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Numero do processo: 18470.733077/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2012 a 31/12/2012
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PATRONAL. DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS AOS SÓCIOS.
Para que possa realizar a distribuição antecipada de lucros sem a incidência das contribuições previdenciárias, as empresas devem discriminar a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social (quando for o caso de haver ambas) e elaborar balancetes contábeis mensais onde constem a existência do lucro para fazer frente à distribuição antecipada.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, a multa exigida com base no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91, em razão da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deverá ser comparada com a nova penalidade trazida pela alteração legislativa promovida pela Lei nº 11.941/09, a fim de que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte
Neste sentido, a autoridade preparadora deve aplicar, no que for cabível, as disposições constantes dos artigos 476 e 476-A da Instrução Normativa RFB nº 971/09.
Numero da decisão: 2201-004.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 07/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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DISTRIBUIÇÃO ANTECIPADA DE LUCROS AOS SÓCIOS. Para que possa realizar a distribuição antecipada de lucros sem a incidência das contribuições previdenciárias, as empresas devem discriminar a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social (quando for o caso de haver ambas) e elaborar balancetes contábeis mensais onde constem a existência do lucro para fazer frente à distribuição antecipada. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN, a multa exigida com base no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/91, em razão da apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, deverá ser comparada com a nova penalidade trazida pela alteração legislativa promovida pela Lei nº 11.941/09, a fim de que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte Neste sentido, a autoridade preparadora deve aplicar, no que for cabível, as disposições constantes dos artigos 476 e 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/09. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 73 30 77 /2 01 2- 31 Fl. 431DF CARF MF Processo nº 18470.733077/201231 Acórdão n.º 2201004.102 S2C2T1 Fl. 428 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 07/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 374/381, interposto contra decisão da DRJ em Campo Grande/MS, de fls. 364/370, que julgou procedente o lançamento de contribuições previdenciárias a cargo da empresa (patronal) incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a contribuintes individuais, não declaradas em GFIP, conforme auto de infração de fls. 2/11 dos autos (DEBCAD 37.389.7693), lavrado em 19/12/2012, relativo às competências de 09/2012 a 12/2012, com ciência da RECORRENTE em 21/12/2012 (fl. 315). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 128.186,55, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e a correspondente multa no percentual de 24%, aplicada em todas as competências exceto na de 12/2008, período abrangido pela MP 449/2008 que passou a prever multa de ofício no percentual de 75%. De acordo com o Relatório do Auto de Infração de fls. 12/22, quando da análise da documentação apresentada pela RECORRENTE, mais precisamente do contrato social e alterações, dos lançamentos contábeis (Livro Diário), das GFIPs e das GPSs, a autoridade fiscal constatou que a RECORRENTE, que é optante pelo Lucro Presumido e manteve escrita contábil, declarou na DIPJ/2009 ter distribuído aos sócios, no anocalendário 2008, o montante de R$ 330.000,00 a título de dividendos, registrados na conta de Distribuição Antecipada de Lucros, conforme adiante discriminado: Fl. 432DF CARF MF Processo nº 18470.733077/201231 Acórdão n.º 2201004.102 S2C2T1 Fl. 429 3 No entanto, após análise da contabilidade, a fiscalização constatou que a RECORRENTE não auferiu lucros no exercício de 2008, tampouco possuía saldo em conta Lucro Acumulados que demonstrassem a existência de lucros a serem distribuídos. Assim, nos termos do art. 28, III, da Lei nº 8.212/91, entendeu que tal fato representa hipótese de incidência das contribuições previdenciárias, por se tratarem de verbas colocadas à disposição dos sócios, consideradas como remuneração a contribuintes individuais na forma de Pró Labore. Neste sentido, a autoridade fiscal apurou a contribuição previdenciária de 20% sobre a mencionada antecipação de lucro distribuída aos contribuintes individuais. Sobre o valor principal apurado, foram aplicados os respectivos juros e multas. Conforme exposto, em relação aos fatos ocorridos antes de dez/2008, a multa foi calculada com o percentual de 24%, nos termos do art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 antes das alterações promovidas pela MP 449/2008, a partir da qual passou a ser cobrada a multa de ofício no percentual de 75%, conforme art. 35A da Lei nº 8.212/91. A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 321/328 em 22/01/2013. Decisão da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 364/370, julgou procedente o lançamento. O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PARA A SEGURIDADE SOCIAL. A distribuição antecipada de lucros aos sócios são verbas remuneratórias quando a sociedade empresária não aufere Fl. 433DF CARF MF Processo nº 18470.733077/201231 Acórdão n.º 2201004.102 S2C2T1 Fl. 430 4 lucros no anocalendário 2008 e, também, não há saldo na conta lucros acumulados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Na ocasião, a autoridade julgadora manteve o lançamento sob os seguintes argumentos: “O impugnante em parte tem razão, quanto a não tributação do imposto de renda sobre o lucro presumido, pois se trata de política tributária, ao qual a Receita Federal do Brasil fixa os percentuais aplicáveis de presunção de lucro sobre a receita bruta para compor a base de cálculo do Lucro Presumido, até o limite do lucro contábil efetivo. (...) Por conseguinte, não podemos confundir, a legislação tributária que trata do fato gerador do imposto de renda com a legislação previdenciária, que esta trata do saláriodecontribuição para a contribuição social para a Seguridade Social. A legislação previdenciária trata do saláriodecontribuição referente a distribuição antecipada de lucros no inciso II combinado com parágrafo 1º, e item II, do parágrafo 5º, do artigo 201, do Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, que aprovou o Regulamento da Previdência Social e, também, do inciso II, item II do parágrafo 5º, parágrafo 6º, do artigo 57, da Instrução Normativa 971, de 13 de novembro de 2009, que dispõe sobre normas gerais de tributação previdenciária e de arrecadação das contribuições sociais destinadas à Previdência Social e as destinadas a outras entidades ou fundos, administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), in verbis: (...) Deduzse da legislação previdenciária supra, que a distribuição de lucros deve ser oriundo de lucro contábil efetivo, não presumido, cabendo a impugnante comprovar o valor a ser distribuído a título de antecipação de lucro mediante a elaboração de balancetes contábeis mensais e devendo ser apurado na demonstração do resultado do exercício. Consequentemente, pela demonstração do resultado do exercício do anocalendário 2008, fls 229, verificase que houve prejuízo, logo a distribuição antecipação de lucros é saláriode contribuição, subsumindose ao inciso V, alínea f, do artigo 12, inciso III, do artigo 22 e inciso III, do artigo 28, todos da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, in verbis: (...)” Fl. 434DF CARF MF Processo nº 18470.733077/201231 Acórdão n.º 2201004.102 S2C2T1 Fl. 431 5 Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 31/03/2014, conforme faz prova o termo de fl. 384, apresentou o Recurso Voluntário de fls. 374/381 em 30/04/2014. Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação, quais sejam: I. A autuação se fundamentou unicamente na equivocada premissa de que a RECORRENTE não auferiu lucros no período. Partindo deste equivoco, concluiu que as verbas colocadas à disposição dos sócios seriam remuneração a contribuintes individuais na forma de PróLabore; II. Aduz ser optante pela tributação pelo lucro presumido, assim pode distribuir esse lucro sem a incidência de imposto de renda e, ademais, se manter a escrita contábil, como é o caso, será possível distribuir o lucro real. Portanto, a antecipação de lucros distribuídos não tem a natureza de remuneração; III. Alega que levantou balancete em dez/2008 demonstrando o lastro dos lucros que foram distribuídos em setembro, outubro, novembro e dezembro daquele ano. Logo, argumenta que auferiu lucros no ano calendário 2008, sendo improcedente o lançamento; IV. Afirma que no curso do mesmo MPF nº 0710900.210.01013 a mesma autoridade lançadora confirmou que a RECORRENTE auferiu, no último trimestre de 2008, lucro de R$ 922.451,24 (fl. 355); V. Neste sentido, a lacônica alegação de que a RECORRENTE não auferiu lucros revelase um absurdo, na medida em que o procedimento adotado peal RECORRENTE foi plenamente legítimo e resultou na distribuição de lucros (R$ 330.000,00) em valor inferior ao efetivamente passível de distribuição (R$ 922.451,24), conforme apurado no balancete de dez/2008 (fl. 230). VI. Apenas na hipótese de não ser apurado nenhum lucro ao final do exercício é que se poderia considerar os pagamentos efetuados como remuneração e não dividendos VII. A fiscalização deveria ter observado a situação real da RECORRENTE; VIII. Cita o art. 201, §1º, do RPS (Decreto nº 3.048/99) para sustentar que o lucro distribuído não é considerado remuneração e afirma que o §5º, II, do mesmo artigo, não se aplica ao RECORRENTE por se destinar “às sociedades civis de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas”; IX. Portanto, requer o cancelamento do lançamento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Fl. 435DF CARF MF Processo nº 18470.733077/201231 Acórdão n.º 2201004.102 S2C2T1 Fl. 432 6 Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. A RECORRENTE defende, em suma, que a autuação não merece prosperar pois a premissa utilizada pela autoridade lançadora (ausência de lucro para respaldar a distribuição de dividendos) não ocorreu. Sobre a distribuição antecipada de lucros aos sócios, para que tais valores não sejam considerados remuneração para fins de contribuição previdenciária é preciso observar algumas regras previstas no ordenamento. No que diz respeito ao contribuinte individual, o Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048/99) prevê o seguinte: “Art. 201. A contribuição a cargo da empresa, destinada à seguridade social, é de: (...) II vinte por cento sobre o total das remunerações ou retribuições pagas ou creditadas no decorrer do mês ao segurado contribuinte individual; (...) § 1º São consideradas remuneração as importâncias auferidas em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades, ressalvado o disposto no § 9º do art. 214 e excetuado o lucro distribuído ao segurado empresário, observados os termos do inciso II do § 5º.” O art. 201, §1º, acima transcrito retira o lucro distribuído ao sócio do campo de incidência da contribuição social. No entanto, o mesmo dispositivo faz a ressalva de que deve ser observado o previsto no inciso II do §5º do mesmo artigo, que dispõe o seguinte: “§ 5º No caso de sociedade civil de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissões legalmente regulamentadas, a contribuição da empresa referente aos segurados a que se referem as alíneas "g" a "i" do inciso V do art. 9º, observado o disposto no art. 225 e legislação específica, será de vinte por cento sobre: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) Fl. 436DF CARF MF Processo nº 18470.733077/201231 Acórdão n.º 2201004.102 S2C2T1 Fl. 433 7 I a remuneração paga ou creditada aos sócios em decorrência de seu trabalho, de acordo com a escrituração contábil da empresa; ou II os valores totais pagos ou creditados aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social ou tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício.” Em princípio, entendo que, ao contrário do que afirma a RECORRENTE, o inciso II do §5º do art. 201 se aplica às sociedades empresárias. Apesar do mencionado dispositivo do RPS corresponder a norma relativa à sociedade civil, o §1º do mesmo artigo 201 faz remissão à regra insculpida no inciso II do §5º para delimitar o que vem a ser considerado como remuneração auferida em empresas. Em outras palavras: para que o lucro distribuído aos sócios não seja considerado remuneração para fins previdenciários é preciso observar o que disciplina o inciso II do §5º. Assim, conforme acima exposto, é base de cálculo da contribuição previdenciária o valor pago aos sócios, ainda que a título de antecipação de lucro da pessoa jurídica, quando: 1) não houver discriminação entre a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social; ou 2) tratarse de adiantamento de resultado ainda não apurado por meio de demonstração de resultado do exercício. No entanto, a IN SRP nº 03/2005 (vigente à época dos fatos) dispõe em seu art. 71, §6º, que é possível apurar previamente, mediante balancetes mensais, o valor do lucro a ser distribuído a título de antecipação, ressalvando que se a demonstração de resultado final do exercício evidenciar lucro inferior ao montante distribuído, a diferença será considerada remuneração aos sócios: § 6º Para fins do disposto no inciso II do § 5º, o valor a ser distribuído a título de antecipação de lucro poderá ser previamente apurado mediante a elaboração de balancetes contábeis mensais, devendo, nesta hipótese, ser observado que, se a demonstração de resultado final do exercício evidenciar uma apuração de lucro inferior ao montante distribuído, a diferença será considerada remuneração aos sócios. Cumpre esclarecer que o §5º, inciso II, do art. 71 da IN SRP nº 03/2005, citado pelo §6º acima transcrito, possui a mesma redação do §5º, II, do art. 201 do RPS. Deste modo, ao disciplinar a matéria envolvendo a distribuição antecipada de lucro, entendo que a Secretaria da Receita Previdenciária não considera referida distribuição como remuneração quando o lucro é apurado previamente, antes do fim do exercício, mediante balancetes contábeis mensais. Este é o posicionamento atual da Receita Federal, já que a IN RFB nº 971/2009 (que revogou a IN SRP nº 03/2005) manteve a mesma regra em seu art. 57, §6º. Fl. 437DF CARF MF Processo nº 18470.733077/201231 Acórdão n.º 2201004.102 S2C2T1 Fl. 434 8 Sendo assim, para que possa realizar a distribuição antecipada de lucros sem a incidência das contribuições previdenciárias, entendo que devem ser observados dois requisitos pelos contribuintes: (i) discriminar a remuneração decorrente do trabalho e a proveniente do capital social; e (ii) levantar balancetes mensais onde consta o resultado apurado. No presente caso, ao analisar a documentação acostada aos autos desde a fiscalização, entendo que não assiste razão à RECORRENTE. No caso, a fiscalização constatou que houve distribuição antecipada de lucros aos sócios nos meses de setembro, outubro, novembro e dezembro. A RECORRENTE apresentou os Livros Diários dos mencionados meses (fls. 176/185, fls. 188/199, fls. 200/211 e fls. 212/225, respectivamente) além dos balancetes mensais relativos a setembro (fls. 186/187) e dezembro (fls. 226/227). Os valores distribuídos de forma antecipada foram os seguintes: De logo, verificase que o balancete de setembro/2008 aponta a existência de um prejuízo no resultado de R$ 30.608,61 (fl. 187), de modo que a distribuição antecipada do lucro no valor de R$ 80.000,00 não se encontra acobertada. No que se refere aos meses de outubro e novembro, não foram apresentados os respectivos balancetes, e os livros diários não são suficientes para apontar a existência de lucro nos mencionados meses. Por sua vez, o balancete referente ao mês de dezembro/2008 assinala a existência de lucro no valor de R$ 922.451,24 (fl. 227), ao passo que, neste mesmo mês o lucro distribuído antecipadamente foi da ordem de R$ 202.500,00. Aparentemente o valor antecipado em dezembro se encontraria respaldado pelo resultado apurado no período. Importante esclarecer que, ao apreciar o caso, a DRJ de origem afirmou que “pela demonstração do resultado do exercício do anocalendário 2008, fls 229, verificase que houve prejuízo, logo a distribuição antecipação de lucros é saláriodecontribuição” (fl. 369). Contudo, apesar do mencionado documento de fl. 229 informar que houve “prejuízo”, na Fl. 438DF CARF MF Processo nº 18470.733077/201231 Acórdão n.º 2201004.102 S2C2T1 Fl. 435 9 realidade é possível constatar que houve lucro pela RECORRENTE. O engano foi oriundo tão somente do erro de adoção da nomenclatura “prejuízo do exercício” utilizada na Demonstração do Resultado de Exercício. Tanto que o valor está representado sem os parênteses, de modo a indicar que é positivo. É que houve um valor de R$ 900.000,00 recebidos pela RECORRENTE como"receita de dividendos" que foi contabilizado como redução de despesa, de modo que a despesa naquele mês foi negativa (ou seja, somada às receitas representou um aumento do Resultado Operacional no período). Entendo que a indicação da nomenclatura “prejuízo do exercício” na DRE é mero erro material cometido pelo contribuinte, o que levou a autoridade julgadora de 1ª instância concluir que não houve lucro naquele período. Assim, conforme exposto, a verdade material deve prevalecer e a análise mais detida da própria demonstração contábil de fl. 229 evidencia que houve resultado positivo naquela ocasião. No entanto, é importante observar que o lucro apurado em tal período (dezembro/2008) teve como origem basicamente a receita de dividendos recebida pela empresa RECORRENTE no valor de R$ 900.000,00. Observando atentamente a contabilidade da RECORRENTE, verificase no Livro Diário que o valor de R$ 900.000,00 recebidos a título de dividendos pela empresa RECORRENTE, somente foi disponibilizado no dia 31/12/2008 (fl. 225). Sendo assim, pela prova acostadas aos autos, inferese que a RECORRENTE teve disponibilidade de distribuir lucros em dezembro apenas no dia 31/12/2008, ao passo que os lucros distribuídos antecipadamente naquele mês foram feitos nos dias 02, 19, 22 e 23. Portanto, tendo em vista que a RECORRENTE deve respaldar os valores distribuídos antecipadamente em contabilidade regular e sua escrita contábil demonstra que no mês de dezembro ela não tinha disponibilidade para realizar as distribuições antecipadas de lucros como realizou, deve ser mantido o lançamento pelos seus próprios fundamentos. CONCLUSÃO Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter o crédito tributário. No que diz respeito à multa aplicada, é importante observar que, antes da MP 449/2008, a penalidade aplicada aos débitos inseridos em notificações de lançamentos era sancionada com a multa variável entre 24% a 100%, dependendo da fase processual do débito, nos termos da antiga redação do art. 35, II e III, da Lei nº 8.212/91. Neste sentido, a unidade preparadora deve verificar qual a multa mais benéfica ao contribuinte a ser utilizada no caso concreto, se a anterior à MP 449/2008 ou a atual, na forma estabelecida pelo art. 476A, da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. (assinado digitalmente) Fl. 439DF CARF MF Processo nº 18470.733077/201231 Acórdão n.º 2201004.102 S2C2T1 Fl. 436 10 Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 440DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.720950/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 14/06/2010
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso de ofício que, na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda.
Recurso de Ofício Não Conhecido.
