sob pena de ocorrer a homologação tácita. Entendo que não há a alegada contradição no trecho apontado, uma vez que as duas afirmações destacadas estão tratando de objetos diferentes. Quando a decisão embargada afirma que "o Fisco tem o prazo de cinco anos, contados da data de entrega da Declaração de Compensação, [...] para promover a análise e homologar o crédito pleiteado pelo contribuinte" está se referindo ao prazo previsto no §4º do artigo 74 da Lei n° 9.430, de 1996, que institui a homologação tácita da compensação não questionada pelo Fisco dentro do prazo indicado. O efeito da homologação tácita referida é impedir que o Fisco questione compensação declarada há mais de cinco anos. Diferentemente, quando a decisão embargada afirma que "a investigação da origem do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ [...] tratase de análise não sujeita aos prazos decadenciais previstos no CTN" está se referindo a uma não incidência do §4º do art. 150 do CTN, pelo qual o Fisco não pode rever de ofício a apuração de tributo declarado e pago há mais de cinco anos. Tratando de objetos distintos, quais sejam, as aplicações de normas distintas, não há que se falar em contradição entre as duas afirmações apontadas pelo embargante. Na espécie, o embargante deseja que o Fisco, ao analisar a sua declaração de compensação, não questione as apurações do IRPJ realizadas há mais de cinco anos, ou seja, ele deseja que o §4º do art. 150 do CTN se aplique à auditoria para verificar a liquidez e a certeza de crédito usado em compensação, o que foi afastado na decisão embargada. Todavia, os embargos de declaração não são remédio hábil para provocar nova apreciação sobre matéria já julgada. Com isso, entendo que os embargos de declaração não devem ser admitidos quanto a esse tópico. 2. Superposição de auditorias fiscais omissão Em sua segunda reclamação, o embargante afirma que a decisão embargada conteria omissão em relação ao fato de o contribuinte já ter sofrido auditoria fiscal relativa ao ano 2005, sem lançamento tributário. Tal fato seria relevante porque este teria sido o período revisto, na análise de sua DCOMP, e que teria fundamentado a sua não homologação, conforme o seguinte excerto (fls. 2086): O acórdão embargado é também omisso, vez que não se manifestou sobre a comprovada assertiva de que o ora Embargante, no ano de 2009, foi amplamente fiscalizado em relação ao anocalendário 2005, ocasião em que foi checada toda a documentação comprobatória do IRRF aproveitado, não tendo sido efetuado naquela oportunidade qualquer lançamento de oficio em relação às irregularidade no cálculo do IRPJ apontadas no presente Acórdão, e que serviram de fundamento para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Importante consignar que a Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.102 6 única modificação na apuração fiscal relativa ao ano base 2005 realizada após a fiscalização levada a efeito no ano de 2009, foi a exclusão da dedução da despesa com remuneração de pessoal, que havia sido equivocadamente classificada e que teve sua natureza retificada de ofício pelo Fisco. Assim, o Fisco não poderia revisar toda a apuração da Recorrente Como sabido, o próprio Código Tributário Nacional prevê a homologação do Fisco como hipótese de extinção do crédito tributário, seja ela expressa mediante uma comunicação formal neste sentido, ou ainda tácita, representada pela realização de fiscalização em determinado período, sem que haja o lançamento do crédito tributário respectivo. Verifico que essa questão foi levantada no recurso voluntário, conforme o seguinte excerto (fls. 1991): A esse propósito, é de se notar, inclusive, que em 2009, as autoridades fiscais já haviam fiscalizado a Recorrente para o anocalendário 2005, checando toda a documentação comprobatória do IRRF aproveitado, não tendo efetuado qualquer lançamento de oficio a esse respeito (Doc. 2 da manifestação de inconformidade MPF n° 08.1.66.002008002464, Termo de Intimação Fiscal de 09/01/2009 e Resposta à Intimação Fiscal em 19/01/2009).[grifo do original] Agora, novamente, em 2014, a fiscalização indevidamente revisa a apuração do anocalendário 2005 e deixa de homologar o crédito pleiteado pela Recorrente, reclamando que não fora apresentada documentação completa que comprovasse a totalidade do IRRF aproveitado em 2005. Vejam, ilustres julgadores, o absurdo que está sendo exigido da Recorrente! Com isso, o contribuinte reclama de uma superposição de auditorias fiscais. Na primeira fiscalização, não teria havido exigência quanto ao IRRF declarado e na segunda, objeto do presente processo, o IRRF foi considerado insuficientemente demonstrado. O autor entende que a nova fiscalização não é admissível, considerando que não houve alterações nessa matéria no interstício das duas fiscalizações. Verifico que essa questão não foi abordada na decisão embargada, apesar de ter sido levantada no recurso voluntário. Entendo que a apreciação dessa matéria é necessária, na medida em que é capaz de, em tese, infirmar a conclusão adotada no acórdão embargado (artigo 1.022 , par. único, II, c/c artigo 489, 1º, IV, da Lei nº 13.105, de 2015 CPC). Com isso, os embargos devem ser admitidos para que a turma julgadora se pronuncie sobre a alegada superposição de auditorias fiscais, bem como sobre seus efeitos sobre a presente lide. Conclusão Por todo o exposto, entendo que o autor não demonstrou a existência da alegada contradição relativa ao prazo decadencial na análise de DCOMP (item 1), mas demonstrou a omissão quanto ao questionamento sobre a superposição de auditorias fiscais (item 2), razão pela qual ADMITO EM PARTE os embargos de declaração em tela, em caráter definitivo, nos termos do artigo 65, caput e §3º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Fl. 2102DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.103 7 O despacho de admissibilidade admitiu os embargos em razão da omissão apontada, nos termos do artigo 65 do RICARF. Recebi os autos por sorteio em 17/05/2018. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. O presente embargos de declaração opostos pelo contribuinte foram admitidos, conforme despacho de fls. 2091 e ss, apenas em parte no que tange à seguinte omissão: Em sua segunda reclamação, o embargante afirma que a decisão embargada conteria omissão em relação ao fato de o contribuinte já ter sofrido auditoria fiscal relativa ao ano 2005, sem lançamento tributário. Tal fato seria relevante porque este teria sido o período revisto, na análise de sua DCOMP, e que teria fundamentado a sua não homologação, conforme o seguinte excerto (fls. 2086): O acórdão embargado é também omisso, vez que não se manifestou sobre a comprovada assertiva de que o ora Embargante, no ano de 2009, foi amplamente fiscalizado em relação ao anocalendário 2005, ocasião em que foi checada toda a documentação comprobatória do IRRF aproveitado, não tendo sido efetuado naquela oportunidade qualquer lançamento de oficio em relação às irregularidade no cálculo do IRPJ apontadas no presente Acórdão, e que serviram de fundamento para não reconhecer o direito creditório pleiteado. Importante consignar que a única modificação na apuração fiscal relativa ao ano base 2005 realizada após a fiscalização levada a efeito no ano de 2009, foi a exclusão da dedução da despesa com remuneração de pessoal, que havia sido equivocadamente classificada e que teve sua natureza retificada de ofício pelo Fisco. Assim, o Fisco não poderia revisar toda a apuração da Recorrente Como sabido, o próprio Código Tributário Nacional prevê a homologação do Fisco como hipótese de extinção do crédito tributário, seja ela expressa mediante uma comunicação formal neste sentido, ou ainda tácita, representada pela realização de fiscalização em determinado período, sem que haja o lançamento do crédito tributário respectivo. Verifico que essa questão foi levantada no recurso voluntário, conforme o seguinte excerto (fls. 1991): Fl. 2103DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.104 8 A esse propósito, é de se notar, inclusive, que em 2009, as autoridades fiscais já haviam fiscalizado a Recorrente para o anocalendário 2005, checando toda a documentação comprobatória do IRRF aproveitado, não tendo efetuado qualquer lançamento de oficio a esse respeito (Doc. 2 da manifestação de inconformidade MPF n° 08.1.66.002008002464, Termo de Intimação Fiscal de 09/01/2009 e Resposta à Intimação Fiscal em 19/01/2009).[grifo do original] Agora, novamente, em 2014, a fiscalização indevidamente revisa a apuração do anocalendário 2005 e deixa de homologar o crédito pleiteado pela Recorrente, reclamando que não fora apresentada documentação completa que comprovasse a totalidade do IRRF aproveitado em 2005. Vejam, ilustres julgadores, o absurdo que está sendo exigido da Recorrente! Com isso, o contribuinte reclama de uma superposição de auditorias fiscais. Na primeira fiscalização, não teria havido exigência quanto ao IRRF declarado e na segunda, objeto do presente processo, o IRRF foi considerado insuficientemente demonstrado. O autor entende que a nova fiscalização não é admissível, considerando que não houve alterações nessa matéria no interstício das duas fiscalizações. Verifico que essa questão não foi abordada na decisão embargada, apesar de ter sido levantada no recurso voluntário. Entendo que a apreciação dessa matéria é necessária, na medida em que é capaz de, em tese, infirmar a conclusão adotada no acórdão embargado (artigo 1.022 , par. único, II, c/c artigo 489, 1º, IV, da Lei nº 13.105, de 2015 CPC). Com isso, os embargos devem ser admitidos para que a turma julgadora se pronuncie sobre a alegada superposição de auditorias fiscais, bem como sobre seus efeitos sobre a presente lide. Inicialmente cabe ressaltar que esse ponto foi também levantado pelo contribuinte em sede de impugnação, porém a DRJ igualmente não analisou de forma explícita. Veja estas linhas, quando ele faz a diferenciação entre os procedimentos de lançamento, de homologação de compensações declaradas, e análise do direito creditório pleiteado: Outro problema a ser apreciado é se o lançamento de ofício, para retificação da base de cálculo do imposto ou contribuição seria necessário para conferir fundamento de validade ao ato de não reconhecimento do direito creditório. O lançamento de ofício, apesar de ser um ato necessário à constituição do crédito tributário, não se configura imprescindível para a determinação da certeza e liquidez do crédito invocado em favor do contribuinte. Dito por outras palavras: não é porque não houve lançamento de ofício em relação a determinado período de apuração do tributo ou contribuição, que estaria homologado o direito creditório relativo ao saldo negativo demonstrado na DIPJ ou ao alegado pagamento indevido ou a maior, independentemente de qualquer verificação. (gn) Fl. 2104DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.105 9 Na verdade, com o transcurso do prazo decadencial previsto nos arts. 150, §4º ou 173, I, do CTN apenas o dever/poder de constituir o crédito tributário estaria obstado, tendo em conta que a decadência é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (art. 156, V e VII do CTN). Todavia, não se pode inferir, a partir daí que, com o transcurso do prazo decadencial para efetuar o lançamento, estariam tacitamente homologados quaisquer outros fatos jurídicos tributários que pudessem repercutir em períodos de apuração futuros. Digo isso porque a relatora do acórdão ao analisar a questão da decadência e liquidez, o faz de forma similar, segundo os trechos abaixo colacionados: Alega também a recorrente ter ocorrido a decadência do direito do Fisco de, a pretexto de verificar a existência de imposto a restituir/compensar, reabrir a análise de fatos ocorridos em períodos decaídos, sob o argumento de que não teriam sido comprovados os valores de IRRF aproveitados no ano de 2005. Acrescenta que o IRRF sobre remessas de rendimentos para sucursais no exterior aproveitado no anocalendário de 2005 referiase a imposto retido em diversos anoscalendário anteriores,no período de 1998 a 2005, e que deixar de considerar valores de IRRF aproveitados em período passado e alcançado pela decadência, equiparase a lançar valores naquele período. A investigação da origem do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ apurado em 31/12/2005 e pago em 24/02/2006 tratase de análise não sujeita aos prazos decadenciais previstos no CTN. O prazo decadencial de cinco anos previsto no § 4º do art. 150 do CTN, para o tributos sujeitos aos lançamentos por homologação, aplicase às investigações em que a autoridade fiscal verifica a apuração efetuada pelo sujeito passivo e, discordando do tributo por ele apurado, constitui o lançamento de ofício. Na análise dos pedidos de ressarcimento/compensação, a investigação da autoridade fiscal tem por escopo verificar a certeza e liquidez do crédito tributário, requisito necessário ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN: (...) O ônus da prova do direito creditório é do contribuinte, por outro lado, o Fisco tem o prazo de cinco anos, contados da data de entrega da Declaração de Compensação, conforme o § 4º, do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para promover a análise e homologar o crédito pleiteado pelo contribuinte, sob pena de ocorrer a homologação tácita. (...) No caso concreto, a contribuinte foi cientificada do despacho decisório que promoveu a análise das declarações de compensação apresentadas em 30/09/2011, em 13/06/2014, conforme Termo de Ciência de Decurso de Prazo (fls. 1.786), ou seja, antes do prazo previsto para homologação tácita. Assim, procedeu corretamente a fiscalização ao verificar a certeza e liquidez do crédito e efetuar o ajustes necessários à correta apuração do valor a ser restituído/compensado. Fl. 2105DF CARF MF Processo nº 16327.720268/201422 Acórdão n.º 1301003.509 S1C3T1 Fl. 2.106 10 Novamente, ressalto aqui, que revendo tanto as decisões da DRJ quanto da Relatora a quo não vejo omissão no que tange ao entendimento de que por se tratar de pedido de restituição e de compensação, segundo o entendimento deles, abrese a possibilidade do fisco de se analisar a sua liquidez e certeza e nessa linha de argumentação, ainda que o contribuinte tenha sido fiscalizado em 2009 acerca do período de 2005 e o procedimento fiscal tenha findado sem lançamentos, ao se proceder nos pedidos de restituição e de compensação, cabe ao Fisco aferir a liquidez e certeza dos créditos e dessa forma não haveria que se falar em superposição de auditorias fiscais. E dessa forma, não haveria que se falar em omissão do acórdão embargado. E sim, talvez de obscuridade, e dessa forma entendo que aclarada, no sentido acima mencionado. Conclusão Em conclusão, por todo o exposto, voto em conhecer dos presentes embargos, para sanar a obscuridade apontada, sem efeitos infringentes. (Assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 2106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910614/2015-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/11/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/11/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10680.910614/2015-38
anomes_publicacao_s : 201812
conteudo_id_s : 5940372
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-005.282
nome_arquivo_s : Decisao_10680910614201538.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : WINDERLEY MORAIS PEREIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10680910614201538_5940372.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7551313
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:33:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051150614265856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1538; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2 1 1 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.910614/201538 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3301005.282 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de setembro de 2018 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente MRV ENGENHARIA E PARTICIPACOES SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/11/2011 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 14 /2 01 5- 38 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.513. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910614/201538 Acórdão n.º 3301005.282 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.729781/2012-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2007
RECEITAS. POLÍTICA EMPRESARIAL.