Numero da decisão: 3302-005.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Marcos Roberto da Silva, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Renato Vieira de Ávila e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 14/06/2010 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso de ofício que, na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda. Recurso de Ofício Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Marcos Roberto da Silva, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Raphael Madeira Abad, Jorge Lima Abud, Renato Vieira de Ávila e José Renato Pereira de Deus. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 09 50 /2 01 2- 12 Fl. 500DF CARF MF 2 Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra o acórdão recorrido, que segue integralmente transcrito: Tratam os autos de impugnação contra o lançamento de multa isolada no montante de R$ 1.351.132,97, decorrente de indeferimento (total ou parcial) de pedido(s) de ressarcimento efetuado(s) por meio de PER/DCOMP, conforme disciplinado pelo § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (introduzido pelo artigo 62 da Lei nº 12.249, de 2010: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) .............................................. § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido Regularmente cientificada da autuação, o sujeito passivo apresentou impugnação, na qual trouxe os argumentos e razões que achou necessários para a sua contestação1. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada procedente, com base no fundamento resumido no enunciado da ementa que segue transcrito: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/06/2010 MULTA ISOLADA. RESSARCIMENTO INDEVIDO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A superveniência de dispositivo legal que deixa de definir como infração a hipótese fática descrita no lançamento obriga o cancelamento da sanção punitiva anteriormente aplicada. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Como foi exonerado crédito acima do limite de alçada, fixado na Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, por força do disposto no art. 34 do Decreto 70.235/1972, com as alterações introduzidas pela Lei 9.532/1997, foi interposto recurso de ofício perante este Conselho. Em 26/12/2014, a recorrente foi cientificada da decisão. Não apresentou recurso voluntário nem contrarrazões ao recurso de ofício. 1 Deixouse de relatar as razões da defesa pois, como veremos no Voto, não serão apreciadas, já que decidiuse pela aplicação da retroatividade benígna da MEDIDA PROVISÓRIA Nº 656, DE 7 DE OUTUBRO DE 2014. Fl. 501DF CARF MF Processo nº 16682.720950/201212 Acórdão n.º 3302005.283 S3C3T2 Fl. 501 3 É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. Do recurso de ofício interposto não se toma conhecimento, por não preencher os pressupostos de admissibilidade, atinente ao limite de alçada. Com efeito, o recurso de ofício foi interposto em razão de o valor da multa isolada aplicada, no valor de R$ 1.351.132,97, ter excedido o limite de alçada, no valor de R$ 1.000.000,00, fixado na Portaria MF 3/2008. Acontece que após a interposição do recurso de ofício em apreço foi editada a Portaria MF 63/2017, que, no seu art. 1º, alterou o limite de alçada do órgão de julgamento de primeiro grau para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), com os seguinte dizeres, in verbis: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Em relação ao assunto, cabe consignar que, no âmbito deste Conselho, o requisito atinente ao limite de alçada deve ser atendido na data da apreciação do recurso de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 103, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com base nessas considerações, não se toma conhecimento do referido recurso de ofício, por não atender o limite de alçada exigido no art. 34, I, do Decreto 70.235/1972 e fixado no art. 1º da Portaria MF 63/2017. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 502DF CARF MF 4 Fl. 503DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.720613/2012-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Feb 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. RESP 973.733-SC. RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF.
O Superior Tribunal de Justiça, através do REsp nº 973.733-SC, sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, decidiu que o dies a quo para contagem da decadência para o exercício do direito de constituir/formalizar o crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por obrigação, quando inexistente pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser realizado, nos termos do art. 173, I do Código Tributário Nacional. Manifestação judicial que deve obrigatoriamente ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62-A do seu regimento interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/09.
Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2007, 2008
IOF. CONTRATO DE MÚTUO. VALOR NÃO DEFINIDO. INCIDÊNCIA.
Nos contratos em que não resta definido o valor certo do mútuo, mas apenas o estabelecimento de um valor máximo a ser colocado à disposição do interessado, segundo as necessidades do mutuário e as disponibilidades financeiras do mutuante, a apuração do imposto deve levar em conta os saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, consoante art. 7º, I, a do Decreto nº 6.306/2007.
IOF. CONTRATO DE MÚTUO. NOVAÇÃO. TROCA DE MUTUÁRIO.
Considera-se fato jurídico tributário do IOF distinto a novação contratual, assim considerada quando novo devedor sucede o antigo, ficando este quite com o credor, nos termos do art. 306 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não se cuidando, nesse caso, de mero aditamento contratual, com manutenção do ajuste original.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que acordou com as razões externadas no Acórdão 3401-002.877, citado no voto do relator.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. RESP 973.733-SC. RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça, através do REsp nº 973.733-SC, sob a sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, decidiu que o dies a quo para contagem da decadência para o exercício do direito de constituir/formalizar o crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por obrigação, quando inexistente pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser realizado, nos termos do art. 173, I do Código Tributário Nacional. Manifestação judicial que deve obrigatoriamente ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62-A do seu regimento interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/09. Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2007, 2008 IOF. CONTRATO DE MÚTUO. VALOR NÃO DEFINIDO. INCIDÊNCIA. Nos contratos em que não resta definido o valor certo do mútuo, mas apenas o estabelecimento de um valor máximo a ser colocado à disposição do interessado, segundo as necessidades do mutuário e as disponibilidades financeiras do mutuante, a apuração do imposto deve levar em conta os saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, consoante art. 7º, I, a do Decreto nº 6.306/2007. IOF. CONTRATO DE MÚTUO. NOVAÇÃO. TROCA DE MUTUÁRIO. Considera-se fato jurídico tributário do IOF distinto a novação contratual, assim considerada quando novo devedor sucede o antigo, ficando este quite com o credor, nos termos do art. 306 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não se cuidando, nesse caso, de mero aditamento contratual, com manutenção do ajuste original. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2015; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11075.720613/201251 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401004.339 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2018 Matéria IOF Recorrente SUPERMERCADO BAKLIZI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. RESP 973.733SC. RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. O Superior Tribunal de Justiça, através do REsp nº 973.733SC, sob a sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, decidiu que o dies a quo para contagem da decadência para o exercício do direito de constituir/formalizar o crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao lançamento por obrigação, quando inexistente pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ser realizado, nos termos do art. 173, I do Código Tributário Nacional. Manifestação judicial que deve obrigatoriamente ser reproduzida nos julgamentos deste Conselho Administrativo, por força do disposto no art. 62A do seu regimento interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/09. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2007, 2008 IOF. CONTRATO DE MÚTUO. VALOR NÃO DEFINIDO. INCIDÊNCIA. Nos contratos em que não resta definido o valor certo do mútuo, mas apenas o estabelecimento de um valor máximo a ser colocado à disposição do interessado, segundo as necessidades do mutuário e as disponibilidades financeiras do mutuante, a apuração do imposto deve levar em conta os saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês, consoante art. 7º, I, “a” do Decreto nº 6.306/2007. IOF. CONTRATO DE MÚTUO. NOVAÇÃO. TROCA DE MUTUÁRIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 06 13 /2 01 2- 51Fl. 588DF CARF MF 2 Considerase fato jurídico tributário do IOF distinto a novação contratual, assim considerada quando novo devedor sucede o antigo, ficando este quite com o credor, nos termos do art. 306 do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não se cuidando, nesse caso, de mero aditamento contratual, com manutenção do ajuste original. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, que acordou com as razões externadas no Acórdão 3401002.877, citado no voto do relator. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente o Cons. André Henrique Lemos. Relatório Cuidase de lançamento de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros – IOF, 2007/2008, referente a mútuos firmados entre o autuado e MAB Comércio de Alimentos Ltda., em 07/03/2005, e Marie Alie Baklizi, em 31/07/2008. Em impugnação o contribuinte imputou a ausência de recolhimento do imposto ao desconhecimento da lei; esclareceu que os recursos liberados à MAB o foram em parcela única, no dia 09/03/2005; e, pugnou pela decadência integral do lançamento, tendo em vista que entre a ocorrência do fato gerador, disponibilidade financeira, e a autuação transcorrera lapso temporal superior a 05 (cinco) anos, inclusive em relação ao mútuo de Marie Alie Baklizi, decorrente de novação do contrato, com modificação do mutuário, ajustado originariamente entre o autuado e MAB. A DRJ Rio de Janeiro I/RJ julgou o lançamento procedente, verbis: “DECURSO DO PRAZO DECADENCIAL. INOCORRÊNCIA. Inexistindo pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 11075.720613/201251 Acórdão n.º 3401004.339 S3C4T1 Fl. 11 3 DÉBITO NÃO CONFESSADO. FALTA DE PAGAMENTO. A falta de confissão do débito e a ausência de pagamento autorizam o lançamento de ofício.” O recurso voluntário, com certa variação, reprisou os argumentos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso voluntário preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria a ser decidida nesta assentada restringese à ocorrência, ou não, da decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário decorrente das operações de mútuo relacionadas. Neste diapasão, o argumento central da defesa está embasado no fato do contrato original de mútuo, firmado entre o recorrente e MAB Comércio de Alimentos Ltda. (efls. 464/468), ter sido firmado em 07/03/2005, o que, tanto pelas regras do art. 150, § 4º como do 173, I, ambos do Código Tributário Nacional, acarretaria a decadência integral do lançamento, vez que cientificado da autuação em 18/04/2012. Posteriormente, em 31/07/2008, esse mesmo contrato foi objeto de repactuação, com a confecção de um “Aditamento e Consolidação de Contrato de Mútuo” (efls. 470/478), onde MAB assumiu a condição de interveniente e ocorreu a transferência da dívida a uma nova mutuária, Marie Ali Baklizi, e, a despeito de não claramente exposto, parece entender o recorrente que, tratandose de mero aditamento do contrato original, o fato gerador manterseia na data de sua formalização – 07/03/2005 –, de modo que a exigência, como um todo, teria sido colhida pelo fato extintivo. O lançamento não adentra detalhes, porém, fixa a contagem do lapso decadencial no art. 173, I do Código Tributário Nacional, ante a ausência de recolhimentos a atrair as disposições do art. 150, § 4º do mesmo diploma. A decisão recorrida, por sua vez, forma um raciocínio consoante o qual, dada a peculiar apuração do IOF, com incidência diária e albergando o lançamento períodos de apuração entre 2007 e 2008, com ciência do lançamento em 18/04/2012, não haveria que se falar em decadência, mormente se considerado o prazo estatuído no art. 173, I do CTN. Nesse ponto, há um questionamento do recorrente na premissa adotada pela decisão recorrida, acerca da natureza do mútuo – se se trata de valor definido ou indefinido – defendendo o colegiado a quo que se cuidaria, na espécie, da segunda situação, pois o contrato previa um empréstimo a ser liberado em parcelas, com um limite máximo de R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), enquanto o recorrente sustentou que, ainda que previstas parcelas, esse Fl. 590DF CARF MF 4 valor máximo foi liberado em uma única vez, de maneira que se estaria diante de um contrato de valor definido. Esse ponto controvertido voltará a ser tratado no momento de se examinar a incidência do imposto. Preambularmente, cumpreme definir o dispositivo do CTN a regular a decadência, no caso desses autos, valendo registrar que, mesmo diante de tributo sujeito ao lançamento por homologação, não houve qualquer recolhimento, aplicandose a inteligência fixada no REsp 973.733/SC, julgado sob a sistemática do recurso repetitivo (então art. 543C do Código de Processo Civil de 1973), de reprodução obrigatória no âmbito deste sodalício, por força do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/2015, que assim decidiu: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial Fl. 591DF CARF MF Processo nº 11075.720613/201251 Acórdão n.º 3401004.339 S3C4T1 Fl. 12 5 decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” (grifos no original) Estabelecida a forma de cômputo da decadência, passo ao exame dos fatos jurídicos lançados, principiando pela mutuária Marie Alie Baklizi. Aludido mútuo é fruto de novação, ocorrida em 31/07/2008, do contrato firmado originalmente entre o recorrente e MAB, em 07/03/2005, incidindo aqui o previsto no art. 3º, § 1º, VI c/c art. 7º, § 10, ambos do Decreto nº 6.306/2007: “Art. 3o O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: (...) VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; (...) Art. 7o Omissis (...) § 10. No caso de novação, composição, consolidação, confissão de dívida e negócios assemelhados de operação de crédito em que haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor renegociado na operação.” (grifado) Com efeito, a teor do art. 360, II do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), dáse a novação quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor, sendo essa exatamente a situação do denominado “Aditamento e Consolidação de Contrato de Mútuo” de Fl. 592DF CARF MF 6 efls. 470 e ss., de maneira que essa inovação contratual redunda em nova ocorrência de fato gerador do IOF, na data de sua formalização, in casu, 31/07/2008, no valor consolidado de R$ 599.972,75 (quinhentos e noventa e nove mil, novecentos e setenta e dois reais, setenta e cinco centavos), sendo essa a base de cálculo apropriada pela fiscalização no lançamento. Considerando a ocorrência de novação e não de simples “aditamento”, a data a ser considerada, para fins de lançamento, é 31/07/2008, e não 07/03/2005, como pareceu pretender o recorrente, não havendo, portanto, que se falar em decadência nessa parte. Concernente ao mútuo havido com MAB, os fatos não são tão simples, exigindo o exame mais acurado da regra matriz de incidência do IOF, haja vista que o art. 3º do Decreto nº 6.306/2007, sucessor do Decreto nº 4.494/2002, dispõe o que subsegue: “Art. 3o O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. § 2o O débito de encargos, exceto na hipótese do § 12 do art. 7o, não configura entrega ou colocação de recursos à disposição do interessado. § 3o A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei no 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1o, inciso I); II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei no 9.532, de 1997, art. 58); Fl. 593DF CARF MF Processo nº 11075.720613/201251 Acórdão n.º 3401004.339 S3C4T1 Fl. 13 7 III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13).” Em princípio, então, sendo o fato gerador do tributo a disponibilização dos recursos aos mutuários, nas diversas formas que menciona, este seria o marco inicial da contagem da decadência, nestes autos, 07/03/2005, data da assinatura do contrato, ou 09/03/2005, data da liberação do numerário, o que levaria ao reconhecimento da decadência. No entanto, melhor analisando a forma peculiar de incidência tributária, a sua ocorrência, nos termos do art. 7º do Decreto nº 6.306/2007, não se dá uma única vez, como sói acontecer nas demais espécies tributárias, mas se prolonga em toda a duração do mútuo, com incidência mensal, a partir dos saldos devedores diários verificados no último dia do mês, limitada à alíquota máxima prevista no art. 6º: “CAPÍTULO III DA BASE DE CÁLCULO E DA ALÍQUOTA Da Alíquota Art. 6o O IOF será cobrado à alíquota máxima de um vírgula cinco por cento ao dia sobre o valor das operações de crédito (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o). Da Base de Cálculo e das Alíquotas Reduzidas Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o, parágrafo único, e Lei no 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0082%; (Redação dada pelo Decreto nº 6.339, de 2008). 2. mutuário pessoa física: 0,0041%; (Redação dada pelo Decreto nº 6.691, de 2008). 2. mutuário pessoa física: 0,0082%; (Redação dada pelo Decreto nº 7.458, de 2011) Produção de efeito 2. mutuário pessoa física: 0,0068%; (Redação dada pelo Decreto nº 7.632, de 2011) Produção de efeito Fl. 594DF CARF MF 8 2. mutuário pessoa física: 0,0041%; (Redação dada pelo Decreto nº 7.726, de 2012) Produção de efeito 2. mutuário pessoa física: 0,0082%; (Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) (Vigência) b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; 2. mutuário pessoa física: 0,0041% ao dia; 2. mutuário pessoa física: 0,0082% ao dia; (Redação dada pelo Decreto nº 6.339, de 2008). 2. mutuário pessoa física: 0,0041% ao dia; (Redação dada pelo Decreto nº 6.691, de 2008). 2. mutuário pessoa física: 0,0082% ao dia; (Redação dada pelo Decreto nº 7.458, de 2011) Produção de efeito 2. mutuário pessoa física: 0,0068% ao dia; (Redação dada pelo Decreto nº 7.632, de 2011) Produção de efeito 2. mutuário pessoa física: 0,0041% ao dia; (Redação dada pelo Decreto nº 7.726, de 2012) Produção de efeito 2. mutuário pessoa física: 0,0082% ao dia; (Redação dada pelo Decreto nº 8.392, de 2015) (Vigência) (...)” Nas hipóteses que interessam, supratranscritas, ou a incidência se dá pela aplicação da alíquota sobre os saldos devedores diários verificados no último dia de cada mês, para os mútuos de valor indefinido, ou com aplicação da alíquota diária sobre o valor mutuado, quando definido. Diante dos excertos colecionados e se aplicada a exegese simplista de considerar a data da disponibilização financeira como dies a quo do interregno extintivo, como fato instantâneo e imediato, nas hipóteses em que os contratos tivessem prazo de liquidação superior a 05 (cinco) anos, o contribuinte estaria sujeito a submeterse à incidência tributária apenas no primeiro qüinqüênio, ficando a Fazenda Nacional impedida de exigir o período remanescente, ainda que não tivesse concorrido, de forma alguma, para perda do direito ao crédito tributário restante. Não custa lembrar que prescrição e decadência têm como pressuposto basilar a inércia do detentor do direito em exercêlo (dormientibus non succurrit jus). Na hipótese sugerida, se acolhido o raciocínio exposto, mesmo que ausente qualquer inércia, a Fazenda Nacional perderia o direito ao crédito tributário respectivo, pela simples fluência do prazo de 05 (cinco) anos, o que não parece condizente com direito posto. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 11075.720613/201251 Acórdão n.º 3401004.339 S3C4T1 Fl. 14 9 Sob esse aspecto, pertinente a exegese patrocinada pelo eminente Cons. Eloy Eros da Silva Nogueira, externada em declaração de voto, no Acórdão 3401002.877, de 29/01/2015, consoante a qual, tratandose o mútuo de um contrato obrigacional que se protrai no tempo, o fato gerador do IOF absorveria esta característica especial e sua hipótese de incidência seria continuada, enquanto vigente o negócio mutual, verbis: “Ademais, constatamos que a apuração do tributo depende do fator temporal. Afinal, a relação obrigacional entre mutuário e mutuante prossegue no tempo, para além do seu termo inicial, enquanto não for adimplida. Em termos tributários, s.m.j., pareceme que o fato gerador se protrai no tempo, como um fato continuado, dia após dia, mas cuja base de cálculo do tributo dependerá do valor dessa operação de crédito, entre eles, naquele dia. Estes aspectos, creio, são fundamentais para também compreendermos como pode ocorrer a decadência no IOF apurado com base em saldo diário da operação de crédito. A meu ver, a decadência não é determinada pela data inicial ou original da operação de crédito. Para se verificar a ocorrência da decadência é necessário se considerar cada uma das datas que constituem o prosseguimento desse mútuo ao longo do tempo. Assim, seria possível que um mesmo mútuo ou operação de crédito tivesse um período abrangido pela decadência e outro não abrangido pela decadência. Apenas como hipótese exemplificativa, um mútuo feito há 20 anos, enquadrado na situação prevista na letra 'a' do inciso I do artigo 7º do Decreto 6.306/2007, que o mutuário vem liquidando em suaves prestações, é operação de crédito sobre a qual incide IOF para o período de cinco anos previsto na Lei como não decaído. Não é motivo para afastar essa incidência do IOF o fato do empréstimo ter sido feito para além desse período não decadencial, pois esse mútuo essa operação de crédito se estende no tempo, permanecendo, ele, válido e objeto da incidência tributária em questão. Pensar o contrário, pareceme, seria reduzir substancialmente a efetividade do IOF como instrumento de política econômica, que é a sua principal finalidade (art. 65 do CTN).” A partir dessas observações e após refletir longamente sobre a questão, revejo o meu posicionamento anterior, inclusive adotado naquele julgado, para entender que a forma de contagem da decadência, para o IOF, deve considerar o seu fato gerador como continuado, e não instantâneo, ante a sua especial forma de incidência, tendo em conta o prazo de vigência do mútuo, principalmente nos contratos sem valor definido, naqueles sem prazo previsto de liquidação, de renovação automática ou nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem Fl. 596DF CARF MF 10 colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, onde inexiste contrato formal. Com isso, a decadência deve ser contada de forma invertida, de trás para frente, partindose do dies ad quem o termo final, coincidente com a lavratura do auto de infração ou notificação de lançamento, retroagindo até 05 (cinco) anos, onde se encontraria o termo inicial, mesmo que a disponibilização dos recursos tenha se verificado em momento anterior. Nessa ordem intelectiva, o aspecto material da regra de exação fixaria a ocorrência do fato jurídico tributário, tomado como continuado, não sendo o marco inicial para a contagem da decadência a mera disponibilização do recurso, fato imediato, mas a duração do mútuo, considerando, ainda, no caso do IOF, seu aspecto quantitativo (base de cálculo e alíquota), como dito, em função da peculiaridade de sua apuração e cobrança. Melhor colocando, o dito “fato gerador” do IOF, nas hipóteses anteriormente elencadas, em especial os mútuos sem valor/prazo definido, é a colocação dos recursos financeiros à disposição do mutuário, que, pela integração das normas de regência, por opção legislativa, é mensal, como se houvesse uma renovação automática do crédito a cada mês calendário, de tal sorte que a decadência deve ser contada mês/mês e não quando da primeira liberação, como ocorre, nos casos de mútuo de valor definido. Desse modo, uma vez que a fiscalização tenha lançado os saldos devedores diários existentes em 2007 e 2008, mesmo que a disponibilização do capital tenha se dado em março/2005, tomada a ciência da autuação em abril/2012, não há que se falar em decadência, nos termos do art. 173, I do CTN. Respeitante à alegação que não se trataria de contrato sem valor definido, mas, ao contrário, definido, para o desiderato de apontar a maneira de apuração, na linha do que decidido pelo colegiado a quo e o autuante, em que pese a entrega dos recursos financeiros, segundo o recorrente, em parcela única, é inegável que o ajuste entre as partes previa apenas um valor máximo, não trazendo um valor definido, mas prevendo que o mutuante (recorrente) entregaria as parcelas solicitadas pelo mutuário (MAB) conforme suas disponibilidades financeiras (efls. 464/468). Ou seja, a previsão contratual é que o mútuo apresentaria uma variação, observado um limite máximo, de acordo com necessidades do mutuário e disponibilidades do mutuante. O fato de ser aportada a quantia máxima prevista, de uma única vez, não transmuta a previsão contratual de valor variável para valor certo, como defende o recorrente. Portanto, o lançamento e a decisão recorrida devem ser mantidos pelos seus próprios fundamentos, não assistindo razão ao recorrente. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso manobrado. Robson José Bayerl Fl. 597DF CARF MF Processo nº 11075.720613/201251 Acórdão n.º 3401004.339 S3C4T1 Fl. 15 11 Fl. 598DF CARF MF
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Numero do processo: 19679.010809/2003-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1998
DCTF. DEBITO CONFESSADO. PAGO.
Descabe a exigência de imposto, cujo pagamento não havia sido localizado, se diligência aponta que foi devidamente pago.
Numero da decisão: 1201-001.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 DCTF. DEBITO CONFESSADO. PAGO. Descabe a exigência de imposto, cujo pagamento não havia sido localizado, se diligência aponta que foi devidamente pago.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
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DEBITO CONFESSADO. PAGO. Descabe a exigência de imposto, cujo pagamento não havia sido localizado, se diligência aponta que foi devidamente pago. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 08 09 /2 00 3- 56 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 19679.010809/200356 Acórdão n.º 1201001.992 S1C2T1 Fl. 3 2 Trata o processo de auto de infração de revisão interna de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF do 3º e 4º trim/1998, que exige R$58.667,96 de 2089 IRPJ LUCRO PRESUMIDO, cujos pagamentos não foram localizados, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros de mora, págs. 16/23. 3. Em 17/01/2011, foi emitido o Despacho Decisório035/2011, de pág. 39, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em Sao Paulo/Divisão de Controle e Acompanhamento Tributário Dicat/Equipe de Auditoria e Acompanhamento da Arrecadação Eqaar, que revisou de ofício o lançamento fiscal, cancelando parte da exigência e mantendo os valores demonstrados às págs. 35/38: RESUMO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS LANÇADOS COM REVISÃO DO LANÇAMENTO R6 VALORES EM R$ DISCRIMINAÇÃO VALOR LANÇADO E IMPUGNADO VALOR IMPROCEDENTE SALDO REMANESCENTE Principal 58.667,96 50.179,00 8.488,96 Multa Vinculada 44.000,98 37.634,26 6.366,72 Multa Mora Isolada 0,00 0,00 0,00 Juros Mora Isolados 0,00 0,00 0,00 Multa de Ofício Isolada 0,00 0,00 0,00 TOTAL 102.668,94 87.813,26 14.855,68 4. Em seguida, a impugnação apresentada foi julgada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo DRJ/SP1, Acórdão nº 1636.114, de 9 de fevereiro de 2012, págs. 43/49, que considerou o lançamento procedente em parte, nos termos da revisão de ofício, em relação ao principal, e reduziu a multa aplicada, de multa de ofício, para multa de mora, limitada a 20%, "consoante previsto no art. 61, caput e §2º, da Lei nº 9.430, de 1996, inclusive na forma do art. 43 da referida legislação de referência, e em respeito ao princípio da retroatividade benigna, firmado pelo art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei no 5.172, de 25/10/1966; restou portanto o seguinte crédito tributário a exigir: EXIGIDO EXONERADO MANTIDO CÓDIGO RECEITA (ORIGEM) CÓDIGO RECEITA (AI) PERÍODO DE APURAÇÃO (ORIGEM) PRINCIPAL LANÇADO MULTA DE OFÍCIO PRINCIPAL LANÇADO MULTA DE OFÍCIO PRINCIPAL LANÇADO MULTA DE OFÍCIO 2089 2917 0110/1998 8.488,96 6.366,72 0,00 4.668,93 8.488,96 1.697,79 Nota: Valores sujeitos a imputação de juros de mora vinculados a data da consolidação para pagamento do saldo devedor remanescente. 5. Cientificado em 08/03/2012, o contribuinte (Cecoop Assessoria Empresarial Ltda, CNPJ 64.187.594/000174, sucessora do contribuinte autuado) interpôs Recurso Voluntário, tempestivo em 09/04/2012, e alega: II.1 PRELIMINAR Na DCTF do 4o Trimestre/98, foi informado indevidamente o valor de R$ 29.333,98, correspondente a (IRPJ), entretanto, o mesmo referese ao período de apuração do Fl. 172DF CARF MF Processo nº 19679.010809/200356 Acórdão n.º 1201001.992 S1C2T1 Fl. 4 3 3o trimestre/98, sendo o valor correto R$ 20.797,02 com vencimento em 29/01/1999, conforme DIPJ entregue e DARF devidamente recolhido. II. 2 MÉRITO Estamos anexando cópias do DARF, devidamente recolhido pelo Banco e da DIPJ 1999 ano calendário 1998 entregue em 29/09/1999. 6. A 2ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do CARF emitiu a resolução nº 1802000.549, de 24 de agosto de 2014, para que fosse averiguado: (...) com base nos livros contábeis e fiscais da Contribuinte, e outros documentos que se considere relevantes, seja verificado qual é o efetivo valor do IRPJ devido no quarto trimestre de 1998. Essas informações devem ser apresentadas em relatório circunstanciado, com ciência da Contribuinte para que possa se manifestar no prazo de 30 dias. 7. A execução da diligência está documentada às págs. 135/167, o Relatório foi cientificado ao recorrente, que não se manifestou. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 8. Consta do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Ricarf, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 49. O presidente da Câmara participará do planejamento da quantidade de lotes a ser sorteada aos conselheiros dos colegiados vinculados à Câmara e dos recursos repetitivos. (...) §5º Os processos que retornarem de diligência, os conexos, decorrentes ou reflexos e os com embargos de declaração opostos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, mediante sorteio para qualquer conselheiro da turma. §6º Os embargos de declaração opostos contra decisões e os processos de retorno de diligência de turmas extintas serão distribuídos ao relator ou redator, independentemente de sorteio ou, caso relator ou redator não mais pertencer à Seção, o Presidente da respectiva Câmara devolverá para sorteio no âmbito da Seção. (Grifouse.) 9. Haja vista a extinção da Turma a que pertencia o relator, passo à análise e voto. Fl. 173DF CARF MF Processo nº 19679.010809/200356 Acórdão n.º 1201001.992 S1C2T1 Fl. 5 4 Mérito. 10. Às págs. 164/165, o Despacho EREV/DICAT, é o relatório da diligência realizada, e concluiu que: 8. Da análise da documentação anexada, em especial registros às fls. 144/148. notase que o interessado apurou, para o 4o trimestre/98, débito de IRPJ no valor de R$ 26.980.95. Considerando a dedução de retenções na fonte, confirmadas em Diif. fl. 159, de R$ 6.135,93, o valor a pagar de IRPJ para o 4o trimestre/98 foi de R$ 20.845,02. Considerando o pagamento de fls. 151 e 160, percebese que este foi suficiente para a quitação do saldo a pagar do imposto para o período em apreciação. Abaixo, quadro demonstrativo: Quadro 01. Revisão IRPJ 4o Trimestre/1998 CNPJ nº 64.187.610/000129 (R$) PA (trimestral) Débito () Deduções IRPJ a pagar Pagamentos Saldo a pagar 04/1998 26.980,95 6.135,93 20.845,02 20.845,02 0,00 11. À vista desta conclusão, cabe dar provimento ao Recuso Voluntário. Conclusão. Voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 174DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.721248/2009-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS e referendado pelo Acórdão recorrido. Não há que se cogitar de vício material no lançamento.
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho.
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-006.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS e referendado pelo Acórdão recorrido. Não há que se cogitar de vício material no lançamento. DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
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CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais, ainda que recebidas acumuladamente pelo contribuinte, devem ser tributadas pelo imposto sobre a renda com a aplicação das tabelas progressivas vigentes à época da aquisição dos rendimentos (meses em que foram apurados os rendimentos percebidos a menor), ou seja, de acordo com o regime de competência, consoante decidido pelo STF no âmbito do RE 614.406/RS e referendado pelo Acórdão recorrido. Não há que se cogitar de vício material no lançamento. DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 12 48 /2 00 9- 24 Fl. 315DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Paula Fernandes (relatora) e Patrícia da Silva, que lhe deram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 2201002.521, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 138.395,59, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Contribuinte apresentou impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, fls. 82/87, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. O Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, às fls. 91/128. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 9202006.389 CSRFT2 Fl. 316 3 A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 132/138, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para excluir a aplicação da multa de ofício. Porém, às fls. 141/142, a própria Turma Ordinária apresentou Embargos Inominados, após verificar que o lançamento foi efetuado tomando por base a tabela do imposto de renda vigente na data do pagamento do rendimento (regime de caixa), e não a tabela mensal vigente na época própria a que se referem os rendimentos (regime de competência), como erroneamente constou do relatório do acórdão ora embargado. Às fls. 147/151, os Embargos foram acolhidos, para anular o Acórdão nº 2201001.757, de 14 de agosto de 2012, e sobrestar o julgamento do recurso, conforme a Portaria CARF nº 01/2012. Em novo julgamento, às fls. 152/159, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos, bem como excluir a aplicação da multa de ofício. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. “Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção”. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. Fl. 317DF CARF MF 4 ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda. IRPF. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS ACUMULADAMENTE. TABELA MENSAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, conforme dispõe o Recurso Especial nº 1.118.429/SP, julgado na forma do art. 543C do CPC. Aplicação do art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256/2009). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. SÚMULA CARF Nº 73. “Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício”. IRPF. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS TRIBUTADAS. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. No julgamento do REsp 1.227.133/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que apenas os juros de mora pagos em virtude de decisão judicial proferida em ação de natureza trabalhista, por se tratar de verba indenizatória paga na forma da lei, são isentos do imposto de renda, por força do inciso V do art. 6º da Lei n° 7.713/1988. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 162/168. Preliminarmente, requereu o sobrestamento do feito, conforme o art. 62A, § 1º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, em virtude de o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido a repercussão geral de matéria exaustivamente abordada e prequestionada nos autos dos Recursos Extraordinários de nº 614232 e 614406. No mérito, alegou divergência jurisprudencial em relação à seguinte matéria: Rendimentos Recebidos Acumuladamente RRA. A divergência ocorre em relação à solução jurídica. Os acórdãos paradigmas aplicam integralmente o art. 12 da Lei n. 7.713/88, segundo o qual, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto de renda incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos. Por sua vez, o acórdão recorrido afirma que, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o IRPF deve ser recolhido no mês do recebimento, mas o cálculo desse imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Ou seja, para fins de aplicação da alíquota, devem ser considerados os valores mensais, e não o montante global auferido. Às fls. 170/175, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, NEGANDO SEGUIMENTO, tendo em vista que os paradigmas dizem respeito a julgamentos muito anteriores aos atos normativos que orientaram o acórdão recorrido, portanto jamais poderiam conferirlhes interpretação diversa da contida no acórdão recorrido, simplesmente porque tais atos normativos sequer existiam àquela época (2005 e 2006). O despacho foi mantido em sede de Reexame de Admissibilidade, à fl. 176. A União tomou ciência da negativa do Despacho à fl. 179. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 9202006.389 CSRFT2 Fl. 317 5 Intimado, o Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência, às fls. 181/218, alegando divergência jurisprudencial em relação às seguintes matérias: 1. Violação à Súmula 02 do CARF e ao art. 62 do Regimento Interno – Afastamento de Legislação Tributária fundada em incompatibilidade com artigo da Constituição Federal. Alegou o Contribuinte em nenhum momento ter suscitado a inconstitucionalidade de lei. Arguiu que a irresignação consistiu, efetivamente, em não ser observada pela Fiscalização autuante a existência de Lei válida, que se encontra dotada de eficácia plena, pois até hoje não foi formalmente declarada qualquer inconstitucionalidade sobre a mesma. Apresentou acórdão paradigma em contrariedade ao acórdão recorrido e observou que em ambos os casos os Recorrentes não suscitaram ou requereram a declaração de inconstitucionalidade por parte do Conselho de Contribuintes. Entretanto, o acórdão recorrido afastou aplicação de Lei válida e eficaz por incompatibilidade com artigo da Carta Magna, ao passo que o acórdão paradigma deixou de apreciar a incompatibilidade suscitada em virtude de sua incompatibilidade. 2. Ilegitimidade da União Federal para figurar no pólo ativo da relação jurídicotributária. Arguiu que a titularidade do imposto de renda de cobrança não é da Recorrida e sim do Estado da Bahia e, daí, a falta de legitimidade da União para figurar no polo ativo dessa relação jurídicotributária. 3. Imprestabilidade da Base de Cálculo na forma em que se encontra – Lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção. Após longa argumentação, o Recorrente observou que, para efeito de admissibilidade e para comprovar que este ilustre Conselho vem anulando autuações que tenha “erro de construção do lançamento”, trouxe o paradigma, no qual buscou demonstrar que, no caso em exame, o lançamento foi revisado após ter sido constituído e notificado o Contribuinte, ao passo que no paradigma a conclusão foi no sentido de nulidade justamente pela existência de erro na construção do lançamento. 4. URV – Parcelas de Natureza Indenizatória. Divergindo do acórdão recorrido, os paradigmas, em caso idêntico, concluíram pelo caráter indenizatório da parcela percebida a título de URV. 5. Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios. O Recorrente apresentou acórdão paradigma reconhecendo a não incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora, em contrariedade ao decido no acórdão recorrido. 6. Não Incidência de Juros de Mora sobre o IR Cobrado. Arguiu que, caso seja decidido pela incidência do Imposto de Renda sobre Juros Moratórios, não deve incidir sobre aquele os juros de mora (tal qual foi excluída a multa de ofício), nos termos do art. 722 e conforme decisão juntada do Superior Tribunal de Justiça. Às fls. 275/286, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo Contribuinte, DANDO PARCIAL SEGUIMENTO ao recurso em relação à terceira, à quarta e à quinta divergências arguidas: “Imprestabilidade da Base de Cálculo na forma em que se encontra – Lançamento que desconsiderou possíveis deduções e apresentou erro na sua construção; “URV – Parcelas de Natureza Indenizatória” e “Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios”. O recurso também foi submetido à Presidência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, às fls. 287 e ss., que manteve o despacho exarado pelo Presidente da Câmara. Do despacho, o Contribuinte foi intimado à fl. 293. Às fls. 296/331, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, sem preliminar, rebateu todas as matérias admitidas e requereu, em síntese, a negativa do Recurso. Vieram os autos conclusos para julgamento. Fl. 319DF CARF MF 6 É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de processo de Autuação, conforme Auto de Infração, para cobrança de Imposto de Renda de Pessoa Física, exercícios de 2005, 2006 e 2007, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 138.395,59, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise a divergência jurisprudencial em relação as seguintes matérias: “Erro na Base de Cálculo; “URV – Parcelas de Natureza Indenizatória” e “Não Incidência de IR sobre os Juros Moratórios/Compensatórios”. 1. ERRO NA BASE DE CÁLCULO – FORMA DE APURAÇÃO DO IMPOSTO DEVIDO. Na decisão recorrida, deuse provimento ao recurso, para cancelar o lançamento, devido à impossibilidade de refazimento do lançamento na atual fase processual. Da análise do tema, observo que assiste razão ao Contribuinte, pois o referido lançamento não pode prosperar. Isso porque o art. 12 da Lei nº 7.713/88 teve sua constitucionalidade afastada. O referido dispositivo legal que era utilizado para a cobrança do IRPF incidente sobre rendimentos recebidos de forma acumulada, através da aplicação da alíquota vigente no momento do pagamento sobre o total recebido, teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário nª 614.406/RS, o qual foi submetido à sistemática da Repercussão Geral prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, vejamos: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 9202006.389 CSRFT2 Fl. 318 7 A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014 ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe233 DIVULG 26112014 PUBLIC 27112014) Nesse sentido cito aqui voto do Conselheiro Relator Martin da Silva Gesto, no processo 11080.731461/201324, julgado recentemente (17/02/2016) já pela nova composição de conselheiros deste Tribunal Administrativo: De acordo com a referida decisão, transitada em julgado em 09/12/2014, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas (nascimento da obrigação tributária), é necessário, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, que o dimensionamento da obrigação tributária observe o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, e não o foram. Assim, considerando que o lançamento foi amparado na interpretação jurídica de dispositivo legal, que foi declarado inconstitucional pelo STF, é de se reconhecer que houve um vício material no lançamento, que utilizou fundamento legal inválido. 