Movimentação de recursos entre empresas vinculadas, visando ao equilíbrio financeiro e manutenção da rentabilidade do grupo, se traduzem em receitas para a unidade que os recebe e, portanto, são tributáveis pelo PIS e COFINS.
Sendo receita o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, o procedimento em análise tem natureza de Receita.
Numero da decisão: 3302-006.033
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad que davam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: Relator
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201810
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2007 RECEITAS. POLÍTICA EMPRESARIAL. Movimentação de recursos entre empresas vinculadas, visando ao equilíbrio financeiro e manutenção da rentabilidade do grupo, se traduzem em receitas para a unidade que os recebe e, portanto, são tributáveis pelo PIS e COFINS. Sendo receita o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, o procedimento em análise tem natureza de Receita.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10880.729781/2012-55
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5930300
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3302-006.033
nome_arquivo_s : Decisao_10880729781201255.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : Relator
nome_arquivo_pdf_s : 10880729781201255_5930300.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
id : 7529699
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:32 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051150652014592
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1477; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.729781/201255 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.033 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de outubro de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente NOKIA SIEMENS NETWORKS DO BRASIL SISTEMAS DE COMUNICACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 RECEITAS. POLÍTICA EMPRESARIAL. Movimentação de recursos entre empresas vinculadas, visando ao equilíbrio financeiro e manutenção da rentabilidade do grupo, se traduzem em receitas para a unidade que os recebe e, portanto, são tributáveis pelo PIS e COFINS. Sendo receita o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, o procedimento em análise tem natureza de Receita. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad que davam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 97 81 /2 01 2- 55 Fl. 2865DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório Aproveitase o Relatório apresentado no Acórdão de Recurso Voluntário: Versa o presente sobre autos de infração, lavrados em 29/04/2012 (fls. 2376 a 2381 e 2382 a 2387)1 para exigência, respectivamente, de Contribuição para o PIS/PASEP (em relação a fatos geradores de 31/10/2007 e 31/12/2007, acrescida de juros de mora e multa de 75%, no total de R$ 4.406.913,92) e COFINS (em relação aos mesmos fatos geradores, e em total, acrescido de juros de mora e multa de 75%, de R$ 20.298.512,56. Ambas as contribuições são exigidas na sistemática da não cumulatividade, em função de omissão de receitas sujeitas à incidência das contribuições. No Termo de Constatação e Encerramento (TCE) da fiscalização narrase que: ü o objeto da ação fiscal foi a verificação do cumprimento das obrigações tributárias decorrentes das regras de preços de transferência dos produtos importados no ano de 2007 (constantes no processo administrativo n 16561.720094/201263), e, como decorrência, apurou se também o auferimento de receita que não foi incluída nas bases de cálculo da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP; ü a Nokia Siemens Networks do Brasil Sistema de Comunicações LTDA (NOKIA COMUNICAÇÕES) firmou contrato de distribuição com a Nokia Siemens Networks OY (NOKIA FINLÂNDIA), versando sobre a política de preços praticados entre as partes e sua observância no que concerne às regras de preços de transferência; ü com base no acordo, a NOKIA FINLÂNDIA enviou à sua coligada brasileira R$ 119.731.344,20, mediante a emissão de notas de crédito, tendo a NOKIA COMUNICAÇÕES anotado em sua contabilidade que deste total, R$ 49.030.217,04 destinavamse a cobrir eventuais ajustes de preços de transferência na aquisição de programas de computador, sendo o restante da remessa para compensar ajustes relativos a compras de produtos; ü na elaboração dos cálculos de preços de transferência dos bens importados, a NOKIA COMUNICAÇÕES apurou ajuste de R$ 6.483.754,35; ü questionada sobre as substanciais diferenças, em Intimação (07/2012), a empresa respondeu basicamente Fl. 2866DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 3 3 que eram devidos a contrato com a Claro (operadora de telefonia celular); ü ao ser solicitada memória de cálculo dos preços detransferência aplicáveis aos programas de computador adquiridos de vinculadas no exterior, a empresa alegou ser incabível tal providência, posto que os direitos comprados estariam abrangidos pela exclusão prevista no § 9o do art. 18 da Lei no 9.430/1996; ü o contrato firmado entre a NOKIA FINLÂNDIA e a empresa, no entanto, possui escopo delimitado, e trata apenas da autorização para distribuição e da política de preços de transferência de bens, serviços e direitos adquiridos pela subsidiária brasileira; ü se os programas de computador não se sujeitam às normas de preços de transferência, como defende a empresa, as verbas recebidas e contabilizadas para esse fim não estão amparadas pelo contrato de distribuição e foram destinadas a outras finalidade; ü a diferença entre o ajuste apurado nas aquisições de produtos e o valor total procedente do exterior para neutralizálo igualmente não está amparada no acordo e alegadamente foi utilizada para a compra de equipamentos usados, pertencentes a uma das clientes da pessoa jurídica brasileira; e ü a NOKIA COMUNICAÇÕES optou por lançar as quantias recebidas em contas redutoras de custos, ao invés de reconhecêlas como receita, mas pela legislação que rege as contribuições (Leis no 10.637/2002 e n" 10.833/2003) tais valores constituem receita, devendo ser objeto de tributação pela Contribuição para o PIS/PASEP e pela COFINS, pois decorrem das atividades sociais da empresa, acrescentamse a seu patrimônio, e são marcadas pelo caráter da definitividade. A empresa apresenta impugnação em 30/10/2012 (fls. 2394 a 2428), alegando, em síntese, que: ü tem por objeto social a industrialização, por conta própria ou por encomenda a terceiros, comércio, importação e exportação e desenvolvimento de software e de produtos para prestação de serviços de telecomunicações; ü na consecução de suas operações, celebra contratos de fornecimento complexos, que são do interesse do grupo NOKIA SIEMENS e envolvem outras empresas estrangeiras, como o contrato assinado com empresa do grupo CLARO, com suporte da NSNOy (referida no termo como “NOKIA FINLÂNDIA”) para fornecimento Fl. 2867DF CARF MF 4 de equipamentos e prestação de serviços, inclusive licenciamento de software; ü além do suporte, a NSNOy (“NOKIA FINLÂNDIA”) assume riscos do negócio, como ajuste de preços para garantia de rentabilidade das operações da NOKIA COMUNICAÇÕES; ü ambas as empresas vinculadas (NOKIA COMUNICAÇÕES e NSNOy/NOKIA FINLÂNDIA) estão sujeitas em suas transações às normas sobre preços de transferência, mas as normas brasileiras (arts. 18 a 24 da Lei no 9.430/1996) são bem diferentes das utilizadas na Finlândia, baseadas nas Diretrizes de Preços de Transferência da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE); ü a remessa de 2007, no valor de R$ 119.731.344,20, acobertada por notas de crédito, para cumprir a ambas as regras de preços de transferência (Brasil e Finlândia), destinavase a “ajustar o excesso de custos do fornecimento de bens, serviços e softwares” da NSNOy/NOKIA FINLÂNDIA para a NOKIA COMUNICAÇÕES, como consta no contrato entregue à RFB (embora nem necessitasse haver contrato formal para tanto, visto que seu conteúdo deriva das legislações brasileira e finlandesa); ü a fiscalização entendeu que as notas de crédito não estariam enquadradas no contexto do contrato de distribuição, e que os softwares não seriam objeto das regras de preços de transferência (e efetivamente não o são na legislação brasileira, embora o sejam segundo as regras internacionais), havendo recebimento de receitas novas pela empresa, o que não procede, pois a fiscalização não compreendeu o escopo do contrato de distribuição (ignorando a Cláusula 1 e a Cláusula 4.2) e a finalidade/natureza das notas de crédito (cf. Cláusulas 2 e 3 do contrato, que fazem com que os preços atendam ao maior princípio das regras de preços de transferência arm's lenght, destacandose ainda que foram utilizadas notas de crédito porque o Tratado para Evitar Dupla Tributação entre Brasil e Finlândia não contém a cláusula do “ajuste correlato”); ü a empresa teve postura conservadora, motivando recolhimento de tributos de forma igualmente conservadora (até mesmo em excesso), para que fosse possível atender tanto a legislação brasileira quanto a finlandesa (daí a diferença de valores entre o ajuste verificado segundo o padrão brasileiro e o padrão internacional, que resultou inclusive em maior recolhimento de IRPJ e CSLL, em montante superior ao da autuação R$ 40.708.657,03); ü o art. 45 da Lei no 10.637/2002 expressamente permite o ajuste de custo para fins de preços de transferência, como já reconheceu a DRJ/SP em caso análogo; Fl. 2868DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 4 5 ü as reduções de custo não constituem receita (como já entenderam a própria RFB e o STJ), mas ainda que os valores entendidos como receita pela fiscalização, para efeitos tributação pelas contribuições, efetivamente o fossem, seria indevida qualquer das contribuições, tendo em vista serem classificadas como receitas de exportação; e ü é ilegal a incidência de juros SELIC sobre a parcela da multa cobrada, por violar o disposto no art. 61 da Lei no 9.430/1996, como já reconheceu o CARF. No julgamento de primeira instância (fls. 2715 a 2732), acordouse unanimemente pela procedência do lançamento efetuado, sob o fundamento de que a “movimentação de recursos entre empresas vinculadas, visando ao equilíbrio financeiro e manutenção da rentabilidade do grupo, se traduzem em receitas para a unidade que os recebe e, portanto, são tributáveis pelo PIS e COFINS” (sic). Conclui ainda a DRJ que “a multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita a incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento”. Destaca, em adição, a DRJ, que: (a) o contrato em análise é de 2009, enquanto as remessas se referem ao ano de 2007; (b) o ajuste permitido pelo art. 45 da Lei no 10.637/2002 é jurídico (em cumprimento às normas tributárias), e ao final do período de apuração, não guardando relação com as remessas tratadas nos autos; (c) independente da forma de contabilização, as remessas constituem receitas e são tributáveis pela legislação que rege as contribuições; e (d) as receitas não são de exportação, pois não houve qualquer bem ou serviço exportado pago pelas notas de crédito. Cientificada da decisão de piso em 07/10/2013 (cf. documento de fl. 2739), a empresa apresenta recurso voluntário em 05/11/2013 (fls. 2741 a 2788), basicamente reiterando os argumentos expostos em sua impugnação, acrescentando que: (a) a DRJ não descaracteriza os contratos por serem firmados em data posterior às remessas, e nem poderia fazêlo, seja porque não há necessidade de contrato escrito, ou ainda porque o contrato retroage a 01/01/2001, e é fruto de acordo entre empresas do grupo, que não causa prejuízo a nenhum terceiro; (b) a DRJ classifica as remessas como receita operacional (embora reconheça serem redutoras de custos), mas não detalha que tipo de receita operacional (venda de mercadoria, prestação de serviços ou mesmo financeira); (c) não há contradição entre a figura do “ajuste jurídico”, criada pela DRJ, e o ajuste de preços nas operações intergrupo (chamado na decisão de piso de “política empresarial”), sendo ambos complementares; Fl. 2869DF CARF MF 6 (d) a decisão recorrida não entendeu que o contrato de distribuição regula as operações da recorrente com sua matriz (NSNOy/”NOKIA FINLÂNDIA”) e não as operações da recorrente com seus clientes, e confunde os ajustes de preços de transferência efetuados pela recorrente em decorrência da legislação (brasileira e finlandesa) com os termos do contrato de distribuição; (e) as notas de crédito foram emitidas no âmbito de “contrato de fornecimento de compra e venda de equipamentos, licenciamento de software e prestação de serviços para rede de telecomunicações”, celebrado entre a recorrente e empresas do Grupo CLARO; (f) o ajuste de preço de transferência de 2007 foi efetuado de acordo com as regras da Finlândia, e se não houvesse sido efetuado, a recorrente teria um lucro a menor de R$ 119.731.344,20; (g) nas notas de crédito há detalhamento produto por produto do valor e do custo devolvido pela NSNOy (”NOKIA FINLÂNDIA”) para a recorrente, estando as referidas notas de crédito ainda suportadas por contratos de câmbio; (h) não há como negar que os valores recebidos decorrem de devolução parcial do preço, em razão das regras de preços de transferência; (i) mesmo que as remessas se referissem a reembolsos/compensações (como sugere a DRJ), e não a ajustes decorrentes das regras de preços de transferência, ainda assim não incidiriam as contribuições, por não se tratar de receitas, conforme entendimentos já expressos pela própria RFB e pelo CARF; e (j) para caracterização da exportação não se faz necessária a saída física das mercadorias do Brasil (sujeitandose ao controle de preços de transferência, por exemplo, as operações de “back to back”, conforme entendimento externado pela RFB). A PGFN apresenta suas contrarrazões em 12/02/2014 (fls. 2813 a 2825), sustentando que: (a) não há nulidade na decisão da DRJ; (b) a recorrente compra bens da sua controladora na Finlândia para vender no Brasil, e, em decorrência da operação realizada com empresa vinculada, passa a ter uma dívida tributária nascida em razão da legislação do preço de transferência, sendo, posteriormente, ressarcida/compensada desta dívida pela empresa no exterior; (c) assim, os recursos recebidos da NSNOy (”NOKIA FINLÂNDIA”) não poderiam ter sido contabilizados como redução de custos, já que tais recursos representam uma receita (ingresso positivo de recurso que representa aumento patrimonial) da empresa brasileira, que dela depende para equilibrar o resultado de suas atividades operacionais e apresentar lucratividade; (d) a receita não é decorrente de exportação, por não ter havido fornecimento de qualquer bem ou serviço da empresa à sua controladora estrangeira; e (e) em