2. IMPOSTO SOBRE A RENDA E INDENIZAÇÕES Pois bem, como dito a problemática consiste na questão da natureza atribuída a verba recebida pelo contribuinte, e para melhor deslinde da questão mister se faz analisar o enquadramento das indenizações perante a legislação do imposto sobre a renda. A interpretação dada pela Fazenda Nacional é a de que na medida em que a legislação federal, prevê expressamente a isenção ou nãotributação de certas verbas indenizatórias ( como as contempladas nos incisos IV e V do artigo 6° da Lei federal n. 7.713/88 ), então só estariam excluídas da incidência estas verbas; e por consequência, todas as demais verbas de caráter indenizatório não expressamente contempladas estariam sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda. Para os doutrinadores esta afirmação é incompatível com os dispositivos constitucionais e também as disposições do Código Tributário Nacional. Para Aliomar Baleeiro, " a renda se destaca da fonte sem empobrecêla", e Marco Aurélio Greco complementa: "indenizar é tornar" sem dano" aquele patrimônio; não é acrescêlo, é recompôlo ao que era antes do evento. Portanto, nestes casos, a indenização não é produto do capital e/ou do trabalho, nem acréscimo patrimonial, razão pela. qual está fora do âmbito de incidência do imposto sobre a renda". Isto significa que o fato de não haver na legislação federal regra expressa prevendo a não incidência de determinada indenização (com o perfil acima) não implica na sua tributação. Ao contrário, não há necessidade de regra neste sentido, pela singela razão de esta indenização não estar alcançada pela norma constitucional (art. 153, Ill). Por definição, está fora do âmbito material de incidência; logo, não precisa haver previsão neste sentido e as que Fl. 321DF CARF MF 8 existirem terão caráter explicitador, por vezes, resultantes de dúvidas surgidas quanto à natureza jurídica de determinada verba. O jurista citado ainda ensina que, "indenização que implique recomposição de patrimônio passado economicamente identificável (ou seja, sem haver acréscimo patrimonial), não configura hipótese de incidência do imposto sobre a renda. A verba paga é evento do mundo dos fatos que pode receber mais de uma qualificação jurídica a depender das circunstâncias que a cercam". A questão primordial a ser debatida aqui é saber a quem cabe afirmar a natureza jurídica de determinada verba para fins de enquadramento na legislação do imposto sobre a renda. Três situações podem ser identificadas: a) partes privadas (contratualmente ou por outro instrumento) qualificam determinada verba como de caráter indenizatório; b) o Poder Judiciário, no bojo da prestação jurisdicional, qualifica a verba como indenizatória; e c) a Lei qualifica a verba como indenizatória. Na medida em que a natureza jurídica é que determina a incidência ou não do imposto sobre a renda, importante compreender em quais hipóteses o Fisco Federal pode recusar a qualificação oriunda de qualquer das situações acima e afirmar a natureza não indenizatória da verba, de modo a deflagrar a incidência das regras do imposto. A terceira hipótese é a que nos importa no caso em tela, uma vez que o contribuinte em questão teve a natureza de sua verba declarada como indenizatória por meio de Lei Estadual. É de se destacar o fato de a qualificação indenizatória dada a verba foi editada pelo legislador através de uma lei específica. Toda lei goza de presunção de constitucionalidade. Caso se tratasse de uma lei federal, o Fisco também federal, não teria competência para afastar sua aplicabilidade, pois não lhe é dado substituirse ao legislador, nem tem competência para declarar a inconstitucionalidade de uma norma. Tratandose de lei estadual abrese o debate, pois a qualificação jurídica por ela veiculada tem o efeito de atribuir ao fato subjacente uma qualidade que por decorrência e em função do caráter de Direito de superposição de que se reveste o Direito Tributário repercute na aplicação da lei tributária federal, ao afastáIa no caso de indenizações (que não impliquem acréscimo patrimonial). Daí a pergunta, que responde toda a problemática aqui veiculada,: pode a lei estadual interferir com a interpretação e aplicação da lei tributária federal? Embora pareça questão de fácil resolução, e a resposta pareça ser a simples alegação realizada pelo Fisco, de que não cabe a Lei estadual interferir nas hipóteses de incidência|(fato gerador) de tributo federal, penso que a questão envolve outros institutos jurídicos e concepções tributárias. Para alguns juristas, nos quais novamente cito Marco Aurélio Greco, a pergunta envolve um falso problema. Pois a questão efetiva não é esta, obviamente os Estados não têm competência para legislar sobre imposto sobre a renda. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 9202006.389 CSRFT2 Fl. 319 9 A questão legítima aqui discutida é, se o Fisco Federal pode afastar a qualificação jurídica de determinada verba que tenha sido atribuída por lei estadual válida no ordenamento jurídico. E aqui neste ponto, sem dúvida a resposta é não, por força da presunção de constitucionalidade de que se reveste toda lei. Portanto, enquanto subsistir o preceito normativo, o Fisco federal não possui competência para afastar a qualificação jurídica ali contida. Para afastála é preciso, previamente, buscar a declaração da sua inconstitucionalidade, o que não pode ser realizado pelo Poder Executivo, sem a chancela do Poder Judiciário. Ainda que a alegação do fisco fosse de que o preceito nela contido é manifestamente inconstitucional. por dispor sobre matéria que não cabe ao Estado regular ou se seu conteúdo contiver disciplina inequivocamente conflitante com o ordenamento, a ponto de configurar aquilo que a jurisprudência denomina de "ato teratológico", não é o que ocorre no caso em tela, pois a disposição sobre a verba submetida ao regime estatutário é de plena competência do ente estadual. Assim, não há que se falar que a Lei Complementar n. 20/2003 ou a Lei n. 8.730/2003, possua qualificação jurídica teratológica que possa afastar de plano sua aplicabilidade. Assim, além da presunção de constitucionalidade de que se revestem as leis em referência, elas dispõem sobre matéria que compete aos Estados regular, por dizer respeito ao funcionamento das respectivas Instituições. Portanto, não é estranho que seja a lei a reconhecer a natureza jurídica de determinada verba, à luz do contexto do respectivo regime estatutário, conforme previsão expressa do § 11 do artigo 37, CF, que é explícito ao prever que: “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (...) XI a remuneração e o subsídio dos ocupantes de cargos, funções e empregos públicos da administração direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie remuneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não poderão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, aplicandose como limite, nos Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargadores do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie, dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Poder Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos; (...) § 11. Não serão computadas, para efeito dos limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei." (grifo nosso) Ou seja, podem existir pagamentos a agentes públicos que tenham caráter indenizatório, desde que as respectivas parcelas estejam previstas em lei. Ora, se tais parcelas Fl. 323DF CARF MF 10 podem existir, a própria lei também pode afirmar esse caráter, "especialmente" em relação a verba submetida ao regime estatutário. Ad argumentandum tantum, ainda há que se salientar que, sendo da competência dos Estados definir a natureza de tais verbas, ainda é também de sua competência a responsabilidade pela retenção do imposto na fonte e consequentemente é de sua titularidade o direito de cobrála. Contudo até o presente momento não vemos no Estado da Bahia nenhuma menção neste sentido. Assevera, Marco Aurélio Grecco, que a CF/88, a titularidade não é sobre o resultado material da atividade de reter, mas é sobre todo aquele imposto que de acordo com a legislação pertinente deva ser submetido ao regime de retenção na fonte. Esta titularidade é atribuída em caráter exclusivo ao Estado o que afasta qualquer interesse ou pretensão por parte da União. Vale dizer, se determinada verba, pela sua natureza, deve submeterse à retenção, o simples fato de esta ser a respectiva qualificação, afasta por si só a titularidade da União. Ou seja, a União não tem titularidade sobre a parcela do imposto sobre a renda na fonte que incidir (juridicamente) na fonte. A circunstância de haver ou não no plano fático a retenção não modifica esta qualificação jurídica da titularidade sobre esse montante, posto que a qualificação advém diretamente da CF/88 e a eventual inação do Estado em reter não configura transferência de titularidade à União; nem doação a seu favor de verba que pertence ao Estado, Daí a conclusão de que, em relação ao imposto incidente na fonte, a relação jurídica que se instaura é entre o contribuinte e Estado, diretamente, sem qualquer mediação da União. A União editou a lei que dispõe sobre o tratamento tributário das diversas verbas que o contribuinte pode auferir. Mas, em relação àquelas que, por sua natureza, devam se submeter à retenção na fonte, o respectivo imposto pertence integral e exclusivamente ao Estado. Por fim o julgamento do caso em tela implica na aplicação de princípio basilar do Direito Administrativo, qual seja o respeito a legalidade. Assim, enquanto a Administração Pública só pode fazer o que está previsto em lei, ao Administrado, no caso em tela Contribuinte, é possível fazer tudo aquilo que não é proibido. Ainda, para Hely Lopes Meirelles: Na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza” (MIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 30. Ed. São Paulo: Malheiros, 2005). A Legalidade é intrínseca a ideia de Estado de Direito, pensamento este que faz que ele próprio se submeta ao direito, fruto de sua criação, portanto esse é o motivo desse princípio ser tão importante, um dos pilares do ordenamento. É na legalidade que cada indivíduo encontra o fundamento das suas prerrogativas, assim como a fonte de seus deveres. A administração não tem fins próprios, mas busca na lei, assim como, em regra não tem liberdade, escrava que é do ordenamento. O Princípio da Legalidade é uma das maiores garantias para os gestores frente o Poder Público. Ele representa total subordinação do Poder Público à previsão legal, visto que, os agentes da Administração Pública devem atuar sempre conforme a lei. Assim, o administrador público não pode, mediante mero ato administrativo, conceder direitos, estabelecer obrigações ou impor proibições aos cidadãos. A criação de um novo tributo, por Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 9202006.389 CSRFT2 Fl. 320 11 exemplo, dependerá de lei. Do mesmo modo, a limitação de direitos não poderá ser feita por via de interpretação mais gravosa que aquela propriamente estabelecida na norma. Na fiscalização, o Princípio da Legalidade possui atividade totalmente vinculada, ou seja, a falta de liberdade para a autoridade administrativa. A lei define as condições da atuação dos Agentes Administrativos, determinando as tarefas e impondo condições excludentes de escolhas pessoais ou subjetivas. Por fim, esse princípio é vital para o bom andamento da Administração Pública, sendo que ele coíbe a possibilidade do gestor público agir por conta própria, tendo sua eficácia através da execução jurídica dos atos de improbidade, evitando a falta de vinculação à norma e, principalmente, a corrupção no sistema. Essa preocupação se faz constante para que seja atingido o objetivo maior para o país, o interesse público, através da ordem e da justiça. No caso em tela, entendo que não houve por parte do Estado da Bahia uma intromissão quanto ao tributo federal de competência da União imposto de renda pessoa física. Mas que houve sim, uma natureza indenizatória dada a verbas oriundas do regime estatutário daquele Estado, as quais são de competência exclusiva do mesmo, responsável por gerir e organizar seu Regime Próprio de Trabalho e Previdência. A existência destas leis legitimou o agir do contribuinte, que exerceu direito que lhe foi conferido por lei. Lei esta emitida por Ente participante da Administração Pública, face ao pacto federativo constitucionalmente imposto. Desse modo, por melhor que seja a construção jurídica utilizada pela Receita Federal, afastar a legalidade ou a constitucionalidade de norma válida no ordenamento jurídico prescinde de um conjunto de medidas dispostas na Constituição Federal, as quais não contemplam a possibilidade do Fisco, ou até mesmo do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, negar validade ou aplicabilidade. Observo que o controle de constitucionalidade pode ser realizado de modo preventivo (antes de a lei entrar em vigor) pelo Poder Legislativo ou de modo repressivo (a lei já está em vigência e deve ser expulsa do ordenamento), em regra, no Brasil, é jurisdicional, logo pelo Poder Judiciário na modalidade concentrado ou difuso. Assim resume Zeno Veloso: (...) O controle jurisdicional da constitucionalidade, no Brasil, utiliza o método concentrado, sendo o controle abstrato, em tese, através de ação direta, a ser julgada pelo Supremo Tribunal Federa, tendo por objeto leis e atos normativos federais e estaduais, em confronto com a Constituição Federal, que nos Estadosmembros, compete aos Tribunais de Justiça, tendo por objeto leis e atos normativos estaduais e municipais, em face da Constituição estadual. Servimonos, também, do controle difuso, concreto, incidenter tantum, exercido por qualquer órgão, singular ou coletivo, do Poder Judiciário.(VELOSO, Zeno. p. 35) Assim, resta evidente que no caso em apreço, ainda que fosse caso de não aplicar a natureza jurídica dada a verba por lei, esta seria de exclusiva competência do Poder Judiciário, pois por uma questão de competência constitucional, legal e regimental, este Tribunal Administrativo não pode afastar a constitucionalidade de Lei. Ressaltese aqui, a clara diferenciação entre o poder dever dos julgadores no âmbito judicial e administrativo. Enquanto o juiz é dotado de equidade, o conselheiro do Tribunal Administrativo é dotado de obediência ao princípio da legalidade. Fl. 325DF CARF MF 12 Contudo, compreendo que a melhor solução da questão não prescinde de Juízos de constitucionalidade, vez que conforme explanado acima, a natureza das verbas percebidas pelo contribuinte foram legitimamente declaradas indenizatórias por força de lei estadual, sendo que conforme previsão constitucional é da competência do Ente Federado responsável pelo Regime estatutário fazêlo, não usurpando assim competência da União para declarar as hipóteses de incidência do imposto de renda pessoa física, a quem coube determinar que o imposto era devido sobre verbas remuneratórias, excluindo as indenizatórias, sem no entanto, ser responsável por determinar quais verbas são de uma natureza ou de outra. 3. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA SOBRE JUROS DE MORA. A questão merece debate, pois está longe de ter entendimento unânime no Tribunal Administrativo. A Fazenda Nacional sustenta a regularidade do auto de infração, pois defende que a interpretação correta do Repetitivo de Controvérsia RE 1227.133/RS, é a de que imposto de renda não incide sobre os juros de mora em apenas duas hipóteses. A primeira é condenação judicial no contexto de perda de emprego ou rescisão contratual. A segunda hipótese ocorre quando a verba principal for isenta ou estiver fora do campo de incidência do imposto de renda. Sustenta assim que no caso em análise, a verba principal tem nítido caráter salarial, uma vez que corresponde a diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV. Se os valores recebidos têm natureza salarial, os juros moratórios, necessariamente, terão a mesma natureza, conforme dispõe o art. 92 do novo Código Civil (Lei nº 10.406, de 10/02/2002). Por sua vez a Contribuinte defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Sendo assim, insurgese contra o auto de infração, pois partindo do pressuposto de que a verba é isenta, estaria esta fora do campo de incidência do imposto de renda. O acórdão recorrido seguiu no sentido das argumentações do Contribuinte. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 9202006.389 CSRFT2 Fl. 321 13 juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Sendo assim, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos pressupostos pela Constituição Federal, exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Cito aqui posicionamento adotado pelo Conselheiro Gerson Guerra, em relação à incidência do IRPF sobre juros moratórios "é importante destacar, que o acessório segue o principal. Nesse contexto, aplicase o que decidido pelo STJ (NUMÉRO DO RESP), fundamentado no artigo 543C, do antigo Código de Processo Civil", no seguinte sentido: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais em decorrência de sua natureza e função indenizatória ampla. Recurso especial, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, improvido. Fl. 327DF CARF MF 14 Ressalto aqui que não desconheço a existência de Repercussão Geral sobre o tema, conforme esposado pela conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri: Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 6 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Tal dispositivo está reproduzido no art. 43, § 3º do Decreto 3.000/99 (RIR): “Art. 43. São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.76955, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): (...) § 3º Serão também considerados rendimentos tributáveis a atualização monetária, os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, parágrafo único).” Contudo a meu ver acredito que o encaminhamento a essa questão deva ser dado de modo diverso. Considerando a existência de Repetitivo de controvérsia atinente a questão, e que, este não foi sobrestado ao tema 808 admitido em sede de repercussão Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 9202006.389 CSRFT2 Fl. 322 15 geral, por se tratar de julgado anterior a admissão deste é caso de se aplicar o repetitivo até posterior julgamento da repercussão geral. Pelo exposto, voto no sentido de conhecer e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte para afastar a incidência do imposto de renda sobre as parcelas pagas a Agentes Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV, as quais tem natureza claramente indenizatória, bem como declarar indevida aplicação de imposto de renda sobre juros moratórios, quanto a forma de apuração observase que o auto de infração padece de vício material, devendo ser cancelado. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso divergir quanto ao mérito do pleito do Recurso Especial da Contribuinte, tanto no que diz respeito à necessidade de cancelamento do auto de infração por erro material quanto no que diz respeito à natureza da verba recebida, bem como quanto à incidência sobre os juros moratórios aplicáveis ao montante devido. a) Quanto ao cancelamento do auto de infração por erro material Inicialmente, reitero, aqui, com a devida vênia ao posicionamento diverso de alguns Conselheiros desta casa, meu entendimento, já manifestado também na instância ordinária, de desnecessidade de observância obrigatória do decidido pelo STJ no âmbito do REsp 1.118.429/SP no caso sob análise, uma vez se estar a tratar ali, da tributação de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente, situação fática notadamente diversa da dos presentes autos, onde não está a ser tratar de qualquer rubrica de benefício, mas sim de diferença remuneratória perceptível quando do servidor na ativa. Ainda, reconhecese, aqui, que a matéria sob litígio foi objeto de análise recente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2o. do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no. 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 329DF CARF MF 16 Reportandome a este último julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão oriunda do TRF4 acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, de se ressaltar, a propósito, que em nenhum momento se cogita, no Acórdão do STF referido, de eventual cancelamento integral de lançamentos, cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei no. 7.713, de 1988, note se, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento, constantes de efl. 32, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pela contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando a contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento esposado por alguns membros deste Conselho, entendo que, a esta altura, ao se defender a exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento anti isonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Assim, quanto ao pleito de cancelamento do lançamento pela ocorrência de erro material, nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte, ressaltandose já ter o Acórdão recorrido estabelecido a necessidade de que o imposto de renda incidente sobre os rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. b) Quanto à natureza alegadamente indenizatória dos valores recebidos Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 9202006.389 CSRFT2 Fl. 323 17 b.1) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Estadual 8.730, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 4° e 5° da Lei Cdo Estado da Bahia n° 8.730, de 2003: Art. 4º As diferenças decorrentes do erro na conversão da remuneração de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto das Ações Ordinárias n os. 613 e 614, julgadas procedentes pelo Supremo Tribunal Federal, serão apuradas, mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de julho de 2001, e o montante correspondente a cada Magistrado será dividido em 36 parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 5º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 4º desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos magistrados, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual, o que restringe a aplicação da referida Lei Estadual na seara de interesse. Todavia, notese que não se trata, aqui, quando da consequente conclusão de não aplicação da referida Lei, para fins de definição da natureza tributária das verbas sob análise e da incidência ou não do IRPF, de invasão de competência do STF pela União para declarar a inconstitucionalidade a referida Lei Estadual (o que caracterizaria a violação alegada à Súmula CARF no. 02 e ao art. 62 do Regimento Interno deste CARF então em vigor quando da propositura do recurso), mas, sim, de interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida Lei Estadual, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Não se está a afastar, aqui, a constitucionalidade do dispositivo de forma a afastar sua aplicação, mas tão somente verifica se sua impossibilidade de produção de efeitos na seara tributária, em se tratando de IRPF. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo aplicável ao tributo em questão, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. A propósito, chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas à contribuinte pelo Tribunal de Justiça da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem Fl. 331DF CARF MF 18 a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 4° da Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Desta forma, é incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei do Estado da Bahia n° 8.730, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 32. b.2) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Poder Judiciário dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Vejase: “(...) Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 9202006.389 CSRFT2 Fl. 324 19 dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Adicionalmente, mesmo caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação de se cingirem os efeitos da referida Resolução e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras Fl. 333DF CARF MF 20 mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, a recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 32, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pela Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 32 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei do Estado da Bahia no. 8.730, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Assim, também nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte quanto à matéria. c) Quanto à incidência do IRPF sobre os juros de mora Para fins de solução do litígio quanto à esta matéria, de se perquirir a extensão dos efeitos da aplicação, ao presente feito, do decidido pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, no âmbito do REsp 1.227.133/RS, quanto à incidência de juros de mora sobre rendimentos recebidos acumuladamente. Tratase, notese, também de decisum de aplicação obrigatória neste Conselho, consoante art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF em vigor quando da prolação da decisão recorrida, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 e, ainda, conforme o art. 62, §1o. do atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. A propósito, creio que o melhor esclarecimento da amplitude da decisão vinculante em questão (REsp 1.227.133/RS) pode ser obtido em outro feito daquele Egrégio Tribunal, a saber, no REsp 1.089.720/RS, cujo relator foi o Ministro Mauro Campbell Marques e cuja cristalina ementa decisória, datada de 10/10/12 e publicada em 16/10/12 estabelece: REsp 1.089.720/RS PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. REGRA GERAL DE INCIDÊNCIA SOBRE JUROS DE MORA. PRESERVAÇÃO DA TESE JULGADA NO RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA RESP. N. 1.227.133/RS NO SENTIDO DA ISENÇÃO DO IR SOBRE OS JUROS DE MORA PAGOS NO CONTEXTO DE PERDA DO EMPREGO. ADOÇÃO DE FORMA CUMULATIVA DA TESE DO ACCESSORIUM SEQUITUR SUUM PRINCIPALE PARA ISENTAR DO IR OS Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10580.721248/200924 Acórdão n.º 9202006.389 CSRFT2 Fl. 325 21 JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBA ISENTA OU FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DO IR (grifei), 1. Não merece conhecimento o recurso especial que aponta violação ao art. 535, do CPC, sem, na própria peça, individualizar o erro, a obscuridade, a contradição ou a omissão ocorridas no acórdão proferido pela Corte de Origem, bem como sua relevância para a solução da controvérsia apresentada nos autos. Incidência da Súmula n. 284/STF: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a deficiência na sua fundamentação não permitir a exata compreensão da controvérsia". 2. Regra geral: incide o IRPF sobre os juros de mora, a teor do art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/64, inclusive quando reconhecidos em reclamatórias trabalhistas, apesar de sua natureza indenizatória reconhecida pelo mesmo dispositivo legal (matéria ainda não pacificada em recurso representativo da controvérsia). 3. Primeira exceção: são isentos de IRPF os juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. A isenção é circunstancial para proteger o trabalhador em uma situação sócioeconômica desfavorável (perda do emprego), daí a incidência do art. 6°, V, da Lei n. 7.713/88. Nesse sentido, quando reconhecidos em reclamatória trabalhista, não basta haver a ação trabalhista, é preciso que a reclamatória se refira também às verbas decorrentes da perda do emprego, sejam indenizatórias, sejam remuneratórias (matéria já pacificada no recurso representativo da controvérsia REsp no 1.227.133RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Rel .p/acórdão Min. Cesar Asfor Rocha, julgado em 28.9.2011). 4. Segunda exceção: são isentos do imposto de renda os juros de mora incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR, mesmo quando pagos fora do contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho (circunstância em que não há perda do emprego), consoante a regra do "accessorium sequitur suum principale". (grifei) (...) 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, parcialmente provido." Assim, com base no posicionamento constante do julgado acima, que adoto integralmente, uma vez que entendo que foi esse o julgado a sedimentar e esclarecer a correta forma de aplicação do julgado vinculante aqui discutido (REsp 1.227.133/RS), é de se perquirir, em cada caso concreto: Fl. 335DF CARF MF 22 1) se os juros de mora foram auferidos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho e 2) se se está diante de verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. Somente no caso de resposta afirmativa a um dos dois questionamentos acima não incidirá o IR sobre os juros de mora recebidos acumuladamente, de forma a que se obedeça o julgado vinculante, restando incidente a tributação sobre os juros de mora nas demais situações. Aplicandose o acima disposto ao caso em questão: b.1) Conforme já anteriormente delineado pelo Recorrido, que não se está a tratar, aqui, de verba indenizatória, tendose concluído, pela natureza remuneratória da verba principal de diferenças quando da conversão de Cruzeiro Real para URV sob análise, caracterizada, assim, a incidência do IRPF sobre tais verbas (matéria já objeto de trânsito em julgado administrativo); b.2) Verifico, também, que não se está a tratar de verbas recebidas no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho; Concluo, assim, pela incidência do Imposto de Renda sobre os juros de mora em questão, quando da aplicação do decisum vinculante constante do REsp 1.227.133/RS a partir de sua interpretação detalhadamente estabelecida no âmbito do REsp 1.089.720/RS e, desta forma, nego provimento ao Recurso Especial da Contribuinte também quanto a esta matéria. d) Conclusão Destarte, diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13855.720552/2014-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
EMBARGO DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em vício de declaração, por omissão ou contradição, em aresto que esclarece pontualmente os fatos relevantes da autuação e as razões que orientaram a conclusão do voto, com especial destaque para pontos relevantes do processo que somente vieram ao conhecimento do julgador no decorrer do procedimento contencioso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3401-004.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e, no mérito, rejeitá-los.
Rosaldo Trevisan Presidente
Robson José Bayerl Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e, no mérito, rejeitá-los. Rosaldo Trevisan Presidente Robson José Bayerl Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.720552/201432 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3401004.426 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2018 Matéria PIS/PASEP E COFINS Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado USINA SANTO ANTONIO S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002 EMBARGO DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em vício de declaração, por omissão ou contradição, em aresto que esclarece pontualmente os fatos relevantes da autuação e as razões que orientaram a conclusão do voto, com especial destaque para pontos relevantes do processo que somente vieram ao conhecimento do julgador no decorrer do procedimento contencioso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e, no mérito, rejeitálos. Rosaldo Trevisan – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Renato Vieira de Ávila (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 05 52 /2 01 4- 32Fl. 4413DF CARF MF 2 convocado) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Ausente justificadamente a Cons. Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratase de embargo de declaração oposto pela Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 3401003.450, de 29/03/2017, que acolheu embargo proposto pelo contribuinte, em decisão assim ementada: “EMBARGOS. DIREITO DE DEFESA. Embargos acolhidos, com efeitos infringentes, em nome do direito de ampla defesa e ao contraditório, para tornar sem efeitos a decisão no que se refere à ‘glosa dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados’, uma vez que ela não cumpunha originariamente o contraditório neste processo administrativo. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTO JURÍDICO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIAS. Não constitui alteração do fundamento jurídico, nem constitui contradição, a decisão em grau de recurso que reconhece parte da razão adotada pela autoridade fiscal ou administrativa, mesmo que com interpretações gerais distintas entre si a respeito dos dispositivos da legislação.” A embargante questionou a inobservância do art. 1.023, § 2º do CPC/15 e, em seguida, apontou omissão e contradição do aresto em epígrafe, mormente quanto ao não enfrentamento da situação criada pelo próprio contribuinte, então recorrente, ao contestar dois processos administrativos (PAs 13855.720552/201432 e 13855.720550/201443) de forma idêntica, sem atentar para abrangência de um e outro, e, posteriormente, alegar error in procedendo para modificar o julgado, na tentativa de beneficiarse da própria torpeza. O PA 13855.720552/201432 foi julgado na sessão de 25/01/2016, através do Acórdão 3401003.030, entendendo a turma julgadora, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, verbis: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA COM AÇÃO JUDICIAL. A proposição de ação judicial, antes ou após o início da ação fiscal, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa. CRÉDITOS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. PROCESSO PRODUTIVO. UTILIZAÇÃO. Para efeitos de apuração dos créditos do PIS não cumulativo e da COFINS não cumulativo, entendese que produção de bens não se restringe ao conceito de fabricação ou de industrialização; e que insumos utilizados na fabricação ou na produção de bens destinados a venda não se restringe apenas às matérias primas, aos produtos intermediários, ao material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, mas alcança os fatores necessários para o processo de produção ou de prestação de Fl. 4414DF CARF MF Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401004.426 S3C4T1 Fl. 11 3 serviços e obtenção da receita tributável, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado. DESPESAS DE MOVIMENTAÇÃO E DE EMBARQUE DE MERCADORIAS EM ÁREA PORTUÁRIA DESTINADAS À EXPORTAÇÃO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL PARA GERAR CRÉDITOS DE PIS E COFINS. Por falta de previsão legal específica e por não se demonstrar que se referem a insumos necessários aos processo de produção, não geram créditos de PIS e COFINS as despesas com movimentação das mercadorias na área portuária e as despesas com o embarque dessas mercadorias.” Cientificado dessa decisão o contribuinte intentou embargo de declaração (que redundou no aresto ora argüido pela PFN), defendendo a existência de omissão e contradição, uma vez que, originariamente, a autuação envolveu a glosa de créditos referente a (1) transporte entre filiais das mercadorias comercializadas e (2) embarque e movimentação (elevação) das mercadorias, com a formalização de dois processos administrativos – 13855.720550/201443 e 13855.720552/201432 – sem que houvesse clara identificação da matéria objeto de cada processo, o que implicou na apresentação de recursos semelhantes e abrangentes dos dois temas. Ainda segundo o então embargante, esse esclarecimento só veio aos autos com a ciência do Acórdão 3401003.030, onde se destacou que a glosa do item 1 (transporte entre filiais) estava formalizada no PA 13855.720550/201443, enquanto o item 2 (embarque e movimentação) encontravase jungido ao PA 13855.720552/201432, pendente o primeiro de julgamento pela DRJ, motivo pelo qual a decisão de segundo grau administrativo julgara extra petita, ao abordar tema estranho ao processo (item 1). No processo 13855.720550/201443, por sua vez, houve interposição de impugnação específica (efls. 4.136/4.146), com encaminhamento à DRJ Ribeiro Preto/SP (efl. 4.206). Em 24/06/2016, antes da realização do julgamento, a DRF Ribeirão Preto/SP solicitou a devolução do processo para verificações (efl. 4.207), o que foi providenciado em 27/06/2016, conforme despacho de efl. 4.208. Logo após o aludido despacho, houve juntada do Acórdão 1453.450 – 14ª Turma da DRJ/POR (efls. 4.208/4.225) e Acórdão 3401003.030 (efls. 4.226/4.241), ambos referentes ao PA 13855.720552/201432. Essa situação ocasionou a interposição de recurso hierárquico (efls. 4.250/4.253), onde o contribuinte contestou a extensão da decisão proferida no Acórdão 3401 3.030, relativo a outro processo (PA 13855.720552/201432), àqueles autos, ainda que decorrentes da mesma ação fiscal, pleiteando o processamento em separado da impugnação então apresentada e pendente de exame. A DRF Ribeirão Preto/SP, através de seu titular, negou provimento ao hierárquico por entender que ambas as questões (1) transporte entre filiais das mercadorias comercializadas e (2) embarque e movimentação (elevação) das mercadorias haviam sido integralmente enfrentadas e decididas nas decisões (DRJ e CARF) exaradas no PA 13855.720552/201432, até porque os recursos protocolados em ambos os processos eram idênticos. Fl. 4415DF CARF MF 4 Nessa mesma manifestação foi determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por força do art. 151, III do CTN, e a apensação do PA 13855.720550/2014 43 ao PA 13855.720552/201432, que passou a ser o processo principal. Às efls. 4.317/4.320 foi anexada cópia de decisão proferida no MS 0013014 97.2016.403.6102, 5ª Vara Federal, Ribeirão Preto/SP, TRF 3ª Região, que, analisando pedido de determinação de tramitação do PA 13855.720550/201443, concedeu parcialmente a ordem para declarar que tal processo administrativo (PA 13855.720550/201443) estava extinto por renúncia, decorrente da impetração do mandado de segurança, e não pela extensão da decisão proferida no PA 13855.720552/201432. Consulta realizada no sítio virtual do TRF 3ª Região1, no dia 16/10/2017, apresentava, como último movimento desse processo, em 29/09/2017, a seguinte descrição: “REMESSA EXTERNA TRF 3a. REGIAO PROCESSAR E JULGAR RECURSO Guia n: 76/2017 (5a. Vara)”. É o relatório. 1 http://www.jfsp.jus.br/forunsfederais?numeroProcesso=00130149720164036102 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator Os aclaratórios foram devidamente submetidos ao juízo prévio de admissibilidade, como alude o art. 65 do RICARF/15 (Portaria MF 343/15), preenchendo os respectivos pressupostos, também aferidos nessa oportunidade, de modo que devem ser conhecidos. O exame do embargo proposto perpassa a contextualização minuciosa dos processos administrativos envolvidos – 13855.720552/201432 (principal) e 13855.720550/201443 (apenso). Nessa empreitada, verifico que a documentação (termos de intimação, correspondências, planilhas e demonstrativos) utilizada na instrução dos processos é idêntica (efls. 1/4.094). Os autos de infração trazem valores distintos, no entanto, a infração catalogada para ambos os instrumentos é “Insuficiência de recolhimento da Cofins – Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo” (efl. 4.097), sendo que o aludido relatório fiscal é comum aos dois processos, com a descrição consolidada de todas as glosas realizadas. Não há indicação clara de qual parcela vem sendo exigida em cada processo, salvo por uma observação nas “Considerações finais” do relatório, no período de apuração dezembro/2010, ao referirse nesses termos: “R$ 906.744,59 (R$ 848.491,94 com suspensão e R$ 58.252,65 sem suspensão)”. Além disso, no instrumento de lançamento constante do PA 13855.720552/201432 consta a seguinte ordem de intimação: Fl. 4416DF CARF MF Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401004.426 S3C4T1 Fl. 12 5 Afora esses destaques, como dito, não há clara segregação, por processo, das infrações. As impugnações, por seu turno, são ligeiramente distintas, tendo o recorrente, no PA 13855.720552/201432, ora julgado, atacado a glosa de créditos relativos a (1) frete interno e (2) despesas de embarque e movimentação de mercadorias (efls. 4.137/.4138); enquanto no PA 13855.720550/201443, apensado, houve contestação apenas da glosa de créditos pelas despesas de embarque e movimentação de mercadorias, no valor de R$ 58.252,65, conforme indicado no cabeçalho da petição recursal (efls. 4.136/4.137). Ditas impugnações foram protocoladas no mesmo dia (09/04/2014) e os processos remetidos à DRJ Ribeirão Preto/SP na mesma ocasião. Até então os processos tramitavam de forma autônoma. Em 08/09/2014, o PA 13855.720552/201432 foi julgado na DRJ/POR/SP (efls. 4.218/4.234), abordando os dois temas propostos em impugnação, com apresentação de recurso voluntário em 27/01/2014 (efls. 4.241/4.257) e, por fim, julgamento no CARF em 25/01/2016 (efls. 4.274/4.289). Já o PA 13855.720550/201443, por seu turno, permaneceu na DRJ/POR/SP aguardando julgamento. Em 24/06/2016 o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT/DRF/POR, através de mensagem eletrônica solicita à DRJ/POR/SP a devolução do PA 13855.720550/201443 para verificações (efls. 4.207). Na seqüência, foram juntadas as decisões proferidas (DRJ e CARF) no PA 13855.720552/201432 e dado aqueloutro como julgado, consoante o seguinte despacho (efls. 4.242/4.243 do PA 13855.720550/201443): “O presente processo administrativo trata de auto de infração lavrado pela DRF/Franca, com lançamento decorrente de glosa de créditos de PIS e COFINS. Conforme se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 4101 a 4115, verificase que as glosas referemse a: 1 – Despesas de movimentação e embarque de seus produtos em porto; e 2 – Despesas de fretes de transporte entre as unidades da cooperativa (transporte interno), todos elas rateados pela COPERSUCAR entre seus cooperados. Cabe esclarecer que, apesar de o citado Termo de Verificação Fiscal não mencionar, o lançamento em questão foi cindido em dois processos administrativos, sendo os débitos referentes ao item 1 controlados no Fl. 4417DF CARF MF 6 presente processo, e o item 2 controlado no processo administrativo nº 13855.720552/201432. Importante mencionar, ainda, que o item 2 acima (transporte interno) está sendo integralmente discutido no Mandado de Segurança nº 002081228.2010.4.03.6100. Ocorre que, quando da apresentação da impugnação referente ao processo administrativo nº 13855.720552/201432, o contribuinte