análise sistemática do Código Tributário Nacional, concluise que o crédito tributário engloba tanto o Fl. 2870DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 5 7 tributo quanto a multa, cabendo a incidência de juros de mora sobre ambos. Em 11 de novembro de 2014, através do Acórdão n° 3403003.383, a 4a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, não tomaram conhecimento do recurso, declinandose da competência de julgamento à Primeira Seção do CARF. Entendeu a Turma que: Pelo entrelaçamento dos procedimentos, que se mencionam reciprocamente, e são fundados em um mesmo MPF (final 001851), com um mesmo objeto de fiscalização (verificação do cumprimento da legislação referente a preços de transferência) para um mesmo período (anocalendário de 2007), tenho que se apresenta aqui caso de conexão que deslocaria a competência para a Primeira Seção de Julgamento (conforme art. 2o, IV do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF no 256/2009). A empresa NOKIA se manifestou, de folhas 2.847 a 2.850 do processo digital, no sentido de requerer a remessa dos autos para 3a Seção, como nova distribuição para julgamento por Turma veiculada aquele órgão administrativo. Em 14 de setembro de 2016, a 1a Turma Ordinária, da 4a Câmara, da 1a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em Resolução no sentido de encaminhar o processo para o Ilmo. Presidente do CARF a fim de resolver o conflito negativo ora instaurado entre a 1a e a 3a Seções de Julgamento. Em 19 de junho de 2017, diante do disposto no artigo 20, inciso IX, c/c § 7° do artigo 6°, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o seu Presidente decidiu que o pleito deverá ser julgado pela Terceira Seção de Julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 18 de outubro de 2013, por via eletrônica, às folhas 2.740 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 05 de novembro de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Fl. 2871DF CARF MF 8 ü Da natureza jurídica do contrato de distribuição firmado pela recorrente com a NSNOy e das notas de crédito emitidas pela NSNOy; ü Das críticas iniciais à decisão recorrida; ü Os valores recebidos por meio das notas de créditos são decorrentes dos ajustes de preço de transferência; ü Da necessidade de reconhecimento da aplicação do art. 45 da Lei n° 10.637/02 ajustes de preço de transferência são redutores de custo; ü Dos efeitos fiscais do procedimento adotado pela Recorrente majoração do pagamento de IRPJ e CSLL; ü Do conceito de receita base de cálculo do PIS e da COFINS inexistência de receitas operacionais; ü Da impossibilidade da incidência do PIS e da COFINS sobre reembolsos; ü Do posicionamento da Receita Federal do Brasil e do STJ o PIS e a COFINS não incidem sobre despesas recuperadas; ü Devese reconhecer que os valores recebidos pela recorrente são receitas de exportação; ü Da ilegalidade da incidência de juros SELIC sobre a parcela da multa. Passase à análise. A NSNOy emitiu as seguintes notas de crédito em favor da Recorrente: As referidas notas de crédito foram emitidas no âmbito dos seguintes Contratos: Ø Contrato do Fornecimento de Compra e Venda de Equipamentos, Licenciamento de Software e Prestação de Serviços para Rede de Telecomunicações que a Recorrente, à época sob a denominação social de Nokia do Brasil Ltda., assinou com a Americel S/A e BCP S/A, empresas que do Grupo Claro, o qual previa fornecimentos do valor de USD 200.000.000,00 (duzentos milhões de dólares) no período de 3 anos; e Fl. 2872DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 6 9 Ø Contrato de Fornecimento de Bens e Serviços relativos ao Suprimento e Implementação de Sistema de Telefonia GSM, celebrado entre a Recorrente e a TIM Celular S/A e a TIM Nordeste S/A. Passa a ser o propósito desse VOTO analisar a natureza jurídica desses recursos. Da natureza jurídica do contrato de distribuição firmado pela recorrente com a NSNOy e das notas de crédito emitidas pela NSNOy É alegado nos itens 34 a 36 do Recurso Voluntário: Da leitura das duas cláusulas acima, fica clara a preocupação da Recorrente e da NSNOy em atender as regras de preços de transferência. Isso porque, a cláusula 2 (Preços) exige que os preços atendam o maior princípio das regras de preços de transferência, qual seja, o princípio arm's lenght (traduzida no contrato como padrão de plena concorrência). E para evitar possíveis distorções nos preços de transações entre partes relacionadas, a Cláusula 3 determina que caso haja alguma outra distorção nas margens de lucratividade, a NSNOy deve devolver determinado montante, de modo que a lucratividade da Recorrente no Brasil atenda as regras internacionais de preços de transferência. Dentro desse contexto, como será melhor detalhado abaixo, as notas de crédito recebidas pela Recorrente, no ano de 2007, tinham como objetivo recompor os ajustes de preços de transferência decorrentes das operações praticas com a NSNOy com base no Contrato de Distribuição. E conclui no item 38: Ocorre que, uma vez reconhecido que os valores recebidos pela Recorrente são decorrentes do Contrato de Distribuição, a presente autuação deveria ser cancelada, como se passa a demonstrar. O termo “preço de transferência” tem sido utilizado para identificar os controles a que estão sujeitas as operações comerciais ou financeiras realizadas entre partes relacionadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, ou quando uma das partes está sediada em paraíso fiscal. Em razão das circunstâncias peculiares existentes nas operações realizadas entre essas pessoas, o preço praticado nessas operações pode ser artificialmente estipulado e, consequentemente, divergir do preço de mercado negociado por empresas independentes, em condições análogas ‐ preço com base no princípio arm’s length. Fl. 2873DF CARF MF 10 O controle fiscal dos preços de transferência se impõe em função da necessidade de se evitar a perda de receitas fiscais. Essa redução se verifica em face da alocação artificial de receitas e despesas nas operações com venda de bens, direitos ou serviços, entre pessoas situadas em diferentes jurisdições tributárias, quando existe vinculação entre elas, ou ainda que não sejam vinculadas, mas desde que uma delas esteja situada em país ou dependência com tributação favorecida ou goze de regime fiscal privilegiado. Diversos países vêm instituindo esse controle como medida de salvaguarda de seus interesses fiscais, haja vista a constatação de manipulação dos preços por empresas interdependentes em transações internacionais, com o inequívoco objetivo de usufruir de regimes tributários mais favoráveis. Assim, ocorre a transferência de renda de um Estado para outros que oferecem alíquotas inferiores ou concedem isenções, por intermédio da manipulação dos preços praticados na exportação e na importação de bens, serviços e direitos. Em nosso auxílio, contribuição precisa do Acórdão de Impugnação, folhas 14: No sentido de política empresarial, temse a prática comum adotada entre empresas de mesmo grupo com unidades sediadas em diferentes países, de atribuição de valores diferentes dos de livre mercado às operações comerciais e financeiras envolvendo bens, serviços e direitos transacionados entre as empresas vinculadas, visando a um melhor resultado do grupo. Mesmo que uma das partes seja prejudicada em seu resultado em função da melhora do resultado de outra. O objetivo é maximizar o lucro, otimizar a alocação dos recursos financeiros, ganhar e garantir mercados, melhorar a performance e a rentabilidade do grupo como um todo, além de atender às exigências legais de diferentes países e buscar minimizar a incidência tributária sobre os resultados do grupo. “A constatação desse fenômeno origina o controle tributário dos preços de transferência, ou seja, a elaboração de normas tributárias voltadas para a correção de distorções no lucro contabilizado e, conseqüentemente, na base de cálculo do imposto de renda, em virtude de um super ou subfaturamento das transações transfronteiriças entre partes nãoindependentes.” In: PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA E PRESERVAÇÃO DA BASE TRIBUTÁRIA PARA O DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL Maria de Fátima Ribeiro e Carolina Spack Kemmelmeier. (www.conpedi.org.br/manaus/arquivos/ anais/XIVCongresso/201.pdf) “O controle fiscal dos preços de transferência se impõe em função da necessidade de se evitar a perda de receitas fiscais. Essa redução se verifica face a alocação artificial de receitas e despesas nas operações com venda de bens, direitos ou serviços, entre pessoas vinculadas, situadas em diferentes jurisdições tributárias.” Perg/Resp 805, http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2003/Pe rgResp2003/pr805a864.htm . grifei. Fl. 2874DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 7 11 A legislação tributária brasileira sobre preços de transferência aplicase ao Imposto de renda e à contribuição social sobre o lucro líquido. Consiste na apuração de um preço parâmetro por métodos determinados em lei, na comparação deste com o preço efetivamente praticado na “transferência”, e, caso diferentes, no ajuste artificial do lucro líquido da empresa para fins de tributação. O ajuste para fins tributários, tratase apenas de ajuste jurídico. Não estão envolvidos ajustes de recursos. Alguns doutrinadores falam mesmo em “fato gerador fictício”. O Acórdão de Impugnação também trouxe a legislação aplicável ao caso: LEI n° 10.637, DE 30 DE DEZEMBRO DE 2002. Art. 45. Nos casos de apuração de excesso de custo de aquisição de bens, direitos e serviços, importados de empresas vinculadas e que sejam considerados indedutíveis na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, apurados na forma do art. 18 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a pessoa jurídica deverá ajustar o excesso de custo, determinado por um dos métodos previstos na legislação, no encerramento do período de apuração, contabilmente, por meio de lançamento a débito de conta de resultados acumulados e a crédito de: I conta do ativo onde foi contabilizada a aquisição dos bens, direitos ou serviços e que permanecerem ali registrados ao final do período de apuração; ou II conta própria de custo ou de despesa do período de apuração, que registre o valor dos bens, direitos ou serviços, no caso de esses ativos já terem sido baixados da conta de ativo que tenha registrado a sua aquisição. “ ROTEIRO FEDERAL 2012/3902 IRPJ e CSLL Preços de transferência Controle fiscal Roteiro de procedimentos (...) III.1.4 Preço parâmetro x Preço praticado Ajustes e contabilização Após apurados por um dos métodos de importação, os preços a serem utilizados como parâmetro, nos casos de importação de empresas vinculadas, serão comparados com os constantes dos documentos de aquisição. A parcela dos custos que exceder ao valor determinado por um dos métodos aqui referidos, deverá ser adicionada ao lucro líquido, para determinação do lucro real. O valor resultante do excesso de custo, despesas ou encargos, considerado indedutível na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, será ajustado contabilmente por meio de Fl. 2875DF CARF MF 12 lançamento a débito de conta de resultados acumulados do patrimônio líquido e a crédito de: a) conta do ativo onde foi contabilizada a aquisição dos bens, direitos ou serviços e que permanecerem ali registrados ao final do período de apuração; ou b) conta própria de custo ou de despesa do período de apuração, que registre o valor dos bens, direitos ou serviços, no caso de já terem sido baixados da conta de ativo que tenha registrado a sua aquisição (art. 45 da Lei n° 10.637 de 2002). Na prática, as empresas acabam por fazer esses ajustes via Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Ou seja, na apuração do resultado do ano calendário, faz se uma adição no LALUR, sem alterar a contabilidade. Mesmo porque, os ajustes realizados na contabilidade infringem princípios contábeis como, por exemplo, o Princípio do Custo como Base de Valor. Como visto, a aplicação do preço de transferência implica, unicamente, em ajustar artificialmente o lucro líquido apurado a de terminado valor esperado. Um procedimento meramente jurídico totalmente desvinculado com a movimentação de recursos. Por sinal, a redação do artigo 45 da Lei n° 10.637/2002 reforça esse entendimento. O Recorrente gasta laudas consideráveis do Recurso Voluntário em tentar encaixar o procedimento em análise remessa de dinheiro da Nokia Finlândia para a Nokia Comunicações – nesse artigo, mas entende que esse esforço é em vão, pois o artigo transcrito lida estritamente com procedimentos contábeis e não com remessas de recursos que implicam em aumento do caixa. O propósito do presente tópico é investigar a natureza jurídica do contrato de distribuição, cujo objetivo, nas palavras do próprio Recorrente, é evitar possíveis distorções nos preços de transações entre partes relacionadas, através da devolução de determinado montante pela NSNOy, de modo que a lucratividade da Recorrente no Brasil atenda as regras internacionais de preços de transferência. Contudo, essa prática é incompatível com o conceito de “preço de transferência”. Isso porque, como exposto, “preço de transferência” é um ajuste contábil para efeitos tributários, sem qualquer repercussão na movimentação de recursos, enquanto que o procedimento ora em análise possui por principal propósito a própria movimentação de recursos, o que confere total incompatibilidade. Assim, a denominação que se vale a empresa NOKIA para se referir ao procedimento em questão é imprecisa. Por previsão contratual cláusulas citadas e transcritas no Auto de Infração, na impugnação e no Recurso Voluntário os valores recebidos em dinheiro, através das notas de crédito, da Nokia Finlândia tem por finalidade a garantia do equilíbrio financeiro e da rentabilidade da Nokia Comercial. Essa busca pela garantia do equilíbrio financeiro e da rentabilidade não visa qualquer ajuste contábil, mas sim aportes de recursos em caixa, tal qual descrito no Acórdão de Impugnação, às folhas 14: Fl. 2876DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 8 13 "Como visto, no caso em tela, a prática de política empresarial do grupo NokiaSiemens resultou na remessa de dinheiro da Nokia Finlândia para a Nokia Comunicações, através de notas de crédito. Efetivamente, entrou dinheiro no caixa da Nokia Comunicações, sendo contabilizado, no entanto, não como receita, mas em conta redutora de custos. Portanto, resta claro que a natureza jurídica do contrato de distribuição firmado pela recorrente com a NSNOy e das notas de crédito emitidas pela NSNOy não é a de “preço de transferência”. No mais, como demonstrado, a legislação brasileira exige determinados requisitos para o