apresentou argumentos a fim de refutar os dois itens supracitados (‘transporte interno’, que como já dito, tem seus débitos controlados no processo nº 13855.720552/201432, e ‘despesas de movimentação e embarque de seus produtos em porto’, com débitos controlados no presente processo). Quando do julgamento da referida impugnação, a DRJ/Ribeirão Preto decidiu pela manutenção do lançamento, julgando procedente a glosa decorrente do item 1 (despesas de movimentação e embarque de seus produtos em porto) e considerando a renúncia à instância administrativa quanto ao item 2 (transporte interno), uma vez que, como já explicado, o mesmo é objeto do Mandado de Segurança nº 002081228.2010.4.03.6100 (fls. 4209 a 4225). O contribuinte, então, interpôs recurso voluntário, mais uma vez apresentando argumentos refutando os dois itens acima. O Carf, quando do julgamento do recurso voluntário, de maneira semelhante à DRJ, manteve o lançamento com relação ao item 1 e não se pronunciou em relação ao item 2, devido à concomitância com a discussão judicial já mencionada (fls. 4226 a 4241). Diante do acima exposto, concluise que tanto os débitos constantes do processo nº 13855.720552/201432, como os débitos constantes do presente processo, tiveram sua legalidade verificada pelos órgãos colegiados administrativos. Assim, considerando que o contribuinte, em impugnação juntada ao presente processo às fls. 4136 a 4202, utilizou exatamente os mesmos argumentos da impugnação interposta no processo nº 13855.720552/2014 32, conforme já mencionado, já julgados pela DRJ e pelo Carf, e, como também já explicado, aquele processo e este decorrem, na verdade do mesmo Auto de Infração (originado do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal), proponho que o contribuinte seja informado de que os acórdãos proferidos no processo administrativo nº 13855.720552/201432 também se aplicam ao presente, com seguimento na cobrança administrativa do item 1 supra (despesas de movimentação e embarque de seus produtos em porto) que constitui a integralidade dos débitos aqui controlados.” (destacado) Como se observa, apenas com o lançamento desse despacho ficou claro qual matéria consubstanciava cada processo. De outra banda, adotando uma medida, digamos, peculiar, fundada nas circunstâncias processuais, a unidade preparadora, usurpando atribuição dos órgãos julgadores, digase, entendeu por bem estender a decisão prolatada em um processo para outro, ao fundamento que, sendo os mesmos os argumentos expendidos em ambas as impugnações, as decisões seriam aplicadas simultaneamente aos feitos. Fl. 4418DF CARF MF Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401004.426 S3C4T1 Fl. 13 7 A mesma manifestação foi coligida no presente processo (efls. 4.299/433). Em 28/06/2016 foi endereçada ao contribuinte a Intimação nº 469/2016/DRF/POR/Secat/EQCCT RM (efl. 4.301), com o seguinte teor: “Senhor Contribuinte, Segue, em anexo, para ciência, cópia do Acórdão de Recurso Voluntário proferido pelo Conselho administrativo de Recursos Fiscais – Carf, exarado no processo administrativo nº 13855.720552/201432, e cópia do Despacho proferido por este SECAT/DRF/RPO, exarado no processo administrativo nº 13855.720550/201443. Fica o interessado intimado a pagar, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da ciência nos termos da legislação em vigor, os débitos constantes do demonstrativo em anexo, que estão sendo controlados no processo nº 13855.720550/201443. Por seu turno, os débitos controlados no processo 13855.720552/2014 32, que estão sendo integralmente discutidos no Mandado de Segurança nº 002081228.2010.4.03.6100, permanecerão suspensos aguardando decisão judicial. É facultada a apresentação de Recurso Especial, em relação à parte do acórdão que lhe foi desfavorável.” Diante da situação, o contribuinte ingressou com recurso hierárquico no PA 13855.720550/201443 refutando a medida adotada pelo Secat/DRF/POR/SP e tachandoa de ilegal e sem qualquer respaldo na legislação tributária, além de evidenciar que, cuidando o PA 13855.720552/201432 apenas das glosas de frete interno, a parcela do aresto (CARF) que enfrentou as despesas de movimentação e embarque de mercadorias padeceria de erro material, configurando julgamento extra petita, encerrando por peticionar o cancelamento da aplicação do Acórdão 3401003.030 ao PA 13855.720550/201443. O titular da unidade preparadora, como já relatado, indeferiu o pleito pelos seguintes motivos (efls. 4.308/4.309 do PA 13855.720550/201443): Analisandose o Auto de Infração do processo administrativo de nº 13855.720552/201432 (fls. 4096 a 4100 daquele processo) em comparação com o Auto de Infração do presente processo (fls. 4096 a 4100 deste) verificase que ambos decorrem do mesmo Mandado de Procedimento Fiscal – MPF (de nº 0810900.2013.01064), lavrados no mesmo dia e no mesmo horário, pelo mesmo AuditorFiscal. Verificase, ainda, que o Termo de Verificação Fiscal de ambos (fls. 4101 a 4115 dos dois processos) é idêntico. Tais fatos levam à conclusão que se trata realmente de um único lançamento de ofício, mas que foi cindido em dois processos administrativos pela autoridade fiscal. Como parte do crédito tributário era objeto de discussão judicial (Mandado de Segurança nº 002081228.2010.403.6100) intentada em data anterior ao lançamento, a autoridade fiscal acho por bem, em por pura conveniência, separar o crédito tributário constituído em dois processos Fl. 4419DF CARF MF 8 administrativos, sendo que o de nº 13855.720552/201432 contém a parte alvo do supracitado Mandado de Segurança, e que o de nº 13855.720550/201443 (presente) contém a parte que não é objeto de discussão no âmbito judicial. A despeito da separação acima, o contribuinte, quando da apresentação da impugnação administrativa referente ao processo nº 13855.720552/201432, questionou tanto a constituição parte do crédito tributário que era alvo de discussão judicial (processo nº 13855.720552/201432) quanto a parte que não estava sob litígio no Poder Judiciário (presente processo, de nº 13855.720550/201443). Muito importante ainda notar que, quando da apresentação da impugnação administrativa referente ao processo nº 13855.720550/201443 (presente), o contribuinte questionou apenas a constituição parte do crédito tributário que não era alvo de discussão judicial, e que nesta parte ambas as impugnações são idênticas, ipsis litteris. Assim, forçoso notar que os julgamentos da DRJ e do CARF apreciaram integralmente a legalidade do lançamento de ofício em tela, levando em conta todos os fundamentos expostos nas duas impugnações apresentadas, de tal forma que não vislumbro ocorrência de prejuízo para o contribuinte decorrente da aplicação, ao presente processo, das decisões proferidas no processo nº 13855.720552/201432 uma vez que, repitase, os fundamentos da impugnação aqui apresentados já foram integralmente apreciados no processo nº 13855.720552/201432.” (destaques no original) Nesse mesmo ato decisório houve, também, a determinação de apensação do PA 13855.720550/201443 ao PA 13855.720552/201432. Ciente dessa decisão o contribuinte, objetivando a regular tramitação do PA 13855.720550/201443, impetrou o MS 001301497.2016.403.6102, também mencionado no relatório da presente decisão, com segurança parcialmente concedida e dispositivo sentencial assim vazado: No PA 13855.720552/201432, sub examine, houve oposição de embargos de declaração apontando a ocorrência de julgamento extra petita, acolhido por esta turma julgadora através do Acórdão nº 3401003.450, cujas razões de decidir são as seguintes: Pela consulta ao sistema eprocesso, noto que esse processo 13855.720550/201443 ainda não percorreu as instâncias julgadoras do contraditório, diferentemente daquele que traz o acórdão embargado. Ele estava na Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto desde 16/07/2014 aguardando distribuição e julgamento (fls. 4206), mas a unidade local solicitou sua devolução em 27/06/2016 (fls. 4207), ocasião em que nele foram juntadas o Acórdão proferido pela DRJ Ribeirão Preto e o Acórdão proferido pelo CARF, ambos no processo 13855.720552/201432. Fl. 4420DF CARF MF Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401004.426 S3C4T1 Fl. 14 9 Esse processo 13855.720550/201443 foi juntado em julho de 2016 ao processo 13855.720552/201432, e, com os Embargos, foram encaminhados a este Colegiado. Faço notar que o acórdão recorrido foi proferido tendo como certo que ele tratava de autos de infração com origem nas matérias: (a) glosa de créditos dos gastos com frete interno e (b) glosa de créditos dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto. E sublinho que a impugnação, o acórdão proferido pela instância a quo e o recurso voluntário laboraram na mesma crença. Ao consultarmos os valores as exigências fiscais de cada processo, realmente eles não são iguais. Enquanto que o processo 13855.720550/2014 43 define o valor lançado em R$ 118.322,79, o outro processo define o lançamento em R$ 1.371.135,73. O despacho da autoridade de administração local trouxe informação não percebida antes e que ilumina o processo para desvelarlhe fatos importantes. O objeto do processo administrativo 13855.720552/201432 não se refere a autos de infração com origem nas glosas dos dois itens acima enumerados, mas somente com origem na glosa dos gastos com frete interno. Não haveria, neste processo, base para a discussão da glosa com serviços de movimentação e embarque de produtos em porto pois ela não tem repercussão nas exigências fiscais dos autos de infração. A autoridade de administração tem razão ao afirmar que os Julgadores de primeiro piso e o CARF apreciaram as duas matérias (as duas glosas) e, com isso, verificaram a sua legalidade. Entretanto, apesar de eu esposar o princípio da instrumentalidade da forma, nesse caso, creio que se deve respeitar os elementos originário que constituem o objeto de cada processo. Por isso, não posso acompanhar o entendimento e conclusão sugeridos pela autoridade de administração, mesmo como suponho com seus elevados ideais de observar os Princípios que devem reger os Atos da Administração Pública, tais como a economicidade, a eficiência e a razoabilidade. Sendo assim, pareceme que razão assiste à Embargante, o acórdão recorrido decidiu extra petita ao apreciar o recurso voluntário e o acórdão de 1ª instância quanto à matéria ‘glosa com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados’. Por isso, proponho que sejam os Embargos acolhidos, com efeitos infringentes, para tornar sem efeitos a decisão no que se refere à ‘glosa dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto de produtos acabados’. Deve permanecer apenas o reconhecimento da concomitância com ação judicial que discute a ‘glosa dos gastos com frete interno’.” (destacado) Esse julgado é alvo do aclaratório a ser apreciado nessa assentada. Fl. 4421DF CARF MF 10 Apresentado o arcabouço fático, passo ao enfrentamento das questões sugeridas. Respeitante à aplicação do art. 1.023, § 2º do Código de Processo Civil, aprovado pela Lei nº 13.105/2015, que prevê a intimação da parte embargada para manifestação prévia, na hipótese de potencial acolhimento de embargos com efeitos infringentes, não se pode olvidar que esse diploma somente é utilizado no processo administrativo fiscal em caráter subsidiário, como integração do procedimento contencioso ante a lacuna da norma regimental. Consoante art. 38 do Decreto nº 70.235/72, o julgamento em segunda instância administrativa farseá de acordo com a legislação própria, o que se concretiza no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15 e alterações posteriores, que não prevê a medida postulada, não havendo qualquer vício procedimental naquele decisório. Tocante à omissão, supostamente verificada pelo não enfrentamento de maneira expressa da alegação que o equívoco na dedução das matérias em recurso/julgamento foi provocado pelo próprio contribuinte, não a vislumbro. A uma, porque o princípio processual da eventualidade acode ao contribuinterecorrente, ao passo que a cisão das matérias por processo somente foi efetivamente esclarecido em junho/2016, com o despacho saneador lançado às efls. 4.299/4.300, pois até então essa situação era presumível, de modo que cumpria ao recorrente (ônus) alegar todas as matérias de defesa que lhe eram aproveitáveis, sob pena de preclusão; e, a duas, porque esse ponto foi, sim, abordado pelo voto condutor do Acórdão nº 3401003.450, cujo excerto reproduzo novamente: “Pela consulta ao sistema eprocesso, noto que esse processo 13855.720550/201443 ainda não percorreu as instâncias julgadoras do contraditório, diferentemente daquele que traz o acórdão embargado. Ele estava na Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto desde 16/07/2014 aguardando distribuição e julgamento (fls. 4206), mas a unidade local solicitou sua devolução em 27/06/2016 (fls. 4207), ocasião em que nele foram juntadas o Acórdão proferido pela DRJ Ribeirão Preto e o Acórdão proferido pelo CARF, ambos no processo 13855.720552/201432. Esse processo 13855.720550/201443 foi juntado em julho de 2016 ao processo 13855.720552/201432, e, com os Embargos, foram encaminhados a este Colegiado. Faço notar que o acórdão recorrido foi proferido tendo como certo que ele tratava de autos de infração com origem nas matérias: (a) glosa de créditos dos gastos com frete interno e (b) glosa de créditos dos gastos com serviços de movimentação e embarque em porto. E sublinho que a impugnação, o acórdão proferido pela instância a quo e o recurso voluntário laboraram na mesma crença. Ao consultarmos os valores as exigências fiscais de cada processo, realmente eles não são iguais. Enquanto que o processo 13855.720550/2014 43 define o valor lançado em R$ 118.322,79, o outro processo define o lançamento em R$ 1.371.135,73. O despacho da autoridade de administração local trouxe informação não percebida antes e que ilumina o processo para desvelarlhe fatos importantes. O objeto do processo administrativo 13855.720552/201432 Fl. 4422DF CARF MF Processo nº 13855.720552/201432 Acórdão n.º 3401004.426 S3C4T1 Fl. 15 11 não se refere a autos de infração com origem nas glosas dos dois itens acima enumerados, mas somente com origem na glosa dos gastos com frete interno. Não haveria, neste processo, base para a discussão da glosa com serviços de movimentação e embarque de produtos em porto pois ela não tem repercussão nas exigências fiscais dos autos de infração.” Nesse diapasão, não me parece que o contribuinte tenha provocado o equívoco ou muito menos que tenha concorrido para essa situação, apenas se defendendo das imputações que lhe foram dirigidas no lançamento, cujo relatório fiscal, frisese, consolidava ambas as infrações e não trazia cristalinamente a informação sobre qual matéria albergava cada processo, sendo elemento comum aos dois feitos. Essa situação, a meu sentir, foi textualmente destacada pelo aresto argüido, razão porque não diviso o predito defeito a inquinálo. Concernente à contradição, melhor sorte não ampara a pretensão recursal, pois parte de uma premissa equivocada, ao afirmar que o PA 13855.720550/201443 teria percorrido “as instâncias do contraditório”, ao passo que, ao contrário, referidos autos foram recolhidos da DRJ Ribeirão Preto/SP, pela DRF Ribeirão Preto/SP, antes que se realizasse seu julgamento, como deixou claro o Acórdão nº 3401003.450, no excerto citado no recurso. De minha parte, após esquadrinhar detidamente o PA 13855.720550/201443, reitero as constatações do Cons. Eloy Eros da Silva Nogueira, eminente Relator da decisão sob vergasta: não houve julgamento específico da impugnação interposta naqueles autos, tendo a unidade preparadora simplesmente estendido a decisão deste processo àqueloutro, por abordar as mesmas matérias. Quanto à omissão pela falta de determinação das providências posteriores, ante as disposições do art. 59, § 2º do Decreto nº 70.235/72, que trata dos efeitos da declaração de nulidade, tenho que seja matéria estranha à discussão, pois não houve declaração de nulidade do acórdão originalmente prolatado, mas tãosomente a sua delimitação à matéria tratada nos autos, sendo correto o destaque de assunto versado em outro processo, que sequer tivera sua impugnação específica julgada em primeiro grau administrativo. No mais, o embargo faz referência recorrente aos termos “omissão” e “contradição” como forma de exposição de raciocínio e irresignação, objetivando demonstrar a incorreção do acolhimento, com efeitos infringentes, dos embargos manobrados pelo contribuinte, tendo em conta que, na ótica da PFN, não houve vilipêndio ao contraditório e à ampla defesa a justificar o reajuste da manifestação colegiada estampada no Acórdão 3401 003.450, o que dispensa o enfrentamento pontual. Por oportuno, mesmo que não houvesse claro cerceamento de defesa, o que é discutível, é inconteste que houve uma subversão do procedimento contencioso administrativo, principalmente pelo “resgate” do PA 13855.720550/201443, ainda pendente de julgamento, para extensão unilateral, sem qualquer respaldo legal, normativo ou regimental, de decisão proferida em processo análogo, in casu, o presente processo, culminando com a apensação de feitos que se encontram em fases processuais distintas. Enfim, providências equivocadas foram adotadas pela unidade preparadora e resultaram nesta verdadeira confusão processual, que ora se debate. No entanto, como o Fl. 4423DF CARF MF 12 contribuinte postulou a regular tramitação do PA 13855.720550/201443 perante o judiciário, abstenhome de tratar dessa questão. Retomando e concluindo o entendimento, não verifico qualquer vício de declaração no Acórdão 3401003.450, seja omissão, contradição ou mesmo obscuridade, que o inquine de invalidade, não merecendo qualquer censura ou revisão. Pelo exposto, voto por conhecer dos embargos e, no mérito, rejeitálos. Robson José Bayerl Fl. 4424DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679795/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 14/11/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.851
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 14/11/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 97 95 /2 00 9- 15 Fl. 101DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1627.095, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 14/11/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 102DF CARF MF Processo nº 10880.679795/200915 Acórdão n.º 3402004.851 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 103DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10880.679795/200915 Acórdão n.º 3402004.851 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 105DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 106DF CARF MF Processo nº 10880.679795/200915 Acórdão n.º 3402004.851 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 107DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10880.679795/200915 Acórdão n.º 3402004.851 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 109DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10880.679795/200915 Acórdão n.º 3402004.851 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 111DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10880.679795/200915 Acórdão n.º 3402004.851 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 13875.000233/2011-26
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2011
INCLUSÃO RETROATIVA. OPÇÃO NÃO FORMALIZADA.
Não formalizada a opção, a solicitação de inclusão retroativa no Simples Nacional deve ser indeferida.
RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. PRESSUPOSTOS FORMAIS. CONHECIMENTO. DECRETO 70.235/72.
O Recurso Voluntário interposto com vistas à buscar nova análise da matéria decidida pela DRJ, tempestivamente e por pessoa competente, deve ser conhecido. Inteligência do Art. 33 do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 1001-000.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa (Relator), que conheceu parcialmente do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva. Designado para redigir o voto vencedor, apenas quanto ao conhecimento, o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
(Assinado Digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente e Relator.