reconhecimento do “preço de transferência” que não foram observadas. Isso porque, tais valores deveriam ser contabilizados como redutores de custos, conforme previsto pelo art. 45 da Lei n° 10.637/02. Das críticas iniciais à decisão recorrida. É alegado nos itens 46 do Recurso Voluntário: Inicialmente, afirma a r. decisão que: "estamos falando em re111messas de dinheiro recebidas em 2007. O contrato apresentado é datado de 2009, portanto, posterior às remessas. Fato, no minimo, curioso". O que se observa do trecho acima é que a r. decisão recorrida não descaracteriza o contrato de distribuição pelo motivo de ter sido firmado apenas em 2009, isto é, posteriormente ao recebimento das notas de crédito objeto da presente autuação (2007). Não obstante esse fato, para que não fique nenhuma dúvida quando do julgamento pelo E. CARF, a Recorrente destaca que o contrato de distribuição jamais poderia ser descaracterizado apenas pelo motivo de ter sido assinado posteriormente ao recebimento das notas de crédito. Primeiro porque, o Contrato de Distribuição (doc. 04 da Impugnação), apesar de ter sido assinado em 01/01/2009, estabelece que o referido acordo retroage a 01/01/2001. Em relação à existência da cláusula de retroatividade, nada há que se falar, uma vez que se trata de um acordo entre empresas do grupo e que não causa prejuizo a nenhum terceiro. Segundo porque, o contrato firmado pela Recorrente tem como objetivo a busca pelo valor de preço justo entre partes relacionadas, isto é, o "arm' s lenght". A Recorrente e a NSNOY optaram pela celebração do contrato de distribuição para evidenciar a terceiros (e.g. Fisco, acionistas) a observância das melhores práticas nas transações realizadas entre a Recorrente e a NSNOy, a qual inclui a observância das regras de preços de transferência (assunto de interesse da Receita Federal do Brasil e do fisco finlandês) . Fl. 2877DF CARF MF 14 E, nesse sentido, como é sabido, a aplicabilidade das regras de preços de transferência, tanto no Brasil como na Finlândia, independem de contrato escrito para serem aplicáveis. Independente da existência ou não de contrato, as referidas regras são plenamente aplicáveis às transações entre partes vinculadas (i.e. a Recorrente e a NSNOy). Dessa forma, como bem reconhecido pela decisão da DRJ, a retroatividade do contrato de distribuição firmado pela Recorrente e pela NSNOy não é causa para descaracterização do referido contrato. De fato. Tanto no Acórdão de Impugnação como no presente VOTO, o fato do Contrato de Distribuição ter sido assinado em 01/01/2009, constando cláusula de retroatividade onde é estabelecido que o referido acordo retroage a 01/01/2001 não afetou estes Juízos para fins de descaracterização da natureza jurídica pretendida, até mesmo porque, como visto, o procedimento em análise e o conceito de "preço de transferência" se mostram incongruentes. Contudo, é de se estranhar a elaboração do contrato, ainda mais com cláusula retroativa, na busca pela garantia do equilíbrio financeiro e da rentabilidade que redunda na prática em aportes de recursos em caixa da empresa NOKIA DO BRASIL. E as indagações que surgem são as seguintes: Ø O desequilíbrio financeiro e de rentabilidade só surgiram no ano de 2009? Ø Se eles preexistiam a essa data, e pessoalmente estou certo disso, porque esse contrato não foi feito antes? Ø Seria essa uma tentativa de amoldar os aportes de recursos em caixa em favor da empresa NOKIA DO BRASIL, face ao conceito amplo de receita, previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03? Essas questões ainda serão enfrentadas no presente VOTO. Os valores recebidos por meio das notas de créditos são decorrentes dos ajustes de preço de transferência; É alegado nos itens 60 a 62 do Recurso Voluntário: Como ficou amplamente demonstrado na Impugnação, os valores recebidos pela Recorrente por meio das notas de crédito são decorrentes do ajuste de preço transferência realizado de acordo com as normas da Finlândia. Nesse sentido, demonstrouse que os valores recebidos pela Recorrente teriam como objetivo recompor os custos da Recorrente e, consequentemente da margem de lucro, conforme previsto pela legislação que rege o preço de transferência. Ocorre que, no entendimento da r. decisão recorrida, os valores recebidos pela Recorrente seriam compensações financeiras que teriam o objetivo de manter a rentabilidade e a lucratividade do grupo NokiaSiemens como um todo de acordo com a politica Fl. 2878DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 9 15 empresarial adotada e, por isso, não se caracterizariam como ajuste de preços de transferência nos termos da legislação brasileira: Nessa mesma linha, os itens 73 a 75 do Recurso Voluntário: A r. decisão confunde os ajustes de preços de transferência efetuados pela Recorrente que são obrigações impostas pela legislação brasileira e pela legislação finlandesa com os termos de o Contrato de Distribuição, o qual determina que os preços de mercado devem respeitar os parâmetro de mercado (princípio arm 's lenght) apenas e tão somente por políticas internas. É de conhecimento público que as regras brasileiras de preços de transferência são completamente diferentes do padrão internacional de preços de transferência estipulado pela OCDE, o qual é adotado, especialmente quando tratamos do método de Preço de Revenda Menos Lucro ("PRL"), que é o método utilizado pela Recorrente no controle de preços de transferência nas importações. De forma resumida, o padrão brasileiro adota margens mínimas de lucratividade fixas, ao passo que o padrão internacional da OCDE, o qual é utilizado na Finlândia, adota margens próprias para cada atividade econômica, calculadas com base em pesquisa de mercado e levando em consideração as particularidades de cada empresa. Cabe ainda esclarecer que o padrão OCDE é adotada de forma global pelo Grupo Nokia Siemens, tanto que Contrato de Distribuição (doc. 04) possui um anexo que detalhada as políticas de preços de transferência do grupo, baseadas na OCDE. Essa mesma questão é retomada no item 89 do Recurso Voluntário: 89. Ocorre que, o ajuste do preço de transferência, nas operações praticas com a NSNOy, no ano de 2007, foi feito de acordo com as regras da Finlândia. Isso porque, o grupo econômico Nokia Siemens se utiliza das regras da Finlândia para aplicação dos ajustes necessários nos preços de transferência, como forma de evitar distorções na lucratividade do grupo como um todo. Nesse diapasão, um outro aspecto a se considerar é o disposto no artigo 123 do Código Tributário Nacional: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Reforçase o entendimento de que a alegação de natureza jurídica de "preço de transferência" já foi afastada, denominação essa tida por incoerente. No mais, independentemente das disposições contratuais estabelecidas entre as empresas, o Fl. 2879DF CARF MF 16 procedimento deve ser analisado frente a legislação brasileira; particularmente em relação ao artigo 3o da Lei 10.637/02 e 10.833/03. É alegado nos itens 67 e 68 do Recurso Voluntário: (...) "Preços de transferência praticados em unidades de venda são calculados de maneira que eles forneçam para a unidade de venda uma compensação de plena concorrência para as funções desempenhadas , valor agregado, riscos realizados e bens empregados pelas unidades de venda. As unidades de venda comercializam os produtos a um preço de revenda menos o preço de transferência. 0 preço de revenda menos o preço de transferência será ajustado de acordo com o desenvolvimento do nível de preço no mercado e assim, o risco de preço fica a cargo da NSN Oy ou da unidade de fabricação sob licença. Para fins fiscais, o resultado dos preços de transferência é avaliado com base no nível de lucro operacional sobre os padrões de relatórios do IFRS (Normas internacionais de contabilidade) com o objetivo de garantir uma medição igual e de maneira global no grupo NSN. Assim, quando verificado que o preço praticado pela NSNOy com a Recorrente for superior ao preço de mercado, devese aplicar as regras de preço de transferência, conforme diretrizes firmadas no contrato de distribuição no item acima. O objetivo do item 4.2 do anexo 1 do contrato de distribuição é garantir que os preços praticados pelas partes vinculadas do grupo NokiaSiemens estejam de acordo com o "arm's length". Incoerente a denominação de "preço de transferência" para a descrição do procedimento. O que ocorre é a previsão contratual de recebimento de valores, através das notas de crédito, da Nokia Finlândia para a garantia do equilíbrio financeiro e da rentabilidade da Nokia Comercial. Conceito de Receita. Base de cálculo do PIS e da COFINS. Salientase que a recorrente é sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições e aos comandos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, cujas redações em 2009 eram as abaixo transcritas: Lei nº 10.637/2002: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. Fl. 2880DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 10 17 § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI – não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) (a Lei nº 10.833/2003 ampliou a exclusão para "não operacionais, decorrentes da venda do ativo permanente", aplicandose ao PIS/Pasep, de acordo com o artigo 15 da referida lei) Lei nº 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; Fl. 2881DF CARF MF 18 III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009). (Produção de efeito). Verificase que a legislação incluiu todas as receitas no campo de incidência, sendo irrelevante para a discussão aqui travada se se tratam de receitas da atividadefim ou acessória, pois que esta matéria somente influencia quando estamos diante da análise do alcance da inconstitucionalidade do §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998, o que não é o caso dos autos. De modo geral, o artigo 1º inclui todas as receitas na base de cálculo das contribuições e elenca as exclusões desta base. Assim, a respeito de créditos presumidos de ICMS, valores recebidos a titulo de abatimento ou rebate ou descontos condicionais, bem como reembolsos de despesas não estão expressamente mencionadas nas exclusões do artigo 1º. Assim, resta verificar se estes valores se amoldam ao conceito de receita. Nesta matéria, a NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federa de Contabilidade, dispõe que Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas Fl. 2882DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 11 19 propriamente ditas como os ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecêla. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Os artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003 determinam que a incidência independe da denominação ou classificação contábil, dispondo em seu §3º sobre as receitas que não integram a base de cálculo, mencionando expressamente as reversões de provisões e as recuperações de crédito baixados como perda (que é uma recuperação de despesa), indicando a abrangência da definição de receita e a necessidade de a lei definir expressamente as exclusões. De acordo com o disposto no referido preceito legal, no âmbito do regime não cumulativo, todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, integram a base de cálculo das referidas contribuições. De outra parte, os únicos tipos de receitas excluídas da citada base cálculo são somente aquelas taxativamente especificadas no § 3º do artigo transcrito, dentre as quais, apenas as receitas provenientes de “recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas” são passíveis de dedução. O disposto no referido preceito legal ainda põe em evidência a clara opção por uma definição de base de cálculo ampliada ou alargada, incluindo todas as receitas auferidas pelo contribuinte, com exceção daquelas expressamente excluídas por lei da base de cálculo da contribuição, conforme exige o art. 97, IV, do CTN. Assim, por constituir situação excepcional, as hipóteses de exclusão da base de cálculo das referidas contribuições, explicitadas nos incisos do § 3º do art. 1º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, inequivocamente, não comportam interpretação extensiva. Em face da similitude com a natureza da receita aqui analisada, merece o destaque o disposto na alínea “b” do inciso V do § 3º do art. 1º da Lei 10.833/2003, anteriormente transcrito, que, expressamente excluiu da base de cálculo da contribuição as receitas de “recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas”, que, inequivocamente, tem natureza de recuperação de despesa ou custo anteriormente registrado na contabilidade. Ora, se dita exclusão restringiuse apenas às receitas Fl. 2883DF CARF MF 20 de “recuperações de créditos baixados”, obviamente, as demais receitas representativas de recuperação de despesas ou de custos não podem ser excluídas da base de cálculo das citadas contribuições, a exemplo das receitas de reembolso ou recuperação de gastos com propaganda. O entendimento aqui esposado, inclusive, encontra respaldo no inciso III do art. 44 da Lei 4.506/1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), que, expressamente, reconhece como sendo integrante da receita bruta os valores provenientes das “recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões”, para fins de incidência do IRPJ, nos termos a seguir transcrito: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Para recorrente, os ganhos obtidos a título de reembolso ou recuperação de gastos com verbas de propagandas não eram receita, logo não poderiam compor a base de cálculo das referidas contribuições. No entendimento da recorrente, receita seria apenas a entrada de recursos que se integrava ao patrimônio como elemento positivo, sem qualquer reservas ou condições. Logo, não eram consideradas receitas as entradas financeiras que não representassem fatos modificativos do patrimônio. O conceito pessoal de receita apresentado pela recorrente, evidentemente, não se equivale ao conceito de receita utilizado como base de cálculo das contribuições, que tem por fundamento o disposto na legislação tributária e societária, bem como as definições veiculadas pelas normas contábeis editadas pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC). Previamente, cabe ressaltar que, como as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que instituíram o regime de incidência não cumulativa das referida contribuições, foram editadas após a vigência da nova redação a alínea “b” do inciso I do artigo 195 da CF/1988, dada pela Emenda Constitucional 20/1998, que acrescentou a receita como base de cálculo das contribuições, não se aplica ao caso em tela, o entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento dos Recursos Extraordinários (RREE) nºs 346.084, 358.273, 357.950 e 390.840, em que declarada a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/1998, na parte em que acrescentou receitas diversas daquelas do produto da venda de mercadoria, de mercadoria e serviços e de serviço de qualquer natureza ao conceito de receita bruta ao contribuinte. Previamente, cabe esclarecer que, na legislação tributária, não se encontra a definição do conceito de receita. Por se tratar de um conceito eminentemente contábil, utilizado pela legislação tributária, a definição que melhor representa o conceito de receita, inequivocamente, é que aquele veiculado pelas normas contábeis editadas pelo CFC, de obediência obrigatória por todo o profissional que atua na área contábil. E no âmbito das referidas normasn contábeis, a definição de receita encontrase estabelecida no item 7 da Resolução CFC 1.412/20121, que deu nova redação à “NBC TG 30 – Receitas”, com os seguintes dizeres: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da 1 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1412.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. Fl. 2884DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 12 21 entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. No “Apêndice A Definição de termos” da Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TG 472, de 25 de novembro de 2016, vigente a partir de 1/1/2018, a definição de receita passou ter a seguinte redação: Aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil, originado no curso das atividades usuais da entidade, na forma de fluxos de entrada ou aumentos nos ativos ou redução nos passivos que resultam em aumento no patrimônio líquido, e que não sejam provenientes de aportes dos participantes do patrimônio. Com mais detalhes, a referida definição também encontrase estabelecida na Norma Brasileiro da Contabilidade, que dispõe sobre a Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório ContábilFinanceiro (NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL), aprovada pela Resolução CFC 1.374/20113, a seguir reproduzido: 70. Receitas e despesas são definidas como segue: (a) Receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultem em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade; e (b) Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída de recursos ou redução de ativos ou incremento em passivos, que resultem em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição aos proprietários da entidade. 71. As definições de receitas e despesas identificam os seus aspectos essenciais, mas não especificam os critérios que precisam ser satisfeitos para que sejam reconhecidas na demonstração do resultado. Os critérios para o reconhecimento das receitas e despesas são comentados nos itens 82 a 98. 72. As receitas e despesas podem ser apresentadas na demonstração do resultado de diferentes maneiras, de modo que prestem informações relevantes para a tomada de decisões. Por exemplo, é prática comum distinguir entre receitas e despesas que surgem no curso das atividades usuais da entidade e as demais. Essa distinção é feita porque a fonte de uma receita é relevante na avaliação da capacidade que a entidade tenha de gerar caixa ou equivalentes de caixa no futuro; por exemplo, receitas oriundas de atividades eventuais como a venda de um investimento de longo prazo normalmente não se repetem numa base regular. Nessa distinção, devese levar em conta a natureza da entidade e suas operações. Itens que resultam das atividades 2 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG47.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 3 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1374.pdf> Acesso em 21 mar. 2017. Fl. 2885DF CARF MF 22 ordinárias de uma entidade podem ser incomuns em outras entidades. 73. A distinção entre itens de receitas e de despesas e a sua combinação de diferentes maneiras também permitem demonstrar várias formas de medir o desempenho da entidade, com maior ou menor abrangência de itens. Por exemplo, a demonstração do resultado pode apresentar a margem bruta, o lucro ou prejuízo das atividades ordinárias antes dos tributos sobre o resultado, o lucro ou o prejuízo das atividades ordinárias depois desses tributos e o lucro ou prejuízo líquido. Receitas 74. A definição de receita abrange tanto receitas propriamente ditas como ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias de uma entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e aluguéis. 75. Ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos e, como tal, não diferem, em natureza, das receitas. Conseqüentemente, não são considerados como um elemento separado nesta Estrutura Conceitual. 76. Ganhos incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos nãocorrentes. A definição de receita também inclui ganhos não realizados; por exemplo, os que resultam da reavaliação de títulos negociáveis e os que resultam de aumentos no valor de ativos a longo prazo. Quando esses ganhos são reconhecidos na demonstração do resultado, eles são usualmente apresentados separadamente, porque sua divulgação é útil para fins de tomada de decisões econômicas. Esses ganhos são, na maioria das vezes, mostrados líquidos das respectivas despesas. 77. Vários tipos de ativos podem ser recebidos ou aumentados por meio da receita; exemplos incluem caixa, contas a receber, mercadorias e serviços recebidos em troca de mercadorias e serviços fornecidos. A receita também pode resultar da liquidação de passivos. Por exemplo, a entidade pode fornecer mercadorias e serviços a um credor em liquidação da obrigação de pagar um empréstimo. [...] (grifos não originais) Com base nos textos transcritos, podese afirmar que as receitas se caracterizam pelos aumentos nos benefícios econômicos, que podem ser representados pela (i) aumento de ativos com a entrada de recursos, ou (ii) diminuição de passivos sem a saída de recursos, que resultem, nas duas hipóteses, em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de recursos aportados pelos proprietários da entidade. O conceito amplo (lato sensu) de receita compreende o conceito estrito (stricto sensu) de receita ou receita propriamente dita e os ganhos. As receitas propriamente ditas incluem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária, enquanto que os ganhos compreendem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária ou não. No mesmo sentido a abalizada doutrina de Solon Sehn, para quem: Fl. 2886DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 13 23 [...] O dispositivo [art. 1º, § 1º, da Lei 10.833/2003]deve ser interpretado conforme a Constituição, de modo que por receita se entendam apenas os ingressos de soma em dinheiro ou qualquer outro bem ou direito susceptível de apreciação pecuniária decorrente de ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo. Daí resulta que não podem ser incluídos na base de cálculo da Cofins, os ingressos que não se enquadram no conceito de receita, como as simples entradas de caixa, os reembolsos, as cauções, depósitos, os empréstimos contraídos ou amortizações dos concedidos, enfim, todas as demais somas escrituradas sob reserva de serem restituídas ou pagas a terceiro por qualquer razão de direito e as indenizações (por dano emergente) 4. (os últimos destaque não constam dos originais). Assim como o referido autor, este Relator também entende que os meros ingressos de caixa ou quaisquer outros tipos de ingresso, que não representem “alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica”, inequivocamente, não se enquadra no conceito de receita ou de receita bruta, logo, não integram a base de cálculo das referidas contribuições. Cabe ressaltar ainda que os conceitos veiculados na referida norma contábil estão em perfeita consonância com os conceitos de receita que compõem a estrutura da Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), nos termos do art. 187 da Lei 6.404/1976, a seguir transcrito: Art. 187. A demonstração do resultado do exercício discriminará: I a receita bruta das vendas e serviços, as deduções das vendas, os abatimentos e os impostos; II a receita líquida das vendas e serviços, o custo das mercadorias e serviços vendidos e o lucro bruto; III as despesas com as vendas, as despesas financeiras, deduzidas das receitas, as despesas gerais e administrativas, e outras despesas operacionais; IV – o lucro ou prejuízo operacional, as outras receitas e as outras despesas;(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) V o resultado do exercício antes do Imposto sobre a Renda e a provisão para o imposto; VI – as participações de debêntures, empregados, administradores e partes beneficiárias, mesmo na forma de instrumentos financeiros, e de instituições ou fundos de assistência ou previdência de empregados, que não se 4 SEHN, Solon. PISCOFINS: Não Cumulatividade e Regime de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 230. Fl. 2887DF CARF MF 24 caracterizem como despesa; (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) VII o lucro ou prejuízo líquido do exercício e o seu montante por ação do capital social. § 1º Na determinação do resultado do exercício serão computados: a) as receitas e os rendimentos ganhos no período, independentemente da sua realização em moeda; e b) os custos, despesas, encargos e perdas, pagos ou incorridos, correspondentes a essas receitas e rendimentos. Com base nesse entendimento, chegase a conclusão de que os ganhos obtidos de terceiros a título de recuperação ou reembolso de despesas, inequivocamente, representam ingressos de valores no ativo sem correspondência no passivo, o que implica aumento do patrimônio líquido. Dessa forma, se o referido valor representa ganho não decorrente da atividade principal, ele representa receita da atividade não ordinária, sob a forma de incremento do ativo e do patrimônio líquido, portanto, receita integrante da base de cálculo das contribuições. E como não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização. Face a essa exposição, passase a analisar argumentos trazidos pelo Recurso Voluntário: É alegado nos itens 94 e 95 do Recurso Voluntário: Assim sendo, não há como negar que: (i) os valores recebidos decorrem devolução parcial de preço, em razão da aplicação das regras de preços de transferência; (ii) que os valores foram efetivamente contabilizados como redução de custo, de maneira individualizada por produto fato reconhecido pela DRJ; e (iii) houve efetivo ingresso desses recursos no Brasil. Por fim, outra questão importante diz respeito à forma de implementação do ajuste de preço via notas de crédito. Considerando que a Nokia Siemens tem como prática efetivamente devolver os valores relativos a ajustes de preços de transferência, é necessário que haja um mecanismo que possa documentar essa operação para fins cambiais e contábeis. É uma forma de mascarar o aumento do patrimônio líquido, sem denominar sua causa de Receita. Não se pode denominar a prática de política empresarial do grupo Nokia Siemens, que resultou na remessa de dinheiro da Nokia Finlândia para a Nokia Comunicações, através de notas de crédito, onde efetivamente, entrou dinheiro no caixa da Nokia Comunicações, portanto aumento do patrimônio líquido, de redução de custo. Redução de custo implica em um dispêndio menor de recursos para exercer uma dada atividade que consumia, até então, um volume superior de numerário. Fl. 2888DF CARF MF Processo nº 10880.729781/201255 Acórdão n.º 3302006.033 S3C3T2 Fl. 14 25 Sendo receita o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, o procedimento em análise tem natureza de Receita. Por fim, a alegação da Recorrente de que tais receitas seriam de exportação, se revela absolutamente inócua dado que houve qualquer bem ou qualquer serviço que tenha saído do Brasil com destino à Finlândia, como muito bem apontado pelo Acórdão de Impugnação. Da possibilidade de Cobrança de Juros Moratórios sobre a Multa de Ofício. A matéria já se encontra pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através de Súmula. Súmula CARF n° 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Jorge Lima Abud. Fl. 2889DF CARF MF 26 Fl. 2890DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720131/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013, 2014, 2015, 2016
IRPF. GANHO DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS. CARACTERIZAÇÃO. ATIVIDADE RURAL. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS.
Constatada diferença positiva entre o valor de transmissão de direitos e o respectivo custo de aquisição na alienação de madeira em pé (maciço florestal) por pessoa física cessionária de direitos de propriedade, incide a apuração de ganho de capital, consoante o disposto nos arts. 21 e 22 da Lei n. 8.981/1995; art. 21 da Lei n. 7.713/1988; arts. 117 e ss. do Decreto n. 3.000/1999 - RIR/99 e Instrução Normativa SRF n. 84/2001 quando ausentes os pressupostos caracterizadores de atividade rural previstos no art. 2°. da Lei n. 8.023/1990; art. 17 da Lei n. 9.250/1995; art. 59 da Lei n. 9.430/1996; art. 58 e ss. do Decreto n. 3.000/1999 - RIR/99 - e na Instrução Normativa SRF n. 83/2001.
GANHOS DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO ZERO.
Na ausência de valor pago, o custo de aquisição de bem ou direito é igual a zero quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III do art. 18 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001.
MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CUMULATIVIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA.
A multa isolada (art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996) e a multa de ofício (ordinária de 75% ou qualificada de 150%) prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, são incomunicáveis, vez que tratam de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre base de cálculos diferentes. Destarte, não existe óbice à cumulatividade de ambas penalidades, nem tampouco há que se falar de tributação com efeito de confisco, vez que as multas em apreço foram aplicadas em percentuais estabelecidos na legislação tributária em vigor.
MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO.
A qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996, requer a identificação inequívoca, na conduta praticada pelo sujeito passivo, de sonegação, fraude ou conluio, previstas, respectivamente, nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Todavia, não se verificando fraude documental nem dolo específico para sonegação fraudulenta de tributos, e considerando-se ainda que os negócios jurídicos vinculados às infrações de ganho de capital ocorreram às claras, sem simulação ou sequer dissimulação, e com fulcro em documentos válidos em conteúdo e forma, bem assim hábeis a caracterizá-los, não há que se falar em multa qualificada.