(Assinado Digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Redator do voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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S. CORREA COMUNICACOES ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2011 INCLUSÃO RETROATIVA. OPÇÃO NÃO FORMALIZADA. Não formalizada a opção, a solicitação de inclusão retroativa no Simples Nacional deve ser indeferida. RECURSO VOLUNTÁRIO. TEMPESTIVIDADE. PRESSUPOSTOS FORMAIS. CONHECIMENTO. DECRETO 70.235/72. O Recurso Voluntário interposto com vistas à buscar nova análise da matéria decidida pela DRJ, tempestivamente e por pessoa competente, deve ser conhecido. Inteligência do Art. 33 do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer integralmente do Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa (Relator), que conheceu parcialmente do recurso. No mérito, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva. Designado para redigir o voto vencedor, apenas quanto ao conhecimento, o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. (Assinado Digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente e Relator. (Assinado Digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Redator do voto vencedor AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 87 5. 00 02 33 /2 01 1- 26 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, José Roberto Adelino da Silva e Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Tratase de pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional, a partir de 01/01/2011. Alega o contribuinte que, através de petição (efl. 03) efetuou opção pelo Simples Nacional, em 01.12.2010, através do “Agendamento disponível” (art. 7° da Resolução do CGSN nº 94/2011). Mas obteve a informação de pendência de multa, a qual foi paga em 24.01.2011. Afirmou que acreditou que até o dia 31.01.2011 estaria automaticamente incluído no sistema. Como tal não ocorreu, pede a inclusão retroativa no Simples Nacional. Por bem resumir os fatos que se seguiram ao pleito, reproduzo a seguir parcialmente o relatório da decisão de primeira instância: Este processo foi inaugurado com a petição à fl.3 (com a qual vieram os documentos de fls.4/12), recebida em 09.02.2011, na qual o interessado afirma que, através do “Agendamento disponível”, efetuou opção pelo Simples Nacional em 01.12.2010, porém, obteve a informação de pendência de multa, que pagou em 24.01.2011, e “sabendo do atual estágio de eficiência do sistema de processamento da RFB, acreditou que até o dia 31.01.2011, prazo final de opção, aquela pendência estaria extinta...”, e, assim, estaria automaticamente incluído no sistema. Como tal não ocorreu, pede a inclusão retroativa no Simples Nacional. 2 Intimado pela DRF/SorocabaSP a trazer comprovantes de agendamento e de opção (fls.18/21), o interessado apresentou a petição de fls.21 (com a qual vieram os docs. de fls.22/24), recebida em 08.06.2011, reiterando a petição à fl.1, e informando que não fez outro agendamento ou nova opção. 3 A DRF/Sorocaba proferiu, em 22.06.2011, o Despacho Decisório Secat/DRF/SOR n. 565/2011 (fls.35/36), indeferindo o pedido de inclusão retroativa e abrindo ao interessado o prazo para Manifestação de Inconformidade MI à autoridade julgadora (DRJ). 4 Em MI às fls.42/43 (à qual junta documentos de fls.44/49), o interessado reafirma as petições de fls.1 e 21, reiterando o pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional, nestes termos: Após tomar ciência do Despacho Decisório Secat/DRF/SOR n. 565/2011 (fls.35/36), a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade repetindo os termos do pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional, a partir de 01/01/2011 (petição de efl. 03). A decisão de primeira instância (efls. 60/65) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, por entender que embora tenha regularizado o débito que deu causa à não Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 4 3 aceitação do Agendamento da Opção pelo Simples Nacional, o interessado nem fez novo Agendamento, nem formalizou opção pelo Simples Nacional para o anocalendário de 2011. Cientificada da decisão de primeira instância em 02/10/2013 (efl. 67) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 01/11/2013 (efl. 99), em que aduz, em resumo, que: entendeu que a própria RFB efetuaria de ofício a opção ao Simples Nacional, após a regularização da pendência pelo contribuinte; que a pendência resultou das dificuldades de micros empresas interioranas cumprirem as exigências burocráticas. . Voto Vencido Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso é tempestivo. Voto por conhecer parcialmente somente para analisar a competência do CARF para julgar pleito de contribuinte que teve rejeitado seu pedido de agendamento. Tratase, nestes autos, exclusivamente do Indeferimento de pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional, a partir de 01/01/2011, efetuado exclusivamente através de ato em que o contribuinte solicitou o agendamento previsto no art. 7° da Resolução do CGSN nº 94/2011 e 7° A Resolução CGSN nº 4/2007. O § 2º do art. 7° A da Resolução CGSN nº 4/2007 preceitua claramente que "não haverá contencioso administrativo na hipótese de o agendamento ser rejeitado", hipótese em que se subsumem os fatos descritos nestes autos. Ou seja, os fatos narrados subsumemse ao previsto no § 2º do citado art. 7° A, não cabendo a este CARF reverter ou tornar sem efeito Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 5 4 o que prevê a regulamentação autorizada pela LC 123/2006, mais especificamente o artigo 7° A Resolução CGSN nº 4/2007, em especial em seu § 2º. Cabe verificar o que dispõe o artigo 7° A Resolução CGSN nº 4/2007: “Art. 7ºA A ME ou EPP poderá efetuar agendamento da opção de que trata o § 1º do art. 7º, observadas as seguintes disposições:http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexo Outros.action?idArquivoBinario=0(Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) I estará disponível, em aplicativo específico no Portal do Simples Nacional, entre o primeiro dia útil de novembro e o penúltimo dia útil de dezembro do ano anterior ao da opção;http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros .action?idArquivoBinario=0(Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) II sujeitarseá ao disposto nos §§ 2º e 4º do art. 7º;http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.acti on?idArquivoBinario=0(Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) III na hipótese de serem identificadas pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, o agendamento será rejeitado, podendo a empresa:http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutr os.action?idArquivoBinario=0(Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) a) solicitar novo agendamento após a regularização das pendências, observado o prazo previsto no inciso I; ou http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0(Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) b) realizar a opção no prazo e condições previstos no § 1º do art. 7º;http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.acti on?idArquivoBinario=0(Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) IV inexistindo pendências, o agendamento será confirmado, gerando para a ME ou EPP opção válida com efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário subsequente; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action? idArquivoBinario=0(Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) V o agendamento:http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anex oOutros.action?idArquivoBinario=0(Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) a) não se aplica à opção para ME ou EPP em início de atividade;http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOut Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 6 5 ros.action?idArquivoBinario=0 (Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) b) poderá ser cancelado até o final do prazo previsto no inciso I.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.actio n?idArquivoBinario=0 (Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) § 1º A confirmação do agendamento não implica opção pelo Sistema de Recolhimento em Valores Fixos Mensais dos Tributos Abrangidos pelo Simples Nacional (SIMEI), que deverá ser efetuado no prazo previsto no inciso II do art. 2º da Resolução CGSN nº 58, de 27 de abril de 2009.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.a ction?idArquivoBinario=0(Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) § 2º Não haverá contencioso administrativo na hipótese de o agendamento ser rejeitado.http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOut ros.action?idArquivoBinario=0(Incluído(a) pelo(a) Resolução CGSN nº 60, de 22 de junho de 2009) Conforme descrito em relatório, o contribuinte não efetuou opção em janeiro de 2011. Apenas registrou agendamento no final de 2010. Ao ter rejeitado o agendamento foi informado de que havia pendência fiscal. E conforme descreve a regulamentação reproduzida acima (em especial artigo 7° A, inciso III, "a" e "b" da Resolução CGSN nº 4/2007), deveria o contribuinte efetuar novo agendamento ou opção ao SN em janeiro de 2011, tudo após a resolução das pendências. Como o contribuinte não efetuou nem reagendamento nem opção, restou como único ato seu apreciado pela administração tributária a rejeição de agendamento. O contribuinte pede nestes autos sua adesão ao Simples, mas a norma acima somente permite a conversão de agendamento em opção quando o contribuinte efetua novo agendamento após a resolução das pendências. No caso quando o único ato do contribuinte apreciado pela administração tributária for a rejeição de agendamento a norma citada expressamente veda o contencioso administrativo (§ 2º do art. 7°A), ou seja a apreciação de recurso contra o Despacho Decisório Secat/DRF/SOR n. 565/2011 (fls.35/36). Desta forma, em obediência ao § 2º do art. 7° A da Resolução CGSN nº 4/2007 (que veda o contencioso administrativo no caso presente), é incompetente este CARF para apreciar e eventualmente reverter a decisão da Unidade de Origem, e se manifestar sobre questões trazidas em recurso voluntário, como, por exemplo: sobre as dificuldades de micros empresas interioranas cumprirem as exigências burocráticas; ou sobre se a empresa preenchia os requisitos para ser optante do Simples Nacional. PELO EXPOSTO, MEU VOTO É POR CONHECER PARCIALMENTE DO RECURSO e NEGAR PROVIMENTO DA PARTE CONHECIDA. Caso vencido e a Turma conheça integralmente do recurso (o que se confirmou) VOTO POR NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO, ADOTANDO AS RAZÕES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. Isto porque a recorrente deixou de apontar elementos comprobatórios de que teria sido, injustamente, impedida de realizar nova Opção dentro do prazo legal, tampouco Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 7 6 demonstrou que diligenciou adequadamente, dentro deste mesmo prazo, para sanar os impedimentos que alega terem obstado sua opção. Quanto a isso, a decisão da DRJ de origem bem expôs os pontos que demonstram que a Recorrente não se desincumbiu de forma satisfatória de seus deveres procedimentais, que ensejaram a sua não opção dentro do prazo permitido, de modo a não fazer jus à Inclusão Retroativa. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Por força do julgamento em epígrafe, fui designado para redigir o presente Voto Vencedor, tão somente quanto à admissibilidade do recurso. Pois bem, conforme cediço, o processo administrativo fiscal também se rege pelos princípios do devido processo legal, duplo grau de jurisdição e da ampla defesa. Tais conclusões se extraem da interpretação sistemática dos seguintes dispositivos constitucionais: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) XXXIV são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; (...) LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; Não por acaso, o Decreto 70.235/72, ao dispor sobre o processo administrativo fiscal, mostrando obediência aos comandos constitucionais supracitados, estabeleceu o Recurso Voluntário como meio apto para submeter as decisões exaradas pelas Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 8 7 Delegacias Regionais de Julgamento ao duplo grau de jurisdição, in casu, a ser exercido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. In verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Notese que, fora o prazo legal de 30 dias, tal dispositivo não faz qualquer outra ressalva ou restrição quanto às hipóteses de cabimento do Recurso Voluntário. Destarte, fica claro que havendo decisão de primeira instância proferida por uma Delegacia Regional de Julgamento é sempre cabível o competente Recurso Voluntário, visando a competente revisão do decisum por esta instância superior, contanto que interposto por pessoa legitimada no prazo legal de 30 dias. Tal entendimento está em linha com o disposto pelo art. 63 da Lei 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da administração pública federal, conforme se transcreve: Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. Assim, resta evidente que o juízo de admissibilidade do Recurso Voluntário devese voltar tão somente para a verificação do preenchimento dos pressupostos de admissibilidade supra colacionados, não devendo o conhecimento do recurso se confundir com a própria análise do mérito da decisão do juízo a quo. Confirmando nossas conclusões, temos a lição do ilustre professor James Marins, ao se debruçar sobre o tema da admissibilidade recursal no processo administrativo, conforme se faz oportuno transcrever: Com o escopo de conferir qualidade e atribuir segurança aos julgamentos administrativos, o princípio do duplo grau de cognição afigurase como imperativo jurídico expresso no art. 5°, LV, da CF/1988 e o direito ao recurso representa importante desdobramento do princípio da ampla defesa. (...) O recurso voluntário não é de fundamentação vinculada, de modo que o único juízo de admissibilidade cabível é de natureza formal, como, por exemplo, quanto ao prazo de interposição ou regularidade de representação processual. É o recurso por excelência, de revisão geral, no qual o contribuinte pode deduzir, novamente se for o caso, toda sua matéria de defesa, processual, fática ou estritamente material.(grifouse) Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 9 8 (MARINS, James. Direito processual tributário brasileiro: administrativo e judicial. 9 ed. São Paulo: RT, 2016, pgs. 279 e 285.) Resta cristalino, pela detida análise de tudo que foi colacionado acima, que o Recurso Voluntário é o instrumento hábil para se operacionalizar o necessário duplo grau de jurisdição, permitindo que qualquer decisão que seja tomada por uma DRJ seja submetida ao crivo do CARF, contanto que preenchidos seus pressupostos formais. Importa frisar que o não conhecimento do recurso implica o trânsito em julgado da decisão nos termos propostos pela primeira instância. Portanto, caso se entenda que a decisão de piso merece reparos de qualquer ordem, tal modificação só pode ocorrer por ocasião do julgamento do mérito recursal, o que só ocorre quando conhecido o Recurso. Logo, por decorrência lógica, ainda que se entendesse que os julgadores de primeira instância deveriam ter proferido sua decisão baseada em fundamentos diversos, deve se primeiro conhecer o recurso para em momento oportuno posterior exarar nova decisão, e não, simplesmente, negar conhecimento ao recurso da parte. Voltando ao caso concreto em tela, resta evidente que o Recurso Voluntário ora analisado foi interposto: (i) dentro do prazo legal de 30 dias; (ii) pelo legítimo sujeito passivo da obrigação em comento; (iii) contra decisão prolatada por DRJ, sendo, portanto, este CARF o órgão competente para proceder à revisão do julgado; (iv) e, por fim, apresentando argumentos e razões de defesa em linha com as matérias aventadas e julgadas em primeira instância, não deixando margem para que se suscite qualquer preclusão do direito de defesa. Nestes trilhos, uma vez que a Recorrente está exercendo regularmente o seu direito de ter os fatos e fundamentos analisados pela competente DRJ reavaliados por este Conselho, entendo que o seu Recurso deve ser plenamente conhecido por esta turma de julgamento. Desta feita, diante de tudo o que foi exposto, peço vênia ao Ilustre Conselheiro Relator para discordar de suas conclusões por ocasião do exame de admissibilidade e encaminhar o meu VOTO no sentido de CONHECER INTEGRALMENTE do Recurso Voluntário oferecido pela parte. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Declaração de Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 10 9 Na sessão de julgamento do processo em epígrafe, o D. Relator orientou seu voto para Negar Provimento ao Recurso Voluntário, sob a fundamentação de que se trataria de inconformidade quanto ao cancelamento de agendamento de opção para o Simples Nacional, e portanto não haveria direito por parte do contribuinte a se insurgir, via o presente PAT, na hipótese do § 2º do art. 7°A da Resolução CGSN nº 04/2007. Com a devida vênia, acompanhei apenas pelas conclusões o voto do Relator em Negar Provimento ao Recurso. Razão pela qual, entendi por bem declarar meu voto, especificando as razões que me levaram a divergir das fundamentações utilizadas pelo ilustre Relator. É bem verdade que o art. 7° A, § 2º, determina que: " Não haverá contencioso administrativo na hipótese de o agendamento ser rejeitado." Contudo, compulsando os autos, entendo que em momento algum o presente contencioso administrativo tratouse de insurgência contra o cancelamento do agendamento realizado. Ora, apenas poderíamos dizer que o contribuinte estaria se insurgindo contra a rejeição do agendamento da opção caso este tivesse impetrado a presente medida administrativa tão logo tivesse sido cancelado o seu agendamento; e deveria estar usando por base de sua argumentação a inexistência de razão válida para tal rejeição. Conforme se extrai dos autos, nenhuma das duas circunstâncias se verifica. Notese que a Recorrente não só concorda com a existência dos débitos que ensejaram a recusa do agendamento, como efetivamente buscou a sua quitação, conforme documento apresentado às fls. 07. Assim, não há que se falar de insurgência da contribuinte diretamente contra a rejeição de seu agendamento. Em verdade, os fatos narrados e combatidos no presente processo administrativo superam a mera existência de um agendamento de opção rejeitado. Por estes trilhos, notase que o real objeto do presente contencioso administrativo é o eventual direito à Inclusão Retroativa no Simples Nacional que a Recorrente alega ter. Não por acaso, tanto a Agência Regional da RFB em Itapeva (fl. 14), quanto a SECAT da DRF Sorocaba (fls. 3536), e a própria DRJ de Origem (fls. 6065), sempre processaram o feito como verdadeiro Pedido de Inclusão Retroativa, como verdadeiramente o é. Destarte, resta aqui justificado meu entendimento pela inaplicabilidade do §2º do art. 7°A, da Resolução CGSN nº 04/2007, ao presente feito. Por outro lado, voltandonos agora à análise do mérito trazido pela Recorrente no bojo do Recurso Voluntário em tela, devese destacar que esta deixou de apontar elementos comprobatórios de que teria sido, injustamente, impedida de realizar nova Opção dentro do prazo legal, tampouco demonstrou que diligenciou adequadamente, dentro deste mesmo prazo, para sanar os impedimentos que alega terem obstado sua opção. Quanto a isso, a decisão da DRJ de origem tratou de forma bastante didática de expor os pontos que demonstram que a Recorrente não se desincumbiu de forma satisfatória Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 11 10 de seus deveres procedimentais, que ensejaram a sua não opção dentro do prazo permitido, de modo a não fazer jus à Inclusão Retroativa. Por este motivo, peço licença para adotar e reproduzir aqui os fundamentos da decisão de piso: "(...) 6 Tratase de pedido de inclusão retroativa no Simples Nacional. 7 A opção pelo Simples Nacional pode ser objeto de agendamento, que é um aplicativo específico, disponível no portal do Simples Nacional (Resolução do Comitê Gestor do Simples Nacional –CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011): Art. 7º. A ME ou EPP poderá efetuar agendamento da opção de que trata o § 1 º do art. 7 º , observadas as seguintes disposições: I estará disponível, em aplicativo específico no Portal do Simples Nacional, entre o primeiro dia útil de novembro e o penúltimo dia útil de dezembro do ano anterior ao da opção; II sujeitarseá ao disposto nos §§ 2 º e 4 º do art. 7 º ; (...) 8 Acerca do agendamento, a sobredita Resolução é inequívoca: se não houver pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, o agendamento é confirmado e se converte em opção válida para o sistema: Art.7º (...) IV inexistindo pendências, o agendamento será confirmado, gerando para a ME ou EPP opção válida com efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário subsequente; (...) 9 Havendo pendências, a mesma Resolução dispõe que o agendamento é sistematicamente rejeitado, senão vejamos: Art. 7º (...) III na hipótese de serem identificadas pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, o agendamento será rejeitado, podendo a empresa: (...) 10 O interessado junta o documento às fls.5 (abaixo reproduzido), no qual se vê que, em 01.12.2010, seu agendamento não foi aceito, em razão de pendências fiscais: Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 12 11 11 Cabe ressaltar que, no campo “Observação Final” (da tela acima), diante da não aceitação do agendamento, o solicitante é direcionado a regularizar as pendências, que lhe são demonstradas, e, sobretudo, a formalizar, até o penúltimo dia útil de dezembro, novo ou novos agendamentos. 12 O interessado junta, às fls.6/7, abaixo reproduzidas: a) as “Informações Fiscais do Contribuinte”, emitida em 31.01.2011, na qual se vê que a pendência que deu causa à rejeição do agendamento se tratava de multa de R$ 500,00; b) e o comprovante do correspondente pagamento, efetuado em 24.01.2011: Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 13 12 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 14 13 13 Pois bem. Rejeitado o agendamento, a citada Resolução CGSN nº 94/2011, dispõe que o solicitante deve: a) regularizar a pendência e solicitar novo agendamento; b) ou efetuar a opção pelo Simples Nacional: Art. 7 (...) III na hipótese de serem identificadas pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, o agendamento será rejeitado, podendo a empresa: a) solicitar novo agendamento após a regularização das pendências, observado o prazo previsto no inciso I; ou: b) realizar a opção no prazo e condições previstos no § 1 º do art. 7 º ; 14 Tal como afirma em todas as petições apresentadas, o interessado não fez novo agendamento. 15 Assim, estava obrigado a formalizar a sua opção pelo Simples Nacional, no prazo e nas condições previstas na legislação: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13875.000233/201126 Acórdão n.º 1001000.332 S1C0T1 Fl. 15 14 16 A opção pelo Simples Nacional se dá unicamente por meio da internet e deve ser realizada no mês de janeiro: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3 º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (...) 17 Tal como reafirma em suas petições, o interessado não formalizou opção pelo Simples Nacional para o anocalendário de 2011. 18 A legislação não contempla hipóteses de afastamento da sobredita regra. 19 Assim, embora tenha regularizado o débito que deu causa à não aceitação o Agendamento da Opção pelo Simples Nacional, o interessado nem fez novo Agendamento, nem formalizou opção pelo Simples Nacional para o anocalendário de 2011. 20 Desse modo, o Despacho Decisório às fls.35/36, que indeferiu o pedido de inclusão retroativa do interessado no Simples Nacional, deve ser mantido. (...)" Desta feita, com base em todo o exposto acima, penso que a decisão proposta fundamentada no §2º do Art. 7A da Resolução CGSN 04/2007 não se aplica ao presente litígio, razão pela qual VOTO por NEGAR PROVIMENTO PELAS CONCLUSÕES, adotando os fundamentos da decisão da DRJ de origem. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues. Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10140.000961/2002-43
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992
FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL.
Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
Numero da decisão: 9900-000.470
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5).
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ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 30/09/1989 a 31/03/1992 FINSOCIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRAZO PRESCRICIONAL. Para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 26/12/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 00 09 61 /2 00 2- 43 Fl. 297DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0418.11542.JNL2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional (doc. a fls. 190 e segs.), com fundamento no arts. 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 2007, em face do Acórdão n° 03 05.444, que negou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, sob o fundamento de que o prazo prescricional da pretensão à restituição de valores pagos a título de Finsocial começou a correr com a edição da MP n˚ 1.110/95, por meio da qual a Fazenda Nacional teria reconhecida a inconstitucionalidade da exação. Em breve síntese, a recorrente sustenta que: “pelo exame dos artigos 165, inciso I e 168, inciso I, ambos do CTN, constatase que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, EXTINGUESE COM O DECURSO DO PRAZO DE CINCO ANOS, CONTADOS DA DATA DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Em apoio ao seu argumento, sustenta que: “Esse entendimento, conforme ensina Leandro Paulsen, já se firmou na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: ‘A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 435.835SC, em março de 2004, reconsiderou entendimento anterior para firmar posição, agora, no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito à repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar no Judiciário, o reconhecimento do direito à repetição ou à compensação com fundamento em inconstitucionalidade forte no controle difuso’(Grifou se). O posicionamento adotado no EREsp acima mencionado já se encontra pacificado naquela Corte. Foi inclusive reiterado, recentemente, pelo voto condutor do eminente Ministro Teori Albino Zavascki, no REsp 747.091/SC. Vejase: ‘Considerouse ser irrelevante, para efeito da contagem do prazo prescricional, a causa do recolhimento indevido (v.g., pagamento a maior ou declaração de inconstitucionalidade do tributo pelo Supremo), eliminandose a anterior distinção Fl. 298DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0418.11542.JNL2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10140.000961/200243 Acórdão n.º 9900000.470 CSRFPL Fl. 238 3 entre repetição de tributos cuja cobrança foi declarada em controle concentrado e em controle difuso, com ou sem edição de resolução pelo Senado Federal (...)’ (Grifouse).” Em despacho a fls. 218, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais admitiu o Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional, por entender que atendia aos pressupostos de recorribilidade. Cientificada do recurso extraordinário da Fazenda Nacional contribuinte apresentou contrarrazões a fls. 230 e segs.. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Ao analisar mais detidamente o acórdão paradigma (Acórdão n˚ 0202.088) aduzido pela recorrente, verifico que, embora o Relator tenha feito menção a posição predominante à época neste Colegiado, qual seja, a de que o dies a quo do prazo prescricional se desloca para a data da publicação da Resolução Senatorial, essa não foi a ratio decidendi do julgado, mas sim, mero obiter dictum. Tanto é assim que na ementa do acórdão sequer qualquer menção foi feita acerca desse entendimento. Aliás, o Relator não poderia sustentar as duas posições ao mesmo tempo, ainda que, naquele caso, elas levassem ao mesmo resultado, pois elas são excludentes, razão que demonstra ainda mais o caráter acessório do comentário feito sobre a posição majoritária então vigente. Assim, a verificação da divergência deve ser feita à luz do posicionamento que efetivamente foi adotado no acórdão paradigma, qual seja, que o dies a quo do prazo prescricional é aquele indicado no art. 168, I, do CTN. Por essa razão conheço do recurso extraordinário da Fazenda Nacional, pois resta presente o dissídio jurisprudencial. Por força do disposto no art. 62A do RICARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, reproduzo o que fora decidido no REsp nº 1.110.578/SP, representativo de controvérsia julgado pela sistemática do art. 543 do CPC, cuja ementa a seguir transcrevo: REsp 1110578 /SP RECURSO ESPECIAL 2009/00083134 Relator(a) Ministro LUIZ FUX (1122) Órgão Julgador S1 PRIMEIRA SEÇÃO Data do Julgamento 12/05/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 21/05/2010RT vol. 900 p. 204 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TAXA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA.TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL. Fl. 299DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0418.11542.JNL2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 PRESCRIÇÃO QUINQUENAL. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO DE OFÍCIO. 1. O prazo de prescrição quinquenal para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento de ofício, é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, qual seja, a data do efetivo pagamento do tributo, a teor do disposto no artigo168, inciso I, c.c artigo 156, inciso I, do CTN. (Precedentes: REsp 947.233/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em23/06/2009, DJe 10/08/2009; AgRg no REsp 759.776/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2009, DJe20/04/2009; REsp 857.464/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI,PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/02/2009, DJe 02/03/2009; AgRg no REsp1072339/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em03/02/2009, DJe 17/02/2009; AgRg no REsp. 404.073/SP, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, Segunda Turma, DJU 31.05.07; AgRg no REsp.732.726/RJ, Rel. Min. FRANCISCO FALCÃO, Primeira Turma, DJU21.11.05) 2. A declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício. (Precedentes: EREsp 435835/SC, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, Rel. p/ Acórdão Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA SEÇÃO,julgado em 24/03/2004, DJ 04/06/2007; AgRg no Ag 803.662/SP, Rel.Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/02/2007, DJ19/12/2007) 3. In casu, os autores, ora recorrentes, ajuizaram ação em 04/04/2000, pleiteando a repetição de tributo indevidamente recolhido referente aos exercícios de 1990 a 1994, ressoando inequívoca a ocorrência da prescrição, porquanto transcorrido o lapso temporal quinquenal entre a data do efetivo pagamento do tributo e a da propositura da ação. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008."[grifo nosso] Do julgado acima transcrito, de plano já se conclui que o acórdão recorrido merece reforma, pois, como ali decidido, "declaração de inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou a Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso) é despicienda para fins de contagem do prazo prescricional tanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quanto em relação aos tributos sujeitos ao lançamento de ofício". Resta, então saber qual o prazo prescricional, quando se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, pois a posição adotada no item 1 do acórdão acima transcrito referese unicamente aos lançamentos de ofício. Sobre tal questão, já decidiu o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS; como também o Superior Tribunal de Justiça, ao julgar o recurso representativo de controvérsia REsp n. 1.269.570MG. Tal posição jurisprudencial foi muito bem sintetizada na ementa do REsp 1089356/PR, a qual assim dispõe: Fl. 300DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0418.11542.JNL2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10140.000961/200243 Acórdão n.º 9900000.470 CSRFPL Fl. 239 5 REsp 1089356 / PR RECURSO ESPECIAL 2008/02103521 Relator(a) Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES (1141) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 02/08/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 09/08/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. RECURSOS ESPECIAIS. JUÍZO DE RETRATAÇÃO. ART. 543B, § 3º, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA QUE ATACA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE SALDOS NEGATIVOS DA CSLL REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 1996. PEDIDO ADMINISTRATIVO PROTOCOLADO ANTES DE 09.06.2005. INAPLICABILIDADE DA LEI COMPLEMENTAR N. 118/2005 E DO ART. 16 DA LEI N. 9.065/95. 1. Tanto o STF quanto o STJ entendem que, para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09.06.2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento. Já para as ações ajuizadas antes de 09.06.2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, §4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Precedente do STJ: recurso representativo da controvérsia REsp n. 1.269.570MG, 1ª Seção, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23.05.2012. Precedente do STF (repercussão geral): recurso representativo da controvérsia RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011. 2. No caso, embora se trate de mandado de segurança ajuizado no ano de 2007, houve observância do prazo do art. 18 da Lei n. 1.533/51 e a impetrante impugna o ato administrativo que decretou a prescrição do seu direito de pleitear a restituição dos saldos negativos da CSLL referentes ao anocalendário de 1995, exercício de 1996, cujo pedido de restituição foi protocolado administrativamente em 05.07.2002, antes, portanto, da Lei Complementar n. 118/2005. Diante das peculiaridades dos autos, o Tribunal de origem decidiu que o prazo prescricional deve ser contado da data de protocolo do pedido administrativo de restituição. Em assim decidindo, a Turma Regional não negou vigência ao art. 168, I, do CTN; muito pelo contrário, observou entendimento já endossado pela Primeira Turma do STJ (REsp 963.352/PR, Rel. Min. Luiz Fux, DJe de 13.11.2008). 3. No tocante ao recurso da impetrante, deve ser mantido o acórdão do Tribunal de origem, embora por outro fundamento, pois, ainda que o art. 16 da Lei n. 9.065/95 não se aplique nas hipóteses de restituição, via compensação, de saldos negativos da CSLL, no caso a impetrante formulou administrativamente simples pedido de restituição. Na Fl. 301DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0418.11542.JNL2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 espécie, ao adotar a data de homologação do lançamento como termo inicial do prazo prescricional quinquenal para se pleitear a restituição do tributo supostamente pago a maior, o Tribunal de origem considerou tempestivo o pedido de restituição, o qual, por conseguinte, deverá ter curso regular na instância administrativa. Mesmo que a decisão emanada do Poder Judiciário não contemple a possibilidade de compensação dos saldos negativos da CSLL com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, nada obsta que a impetrante efetue a compensação sob a regência da legislação tributária posteriormente concebida. 4. Recurso especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido, e recurso especial da impetrante não provido, em juízo de retratação. Em suma, temos que: a) para as ações de repetição de indébito relativas a tributos sujeitos a lançamento por homologação ajuizadas de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para as ações ajuizadas antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). Todavia, o julgado acima transcrito foi além do decidido nos recursos representativos de controvérsia retro citados, pois sustentou que tais conclusões se aplicariam também em caso de pedido administrativo, ou seja, as mesmas considerações acerca da data do ajuizamento da ação de repetição de indébito, para fins de determinação do dies a quo do prazo prescricional, seriam também aplicáveis em caso de restituição pedida diretamente à Administração Tributária. Sobre tal ponto, embora não seja caso de aplicação do art. 62A, já que o referido recurso especial não foi julgado pela sistemática do art. 543C do CPC, adoto tal entendimento para então concluir que: a) para os pedidos administrativos de restituição relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação protocolizados de 09/06/2005 em diante, deve ser aplicado o prazo prescricional quinquenal previsto no art. 3º da Lei Complementar n. 118/2005, ou seja, prazo de cinco anos com termo inicial na data do pagamento; e b) para os pedidos administrativos protocolizados antes de 09/06/2005, deve ser aplicado o entendimento anterior que permitia a cumulação do prazo do art. 150, § 4º com o do art. 168, I, do CTN (tese do 5+5). In casu, como o pedido foi protocolizado em 05/04/2002, aplicase a cumulação dos prazos do art. 150, § 4˚, com o do art. 168, I, do CTN, ou seja, dez anos contados do fato gerador, razão pela qual entendo atingido pela prescrição a pretensão à restituição de valores pagos a título de Finsocial relativos aos fato geradores de 09/1989 a 03/1992. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional, para acolher a preliminar de prescrição da pretensão à restituição de valores pagos a título de Finsocial relativo aos fatos geradores de 09/1989 a 03/1992. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 302DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0418.11542.JNL2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10140.000961/200243 Acórdão n.º 9900000.470 CSRFPL Fl. 240 7 Fl. 303DF CARF MF Excluído Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0418.11542.JNL2. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 26/12/2012 14:18:50. Documento autenticado digitalmente por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 26/12/2012. Documento assinado digitalmente por: OTACILIO DANTAS CARTAXO em 21/01/2013 e ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 26/12/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 05/04/2018. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP05.0418.11542.JNL2 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 9D28342803EBE3ACF3B30FF9C036E03F675B3772 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Outros". 3) Selecione a opção "eAssinaRFB - Validação e Assinatura de Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10140.000961/2002-43. 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Numero do processo: 19679.011519/2005-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA
O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN).
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 1002-000.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, queda-se alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente COMFER COMERCIO DE JUNTAS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA O caráter punitivo da reprimenda obedece a natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à intenção do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais (art. 136 CTN). Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. Julio Lima Souza Martins Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 01 15 19 /2 00 5- 91 Fl. 35DF CARF MF 2 Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Ailton Neves da Silva e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 30 e 31) interposto contra o Acórdão n° 1612.397, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP (efls. 23 à 25), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta ementada nos seguintes termos: Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. O cumprimento da obrigação acessória apresentação de declarações (DCTF) fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Lançamento Procedente Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte o afastamento da multa por descumprimento de obrigação acessória (decorrente do atraso na entrega da DCTF), verbis: 1. A DCTF objeto do citado Auto, seria uma obrigação tributaria acessória ,se sua instituição fosse lastreada nos alicerces legais necessários, isto e, PREVISTA POR LEI, como determina o CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (artigo 113, parágrafo) 3.° combinado com o artigo 97, inciso V e em consonância com o que estabelece o artigo 5.° inciso II, da Constituição Federal, que prescreve { ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude da lei } . 2. Por outro lado, a impugnante endente que criar uma obrigação tributaria acessória, através de INSTRUÇÃO NORMATIVA (IN 129 de 19/11/1986).(alterada pelas IN 73/96 e 255/2002), e este ato sendo infralegal, não se coaduna com o nosso ordenamento jurídico tributário constituindose face/ a isso, em uma ilegalidade. 3. lnferese portanto, que a exigência da DCTF, bem como, a previsão de MULTA por qualquer suposta Infração a forma ou prazo de sua apresentação, e completamente Ilegal e Inconstitucional, julgando a requerente que tem o Direito de postular o reconhecimento da não entrega, ou entrega fora do prazo da citada DCTF, bem como, não se submeter a imposição da também já citadas MULTAS; Fl. 36DF CARF MF Processo nº 19679.011519/200591 Acórdão n.º 1002000.119 S1C0T2 Fl. 3 3 4. O artigo 95 inciso V do CTN, preceitua < Somente a lei pode estabelecer(....) a cominação de penalidade para as ações ou omissões contrarias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas >. Uma vez mais, não há que se falar em imposição de MULTA para uma exigência fiscal eivada de ilegalidade, conforme restou demonstrado nos itens 1 e 2 desta impugnação É o Relatório Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Quanto ao mérito, observo inicialmente que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. Os argumentos da Recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, haja vista ter entregue a declaração antes de qualquer procedimento fiscal. Contudo, não vejo como acolher os pleitos da Recorrente, pois a decisão da DRJ apresenta estreita sintonia com a jurisprudência do CARF. Os indigitados argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever abaixo os principais trechos do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoos desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 e em atenção ao disposto no §3º do art. 57, do RICARF: De início, é de se registrar que o atraso na entrega da declaração é ostensivo, evidente por si só e, enquanto tal, desnecessário qualquer procedimento fiscal prévio. Ademais, tratase de procedimento sumário de revisão interna da declaração, permitido pela legislação. Ponderase, ainda, que, consoante o parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. E, por ser o lançamento ato privativo da autoridade administrativa é que a lei atribui à Administração o poder de impor, por meio da legislação tributária, ônus e deveres aos particulares, denominados, genericamente, "obrigações acessórias", que têm por objeto as prestações, positivas ou negativas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2° do CTN). Quando a obrigação acessória não é cumprida, fica subordinada à multa específica (art. 113, § 3°, do CTN). Assim é que a Administração exige do particular diversos procedimentos. Fl. 37DF CARF MF 4 No caso, a obrigação acessória implicou não só o cumprimento do ato de entregar a declaração, como também, o dever de fazê lo no prazo previamente determinado, independentemente de qualquer procedimento fiscal. Portanto, havêla entregue e ter recolhido todos os impostos declarados nos prazos previstos em lei, não. exime o contribuinte da penalidade, posto que esta está claramente definida, tanto para a hipótese da não entrega, quanto para o caso de seu implemento fora do tempo determinado. Qualquer entendimento em contrário implicaria tomar letra morta os dispositivos legais em apreço, o que viria, inclusive, a desestimular o cumprimento da obrigação acessória no prazo legal. Quanto aos questionamentos relativos a leis e atos regularmente inseridos no ordenamento jurídico, é de se registrar que exorbitam da competência das autoridades administrativas, às quais cabe apenas cumprir as determinações da legislação em vigor, principalmente em se tratando de norma validamente editada. Acrescese que o dever de observância das normas abrange também as normas complementares editadas no âmbito da Secretaria da Receita Federal SRF, expresso em atos tributários e aduaneiros, conforme expressa disposição da Portaria n° 258, de 24 de agosto de 2001, in verbis: Art. 7º. O julgador deve observar o disposto no art. 116, III da Lei n° 8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos tributários e aduaneiros. Nesse contexto, a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. (...) Confirmando esse posicionamento, a Portaria MF n° 103, de 23 de abril de 2002, alterou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, deles fazendo constar o art. 22A, estabelecendo que “no julgamento de recurso voluntário, de oficio ou especial, fica vedado” a ambos os órgãos “afastar a aplicação, em virtude de inconstitucionalidade, de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo em vigor”. Destaco, ainda, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo cobrado. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, nasce um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, converte se em principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Por fim, como se sabe, o caráter punitivo da reprimenda possui natureza objetiva. Ou seja, quedase alheia à vontade do contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado de inobservância às regras formais. Eis que a responsabilidade no campo tributário independe Fl. 38DF CARF MF Processo nº 19679.011519/200591 Acórdão n.º 1002000.119 S1C0T2 Fl. 4 5 da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do Código Tributário Nacional. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. Breno do Carmo Moreira Vieira Relator Fl. 39DF CARF MF
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