Numero da decisão: 2402-006.717
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa, retornando seu montante ao patamar ordinário de 75%.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Luís Henrique Dias Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013, 2014, 2015, 2016 IRPF. GANHO DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS. CARACTERIZAÇÃO. ATIVIDADE RURAL. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS. Constatada diferença positiva entre o valor de transmissão de direitos e o respectivo custo de aquisição na alienação de madeira em pé (maciço florestal) por pessoa física cessionária de direitos de propriedade, incide a apuração de ganho de capital, consoante o disposto nos arts. 21 e 22 da Lei n. 8.981/1995; art. 21 da Lei n. 7.713/1988; arts. 117 e ss. do Decreto n. 3.000/1999 - RIR/99 e Instrução Normativa SRF n. 84/2001 quando ausentes os pressupostos caracterizadores de atividade rural previstos no art. 2°. da Lei n. 8.023/1990; art. 17 da Lei n. 9.250/1995; art. 59 da Lei n. 9.430/1996; art. 58 e ss. do Decreto n. 3.000/1999 - RIR/99 - e na Instrução Normativa SRF n. 83/2001. GANHOS DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO ZERO. Na ausência de valor pago, o custo de aquisição de bem ou direito é igual a zero quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III do art. 18 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CUMULATIVIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. A multa isolada (art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996) e a multa de ofício (ordinária de 75% ou qualificada de 150%) prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, são incomunicáveis, vez que tratam de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre base de cálculos diferentes. Destarte, não existe óbice à cumulatividade de ambas penalidades, nem tampouco há que se falar de tributação com efeito de confisco, vez que as multas em apreço foram aplicadas em percentuais estabelecidos na legislação tributária em vigor. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. A qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996, requer a identificação inequívoca, na conduta praticada pelo sujeito passivo, de sonegação, fraude ou conluio, previstas, respectivamente, nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Todavia, não se verificando fraude documental nem dolo específico para sonegação fraudulenta de tributos, e considerando-se ainda que os negócios jurídicos vinculados às infrações de ganho de capital ocorreram às claras, sem simulação ou sequer dissimulação, e com fulcro em documentos válidos em conteúdo e forma, bem assim hábeis a caracterizá-los, não há que se falar em multa qualificada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15868.720131/2015-79
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5929726
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2402-006.717
nome_arquivo_s : Decisao_15868720131201579.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : LUIS HENRIQUE DIAS LIMA
nome_arquivo_pdf_s : 15868720131201579_5929726.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa, retornando seu montante ao patamar ordinário de 75%. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7527379
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051150660403200
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2178; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 855 1 854 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15868.720131/201579 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.717 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 6 de novembro de 2018 Matéria IRPF Recorrente PAULO SÉRGIO FORMIGONI DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013, 2014, 2015, 2016 IRPF. GANHO DE CAPITAL. CESSÃO DE DIREITOS. CARACTERIZAÇÃO. ATIVIDADE RURAL. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS. Constatada diferença positiva entre o valor de transmissão de direitos e o respectivo custo de aquisição na alienação de madeira em pé (maciço florestal) por pessoa física cessionária de direitos de propriedade, incide a apuração de ganho de capital, consoante o disposto nos arts. 21 e 22 da Lei n. 8.981/1995; art. 21 da Lei n. 7.713/1988; arts. 117 e ss. do Decreto n. 3.000/1999 RIR/99 e Instrução Normativa SRF n. 84/2001 quando ausentes os pressupostos caracterizadores de atividade rural previstos no art. 2°. da Lei n. 8.023/1990; art. 17 da Lei n. 9.250/1995; art. 59 da Lei n. 9.430/1996; art. 58 e ss. do Decreto n. 3.000/1999 RIR/99 e na Instrução Normativa SRF n. 83/2001. GANHOS DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO ZERO. Na ausência de valor pago, o custo de aquisição de bem ou direito é igual a zero quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III do art. 18 da Instrução Normativa SRF n. 84/2001. MULTA DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CUMULATIVIDADE. EFEITO CONFISCATÓRIO. INEXISTÊNCIA. A multa isolada (art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996) e a multa de ofício (ordinária de 75% ou qualificada de 150%) prevista no art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, são incomunicáveis, vez que tratam de suportes fáticos distintos e autônomos com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre base de cálculos diferentes. Destarte, não existe óbice à cumulatividade de ambas penalidades, nem tampouco há que se falar de tributação com efeito de confisco, vez que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 31 /2 01 5- 79 Fl. 855DF CARF MF Processo nº 15868.720131/201579 Acórdão n.º 2402006.717 S2C4T2 Fl. 856 2 as multas em apreço foram aplicadas em percentuais estabelecidos na legislação tributária em vigor. MULTA QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE AO CASO CONCRETO. A qualificação da multa, nos termos do artigo 44, II, da Lei 9.430/1996, requer a identificação inequívoca, na conduta praticada pelo sujeito passivo, de sonegação, fraude ou conluio, previstas, respectivamente, nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Todavia, não se verificando fraude documental nem dolo específico para sonegação fraudulenta de tributos, e considerandose ainda que os negócios jurídicos vinculados às infrações de ganho de capital ocorreram às claras, sem simulação ou sequer dissimulação, e com fulcro em documentos válidos em conteúdo e forma, bem assim hábeis a caracterizá los, não há que se falar em multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a qualificação da multa, retornando seu montante ao patamar ordinário de 75%. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luís Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Júnior e Renata Toratti Cassini. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (efls. 787/815) em face do Acórdão n. 11 52.829 5ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (PE) DRJ/REC (efls. 760/778), que julgou parcialmente procedente a impugnação de efls. 672/693 e manteve parcialmente o crédito tributário consignado no lançamento constituído em 21/12/2015 (efl. 658) mediante o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF Exercícios: 2013, 2014, 2015, 2016 no montante de R$ 23.800.285,19 sendo R$ 8.849.237,95 de imposto (Cód. Receita 2904), R$ 1.708.990,62 de juros de mora calculados até 12/2015 e R$ 13.235.045,74 de multa proporcional calculada sobre o principal (efls. 628/644) com fulcro em i) omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada; ii) omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em reais; e iii) falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, conforme o discriminado no Relatório Fiscal (efls. 610/627). Fl. 856DF CARF MF Processo nº 15868.720131/201579 Acórdão n.º 2402006.717 S2C4T2 Fl. 857 3 Em face do Auto de Infração IRPF (efls. 628/644), o sujeito passivo, ora Recorrente, apresentou a impugnação de efls. 672/693 julgada parcialmente procedente, nos termos do Acórdão n. 1152.829 (efls. 760/778). Cientificado da decisão a quo em 13/05/2016 (efls. 760/765), o Recorrente interpôs Recurso Voluntário (efls. 787/815) na data de 14/06/2016, esgrimindo exatamente os mesmos argumentos consignados na impugnação (efls. 672/693). Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, Relator. O Recurso Voluntário (efls. 787/815) é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n. 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. O cerne da presente lide limitase à omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos, bem assim na aplicação de multa por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnê leão, vez que a infração caracterizada por omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada foi superada pela instância de piso, nos seguintes termos: "8.5 O contribuinte alega que o depósito no valor de R$ 153.781,74, se trata de levantamento de valor em processo judicial da 2a. Vara Cível da Comarca de Presidente Prudente, tendo como partes a empresa Choupana Distribuidora de Bebidas Ltda e Banco Santander Banespa Cia de Arrendamento Mercantil. Explicou que na partilha do patrimônio coube ao impugnante a propriedade da citada empresa e, assim, esse valor estaria justificado. Vêse pelos documentos acostados às fls. 433 e 434 que, de fato, a origem do recurso está devidamente comprovada. 8.6. Como os demais depósitos de origem não comprovada possuem valores que, individualmente, estão abaixo de doze mil reais e, em conjunto, não totalizam oitenta mil reais, acatase o argumento da defesa e, assim, nesta parte, o crédito tributário levantado no auto de infração com incidência de multa de ofício de 75% será cancelado." Muito bem. De plano, cabe destacar que o Recorrente não aduz novos argumentos, nem conjunto probatório, além daqueles já apreciados pela instância de piso, limitandose a reproduzir na peça recursal de efls. 787/815 os termos da impugnação de efls. 672/693 em seu inteiro teor. Nessa perspectiva, passo à análise das razões de fato e de direito em face das infrações remanescentes na lide. Fl. 857DF CARF MF Processo nº 15868.720131/201579 Acórdão n.º 2402006.717 S2C4T2 Fl. 858 4 Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos (madeiras em pé de eucaliptos) No tocante à omissão de ganho de capital relativa à alienação de madeira, consta dos autos que o Recorrente é cessionário de direitos de compra e venda de madeira em pé, havendo como cedentes as empresas Agropecuária Camburey Ltda. CNPJ 06.021.642.000153; Agropecuária Gea Ltda. CNPJ 06.021.629.000102; e Agropecuária Provanil Ltda. CNPJ 06.021.663/000179, e, na condição de interveniente a empresa Eldorado Celulose e Papel S/A, conforme Instrumento Particular de Cessão de Direitos, firmado em 28/06/2012 (efls. 381/389). Em decorrência da cessão em apreço, conferiuse ao cessionário o direito de propriedade das madeiras em pé de eucalipto plantadas na Fazenda Rio Verde, localizada em Água Clara (MS). Não obstante a argumentação do Recorrente no sentido de caracterizar a operação de alienação em tela como se atividade rural fosse, o que afastaria a incidência de tributação de ganho de capital, resta caracterizado nos autos que no anocalendário 2012, quando ocorreu a efetiva transferência do bem consubstanciado em floresta de madeira em pé de eucalipto para o Recorrente, a floresta de eucaliptos encontravase em plenas condições para exploração (corte), o que evidencia que foi plantada e cultivada pelas empresas cedentes acima discriminadas. Com efeito, a decisão recorrida elucida a questão: "9.6. Em todos esses documentos não resta dúvida que em 2012, ano da efetiva transferência do bem (floresta) para o impugnante, a madeira estava madura, pronta para a efetiva exploração (corte), como se pode vê no aditivo ao contrato com a Eldorado, no qual a madeira em pé de eucalipto foi plantada e cultivada pelas agropecuárias. (...)" Tais constatações conferem razão à Fiscalização da RFB, corroborada pela instância de piso, em descaracterizar atividade rural do Recorrente, que assim se pronuncia: 9.8. Neste ponto, não há dúvida em relação à materialidade dos fatos envolvidos. Não se trata de atividade rural do contribuinte, pois, verificase que não houve participação do contribuinte no cultivo das árvores, nem no beneficiamento da floresta. Houve ganho com a venda da madeira, tal ganho, evidentemente, deve ser tributado na forma da legislação vigente. O ganho foi em forma de bem (madeira de eucalipto), sendo este bem vendido mediante lucro. Este lucro, então, deve ser tributado, na forma da legislação vigente, como ganho de capital. 9.7. A empresa Eldorado, em resposta à intimação fiscal à fl. 515, informou que diante do contrato de cessão de direitos referidos anteriormente (letra "b", subitem Fl. 858DF CARF MF Processo nº 15868.720131/201579 Acórdão n.º 2402006.717 S2C4T2 Fl. 859 5 9.5) passou a efetuar o pagamento pela madeira diretamente à pessoa física do Sr. Paulo Sergio, ora impugnante. Nesta oportunidade a empresa juntou comprovantes de pagamentos e escriturações contábeis correspondentes. 9.8. Neste ponto, não há dúvida em relação à materialidade dos fatos envolvidos. Não se trata de atividade rural do contribuinte, pois, verificase que não houve participação do contribuinte no cultivo das árvores, nem no beneficiamento da floresta. Houve ganho com a venda da madeira, tal ganho, evidentemente, deve ser tributado na forma da legislação vigente. O ganho foi em forma de bem (madeira de eucalipto), sendo este bem vendido mediante lucro. Este lucro, então, deve ser tributado, na forma da legislação vigente, como ganho de capital. 9.9. À vista desses elementos, resta claro que o contribuinte, assim como qualquer outra pessoa de negócios, ao ceder uma extensa área de terra para que terceiros a explore, levou em consideração todos os aspectos que envolveria referida cessão, tais como o custo dessa cessão e o provável e esperado lucro futuro. Em sendo assim, é de fácil conclusão que o contribuinte, quando selou o acordo, levou em consideração todo o investimento que o grupo familiar já efetuara na terra, por meio das empresas agropecuárias. 9.9. Portanto, o negócio com a venda de madeira não se tratou de atividade rural, mas sim venda de ativos sujeita ao regime de tributação dos ganhos de capital na alienação de bens ou direitos. Assim, também fica fora da análise a questão levantada pela defesa sobre antecipação de receitas da atividade rural. A uma porque como ficou evidente, a natureza do rendimento não é de atividade rural. A duas porque observouse que o corte da madeira tinha uma programação em andamento desde 2010. Observase também que o Recorrente não informa nenhum rendimento a título de atividade rural nas declarações de ajuste anual dos Exercícios 2013, 2014 e 2015 (e fls. 02/90), e, a despeito de buscar caracterizar atividade rural na operação de alienação de madeira em pé de eucalipto, nenhuma conjunto probatório nesse sentido acosta aos autos. Nesse contexto, a operação de alienação em apreço não se enquadra nas hipóteses elencadas no art. 2°. da Lei n. 8.023/1990; art. 17 da Lei n. 9.250/1995; art. 59 da Lei n. 9.430/1996; art. 58 e ss. do Decreto n. 3.000/1999 RIR/99 e Instrução Normativa SRF n. 83/2001, vez que não decorre de atividade rural, mas sim nos arts. 21 e 22 da Lei n. 8.981/1995; art. 21 da Lei n. 7.713/1988; arts. 117 e ss. do Decreto n. 3.000/1999 RIR/99 e na Instrução Normativa SRF n. 84/2001. No que diz respeito ao custo de aquisição, o Recorrente afirma que o custo de aquisição da madeira em pé de eucalipto (maciço florestal) é de R$ 61.000.000,00: Na página 16 do Relatório Fiscal a autoridade lançadora consignou que, "tendo em vista que o documento denominado Instrumento Particular de Cessão de Direitos pelo qual as empresas cedentes transferiram a real propriedade da madeira ao sujeito passivo não impôs ônus para essa transferência, o custo de aquisição considerado nos demonstrativos de apuração de Ganho de Capital será zero." Esse instrumento foi firmado em 28 de junho de 2012. No entanto, não é correta essa assertiva do douto autor do lançamento tributário. Na página 18 do Instrumento particular de Extinção de Condomínio, Divisão Amigável, Assunção de Dívidas e Outras Avenças, datado de 22 de junho de 2012, Fl. 859DF CARF MF Processo nº 15868.720131/201579 Acórdão n.º 2402006.717 S2C4T2 Fl. 860 6 com cópia nos autos, consta entre os bens, direitos e obrigações que tocaram ao impugnante na partilha do patrimônio comum (cláusula segunda, pág. 14): "D CRÉDITOS A RECEBER (Venda de Ativo Florestal) Direitos sobre o Contrato de Compra e Venda de Madeira em Pé, datado de 18 de novembro de 2.010, com a empresa ELDORADO CELULOSE E PAPEL S/A CNPJ. 07.401.436/000131, referente ao maciço florestal existente na Fazenda Rio Verde, município de Água ClaraMs., no valor total de RS 81.000.000,00 (oitenta e um milhões de reais), remanescendo ainda um saldo de R$ 61.000.000,00 (sessenta e um milhões de reais), 'devendo as Credoras comunicar por escrito a Credora a cessão ora realizada." Embora essa disposição contratual não seja um primor de redação, o que ela expressa, sem possibilidade de interpretação diversa, é o recebimento, pelo contratante Paulo Sérgio Formigoni de Oliveira, do direito de crédito, de sessenta e um milhões de reais, pela venda de madeira em pé para entrega futura. Esse direito de crédito perante a empresa Eldorado faz parte dos bens que o reclamante recebeu em contrapartida à sua participação no patrimônio comum extinto na partilha de que trata o Instrumento Particular de Extinção de Condomínio, Divisão Amigável, Assunção de Dívidas e Outrasi Avenças, datado de 22 de junho de 2012. Logo, o custo de aquisição da madeira é de R$ 61.000.000,00, e por isso, também neste ponto, o lançamento é injustificável. Pois bem. Consoante dispõe a cláusula terceira (item 3.1) do contrato de compra e venda de madeira em pé firmado em 18/11/2010 pelas empresas agropecuárias (vendedoras) e a empresa Eldorado Celulose e Papel Ltda. CNPJ 07.401.436/000131 (compradora) efls. 365/380, o valor total da operação de compra e venda em tela é de R$ 81.000.000,00. No item 3.4, há menção expressa a adiantamento de valores às vendedoras na ordem de R$ 20.000.000,00, convertidos em volume de madeira a serem abatidos/descontados do volume total estimado e a ser apurado no momento do corte da madeira implantada na floresta das vendedoras. Desta forma, o valor de R$ 61.0000.000,00 consignado no tópico V Créditos a Receber (efls. 705/706) e no tópico D Créditos a Receber (Venda do Ativo Florestal) efl. 714 da cláusula segunda do Instrumento particular de Extinção de Condomínio, Divisão Amigável, Assunção de Dívidas e Outras Avenças, firmado em 22/06/2012 (efls. 697/727 e 816/846), corresponde ao saldo devedor remanescente do valor total de R$ 81.000.000,00, que consubstanciam os direitos sobre o Contrato de Compra e Venda de Madeira em Pé firmado em 18/11/2010 (efls. 365/380) a ser adimplido pela empresa Eldorado Celulose e Papel Ltda. CNPJ 07.401.436/000131 na forma pactuada. Assim, não procede a afirmação do Recorrente de que o valor remanescente de R$ 61.0000.000,00 tratase do custo de aquisição do maciço florestal (floresta de madeira em pé de eucalipto). Nesse contexto, considerandose que o Recorrente em nenhum momento fez prova com documentação hábil e idônea do custo de aquisição, nem mesmo quando da apresentação da impugnação (efls. 672/693), nem do Recurso Voluntário (efls. 787/815) em Fl. 860DF CARF MF Processo nº 15868.720131/201579 Acórdão n.º 2402006.717 S2C4T2 Fl. 861 7 apreço, e sequer consta da respectiva declaração de ajuste anual tal informação, é mister considerarse o custo de aquisição igual a zero, nos termos do art. 18, IV, da Instrução Normativa SRF n. 84/2001. Por oportuno, reproduzo a decisão recorrida neste ponto: 10. A madeira em pé foi cedida pelas agropecuárias já mencionadas, em função do acordo familiar celebrado para fins de individualização patrimonial. Não há custo de aquisição comprovado nos autos. O valor estimado da floresta constante do contrato particular representativo da divisão familiar do patrimônio não pode ser considerado como custo de aquisição da floresta. É uma informação aleatória sem base em documentação hábil e idônea. 10.1. O cessionário impugnante poderia ter apresentado o valor contábil da madeira em pé comercializada, para formação do custo de aquisição a ser utilizado no cálculo, desde que devidamente acompanhado de documentação hábil e idônea. 10.2. A título de exemplo, no caso de devolução do capital social, o artigo 22 da Lei Nº 9.249, de 1995, estabelece que os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem entregues ao titular, sócio ou acionista, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado. Este valor deve ser informado na declaração de bens correspondente à declaração de ajuste anual do respectivo anobase, pelo valor contábil ou de mercado, conforme avaliado pela pessoa jurídica. 10.3. Mas essas informações, provenientes das agropecuárias detentoras anteriores da floresta, não foram oferecidas ou comprovadas à fiscalização. Diante disso, a autoridade fiscal adotou o custo de aquisição igual a zero, tendo em vista que o instrumento de cessão de direitos não impôs qualquer ônus para a transferência do direito de propriedade à madeira em pé de eucalipto. A IN 84/2001, que consolida a legislação pertinente aos ganhos de capital, prevê a possibilidade de custo de aquisição igual a zero, na seguinte hipótese: Art. 18. Na ausência do valor pago, o custo de aquisição é: I o valor que tenha servido de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; II o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior; III o valor corrente na data da aquisição; IV igual a zero, quando não possa ser determinado nos termos dos incisos I, II e III. (...)(grifos originais) 10.4. Como se vê, o impugnante não traz aos autos o valor de transmissão utilizado, na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante anterior, nem o valor contábil da madeira constante da escrituração das agropecuárias. Assim, fica mantido, no cálculo do ganho de capital aqui analisado, o custo de aquisição no valor igual a zero. Quanto à indevida tributação do AC 2015, o Recorrente fundamentase na seguinte tese, verbis: Dado que o contribuinte tem prazo até 30 de abril do ano seguinte àquele em que percebeu renda do tipo "rendimentos" para declarar a obrigação de pagar o imposto ide renda pessoa física, em nenhuma hipótese poderá a autoridade lançadora, no ano de 2015, tributar rendimentos passíveis de oferecimento à Fl. 861DF CARF MF Processo nº 15868.720131/201579 Acórdão n.º 2402006.717 S2C4T2 Fl. 862 8 tributação no exercício de 2016. Todavia, foi o que ocorreu no caso, sendo nula a tributação nesta parte. Por ser suficientemente elucidativa, alinhome, nos termos do art. 57, § 3°., do RICARF, à argumentação da decisão de piso, abaixo transcrita: 11. A defesa também se insurge quanto ao lançamento efetuado sobre fatos geradores ocorridos no anocalendário 2015. Aduz, em síntese, que os fatos geradores não se completaram e a fiscalização não poderia lançar antes de terminado o ano. 11..1 Na hipótese de rendimento sujeito à tributação dos ganhos de capital na alienação de bens e/ou direitos, o contribuinte deve apurar e recolher o imposto de forma mensal, em separado dos demais rendimentos porventura auferidos. Os ganhos de capital mencionados não sofrem tributação no ajuste anual, eles não compõem a base de cálculo da declaração anual do Imposto de Renda das Pessoas Físicas, apenas são informados em anexo específico. Portanto, o fato gerador ocorre na medida da percepção dos rendimentos e, dessa forma, não faz sentido as alegações da defesa quanto à anulação do imposto apurado pela autoridade fiscal nos meses referentes ao anocalendário 2015. É o que estabelece o artigo 21 da Lei Nº 8.981, de 1995, regulamentado pelo artigo 117 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), aprovado pelo Decreto Nº 3.000, de 26/3/1999, abaixo colacionado: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, §2º, e Lei Nº 8.981, de 1995, art. 21). (...) §2º Os ganhos serão apurados no mês em que forem auferidos e tributados em separado, não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei Nº 8.134, de 1990, art. 18, §2º, e Lei Nº 8.981, de 1995, art. 21, §2º) (...) grifos acrescidos Com relação à cumulatividade das multas aplicadas (multa isolada e multa de ofício), visando a uma melhor compreensão da matéria em lide, entendo oportuno um breve resgate da legislação tributária, no tocante à aplicação da multa de ofício e da multa isolada, ambas previstas no art. 44 da Lei n. 9.430/1996. No que diz respeito à multa de ofício, é de se observar que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 foi alterado, em 29/06/2006, pela Medida Provisória (MP) n. 303/2006, que disciplinava, entre outras questões, a aplicação das multas nos casos de lançamentos de ofício realizados pela Administração Tributária Federal. Assim, na primeva redação do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996, a multa de ofício era aplicada nos casos de falta de pagamento ou recolhimento; pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória; falta de declaração; e declaração inexata, exceto os casos de sonegação, fraude e conluio.rib Na redação conferida pela MP n. 303/2006, a multa de ofício de 75% prevista no dispositivo legal em tela somente pode ser aplicada sobre a totalidade ou Fl. 862DF CARF MF Processo nº 15868.720131/201579 Acórdão n.º 2402006.717 S2C4T2 Fl. 863 9 diferença de tributo quando se configure falta de pagamento ou recolhimento; falta de declaração; e declaração inexata. Não obstante o encerramento do prazo de vigência da MP n. 303/2006 em 27/10/2006, consoante os termos do Ato do Presidente da Mesa do Congresso Nacional n. 57/2006, a redação do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 permaneceu exatamente com a mesma configuração que lhe foi conferida por aquela MP, ou seja, a multa de ofício de 75% aplicase nos casos de falta de pagamento ou recolhimento; falta de declaração; e declaração inexata, agora sob os auspícios da MP n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007. Assim, a novel redação do art. 44, I, da Lei n. 9.430/1996 excluiu da hipótese de hipótese de incidência da multa de ofício de 75% o "pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa moratória", deduzindose, todavia, que a referida multa está afastada apenas nas situações em que o sujeito passivo efetuou o pagamento após o vencimento, sem o acréscimo da multa de mora de 20%, mas tenha confessado o respectivo débito. Nesse caso específico, a rigor, a multa de ofício de 75% não seria aplicável. De outra banda, é oportuno resgatar que até a edição da MP n. 351/2007, de 22 de janeiro de 2007, posteriormente convertida na Lei n. 11.488/2007, a multa isolada prevista no art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996 era aplicada nas hipóteses em que o tributo não havia sido anteriormente pago; o tributo havia sido pago em atraso, mas sem a imposição da multa de mora; a pessoa física sujeita ao recolhimento mensal, deixasse de fazêlo ao longo do ano; e a pessoa jurídica sujeita ao recolhimento mensal por estimativa, deixasse de fazêlo ao longo do ano. A alíquota da multa isolada era de 75%, ou de 150% para os casos de evidente intuito de sonegação, fraude ou conluio. Todavia, desde a edição da MP n. 351/2007, convertida na Lei n. 11.488/2007, alterouse essa sistemática, vez que a multa isolada passou a ser de 50% cobrada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser feito ao longo do ano calendário pela pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no respectivo país de origem, e pela pessoa jurídica que optar pelo regime de pagamento por estimativa. Nesse contexto, desde 22/01/2007, assim é a redação do art. 44, I e II, da Lei n. 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] (grifei) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Fl. 863DF CARF MF Processo nº 15868.720131/201579 Acórdão n.º 2402006.717 S2C4T2 Fl. 864 10 Destarte, a nova redação do art. 44, I e II, da Lei n. 9.430/1996, aplicável aos fatos geradores ocorridos a partir de 22 de janeiro de 2007, afastou qualquer dúvida sobre a possibilidade de aplicação concomitante das multas de ofício e das multas isoladas por falta de recolhimento do IRPF devido a título de carnêleão, vez que as hipóteses de incidência que ensejam a imposição das penalidades da multa de ofício e da multa isolada em razão da falta de pagamento do carnêleão são perfeitamente distintas e tratadas em incisos próprios do indigitado dispositivo legal. Resta evidenciado que os incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 tratam de suportes fáticos distintos e autônomos, com diferenças claras na temporalidade da apuração, que tem por consequência a aplicação das penalidades sobre bases de cálculo diferentes. A multa de ofício aplicase sobre o tributo devido apurado anualmente, no caso concreto, IRPF, aperfeiçoandose a hipótese de incidência tributária ao final do ano calendário. Por sua vez, na espécie, a multa isolada é apurada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser feito ao longo do anocalendário pela pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos e ganhos de capital que não tenham sido tributados na fonte, no respectivo país de origem. É dizer, são materialidades absolutamente independentes e distintas, não havendo que se falar em concomitância. Desta forma, não existe óbice à cumulatividade de ambas penalidades, nem tampouco há que se falar de tributação com efeito de confisco, vez que as multas foram aplicadas em percentuais estabelecidos na legislação tributária em vigor. Todavia, no que diz respeito à qualificação da multa (150%), entendo que deve ser afastada, retornandose ao patamar ordinário de 75%, vez que não se verifica, nem resta comprovado, no caso concreto, fraude documental e dolo específico para sonegação fraudulenta de tributos, considerandose que os negócios jurídicos vinculados às infrações de ganho de capital ocorreram às claras, sem simulação ou dissimulação, com fulcro em documentos válidos em conteúdo e forma, bem assim hábeis a caracterizálos, que, inclusive, permitiram a imediata constatação pela Fiscalização da RFB. É de bom alvitre ressaltar que para o agravamento da multa é necessário identificar qual das ações ou omissões dolosas previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n. 4.502/64 foram praticadas, sendo ainda imprescindível a comprovação do dolo, o que, convenhamos, não se aplica ao caso concreto. E é exatamente nesse sentido o enunciado de Súmula CARF n. 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Por sua vez, o enunciado de Súmula Vinculante CARF n. 25 consolida o seguinte entendimento: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Fl. 864DF CARF MF Processo nº 15868.720131/201579 Acórdão n.º 2402006.717 S2C4T2 Fl. 865 11 Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário (e fls. 787/815) e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para afastar a multa qualificada (150%), retornandose ao patamar ordinário de 75%. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima Fl. 865DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.905483/2009-33
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
turma_s : Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10469.905483/2009-33
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5929185
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1003-000.284
nome_arquivo_s : Decisao_10469905483200933.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CARMEN FERREIRA SARAIVA
nome_arquivo_pdf_s : 10469905483200933_5929185.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7523079
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:32:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051150683471872
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1561; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 41 1 40 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.905483/200933 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.284 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 08 de novembro de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente CLÍNICA DE RADIOLOGIA ULTRASSONOGRAFIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 31229.77003.260309.1.7.040084, em 26.03.2009, fls. 1723, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, no valor original de R$3.345,82 arrecadado em 28.02.2002 referente ao 1º trimestre de 2002 e apurado pelo regime do lucro presumido, para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 90 54 83 /2 00 9- 33 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 10469.905483/200933 Acórdão n.º 1003000.284 S1C0T3 Fl. 42 2 Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fls. 1718, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 1.901,16 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos Informados no PER/DCOMP. [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. [...] Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª Turma/DRJ/REC/PE nº 1136.093, de 15.02.2012, fls. 2527: COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 27.08.2012, efl. 32, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 04.10.2012, efls. 3436, esclarecendo que: II. Os fundamentos jurídicos que embasam a pretensão da recorrente Houve a constatação de erro material na elaboração da DCTF objeto da compensação tributária, nada obstante, a contribuinte procedeu com sua correção a tempo. Juntou aos autos administrativos cópia da DCTF PIS competência de do 4º trimestre de 2001, que dever ser retificada. Verificase ainda que a contribuinte comprova através de cópia, os DARF's de recolhimento de PIS, como também demonstrativo explicativo dos lançamentos. Como se registrou, não há controvérsia quanto à idoneidade do direito de crédito tributário recolhido a maior pelo contribuinte. Ainda persistindo erro na escrituração das obrigações acessória relativo à referida compensação tributária deve o fisco conforme autoriza Instrução Normativa Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10469.905483/200933 Acórdão n.º 1003000.284 S1C0T3 Fl. 43 3 SRF n° 210, de 30 de setembro de 2002 e Instrução Normativa SRF n° 323, de 24 de abril de 2003, proceder com a compensação de ofício. Ademais, deve ser observado o previsto no Art. 147 § 2º [...] A referida norma jurídica tem por razoabilidade justamente concretizar ao contribuinte os valores de Justiça Fiscal, da capacidade contributiva e do direito de propriedade, diante do rebuscado sistema normativo fiscal e da ausência de clareza e excesso burocrático nos trâmites de compensação disciplinado pela SRF. O pagamento a maior realizado pelo contribuinte impede que o fisco se aproprie da quantia monetária que não lhe pertence em face da extrapolação dos limites da competência tributária, impondo ao fisco proceder com a devolução ou a compensação com outros créditos tributários devidos pelo contribuinte. A administração pública está obrigada a agir de ofício quando constatado equívoco e pagamento a maior realizado pelo contribuinte e em face de manifestação sua pleiteando a devolução do pagamento indevido que pode ser deferido, seja por restituição seja por compensação com débito indicados pelo contribuinte ou de ofício pela administração pública, em face do princípio da instrumentalidade da formas, reconhecendose assim, a intenção do contribuinte que é a de obter a devolução ou compensação daquilo que pagou a maior. Concernente ao pedido expõe que: III. Pedido Diante do exposto, requer seja recebido o presente recurso voluntário, de modo que seja conhecido e dado provimento para reformar a decisão administrativa de primeira instância, julgando insubsistente a decisão administrativa de primeira instância reconhecendo o direito do contribuinte a ressarcimento do que pagou a maior pela via da compensação tributária de ofício. (grifos do original) A Recorrente junta aos autos a Petição datada de 23.10.2018, efl. 40, requerendo "arquivamento do feito". É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. Sobre o "arquivamento do feito", efl. 40, temse que a Recorrente não apresenta fundamentação legal nem a comprovação pertinente (art. 37 da Constituição Federal e art. 16, art. 29 e art. 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972). Por essa razão o pedido deve ser indeferido. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10469.905483/200933 Acórdão n.º 1003000.284 S1C0T3 Fl. 44 4 A Recorrente suscita que houve erro na DCTF que deve ser retificada de ofício. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 1. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais2. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados 1 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 2 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10469.905483/200933 Acórdão n.º 1003000.284 S1C0T3 Fl. 45 5 em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal3. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Em regra a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Excepcionalmente os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela (art. 147 do Código Tributário Nacional). Nesse sentido, a retificação de ofício depende de a Recorrente produzir o conjunto probatório robusto de suas alegações, providência que não constam nos autos. Cabe transcrever excertos da ementa e do voto condutor do Acórdão da 2ª Turma Especial/1ª Seção/CARF nº 1802001.556, de 07.02.2013, proferido no processo nº 10469.905484/200988, de 07.11.2013, de interesse da Recorrente dada a similitude de fundamentos de fato e de direito de ambos os procedimentos, que por essa razão são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento, mudando o que deve ser mudado (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 Ementa: IRPJ. PAGAMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. As Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. [...] 3 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10469.905483/200933 Acórdão n.º 1003000.284 S1C0T3 Fl. 46 6 Voto O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 33130.52744.260309.1.7.040486 – Retificador (fls.19/24), transmitido em 26/03/2009, em que a contribuinte pretende compensar débito de CSLL: R$ 1.731,70, código 2372, relativa ao 3º trimestre de 2006, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089; Período de Apuração: 31/12/2001; Vencimento: 28/02/2002, Valor: R$ 3.345,82). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.17, emitido em 07/10/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Em sede de primeira instância, a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada em 11/11/2009 (fls.01/05), foi no sentido de que apurou o IRPJ a pagar com o percentual de presunção de 32%, enquanto o correto seria de 8%. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente mediante o Acórdão nº 1136.094, de 15 de fevereiro de 2012 (fls. 25/27), mantendo o despacho decisório que não homologou a compensação porque constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito (IRPJ, código 2089) foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Em sede recursal, a Recorrente diz que houve a constatação de erro material na elaboração da DCTF objeto da compensação tributária, nada obstante, os créditos objeto da compensação administrativa de fato existem e referemse a pagamentos de PIS e Cofins feitos por força da Lei n° 9.715/98. Aduz que o valor pago foi feito sem observação da decisão do STF (ADI n° 14170) que julgou inconstitucional o art. 18 da referida Lei, decisão com efeitos erga omnes e retroativos, gerando, assim crédito perante a União. E sendo portanto, um direito liquido e certo.”Dessa forma, os créditos existem porque os tributos foram pagos, a maior e poderiam, por consequência, ser utilizados para posteriores compensações”. A defesa não pode prosperar, pois, como explicado acima, nos presentes autos se discute a compensação de débito, com a utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior do IRPJ (DARF: código – 2089; Período de Apuração: 31/12/2001; Vencimento: 28/02/2002, Valor: R$ 3.345,82). Em sede recursal, a Recorrente reportase a suposto crédito relativo a PIS e Cofins, portanto, distinto do constante no PER/DCOMP em comento, o que por si só já desqualifica o objeto do Recurso por se tratar de matéria estranha aos presentes autos. A Recorrente argúi que a administração pública está obrigada a agir de ofício quando constatado equívoco e pagamento a maior realizado pelo contribuinte e em face de manifestação sua pleiteando a devolução do pagamento indevido que pode ser deferido, seja por restituição seja por compensação com débito indicados pelo contribuinte ou de ofício pela administração pública, em face do princípio da instrumentalidade das formas, reconhecendose assim, a intenção do contribuinte que é a de obter a devolução compensação daquilo que pagou a maior. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10469.905483/200933 Acórdão n.º 1003000.284 S1C0T3 Fl. 47 7 Diz que, quando realizou as compensações em tela, já havia transcorrido o tempo hábil para retificar as DCTFs e, por esta razão, não mais poderia ser feito, ainda que intempestivamente, porque o sistema da Receita Federal não opera as retificações após cinco anos da data prevista. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Registrese que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, o indébito tributário deve ser necessariamente comprovado sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois, no presente caso somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos. Com efeito, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca do indébito, são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório aqui pleiteado. Nesse sentido, na declaração de compensação apresentada, o indébito não contém os atributos necessários de liquidez e certeza, os quais são imprescindíveis para reconhecimento pela autoridade administrativa de crédito junto à Fazenda Pública, sob pena de haver reconhecimento de direito creditório incerto, contrário, portanto, ao disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN). É certo que o artigo 165 do CTN autoriza a restituição do pagamento indevido e o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 permite a sua compensação com débitos próprios do contribuinte, mas, cabe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. À míngua de tal comprovação não se homologa a compensação pretendida. É cediço que as Declarações (DCTF, DCOMP e DIPJ) são produzidas pelo próprio contribuinte, de sorte que, havendo inconsistências nas mesmas não retiram a obrigação do recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional CTN). Repisese que o ponto nodal da lide reside no fato de que o contribuinte pretende a restituição de valor na ordem de R$ 1.731,70, adotando a via do PERDCOMP no qual pretende utilizar crédito de IRPJ relativo ao 4º trimestre do ano calendário de 2001. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10469.905483/200933 Acórdão n.º 1003000.284 S1C0T3 Fl. 48 8 Somente em sede recursal a Recorrente referese a outros tributos suposto crédito de PIS e Cofins sem referencia a qualquer período de apuração. Portanto, matéria estranha ao processo. A busca da verdade material não autoriza ao julgador substituir o interessado na produção das provas. A apresentação dos documentos juntamente com a defesa é ônus da alçada da recorrente. No presente caso, a recorrente teria, em tese, à sua disposição todos os meios para provar o alegado crédito, seja a título de IRPJ, PIS ou Cofins . Não o fez. Cabe ao Fisco exigir a comprovação do crédito pleiteado, desde que não tenha ocorrido a homologação tácita da compensação, nos moldes do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que assim dispõe: § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Conforme dito acima, o PERDCOMP, foi transmitido pela pessoa jurídica em 26/03/2009, tomou ciência do despacho decisório expedido em 07/10/2009, e apresentou a manifestação de inconformidade em 11/11/2009. Portanto, o despacho decisório se deu antes do prazo de 5 (cinco) anos. É dever do Fisco proceder a análise do crédito desde a sua origem até a data da compensação e, o contribuinte que reclama o pagamento indevido tem o dever de comprovar a certeza e liquidez do crédito reclamado. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (grifos do original) Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.910030/2009-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE.
Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
Numero da decisão: 1402-003.430
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.910035/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201809
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastando-se entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15374.910030/2009-00
anomes_publicacao_s : 201811
conteudo_id_s : 5928122
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1402-003.430
nome_arquivo_s : Decisao_15374910030200900.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : PAULO MATEUS CICCONE
nome_arquivo_pdf_s : 15374910030200900_5928122.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 15374.910035/2009-24, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto).
dt_sessao_tdt : Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7517407
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:31:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051150688714752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2063; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.910030/200900 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 1402003.430 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 20 de setembro de 2018 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente PAO DE ACUCAR EMPREENDIMENTOS TURISTICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 ESTIMATIVAS RECOLHIDAS A MAIOR OU INDEVIDAMENTE. COMPENSAÇÃO ANTES DO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 84. AFASTAMENTO DA VEDAÇÃO PELA IN SRF Nº 600/05. POSSIBILIDADE. INDÉBITO CARACTERIZADO. DEMANDA DE NOVA ANÁLISE. Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Verificada a legalidade da manobra de compensação pretendida pelo contribuinte, afastandose entendimento anterior pela sua vedação, devem ser, materialmente, analisadas a procedência e a quantificação do crédito pretendido antes da sua homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 15374.910035/200924, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edgar Bragança Bazhuni (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 00 30 /2 00 9- 00 Fl. 112DF CARF MF Processo nº 15374.910030/200900 Acórdão n.º 1402003.430 S1C4T2 Fl. 3 2 Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente Substituto). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra v. Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a quo, que negou provimento à Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, mantendo o r. Despacho Decisório que deixou de homologar a compensação pretendida, por entender que estimativas recolhidas a maior/indevidamente só podem ser objeto de compensação ao final ou após o período de apuração do IRPJ e da CSLL. Em sua Manifestação de Inconformidade, em suma, alegou a ora Recorrente que a Lei nº 9430/96 garante a compensação de quaisquer indébitos, fruto de recolhimento indevido ou maior, não se sustentando legalmente a impossibilidade invocada pela Autoridade Fiscal. Traz excertos jurisprudenciais e doutrinários. Também pugna pela inconstitucionalidade da Instrução Normativa nº 600/05 e invoca do princípio da busca pela verdade material. Ao seu turno, a DRJ a quo proferiu o v. Acórdão, ora recorrido, deixando de conhecer a matéria constitucional invocada e, na parte conhecida, negando provimento à defesa, por entender haver vedação expressa no art. 10 da IN nº 600/05 que impediria essa pretensão compensatória da Contribuinte. Ressaltase lá a vinculação daqueles N. Julgadores aos entendimentos da Receita Federal do Brasil. Diante de tal revés, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário, agora sob análise, em suma, abandonando as alegações de inconstitucionalidade, mas reiterando e frisando a legalidade da compensação das estimavas, no mesmo período em que apurado o indébito, trazendo novos julgados deste E. CARF que corroboram sua pretensão e infirmam o posicionamento do v. Acórdão combatido. Na sequência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.428, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 15374.910035/2009 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 15374.910030/200900 Acórdão n.º 1402003.430 S1C4T2 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.428): "O Recurso Voluntário é manifestamente tempestivo e sua matéria se enquadra na competência desse N. Colegiado. Os demais pressupostos de admissibilidade igualmente foram atendidos. Ausentes alegações preliminares, passase ao mérito da demanda. O tema exclusivo agora sob análise é a possibilidade legal da Contribuinte utilizar em compensação, via DCOMP, crédito oriundo de estimativas recolhidas indevidamente, ainda no mesmo período de apuração. Como fica muito claro nos autos, o único fundamento para a denegação da compensação foi a suposta vedação da manobra intentada, como se verifica tanto no r. Despacho Decisório como, posteriormente, no v. Acórdão, ora recorrido, que expressamente invocam o art. 10 da IN SRF nº 600/05, vigente à época da transmissão da DCOMP. Registrese que não houve qualquer análise da materialidade do crédito ou da sua quantificação, ainda que a Recorrente tenha carreado documentação aos autos, sendo a motivação da não homologação da compensação exclusivamente jurídica. Pois bem, tal matéria sob apreço é tema há muito debatido neste E. CARF (e no predecessor E. Conselho de Contribuintes), sendo, desde 10 de dezembro de 2012, objeto da Súmula CARF nº 84, a qual, recentemente, em sessão de 03 de setembro de 2018, pela composição do Pleno da C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi mantida e teve sua redação revisada: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como se observa da leitura de tal entendimento sumular, da mesma forma como defende a Recorrente, é autorizada a compensação de estimativas recolhidas a maior (indébito) a partir do seu pagamento. Logo, o óbice imposto à Contribuinte não deve prevalecer, em obediência a tal enunciado. Inclusive, não há qualquer limitação temporal da aplicabilidade da Súmula nº 84, mostrandose, no entender deste Conselheiro, irrelevante qual normativo interno da Receita Federal do Brasil regulava a matéria à época do pleito de compensação. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 15374.910030/200900 Acórdão n.º 1402003.430 S1C4T2 Fl. 5 4 Contudo, apenas para robustecer o presente julgamento, esclarecese que existem inúmeros precedentes desta C. 1ª Seção que, especificamente, abordam e afastam a vedação contida no art. 10 da IN nº 600/05, para promover a devida e mandatória aplicação da referida Súmula. Nesse sentido, ilustrando aquilo acima consignado, confirase o recente Acórdão nº 1301003.233, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta C. 1ª Seção, de relatoria do I. Conselheiro Nelso Kichel, publicado em 30/08/2018: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato e desde que não utilizado no ajuste anual. Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa mensal em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo anocalendário, cabível a devolução do saldo negativo no ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à possibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual habitual. (destacamos) Desse modo, merece reforma o v. Acórdão (assim como r. Despacho Decisório, digase), vez que lícita e viável a postura procedimental da Contribuinte. Porém, como já esclarecido, em momento algum houve investigação sobre a existência e quantificação do crédito empregado, fruto do alegado recolhimento a maior/indevido de estimativa (por consequência lógica do afastamento sumário da regularidade da postura da Recorrente, não havendo, então, em se falar de lapso nos julgamentos pretéritos). Fl. 115DF CARF MF Processo nº 15374.910030/200900 Acórdão n.º 1402003.430 S1C4T2 Fl. 6 5 De forma reversa, agora, uma vez aceita a circunstância jurídica da compensação, mister proceder à devida análise de materialidade do valor utilizado. Todavia, tal análise não deve ser direta e imediatamente feita por esta C. 2ª Instância, sobre pena de supressão do iter regular processual, bem como do próprio direito de defesa da Contribuinte, devendo os autos serem remetidos à Unidade Local competente para a análise da documentação acostada ao feito e de sistemas de informação internos, proferindose novo Despacho Decisório, com o prosseguimento do regular do processo (garantida, inclusive, a apresentação de nova Manifestação de Inconformidade, Recurso Voluntário e todos outros apelos contemplados pela legislação). Diante de todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, invocada tanto no r. Despacho Decisório, como no v. Acórdão recorrido. Devem ser os autos encaminhados à D. Unidade Local competente para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos e sistemas de informações internos da RFB. Deverá também ser retomado o curso natural e ordinário do processo administrativo após tal nova decisão." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, com base na Súmula CARF nº 84, para afastar a vedação da compensação pretendida pela Contribuinte, determinando o retorno à Unidade Local para a prolatação de novo Despacho Decisório, considerando a materialidade e a quantificação do crédito utilizado na compensação, analisando a documentação já acostada aos autos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
